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Numero do processo: 10746.904184/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 4/ 20 12 -6 1 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.833, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904184/201261 Resolução nº 3803000.558 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.936041/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/2009-62, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/2009-62, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade encaminhar os presentes autos para serem juntados ao processo 10880.913962/200962, em que se discute o crédito tributário a ser compensado, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 36 04 1/ 20 09 -7 8 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.936041/200978 Resolução nº 1802000.472 S1TE02 Fl. 241 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela Declaração de Compensação (DCOMP) 29567.40890.070405.1.3.044217, cujo crédito refere se a suposto pagamento indevido / a maior da estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do período de apuração de 31/12/2004, no montante original de R$ 465.942,93, com débito de contribuição ao PIS/PASEP do período de apuração de 31/01/2005 – valor do débito compensado atualizado de R$ 367.358,68. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/SP1, através do Acórdão 16 28.153, constante às efls 185/186: DO DESPACHO DECISÓRIO Em face do PER/DCOMP de fls. 01/02, transmitido pela contribuinte em 07/04/2005, que indicava como crédito o pagamento indevido / a maior de CSLL no montante de R$ 465.942,93, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 03, no qual não homologa a compensação declarada, em face de tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, por meio de seu advogado, regularmente constituído, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/16, alegando, em síntese, o seguinte. No anocalendário de 2004, a contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.762.820,93, conforme linha 51 da Ficha 17A da DIPJ/2005. Em absoluta consonância com as melhores práticas, houve o devido reconhecimento contábil do valor, como passível de recuperação. Do valor ao qual a contribuinte fazia jus à restituição, houve aproveitamento parcial, da ordem de R$ 1.296.878,00, por meio do PER/DCOMP n° 40135.39057.070405.1.7.044590, transmitido em 07/04/2005, cuja compensação foi não homologada e cuja manifestação de inconformidade, ainda pendente de julgamento na presente data, é tratada no processo n° 10880.913962/200962. Dessa forma, o valor remanescente favorável à contribuinte, após a dedução do aproveitamento realizado no PER/DCOMP supracitado, totalizava, em valores históricos, R$ 465.942,93. Esse é o saldo que fora aproveitado parcialmente no PER/DCOMP aqui tratado. Vez que é incontestável a existência de valores favoráveis à contribuinte, devidamente construido com respaldo nos deveres Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.936041/200978 Resolução nº 1802000.472 S1TE02 Fl. 242 3 instrumentais e contábeis, é que se pretende ver reformado o Despacho Decisório de maneira a se homologar a compensação tratada no PER/DCOMP objeto do presente processo. Ocorre que, motivado por erro administrativo cometido no preenchimento do PER/DCOMP, o campo que indica a origem do crédito foi erroneamente aplicado como se fosse "Pagamento indevido ou a maior de CSLL". Entretanto, de maneira alguma isso prejudicaria o pleito formulado pela contribuinte, dada a inconteste vinculação dos créditos reclamados com o saldo negativo de CSLL apurado na competência de 2004. O crédito favorável à contribuinte decorre de excesso de recolhimentos de CSLL durante o ano de 2004, que, dada a peculiaridade de ser originado no bojo de regime anual e de recolhimentos mensais do tributo, tal excesso é chamado de "Saldo Negativo" e não "Pagamento indevido ou a maior". Esse erro meramente formal na caracterização da origem do crédito foi, a nosso ver, o motivo determinante para a autoridade fiscal considerar não homologada a compensação. Todavia, em que pese essa decisão, diante dos elementos probantes acostados à defesa, não há como ser ignorado o fato de que se tratava, em verdade, de "Saldo Negativo", e por tal razão deve a verdade material preponderar, consoante reiteradas decisões nesse sentido. Por todo exposto, requer a contribuinte que: a) Seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para declarar a anulação do Despacho Decisório; b) Sejam determinadas as necessárias correções e adequações das informações constantes do PER/DCOMP, segundo a realizada dos fatos, devidamente comprovados pela documentação acostada aos autos; e c) Seja declarado extinto o débito compensado, com base no artigo 156, inciso II, do CTN. Caso a autoridade julgadora assim não entenda possível, requer, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, para a produção das demais provas que se entender necessárias. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pelo contribuinte, conforme sintetiza a Ementa constante às efls 184: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2005 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.936041/200978 Resolução nº 1802000.472 S1TE02 Fl. 243 4 Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão que julgou improcedente seu pleito em 26/01/2011, (comprovante de AR às efls 190) restou inconformada, pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/02/2011 (efls 191/198), alegando em apertada síntese que o erro na informação constante de “Pagamento indevido ou a maior de CSLL” ao invés de “Saldo Negativo” não pode prejudicar seu pleito, pela aplicação do princípio da verdade material e do informalismo, informando ainda, que o crédito pleiteado por estes autos é decorrente do saldo não utilizado pelos autos do processo 10880.913962/200962. É o relato do essencial. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.936041/200978 Resolução nº 1802000.472 S1TE02 Fl. 244 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente pleiteou compensação de crédito tributário decorrente de suposto Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contraindo erro material no Declaração de Compensação, enquanto informou se tratar de pagamento indevido / a maior. Em análise preliminar identificase que o crédito pleiteado por estes autos é decorrente (residual) da DCOMP 40135.39057.070405.1.7.044590, constante do processo 10880.913962/200962, cuja monta é de R$ 1.296.878,00, conforme se extrai da própria declaração de compensação às efls 3. Referidos autos são de competência de uma das turmas ordinárias, em razão do valor do processo ser superior a R$ 1.000.000,00, (hum milhão de reais) sendo incompetentes as turmas especiais para julgamento, conforme Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 2°, §2° c/c a Portaria do Ministério da Fazenda n° 3, de 3 de janeiro de 2008, em seu art. 1°. Sendo a matéria em voga a mesma constante daqueles autos e mais, decorrente do mesmo direito creditório, sagaz que o presente processo seja juntado naqueles autos por dependência, prezando assim, pela uniformidade nas decisões. Ante o exposto, determino a juntada dos presentes autos por dependência aos autos do processo 10880.913962/200962, para que julgados conjuntamente. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722658/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
MULTA QUALIFICADA.
Segundo a Súmula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 1401-001.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, EM DAR provimento para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos Bezerra (Relator) e Fernando. Designado o Conselheiro Alkmim para redigir o voto vencedor; II) por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento às demais matérias
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(Assinado digitalmente)
Alexandre Antônio Alkmim Teixeira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA QUALIFICADA. Segundo a Súmula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, EM DAR provimento para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos Bezerra (Relator) e Fernando. Designado o Conselheiro Alkmim para redigir o voto vencedor; II) por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento às demais matérias (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator (Assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 450 1 449 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.722658/201155 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.138 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente SBA PEÇAS ACABADAS DE ALUMÍNIO LTDA. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA QUALIFICADA. Segundo a Súmula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, EM DAR provimento para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos Bezerra (Relator) e Fernando. Designado o Conselheiro Alkmim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 26 58 /2 01 1- 55 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 451 2 para redigir o voto vencedor; II) por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento às demais matérias (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (Assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 452 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor total de R$ 1.724.160,43, PIS/Pasep no valor total de R$ 116.082,08, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) no valor total de R$ 626.824,20, e Cofins no valor total de R$ 534.680,87, em função das irregularidades descritas no Relatório Fiscal de fls. 09/15; A empresa apresenta impugnação (fls. 249/312) na qual alega, em síntese, que: 1) "DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS FISCAIS EM RAZÃO DA ILEGAL E INCONSTITUCIONAL QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DA IMPUGNANTE. A D. Autoridade Fiscal se valeu da arbitrária e ilegal quebra do sigilo bancário da ora impugnante para "apurar" as "bases de cálculo" dos tributos que não teriam sido submetidos à regular tributação. Todavia, é de amplo e notório conhecimento que o acesso às informações bancárias dos cidadãos/contribuintes somente poderá ocorrer de duas formas, exclusivamente: a) mediante apresentação voluntária das informações; b) precedida de prévia ordem judicial especificamente concedida para este fim"; 2) "DO MANIFESTO EQUÍVOCO QUANDO DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO"; 3) "DOS INSANÁVEIS VÍCIOS E EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA D. FISCALIZAÇÃO PARA SE APURAR O LUCRO REAL DA IMPUGNANTE. A apuração do lucro real depende, em primeiro lugar, da apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, o que não foi feito pela D. Autoridade Fiscalizadora, que simplesmente adotou a totalidade da "receita bruta" como ponto de partida para apurar o 'lucro real' da impugnante. Identificado o lucro líquido do contribuinte, a Lei determina que esta grandeza seja ajustada por adições, exclusões e compensações, pois somente após estes ajustes é que nascerá o verdadeiro lucro real, como determina, de forma expressa, o artigo 247 do RIR, acima transcrito. Não obstante a clareza das regras legais acima transcritas, a D. Fiscalização se furtou de seguir os mandamentos neles insertos, limitandose a adotar como base imponível do "lucro real" o que ela entendeu ser a "receita bruta" da impugnante, a qual foi obtida de forma ilegal a partir da quebra do seu sigilo bancário, como iá demonstrado"; Fl. 453DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 453 4 4) "A D. Autoridade Fiscalizadora adotou a "receita bruta" da impugnante que teria sido "omitida" para sobre ela fazer incidir as alíquotas do IRPJ e da CSLL. De logo, é preciso reforçar que o imposto de renda não incide diretamente sobre receitas decorrentes de depósitos bancários, mas sim sobre efetivos acréscimos patrimoniais. A conclusão da D. Fiscalização segundo a qual os "depósitos bancários" serviriam de base de cálculo para o imposto de renda nada mais é do que uma simples presunção, o que não é admito no Direito Tributário, conforme vem reiteradamente decidindo o Egrégio CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS"; 5) "É de se notar que, mais uma vez, a D. Autoridade Fiscalizadora incorreu em insanável erro ao apurar as bases de cálculo do PIS e da COFINS para o anocalendário de 2008, pois naquele período já vigia a sistemática da não cumulatividade dessas contribuições, as quais foram instituídas pelas Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. E, como se sabe, a sistemática de apuração do PIS/COFINS nãocumulativo autoriza os contribuintes a descontar os créditos dessas contribuições pelo sistema débito/crédito, créditos esse que são gerados quando da aquisição de determinados bens e. Serviços"; 6) "DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA EM 150% NO PRESENTE CASO. A aplicação da multa qualificada não poderá ser amparada na presunção segundo a qual teria havido "omissão de receitas", pois este agravamento na multa depende, necessariamente, da inequívoca demonstração da ocorrência das práticas dolosas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64"; É o breve relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. OMISSÃO DE RECEITA. IR E CSLL DEVIDOS. Não comprovada a origem dos valores depositados em contas, esses valores serão considerados como omissão de receita. O IR e a CSLL devidos, tem como base de cálculo a receita omitida. MULTA QUALIFICADA. Caracterizandose a sonegação fiscal a multa de oficio deve ser qualificada. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 454 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF contra a parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG). O processo retornou foi redistribuído à minha relatoria novamente, pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo tornouse obrigatória a inclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o Relatório Fl. 455DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 455 6 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Não tendo sido atendidas as solicitações de entrega de extratos bancários, os mesmos foram obtidos pela fiscalização, a partir da emissão RMFs aos bancos . Com base nesses extratos lançouse IRPJ/Reflexos com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Além da infração relacionada à Omissão de Receitas por Presunção Legal Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, foi lançada também a infração relaciona à Compensação indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral. Delimitação da Lide Desde a fase impugnatória a Contribuinte não se defendeu da infração relacionada à compensação indevida de Prejuízo Operacional com resultado da Atividade Geral. Portanto, encontrase definitivamente julgada na instância administrativa e por conseguinte está fora da lide. Nulidade – Quebra do Sigilo Bancário – extratos bancários Pleiteia a nulidade do feito fiscal alegando que os meios utilizados para a apuração dos créditos tributários ferem o sigilo bancário do contribuinte, direito fundamental individual, haja vista a legislação inconstitucional utilizada para embasar a requisição de informação sobre movimentação financeira. Aduz ainda que é de notório conhecimento que o acesso às informações bancárias dos cidadãos/contribuintes somente poderá ocorrer de duas formas, exclusivamente: a) mediante apresentação voluntária das informações; b) precedida de prévia ordem judicial especificamente concedida para este fim"; Recordese, por oportuno, que a hipótese de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está prevista no Decreto 70.235/72, em seu artigo 59, inciso I, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente ou de decisão com cerceamento do direito de defesa, o que, evidentemente, não é o caso. A autoridade administrativa cumpriu todos os preceitos da legislação em vigor, fazendo constar a perfeita descrição do fato e os dispositivos legais infringidos, obedecendo ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, como se verifica nos autos. Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Receita Federal está autorizada a requisitar informações às instituições financeiras acerca da movimentação bancária dos contribuintes, independentemente de consentimento judicial, desde que, como no Fl. 456DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 456 7 caso em tela, haja procedimento fiscal em curso e os exames sejam considerados indispensáveis. Nesse passo, aproveito a seguinte ementa, recolhida da jurisprudência do STJ, que reproduzo: “TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6º dispõe: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a Jms – 21/12/05 contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição Fl. 457DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 457 8 do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido.” (Resp nº 685.708, DJ de 20.06.2005, Relator Ministro Luiz Fux). É importante enfatizar que a Corte Superior, no julgamento acima destacado, considerou válida a aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e 1º da Lei nº 10.174/2001 inclusive a fatos ocorridos no pretérito, o que nem mesmo é o caso dos autos, pois estamos tratando de fatos geradores posteriores a 2001. Ademais, alegações de inconstitucionalidade fogem à competência das instâncias administrativas, sendo matéria inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Outrossim, como se sabe, a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase ainda pendente de análise pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários sem comprovação da origem dos recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária ou mesmo se demonstrada a origem, não provou que tais depósitos não estivessem à margem da contabilidade, conforme foi a imputação fiscal. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, quedouse inerte. Como já se disse o mandamento da Lei é bem claro: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 458DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 458 9 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Como se vê, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Outrossim, não se venha alegar a ilegalidade de arbitramento, pois nem ao menos ocorreu essa hipótese. O contribuinte teve a omissão de receitas lançada na sistemática de lucro real. Da mesma forma não socorre seu inconformismo quanto à falta de ajustes na sistemática do lucro real, pois todos os ajustes e deduções constantes de sua DIPJ foram já considerados pelo fiscal, conforme bem esclarecido pela decisão de piso. O mesmo se aplica à Cofins e ao PIS/Pasep no regime não cumulativo, haja vista que a empresa ao apurar os créditos das contribuições, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, já usou na base de cálculo todas as rubricas admitidas na legislação como geradoras de crédito. Mantenho, portanto, os lançamentos fiscais. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Multa Qualificada Fl. 459DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 459 10 A Recorrente se insurgir contra a cobrança da multa qualificada de 150%, pois foi essa a multa aplicada. De fato, houve ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configura fraude. Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos. No caso específico a empresa manteve conta bancária à margem de sua contabilidade, deixando de oferecer recursos auferidos à tributação, o que caracteriza a existência tanto da sonegação quanto da fraude previstas nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Portanto, em relação à multa qualificada, verificase que foi corretamente aplicada a multa de 150 %, nos termos do art. 44, II da Lei n ° 9.430, de 1996, Nesse contexto, como nos autos está devidamente evidenciado através do TVF que o contribuinte, ao longo do ano, ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta das receitas auferidas. Dessa forma, a prática de omitir receitas ao longo de todo o ano de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. E apenas para arrematar, o conceito de dolo incorrido pela Recorrente foi muito bem sublinhado pela decisão de piso: O conceito de dolo, para os fins de tipificação do delito em apreço, encontra se no inciso I, do artigo 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isso significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Em outras palavras, podemos dizer que os elementos componentes do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). Portanto, mantenho a qualificação da multa. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 460 11 Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 461DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 461 12 Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as sempre bem fundamentadas posições do nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu pela desqualificação da multa de ofício, tendo este Conselheiro sido designado para a redação das razões prevalescentens. A multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Assim, com relação à qualificação da multa, tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Nesse sentido, é o entendimento firmado por este Conselho na Súmula n° 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10640.722658/201155 Acórdão n.º 1401001.138 S1C4T1 Fl. 462 13 (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). Com esses fundamentos, a maioria da Turma Julgadora entendeu por dar provimento ao recurso nesse particular, com a desqualificação da multa aplicada. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.721446/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cumulados de juros e multa de ofício qualificada, referentes ao anocalendário de 2007, lavrados em razão das seguintes infrações: (i) omissão de receita por presunção legal, decorrente da falta de comprovação da origem e/ou da efetividade da entrega de suprimentos de caixa feitos pelos sócios Gerson Gruttola e Edoardo Gruttola; (ii) omissão de receitas correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada e não contabilizados; (iii) depósitos bancários RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 44 6/ 20 12 -4 1 Fl. 5313DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 3 2 de origem não comprovada ligados à dívida (mútuo) da empresa Sistesys Construtora S/A; (iv) glosa de despesas não necessárias para a atividade, vinculadas a aeronave, motor de barcos, perdão de dívida e serviços técnicos sem a comprovação de realização; (v) aproveitamento de cotas de depreciação não dedutíveis; (vi) multas de trânsito e ambiental tidas por não dedutíveis; e (vii) exclusão indevida de valores não comprovados. Detalhando as infrações apuradas, contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3263/3301) que: Suprimento de numerários A partir da análise das contas contábeis nºs 1.1.2.04.0001 (EDOARDO DE GRUTTOLA), 1.1.2.04.0002 (GERSON DE GRUTTOLA) e 1.1.2.04.0003 (MARIA TERESA V. DE GRUTTOLA) – integrantes da conta sintética nº 1.2.04 (Empréstimos a cotistas) Ativo Circulante, foi identificada a ocorrência de empréstimos entre a fiscalizada e os seus sócios. Intimada a apresentar os contratos de empréstimos, os comprovantes de entrega dos recursos, assim como os comprovantes de devolução dos recursos relacionados nos anexos Anexos 08A, 08B e 08C, que acompanhavam o termo, a Contribuinte apresentou, apenas, os comprovantes de repasse dos recursos financeiros aos sócios, não apresentando contratos e comprovação inequívoca da devolução dos recursos por parte dos sócios. Em busca de esclarecimentos sobre a devolução dos recursos financeiros relacionados a este item, foi aberta diligência fiscal junto aos sócios, sem que esses prestassem quaisquer esclarecimentos. Assim, os valores em comento foram tratados como omissão de receita (fls. 3385/3389), decorrente de suprimento de numerário em relação ao qual não houve comprovação da origem e/ou da efetividade da entrega, com relação ao período de 08/02/2007 a 07/12/2007, nos valores de R$ 6.737.865,09 (Gerson) e R$ 2.293.500,00 (Edoardo). Depósitos bancários de origem não comprovada Intimada, a Contribuinte não esclareceu a origem dos recursos referentes aos depósitos bancários em questão, no valor R$ 1.675.484,81, os quais não estavam escriturados em seus registros contábeis. Depósitos bancários da Sintesys Construtora Com relação aos créditos cuja origem foi identificada como recebimento de mútuo firmado com a empresa Sintesys Construtora S/A, a Contribuinte não apresentou o contrato de mútuo, não comprovou a entrega do numerário e a quitação dos valores. O confronto entre os extratos bancários e a escrituração contábil da Contribuinte demonstrou que tais créditos/depósitos foram feitos em dinheiro na conta bancária 00102603 (Unibanco), e que tais valores foram creditados em contas bancárias identificadas como Sintesys Construtora S/A. O confronto entre as informações dos extratos bancários apresentados pela Contribuinte, com as informações obtidas no Livro Razão da mutuária (apresentado pela Fl. 5314DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 4 3 Contribuinte), demonstrou que não há coincidência de data e valores dos depósitos, exceção feita para os valores referentes ao mês de maio/2007. A empresa Sintesys Construtora S/A foi intimada a apresentar os contratos de mútuo, o recebimento dos valores e o livro diário referentes aos lançamentos contábeis dos recursos recebidos, bem assim como a comprovar a devolução dos recursos ao mutuante, mediante apresentação dos comprovantes bancários e as páginas dos livros contábeis em que foram efetuados os lançamentos referentes à devolução dos recursos. Devido ao silêncio da mutuária e da apresentação deficiente da autuada operação de empréstimo, não foi possível apurar a origem dos depósitos bancários, efetuados em dinheiro na conta bancária nº 00102603 (Banco 409 – Ag. 01719). Portanto, os depósitos bancários no valor de R$ 5.088.942,87 foram considerados de origem não comprovada e, consequentemente, receita omitida, conforme art. 42 da Lei nº 9.430/96. Custos, despesas operacionais e encargos não necessários Houve a dedução indevida de despesas com aeronave, despesas em geral (com a manutenção de motor de barco da marca Mercury, com a prestação de serviços de segurança por Abadio César A. Lima e com a aquisição de uma imagem confeccionada de Nossa Senhora dos Prazeres) e perdão de dívidas (empréstimo não recebido feito para Gilberto de Gruttola e Rubens M. Pimentel). No que diz respeito às despesas com aeronave, intimada, a Contribuinte apresentou apenas o livro diário de bordo e os documentos referentes à propriedade da aeronave, ficando silente em relação aos esclarecimentos sobre a utilização da aeronave. Confrontando as informações do livro diário de bordo com aquelas prestadas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA/Aeronáutica), verificouse que a aeronave foi utilizada fora dos horários comerciais, tais como feriados e finais de semana. Entretanto, tais registros carecem de informação sobre quem utilizou a aeronave e qual a finalidade. Além disso, apurouse que não foram consignados todos os voos executados pela aeronave em questão, pois os voos realizados em 02/02/2007, 30/03/2007, 10/05/2007 e 29/11/2007, não estavam registrados no livro diário de bordo. Uma vez que tais despesas, no valor total de R$ 130.983,68 não podem ser consideradas intrinsecamente relacionadas à atividade da empresa, foram glosadas. Despesas com serviços técnicos não comprovados No que tocam às despesas com serviço técnico, intimada a apresentar os documentos fiscais, contratos de prestação de serviços, relatórios profissionais e demais documentos técnicos, a Contribuinte apresentou as notas fiscais (exceto aquelas correspondentes as linhas 35, 39, 42, 46, 53, 77, 93 e 102 do anexo 11), deixando de apresentar quaisquer outros documentos relacionados aos referidos lançamentos contábeis. Analisando as notas fiscais apresentadas, contatase que as prestações de serviços foram devidamente comprovadas, no que diz respeito a sua execução. No entanto, por não terem sido apresentados relatórios e/ou desenhos topográficos relativos aos serviços prestados, bem assim como os projetos que foram Fl. 5315DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 5 4 elaborados/executados, não houve a comprovação do efetivo serviço e as correspondentes despesas foram objeto de glosa. Para uma despesa ser dedutível, não basta provar apenas que foi contratada, assumida e paga, mas que corresponda a bens ou serviços efetivamente recebidos. E, devido a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços, foi efetuada a glosa das despesas referentes a este serviços, no valor de R$ 215.144,27, com base nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. Cotas de depreciação de veículos não dedutíveis Foram glosados todos os valores inseridos na conta contábil “depreciação de veículos”, no total de R$ 2.390.217,06, os quais estavam lançados de modo globalizado, sem a individualização dos veículos, uma vez que a Contribuinte não conseguiu demonstrar a composição dos valores lançados sob tal rubrica, bem como por terem sido contatadas inconsistências nos demonstrativos apresentados. Dentre elas, apurouse que alguns bens foram depreciados antes do término de sua vida útil, que alguns veículos foram registrados em duplicidade e que alguns bens depreciados não foram identificados de forma precisa. Despesas com multas Foi efetuada a glosa da dedução de multas de trânsito e ambientais, no valor de R$ 17.094,09, por não serem usuais e necessárias. Glosa de exclusões no Lalur A Contribuinte fez exclusões no Lalur sob a rubrica “Parcelas não recebidas de órgãos governamentais”, no valor de R$ 4.585.610,56. Intimada, a Contribuinte comprovou apenas R$ 2.780.723,89, permanecendo o valor não comprovado, de R$ 1.804.886,67, já que as notas fiscais apresentadas para comprovar tais valores ou foram recebidas dentro do período ou os serviços não foram prestados por órgãos públicos. A nova apuração do Lucro real do período apontou para o valor de R$ 560.576,63, o que gerou o IRPJ no valor de R$ 116.144,16 e reflexos descritos nos autos de infração. Em conclusão, foi aplicada multa qualificada de 150% aos valores consignados na infração depósitos bancários não contabilizados, em razão de ter a empresa deixado de registrar em sua escrituração contábil, no ano 2007, expressiva movimentação financeira. Além disso, por força do que determina o inciso I do parágrafo único do art. 207 do RIR/99, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 3897/3900) contra a empresa Enob Ecológica S/A, criada em decorrência de cisão parcial da autuada. A Contribuinte apresentou impugnação às fls. 3930/4020, instruída com os documentos às fls. 4021/4911, na qual alega, em síntese, o seguinte: 1) Inaplicabilidade da multa qualificada e decadência dos débitos de PIS e COFINS Se a conduta da Contribuinte não foi marcada pela utilização de ardis e subterfúgios, tampouco foi movida pelo intuito de enganar, esconder e iludir o Fisco (com evidente intuito de fraude), mas, ao contrário, se a Contribuinte, intimada pelo Fisco, Fl. 5316DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 6 5 apresentou todos os registros contábeis e demais elementos que permitiu a averiguação da eventual matéria tributável e a constituição de lançamento de ofício, não se está diante de conduta cuja gravidade seja capaz de justificar a aplicação da multa qualificada de 150%. Considerando a ciência do auto de infração em 02/08/2012, é de rigor a conclusão de que já estão extintos por decadência os valores exigidos a título de COFINS e PIS relativos aos períodos de apuração até julho de 2007, conforme §4º do art. 150 do CTN. Anexa as DCTF relativas a todos os períodos que integram o anocalendário de 2007, comprovando que houve a apuração e pagamento de PIS e COFINS em tal anocalendário (fls. 4113/4197). 2) Omissão de receitas – suprimento de numerário Tendo em vista que a presunção de omissão de receitas decorreu da não comprovação da devolução dos recursos através da apresentação de documentos coincidentes em datas e valores, a Contribuinte apresenta os documentos que, por falhas decorrentes da extensão e do alargamento da fiscalização, não foram apresentados à RFB, a saber: os contratos de mútuo celebrados entre a Contribuinte e seus sócios (fls. 4198/4203), os quais motivaram a entrega de recursos cuja comprovação foi aceita pelo AFRFB autuante, bem como extratos bancários que comprovam a coincidência de datas e valores (fls. 4204/4212). Os anexos extratos bancários comprovam a saída, coincidente em datas e valores, das seguintes devoluções de empréstimos feitas pelo sócio Gerson e por sua conta e ordem: “Conta 1.1.2.04.0002 – GERSON DE GRUTOLLA”. O sócio Gerson é casado sob o regime da comunhão total de bens com a Sra. Maria Teresa Vicente Gruttola (doc. 7 – fl. 4213), o que significa que as transferências feitas a partir da conta bancária por ela titularizada saíram do patrimônio comum do casal, com o objetivo de liquidação de parcela dos empréstimos por ele feitos junto à Contribuinte. Os comprovantes anexados à impugnação também demonstram que os recursos utilizados em parte das transferências feitas a título de devolução de empréstimo saíram de conta bancária titularizada pela Srta. Talita Vicente Gruttola, que é filha do sócio Gerson e que possui atividades profissionais próprias e que, por conta e ordem do Sr. Gerson, efetivou a liquidação de parte dos empréstimos por este feitos junto à Contribuinte, consoante demonstram os documentos anexos (fls. 4214/4231). Os documentos anexados comprovam a efetiva entrega de parte dos recursos que foram devolvidos pelo sócio Gerson em pagamento de empréstimo que lhe fora feito anteriormente pela empresa, comprovação esta que, coincidente em datas e valores, alcança o importe de R$ 3.721.790,82 do valor total devolvido pelo sócio Gerson em pagamento de empréstimos, da ordem de R$ 6.737.865,09. Em que pese não seja possível à Contribuinte apresentar documentação comprobatória com absoluta coincidência entre as saídas de suas contas bancárias, de sua esposa e até de sua filha, que fez tais pagamentos por conta e ordem do pai, não se pode passar ao largo do fato de que ambos os sócios (Gerson e Eduardo) possuíam patrimônio suficiente para a realização das devoluções de empréstimos realizadas no curso do anocalendário 2007, consoante comprovam as DIPF’s anexas (doc. 8 – fls. 4214 a 4231). 3) Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e não Contabilizada Fl. 5317DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 7 6 Não procede a imputação de depósito bancário de origem não comprovada feita aos créditos lançados pelo AFRFB autuante nos dias 24/09/07 e 28/09/07, no valor de R$ 252.000,00, os quais têm por origem o mesmo documento de identificação, de n° 130216. Tais créditos são fruto de um erro cometido pelo Banco Sofisa, que fez parecer que teriam existido créditos feitos em tal valor em tais datas, quando, em verdade, a Contribuinte recebeu, em 20/09/07, depósito no valor de R$ 252.000,00, decorrente de serviço prestado para a Heleno da Fonseca. Como o depósito foi efetivado em 20/09 e a defendente possuía empréstimos a serem liquidados junto ao Banco Sofisa, este efetivou, no dia 24/09/07, um débito no valor de R$ 252.000,00, que está identificado no extrato como "transf. Numerari". Entretanto, como a transferência não foi concluída, essa operação foi estornada através de um crédito efetivado em igual valor na mesma data. Notese que essas duas primeiras operações, efetuadas no dia 24/09/07, estão devidamente apontadas no extrato (doc. 9 – fl. 4232), no qual consta um débito e um crédito na mesma data e, novamente, um novo débito em igual valor, de R$ 252.000,00. Ou seja, o próprio extrato revela que o valor que tinha sido depositado pela empresa Heleno da Fonseca em 20/09/07 (R$ 252.000,00) foi objeto de um débito em igual valor no mesmo dia (R$ 252.000,00), a que se seguiu um crédito no mesmo valor (R$ 252.000,00) e, novamente, outro débito em igual valor (R$ 252.000,00), de modo que, ao final do dia, o valor não estava mais disponível na conta bancária da Contribuinte. Entretanto, como o débito fora feito de um modo equivocado, o mesmo extrato revela que, em 28/09/07, com o objetivo de regularizar o caso, a instituição financeira efetivou novamente o crédito do valor de R$ 252.000,00 e, na mesma data, um novo débito no importe de R$ 252.000,00, agora com o histórico de "liquidação parcial". O saldo da conta ao final do dia 28/09 era de R$ 338,15 e, por conta desses sucessivos erros (o mesmo recurso foi debitado e creditado sucessivamente na conta bancária da empresa), como o AFRFB autuante não observou as linhas dos débitos feitas no mesmo valor, pareceu à fiscalização que se tratava de novo crédito, quando, em verdade, estavase diante de estorno efetivado para fins de liquidação parcial de empréstimo que fora anteriormente feito pela contribuinte. O extrato comprobatório da amortização parcial de tal empréstimo (fls. 4233/4240) demonstra que a liquidação parcial aconteceu do valor exato correspondente aos sucessivos lançamentos efetivados a crédito e a débito na conta bancária da Contribuinte junto ao Banco Sofisa. Logo, está comprovada a origem dos valores creditados nas contas bancárias da empresa nos dias 24 e 28/09, os quais não representam receitas tributáveis, pelo que, à evidência, não há omissão de receitas ensejadora da tributação de tais valores enquanto créditos de origem não comprovada. Do mesmo modo, o crédito efetivado na conta bancária da defendente em 12/06/07, no importe de R$ 20.000,00, não representa omissão de receita, já que se trata de crédito foi efetivado em função do estorno de um depósito que fora feito indevidamente na conta bancária da Contribuinte. Consoante demonstra a cópia do espelho do cheque n°. 5033477 (fl. 4241), este foi emitido em 12/06/07, nominal à empresa A.T.T. Ambiental, Tecnologia e Tratamento Ltda, quando então, por um equívoco, tal cheque foi depositado em conta bancária da Contribuinte (fl. 4242), e, constatado o erro pelo próprio Banco, a operação Fl. 5318DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 8 7 foi estornada no próprio dia 12/06/07, com o "cheque compensado interna" ( fls. 4243/4246). Ou seja, em função do erro que gerou o depósito efetivado, o valor creditado foi no mesmo dia estornado, o que gerou também um débito de R$ 20.000,00, motivo pelo qual, não representando qualquer receita tributável, esse valor não foi contabilizado pela Contribuinte. Com relação aos outros depósitos, em que pese a Contribuinte não tenha logrado êxito na localização da comprovação da origem de tais valores, há que se ter presente que não se pode manter tributação de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, eis que tal espécie de tributação está em descompasso com o quanto prevê o art. 153, inc. III, da CF/88 e do art. 43 do CTN, que admitem a incidência do imposto de renda somente quando tenha havido alteração positiva no patrimônio do contribuinte no período. 4) Depósitos Bancários de Origem não Comprovada – Sintesys Construtora S/A Os créditos têm por origem o pagamento de contrato de mútuo celebrado pela Contribuinte com a empresa Sintesys Construtora S/A (fls. 4247/4251), cujos pagamentos realizados no decorrer do ano foram recebidos pela defendente em sua conta bancária e regularmente registrados em sua contabilidade, com as devidas contrapartidas nas contas vinculadas a tais empréstimos. O AFRFB autuante não nega que os recebimentos tenham sido registrados na contabilidade da Contribuinte. No entanto, entende que não foi adequadamente comprovada a vinculação e a origem de tais recebimentos, dandose, inclusive, grande ênfase para o fato de que parte da contabilização de tais pagamentos foi feita de modo equivocado pela Sintesys, com discrepância de datas e valores com relação aos depósitos efetivados. Por conta dessa discrepância, que é parcial, e do entendimento de que a Contribuinte não teria comprovado a vinculação dos créditos à liquidação desse empréstimo, os valores recebidos foram tidos como de origem não comprovada. Entretanto, é anexada cópia do contrato de mútuo firmado entre a Contribuinte e a empresa Sintesys, bem como com as cópias dos extratos bancários (fls. 4252/4268) que demonstram que todos os valores recebidos pela Contribuinte sob tal título foram contabilizados de modo regular, com absoluta coincidência de datas e valores. Logo, a Contribuinte não pode ser responsabilizada por equívocos na contabilidade da Mutuária no registro de parte dos pagamentos por ela efetivados. Os valores pagos pela Sintesys no mês de maio/2007 foram por ela regular e corretamente contabilizados, sem qualquer divergência, o que não foi sequer considerado pelo AFRFB autuante. Ao assim agir, o AFRFB autuante está descaracterizando a contabilidade da Contribuinte e passando ao largo do contrato firmado entre as partes, sem apresentar uma única prova que seja capaz de macular tais documentos, o que não é admissível. O contrato de mútuo em questão foi firmado pelas partes ao final do ano calendário de 2004, sendo certo que a entrega dos recursos foi feita anteriormente ao início do ano 2007, fato este que foi reconhecido pelo próprio AFRFB atuante na medida em que este intima a empresa a "comprovar a entrega dos recursos a referida empresa, que, em 19/01/2007, totalizavam o valor de R$ 4.342.630,00", o que torna já preclusa qualquer exigência feita pela Fl. 5319DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 9 8 fiscalização no sentido de que fosse comprovada a efetiva entrega dos recursos emprestados para que os pagamentos recebidos no anocalendário 2007, em devolução do empréstimo, fossem aceitos como comprovação de origem. Além disso, o próprio AFRFB autuante reconhece que, com relação ao mês de maio/07, os valores registrados pela Mutuária em sua contabilidade coincidem em datas e valores com os créditos efetivados nas contas bancárias da Contribuinte, motivo pelo qual, quando menos, deveriam os depósitos relativos ao mês de maio/07, no valor de R$ 2.499.795,00, terem sido considerados pelo AFRFB como de origem comprovada. 5) Glosa de Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários. 5.1) Despesas com Aeronave Afirma o AFRFB autuante que a aeronave em questão é utilizada fora dos horários comerciais, tais como em feriados e finais de semana, quando então, apesar de não existirem os registros de quem utilizou a aeronave, tal circunstância já seria suficiente para se concluir que tais despesas não são usuais nas atividades desempenhadas pela empresa, tampouco necessárias para a manutenção da sua fonte produtora, motivo pelo qual não são dedutíveis, porque não preenchem os requisitos dos arts. 249 e 299 do RIR/99, e 13 da Lei n° 9.249/95. A Contribuinte se dedica a atividades de implementação e manutenção de aterros sanitários em diversos Municípios do Estado de São Paulo, por força de contratos firmados com o Poder Público, consoante demonstra o prospecto das suas atividades (fls. 4269/4363) e a declaração que faz anexar (fl. 4264). Por conta de tais atividades e diante da grande distância que há entre cada um dos aterros sanitários que administra, dentre os quais estão os aterros de Cotia, Itapevi, Jacareí, São Sebastião e Piracicaba, prepostos, colaboradores e técnicos da Contribuinte são obrigados a se deslocar constantemente entre tais locais, em atividade de acompanhamento e fiscalização que se destina a garantir que todos os serviços serão prestados adequadamente e sem qualquer risco para a população que está no entorno dos aterros. Logo, é de fundamental importância para o desempenho de tais atividades que a empresa possua um meio de transporte rápido e ágil, que permita tanto que aconteçam deslocamentos rotineiros de inspeções aéreas e acompanhamentos técnicos in loco nos aterros, quanto que aconteçam deslocamentos dos técnicos em situações emergenciais, haja vista que os aterros sanitários produzem, naturalmente, substâncias inflamáveis que devem ser controladas para se evitar tragédias. Assim, o uso de uma aeronave que permita um rápido deslocamento entre os aterros sanitários que são administrados pela Contribuinte é uma necessidade no seu ramo de atividades, motivo pelo qual não procedem as conclusões do AFRFB autuante no sentido de que se trata de despesa que não é usual, tampouco necessária. Além disso, ao contrário do que afirmou o AFRFB autuante, o diário de bordo e os documentos enviados pelo DECEA comprovam que a aeronave é utilizada nos mais variados dias, dos quais a grande maioria é representada por dias úteis, quando então, de um universo de 19 registros, apenas 8 registros dizem respeito a vôos curtos efetivados em finais Fl. 5320DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 10 9 de semana, nos quais houve a necessidade de vistoria a algum dos aterros administrados pela empresa. 5.2) Despesas com Serviço Técnico não Comprovado. Em que pese o próprio AFRFB autuante tenha reconhecido que tais despesas foram contratadas e pagas, tendo sido afirmado, inclusive, que essa comprovação equivalia à da execução dos serviços, ao final, glosou tais despesas por entender que não foram apresentados os projetos, relatórios e demais documentos hábeis à demonstração da execução dos trabalhos. Os serviços contratados são usuais e necessários dentro do ramo de atividades da Contribuinte, que é a criação, implementação e administração de aterros sanitários, pois os serviços cujos pagamentos foram glosados dizem respeito a serviços topográficos nos aterros de Jacareí/SP, Embu/SP, execução de projeto de recuperação ambiental no aterro de Cotia/SP e laudo de avaliação elaborado pela DLR Engenheiros. Além disso, como reconhece o próprio AFRFB, foram apresentadas as notas fiscais comprobatórias da efetiva contratação e os comprovantes do pagamento de tais serviços, os quais estão inseridos no Anexo NF Serv Técnicos (fls. 3544/3628), o que já deveria ser suficiente para garantir a dedutibilidade de tais despesas. Apresenta, ainda, os Anexos Toptécnica Engenharia, Reiconsult Engenheiros Associados, DLR Engenheiros Associados) e Baker Tilly Brasil Gestão Empresarial Ltda (fls. 4365/4458). 5.3) Perdas referentes ao não Recebimento de Empréstimos, Despesas com Motor de Barco e Confecção de Imagem Nossa Senhora dos Prazeres. Foram glosadas despesas indedutíveis em geral, no valor de R$ 6.675,30, relacionadas à manutenção de um motor de barco da marca Mercury, à prestação de serviços de segurança por Abadio César de A. Lima e à aquisição de uma imagem confeccionada de Nossa Senhora dos Prazeres; bem como despesas com perdão de dívidas, no valor de R$ 27.000,00, relativas à perda de empréstimo não recebido feito para Gilberto de Gruttola e Rubens M. Pimentel e despesas com multas de trânsito e de multas por infração ambiental no valor de R$ 17.094,09. A Contribuinte liquidou os débitos vinculados a tais despesas. Anexa as guias comprobatórias dos pagamentos efetivados (fl. 4911). 6) Despesas de Depreciação de Veículos 6.1) Glosa integral da conta contábil e arbitramento Se a fiscalização entendia que os esclarecimentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a precisa composição das depreciações efetivadas, deveria ter desconsiderado a própria contabilidade da Contribuinte, arbitrando o lucro, ao invés de glosar a integralidade da conta contábil respectiva. A não adoção de tal procedimento conduz à nulidade do lançamento fiscal, por infração ao art. 142 do CTN. Em que pese seja possível que existam equívocos em alguns dos lançamentos feitos pela Contribuinte na citada conta Depreciação de Veículos, é fato que os veículos em questão integram o ativo da empresa e são objeto de intenso uso nos aterros sanitários por ela Fl. 5321DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 11 10 administrados, estando, portanto, sujeitos a desgaste e à depreciação, observadas as normas postas no art. 305 e seguintes do RIR/99, circunstância esta que, por si só, obrigaria o AFRFB autuante a identificar as inconsistências e a glosar apenas a depreciação equivocadamente deduzida pela Contribuinte. 6.2) A depreciação a que faz jus a Contribuinte Na remota possibilidade de não se entender pelo cancelamento da integralidade da glosa efetivada na conta de Depreciação de Veículos, é certo que a glosa total de R$ 2.390.217,06 é indevida. A planilha anexa demonstra que o valor a ser considerado para dedutibilidade da Depreciação de Veículos era, no ano de 2007, da ordem de R$ 1.660.335,06, que corresponde à depreciação sobre os bens que são de propriedade da Contribuinte e em relação aos quais ela fazia jus à depreciação, não tendo, inclusive, o AFRFB autuante feito qualquer restrição específica no que diz respeito a tais bens, a despeito dele ter efetivado a glosa integral da conta contábil. A Contribuinte constatou que cometeu o equívoco de depreciar caminhões em duplicidade, por conta de erros cadastrais, no valor total de R$ 222.662,89, conforme também demonstra a anexa planilha. Outro equívoco por ela cometido diz respeito à depreciação indevidamente acelerada. No entanto, esse equívoco não gerou qualquer efeito fiscal que pudesse ensejar a glosa ora tratada. Os bens foram depreciados nos primeiros quatro meses do ano, em que pese fosse inquestionável seu direito de efetivar essa depreciação ao longo do ano calendário, o que geraria o esgotamento das quotas até o final do ano. Assim, em verdade e a planilha anexada assim o demonstra, a depreciação a que fazia jus a Contribuinte no ano 2007 era de R$ 545.118,25, quando então, tendo cometido o erro de já esgotar as quotas nos primeiros quatro meses do ano, a depreciação foi feita de modo acelerado no importe de R$ 507.219,11. Ou seja; a Contribuinte fazia jus à depreciação que foi por ela integralmente feita de modo acelerado, pois, como destacado acima, ela poderia ter depreciado o valor de R$ 545.118. Esse erro não produz consequências, pois essa depreciação erroneamente acelerada aconteceu dentro do próprio anocalendário. Para apuração da improcedência de parte expressiva da glosa da Depreciação de Veículos feita pelo AFRFB autuante, anexa os cálculos detalhados que foram efetivados para fins de apuração da expressão econômica dos erros que realmente foram cometidos pela Contribuinte (docs. n°s 22 e 23), os quais consideram os veículos que de fato não geravam despesas de depreciação e valor da depreciação a que não fazia jus a Contribuinte (fls. 4459/4520). O AFRFB glosou a integralidade dos valores lançados na contabilidade da Contribuinte a título de encargos de depreciação (R$ 2.390.217,06). No entanto, deveria ter glosado apenas R$ 222.662,89, que correspondem aos veículos em relação aos quais houve duplicidade de lançamentos, destacandose que os efeitos da depreciação acelerada que foi efetivada indevidamente foram absorvidos dentro do próprio anocalendário. 7) Despesas em Geral com Perdão de Dívidas e com Multas de Trânsito e Ambiental de Natureza não Dedutível. O autuante também teve por indedutíveis despesas em geral, no valor de R$ 6.675,30, as quais estão relacionadas à manutenção de um motor de barco da marca Mercury, à Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 12 11 prestação de serviços de segurança por Abadio César de A. Lima e à aquisição de uma imagem confeccionada de Nossa Senhora dos Prazeres; bem como despesas com perdão de dívidas, no valor de R$ 27.000,00, relativas à perda de empréstimo não recebido feito para Gilberto de Gruttola e Rubens M. Pimentel e despesas com multas de trânsito e de multas por infração ambiental no valor de R$ 17.094,09, as quais não foram adicionadas ao lucro líquido do período, com a invocação do disposto no artigo 299 do RIR/99. A Contribuinte liquidou os débitos vinculados a tais despesas. Anexa as guias comprobatórias dos pagamentos efetivados (doc. 28 – fl. 4911). 8) Glosa de Exclusões – Diferimento Decorrente de Serviços Prestados a Órgãos Governamentais. 8.1) A reduzida expressão econômica dos erros cometidos pela Contribuinte na exclusão de valores não recebidos de órgãos não governamentais e a improcedência da glosa efetivada pelo autuante. A fiscalização excluiu o valor total da Nota Fiscal n° 296 (R$ 348.474,93), por presumir que a empresa tinha excluído do LALUR o valor total da referida nota fiscal, mas, em verdade, a Contribuinte só excluiu o valor que, de fato, não tinha sido recebido, que é a importância de R$ 28.286,83. Assim, para logo, de deve ser excluída do valor total glosado (R$ 1.804.886,67) a importância que foi glosada indevidamente, no valor de R$ 348.474,93, o que deve reduzir o valor da citada glosa para R$ 1.456.411,74. A Contribuinte cometeu o erro de diferir indevidamente alguns valores, os quais dizem respeito às notas fiscais n°s 24, 25, 26 e 27, no valor total de R$ 179.239,00, pois estas não foram emitidas contra órgão governamental. Entretanto, do valor total excluído no LALUR de R$ 4.585.610,56, a Contribuinte, consoante demonstra a anexa planilha, agiu corretamente ao excluir o valor total de R$ 4.406.371,56, pois tal valor corresponde, de fato, ao que não se recebeu no anocalendário 2007, conforme demonstram a planilha anexada e os documentos que lhe dão suporte, a saber, cópias das notas fiscais e das contas do razão (fls. 4685/4741). Logo, a Contribuinte fazia jus ao diferimento do valor total de R$ 4.406.371,56, tendo agido de modo absolutamente correto ao efetuar tal diferimento, pois essa importância corresponde às notas fiscais emitidas em face de órgãos governamentais que não foram pagas no decorrer do ano 2007, devendo, portanto, ser reduzida a glosa efetivada pelo AFRFB autuante para o importe de R$ 179.239,00, que corresponde aos valores que já tinham sido recebidos no ano 2007. 8.2) A postergação que deveria ter sido considerada pelo AFRFB autuante. O AFRFB autuante deveria ter verificado o reflexo dessa exclusão indevidamente feita pela Contribuinte nos anoscalendário futuros, pois parte dos valores que foram indevidamente excluídos pela Contribuinte da apuração do seu lucro tributável do ano 2007, porque foram erroneamente tidos como não recebidos de Órgãos Públicos, foi adicionada ao lucro tributável do ano subseqüente. Assim, como os valores excluídos indevidamente no ano 2007 foram adicionados ao lucro tributável no ano 2008, houve mera postergação, cabendo à fiscalização efetivar a recomposição dos efeitos dessa exclusão indevida nos exercícios subsequentes, onde Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 13 12 as receitas foram tributadas (§6° do art. 6º do Decretolei n° 1.598/77, no art 273 do RIR/99 e no PN COSIT 2/96). As exigências fiscais, nessa situação, deveriam ter observado o disposto no §7° do Decretolei n° 1.598/778 , onde está prevista a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento em virtude da antecipação ocorrida. Destaquese, por oportuno, que os valores que foram indevidamente excluídos pela Contribuinte da apuração do lucro tributável do ano 2007, foram adicionados nos anos subseqüentes aqueles que dizem respeito às notas de débitos n°s 24 e 26, nos valores de R$ 59.610,50 e R$ 53.619,50, num total de R$ 113.230,00. Assim, são improcedentes as cobranças de valores a título de IRPJ e reflexos sobre os valores tidos como indevidamente excluídos do lucro tributável do anocalendário 2007, por inobservância aos termos do PN 2/96 e, quando menos, que, diante da comprovação dos efeitos de tais exclusões nos anos subsequentes, sejam exigidos da Contribuinte apenas os encargos moratórios entre a data da exclusão indevida e aquela em que as receitas foram oferecidas à tributação. 9) A Compensação de Prejuízos Anteriores Em que pese o AFRFB tenha considerado, quando da lavratura do AI para exigência de valores a título de IRPJ, o prejuízo do ano 2007 da ordem de R$ 1.178.310,00, fato é que o autuante não efetivou a compensação dos prejuízos fiscais dos anos anteriores, os quais, consoante demonstra cópia do LALUR relativo ao anocalendário 2007 (fls. 4742/4750), somam R$ 2.819.302,38, relativo aos anos 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls. 4751/4910). No que diz respeito às bases negativas da CSLL de períodos anteriores, também assiste à Contribuinte o direito de que tais bases negativas sejam compensadas de ofício com as infrações apuradas, no importe de R$ 3.735.286,34. 10) É ilegal e inconstitucional a aplicação da Taxa Selic 11) É ilegal a cobrança de juros sobre multa de ofício Em 19/02/2013, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO1, dar parcial provimento à impugnação (fl. 4943/5022), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 14 13 O registro de suprimentos de numerário efetuados por sócio a título de empréstimos caracteriza omissão de receitas quando não comprovada pela fiscalizada, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos e a efetividade de sua entrega. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. Exonerase a parcela decorrente de lançamentos de estorno. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. DESPESAS NECESSÁRIAS. Para serem admitidas na apuração do lucro real, as despesas devem ser necessárias à realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. DESPESAS INCOMPROVADAS. Mantémse a glosa de despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Exonerase a parcela em que houve cerceamento de defesa da recorrente. DESPESAS. DEPRECIAÇÃO. VEÍCULOS. As despesas com depreciação de veículos somente são dedutíveis se houver contabilização em consonância com a legislação de regência da matéria. LALUR. EXCLUSÃO. PARCELA NÃO RECEBIDA DE ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. A parcela excluída no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), a título de Parcela não Recebida de Órgãos Governamentais, deve guardar estreita relação com os valores efetivamente não recebidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 15 14 PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendido como o pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Na falta de pagamento, o termo inicial do prazo para a Fazenda Pública lançar é o primeiro dia do ano civil seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dessa decisão, o Presidente da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO1 recorreu de ofício. Irresignada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 5036/5140), acompanhado dos documentos de fls. 5141/5246, repisando os argumentos de sua peça impugnatória contra a parte do lançamento que foi mantida pela DRJ e, esclarecendo, em síntese, acerta do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulada de anoscalendário anteriores, que não houve a sua completa utilização no Refis da Lei nº. 11.941/09. Afirma, nesse ponto, que a Lei nº. 11.941/09 apenas autoriza a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para abatimento do valor equivalente a 25% do prejuízo fiscal e 9% da base de cálculo negativa. Assim, o valor que consta no SAPLI enquanto “prejuízo fiscal utilizado” é, em verdade, o valor total do prejuízo fiscal disponível e sobre o qual foi realizado o cálculo do montante passível de aproveitamento. Assim, do valor total de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL constante no SAPLI (R$ 3.694.298,51 e R$ 4.679.649,73, respectivamente), apenas R$ 911.869,53 e R$ 46.262,53 foi utilizado para liquidação de juros e multa no parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/09. É o Relatório. Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 16 15 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade. Devem, pois, serem conhecidos. 1) Preliminares Multa qualificada Merece razão a Recorrente quando afirma que a hipótese dos autos não está a ensejar a qualificação da multa de ofício para 150%. A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº. 4.502/64. Dessa forma, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº. 4.502/64. Nesses termos, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisandose as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Isso significa dizer que, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar, individualizar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Não se admite como válida a genérica invocação dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4502/64 ou do inciso II do artigo 44 da Lei nº. 9430/96. Exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Ou seja, por conta das características que cercam o dolo específico, a fiscalização deve demonstrar, ao qualificar a multa, os ardis e subterfúgios utilizados pelo contribuinte para alcançar seu objetivo ilícito, indicando os atos concretos que comprovam o intuito de fraudar ou sonegar. A necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, tem sido reconhecida pela jurisprudência mais atual deste Conselho, que em seus julgados vem buscando identificar atos concretos e condutas dolosas que evidenciem essa intenção deliberada do agente de causar dano à Fazenda Nacional. Buscase, com isso, manter a qualificação da multa proporcional de ofício apenas quando for identificado comportamento intencional, dirigido e específico, adotado pelo contribuinte, com objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador ou o conhecimento, por parte do fisco, do fato gerador já ocorrido. Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 17 16 Nessa linha, a qualificação da multa de ofício, só tem sido permitida por este Conselho quando efetivamente se verificam procedimentos fraudulentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quando apresentadas reiteradamente), interposição de pessoas (laranjas), subfaturamento na exportação e superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. As hipóteses de falta de declaração de tributos ou de declaração inexata, não ensejam a aplicação da multa qualificada, já que são hipóteses de incidência da multa de 75%, conforme art. 44, inciso I, da Lei nº. 9430/96. Por tudo isso, a simples apuração de omissão de receitas, desacompanhada de outros elementos probatórios do intuito doloso de fraudar e sonegar, não autoriza a qualificação da multa proporcional de ofício, entendimento pacífico e majoritário, consagrado pelo enunciado de Súmula nº. 14 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vale acrescentar, a tais considerações, as lições de Marco Aurélio Grecco, invocadas pela Recorrente, no sentido de que a qualificação da multa proporcional de ofício é a “exceção da exceção”, sendo inadmissível seu uso indiscriminado pelo fisco. Ou seja, a “regra” é aplicar a multa do inciso I do artigo 44 (multa de 75%) enquanto que, apenas em determinados casos revestidos de certo perfil (inciso II), configurase a “exceção” que enseja a incidência da multa duplicada. Na medida em que o que é “regra”, no contexto do artigo 44, corresponde, no âmbito do ordenamento como um todo, a uma verdadeira “exceção”, por consequencia a “exceção” regulada do inciso II corresponde a uma “exceção da exceção”. Isto traz consequencias importantes pois, se a simples interpretação e aplicação de uma norma sancionadora deve estar cercada das cautelas e restrições na sua aplicação, por maior razão a exceção da exceção só terá aplicação em hipóteses absolutamente nítidas, que não envolvam avaliações subjetivas e cujos fatos tenham sua qualificação jurídica incontroversa. À vista disso, entendo, nesse ponto específico que, pelo caráter absolutamente excepcional da previsão, os pressupostos de incidência da norma punitiva do inciso II (sem aqui examinar os relativos ao inciso I) devem ser fatos cuja qualificação deve ser incontroversa e resultar de aferição objetiva; vale dizer, desprovida de ponderações subjetivas ou de elementos metajurídicos. Em suma, havendo divergência relevante (dúvida razoável) quanto à cognição da qualificação jurídica dos fatos realizados, não cabe, a meu ver, aplicação do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9430/96. (Revista Dialética de Direito Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 18 17 Tributário nº. 75, “Multa agravada e em duplicidade”, p. 151/152). No caso presente, a fiscalização justifica a qualificação da multa de ofício da seguinte forma: “A multa qualificada (de 150%), aplicada aos valores consignados na infração depósitos bancários não contabilizados, se justifica pelo fato da empresa ter deixado de registrar em sua escrituração contábil referente ao ano calendário de 2007, expressiva movimentação financeira. Tal prática demonstra que houve evidente intuito de fraude, conforme disposto nos, abaixo reproduzidos, artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64.” Ora, intimada pela fisco a Recorrente apresentou seus extratos bancários, seus registros contábeis, notas fiscais, esclarecimentos e diversos documentos para comprovar sua movimentação financeira e escrituração. Tais documentos, inclusive, permitiram a averiguação da matéria tributável e a constituição do lançamento de ofício. Não há nos autos registros de documentos falsos, inidôneos, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza e, como se vê do texto transcrito, a fiscalização não se desincumbiu de provar cabalmente o dolo da Recorrente no cometimento do ilícito fiscal. O que se verifica nos autos é que os documentos e esclarecimentos prestados pela Recorrente não foram considerados satisfatórios pela fiscalização para comprovar a dedutibilidade de algumas despesas ou a origem de alguns recursos. Há ainda, nos autos, a constatação de erros na apuração fiscal, cujas exações correspondentes foram imediatamente quitadas pela Recorrente após a intimação do auto de infração. Não houve, contudo, intuito de esconder, fraudar, ludibriar, iludir. Pelo contrário, como consta do relatório fiscal, a Recorrente apresentou todos os esclarecimentos e documentos que possuía, deixando explícitos seus atos, negócios e até mesmo eventuais equívocos cometidos em sua escrituração/apuração. Não bastasse isso, digase que a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários não escriturados pela Recorrente diz respeito a apenas 13 lançamentos durante todo o anocalendário de 2007, no valor total de R$ 1.675.484,81, valor que, ao contrário do que afirmou o agente fiscal autuante, não é expressivo se comparado à receita de prestação de serviços apurada pela Recorrente no mesmo ano, que foi de R$ 39.573.595,58 (DIPJ, fls. 371 e seguintes). Logo, não merece razão o agente fiscal autuante quando afirma que a Recorrente teria deixado de escriturar expressiva movimentação financeira. O exame das infrações imputadas já demonstra, por si só, o quão complexa é a escrituração contábil da Recorrente, que presta parte expressiva de seus serviços a órgãos públicos, possuindo número elevado de despesas inerentes à atividade, num movimento contábil e escritural expressivo e cuja execução está, como todas as demais atividades humanas há de se convir , sujeita ao cometimento de erros. Com efeito, deve ser reduzida a multa de ofício de 150% para 75%. Decadência do PIS e da Cofins Consoante decisão definitiva pelo E. STJ no REsp nº. 973.733SC, submetido à sistemática dos recursos repetitivos (Art. 543C do CPC), de observância obrigatória pelos Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 19 18 conselheiros no âmbito do CARF, afastada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial extintivo dos créditos tributários de PIS e COFINS farseá, havendo pagamento antecipado, nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN. O acórdão recorrido afirmou que apenas localizou pagamentos feitos no Sistema Sinal da Receita Federal do Brasil (fls. 4928, 4930/4932 e 4934) com relação aos períodos de apuração 30/04/2007 e 31/07/2007. A Recorrente, por sua vez, afirma que anexou à peça impugnatória, às fls. 4121, 4122, 4132, 4130, 4138, 4139, 4147, 4148, 4161, 4162, 4170, 4172, 4181, 4182, 4179, 4180, 4187, 4190 e 4187, os comprovantes de recolhimento e de extinção por compensação dos débitos de PIS e da COFINS relativos às competências entre janeiro/2007 a julho/2007, em relação às quais pediu o reconhecimento da decadência. Analisando os autos, verificase que a Recorrente anexou cópia das DCTF’s mensais de janeiro a julho de 2007, que confirmam que foi apurado débito de PIS e COFINS em todos os meses. Além disso, a Recorrente apresenta algumas cópias de DARF e cópia do Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02.1056 para confirmar a quitação dos pagamentos realizados. Sendo assim, temos: Em janeiro, foi confessado/apurado débito de PIS (Código 8109), no valor de R$ 9.384,61, pago via DARF (fl. 4121), e de COFINS, no valor de R$ 43.313,59, pago via compensação (Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02.1056 – fl. 4183/4197). Em fevereiro, foi confessado/apurado débito de PIS, no valor de R$ 9.256,42, pago via DARF (fl. 4132), e de COFINS, no valor de R$ 43.968,09, pago via compensação (Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02.1056 fl. 4183/4197). Em março, foi confessado/apurado débito de PIS e COFINS nos valores de R$16.676,19 e R$ 76.969,80, respectivamente, ambos pagos via compensação (Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02.1056 – fl. 4183/4197). Em abril, foi confessado/apurado débito de PIS, no valor de R$ 3.681,42, e de COFINS, no valor de R$ 16.991,18, ambos pagos via compensação (Per/dcomp 12683.83190.060607.1.3.022650). Ressaltese aqui, que muito embora o Per/dcomp não tenha sido anexado à peça impugnatória, a decisão recorrida confirmou junto ao Sistema Sinal que houve recolhimento de PIS e COFINS para o período de apuração abril/2007. Em maio, foi confessado/apurado débito de PIS, no valor de R$ 6.681,02, pago via DARF (fl. 4161), e de COFINS, no valor de R$ 30.835,47, pago via DARF (fl. 4162). Em junho, foi confessado/apurado débito de PIS, no valor de R$ 12.748,12, pago via DARF (fl. 4170), e de COFINS, no valor de R$ 58.837,46, pago via DARF (fl. 4172). Em julho , foi confessado/apurado débito de PIS, no valor de R$ 7.063,45, pago via DARF e compensação (DARF fl. 4181 e Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02. 1056 – fl. 4183/4197), e de COFINS, no montante de R$ 32.600,52, pago via DARF e compensação (Darf fl. 4182 e Per/dcomp 15184.65868.020408.1.3.02.1056 – fl. 4183/4197). Portanto, merece razão a Recorrente. Os recolhimentos de PIS e COFINS nos períodos de janeiro a julho de 2007 estão devidamente demonstrados nos autos. E, Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 20 19 considerando a ciência do auto de infração em 02/08/2012, merece ser reconhecida a decadência dos valores lançados a título de PIS e COFINS nos meses de janeiro a julho do ano calendário 2007. Vale notar, que a compensação tributária extingue o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação e que constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a extinção via compensação também impõe a aplicação da norma do artigo 150, § 4º do CTN. Mérito 2) Omissão de receitas – suprimento de numerário Aduz a Recorrente que a presunção de omissão de receitas decorreu da falta de comprovação da devolução dos recursos através da apresentação de documentos coincidentes em datas e valores. Dessa forma, apresentou junto à peça impugnatória os contratos de mútuo que celebrou com seus sócios (fls. 4198/4203), bem como extratos bancários que comprovariam a coincidência de datas e valores de algumas devoluções feitas pelo sócio Gerson Gruttola (fls. 4204/4212). A decisão recorrida não aceitou os contratos de mútuo apresentados afirmando que o contrato de mútuo sem registro é documento particular, que por si só, não tem força probante, pois foi elaborado exclusivamente pela interessada e pelo seu próprio sócio. Assim, a prova das operações de empréstimos deveria ter sido feita com documentos hábeis e idôneos, que para possuírem esta qualidade deveriam apresentar a intervenção de terceiras pessoas idôneas e desinteressadas (por exemplo, instituições financeiras, cartórios ou outros contribuintes não ligados). Ademais, quanto à prova da devolução dos valores, supostamente demonstrada pelos extratos bancários das Sras. Talita Vicente de Grutolla e Maria Teresa Vicente de Grutolla (fls. 4204 a 4207), afirmou que tais documentos realmente registram a maior parte das transferências indicadas na Conta 1.1.2.04.0002 – Gerson de Grutolla (com exceção do primeiro valor, R$ 401.287,91, para o qual não foi apresentado o documento bancário). Entretanto, muito embora a Recorrente tenha consignado que o sócio Gerson é casado sob o regime da comunhão total de bens com a Sra. Maria Teresa Vicente Gruttola (o que significa, no seu entendimento, que as transferências feitas a partir da conta bancária por ela titularizada saíram do patrimônio comum do casal), bem como que a Srta. Talita Vicente Gruttola é filha do sócio Gerson e que, por conta e ordem do pai, efetivou a liquidação de parte dos empréstimos por este feitos junto à empresa, tais pessoas são estranhas à Conta 1.1.2.04.0002 – Gerson de Grutolla, que recebeu a contrapartida, a crédito, dos valores debitados na conta bancária da empresa, não se prestando a prova apresentada para justificar a devolução dos recursos recebidos pelo sócio Gerson de Grutolla. Por último, a decisão recorrida afasta os argumentos da Recorrente no sentido de que os sócios possuíam patrimônio suficiente para realizar a devolução dos empréstimos, consoante comprovariam suas declarações de imposto de renda. Consigna que não se está tributando operações de empréstimos, já que estes “empréstimos” não teriam sido comprovados, mas, sim, ingressos que, por não terem sua origem comprovada, são considerados pela lei receitas omitidas. Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 21 20 Nesse ponto, importa ressaltar o quanto foi aduzido pelo relatório fiscal, citando a obra de Hiromi Higuchi: LIQUIDAÇÃO DE DÉBITOS DE SÓCIOS A origem e a efetiva entrega dos recursos para empresa deverão ser provadas também na liquidação de empréstimos contraídos pelos sócios. A falta de qualquer uma das duas provas constitui omissão de receita. Se as provas fossem dispensáveis, a omissão de receitas era facilmente praticável do seguinte modo: o sócio contrai empréstimo efetivo e devolve ficticiamente. No caixa entra o dinheiro da receita omitida. A falta de comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem e efetiva entrega de recursos pelos sócios em pagamento de obrigações assumidas perante a empresa, importa em indício que autoriza a presunção de omissão de receita, nos termos do art. 282 do RIR/99, decidiu o 1o C.C. no Ac. no 101 80.454/90 (DOU de 121190). (Imposto de Renda das Empresas, Editora IR Publicações Ltda, 211, p. 676). Exatamente por tais razões, corroboro a assertiva do julgador a quo, no sentido de que o contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e seus sócios é documento privado interno, que sozinho, não possui força probante. Para a comprovação de tais empréstimos, seria necessário: extrato bancário dos supridores com coincidência de datas e valores, declaração do banco depositário da origem do valor depósito, e, por último, quando o valor fosse depositado e creditado em conta bancária da empresa suprida e compensados ou descontados conforme assentamentos nos extratos emitidos pelos bancos do supridor (CARF, Acórdão 140200.205, da 4° Câmara, 2ª Turma Ordinária, Sessão de 05/07/2010). Os documentos apresentados pela Recorrente não permitem essa aferição. Embora a Contribuinte, durante a ação fiscal, tenha apresentado os comprovantes de repasse dos recursos aos sócios, apresentou contratos de mútuo que não possuem um valor específico (fls. 4198/4203), afirmando que os valores mutuados poderiam ser liquidados a qualquer momento e comprovantes de transferência bancárias (fls. 4204/4212) supostas devoluções realizadas em nome de terceiros. Ou seja, o depositante não é o mutuário cujo nome corresponde à identificação da conta contábil na qual foram contabilizadas as operações de mútuo. Ademais, é indiferente, para a presunção de omissão de receitas decorrente da falta de comprovação da liquidação de empréstimos contraídos pelos sócios, que os sócios possuam patrimônio suficiente para contrair/liquidar os empréstimos. Dessa forma, não é possível identificar com clareza se tais transferências estão relacionadas aos mútuos, devendo ser mantidos os valores lançados. 3) Depósitos bancários de origem não comprovada e não contabilizada Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 22 21 Destaco parte dos fundamentos da decisão recorrida, relativamente a este tópico, que adoto nesta decisão: 87. Na parcela da autuação relacionada aos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e não Contabilizada, a interessada postula a improcedência dos créditos lançados nos dias 24/09/07 e 28/09/07, no valor de R$ 252.000,00, os quais têm por origem o mesmo documento de identificação, de n° 130216 (observar o quadro acima): (...). 88. Assevera a contribuinte que os mencionados créditos são, em verdade, fruto de um erro cometido pelo Banco Sofisa, que fez parecer que teriam existido créditos feitos em tal valor em tais datas, quando, em verdade, a requerente recebeu, em 20/09/07, depósito no valor de R$ 252.000,00, decorrente de serviço prestado para a Heleno da Fonseca. 89. Acrescenta que como o depósito foi efetivado em 20/09 e a defendente possuía empréstimos a serem liquidados junto ao Banco Sofisa, este efetivou, no dia 24/09/07, um débito no valor de R$ 252.000,00, que está identificado no extrato como "transf. Numerari". 90. Afirma que como a transferência não foi concluída, essa operação foi estornada através de um crédito efetivado em igual valor na mesma data. Ainda em 24/09, a instituição financeira registrou, novamente, um novo débito em igual valor, de R$ 252.000,00. 91. Argumenta que como o débito fora feito de um modo equivocado, o mesmo extrato revela que, em 28/09/07, com o objetivo de regularizar o caso, a instituição financeira efetivou novamente o crédito do valor de R$ 252.000,00 e, na mesma data, um novo débito no importe de R$ 252.000,00, agora com o histórico de "liquidação parcial". 92. Finaliza que por conta desses sucessivos erros (o mesmo recurso foi debitado e creditado sucessivamente na conta bancária da empresa), como o AFRFB autuante não observou as linhas dos débitos feitas no mesmo valor, pareceu à fiscalização que se tratava de novo crédito, quando, em verdade, estavase diante de estorno efetivado para fins de liquidação parcial de empréstimo que fora anteriormente feito pela contribuinte. 93. De plano, cabe esclarecer que o valor de R$ 252.000,00, que consta como creditado na conta bancária da empresa no banco Sofisa (extrato acima) em 20/09, foi objeto do T.I.F nº 002/2012 (Anexo 14 – fl. 1727), no qual a recorrente foi intimada a esclarecer a origem do mencionado valor. Como ele não consta na Planilha de lançamento dos depósitos bancários não contabilizados (ver acima), concluise que a defendente esclareceu a questão, sendo que inclusive se observa que o citado lançamento foi contabilizado no Razão da contribuinte: (...). Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 23 22 94. Assim, estando esclarecida a origem do crédito de R$ 252.000,00 efetivado em 20/09, cabe analisar qual a razão para os dois lançamentos adicionais, a crédito, realizados na conta bancária em 24/09 e 28/09, e que motivaram os lançamentos que constam na Planilha de lançamento dos depósitos bancários não contabilizados (ver acima). 95. A defendente consigna que a empresa possuía empréstimos a serem liquidados junto ao Banco Sofisa, o que motivou, em 24/09, um débito no valor de R$ 252.000,00, que está identificado no extrato como "Transf. Numerari", o que se confirma, com o documento registrado com o nº 0130216. 96. Afirma que como a transferência não foi concluída, essa operação foi estornada em 24/09, através de um crédito efetivado em igual valor na mesma data, evento também confirmado, com o documento registrado com o nº 0130216 e histórico “Transf. Conf. Aut”. Para efetivar novamente o débito em 24/09, a instituição financeira registrou, novamente, um novo débito em igual valor, de R$ 252.000,00, com o documento registrado com o nº 0130216 e histórico "Transf. Numerari". 97. Ocorre que este último lançamento, com histórico "Transf. Numerari", novamente não espelhou a realidade (pagamento de empréstimo), tendo o Banco Sofisa efetuado, em 28/09, novo lançamento a crédito do valor de R$ 252.000,00 (documento registrado com o nº 0130216 e histórico “Transf. Conf. Aut”) para regularizar o lançamento e, na mesma data, um novo débito no importe de R$ 252.000,00, agora com o histórico de "liquidação parcial". 98. Assim, tendo em vista que os lançamentos a crédito realizados em 24/09 e 28/09 constituíram, na realidade, estornos realizados para corrigir lançamento anteriores, cabe excluílos da base de cálculo, em valor total de R$ 504.000,00. Portanto, até aqui merece ser mantida a decisão recorrida. Ainda nesse tópico, a Recorrente pugna que o crédito efetivado em sua conta bancária em 12/06/07, no importe de R$ 20.000,00, não representa omissão de receita, eis o crédito foi efetivado em função do estorno de um depósito que fora feito indevidamente na conta bancária da Contribuinte. De fato, consoante demonstra a cópia do espelho do cheque n° 5033477 (fl. 4241), emitido em 12/06/2007, este foi emitido nominal à empresa A.T.T. Ambiental, Tecnologia e Tratamento Ltda. Portanto, está claro que foi equivocadamente depositado na conta da Recorrente (fl. 4242), quando então, constatado o erro pela Instituição Financeira, a operação foi estornada no mesmo dia 12/06/2007, conforme débito de idêntico valor com a descrição "cheque compensado interna" (fls. 4243/4246). No que tocam aos outros depósitos cuja origem não foi comprovada, vale dizer que, consoante art. 42 da Lei nº. 9430/96, caracteriza omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 24 23 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o citado dispositivo, portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), cabendo à autoridade fiscal comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Neste ponto, devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário, nem se afirmando que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira à disposição da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita tributável auferida e não declarada (receita omitida). Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada que terá a obrigação de comprovar a origem dos recursos. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete a este, e não ao fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser se eximir da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. No presente caso, conforme consta dos autos e acima relatado, a autoridade fiscal intimou a autuada a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, indicando valores e datas, mas apenas parte desses depósitos foi comprovada. Reiterese que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido (ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação) e o fato desconhecido (auferir rendimentos). Essa correlação induz à presunção legal de que o valor creditado em conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Observese, ainda, que esta presunção legal torna desnecessário para a fiscalização reunir outros indícios ou provas. Neste sentido, vale citar a Súmula nº 26 do CARF: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com efeito, a base de cálculo do lançamento nesse item, no valor de R$ 1.675.484,31, deverá ser diminuída dos valores que comprovadamente não configuraram receita tributável (R$ 504.000,00 e R$ 20.000,00), mantendose o lançamento sobre o montante remanescente, haja vista que para estes não houve a comprovação da origem dos recursos. Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 25 24 4) Depósitos Bancários de Origem não Comprovada – Sintesys Construtora S/A No curso da ação fiscal, a Recorrente foi intimada a apresentar os contratos de mútuo que firmou com a empresa Sintesys Construtora S/A, bem como a comprovar a entrega do numerário à referida empresa. Em resposta, a Recorrente apresentou cópia do Livro Razão Analítico da Sintesys (fl. 3273), tendo a fiscalização constatado que, exceto para o mês de maio/2007, não há coincidência de data e valores entre os extratos bancários da fiscalizada e o mencionado Livro Razão. Ou seja, muito embora os valores do mútuo estivessem registrados na contabilidade da Recorrente, não foi possível confirmar que os valores depositados pela Sintesys fossem referentes à quitação desse mútuo, já que não havia coincidência entre datas e valores. A empresa Sintesys foi intimada (fls. 3246/3247 – ciência por AR em 04/2012 – fl. 3248), a disponibilizar os contratos de mútuo, bem como comprovar o recebimento e a devolução dos recursos à Enob Engenharia Ambiental Ltda (registros no Livro Diário e comprovantes bancários), não tendo respondido à intimação. A impugnação foi instruída com cópia do contrato de mútuo (fl. 4247/4251), com as cópias do razão consolidado (fls.4252/4253) e com as cópias dos extratos bancários (fls. 4254/4268) que, segundo a Recorrente, demonstram que todos os valores recebidos sob tal título foram contabilizados de modo absolutamente regular, com absoluta coincidência de datas e valores. O acórdão recorrido não se debruçou sobre a documentação comprobatória apresentada pela Recorrente, limitandose a tecer considerações sobre o dever dos contribuintes de manter a escrituração fiscal e comercial que abranja todas as suas operações. Analisando a documentação carreada aos autos pela Recorrente, verificase que a maior parte dos valores lançados no livro razão a título de recebimento de valores por parte da Sintesys é coincidente, em datas e valores, com os valores dos depósitos realizados nas contas da Recorrente. Comparando os valores registrados no razão analítico da Sintesys, listados no relatório fiscal, com os demais documentos, verificase que apenas os valores registrados para o mês de maio/2007 são coincidentes em datas e valores com aqueles apurados no livro razão e nos extratos bancários da Recorrente. Diante desse cenário, seria possível, em um primeiro momento, afirmar que ao menos os valores depositados no mês de maio/2007 deveriam ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Contudo, fazse necessário lembrar, que a Recorrente não comprovou a remessa do numerário para a Sintesys. E, para os casos que envolvem a prova da efetiva realização de mútuos, na linha do que já foi consignado acima, esse Conselho é firme ao afirmar que não basta a apresentação de contratos, sendo essencial a demonstração do efetivo trânsito do numerário. Ou seja, no caso do mutuante, seriam necessários os comprovantes tanto da remessa, quanto do retorno dos recursos. Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 26 25 Por tais razões, merece ser mantido o lançamento nessa parte. 5) Glosa de Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários 5.1) Despesas com Aeronave Nesse tópico, também não merece reparos a decisão recorrida. Adoto seus fundamentos: 111. Por meio do T.I.F nº 002/2012 a recorrente foi instada a apresentar Livro Diário de Bordo, previsto no art. 172 da Lei nº 7.565, de 19/12/1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica), para o helicóptero (Marca: PPMDD Modelo: 500N), documentos de aquisição da aeronave, Laudo de Reavaliação elaborado em 01/2007 pela WFLY Consultoria Aeronáutica Ltda (acompanhado de Nota Fiscal), e esclarecer o critério utilizado para a depreciação da aeronave. 112. Em resposta a contribuinte apresentou apenas o Livro Diário de Bordo e Laudo de Avaliação (fls. 2714 a 2717), permanecendo silente em relação aos esclarecimentos sobre a utilização da aeronave (fls. 3523/3543). 113. Na seqüência, a fiscalização intimou o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA/Aeronáutica), com requerimento para informação acerca dos vôos realizados pela aeronave no período de 01/01/2007 a 31/12/2008. A partir da resposta do referido órgão (fls. 3523/3543) o autuante concluiu que a aeronave é utilizada fora dos horários comerciais, tais como feriados e finais de semana, sendo que os registros carecem de informação sobre os usuários da aeronave e qual a finalidade (a base de cálculo da autuação somou R$ 130.983,68). 114. Concluiu a fiscalização que não pode a aeronave ser considerada como intrinsecamente relacionada com os serviços prestados pela autuada, tendo sido efetuada a glosa da "Despesa com aeronave", no valor de R$ 130.983,68. 115. Argumenta a defendente que se dedica a atividades de implementação e manutenção de aterros sanitários em diversos Municípios do Estado de São Paulo, por força de contratos firmados com o Poder Público, consoante demonstra também o anexo prospecto das suas atividades (doc. 16 – fls. 4269/4363) e a anexa declaração (fl. 4264). 116. Argumenta que por conta de tais atividades e diante da grande distância que há entre cada um dos aterros sanitários que administra, dentre os quais destaca os aterros de Cotia, Itapevi, Jacareí, São Sebastião e Piracicaba, prepostos, colaboradores e técnicos da defendente são obrigados a se deslocar constantemente entre tais locais, em atividade de Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 27 26 acompanhamento e fiscalização que se destina a garantir que todos os serviços serão prestados adequadamente e sem qualquer risco para a população que está no entorno dos aterros. 117. Acrescenta que o uso de uma aeronave que permita um rápido deslocamento entre os aterros sanitários que administra é uma necessidade no seu ramo de atividades, no qual é importante um rápido deslocamento entre os pontos, motivo pelo qual, no seu entendimento, não procedem as conclusões do AFRFB autuante no sentido de que se trata de despesa que não é usual, tampouco necessária. 118. De plano, cabe salientar que a questão central posta em litígio pela autuação centrase na ausência de esclarecimentos acerca dos usuários da aeronave e qual a finalidade dos vôos. 119. Em relação aos usuários, há menção genérica em relação a prepostos, colaboradores e técnicos da fiscalizada, sem descrição pormenorizada e associada a cada vôo. 120. Quando à finalidade, ainda que seja plausível o registro de que administra aterros sanitários nas cidades de Cotia, Itapevi, Jacareí, São Sebastião e Piracicaba, que exigem acompanhamento e fiscalização (apresentou doc. 16, com fotos de localidades, equipamentos utilizados, etc), permanece sem registro a finalidade de cada vôo (cabe assinalar que o documento acostado à fl. 4363 consigna a empresa ATT – Ambiental Tecnologia e Tratamento Ltda (CNPJ 01.101.456/000100), Contribuinte distinta da que se discute nos autos). 121. Portanto, mantida a autuação neste quesito. Vale repisar que, (i) os registros analisados pela fiscalização carecem de informação sobre quem utilizou a aeronave e qual a finalidade; (ii) dos 20 registros de vôo listados no Termo de Verificação Fiscal, 9 dizem respeito a vôos realizados sábados e domingos; e (iii) 4 voos informados pelo DECEA/Aeronáutica, realizados em 02/02/2007, 30/03/2007, 10/05/2007 e 29/11/2007, não estavam registrados no livro diário de bordo, o que causa estranheza. Além disso, a Recorrente não logrou demonstrar uma conexão detalhada entre o local da prestação dos seus serviços e os destinos das viagens listadas no Termo de Verificação Fiscal, limitandose a fazer uma menção genérica de que seus prepostos, colaboradores e técnicos visitam aterros sanitários nas mais diversas localidades. Tais circunstâncias, somadas ao fato de que a regra geral é a indedutibilidade de despesas com depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceção que se faz àquelas intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, o que não foi devidamente comprovado nos presentes autos, enseja a manutenção do lançamento nesse item. Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 28 27 Corroborando tais conclusões, citese a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EX 1998 – BASE DE CÁLCULO DESPESAS DEDUTIBILIDADE AERONAVE BEM NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADO COMA PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO A partir da vigência da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (art. 13), são vedadas as dedutibilidades, na determinação do lucro real, das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, não intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização dos bens ou serviços, e das correspondentes despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos. (Acórdão nº. 10514962, Sessão de 24/02/2005 da 5ª Câmara do 1º CC). IRPJ GLOSA DE CUSTOS DESPESAS/CUSTOS INDEDUTIVEIS – Somente poderá ser considerada como operacional e dedutível a despesa para a qual for demonstrada a estrita conexão do gasto com a atividade explorada pela pessoa jurídica, bem como é conditio sine qua non que atenda às exigências legais revestindose do caráter de usualidade, normalidade e necessidade para a manutenção da atividade e produção dos rendimento, não enquadrandose nesse conceito dispêndios efetuados por mera liberalidade. (Acórdão n°. 103 20309, Sessão de 06/06/2000 da 3ª Câmara do 1º CC). 5.2) Despesas com Serviço Técnico não Comprovado. Nesse ponto, a decisão recorrida exonerou parte da base de cálculo do lançamento, nos seguintes termos: 128. Compulsandose os autos constatase que não há como associar, com precisão, os valores apurados no AI com o conjunto de Notas Fiscais listados pelo autuante no Anexo 11 (fls. 1713 a 1718), tendo em vista que o valor lançado alcançou o somatório das Notas Fiscais. Ausente, ainda, esclarecimento acerca do critério utilizado para incluir Notas Fiscais glosadas na base de cálculo e excluir outras. 129. A fiscalização também não esclareceu a questão no T.V.F (fls. 3282 a 3286), o que poderia ser feito com planilha com indicação de cada documento fiscal, bem como o somatório utilizado para o lançamento em cada fato gerador registrado no AI (fls. 3832 e 3833). Ausente, ainda, qualquer esclarecimento neste sentido no Anexo ao T.V.F (fls. 3544 a 3628). 130. Assim, considerado o cerceamento de defesa da impugnante, cabe exonerar os valores lançados neste quesito, com exceção dos lançamentos contábeis relacionados em linhas Fl. 5339DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 29 28 35 e 46 (Anexo 11 – fls. 1713 a 1718 – R$ 26.841,59), referentes à prestação de serviços da empresa Baker Tilly Brasil Gestão Empresarial Ltda, para os quais não foram apresentadas as Notas Fiscais (fl. 3284), nem este julgador logrou encontralas nos documentos colacionados na defesa (fls. 4021 a 4911), reduzindose a base de cálculo de R$ 215.144,27 para R$ 26.841,59. Corroboro a decisão Recorrida no sentido de que houve cerceamento do direito de defesa da Recorrente. No entanto, também devem ser exonerados os lançamentos contábeis relacionados às notas fiscais indicadas nas linhas 35 e 46 do Anexo 11, já que o que foi aduzido também se aplica a elas, ou seja, não é possível relacionar os valores lançados no auto de infração com as notas fiscais listadas no Anexo 11. Dessa forma, deve ser exonerada a totalidade dos valores em cobrança relacionada a tais despesas supostamente indedutíveis. 5.3) Perdas referentes ao não Recebimento de Empréstimos, Despesas com Motor de Barco e Confecção de Imagem Nossa Senhora dos Prazeres. Tais valores foram objeto de pagamento por parte da Recorrente, não tendo se instaurado o contencioso quanto à eles. 6) Despesas de Depreciação de Veículos Nesse ponto, corroboro integralmente as afirmações da Recorrente no sentido de que a fiscalização não poderia ter glosado, em razão da inconsistência verificada para alguns registros, todos os valores registrados na conta contábil 1.3.2.02.0007 (veículos – depreciação acumulada). Durante o procedimento fiscal, a fiscalização apurou que alguns bens foram depreciados antes do término da sua vida útil, mas em função da não apresentação dos controles para ao demais meses do ano calendário 2007 (apenas os controles do mês 12/2007 foram disponibilizados pela Recorrente), não foi possível identificar em que ocasião o bem teve o seu valor contábil zerado. Identificouse também, que houve o registro de alguns veículos em duplicidade e, em alguns casos, verificou a ausência de identificação de bens depreciados. Ora, nesses casos, da vasta lista de bens depreciados – digase de passagem, em sua quase totalidade, caminhões destinados às atividades da Recorrente , a fiscalização deveria ter glosado apenas a despesas de depreciação com aqueles veículos para os quais foram verificadas inconsistências, apurando, ainda, fosse o caso, se houve prejuízo ao fisco com a depreciação acelerada de alguns bens dentro do próprio anocalendário. A meu ver, as planilhas anexadas pela Recorrente, intituladas “Depreciação Acelerada x Depreciação Correta” (fl. 4459) e “Depreciação – Exercício 2007” (fls. 4460/4461), demonstram que não houve prejuízo ao fisco com a depreciação acelerada de alguns dos bens. Ou seja, caso a Recorrente não tivesse cometido o erro de esgotar as quotas de Fl. 5340DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 30 29 depreciação de alguns bens nos primeiros 4 meses do anocalendário de 2007 (depreciação feita de modo acelerado), a depreciação a que faria jus no final do anocalendário seria ainda maior do que aquela efetivamente deduzida. Por tais razões, entendo que deve ser afastada a glosa de toda a conta contábil 1.3.2.02.0007 (veículos – depreciação acumulada), mantendose, apenas, a glosa das despesas de depreciação e contraprestação de arrendamento mercantil relacionadas ao helicóptero (aeronave item 105), pois, como visto no tópico acima, a Recorrente não comprou que a utilização desse bem estava intrinsecamente relacionada com sua atividade. 7) Despesas em Geral com Perdão de Dívidas e com Multas de Trânsito e Ambiental de Natureza não Dedutível. Tais valores foram objeto de pagamento por parte da Recorrente, não tendo se instaurado o contencioso quanto à eles. 8) Glosa de Exclusões – Diferimento Decorrente de Serviços Prestados a Órgãos Governamentais. A Contribuinte fez exclusões no Lalur sob a rubrica “Parcelas não recebidas de órgãos governamentais” no valor de R$ 4.585.610,56. No entendimento fiscal, os documentos apresentados pela Recorrente comprovaram apenas R$ 2.780.723,89, permanecendo o valor não comprovado de R$ 1.804.886,67. Desse valor total não comprovado de R$ 1.804.886,67, afirma a fiscalização que: (i) R$ 66.000,00 não poderia ter sido excluído por dizer respeito às notas de débito nºs. 25 e 27, emitidas contras a Encourbis Ambiental S/A, haja vista que ela não é pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária; (ii) R$ 348.474,93 não poderia ter sido excluído por dizer respeito à nota fiscal nº. 296, que apesar de ter sido emitida contra órgão governamental, foi recebida em 07/11/2007; e (iii) R$ 1.390.411,74 não poderia ter sido excluído, já que com relação a tal diferença não foram apresentados documentos comprobatórios. Especialmente no que toca à nota fiscal nº. 296, o agente fiscal autuante afirma que a Recorrente não poderia ter excluído o valor de R$ 348.474,93, uma vez que tal valor foi recebido no curso do ano de 2007. No entanto, a Recorrente aduz que em 07/11/2007 recebeu apenas R$ 320.188,10, restando saldo a receber no ano seguinte de R$ 28.286,83 e, por essa razão, o valor excluído no Lalur foi apenas R$ 28.286,83, que ainda não tinha recebido. Analisando os fatos, a decisão recorrida, nesse ponto, acatou as alegações da Recorrente e determinou que fosse abatido do valor glosado no auto de infração o total que, de fato, não foi recebido no ano de 2007, no montante de R$ 28.286,83. A Recorrente aduz em seu recurso que a decisão recorrida se equivocou ao determinar a exoneração de apenas R$ 28.286,83 do valor glosado, já que quando autuou a Contribuinte a fiscalização excluiu o valor total da nota fiscal n°. 296 (R$ 348.474,93), por presumir que a empresa tinha excluído do LALUR o valor total da referida nota. Fl. 5341DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 31 30 Nesse ponto, está claro que equivocouse o julgador a quo, já que não era o caso de decidir pela redução em R$ 28.286,83 do valor da glosa feita pela fiscalização com relação à nota fiscal nº. 296, mas, sim, de se reconhecer que a Recorrente não fez a exclusão do valor total da nota fiscal, já que tal procedimento foi adotado apenas para a parcela de R$ 28.286,83, que não foi recebida no ano de 2007. Assim sendo, deve ser excluída do valor total glosado pela autoridade fiscal autuante (R$ 1.804.886,67), a importância glosada indevidamente no valor de R$ 348.474,93, reduzindose a citada glosa para o valor de R$ 1.456.411,74. Adiante, a Recorrente afirma que os documentos carreados aos autos junto à peça impugnatória são suficientes para demonstrar que a maior parte desse valor foi corretamente excluída do Lalur, pois não foi recebida em 2007. Afirma, ainda, para a pequena parte excluída indevidamente no ano 2007, que tais valores foram adicionados ao lucro tributável no ano de 2008, sendo o caso de mera postergação tributária que deveria ter sido reconhecida pelo agente fiscal autuante. A respeito de tais argumentos, a decisão recorrida afirmou o seguinte: 176. Os documentos juntados pela recorrente às fls. 4685 a 4741 já foram examinados pela fiscalização, pois constam às fls. 278 a 329, bem como nos Anexos A (2968/2969) B (fl. 2970) e TCF V (fls. 3113/3114), não tendo sido considerados como conjunto probatório capaz de ilidir o valor computado a título de Parcelas não Recebidas de Órgãos não Governamentais, de R$ 4.585.610,56. 177. No segundo, intitulado “A postergação que deveria ter sido considerada pelo AFRFB autuante”, a defendente consigna que “deveria o AFRFB autuante ter verificado o reflexo dessa exclusão indevidamente feita pela Reqte. nos anoscalendário futuros, pois parte dos valores que foram indevidamente excluídos pela Reqte. da apuração do seu lucro tributável do anocalendário de 2007, porque foram erroneamente tidos como não recebidos de Órgãos Públicos, foi adicionada ao lucro tributável do ano subseqüente.” 178. Enfatizese que a interessada já foi argüida neste sentido por meio do Termo de Intimação Fiscal (fl. 67 – ciência por Aviso de Recebimento (AR) em 07/07/2011 – fl. 68), na qual foi intimada a apresentar detalhamento mensal dos valores lançados no LALUR, na parcela Exclusões – Parcela não Recebida de Órgãos do Governo, bem como esclarecimento acerca do momento em que o saldo apurado em 31/12/2007 foi adicionado, no futuro, ao Lucro. Entretanto, não houve esclarecimento a respeito, apesar de novo Termo de Intimação Fiscal ter sido exarado (fl. 71 – ciência por Aviso de Recebimento (AR) em 13/10/2011 – fl. 75). Não há, ainda, documento específico colacionado à defesa que suporte os argumentos da requerente. (grifos no original) Ou seja, em que pesem os argumentos da Recorrente no sentido de que os autos de infração estariam maculados no que diz respeito às cobranças de IRPJ e CSLL decorrentes Fl. 5342DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 32 31 de exclusões feitas indevidamente pela Recorrente no Lalur sob a rubrica “Parcelas não recebidas de órgãos governamentais”, por suposto vício em razão de não ter a fiscalização apurado a postergação e exigido apenas os encargos moratórios, fato é que a fiscalização solicitou os documentos pertinentes para a apuração da postergação à Contribuinte e ela, regularmente intimada, não os forneceu. Logo, não merece qualquer amparo seu apelo. Nada obstante, não merece razão a decisão recorrida quando afirma que não há documento nos autos que comprovem os argumentos da Recorrente, pois anexo à impugnação encontramse os documentos de fls. 4728/4732 que demonstram claramente que houve postergação. Ainda nesse contexto, merece razão parcial a decisão recorrida quando afirma que os documentos juntados pela Recorrente às fls. 4685/4741, para comprovar que efetuou corretamente as exclusões no Lalur, já foram examinados pela fiscalização, pois constam às fls. 278/329, bem como nos Anexos A (2968/2969) B (fl. 2970) e TCF V (fls. 3113/3114). Isso porque, a planilha de cálculo apresentada às fls. 4685 e os documentos relativos à comprovação da postergação não foram analisados pela fiscalização. Dessa forma, considerando que a apresentação de novos documentos que podem demonstrar que as exclusões foram corretamente levadas a efeito pela Recorrente e que, caso não tenham sido feitas corretamente, ensejaram mera postergação tributária, hipótese em que deveriam ter sido cobrados apenas os encargos moratórios decorrentes dessa falta, encaminho meu voto no sentido de remeter os autos para origem, para que a autoridade de origem analise as provas dos autos e retifique o valor em cobrança relacionado a este item do auto de infração. Com efeito, nessa parte, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa, analise os documentos acostados pela Recorrente às fls. 4685/4911, afirmando: (i) se os documentos comprovam a regularidade das exclusões feitas pela Recorrente no Lalur sob a rubrica “Parcelas não recebidas de órgãos governamentais”; (ii) se os documentos comprovam que houve mera postergação tributária; ou seja, que os valores porventura indevidamente excluídos no anocalendário 2007 foram adicionados ao lucro tributável no anocalendário 2008; (iii) e, caso seja confirmada a hipótese de postergação tributária, que sejam apresentados os cálculos dos valores devidos pela Recorrente a título de encargos moratórios. 9) A Compensação de Prejuízos Anteriores Nesse ponto, reclama a Recorrente que apesar de o agente fiscal autuante ter considerado, quando da lavratura do auto de infração para exigência de valores a título de IRPJ, o prejuízo fiscal do anocalendário 2007, da ordem de R$ 1.178.310,00, não considerou os prejuízos fiscais dos anoscalendário anteriores, os quais, consoante demonstra a anexa cópia do LALUR relativo ao anocalendário 2007 (fls. 4742/4750), somam R$ 2.819.302,38, relativo aos anos 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls. 4751/4910). Da mesma forma, para CSLL não foi levado em consideração o saldo de base negativa de CSLL de períodos anteriores, que alcançavam o montante de R$ 3.735.286,34. Fl. 5343DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 33 32 Sobre o tema, a decisão recorrida afirma que foi realizada pesquisa no sistema SAPLI (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais), por meio da qual verificouse que a Recorrente apresentava saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 2.866.122,74 (ano 2007 fl. 4935), que foi utilizado, em parte, no importe de R$ 350.134,27 no anocalendário 2008 (fl. 4936). Aduz, também, que o restante foi utilizado na compensação com parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/09, já que o referido demonstrativo apontava a utilização de R$ 3.647.478,15 (fl. 4938), restando saldo insuficiente para o pleito da Recorrente. No que tocam às bases negativas da CSLL, a pesquisa no sistema SAPLI demonstrou que a Recorrente apresentava saldo de base negativa de períodos anteriores no valor de R$ 3.851.473,96 (anocalendário 2007 – fl. 4940), que foi utilizado, em parte, no importe de R$ 350.134,27 no anocalendário 2008 (fl. 4940). E, também aqui, a decisão recorrida afirma que o restante foi utilizado na compensação com parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, já que o demonstrativo apontava a utilização de R$ 3.647.478,15 (fl. 4942), restando saldo insuficiente para o pleito da Recorrente. No recurso voluntário, a Recorrente afirma que não houve a completa utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo acumulada de anoscalendário anteriores no Refis da Lei nº. 11.941/09. Assevera que, a Lei nº. 11.941/09 apenas autoriza a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL para abatimento do valor equivalente a 25% do prejuízo fiscal e 9% da base de cálculo negativa. Assim, o valor que consta no SAPLI enquanto “prejuízo fiscal utilizado” é, em verdade, o valor total do prejuízo fiscal disponível e sobre o qual foi realizado o cálculo do montante passível de aproveitamento. Ou seja, do valor total de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL constante no SAPLI (R$ 3.694.298,51 e R$ 4.679.649,73, respectivamente), apenas R$ 911.869,53 e R$ 46.262,53 foi utilizado para liquidação de juros e multa no parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/09. Analisando os documentos carreados aos autos verificase que os valores de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL não conferem. Dessa forma, também nessa parte, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que essa, faça nova pesquisa ao sistema Sapli e analise os documentos anexados aos autos pela Recorrente, afirmando: (i) qual foi o valor de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL aproveitado no parcelamento da Lei nº. 11.941/09, considerando o disposto no artigo 1º, § 7º e 8º da mesma lei; (ii) se existem valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de anoscalendário anteriores a 2007 disponíveis para compensação; (iii) e, caso seja confirmado que existem valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa disponíveis para compensação nestes autos, que sejam apresentados os cálculos dos valores efetivamente devidos pela Recorrente, considerando tudo quanto exposto nesse voto até aqui sobre as reduções de base de cálculo (valores a serem exonerados) e a eventual hipótese de postergação tributária. Fl. 5344DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 34 33 10) Juros à Taxa Selic No que se refere à alegada ilegalidade da utilização da Taxa SELIC como juros de mora, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 11) Juros de mora sobre multa de ofício A Recorrente sustenta, ainda, a improcedência da cobrança de juros de mora sobre a multa. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3º da Lei nº. 9.430/96, que assim estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pela simples leitura do texto acima, resta claro que o mesmo está apenas permitindo que os débitos com a União Federal decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos vencimentos sejam acrescidos de multa de mora, e que aqueles mesmos débitos (e não a multa) sofram também a incidência de juros de mora. Corrobora com o entendimento que o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 prevê a cobrança de juros exclusivamente sobre o valor dos tributos e contribuições o art. 43 da mesma Lei nº. 9.430/96, ao dispor: Fl. 5345DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 35 34 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do art. 61 da Lei nº. 9.430/96 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43 acima reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do art. 61. Desse modo, resta claro que somente existe previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa no caso da multa lançada isoladamente, o que não e o caso do recurso em análise. Outra discussão que se tem em relação ao tema de cobrança de juros sobre a multa é que a legitimidade para a sua cobrança estaria no próprio Código Tributário Nacional, na medida em que o art. 113 do CTN estabeleceria o procedimento de cobrança e o regime jurídico das multas ao mesmo adotado para os tributos. Tal entendimento, todavia, não merece prosperar, senão vejamos. O art. 113 do CTN estabelece: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pela simples leitura do caput do artigo acima reproduzido, verificase que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.”, nos termos do parágrafo 3º do referido art. 113. Desse modo, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. E é somente sobre Fl. 5346DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 36 35 essa penalidade (descumprimento de obrigação acessória), que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não paga integralmente no seu vencimento podem incidir os juros de mora, conforme previsto no art. 43 da Lei nº. 9.430/96. No caso em questão, é preciso salientar mais uma vez que a multa de ofício lançada não se refere ao descumprimento de obrigação acessória, mas sim de multa exigida pelo descumprimento da obrigação principal de pagar tributo. Poderia, por fim se argumentar aqui que o art. 161 do CTN legitimaria a cobrança dos juros sobre a multa de tributo não pago no vencimento. Pareceme também que nesse artigo não traz tal permissão, senão vejamos. Dispõe o art. 161do CTN, “in verbis”: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pelo texto legal acima transcrito verificase que se a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal já estivesse incluída no “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161 do CTN, seria desnecessária a ressalva final constante do referido dispositivo no sentido de que essa incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Ao analisar a matéria esse E. Conselho vem se manifestando pela impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa, conforme se verifica das decisões abaixo reproduzidas: IRPJ E OUTRO Ex(s): 2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do anocalendário em que houve a disponibilização Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 37 36 para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior incluise na hipótese de "emprego do valor em benefício" da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS ADIÇÃO DE JUROS CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que acolhiam a preliminar, sendo Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 38 37 que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior , José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.601 em 06.03.2008) Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 39 38 vista o liame fático que os une. Ementario publicado no DOU nº 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 Resultado: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deram provimento ao recurso, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Houve sustentação oral do representante do recorrente, Sr. Ricardo Krakowiak, (Acórdão 10323566, Relator Leonardo de Andrade Couto, Data da Sessão: 17/09/2008, Recurso 160718, 3ª Câmara, Processo 16327.000106/200311) Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC Se a multa de ofício e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula nº 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado.RV Provido em Parte. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte, em segunda votação, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. Nas demais matérias em litígio houve unanimidade do colegiado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 40 39 João Carlos de Lima Júnior quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio proporcional. (Acórdão 10196523, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 23/01/2008, Recurso 157078, 1ª Câmara, Processo 19515.003663/200527) Ementa: AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro ano calendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a tributação na aquisição de ações, no valor de R$ 315.144,91 mensais, TVF fl. 601 e determinar que os juros sobre a multa de ofício deverão ser calculados à razão de 1% ao mês nos termos do artigo 161 do CTN, a partir do 31º dia da ciência do lançamento. Por maioria de votos, AFASTAR a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Marcos Rodrigues de Mello e Waldir Veiga Rocha. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL quanto ao ágio na subscrição de ações admitindo a amortização no valor total de R$ 3.483.041,38. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Marcos Rodrigues de Mello. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 41 40 Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Bekierman (Suplente Convocado). (Acórdão 10516774, Relator José Clóvis Alves, Data da Sessão: 08/11/2007, Recurso: 155375, 5ª Câmara, Processo: 13839.001516/200664, Recorrente: CPQ BRASIL S.A.) Ementa: RECURSO EX OFFICIO IRPJ e CSLL – Devidamente justificada pelo julgador a quo a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou a parcela do crédito tributário irregularmente constituído. RECURSO VOLUNTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – A apreciação da constitucionalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo princípio da independência dos Poderes da República, como preconizado na nossa Carta Magna. Assim, somente será apreciada nos Tribunais Administrativos quando uniformizada e pacificada na esfera judicial pelo Supremo Tribunal Federal. IRPJ – CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP nº 351, de 22/01/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 42 41 JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) afastar a exigência das multas isoladas; 2) afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Relator) e Sandra Maria Faroni, que deram provimento parcial ao recurso em menor extensão, no tocante à incidência dos juros de mora, e Sebastião Rodrigues Cabral e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também cancelar a exigência da CSL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmir Sandri. (Acórdão 10196008, Relator Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão: 01/03/2007, Recurso: 151401, 1ª Câmara, Processo: 16327.004079/200275) Nesse mesmo sentido, também foi a manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao analisar e decidir sobre a matéria, conforme se verifica do acórdão abaixo reproduzido: Favorável – Administrativo – Câmara Superior de Recursos Fiscais Texto da Decisão: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos s conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192. (Acórdão CSRF/0203.133, Relator Henrique Pinheiro Torres, Data da Sessão: 06/05/2008, Recurso 202131351 ,2ª Turma, Processo: 18471.001680/200430, RECURSO DE DIVERGÊNCIA, Matéria: COFINS, Recorrente: COMPANHIA VALE DO RIO DOCE S/A.) Desse modo, entendo que, nesse ponto, assiste razão à Recorrente. Fl. 5353DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721446/201241 Resolução nº 1402000.268 S1C4T2 Fl. 43 42 Conclusão Posto isso, Sr. Presidente, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que seja apurada nova base de cálculo, conforme quesitos indicados acima, tornando possível determinar o valor do crédito tributário devido pela pessoa jurídica. Além dos quesitos já apontados, a diligência deve verificar se as compensações de PIS e COFINS foram homologadas. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à Contribuinte para manifestarse, se quiser, sobre seu resultado. Após isso, o resultado da diligência deverá ser encaminhado a esse Colegiado pelo Chefe da Repartição Preparadora. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 5354DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10120.009415/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância.
GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL.
Mantém-se a glosa total das despesas da atividade rural quando o contribuinte não apresenta livro caixa de escrituração obrigatória acompanhado de comprovante das despesas efetuadas, no entanto, o montante tributável deve se limitar a 20% do valor da receita bruta em cada exercício.
Recurso Voluntário Não Conhecido e Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. Mantém-se a glosa total das despesas da atividade rural quando o contribuinte não apresenta livro caixa de escrituração obrigatória acompanhado de comprovante das despesas efetuadas, no entanto, o montante tributável deve se limitar a 20% do valor da receita bruta em cada exercício. Recurso Voluntário Não Conhecido e Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. Mantémse a glosa total das despesas da atividade rural quando o contribuinte não apresenta livro caixa de escrituração obrigatória acompanhado de comprovante das despesas efetuadas, no entanto, o montante tributável deve se limitar a 20% do valor da receita bruta em cada exercício. Recurso Voluntário Não Conhecido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 94 15 /2 00 7- 11 Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Conselheira Relatora Alice Grecchi Tratase de Auto de Infração lavrado em 19/11/2007 (fls. 60/69), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos Exercícios 2003, 2004, que exige crédito tributário no valor de R$ 11.837.441,90, acrescida multa de ofício no percentual de 112,5% e juros de mora, calculados até 31/10/2007. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 61, o Fisco em procedimento de verificação das obrigações tributárias pelo contribuinte, glosou despesas/investimentos da atividade rural pelo fato do contribuinte não ter apresentado os comprovantes desses dispêndios, embora tenha sido regularmente intimado a fazêlo. Ainda conforme consta do Descrição dos Fatos o que segue: “No dia 02 de Março de 2007 foram recebidas, no endereço do Sr. Itelvo Alves Pimenta, uma via Termo de Inicio de Ação Fiscal 017/2007 e uma do Mandado de Procedimento Fiscal 0120100 2007001455 (doc. de fls. 05/07). No termo foilhe solicitado apresentar vários documentos, dentre eles: os que foram "escriturados no Quadro de Despesas do Anexo da Atividade Rural de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do Exercício de 2004, ano calendário de 2003". No dia 25/04/2007 foi recebida, no endereço do fiscalizado, uma via do Termo de Intimação Fiscal 053/2007, solicitandolhe a apresentação do Livro Caixa contendo a escrituração das receitas e das despesas de custeio/investimentos da atividade rural no anocalendário de 2003 (doc. fls. 08/09). Em 05/07/2007 os Correios entregaram, no endereço do Sr. Itelvo Alves Pimenta, uma via do Termo de Intimação Fiscal 177/2007, fazendolhe, dentro outras, as seguintes solicitações: "a) Apresentar Comprovantes das Despesas da Atividade Rural dos anoscalendário de 2002 e 2003; b) Apresentar Livros Caixa contendo a escrituração de receitas e despesas da atividade rural dos anos calendário de 2002 e 2003;" (doc. de fls. 10/11). Em 13/09/2007 esta fiscalização fez nova comunicação com o Sr. Itelvo Alves Pimenta, dessa vez através do Termo de Intimação Fiscal 268/2007, recebido em seu endereço naquela data, pedindolhe, dentre outras informações: "a) Apresentar Comprovantes das Despesas da Atividade Rural dos anoscalendário de 2002 e 2003; b) Apresentar Livros Caixa contendo a escrituração de receitas e despesas da atividade rural nos anoscalendário de 2002 e 2003;" (doc. de fls. 12/13). Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.009415/200711 Acórdão n.º 2102003.094 S2C1T2 Fl. 3.572 3 O contribuinte Itelvo Alves Pimenta não atendeu a nenhuma das intimações que lhe houve tempo suficiente para que o fiscalizado apresentasse os documentos que lhe foram exaustivamente solicitados, pois o Termo de Inicio de Ação Fiscal foi recebido em seu endereço em data de 02/03/2007, portanto, já decorridos mais de oito meses. Conforme documentos de folhas 14/15, e Declarações de Ajuste Anual apresentadas pelo fiscalizado relativamente aos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, que também fazem parte do presente processo, o endereço do contribuinte Itelvo Alves Pimenta é o mesmo onde foram recebidas as correspondências postadas por esta fiscalização, não havendo nenhum indicio de que elas não tenham chegado ao seu conhecimento. Em razão do exposto acima, estão sendo glosadas as Despesas de Custeio/Investimentos da Atividade Rural declaradas pelo fiscalizado, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, sendo a multa de lançamento de oficio elevada do percentual de 75% (Setenta e Cinco por Cento) para 112,5% (Cento e Doze e Meio por Cento), em razão do contribuinte não ter atendido as intimações que lhe foram feitas para apresentar os documentos.” Inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 31/12/2007 (fl. 74), acompanhado dos documentos de fls. 202 e seguintes. Em suma, afirma ter comparecido à Delegacia da Receita Federal em Goiânia, em 21/12/2007, com o intuito de apresentar a documentação solicitada, cuja protocolização não teria sido aceita. Alega ter sido autuado mesmo depois de solicitar prazos para a entrega dos documentos, e que o autuante teria levado em conta, para a elaboração do Auto de Infração, apenas as despesas, não aproveitando nenhuma receita apresentada nas Declarações de Ajuste. Tampouco teriam levado cm consideração os empréstimos listados entre os documentos anexos impugnação. Argumenta que os documentos apresentados devem ser analisados com base em livro caixa apresentado, bem como planilha do Excel com ficha gráfica das despesas e receitas da atividade rural. Entende que o Auto de Infração é inconsistente e improcedente, solicitando seu cancelamento. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para excluir de tributação os montantes de R$ 7.145.426,31, no exercício de 2003, e R$10.351.077,58, no exercício de 2004, o que importa manutenção de imposto devido no montante de R$ 898.552,62, a ser acrescido de multa de ofício de 112,5%, além de juros demora, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004 Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. Mantémse a glosa total das despesas da atividade rural quando o contribuinte não apresenta livro caixa de escrituração obrigatória acompanhado de comprovante das despesas efetuadas, entretanto, o montante tributável deve se limitar a 20% do valor da receita bruta em cada exercício. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0325.759 da 3ª Turma da DRJBSA em 14/11/2008 (fl. 3.610). Sobreveio Recurso Voluntário em 23/01/2009 (fl. 3.612), desacompanhado de documentos. Em síntese, alegou que: “Conforme exposto no termo de intimação fiscal n2 234/2008, conforme decisão de folhas de 3598 a3605, pelo conselho de contribuinte, que por justa decisão, promoveu a exoneração de parte dos tributos relativos ao IRPF. Solicito que seja mantida a referida decisão. No entanto quanto aos valores apresentados e que geram o credito tributário, conforme os cálculos nas folhas citadas. Peço que sejam revistos, conforme documentação, outrora enviada ao agente arrecadador, pois pelo analise de tais documentos, o credito tributário encontrado poderá ser extinto na sua totalidade. Colocome ao inteiro dispor deste órgão arrecadador, para quaisquer esclarecimentos, que se fizerem necessário, bem como a apresentação de quaisquer outros documentos necessários ao analise de minhas declarações.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Cuidamse de recursos de ofício e voluntário interpostos em face da decisão da DRJ/BSA, que julgou procedente em parte a impugnação, para excluir de tributação os montantes de R$7.145.426,31, no exercício de 2003, e R$10.351.077,58, no exercício de 2004, o que importa manutenção de imposto devido no montante de R$898.552,62, a ser acrescido de multa de ofício de 112,5%. Inicialmente, no que concerne o Recurso Voluntário, verificase que este não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. O processo administrativo fiscal está regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e tem status de lei ordinária. Quanto à intimação do sujeito passivo, dispõe o art. 23, inciso II, que: Art. 23. Farseá a intimação: [...] Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.009415/200711 Acórdão n.º 2102003.094 S2C1T2 Fl. 3.573 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, a intimação da decisão de 1ª instância foi efetuada por carta A.R., recebida em 14/11/2008, e interposto recurso voluntário somente em 23/01/2009 (fl. 3.612), portanto, ultrapassado o prazo de 30 dias, vez que o prazo para a interposição do recurso voluntário está estabelecido no art. 33, deste diploma legal, in verbis: “Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão"(... )(grifei) No que tange ao recurso de ofício, verificase que este atende aos requisitos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário, em razão de ter sido desonerado crédito tributário em valor superior ao valor de alçada, ao qual passo a analisar. Considerando que o presente lançamento trata de glosa de despesas/investimentos oriundas da atividade rural, não poderia a autoridade fiscal desconsiderar as despesas declaradas nas DAA de 2003 e 2004, e considerar tais despesas como rendimentos tributáveis à alíquota de 27,5%. Portanto, correta a decisão da DRJ/BSA, que ao desconsiderar os valores declarados à título de despesas/investimentos provenientes da atividade rural, ao passo que o contribuinte deixou de apresentar, mesmo sendo intimado reiteradamente, livro de escrituração das receitas e despesas da atividade rural para apurar rendimentos tributáveis ou prejuízos compensáveis nos exercícios seguintes, considerou os valores declarados de receita bruta (DAA 2003 e 2004), incidindo a tributação até o máximo de 20% do valor da receita bruta em cada exercício. Lei 8.023, de 12 de abril de 1990: “Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase.” Assim, ratifico a decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos e nego provimento ao recurso de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007543/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. ART. 62-A DO RICARF.
Não incide imposto de renda sobre juros de mora recebidos em ação trabalhista. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. ART. 62A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora recebidos em ação trabalhista. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 75 43 /2 00 7- 14 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 72/87) interposto em 02 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls. 56/61), do qual a Recorrente teve ciência em 04 de maio 2011 (fl. 67), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de efls. 05/10, lavrado em 06 de agosto de 2007, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista e de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS São tributáveis os rendimentos brutos provenientes do trabalho assalariado. ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. São isentos os rendimentos de aposentadoria e pensão quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Comprovados os requisitos, os rendimentos devem ser considerados isentos. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” (efl. 56). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 72/87), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a parte remanescente do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, relativamente aos rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, mantendo o lançamento quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. O acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) entendeu que os rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.007543/200714 Acórdão n.º 2101002.564 S2C1T1 Fl. 147 3 Grande do Sul devem ser considerados isentos, reconhecendose o direito creditório no valor originário de R$ 1.806,61, atendendo em parte o pedido, que foi de R$ 20.965,65. Alega a Recorrente, basicamente, que o valor correspondente à omissão de rendimentos é isento, por se tratar de indenização decorrente de adesão a programa de demissão voluntária. Sustenta ainda que as normas relativas à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente não teriam sido observadas. No que se refere à omissão de rendimentos em si, no valor de R$ 10.781,88, o cálculo de liquidação de efl. 126 (resumo geral) demonstra que, já em 01 de julho de 2004, o valor dos juros de mora correspondia a R$ 123.556,10. Com relação aos juros de mora em indenização trabalhista, este CARF, consoante a previsão constante do art. 62A do seu regimento interno, está obrigado a observar, em suas decisões, as matérias que já foram alvo de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), sobre os quais não incide imposto de renda, segundo acórdão de lavra do Ministro Teori Zavascki: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.” (STJ, Primeira Turma, REsp n.º 1.227.133, Relator Ministro Teori Zavascki, DJe de 19/10/2011) A análise do acórdão proferido pelo STJ em sede de embargos de declaração no bojo do Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, deve ser realizada com cautela. Com efeito, por ocasião do julgamento do recurso especial, a Primeira Turma do STJ, sob relatoria do Ministro Teori Zavascki, houve por bem negarlhe provimento, afirmando a não incidência de imposto de renda sobre juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla, o que motivou a oposição de embargos de declaração pela União. Ato contínuo, é sobre o acórdão relatado pelo Ministro Cesar Asfor Rocha, que recebeu parcialmente os aludidos embargos para tão somente modificar a ementa do julgado, sem, contudo, alterarlhe o resultado, que a análise deve ser empreendida, de maneira a determinar seu real e efetivo alcance. Senão vejamos. O Ministro Relator dos embargos procedeu a acurada análise dos sete votos proferidos no acórdão embargado, tendo havido três vencidos e quatro vencedores, a saber: a) Votos vencidos: a.1) Ministro Teori Zavascki: dada a natureza indenizatória dos juros moratórios, considera que há acréscimo patrimonial ao credor, tipificando o fato imponível do art. 43 do CTN. Afirma a existência no sistema de uma isenção indireta, de modo que deu parcial provimento ao recurso especial por entender que há, no caso concreto, isenção apenas quanto aos juros de mora incidentes sobre o valor do Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 auxílioalimentação e sobre o valor das diferenças de FGTS, tendo em vista que essas parcelas estão contempladas por isenção, nos termos dos artigos 6º, incisos I e V, da Lei n. 7.713/1988, e do art. 39, incisos IV e XX, do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99); a.2) Ministro Herman Benjamin: acompanhou o Ministro Teori; a.3) Ministro Benedito Gonçalves: também acompanhou o Relator; b) Votos vencedores: b.1) Ministro Cesar Asfor Rocha: afastou a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais, em qualquer hipótese, diante da sua natureza e função indenizatória ampla; b.2) Ministro Humberto Martins: acompanhou o Ministro Cesar Asfor Rocha; b.3) Ministro Mauro Campbell Marques: negou provimento ao recurso especial por fundamentos diversos dos utilizados pelo Ministro Cesar Asfor Rocha. Entendeu que a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigente, mas que o art. 6º, inciso V, da Lei 7.713/88 trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Com base nesse referido dispositivo legal, então, reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate; b.4) Ministro Arnaldo Esteves Lima: restringiu a discussão aos juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, adotando fundamentos semelhantes aos do Ministro Mauro Campbell para configurar a aplicação de isenção à situação. Ante o exposto, os quatro votos vencedores podem ser divididos em duas correntes, ou seja, (i) a da não incidência de IR sobre juros moratórios em qualquer hipótese (Ministros Cesar Asfor e Humberto Martins), e (ii) aquela que afirma haver norma isentiva (art. 6º, V, da Lei 7.713/88), limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate (Ministros Mauro Campbell e Arnaldo Esteves Lima). A conclusão alcançada pelo Ministro relator do acórdão dos embargos foi, ipsis litteris, esta: “A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: ‘RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.’ Embargos de declaração acolhidos parcialmente.” [grifos nossos] Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.007543/200714 Acórdão n.º 2101002.564 S2C1T1 Fl. 148 5 Desta feita, percebese que os embargos de declaração foram acolhidos única e tãosomente para alterar o texto da ementa do julgado, tendo sido negado provimento ao recurso especial sob fundamentos distintos, mas a restrição do alcance da ementa, dela passando a constar a não incidência de IR sobre juros moratórios decorrentes de verba trabalhista percebida por meio de decisão judicial, foi proposital. Caso contrário, isto é, caso o fundamento adotado fosse mais restrito a ponto de considerar a isenção no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, os novos embargos manejados pela União teriam sido providos, e não rejeitados, tendo transitado em julgado o acórdão em epígrafe em março do corrente ano. Disso decorre, inexoravelmente, que este CARF está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos termos do art. 62A do Regimento Interno, nos exatos moldes em que proferidas, sem tentar alargarlhes o alcance e/ou conteúdo. Considerando, destarte, que no presente caso é incontestável que as verbas trabalhistas foram recebidas por força de decisão judicial, outra não pode ser a conclusão senão afirmar a não incidência de IR sobre os juros de mora, subsumindose, precisamente, ao julgado representativo da controvérsia do STJ. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10925.901300/2009-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 00 /2 00 9- 86 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 378 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 379 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 380 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 381 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 382 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901300/200986 Acórdão n.º 1803002.385 S1TE03 Fl. 383 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100835/2009-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 35 /2 00 9- 77 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 103 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 104 3 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento tributário (auto de infração) consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon. A contribuinte apresentou impugnação alegando ser irrazoável a punição da contribuinte de forma quantitativamente igual à descumpridores da obrigação principal. Que não houve por dolo de sua parte, cabendo, no seu entendimento, ser aplicada a sanção no valor mínimo, especialmente porque o atraso ocorreu em virtude das constantes alterações nas orientações e sistemas do Fisco e da insegurança causada em contribuintes cumpridores das normas, como é o seu caso e por conta de intermitências no sistema. Apontou, ainda, argumentos acerca da inadequação da punição em relação ao prejuízo do fisco. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DACON MULTA POR ATRASO A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, após o prazo previsto pela legislação tributária, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente, autoriza o lançamento da multa por atraso correspondente. DACON. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. CONGESTIONAMENTO. PROBLEMA TÉCNICO. INTERMITÊNCIA. EXCEÇÕES. PROVA. Eventual problema intermitente de congestionamento no sistema ocorrido no último dia de entrega de declaração resolvese com sucessivas tentativas de transmissão, pois quando há indisponibilidade permanente no sistema de recepção, a própria Administração reconhece tal fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário reprisando as alegações da impugnação. É o que importa relatar. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 105 4 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A multa pelo atraso na entrega do Dacon estava positivada no art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, in verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 106 5 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” (grifei) A própria Recorrente afirma na impugnação e no recurso que entregou as DACON’s em datas diversas da estipulada pela legislação vigente na época. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, por meio de Instrução Normativa n.º 1.441/2014, publicada no DOU de 21.1.2014, extinguiu o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Extinta a DACON extinguemse igualmente as suas penalidades. Nos termos do art. 106 do CTN a legislação deve ser aplicada a ato ou fato pretérito quando o processo não tenha se encerrado e quando a conduta deixe de ser considerada infracional, não implique em falta de pagamento do tributo e não decorra de ato fraudulento, expressandose do seguinte modo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que é o que ocorreu no presente processo. Sobre esse tema cito a lição de Luciano Amaro, assim expressa (Direito Tributário, 12ª Ed., 2006, Ed. Saraiva, fls. 202/203): Já em matéria de sanção as infrações tributárias (recordese que sanção de ato ilícito não se confunde com tributo, nem é compreendida no conceito deste), o Código Tributário Nacional, inspirado no direito penal, manda aplicar retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao acusado do que a lei vigente à época da ocorrência do fato. Prevalece, pois, a lei mais branda (lex mitior). Diz o Código Tributário Nacional que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, "tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" (art. 106,II). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 107 6 Nas alíneas a e c temos a clara aplicação da retroatividade benigna: se a lei nova não mais pune certo ato, que deixou de ser considerado infração (OU se o sanciona com penalidade mais branda), ela retroage em benefício do acusado, eximindoo de pena (ou sujeitandoo a penalidade menos severa que tenha criado). É óbvio que, se a lei nova agravar a punição, ela não retroage. (destaquei). Portanto, em matéria de penalidade pelo descumprimento da legislação tributária a regra é a retroatividade da lei mais benigna. No caso em questão, considerando que a Lei não manteve a penalidade pelo atraso na entrega da DACON tenho que é premente a aplicação do disposto no art. 106 do CTN e o cancelamento do lançamento. Nesse sentido, julgo procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3801004.274 S3TE01 Fl. 108 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Muito embora a Instrução Normativa RFB Nº 1441, de 20 de janeiro de 2014 tenha extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), os lançamentos efetuados para cobrança da multa pela sua apresentação a destempo constituem atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados. A IN RFB 1.441/2014 extingue apenas o DACON relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014 e ressalva que a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, ou seja, ela não isenta a apresentação da DACON para períodos anteriores, como é o caso, mantendose a penalidade pelo atraso na sua entrega, não cabendo, assim, a alegada retroatividade da lei mais benigna prevista no art. 106 do CTN. Quanto as alegações de violação a princípios constitucionais é defeso a esse Conselho questionar a validade da norma legal devidamente inserida no ordenamento jurídico nacional e pontuo ainda que a alegação de inconstitucionalidade de lei é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720339/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
A averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador é documento suficiente para assegurar a isenção.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A simples declaração do contribuinte da Área de Preservação Permanente não é suficiente para assegurar a isenção.
Numero da decisão: 2201-002.267
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 8.462,82 hectares.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Suplente convocado), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador é documento suficiente para assegurar a isenção. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples declaração do contribuinte da Área de Preservação Permanente não é suficiente para assegurar a isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 8.462,82 hectares. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Redatora ad hoc. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Suplente convocado), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720339/200763 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.267 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA LAGOA DOURADA LTDA. Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador é documento suficiente para assegurar a isenção. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples declaração do contribuinte da Área de Preservação Permanente não é suficiente para assegurar a isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 8.462,82 hectares. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 03 39 /2 00 7- 63 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 original), WALTER REINALDO FALCÃO LIMA (Suplente convocado), NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 02 e seguintes), datada de 26/11/2007, lavrada em face da Contribuinte AGROPECUÁRIA LAGOA DOURADA LTDA. – no valor de R$ 924.739,12 relativamente ao Imposto Territorial Rural (ITR), R$ 571.026,40 de juros de mora e R$ 693.554,30 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 2.189.319,86 (atualizado até a data da Notificação de Lançamento), referente ao imóvel rural denominado Fazenda São Jerônimo, com área total de 42.312,0 hectares, com Número na Receita Federal — NIRF 1.848.7815, localizado no município de Barão de Melgaço MT, referente ao exercício de 2003. O processo de fiscalização teve como finalidade a análise dos dados declarados nos exercícios 2003 e 2004, especialmente as áreas isentas de Preservação Permanente — APP, Área de Utilização Limitada — AUU, Área de Reserva Legal — ARL e o Valor da Terra Nua — VTN. A Contribuinte foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente. A intimação, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 12, foi entregue ao destinatário em 13/06/2007 e tendo em vista que decorrido o prazo para atendimento a Contribuinte não se manifestou, a Autoridade Fiscal procedeu a glosa das áreas isentas, alteração do VTN com base na tabela do SIPT. A Contribuinte foi cientificada da Notificação de Lançamento em 21/12/2007 conforme AR de fl.16, apresentando Impugnação (fls. 17 a 26), em 22/01/2008, defendendo que o lançamento não deve prosperar por haver devidamente declarado as APP e AUL e atribuído VTN de acordo com o preço praticado no mercado. A Contribuinte os seguintes argumentos de defesa: · Área de Preservação Permanente Discordando da exigência do ADA destacou a base legal da APP e reproduziu dispositivo legal que dispensa a prévia comprovação da declaração das áreas isentas. Reproduziu jurisprudência judicial e administrativa, esta do Conselho de Contribuintes, na qual se entende que a ausência do ADA não seria motivo de incidência sobre as áreas de preservação. Concluiu o item afirmando que deve ser mantida sua declaração para o fim de se entender os 6.902,0 ha de APP. · Utilização limitada Sustenta que a AUL de 21.155ha não merecia isenção por conta da não comprovação através de documentos (talvez querendo dizer: não merecia tributação). Disse repelir a pretensão do Fisco com os mesmos fundamentos usados para afastar a desconsideração da APP. Mencionou a existência de averbação de ARL na matrícula do imóvel e reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata de matéria similar, para a qual basta a providência cartorial para isentar a ARL, e finalizou este item dizendo que resta mais que demonstrada a existência dessa área. · Correta atribuição do Grau de Utilização — GU e afixação da alíquota. Mesmo que não fossem consideradas as áreas de preservação como isentas, as mesmas não perderiam a característica de não aproveitáveis; assim, não incide a regra tributária, de modo que não devem constar na apuração do GU. Prosseguiu na questão para afirmar que a alíquota Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720339/200763 Acórdão n.º 2201002.267 S2C2T1 Fl. 3 3 aplicável seria a incidente sobre o GU de 100,0%, e não a imputada ao GU indevidamente considerado, o que mais uma vez reforçaria a fragilidade do lançamento. · Prova pericial Para sanar eventual ponto obscuro, requereu a produção de prova pericial a fim de se apurar a existência e quantitativos das APP e ARL. Nomeou perito e apresentou elenco de quesitos a serem respondidos. · Documentação juntada Acompanharam a Impugnação a documentação de fls. 27 a 43, composta por: cópia da procuração e da Carteira Nacional de Habilitação — CNH do signatário da Impugnação; cópia da matrícula do imóvel, na qual consta a averbação de ARL e; cópia da NL. Das fls. 45 a 66 foi juntada cópia do contrato social da interessada e das fls. 70 a 83 consta providências quanto à apreserpção de cópia autenticada desse documento e da CNH. A 1ª Turma da DRJ/CGE, em 04/12/2009, proferiu Acórdão nº 0419.283, julgando a Impugnação improcedente, conforme ementa a seguir: PRESERVAÇÃO PERMANENTE RESERVA LEGAL REQUISITOS DE ISENÇÃO Por determinação legal, a concessão de isenção de ITR para as Areas de Preservação Permanente APP e Áreas de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de suas existências, como laudo técnico específico para a APP e averbação na matrícula da AUL, e à sua regularização junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA com a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado, naquele Instituto, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. ISENÇÃO INTERPRETAÇÃO LEGAL A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a ia mesma não deve ser concedida. VALOR DA TERRA NUA VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes de laudo técnico apresentado pelo contribuinte, compatíveis com o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado relativo ao ano base questionado. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ em 23/03/2010 (fls. 118), apresentando Recurso Voluntário, tempestivo, em 13/04/2010, aduzindo os mesmos argumentos da Impugnação no tocante à Área de Preservação Permanente e Reserva Legal. O Recurso Voluntário foi julgado na sessão de 16 de outubro de 2013 pela 1ª Turma/2ª Câmara da Segunda Seção do CARF. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (despacho de fls. 150). Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia – Redatora ad hoc. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos e admissibilidade, portanto resta conhecido. Não há preliminares a serem vencidas, então, passase à análise do mérito. 1. Área de Preservação Permanente e Reserva Legal A Contribuinte alega que as áreas de preservação permanente e reserva legal são limitações administrativas definidas pelo Código Florestal, que impõem ao administrado o seu não uso para a proteção do meio ambiente. Corroborando com o intuito protetivo o legislador viu por bem isentar a área de preservação permanente do ITR (art. 10, § 1º, V, do Lei nº9.393196), de forma que, atualmente, a lei exige para o reconhecimento da isenção apenas a declaração do contribuinte, segundo se depreende do §7° do art. 10 da Lei 9.393196. Complementa que, tendo em vista que art. 106, I, do Código Tributário; Nacional a aplicação de norma interpretativa benéfica ao contribuinte em relação a fatos pretéritos é permitida, sendo impossível a exigência do protocolo do ADA, com fundamento no art. 170 da Lei 6.938/81, merecendo plena consideração a declaração do contribuinte, que por sua vez não foi contestada pelo fisco, apenas desconsiderada. Em que pese a argumentação da Contribuinte, a Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de documentação hábil, não sendo a simples declaração do contribuinte é suficiente bastante para comprovação da referida área. Desta feita, como a Contribuinte não juntou aos autos documentação para fins de comprovação da Área de Preservação Permanente, a glosa efetuada pela fiscalização, deve permanecer. Em relação a Reserva Legal, a área de 21.156 hectares resta comprovada a na averbação da matrícula do imóvel (fls. 43 e 44). A averbação ocorreu em 1992, portanto anteriormente a ocorrência do fato gerador. Entretanto, a área de 21,156 hectares representa 50% da área total do imóvel que é de 42.312 hectares. Conforme disposto na Lei, a Área de Reserva Legal deve corresponder a 20% da área total do imóvel. Logo, 20% de 42.312 hectares (área total do imóvel rural) corresponde 8.462,82 hectares, assim essa área deve ser restabelecida como isenta, sob a rubrica de Reserva Legal. 2. Área de Utilização Limitada A Contribuinte sustenta que a Área de Utilização Limitada de 21.155 ha não merecia tributação por conta da não comprovação através de documentos. Combate a pretensão do Fisco com os mesmos fundamentos usados para afastar a desconsideração da Área de Preservação Permanente. Mencionou a existência de averbação de Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel e reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata de matéria similar, para a qual basta a providência cartorial para isentar a Área de Reserva Legal, e finalizou este item dizendo que resta mais que demonstrada a existência dessa área. Para fins de comprovação da Área de Utilização Limitada fazse necessária a apresentação da documentação que comprove a existência da referida área. Como a Contribuinte não apresentou documentação hábil a comprovar a existência da Área de Utilização Limitada, mantémse a glosa efetuada pela fiscalização. A Contribuinte não se insurgiu no tocante ao arbitramento Valor da Terra Nua (VTN). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720339/200763 Acórdão n.º 2201002.267 S2C2T1 Fl. 4 5 Conclusão Diante do exposto, o voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 8.462,82 hectares. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Redatora ad hoc. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 14041.000155/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 55 /2 00 9- 11 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000155/200911 Acórdão n.º 2402004.406 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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