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Numero do processo: 16561.720039/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
FASE PROCEDIMENTAL. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DE FASE LITIGIOSA.
Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaura-se com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece de matéria apresentada somente em grau de recurso voluntário, ou ainda em sustentação oral, quando se pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos.
PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
A autoridade competente pode prorrogar o término do procedimento fiscal pelo tempo que entender necessário à realização dos trabalhos de auditoria, desde que observado o prazo decadencial para lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996.MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO EPARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOSINCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e aoperação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preçoparâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisando-se ométodo do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob aótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, opera-se segundomecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores defrete, seguros e tributos incidentes na importação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Numero da decisão: 1301-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento; e (ii) em negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento por entender que a IN SRF 243 seria ilegal em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado e também em relação à proporcionalização na aplicação do PRL60; (b) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência. Em relação ao pedido feito pelo patrono, em tribuna, de exoneração de multa e juros com base no art. 100 do CTN, por maioria de votos, não se conheceu do pedido por se tratar de matéria preclusa, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por conhecer da matéria com base no disposto no art. 65 da Lei nº 9.784, de 1999.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DE FASE LITIGIOSA. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece de matéria apresentada somente em grau de recurso voluntário, ou ainda em sustentação oral, quando se pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade competente pode prorrogar o término do procedimento fiscal pelo tempo que entender necessário à realização dos trabalhos de auditoria, desde que observado o prazo decadencial para lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 39 /2 01 6- 05 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 551 2 Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996.MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO EPARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOSINCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e aoperação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preçoparâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose ométodo do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob aótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundomecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores defrete, seguros e tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento; e (ii) em negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento por entender que a IN SRF 243 seria ilegal em relação à inclusão de frete, seguro e tributos no preço praticado e também em relação à proporcionalização na aplicação do PRL60; (b) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência. Em relação ao pedido feito pelo patrono, em tribuna, de exoneração de multa e juros com base no art. 100 do CTN, por maioria de votos, não se conheceu do pedido por se tratar de matéria preclusa, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por conhecer da matéria com base no disposto no art. 65 da Lei nº 9.784, de 1999. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 552 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 553 4 Relatório WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1464.250 proferido pela 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Trata o presente processo de autos de infração lavrados, em 19/04/2016, contra o contribuinte acima identificado relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 13.830.302,02 (fl. 239) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.978.908,72, acrescidos de juros de mora à taxa SELIC e multa de ofício de 75%, sobre todas as infrações, formalizando o crédito tributário de R$ 30.061.544,46. Na descrição dos fatos, a autoridade fiscal fundamenta que a fiscalizada, na determinação do Lucro Real do anocalendário 2011, não adicionou ao lucro líquido do período, os valores de ajustes decorrentes da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior. O procedimento fiscal iniciouse, em 29/01/2014, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, no qual o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, o Demonstrativo Consolidado referente à apuração dos Preços de Transferência na importação de itens adquiridos de empresas vinculadas e/ou países de tributação favorecida. Em resposta à intimação, a fiscalizada apresentou demonstrativo, informando a utilização dos métodos PIC (preços independentes comparados) e PRL (preço de revenda menos lucro) com margens de 20% e 60% para apuração dos Preços de Transferência, discriminando as quantidades de itens importados, os respectivos valores financeiros e os ajustes apurados, para cada um dos métodos utilizados. A fiscalização solicitou ao contribuinte a apresentação de documentação comprobatória da apuração dos preços pelos métodos PIC e PRL, assim como as respectivas memórias de cálculo detalhadas para obtenção dos preços parâmetros, referentes aos insumos aplicados à produção. Os cálculos apresentados evidenciam que o contribuinte ao apurar os preços parâmetros pelo método PRL com margem de 60%, o fez de acordo com a Lei nº 9.430/96 e Instrução Normativa (IN) SRF nº 32/2001, metodologia esta em desacordo com a legislação vigente à época, qual seja a IN SRF 243/2002. No curso do procedimento fiscal, a autoridade fiscal identificou erros e inconsistências na apuração do Preço de Transferência. O contribuinte alertado sobre as divergências, e intimado a apresentar os cálculos dos ajustes de acordo com a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002, aquiesceu quanto às divergências, corrigindoas no novo demonstrativo de apuração apresentado. Todavia, embora tenha apresentado os cálculos como solicitado pela fiscalização, discordando da aplicação da IN SRF nº 243/2002, manteve seu próprio entendimento da legislação aplicável. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 554 5 A legislação que rege a apuração dos Preços de Transferência não determina a utilização de algum método específico, deixando ao cargo do contribuinte a escolha que melhor lhe convier. Conforme os dispositivos legais que regulam a matéria, deverá ser mantida a documentação utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro à disposição do Fisco. Cabe à fiscalização, por seu turno, verificar se a apuração realizada pelo contribuinte está de acordo com a legislação e, em caso contrário, realizar as devidas correções. Cumpre ressaltar que o contribuinte após intimado, no curso da ação fiscal, a apresentar os cálculos de ajustes de acordo com o entendimento da fiscalização (IN SRF nº 243/2002) e conforme o seu próprio entendimento (IN SRF nº 32/2001), assim o fez. Os cálculos foram verificados e ratificados pelo Fisco, para dirimir dúvidas futuras. Ainda, verificouse que o contribuinte não realizou ajuste algum referente a Preços de Transferência, conforme a legislação pertinente, na DIPJ – ano calendário 2011. Da análise dos dados apresentados pelo contribuinte, e validados pelo Fisco, aplicando se a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002, aplicável à época dos fatos gerados, a autoridade fiscal conclui que o contribuinte deixou de oferecer à tributação o montante de R$ 79.030.297,30. Cabe observar que a divergência quanto ao entendimento da legislação aplicável está restrita apenas à aplicação do método PRL com margem de 60%, que corresponde ao montante de R$ 11.436.802,47, como se observa na tabela abaixo: Método Ajuste apurado PRL60 11.436.802,47 PRL20 e PRL ponderado (itens de revenda e insumo na produção) 67.493.975,88 PIC 99.518,95 Totais 79.030.297,30 Ajustes recalculados pelo contribuinte no curso da ação fiscal (PRL de acordo com a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002) A ciência do auto de infração à contribuinte ocorreu em 26/04/2016 (fl. 395), por meio de sua caixa postal, considerada seu domicílio tributário. Irresignada, a autuada apresentou, em 27/05/2016, impugnação (fls. 403/432), na qual requer a nulidade do lançamento, alegando vício insanável por ausência de motivação do ato administrativo na fase de fiscalização, especialmente em relação às sucessivas prorrogações. Insurgese também contra a suposta ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, no que se refere à metodologia apontada para o cálculo do preço parâmetro com base no PRL60, bem como quanto à inclusão dos valores pagos a título de frete, seguros e tributos incidentes na importação para fins de determinação do preço praticado na importação do produto. Reivindica, na hipótese da exação subsistir, o afastamento da incidência de juros sobre a multa de ofício, em virtude de ausência de previsão legal. A impugnante atua no setor de fabricação e comercialização de produtos relacionados à geração de energia eólica, para tanto realiza importações de insumos para fabricação de seus produtos, bem como importações de produtos finais destinados à revenda, sendo tais importações sujeitas ao controle de preços de transferência. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 555 6 Preliminarmente, a autuada aponta vício insanável de ausência de motivação do ato administrativo na fase de fiscalização, questionando a tempestividade das sucessivas prorrogações. Alega que o procedimento fiscal iniciouse em 29/01/2014, entretanto, a fiscalização só foi encerrada em 20/04/2016, passados mais de dois anos do início da fiscalização. Invoca os princípios da razoabilidade e da motivação para insurgirse quanto a morosidade injustificada da Administração e requer o exame sobre a regularidade das prorrogações no procedimento fiscal, sustentando que as sucessivas prorrogações carecem de motivação. Cita a doutrina administrativa e judicial, alegando a necessidade de motivação dos atos administrativos, e a inversão do ônus da prova, tendo em vista que a Fazenda Nacional teria as melhores condições de demonstrar que o ato de prorrogação foi expedido de forma tempestiva. Quanto ao mérito, a impugnante contesta a aplicação do art. 12 da IN SRF nº 243/2002, na apuração do ajuste de preços relativos aos insumos importados aplicados à produção, utilizando o método do Preço de Revenda menos Lucro, com margem de lucro de 60%, (PRL 60), previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, antes das alterações promovidas pela Lei nº 12.715/2012. A autuada alega que os dispositivos contidos na referida instrução normativa são ilegais, pois inovam e majoram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo afirma, de acordo com a redação do art. 18 da Lei 9.430/1996, vigente à época dos fatos geradores, a apuração da margem de lucro de 60% incide sobre o valor líquido da transação, calculado como preço líquido de venda menos o valor agregado no país. Entretanto, a IN SRF nº 243/2002 estabelece que a margem de lucro de 60% incide sobre a parcela do preço líquido da venda referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados. A metodologia contida na IN SRF nº 243/02 acarreta elevação da carga tributária, pois o preço máximo a ser praticado sempre resulta em valor inferior àquele obtido quando da aplicação da Lei nº 9.430/96. Assim, sendo o preçoparâmetro de comparação menor, maior será o ajuste adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A impugnante reconhece o argumento de que a IN SRF nº 243/2002 teria sido editada nestes termos com o objetivo de corrigir uma imprecisão metodológica da lei. Entretanto, tal imprecisão não poderia ser corrigida por meio de mera instrução normativa, sob pena de violação ao princípio da legalidade. Transcreve decisão do Superior Tribunal de Justiça, que adotando esse entendimento, afastou a aplicação de INº 80/93 – SRF, que teria ampliado as restrições fixadas em lei. Sustenta que houve violação ao art. 97 do Código Tributário Nacional, que dispõe que somente a lei pode estabelecer a majoração de tributos, ou sua redução, equiparandose à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Complementa que a doutrina administrativa esclarece que os atos normativos estão subordinados à lei, e que as redações do art. 12 da IN SRF nº243/2002 e do art. 18 da Lei 9.430/96 são discrepantes. Também reproduz julgados do CARF e da jurisprudência judicial, todos no mesmo sentido. Finaliza essa questão, enfatizando que a discrepância entre os dois dispositivos, já mencionados, foi eliminada quando da alteração do art. 18 da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 12.715/12, demonstrando que a matéria suscitava litígios pelo descompasso entre a legislação infralegal e os comandos dispostos na lei. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 556 7 Quanto aos valores pagos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação, a impugnante assevera que tais valores devem ser desconsiderados para fins de apuração do ajuste, pois o objetivo das regras de preços de transferência é evitar a manipulação do preço praticado na operação. Considerando que somente o preço da mercadoria está sujeito a qualquer tipo de manipulação, somente o respectivo montante deve se sujeitar aos controles de preço de transferência. Ressalta que não pode ser confundido o custo da importação de um produto (que inclui frete internacional, seguro e tributos incidentes na importação) com o preço de aquisição do produtos, ou seja, com o preço praticado com o exportador. Destaca que o art. 18 da Lei nº 9.430/1996 determina que os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda o preço de transferência. O §6º daquele mesmo artigo dispõe que integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Conclui da redação desses dispositivos que o valor que está sujeito a controle e que deve ser comprado ao preço parâmetro é o preço praticado com o exportador, e que serão deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o custo de importação do produto, incluídos o preço pago ao exportador e os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Transcreve trechos de dois acórdãos do CARF que afastaram a obrigatoriedade de inclusão dos valores de frete e seguro no preço do produto importado para efeito da aplicação das regras do preço de transferência. Atesta que a Lei 12.715/2012, dando nova redação ao §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/1996, dispõe que os valores pagos a título do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, não integram o custo do produto, para efeito da apuração do preço de transferência. Por fim, requer que, na hipótese de ser mantida a autuação, seja afastada a incidência de juros sobre a multa de ofício. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgoua improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão em 13 de março de 2017 (fls. 503 505), apresentando recurso voluntário de fls. 508544 em 12 de abril de 2017 (conforme despacho de fl. 1677). Em resumo, reafirma os termos de sua impugnação, argumentando que a IN SRF 243/2002 seria ilegal, pleiteando a não inclusão de frete, seguro e tributos no preço parâmetro e requerendo ainda, de forma subsidiária e caso mantida a exação, a não incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 557 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 NULIDADE DO LANÇAMENTO Aduz a recorrente que os autos de infração lavrados seriam nulos em razão do longo período que perdurou o procedimento fiscal (mais de dois anos), com interrupções inexplicáveis em seu andamento, o que acabaria por afrontar princípios que regem a Administração Pública, conforme determina o art. 2º da Lei nº 9.784/99, em especial os princípios da motivação e da razoabilidade. Nesse sentido, assim argumenta: Portanto, em que pesem as disposições do artigo 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/1972, bem como das Portarias RFB números 1687/2014 e 3014/2011, mencionadas no Acórdão recorrido a fim de sustentar que o prazo do TDPF (antigo MPF) pode ser prorrogado até a efetiva conclusão do procedimento fiscal, a possibilidade de prorrogações sucessivas há de ter um limite pautado pela razoabilidade e pela motivação, não se podendo admitir prejuízo ao contribuinte pela morosidade injustificada da Administração. Admitir o contrário daria margem a fiscalizações intermináveis, deixando os contribuintes, na prática, sob fiscalização permanente. Pois bem, a nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 558 9 § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Dispõe ainda o art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No caso concreto não vislumbro qualquer hipótese legal que possa inquinar os autos de nulos, até mesmo porque, sem sombra de dúvidas, a longa duração do procedimento não trouxe qualquer prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. Tal conclusão se mostra reforçada em razão de, afora essa preliminar de nulidade, não haver qualquer outro questionamento de matérias de fato ou controvertidas, revestindose suas peças de defesa em argumentos puramente de direito. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase inquisitorial do procedimento fiscal, uma vez que a fase litigiosa somente se inicia com a apresentação da impugnação (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser observados de forma ampla. No decorrer do procedimento de fiscalização o agir da autoridade fiscal se deu em estrito cumprimento das normas estabelecidas. No que diz respeito ao seu argumento de aplicação do disposto no artigo 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235/19721, correta a conclusão da turma julgadora a quo ao concluir que a 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 559 10 inobservância do disposto no referido dispositivo, por parte da autoridade fiscal, implicaria a reaquisição da espontaneidade por parte do contribuinte, podendo retificar suas declarações e recolher os tributos, inclusive os que decorreriam do procedimento fiscal em curso, com os benefícios da denúncia espontânea, direito não exercido pela recorrente, uma vez que não há notícias de retificações de declarações ou recolhimentos espontâneos realizados até o momento da lavratura dos autos de infração guerreados. De igual forma, perfeita a decisão recorrida ao concluir que a demora em constituir o crédito tributário de ofício também poderia beneficiar a recorrente se decorridos os prazos decadenciais, o que também não se cogita no caso concreto. Na realidade, inexiste qualquer ato legal ou infralegal que defina um prazo máximo para duração de um procedimento fiscal2. Pelo contrário: as portarias que regiam a emissão do denominado Mandado de Procedimento Fiscal MPF vigentes à época dos procedimentos fiscais taxativamente previam que os prazos nelas previstos poderiam ser prorrogados tantas vezes quantas necessárias. Peço vênia para transcrever o correto entendimento firmado na decisão de primeira instância: Depreendese da leitura da legislação de regência, que esta optou pela não determinação de um prazo fatal para a conclusão dos procedimentos fiscais. Todavia, o CTN, ao definir os prazos decadenciais nos artigos 150, parágrafo 4º, e 173, impede, de forma indireta, que o procedimento fiscal se perpetue indefinidamente. Do exposto, a Fiscalização pode prorrogar o término do procedimento fiscal pelo tempo que entender necessário à realização dos trabalhos de auditoria, desde que observado o prazo decadencial para lançamento, e as normas em vigor. Corrobora esse entendimento o disposto no artigo 12 da Portaria RFB nº 3.014/2011, e no artigo 15, e §§ 1º e 2º, da Portaria RFB nº 1.687/2014, ambos transcritos abaixo: Portaria RFB nº 3.014/2011 Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Portaria RFB n° 1687, de 17 de setembro de 2014 Art. 11. Os procedimentos fiscais deverão ser executados nos seguintes prazos de duração: § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. 2 A propósito, não é necessário um grande esforço intelectual para se concluir que, se fixados tais prazos, certamente os procedimentos fiscais tenderiam a gerar ainda maiores tensões no relacionamento Fisco/Contribuinte, quer pela pressão na autoridade fiscal pelo término do procedimento fiscal no prazo máximo por ventura fixado em norma cogente, quer pela força indutora que impulsionaria o contribuinte a não colaborar com o bom andamento da fiscalização, buscando o seu término pelo decurso de prazo. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 560 11 I cento e vinte dias, no caso de procedimento de fiscalização; II sessenta dias, no caso de procedimento fiscal de diligência. § 1º Os prazos de que trata o caput poderão ser prorrogados até a efetiva conclusão do procedimento fiscal e serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. § 2º Para fins de controle administrativo, a contagem do prazo do procedimento de fiscalização farseá a partir da data da emissão do TDPF, salvo nos casos de emissão de TDPFE, nos quais a contagem farseá a partir da data de início do procedimento fiscal. Considerando a inexistência do instituto da decadência, não há que se falar em excesso de prazo do presente procedimento fiscal. Convém ainda ressaltar que o MPF se constitui em elemento de controle da administração tributária, servindo tanto para fins de controle interno quanto para dar segurança e transparência à relação FiscoContribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal3. Portanto, o fato de o contribuinte não ter acesso aos documentos que ampararam a decisão de prorrogarse o prazo do MPF não implicariam qualquer mácula ao seu exercício de defesa, uma vez que se trata de um instrumento de controle administrativo da RFB e, o que se argumenta somente por amor ao debate, eventuais problemas com emissão ou a prorrogação do MPF não invalidariam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. De todo modo, à época do procedimento fiscal, a ciência do MPF já se dava por meio eletrônico, com acesso via internet mediante utilização de código informado no início do procedimento fiscal, nos termos do parágrafo único do art. 4º da Portaria RFB nº 3014, de 2011, verbis: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. 3 Nesse sentido, o Decreto nº 8.303/2014 extinguiu o MPF e criou o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) e, em seu art. 2º, deixa claro que tais instrumentos referemse a controles administrativos: "Art. 2º Os procedimentos fiscais iniciados antes da publicação deste Decreto permanecerão válidos, independentemente das alterações no instrumento de controle administrativo nele veiculadas, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 561 12 Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. [grifos nossos] A esse respeito, assim consta à fl. 69 (Termo de Início de Fiscalização): Conforme as atuais normas para a execução de procedimentos fiscais, instituídas pela Portaria RFB 3.014, de 29/06/2011, no parágrafo único do art. 4º, a ciência ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 08.1.85.002014000040, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, www.receita.fazenda.gov.br, na seção “EMPRESAS – Serviços e informação para Pessoa Jurídica”, subseção “Fiscalização – Consulta Mandado de Procedimento Fiscal MPF”, com a utilização do código de acesso: 21282029. Ainda em relação ao tema, demonstrando extremo zelo, a autoridade fiscal anexou às fls. 2 e 3 dos autos a via "física" do MPF, onde constam expressamente a validade de todas prorrogações realizadas, acessíveis, frisese, por meio do código de acesso informado no Termo de Início de Fiscalização. Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. Nesse cenário, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento. 3 MÉRITO Inicialmente, convém ressaltar que, tratandose de exigências de IRPJ e CSLL com base nos mesmos dispositivos legais, o decidido quanto ao IRPJ aplicase integralmente à exigência de CSLL. 3.2 INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS NO CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO – MÉTODO PRL Pois bem, sobre o tema, na vigência da IN SRF nº 243, de 2002, tenho opinião firmada a respeito da legalidade dessa norma complementar. Entendo que os valores relativos a frete, seguro e imposto de importação devem compor a apuração do preço praticado, uma vez que compõem também o preço parâmetro. Isso porque o § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/2002 reflete o disposto no § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos (“§ 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”). Não se pode olvidar que, para fins de preço de transferência, a comparação entre preço praticado e preço parâmetro deve se dar a partir de grandezas semelhantes. Ora, se os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação são computados na apuração do preço de revenda, e o que se deseja é apurar o preço parâmetro em patamares similares aos mesmos bens ou serviços adquiridos no Brasil e de partes independentes, necessariamente o Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 562 13 custo do frete, seguro e os tributos não recuperáveis de importação deverão ser considerados. Há de se ter simetria na comparação. O dispositivo legal em debate é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Tal procedimento, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, é óbvio. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo contribuinte (média aritmética), e, daí, são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, evidentemente, a contribuinte considerou na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a impugnante. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora, e se analisa apenas o valor da mercadoria importada. No mesmo sentido podese citar precedente da extinta 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, no acórdão 1051671, enfrentou a questão com propriedade: [...] A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos nãorecuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 563 14 partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. O empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de preço de transferência estaria prejudicada. [...] No que tange aos argumentos a respeito da nova redação do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, nos termos da Lei nº 12.715, de 2012, comumente trazido ao debate, entendo que seu teor depõe contra a recorrente. Explico. Em primeiro lugar, caso comumente adotado pelos recorrentes fosse adotada, os custos de frete e seguro suportados pelo importador somente seriam despesas dedutíveis em razão do disposto na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Isso porque o alcance de tal dispositivo somente diria respeito à dedutibilidade de tais despesas. Ora, partindose de tal premissa, teríamos que concluir que a nova redação dada pela Lei nº 12.715/12 teria revogado a dedutibilidade das despesas com frete e seguro realizadas com pessoas não vinculadas nas operações de importações, uma vez que não mais comporão o cálculo do preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro. Não me parece, portanto, a melhor interpretação a tese de que a antiga redação do dispositivo tivesse como objetivo tornar dedutíveis tais desembolsos. Há de se encontrar outra interpretação ao enunciado em questão. Nesse sentido, entendo que a melhor exegese do dispositivo legal em tela coadunase com o disposto no § 4º do art. 4º da IN SRF 243/2002, ou seja: o custo de seguro e frete, bem como dos tributos incidentes na importação, à luz da redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído para fins de cálculo do preço praticado porque também estava contido na apuração do preço parâmetro. O objetivo da norma infralegal atacada era equalizar as bases comparativas, em nada desbordando do texto legal. Retornandose ao novo diploma legal, alguns outros comentários merecem ser feitos. Se por um lado o dispositivo passou a excluir do preço parâmetro as operações de frete e seguro contratadas com pessoas não vinculadas (e cujo ônus tenha sido do importador FOB), por outro deixou evidente que nos casos de tais ônus não serem suportados diretamente pelo importador (CIF) os respectivos valores devem compor o preço praticado. Sem dúvida, a partir de 2013 (início de produção de efeitos da Lei nº 12.715/12), o grau de litigiosidade tende a diminuir. Por outro lado, se é possível depreender que a nova redação pode alterar a exegese da anterior – por seu caráter, digamos, interpretativo , não se pode desprezar que também pode se extrair que o novo texto legal inovou, passando a surtir efeitos a partir do ano calendário de 2013. E podese enxergar ainda que há pontos interpretativos e pontos modificativos na norma. Assim, quem contratou com cláusula CIF pode enxergar que a Lei nº 12.715/12 aplicase somente a partir de 2013; por outro lado, quem contratou com cláusula FOB dirá que a nova norma somente interpreta a norma anterior, traduzindo o espírito da arm´s length. O Fisco, por sua vez, pode interpretar de maneira absolutamente inversa, entendendo que em relação à cláusula CIF o novo diploma foi interpretativo, mas no que tange à cláusula Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 564 15 FOB aplicarseá somente a partir de 2013. O mesmo raciocínio aplicase aos valores referentes aos tributos incidentes na importação e demais gastos aduaneiros. Portanto, o caráter de mitigação da litigiosidade FiscoContribuinte estampado na exposição de motivos da MP 563 possui muito mais caráter prospectivo que retrospectivo. A meu ver, os pontos trazidos pela Lei nº 12.715, de 2012, revestemse de caráter inovador no que tange à exclusão do preço praticado de algumas despesas. Se na redação original do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, constava que “Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”, o novo mandamento legal foi claro ao passar a permitir a exclusão da apuração do preço parâmetro dos valores de frete e seguro, de ônus do importador (FOB), quando contratados com pessoas não vinculadas e não localizadas em “paraísos fiscais”. De outro ângulo, observase que manteve a inclusão de tais valores no preço praticado quando a importação se der com cláusula CIF, pois, quisesse alterar seu quantum, certamente o teria feito como o fez nos fretes e seguros contratados diretamente pela importadora com pessoas não vinculadas. A questão da inovação fica ainda mais clara ao analisarmos o tratamento dos tributos incidentes na importação. Se na redação original do dispositivo em tela constava explicitamente que tais valores deveriam compor o preço praticado, o § 6ºA inserto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 12.715, de 2012, passou a determinar a exclusão dos tributos incidentes na importação da composição do preço praticado. Tal alteração, indubitavelmente, não pode ser tachada de interpretativa, pois altera diametralmente o tratamento de tais valores, primeiro incluindoos no preço praticado, e, posteriormente, excluindoos de seu cálculo. Diante do exposto, concluo que, para fins determinação do preço praticado, qualquer exclusão, inclusive dos valores de frete, seguro, tributos, deve ser expressamente autorizada pela legislação, tal qual trazido pela Lei nº 12.715, de 2012. 3.3 DA ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 A respeito do tema, a fim de se evitar tautologia, adoto o voto do I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto no acórdão 1402001.418 aquiescendo a legalidade da norma complementar em questão. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 565 16 No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 566 17 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 567 18 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 4 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar 4 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 568 19 a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.5 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: 5 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 569 20 I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 570 21 em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 571 22 INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 572 23 de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 573 24 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. Convém ressaltar que tal entendimento vem sendo acolhido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como, por exemplo, no acórdão 9101003.415 julgado na sessão de 06 de fevereiro de 2018, cujo excerto de interesse da ementa reproduzo a seguir: IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Por essas razões, mantenho integralmente a decisão recorrida sobre o tema. 4 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 574 25 Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 575 26 A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 576 27 Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 577 28 No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 578 29 créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603– CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Desse modo, voto por manter tal exigência. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 579 30 5 DO PEDIDO DE EXONERAÇÃO DE MULTA E JUROS COM BASE NO ART. 100 DO CTN Quando da realização da sustentação oral, requereu a Recorrente que fosse exonerada a aplicação de multa e juros com base no disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional, por, em seu entender, haver jurisprudência do CARF, à época dos fatos geradores, que teriam induzido o contribuinte a adotar o procedimento posteriormente questionado pelo Fisco. Sem adentrar no mérito dos argumentos do contribuinte, inclusive no tocante à ausência de demonstração a tal jurisprudência arguida, a matéria não deve ser alvo de conhecimento. Isso porque a preclusão, em sede de processo administrativo fiscal, possui regramento próprio. No caso dos autos, essa se consumou no momento em que o contribuinte apresentou impugnação sem questionar a exigência de juros e multa de ofício. Tais conclusões advêm do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação a uma ou mais infrações decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, transcrito a seguir: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. No caso concreto, tratandose de exigência acessória, o crédito tributário atinente à multa de ofício e juros de mora somente não puderam ser alvo de cobrança imediata em razão de depender da confirmação dos tributos objetos de lançamento, uma vez que em relação ao principal, a Recorrente tempestivamente apresentou impugnação, tornando a matéria litigiosa, e posteriormente interpôs também recurso voluntário em face da decisão de primeira instância. Por oportuno, frisase que matérias que pudessem ser consideradas como sendo de ordem pública poderiam ser conhecidas em qualquer fase do processo, inclusive de ofício, mas, conforme já salientado, tratandose de exigência acessória (multa e juros), não é o caso dos autos. Salientase, inclusive, que não há nos autos qualquer pedido da Recorrente a esse respeito, pois, além de não impugnar a exigência de multa e juros, também não o fez em Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201605 Acórdão n.º 1301003.292 S1C3T1 Fl. 580 31 sede de recurso voluntário, apresentado ao colegiado, da tribuna, tal pedido ao final da realização de sustentação oral. No que diz respeito à aplicação do art. 65 da Lei nº 9.784, de 19996, norma que rege o processo administrativo em geral somente de forma subsidiária, não há como aplicar o entendimento de possibilidade de revisão da sanção aplicada, a qualquer tempo, pois, nos termos de seu art. 69, os “processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. Ora, se o processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, por norma própria, regula de maneira expressa os efeitos da preclusão em seu âmbito (artigos 17 e 21), não há que se falar em aplicação de norma subsidiária no ponto em que essa é incompatível com a norma específica. Nesse sentido, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de sustentação oral que não tenha sido objeto de impugnação. 6 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 6 Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção. Fl. 580DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720244/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP
DEBCAD nº 51.043.406-1 (Patronal e GILRAT)
DEBCAD nº 51.043.407-0 (SENAR)
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL.
É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência.
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR.
É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria.
Numero da decisão: 2301-005.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Auto de Infração de Obrigação Principal - AIOP DEBCAD nº 51.043.406-1 (Patronal e GILRAT) DEBCAD nº 51.043.407-0 (SENAR) VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 51.043.4061 (Patronal e GILRAT) DEBCAD nº 51.043.4070 (SENAR) VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 02 44 /2 01 4- 20 Fl. 788DF CARF MF 2 João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Trata o presente processo de lançamentos de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, consolidados em 20/02/2014, em desfavor da empresa em epigrafe, incidente sobre a comercialização da produção rural, conforme segue: Os Autos de Infração de que tratam o processo abrange o período de débito de 01/01/2010 a 31/12/2011, conforme abaixo: DEBCAD nº 51.043.4061, no valor de R$ 3.931.044,19 (três milhões novecentos e trinta e um mil, quarenta e quatro reais e dezenove centavos), relativo às contribuições devidas da parte da empresa e para o financiamento da aposentadoria especial relativas ao Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes de Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT. DEBCAD nº 51.043.4070, no valor de R$ 377.985,00 (trezentos e setenta e sete mil novecentos e oitenta e cinco reais), relativo às contribuições destinadas ao SENAR. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 28/34, o fato gerador da contribuição lançada ocorreu com a comercialização da produção rural própria, ou seja, com a venda das aves vivas ou abatidas por terceiros, entendendo como produção própria à parte do produto das vendas que coube à empresa. Informa à fiscalização que conforme verificado nos documentos a empresa até setembro de 2011, dedicouse à criação de frangos de corte e venda das aves vivas, no sistema de integração, onde produtores rurais, por meio de contratos firmados, tornavamse parceiros da contribuinte. A partir de outubro de 2011 passou a proceder ao abate dessas aves por industrialização, por encomenda, por intermédio da empresa Porto Aves Alimentos Ltda, além de continuar com a venda de frangos vivos. Os empregados da empresa desenvolviam trabalhos na produção da ração empregada na parceria avícola. Para apuração da base de cálculo referente à comercialização rural própria foi considerado o regime de parceria mantido com os produtores rurais e para apuração do faturamento foi considerado o total apurado nas vendas, deduzido do valor repassado aos parceiros produtores rurais. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13888.720244/201420 Acórdão n.º 2301005.514 S2C3T1 Fl. 3 3 Informa que a atividade de criação de aves, sem o abate das mesmas pela própria empresa configura atividade rural. Informa ainda que o produtor rural física ou jurídica está sujeito ao recolhimento da contribuição substitutiva imposta pela Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural devida Previdência Social. Registra que foram analisados, no ato da fiscalização, os seguintes documentos: Contabilidade, Folha de Pagamento, GFIP, Contrato de parceria com produtores rurais pessoas físicas e notas de entrada e de saída de mercadorias. Da comparação entre os valores informados nas notas fiscais e nas GFIP foi verificado que a empresa deixou de informar a comercialização da produção rural própria, durante todo o período fiscalizado – de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, exceto na competência janeiro de 2010. Diante da conduta de omitir fato gerador em GFIP, a empresa foi representada ao Ministério Público Federal pelo crime, em tese, de Sonegação Fiscal Previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal Decreto Lei nº 2.848/40. O Contribuinte tempestivamente apresentou a impugnação de fls. 659/665, alegando, em síntese: Preliminarmente requer a nulidade dos autos de infração por ausência de clareza necessária e indispensável ao exercício de defesa, o que lhe retira a legalidade e afronta o art. 5º, incisos LIV e LV da CF/88. Argumenta que após os esclarecimentos requer novo prazo para complementar a impugnação. Afirma que, na condição de produtor rural, sofreu o lançamento mediante a aplicação do art. 22A, dispositivo esse que foi acrescentado pela Lei nº 10.256/2001, à Lei nº 8.212/91, dispondo que o produtor rural pessoa jurídica terá como base de cálculo da contribuição da empresa à Seguridade Social, a receita bruta da comercialização da produção, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a base de cálculo da contribuição sobre a folha de pagamento foi substituída pela contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. No entanto a fiscalização não observou que a impugnante se encaixa na exceção da regra geral de pessoas jurídicas que comercializam a produção rural, pelo fato de atuar no seguimento de avicultura e que, portanto, deve ser aplicado o §4º do art. 22A, que dispõe que não se aplica tal substituição às agroindústrias de avicultura, devendo a estas se aplicar o previsto nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, cuja base de cálculo é a folha de salários. Insurgese contra a abusividade da multa aplicada no percentual de 75% do valor da contribuição, o que implica em ofensa ao princípio da moralidade, devendo, por conseguinte, ser reduzida para 10%. Ante o exposto requer a anulação do credito tributário exigido, como também da multa aplicada. O Acórdão n. 0364.926 da DRJ (fls. 753 e ss) julgou a impugnação improcedente nos termos abaixo: Fl. 790DF CARF MF 4 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 51.043.4061 (Patronal e GILRAT) DEBCAD nº 51.043.4070 (SENAR) COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto." Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 768 e ss) reiterando os argumentos apresentados na impugnação: (i) cerceamento de defesa uma vez que o auto de infração não elaborou uma correta descrição do fato, uma vez que ela é uma agroindústria do ramo de avicultura, já que possui atividade de industrialização e fabricação de produtos; (ii) requer o regime jurídico tributário de uma agroindústria de avicultura; (iii) cerceamento de defesa também por falta de menção da disposição legal infringida e penalidade aplicável no caso do SENAR; e (iv) multa de 75% caracterizaria confisco, que é vedado pela Constituição. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial ofensa ao princípio da vedação ao confisco pela multa aplicada no presente processo (fls. 528 e ss). Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13888.720244/201420 Acórdão n.º 2301005.514 S2C3T1 Fl. 4 5 Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação, ainda que indireta, de inconstitucionalidade da referida multa em virtude ofensa ao princípio da vedação ao confisco. Da Preliminar de Nulidade No que tange à preliminar de nulidade do lançamento em virtude de um cerceamento de defesa tanto por conta da falta de eventual descrição correta do fato, quanto por falta de menção da disposição legal infringida e penalidade aplicável no caso do SENAR, cumpre analisar o regime jurídico da nulidade. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa no lançamento de débito de contribuições previdenciárias, visto que o Recorrente foi regularmente notificado para apresentar impugnação, apresentando suas alegações tanto no âmbito da impugnação quanto no âmbito do recurso voluntário. Fl. 792DF CARF MF 6 Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Do Não Enquadramento da Recorrente como Agroindústria Com o advento da Lei nº 10.256/2001 o legislador introduziu o art. 22A na Lei nº 8.212/1991, verbis: Art. 1º A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (...) § 4º O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. Com esse novo dispositivo, a sistemática de cálculo das contribuições sociais das empresas enquadradas como agroindústrias foi alterada. A nova lei definiu que as empresas agroindustriais teriam suas contribuições sociais sobre a folha de salários substituída pela receita bruta, proveniente da comercialização de seus produtos, conforme acima transcrito. No presente caso, de acordo com o relato fiscal até setembro de 2011, a empresa dedicouse à criação de frangos de corte e venda das aves vivas, no sistema de integração, onde produtores rurais, por meio de contratos firmados, tornavamse parceiros da contribuinte. A partir de outubro de 2011 passou a proceder ao abate dessas aves por industrialização, por encomenda, por intermédio da empresa Porto Aves Alimentos Ltda, além de continuar com a venda de frangos vivos. Ou seja, a atividade de criação de aves, sem o abate das mesmas pela própria empresa configura atividade rural e não agroindustrial. Desta feita, embora a Recorrente acredite ser uma agroindústria de avicultura constatase pela definição acima transcrita e pelo relato fiscal que esta se constitui em produtora rural pessoa jurídica, uma vez que não industrializa a sua produção própria ou a adquirida de terceiros, não podendo se aplicar o previsto nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, cuja base de cálculo é a folha de salários. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13888.720244/201420 Acórdão n.º 2301005.514 S2C3T1 Fl. 5 7 Cumpre notar que conforme procedimento exigível, para fundamentar a exigência fiscal constou do Anexo Fundamento Legal do Débito o art. 25 da Lei 8.870/1994, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 09/07/2001. Por fim, vale ressaltar que o Recorrente não trouxe novos documentos que viessem a comprovar sua atuação como agroindústria. Ante o exposto, nego provimento ao recurso no tocante ao seu enquadramento como agroindústria. Do SENAR Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, as contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da aquisição de produtos rurais de produtor rural pessoa jurídica estão previstas na Lei nº 8.870/94, em seu art. 25, § 1º com a Redação dada pela Lei nº 10.256, de 09/07/2001, verbis: Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (...) § 1º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001). Assim, verificase que as contribuições destinadas ao SENAR não compõem o orçamento da Seguridade Social, conforme definido no art. 11 da Lei nº 8.212/91, por ter sido instituída com a finalidade específica de custear atividades em benefício dos trabalhadores rurais, configura contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. É o que se extrai da Lei 8.315/91, que criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. A contribuição em questão é paga por integrantes de um grupo específico, sendo revertido em benefício do mesmo, restando patente a sua conformação à hipótese de contribuição de interesse de categorias profissionais e econômicas. Assim, a contribuição objeto do lançamento tem seu fundamento em dispositivos legais que lhes instituíram e lhes deram contornos, e em virtude do princípio da presunção de constitucionalidade das leis, as mesmas são consideradas de aplicação plena. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 794DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 795DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.920092/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 92 /2 00 9- 88 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.920092/200988 Acórdão n.º 1401002.865 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.450,30 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 21855.71203.101106.1.3.049671, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 7.267,07, código 2089, recolhido em 30/04/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.920092/200988 Acórdão n.º 1401002.865 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.920092/200988 Acórdão n.º 1401002.865 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.920092/200988 Acórdão n.º 1401002.865 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.927316/2014-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 73 16 /2 01 4- 40 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 32938.74747.140114.1.3.046050. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de CSLL, Código de Receita 2372, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/10/2010, no valor de R$ 71.260,93. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entgre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.927316/201440 Acórdão n.º 1401002.760 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724308/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724308/201172 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.856 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 08 /2 01 1- 72 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.977. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.724308/201172 Acórdão n.º 3302005.856 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.003769/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003769/200930 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.279 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ PERDCOMP Recorrente RADIOLOGIA SIDNEY DE SOUZA ALMEIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 37 69 /2 00 9- 30 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13888.003769/200930 Acórdão n.º 1301003.279 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13888.003769/200930 Acórdão n.º 1301003.279 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13888.003769/200930 Acórdão n.º 1301003.279 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13888.003769/200930 Acórdão n.º 1301003.279 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13888.003769/200930 Acórdão n.º 1301003.279 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 323DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.723007/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS. CREDITAMENTO. FRETE. CONCEITO DE INSUMOS COM BASE NO CRITÉRIO DE ESSENCIALIDADE.
Os gastos com fretes no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, e na transferência de insumos e de produtos em elaboração da filial para a matriz, geram direito ao crédito de PIS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente.
Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz não geram direito ao crédito de PIS, pois são gastos incorridos após o encerramento do processo produtivo da Recorrente e não são fretes em operações de venda.
PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. FRETE.
As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de PIS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração.
PIS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR.
O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte.
Numero da decisão: 3401-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas - Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CREDITAMENTO. FRETE. CONCEITO DE INSUMOS COM BASE NO CRITÉRIO DE ESSENCIALIDADE. Os gastos com fretes no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, e na transferência de insumos e de produtos em elaboração da filial para a matriz, geram direito ao crédito de PIS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Os gastos com fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz não geram direito ao crédito de PIS, pois são gastos incorridos após o encerramento do processo produtivo da Recorrente e não são fretes em operações de venda. PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. FRETE. As pessoas jurídicas que produzam as mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir de PIS crédito presumido calculado sobre bens e serviços utilizados como insumo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os gastos com frete na compra destes bens devem ser adicionados ao seu custo de aquisição e seguir a mesma metodologia de apuração. PIS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 07 /2 01 1- 02 Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte CODIL ALIMENTOS LTDA para análise de Pedido de Ressarcimento, referente a créditos de PIS e Cofins NãoCumulativa. Conforme Despacho Decisório, o crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido, tendo a fiscalização glosado créditos referentes a fretes de diferentes classificações/modalidades. O contribuinte apresentou Impugnação, alegando, em síntese: (...) 2.2 MÉRITO (...) 1.1) Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca). (...) A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, embora o Contribuinte tenha direito ao crédito presumido sobre as aquisições de arroz em casca efetuadas de pessoas físicas, nos termos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, corroborado pela Solução de Consulta n° 90 SRRF/6ªRF/Disit, Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 4 3 este não se valeu deste direito, deixando de efetuar o creditamento das contribuições. O I. Auditor Fiscal, inovando, de forma contrária à legislação pertinente, insiste na teoria de que, se o Contribuinte não se utilizou do crédito presumido que tem direto, sobre a matéria prima (arroz em casca) adquirida de pessoas físicas, não pode se utilizar do crédito referente ao serviço de transporte (frete) contratado para realizar o transporte dessa matéria prima para a unidade industrial. Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. O fato do Contribuinte não se utilizar de crédito a que tem direito, não lhe impede de aproveitar os demais créditos. Assim, o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado a este o valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial do Contribuinteadquirente, cujo ônus assumiu. Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.2) Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. O Douto AuditorFiscal, em seu Termo de Verificação, glosa o creditamento das contribuições PIS e COFINS sobre fretes de retornos de mercadoria remetida para industrialização por encomenda, sob o argumento que este não se caracteriza como "insumo". Insta discordar do entendimento do I. Auditor. O processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 5 4 Para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. Somente após a entrada deste produto no estabelecimento do Contribuinte é que se caracteriza a finalização do processo produtivo. (...) 1.3) Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.4) Fretes na aquisição de insumo importado. (...) As aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, está sujeita à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento do Contribuinteimportador, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.5) Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. (...) Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 6 5 O Arroz em Casca é matéria básica de nossa industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. A logística de transporte desta matéria prima obedece a dois procedimentos alternativos: a) vem diretamente dos produtores rurais estabelecidos no Estado do Rio Grande do Sul para a unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG; b) é armazenado na filial estabelecida no Rio Grande do Sul, para posterior remessa à unidade Matriz do Contribuinte. Em ambos os procedimentos o destino final é o mesmo, ou seja, a entrega da matéria prima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. O insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, critério adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.6) Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. (...) Para melhor entendimento, fazse necessário individualizar cada transferência da filial para a matriz, por natureza: (...) 1.6.a) Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz: No tocante à transferência de arroz semielaborado, ou na expressão do I. Auditor "produto inacabado", da filial de Capivari do Sul para a matriz em Minas Gerais, o I. Auditor Fiscal procedeu a glosa do crédito fiscal sob o argumento de Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 7 6 não tratarse de frete contratado para entrega de produto acabado diretamente aos clientes adquirentes. Não pode prevalecer o posicionamento adotado pelo I. Auditor, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. (...) Ora, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) I.6.b) Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz: (...) Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. Portanto, são efetivas despesas inerentes diretamente às operações de venda, cujo ônus foi suportado pelo Contribuinte. (...) I.6.c) Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 8 7 1.7) Fretes em transferências não identificadas (Transferências de Embalagens). (...) Embora o I. Auditor Fiscal tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os CTRCs incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". (...) Ora, se o custo total do "insumo embalagem" é composto por uma parte que não foi tributada (valor da transferência) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: matéria prima, materiais intermediários e a própria embalagem. (...) 1.8) Fretes na compra de insumos de PJ com alíquota zero. (...) As aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, estão sujeitas à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial do Contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação normal das referidas contribuições. Este insumo (frete) compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, como é sempre adotado no custeio por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. (...) Ora, se o custo total da mercadoria e/ou matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (mercadoria e/ou matériaprima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 9 8 Assim, a parte que foi tributada (frete) ensejará direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como: embalagens e materiais intermediários. (...) 1.9) Fretes nas compras de insumos de PJ com suspensão da contribuição. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. A Fiscalização procede a referida "glosa", sob o entendimento de que, considerando que os insumos não foram tributados pelas contribuições (suspensão), também os fretes na aquisição dos mesmos não geram direito ao crédito. Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que a aquisição da referida matéria prima (arroz em casca) gera direito ao crédito presumido, conforme já citado. Portanto, sendo a aquisição passível de creditamento das contribuições, o correspondente serviço de transporte (frete) também gera direito ao crédito, por integrar o custo de aquisição. (...) 1.10) Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. 1.11) Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Tratamse de serviços de transporte (fretes) referentes as seguintes operações: a) Compras de material de uso e consumo Vr. R$ 506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$ 5.040,00 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20; (...) Equivocase o I. Auditor Fiscal, em não considerar que os referidos serviços de transporte (fretes) encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 10 9 portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. (...) 1.12) Despesas com reajustes de fretes (20%). Referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios, cuja respectiva base de cálculo está demonstrada na fl. 737, conforme Anexo I Parte B, pag. 1/4, do Termo de Verificação Fiscal item "glosa obs 16" no valor de R$ 129.684,04. II) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ: Referemse às operações de compra de "arroz em casca" efetuadas junto à pessoas jurídicas. O I. Auditor Fiscal procedeu a glosa dos referidos créditos, sob o argumento de que, estando a operação com tributação suspensa, não gera direito ao crédito de PIS e COFINS. Nas aquisições de matéria prima (arroz em casca) de Pessoa Jurídica a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS, na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º, §1°, III da Lei 10.925/2004, combinado com os artigos 5º e seguintes da IN SRF n° 660/2006. Assim, nas referidas aquisições o Contribuinte pode apropriar se do credito presumido equivalente a 35% das alíquotas aplicáveis ao PIS e a COFINS, ou seja: 0,5775% > (35% de 1,65%) aplicável ao PIS 2,6600% > (35% de 7,60%) aplicável à COFINS (...) III) Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre vendas: Não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza. Consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e COFINS foi procedida a esse título. A DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos, procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 02045.071. Em síntese, o provimento foi parcial em relação aos seguintes itens: a) Fretes nas compras de Pessoa Física (arroz em casca); b) Fretes na compra de insumos de Pessoa Jurídica com suspensão da contribuição (produtos agropecuários); c) Despesas com reajustes de fretes (20%); e d) Itens classificados pelo contribuinte como “Fretes” sobre aquisição de Matéria Prima de PJ. Todos estes valores se referem a dispêndios passíveis de gerar crédito presumido de PIS e COFINS, no entender da Turma julgadora, motivo pela qual o cálculo desses créditos se deu da mesma forma como seria o cálculo do crédito presumido do próprio Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 11 10 insumo, ou seja, apenas no percentual de 35% das alíquotas de 1,65% (Pis/Pasep) e 7,6% (Cofins). Em relação aos demais itens objeto da Manifestação, as glosas foram mantidas. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pugnando pela improcedência de praticamente todas as glosas mantidas pela DRJ/BHE, inclusive aquelas relacionadas aos itens em que obteve decisão procedente em parte, excetuando apenas os tópicos referentes a "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre aquisição de Matéria Prima de PJ" e "Itens classificados pelo contribuinte como Fretes sobre Vendas". Nesta peça processual, limitouse a repisar exatamente os mesmos argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.234, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10665.722999/201142, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.234): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Itens classificados pelo Contribuinte como Fretes sobre Compras: I.1 Fretes nas compras de pessoa física (arroz em casca), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados para envio das matérias primas (arroz em casca) adquiridas de pessoas físicas à unidade industrial para beneficiamento. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 12 11 Alega que o custo de aquisição é composto do valor da matéria prima adquirida, somado ao valor do serviço de transporte (frete) contratado. Em seu entendimento, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), seria "óbvio" que a parte que foi tributada (frete) deveria compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do frete referente ao transporte de suas aquisições de bens para revenda ou de insumos produtivos teria creditamento de forma autonôma em relação a tais bens, pois também seria um "insumo" do processo produtivo: Portanto, definição do termo "insumos" necessita levar em consideração as realidades operacionais de cada atividade, seja comercial, industrial ou de serviços. A não aplicação do termo "insumos" significa desconsiderar todo um universo de custos e despesas, sem os quais não é possível gerar a receita alcançada pela exigência de PIS/COFINS e, consequentemente, proceder à comercialização de mercadorias. Entretanto, o entendimento do Recorrente não procede. Não há previsão legal para o crédito sobre os fretes nas aquisições, apenas sobre o frete nas operações de venda, como se depreende da legislação de regência: Lei nº 10.833, de 29 de Dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 13 12 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Todavia, de acordo com os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR99), os custos com o transporte (frete) também devem estar compreendidos no custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda e no custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção. Assim, de forma indireta, não autônoma, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, em decorrência da permissão legal contida nos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c os arts. 289, § 1º, e 290, inciso I, ambos do Decreto nº 3000/1999. Ocorre que o valor desse crédito do frete tem que ser calculado juntamente com o cálculo do crédito referente ao bem que foi transportado, acrescendose ao valor pago pelo bem o valor do frete e, assim, obtendose o custo de aquisição. Sobre esta valor devem incidir as alíquotas do PIS e da Cofins. Consequentemente, se a incidência das contribuições sobre o bem adquirido está suspensa, ou se incidem à alíquota Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 14 13 zero, ou se o crédito é concedido sob a forma presumida, o mesmo ocorrerá com o crédito referente ao valor do frete, porque não se trata de dois créditos distintos, mas de um único crédito, referente ao custo de aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo, como bem destacou a Autoridade Fiscal autuante: 15) Para gerar direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo, é necessário que o valor do frete na compra esteja vinculado a um insumo cuja aquisição gerou crédito, quer seja básico ou presumido. Por conseqüência, o valor do crédito gerado pela despesa com frete na compra tem a mesma natureza e segue a mesma sistemática de cálculo do crédito gerado pelo bem cujo custo ele compôs, quanto a se tratar de crédito básico ou presumido. O recorrente, no entanto, tem entendimento distinto, como se pode extrair dos seguintes excertos do seu Recurso Voluntário: Ora, uma coisa é o crédito sobre a aquisição, benefício atribuído pelo Legislador, apurado de forma "presumida", devido à operação de venda do produtor pessoa física não ter incidência tributária. Outra coisa é o valor das contribuições incidentes sobre frete contratado, que integram o custo do serviço de transporte e cujo ônus foi suportado pelo Contribuinteadquirente. (...) Ora, se o custo total da matéria prima é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima) e outra parte que foi integralmente tributada (frete), é obvio que a parte que foi tributada (frete) irá compor o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes, ante ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao regime de tributação do Contribuinte. Como se depreende de suas afirmações aqui colacionadas, o Recorrente entende que os cálculos do crédito são distintos: um referente à aquisição do bem, que se dá de forma presumida; e outro para o crédito sobre o frete referente a esse mesmo bem, que deve se dar "pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS incidentes". Portanto, o Recorrente não pretende adicionar o valor do frete ao custo de aquisição, mas sim descontar integralmente as contribuições incidentes sobre o frete, como se fosse crédito básico. O valor das contribuições incidentes sobre o frete nas operações de venda pode ser descontado dessa forma porque existe previsão legal para tanto, porém o mesmo não ocorre com o frete nas aquisições. Este não tem crédito autônomo, ao passo que aquele sim. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 15 14 Concluise, portanto, que, se para as aquisições da matéria prima "arroz em casca", de Produtor Rural pessoa física, a legislação permite o creditamento do PIS e da COFINS na forma de crédito presumido, nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, o crédito referente ao frete desse insumo deve ser calculado da mesma forma. Logo, correta a decisão de piso que considerou devido o crédito relativo ao frete, porém apenas no percentual de 35%, aplicado às respectivas aquisições na apuração do crédito presumido. I.2 Fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda. Alega o Recorrente que o processo de industrialização realizado fora do estabelecimento do Contribuinteadquirente não descaracteriza os "insumos" inerentes ao referido processo, cujo conceito inclui todos os dispêndios necessários ao processo produtivo, pois para realizar a industrialização (beneficiamento) em estabelecimento terceirizado, necessário se faz a remessa da matéria prima à unidade industrial, bem como o retorno do produto decorrente do beneficiamento. A Autoridade Fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal, descreve a natureza do serviço de transporte: 20) Tratase de fretes contratados pelo contribuinte para retorno ao seu estabelecimento de arroz de sua propriedade que fora remetido em casca ao estabelecimento de outra empresa, onde passou por processo de perboilização. Como se verifica, tratase de operação diretamente vinculada ao processo produtivo do Recorrente. Considerando que tais remessas para industrialização por encomenda são essenciais para a produção do produto final, o frete na remessa dos produtos para essa industrialização integra o custo da produção. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos aos custos com industrialização por encomenda, nesse caso, o frete. Assim, voto por restabelecer o crédito glosado. I.3 Fretes no retorno de mercadoria de depósito fechado ou armazém geral. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 16 15 Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1 (...) I.5 Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de insumo da filial para a matriz. Alega que o Arroz em Casca é matéria básica para industrialização, e é adquirida praticamente em sua totalidade no Estado do Rio Grande do Sul. Sua logística de transporte segue dois procedimentos alternativos, sendo que em ambos o destino final é o mesmo, a entrega da matériaprima na unidade Matriz estabelecida na cidade de Divinópolis/MG, para industrialização. A Autoridade Fiscal sustenta que são se trata de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e tampouco de frete na operação de venda do produto acabado. Logo, não haveria previsão legal que autorizasse o creditamento, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico tratarse de serviço de transporte essencial ao processo produtivo da empresa, devendo ser concedido o direito ao crédito. Com efeito, os produtores de arroz que fornecem a matériaprima para o Recorrente encontramse em diversas localidades espalhadas pelo Estado do Rio Grande do Sul. Estando esse material armazenado inicialmente em unidades (filiais) da Recorrente, e sendo o frete em questão utilizado para transportar esse material até sua matriz, para fins de industrialização, não há mais que se falar em frete na aquisição de insumos, muito menos de frete em operações de venda, mas sim de serviço essencial ao seu processo produtivo, a caracterizarse como insumo, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Se o modelo produtivo do Recorrente, a tornála viável economicamente, se baseia na existência de uma unidade industrial central, a qual recebe sua matériaprima estocada em diversas unidades da empresa, o frete entre estes estabelecimentos da Recorrente é essencial à produção, sendo insumo desta. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito. 1 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 17 16 I.6 Fretes na transferência de produto em elaboração, produto acabado e subproduto da filial para a matriz. I.6.a Fretes na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor integral da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre os serviços de transporte (fretes) utilizados na transferência de produto em elaboração da filial para a matriz. Alega que não pode prevalecer o posicionamento adotado pela Fiscalização, pois na realidade tratase da transferência de "arroz a granel", ou seja, produto semielaborado, portanto, ainda "insumo", que passará por processos industriais de seleção e empacotamento. Sustenta a Autoridade Fiscal que as operações se referem a fretes empregados no transporte interno de produtos inacabados, produtos acabados e subprodutos que são levados de um estabelecimento ao outro da mesma empresa. Logo, não se tratando de despesas com fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos para fabricação de bens destinados à venda e nem de fretes nas operações de vendas desses bens diretamente ao adquirente (comprador), referidas despesas não poderiam gerar direito a créditos das contribuições, tese com a qual a DRJ/BHE concordou. Entretanto, do quanto exposto, verifico, à semelhança do item anterior, tratarse de serviço essencial ao processo produtivo da empresa, devido à necessidade do produto ainda em elaboração ser transportado até outra unidade da empresa para as etapas finais de sua industrialização, devendo ser concedido o direito ao crédito. Assim, divirjo da decisão de piso e voto pelo restabelecimento do crédito, concedendo ao Recorrente o direito ao crédito em relação ao frete na transferência de produto em elaboração. I.6.b Fretes na transferência de produto acabado da filial para a matriz Questão semelhante à tratada no item precedente, com a diferença de que aqui tratase de produto acabado, e não de produto em elaboração. Sendo frete relativo ao transporte de produto já acabado, não há como tratar este serviço como insumo do processo produtivo, tendo em vista que este já se encontra encerrado. Alega o Recorrente tratarse de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 18 17 por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Afirma ainda que essas despesas constituem meros dispêndios parciais do frete cobrado entre a unidade fabril de Capivari do Sul até seus clientes e, portanto, são gastos com vendas, por referiremse à fase de comercialização venda para clientes, devido à logística adotada pela empresa. O argumento do Interessado, no entanto, é improcedente. Não há como entender que este frete estaria caracterizado como "frete na operação de venda", pois a venda ainda nem sequer ocorreu. Conforme afirmação do próprio Recorrente, tratase apenas de uma movimentação de produtos por questões logísticas, de praticidade e de tempo, a fim de deixálos mais próximos do mercado consumidor (clientes): Neste caso, corresponde ao frete de transferência da unidade produtora (filial) para matriz, objetivando disponibilizar os produtos mais próximos do mercado consumidor (clientes). Tratase de despesa na venda de produto já produzido, portanto um ciclo mediato de comercialização superveniente à produção do bem demandado por motivos logísticos, de praticidade e de tempo, entre o trecho da filial em Capivari do Sul aos estabelecimentos dos clientes compradores que são em sua totalidade no Estado de Minas Gerais. Portanto, não se trata de uma movimentação por conta de uma venda realizada, mas apenas para deixar os produtos mais próximos do mercado consumidor, até mesmo para facilitar uma venda futura. Além disso, apesar de afirmar que se trata de uma etapa da operação de venda, o Recorrente não apresenta qualquer prova de que a venda dos produtos transportados já tenha ocorrido; pelo contrário, afirma que se trata de "ciclo mediato de comercialização superveniente à produção". Não foram trazidas aos autos notas fiscais de venda nem conhecimentos de transporte que pudessem comprovar que os bens movimentados já estavam vendidos anteriormente. Nesse contexto, voto por manter a glosa dos referidos créditos. I.6.c Fretes na transferência de subprodutos da filial para a matriz O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 19 18 1.7 Fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial. Alega o Recorrente que, embora a Fiscalização tenha rotulado as operações como "Fretes em transferências não identificadas", os "CTRC's" incluídos neste item referemse ao serviço de transporte (frete) contratado nas operações de "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, ou seja "insumo". Conforme análise anterior, no item sobre "Fretes na transferência de insumo da filial para a matriz", caso os fretes aqui discutidos se referissem realmente a "Transferências de Embalagens" da matriz (MG) para a filial (RS), destinadas ao empacotamento do produto acabado, o Recorrente teria direito ao crédito, por se configurar como um serviço essencial a uma etapa do processo produtivo, no caso, o empacotamento do produto acabado. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova referente à natureza do frete utilizado. Observese que, desde a realização do procedimento fiscal a Autoridade Tributária já se ressentia da ausência de documentos capazes de permitir a identificação das operações, deixando tal fato consignado no Termo de Verificação Fiscal. Tratandose de pedido de ressarcimento, incumbe ao Recorrente fazer prova das suas alegações, o que não ocorreu. Assim, diante da ausência de elementos probatórios, mantenho a glosa dos créditos. 2 (...) 1.10 Fretes contabilizados na conta 21814 "Fretes e Carretos", mas considerados em DACON como fretes sobre compras. O Recorrente afirma que não foram constatadas, neste trimestre, quaisquer operações desta natureza e, consequentemente, nenhuma glosa de possíveis créditos de PIS e Cofins foi procedida a esse título. Logo, sobre este item da autuação não há litígio a ser julgado no presente processo administrativo. 1.11 Fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas. Afirma o Recorrente que tratamse de fretes referentes às seguintes operações: a) compras de material de uso e consumo Vr. R$506,46; b) Compras de ativo imobilizado Vr. R$5.040,00 2 Transcritos no presente voto apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra do voto paradigma pode ser obtida em consulta ao processo nº 10665.722999/201142. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 20 19 + R$ 40,00 (incluso item 1.12) c) Outras entradas de mercadorias não especificadas Vr. R$ 199,20. Alega que a Fiscalização equivocouse em não considerar que os referidos fretes encontramse elencados dentre os dispêndios necessários à atividade do Contribuinte, portanto passíveis de gerar crédito das contribuições de PIS e COFINS. Material de uso e consumo, de maneira geral, não são essenciais à área de produção, estando mais relacionados com setores administrativos; ativo imobilizado não gera crédito das contribuições de forma direta, devendo ser ativado e posteriormente ocorrer o creditamento sobre os encargos de depreciação, e ainda assim caso o bem imobilizado esteja sendo utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; e mercadorias não especificadas não geram direito ao crédito das contribuições pela impossibilidade de identificar sua natureza. Nesse contexto, voto pela manutenção da glosa efetuada. 1.12 Despesas com reajustes de fretes (20%), reconhecido parcialmente o crédito na proporção de 35% da alíquota e mantida glosa de 65% da alíquota aplicável A Autoridade Fiscal identificou que no mês de março/2007 a transportadora TRANSCODIL emitiu os CTRC nº 770 e 47911 a título de reajuste de 20% sobre os valores de alguns fretes, totalizando R$ 129.684,04 (conforme Anexo I Parte B do TVF). Esses valores de reajuste foram considerados pelo contribuinte como base para créditos de PIS/Cofins em DACON. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso, pelas razões aqui expostas nos itens aos quais correspondem. Alega o Recorrente, na Manifestação de Inconformidade, que estas despesas referemse a complementos de fretes de diversas operações já analisadas e fundamentadas nos tópicos próprios. No Recurso Voluntário, limitouse a repisar exatamente o mesmo argumento, nada acrescentando. A DRJ/BHE decidiu que a parte do crédito relativa aos itens cuja glosa foi mantida, também deve ser glosada; por outro lado, os créditos relativos aos itens I.1 e I.9, cujos créditos foram parcialmente reconhecidos, devem ser mantidos, no percentual de 35% das contribuições, conforme foi mantido o crédito sobre os respectivos fretes. A Fiscalização analisou a natureza das operações relativas aos CTRC originais que serviram de base para os reajustes e efetuou as glosas em cada caso. O Recorrente não apresentou os CTRC nº 770 e 47911, ou qualquer outro documento que possibilitasse identificar a natureza do frete que Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 21 20 estava sendo reajustado. Dessa forma, não é possível sequer confirmar se o frete parcialmente aceito pela DRJ/BHE foi objeto deste reajuste. Não havendo qualquer prova adicional, não há elementos para alterar o quanto decidido pela instância de piso. Assim, voto por manter as glosas no mesmo percentual de 65%. (...) Serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão) 3Em primeiro lugar, há se de considerar que o custo de aquisição é composto pelo valor da matéria prima (MP) adquirida e pelo valor do serviço de transporte (frete) contratado para transporte até o estabelecimento industrial da contribuinte (adquirente). Assim, uma vez que o custo total é composto por uma parte não tributada (MP) e outra parte integralmente tributada (frete), a parcela tributada (frete) compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições. Logo, há de se assentir que o frete enseja direito ao crédito, assim como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Os fretes na aquisição de insumo importado, por seu turno, consistentes nas aquisições de matéria prima (arroz beneficiado a granel) efetuadas de fornecedor internacional, estão sujeitos à tributação das contribuições PIS e COFINS com alíquota zero. Porém, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar a referida matéria prima do porto até o estabelecimento da contribuinte (importadora), onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das prefaladas contribuições. Tal insumo (frete) compõe o custo da matéria prima, como é sempre adotado na técnica do custo por absorção, ensejando direito ao crédito das contribuições em apreço. Assim, é possível se afirmar que, se o custo total do "insumo" é composto por uma parte que não foi tributada (matéria prima sujeita à tributação com alíquota zero) e outra parte que foi oferecida à tributação (frete), a parcela do frete compõe o custo de aquisição pelo valor líquido das contribuições de PIS e COFINS e, logo, enseja direito ao crédito, bem como os demais dispêndios que integram o custo do produto acabado, tais como embalagens e materiais intermediários. Por fim, igual vetor argumentativo move as aquisições dos insumos (arroz beneficiado e feijão a granel) efetuadas junto à pessoas jurídicas domiciliadas no país, que estão sujeitas à 3 Entendimento vencedor nas questões nele abordadas. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 22 21 tributação das contribuições com alíquota zero, não controvertendo as partes a este respeito. Ocorre que, da mesma forma, o serviço de transporte (frete) contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para transportar as referidas matérias primas até o estabelecimento industrial da contribuinte, onde será submetida aos processos industriais de seleção e empacotamento, está sujeito à tributação regular das referidas contribuições e, logo, compõe o custo da mercadoria e/ou matéria prima, ensejando idêntico direito ao crédito. Logo, uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Neste sentido, ademais, o Acórdão CARF nº 3401005.170, proferido em sessão de 24/07/2018, de minha relatoria, que decidiu, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. EXPORTAÇÃO. COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa, desde que não se vislumbre suspensão da incidência das contribuições na venda. COFINS. CREDITAMENTO. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE NÃO REPASSADO AO FORNECEDOR. O frete, como modalidade de custo de aquisição para o adquirente, apenas gerará crédito quando não repassado aos fornecedores da contribuinte. Assim, voto por dar provimento também para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão)." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito sobre (a1) fretes no retorno de mercadoria remetida para industrialização por encomenda; (a2) fretes na transferência de insumo da filial para a matriz; e (a3) frete na Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10665.723007/201102 Acórdão n.º 3401005.242 S3C4T1 Fl. 23 22 transferência de produto em elaboração da filial para a matriz; (b) por unanimidade de votos, para afastar o direito de crédito integral em relação a "fretes em transferências não identificadas Transferências de Embalagens da matriz para a filial", a "fretes relativos a outras entradas, remessas e transferências não anteriormente descritas", e a "despesas com reajustes de fretes (20%)", mantendo a decisão de piso; e (c) por maioria de votos, vencidos os Cons. Lázaro Antonio Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, para reconhecer o crédito em relação a serviços que foram tributados (fretes de compras, fretes na aquisição de insumos importados, e fretes relativos a bens sujeitos a alíquota zero e com suspensão). O Cons. Tiago Guerra Machado votou ainda pelo provimento a créditos de fretes na transferência de produtos acabados da filial para a matriz, sendo vencido pelo posicionamento dos demais conselheiros.. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1016DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.001316/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/07/2003
CARTA COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
A prescrição suscitada pela Recorrente como causa de extinção do crédito tributário deve ser levada ao crivo do judiciário, dado que este órgão administrativo não é competente para se pronunciar sobre essa matéria.
Numero da decisão: 3301-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/07/2003 CARTA COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A prescrição suscitada pela Recorrente como causa de extinção do crédito tributário deve ser levada ao crivo do judiciário, dado que este órgão administrativo não é competente para se pronunciar sobre essa matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 13 16 /2 00 9- 94 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15374.001316/200994 Acórdão n.º 3301004.914 S3C3T1 Fl. 283 2 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.180184: A contribuinte, qualificada em epígrafe, apresentou recurso contra o Despacho/Dimco 038/2009 (fls. 4 e seguintes), que analisou e efetuou compensações de crédito de Finsocial, judicialmente reconhecido, com débitos de Cofins, IRPJ, e CSLL, conforme fls. 18 e seguintes. No mencionado Despacho, a Autoridade Fiscal finaliza seu parecer nos seguintes termos: 28. Diante do exposto, propomos: a imediata cobrança, por meio de processo de representação a ser aberto em nome de White Martins Cilindros Ltda, dos débitos de IRPJ e CSLL supra mencionados, indevidamente compensados porque a autorização judicial abrangia apenas a Cofins; a imediata cobrança, por meio de processo de representação a ser aberto em nome de White Martins Gases Industriais Ltda, do débito remanescente de Cofins, após a compensação aqui tratada, referente ao período de apuração abril/2006, no valor de R$ 3.096.467,78; a suspensão da exigibilidade, até a decisão judicial definitiva sobre a autorização de compensação e sobre a forma de correção monetária dos créditos, mediante dois processos de representação a serem abertos, um em nome de White Martins Cilindros Ltda, outro em nome de White Martins Gases Industriais Ltda, dos débitos de Cofins cobertos pela compensação ora demonstrada: R$ 70.000,00, relativo ao PA junho/2003, de White Martins Cilindros Ltda; RS 1430.880,31, do PA março/2006, e R$ 19.094,58, do PA abril de 2006 de White Martins Gases Industriais Lida; (...) O Recurso, apresentado e denominado pelo contribuinte como Manifestação de Inconformidade, traz contraditório apenas quanto à cobrança de IRPJ e CSLL, alegando ter havido extinção destes débitos em razão da prescrição, in verbis: Isto posto, verificase que as DCTFs apresentadas pela REQUERENTE constituíram o lançamento do crédito e, portanto, faziase necessário o ajuizamento da Execução Fiscal no prazo de cinco anos, o que não ocorreu no presente caso, razão pela qual é indevida a Carta de cobrança emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob o argumento de que as compensações realizadas pela REQUERENTE não teriam sido homologadas, uma vez que referidos créditos de CSLL e IRPJ relativos aos períodos de apuração de maio, junho e julho de 2003 já encontramse extintos por conta da prescrição, nos termos do inciso V do art. 156 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, requer a REQUERENTE: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15374.001316/200994 Acórdão n.º 3301004.914 S3C3T1 Fl. 284 3 a) o regular processamento da presente Manifestação de Inconformidade a fim de que seja declarada insubsistente a Carta de Cobrança, com o conseqüente arquivamento do presente Processo Administrativo, em face do seu total descabimento por conta da extinção dos créditos de IRPJ e CSLL objeto das compensações ora em questão; b) que até o final julgamento, seja recebida a presente Manifestação de Inconformidade, nos termos do §11 do art. 74 da Lei n° 9.430/9$, a fim de que seja determinada a imediata suspensão da exigibilidade dos créditos em discussão, nos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No Despacho DIMCO 082/2009 (fls. 142/143), a Delegacia de origem propõe não conhecer do recurso interposto, pois a compensação não fora efetivada na forma própria, mediante DCOMP, entendendo ainda não ter havido a alegada prescrição: No recurso apresentado o Contribuinte alega estar prescrito o direito de cobrança dos valores declarados na DCTF em função da revogação da antecipação da tutela em despacho prolatado em 02/09/2003. Ocorre, porém, que o contribuinte inconformado com tal decisão, interpôs agravo de instrumento n° 2003.02.0143370 (fls. 91 a 97), que em 01/10/2003 concedeu a tutela antecipada recursal (fls. 98 a 100). Em 07/11/2006, com publicação em 14/12/2006, foi dado provimento ao agravo, confirmando a antecipação da tutela concedida (fls. 101 a 109). Dessa forma, não procede a alegação do contribuinte de prescrição. Em 03/12/2007 foi prolatada a sentença que julgou parcialmente o pedido, decidindo que o contribuinte tem o direito à taxa selic concernentes aos indébitos tributários resultantes do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL desde 01/01/1996 (fls. 110 a 117). Diante do exposto proponho o não conhecimento da "Manifestação de Inconformidade" apresentada pelo contribuinte e o encaminhamento dos débitos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição cm Divida Ativa da União quando escoado o prazo para pagamento dos débitos cobrados através do processo 10768.0013167/200994. No entanto, o Juízo da 29ª VF/RJ, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0171138 determinou o recebimento do recurso na condição de Manifestação de Inconformidade, nos termos do artigo 74 da lei nº 9.430/96 (fls. 149/152): Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE A TUTELA ANTECIPADA, para determinar à autoridade impetrada que processe a competente manifestação de inconformidade apresentada em face da decisão que não homologou as compensações objeto do processo administrativo nº 15374.001316/200994, uma vez atendida, aparentemente, todos os requisitos legais, inclusive quanto a tempestividade, determinando, por conseguinte, a suspensão da exigibilidade dos créditos fiscais não homologados constantes do mencionado processo administrativo. Determino, ainda, a imediata remessa do P.A. à Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal no Rio de Janeiro DRJ/RJ para que se processe a manifestação de inconformidade, conforme fundamentação supra. Na seqüência, os autos foram encaminhados para esta Unidade de julgamento (fl. 169) para apreciação do contencioso. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15374.001316/200994 Acórdão n.º 3301004.914 S3C3T1 Fl. 285 4 Em 17 de janeiro de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/07/2003 Matéria não Impugnada. Prova não apresentada. Preclusão. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Intimada da decisão em 02.04.2014 (fls.201), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.04.2014 (fls. 203216), reproduzindo as alegações apresentadas em sede manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente recebeu Carta de Cobrança (fls.10) para efetuar pagamento no prazo de 30 dias, em face do Despacho/DIMCO 038/2009, proferido nos autos do Processo Administrativo nº 15374.002931/200837 que, não homologando a compensação realizada pelo contribuinte com crédito de FINSOCIAL, determinou a cobrança do débito de IRPJ e CSLL. Ato contínuo, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em face da cobrança do débito exigido nestes autos e, respectivamente do referido Despacho/DIMCO 038/2009, proferido nos autos do Processo Administrativo nº 15374.002931/200837, alegando, em síntese, a prescrição dos débitos objeto da Carta de Cobrança. Já em 04.08.2009, foi proferido o Despacho DIMCO 082/2009 (fls. 142/143), onde a unidade de origem propõe não conhecer do recurso interposto, pois a compensação não fora efetivada na forma própria, mediante DCOMP, entendendo, ainda, não ter havido a alegada prescrição. Não se conformando com a referida decisão, a Recorrente por meio do Mandado de Segurança distribuído sob o nº 2009.51.01.0171138, em trâmite perante a 29ª Vara Federal o Rio de Janeiro, obteve decisão liminar que determinou o regular processamento de sua manifestação de inconformidade, com a devida análise da decisão que não homologou as compensações apresentadas pelo contribuinte (vide decisão de fls.145152), compensação esta que envolve crédito de FINSOCIAL com débitos de IRPJ e CSLL. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 15374.001316/200994 Acórdão n.º 3301004.914 S3C3T1 Fl. 286 5 Em cumprimento ao que fora determinado judicialmente, a DRJ processou e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender inexistir a alegada prescrição outrora suscitada, digase, única matéria trazida pelo contribuinte em sua defesa e recurso. Do exame das alegações da interessada, verificase que não há contestação quanto ao direito creditório. O que está expresso no recurso voluntário é a alegação de que não mais existiria o débito objeto da presente compensação, vez que já teria sido extinto pelo instituto da prescrição. Em outras palavras, sua argumentação é no sentido de que o débito estaria prescrito por ter ultrapassado o prazo de 05 anos contados desde a declaração em DCTF, sem que o fisco exercesse seu direito de cobrar referidos créditos via Execução Fiscal. Entretanto, como acertadamente dispôs a DRJ, não cabe "...qualquer apreciação, mesmo nesta hipótese, por esta instância administrativa judicante, da prescrição alegada porque, na dicção do Código Tributário Nacional, esta é modalidade de extinção de crédito tributário suscitável no curso de ação judicial de cobrança, conforme art. 174 do Código:" Ora, a prescrição suscitada pela Recorrente como causa de extinção do crédito tributário deve ser levada ao crivo do judiciário, dado que este órgão administrativo não é competente para se pronunciar sobre essa matéria. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 13738.001159/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE.
A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução.
PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Walker Araújo, José Renato Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 11 59 /2 00 8- 34 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 150 2 Deus, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). REGULARIDADE FISCAL. A autorização para a redução de alíquota do imposto é concedida objetivamente ao produto que atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento e esteja devidamente registrado no órgão competente daquele Ministério, prescindindo da comprovação da regularidade fiscal de seu fabricante. IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Sem Crédito em Litígio. Na origem, a fabricante de bebidas apresentou, em julho de 2008, requerimento de redução de alíquota de IPI, nos termos do art. 65, I, do RIPI (Dec. 4.544/2002), sustentando que o produto em questão foi submetido a registro na Coordenação de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA e, com base no resultado das análises que revelam sua conformidade com os padrões exigidos, foi expedido certificado de registro, passando o produto a fazer jus à redução de 50% da alíquota do IPI desde a data do Registro no MAPA. Mediante solicitação do SEORT da DRF em Niterói/RJ, o MAPA confirmou que o produto enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo órgão ministerial. (fl. 30) No Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 32 a 33, foram constatadas: i) a existência de irregularidades fiscais no âmbito da RFB e PGFN; ii) a impossibilidade de comprovação eletrônica de regularidade do contribuinte perante o FGTS, por meio do sítio da CEF; iii) a existência de inscrição do contribuinte no Cadastro Informativo Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 151 3 de créditos não quitados do setor público federal (CADIN), tendo sido a recorrente intimada para, no prazo de 10 (dez) dias comprovar a regularização das pendências apontadas. Cientificada em 15.06.2009, a empresa apresentou, em 22.06.2009, o Certificado de Regularidade perante o FGTS, bem como informou estar providenciando os demais itens, solicitando prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias. Até o início do mês de agosto, conforme parecer de fls. 78 a 79, permaneciam as pendências junto à RFB que impossibilitavam a concessão do benefício. Assim, foi emitido Despacho Decisório comunicando o indeferimento do requerimento de redução de alíquota do IPI. (fl. 80) Cientificada em 29.09.2009, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 29.10.2009, alegando em sua defesa: a) Que o art. 60 da Lei nº 9.069/2005, não se aplica ao caso de redução de alíquota do IPI, que é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, estando assim registrado no órgão competente desse ministério, conforme dispõe a NC 221 da TIPI; b) Foi comprovado nos autos que a autoridade competente atestou a adequação do produto aos requisitos estabelecidos pela NC 221 da TIPI, fazendo, portanto, jus à redução da alíquota. Nesse sentido, cita precedente da 3ª Turma da DRJ/JFA; Em sessão de 19.03.2010, a 3ª Turma da DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito à redução de alíquota pleiteada a partir da data de protocolo do pedido perante a RFB (04.07.2008) e determinando à DRF/Niterói/RJ a expedição do Ato Declaratório competente para este fim. Cientificado em 24.09.2010 (sextafeira), o recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, em 25.10.2010, defendendo, em síntese, que a redução de alíquota deveria ser concedida a partir do registro que atesta o atendimento aos padrões de identidade e qualidade concedido em 17.06.2008 e não a partir do pedido de redução junto à RFB, realizado em 04.07.2008, vez que o Ato Declaratório da RFB é, como ensina o próprio nome, meramente declaratório, e não constitutivo do direito do contribuinte. Cita doutrina e precedentes do 2º Conselho de Contribuintes. Requer ao fim, a intimação do patrono, por correspondência, de todas as decisões proferidas no presente processo, bem como a realização de sustentação oral de suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 152 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. Tendo a instância a quo reconhecido a existência do direito pleiteado pela recorrente, a pretensão recursal restringese ao termo inicial do benefício de redução da alíquota do IPI, incidente sobre os refrigerantes e refrescos que contenham suco de fruta ou extrato de semente de guaraná, classificados no código 2202.10.00 da TIPI, e que atendam aos padrões de identidade e qualidade do MAPA, estando registrados nesse Ministério, nos termos da NC (221) da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4542/2002. 1 Do marco inicial para a fruição do benefício previsto na NC (221) da TIPI. (Dec. 4542/02) Sustenta a recorrente que o Ato Declaratório da RFB não tem o condão de constituir o direito a redução, mas tão somente declarar o direito préexistente do contribuinte, que por sua vez constituise pelo registro do produto no órgão competente do MAPA, certificando o atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos por esse Ministério. Assim, entende a recorrente que o marco inicial para a fruição do benefício pretendido é a data do registro do produto no MAPA. Já a decisão recorrida, defende que o início da vigência da redução de alíquotas é a data do protocolo do pedido de reconhecimento do direito perante a Receita Federal. Com o advento da IN RFB 11.185/2011 a redução de alíquota em comento ficou condicionada, a partir da edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, à observância exclusiva do disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Isso porque o Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010 deixou de exigir ato declaratório, para cada caso, pela Receita Federal, como condição para a fruição da redução de alíquota sobre os refrescos e refrigerantes. Vejamos. Assim dispunha o art. 65 do RIPI/2002: Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; (grifos nossos) Já o art. 200 do RIPI/2010, apregoa que: Art. 200. Os produtos dos Capítulos 17, 18, 21, 22 e 24 da TIPI relacionados nesta Seção sujeitamse, por unidade ou por determinada quantidade de produto, ao imposto, fixado em reais, conforme tabelas de Classes de valores ou valores Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 153 5 constantes das Notas Complementares NC (171), NC (181), NC (212), NC (223), NC (241) e NC (242) da TIPI e da Tabela do art. 209 (Lei no 7.798, de 1989, arts. 1o, caput e § 2º, alínea “b”, e 3º). Da comparação entre os dispositivos acima transcritos, percebese que enquanto o RIPI/2002 exigia expressamente a declaração da Receita Federal para a efetiva aplicação da redução de alíquotas constantes das notas complementares que menciona, o RIPI/2010 passou a prever que o imposto devido seria aquele fixado nas tabelas de classes de valores ou constante das Notas Complementares, deixando de mencionar qualquer tipo de ato declaratório condicionante à aplicação da redução prevista em tais notas. Assim, têmse que a partir do início da vigência do RIPI/2010, deixou de ser necessária, para o gozo da redução de alíquota do IPI sobre refrigerantes e refrescos, a emissão de ato declaratório pela Receita Federal, bastando a observância ao disposto nas Notas Complementares e, posteriormente, ao disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.185/2011. Ocorre que o caso em tela referese a período sob a égide do RIPI/2002, quando ainda vigente a exigência ato declaratório da Receita Federal para a fruição da redução de alíquota pretendida. Não havendo nada que justifique a aplicação retroativa do RIPI/2010. Nas lições de Mello (2014) 1, atos administrativos declaratórios são aqueles que afirmam a preexistência de uma situação de fato ou de direito. Exemplo: a conclusão de uma vistoria em edificação afirmando que está ou não em condições habitáveis; uma certidão de que alguém é matriculado em escola pública. Ainda segundo Mello (2014), os atos administrativos podem ser: a) perfeito, válido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação, encontrase plenamente ajustado às exigências legais e está disponível para deflagração dos efeitos que lhe são típicos; b) perfeito, inválido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação e apesar de não se achar conformado às exigências normativas, encontrase produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes; c) perfeito, válido e ineficaz quando, concluído seu ciclo de formação e estando adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para eclosão de seus efeitos típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestados por uma autoridade controladora; d) perfeito, inválido e ineficaz quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrarse em desconformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir, por se encontrarem na dependência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição suspensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro órgão). 1 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2014. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 154 6 Têmse, portanto, que a exigência da declaração da SRF, prevista pelo art. 65, I, do RIPI/2002, materializase como condição de eficácia tributária ao ato de reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento às condições e padrões de qualidade e identidade exigidos pelo MAPA. Sem o atendimento a tal condição de eficácia, o reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento aos padrões de qualidade e identidade exigidos, pode até ser ato administrativo perfeito e válido, porém, é ineficaz, vez que depende de autorização/homologação da Secretaria da Receita Federal (autoridade controladora). Destarte, à luz da legislação vigente a época dos fatos, enquanto o registro no MAPA materializa o atendimento às situações de fato previstas na norma tributária existência de suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná e atendimento aos padrões de qualidade e identidade daquele ministério o ato declaratório da SRF lhe confere eficácia jurídico tributária para fins de redução da alíquota do IPI. Assim, razão não assiste à recorrente, pois na data dos fatos exigia a legislação vigente que a redução de alíquotas fosse declarada pela Receita Federal em cada caso, impedindo, por dedução lógica, que a fruição do benefício tivesse início a partir da concessão do registro do produto no MAPA. Isso porque ainda não satisfeita a condição de eficácia jurídico/tributária do ato administrativo que reconheceu o atendimento às situações fáticas inerentes ao produto. Nessa toada, não merece reparos a decisão recorrida, que reconheceu como marco inicial da eficácia jurídico/tributária da redução de alíquotas em comento a data do protocolo do pedido junto à autoridade fiscal. No mesmo sentido já decidiu a 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento, em acórdão de nº3201001.516, de relatoria do conselheiro Daniel Mariz Gudiño. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Frisese que uma vez de posse do certificado de registro e adequação do produto junto ao MAPA, poderia o contribuinte ter realizado o protocolo do pedido de reconhecimento da redução de alíquotas no mesmo dia, ou, no mais tardar, no dia seguinte. Ou seja, o contribuinte tinha plenas condições e total interesse em formalizar tal pedido o quanto antes, não se afeiçoando justificável a pretensão de querer transferir o ônus de seus obstáculos operacionais ao erário. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13738.001159/200834 Acórdão n.º 3302005.770 S3C3T2 Fl. 155 7 2 Da intimação de atos e decisões em nome do patrono do recorrente e da sustentação oral. Por fim, esclareçase que não há previsão legal para sustentar o requerimento de que as intimações dos atos a serem produzidos no presente feito sejam realizadas em nome dos patronos da recorrente. Ademais, a realização de sustentação oral possui rito próprio para solicitação, devendo ser encaminhada ao presidente da turma de julgamento mediante preenchimento de formulário específico, não estando a apreciação de tal requerimento na esfera de competências dos conselheiros. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904242/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 42 /2 01 2- 85 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação onde solicita o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 5 4 retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 6 5 considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 7 6 (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10735.904242/201285 Acórdão n.º 1401002.809 S1C4T1 Fl. 8 7 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 587DF CARF MF
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