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Numero do processo: 10835.903422/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Sendo identificada contradição no julgado, há que se acatar Embargos de Declaração opostos, para sanar o vício apontado.
Numero da decisão: 3801-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes no sentido de retificar o valor do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente)
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Sendo identificada contradição no julgado, há que se acatar Embargos de Declaração opostos, para sanar o vício apontado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Sendo identificada contradição no julgado, há que se acatar Embargos de Declaração opostos, para sanar o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes no sentido de retificar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 34 22 /2 00 9- 16 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de petição aviada pela autoridade encarregada da liquidação e execução do acórdão nº 3801002.019, através da qual é apontado erro na menção do valor do crédito reconhecido. Com base no princípio da fungibilidade dos recursos e com fulcro no art. 65, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, tal manifestação foi conhecida como Embargos de Declaração. A embargante sustenta que há erro na menção do valor do crédito reconhecido (R$ 457,04) (fls.102), visto que o valor é divergente do crédito pleiteado na Dcomp (R$ 825,60) fls. 07. Tendo sido os embargos considerados tempestivos, e verificada no acórdão embargado a existência de uma suposta contradição entre o valor reconhecido do direito creditório e o pleiteado na Dcomp, este foi admitido. Passase, portanto, à sua análise. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. De fato, há contradição no acórdão embargado. Vejase: Após os créditos do contribuinte terem sido levantados pela fiscalização, de acordo com a análise dos documentos e escriturações fiscais do contribuinte, em cumprimento à diligência determinada por esta Turma Especial, restou reconhecido na íntegra o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 825,60. Assim, esta Turma Especial, por ter acatado o resultado da diligência em sua íntegra, não poderia decidir de outra forma que não reconhecer o crédito no valor de R$ 825,60. Por conseguinte, julgo procedentes os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão prolatado, que assim deverá constar em sua parte decisória: Por tudo, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário apresentado para reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 825,60 e homologandose a compensação até o limite do crédito. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.903422/200916 Acórdão n.º 3801004.640 S3TE01 Fl. 12 3 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/12/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000250/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 29/06/2005
FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ABANDONADA.
Passado o prazo de permanência da mercadoria em recinto alfandegado sem o registro da Declaração de Importação considera-se ocorrido o fato gerador do imposto sobre a Importação e a mora do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 29/06/2005 FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ABANDONADA. Passado o prazo de permanência da mercadoria em recinto alfandegado sem o registro da Declaração de Importação considera-se ocorrido o fato gerador do imposto sobre a Importação e a mora do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/06/2005 FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ABANDONADA. Passado o prazo de permanência da mercadoria em recinto alfandegado sem o registro da Declaração de Importação considerase ocorrido o fato gerador do imposto sobre a Importação e a mora do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 02 50 /2 00 6- 31 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000250/200631 Acórdão n.º 3301002.498 S3C3T1 Fl. 137 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Recife/PE, assim expressa: Por meio do Auto de Infração de fls. 01/05, exigese do contribuinte acima qualificado o Imposto de Importação, acrescido de multa e juros de mora calculados até 31/03/2006, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 534.034,14. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 02 e 03, o lançamento diz respeito à infração concernente à utilização indevida de beneficio oriundo de “Ex” tarifário que entrou em vigor apenas depois de configurado abandono de mercadoria, por decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado. Consoante indicado pela autoridade fiscal, a empresa autuada registrou, em 03/08/2005, a Declaração de Importação (DI) n° 05/08235175 (fls. 15 a 18), referente à importação de 02 moldes, indicando a alíquota do imposto reduzida de 14% para 2%, em virtude da edição do “Ex” 007, introduzido pela Resolução CAMEX n° 21, vigente a partir de 19/07/2005, quando já havia decorrido o prazo de 90 dias da data de entrada da mercadoria no território nacional, ocorrida em 31/03/2005. Tendo tomado ciência do lançamento em 06/04/2006 (vide fl. 01), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 13/04/2006, a impugnação de fls. 19/23 onde apresenta, em síntese, as seguintes considerações: a) Fundamentandose no art. 73, I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002), sustenta que o fato gerador do imposto de importação se aperfeiçoa apenas quando do registro da declaração de importação, razão pela qual deveria ser considerada a alíquota mais favorável (2%) estabelecida pelo EX007, posto que este foi introduzido anteriormente ao registro da DI. Quanto à questão, apresenta excerto doutrinário e ementas judiciais. b) Justifica ainda a aplicação do EX007, por entender também que estariam presentes no caso em apreço, na data de ocorrência do fato gerador, os requisitos autorizadores da desoneração fiscal, consoante indicado no art. 6° da IN n° 69/1999. Ao final, requer seja julgado improcedente o lançamento contestado. Às fls. 55/59, consta auto de infração complementar lavrado em face da constatação de incorreção no cálculo dos juros de mora relativos ao lançamento originalmente efetuado, o qual Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000250/200631 Acórdão n.º 3301002.498 S3C3T1 Fl. 138 3 redundou na imposição de um crédito tributário suplementar no valor de R$ 9.162,64. Tal autuação foi cientificada ao sujeito passivo, porém não consta dos autos que tenha sido impugnada. A DRJ julgou improcedente o pedido com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/06/2005 MERCADORIA ABANDONADA. RECINTO ALFANDEGADO. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto de importação na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria no recinto alfandegado, conforme parágrafo único do artigo 18 da Lei n° 9.779/1999. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme expresso no acórdão da DRJ No a mercadoria entrou em território nacional (Porto de Suape) em 31/03/2005 e o seu registro se deu apenas em 03/08/2005, tendo entre as duas datas decorrido 124 dias, intervalo de tempo que se mostra superior ao prazo legal estabelecido. Em sua impugnação, o contribuinte contesta a imposição fiscal sustentando que o fato gerador do imposto de importação se aperfeiçoa tãosomente quando do registro da declaração de importação, razão pela qual deveria ser considerada pela fiscalização a alíquota de 2% (ao invés de 14%) vigente a partir da introdução do EX007, que se deu por meio da Resolução CAMEX n.º 21, em 19/07/2005. Assim, entendeu a DRJ que em face do critério da especificidade, que impõe a preponderância de uma regra especifica sobre uma regra geral, não se aplicam as disposições do art. 73, I, do Decreto n.º 4.543, de 2002, antes destacado, mas sim os ditames da regra especial contida no parágrafo único do artigo 18 da Lei n.º 9.779/1999. Em Recurso Voluntário alega a Recorrente que a que o que o fato gerador do imposto de importação ocorre na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração de importação, consubstanciado pelo despacho aduaneiro e por isso o imposto de importação deverá ser calculado aplicandose a alíquota vigente na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração de importação de modo que o imposto de importação deve ser de 2% porque a data do fato gerador é 03/08/2005. É o que importa relatar. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000250/200631 Acórdão n.º 3301002.498 S3C3T1 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A questão em foco no presente processo é saber qual é o aspecto temporal do tributo lançado, se na data de registro da DI ou na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria no recinto alfandegado. É fato incontroverso que a mercadoria permaneceu mais de 90 dias no recinto alfandegado. O artigo 574 do Decreto n.º 4.543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos estabelece que considerase abandonada a mercadoria que permanecer em recinto alfandegado sem que o seu despacho de importação seja iniciado no decurso do prazo de 90 dias da sua descarga. Portanto, também é claro que a mercadoria já se considerava abandonada quando do início do registro da DI. A mercadoria é declarada abandonada e abre o processo de perdimento em que o importador é chamado a se manifestar. Somente ao final do processo, a mercadoria é considerada perdida. Mercadoria abandonada, portanto, não sinônimo de mercadoria perdida. No curso do processo de perdimento, o importador pode solicitar a não aplicação da pena de perdimento conforme previsto no artigo 575 do Regulamento Aduaneiro mas, em contrapartida, para desestimular a inércia dos importadores e para ressarcimento dos custos gerados pelo processo de perdimento que se iniciou, a Lei n.º 9.779/1999 impõe, nestes casos, um sacrifício ao importador, o fato gerador não será considerado ocorrido no registro da DI. A Lei definiu que o fato gerador será considerado ocorrido na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria em recinto alfandegado, ou seja, o fato gerador vai se considerar ocorrido no 90º (nonagésimo) dia da chegada. Assim, o importador estará em mora desde o 90º dia até o dia em que registrar uma DI e pagar os tributos. Multa e juros de mora serão cobrados se houver mudança de mês entre o 90º dia e o dia do pagamento dos tributos. É assim expressa a norma (os destaques são nossos): Art. 575. Nas hipóteses a que se refere o art. 574, o importador, antes de aplicada a pena de perdimento, poderá iniciar o respectivo despacho de importação, mediante o cumprimento das formalidades exigíveis e o pagamento dos tributos incidentes na importação, acrescidos de juros e de multa de mora, e das despesas decorrentes da permanência da mercadoria em recinto alfandegado (Lei n.º 9.779, de 1999, art. 18). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000250/200631 Acórdão n.º 3301002.498 S3C3T1 Fl. 140 5 Assim a Lei n.º 9.779, de 19.01.1999 cria novo momento para o surgimento da fato gerador do imposto de importação – fato gerador presumido –, a data de vencimento da permanência da mercadoria em recinto alfandegado, fato esse substanciado no artigo 116, inciso I do Código Tributário Nacional: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. A partir desse momento, o fato gerador retroage, para alcançar o último dia de prazo concedido para permanência em recinto alfandegado. Conseqüentemente, em qualquer momento que venha a promover o despacho terá que utilizar a regra vigente naquele último dia de permanência. Assim, correto o lançamento efetuado no presente processo. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10980.721178/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/07/2008
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. AÇÃO JUDICIAL.
A decisão judicial transitada em julgado declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins, trazida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, restabelecendo a base de cálculo da LC nº 70/91, e não definiu o conceito de receita bruta previsto na LC nº 70/91, especialmente para as empresa dos mercados de seguro e de previdência privada complementar. As receitas atinentes à atividade operacional das pessoas jurídicas integram a base de cálculo da Cofins, prevista na LC nº 70/91.
COMPENSAÇÃO. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: pelo voto de qualidade, para manter a tributação de receitas da atividade de previdência complementar, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas, que excluíam da tributação essas receitas; por unanimidade de votos, quanto às demais matérias. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentarão declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. AÇÃO JUDICIAL. A decisão judicial transitada em julgado declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins, trazida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, restabelecendo a base de cálculo da LC nº 70/91, e não definiu o conceito de receita bruta previsto na LC nº 70/91, especialmente para as empresa dos mercados de seguro e de previdência privada complementar. As receitas atinentes à atividade operacional das pessoas jurídicas integram a base de cálculo da Cofins, prevista na LC nº 70/91. COMPENSAÇÃO. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: pelo voto de qualidade, para manter a tributação de receitas da atividade de previdência complementar, vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas, que excluíam da tributação essas receitas; por unanimidade de votos, quanto às demais matérias. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentarão declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 11 78 /2 01 1- 16 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário apresentada contra o Acórdão nº 06 44.563, de 04/12/2013, da DRJ em Curitiba – PR, que manteve o Despacho Decisório da DRF em CuritibaPR, de 08/07/2011, que não homologou parte das declarações de compensação vinculadas ao Per nº 13329.52449.300608.1.2.572005. O acórdão recorrido resumiu a lide nos termos abaixo. Segundo relatado no referido Despacho Decisório, a contribuinte obteve tutela judicial favorável no Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, no qual objetivou “concessão de ordem para o fim de afastar o art. 3º, caput, e § 1º, da Lei nº 9.718/1998, reconhecendose o seu direito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (conforme definido pela Lei Complementar nº 70/91), em razão de vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei nº 9.718/1998, a partir da competência de janeiro de 2001”. Em sentença prolatada foi concedida parcialmente a segurança, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em recurso de apelação interposto pela União, o E. TRF da 4ª Região “negou provimento ao agravo retido, ao apelo da União, e deu parcial provimento à remessa oficial para reconhecer a prescrição dos valores recolhidos antes de 13/02/2001”. O trânsito em julgado da ação ocorreu em 04/04/2008 e a impetrante renunciou à execução do julgado no que tange à repetição judicial dos valores indevidamente recolhidos. Após pedido de habilitação de crédito, houve deferimento da RFB, em 05/06/2008, para que fossem viabilizados e permitidos os meios eletrônicos hábeis a promover a compensação de seus créditos, porém não houve verificação, por parte do fisco, à época, do valor habilitado. Posteriormente, em 28/02/2011, foi iniciada auditoria dos créditos, objeto do PAF nº 10980.005903/200818, que culminou da emissão do Despacho Decisório pela DRF em Curitiba. No procedimento adotado pela fiscalização, quando da auditoria dos créditos, foi constatado que a contribuinte “interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312 (PR), extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a Cofins calculada Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 4 3 sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos.” A autoridade administrativa assim entendeu porque a contribuinte, tendo por objeto social operar em seguros e resseguros dos ramos elementares, bem como em seguros de vida, e instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas de previdência aberta (a partir de abril/2003 as atividades de previdência privada foram transferidas para a empresa HSBC Vida e Previdência Brasil S.A), excluiu do conceito de ‘faturamento’ suas receitas das atividades de prestação de seguros e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais e, por conseqüência, as excluiu da base de cálculo da Cofins, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação que rege o tributo e em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança. No período em que exerceu as atividades de prestação de serviços de previdência privada complementar (janeiro de 2001 a abril de 2003), também excluiu do faturamento as receitas advindas dessas atividades, ou seja, as receitas de contribuições para a previdência privada complementar e receitas correlatas. Observouse, assim, que a contribuinte calculou créditos de Cofins, desconsiderando como integrantes do seu faturamento receitas ligadas aos objetos principais de sua atividade, ou seja, ligadas ao próprio objetivo de existência da companhia, segundo seus Estatutos vigentes. A seguir, a autoridade administrativa fundamenta tratarse as atividades de seguros e de previdência privada complementar, que as têm expressamente previstas como objetos sociais, de efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento e, por conseqüência, parte da base de cálculo do PIS e da Cofins, citando: o § 2º do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) que considera serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.” ; o artigo XXIX do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços, ao definir o termo ‘serviços financeiros’, separaos em três grupos: serviços de seguros, serviços bancários e demais serviços financeiros, discriminando as atividades relacionadas com cada elemento do grupo. Conforme definido no item 5 são atividades da prestação de serviços de seguros: seguros de vida, outros seguros, resseguros e retrocessão, intermediação de seguros e serviços auxiliares a prestação de serviços de seguros; e que o alcance desse Tratado Internacional, sua força resulta de sua própria estatura jurídica no ordenamento pátrio, em conjunto com o disposto no art. 98 do CTN (Lei nº 5.172/66). jurisprudência do STF se posicionando, em caso semelhante, da seguinte forma: “...Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (REAgR 400.479/RJ, STF, Rel. Min. Cezar Peluso, 2ª Turma, Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 5 4 10/10/2006, DJ 06/11/2006)”; no mesmo sentido decisão no Recurso Especial nº 1.197.440/RJ (2010/01024931), 2ª Turma STJ, Rel. Min. Herman Benjamin, 08/10/2010 – data do julgamento), que diz: “Além disso, ainda que se pudesse conhecer do mérito da discussão, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as receitas advindas de prêmios de seguro integram o faturamento das seguradoras para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins, já que decorrentes do exercício de suas atividades empresariais”. No mesmo sentido, o STJ firmou entendimento de que as receitas das atividades de seguros, para as empresas que exercem tais atividades constituem base de cálculo para as contribuições sociais; no que tange às receitas das atividades de previdência privada complementar, regulamentadas pela LC nº 109, de 2001, inviável qualquer outra forma de entendimento acerca da inclusão das atividades de seguros no conceito de faturamento. Assim é que as receitas relacionadas às atividades de prestação de serviços de seguros, e correlatas, bem como as receitas relacionadas às atividades de prestação de serviços de previdência privada complementar, e correlatas, em conjunto com as receitas operacionais da empresa que não tenham sido computadas no faturamento, no período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2008, foram glosadas da base de cálculo dos créditos apurados e reclassificados do cômputo de “Outras Receitas” para “Faturamento”. Cientificada em 15/07/2011, a interessada ingressou, em 16/08/2011, por meio de seus procuradores legalmente constituídos, com Manifestação de Inconformidade, trazendo, em resumo, as argumentações a seguir expostas. Traçando um perfil constitucional da Cofins, relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Com base nessa decisão transitada em julgada é que apurou os recolhimentos feitos a maior a título de Cofins desde janeiro de 2001 e apresentou o devido Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 6 5 Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que valores há que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre receitas financeiras e equiparadas. Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas, como as securitárias e de e as de previdência complementar) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que a decisão adotada pela DRF/CTA no sentido de glosar parte dos créditos de Cofins apurados após a recomposição das bases de cálculo nos anos de 2001 a 2008 não pode prosperar, eis que está em desacordo com o conteúdo da decisão proferida na ação judicial em comento. E mais, diz que a decisão administrativa apresenta uma interpretação disparatada do conteúdo da norma e do mandamento judicial, pretendendo, por vias oblíquas – glosa dos créditos e não homologação das compensações, exigir exatamente valores cuja inexigibilidade já foi declarada pelo Poder Judiciário. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela DRF/CTA, dada a impossibilidade de enquadramento das receitas securitárias e de previdência privada no conceito de contraprestação pela prestação de serviços, conforme conceituação presente no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, firmado pelo Estado Federativo do Brasil no âmbito do GATT/OMC, e que o STF, em julgamento sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Cita, no mesmo sentido, doutrina a respeito. Salienta, ainda, nesse contexto, que muito embora parte de suas atividades possa estar prevista no item 19.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de distribuição e venda de bilhetes e demais produtos de loteria, bingos, cartões, pules ou cupons de apostas, sorteios, prêmios, inclusive os decorrentes de títulos de capitalização e congêneres”, com ela não se confunde, pois as lotéricas e outras distribuidoras de títulos de terceiros podem prestar o serviço previsto no referido item da lista, mas não as entidades de capitalização. Mesmo com relação à atividade securitária (exercida até outubro/2004), muito esteja previsto no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de riscos para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres” a jurisprudência do STF foi contundente em afastar a tributação de atividades que pudessem extrapolar o conceito constitucional de serviço. Finaliza que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias e de previdência privada) a uma contraprestação de serviço (preço de serviço). Argumentando que o fato gerador da contribuição é uma prestação de serviços (ou uma venda de mercadorias), e nenhuma outra, afirma que esta não é a causa jurídica das receitas por ela auferidas, eis que não decorrem de uma prestação de serviço, por não remunerar qualquer espécie de esforço humano. Ressalta que além da atividade desenvolvida não se equiparar a uma prestação de serviços, não há possibilidade de se equiparar a atividade de previdência privada à atividade securitária. Expõe que, por ser companhia seguradora, firma com seus clientes contratos pelos quais se obriga a custear/assumir despesas eventualmente incorridas Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 7 6 em razão dos chamados ‘sinistros’, mediante o recebimento de um valor fixo mensal (‘prêmio’), destinado à constituição de um fundo comum que será utilizado para a cobertura de eventuais despesas dos clientes. Essa espécie contratual, complementar, é tipicamente aleatória, na medida em que uma das prestações é sempre incerta, dependente da ocorrência de evento futuro e imprevisível, percebendose, assim, que não se está diante de uma prestação de serviços, já que os valores recebidos não se prestam a remunerar um serviço especificamente prestado. Também diz que as entidades de previdência privada recebem contribuições (fundos) dos participantes do plano destinadas à conferência dos benefícios contratados aos participantes, não se caracterizando, essas contribuições, como uma contraprestação por um trabalho ou esforço dessas entidades em favor dos participantes do plano. Ao contrário, esses valores serão revertidos aos participantes na forma e prazo contratados, de acordo com o plano adquirido (Exemplos: PGBL, VGBL etc.). Portanto, não se pode equiparar as receitas securitárias e de previdência privada como oriundas de uma prestação de serviços, sob pena de alterar a definição de faturamento, emprestada do Direito Privado, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, restaurando por vias oblíquas a aplicabilidade do dispositivo legal já declarado inconstitucional e, inclusive, revogado pela novel legislação supramencionada (Lei nº 11.941/09), assim como afrontando o mandamento judicial transitado em julgado que tem a interessada em seu favor prolatado. Contesta a aplicação do Código de Defesa do Consumidor para conceituar serviço, por definilo de maneira ampla como todas as atividades que reflitam uma relação de consumo, e também refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre EstadosMembros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas de natureza securitária e de previdência privada. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Salienta que nos meses de setembro a dezembro de 2003 utilizou a alíquota de 4% para cálculo da Cofins e não de 3% considerada pela fiscalização quando da análise das planilhas apresentadas pela requerente. Diz que houve engano na confecção das planilhas, mas que o recolhimento foi feito de forma correta, conforme se verifica pela DIPJ e DARF juntados. Destaca outro equívoco na análise dos créditos pela unidade de origem, já que não foram considerados os valores de Cofins retidos na fonte, durante os meses do anocalendário de 2004, que encontramse devidamente informados em sua DIPJ. Argumenta, por fim, sobre a impossibilidade da cobrança de supostos valores a título de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa após o encerramento do ano calendário A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR julgou procedente, em parte, a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, para excluir do valor devido os valores retidos pelas fontes pagadoras, nos termos do Acórdão no 0644563, de 04/12/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 8 7 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2008 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos e receitas das atividades de previdência privada complementar, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. RETENÇÃO NA FONTE. CONTRIBUIÇÕES DA COFINS. Os valores retidos nos termos da legislação são considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação às contribuições ao PIS e à Cofins, devendo o valor apurado ser utilizado na apuração da contribuição devida, para efeito de reconhecimento do direito creditório. COMPENSAÇÃO. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Dessa decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 11/12/2013, conforme AR de fl. 1006, e, no dia 08/01/2014, ingressou com o recurso voluntário de fls. 1023/1064, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade; acrescenta a alegação de que a DRJ errou na interpretação da decisão proferida pelo E. STF no RE nº 390.840; e solicita o sobrestamento do julgamento do recurso até o julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, que está com repercussão geral reconhecida. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais, dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de PER/DCOMP de COFINS apresentado pela Recorrente com base em decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 9 8 Segurança nº 2006.70.00.0040312), onde apurou os recolhimentos que entende feitos a maior a título de Cofins desde janeiro de 2001, à luz da decisão judicial, tendo previamente apresentado o devido Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. O pedido foi indeferido, basicamente, porque a Autoridade da RFB entendeu que a empresa Recorrente: “interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312 (PR), extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a Cofins calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos.” Sobre o que foi, efetivamente, decidido no referido mandado de segurança, diz a Certidão Explicativa nº 2586259 (fls. 15/16): [...] CERTIFICO que a parte impetrante objetivou concessão da ordem para o fim de que afastar o art. 3º, caput, e § 1º, da Lei nº 9.718/98, reconhecendose o seu direito à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre o faturamento, assim entendido como o produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (conforme definido pela Lei Complementar nº 70/91), em razão dos vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei nº 9.718/98, a partir da competência de janeiro de 2001; [...] CERTIFICO que foi prolatada sentença às fls. 1460/1466 concedendo parcialmente a segurança para, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98: a) declarar o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a COFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições, destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos; e b)declarar o direito das impetrantes de.... Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 10 9 Registrese que a decisão que transitou em julgado não alterou esta parte da sentença, inclusive o destaque a que se refere a certidão. A questão fulcral diz respeito, em primeiro lugar, ao objeto deste processo e, em segundo lugar, ao alcance da decisão judicial proferida no mandado de segurança impetrado pela Recorrente. Sobre o objeto deste processo, é evidente que trata do pedido de restituição de créditos, combinado com declaração de compensação de débitos, decorrentes da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, que a empresa Recorrente entende possuir. Sobre o alcance da decisão judicial proferida no acima referido mandado de segurança, não há nenhuma dúvida de que a mesma reconhece como indevidos os pagamentos realizados pela Recorrente em decorrência da eventual majoração da base de cálculo da Cofins, devida com base na Lei Complementar nº 70/91, promovida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo expressamente excluído a discussão acerca da base de cálculo da Cofins, prevista na Lei Complementar nº 70/91, ou seja, sobre quais receitas da Recorrente estão efetivamente inseridas na base de cálculo da Cofins antes da Lei nº 9.718/98. Diante desses fatos, não há reparos a fazer no Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição da Recorrente e não homologou as compensações declaradas, na parte que afirma que a Recorrente: “interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312 (PR), extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a Cofins calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos.” Restaria, portanto, verificar se a Recorrente incluiu na base de cálculo da Cofins recolhida receita que não estava prevista na Lei Complementar nº 70/91 e que fora incluída na base de cálculo da exação pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Começamos pela definição da base de cálculo nas duas leis. Lei Complementar nº 70/91 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 11 10 Lei nº 9.718/98 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Para as duas leis, faturamento é sinônimo de receita bruta. A divergência está no conceito de receita bruta, para fins de cálculo da contribuição. Para a Lei Complementar nº 70/91, a receita bruta que servirá de base de cálculo da Cofins é a proveniente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Enquanto que, para a Lei nº 9.718/98, a receita bruta que servirá de base de cálculo da Cofins é a totalidade das receitas auferidas. Por essa definição, a “totalidade das receitas auferidas” pode ser superior à receita de “venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”. Para qualquer empresa sediada no Brasil, o conceito legal de receita é polêmico. O conceito legal de receita auferida é mais polêmico. E o conceito de receita da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza é muito mais polêmico ainda, pois envolve os conceitos de mercadorias e de serviços. A polêmica é potencializada para determinadas empresa como, por exemplo: bancos, seguradores, factoring, holding, leasing, financeiras, etc. Não por outra razão que a decisão judicial, exatamente por não ser objeto do pedido da impetrante, não interpretou o alcance das disposições do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, do alcance do conceito de receita de “venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, a base de cálculo da Cofins. Portanto, as receitas que integravam a base de cálculo da Cofins antes da edição da Lei nº 9.718/98, são as mesmas que passaram a integrar a base de cálculo da Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Sendo assim, a discussão que a Recorrente pretende estabelecer neste processo é exatamente sobre o alcance do conceito de faturamento, assim considerado “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, da Lei Complementar nº 70/91, expressamente excluído da decisão judicial que funda o seu pedido. Logo, essa discussão não está albergada pela decisão recorrida e se faz necessária neste processo exatamente para identificar e determinar o valor da diferença entre as bases de cálculo da Lei Complementar nº 70/91 e da Lei nº 9.718/98, utilizada pela Recorrente. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 12 11 Se essa for maior que aquela, a diferença ensejou o pagamento indevido da Cofins, conforme determinação judicial. Esclareçase que o fato de o TRF4 ter dito que receitas de natureza diversa da receita de venda de mercadorias e serviços não integra a base de cálculo da Cofins não significa, como quer fazer crer a Recorrente, que ele tenha definido quais são as receitas auferidas pela Recorrente, e incluída na base de cálculo da Cofins recolhida, que se enquadram em um e em outro conceito (LC nº 70/91 e Lei nº 9.718/98). O TRF4 só disse o óbvio. Portanto, sobre o conceito de receita bruta da LC nº 70/91, adoto toda a fundamentação legal e argumentos do Despacho Decisório e da decisão recorrida e, para ilustrar, transcreve conclusões dessas decisões. Disse o autoridade da DRF/CuritibaPR no Despacho Decisório: O sujeito passivo, conforme planilhas de memória de cálculo da COFINS (fls. 226 a 233), excluiu do conceito de “faturamento” suas receitas das atividades de prestação de serviços de seguros, relacionadas às suas receitas de prêmios de seguros e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais, e por conseqüência as excluiu da base de cálculo da COFINS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação tributária que rege o tributo, bem como em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança em tela. Igualmente, o contribuinte, no que concerne ao período fiscalizado em que exerceu as atividades de prestação de serviços de previdência privada complementar (períodos de apuração de janeiro de 2001 a abril de 2003), excluiu do conceito de “faturamento” suas receitas dessa atividade, relacionadas às receitas de contribuições para a previdência privada complementar e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais, e por conseqüência as excluiu da base de cálculo da COFINS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação tributária que rege o tributo, bem como em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança em questão. Conforme se observa, o contribuinte calcula créditos de COFINS, ao desconsiderálos como integrantes do seu faturamento, sobre receitas ligadas aos objetos principais de sua atividade, ou seja, ligadas ao próprio objetivo de existência da companhia, segundo seus Estatutos vigentes. [...] Conforme fundamentado anteriormente, as receitas relacionadas às atividades de prestação de serviços de seguros, e correlatas, bem como as receitas relacionadas às atividades de prestação de serviços de previdência privada complementar, e correlatas, em conjunto com as receitas operacionais da empresa que não tenham sido computadas no faturamento e, portanto, nas bases de cálculo da COFINS, nos períodos de apuração de janeiro de 2001 a fevereiro de 2008, foram glosadas da base de cálculo dos créditos apurados pelo contribuinte, e reclassificadas do cômputo de “Outras Receitas” para “Faturamento”, conforme a seguir exposto. As deduções ou exclusões admitidas pela Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 13 12 legislação tributária foram igualmente reclassificadas para o cômputo do “Faturamento”, em conformidade com a Lei nº 9.701, de 17/11/1998, com o §5º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com a Instrução Normativa SRF nº 047, de 28/04/1999, e com a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002: Disse a Turma de Julgamento da DRJ/CuritibaPR na decisão recorrida: Como se pode ver, o Supremo Tribunal Federal, no Recuso Extraordinário nº 390.8405/ MG, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, entendendose que o faturamento compreende somente a receita obtida com a venda de mercadorias ou prestação de serviços e que para o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins em data anterior a EC nº 20 seria necessária lei complementar. Contudo, pelas partes transcritas, verificase que não restou decidido e nem pode ser compreendido que as receitas decorrentes da atividade do setor financeiro, dentre as quais a que a contribuinte se enquadra, estariam desoneradas da tributação do PIS e da Cofins. Vejase que em relação ao assunto houve o entendimento da sinonímia das expressões faturamento e receita bruta, que compreende a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, tendo sido o questionamento direcionado ao fato de a Lei nº 9.718, nas palavras do ministro relator, incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Assim, pela trilha que se seguiu aquele julgamento, não há como se chegar a conclusão de que as receitas provenientes da atividadefim do setor financeiro, como no caso da interessada, compreende as demais receitas que não a venda de mercadorias e serviços. Frisese uma vez mais que ficou claro pelo posicionamento da Mesa, isso sim, é de que o alargamento da base de cálculo, que foi declarada inconstitucional, compreende aqueles ingressos financeiros que não caracterizam a atividade operacional da empresa. Esse alargamento da base de cálculo, portanto, introduzido por meio de lei ordinária, e por isso considerado inconstitucional, consiste em adicionar na receita bruta, para fins de base de cálculo da Cofins e do PIS, o valor das demais receitas que não são decorrentes das atividades principais da empresa, como por exemplo, citado em parte da própria transcrição, as receitas de aluguéis, as receitas financeiras (aqui entendendo os rendimentos de investimentos financeiros), as indenizações recebidas, royalties etc. [...] Portanto, não se vislumbra a situação cogitada pela interessada de que as receitas decorrentes de sua atividade operacional, ou seja, as receitas securitárias e as de previdência privada e Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 14 13 correlatas, que constituem o objetivo social da companhia, se equivalem a receitas financeiras e estariam excluídas da incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, por não fazerem parte de seu faturamento. Ao contrário, nos termos da decisão judicial, ficou estabelecido que não integram o faturamento das pessoas jurídicas, e portanto não compõem a base de cálculo das referidas contribuições, as demais receitas que não a venda de mercadorias e serviços, sendo que, no caso, da interessada, cuja atividade se amolda à previsão contida no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, impõese a observância da legislação antecedente à edição da Lei nº 9.718/98, no que se reporta à base de cálculo, especificamente às estabelecidas nas Leis Complementares nº 07/70 e 70/91. Com relação à alegação de houve glosa de parte de crédito, também não tem razão a Recorrente pelas razões bem postas da decisão recorrida. Os débitos de qualquer natureza constante de declaração de compensação apresentada à RFB, cuja compensação não foi homologada, são passíveis de cobrança (administrativa ou judicial), nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, como bem disse a decisão recorrida. Quanto ao pedido de sobrestamento do julgamento deste recurso até o julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário nº 609.096/RS, que está com repercussão geral reconhecida, não há previsão regimental para tal em face da revogação do § 1º, do art. 62 A, do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF nº 545/2013. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 15 14 Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS. Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas nele discutidas. Após a sustentação oral do patrono, fiquei com dúvidas em relação ao teor do processo judicial, assim como no que se refere ao alcance das decisões proferidas. Ainda, atenteime para a particularidade da atividade de seguro que poderia resultar em conduta não típica da tributação pretendida. Ao analisar os autos constatei que discutese, aqui, se a decisão judicial proferida exime a Recorrente do recolhimento de tributos sobre o valor da “prestação de serviços de seguros”. O ilustre Conselheiro Relator entendeu que a questão não foi objeto da decisão judicial, verbis: “Não por outra razão que a decisão judicial, exatamente por não ser objeto do pedido da impetrante, não interpretou o alcance das disposições do art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, ou seja, do alcance do conceito de receita de “venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, a base de cálculo da Cofins. Portanto, as receitas que integravam a base de cálculo da Cofins antes da edição da Lei nº 9.718/98, são as mesmas que passaram a integrar a base de cálculo da Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Sendo assim, a discussão que a Recorrente pretende estabelecer neste processo é exatamente sobre o alcance do conceito de faturamento, assim considerado “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, da Lei Complementar nº 70/91, expressamente excluído da decisão judicial que funda o seu pedido. Logo, essa discussão não está albergada pela decisão recorrida e se faz necessária neste processo exatamente para identificar e determinar o valor da diferença entre as bases de cálculo da Lei Complementar nº 70/91 e da Lei nº 9.718/98, utilizada pela Recorrente. Se essa for maior que aquela, a diferença ensejou o pagamento indevido da Cofins, conforme determinação judicial. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 16 15 Esclareçase que o fato de o TRF4 ter dito que receitas de natureza diversa da receita de venda de mercadorias e serviços não integra a base de cálculo da Cofins não significa, como quer fazer crer a Recorrente, que ele tenha definido quais são as receitas auferidas pela Recorrente, e incluída na base de cálculo da Cofins recolhida, que se enquadram em um e em outro conceito (LC nº 70/91 e Lei nº 9.718/98). O TRF4 só disse o óbvio.” destaquei Após analisar os documentos referentes ao processo judicial, constatei a mesma coisa que o Relator, que o processo não esmiuçou o conceito de faturamento para a atividade da Recorrente. Não há aqui questionamento acerca da conceituação de “prestação de serviços” para a atividade de seguradora. Todavia, não posso concordar com a fundamentação utilizada pelo Ilustre Relator acerca do conceito de faturamento para as empresas de seguro. A despeito da bem colocada argumentação trazida a lume, meu entendimento é no sentido de que a Corte Suprema ainda não se manifestou sobre o assunto, tanto é assim que se encontra pendente, em sede de Repercussão Geral, o leading case acerca da matéria. Registro que não há decisão definitiva do STF vinculando o conceito de receita operacional ao conceito de faturamento. Ainda neste sentido mister registrar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inclusive, emitiu Parecer interpretando o julgamento existente do Supremo (inconstitucionalidade da Lei no 9.718/98), para o fim de concluir que o conceito de faturamento entendido pela Suprema Corte era a receita bruta operacional. Se o julgado fosse exatamente neste sentido, não haveria necessidade de interpretação por parte da Procuradoria. Por outro giro e preciso analisar a natureza do contrato firmado entre a Recorrente e seus beneficiários que é de seguro, e não de prestação de serviços. Nos termos do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal – STF – no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084, leading case que analisou a (in)constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, pretendido pelo artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, o conceito de faturamento legal e constitucional não é o de “totalidade de receitas”, mas sim o simples faturamento entendido como a “receita de vendas de mercadorias e/ou serviços”. Neste aspecto poderseia entender que a Recorrente não presta serviços, mas fornece seguros e o PIS/Cofins incide apenas sobre a venda de mercadorias e serviços. De fato, a Recorrente, ao firmar contratos com seus clientes, obrigase a cobrir eventos aleatórios, representativos de custos que podem ou não vir a ocorrer. Em troca, seus clientes pagam um valor fixo a titulo de premio. O contrato de seguro é aquele em que uma parte se obriga com a outra a defender seus interesses na ocorrência de riscos prédeterminados, mediante o recebimento de um pagamento. Percebese, portanto, que a principal característica do contrato de seguro é exatamente o pagamento desta indenização acerca do prejuízo resultante da ocorrência dos eventos previstos no contrato. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 17 16 Indiscutível que, ao contrario do contrato de prestação de serviços, o contrato de seguro é contrato aleatório, pois uma das prestações é sempre incerta, podendo inclusive não ocorrer, vez que sua ocorrência depende de evento futuro. Neste sentido ecoa a doutrina: “é o aleatório o contrato em que as prestações de uma ou de ambas as partes são incertas, porque a sua quantidade ou extensão esta na dependência de um fato futuro e imprevisível (alea) e pode redundar em numa perda, ao invés de lucro. Exemplos: o contrato de seguro...” (Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, Direito das Obrigações, Vol. II, Saraiva, 1967, pag.30) “Contrato aleatório, por excelência, é o seguro, e que a prestação do segurado é certa e do segurador incerta, dependendo da realização de uma condição.” (Arnold Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, 1969, pag.196) Admitida esta premissa, sendo atividade da Recorrente típica de seguro, cabível a tese pleiteada. Conforme ementa do acórdão proferido na ocasião do julgamento do leading case (Recurso Extraordinário nº 346.084), resta evidente o conceito de faturamento atualmente admitido pelo Supremo Tribunal Federal, para tributação por meio da Lei nº 9.718/98, verbis: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (destaquei) Neste aspecto, uma vez que a Suprema Corte apresentou entendimento, pelo Pleno de seu Tribunal, no sentido que faturamento é apenas receita de venda de “produtos e serviços”, plausível o entendimento de não tributação trazido pela Recorrente. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.721178/201116 Acórdão n.º 3302002.758 S3C3T2 Fl. 18 17 Todavia, existe um senão no caso em análise. A questão é que o “seguro” está previsto na lista de serviços da Lei Complementar 116/032, sendo, portanto, passível de exigência de ISS pelos Municípios. Isto é, existe uma legislação que expressamente define como “prestação de serviço”, a atividade da Recorrente. Ocorre que é defeso a este tribunal administrativo julgar a constitucionalidade de lei. Neste sentido, independente da discussão acerca da incidência do PIS e Cofins; se no termos da Lei nº 9.718/98 incide sobre “faturamento” entendido como “receita de venda de produtos ou serviços” como o Supremo já declarou ou “receita operacional”, fato é que a LC 116/03 definiu que a atividade da Recorrente é de prestação de serviços. É por esta razão que acompanho o Ilustre Conselheiro Relator pelas conclusões. No mais, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto abriu divergência em relação à algumas incidências específicas e individualizadas nos autos porque a Lei Complementar LC 109 definiu que algumas receitas específicas de previdência privada não fazem parte da base de cálculo de PIS e COFINS para a atividade seguradora. Em virtude do aspecto legal da exclusão da incidência, acompanhei o voto por ele declarado. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, acompanhando para tanto o voto do Ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. E como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). 2 "Lei Complementar 116/03: ... 10 – Serviços de intermediação e congêneres. 10.01 – Agenciamento, corretagem ou intermediação de câmbio, de seguros, de cartões de crédito, de planos de saúde e de planos de previdência privada." Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014161/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
TRANSPORTADOR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.644
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues na questão da base de cálculo.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 TRANSPORTADOR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 41 61 /2 00 9- 23 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues na questão da base de cálculo. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014161/200923 Acórdão n.º 2403002.644 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0228.978 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. A Cooperativa é obrigada a recolher as contribuições devidas a terceiras entidades, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais cooperados, no prazo estabelecido na legislação. COOPERADO FILIADO À COOPERATIVA DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O salário de contribuição do cooperado filiado A. cooperativa de transportadores autônomos corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela Fiscalização contra a Cooperativa acima identificada no montante de R$ 18.182,22 (dezoito mil cento e oitenta e dois reais e vinte e dois centavos), consolidado em 17.08.2009, relativo à, diferença de contribuição destinada a outras entidades, denominadas terceiros, no período de 01.2005 a 12.2005, não recolhidas em época própria, conforme a seguir: Contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados empregados destinada ao Salário Educação, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE, no percentual de 5,8%; Contribuição incidente sobre a remuneração dos segurados cooperados (contribuintes individuais) destinada ao SENAT e SEST, no percentual de 2,5%. Consta do relatório fiscal e anexos de fls. 41/196, que a autuada é uma Cooperativa de Trabalho, urbana, cujo objeto é a defesa Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 econômica e social de seus associados, mediante a prestação de serviços de locação de veículos de cargas e passageiros, motocicletas, máquinas e equipamentos de terraplanagem e mãodeobra em geral. A contribuição para outras entidades e fundos é definida pela atividade econômica desenvolvida pela empresa ou equiparada (cooperativa) e incide sobre a mesma base de cálculo utilizada para apuração da contribuição previdenciária, devendo ser recolhida juntamente com as demais contribuições a cargo da empresa. No presente caso, a contribuição incidiu sobre a remuneração dos segurados empregados e sobre a remuneração dos segurados cooperados transportadores autônomos de veículos rodoviários. Informa a Fiscalização que o condutor autônomo de veículos rodoviários (inclusive taxista), o auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos estão sujeitos ao pagamento da contribuição pra o SEST e SENAT, no percentual de 2,5%, sobre a base de cálculo prevista no art. 201, §4° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No anexo I, fls. 50/183, a Fiscalização relaciona, por competência, os segurados cooperados com a respectiva remuneração, a base de cálculo da contribuição (20% da remuneração), a contribuição devida pelos segurados, a contribuição para terceiras entidades, conforme discriminado na Folha de Pagamento da Cooperativa e os valores que a Fiscalização apurou como corretos e as diferenças de contribuições. No anexo II, fls. 184/196, estão relacionados os segurados empregados com suas respectivas remunerações. A contribuição para terceiras entidades e fundos lançada referese à diferença entre os valores apurados pela Fiscalização e os valores recolhidos pela Cooperativa, conforme consta das planilhas de fls. 50/196 e Relatório de Documentos Apresentados — RDA, fls. 12/13. A Ação Fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, com documentos solicitados através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação de fls. 36/37. A Cooperativa tomou ciência do Auto de Infração em 20.08.2009, conforme assinatura aposta As fls. 01 e apresentou impugnação em 21.09.2009, nos termos do instrumento e anexos de fls. 237/274. A Impugnante inconformada com o Auto de Infração lavrado, dentro do prazo legal, alega a tempestividade da defesa, faz um breve relato da autuação e diz que a mesma não pode prosperar pelas razões a seguir aduzidas. Não discorda do enquadramento dado pela Fiscalização aos cooperados, pois se tratam de contribuintes individuais e a Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014161/200923 Acórdão n.º 2403002.644 S2C4T3 Fl. 4 5 retenção e recolhimento da contribuição estabelecida em Lei é devida. Entretanto, o lançamento equivocouse em relação à base de cálculo da contribuição. Cita o art. 75, §4º da Instrução Normativa n° 100 que determina o salário de contribuição do cooperado, filiado à. cooperativa de trabalho, como sendo o valor recebido ou a ele creditado resultante da prestação de serviços a terceiros, pessoas fisicas ou jurídicas, por intermédio de cooperativa e o art. 85 da mesma IN que define a contribuição do segurado contribuinte individual. A Fiscalização não observou, para definição da base de cálculo da contribuição, que somente parte do valor dos serviços prestados é que foi paga aos cooperados, a diferença corresponde ao desconto da taxa de administração devida à Cooperativa. A legislação prevê que a base de cálculo será sempre o valor recebido ou creditado ao cooperado. No entanto, os cálculos da Fiscalização considerou, como base de cálculo, o valor dos serviços e não o valor efetivamente recebido pelos cooperados. Aduz que a Autuada não é uma cooperativa de transportadores autônomos, mas sim uma cooperativa de trabalho, não podendo ser aplicada a regra prevista no §4° do art. 201 do RPS. A cooperativa não é tomadora dos serviços de transporte. A relação jurídica estabelecida no caso é: motoristas mantém com a cooperativa situação de cooperados; os serviços dos cooperados são colocados A disposição de terceiros; a Cooperativa exerce a coordenação, supervisão e controle das atividades; a Cooperativa paga diretamente os valores dos serviços prestados aos cooperados. O objetivo da Cooperativa é colocar os serviços de locação de veículos disposição dos seus contratantes. Resta claro que não existe pagamento por frete como previsto no §4° do art. 201 do RPS, pois não se realiza frente no contrato, que é sim de locação e veículos. O dispositivo legal acima seria aplicado, se o pagamento pelo frete fosse efetuado diretamente ao cooperado, o que não ocorre na hipótese dos autos, pois quem recebe os valores dos serviços é a Cooperativa, que repassa aos cooperados o valor deduzido os 11% relativos à taxa de administração. E, ainda, a dedução realizada não se refere a despesas com combustível ou manutenção. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A taxa de administração está prevista na Lei n° 5.764/71, sendo necessária para cobrir despesas administrativas da Cooperativa, não sendo verba sujeita à tributação previdenciária. 0 Estatuto Social da Cooperativa prevê no art. 7°, "d" a determinação de taxa para cobrir despesas de serviços. Conclui que a incidência do desconto e recolhimento previdenciário do cooperado relativo ao SEST/SENAT, no percentual de 2,5%, está direta e intimamente ligado ao valor por ele efetivamente recebido pelos serviços prestados, obviamente com a exclusão da taxa de administração. Pede seja acolhida a impugnação para declarar que o percentual de 2,5% a ser recolhido para o SEST/SENAT deve incidir sobre os valores efetivamente pagos/creditados aos cooperados, com a exclusão da taxa de administração (também de 11%) prevista no estatuto, dando por corretos os valores descontados e já recolhidos, cancelandose o débito fiscal e respectivas multas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: § Erro na base de cálculo. § Na dicção do parágrafo 4º do art. 75 da Instrução Normativa no 100, do INSS, relativamente aos cooperados, o salário de contribuição será: § 4º 0 saláriodecontribuição para o segurado cooperado filiado a cooperativa de trabalho é o valor recebido ou a ele creditado resultante da prestação de serviços a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, por intermédio da cooperativa, observado o disposto no § 2°. § Não existe pagamento por frete como previsto no citado parágrafo 4º do art. 201 do RPS, até mesmo porque não se realiza frete no contrato, que é, sim, de locação e veículos. § Quem recebe os valores dos serviços é a Cooperativa, que por sua vez, repassa ao cooperado o valor a ele pertencente, após deduzir os 11% relativos à taxa de administração. § A taxa de administração está legalmente prevista na Lei 5.764/71, e nada mais é do que o recurso financeiro necessário para cobrir as despesas administrativas da Cooperativa, não se constituindo então em verba sujeita à tributação previdenciária. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014161/200923 Acórdão n.º 2403002.644 S2C4T3 Fl. 5 7 § A dedução realizada, não se refere a dispêndio com combustível ou manutenção. § A base de cálculo real deverá sempre ser aquele valor efetivamente recebido pelo cooperado. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Conforme registrado no voto condutor da decisão de primeira instância, a impugnação não contestou a totalidade do lançamento. De inicio, cabe ressaltar que a Cooperativa não contesta a diferença de contribuição sobre a remuneração dos segurados empregados, levantamento FP — Folha de Pagamento, mas tão somente, a contribuição sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, denominados cooperados, levantamento RCO — Repasse Cooperados. Nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não é considerada parte litigiosa a matéria não impugnada, podendo ser objeto de cobrança imediata o levantamento FP — Folha de Pagamento, conforme art. 21, §1° do mesmo Decreto: Art. 17. Considerarse6 não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10/12/97) O lançamento “FP – Folha de Pagamento” não foi impugnado. Atermeei ao levantamento “RCO – Repasse Cooperados”. Neste processo, está pacífico que os cooperados são contribuintes individuais e que a cooperativa tem a obrigação de descontar e recolher a contribuição dos segurados a seu serviço (11%, respeitado o teto). Este recurso voluntário se atém a questionar a base de cálculo dos cooperados considerada pelo Fisco. Segundo a recorrente, tratase de cooperativa de trabalho e a tributação deve incidir sobre a remuneração recebida pelo cooperado. Segundo o Fisco, tratase de cooperativa de transportadores autônomos e a base de cálculo deve ser determinada como 20% do valor do frete. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014161/200923 Acórdão n.º 2403002.644 S2C4T3 Fl. 6 9 Conforme descrição dos fatos presente no processo, a Cooperativa presta serviço de locação de veículos e equipamentos e os cooperados necessariamente têm que possuir seu veículo ou equipamento. ESTATUTO SOCIAL DA COOPERATIVA Dos Objetivos e das Operações Sociais: Artigo 2º A Cooperativa tem por objetivo a defesa econômica social de seus associados, mediante a prestação de serviços de locação de veículos de cargas e passageiros, motocicletas, máquinas e equipamentos de terraplanagem e mãodeobra em geral, . representada pela contratação de serviços junto a entidades públicas e privadas, repassandoos: aos associados; ... CAPITULO Ill Dos Direitos, Deveres e Responsabilidades dos Associados: Artigo 3º Poderá associarse a cooperativa, salvo se houver impossibilidade técnica de prestação de serviços, qualquer pessoa proprietária de veiculo de passageiro ou de carga, motocicletas, máquina e equipamentos de terraplanagens, que exerça sua atividade dentro da área de ação da cooperativa, que tenha livre disposição de sua pessoa e bens, que concorde com as determinações deste estatuto social e que não pratique outra atividade que possa prejudicar ou colidir com os interesses e objetivos desta sociedade. Parágrafo 1° No ato de seu ingresso na sociedade, o interessado comprovará as condições estabelecidas no caput deste artigo. Parágrafo 2° O número de associados não terá limite quanto ao máximo, mas não poderá, em hipótese alguma, ser inferior a 20 (vinte) pessoas físicas. Parágrafo 3° Excepcionalmente poderá associarse à Cooperativa, pessoa jurídica de objetivos iguais das pessoas físicas, nos termos deste artigo. Está comprovado (planilha Anexo II, folhas 62 a 211) que o valor do serviço, considerado na folha de pagamento, corresponde a 89% do valor bruto do serviço prestado (descontou 11% de taxa de administração). A partir da determinação do valor do serviço, o procedimento do contribuinte e do fisco é o mesmo, isto é, determinase o saláriodecontribuição como sendo 20% do valor do serviço e calculase a contribuição do segurado atribuindo alíquota de 11%. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Segundo o Relatório Fiscal, a exclusão da taxa de administração foi indevida e resultou em diminuição do salário de contribuição. Essa diferença é que constitui o lançamento e a divergência. A fundamentação, descrita no Relatório Fiscal, para não admitir reduções no valor do serviço para o cooperado é o § 4º, do artigo 201 do Decreto 3.048/99, que estabelece que o salário de contribuição corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Decreto 3.048/99 Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: §4ºA remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Entendo correto o procedimento do fisco. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014161/200923 Acórdão n.º 2403002.644 S2C4T3 Fl. 7 11 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901776/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.324
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 77 6/ 20 11 -6 7 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901776/201167 Resolução nº 3802000.324 S3TE02 Fl. 188 2 A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 40774.66214.020807.1.7.040703 em 02/08/2007 (fls. 111/115), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior efetuado em 15/12/2003 para o Programa de Integração Social – PIS (código de receita 4574). Apenso a este processo, encontrase o processo de cobrança protocolado sob o nº 16327.902589/201109; e os dossiês de atendimento protocolados sob os nº 10010.004388/061192 e 10010.004963/061157. Observese que os números de folha mencionados no presente processo se referem à numeração digital do processo digital. Por meio do Despacho Decisório de fl. 41, emitido em 04/05/2011 pela DEINF/SP, a compensação declarada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 13/05/2011, conforme AR (fl. 107), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/11) em 13/06/2011 alegando, em síntese, que: A presente manifestação é tempestiva, uma vez que está sendo apresentada dentro do prazo de 30 (trinta) dias. O Manifestante é entidade fechada de previdência complementar instituída pelo Banco Nossa Caixa S/A, sem fins lucrativos, e tem como objeto social a administração e execução de planos de benefícios de natureza previdenciária e assistenciais à saúde. Em razão de erro quando do preenchimento de DCTF Declaração de Créditos Tributários Federais, seu pedido de compensação não foi homologado. A pretensão do Manifestante era compensar o crédito apurado em virtude de recolhimento de valor superior ao devido no período de apuração de novembro de 2003. O DARF informado na declaração de compensação não foi utilizado integralmente no referido período de apuração. Havia sim crédito restante neste recolhimento e o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901776/201167 Resolução nº 3802000.324 S3TE02 Fl. 189 3 Cita os cálculos do valor declarado em DCTF e do valor que alega ser realmente devido, para demonstrar o recolhimento a maior e o direito a compensálo. É claro o seu direito à restituição do pagamento realizado a maior, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado. Cita doutrina para corroborar com seu entendimento. Os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. O valor declarado não existia de fato, uma vez que o Manifestante incorreu em erro material ao preencher sua DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser incluídos, ocasionando uma apuração maior que a devida. Traz planilha para demonstração da “base real” apurada. O Manifestante recolheu 0,65% de PIS e 3% de COFINS conforme legislação vigente à época, qual seja a de PIS pelo inciso I, do artigo 8 da Lei nº 9.715/98 e de COFINS pelo artigo 8 da Lei n° 9.718/98. Como se observa com a demonstração de suas receitas, que serviram de base de cálculo para o PIS e com os dispositivos que determinam as alíquotas dos referidos tributos, constatase que o valor declarado foi superior ao realmente devido. Pelo fato do Manifestante não ter retificado sua DCTF à época a fim de informar que tinha apurado valor menor do que o declarado, a Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de compensação. Após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o Contribuinte de retificar a declaração, caso fosse permitido, o Manifestante regularizaria esta pendência e esta Secretaria conseguiria visualizar a existência do crédito. Cita o disposto no art. 57 da IN nº 600/2005. O Código Tributário Nacional é expresso ao reconhecer o direito à restituição, independentemente de prévio protesto através de seu art. 165, caput, inciso I. O CTN conferiu ao contribuinte o direito de repetir ou compensar o débito pago a maior fruto de erro no cálculo ou preenchimento de documentos relativos ao pagamento, no caso a DCTF. Requer que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, e que seja homologada a compensação declarada, extinguindose o crédito tributário correspondente ao que a Delegacia considerou indevidamente compensado. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901776/201167 Resolução nº 3802000.324 S3TE02 Fl. 190 4 É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1635.309, de 13/12/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 CITAÇÃO DE DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A manifestação de inconformidade deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901776/201167 Resolução nº 3802000.324 S3TE02 Fl. 191 5 Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do PIS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de novembro de 2003. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do PIS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de PIS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.901776/201167 Resolução nº 3802000.324 S3TE02 Fl. 192 6 a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do PIS de novembro de 2003, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do PIS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.904258/2009-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 42 58 /2 00 9- 94 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 84 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 38539.03005.060405.1.7.040709, apresentada em 06.04.2005, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$185.927,02 recolhido em 31.03.2004, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 185.927,02 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados o PER/DCOMP [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 02.04.2009, fl. 10, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 08.04.2009, fl. 01, solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. A manifestação de inconformidade foi objeto de análise, conforme Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, fl. 12, resultando na devolução dos autos ao órgão de origem: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente em 25/03/2009, a autoridade competente não homologou a compensação declarada pelo contribuinte no PER/DCOMP n°. 38539.03005.060405.1.7.040709, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, relativo a pagamento a maior no valor original de R$185.927,02, proveniente de recolhimento efetuado em 31/03/2004, através de DARF de igual valor, o qual foi totalmente utilizado para extinguir débito declarado em DCTF. Conseqüentemente, diante da não homologação, o sujeito passivo foi intimado a efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. Cientificado do despacho denegatório, por via postal, em 02/04/2009 (fl. 10), o interessado apresentou em 08/04/2009 a petição acostada à fl. 01, na qual, em síntese, não contesta o direito creditório não reconhecido mas a cobrança do débito, que informa ter sido objeto de outra compensação, constante dos autos do processo n° 10166.900226/200839. Desta forma, não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 85 3 O processo foi enviado para cobrança amigável, pois, de acordo com o órgão de origem, o valor cobrado não corresponde a nenhum dos débitos inclusos no processo mencionado pela Recorrente. Notificada em 28.08.2012, fl. 17, inconformada com Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs nova peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” em 05.09.2012, fls. 1822, argumentado: 05. Considerando que a elaboração de forma incoerente, da fundamentação da cobrança, deixando de evidenciar a informação de que o valor de R$518.160,02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013, sob a natureza de um pagamento indevido ou a maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ, declarado no valor de R$1.819.934,76, na DIPJ [de 2005] [...]. 06. Por motivo desse saldo negativo de IRPJ de R$1.819.934,76, foram informados equivocadamente em outras Per/DComp um valor divergente, onde a base de cálculo negativa do imposto seria de R$1.301.774,74 e não o que realmente era devido. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que a via tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, fixase o quadro: Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp (1.301.774,74) Diferença IRPJ a maior DIPJ 518.160,02 07. Sobretudo, cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela via nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. 08. Assim, diante dos argumentos apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser extinto o crédito tributário ora requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. [...] 09. Estamos certos de que demonstramos, à exaustão, a ilegalidade de que se reveste o lançamento da cobrança em referência. 10. Diante das razões expostas, a empresa pleiteia o deferimento integral da presente peça de manifestação de inconformidade e, em conseqüência, sejam declarados improcedentes todos os lançamentos ora contestados, como também o cancelamento do Despacho Decisório [...]. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 52.312, de 24.05.2013, fls. 3337: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2004 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 86 4 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PETIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRECLUSÃO Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Notificada em 21.08.2013, fl. 41, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.09.2013, fls. 4265, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II DA PRELIMINAR DA NULIDADE DAS DECISÕES DA DRJ. DO FLAGRANTE CERCEAMENTO DO DIREITO D E DEFESA. DA AUSÊNCIA D E APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS D E DEFESA: No presente momento, necessário se faz reiterar os seguintes momentos do processo, os quais estão intrinsecamente vinculados ao cerceamento do direito de defesa comprovadamente ocorrido, quando da apresentação da primeira irresignação em face da não homologação da compensação realizada. Repitase, após a ciência do Despacho que não homologou a compensação realizada, houve apresentação de manifestação de inconformidade [...], a qual fora devidamente processada, onde sobreveio Despacho de encaminhamento [..] lavrado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, manifestandose no sentido de que: (i) que a referida manifestação de inconformidade [...] apresentada, fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) que houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) ao final, determinou a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação proposta pela Recorrente. [...] Ocorre que de forma indevida e em desobediência flagrante à verdade material, a fungibilidade recursal e o Decreto n.° 70.235/72 que regula a tramitação do processo administrativo fiscal no âmbito federal, houve lavratura de Despacho [...] de devolução, onde foram gravadas as seguintes informações: (i) que a Recorrente não teria contestado o direito creditório em face da não homologação do Per/DComp; (ii) que como não houve o suposto reclamo da Recorrente, o processo não comportaria julgamento de primeira instância, razão pela qual se determinou o retorno dos autos à origem. Depreendese da leitura da decisão recorrida que o entendimento da Turma Julgadora não merece prosperar, na medida em que esta deixou de acolher os argumentos suscitados pela Recorrente quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...], onde fora induzida a erro pela confusão havida no preparo dos autos para julgamento, haja vista que [...] a unidade preparadora faz uma afirmação, ao passo [...] existe informação em sentido diametralmente oposto. [...] Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 87 5 Como pode constar a informação [...] dos autos que: (i) a manifestação de inconformidade [...] apresentada fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) fora determinada a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação; e, posteriormente, por intermédio de Despacho de Devolução [...], a mesma DRJ/BSB que agora teve competência para apreciar o caso ([...], afirmou anteriormente que não o teria para dar alicerce à sua conduta flagrantemente omissa??? Importante se faz gravar que quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...] , a própria unidade preparadora e/ou a DRJ/BSB tinha a obrigação legal, tendo em vista os fundamentos de defesa e a verdade material que rege o processo administrativo fiscal, de requerer informações e/ou avocar o processo administrativo fiscal n.° 10166.900226/200839, até porque na data em que fora apresentada a primeira manifestação de inconformidade, ambos os casos, ou seja, esse processo administrativo e o da origem do crédito (PA 10166.900226/200839). estavam no Serviço de Controle e Julgamento da própria DRJ/BSB. [...]. Assim, resta claro que a Recorrente não pode ser apenada pelo descompasso entre a unidade preparadora e o órgão julgador, o qual, este último, tem o dever legal de emanar suas decisões com base na verdade material e na instrumentalidade processual de forma fundamentada e sem preterição do direito de defesa como ocorreu no caso dos presentes autos. Assim sendo, conforme se passará a demonstrar, o Despacho de devolução [...] deverá ser anulado, bem como o Acórdão recorrido que fora proferido pela d. 2º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, pois ambos encontramse eivados de nulidade, uma vez que deixaram de apreciar tanto o fundamentos da primeira manifestação de inconformidade, tal como ocorreu quando da apresentação da segunda irresignação das razões de defesa suscitadas. Dispõe o Decreto n.° 70.235/72, com a redação que lhe foi alterada pela Lei n.° 8.748/93, em seu artigo 31, ao referirse à decisão exarada em primeira instância administrativa [...]. Notase, portanto, que a legislação regente é clara em estabelecer que a decisão emanada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve conter expressamente todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Tratase, portanto, de um requisito indispensável à garantia do devido processo e ao seu processamento para que não haja preterição do direito de defesa tal como ocorreu. No mesmo Decreto, especificamente no comando legal insculpido no art. 59, inciso II, encontrase a seguinte previsão no que concernente a nulidade despachos e decisões [...]. Percebese, dessa forma, que o mencionado dispositivo legal é claro ao mencionar que é nula a decisão de primeira instancia administrativa que cerceia o direito de defesa do contribuinte e é o que ocorreu no presente caso, na medida em que o Despacho de devolução dos autos não analisou sequer os fundamentos constantes da irresignação da Recorrente, mesmo levandose em consideração de que a Recorrente teve o cuidado de juntar, à época, a íntegra da manifestação de inconformidade protocolizada nos autos do Processo Administrativo Fiscal n.° 10166.900226/200839. [...] Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 88 6 Com isso, concluise que: (i) é requisito indispensável da decisão de primeira instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na peça impugnatória; (ii) o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento do direito de defesa; e (iii) a caracterização do cerceamento de defesa implica na nulidade da decisão de primeira instância. No presente caso, observase que a primeira manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente demonstrou a não procedência do Despacho Decisório [...] que não homologou a compensação realizada pela Recorrente, onde à época, houve manifestação desta no sentido de que o valor referido na compensação citada já estava incluído nos autos do Processo Administrativo Fiscal n.° 10166.900226/200839, onde inclusive, fora juntada a íntegra da manifestação de inconformidade [...] e, inclusive, ao final, houve requerimento de cancelamento do presente caso, em razão de que o valor aqui referido já' fazia parte do outro caso, qual seja, citese novamente, o Processo Administrativo n.° 10166.900226/200839. Contudo, na decisão recorrida, os Srs. Julgadores que se limitaram [...] a se manifestar no sentido de que não constava contestação do direito creditório, houveram por bem ulteriormente em julgar o processo através do acórdão ora recorrido, em total descompasso com as normas que regem a tramitação e a análise dos processos administrativos fiscais no âmbito federal. Em outras palavras, o que a DRJ/BSB fez, em ambas as decisões, quais sejam, na decisão [...] e no acórdão recorrido, foi deixar à margem da lei suas decisões em flagrante desobediência com a fungibilidade recursal, bem como do princípio da verdade material. De fato, na íntegra da decisão, é possível verificar que a própria DRJ/BSB [...] dos autos grava que a primeira petição da Recorrente tem a natureza jurídica de manifestação de inconformidade, pelo que se verifica com tal alegação o verdadeiro descompasso da Decisão lavrada [...], na medida em que resta claro e provado que o órgão julgador não analisou em nada as manifestações da Recorrente, seja na primeira peça de inconformidade, seja na segunda manifestação que fora julgada ulteriormente. Apenas a título de exemplificação, como pode a d. DRJ/BSB afirmar que se trata de manifestação de inconformidade e não julgar pelo simples e incorreto motivo de que a Recorrente não teria contestado seu direito creditório e, em momento posterior, afirmar que os fundamentos são extemporâneos??? Data máxima venia, um verdadeiro absurdo jurídico tais manifestações, em especial porque ferem de forma inconteste as normas que regulam o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Ou seja, nesse ponto, como ocorreu em diversos outros do presente caso [...] a Turma Julgadora simplesmente deixou de apreciar as razões da primeira manifestação de inconformidade suscitadas pela Recorrente na peça apresentada [...], em total ofensa aos artigos 31 e 59, II do Decreto que regula o Processo Administrativo Fiscal. Tratase, portanto, de nítido cerceamento do direito de defesa em desfavor da Recorrente. [...] Dessa forma, estando devidamente demonstrado que a Turma Julgadora, seja na lavratura do Acórdão recorrido [...], seja no Despacho de devolução [...] se eximiu do seu dever contido nos artigos 31 e 59 inciso II, ambos do Decreto n.° 70.235/72, temse que as decisões por ela emanadas padecem de nulidade, devendo tal fato ser reconhecido por esta colenda Turma Julgadora, para que os autos do Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 89 7 presente processo administrativo sejam devolvidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, a fim de que eles, relativamente aos fundamentos das manifestações de inconformidade apresentadas, profiram uma nova decisão abordando todos os argumentos suscitados pela Recorrente. III DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Não obstante os fundamentos acima expostos sejam mais do que suficientes para determinar a declaração de nulidade de todo o processo a partir do Despacho de devolução [...], uma vez que em completo desacordo com as regras que regem o processo administrativo fiscal, a manifestação de não homologação através do Despacho Decisório [...] não pode ser considerada lídima para fundamentar o não aproveitamento do crédito tributário a que tem direito a Recorrente tendo em vista a flagrante desconsideração do Princípio Da Verdade Material. Isso porque tal Despacho decisório fora lavrado unicamente em dados que não correspondem à verdade dos acontecimentos e sim em meras suposições, o que, por si só, não têm o condão de gerar a não homologação do aclarado crédito tributário que faz jus a Recorrente. Ou seja, em todos os fundamentos constantes do Despacho decisório que não homologou a compensação realizada, a Auditoria Fiscal afasta toda a verdade material e não reconhece o crédito da Recorrente, motivo pelo qual desconsidera integralmente todas as provas juntadas quando da apresentação das manifestações de inconformidade que comprovam de forma inconteste a existência de crédito em favor da Recorrente. [...] Verificase, ainda, a elaboração de forma incoerente da fundamentação da cobrança pelo Despacho Decisório que não homologou a compensação que a Recorrente faz jus, haja vista que a RFB deixou de constatar a informação de que o valor de R$518.160.02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079, 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. sob a natureza de um Pagamento Indevido ou a Maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ declarado no valor de R$1.819.934.76. na DIPJ 2005 entregue de forma tempestiva, objeto que pode ser facilmente evidenciado na sua página n° 11, especialmente na ficha 12A. É necessário esclarecer que o saldo negativo de R$1.819.934,76 (que consta na DIPJ de 2005 como saldo de pagamento informado equivocadamente em outras Per/DComp com valor divergente, onde a base de cálculo negativa naquela informação repassada ao Fisco seria de R$1.301.774,74, o que não corresponde com o valor real para homologação da presente compensação, ou seja, o que realmente é lídimo para efeitos de compensação em favor da Recorrente é o primeiro valor gravado, qual seja: R$1.819.934,76. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que se tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, seguese o quadro didático abaixo: Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp (1.301.774,74) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 90 8 Diferença IRPJ a maior DIPJ 518.160,02 Ainda, de suma importância cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela Recorrente nos seguintes Per/DComp n°s 30552.16502.1503|05.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. Assim, diante dos argumentos acima apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser homologada a compensação realizada com a consequente reforma do Acórdão recorrido lavrado pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Assim sendo, provase. ab initio, que os argumentos para homologação do crédito a que a Recorrente faz jus devem ser analisados a fundo, haja vista os ora citados fundamentos da presente peça administrativa fiscal. Com efeito, para a garantia do procedimento administrativo correto, bem como para análise do processo administrativo com um todo, se faz necessária a utilização de provas veementes para garantir o batismo da certeza, isso porque tal procedimento deve reger toda atividade administrativotributária. Assim, com relação aos créditos tributários que têm direito a Recorrente, não cabe prosperar a alegação administrativa de não homologação do crédito existente, ainda mais quando se verifica claramente a existência de pagamento a maior e efetivo crédito que dá lastro para que seja deferida a compensação realizada. Dessa forma, em razão do princípio da verdade material, corolário da legalidade, não pode o Fisco deixar de proceder à análise dos fatos jurídicos tributários e de todos os documentos (obrigações acessórias) já juntados no presente caso, sob pena de não homologar crédito com clareza solar que a Recorrente faz jus. [...] No presente caso, verificase que a Administração Fiscal não se preocupou em apurar a verdade material dos fatos, haja vista que, não obstante ter diversas informações e documentos sobre todas as operações realizadas pela Recorrente, delas não tomou conhecimento ou examinouas de forma equivocada, arbitrária e desmedida. Indagase, diante de tantas informações e documentos! Preocupouse o Auditor Fiscal e a Administração Tributária em apurar a verdade durante todo o procedimento administrativo de fiscalização??? Com certeza: NÃO. Assim, repitase, o presente caso está intrinsecamente relacionado com o Processo Administrativo n.° 10166.900226/200839, o qual juntamente com a contabilidade da Recorrente prova a origem do crédito existente, especialmente o pagamento a maior realizado. Então, não merece prosperar a não homologação do crédito a que a Recorrente tem direito, o qual não fora homologado via Despacho decisório que teve entendimento idêntico gravado pela d. DRJ/BSB, eis que resta comprovado que o crédito apurado pela Recorrente é lídimo e deverá ser aproveitado, em face do princípio da verdade material. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 91 9 Passados esses fundamentos, concluise que a presente compensação deverá ser homologada em obediência à verdade material, bem como pela inconteste demonstração do direito creditório como feito anteriormente. IV A CONTABILIDADE COMO PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE. No exercício regular de suas atividades, as empresas devem manter contabilidade societária e fiscal, de modo que todos os interessados nas operações das empresas (funcionários, diretoria, Fisco, etc.) possam visualizar a sua verdadeira situação e tenham subsídios para tomar suas decisões e cumprir os seus respectivos ofícios. Os lançamentos contábeis, na verdade, refletem os diversos fatos econômicos ocorridos na vida da empresa, produzindo as informações desejadas pelos "consumidores" dos relatórios/informes contábeis. Nesses termos, é necessário terse em mente que a ocorrência dos fatos econômicos sempre será materializada por meio de documentos, razão pela qual todo o lançamento contábil deve ter lastro em documento que indique o fato econômico contabilizado. [...] Resta claro, portanto, que a contabilidade feita pela Recorrente constituise prova em seu favor, sendo certo afirmar que a total desconsideração das razões expostas nas manifestações de inconformidade, faz surgir de forma aclarada que a d. Fiscalização sequer teve o cuidado de levantar1 informações contundentes antes da não homologação da compensação aqui discutida. Visto isso, cumpre esclarecer relevante questão acerca dos documentos que dão suporte aos negócios jurídicos objeto de contabilização. Isto porque, conforme se depreende do já aludido artigo 923 do RIR/99, a contabilidade somente faz prova em favor do contribuinte se lastreada em "documentos hábeis". [...] Sendo assim, é de se concluir que um documento hábil para a escrita contábil é aquele que consubstancie fisicamente um negócio jurídico (que implique em alteração patrimonial na empresa) com cumprimento aos ditames legais. Logo, o lançamento contábil calcado em documentos que condizem com a realidade factual faz prova a favor do contribuinte, devendo o Fisco, sempre aprofundar e levantar as informações corretas antes da não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, o que não foi feito no caso dos presentes autos de forma inconteste. [...] Por todo o exposto, queda nítido, que a escrita contábil do contribuinte, lastreada em instrumento válido juridicamente, t em poder de prova em sua benesse no que tange ao direito creditório da Recorrente considerado corretamente pela RFB, sendo dever do Fisco, que não fora caso almeje fundamentar sua decisão sobre a não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, em considerar todos os documentos e os lançamentos contábeis devidamente realizados por esta, o que não foi feito até o presente momento. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 92 10 Desde logo, se requer, quando da chegada dos autos no CARF o sobrestamento do feito para julgamento em conjunto com os Processos Administrativos n.°s 10166.900222/200851 e 10166.900226/200839, ambos em trâmite na Primeira Seção de Julgamento do CARF na medida em que tais processos estão intrinsecamente ligados (origem do crédito) ao caso presente e deverá haver o julgamento em conjunto pela mesma Turma. Em face de todo o exposto e reiterando todos os termos das manifestações de inconformidade apresentadas, requer o acolhimento da preliminar de nulidade das decisões emanadas pela d. DRJ/BSB por flagrante cerceamento do direito de defesa e/ou das razões de mérito do presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do r. Acórdão recorrido [...] a fim de que seja homologada a compensação realizada pela Recorrente, reconhecendose o crédito tributário ora em discussão e arquivandose o presente processo administrativo fiscal aqui entabulado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em preliminar tem cabimento a análise da tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do Despacho Decisório que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência 1. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 93 11 O prazo legal de instauração da fase litigiosa no procedimento é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta. Cientificada em 02.04.2009, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 08.04.2009 solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. Temse que no Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF restou esclarecido que “não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis”, tendo em vista o art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Notificada em 28.08.2012 e discordando do Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs em 05.09.2012 aditamento à peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” contra a não homologação dos débitos originalmente confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos. A motivação que está registrada no Voto Condutor do Acórdão recorrido é a seguinte: Revisitando o Decreto [nº 70.235, de 06 de março de 1972] verificamos que a impugnação/manifestação de inconformidade, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência (no caso em baila o Despacho Decisório), instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Não podemos perder de vista que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, ou seja, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do despacho decisório, precluindo o direito de o requerente fazêlo em outro momento processual. Em suma, a petição intitulada Manifestação de Inconformidade, apresentada em 05/09/2012 (fls. 18 a 21 e anexos), em face da sua extemporaneidade, não instaura fase litigiosa já instaurada, via de conseqüência, não comporta julgamento de primeira instância. Ex positis, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. Verificase que, em face da não homologação dos débitos confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos, a Recorrente opôs a peça de defesa, que tem natureza jurídica de aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada no tempo, na forma e no lugar previstos em lei, pois o fez antes que fosse proferido o Acórdão Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 94 12 da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF. Por essa razão, a preclusão temporal está afastada, haja vista que não houve o descumprimento do prazo para a prática do ato processual. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o referido aditamento a manifestação de inconformidade foi apresentado intempestivamente. Por essa razão, não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação para evitar a supressão de instância. Temse que inexiste reconhecimento implícito de direito creditório no caso em que a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 95 13 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 96 14 permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novo recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp e acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada, afastamento a preliminar de sua intempestividade, impõe, pois, o retorno dos autos à DRJ/BSA/DF para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade como tempestivo e o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ, código 2362, no valor de R$185.927,02 recolhido em 31.03.2004, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela DRJ/BSA/DF, com o conseqüente retorno dos autos a essa unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido no Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904258/200994 Acórdão n.º 1803002.544 S1TE03 Fl. 97 15 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16045.000067/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/03/2009
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento da remuneração pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias a seu serviço, inclusive os contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2301-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/03/2009 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento da remuneração pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias a seu serviço, inclusive os contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 00 67 /2 00 9- 12 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Adoto o relatório de fls. 34: Consoante Segundo o Relatório Fiscal da Infração de folhas 11, o sujeito passivo acima identificado deixou de preparar Folhas de Pagamento, de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação previdenciária, no período de 02/2005 a 11/2005, precisamente a não inclusão de segurados contribuintes individuais (autônomos) e respectivos pagamentos remunerações a titulo de serviços prestados, constituindo infração ao Inciso I do artigo 32 da Lei 8.212/91, combinado com o § 9 °,inciso I do artigo 225 do Decreto 3.048/99 que motiva a lavratura do Auto de Infração em pauta. A multa aplicada é aquela prevista na alínea "a", Inciso 1, do artigo 283 do Decreto 3.048/99, no valor de R$ I.329,18(um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) atualizada pela Portaria MPS/MF/48/12.12.2009. Houve impugnação à autuação que em síntese alega o seguinte: requer a aplicação da Súmula Vinculante 08; que o mérito da presente autuação é objeto de impugnação nos autos de infração de números 37.189.5219,37.189.5227 e 37.189.5200; cita o artigo 283,1 do Decreto 3.048/99 dizendo que o mesmo estabelece a multa no valor mínimo; por fim requer que a impugnação seja julgada procedente e a declaração de insubsistência do auto de infração. Em 24 de agosto de 2011, a 8ª Turma da DRJ/CPS prolatou acórdão n. 05 34.854 [fls. 33 e ss] que julgou procedente em parte a impugnação oferecida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/03/2009 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento da remuneração pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, inclusive os contribuintes individuais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com o decisum, o Contribuinte interpôs recurso que reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000067/200912 Acórdão n.º 2301003.869 S2C3T1 Fl. 51 3 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado verificase que a recorrente argumenta que o motivo da autuação está sendo discutido nos autos da obrigação principal [16045.000069/200901], que por sua vez, foi provida a impugnação apresentada, não sendo possível a lavratura de auto de infração. Em que pese os argumentos colacionados pela Recorrente, entendo que esses não merecem acolhimento,: a uma, porque, em 24 de agosto de 2011, a 8ª Turma da DRJ/CPS prolatou acórdão n. 0534.854 [fls. 223 e ss] que julgou procedente em parte a impugnação oferecida, ou seja, mantevese incólume o lançamento em relação aos contribuintes individuais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal , por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias, será regido pelo Código Tributário Nacional. DESCARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO NULIDADE DO LEVANTAMENTO. É atribuída A fiscalização previdenciária a prerrogativa de seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe em seu art. 20 que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação. ARGÜIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA. Ê devida, pela empresa contratante, a contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Incidem contribuições devidas a Seguridade Social a titulo de quota patronal sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. RETENÇÃO 11%. As empresas contratantes de serviços executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada estão obrigadas a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e a recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa contratada, nos termos do art. 31, "caput", da Lei n.° 8.212, de 1991, com a redação da Lei n.° 9.711, 1998, combinado com o art. 219 do RPS. a duas, porque configurase obrigação acessória de elaborar as folhas de pagamento com a inclusão dos contribuintes individuais José Orlando Santos e Luiz Eduardo Correard que prestaram serviços de manutenção de gramado, cerca e alambrado e servente de pedreiro no período de 02/2005 a 11/2005. I CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO A Lei n° 8.212/91 dispõe, em seu artigo 22, IV, ser obrigação da empresa efetuar o recolhimento, a titulo de contribuição previdenciária, da alíquota de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Esse dispositivo foi incluído pela Lei n° 9.876/99, com o permissivo constitucional do artigo 195, I, "a", estabelecendo como fato gerador a retribuição do serviço prestado pelo cooperado A tomadora. Assim, por estar amparada pela Constituição Federal, não há necessidade de lei complementar para sua instituição. Observase que a cooperativa é conceituada como uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de prestar serviços a seus associados na forma estabelecida pela Lei n° 5.764/71. A cooperativa de trabalho é uma das espécies de cooperativas previstas na legislação e tem como objetivo intermediar as relações entre seus associados e terceiros contratantes. Tratase, portanto, de mera agenciadora das atividades dos cooperados, não produzindo bens ou serviços próprios. Por não se tratar de trabalho subordinado, não se estabelece vinculo empregatício entre a cooperativa e seus cooperados, mantendo, esses últimos, a qualidade de contribuintes individuais (parágrafo único do artigo 284 da Instrução Normativa SRP n° 003/05). Portanto, a contribuição em tela incide sobre a contratação de serviços prestados por pessoas físicas, sendo este apenas intermediado pela cooperativa de trabalho. E a Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16045.000067/200912 Acórdão n.º 2301003.869 S2C3T1 Fl. 52 5 remuneração do segurado contribuinte individual filiado à cooperativa de trabalho decorre da prestação de serviços por intermédio da cooperativa às pessoas físicas ou jurídicas (artigo 285 da IN SRP n° 003/05). Ou seja, a nota fiscal ou fatura emitida pela cooperativa encontrase diretamente relacionada à remuneração do cooperado e por esse motivo, foi utilizada como base para cálculo da contribuição em tela. Convém ressaltar ainda, que o tratamento conferido pela Lei n° 8.212/91 As cooperativas não fere a isonomia ou se apresenta mais oneroso ao tomador, como sugere a impugnante. 0 inciso IV do artigo 22 da lei mencionada determina a aplicação da alíquota de 15% incidente sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, ao passo que as demais empresas contratantes de serviços de contribuintes individuais estão sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária A alíquota de 20%, nos termos do artigo 22, III, da Lei 8.212/91. Não obstante a Recorrente limitarse em defesa a argumentar sobre a impropriedade da responsabilização desta, pelo recolhimento dos valores devidos pelos contribuintes individuais vale consignar que, o artigo 28, inciso III, da Lei n°. 8.212/1991, define como salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo do salário de contribuição desta categoria de segurado, sendo que, por remuneração, entendese todo pagamento, pactuado contratualmente ou não, visando valorar o serviço executado. Definidos os pagamentos com manutenção de gramado, de acordo com o Relatório de Lançamentos, como sendo de contribuinte individual cabe a autuada nos termos definidos em legislação o recolhimento previsto no art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei n°9.876, de 1999). Dessa forma, correto o procedimento da fiscalização que, no exame da escrituração contábil da autuada, ao constatar a existência de valores pagos e sobre os quais não incidiram contribuição, portanto, não oferecidos à tributação e sem o correspondente recolhimento, constituiu o crédito pertinente. III DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO É como voto Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903329/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 33 29 /2 00 9- 91 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0936.511, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O interessado transmitiu Dcomp nº 22942.07581.231205.1.3.048983, visando compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Pasep, efetuado em 14/08/2001; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade as fls. 07/10 na qual alega, em síntese, que "examinou a sua última Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) transmitida, referente ao 3° trimestre de 2001/Setembro com código de receita 81092 sob o número 0000.100.2006.52000770 recepcionada pelo sistema da Receita Federal em 27/09/2006 inclusive confirmada pelas informações extraídas do sistema gerencial da RFB. Verificase na referida declaração que do valor total do DARF pago R$ 16.803,09 a recorrente declara que utilizou o valor de R$ 12.028,15 para quitação do débito apurado"; É o breve relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 2ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito credit6rio liquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903329/200991 Acórdão n.º 3802001.920 S3TE02 Fl. 112 3 Não se resignando com a decisão recorrida, o contribuinte oferece Recurso Voluntário no qual reitera seus argumentos expendidos no primeiro grau, reforçando a existência de prova a seu favor pela materialidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a ver reconhecido direito creditório decorrente de retificação de DIPJ e, posteriormente, de DCTF. A DRJ houve por bem não acolher o pleito do sujeito passivo, por entender (i) que a DCTF deve ser retificada antes da apresentação de DCOMP, para que a compensação possa ser refutada válida e (ii) que não há comprovação da materialidade dos créditos habilitados à compensação. O contribuinte, ao seu turno, argumenta que (i) nada há de errado em seu procedimento, inclusive porque a DCTF foi retificada antes mesmo do despacho decisório, e (ii) resta demonstrada a materialidade do seu direito creditório ante farta documentação franqueada à fiscalização. Com relação ao primeiro argumento da decisão recorrida, temos que de fato, mesmo que a lógica pressuponha que a DCTF (enquanto instrumento de confissão de dívida) seja antecessora, ou ao menos contemporânea da DCOMP, não há qualquer norma que exija a retificação da DCTF anteriormente à apresentação da DCOMP. Assim, ao meu ver, equivocou se a DRJ ao negar a análise do direito creditório por uma questão de forma, que extrapola as normas vigentes, e que resumo no seguinte parágrafo do voto condutor do julgado recorrido: Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado liquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógicotemporal, a compensação não pode ser homologada. Vale lembrar que a administração, especialmente a tributária, se desenvolve pelo princípio da reserva legal, o que acarreta que a prática de seus atos deve ser feita somente nos termos expressos das normas vigentes. Isso é decorrência da proteção natural das liberdades dos cidadãos, pois a ação do Estado (lato sensu) restringe as liberdades políticas dos administrados. O particular, ao contrário, tem plena liberdade de agir, adotando medidas que não sejam vedadas pelas normas vigentes. A própria noção de autotributação, a que se refere Ricardo Lobo Torres nas suas considerações acerca do princípio da legalidade, reflete que, fora Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 das restrições permitidas pelo povo, por intermédio dos seus representantes, para que ocorra ação estatal, o cidadão tem plena liberdade de agir. O mesmo se dá com relação às normas administrativas, pois, como cediço, estas não podem extrapolar os preceitos legais, e se destinam à perfeita regulamentação e fiel execução das regras decorrentes de processo legislativo. Logo, a conclusão a que chegou a decisão recorrida – valendose da lógica para criar restrições à aceitação da DCTF retificadora que não existem nas regras pertinentes – revelase equivocada. Todavia, quanto a segunda razão de decidir, entendo correta a decisão recorrida. O Acórdão recorrido, ultrapassando o aspecto formal da DCTF, entendeu que “a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção.” A Recorrente apresenta, em seu arrazoado, a explicação de que o ajuste da base de cálculo se deu diante da percepção de que houve a tributação equivocada de vendas de produtos isentos. No entanto, não se apresenta quais seriam esses produtos, nem mesmo a documentação fiscal de suporte, para que pudéssemos confirmar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta mais do que em primeiro grau. Dentre a documentação acostada, realço a juntada de uma planilha na qual se apresenta, de forma didática, a evolução das retificações de sua DIPJ que demonstra a diferença numérica da base de cálculo. Além disso, a Recorrente apresenta uma cópia de parte dos balancetes, e frisa em sua petição que: Ocorre que, em sede de processo de compensação, a aceitação de juntada posterior de documentos é excepcional, e pressupõe que o contribuinte tenha suscitado dúvida legítima no julgador com base no quanto já apresentado. Especificamente com relação à comprovação da materialidade do crédito, esta Turma Especial já possui entendimento sedimentado no sentido de que, em sede recursal, para que se possa acolher o pleito do contribuinte, os documentos precisam atestar de plano a existência, com liquidez e certeza, dos créditos. Por maior que seja o prestígio à verdade material, o formalismo moderado do processo administrativo não pode fazer tabula rasa das normas vigentes, em especial o art. 17 do Decreto 70.235/72, que traz regra preclusiva para juntada da documentação probante. Assim é que, uma vez instaurado o procedimento de revisão de compensação, passa a ser ônus do contribuinte demonstrar que atende aos pressupostos do art 170 do CTN. Para tanto, não basta argumentar que houve erro na tributação de vendas de produtos isentos, e Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903329/200991 Acórdão n.º 3802001.920 S3TE02 Fl. 113 5 franquear documentação para análise. Se não a totalidade, em caso de grande quantidade de documentos, ao menos parte da comprovação de quais seriam esses produtos, com apresentação das notas fiscais comprovando as operações, e um relatório discriminado dessas vendas que permitisse a totalização das vendas que levaram à recomposição das bases de cálculo, deveria ter sido apresentada. Ausentes tais documentos, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000965/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2002
CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. PEDIDO DE UTILIZAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA.
O crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado não é passível de restituição administrativa e o seu aproveitamento, via compensação, deve ser precedido de sua habilitação perante a RFB, sendo obrigatório o uso do PER/DCOMP eletrônico.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2002 CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. PEDIDO DE UTILIZAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. O crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado não é passível de restituição administrativa e o seu aproveitamento, via compensação, deve ser precedido de sua habilitação perante a RFB, sendo obrigatório o uso do PER/DCOMP eletrônico. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2002 CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. PEDIDO DE UTILIZAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. O crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado não é passível de restituição administrativa e o seu aproveitamento, via compensação, deve ser precedido de sua habilitação perante a RFB, sendo obrigatório o uso do PER/DCOMP eletrônico. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 65 /2 00 7- 12 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos indevidamente a título de COFINS, em virtude do alargamento da base de cálculo trazida pela Lei no 9.718/98. O contribuinte obteve decisão judicial favorável transitada em julgado em sede de mandado de segurança sob n° 99.70003593, em 13/02/2006 e o pedido foi protocolado em 26/10/2006. O primeiro Despacho Decisório entendeu por bem que o direito do contribuinte estaria decaído, posto que passados mais de 5 anos do pagamento. O contribuinte interpôs recurso e obteve decisão favorável à aceitação de seu pedido de restituição, em vista da existência do processo judicial. Em 05/02/10, a Delegacia de Julgamento proferiu o acórdão no 0718.821, o qual anulou o despacho decisório afastando a decadência por considerar a existência da decisão judicial transitada em julgado. A decisão determinou que a autoridade administrativa se pronunciasse acerca do mérito do Pedido de Restituição. Neste ínterim, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração, em razão da existência de contradição entre seus fundamentos e sua parte dispositiva, posto que a decisão determinou a anulação do despacho decisório e concomitantemente julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ocorre que o processo já havia sido encaminhado para a DRF, que entendeu pela inexistência de prejuízo ao contribuinte se já fosse proferida nova decisão. Conforme esclarecido pelo relatório da decisão administrativa, verbis: “No entanto, os embargos de declaração deverão ser devidamente apreciados pela Autoridade julgadora, posteriormente quando o processo for remetido a DRJ/Florianápolis. Assim, atentos aos princípios da celeridade, da eficiência e racionalidade que norteiam a administração pública, não se vê prejuízos ao contribuinte, a reapreciação do pleito conforme determinado no corpo do venerando Acórdão, antes da manifestação da DRJ. Ao apreciar novamente o pleito, a Delegacia da Receita Federal em JoaçabaSC não conheceu do pedido e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, em virtude Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 4 3 de que, na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, o Pedido de Restituição somente poderá ser recepcionado após prévia habilitação do crédito. Como segundo fundamento, esclarece que a contribuinte não utilizou o Programa Per/Dcomp para formular pedido de restituição. Inconformada com o não conhecimento do Pedido de Restituição, a contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade de folhas 68 a 77, na qual, após a descrição dos fatos, expõe suas razões de contestação. No tópico denominado Do Direito Da impossibilidade de efetuar a habilitação dos créditos decorrentes de decisão de Mandado de Segurança a contribuinte afirma que se tratando de crédito decorrente de decisão transitada em julgado proferida em Mandado de Segurança não é possível efetuar a Habilitação de Crédito, nos termos das Instruções Normativas SRF n° 517/2005 e 600/2005. Argumenta a contribuinte que não pode dar cumprimento ao inciso V, do §2° do artigo 51 da IN SRF n°600/2005, vez que, na ação de Mandado de Segurança não ocorre execução do titulo judicial, pois sua sentença tem natureza jurídica predominantemente mandamental. No segundo tópico Da ilegalidade da exigência da habilitação de crédito para o aproveitamento de valores judicial ente reconhecidos por decisão transitada em julgado a contribuinte alega que a exigência de prévia habilitação de crédito para que seja possível o seu real aproveitamento, disposto em Instruções Normativas, ultrapassa a determinação posta na Lei n° 9.430/96 e, portanto, é ilegal. Neste sentido, cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4a Região. Da impossibilidade de utilização do Programa PER/Dcomp, a contribuinte alega a impossibilidade de utilização do programa PER/Dcomp para restituição dos créditos em comento. Explica que protocolou o Pedido de Restituição em 26 de outubro de 2007, buscando reconhecimento do direito creditório do período de 01 de fevereiro de 1999 a 31 de agosto de 2002, ou seja, decorrentes de pagamentos ocorridos há mais de cinco anos; Como se observa da IN SRF n° 517/2005, o referido programa somente aceita créditos decorrentes de pagamento indevido efetuado há menos de cinco anos. Desta forma, o procedimento adotado pela contribuinte utilização de formulário de papel está em consonância com a legislação tributária.” Após analisar as razões trazidas pelo Recorrente, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, foi proferido o acórdão no 0722.414, que restou da seguinte forma ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2002 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 5 4 CRÉDITO DISCUTIDO EM SEDE JUDICIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PRÉVIA HABILITAÇÃO Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias a disposição literal de lei, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, o Recorrente interpôs recurso voluntário, por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, após idas e vindas, a questão trazida a este colegiado referese à impossibilidade de o contribuinte utilizar crédito tributário decorrente de ação judicial – especificamente mandado de segurança – sem a realização prévia da habilitação do credito por meio de procedimento específico, nos termos das Instruções Normativas SRF n° 517/2005 e 600/2005. Importa esclarecer que o crédito em discussão referese à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de PIS e COFINS, matéria pacificada no âmbito do Supremo Tribunal Federal. A contribuinte alega em sua defesa a desnecessidade de habilitar crédito decorrente de mandado de segurança, bem como a ilegalidade das Instruções Normativas 517/05 e 600/05. Não concordo com a tese de forma genérica. No meu entender, a IN 600/05, ao requerer a habilitação do crédito com a apresentação prévia de documentos pretende única e exclusivamente viabilizar o procedimento de restituição/ressarcimento/compensação da melhor forma possível. Tratase de normas meramente procedimentais, que visam segurança e rapidez para o próprio contribuinte, pois impedem que terceiros usufruam indevidamente do seu alegado crédito, e já resolve previamente pendências que poderiam postergar a homologação de futuras DCOMP. A IN/SRF 600/05 não é, per si, inconstitucional. Foi realizada para filtrar os pedidos, evitar as fraudes e atender a grande maioria dos contribuintes. Entretanto, e é aqui que caminho em outra direção, na hipótese de as regras das Instruções Normativas causarem dano ao direito liquido e certo judicialmente assegurado ao contribuinte, a questão deve ser analisada com cautela. Realmente, a mencionada Instrução Normativa1 impõe para o aproveitamento do crédito tributário obtido judicialmente pela via da RESTITUIÇÃO ELETRÔNICA a prévia 1Créditos Reconhecidos por Decisão Judicial "Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 7 6 habilitação do crédito, onde serão checados alguns requisitos comprobatórios da habilitação do credor ao crédito pleiteado. Todavia, existe uma questão que não pode ser olvidada. É que, conforme esclarecido pela Recorrente em seu recurso, sua situação é excepcional. O sistema da Receita Federal não aceitava – e ainda não aceita2 – a apresentação, pela via eletrônica, de pedido de restituição de valores referentes a tributos anteriores a 5 anos. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento." 2 Instrução Normativa 1.300/2002: "Art. 3 º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 8 7 Importante observar que nestas hipóteses, é a própria Receita Federal que orienta o contribuinte a realizar o procedimento em papel. Frisese que a simples leitura do dispositivo normativo mencionado é suficiente para se verificar que o “pedido de habilitação” é expressamente exigido como requisito apenas nos casos de PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO, a saber: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.” No caso, portanto, incabível a restrição que se pretende aplicar posto que não se trata de pedido eletrônico por impossibilidade do próprio sistema da Receita Federal. Ainda que não fosse por isso não seria admissível restringir o direito do contribuinte com base em Instruções Normativas, haja vista que os artigos 73 e 74 da Lei no 9.430/96 não preveem como requisito para aproveitamento do crédito tributário a habilitação do crédito, a saber: “Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Instrução Normativa, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório." Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 9 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 10 9 b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (...)” Neste aspecto, a despeito de as Instruções Normativas não serem naturalmente ilegais, a partir do momento que são utilizadas com o fim precípuo de restringir o direito do contribuinte, extrapolam o seu dever regulamentador, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIAS. HABILITAÇÃO. RENÚNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL E DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IN 517/05 E IN 486/04. I Compensação de créditos reconhecidos judicialmente. II As Instruções Normativas extrapolaram as suas funções ao estabelecerem a exigência de habilitação dos créditos, bem como da renúncia aos honorários advocatícios. III Possibilidade de se exigir a comprovação de renúncia da execução do título judicial. IV Descabida a condenação da Apelada ao pagamento de honorários advocatícios, a teor das Súmulas ns. 105 e 512, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, respectivamente. V Apelação parcialmente provida para reconhecer o direito à compensação dos créditos em questão, sem a exigência de habilitação dos créditos, exigida na IN/RF 517/05, bem como da renúncia aos honorários advocatícios, conforme previsto na Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 11 10 IN/RF 486/04.” (TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AMS 4755 SP 000475508.2005.4.03.6100 , Data de publicação: 22/11/2012) Desta forma, com razão a Recorrente. Seja porque as restrições trazidas pelas Instruções Normativas não se aplicam ao seu caso, posto que em razão da especificidade de seu crédito o sistema da Receita Federal não permite que o Pedido de Restituição seja feito Eletronicamente; seja porque as Instruções Normativas não tem o condão de afastar o direito líquido e certo da Recorrente ao crédito tributário. Esclareço, ainda, que não se admite a negativa do pedido de restituição com base no fato de que a contribuinte não utilizou a “via eletrônica” uma vez que esta via não lhe foi disponibilizada. A contribuinte não pode ser obstada de usufruir de seu direito por razões técnicas da Receita Federal. Ante o exposto, é o presente para CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O recurso voluntário é tempestivo, atende às demais disposições legais e regimentais e dele se conhece. Como relatado, no dia 26/10/2007, a empresa recorrente apresentou Pedido de Restituição, em papel, de COFINS paga entre 10/03/1999 e 13/09/2002, alegando "Ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei 9.718/98" e justifica seu pedido em papel nos seguintes termos: O contribuinte acima qualificado está pleiteando administrativamente a restituição da COFINS recolhida com base na Lei 9.718/98 (e alterações), que ampliou a base de cálculo dessa contribuição, fixada pela Lei Complementar 70/91. Cumpre esclarecer, inicialmente, que o presente Pedido de Restituição não pode ser realizado por meio do Pedido Eletrônico, através do programa PER/DCOMP, em virtude de que no mesmo só é possível solicitar restituição de saldos Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 12 11 negativos de IRPJ ou CSLL, pagamentos indevidos ou a maior e ressarcimento de IPI referente a crédito presumido de IPI, previstos na Lei 9.363/96 e Lei 10.276/01, e créditos de IPI relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização. Em se tratando de Pedido de Restituição, a Receita Federal apenas admite como pagamento indevido ou a maior os créditos líquidos e certos, e estes somente quando referentes a apenas três hipóteses: pagamento indevido ou a maior decorrente de erro; pagamento a maior apurado em declaração; ou pagamento indevido resultante de processo administrativo ou judicial ou declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF em ADIn ou suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal. Considerando se tratar o caso em tela de Pedido de Restituição de COFINS não enquadrado no conceito supracitado, requerse desde já, com o devido respeito, o deferimento do mesmo na presente forma, pelas razões abaixo aduzidas, efetuado em conformidade com o 1º do artigo 3°, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005: [...] O contribuinte acima qualificado está pleiteando administrativamente a restituição da Cofins, referente ao período de fevereiro/99 a agosto/02, no valor de R$ 26.555,07 (vinte e seis mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e sete centavos), tendo em vista as ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei 9.718/98. Por meio do Despacho Decisório nº 1358, de 09/11/2007, da DRF/JOA, considerou não formulado o pedido em face da decadência do direito da empresa pleitear a restituição em tela. Com a Manifestação de Inconformidade, a empresa alega a existência de ação judicial em seu favor, com o trânsito em julgado da decisão em 13/02/2006. A Turma de Julgamento da DRJ/FNS decidiu anular o referido Despacho Decisório porque a Autoridade da DRF/JOA desconsiderou a decisão judicial com trânsito em julgado, o que desloca o termo inicial da contagem do prazo para pleitear a restituição para a data do trânsito em julgado da decisão judicial. Em atenção à decisão da DRJ/FNS a autoridade da DRF/JOA proferiu o Despacho Decisório nº 315, de 20/04/2010, para também considerar não formulado o pedido de restituição posto que, no caso de pedido de restituição/compensação de crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, há que ser observado o disposto nas INs nº 517/2005 (arts. 2º e 3º) e 600/2005 (arts. 26, 50 e 51), vigentes à época do pedido. Em resumo, quando o contribuinte pretende compensar crédito reconhecido por decisão judicial com débitos seus, o PER/DCOMP eletrônico somente será recepcionado após prévia habilitação do crédito, conforme reza os referidos normativos. No caso em tela, o pedido não pode mesmo ser conhecido porque: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 13 12 1º) o pedido inaugural, com a respectiva justificativa, não trata de pedido de compensação de crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. Trata de pedido de restituição, somente. A informação prestada pela Recorrente, no final de seu requerimento, de que é possuidor de decisão judicial transitada em julgado com o mesmo objeto (Mandado de Segurança nº 99.70003593), não muda o objeto do pedido. 2º) o PER/DCOMP relativo a crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado deve ser precedido de pedido de habilitação do respectivo crédito. Após a habilitação do crédito, não há nenhuma restrição para a transmissão eletrônica do PER/DCOMP. Mesmo considerando a ordem do acórdão da DRJ para nova apreciação do pedido de restituição, ainda assim o pedido da recorrente não poderia ser conhecido posto que formulado em papel. E, ao contrário do entendimento da Ilustre Conselheira Relatora, não há nenhuma ilegalidade nos referidos normativos e eles aplicamse ao presente caso posto que vigentes à época do pedido de restituição e não existe decisão judicial declarandoos ilegal ou inconstitucional. As instruções normativas da RFB integram a legislação tributária e é de cumprimento obrigatório pelos contribuinte e pela própria RFB. 3º) o presente processo trata de Pedido de Restituição sem nenhuma vinculação a Declaração de Compensação até a presente data. E não existe previsão legal para restituir, administrativamente, crédito reconhecido em decisão judicial. A restituição somente é possível via precatório. Por isso mesmo, há necessidade da habilitação prévia do crédito para o contribuinte poder utilizálo em compensações e nunca para receber em espécie, como pretende a Recorrente. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação tributária trazidos pela Recorrente, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF3: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, o pedido de restituição da Recorrente não pode ser conhecido posto que: (i) o pedido original trata de pedido de restituição; (ii) não houve habilitação prévia de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; (iii) não há declaração de compensação vinculada ao crédito; (iv) não há previsão legal para restituir crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado; (v) o pedido foi formulado em papel quando deveria ser eletrônico; (vi) as INs nº 517/2005 (arts. 2º e 3º) e 600/2005 (arts. 26, 50 e 51), vigentes à época do pedido, aplicamse plenamente ao presente caso. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13982.000965/200712 Acórdão n.º 3302002.741 S3C3T2 Fl. 14 13 Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19994). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 4 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 14041.001181/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.297
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 01 18 1/ 20 08 -8 5 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0333.934 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, contra a empresa em epígrafe, cujo montante consolidado em I8/l l/2008 é de R$2.240.354,93 (dois milhões, duzentos e quarenta mil trezentos e cinqüenta e quatro reais e noventa e três centavos), referente às competências: 01 /2003 a 12/2007. A ação fiscal foi instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°. 01.1.01.002008005343, de 28 de maio de 2008. De acordo com o relatório fiscal, fls. n."s O8/l 8, o objeto do presente Auto de infração são as contribuições sociais, não declaradas em GFIP, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da UBEC. V Tratase das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, apuradas com base nas folhas de pagamento, apresentadas pela empresa ein meio magnético, onde foram observadas as seguintes rubricas: I Descontos concedidos nas mensalidades escolares (bolsas), aos segurados e/ou aos dependentes destes, cujos valores foram apurados com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada pelo contribuinte em meio magnético. Il Fornecimento de Alimentação aos Trabalhadores ` Durante a ação fiscal, ficou constatado que o contribuinte em questão não aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador ~ PAT. Dessa forma, foram lançados os valores devidos, com base na relação nominal dos beneficiários, apresentada. pela empresa. Ill Remunerações Lançadas na Folha de Pagamento Não Declaradas em GFIP Após análise das folhas de pagamento, confrontadas com as informações das GFIP, verificouse a existência de trabalhadores informados nas Folhas, mas não declarados em GFIP. A relação dos trabalhadores encontrase anexa ao Relatório Fiscal. IV Contribuições Previdenciárias dos Seguradosz A contribuição do segurado foi obtida mediante resultado da aplicação das alíquotas vigentes no período da ocorrência do fato gerador, conforme faixa salarial, respeitandose o limite máximo de contribuição. Dos valores apurados foram subtraídas as contribuições dos segurados Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 4 3 descontadas e declaradas nas GFIP, resultando, assim, nas diferenças lançadas a esse título. . As diferenças apuradas foram agrupadas nos seguintes levantamentos: ' DSE: DESCONTO DO SEGUR. EMPREGADO; DSC: DESCONTO DE SEGUR. CONTR. lNDlV. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte contestou o lançar; nto, através do instrumento de fls. 22/44, cujas razões de defesa são as seguintes: Informa que se trata de entidade de direito privado, que, em 04/06/1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal, mediante o Decreto nf' 86072; e Municipal, conforme Decreto n.° 220, de 31/08/2005, pela Prefeitura Municipal de Silvânia, mediante a Lei Municipal n.° 1422, de 31 de agosto de 2005; Que aderiu ao PROUNI Programa Universidade Para Todos, instituído pela lei n.“ 11.096/05, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8°, Ill, da lei n.” 11.096/05, que preceitua a isenção da Contribuição Social sobre o Financiamento da Seguridade Social, instituída pela lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991; i Que requereu e obteve do CNAS, em 31 dejulho de 1976, 0 Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n.° 3.577/59; Que obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n.“ 89.0l.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria e faz jus à imunidade do art. 195, §7", da Constituição Federal, por preencher todas as condições estabelecidas nos arts. 9° e 14 do CTN. Apesar disso, a fiscalização passou a desconsiderar a isenção e a imunidade, o que a levou a promover a Ação Ordinária (Proc. 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação juridica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade. A ação foi julgada procedente em 1" grau. A pretexto de que a entidade não preenchia os requisitos do art. 14 do CTN, nos termos da Decisão Notificação n." 23.401/03/2006, de 04/03/2006 e do Ato Cancelatório n.° 23.401 .002/2006, de 25/09/2006 cuja legalidade encontrase sul)_/udice a autoridade administrativa passou a negarlhe o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando sete autos de infração, coin exigência de principal e multa. Ante o exposto, requer: Preliminarmente i Nulidade do Lançamento por Falta de seus Elementos essenciais. Cerceamento do Direito de Defesa. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 5 4 Dispõe que a fiscalização não foi capaz de indicar o nome dos trabalhadores individuais ou empregados, arbitrando _o valor exigido a título de contribuição dos segurados, o que certamente projeta reflexos no valor da quota patronal ora exigida; Que o agente agiu por presunção, violando o 'tributo ein seu aspecto material e desrespeitando o principio da capacidade contributiva, o que impõe a anulação do Auto; Que, embora o Relatório Fiscal informe que a base de cálculo das exigências apuradas corresponde à diferença entre folhas de pagamento e os valores lançados em GFIP, não é possível apurar a veracidade de tais diferenças; Que a obscuridade do auto de infraçao, não apontando claramente a origem do débito nem permitindo a conferência da exatidão da base de cálculo apurada, importa em sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa; Que a autuação é nula, também, por desconsiderar decisões judiciais que põem a impugnante a salvo da exigência de quota patronal, uma vez que faz jus à desoneração, independente da expedição de renovação de certificado de entidade beneficente de assistência social, por ter direito adquirido e à imunidade de que trata o art. l95, §7" da CF, conforme restou decidido em ação declaratória, promovida perante o Juízo da 3” Vara Federal de Brasilia. 4 A autoridade fiscal, ao lançar o crédito tributário, produziu lançamento nulo, por desobediência à ordem judicial, inconstitucional, por violar' o principio da separação de Poderes, previsto no art. 2° da CF, a coisa julgada e o art. l5l, IV do CTN, sendo o seu cancelamento, de plano, até no interesse do próprio erário, sob pena de sequer mostrarse apto a impedir a decadência, vicio do qual pretenderam preservar o pretenso crédito tributário. Da Decadência dos Valores Exigidos em Períodos Anteriores a I2/2003 Alega que, nos termos do art. l50, §4" do CTN, encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a l9 de novembro de 2003. No MÉRITO Da não Incidência da Contribuição sobre Bolsas de Estudo A teor do que estabelece o art. 28 da Lei n.” 8.2l2/9l, os valores que a lmpugnante despende com a formação de seus colaboradores e seus dependentes estão fora do âmbito de incidência da contribuição em questão, assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição da remuneração paga pelo empregador ou tomador do serviço em prol da educação, pois a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade, não cabendo à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto rastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levem à exigência de tributo inexistente. Que a contribuição social em questão só pode alcançar rendimentos pagos pelo empregador em contraprestação a trabalho efetuado por pessoa fisica. A educação suportada pelo empregador, seja em prol de seus funcionários ou ein favor de dependentes destes não constitui Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 6 5 contraprestação pelo trabalho efetuado; logo, não tem natureza de salário. Ademais, tanto a Lei nf' 8.2l2/9l. quanto o RPS reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica. Auxílio Alimentação Dispõe a impugnante que arca com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados; logo, paga, in natura, o auxílioalimentação, o que, a teor da Lei e da jurisprudência, afasta a incidência previdenciária, por não se revestir de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT; Que a doutrina e a jurisprudência divergem sobre se a legislação consagraria o entendimento de que a condição para Ó gozo da isenção ou “não incidência” seria o fornecimento in natura ou a adesão ao PAT, pois o ato administrativo é meramente declaratório, e não, constitutivo. Assim, por não se revestir de natureza salarial, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade, resta demonstrada a insubsistência do auto de infração. Além de que o auto seria nulo, de pleno direito, por não levar em conta a parte da alimentação suportada pelo próprio segurado. Ilegitimidade da SELIC Que a autuação também é insubsistente por incluir a incidência da taxa SELIC, uma vez que a mesma possui natureza de juros remuneratórios, definidos como medição do rendimento do capital em certo espaço de tempo, o que acarretaria o enriquecimento ilícito da União, vedado pelo art. 4° LICC. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A decisão recorrida merece reparos em sua totalidade, por este E. Conselho, por não estar em harmonia com as normas constitucionais, com a decisão judicial favorável a Recorrente e com as normas de interpretação da imunidade tributária. · Nulidade da decisão por conter no julgado matéria estranha aos autos e por ausência de fundamentação. · Direito à isenção da cota patronal: · Aderiu ao PROUNI "Programa Universidade Para Todos", instituído pela Lei n° 11.096/05, conforme documento anexo, oferecendo bolsa de estudo, numa demonstração de estar colaborando com o governo, e tendo, portanto, assegurado o seu direito à isenção de tributos, na forma do art. 8° da Lei n° 11.096/05, Requereu e obteve do CNAS, em 31 de julho de 1976, o Certificado de Fins Filantrópicos, passando, então, a gozar da isenção da quota patronal previdenciária prevista na Lei n° 3.577 de 04 de julho de 1959. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 7 6 · A Recorrente obteve judicialmente o reconhecimento do direito adquirido a esse beneficio, nos autos do mandado de segurança n° 89.01.868038, em que foi constituída em seu favor coisa julgada sobre essa matéria. · Ação Ordinária (Proc. Nº 2002.34.00.0249380/DF), tendo por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre ela, a União Federal e o INSS, em face da imunidade do art. 195, § 7" da CF. · Nos termos da Decisão Notificação nº 23.401, de 04.03.2006 e do Ato Cancelatório nº 23.401.002/2006, de 25.09.2006 cuja legalidade encontrase sub judice a autoridade administrativa passou a negar o beneficio da desoneração de quota patronal, lavrando ainda sete autos de infração, com exigência de principal e multa. · Direito adquirido à isenção. · Imunidade artigo 195, parágrafo 7º CF. · Nulidade da exigência fiscal contida no auto de infração por desobediência à decisão judicial Decadência. · A nãoincidência de quota patronal sobre bolsas de estudos concedidas a funcionários e seus dependentes Não incidência da quota patronal sobre auxílioalimentação fornecido, in natura, pelo empregador. · SELIC. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. A folha de rosto do auto de infração em questão registra que um conjunto de documentos integram o lançamento. A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal consta expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal Ocorre que alguns desses documentos não estão presentes no processo disponibilizado para este conselheiro. Entendo necessário sanar essa falta. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.001181/200885 Resolução nº 2403000.297 S2C4T3 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para sanar a falta apontada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/01/2015 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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