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Numero do processo: 11831.007176/2002-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TEMPESTIVIDADE. SÚMULA CARF NR. 91.
A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
Numero da decisão: 1302-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TEMPESTIVIDADE. SÚMULA CARF NR. 91. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
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Decadência. Recorrente DERSA DESENVOLVIMENTO RODOVIÁRIO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TEMPESTIVIDADE. SÚMULA CARF NR. 91. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 71 76 /2 00 2- 04 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Relatório O acórdão recorrido manteve a decisão da DRF que indeferiu Pedido de Restituição de valor retido e não compensado sobre aplicações financeiras da Recorrente, relativas ao anocalendário de 1996. A DRF indeferiu o pedido de restituição devido ao transcurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Fundamentouse a decisão nas seguintes disposições legais: CTN, arts. 156; 165; e 168, inc. I; Lei Complementar nº 118/2005, arts. 3º e 4º. Os rendimentos de aplicações financeiras foram auferidos pela Recorrente em 1995 e declarados em 1996. A DRF considerou o início do referido prazo decadencial, em 01/01/1997 (art. 173, inc. I, CTN) e o término, em 01/01/2002. Indeferiu o pedido de restituição pelo fato de ter sido protocolado em 11/12/2002. Sendo assim, concluiu pela decadência do direito da Recorrente à restituição do imposto de renda retido e não compensado, em virtude do prazo de mais de cinco anos, transcorridos entre a data da extinção do crédito tributário e a data do pedido de restituição, acima indicado. A Recorrente reapresentou no Recurso Voluntário as mesmas razões alegadas em manifestação de inconformidade no sentido de que: a) na data do Pedido de Restituição, não estava em vigor a Lei Complementar nr. 118/05, cujo art. 3o. interpretou o inc. I do art. 168 do CTN, quanto ao termo inicial da contagem do prazo de 5 (cinco) para a utilização de valor decorrente de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1996: data da extinção do crédito tributário, na forma do inc. I do art. 106, do CTN; b) a utilização de seu crédito dependia de prévia homologação, segundo o art. 150, § 4o. do CTN, e que somente após a homologação pela RFB ou após a homologação tácita poderia, então, requerer a restituição do valor; c) com base nas disposições dos art. 173, inc. I e par. ún.; e art. 150 § 4º, ambos do CTN, o prazo de cinco anos para requerer a restituição terseia iniciado, somente após a homologação tácita, ocorrida cinco anos após a apuração de saldo negativo de IRPJ: a partir de 01/01/2001 (teoria dos "cinco mais cinco"; d) citou jurisprudência do STJ que considera o início da contagem do prazo decadencial no lançamento por homologação o primeiro dia útil do exercício seguinte ao que se extinguiu o direito potestativo de a Administração rever ou homologar o pleito do sujeito passivo (REsp. 58.9185RJ). Com base em tais argumentos, requereu "a reforma do despacho decisório para que seja afastada a decadência e seja dada a procedência do pedido de restituição e de compensação". Não houve requerimento para que fosse determinada a reforma do Acórdão recorrido, nem tampouco para que fosse dado provimento ao recurso voluntário. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 11831.007176/200204 Acórdão n.º 1302001.738 S1C3T2 Fl. 136 3 A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 14/08/2009 (fl. 99). O recurso voluntário foi interposto, em 14/09/2009 (fl. 100). A Recorrente está devidamente representada (fls. 107/121). É o breve relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil, relator Presentes os requisitos de admissibilidade e diante da tempestividade conheço do recurso voluntário. Verificase que, diante dos rendimentos de aplicação financeira auferidos pela Recorrente em 1995, declarados em 1996 e não compensados, houve pedido de restituição protocolado em 11/12/2002. O acórdão recorrido ratificou a decisão da DRF, que concluiu pela decadência do direito de a Recorrente pleitear a restituição do imposto de renda retido no resgate de aplicação financeira e não compensado, pelo fato de haver transcorrido mais de cinco anos entre a data da extinção do crédito tributário e o pedido de restituição. Assim, o direito à restituição estaria extinto, em cinco anos, contados do primeiro dia do ano subsequente a 1996, ano em que ocorreu a retenção e o recolhimento desse tributo. Assim, o período decadencial teria iniciado em 01/01/1997 e expirado em 01/01/2002. Não obstante, a decadência do direito de repetir o indébito perante o Fisco possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. Essas regras estão dispostas na Súmula CARF nº 91, que tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma, concluise que é tempestivo o PER/DCOMP em questão que deve ser devidamente apreciado. Voto, assim, por dar provimento parcial ao recurso voluntário revogandose o acórdão recorrido para reconhecer a tempestividade do pedido de restituição e determinar o retorno dos autos à DRF para que seja analisado o referido pedido e emitida nova decisão. Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723786/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Não comprovada a realização de despesas dedutíveis a título de despesas médicas, é dever manter as glosas relativas.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$22.346,82. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Não comprovada a realização de despesas dedutíveis a título de despesas médicas, é dever manter as glosas relativas. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Recurso Voluntário Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. Não comprovada a realização de despesas dedutíveis a título de despesas médicas, é dever manter as glosas relativas. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$22.346,82. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 37 86 /2 01 3- 33 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.723786/201333 Acórdão n.º 2201003.191 S2C2T1 Fl. 72 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 8ª Turma da DRJ/POA (Fls. 55), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 04/10, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física suplementar acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor de R$ 11.399,14, calculados até 28/03/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009. A fiscalização informa que procedeu a glosa de despesas com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 24.100,00 (fls. 06), e despesas médicas, no valor de R$ 2.379,00 (fls. 07/08). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02, alegando, em síntese, que efetivamente pagou pensão alimentícia em decorrência de decisão judicial no montante de R$ 22.346,82. Em relação às despesas médicas, questiona o valor de R$ 1.796,00. Informou ter anexado vários exames clínicos e laboratoriais que deram causa ao valor declarado. Anexou documentos. Passo adiante, a 8ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis as importâncias efetivamente pagas a título de alimentos ou pensões, inclusive a prestação de alimentos provisórios, em face de normas do Direito de Família ou as admissíveis pela Lei Civil nos estritos termos fixados na decisão ou acordo judicial, desde que devidamente comprovadas mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa de despesa médica não comprovada. Cientificado em 09/05/2013 (Fls. 61), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/06/2013 (fls. 63), argumentando: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.723786/201333 Acórdão n.º 2201003.191 S2C2T1 Fl. 73 3 (...) PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL A pensão alimentícia judicial foi efetivamente paga conforme consta da Declaração de Ajuste Anual de IARA MARLENE HASS E CUNHA e do Recibo entregue pela mesma a SRF, conforme orientação da própria atendente. A não consideração dos documentos supracitados carece de qualquer amparo legal, seja em caráter administrativo, eis que emitido após orientação do próprio atendente, extrajudicial ou judicial. De qualquer modo, estou anexando cópias dos extratos de conta fornecidos pela Caixa Econômica Federal, agencia 0429 Iguatemi onde restam inequívocas as comprovações tanto da conta de origem (12573 Luiz Ângelo de Mello e Cunha) quanto da conta de destino (12670 Iara Marlene Hass e Cunha) referente às transferências entre contas havidas nos exercícios de 2010 e 2011. Da mesma forma, anexo cópia da decisão judicial referente ao processo 001/1.08.02875576 onde foi fixada a pensão equivalente a 05 salários mínimos pelo Juiz de Direito, em 04/03/2009. DESPESAS MÉDICAS Embora tenha havido extravio dos documentos comprobatórios das citadas despesas, foram apresentados documentos que comprovam os atendimentos médicos em instituição médica particular. É de conhecimento público o valor em que tais exames são taxados. Presumese que o julgador tenha conhecimento do contexto dos fatos a que se propõe a opinar sob pena de incorrência de erro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. DESPESAS MÉDICAS No presente caso, em relação às despesas médicas, a DRJ entendeu que o recorrente não apresentou comprovantes da realização das mesmas, tendo apresentado somente cópias de atendimentos médicos de urgência e de exames laboratoriais (fls. 17/28). É de se observar que, mesmo sendo alertado pela DRJ, o Recorrente não apresentou qualquer outro documento, ou razão, que comprovasse as despesas médicas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.723786/201333 Acórdão n.º 2201003.191 S2C2T1 Fl. 74 4 Deste modo, entendo que o contribuinte não comprovou com documentos hábeis a realização de despesas médicas. Quando não comprovada a realização de despesas dedutíveis a título de despesas médicas, é dever manter as glosas. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Entendeu a DRJ que os depósitos apresentados não servem para comprovar o efetivo pagamento da pensão. Primeiro, porque não identificam o depositante e, segundo, porque são de anocalendário diverso do objeto da notificação de lançamento. Também entendeu a DRJ que embora o notificado tenha apresentado declaração firmada pela srª Iara de que recebeu a pensão no anocalendário de 2009, tal documento, por si só, não seria suficiente para comprovar o pagamento da pensão. E que, portanto, o Recorrente deveria ter apresentado cópia das transferências/depósitos bancários correspondentes aos valores declarados pela srª Iara em sua Declaração de Ajuste Anual. Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública Assim estabelece a legislação: Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 Art. 21. O inciso II do caput do art. 4º e a alínea f do inciso II do caput e o § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , passam a vigorar com a seguinte redação: II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Frisese, que em seu recurso o Recorrente anexa à folha 66 dos autos decisão judicial do processo 001/1.08.02875576 – Separação Judicial Litigiosa, na qual se fixa alimentos provisionais, no valor correspondente a 05 salários mínimos, datada de 04/03/2009. Por oportuno esclareço que consta nas páginas 31 e seguintes dos autos decisão judicial do mesmo processo 001/1.08.02875576 – Separação Judicial Litigiosa, na qual fixa a pensão alimentícia, no valor correspondente a 05 salários mínimos Portanto fica claro existe decisão judicial fixando os alimentos à época do litígio, existindo a obrigação de prestar alimentos provisionais, no anocalendário de 2009. É de se observar que o salário mínimo em 2009 era de R$ 465,00, tendo em vista que o pagamento se iniciou em março, teremos R$ 465,00 x 5 = R$2.325,00 X 10 meses = R$23.250,00 Neste ponto, ouso discordar do entendimento exarado pela DRJ. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.723786/201333 Acórdão n.º 2201003.191 S2C2T1 Fl. 75 5 Tenho o entendimento de que a declaração faz prova de pagamento; posto que preenche todos os requisitos legais e dá quitação ao pagamento de pensão alimentícia, que, é um dos poucos casos em que pode haver a prisão do alimentante em razão da falta de pagamento, principalmente em casos como este em que a separação foi litigiosa. (doc. pág. 16 dos autos) Ademais, a Sra. Iara Marlene Hass e Cunha, informou, no tempo oportuno e hábil, em sua DIRPF o recebimento de R$22.346,82 à título de pensão alimentícia; valor este correspondente ao da declaração por ela emitida. (doc. pág 16 e seguintes dos autos) Assim, perante a existência de prova de que os pagamentos se deram em decorrência de decisão judicial, e que foram quitados, deve ser restabelecida a dedução. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$22.346,82. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10920.903524/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO UTILIZADO.
Tendo sido confirmado em diligência que o contribuinte transmitiu erroneamente Pedido de Ressarcimento, que nunca chegou ao fim, não tendo sido o crédito ali descrito jamais, deve-ser reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o referido crédito no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO UTILIZADO. Tendo sido confirmado em diligência que o contribuinte transmitiu erroneamente Pedido de Ressarcimento, que nunca chegou ao fim, não tendo sido o crédito ali descrito jamais, deveser reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o referido crédito no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 35 24 /2 00 9- 72 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3802000.218 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, antes de ser a mim redistribuídos pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa em epígrafe, em contrariedade à decisão que não homologou a totalidade das compensações declaradas em várias DCOMP (relacionadas no quadro abaixo), que utilizaram o crédito de ressarcimento de IPI, relativamente ao 1º trimestre de 2004, no montante total de R$ 559.362,23 (quinhentos e cinquenta e nove mil, trezentos e sessenta e dois reais, vinte e três centavos). Do crédito pleiteado, foram reconhecidos R$ 325.962,43 (trezentos e vinte e cinco mil, novecentos e sessenta e dois reais, quarenta e três centavos), insuficientes para homologar integralmente todas as compensação (sic). De acordo com o despacho decisório (fls. 52 e 470), o valor pleiteado não foi integralmente reconhecido em face de: (a) glosa de créditos considerados indevidos; (b) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado; (c) utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Instruindo o despacho decisório no sentido de evidenciar a mencionada constatação, os pertinentes demonstrativos de apuração (fls. 53/58) foram disponibilizados à interessada no sítio eletrônico da RFB, conforme se informa no corpo do despacho decisório. Cientificada da decisão em 30/04/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 29/05/2009 (fls. 60/61), aduzindo, em síntese, que: ● Nos PER/DCOMP, os valores informados nos campos “Outros Débitos” e “Estorno de Créditos” tratamse, na realidade, de lançamentos efetuados para o estorno de créditos devido aos ressarcimentos pleiteados em diversos outros PER/DCOMP. ● O valor de R$ 558.253,05, obtido no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL, está incorreto pois, de acordo com o Livro Apuração do IPI, o valor Fl. 684DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10920.903524/200972 Acórdão n.º 3402003.058 S3C4T2 Fl. 112 3 correto é de R$ 559.362,23. Com a glosa de R$ 771,49, passaria a R$ 558.590,74. ● Não foi possível identificar a origem do débito de R$ 249.083,32 (2ª quinzena de setembro de 2004) do DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO. Inexiste este débito no Livro Apuração do IPI, conforme cópia anexada. ● Refazendo as Planilhas do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL e DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO, o valor de R$ 233.396,81 utilizado nos PER/DCOMP 05072.34549.281003.1.3.016000 e 36452.09709.310105.1.3.015403 não ultrapassa o valor passível de ressarcimento e nem o menor saldo credor. ● A planilha DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL está incorreta visto não aparecer o Saldo Credor inicial de janeiro de 2004. Ao final, a manifestante requer a revisão do despacho decisório, reconhecendo a procedência da glosa de R$ 771,49. É o relatório do essencial.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovado nos autos que o sujeito passivo cometeu erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP, impõese a correção dos valores e a homologação da compensação nos limites do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs petição, acertadamente recebida como Recurso Voluntário, na qual argumenta que, em verdade, a diferença apontada pela DRJ se justifica na apresentação equivocada, por parte da Recorrente, do PER/DCOMP 12890.93744.120906.1.5.015101; e que tal equívoco gerou um débito extra na recomposição do saldo credor pela instância a quo. Aproveita para esclarecer que “reconhece a diferença a recolher de R$ 826,78 referente o (sic) valor Pleiteado e reconhecido” Em julgamento datado de 23 de julho de 2014 (Resolução n. 3802000.218), a 2ª Turma Especial determinou a conversão do julgamento em diligência para a DRF de origem Fl. 685DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 esclarecer acerca do prosseguimento do PER 12890.93744.120906.1.5.015101, de modo a se verificar se o crédito pleiteado foi efetivamente ressarcido, no todo ou em parte – seja em espécie ou mediante compensação(ões). As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 680 e 681, no seguinte sentido: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal em procedimento de diligência, conforme determinado pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução nº 380200.218, tenho a relatar: Conforme o Sistema Sief, verifico que não houve ressarcimento em espécie relativamente ao direito creditório pretendido, que sequer foi reconhecido, como se pode perceber da leitura da aba “Histórico” do Sistema de Sief Perdcomp. Uma vez que não houve o reconhecimento do crédito não há que se falar em compensação de débitos declarados pelo contribuinte. Em resumo: não houve qualquer aproveitamento do crédito pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. Tratase aqui de questão de fato, que se resume a suposto erro do Contribuinte ao apresentar o Pedido de Restituição 12890.93744.120906.1.5.015101 (fls 642 e seguintes). Tal pleito indevido teria levado a erro a DRJ ao consolidar o demonstrativo de apuração dos créditos e débitos da Recorrente, levando o órgão julgador a entender que no referido Pedido de Ressarcimento o Contribuinte pretendeu utilizar o mesmo crédito que presentemente utiliza nas compensações tratadas nesse processo. Porém, a Recorrente apresentou argumentação contundente sobre o fato de o Pedido de Ressarcimento n. 12890.93744.120906.1.5.015101 ter sido erroneamente transmitido, e, o que é mais importante, nunca ter chegado a ser ressarcida dos valores ali colocados. Foi justamente essa informação que fez com que o antigo Relator deste processo convertesse o julgamento em diligência: para confirmar a informação de que o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento n. 12890.93744.120906.1.5.015101 foi ou não ressarcido. A resposta a diligência de fls 680 e 681 foi categórica ao afirmar que o referido crédito sequer foi reconhecido, e, consequentemente, nunca houve o ressarcimento. CONCLUSÃO Fl. 686DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10920.903524/200972 Acórdão n.º 3402003.058 S3C4T2 Fl. 113 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 121.421,20, extinguindo no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo. Relator Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 687DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 10830.720246/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Simone Ranieri Arantes, OAB/SP nº 164505, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Simone Ranieri Arantes, OAB/SP nº 164505, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 24 6/ 20 09 -2 9 Fl. 5965DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.966 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 6.164.968,96 (seis milhões, cento e sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e seis centavos). Tabela à fl. 5535 Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a efeito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2007/2008, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, e também para a COTIA TRADING S/A. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresas acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF . Conforme dados constantes no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, o crédito tributário ora discutido pode ser distribuído entre as duas empresas da seguinte forma: Tabelas à fl. 5536 O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação Fl. 5966DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.967 3 tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam a exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento "permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno". Entende o contribuinte que: "Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda a comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF". Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (bem como o art. 29 da IN SRF n° 757/2007) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (ou o inciso I do art. 20 da IN SRF n° 757/2007) é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do 'RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalizaç'ão do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, \ para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II — IN SRF n° 657/2007, art. 6°,§ 4°, inciso II): 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa Comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos bom essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo Fl. 5967DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.968 4 do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 04/05/2009 (ciência pessoal fls. 03 216 402 e 690), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 1038/1050. Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 01) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante dá incorporação das mercadorias nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo a finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que , em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora Uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que , nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/0 41 (bem como o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 757/2007), ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador Fl. 5968DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.969 5 colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria Com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo qu pleiteia o cancelamento da autuação." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve parcialmente a exigência fiscal, exonerando o crédito tributário referente às exportações efetuadas pela empresa comercial exportadora SIMM Soluções Inteligentes para Mercado Móvel Brasil Ltda. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/01/2007 a 24/06/2008 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa.SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II, mesmo artigo, parágrafo e inciso da Instrução Normativa SRF n° 757/2007. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado RECOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 5969DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.970 6 Inconformada com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara ao analisar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem realizase a verificação da efetiva exportação, relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, foi elaborado relatório fiscal de diligência, concluindo pela impossibilidade da realização da diligência, nos termos determinados pela resolução (fls. 5872 a 5896). Cientificadas da diligência, a Recorrente se manifestou às fls. 5904 a 5952 e a Procuradoria da Fazenda Nacional veio aos autos e apresentou contrarrazões (fls. 5957 a 5959). O conselheiro Relator original do Processo deixou este Conselho, sendo realizado novo sorteio, o processo foi a mim distribuído para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O presente processo possui vinculação com outros 3 (três) processos que tratam da mesma matéria referente à glosa de exportações realizadas pela Recorrente para a comprovação do RECOF. Os processos 10830.720140/200925 e 10830.720227/200901 foram objeto de resolução na Segunda Turma ordinária da Terceira Câmara de relatoria do Conselheiro Ricardo Rosa, quando foi decidido pela conversão do julgamento em diligência. Por concordar plenamente com a posição adotada por aquele relator nos processos 10830.720140/200925 e 10830.720227/200901, entendo que o presente processo também deverá ser objeto de diligência nos mesmos termos definidos pela Resolução da Segunda Turma Ordinária. Transcrevo a seguir o voto condutor da Resolução 3302000.512 da Segunda Turma proferida no Processo Administrativo nº 10830.720140/200925, que peço vênia para incluir no meu voto. Fl. 5970DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.971 7 O Relatório Fiscal, do Serviço de Fiscalização Aduaneira, às folhas 876 e seguintes, deixa claro que, tendo em vista as inúmeras razões apontadas pela Autoridade Fiscal, a diligência não seria atendida. Observese como, por derradeiro, manifesta a Autoridade imbuída da função de prestar os esclarecimentos requeridos por este Colegiado. "Por todo o exposto, e especificamente nos itens III.3 e IV.10 a IV.15, informamos que não foi realizada a verificação da fidedignidade, confiabilidade e consistência de cada uma das operações ocorridas com as mercadorias das 5.314 adições abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo." Antes de mais nada, entendo que seja necessário fixar certos limites de atuação, que devem, necessariamente, regrar a conduta dos agentes envolvidos no impasse criado pela decisão tomada na Unidade Preparadora de não atender a diligência determinada por este Tribunal Administrativo. Refirome a todo o conjunto de argumentos apresentados pela Autoridade diligenciada como fundamentação para o não atendimento da diligência, que, notadamente, adentram ao mérito do litígio. Como ninguém desconhece, compete a este Conselho, em julgamento de segunda instância administrativa, tomar a decisão sobre a procedência do crédito tributário constituído no auto de infração, à luz do entendimento que cada Conselheiro forma a respeito das circunstâncias fáticas e jurídicas apresentados no processo. Se será ou não admitida a comprovação das exportações com base nas vendas realizadas às comerciais exportadoras, se será necessário verificar a totalidade das operações ou será aceita a verificação por amostragem são questões que dizem respeito apenas a esta Turma de Julgamento. É absolutamente impertinente que qualquer outra instância faça ilações a respeito das fontes de convicção que irão nortear a decisão tomada por este Colegiado. E não será demais lembrar que os integrantes deste Conselho não estão obrigados a observar os atos normativos expedidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão ainda maior para que o entendimento firmado pela Turma seja, muitas vezes, divergente do entendimento que teve o AuditorFiscal e a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a lide, na medida em que ambos estejam obrigados a aplicar o disposto nas Instruções Normativas e demais atos normativos aos quais estão vinculados. Por conta disso, deixo de fazer qualquer manifestação acerca do entendimento expresso pela Autoridade diligenciada a respeito do mérito do litígio e passo a examinar a única questão que realmente tem relevância nessa fase processual, que diz respeito à viabilidade técnica da realização dos exames requeridos por este Conselho. Antes disso, contudo, me sinto no dever de fazer uma breve consideração a respeito do que afirmou a Autoridade diligenciada no sentido de que o atendimento à diligência, por demandar um esforço adicional, constituiria caso de improbidade administrativa. Fl. 5971DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.972 8 A seguir o texto. (...)Aqui fica claro que qualquer análise a ser desenvolvida com os dados apresentados pela recorrente para o ano de 2005, vai gerar um esforço adicional, envolvendo de forma ilegal recursos humanos e materiais, sujeitando os envolvidos ao enquadramento por improbidade administrativa, na Lei 8.429/92, artigo 10º, incisos VII e IX, e na Lei 8.112 artigos 116, 121 a 126A, com a conseqüente repercussão penal. Tal análise, se levada a cabo contrariaria também o princípio constitucional da eficiência, mencionado no caput do artigo 37 da CF/98. Data maxima venia, necessário dizer que, se assim fosse, toda a conversão de julgamento em diligência seria caso de improbidade administrativa, pois a diligência, em qualquer hipótese, demandará um trabalho adicional. No caso concreto, o que se fez foi, justamente, inverter o ônus da prova, determinando que o contribuinte colocasse à disposição do Fisco os elementos capazes de atestar o observância do prazo de exportação, retirando qualquer encargo da Fiscalização Federal, se não o de apertar um botão e atestar que a exportação ocorreu dentro do prazo. Esclarecido isso, depreendese do Relatório de Diligência, que a Autoridade Fiscal relatou um entrave de natureza objetiva no atendimento ao que foi solicitado na Resolução, nos seguintes termos. "2. Avaliar a qualidade das informações apresentadas quanto a fidedignidade, confiabilidade e consistência significa confrontar, para uma determinada mercadoria constante de uma adição de uma declaração de importação, DI, cada operação sofrida por essa mercadoria com os registros dessas mesmas operações nos sistemas de controle da RFB, tais como Siscomex Importação, Siscomex Exportação e RECOFSYS. Implica também em quantificar sua participação na composição do produto final, de forma a verificar a coerência das quantidades com aquelas constantes da MATRIZ INSUMO PRODUTO. Dos dados fornecidos pela Motorola identificamos nove etapas a serem confrontadas: 1) participação da mercadoria na matriz insumo/produto e registro no RECOFSYS, 2) Declaração de Importação DI e entrada no estabelecimento industrial (Nota Fiscal de Entrada), 3) saída do estabelecimento industrial (Nota Fiscal de Venda da Motorola para a ECE SIMM), 4) Fatura Comercial (Invoice) do exportador (SIMM), 5) Nota Fiscal de Exportação (ECE SIMM), 6) Memorando de Exportação, 7) Conhecimento de Transporte Internacional de Exportação (AWB), 8) RE Registro de Exportação e 9) DDE Declaração de Exportação com a averbação do embarque e dados do vôo. (...) 5. Para avaliar o tempo exigido por essa verificação, considerando todos os quatro processos, aplicamos a metodologia descrita no item III.2, para uma única mercadoria, da adição 001 da DI 05/00003275, desde sua importação até a efetiva exportação pela ECE SIMM. O tempo exigido para essa verificação, foi de aproximadamente 20 minutos, o que multiplicado pelos 201.690 registros totalizaria cerca de 67.230 horas, ou seja, 8.404 dias úteis correspondendo a Fl. 5972DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.973 9 aproximadamente de 32 anos de dedicação exclusiva, se efetivada por um único servidor." O que não consigo compreender é como a simples verificação do cumprimento do prazo de exportação das mercadorias pode demandar tanto trabalho. Como se sabe, as informações processadas no Sistema próprio do RECOF devem estar sempre disponíveis à Fiscalização, de forma automática, gerando, sem dificuldades, diversos relatórios que se prestam à comprovação do cumprimento dos requisitos do Regime. Pois bem, não é sobre fidedignidade de toda essa gama de informações que este Colegiado pretende obter informação, mas exclusivamente em relação àquelas que se deram fora do RECOFSYS, ou seja, o cumprimento do prazo das exportação das mercadorias vendidas para as empresas comerciais exportadoras. Tudo que aconteceu até esse momento não é objeto do Auto de Infração e, por isso, não está compreendido dentro dos limites da vertente lide. Aliás, que se diga que o fundamento da autuação passa justamente pela aceitação de todas as informações processadas no Sistema até a venda à comercial exportadora, razão pela qual não há que se levantar qualquer suspeita sobre sua exatidão. Tal como determinado na diligência anterior, o contribuinte deveria, no prazo de trinta dias, esclarecer as razões das imprecisões identificadas e organizar a exposição dos dados de forma didática, remissiva, quantificada em subtotais, de tal sorte que fosse viável interpretálos e atestar a efetiva exportação das mercadorias dentro do prazo. O que se pretendia com isso, era que a Fiscalização pudesse, tal como pode quando opera o RECOFSYS, verificar, a partir de um simples apertar de botão, se a exportação do bem produzido com determinado insumo se deu dentro do prazo fixado pelo Regime. Uma vez que não haja litígio em torno de todo que se passou até a venda da mercadoria à comercial exportadora, é apenas necessário saber se a exportação correspondente a essa venda observou o prazo de exportação fixado pelo Regime. Junto à Manifestação a respeito da diligência, a Recorrente anexa um Laudo subscrito pela PricewaterhouseCopers e pelo contador Nelson Alves de Oliveira, com a seguinte conclusão. "Em relação ao Auto de Infração nº 10830.720227/200901, foram analisadas 9.385 (nove mil trezentos e oitenta e cinco) Declarações de Importação e adições, as quais indicam a importação de 1.218 (mil duzentos e dezoito) diferentes tipos de componentes. Desse montante, constatamos que algumas unidades de 23 (vinte e três) componentes, foram exportadas em período superior a 1 (um) ano, conforme indicado no anexo a esse memorando." Das duas uma. Ou essa informação é assustadoramente irresponsável ou, então, não é "tão impossível" proceder ao exame determinado por meio da Resolução 3102000.183. Fl. 5973DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.974 10 Finalmente, convém lembrar como a relação da instância julgadora com a unidade de preparo é disciplinada pelo Decreto nº 7.574/11, que regulamenta, entre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, in verbis. "Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º). § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no8.748, de 1993, art. 1º). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. (grifos meus) Em 05 de fevereiro de 2016, o contribuinte apresentou petição perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na qual faz apontamentos a respeito da matéria versada na lide e do resultado da diligência demandada por este Colegiado. Ao final, apresenta quesitos que pretende sejam respondidos pela Fiscalização Federal. No estado em que o litígio se encontra, creio que seja prudente submeter à Unidade de Preparo os questionamentos veiculados na petição protocolada pela Parte. São os seguintes. 1 a partir das notas fiscais de venda da Recorrente para a comercial exportadora com o fim específico de exportação e com base na documentação de exportação da comercial exportadora (documentação apresentada nos autos do processo administrativo pela Recorrente), adotandose as rotinas especificadas a partir do número 3 do item II.2 do Relatório de Diligência, podese constatar que houve a efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora? 2 Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, ou seja, caso tenham os bens sido efetivamente exportados pela Comercial Exportadora, fazendo uma comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração e a data da averbação da exportação constante do Registro de Exportação (transposição de fronteira) com exceção dos casos ressalvados no anexo ao Laudo da Auditoria Independente (em que houve prazo Fl. 5974DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.689 S3C2T1 Fl. 5.975 11 superior) essas exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF? 3 Desconsiderando os casos identificados no Laudo da Auditoria de Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum outro caso em que as exportações foram realizadas pela SIMM após o decurso do prazo de um ano das datas das DIs? VOTO pela nova conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização se manifeste a respeito do cumprimento ou não do prazo das exportações realizadas pelas Comerciais Exportadoras e responda aos quesitos apresentados pelo contribuinte. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) a partir das notas fiscais de venda da Recorrente para a comercial exportadora com o fim específico de exportação e com base na documentação de exportação da comercial exportadora (documentação apresentada nos autos do processo administrativo pela Recorrente), adotandose as rotinas especificadas a partir do número 3 do item II.2 do Relatório de Diligência, podese constatar que houve a efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora? b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, ou seja, caso tenham os bens sido efetivamente exportados pela Comercial Exportadora, fazendo uma comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração e a data da averbação da exportação constante do Registro de Exportação (transposição de fronteira) com exceção dos casos ressalvados no anexo ao Laudo da Auditoria Independente (em que houve prazo superior) essas exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF? c) Desconsiderando os casos identificados no Laudo da Auditoria de Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum outro caso em que as exportações foram realizadas pela SIMM após o decurso do prazo de um ano das datas das DIs? Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 5975DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10280.901358/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. Cita-se como exemplo de insumos, no caso analisado os serviços de transporte de rejeitos industriais.
COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS.
Conforme prescreve o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, mediante comprovação.
COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na não cumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito somente em relação aos serviços de transporte de rejeitos industriais, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Victor Lima, registro na OAB nº 9.664 (PA).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. Citase como exemplo de insumos, no caso analisado os serviços de transporte de rejeitos industriais. COFINS NÃO CUMULATIVA. FRETE. CRÉDITOS. Conforme prescreve o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, mediante comprovação. COFINS NÃO CUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 58 /2 01 2- 58 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito somente em relação aos serviços de transporte de rejeitos industriais, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Victor Lima, registro na OAB nº 9.664 (PA). Relatório O presente litígio decorre de PER Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins, não cumulativa, proveniente de exportações realizadas, para o período de apuração do 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 39.908.026,14, cumulado com diversas declarações de compensações. O Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado, conforme o Despacho Decisório de fls. 35, realizando as glosas, descritas no Parecer Fiscal nº 424/2013 às fls. 39/44. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase do pedido de ressarcimento nº 35071.05103.301109.1.1.091604 (fls. 2 a 5), relativo a créditos oriundos de Cofins não cumulativa exportação, fundamentado no § 1º, do art 6º, da Lei nº 10.833/03, para o período do 2º trimestre de 2008 (abril a junho), num valor total de R$ 40.339.552,79, sendo R$ 39.908.026,14 passíveis de ressarcimento. Com base nesse pedido de ressarcimento foram transmitidas as seguintes declarações de compensação pelo contribuinte: (...)... Fl. 945DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 945 3 Para a análise desse pedido de ressarcimento solicitou a DRF ao manifestante uma série de documentos como arquivos contábeis e fiscais digitais, livros fiscais e contábeis, notas fiscais, relação de insumos, relação dos fornecedores de bens e de serviços, memórias de cálculo representativas dos valores lançados no DACON, mapas de cálculos dos encargos de depreciação, descrição completa do seu processo produtivo, atos aprovadores emitidos pela SUDAM para ampliação do empreendimento, entre outros. Da análise desses documentos foram encontradas irregularidades no que diz respeito à apuração dos créditos em análise, ensejando glosas que se encontram detalhadas às fls. 39 a 44. Diante disso, a DRF jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório de fl. 35, deferindo um crédito parcial de R$ 29.424.903,81, o qual não foi suficiente para compensar integralmente todos os débitos correspondentes as DCOMPs anteriormente relacionadas. A DCOMP 36363.49602.290110.1.3.093045 foi homologada parcialmente, enquanto as DCOMPs 07707.85534.080310.1.3.093610, 00289.61862.190410.1.3.09 0543, 42600.51079.210510.1.3.097602 e 06624.36898.150910.1.3.096001, não foram homologadas. Dessa forma, não haveria valor a ser ressarcido para o pedido aqui em análise, visto que o valor do crédito reconhecido foi totalmente utilizado nas compensações homologadas. A análise que levou a essa conclusão do Despacho Decisório se alicerça no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0424/2012, tendo o mesmo sido fornecido ao manifestante (fls. 39 a 44). A ciência foi dada ao contribuinte em 18/07/2012 (fls. 46). O contribuinte apresentou, em 16/08/2012, manifestação de inconformidade às fls. 710 a 759. Em que a pese durante a manifestação o contribuinte misturar os tópicos de sua contestação, repetindoos muitas vezes durante sua argumentação, talvez por estarem interrelacionados, temos, em síntese, as seguintes alegações: QUE de acordo com o processo produtivo da alumina é incabível as glosas relativas ao calcário, carbonato de cálcio e serviços portuários. Defende que para esses insumos há aplicação direta na produção. Na seqüência menciona vários outros itens, como o transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico, oxigênio. QUE ocorreu equívoco nas glosas de bens e de serviços, assim como nas glosas sobre máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado – RECAP/REIDI/SUDAM, citando os § 1º, 3º e 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, e da não incidência sobre as receitas de exportação. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 QUE seria insumo não apenas o que restaria incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do processo produtivo. Insumo deve ser entendido como cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação de serviços. Não concorda que só existam créditos de insumos que componham visualmente o produto final, ou seja, que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre produto em fabricação. Cita o Parecer Normativo CST nº 65/79. QUE não pode haver a glosa desses insumos por inexistir contato físico dos mesmos com o produto final. QUE o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, estabelece como créditos passíveis de ressarcimento todos os custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo da alumina exportada. QUE em relação à glosa de máquinas e de equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado temse permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, afirmando também que a IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 ao mês). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM)previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao SUDAM pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP. Destaca, ainda, que a alegação do Parecer da DRF de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigirlheia uma conduta impraticável. QUE não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e de equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros. QUE não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI) no que se refere à redução do prazo para utilização de créditos de edificações. QUE a glosa de bens considerados edificações e componentes do ativo imobilizado contraria a jurisprudência atual administrativa acerca do conceito de insumos. QUE as glosas pontuadas pela fiscalização se referem a custos que deveriam ter sido homologados com base nos arts. 2º e 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sendo incompreensível a manutenção das mesmas. E não considerar tais despesas como insumos é critério inconciliável com a diretriz constitucional da não cumulatividade, bem como de sua previsão infraconstitucional. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 946 5 QUE destaca decisão da Câmara Superior da 3ª Seção do CARF ter julgado que os insumos passíveis de crédito de PIS e de Cofins são produtos e serviços inerentes à produção, mesmo que não sejam consumidos durante o processo produtivo. QUE não há como se negar que muitas soluções de consulta editadas pela Receita Federal do Brasil tem posicionamento restritivo para o conceito de insumo, sustentando que esses seriam aqueles itens aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, o que seria uma ilegítima importação do conceito de insumo previsto na legislação do IPI. Salienta que a jurisprudência defenderia que o correto seria aproximar insumo ao conceito de despesa dedutível para fins de IRPJ. QUE são incabíveis as glosas de créditos relativos ao ativo imobilizado e edificações, tendo em vista que o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos da empresa, inclusive móveis, utensílios, veículos, instalações, prédios construídos e em construção, com base nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, que qualquer ativo imobilizado gera crédito das contribuições. Bastaria que tivessem sido adquiridos para a produção de bens destinados à venda, sendo que para edificações e benfeitorias, nem mesmo tal exigência é feita. QUE a ALUNORTE é uma refinaria de alumina e não haveria mais nada que se pudesse fazer com os móveis, ferramentas, instrumentos, veículos, outras máquinas e equipamentos genéricos glosados. QUE não há qualquer dispositivo legal que diga que encargos de depreciação e de amortização somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. QUE existem autores com entendimento doutrinário sobre a extensão e o alcance do conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições contrários a redução dessa amplitude conceitual disposta pela fiscalização. Por fim, requer que sejam acolhidas as razões de sua manifestação de inconformidade pra fim de desconstituir as glosas objeto desse processo no valor de R$10.483.122,33, e aproveitandose dos créditos lançados nos pedidos de compensação do 2º trimestre de 2008, advindos da não cumulatividade de Cofins exportação com a restituição integral do crédito pleiteado, e com o processamento e homologação das compensações não deferidas, afastandose a cobrança a título de principal, multa e juros, sob pena de violação frontal ao § 12, art. 195 da Constituição Federal, ao § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, ao art. 100, da Lei nº 5.172/66 (CTN), aos arts. 13 e 14, da Lei nº 11.196/05, ao art. 1º, do Decreto nº 5.789/06, aos arts. 1º, 2º e 3º, do Decreto nº 5.988/06, ao art 6º e 41, da Lei nº 11.488/07, ao art. 8º, da IN SRF nº 404/04, e ao art. 1º e 2º, da IN SRF nº 457/04. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Protesta, ainda, pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da ALUNORTE no período, e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo, e indicando assistente técnico. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 835/847): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 05/12/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 927). Inconformada, em 03/01/2014 (fl. 851), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 851/898), argumentando, em resumo, o que segue: que tais glosas são injustificáveis, bastando para isso verificar pela exposição do processo produtivo da empresa, que os créditos pleiteados são reembolsáveis pela sistemática do desconto de créditos da COFINS nãocumulativa, e que o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003 e o art. 8º da Instrução Normativa IN/SRF n° 404/2004, tenham a mesma dicção clara quanto ao créditos sobre serviços utilizados como insumo; que o Fisco assenta suas negativas em reconhecer o direito ao desconto dos créditos, em decisões internas e soluções de consultas que cita, que estas sim, em entendimento "pro fisco", restringem a acepção de insumos ainda quem em meio ao regime da não cumulatividade de COFINS e PIS/PASEP tomando de "empréstimo" a previsão de "aplicação direta, com contato físico, consumo e ou desgaste" do regime da nãocumulatividade do IPI; Fl. 949DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 947 7 discorre sobre o conceito de INSUMOS, o regime da não cumulatividade da Cofins Exportação, da extensão e alcance do direito a dedução dos créditos gerados sobre valores de aquisições e dispêndios, em conformidade com o ordenamento constitucional e consequente legislação ordinária infraconstitucional, do equivoco manifestado nas GLOSA de bens e serviços que se constituem em insumos diretamente aplicados ao processo produtivo; cita jurisprudências do CARF/CSRF e enfatiza o que dispõe o Parecer Normativo CST nº 65/79 sobre a expressão "consumidos"; discorre sobre os §§ 1º, 3º e 4º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, sobre a não incidência sobre as receitas de exportação; e argumenta sobre as glosas sobre Máquinas e Equipamentos incorporados ao Ativo Imobilizado RECAP/REIDI/SUDAM, tecendo as seguintes considerações: (i) que em relação à glosa de máquinas e de equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado, aduz que tem permissão desses créditos no inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, afirmando também que a IN SRF nº 457/2004, veiculou a facultatividade do cálculo do crédito, observada a periodicidade de 4 anos (1/48 meses sobre o valor da aquisição do bem). Entende, porém, que a Lei nº 11.196/05 (instituiu regime especial de tributação para o REPES, RECAP e para o Programa de Inclusão Digital), o Decreto nº 5.789/06 (dispõe sobre bens amparados pelo RECAP) e o Decreto nº 5.988/06 (instituiu depreciação acelerada incentivada no prazo de 12 meses em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM), previram incentivos para que as sociedades sujeitas ao regime da SUDAM, pudessem optar por uma periodicidade diferenciada (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras). Destaca, ainda, que a alegação do Parecer do Fisco de fundamentar que não teria observado as exigências da Lei nº 11.196/05, exigirlheia uma conduta impraticável. (ii) que não concorda com o entendimento de que o seu rol de máquinas e de equipamentos, volvidos no ativo imobilizado, não teriam sido empregados na fabricação de produtos para venda, excluindo móveis, ferramentas, construção civil, veículos e outros; (iii) que não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/07 (REIDI) no que se refere à redução do prazo para utilização de créditos de edificações; (iv) que a glosa de bens considerados edificações e componentes do ativo imobilizado contraria a jurisprudência atual administrativa acerca do conceito de insumos; (v) quanto aos encargos de depreciação, não há argumentos para glosas, uma vez que não há dispositivo legal que diga que tais encargos somente possam ser computados a partir da utilização de cada bem considerado; e sendo a Recorrente uma sociedade empresarial preponderantemente exportadora e levado em consideração que também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação desses serviços, faz jus à apropriação desses créditos. Requer, por fim, que seja deferido o aproveitamento dos créditos lançados nos pedidos de compensação, advindos da não comutatividade, sob pena de violação frontal ao Fl. 950DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 art. 195, §12 da CF/88, Lei nº 10.833/2003; art. 100 da Lei 5.172/1966 (CTN); arts. 1º, 2º e 3º do Decreto 5.988/2006, art. 6º e 41 da Lei 11.488/2007, art. 8º, inciso I, alínea b e § 4º, inciso II, alíneas "a e b" da IN/SRF n° 404, de 2004, art. 1º, incisos I e II, §§ 1º e 2º da IN/SRF 457/2004, ao lado da farta doutrina e jurisprudência colacionadas no recurso. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em Diligência, conforme a Resolução nº 3202000.340, de 18/03/2015, com o seguinte teor: "(...) Diante do exposto, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e assim sendo, nos termos do que dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente da DRF – Joaçaba SC: 1º) Intime a Recorrente a apresentar laudo técnico elaborado por instituição de reconhecida reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), no qual deverá constar: a) A descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na produção dos bens destinados à venda; b) Quais insumos objeto da autuação fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) Se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. 2º) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo acerca da utilização efetiva, ou não, dos insumos ora glosados, em relação ao processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento". Verificase que a Unidade de origem, cumprindo o contido na Resolução, providenciou a intimação da Recorrente, nos termos dos Despachos de fls. 936 e 937. Vejase: "(...) À ARF/ABAETETUBA, para intimar o contribuinte a apresentar o laudo técnico solicitado conforme resolução de fls. 928/932. Após a juntada do laudo, retornar a este Seort para prosseguimento". Em 07/05/2015, a Recorrente foi intimada da solicitação pela ARF/Abaetetuba(PA), conforme documento nº 21/2015 à fl. 937. Em 14/05/2014, consta do Aviso do Correios, a entrega da referida Intimação (fl. 938/939). Ocorre que, transcorrido o prazo proposto na Intimação, constatase que, conforme consta do Despacho da unidade de origem à fl. 941, a empresa ALUNORTE não se manifestou, ou seja, não atendeu a intimação. Vejase: Fl. 951DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 948 9 "(...) O presente processo foi encaminhado para cumprimento de diligência. Tendo sido o contribuinte intimado a apresentar alegações a respeito desta, o mesmo cientificado em 14 de maio de 2015, o mesmo, até a presente data, não apresentou qualquer alegação a respeito. Diante do exposto, encaminho o presente ao CARF/DF, para as devidas providências". Os autos, então, retornaram a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à pedido de ressarcimento de créditos da COFINS, relativa ao 2º trimestre de 2008. Os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados por este CARF em diversos processos da mesma Recorrente: (a) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (b) glosas de bens considerados como insumos; (c) glosas de serviços considerados como insumos; e (d) glosas em relação a bens do ativo imobilizado e de edificações, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12 e 1/48, meses). Do Conceito de Insumos O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece Fl. 952DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 949 11 “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. Verificase no Estatuto Social que a Recorrente se dedica à produção e comercialização (exportação) de alumínio e outros produtos derivados e de transporte e serviços conexos aos objetivos citados (fls. 808/809). Ressaltase ainda que sociedade empresárial é preponderantemente exportadora. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. Processo produtivo Descritivo dos Insumos Destacase que quando de sua Impugnação, a Recorrente apresentou um documento demonstrando seu Processo de Produção bem como os respectivos descritivo de utilização dos insumos. Tais documentos estão anexados às fls. 767/802. Sistemática das DCOMP O art. 74 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Verificase, dessa forma, que com tal mudança de sistemática a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Créditos decorrentes de Bens e Serviços adquiridos como Insumos Aduz a Recorrente que o insumo não precisa ser diretamente utilizado na produção ou ter tido contato com o produto, mas sim que sejam tais despesas necessárias para se chegar ao produto final. Cita que o CARF admitiria créditos de Cofins para despesas mesmo Fl. 954DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 que não tivessem sido consumidas durante o processo produtivo. Afirma que é ilegítimo a importação do conceito de insumo previsto na legislação do IPI, defendendo que o correto seria aproximar o conceito de insumo das despesas dedutíveis do IRPJ. Por outro lado, o Fisco empreendeu glosas de insumos e serviços específicos por reputálos fora do conceito de insumos sob o regime da nãocumulatividade da COFINS, traçado pela Lei 10.833/2003. Concluiu em seu Relatório o conceito mais restritivo, no sentido de que além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. No que diz respeito a serviços, ao definir “insumo” como “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”, embora tenha dado um caráter mais amplo ao conceito (na medida em que não exige a “ação direta” sobre o produto em fabricação, tal como o fez em relação a bens em geral), não afasta a condição de que os mesmos sejam aplicados ou consumidos na industrialização. Logo, somente os serviços prestados por pessoas jurídicas, domiciliadas no País, que sejam utilizados diretamente na linha de produção da empresa, poderão gerar direito ao crédito, de outro modo, não haverá o direito ao crédito. DAS GLOSAS Em linhas gerais, o recurso voluntário se dedica mormente a questionar o conceito de insumos adotado de forma genérica, sem fazer menção individualizada às glosas, transcrevendo dispositivos normativos e jurisprudência sem necessariamente relacionálos ao caso concreto, salvo, especificamente (discutidas neste recurso voluntário), as que ocorreram basicamente em dois grupos: bens do ativo imobilizado e edificações. Feitos estes esclarecimentos, seguese na análise do contencioso, observando que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção do julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62 do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se possa discordar eventualmente. Dos Bens utilizados como Insumo A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e posteriormente enviou DECOMP correspondentes a esse pedido. A DRF jurisdicionante, após análise, reconheceu parcialmente o crédito alegado, homologando as compensações até o limite creditório reconhecido. Dessa forma, não restaram valores a serem ressarcidos. Entre os motivos para a homologação parcial do crédito temos a constatação pelo Fisco de irregularidades na consideração de créditos pela empresa, tendo em vista que considerou custos que não se caracterizariam como insumos, ocasionando as glosas correspondentes. Relaciona no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0424/2012, nesse sentido, os seguintes itens de acordo com as demonstrações em planilha (fls. 82 a 87): inclusão de despesas que não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido pelo artigo 8º da IN nº 404/2004, ou seja, não eram aplicadas diretamente na produção, como, por exemplo, materiais diversos e frete; inclusão de despesas que não apresentavam a descrição ou tinham uma descrição incompleta; glosa de depreciação de bens que não compõem o ativo Fl. 955DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 950 13 imobilizado ou que não são utilizados diretamente na produção e glosa referente à aplicação errônea da taxa de depreciação no tocante aos custos de edificações. Como já relatado, em sua contestação, em linhas gerais, o defendido pela empresa é um conceito mais amplo de insumos do que o considerado pelo Fisco. Com esse entendimento contrário a restrição de despesas que geram créditos de Cofins, argumenta que os valores glosados seriam também caracterizados como insumos. Se dedica em seu recurso a questionar o conceito de insumos adotado de forma genérica, sem fazer menção individualizada às glosas, transcrevendo dispositivos normativos e jurisprudência sem necessariamente relacionálos ao caso concreto. Como aqui já se esclareceu, o desgaste físico não é uma propriedade relevante para caracterizar insumos na legislação que rege as contribuições, mas sim a relação com o processo produtivo. E, nesse sentido, a Recorrente peca ao sustentar apenas genericamente a efetiva utilização dos bens glosados no processo produtivo. Ressaltase que foi solicitado a conversão destes autos em diligência, a fim de confecção de laudo técnico, visando a descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na produção dos bens destinados à venda, quais insumos objeto da autuação fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção e se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. No entanto, conforme já relatado, a ALUNORTE não se manifestou nos autos sobre a referida diligência, não providenciando as referidas informações probatórias. Desta forma, mantémse a glosa em relação aos itens, que não foram questionados especificamente nas peças de defesa, por ausência de elementos probatórios que os mesmos se apresentam como custo de produção. Dos Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumos, percebese que o fisco efetua glosas em relação a serviços não aplicados diretamente no processo produtivo, conforme os especificados na Planilha de fls. 683/706. A recorrente, por seu turno, novamente argumenta de forma genérica, sendo a única menção em seu recurso voluntário o "serviço de remoção de rejeitos industriais, vinculados a recita de exportação" (fl. 866 do RV). Mais adiante infirma que, "É categórico o entendimento do CARF, em relação à "insumos" , sendo os "custos, gastos ou despesas" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o § 3o do art. 6o da Lei n° 10.833/2003, de modo que além dos combustíveis e lubrificantes os dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, enquanto vinculados à receita de exportação, gerariam créditos". Aduz que os serviços de transporte e coprocessamento do resíduo, revestimento gasto de cubas eletrolíticas RGC, assim como com a limpeza da operação portuária e manutenção de seus equipamentos são cruciais, imprescindíveis à produção do alumínio que é comercializado, sobretudo exportado pela requerente. Sem tais serviços, a contribuinte não tem como consumar a produção do alumínio. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Quanto ao item questionado (serviço de remoção de rejeitos industriais) remete a matéria recorrentemente analisada por este CARF, em relação à mesma recorrente e ao mesmo processo produtivo (Acórdãos no 3403003.512 a 518 e 3403003.520), com pronunciamento favorável à tomada de créditos em relação a transporte de rejeitos industriais: Vejase. Não apenas o transporte de matéria prima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime não cumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 201 81.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Quanto às demais aquisições de serviços, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pela Recorrente da prova de sua efetiva participação no processo produtivo, precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário e tampouco quando da diligência, por isso deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização. Assim, não se desincumbe de seu ônus probatório a recorrente em relação às glosas operadas por sua própria deficiência, qual seja, por falta de apresentação de documentos ou especificações. Concluindo, alinhandose com entendimento já externado por este CARF, entendo pela reversão das glosas referentes a serviços de transporte de rejeitos industriais, mantendose as demais glosas referentes a serviços. Bens incorporados no Ativo Imobilizado 1) Do cálculo dos índices de Depreciação do Ativo imobilizado A Recorrente alega que são incabíveis as glosas de créditos relativos ao ativo imobilizado e edificações, tendo em vista que o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos da empresa, inclusive móveis, utensílios, veículos, instalações, prédios construídos e em construção, com base nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, que qualquer ativo imobilizado gera crédito das contribuições. Bastaria que tivessem sido adquiridos para a produção de bens destinados à venda, sendo que para edificações e benfeitorias, nem mesmo tal exigência é feita. Informa que a ALUNORTE é uma refinaria de alumina e não haveria mais nada que se pudesse fazer com os móveis, ferramentas, instrumentos, veículos, outras máquinas e equipamentos genéricos glosados e que não há qualquer dispositivo legal que diga Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 951 15 que encargos de depreciação e de amortização somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. Cita que em relação à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela Requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, cabe uma atenta leitura do § 1º do art. 6º da Lei n° 10.833/2003, uma vez que a ALUNORTE é uma sociedade empresária comercial exportadora. Afirma que com efeito, o art. 3º, inciso VI da Lei nº 10.833/2003, previu que as sociedades empresárias poderão tomar créditos de maquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados a venda, bem como outros bens incorporados ao ativo imobilizado, consoante sua depreciação: "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005). E, conforme o disposto na IN SRF n° 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na aludida Lei ordinária, observada a periodicidade de 4 (quatro) anos, ou seja 1/48 meses sobre o valor da aquisição do bem destinado ao ativo imobilizado da pessoa jurídica. É ver o art. 1º da aludida IN, incisos I e II, §§1º e 2º. Aduz ainda a Recorrente que com o advento da Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006, e o Decreto nº 5.988/2006, previram que sociedades empresárias, beneficiárias de incentivos da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada, de 1/12 (um e doze avos) para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas Exportadoras RECAP. Afirma que a citada Lei nº 11.196, de 2005, instituiu o Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação REPES, o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP e o Programa de Inclusão Digital, que prevê em seus arts. 13 e 14 os incentivos fiscais para a inovação tecnológica. E, que o Decreto nº 5.789, de 2006, regula sobre os bens amparados pelo Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP, na forma do art. 16 da Lei na 11.196, de 2005. Já o Decreto nº 5.988/2006, dispõe sobre o art. 31 da Lei nº 11.196/2005, que instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. Posto isto, aduz que a fiscalização, injustificadamente, glosou créditos gerados sobre máquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado, sob o fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei nº 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 (um e doze avos) sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. Como se vê, a Recorrente cita a Lei nº 11.196/05, o Decreto nº 5.789/06 e o Decreto nº 5.988/06, os quais dariam incentivo de uma depreciação acelerada que lhe permitiria uma periodicidade diferenciada de 1/48 ao mês, ou seja, seria possível depreciar 1/12 dos respectivos imobilizados aí enquadrados. Verificase no Parecer fiscal que havia sido considerado a depreciação de 1/48 ao mês para as aquisições de maio/2004 a dezembro/2005, e de 1/12 ao mês para os mesmo período de fevereiro a dezembro de 2007, conforme Tabela de fl. 85. Para o trimestre de abril a junho de 2008 as glosas foram realizadas devido a inclusão indevida de bens que não comporiam o ativo imobilizado ou que não eram utilizados diretamente na produção da empresa. Em relação ao ativo imobilizado, no Parecer fiscal, remetese parcialmente (fl. 84) a outro processo administrativo (nº 10280.722272/200965, que teve o recurso voluntário apreciado por este CARF, sendo as glosas (fl. 86) referentes a bens que não compõem o ativo imobilizado e bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção bens para os quais não se provou a ativação ou a utilização na produção e edificações com taxa de depreciação de 1/12, quando o correto seria em função da vida útil ou de 1/24. Na planilha de glosas, estas são codificadas da seguinte forma: NP (para bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina); NA (para bens que não compõe o ativo imobilizado); NSD (para bens em relação aos quais não se provou a configuração de ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta); e EDIF (para edificações). A recorrente não questiona a simples remissão ao outro processo, sem detalhamento da motivação da parcela correspondente das glosas nestes autos, e parece compreender bem a motivação quando se defende da mesma forma que naquele processo, discutindo os dois mecanismos de depreciação (1/48 e 1/12). Mas a defesa é novamente genérica, com reprodução de diversos dispositivos normativos e decisões, sem a eficaz vinculação à situação concreta narrada nos autos. Já sobre o argumento de que qualquer bem do ativo imobilizado geraria crédito, não temos como concordar, pois nos termos do inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, somente gerariam créditos os bens utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Foram glosados bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens (móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos bens que não poderiam integrar o ativo imobilizado dedutível como encargo de depreciação ou amortização ou simplesmente que não são empregados no processo produtivo). A relação dos bens glosados estão especificados nas Planilha "Depreciação", anexada às fls. 88/313. Reiterese que este CARF, já apreciou exatamente esta matéria, quando do julgamento do PAF nº 10280.722272/200965 acima referenciado. Vejase: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 952 17 tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; N indica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCD indica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREB indica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.954, Rel. Cons.Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.955 e 956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007). Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 953 19 Desta forma, mantémse, o entendimento já firmado naquele julgamento, restando hígidas neste tópico as glosas decorrentes efetuadas pelo Fisco. Nos itens referentes aos meses de abril a junho de 2008, não assiste melhor sorte à recorrente. Pela simples leitura das listas de glosas às fls. 88/313, com as correspondentes codificações dos motivos das glosas, percebese que os bens relacionados enquadramse objetivamente em cada uma das categorias descritas pelo fisco (NP, NA, NSD e EDIF). E, ao contrário da fiscalização, que detalha e individualiza as glosas, a recorrente não traz qualquer questionamento específico de item glosado. 2) Das Edificações Afirma a Recorrente que a fiscalização, imotivadamente, glosara máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda, reputandoos como Edificações. Não há esclarecimento algum sobre a razão pela qual tais máquinas e equipamentos tenham sido consideradas como fossem edificações, por que não gerariam créditos, nem tampouco em que medida eventualmente a periodicidade de apropriação dos créditos sobre o maquinário volvido à produção de bens destinados à venda constante da Lei nº 11.488/2007. Cabe um destaque a parte diante da alegação da empresa de que no caso das edificações e suas benfeitorias não haveria nem ao menos a exigência de que as mesmas tivessem sido adquiridas para a produção de bens destinados à venda. Como bem asseverado pela decisão a quo, no tocante às edificações a fiscalização constatou que o contribuinte teria aplicado taxas de depreciação na modalidade de 1/12 ao mês sem fundamentação legal para tanto. A taxa de depreciação nos casos das edificações, em função da sua vida útil, seria de 25 anos, de acordo com o § 1º, do art. 1º, da IN SRF nº 457/04, ou de 1/24 ao mês na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, com base no art. 6º, da Lei nº 11.488/07 (grifamos): IN SRF nº 457/04: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: ... II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Lei nº 11.488, de 15/06/2007 Art. 6º As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso VII do caput do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, conforme o caso, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição ou de construção da edificação. Desta forma, concluise que a glosa realizada tem fundamento, pois utilizou a Recorrente de uma taxa de depreciação não aplicável para essa situação. Portanto, caracterizado que ocorreu infringência ao disposto na Lei nº 11.488/07. 3) Do cálculo das taxas de Depreciação do Ativo Imobilizado Aduz Recorrente que "quanto ao questionamento feito acerca dos encargos de depreciação e amortização, não há igualmente, com o devido respeito, qualquer fundamento para o mesmo, em aspecto algum a Recorrente descumpriu as disposições aplicáveis ao cômputo dos encargos de depreciação e amortização. Primeiro, não há qualquer dispositivo legal que diga que tais encargos somente possam ser computados no resultado do exercício a partir da utilização de cada bem considerado. Onde está prevista tal restrição?". Pois bem. A Recorrente, como já dito, cita a Lei nº 11.196/05, o Decreto nº 5.789/06 e o Decreto nº 5.988/06, os quais dariam incentivo de uma depreciação acelerada que lhe permitiria uma periodicidade diferenciada de 1/48 ao mês, ou seja, seria possível depreciar 1/12 dos respectivos imobilizados aí enquadrados. Quanto às taxas de depreciação para edificações, percebase que o Fisco não discorda do direito a crédito, mas somente da taxa utilizada, que devem ser aplicadas na forma do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (art. 1º, § 1º da IN SRF nº 457/2004) ou do art. 6º da Lei nº 11.488/2007 (art. 1º, § 2º da IN SRF nº 457/2004). Quanto à menção recursal ao RECAP e REIDI, por fim, é desacompanhada de qualquer prova de que a empresa seja habilitada a tal regime, ou cumpra os requisitos para sua fruição, cabendo reiterar as considerações aqui já expostas sobre ônus probatório, enfatizando mais uma vez, que estes autos, foram convertidos em diligência pelo CARF, justamente para oferecer oportunidade à Recorrente de trazer aos autos provas (laudo técnico), deixando de fazêlo no momento oportuno. Especificamente sobre o argumento de que qualquer bem do ativo imobilizado geraria crédito, não temos como concordar, pois nos termos do inciso VI, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, somente gerariam créditos os bens utilizados na produção de bens Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 954 21 destinados à venda ou na prestação de serviços. Como foram glosados bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção de bens, como cadeiras de escritório, armários, condicionadores de ar, etc. Corretas, portanto, as glosas envolvendo o ativo imobilizado, as edificações e as depreciações. 4) Da diligência Os autos foram convertidos em diligência, conforme a Resolução CARF nº 3202000.340, de 18/03/2015, com o seguinte teor: "(...) Diante do exposto, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, e assim sendo, nos termos do que dispõem os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente da DRF – Joaçaba SC: 1º) Intime a Recorrente a apresentar laudo técnico elaborado por instituição de reconhecida reputação técnica (IPT, INT, UNICAMP, ou outra similar), no qual deverá constar: a) A descrição detalhada do processo produtivo da Recorrente, apontando, discriminadamente, qual a utilização dos insumos ora glosados na produção dos bens destinados à venda; b) Quais insumos objeto da autuação fiscal são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) Se tais insumos possuem natureza essencial à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade da produção. (...). A unidade de origem, intimou da Recorrente, No entanto, conforme consta do Despacho da unidade de origem à fl. 941, a empresa ALUNORTE não se manifestou, portanto não atendeu a intimação. Vejase: "(...) O presente processo foi encaminhado para cumprimento de diligência. Tendo sido o contribuinte intimado a apresentar alegações a respeito desta, o mesmo cientificado em 14 de maio de 2015, o mesmo, até a presente data, não apresentou qualquer alegação a respeito. Diante do exposto, encaminho o presente ao CARF/DF, para as devidas providências". 5) Do Ônus Probatório Tanto para serviços quanto para bens utilizados na produção industrial e encargos de depreciação, vale consignar que em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o direito invocado existe. Assim, quanto a itens que não foram adequadamente descritos, importaria ao deslinde da suposta controvérsia que fossem trazidos aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório relativo a tais itens, capazes de demonstrar de forma cabal que incidiu em erro a unidade de origem ao glosálos. Neste ponto, acresçase o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da Recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10280.901358/201258 Acórdão n.º 3402003.101 S3C4T2 Fl. 955 23 durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado diligência a fim de elaboração de Laudo Técnico, com o fim de esclarecer dúvida do julgador, e também como complementação probatória. A recorrente não se manifestou sobre esta diligência. Portanto, figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas hábeis a comprovar, de forma induvidosa, o seu direito, bem como sua oponibilidade, em concreto, à Administração Tributária (inclusive sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência de preclusão temporal). Desta forma, resta claro que incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. E na hipótese em análise, não é demais consignar que se afigura razoável concluir pelo fácil acesso da impugnante a documentos que, existindo, poderiam comprovar o direito creditório alegado, haja vista tratarse de elementos que integram (ou deveriam integrar) o acervo pertencente à própria interessada. 6) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito somente em relação aos serviços de transporte de rejeitos industriais. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729524/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RENDIMENTO REFERENTE A ANO-CALENDÁRIO POSTERIOR.
Comprovado que o rendimento e a respectiva retenção se deram em ano-calendário diverso do que o declarado, deve ser mantida a glosa realizada pela fiscalização.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DE PROVA.
É ônus do contribuinte trazer elementos de prova aptos a infirmar o lançamento baseado na constatação de omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RENDIMENTO REFERENTE A ANO-CALENDÁRIO POSTERIOR. Comprovado que o rendimento e a respectiva retenção se deram em ano-calendário diverso do que o declarado, deve ser mantida a glosa realizada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DE PROVA. É ônus do contribuinte trazer elementos de prova aptos a infirmar o lançamento baseado na constatação de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado.
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RENDIMENTO REFERENTE A ANOCALENDÁRIO POSTERIOR. Comprovado que o rendimento e a respectiva retenção se deram em ano calendário diverso do que o declarado, deve ser mantida a glosa realizada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DE PROVA. É ônus do contribuinte trazer elementos de prova aptos a infirmar o lançamento baseado na constatação de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 95 24 /2 01 1- 77 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 12448.729524/201177 Acórdão n.º 2402005.222 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 21.008,40, relativo ao anocalendário 2009 (fls. 4/9). A notificação decorreu da apuração de omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes de 65 anos ou mais, e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A impugnação de fls.. 2/3 contestou o lançamento alegando, em suma, que os rendimentos reputados omitidos foram informados como estando com exigibilidade suspensa; e que o IRRF referese a rendimentos efetivamente recebidos no anocalendário de 2010, o que teria ensejado a apresentação de retificadora, conforme esclarecido em Termo de Atendimento. Mantida a exigência no julgamento de primeira instância (fls. 28/30), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 7/3/2013, repisando os argumentos da impugnação (fls. 39/40). É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há reforma a realizar na decisão vergastada. No que diz respeito à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, o próprio recorrente admite que o rendimento que sofreu a retenção foi auferido somente em 25/1/2010, não em 2009, juntando inclusive documento comprobatório nesse sentido (fl. 44). Eventual retificadora entregue posteriormente ao início do procedimento fiscal não surte efeito para fins de restabelecimento da espontaneidade, a teor do art. 147, § 1º do Código Tributário Nacional. Frisese que não consta, aliás, cópia da aventada declaração retificadora nos autos. Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Saúde, bem como do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, não foi apresentado pelo contribuinte qualquer documento que infirmasse a constatação da fiscalização, ou evidenciasse estarem tais rendimentos sob a alegada exigibilidade suspensa. Por conseguinte, correto o lançamento contestado, razão pela qual impõese a sua manutenção. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907459/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
Uma vez que a diligência comprovou que o contribuinte recolheu CIDE combustíveis a maior, há que se reconhecer o direito creditório e se homologar o DCOMP.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 Uma vez que a diligência comprovou que o contribuinte recolheu CIDE combustíveis a maior, há que se reconhecer o direito creditório e se homologar o DCOMP. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
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Recorrida FAZENDA NACINAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 Uma vez que a diligência comprovou que o contribuinte recolheu CIDE combustíveis a maior, há que se reconhecer o direito creditório e se homologar o DCOMP. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 74 59 /2 00 9- 05 Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907459/200905 Acórdão n.º 3301002.988 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 19829.49247.101007.1.3.046817, por meio da qual a interessada extinguiu débito fiscal nela informado, valendose de um suposto indébito de R$ 32.601,66 (valor do crédito original na data da transmissão), advindo de DARF com as seguintes características: (a) código de receita: 9331; (b) período de apuração: 31/08/2003; (c) valor total: R$ 374.420,62; e (d) data de arrecadação: 15/09/2003. A DRF/Maringá emitiu despacho decisório (fls. 06/10) de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp fora integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada em 03/11/2009 (fl. 11), a interessada apresentou, em 02/12/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 12/14, instruída com os documentos de fls. 15/30, a seguir, no essencial, sintetizada. Afirma que após examinar seus arquivos “não encontramos qualquer falha na operação que pudesse ter sido a causa da não homologação”; diz que apresentou DCTF retificadora (em 08/08/2007) na qual teria apresentado o débito real apurado de CIDE combustível, relativo ao período de apuração agosto/2003, no montante de R$ 264.771,73, que retificaria um valor anteriormente informado, de R$ 374.420,62, que fora recolhido por meio do DARF informado na Dcomp, o que daria suporte ao indébito indicado na referida Dcomp. Em face do alegado, entende que o valor pago a maior permite a compensação declarada na Dcomp em causa, além de outras que relaciona em sua peça de defesa, pedindo pela reforma do despacho decisório, no sentido da homologação da compensação em litígio. À fl. 31, despacho da Seort/DRF/Maringá atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. É o relatório" Ao relatório acima transcrito, acrescento que a DCOMP foi transmitida em 10/10/2007. A 3º Turma da DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade integralmente improcedente. O Acórdão nº 0637.779 foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907459/200905 Acórdão n.º 3301002.988 S3C3T1 Fl. 12 3 Restando incomprovado o direito creditório, é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual foi apreciado pela 2º Turma Ordinária da 2º Câmara da 3º Seção do CARF. Por meio da Resolução nº 3202000.327, de 24/2/2015, decidiram converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a saber: "Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida aponta que a Recorrente retificou a DCTF do 3º trimestre de 2003, feita em 08/08/2007, sendo que, ao tempo da emissão do despacho decisório, em 07/10/2009, verificase que estava ativa a DCTF retificadora nº 0000.100.2008.61968607, relativa ao 3º trimestre de 2003, que foi recepcionada em 28/01/2008. Ainda segundo a decisão recorrida, a pagamento de CIDE combustível (código 9331), feito no vencimento, também foi realizado no montante dessa contribuição confessado na DCTF ativa, inexistindo, pois, o alegado pagamento a maior. A Recorrente, por sua vez, aponta que houve apuração maior de CIDE no montante de R$ 109.648,89, já que o valor correto de pagamento deveria ter sido R$ 264.771,73 e não R$ 374.420,62, pois a quantidade comercializada foi de 9.052,025 m3 de álcool, e que, por outro lado, não houve retificação da DCTF porque já havia se passado mais de cinco anos da declaração anterior. Diante da dúvida existente entre haver ou não crédito em favor da recorrente no montante de acima mencionado, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique junto aos livros fiscais e documentos da Recorrente se realmente houve pagamento a maior de CIDE vis à vis a quantidade comercializada de álcool no período anteriormente mencionada, independentemente de nova retificação de DCTF por parte da Recorrente, e produza relatório pormenorizado a fim de confirmara existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a fiscalização e Recorrente se manifeste acerca do tema. É como voto." A diligência foi realizada. O relatório e a correspondente e tempestiva manifestação da Recorrente encontramse nos autos, nas fls. 1.710 e 1.711 e 1.716 e 1.717, respectivamente. É o relatório. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10950.907459/200905 Acórdão n.º 3301002.988 S3C3T1 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Com base em livros contábeis e fiscais, notas fiscais e guias de recolhimento, a diligência identificou as quantidades de álcool hidratado carburante e álcool anidro carburante, comercializadas no mês de agosto de 2003, recalculou o valor da CIDE Combustíveis incidente e confirmou que a Recorrente efetuou recolhimento a maior, no valor de R$ 109.648,89 (Relatório de Conclusão de Diligência, fls. 1.710 e 1.711). Isto posto, voto por reconhecer o direito creditório e homologar a DCOMP nº 19829.49247.101007.1.3.046817, até o limite do crédito apurado. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 25/05/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000164/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
DECISÃO. PROVA DOS AUTOS. A decisão deve estar coerente com as provas juntadas ao processo. No caso dos autos, foi exonerada da tributação área de reserva legal inferior ao quantitativo averbado na matrícula do imóvel.
EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-004.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, acolhê-los, com efeitos infringentes, para considerar a área de reserva legal total da propriedade, o quantitativo de 506,98 ha.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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PROVA DOS AUTOS. A decisão deve estar coerente com as provas juntadas ao processo. No caso dos autos, foi exonerada da tributação área de reserva legal inferior ao quantitativo averbado na matrícula do imóvel. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Estando configurada na decisão a omissão, erro, contradição e/ou obscuridade, há que se acolher os embargos declaratórios interpostos para sanar a irregularidade ou erro da decisão embargada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 64 /2 00 6- 19 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, acolhêlos, com efeitos infringentes, para considerar a área de reserva legal total da propriedade, o quantitativo de 506,98 ha. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 15956.000164/200619 Acórdão n.º 2401004.439 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios em face do acórdão 210100.639 1a. Câmara/1a. Turma Ordinária desta 2a. Seção de Julgamento. Os embargos foram interpostos pela autoridade tributária responsável pela execução do acórdão, sob o argumento de que a área de reserva legal exonerada da tributação diverge da constante na certidão da matrícula do imóvel rural. O embargante esclarece que, na matrícula do imóvel, estariam consignados 392,44ha de Reserva Florestal Obrigatória, dos quais 100ha na Área de Reserva I e 292,44ha na Área de Reserva II. Contudo, a averbação 7 teria excluído 31ha de reserva legal da Área de Reserva I e ainda incluído outros 145,45ha de reserva legal, totalizando 506,90ha de área de reserva legal na propriedade. O Acórdão embargado reporta a decisão da Turma, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de calculo ao ITR a área de reserva legal de 361,44 hectares, nos termos do voto do Relator. O registro 7 na matrícula do imóvel está assim redigido: Fica ainda averbada, conforme Processo SMA. 56041/95, do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais DPRN Equipe Técnica de Ribeirão Preto, deste Estado, nos termos do art. 16, da Lei Federal no. 4.771, de 15.09.65, acrescido do Parágrafo 29 pela Lei Federal no 7.803, de 18.07.89, como áreas de PRESERVAÇÃO DE RESERVA LEGAL, a área de 145,54ha de terras, a saber:... Observo, ainda, que o Conselheiro relator do processo procedeu a exclusão das 31h de reserva legal constantes da averbação 7. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI 4 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora Os embargos foram interpostos tempestivamente e, conforme o despacho de admissibilidade, passo a analisar. O art. 1.022 da Lei 13.105/2015, o Novo Código de Processo Civil Brasileiro, a seguir transcrito, define as hipóteses de cabimento de embargos declaratórios, que pode ser utilizada no Direito Tributário. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III corrigir erro material. Conforme os documentos acostados aos autos à fl. 53, a Averbação5 relaciona como reserva legal as seguintes áreas: AR1= 100ha (referente à soma de duas áreas, de 31ha e de 69ha), GLEBA 1A = 145,54ha, e ARII=292,44ha. A averbação 7, no entanto, exclui a área de 31ha do manto da reserva legal. Correta a embargante sobre a área de reserva legal averbada para a propriedade, que deveria ser no total de 506,98ha (69ha+145,5ha+292,44ha). Entendo que ficou demonstrada existência do erro na decisão embargada. Desta forma, tendo em vista manter a coerência entre o julgado e os documentos acostados aos autos, entendo que os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, para considerar a área de reserva total da propriedade no quantitativo de 506,98ha. É como decido. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 16561.000053/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR - ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação.
Numero da decisão: 1302-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edeli Pereira Bessa, que admitiam a hipótese de emprego de valor e prosseguiriam na análise das razões de recurso. Fez declaração de voto o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR - ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.593 1 1.592 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000053/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.880 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente PAIC PARTICIPAÇÕES LTDA. (nova denominação de PÃO DE AÇUCAR S. A. IND. E COMÉRCIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edeli Pereira Bessa, que admitiam a hipótese de emprego de valor e prosseguiriam na análise das razões de recurso. Fez declaração de voto o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 53 /2 00 6- 17 Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1613.340 da 3ª Turma da DRJ/SPO1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE NORMAS. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de diplomas normativos vigentes. DECADÊNCIA. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA E/OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada e/ou coligada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada e/ou coligada. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DOMICILIADA NO EXTERIOR. Na alienação de investimento em controlada e/ou coligada, domiciliada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil devem ser adicionados ao lucro líquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Por inexistir disposição de lei em contrário, a conversão de valor expresso em moeda estrangeira para reais deve ser feita, conforme dispõe o artigo 143 do Código Tributário Nacional, pela taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. TRATADO BRASILPORTUGAL. LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE CONTROLADA COM SEDE NO EXTERIOR. A Convenção BrasilPortugal não impede a tributação de rendimentos obtidos por empresa sediada no território brasileiro, advindos de disponibilização de lucros por sociedade domiciliada na Ilha da Madeira. TRATADO BRASILHOLANDA. LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE CONTROLADA COM SEDE NO EXTERIOR. Deverão ser computados na determinação do lucro real da empresa domiciliada no Brasil, os lucros auferidos por intermédio de empresa controlada sediada em qualquer parte do território da Holanda. TAXA DE JUROS. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal a sua exigência com base na taxa SELIC. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.594 3 Lançamento Procedente A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1613.340 em 13/12/2007 (AR a fls. 246), interpôs, em 11/01/2008, recurso voluntário (doc. a fls. 273 e segs.). Na Sessão de Julgamento de 08/07/2010, esta Turma converteu o julgamento em diligência, ao proferir a Resolução nº 130200.042, cujos relatório e voto foram assim exarados: “A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração (fls. 391/399 e 402/404) relativos a ajuste do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no anocalendário de 2002, bem como referentes a exigências de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001, acrescidas de multa de ofício e juros calculados até 30/11/2006. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 407/415) que, da análise da documentação apresentada pela fiscalizada, constatouse que esta realizou operações que resultaram na transferência de cotas de suas controladas no exterior abaixo elencadas, caracterizando disponibilização de lucros: Pão de Açúcar International S/A Stanhore – Trading International S/A Jerusha I.B.V. Crosslake Holding Inc. A autuação teve como fundamento legal os seguintes dispositivos: IRPJ artigos 249, inciso II, e 394 do Regulamento do Imposto de Renda(RIR/1994), artigo 25, §§ 2º e 3º, da Lei 9.249/1995, artigo 16 da Lei 9.430/1996 e artigos 1º, § 1º, alínea b e § 2º, alínea b, item 4, da Lei 9.430/1996 [sic]. CSLL artigo 2º, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigo 28 da Lei 9.430/1996, artigo 1º da Lei 9.316/1996, artigo 19 da Lei 9.249/1995 e artigo 6º da MP 1.858/1999 e reedições. Em 07/12/2006, deuse a ciência dos autos de infração e, em 05/01/2007, a interessada apresentou defesa (fls. 431/523), alegando, em síntese, as seguintes razões e fundamentos: Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL, o direito de o fisco constituir o crédito tributário expira se após o transcurso do prazo de 5 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, a tributação do IRPJ com base no sistema de tributação em bases universais foi introduzida no ordenamento jurídico pela Lei 9.249/1995, a qual, em seu artigo 25, estabeleceu que todo o lucro auferido por sociedades controladas ou coligadas no exterior deveria ser oferecido à tributação no momento do levantamento do balanço de tais sociedades, independentemente de distribuição de lucro às sociedades investidoras em território nacional. Todavia, por estar em desconformidade com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, que prevê a incidência do IRPJ apenas no momento da efetiva disponibilização econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, a Secretaria da Receita Federal expediu a IN SRF 38/1996, Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 descrevendo a hipótese em que os lucros auferidos pelas sociedades controladas ou coligadas seriam considerados disponibilizados. Ocorre que a instrução normativa não é o veículo normativo hábil para instituir, majorar ou reduzir tributos, porquanto as alterações inseridas pelo referido diploma legal não podem surtir efeitos, por serem manifestamente ilegais. Dessa forma, ante a ilegalidade da IN SRF 38/1996, temse que durante os anoscalendário de 1996 e 1997, período em que vigorou a Lei 9.249/1995, as empresas investidoras deveriam adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos pelas empresas controladas ou coligadas no exterior no momento da sua apuração, independentemente de sua disponibilização. Concluise, assim, que quando da lavratura dos autos de infração, os créditos tributários relativos a lucros auferidos pelas empresas controladas ou coligadas no exterior, nos anoscalendário de 1996 e 1997, já haviam sido definitivamente extintos por decurso do prazo decadencial, nos termos dos artigos 150, § 4º, e 156, incisos V e VII do Código Tributário Nacional. Nem se alegue que se aplica à CSLL o prazo decadencial previsto na Lei 8.212/1991 (anteriormente pelo Decretolei 2.052/1983), notadamente por não ser o veículo hábil para disciplinar prazos decadenciais e prescricionais. De fato, o artigo 146, inciso III, alínea b, da Constituição Federal dispõe ser de competência de lei complementar estabelecer normas gerais referentes à prescrição e decadência. Tendo a Lei 5.172/1996 (Código Tributário Nacional) sido recepcionada pelo Texto Constitucional como lei complementar, concluise que todas as disposições contidas na citada lei (e apenas nela) devem ser aplicadas às contribuições sociais. Importa destacar que o artigo 45 da Lei 8.212/1991, além de ofender o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, não pode ser aplicado à CSLL, uma vez que, caso fosse considerado constitucional (hipótese que a impugnante discorda), destinarseia apenas às contribuições sociais administradas pelo INSS. Um fato suscetível de desencadear os efeitos jurídicos prescritos no artigo 1º, § 2º, alínea b, item 4, da Lei 9.532/1997, é necessário que se preencham todos os critérios componentes da regramatriz de incidência tributária. Conforme se extrai da análise do citado comando legal, considerase disponibilizado o lucro auferido por empresas controladas ou coligadas no exterior no momento em que esse lucro é empregado pela empresa estrangeira em favor da empresa investidora, fato que não ocorreu no presente caso, conforme se demonstrará. Antes, porém, uma observação deve ser feita: a tributação da CSLL sobre os lucros em tela somente passou a ser possível após decorridos 90 dias da publicação da MP 1.8586/1999, vez que a Lei 9.249/1995 nada dispôs acerca dessa contribuição. Consoante demonstrado às fls. 460/465, em todas as operações questionadas pela fiscalização houve somente a utilização das participações acionárias que a impugnante detinha em empresas alienígenas para aumento de capital em outras empresas também localizadas no exterior, não havendo que se falar em disponibilização de lucros. O que ocorreu foi mera substituição de ativos (troca de investimentos), em que a impugnante utilizou os investimentos registrados em seu ativo para Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.595 5 subscrição de ações em empresas sediadas no exterior, o que, por si só, não tem o condão de instaurar a relação jurídicotributária pretendida. Notase que os autos de infração padecem de vício de mérito e devem ser cancelados por terem violado o princípio da tipicidade cerrada, porquanto não houve a necessária subsunção do evento infracional à hipótese normativa invocada para fundamentar essa autuação. O máximo que ocorreu foi o registro desses investimentos segundo a aplicação do método da equivalência patrimonial. Contudo, por disposição legal expressa, a variação decorrente da equivalência patrimonial, ainda que contabilmente registrada, não pode ser tributada. Em atenção ao princípio da especificidade, havendo previsão expressa no artigo 23, parágrafo único, do Decretolei 1.598/1977, sobre a não tributação do resultado de equivalência patrimonial, não há como subsistir a autuação em comento. Em se tratando de investimento estrangeiro, o ‘valor do investimento realizado pela empresa investidora é registrado em sua contabilidade em reais, estando sujeito às oscilações em razão da variação do preço da moeda estrangeira em relação ao real, nada tendo em comum com os lucros gerados pelas empresas sediadas no exterior. Logo, a variação cambial do valor dos investimentos realizados no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial não pode ser confundida com lucro. Depreendese da leitura do artigo 143 do Código Tributário Nacional que a data de conversão do valor expresso em moeda estrangeira será o dia da ocorrência do fato gerador, salvo disposição de lei em contrário. Ocorre que o artigo 25, § 4º, da Lei 9.249/1995 estabeleceu regra específica para conversão desses lucros, ou seja, pela taxa de câmbio da data do levantamento do balanço. Nesse mesmo sentido é o teor do artigo 6º, § 3º, da IN SRF 213/2002. Diferentemente do que determinam o artigo 25, § 4º, da Lei 9.249/1995 e o artigo 6º, § 3º, da IN SRF 213/2002, pretendeu a fiscalização converter tais lucros com base na taxa de câmbio do dia da ocorrência do fato gerador. Ao estabelecer a necessidade de apuração do lucro tributável pelas empresas controladas no exterior, o legislador pátrio expressamente determinou que tais empresas deveriam optar por calcular o seu imposto mediante a utilização do lucro real, presumido ou arbitrado (artigo 25 da Lei 9.249/1995). Contudo, verificase estranhamente que a fiscalização tributou o lucro contábil, o que fica evidente que a apuração das bases tributadas está em desacordo com a legislação, o que ocasiona a necessidade de cancelamento dos autos. No que concerne à controlada Pão de Açúcar International S/A, os balanços oficiais não registram qualquer resultado de equivalência patrimonial advindo da Stanhore – Trading International S/A, empresa na qual detinha 37,5% de participação societária, uma vez que as regras contábeis do país em que é domiciliada permitiam a avaliação do investimento em empresas coligadas pelo método do custo de aquisição. Com a finalidade de atender às regras societárias e contábeis brasileiras, avaliava seus investimentos pelo método de equivalência patrimonial, elaborando controles paralelos para registrar as variações cambiais tanto na Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 Pão de Açúcar International S/A como na Stanhore – Trading International S/A. O auto de infração ora impugnado não pode ser fundamentado em simples planilha, sem que fosse feita prova primária para verificação da base de cálculo em questão. Frisese que a referida controlada não apurou lucro decorrente de suas atividades próprias nos anoscalendário de 1996 a 2001, mas de resultado de equivalência patrimonial. Não obstante a simples integralização de capital na sociedade Crosslake não acarrete em disponibilização de lucros em seu favor, conforme já exaustivamente exposto, ainda que assim se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, não há que se falar em tributação dos valores em questão, eis que parte dos supostos lucros da Stanhore – Trading International S/A foi auferida quando se encontrava em vigor o tratado celebrado entre o Estado Brasileiro e o Estado Português, promulgado por meio do Decreto 69.393/1971, o que afastava a referida tributação. A Convenção BrasilPortugal foi firmada em 22/04/1971 e aprovada pelo Decreto Legislativo 59, de 17/08/1971, disciplinava o tratamento destinado a evitar a dupla tributação em matéria de imposto de renda, inclusive no que diz respeito à renda produzida na Ilha da Madeira. Referido tratado se aplica ao IRPJ, por previsão expressa, e à CSLL, por aplicação do § 2º do artigo 2º. Registrese que à época da celebração do tratado, ainda não havia previsão de incidência da CSLL sobre lucros, que somente foi instituída por meio da Lei 7.689/1988. Mesmo após a sua instituição, essa contribuição passou a incidir sobre os lucros auferidos no exterior a partir de 01/10/1999, com a edição da MP 1.8586/99 (atual MP 2.15835/01). Ressaltese que, posteriormente à MP 1.858/699, foi celebrada a nova convenção, aprovada pelo Decreto Legislativo 188/2001, promulgada pelo Decreto 4.012/2001. Como essa convenção foi celebrada após a vigência da CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, passou a haver a necessidade de previsão expressa de aplicabilidade ao novo tributo, conforme dispõe o protocolo, previsto no Decreto 4.012/2001. Verificada a conceituação de domicílio fiscal constante do artigo VII da convenção, temse que os lucros das empresas sediadas no Brasil eram tributados no Brasil e os auferidos pelas empresas sediadas em Portugal eram tributados em Portugal. Dessa forma, não havendo subsídios para a referida tributação, deve a autuação ser cancelada. Por meio do Ato Declaratório 53/1999, o Secretário da Receita Federal declarou a formalização de denúncia sobre a Convenção BrasilPortugal. Ainda que se admitisse a eficácia desse ato, este determinava a tributação dos lucros de empresas sediadas em Portugal a partir de janeiro de 2000. Isso significa que a Secretaria da Receita Federal expressou entendimento, de forma clara e inequívoca, no sentido de que os rendimentos oriundos do exterior, amparados pela convenção, somente poderiam ser objeto de tributação a partir de janeiro de 2000. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.596 7 Destarte, a autuação lavrada configura verdadeiro abuso e afronta aos princípios de direito internacional público e ao tratado recepcionado pelo ordenamento jurídico nacional, nos estritos ditames da Carta Magna de 1988. Em relação à Jerusha IBV, sediada na Holanda, o agente fiscal entendeu que o montante contabilizado a título de avaliação a preço de mercado das participações integralizadas teria natureza de lucro. Contudo, essa parcela, decorrente do “share premium”, independentemente do tratamento contábil adotado não guarda qualquer correlação com a apuração de lucro, não decorre de venda de ativos, atividade normal de mercancia ou prestação de serviços, mas de elevação de um determinado ativo ao valor de mercado para fins de conferência e integralização de capital. Por não constituir acréscimo patrimonial, temse que esses valores não são passíveis de tributação pelo IRPJ e CSLL. A fiscalização não pode simplesmente reclassificar os registros contábeis da empresa controlada pela impugnante, sediada na Holanda, pois apenas tem competência para aplicar a legislação tributária brasileira em face das demonstrações contábeis apresentadas, nada podendo afirmar quanto à legalidade de registro da “share premium” em conta de reserva de capital, por arbitrariamente entender que se trata de conta de reserva de lucros. Além disso, quando da suposta ocorrência do fato gerador encontravase em vigor (e ainda se encontra) tratado celebrado entre o Estado Brasileiro e o Estado Holandês que afasta a referida tributação. A fiscalização entendeu que o patrimônio líquido da citada controlada em 31/12/2001 apresentava como reserva de lucro o valor de 103.167.445,79 euros. Ocorre que esse valor engloba valores apurados a título de “share premium” e lucros e prejuízos acumulados. Isso porque esse valor corresponde basicamente à totalidade do “share premium” apurada em 31/12/2000. Uma vez que o crédito tributário foi constituído com base em determinado critério jurídico, cabe à autoridade julgadora, além de determinar a realização de eventuais diligências e perícias, apenas a declaração da total improcedência do lançamento ou de sua procedência, posto que a procedência ou improcedência parcial somente alcança as hipóteses de erros de fato, o que não se verifica no presente caso. A taxa SELIC jamais poderia ser utilizada como juros moratórios, uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente de “mora” por parte do devedor, qual seja, a remuneratória. Devese ressaltar que a referida taxa não foi criada por lei, mas por Resoluções do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, conforme artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. Portanto, considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como a sua ilegalidade, não há que se admitir a sua utilização no presente caso. Protestase desde logo provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Informase ainda que a interessada irá solicitar a elaboração de laudo à empresa de auditoria independente PricewaterhouseCoopers, a fim de confirmar as informações aqui prestadas, no que tange aos equívocos cometidos pela fiscalização na apuração dos valores supostamente devidos, os quais estão comprovados por meio de planilhas acostadas e documentos constantes dos autos. A DRJ decidiu conforme ementa: (...) A recorrente tomou ciência do acórdão em 13/12/2007 e apresentou recurso em 11/01/2008. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e acrescenta que a decisão recorrida é nula pois houve alteração do critério jurídico utilizado no lançamento, pois introduziu como base para o lançamento a IN 38/96, quando o lançamento foi baseado na Lei 9.532/97 e foi desta base legal que a recorrente se defendeu. Importante salientar que após o julgamento de 1a. instância a recorrente apresentou os documentos de fls. 613 a 654, que se constituem de um laudo emitido pela Pricewaterhouse Coopers sobre o presente Processo Administrativo, um parecer técnico intitulado registro de investimento pelo método do custo de aquisição em Luxemburgo e um Parecer técnico intitulado natureza jurídica dos valores registrados a título de “share premiun”(informal capital) na Holanda. A PFN apresenta contrarazões aos argumentos do recurso a fls. 864 a 915. Argumenta a PFN: que não ocorreu alteração do critério jurídico que fundamenta os lançamentos, pois a simples citação da IN 38/96 no voto da relatora não significa alteração de critério jurídico e que mesmo se o o art. 2º. da IN 38/96 sequer existisse, os lançamentos seriam mantidos com base no enquadramento legal realizado pela Auditora Fiscal, tendo em vista que a transferência das ações de controlada com lucros acumulados (e não tributados) corresponde a uma espécie do gênero emprego do valor dos lucros auferidos no exterior; que no caso, tendo em vista que a disponibilização dos lucros apurados no exterior em 1996 e 1997 ocorreu tãosomente no anocalendário de 2001, inferese que o fato gerador do IRPJ e CSLL foi concretizado em 31/12/2001, nos termos do art. 1º. da Lei 9.532/97. que o entendimento expressado pela recorrente está em contrariedade com seu próprio comportamento, pois se o contribuinte defende que durante a vigência da Lei 9249 o fato gerador do IRPJ ocorre no momento do auferimento dos lucros pelas empresas controladas, independentemente de disponibilização, por que não ofereceu à tributação os lucros auferidos em 1996 e 1997 por suas controladas PAINTER LUX e STANHORE no valor total de US$ 27.401.359,22? que a contribuinte praticou diversas operações que culminaram com a transferência das participações societárias detidas em suas controladas residentes no exterior. No momento em que os negócios jurídicos foram realizados, o patrimônio líquido das controladas registrava lucros acumulados em somas consideráveis, valor esse que foi utilizado em favor da recorrente para viabilizar a consecução das operações, caracterizando a hipótese de disponibilização prevista no art. 1o. parágrafo 2o, alínea b, item 4, da Lei 9.532/97. Que é incontroverso que o valor dos lucros acumulados nas controladas foi Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.597 9 empregado em seu favor nas operações de alienação e de transferência das ações para integralização/aumento de capital em outras empresas. Afinal, a contribuinte somente pôde efetuar essas operações em razão dos elevados lucros registrados no patrimônio líquido das controladas, os quais determinaram o custo das ações nos diversos negócios jurídicos. Exemplifica que a alienação das 70.803 ações da Painter Lux pelo preço de R$ 117.533.327,67 apenas foi possível em função dos lucros acumulados escriturados no patrimônio líquido da controlada, na cifra de US@ 80.311.868,66.. Cita jurisprudência deste colegiado neste sentido. Ressalta que sendo a recorrente controladora das empresas no exterior, a disponibilização de lucros pelas controladas depende precipuamente da vontade da própria recorrente; sobre a alegação da nãotributação do resultado da equivalência patrimonial alega que é impertinente ao caso concreto, haja vista que a autuação não teve como base mera equivalência patrimonial, e sim a efetiva disponibilização de lucros auferidos por controladas no exterior, em decorrência da prática de diversas operações societárias que caracterizaram o emprego do valor desses lucros em favor da contribuinte; que em relação à alegação da não tributação da variação cambial, também não é pertinente ao caso em tela, pois a contribuinte não foi autuada em função da variação cambial decorrente da equivalência patrimonial de seus investimentos no exterior, mas por haver empregado em seu favor os lucros auferidos pelas controladas; que deve ser aplicado o art. 143 do CTN para a taxa de câmbio aplicável, tendo em vista que o parágrafo 4o. do art. 25 da Lei 9249 foi tacitamente revogado pelo art. 1o. da Lei 9532/97; que incide CSLL sobre os lucros disponibilizados em 2001 e 2002 que é legítima a taxa SELIC; Quanto à empresa controlada Painter, afirma que é uma holding sediada em Luxemburgo, que detém 37,5% das participações societárias da Stanhora, a qual também é controlada direta e indiretamente pela recorrente. Que a recorrente afirma que os balanços oficiais da Painter não registraram qualquer alteração de resultado positivo de equivalência patrimonial oriundo da Stanhore, pois os investimentos nessa empresa seriam avaliados pelo método do custo de aquisição. Que a recorrente sustenta que elaborava balanços pro forma, no qual fazia refletir em seu patrimônio os lucros auferidos pela Stanhore – pois controlava essa empresa indiretamente, e que teria sido com base nesse controle paralelo (planilha excel), e não com fundamento nos balanços patrimoniais da Painter, que a Agente Fazendária apurou a base de cálculo do IRPJ e CSLL e que nos balanços oficiais da Painter Lux não haveria registro de lucro no período de 1996 a 2001; Que, no entanto, as alegações da recorrente são fulminadas pela análise dos documentos acostados nos autos. Que, em sentido oposto ao consignado no recurso, a base de cálculo dos créditos tributários foi apurada a partir dos balanços patrimoniais da Painter Lux, o que é comprovado mediante o cotejo entre o termo de verificação fiscal (fls. 410/411) e as demonstrações financeiras da controlada (fls. 152 e seguintes).Além das demonstrações financeiras da controlada, os argumentos da contribuinte também são infirmados pelo contrato de compra e venda de ações (fls. 142/149), através do qual a recorrente alienou 70.803 ações da Painter Lux à Real Participações (cláusula 2.1 do contrato e 2.2. do contrato). Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Nas demonstrações financeiras da Painter Lux (anexo II do contrato, fls. 148/149), vislumbrase que em 31/05/2001 a controlada possuía nada menos que US$ 80.311.868,55 a título de lucros acumulados. a alegação de que a Painter não registrou qualquer resultado positivo de equivalência patrimonial advindo da Stanhore é contrariada pelos próprios balanços da controlada, nos quais os investimentos efetuados foram avaliados pelo MEP; que quanto aos documentos juntados após o julgamento em primeira instância (fls. 810822), devese acentuar que os mesmos não se enquadram nas hipóteses excepcionais de apresentação extemporânea de provas documentais previstas no art. 16 do Decreto 70.235/72, razão pela qual não devem ser conhecidos; conclui que ao transferir as ações da Painter, além dos eventuais lucros acumulados pela controlada direta, a recorrente empregou em seu favor os lucros auferidos pela Stanhore e refletidos na Painter via MEP, os quais estavam incorporados no valor das ações transferidas. Quanto à Stanhore, não se aplica a convenção BrasilPortugal, tendo em vista que tal convenção já havia sido revogada pelo Decreto 3.121/99; que sendo a controlada sediada em local equiparado à Zona Franca, onde não há tributação, a referida convenção seria inaplicável pois previa evitar a dupla tributação e não instituir isenção; que se fosse aplicável a convenção, seria aplicável o art. X (que trata de dividendos) e não o art. VII ; que a Stanhore é uma holding situada na Ilha da Madeira e a recorrente possuía 62,5% do capital social; que em 06/12/2001, a Diretoria da contribuinte aprovou a subscrição de ações na Crosslake Holdings Inc. e para viabilizar a integralização, além das participações societárias detidas na Painter Lux, foram transferidas as 1.355.722 ações que a recorrente possuía na Stanhore, cujo valor total em 30/11/2001, era de R$ 349.915.214,55 e à época, o patrimônio líquido da controlada registrava US$ 221.404.018,88 de lucros acumulados, conforme os seus balanços patrimoniais (fls. 198220). Logo, 62,5% do valor dos lucros auferidos pela Stanhore entre 1997 e 30/11/2001 (US$ 67.485.502,00) foi empregado em favor da recorrente por ocasião da transferência das ações cheias da controlada, para possibilitar a integralização de capital na Crosslake Holdings, caracterizando a disponibilização prevista no art. 1o. da Lei 9532/97. Em relação à controlada Jerusha I. B. V., afirma que não há comprovação do registro da parcela decorrente do “share premium”no patrimônio líquido da controlada. que, em 26/10/1999, a recorrente adquiriu 400 ações da Jerusha, o que correspondia a 100% do capital social da controlada. De acordo com a cláusula (2) do “contrato de compra e venda de ações”(fls. 222/227), todos os direitos inerentes às ações, inclusive dividendos, foram acumulados em benefício da recorrente. que, em 28/12/2001, a contribuinte transferiu as ações da controlada para a C.I.R.R.S. Global Investments B. V., a fim de integralizar uma ação ordinária dessa empresa (fls. 228/232). Na data da operação, havia 103.167.445,79 Euros a título de lucros acumulados no patrimônio líquido da controlada, consoante seus balanços patrimoniais (fls. 233/238), valor que foi empregado em favor da recorrente por ocasião da transferência aludida, viabilizando a Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.598 11 integralização na Global Investments., que, cumpre salientar que nos balanços da Jerusha a conta reserva de lucros reflete, na verdade, o valor do lucros (prejuízos) acumulados, como constatado pela Auditora Fiscal e ratificado pela DRJ, uma vez que ao se somar o valor das reservas de lucros com o resultado apurado do período (lucro ou prejuízo líquido), temse o saldo inicial da referida conta de reserva no ano subseqüente, o que confirma a assertiva do autuante de que se trata, de fato, de lucros (prejuízos) acumulados. não há qualquer elemento nos balanços patrimoniais da Jerusha que confirme a alegação da recorrente acerca da contabilização do share premiun a contribuinte assevera que o valor decorrente do share premiun estaria registrado em conta de reserva de capital; entretanto, a análise dos demonstrativos financeiros da controlada evidencia que sequer houve escrituração de valores a título de reserva de capital; que os documento juntado aos autos após a impugnação (laudo da Price), não se referem a fato ou direito superveniente, nem destinamse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, tampouco restou demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, razões pela qual, propugna pelo não conhecimento dos documentos. que o Tratado (Convenção Brasil – Países Baixos) busca evitar a dupla tributação e não tendo sido tributado o lucro no país de domicílio da controlada não há óbice a tributálo no Brasil quando disponibilizados à controladora. Em memorial complementar datado de 26 de novembro de 2009, a recorrente apresenta documentos enviados por empresa de auditoria que presta serviços à Jerusha I B V na Holanda, traduzidos por tradutor juramentado e registrado no 1o. Oficial de registros de Títulos e Documentos e Civil de Pessoas Jurídicas em São Paulo. São os seguintes os documentos apresentados: Descrição da contribuição; Carta enviada pela Jerusha à Recorrente em 12/11/99; Resolução de acionistas da Jerusha; Declaração de Imposto de Capitais da Jerusha no ano de 1999; Extrato de contacorrente da Jerusha, emitido pelo ABNAMRO, comprovando o pagamento do Imposto de Capitais em dezembro de 1999 Lançamentos Contábeis realizados pela Jerusha no ano de 1999 Apresente também memorial onde consta demonstrativo balanço patrimonial da Jerusha, que demonstraria qual seria a parcela que se refere ao “share premiun” e designa parcela como sendo referente a resultado de equivalência patrimonial da investida Ação Real. VOTO Entendo que o processo não se encontra em condições de ser decidido. Tendo em vista que, no que se refere ao denominado “share premiun”, foram apresentados documentos que poderiam demonstrar o pagamento àquele título, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 que a autoridade lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados, inclusive: 1) Os documentos apresentados são hábeis para demonstrar o pagamento do intitulado “share premiun” ? 2) No valor considerado pela fiscalização como lucro está incluída parcela referente a resultado de equivalência patrimonial da investida Ação Real? Se afirmativa a resposta, qual o valor que se refere a esta parcela? 3) Se forem confirmadas as duas parcelas (“share premiun” e equivalência patrimonial), haveria alteração no lançamento realizado em relação à recorrente? Após relatório que se dê ciência à recorrente.”. Vale retificar a informação contida no relatório da resolução acima transcrita, pois o enquadramento legal do auto de infração do IRPJ (a fls. 641) incluía o art. 1º, § 1º, inciso b e § 2º, inciso b, item 4 da Lei nº 9532/97 e, não, da Lei 9.430/96 como informado no aludido relatório. A fls. 1515, consta o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal, no qual consta as seguintes informações: Com a finalidade de responder as questões solicitadas pelo CARF, foi aberto o MPF diligência de n° 08.1.85.002013002502. Na data de 12/11/2013, foi dada a ciência ao contribuinte acerca do termo de início de diligência fiscal. O termo de intimação n° 01 ( ciência postal em 01/04/2014 ) solicitou à Paic que apresentasse demonstrações financeiras da controlada Jerusha IBV no ano de 1999, bem como traduções de documentação e comprovação de que estes faziam parte da declaração do imposto de renda do fisco holandês. Em 11/04/2014, a Intimada protocolou o requerimento para concessão de prazo adicional a fim de cumprir a intimação de n° 01. Tal prazo foi concedido por meio do termo de intimação n° 02 (ciência em 15/05/2014). Finalmente, em 30/04/2014 apresentou os documentos solicitados. Foi lavrado o termo de intimação de n° 03 (aviso de recebimento do correio datado em 05/06/2014) que solicitou a apresentação de diversos documentos devidamente notarizados e consularizados. Novamente, a intimada pediu prorrogação de prazo para cumprimento desta intimação, que foi concedida por meio do termo de intimação de n°04 (02/07/2014). Em 23/07/2014, a Paic entregou cópias dos documentos requeridos. Apresentação extemporânea de documentos processo administrativo nº 16561.000053/200617 Os documentos a serem analisados foram anexados no "Memorial Complementar da Recorrente", em 26 de novembro de 2009, e dirigido à 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ªSeção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A apresentação extemporânea de tais documentos caracteriza a chamada preclusão, pois a natureza destes não se enquadram em nenhuma das hipóteses elencadas pelo Decreto n° 70.235/72, artigo 16, § 4º, e por este motivo, não deveriam ser conhecidos. Notase que a preclusão já havia ocorrido quando o Contribuinte anexou, após o julgamento da DRJ e antes da interposição do recurso voluntário, três laudos encomendados à PricewaterhouseCoopers e pareceres da Holanda a respeito da matéria em questão. Este fato já havia sido comentado nas contrarazões ao recurso voluntário elaborado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na pág. 872 deste processo administrativo. Análise da documentação apresentada: No memorial complementar da recorrente (pág 922 a 944 do processo administrativo em papel), foram apresentados os seguintes documentos: Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.599 13 Descrição de Contribuição; Carta enviada pela Jerusha I.B.V. à Recorrentes , em 12 de novembro de 1999; Resolução de Acionistas da Jerusha I.B.V.; Declaração de Imposto de Capitais da Jerusha I.B.V. do ano de 1999; Extrato de ContaCorrente da Jerusha I.B.V. emitido pelo ABNAMRO, comprovando o pagamento do Imposto de Capitais em dezembro de 1999; Lançamentos Contábeis realizados pela Jerusha I.B.V. no ano de 1999. " A holandesa Jerusha I.B.V. era controlada da então denominada Pão de Açúcar SA Indústria e Comércio desde 26/10/1999, data do contrato de compra e venda de ações, com o percentual de 100% (pág 222 a 227). A fiscalizada transferiu as ações da Jerusha I.B.V. em 28/12/2001 para a C.I.R.R.S. Global Investments B.V. (também sediada na Holanda), a fim de integralizar totalmente uma nova ação ordinária emitida pela Global (pág 228 a 232). Tratavase portanto de uma hipótese de disponibilização de resultado positivo obtido por controlada no exterior e que não foi oferecido à tributação no anocalendário de 2001. A base de cálculo para a autuação foi o montante que correspondia à reserva de lucro da Jerusha I.B.V., extraído da demonstração do resultado do exercício em 2001 (pág. 233 a 238). Para análise do cerne da questão (share premiun), foi solicitado à Paic, demonstrações financeiras da Jerusha I.B.V. e esclarecimentos acerca de documentos referentes ao "memorial complementar da recorrente " (intimaçãon°01). E para exame completo das questões levantadas pelo CARF, foi elaborada a intimação n°03 que solicitou consularização e notarização dos documentos apresentados, dentre outros itens. Na época em que foi lavrado o auto, a fiscalizada havia apresentado apenas as demonstrações financeiras de págs 233 a 238. Na data de 28/12/2001, quando ocorreu a transferência das ações da Jerusha para a C.I.R.R.S. Global Investments B.V., havia E 103.167.445, 79 (cento e três milhões, cento e sessenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e cinco euros e setenta e nove centavos) a título de lucros acumulados no patrimônio líquido da controlada e este montante foi usado em favor da Paic para integralização na Global Investment. Nos balanços da Jerusha a conta "reserva de lucros" refletia, na verdade, o valor dos "lucros acumulados", pois ao se somar o valor das Reservas de Lucros com o resultado do período (lucro ou prejuízo líquido), temse o saldo inicial da referida conta de reserva no ano subsequente , confirmando tratar se de lucros acumulados. Os seguintes documentos constantes no "memorial complementar da recorrente" : Descrição de Contribuição, Carta enviada pela Jerusha IBV à Recorrente em 12/11/1999, a Resolução de Acionistas da Jerusha IBV, e o anexo da declaração de imposto de capitais da Jerusha IBV fornecem o histórico de como foi que surgiu a chamada contribuição informal de capital na Jerusha (sharepremiun). Conforme transcrição da resolução de acionistasassinadoem18/11/1999,o Pão de Açúcar SA Ind e Com. resolveu: " Sobre a contribuição de 2.500.000.000 ações ordinárias da Companhia Brasileira de Distribuição à Sociedade, no valor de R$ 29.122.250, em troca de uma ação com valor nominal de 100 NLG emitida pela Sociedade, conforme formalizado em uma escritura notarial passada em 30 de outubro de 1999, fora reconhecido que a Sociedade receberá um benefício, a saber: a diferença entre o valor de transferência das 2.500.000.000 ações ordinárias da Companhia Brasileira de Distribuição de R$ 29.122.250 e o valor justo de mercado destas ações de: R$205.312.500. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 Com base nos fatos supracitados, esta diferença no montante de : R$ 176.190.250 será reconhecida como uma contribuição informal de capital na Jerusha I.B.V." Tais documentos remetem à época da aquisição das ações da Jerusha pelo Pão de Açúcar SA Indústria e Comércio, ocorrido no ano de 1999. Para melhor entendimento dos fatos contábeis ocorridos naquele ano, a intimação n° 01 solicitou o balanço patrimonial da Jerusha I.B.V. no ano de 1999. Ao comparar o balanço patrimonial de 1999 da Jerusha I.B.V. que foi apresentado no curso da fiscalização MPFfiscalização n° 08.1.71.002005 001734, com o balanço do mesmo ano, apresentado pela intimação de n° 01 do MPFdiligência n° 08.1.85.002013.002502, notase que houve completa alteração dos valores constantes no patrimônio líquido, como a redução do montante do capital social , e a introdução de uma nova conta de "share premiun", traduzida para a língua portuguesa como ágio de subscrição de ações , no valor de NLG 227.200.900,00. Este valor reduziu os lucros acumulados de NLG 192.653.535,34 para NLG 97.249,00, mantendose os mesmos valores de total do ativo e passivo de NLG 227.380.046,15. A seguir, temos os dois balanços onde visualizase , tais constatações: Balanço Patrimonial Jerusha IBVano de 1999 em NLG apresentado no curso do MPF fiscaliz. n° 08.1.71.002005001734 Balanço Patrimonial Jerusha IBVano de 1999 em NLG apresentado em resp. ao termo de intim.n0 01MPFdilig. 08.1.85.002013.002502 Ativo Ativo Caixa e Bancos 139.046,15 Ativos Fixos Tit.Vincul. ao Mercado Aberto Ativos Fixos Financeiros Contas a Receber de Clientes Subsidiárias 227.201.000,00 Dividendos a Receber Outras Participações Outros Créditos 40.000,00 Emprést. p empresas afiliadas Despesas do Exerc. Sequinte Outros Empréstimos Total do Circulante 179.046,15 Outros ativos fixos financ. 227.201.000,00 Realizável a Longo Prazo Empres. Controlad. e Acionist. Ativo Circulante Depósitos p Recursos Judie. Emprést/Adiantam p empr.afil. Outros ativos Recebíveis dos acionistas 40.000,00 Provisão para Créditos Duvid. Paqam. Antecip. e rec. acum. Devedores Permanente Caixa e bancos 139.046,15 Investimentos Outros ativos circulantes Controladas e Coligadas 227.201.000,00 179.046,15 Outros Imobilizado TOTAL DO ATIVO 227.380.046,15 TOTAL DO ATIVO 227.380.046,15 Passivo Passivo e Patrim. Líquido Circulante Dívida Lonqo Prazomais 1 ano Instituições Financeiras 2.459.518,68 Emprést. de emp.afiliada Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.600 15 Impostos a Recolher Emprést. Bancários e outros Financiamentos de Impostos Outras dívidas de lonqo prazo Salário .ncarqos Sociais Demais Ce cas a Pagar Dívida de Curto Prazo Total do Circulante 2.459.518,68 Empréstimos vincendos 2.418.546,50 Adiantam.de empresas afil. Exigível a Longo Prazo Saques a descob. em bancos Provisões para Contingências Credores Empresas Ligadas a Contrai. Provisões e diferimentos 40.972,18 Imposto de Renda Diferido Imp Renda PJ e Contrib. Previd Demais Contas a Paqar Outras dívidas de curto prazo 2.459.518,68 Patrimônio Líquido Capital e Reservas Capital Social 32.266.992,13 Capital emitido e inteqralizado 40.100,00 Reservas de Lucros Ágio de subscrição 227.200.900,00 Lucros (prejuízos) Acum. 192.653.535,34 Reserva legal 224.920.527,47 Reserva de reavaliação TOTAL DO PASSIVO 227.380.046,15 Distribuição de dividendos 97.249,00 Lucros acumulados 97.249,00 Resultado do exercício 2.320.472,53 224.920.527,47 TOTAL DO PASSIVO 227.380.046,15 Por conseguinte, nos anos de 2000 e 2001, conforme documentos 08 e 09 em resposta aos termo de intimação n° 03, o lucro obtido pela Jerusha I.B.V. seria reduzido ao valor agora expresso em euros para E 7.818,00 (sete mil, oitocentos e dezoito euros), antes do pagamento do imposto de renda no ano de 2001, quando ocorreu a disponibilização das ações da Jerusha em favor da Global Investments. Com a apresentação dos novos balanços patrimoniais e demonstrações do resultado do exercício para os anos de 1999, 2000 e 2001 (notarizados e consularizados), as contas relativas ao patrimônio líquido tiveram seus montantes alterados para se adequar às informações contidas nos documentos referentes ao "memorial complementar da recorrente", e acabaram por descrever o surgimento do chamado "share premiun". O segundo questionamento feito pelo CARF, transcrito a seguir: "no valor considerado pela fiscalização como lucro está incluída parcela referente a resultado de equivalência patrimonial da investida Ação Real? ", suscitou a princípio, que estaria ocorrendo algum engano na pergunta. Ocorre que em nenhum dos cinco volumes do Processo Administrativo n° 16561.000053/200617 (o último volume de n° 05 finalizava com a pág. 957 antes da abertura desta diligência), havia a informação de que a Jerusha I.B.V. era detentora das ações da brasileira Ação Real, ou seja, era controladora desta empresa. Somente após o início desta diligência fiscal n° 08.1.85.002013002502, com as lavraturas de intimações, e apresentação de novos documentos por parte da Paic Participações Ltda, é que se constata que a Jerusha I.B.V. era detentora no percentual de 100% da Ação Real Participações Limitada. No relatório financeiro anual de 1999 da Jerusha I.B.V. documento n° 06 da resposta à intimação n° 01, obtemos a seguinte tabela: Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 Jerusha I.B.V. Subsidiárias e outras participações ano de 1999 Nome País % participação valorem NLG Ação Real Participações Limitada Brasil 100,00 227.201.000,00 Total 227.201.000,00 No ano de 2000, o documento 08 entregue em resposta à intimação de n° 03, informa que a Jerusha I.B.V. já não mais detinha a participação na empresa Ação Real Participações Limitada e sim em outra empresa sediada em Luxemburgo, de nome Jerusha I Sari. O outro documento de n° 09 resposta à intimação de n° 03, trata também de demonstrações financeiras e atas referentes ao ano de 2001 da Jerusha I.B.V. Esta empresa holandesa manteve a sua participação somente na Jerusha I Sari em 2001. Portanto, a Jerusha I.B.V. deteve participação societária na Ação Real Participações Limitada tão somente no ano de 1999 e desta forma, o lançamento da infração relativa à Jerusha IBV, no ano de 2001 não incluía o resultado de equivalência patrimonial na Ação Real Participações Limitada. Segue resposta à terceira questão: os resultados dos exercícios da Jerusha I.B.V. nos anos de 1999 a 2001 foram alterados com a apresentação das novas demonstrações financeiras no curso da presente diligência. Tais valores foram modificados para serem conciliados com os documentos acerca da descrição de contribuição e resolução de acionistas da Jerusha IBV, introduzindo assim, na contabilidade um novo fator, ou seja, o conceito do "share premiun". Na nova demonstração do resultado do exercício desta controlada em 2001 (documento 09 da resposta à intimação n° 03), o lucro antes do imposto de renda teve o seu valor alterado e portanto, a autuação teria um lançamento com um montante diferente. Já a equivalência patrimonial por conta da participação da Jerusha I.B.V. na Ação Real não reflete qualquer alteração no valor do lançamento.”. Tendo tomado ciência do relatório de diligência, a recorrente assim se manifestou (doc. a fls. 1524 e segs.): “O processo administrativo em referência é originário de autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e de CSLL, relativos aos anos de 2001 e 2002, sob a alegação de que a Recorrente teria deixado de oferecer à tributação os lucros auferidos pelas empresas Pão de Açúcar International S/A, Stanhore Trading International S/A, Jerusha I.B.V. e Crosslake Holdings Inc., todas controladas/coligadas localizadas no exterior, suscitando, para tanto, que o teriam sido realizadas "operações nas quais ocorreu transferência de cotas de suas empresas controladas no exterior, caracterizando disponibilização de lucros conforme o item 4, alínea b, parágrafo 2°, artigo Io da Lei n.° 9.532/97." Após o acórdão da DRJ que manteve a autuação, foi interposto recurso voluntário, o qual foi levado a julgamento por este E. CARF na sessão de 08/07/2010, onde foi decidido pela conversão do julgamento em diligência, por meio do despacho n° 130200.042 (doe. 02), para que fossem apuradas as seguintes questões, realtivas à sociedade estrangeira Jerusha I. B. V. ("Jerusha"): 1) Se os docuemntos apresentados são hábeis para demonstrar que o que foi tributado pela d. Fiscalização representam parcela de "share premium", e não lucros acumulados pela Jerusha; Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.601 17 2) Se o valor tributado como lucro pela d. Fiscalização abrangeria também o resultado de equivalência patrimonial da investida Ação Real; e 3) Apurar se com base no resultado da análise referente aos quesitos 2 e 3, haveria alteração no lançamento original. Durante o período da diligência, foram expedidas intimações para que a Recorrente apresentasse diversos documentos referentes à Jerusha como, por exemplo, balanços patrimoniais, declarações de imposto de renda, declaração de capital, todas as atas das assembleias. Também foi solicitado à Recorrente a apresentação de tradução juramentada de alguns documentos, bem como a notarização e consularização de diversos documentos. Após a apresentação de todos os documentos e esclarecimentos que foram solicitados pela d. Fiscalização, a Recorrente foi cientificada sobre o teor do relatório de encerramento de diligência fiscal, a respeito do qual fará algumas considerações, a fim de esclarecer para este E. CARF algumas questões que foram levantadas pela Sra. Agente Fiscal1 e que não merecem prosperar. 2. Das considerações sobre o Relatório de Encerramento de Diligência 2.1. Impertinência dos comentários acerca da suposta apresentação extemporânea de documentos por parte da d. Fiscalização Após traçar um breve histórico sobre a documentação que foi apresentada durante a diligência e antes de responder aos quesitos formulados por este E. CARF, a d. Fiscalização resolveu se insurgir contra a apresentação de documentos pela ora Recorrente após a impugnação. Com efeito, conforme é possível depreender da leitura da preliminar contida no relatório da diligência (p. 3), a d. Fiscalização contesta a decisão tomada por unanimidade por este E. CARF, por entender que a apresentação de documentos após a impugnação caracterizaria preclusão, nos termos do art. 16, § 4o do Decreto 70.235/72. Ocorre que, em primeiro lugar, não cabe à Fiscalização, no âmbito da diligência solicitada por este E. CARF, contestar a decisão tomada pelo órgão colegiado, o qual entendeu que seria necessário se utilizar mais uma vez do trabalho da fiscalização, para fins de instruir o processo antes do julgamento da lide. Além disso, a d. Fiscalização, ao fazer tal alegação, não se atentou para o fato de que o lançamento originalmente efetuado sempre foi questionado pela ora Recorrente sob o aspecto de que a tributação da forma como se pretendia, implicava em exigir o IRPJ e a CSLL sobre o "share premium" registrado na Jerusha, como se lucro fosse. Em outras palavras, a Recorrente sempre deixou claro em suas defesas (seja na impugnação; seja no recurso voluntário) que os valores registrados a título de "share premium" não seriam passíveis de tributação, pois não são lucros da companhia. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 Ou seja, o argumento da Recorrente sempre foi o mesmo. O que ocorreu é que a defesa foi cada vez mais fortalecida por documentos que foram anexados aos autos e que só corroboram para a improcedência da autuação fiscal. Nesse sentido, vale mencionar, por exemplo, a declaração de imposto de renda apresentada pela Jerusha, na Holanda, em 1999. Referido documento está nos autos desde 15/05/2007 e deixa claro que no ano de 1999: (i) houve um registro de NLG 227.200.9002 correspondente ao share premium; e (ii) a empresa apurou um prejuízo fiscal (NLG 2.320.473), ou seja, não teve lucro. Esses elementos já demonstravam, por si só, o evidente equívoco cometido pela fiscalização em tratar tais valores como lucro (tal questão será melhor detalhada mais adiante, quando serão comentadas as conclusões da d. Fiscalização na diligência). Desta forma, os documentos que foram apresentados no memorial complementar da Recorrente vieram apenas a corroborar os argumentos de direito que já tinham suporte documental (pareceres e declaração de imposto de renda apresentada pela Jerusha, na Holanda, em 1999). Justamente por esse motivo que este E. CARF deliberou, por unanimidade, pela aceitação da apresentação dos documentos (matéria, portanto, já incontroversa nos autos), bem como pela conversão do julgamento em diligência para apurar os efeitos das alegações da Recorrente (que já vinham desde a impugnação) no lançamento de ofício. Reforça a impertinência de se tentar discutir novamente a tempestividade dos documentos em questão o fato mencionado pela própria Fiscalização, qual seja, de que nas contrarrazões ao recurso voluntário apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional já havia o pedido para o não conhecimento dos documentos apresentados após a impugnação. Isso porque, tal pedido já era de conhecimento dos julgadores e estes, mesmo assim, decidiram por afastar a alegada preclusão quando determinaram a conversão do julgamento em diligência para a verificação dos efeitos do conjunto probatório contido nos autos (incluindo nesse conjunto probatório os documentos anexos ao memorial complementar). Imaginar o contrário seria um disparate já que, se havia preclusão, não existia motivo para movimentar a máquina pública novamente para apurar fatos relacionados a documentos que poderiam não ser aceitos no futuro. Qual seria a lógica de se fazer isso? Nenhuma! Vale observar que prevaleceu a busca pela verdade material e também o bom senso, já que, se fossem mantidas as autuações fiscais, mesmo com a presença de documentos que revelam a improcedência das autuações, o lançamento fatalmente seria cancelado na esfera judicial, gerando ainda mais custos à Administração, que teria que arcar não só com as despesas que incorrem em razão da instauração de um processo judicial, como também com os honorários advocatícios a que seria condenada a Procuradoria da Fazenda Nacional a pagar. Portanto, é impertinente a alegação feita pela d. Fiscalização no sentido de pleitear a desconsideração dos documentos apresentados e a invalidade do próprio trabalho realizado durante a diligência determinada por este E. CARF (que foi baseada nos documentos apresentados pela Recorrente), sob pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica (despacho proferido por órgão Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.602 19 colegiado, considerando válidos os documentos apresentados), eficiência e moralidade (movimentação da máquina pública, com a utilização de recursos públicos, sem necessidade). 2.2. Breve síntese sobre a natureza do "share premium" na Holanda, de acordo com parecer elaborado por profissionais holandeses Como já foi mencionado, a Recorrente anexou, em 09/05/2007, parecer técnico elaborado por profissionais holandeses3, no qual foi esclarecida a natureza jurídica do "share premium" à luz da legislação holandesa, bem como que a tributação das pessoas jurídicas na Holanda segue um regime diferente do que é utilizado no Brasil. Aqui, vale esclarecer novamente a natureza jurídica dos valores registrados como "share premium" na Holanda, como forma de deixar ainda mais clara a improcedência da autuação fiscal. Com efeito, naquele país, somente é objeto de tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas os resultados decorrentes de atividades da própria empresa. Tal fato é evidenciado no seguinte trecho do parecer técnico em questão: "Na medida em que os benefícios não forem derivados de negócios, mas alusivamente da relação de acionistas entre as pessoas jurídicas, este não é um benefício dos negócios e, portanto, não é um lucro tributável, conforme institui o artigo 3.8 da Lei de Imposto de Renda Holandês de 2001, pois o lucro tributável é somente aquele gerado dos negócios." (fls. 1 do parecer técnico elaborado por profissionais holandeses). No caso, a Recorrente contribuiu a valor de livros (NLG 32.262.992) uma parte de seus ativos (ações) em integralização de aumento de capital realizado na Jerusha. Nessas situações, a legislação holandesa determina que seja feita a reavaliação do capital investido a valor de mercado, submetendose à tributação pelo imposto sobre o capital a totalidade do valor investido já reavaliado (NLG 227.201.000). Esses valores não são tributados como lucro, e sim, como contribuição de capital na Holanda, justamente por não serem decorrentes dos negócios daquela sociedade. Assim, temse que o "share premium" nada mais é do que o capital utilizado na integralização em determinada empresa ou companhia devidamente reavaliado, nos termos da legislação holandesa. Portanto, exatamente por esse motivo, está sujeito a um imposto específico, denominado imposto sobre o capital, não integrando a base de cálculo do imposto de renda. Mencionese que o valor do imposto de capital, no montante de NLG 2.272.010,00 (1% do valor total integralizado do capital4), foi devidamente recolhido conforme demonstrado por meio da declaração de capitais apresentada pela Jerusha em 1999, bem como pelo extrato bancário emitido pelo ABN AMRO. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 Tanto não se trata de lucro que, do exame da declaração de imposto de renda da Jerusha, fica claro que o pagamento do imposto sobre o capital (NLG 2.272.010,00 vide docs. 04 e 05 da petição protocolada em 11/04/2014, em resposta ao Termo de Intimação n° 01) é uma despesa que afeta o resultado da companhia (linha 9a vide doe. 02 da mesma petição). Portanto, como foi demonstrado, os valores que foram tributados no Brasil como lucros são, na realidade, "share premium". Essa parcela tem natureza jurídica distinta de lucro, de modo que não poderia ter sido atingida pela tributação pretendida pela d. Fiscalização. Tanto não se trata de lucro que, do exame da declaração de imposto de renda da Jerusha, fica claro que o pagamento do imposto sobre o capital (NLG 2.272.010,00 vide does. 04 e 05 da petição protocolada em 11/04/2014, em resposta ao Termo de Intimação n° 01) é uma despesa que afeta o resultado da companhia (linha 9a vide doe. 02 da mesma petição). Portanto, como foi demonstrado, os valores que foram tributados no Brasil como lucros são, na realidade, "share premium". Essa parcela tem natureza jurídica distinta de lucro, de modo que não poderia ter sido atingida pela tributação pretendida pela d. Fiscalização. 2.3. Considerações gerais sobre o trabalho fiscal constatações acerca do "share premium" registrado pela Jerusha A leitura do relatório de diligência demonstra que a d. Fiscalização, ao examinar os documentos apresentados com o memorial complementar, em conjunto com outros documentos solicitados durante a diligência, concluiu que a autuação fiscal, se tivesse levado em consideração a existência do "share premium", teria uma base de cálculo diferente da que constou no lançamento de ofício. Com efeito, a d. Fiscalização constatou que os documentos que fizeram parte do memorial complementar da Recorrente mostram como surgiu o "share premium" na Jerusha: "Os seguintes documentos constantes no 'memorial complementar da recorrente': (...) fornecem o histórico de como foi que surgiu a chamada contribuição informal de capital na Jerusha (share premium)" (p. 4 do Relatório de Diligência); Contudo, apesar das constatações serem claramente favoráveis à Recorrente, vindo apenas a corroborar o que foi argumentado desde a sua impugnação (ou seja, de que a d. Fiscalização tributou como sendo lucro o "share premium" registrado pela Jerusha), a Sra. Agente Fiscal, inconformada com a inevitável constatação de que o lançamento é improcedente, faz insinuações de que a documentação apresentada não mereceria fé. Porém, tais alegações não merecem ser consideradas, conforme passamos a demonstrar. Com efeito, após constatar que os argumentos da Recorrente (que já vinham sendo repetidos desde a impugnação) são Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.603 21 procedentes, já que restou, insistase, evidenciado que o que foi tributado pela d. Fiscalização foi o "share premium" e não o suposto lucro existente, a Sra. Agente Fiscal menciona que a comparação entre o balanço da Jerusha de 1999, que foi apresentado durante a fiscalização, e aquele que foi apresentado durante a diligência revelaria uma "completa alteração dos valores constantes no patrimônio líquido, como a redução do montante do capital social, e a introdução de uma nova conta de share premiun' (S.I.C.), traduzida para a língua portuguesa como ágio de subscrição de ações"(p. 5 do Relatório de Diligência) Mais adiante, a d. Fiscalização menciona novamente que os balanços apresentados durante a diligência são diferentes daqueles que foram apresentados à época da fiscalização, mas agora acrescentando que tais alterações teriam sido feitas deliberadamente, como forma de adequar os balanços aos documentos que foram anexados no memorial complementar: "Com a apresentação dos novos balanços patrimoniais e demonstrações do resultado do exercício para os anos de 1999, 2000 e 2001 (notarizados e :onsularizados), as contas relativas ao patrimônio líquido tiveram seus Montantes alterados para se adequar às informações contidas nos documentos referentes ao 'memorial complementar da recorrente', e acabaram por descrever o surgimento do chamado 'share premiun' (S.I.C.)" (p. 6 do Relatório de Diligência destaques do original) Conclui a Diligência, informando que "os resultados dos exercícios da Jerusha I. B. V. nos anos de 1999 a 2001 foram alterados com a apresentação das novas demonstrações financeiras no curso da presente diligência. Tais valores foram modificados para serem conciliados com os documentos acerca da descrição de contribuição e resolução de acionistas da Jerusha IBV, introduzindo assim, na contabilidade um novo fator, ou seja, o conceito de "share premiun" (S.I.C). Contudo, se a Sra. Agente Fiscal tivesse examinado com cuidado a documentação que já estava nos autos (que foram efetivamente apresentados às autoridades holandesas em 1999), bem como os documentos que foram trazidos pela Recorrente durante a diligência, jamais teria acusado a Recorrente de alterar os seus balanços para concilialos com a documentação que foi apresentada no memorial complementar. De fato, há diversos elementos nos autos que validam os números constantes do balanço apresentado durante a diligência e, portanto, afastam todas as suspeitas levantadas pela Sra. Agente Fiscal, vejase: 1) Já havia nos autos, desde 15/05/2007, a cópia da declaração de imposto de renda das pessoas jurídicas, apresentada pela Jerusha, na Holanda, no ano de 1999. O valor que está lá declarado como aumento de capital corresponde exatamente com a Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 base de cálculo informada pela mesma empresa em sua declaração de capital informal (declaração esta apresentada no memorial complementar) – NLG 272.201.000. Da mesma forma, o prejuízo registrado em tal declaração coincide com aquele contabilizado no balanço apresentado durante a diligência NLG 2.320.473. Tais valores podem ser melhores comparados a partir trechos abaixo, extraídos de cada uma das declarações em questão, bem como da cópia do extrato bancário emitido pelo ABN AMRO, comprovando o pagamento do imposto de capitais pela Jerusha, no ano de 1999: (...) 2) Os balanços que já estavam nos autos (fls. 233 a 238) a que se refere a d. Fiscalização, são relatórios gerenciais que foram preparados pela controladora da Jerusha no Brasil, de acordo com as leis brasileiras. Por outro lado, os balanços que foram apresentados à d. Fiscalização durante a diligência são os balanços oficiais da Jerusha, que foram elaborados de acordo com a legislação holandesa, de tal forma que os valores declarados no ano de 1999 coincidem com os valores constantes do balanço apresentado durante a diligência. De fato, como se pode perceber das atas que foram apresentadas a pedido da própria Sra. Agente Fiscal no curso da diligência (e que foram notarizadas e consularizadas ou seja, tiveram a sua autenticidade atestada pelas autoridades consulares), os balanços de 1999 e 2000 foram aprovados durante a "Annual general meeting of 2002" e os balanços dos anos de 2001 e 2002 foram aprovados durante a "Annual general meeting of 2003" (vide docs. 08 e 09 da resposta ao Termo de Intimação n° 01, protocolada em 23/07/2014). 3) Os autos de infração foram lavrados em 06/12/2006. Reiterese: as declarações de imposto de renda do ano de 1999 e a declaração de imposto de capitais da Jerusha foram apresentadas ao fisco holandês em 1999. Os balanços de 1999 e 2000 foram aprovados pela assembleia de 2002 e os balanços de 2001 e 2002 foram aprovados pela assembleia realizada em 2003. Como se vê, todos esses fatos ocorreram muito antes do início de qualquer tipo de atividade de fiscalização por parte do Fisco brasileiro. Daí cai por terra o argumento da Sra. Agente Fiscal de que os balanços teriam sido alterados para serem coerentes com a documentação apresentada no memorial complementar (apresentado pouco antes da sessão de 07/2010). Como se vê, a Sra. Agente Fiscal tentou trazer a discussão para os balanços que foram apresentados durante a diligência, como se somente esses documentos fossem suficientes para a alteração das conclusões iniciais sobre o lançamento. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.604 23 Ocorre que, como foi visto, independentemente dos balanços da Jerusha, a declaração de imposto de renda de 1999, examinada em conjunto com a declaração de imposto de capitais apresentada no mesmo ano, entregues no ano de 1999 na Holanda, não deixam qualquer dúvida de que não havia lucros acumulados, como quis fazer crer a fiscalização quando da lavratura do auto de infração. Os balanços oficiais somente corroboram todas as informações que foram fornecidas ao fisco holandês de que os valores que foram tributados no Brasil (representam, na verdade, o capital integralizado na Jerusha e registrado naquele país como "Share Premium"). Tanto isso é verdade que esses valores foram tributados na Holanda como contribuição ao capital da companhia e não como lucros (isso pode ser facilmente constatado a partir do exame das declarações de imposto de renda e da declaração de imposto de capitais da Jerusha). Além desses elementos mencionados nos parágrafos anteriores, em razão do teor do relatório da diligência, a Recorrente contratou um parecer técnico/contábil, o qual foi elaborado por profissionais holandeses, no qual é examinada a operação de integralização de capital realizada pela Recorrente na Jerusha, sob a ótica da legislação da Holanda (doe. 03). O parecer em questão levou em consideração os documentos que estavam nos autos até o presente momento (que foram devidamente apresentados às autoridades holandesas no ano de 1999), inclusive os que foram juntados durante a diligência fiscal. No referido parecer é destacado, entre outras coisas, que: (i) a Recorrente possuía uma cota de capital da Jerusha, no valor de NLG 100; (ii) houve a integralização de capital pela Recorrente na Jerusha, com ações da CBD, a valor contábil (NLG 32.262.992,00); (iii) o valor de mercado das ações da CBD integralizadas na Jerusha era de NLG 227.200.900,00; (iv) contabilmente, a participação societária da Recorrente, na Jerusha foi registrada da seguinte forma: a) capital: valor nominal da participação da Recorrente na Jerusha (NLG 100); (b) share premium: NLG 227.201.000,00. Esse valor é composto pela diferença entre o valor de mercado das ações integralizadas (NLG 227.201.000,00) e o valor nominal da participação da Recorrente na Jerusha (NLG 100) (v) houve o recolhimento de NLG 2.272.010,00 a titulo de imposto de capitais pela Jerusha (valor equivalente a 1% do capital integralizado); Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 24 (vi) a declaração de imposto de renda da Jerusha mostra que houve a integralização de capital pela Recorrente na sociedade estrangeira, no valor de NLG 227.200.900,00, bem como um prejuízo fiscal de NLG 2.320.473,00; (vii) a operação de integralização de capital com ações da CBD na Jerusha foi devidamente registrada nos balanços da Jerusha. Tal fato é perceptível da comparação entre os balanços de 1998 e 1999, onde fica claro que em 1998 a Jerusha possuía um capital de NLG 40.000,00 e em 2009 esse capital foi aumentado em NLG 227.201.000,00). Ademais, no citado parecer concluise de forma expressa que de acordo com a legislação contábil holandesa, o share premium deve ser contabilizado em conta de patrimônio líquido (fls. 6 do parecer anexo vide doc. 03), o que evidencia, mais uma vez, que este não se confunde com lucro. Daí fica ainda mais claro que o valor tributado pela fiscalização corresponde sim ao "share premium" e não a supostas reservas de lucros existentes na controlada da Recorrente situada no exterior. Além disso, notase que em 2001, conforme balanços apresentados durante a diligência, a empresa Jerusha apurou um prejuízo de 7.818,00 euros. Portanto, fica evidente que as desconfianças levantadas pela Sra. Agente Fiscal acerca da legitimidade da documentação apresentada durante a diligência determinada por este E. CARF não procedem. Desta forma, deve esta E. Turma considerar que todo o conjunto probatório que faz parte dos autos é suficiente para demonstrar que a d. Fiscalização tributou o "share premium" registrado pela empresa controlada na Holanda (Jerusha), como se fosse lucro acumulado/disponibilizado, o que não se pode admitir. DO PEDIDO Ante o exposto, a Recorrente reitera os termos de seu recurso voluntário e requer a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o seu conhecimento e o provimento, com a consequente reforma da decisão recorrida e o cancelamento dos autos de infração lavrados, com o que se estará fazendo Justiça!” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.605 25 O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 251 (a fls. 382 também), razão pela qual dele conheço. De plano, observo que o enquadramento legal da autuação pode ser sintetizada no seguinte excerto do TVF (a fls. 657): “Da análise da documentação apresentada pela Fiscalizada Pão de Açúcar S/A Indústria e Comércio, constatamos que esta empresa realizou operações na qual ocorreu transferência de cotas de suas empresas controladas no exterior, caracterizando disponibilização de lucros conforme o item 4, alínea b, parágrafo 2o, artigo 1o da Lei n° 9.532/97.”. Assim, vale a transcrição do trecho do TVF, no qual são descritas as operações de transferências de cotas de: a) Pão de Acúcar International; b) Stanhore – Trading Internatinal S/A; c) Jerusha I.B.V.; e d) Crosslake Holding Inc.. Do Pão de Açúcar International O TVF assim dispõe sobre esse subitem: “O Pão de Açúcar Indústria e Comércio participava com 100% do capital social da empresa controlada Pão de Açúcar International S/A, sediada em Luxemburgo. Da leitura da cópia da "Ata de Reunião de Diretoria", realizada em 19/05/2001 (anexa), foi aprovada a alienação de 70.803 (setenta mil, oitocentos e três) ações de emissão da Pão de Açúcar International S/A, para a Ação Real Participação S/A, empresa brasileira . Estas ações correspondem a 59,81% do total de ações que a Pão de Açúcar Indústria e Comércio possuía da controlada de Luxemburgo. O referido contrato de compra e venda de ações foi assinado em 31/05/2001, conforme cópia anexa. Na cópia da "Ata de Reunião de Diretoria" realizada em 06/12/2001, ocorreu a aprovação da alienação das restantes 47.576 (quarenta e sete mil, quinhentos e setenta,e seis) ações detidas pela Fiscalizada em sua controlada Pão de Açúcar International S/A, com a finalidade de subscrever ações da sociedade Crosslake Holdings Inc, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Estas 47.576 ações correspondem a 40,19% do percentual de ações que a Pão de Açúcar Indústria e Comércio detinha na controlada Pão de Açúcar International S/A. Portanto, no ano de 2001, a Fiscalizada Pão de Açúcar Indústria e Comércio detinha 118.379 (cento e dezoito mil, trezentos e setenta e nove) ações da Pão de Açúcar International S/A. 3.1.1 Através das Demonstrações Financeiras apresentadas em Euros, obtemos o resultado líquido da Pão de Açúcar International para os anos de 1996 a 2001: ANO LUCRO LÍQUIDO (US$) Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 26 1996 9.676.601,02 1997 4.959.553,20 1998 3.728.832,20 1999 9.434.754,44 2000 4.392.340,31 * 2001 1.707.479.35 Total (até 31/05/2001) 33.899.560,52 * Cálculo do lucro de 01/01/2001 até 31/05/2001 80.311.868,55 (lucro acumulado até 31/05/2001) 78.604.389.20 (lucro acumulado até 31/12/2000) = 1.707.479,35 As 70.803 ações alienadas correspondem a 59,81% das ações detidas pela Pão de Açúcar Indústria e Comércio em sua coligada Pão de Açúcar International S/A: US$ 33.899.560,52 x 59,81% = US$20.275.327,15 De acordo com o artigo 143 da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1996 Código Tributário Nacional , combinado com o artigo 74, § único da MP 2.15835/2001, a taxa de câmbio a ser utilizada é a da data do fato gerador: "Art. 143 Salvo disposição da lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farse á sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação." Assim temos: US$ 20.275.327,15 x 2,3600 (taxa de câmbio em 31/05/2001 = data da assinatura da venda de ações da Pão de Açúcar Internacional S/A) = R$ 47.849.772,06 (quarenta e sete milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, setecentos e setenta e dois reais e seis centavos).” 3.2 Stanhore Trading International S/A Esta empresa controlada da Pão de Açúcar Indústria e Comércio, tem sede na Ilha da Madeira e conforme cópia de "Ata de Mudança de sede e remodelação total de contrato de sociedade" e seu "documento complementar", constatase a criação da Stanhore Trading International S/A em 23/12/1996. De acordo com a cópia da "Ata de Reunião de Diretoria" realizada em 06/12/2001 pela Pão de Açúcar Indústria e Comércio, foi aprovada a Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.606 27 emissão de ações da sociedade Crosslake Holdings Inc., constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, com "a contribuição" de 1.355.272 (um milhão, trezentas e cinquenta e cinco mil, duzentas e setenta e duas) ações , detidas pela Fiscalizada em sua subsidiária Stanhore Trading International S/A. 3.2.1 Através das Demonstrações Financeiras apresentadas em dólares, obtemos o resultado líquido da Stanhore Trading International S/A para os anos de 1997 a 2001: ANO RESULTADO LÍQUIDO (US$) 1997 12.765.205 1998 10.252.191 1999 24.948.755 2000 11.843.974 30/11/2001 7.675.377 TOTAL 67.485.502 A Fiscalizada Pão de Açúcar Indústria e Comércio participava com 62,50 % das ações do capital da Stanhore Trading International S/A: US$ 67.485.502 x 62,50% = US$ 42.178.438,75 US$ 42.178.438,75 x 2,4435 (taxa de câmbio de 06/12/2001, data da ata de reunião de diretoria)= R$ 103.063.015,08 (cento e três milhões, sessenta e três mil e quinze reais e oito centavos). 3.3 Jerusha I.B.V. Esta empresa foi constituída nos Países Baixos (Holanda), sendo que a Fiscalizada Pão de Açúcar Industria e Comércio adquiriu ações da Jerusha I.B.V. em 26/10/1999, conforme o "Contrato de Compra e Venda de Ações", com cópia em anexo. Da referida cópia, em sua página 01, item (2), temos que: "(2) A venda acima citada das Ações passará a vigorar em 26 de outubro de 1999 e todos os direitos inerentes às Ações, inclusive, entre outros, direitos de voto e dividendos, serão acumulados em benefício da Compradora a partir desta data". Continuando, no mesmo contrato, no item (4), obtemos a informação de que: " A Vendedora garante e avença com a Compradora que as Ações representam 100% do capital emitido e integralizado da Sociedade..." Em 28/12/2001 ocorreu uma disponibilização de capital da Jerusha I.B.V., de acordo com a cópia anexa da "Escritura de Emissão de uma Ação". Através da leitura do referido documento, as ações da Jerusha I.B.V. que pertenciam ao Pão de Açúcar Indústria e Comércio, foram transferidas para a C.I.R.R.S. Global Investments B.V., sediada na Holanda, a fim de integralizar totalmente uma nova ação ordinária emitida pela Global. Dos Balanços Patrimoniais da Jerusha I.B.V. cópias em anexo de 1999 a 2001, para a data de 31/12/2001, o patrimônio líquido da controlada apresentava como reserva de lucro o valor de 103.167.445,79 euros (cento e Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 28 três milhões, cento e sessenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e cinco euros e setenta e nove centavos). Esclarecemos que nos balanços apresentados pela Fiscalizada, a conta "reserva de lucro" na verdade reflete o valor dos "lucros (prejuízos) acumulados". Portanto: 103.167.445,79 euros x 2,05388 (taxa de câmbio do dia 28/12/2001, fato gerador) = R$ 211.893.553,56 (duzentos e onze milhões, oitocentos e noventa e três mil, quinhentos e cinquenta e três reais e cinquenta. 3.4 Crosslake Holdings Inc De acordo com a cópia traduzida do "Memorando de Constituição e Contrato Social da Crosslake Holdings Inc", esta empresa está sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e foi constituída em 21 de novembro de 2001. Da leitura da cópia do "Consentimento de Deliberação do Único Conselheiro Alterando o Memorando de Constituição" , datado de 17 de dezembro de 2001, ocorreu aumento de capital autorizado da Sociedade. A Fiscalizada Pão de Açúcar Indústria e Comércio detém a participação de 77,31% do capital social da Crosslake, juntamente com a empresa brasileira Ação Real Participações S/A que subscreveu 22,69 % do capital da Crosslake Holdings Inc, totalizando 100% do capital social da empresa das Ilhas Virgens Britânicas. Finalmente, da leitura da cópia da "Ata de Diretoria da Ilaban S/A", em 28 de fevereiro de 2002, a empresa Pão de Açúcar Indústria e Comércio e a Ação Real Participações S/A realizaram conferência da totalidade do pacote acionário da sociedade Crosslake Holdings Inc para a empresa Ilaban S/A, sediada no Uruguai, a título de adiantamento para futuro aumento de capital. Das demonstrações financeiras em 2001 da Crosslake Holdings Inc, a empresa apresentou lucro acumulado para o total dos anos no valor de US$ 1.857.981,89 (um milhão, oitocentos e cinquenta e sete mil, novecentos e oitenta e um dólares e oitenta e nove centavos): O Pão de Açúcar Indústria e Comércio participava com 77,31 % do capital social da Crosslake Holdings Inc, portanto: US$ 1.857.981,89 x 77,31 % = US$ 1.436.405,80 US$ 1.436.405,80 x 2,34820 (taxa de câmbio do dia 28/02/2002, fato gerador) = R$ 3.372.968,10 (três milhões, trezentos e setenta e dois mil, novecentos e sessenta e oito reais e dez centavos). Inicialmente, alerto que a citação, no TVF, do parágrafo único do art. 74 da MP 2.15835, considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não macula o lançamento, pois, além de desnecessária tal citação, ele não afasta a discussão em torno de qual norma deverá ser aplicada para definir a taxa de câmbio de conversão da receita de participação nos lucros, ou seja, se o art. 143 do CTN conforme sustentado pelo autuante ou o art. 25, §4º, da Lei 9.249/95, questão essa que, em se fazendo necessária, será enfrentada mais a frente. Assim sendo, da leitura dos trechos do TVF acima transcrito, duas questões afloram: Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.607 29 a) a participação nos lucros de controlada no exterior relativos aos AC 1996 e 1997 eram regidos pela Lei 9.532/97 já que seu art. 1º só entrou em vigor em 1998 (cf. art. 81)? b) a inteligência do item 4, alínea b, parágrafo 2o, artigo 1o da Lei n° 9.532/97 leva a concluir que a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação? Para responder a primeira questão, transcrevo trecho de artigo de minha lavra, publicado em 2003 na Revista Fórum de Direito Tributário nº 02, no qual, já enfrentava uma das questões aqui posta em julgamento, razão pela qual, com a devida vênia, transcrevo o seguinte excerto da referida publicação: “5. Ora, conforme a seguir demonstrado, só se pode falar de disponibilidade econômica e acréscimo patrimonial, em virtude de lucro apurado no balanço da investida, mas ainda não pago ao investidor, se este estiver obrigado a avaliar o investimento pelo MEP, pois, em caso de avaliação pelo custo de aquisição, não há dúvida, de que só se poderia considerar ocorrida a disponibilidade econômica após o efetivo recebimento dos dividendos pela investidora. ....................................................................................................................... 14. Verificado quando se deve aplicar o MEP, cabe agora analisarmos a mais importante conseqüência da sua aplicação, qual seja, o reconhecimento pela investidora dos lucros da investida ao mesmo tempo em que são produzidos, independentemente de terem sido distribuídos. Com isso, antes mesmo de serem recebidos, os lucros das investidas avaliadas pelo MEP já representam um acréscimo patrimonial na investidora, pois, como bem ensina Modesto Carvalhosa (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, vol. 4 – tomo II, ed. Saraiva, pág. 50): “Há assim um registro concomitante do resultado na ‘sociedadefilha’ e na ‘sociedademãe’. Daí dizer que a investidora apropria, com a equivalência patrimonial, o resultado derivado de seus investimentos nas sociedades investidas por regime de competência, e não por caixa, quando distribuído”. [grifo nosso] ............................................................................................................................... 17. Como se vê, ao fim da primeira parte deste arrazoado, não é a legislação tributária que determinou o regime de competência para o reconhecimento dos lucros das investidas avaliadas pelo MEP, mas, sim, a legislação comercial. 18. Até o momento, não se fez necessário nos recorrermos de nenhuma lei tributária para sustentarmos que os lucros ainda não distribuídos das investidas avaliadas pelo MEP significam um acréscimo patrimonial na investidora por representarem uma disponibilidade econômica, passível, inclusive, de distribuição aos sócios da investidora. ............................................................................................................................... 35. Não obstante, desde a introdução do MEP (Lei nº 6.404/76), os lucros das investidas avaliadas pelo MEP no exterior pudessem ser tributados no Brasil antes do efetivo recebimento, já que compunham o resultado contábil da investidora, não era isso que ocorria, pois o art. 63 da Lei 4.506, de 30 de novembro de 1964, adotava o princípio da territorialidade – pelo qual só se Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 30 tributava os resultados oriundos de atividades exercidas no país. Assim sendo, os lucros dos investimentos no exterior avaliados pelo MEP não eram tributados no Brasil, não porque não se configurassem em um acréscimo patrimonial, mas porque o país adotava, como aspecto espacial da hipótese de incidência do IRPJ, o princípio da territorialidade. 36. Com o advento da Lei nº 9.249, de 1995, o Brasil passou a adotar a sistemática de tributação em bases universais, pelo qual a tributação compete ao país onde a empresa tem a sede, independentemente do lugar onde os rendimentos foram produzidos, se não vejamos como dispõe o art. 25: ............................................................................................................................... 37. Houve, assim, uma mudança no aspecto espacial da hipótese de incidência do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas com a adoção do princípio da universalidade da renda, o que em nada ofende ao conceito de renda estampado no caput art. 43 do CTN, mesmo porque compete à lei ordinária definir os aspectos da hipótese de incidência dos tributos, pois é isso que se chama “instituir o tributo”. 43. Destarte, com a Lei nº 9.249, de 1995, passamos a adotar a tributação do imposto de renda em bases universais, não obstante a legislação tributária continuasse a autorizar as investidoras a reconhecer os lucros das investidas no exterior, apenas quando pagos ou creditados. Isso mesmo, apesar de a legislação comercial (art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976), desde meados da década de setenta, já determinar que as investidoras reconhecessem o resultado da equivalência pelo regime de competência, ou seja, fazendo o registro contábil do resultado da equivalência patrimonial concomitantemente com a apuração do resultado pela investida, a interpretação dada pela Secretaria da Receita Federal SRF ao art. 25 da Lei nº 9.249/95 continuou a considerar que os lucros de investida no exterior avaliada pelo MEP fossem tributados apenas quando pagos ou creditados, se não vejamos como dispunha o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 38, de 27 de junho de 1996 (posteriormente, revogada pela Instrução Normativa nº 213, de 2002): Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais sucursais, controladoras ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. [...] 44. Ora, decerto que não havia mais nenhum motivo para deixar de tributar no Brasil os lucros das investidas no exterior avaliadas pelo MEP, pois já tínhamos abandonado o princípio da territorialidade (único obstáculo à tributação de tais lucros) e adotado a tributação em bases universais, logo, sendo tais investimentos sediados no exterior, a entidade econômica ainda não tinha sido tributada por tais lucros no Brasil, razão pela qual tais lucros haviam de ser computados no cálculo do lucro real da investidora. 45. Entretanto, conforme já frisamos, a SRF, ao interpretar o art. 25 da Lei nº 9.249/95, em especial o § 6º, entendeu que ali estava contemplada uma exceção ao reconhecimento pelo regime de competência, ou seja, exceção ao reconhecimento da receita da investidora no Brasil concomitantemente com a apuração do lucro pela investida no exterior (avaliada pelo MEP), de tal sorte que os lucros da investida no exterior só passavam a ser receitas tributáveis da investidora no Brasil quando efetivamente pagos ou creditados. 46. Vejam que essa era uma exceção para quem apura o imposto sobre a Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.608 31 renda pelo lucro real, já que a regra é a do reconhecimento das receitas pelo regime de competência. Aliás, sobre o regime de competência, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, de Sergio de Iudícibus e outros, ed. Atlas, 5ª edição, p. 28, traz a seguinte definição, para depois observar o que se segue: “As receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua incorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa. A Lei das Sociedades por Ações não admite exceções. Algumas praticadas hoje decorrem de legislações normalmente fiscais, ainda divergente da lei societária.” [grifo nosso] Assim, a regra vigente para o anoscalendários de 1996 e 1997 era o art. 25 da Lei 9.249/95, com a interpretação dada pela SRF na IN 38/97, a qual concluiu que a receita de participação nos lucros de controladas no exterior só seria tributada quando efetivamente paga ou creditada. Ora, de tal conclusão aflora uma outra questão: caso aceitável a interpretação dada pela autuante ao item 4 da alínea “b” do § 2º do art. 1º da Lei 9.532/97, o qual só entrou em vigor em 1998 (cf. art. 81 da mesma lei), tal dispositivo legal poderia retroagir para alcançar os lucros acumulados de 1996 e 1997? A prima facie, teríamos que concluir positivamente, pois o que se estaria tratando é de uma simples alteração do aspecto temporal da hipótese de incidência tributária do IRPJ sobre a receita de participação nos lucros de controlada no exterior, logo, caso a alienação da participação societária tenha efetivamente passado a constituir uma hipótese de disponibilização de lucros com o disposto no item 4 da alínea “b” do § 2º do art. 1º da lei 9.532/97, a participação da recorrente nos lucros acumulados pela controlada no exterior passariam a ser receita tributável a partir dos eventos ocorridos após a entrada em vigor do aludido dispositivo legal. Todavia, há que se indagar se a inteligência do item 4, alínea b, parágrafo 2o, artigo 1o da Lei n° 9.532/97 leva a conclusão de que a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil constitui "disponibilização" de lucros cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. Vejamos, então, como dispõe tal dispositivo: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 32 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Pela literalidade do item 4, não se permite concluir que a alienação da participação societária na controlada no exterior se configure em disponibilização dos lucros, por ela acumulados, aos controladores pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Notese que a estrutura de tal norma é constituída de uma fórmula casuística (“o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça”) seguida de um caso específico (“inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior”), tratase assim de situação em que a própria norma autoriza a interpretação analógica, mas dentro do limite fixado no exemplo dado. Ou seja, a norma autoriza toda e qualquer situação em que haja o emprego do valor em favor do beneficiário, desde que logicamente tenha havido a deliberação para distribuição/aplicação de tais lucros em benefício dos acionistas, o que não é o caso. Ora, os atos de alienação são externos à controlada alienada, sendo que a deliberação por empregar ou distribuir seus lucros acumulados é da competência exclusiva de seus órgãos de administração. É verdade que a Receita Federal ao interpretar tal dispositivo entendeu que: “Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil”, conforme dispunha o § 9º do art. 2º da IN 38/96. Ora, tal interpretação desborda dos parâmetros hermenêuticos do aludido item 4. Para que fique ainda mais clara a falta de razoabilidade de tal interpretação, basta salientar que, por ela, se a participação na controlada no exterior for alienada para outra pessoa jurídica no Brasil, a alienante sofrerá a incidência tributária do IRPJ sobre os lucros acumulados na controlada e, como os lucros acumulados continuaram no PL da controlada (já que nada foi deliberado por ela sobre a distribuição), haveria, na vigência de tal norma, também a incidência de IRPJ sobre essa mesma base quando os lucros fossem efetivamente distribuídos para a nova controladora no Brasil. Ora, seria como tributar duas pessoas diferentes pela mesma base tributável, ou seja, haveria dois aspectos temporais de incidência tributária para a mesma base tributável, configurando assim bis in idem. Vale ainda a reflexão: se a participação na controlada no exterior for alienada várias vezes para pessoas domicialiadas no Brasil, seria justo tributar os lucros acumulados por cada uma dessas alienações, sem nunca ter sido sequer deliberada a sua distribuição? Além disso, a controladora/alienante domiciliada no Brasil sofrerá a incidência do IRPJ sobre o ganho de capital, caso o valor de alienação supere o valor contábil do investimento, conforme dispunha o art. 31 do DL 1598/77. É verdade que os lucros acumulados na controlada, aumenta o valor contábil do investimento avaliado pelo MEP registrado na controladora e, consequentemente, diminui o seu eventual ganho de capital, mas isso não justificaria a interpretação feita pela Receita Federal, pois outros valores que compunham o resultado do MEP, como a variação cambial do investimento ou o ganho por variação de participação societária, também aumentaria o valor contábil do investimento e, consequentemente, reduziria o eventual ganho de capital, sem que nunca fossem tributados. O que ocorre é que a adoação do MEP causa efetivamente uma distorção na tributação do ganho de capital quando comparamos com a alienação de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, porém, não me parece que o item 4 da alínea “b” do § 2º do art. 1º da lei 9.532/97 tenha tido sequer a pretensão de minorar tal distorção. Com relação ao lançamento da CSLL, entendo que há ainda um outro obstáculo, qual seja, é que o art. 21 da MP 2.15835, de 2001, estabeleceu a incidência dessa contribuição sobre lucros, rendimentos e ganhos auferidos no exterior, ou seja, o aspecto Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.609 33 material. Logo, não há como fazer retroagir tal norma para alcançar lucros acumulados antes da entrada em vigor de tal norma. Vale ressaltar que tanto o art. 25 da Lei 9.249/95 como o art. 1º da Lei 9.532/97 tratavam apenas de lucro real, sendo que a previsão de incidência da CSLL sobre lucros no exterior, inclusive observando o disposto nas Leis 9.249 e 9532, começou com o art. 19 da MP 18566/1999, a qual depois de muitas reedições terminou por se consolidar na MPV 2.15835. Assim sendo, caso vencido no voto para cancelar integralmente os lançamentos, entendo que deva ser reduzida a base tributável da CSLL, para excluir os lucros apurados pelas controladas no exterior anteriores a 1999. Por esses motivo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos em tela e, caso vencido, voto por excluir das bases tributáveis da CSLL os lucros apurados pelas controladas no exterior antes de 1999. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Em que pese o bem fundamentado voto do conselheiro relator, analisando a questão principal objeto do recurso, a luz da legislação aplicável e da jurisprudência administrativa sobre a matéria, ouso divergir das suas conclusões quanto à caracterização da distribuição de lucros mediante emprego de valor no caso dos autos. A questão controvertida referese à interpretação do item 4, alínea b, parágrafo 2o, artigo 1o da Lei n° 9.532/97, verbis: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: [...] b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. [...] § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 34 b) pago o lucro, quando ocorrer 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. [...] A questão posta é se a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil constitui, emprego de valor a caracterizar a "disponibilização" de lucros prevista no dispositivo legal. Esta situação foi expressamente prevista no § 9º do art. 2º da IN 38/96, ainda sob a égide do art. 25 da Lei nº 9.249/1995. Como bem historiou o relator, o referido ato normativo, ao regulamentar o art. 25 da Lei nº 9.249/1995, excepcionou a aplicação do regime de competência ao condicionar a tributação, pela controladora, dos lucros auferidos no exterior pelas filiais, controladas e coligadas, ao efetivo pagamento ou crédito, conforme dispôs em seu parágrafo 2º, verbis: Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 1º Consideramse disponibilizados os lucros pagos ou creditados à matriz, controladora ou coligada, no Brasil, pela filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, considerase: I creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior; II pago o lucro, quando ocorrer: a) o crédito do valor em conta bancária em favor da matriz, controladora ou coligada, domiciliada no Brasil; b) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; c) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; d) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior. § 3º Os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de aplicações ou operações efetuadas no exterior serão computados nos resultados da pessoa jurídica, correspondentes ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que auferidos. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.610 35 § 4º No caso de encerramento do processo de liquidação da empresa no Brasil, por extinção da empresa, os recursos correspondentes aos lucros auferidos no exterior, por intermédio de suas filiais, sucursais, controladas e coligadas, ainda não tributados no Brasil, serão considerados disponibilizados na data do balanço de encerramento, devendo, nessa mesma data, serem adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 5º No caso de encerramento de atividades no exterior da filial, sucursal, controlada ou coligada, os lucros, auferidos por seu intermédio, ainda não tributados no Brasil, serão considerados disponibilizados, devendo serem adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do respectivo anocalendário ou da data do encerramento das atividades da empresa no Brasil. § 6º Os lucros ainda não tributados no Brasil, auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior, cujo patrimônio for absorvido por empresa sediada no Brasil, em virtude de incorporação fusão ou cisão, serão adicionados ao lucro líquido desta, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário do evento, observado o disposto nos §§ 1º e 2º. § 7º No caso de cisão, total ou parcial, a responsabilidade da cindida e de cada sucessora será proporcional aos valores do patrimônio líquido remanescente e absorvidos. § 8º Ocorrendo a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil, apurados até a data da transferência do referido patrimônio, serão considerados disponibilizados, devendo ser adicionados ao lucro líquido da beneficiária no Brasil, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário do evento. § 9º Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil. (grifei) Notase claramente que a Lei nº 9.532/1997, nos § 1º, b e § 2º, incorporou textualmente as hipóteses em que se consideravam disponibilizados os lucros, para fins de tributação, previstas no § 2º do art. 2º da IN. SRF. nº 38/1996. O parágrafo 9º do art. 2º da referida IN não foi incorporado ao texto legal, como de resto os parágrafos 4º as 8º também não foram. Quer me parecer que a não incorporação destes parágrafos ao texto legal decorre de seu caráter meramente interpretativo ao disposto no § 2º, inc. II, d que define o emprego de valor como disponibilização do lucro. Neste aspecto aflora minha primeira divergência quanto ao voto do relator. Não entendo que o § 9º traga uma interpretação que desborde da definição de emprego de valor Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 36 contida § 2º, inc. II, d da IN e, posteriormente, do § 2º, alínea b, item 4 do art. 1º da Lei nº 9.532/1997. A fórmula adotada no dispositivo, contendo uma exemplificação, claramente permite a interpretação analógica, estendendoa a outras situações que denotem o emprego de valor, como é caso da alienação da participação. Não encontro suporte, na norma, à afirmação do d. relator de que o emprego de valor em favor do beneficiário dependa da deliberação dos órgão de administração para distribuição/aplicação de tais lucros em benefício dos acionistas. Concordo que os atos de alienação são externos à controlada alienada, mas não vejo relevância no fato, pois se tal decisão é tomada por quem detém o controle do investimento, os órgãos de administração da controlada também representam (e se submetem) a vontade da controladora. Há neste caso uma vontade única, e maior, que parte de quem detém o controle no sentido de "empregar" o valor investido, seja alienandoo a terceiros, seja utilizandoo para a realização de novos investimentos em outras controladas. Também não me convence o argumento de que o lucro poderia vir a estar sujeito à tributação em duplicidade, ou mesmo em cascata, caso o investimento fosse alienado a outro contribuinte residente no país, por ocasião de uma possível distribuição efetiva de lucros após a alienação. Em primeiro lugar porque a tributação deve alcançar efetivamente quem se beneficiou do lucro, que levou à valorização do investimento que, no caso, é o detentor quando da geração dos lucros. Tanto é assim que, como o próprio relator admite, o custo do investimento, para fins de apuração de ganho de capital pelo alienante, foi aumentado na proporção desses lucros, reconhecidos via MEP. Ora, nada mais justo que, de um lado o alienante ofereça à tributação os lucros que geraram a mais valia do investimento e de outro possa deduzilo como custo na apuração do ganho de capital. Em segundo lugar porque a hipótese levantada pelo relator também pode ocorrer na atual sistemática de tributação de lucros no exterior, estabelecida a partir do art. 74 da MP. 215835/2001, pela qual os lucros são considerados disponibilizados à controladora na data do balanço em que tiverem sido apurados pela controlada1. Esta tributação ocorre, independentemente de qualquer deliberação dos órgãos de administração da controlada, que poderão, em momento futuro, decidir pela efetiva distribuição dos lucros à controladora, seja esta a que detinha o controle no momento da apuração dos lucros, seja outra que tenha adquirido o controle posteriormente. A jurisprudência deste conselho é bastante consistente ao considerar qualquer forma de alienação do investimento feito pela controlada como situação caracterizadora do emprego de valor em favor da beneficiária e, portanto, da disponibilização dos lucros. Cito a ementa de alguns acórdãos nesse sentido: LEI 9.532/97 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO DISPONIBILIZADO. FATO GERADOR. PAGAMENTO DO LUCRO. ENTREGA, A QUALQUER TÍTULO, A REPRESENTANTE DA BENEFICIÁRIA. AUMENTO DE 1 Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.611 37 CAPITAL DE CONTROLADA NO BRASIL. TRANSFERÊNCIA DAS CONTROLADAS NO EXTERIOR EM TROCA DE QUOTAS DE CONTROLADA NO PAÍS. Aumento de capital de controlada direta no Brasil por meio de transferência do controle de empresas no exterior em troca de quotas de capital configura pagamento do lucro da controlada no exterior, caracterizado pela entrega do lucro, a qualquer título, a representante da beneficiária, constituindo, assim, disponibilização de lucro. [...] (Acórdão nº 10195.500, 27/04/2006 1ª C/1º CC) LUCROS NO EXTERIOR EMPREGO DO VALOR DISPONIBILIZAÇÃO Os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real da empresa nacional. O momento é diferido até a data em que forem disponibilizados tais lucros. Todavia, a venda ou qualquer outra forma de transferência das participações fulmina a subsunção ã regra excepcional do aspecto temporal e, conseguintemente, qualifica o fato pela regra geral do momento da aquisição da renda. (Acórdão nº 10195.302, 08/12/2005 1ª C/1º CC) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO LEGISLAÇÃO ANTERIOR Consoante o disposto no art. 1° da Lei n° 9.532, de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a forma de pagamento, considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. No caso vertente, o emprego está caracterizado pela utilização da participação societária na empresa estrangeira que auferiu os lucros, para aporte de capital em outra. (Acórdão nº 10516.766, 08/11/2007 5ª C/1º CC) LEI N° 9,532/97 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EMPREGO DO VALOR DISPONIBILIZAÇÃO A integralização de capital mediante entrega da participação acionária de controlada no exterior configura o emprego dos lucros em favor da investidora brasileira e caracteriza a disponibilização do valor para fins de tributação, a teor das disposições da Lei n° 9.532/97, em seu art. 1°, § 2°, alínea "b", item 4. (Acórdão nº 110200.151, 29/01/2010 2ª TO/1ª C/1º SJ/CARF) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni). (Acórdão nº 9101 001.768, 15/10/2013 1ª Turma/CSRF) Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 38 Por retratar situação semelhante à ventilada neste processo e pela profundidade com que a D. Conselheira Sandra Faroni, designada para redigir o voto vencedor, tratou da matéria, transcrevo abaixo os principais fundamentos do voto vencedor contido no Acórdão 110100.151, cuja ementa foi acima citada, verbis: O ilustre relator foi vencido exclusivamente em quanto à parcela da exigência relacionada à disponibilização dos lucros representada pela transferência da participação societária para integralização de capital de outra empresa. Entendeu o relator que quando a integralização se dá em empresa do mesmo grupo, a transferência da participação societária não caracteriza emprego de valor para os fins previstos no 1°, § 2°, "b", item 4, da Lei 9.532/97. A questão tratamento da alienação da participação societária como emprego de valor foi por diversas vezes por mim enfrentada, que assim me expressei: A Lei n° 9.532, de 1997, estabeleceu: [...] A edição do art. 1° da Lei n° 9.532/1997 foi motivada pela necessidade de compatibilizar a incidência do tributo com o conceito de disponibilização. As situações tratadas na alínea "a" e nos itens 1, 2 e 3 da alínea "b" do § 2 do artigo são muito claras, não dando margem a discussões. Todas as dúvidas trazidas à discussão para este Colegiado contêmse no alcance que tem sido dado à expressão "emprego do valor", referida no item 4. O objeto da análise é quanto ao alcance do conceito de "emprego do valor" O vocábulo disponibilidade significa a faculdade de dispor dos bens. Dispor é um dos atributos do direito de propriedade. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (CC, art. 1.228). Significa o poder que o proprietário tem de se desfazer do bem, inclusive para integrálo ao patrimônio de outra pessoa. Alguém só pode dispor de algo de que seja proprietário, o que implicitamente, significa que num momento anterior adquiriu a disponibilidade desse bem. (A disponibilidade é adquirida mediante transferência da propriedade). Uma quota ou ação representa parcela da propriedade da investidora no patrimônio da investida. Se esse patrimônio contém lucros acumulados, ao alienar o investimento (simplesmente para dele se desfazer, ou para integralizar capital de outra sociedade), a sociedade dispôs de sua participação no patrimônio da investida, incluindo a parcela de lucros nela compreendidos. Não é relevante que o lucro pelinaneça no PL da investida. Vejase que, contabilmente, o resultado positivo (lucro) auferido através da coligada ou controlada se materializou por ocasião da apuração da equivalência patrimonial, tendo afetado o lucro líquido. Assim, o PL da investidora brasileira já se encontra afetado pela valorização do investimento na investida, correspondente aos lucros nela acumulados. Se esse investimento é utilizado para qualquer fim por exemplo, restituir capital aos sócios da investidora ou para adquirir participação no capital de outras empresas (integralizar capital subscrito) , é óbvio que a investidora dispôs dos lucros que auferiu através da coligada no exterior (que estão contidos no investimento alienado). Conforme ponderou o ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, em voto condutor do Acórdão 94.747/2005, "o ordenamento jurídico tem suas bases muito mais ligadas a interpretações sistemáticas e finalísticas, a ensejar um conjunto sustentado em certa axiologia, ainda que mutável no tempo, do que a restritivas interpretações literais". E concluiu o brilhante Conselheiro que a disponibilização de que trata a norma é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, para quaisquer fins, ainda que seja para pagamento de dívida. É assim que deve ser interpretada a expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária.". Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.000053/200617 Acórdão n.º 1302001.880 S1C3T2 Fl. 1.612 39 Sabese que a lei não contém palavras inúteis. Perguntase: a não ser o aumento de capital da coligada ou controlada, expressamente previsto na norma, que outra situação se conteria no item 4 que não correspondesse a alienação do investimento? Não identifico nenhuma. Nos debates travados na última sessão, levantouse, como exemplo, que poderia ser para pagamento de dívida do investidor. Ora, levando em conta que as entidades (investidora e investida) não se confundem, a utilização dos lucros acumulados na investida para esse fim (pagamento de dívida do sócio/acionista) pressupõe um passo anterior (ainda que implícito, oculto) de transferência dos lucros acumulados para conta representativa de passivo exigível da investida, situação prevista na alínea "a" do § 2° do artigo, e uma ordem/autorização da investidora. Também já se disse que o emprego referido no item 4 da alínea "b" do § 2° é apenas aquele levado a efeito pela investida, e não pela investidora. Também não me parece ser essa a interpretação possível. A lei não aponta quem deve ser o agente da ação de empregar, presumindo que, ocorrido o emprego do valor do lucro, ele foi pago (considerase pago o lucro, quando ocorrer o emprego do valor em favor da beneficiária.). A finalidade da norma (item 4 da alínea "h" do § 2°) foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo. E a alienação do investimento, por qualquer forma, entre elas a conferência para integralização de capital de outras empresas, corresponde à sua realização. Ao alienar a participação, cujo valor já está afetado pelos lucros acumulados na investida, a investidora realizou os lucros, devendo incluílos para tributação. O valor pelo qual o investimento foi alienado só tem relevância para a apuração do resultado na alienação (que pode, inclusive, neutralizar a tributação dos lucros, se o valor da venda for inferior ao valor contábil do investimento). Com a devida vênia do ilustre Relator, entendo não haver como excepcionar da tributação o presente caso, ao argumento de que a utilização do investimento na controlada situada em Portugal se deu para integralizar capital de outra empresa do grupo, também situada no exterior. A conferência da participação para integralização de capital, ainda que de empresa do mesmo grupo, configura disponibilização da parcela do patrimônio da investida que contém os lucros, e não haverá outro momento para tributar esses lucros. Pelos fundamentos trazidos no voto vencedor do referido acórdão, que adoto, e pelas razões já externadas anteriormente, entendo que as alegações da recorrente, sob o aspecto ora discutido, não podem ser acolhidas, devendo ser mantidas as exigências. É como voto. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 6/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10680.012798/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.496
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos do Relatório e Voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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(assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 12 79 8/ 20 07 -6 9 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10680.012798/200769 Resolução nº 2401000.496 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, mantendo em parte o crédito tributário lançado, já que foi declarada a decadência até a competência 02/2002, e concluiu: “[...] Por todo o exposto, voto no sentido de considerar o presente lançamento procedente em parte, da seguinte forma. As competências de 01/1997 a 02/2002 serão excluídas tendo em vista a decadência. Já as competências de 02/2002 a 03/2006 serão mantidas com o valor retificado conforme a planilha acima, totalizando o valor de R$ 11.610,71 (onze mil seiscentos e dez reais e setenta e um centavos). [...]” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 12/03/2007 (fls. 01 e 02). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 206/216), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Tratase de crédito lançado pela fiscalização cujo fato gerador referese a contribuições devidas pela empresa a Outras Entidades e Fundos SENAR, no período de janeiro/1997 a março/2006, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados dos estabelecimentos 17.195.322/000489 e 17.195.322/000640. Informa a fiscalização que a empresa tem como principais atividades a pesquisa, lavra, beneficiamento, comércio e exportação de minério de ferro e outros minérios, transporte de minérios para siderúrgicas, entre outras. Já os dois estabelecimentos de que trata o presente débito, 0004 Fazenda Congo Ervália/MG e 0006 Fazenda Venâncio Coimbra/MG, tem como objetivo a atividade agropastoril. Concluiu a autoridade fiscal que a empresa se enquadrou incorretamente no FPAS 507, pois os estabelecimentos em pauta devem ser enquadrados no FPAS 787 – setor rural do produtor pessoa jurídica, que é excluído da substituição por ter atividade autônoma industrial, conforme Anexo II da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005. Em decorrência deste entendimento foram efetuadas as seguintes correções: Reenquadramento dos estabelecimentos no código de Terceiros correspondente ao SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; Representação Administrativa para o SENAI SESI SEBRAE, que receberam, indevidamente, as contribuições destinadas a Terceiros; Representação Administrativa destinada ao SENAR para conhecimento. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10680.012798/200769 Resolução nº 2401000.496 S2C4T1 Fl. 4 3 A fiscal informa que foram examinados o contrato social e alterações, folhas de pagamento, guias de recolhimento da Previdência Social, Livro Diário, GFIP, entre outros. Além disso, foram verificados os comprovantes de pagamento de contribuições de Terceiros efetuados diretamente ao SESI e SENAI, através de convênio, no período de 10/1998 a 03/2006. A fiscalização foi precedida de MPF n° 09302328 e complementares, abrangendo o período de novembro/1996 a março/2006, com prazo de vigência até 10 de abril de 2007. Cientificada da notificação em 12/03/2007, a empresa apresentou impugnação em 27/03/2007, anexa às fls. 153/157, assinada por sua representante legal, onde informa que diante do erro resultante da troca de códigos FPAS, recolheu regularmente os valores devidos às entidades descritas no artigo 240 da CF/88, mas que as entidades beneficiadas não eram as de direito. A empresa esclarece que considera incontroverso o erro material bem como o pagamento à entidade destinatária diversa e que, do mesmo modo, é legítimo o direito de pleitear restituição e a compensação dos créditos descritos nos presentes autos. Alega que é necessário aterse ao fator temporal a incidir no direito de cobrança de créditos realizada pelo INSS destinadas a entidades distintas como o SESI, SENAI, SESC, SENAC, etc, e nesse mister afastar a aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91, uma vez que não se tratam de créditos da Seguridade Social. Cita a legislação e jurisprudência a esse respeito. A empresa sustenta que o lançamento fiscal deve abarcar cinco anos imediatamente anteriores à Notificação formal de lançamento que ocorreu em 12 de março de 2007; sendo assim todos os créditos anteriores a março de 2002 encontramse irremediavelmente decaídos, ficando requerida sua exclusão. A impugnante cita os artigos 202 e 215 da Instrução Normativa SRP 03/05 e informa que realizou pedido de restituição, com fundamento no direito constitucional de petição, junto às entidades erroneamente eleitas para a contribuição em comento, e requer que seja iniciada de oficio Operação Concomitante para a liquidação dos créditos não atingidos pela decadência, constituídos por este lançamento, nos termos da legislação citada. A empresa solicita também a relevação da multa aplicada, alegando que é primária e não incorreu em nenhuma das circunstâncias agravantes de que trata o art. 290 do RPS. Aduz, ainda, que a auditora confirma a redução da multa uma vez que a contribuinte entregou GFIP na rede bancária, antes do início da auditoria fiscal. Após análise prévia dos presentes autos, o processo retomou à auditora notificante, para juntada de alguns documentos e solicitação de esclarecimentos adicionais necessários ao entendimento do enquadramento da empresa. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10680.012798/200769 Resolução nº 2401000.496 S2C4T1 Fl. 5 4 Em informação fiscal de fls. 204/206, a auditora esclarece as dúvidas referentes ao levantamento FP5, que foi citado em relatório, e que foi indevidamente excluído do débito. Informa que a empresa formalizou pedido de restituição às entidades que receberam indevidamente os valores de Terceiros. Salienta que não foram encontrados na empresa, em sede de diligência, registros de movimentação de produtos oriundos de abate de gado, juntando vários documentos, para esclarecer as duvidas suscitadas. [...]” Como afirmado, a impugnação apresentada pela Recorrente foi julgada procedente em parte, tendo a recorrente apresentado o recurso voluntário (fls. 237/239), no qual repete as mesmas alegações apresentadas na primeira instância. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10680.012798/200769 Resolução nº 2401000.496 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Antes de analisarmos as questões do recurso, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco) e sanadas. Isso porque, um dos documentos juntados pelo Fisco aos autos diz respeito às cópias de um suposto parcelamento realizado pelo sujeito passivo (fls. 251/252). O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Secat) da DRF/BH informa que (fls. 253): “[...] 3. Consta no sistema Plenus, que a empresa apresentou requerimento de adesão ao parcelamento instituído pelo artigo 1° da Lei n° 11.941/2009 (fls. 252). 4. Entretanto, não há comprovação de que a empresa tenha apresentado a desistência expressa do recurso administrativo, conforme determina o art. 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22/07/2009 (DOU 23/07/2009Seção 1, pág. 43) no prazo determinado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 13, de 19/ 1 1/209 (DOU 20/11/2009, Seção 1, pág. 69). [...]” Por sua vez, o art. 5o da Lei 11.941/2009 dispõe que a opção pelo parcelamento constitui tanto confissão extrajudicial como confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Lei 11.941/2009: Art. 5o. A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 13.043, de 2014) O pedido de parcelamento importa em desistência do recurso, bem como em renúncia ao direito sobre que se funda a ação, a teor da regra estampada no art. 78, §§ 2° e 3º, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF, Portaria MF n. 343, de 09/06/2015), in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10680.012798/200769 Resolução nº 2401000.496 S2C4T1 Fl. 7 6 a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (g.n.) Assim, pela ausência de informação nos autos ou pelo fato de que foram acostados cópias documentos sobre a existência de parcelamento dos valores lançados pelo Fisco, sem qualquer manifestação da Recorrente a respeito desse parcelamento, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco informe: se ocorreu ou não pedido de parcelamento nos termos da Lei 11.941/2009. Após a elaboração da Informação, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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