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Numero do processo: 10935.902455/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/06/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 55 /2 01 2- 16 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.760, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 36785.26423.161107.1.2.042801, rastreamento nº 029224778, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.091,99, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/05/2006, efetuado em 14/06/2006, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902455/201216 Acórdão n.º 3802002.610 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 14/06/2006 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902455/201216 Acórdão n.º 3802002.610 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902455/201216 Acórdão n.º 3802002.610 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902455/201216 Acórdão n.º 3802002.610 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12571.720391/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COOPERATIVA - GANHO NA VENDA DE INVESTIMENTO - ATO NÃO COOPERATIVO.
A venda de investimento ainda que permitida não se qualifica com ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5.764/71. Portanto ganho em tal operação está sujeita à tributação de IRPJ e CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente COOPERATIVA CENTRAL DE LATICÍNIOS DO PARANÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COOPERATIVA GANHO NA VENDA DE INVESTIMENTO ATO NÃO COOPERATIVO. A venda de investimento ainda que permitida não se qualifica com ato cooperativo tal qual definido no art. 79 da Lei 5.764/71. Portanto ganho em tal operação está sujeita à tributação de IRPJ e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 91 /2 01 2- 39 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR. Versa o presente processo administrativo acera de autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL ((fls. 809 819), relativos ao anocalendário 2006. A descrição dos fatos e enquadramentos legais se encontram no auto de infração nos seguintes termos: [...] “0002 OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS Omissão de receita operacional, conforme Termo de Verificação Fiscal e planilha em anexo, gerando, em consequência, redução indevida de lucro sujeito à tributação. (...) 0002 RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS Omissão de receitas não operacionais caracterizada pela insuficiência de contabilização, conforme Termo de Verificação Fiscal e planilha em anexo.” [...] Os eventos relacionados às infrações tratadas nestes autos, limitados aos pontos relevantes aos fins aqui perseguidos, encontramse descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 797 – 805 nos seguinte termos: [...] “Em atenção às intimações n. 544 e 547/2012, fls. 336 – 340 e 483 485, após prorrogações de prazo, a BRF Brasil Foods S;A, sucessora da Batávia S/A Indústria de Alimentos, apresentou os seguintes elementos e esclarecimentos: Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças com Condição Suspensiva, firmado em maio de 2006 entre as partes PDA Distribuidora de Alimentos (compradora), CNPJ (...), a CCLPL (alienante), a Cooperativa Central Agromilk (alienante), CNPJ (...), a Perdigão Agroindustrial S/A (garantidora das obrigações da compradora), CNPJ (...), e Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos Fl. 885DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12571.720391/201239 Acórdão n.º 1301001.423 S1C3T1 Fl. 3 3 (beneficiária das quitações das cooperativas), CNPJ 89.940.878/000110, fls. 562576. Objeto do Contrato (subitem 1.1), fls. 563564: compra e venda de 2.550.000 ações de emissão da Batávia S/A, sendo 2.391.798 ações detidas pela CCLPL e 158.202 ações da Cooperativa Central Agromilk. Preço da Compra (subitem 2.1), fl. 564: R$ 8.700.000,00, pago exclusivamente à CCLPL, mas com repasse da parcela cabível à Cooperativa Central Agromilk, conforme a escrituração contábil. Pagamento adicional (subitem 4.1.I.d): R$ 3.000.000.00, pagos exclusivamente à CCLPL, fls. 565566, para a assinatura da petição de desistência da ação de exclusão de Sócio (Parmalat) e demais processos. Recibo de Pagamento do Preço de Compra, de R$ 11.700.000,00, foi firmado em 25/05/2006 pelos representantes da CCLPL, fl. 650. O Livro Registro de Transferência de Ações, fls. 406 e 429, o Livro Registro de Ações, fls. 436 e 474475. São estes os esclarecimentos, documentos, livros e elementos que motivam o presente lançamento de ofício. IV – DA DIFERENÇA APURADA E LANÇADA DE OFÍCIO A escrituração contábil da pessoa jurídica revela que houve a contabilização de R$ 2.390.227,05, conforme a conta contábil de receita não operacional ’04.07.01.01.00001 – Receita de Alienação de Investimentos’, do custo das ações alienadas de R$ 983.333,16, conta contábil ’04.07.01.02.0001 – Custo Corrigido de Invest. Alienados’, tudo segundo o Livro Diário e o Razão Contábil, fls. 49122 e 294301. Salientese que a receita não operacional informada no parágrafo anterior está líquida da parte atribuída à Cooperativa Central Agromilk, de R$ 368.868,00, lançado na contabilidade da fiscalizada na conta ‘02.01.05.02.00099 – Outras Obrigações a Pagar’, fls. 296 297. Embora os fatos tenham sido contabilizados em junho de 2006, o Recibo de Pagamento do Preço de Compra de R$ 11.700.000,00, fls. 650, indica que o valor foi recebido pela CCLPL em 25/05/2006. Tal fato não trará prejuízos para o lançamento de ofício, já que o fato gerador do IRPJ e da Fl. 886DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 CSLL, segundo a opção da forma de tributação pela fiscalizada, é anual, aperfeiçoandose em 31/12/2006. A pessoa jurídica não contabilizou e, consequentemente, não ofereceu à tributação a título de demais receitas o montante de R$ 3.000.000,00, nos termos do subitem 4.1.I, d do Contrato mencionado, e recebidos englobadamente pela CCLPL no recibo de R$ 11.700.000,00, já referido. Tal receita é tributada, pois não se considera receita da atividade cooperativa, bem como não se enquadra em outra modalidade de isenção. Sobre tal receita de R$ 3.000.000,00 estão sendo constituídos o IRPJ e a CSLL cabíveis, mais os acréscimos legais. A fiscalizada também não ofereceu à tributação parte do montante recebido a título de receita não operacional de alienação de ações da Batávia S/A, de R$ 8.700.000,00, segundo o cálculo demonstrado a seguir: [...] Sobre a diferença apurada e não oferecida à tributação pela pessoa jurídica, estão sendo lançados o IRPJ e a CSLL devidos, mais multa de ofício e juros calculados à taxa Selic.” [...] A recorrente foi cientificada do lançamento, apresentou Impugnação (fls. 828834), alegando de início a decadência, para defender que os débitos estão extintos, tendo em vista o transcurso de lapso superior a cinco anos entre a data da intimação (20/12/2012) e o encerramento do anocalendário 2006, enfatizando não ter agido com evidente intuito de fraude ou mediante simulação. No mais, argumentou que o art. 182 do RIR/99 dispõe que as sociedades cooperativas não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro, acrescentando que essa norma claramente alcança a participação societária na empresa Batávia S/A, cujo objeto social é extensão de uma das suas atividades, aduzindo que atuava no setor econômico da indústria de laticínios, recebendo leite dos cooperados para industrializar e vender os produtos resultantes, e que no propósito de concentrar essa atividade econômica em uma só empresa, unindo recursos com outros investidores, constituiu a empresa Batávia, da qual era sócia, concluiu que desenvolvia uma de suas atividades econômicas de proveito comum dos cooperados e sem objetivo próprio de lucro, por meio da empresa Batávia S/A, e que reputou não ser tributável o resultado apurado na venda de ações de empresa que é extensão inconteste de atividade econômica por ela exercida. Alegou ainda que a Fiscalização, ao determinar a base de cálculo dos tributos cobrados, não considerou: i) honorários devidos à empresa que intermediou a negociação das ações (R$ 1.400.000,00); ii) honorários advocatícios pagos em decorrência de atividades exercidas na negociação de ações (R$ 3.950.000,00). Por fim, sustentou que deveriam ser deduzidos da base de cálculo dos tributos os dois valores, no importe total de R$ 5.350.000,00, e que os pagamentos foram efetuados Fl. 887DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12571.720391/201239 Acórdão n.º 1301001.423 S1C3T1 Fl. 4 5 pela compradora diretamente àqueles beneficiários, conforme item 2.2 do Contrato de Compra e Venda de Ações. Arremata afirmando que a apuração incorreta da base de cálculo dos tributos retira a liquidez e a certeza do crédito tributário lançado. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, julgou o lançamento procedente, assinalando, em relação à decadência que não se aplica a contagem defendida pela contribuinte (regra do 150, § 4º do CTN), e sim a regra geral estabelecida no artigo 173, I, do CTN, uma vez que, conforme enfatizado no Termo de Verificação Fiscal, não houve qualquer pagamento de tributo relativo ao ajuste anual do anocalendário 2006, reconhecendo assim, a prevalência do entendimento do egrégio Superior Tribunal de Justiça firmado no âmbito de julgamento de recursos repetitivos, o que afastaria a alegada decadência. No que toca à alegação de que não seriam tributadas as operações de alienação das ações tratada nestes autos, porquanto beneficiada pela não incidência do imposto sobre suas atividades econômicas de proveito comum, sem objetivo de lucro, prevista no art. 182, do RIR/1999, assentou a decisão recorrida que o argumento não convence. Entendeuse que no caso presente não se está tratando da constituição da Batávia S/A, alegado meio de persecução de seus objetivos sociais. Pelo contrário, o lançamento recai sobre o lucro auferido na venda de ações da Batávia S/A, que na prática materializou o afastamento da exploração da atividade que, em tese, se identifica com seus objetivos sociais, não existindo vínculo entre a venda de ações e os objetivos sociais da cooperativa impugnante, registrando ainda, que a contabilidade da impugnante sequer demonstrava o recebimento integral do valor pago, e também que e este tenha se revertido em proveito do conjunto dos cooperados, como alega. Quanto ao alegado erro na base de cálculo, relembrou a decisão recorrida que a contribuinte alega que a Fiscalização não deduziu da base imponível a importância total de R$ 5.350.000,00 que teriam sido pagos diretamente a escritório de advocacia e a empresa que intermediou a negociação das ações, conforme estipulado no item 2.2 do Contrato de Compra e Venda de Ações, e segundo a decisão, por razões inexplicáveis, existem nos autos sete cópias de contratos relativos a negociações de ações, a saber: a) três cópias do contrato pelo qual a PARMALAT vendeu 76.092.000 ações para a PDA Distribuidora de Alimentos Ltda (fls. 355 372; 373390 e 544561), que em nada se relaciona à questão debatida nestes autos; b) três cópias do contrato pelo qual a impugnante (CCLPL) vendeu, em 25/05/2006, o lote de 2.250.000 ações para a PDA Distribuidora de Alimentos Ltda (fls. 391405; 562576 e 634 649), que é a operação discutida nestes autos; e d) uma cópia do Contrato de Compra e Venda de Ações pelo qual quatro cooperativas singulares (Agromilk, Batavo, Castrolanda e Capal) venderam, em 28/11/2007, um lote de 73.107.998 ações para Perdigão Agroindustrial, operação essa que também não apresenta qualquer relação com a matéria discutida nestes autos. Com este cotejo analítico dos contratos encartados aos autos, frisou a decisão recorrida que apesar de haver procurado exaustivamente, não localizou em nenhuma das vias do contrato da operação tratada nestes autos (fls. 391405; 562576 e 634649) alguma referência aos pagamentos mencionados pela impugnante, sendo que o único contrato que prevê pagamento para escritório de advocacia é aquele de fls. 651667, firmado em 28/11/2007, pelo qual as cooperativas singulares já mencionadas vendem ações, conforme se vê às fls. 654, entretanto, descartouse a ideia de que a impugnante esteja pretendendo a dedução desse pagamento, porquanto não faria sentido vincular a um negócio jurídico Fl. 888DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 realizado em maio de 2006 um pagamento que veio a ser previsto na celebração de outro negócio distinto, em novembro do ano seguinte. Assentouse ainda, que a impugnante afirmava expressamente que, por força de previsão inserta no contrato, o pagamento teria sido feito pela adquirente das ações diretamente aos beneficiários, logo, cumprialhe a apresentação desse contrato para a cabal comprovação do alegado, mantendo assim, a autuação em sua integralidade. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 849 em diante), reiterando a preliminar de decadência, repetindo de igual forma o argumento de mérito. É o relatório. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12571.720391/201239 Acórdão n.º 1301001.423 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima elaborado, o qual integra o presente voto para todos os fins, a recorrente foi autuada ante a constatação de que não ofereceu à tributação os valores recebidos a título de ganho de capital e demais receitas. A contribuinte sustenta, em síntese, que o crédito tributário estaria extinto ante a ocorrência da decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, defendendo ainda, alternativamente, que as receitas supostamente omitidas constituiriam o chamado ato cooperativo, para o qual o artigo 182, do RIR/99, estabelece a não incidência do imposto sobre a renda e, por último alega equívoco na apuração da base de cálculo. Considerando que a decisão recorrida rejeitou os argumentos da contribuinte, passo abaixo à apreciação de cada item do inconformismo. I – DA DECADÊNCIA Sustenta a contribuinte que o crédito tributário objeto do presente processo estaria extinto pela decadência, considerando para tanto, que por tratarse na espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação a fluência do prazo decadencial deuse na forma do § 4º do artigo 150, do CTN, cinco anos a contar do fato gerador, de sorte que a data da intimação do contribuinte sendo em 20 de dezembro de 2012, revelaria o decaimento para glosa atinente ao anocalendário 2006. Em seu socorro, a contribuinte juntou diversos precedentes administrativos, da Câmara Superior do então Conselho de Contribuintes, para evidenciar que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação se aplica a regra do mencionado artigo 150, § 4º, do CTN, aduzindo ainda, que ausente na espécie qualquer indício de fraude, dolo ou simulação, não haveria falar na aplicação da regra geral do artigo 173 do CTN. Não há qualquer reparo a ser feito no entendimento sufragado pela decisão recorrida. Com efeito, não se desconhece que aos tributos sujeitados ao dito lançamento por homologação, se aplica o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, no entanto, a presença de dolo, fraude ou simulação, não são as únicas hipóteses que deslocam a fluência do prazo em questão para a regra geral do artigo 173 do CTN, porquanto como reconheceu a decisão recorrida, a Jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça, firmada no âmbito de uniformização dos recursos repetitivos, assinala que inexistindo pagamento antecipado, como no caso dos autos, o prazo decadencial se dá pela regra geral. Diante disso, afasto a preliminar mantendo o entendimento da decisão recorrida. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 II – TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES – ATO COOPERATIVO Quanto ao mérito propriamente dito, a contribuinte defende que o artigo 182, do RIR/99, dispõe que as sociedades cooperativas "não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro", sendo que tal norma alcançaria a participação societária na empresa Batávia S.A., cujo objeto social é extensão de uma das atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, porquanto ela, recorrente, atuava no setor econômico da indústria de laticínios, por meio da qual recebia leite dos cooperados para o industrializar e vender os produtos resultantes para o mercado e com objetivo de concentrar essa atividade econômica numa única empresa e com a finalidade de unir recursos com outros investidores, foi constituída a empresa Batávia S.A., da qual a recorrente era sócia. Deste relato, conclui a recorrente que desenvolvia uma de suas atividades econômicas de proveito comum dos cooperados e sem objetivo próprio de lucro por meio da empresa Batávia S. A e que aplicase com perfeição a regra do artigo 182, do Regulamento do Imposto de Renda e não é, portanto, tributável o resultado apurado na venda de ações de empresa que é extensão inconteste de atividade econômica exercida por esta Cooperativa. Cingese a matéria aqui tratada em perquirir se de fato o resultado apurado na venda de ações de sociedade anônima, por cooperativa, pode ser considerado como atos cooperativos, e, assim, não sujeitados à tributação. Merece o caso proposto, destarte, breve digressão acerca do regime jurídico das cooperativas e seus atos nominados de “cooperativos”. Sabese que as sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei nº. 5.764/71, que delineou os contornos da Política Nacional do Cooperativismo e instituiu o regime jurídico de tais associações. Com relação e elas prescreve o artigo 3º da citada lei. Artigo 3º. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. de proveito comum, sem objetivo de lucro. O Código Civil, do artigo 1.093 ao 1.096 cuidou de estabelecer regras acerca das sociedades cooperativas, lá disciplinando suas peculiaridades, forma jurídica própria, não sujeição à falência e, sobretudo, constituição para os fins de prestar serviços aos associados, e caracterização, reprisando os termos do artigo 4º da Lei nº. 5.764/71 que assim entabula, in verbis: Artigo 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número limitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotas partes; III limitação do número de quotas partes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; Fl. 891DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12571.720391/201239 Acórdão n.º 1301001.423 S1C3T1 Fl. 6 9 IV inacessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto. podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quórum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. Nessas breves considerações acerca das sociedades cooperativas não se pode deixar de constar a vedação de distribuição de benefícios correlatos ao capital social integralizado, o eminente tributarista Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de Renda das Empresas, na página 494, cuidando do tema com a propriedade que lhe é peculiar, assim nos ensina, litteris: ... é vedado a uma sociedade cooperativa distribuir qualquer espécie de benefício às quotasparte do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% ao ano atribuído ao capital integralizado, na forma do art. 24, § 3º, da Lei nº 5.764/71, e § 1º do art. 182 do RIR/99... Traçado o panorama acima, ainda nos cumpre mesmo que de maneira perfunctória, cuidar do ato cooperativo, para então descermos às minudencias do caso específico, e nesse mister colho o dispositivo do artigo 79 da já referida Lei nº 5.764/71, in verbis: Artigo 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifos meus) Fl. 892DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 O texto do parágrafo único prescinde de qualquer esforço hermenêutico dado a clareza com que veda, para caracterização do ato cooperativo, as operações de mercado e contratos de compra e venda de produto ou mercadoria, e são genuínos exemplos de tais atos, os cooperados, a entrega de produtos dos associados à cooperativa para comercialização, bem como, repasses efetuados pela cooperativa a eles, decorrentes dessa comercialização. Exemplificanos ainda, o fornecimento de bens e mercadorias a associados, desde que vinculadas à atividade econômica deste e que sejam objeto da cooperativa, e, o fornecimento de créditos aos associados das cooperativas de crédito. Os ato não cooperativos, por óbvio, são compreendidos por aqueles que importam em operações com terceiros não associados, a relação entre a cooperativa e terceiros, e já me antecipo em dizer que estes atos se veem bem exemplificados pela venda de ativos de que dispunha a cooperativa, ainda que esta tenha tido por finalidade atender os objetos sociais da cooperativa. É cabível por fim, ponderar acerca da nãoincidência de tributos e suas condicionantes. Dispondo acerca dessa temática, entabula o artigo 182 do RIR/99, in verbis: Artigo 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 1º. É vedado às cooperativas distribuirem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º. A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. (meus os grifos) A norma que concede o benefício, citada acima, não é aplicável aos resultados positivos gerados por atividades estranhas à finalidade das sociedades cooperativas e sobre a comercialização ou industrialização, pelas cooperativas de produtos adquiridos de não associados, de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, volto a insistir, ainda que para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, enfim, não compreende os atos não cooperativos. Há que se levar em conta, pela sistemática da benesse tributária em questão (nãoincidência), que o benefício é dado em função de uma atividade, e não em função da qualidade de uma pessoa, sendo, portanto, possível que uma sociedade cooperativa tenha operações tributáveis, ao lado de outras não tributáveis, caso a mesma cooperativa realize, num mesmo período operações diversas, cumprindo ao contribuinte segregar os resultados atinentes a cada umas das hipóteses (tributáveis e nãotributáveis), não sendo possível fazêlo, deverá o contribuinte separar as parcelas adotando o critério da proporcionalidade entre uma e outra espécie, valendo o mesmo critério em relação às parcelas não dedutíveis para cômputo na determinação do lucro real, a propósito esse é o modelo previsto nos Pareceres Normativos nºs 73/85, 38/80 e 49/87, sendo que o Parecer Normativo nº. 38/80 apresenta um exemplo numérico de cálculo. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12571.720391/201239 Acórdão n.º 1301001.423 S1C3T1 Fl. 7 11 Creio já dispormos de arcabouço suficiente para perquirir na espécie, se a recorrente praticou atos não cooperativos dando lastro ao lançamento efetuado. Assim sendo, impõese a procedência da autuação, na medida em que se pode concluir de maneira indelével que o ganho de capital advindo da venda das ações em questão decorrem de relação mantida pela recorrente com não cooperado, daí porque uma das condicionantes (partes envolvidas) não se vê caracterizada para configuração da não incidência. Sendo assim, sem reparos a serem feitos no conteúdo decisório impugnado. III – BASE DE CÁLCULO INCORRETA Por fim, quanto ao alegado erro na base de cálculo, a contribuinte alega que a Fiscalização não deduziu dos lançamentos R$ 5.350.000,00 que teriam sido pagos diretamente a escritório de advocacia e a empresa que intermediou a negociação das ações, conforme estipulado no item 2.2 do Contrato de Compra e Venda de Ações. A decisão recorrida neste item específico demonstrou que não houve comprovação de que tais pagamento se deram nem mesmo a previsão para eles. Procedeuse um cotejo analítico dos contratos encartados aos autos e não localizou no contrato em questão (fls. 391405; 562576 e 634649) qualquer referência aos pagamentos mencionados, sendo que o único contrato que prevê pagamento para escritório de advocacia é aquele de fls. 651667, firmado em 28/11/2007. Ausentes as provas que sustentem o argumento da contribuinte, também neste item subsiste a decisão recorrida. IV – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência, e no mérito, Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 11 de março de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 19740.901472/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
COMPROVAÇÃO DO ERRO. VERDADE MATERIAL.
Restando comprovado pelo contribuinte o erro em que se funda o lançamento impositiva se torna sua desconsideração em prol da verdade material.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ.
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização.
DIPJ É CAPAZ DE PRODUZIR EFEITOS PARA FINS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos.
COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza-se como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, podendo ser compensado mediante apresentação de DCOMP.
A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Súmula CARF nº 84.
Numero da decisão: 1302-001.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 COMPROVAÇÃO DO ERRO. VERDADE MATERIAL. Restando comprovado pelo contribuinte o erro em que se funda o lançamento impositiva se torna sua desconsideração em prol da verdade material. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização. DIPJ É CAPAZ DE PRODUZIR EFEITOS PARA FINS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos. COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. O pagamento a maior de estimativa caracterizase como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, podendo ser compensado mediante apresentação de DCOMP. A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 14 72 /2 00 9- 92 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 Súmula CARF nº 84. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 19740.901472/200992 Acórdão n.º 1302001.526 S1C3T2 Fl. 199 3 Relatório BTG PACTUAL ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, nova denominação da sociedade UBS PACTUAL ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ DRJ/RJ1, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte, ora recorrente, pretendia fazer uso de recolhimento a maior recolhido a título de CSLL Estimativa, apurado e devidamente recolhido no anocalendário de 2007, contra débitos próprios de PIS e COFINS nos valores de R$ 77.812,07 e 115.824,03, respectivamente. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O presente processo tem como objeto a declaração de compensação 13108.83580.180608.1.3.045449, retificada pela Dcomp 23468.96891.020409.1.7.040207, por meio da qual a interessada formalizou encontro de contas que envolve os seguintes débitos e créditos. Crédito: * valor original de R$ 939.291,32 parte integrante do DARF no total de R$ 1.096.646,16, código 2469 (CSLL – Estimativa), período de apuração jan/2007, data de recolhimento 28/02/2007; Débito: * valor de R$ 77.812,07, código 4574 (PIS), período de apuração maio/2008; * valor de R$ 115.824,03, código 7987 (COFINS), período de apuração maio/2008 Em despacho decisório eletrônico (fls. 06) do qual a interessada foi cientificada em 06/11/2009 (fls. 10) a Administração Pública declarou não homologada a compensação declarada. O fundamento de assim decidir foi o de que o DARF originário do crédito alegado já teria se esgotado para a extinção do débito que especifica. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11, protocolada em 08/12/09, na qual alega que: * é nulo o despacho decisório já que não possui motivação adequada não esclarecendo seus fundamentos. Tais vícios efetivamente prejudicaram a ampla defesa da interessada; * informou equivocadamente na DCTF débito de CSLL, código 2469, o valor de R$ 1.096.646,16. Tal valor, porém, foi calculado e recolhido a maior; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 * conforme informação prestada na DIPJ espontaneamente entregue, o correto valor do débito em questão é de R$ 157.379,52, de forma que o crédito da interessada é de R$ 939.266,64; * mero erro formal não macula a existência do crédito pleiteado; * é dever da Administração Pública a busca da verdade material. Para tanto, devem ser buscados todos os documentos e dados disponíveis; * diante da divergência de informações entre DIPJ e DCTF a interessada deveria ter sido intimada a prestar esclarecimentos; * a DCTF preenchida com erro foi devidamente retificada. Cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, neles insistindo. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 19740.901472/200992 Acórdão n.º 1302001.526 S1C3T2 Fl. 200 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Tratase de pedido de compensação onde o contribuinte deseja ver compensado crédito advindo de recolhimento a maior de CSLL Estimativa, relativo ao período de apuração janeiro/07, recolhimento em fevereiro/07, com valor histórico na data da transmissão da DCOMP Original de R$ 939.266,64, contra débitos de PIS e COFINS apurados em maio de 2008, no valor principal de R$ 77.812,07 e R$ 115.824,03, respectivamente. O despacho decisório, eletrônico, de nº. 849778747, da DEINF/RJ, não homologou a compensação pleiteada sob o fundamento de que o pagamento havia sido totalmente utilizado para quitar o valor de CSLL Estimativa declarado em DCTF. O contribuinte manifestou sua inconformidade quanto à referida não homologação, argumentando, em síntese, que o valor declarado em DCTF devese a erro formal no preenchimento da mesma, sendo que o valor correto devido a título de CSLL Estimativa, para o período de apuração em questão, seria apenas o valor de R$ 158.753,92. Assim, tendo sido recolhido o valor de R$ 1.096.646,16 a título de CSLL Estimativa (DARF às fls. 66), resta comprovado o recolhimento a maior desta contribuição no valor de R$ 939.266,64, a ser utilizado pelo contribuinte, seja via restituição ou compensação, como de fato já o vinha sendo feito (Nº. DCOMP Inicial 35879.37978.310108.1.3.044063), restando na data da transmissão da DCOMP objeto deste litígio, resíduo do crédito original no valor de R$ 169.167,51. Aduz ainda que o correto valor devido a título de CSLL Estimativa, relativa ao período de apuração janeiro/07, poderia ser corroborado pela fiscalização através da conferência dos valores declarados na DIPJ/05. A DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada para manter a não homologação das compensações pleiteadas sob o fundamento de que: "(...) o encontro de contas pretendido foi formalizado por declaração de compensação enviada eletronicamente em 18/06/2008, posteriormente retificada em 02/04/2009, e a utilização do crédito pleiteado, oriundo de estimativa, é diversa daquela imposta pela norma do art. 10 da IN 600/05, cuja observância é obrigatória, por parte dos órgãos administrativos de julgamento, por força do art. 7º, inciso V da Portaria MF 341 de 12/07/11. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que assim determinava: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Quer o dispositivo acima que qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, que é determinado em observância ao artigo 2º da Lei nº. 9.430/96, fosse utilizado apenas para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. Relevante notar que durante a vigência da referida Instrução Normativa n° 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito só seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Contudo, no modesto entendimento deste julgador, o débito por estimativa tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecido pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº. 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido, passível de restituição ou Compensação de imediato. Nesse sentido, trancrevese a ementa do Acórdão nº. 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO.ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. (Acórdão CARF nº. 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) Corroborando o entendimento acima, peço vênia para transcrever os fundamentos utilizados na Solução de Consulta Interna n° 19 –COSIT, onde: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 19740.901472/200992 Acórdão n.º 1302001.526 S1C3T2 Fl. 201 7 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº. 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Quanto à natureza jurídica das instruções normativas, são atos que têm por função complementar e normatizar a legislação tributária, enquadrandose no art. 100, inciso I do CTN. Têm, também, esses atos, natureza interpretativa, explicitando o sentido e alcance dos atos legais. Nessa acepção, embora se enquadre na categoria de atos normativos, não possuem natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídicotributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). Contudo, no presente caso, os arts. 10 das IN SRF nº. 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº. 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº. 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº. 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Ressaltese que não se aplica à espécie o art. 2º da LICC – Lei nº. 4.657, de 4 de setembro de 1942 – dispositivo este que trata de vigência e revogação das leis no tempo –, uma vez que as normas legais interpretadas, que dispõem sobre estimativa/restituição/compensação, permaneceram inalteradas, mas de mudança de interpretação quanto às regras a serem adotadas no caso de pedido de restituição/compensação, quando o crédito do contribuinte decorrer de pagamento indevido a título de estimativa. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, é de se responder à interessada que, havendo pagamento em valor superior ao débito efetivamente apurado, realizado após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, caracterizase como pagamento indevido ou a maior, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº. 460, de 2004, e IN SRF nº. 600, de 2005. A matéria tratada nestes autos foi objeto inclusive de Súmula neste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº. 84, in verbis: Súmula CARF nº. 84 – Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009 e alterações supervenientes. Portanto, em se tratando de indébito tributário, na forma do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei 9.532/97, deve o mesmo ser atualizado à taxa SELIC desde o momento do recolhimento indevido – mais precisamente a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior ao da compensação e de 1% no mês em que esta estiver sendo efetuada. Assim sendo, restando incontroverso que o pagamento indevido ou a maior de estimativa caracterizase como indébito, mister se faz analisar se o crédito alegado pelo contribuinte revestese da liquidez e certeza necessárias para que a compensação pleiteada seja homologada. No entendimento deste julgador, a decisão recorrida foi omissa ao desprezar completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte (e disponível para a fiscalização no momento em que o despacho eletrônico fora proferido), o que, a meu ver, caracteriza a preterição do direito de defesa dos Contribuintes prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº. 70.235/72. Ademais, tal preterição de direito deveria ser sanada, sob pena de supressão de instância. Não é possível negar validade a outras informações constantes no banco de dados da Receita Federal no momento da decisão – a exemplo da DIPJ ignorada. Considerando que as informações relativas ao direito creditório do contribuinte poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB, entendo que não há necessidade de anular os atos praticados, por força do quanto dispõe o art. 59, §3º, do Decreto nº. 70.235/72 – a declaração de nulidade não será pronunciada se a decisão de mérito for a favor de quem aquela aproveitaria. Ainda, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF (a qual fora retificada apenas alguns dias depois de exarado o despacho decisório de não homologação da compensação pleiteada) não enseja a perda do direito creditório, uma vez que a IN SRF nº. 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos. Art. 4 º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 19740.901472/200992 Acórdão n.º 1302001.526 S1C3T2 Fl. 202 9 Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2 º , inciso I, da Instrução Normativa SRF n º 22, de 18 de abril de 1996. Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Portanto, a Fiscalização não poderia ter limitado sua análise apenas às informações prestadas em DCTF, já que havia informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DCTF) e proceder à retificação espontânea da declaração. O simples fato de haver divergências entre as informações constantes em DCTF e DIPJ, por si só, já obrigava a Fiscalização a aprofundar as suas investigações, de modo a corroborar sua convicção sobre os fatos e direito. Assim sendo, restando incontroverso que não subsiste o ato de não homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP, mister se faz analisar se o crédito alegado pelo contribuinte revestese da liquidez e certeza necessárias para que a compensação pleiteada seja homologada. Compulsando os documentos juntados aos autos, verifico que o alegado pagamento de R$ 1.096.646,16, foi efetivamente comprovado através da cópia do DARF em que se deu tal recolhimento (documento de fls. 66). Ademais, a DCTF retificadora (ainda que declarada a destempo, uma vez que tal retificação só se deu depois de exarado o despacho decisório da DEINF/RJ) também se encontra às fls. 74 e seguintes, bem como a DIPJ/05, a qual comprova o valor devido a título de CSLL Estimativa como sendo de apenas R$ 158.753,92. Tal DIPJ encontrase às fls. 69 e seguintes dos autos. Portanto, baseandome no princípio da verdade material, e acatando a tese de que mero erro formal no preenchimento de declaração acessória, desde que devidamente comprovada por outros elementos de prova, não teria o condão de invalidar, ou mesmo macular, eventual direito creditório do contribuinte, entendo que existe o direito creditório e que este se reveste de certeza e liquidez suficientes, possibilitando, assim, a sua utilização através de DCOMP. Assim, comprovado que havia recolhimento a maior a título de CSLL Estimativa para o período de apuração janeiro de 2007, resta ao contribuinte um direito creditório a ser compensado/restituído. Ou seja, todo o valor recolhido a maior esta disponível para aproveitamento como crédito a favor do contribuinte. Em outras palavras, ficou evidenciado nos autos que o pagamento de CSLL Estimativa em questão (DARF às fls. 66) foi a maior, crédito este que poderia ter sido Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 10 comprovado pela Fiscalização através da DIPJ/05 apresentada pelo contribuinte antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, bem como pela DCTF Retificadora, ainda que esta só tenha sido retificada após a edição do referido despacho decisório, mas, de toda sorte, antes da edição do Acórdão do órgão julgador a quo. Em suma, como o comprovante de recolhimento (DARF), bem como DCTF e DIPJ dos períodos de apuração foram devidamente juntados aos autos, restando comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não vejo óbice ao atendimento do pleito formulado pelo contribuinte. Por todo o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório existente na data da transmissão da DCOMP objeto deste litígio no valor de R$ 169.167,51, atualizado à taxa SELIC, e para homologar a compensação pleiteada, devendo a autoridade administrativa se atentar à eventuais compensações anteriores que já possam ter sido efetuadas pelo mesmo contribuinte. Sala de Sessões, 23 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) HÉLIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15771.720323/2013-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/07/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/07/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/07/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 03 23 /2 01 3- 92 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720323/201392 Acórdão n.º 3803006.503 S3TE03 Fl. 292 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/07/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 25/09/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 10/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720323/201392 Acórdão n.º 3803006.503 S3TE03 Fl. 293 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720323/201392 Acórdão n.º 3803006.503 S3TE03 Fl. 294 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e em negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720323/201392 Acórdão n.º 3803006.503 S3TE03 Fl. 295 9 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10314.001927/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 05/04/2005
COMÉRCIO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS APLICADOS.
A ausência de comprovação simultânea da origem, disponibilidade e transferência lícita dos recursos empregados na importação, leva a contribuinte a suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76.
ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTE COLEGIADO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Qualquer linha argumentativa que tenha por base suscitações de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge da alçada de discussão e apreciação desta instância de julgamento, visto que, por força do próprio texto constitucional, o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo de matéria.Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 05/04/2005 COMÉRCIO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS APLICADOS. A ausência de comprovação simultânea da origem, disponibilidade e transferência lícita dos recursos empregados na importação, leva a contribuinte a suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTE COLEGIADO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Qualquer linha argumentativa que tenha por base suscitações de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge da alçada de discussão e apreciação desta instância de julgamento, visto que, por força do próprio texto constitucional, o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo de matéria.Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.116 1 1.115 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.001927/201067 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.726 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria AI MULTA SIBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente BIOQUIMA SÍNTESE INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/04/2005 COMÉRCIO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS APLICADOS. A ausência de comprovação simultânea da origem, disponibilidade e transferência lícita dos recursos empregados na importação, leva a contribuinte a suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76. ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTE COLEGIADO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Qualquer linha argumentativa que tenha por base suscitações de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge da alçada de discussão e apreciação desta instância de julgamento, visto que, por força do próprio texto constitucional, o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo de matéria.Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 19 27 /2 01 0- 67 Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte BIOQUÍMICA SÍNTESE INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 03.421.780/000131. O recurso voluntário visa desconstituir a decisão proferida em 29 de maio de 2012 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 1639.398 23 ª Turma da DRJ/SP1, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que integrou o julgado, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/04/2005 Dano ao Erário, causado por interposição fraudulenta. Decorrido o prazo de sessenta dias, contado da ciência de intimação formulada pela SRF, sem o devido atendimento pela empresa, o procedimento especial será concluído sumariamente. Não comprovação da transferência lícita dos recursos empregados na importação, devendo o autuado suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Na origem trata do auto de infração de efls. 02/20, lavrado para a exigência da multa prevista no art. 23, § 3.°, do DecretoLei n.° 1.455/76, com redação dada pela Lei n.° 10.637/2002, no valor de RS 5.334.697,60. A ação fiscal empreendida pela Inspetoria de São Paulo, possui dois procedimentos distintos: · Procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa (IN) SRF n° 228/02 e realizado ao amparo do MPF 0815500200701212, de 30/08/07, de onde resultou o processo 10314.012664/200716, concluído com a inaptidão da inscrição da empresa perante o CNPJ, pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados em operações de comércio exterior (presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros, nos termos do art. 23, § 2º, do DecretoLei 1.455/76). · Procedimento fiscal para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida/revendida, pela hipótese de interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior (art. 23, inciso V e §§ 1º a 3º, do Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.117 3 Decretolei 1.455/76), objeto do presente processo, no âmbito do MPF 0815500201000068, de 04/02/10. Segundo consta no Auto de Infração, o presente trabalho apoiouse em documentos emprestados do processo administrativo fiscal n° 10314.012664/200716 (fls. 88/123), em informações prestadas pelo representante legal do sujeito passivo e em dados colhidos dos sistemas da Receita Federal do Brasil. A contribuinte iniciou o presente litígio por meio de apresentação de impugnação, cujas alegações transcrevese do acórdão ora recorrido. Retirase, também do Acórdão recorrido as informações acerca da diligência realizada por solicitação da turma de julgamento da DRJ/SP1: “Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: DIREITO E REQUERIMENTOS O caso resulta de uma fiscalização ineficaz e inexistente, em verdade, uma vez que os principais elementos, documentais e fáticos para a verificação da verdade material ou foram desprezados, ou foram deturpados, ou ainda, perdidos. Isso tudo sem contar que, até mesmo, documentos pertencentes a outros contribuintes foram entregues à impugnante. A indagação primeira, que é de feitura imperiosa para a realização desta defesa, é para que a Administração fiscal dê explicações do porquê mantém, até hoje, os documentos e arquivos magnéticos da requerente impugnante. Tal resposta deverá ser escrita e endereçada tempestivamente aos patronos, infraconsignados, uma vez que, como se disse e verificarseá oportunamente, tal esclarecimento tem e terá implicação neste processo. Isto porque, ao invés de devolver à contribuinte seus documentos, cartulares e magnéticos, devolveu de outro contribuinte. A Administração, incrivelmente, entregou arquivos magnéticos à impugnante da empresa APETECO IMP EXP E SERV LTDA. com CNPJ n. 00.298.180/000130, e sede na Rua Francisco Leitão, 469 cj 302. CEP 054I490I SP/ SP. Tais documentos ainda se encontram com a requerente, que aguardará as satisfações requeridas, juntamente com a autorização para devolução, em momento e forma adequados para que não se produza tumulto processual. Requerse tal informação em remessa direta aos advogados infraconsignados, no endereço constante do rodapé desta defesa. Para elucidação deste caso, fundase a presente impugnação no auto de infração consubstanciado na aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadoria i que supostamente não foi localizada ou consumida. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Também, concluiuse que não houve comprovação de origem dos valores para a importação, bem como da existência da disponibilidade dos mesmos e, assim, pretensamente não realização da transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. A esse respeito, desde já, se indaga e se espera resposta do porquê foi desconsiderado o contrato de câmbio, juntamente com o respectivo fechamento, tudo em poder desta Administração. Ainda, neste diapasão, se requer a juntada de cópia do mesmo, tudo, tudo, nos mesmos termos e com a mesma intimação já requerida, endereçada aos patronos, ora consignantes. Outra oportuna indagação feita a esta douta fiscalização é que, tendo esta exigido à Impugnante o encaminhamento de uma farta documentação, e a Impugnante atendido tal requisição, por que a fiscalização não confrontou os materiais enviados com suas pretensas dúvidas? Por que sequer analisou os documentos e fatos ali em seu poder? Inobstante a idoneidade da Impugnante, cm 04/12/07 a sua situação cadastral do CNPJ foi alterada da condição de “ativa” para “suspensa”. Em decorrência dessa suspensão do seu CNPJ, a Impugnante se viu impedida de continuar exercendo normalmente suas atividades, antes mesmo de esgotadas todas as possibilidades de defesa administrativa. Outro importante esclarecimento que se faz necessário, até mesmo por obediência ao princípio da verdade material, bem como princípios fundamentais da ampla defesa e do contraditório, é que a administração explique o porquê de antes mesmo de pedir informações ou explicações ao contribuinte, ora impugnante, de imediato determinou a suspensão de seu CNPJ e a decretação do perdimento de sua mercadorias? A administração não estaria abusando de seu poder fiscalizatório e evidenciando um caráter parcial nesta aplicação de penalidade, sem qualquer espaço para defesa? Assim sendo, em busca de efetivarem tais princípios, a empresa impugnante procurou guarida no poder Judiciário, e ingressou com ação ordinária na Justiça Federal (processo n° 2008.61.00.0101643 requerendo, tão somente, que seu CNPJ não fosse suspenso antes do final do processo administrativo fiscal. Isto porque esta suspensão arbitrária da Administração, do CNPJ da Impugnante, trouxe como conseqüência, impedimento de desembaraço de 03 (três) containers de equipamentos e matérias primas. Tal impossibilidade desencadeou um prejuízo econômico, pois, um desses containers já havia sido pago antecipadamente, o que conseqüentemente gerou uma perda de crédito bancário e de crédito junto a fornecedores. A impugnante sempre apresentou todas as documentações solicitadas pela fiscalização. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.118 5 Agora nos resta mais uma indagação, se não houvesse disponibilidade financeira, como afirma esta administração em seu AI, como foram transferidos os fundos? Impugnamos este Auto de Infração com esta prova cabal de que havia disponibilidade e ocorreram as transferências! Requerer a autorização de juntada de documentos. Isso posto, requer a resposta a todos os questionamentos ora realizados, bem como, o reconhecimento da insubsistência do auto de infração contra o qual ora se guerreia, em expressa manifestação a estes subscritores, que se colocam a inteira disposição de V.Sas. para acostar uma gama de documentos comprobatórios de que não há sustentação do referido auto de infração, para o quê, apenas aguardará a intimação de V.Sas. , para tanto , no endereço abaixo transcrito. DA MULTA EXAGERADA Infelizmente o Fisco tem perpetrado atos ilegais e escorchantes junto aos contribuintes, estabelecendo a cobrança de vultosos valores a título de multas sancionatórias, sempre em percentuais elevados e abusivos. Uma penalidade dessa natureza desatende preceitos jurídicos valiosos do sistema normativo Brasileiro, vez que se de um lado é certo que os agentes do Fisco simplesmente indicam o dispositivo legal que determina a multa em percentual tão elevado (exemplo: 225% do tributo supostamente devido), correto é sustentar que os mesmos desconhecem e menosprezam a existência do PRINCIPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE DA MULTA FISCAL, que é princípio jurídico extraível de norma constitucional (art. 150, IV).. De fato, multa exigida em percentual tão elevado agride o patrimônio do contribuinte, residindo aí sua natureza confiscatória, algo que é vedado e repudiado pelo sistema constitucional em vigor. A multa como a que se discute é desarrazoada e confiscatória. Aliás, a Lei Federal n° 9.784/99, que trata das regras e princípios do processo administrativo, também prevê os princípios elementares que devem ser observados em situações como a presente, tais como os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ademais, é requisito para majoração da multa a ocorrência de dolo e para tanto, necessário se faz a comprovação farta e efetiva desta condição por parte do fisco. Não ocorre a qualificação da multa, quando não fica comprovado, nos autos, a ocorrência do dolo praticado pela contribuinte. Daí que não pode haver a referida cobrança já que, como demonstrado exaustivamente nesta defesa, nenhum dolo do contribuinte Impugnante foi efetivamente comprovado, tendo sido o lançamento apenas baseado em dados falhos sem qualquer Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 aprofundamento no que concerne à fundamentação das alegações. DOS PEDIDOS: Por todo o exposto, requerse, pois, a anulação do lançamento com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Requer, ainda, a realização de todas as diligências necessárias para a apuração da verdade material, decorrentes dos fundamentos fáticos e jurídicos apresentados, requerendo também: A decorrente juntada de todos os elementos de fato e de Direito necessários para a elucidação dos fatos e o recebimento das respectivas notificações para tal, nos termos do que foi aqui apresentado; A sustentação oral de suas razões de defesa, ainda em primeira instância, devendo se objeto de intimação aos subscritores desta Requerse, por fim, a resposta diretamente aos subscritores desta de todos os requerimentos realizados e, em decorrência de todas as irregularidades apontadas, a intimação a eles de todo o andamento deste processo administrativo, para sua ciência e acompanhamento pessoal, bem como a ciência tempestiva do conteúdo da manifestação exarada pela autoridade fiscal, pela gravidade de suas assertivas, implicação, a fim de que, se for o caso, possa se manifestar a impugnante a respeito, tudo, tudo, em obediência à Lei n.9.984/99, que suplementa o processo administrativo tributário em todos os níveis, ao Princípio da Publicidade, da Ampla Defesa, do Contraditório, da Lealdade e Boafé processual, da Moralidade administrativa e da Busca da Verdade Material. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 985, de 10/02/2011, para que a fiscalização esclareça: se a impugnante apresentou os documentos requisitados conforme consta de petição de fls. 98/101, com recibo de servidor dessa unidade, e se os documentos apresentados eram irrelevantes e insuficientes, não atendendo na totalidade a requisição formulada; se foram examinadas as operações de importação relacionadas as DI’s informadas pela contribuinte, bem como as Notas Fiscais de Venda informadas pela contribuinte; fl. 128, se os atos concessórios listados foram cumpridos, e se foram fiscalizadas as empresas que a contribuinte informou como sendo as compradoras das mercadorias; se foi examinada a situação financeira da empresa, sua capacidade de recursos diante das operações de importações realizadas, visto que a impugnante declara que apresentou os extratos bancários; se os contratos de câmbio foram apresentados e se foi possível examinálos em confronto com as respectivas operações de importação; Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.119 7 se foram apresentados documentos à fiscalização e não devolvidos à oportunidade ao contribuinte, como declara em sua impugnação, alegando o cerceamento do direito de defesa dos mesmos; se confirma que os documentos que foram devolvidos à impugnante ou pertencem a outra contribuinte. juntar cópia de documentos de posse da fiscalização que comprovem as alegações da autuação; juntar cópia da petição inicial da ação ordinária que a contribuinte alega ter proposto, e as decisões, seja se houve pleito de antecipação de tutela e da própria sentença no referido processo. Atestada a alegação da contribuinte, no item 6, deverá ser reaberto novo prazo de trinta dias, a fim de que a contribuinte se manifeste como se uma impugnação fosse, para regularizar o presente processo, evitando, no futuro, em fase de recurso, a alegação de cerceamento de direito de defesa. Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 09/08/2011 (fls. 1042), assim se insurgiu: • Contra o prazo de 10 dias para manifestação. • O interessado manifestouse também no sentido de não ter efetuado qualquer queixacrime em relação ao uso indevido do seu nome, conforme foi apregoado em sua impugnação. Também refutou a informação dada pela fiscalização que as informações não foram prestadas. • A fiscalização permaneceu ancorada na presunção legal de interposição fraudulenta, cuja realidade a impugnante rechaça, desde o início de suas .alegações, sustentando que as importar foram realizadas por ela mesma, diretamente. • Tais alegações não foram consideradas pela fiscalização que se escorou unicamente na presunção. • A impugnante realizou, licita; e legalmente, todos os atos preparatórios de importação, não tendo/em momento algum, sido objetada em sua realização. • A própria questão referente à chamada interposição fraudulenta sofreu modificação legislativa significativa, com reflexos diretos sobre o presente procedimento administrativo. • Com a edição da Lei n. 11.488/2007, em seu artigo 33, a interposição fraudulenta teve sua penalização alterada. É que, ainda que a impugnante houvesse realizado a importação em lugar de terceiros, a inaptidão não poderia mais ser aplicada, por. força do que disposto no artigo 33, parágrafo único, Lei n. 11.488/2007. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 • A conduta de importar em nome de terceiros não tem mais, como penalidade, a inaptidão, tendo sido substituída por multa. • Os extratos bancários apontam, disso não houve dúvida, a existência de recursos suficientes para que a impugnante arcasse com os custos da operação de importação. Ora, havendo dúvida quanto aos depositantes dos valores, cabia à própria autoridade administrativa, que tem poderes para isso, solicitar à instituição financeira as informações.” Cientificada do Acórdão nº 1639.398, 23 ª Turma da DRJ/SP1 por meio da Intimação nº 297 de 2012 (efl. 1094) em 14/06/2012 (AR de efl 1097), a contribuinte apresenta em 13/07/2012 o seu recurso voluntário, onde reprisa parcialmente seus argumentos de defesa anteriormente já apresentados, requerendo anulação do lançamento e realização de diligência. A recorrente não mais alega a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, mencionada na sua manifestação ao resultado da diligência. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário foi apresentado com observância do prazo previsto no art. artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e das regras de competência previstas nos artigos 1º e 4º do Anexo II da Portaria MF nº. 256, de 22/06/2009, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Vêse que as alegações aduzidas pela recorrente, tal como se deu na impugnação, referemse, em síntese, à falta de análise da documentação por ela apresentada na auditoria e na não devolução dos documentos apresentados, que, segundo alega, são imprescindíveis para a comprovação da verdade material, bem como na exorbitância do valor da multa que fere, em seus dizeres, os princípios do não confisco, da razoablidade, motivo pelo o qual aduz que não há como prevalecer referida aplicação por violação expressa do art. 150, inciso VI da Constituição Federal de 198, devendo a mesma ser reduzida pela autoridade competente, como forma de observar as prescrições superiores da Carta Magna. Sem razão a recorrente. Como já acima relatado, a ação fiscal empreendida pela Inspetoria de São Paulo resultou em dois procedimentos distintos: · Procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa (IN) SRF n° 228/02 e realizado ao amparo do MPF 0815500200701212, de 30/08/07, de onde resultou o processo 10314.012664/200716, concluído com a inaptidão da inscrição da empresa perante o CNPJ, pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados em operações de comércio exterior (presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros, nos termos do art. 23, § 2º, do DecretoLei 1.455/76). Tal processo encontrase arquivado no Arquivo Geral da SAMF/SP. E a matéria nele tratada foi levada para discussão no Judiciário, por meio da ação ordinária n° 2008.61.00.0101643, onde requeria a concessão de tutela antecipada para afastar os efeitos da suspensão (à época da impetração) do Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.120 9 CNPJ, cuja Sentença lhe foi desfavorável. Tratase, pois de concomitância de matéria com aquele processo administrativo. · Procedimento fiscal para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida/revendida, pela hipótese de interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior (art. 23, inciso V e §§ 1º a 3º, do Decretolei 1.455/76), objeto do presente processo, no âmbito do MPF 0815500201000068, de 04/02/10. Da documentação probatória Segundo consta no Auto de Infração, o presente trabalho apoiouse em documentos emprestados do processo administrativo fiscal n° 10314.012664/200716 (fls. 88/123), em informações prestadas pelo representante legal do sujeito passivo e em dados colhidos dos sistemas da Receita Federal do Brasil. No resultado da diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora de 1ª Instância administrativa , no que se refere à documentação apresentada à fiscalização pela contribuinte e sobre a devolução da mesma, nos termos proferidos pelo o fiscal diligenciante, restou esclarecido que: ● a documentação entregue à fiscalização foi devidamente analisada e constatouse ser esta insuficiente para comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados no comércio exterior, motivo pelo o qual resultou na inaptidão do CNPJ da contribuinte, por meio do processo nº 10314.012664/200716; ●na sua maioria, a documentação foi entregue à fiscalização por meio de cópias, tais como: cópias dos contratos de Câmbio, do contrato de locação do imóvel, das declarações fiscais federais (DCTF e DI). Apenas alguns extratos bancários foram entregues em original; ● parte dessa documentação foi devolvida e outra integra o processo 10314.012664/200716 (representação para inaptidão do CNPJ), em seus anexos, por constituírem elementos de prova no âmbito do procedimento especial da IN SRF 228/02, mas que a contribuinte poderia ter vistas ou solicitar cópia, se assim desejasse; ● cópia integral integra o processo 10314.012664/200716 foi juntada ao presente; ● os arquivos magnéticos e as Declarações Fiscais federais são elaborados pelo o próprio contribuinte,cuja a fonte de dados deve ser mantida em boa ordem para os respectivos sistemas informatizado; ● vias das DI's (declarações de importação) podem ser conseguidas pelo o próprio importador por meio de acesso ao Siscomex. E, acerca de arquivos magnéticos, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 assim estabelece: “Arquivos Magnéticos Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada.” Portanto, resta demonstrado que a contribuinte ou teria os originais dos documentos apresentados por meio de cópias ou teria as fontes dos dados apresentados em meio magnéticos, não se justificando as suas alegações. Ademais, verificase nas cópias dos anexos do processo nº 10314.012664/200716 que a documentação por ela apresentada à fiscalização e não devolvida referese à cópia de RG e CPF da representante legal; cópia do contrato locação imóvel; cópias de contas de água, luz e telefone; relação dos principais clientes e fornecedores; relação de câmbios fechados e pendentes extraídos do Siscomex nos anos 2005 a 2007; cópias das DCTF; cópias de contratos de câmbio; cópias de DI’s e Extratos das contas correntes. Relativamente à documentação apresentada, a contribuinte rebate a ação fiscal com a seguinte linha argumentativa: “Impugnamos este Auto de Infração com esta prova cabal de que havia disponibil idade e ocorreram as transferências. (. . .) 13. Destacase que a Recorrente, sempre apresentou todas as documentações solici tadas pela f iscalização e dentre as documentações solicitadas, podemos destacar as seguintes: as datas, os valores, os números de contas bancárias e números de contratos de câmbio, comprovando os valores de fechamentos de câmbio debitados das contas correntes da Recorrente, conforme extratos bancários apresentados oportunamente a esta administração. A documentação acima descrita e entregue à representação f iscal , até o presente momento, não foi devolvida. Os documentos "retidos" por parte da f iscalização compõem uma documentação imprescindível para a comprovação da verdade material , verdade esta que a representação f iscal , em nenhum momento, se fez garantir dentro procedimento administrativo adotado. Isso posto, requer o reconhecimento da insubsistência do auto de infração.” Contudo, a documentação apresentada, na maioria por meio de cópias, como já ressaltado, demonstra o funcionamento da empresa até certa data (consta nos autos a informação de que, no decorrer da auditoria, a contribuinte fechou as portas de seu estabelecimento, sem a encerrar legalmente nos órgãos públicos, inclusive na RFB), as importações efetuadas em seu nome e a concretização de câmbio. Mas, não demonstra a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.121 11 Outrossim, havia inconsistência entre as notas fiscais apresentadas (e devolvidas) e os livros fiscais, conforme demonstra o teor do item 6 da Intimação 108/2008 (fls. 109), transcrito abaixo: "6. O valor total e o número de notas fiscais de venda, compras e outras saídas e entradas que foram transcritos nas planilhas apresentadas (tabela 3 a 5) não conferem com os respectivos dados lançados nos livros fiscais de entrada e saída da empresa..." A contribuinte deixou de atender diversas intimações efetuadas no sentido de prestar os esclarecimentos sobre as inconsistências apuradas. A multa aplicada no presente Auto de Infração é a tipificada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com alteração da Lei n.º 10.637/2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, in verbis: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” (grifei) Em vista de tal dispositivo, resta claro que se deve atender cumulativamente aos três requisitos impostos: a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O Acórdão recorrido bem esclarece essa questão, nos seguintes termos: “Em resposta à diligência,a autoridade preparadora assim se manifestou: De fato, a impugnante apresentou os extratos bancários solicitados. Contudo, é importante destacar que a simples disponibilidade financeira em contacorrente bancária não significa que tais recursos tenham origem lícita, devidamente comprovada. O art. 23, § 2o, do DecretoLei 1.455/76 é bastante Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 claro ao exigir a comprovação cumulativa da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos. (...) Como é sabido, o extrato bancário possui informações sintéticas sobre débitos e créditos em determinada conta (basicamente data, valor, saldo e, se houver, descrição sumária). Ele não mostra, por exemplo: no caso de crédito: a identificação do depositante (CPF ou CNPJ); se oriundo recebimento de cliente, o número da nota fiscal de venda; se empréstimo ou financiamento, o número do contrato; etc. no caso de débito: a identificação do favorecido (CPF ou CNPJ); se oriundo de pagamento a fornecedor, o número da nota fiscal de compra; se adiantamento decorrente de compra, o número do pedido ou documento equivalente; etc. Informações desse gênero são essenciais para a devida análise do fluxo financeiro. Caso contrário, estaríamos abrindo brecha para a utilização de recursos não contabilizados, inclusive de origem escusa (sonegação tributária, subfaturamento, lavagem de dinheiro, etc). Em outras palavras, o extrato bancário apenas informa se a empresa possuía recursos em banco para honrar o pagamento dos dispêndios da importação à época dos fatos, mas não consegue demonstrar a origem do dinheiro. Assim, o tripé “origem disponibilidade transferência’’ não se mantém em equilíbrio, prejudicando a comprovação integral das operações da empresa. Frisando o aspecto da relação “origem disponibilidade transferência’’ dos recursos, é indispensável a apresentação desse fluxo de modo a comprovar a licitude da operação em Comércio Exterior.” Tratase de uma presunção legal, que inverte o ônus da prova, e, portanto, caberia, à contribuinte, na fase de impugnação, carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei. Entretanto, a contribuinte apenas alega que a documentação já teria sido entregue durante a ação fiscal e que esta não lhe foi devolvida. No recurso voluntário, igualmente, não logra comprovar as origens dos recursos empregados no comércio exterior. Conforme exige o art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 228, de 2002, fazse necessário comprovar não só a origem, mas, também, a disponibilidade e a transferência dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior. Aliás, o objetivo principal do procedimento fiscal em comento, e que resultou na autuação em apreço, foi verificar o cumprimento de tais requisitos. Portanto, neste aspecto não merece reforma o Acórdão recorrido. Da alegação acerca da exorbitância da multa e de sua inconstitucionalidade, por ferir os princípios de vedação de confisco e da razoablidade Como já ressaltado, a multa aplicada no presente Auto de Infração é a tipificada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com alteração da Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.001927/201067 Acórdão n.º 3302002.726 S3C3T2 Fl. 1.122 13 Lei n.º 10.637/2002. Não há declaração de inconstitucionalidade da mesma pelo o judiciário, órgão competente para tal pronunciamento. Não obstante requeira que a Administração Pública se manifeste acerca da inconstitucionalidade da Multa, por ela dita exorbitante, a própria contribuinte tem conhecimento disso quando traz em seu recurso a seguinte assertiva: “29. Tenhase presente que o STF já editou precedente no sentido de que o Judiciário detém competência para reduzir o valor de multas consideradas abusivas (RTJ 73/550), tendo recentemente declarado inconsti tucional multa em percentual exagerado estabelecido pela Lei 8.846/94 (art . 3o), conforme se vê da decisão publicada na Revista Dialét ica de Direito Tributário (35/165), tudo, pois, a demonstrar que também cabe esta mesma competência à autoridade administrativa. Vale ci tar, também como reforço do que se sustenta, que o Tribunal Regional Federal da V Região, _m agosto de 1992, decidiu matéria semelhante, tendo chegado à conclusão de que: ‘o Judiciário, no exercício do controle da legalidade, pode reduzir multa administrativa, desde que patente a desproporção entre o seu valor c as circunstâncias de fato que lhe deram ensejo" (Rei. Min. Pádua Ribeiro, Ementário 38/44)’.” Como dito pela Autoridade julgadora de 1ª instância Administrativa, “presumese que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial.” Ora, se a aplicação da multa está prevista na lei, compete aos órgãos julgadores unicamente examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Ademais, as alegações de eventual colisão da legislação de regência com a Constituição Federal não podem ser apreciada por este Colegiado por força da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E sobre a redução da multa requerida em seu recurso voluntário, assumese o fundamento do Acórdão recorrido, no seguinte sentido: “A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade.” Do pedido de diligência A diligência para produção de prova, por representar, um instrumento que tem por escopo aperfeiçoar o convencimento do julgador, poderá ser justificadamente negada por este, não representando, pois, um direito subjetivo da impugnante. No caso presente, é prescindível a realização de qualquer outra providência tendente a esclarecer os fatos, posto que a diligência já foi solicitada pela DRJ com o fito de esclarecer sobre a questão documental aduzida pela contribuinte em sua impugnação e devidamente realizada, e segundo, porque os elementos que constam dos autos possibilitam conhecer integralmente a matéria litigada. Por esse motivo, não há razão para a produção de novas provas conforme aventa a recorrente. Ademais, é ônus da contribuinte a apresentação de documentos na impugnação, quando do início do litígio, para comprovar as suas alegações. CONCLUSÃO Em face da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de Indeferir o pedido de diligência e de Negar Provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15504.010415/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. FRAUDE. AGRAVAMENTO.
Nos casos de compensação considerada indevida pela utilização de créditos inexistentes, presentes os elementos que demonstrem a conduta fraudulenta na prestação de informações constantes do PER/DCOMP apresentado ao Fisco, é cabível a aplicação da multa isolada agravada (150%), prevista no artigo 18 da Lei 10.833, de 2003, combinado com o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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MULTA ISOLADA Recorrente ELÉTRICA COMERCIAL FÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. FRAUDE. AGRAVAMENTO. Nos casos de compensação considerada indevida pela utilização de créditos inexistentes, presentes os elementos que demonstrem a conduta fraudulenta na prestação de informações constantes do PER/DCOMP apresentado ao Fisco, é cabível a aplicação da multa isolada agravada (150%), prevista no artigo 18 da Lei 10.833, de 2003, combinado com o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 04 15 /2 00 9- 34 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente litígio decorre de cobrança da multa isolada agravada (150%), veiculada através de auto de infração (efls. nº 5/ss) lavrado em 03/06/2009, no valor de R$ 420.531,32, pela compensação indevida caracterizada pela utilização de créditos inexistentes de IPI. Por bem sintetizar os fatos, transcrevese relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, no qual se aplicou multa no valor de R$ 420.531,32, com fundamento no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, c/c art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pelas Leis n° 11.051/04, 11.196/05 e 11.488/07, em decorrência de compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo com créditos inexistentes de IPI. Contexto Reproduzse abaixo o relato dos procedimentos fiscais adotados pelo Auditor Fiscal no tópico denominado contexto do Termo de Verificação Fiscal às fls. 09 a 19: a) A empresa atua no segmento de comércio de fios e cabos elétricos e telefônicos, materiais elétricos, eletrônicos, metalúrgicos e hidráulicos, conforme se comprova pelo Contrato Social e alterações constantes às fls 43 a 70. b) No dia 27/02/2009 recebeu o Termo de Inicio de Ação Fiscal de fls. 20 a 28. No referido documento, a empresa foi intimada a apresentar os Livros de Registro de Entrada, de Saída e Apuração do IPI, a nota fiscal de aquisição de insumos que deram origem ao crédito de IPI pleiteado no PER/DCOMP, bem como informar se a empresa se enquadrava no conceito de estabelecimento industrial, nos termos do art. 8° do Regulamento do IPI (Decreto 4.544/02. c) No dia 18 de março apresentou a correspondência de fls. 33 e 34, iniciou sua resposta declarando que "a ELÉTRICA COMERCIAL FÉ LTDA tem a declarar que não tinha conhecimento da PERDCOMP com o pedido de ressarcimento de débitos de IPI e compensação de PIS e COFINS. A nota fiscal n° 012457, emitida em 23/12/2004, com CFOP 3.101 — compra para industrialização, não existe em nossos livros nem mesmo o CNPJ 00.952.789/000261 sequer faz parte do nosso quadro de fornecedores. Nunca compramos de tal CNPJ e desconhecemos a cobrança de tal ressarcimento". Solicita que seja rastreado de qual "IP" foi enviada a PERDCOMP, para que a empresa tome as medidas cabíveis, já que não autorizaram a confecção da referida declaração, ou o seu envio. Na seqüência passa atender aos itens do Termo de Inicio da Ação Fiscal, informando que não é um estabelecimento industrial, e em decorrência, não possui os livros relacionados à industrialização, nem tampouco a nota fiscal de aquisição de insumos. d) Com o propósito de checar a escrituração da nota fiscal geradora do crédito utilizado para o ressarcimento/compensação de tributos e contribuições federais, verificamos no Livro de Registro de Entradas, precisamente no 4° Trimestre/2004, Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15504.010415/200934 Acórdão n.º 3202001.229 S3C2T2 Fl. 443 3 todas as aquisições de mercadorias feitas pela fiscalizada. Não foi, no entanto, encontrado nenhum lançamento correspondente ao aludido crédito, muito menos a escrituração da Nota Fiscal de Entrada — NFE, n° 12.457 da empresa Universal Music Brasil Ltda, CNPJ 34.525.444/000162, relacionado na PERDCOMP. A empresa Universal foi intimada a apresentar cópia da citada nota fiscal, ficando comprovado que o documento fiscal não tem relação com a Elétrica Comercial Fé Ltda. (fls. 143 a 147). e) Diante da recusa do contribuinte em assumir a autoria da PERDCOMP, foi lavrado em 16/04/2009 o Termo de Intimação Fiscal n° 1 (fls. 29 e 30). Foi então requisitado que o contribuinte apresentasse as DCTF — Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, referentes aos anoscalendário de 2000 a 2003, período dos débitos compensados na PERDCOMP, conforme se comprova na ficha de débito da declaração. A fiscalizada foi intimada ainda, a informar se houve pagamentos ou outra forma de quitação dos débitos de PIS e CORNS inseridos na Declaração de Compensação da PERDCOMP. Não respondendo a intimação foi reintimada em 07/05/2009 a informar sobre a mesma matéria (fls. 31 e32). f) No dia 28/05/2009, através da correspondência de fls. 38, o fiscalizado informou que: "a PERDCOMP emitida em 23/12/2004, pleiteando a compensação das contribuição da COFINS com crédito de IPI foi enviada equivocadamente, considerando que nossa empresa não realiza qualquer atividade de industrialização". Informa que as contribuição compensadas encontramse corretamente declaradas, não esclarecendo, no entanto, se houve pagamentos para liquidálas. Dos Fatos a) A PERDCOMP de n° 27655.86145.150305.1.3.010300 (fls. 71 a 83), foi enviada à Secretaria da Receita Federal no dia 15/03/2005. Serviu para requisitar o ressarcimento de R$ 285.000,00 proveniente de crédito de IPI. b) Dentro da citada PERD/COMP, foi solicitado que o crédito liquidasse diversos débitos de PIS e COFINS. Os débitos objetos da liquidação referemse a fatos geradores ocorridos a partir do mês de julho de 2002, além de dois débitos residuais, sendo o de Pis referente ao mês 11/01 e o de COFINS ao mês 09/00. c) Os débitos de PIS e COFINS foram informados, originalmente, nas DCTF apresentadas pelo contribuinte. Essas declarações registravam os tributos devidos nos anoscalendário de 2000 a 2003. Confirmase que as declarações originais foram apresentadas dentro dos prazos legais para as suas entregas (fl. 84). d) Nas DCTF ORIGINAIS referentes ao 3° trimestre de 2002 e ao 2° trimestre de 2003 foram informados pagamentos feitos através de DARFs para quitar os débitos de PIS e CORNS devidos (fls. 85 a 94 e 97 a 100). Posteriormente, na mesma data de entrega da PER/DCOMP, essas DCTF foram retificadas, e os débitos anteriormente quitados por pagamentos passaram a condição de compensados (fls. 103 a 109 e 122 a 125). e) Nas DCTF ORIGINAIS referentes ao 4° trimestre, os débitos de PIS e COFINS não possuíam nenhuma vinculação de pagamentos ou compensações (fls. 95, 96, 101 e 102). Portanto, através das DCTF originais, o contribuinte reconhecia uma divida para com a Secretaria da Receita Federal . f) No dia 15/03/2005, i.e., na mesma data da transmissão da PER/DCOMP, foram apresentadas declarações retificando as DCTF originais citadas no item anterior. Nestas retificações os débitos de PIS e COFINS, que se encontravam originalmente, pendentes de pagamentos, passaram à condição de liquidados. Confirmase pelas DCTF retificadoras (fls. 110 a 121 e 126 a 134), que todas as Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 liquidações se deram através de compensações formalizadas por meio da declaração PER/DECOMP de n°27655.86145.150305.1.3.01300. Da Impugnação Cientificada em 04/06/2009 (fl. 03) a interessada apresentou, tempestivamente, em 06/07/2009, impugnação (fl. 153/160), na qual alega, em síntese, que: a) "... ao contrário do que entende a fiscalização, a impugnante em momento algum enviou de forma `deliberada', tampouco 'com intuito de procrastinar a cobrança dos débitos devidos', declaração em PER/DCOMP em 15/03/2005" b) "Conforme próprio texto da fiscalização (item 13), a impugnante informou em 28/05/2009, no decorrer do procedimento fiscal, que equivocadamente foi emitida a PERDCOMP pleiteando compensação das contribuições para o PIS e COFINS com crédito de IPI, do qual frisese a Impugnante não é contribuinte já que não se dedica a atividade de industrialização. Logo, se houvesse qualquer intuito deliberado defraudar, com certeza a Impugnante não prestaria tais informações, tampouco entregaria seus livros e documentos contábeis para fiscalização."." c) "Ademais, a própria fiscalização reconhece (item 16) que os débitos de PIS e COFINS, supostamente compensados, foram informados, originalmente, nas DCTF's apresentadas pela Impugnante dentro dos prazos legais para a suas entregas. Ressaltese que nas DCTF's originais referente ao 4º trimestre/2002, 1° trimestre/2003, 3° trimestre/2003 e 4° trimestre/2003, não possuíam nenhuma vinculação de compensação, sendo que a Impugnante reconheceu um divida para com a Secretaria da Receita Federal." d) "Embora tais fatos tenham sidos reconhecidos pela d. fiscalização, conforme, já mencionado, cumpre esclarecer que as DCTF's somente não foram apresentadas em decorrência do lapso temporal superior a 5 (cinco) anos da entrega da declaração, já que após este prazo, prescreveu qualquer pretensão em relação ao crédito tributário declarado, o que fez que os documentos fossem desfeitos. Afinal, não haveria qualquer necessidade da Impugnante manter em seu arquivo as referidas declarações." e) "Assim, a não apresentação das declarações, cujos créditos tributários são inexigíveis em razão da ocorrência da prescrição, não pode levar a d. fiscalização a presumir a ocorrência de fraude, mesmo porque a Impugnante cooperou com a fiscalização durante todo o procedimento." f) "Ultrapassada essa questão, onde a contribuinte demonstra, até mesmo sem necessidade, a sua boafé durante toda a fiscalização e em todos estes anos em que atua no mercado, resta apresentar a interpretação do Conselho de Contribuintes sobre a matéria ora em debate." g) "Conforme exaustivamente debatido e decidido pelo Conselho de Contribuintes, a fraude, para ser configurada, dependerá de prova inequívoca ou se minuciosamente justificada e comprovada nos autos pelo fiscal. Vejase as decisões:" h) “... a penalidade deve ser afastada de plano, tendo o seu evidente efeito confiscatório." i) "Em reiteradas decisões, o Supremo Tribunal tem utilizado o enunciado normativo existente no art. 150, IV da Constituição para afastar multa tributária exorbitante de corrente de descumprimento de obrigação tributária. A propósito, transcrevese parte da ADI 10751/DF" Por fim, requer que seja julgado improcedente o lançamento efetivado no presente Auto de Infração. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15504.010415/200934 Acórdão n.º 3202001.229 S3C2T2 Fl. 444 5 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 0118.646, sessão de 03 de agosto de 2010 (efolhas 393/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/03/2005 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DOLO CARACTERIZADO. MULTA ISOLADA E QUALIFICADA. Havendo inserção de informação inverídica em PER/DCOMP transmitido, objetivando a extinção de débitos com o cometimento de fraude, resta demonstrado o dolo, cabendo, por isto, a aplicação de multa de oficio isolada e qualificada no percentual de cento e cinquenta por cento, conforme a legislação de regência. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150 POR CENTO. CONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA qualificada de 150% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada foi cientificada do Acórdão em 06/09/2011 (efolha 411), apresentou Recurso Voluntário em 07/10/2011 (efls. 423/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na Impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, o auto de infração foi lavrado para a cobrança da multa isolada por declaração de compensação indevida, mais especificamente pela utilização de créditos inexistentes de IPI, decorrentes de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens para emprego na fabricação de produtos industrializados. Compulsandose os autos verificase que a empresa efetivamente solicitou o ressarcimento de créditos de IPI inexistentes, no montante de R$ 285.000,00. Isto fica claro pelo simples fato da Recorrente ser uma empresa comercial, portanto, impossível a utilização do creditamento do IPI sobre a aquisição de insumos para emprego na fabricação (se a empresa é comercial, não há como creditarse de insumos para o seu processo produtivo!). Esse fato, inclusive, é admitido pela própria Recorrente, quando afirma que houve um “equívoco na entrega do PERDCOMP, por não ser contribuinte do IPI e, Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 consequentemente, não fazer jus a compensação pleiteada equivocadamente” (vide efolha 431). A Recorrente, entretanto, argumenta que inexistiu dolo em sua conduta. Ora, os fatos constantes dos autos indicam claramente a conduta dolosa da Recorrente, senão vejamos: a) No início da ação fiscal, a empresa nega que tenha apresentado o PER DCOMP à Receita Federal, nos seguintes termos (efl. 64/ss): "a ELÉTRICA COMERCIAL FÉ LTDA (...) tem a declarar que não tinha conhecimento da PER DCOMP com o pedido de ressarcimento de débitos de IPI e compensação de PIS e COFINS. Ficamos surpresos ainda mais quando pedimos uma cópia da PERDECOMP a V.Sas. A nota fiscal n° 012457, emitida em 23/12/2004, com CFOP 3.101 — compra para industrialização, não existe em nossos livros nem mesmo o CNPJ 00.952.789/000261, sequer faz parte do nosso quadro de fornecedores. Nunca compramos de tal CNPJ e desconhecemos a cobrança de tal ressarcimento. Inclusive, se houver condições, solicitamos antecipadamente que a Receita rastreie de qual “IP” foi enviada essa PER DCOMP, para tomarmos medidas cabíveis, uma vez que não autorizamos e/ou solicitamos a confecção e envio desta PERDCOMP”; b) Posteriormente, quando a fiscalização intimou (em 16/04/2009) o contribuinte para que apresentasse as DCTFs referentes aos anoscalendários de 2000 a 2003, períodos dos débitos compensados na PER/DCOMP, a Recorrente afirmou (vide efolha 74) que “a PERDECOMP emitida em 23/12/2004, pleiteando a compensação da contribuição da COFINS com crédito de IPI foi enviada equivocadamente, considerando que nossa empresa não realiza qualquer atividade de industrialização. Registramos, por oportuno, que as mencionadas contribuições foram corretamente declaradas nas obrigações acessórias a que nos encontramos submetidos". Portanto, nesse momento, a Recorrente já admite que houvesse enviado o PER/DCOMP, contudo, segundo afirmou, de forma “equivocada”; c) A fiscalização constatou que nas DCTF ORIGINAIS, referentes ao 3° trimestre de 2002 e ao 2° trimestre de 2003, foram informados pagamentos feitos através de DARFs para quitar os débitos de PIS e Cofins devidos (efls. 168/ss). Posteriormente, na mesma data de entrega da PER/DCOMP, essas DCTF foram retificadas, e os débitos anteriormente quitados por “supostos pagamentos”, a partir de então, passaram a indicar a extinção do débito por compensação (efls. 205/ss). d) Destarte, é fato incontestável que nas DCTF ORIGINAIS os débitos de PIS e Cofins efetivamente não estavam vinculados à compensação, portanto, o contribuinte reconhecia a existência da dívida em relação a esses tributos para com a Receita Federal. e) Contudo, no dia 15/03/2005, o contribuinte efetua a transmissão da PER/DCOMP e também apresenta as declarações retificadoras das DCTF, informando, então, que os débitos de PIS e Cofins, que se encontravam originalmente pendentes de pagamento, agora estariam liquidados, por compensação. Ou seja, tentou burlar o Fisco, informando a extinção de seu débito tributário por meio da compensação, utilizandose para tanto dos supostos créditos inexistentes de IPI (saldo credor do IPI, decorrente de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens para emprego na fabricação de produtos industrializados). Em suma, primeiro a Recorrente nega que tenha enviado o PER/DCOMP. Depois, assume que o enviou, mas de forma “equivocada”. Contudo, ao preencher o citado documento, detalhou todos os dados do suposto “crédito do IPI”, conforme pode ser atestado às efolhas 104/ss. Registrese que a empresa informou até mesmo o número da nota fiscal (nº 012457, emitida em 23/12/2004) e o CNPJ do emitente (00.952.789/200261) relativo à Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15504.010415/200934 Acórdão n.º 3202001.229 S3C2T2 Fl. 445 7 (inexistente) compra de insumos para industrialização, no montante de R$ 285.000,00 (vide e folha 148). Deste modo, não há como imaginar que a empresa tenha informado todos estes dados “equivocadamente”, sem saber o que estava fazendo, por mero equívoco. Prestou as informações por livre espontânea vontade, como está fartamente comprovado nos documentos juntados aos autos, com o claro intuito de fraudar o Fisco. Não tenho dúvidas disso! A Recorrente apresentou declaração falsa ao Fisco – ao informar a existência de créditos do IPI, que posteriormente comprovouse inexistente com o evidente intuito de fraudar o Fisco, de modo a reduzir o pagamento do PIS e da Cofins devidos. A conduta praticada pela Recorrente subsumese perfeitamente a hipótese normativa insculpida no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e a evitar ou diferir o seu pagamento. Assim, não há como acatar a alegação da Recorrente que houve “boa fé” em sua conduta durante o procedimento fiscal. Como se pode ver, não houve: inicialmente informou desconhecer a existência do PER/DCOMP, para em um segundo momento afirmar que ocorreu apenas um “equívoco” em sua elaboração. Destarte, é de concluirse que a multa qualificada, formalizada por meio do auto de infração, decorre de compensações indevidas, consideradas não homologadas, com caracterização de evidente intuito de fraude em razão das informações falsas inseridas no PER/DCOMP apresentado em meio eletrônico. Por esse motivo, a cobrança da multa isolada deve ser mantida no percentual de 150% (agravada), não merecendo ser reformada a decisão a quo. Conforme pode ser verificado em demonstrativo anexado aos autos, a multa foi fundamentada no artigo 18, da Lei n° 10.833/03, que tem a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Por sua vez, o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Art.§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A conduta praticada pela Recorrente está perfeitamente tipificada nos dispositivos legais acima transcritos, qual seja a compensação indevida de tributos com a utilização de fraude, caracterizada pela prestação de informação falsa no PER/DCOMP apresentado ao Fisco, cabível, portanto, a aplicação da sanção prevista na norma. Em outro giro, também não pode prosperar a alegação trazida pela Recorrente de que a penalidade deveria ser afastada tendo em vista o seu efeito confiscatório. A Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no art. 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente, aplicar as leis, de ofício, não se lhe cabendo inovar ou suprimir as normas vigentes, o que significa, em última análise, introduzir discricionariedade onde não lhe é permitida. Ademais, quanto à alegada natureza confiscatória da multa aplicada é cediço que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessa matéria. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a cobrança da multa de ofício qualificada. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19740.720024/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Ricardo Diefenthaeler que davam provimento em parte ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Ricardo Diefenthaeler que davam provimento em parte ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO. 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ALIANÇA FOMENTO MERCANTIL LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito Tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de Infração referente aos fatos geradores do anocalendário de 2005, apuração trimestral, no total de R$ 175.972,15. Os fatos foram postos pela fiscalização, da seguinte: FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .7 20 02 4/ 20 09 -9 0 Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720024/200990 Resolução nº 1803000.096 S1TE03 Fl. 3 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO. Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação Fiscal e planilhas em anexo, que são parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Enquadramento legal: art.841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 3. Após devidamente intimada do lançamento em 25/02/2009 a recorrente apresentou impugnação tempestiva às fls.1216/1217. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ALEGAÇÕES. FALTA DE PROVAS. As alegações desacompanhadas de provas não produzem efeitos em sede de processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. DIFERENÇAS ENTRE VALORES DECLARADOS E VALORES CONFESSADOS. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa, ainda mais se durante o procedimento fiscal a exigência foi expressamente reconhecida como devida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 FOMENTO MERCANTIL. VALOR DA RECEITA BRUTA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. Nas operações de fomento mercantil, a receita bruta é obtida pela diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. A receita deve ser reconhecida no momento da operação de aquisição do título ou direito creditório. DIFERENÇAS ENTRE VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS. A diferença entre valores declarados e valores recolhidos enseja o lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIFERENÇAS ENTRE VALORES DECLARADOS E RECOLHIDOS. RECEITAS DE FOMENTO MERCANTIL. Inexistindo razões específicas, aplicase ao lançamento de CSLL o mesmo tratamento dispensado ao lançamento Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 4. Em sede recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.1244/1255.) aduzindo primordialmente a reforma do acórdão nº 1230.922, para que seja declarado nulo ou insubsistente o auto de infração, e que seja absolutamente julgado improcedente o lançamento. E por fim pleiteou em síntese: Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720024/200990 Resolução nº 1803000.096 S1TE03 Fl. 4 3 a) que são inexistentes as diferenças de IRPJ e CSLL, apuradas no 3º e 4º trimestres sendo que nesse período mais ou menos 80% das operações foram com prazo de vencimento superior ao ano fiscal; b) sustenta a necessidade de revisão dos termos ficais, devido a absoluta improcedência do auto de infração; c) sobre os documentos acostados nos autos, tem que se avaliar mais detalhadamente o valor de face, pois na sua composição, são deduzidas as pendências (título em atraso do facturizado de operações anteriores e o IOF (imposto sobre operações financeiras), de titularidade da própria SRF; 5 Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. VOTO. Conselheiro Arthur André José Neto, Relator DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DO MÉRITO A recorrente alega em sede de recurso voluntário que “não há que se falar em incidência de IRPJ e CSLL”, uma vez que existiram perdas operacionais, conforme balancete juntado ao presente pleito. Ao analisar os autos, verifico que o balancete só foi juntado ao processo na oportunidade da interposição do recurso voluntário, o que por si só redundaria na preclusão consumativa, conforme disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972. Contudo, filiome a corrente que entende que o exagerado processualismo e preciosismo devem ser evitados. Dessa forma, o julgador ao prolatar suas decisões deve atentarse para a função social do processo administrativo, para que ele não se torne apenas um “amontoado de papeis”, que não reflete a verdade real dos fatos. É pacífico o entendimento que a verdade material ou real é princípio que informa o processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. O abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720024/200990 Resolução nº 1803000.096 S1TE03 Fl. 5 4 O doutrinador Hugo de Brito Machado, ao trabalhar a questão do processo administrativo tributário, entendeu o seguinte: “a Administração não pode agir baseada apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes.” Outrossim, deixar de conhecer os documentos juntados fora do prazo pode gerar, caso ao contribuinte assista razão, enriquecimento sem causa do Fisco, que é meio odioso no Direito Brasileiro. Por outro lado, conhecer do balancete, que deverá passar pelo crivo do contraditório, em nada causará prejuízo. Por outro lado, não se pode olvidar que a Constituição Federal consagrou o princípio da eficiência, em seu art. 37, que, nas palavras de Hely Lopes Meirelles, consiste na imposição de que todo agente público realize suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional. Sendo assim, entendo que este Conselho Administrativo deve agir de forma eficiente, para que não cause prejuízo as partes, bem como não tenha suas decisões revistas pelo Judiciário, o que seria movimentar a máquina pública de forma desnecessária. CONCLUSÃO Em honra a verdade real, bem como ao princípio da eficiência, insculpido no art. 37, da Carta Superior, determino que o processo seja baixado a origem, para que o Fisco possa se pronunciar sobre o balancete juntado as fls. 1256 a 1262, e ainda: se são inexistentes as diferenças de IRPJ e CSLL, apuradas no 3º e 4º trimestres sendo que nesse período mais ou menos 80% das operações foram com prazo de vencimento superior ao ano fiscal; sobre os documentos acostados nos autos, tem que se avaliar mais detalhadamente o valor de face, pois na sua composição, são deduzidas as pendências (título em atraso do facturizado de operações anteriores e o IOF (imposto sobre operações financeiras), de titularidade da própria SRF; se foi considerado o regime de caixa ou o regime de competência. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10950.904983/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 83 /2 01 2- 11 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904983/201211 Acórdão n.º 3801004.529 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000287/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1997 a 30/11/2005
Ementa:
DESISTÊNCIA DO RECURSO
A desistência parcial do recurso voluntário interposto visando o parcelamento do crédito, acarreta o desmembramento do mesmo, prosseguindo o julgamento quanto à matéria controversa.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
SÚMULA 99 CARF
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.421
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita do crédito, na forma do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional.
Fez sustentação oral: Fábio Zanin Rodrigues OAB/SP 306.778
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 30/11/2005 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO A desistência parcial do recurso voluntário interposto visando o parcelamento do crédito, acarreta o desmembramento do mesmo, prosseguindo o julgamento quanto à matéria controversa. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 02 87 /2 00 8- 68 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita do crédito, na forma do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral: Fábio Zanin Rodrigues OAB/SP 306.778 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000287/200868 Acórdão n.º 2302003.421 S2C3T2 Fl. 448 3 Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 11/12/2007, relativa às diferenças entre as contribuições previdenciárias recolhidas e aquelas declaradas pelo contribuinte em GFIP, nas competências de 05/1997; 06/1997; 01/1999 a 11/2002; 01/2003 a 11/2003; 01/2004 a 11/2004 e 01/2005 a 11/2005. Referese, ainda, a diferenças de acréscimos legais nas competências de 08/2002 e 03/2005. Após a impugnação, Acórdão de fls. 260/270, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando: a) a nulidade da autuação por erro na apuração da base de cálculo do tributo; b) a decadência quinquenal; c) a ilegalidade na contribuição para o SAT, eis que os parâmetros foram trazidos por Decreto, ferindo o princípio da legalidade; d) ilegalidade da contribuição para o INCRA; e e) requerendo o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e julgar improcedente o lançamento, bem como para reconhecer que parte do crédito está decadente. Às fls. 381/383, a recorrente requer a desistência parcial do recurso, para aderir ao parcelamento da Lei n.º 11.941/2009. Assim, desiste de recorrer quanto aos seguintes CNPJ's e respectivos períodos: CNPJ 43.447.044/000177 competências de 01/2003 a 11/2005; CNPJ 43.447.044/000258 competência de 11/2003; CNPJ 43.447.044/000339 competências de 11/2003 a 05/2004, e CNPJ 43.447.044/000410 competências de 03/2003 a 11/2004. Consta das fls. 427, o Termo de Transferência TETRA, onde o saldo relativo à parte controversa, competências de 05/1997 a 11/2002, foi transferido para o DEBCAD 37.131.0440, em 09/04/2013. e as fls. 428/446, temos o Discriminativo Analítico do Débito Desmembrado. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Em preliminar deve ser observado que o lançamento original englobando as competências de 05/1997 a 11/2005, foi cientificado ao sujeito passivo em 11/12/2007. De acordo com os elementos constantes dos autos, a recorrente renunciou formalmente, através do documentos de fls. 381/383, ao seu direito de recorrer sobre as exações lançadas nas competências de 01/2003 a 11/2004. Desta forma, restam na presente notificação as competências de 05/1997 a 11/2002, porque não há lançamento na competência 12/2002. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.000287/200868 Acórdão n.º 2302003.421 S2C3T2 Fl. 449 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No caso presente, se pode observar pelo Relatório Fiscal de fls. 159/163, que o lançamento do débito referese a diferenças apuradas entre os valores recolhidos e aqueles constantes das RAIS e declarados pelo contribuinte em GFIP, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, encontrandose homologados tacitamente os valores relativos à competências remanescentes após o desmembramento do débito, de 05/1997 a 11/2002: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal procedimento encontra respaldo na Súmula n.º 99, do CARF: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Por todo o exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909572/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909572/201270 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.724 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PER ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente FRANCOBACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 72 /2 01 2- 70 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909572/201270 Acórdão n.º 3801002.724 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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