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Numero do processo: 10880.905437/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.747
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 43 7/ 20 16 -0 1 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.905437/201601 Resolução nº 3401001.747 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.905437/201601 Resolução nº 3401001.747 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10880.905437/201601 Resolução nº 3401001.747 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10880.905437/201601 Resolução nº 3401001.747 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.905437/201601 Resolução nº 3401001.747 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900583/2015-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-006.195
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 05 83 /2 01 5- 49 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900583/201549 Acórdão n.º 3402006.195 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de pagamento a maior de IPI que restou indeferido pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a decisão da Unidade foi imotivada, não tendo sido apreciado o crédito, limitandose a autoridade a verificar se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ou seja, não haveria esclarecimento do significado de “inexistência de crédito”, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a nulidade da decisão. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº01033.664. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação, ou seja, continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa por parte do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.183, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.900572/201569, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.183): "5. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.900583/201549 Acórdão n.º 3402006.195 S3C4T2 Fl. 0 3 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 5441682672, com código n. 5123, referente a PERD/COMP apresentada em 31/12/2010, no valor de R$ 114.590,23. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação analisada. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.900583/201549 Acórdão n.º 3402006.195 S3C4T2 Fl. 0 4 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10865.900583/201549 Acórdão n.º 3402006.195 S3C4T2 Fl. 0 5 valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.900583/201549 Acórdão n.º 3402006.195 S3C4T2 Fl. 0 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.004313/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
GLOSA DE IRRF. SÓCIO DE EMPRESA. FONTE PAGADORA. LANÇAMENTO.
O contribuinte pessoa física mesmo que seja sócio da fonte pagadora não pode ser considerado como responsável solidário pelo crédito tributário de IRRF, e com isso haver a glosa da compensação em sua declaração de ajuste, em decorrência da inexistência de lançamento do crédito tributário no responsável tributário. Inteligência dos arts. 723 do RIR/99 Arts. 124, 128 e 135 do CTN.
VOTO PELAS CONCLUSÕES. ART. 63 § 8º DO RICARF. REPRODUÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA MAIORIA DOS CONSELHEIROS
Existência e comprovação de medida judicial de cobrança do IRRF em relação à fonte pagadora, dos valores que o contribuinte utilizou como IRRF, já seriam suficientes para se evitar a cobrança em duplicidade e portanto afastar a glosa do valor lançado.
Numero da decisão: 2201-005.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Débora Fófano dos Santos, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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SÓCIO DE EMPRESA. FONTE PAGADORA. LANÇAMENTO. O contribuinte pessoa física mesmo que seja sócio da fonte pagadora não pode ser considerado como responsável solidário pelo crédito tributário de IRRF, e com isso haver a glosa da compensação em sua declaração de ajuste, em decorrência da inexistência de lançamento do crédito tributário no responsável tributário. Inteligência dos arts. 723 do RIR/99 Arts. 124, 128 e 135 do CTN. VOTO PELAS CONCLUSÕES. ART. 63 § 8º DO RICARF. REPRODUÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA MAIORIA DOS CONSELHEIROS Existência e comprovação de medida judicial de cobrança do IRRF em relação à fonte pagadora, dos valores que o contribuinte utilizou como IRRF, já seriam suficientes para se evitar a cobrança em duplicidade e portanto afastar a glosa do valor lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Débora Fófano dos Santos, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 43 13 /2 00 5- 18 Fl. 212DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 146/154) por sua precisão: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 10 a 14, relativamente ao anocalendário de 2002 para exigência do imposto de renda da pessoa fisica suplementar no valor de R$ 47.951,33, acrescido da multa de oficio de R$ 35.963,49, e juros de mora de R$ 19.971,72, calculados até setembro/2005, totalizando a exigência do crédito tributário de R$ 103.886,54. 2. Conforme descrito à fl. 13, o Auto de Infração foi decorrente de: • Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Foi glosado o valor de R$ 64.739,44 correspondente ao valor que a fonte pagadora, da qual o contribuinte é sócio, deixou de recolher do imposto retido na fonte informado na DIRF. 3. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 09, argumentando, em síntese, que: 3.1. na declaração de rendimentos deduziu R$ 108.672,88 de imposto de renda retido na fonte IRRF pela empresa Construtora Gama Ltda; 3.2. desse total deduzido foi glosada a parcela de R$ 64.739,44 sob a alegação de que a fonte pagadora não efetuara o seu necessário recolhimento; 3.3. das DCTF e da DIRF anexadas extraise o demonstrativo que transcreve relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado; 3.4. do total do imposto de renda retido na fonte do impugnante o valor de 49.544,61 foi devidamente recolhido pela Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 213 3 Construtora Gama Ltda, conforme relaciona pagamentos em janeiro, fevereiro, abril, junho, agosto e setembro de 2002, de modo que de um total de R$ 108.672,88 retido do impugnante a diferença não recolhida foi de R$ 59.128,27, enquanto que o valor glosado no auto de infração foi de R$ 64.739,44, havendo, portanto, um acréscimo de R$ 5.611,17; 3.5. o auto de infração foi lavrado em 19/09/2005 e antes da lavratura do mesmo, no dia 16/08/2005, foi expedido contra a Construtora Gama Ltda o Termo de Intimação n° 000014103, exigindose da empresa o recolhimento do IRRF sobre salários — código 0561, referente aos períodos de apuração de março, maio, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2002, num valor exigido total de R$ 64.709,44, sendo a parte atinente ao impugnante no valor total de R$ 59.602,19; 3.6. inferese que o valor exigido da Construtora Gama Ltda (R$ 64.709,44 — doc. 95) 6, com pequena diferença, igual ao glosado no auto de infração (R$ 64.739,44 — doc. 04) e que o valor correspondente ao impugnante, incluído na intimação (R$ 59.602,19) 6, aproximadamente, igual A. diferença não recolhida pela empresa (R$ 59.128,27); 3.7. no termo de intimação n° 00014103/05 (doc. 95) esta explicito que a Construtora Gama Ltda tem prazo até o dia 30/11/2005 para efetuar o recolhimento do débito tributário por ele exigido, sob pena de inscrição na Divida Ativa da Unido para cobrança executiva; 3.8. em qualquer das duas alternativas oferecidas A Construtora Gama Ltda estaria sendo legitimado o direito de o impugnante deduzir o total do imposto de renda na fonte dele retido pela mencionada empresa; 3.9. pleiteia, preliminarmente, a anulação do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo porque "a) o contribuinte Construtora Gama Ltda, CNPJ 09.371.584/0001 86 é estabelecido na Av. Minas Gerais, 564, salas 05/06, Bairro dos Estados, em Joao Pessoa; b) foi no endereço supracitado que ela recebeu o Termo de Intimação n° 00014103/05 (doc. 95), o que demonstra estar em atividade; c) o aludido termo de intimação precedeu o auto de infração lavrado contra o impugnante; d) não pode persistir a existência de dois procedimentos fiscais conflitantes, devendo, sempre, prevalecer o primeiro deles"; 3.10. no mérito, ad argumentandum tantum, deverá ser ajustado o valor do imposto de renda na fonte glosado do impugnante. Fl. 214DF CARF MF 4 2 A impugnação do contribuinte foi julgada procedente em parte de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do principio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é gerente, ou diretor, ou acionista controlador ou representante da fonte pagadora dos rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Lançamento Procedente em Parte 3 – Naquilo que foi julgado procedente a DRJ reconheceu parte de valores recolhidos pela fonte pagadora conforme segue: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 214 5 4 – Seguiuse Recurso Voluntário (fls. 164/167) interposto pelo contribuinte em face da decisão de piso, pedindo para que seja cancelada a autuação. 5 Em decisão de fls. 171/174 a extinta 1ª TO da 1ª CAM dessa Seção do CARF converteu o julgamento em diligência em 18/04/2012 nos seguintes termos: Embora o contribuinte reconheça que não houve o recolhimento integral do imposto de renda que lhe foi retido na fonte pela empresa Construtora Gama Ltda., defendeu em sua peça recursal duplicidade de procedimentos fiscais conflitantes: cobrança judicial do IRRF retido e não recolhido pela empresa e glosa do IRRF por ele compensado na DIRPF do exercício de 2003. Conclui que os procedimentos são conflitantes, já que primeiro foi encaminhada intimação exigindo da fonte pagadora o recolhimento do IRRF, e que tal procedimento valida o seu direito de compensar o tributo. Em face ao exposto, entendo ser necessário a realização de diligência para que a repartição de origem confirme a existência da execução fiscal movida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mencionada pelo contribuinte em seu recurso, juntando aos autos uma certidão de objeto e pé, se confirmada a execução, ou trazendo aos autos informações atualizadas acerca do IRRF retido e não recolhido no ano de 2002, considerandose os elementos de prova nos autos e a existência de recolhimentos posteriores à Decisão da DRJ às 150/151, bem assim a existência de pedido de parcelamento ou compensação. Fl. 216DF CARF MF 6 6 A DRF juntou aos autos às fls. 177/183 relatório da CDA nº 42.2.0600125679 derivado do PA 10467502511/200631 tendo como devedor a empresa Construtora Gama Ltda cujo objeto estão diversos débitos de IRRF declarados no exercício de 2002. Seguiuse o relatório de fls. 184/185 pela autoridade preparadora informando e solicitando internamente outras diligências complementares para cumprimento da resolução do CARF, verbis: Tendo em vista tela dos sistema da PGFN, anexadas ao processos fls. 177/183, proponho o encaminhamento do presente processo à Sacat desta delegacia para que seja informado: 1. Se no procedimento referente a dívida inscrita sob o número 42 2 06 0025679 está incluído o Imposto de renda retido na fonte referente ao exercício de 2003, anocalendário 2002, no montante total informado na DIRF apresentada pela empresa em questão. 2. Se existe pedido de parcelamento ou compensação da referida dívida. 7 Houve a impressão das telas de débitos apurados da Construtora Gama referente ao IRRF dos períodos de 02/2002 a 12/2002 contendo a confirmação de alguns recolhimentos e às fls. 190/197 novo extrato da CDA 42.2.0600125679. Às fls. 198 o nome e cpf das pessoas físicas em que houve imposto retido. Às fls. 199 consulta ao sistema DIRF da referida empresa relativo ao anocalendário de 2002. Às fls. 200/204 extrato do parcelamento da Lei 11.941/09 da empresa. 8 Por fim o relatório da diligência da unidade preparadora de fls. 207 datado de 19/09/2013 com as seguintes informações: Objetivando atender solicitação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de fls. 171/176, anexamos ao processo telas dos sistemas informatizados deste RFB e PFN às fls. 177/204, onde se verifica que os valores em questão foram parcelados (fls. 197 e 204), estando o referido parcelamento sendo pago pela Construtora Gama LTDA – ME, CNPJ: 09.371.584/000186, não existindo, portanto, processo judicial conforme telas de fls 197. Assim sendo proponho o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 08 Sendo o relatório do necessário passo ao voto. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 215 7 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 09 – Conheço do recurso por estar presentes as condições de admissibilidade. 10 Consta da notificação de lançamento o seguinte fundamento para a glosa do IRPF do contribuinte ora recorrente às fls. 15: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE TITULAR Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Foi glosado o valor de R$ 64.739,44 correspondente ao valor que a fonte pagadora, da qual o contribuinte é sócio, deixou de recolher do imposto retido na fonte informado na DIRF. Enquadramento Legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95. 11 O contribuinte reitera o questionamento de sua sujeição passiva levada a cabo na impugnação e questiona os fundamentos do acordão recorrido quanto defende em sua peça recursal a duplicidade de procedimentos fiscais conflitantes: cobrança judicial do IRRF retido e não recolhido pela empresa e glosa do IRRF por ele compensado na DIRPF do exercício de 2003. 12 Entendo que o recurso deve ser provido em razão da questão da sujeição passiva do recorrente. 13 Conclui o V. Acórdão quanto a esse tema o seguinte: "9.Quanto ao alegado erro na identificação do sujeito passivo, esclareçase, que embora fosse de responsabilidade da empresa o recolhimento do IRRF do contribuinte pessoa física, este, como responsável pela empresa perante a Receita Federal do Brasil — RFB, na condição sócioadministrador, com 99% do capital social, conforme se verifica nos extratos do Fl. 218DF CARF MF 8 sistema CNPJ As fls. 141 a 143, responde solidariamente com a empresa pelo IRRF não recolhido, sem beneficio de ordem, tendo em vista o disposto no art. 124, incisos I e II e parágrafo único da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional) e o caput do art. 8° Decretolei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, que assim dispõem: CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Decretolei n°1.736/1979 Art. 8° São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte. (grifo nosso). 10. O Decretolei n° 1.736/1979, embora não seja formalmente lei, é lei no sentido material, pois seu conteúdo, que perdurou no tempo e não foi revogado, produz os mesmos efeitos da lei formal, como é sabido. O art. 8° do Decretolei n° 1.736/1979 designa, entre as pessoas solidariamente responsáveis com o sujeito passivo pelos débitos decorrentes do não recolhimento do IRRF, os acionistas controladores ou os representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 11. Portanto, não há que se falar em erro de identificação do sujeito passivo, já que é o contribuinte, pessoa fisica, solidariamente responsável, sem beneficio de ordem, pelo IRRF não recolhido pela empresa, pois, além de ser representante da empresa perante a RFB, é também acionista controlador, com 99% do capital social da empresa (vide fls. 141 a 143)." 14 A decisão da DRJ tratou de fundamentos legais que sequer foram objeto do lançamento, tal como o do art.. 124, I e II do CTN e art. 8º do DecretoLei 1.736/79 que dá força normativa ao art. 723 do RIR/99, contudo, vamos considerar dessa forma, pois em tese foram esse os fundamentos da glosa do lançamento. 15 Entendo que no caso concreto não é aplicável a solidariedade do art. 723 do RIR/99 que diz: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 216 9 Responsabilidade de Terceiros Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). 16 Por sua vez, tal norma obtêm sua força normativa do art. 8º do Decreto Lei nº 1.736/1979 que fundamenta o Acórdão recorrido, que diz: Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. 17 Ora, no caso em questão, entendo que nesses casos de glosa do IRRF com a DIRPF do contribuinte que é sócio de pessoa jurídica (fonte arrecadadora do tributo) a interpretação desses artigos deve se dar de forma sistemática com os termos do art. 135, III do CTN que diz: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Grifei 18 No caso, o motivo do lançamento conforme destacado alhures, mais uma vez é: Fl. 220DF CARF MF 10 "IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE TITULAR Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Foi glosado o valor de R$ 64.739,44 correspondente ao valor que a fonte pagadora, da qual o contribuinte é sócio, deixou de recolher do imposto retido na fonte informado na DIRF. Enquadramento Legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95. Grifei 19 Ora, o próprio art. 723 do RIR/99 e o art. 8º do Decretolei 1376/79 tratam de solidariedade, contudo, a solidariedade deve se dar na forma do art. 124 I, II do CTN, por isso a necessidade da interpretação sistemática entre esses artigos. Contudo, essa solidariedade pressupõe o lançamento do crédito tributário, fato que não ocorreu em relação ao IRRF pois as DIRF de fls. 87/105 juntadas pelo recorrente, ora sócio da fonte pagadora, não se prestam a constituir o crédito tributário. 20 Veja que houve a juntada das DCTF da empresa do período de fls. 22/86 contendo os diversos tributos federais ali indicados pela empresa, sendo que nesse caso é o documento que constitui através do lançamento por homologação do crédito tributário, contudo de responsabilidade do sujeito passivo (fonte pagadora que é a Construtora Gama). 21 Inclusive o artigo 723 do RIR/99 (que é a reprodução fiel do art. 8º do DecretoLei 1376/79) fala em solidariedade em relação aos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte no caso o IRRF, verbis: Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). 22 Ora, se não há crédito de IRRF constituído, como responsabilizar o contribuinte no caso?! Deve haver crédito tributário lançado em face da pessoa jurídica responsável pela retenção na fonte, que é o sujeito passivo principal da obrigação tributária, e não a ora contribuinte, que pelo simples fato de ser uma das simples figuras indicadas no caput do artigo deverá responder em nome próprio?! A resposta é simples: claro que não. O comando do art. 723 do RIR/99 é no caso de crédito constituído de IRRF em relação à fonte pagadora e sujeito passivo da obrigação tributária não podendo ser utilizado para glosa da compensação da pessoa física de eventuais dirigentes. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 217 11 23 Por mais que seja necessário combater a eventual sonegação nesses casos, é óbvio que o respeito ao princípio da legalidade é corolário que deve a Administração Pública seguir nos termos do art. 37 da CF/88 e lançar o crédito tributário em face da fonte pagadora que não efetuou o recolhimento, quando na realidade houve comprovação até mesmo da retenção, e caso comprovada eventual fraude dos administradores aí sim responder de forma solidária, mas não efetuar a glosa da compensação na forma como constou do lançamento. 24 A respeito do assunto peço venia para transcrição dos fundamentos do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira em caso análogo julgado por essa C. Turma no Ac. 2201003.524 em 16/03/2017 assim ementado, no qual adoto como razões de decidir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. A dedução de valores retidos só é permitida se o contribuinte tiver o Comprovante de Rendimento Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pela Fonte Pagadora em seu próprio nome, sendo despiciendo que o contribuinte comprove o recolhimento do tributo retido. "O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, é claro ao explicitar em seu artigo 87: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (......) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, Fl. 222DF CARF MF 12 §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55) “ Claríssimo o comando legal. A dedução do imposto sobre a renda retido pela fonte pagadora só poderá ser realizada se o contribuinte tiver o comprovante, emitido por tal fonte, emitido em seu nome. Verifico o documento anexado aos autos. A dedução não pode ser glosada, posto que embasa em documento legalmente exigido. Não se pode imputar ao contribuinte o ônus de comprovar o recolhimento que deve ser efetuado por outrem. Tal exigência, além de desvirtuar o comando legal, imputa ao contribuinte dever da Administração Tributária, este indelegável e como cediço vinculado a própria atuação da Entidade Tributante. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 218 13 contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Não obstante, não se pode esquecer que a pessoa física do sócio não se confunde com a pessoa jurídica da sociedade por ele constituída. Maria Helena Diniz, em sua obra clássica Curso de Direito Civil Brasileiro (1º Volume, Ed. Saraiva, pag.175), define pessoa jurídica como sendo: "a unidade de pessoas naturais ou de patrimônio que visa à consecução de certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e de obrigações" Assim não fosse, o direito não teria emprestado personalidade a tal ente, não teria erigido a pessoa jurídica como sujeito de direito e de obrigações, inclusive por vezes, como no caso em tela, preferindo que ela a pessoa jurídica ficasse responsável pelo dever de reter e recolher o tributo incidente sobre a renda, ou provento, percebido pela pessoa física, que em face dessa percepção, se torna sujeito passivo do imposto sobre a renda na qualidade esta sim de contribuinte. Nesse ponto, importante realçar, como faz a Professora de Direito Civil da PUC de São Paulo (ob. cit), que a natureza jurídica das pessoas jurídicas, segundo a teoria da realidade orgânica, admite que: "ao lado da pessoa natural, que é organismo físico, organismos sociais constituídos pelas pessoas jurídicas, que tem existência própria distinta da de seus membros, tendo por objetivo realizar um fim social" São nessas premissas dogmáticas e legais que se assentam os ditames da responsabilidade solidária tributária das pessoas naturais que se relacionam com a pessoa jurídica, que ao praticar um fato gerador tributário, se torna contribuinte ou responsável pelo tributo a ser recolhido. Nesse sentido, leciona Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, pag. 314) ao comentar o artigo 128 do CTN, que preceitua: Fl. 224DF CARF MF 14 "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Leciona, sobre o dispositivo, o Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica (ob cit): "Quanto à fixação de responsabilidade pelo crédito tributário há dois rumos bem definidos: um interno à situação tributária, outro externo. Diremos logo que o externo tem supedâneo na frase excepcionadora, que inicia o período Sem prejuízo ...e se desenrola no conceito prescritivo daqueles artigos que mencionamos (129 até 138). O caminho da eleição da responsabilidade pelo crédito tributário depositada numa terceira pessoa, vinculada ao fato gerador, no conduz a uma pergunta imediata: mas quem será essa terceira pessoa? A resposta é pronta, qualquer um, desde que não tenha relação pessoal e direta com o fato jurídico tributário, pois essa é chamada pelo nome de contribuinte." Assim, a responsabilidade do sócio, a pessoal, só ocorrerá nos termos descritos pela Lei. E assim se pronuncia o CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Logo para que se possa invocar a lei tributária para se imputar a responsabilidade aos sócios como representante da pessoa jurídica duas exigências devem estar cumpridas: i) o crédito tributário deve estar constituído: o que não ocorreu no fato em tela, posto que se intimou a recorrente para que ela comprovasse o recolhimento do tributo de responsabilidade de outrem; Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11618.004313/200518 Acórdão n.º 2201005.041 S2C2T1 Fl. 219 15 ii) deve estar comprovado pela autoridade lançadora que houve ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social: novamente não houve nenhuma comprovação, por parte do Fisco, da ocorrência de tais condições. A prevalecer a posição da decisão de piso, esposada pelo ilustre Relator, a eleição da pessoa jurídica como responsável tributário deixaria de ser o método mundialmente adotado como fonte de praticabilidade da Administração Tributária, para se transformar em imputação automática de responsabilidade tributária, o que como cediço, só ocorre nos termos posto pelo Código Tributário Nacional, o que não se observou no caso em apreço. Logo, ao reverso de simplesmente glosar a dedução realizar calçada como visto em documento previsto na legislação tributária deveria a Delegacia da Receita Federal do Brasil competente ter imediatamente tomado as devidas providências no sentido da recuperação do tributo não recolhido e se for o caso de ter sido retido o que enseja a prática de crime providenciar a cientificação do órgão competente." 25 Portanto, deixo de analisar a questão relativa a duplicidade de procedimentos que fora objeto da diligência, por mais que haja ocorrido o parcelamento por parte da fonte pagadora e documentos indicando outros recolhimentos, por entender que a questão da sujeição passiva é suficiente para afastar o lançamento quanto a glosa do IRRF para que seja dado provimento ao recurso de acordo com os fundamentos acima. 26 – Como 3 (três) dos Conselheiros seguiram apenas a conclusão deste Relator, e não os fundamentos do provimento, sendo a maioria diante do voto de qualidade do Sr. Presidente, deve haver a indicação dos fundamentos adotados por esta maioria na forma do art. 63, § 8º do RICARF que diz: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, Fl. 226DF CARF MF 16 caberá ao relator reproduzir, no voto e ma ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. 27 A maioria entendeu pelo provimento do recurso pelas conclusões, pelo fundamento de que o fato de existir cobrança judicial através de Execução Fiscal em relação à fonte pagadora, demonstrado através do resultado das diligências, dos valores que o contribuinte utilizou como IRRF, já seriam suficientes para se evitar a cobrança em duplicidade e portanto afastar a glosa do valor lançado. Conclusão 28 Diante do exposto, conheço do recurso para DARLHE PROVIMENTO na forma da fundamentação para afastar a glosa do IRRF no valor de R$ 64.739,44. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908988/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.693
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 98 8/ 20 09 -3 1 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.908988/200931 Resolução nº 3201001.693 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10983.908988/200931 Resolução nº 3201001.693 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908988/200931 Resolução nº 3201001.693 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.908988/200931 Resolução nº 3201001.693 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720224/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação - DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado.
Numero da decisão: 1402-003.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento do anocalendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 02 24 /2 00 6- 61 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório RB COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou Declaração de Compensação DCOMP apresentada em 10/05/2004 para compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no 1º trimestre anocalendário 1997, no valor original de R$ 44.115,84. A autoridade fiscal consignou no despacho decisório de fls. 10/12 (efls. 11/14) que, considerando o disposto nos arts. 165, I e 168, I, ambos do CTN, bem como o Parecer PGFN /CAT nº 1.538/99, o Ato Declaratório SRF nº 96/99, o Ato Declaratório SRF nº 7/2000, o art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a DCOMP teria sido apresentada após transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados de abril de 1997, estaria decaído o direito de o contribuinte apresentar a DCOMP em referência. Cientificada da nãohomologação da compensação em 08/01/2007, a interessada interpôs manifestação de inconformidade declarada improcedente conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuisse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA FEDERAL. ABRANGENCIA. Somente as decisões do Supremo Tribunal Federal em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), os julgados definitivos em que o plenário da Suprema Cone declare a inconstitucionalidade de ato normativo ou as súmulas vinculantes produzem efeito vinculante em relação aos órgãos da administração pública federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PerÍodo de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAI.. IRPJ. SALDO NEGATIVO. O direito de pleitear a restituição/compensação de saldo negativo extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado do término do período (ano calendário) a que se referir. Além de reiterar os fundamentos da autoridade fiscal acerca da prescrição do indébito, a autoridade julgadora de 1ª instância enfrentou argumentos específicos apresentados pelo sujeito passivo, consoante a seguir exposto: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 4 3 Quanto aos argumentos expendidos sobre compensação efetuada na própria contabilidade da pessoa jurídica, sob a égide do artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991, deles não se conhece, pois o interessado não apresentou, juntamente com sua manifestação de inconformidade, os correspondentes lançamentos contábeis efetuados em sua escrituração. Em relação à apresentação de PER/DCOMP, por equívoco, em 10 de maio de 2002, o manifestante não demonstrou tal entrega, impossibilitando, pois, a análise dos dados informados nessa suposta declaração. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/01/2011 (fl. 70, efl. 75), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/02/2011 (fls. 71/86, efl. 76/91), no qual reitera que a DCOMP prestouse à liquidação de débito de IRPJ apurado no 4º trimestre/2002 com pagamento por estimativa a maior realizado no 1º trimestre de 1997, e defende que a prescrição somente se verificaria ao final do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido e, no caso de saldo negativo de IRPJ/CSLL da data de apuração do resultado, ou seja, ao final de 1998. Acrescenta que, não obstante a redação do art. 4º da LC 118/05, a norma inserta no art. 3º da mencionada Lei somente teria vigência a partir de 09 de junho de 2005, data bem posterior à efetivação da compensação em comento. Aduz também que a compensação declarada seria regular, na medida em que os encontros de contas teriam se dado ao longo de 2001, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei nº 10.637/2002 e a exigência de DCOMP imposta na Instrução Normativa SRF nº 323/2003. A DCOMP em tela teria sido apresentada no intuito, apenas, de regularizar definitivamente as compensações realizadas. Assevera que efetivou tais compensações em sua contabilidade à época do vencimento do débito, observa que infrações a obrigações acessórias devem ser punidas com as multas previstas na legislação de regência e não se prestam a retirar a eficácia do ato de compensação. Pede, assim, a homologação da compensação declarada, e protesta provar o aqui alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Frente à declaração da prescrição do direito de utilização do saldo negativo de IRPJ, apurado no 1º trimestre de 1997 e informado na DCOMP apresentada em 10/05/2004, a interessada contestou a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, mas também argumentou que as compensações em questão foram promovidas antes da exigência legal de apresentação da DCOMP, vez que realizadas durante o ano de 2001, antes da edição da Lei nº 10.637/2002. Asseverou que embora tenha efetuado a compensação em sua contabilidade entre créditos de mesma espécie tributária, posteriormente, a Recorrente apresentou as correspondentes PER/DCOMP´s, no intuito de regularizar definitivamente as compensações realizadas. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 5 4 Contudo, a contribuinte teve a oportunidade de demonstrar, tanto em sua manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que teria apresentado DCOMP indevidamente em 07/05/2004, mediante prova de que o saldo negativo de IRPJ apurado no 1º trimestre de 1997 fora destinado à compensação de débitos de IRPJ, ou seja, de mesma espécie, apurados ainda sob a regência do art. 66 da Lei nº 8.383/91, que admitia esta forma de compensação na escrituração contábil do sujeito passivo, sem a exigência da apresentação de DCOMP, declaração instituída apenas com a edição da Medida Provisória nº 66/2002, publicada em 30/08/2002, mas com vigência determinada a partir de 01/10/2002, na forma de seu art. 63, inciso I, e convertida na Lei nº 10.637, de 2002. Se algum elemento de sua escrituração constasse dos autos, representando ao menos início de prova de suas alegações, a discussão acerca da prescrição do direito de utilização do direito creditório teria menor relevo em face das compensações promovidas nos cinco anos subsequentes à apuração do indébito, ou seja, relativamente aos débitos com vencimento até 31/03/2002, e especialmente no que diz respeito aos acréscimos moratórios devidos até a data de sua liquidação por compensação que, na sistemática do art. 66 da Lei nº 8.383/91, coincidiria com a data de vencimento do débito, e não com a data de apresentação da declaração da compensação. Observese, porém, que apesar de afirmar a ocorrência de compensações durante o ano de 2001, o débito informado na DCOMP sob análise se refere ao IRPJ devido no 4º trimestre de 2002, com vencimento em 31/01/2003. De toda a sorte, mesmo subsistindo a constatação da autoridade fiscal de as compensações aqui em debate terem sido formalizadas em 10/05/2004, reportando direito creditório apurado no 1º trimestre do anocalendário 1997, a prescrição apontada no despacho decisório deve ser afastada, na medida em que a interpretação dos dispositivos legais que regem a matéria, exposta nas decisões recorridas, não mais prevalece no âmbito administrativo. Como bem demonstrado no despacho decisório, dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, que poderia ser interpretada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 6 5 como sendo a data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trataria de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do ano calendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, que novamente se transcreve: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 7 6 § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Observese que especificamente no 1º trimestre do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430/96 veiculou disposição transitória impondo o recolhimento de estimativas nos meses de janeiro e fevereiro/97 também para quem optasse pela apuração trimestral das bases tributáveis: Art.8º As pessoas jurídicas, mesmo as que não tenham optado pela forma de pagamento do art. 2º, deverão calcular e pagar o imposto de renda relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 1997 de conformidade com o referido dispositivo. Parágrafo único. Para as empresas submetidas às normas do art. 1º o imposto pago com base na receita bruta auferida nos meses de janeiro e fevereiro de 1997 será deduzido do que for devido em relação ao período de apuração encerrado no dia 31 de março de 1997. Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento do período de apuração (in casu, 01/04/1997) seria possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. No mesmo sentido, era, também, o art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 apenas acresceu a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Sob esta ótica, portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, interpretandose, originalmente, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 8 7 que neste momento seria deflagrado o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN, mormente considerando o que assim dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [grifos acrescidos]. Assim, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operandose, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirmaria a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Buscouse, inclusive, corroborar esta interpretação com a edição da Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça manifestouse favoravelmente à tese da interessada, inclusive reafirmando tal entendimento sob a sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito do REsp nº 1.002.936/SP. Posteriormente, a tese em questão foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 9 8 A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em 27/02/2012, no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, foi declarado o trânsito em julgado desta decisão, ocorrido em 17/11/2011, o que imporia a sua reprodução no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispunha o art. 62A, do Anexo II do antigo Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, à semelhança do que atualmente dispõe o art. 62, §2º do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterado pela Portaria MF nº 152/2016. Contudo, frente às discussões acerca da aplicação de tal entendimento no âmbito administrativo, vez que a decisão se reportava a prazo para ajuizamento de ações, prevaleceu a interpretação de que o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. Neste sentido é a Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10380.720224/200661 Acórdão n.º 1402003.740 S1C4T2 Fl. 10 9 prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 10/05/2004 direito creditório apurado em 31/03/1997. Logo, o prazo prescricional aplicável é de 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido, e que assim somente expiraria em 31/03/2007. Pertinente, portanto, afastar a prescrição declarada pela autoridade fiscal, para que se prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito para as compensações declaradas. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora / Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.002348/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 23 48 /2 00 8- 14 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13739.002348/200814 Acórdão n.º 2401006.006 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório PAULO CESAR SIQUEIRA PAIVA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1324.528/2009, às efls. 60/68, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 10/13, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 15/07/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********15.876,00, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 76/80, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, requerendo a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao "Adicional por Tempo de Serviço" e à "Gratificação de compensação orgânica", que foram incluidos ilegalmente, conforme estatuído no art. 1°, III, da Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13739.002348/200814 Acórdão n.º 2401006.006 S2C4T1 Fl. 4 3 Lei 8.852/94, uma vez que os mesmos foram indevidamente incluídos nos rendimentos tributáveis, Aduz que a própria Lei no 8.852/94, em seu art. l°, inciso III, alíneas "d" e "n", reconheceu a ilegalidade da incidência da "Gratificação de compensação orgânica" e do "Adicional por Tempo de Serviço", e assegurou, expressamente, a exclusão das referidas vantagens. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre as verbas denominadas "Adicional por Tempo de Serviço" e “Gratificação de Compensação Orgânica”, excluídos do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n° 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13739.002348/200814 Acórdão n.º 2401006.006 S2C4T1 Fl. 5 4 de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica não estão contemplados. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” e a “Gratificação de Compensação Orgânica” estão sujeitos ao imposto de renda, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiados por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de JustiçaSTJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13739.002348/200814 Acórdão n.º 2401006.006 S2C4T1 Fl. 6 5 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901942/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 42 /2 01 5- 82 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901942/201582 Acórdão n.º 3401005.647 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.107, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901942/201582 Acórdão n.º 3401005.647 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901942/201582 Acórdão n.º 3401005.647 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901942/201582 Acórdão n.º 3401005.647 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.901942/201582 Acórdão n.º 3401005.647 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13018.000192/2002-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI
Prescreve em cinco anos, contados do inicio do trimestre seguinte ao trimestre de aquisição, o prazo quinquenal para o contribuinte aproveitar o crédito presumido de IPI, por meio de ressarcimento em espécie ou compensação com débitos de outros tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 9303-008.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Prescreve em cinco anos, contados do inicio do trimestre seguinte ao trimestre de aquisição, o prazo quinquenal para o contribuinte aproveitar o crédito presumido de IPI, por meio de ressarcimento em espécie ou compensação com débitos de outros tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 237 1 236 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13018.000192/200287 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.221 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria 40.657.4408 IPI PRESCRIÇÃO Prazo para restituição/compensação de indébito: Interrupção/suspensão Recorrente CREDEAL MANUFATURA DE PAPEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Prescreve em cinco anos, contados do inicio do trimestre seguinte ao trimestre de aquisição, o prazo quinquenal para o contribuinte aproveitar o crédito presumido de IPI, por meio de ressarcimento em espécie ou compensação com débitos de outros tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 8. 00 01 92 /2 00 2- 87 Fl. 644DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9.363, de 1996, referente ao 3º Trimestre do anocalendário de 2000, apresentado originalmente em 03/20/2002 e retificado em 11/11/2002 por apresentação de novo pedido. Despacho Decisório A Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul RS indeferiu parcialmente o pedido, reconhecendo apenas parte do direito creditório requerido, porque entendeu que os valores referentes ao acréscimo do crédito originalmente pleiteado, apresentado em 11/11/2005) já estaria prescrito, em face do transcurso do prazo de cinco anos contados do encerramento do trimestre de apuração (30/09/2000). Manifestação de Inconformidade Intimado da decisão, o contribuinte irresignado apresentou Manifestação de Inconformidade. Entre as várias alegações de sua manifestação, cabe especial referência àquelas referentes à inocorrência do transcurso do prazo de cinco anos: (1) por se tratar de mera retificação de erro no pedido original que havia sido feito muito antes do final do prazo: (a) pediu em 2002 ressarcimento em valor inferior ao devido e (b) complementou o pedido em 11/11/2005, solicitando retificação do valor; e (2) subsidiariamente pelo fato de o início da contagem do prazo de cinco anos somente se dar no primeiro dia do anocalendário seguinte. Decisão de Primeira Instância A Manifestação de Inconformidade foi apreciada pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS que, em decisão consubstanciada no acórdão n° 1014.143, negoulhe provimento. Como fundamento da decisão, foi aplicada a Solução de Consulta Interna SCI Cosit 5, 13/02/2004, que define que: (a) para os anoscalendário de 1995 e 1996 o prazo de cinco anos se inicia na data de encerramento do balanço anual e (b) para os anoscalendário de 1997 em diante, o prazo se inicia na data de encerramento do trimestre correspondente. Subsidiariamente, na decisão, é asseverado que não havia sido trazida prova dos valores adicionais relativos ao pedido de 2005. Recurso Voluntário Cientificado da decisão de primeira instância, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, em que reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento do crédito pleiteado. Decisão Recorrida O Recurso Voluntário foi apreciado pela então existente Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF que, em decisão consubstanciada no acórdão n° 210100.072, negou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13018.000192/200287 Acórdão n.º 9303008.221 CSRFT3 Fl. 238 3 Na referida decisão foi adotado o mesmo entendimento esposado pela decisão de primeira instância. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do citado acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PRAZO PRESCRICIONAL. 0 direito à postulação, do crédito presumido de IPI prescreve em cinco anos, contados do final de cada período de apuração, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Recurso negado. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso pela intempestividade na apresentação do pedido de ressarcimento. Recurso Especial do Sujeito Passivo Cientificado da decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, para rediscussão do critério de contagem do prazo para requerimento de crédito presumido de IPI. Para comprovação da divergência, o Sujeito Passivo a título de paradigma os acórdãos 29100.011 e 20179.926. Como fundamento para reforma da decisão recorrida alegou que o prazo para realização do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI seria de cinco anos, contados da data do encerramento do balanço anual. Em Despacho de Análise de Admissibilidade, o Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. Contrarrazões da Fazenda Nacional Tendo sido cientificada da decisão, do recurso especial do Sujeito Passivo e de sua análise de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no prazo regimental, requerendo negativa de provimento ao recurso especial, para manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 646DF CARF MF 4 O recurso especial de divergência do contribuinte é tempestivo e cumpre os requisitos regimentais, conforme colocado no despacho de exame de admissibilidade, com o qual concordo. Portanto, deve ser conhecido. No mérito, é discutido o critério jurídico aplicável à contagem do prazo para apresentação do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. De início, cumpre esclarecer que a quaestio posta no presente caso não se confunde com a discussão do critério de contagem do prazo para repetição de indébito, referido pelo Código Tributário Nacional CTN. Portanto, entendo inaplicáveis aqui tanto as disposições do CTN, quanto as decisões judiciais vinculantes a elas referentes: EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC; e Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011. Com efeito, o art. 165 do CTN, combinado com o art. 168 do mesmo código, trata de repetição de indébito, por: (a) pagamento indevido ou a maior ou (b) por identificação equivocada do sujeito passivo. Já, no presente caso, é tratado pedido de ressarcimento de valor a título de Crédito Presumido do IPI, para compensar o PIS/Pasep e a Cofins cumulativos, incidentes ao longo da cadeia produtiva, no caso de exportação de produto industrializado. Como se vê, são casos diversos, com regramentos jurídicos específicos. Portanto, prossigo na análise, desconsiderando, por entender inaplicáveis, as decisões judiciais referentes à contagem de prazo para repetição de indébito. Pois bem, Adoto as razões de decidir da decisão de primeira instância, que também foram esposadas pela decisão recorrida, cujos excertos peço venia para reproduzir a seguir: 3.1 — Efetivamente, a partir do 1° dia do alas seguinte ao trimestre calendário de apuração do crédito, o contribuinte está autorizado a pedir o ressarcimento em espécie (ou compensação), sendo justo que, estando o direito à disposição do contribuinte, comece, na mesma data, a fluir o prazo prescricional de cinco anos. Como bem decidiu a DRF/Caxias do Sul, o prazo prescricional é de cinco anos, conforme orientação do Parecer Normativo CST n° 515, de 1971 (DOU de 27/08/1971), cuja ementa prescreve: 01 — IPI 01.10— CRÉDITO Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica é a de uma divida passiva da Unido, aplicável será para a prescrição do direito de reclamálo, a norma especifica do art. 1° do Dec. n° 20.910, de 6.1.32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico do art. 6° do mesmo diploma. Exatamente para dirimir possível dúvida sobre este tema, a CoordenaçãoGeral de Tributação editou a Solução de Consulta Interna n° 5, de 13/02/2004, cuja conclusão diz: Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13018.000192/200287 Acórdão n.º 9303008.221 CSRFT3 Fl. 239 5 No estabelecimento do termo inicial da contagem do prazo de prescrição para solicitação do crédito presumido de IPI, em espécie, como ressarcimento do PIS/Pasep e Cofins, devese levar em consideração o momento estipulado pela legislação que conferiu o favor fiscal conto passível de haver ressarcimento. Assim, para os anoscalendário de 1995 e 1996, é a data de encerramento do balanço anual; a partir do período de apuração janeiro de 1997, a data de encerramento do trimestrecalendário em que ocorrer saldo remanescente a ser ressarcido. Como o pedido é de 11/11/2005 e o trimestre a que o ressarcimento requerido se refere encerrouse em 30/09/2000, o prazo de cinco anos já se encontrava transcorrido. CONCLUSÃO Em vista do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, para manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 648DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.723086/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Como o administrador responsável concordou com a responsabilidade imputada, não há litígio quanto a esta matéria.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante/diretores da contribuinte for colocado no pólo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do Princípio da Consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS.
O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa.
IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial.
IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes as atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA.
Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS.
Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros (propina), embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos.
CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO.
A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ .
Numero da decisão: 1401-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento aos recursos da Contribuinte e do Sr. Augusto Ribeiro Mendonça, este apontado como responsável solidário, tão somente para excluir do lançamento o valor relativo às multas isoladas sobre estimativas não pagas (aplicação do princípio da consunção), vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Como o administrador responsável concordou com a responsabilidade imputada, não há litígio quanto a esta matéria. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante/diretores da contribuinte for colocado no pólo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do Princípio da Consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes as atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012, 2013 IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros (propina), embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 67; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.518 1 6.517 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.723086/201622 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.135 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria IRPJ. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. IRRF Recorrente PEM ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Como o administrador responsável concordou com a responsabilidade imputada, não há litígio quanto a esta matéria. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou seja, se o representante/diretores da contribuinte for colocado no pólo passivo, isto não exclui a contribuinte da responsabilidade dos tributos e multas apurados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do Princípio da Consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 30 86 /2 01 6- 22 Fl. 6518DF CARF MF 2 LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificandose, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondose sua glosa. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 6519DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.519 3 Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes as atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012, 2013 IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA COBRANÇA. Comprovado pelo Fisco o pagamento sem causa, sobre este incide a norma prevista no art. 61, da Lei n° 8.981, de 1995, para cobrança do IRRF. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros (propina), embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento aos recursos da Contribuinte e do Sr. Augusto Ribeiro Mendonça, este apontado como responsável solidário, tão Fl. 6520DF CARF MF 4 somente para excluir do lançamento o valor relativo às multas isoladas sobre estimativas não pagas (aplicação do princípio da consunção), vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão de nº 03 77.024, proferido pela 7ª Turma da DRJ/BSB em que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, ocasião em que manteve integralmente o crédito tributário exigido. Por bem relatar a autuação, a seguir transcrevo o relatório do voto condutor da DRJ: Contra a contribuinte PEM ENGENHARIA LTDA, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 33.891.128,87, incluídos encargos moratórios e multa de ofício de 150%, para exigência de IRPJ, CSLL e de IRRF, relativo aos anos de 2012 e 2013. Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls.5.984 a 6.005) 3.359.374,89 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 1.264.757,03 Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF 29.266.996,95 TOTAL 33.891.128,87 Fl. 6521DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.520 5 Foi incluído no polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável solidário, nos termos do art. 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN, o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, CPF nº 695.037.70882, sócio e responsável pela gerência da PEM Engenharia, como dispõe o art. 8º do Contrato Social da empresa, consolidado na data de 20/08/08. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do Termo de Verificação Fiscal Final de fls. 5.888 a 5.983, parte integrante dos autos de infração, extraemse as seguintes informações. A fiscalização foi motivada pelo fato de a empresa PEM ENGENHARIA LTDA estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF), que desbaratou um esquema de corrupção na Petrobrás, envolvendo as maiores empreiteiras do país. Durante a fiscalização, a autoridade fiscal lavrou diversos Termos de Intimação, com vistas à comprovação da efetividade dos serviços prestados por algumas pessoas jurídicas à PEM ENGENHARIA LTDA, dos quais resultaram diversas respostas por escrito fornecidas pela contribuinte. Foram realizadas algumas diligências junto a alguns dos prestadores de serviços contratados pela PEM ENGENHARIA LTDA, ocasião em que também foram lavrados diversos termos de intimação. Houve encerramento parcial da Fiscalização, com a lavratura de autos de infração (IRPJ, CSLL e IRRF) relativos aos anos calendário de 2010 e 2011. O crédito tributário é controlado no processo nº 13896.723538/201595, que foi objeto do Acórdão nº 0371.591 – 2ª Turma da DRF/BSB, de 29 de junho de 2016. No prosseguimento dos trabalhos a fiscalização apurou fatos dos períodos correspondentes aos anoscalendário de 2012 e 2013, que serão tratados no presente julgado. A) DAS GLOSAS DE CUSTOS E/OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS Em decorrência da fiscalização realizada na PEM Engenharia, a Autoridade Tributária constatou a existência de diversos pagamentos realizados pela empresa, lançados como custos e/ou despesas, que teriam sido indevidamente deduzidos na apuração do lucro real, em conformidade com o Termo de Verificação da Ação Fiscal – Final. Entre janeiro de 2012 e setembro de 2013 foram glosados os custos e/ou despesas não comprovadas incorridas com as empresas: Yellowwood Consultoria Ltda, Pataccas Participações e Consultoria Ltda, MSML Participações e Fl. 6522DF CARF MF 6 Consultoria Ltda – EPP e One Comunicação e Marketing Ltda. Segue a análise detalhada de cada glosa processada. 1) Das despesas com Yellowwood Consultoria Ltda. As glosas referemse às notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Yellowwood cujos valores foram contabilizados como custos e/ou despesas pela PEM Engenharia nos anos calendários de 2012 e 2013. Os respectivos valores e datas de contabilização, com subtotais por período de apuração do IRPJ/CSLL, estão relacionados na tabela de fls. 5.947 a 5.950. Foram relatados os seguintes fatos e constatações no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL – FINAL (fls. 5.946 a 5.950): não teria sido apresentado nenhum contrato de prestação de serviços celebrado entre a PEM Engenharia e a Yellowwood aos quais estivessem vinculadas às notas fiscais relativas à prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia; o sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que teriam sido realizados no período sob fiscalização pela Yellowwood, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que executaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Porém, nada apresentou a esse respeito; a Yellowwood também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito; por meio de consulta aos sistemas da Receita Federal ficou constatado que a empresa não informou a existência de empregados próprios ou pagamentos a terceiros, com retenção de tributos na fonte, que demonstrariam a execução dos serviços supostamente prestados no período em questão. A exceção foi o registro do pagamento de R$ 1.000,00 em 2012, efetuado em favor de seu sócio Augusto Mendonça. as pessoas físicas controladoras da Yellowwood e da PEM Engenharia são partes vinculadas, já que a Yellowwood é de propriedade de Augusto Mendonça, sócio da PEM Engenharia Ltda e que Augusto Mendonça é administrador de ambas as empresas. Nesta seara, a Fiscalização teria evidenciado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Yellowwood para a PEM Engenharia estariam relacionadas a serviços fictícios, cuja efetividade não teria sido comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais teriam sido utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, o que teria Fl. 6523DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.521 7 reduzido dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. Além disso, durante a Fiscalização, verificouse que o pagamento das notas fiscais nº 55, 57, 60 e 72 não teria sido integralmente efetuado a favor da Yellowwood, mas a diversos terceiros. Dessa forma, a glosa dos respectivos custos/despesas se deu por dupla motivação: além de não ter sido comprovada a efetiva prestação dos serviços a que se referem, parte do pagamento foi realizado pela PEM Engenharia a terceiros e não à Yellowwood. 2) Das despesas com Pataccas Participações e Consultoria Ltda. Foram relatados os seguintes fatos e constatações no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL – FINAL (fls. 5.950 a 5.953): por meio dos itens 1 a 3 do TIF nº 01 o sujeito passivo foi intimado a apresentar cópias de notas fiscais, comprovantes de pagamento e contratos de prestação de serviços pertinentes a pagamentos efetuados a Pataccas. Decorrido o prazo fixado pela fiscalização, o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por meio dos itens 1 a 3 do TIF nº 03; por meio das correspondências datadas de 26/06/15, 20/07/15, 07/08/15, e 23/09/15, o sujeito passivo apresentou cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Pataccas e comprovantes de pagamento, relacionados em planilhas que capeavam esses documentos. Na ausência de contrato, ambas as empresas foram intimadas a fornecer declaração detalhando de forma minuciosa os serviços prestados e nada esclareceram a esse respeito. Constatouse que todas as notas fiscais apresentadas, emitidas pela Pataccas para a PEM Engenharia no período sob fiscalização, se referiam à prestação de serviços de consultoria. As discrepâncias de dados porventura observadas pela fiscalização foram objeto de intimação e de correspondências do sujeito passivo para saneá las; a fiscalização constatou que os pagamentos das notas fiscais emitidas pela Pataccas à PEM Engenharia teriam sido realizados a partir de contas bancárias de titularidade da Projetec. Questionado a esse respeito, o sujeito passivo informou que esse procedimento teria sido adotado com suporte em contrato de administração do contas a pagar e a receber celebrado com a referida empresa, conforme já mencionamos no subitem 3.7 deste termo; o sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que teriam sido realizados no período sob fiscalização pela Pataccas, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os Fl. 6524DF CARF MF 8 trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou a esse respeito; a Pataccas também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito; por meio de consulta ao sistema GFIP/RFB ficou constatado que a Pataccas informou a existência de um único vínculo empregatício no período sob fiscalização, isto é, janeiro de 2010 a dezembro de 2013. Tratase de empregado cuja ocupação informada era “Motorista de veículos de pequeno e médio porte”. Em consulta às DIRFs apresentadas pela empresa, relativas ao período sob fiscalização, constatamos que a empresa declarou ter efetuado um único pagamento por serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas nos anos calendário de 2010 a 2013. Declarou ter pagado rendimentos no valor bruto de R$ 16.380,00 no mês de fevereiro de 2010 à empresa Ikann Imóveis Ltda., CNPJ nº 08.879.445/000103. Por meio de consulta ao sistema DIPJ da RFB, verificouse que a Ikann Imóveis Ltda. exercia a atividade de gestão e administração da propriedade imobiliária no anocalendário de 2010. Resumindo, no período em questão, a Autoridade Tributária constatou que a Pataccas teria informado a existência de um único empregado próprio, cuja ocupação era motorista e não teria informado ter realizado pagamentos a terceiros, com exceção daquele em fevereiro de 2010, com retenção de tributos na fonte, para a execução dos serviços supostamente prestados à PEM Engenharia. as pessoas físicas controladoras da Pataccas e da PEM Engenharia são partes vinculadas, levandose em conta que a Pataccas é de propriedade de Luciana Ribeiro de Mendonça e Roberta Ribeiro de Mendonça Funicello, filhas de Roberto Ribeiro de Mendonça, sócio majoritário da PEM Engenharia Ltda. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Pataccas para a PEM Engenharia estariam relacionadas a serviços fictícios, cuja efetividade não teria sido comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais teriam sido utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 3) Das despesas com MSML Participações Consultoria EPP. Foram relatados os seguintes fatos e constatações no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL – FINAL (fls. 5.953 a 5.957): Fl. 6525DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.522 9 por meio dos itens 1 a 3 do TIF nº 01 o sujeito passivo foi intimado a apresentar cópias de notas fiscais, comprovantes de pagamento e contratos de prestação de serviços pertinentes a pagamentos efetuados a MSML. Decorrido o prazo fixado pela fiscalização, o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por meio dos itens 1 a 3 do TIF nº 03; por intermédio das correspondências datadas de 26/06/15, 13/07/15, 27/07/15, 02/09/15 e 09/09/15, o sujeito passivo apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela MSML e comprovantes de pagamento, relacionados em planilhas que capeavam esses documentos. Na ausência de contrato, ambas as empresas foram intimadas a fornecer declaração detalhando de forma minuciosa os serviços prestados e nada esclareceram a esse respeito. Constatouse que todas as notas fiscais apresentadas, emitidas pela MSML para a PEM Engenharia no período sob fiscalização, referiamse à prestação de serviços de consultoria. As discrepâncias de dados porventura observadas pela fiscalização foram objeto de intimação e de correspondências do sujeito passivo para saneá las; a fiscalização constatou que os pagamentos das notas fiscais emitidas pela MSML à PEM Engenharia foram realizados a partir de contas bancárias de titularidade da Projetec. Questionado a esse respeito, o sujeito passivo informou que esse procedimento teria sido adotado com suporte em contrato de administração do contas a pagar e a receber celebrado com a referida empresa, conforme já mencionamos no subitem 3.7 deste termo; o sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação de serviços que teriam sido realizados no período sob fiscalização pela MSML, assim como a fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou a esse respeito; a MSML também foi reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à PEM Engenharia, assim como a identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito; por meio de consulta ao sistema GFIP/RFB ficou constatado que a MSML não teria informado a existência de vínculos empregatícios no período sob fiscalização, isto é, janeiro de 2010 a dezembro de 2013. Em consulta às DIRFs apresentadas pela empresa, relativas ao período sob fiscalização, foi constatado que a empresa não teria declarado ter efetuado pagamentos por serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas nos anoscalendário de 2010 a 2013. Resumindo, a Autoridade Tributária constatou que a MSML não informou a existência de empregados próprios e não informou ter realizado pagamentos a terceiros, com retenção de tributos na fonte, para Fl. 6526DF CARF MF 10 a execução dos serviços supostamente prestados à PEM Engenharia no período em questão. as pessoas físicas controladoras da MSML e da PEM Engenharia são partes vinculadas, levandose em conta que a MSML é de propriedade de Maria Stela Ribeiro de Mendonça, irmã de Roberto Ribeiro de Mendonça e Augusto Mendonça, únicos sócios da PEM Engenharia Ltda. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que as notas fiscais de prestação de serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela MSML para a PEM Engenharia estariam relaciondas a serviços fictícios, cuja efetividade não teria sido comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferi los a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a PEM Engenharia. Simultaneamente, essas notas fiscais teriam sido utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 4) Das despesas com a One Comunicação e Marketing Ltda. Foram relatados os seguintes fatos e constatações no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL – FINAL (fls. 5.957 e 5.958): por meio do TIF nº 01 o sujeito passivo foi intimado a apresentar, entre outros documentos, cópias de notas fiscais, comprovantes de pagamento, contratos de prestação de serviços pertinentes a pagamentos efetuados a One Comunicação, além de documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços tomados; por intermédio da correspondência datada de 26/06/15, o sujeito passivo apresentou parte da documentação solicitada, compreendendo cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela One Comunicação e comprovantes de pagamento, relacionados em planilha que capeava esses documentos, e de um contrato de prestação de serviços. O contrato, datado de 05/10/11, tinha como objeto a “prestação de serviços de intermediação e agenciamento de negócios com o objetivo de venda e procedimento de transferência de Know how junto ao Conselho Regional de Engenharia, INPI e outros, incluindo as melhores práticas e técnicas de engenharia para planejamento, execução e montagem de subestações de energia de potencia superior a 200 kv, registradas no processo de Acervo Técnico” da PEM Engenharia. Nada foi fornecido, entre outros itens solicitados, a título de documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços pela One Comunicação à PEM Engenharia. por meio do item 1 e subitens do TIF nº 05, lavrado em 10/07/15, o sujeito passivo teria sido questionado a respeito de discrepâncias em datas e valores dos comprovantes de pagamentos fornecidos e intimado a fornecer diversos documentos mencionados no contrato de prestação de serviços Fl. 6527DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.523 11 firmados com a One Comunicação. A PEM Engenharia foi reintimada a apresentar a documentação comprobatória da prestação de serviços e a esclarecer a razão pelas quais os pagamentos haviam sido efetuados a partir de contas bancárias de titularidade da Projetec, entre outros esclarecimentos. a PEM Engenharia apresentou parte dos esclarecimentos solicitados por meio das correspondências datadas de 24/07/15 e 27/07/15. No que diz respeito aos pagamentos à One Comunicação terem sido efetuados por meio da Projetec informou que esse procedimento teria sido adotado com suporte em contratos de administração do contas a pagar e a receber celebrados com a referida empresa. por intermédio das correspondências datadas de 26/06/15, 13/07/15, 27/07/15, 02/09/15 e 09/09/15, o sujeito passivo apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela MSML e comprovantes de pagamento, relacionados em planilhas que capeavam esses documentos. Na ausência de contrato, ambas as empresas foram intimadas a fornecer declaração detalhando de forma minuciosa os serviços prestados e nada esclareceram a esse respeito. Constatouse que todas as notas fiscais apresentadas, emitidas pela MSML para a PEM Engenharia no período sob fiscalização, se referiam à prestação de serviços de consultoria. As discrepâncias de dados porventura observadas pela fiscalização foram objeto de intimação e de correspondências do sujeito passivo para saneá las; como mencionado no subitem 3.6 deste termo, por meio do item 1 e subitens do TIF nº 26, lavrado em 29/02/16, a PEM Engenharia foi questionada quanto às informações prestadas pela One Comunicação de que havia desistido de tomar os serviços e que havia instruído a empresa a devolver parcialmente os valores pagos mediante transferência dos valores a terceiros. A PEM Engenharia também foi intimada a informar as datas de devolução dos pagamentos, montantes recebidos e identificação dos recebedores, entre outros elementos; em resposta à intimação a PEM Engenharia enviou correspondência subscrita por Augusto Mendonça, datada de 15/03/2016, informando que a One Comunicação não havia prestado nenhum serviço à PEM Engenharia e que os recursos se destinavam a pagamentos indevidos a exfuncionários da Petrobrás. nesse mesmo sentido, no Termo de Declaração nº 06, prestado na data de 22/03/2016 por Augusto Mendonça, o mesmo teria afirmado que a One Comunicação teria sido utilizada para gerar caixa dois para a PEM Engenharia, mediante a emissão de notas fiscais sem a respectiva prestação de serviços à empresa. Acrescentou que, na seqüência, os recursos poderiam ser devolvidos em espécie à PEM Engenharia ou a One Comunicação efetuava o depósito dos referidos valores nas Fl. 6528DF CARF MF 12 contas no exterior indicadas pelos exfuncionários da PETROBRÁS Renato Duque e Pedro Barusco e pelo operador Mario Goes. Não soube informar os valores pagos individualmente a Renato Duque e a Pedro Barusco. Como apontado no subitem 3.6 deste termo, a One Comunicação informou não ter prestado serviço algum à PEM Engenharia. Nesta seara, a fiscalização teria demonstrado que a nota fiscal de prestação de serviços emitida pela One Comunicação para a PEM Engenharia estaria relacionada a serviços fictícios, cuja efetividade não teria sido comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da empresa para transferilos a exfuncionários da Petrobrás a título de pagamento de vantagens ilícitas. Simultaneamente, essa nota fiscal teria sido utilizada para dar suporte à contabilização do respectivo valor como custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. 5) Sumário dos Custos e Despesas Glosados Período 2012 e 2013 Os valores dos custos e das despesas glosados pela Fiscalização por período de apuração, referentes ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário 2012 e 2013 encontramse demonstrados no quadro de fls. 5.958 e 5.959. B) DAS DEDUÇÕES INDEVIDAS DE CUSTOS E DESPESAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ / CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA DE 50%. A glosa das despesas não comprovadas, tratadas no item anterior, afetou a determinação das bases de cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2012 e 2013, resultando na apuração de valores de estimativas que deixaram de ser recolhidas na apuração efetuada pelo fiscalizado. Nesse cenário, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de multas isoladas de 50% (incisos II, “b”, art. 44, Lei 9.430/96) sobre as diferenças entre as estimativas do IRPJ e da CSLL apurados na Fiscalização e os valores efetivamente recolhidos. A apuração dos valores lançados estão demonstrados nos Anexo II e III Cálculo da Multa por Falta de Pagamento Estimativas IRPJ e CSLL dos anos de 2012 e 2013 respectivamente. Os valores das multas apurados e lançados estão sumarizados no quadro a seguir (valores em R$). Fl. 6529DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.524 13 C) DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Destacou o AuditorFiscal que os pagamentos efetuados pela PEM Engenharia à Yellowwood, Pataccas, MSML e One Comunicação não tiveram contrapartida de qualquer prestação de serviços pelas empresas emitentes das notas fiscais, referindose a operações não comprovadas e/ou inexistentes, e sem fruição pelo sujeito passivo de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. No que se refere aos pagamentos à One Comunicação, o sujeito passivo explicitamente reconheceu que os serviços não teriam sido prestados e os recursos destinavamse ao pagamento de vantagens ilícitas a exfuncionários da Petrobrás, os quais não teriam sido identificados. Portanto, tratase de pagamento a beneficiário não identificado, eis que o fluxo dos recursos da propina paga passa pelas pessoas jurídicas dos intermediários, para em seguida chegar aos omitidos beneficiários das propinas. De outra parte, atesta o Auditorfiscal que cabe também a capitulação da infração de pagamento sem causa. Isto porque a causa justificada pela autuada em nada diria com a verdade. Aduziu a autuada que se trataria de consultoria, mas teria sido comprovado que não teria sido prestado serviço, o que caracterizaria pagamento sem causa. Concluiu a fiscalização que uma vez comprovada a inidoneidade dos documentos apresentados como comprovantes, e havendo o pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, há incidência do IRRF de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Fl. 6530DF CARF MF 14 O quadro de fls. 5.971 a 5.973 consolida, por data do fato gerador do IRRF, os valores de pagamentos a beneficiários não identificados, pagamentos sem causa e por operação não comprovada efetuados pela PEM Engenharia nos anos calendário de 2012 e 2013 apurados até a data de emissão do TERMO DE VERIFICAÇÃO DA AÇÃO FISCAL FINAL, individualmente especificados nos quadros anteriores integrantes dos subitens 4.3.3 a 4.3.6 deste termo. O IRRF devido foi apurado aplicandose a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre a base de cálculo reajustada calculada na forma do subitem 4.3.2 Reajuste da Base de Cálculo do IRRF (fl. 5.963). D) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO No curso da Fiscalização teria ficado demonstrado que a PEM Engenharia realizou uma série de pagamentos vinculados a notas fiscais de prestação de serviços cuja efetividade não teria sido comprovada. As empresas que receberam os pagamentos realizados pela PEM Engenharia pertenceriam a Augusto Mendonça, sócio quotista da PEM Engenharia, ou a familiares de Augusto Mendonça e Roberto Ribeiro de Mendonça, o outro sócio da PEM Engenharia. É o caso dos pagamentos efetuados à Yellowwood, Pataccas e MSML. Embora intimadas a comprovar a efetiva prestação dos serviços, tanto a PEM Engenharia, na condição de tomadora, como as empresas prestadoras, não lograram fazê lo. Assim, os fatos relatados comprovariam cabalmente que as ações da PEM Engenharia teriam sido intencionais e deliberadas. Fruto de planejamento, organização e execução metódica com a finalidade de drenar recursos da PEM Engenharia para transferilos às empresas de propriedade de Augusto Mendonça e de seus familiares, no caso da Yellowwood, Pataccas e MSML e pagamentos de propinas no caso da One Comunicação. As condutas descritas se enquadrariam nas definições legais de sonegação, fraude e conluio dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, pois o sujeito passivo teria agido de forma a impedir que a autoridade fazendária tivesse conhecimento dos fatos geradores dos tributos apurados, caracterizando, dessa forma, a sonegação, ao intencionalmente contabilizar como custos e despesas dedutíveis valores sabidamente correspondentes a serviços que não teriam sido prestados e ao pagamento de vantagens ilícitas e sem causa. O sujeito passivo teria, ainda, tentado modificar as características essenciais dos fatos geradores ao tratar os custos e despesas contabilizados e os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em retribuição a operações comprovadas. Todavia, como relatado pela Fiscalização, as operações que teriam originado os pagamentos não foram comprovadas e os documentos de Fl. 6531DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.525 15 suporte apresentados eram ideologicamente falsos. Os contratos, nessa ordem de grandeza, estariam relacionados a serviços fictícios. O sujeito passivo teria contabilizado as despesas e custos associados a esses pagamentos como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar. Em consequência teria reduzido dolosamente o montante devido desses tributos e, dessa forma, teria cometido fraude. As fraudes, por sua vez, teriam sido praticadas mediante ajuste doloso com uma grande diversidade de contrapartes, configurando o conluio. Essas contrapartes, representadas pelas empresas emitentes das notas fiscais de prestação de serviços inidôneas (“os serviços eram fictícios e nunca foram prestados”), teriam colaborado de forma consciente com o sujeito passivo para viabilizar a execução das fraudes descritas. Conclui a Fiscalização que as ações praticadas pelo sujeito passivo teriam a natureza dolosa e foram realizadas de forma intencional e planejada. Afirma, ainda, que as condutas relatadas foram praticadas extensivamente, envolveriam valores vultosos e foram reiteradas. E) DA RESPONSABILIDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA Tendo em vista as ações ilícitas, detalhadamente descritas, praticadas pelo sujeito passivo, a fiscalização constituiu, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, a sujeição passiva solidária contra AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, CPF nº 695.037.70882, sócio do sujeito passivo responsável pela gerência da PEM Engenharia. III. DA CIÊNCIA E IMPUGNAÇÃO Cientificado, via postal, das exigências em 29/10/2016 (Aviso de Recebimento – AR às fls. 6.052), a PEM Engenharia apresentou em 25/11/2016, impugnação dos autos de infração (fls. 6.057 a 6.091), contestando o feito fiscal. Cientificado, via postal, das exigências em 26/10/2016 (Aviso de Recebimento – AR às fls. 6.053), o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto apresentou em 25/11/2016, impugnação dos autos de infração (fls. 6.190 a 6.231), contestando o feito fiscal. IV. DAS IMPUGNAÇÕES 1) DA IMPUGNAÇÃO PEM Engenharia A) DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS Contesta que a responsabilidade do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto seria solidária, argumentando que a imputação da prática de atos maliciosos contra a própria Fl. 6532DF CARF MF 16 pessoa jurídica (contribuinte) afastaria a solidariedade prevista no art. 134 do CTN (hipóteses de responsabilidade advindas da mera culpa do responsável), de modo que o indivíduo que atuou com dolo assume então com exclusividade a responsabilidade pessoal pela dívida tributária. Assevera que a prevalecer a responsabilização apontada pela fiscalização, haveria erro manifesto na identificação do sujeito passivo, eis que não se poderia exigir da pessoa jurídica autuada o pagamento da obrigação que a lei (art. 135 do CTN) impõe apenas ao responsável. Reproduz parcialmente aresto de julgado do Eg. Superior Tribunal de Justiça. Acrescenta que os atos dolosos não podem ser atribuídos à pessoa jurídica, que é incapaz de agir maliciosamente por conta própria. E, se houve dolo só pode ter sido do terceiro apontado como responsável, nomeadamente quando adotado para fundamento da acusação o art. 135 do CTN. Neste caso, só o terceiro responde pelo ato doloso, eis que o contribuinte (pessoa jurídica) não o praticou nem poderia ter praticado. Pelo fato da responsabilidade imposta ao Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto ter sido fundada no art. 135, III do CTN, defende que se trataria de responsabilidade pessoal e exclusiva pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias decorrentes dos atos que teria praticado com excesso de poderes, infração à lei e ao estatuto social, de modo que teria ocorrido erro na identificação do sujeito passivo, quanto à manutenção da empresa PEM Engenharia no polo passivo da autuação. Dessa forma, defende a exclusão da PEM Engenharia do polo passivo desta ação fiscal, ao menos no que se refere aos autos de infração onde a responsabilidade por dolo (art. 135 do CTN) tenha prevalecido em relação ao responsável pessoa física sob pena de nulidade dos lançamentos por erro na identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142). B) DA INEXISTÊNCIA DE DOLO QUE VIABILIZE A APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA PREVISTA NO PARÁGRAFO 1º DO ART.44 DA LEI 9.430/96 Alega que a acusação de dolo deve vir sempre acompanhada da prova do ilícito. Entende que o ônus da prova cabe a quem alega e que no caso concreto deveria ter ficado comprovado uma pretensão de redução ilícita de tributos devidos. Acrescenta que não seria viável mera alegação de que o dolo existiu em função da existência de pagamentos de vantagens indevidas a agentes investigados na operação LAVA JATO (no caso da One Comunicação). Reconhece que teria havido pagamento de vantagens indevidas, mas entende que a partir dessa constatação não se pode considerar automaticamente que houve dolo no sentido fiscal. Defende que, a despeito da acusação de responsabilidade com base no art. 135 do CTN, temse nos autos a ausência de demonstração cabal, por parte Fl. 6533DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.526 17 do fisco, de que os acusados agiram com dolo, no sentido previsto solenemente nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei 4.502/1964, muito embora a acusação fiscal tenha apontado, genericamente, a prática daqueles ilícitos fiscais. Conclui que os ilícitos praticados no âmbito dos contratos celebrados com a PETROBRÁS não tiveram como objetivo “fraudar o fisco” – quando muito revelam ilícitos de direito concorrencial consistentes no pagamento de vantagens indevidas. Argumenta, ainda, que no tocante ao pagamento de vantagens indevidas a funcionários da PETROBRÁS e a empresas indicadas por agentes políticos, as despesas deduzidas e os pagamentos tidos como sem causa corresponderiam, na verdade, a exigências dos terceiros beneficiários daquelas vantagens. Alega que seria o caso típico de concussão (CP, art. 316) que, como não poderia deixar de ser, foi praticada por aqueles que exigiam “comissões” sob ameaça de interferir nos contratos com a estatal, causando embaraços na assinatura dos mesmos ou até atrasos nos pagamentos dos preços com vistas a inviabilizar a consecução da obra após a licitação. Defende que, se houve dolo no caso concreto com certeza não teria sido aquele exigido pelo § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, de modo que essa acusação fazendária não serve para agravar a multa impingida ao contribuinte. Quando muito o dolo estaria contido na formação do cartel e, no que tange ao pagamento de “comissões”, na verdade é dolo da parte dos agentes que formularam a exigência ilegal. Dessa forma, entende que os negócios pactuados com as empresas Yellowwood, Pataccas e MSML não tiveram como finalidade ocultar a ocorrência do fato gerador (“[...] tanto é assim que a própria fiscalização constatou o recolhimento de tributos federais e municipais naqueles pagamentos ao cotejar o valor das notas fiscais com os valores creditados. Quem age com dolo em relação ao fisco não se dá ao trabalho de recolher impostos, tanto na fonte quanto na pessoa jurídica beneficiária”). Conclui que, não havendo dolo (intenção de lesar o fisco), ainda que os pagamentos tenham decorrido de ilícitos outros (formação de cartel ou vantagens indevidas), caberia ao fisco provar especificamente o dolo em matéria tributária, de modo que a singela acusação fazendária, desprovida da prova do referido dolo, não pode por si só autorizar a aplicação da multa de ofício agravada prevista no § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96. C) DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA EFETUADO POR TERCEIROS ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Fl. 6534DF CARF MF 18 Segundo a Impugnante, a legislação determina que serão tributados os pagamentos efetuados por pessoa jurídica a beneficiários não identificados ou quando não for identificada a causa destes pagamentos. Ou seja, o sujeito passivo do imposto de renda retido na fonte nesta situação seria a pessoa jurídica que realiza estes pagamentos. Enfatiza que, no presente caso, os pagamentos supostamente sem causa teriam efetuados por pessoa jurídica distinta da requerente, quais sejam, a PROJETEC e a TIPUANA, não havendo qualquer pagamento realizado diretamente pela requerente (PEM Engenharia), informação corroborada pela própria Fiscalização (itens 4.3 e seguintes do Termo de Verificação da Ação Fiscal), conforme os quadros sintetizando os detalhes de cada pagamento entendido como sem causa (data, valor e empresa pagadora). Desse modo, entende que não é possível lhe imputar o ônus da retenção do IR sobre tais pagamentos, ainda que efetuados à sua conta e ordem, pois o legislador optou pela responsabilidade objetiva da pessoa jurídica que efetivamente creditou os valores aos beneficiários. Colaciona julgados do CARF. Ainda segundo a Impugnante, a Receita Federal do Brasil teria dado interpretação restritiva ao art. 717 do RIR quando se trata de pagamentos efetuados a conta e ordem de terceiros, por meio da Solução de Consulta n° 360 de 16 de Setembro de 2009. Defende, portanto, que quem efetivamente credita um valor ao beneficiário é que deve reter o imposto de renda na condição de responsável, figurando como fonte pagadora, desde que, por óbvio, haja previsão para a sua retenção na fonte. Não nega que a PEM Engenharia celebrou contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a TIPUANA e a PROJETEC, e não pretende invalidar o negócio jurídico ali firmado. Mas, alega que os contratos celebrados não têm o condão de modificar o sujeito passivo da obrigação tributária, conforme determina o art. 123 do Código Tributário Nacional. Acrescenta que a própria fiscalização teria desclassificado o negócio jurídico praticado entre a requerente e as empresas supramencionadas. Cita decisões da DRJ e do CARF, envolvendo a PEM, Tipuana Projetec, que entende contraditórias com o lançamento efetuado nos presentes autos. Conclui que se trataria de nítido erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que somente as empresas TIPUANA e PROJETEC poderiam ter sido autuadas pela ausência de retenção do IR sobre os pagamentos mencionados no Termo de Verificação da Ação Fiscal, sendo nulo o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 6535DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.527 19 D) DA IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DO IRRF POR PAGAMENTO SEM CAUSA E IRPJ/CSLL EM RAZÃO DA GLOSA DE DESPESAS Assevera que a tributação de fonte com reajuste da base de cálculo, como prevista no art. 61 da Lei n. 8. 981/95, é incompatível com exigência simultânea de IRPJ e CSLL pela glosa da respectiva despesa. Colaciona entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Defende que a glosa das despesas, cujas contrapartidas são os pagamentos considerados sem causa, não permite a exigência do IRRF com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981/95, pois, tratase de um “bis in idem”. Alega que tal lançamento penaliza duplamente a pessoa jurídica: (a) uma vez, na condição de contribuinte do IRPJ e da CSLL (posto que a glosa conduz a uma exigência daqueles tributos à alíquota conjunta de 34% e, no caso concreto, com a multa majorada de 150%); e (b) outra vez, na condição de fonte pagadora (situação em que o IRRF é exigido à alíquota de 35%, com recomposição da base de cálculo e com a multa igualmente majorada). Conclui que a fiscalização sequer comprovara o dolo na autuação aqui guerreada (limitouse a alegar o comportamento ilícito, sem demonstrar a ilicitude fiscal propriamente dita), mas a bem da verdade todos os pagamentos foram tecnicamente necessários à manutenção da fonte produtiva. E) DA IMPOSSIBILIDADE DA COMINAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFÍCIO COM A MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTOS SOBRE A BASE ESTIMADA Esclarece que a sistemática de apuração e recolhimento do IRPJ e da CSLL se dá em bases correntes, com a antecipação mensal do quantum devido no encerramento do anocalendário, o que significa que o recolhimento estimado periodicamente está contido no recolhimento final. Desse modo, a multa de lançamento de oficio do tributo não recolhido no encerramento do período de apuração anual constituiria penalidade que englobaria a falta de recolhimentos estimados, caracterizando uma dupla penalização do contribuinte. Defende, também, que o recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de recolher o imposto no fim do ano e, pelo princípio da absorção, a conduta meio é absorvida pela conduta principal, pelo que deve ser afastada a cominação de multa isolada – exigida pelo suposto descumprimento da conduta meramente intermediária. Fl. 6536DF CARF MF 20 Alega, ainda, que tanto a multa de lançamento de oficio, cuja previsão legal reside no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, quanto a multa isolada, prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, incidem sobre a mesma base de cálculo, qual seja, a diferença de valores entre o contido na declaração e aquele obtido após a auditoria com a adição de exclusões indevidamente efetuadas na base de cálculo e essa dupla incidência da norma tributária sobre a mesma base de cálculo configura o “bis in idem”, vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro, de modo que não pode ser mantida a aplicação cumulativa da multa de oficio com a multa isolada. Cita posicionamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. F) DA INVIABILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IMPOSTOS SOBRE OS PAGAMENTOS DEVOLVIDOS NA OPERAÇÃO “LAVAJATO” A contribuinte entende que a devolução dos valores referentes aos pagamentos de vantagens indevidas relacionadas às licitações da PETROBRÁS, formalizados por acordo de leniência e homologados judicialmente, leva à anulação dos efeitos do ato jurídico que deu azo aos pagamentos, ensejando por via de consequência a perda de capacidade contributiva no que tange às exigências formuladas nesta autuação. Dessa forma, entende que “a devolução da renda retira do contribuinte a capacidade contributiva, permitindo a exclusão, da base de cálculo do IR, do valor efetivamente devolvido, na forma do Parecer Normativo COSIT 5/95 (...)” , que trata do IRPF. Defende que: 71. Ora, se os terceiros (beneficiários finais das vantagens indevidas) poderiam, à toda evidência, excluir de sua renda tributável a parcela porventura devolvida, na forma do PN COSIT 5/95, com muito mais razão a fonte pagadora tem direito à exclusão, da base tributável, desse montante que é por ela mesma devolvido. Conclui que com a devolução do numerário, com base nos acordos de leniência, deveria ser considerada revertida a possibilidade de exigência de IRPJ e de CSLL por suposta redução indevida do lucro líquido na apuração do lucro real – da mesma forma com que a devolução opera um verdadeiro estorno do suposto pagamento sem causa para fins de incidência do IRRF aqui combatido. G) DA INVIABILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IR SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA COM AMPARO EM CAUSA MERAMENTE ILÍCITA. Defende que o art. 61 da Lei n° 8.981/95 não contempla a incidência do imposto na fonte em face de pagamentos com causa ilícita — pois o fundamento da exigência reside apenas na ausência de causa (“pagamentos sem causa”). Enfatiza que o art. 299 do RIR não exige que a despesa esteja amparada somente em atos lícitos para que seja dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A exigência é de que a Fl. 6537DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.528 21 despesa seja necessária. Cita entendimento do CARF no intuito de demonstrar suas alegações. H) DO DIREITO À DEDUÇÃO DAS DESPESAS ATINENTES AOS PAGAMENTOS INDEVIDOS (COMISSÕES) A TERCEIROS INVESTIGADOS POR CORRUPÇÃO NA OPERAÇÃO “LAVAJATO” Defende que a empresa tributada com base no lucro real tem direito a deduzir despesas diretamente vinculadas às receitas auferidas, sempre que ficar demonstrado que a despesa é necessária. Não cabe, nesta seara, a discussão sobre a licitude da despesa, pois o art. 299 do RIR exige apenas que a despesa seja necessária, nos termos do art. 118 do CTN (non olet). Conclui que seria o caso dos pagamentos de vantagens indevidas discutidos nestes autos, que em tudo se assemelham a comissões sobre vendas (pagas a terceiros) realizadas por empresas do grupo SETAL, incluindo a requerente (PEM) – comissões sem as quais a empresa SOG (no âmbito dos Consórcios INTERPAR e CMMS) não teria contratado com a PETROBRÁS. I) DA DISTINÇÃO ENTRE AS REGRAS DE DEDUTIBLIDADE DE DESPESAS PARA FINS DE IRPJ E PARA FINS DE CSLL Esclarece que para fins de CSLL não prevalecem as mesmas regras existentes para o IRPJ no tocante à dedutibilidade de despesas. Segundo a Impugnante, no que se refere à CSLL não cabe examinar a necessidade das despesas para fins de manutenção da fonte ou a usualidade das mesmas na atividade da empresa, já que tais critérios seriam aplicáveis unicamente ao IRPJ. Acrescenta que desde que as despesas tenham sido escrituradas e sejam comprovadas por qualquer forma admitida pelo direito, e não estando enquadradas no art. 13 da Lei 9.249/95, as despesas são perfeitamente dedutíveis para fins de CSLL. Colaciona julgados do CARF. Conclui que nenhum dos gastos glosados nos presentes autos se enquadra nos tipos legais de indedutibilidade previstos no art. 13 da Lei 9.249/95. Portanto, ainda que prevaleça, no caso destes autos, a indedutibilidade de gastos ou dispêndios para fins de IRPJ, mesmo assim não prevalecerá a indedutibilidade para fins de CSL, cujas regras são específicas e, portanto, não estão adstritas aos critérios do art. 299 do RIR. J) DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DO IRPJ/CSLL/IRRF SOBRE OS REPASSES DE RECURSOS À ONE COMUNICAÇÃO. Tendo em vista que a fiscalização teria concluído que os recursos desviados da Petrobrás no âmbito da LavaJato foram direcionados pelo Consórcio INTERPAR (constituído entre a SOG e outras empresas para prestar serviços à estatal) de diversas maneiras, dentre elas, a partir de contratos fictícios celebrados com empresas do grupo SETAL, Fl. 6538DF CARF MF 22 e repassados às empresas que pertenciam aos agentes políticos que exigiam vantagens indevidas para viabilizar a sua contratação pela Petrobrás, a interessada entende que os pagamentos realizados pela PEM à ONE COMUNICAÇÃO não passariam de meros repasses de recursos advindos do Consórcio para empresas do grupo, não havendo que se falar em pagamento sem causa (Lei n.º 8.981/95, art. 61). Cita jurisprudência do CARF. Argumenta que, tendo sido admitido o fluxo de caixa com o objetivo de repassar valores aos agentes políticos e suas empresas, a fiscalização deveria necessariamente desconsiderar a respectiva receita auferida pela PEM, correspondente ao ingresso do numerário a ser repassado, agindo de forma condizente com a premissa adotada, passando a classificála como mero repasse de valores com destino à ONE COMUNICAÇÃO. Acrescenta que não se tratariam de despesas, e por isso não seria conveniente discutir a respeito da sua dedutibilidade, uma vez que estes valores não trafegariam, efetivamente, pelo resultado da empresa. Em última análise, parte dos valores advindos do Consórcio INTERPAR equivaleria a um débito na conta do ativo “Banco/Caixa” e um crédito na conta do passivo “Valores a Repassar” (ou qualquer outra similar), e a operação inversa quando do seu repasse à ONE COMUNICAÇÃO. Defende, ainda, que não haveria cabimento legal para a exigência do IRPJ e CSLL sobre o numerário repassado. Se por um lado não se tratariam de despesas (e assim não há que se falar em dedutibilidade), de outro, o ingresso dos valores advindos do Consórcio INTERPAR para fins de repasse também não corresponderiam à receita da PEM, e assim deveriam ser excluídos do lucro real. Cita jurisprudência administrativa. Argumenta, ainda, que não obstante a contabilização dos valores autuados tenha se dado de acordo com a roupagem jurídica de prestação de serviços, e a despeito da desconsideração daquele negócio jurídico, a autoridade fiscal não poderia ter atribuído efeitos tributários diversos aos fatos atestados em seu relatório circunstanciado, os quais não são geradores da obrigação de pagar o IRPJ, a CSLL e o IRRF. Ou seja, defende que a conclusão de que se tratava de repasses não poderia gerar apenas a glosa das despesas não dedutíveis, porquanto inexistentes (e a consequente cobrança do IRPJ e da CSL), mas deveria também ter levado à exclusão das receitas fictícias (correspondentes ao ingresso do numerário repassado) da apuração do lucro real, porquanto não tributáveis. Conclui que: 96. Desta feita, o reconhecimento dos ilícitos praticados pelas empresas que contrataram com a Petrobrás deveria acarretar, na esfera tributária, no ressarcimento do IRPJ e da CSL sobre o lucro correspondente à receita da prestação de serviços ao Consórcio INTERPAR, haja vista a desclassificação daqueles contratos, bem como do IRRF e demais retenções indevidas Fl. 6539DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.529 23 quando do repasse à ONE COMUNICAÇÃO, porquanto também não se tratava de serviços tomados daquelas empresas. Em última análise, a Impugnante destaca que a autoridade fiscal teria reconhecido que os pagamentos à ONE COMUNICAÇÃO foram realizados pela PEM por conta e ordem do Consórcio INTERPAR, inclusive o Consórcio teria sido igualmente autuado por pagamento sem causa à PEM, mas não há que se falar em duas condutas distintas. Defende que teria havido um só pagamento viabilizado por meio de atos encadeados, devendo ser considerado no caso o princípio da consunção, onde as transações realizadas pela PEM configuraram apenas um meio para a consecução do ilícito praticado pelo Consórcio e as respectivas empresas no âmbito do pagamento de vantagens indevidas exigidas pelos agentes públicos vinculados à Petrobrás. Assim, defende que seria inviável a nova acusação fiscal com fulcro no art. 61 da Lei 8.981/95, sob pena de dupla incriminação (bis in idem). K) DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS HAVIDAS NOS CONTRATOS FIRMADOS COM A YELLOWWOOD, PATACCAS E MSML / INVIABILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IR NA FONTE POR PAGAMENTO SEM CAUSA. Defende, quanto às despesas glosadas, que as acusações fiscais teriam sido lacônicas e que não haveria razões de ordem lógica para que se reputassem ideologicamente falsos os documentos apresentados pelo contribuinte com amparo unicamente na relação de parentesco entre os titulares das empresas. O fato de haver prestação de serviços entre empresas pertencentes a parentes não é, por si só, fundamento para a acusação de que há falsidade ideológica, sobretudo quando a receita decorrente desses serviços foi integralmente tributada na empresa beneficiária. Alegam ausência de falsidade ideológica com o propósito de pagar impostos, já que sob a ótica fiscal nenhum benefício decorreria desse procedimento. Asseveram que o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é, privativamente, da autoridade fiscal. Ausente qualquer materialidade do ilícito praticado, deve prevalecer a validade dos negócios com respaldo nas notas fiscais de serviço emitidas e a comprovação dos pagamentos líquidos já descontados os tributos incidentes na fonte (PIS, COFINS, IRRF e CSLL), bem como o pagamento do imposto sobre serviços (ISS). Pelas mesmas razões adotadas nos tópicos anteriores, alega que seria descabida a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, em face da ausência de qualquer das condutas ali tipificadas: sonegação, fraude ou conluio no intuito (dolo específico) de camuflar os fatos geradores das obrigações tributárias. Fl. 6540DF CARF MF 24 L) DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Alega que a exigência de IRPJ e de CSLL sobre a glosa das despesas não se coadunaria com o tipo penal imputado à requerente. Argumenta que o auto de infração adota como fundamento legal os artigos nos 249, inciso I, 251, 277, 278, 289, 290, 292, 299 e 300 do RIR/99, que tratam genericamente da apuração do lucro real, do conceito de despesas necessárias e da adição das despesas indedutíveis ao lucro real, mas que a motivação do ato fiscal – vínculo entre a empresa prestadora e a tomadora dos serviços – diria respeito à hipótese do art. 249, parágrafo único, inciso II, do RIR/99. Defende, portanto, que o fato imponível descrito no auto de infração não se inseriria no tipo penal que o fundamenta, restando ausente a motivação (legal) que conferiria validade ao auto de infração (ato administrativo vinculado). Deste modo, a autuação teria violado o princípio da legalidade (CF, art. 5º, II) e maculado os requisitos legais exigidos para o ato do lançamento (CTN, art. 142), devendo ser anulado. Da mesma forma, entende que o fundamento legal para a exigência do IRRF arts. 674 e 675 do RIR/99 e art. 61 da Lei nº 8.981/1995 – não se adequaria à exposição dos motivos que ensejaram a autuação, e neste caso o erro teria atingido, também, o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, porquanto a hipótese de incidência, no caso, seria a do art. 648 do RIR/99. Acrescenta que, neste caso, as alíquotas aplicáveis seriam aquelas previstas no art. 620 do RIR/99, cujo maior gravame equivale a 27,5%, muito inferior àquele exigido pelo auto de infração, sobretudo considerando a recomposição da base de cálculo, que eleva o percentual real da alíquota de 35% para 54%, o que não ocorre na hipótese do art. 648 do RIR/99. Alega, ainda, que a retenção do IR prevista no art. 648 do RIR/99 não teria caráter exclusivo, sendo considerada mera antecipação do imposto devido pela beneficiária dos rendimentos (art. 650), o que implicaria dizer que com o fim do anocalendário cessaria a responsabilidade da fonte pela satisfação da obrigação tributária (com exceção da multa e dos juros), que só poderia ser exigida do contribuinte do imposto (CTN, art. 121, p. único, I). Cita entendimento da Receita Federal (Parecer normativo Cosit). Defende, também, que a autuação seria nula por conta do erro na identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142), tendo em vista que o auto de infração de IRRF deveria ter sido lavrado exclusivamente em face da YELLOWWOOD, PATACCAS e MSML. M) DOS PEDIDOS [...] 2) DA IMPUGNAÇÃO AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO Fl. 6541DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.530 25 A) DAS CONSIDERAÇÕES CONTEXTUAIS ANTECEDENTES DO MÉRITO Trata inicialmente de considerações contextuais, antecedentes do mérito, abrangendo a sujeição passiva e a efetiva responsabilidade tributária do impugnante; bem como a Operação Lavajato e o cenário de contratações no âmbito da Petrobrás. Quanto à primeira parte, afirma que todos os atos praticados, relacionados ao excesso de poderes exigidos para o tipo tributário prescrito no art. 135, III do CTN – fundamento legal das autuações no âmbito da sujeição passiva, foram efetivamente, praticados pelo Impugnante. Entende que essas práticas teriam sido realizadas com exclusividade pelo Impugnante, não devendo ser estendidas, faticamente, para os demais sujeitos passivos. "Neste sentido, a teor da Verificação da Ação Fiscal, foram ratificadas todas as confissões havidas no bojo das investigações, e que comprovam, à evidência, que todos os atos praticados e que dizem com o excesso de poderes exigidos para o tipo tributário prescrito no artigo 135, III do Código Tributário Nacional – CTN, fundamento legal das autuações no âmbito da sujeição passiva, fora, efetivamente, praticadas pela pessoa do Impugnante." Enfatiza que, ao contrário, em relação à motivação principal, os lançamentos estariam fulcrados, exclusivamente, nas condutas praticadas pelo Impugnante. Dessa forma, destaca que teria ocorrido uma flagrante ilegalidade das atuações no que diz respeito à sujeição passiva, uma vez que a PEM Engenharia teria sido simultaneamente autuada, em face do art. 135, III do CTN, que trata de modalidades de responsabilidade tributária, voltada a terceiros. Referida responsabilidade, seria realizada de modo excludente em relação ao contribuinte, de modo que não poderia o sujeito passivo originário ser solidariamente autuado em concomitância com o Impugnante. Faz considerações sobre a Operação Lavajato que refletiriam, de modo mais amplo, o contexto das declarações tidas pelo Impugnante nas investigações, e que teriam motivado as autuações ora em julgamento. B) DAS AÇÕES MERITÓRIAS PARA A REFORMA DO AUTO DE INFRAÇÃO NO QUE DIZ COM OS LANÇAMENTOS FORMALIZADOS. Na maioria das questões levantadas em sua defesa, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos já trazidos pela PEM Engenharia. Assim, para evitar repetições desnecessárias, reportome neste ponto ao resumo das razões de defesa da contribuinte PEM ENGENHARIA LTDA. Traz, ainda, a seguinte argumentação: Fl. 6542DF CARF MF 26 Da denúncia espontânea da infração ao Ministério Público Federal e aplicação do regime do art. 138 do CTN. Entende que duas circunstâncias deveriam ser consideradas no espectro das autuações fiscais: a espontaneidade das informações prestadas e a devolução dos valores pagos a título de “comissões” exigidas pelos agentes públicos e políticos. Destaca que a postura da PEM e do Impugnante é tipicamente abarcada no regime do art. 138 do CTN, que estimula a denúncia espontânea da infração, com a eliminação da penalidade potencialmente aplicável ao caso concreto, ainda que o montante do tributo dependa de apuração posterior, de acordo com a parte final do caput do art. 138 do CTN. Acrescenta que o art. 138 do CTN não exige formalidades adicionais, bastando que o contribuinte apresente a denúncia – e o parágrafo único daquele dispositivo cuida de excepcionar do regime de denúncia espontânea apenas a situação em que já se tenha iniciado o procedimento de fiscalização. Em outras palavras, ainda que tivesse havido dolo fiscal propriamente dito, entende que não poderiam ser exigidas nem mesmo as multas de ofício nesta autuação – eis que todo o lançamento, na forma como vem posto, teve origem na denúncia espontânea formalizada nos acordos de colaboração premiada e de leniência. Acrescenta que, além de simplesmente confessar as infrações, a PEM e o Impugnante se comprometeram a devolver quantias substanciais à PETROBRÁS, a título de multa compensatória, que possui inegáveis impactos tributários e que não poderiam ter sido ignorados pela fiscalização. C) DOS PEDIDOS Ao final, por todo exposto, requer que acolhida suas razões de defesa, a fim de se decretar a anulação da presente autuação, por vício de ilegalidade, à medida que fundamentada na responsabilidade tributária prescrita pelo artigo 135, III do CTN, com a concomitante atuação da empresa contribuinte, na qualidade de solidário tributário. Acaso mantida a autuação, requer o provimento da impugnação, cancelandose os lançamentos formalizados, nos termos em que pugnados nas presentes razões, para fins de: [...] Voto Vencido Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Recursos Voluntários apresentados, deles conheço. Fl. 6543DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.531 27 Cientificada da decisão do acórdão da DRJ, a Contribuinte e o responsável solidário interpõem recurso voluntário, no qual, em sua grande maioria, repetem a argumentação apresentada nas Impugnações, ora transcritas/citadas na decisão recorrida, então apreciadas por aquela instância. Em assim sendo, de se utilizar a faculdade prevista ao Conselheiro Relator nos termos do parágrafo 3 do art.57 do Regimento Interno do CARF: Art.57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] Parágrafo 1º. A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] 2 A exigência do Parágrafo 1º. pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF n. 329, 2017). Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrouse sólido em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, adoto como minhas razões de decidir a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, cujo voto condutor do Acórdão transcrevo a seguir. Ainda, de se destacar que questões idênticas às relatoriadas nos autos já foram objeto de apreciação por outra turma deste Colegiado (Acórdão 1302003215, de 20/11/2018), em um outro processo (13896.723093/201624) contra a empresa SETEC TECNOLOGIA S/A, cujo sócioadministrador era também Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, de forma que grande parte do decidido naquele acórdão será, quando aplicável, reproduzido neste presente voto, em face de seus próprios bons e adequados fundamentos, que os adotarei assim como razão de decidir. DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA PRELIMINAR. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Preliminarmente, as impugnantes alegam que teria havido erro na identificação do sujeito passivo. Argumentam que a responsabilidade solidária do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto foi fundamentada no art. 135, III do CTN, transcrito a seguir, o que configuraria responsabilidade exclusiva do responsável, e não solidária. Assim, requerem que a PEM engenharia seja excluída do polo passivo da exação. Fl. 6544DF CARF MF 28 "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." No entanto, apesar do caput do art. 135 do CTN mencionar pessoalmente responsáveis, este artigo trata, de fato, de responsabilidade solidária, conforme entendimento manifestado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009: "(...) c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pré tensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; Fl. 6545DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.532 29 (...) q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento; (...)" Portanto, não há razão neste argumento da impugnante. Em outra preliminar, a impugnante alega que teria havido erro na identificação do sujeito passivo, em função da impossibilidade de exigência do IRRF sobre pagamento sem causa efetuado por terceiros. No entanto, no presente caso, ficou demonstrado que a impugnante é a verdadeira tomadora dos serviços: é quem operacionaliza todo o trâmite visando à contratação de serviços de seu interesse; as notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em seu nome; os custos são por ela suportados, contabilizados e levados a resultado, ou seja, a PEM Engenharia é o sujeito passivo responsável do art. 121 do CTN. Além disso, apesar de na relação contratual os pagamentos aos prestadores de serviços terem sido efetuados pelas empresas TIPUANA e PROJETEC, tratase de caso típico de pagamento por conta e ordem de terceiros. A respeito da questão, providencial é a transcrição do artigo abaixo do CTN: "Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." Assim, se a intenção da PEM Engenharia era repassar a responsabilidade para a Tipuana e Projetec não há como acatar tal pretensão, pois os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a Tipuana e a Projetec não tem o condão de modificar o substituto tributário da obrigação tributária, conforme determina o art. 123 do CTN. De fato, tudo se passa como se a PEM ENGENHARIA pagasse diretamente aos prestadores, e assim, deveria a impugnante, como substituto tributário, recolher o IRRF. Portanto, concluise que o acordo feito entre a PEM Engenharia e as empresas Tipuana e Projetec (que possuem a natureza de convenção particular) não pode afastar a sujeição passiva da PEM Engenharia, verdadeira responsável pela retenção dos tributos na fonte, nos termos do art. 123 do CTN. Dessa forma, não há erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 6546DF CARF MF 30 No Recurso Voluntário, tanto da empresa autuada, quanto do responsável solidário, as alegações são as mesmas em suas impugnações, porém, acrescenta a empresa autuada o seguinte: 18. Neste capítulo recursal cumpre apenas acrescentar que os atos dolosos não podem ser atribuídos à pessoa jurídica, que é incapaz de agir maliciosamente por conta própria. Se houve dolo – e isso cabe ao fisco comprovar (pois é aqui admitido apenas para argumentar) – só pode ter sido do terceiro apontado como responsável, nomeadamente quando adotado para fundamento da acusação o art. 135 do CTN. Neste caso, só o terceiro responde pelo ato doloso, eis que o contribuinte (pessoa jurídica) não o praticou nem poderia ter praticado. 19. Desta forma, é imperiosa a exclusão da recorrente (PEM Engenharia) do polo passivo desta ação fiscal, ao menos no que se refere aos autos de infração onde a responsabilidade por dolo (art. 135 do CTN) tenha prevalecido em relação ao responsável pessoa física – ou seja, pelo menos no que tange aos autos de infração lavrados para a cobrança da CSL e IRPJ decorrentes da glosa de despesas consideradas indedutíveis, e do IRF sobre os pagamentos supostamente sem causa – sob pena de nulidade dos lançamentos por erro na identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142). Nada mais equivocado. Independente da natureza da infração, se houve ou não constatação de ter havido uma intenção deliberada em lesar o Fisco, o fato é que a exigência do tributo, aí incluída a devida multa de ofício (qualificada ou não) recai sobre o sujeito passivo definido nos termos do art.123 do CTN: Art.121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I Contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Ora, quem tem a "relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador" é, no caso, a pessoa jurídica, pois esta é quem tem o débito a recolher como sujeito passivo, é de seu patrimônio que irá retirar recursos e satisfazer ao credor ativo (União), enquanto o responsável não se reveste da condição de contribuinte. Entretanto, o responsável pode ser chamado a participar no polo passivo, por determinação legal. No caso, a pessoa de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, empresário e sócio administrador da Recorrente, foi apontada como responsável nos termos do inciso III do art.135 do CTN, já comentado pela instância de piso onde, acertadamente, concluiu tratarse de responsabilidade solidária: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 6547DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.533 31 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Contrariamente ao alegado nos recursos, o entendimento que prevalece nas decisões do Poder Judiciário é no sentido de que, uma vez identificadas condutas dos agentes elencados no artigo 135, III do CTN, é válida a indicação destes, juntamente com a pessoa jurídica que representam, no pólo passivo da obrigação tributária. Neste sentido, vejase decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART.535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. EXECUÇÃO FISCAL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA X RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIOGERENTE. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA. CUMULAÇÃO SUBJETIVA DE PEDIDOS/DEMANDAS. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. A controvérsia tem por objeto a decisão do Tribunal de origem, que determinou a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo de Execução Fiscal, em decorrência do redirecionamento para o sóciogerente, motivado pela constatação de dissolução irregular do estabelecimento empresarial. 3. Segundo o sucinto acórdão recorrido, "a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN, é pessoal, e não solidária nem subsidiária", de modo que, "com o redirecionamento, a execução fiscal voltase exclusivamente contra o patrimônio do representante legal da pessoa jurídica, a qual deixa de responder pelos créditos tributários". 4. O decisum recorrido interpretou exclusivamente pelo método gramatical/literal a norma do art. 135, III, do CTN, o que, segundo a boa doutrina especializada na hermenêutica, pode levar a resultados aberrantes, como é o caso em análise, insustentável por razões de ordem lógica, ética e jurídica. 5. É possível afirmar, como fez o ente público, que, após alguma oscilação, o STJ consolidou o entendimento de que a responsabilidade do sóciogerente, por atos de infração à lei, é solidária. Nesse sentido o enunciado da Súmula 430/STJ: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." Fl. 6548DF CARF MF 32 6. O afastamento da responsabilidade tributária decorreu da constatação de que, em revisão do antigo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a inadimplência não deve ser considerada ato ilícito imputável ao representante da pessoa jurídica. No que concerne diretamente à questão versada nestes autos, porém, subjaz implícita a noção de que a prática de atos ilícitos implica responsabilidade solidária do sóciogerente. 7. Merece citação o posicionamento adotado pela Primeira Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial 174.532/PR, segundo os quais "Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei". 8. Isto, por si só, já seria suficiente para conduzir ao provimento da pretensão recursal. Porém, há mais a ser dito. 9. Ainda que se acolha o posicionamento de que a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN por ser descrita como pessoal não pode ser considerada solidária, é improcedente o raciocínio derivado segundo o qual há exclusão da responsabilidade da pessoa jurídica em caso de dissolução irregular. 10. Atentese para o fato de que nada impede que a Execução Fiscal seja promovida contra sujeitos distintos, por cumulação subjetiva em regime de litisconsórcio. 11. Com efeito, são distintas as causas que deram ensejo à responsabilidade tributária e, por consequência, à definição do polo passivo da demanda: a) no caso da pessoa jurídica, a responsabilidade decorre da concretização, no mundo material, dos elementos integralmente previstos em abstrato na norma que define a hipótese de incidência do tributo; b) em relação ao sóciogerente, o "fato gerador" de sua responsabilidade, conforme acima demonstrado, não é o simples inadimplemento da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito). 12. Não há sentido em concluir que a prática, pelo sócio gerente, de ato ilícito (dissolução irregular) constitui causa de exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica, fundada em circunstância independente. 13. Em primeiro lugar, porque a legislação de Direito Material (Código Tributário Nacional e legislação esparsa) não contém previsão legal nesse sentido. 14. Ademais, a prática de ato ilícito imputável a um terceiro, posterior à ocorrência do fato gerador, não afasta a inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sóciogerente) nem anula ou invalida o surgimento da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o qual, portanto, subsiste normalmente. 15. A adoção do entendimento consagrado no acórdão hostilizado conduziria a um desfecho surreal: se a dissolução irregular exclui a responsabilidade tributária da pessoa jurídica, Fl. 6549DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.534 33 o feito deveria ser extinto em relação a ela, para prosseguir exclusivamente contra o sujeito para o qual a Execução Fiscal foi redirecionada. Por consequência, cessaria a causa da dissolução irregular, uma vez que, com a exclusão de sua responsabilidade tributária, seria lícita a obtenção de Certidão Negativa de Débitos, o que fatalmente viabilizaria a baixa definitiva de seus atos constitutivos na Junta Comercial! 16. Dito de outro modo, o ordenamento jurídico conteria a paradoxal previsão de que um ato ilícito dissolução irregular, ao fim, implicaria permissão para a pessoa jurídica (beneficiária direta da aludida dissolução) proceder ao arquivamento e ao registro de sua baixa societária, uma vez que não mais subsistiria débito tributário a ela imputável, em detrimento de terceiros de boafé (Fazenda Pública e demais credores). 17. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 1455490/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2014, DJe 25/09/2014) O responsável solidário, em seu recurso voluntário, faz o mesmo direcionamento da empresa autuada, reconhecendo que "não se objetará ao vínculo de responsabilidade a ele carreado nas presentes autuações." Ante o exposto, de se rejeitar a preliminar levantada, pois correta a posição assumida no polo passivo da autuação: a pessoa jurídica como a contribuinte e a pessoa de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto como responsável solidário. PRELIMINAR. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IR SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA EFETUADO POR TERCEIROS ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Relativamente à alegada preliminar de que teria havido erro na identificação do sujeito passivo, em função da impossibilidade de exigência do IRRF sobre pagamento sem causa efetuado por terceiros, tal questão já foi suficientemente rebatida pela instância de piso, que a seguir se transcreve: Em outra preliminar, a impugnante alega que teria havido erro na identificação do sujeito passivo, em função da impossibilidade de exigência do IRRF sobre pagamento sem causa efetuado por terceiros. No entanto, no presente caso, ficou demonstrado que a impugnante é a verdadeira tomadora dos serviços: é quem operacionaliza todo o trâmite visando à contratação de serviços de seu interesse; as notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em seu nome; os custos são por ela suportados, contabilizados e levados a resultado, ou seja, a PEM Engenharia é o sujeito passivo responsável do art. 121 do CTN. Além disso, apesar de na relação contratual os pagamentos aos prestadores de serviços terem sido efetuados pelas empresas TIPUANA e PROJETEC, tratase de caso típico de pagamento por conta e ordem de terceiros. Fl. 6550DF CARF MF 34 A respeito da questão, providencial é a transcrição do artigo abaixo do CTN: "Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." Assim, se a intenção da PEM Engenharia era repassar a responsabilidade para a Tipuana e Projetec não há como acatar tal pretensão, pois os contratos de prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a Tipuana e a Projetec não tem o condão de modificar o substituto tributário da obrigação tributária, conforme determina o art. 123 do CTN. De fato, tudo se passa como se a PEM ENGENHARIA pagasse diretamente aos prestadores, e assim, deveria a impugnante, como substituto tributário, recolher o IRRF. Portanto, concluise que o acordo feito entre a PEM Engenharia e as empresas Tipuana e Projetec (que possuem a natureza de convenção particular) não pode afastar a sujeição passiva da PEM Engenharia, verdadeira responsável pela retenção dos tributos na fonte, nos termos do art. 123 do CTN. Dessa forma, não há erro na identificação do sujeito passivo. Acrescentando, de se relembrar o que consta no Termo de Verificação Final e Anexos: 3.7. Contratos de Administração de Recursos da PEM Engenharia com Tiptuana e Projetec Por meio dos contratos a Tipuana e a Projetec prestavam serviços de administração de recebimentos e pagamentos em nome da PEM Engenharia, isto é, o fluxo financeiro de determinados recebimentos destinados à PEM Engenharia eram pagos à Tipuana e ou à Projetec, assim como o fluxo de determinados pagamentos a encargo da PEM Engenharia eram efetuados pela Tipuana e ou pela Projetec. Como remuneração pelos serviços os contratos estipulavam que a Tipuana e a Projetec fariam jus “à receita financeira obtida no mercado financeiro com os recursos financeiros por ela administrados” em decorrência dos contratos. Da mesma forma, como já havíamos mencionado no subitem 3.2 deste termo, os pagamentos dos supostos serviços que teriam sido prestados à Setec e à PEM Engenharia pela empresa SM Terraplenagem, foram pagos pela Tipuana e Projetec por conta e ordem da Setec e da PEM Engenharia e não diretamente pelas mesmas. De maneira idêntica, pagamento por supostos serviços prestados à PEM Engenharia por outras empresas, entre as quais aquelas controladas por Augusto Mendonça e membros da família Ribeiro de Mendonça, tais como a Yellowwood, Pataccas e MSML foram pagos pela PEM Engenharia por meio de contas bancárias da titularidade da Tipuana e da Projetec. Fl. 6551DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.535 35 [grifo do Relator] Ainda, reproduzo, naquilo que é aplicável, fundamentos extraídos do decidido no acórdão deste Colegiado, mas de outra Turma, mencionado no início deste Voto, que apreciou argumentos idênticos aos ora apresentados no recurso voluntário, sobre este item, do presente processo. De fato, eis: Com efeito, não há como transferir a responsabilidade tributária da recorrente para terceiros com base no contrato de administração de seus recursos financeiros. Tais empresas funcionaram como meras responsáveis pelo "Caixa" da empresa recorrente, [...]. Portanto, agiam em seu nome para efetuar os pagamentos por ela indicados. Imputarlhe a responsabilidade, neste caso, seria o mesmo que considerar o responsável pelo departamento financeiro pelos pagamentos que realiza em nome da empresa. Como bem aponta o acórdão recorrido, o art. 123 do CTN, deixa clara a impossibilidade de transferência da responsabilidade de pagamento de tributos a terceiros por meio de convenções particulares. A recorrente alega, ainda, existir um procedimento contraditório da fiscalização, pois ao tempo em que considerou válido o contrato de administração financeira para exigir o IRRF sobre os pagamentos realizados pela empresas Projetec e Tipuana, em seu nome, teria desconsiderado tais contratos em outros procedimentos fiscais realizados junto àquelas empresas, verbis: "45. Como se isto não bastasse, a própria fiscalização desclassificou o negócio jurídico praticado entre a recorrente e as empresas supramencionadas, afirmando que a “TIPUANA e a PROJETEC são empresas virtuais, meras caixas de passagem de parte do fluxo de recursos de pagamentos e recebimentos entre empresas do grupo empresarial de Augusto Mendonça e dessas com terceiros”, de modo que tais empresas não teriam mãodeobra para prestar qualquer tipo de serviço, e que as transações efetuadas foram geridas por funcionários da própria SETEC. 46. A desconsideração do contrato também se deu no âmbito do procedimento administrativo nº 13896.721547/201380, em que a PROJETEC fora autuada por omissão de receitas decorrentes de repasses de empresas coligadas, entre elas a SETEC, a despeito da celebração de contrato de administração de recursos financeiros com a recorrente. Naquela ocasião, a fiscalização asseverou que os contratos se resumiam a simples instrumentos particulares, sem reconhecimento de firma, e que não foram registrados no registro de títulos e documentos, não surtindo efeitos em relação a terceiros. 47. Como se isto não bastasse, o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ainda acrescentou que, nos “termos desses contratos, existe a determinação de apuração mensal de saldos de caixa, relativamente a cada uma delas, controle detalhado, com a Fl. 6552DF CARF MF 36 discriminação individualizada de todos os pagamentos e recebimentos, e isso em relação a cada contratante, ao qual, fica implícito, a interessada deveria prestar contas.” Desta feita, a validação do negócio jurídico pactuado exigiria a “escrituração detalhada, relatórios, notas fiscais, comprovantes de depósito identificado e/ou de transferências, identificação dos débitos e correspondentes contas das empresas coligadas pagas, etc., o que não ocorreu.” (acórdão nº 1402002.143 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 5 de abril de 2016 [...]). 48. Ora, tratase de evidente contradição por parte da fiscalização, que atribuiu efeitos diametralmente opostos ao mesmo instrumento jurídico. Tendo a fiscalização desclassificado o negócio pactuado entre as partes também no presente relatório fiscal, não se mostra compatível a autuação da SETEC por pagamentos sem causa efetuados pela TIPUANA e da PROJETEC." [Nota minha: onde se lê acima SETEC, podese entender PEM] Continuando: Examinando o referido acórdão, verificase que, no procedimento junto à empresa Projetec, a fiscalização apurou omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 2009. Tratase, portanto, de fatos ocorridos em períodos de apuração distintos dos examinados nestes autos, o que por si só desqualifica a alegação. Não obstante, o que se verifica naquele acórdão é que o lançamento de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, realizado pela fiscalização decorreu essencialmente da falta de comprovação de que os valores movimentados estavam vinculados de fato ao contrato de administração financeira, como fora alegado aquele processo, e não da desconsideração de sua validade, conforme se extrai dos excertos de voto abaixo transcritos, verbis: [...] Esta turma inclusive se manifestou em dois processos de responsabilidade da Projetec, excluindoa, exatamente por reconhecer o contrato de administração de contas (PAF´s. nº 10932.000454/201001 e 10932.000682/200859), conforme ementa abaixo extraída dos referidos julgados: "IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA INTELIGÊNCIA DO ART. 674 DO RIR COMPROVAÇÃO DA NATUREZA, DESTINO E TITULARIDADE DOS VALORES POR DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Comprovado pelo titular da conta bancária a natureza das operações, ainda que existente indícios de práticas evasivas pelos destinatários dos recursos, compete a autoridade fiscal proceder o lançamento contra estes últimos e não contra a empresa titular das contas, criada exclusivamente para gerenciar os recursos financeiros dos citados destinatários." Fl. 6553DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.536 37 Ante ao exposto REJEITASE a alegação dos recorrentes neste ponto. Dessa forma, acertadamente concluiu a DRJ, pois não houve erro na identificação do sujeito passivo que consta no Auto de Infração de IRRF. Seguindo, para outros temas relatoriados. Da concomitância da multa de ofício com a multa isolada A contribuinte alega que, tanto a multa de lançamento de oficio, cuja previsão legal reside no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, quanto a multa isolada, prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, incidem sobre a mesma base de cálculo, qual seja, a diferença de valores entre o contido na declaração e aquele obtido após a auditoria com a adição de exclusões indevidamente efetuadas na base de cálculo e essa dupla incidência da norma tributária sobre a mesma base de cálculo configura o “bis in idem”, vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro, de modo que não pode ser mantida a aplicação cumulativa da multa de oficio com a multa isolada. Cita posicionamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entretanto, as multas definidas nos incisos I e II do artigo 44 da Lei 9.430/96, reproduzido a seguir, têm por objeto realidades econômicas distintas. "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (negritei) nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal (negritei): a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido (negritei), no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)." A multa de 50% (inciso II) visa prevenir possível dano causado ao fluxo de caixa do Estado ao longo do ano e tem por base uma medida desse dano, sendo exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado. Conforme constou do relatório, a aplicação da multa isolada decorreu das Fl. 6554DF CARF MF 38 constatações da Fiscalização que implicaram apuração a menor do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Como o Fisco considerou que os valores envolvidos deveriam ser adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, consequentemente também afetaram a apuração das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que o sujeito passivo optou pela apuração anual dos seus resultados, com a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução. O agente fiscal, então, aplicou a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL com fulcro no art. 44, inciso II, alínea “b”, combinado com os artigos 2° e 28, todos da Lei n° 9.430, de 1996. Já a multa de 75% (inciso I) tem como foco o aspecto quantitativo da relação obrigacional que definitivamente se estabelece entre o sujeito passivo e o Estado ao término do período de apuração, incidindo sobre o montante (“totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”) de tal obrigação que não tenha sido reconhecido (“falta de declaração”, “declaração inexata”) e/ou cumprido (“falta de pagamento ou recolhimento”) pelo sujeito passivo. Assim, no lançamento de ofício, a sanção ocorre quando o sujeito passivo não declara ou não há extinção do crédito tributário (débito da contribuinte) devido, fato que obriga o Fisco a constituir o crédito tributário pelo lançamento, com a correspondente multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Rejeito, pois, as alegações da impugnante. Permitome alguns acréscimos às acertadas considerações da instância de piso, trazendo jurisprudência do CARF. Havia uma certa controvérsia sobre a aplicabilidade, ou não, da multa sobre as estimativas de IRPJ e da CSLL não pagas, instaurada na redação hoje decaída do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que atualmente há um novo cenário normativo. É que o legislador fez publicar a Lei nº 11.488/2007, e deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, como acima transcrito, reforçando a aplicação da multa isolada sobre as estimativas não pagas, mesmo quando o contribuinte tivesse apurado prejuízo fiscal, sem qualquer exceção. Efetivamente, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ficou difícil sustentar a tese da inaplicabilidade da multa isolada de ofício, pois o legislador, à luz da controvérsia que já existia, impôs novamente tal ônus, sem qualquer exceção. E, observese, as infrações aqui em comento vieram à luz na nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, trazida pela Lei nº 11.488/2007. Oportuno acrescentar ao presente voto, uma parcial transcrição de recente acórdão da CSRF, o Acórdão da CSRF nº 9101003.832 1ª Turma, proferido em 02 de outubro de 2018, processo nº 10935.721604/201167, pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: A multa isolada objeto de controvérsia nos presentes autos, devida por ausência de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, era prevista da seguinte forma até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007: Fl. 6555DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.537 39 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...)" Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...)" Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o Fl. 6556DF CARF MF 40 percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editouse a já Súmula CARF nº 105: "Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Reitero meu posicionamento, já externado em outros julgamentos, de não considerar razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ao citar expressamente o dispositivo, a Súmula deixa claro que a cobrança concomitante a que se opõe é aquela que envolve a multa isolada fundamentada na antiga redação do art. 44, antes das alterações promovidas pela Lei nº 11.844/2007. Neste mesmo sentido já se manifestou esta 1ª Turma da CSRF, no recente Acórdão nº 9101003.597, cujo voto condutor trouxe: "Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo Fl. 6557DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.538 41 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das Fl. 6558DF CARF MF 42 estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem." (destaques no original) Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, quando teve início a vigência da MP nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.844/2007. Seguindo, em outros temas, e adotando como razão de decidir, o entendimento da decisão da DRJ: MÉRITO. DA INVIABILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IMPOSTOS SOBRE OS PAGAMENTOS DEVOLVIDOS NA OPERAÇÃO “LAVA JATO”. A impugnante alega a inviabilidade de exigência de impostos sobre os pagamentos devolvidos na operação “Lava Jato”, pois os pagamentos de vantagens indevidas nas licitações da PETROBRÁS teriam sido anulados na medida em que teria sido efetuado o ressarcimento àquela empresa. Na verdade, o que deve ser avaliado, nesta esfera, é a ocorrência do fato gerador, em conformidade com a hipótese de incidência prevista em lei, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Se houve, ou não, devolução integral e idêntica dos valores escriturados contabilmente pela impugnante, referentes a serviços que nunca lhe foram prestados, pois os valores eram pagos para quitação de vantagens indevidas, esse é um fato que deve ser avaliado por outras esferas, como penal e administrativa. Com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, agiu corretamente a fiscalização ao realizar os lançamentos destes autos, da maneira como efetuou. Nos termos do art. 142 e parágrafo único do CTN, a constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desse modo, na lavratura dos autos de infração, não é lícito ao agente público, discricionariamente, furtarse de aplicar a lei vigente. Destarte, nesta esfera, corretos os lançamentos, motivo da improcedência do argumento. Ainda, reproduzo, naquilo que é aplicável, fundamentos extraídos do decidido no acórdão deste Colegiado, mas de outra Turma, mencionado no início deste Voto, que apreciou argumentos idênticos aos ora apresentados no recurso voluntário, sobre este item, do presente processo. De fato, eis: Não há como dar guarida aos argumentos dos Recorrentes. É que embora as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens Fl. 6559DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.539 43 indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas, que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL daqueles períodos devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e, se fosse o caso, poderiam afetar o resultado dos exercícios em que foram firmados tais acordos, sendo que os efeitos fiscais teriam que ser melhor examinados nas hipóteses concretas, mas jamais poderiam impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Ante ao exposto, REJEITASE esta alegação. Continuando, com o voto da DRJ e agora em questões de mérito, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: MÉRITO. DA EXIGÊNCIA DO IRRF. Já no que tange à exigência do IRRF sobre pagamentos decorrentes de operações não comprovadas ou sem causa, quais sejam, as relativas às prestações de serviços das empresas Yellowwood, Pataccas, MSML e One Comunicação, sustentou a suplicante ser indevida a cobrança do IRRF, à alíquota de 35%, cumulada com o alargamento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, via glosa de despesas. Apontou precedentes do CARF que teriam corroborado esse entendimento. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1985, dispõe, verbis: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 6560DF CARF MF 44 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Da leitura do dispositivo legal depreendese que a norma determina que a pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. Constatase também que não há na lei a apontada vedação à glosa das despesas no âmbito de apuração do IRPJ e da CSLL. Ressaltase, ainda, que os casos aqui relatados referemse a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. Assim, caracterizado o efetivo pagamento e não comprovada a prestação do serviço (nota fiscal ideologicamente inidônea) é devido o lançamento do IRRF concomitante com a glosa da despesa no IRPJ. Este entendimento coincide com o manifestado na Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 8 de maio de 2013, cuja ementa é transcrita a seguir: "Ementa: O registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. " Assim, no presente caso há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ/CSLL exigido da autuada na condição de contribuinte que deixou de auferir lucro, em razão da dedução de custos e/ou despesas que não foram regularmente provadas. Dessa forma, não procede a alegação da Impugnante de que a exigência do IRRF seria incompatível com a glosa das despesas correspondentes. A impugnante alega, ainda, que o IRRF sobre pagamentos sem causa não pode ser exigido com amparo em causa meramente ilícita, impedindo a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Fl. 6561DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.540 45 Na realidade, o referido artigo trata da pagamentos efetuados, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A questão da licitude não é tratada neste dispositivo. Em relação à licitude do ato, há no Direito Tributário o princípio do “pecunia non olet” previsto no artigo 118, do CTN. Este artigo trata da interpretação quanto à definição legal do fato gerador, a saber: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." Por isso, na interpretação acerca da incidência (ou não) de norma jurídica tributária devese abstrair aspectos atinentes à validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, bem como dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Portanto, não tem razão a requerente. Continuando, com o voto da DRJ nas questões de mérito, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: MÉRITO. DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS ATINENTES AOS PAGAMENTOS INDEVIDOS (COMISSÕES) A TERCEIROS INVESTIGADOS POR CORRUPÇÃO NA OPERAÇÃO “LAVA JATO” A impugnante afirma, ainda, que possui direito à dedução das despesas atinentes aos pagamentos indevidos (comissões) a terceiros investigados por corrupção na operação “Lava Jato”, pois o Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto 3.000/99, permite deduzir despesa necessária, não importa se ilícita. Sem sentido tal argumentação, pois despesas necessárias são aquelas necessárias as atividades da empresa e a respectiva manutenção da fonte produtora. Decreto 3.000/1999: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). Fl. 6562DF CARF MF 46 § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” A respeito do tema a Coordenação do Sistema de Tributação (atual CoordenaçãoGeral de Tributação), no Parecer Normativo CST nº 32, de 17 de agosto de 1981, dispôs: 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Destarte, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos, e a despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. Ou seja, as “vantagens indevidas” não entram neste conceito. No mais, as despesas necessárias vinculadas às receitas recebidas da Petrobrás, certamente foram deduzidas. Conseqüentemente, sem razão o argumento. Sobre a matéria em foco, reproduzo, naquilo que é aplicável, fundamentos extraídos do decidido no acórdão deste Colegiado, mas de outra Turma, mencionado no início deste Voto, que apreciou argumentos idênticos aos ora apresentados no recurso voluntário, sobre este item, do presente processo. De fato, eis: Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. Ora, o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro, seja no art. 170 da CF/88, seja na lei que rege as sociedades anônimas (Lei nº 6.404/1976). A Constituição Federal estabelece no seu art. 170 os princípios voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, destacandose especialmente os princípios da função social da propriedade e da livre concorrência. A função social da propriedade é o princípio do qual deriva a função social do contrato, a natureza social da posse, a exigência de boa fé aos negócios jurídicos e, sem dúvida, constituise também na matriz da função social da empresa. A lei das S/A consagra o respeito por parte dos sócios e dirigentes à função social da empresa, como se extrai dos art. 116, §único e 154, verbis: Fl. 6563DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.541 47 "Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. [...] Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. § 1º O administrador eleito por grupo ou classe de acionistas tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os demais, não podendo, ainda que para defesa do interesse dos que o elegeram, faltar a esses deveres. § 2° É vedado ao administrador: a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia; b) sem prévia autorização da assembléiageral ou do conselho de administração, tomar por empréstimo recursos ou bens da companhia, ou usar, em proveito próprio, de sociedade em que tenha interesse, ou de terceiros, os seus bens, serviços ou crédito; c) receber de terceiros, sem autorização estatutária ou da assembléiageral, qualquer modalidade de vantagem pessoal, direta ou indireta, em razão do exercício de seu cargo. § 3º As importâncias recebidas com infração ao disposto na alínea c do § 2º pertencerão à companhia. § 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou da comunidade de que participe a empresa, tendo em vista suas responsabilidades sociais." Sem dúvida que os atos praticados pelos recorrentes, concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível Fl. 6564DF CARF MF 48 que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. Infelizmente, parece que, não obstante tenham assinado Termos de Colaboração Premiada e Acordos de Leniência, os recorrentes não tem o menor grau de consciência do prejuízo social causado pelos atos de corrupção praticados, e ainda buscam extrair benefícios fiscais das condutas ilícitas, que tanto prejuízo causaram à sociedade brasileira. Porém, sua pretensão não tem guarida no nosso direito, seja ele penal, civil ou tributário, que repudia que a má fé e a conduta antiética sejam premiadas de qualquer forma. Pelo exposto, VOTASE no sentido de REJEITAR A ALEGAÇÃO. Continuando, com o voto da DRJ nas questões de mérito, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: Da distinção entre as regras de dedutibilidade de despesas para fins de IRPJ/CSLL. As impugnantes alegam que há distinção entre as regras de dedutibilidade de despesas para fins de IRPJ e de CSLL. No seu entendimento, no que se refere à CSLL não caberia examinar a necessidade das despesas para fins de manutenção da fonte ou a usualidade das mesmas na atividade da empresa, já que tais critérios seriam aplicáveis unicamente ao IRPJ. Acrescenta que desde que as despesas tenham sido escrituradas e sejam comprovadas por qualquer forma admitida pelo direito, e não estando enquadradas no art. 13 da Lei 9.249/95, as despesas seriam perfeitamente dedutíveis para fins de CSLL Contudo, no caso destes autos, está claro que não ficou comprovada a efetiva prestação dos serviços e, assim, as despesas correspondentes não podem ser utilizadas para deduzir a base de cálculo do IRPJ ou da CSLL. Portanto, correta a glosa efetuada. Continuando, com o voto da DRJ nas questões de mérito, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: Da impossibilidade de cobrança do IRPJ/CSLL sobre os repasses de recursos à One comunicação. Em outro ponto, a impugnante alega impossibilidade de cobrança do IRPJ/CSLL/IRRF sobre os repasses de recursos à One Comunicação, pois, em síntese, os valores pagos a essa empresa teriam sido meros repasses. Não há razão no argumento. A própria impugnante afirma, literalmente, em sua impugnação o seguinte (fl. 6.085): “... não obstante a contabilização dos valores autuados tenha se dado de acordo com a roupagem jurídica de prestação de serviços, e a despeito da desconsideração daquele negócio Fl. 6565DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.542 49 jurídico, a autoridade fiscal não poderia ter atribuído efeitos tributários diversos aos fatos atestados em seu relatório circunstanciado, os quais não são geradores da obrigação de pagar o IRPJ, a CSL e o IRRF.” Ora, foi a própria impugnante que efetuou a escrituração e classificou os pagamentos relativos a serviços que nunca foram efetivamente prestados como despesas operacionais. A fiscalização, por sua vez, ao constatar o equívoco nesse procedimento, corretamente glosou essas despesas e corrigiu a base de cálculo. É de se destacar que o AuditorFiscal efetuou a glosa das despesas, com base no fato de que a impugnante e os prestadores não conseguiram comprovar a efetiva prestação do serviço, apesar das várias oportunidades oferecidas durante o procedimento de fiscalização. Neste momento processual, também não foi trazido aos autos documentação comprobatória apta a comprovar a efetividade de tais serviços. Assim, equivocado o argumento. Continuando, com o voto da DRJ nas questões de mérito, relativo à glosa das despesas não comprovadas, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: Das despesas não comprovadas. De inicio cumpre destacar que a prestação de serviços geradora de custos e/ou despesas dedutíveis deve possuir documentação comprobatória, estar vinculada à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, ter a comprovação do efetivo pagamento e sobretudo, de que o serviço pago tenha sido efetivamente prestado. Dispêndios realizados a título de prestação de serviços que não atendam estes requisitos são indedutíveis na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No caso em análise, o que se constatou foi que ocorreram operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pela PEM Engenharia de qualquer serviço prestado. Tais razões são mais do que suficientes para legitimar as glosas processadas, pois, a dedução de qualquer custo e/ou despesa na apuração do lucro real e do lucro liquido, devese fazer acompanhar de elementos convincentes da efetividade da operação, mormente no caso de prestação de serviços. Ou seja, não tem validade os negócios perpetrados pelos Impugnantes com a Yellowwood, Pataccas, MSML (repitase pertencentes ao mesmo grupo familiar), cujas notas fiscais de prestação de serviços referemse a serviços fictícios e de efetividade não comprovada, destinandose a dar guarida documental à retirada de recursos da PEM para transferilos a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar. Simultaneamente, essas notas fiscais foram utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou Fl. 6566DF CARF MF 50 despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar. Não se pode perder de vista que a fiscalização intimou e reintimou tanto a PEM Engenharia quanto as prestadoras de serviços a comprovar a validade dos negócios realizados e a efetiva prestação de serviços, contudo, nem a Impugnante, muito menos as prestadoras conseguiram comprovar a efetiva prestação dos serviços. Importante frisar que para as despesas serem dedutíveis não basta comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas. É indispensável, principalmente, comprovar que os dispêndios correspondem a bens ou serviços efetivamente recebidos e que os mesmos eram necessários, normais e usuais na atividade da empresa. O lançamento dessas supostas despesas e sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dependem, como a lei determina, de provas inequívocas de que os serviços foram efetivamente prestados. Por outro lado, a existência de documentos (Notas Fiscais de Serviços) relativos à suposta prestação dos serviços das prestadoras para a PEM Engenharia, bem como as movimentações financeiras (pagamentos) ocorridas em nada alteram as glosas processadas. Assim, uma nota fiscal de prestação de serviços, por exemplo, somente produz efeitos tributários se quem a emitiu consiga comprovar que houve o pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Portanto, no caso em tela, as notas fiscais de prestação de serviços são, para efeitos tributários, inidôneas, via de consequencia, correta a glosa dos custos e/ou despesas. Continuando, com o voto da DRJ nas questões de mérito, agora com relação à qualificação da multa de ofício e responsabilidade solidária, onde, reiterese, adotamos como razão de decidir: MÉRITO. DA MULTA QUALIFICADA Quanto à qualificação da multa, em vários tópicos a impugnante alega que não houve comprovação cabal da ocorrência de dolo, o que impossibilitaria a aplicação da multa qualificada. Um ponto interessante constante da defesa é que a impugnante alega: “Não se desconhece que houve pagamentos de vantagens ilícitas nos episódios investigados naquela operação, mas não se pode a partir dessa constatação considerar que, automaticamente, também houve dolo no sentido fiscal, a ensejar a aplicação da penalidade majorada.” A qualificação da multa de ofício foi realizada nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488/07, uma vez que constada a ocorrência dos casos previstos nos art. 71, 72, e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 6567DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.543 51 Nos presentes autos, o sujeito passivo procurou modificar as características essenciais dos fatos geradores, ao tratar os custos e despesas contabilizados e os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa e em retribuição a operações comprovadas. Todavia, como demonstrado pela Fiscalização, as operações que originaram os pagamentos não foram comprovadas e os documentos de suporte apresentados eram ideologicamente falsos. Dessa forma, tornase evidente o caráter doloso da ação praticada pelo sujeito passivo, ao contabilizar despesas e custos associados a pagamentos relativos a prestação de serviços sabidamente inexistentes como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, as ações praticadas pelo sujeito passivo foram de natureza dolosa, uma vez que realizadas de forma intencional e planejada, com o único intuito de redução do lucro líquido, pela falsidade ideológica da documentação. As condutas relatadas foram praticadas reiteradamente e envolveram valores vultosos, fato que importa a qualificação da penalidade. Parte dessas ações fraudulentas e criminosas foi reconhecida por Augusto Mendonça nos Termos de Colaboração Premiada firmados perante o MPF e nos Acordos de Leniência celebrados com o MPF e o CADE, subscritos por Augusto Mendonça, por ex e atuais executivos de algumas das empresas de seu grupo empresarial e pelas próprias empresas. Destacase que a PEM Engenharia é empresa do grupo empresarial de Augusto Mendonça. Também deve ser considerado que todas essas empresas que receberam os pagamentos realizados pela PEM Engenharia, exceto uma, pertencem a Augusto Mendonça, sócio quotista da PEM Engenharia. É o caso dos pagamentos efetuados à Yellowwood, Pataccas e MSML. Presente, portanto, as condutas tipificadas na Lei nº 4.502/64, cabível a qualificação da multa de ofício promovida pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 6568DF CARF MF 52 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Por tudo isso, mais do que provada a conduta dolosa, e assim, justificada a multa qualificada. II. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO. Para evitar repetições e remissões desnecessárias, e considerando que as peças de impugnação do citado administrador da contribuinte PEM ENGENHARIA LTDA. são, em sua essência, idênticas, passo ao exame das razões de defesa dos impugnantes neste único tópico. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Inicialmente releva ressaltar que o Impugnante concorda com a imputação da responsabilidade, quando afirma que todos os atos praticados, relacionados ao excesso de poderes exigidos para o tipo tributário prescrito no art. 135, III do CTN – fundamento legal das autuações no âmbito da sujeição passiva, foram efetivamente, praticados por ele. Desse modo, não há litígio quanto a esta questão. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E APLICAÇÃO DO REGIME DO ART. 138 DO CTN A impugnante alega que teria promovido a denúncia espontânea regulamentada pelo art. 138 do CTN. Contudo, este artigo se presta quando a contribuinte denuncia a infração do tributo acompanhado do pagamento do mesmo, e dos juros de mora, a saber: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração." O que de fato, a Impugnante está contestando são tributos apurados em decorrência dos autos de infração objetos dos presentes autos. Ou seja, neste caso, nem sequer houve pagamento. Portanto, não tem relação, com a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. A propósito, o STJ na súmula 360 determina: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Ou seja, mesmo que se entendesse que tivesse havido a confissão dos tributos aqui lançados, o que não houve, estes nem sequer teriam sido pagos, por isso foram lançados. Fl. 6569DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.544 53 Dessa forma, não há como excluir a responsabilidade das infrações, e por conseqüência as multas de ofício. Sobre a matéria em foco, reproduzo, naquilo que é aplicável, fundamentos extraídos do decidido no acórdão deste Colegiado, mas de outra Turma, mencionado no início deste Voto, que apreciou argumentos idênticos aos ora apresentados no recurso voluntário, sobre este item, do presente processo. De fato, eis: Como bem assentado pelo acórdão recorrido, não há como dar guarida aos argumentos dos Recorrentes. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. No presente caso, o que se verifica é apenas a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal, na atuação da recorrente junto à Petrobrás, que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça. Poderia, se assim quisesse, o contribuinte ter se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, retificando suas declarações e pagando ou efetuando o depósito dos tributos devidos. Nenhuma dessas providências foi tomada pelos recorrentes, de sorte que é inviável a aplicação do instituto previsto no art. 138 do CTN ao presente caso. Assim, VOTASE POR REJEITAR esta alegação. CONCLUSÃO De se reproduzir a conclusão final do voto condutor da DRJ, que, como mostrado, adotamos o inteiro teor do acórdão recorrido como razão de decidir: a) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar improcedente a impugnação apresentada pela PEM ENGENHARIA LTDA, a fim de manter o crédito tributário lançado; e b) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar improcedente a impugnação apresentada pelo administrador da pessoa jurídica, o SENHOR AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, mantendoo na condição de responsável solidário pelo crédito tributário lançado. Fl. 6570DF CARF MF 54 É o voto. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 6571DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.545 55 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Parabenizo o ilustre Conselheiro relator pelo fundamentado voto apresentado. Discordo, apenas e tão somente do item relativo à aplicação concomitante das multas isoladas e de ofício, razão pela qual me incumbiu o mister de elaborar o voto vencedor neste ponto. Passo a fazêlo, MULTA ISOLADA X MULTA DE OFÍCIO Contesta o recorrente a aplicação das multas isolada e de ofício conjuntamente. Entende que tal incidência provoca uma dupla penalização da empresa em relação à ocorrência de um único fato. Para tanto apresenta jurisprudência do CARF e do Poder judiciário no sentido de aplicar o princípio da consunção em relação a estas multas, pelo qual a de maior gravidade absorve à de menor gravidade. Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção, conforme abaixo demonstrado e extraído do acórdão deste mesmo relator de nº 1401003.058, de 13 de dezembro de 2018. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: "As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial Fl. 6572DF CARF MF 56 de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Fl. 6573DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.546 57 Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada." No presente caso, em razão do elevado valor da autuação levada à efeito contra o contribuinte entendo que devo tecer outras considerações a respeito, até mesmo porque tenho conhecimento de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento em sentido contrário ao deste entendimento. No julgamento que tomei conhecimento a aplicação do Princípio da Consunção foi negada na seara do direito tributário em razão do entendimento de que os princípios de direito penal não poderiam ser utilizados na seara do direito tributário. Data venia o devido respeito e consideração que tenho com as decisões proferidas pela Câmara Superior deste CARF, até mesmo porque sigo alguns de seus ensinamentos em diversos pontos, não concordo com esse posicionamento. Desde os tempos dos bancos escolares na Faculdade de Direito sempre recebi e acolhi o ensinamento de que é menos grave infringir uma norma do que um princípio. Este ensinamento decorre do fato de que os princípios do direito são normas não escritas que vigoram acima das normas positivadas e servem de guia para a sua produção e de guia para os intérpretes. Por isso os princípios são tão importantes na vida dos operadores do direito. Apresentamos a lição de renomados juristas acerca dos princípios no direito. Fl. 6574DF CARF MF 58 Conforme Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindolhe a tônica que lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico. (MELLO, 2009, p. 53) Segundo Miguel Reale Júnior: Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como fundamentos da validez de um sistema particular de conhecimento com seus pressupostos necessários. (REALE, 1991, p. 59) Vejase que o nosso código tributário adota, ele próprio, diversos princípios do direito penal, como se pode observar pela leitura dos seguintes dispositivos. Princípio da Legalidade no direito penal: nullum crimen, nulla poena sine lege Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. ...... Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; ........... Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .......... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 6575DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.547 59 Princípio da Anterioridade: Nullum crimen, nulla poena sine lege praevia; Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da Retroatividade Benigna Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Princípio da Intervenção Mínima e da Gradação da Pena Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 6576DF CARF MF 60 Especificamente, em relação ao Princípio de Intervenção Mínima apresentamos a lição de César Roberto Bittencourt. O princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelaremse suficientes para a tutela desse bem, a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelaremse incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. (BITENCOURT, 2009, p. 13, grifo no original) O Princípio da Consunção, nasce então da necessidade de aplicação da gradação das penas e de intervenção mínima. Por isso, novamente nos utilizamos na lição de César Roberto Bittencourt para demonstrar a construção jurídica do Princípio da Consunção. Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração9. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicandose o princípio major absorbet minorem10. Assim, as lesões corporais que determinam a morte são absorvidas pela tipificação do homicídio, ou o furto com arrombamento em casa habitada absorve os crimes de dano e de violação de domicílio etc. A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta11. Há consunção quando o crimemeio é realizado como uma fase ou etapa do crimefim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente. Não convence o argumento de que é impossível a absorção quando se tratar de bens jurídicos distintos. A prosperar tal argumento, jamais se poderia, por exemplo, falar em absorção nos crimes contra o sistema financeiro (Lei n. 7.492/86), na medida em que todos eles possuem uma objetividade jurídica específica. É conhecido, entretanto, o entendimento do TRF da 4ª Região, no sentido de que o art. 22 absorve o art. 6º da Lei n. 7.492/8612. Na verdade, a diversidade de bens jurídicos tutelados não é obstáculo para a configuração Fl. 6577DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.548 61 da consunção. Inegavelmente – exemplificando – são diferentes os bens jurídicos tutelados na invasão de domicílio para a prática de furto, e, no entanto, somente o crimefim (furto) é punido, como ocorre também na falsificação de documento para a prática de estelionato, não se punindo aquele, mas somente este (Súmula 17 do STJ). No conhecido enunciado da Súmula 17 do STJ, convém que se destaque, reconheceuse que o estelionato pode absorver a falsificação de documento. Registrese, por sua pertinência, que a pena do art.297é de dois a seis anos de reclusão, ao passo que a pena do art. 171 é de um a cinco anos. Não se questionou, contudo, que tal circunstância impediria a absorção, mantendose em plena vigência a referida súmula. Não é, por conseguinte, a diferença dos bens jurídicos tutelados, e tampouco a disparidade de sanções cominadas, mas a razoável inserção na linha causal do crime final, com o esgotamento do dano social no último e desejado crime, que faz as condutas serem tidas como únicas (consunção) e punindose somente o crime último da cadeia causal, que efetivamente orientou a conduta do agente.(BITTENCOURT, in http://www.cezarbitencourt.adv.br/index.php/artigos/36conflitoaparente entrealein866693eodecretolein20167) Além dessa positivação de alguns princípios existem outros, como o da presunção de inocência que são utilizados pela administração tributária e pela fiscalização sem que ao menos se perceba. Vejase, ao iniciar a fiscalização o agente, mesmo que plenamente convicto da existência de irregularidades cometidas pelo contribuinte não pode, simplesmente, lavrar uma autuação sem qualquer prova material. Justamente pela aplicação do princípio da presunção da inocência é que se exige e, neste ponto, este CARF é sempre rigoroso, a demonstração da infração cometida, do seu enquadramento legal e a juntada de provas de todo o alegado. Mesmo assim, ainda que muito bem constituída a autuação, o processo administrativo de constituição do crédito tributário apenas se inicia com a ciência do lançamento. O contribuinte não é nem pode ser cobrado neste momento pois, em atenção ao princípio da presunção de inocência ele só poderá ser cobrado após o esgotamento de todas as instâncias de julgamento administrativo. Demonstrase, neste caso, que em nenhum lugar está escrito que o contribuinte não é cobrado em face da presunção de inocência, no entanto a norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário baseouse neste princípio para sua formação. Por isso talvez, não sendo norma escrita em nenhum lugar, às vezes princípios jurídicos que não são tão comuns, podem causar estranheza e a refração de alguns intérpretes. Com relação ao princípio da Consunção que, reconheço, não é se sabença geral em sua completude, a estranheza decorre do fato de se afastar a Fl. 6578DF CARF MF 62 aplicação de uma norma legal (a de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa) em razão de um princípio não escrito. Mas o princípio da Consunção funciona exatamente desta forma. Quando existem condutas praticadas pelos particulares que se amoldem a mais de uma infração, há de se aplicar a pena relativa à maior infração capitulada e deixar de aplicar a pena da menor infração até o limite daquela. Vejamos um exemplo prático do direito penal. O sujeito que pratica lesões corporais graves em outrem que é levado para o hospital e depois vem a óbito. Neste agir o sujeito está agindo da forma capitulada em dois tipos penais: o de lesão corporal grave e o de homicídio. O de lesão tem uma pena menor e o de homicídio tem uma penar maior, mas veja que a mesma ação deu azo à tipificação de dois crimes. Pela aplicação do princípio da Consunção o sujeito, sendo provada sua culpa, cumprirá a pena exclusivamente pelo crime de homicídio (que é o mais amplo e absorve o menos amplo) e não receberá a pena cumulada de lesão corporal e homicídio. É aplicação direta do princípio. No direito tributário, havendo a mesma ratio, há de haver a mesma conclusão. Não é o fato de o princípio ser afeito ao direito penal que o torna inaplicável ao direito tributário. Vejase que o próprio Superior Tribunal de Justiça, em sede de análise de Recurso Especial já se manifestou pela possibilidade de aplicação do princípio ao direito tributário em relação ao mesmo problema. 1.1.1.1 Processo AgRg no REsp 1576289 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2015/03259378 1.1.1.2 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) 1.1.1.3 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.4 Data do Julgamento 19/04/2016 1.1.1.5 Data da Publicação/Fonte DJe 27/05/2016 1.1.1.6 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. Fl. 6579DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.549 63 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. 1.1.1.7 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." 1.1.1.8 Processo REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL 2014/02967297 1.1.1.9 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) 1.1.1.10 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.11 Data do Julgamento 17/03/2015 1.1.1.12 Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2015 1.1.1.13 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. Fl. 6580DF CARF MF 64 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. 1.1.1.14 Acórdão "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Os princípios não são de um direito ou de outro, são princípios de direito como um todo. Por questões de usualidade estudase mais em um determinado ramo, mas estes não deixam de poder ser aplicados a qualquer ramo do direito, senão, repisemos, cometeríamos a heresia de quebrar um princípio de direito ao negarlhe aplicação. Quanto à isto existe norma posta? por óbvio que não, no entanto, é norma implícita que deve ser atendida pelos operadores do direito. Assim, com relação à aplicação do Princípio da Consunção na análise da aplicação cumulativa das multas isolada e de ofício entendo da seguinte forma: Fl. 6581DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.550 65 1. O sujeito passivo deixou de cumprir uma norma jurídica que determinava o recolhimento mensal da CSLL devida por estimativa, como forma de antecipação da CSLL devida ao final do anocalendário; 2. Em seguida, encerrado o exercício, o contribuinte não apura nem recolhe a CSLL devida na sistemática adotada de apuração anual da contribuição. 3. Chegada a fiscalização verifica as duas ações diversas que são, em síntese, o não pagamento de tributo. O primeiro de forma antecipada e o segundo de forma integral ao final do exercício. Assim, verificando duas ações, aplica duas sanções, uma de 50% pelo não recolhimento da estimativa e outra de 75% pelo não recolhimento da contribuição anual apurada. Ora a aplicação do Princípio da Consunção decorre do fato de que a primeira conduta é parte integrante da segunda conduta. Não existe um tributo denominado CSLL por estimativa e outro tributo denominado CSLL da apuração anual. O que se recolhe por estimativa são pedaços da CSLL que, por conveniência da administração tributária tem de ser recolhidas de forma antecipada, mesmo sem haver o conhecimento do lucro tributável. Vejase, se a fiscalização chega ao contribuinte durante o exercício e aí aplica a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa devida é um fato. Se a fiscalização chega ao contribuinte após o encerramento do exercício não pode nem mesmo lançar a estimativa devida, mas apenas o tributo devido ao final do exercício, como poderia então lançar a multa isolada pelo não recolhimento de partes deste tributo, quando a empresa já está sendo penalizada com a multa de 75% incidente sobre todo o imposto devido. O ato que está sendo punido pela fiscalização é um só. O de não recolher o tributo devido. Por isso, nos casos em que o valor lançado relativamente à multa de ofício excede o valor lançado em relação à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas a multa mais grave absorve a multa menos grave a, assim, aplicase a consunção. Por isso, na aplicação da consunção não há de se falar simplesmente em exoneração da multa isolada. Em verdade o que se diz e como demonstram os diversos julgados desta mesma turma, a consunção da exclusão da multa isolada só ocorre integralmente nos casos em que a multa de ofício aplicada lhe é superior. Assim, nos casos em que a multa isolada é superior ao valor da multa de ofício, a exoneração é parcial e limitada ao montante da multa de ofício, devendo nestas hipóteses ser mantida a punição isolada em relação ao montante que superou a multa de ofício. Parece estranho, mas não é. Como a estimativa é uma antecipação do imposto, ocorrem casos em que, na apuração anual a empresa verifica a existência de exclusões do lucro real que não são utilizadas no cálculo das estimativas e, assim, o tributo apurado ao final do exercício termina por ser inferior à soma dos tributos devidos por estimativas. Fl. 6582DF CARF MF 66 Nestes casos a consunção se aplica parcialmente e mantémse a parcela da multa de 50% que superou o montante da multa de ofício. Acrescentese a tudo isso que a novel interpretação instituída por meio do Parecer Normativo nº 02, de 03 de dezembro de 2018, analisando o tema relativo às estimativas e o valor do tributo devido, conclui que: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, concluise: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano calendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, devese efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; g) a SCI Cosit nº 18, de 2006, deve ser lida de acordo com o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, motivo pelo qual ratificase o disposto nos seus itens 12, 12.1, 12.1.1, 12.1.3 e 12.1.4 e 13 a 13.3, revogandose o seu item 12.1.2. A interpretação, assim estabelecida, reforça o entendimento deste relator de que o recolhimento por estimativa é parte constante do débito apurado de IRPJ ou CSLL anual, assim o tratamento relativo à falta de pagamento das estimativas e do tributo devido ao final do exercício deve ser analisado em conjunto e não como se tratando de normas independentes e que tem de ter aplicação indistinta sem qualquer moderação. Assim, Fl. 6583DF CARF MF Processo nº 13896.723086/201622 Acórdão n.º 1401003.135 S1C4T1 Fl. 6.551 67 reforçado com o parecer acima, e com base na utilização dos princípios do direito penal já tratados acima, entendo perfeitamente aplicável o princípio da consunção aos casos de aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. No presente caso, percebese que tendo em vista que o valor da multa de ofício aplicada supera em muito o valor das multas isoladas lançadas o Princípio da Consunção aplicase restando por absorvida completamente a multa isolada imposta, cancelandose a mesma integralmente. Por esta razão, dou provimento ao recurso voluntário neste ponto para cancelar integralmente a aplicação da multa isolada tendo em vista a adoção do Princípio da Consunção. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 6584DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.720077/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO.PIS/COFINS. JUROS.
É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-006.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. - ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial - Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.PIS/COFINS. JUROS. É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. - ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial - Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.PIS/COFINS. JUROS. É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 77 /2 00 8- 04 Fl. 24458DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.459 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Por bem transcrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida de fls. 2.7232.743: A contribuinte acima identificada apresentou o PER nº 27415.82565.290108.1.1.080412, pleiteando o ressarcimento do crédito no valor de R$ 1.248.821,49 relativo à contribuição para o PIS/Pasep Nãocumulativa Exportação, do quarto trimestre de 2007. Posteriormente, retificou esse PER por meio do PER retificador nº 04595.51633.310108.1.5.084101, com o aumento do valor pleiteado para R$ 1.493.597,09. O primeiro despacho decisório emitido, em que se denegava o crédito em sua totalidade, foi tornado nulo por decisão judicial e, portanto, a correspondente manifestação de inconformidade perdeu a eficácia. Posteriormente, em face de novo despacho decisório (fl. 632), houve reconhecimento parcial do crédito, no valor de R$ 1.089.484,04. A ciência quanto ao Despacho Decisório, ao Termo de Verificação e Conclusão Fiscal e ao Despacho DRF/PPE/SARAC/EAC1 ocorreu em 29 de julho de 2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 652. Em 28 de agosto de 2009, foi protocolada a manifestação de fls. 657 a 715, que faz menção expressa ao presente processo embora indicando valor diverso de crédito reconhecido, e na qual, após relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese, que: Fl. 24459DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.460 3 a) relativamente aos créditos solicitados sob as rubricas “Fretes e Carretos sobre Vendas” e “Fretes sobre Vendas (marítimos e aéreos)”, a divergência encontrada pela fiscalização decorre do lançamento de créditos extemporâneos, apurados entre 2003 a 2007, optando a interessada por efetuar o pedido de ressarcimento no trimestre em pauta, o que não afronta a legislação e que não causou qualquer prejuízo à arrecadação; b) os créditos relativos a “Amortização de Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” e “Imobilizado”, são legítimos conforme prevê a legislação, tendo sido apresentados arquivos digitais da escrituração fiscocontábil. Também, que se refere a crédito extemporâneo até abril de 2004 e a partir de maio de 2005, apropriados sobre 1/48 do valor de aquisição do bem, conforme artigo 3°, incisos VI e VII e §§ 1° e 14 da Lei 10.637/02 e artigo 3°, incisos VI e VII e §§ 1° e 14 da Lei 10.833/03; c) no tocante aos créditos sob a rubrica “Energia Elétrica” a fiscalização laborou em equívoco, uma vez que ocorreu foi o reconhecimento do custo em outro mês diferente da competência, fato que ensejaria apenas a realocação dos valores de um mês para outro, sem interferência no total dos créditos apropriados; d) de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização, pelo que se pede seja retificado conforme planilha; e) houve glosas de créditos relativos a aquisições feitas de fornecedores que supostamente possuíam irregularidades as quais não podem ser atribuídas à interessada (fls. 674 a 692); f) as cessões de crédito foram efetuadas correta e validamente; f.1) “partindo do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda e a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido pelo credor a quem bem lhes aprouver”; f.2) “a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase aí o negócio jurídico perfeito e acabado”; f.3) “nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/manifestante, não cabendo ao fisco qualquer questionamento nesse sentido”; f.4) “portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e beneficiáriocessionário, porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora manifestante”; f.5) “... a cessão de crédito é evento de caráter mercantil quando travado com empresas de factoring e evento meramente financeiro quando tratados com pessoas diferentes daquela, portanto, não se confunde com a operação de compra e venda”; g) “... não resta dúvida que a boafé da Empresa adquirente, juntamente com a comprovação da real ocorrência da operação, são elementos suficientes para afastar” a glosa perpetrada; Fl. 24460DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.461 4 g.1) “... atestam à ocorrência/veracidade da operação os seguintes documentos, que já foram juntados aos autos pela fiscalização: (a) as cópias dos depósitos bancários, que comprovam o pagamento das aquisições das peles de bovinos dos Fornecedores posteriormente declarados inidôneo; (b) "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias; e (c) RPAs que comprovam o transporte das mercadorias e; (d) controles de descarregamento”; g.2) “... não nos resta dúvida que os documentos ora juntados comprovam a veracidade/regularidade da operação, além da boafé da Manifestante, visto que os mesmos comprovam a saída de dinheiro do caixa da Empresa, destinados ao pagamento das aquisições efetuadas junto aos fornecedores descritos no Termo de Verificação Fiscal”; h) pelo princípio da verdade material, o fisco tem o dever de buscar elementos que comprovem o que realmente aconteceu; i) a condição de inapta ou não habilitada dos fornecedores foi disponibilizada no “site” da Receita Federal ou no Sintegra somente após a conclusão dos processos administrativos pelo fisco e, assim, a declaração dessas condições só se operou em data posterior à ocorrência das operações em tela; i.1) há necessidade de se publicar os atos que declararam a inaptidão ou a não habilitação das empresas; i.2) “... como a publicidade da declaração de inidoneidade ou inaptidão dos fornecedores ocorreu em data bem posterior à realização da operação mercantil, além do que, durante o período em que se travaram as relações mercantis a Manifestante possui as telas do SINTEGRA e outros documentos comprovando a regularidade destes mesmos fornecedores, assim como, documentos probatórios da regularidade/veracidade da operação,” não há como prosperar as glosas efetuadas; h) a jurisprudência, judicial e administrativa, deixa evidenciado a obrigatoriedade da aplicação da taxa Selic para a atualização dos valores do ressarcimento. Ao final, requer sejam acolhidas as razões de fato e de direito ofertadas e corrigido o valor a ser ressarcido pela taxa Selic. Protesta pelo aditamento da manifestação de inconformidade e requer, também, perícia, indicando quesitos e “expert” contábil. Em face das alegações veiculadas na impugnação (fl. 667), os autos baixaram em diligência (fl. 2.663 e 2.664). Os autores do procedimento elaboraram o documento de fls. 2.672 a 2.679, no qual consta: Com a finalidade de atender o contido na Proposta de Diligência – 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), datada de 18/11/2014, na qual foi solicitado que sejam elaborados esclarecimentos sobre o item "11 Das Glosas dos Insumos Devolvidos” do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, em confronto com os quadros e tabelas inseridos às folhas 548 a 559, passamos a informar o que se segue: O Item "11 DAS GLOSAS DOS INSUMOS DEVOLVIDOS", constante do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal às folhas 628 e 629, discorre sobre "Devolução de Insumos" efetuados pela empresa. Fl. 24461DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.462 5 Entretanto, os valores apresentados na folha 629, nos quais foram recomendadas as glosas sobre a justificativa de serem insumos devolvidos pela empresa, referemse, em verdade, a "DESCONTOS ALEATÓRIOS OBTIDOS JUNTO A FORNECEDORES":[...] Assim, as glosas efetuadas nos valores constantes do quadro acima devem sermantidas por trataremse de "DESCONTOS ALEATÓRIOS OBTIDOS JUNTO A FORNECEDORES" e não por serem "Insumos Devolvidos" como consta do referido Termo de Verificação Fiscal. Os valores das glosas supracitados, atinentes ao 4° trimestre de 2007, sobre a qual versa o presente processo, encontramse nas contas do Razão, representadas nas planilhas as folhas: Folhas 551 a 553 – “Descontos Obtidos Outubro / 2007” no valor de R$ 325.932,04; Folhas 554 e 555 – “Descontos Obtidos Novembro / 2007” no valor de R$ 308.530,91; Folhas 556 a 559 – “Descontos Obtidos – Dezembro / 2007” no valor de R$ 477.537,88; Os valores acima citados encontramse resumidos nas planilhas constantes as folhas 548 a 550, sob o título "Descontos Obtidos". Cabe ressaltar nas referidas planilhas, os valores obtidos como descontos constam no Livro Razão como "Receitas Financeiras", na conta "Descontos Obtidos". Em seguida, há justificativas quanto à manutenção das glosas relativas a remissões de dívidas auferidas junto a fornecedor. A contribuinte foi cientificada da proposta de diligência e do despacho correspondente conforme Comunicação nº 128/2015/DRF/PPE/SAORT, de 5 de maio de 2015 (fl 2.684), sendolhe facultado apresentar manifestação (AR à fl. 2.685). Foram apresentados arquivos digitais e a manifestação de fls. 2.688 a 2.703, na qual consta, em síntese, que: a) foi modificado o enquadramento legal das glosas efetuadas, passandose de “Insumos Devolvidos” para “Descontos Aleatórios Obtidos junto a Fornecedores”; b) essa modificação enseja a nulidade material do ato, deixando a contribuinte de ter acesso à defesa e de contraditar a imposição fiscal; c) “a glosa do item 11 do Termo de Verificação Fiscal deve ser revertida, haja visto (sic) que pautada em fatos e critérios jurídicos equivocados, erros esses insanáveis em sede de diligência”; d) mesmo que se admita o saneamento da irregularidade por meio da diligência, já teria havido decadência quanto à revisão do ato administrativo praticado; e) “... a manifestação de inconformidade interposta pela interessada em face do despacho decisório que determinou a glosa não deu início a litígio tributário no Fl. 24462DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.463 6 que tange à matéria ‘descontos aleatórios’, de forma que esse item não ficou submetido ao efeito suspensivo previsto no art. 151, III, do CTN, ou seja, o prazo que a SRFB possuía para realizar a glosa com base nessa motivação (descontos aleatórios) não ficou suspenso em nenhum momento”; f) mesmo que fosse possível a revisão, houve equívoco também na motivação da glosa, não havendo falarse em “Descontos Aleatórios Obtidos junto a Fornecedores”; f.1) é comum na atividade da interessada a ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial, fato que gera descontos que não são imediatos ao recebimento das mercadorias, e muitas vezes se resolvem muito tempo após, de forma cumulativa, fato que resulta em “descontos superiores relatados pela fiscalização”; f.2) os “abatimentos s/ compras” são descontos obtidos após a entrega da mercadoria; f.3) “apesar desses abatimentos comporem a base de cálculo do PIS e da COFINS, as alíquotas ficam reduzidas a zero por força do art. 1, do Decreto n.º 5.442/05, por consistirem verdadeiras receitas financeiras da ora interessada”; f.4) “ ... é certo que os abatimentos representam descontos, não aleatórios, que são receitas financeiras da empresa e, portanto, não há que se falar em 'insubsistência do passivo', sendo procedente o pedido de ressarcimento também nesse aspecto”. São reiterados os pedidos da manifestação inicial, “em razão da nulidade e impossibilidade de revisão do ato, ou, então, pela improcedência da glosa quanto ao mérito”. Em 12 de abril de 2016, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. A manifestação de inconformidade deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e a perícia deve ser indeferida se desnecessária. NULIDADE. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. Tendo a interessada sido intimada quanto ao acerto levado a efeito após a baixa dos autos em diligência, não há que se falar em nulidade e a administração pode rever documentos e cálculos para a apuração de certeza e liquidez de créditos, mesmo relativamente a períodos já alcançados pela decadência do direito de lançar tributos. CRÉDITOS DE PIS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. REGULARIDADE. COMPROVAÇÃO. Os créditos relativos ao PIS não cumulativa só são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem efetivamente comprovadas segundo as prescrições legais. CRÉDITOS DE PIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. O aproveitamento de créditos de Pis deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 24463DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.464 7 Cientificado da decisão recorrida em 03.05.2016 (fls.2.748), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 02.06.2016 (fls.4.33113.547) para seja analisado seus argumentos, representados pelos seguintes tópicos: (i) das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.7210527/2012 54; (ii) das glosas relativas ao Item 11 do Termo de Verificação Fiscal. Nulidade. Modificação Extemporânea no enquadramento legal. (ii.a) Nulidade Material do Ato Administrativo. (ii.b) Decurso do prazo para o Fisco Modificar o Enquadramento Legal da Glosa. (ii.c) Da improcedência da glosa do Item 11; (iii) Do crédito relativo aos "fretes e carretos sobre vendas" e "Fretes Sobre Vendas (Marítimos e Aéreos)". (iv) Do Crédito Relativo à Rubrica "Imobilizado"; (v) Do Crédito Relativo à Rubrica "Manutenção e Peças e Acessórios; (vi) Da Aplicação da Taxa Selic. Às folhas 24.44424.445, a Recorrente protocolou petição noticiando existir decisão judicial a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto aos diversos documentos juntados pela Recorrente em sede recursal e após o protocolo do citado recurso, aplicase a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Já em relação à ordem judicial, observase seu cumprimento com a colação em pauta do processo para julgamento na primeira oportunidade. Em relação a decisão proferida no REsp 1.148.444/MG, reconhecendo o direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos, informa Fl. 24464DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.465 8 este relator que a decisão será considerada no julgamento deste recurso, contudo, não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01. Feito essas considerações, passase à análise das matérias recursais. II Preliminares II.1 Nulidade. Modificação Extemporânea no enquadramento legal. II.1.a Nulidade Material do Ato Administrativo. II.1.b Decurso do prazo para o Fisco Modificar o Enquadramento Legal da Glosa. Em relação aos argumentos suscitados pela Recorrente no tópico e sub tópicos acima, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, motivo pelo qual adoto suas razões como causa de decidir, a saber: Na manifestação de inconformidade protocolada em face do despacho decisório que reconheceu em parte o crédito pleiteado, a contribuinte alegou que, de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, que esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização. Também, que não conseguiu saber como a fiscalização chegou aos valores das glosas relativas a esse item (insumos devolvidos), alegando que “nesse item a narrativa está confusa, não permitindo que se faça uma defesa satisfatória”. Os autos baixaram em diligência, tendo o autor do procedimento efetuado a correção quanto ao ocorrido, conforme se vê no documento acostado às fls. 2.672 a 2.679 (partes transcritas acima no relatório). A contribuinte foi devidamente intimada desse documento, tendo efetuado um aditamento à manifestação de inconformidade. Nesta, foi alegado, em síntese, que houve modificação do enquadramento legal das glosas, fato que enseja a nulidade do ato, por cerceamento do direito de defesa. Também que mesmo que se admita o saneamento da irregularidade por meio da diligência, já teria havido decadência quanto à revisão do ato administrativo praticado uma vez não ter havido o efeito suspensivo previsto no art. 151, III, do CTN, relativamente a esse item (insumos devolvidos). No que tange aos insumos devolvidos, a própria contribuinte informa que cometeu erros, havendo aí uma confissão tácita quanto aos valores reconhecidos como não estornados. Relativamente ao alegado cerceamento do direito de defesa, temse que não ocorreu. Muito embora inicialmente tenha havido um equívoco formal por parte do AuditorFiscal que analisou o PER, tal foi retificado por meio do citado documento de fls. 2.672 a 2.679, do qual a interessada teve ciência, protocolando inclusive uma manifestação de inconformidade complementar. Fl. 24465DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.466 9 Quanto a não ser possível o saneamento de irregularidades por meio de diligência e já ter expirado o prazo para qualquer revisão previsto nos artigos 150, § 4º, e 173, ambos do Código Tributário Nacional, há que se ressaltar que ambos os dispositivos tratam de prazos para que o fisco possa efetuar lançamento complementar nos casos de falta de pagamentos ou de pagamentos a menor de tributos. Em se tratando de restituição, ressarcimento ou compensação de tributos, não há que se falar em prazo decadencial para que o fisco possa efetuar verificações. Se o crédito advier de períodos alcançados pela decadência para o lançamento, mesmo assim o fisco poderá efetuar as verificações e os cálculos necessários, com vistas à apuração da certeza e da liquidez deste. É a própria lei que assim determina. O crédito há de ser líquido e certo para poder ser restituído, ressarcido ou compensado. O prazo, como visto, limita a ação fiscalizadora para fins de lançamento, não havendo como se proceder a este depois de decorrido aquele, mas não restringe a apuração da certeza e da liquidez de crédito alegado pelo contribuinte para efeitos de restituição, ressarcimento ou compensação. E essa apuração de certeza e liquidez pode e deve ocorrer, mesmo em sede de diligência. No que tange à manifestação de inconformidade não suspender o prazo relativamente ao item 11 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (insumos devolvidos), nos termos do artigo 151, III, do CTN, temse que, quanto a pedido de ressarcimento (PER), não é aplicável o referido dispositivo legal que trata de suspensão da exigibilidade de crédito tributário lançado. Nesta instância de julgamento administrativo, a análise cingese à averiguação de existência ou não de valores a serem ressarcidos. Rejeitase a preliminar. Nestes termos, afastase a pretensão da Recorrente. III Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal diversos argumentos para serem analisados, os quais serão tratados individualmente, senão vejamos. III.1 das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.721527/201254 No TVF carreado aos autos, constatase que a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas dos seguintes fornecedores, quais sejam: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) Manos Couro Ltda. ME; (x) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (xi) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xii) Aracouro Comercial Ltda. EPP, (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda; pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Fl. 24466DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.467 10 Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida com base nos seguintes fundamentos: Foram glosados valores de créditos relativos a aquisições de insumos em face de existirem inconsistências quanto às operações e aos fornecedores, conforme consta no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. Tais inconsistências são a falta de habilitação junto ao sistema Sintegra mantido pelas administrações fazendárias estaduais, inaptidão de CNPJ, inexistência de fato do empreendimento. A interessada argúi que não há irregularidades e, mesmo que houvesse, não poderiam ser a ela atribuídas. Na manifestação são refutadas as razões apresentadas pela fiscalização que: as inscrições não estariam na condição de inaptas junto ao CNPJ; à época das operações, o fornecedor encontravase habilitado junto ao Sintegra; comprovado o recebimento e pagamento das mercadorias, há direito ao crédito relativo à contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; não procede a informação de que os RPAs estão preenchidos de forma irregular, sem o número do CPF ou do NIT, bastando a consulta à GEFIP para a elucidação de qualquer dúvida; a divergência quanto às placas dos veículos transportadores decorre de erro de anotação; os endereços constantes nas notas fiscais não precisam necessariamente coincidir com o do cadastro, haja vista que pode ter havido mudança do estabelecimento; quanto ao fornecedor A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda., apesar de o CNAE da atividade principal ser relativo a “corretagem na compra, venda e avaliação de imóveis”, há no cadastro atividade secundária com CNAE cuja descrição é “curtimento e outras preparações de couro”. Contudo, além das alegações acima, nenhuma comprovação efetiva da regularidade das operações efetuadas trouxe a interessada na manifestação de inconformidade. Dada a peculiaridade da situação, o ônus da comprovação das operações que poderiam gerar o crédito das contribuições cabe à interessada que deveria comprovar não apenas que as operações existiram, mas que aconteceram do modo em que foram declaradas, ou seja, que os fornecedores, valores e datas são aqueles mesmos indicados nas notas fiscais. Como já evidenciado acima, como não se trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um benefício, que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada, por parte de quem o postula, de modo a que não pairem quaisquer dúvidas. Dessa forma, como se trata de pedido de ressarcimento, à interessada cabe o ônus de demonstrar a ocorrência e a exatidão das operações que poderiam gerar o crédito, em especial quando sobre tais operações pairem dúvidas, como a possível inexistência ou inaptidão das empresas emissoras dos documentos fiscais. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Fl. 24467DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.468 11 Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem e devem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram, a saber: Consta do Termo de Verificação Fiscal que o fisco, após análise das notas fiscais apresentadas, em conjunto com as pesquisas nos diversos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, constatou que parte das empresas fornecedoras se encontravam em situação irregular, tais como: empresas inexistentes de fato, empresas inativas, empresas não cadastradas na Secretaria da Fazenda do Estado, e omissas contumazes no cumprimento de obrigações acessórias, principalmente na entrega de DIPJ e DCTF, e, ainda, que a fiscalização empreendeu diligências em parte das empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato com proposta de inaptidão. Diante deste cenário, e do conjunto dos elementos coletados (e que aqui deverão ser analisados individualmente para cada empresa), concluiu o fisco que os documentos apresentados pela recorrente não foram suficientes para comprovar a efetiva aquisição e entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que as notas fiscais em questão seriam inidôneas. Também com relação ao pagamento por essas aquisições, observou o fisco que grande parte desses pagamentos haviam sido feitos a terceiros (pessoas físicas) que nenhuma relação teriam com os fornecedores indicados nas notas fiscais, em operações comerciais de cessão de créditos. A recorrente, por sua vez, argui que não compete a ela saber da condição de regularidade ou irregularidade de seus fornecedores, nem tampouco da relação existente entre os beneficiários do crédito e os fornecedores. Na condição de adquirente de boa fé, bastalhe comprovar o efetivo recebimento das mercadorias e o seu pagamento, ainda que a terceiros indicados pelo credor, para que reste descaracterizada a glosa efetuada. E, neste sentido, defende que as cessões de crédito estão comprovadas nos autos e observaram os requisitos previstos no Código Civil, e que os elementos apresentados (planilhas de controle e apuração dos estoques, tickets de pesagem, consultas ao Sintegra, comprovantes de pagamento e recibos de pagamento a autônomos – RPA) comprovam o efetivo recebimento das mercadorias. Ademais, a inidoneidade das notas fiscais de aquisição foi presumida com base em indícios frágeis e insustentáveis, não tendo a fiscalização empreendido o necessário exame aprofundado para concluir, com absoluta segurança, quais daquelas notas efetivamente se prestariam ou não ao lançamento. Tanto a decisão recorrida quanto a recorrente citam, como amparo legal em favor dos seus argumentos, o art. 82 da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o Fl. 24468DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.469 12 documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Ou seja, aos olhos do fisco: (i) as notas são inidôneas, e (ii) não houve a comprovação, por parte da fiscalizada, da efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens (situação esta que atrairia a aplicação da exceção prevista no parágrafo único do artigo acima transcrito). Já para a recorrente, a inidoneidade das notas não restou demonstrada, e, ainda que o tivesse sido, a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens foi comprovada, de sorte que inaplicável o disposto no caput. Quanto à questão de já estar pacificado no STJ, em acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG), a situação do adquirente de boa fé, nada há que se objetar. De fato, o STJ apenas ressaltou, no referido julgado, que a tãosomente declaração de inidoneidade das notas fiscais não opera efeitos ex tunc com relação ao adquirente de boa fé. No caso analisado pelo STJ, ficou evidente que não havia dúvidas quanto à efetiva realização do negócio jurídico, o que se pode facilmente comprovar pela leitura da ementa do acórdão proferido pelo STJ, que abaixo se transcreve: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção a regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, Fl. 24469DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.470 13 natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.148.444MG, Relator Min. Luiz Fux, acórdão transitado em julgado 08062010) Quanto ao ônus da prova, é importante ressaltar que, enquanto a prova da inidoneidade da documentação incumbe ao fisco, por outro lado, a prova da efetiva aquisição da mercadoria é do contribuinte. Ainda que o referido julgado do STJ não tenha deixado isto claramente assente na ementa acima transcrita, é isto que se colhe da jurisprudência do STJ, consoante todas as transcrições feitas, no voto do relator, a outros julgados daquela Corte, dos quais transcrevo os excertos a seguir: (...) Todavia, para tanto, é necessário que o contribuinte demonstre, pelos registros contábeis, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou, incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. (EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008) A jurisprudência desta Turma é no sentido de que, para aproveitamento de crédito de ICMS relativo a notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco, é necessário que o contribuinte demonstre pelos registros contábeis que a operação comercial efetivamente se realizou, incumbindolhe, pois, o ônus da prova, não se podendo transferir ao Fisco tal encargo. Precedentes. (...) (REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007) (...) O disposto no art. 136 do CTN não dispensa o contribuinte, empresa compradora, da comprovação de que as notas fiscais declaradas inidôneas correspondem a negócio efetivamente realizado. (REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007) O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, Fl. 24470DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.471 14 referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma. (REsp112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999) Além disto, estas mesmas transcrições acima (da ementa e dos outros julgados do STJ) ressaltam a circunstância de que, nos casos em que o adquirente foi considerado de boafé, os documentos possuíam a “aparência de regularidade”, e, de fato, isto é intuitivo: para que se possa considerar que o adquirente tenha tido boafé, devese partir do pressuposto que ele tenha sido levado a acreditar que os documentos seriam regulares. Neste sentido, o entendimento do STJ a respeito da questão não discrepa do deste relator, conforme passo a expor. Antes de adentrar na análise de cada empresa individualmente, portanto, necessário fixar algumas premissas que irão pautar este voto: 1) O art. 82 da Lei 9.430/96 estabelece que os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição tenha sido considerada ou declarada inapta não produzem efeitos tributários, e isto aplicase a todos os documentos emitidos após a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica; 2) O mesmo art. 82 expressamente ressalva as “demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação”, ou seja, não é somente mediante a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica, ou da inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos, que se abre a possibilidade de considerar um documento fiscal inidôneo. Contudo, o ônus da prova da sua inidoneidade é do fisco; 3) É do fisco também o ônus da prova de que o contribuinte, no caso de utilização de documentos inidôneos em data anterior à da publicação do respectivo Ato Declaratório, sabia ou deveria saber que tais documentos não seriam idôneos; 4) É ônus do contribuinte a prova da efetiva aquisição da mercadoria ou serviço lastreada em documento reputado inidôneo, para que se possa caracterizar a condição de adquirente de boa fé. Com relação às cessões de crédito, registrese que, a priori, é fato que o credor pode ceder seus créditos a quem melhor lhe aprouver, desde que efetue a comunicação ao devedor, que por sua vez poderia, nos termos do art. 286 do Código Civil, em tese, exercer o seu direito de oposição. Entretanto, não consta que o devedor tenha se oposto às cessões feitas, pelo contrário, está aqui reivindicando a legitimidade daquelas. Ademais, a lei não impõe forma específica para que se efetue a cessão de crédito, tendo a notificação da cessão de crédito a finalidade de informar à devedora a quem deve pagar, e para evitar que pague mal. Por outro lado, é certo que tal raciocínio, simples e direto, há de se aplicar às situações normais de operação comercial. Em casos em que se demonstre que a empresa está a manter relações comerciais com empresas inexistentes de fato, ou inaptas, a circunstância de ter havido a cessão dos respectivos créditos a terceiros pode vir a constituir mais um indício da irregularidade daquela operação. Indício este não determinante, quando isoladamente considerado — como de resto nenhum indício o é — para concluir pela inocorrência de fato da própria operação comercial antecedente. Fl. 24471DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.472 15 As circunstâncias específicas que cercam cada uma das alegadas cessões de crédito devem ser analisadas, portanto, de forma individualizada, para, em conjunto com os demais elementos, aferir o julgador se se está diante de uma regular cessão de crédito originado de efetiva operação de compra e venda, ou de apenas um artifício utilizado, em conjunto com as notas fiscais inidôneas, para justificar a saída de recursos da empresa para fins diversos. A propósito, em casos em que venha a ser comprovada a saída de recursos, mas não a operação comercial antecedente, a legislação impõe a tributação pelo imposto de renda na fonte, por pagamento sem causa. Neste aspecto, não procedem os argumentos da recorrente de que estaria havendo uma indevida sobreposição da tributação do IRRF sobre a mesma base utilizada para o IRPJ e a CSLL, pois a exigência decorre expressamente da lei. De fato, cada tributo (IRPJ, CSLL, e IRRF) possui a sua própria base de cálculo, mas nada impede que uma mesma ocorrência dê ensejo à exigência de diversos tributos, tratando se de situação absolutamente normal, comumente denominada de “lançamentos reflexos ou decorrentes”. Em cada tributo, o valor daquela ocorrência irá compor a base de cálculo daquele tributo, na forma prescrita por lei. A dar guarida ao raciocínio da recorrente, nem mesmo a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL poderia ser feita. Tampouco procede o argumento de que todos os beneficiários estariam perfeitamente identificados, não podendo prevalecer uma simples declaração negativa de relação comercial em confronto com os comprovantes de pagamento. Isto porque a tributação pelo IRRF pode se dar por duas circunstâncias: por pagamento sem causa ou por pagamento a beneficiário não identificado. O fato de estar o beneficiário estar tão somente identificado não é suficiente para conferir uma causa ao pagamento efetuado. Quanto ao argumento de que as glosas, acaso procedentes, formariam uma reserva de lucro passível de distribuição isenta aos sócios, tratase de mero argumento retórico que desborda completamente do litígio aqui posto, que nada tem a ver com distribuição de lucros. Em conclusão, nos casos em que a glosa de custos venha a ser mantida, e que haja a comprovação da realização de pagamentos vinculados àqueles custos inexistentes, procede também a exigência do imposto de renda na fonte sobre os referidos pagamentos. Por fim, observo ainda que, na sessão de março de 2014, foi julgado por esta Turma o processo no 15940.000535/200984, desta mesma empresa, versando sobre idêntica matéria (glosa de custos relativas a supostas aquisições de couro), contudo, relativas ao ano calendário de 2005. Em que pese os anos serem distintos, entendo que, naqueles poucos casos, dentre os que a seguir serão analisados (6, de um total de 64), em que o fornecedor é o mesmo que um daqueles já analisados naquela ocasião, devemse manter, a princípio, as mesmas conclusões a que lá se chegou, a menos que seja suscitada, pelo fisco ou pela recorrente, alguma circunstância muito relevante e determinante para que se chegue a conclusão diversa. De se ressaltar que as conclusões, pela manutenção ou cancelamento das glosas efetivadas, deuse, no âmbito daquele processo, por unanimidade de votos. Fl. 24472DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.473 16 Dito isto, sigo com a análise de cada fornecedor, observando a ordem proposta pela recorrente. Partindo da premissa anteriormente explicitada, foi afastada a glosa, por ausência de suporte probatório, relacionadas a todos os fornecedores tratados nestes autos, a saber: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME; (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda. Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade conforme devidamente exposta na decisão proferida nos autos o PA 10835.721527/201254. Foram essas as razões explicitadas pelo relator daquele processo afastar as glosas discutidas neste tópico: 12. Alves & Matos Comércio de Couros Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a glosa destas aquisições fundamentouse, em síntese, nos seguintes elementos: a) a empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda apresentou as suas DIPJ zeradas, e está omissa com relação à DCTF de 2008; b) a gráfica que imprimiu os seus talonários de notas fiscais está em situação de “não habilitada” junto à Fazenda Estadual desde 01/10/2004; c) nas notas fiscais emitidas consta que o seu endereço seria no município de Nova Iguaçu/RJ, mas no cadastro junto à Fazenda Estadual daquele estado, consta que ela está sediada no município de Campos de Goytacazes; d) os documentos fiscais não ostentam carimbos de passagem por postos de fiscalização estadual; e) em alguns dos documentos de transporte das mercadorias, os veículos indicados são incompatíveis para suportar o peso e volume de um carregamento de couro bovino; g) a empresa em questão encontrarseia na situação de “não habilitada” no Sintegra com efeitos a partir de 10/03/2009; f) a maioria dos pagamentos das supostas aquisições de matérias primas foi efetuada a terceiros, mediante cessão de crédito bancário ineficaz; g) para algumas notas fiscais não há o comprovante do efetivo pagamento das mercadorias recebidas, e, para outras, foi registrado contabilmente apenas o pagamento parcial; Fl. 24473DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.474 17 h) todas as notas fiscais são emitidas com fretes a contratar, e os pagamentos dos fretes foram, invariavelmente, efetuados a trabalhadores autônomos por meio de RPA, alguns dos quais preenchidos com dados incompletos; i) no lapso temporal de 07/2007 a 08/2010, a empresa não manteve nenhum funcionário registrado e nem tampouco declarou a aquisição de quaisquer produtos rurais; j) no caso da nota fiscal 212, a placa do veículo transportador não foi localizada no Renavam, e não restou comprovado o efetivo pagamento da nota fiscal; Em que pese a grande quantidade de indícios relacionados, entendo que faltou ao fisco uma demonstração mais clara de que não tenha havido a aquisição das mercadorias em comento. O fato de os documentos fiscais não ostentarem carimbos de passagem por postos de fiscalização estadual é sem dúvida um forte indício da não circulação das mercadorias. Por outro lado, há pagamentos efetuados por conta dessas aquisições. Não se pode simplesmente concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade. O fisco intimou vários beneficiários de cessões de crédito de vários fornecedores, conforme ao norte relatado, tendo concluído que apenas uma única cessão de crédito seria regular. Um quadro resumo de todas essas intimações, e respectivas respostas, encontrase às fls. 1712917162. No caso do fornecedor sob análise, por exemplo, responderam à intimação fiscal alguns dos cessionários (Bortolato de Morais & Cia Ltda, Transportadora Garra de Tabuleiro Ltda, Genesio Rodrigues de Morais, José Claudio Albino dos Santos, Lidia Maria Bortolato de Morais Santos) nos seguintes termos: “Acontece que o sócio gerente da requerente é muito amigo do proprietário da empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, que mantinha regularmente negócios com a empresa Vitapelli Ltda, uma vez que aquela vendia couro para esta última. O couro que era revendido para a Vitapelli pela empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda era adquirido junto a pequenos produtores da região onde fica instalada a requerida, sendo assim como a sede da empresa vendedora é na cidade de Campos dos GoytacazesRJ, ou seja, à muitos quilômetros da região, ficaria inviável o deslocamento para fazer simples pagamentos aos produtores. Além disso, como se tratam de pequenos produtores, muitos deles não mantém nem conta bancária para o pagamento. Não bastasse essa situação, a empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, naquela época, ano de 2007, também não possuía conta bancária para que a Vitapelli pudesse efetuar o pagamentos da mercadoria comprada, esta se valeu da amizade de seu proprietário e do proprietário da requerente e pediu para que os valores fossem depositados na conta desta última e que esta repassasse para os proprietários da região.” Informa o fisco que, acompanhando essas declarações, constava declaração firmada por Maurício Oliveira Alves, sócio gerente da empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, confirmando as alegações. Pois bem. Ao contrário da conclusão fiscal, a partir dessas respostas, de que não estaria comprovado o negócio que deu origem à cessão de crédito, tenho para mim que, ainda que passíveis de confirmação quanto à sua veracidade, ao menos pelo teor do quanto alegado, as declarações dão conta de que teria havido a Fl. 24474DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.475 18 comercialização de couro para a Vitapelli, amparada pelas notas fiscais emitidas pela empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, e que, em face das alegações feitas, a cessão de crédito está justificada. Outros cessionários beneficiários (Ailton Alves Nunes, Antonio Silva Ferreira, Dirceu Achy Carneiro, e Marcio Carvalho Teixeira) também responderam, com alegações diversas, mas todos confirmando, em que pese as eventuais peculiaridades de cada caso, alguma ligação com operações de venda de couro para a Vitapelli. Ademais, apesar da grande quantidade de indícios coletados, o próprio fisco não considerou as notas fiscais inidôneas, tanto que não aplicou a multa qualificada, mas tão somente a multa simples de 75% às infrações relacionadas a este fornecedor. A questão dos veículos incompatíveis com o transporte de couro bovino foi enfrentada pela recorrente, alegando erros na anotação dos dados dos veículos, e informando quais seriam as placas corretas. Ao menos em parte a alegação pode ser confirmada pelos elementos dos autos juntados pelo próprio fisco. Por exemplo, a placa GLK9957, que seria de um Voyage, aparece no “ticket de pesagem” de fls. 2032, referente à nota fiscal 129, sendo motorista o Sr. Marco Antonio da Silva. Entretanto, este mesmo motorista aparece em outros “tickets de pesagem”, referentes a notas diversas, com a placa GLQ9957 (fls. 1404, 1621, 1767, 1774, 1988, 1999, por exemplo), indicando tratar se de mero erro de anotação. Da mesma forma ocorre com o veículo KRZ0008 (Fiat Brava): com esta placa consta no “ticket de pesagem” de fls. 1975, o que gerou a cisma fiscal, contudo, com o mesmo motorista, no caso, o Sr. José Carvalho Pedrosa, consta no “ticket de pesagem” de fls. 2069 a placa KRZ0006. O fiscal autuante informa que, para algumas notas fiscais, não há o comprovante do efetivo pagamento das mercadorias recebidas, e que, para outras, foi registrado contabilmente apenas o pagamento parcial. Entretanto, com exceção da nota fiscal 212, não apontou quais seriam as notas que não teriam sido pagas, ou apenas pagas parcialmente, e não se justifica, no atual estágio processual, qualquer diligência para depurar esta informação, mesmo porque a acusação fiscal, com base em elementos diversos, é de glosa dos valores totais das operações. E a propósito da própria nota fiscal 212, a alegação fiscal de que não teria sido comprovado o seu pagamento é desmentida pelas planilhas elaboradas pelo próprio fisco. De acordo com as tabelas de fls. 13171395 (imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados), constatase ali o registro dos pagamentos relativos à nota fiscal 212 de Alves & Matos Comércio de Couros Ltda. E também a recorrente, já na impugnação, trouxera os documentos de fls. 2654226555, especificamente relativos aos pagamentos correspondentes a esta nota fiscal. Desprovida de suporte a acusação fiscal, portanto, devem ser consequentemente cancelados os lançamentos relativos a este fornecedor. 13. Aracouro Comercial Ltda Fl. 24475DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.476 19 Tomando por exemplo o quanto decidido com relação ao fornecedor Alves & Matos Comércio de Couros Ltda (item 12 acima), podese estabelecer outra premissa a ser aplicada a casos semelhantes. Conforme se verifica na transcrição do art. 82 da Lei 9.430/96, já feita, os documentos que não produzem efeitos tributários em favor de terceiros interessados são aqueles considerados inidôneos pelo fisco. Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%. Este é um fator relevante, portanto, a ser sopesado, por este relator, na análise individual dos demais fornecedores que seguem adiante. No caso da Aracouro Comercial Ltda, a acusação fiscal, constante do Termo de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 (fls. 330332), é, em linhas gerais, muito semelhante à do fornecedor anterior (Alves & Matos Comércio de Couros Ltda). Nos documentos trazidos aos autos pelo fisco (fls. 25662651), constato, em linhas gerais, a ausência de elementos de evidente inidoneidade das notas fiscais emitidas, aliás, sequer arguida pelo fisco. Da mesma forma, não se pode concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade, aliás, também não alegada. No caso, o próprio fisco destaca que apenas parte (embora uma “grande parte”) dos pagamentos teriam sido feitos por meio de cessão de crédito. De qualquer sorte, os documentos de cessão possuem aparência de regularidade. E, na única resposta recebida às intimações fiscais feitas aos cessionáriosbeneficiários, conforme quadro resumo de fls. 1712917162, em que pese as irregularidades de interposição de pessoa entre o pagador (Vitapelli) e o efetivo beneficiário dos pagamentos (que, conforme alegações do intimado, Robson Fernando de Almeida Santos, seria uma pessoa de nome “Júnior”), o fato é que: (i) não há nos autos elementos que demonstrem que a Vitapelli teria conhecimento desta irregular interposição; e (ii) pelas alegações feitas, por certo também passíveis de confirmação quanto à sua veracidade, os pagamentos teriam vinculação com operações de venda de couros para a Vitapelli, sendo que o intimado cumpria a dupla função de classificar o couro e de servir de intermediário para o recebimento dos valores devidos ao “Júnior”. Em face do exposto, devem ser cancelados os lançamentos relativos a este fornecedor. 14. Cavalcante & Nelson Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o Fl. 24476DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.477 20 trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 315316, e 381383) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Em que pese os indícios coletados, o próprio fisco não considerou as notas fiscais inidôneas, aplicando às infrações tão somente a multa simples de 75%. Ademais, nos documentos trazidos aos autos pelo fisco (fls. 30463574), constato, em linhas gerais, a ausência de elementos de evidente inidoneidade nas notas fiscais emitidas. Ao contrário, verifico que elas trazem estampadas os carimbos de passagem por diversos postos de fiscalização de vários estados (o contribuinte localizase no estado do Alagoas). Da mesma forma, não se pode concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade. Na única resposta recebida às intimações fiscais feitas aos cessionários beneficiários, conforme quadro resumo de fls. 1712917162, a Sra. Tania Silva Teixeira, embora não tenha juntado documentos comprobatórios, confirmou que o valor por ela recebido era relativo à aquisição de couros em nome da Vitapelli. 16. Comércio de Couros Lima & Galassi Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 319321) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados, com o acréscimo de dois elementos, basicamente: (i) todas as vias originais das notas fiscais em questão encontravamse apreendidas pela SefazSP, e (ii) uma vez que a fornecedora localizase no próprio estado de São Paulo, a pouco mais de 200 quilômetros de distância, não se justifica o lapso temporal de mais de dez dias, em diversos casos, para a tradição das mercadorias. Com relação ao item ‘i’, a mera informação da apreensão dos documentos pela Secretaria de Fazenda Estadual não é suficiente para os fins a que se propõe a autuação aqui discutida, sem que se conheça qual o resultado da fiscalização empreendida por aquele ente federativo. Com relação ao item ‘ii’, tomandose como exemplo a nota fiscal referida pelo fisco, de no 741, em que o lapso temporal entre a emissão do documento e a tradição da mercadoria foi de 13 dias, pela informação constante no “ticket de pesagem”, verificase que a procedência da mercadoria foi de Anápolis/GO, e não de São José do Rio Preto, onde se localiza a fornecedora. Assim, é possível imaginar que, após a concretização da venda e emissão da nota fiscal, o efetivo fornecimento da mercadoria veio de produtor rural localizado em outro estado, o que poderia, em tese, justificar aquele lapso temporal. Este único indício, portanto, não permite concluir com segurança ter havido irregularidade na operação de compra, muito menos que a irregularidade, se presente, estivesse na ponta do adquirente (Vitapelli). Vejase, por exemplo, que, no caso desta específica operação citada, consta às fls. 4157 o comprovante de pagamento (título bancário do Bradesco, em que o favorecido é a própria fornecedora Lima & Galassi), exatamente no valor da nota fiscal emitida (R$ 64.800,00). Ora, com estes elementos, não é possível sustentar a glosa do valor daquela nota fiscal, como se não tivesse havido aquisição de couro. Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. Fl. 24477DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.478 21 17. Coral Comércio e Representação de Subprodutos Animais Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 329330) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 18. Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 303304) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 19. F. Lima Silva Comercial De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 318319) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 20. Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 307308) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 21. Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 310311) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 400401) é de que o contribuinte, apesar de intimado, teria deixado de comprovar com documento hábil e idôneo o efetivo pagamento referente às notas fiscais 15174, 15210, 15211 e 15267, totalizando R$ 138.000,00. O mero fato de não ter sido comprovado o pagamento não autoriza a glosa da correspondente aquisição. Não consta que tenha sido verificado, junto à fornecedora, ao menos, se recebeu ou não o correspondente valor. Com relação aos demais argumentos, peço vênia para reportarme aos referidos itens11 a 13 acima, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 22. Ibituruna Couros Ltda Fl. 24478DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.479 22 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 313314) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Cumpre ainda observar que o próprio fisco, entre o referido Termo de Verificação Fiscal, que havia sido lavrado para fundamentar as glosas de PIS e de COFINS, e o Relatório Fiscal, que fundamenta os presentes lançamentos, já havia, por meio de diligências efetuadas, concluído que substancial parte daquelas glosas que, naquele processo de PIS e COFINS, lastreavamse nas cessões de crédito bancário tidas por ineficazes, eram na verdade legítimas, tanto que neste processo reduziu o valor das glosas de R$ 950.331,00 para R$ 227.582,60 (Relatório Fiscal, fls. 24874). De qualquer sorte, peço vênia para reportarme aos referidos itens 11 a 13 acima, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 23. Lacerda Couros Ltda ME De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009 (fls. 309310 e 410412, respectivamente), a acusação fiscal é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 25. M.M. Comércio Atacadista de Couros Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 326328) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 26. Manos Couros Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009 (fls. 321323 e 417419, respectivamente), a acusação fiscal é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportar me aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. Contudo, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2009 ao 3o trimestre de 2009 (fls. 507538), foi constatada, de fato, uma situação distinta, com relação a este fornecedor. Com a finalidade de buscar a comprovação das aquisições de couro, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a compensação de alguns cheques, selecionados por amostragem, que teriam sido utilizados em pagamentos a fornecedores. Fl. 24479DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.480 23 Em relação a diversos dos cheques solicitados na intimação, o contribuinte respondeu que estes se encontravam em poder do sócio/diretor administrativo Nilson Riga Vitale, em face de um contrato de mútuo celebrado com a empresa. E apresentou a cópia dos cheques endossados pelos fornecedores. Estes cheques encontramse de fls. 544 a 666, e estão resumidos nas tabelas logo a seguir (fls. 667 a 672). Diante destes elementos, entendo que, de fato, não restou comprovado o efetivo pagamento aos fornecedores, não se encontrando uma justificativa razoável para que o contribuinte emita cheques nominais a fornecedores, e os cheques venham a retornar ao sócio da adquirente. A mera formalização de um contrato de mútuo com o sócio não é suficiente para comprovar que os fornecedores tenham sido pagos com recursos oriundos do próprio sócio. Neste caso, deve ser mantida a glosa fiscal. Diante disso, considerando que as questões tratadas neste tópico já foram devidamente julgadas no PA 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado afastar as glosas relacionadas aos fornecedores anteriormente citados, o que o faço em total observância ao artigo 6º, §1º, inciso II c/c §5º, do anexo II do RICARF. III.2 Da improcedência da glosa do Item 11 Analisando os autos e principalmente o documento de Termo de Diligência carreado as folhas 2.6722.679, constatase que foi apurado diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas. Tal fato foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas na quantidade/qualidade da matéria prima. Para a Recorrente: 74. São descontos que sequer dependem da liberalidade do fornecedor, pois decorrem da resistência da interessada em razão das inconformidades nas matérias primas, motivo pelo qual não há que se falar em remissão ou descontos aleatórios concedidos. 75. Apesar desses abatimentos comporem a base de cálculo do PIS e da COFINS, as alíquotas ficam reduzidas a zero por força do art . 1, do Decreto n.º 5.442/05, por consistirem verdadeiras receitas financeiras da recorrente, empresa submetida ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A fiscalização entendeu que tais descontos se constituem em "um ato liberatório da credora (fornecedor) em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais, senão vejamos: Pelo exposto, recomendamos a manutenção da glosa do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, vez que a empresa deixou de considerar para efeitos de debitamento sobre outras receitas operacionais, mais especificamente relativas às remissões de dívidas sobre compras após a entrega das Fl. 24480DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.481 24 mercadorias, em função da qualidade, conservação, peso, etc, bem como, sobre as expressivas remissões de dívidas auferidas junto a diversos fornecedores que, por certo, foi o desiderato das partes (fornecedor versus adquirente), em vista da situação financeira de empresa que percebeu o perdão, inclusive porque a perdoada teve o seu pedido de RECUPERAÇÃO JUDICIAL reconhecido pela JUSTIÇA FEDERAL. A DRJ, por sua vez, afastou os argumentos da Recorrente por entender que não houve demonstração de que os valores tratamse efetivamente de abatimentos sobre compras decorrentes de retificação de custo, em face da ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial, bem como quanto ao fato de que os descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias, resolvendose tempos após a entrada da mercadoria o que faz que haja uma cumulação de valores. A fundamentação utilizada pela DRJ para manutenção da glosa, qual seja, ausência de elementos probatórios para comprovar a origem dos lançamentos, não foi rechaçada pela Recorrente que, preferiu repetir seus argumentos apresentados em sua manifestação. Tal fato é de suma importância para analisar se a operação citada pela Recorrente se enquadra no conceito de receita financeira para fins de excluia da base de cálculo das contribuições. Sobre o conceito de receita, traga à baila trecho do voto proferido por este Turma nos autos do PA nº 12448.720068/201612 (acórdão 3302006.473): Comungo da visão do Fisco, que está de acordo com a decisão recorrida: (...) No conceito das receitas financeiras, subjaz a ideia de rendimentos recebidos pela cessão, a terceiros, do uso de capitais. Abdicando de empregar ele mesmo o capital disponível e autorizando que este seja usado por terceiros durante um certo tempo, aufere o cedente pelo uso dos recursos uma remuneração, com a natureza de receita financeira. No art. 373 do Decreto nº 3.000, de 1999, a Legislação do Imposto sobre a Renda traça o conceito de receitas financeiras. Confirase: Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) Outros Resultados Operacionais Subseção I Receitas e Despesas Financeiras Receitas Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, ganhos pelo contribuinte serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Fl. 24481DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.482 25 Por sua vez, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais Sociedades) 6ª edição FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras FEA/USP), páginas 355 e 356 traz de forma mais minuciosa: "Como receitas financeiras, há: Descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. Juros recebidos e auferidos, conta em que se registram os juros cobrados pela empresa de seus clientes, por atraso no pagamento, postergação de vencimento de títulos e outras operações similares. Receitas de títulos vinculados ao mercado aberto, que abrigam toda receita financeira em Open Market, ou seja, a diferença total entre o valor do resgate e o de aplicação. Receitas sobre outros investimentos temporários, em que são registradas as receitas totais nos demais tipos de aplicações temporárias de Caixa, como em Letras de Câmbio, Depósito a Prazo Fixo etc. Prêmio de resgate de títulos e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. [...] descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. Nenhuma dessas categorias se aplica ao perdão da dívida sob análise, dada pelos sócios credores à fiscalizada. A receita auferida não se deu em vista da disponibilização de recursos para terceiros, em certo período de tempo, característica de essência das receitas financeiras. O valor relativo às dívidas perdoadas pelos sócios constitui, portanto, receita de natureza não financeira para a empresa. (...) Pois bem. Sem a efetiva comprovação dos lançamentos, não há como acolher as pretensões da Recorrente tampouco averiguar sua origem para dar o tratamento pretendido pelo contribuinte, sendo de rigor a manutenção da glosa tratada neste tópico, conforme decidido pela instância "a quo" ,cujas razões adoto como causa de decidir: No item 11 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal constam os fundamentos e os valores das glosas relativas ao que o autor do procedimento denominou inicialmente de “Glosas de Insumos Devolvidos”. Na manifestação de inconformidade, a interessada aduz que, de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização, conforme planilha apresentada. Alegou também cerceamento do direito de defesa, em face de não ser possível chegarse ao valor encontrado pelo Auditor Fiscal. Fl. 24482DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.483 26 Os autos baixaram em diligência, tendo havido a retificação quanto ao título das glosas efetuadas para “Descontos Aleatórios”. A interessada pugnou pela reversão total da glosa a que se refere o item 11 do Termo de Verificação Fiscal, uma vez “pautada em fatos e critérios jurídicos equivocados, erros esses insanáveis em sede de diligência”. A análise quanto a essa alegação foi efetuada acima, em tópico próprio relativo à nulidade. Quanto ao mérito da questão, após a baixa dos autos em diligência, assim se pronunciou o AuditorFiscal (fls. 2.6732.678): A requerente do direito creditório do PIS e da COFINS, não quitou o valor total destacado em várias notas fiscais junto a diversos fornecedores, sem razão para tanto; justificando que a diferença entre o valor constante da nota fiscal e o efetivamente pago seria um desconto concedido pelo fornecedor. Não se nota nas quitações das compras de insumo junto a diversos fornecedores descontos por pagamentos antecipados, mas um ato liberatório pela credora em favor da devedora, que se coaduna com descontos independente de qualquer condição. Logo, a presente insubsistência não há de ser tratada como "receita financeira", mas como "receitaoutros resultados operacionais". Para aclarar o assunto declinamos abaixo um breve relato sobre o assunto: • Insubsistência do Passivo Consiste no desaparecimento de uma dívida. Observe que a insubsistência do passivo é uma insubsistência ativa (tem efeito positivo sobre o patrimônio). • Insubsistência do Ativo Consiste no desaparecimento de um bem ou direito. A insubsistência do ativo é uma insubsistência passiva (tem efeito negativo sobre o patrimônio). • Insubsistência Passiva – “Insubsistência” é a condição de algo que deixa de existir, que desaparece. O vocábulo "passiva" tem o sentido de "negativa" ou "que causa efeito negativo", o que não pode ser confundido com a expressão "do passivo" (das obrigações, do passivo exigível). Desse modo, a insubsistência passiva é relativa àquilo que, ao deixar de existir, provoca efeito negativo sobre o patrimônio. A mercadoria perdida em um incêndio, por exemplo, é uma insubsistência passiva. Não se trata, porém, de uma insubsistência do passivo. Como o que deixou de existir foi um bem, com a perda da mercadoria, houve insubsistência do ativo. Portanto, a conta Insubsistências Passivas é de despesa (de natureza devedora). • Insubsistência do Ativo Redução do Ativo = Insubsistência Passiva Despesa. • Insubsistência do Passivo Redução do Passivo = Insubsistência Ativa Receita. • Superveniência do Ativo Aumento do Ativo Superveniência AtivaReceita. • Superveniência do Passivo Aumento do Passivo = Superveniência Passiva Despesa. Fl. 24483DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.484 27 Feitas estas considerações, notase claramente que na quitação de dívida com redução ocorre INSUBSISTÊNCIA DO PASSIVO, por conseguinte, configurando aumento patrimonial, disso defluindo receita tributável pelo PIS NÃO CUMULATIVO e pela COFINS NÃO CUMULATIVA (pelo regime CUMULATIVO não ocorreria a tributação, visto que a Lei 11.941/2009, em consonância com o entendimento exarado Suprema Corte de Justiça, revogou o parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei 9.718;98). Pelo que se extrai, depois da vigência das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, somente são tributadas de acordo com as regras previstas na Lei n° 9.718/1998 as pessoas jurídicas que NÃO se enquadrem na sujeição ao regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, que é o caso da Vilapelli. Nesse aspecto, infereseque a alteração ocorrida na legislação (revogação do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei 9.718/98), não afeta as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ com base no lucro real, submetidas ao regime NÃO CUMULATIVO do PIS e da COFINS. E curial, por oportuno, expressar a definição da base impositiva para o PIS NÃO CUMULATIVO e para a COFINS NÃO CUMULATIVA: As contribuições para o PIS NÃO CUMULATIVO e para a COFINS NÃO CUMULATIVA incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º da Lei 10.637/02), o mesmo ocorrendo em relação a COFINS, que tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1o da Lei 10.833/2003). Em verdade, não se nota nas quitações das compras de insumos juntos aos diversos fornecedores descontos por pagamentos antecipados, mas sim um ato liberatório pela credora em favor da devedora, que se coaduna com descontos independente de qualquer condição. Logo, a presente insubsistência do passivo não há de ser tratada como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Depreendese, portanto, que o valor referente às dividas remitidas, seja integral ou parcial, constitui receita para o devedor. Para que as receitas sejam consideradas como financeiras, há de haver como característica ganho em razão da disponibilidade de recursos para terceiros em função de determinado período de tempo. [...] Outrossim, de acordo com as regras contábeis, com base no regime de competência a dispensa do pagamento de divida constitui uma receita. [...] Destarte, concluise que a dispensa de quitação de divida pela empresa credora é um ato jurídico que acresce o patrimônio da empresa devedora, daí revelando a capacidade contributiva, que, por se caracterizar "outras receitas operacionais", amoldase no conceito de receita tributável, sobre a qual incidem as alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente, para o PIS não cumulativo e a COFINS não cumulativa (diversamente do que trata o artigo 27 da Lei 10865/2004, de 30/04/2004, combinado com o artigo 1º. Do Decreto 5442, de 09/05/2005, em que se tem a alíquota zero). [...] Fl. 24484DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.485 28 Não se pode esquecer também que, conforme os ditames do artigo 111 do Código Tributário Nacional, para a dispensa de incidência do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA sobre as receitas em comento haveria de existir norma isentiva expressa comandando tal benesse.[...] Deveras, se consideramos as remissões como receita, ou deduzirmos os valores de tais descontos nas entradas das mercadorias o resultado final será o mesmo. Contudo, com pálio nas delineações suso exaradas, é de se concluir que o debitamento por ocasião do agraciamento de OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS auferidas pela Vitapelli oriundas da quitação de dividas junto a diversos fornecedores manifestase mais coerente. Pelo exposto, recomendamos a manutenção glosa do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, vez que a empresa deixou de considerar para efeitos de debitamento sobre outras receitas operacionais, mais especificamente relativas às remissões de dívidas sobre compras após a entrega das mercadorias, em função da qualidade, conservação, peso, etc, bem como, sobre as expressivas de dívidas auferidas junto a diversos fornecedores que, por certo, foi o desiderato das partes (fornecedor versus adquirente), em vista da situação financeira da empresa que percebeu o perdão, inclusive porque a perdoada teve seu pedido de RECUPERAÇÃO JUDICIAL reconhecido pela JUSTIÇA FEDERAL. A interessada aduz que os descontos são, em verdade, “abatimentos s/ compras”, ou seja, descontos obtidos após a entrega da mercadoria, retificadores dos custos de compras de matériasprimas. Tais descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias e, muitas vezes, se resolvem muito tempo após, de forma cumulativa. Argumenta a contribuinte também que não há “insubsistência do passivo”, e que os “abatimentos sobre compras” constituemse em receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e Cofins. Ocorre que a contribuinte, além de alegar, não faz nenhuma demonstração de que os valores tratamse efetivamente de abatimentos sobre compras decorrentes de retificação de custo, em face da ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial. O mesmo aconteceu quanto ao fato de que os descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias, resolvendose tempos após a entrada da mercadoria o que faz que haja uma cumulação de valores. Não há qualquer documento juntado aos autos que demonstre inequivocamente o alegado. Como o pedido inicial (ressarcimento) não se trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um benefício, que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada, por parte de quem o postula, de modo a que não pairem quaisquer dúvidas. O fato é que, não demonstrado que os valores lançados a título de receita financeira são decorrentes de abatimentos sobre compras, mas, como considerado pelo auditorfiscal, dispensa de pagamento de dívida, houve uma diminuição de passivo com correspondente aumento do patrimônio da entidade, portanto, receita operacional, nos termos da resolução CFC nº 750/93, atualizada pelas Resoluções CFC nº 1.111/2007 e nº 1.282/2010. Fl. 24485DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.486 29 III.3 Do crédito relativo aos "fretes e carretos sobre vendas" e "Fretes Sobre Vendas (Marítimos e Aéreos) Neste ponto, alega a Recorrente que, relativamente aos créditos solicitados sob as rubricas “Fretes e Carretos sobre Vendas” e “Fretes sobre Vendas (marítimos e aéreos)”, a divergência encontrada pela fiscalização decorre do lançamento de créditos extemporâneos, apurados entre 2003 a 2007, o que não afronta a legislação e que não causou qualquer prejuízo à arrecadação. Sobre isso, entendo que o direito a crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito. Isto porque, tal medida é essencial para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que os saldos de créditos do Dacon dos meses posteriores à constituição possa ser evidenciado, propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores. Nesse sentido, transcrevo o entendimento manifestado na Solução de Consulta nº 73, de 2012: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 73, DE 20 DE ABRIL DE 2012 ASSUNTO: Contribuição para o PIS EMENTA: INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, e seu § 4o; IN RFB nº 1.015, de 2010, art. 10; ADI SRF nº 3, de 2007, art. 2º; PN CST nº 347, de 1970. Outro não é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação da DACON e DCTF, a saber: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. (Acórdão 3403.003.078) *** CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão 3403.002.717) Portanto, considerando que não houve retificação do DACON e da DCTF, tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa é medida que se impõe. III.4 Do Crédito Relativo à Rubrica "Imobilizado" Fl. 24486DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.487 30 Em sede recursal, a Recorrente traz os seguintes argumentos: 87. Conforme exposto na impugnação, a fiscalização equivocouse ao real izar a glosa sob a fundamentação de que a recorrente não apresentou a documentação solicitada. 88. Isso porque, os créditos pleiteados têm amparo na escrituração contábil e fiscal da recorrente e a fiscalização teve acesso irrestrito a esses documentos, conforme consta dos autos. 89. O crédito pleiteado referese a encargos de depreciação/amortização ocorridos até abril de 2004 e, a partir de maio de 2005, passou a ser apurado sobre 1/48 avos, conforme art. 3º, incisos VI e VI I , §§ 1º e 14, da Lei n.º 10.637/2002 e art . 3º, incisos VI e VI I , §§ 1º e 14, da Lei n.º 10.833/2003. 90. Não qualquer irregularidade no procedimento adotado pela recorrente, que agiu conforme as normas tributárias. 91. Portanto, a glosa é equivocada também nesse ponto, devendo ser revertida. Em relação aos encargos ocorridos até abril de 2004, o direito da Recorrente foi negado pelo fato de ser extemporâneo, matéria esta tratada no tópico anterior. Já em relação ao período posterior a maio de 2005, tanto a fiscalização quanto a DRJ afastaram do direito da Recorrente por ausência de prova, sendo que tal motivação não foi refutada corretamente, tendo a Recorrente apresentado argumentos genéricos, sem apontar um documento carreado autos para demonstrar seu pretenso direito. Ressaltase, por oportuno, que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC1). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 24487DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.488 31 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)2 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20113. Neste cenário, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem do crédito pleiteado, entendo correta a decisão de piso e, adoto seus fundamentos como razão de decidir. III.5 Do Crédito Relativo à Rubrica "Manutenção e Peças e Acessórios" Essa matéria somente foi arguida em sede recusal, ensejando à aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Nestes termos, deixo de conhecer essa matéria. III.6 Da Aplicação da Taxa Selic. O cerne da questão está na possibilidade de atualizar créditos de PIS/COFINS que foram objeto de pedido de ressarcimento. Conforme julgou acertadamente a DRJ, há previsão expressa na legislação do COFINS estabelecendo a impossibilidade de correção monetária para créditos objetos de pedidos de ressarcimento. Prescreve o artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Neste cenário, havendo vedação expressa da lei, não pode o órgão administrativo afastála, conforme pretende a Recorrente citando aplicação do artigo 62, §2º, do RICARF em razão do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847/RS. Isto porque, 2 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 3 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 24488DF CARF MF Processo nº 10835.720077/200804 Acórdão n.º 3302006.559 S3C3T2 Fl. 24.489 32 referido o processo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça cuidou da correção monetário relativo ao creditamento do IPI, não do PIS e da COFINS. Não bastasse isso, insta tecer que questão sob análise não é nova neste Conselho, já foi analisada nos autos do PA 13976.000487/200568; 13976.000036/200521; 13976.000206/200577; 13976.000205/200522, que decidiram por afastar as pretensões deduzidas pelo Recorrente sobre a incidência da taxa Selic, a saber: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. JUROS.É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003. (13976.000206/200577) IV Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida darlhe parcial provimento para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME. (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda, tratadas no tópico "das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.721527/201254". É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 24489DF CARF MF
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