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Numero do processo: 10680.009541/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO.
As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante.
JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO.
O julgamento na esfera administrativa vincula-se à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO.
A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros.
DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presume-se tais valores como omissão de rendimentos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO.
Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%.
Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%.
Numero da decisão: 2202-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na "Tabela 06", constante da fundamentação do voto do relator, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO. O julgamento na esfera administrativa vincula-se à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO. A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presume-se tais valores como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO. Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%. Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%.
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NÃO OCORRÊNCIA. Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 95 41 /2 00 6- 49 Fl. 1944DF CARF MF 2 O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO. O julgamento na esfera administrativa vinculase à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO. A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presumese tais valores como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO. Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%. Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na "Tabela 06", constante da fundamentação do voto do relator, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.945 3 (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1213.461 proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE, a qual julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 393/413 e 417/477). Lançamento Tributário De acordo com o relatório que acompanha a decisão da DRJ/BHE (fl. 394), o lançamento tributário foi realizado nos seguintes termos: Contra o contribuinte precitado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 8 a 19, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.173.539,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até julho de 2006. Regularmente intimado do Auto de Infração, o Contribuinte apresentou impugnação, em 26/10/2006 (fls. 273), questionando o lançamento, como bem relatado pela 5ª Turma da DRJ/BHE (fls. 395/398). Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/BHE apreciou o lançamento e proferiu o acórdão nos seguintes termos (fls. 394): "Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em considerar parcialmente procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto do relator, que integram o presente julgado." A DRJ/BHE julgou o lançamento parcialmente procedente, conforme ementas a seguir transcritas (fls. 393/394): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003,2004,2005 Ementa: DECADÊNCIA No caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, com pagamento de imposto, o prazo decadencial começa a correr em 31 de dezembro (art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de Fl. 1946DF CARF MF 4 1966 Código Tributário Nacional CTN) e, sem pagamento de imposto, iniciase a contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). ESPONTANEIDADE. PERDA. Consoante § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO EXTERIOR ART. 42 DA LEI N° 9.430, de 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no 'art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada peio sujeito passivo, que não comprova sua saída definitiva do País no ano calendário objeto do lançamento. EMPRÉSTIMOS A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva ocorrência da operação, mediante a sua informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual, além da comprovação da transferência de numerário envolvida. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário O contribuinte Walter Santos Neto, devidamente intimado da decisão da DRJ/BHE, em 20/04/2007, conforme aviso de recebimento AR (fl. 416) apresentou, em 22/05/2007, recurso voluntário (fls. 417/477). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/BHE, alegando que: a) a decisão da proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE deve ser anulada, porque a perícia foi indeferida (fls. 418/423). b) houve decadência parcial em relação aos créditos lançados com fatos geradores ocorridos antes de 26/09/2001 (fls. 423/424). c) não omitiu receitas e nem atuou com dolo, fraude, simulação, máfé, falsidade ideológica, ocultação de beneficiários e ou dissimulação, nega toda e qualquer acusação contida nas peças de lançamento, quem acusa deve fazer prova do teor da acusação e que a presunção não pode tomar lugar de investigação séria, profunda conforme o CTN, art. 142 e que nas fls. 957 a 961 dos autos do PAF 10680.008638/200634, restou decidido, contra o Fisco, aplicando ao lançamento atacado (fls. 424/428). Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.946 5 d) é vedado o lançamento baseado em presunção e que não pode subsistir, por ofensa aos princípios de legalidade, moralidade e tipicidade Constituição Federal (fls. 428/433). e) houve prova ilícita, pois a Fiscalização violou o sigilo bancário, quando solicitou a requisição de movimentação financeira, sem autorização judicial (fl. 433). f) os depósitos bancários não geram presunção de renda e nem podem ser motivos para o lançamento, porque se baseia apenas em extratos de saques, transferências e depósitos bancários. O lançamento atacado se baseia, apenas, em extratos transferências e depósitos bancários; a União tributa o que supõe renda presumida com base em movimentação bancária (fls. 434/442). g) os depósitos não equivalem a receitas tributáveis omitidas. O Fisco presume que valores de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem esteja ou não esteja comprovada, sejam receitas omitidas. Presume que valores de depósitos bancários cuja origem não coincida, em data ou valor, com valores sacados de outras contas sejam receitas omitidas (fls. 442/443). h) Os julgadores devem atentar para o fato de que vários depósitos em dinheiro decorreram de cheques sacados (transformados em dinheiro) de MM Consultoria Ltda. e de S. Santos Assessoria Ltda., que tinham conta no mesmo banco (Bradesco) em que mantida conta do recorrente. (fls. 442/443). i) houve duplicidade de tributação da sociedade e dos sócios e que muito dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades (MM e S. Santos) mediante lançamento de ofício, até mesmo, a título de "pagamentos sem causa" são, agora, tributados na pessoa do recorrente (fls. 443/444). j) as transferências realizadas para o requerente não significa pagamentos, podem ser empréstimos, doações e nem toda transferência de numerário corresponde a pagamento, cabe ao Fisco fazer prova de sua acusação. Cheques da sociedade ao sócio, até prova em contrário, indicam lucros distribuídos ou adiantados (fls. 444/446). l) o Fisco tenta desqualificar a retificação de declarações feita pelo recorrente, pelas sociedades de que faz parte e de seu cônjuge, justificando "intempestividade" e "perda da espontaneidade", embora a retificação de declaração não constitua denúncia espontânea, na verdade, nem constitui denúncia (fls. 446/447). O Recorrente apresentou explicações a pontos específicos esclarecendo que (fls. 447/454): 11) O subitem 1.10 do TVF aponta, como se receitas fossem, valores referentes a COMARK (VI) e Maurílio de Assis V. Filho (VII). 11.b) No subitem 1.13, o TVF diz que a MM "sempre entregou DIRPJ na condição de INATIVA". Isso era feito por um contador antes contratado, sem a ciência do recorrente. Posteriormente, as declarações de renda foram devidamente retificadas. Fl. 1948DF CARF MF 6 11.c1) Depósitos de origem não comprovada. Empréstimos obtidos de Sâmia Amin Santos. Os lançamentos feitos em 2000 (na MM Consultoria Ltda. e na S. Santos Assessoria Ltda.) não foram analisados na fiscalização, porque atingidos pela decadência. 11.c.2) Foram apresentados ao Fisco vários comprovantes que coincidem com datas e valores de lançamentos, mas eles não foram examinados ou considerados pelo Fisco. 11.c.3) Além disso, houve vários saques realizados por Walter Santos Neto em espécie, conforme documentos entregues à fiscalização. 11.c.4) Também, valores de empréstimos concedidos ao recorrente foram depositados diretamente, em sua conta corrente. 11.c.5) Distribuições de lucro a Sâmia A. Santos, as quais serviram para empréstimo a Walter Santos Neto, cujo depósito foi realizado pelo próprio recorrente (27/10/2000) saques em espécie. 11.c.6) O TVF, na lauda 24, diz que "Nem Walter e nem Sâmia. apesar de exaustivamente intimados apresentaram contrato dos alegados empréstimos": no final da mesma lauda, O TVF diz que "a auditoria de pessoa jurídica não acatou estes débitos como saída de recursos a título de empréstimo para Walter, docs. fls. 127 do anexo 5, pela não comprovação da operação". I) Com efeito, o financiamento do apartamento 1301 do edifício da R. Antônio de Albuquerque, 877 (Belo Horizonte), é um exemplo. Os comprovantes de pagamento das prestações foram extraviados, somente estando em poder do autuado o da parcela vencida em 7/12/2001. Analisando a planilha apresentada por Sâmia Amin Santos e pela MM Consultoria Ltda.,(...). 11.c.7) Empréstimo de Enrico Gianelli. Com relação ao empréstimo de Enrico Gianelli, apesar de não ter sido considerado pela fiscalização da pessoa jurídica o cheque 545, emitido em 27/6/2003, não há como negar que houve uma transferência a Enrico Giannelli, no valor de R$ 205.000,00. 11.c.8) Empréstimo de Maurílio de Assis Vieira. Com relação ao chegue 300, emitido, em 7/1/2003, pela MM, tratase de pagamento de empréstimo a Maurílio de Assis Vieira, devidamente comprovado perante o Fisco (declaração anexa). 11.c.9) Empréstimo a Célio Borges de Amorim. Apesar de o recorrente ter declarado que a TED recebida em 27/3/2003 cuidava de honorários de prestação de serviços, após intimação foi possível identificar o real depositante da quantia e a operação realizada. 11.c.10) Pequeno depósito em dinheiro. É relacionado, como "depósito de origem não comprovada", o valor, em dinheiro, de R$9,41 (nove reais e quarenta e um centavos) depositado em 10/7/2000. Esse valor foi depositado pelo próprio Walter Santos Neto, juntamente com o cheque que obteve de empréstimo com Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.947 7 Sâmia Amin Santos; tratase de pequeno montante, perfeitamente passível de estar em poder do contribuinte, não representando, depósito de origem não comprovada. 11.c.11) Cheques da MM nominais ao recorrente, coincidentes em data, considerados depósitos de origem não identificada. A auditoria de pessoa jurídica apresentou planilhas que identificam beneficiários, exigindo que a MM confirmasse o beneficiário e a causa de cada "operação". Entre os cerca de 600 (seiscentos) cheques listados nas 11 (onze) planilhas entregues à MM, vários eram nominais ao recorrente: 11.c.12) Exemplos de empréstimos de Sâmia A. Santos ao marido, recorrente. Em 13/1/2003, Sâmia A. Santos empresta a Walter R$24.000,00 através de TED (identificada no extrato do recorrente). 11.c. 13) 28/2/2003. Apesar de a auditoria fiscal da pessoa física vincular o lançamento aos realizados pela auditoria das pessoas jurídicas, não foram considerados R$19.250,00 (28/2/2003), referentes ao pagamento de honorários feito pela Santa Casa de Misericórdia (nota fiscal 214, emitida pela MM Consultoria Ltda.). Tal receita foi devidamente lançada em DIPJ e DCTF da MM Consultoria Ltda. em 1/8/2002, e consta dos livros contábeis da sociedade, sendo que o pagamento dos honorários foi realizado em parcelas. 11.c. 14) 11/03/2003. Naquela data, fezse TED (transferência eletrônica disponível) de R$44.600,26 (comprovante anexo). Apesar de não se tratar de omissão de receita o Fisco, no lançamento, considera haver receita omitida. 11.c. 15) 15/04/2003, 22/05/2003, 29/05/2003. Em tais dias (comprovao o extrato bancário), o valor creditado (R$403,20) consistiu em reembolso da Bradesco Saúde conforme a indicação WB SAÚDE" razão pela qual não representa receita omitida. 11.c. 16) 2/6/2004. Naquele dia, da mesma forma como ocorreu em 11/3/2003, foi expedido alvará a favor do recorrente, que recebeu indenização devida a cliente, conforme documento anexo; novamente, isso não foi considerado pela fiscalização. 11.c.17) 9/3/2004. TED de R$7.632,11. Tratase de devolução de dinheiro ao recorrente, motivada por devolução de vestuário (comprado) feita por ele à loja MOffícer, em São Paulo, conforme comprovante anexo não sendo, portanto, receita. 11.c.18) Depósitos em dinheiro. Em 2004, todos os depósitos feitos em dinheiro na conta do autuado têm origem nas empresas das quais é sócio. Ressaltese que Walter Santos Neto e as sociedades tinham contas no mesmo banco e na mesma agência, sendo habitual o depósito em dinheiro na mesma data ou em data próxima. Fl. 1950DF CARF MF 8 O Recorrente apresentou ainda explicações que Dário Coelho Dutra, Alvalina Rodrigues Coelho Fontoura e José Carlos da Silva eram empregados particulares do Recorrente e também apresentou justificativas para os depósitos considerados sem origem pela Fiscalização (fls. 454/461). O Contribuinte afirmou que as multas foram exacerbadas e não foi comprovado o intuito de fraude (461/473): 12) As questões discutidas neste feito resultam de divergência de interpretação. Logo, não se pode punir o recorrente por dolo, fraude, máfé, simulação etc. Não se trata de declarações falsas. Não houve intenção de ocultação, modificação ou falsificação de dados. Isso não se evidencia nos autos pelo contrário, os autos e esta defesa são bastantes, até, para afastar a hipótese de dolo, evidente intuito de fraude, simulação, falsidade e quejandos. Notese que o recorrente até retificou declarações, elevando o montante de tributos declarados, a pagar. O próprio Fisco chega a dizer, nos processos administrativofiscais instaurados contra MM Consultoria Ltda. e S. Santos Assessoria Ltda., que a contabilidade delas é clara, boa e útil. Isso significa que a multa de 150% não é devida. O Contribuinte afirmou também que a multa é excessiva, tem caráter confiscatório e que houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (465/467): O Contribuinte alegou que o Fisco não deduziu o imposto de renda retido por fontes pagadoras e que os juros da taxa Selic não são lícitos, porque não podem incidir sobre a multa (474/477): Por fim, o contribuinte pede uma nova decisão e requer (fl. 477): 18) O recorrente pede a V. Sas. que anulem (em parte) a decisão recorrida e façam realizar a perícia pedida na impugnação. 19) Ele pede a V. Sas. que, se não anularem a decisão, reformemna em parte, cancelando o lançamento impugnado, bem como o termo de verificação fiscal (TVF) e o auto de infração (AI) que o formalizam para o caso de não cancelálos, o recorrente lhes pede que, ao menos, pelas razões de mérito e pelas provas, reduzam os respectivos valores. O Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou decisão administrativa do CARF, jurisprudências do STF, STJ, TRF 1ª Região, TRT 3ª Região, TFR, TJMG, e doutrina de diversos autores. Resolução n° 102.02457 Diligência Sobrestamento do Processo Após analisar os autos, o então Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator, propôs e os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para sobrestar o processo (fls. 1.929/1.935): Considerando a relação de causa e efeito que une os Processos Administrativos 10680.008638/200634 (MM Consultoria) e 10680.007189/2006 a 10680.007195/2006 (S. Santos Assessoria) Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.948 9 com o caso do qual ora se cuida, evidenciando verdadeira relação de prejudicialidade entre aqueles e este, tudo recomenda o sobrestamento do presente feito até a final decisão daqueles processos, para que, tão logo terminado o julgamento dos mesmos, sejam trasladadas cópias daqueles autos para o presente, a fim de que esta 2a. Câmara conclua o julgamento do recurso interposto por Walter Santos Neto. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de baixar os autos em diligência, para que, no órgão preparador, aguardese a conclusão do julgamento dos Processos Administrativos 10680.008638/200634' (MM Consultoria) e 10680.007189/2006 a 10680.007195/2006 (S. Santos Assessoria). Tão logo sejam proferidas as decisões finais nos referidos processos administrativos e trasladadas cópias integrais dos mesmos, os autos do processo administrativo instaurado em face de Walter Santos Neto deverão retornar para esta 2ª. Câmara, para conclusão do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade No que diz respeito ao pedido do Recorrente para anular a decisão ad quo, por causa do indeferimento da perícia, não merece ser acolhido, pois a 5ª Turma da DRJ/BHE indeferiu o pedido de realização de perícia porque entendeu desnecessária à produção das provas pretendidas pelo interessado, uma vez que a pretensão do contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental (fl. 399): Nesse sentido, quanto ao requerimento de diligência e perícia, tendo em vista que o âmago do lançamento corresponde à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários, o qual, diante de presunção legal, inverte o ônus da prova do fisco para o contribuinte, como adiante se verá, e o exame do mérito delas prescinde, não se cogita a realização de perícia e diligência. No que tange à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos e pessoa jurídica, no valor de RS 205.840,43, a infração foi devidamente comprovada pelo fisco e o interessado não juntou aos autos nenhum documento capaz de elidir a tributação. Ademais, a prova pericial, além do caráter excepcional, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas Fl. 1952DF CARF MF 10 matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela juntada de documentos e apresentação de dados carreados ao processo pelo contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter os meios probatórios de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pelo contribuinte Walter Santos Neto, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Além disso, verificouse que o crédito tributário foi constituído por meio do Auto de Infração acompanhado do Relatório Fiscal, com informações sobre a constituição do crédito e demais elementos que subsidiaram a ação fiscal (fls. 11/60). Verificouse também que o procedimento fiscal adotado foi realizado observando as normas legais pertinentes à matéria e respeitando o direito do contribuinte, como: a devida intimação; o lançamento do crédito por meio de Auto de Infração, acompanhado de anexos explicativos e do relatório fiscal; a apresentação da fundamentação legal do crédito e as informações necessárias para o exercício da defesa. Ou seja, houve, por parte da Autoridade Fiscal, a apresentação das informações necessárias para propiciar ao contribuinte uma análise adequada do crédito, como também exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório, como de fato está exercendo no Recurso, como foi exercido na impugnação. Por fim, o Recorrente pode até contestar a interpretação dada aos fatos pela Fiscalização, entretanto, é inegável que para o lançamento do Imposto de Renda foram cumpridos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, permitindo ao contribuinte o exercício pleno do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como não houve violação de algum dos requisitos elencados no artigo 59 do mesmo Decreto. Princípios Constitucionais Com relação as alegações de que houve violação aos princípios do não confisco, da legalidade, da moralidade, da tipicidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, cabe esclarecer que tais vedações foram impostas pela Constituição Federal e dirigidas ao legislador ordinário, que deve considerálas quando da elaboração das disposições normativas, e não ao aplicador da lei, o qual deve obediência. Assim, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre ofensa aos Princípios Constitucionais, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário. Destacandose que o lançamento tributário realizado pela Autoridade Fiscal é uma atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Neste sentido, cabe registrar que a instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento se aplica ao caso concreto, analisar os argumentos e as provas Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.949 11 apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao fato apurado na ação fiscal. Enquanto que por outro lado, fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Além disso, ressaltase que não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais e que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF. Pelas razões expostas, deixo de examinar as alegações que questionam violação aos princípios constitucionais, por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Decadência O fato gerador do Imposto de Renda por se tratar de um tributo complexivo, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, assim, o prazo decadencial para efeito de exigência do referido Imposto é de 5 anos, contados na forma do art. 150, §4º, do CTN, quando houver recolhimento ou antecipação com retenção na fonte no curso do anocalendário. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Em outro sentido, quando não houver recolhimento ou antecipação com retenção na fonte, o prazo decadencial para efeito de exigência do Imposto Renda é de 5 anos, contados na forma do art. 173, inciso I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso, em relação ao Imposto de Renda incidente sobre as omissões de rendimentos apuradas para o anocalendário 2000, exercício 2001, para o qual não Fl. 1954DF CARF MF 12 houve recolhimento e nem antecipação de fonte, bem como os valores não foram declarados (fl. 20), a contagem para verificar a decadência iniciouse em 01/01/2002. Portanto, quando da ciência do lançamento em 27 de setembro de 2006 (fls. 268/269), o direito de lançar o crédito decorrente das omissões de rendimentos referentes ao anocalendário 2000 e seguintes não estava extinto, e assim, não ocorreu a decadência reclamada pelo Contribuinte. Jurisprudência e Acórdãos de Decisões Administrativas De acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, para se tornar normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessita de lei que lhe atribua eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidas aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Todavia, no âmbito administrativo, cabe ao Conselheiro do CARF observar, no julgamento dos recursos, as súmulas aprovadas pelas Turmas e pelo Pleno da CSRF. Já em relação a jurisprudência apresentada pelo Contribuinte cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Entretanto, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pelo recorrente enriquecem o debate, mas não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Retificação de Declaração Perda da Espontaneidade O Recorrente alegou que o Fisco tenta desqualificar a retificação de declarações feita pelo recorrente, pelas sociedades de que faz parte e de seu cônjuge, justificando "intempestividade" e "perda da espontaneidade", embora a retificação de declaração não constitua denúncia espontânea, na verdade, nem constitui denúncia (fls. 446/447). Neste caso, observase que o Fisco está simplesmente aplicando o mandamento legal, pois conforme o §1°, art. 7°, do Decreto nº 70.235/72, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. Do mesmo modo, o parágrafo único do art. 138, da Lei nº 5.172/66 (CTN) , disciplina que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, qualquer iniciativa do Contribuinte no sentido de apresentar declaração retificadora após o início da ação fiscal, não será considerada pelo Fisco, por limitação imposta pela legislação tributária que não permite apresentação de forma espontânea ou voluntária. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.950 13 Dessa forma, rejeitase o argumento do Recorrente de que a retificação de declaração não se constitui denúncia espontânea. Sigilo Bancário: Requisição de Informação da RFB às Instituições Financeiras Com o julgamento do RE n° 601.314/SP pelo STF, com repercussão geral reconhecida, ficou estabelecido o entendimento de que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Assim, prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, pois a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não há ofensa à Constituição Federal. No caso de aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, cabe observar que o fato gerador da obrigação regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, aplicando a legislação vigente ao tempo do lançamento que tenha instituído novos critérios de apuração ou fiscalização, que amplie os poderes de investigação das autoridades administrativas e ainda que outorgue maiores garantias e privilégios ao crédito tributário, nos termos do art. 144 do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Empréstimos Com o objetivo de justificar a origem dos recursos, o Recorrente afirmou que muitos dos depósitos realizados na sua conta bancária foram decorrentes de empréstimos contraídos junto a sua esposa, a Sra. Sâmia Amin Santos. Afirmou também que dispensou maiores formalidades por ser empréstimos entre cônjuges e que é irrelevante o fato de não ter declarado a operação tempestivamente, mas que apresentou declarações retificadoras. Afirmou ainda que houve empréstimos concedidos pelos Senhores Enrico Gianelli e Maurílio de Assis Vieira (fls. 54/59 e 442/461). No presente caso, o Recorrente apresentou justificativas de que houve depósitos realizados na sua conta bancária em decorrência de empréstimos, todavia não apresentou documentos contemporâneos para comprovar tais empréstimos bem como não houve prestação de informações nas declarações de ajustes, apenas apresentou declarações simples (fls. 358/361) que poderiam ser confeccionadas a qualquer tempo, não se constituindo elemento de prova, além de não ter declarado estas informações ao Imposto de Renda. Fl. 1956DF CARF MF 14 Além disso, cabe frisar que, em relação aos fatos que ocorreram antes de o Sr. Walter Santos Neto integrar a sociedade S. Santos Assessoria Ltda, diversos valores foram transferidos, por meio de depósitos de cheques nominais ou transferências bancárias, diretamente da conta da empresa S. Santos Assessoria Ltda para conta do Sr. Walter sem passar pela conta da sócia interessada, de forma a atestar que houve transferência de valores, mas não comprovando a natureza das operações (fls. 54/59 e 336/357). Acrescentase ainda que tanto o Recorrente quanto a sua esposa, Sra. Sâmia, não apresentaram tempestivamente as informações sobre os empréstimos nas sua declarações de ajuste e nem apresentaram documentos contemporâneos para comprovar tal operação de empréstimos, como foi verificado pela Auditoria Fiscal que o Recorrente apresentou somente declaração de isento (fl. 33): 1.21. Tendo em vista que o contribuinte WALTER SANTOS NETO apresentou Declarações de Isento de Imposto de Renda de Pessoa Física nos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, sendo que no exercício inicialmente fiscalizado de 2004, o contribuinte não entregou DIRPF e ainda, que SAMIA AMIN SANTOS não informou em suas DIRPFs (Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física) entregues tempestivamente os empréstimos que teriam sido concedidos a Walter (...). Dessa forma, rejeitase os argumentos apresentados pelo Recorrente para afastar a tributação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários para os quais alegou que foram provenientes de empréstimos, mas não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação (fls. 54/59, 336/357 e 442/461). Distribuição de Lucros Em relação à distribuição de lucros, a Fiscalização não acatou as justificativas apresentadas pelo Contribuinte (fl. 41/42): "foram considerados, ainda, sem comprovação da origem, os valores que o contribuinte alegou ter recebido a título de lucros distribuídos pela empresa MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda, os quais não se comprovou a contabilização dos valores ou a efetiva transferência daquelas contas bancárias das pessoas jurídicas para a conta do contribuinte." No Recurso, o Sr. Walter alegou que da planilha apresentada pelo Fisco com a relação de valores para identificar os beneficiários, vários cheques da empresa MM Consultoria Ltda eram nominais a ele e indicavam distribuição de lucro. Alegou ainda que há cheques emitidos em nome de Dário Coelho Dutra, de Alvalina Rodrigues Coelho Fontoura e de José Carlos da Silva, seus funcionários particulares, para realização de pagamentos de interesse da sociedade ou dos sócios com diversas destinações. Alegou ainda que o Fisco teve acesso aos extratos bancários das empresas MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda e que o trânsito do Recurso deve ser averiguado em relação às duas sociedades (fls. 442/443). Neste caso, notase que, além do Recorrente, as empresas MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda também foram fiscalizadas e assim, fazse necessário verificar o resultado da auditoria fiscal para observar qual foi o entendimento tributário aplicado sobre os recursos da empresa que podem ser a origem dos depósitos na conta bancária do Recorrente, principalmente no que diz respeito à contabilização dos valores a título de distribuição dos lucros. Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.951 15 Assim, passouse a consultar o processo n° 10680.008638/200634, que trata do Auto de Infração lavrado contra a empresa MM Consultoria Ltda para constituir o crédito tributário decorrente do lançamento de IRPJ, reflexos e IRRF. O Auto de Infração foi impugnado pela empresa e apreciado pela 2a Turma da DRJ/BHE que proferiu a decisão por meio do Acórdão n° 0212.445 de 17 de novembro de 2006 (fls. 953/990 do processo n° 10680.008638/200634) apresentando o seguinte entendimento quanto a distribuição do lucro para efeito da tributação do IRRF (fls. 979/984 do processo n° 10680.008638/200634): Como se viu, a Fiscalização, com base no art. 674, § 3°, do RIR/1999, somente aceitou a comprovação do beneficiário e da causa se, para cada saída de recurso, por meio de cheque ou transferência eletrônica, a operação fosse identificada na sua totalidade. Entretanto, o referido texto legal não prescreve dessa forma, ou seja, nada há nele que possa corroborar esse tipo de interpretação. Nesse sentido, nada impede que uma determinada saída de recurso possa servir para o pagamento de vários beneficiários com causas diversas. Logo, não há como não aceitar as comprovações parciais feitas na impugnação, o que, obviamente, torna passível de tributação a parte sem causa ou sem identificação do beneficiário. Portanto, à luz do transcrito art. 674, do RIR/1999, o IRRF somente será cabível se restar comprovado, inequivocamente, que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou sem identificação do beneficiário. Ao revés, tendo sido comprovada, ainda que de forma parcial, a causa do pagamento e, por conseguinte, identificado o seu beneficiário, por meio de documentação hábil e idônea, não há como subsistir a exigência do imposto sobre a parte em que houver sido feita tal comprovação (de beneficiário e de causa). Em relação aos diversos cheques emitidos e contabilizados como distribuição de lucros ao sócio Walter Santos Neto, é preciso segregálos em dois grupos. O primeiro correspondentemente aos que foram emitidos pela empresa MM Consultoria Ltda, ora Impugnante, de forma nominal, ao sócio referido sócio Walter Santos Neto; o outro, de forma nominal, a funcionários de confiança do aludido sócio. (...). No que se refere aos cheques emitidos nominalmente ao sócio Walter Santos Neto e contabilizados com distribuição de lucros, não se pode desprezar a escrituração do Contribuinte, que agiu consoante os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Portanto, os registros contábeis que identificam cheques ou transferências eletrônicas, respectivamente, emitidos ou efetuadas, de forma nominal, a favor de Walter Santos Neto, a título de distribuições de lucros ou de empréstimos, fazem prova a favor do Impugnante, à luz do art. 923, do RIR/1999. Observase que os cheques listados pela defesa, às fls. 768/769, como distribuição de lucros ao sócio Walter Santos Neto, foram assim contabilizados, como atestam as cópias do Razão, documentos de fls. 46, 54, 82, 120, 121, 122, 123, 126,127, 129, Fl. 1958DF CARF MF 16 132, 196 e 197, do Anexo II. Houve, pois, a identificação do beneficiário e a causa dos respectivos pagamentos. Desse modo, fica afastada a tributação de que trata o art. 674, do RIR/1999, em relação aos cheques emitidos nominalmente ao Sr. Walter Santos Neto, devidamente contabilizados com distribuição de lucros, já que restou identificado o beneficiário bem como foi comprovada a causa da operação. Como pode ser observado, a 2a Turma da DRJ/BHE entendeu que os registros contábeis, referentes a transferências eletrônicas e a cheques emitidos nominalmente ao sócio Walter Santos Neto, a título de distribuição de lucro, fazem prova a favor da empresa Impugnante para afastar da tributação do Imposto de Renda Retido na Fonte, os valores identificados. Assim, os valores devidamente comprovados como distribuição de lucros para o sócio Walter Santos Neto foram afastados da tributação do IRRF (fl. 981 do processo n° 10680.008638/200634): Desse modo, fica afastada a tributação de que trata o art. 674, do RIR/1999, em relação aos cheques emitidos nominalmente ao Sr. Walter Santos Neto, devidamente contabilizados com distribuição de lucros, já que restou identificado o beneficiário bem como foi comprovada a causa da operação. (fl. 981). Da mesma forma, a 2a Turma da DRJ/BHE entendeu que devia afastar a tributação do IRRF sobre a parte do recursos que fosse devidamente comprovada, em relação aos casos de valores que serviram para pagamentos de diversos beneficiários, mesmo não havendo a transferência integral dos valores correspondentes à distribuição de lucros para conta bancária do sócio Walter Santos Neto (fl. 979 do processo n° 10680.008638/200634): "saída de recurso possa servir para o pagamento de vários beneficiários com causas diversas. Logo, não há como não aceitar as comprovações parciais feitas na impugnação, o que, obviamente, torna passível de tributação a parte sem causa ou sem identificação do beneficiário." Ressaltase ainda que por causa da exoneração fiscal superior ao limite de alçada, houve Recurso de Ofício, e o Acórdão n° 120200.106 de 19 de junho de 2009 2a Câmara / 2a Turma Ordinária/ Primeira Seção de Julgamento (fls. 1.123/1.136 do processo n° 10680.008638/200634) ao apreciálo, manteve a decisão proferida pela 2a Turma da DRJ/BHE , negando provimento ao Recurso de Ofício com a seguinte ementa: RECURSO DE OFÍCIO Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de ofício a que se nega provimento. Neste sentido, após verificar o Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE, que acatou os argumentos para afastar da tributação do IRRF, os valores questionados como distribuição de lucro depois de comprovados o beneficiário e a causa da operação (processo n° 10680.008638/200634), entendo que os valores questionados pelo Recorrente (fls. 444/461) devem ser comparados com os valores acatados pela DRJ/BHE e havendo comprovação de que se trata do mesmo crédito, ou de parcela referente ao crédito, os valores também devem ser afastados da tributação do IRPF. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.952 17 Dessa forma, ao comparar os valores considerados lucro distribuído ao sócio Walter Santos Neto no Acórdão proferido pela DRJ/BHE (fls. 981/984 e 991/1.007 do processo n° 10680.008638/200634) com os valores questionados no Recurso destes autos (fls. 444/461), observo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito aos valores relacionados na Tabela 1, os quais devem ser afastados (excluir da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Notase que na Tabela 1, no campo valor consta o crédito ingressado na conta bancária do Contribuinte e no campo origem se refere ao valor do cheque emitido pela empresa como pagamento pela distribuição de lucro. Em algumas oportunidades, o valor da origem é superior ao valor depositado, uma vez que parte do valor do cheque foi utilizado para pagar despesas e a outra parte para depositar na conta do beneficiário. Tabela 1 : Valores Considerados Distribuição de Lucro Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação/Processo Localização 27/06/2001 201,60 Distribuição de lucro Ch. 76.600,00 10680.008638/200634 fl. 992 03/09/2001 150,00 Distribuição de lucro Ch. 10.400,00 10680.008638/200634 fl. 993 04/02/2003 980,00 Distribuição de lucro Ch. 101.000,00 10680.008638/200634 fl. 999 28/02/2003 53.800,00 Distribuição de lucro Ch. 86.612,63 10680.008638/200634 fls. 1.000 e 3.637 02/05/2003 46.730,04 Distribuição de lucro Ch. 65.000,00 10680.008638/200634 fls. 1001 e 3.709 27/06/2003 63.000,00 Distribuição de lucro Ch. 64.278,98 10680.008638/200634 fls. 1.001 e 3.757 30/09/2003 62.000,00 Distribuição de lucro Ch. 239.598,86 10680.008638/200634 fl. 1.003 13/11/2003 81.000,00 Distribuição de lucro Ch. 111.189,25 10680.008638/200634 fls. 1.003 e 3.968 19/12/2003 64.000,00 Distribuição de lucro Ch. 128.271,89 10680.008638/200634 fls. 1.003 e 3.995 03/05/2004 28.900,00 Distribuição de lucro Ch. 75.000,00 10680.008638/200634 fls. 1.005 e 4.112 21/06/2004 80.000,00 Distribuição de lucro Ch. 180.000,00 10680.008638/200634 fls. 1.006 e 4.186 14/07/2004 14.130,00 Distribuição de lucro Ch. 53.535,19 10680.008638/200634 fls. 1.006 e 4.211 Fonte: processo n° 10680.008638/200634 fls. 981/984 e 991/1.007 Do mesmo modo, passouse a consultar o processo n° 10680.007189/2006 15, que trata do Auto de Infração lavrado contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda para constituir o crédito tributário decorrente do lançamento do IRPJ, IRRF e outros. O Auto de Infração foi impugnado pela empresa e apreciado pela 2a Turma da DRJ/BHE que proferiu decisão por meio Acórdão n° 0212.686 de 12 de dezembro de 2006 (fls. 772/822 do processo n° 10680.007189/200615) apresentando o seguinte entendimento quanto a distribuição do lucro para efeito da tributação do IRRF (fls. 807/809 do processo n° 10680.007189/200615): Primeiramente, se, pelo confronto entre as anotações do Fisco constantes dos seus demonstrativos e as cópias do Livro Razão existentes nos autos, for constatado que o cheque ou a transferência eletrônica foi emitido ou efetuada, tendo sido o respectivo sócio identificado como destinatário da operação, a qual esteja devidamente contabilizada como distribuição de lucros, não se pode desprezar a escrituração da Contribuinte, que, no caso, agiu consoante os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Nesse sentido, analisandose os demonstrativos fiscais (fls. 118/126) juntamente com as cópias do Livro Razão (constantes dos autos às fls. 202 e 204, do Anexo III), verificase que existem dois cheques emitidos em 23/07/2004 e 13/09/2004, respectivamente, nos valores de RS 107.754,29 e RS 6.150,00 (cujo destinatário identificado pelo Fisco foi Walter Santos Fl. 1960DF CARF MF 18 Neto), que foram devidamente contabilizados como distribuição de lucros ao referido sócio; e verificase, ainda, uma transferência entre contas (cujo destinatário identificado no demonstrativo fiscal foi Walter Santos), efetuada em 16/09/2004, no valor de RS 85.000,00, que foi devidamente contabilizada com distribuição de lucros ao referido sócio, conforme consta no Livro Razão (cópia constante dos autos às fls. 205, do Anexo III). Portanto, os aludidos registros contábeis fazem prova a favor da Impugnante, ã luz do art. 923, do RIR/1999, devendo, nesses três casos, ser afastada a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, já que houve identificação do beneficiário, estando também comprovada a causa da operação. Contudo, no que refere aos outros cheques emitidos, cujo histórico da operação seja "saque" ou simplesmente "cheque caixa", portanto, sem identificação do destinatário, ou os emitidos nominalmente aos funcionários de confiança do sócio Walter Santos Neto, ainda que estejam contabilizados como distribuição de lucros (como é o caso de alguns pagamentos registrados no Livro Razão, como distribuição de lucros à sócia Sâmia, fls. 71/181, do Anexo III), tais registros contábeis, apenas, não bastam para comprovar os reais beneficiários e respectivas causas desses pagamentos. Portanto, nesses casos, é preciso analisar cada cheque individualmente, somente ficando afastada a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, se, inequivocamente, a defesa, por meio de documentação hábil e idônea, identificar os reais beneficiários e as causas de cada operação. Resumidamente, quando, da comparação da documentação juntada pela defesa correspondentemente a cada um dos pagamentos tributados pelo Fisco, houve coincidências de datas bem como da agência bancária, essa documentação, ainda que parcialmente, serviu de prova suficiente para identificar beneficiários e causas das operações. Sendo assim, restou cabível a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, somente em relação à parte sem identificação de beneficiário c causa, apurada pelas respectivas diferenças entre os valores indicados pela Fiscalização no seu demonstrativo e os comprovados pela defesa. Então, verificando a documentação existente nos autos (notadamente, documentos constantes das fls. 411/415), essa dá suporte para comprovar, ainda que parcialmente, beneficiários e as respectivas causas de alguns desses pagamentos. Sendo assim, o quadro abaixo indica os valores do IRRF a serem alterados, quais sejam, os cheques emitidos em 23/07/2004 e 13/09/2004, respectivamente, nos valores de R$ 107.754,29 e RS 6.150,00, cujo destinatário foi Walter Santos Neto, estando devidamente contabilizados como distribuição de lucros ao referido sócio; a transferência entre contas (cujo destinatário identificado no demonstrativo fiscal foi Walter Santos), efetuada cm 16/09/2004, no valor de R$ 85.000,00, devidamente Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.953 19 contabilizada com distribuição de lucros ao referido sócio; e os pagamentos comprovados pela defesa (documentação de fls. 411/453). Portanto, apenas nesses casos, o lançamento do IRRF, efetuado à luz do art. 674, do RIR/1999, deve ser alterado, mantendose como procedente o valor indicado na coluna final: "IRRF". Quanto aos demais valores tributados, constantes dos demonstrativos fiscais de fls. 118/126, o lançamento não merece qualquer reparo. Como pode ser observado, a 2a Turma da DRJ/BHE acatou os argumentos para afastar a tributação do IRRF incidente sobre os valores questionados como distribuição de lucro, depois que foram comprovados o beneficiário e a causa da operação. Neste sentido, após verificar o Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE, que acatou os argumentos para afastar da tributação do IRRF, os valores questionados como distribuição de lucro depois de comprovados o beneficiário e a causa da operação (processo n° 10680.007189/200615), entendo que os valores questionados pelo Recorrente (fls. 444/461) devem ser comparados com os valores acatados pela DRJ/BHE e havendo comprovação de que se trata do mesmo crédito, ou de parcela referente ao crédito, os valores também devem ser afastados da tributação do IRPF. Dessa forma, ao comparar os valores considerados lucro distribuído ao sócio Walter Santos Neto no Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE (fls. 772/822 e 807/809 do processo n° 10680.007189/200615) com os valores questionados no Recurso destes autos (fls. 444/461), observo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito aos valores relacionados na Tabela 2, os quais devem ser afastados (excluir da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Notase que na Tabela 2, no campo valor, consta o valor do crédito que ingressou na conta do bancária do Contribuinte e no campo origem se refere ao valor do cheque emitido pela empresa como pagamento pela distribuição de lucro. No caso do valor da origem superior ao valor depositado, porque uma parte do valor do cheque foi utilizado para pagar despesas e outra parte para depositar na conta do beneficiário. Tabela 2 Valores Considerados Distribuição de Lucro Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação Localização 23/07/2004 40.000,00 Distribuição de Lucro Ch. 107.754,29 10680.007189/200615 fls. 808/809 16/09/2004 80.000,00 Distribuição de Lucro Transferência 10680.007189/200615 fls. 808/809 Fonte: processo n° 10680.007189/200615 fls. 808/809 Em relação ao argumento de que: "o Fisco glosou o cheque 00545, emitido, em 27/6/2003, pela MM no valor de R$516.000,00, porque o total de comprovantes apresentados por ela não corresponde ao valor total do cheque razão pela qual o Fisco considera o valor, no seu todo, destituído de identificação de beneficiário, operação e causa." (fl. 452), também não prospera, pois em consulta ao processo n° 10680.007189/200615 às fls. 3.747/3.751, verifiquei que não consta nenhum comprovante de depósito na conta bancária do Recorrente proveniente deste cheque. Fl. 1962DF CARF MF 20 Em relação as alegações tendo como justificativas o cheque 830, emitido em 16/6/2004, no valor de R$15.000,00; e o cheque 861, emitido em 02/7/2004, no valor de R$ 70.000,00 (fl. 454), entendo que ficaram prejudicadas, pois não houve nenhum lançamento com base em depósito com origem não comprovada para a data e o valor informados, como pode ser verificado na tabela anexa ao Auto de Infração (fls. 59). Duplicidade de Tributação (Das Sociedades e Dos Sócios) O Contribuinte alegou que (item 8, fl. 444) "muitos dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades (MM e S. Santos) mediante lançamento de ofício até mesmo, a título de "pagamentos sem causa". São, agora, tributados na pessoa do sócio (o recorrente)." O Recorrente fez alegações de duplicidade de tributação de forma genérica "muitos dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades" sem apontar especificamente quais foram os valores tributados nas empresas e na pessoa física do requerente, sem relacionar um a um para poder identificar e fazer comparação se procede ou não as alegações do Contribuinte. Mesmo assim, foram consultados os processos referentes aos lançamentos tributários das citadas empresas: o processo n° 10680.007189/200615 no qual consta o Auto de Infração lavrado contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda e o processo n°10680.008638/200634 no qual consta o Auto de Infração lavrado contra a empresa MM Consultoria Ltda. Dessa consulta, percebeuse que não prospera o argumento do recorrente, no que diz respeito ao lançamento do crédito referente ao anocalendário 2000 (data do fato gerador), uma vez que nos processos n° 10680.007189/200615 (S. Santos Assessoria Ltda) e n°10680.008638/200634 (MM Consultoria Ltda ), os lançamentos dos créditos decorrentes do Imposto de Renda Retido na Fonte se referem ao anocalendário 2001 em diante, portanto, em relação aos créditos do anocalendário 2000, não ha que se cogitar duplicidade de tributação (fls. 68/98 do processo n° 10680.007189/200615 e fls. 70/144 do processo n°10680.008638/200634). No caso do lançamento do IRRF para o anocalendário 2002, contra a empresa MM Consultoria Ltda, que consta no Auto de Infração do processo n°10680.008638/200634, foi constatado que houve duplicidade de tributação em relação ao lançamento com base no valor R$ 11.584,44, considerado depósito sem origem comprovada. Notase que o valor de R$ 11.584,44 faz parte de um cheque no valor total de R$ 72.000,00 que, para efeito de tributação do IRRF, não foi totalmente comprovado e assim houve a tributação de IRRF, conforme pode ser comprovado nas folhas 998 e 3.447 do processo n°10680.008638/200634 (o cheque tem a mesma data do depósito na conta do beneficiário). Assim, como o valor já foi tributado pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, fica afastada a tributação deste mesmo valor em relação ao IRPF lançado contra o Contribuinte Walter Santos Neto, conforme o registro da Tabela 3. Tabela 3 : Valor Tributado pelo IRRF Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação/Processo Localização 29/11/2002 11.584,44 Tributado na fonte Ch. 72.000,00 10680.008638/200634 fl. 998 e 3.447 Fonte: processo n° 10680.008638/200634 fls. 998 e 3.447 Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.954 21 No caso dos anoscalendário 2001 e 2002, após consulta ao processo n° 10680.007189/200615 às fls. 920/921 e 970, constatouse que houve lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda incidente sobre os mesmos valores exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física por omissão de rendimentos com depósitos bancários sem origem comprovada contra o Sr. Walter Santos Neto (fls. 55/56), causando possível duplicidade. Os referidos valores estão registrados na Tabela 4. Tabela 4 : Valores Lançados pelo IRRF e IRRF Data Pagamentos BC do IRRF IRRF Eximido 30/01/2001 77.044,37 118.529,80 41.485,43 21/03/2001 102.100,00 157.076,92 54.976,92 14/09/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 05/10/2001 3.000,00 4.615,38 1.615,38 13/11/2001 8.000,00 12.307,69 4.307,69 29/11/2001 55.000,00 84.615,38 29.615,38 26/12/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 01/03/2002 30.000,00 46.153,85 16.153,84 03/06/2002 10.000,00 15.384,62 5.384,62 06/06/2002 15.000,00 23.076,92 8.076,92 24/06/2002 1.000,00 1.538,46 538,46 Fonte: Acórdãos do processo n° 10680.007189/200615 (fls. 920/921 e 970) Entretanto, a tributação do IRRF incidente sobre tais valores lançados contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda foi afastada, conforme Acórdão n° 10323.295 de 05 de dezembro de 2007 (fls. 906/924 do processo n° 10680.007189/200615) proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, com as inexatidões corrigidas pelo Acórdão n° 1201000.767, de 04 de dezembro de 2012 (fls. 967/970 do processo n° 10680.007189/200615) proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da Primeira Sessão de Julgamento: Tendo em vista todo o exposto voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional para retificar, no acórdão de fl. 920 e ss., o valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos que devem ser excluídos da incidência do IRRF, conforme a seguir demonstrado: (fl. 970). Acrescentase ainda que houve Recurso Especial apresentado pela PGFN (fls. 945/958 do processo n° 10680.007189/200615), mas não houve contestação dos valores excluídos da tributação do IRRF. Então, não há que se cogitar duplicidade de tributação em relação os valores registrados na Tabela 4, pois no âmbito do Imposto de Renda Retido na Fonte, a tributação foi afastada. Neste caso, em relação ao Imposto de Renda Pessoa Física exigido sobre a omissão de rendimentos por depósitos bancários sem origem comprovada contra o Sr. Walter Santos Neto, entendo que a exigência tributária deve permanecer pois, além de não ter ocorrido duplicidade de tributação, conforme já relatado, o Recorrente não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação, no tocante a justificativa dos empréstimos. No caso da justificativa pela origem como distribuição de lucro, também não procede, pois o Sr. Walter Santos Neto somente passou a integrar sociedade S. Santos Assessoria Ltda, em 19 de dezembro de 2003, conforme 11a alteração contratual (fls. Fl. 1964DF CARF MF 22 1.846/1856 do processo n° 10680.007189/200615) e portanto não fazia jus a tal distribuição de lucro em data anterior. Diante do exposto, observo que, em relação aos valores registrados na Tabela 4, não ocorreu duplicidade de lançamento questionada pelo Contribuinte. Outros comprovantes/ Plano de Saúde Em relação as justificativas do Contribuinte de que os valores creditados créditos na sua conta bancária de R$ 403,20, no dia 15/04/2003; de R$ 581,60, no dia 22/05/2003 e de R$ 180,00, no dia 29/05/2003 se referem a reembolso do plano de saúde (Bradesco Saúde), observo que procedem os argumentos apresentados pelo Contribuinte, porque verificando os extratos bancários (fls. 929/930), notase que nestas datas, o Recorrente teve como créditos, valores provenientes de plano de saúde, pois na folha do extrato consta a expressão B Saúde e no dia 29/05/2003, conta expressamente Bradesco Saúde. Assim, entendo que deve ser excluído da base de cálculo do IRPF os referidos valores, conforme Registro na Tabela 5. Tabela 5 : Ressarcimento Plano de Saúde Data Valor R$ Motivo Comprovação Localização 15/04/2003 403,20 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 22/05/2003 581,60 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 29/05/2003 180,00 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 Fonte: Extratos bancários fls. 929/930. Outros comprovantes/ Cartão de Crédito No que diz respeito as alegações do Recorrente, em relação aos cartões de crédito (fl. 457), que sempre que podia, antecipava pagamento de seus cartões de crédito e a diferença paga a maior era automaticamente reembolsada pelo sistema do banco, não prosperam, uma vez que o contribuinte apresentou o mesmo argumento já repisado na impugnação, sem trazer nenhum elemento novo que pudesse modificar a decisão do Acórdão nº 1213.461 proferido pela 5ª Turma da DRJ/BHE: Sobre os depósitos indicados como "cartão crédito/débito", argumenta o interessado que sempre que podia antecipava o pagamento de seus cartões de crédito (vide extratos com vencimento em 20/10/2004 e 01/12/2004). Havendo saldo credor pela antecipação de pagamento, este era automaticamente creditado na própria conta do autuado. Examinando os extratos mencionados, fls. 355 e 356, verificase que foram efetuadas antecipações de pagamento. Todavia, os referidos extratos, mesmo com as antecipações, resultaram em valor a cobrar do interessado. Assim, não restou provado que algum dos depósitos que compõem a omissão detectada pela fiscalização decorra de saldo credor de cartões de crédito e cumpre manter a exigência correspondente. Assim, em relação a este ponto, adoto a decisão de primeira instância (fls. 409) como fundamento nas minhas razões de decidir, nos termos do § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, rejeitando as alegações do Recorrente. Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.955 23 Outros comprovantes/ Alvará Judicial Em relação as alegações de que o alvará judicial foi recebido pelo Recorrente e depois transferido para outras pessoas (fl. 458), não merece acolhimento, pois o contribuinte não comprovou a transferência de recursos de sua conta para conta das pessoas interessadas, uma vez que o comprovante de transferência apresentado (fl. 378) diz respeito a conta bancária do próprio Recorrente. Outros comprovantes / Devolução Quanto a alegação de que o valor de R$7.632,11, tratase de devolução de dinheiro ao Recorrente, motivada por devolução de vestuário, verificase que este ponto já foi apreciado pela DRJ que atendeu ao pedido do Recorrente excluindo da base de cálculo tal valor, nos seguintes termos (fl.410): Também se exclui o depósito em 09/03/2004, no valor de RS 7.632,11, pois a nota fiscal à fl. 358 comprova se tratar de devolução de vestuário (comprado) feita pelo contribuinte à loja M5 Indústria e Comércio Ltda., em São Paulo. Omissão de Rendimentos: Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada No que diz respeito as alegações do Recorrente afirmando que os depósitos bancários não geram presunção de renda e nem podem ser motivos para o lançamento, porque se baseia apenas em extratos de saques, transferências e depósitos bancários e que os depósitos não equivalem a receitas tributáveis omitidas, entendo que tais alegações não podem prosperar, uma vez que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea, comprovando a origem dos recursos movimentados junto a instituições financeiras que pudessem sustentar seus argumentos. Embora o Recorrente tenha apresentado comprovantes de transferências bancárias e diversos cheques nominais emitidos pela empresa S. Santos Assessoria Ltda, a título de empréstimos realizados pela sua esposa Sâmia Amin Santos com recursos provenientes de distribuição de lucros que ela teria direito, entendo que a apresentação de tais comprovantes e cópias de cheques desacompanhados de documentação hábil e idônea que justifique a motivação da transferência destes recursos da conta da empresa da S. Santos Assessoria Ltda para a conta do Sr. Walter não faz prova do alegado, pois as transferências e os depósitos de cheques, por si só, não comprovam as operações de empréstimos e nem esclarecem a natureza dos rendimentos representadas na disponibilidade destes recursos. Além disso, cabe frisar que, em relação aos fatos que ocorreram antes de 19/12/2003, momento que o Sr. Walter passou a integrar a sociedade, diversos valores foram transferidos, por meio de depósitos de cheques nominais ou transferências bancárias, diretamente da conta da empresa para conta do Sr. Walter sem passar pela conta da sócia interessada, atestando que houve transferência de valores, mas não comprovando a natureza das operações (fls. 336/357). Acrescentase ainda que tanto o Recorrente quanto a sua esposa Sra. Sâmia não apresentaram tempestivamente as informações sobre os empréstimos nas sua declarações de ajuste do Imposto de Renda, inclusive, para o período em referência, o Recorrente nem apresentou declaração de ajuste. Fl. 1966DF CARF MF 24 No caso das alegações de que houve empréstimos concedidos pelos Srs. Enrico Gianelli e Maurílio de Assis Vieira, notase que não foram apresentados documentos contemporâneos comprovando tais empréstimos bem como não houve comprovação de informações nas declarações de ajustes. Ressaltando que as declarações apresentadas às folhas 358/361 poderiam ser confeccionadas a qualquer tempo e não se constitui elemento de prova, além de não ter sido informado na declaração de ajuste do Imposto de Renda. Do mesmo modo, a alegação de que houve pagamento pela realização de empréstimo a Célio Borges de Amorim, também não foi comprovada por meio de documentos contemporâneos, a concessão de tais empréstimos, bem como não houve comprovação de informações nas declarações de ajustes. O Recorrente alegou também que a comprovação da origem de diversos depósitos seria decorrente da distribuição de lucros da empresa MM Consultoria Ltda da qual é sócio, sendo que o montante depositado seria proveniente de uma parte do valor de cheques emitidos pela empresa. Por isso, foi consultado o processo n° 10680.008638/200634 no qual consta o Auto de Infração com o lançamento do IRRF contra a empresa MM Consultoria Ltda e dessa consulta, constatouse que houve créditos considerados como distribuição de lucro ao sócio Walter Santos Neto. Assim, aqueles créditos comprovados no processo n° 10680.008638/200634 como distribuição de lucro, foram comparados com os créditos apurados neste processo, e dessa comparação resultou no afastamento da tributação dos valores correspondentes a distribuição de lucro ao sócio Walter Santos Neto, conforme registros na Tabela 1. Contudo, em relação aos outros créditos referentes à omissão de rendimentos caracterizada por recursos creditados ou depositados na conta bancária do Recorrente, para os quais não foi comprovada a origem e nem foi apresentado documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação, deve ser mantido o lançamento do crédito tributário. Isto posto, entendo como correto o lançamento incidente sobre os valores correspondentes à omissão de rendimentos tributáveis, no tocante a parte dos créditos, para os quais não houve comprovação da origem por meio de documentação hábil e idônea, pois houve a ocorrência das circunstâncias previstas no artigo 42 da Lei 9.430/1996, que define como omissão de receitas ou rendimentos, o montante dos depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, sem comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nas operações bancárias. Dessa forma, mantémse o lançamento de ofício do IRPF devido a título de omissão de rendimentos, nos termos do artigo 42 da lei nº 9.430 de 27/12/1996. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas: No que diz respeito a exigência do Imposto de Renda incidente sobre a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos e pessoa jurídica, no valor de R$ 205.840,43, o Contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse elidir a tributação. Por outro lado, observase que Fiscalização, conforme análise realizada no Termo de Verificação Fiscal TVF (fl. 51) comprovou tratarse de rendimentos recebidos de Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.956 25 pessoa jurídica. Assim, entendo como correto o lançamento na forma como exigido na ação fiscal bem como na forma mantida pela decisão da DRJ/BHE. IRRF: Créditos Não Deduzidos O Recorrente alegou que: "o Fisco, ao lançar IRPF, não deduziu o imposto de renda por fontes pagadoras." (fl. 474), entretanto, não apontou quais valores foram lançados pela Fiscalização que tiveram retenção na fonte. Contudo, em consulta aos processos de fiscalização das empresas do qual o Contribuinte participa da sociedade na qualidade de sócio (processos n° 10680.007189/200615 da S. Santos Assessoria Ltda e n°10680.008638/200634 da MM Consultoria Ltda), constatouse que houve o afastamento da tributação em relação a valores decorrentes de distribuição de lucro e também que houve a tributação de determinado valor, neste caso, em relação aos valores comprovados, conforme registros nas Tabelas 01, 02 e 03, afastouse também da tributação do lançamento aqui apreciado. Aplicação da Multa No caso da multa, cabe esclarecer que a norma legal que determina a aplicação da multa de ofício no percentual estabelecido na lei, não permite a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. Portanto, uma vez constatada a infração, a multa de oficio deve ser aplicada, não permitindo a autoridade fiscal fazer juízo de valor sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade da norma tributária. Além disso, considerações sobre possíveis violações a princípios constitucionais ou ilegalidade, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário, porque o lançamento tributário realizado pela Autoridade Fiscal é uma atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Qualificação da Multa Em consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 51/52), percebese que a Autoridade Fiscal qualificou a multa aplicada no percentual de 150% com o seguinte fundamento: Tendo em vista que restou comprovado no curso da fiscalização a presença do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502 de 1964, efetuamos o lançamento tributário , com multa de ofício majorada prevista no art. 957, inciso II, do RIR/99, art. 44, inciso II, da Lei n° 9430/1996 (...). Observase que a Fiscalização verificou que o Contribuinte adotou uma conduta para impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do Imposto de Renda, quando deixou de declarar ao Fisco, de forma reiterada, os seus rendimentos, conforme atestado pela Fiscalização (fl. 33): 1.21. Tendo em vista que o contribuinte WALTER SANTOS NETO apresentou Declarações de Isento de Imposto de Renda de Pessoa Física nos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e Fl. 1968DF CARF MF 26 2003, sendo que no exercício inicialmente fiscalizado de 2004, o contribuinte não entregou DIRPF e ainda, que SAM IA AMIN SANTOS não informou em suas DIRPFs (Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física) entregues tempestivamente os empréstimos que teriam sido concedidos/a Walter, emitimos termo de intimação n° 287/2005, docs. fls. 2 a 8 do anexo 4, para que Sâmia esclarecesse os fatos. (...). Além disso, a Fiscalização extraiu do depoimento do Recorrente prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito, informações de que o seu patrimônio era colocado em nome de outra pessoa, conforme afirmação: "na minha declaração retificada deve constar apenas dinheiro, porque não tenho patrimônio imobiliário." (fls. 49/50). Acrescentase ainda o depoimento prestado pelo Contribuinte na Décima reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (fls. 1.687/1.848), criada pelo Requerimento n° 245, de 2004, para investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado (fls. 1.648/1.848). Do mesmo modo, observase que a DRJ/BHE manteve a qualificação, verificando nos autos a ocorrência de elementos caracterizadores da qualificação da multa (fls. 411/412): Tanto para esse ano, 2003, quanto para os demais períodos fiscalizados, anos de 2000, 2001, 2002 e 2004, remanesce, entre outros, o fato de a fiscalização ter apurado omissões vultosas de rendimento pelo autuado, as quais, de forma reiterada, deixaram de ser informadas à Receita Federal (fls. 14 a 18). Salientese que o contribuinte apresentou declarações de isento para todos os períodos objeto do lançamento,com exceção do exercício 2004 (a qual foi apresentada apenas em 28/02/2005 quando o contribuinte já estava sob procedimento fiscal), e que somente retificou as declarações apresentadas após iniciado o procedimento fiscal, o que denota o propósito claro de impedir ou no mínimo retardar o conhecimento dos fatos geradores dos créditos tributários pelo fisco. Dessa forma, os elementos caracterizadores da qualificação da infração estão perfeitamente comprovados nos autos, não havendo necessidade de reparar o lançamento. Portanto, verificase que, com base nos elementos caracterizadores que constam nos autos, o sujeito passivo deixou de cumprir as suas obrigações fiscais, não declarando e nem prestando informações ao Fisco sobre sua movimentação financeira, e somente após o início da ação fiscal, resolveu retificar suas declarações, caracterizando uma conduta dolosa e consciente para este fim. Diante do exposto, entendo que deve ser mantida a qualificação da multa aplicada no percentual de 150%, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. Juros Sobre a Multa de Ofício Quanto ao questionamento do Recorrente sobre ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que esta matéria se encontra pacificada no Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.957 27 âmbito do CARF, com a edição da Súmula Vinculante n° 108, publicada no Diário Oficial da União em 11/09/2018, com a seguinte redação: Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, deve ser mantida a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Valores Excluídos da Base de Cálculo De acordo com os autos e conforme relatado neste voto, percebese que assiste razão ao Recorrente, no que diz respeito a comprovação da origem de valores creditados na sua conta bancária, assim, os valores comprovados e registrados na Tabela 6 devem ser afastados (excluídos da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Tabela 6 Valores excluídos da base de cálculo Data Valor R$ Motivo registro 27/06/2001 201,60 Distribuição de lucro Tabela 1 03/09/2001 150,00 Distribuição de lucro Tabela 1 04/02/2003 980,00 Distribuição de lucro Tabela 1 28/02/2003 53.800,00 Distribuição de lucro Tabela 1 02/05/2003 46.730,04 Distribuição de lucro Tabela 1 27/06/2003 63.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 30/09/2003 62.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 13/11/2003 81.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 19/12/2003 64.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 03/05/2004 28.900,00 Distribuição de lucro Tabela 1 21/06/2004 80.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 14/07/2004 14.130,00 Distribuição de lucro Tabela 1 23/07/2004 40.000,00 Distribuição de Lucro Tabela 2 16/09/2004 80.000,00 Distribuição de Lucro Tabela 2 29/11/2002 11.584,44 Tributado na fonte Tabela 3 15/04/2003 403,20 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 22/05/2003 581,60 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 29/05/2003 180,00 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 Fonte: Tabelas 01 a 03 e 05 deste voto. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na Tabela 06. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 1970DF CARF MF 28 Fl. 1971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722101/2011-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-008.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente processo trata do Debcad 51.000.292-7 (AI-22), lavrado em razão de a empresa apresentar folha de pagamento em âmbito digital com omissão ou incorreção, eis que divergente dos fatos geradores confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), lavrado em razão da apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 06 a 11. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2011 (fls. 339). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 01 /2 01 1- 24 Fl. 577DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Em sessão plenária de 07/10/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2402-004.300 (fls. 468 a 475), assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2011 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar de apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal no leiaute exigido. Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário." Cientificada do acórdão em 02/07/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 485), a Contribuinte interpôs, em 17/07/2015 (carimbo de fls. 487), o Recurso Especial de fls. 487 a 538, com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: - decadência, relativamente ao Debcad 51.000.292-7 (AI-22); e - nulidade do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), por erro no fundamento legal da multa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas em relação à primeira matéria, conforme despacho de 30/12/2015 (fls. 543 a 548), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de fls. 549 a 551. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: Fl. 578DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 - ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, o crédito exigido no Debcad n° 51.000.292-7 é totalmente indevido, em razão da ocorrência do prazo decadencial (art.150, § 4°, do CTN); - isso porque a jurisprudência do CARF vem admitindo que a omissão de informações de segurados na folha de pagamentos constitui infração que ocorre e se concretiza instantaneamente, devendo o prazo decadencial ser verificado a partir desta data; - e ainda que assim não fosse, a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional seria justificada pelo entendimento já manifestado pelo antigo Conselho de Contribuintes, segundo o qual o prazo decadencial da multa, ainda que lançada isoladamente, como no presente caso, deve seguir o prazo de decadência do tributo correspondente. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, afastando-se os Autos de Infração. O processo foi encaminhado à PGFN em 03/01/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 563) e, em 11/01/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 575), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 565 a 574, contendo os seguintes argumentos: - não é difícil concluir que a situação em apreço, no tocante ao curso do prazo decadencial, há de ser disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, pela simples razão de que é impossível conceber a existência de pagamento antecipado por parte do Contribuinte em tal caso; - com efeito, se o crédito tributário decorre de penalidade infligida ao sujeito passivo porque descumpriu dever instrumental (fazer ou não-fazer determinada prestação) a que estava obrigado, entremostra-se óbvia a inviabilidade da ocorrência de qualquer pagamento antecipado de sua parte, já que a quantia devida encontra sua origem no ato emanado da autoridade fiscal, em lançamento de ofício; - antes da atividade de lançamento da multa, nada há a recolher, pois até então falta à obrigação acessória “conteúdo dimensível em valores econômicos", como anota Paulo de Barros Carvalho; - demais disso, carece de juridicidade a tese de que a contagem do prazo decadencial referente à multa veiculada em Auto de Infração deve acompanhar a mesma sorte da contagem prevalente para as Contribuições Previdenciárias, em razão de uma suposta relação de causa e efeito; - vale dizer, o pagamento antecipado do tributo emana efeitos tão-somente no que tange à obrigação principal, para permitir a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, na apuração do quinquênio decadencial; - em relação à penalidade pecuniária decorrente da obrigação acessória, que se encontra em outro plano, nada foi antecipado a título de pagamento, até porque seria impossível, de forma que é inevitável submeter seu regime de decadência às disposições do art. 173, I, do CTN. Fl. 579DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata-se do Debcad 51.000.292-7 (AI-22), lavrado em razão de a empresa apresentar folha de pagamento em âmbito digital com omissão ou incorreção, eis que divergente dos fatos geradores confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), lavrado em razão da apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 06 a 11. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2011 (fls. 339). A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o Debcad 51.000.292-7 (AI-22). Em seu apelo, a Contribuinte pede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Entretanto, o presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado, daí a inaplicabilidade da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Recurso Especial nº 973.733 - SC, submetida à sistemática de recursos repetitivos. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data de ocorrência do fato gerador. Destarte, aplicando-se o art. 173, I, do CTN, considerando-se que os fatos geradores mais antigos ocorreram na competência 01/2006, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1º/01/2007, findando-se o prazo decadencial em 31/12/2011. Como a Contribuinte foi intimada em 21/12/2011, não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 580DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Fl. 581DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.730981/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matériaprima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matériaprima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 09 81 /2 01 3- 33 Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 3 2 O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 4 3 Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 5 4 que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 6 5 Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.115, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.720057/201420. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.115): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados prescritos pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; (d) Insumos. Falta de comprovação; (f) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (i) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; (j) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 8 7 (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; 1 Já tive a oportunidade de me manifestar sobre o tema quando da prolação do Acórdão no 3403002.681, do qual extraí a ementa proposta ao colegiado: “COFINS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014) O dispositivo legal que rega a matéria nas leis de regência das contribuições (art. 3o das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003) contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As transferências entre estabelecimentos da empresa de mercadorias acabadas, contudo, não encontram, na legislação de regência, previsão de geração de créditos. Como destacamos no citado acórdão, remetendo a voto do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode (sic) se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012) Assim, a transferência a estabelecimento filial para “formação de lote”, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação. 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram na decisão sobre o tema. Deixouse de transcrever o entendimento vencido, que pode ser consultado, na íntegra, no processo paradigma. Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 9 8 Mais enfático, ainda o Acórdão no 3403003.164, no qual se asseverou o colegiado, também unanimemente, e com minha participação, que: “CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Incumbe registrar que mantenho tal entendimento mesmo após a reversão pontual, por maioria, do resultado de um dos precedentes citados (Acórdão no 3403002.681) na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser a “formação de lotes de exportação” uma operação de venda (vencidos, neste tema, os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira santos e Jorge Olmiro Lock Freire). Isso porque a “formação de lotes de exportação” é etapa que antecede uma possível (mas, ainda não efetivada) exportação, e não envolve nem compra nem venda, mas mero acúmulo de mercadorias para venda futura (a menos que se demonstre documentalmente o oposto, o que não ocorre no presente processo). Não vemos, assim, como possa se amoldar a situação ao disposto no art. IX do art. 3o da lei de regência, que trata de frete na operação de “venda”, visto que “venda” não houve, nesta operação de transferência para “formação de lotes de exportação”. (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 10 9 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 11 10 diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 12 11 Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados "prescritos" pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; Nesse item, a Recorrente alega que o Relatório Fiscal que ensejou o lançamento de ofício considerou ter havido dois tipos de "prescrição": (i) dispêndios ocorridos antes de julho de 2006; (ii) dispêndios ocorridos após julho de 2006. Analisando o aludido Relatório, vêse que isso não é exatamente verdade. O que ocorreu é que a fiscalização considerou prescritos os créditos decorrentes de dispêndios realizados após cinco anos contados de cada período de apuração das contribuições sociais, de de maneira que houve glosas "por prescrição" separados mês a mês, sendo certo que o espaço temporal objeto daquele MPF de aproximadamente dois anos. Por outro lado, aduz a Recorrente que não há, na legislação das contribuições, tampouco na legislação complementar (CTN), previsão legal para a decadência do direito de escriturar os créditos extemporâneos em cinco anos, dado que o artigo 168, do CTN trata de crédito tributário e não de créditos escriturais, Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 13 12 como é o caso da nãocumulatividade do PIS e da COFINS; tampouco restaria aplicável o Decreto 20.910/1932, porque esse estaria tratando de prescrição do direito de ação perante a Fazenda Pública, o que também não seria o caso dos créditos escriturais. Ora, de fato, as Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem a possibilidade de apuração de créditos a serem utilizados para desconto do valor devido ao PIS e à COFINS, calculados na modalidade nãocumulativa, sendo certo que são, indubitavelmente, "direitos creditórios" que reduzem o valor devido a título das contribuições sociais; indo mais além, quando há saldo credor decorrem do "excesso" de créditos em comparação aos respectivos débitos, é possível até o mesmo o seu ressarcimento. É verdade, porém, que houve um silêncio nesses textos normativos quanto ao prazo prescricional para a apropriação dos créditos escriturais, o que não significa dizer, aprioristicamente, que não há um termo inicial ou que não há limite temporal para o exercício dessa faculdade do contribuinte. O ordenamento jurídico deve ser analisado como um sistema entrelaçado de normas, princípios e valores que não permite a aplicação nua e crua de um determinado texto normativo sem avaliar todos os seus aspectos ascendentes e descendentes. O intérprete que assim o fizer colocará em risco toda a efetividade do ordenamento, deixando margem para que a atividade de interpretação deixe de ter sua função de uniformizar igualitariamente os direitos e obrigações entre os membros da sociedade sujeita àquele ordenamento, para ser uma ferramenta de legitimação da imposição individual de vontades. Dito isso, reconheço que há certa concordância na afirmação de que o direito ao aproveitamento desses créditos não pode se confundir com o direito à restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, não se ensejando a aplicação do artigo 168, do CTN; contudo, não há como afastar a aplicação subsidiária do Decreto 20.910/1932, plenamente em vigor, cujo artigo 1º afirma: Art. 1º As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Vêse que o espectro alcançado pelo citado artigo é absolutamente amplo, comportando, no trecho grifado, uma gama enorme de "direitos" atribuíveis ao administrado contra a fazenda pública, não havendo qualquer restrição semântica à Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 14 13 aplicação ao caso dos créditos escriturais decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais. Desse modo, adaptandose ao nosso tema, é imperioso entender que o artigo 1º, do Decreto 20.910/1932, implica na observância do prazo prescricional de cinco anos contado da competência tributária em que aquela crédito poderia ter sido escriturado. Essa discussão não é novidade e já foi objeto de avaliação pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), que entendeu de modo idêntico quando da Solução de Divergência COSIT 21/2011: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: EXISTÊNCIA E TERMO DE INÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL DOS CRÉDITOS REFERIDOS NO ART. 3º DA LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2001; E NO ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, têm natureza complexiva e aperfeiçoamse no último dia do mês da apuração. O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração; DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, como o direito ao crédito extemporâneo se expira após cinco anos contados do momento da aquisição das mercadorias e/ou serviços (fato gerador dos créditos), não há que se reformar o lançamento de ofício quanto se particular, mantendose a decisão recorrida (d) Insumos. Falta de Comprovação A Recorrente apresenta nos itens 2.5.4 a 2.5.9 do seu Recurso as razões para se reformar a decisão recorrida dado que teria havido um erro material nos demonstrativos de crédito relativos a fornecedor, em decorrência de informação quanto ao CNPJ. Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 15 14 No caso, foi informado o CNPJ 05.252.578/000159, enquanto o correto seria o CNPJ 88.370.945/000146. Feito esse esclarecimento, e admitindo a regularidades de tais notas fiscais, verificase que se referem à industrialização por encomenda contratada pela Recorrente, relacionadas ao produto “Ácido Graxo Vegetal”, contudo, diante da insuficiência de esclarecimentos quanto ao uso desse item nas atividades desempenhadas pela Recorrente, não é possível admitir a possibilidade de apropriação de créditos . De tal sorte, deve ser mantida a decisão recorrida, por carência probatória da Recorrente fundar seus argumentos, com relação a esses itens. Quanto às glosas impugnadas nos itens 2.5.10 e 2.5.11, sendo juntado o documento fiscal comprobatório da despesa, e esclarecida a natureza do serviço (carga e descarga de mercadorias em transporte multimodal, nas operações de venda) e sua vinculação e essencialidade em relação à atividade desempenhada pela Recorrente, é de se admitir créditos nesse particular, devendo a decisão ser reformada. Quanto às glosas mencionadas nos itens 2.5.12 a 2.5.17 e 2.6.1, a fiscalização efetuou a glosa simplesmente em razão de haverem sido apresentados documentos fiscais comprobatórios, o que foi feito já na impugnação e ignorado pela decisão recorrida. Tratamse de aquisições de insumos via industrialização por encomenda de diversos produtos que são posteriormente revendidos pela Recorrente, como pipoca, farinhas, amendoim, entre outros. Havia, ainda, no Relatório que deu azo ao lançamento, menção a aquisições de insumos de pessoas físicas. Contudo, a Recorrente rebate essa conclusão afirmando que as notas fiscais glosadas eram de pessoas jurídicas, juntandoas desde a impugnação, e que tal equívoco decorreu de o Excel desconsiderar os “zeros” à esquerda do CNPJ 00.048.496/0001 73, fazendoo parecer ser um número de CPF (484.960.00173). Diante desses esclarecimentos, devese reconhecer que as glosas foram indevidas e que, portanto, a decisão também deve ser reformada. (e) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); A Recorrente refuta as alegações da fiscalização referentes à glosa de créditos relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos, que foram efetuadas considerando que tais dispêndios deveriam ser registrados como ativo imobilizado (“nãocirculante”), haja vista que os valores adquiridos ou contratados eram superiores ao montante máximo estabelecido à época pela legislação do Imposto de Renda para o registro como despesa dedutível em detrimento do registro como ativo imobilizado (“nãocirculante”) e sujeito, assim, a depreciação/amortização. Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 16 15 Ora, de fato, o valor do item adquirido ou serviço contratado para realizar a manutenção de bens do seu ativo permanente não é o único elemento a ser considerado para definir se tais dispêndios serão tratados como despesa ou como ativo imobilizado. O conceito de ativo imobilizado encontrase na Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.), com as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007, que em seu artigo 179, IV, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Por seu turno, em linha com o que estabelece o Manual de Contabilidade da FIPECAFI2, podemos depreender desta definição legal que devem ser classificados como ativo imobilizado “(...) os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e de seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foi encontrado na Resolução CFC nº 1.025/20053, até 31.12.2009, e desde então no Pronunciamento nº 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC4, aprovado pela Deliberação CVM nº. 583/09 e pela Resolução CFC nº. 1.177/09. O referido CPC nº 27, em seu item 6, define ativo imobilizado conforme abaixo: (...) Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 190. 3 (...) 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) 4 Com a reforma da Lei das S.A. pela Lei nº 11.638/2007, criouse a possibilidade de que a competência para regulação de matéria contábil fosse legalmente delegada ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, órgão que se tornou responsável pela emissão de pronunciamentos que versam sobre princípios, normas e padrões de contabilidade, os quais vêm sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários CVM. Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 17 16 se espera utilizar por mais de um período. Mais adiante, o mencionado CPC nº 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: 7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: (a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e (b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. Ora, consoante a definição acima, para que a fiscalização ousasse desconsiderar os valores registrados na contabilidade como despesas, deveria ter sido feita uma análise pormenorizada de cada item glosado, com o intuito de identificar os casos em que os dispêndios representaram um aumento da vida útil dos equipamentos que foram objeto de manutenção, ou, ainda, que viessem a aumentar a capacidade ou funcionalidade desses equipamentos. Não é o que restou demonstrado no Relatório Fiscal, que, em um parágrafo, justificou sucintamente a glosa, sem muita convicção. Diante disso, carecendo de suporte argumentativo e probatório por parte da fiscalização, não se admite ignorar a escrita contábil da Recorrente, que registrou tais dispêndios como despesas de manutenção de equipamentos industriais, de modo que, mais uma vez, deve ser reformada a decisão, afastandose as glosas de créditos dessa natureza. (f) Da despesa de fretes entre estabelecimentos na movimentação de matériaprima Insurgese a Recorrente contra a glosa efetuada pela fiscalização relativa aos fretes contratados para a movimentação de matériaprima entre seus estabelecimentos, por suposta ausência de permissão legal. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 18 17 Todavia, ainda que a legislação da modalidade nãocumulativa das contribuições sociais não tenha previsto a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da movimentação de insumos, tal menção nem fosse necessária. Isso porque, o regime nãocumulativo das contribuições está sensivelmente ligado à dualidade custoreceita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos na movimentação de insumos até o seu efetivo consumo serem integrantes do saldo do estoque. Dessa forma, as despesas incorridas na movimentação de matériaprima e outros insumos até sua utilização, por compor o valor do seu estoque, implica no direito ao crédito das contribuições. Nesse sentido, a glosa mencionada no Relatório Fiscal, e que foi confirmada na decisão ora recorrida, deve ser afastada. (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 19 18 biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 20 19 Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (h) Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. (i) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 21 20 biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento. Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 6741DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000360/2009-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
Numero da decisão: 9303-009.083
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
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EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 60 /2 00 9- 57 Fl. 603DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.083 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000360/2009-57 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. A DERAT em São Paulo não reconheceu integralmente o pedido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, com a consequente homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, pede diligência e perícia, para comprovação de suas alegações. A DRJ competente analisou a manifestação da contribuinte, indeferindo o pedido de diligência e perícia e julgando-a improcedente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese, discute: 1. créditos relativos a bens importados e nacionais classificados na NCM 38.08, e tratados todos como defensivos agrícolas pelo Fisco, que supostamente seriam tributados a alíquota zero ou ainda que não caracterizassem insumos, mas que contém uma diversidade de produtos assim classificados mas sujeitos à alíquota regular; 2. créditos sobre insumos utilizados no processo produtivo: a) defende o critério da necessidade em detrimento do critério do desgaste por contato direto; b) materiais de embalagem que não são destinados a mero acondicionamento, mas também para proteger o produto (tóxico) , em face de normas de agências governamentais , tais embalagens não podem ser destruídas pelo adquirente, mas tratada especificamente; c) materiais de limpeza que se inserem no processo produtivo, devendo ser separados aqueles para limpeza do pátio dos utilizados nos dutos evitando a contaminação dos produtos químicos produzidos; d) despesas com energia elétrica erroneamente classificados como despesas de alugueis de máquinas e equipamentos, mas que apesar disso devem ser reconhecidas como necessárias; 3. diferenças no rateio proporcional, a fiscalização não considerou receitas de operações financeiras e venda de imobilizado; 4. pedido de diligência e perícia. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.907, que deu parcial Fl. 604DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.083 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000360/2009-57 provimento ao mesmo, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica resitradas erroneamente como aluguéis, e para produtos importados classificados na posição 3808 da NCM, para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 203-12.448, o qual adotava a tese de que a definição de insumos deveria ser aquela prevista na legislação do IPI, de que os insumos devem ser os bens aplicados diretamente na produção, de forma que sofram desgaste ou consumo, por contato, no processo produtivo enquanto o recorrido admite como insumos bens que integrem o processo produtivo sem necessidade de incidência direta com esses produtos. Tal recurso especial foi apreciado este Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, Contrarrazões da contribuinte Cientificada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.049, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000356/2009-99, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.049): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Tenho por acidentais as diferenças fáticas entre os acórdãos, pois o fato de se tratarem de produtos diferentes, nem mesmo impediria que alguns insumos fossem os mesmos e persistiria a discussão sobre o critério de aplicação direta (critério do IPI) ou indireta no produto (insumo do insumo). Além disso, não há que se falar em tese superada, por inexistência de decisão vinculante sobre a matéria. Por essas razões, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Mérito Admitido o recurso especial, relativamente aos créditos sobre a) material de limpeza e b) material de embalagens, para seu deslinde adoto o entendimento esposado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não Fl. 605DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.083 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000360/2009-57 comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões e o transcrevo no que se aproveita como razão de decidir deste caso para cada um dos itens: a) Material de limpeza - necessário para garantir processo produtivo e características do produto 100. Malgrado os julgamentos citados refiram-se apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, trata-se de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. b) Material de embalagem - necessário para garantir a segurança do uso do produto 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. ... 60. Nesses termos, como exemplo da regra geral de vedação de creditamento em relação a bens ou serviços utilizados após a finalização da produção do bem ou da prestação do serviço, citam-se os dispêndios da pessoa jurídica relacionados à garantia de adequação do produto vendido ou do serviço prestado. Deveras, essa vedação de creditamento incide mesmo que a garantia de adequação seja exigida por legislação específica, vez que a circunstância geradora dos dispêndios ocorre após a venda do produto ou a prestação do serviço. (Negritei.) CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento.” sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 606DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.083 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000360/2009-57 Fl. 607DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.002158/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. GLOSA DE NOTAS FISCAIS.
Tendo em vista a não apresentação dos conhecimentos de transporte; a não identificação do transportador nas notas fiscais; a divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados nas notas fiscais; a inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; e a não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas, resta não comprovada a regularidade das operações amparadas pelas notas fiscais, as quais devem ser glosadas.
Numero da decisão: 3401-006.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator, Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e os Conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antônio Souza Soares - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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GLOSA DE NOTAS FISCAIS. Tendo em vista a não apresentação dos conhecimentos de transporte; a não identificação do transportador nas notas fiscais; a divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados nas notas fiscais; a inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; e a não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas, resta não comprovada a regularidade das operações amparadas pelas notas fiscais, as quais devem ser glosadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator, Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e os Conselheiros Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Relator. (assinado digitalmente) Lazaro Antônio Souza Soares Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 21 58 /2 00 7- 29 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 381 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1.1. Trata o presente processo de ressarcimento de IPI, no valor de R$284.524,45, objetivando ressarcirse do saldo credor do IPI referente ao 1° trimestre de 2005 com suporte no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, conforme Declaração de Compensação n° 11362.51580.220905.1.3.010595, transmitida em 22/09/2005. 1.2. Após várias intimações, solicitações de prorrogação de prazo e resposta da Manifestante, a autoridade administrativa emitiu o PARECER SARAC/DRF/ITJ n° 195/2008, o qual propôs a glosa total das notas fiscais de emissão da Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda, CNPJ 65.727.711/000108, no valor total de crédito de IPI de R$ 284.524,45, proposta acatada conforme Despacho Decisório de fls. 219/220, ante a: 1.2.1. Não apresentação dos conhecimentos de transporte; 1.2.2. Não identificação do transportador nas Notas Fiscais; 1.2.3. Divergência de capacidade de transporte dos veículos indicados na nota fiscal; 1.2.4. Inexistência de carimbo da fiscalização estadual na transposição de fronteiras nas notas fiscais; 1.2.5. Não apresentação dos cheques ou documentos de transferência bancária que deram suporte ao pagamento de duplicatas. 1.3. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alega, em síntese: 1.3.1. que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume,sendo pura e simplesmente por este motivo que, da mesma forma, a Manifestante procedeu; 1.3.2. que a empresa dispunha de caixa excedente e que muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando efetivamente a economia com o pagamento da contribuição provisória; 1.3.3. que em 2005 a Manifestante passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2005; 1.3.4. que o despacho decisório se assenta em presunção; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 382 3 1.3.5. que a responsabilidade sobre o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não é de responsabilidade da Manifestante; 1.3.6. que a movimentação do seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; 1.4. A DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, negou provimento à Manifestação da Contribuinte, pois “no presente caso, ficou apurado neste (SIC) e nos processos administrativos de n°s 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/2007 97, 10909.002163/200731, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721, que: 1. todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006 não possuírem qualquer carimbo de fiscalização estadual de fronteiras; 2. que em todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, não existe indicação do transportador; somente a placa do veículo transportador; 3. que a maioria das placas de veículos informadas nas notas fiscais da empresa PETROPOLÍMEROS, referemse a veículos de passeio, caminhonetes, motocicletas, ônibus, enfim, veículos cujo transporte das mercadorias seriam de impossível realização. Algumas das placas indicadas nem mesmo estão cadastradas no órgão de trânsito; 4. que a grande maioria das notas fiscais da PETROPOLÍMEROS, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, não foram liquidadas utilizandose da rede bancária, como é a práxis do mercado; 5. que os argumentos trazidos pela Manifestante em sua manifestação de inconformidade são inverossímeis, sendo que, em um deles, deliberadamente, objetivou induzir a autoridade julgadora a acreditar em fato inexistente, acima relatado; 6. que nenhuma operação com a PETROPOLÍMEROS, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, teve o frete acobertado com conhecimento de transporte de carga”(grifos e sublinhados no original). 1.5. Irresignada, a Contribuinte pleiteia guarida a este Conselho, reiterando as teses da Manifestação de Inconformidade. 1.6. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 383 4 Voto Vencido Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto 2.1. A Recorrente cita em sua peça de irresignação o processo administrativo 10909.004957/200900 que tinha como objeto procedimento fiscal de análise das operações aqui tratadas. 2.2. Ademais, como acima, a DRJ Ribeirão Preto cita outros nove processos administrativos além do presente em que a lide e o conjunto probatório gozam sobre os mesmos pontos aqui em discussão. 2.3. Em consulta ao processo administrativo 10909.002161/200742 constata se que a 2ª Turma Especial da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento por unanimidade de votos deu provimento integral ao Recurso Voluntário do Contribuinte em decisão com o seguinte teor: O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A diligência que propusemos foi baseada nos seguintes termos: O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 366/369 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo n° 10909.004957/200900. [...]Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 384 5 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista de processos em exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...]Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/10/2005 a 31/12/2005. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo n° 10909.004957/200900 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 385 6 de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo n° 10909.004957/200900 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. [...]Conforme disposto acima, o motivo da glosa da compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi a aduzida não comprovação das transações realizadas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. O período de apuração objeto da lide é relativo ao quarto trimestre de 2005. Não obstante, segundo o relatório de fiscalização objeto do processo n° 10909.004957/200900 (fls. 386/389), à exceção de algumas discrepâncias de percentuais nas alíquotas do IPI, não foi identificada nenhuma irregularidade nas transações comerciais realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros, conforme trecho que reproduzimos abaixo, novamente: Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) Em função disso foram homologadas as compensações correspondentes ao anobase de 2007, objeto dos processos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921, cujos despachos decisórios foram acostados, respectivamente, às fls. 453/455, 457/459, 462/464 e 466/468 dos autos do presente processo. Assim, considerando que a fiscalização referenciada, também no período de que trata a presente contenda, examinou e afastou qualquer problema relacionado às transações perpetradas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., único motivo alegado para a glosa dos créditos do IPI e, por conseguinte, da compensação objeto dos autos, entendo que deverá ser dado provimento ao recurso e reconhecido o direito à compensação tributária guerreada pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário formalizado pela interessada. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 386 7 2.4. Do acima temos que a Contribuinte foi submetida a Ação Fiscal/MPFF no ano de 2009 (processo administrativo n° 10909.004957/200900); ação fiscal que teve como objeto (em parte) as operações da Contribuinte com a empresa PETROPOLÍMEROS Distribuidora de Plásticos Ltda. nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. O relatório fiscal do sobredito MPFF concluiu pela lisura das operações da Contribuinte com a PETROPOLÍMEROS no ano de 2005, salvo algumas notas fiscais descritas no corpo do relatório fiscal. 2.5. Entretanto, compulsando os autos, não se encontra cópia do processo administrativo 10909.004957/200900 ou, ao menos, da íntegra dos processos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/2009 21 em que, segundo narra o Acórdão citado, há cópias da Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, acerca do caso em liça. Dispositivo 3. Assim, ante a identidade de período e de operações analisadas pela fiscalização no processo administrativo n° 10909.004957/200900 e no caso em liça, bem como para melhor fundamentar decisão (tendo em vista que há provas indiciárias de parte a parte) de rigor a conversão do julgamento em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia integral do processo administrativo n° 10909.004957/200900, em especial do Relatório Interno de Fiscalização e todos os seus anexos; b) cópia integral dos administrativos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921 em especial da Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC ; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. (assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 387 8 Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Redator Designado. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, ouso dele discordar em relação ao reconhecimento integral dos créditos de IPI. Com efeito, destaquese, inicialmente, que a alegação do Recorrente de que a maioria das transações comerciais são liquidadas em dinheiro e que tal prática constituíase em uso e costume comercial, sendo regra no mercado, não corresponde à verdade. Ainda que busque fundamentar a sua afirmação em pesquisa feita sobre meios de pagamento, e na tentativa, à época, de evitar a tributação pela CPMF, é notório o fato de que esse não é o comportamento empresarial usual. Muito pelo contrário, a esmagadora maioria das transações no meio empresarial ocorre através de movimentações bancárias, especialmente no montante que movimentou o Recorrente. O Recorrente, em 2006, agiu da mesma forma como agiu no ano de 2005, em relação à metodologia adotada em relação as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108. No Despacho Decisório contido no processo 10909.002163/200731, fl. 206, relativo ao 2° trimestre de 2006, está expresso que somente 2 (duas) notas fiscais da Petropolímeros foram liquidadas por meio de pagamento de título sendo que, das demais, 02 (duas) notas fiscais foram, em tese, liquidadas em dinheiro e 12 (doze) a Manifestante não apresentou nenhum comprovante. Aliás, como bem identificado pela DRJ em seu Acórdão, a metodologia de liquidação das notas fiscais da Petropolímeros não se alterou nos anos de 2004, 2005 e 2006. Para a comprovação do alegado basta compulsar os processos de interesse da Manifestante, referenciados com os números 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/2007 97, 10909.002163/200731, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721. A DRJ, inclusive, para comprovar a falsidade da afirmação do Recorrente de que só realizou tais pagamentos em espécie no ano de 2004, citou trecho do processo de n° 10909.002163/200731, que discute o ressarcimento do IPI do 2° trimestre de 2006 onde, em sua Manifestação de Inconformidade, assim se pronunciou o Recorrente, à fl. 222: “No decorrer do tempo e passadas algumas dificuldades, o caixa da empresa já não dispunha do mesmo volume de cash que outrora lhe era costumeiro, momento em que foi tomada a decisão de arcar com as despesas advindas da movimentação bancária – qual seja, o recolhimento de CPMF referente a quaisquer movimentações financeiras – e passouse a efetuar os pagamentos da compra de mercadorias através de boletos bancários e/ou TED´s (transferência bancária), como também demonstram as notas fiscais datadas de 2006 ora anexadas”. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 388 9 O relator da DRJ afirmou também que verificou, nos processos acima referenciados, que em 2006 a maioria das notas fiscais da Petropolímeros não foram liquidadas em rede bancária. Em seu entendimento, o Recorrente deliberadamente distorceu a verdade dos fatos. Prosseguindo, verifico também que a alegação do Recorrente de que não possui responsabilidade pelo transporte das mercadorias ou pelos termos inseridos nas notas fiscais não procede. Não é razoável supor que o Recorrente não confere suas notas fiscais, a ponto de não identificar que o veículo que entrega sua mercadoria não corresponde com aquele indicado no documento fiscal. Deveria o Recorrente ter observado que, ao longo dos anos de 2004 a 2006, muitas das mercadorias entregues em seu estabelecimento se fez através de motocicletas, veículos de passeio, ônibus e veículos incompatíveis com o transporte de cargas. As pesquisas no sistema Renavan, contidas nos processos de interesse do Recorrente, confirmam as alegações do Fisco. Observese, ainda, conforme apurado pela Fiscalização neste processo e nos de nº 10909.002157/200784, 10909.002158/200729, 10909.002159/200773, 10909.002160/200706, 10909.002161/200742, 10909.002162/200797, 10909.002163/2007 31, 10909.002164/200786 e 10909.002165/200721, que: 1. todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 não possuírem qualquer carimbo de fiscalização estadual de fronteiras; 2. em todas as notas fiscais da PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, não existe indicação do transportador; somente a placa do veículo transportador; 3. a maioria das placas de veículos informadas nas notas fiscais da empresa PETROPOLÍMEROS referese a veículos de passeio, caminhonetes, motocicletas, ônibus, enfim, veículos cujo transporte das mercadorias seriam de impossível realização. Algumas das placas indicadas sequer estão cadastradas no órgão de trânsito; 4. a grande maioria das notas fiscais da PETROPOLÍMEROS, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, não foi liquidada utilizandose da rede bancária, como é o usual do mercado; 5. os argumentos trazidos pelo Recorrente são inverossímeis, sendo que, em um deles, deliberadamente, objetivou induzir a autoridade julgadora a acreditar em fato inexistente, acima relatado. 6. nenhuma operação com a PETROPOLÍMEROS, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, teve o frete acobertado com conhecimento de transporte de carga. Além disso, pesquisa no sítio do sistema SINTEGRA, www.sintegra.gov.br, indica que a situação cadastral da empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 65.727.711/000108, encontrase na condição de NÃO HABILITADA, por inaptidão, NÃO estando apta a realizar operações como contribuinte do ICMS, inclusive, gerar crédito do imposto estadual. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 389 10 Por fim, pesquisa no sistema mundial de buscas Google traz a informação de que a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ n° 65.727.711/000108, está em local incerto e não sabido, pairando sob a mesma prática de crime pela emissão de duplicata sem causa, conforme texto abaixo, extraído da internet, endereço http://www.jusbrasil.com.br/diarios/25051611/djspeditaiseleiloes25022011pg126: O Dr. Douglas Iecco Ravacci, MM Juiz de Direito da Segunda Vara da Comarca de Carapicuíba Estado de São Paulo. FAZ SABER a todos que este edital virem, que se acha em andamento os autos da Ação PROCEDIMENTO SUMÁRIO requerida por POLIFILME INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA em face de PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, estando este em lugar incerto e não sabido, é expedido o presente EDITAL para a CITAÇÃO de PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA para os termos da ação proposta, bem como para apresentar defesa no prazo de 15 dias, sob pena de revelia, consignandose, ainda, que não contestada a ação, presumirse ão verdadeiros os fatos alegados pelo autor. Eis a síntese da inicial: A requerente foi notificada pelo Cartório de Protestos para pagar duplicatas sem nunca haver mantido relações comerciais com a empresa requerida. Alega ainda a autora que as duplicatas são frias. Requer portanto que a demanda seja julgada procedente para o fim de desconstituir os títulos nº 3818A e 3818B. As tentativas de citação restaram infrutíferas. E para que chegue aos seus conhecimentos e ignorância no futuro não possam alegar, é expedido o presente edital de citação, ficando o mesmo advertido para o prazo de contestação que será apresentado em audiência, bem como ficando advertido de que não contestada a presente ação, presumirseão aceitos como verdadeiros os fatos alegados na inicial, que será publicado e afixado em local próprio deste Fórum de Carapicuíba/SP, pelo prazo de 20 (vinte) dias. A partir deste extenso conjunto probatório, a DRJ concluiu pela inexistência das operações do Recorrente com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ N° 65.727.711/000108, a qual não apresentou prova ou argumentos suficientes para ilidir a pretensão fiscal. O que se verifica do Recurso Voluntário apresentado é que, mais uma vez, o Recorrente não consegue rebater as imputações que lhe são feitas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10909.002158/200729 Acórdão n.º 3401006.192 S3C4T1 Fl. 390 11 Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13868.000428/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99 é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. O contribuinte comprovou o pagamento de despesas médicas com plano de saúde, cabendo a dedução total do plano.
Numero da decisão: 2401-006.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99 é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. O contribuinte comprovou o pagamento de despesas médicas com plano de saúde, cabendo a dedução total do plano.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99 é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. O contribuinte comprovou o pagamento de despesas médicas com plano de saúde, cabendo a dedução total do plano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 8. 00 04 28 /2 00 8- 60 Fl. 62DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.883 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13868.000428/2008-60 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo - SP (DRJ/SP2) que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 17-40.674 (fls. 47/51): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA Incabível a dedução de despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos feitos e dos serviços realizados. No entanto, se comprovada parcialmente, é de se recompor à DIRPF o valor correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 06/09), lavrada em 28/07/2008, referente ao Ano-Calendário 2005, que apurou um Crédito Tributário no valor de R$ 2.233,83, sendo R$ 1.108,00 de Imposto, código 2904, R$ 831,00 de Multa de Ofício, passível de redução, e R$ 294,83 de Juros de Mora calculados até 31/07/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 07): 1. O Contribuinte deduziu indevidamente, a título de Despesas Médicas, o valor de R$ 18.318,92; 2. Regularmente Intimado para comprovar as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual, o Contribuinte não atendeu a Intimação; 3. Em decorrência do não atendimento à Intimação, foi glosado o valor deduzido indevidamente, por falta de comprovação. O Contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento, via Correio (AR- fl. 43), em 07/08/2008 e, em 27/08/2008, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 02/05. O Processo foi encaminhado à DRJ/SP2 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 17-40.674, em 05/05/2010 a 11ª Turma julgou no sentido de considerar impugnação PROCEDENTE EM PARTE, elidindo parcialmente o Crédito regularmente constituído, retificando a planilha Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SP2, via Correio, em 28/05/2010 (AR - fl. 53) e, inconformado com a decisão prolatada, em 26/06/2010, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 54/58 onde, em síntese, diz que: 1. Restou provido em parte a defesa, considerando as despesas médicas e hospitalares, á exceção feita á Unimed, no valor de R$ 9.323,52; 2. Como é sabido, a UNIMED, é uma cooperativa, idônea e de alta credibilidade jurídica, não havendo razões para que a Receita Federal Fl. 63DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.883 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13868.000428/2008-60 colocar em dúvida a veracidade dos documentos (boleto) de pagamento apresentados nos autos; 3. O Contribuinte demonstrou o desdobramento das despesas médicas, no valor total de R$ 9.323,52, pagos à UNIMED, consignando que essas despesas são destinadas ao seu benefício e ao benefício de sua esposa. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo que seja considerado para efeito de dedução de Despesas Médicas o valor pago à UNIMED ou, caso assim não se entenda, seja considerada pelo menos a parte das despesas que lhe cabe, ou seja, R$ 4.661,76. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata o presente processo administrativo da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, em virtude de dedução indevida de despesas médicas relativas aos Ano Calendário de 2005. Segundo a acusação fiscal, o contribuinte não atendeu à intimação, motivo porque foi glosado o valor de R$ 18.318,92, deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, considerando comprovadas parte das despesas médicas declaradas. No que tange aos pagamentos com a Unimed, esclareceu que o contribuinte não apresentou o detalhamento dos pagamentos efetuados, de modo que indicasse quanto se refere a cada beneficiário. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte afirma que trouxe aos autos os documentos comprobatórios de que pagou o valor total de R$ 9.323,52, sendo que desse montante o valor destinado ao beneficiário Recorrente é de R$ 4.661,76. Com efeito, a dedução das despesas médicas encontra-se insculpida suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95. Vejamos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 64DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.883 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13868.000428/2008-60 II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. No mesmo sentido, o artigo 80 do Decreto n° 3.000/1999, vigente à época dos fatos, assim dispunha: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 65DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.883 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13868.000428/2008-60 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).(Grifamos). Da análise da legislação em apreço, percebe-se que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Destarte, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Embora o ônus da prova caiba a quem alega, a lei confere à fiscalização a faculdade/dever de intimar o contribuinte para comprovar as deduções, caso existam dúvidas razoáveis quanto à efetiva realização das despesas, deslocando o ônus probatória para o contribuinte. A interpretação que se confere ao art. 73, § 1º do RIR/99 é de que o agente fiscal tem que tomar todas as medidas necessárias visando a proteção do interesse público e o efetivo cumprimento da lei, razão porque a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, que, em princípio, podem ser confirmadas através de recibos. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da efetiva prestação do serviço, cabe à fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações acerca da legislação de regência que trata da matéria, passo à análise do caso concreto. Compulsando os autos, verifico que o Recorrente juntou declaração da Unimed (fls. 57/58) na qual indica que recebeu do beneficiário, o Sr. Waldemar o montante de R$ 9.323,52, como pagamento de mensalidades do plano de saúde do titular e da sua esposa. Segundo orientação da Receita Federal do Brasil no “Perguntão” de nº 355 do Imposto de Renda 2006 (ano calendário 2005), estabelece que o titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos no plano que declarem em separado, desde que não seja utilizada como dedução nas declarações dos dependentes, conforme se destaca: PLANO DE SAÚDE — DECLARAÇÃO EM SEPARADO355O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos no plano que declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem considerados dependentes. Contudo, na hipótese em que os filhos e o outro cônjuge constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado, pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano Fl. 66DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.883 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13868.000428/2008-60 o valor integral pago ao plano, desde que não seja utilizada como dedução nas declarações dos dependentes. Essa era a orientação disponível ao contribuinte à época de sua declaração de rendimentos, pela própria administração fiscal. Dessa forma, considero como comprovada a despesa médica do Recorrente com o plano de saúde Unimed no valor de R$ 9.323,52, devendo ser restabelecida a glosa. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001004/2007-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizadas, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CISÃO PARCIAL FICTA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS.
Não constando do processo provas inequívocas de que a cisão parcial não representa a realidade da operação, não há como prosperar a imputação fiscal.
Numero da decisão: 2003-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
Gabriel Tinoco Palatnic - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente) , Gabriel Tinoco Palatnic (Relator) e Wilderson Botto.
Nome do relator: GABRIEL TINOCO PALATNIC
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002, 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizadas, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CISÃO PARCIAL FICTA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. Não constando do processo provas inequívocas de que a cisão parcial não representa a realidade da operação, não há como prosperar a imputação fiscal.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizadas, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CISÃO PARCIAL FICTA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. Não constando do processo provas inequívocas de que a cisão parcial não representa a realidade da operação, não há como prosperar a imputação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Francisco Ibiapino Luz - Presidente Gabriel Tinoco Palatnic - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente) , Gabriel Tinoco Palatnic (Relator) e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Lavrado Auto de Infração às fls. 5-12, exige-se do contribuinte a importância de R$ 141.917,29, pela conduta de omitir rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte da contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em sua conta bancária, hipótese AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 04 /2 00 7- 25 Fl. 580DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.165 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.001004/2007-25 presuntiva de omissão de receitas; e, por omitir ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos. Intimado a justificar a origem de tais ganhos de capital, entendeu-se que o contribuinte não logrou êxito, eis que não apresentou documentos idôneos para tanto, ficando evidenciado, pelo menos naquela fase processual, que contribuinte transferiu parcelas do patrimônio de empresas por valor superior ao valor declarado em suas DIRPF, motivando a constituição do crédito tributário em relação à diferença entre estes valores. Ainda, foi aplicada multa qualificada de 150%, devido à omissão de receitas e à burla à fiscalização tributária nacional. Por seu turno, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 254-266, onde alega, em síntese, que a pretensão da Administração Fazendária em efetuar lançamentos fundados em depósitos bancários não encontra respaldo na doutrina e na jurisprudência; que não é ônus do sujeito passivo comprovar a regularidade de suas movimentação financeiras; e, que, em relação ao ganho de capital sobre a transferência de bens e direitos, o lançamento teve como fonte primária uma cisão efetuada por empresas, sendo que tal cisão se deu de forma regular. Adicionalmente, pleiteia a não aplicação da multa, uma vez que não houve a caracterização de fraude. A decisão recorrida afastou a regularidade dos depósitos bancários, no valor total de R$ 20.000,00, em razão da falta de prova que identifique sua origem, mas reconheceu que o contribuinte não auferiu ganho de capital com a cisão feita, sendo tal procedimento feito de maneira regular; assim, ato contínuo, a multa de 150% foi reduzida para 75%. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar a impugnação, a DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, conheceu da impugnação e deu-lhe parcial provimento, restabelecendo o crédito tributário para o valor R$ 1.144,73 (mil, cento e quarenta e quatro reais e setenta e três centavos), reduzindo, também, a multa aplicada de ofício para o patamar de 75%, incidente sobre o valor devido a título de IRPF. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 10/11/2008 (fl. 284), o contribuinte interpôs, através de procurador constituído, recurso voluntário em 09/12/2008 (fls. 285-290), com a pretensão de ver modificada a decisão que reconheceu a irregularidade do depósito no valor de R$ 20.000,00. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Fl. 581DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.165 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13982.001004/2007-25 Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic - Relator Admissibilidade O contribuinte foi intimado via postal em 10/11/2008 (fl. 284), e o recurso voluntário foi interposto em 09/12/2008, sendo, portanto, tempestivo o presente recurso. Por atender aos demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço e passo à sua análise. Mérito Pretende o contribuinte comprovar, nesta fase processual, que auferiu renda, no valor de R$ 20.000,00, de forma regular e com origem comprovada. Não assiste razão ao contribuinte. Na verdade, os documentos que acompanham o recurso voluntário, às fls. 292- 293, apenas se prestam a provar que o contribuinte recebeu a quantia de R$ 20.000,00, mas não possuem aptidão a comprovar a sua origem, razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida. Neste ponto como o Recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 332/344), à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter o crédito tributário no valor de R$ 1.144,73 (mil, cento e quarenta e quatro reais e setenta e três centavos), além da multa na ordem de 75%, incidente sobre o valor devido a título de IRPF. É como voto (assinado digitalmente) Gabriel Tinoco Palatnic Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001433/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º).
Não comprovado o pagamento antecipado, ou tendo ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente.
Numero da decisão: 2401-006.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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GANHO DE CAPITAL. Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir da data do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º). Não comprovado o pagamento antecipado, ou tendo ocorrido dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra de contagem do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o Fisco ter realizado o lançamento de ofício (CTN, art. 173, I). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 33 /2 00 6- 03 Fl. 212DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata-se de auto de infração de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 136/146, ano-calendário 2001, que apurou imposto suplementar de R$ 78.166,34, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnê-leão, acréscimo patrimonial a descoberto e omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no valor de R$ 4.387,49 Consta do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 127/135) que: - os contribuintes Cláudio Del Bianco e Denise Vaisberg Del Bianco são casados em comunhão de bens e apresentaram declaração em separado; - os valores tributáveis apurados decorrentes da variação patrimonial a descoberto, da omissão de aluguéis recebidos e dos ganhos de capital foram lançados 50% para cada cônjuge; - intimados a esclarecer sobre os rendimentos referentes à diferença entre os rendimentos tributáveis totais declarados nas DIRPF e os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, os contribuintes declararam referir-se a rendimentos recebidos de pessoas físicas no Brasil por prestação de serviços extraordinários de “Guia Turístico”; - concluiu-se então que não foram declarados os rendimentos relativos aos contratos de aluguel dos apartamentos 101 e 103 à rua Lopes Quintas, 120, dos meses de abril a dezembro/2001, cujo valor mensal de cada contrato é de R$ 1.000,00, sendo lançado o montante de R$ 9.000,00 para cada contribuinte. - foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, no ano-calendário 2001, no montante total de R$ 473.178,36, conforme os demonstrativos anexos: demonstrativo de variação patrimonial (fls. 120/121); demonstrativo de recursos/origens (fls. 122/123) e demonstrativo de dispêndios/aplicações (fls. 124/125); - os valores foram apurados considerando todos os recursos e dispêndios de ambos os cônjuges, uma vez que foram adquiridos conjuntamente, concorrendo ambos com os seus recursos; do valor tributável foi lançado 50% para cada cônjuge. - grande parte dos valores lançados a titulo de recursos/origens e dispêndios/aplicações é explicável por sua própria natureza; - os contribuintes são sócios majoritários da empresa C. Del Bianco, com 55% e 40% das cotas; - quanto à conta “empréstimos de sócios”, foram atribuídos aos mesmos, em conjunto, os lançamentos de crédito “empréstimos concedidos pelos sócios pessoas físicas” e débito “empréstimos recebidos pelos sócios”; - os saques e depósitos mensais nas cadernetas de poupança se equivalem, sendo zero o resultado final, à exceção de três meses, que registram pequenas diferenças; Fl. 213DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 - contudo, para maior clareza, lançou os depósitos e saques mensais separadamente, ainda que na maioria dos meses tais lançamentos se anulem, ao invés dos saldos apurados; - quanto às despesas pagas pela empresa debitadas na conta “empréstimos de sócios”, há que se registrar como despesas os pagamentos diretos feitos pela empresa de despesas dos sócios, pois os lançamentos foram registrados como recursos; - foi apurado ganho de capital na alienação do apartamento n° 103 do Bloco I à rua Lopes Quintas n° 100, alienado em setembro de 2001 por R$ 200.000,00 recebidos no ato da escritura, conforme escritura do 14° Oficio de Notas; - o custo de aquisição considerado foi aquele constante das DIRPF; - não aplicável ao caso presente a regra decadencial relativa ao lançamento por homologação, considerando que não houve por parte do contribuinte o recolhimento espontâneo, ainda que parcial, e nem mesmo o preenchimento do demonstrativo de apuração dos ganhos de capital que deveria ter sido anexado à DIRPF; - considerando os rendimentos de guia nos valores mensais informados pelos contribuintes e o aluguel no montante mensal de R$ 500,00 para cada cônjuge, foram apurados valores sujeitos ao cálculo do camê-leão; - conforme previsão legal e cálculos discriminados no Auto de Infração, deve ser aplicada multa isolada sobre os valores devidos e não pagos. Em impugnação apresentada às fls. 150/158, a contribuinte alega decadência até novembro/2001, que ocorreram empréstimos entre a pessoa física e a jurídica, a incidência de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. A DRJ/RJ2, julgou procedente em parte a impugnação, retificando o crédito tributário, conforme Acórdão 13-26.277 de fls. 165/174, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. INOCORRENCIA. A ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda devido no Ajuste Anual deve tomar como data para o seu aperfeiçoamento o último dia do ano, não sendo válido o raciocínio de que a contagem do prazo decadencial deve ser feita de forma parcelada, em relação a cada mês, à medida que as receitas vão sendo apuradas. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE ANTERIOR PAGAMENTO HOMOLOGAVEL Inexistindo pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, deslocando-se a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173 do CTN. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. Por ser modalidade de lançamento de oficio, aplica-se à multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de camê leão a regra contida no art. 173, inciso I, do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Fl. 214DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 Os valores de empréstimo recebidos pelo contribuinte na forma de pagamento direto de despesas suas também devem ser consignados como dispêndios/aplicações no demonstrativo de variação patrimonial. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO DECLARADO NO AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Exige-se multa isolada sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, mesmo que os rendimentos correspondentes tenham sido declarados. Não se aplica ao caso a denúncia espontânea, por se tratar de penalidade aplicada por ter o contribuinte deixado de recolher imposto no devido prazo. MULTA 1SOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de camê-leão, não se confundindo com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto apurado após constatação de Declaração de Ajuste Anual inexata. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE 75% PARA 50%. A lei nova que prevê penalidade menos severa do que a vigente ao tempo da prática da infração deverá ser aplicada retroativamente aos fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta do voto do acórdão recorrido que o valor da multa isolada foi recalculado, para aplicar a legislação posterior mais benéfica, passando a 50% do imposto devido que deveria ter sido recolhido por meio de carnê-leão, no valor de R$ 2.924,99. Cientificado do Acórdão em 7/10/09 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 177), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/11/09, fls. 178/184, que contém, em síntese: Diz concordar com a autuação de omissão de rendimentos de alugueis e multa isolada, procedendo seu recolhimento. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, reconhece parcialmente o débito, permanecendo a controvérsia sobre parte do lançamento. Recorre totalmente do lançamento referente ao ganho de capital na alienação de bens e direitos. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, a controvérsia remanesce no que diz respeito à conta denominada "empréstimos de sócios", contabilizada na empresa C Del Bianco Viagens e Turismo. Diz serem sócios majoritários da empresa o contribuinte e sua esposa e que a maior parte das receitas decorre de turistas estrangeiros que viajam para a América Latina. Diz que a conta da empresa onde eram realizadas as operações de câmbio era indevidamente classificada como "empréstimos de sócios" e que não existe despesa pessoal do recorrente efetuada pela pessoa jurídica. A fiscalização efetuou o lançamento com base nos saldos positivos e negativos dessa conta, sem perquirir a natureza dos lançamentos ali efetuados. Tanto assim que a mencionada conta foi objeto de lançamento na pessoa jurídica, por suposta omissão de receitas, conforme Auto de Infração lavrado em 26/12/07, Processo 18471.002126/2007-12. Cita o termo de constatação, que diz explicar o ocorrido, de onde se depreende que os valores lançados a débito têm como contrapartida a conta Fornecedores, portanto, não são despesas pessoais do recorrente e sua esposa, como afirma a decisão recorrida. Fl. 215DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 Entende que os lançamentos são excludentes. Ou a omissão de receitas é tributada na pessoa física, na coluna aplicações, e, portanto, aceito como origem na pessoa jurídica, ou considerado como indício da presunção de omissão de receitas, segundo art. 282 do RIR/99. Quanto ao ganho de capital, alega ter fato gerador instantâneo, sendo decadente o lançamento efetuado em 30/11/2006 relativo ao ganho de capital apurado em setembro 2001. Requer seja excluído o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECADÊNCIA Ganho de capital Com razão o recorrente ao afirmar que o ganho de capital tem incidência autônoma, contudo, não houve pagamento parcial, não havendo que se falar em fato homologável. Nos lançamentos por homologação, para se apurar a decadência, na hipótese de existência de pagamento parcial e inexistência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, inexistindo pagamento parcial, a situação atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contando-se o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso, tendo ocorrido o ganho de capital em setembro/2001, sem qualquer pagamento parcial do imposto devido, o prazo decadencial para a fazenda constituir o crédito começou a fluir em janeiro/2002, encerrando-se cinco anos depois, em 31/dezembro/2006. Como o lançamento ocorreu em 30/11/2006, não há que se falar em decadência. MÉRITO Acréscimo Patrimonial a Descoberto A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Fl. 216DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 Art.43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados: Art. 3° - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, reafirma que as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial não justificado são tributáveis: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Os artigos 806 e 807 do mesmo diploma prevê, ainda, que a autoridade fiscal pode exigir do contribuinte os esclarecimentos necessários acerca da origem dos recursos, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento de patrimônio. Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. A única forma do contribuinte não sofrer a tributação citada é ele demonstrar que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que não foi feito. O recorrente alega que foi tributado na pessoa jurídica, que deve prevalecer apenas um auto de infração. Tal alegação não pode ser aceita, pois o acréscimo patrimonial apurado no presente auto de infração foi para o ano-calendário 2001 e o auto de infração citado se refere ao ano-calendário 2002, conforme Acórdão 1401-001.319, de 25/9/14, não possuindo relação os valores apurados em um e outro auto de infração. A simples discordância dos fatos não pode ser considerada para afastar o lançamento. A discordância desprovida da indicação dos motivos de fato (devidamente comprovados) ou de direito em que se fundamenta a irresignação é entendida como negativa geral, o que não configura impugnação ou recurso. Fl. 217DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.839 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001433/2006-03 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720442/2011-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004.
Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista.
Numero da decisão: 9303-009.119
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 04 42 /2 01 1- 37 Fl. 228DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.119 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720442/2011-37 Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de contribuição não cumulativa. A DRF de jurisdição emitiu despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório, e homologando as compensações até o limite reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo a reforma do despacho decisório, para o reconhecimento da totalidade do crédito. Alega, entre outros pontos, a suspensão da incidência da contribuição, pois afirma realizar venda de leite refrigerado vendido a granel, adquirido de produtores rurais e entende que a suspensão é prevista a partir de 2004, enquanto a fiscalização, a partir de 04/04/2006, com a vigência da Instrução Normativa SRF nº 636/2006. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.120, que lhe deu parcial, provimento para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando que a unidade de origem analise se o contribuinte faz jus a esse benefício. Recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão de recurso voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 3801-004.397, o qual expressa o entendimento de que até 4 de abril de 2006. data de publicação da IN-SRF nº 660 de 2006, não era possível a venda com suspensão prevista no art. 9° da Lei nº 10.925 de 2004, porque a IN-SRF nº 636, de 2006, foi revogada pela IN-SRF nº 660, de 2006, que estabeleceu expressamente em seu artigo 11 que a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente seria aplicada a partir de 4 de abril de 2006. Esse posicionamento é francamente dissonante daquela sufragado no acórdão recorrido. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a contribuinte não se manifestou no prazo regimental. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.119 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720442/2011-37 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.117, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10820.720440/2011-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.117): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. A matéria já teve análise por esta Turma, em 22/01/2019, com posicionamento unânime, no acórdão nº 9303-007.851, quando se entendeu que a suspensão é aplicável a partir de agosto de 2004. Tendo participado daquela sessão, adoto o entendimento do voto condutor, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, e peço licença para a seguir reproduzí-lo: Vejamos a evolução legislativa de interesse: Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 17. Produz efeitos: Fl. 230DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.119 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720442/2011-37 (...) III - a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Instrução Normativa nº 636/2006 (Publicada em 04/04/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Instrução Normativa nº 660/2006 (Publicada em 25/07/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II - em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. É maciça (eu diria, praticamente toda no mesmo sentido) a jurisprudência do CARF no sentido de inadmitir que norma administrativa (no caso, a IN/SRF nº 660/2006), pudesse limitar a eficácia a partir de uma data bem posterior à prevista na própria lei instituidora do regime suspensivo – ainda mais quando outra norma do mesmo Órgão, revogada pouco depois, atribuía seus efeitos retroativamente à data estabelecida no diploma legal, como está retratado em recentíssimo Acórdão, unânime (nº 3402005.118, de 17/04/2018, que serviu inclusive de paradigma para diversos outros julgados naquela Sessão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A ementa prende-se exclusivamente ao que dispõe a lei, e no Voto Condutor não é muito diferente, dada à clareza da norma legal e à vasta jurisprudência administrativa a que me referi: "A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do § 2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012..." Do Voto Condutor do citado Acórdão de 2012, extraio o seguinte excerto: Fl. 231DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.119 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720442/2011-37 "Se por um lado é certo que “os termos e condições” estabelecidos pela RFB pode limitar a suspensão da incidência das duas Contribuições, na hipótese do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, por outro, tal limitação não pode impedir por completo a suspensão da incidência das duas Contribuições, a começar necessariamente em 1º de agosto de 2004. Muitos menos pode a RFB, ao deixar de regulamentar a norma, tornar nulos seus efeitos a partir do momento em que já tem alguma eficácia, segundo a Lei nº 10.925, de 2004." Naquele julgado é evocada decisão do STJ (não vinculante, é verdade, mas bem incisiva a respeito), qual seja, o Acórdão no REsp nº 1.160.835/RS, sendo que, em pesquisas no site daquele Tribunal Superior na Internet, encontrei o de nº 1.143.568/SC, que remete ao primeiro e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (e que adoto como razões de decidir): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO- CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN ... E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discute-se nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática não-cumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido.” Fl. 232DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.119 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.720442/2011-37 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.941791/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 17 91 /2 01 1- 11 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.419 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941791/2011-11 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.419 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941791/2011-11 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.419 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941791/2011-11 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.419 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941791/2011-11 Fl. 131DF CARF MF
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