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Numero do processo: 15871.000148/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.049
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 71 .0 00 14 8/ 20 10 -4 2 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 268 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de PIS nãocumulativo – Exportação, do 4º trimestre de 2008. Segundo o Parecer e Despacho Decisório (fls. 96/111) foram consideradas na decisão as informações contidas no auto de infração lavrado em 23/09/2011 que apurou o que se segue: Os valores dos créditos informados nos PER/DCOMP são maiores que os informados nos DACON. As diferenças são referentes aos créditos presumidos relativos ao estoque de álcool, calculados conforme disposto na Lei nº 11.727/2008, art. 10, §§1º e 2º. O sujeito passivo não informou tais créditos nos DACON, mas os incluiu no total de créditos informados nos PER/Dcomps. Ocorre que nos PER/Dcomps, tais valores foram informados como sendo vinculados à receita de exportação, enquanto que a Lei citada determina que tais créditos somente poderão ser utilizados para compensação com débitos relativos ao PIS e à Cofins apurados no regime não cumulativo. a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool carburante. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do bem destinado à venda, açúcar, principal produto sujeito à incidência nãocumulativa, tais como: partes, peças e/ou serviços para manutenção de veículos, motos, caminhões, ônibus, reboques, aquisição/reforma de pneus; partes, peças e/ou serviços para manutenção de tratores, maquinas e equipamentos agrícolas; serviços de construção civil, serviços de montagens industriais, elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil; transporte de pessoas; despesas diversas, com equipamentos de segurança, com locação de veículos, maquinas impressoras, serviços de assessoria, uréia de uso como fertilizante; tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar e do álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do produto final. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados, pelas razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa. A primeira etapa do processo produtivo é comum a ambos os produtos. Analisando os documentos e arquivos digitais apresentados, constatouse que os valores informados no DACON, não correspondiam a valores apurados com base no método da apropriação direta, já que todos os custos foram vinculados à receita de exportação, apesar de vender álcool no mercado interno. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 269 3 No método de apropriação direta a apuração deve ser efetuada no momento da destinação e vinculação com as receitas sujeitas ao regime nãocumulativo e o contribuinte o considerou no momento da aquisição ou contabilização. O contribuinte considerou como base de cálculo do crédito todo o valor da Nota do produto adquirido, não ocorrendo a proporcionalidade. O método de apropriação direta não foi comprovado, portanto, foi utilizado o método de rateio pela proporção da receita. Aplicouse o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos, à energia elétrica, às despesas de alugueis de máquinas e equipamentos e despesas de contraprestações de arrendamento mercantil. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado A interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A Lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: foi apurado crédito em relação a bens adquiridos antes de 01/05/2004; foi apurado crédito de bens diferentes de maquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.); apurouse crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. Quanto aos demais bens comuns vinculados à produção do açúcar e do álcool, sujeitos ao regime nãocumulativo e da exportação, foi aplicado o percentual de rateio. d) Créditos presumidos – Atividades agroindustriais De acordo com o livro de PIS e COFINS consolidado os créditos presumidos são referentes à aquisição de cana de açúcar e ao frete pago a pessoas físicas, este último item não gera direito a crédito. Foi apurado o crédito integral para algumas notas de aquisição de cana, tais créditos foram glosados e foi apurado o crédito presumido respectivo. Segundo o art. 11 da Lei 11.727/2008 está suspensa a incidência das contribuições na venda de cana de açúcar para pessoas jurídicas produtoras de álcool. Portanto, o sujeito passivo não tem direito ao cálculo dos créditos sobre aquisição de cana destinada à produção do álcool. Considerando que a cana é insumo comum, aplicouse o rateio. Os créditos presumidos relativos ao estoque de abertura somente poderão ser utilizados para compensação com débitos relativos ao PIS e à COFINS apurados no Fl. 269DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 270 4 regime não cumulativo. Foi apurado o valor de R$ 54.509,79 que foi reconhecido no parecer apenas para fins de compensação dos débitos de PIS e COFINS apurados no regime não cumulativo. Os créditos presumidos de atividades agroindustriais somente podem ser utilizados para dedução do valor devido de cada contribuição e não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou objeto de ressarcimento. Apenas o crédito básico vinculado à receita de exportação são passíveis de ressarcimento/compensação. Foi apurado saldo de crédito básico vinculado a Receita de Exportação no valor de R$ 214.091,29 que foi reconhecido. A interessada foi cientificada em 29/11/2011 e apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 122/139) em 28/12/2011 alegando em síntese: Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Afirma que a fiscalização glosou custos com insumos que são aplicados e consumidos no processo produtivo, bem como não considerou o fato de que é agroindustrial e que seu processo produtivo se inicia na lavoura e termina na comercialização. Os créditos pleiteados foram constituídos sobre matéria prima e produtos intermediários adquiridos de fornecedores regulares e todos foram submetidos ao processo de industrialização, consumindose ou desgastandose integralmente no decorrer do processo produtivo. Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, é totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde se tem o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 271 5 Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois os bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Da energia elétrica. Despesas de aluguéis com máquinas e equipamentos e contraprestação de arrendamento mercantil Alega que a fiscalização baseouse na desconsideração do sistema de apuração de crédito pelo custo integrado, para efetuar o rateio da energia. Afirma que reitera todo o argumentado sobre a legitimidade da sistemática de apuração do crédito adotada pela impugnante. Alega ainda que somente informou na DACON a energia elétrica consumida no processo de fabricação de açúcar. Afirma que os mesmos argumentos são aplicados para os demais itens que foram objeto do rateio. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 272 6 processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornaremse usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento. A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Do Credito Presumido Alega que o crédito presumido é passível de compensação na forma da Lei nº 9.430/96 que permite que os créditos contra a Fazenda Nacional sejam compensados com quaisquer outros débitos perante a mesma Fazenda desde que sejam créditos e débitos do mesmo contribuinte. Afirma ainda que inexiste lei que determine a apuração separada dos créditos presumidos e a fiscalização deixou de considerar os processos de compensação vinculados ao presente ressarcimento, dentre os quais existem muitos débitos pagos de PIS/COFINS. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 273 7 bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Dos pedidos Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitandose o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A 16ª Turma da DRJ/RJ1, no Acórdão n° 1264.444, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. CREDITO PRESUMIDO. MERCADO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE COMPENSAÇÃO RESSARCIMENTO. O valor do crédito presumido vinculado a receita do mercado interno previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 274 8 CREDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE COMPENSAÇÃO RESSARCIMENTO. PRAZO LEGAL. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, vinculada a receita de exportação, relativo ao anocalendário de 2007, somente pode ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação a partir de 01/01/2011, conforme disposição legal. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO. DACON. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º utilizado para fins dedução das contribuições não cumulativas dispensa a apresentação de DCOMP, devendo ser efetuada por meio da DACON. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO. DCOMP. CONVALIDAÇÃO. Em virtude dos princípios da celeridade e da economia processual, cabível a convalidação da dedução efetuada equivocadamente por meio de DCOMP. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de julgamento em conjunto com os processos listados a seguir, conexos, motivo pelo qual, adoto a diligência proposta nesses autos: 10820.000941/200817; 15868.000255/201020; 15868.000087/201072; 13822.000062/200511; 13822.000119/2005 73; 10820.000933/200862; 15868.000088/201017; 15871.000136/201018; 15868.000099/201005; 10820.002205/200623; 13822.000055/200519; 13822.000045/2005 75; 13822.000052/200577; 15868.000100/201093; 15868.720081/201287 e 10820.002602/200867. A análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 275 9 A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. A atividadefim da empresa é a industrialização da cana de açúcar, resultando como bens produzidos e destinados à venda, o açúcar bruto e o álcool. Informou a fiscalização que, em analise às informações constantes nos relatórios e arquivos digitais com a descrição de bens e serviços que serviram de base para cálculo de créditos das contribuições, em consulta ao CNPJ dos fornecedores e no exame por amostragem das notas fiscais, constatou que há bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, pois não teriam sido utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar e álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Os bens e/ou serviços que não se enquadram no conceito de insumo, apontados pela fiscalização, são: partes, peças e/ou serviços para manutenção de veículos, motos, caminhões, ônibus, reboques, aquisição/reforma de pneus. partes, peças e/ou serviços, para manutenção de tratores, máquinas e equipamentos agrícolas. gastos com serviços de construção civil, com serviços de montagens industriais, com elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil (areia, cimento etc). transporte de pessoas. despesas diversas, com equipamentos de segurança, com locação de veículos, com máquinas impressoras, serviços de assessoria, ureia de uso como fertilizante e outras. Tais gastos não atenderiam ao critério para a caracterização de insumos, porque não se dão no âmbito do processo industrial dos produtos destinados à venda, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do açúcar e do álcool. A Recorrente descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 276 10 É equivocado o entendimento fiscal de que os gastos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. Ademais, sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. Ademais, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei n° 10.856/04; art. 3°, §14, e art. 15 da Lei n° 10.833/03; 1/48 de valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (veículos, motos, microônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, pulverizadores, reboques etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, III, da Lei n° 10.837/2002, e art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004; Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 277 11 Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 278 12 disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15871.000148/201042 Resolução nº 3301001.049 S3C3T1 Fl. 279 13 É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907479/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 79 /2 01 2- 21 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907479/201221 Acórdão n.º 2202004.992 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.907487/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 87 /2 01 2- 77 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907487/201277 Acórdão n.º 2202005.000 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 13007.000124/2003-28
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2º, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.111
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca
da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 6 2 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de divida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. o Processo n°13007.000124/2003-28 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.111 Fl. 525 A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da ia CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os • nselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa a • oso, Domingos de Sá Filho e ,eresa Martinez López.1•• 10 MARCOS CANDI I, O Éptyti a ri MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUíMICA S/A em 16/04/2003, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 01/04/2003 a 10/04/2003, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 01/08/1999 a 31/08/1999, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-311(S. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da 4ri Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. f 2 • Processo n°13007.000124/2003-28 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.111 Fl. 526 - A DRF em Porto Alegre - RS não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n 2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fálico quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4' Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Ao fundar-se nesta premissa, a decisão estaria viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza, traz à colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso, entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada; - a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior. Este entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, conforme julgados que apresenta; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Entender de outra forma implicaria em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio, que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admi indo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, que não é o caso. A resenta excerto doutrinário nesse sentido; 3 a ) Processo n° 13007.000124/2003-28 S2-CIT1• Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 527 - a autoridade administrativa não pode modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, conforme disposições dos arts. 468 e 469 do CPC e posicionamentos da doutrina que traz à colação; - somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso, o TRF da 4' Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de 1a instância, poder este vedado à via administrativa; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo, conforme jurisprudência do STJ e doutrina que cita, realçando que a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios e cita a posição do STF, dizendo que está pacificada naquela corte jurisprudência que reconhece o direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à aliquota zero. Tal orientação do pretório excelso deve ser seguida pela SRF, por força do disposto no art. 1° do Decreto n" 2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma, ainda, que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPI, reproduzindo o capta e § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 e citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. o4 • Processo n° 13007.000124/2003-28 S2-CIT1 Acórdào n.° 2101-00.111 Fl. 528 • COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORATORIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legaL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida" No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equívoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao último pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 2 10.833, de 2003. No presente caso, acrescenta, também não houve confissão da dívida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Defende que nestas declarações só o saldo a pagar constitui confissão de dívida, de modo que o Fisco, se quisesse cobrar os referidos débitos, deveria ter providenciado o competente lançamento de oficio. Sem este, conclui que a compensação deve ser homologada e os débitos extintos, tendo em vista que já se operou a decadência quanto à possibilidade de lavratura do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise de mérito, convém esclarecer que a ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, 9:f 5 : • Processo n°13007.000124/2003-23 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 529 • antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUÍMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as questões em litígio, necessárias e suficientes para a formação do convencimento deste julgador, são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. 1 — Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas alíquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IP1 devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatorios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos 35?Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não j- 6 • Processo n° 13007.000124/2003-28 S2 -CIT1 Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 530 • participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. 1". Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPL Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da n'ão-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero." (grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 42 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e dai até o efetivo aproveitamento segundo o § 4°, do art. 39, da L 9.250/1995." JXJ 7 • Processo n° 13007.000124/2003-28 S2-CITI Acórdão o.° 2101-00.111 19. 531 Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lep n°104, de 10.1.2001)" Não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. 4 — Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. L.1 ,f 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do (j) • Processo n°13007.00012412003-28 52-CIT I Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 532 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição dos enunciados das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais, expressamente previstos em lei. 5 - Da alegação de que os débitos não podem ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 9 • • Processo n°13007.00012412003-28 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.111 Fl. 533 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CFN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: • io . • Processo n°13007.000124/2003-28 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 534 • "Art. 5" O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir .1 obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § I" O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. ,sç 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2" do artigo 7° do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (Utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n 2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. 1" Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n`s 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." tiffi 11 • Processo n° 13007.000124/2003-28 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 53$ Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capta do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em divida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: I) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. I. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. lnexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo ü 12 • Processo n° 13007.00012412003-28 S2 -CIT I Acórdão n.° 2101-00.111 R 536 vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento específico (DCTF. GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em divida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CT1V. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 50, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: 13 • Processo n° 13007.00012412003-28 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.111 Fl. 537 • "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. 11, do Código Tributário Nacional e 74, § 2', da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art. 18, O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por apressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática 14 • Processo n°13007.000124/2003-28 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 538 das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § P Nas hipóteses de que trata o capuz, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2" do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. 11.1" O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n 2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a li no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 92 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no ,§* apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003) 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 50 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei te 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003)" )1 15 • Processo no 13007.00012412003-28 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.111 H. 539 De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 6— Das demais alegações do recurso voluntário Alega a recorrente que o direito de aproveitamento dos créditos fictos seria decdrrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade. Mas este é exatamente o fundamento jurídico em que se apóia o mandado de segurança impetrado pelas empresas OPP POLIETILENOS S/A e OPP PETROQUÍMICA S/A. A opção pela discussão na via judicial obsta a apreciação da mesma matéria na via administrativa, consoante a Súmula n2 1 deste Segundo Conselho, redigida nos seguintes termos: 16 • Processo n° 13007.000124/2003-28 S2-CITI• Acórdão n.° 2101-00.111 Fl. 540 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." De nada adianta, portanto, a alegação da recorrente de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do principio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF, porque esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala Ses e em 07 de maio de 2009. ema i0 ,4 16n7 R 17 Page 1 _0064600.PDF Page 1 _0064700.PDF Page 1 _0064800.PDF Page 1 _0064900.PDF Page 1 _0065000.PDF Page 1 _0065100.PDF Page 1 _0065200.PDF Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065400.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1 _0065600.PDF Page 1 _0065700.PDF Page 1 _0065800.PDF Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066000.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13502.001398/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/03/1998
DECISÃO DEFINITIVA. ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA O TRIBUTO. QUESTIONAMENTO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O julgamento em outros órgãos da administração federal far-se-á de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo e havendo questionamento em sede de recurso voluntário, não há de se conhecer desse questionamento, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscuti-la, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I E II, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se falar de decadência quando não transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE.
Caracterizada a cessão de mão de obra, decorre a responsabilidade solidária do contratante por unidade de interesse jurídico.
NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA.
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei n. 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009.
Numero da decisão: 2402-006.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ÓRGÃO COLEGIADO QUE ADMINISTRAVA O TRIBUTO. QUESTIONAMENTO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. REAPRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Existindo decisão definitiva exarada por órgão colegiado da administração federal que administra o tributo e havendo questionamento em sede de recurso voluntário, não há de se conhecer desse questionamento, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para rediscutila, pois não cabe a este atuar como instância revisora das decisões exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF 8. ART. 173, I E II, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar de decadência quando não transcorrido o lapso quinquenal previsto no art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. SOLIDARIEDADE. Caracterizada a cessão de mão de obra, decorre a responsabilidade solidária do contratante por unidade de interesse jurídico. NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 13 98 /2 00 7- 77 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 325 2 Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte devese comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei n. 8.212/91) e a multa do art. 35A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 163/185) em face do Acórdão n. 15 22.888 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador (BA) DRJ/SDR efls. 148/155 que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.054.6962 consolidado em 30/01/2007 e constituído em 30/01/2007 no valor total de R$ 6.819,69 Competências: 12/1997 a 03/1998 (efls. 03/38), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 68/85. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 68/85), a NFLD DEBCAD n. 37.054.6962, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.9088, de 18/12/1998, anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 2425, de 15/10/2003. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 326 3 O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 68/85), com fulcro na utilização de prestação de serviço remunerado, contratado mediante cessão de mãodeobra, e realizado pelas pessoas físicas vinculadas à empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA. CNPJ 00.900.494/000160 entre dezembro/1997 e março/1998, nas dependências da CARAÍBA METAIS S/A. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 e da empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA. CNPJ 00.900.494/000160 sido qualificada devedor solidário. Devido à ausência, nos autos, da NFLD DEBCAD n. 32.615.9088 (com o respectivo relatório fiscal), bem assim o Acórdão n. 2425, de 15/10/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), foi requisitada diligência à unidade de origem, nos termos da Resolução n. 2402000.642 (efls. 277/281), para que fossem juntados os referidos documentos, no que foi atendida (efls. 305/316). A empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA. CNPJ 00.900.494/000160 não se manifestou nos presentes autos. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 163/185) já foi conhecido pelo Colegiado. Passo à análise. Inicialmente, é oportuno resgatar o entendimento do órgão julgador de primeira instância, consolidado no Acórdão n. 1522.888 (efls. 148/155) e sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/03/1998 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N° 8. INOCORRÊNCIA, IN CASU. Dispõe a Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 327 4 CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTÍNUOS. O conceito legal de cessão de mãodeobra tem abrangência superior àquela que a Defendente pretende atribuir, não se restringindo apenas ao caso de contratação de trabalho temporário de que trata a Lei n° 6.019, de 1974. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: APLICAÇÃO DA MULTA. ALTERAÇÃO NA LEGISLAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DA APLICAÇÃO. Considerada a alteração na legislação e a aplicação da multa mais benéfica prevista no art. 106 do CTN, durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se calcular a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte. Esta é uma interpretação literal do art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à MP n° 449, de 2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento. Portanto, somente neste momento o percentual da multa de mora estará definido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face da decisão recorrida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e fls. 163/185) aduzindo, em linhas gerais, preliminar de decadência, e, no mérito, inexistência de cessão de mãodeobra. Da Preliminar de Decadência O lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n. 37.054.6962 (efls. 03/38), foi consolidado e constituído em 30/01/2007, compreendendo as competências 12/1997 a 03/1998, e substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.615.9088, de 18/12/1998, declarada nula por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 2425, de 15/10/2003 (efls. 312/316). De plano, cabe destacar que a decisão abrigada no Acórdão n. 2425, de 15/10/2003 (efls. 312/316) de cujo teor a Recorrente tomou conhecimento e contra ela não se insurgiu é definitiva, de mérito, e transitou em julgado na esfera administrativa, não sendo Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 328 5 passível, assim, de qualquer tipo de discussão ou revisão suscitada por questionamento em sede de recurso voluntário, vez que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para o mister. por tratarse de instâncias de mesmo nível horizontal, sem qualquer hierarquia entre elas. Nesse sentido, cabe resgatar o art. 38 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo.(grifei) É dizer, não há que se rediscutir a natureza do vício (formal ou material) que fundamentou a anulação da NFLD DEBCAD n. 32.615.9088 lavrada em 18/12/1998 , prevalecendo assim a natureza de vício formal expressamente indicada no decisum do CRPS, incidindo, destarte, a regra do art. 173, II, do CTN, consoante determinado naquela decisão. Todavia, e apenas por amor à argumentação, destaco o teor do Acórdão n. 2425, de 15/10/2003 (efls. 312/316) ao tratar da NFLD DEBCAD n. 32.615.9088, verbis: [...] Conforme já relatado, trata a presente NFLD, lavrado em 21 JAN 99, de Contribuições Sociais destinadas ao custeio da Previdência Social e Terceiros, parcela empresa (Empresa/SAT) e empregados, incidente sobre a remuneração da mãodeobra cedida à Recorrente através da contratação de prestação de serviços e a ela imputado por solidariedade (vide Art. 31, da Lei 8.212/91). O débito foi apurado com base em nota fiscal de serviço, conforme consta do Relatório Fiscal. Cabe informar que contra a Recorrente foram lavradas diversas NFLD's com o mesmo objeto solidariedade capitulado no Art. 31, da Lei 8.212/91, que foram julgadas pela 2ª e 4ª CaJ/CRPS, que proferiram decisões divergentes. Tendo em vista tratarem de processos conexos, foi determinado pelo Presidente do CRPS, que todos os processos fossem encaminhados à 2ª CaJ/CRPS. O Pedido de Revisão tem fundamentação na motivação indevida apontada pela 4ª CaJ/CRPS reconhecimento da solidariedade em decorrência de empreitada de mãodeobra, que só passou a existir com a Lei 9.711, publicada em 21.11.98 e discute, ainda, a inexistência de cessão de mãodeobra, sendo que os contratos objeto da ação fiscal prevêem a realização de serviços por empreitada. Menciona que a OS/INSS 209/99 e a Circular/INSS 46/99 excluíram da solidariedade e da retenção alguns dos serviços contratados pela Caraíba, tal como no caso em pauta. Por fim, protesta que a grande maioria dos serviços notificados são decorrentes de PARADAS PARA MANUTENÇÃO, não se tratando de cessão de mãodeobra, e sim de contratação em regime de empreitada por preço global. [...] Do Cerceamento de Defesa Como já dito, contra a Recorrente foram lavradas mais de duas centenas de NFLD's, decorrentes da solidariedade na Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 329 6 contratação da prestação de serviços com cessão de mãode obra. Nas primeiras NFLD's por mim julgadas neguei provimento ao recurso. Posteriormente, quando do julgamento de outras NFLD's passei a solicitar a realização de diligência para que o INSS se manifestasse com relação a refiscalização período anterior a 11.95, bem como evidenciasse de forma mais precisa a existência da cessão de mãodeobra. Assim, por iniciativa própria, o INSS adotou a diligência determinada pela 2ª CaJ/CRPS, como regra, e então instruiu todos os processos com os respectivos contratos e notas fiscais. Aqui cabe realçar que as manifestações do INSS por ocasião da diligência limitaramse a reafirmar a tese da terceirização das atividades normais da empresa e a citação de conceitos relacionados sobre a cessão de mãodeobra, deixando de fazer a correlação entre a documentação juntada e a caracterização da cessão de mãodeobra. O INSS chegou a se manifestar em seu pronunciamento que os dois primeiros pressupostos básicos do conceito de cessão de mãodeobra (colocação à disposição do contratante, nas suas dependências ou de terceiros) estariam "demonstrados de forma inequívoca e pacífica nos contratos", sem, entretanto, especificar sequer um contrato (fls., cláusula ou outro) em que obteve tal certeza. [...] Ainda lembro, quando analisei diversos contratos e serviços, ter apontado o que, sob minha ótica, caracterizava ou evidenciava a existência de cessão de mãodeobra. Reputo, hoje, tal procedimento como intolerável, posto que comporta total cerceamento de defesa. Não cabe a este ou a qualquer outro Conselheiro garimpar nos autos evidências do que foi afirmado pelo INSS de forma genérica. Devemos sim cotejar as afirmativas do INSS, devidamente delimitadas e comprovadas, com as alegações do contribuinte inconformado. Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5°, da CF/88. Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta, é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mão deobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decadencial Inciso II, do Art. 173, do CTN. (grifei) CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por CONHECER DO PEDIDO DE REVISÃO DO CONTRIBUINTE e no mérito DARLHE Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 330 7 PROVIMENTO, anulando o Acórdão n° 02/02796/2002, da 2ª CaJ/CRPS.. Em substituição àquele voto no sentido de CONHECER DO RECURSO do notificado e ANULAR a NFLD em pauta na forma do voto do acima apresentado. Da leitura do Acórdão CRPS n. 2425, de 15/10/2003 (efls. 312/316) resta evidenciado que a NFLD DEBCAD n. 32.615.9088 lavrada em 18/12/1998 foi anulada por cerceamento de defesa, oportunizando expressamente ao INSS novo lançamento com fulcro no art. 173, II, do CTN, caracterizandose, portanto, vício formal, restando afastada qualquer possibilidade de rediscussão da sua natureza. Com espeque no decisum acima resgatado, a Fiscalização da RFB, lavrou, em 30/01/2007, a NFLD DEBCAD n. 37.054.6962, que se aperfeiçoou na mesma data (30/01/2007), dentro, portanto, do lapso temporal de cinco anos previsto no art. 173, II, do CTN. Isto posto, não há que se falar de decadência, vez que tanto o lançamento original abrigado na NFLD DEBCAD n. 32.615.9088, quanto o lançamento substitutivo abrigado na NFLD DEBCAD n. 37.054.6962, obedeceram aos prazos estipulados no art. 173, I e II, do CTN, respectivamente. Do Mérito O lançamento substitutivo abrigado na NFLD DEBCAD n. 37.054.6962 decorre de responsabilidade solidária da Recorrente com a empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA. CNPJ 00.900.494/000160, com fundamento no art. 124 do CTN c/c art. 31, da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente à época dos fatos geradores, considerando os valores brutos consignados nas notas fiscais (efls. 91/96) relativas às atividades relacionadas à cessão de mãodeobra, sobre as quais não houve recolhimento de contribuições previdenciárias nas competências 12/1997 a 03/1998. Isto porque a Recorrente, a despeito de ter sido devidamente intimada a apresentar a documentação (GRPS e Folha de Pagamento) necessária a elidir a responsabilidade tributária, mediante o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (efls. 49/54), não o fez, conforme detalhado no Relatório Fiscal (efls. 68/85): 6.3 A Caraíba Metais S/A foi intimada a apresentar a documentação necessária à elisão, da responsabilidade solidária, através dos TIAD anexos. A metodologia aplicada para a elisão da solidariedade obedeceu à sua definição nos textos das Leis Ordinárias n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e n° 9.032, de 28 de abril de 1995. Por consequência, e constatado que a empresa contratada nada recolheu, a Fiscalização procedeu ao Levantamento VIS VISÃO ENGENHARIA LTDA por aferição indireta, consoante discriminado no RL Relatório de Lançamentos NFLD DEBCAD n. 37.054.6962 e Relatório Fiscal (efls. 68/85), a seguir reproduzidos: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 331 8 Com relação à solidariedade e ao benefício de ordem questionados pela Recorrente, é de se ressaltar que o art. 124 do CTN (Lei n. 5.172/1966), informa norma geral aplicável a todos os tributos existentes no sistema tributário nacional, nos seguintes termos: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 332 9 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei)" Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, econômico ou financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária. No caso concreto, incide ainda a hipótese tipificada no inciso II do art. 124 do CTN, uma vez presente a solidariedade prevista no art. 31 da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores. As situações e circunstâncias fáticas caracterizadas no Relatório Fiscal (efls. 68/85), a seguir reproduzidas, denunciam uma unidade de interesse jurídico entre a Recorrente e a empresa QUANTUM ENGENHARIA LTDA. CNPJ 33.938.739/000106, na materialização da hipótese de incidência tributária, a atrair a incidência do art. 124, I e II, do CTN, c/c art. 31 da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores: [...] 5.2 Os contratos celebrados entre a Caraíba Metais S.A. e a empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA foram os seguintes: BPS 830.343/98 C028/98 5.3 A CartaContrato C028/98, de 10/12/97, teve por objeto o planejamento de manutenção da fundição para o ano de 1998, compreendendo as seguintes etapas: a) coordenação do planejamento; b) organização de toda a documentação técnica; c) digitação do detalhamento do serviço; d) elaboração das redes PERT dos principais serviços; e) elaboração dos cronogramas; Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 333 10 f) nivelamento dos recursos; g) elaboração de manuais de planejamento e execução dos serviços; h) elaboração do organograma; i) elaboração das Cartas Convite para os serviços da Parada; j) elaboração de relatório final. 5.4 De acordo com a cláusula 3.1, os serviços seriam desenvolvidos nas áreas da Caraíba, por pessoas qualificadas e habilitadas através da utilização do recurso de informática MS project, planilhas eletrônicas, processadores de texto e banco de dados. 5.5 Verificase da análise do contrato C028/98 que o objeto contratual compreendia, ainda, a supervisão, a direção, o fornecimento de materiais e/ou equipamentos. Observase, também, que de acordo com a cláusula 5.2 a Caraíba deveria fornecer alimentação e transporte aos funcionários da Visão Engenharia, envolvidos com a execução dos serviços contratados. O prazo de vigência desse contrato foi de 150 dias com valor global estimado em R$ 55.000,00. 5.6 A planilha de preços, constante do Anexo I do contrato, definiu os valores dos serviços em Homem hora, conforme a função, estipulando, ainda, os critérios para pagamentos de horas extras (Engenheiro de planejamento/ coordenador 35,00 H/h, Técnico de planejamento 23,00 H/h, Digitador 11,00 H/h). 5.7 O pressuposto da existência da cessão de mãodeobra no contrato C028/98 baseiase no fato de que o faturamento foi determinado com base em homenshoras. Como afirma Ibrahim em sua obra "A Retenção de 11% sobre a mãodeobra", pag. 53, um contrato de mãodeobra é aquele em que o fim desejado pelo contratante é a obtenção desta mãodeobra (força de trabalho) para realizar algum mister. O autor ressalta que é neste ponto que reside a diferença fundamental entre empreitada e cessão de mãodeobra. No primeiro, a mãodeobra é mero meio para atingir a obra, ou tarefa desejada pelo contratante. Já na cessão, a mãodeobra é a própria razão de existência da contratação. 5.8 Alguns contratos foram celebrados sob a forma de Boletim de Pequenos Serviços BPS, que é um tipo de contrato simplificado, utilizado para serviços de pequeno montante e duração. O BPS celebrado entre a Caraíba Metais S.A. e a empresa VISÃO ENGENHARIA LTDA foi o seguinte: BPS 830.343/98, de 07/01/98 PLANEJAMENTO DE SERVIÇOS DE PARADA DA UNIDADE DE FUNDIÇÃO PARA MAR/98 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 334 11 5.9 O pressuposto da existência da cessão de mãodeobra no serviço contratado, através do BPS supracitado, baseiase no fato de que os serviços foram os mesmos prestados no contrato C028/98, em que foi evidenciada a ocorrência da cessão de mãodeobra. Observase, ainda, que o serviço constante do BPS em questão foi executado na vigência do contrato C028/98. 5.10 Os serviços contratados são de manutenção e, portanto, de natureza contínua. Como "serviços de natureza contínua" são entendidos aqueles que se constituem em necessidade permanente do contratante, ligados ou não à sua atividade fim. O conceito de continuidade abrange o tipo de serviço e não a empresa contratada para prestálo, ou a freqüência de sua prestação. Se caracterizada a necessidade permanente do serviço, este, independentemente de quem o prestar ou quantas vezes for prestado, terá natureza contínua. Por isso mesmo, não se pode considerar um determinado contrato ou determinada empresa de forma isolada, mas sim a permanente necessidade dos serviços contratados no complexo industrial como um todo, assim como a natureza contínua desses serviços no contexto global das diversas, plantas existentes na área industrial da contratante. 5.11 Em suma, o conceito de continuidade abrange os serviços e não a empresa contratada. Se caracterizada a necessidade permanente do serviço, este, independentemente de quem o prestar terá natureza contínua. A análise dos inúmeros contratos celebrados entre Caraíba Metais S/A e diversas empresas revela a prestação contínua de serviços de limpeza, manutenção de máquinas e equipamentos, transporte de cargas e passageiros, apoio de mãodeobra nas paradas de manutenção,caldeiraria, construção civil, dentre outros. [...] 5.13 A atividade de manutenção em um ambiente industrial é de necessidade permanente e portanto, é um serviço contínuo. Sem manutenção haveria crescente deterioração dos equipamentos causando uma imediata perda de produção e até mesmo, risco de perda total do ativo. No caso da Caraíba Metais S.A., observase a existência de grandes paradas programadas e até mesmo, pequenas paradas demandadas pelas próprias características do seu processo industrial. 5.14 Toda atividade de manutenção exige um cronograma que, sempre que possível, deve ser seguido à risca, afinal de contas o atraso no retorno à atividade produtiva significa menor quantidade de produtos e menores lucros. Por essa razão, procurase sempre realizar um planejamento minucioso e preciso e que exige mãodeobra especializada. Portanto, não há como separarse a atividade de "planejamento de manutenção" da atividade de "manutenção" em si. 5.15 Observese que segundo o conceito da ABNT as atividades administrativas também são atividades de manutenção. Assim, o planejamento de manutenção também é manutenção. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 335 12 5.16 Os serviços de manutenção estão previstos na legislação previdenciária que conceitua a cessão de mãodeobra, como em trecho da lei n° 8.212, de 24/07/1991 já transcrito em parágrafo anterior e no Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social aprovado pelo Decreto n° 356, de 7/12/1991 e posteriormente pelo Decreto n° 612 de 21/07/1992: [...] Entretanto, tratase, no caso concreto, de auto de infração por descumprimento de obrigação principal, passível de multa de ofício, o que atrai o art. 106, II, alínea "c", do CTN, considerandose a retroatividade da lei mais benéfica, vez que é a regra. Considerandose que o lançamento em tela foi constituído em momento anterior às alterações à Lei n. 8.212/91, promovidas pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, é mister procederse a cotejo entre as penalidades cabíveis em conformidade com a legislação vigente antes e depois do retrocitado diploma legal, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo, por ocasião do pagamento ou do parcelamento, quando for o caso. Melhor detalhando, a Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, acrescentou os artigos 32A e 35A, modificando a sistemática do cálculo das multas decorrentes do descumprimento de obrigações principais e acessórias, anteriormente prevista nos artigos 32 e 35 da Lei n. 8.212/91. Assim, a partir da publicação da MP n. 449/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observada a regra do art. 106, II, alínea "c", do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." A penalidade mais benéfica, no caso concreto, é passível de aplicação ex officio, uma vez presente a possibilidade para o mister, consoante disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 04 de dezembro de 2009, com amparo no art. 106, II, alínea "c", do CTN. Para tanto, a análise da multa mais benéfica procederseá pelo cotejo (efetuado em relação aos processos conexos, geralmente com gênese na mesma ação fiscal) entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 336 13 obrigação principal (art. 35 da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009) e de obrigações acessórias (art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212/91, em sua redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), em contrapartida à multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescido pela Lei n. 11.941/2009. Considerandose que os percentuais da multa do art. 35 da Lei n. 8.212/91, assim como do art. 44 da Lei n. 9.430/96, variam em função do prazo do pagamento do crédito tributário/previdenciário, a comparação entre tais modalidades somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, consoante o art. 2°. da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Caso as multas previstas no art. 32, §§ 4°. e 5°., da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à conferida pela Lei n. 11.941/2009), tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei n. 8.212, de 1991 (redação anterior à dada pela Lei n. 11.941/2009), sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor da multa de ofício previsto no art. 35A daquele diploma legal (acrescido pela Lei n. 11.941/2009), e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na GFIP, a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91 (redação dada pela Lei n. 11.941/2009). A RFB, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações de natureza previdenciária (principais ou acessórias), vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por considerar ser a sistemática mais benéfica ao contribuinte, com lastro na proibição do bis in idem, conforme disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971, de 13 de novembro de 2009: "Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13502.001398/200777 Acórdão n.º 2402006.968 S2C4T2 Fl. 337 14 b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010)" Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recálculo da multa mais benéfica à Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 163/185), REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, observandose, todavia, o cálculo da multa mais benéfica, se cabível, a ser realizado no momento do pagamento ou parcelamento, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720064/2007-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.468
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004. Recurso negado.
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ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIP'T, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido, em razão da parte, o Conselheiro-A exandre Naoki Nishioka. CAIO MARCOS CÂNDIDO - Presidente ffli JOSÉ RAI !P1 O/ STA SANTOS - Relator EDITADO EM: 4 8 n, JUN 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-24.466, proferido pela P Turma da DRJ Brasília (fls. 97/105), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: • Contra a contribuinte interessada foi emitida, em 20/08/2007, a Notificação de Lançamento n° 06109/00017/2007 (às fls. 01/04), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 357.254,57, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR, do exercício de 2004, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/08/2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Buriti da Prata", cadastrado na RFB, sob o n° 1.543.121-5, com área declarada de 2.833,9 ha, localizado no Município de Prata/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2004 incidentes em malha valor, iniciou-se com a intimação de fls. 05/06, exigindo-se a apresentação de: 1° - Cópia do ADA- Ato Declaratório Ambiental; 2° - Cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; e, 3° - Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra — S1PT da RFB. Em atendimento, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 07/08, 09/12, 13, 14/17, 18/21, 22/32, 33/39, 40/43 e 44/46. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2004, a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação - de Lançamento, glosando totalmente as áreas declaradas como sendo de utilização limitada, de 858,1 ha, além, de alterar o VTN declarado de R$ 2.635.608,82 para R$ 5.101.020,00, conforme o SIPT. Desta forma, foi aumentada a área tributável do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização da área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido à glosa da área ambiental e ao novo valor atribuído ao VTN -, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 3,40%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através da presente Notificação de Lançamento, de R$ 163.518,21, conforme demonstrativo de fls. 03. A descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 02 e 04. Da Impugnação 4-1 2 Processo n° 10675.720064/2007-26 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.468 Fl. 135 Cientificada do lançamento, em 30/08/2007 (documento "AR" de fls. 93), a Impugnante, por meio de procuradora legalmente constituída, doc. de fls. 65/68, protocolou em 28109/2007, fls. 59, a impugnação de fls. 59/64, lida nesta Sessão. Apoiada nos documentos de fls. 55/58, 69/72, 73, 74/82 e 83/91, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • apresenta uma exposição do fato da presente notificação de lançamento; • informa que este auto de infração é mais uma repetição de autuações anteriores que foram lavradas por outros fiscais, relativamente aos exercícios de 2000 (Processo n° 10675.004450/2004-24), 2001 (Processo n° 10675.0033353/2005-03) e 2002 (Processo n° 10675/002549/2006-53 todos com base nas mesmas supostas irregularidades (atraso na entrega do ADA) a justificar a glosa de áreas de preservação permanente (75,1 ha), de utilização limitada (858,1 ha) e discordância quanto ao valor da terra nua; • por esse motivo, permite-se a notificada reportar-se, no que for aplicável à presente autuação, ao que já alegou em sua defesa quanto às autuações anteriores, nos quais os autuantes justificaram a sua decisão de excluir tais áreas sob a alegação de que não foram atendidas as condições de sua averbação à margem a escritura no Cartório de Registro de Imóveis, assim como a sua informação no ADA - Ato Declaratório Ambiental, não teria sido aceita por ser intempestiva; • no presente caso, o autuante, ressalvando apenas que o ADA, protocolado em 31/03/2005, teria sido entregue fora do prazo legal, não diz mais nada sobre o que mais não teria sido apresentado para comprovar a isenção quanto à Área de Reserva Legal, já que desta vez, ao contrário das outras autuações, não houve questionamento quanto à Área de Preservação Permanente (75,1 ha); • duas são as exigências quanto à comprovação de áreas de interesse ambiental para exclusão da base de cálculo do ITR, quais sejam: 1) averbação da aérea de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro Geral de Imóveis, e 2) comprovação de apresentação do ADA junto ao MAMA; • no que concerne à averbação da reserva legal junto à escritura do imóvel no RGI, não há qualquer discussão, conforme registro n° R-5-1936, do Livro 2-J, fl. 171v 0, do Registro de Imóveis de Prata, onde se verifica a averbação de área "preservada e gravada como utilização limitada em favor do IBDF, uma área de 333, 20,13ha, não inferior a 20% do total da propriedade, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração, a não ser mediante autorização do mesmo IBDF, conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 12/03/1982"; • constam, ainda, à margem do registro, anotações de vários Termos de Compromisso de Execução Florestal e de Preservação de Floresta, firmados com o IBAMA, em 23.03.90, em 27.11.90, em 10.10.90 e em 20.06.94; • se a área de reserva legal indubitavelmente existe e está averbada no Registro de Imóveis, não há como se negar o direito legal de exclusão dessa área da base tributável pelo ITR, como assegurado pelo art. 10, § 1°, II, a, da Lei n° 9.393/96; • para que não haja qualquer dúvida, esclarece a autuada que a área de 933,2 ha, corresponde à soma da área de reserva legal (858,1 ha) e de preservação permanente (75,1 ha), esta última não excluída nesta autuação; • o ADA referente ao exercício de 2004 foi protocolado junto ao IBAMA em 31/03/2005, ou seja, dentro do prazo legal, se considerado o fato de que, conforme o § 3 0, I, do art. 90 da IN 256 de 11/12/2002, lei vigente à época, esse documento tem que ser protocolado no prazo de 6 meses contado do término do prazo fixado para a entrega do Mit, no caso. 30/09/2004 e transcreve a legislação citada; • desta forma, também não pode prosperar a atuação com relação a este item; • apresenta a descrição dos fatos em relação ao valor da terra nua; • o autuante se refere à Declaração do Sindicato Rural do Prata, no qual, o valor de mercado do alqueire no município é de R$ 15.000,00, o que equivale a R$ 3.099,17/ha, valor que, obviamente, se refere a valor de mercado de terra cultivada, desconsiderando a informação de que quanto ao valor de terra nua, é estimado entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00 por alqueire, ou seja, no máximo em R$ 1.033,00/ha e não, em R$ 3.099,17/ha, como maliciosamente informa; • a autuada solicitou ao Engenheiro Florestal Ascâneo Maria de Oliveira que elaborasse um novo laudo para dirimir a questão, o qual, foi feito em conformidade com a NBR 14.653-3 e concluiu que o VTN seria de R$ 619,86/ha; • ressalta que a empresa utilizou como base de cálculo para fins de incidência do ITR o valor de R$ 619,80/ha de terra nua, valor que se aproxima tanto do laudo que apontou o valor de R$ 604,93/ha de terra nua, elaborado pelo Engenheiro Florestal José Geraldo Magesti, quanto do laudo elaborado pelo Engenheiro Florestal Ascâneo Maria de Oliveira; • o valor atribuído pela autuada levou em consideração a cotação passada pelo Sindicato Rural da Cidade do PratafIVIG que foi de R$ 619,83/ha; • registra que na Descrição dos Fatos, o autuante se limita a dizer que na DIAT o valor da terra nua foi arbitrado com base nas informações do SlPT da RFB, sem, contudo, esclarecer como chegou aos absurdos valores que apurou, o que importa em prejuízo ao direito de defesa da autuada e pode levar à nulidade dessa autuação; • está claro que não pode prevalecer o VTN que foi atribuído pela fiscalização; • pede e espera que seja julgado improcedente a equivocada Notificação de Lançamento. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo restabeleceu a área de reserva legal declarada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL- ITR Exercício: 2004 DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL Comprovada protocolização tempestiva, junto ao IBAMA, do competente ADA, contemplando às áreas ambientais do imóvel, onde se inclui a área de utilização limitada/reserva legal, além da averbação tempestiva da mesma à margem da matrícula do imóvel, cabe restabelecê-la. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIP7', exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, apreços de 10/01/2004. 4:tf) 4 Processo n° 10675.720064/2007-26 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.468 Fl. 136 Lançamento Procedente em Parte Em sua peça recursal (fls. 109/117), a contribuinte repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator • O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 03, a autoridade fiscal arbitrou o Valor da Terra Nua - VTN declarado de R$ 2.635.608,82 (R$ 930,03/ha), arbitrando-o em R$ 5.101.020,00, com suporte no VTN médio para os imóveis rurais localizados no município de Prata — MG, constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT - fl. 47), instituído nos termos do § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996, com base em valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Através de Laudo Técnico, classificado com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT e da intimação inicial (fls. 05/06), a contribuinte poderia infirmar o valor arbitrado pela fiscalização. Com efeito, para comprovar o VTN declarado para o imóvel Fazenda Buriti da Prata, o laudo apresentado deveria atender os requisitos estabelecidos na nomia NBR 14.653-3 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor de mercado da terra nua do imóvel, e ainda trazer aos autos as publicações da imprensa regional que deram suporte é , aos números que determinaram o VTN declarado em 01/01/2004. Desta forma, apareceriam -, todas as distorções na formação de preço, como a desvalorização em 18% do valor das terras no centro-sul de Minas Gerais (fl. 18) e a baixa fertilidade do solo e topografia (conclusões às fls. 28/29). A Declaração à fl. 20 não se presta ao fim de comprovar o valor de mercado do referido imóvel, pois não oferece para análise os dados acima mencionados, nem os elementos de prova em que se baseou. 1 5 Neste diapasão, entendo que o voto condutor da decisão recorrida não merece qualquer reparo (fls. 101/103), até por que seus fundamentos, que adoto como razões de decidir, estão em consonância com entendimentos reiterados desta Câmara. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - a -, -m 12 de março de 2010 da JOSÉ'•STA SANTOS 6
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003352/2007-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO.
Deve o sujeito passivo, insurgir-se clara e pontualmente sobre todas as questões discordantes no processo, sendo que a juntada de novos documentos, deve respeitar o disposto no Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 2002-000.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. Deve o sujeito passivo, insurgir-se clara e pontualmente sobre todas as questões discordantes no processo, sendo que a juntada de novos documentos, deve respeitar o disposto no Decreto 70.235/72.
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Deve o sujeito passivo, insurgirse clara e pontualmente sobre todas as questões discordantes no processo, sendo que a juntada de novos documentos, deve respeitar o disposto no Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 33 52 /2 00 7- 24 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 19647.003352/200724 Acórdão n.º 2002000.915 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 81/83) contra decisão de primeira instância (fls. 53/69), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 04/07, relativamente ao anocalendário 2004, Exercício 2005, para a cobrança do IRPF/2005 Suplementar de R$ 11.064,99, multa de oficio e juros de mora no total de R$ 22.583,64, atualizado até 30/03/2007. Conforme descrito às fls. 05/06, do anexo da "descrição dos fatos e enquadramento legal" foram glosadas as deduções com dependente, no valor de R$ 1.272,00, despesas com médicas de R$ 27.215,55 e apurada omissão e rendimento da fonte pagadora Universidade Federal de Pernambuco no valor de R$ 11.748,81. Segundo consta da descrição dos fatos e enquadramento legal o lançamento se deu em decorrência do não atendimento a intimação e em decorrência do não atendimento, foram consideradas indevidas por falta de comprovação. 2. O contribuinte impugnou tempestivamente o lançamento alegando, em síntese, que i dedução com dependente, tratase de seu filho, 19 anos à época conforme se depreende da certidão de nascimento. Diversamente do foi presumido pelo agente fiscal, o contribuinte as despesas médicas foram realizadas, conforme se observa dos dezenove recibos anexos. E conclui que desta forma evidenciase que todas as deduções forma, devidamente, consideradas e legalmente deduzidas na declaração de imposto de renda ano base 2004.. Em face de todo o exposto, espera o deferimento da impugnação ora apresentada. 2.1 De conformidade com o texto da impugnação o contribuinte não contestou a omissão de rendimentos, apurada com base na DIRF da Universidade Federal de Pernambuco. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. DEDUÇÃO DA BASE CALCULO DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO. CÔNJUGE QUE DECLARA EM SEPARADO. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 19647.003352/200724 Acórdão n.º 2002000.915 S2C0T2 Fl. 4 3 Despesas médicas com esposa não dependente, com declaração em separado e utilizando modelo simplificado beneficiandose do desconto padrão, não podem ser utilizadas como deduções na declaração de ajuste anual do marido. Restabelecese parcialmente a dedução quando devidamente comprovadas a efetividade das despesas com documentos hábeis e idôneos.. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. MATÉRIANÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento que o contribuinte não impugna. DEPENDENTE. É de se conceder a dedução quando ficar comprovado que a pessoa indicada é sua como dependente de acordo com a legislação vigente. CONTRIBUIÇÃO A PREVIDÊNCIA PRIVADA. É de se restabelecer a dedução quando ficar comprovado com documento hábil e idôneo. APRECIAÇÃO DOS FATOS. LIVRE CONVICÇÃO DA AUTORIDADE JULGADORA. Os fatos são apreciados segundo as provas trazidas aos autos e a livre convicção da autoridade julgadora. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo: “que lhe seja concedido o direito de anexar os recibos das despesas com valores discriminados por beneficiário tão logo lhe chegue às mãos, o que certamente será antes da apreciação do recurso por parte desse Conselho Administrativo, não trazendo prejuízo a essa Receita Federal nem à defesa do contribuinte”; “que sejam considerados os valores já recolhidos na oportunidade do recebimento do termo de intimação fiscal de n° 2005/604264091561002 para efeito dos cálculos dos valores por ventura ainda 'devidos. Doc 1 DARF com período de apuração 31/12/2004 (cópia) e Doc 2 recibo de agendamento/pagamento DARF (cópia) em anexos”. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 24/09/2010 (fl. 75); Recurso Voluntário protocolado em 21/10/2010 (fl. 81), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 19647.003352/200724 Acórdão n.º 2002000.915 S2C0T2 Fl. 5 4 Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Dependente; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas; c) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF, que os valores foram glosados por falta de comprovação. A r. decisão revisanda, entendeu que: “Da apreciação dos termos da impugnação o contribuinte contestou expressamente as glosas das deduções com dependentes, despesas médicas. Portanto, em omissão de rendimentos o contribuinte foi omisso em sua contestação. Portanto, a matéria não foi impugnada, que não será apreciada no presente voto”. “Da análise dos documentos acostados aos autos e das informações da DlRPF/2004, é se restabelecer a dedução com dependente, pois tratase do filho menor de 21 anos, naquele anocalendário, conforme se observa da certidão de nascimento de fls. 8”. “Na relação de pagamentos e doações da D1RPF/2005, fls. 30, o contribuinte informou despesas médicas em nome da Sul América Seguros Saúde S/A, fls. 09, o valor de R$ 12.016,95. Entretanto, comprovou com o documento de fls. 09, emitido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde o valor de R$ 9.025,40, correspondente a 06 (seis) pagamentos de R$ 811,82 e um (01) de R$ 907,20 e dois (2) de R$ 1.623,64.. Portanto, é de se restabelecer a dedução no valor efetivamente comprovado, ou seja R$ 9.025,40”. “Assim sendo é de se restabelecer parcialmente a dedução com despesas médicas nos valores efetivamente comprovados e realizados com o contribuinte e seu dependente, que totalizou de R$ 13.019,40 ( o somatório dos seguintes valores R$ 9.025,40, plano de saúde R$ 2.040,00 consultas médicas e R$ 1.954,00 despesas com tratamento odontológico )”. Em julgamento a r. decisão julgou procedente em parte o lançamento, mantendo as demais glosas. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio. Em sua peça de resistência, o recorrente diz que em sua boafé apresentou os recibos de despesas tal qual lhe foram encaminhados pelas clínicas e operadoras de plano de saúde. Requer a dilação de prazo para apresentação de documentos e, por final que se considere os valores já recolhidos à Receita Federal. Pois bem, a juntada extemporânea de novos documentos deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamento, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas “a”, “b” ou “c” do §4º, do art. 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 19647.003352/200724 Acórdão n.º 2002000.915 S2C0T2 Fl. 6 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O recorrente requer que sejam considerados os valores já recolhidos na oportunidade do recebimento do termo de intimação, para efeito dos cálculos dos valores por ventura, ainda devidos. É certo que a respeito dos recibos de fls. 85/87 a Receita já se manifestou corretamente, conforme documento de fls. 93/96. Em matéria recursal é fator relevante a necessidade de o sujeito passivo insurgirse clara e pontualmente sobre todas as questões discordantes que alimentam a presunção de legitimidade das circunstâncias fáticas e jurídicas materializadas no processo. Nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720757/2016-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
PLANO COLETIVO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR INSTITUÍDO POR ENTIDADE ABERTA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO PREVIDENCIÁRIO.INSTRUMENTO REMUNERATÓRIO.INCIDÊNCIA.
Os valores dos aportes a planos coletivos de previdência complementar de entidade aberta, ainda que ofertado plano diferenciado a grupo ou categoria distinta de trabalhadores da empresa, não integram a base cálculo da contribuição previdenciária, mas desde que não utilizados como instrumento de incentivo ao trabalho, concedidos a título de gratificação, bônus ou prêmio. A falta de comprovação do propósito previdenciário do plano, que deve destinar-se à formação de reservas para garantia dos benefícios contratados, implica a tributação das contribuições efetuadas pela empresa instituidora ao plano de previdência privada aberta.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal
Numero da decisão: 2201-004.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso do contribuinte, vencido o conselheiro (relator) Douglas Kakazu Kushiyama e o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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AUSÊNCIA DE PROPÓSITO PREVIDENCIÁRIO.INSTRUMENTO REMUNERATÓRIO.INCIDÊNCIA. Os valores dos aportes a planos coletivos de previdência complementar de entidade aberta, ainda que ofertado plano diferenciado a grupo ou categoria distinta de trabalhadores da empresa, não integram a base cálculo da contribuição previdenciária, mas desde que não utilizados como instrumento de incentivo ao trabalho, concedidos a título de gratificação, bônus ou prêmio. A falta de comprovação do propósito previdenciário do plano, que deve destinarse à formação de reservas para garantia dos benefícios contratados, implica a tributação das contribuições efetuadas pela empresa instituidora ao plano de previdência privada aberta. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso do contribuinte, vencido o conselheiro (relator) Douglas Kakazu Kushiyama e o conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 57 /2 01 6- 46 Fl. 1369DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1277/1330 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), de fls. 1241/1268, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, que visa à cobrança de multa de ofício isolada de 75%, decorrente da falta de retenção do imposto de renda pessoa física sobre valores de aportes suplementares em conta de previdência complementar relacionados ao 5º Termo Aditivo ao contrato de Previdência Privada, denominado PGBL Empresarial, em que são elegíveis membros do Conselho da CIA, Diretores Estatutários, Superintendentes Executivos, Assessores jurídicos e Gerentes Regionais, caracterizados como remuneração do trabalho. A autuação corresponde ao montante de R$ 60.064.083,75, lavrada em 18/11/2016. Ante o didatismo do relatório feito na decisão recorrida, transcrevo: Do Relatório Fiscal: Relata a fiscalização que no curso de auditoria fiscal constatou que a empresa efetuou aportes suplementares em contas de previdência privada no PGBL Empresarial, os quais não visaram a constituição de reservas garantidoras de benefícios, possuindo natureza claramente remuneratória, bem como o plano não era extensivo a totalidade dos empregados do Banco Bradesco S/A. Informa que a empresa, em atendimento à intimação apresentou os seguintes contratos previdenciários: a) Convênio de Adesão ao Plano I De previdência privada para empregados e dirigentes da empresa, datado de 20 de junho de 1.985, disponível a totalidade dos administradores e empregados da empresa, fechado a novos participantes em 30 de abril de 1.999; b) Contrato Previdenciário datado de 20 de maio de 1.999 a empresa instituiu plano de previdência privada na modalidade de Contribuição Definida FGB e de benefício definido PBD para totalidade dos seus empregados e dirigentes; Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.420 3 c) Contrato Previdenciário datado de 20/05/2000 informando que em razão dos contratos descritos nas letras a) e b) acima estarem fechados a novos participantes desde 30/04/1999 e 30/04/2000 decidiu implementar em 01/05/2000 plano de Previdência Privada na modalidade PGBL e de benefício definido PBD para totalidade dos administradores e empregados da empresa. Que da análise da documentação verificou como regra geral que o Contrato Previdenciário de 20/05/2000, dispõe: "Não existe restrição à elegibilidade, ou seja, todos os empregados e diretores do Banco Bradesco S/A podem optar em participar do plano; O empregado ou administrador optante pelo plano é denominado Participante; A empresa é chamada Instituidora; A regra geral das contribuições da instituidora é 4% do salário de participação do participante que estiver contribuindo; Salário de participação é o salário básico mensal pago ao Participante pela Instituidora, incluindo o 13° salário, bem como as gratificações pagas aos diretores estatutários e técnicos, estas limitadas a 6 e a 2 honorários mensais respectivamente; A contribuição mensal do participante será o equivalente a 4% de seu salário de participação; Os contratos foram firmados com a Bradesco Vida e Previdência S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 51.990.695/000112; As contribuições mensais, pagas pela Instituidora e pelos Participantes, cessarão em relação a cada participante, quando este entrar em gozo de um dos benefícios previstos no plano, falecer ou requerer o cancelamento de sua inscrição; Ocorrendo o desligamento do quadro funcional da Instituidora o participante poderá continuar inscrito no plano, assumindo integralmente as contribuições mensais de responsabilidade do Participante e da Instituidora ou poderá optar pelo resgate do saldo correspondente feitas exclusivamente as suas expensas, ou converter esse saldo em renda diferida. Caso o participante , por ocasião do desligamento, tenha menos de 10 anos de vinculação ao plano de benefícios, o saldo formado pelas contribuições da instituidora será revertido ao plano de benefícios; Caso não haja o desligamento do quadro funcional da Instituidora, será garantido ao participante, o resgate do saldo formado às suas expensas. O saldo formado pelas contribuições da Instituidora será revertido ao plano de benefícios; Fl. 1371DF CARF MF 4 Os Participantes em gozo de um dos benefícios previstos no contrato, passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência, desvinculandose com a Instituidora." A auditoria relata que os Contratos Previdenciários acima, que se destinavam a todos segurados, não apresentaram características de incentivo ao trabalho ou premiação e as contribuições da Instituidora não foram objeto deste Auto de Infração. No entanto, a fiscalização apurou que além dos Contratos Previdenciários acima citados, em que participam empregados, diretores estatutários e membros do Conselho da CIA o contribuinte instituiu um plano de benefícios suplementares na CIA, datado de 30/07/1999, denominado PGBL Empresarial, através do 5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada firmado em 20/06/1985, alterado pelo Termo Aditivo 05 E , datado de 01/06/2011, que modificou alguns artigos do 5o Termo Aditivo. Junta referidos aditivos aos autos. Aduz as características do PGBLEmpresarial: Disponível apenas para o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos, Assessor da Diretoria e Superintendentes Executivos, sendo que a partir de 06/2011 também aos Gerentes Regionais conforme Termo Aditivo 05 E; O PGBL será constituído por contas individualizadas por participante designadas Conta de Reserva do Participante Parte Instituidora Conta Reserva do Participante Parte Participante; Para o PGBL EMPRESARIAL , os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, sendo, portanto, de sua total responsabilidade; Não foi verificada regra geral para as contribuições da Instituidora, apenas a menção de que a Instituidora fará contribuições mensais ao PGBL individualizadas a cada participante; A partir de 06/2011, com as alterações do Termo Aditivo 5 E as contribuições do Participante Diretor Estatutário e membros do Conselho as contribuições passam a ser de 10% do salário base ou prólabore. Para o cargo de Superintendente Executivo ou Assessor Jurídico contribuições mensais de 7,29% sobre o salário base mensal; Os participantes em gozo de benefícios passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, ou seja, não haveria mais obrigações contratuais para a Instituidora; Durante o período de diferimento, mediante expressa autorização da Instituidora, o Participante poderá resgatar parte ou totalidade do saldo da Conta Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante, observada a legislação; Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.421 5 Por ocasião de seu desligamento da Instituidora, o Participante poderá resgatar o saldo da Conta de Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante. Tece considerações sobre o Comitê de Remuneração, estipulado no art. 23 do Estatuto Social da impugnante, cabendo a este assessorar o Conselho de Administração sobre políticas e diretrizes remuneratórias aos administradores. Consoante o Estatuto Social a Assembléia Geral é que fixa a remuneração dos administradores, proposta pelo Conselho de Administração o qual é assessorado pelo Comitê de Remuneração. A Ata da Assembléia Geral da CIA de 09/03/2012, que deliberou sobre a remuneração, foi juntada aos autos, cujo trecho foi transcrito: “Propostas do Conselho de Administração para Remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal, registradas na Reunião Extraordinária no 1.865, de 7.2.2012, conforme segue: “Senhores Acionistas, O Conselho de Administração do Banco Bradesco S.A. vem submeter, para exame e deliberação, propostas para Remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal, conforme segue: 1. Remuneração dos Administradores Para o exercício de 2012, propomos manter inalterados os valores fixados na Assembleia Geral Ordinária realizada em 2011, quais sejam: o montante global anual de até R$250.000.000,00 para a remuneração dos Administradores, e a verba anual de até R$250.000.000,00 destinada a custear o Plano de Previdência Complementar Aberta destinada aos Administradores e Funcionários da Organização Bradesco. Esses montantes justificamse devido à grande experiência dos Administradores e ao seu alto grau de conhecimento da Companhia, haja vista que a maioria fez carreira na própria Organização, bem como à necessidade de reter talentos num mercado cada vez mais competitivo. O Comitê de Remuneração avaliará, permanentemente, a performance corporativa, o cumprimento dos objetivos e a sustentabilidade dos negócios, com o propósito de verificar se os resultados justificam distribuições das verbas até os limites ora propostos. Conforme determina a letra “n” do Artigo 9° do Estatuto Social, o montante global anu al da remuneração e da verba previdenciária será distribuído em reunião do Conselho de Administração, aos membros do próprio Conselho e da Diretoria.” (Ata da AGO em anexo ao Processo Doc. 20). A fiscalização ressalta que o plano de previdência a que se refere a AGO acima, é o PGBL Empresarial. Aduz que conforme Ata datada de 21/06/2011 (doc.21) foram estipuladas as contribuições ao PGBLEmpresarial que foram fixadas nos seguintes termos: Fl. 1373DF CARF MF 6 Informa que nas Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras publicadas no Diário Oficial, referente ao período fiscalizado (2012), o contribuinte informa acerca da remunerações dos administradores referindose ao PGBL Empresarial. Os valores informados são os consolidados do grupo Bradesco. (Doc.7 anexado). Quando as Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras se referem aos contratos previdenciários em que são elegíveis a totalidade dos empregados e que participam também diretores e empregados participantes do PGBL empresarial, as informações destes contratos aparecem no item benefícios a empregados. Transcreve o referido trecho no Relatório Fiscal e ressalta que tais contribuições não são objeto da presente autuação. Reproduz no Relatório Fiscal trechos do Formulário de Referência 2013, referente ao ano 2012, cujo documento é de publicação obrigatório para as S/A abertas, nos tópicos relacionados a remuneração dos administradores. Destaca que: “13.1 Descrição da política ou prática de remuneração, inclusive da diretoria não estatutária a) Objetivos da política ou prática de remuneração Em 2012, o Bradesco adequou sua política de remuneração de administradores, de modo a refletir os objetivos traçados pela Resolução nº 3.921, do Conselho Monetário Nacional, de 25.11.2010, o que ensejou no pagamento, de parte do montante aprovado na AGO, como remuneração variável. Assim, tais valores estão refletidos neste documento, nos itens 13.2 – Remuneração total do conselho de administração, diretoria estatutária e conselho fiscal, título “Remuneração total do Exercício Social em 31.12.2012 – Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.422 7 Valores Anuais”, e 13.3 – Remuneração variável do conselho de administração, diretoria estatutária e conselho fiscal, título “iv. valor efetivamente reconhecido nos resultados de 2012. Sua política objetiva: • assegurar que a prática de remuneração esteja em conformidade com a legislação, normas e regulamentos que disciplinam o assunto, baseandose nas responsabilidades dos Administradores, que decorrem dos cargos que ocupam e das funções que desempenham; no tempo dedicado às suas funções; na competência e reputação profissional, tendo em vista a sua experiência e qualificação; e no valor de seus serviços no mercado; • propiciar o alinhamento entre as práticas de remuneração dos Administradores e os interesses da Organização, de maneira que as decisões tomadas sejam as melhores possíveis, buscando criar valor para seus acionistas e investidores; e • garantir que a prática de remuneração esteja relacionada com objetivos que busquem a valorização da Organização, não incentivando comportamentos que elevem a exposição ao risco acima dos níveis considerados prudentes nas estratégias de curto, médio e longo prazos adotadas. i. descrição dos elementos da remuneração e os objetivos de cada um deles a) Conselho de Administração e Diretoria A remuneração dos Administradores está consubstanciada em Remuneração Fixa, representada por Honorários Mensais fixados para o período de vigência do seu mandato, e eventual Remuneração Variável atribuída de acordo com o critério de múltiplos Honorários Mensais, até o limite autorizado pela Assembléia de Acionistas ou pelos Órgãos de Administração. Ainda, anualmente, é submetida à aprovação da Assembléia de Acionistas proposta de verba para custear o Plano de Previdência Complementar Aberta destinada aos Administradores e Funcionários da Organização Bradesco, cujos valores estão destacados no item 13.2, como benefícios pósemprego. Por força do OfícioCircular/CVM/SEP/No 007/2011, estamos indicando no item 13.2, nos anos de 2012, 2011 e 2010, os valores correspondentes às contribuições para o INSS pagas pelo Bradesco e reconhecidas em seu resultado.” A auditoria destaca que no item 13.2 Remuneração total do conselho de administração, diretoria estatutária e conselho fiscal, valores anuais são informados as remunerações pagas aos Diretores Estatutários e membros do Conselho, cerca de 100 no total, distribuídos da seguinte forma : Prólabore R$ 115.929.400,00; Gratificações R$ 134.502.600,00; Fl. 1375DF CARF MF 8 PGBL Empresarial R$ 250.000.000,00. No item 13.10 Informações sobre planos de previdência conferidos aos membros do conselho de administração e aos diretores estatutários alínea h) informa que existe a possibilidade de resgate antecipado após dois exercícios subsequentes às contribuições efetuadas, observadas as normas que regem a matéria. As contribuições efetuadas referemse a do participante e dos aportes da empresa. Conclui a fiscalização que: "Da análise dos documentos societários da CIA, verificase que o Comitê de Remuneração, composto pela alta direção do Banco Bradesco, assessora o Conselho de Administração (CA) os valores a serem pagos aos administradores estatutários do contribuinte, incluindo os valores dos aportes suplementares do plano PGBLEmpresarial, e estas propostas são submetidas às Assembléias Gerais. O montante da remuneração global aprovada é distribuído pelo Conselho de Administração aos membros do Conselho e da Diretoria , conforme estipula o Estatuto Social da CIA. O PGBL Empresarial, conforme expresso nos próprios documentos societários da CIA, está inserido dentro da política e diretriz da remuneração atribuída aos administradores pela CIA, não tendo relação com o objetivo da previdência complementar encontrado nos planos previdenciários extensivo a todos os empregados e administradores, que tem como finalidade instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário conforme exposto nas Demonstrações Financeiras publicadas. Os aportes suplementares do PGBLEmpresarial não levam em consideração critérios objetivos de planos previdenciários tais como idade e o tempo de expectativa de vida dos beneficiários e sim vinculados a resultados de negócios da CIA, retenção de talentos e reconhecimento dos serviços prestados. Os valores dos aportes suplementares se igualam a totalidade do prólabore somados as gratificações pagas aos administradores sendo que, estes aportes, estão vinculados as políticas de remunerações dos administradores que são definidas pelos órgãos estatutários do contribuinte. Esta afirmativa pode ser comprovada através dos valores de aportes suplementares do PGBLEmpresarial em comparação com os Contratos Previdenciários extensivos a totalidade dos empregados e administradores incluídos os também participantes do PGBL Empresarial: A despesa de previdência complementar conforme conta contábil 8.1.7.30605 no ano calendário 2012 totalizou R$ 447.962.713,19 . Este valor inclui o PGBL Empresarial e os Contratos Previdenciários extensivos a totalidade dos empregados e administradores do contribuinte que contava em seus quadros em 2012 com cerca de 86.000 empregados, conforme informação da DIPJ Ficha 70 Informações Previdenciárias declarada pelo contribuinte. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.423 9 Para o PGBLEmpresarial, que no ano de 2012 participavam cerca de 304 administradores e empregados elegíveis, os aportes suplementares somaram a quantia de R$ 291.219.800,00, sendo que, somente para os cerca de 101 membros do Conselho e Diretoria Estatutária o valor do aporte suplementar foi de R$230.362.800,00; já a remuneração declarada em GFIP e DIRF (incluindo prólabore e gratificações) dos membros do Conselho e Diretoria Estatutária totalizou R$ 230.756.200,00; Para o plano de Previdência Complementar extensivo a todos empregados a contribuição básica efetuada pela empresa aos administradores e empregados elegíveis do PGBL Empresarial, totalizou R$ 9.584.743,36. Doc.10 Aportes efetuados pela empresa no plano básico e aportes no PGBL Empresarial dos Diretores Estatutários e membros do Conselho; Doc.11 Aportes efetuados pela empresa no plano básico e aportes no PGBL Empresarial dos Superintendentes Executivos e Gerentes Regionais;" Em seguimento a fiscalização reporta que a autuada foi intimada a apresentar os aportes efetuados no plano PGBLEmpresarial de forma individualizada e por competência. O contribuinte apresentou as planilhas solicitadas dos membros do Conselho e Diretoria Estatutária (contribuintes individuais) e outra dos Superintendentes executivos e Gerentes Regionais (empregados), com os aportes individualizados, por nome, competência e valor. Aduz que a contribuição básica que aparece na planilha refere se as contribuições da Instituidora dos Planos extensivos a totalidade dos administradores e empregados que não faz parte da base de cálculo deste Al. A contribuição suplementar é que referese ao PGBL Empresarial. Planilha anexada ao Processo Docs. 10 e 11. Acrescenta que o contribuinte apresentou Ata de reunião do Conselho de Administração (CA) que alterou a forma da contribuição mensal do patrocinador conforme quadro abaixo a partir de 06/2011. Anexado ao Processo Ata de reunião do CA (Doc. 21). Da análise da documentação apurada a fiscalização ressalta que: "A natureza remuneratória dos valores aportados ao "plano de previdência privada" PGBL Empresarial fica evidenciada quando se nota que as "contribuições" eram definidas e alteradas pelo Conselho de Administração, de forma unilateral Fl. 1377DF CARF MF 10 levando em consideração os resultados apurados nos segmentos de negócios, bem assim a alta qualificação, o tempo de serviço e o desempenho dos beneficiários, conforme expressa os documentos societários da CIA. Ressaltese que o contrato do PGBLEmpresarial é omisso quanto ao valor da contribuição da Instituidora limitandose a afirmar que este fará contribuições mensais ao PGBL conforme Item 3.3.1. do Termo Aditivo 5PGBL Empresarial. Da análise do material apresentado pelo contribuinte, e a constatação da ordem de grandeza dos aportes suplementares, esta fiscalização entendeu relevante fazer uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar supramencionados e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho informados na DIRF (declaração de imposto retido na fonte) do Banco Bradesco nos mesmos períodos e os resgates destes valores sempre em janeiro de cada ano. Das verificações efetivadas por esta fiscalização verificouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais . Segue, a título exemplificativo, quadro comparativo entre os aportes feitos pelo contribuinte na previdência complementar PGBL Empresarial os valores recebidos como rendimento do trabalho de alguns elegíveis no período fiscalizado e os valores de resgate em 01/2012:(Doc.22 Exemplos DIRF cód. 3223 – Resgate previdência 2011;2012 e 2013) Em relação ao resgate a Cláusula Quarta do PGBL Empresarial estipula que durante o prazo de diferimento o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade da Conta reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante mediante expressa autorização da Instituidora, observada a legislação pertinente. No item 4.3 o Participante por ocasião do desligamento da empresa poderá resgatar Conta Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante. No item 13.10 do Formulário de Referência Informações sobre planos de previdência conferidos aos membros do conselho de administração e aos diretores estatutários alínea h) informa que existe a possibilidade de resgate antecipado após dois exercícios subsequentes às contribuições efetuadas, observadas as normas que regem a matéria. Os Contratos Previdenciários extensivos a totalidade dos empregados e administradores do Banco Bradesco regula em sua Cláusula Sexta que o valor do resgate será equivalente ao Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.424 11 saldo formado exclusivamente pelas contribuições feitas às expensas do Participante, e a parte do saldo formada pelas contribuições da Instituidora , será revertida ao Plano de Benefícios , sendo que este também é um Plano de Previdência Privada na modalidade PGBL. Por outro lado , o STJ já manifestou seu entendimento sobre resgate dos valores pagos pelo patrocinador através da Súmula 290 : "Súmula 290 Nos planos de previdência privada, não cabe ao beneficiário a devolução da contribuição efetuada pelo patrocinador". Evidente que os resgates do PGBLEmpresarial atingem fundamentalmente a parte da contribuição do contribuinte. Ao contrário do Contrato Previdenciário extensivo a todos os empregados em que a contribuição do patrocinador e do participante é de 4% do salário de participação , no PGBL Empresarial a contribuição do participante é imensamente menor que a contribuição da instituidora. Exemplificando caso concreto: Determinado administrador recebeu de honorário mensal em 09/2012 R$ 200.000,00. O aporte suplementar mensal do Banco Bradesco totalizou R$400.000,00 (2 honorários mensais), sendo que a contribuição ao plano PGBL Empresarial deste administrador é de R$20.000,00 conforme deliberado pelo Conselho de Administração. Pelo contido nos documentos societários que regem o PGBL Empresarial constatase que todos os beneficiários deste plano podem resgatar qualquer valor , em qualquer momento, somente observada a legislação em vigor e prazos de carência do Plano. Até na hipótese deste beneficiário pedir o desligamento da empresa terá o direito de resgatar o saldo de sua conta Parte Participante e Parte Instituidora. O direito ao resgate no PGBL Empresarial da forma que está estipulada não é uma imposição legal, é uma forma do Banco Bradesco S/A garantir ao beneficiário que o valor aportado pelo contribuinte em sua Conta Reserva imediatamente integre seu patrimônio sem qualquer condição, pois os aportes estão inseridos na política remuneratória do contribuinte. Entendimento contrário, seriam ilegais as cláusulas de resgate estipuladas nos contratos Previdenciários extensivos a todos empregados e administradores, que não é o caso conforme sumulado pelo próprio STJ. A auditoria expõe que ao verificar nos sistemas da Receita Federal do Brasil o motivo dos resgates realizados sempre em janeiro neste plano de previdência constatou que administradores do Banco Bradesco, participantes do PGBL Empresarial, compraram de empresas que participam do capital do Banco Bradesco, ações da BBD Participações S/A CNPJ 07.838.611/000152, sendo um lote adquirido no ano 2008 para pagamento parcelado em 01/2010; 01/2011; 01/2012 e outro lote Fl. 1379DF CARF MF 12 de ações, também adquirido em 2008 com vencimento em janeiro de 2013. Acrescenta que somente podem deter ações da BBD, membros do Conselho de Administração, Diretoria Estatutária e funcionários qualificados do Bradesco também elegívies ao PGBL Empresarial. Essas ações foram adquiridas por administradores/empregados e pagas através de parcelas anuais todo mês de janeiro, coincidentemente o mês que os adquirentes realizam os resgates no PGBL Empresarial. Cabe salientar que todo ano essas ações obtêm valorização pela equivalência patrimonial, além dos dividendos e juros sobre capital próprio que o acionista pode receber. Constatou que estes administradores ou altos funcionários quando vendem suas ações da BBD para própria BBD apurando valores substancias de ganho de capital. Nos exemplos anexados ao processo (Doc. 23) os ganhos de capital de cada acionista com a venda dessas ações foram de R$50.616.052,01; R$32.447.367,59; R$34.621.936,28. Informa que esta prática assemelhase as chamadas remunerações por ações. Com o resgate do PGBL Empresarial, fruto dos aportes realizados fundamentalmente pelo contribuinte, o administrador ou empregado elegível adquire ações da BBD e a valorização destas ações está intimamente ligada ao desempenho desses administradores ou empregados no Banco Bradesco S/A. A fiscalização relata também, que o contribuinte, em atendimento à intimação fiscal, apresentou quais os segurados do plano de previdência complementar estão em gozo de benefício, apurando que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes suplementares da empresa nas suas contas. Portanto, se o contribuinte continua a aportar valores suplementares no PGBL Empresarial nas contas de dirigentes e empregados já em gozo de benefício, e segundo o regulamento do plano (cláusula 10.2), os participantes nesta situação deveriam relacionarse diretamente com a Bradesco Vida e Previdência, concluise que os aportes tem outra finalidade que não a previdenciária. Por fim a fiscalização, apresenta a conclusão quanto ao apurado, nos seguintes termos: A natureza remuneratória do PGBL Empresarial, conforme demonstrado neste Relatório Fiscal, fica caracterizada : Pelos aportes suplementares em valores substanciais que estão inseridos na política e diretriz traçada pela CIA em relação a remuneração de seus administradores e altos funcionários. A remuneração dos administradores, incluído o PGBL Empresarial, é recomendado pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e ratificadas na Assembléia Geral , de forma antecipada e unilateral, levando em consideração resultados apurados nos segmentos de negócio e a necessidade de reter talentos num mercado competitivo, conforme expresso nos Atos societários da CIA; Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.425 13 Pelo regulamento do PGBL Empresarial que não prevê regras claras em relação as contribuições do patrocinador. Cabendo ao Conselho de Administração deliberar a forma de distribuição dos aportes suplementares cujos valores são aprovados em Assembléia da CIA; Pelos resgates significativos autorizados pelo contribuinte sem qualquer finalidade previdenciária como demonstrado neste Relatório Fiscal; Pelo fato das contribuições feitas ao PGBL Empresarial não ter a finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, visto que vários participantes estão em gozo de benefícios e continuam a receber os aportes suplementares da instituidora; Dessa forma, o PGBL Empresarial se afasta dos dispositivos da Lei Complementar 109/01: a) em seu artigo 2° a LC 109/01 que estabelece que o regime de previdência complementar tem por objetivo instituir planos de benefício de caráter previdenciário; b) em seu artigo 10 a LC 109/01 estipula que tanto os requisitos de elegibilidade, como a forma de cálculo dos aportes pela Instituidora devem estar claramente definidos no regulamento do plano, o que não acontece no regulamento do PGBL Empresarial; c) O artigo 69 e parágrafo 1o da LC 109/01 prevê a não incidência de tributação e contribuições de qualquer natureza para custeio dos planos de benefício de natureza previdenciária, que como foi demonstrado, não é o caso do PGBL Empresarial instituído pelo contribuinte. Do lançamento de Ofício A autoridade autuante relata que os valores tributáveis são aqueles referentes aos aportes suplementares realizados pelo Banco Bradesco S/A aos seus administradores e empregados no mês dos efetivos pagamentos. Sobre estes valores deve ser aplicada a multa isolada à proporção de 75% sobre o IRRF que deixou de ser retido pela empresa. Os valores recebidos na forma do item anterior estão relacionados individual e mensalmente em planilha fornecida pelo contribuinte (uma para os administradores e outra para os superintendentes executivos e gerentes regionais) e anexadas ao presente Processo (Doc.10 planilha contendo os administradores e Doc.11 planilha contendo empregados elegíveis) Todos os valores estão mensalmente consolidados na planilha intitulada "BASE DE CÁLCULO MULTA ISOLADA", anexado ao presente (Doc.24). Da Impugnação Fl. 1381DF CARF MF 14 Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento fiscal, cujas alegações são em síntese, abaixo elencadas: Que a fiscalização entendeu que a instituição de contribuições suplementares seria um plano distinto e restrito aos funcionários investidos nos cargos mais elevados da impugnante, com natureza remuneratória. No entanto foi instituído Plano Único, que por força do 5° Termo Aditivo, que oferecia benefícios diferenciados aos beneficiários nele elencados, pois inexiste obrigação legal de que Planos de Previdência Complementar estabeleçam benefícios em valores idênticos a todos os empregados e dirigentes da empresa. Há expressa autorização para que os planos instituídos junto a entidade aberta de previdência privada se destinem a um grupo específico de funcionários, conforme §3° do art. 26 da LC n° 109/01. Aduz que tais benefícios estão em completa desconexão com os aspectos contraprestacionais da relação de trabalho e objetivam amparar o empregado e eventualmente seus dependentes em circunstancias pessoais de padecimento ou de necessidade. Que as parcelas sem significado salarial, a CF/88 por expressa exclusão legal e outras simplesmente de caráter indenizatório, além das prestações educacionais, assistenciais e previdenciárias, por natureza não integram o salário, nem a remuneração dos empregados para nenhum efeito. Quanto à regulamentação da previdência privada, ressalta que o parágrafo 2° do art. 202 da CF/88, na redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98 dispõe que as contribuições em causa não integram a remuneração dos participantes de Planos de Previdência Privada, não podendo em razão sofrer a incidência do Imposto de Renda na Fonte. Que a LC n° 109/01 reproduz essa regra constitucional em seus artigos 68 e 69 Acrescenta que desde que as contribuições sejam vertidas para Planos de Previdência Privada estruturados e administrados por empresa que se dedica a essa atividade, não pode a fiscalização pretender que tais contribuições sejam consideradas pagamento de remuneração disfarçada, porque essa não é a sua natureza. Argumenta que em se tratando de Plano Gerador de Beneficio Livre PGBL, o resgate é um direito do participante, e deve ser a ele oferecido, obrigatoriamente e a qualquer tempo durante o prazo de diferimento, respeitados apenas os prazos de carência e intermediário entre os pedidos de resgate. Que os Planos tipo PGBL, são de total liberdade dos participantes e da instituidora quanto ao pagamento das contribuições e garantia do direito de resgate total ou parcial. Que não há como pretender que as contribuições e os resgates feitos em consonância com a legislação, impliquem descumprimento das normas que regem o Sistema de Previdência Complementar. Que a LC 109/01, em seu artigo 26, §3º, prevê a possibilidade de haver "uma ou mais categorias específicas" de beneficiados vinculados a um mesmo empregador. Assim, reconhece a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.426 15 modalidade aberta, como aquele então mantido pelo Impugnante, que não abranja todos os empregados e diretores de uma pessoa jurídica já que pode ser contratado para "grupos de pessoas" que poderão ser constituídos por "uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador." Ao contrário do artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01, que ao tratar de Benefícios de Entidades Fechadas, estabelece que os planos devem ser "obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores". Ainda que para argumentar fosse considerado plano autônomo, o 5º Termo não padeceria de nenhuma ilegalidade pois pode abranger "uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador".(LC 109/01 §3° do artigo 26). E nem se alegue a obrigatoriedade de extensão a todos os funcionários, conforme o art. 28, §9º, alínea "p", pois tratase de norma incompatível com o artigo 16 da LC 109/01, a qual por ser posterior revogou tal parte final, não apenas por ser com ela incompatível, mas também por ter regulado inteiramente a matéria relativa ao Regime de Previdência Complementar, conforme artigo 2°, §1° da LICC. (entendimento confirmado por decisão proferida em 07.05.2014 pela C. 2a Turma da CSRF nos autos do processo n° 14485.003204/200796 (Acórdão n° 9202 003.193). Cita também acórdãos Carf nº 2803003.710 e 2403 002.310. Argüiu que a Impugnante mantinha à época, aberto e devidamente aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123 (doe. 02), um ÚNICO PLANO de previdência privada extensivo a todos os funcionários e dirigentes da empresa, denominado "Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade Contribuição Variável, o qual contemplava contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa (4 x 4) e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (5o Termo Aditivo). Tratase de plano único com benefícios diferenciados, evidenciando que não houve violação a nenhuma norma legal que rege a previdência privada, pois jamais a legislação exigiu benefícios em valores idênticos a todos empregados e dirigentes. Que o plano deve oferecer aos dirigentes benefícios diferentes daqueles oferecidos aos demais empregados sob pena de em relação a esses a previdência privada não atingir seus objetivos. Quanto à suposta violação ao artigo 10 da LC 109/01, ela não ocorre pois tal artigo não determina em ponto algum que deva constar do regulamento do plano "a forma de cálculo dos aportes pela Instituidora", mas apenas a "forma de cálculo dos benefícios", ou seja, os critérios pelo quais os valores aportados que passarem a integrar o fundo de previdência serão Fl. 1383DF CARF MF 16 remunerados. Regras estas que constam expressamente do 5o Termo conforme item 3.3.1.2. Argumenta que o plano em questão foi aprovado pela SUSEP, o que não teria ocorrido, caso o regulamento estivesse em desconformidade com a legislação. Alega que o fato de incluir no Formulário de Referência juntamente com a remuneração a verba destinada a custear Previdência Complementar é uma exigência da Instrução CVM n° 480/2009, cujo objetivo é informar ao mercado investidor os montantes destinados por essas empresas a seus Administradores. Que a aprovação dessa verba pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e Assembléia Geral do Impugnante, não interferem nem modificam a natureza de cada uma dessas verbas, cabendo a tais órgãos da impugnante tais funções. Acrescenta que “há equívoco do Ilustre Fiscal autuante também ao afirmar que na fixação dessas contribuições não se leva em conta a idade e expectativa de vida dos beneficiários, mas os resultados dos negócios da CIA, retenção de talentos e reconhecimento dos serviços prestados”. As contribuições suplementares são livres e “é preciso distinguir, de um lado, os parâmetros para a fixação da verba global destinada a cobrir as contribuições previdenciárias dos Administradores que só pode ser o resultado dos negócios do impugnante, e de outro, os parâmetros para a fixação das contribuições que cabem a cada um dos beneficiários que levam, sim, em conta aspectos ligados à pessoa dos beneficiários e que são o ‘Tempo de Cargo na Organização’ (e indiretamente a idade) e o ‘Valor do Honorário’ percebido (que a previdência privada visa preservar na inatividade)". Afirma que quanto maior for a remuneração mais próximos daquela que visa proporcionar aos beneficiários a possibilidade de obter na inatividade vencimentos como na época da ativa, a contraporse à alegação da autoridade fiscal que por serem de montantes elevados, muito superiores às contribuições básicas (4x4). Cita excertos de votos do CARF e Cita trechos de acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso especial que trata da não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre auxílioeducação e assistência médica (RESP nº 1.057.010SC). Que a Súmula 290 do STJ suscitada pela fiscalização referese a pleitos de empregados beneficiários de Planos de Previdência Complementar Fechada (por ex. PREVI), ficando sujeitos ao art. 14, III da LC 109/01, mas ao presente caso tratase de Plano de Previdência Aberta, sendo que o caput do artigo 27 da LC citada, possibilita resgate total. Cita circulares SUSEP. Aduz que os valores resgatados em 2012 referemse às contribuições existentes dois anos antes de cada uma dessas datas, já valorizados pelas quotas do fundo de investimento e não aos valores aportados nos anos imediatamente anteriores como sugeriu a fiscalização. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.427 17 Registra que a impugnante não tem controle algum sobre os resgates efetuados pelos beneficiários, o que compete à Entidade Aberta de Previdência Privada, a quem cabe fiscalizar o cumprimento da legislação, no caso a Bradesco Vida e Previdência S/A. Que o beneficiário pode receber benefícios da previdência complementar e ainda manter o vínculo com a empresa. Por sua vez é incorreta a afirmação da fiscalização de que o regulamento do plano determina que o beneficiário em gozo de benefício deva se relacionar diretamente com a empresa de previdência privada. Essa regra somente tem aplicação no caso de rescisão do contrato previdenciário entre a Instituidora e a empresa de previdência privada Cláusula Décima do 5º Termo Aditivo. Alega que, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, os fatos narrados não consubstanciam prática que se assemelha às “chamadas remunerações por ações”, “posto que o próprio Fiscal autuante informa que tais ações da BBD Participações S/A foram compradas ‘de empresas que participam do capital do Banco Bradesco’, a evidenciar que se tratou de negócio oneroso para os adquirentes das referidas ações, fato que evidentemente não pode ser classificado como ‘remuneração por ações’”. Afirma que os resgates efetuados se referem sempre a contribuições efetuadas dois anos antes, tendo em vista a necessidade de se atender ao prazo previsto no artigo 56, § 4o, da Resolução CNSP nº 139/05. Afirma que a possibilidade de resgate no PGBL para aplicação em ativos que o beneficiário entende terem potencial de maior rentabilidade foi um objetivo pensado e buscado pelo legislador quando autorizou livremente o resgate (após o cumprimento dos prazos legais), que busca melhor condição de vida no futuro. Por todo exposto, a impugnante argumenta que é possível verificar que o artigo 202 da CF/88 e a Lei Complementar n° 109/01, estabeleceram apenas uma condição para que as contribuições da empresa a Plano de Previdência Aberta sejam desvinculadas da remuneração: que as contribuições sejam pagas a empresa de previdência privada legalmente constituída e autorizada a instituir e operar tais planos. Acrescenta que “o Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade Contribuição Variável, em causa, teve seu Regulamento (Nota Técnica respectiva) devidamente aprovado pela SUSEP conforme Processo 10.003048/0123, e mesmo não sendo Plano de Previdência Fechada, atende também ao requisito de ser disponível a todos os empregados e dirigentes do Impugnante”. Do Não Cabimento de Multa Isolada Argumenta que de acordo com decisões do CARF, ainda que os referidos valores tivessem natureza de remuneração não seriam Fl. 1385DF CARF MF 18 devidas as multas isoladas cobradas pela falta de retenção do IRRF, pois foram lançadas após o prazo para a entrega da declaração por parte das pessoas físicas beneficiárias. Entende que somente a multa prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, poderia ser exigida isoladamente, não se aplicando o mesmo no caso do inciso I. Argumenta que “considerandose que o Parecer Normativo COSIT 01/2002 determina que ‘Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual’, depois do prazo de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, quando o imposto só pode ser exigido desta e não mais da fonte, a multa do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que deve sempre acompanhar o tributo (principal) lançado, só poderá ser cobrada da pessoa física, e não da fonte. Requer a insubsistência dos autos de infração que integram o processo administrativo em questão. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pela improcedência da impugnação e manteve o crédito tributário, conforme ementa abaixo (fl. 1241): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições, bem como caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho concedido a título de gratificação ou prêmio. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA ISOLADA. Verificada a falta de retenção do imposto de renda na fonte após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, será exigida da fonte pagadora a multa de ofício isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.428 19 A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. fls. 1277/1330, alegando, rebatendo os argumentos que embasaram a decisão recorrida. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Nos autos do processo 16327.720335/201328 foi dado provimento à impugnação da Recorrente e este Egrégio Carf confirmou a decisão proferida em sede de primeira instância e que foi mantida em sede de apreciação do Recurso de Ofício. Da parte daqueles autos e que interessa ao deslinde do presente pedimos a vênia para transcrever o trecho constante do acórdão nº 2202004.330: 2) ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO INAPLICABILIDADE O ARTIGO 16 DA LC 109/01 AO PLANO DO RECORRENTE Conforme exposto pelo Recorrente, seu Plano de Previdência Complementar foi, originalmente, previsto em dois instrumentos contratuais: A) CONVÊNIO DE ADESÃO PLANO I a.1) Abrangência todos os empregados e dirigentes da empresa; a.2) Data: 20/06/1985; a.3) Modalidade: Benefício definido e fechado a novos participantes a partir de 30/04/1994; B) CONTRATO PREVIDENCIÁRIO PLANO II b.1) Abrangência todos os empregados e dirigentes da empresa; b.2) Data: 20/05/1999; C) TERMO ADITIVO AO PLANO I C.1) Abrangência: Presidente do Conselho, Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e aos investidos em cargos de assessor da Diretoria desde que participantes dos Planos I e II; c.2) Data: 30/07/1999 Fl. 1387DF CARF MF 20 c.3) Modalidade: Plano Gerador de Benefício Livre PGBL (benefícios suplementares) D) CONTRATO PREVIDENCIÁRIO PROGRAMA DE MIGRAÇÃO DE PLANO d.1) Abrangência: Todos os empregados e dirigentes da empresa d.2) Data: 20/05/2000 d.3) Modalidade: Programa Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benefício Definido PBL contribuições básicas, com benefício por morte e invalidez. Pela análise da seqüência de instrumentos acima descrita, verificase que, atualmente, o Recorrente possui um único plano o qual, em razão do Termo Aditivo nº 5, possui contribuições diferenciadas para as pessoas nele mencionadas (Presidentes, Diretores, Conselheiros, etc). Tratase de Plano de Previdência Privada Aberto, aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123: Um plano de previdência privada extensivo a todos os funcionários e dirigentes (inclusive diretores e superintendentes executivos) denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regulamento e Contrato Contribuições Básicas, com previsão de benefícios diferenciados para os diretores estatutários e superintendentes executivos conforme 5º Termo Aditivo Plano de Benefícios Suplementares (Contrato Contribuições Suplementares) (grifamos) A descrição do Plano é importante para a análise da discussão jurídica dos autos, uma vez que, conforme demonstrado, tratase de Plano de Previdência Privada Aberta. Como já exposto, uma das ilegalidades apontadas pelo trabalho fiscal foi o fato do plano de previdência do Recorrente não ser disponível a todos os empregados, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01. Todavia, conforme reconhece a decisão recorrida, o mencionado artigo aplicase às entidades fechadas de previdência complementar: O Chefe do Departamento Técnico Atuarial da SUSEP comunica a aprovação de um Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo – PGBL II (PGBL com Benefício por Morte e Invalidez) (fls. 207). Um dos pilares em que se baseia a autuação é o de que não houve observância do que dispõe o artigo 16 da Lei complementar nº 109/01 que em seu caput determina: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.429 21 Entretanto o artigo 16 é direcionado às entidades fechadas pois se insere na seção II do Capítulo II, enquanto a BRADESCO PREVIDÊNCIA E SEGUROS S.A contratada pela autuada, é uma entidade aberta, sendo os seus planos regidos pelos artigos constantes da Seção III (artigos 26 em diante). Além disso, não é correto dizer que o Plano da Recorrente não foi oferecido à totalidade dos empregados, uma vez que tratase de um único plano. Tal plano, todavia, contempla contribuições suplementares e diferenciadas para os Presidentes, diretores e conselheiros. Dessa forma, a discussão jurídica trazida aos autos consiste em saber se é possível, nos planos abertos de previdência privada, instituir contribuições diferenciadas para seus participantes. A Lei Complementar nº 109/2001, ao regulamentar de previdência complementar, fez clara separação entre as norma aplicáveis aos regimes de previdência aberto e fechados. Isso porque, em seu Capítulo II, ao tratar dos Planos de Benefícios, reserva a Seção I para as Disposições Comuns, previstas nos artigos 6º ao 11º. A Seção II, que compreende os artigos 12º ao 25º, trata dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas e, por fim, a Seção III (arts. 26 ao 30), cuida dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas. Dessa forma, cumpre verificar se, ao tratar dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas, a mencionada lei, utilizada como fundamento do trabalho fiscal, contempla a possibilidade de benefícios diferenciados para determinada categoria de empregados. A resposta dada pelo artigo 26, §3º, abaixo transcrito, é afirmativa: Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por Fl. 1389DF CARF MF 22 membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. § 6o É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos.(grifamos) Pela leitura na norma acima transcrita, fica clara a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na modalidade aberta que não abranja todos os empregados e diretores da Pessoa Jurídica, uma vez que pode ser contratado para "grupos de pessoas" que poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador" Nesse mesmo sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela decisão proferida no Acórdão nº 9202003.193, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. (grifamos) 3) OS DEMAIS ELEMENTOS MENCIONADOS PELA FISCALIZAÇÃO PARA DEMONSTRAR O CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PLANO DA RECORRENTE Ainda que superadas as nulidades acima apontadas, as demais objeções suscitadas pelo trabalho fiscal não se sustentam. Diante da premissa de que tais planos visam constituir reservas para garantir um benefício futuro a fiscalização concluiu que os aportes realizados pelo Recorrente teriam o caráter remuneratório, uma vez que: a) não foram apresentadas memórias de cálculo das contribuições; Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.430 23 b) os aportes eram realizados de forma habitual; c) os valores dos aportes eram constantes; d) os resgates dos participantes eram realizados em valores próximos ou superiores aos aportes; Antes de mais nada, é importante observar que a norma constitucional do art. 202, como determina o próprio artigo, ganha efetividade por meio da Lei Complementar. Sendo assim, os requisitos para se determinar se um plano possui ou não a natureza previdenciária dependem do cumprimento das determinações da Lei Complementar reguladora da matéria. Ao analisar a Lei Complementar 109/01 verificase que o plano instituído pelo Recorrente não encontra qualquer vedação. Em relação a habitualidade e o valor dos aportes, como bem ressalta a recorrente, não desnaturam a natureza dos planos. Isso porque os planos de previdência privada, visam proporcionar aos beneficiários valores próximos aos que da época em que estavam na ativa, o que faz com que, quanto maior for a remuneração, mais próximos dessas devem ser os aportes relativos à previdência complementar; Quanto ao fato dos resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, verificase que esses (os resgates) são permitidos pelo artigo 27 da Lei Complementar n 109/01, que assim dispõe: "Art. 27 Observados os conceitos, a forma, as condições e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para o plano de previdência privada fechada, e ao resgate de recursos das reservas técnicas, provisões, fundos, total ou parcialmente"(grifamos) O direito ao resgate é regulamentado pela Circular SUSEP nº 338/07 nos seguintes termos: "Art. 19 O participante poderá solicitar, independentemente do número de contribuições pagas, resgate, parcial ou total, de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, que deverá estar compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. (grifamos) Verificase, assim, que o resgate é um direito do participante, que poderá ser por ele exercido durante o prazo de diferimento após prazo de carência de um ano civil, o que foi obedecido. Ao assim estabelecer, a Lei Complementar 109/01 permitiu que os Planos Geradores de Benefícios Livres se assemelhassem a Fl. 1391DF CARF MF 24 uma aplicação financeira, uma vez que é da essência do plano o direito de resgate. Da mesma forma, por se tratar a previdência privada aberta na modalidade PGBL, essencialmente, de uma aplicação em fundos de investimento, não faz sentido a exigência dos mesmos cálculos atuariais exigidos da previdência social ou mesmo da previdência privada fechada cujos benefícios são previamente definidos. Isso porque, como o próprio nome indica, eles não geram um benefício previamente definido. Sendo assim, a ausência da apresentação de memórias de cálculo por parte da Recorrente não invalida seu plano. Não faz sentido questionar se tais fatos desvirtuariam a natureza previdenciária do plano, partindo da premissa de que esta se caracteriza pela garantia de benefícios futuros. Adotar essa interpretação equivale a estabelecer condicionantes que o legislador não se preocupou em estabelecer. O questionamento se o legislador extrapolou e, ao estabelecer as mencionadas normas, retirou a natureza previdenciária dos mencionados planos, deveria ser feito perante o poder judiciário, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade. Não cabe à fiscalização ou a este Conselho estabelecer restrições que o legislador não se preocupou em estabelecer. Por outro lado, a matéria não é novidade nesta Colenda Turma julgadora, que já apreciou matéria semelhante à analisada nos presentes autos: “PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC nº 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. NO CASO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR EM REGIME ABERTO, PODERÁ A EMPRESA ELEGER COMO BENEFICIÁRIOS GRUPOS DE EMPREGADOS E DIRIGENTES PERTENCENTES A DETERMINADA CATEGORIA, EM FACE DAS DISPOSIÇÕES DA NOVEL LEGISLAÇÃO. (...)” (Acórdão nº 2201004.544) Sendo esta também a jurisprudência da C. 2ª Turma da CSRF (Acórdãos nº 9202005.317, nº 9202005.241, 9202005.5242 e nº 9202003.193), passa o Recorrente a demonstrar as razões pelas quais não merecem prevalecer os fundamentos do auto de infração efetivamente utilizados pela fiscalização. Em outras oportunidades, esta colenda Turma também se manifestou no Ac. 2201003.416 julgado em 07/02/2017 de Relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, bem como no Ac. 2201003.726 j. 04.07.2017 da relatoria do também I. Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso em que a Turma reconheceu a inexistência de incidência de contribuição previdenciária em plano de previdência privada aberto, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.431 25 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade. Nesse caso me atenho e adoto as razões de decidir do Ilustre Conselheiro Relator que assim decidiu: Fl. 1393DF CARF MF 26 “Me filio à corrente que entende que após o advento da Lei Complementar nº 109/01, a interpretação do dispositivo constante da Lei nº 8.212/91, deve ser realizada em consonância com os ditames da lei complementar editada para cumprir a determinação da Carta de 1988 , em especial quanto à disposição do §2º do artigo 202. Tal entendimento há tempos é exarado por este Colegiado. Transcrevo, com a devida permissão, o voto do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, prolatado nos autos do processo 10783.723424/201109, Acórdão 2402003.661: Além de todo o exposto, verificase que em momento algum o fiscal autuante cumpriu fielmente com o disposto no art. 142 do CTN e caracterizar a contento os fatos geradores IRRF. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Os planos objeto de discussão nos presentes autos, são instituídos pelos órgãos competentes, conforme previsto na Lei Complementar n° 109/01, verbis: "Art. 2°. O regime de previdência complementar é operado por entidades de previdência complementar que têm por objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário, na forma desta Lei Complementar. (...) Art. 4° As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. (...) Art. 6°. As entidades de previdência complementar somente poderão instituir e operar planos de benefícios para os quais tenham autorização específica, segundo as normas aprovadas pelo órgão regulador e fiscalizador, conforme disposto nesta Lei Complementar. (...) Art. 7°. Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio económicofinanceiro e atuarial. Parágrafo único. O órgão regulador e fiscalizador normatizará planos de benefícios nas modalidades de benefício definido, contribuição definida e contribuição variável, bem como outras Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.432 27 formas de planos de benefícios que reflitam a evolução técnica e possibilitem flexibilidade ao regime de previdência complementar." Isso tudo está em conformidade com o previsto no texto constitucional, mais especificamente, no artigo 202,§ 2º: "Artigo. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998)." Diante da efetiva configuração do presente plano e enquadramento como plano de previdência privada aberto, nos termos do disposto no artigo 26, da Lei Complementar nº 109/01, bem como o preenchimento do requisito do parágrafo 3º do mencionado artigo, devem ser reconhecido o direito à não incidência do IRRF, nos termos do que dispõe o artigo 69, § 1º, da Lei Complementar nº 109/2001: Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Fl. 1395DF CARF MF 28 Sendo assim, deve ser dado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte. Conclusão Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Voto Vencedor Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra – Redator designado. Peço vênia para divergir do voto do eminente Relator, por entender que o plano de previdência privada instituído pela instituição financeira recorrente não possui o necessário caráter previdenciário para ser concebido como tal. Além de o plano de previdência privada não ter sido disponibilizado igualitariamente para a totalidade dos empregados e diretores da empresa, verificouse que o PGBL Empresarial está inserido dentro da política remuneratória atribuída aos administradores, consoante se infere dos arts. 1º e 3º do Regimento do Comitê, em que se depreende que o objetivo do mencionado Comitê é propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes da remuneração dos Administradores Estatutários da organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho. De acordo com o art. 18, I, da Lei Complementar nº 109/2001, há a exigência de que “plano de custeio, com periodicidade mínima atual, estabelecerá o nível de contribuição necessário à constituição das reservas garantidoras de benefícios, fundos, provisões à cobertura das demais despesas, em conformidade com os critérios fixados pelo órgão regulador e fiscalizador”. Não se verificou regra para a contribuição da instituidora. Os aportes realizados em favor dos empregados e administradores possuíam nítido caráter remuneratório, eis que não levavam em conta caráter objetivos de planos previdenciários, como a idade dos beneficiários, mas estavam vinculados ao alcance dos objetivos institucionais, funcionando como uma verdadeira gratificação pelos serviços prestados, em evidente caráter contraprestacional. Este mesmo plano PGBL Empresarial já foi objeto de análise por este CARF, nos autos do processos nºs 16327.720755/201657. Os fatos geradores são idênticos, diferindo apenas o período de apuração. Por absoluta concordância com o voto proferido pelo Conselheiro Reginaldo Paixão Emos, adotoo como minha razão de decidir, nos termos abaixo. Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os Pagamentos destinados à Previdência Complementar no Plano de Benefícios da Modalidade PGBL Inicialmente, cumpre reconhecer que este Conselho já proferiu decisões adotando o entendimento de que não subsiste a Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.433 29 condição prevista na alínea "p" do §9° do art. 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, ou seja, a condição de que o plano de previdência complementar esteja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes, em se tratando de plano de benefício instituído por entidade de previdência complementar aberta. Isso por que a Lei Complementar n° 109/01, em seu Art. 26, §2° e 3°, permitiu, no caso de tais entidades, que o plano seja oferecido apenas a grupos constituídos por categorias específicas. Contêm pronunciamentos nesse sentido o Acórdão n° 2401004.776 4a Câmara/1a Turma Ordinária e o Acórdão n° 9202004.345 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No entanto, a principal sustentação a amparar a decisão recorrida e o auto de infração é que integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os pagamentos de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Essa questão foi muito bem explicada no voto vencedor do Acórdão n° 2401004.776 4a Câmara / 1a Turma Ordinária, do qual transcrevo o trecho abaixo e adoto suas razões: (...) Não discordo que se aplica aos planos de previdência privada o contido na Lei Complementar (LC) n° 109, de 29 de maio de 2001, inclusive quanto aos efeitos tributários, a qual estabeleceu que os montantes vertidos para as entidades de previdência complementar, destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, não estão submetidos à tributação (arts. 68 e 69). Tratase a LC n° 109, de 2001, que, por sinal, retira seu fundamento de validade do art. 202 da Carta da República de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, de uma legislação especial e posterior à Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Vale dizer, a Lei 8.212, de 1991, nessa matéria, continua produzindo efeitos apenas no que não for incompatível com a LC n° 109, de 2001. A condição de oferecimento de plano de previdência a todos os empregados e diretores para exclusão dos valores pagos pelas pessoas jurídicas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tal como prevista na alínea ”p” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, permanece válida para o programa de previdência complementar fechado (art. 16 da LC n° 109, de 2001). Por outro lado, quanto aos planos coletivos de previdência aberta, as contribuições a eles vertidas escapam à tributação previdenciária ainda que o empregador contrate previdência complementar diferenciada apenas para determinado grupo ou categoria específica dos seus trabalhadores (art. 26, §§ 2° e 3°, da LC n° 109, de 2001). Fl. 1397DF CARF MF 30 Entretanto, quer na previdência complementar fechada ou aberta, para o fim de exclusão da base de cálculo previdenciária, nos termos dos arts. 68 e 69 da LC n° 109, de 2001, impõese a necessidade de identificação do caráter previdenciário do plano de benefício com o finalidade de constituição de reservas. Senão vejamos o que menciona a Constituição da República e a Lei complementar: Constituição da República de 1988 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (...) LCn° 109, de 2001 Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) (GRIFEI) Como se observa, o incentivo estatal que afasta a tributação está vinculado diretamente à instituição de planos de previdência complementar, os quais visam estimular a poupança interna, proporcionando ao trabalhador, ou a seu dependente, um determinado nível Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.434 31 de renda futura e substitutiva/complementar da remuneração da atividade laboral, cujos benefícios previstos nos planos, via de regra, estão relacionados a ocorrência de eventos por sobrevivência, morte ou invalidez total ou permanente. Em vista disso, os valores dos aportes feitos ao plano de previdência, denominado de contribuições, mesmo que estruturado na modalidade de contribuição variável, devem ter por objetivo a constituição de reservas, as quais uma vez investidas formarão a provisão matemática de benefícios a conceder. Para fins fiscais, não é porque o plano de previdência privada aberta coletivo foi autorizado pelo órgão competente e foi celebrado contrato com entidade de previdência complementar regularmente constituída que a autoridade tributária está impedida de desqualificálo (fls. 1.401/1.407). No exercício das atividades de fiscalização tributária, continua competente o agente fiscal para verificar, tendo em conta as circunstâncias do caso concreto, se os valores não estão sendo utilizados como ferramenta de política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho. É óbvio que as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à tributação previdenciária. No presente caso, a ausência do propósito previdenciário das contribuições discutidas restou evidenciada pelas constatações descritas no Relatório Fiscal. Já de início, esclareceu a autoridade lançadora: Conforme se demonstrará a seguir esses aportes suplementares no plano PGBL Empresarial não visaram a constituição de reservas garantidoras de benefícios possuindo natureza claramente remuneratória. Contra a afirmação fiscal, argumentou a recorrente que o PGBL é estruturado necessariamente sob a modalidade "contribuição variável", facultado ao participante e/ou instituidora efetuar contribuições de qualquer valor, a qualquer tempo. O período de diferimento, no PGBL, é desprovido do caráter atuarial, manifestandose este na conversão do saldo (reserva) em benefício de renda. Segue trecho do recurso: Em razão de tais características, os critérios autuariais do plano em questão apresentamse no período de concessão do benefício, que é o período em que o assistido fará jus ao pagamento do benefício (Resolução CNSP n ° 93/2002, Anexo I, artigo 1°, XXVI) e não no período de diferimento, assim definido como o período entre a data de início da cobertura por sobrevivência e a data contratada para o início do pagamento do benefício (Resolução CNSP n° 93/2002, Anexo I, artigo 10, XXV). (grifei) Nesse contexto, é na conversão do saldo (reserva) em benefício de renda mensal que se manifesta o caráter autuarial do PGBL, assim dispondo no caso concreto o Regulamento do Plano aprovado pela SUSEP no Processo n° 10.003048/0123, que assim determina em seus artigos 49 e 50, ”verbis”: Fl. 1399DF CARF MF 32 (...) No mesmo sentido, o Contrato do Plano II PGBL revela o critério autuarial no período de concessão (calculo) do beneficio: Assim, durante o período de diferimento, na modalidade PGBL, as contribuições se revestem da característica de total volatilidade. Ou seja, podem ou não compor as reservas no momento da concessão do benefício, a depender se foram ou não resgatadas. Decorre dai que as contribuições resgatadas, por não se revestirem do caráter atuarial, não serviram de base para a "constituição de reservas que garantam o benefício contratado", nos termos do texto constitucional. Esses valores resgatados pelos participantes, que inicialmente se propunham a um fim previdenciário, terminaram por apenas transitar pela previdência complementar, sem cumprirem com seu destino inicial. No relato fiscal, foi afirmado que o PGBL empresarial apresentou características de incentivo ao trabalho ou premiação. A recorrente, por sua vez, reivindicou o reconhecimento pela legislação do caráter não remuneratório de tais incentivos: O reconhecimento de serviços prestados e a retenção de talentos são em verdade resultados do conjunto de vantagens oferecidas aos empregados e administradores das empresas, isto é, a remuneração direta e indireta e os benefícios de várias naturezas elencados no artigo 202 da CF/88 e 28, parágrafo 9°, da Lei n° 8.212/91, aos quais a legislação reconhece a natureza não remuneratória (vale transporte, participação nos lucros, previdência privada, planos de saúde, seguros de vida em grupo, plano educacional, e outros). Entretanto, ao buscar a coerência do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, citado acima, com os dispositivos da lei complementar 109/01, é imperioso perseguir também a unidade de nosso ordenamento, remontando ao mandamento geral do Art. 202 da Carta Magna. Essa norma, de hierarquia superior, exige do regime de previdência privada que este seja baseado na formação de reservas para garantia do benefício previdenciário contratado. Redação no mesmo sentido se vê no art. 1° da própria Lei Complementar 109/01. Impossível, portanto, afastar o requisito constitucional de existência de um propósito previdenciário. Esse mesmo mandamento determina o alcance da regra do parágrafo 2° do Art. 202, que prevê a não integração das contribuições à remuneração dos participantes. Essa não integração deve observar a condição do caput, de que o regime seja baseado na constituição de reservas para a concessão de benefícios. Alicerçouse ainda a decisão recorrida no fato de que o Estatuto Social prevê um Comitê de Remuneração, composto por membros do Conselho de Administração, cujo objetivo é assessorar esse Conselho na política de remuneração dos Administradores, que tem como uma de suas atribuições ”... realizar a distribuição das verbas de remuneração e previdenciária aos administradores”. Essa citação, constante do Relatório Fiscal, ressalta o caráter de vantagem adicional da previdência oferecida, tratada juntamente com as remunerações diretas. Na sequência, a autoridade fiscal transcreve trecho da Assembleia Geral de 09/03/2012, em que resta evidenciada não apenas o caráter de vantagem adicional da previdência privada, mas também a sua relação estreita com os resultados: “Propostas do Conselho de Administração para Remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal, registradas na Reunião Extraordinária no 1.865, de 7.2.2012, conforme segue: Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.435 33 “Senhores Acionistas, O Conselho de Administração do Banco Bradesco S.A. vem submeter, para exame e deliberação, propostas para Remuneração dos Administradores e do Conselho Fiscal, conforme segue: 1. Remuneração dos Administradores Para o exercício de 2012, propomos manter inalterados os valores fixados na Assembleia Geral Ordinária realizada em 2011, quais sejam: o montante global anual de até R$250.000.000,00para a remuneração dos Administradores, e a verba anual de até R$250.000.000,00 destinada a custear o Plano de Previdência Complementar Aberta destinada aos Administradores e Funcionários da Organização Bradesco. Esses montantes justificamse devido à grande experiência dos Administradores e ao seu alto grau de conhecimento da Companhia, haja vista que a maioria fez carreira na própria Organização, bem como à necessidade de reter talentos num mercado cada vez mais competitivo. O Comitê de Remuneração avaliará, permanentemente, a performance corporativa, o cumprimento dos objetivos e a sustentabilidade dos negócios, com o propósito de verificar se os resultados justificam distribuições das verbas até os limites ora propostos. Conforme determina a letra “n” do Artigo 9° do Estatuto Social, o montante global anual da remuneração e da verba previdenciária será distribuído em reunião do Conselho de Administração, aos membros do próprio Conselho e da Diretoria.” (grifei) (Ata da AGO em anexo ao Processo Doc. 20). (...) Por meio da ata de 21/06/2011, verificouse que os montantes para custear os planos de previdência complementar dos administradores eram bastantes significativos: O plano de previdência a que se refere a AGO acima é o PGBL Empresarial. Já a contribuição da instituidora e do participante são definidas pelo Conselho de Administração , conforme Ata datada de 21/06/2011 em anexo ao Processo Doc.21. Nesta reunião do Conselho as contribuições ao PGBL Empresarial foram estipuladas da seguinte forma: Contribuição Mensal da Empresa: 2 (dois) honorários mensais para membros do Conselho de Administração e Diretoria Estatutária; R$ 38.000,00 fixos/mês para Superintendentes Executivos e Assessor Jurídico; R$ 19.000,00fixos/mês para Gerentes Regionais. Contribuição do Participante: Diretor Estatutário e membros do Conselho contribuições de 10% dos honorários mensais; Fl. 1401DF CARF MF 34 Superintendente Executivo e Assessor Jurídico contribuições mensais de 7,29% sobre o salário base mensal. Foi destacada ainda a informação constante em Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras do ano de 2012, em que as referências à Previdência Complementar PGBL Empresarial, denotam o caráter de benefício indireto relevante, pari passu com as remunerações diretas. Rebateu a recorrente, nesse ponto, que tais informações não denotariam a suposta intenção da recorrente de "remunerar" seus administradores com tais contribuições e que tais procedimentos não interferem nem modificam a natureza de cada uma das verbas divulgadas. No entanto, o conjunto de fatos apurados aponta para o uso de remuneração indireta. Transcrevese o trecho da Nota Explicativa citada, com destaque para os valores dos benefícios pósemprego, que trazem os valores aportados à previdência complementar: “b) Remuneração do pessoalchave da Administração Anualmente na Assembleia Geral Ordinária são fixados: O montante global anual da remuneração dos Administradores, que é definido em reunião do Conselho de Administração, a ser paga aos membros do próprio Conselho e da Diretoria, conforme determina o Estatuto Social; e A verba destinada a custear Planos de Previdência Complementar aberta dos Administradores, dentro do Plano de Previdência destinado aos Funcionários e Administradores da Organização Bradesco. Para 2012, foi determinado o valor máximo de R$ 344.800 mil para remuneração dos Administradores e de R$ 334.100 mil para custear planos de previdência complementar de contribuição definida. Benefícios de curto prazo a administradores Em 31 de dezembro R$ mil 2012 2011 Proventos 336.912 351.933 Contribuição ao INSS 75.510 78.881 Total 412.422 430.814 Benefícios pósemprego Em 31 de dezembro R$ mil 2012 2011 Planos de previdência complementar de contribuição definida .... 324.132 339.078 Total 324.132 339.078”. Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.436 35 Em que pesem as justificativas recursais quanto à obrigatoriedade das informações prestadas, estas são reveladoras da importância da previdência complementar como benefício adicional aos administradores, intitulado de "benefícios pósemprego". Também ressalta essa relevância o trecho abaixo do Relatório Fiscal relativo ao Formulário de Referência, documento de publicação obrigatória para as S/A de capital aberto: No item 13.2 Remuneração total do conselho de administração, diretoria estatutária e conselho fiscal , valores anuais são informados as remunerações pagas aos Diretores Estatutários e membros do Conselho, cerca de 100 no total, distribuídos da seguinte forma : Prólabore R$ 115.929.400,00; Gratificações R$ 134.502.600,00; PGBL Empresarial R$ 250.000.000,00. Objetou a recorrente que, nos termos do parágrafo 2° do Art. 202 da CF/88, as contribuições discutidas foram pagas a entidade de previdência privada regularmente constituída e que os planos foram instituídos na forma da lei. Assim, não podem ser consideradas integrantes da remuneração. Essa previsão constitucional equivale a verdadeira imunidade. Todos os fatos invocados pela fiscalização para justificar a exigência fiscal estão de acordo com a legislação que disciplina a matéria e que o plano foi aprovado pela Susep e, por isso, tem respaldo legal. Contudo, a atividade da Susep como órgão regulador e fiscalizador, previsto na LC 109/01, assegura ao participante a solvência do plano, devendo sempre ser avaliado seu equilíbrio financeiro e atuarial. A fiscalização das entidades de previdência complementar aberta pela Susep, no entanto, não afasta a competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária, conforme determina o § 4° do art. 41 da LC 109/01: Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizandose embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. [...] § 4° O disposto neste artigo aplicase, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. Portanto, não é porque a comercialização de referido plano de previdência foi autorizada pelo órgão competente e o contrato foi celebrado com entidade de previdência complementar regularmente constituída, que a autoridade fiscal não possa desqualificálo, para fins fiscais, se ficar comprovado que os valores pagos, o foram como instrumento de incentivo ao trabalho. Fl. 1403DF CARF MF 36 Quanto aos resgates, na Cláusula Quarta do 5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada, estão estipuladas as regras "Do Resgate", por meio das quais se vê que, mediante autorização expressa da Instituidora, o participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo das contribuições, tanto da parte paga pela Instituidora, quanto da parte vertida pelo participante. Argumentou a recorrente que, ao participante, é possibilitado o resgate total das contribuições vertidas ao plano e que tal possibilidade está prevista art. 27 da Lei Complementar 109/01. Transcreveu ainda normas complementares que prevêem os regates como um direito do participante. Frisou também que os valores resgatados em 2012 referemse a contribuições existentes dois anos antes de cada data e que a recorrente não tem controle algum sobre os resgates efetuados pelos participantes. Segundo a fiscalização os resgates realizados pelos participantes do PGBL, via de regra, ocorreram em janeiro de cada ano, em valores substanciais, com montantes semelhantes aos totais dos valores aportados anualmente ao mesmo plano. O quadro comparativo constante do Relatório Fiscal às fls. 16 mostra os valores envolvidos, ingressos e saídas de recursos financeiros, demonstrando quão significativos são esses resgates comparados às remunerações e aos próprios aportes. O conteúdo material da realidade apurada divergiu substancialmente da forma adotada pela recorrente. Essa realidade substancial verificada foi a forma alternativa de remuneração, por meio de uma sistemática de aportes e resgates, demonstrando a falta de propósito previdenciário do plano em relação a tais valores. Admitir essa forma de supressão das contribuições previdenciárias para isentar aqueles que têm grande capacidade contributiva representa uma forma de negativa aos Princípios que regem a Previdência Social. O Art. 194 da CF/88 traz como um dos princípios da Seguridade Social a "equidade na forma de participação do custeio", que visa justamente garantir que quem pode mais, deve contribuir com mais, e que quem pode menos, deve contribuir com menos. Na mesma direção, o Princípio da solidariedade (não expresso), que impõe a todos o dever de custear os benefícios, em prol da justiça social, inerente ao sistema. Sob tais Princípios, para salários elevados, a empresa contribuirá sobre a totalidade da remuneração, ainda que o segurado não vá usufruir de benefícios acima do teto legal. A título de cotejo, vale recordar que, na esfera civil, se o agente agir em prejuízo alheio, deixando de considerar a finalidade social do direito subjetivo utilizado, mesmo que atuando dentro das prerrogativas que o ordenamento jurídico lhe concede, poderá cometer ato ilícito. Contra essa utilização do direito, em detrimento dos fins sociais e em prejuízo de outrem, foi positivada a figura jurídica do chamado "abuso de direito". O Código Civil de 2002 introduziu esse conceito por meio do artigo 187 e lhe declarou a ilicitude, embora sem referência explícita: ”Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes.” De retorno ao campo tributário, a própria norma que previu a não incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições vertidas aos programas de previdência complementar, resguardou a observância ao Art. 9° da CLT, que traz uma ressalva contra atos capazes de desvirtuar a aplicação da lei, mostrando, assim, a preocupação do legislador com o mau uso do direito criado. Seguem os artigos: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.437 37 § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluída pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (Grifei) CLT Art. 9° Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (Grifei) No caso destes autos, a busca pela realidade substancial do fato justificouse pela proteção aos interesses da Previdência Social diante da liberdade do contribuinte de utilizar formas jurídicas capazes de contornar ou diminuir, exacerbadamente, as contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal identificou um desencontro entre a intenção de fato e a intenção de direito e, a partir daí, promoveu uma requalificação dos fatos. Os pagamentos antes qualificados como aportes à previdência complementar foram requalificados como remunerações, em razão de sua expressividade e de seus resgates. Essa realidade, subjacente às normas que tratam da previdência complementar, foi retratada no relatório fiscal e na decisão recorrida, evidenciando o caráter remuneratório dos aportes a título de contribuições à previdência complementar, no Plano de Benefícios da modalidade PGBL. Por tais motivos, esses aportes situamse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Assim, não há nenhum reparo a ser feito no Acórdão recorrido, devendo ser mantida a exação. Exigência de Juros Sobre Multa de Ofício Ao contrário do que entende o recorrente, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 1405DF CARF MF 38 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício. Portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. Sobre essa matéria, as três turmas da Câmara Superior têm se manifestado pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Cito os acórdãos n° 9101003.469 1a Turma sessão 7/03/2018 relatora Adriana Gomes Rêgo; n° 9202006.473 2a Turma sessão de 30/01/2018 relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos e n° 9303006.008 3a Turma sessão 29/11/2017 redator do voto vencedor Andrada Márcio Canuto Natal. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que, ao redigir o voto vencedor no citado acórdão n° 9303006.008 expõe com minuciosa precisão a matéria: De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ﴾...﴿ De forma que o art 61 da Lei n° 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei n° 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 16327.720757/201646 Acórdão n.º 2201004.973 S2C2T1 Fl. 1.438 39 § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ﴾...﴿ Fl. 1407DF CARF MF 40 Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3° da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, não assiste razão à recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra. Fl. 1408DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000070/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
CONTRATANTE DE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRABALHO TEMPORÁRIO.
O contratante de serviços de informática não relacionados diretamente à sua atividade-fim executados mediante cessão de mão obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias.
Numero da decisão: 2401-006.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRABALHO TEMPORÁRIO. O contratante de serviços de informática não relacionados diretamente à sua atividade-fim executados mediante cessão de mão obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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TRABALHO TEMPORÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrente COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. TRABALHO TEMPORÁRIO. O contratante de serviços de informática não relacionados diretamente à sua atividadefim executados mediante cessão de mão obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 70 /2 00 8- 81 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 405 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1228.103, de 19/01/2010, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 243/251): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . CESSÃO DE MÃODEOBRA PRESTADORA DE SERVIÇOS SOFREU FISCALIZAÇÃO EM PARTE DO PERÍODO. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. Comprovada a ocorrência de fiscalização, com cobertura da contabilidade, na empresa contratada, tornase incabível o lançamento por solidariedade na empresa contratante, no período abrangido pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte O lançamento fiscal deuse originalmente em nome de Esso Brasileira de Petróleo Ltda, CNPJ nº 33.000.092/000169, posteriormente alterada a razão social para Cosan Combustíveis e Lubrificantes S/A. Extraise do Relatório Fiscal que, na origem, o processo administrativo é composto da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) nº 32.593.5866, abrangendo as competências de 04/1995 a 12/1996, relativa à exigência das contribuições devidas à seguridade social decorrentes da responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, em regime de trabalho temporário (fls. 03/07 e 17/21). Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 406 3 A prestadora de serviços é a empresa J Combetto e Associados Sistemas de Informações Ltda, CNPJ 28.253.565/000108. Cientificado da notificação fiscal, em 05/06/1997, o tomador dos serviços impugnou o lançamento tributário, tendo decidido a instância administrativa julgadora inicial pela manutenção do crédito lançado, por meio da emissão da DecisãoNotificação nº 193/97 (fls. 27/41 e 113/117). Apresentado recurso voluntário, no prazo legal, contra a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu acórdão para negar provimento ao apelo recursal (fls. 121/142 e 152/159). Após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa, foi comunicada a prolatação de acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF/2ª Região), nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, posteriormente com trânsito em julgado, no qual anulouse o processo administrativo, a partir da lavratura da notificação fiscal, determinando ao Fisco a prévia verificação da existência de pagamentos efetuados pelo prestador dos serviços no que tange às obrigações tributárias exigidas (fls. 167/172 e 188/193). Com o retorno à fase administrativa, os autos foram baixados em diligência, com o objetivo de atender à decisão do Poder Judiciário. Quanto à verificação fiscal, a empresa contratante tomou ciência do resultado, manifestandose por escrito. Por outro lado, foi verificado que a prestadora de serviços estava com a situação cadastral inapta (fls. 198/199, 201/211 e 229/233). Realizado novamente o julgamento em primeira instância, dessa feita a impugnação foi considerada parcialmente procedente, excluindose da notificação fiscal o período de 04/1995 a 04/1996, remanescendo parte do crédito tributário lançado de ofício (fls. 243/251). Intimada da decisão de primeira instância em 29/11/2010, por via postal, a empresa contratante dos serviços apresentou recurso voluntário no dia 20/12/2010, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 266/269 e 270/273): (i) não foi cumprida a decisão judicial no mandado de segurança, visto que houve exclusivamente verificação dos pagamentos com base nos dados constantes do sistema de informática da administração tributária, quando o correto é a fiscalização direta do prestador do serviço, através do exame de contabilidade, folhas de pagamento e guias de recolhimento; (ii) o prestador de serviços é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, obrigação que apenas transferese ao tomador, pela responsabilidade solidária, quando apurada e certificada a efetiva existência de inadimplemento; (iii) fazse também necessário verificar a eventual cobrança do crédito tributário junto à própria prestadora de Fl. 406DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 407 4 serviços, dado que poderia caracterizar a exigência em duplicidade; (iv) além disso, quando não resta configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviços, considerando a atividade desenvolvida pela contratada, o lançamento resulta improcedente; e (v) a recorrente não pode ser responsabilizada por contribuições relativas a terceiros, devendo ser afastada quaisquer valores cobrados neste particular. A executora dos serviços, J Combetto e Associados Sistemas de Informações Ltda, foi intimada via edital, em 29/03/2011, porém não consta manifestação no processo administrativo (fls. 286/287). Em face da emissão de diversas notificações fiscais em nome da empresa autuada, lavradas no curso do mesmo procedimento e envolvendo a mesma matéria de atribuição da responsabilidade tributária solidária ao contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, foi deferido o pedido de conexão para julgamento em conjunto dos recursos voluntários (fls. 320/321). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Com respeito ao lançamento original, permanece em litígio tão somente as competências 05/1996 a 12/1996. Antes da implantação do mecanismo de retenção do percentual de 11% na contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o art. 31 da Lei nº 8.212, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 408 5 de 24 de julho de 1991, estabelecia a responsabilidade tributária solidária, inclusive sob o regime de trabalho temporário. Levandose em consideração o período remanescente dos fatos geradores, reproduzo abaixo o conteúdo do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com as modificações promovidas pela Lei nº 9.032, de 28 de abril de 1995, e Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995: De 21/11/1995 a 29/04/1997 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento A responsabilidade solidária do contratante está vinculada, necessariamente, à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive quando da contratação de trabalhador temporário, que pressupõe a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante. Depreendese da leitura do texto legal que a relação de serviços do § 2º é meramente exemplificativa. No caso sob exame, o conjunto probatório é indicativo da prestação dos serviços contratados mediante cessão de mão de obra. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 409 6 Com efeito, segundo o agente lançador, no período do lançamento ficou constatado que a empresa ora recorrente contratou a prestação de serviços de mão de obra temporária (fls. 20/21). Por sua vez, as cópias do contrato anexado pela recorrente, ainda em fase de impugnação, revelam a contratação de serviços na área de informática, mais especificamente de análise e programação para o desenvolvimento e manutenção de sistemas da empresa autuada (fls. 54/60). Tratase, no caso, de contrato pactuado para a prestação de serviços de forma contínua, mediante a disponibilização de até 15 (quinze) técnicos para composição de equipe de trabalho alocada na execução de tarefas no estabelecimento da empresa contratante (item 1.2 e Anexo I). Com a atividade econômica voltada à importação, distribuição e comércio de produtos de petróleo e seus derivados, a tomadora contratou, via cessão de mão de obra, segurados para a realização de serviços contínuos não relacionados diretamente com a sua atividadefim (fls. 216). Em uma de suas alegações, a recorrente assevera que a solidariedade tributária prevista em lei ocorre quando a cessão de mão de obra resulta em subordinação jurídica com o tomador de serviços. Equivocase, entretanto, porque caso configurada a subordinação jurídica do trabalhador o vínculo empregatício se institui diretamente com o tomador, na condição de contribuinte. O vínculo de solidariedade na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, é atribuído pela lei ao contratante na condição de responsável tributário pelo pagamento dos tributos, cuja terceira pessoa, ainda que não realizando o fato gerador da obrigação, encontrase vinculada em decorrência do elo negocial. A garantia a que alude o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é denominada "solidariedade de direito", pois decorre de previsão expressa em lei específica tributária. Eis o que dispõe, nesse sentido, o art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (GRIFOUSE) O parágrafo único do art. 124 do CTN revela que na solidariedade passiva tributária não existe devedor principal e secundário, podendo, já no lançamento fiscal, ser chamado a saldar a totalidade da dívida um, alguns ou todos os obrigados pela lei. Em outros Fl. 409DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 410 7 dizeres, a solidariedade tributária independe de prévia constituição do crédito em face do devedor originário e não comporta benefício de ordem. Tal linha de raciocínio, inclusive, já era adotada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), o qual por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31 de janeiro de 2007, decidiu que: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” É verdade que o TRF/2ª Região, no julgamento do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, sentenciou que a autoridade fiscal deveria verificar, para fins de manutenção do lançamento do crédito tributário em nome da contratante, se a prestadora de serviços já não havia recolhido as contribuições previdenciárias, de modo a evitar o recebimento em duplicidade pela administração tributária. Em momento algum, porém, sobreveio ordem judicial com determinação para a averiguação direta na prestadora, através de procedimento de auditoria "in loco" na escrita fiscal e/ou contábil. Em relação aos fatos geradores compreendidos entre 01/1986 a 04/1996, a empresa prestadora de serviços passou por auditoria na modalidade de fiscalização total, com lançamento tributário, considerado pela autoridade julgadora de primeira instância como suficiente para respaldar a exoneração do crédito tributário nas competências de 04/1995 a 04/1996. Nada obstante, efetivada a busca no sistema fazendário eletrônico, constatouse a inexistência de qualquer pagamento de contribuição previdenciária pela prestadora relativamente às competências 05/1996 a 12/1996 (fls. 201 e 242). Tendo havido a prestação de serviços, tais dados reforçam a inadimplência do executor. Com base nos documentos que instruem os autos, tampouco cogitase da existência de duplicidade do débito fiscal no período de 05/1996 a 12/1996, em relação às contribuições previdenciárias vinculadas às notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, não havendo indicação de cobrança pelo Fisco da prestadora de serviços, inclusive na modalidade de parcelamento. Eventual pagamento não registrado nos sistemas de controle do órgão fazendário, por razões de erros de preenchimento, extravio de guias e/ou inconsistências, como pondera a recorrente, revestese de excepcionalidade e, como tal, assim deve ser considerado no exame das alegações de cobrança em duplicidade. Segundo as fls. dos autos, não há qualquer indício documental que tenha ocorrido algum recolhimento espontâneo pela prestadora de serviços no que tange ao período de 05/1996 a 12/1996, apenas conjecturas desprovidas de lastro probatório lançadas pela empresa autuada. Para fins de efetivação da responsabilidade tributária da tomadora dos serviços executados mediante cessão de mão de obra, a recorrente afirma que é fundamental a garantia de apresentação de defesa por parte da prestadora, evitandose o recebimento de valores em duplicidade pelo Fisco. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 12267.000070/200881 Acórdão n.º 2401006.021 S2C4T1 Fl. 411 8 Acontece que a prestadora de serviços, há muito tempo, foi declarada inapta pela falta de regularização da situação fiscal, equivalendo tal conduta à dissolução irregular da sociedade empresarial. As tentativas de intimação via postal e/ou edital mostraramse infrutíferas para fins de comparecimento da pessoa jurídica e/ou sócios no processo administrativo (fls. 201 e 286/287). Embora a autoridade fiscal inicialmente faça alusão, no relatório fiscal, à cobrança de contribuições devidas a terceiros, o lançamento tributário não abrangeu tais valores. Posteriormente, o agente lançador confirmou que o crédito tributário não compreende as contribuições para outras entidades (fls. 171). De fato, o discriminativo do débito da NFLD engloba tão somente as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de acidente de trabalho (SAT) e às contribuições dos segurados empregados (fls. 04/07). Em resumo, os elementos apontam para a responsabilidade tributária da recorrente, considerando a falta de elisão, na forma dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, e a ausência de comprovação de pagamento das contribuições previdenciárias por parte do cedente da mão de obra. Logo, a decisão de piso não merece reforma, cabendo a manutenção da exigência do crédito tributário relativo às competências 05/1996 a 12/1996. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.021119/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007.
ARTIGO 124 DO CTN.
0 art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador.
ARTIGO 135 DO CTN
0 art. 135 do CTN estabelece uma responsabilidade subsidiária, para os terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre sonegação ou para terceiros que dissipam irregularmente patrimônio de empresa devedora do Fisco. Sendo responsabilidade subsidiária, esta só se completa quando não seja possível cobrar da empresa.
RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. CARACTERIZAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária exige a demonstração da materialização da hipótese prevista em lei.
ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA SOBRE PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. NULIDADE.
É nulo auto de infração referente à omissão de receita, apurada com base na presunção legal de créditos bancários não esclarecidos, se a empresa não é intimada para explicar os créditos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007.
LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS.
E requisito do lançamento uma descrição de fatos clara e de acordo com os elementos comprobatórios.
LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. PROVA DOS FATOS.
É preciso que a fiscalização comprove os fatos que alega. Para presumir um fato de outro é preciso demonstrar o fato a partir do qual é feita a presunção e esta presunção precisa estar baseada em uma forte conexão entre os dois fatos.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
É nulo auto de infração que não seja cientificado à pessoa autuada ou a seu representante.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
É nulo o termo de sujeição passiva, quando o auto de infração ao qual se vincula é nulo.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
É nulo o termo de sujeição passiva que pretenda estabelecer responsabilidade sem amparo na legislação.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
É nulo o termo de sujeição passiva que indica como base legal diversos artigos cujas hipóteses de incidência são diferentes e excludentes umas das outras, por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1101-000.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR os autos de infração e o Termo se Sujei ão Passiva Solidária
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. ARTIGO 124 DO CTN. 0 art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. ARTIGO 135 DO CTN 0 art. 135 do CTN estabelece uma responsabilidade subsidiária, para os terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre sonegação ou para terceiros que dissipam irregularmente patrimônio de empresa devedora do Fisco. Sendo responsabilidade subsidiária, esta só se completa quando não seja possível cobrar da empresa. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. CARACTERIZAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária exige a demonstração da materialização da hipótese prevista em lei. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA SOBRE PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. NULIDADE. É nulo auto de infração referente à omissão de receita, apurada com base na presunção legal de créditos bancários não esclarecidos, se a empresa não é intimada para explicar os créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. E requisito do lançamento uma descrição de fatos clara e de acordo com os elementos comprobatórios. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. PROVA DOS FATOS. É preciso que a fiscalização comprove os fatos que alega. Para presumir um fato de outro é preciso demonstrar o fato a partir do qual é feita a presunção e esta presunção precisa estar baseada em uma forte conexão entre os dois fatos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo auto de infração que não seja cientificado à pessoa autuada ou a seu representante. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva, quando o auto de infração ao qual se vincula é nulo. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva que pretenda estabelecer responsabilidade sem amparo na legislação. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva que indica como base legal diversos artigos cujas hipóteses de incidência são diferentes e excludentes umas das outras, por cerceamento do direito de defesa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-02-05T15:31:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-02-05T15:31:18Z; Last-Modified: 2013-02-05T15:31:18Z; dcterms:modified: 2013-02-05T15:31:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:259ffbe3-60ee-44f1-b6c6-69ec78e021cc; Last-Save-Date: 2013-02-05T15:31:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-02-05T15:31:18Z; meta:save-date: 2013-02-05T15:31:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-02-05T15:31:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-02-05T15:31:18Z; created: 2013-02-05T15:31:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2013-02-05T15:31:18Z; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-02-05T15:31:18Z | Conteúdo => SI-CIT1 Fl. 3.352 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15504.021119/2010-01 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.830 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 07/11/2012 Matéria Auto Infração IRPJ Recorrente Metais Comercial Minas Ltda Recorrida 2a Turma da DRJ em Belo Horizonte El ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. ARTIGO 124 DO CTN. 0 art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-realizar o fato gerador. ARTIGO 135 DO CTN 0 art. 135 do CTN estabelece uma responsabilidade subsidiária, para os terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre sonegação ou para terceiros que dissipam irregularmente patrimônio de empresa devedora do Fisco. Sendo responsabilidade subsidiária, esta só se completa quando não seja possível cobrar da empresa. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. CARACTERIZAÇÃO. A atribuição de responsabilidade tributária exige a demonstração da materialização da hipótese prevista em lei. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA SOBRE PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. NULIDADE. nulo auto de infração referente à omissão de receita, apurada com base na presunção legal de créditos bancários não esclarecidos, se a empresa não é intimada para explicar os créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. E requisito do lançamento uma descrição de fatos clara e de acordo com os elementos comprobatórios. Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.353 LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. PROVA DOS FATOS. É preciso que a fiscalização comprove os fatos que alega. Para presumir um fato de outro é preciso demonstrar o fato a partir do qual é feita a presunção e esta presunção precisa estar baseada em uma forte conexão entre os dois fatos. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo auto de infração que não seja cientificado à pessoa autuada ou a seu representante. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva, quando o auto de infração ao qual se vincula é nulo. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. nulo o termo de sujeição passiva que pretenda estabelecer responsabilidade sem amparo na legislação. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. nulo o termo de sujeição passiva que indica como base legal diversos artigos cujas hipóteses de incidência são diferentes e excludentes umas das outras, por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR os autos de infração e o Termo se Sujei ão Passiva Solidária. VAL AR Fl' 'ECA DE MENEZES - Presidente. CARLOS EDUARD E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). 2 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Fl. 3.354 Acórdão n.° 1101-00.830 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação de auto de infração. Em 21/1212010, foram lavrados autos de infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, na sistemática do lucro arbitrado, relativos aos anos de 2005 a 2007, decorrente de omissão de receita apurada com base em créditos bancários não identificados, com aplicação de multa de 150% (proc. fls. 2 a 62). Conforme o termo de verificação (proc. fls. 65 a 80), a empresa e os sócios não foram localizados nos endereços cadastrados na Receita Federal e o inicio da fiscalização foi informado por edital. 0 Fisco esclarece que o contrato social indica que a empresa foi constituída em 28/04/2003, por Wanderley do Vale, Ademar de Jesus Caetano, e Wemerson Dias, mas que em 05/09/2005 os sócios passaram a ser João Antônio Staneli e Nelson Guimarães de Oliveira. Diz que estes últimos sócios apresentaram suas DIRPF relativas aos anos de 2005 e 2006 informando apenas rendimentos recebidos de pessoas fisicas e em montante próximo ao limite de isenção anual. Informa que o objetivo social da empresa é comércio de ferro velho e sucatas em geral e que a empresa optou pelo lucro presumido nos anos de 2005 a 2007, mas as DIPJ dos anos de 2006 e 2007 foram entregues zeradas. Diz que a movimentação financeira da empresa de 2005 a 2007 foi de R$ 17.905.658,20, R$ 23.066.012,33, e R$ 14.750.081,93. Adiciona que as DCTF não registram débito de IRPJ e CSLL e que não existe pagamento ou parcelamento registrado nos sistemas da Receita. Conclui que a opção pelo lucro presumido não foi formalizada de modo que a empresa se sujeita ao lucro real ou arbitrado. Explica que em razão "das evidências da empresa estar constituída em nome de interpostas pessoas" foi solicitada e expedida RMF. Diz que recebeu do Unibanco a seguinte documentação: a) Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica acima, em nome dos sócios contratuais Ademar de Jesus Caetano e Wemerson Dias, e dos representantes com poderes para assinar pela empresa, Terezinha de Oliveira Sábio, Heliaco Abras e Wemerson Dias; b) Cópia dos cartões de assinaturas, autorizando a movimentação da conta no 103.161-7, Agencia - 7275; pela Sra. TEREZINHA DE OLIVEIRA SABIO, RELIA CO ABRAS, WEMERSON DIAS e ADEMAR DE JESUS CAETANO; c) Cópia de instrumento de procuração, da empresa DESMANCHE AUTOPEÇAS LTDA, CNPJ: 00.921.781/0001- 57, concedendo ao Sr. Heliaco Abras, poderes para assinar por conta e ordem da empresa em epígrafe. h) Cópia de contrato de empréstimos junto ao BANK OF BOSTON, atualmente incorporado pelo ITAU UNIBANCO S/A; 3 Processo n° 15504.021119/2010-01 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.355 assinado pela Sra. TEREZINHA DE OLIVEIRA SÁBIO e por unia terceira pessoa, até então de assinatura ilegível; i) Cópia de cheques ao portador e nominais a diversas pessoas e empresas, todos eles assinados pela Sra. TEREZINHA DE OLIVEIRA SA . BIO, CPF no 014.389.486-20; Explica que o fato do banco aceitar uma procuração da Desmanche para assinar pela contribuinte indica que as duas empresas são dos mesmos proprietários. Informa que localizou Terezinha de Oliveira Sábio em endereço diferente do cadastrado na Receita e, em 14/10/2010, intimou-a a apresentar a procuração da Metais Comercial Minas Ltda, informar o endereço e os sócios atuais da empresa, e comparecer na Receita para prestar esclarecimentos. Diz que, em 18/10/2010, procurador de Terezinha informou que ela não era titular ou procuradora da empresa Metais Comercial Minas Ltda e nem conhecia a empresa, que é proprietária da Desmanche Autopeças Ltda, e que reside no mesmo local há 30 anos. Esclarece que fez nova intimação para Terezinha indagando porque existem cheques da Metais Comercial Minas Ltda assinados por ela, porque tem cartão de assinatura na conta da empresa no Unibanco com a assinatura dela, porque as DIRPF indicam endereço diferente do que diz morar há 30 anos. Narra que recebeu uma resposta de Terezinha com o seguinte teor: Os itens 01 e 02 cabem salientar que por um longo período de turbulências na minha vida, ou seja, cerca de seis anos cuidando da saúde do meu filho (Heliaco Abras), que possuía um cancer maligno que resultou na amputação de diversos órgãos fazendo uso definitivo de Bolsa de Colostômia, entre idas e vindas de hospitais, cirurgias, radioterapias, quinzioterapias, remédios, cuidados, entre outros fatores. 0 meu filho possuía uma empresa e que sempre ficou afrente dela, apesar de muito doente sempre quis está a frente da sua empresa, em certo momento devido a seu estado de saúde muito debilitado solicitou que eu assinasse diversos documentos, e eu jamais perguntei ou li qualquer documento que ele pediu que eu assinasse, não só pelo fato dele ser o meu filho, mas também pelas circunstâncias que ele passava naqueles momentos terminais que ele viveu. Diante desse contexto não saberia dizer qual é empresa, quais os documentos que assinei, mas recordo que assinei diversos documentos entre eles alguns cheques e outros documentos de bancos; A fiscalização adiciona que, em 16/11/2010, intimou Terezinha a explicar a origem dos créditos bancários na conta da Metais Comercial Minas Ltda., sob pena de considerar os valores como omissão de receitas. Diz que obteve a seguinte resposta: Cabe salientar que em atendimento a intimação datada em 03/11/2010 relativo ao niesino MPF citado acima, que jamais participei da gestão da empresa em referência, nunca tive qualquer acesso as suas documentações, e de conformidade com 4 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.356 os esclarecimentos anteriores, pelo qual informei que o meu filho (Heliaco Abras) possuía uma empresa e que sempre ficou a frente dela, apesar de muito doente sempre quis está a frente da sua empresa, em certo momento devido a seu estado de saúde muito debilitado solicitou que eu assinasse diversos documentos, entre eles cheques e outros documentos de bancos, e eu jamais perguntei ou li qualquer documento que ele pediu que eu assinasse, não só pelo fato dele ser o meu filho, mas também pelas circunstâncias que ele passava naqueles momentos terminais que ele viveu. Diante desse contexto a impossibilidade total de identificar e comprovar a origem de quaisquer recursos constantes na planilha encaminhada pelo Inclito Auditor Fiscal, ou seja, desconheço na Integra tal niovimentação financeira apresentada..." 0 Fisco diz que Terezinha compareceu na Receita e prestou os seguintes esclarecimentos: 1) Que o Sr. Heliaco Abras, seu filho único, era proprietário da empresa acima identificada e assumiu a pedido dele, o gerenciamento das atividades da empresa, por cerca de (05 (cinco anos); 2) 0 falecido Sr. Heliaco Abras esteve doente, por aproximadamente 04 anos, antes de seu falecimento, em 16/07/2006; 3) Que o Sr. Heliaco era casado com Elizabeth da Silva Abras, residente ei RUA JOSE ILDEU GRAMISCELLI, n° 07 e deixou COMO herdeiros o Sr. Liander Abras e a Sra. Lindsey Abras; 4) Que, como já declarado anteriormente é proprietária da empresa DESMANCHE AUTOPECAS LTDA a ela deixada pelo seu falecido filho, a qual a declarante gerencia; 5) A atividade principal da empresa Desmanche Auto Peças Lida é o comércio de peças usadas, de veículos adquiridos, principalmente do PALÁCIO DOS LEILOES; 6) 0 falecido Senhor Heliaco era também proprietário da empresa BRONZINA COMERCIAL LTDA, que comercializava, principalmente, ferro velho (metais não ferrosos); 7) Declarou ainda a Sra. Terezinha, que assinava documentação da empresa Metais Comercial Minas Lida quando lhes erami apresentados pelo seu falecido filho, sem sequer lidos, em absoluta confiança; 8) Desconhece a atividade comercial da empresa e não sabe informar da existência da contabilidade e onde poderia estar a documentação relativa as suas operações; 9) Que a Sra. Elizabeth da Silva Abras, não trabalha, e sobrevive da renda de aluguéis de imóveis, deixados pelo falecido e reside coni o filho Sr. Dander Abras, considerado absolutamente incapaz; 5 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.357 10) Os imóveis acima referidos estão em nome da declarante (Sra. Terezinha); 11) Que a filha do casal, Lindsey Abras é estudante, casada e reside no Bairro Belvedere e que no momento, não se lembra de seu exato endereço; 12) Que até a presente data ainda não tomaram qualquer providência ent relação ao inventário dos bens do Sr. Heliaco Abras, não havendo, portanto, inventário e nem inventariante. A fiscalização informa que, com base nas informações acima, pode-se concluir que: "a) A sociedade Ltda Metais Comercial Minas, era administrada pelo Sr. Heliaco Abras e pela sua mile, Sra. Terezinha; b) Após o óbito do Sr. Heliaco, ocorrido em 16.07.2006, a administração continuou sendo inteira e "voluntariamente", da Sra. Terezinha de Oliveira Sábio". Destaca que Terezinha não constou como sócia no contrato social, mas que tinha procuração para movimentar a conta bancária da empresa a partir de outubro de 2005 e que existe farta documentação comprovando que ela movimentou a conta da empresa de 2005 a 2007. Enfatiza que Terezinha recebeu em torno de R$ 380.000,00 da conta da empresa. Afirma que está comprovada a responsabilidade solidária nos termos dos arts. 861 a 869 do Código Civil e dos arts. 121 a 137 do CTN. Explica que a empresa foi intimada, em 16/11/2010, na pessoa da sua real administradora, Terezinha, a comprovar a origem dos depósitos, mas não atendeu ao solicitado. Assim, considera os créditos na conta bancária como receita omitida. Explica que, para dar maior sustentação A. autuação efetuada com base nos depósitos não comprovados, buscou informações com os clientes da empresa. Diz juntar "farta documentação comprobatória de receitas auferidas pela fiscalizada, representada por cópias de notas fiscais, comprovantes de pagamentos, transferências bancárias e registros contábeis", nos anexos de IV a IX. 0 fiscal explica que continuou o exame na conta bancária da autuada e verificou que Terezinha havia transferido valores por cheque e TED para diversos beneficiários. Diz que, dentre estes beneficiários se destaca a Bronzemetal, que recebeu cerca de R$ 21.200.000,00, que corresponde aproximadamente a 41% dos valores que ingressaram na conta da Metais Comercial Minas Ltda. Informa que Heliaco Abras participou como sócio da Bronzemetal de 27/06/2005 a 13/09/2006, mas que atualmente os únicos sócios da Bronzemetal são Ana Cristina de Oliveira Cardoso e Fernando dos Santos Silva. Esclarece que Terezinha tem procuração da Bronzemetal a partir de 18/10/2005. Diz que a Bronzemetal é optande do Simples, tendo declarado em torno de R$ 600.000,00 em 2005 e declarado sem movimento em 2006, embora tenha recebido transferências da conta da autuada nos montante de R$ 8.330.000,00 e R$ 13.800.000,00 em 2005 e 2006 respectivamente. Explica que pretendeu intimar a Bronzemetal para esclarecer a razão das transferências e para explicar a participação de Terezinha e Heliaco, mas a empresa não foi localizada no endereço cadastrado na Receita. Informa que no endereço da Bronzemetal se encontra a empresa Mundo dos Metais Comércio Ltda, que tem como sócia Maria Adalgisa Rios. Diz que Maria aparece como procuradora da Metais Comercial Minas Ltda no Unibanco, a partir de 15/06/2007, e que recebeu R$ 11.433,00 da Metais Comercial Minas Ltda. G - 6 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórcldo n.° 1101-00.830 Fl. 3.358 Conclui que os fatos demonstram que a empresa sonegou e que os sócios e administradores da autuada cometeram, em tese, crimes contra ordem tributária. Explica que a contagem do prazo decadencial se rege pelo art. 173 do CTN, em razão de ter ficado evidenciado o intuito de fraude. Efetua o lançamento com base na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários não identificados. No auto de infração, explica que a apuração é feita na sistemática do lucro arbitrado porque a empresa não apresentou seus livros e documentos. Terezinha é cientificada pelo correio do auto de infração, do termo de verificação, do termo de sujeição passiva solidária, e do termo de arrolamento (proc. fls. 384 e 385). Terezinha apresenta impugnação relativa ao termo de sujeição passiva solidária. Diz que o auto de infração é nulo. Alega que jamais foi administradora da Metais Comercial Minas Ltda e que a procuração lavrada em outubro de 2005 s6 foi utilizada para a emissão de cheques a pedido de seu filho Helfaco, que estava doente e não podia assinar direito. Explica que não sabe o endereço da empresa, não conhece o escritório que faz a contabilidade, e que nunca falou com os funcionários, fornecedores ou clientes. Afirma que assinava blocos de cheques em branco que ficavam com seu filho. Explica que após o falecimento de seu filho, em 16/07/2006, restaram alguns talões de cheque assinados em branco que foram usados pelos outros sócios da empresa. Informa que depois da morte de seu filho passou em tratamento por um ano. Argumenta que o fato de ter uma procuração não caracteriza a gerência de uma empresa. Diz que o fiscal fez suposições e adivinhações e o auto não pode prosperar. Explica que a base legal aplicada para estabelecer a responsabilidade solidária não é pertinente. Conclui que o auto de infração é nulo e pede sua exclusão do pólo passivo. A 2 Turma da DRJ de Belo Horizonte rejeita a preliminar de ilegitimidade passiva e decide que a impugnação é improcedente. Diz que o mérito do lançamento não foi contestado. Explica que Terezinha não questionou a omissão de receita e nem a multa de 150%, mas apenas a ilegitimidade passiva de Terezinha. Diz que não há decadência, pois o prazo aplicado ao caso é o estabelecido no art. 173 do CTN. Afirma que Terezinha administrou a empresa antes e depois da morte de seu filho, que era sócio da empresa. Esclarece que a documentação bancária comprova a gerencia de Terezinha por 5 anos, inclusive de 2005 a 2007. Argumenta que Terezinha busca apelar emocionalmente, ao falar da doença e morte de seu filho, para se livrar de sua responsabilidade. Sustenta que a responsabilidade tributária é objetiva e independe da capacidade civil ou do estado emocional. Recapitula que a fiscalização considerou caracterizada a responsabilidade solidária prevista nos arts. 124 e 135 do CTN. Conclui que Terezinha e seu filho formaram uma sociedade de fato, fazendo incidir o art. 124 do CTN. Diz que o art. 981 prevê a formação de sociedade de fato. Afirma que Terezinha é responsável solidária. O acórdão é enviado pelo correio para a Metais Comercial Minas Ltda e para Terezinha, mas apenas o enviado para Terezinha é recebido em 11/10/2011 (proc. fls. 3342 a 3344). Em 09/11/2011, Terezinha apresenta recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 3345 a 3349). 7 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.359 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Conforme relatório, a empresa autuada não se manifestou e nem foi intimada dos principais aspectos do processo. A Metais Comercial Minas Ltda não foi intimada para esclarecer os créditos bancários, não foi intimada do auto de infração, e não foi intimada do acórdão da turma julgadora da DRJ. As intimações para esclarecer os créditos bancários, do auto de infração, e do acórdão foram feitas apenas para Terezinha. Dessarte, o mérito, validade e existência do auto de infração depende da procedência da tese da fiscalização (de que Terezinha seria a administradora da empresa) e de se entender que, por isso, toda a comunicação dos atos procedimentais e processuais poderia ser feita apenas para ela. Para verificar a procedência da tese da fiscalização, é preciso verificar se ela encontra amparo nos fatos apresentados pelo Fisco. Inicialmente, a fiscalização observa o contrato social da autuada e descreve a alteração do quadro social ocorrida em 05/09/2005, quando os sócios que constituíram a empresa (Wanderley do Vale, Ademar de Jesus Caetano, e Wemerson Dias) foram substituidos por outros com baixa renda declarada nas suas DIRPF (Joao Antônio Stanch i e Nelson Guimarães de Oliveira). A fiscalização também registra que a autuada movimentou expressivas quantias em banco (R$ 17.905.658,20, R$ 23.066.012,33, e R$ 14.750.081,93, em 2005, 2006 e 2007 respectivamente), mas não tributou estes valores. Conforme a fiscalização, estes fatos evidenciam que a empresa é constituída por interpostas pessoas e solicita RMF. Quanto a este aspecto, a fiscalização está correta, pois a falta de declaração e a incompatibilidade da renda dos sócios atuais com a movimentação da empresa sugerem a interposição de pessoas, o que justifica o pedido de RMF. Na seqüência, a fiscalização constata na documentação enviada pelo Banco Itaú que a ficha cadastral está no nome "dos sócios contratuais Ademar de Jesus Caetano e Wemerson Dias, e dos representantes com poderes para assinar pela empresa, Terezinha de Oliveira Sábio, Heliaco Abras e Wemerson Dias". Verifica que quem pode movimentar a conta bancária é Terezinha de Oliveira Sábio, Helfaco Abras, Wemerson Dias e Ademar de Jesus Caetano e que a autorização para que Helfaco assine foi dada pela empresa Desmanche Ltda. Também, percebe que um empréstimo e diversos cheques da empresa foram assinados por Terezinha. A fiscalização intima Terezinha e ela informa que é proprietária da Desmanche Ltda e que assinou diversos documentos e cheques em branco a pedido de seu filho que estava doente. Terezinha diz desconhecer o conteúdo dos documentos que assinou e que não tem como explicar a movimentação bancária da Metais Comercial Minas Ltda porque jamais participou da gestão e nem teve acesso aos documentos da empresa. Posteriormente, em depoimento pessoal, Terezinha disse que, Heliaco, seu filho único, falecido em 16/07/2006, "era proprietário da empresa acima identificada e assumiu a pedido dele, o gerenciamento das atividades da empresa, por cerca de cinco anos". Explicou que assinava documentação da empresa a pedido de seu filho sem sequer ler o conteúdo. Adicionou que "desconhece a atividade comercial da empresa e não sabe informar 8 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.360 da existência da contabilidade e onde poderia estar a documentação relativa its suas operações". Esclareceu que Helfaco era casado e tinha dois filhos. Disse que "é proprietária da empresa DESMANCHE AUTOPEÇAS LTDA a ela deixada pelo seu falecido filho, a qual a declarante gerencia". Com base nos fatos acima, a fiscalização conclui que a Metais Comercial Minas Ltda era administrada por Heliaco e sua mãe. Ainda conclui que, com a morte de Heliaco, sua tilde continuou administrando a empresa. No entanto, a conclusão é precipitada. verdade que Terezinha informou que a Metais Comercial Minas Ltda era empresa de seu filho. Mas, Ademar de Jesus Caetano e Wemerson Dias constituíram a empresa e, mesmo tendo se retirado da sociedade, estavam autorizados a movimentar a conta bancária junto com Heliaco e sua mãe. Portanto, o mais razoável seria concluir que os proprietários da empresa (sócios de fato), no período autuado, eram Ademar, Wemerson e Helfaco. Também é verdade que Terezinha, em depoimento pessoal, disse que assumiu o gerenciamento da empresa a pedido do filho. Mas, no mesmo depoimento ela diz que desconhece a atividade comercial da empresa e que não sabe informar sobre a contabilidade ou os documentos da empresa. Além disso, em outras resposta, Terezinha disse que jamais participou da administração da empresa e que apenas assinou cheques em branco e documentos que desconhece o conteúdo. Por isso, apenas com base no depoimento de Terezinha, não é possível entender que ela tenha participado da administração da empresa, nem antes e nem depois da morte de seu filho. Inclusive, em razão da morte de Helfaco, dependendo da combinação entre os prováveis sócios de fato, a participação de Heliaco na sociedade de fato seria herdada por seus sucessores. Então, não caberia supor que sua mãe seria a herdeira da participação. Ainda cabe uma ponderação sobre o depoimento pessoal de Terezinha (proc. fl. 249). Conforme a fiscalização, ele foi tomado em instalações da Receita e constata-se no documento que ele foi digitado pelo fiscal. Também se observa que o depoimento não informa se Terezinha estava ou não acompanhada de alguém. Nessas circunstâncias, considerando que Terezinha tinha aproximadamente 80 anos (proc. fls. 431) e considerando que a digitação do seu depoimento foi feita pelo fiscal, é preciso extrema prudência na avaliação de seu conteúdo. De outra banda a fiscalização não tentou refutar a hipótese da sociedade de fato ser composta por Ademar, Wemerson e Helfaco, sequer por um comparativo dos montantes movimentados por cada pessoa autorizada a movimentar a conta. Teria sido importante que a fiscalização comparasse e informasse o quanto foi movimentado com base na assinatura de Terezinha e o quanto foi movimentado por outros meios. Também, seria fundamental que a fiscalização indicasse os valores e datas dos cheques assinados por Terezinha. Isso porque, no contexto descrito, cheques assinados por ela após a morte do filho têm um peso diferente dos cheques assinados no período em que ele estava vivo. Mas, a fiscalização, apesar de dispor dos dados, não fez este trabalho. Além disso, com a dúvida sobre a real sociedade existente, o fato de Terezinha assumir que administra a Desmanche Ltda, sociedade do mesmo ramo que a autuada 9 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.361 não permite concluir que Terezinha tenha substituído seu filho na sociedade de fato ou que tenha participado da administração em algum momento. Assim, os fatos apontados pela fiscalização, não permitem concluir com segurança que Terezinha era administradora da empresa, apenas possibilitam formular hipóteses. Essas hipóteses deveriam ter orientado novas trilhas de investigação, para obtenção de elementos que permitissem uma maior convicção sobre a real situação. Mas, isso não foi feito pelo Fisco e as conclusões da fiscalização tiveram por base apenas os fatos acima retratados. Não obstante, cabe analisar os demais fatos apresentados pela fiscalização (após ter firmado sua convicção de que Terezinha foi administradora da empresa), para verificar se algum deles ratificaria a conclusão do Fisco. A Fiscalização ainda diz que Terezinha recebeu R$ 380.000,00 oriundos da conta da empresa e que a Bronzemetal recebeu R$ 21.200.000,00 da conta da empresa, sendo R$ 8.330.000,00 em 2005, e R$ 13.800.000,00 em 2006. Também diz que Heliaco participou como sócio da Bronzemetal de 27/06/2005 a 13/09/2006, que Terezinha tem procuração da Bronzemetal a partir de 18/10/2005, e que a Bronzemetal não se encontra no endereço cadastrado na Receita. Informa que no endereço da Bronzemetal, encontra-se a Mundo dos Metais Comércio Ltda, que tem como sócia Maria Adalgisa que aparece como procuradora da Metais Comercial Minas Ltda no Unibanco, a partir de 15/06/2007, e que recebeu R$ 11.433,00 da Metais Comercial Minas Ltda. Porém, também estes fatos não informam sobre a gestão da Metais Comercial Minas Ltda. Por isso, não permitem apontar Terezinha como administradora da autuada. Esses fatos, apenas mostram que foram feitas transferência de uma empresa para outra, no período em que Heliaco foi sócio da Bronzemetal e provavelmente sócio de fato da autuada. Deste modo, essas transferências só reforçam a idéia de que Heliaco participava de uma sociedade de fato, mas nada diz sobre a mãe dele. Também a circunstância de Terezinha receber transferência de valores para sua conta pessoal, não permite concluir que era a gerente da autuada. Quanto a essa transferência de valores para Terezinha, seria importante que a fiscalização tivesse indicado o número de parcelas em que foi feita e a data e valores de cada parcela. De fato, se a transferência ocorreu muito tempo após a morte de Heliaco, ela seria um razoável indicio de que Terezinha substituiu Heliaco na sociedade de fato (embora pudessem existir outras explicações, como a aquisição da parte de Helfaco, feita pelos outros prováveis sócios de fato). Já se as transferências ocorreram antes da morte de Heliaco, elas seriam um indicio muito fraco da tese sustentada pela fiscalização. Mas, a fiscalização não fez qualquer referência ao momento em que ocorreram estas transferências. Deste modo, constata-se que os fatos não sustentam a conclusão da fiscalização, pois são meros indícios. Frente a estes indícios, antes de formular alguma acusação, a fiscalização deveria ter procurado com clientes, fornecedores e empregados informações sobre a gerência e sociedade da Metais Comercial Minas Ltda, para buscar novos elementos. Analisando os autos, verifica-se que a fiscalização tentou buscar essas informações junto a clientes, embora não tenha retratado as respostas obtidas no seu relatório. 10 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.362 Conforme se vê nos anexos de IV a IX: a empresa Maurano informa que as compras eram solicitadas para pessoa de nome Claudia (anexo IV, fl. 2); a Italbronze diz que não pode indicar com quem fazia negociações porque as operações que fez foram há 5 anos e a pessoa que fez os contatos já não trabalha mais na Italbronze (anexo IV, fl. 51); a Duratex diz que fazia contato com a gerente comercial, Claudia A Cardoso (anexo IV, 11. 93); a Novelis diz que fazia contato com Heliaco, dono da empresa e que já faleceu, e que a supervisora era Claudia de 0 Cardoso (anexo V, fl. 2); etc. Resta evidente que essas informações de clientes apenas indicam que Heliaco era sócio ou dono da empresa. Mas, nada permitem concluir sobre a alegada gestão de Terezinha. Frente a esta situação, não se pode afirmar que Terezinha foi gerente da empresa em algum momento e todas as intimações referentes à empresa que foram feitas a ela são nulas. Estas intimações deveriam ter sido feitas por edital, tal como foram feitos os diversos termos de continuação juntados nos autos. Assim, o auto de infração é nulo porque não houve intimação para a empresa explicar a origem dos depósitos bancários. Também seria nulo porque a empresa não foi cientificada da autuação. Quanto ao termo de responsabilidade solidária, cabe notar o AR informa que ele foi enviado pelo correio para Terezinha (proc. fls. 384 e 385), mas não foi juntada nenhuma cópia nos autos. Não obstante, o relatório fiscal faz menção à responsabilização solidária de Terezinha. Por isso, é preciso considerar o pedido de Terezinha de sua exclusão do polo passivo. Quanto a esta questão, como o auto de infração é nulo, o termo também é nulo. Mesmo porque a razão pela qual foi lavrado (considerar Terezinha administradora da empresa) não procede. Inclusive, ainda que tivesse sido provado que Terezinha era administradora da empresa, o termo seria nulo, em razão da amplitude da base legal indicada pelo Fisco. Como se constata no termo de verificação, o Fisco imputou a responsabilidade com base nos arts. 861 a 869 do Código Civil e nos arts. 121 a 137 do CTN. Mas, a indicação de base legal voltada para situações tão dispares, impede a defesa e implica em nulidade do termo. Ademais, mesmo supondo que Terezinha administrasse a empresa e considerando que a responsabilização houvesse sido imputada com base nos arts. 124 e 135 do CTN (como fez a DRJ), ainda assim o termo de sujeição seria nulo. Apenas com base na tópica dos artigos no código, se percebe que eles alcançam situações totalmente distintas. 0 art. 124 está localizado no capitulo IV "sujeito passivo", enquanto o art. 135 está localizado no capitulo V "responsabilidade tributária". 0 art. 124 aponta pessoas que estão no polo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capitulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por divida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capitulo V). Isso mostra que os artigos não podem constar juntos da mesma acusação, sob pena de nulidade. Afinal, se a acusação não é clara, não é possível a defesa. A única possibilidade dos dois artigos constarem da mesma acusação seria ficar cabalmente demonstrado que o apontado como responsável solidário atende as hipóteses de incidência de ambos os artigos. Mas, no presente caso, isso não foi feito pela fiscalização. Inclusive, não houve nenhuma preocupação do Fisco em demonstrar que os apontados I I Processo n°15504.021119/2010-01 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.363 atendiam aos requisitos de um e do outro artigo, quanto mais dos dois ao mesmo tempo. Com isso, há evidente prejuízo para a defesa que não sabe ao certo qual situação deve refutar ou esclarecer. Por oportuno, vale lembrar que, sendo a presente questão tão complexa e com tão ampla divergência doutrinária e jurisprudencial, caberia ao fiscal ter sido o mais claro o possível. Inclusive, não bastaria demonstrar como cada uma das hipótese de incidência teria sido realizada pela acusada, mas seria conveniente que definisse o alcance de cada dispositivo. Só assim, ficaria evidenciada a regra aplicada e só assim seria permitida a defesa. A ausência de explicações sobre o alcance da regra e a ausência de demonstração de realização da hipótese de incidência também implica na nulidade do ato. Cabe agora transcrever e analisar os artigos em pauta, iniciando pelo art. 124, in verbis: Art. 124. Sao solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebe-se seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co- proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os co-adquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que co-realizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese aqui proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. 0 que serviria de argumento para pretender que a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Com a interpretação aqui defendida para o art. 124 do CTN nota-se que, primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). 12 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI FL 3.364 Acórdão n.° 1101-00.830 Enfim, ao dizer "interesse comum", o art. 124 do CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co-realizam o fato gerador. Dito de outra forma: só existe interesse idêntico, se as pessoas co-realizam o fato gerador Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador, o procurador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios/administradores/procuradores são terceiros que não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. 0 sistema jurídico e o direito tributário reconhecem a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes, administradores e procuradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Destarte, fica claro que o sócio-gerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não lid o menor sentido em se pretender que "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do crN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutá-la. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. U4 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam co-re lizar o fato gerador. 13 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CIT1 Acnrdao n.° 1101-00.830 Fl. 3.365 Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) dos procuradores/sócios/administradores e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. A empresa realiza suas operações para realizar sua finalidade social. Os sócios-gerentes e os administradores representam e administram a empresa. 0 sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne os sócios-gerentes ou administradores responsáveis solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Por oportuno, cabe consignar que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o Imposto de Renda Pessoa Física, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, a Contribuição para o PIS, a COFINS são tributos que só podem ser realizados por uma única pessoa conforme a própria definição legal. Dessarte, para tais tributos jamais se pode pensar em solidariedade decorrente do inciso I do art. 124 do GIN. Tal dispositivo só se presta a criar solidariedade para tributos que admitam mais de uma pessoa realizando o fato gerador, como é o caso dos incidentes sobre a propriedade (IPTU, ITR, ITBI, IPVA). Cabe agora analisar o art. 135, também mencionado no termo. 0 texto é o seguinte: Art.135. São pessoalniente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; iii - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1°) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capitulo V); 2°) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece razoável que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Isso torna subsidiária a responsabilidade do agente. 14 Processo n° 15504.021119/2010-01 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.830 Fl. 3.366 Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a conduta considerada deva ter a ver com o prejuízo que o Fisco teria por não poder buscar a satisfação de seus créditos na empresa. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estaria alcançada pelo dispositivo seria a atuação para que a empresa sonegasse tributos. Assim, a responsabilização ocorreria quando o débito tributário decorresse de sonegação, com participação do agente, e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a sonegação, ele responde pela sonegação com a qual esteve envolvido e no montante da sonegação. Outra conduta alcançada seria a dissipação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Assim, a responsabilidade ocorreria quando houvesse dissipação irregular, com participação do agente, sendo a empresa devedora do Fisco (de débitos conhecidos ou não), e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a dissipação, ele responde pela dissipação e no montante do que dissipou irregularmente. Em termos práticos, conclui-se que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplica-se, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação ou quando ocorre a dissipação irregular do patrimônio de empresa devedora do Fisco. No caso concreto, não há qualquer demonstração de que a empresa não tenha condições de pagar o débito. Portanto, não está demonstrado que os fatos correspondem ao descrito no art. 135 e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador. Deste modo, o art. 135 não fornece base legal para o "termo de sujeição passiva solidária". Em conclusão, mesmo que tivesse sido demonstrado que Terezinha administrou a empresa e que a base legal tivesse sido precisa, a responsabilização seria nula nula por não estar alcançada pelo art. 135 do CTN. Por tal razão, voto por declarar a nulidade do auto de infração e do termo de sujeição passiva. Sala das Sessões, 7 de novembro de 2012. ---------",-— Carlos Eduardo de meida Guerreiro 15
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