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Numero do processo: 15940.000365/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006
IRPF. NULIDADE. OCORRÊNCIA. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS.
Para exigir tributação sobre omissão de rendimentos desconsiderando aqueles da atividade rural informados na declaração de ajuste anual, deve o Fisco comprovar o auferimento de tais rendimentos, não bastando apenas descaracterizar a atividade constante da D.A.A. Assim, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador da origem dos rendimentos que foram base do imposto de renda lançado.
Por ser assim, não tendo o Fisco provado a auferição de qualquer rendimento, ou sequer a respectiva origem, não pode subsistir o Auto de Infração lavrado com fundamento em classificação indevida de rendimentos.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Realizou sustentação oral Dr. Thiago Bôscoli Ferreira, OAB/SP nº 230.421.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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NULIDADE. OCORRÊNCIA. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. Para exigir tributação sobre omissão de rendimentos desconsiderando aqueles da atividade rural informados na declaração de ajuste anual, deve o Fisco comprovar o auferimento de tais rendimentos, não bastando apenas descaracterizar a atividade constante da D.A.A. Assim, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador da origem dos rendimentos que foram base do imposto de renda lançado. Por ser assim, não tendo o Fisco provado a auferição de qualquer rendimento, ou sequer a respectiva origem, não pode subsistir o Auto de Infração lavrado com fundamento em classificação indevida de rendimentos. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Realizou sustentação oral Dr. Thiago Bôscoli Ferreira, OAB/SP nº 230.421. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 03 65 /2 01 0- 71 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Alice Grecchi, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Auto de Lançamento lavrado em 30/03/2010 (fls. 155/160), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 724.772,71, acrescida multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, calculados até 26/02/2010. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 16, o Fisco em procedimento de verificação das obrigações tributárias pelo contribuinte, constatou classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual como recebidos da atividade rural, os quais foram descaracterizados. Em fls. 161/165, consta Termo de Verificação Fiscal, no qual a fiscalização informa o que segue: a) em intimação recebida em 20/08/2009, foi solicitada a apresentação de notas fiscais de entrada que justificassem as vendas através das notas fiscais do produtor de nºs 1 a 20, elencadas como a origem das receitas da sua atividade rural; b) o sujeito passivo declarou que "como engenheiro não poderia atuar como produtor rural, comprando, vendendo e produzindo mudas de plantas, até que em junho de 2005, adquiriu o Sitio São José, conforme escritura de fls. 64/67; c) o sujeito passivo declarou também que possuía 73.500 mudas de eucalipto, cujo valor totalizava R$ 645.500,00 e que a produção de mudas havia iniciado há 5 anos e muitas delas já plantadas no local definitivo, ou seja, nas áreas dos compradores, bem como as mudas de eucalipto foram plantadas na Estância Ilário Fernandes, arrendada em 23/01/2001, constando 50.000 mudas; d) em adição, adquiriu 9.000 mudas de coco em 1999 e 2000, que justificam a venda de 3.750 unidades vendidas, conforme notas fiscais de fls. 19/21 e 38; e) foram intimados os 5 (cinco) maiores compradores das mudas a prestar esclarecimentos sobre a operação de compra das mudas, bem como comprovação do pagamento; f) o sujeito passivo foi intimado em 12/03/2010 a comprovar a efetiva transferência dos valores de todas as notas fiscais do produtor emitidas, no valor total de R$ 899.900,00; g) em resposta, o sujeito passivo alega que recebeu a quantia em espécie de diversos pagamentos e que as informações solicitadas são difíceis de atender, em face do tempo e da falta de controle das operações realizadas; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 317 3 h) o sujeito passivo não plantou as mudas em terreno próprio, pois ele mesmo afirma que as mudas estavam na Estância Ilário Fernandes e que a compra do terreno teve o intuito de autorizar a emissão de nota fiscal do produtor; i) não foi apresentado qualquer contrato de arrendamento, comodato, condomínio ou parceria formalmente elaborado que corroborasse a alegação de que o contribuinte plantou as mudas no terreno do Sr. Ilário Fernandes; j) foi apresentada uma declaração de Ilário Fernandes, datada de 25/03/2010, fl. 127, em que este cede o terreno para plantio em nome do contribuinte; k) o contribuinte alega que comprou sementes, conforme notas fiscais de fls. 70/77, notas essas que estão em nome de terceiros e não do contribuinte; 1) "Ademais, supostamente procedeuse as vendas de mudas de eucalipto em 2005 de 30 a 40 cm e de 50 cm a 1 metro, tempo este que seria suficiente para vender as árvores adultas, conforme o próprio manual de plantio oferecido aos autos. Uma muda de 40 cm é atingida após 2 a 3 meses de plantio, e após 6 meses atinge 1 metro. 4.3 — Da efetividade do pagamento pela venda de mudas foram intimados os seguintes contribuintes para responderem sobre a veracidade da operação e comprovação efetiva de recursos: 4.3.1 — Henriqueta Barbosa Daniluzzi Confirmou ter efetuado a compra no valor de R$ 390.000,00 entre os dias 25 e 28 de junho de 2005, pagando em várias vezes no ano de 2005, em espécie. Não apresentou comprovantes que demonstrassem a efetiva transferência do valor, como retirada bancária em datas e valores aproximados à retirada. 4.3.2 — Guiomar Alves Regueiro Afirma através de seu procurador, que as questões da intimação são impossíveis de serem respondidas, já que o intimado está incapacitado para vida civil. 4.3.3 — Vera Lúcia Alvim Soares Os Correios devolveram a intimação com a informação de 'mudouse', apesar de manter o endereço atualizado como domicilio tributário no sistema da Receita Federal. 4.3.4 — Eliza Rodrigues Confirma a efetividade da compra de mudas, afirma que o pagamento foi em espécie e, contraditoriamente, afirma logo em seguida, que 'diante do tempo transcorrido, não me recordo com convicção a forma de pagamento'. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 4.3.5 — Lourival Alves Regueiro Os Correios devolveram a intimação com a informação de 'não procurado apesar de manter o endereço atualizado como domicilio tributário no sistema da Receita Federal. Dos cinco intimados somente dois responderam algo que valesse, e mesmo assim, afirmam terem pagado a compra de mudas em espécie, mesmo se tratando de quantias elevadas como R$ 50.000,00 ou R$ 390.000,00. [...] O contribuinte afirma ter recebido este montante elevado em espécie, mas não apresentou nenhum extrato de depósito bancário dos valores ou outro documento probatório já que as demais informações solicitadas foram difíceis de adiantar em função do tempo decorrido e da falta de controle das operações realizadas'. [...] O sequenciamento das notas fiscais, o curto intervalo de tempo de sua emissão, a falta de escrituração, a falta de documentos que provem o pagamento da operação e um superfaturamento do produto vendido indicam se tratar de notas que foram emitidas somente para cobrir uma receita de origem desconhecida, haja vista que esta operação de venda não existiu. Desta forma, concluímos que não foi provada a receita advinda de atividade rural como o contribuinte afirmou em sua Declaração de Imposto de Renda de 2006. Portanto, descaracterizamos a declaração da receita de R$ 899.900,00 como advinda de atividade rural, e emitindo um Auto de Infração por classificação indevida de rendimentos declarados na DIRPF, em anexo. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2° da Lei n° 8.023/90 e IN SRF n° 83/01, com objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator ex multa de cento e cinquenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais (art. 18 da Lei n°8.023/90)." Cientificado da exigência tributária, por via postal, na data de 05/04/2010, conforme AR de fl. 168, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 174/218, conforme se extrai os seguintes argumentos: a) preliminarmente, alega que não foram observadas as formalidades legais necessárias à lavratura do lançamento, em face da precariedade da descrição dos fatos, decorrendo o cerceamento do seu direito de defesa; b) os dispositivos legais invocados como infringidos são totalmente vagos e imprecisos, não descrevendo no plano jurídico normativo a situação fática que entende a fiscalização como caracterizada; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 318 5 c) a totalidade da autuação gira em torno de presunção de que o sujeito passivo tenha declarado como receita da atividade rural, receita de outras origens referidas como desconhecidas; d) toda a documentação colacionada durante a ação fiscal aponta para o efetivo desenvolvimento de atividade rural pelo impugnante, dai ser impossível construir presunção em sentido totalmente diverso; e) a fiscalização presumiu outro fato, a de que houve erro no enquadramento da renda, que não se sustenta, vez que se funda apenas em uma presunção de presunção, ou seja, conclusão firmada com base apenas em deduções, o que não se admite; f) cita diversos princípios constitucionais, iniciando pelo principio da certeza do Direito, no sentido de que o trabalho fiscal não demonstrou qualquer circunstância concreta que ensejasse a "falsidade ideológica" das notas fiscais de produtor rural emitidas pelo sujeito passivo e, conseqüentemente, o erro no oferecimento à tributação dos valores correspondentes a receita da atividade rural; g) a fiscalização também não comprovou que as operações não teriam ocorrido, mas pelo contrário, suas diligências apenas confirmaram a efetiva ocorrência, que se revestiu de toda a regularidade; h) a discricionariedade da fiscalização afronta os princípios da segurança jurídica e da legalidade e concluiu pela inexistência de um ato perfeito, válido e eficaz, que foi a apresentação da Declaração de Ajuste Anual; i) passa a relatar acerca do cultivo de mudas, no sentido de que comprometese a vender a planta já na fase adulta, de modo que, a depender da espécie, o plantio ocorre diretamente na propriedade do adquirente, tendo em vista a impossibilidade de remoção e transporte de plantas/árvores após atingirem um determinado tamanho; j) em face do fato de que até o mês de junho de 2005, não ser proprietário de nenhuma área rural, desenvolvia sua atividade de viveirista em pequena área de terra destacada da Estância Tucano, localizada na SP n° 425, Rodovia Assis Cheteaubriand, Km 56, no município de Pirapozinho/SP, de propriedade do Sr. Ilário Fernandes, CPF 316.276.92800, a titulo gratuito; k) maior prova dessa assertiva são as notas fiscais e documentos de fls. 70/77, sendo destinatário o Sr. Ilário Fernandes; 1) plantou reduzida quantidade de eucalipto na Estância Tucano, sendo a maior parte plantada diretamente na propriedade dos adquirentes; m) "Conforme já consignado, o defendente se comprometia a entregar quantidade certa e determinada de árvores adultas, o que somente é possível mediante plantio direto na propriedade Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 dos respectivos adquirentes, tendo em vista a impossibilidade de remoção e transporte das árvores após atingirem um determinado tamanho. Apenas a titulo de exemplo de comprovação dessa assertiva, interessante o confronto entre a já referida nota fiscal n° 30, emitida em 25/01/2001 por Noroeste Produção e Comércio de Mudas Ltda., referente a 50.000 (cinquenta mil mudas) de eucalipto e a nota fiscal n° 11, emitida por Ilário Fernandes (Estância Tucano) na mesma data e apontando as mesmas quantidades do mesmo produto, a serem entregues na Fazenda Santa Terezinha, cujo CPF inscrito na nota pertence à Sra. Henriqueta Barbosa Daneluzzi. A análise da forma de transporte da mercadoria aponta tratarse do mesmo transportador, ou seja, Sr. Manoel Nogueira de Brito, ficando claro que a mercadoria saiu da empresa Noroeste Produção e Comércio de Mudas Ltda. chegando a Estância Tucano, de Ilário Fernandes, onde foi emitida regular nota fiscal de venda para Fazenda Santa Terezinha, de Henriqueta Barbosa Daneluzzi. Toda essa atividade era desenvolvida pelo defendente, o qual, por não possuir propriedade rural e conseqüentemente, inscrição estadual de produtor, desenvolvia atividade em nome de Ilário Fernandes, que por sua vez lhe cedia pequeno espaço de sua propriedade que servia de base para o defendente desenvolver suas atividades." n) em nenhum momento afirmou que, enquanto engenheiro agrônomo, não poderia atuar como produtor rural, até mesmo porque, nessa profissão, tem entre suas atividades peculiares justamente o desenvolvimento da produção rural; o) na verdade, a sua afirmação foi no sentido de que, enquanto não proprietário de área rural, não poderia emitir notas fiscais de produtor rural em nome próprio, o que somente se fez possível depois da aquisição de uma pequena área, em junho de 2005, conforme escritura de fls. 64/67; p) com a aquisição da área em questão, obteve inscrição estadual de produtor perante a Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo e pôde imprimir e emitir notas fiscais em nome próprio, não mais dependendo, a partir de então, da utilização da área do Sr. Ildrio Fernandes, bem como de emitir documentos fiscais em seu nome; q) as mudas e árvores vendidas nas notas fiscais do produtor de fls. 19/33 vinham sendo cultivadas desde o ano de 2000, conforme as entradas ocorridas nas propriedades dos Srs. Ildrio Fernandes e Henriqueta Barbosa Daneluzzi; r) todas essas notas fiscais contêm a identificação da data e devida assinatura no canhoto de recebimento, apontando que seus destinatários de fato receberam as mercadorias ali consignadas; s) sobre o recebimento do valor relativo a essas notas fiscais, "calha notar que o mesmo resta comprovado, vez que na época Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 319 7 das operações o defendente depositou a referida quantia em sua conta corrente, conforme é de conhecimento do Fisco."; t) "Como a relação jurídica entre o defendente e o Sr. Ilário Fernandes não se enquadra em nenhuma das situações para as quais se exige a adoção de forma prescrita ou não adoção de forma defesa em lei, então não cabe qualquer tentativa de se impor questionamentos a validade do contrato regularmente firmado e confirmado entre as partes."; u) as diligências feitas pela fiscalização corroboram a legitimidade das operações de atividade rural feitas pelo sujeito passivo; v) informa acerca da variação dos preços das mudas, justificando o preço maior praticado em tais operações, por vender árvores adultas; w)"Seqüência de notas e intervalo de emissão são totalmente irrelevantes para descaracterização das informações nelas contidas, mesmo porque, por se tratar de cultura de ciclo longo, onde as plantas são cultivadas em grande quantidade demoram a se estabelecer, é certo que se ficará longo tempo sem emitir documentos de venda, de modo que posteriormente, de forma aparentemente repentina, diversos documentos serão emitidos de uma só vez ou em curto espaço de tempo."; x) entende que não altera a situação dos fatos a falta de escrituração fiscal, vez que ao não formalizála, o produtor rural apenas perde a oportunidade de deduzir da base de cálculo as respectivas despesas de custeio, apurando o imposto com base em percentual presumido de renda aplicado sobre o resultado bruto de sua comercialização, como prevê a legislação; y) os adquirentes confirmaram a compra de mudas e árvores, o que se soma ao depósito do valor na conta corrente do sujeito passivo, declaração ao fisco e recolhimento do imposto devido, nada havendo a ser questionado a esse respeito, vez que os fatos apontam para situação diversa da levantada no auto de infração; z) a fiscalização, ao desconsiderar as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo e a respectiva Declaração, lançando o imposto na alíquota de 27,5% sobre o total da receita apurada, não realizou qualquer das deduções legais previstas, seja aquela em percentual fixo pertinente a declaração simplificada, sejam as relativas ao rol de despesas dedutíveis; aa) o mais grave é que não considerou o imposto declarado e pago pelo sujeito passivo, quando da apuração do crédito tributário, "de modo que, ainda que se admitisse a acusação, do que aqui não se trata, seria necessário dela deduzir além dos valores autorizados em lei, também os valores já recolhidos pelo contribuinte, afim de evitar um indevido enriquecimento ilícito e sem causa do estado. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Nesta linha, mesmo sendo o caso de anular a acusação in totum, se entenderem os i. Julgadores pela manutenção da acusação, do que não se cogita, mister se faz que seja recalculada a apuração do imposto, com os devidos reflexos nos juros e na multa, para considerar as deduções legalmente estabelecidas para o modelo convencional ou simplificado, conforme a declaração, bem como o montante do imposto já pago pelo contribuinte, quando da declaração dos rendimentos."; ab) contesta a multa qualificada, diante da falta de prova substancial que comprove a efetiva ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ac) aduz ainda que a multa imposta no auto de infração se revela abusiva, independente do percentual ordinário de 75% ou o percentual qualificado de 150%, posto que a multa deve incidir tendo como base os princípios basilares da razoabilidade e da proporcionalidade; ad) ao final, requer "a produção de prova pericial, com indicação de assistente técnico, facultandose a Fazenda Pública também a nomeação, para os efeitos de comprovar pericialmente fato e circunstâncias para o deslinde da presente questão, bem assim provas testemunhais;" A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Denegase o pedido de perícia, quando estão presentes nos autos todos os elementos necessários ao julgamento e não foi tal pedido formalizado de acordo com a legislação de regência do processo administrativo fiscal. DESCRIÇÃO DOS FATOS E DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se conhece da preliminar de cerceamento do direito de defesa, quando se verifica que os fatos estão devidamente descritos em Termo de Verificação fiscal anexo ao auto de infração e possibilitam ao sujeito passivo a apresentação de sua defesa. ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que existente, erro no enquadramento legal do auto de infração não seria o bastante, por si só, para acarretar a nulidade da exigência, quando a descrição dos fatos, que dele é parte integrante, permite ao autuado o conhecimento por inteiro do ilícito que lhe é imputado. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS E ATOS. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou ilegalidade de normas ou atos praticados pela administração fiscal, bem como a afronta a princípios constitucionais, é privativa do Poder Judiciário. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 320 9 MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO VERDADEIRO. TRIBUTAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o fisco pode alcançar o negócio jurídico que realmente ocorreu, para proceder a devida tributação. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Os percentuais da multa exigíveis em lançamento de oficio são determinados expressamente em lei, portanto normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico; não dispondo assim as autoridades administrativas de competência para apreciar alegações de escalonamento, de atentar contra ampla defesa, de ser abusiva, de representar confisco e/ou de ser ilegal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em omitir tanto informações quanto rendimentos em sua declaração de ajuste anual, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. O contribuinte foi cientificado do acórdão n° 1743.468 da 3ª Turma da DRJ/SP2 em 03/09/2010 (fl. 264). Sobreveio Recurso Voluntário em 05/10/2010 (fls. 265/304). Em síntese, o contribuinte aduziu que: “ [...] na decisão objeto do presente recurso o i. Julgador não enfrentou satisfatoriamente as argumentações do recorrente, omitindose totalmente com relação aos sistemas de norma de direito positivo; aos princípios e aplicação do direito e aos sobreprincípios, notadamente o da certeza do direito e o da segurança jurídica. No mérito, o i. Julgador também silenciou totalmente a respeito de diversos elementos comprovados pelo contribuinte, como a escala de crescimento das mudas, a forma como se deu o cultivo, a sua variação de preço de acordo com a variedade da muda, o tamanho, a forma e local de cultivo, a compra de insumos, o transporte de mercadoria e a demonstração de total coerência entre os preços de compra de mudas, sementes e insumos e os preços de revenda. Na única ocasião em que fez menção de se aproximar dos fatos em discussão relacionados à comercialização de mudas, o i. Relator limitouse a afirmar que na atividade rural o contribuinte deve provar sua receita por documentação hábil e Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 idônea e que as notas fiscais seriam falsas com base nos indícios de sequenciamento numérico, curto intervalo de tempo entre as emissões e suposta falta de prova de obtenção das mudas posteriormente comercializadas. [...] Destarte, a decisão que silencia sobre os argumentos basilares da defesa administrativa deve ser considerada nula, por afronta aos mandamentos constitucionais vigentes. [...] Notese que o recorrente demonstrou com argumentos sólidos, além de contundente contextualização entre valores e datas, que a receita auferida efetivamente decorre de operações legais, ao que a r. decisão simplesmente se omitiu, como se aqueles fatos não constassem dos autos. Assim, não se manifestou sobre o fato do comércio de mudas demandar expressivo tempo sem qualquer venda, até estarem em ponto de venda, ocasião em que são comercializadas em curto espaço de tempo, justificando sequenciamento e concentração de emissão de notas fiscais; não se manifestou sobre a total compatibilidade entre os preços praticados e os preços de mercado, conforme cotações anexadas; sobre as variações de preço _ de acordo com a variedade e grau de desenvolvimento; sobre o fato das mudas terem sido plantadas e cultivadas diretamente nas propriedades dos adquirentes; sobre o fato de existir compatibilidade entre as compras de mudas e sementes e as respectivas revendas, além de outros pontos efetivamente explanados na defesa. [...] Com relação a todos os argumentos constantes da inicial acerca da nulidade e extinção do lançamento, limitouse a r. decisão recorrida a consignar não haver nulidade, vez que nos termos do art. 59, incisos I e lido Decreto n° 70.235/72, apenas seriam nulos os atos, termos, despachos ou decisões proferidos por pessoa ou autoridade incompetente, ou com preterição do direito de defesa. [...] Com o devido respeito, a i. Relatora, ao decidir o tópico em questão, esquivouse dos argumentos ali demonstrados, limitandose a argumentar que o ato não seria nulo pois o agente administrativo seria competente. Ora, em nenhum momento da defesa administrativa o recorrente argumentou pela incompetência do i. AFRFB, mas sim, pelo não preenchimento dos demais requisitos formais necessários para a constituição do crédito tributário. [...] O auto de infração deve estar formulado de modo que o autuado tenha pleno e imediato conhecimento de seu conteúdo, para que possa exercer seu direito constitucional ampla defesa, pois se Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 321 11 este não compreenderia imposição que lhe é imputada, não poderá se defender adequadamente. Ora, essa garantia constitucional fundamental restou totalmente prejudicada na presente autuação fiscal, pois, além de não existir correlação lógica entre de um lado, a capitulação legal da infração e da multa e de outro, a descrição dos fatos, não foi demonstrado inequivocamente as supostas irregularidades desenvolvidas pelo contribuinte, o que sem dúvida alguma prejudica a apresentação de ampla defesa pelo mesmo. [...] embora o recorrente, à época do inicio da atividade de cultivo de mudas e da compra de insumos não fosse inscrito na repartição estadual como produtor rural, o era no momento da ocorrência do efetivo fato jurídico tributário, consistente no auferimento de renda em virtude do desenvolvimento de atividade rural, o que foi regularmente documentado através dos respectivos documentos fiscais. Ademais, verificase perfeita identidade de gênero, espécie e quantidade entre as mudas, sementes e insumos adquiridos pelo recorrente em nome de terceiros, quando ainda não era portador de inscrição de produtor rural e as mudas efetivamente por ele comercializadas quando já portador de referida inscrição, sendo inquestionável que aquelas entradas correspondem às saídas ocorridas em 2005. [...] tendo o recorrente obtido a inscrição estadual no ano de 2005 e não tendo adquirido, seja em nome próprio, seja em nome do Sr. Ilário Fernandes, nenhuma grande quantidade de mudas em data próxima, então mostrase lógico e absolutamente impossível que essas mudas não sejam outras senão aquelas que já vinham sendo cultivadas desde os anos de 1999 e 2000. Não haveria tempo hábil, obtida a inscrição de produtor rural no ano de 2005, de fazer com que as mudas correspondentes às notas fiscais emitidas entre 17/06/2005 e 28/06/2005 atingissem o tamanho com que foram comercializadas, ainda mais considerando que nessas épocas não houve nenhuma aquisição por parte do recorrente ou do Sr. Ilário Fernandes de mudas em face de terceiros. [...] Quanto ao pagamento das mercadorias, os próprios adquirentes confirmaram que compraram as mudas e árvores e receberam por elas, o que se soma ao depósito do valor na conta corrente do recorrente, declaração ao Fisco e recolhimento do imposto respectivo, nada havendo nada a questionar a esse respeito, vez que os fatos apontam para sentido diametralmente oposto ao que o Fisco intenta presumir. [...] Para defender a incidência da multa na modalidade qualificada, a i. Relatora, sem maiores explanações, aduz que o contribuinte Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 usou documento ideologicamente falso, que se valeu de expedientes ardilosos para redução do imposto a pagar, que o contribuinte teve do ano de 2005 até o ano de 2010 para regularizar sua situação e que houve intenção de lesar o Fisco. [...] Com efeito, pela observância das normas descritas, verificase que, somente em caso de comprovação, pelo Fisco, do intuito sonegador, do evidente intuito de fraude, poderá impor sanções qualificadas. E não poderia ser diferente em um Estado de Direito! [...] Ademais, não cabe ao Fisco, sem fazer prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, impor sanções qualificadas aos contribuintes, até mesmo porque o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 112, dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida, [...] Outrossim, ainda que a multa não fosse imposta no percentual qualificado, ou seja, ainda que fosse imposta no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), a conclusão sobre abusividade seria a mesma. [...] I Face ao exposto, comprovado que a decisão recorrida não enfrentou, como determina a Constituição Federal, os argumentos expostos pela recorrente por ocasião da defesa, requer o reconhecimento da sua nulidade, bem como a devolução do processo Primeira Instância Julgadora, para que seja proferida nova decisão. II Acaso não entenda este e. Colegiado pela configuração da nulidade por omissão, requer, no mérito, o total provimento do presente recurso para reformar a r. decisão recorrida e julgar a acusação totalmente improcedente, afastando ainda a indevida utilização de presunções e cancelando a abusiva multa imposta, pois ofensiva ao principio da vedação ao confisco. [...]” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 2102003.099 S2C1T2 Fl. 322 13 O presente lançamento cingese à controvérsia acerca da classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual como recebidos da atividade rural, os quais foram descaracterizados pelo Fisco. De início, esclareço que deixo de apreciar as preliminares arguidas pelo recorrente, pois reconheço a nulidade do Auto de Infração por fundamentos diversos, conforme será exposto a seguir. Como se observa do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal constante em fls. 155/165, o fisco constatou que o valor da receita bruta declarada, corresponde ao acréscimo patrimonial, e este, coincidentemente, equivale à receita da operação de vendas de mudas da atividade rural, conforme excertos transcritos abaixo: “Houve alegação que houve pagamento em várias vezes, mas não se diz quando nem quanto. O certo é que o contribuinte recebeu o valor de R$ 899.900,00 no ano de 2005, como se pode comprovar nas últimas cinco declarações do mesmo, onde é declarada a variação patrimonial correspondente à receita desta operação de venda de mudas.” Neste caso, considerando que o acréscimo patrimonial corresponde à receita das vendas, e tendo o Fisco verificado que o contribuinte não recebeu receita da atividade rural, posto que não comprovou a operação de venda, descaracterizou a atividade declarada, conforme segue: “Desta forma, concluímos que não foi provada a receita advinda de atividade rural como o contribuinte afirmou em sua Declaração de Imposto de Renda de 2006. Portanto, descaracterizamos a declaração de receita de R$899.900,00 como advinda de atividade rural, e emitindo um Auto de Infração por classificação indevida de rendimentos declarados na DIRPF, em anexo.” Inclusive, pelo relatório fiscal, temse que o Fisco constatou que a declaração indevida deuse com o objetivo de desfrutar de legislação tributária mais favorecida. In verbis: “A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º da Lei no 8.023/90 e IN SRF no 83/01, com objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais (art. 18 da Lei no 8.023/90).” Antes de examinar o caso concreto, vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, o qual estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. “Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” Assim, ainda que fosse correta a descaracterização da atividade rural, posto que não comprovada pelo contribuinte, poderia o Auditor Fiscal autuar aquele por acréscimo patrimonial a descoberto, e não o fazendo, abriu mão da presunção legal, cabendo a ele comprovar, se descaracterizada a atividade, qual a origem dos rendimentos percebidos pelo contribuinte. Portanto, incorreta a autuação em que descaracteriza a atividade rural declarada pelo contribuinte, autuando por classificação indevida de rendimentos, tendo o Fisco neste caso, o ônus de comprovar a efetiva auferição de tais rendimentos. Da análise dos autos, tendo sido os valores declarados como provenientes da atividade rural, os quais coincidem com o acréscimo patrimonial, repiso, poderia o Fisco ter lavrado o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, o qual, fora mencionado no relatório fiscal, no entanto, não o fez, abrindo mão da presunção legal. Neste caso, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador da origem dos rendimentos que foram base do imposto de renda lançado. Por ser assim, não tendo o Fisco provado a auferição de qualquer rendimento, em substituição aos aqueles oriundos da atividade rural informados pelo contribuinte e desclassificados pela autoridade fiscal, ademais, sequer comprovado a respectiva origem dos rendimentos autuados como “Classificação Indevida de Rendimentos”, não pode subsistir o Auto de Infração lavrado com tal fundamento. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12448.728610/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal - construído como parte integrante do auto de infração - do qual tomou ciência a autuada por meio de sua procuradora.
IPI. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
Eventual direito à compensação de IPI deve ser apreciado em procedimento administrativo próprio, não sendo possível a compensação de ofício por meio de Auto de Infração.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE.
A partir da alteração do artigo 74 da Lei 9.430/96 pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 a compensação somente se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação DCOMP, na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.
IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE PARA DETERMINADOS PRODUTOS.
À exceção dos produtos classificados na posição NCM 3401, as saídas para filiais atacadistas - como também para todos os estabelecimentos equiparados - não se sujeitam ao valor tributável mínimo por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89.
RO Provido em Parte e RV Negado
Numero da decisão: 3201-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudiño (relator) e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que davam provimento para que fossem abatidos os valores pagos de IPI. Redator designado Winderley Morais Pereira]
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes De Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudiño (relator) e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que davam provimento para que fossem abatidos os valores pagos de IPI. Redator designado Winderley Morais Pereira] (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes De Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada por meio de sua procuradora. IPI. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual direito à compensação de IPI deve ser apreciado em procedimento administrativo próprio, não sendo possível a compensação de ofício por meio de Auto de Infração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A partir da alteração do artigo 74 da Lei 9.430/96 pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 a compensação somente se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação DCOMP, na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE PARA DETERMINADOS PRODUTOS. À exceção dos produtos classificados na posição NCM 3401, as saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados não se sujeitam ao valor tributável mínimo por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89. RO Provido em Parte e RV Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 86 10 /2 01 2- 43 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudiño (relator) e Luciano Lopes de Almeida Moraes, que davam provimento para que fossem abatidos os valores pagos de IPI. Redator designado Winderley Morais Pereira] (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes De Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Em julgamento o auto de infração de fls.609 a 616 cuja motivação fática foi assim explanada no Termo de Verificação Fiscal (fls.596/608): A apropriação de créditos de IPI pelo estabelecimento fiscalizado (sejam os decorrentes de operações de importação, sejam os decorrentes das transferências internas de mercadorias) devidamente apontada nos registros contábeis e indicada no LAIPI encontra amparo na legislação de regência e pôde ser confirmada, por amostragem, a partir dos documentos fiscais examinados (NFs, DIs, etc); A classificação fiscal e as correspondentes alíquotas dos produtos tributados pelo IPI foram auditadas, segundo os mesmos critérios, não sendo possível identificar incorreções relevantes que indicassem a necessidade de exigência fiscal de ofício; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 840 3 Os débitos de IPI, lançados no LAIPI, são compatíveis com os que se extrai dos Arquivos de Notas Fiscais de Saída do estabelecimento fiscalizado; Os valores de IPI apurados no LAIPI correspondem aos declarados como devidos em DCTF pelo sujeito passivo; Todavia, o contribuinte deixou de observar, nas saídas promovidas a partir do estabelecimento fiscalizado, a correta base de cálculo do IPI (Valor Tributável Mínimo) nos termos do que determina o art. 136 do RIPI/02, consoante admite o próprio interessado em suas respostas de 11/09/2012; e 28/08/2012; O contribuinte esclarece que seu modelo de negócios contemplou, em 2008, exclusivamente a venda a varejo para consumidor final, pessoas físicas, promovidas em todo o território nacional a partir de seu estabelecimento matriz e demais filiais, a exceção da fiscalizada, que não promoveu saída de mercadorias/produtos para quaisquer terceiros, limitandose a distribuílos a filiais da mesma empresa (ver respostas ao Termo de Intimação 08, Partes I e II, de 03/08/2012 e 07/08/2012); Todas as demais filiais da empresa (a exceção da fiscalizada) são estabelecimentos exclusivamente varejistas não contribuintes do IPI, sendo contribuintes (industriais por equiparação) apenas o estabelecimento matriz (art. 9o, inciso I, do RIPI/02), e o ora fiscalizado (inciso II do mesmo art. 9o). Fato admitido expressamente pelo interessado, na resposta ao Termo de Intimação 08 Parte II,de 07/08/2012; Que diante das conclusões apontadas nos itens anteriores, as saídas do estabelecimento fiscalizado para os demais estabelecimentos da mesma empresa deveriam obedecer ao disposto no art.136, II do RIPI/02 – Decreto 4544/02(matriz legal DL 4502/64, art.15, II c/c Lei nº 9.532/97, art.37, inciso III), no que tange ao valor tributável mínimo a ser oferecido à tributação... Em relação às saídas tributadas para o estabelecimento matriz (contribuinte do IPI, a teor do art. 9o, I, do RIPI/02) aplicase o mesmo entendimento,ou seja, exigese a observância do Valor Tributável Mínimo estatuído no art. 136, II, do mesmo Regulamento, posto que, embora se tratem de transferências entre estabelecimentos equiparados a industrial da mesma empresa, ao caso não se aplica o disposto no item 4 da IN/SRF n°. 87/89 que disciplina, apenas, a hipótese regulada pela alínea "a" do inciso I do art. 68 do RIPI/82 (matriz legal: art. 15, inciso I, da Lei 4.502/64) não alcançando a hipótese do inciso II do art. 15, da Lei 4.502/64, que se reproduz no art. 136, II do RIPI/02; O próprio sujeito passivo admitiu, em resposta aos Termos de Intimação 08 e 09, que deixou de cumprir ao comando do art. 136, II antes examinado, reconhecendo que considerou, nas saídas do estabelecimento fiscalizado, bases de cálculo do IPI significativamente inferiores aos valores mínimos exigidos em Fl. 841DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Lei. Tal fato se evidencia a partir das Planilhas (por ele elaboradas) contemplando todas as saídas tributadas pelo IPI da filial fiscalizada (Caxias) com indicação do correspondente VTM, em confronto com os valores médios de saída (ponderado em função das quantidades, colhidos das correspondentes Notas Fiscais), para cada produto, em cada período de apuração; Que, os produtos comercializados por FOREVER LIVING PRODUCTS BRASIL LTDA são de procedência estrangeira e por ela importados de empresas do grupo, sendo comercializados no território nacional exclusivamente pela fiscalizada, não existindo fornecedor alternativo para produtos de características idênticas e, tampouco, mercado atacadista para tais produtos (a empresa só opera vendas a varejo); Que, os valores tributários mínimos apurados e demonstrados nas Planilhas apresentadas à fiscalização (ver item 10 anterior), tomaram por base a Tabela de Preços de Venda a Varejo dos produtos comercializados pela fiscalizada, praticada em todo o território nacional nos anos de 2007 e 2008, fato que se confirmou pelo exame, por amostragem, das notas fiscais de venda emitidas. Assim sendo, as planilhas apresentadas pelo contribuinte e auditadas pela fiscalização indicam, para cada produto em cada período de apuração, os valores tributáveis mínimos correspondentes a 90% do valor de venda a varejo praticado pelo destinatário, a teor do citado art. 136, II do RIPI/02. As Planilhas referidas, além de demonstrar o Valor Tributável Mínimo (VTM) a ser observado nas saídas de cada produto, e confrontálos com as bases de cálculo efetivamente consideradas pelo contribuinte em cada período, apuraram as diferenças de IPI que deixaram de ser destacadas em Nota Fiscal em cada período (para cada classe de produto), em face da inobservância, admitida pelo próprio interessado, do comando do art. 136, II do RIPI/02; O feito fiscal, que exige o total de R$ 10.863.788,12, foi impugnado pelo arrazoado de fls.627 a 639: DA NULIDADE (...) vêse claramente que o referido auto de infração foi lavrado em desacordo com o que prevê o Decreto n° 70.235/72, como se observa pelo dispositivo legal acima transcrito, revelandose manifestamente nulo. Além disso, a falta de clareza sobre a capitulação legal infringida impede que a Impugnante possa defenderse adequadamente das acusações fiscais que lhe estão sendo imputadas, em manifesto cerceamento do seu direito de defesa, constitucionalmente assegurado. Ou seja, além da nulidade já explicitada, o presente auto de infração também é manifestamente nulo pelo evidente cerceamento do direito de defesa da Impugnante, nos termos do art. 59, do Decreto n° 70.235/72. DO MÉRITO Fl. 842DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 841 5 Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o procedimento adotado pela Impugnante não causou qualquer lesão ao erário federal. Isto porque, as filiais varejistas da Impugnante realizavam o recolhimento do IPI por ocasião das vendas realizadas aos consumidores das mercadorias por ela comercializadas. Tal afirmativa resta facilmente comprovada pela leitura dos DARFs pagos ao longo do anocalendário de 2008 pelas demais filiais da Impugnante. Ou seja, ainda que a Impugnante não tenha recolhido o IPI incidente na transferência de suas mercadorias para as filiais varejistas com base no Valor Tributável Mínimo (90% do preço de venda a varejo, nos termos do art. 136, II, do RIPI/02), tais filiais, por sua vez, realizaram o recolhimento sobre o efetivo valor de venda aos consumidores finais, razão pela qual não teria havido qualquer prejuízo ao erário federal. Com efeito, a perda de arrecadação assumida pela própria legislação do IPI, ao estabelecer o Valor Tributável Mínimo, apenas reflete a sua natureza marcadamente extrafiscal, ou seja, de tributo regulatório, que não tem por finalidade a arrecadação de recursos para a União Federal. (...) DA NÃO OBRIGATORIEDADE DA OBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO NAS TRANSFERÊNCIAS DA FILIAL AUTUADA PARA O ESTABELECIMENTO MATRIZ DA IMPUGNANTE Ainda que se entenda que os débitos de IPI ora lançados são devidos — o que só se admite para fins de argumentação , observase que, mesmo assim, parte da presente autuação deve ser cancelada. Explicase. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração ora impugnado, também está sendo exigido o IPI (calculado com base no VTM) referente às transferências para o estabelecimento matriz da Impugnante: "Em relação às saídas tributadas para o estabelecimento matriz (contribuinte do IPI, a teor do art. 9o, I, do RIPI/02) aplicase o mesmo entendimento, ou seja, exigese a observância do Valor Tributável Mínimo estatuído no art. 136, II, do mesmo Regulamento, posto que, embora se tratem de transferências entre estabelecimentos equiparados a industrial da mesma empresa, ao caso não se aplica o disposto no item 4 da IN/SRF n". 87/89 que disciplina, apenas, a hipótese regulada pela alínea "a" do incido I do art. 68 do RIPI/82 (matriz legal: art. 15, inciso I, da Lei 4.502/64) não alcançando a hipótese do inciso II do art. 15, da JLei 4.502/64, que se reproduz no art. 136, II do RIPI/02" Entretanto, a própria legislação citada pela Fiscalização Federal para fundamentar o auto de infração, neste particular, Fl. 843DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 permite conclusão diametralmente oposta, qual seja, de que a Impugnante não estava obrigada a observar o Valor Tributável Mínimo. Neste sentido, é importante esclarecer a seguinte premissa: o art. 136, II, R1PI/02 (art. 15, II, da Lei n° 4.502/1964) apenas estabelece a obrigatoriedade de observância ao VTM quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, e desde que este opere exclusivamente na venda a varejo, o que não é o caso do estabelecimento matriz da Impugnante, conforme facilmente se verifica pela leitura do seu Cartão de Inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas. (...) Por todo o exposto, a Impugnante vem requerer o reconhecimento da nulidade do auto de infração ora impugnado ou, ainda, sejam os débitos de IPI ora lançados julgados totalmente improcedentes, bem como sejam canceladas as exigências fiscais deles decorrentes, a título de principal, multa e demais consectários moratórios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0943.937, de 13/05/2013, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada por meio de sua procuradora. IPI. PAGAMENTO DO IMPOSTO POR NÃO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Os montantes recolhidos pelos destinatários das saídas filiais varejistas representam recolhimento sem causa. As filiais varejistas, afastadas da condição de contribuintes, nada têm a recolher. E se recolhimento houve, assomase o direito de repetição do indébito nos termos do artigo 165 do CTN, observado o lapso decadencial previsto no art.168, estando impossibilitado o aproveitamento, pelo estabelecimento industrial, dos montantes pagos por absoluta falta de previsão legal. IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE. As saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados não se sujeitam ao valor Fl. 844DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 842 7 tributável mínimo por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela do lançamento que foi exonerada excedeu o limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o presidente da turma julgadora de primeira instância administrativa recorreu da decisão, de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972. De forma tempestiva, a Impugnante apresentou o recurso voluntário cabível quanto à parcela mantida do crédito tributário, reiterando os argumentos de sua defesa original. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. 1 Recurso de Ofício A motivação do recurso de ofício foi a exoneração de parte do crédito tributário lançado pela fiscalização, mais especificamente as diferenças de IPI, multa de ofício e juros moratórios decorrentes das saídas de produtos da filial autuada e sua matriz. Em síntese, a instância a quo entendeu, por unanimidade de votos, que não é exigível o valor tributável mínimo nas saídas para os estabelecimentos equiparados a atacadistas, nos termos do item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87, de 1989, que assim dispõe: 4. A equiparação a contribuinte do imposto, decorrente da aplicação ou não do disposto no artigo 7º da Lei nº 7.798/89, desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos estabelecidos no artigo 68, I "a" do RIPI/82, cujo valor tributável será o preço da operação de que decorrer o fato gerador, salvo quanto aos produtos incluídos no regime de que tratam os artigos 1º e 3º da referida Lei nº 7.798/89 . Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 7.798, de 1989, estabelece o seguinte: Fl. 845DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: I estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira; II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e IV estabelecimentos comerciais de produtos do capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda. O anexo III a que se refere o art. 7º da Lei nº 7.798, de 1989, contém a seguinte redação: Produtos a que se refere o art. 7º, identificados segundo os respectivos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988: 2106.90.01, 2202, 2203, 2204, 2205, 2206, 2208, 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307, 4011, 4012, 4013, 9612 (exceto 9612.20) e 9613. De acordo com a TIPI aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 1988, os códigos acima mencionados referemse aos seguintes produtos: 2106.90.01 – [Outras] Preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas (extratos concentrados ou sabores concentrados); 2202 – Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de fruta ou de produtos hortícolas, da posição 2009; 2203 – Cervejas de malte; 2204 – Vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluídos os da posição 2009; 2205 – Vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromáticas; 2206 – Outras bebidas fermentadas (sidra, perada e hidromel, por exemplo); Fl. 846DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 843 9 2208 – Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume inferior a 80% vol; aguardentes, licores e outras bebidas espirituosas (alcoólicas); preparações alcoólicas compostas, dos tipos utilizados na fabricação de bebidas; 3301.90.03 – Águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais, mesmo medicinais; 3303 – Perfumes e águasdecolônia; 3304 – Produtos de beleza ou de maquilagem preparados e preparações para conservação ou cuidados da pele (exceto medicamentos), incluídas as preparações antisolares e os bronzeadores; preparações para manicuros e pedicuros; 3305 – Preparações capilares; 3306 – Preparações para higiene bucal ou dentária, incluídos os pós e cremes para facilitar a aderência das dentaduras; 3307 – Preparações para barbear (antes, durante ou após), desodorantes corporais, preparações para banhos, depilatórios, outros produtos de perfumaria ou de toucador preparados e outras preparações cosméticas, não especificados nem compreendidos em outras posições; desodorantes de ambientes, preparados, mesmo não perfumados, com ou sem propriedades desinfetantes; 4011 – Pneumáticos novos de borracha; 4012 – Pneumáticos recauchutados ou usados de borracha; protetores, bandas de rodagem amovíveis para pneumáticos e “flaps”, de borracha; 4013 – Câmaras de borracha; 9612 – Fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir, montadas ou não em carretéis ou cartuchos; almofadas de carimbo, impregnadas ou não, com ou sem caixa; 9613 – Isqueiros e outros acendedores, mesmo mecânicos ou elétricos, e partes, exceto pedras e pavios. No caso concreto, a planilha de fls. 190/221 descreve os produtos transacionados entre a filial autuada e a matriz, sendo possível constatar as seguintes posições NCM: 3303, 3304, 3305, 3307 e 3401. Como a fiscalização não questionou a classificação fiscal empreendida pela empresa, está correta a decisão recorrida, exceto no tocante aos produtos classificados na posição NCM 3401, aos quais não se aplica o item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87, de 1989. 2 Recurso Voluntário Voto Vencido – Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 O recurso voluntário referese à parcela mantida do crédito tributário, nomeadamente às diferenças de IPI, multa de ofício e juros moratórios decorrentes da utilização de valores inferiores ao valor mínimo tributável nas operações de transferência entre a filial autuada e as demais filiais da Recorrente. Preliminarmente, alega a nulidade formal do auto de infração, tendo em vista que não há indicação do dispositivo legal stricto sensu que teria sido violado, conforme determina o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sobre esse aspecto, andou bem a instância a quo. Embora o lançamento faça referência somente a dispositivos regulamentares, esse fato não é suficiente para cercear o direito de defesa da Recorrente, pois muito bem entendeu a violação legal que lhe foi atribuída. A nulidade formal prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é medida que se presta a proteger os direitos do sujeito passivo da relação jurídicotributária, não podendo ser exigida se não houve comprovação do prejuízo sofrido. A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido. A título exemplificativo, transcrevese abaixo uma ementa que espelha esse entendimento, a saber: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Improcedente a alegação de cerceamento de defesa, assim como a de violação ao contraditório e ao devido processo legal, no caso de não se apontar nos autos qualquer mácula que tenha ensejado a impossibilidade de defesa de qualquer dos responsáveis, em qualquer fase do contencioso, tendo todos estes apresentado regularmente suas defesas em primeira e em segunda instâncias, tendo seus argumentos apreciados. (Acórdão nº 3403002.434, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, Sessão de 24/09/2013) No mérito, a Recorrente alega que não houve prejuízo ao erário público, pois as filiais varejistas, que receberam as mercadorias da filial autuada, recolheram o IPI pelo valor correto, mesmo sem serem contribuintes do imposto. Ora, além de não ser verdadeira a alegação da Recorrente – houve minimamente um retardamento da arrecadação tributária –, um erro não justifica o outro. Se as filiais varejistas recolheram o IPI indevidamente, há um crédito a ser restituído na forma da lei. Esse recolhimento indevido não pode ser alegado para justificar o descumprimento da legislação por parte da filial autuada. Da mesma forma, não procede a alegação de que, por ter o IPI natureza extrafiscal, o equívoco cometido pela filial autuada poderia ser relevado sem qualquer prejuízo à arrecadação tributária. O caráter extrafiscal do IPI deve servir como instrumento de políticas públicas, e não como justificativa para o adimplemento incorreto de obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Igualmente irrelevante é o fato de o erro cometido pelas filiais varejistas gerar uma arrecadação maior do que seria devida se a Recorrente tivesse cumprido as obrigações tributárias regularmente. A Administração Tributária não deve almejar arrecadação maior do que aquela resultante da lei, pois a atividade do lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Por essa mesma razão, a princípio, a Administração Tributária não poderia compensar, de ofício, o IPI pago indevidamente por um estabelecimento com o IPI recolhido a menor por outro estabelecimento, lavrando o auto de infração para cobrar somente o saldo Fl. 848DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 844 11 devedor. O fato de outro ente federativo ter regra autorizativa para a pretensão recursal não é suficiente para que a Administração Tributária adote esse expediente sem amparo legal. Por outro lado, também não é razoável que a Recorrente seja penalizada duplamente, vale dizer, seja obrigada a recolher o crédito tributário mantido pela instância a quo, sem poder pleitear a restituição do IPI recolhido indevidamente pelas filiais varejistas à vista do decurso do prazo prescricional previsto no art. 168, inc. I, do Código Tributário Nacional, com redação dada pela Lei Complementar nº 118, de 2005. Assim é que o pedido sucessivo formulado pela Recorrente merece ser provido excepcionalmente, pois é certo que a via própria para pleitear a restituição do indébito tributário não é o contencioso administrativo em que se discute o inadimplemento de obrigações tributárias. 3 Conclusão Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de ofício para que a decisão recorrida seja reformada, mantendose a cobrança da diferença do IPI incidente sobre as saídas dos produtos classificados na posição NCM 3401 para o estabelecimento matriz. O mesmo se aplica aos seus consectários. Quanto ao recurso voluntário, NEGO PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos.. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira Em que pese o respeitável voto do i. Relator, divirjo do entendimento quanto a possibilidade de compensação de ofício no momento da lavratura do auto de infração. Os débitos do IPI, controlados no presente processo, foram objeto de lançamento e a Recorrente alega a existência de direito creditório. A questão a ser analisada e se caberia ao Fisco proceder a compensação de ofício no momento da lavratura do lançamento. Para a solução da demanda faço um breve resumo das disposições legais disciplinadoras da compensação como modalidade de extinção dos débitos tributários. Inicialmente o artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN definiu o instituto da compensação. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento”. A efetiva de utilização do instituto da compensação deuse a partir da edição da Lei nº 8.383/91, que somente permitia a compensação de tributos da mesma espécie, dispensando a autorização administrativa, sendo efetivada, por iniciativa do contribuinte com assentamentos na contabilidade. Posteriormente, o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 30 de agosto de 2002, (convertida na Lei nº 10.637/2002), alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, permitindo a compensação entre tributos diversos, desta feita, com autorização administrativa, por meio de entrega obrigatória de Declaração de Compensação, inicialmente apresentada a Receita Federal utilizando formulários em papel. A Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003, instituiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), Da impossibilidade de compensação de ofício por parte da autoridade lançadora A extinção do crédito tributário, objeto de compensação realizase conforme determina o art. 170 do CTN, no momento em que acontece a compensação. A partir da existência no mundo jurídico da Declaração de Compensação e depois do seu instrumento eletrônico a PER/DCOMP, temse como compensado o tributo, com o registro da PER/DCOMP. Portanto, não assiste razão a Recorrente, quando pretende considerar a informação da compensação na DCTF como extinção do débito. A Lei nº 9.430/96, ao legislar sobre o mesmo assunto revogou tacitamente, a compensação feita diretamente na contabilidade sem a utilização da declaração de compensação. Qualquer pedido de compensação, a partir da edição da MP nº 66/2002, somente ocorre por meio da Declaração de Compensação. O histórico apresentado no relatório e constante do presente processo demonstra a falta de previsão para a compensação realizada por ato de ofício da autoridade autuante. Há de se questionar, se este entendimento, afastaria o direito da Recorrente em ver recuperado o recolhimento indevido. Entendo que este argumento não pode prosperar, por mais difícil e penoso que possam ser os caminho da repetição do indébito, estes estão previsto em lei e vedam à compensação de ofício. Destarte qualquer pedido de restituição ou compensação necessita obedecer a disciplina legal. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 3201001.540 S3C2T1 Fl. 845 13 Vale lembrar que o pedido de compensação segue rito processual próprio, sendo feito em processo diverso, sendo verificados a procedência do crédito alegado e o seu montante. No caso em tela, quando do lançamento não existia pedido de compensação, portanto, a decisão de primeira instância não merece reparo. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, quanto a possibilidade de compensação de tributos por ato de ofício, no momento da lavratura do auto de infração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 30/09/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722231/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. A falta de análise da documentação acostada aos autos pelo Impugnante implica em flagrante cerceamento do seu direito de defesa.
Numero da decisão: 2102-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, via de conseqüência, anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. A falta de análise da documentação acostada aos autos pelo Impugnante implica em flagrante cerceamento do seu direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, via de conseqüência, anular a decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 31 /2 01 1- 93 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 384/402, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$8.766.141,47 (oito milhões, setecentos e sessenta e seis mil, cento e quarenta e um reais e quarenta e sete centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2007 e 2008, respectivamente anoscalendário 2006 e 2007, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal visando averiguar o escorreito cumprimento das obrigações tributárias no que tange o tributo IRPF, por parte do Contribuinte. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente da: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ções) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório de fiscalização anexo. Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 406/407, por meio do qual, resumidamente, expõe que: nos anos de 2006 e 2007 trabalhava informalmente para a empresa D AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., inscrita no CNPJ nº 01.618.286/000640, onde, por solicitação dos sócios da empresa, ADILSON SANDRO ULIANA e DULCIMAR MARIA ULIANA, emprestou vários talões de cheques para a empresa efetuar descontos em factoring e para pagamento de fornecedores; quando do vencimento dos cheques, a empresa depositava os valores dos cheques emprestados, mais o valor da CPMF em sua conta bancária; explica que enviava os talões de cheques em branco, assinados por sua esposa e os sócios da empresa D AMAZÔNIA utilizavam os cheques conforme a necessidade da empresa; alega ainda que não houve rendimentos para o Contribuinte em relação aos valores depositados, e sim uma transição dos recursos, que pertenciam a empresa D AMAZÔNIA, o que modificaria o resultado da fiscalização, pois não foram rendimentos Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.722231/201193 Acórdão n.º 2102003.092 S2C1T2 Fl. 563 3 recebidos em favor do Contribuinte, e sim uma movimentação de recursos de terceiros que somente transitaram pela sua conta bancária; apresenta análise dos extratos efetuado pelo seu Contador, onde resta demonstrado que os recursos da D AMAZÔNIA entravam e saiam no mesmo dia e da mesma forma, sempre por cheques e com a origem dos depósitos bem clara, demonstrando que a depositante do dinheiro em sua conta bancária era essa empresa; por fim, requer o acolhimento da Impugnação, cancelandose integralmente o débito fiscal reclamado. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/POA decidiram, por unanimidade de votos, julgála improcedente, rejeitando as preliminares de nulidade e inconstitucionalidade e mantendose o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 557/558, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que os depósitos realizados em sua conta bancária não faziam parte de sua renda, tratandose apenas de transações de recursos com natureza transitória, não incidindo imposto de renda. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 27.03.2012, como atesta o AR de fls. 556. O Recurso Voluntário foi interposto em 20.04.2012 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da presunção de omissão de rendimentos fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Recorrente afirma – desde o procedimento fiscal – que os depósitos efetuados em suas contas se referiam a: Em face destas alegações, a fiscalização procedeu à intimação da empresa referida, assim como de seu sócio (conforme demonstrado pelo Recorrente), indagandolhes sobre a veracidade das alegações do contribuinte, notadamente quanto aos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Tais diligências, porém, não tiveram êxito, tendo em vista que nenhum dos intimados apresentou resposta (sendo que o envelope com a intimação do sócio pessoa física retornou com o carimbo de “ao remetente”). Diante do silencio dos intimados, a fiscalização entendeu por bem lavrar o Auto de Infração para exigir o IRPF com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Quando da apresentação de sua Impugnação, o Recorrente – ainda no intuito de comprovar suas alegações, acostou aos autos os seguintes documentos: fls. 520 – solicitação encaminhada ao banco Bradesco para apresentação de cópias dos cheques por ele emitidos; fls. 521 – indicação do endereço dos sócios da empresa DAMAZONIA (Adilson e Dulcimar) para fins de intimação; fls. 522/523 – procuração por instrumento publico por meio da qual a empresa DAMAZONIA, através de sua sócia Dulcimar lhe outorgava poderes para movimentar conta bancária da empresa, assim como para representála perante órgãos públicos; e 524/535 – relatório e tabelas elaboradas pelo contador da pessoa jurídica DAMAZONIA, por meio da qual buscou demonstrar o nexo entre os depósitos efetuados nas Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.722231/201193 Acórdão n.º 2102003.092 S2C1T2 Fl. 564 5 contas do Recorrente e as saídas de dinheiro desta mesma conta – em relação ao mês de outubro de 2006 (em razão do grande volume da movimentação objeto do lançamento). A despeito de todas alegações formuladas pelo Recorrente desde o procedimento fiscal (reforçadas por documentos trazidos em sede de Impugnação), a decisão recorrida não teceu quaisquer comentários acerca das mesmas, tendo negado a pretensão do Recorrente sob o argumento de que o mesmo não teria carreado aos autos prova de suas alegações, de forma genérica. Ocorre que, compulsando os autos, verificase que – além da documentação trazida pelo Recorrente os extratos bancários do Bradesco (fls. 30 e seguintes) demonstram a existência de créditos em conta nos quais é possível identificar o depositante, sendo este depositante a empresa referida pelo Recorrente (DAMAZONIA), como demonstram os seguintes exemplos: Tal identificação (do depositante) – associada aos demais argumentos acima transcritos, indica que é verossímil a alegação do Recorrente, no sentido de que os valores transitados por suas contas na realidade não lhe pertenciam, mas sim à referida pessoa jurídica. Porém, como já afirmado, a decisão recorrida deixou de se manifestar quanto a tais específicos argumentos. Diante de tal situação, entendo que deve ser acolhida a preliminar suscitada pelo Recorrente no que diz respeito à violação ao art. 5º, inc. LV da Constituição Federal, já que houve verdadeiro cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida sequer fez menção a sua existência, limitandose a tecer considerações gerais sobre a tributação fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Releva lembrar que o cerceamento do direito de defesa da parte implica em nulidade da decisão assim proferida, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, verbis: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Art. 59. São nulos: I (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por isso, deve ser declarada a nulidade da decisão recorrida, determinandose o retorno dos autos à DRJ em Belém para que uma nova decisão seja proferida, agora apreciando todas as alegações e documentos trazidos pelo Recorrente aos autos. Neste sentido é unânime a jurisprudência deste Conselho, como se vê do seguinte exemplo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE É nulo o acórdão que se silencia sobre alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, por cerceamento do direito à ampla defesa. (Ac. nº 10516.527 – julgado em 13.06.2007) Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de ACOLHER A PRELIMINAR de cerceamento de defesa para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ em Belém para que outra seja proferida. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 14041.000210/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/01/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal, devendo ser observadas as regras do Código Tributário NacionalCTN.
No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias .
Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerar-se-á pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração:
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 27/03/2007 e não tendo ocorrido recolhimento, o art. 173, I, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 11/2001.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ATINENTES AOS DESCONTOS EFETUADOS PELA EMPRESA NA REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECLARADOS EM GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO, NÃO REPASSADOS AO INSS. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO.
Como visto, verifica-se que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada.
O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento - AR, dentre outros, restando-lhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 7.
Sublinhe-se que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
No presente feito, o Auto de Infração encontra-se perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório Instruções para o Contribuinte contém a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72.
NORMAS GERIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, mantendo a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos so Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR.
EDITADO EM: 19/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias . Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerar-se-á pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 27/03/2007 e não tendo ocorrido recolhimento, o art. 173, I, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 11/2001. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ATINENTES AOS DESCONTOS EFETUADOS PELA EMPRESA NA REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECLARADOS EM GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO, NÃO REPASSADOS AO INSS. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO. Como visto, verifica-se que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada. O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento - AR, dentre outros, restando-lhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 7. Sublinhe-se que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. No presente feito, o Auto de Infração encontra-se perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório Instruções para o Contribuinte contém a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. NORMAS GERIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação.
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal, devendo ser observadas as regras do Código Tributário NacionalCTN. No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerarseá pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 10 /2 00 8- 91 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 27/03/2007 e não tendo ocorrido recolhimento, o art. 173, I, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 11/2001. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ATINENTES AOS DESCONTOS EFETUADOS PELA EMPRESA NA REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECLARADOS EM GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO, NÃO REPASSADOS AO INSS. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada. O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento AR, dentre outros, restandolhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 71. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. No presente feito, o Auto de Infração encontrase perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório “Instruções para o Contribuinte” contém a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 1 Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 428 3 NORMAS GERIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, mantendo a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos so Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR. EDITADO EM: 19/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (DEBCAD n° 37.064.0691) emitido contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 7.382,29 (sete mil, trezentos e oitenta e dois reais e vinte e nove centavos), lavrada em 27/03/2007, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 relativa às contribuições sociais atinentes aos descontos efetuados pela empresa na remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais declarados em GFIP e folhas de pagamento, não repassados ao INSS, compreendendo o período de 09/1999 a 01/2004. Conforme Relatório Fiscal de fls. 83/87, o objeto da notificação são as contribuições previdenciárias devidas pelo notificado, destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, descontadas pela empresa da remuneraçãode seus empregados e contribuintes individuais e não repassadas ao INSS, infringindo o art. 30, inciso I, alínea "a" e "b", da Lei n° 8.212/91. Esclarece que os descontos (fatos geradores desta NFLD) foram verificados pela fiscalização em GFIP e folhas de pagamento, estando, devidamente, discriminados no Relatório de Lançamento — RL. Os livros Diário e Razão, do período de 03/1999 a 01/2007 e as folhas de pagamento (relação descrita, ,fls. 85) não foram apresentadas pela empresa, sendo lavrado o Auto de Infração AI no 37.064.0713: Notificada do lançamento em 30/03/2007, a empresa apresentou defesa• tempestiva em 16/04/2007 [ fls. 97/116], alegando, em apertada síntese: Preliminarmente alega que, ao receber toda a documentação, o impugnante I buscou Verificar a veracidade dos 'documentos, para 'tanto, conforme instrução no MPFC n ° 09375930001, encaminhado em 23/03/07 e recebido em conjunto a tudo demais; entrou no sitio da previdência social e buscou consultar• os documentos que confirmassem os Papéis recebidos. No entanto,' o Site informou "não haver ação fiscal em andamento, ou não havia MPF emitido disponível" para os CNPJs envolvidos com a autuada. Julgou haver erro no site do INSS, e somente em 12/04/67, compareceu pessoalmente unidade do INSS e viu que os processos de fato existiam. Assim pleiteia novo prazo de 30 dias para apresentação de defesa, a fim de melhor instruíla. Alegando ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da razoabilidade. Alega, ainda decadência para os débitos anteriores ao ano de 2003. Afirma que a empresa estava inscrita no SIMPLES pelo período abrangido pela fiscalização. Tendo o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES no 15.711 sido impugnado pela defendente. Afirma que essa \ impugnação ainda não foi julgada e, tendo em vista seu efeito suspensivo, a inclusão original no SIMPLES persiste. Desse modo, a pretensão de cobrar da autuada tributos não abrangidos pelo SIMPLES não possui fundamento. Requer seja devolvido o prazo para defesa, oportunizado 30 dias para juntada de documentos, e que os débitos anteriores aos últimos cinco anos sejam afastados pela decadência. Em 16 de julho de 2008, foi prolatado acórdão pela 5ª Turma da DRJ em Brasília que julgou procedente em parte o lançamento [fls. 182 e ss]. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 429 5 Intimado do decisum em 28/07/2008, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário no dia 26/08/2008, tendo reiterado os argumentos apresentados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de voluntário. DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 430 7 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerarseá pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 431 9 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 27/03/2007 e não tendo ocorrido recolhimento, o art. 173, I, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 11/2001. MÉRITO Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada. O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento – AR, dentre outros, restandolhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 72. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 2 Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 No presente feito, o Auto de Infração encontrase perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório “Instruções para o Contribuinte” contém a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O Relatório Fiscal acima citado tem por meta, igualmente, instruir o sujeito passivo quanto ao oferecimento de impugnação ao lançamento então operado, discorrendo sobre o Direito de Defesa do Autuado, bem como o prazo, a forma e locais para a sua apresentação, além dos elementos essenciais à instrução da defesa, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. MULTA Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. DISPOSITIVO Portanto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL do recurso para reconhecer a decadência até 11/2001, com a aplicação do I, do art. 173, do CTN, e quanto à multa, até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de multa de mora limitada a 20%. É como voto. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 432 11 (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparara as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 433 13 acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando o mesmo fato jurídico for verificado pelo Fisco. O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória e principal). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme exposto, utilizando como teto máximo 75% (setenta e cinco por cento), conforme determinado pela legislação atual. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000210/200891 Acórdão n.º 2301004.214 S2C3T1 Fl. 434 15 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10218.721019/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO.
A responsabilidade tributária independe da intenção do agente.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício, no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
JUROS DE MORA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício, no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 10 19 /2 00 7- 86 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 155 2 Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra COTA PARTICIPAÇÕES LTDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/03, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Cidinha Dois, com área total de 3.000,0ha (NIRF 1.164.8953), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 16.570,77, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração imputada à contribuinte foi a falta de comprovação do valor da terra nua declarado (VTN), que culminou com o seu conseqüente arbitramento, mediante utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2005 Declarado Apurado na Notificação 20Valor da Terra Nua R$ 30.000,00 R$ 318.210,00 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/BSB nº 0352.563, de 05/06/2013, fls.115/126. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/08/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 128, a contribuinte apresentou, em 26/09/2013, recurso voluntário, fls. 130/135, trazendo as seguintes alegações: Insurgese contra o arbitramento do VTN, porquanto foi apresentado laudo pericial, formalizado e assinado por profissional da área, que apurou o efetivo valor por hectare no importe de R$ 10,00. Levouse em consideração a localização do imóvel, benfeitorias e quantidades de áreas passíveis Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 156 3 de utilização e exploração, sendo que o laudo de avaliação atende às normas da ABNT. O Fisco procedeu ao arbitramento, no valor de R$93,73/ha, ao simples fundamento de que este é o valor médio por hectare referente aos imóveis localizados no município de Goianésia do Pará/PA, no ano de 2004, considerando a média de avaliação feita pelos contribuintes. A avaliação feita pelo recorrente decorre do fato de que a maior parte das terras de sua propriedade é constituída de matas, sendo possível afirmar que na região de Goianésia do Pará a propriedade é uma das poucas áreas remanescentes de matas intocáveis, que é alvo constante de investida de sem terras e madeireiros para extração vegetal. Não se pode comparar uma área composta basicamente de vegetação (floresta) com a maioria das áreas localizadas na região que se encontram desmatadas, formadas em pastagens ou plantio agrícola. A área composta basicamente por mata não pode deter o mesmo valor das áreas formadas e exploradas economicamente. Também se insurge a recorrente contra a multa e aplicação da Selic. O contribuinte em momento algum buscou ou almejou sonegar impostos e informou na peça de impugnação que encontrase na posse do imóvel desde os idos de 1973, vem procedendo com a declaração de ITR regularmente, e somente com o advento e recente avanço tecnológico foi possível apurarse os dados apresentados nos autos e constante do laudo técnico, além de encontrase no procedimento contencioso a oferecer e se dispor a recolher a diferença do imposto devido ao fisco, restando desconstituída a máfé e dolo quanto a sua constituição em mora no tocante a diferença do tributo. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 157 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de arbitramento do VTN. Em sua DITR/2005, a contribuinte informou VTN de R$ 30.000,00 e foi intimada a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 06/07, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II e anotação de responsabilidade técnica (ART). Ainda durante o procedimento fiscal a contribuinte apresentou Laudo de Vistoria e Avaliação, fls. 36/47, onde está indicado um VTN de R$ 30.000,00, que não foi acolhido pela autoridade fiscal, nos seguintes termos, extraídos da Notificação de Lançamento: O laudo de avaliação do imóvel apresentado não atende aos requisitos para sua confecção, de acordo com a NBR n° 14.653 3 da ABNT com a fundamentação e grau de precisão II, conforme solicitado no termo de intimação fiscal enviado para o contribuinte. Não foram atendidos os requisitos básicos para a confecção do laudo de avaliação do imóvel rural previstos na norma da ABNT n° 14.6533, conforme descriminados e solicitados no inaugural termo de intimação fiscal enviado para o contribuinte (solicitou se pelo menos que este trouxesse em seu bojo os requisitos de fundamentação e grau de precisão II), de forma que não foram observados, na confecção do mesmo, os itens 9.2.3.3 e 9.2.3.5 da referida norma, como, por exemplo, explicitação dos dados colhidos no mercado, identificação das fontes pesquisadas, no mínimo 05 (cinco) dados de mercado efetivamente utilizados em se tratando de grau II, não trouxe a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais, não identificou as amostras utilizadas e sua relação com o imóvel avaliando, ou melhor, não constam amostras no laudo. como diz que utilizou de metodologia realizada através de cálculos das benfeitorias, não trouxe amostra composta por benfeitorias de projetos semelhantes etc. O próprio engenheiro avaliador não preencheu a tabela de enquadramento de que tratam os itens 9.2 e 9.2.2.2 da referida norma etc. De maneira geral, o laudo está em desacordo com a norma citada da ABNT, itens 9.1 a 9.3 Pelos motivos acima.expostos, não foi possível classificar o laudo apresentado quanto à fundamentação e grau de precisão exigidos (grau II de acordo com a NBR 14.6533 da ABNT) no inaugural Termo de Intimação Fiscal, razão pela qual procedemos ao Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 158 5 arbitramento do valor da terra nua VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, aprovado pela Portaria n° 447, de 28/03/2002, conforme segue. VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL (R$)= ÁREA TOTAL DO IMÓVEL X VALOR DO VNT/SIPT NO MUNICÍPIO. VALOR DO VNT/SIPT NO MUNICÍPIO (R$)= 106,07. No recurso, a contribuinte afirma que o Laudo apresentado atende aos requisitos da NBR e que sua propriedade tem características diferentes dos demais imóveis da região, razão porque estaria explicada a diferença entre o VTN declarado e o VTN obtido junto ao SIPT. Do texto cima reproduzido, resta cristalino que o Laudo apresentado pela contribuinte não atende aos ditames da NBR. E mais, o referido documento também não indica que a propriedade em questão tenha características diferentes dos imóveis da região, fato que justificaria o VTN tão reduzido em relação aos demais imóveis do município. Nesse aspecto, deve ser observado que no exercício 2003 a contribuinte declarou um VTN de R$ 649.060,00, conforme a seguir retratado: Já para o exercício 2005, as informações prestadas pela contribuinte foram as seguintes: Como se vê, o VTN foi reduzido para R$ 30.000,00 e as benfeitorias e as culturas e pastagens tiveram seus valores aumentados, de modo que o valor total do imóvel não foi alterado. Ora, tal conduta demonstra que as informações prestadas pelo contribuinte não tem credibilidade, posto que não é razoável admitirse que o VTN do imóvel tenha sofrido tamanha desvalorização em dois anos e que por outro lado, as benfeitorias e as culturas tenham experimentado um incremento tão significativo. Tais fatos, justificam plenamente a conduta da autoridade fiscal em promover o arbitramento do VTN, conforme disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, fazendo uso de valor extraído do SIPT, sendo certo que o cancelamento do lançamento somente seria possível mediante laudo de avaliação do imóvel, que atendesse às disposições da NBR. Vale lembrar que os valores do VTN contidos no SIPT somente são utilizados pela autoridade fiscal quando o contribuinte deixa de comprovar o valor declarado, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 159 6 mediante laudo de avaliação apropriado e que o arbitramento pode ser contraditado mediante a apresentação de laudo de avaliação, contudo, tal laudo deve obedecer todos os preceitos da NBR, possibilitando a demonstração, de forma inequívoca, do VTN declarado. Digase, ainda, que a recorrente, embora se insurja no recurso contra o arbitramento, chegou a dizer que se dispõe ao recolhimento da diferença do imposto devido, conforme se infere do trecho a seguir reproduzido: O contribuinte recorrente em momento algum buscou ou almejou sonegar impostos, e informou na peça de impugnação que encontrase na pose do imóvel dede os idos de 1973, vem procedendo com a declaração de ITR regularmente, (...) e, somente com o advento e recente avanço tecnológico foi possível apurarse os dados apresentados nos autos e constante do laudo técnico, além de encontrase no procedimento contencioso a oferecer e se dispor a recolher a diferença do imposto devido ao fisco, ora recorrido, restando desconstituída a máfé e dolo quanto a sua constituição em mora no tocante a diferença do tributo. Ao assim se pronunciar, a recorrente demonstra que concorda com os termos do arbitramento. Nessa conformidade, mantémse o arbitramento do VTN, nos moldes em que efetivado pela autoridade lançadora, já que o laudo apresentado pela recorrente não atende ao disposto na NBR/ABNT 146533. Quanto à insurgência da recorrente contra a exigência da multa de ofício e dos juros de mora, devese dizer que ambos estão previstos na legislação, sendo certo que são devidos sempre que for verificada diferença de imposto a pagar, conforme art. 44, inciso I, § 1º e 3º e art. 61, § 3º, da Lei 9.430, de 1996. Por oportuno, trazse o teor da Súmula CARF nº 5, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Digase, ainda, que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, a multa de ofício e os juros de mora são devidos no presente caso, posto que apurada diferença de imposto a pagar, sendo irrelevante a intenção do recorrente. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.721019/200786 Acórdão n.º 2102003.174 S2C1T2 Fl. 160 7 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10825.900794/2006-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/09/2003
PIS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.
PIS. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
PIS. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Q. S. CERTIFICAÇÕES DE PRODUTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/09/2003 PIS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PIS. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 07 94 /2 00 6- 67 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP (fls. 63/66 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 688,17, relativo ao mês de julho de 2003. No Despacho Decisório (fl.7), a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba (SP), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP nº 27446.21553.090903.1.3.048398 (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de II. 01, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do PIS. Por , intermédio do despacho decisório de if 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no.PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fs. 12, na qual alega, em apertada síntese, que: a) informação incorreta dos dados na DCTF, a qual foi retificada, cópia em anexo; b) que os débitos foram efetivamente compensados e liquidados através de PER/DCOMP. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10825.900794/200667 Acórdão n.º 3802003.677 S3TE02 Fl. 170 3 Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 09/09/2003 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. 0 reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 12/12/2011 (fl. 71), a interessada, em 21/12/2011, apresentou o recurso voluntário (fl. 74), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) solicita o cancelamento do débito, pela não homologação da PER/DCOMP nº 27446.21553.090903.1.3.048398, uma vez que no seu entender, “... houve erro no preenchimento da PER/DCOMP”, e que na realidade, a intenção do Recorrente foi de fazer compensação de valores recolhidos a maior; b) anexa planilha demonstrativa de informações declaradas e recolhidas do PIS ano calendário de 2003, bem como cópia da DCTF retificadora entregue, onde fica demonstrado que o débito não existe, portanto não é devido. Ao final, clama pela anulação da referida intimação para que não gere débito indevido para a empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, relativo ao mês de julho de 2003. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru, no seu Despacho Decisório (fls. 7/9), não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ/RPO descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase o trecho abaixo transcrito: (...) Nessa esteira, a declaração de compensação sob exame, por ocasião do presente contencioso, deveria estar necessariamente instruída com as devidas provas, dentre estas, destacamse: os registros contábeis que identifiquem a base de cálculo do PIS, registro contábil da conta "PIS a recuperar", a expressão deste direito em balanços ou balancetes, o Livro Diário, etc., tudo de forma a ratificar a base de cálculo da PIS, o pagamento efetuado e o indébito pleiteado. (...) Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública: Pois bem, no caso sob exame, a Recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado no PER/DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, que: a) por intermédio da apresentação de DCTF retificadora, e b) que no seu entender, houve erro no preenchimento da PER/DCOMP. a) Da DCTF Retificadora Para corroborar tais informações, junta aos autos, os seguintes documentos: cópia da DCTF retificadora (fls. 91/121), planilha demonstrativa de informações declaradas e recolhidas do PIS ano calendário de 2003 (fl. 78), bem como cópia de documentos de arrecadação (fls. 79/90), cópia da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (fl. 122/158), cópia do Livro Diário ano 2003, onde demonstra o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2003, Demonstração do Resultado do Exercício e o Demonstrativo de Lucros/Prejuízos Acumulados (fls. 159/166), alegando ficar demonstrado que o débito não existe, portanto não é devido. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem da discussão, como frisado em seu recurso, que houve um erro no preenchimento da PER/DCOMP. Porém o Recorrente não demonstra a sua existência e a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante na DCTF retificadora (fls. 91/121) e junta cópia de documentos trazidos aos autos, como o demonstrativo de apuração da COFINS e cópia do Livro Diário apresentando o Balanço Patrimonial 2003, atestando com isso comprovar o pagamento a maior. Verificase que o contribuinte retificou a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela. Contudo, somente o fez após a ciência do despacho decisório atacado, conforme cópias juntadas às fls. 91/121. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10825.900794/200667 Acórdão n.º 3802003.677 S3TE02 Fl. 171 5 Do exame dos autos, constatase, que a DCTF retificadora referente ao período examinado, foi transmitida em 13/05/2008, ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 05/05/2008 (fl. 12). Ressaltamos que à época dos fatos vigorava a IN SRF no 786, de 19/11/2007, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de: “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito (item III, § 2º, do art. 11). Ainda, a mesma Instrução Normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme artigo 11, § 8º). Como visto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. No entanto, sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação”. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculada a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Portanto, acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. A DRJ ao apreciar o material probante juntado à época de sua manifestação de inconformidade, dispôs que o recorrente não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora, conforme trecho abaixo transcrito: (...) Por outro lado, se há contradição e desejando a recorrente fazer valer, montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe, nesta fase processual, apresentar provas que permitissem albergar sua tese de inexistência ou redução do débito declarado. Neste contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da Cofins são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Dai porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica. Todavia, neste recurso, foi juntado ao processo cópia de documentos já citados, quais sejam: cópia da DCTF retificadora, planilha demonstrativa de informações declaradas e recolhidas do PIS (ano calendário de 2003), cópia de documentos de arrecadação, cópia da DIPJ 2004 anocalendário 2003, cópia do Livro Diário ano 2003, onde demonstra o Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2003, Demonstração do Resultado do Exercício e o Demonstrativo de Lucros/Prejuízos Acumulados (fls. 78/166). No entanto, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. O processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10825.900794/200667 Acórdão n.º 3802003.677 S3TE02 Fl. 172 7 Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. b) Do alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP Outro ponto da presente discussão, foi o propalado erro no preenchimento da PER/DECOMP e de sua não retificação em momento apropriado, por parte do Recorrente. Não obstante, apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal, não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, no entanto, não indicando as características que teria sido feito o pagamento a maior. Com efeito, temse, no caso presente, que a recorrente, na prática, busca alterar o objeto de análise do pleito balizado pelos dados declarados na DCOMP. Ainda que a interessada tenha apresentado prova do direito creditório reclamado, não há como, em sede de contencioso, modificar o objeto do pleito definido pela DCOMP. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008, atualmente revogada pela IN RFB nº 1.300/2012). Cumpre destacar que a modificação do pedido apresenta grandes limitações no direito processual como um todo, como se vislumbra do disposto no artigo 264 do CPC, abaixo reproduzido: Art. 264. Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o consentimento do réu, mantendose as mesmas partes, salvo as substituições permitidas por lei.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Parágrafo único. A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma hipótese será permitida após o saneamento do processo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, com a devida vênia, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observamse vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. No caso, o princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. c) Conclusão Pelos motivos acima expostos, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF retificadora como prova no presente processo e que a DCOMP só pode ser Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10825.900794/200667 Acórdão n.º 3802003.677 S3TE02 Fl. 173 9 retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação. Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades de retificar suas declarações (DCTF e a DCOMP) para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11610.002296/2001-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1986 a 31/10/1990
AÇÃO DECLARATÓRIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA DO DIREITO.
A ação declaratória cujo desiderato é a simples manifestação judicial de não incidência de determinado tributo, ou, melhor dizendo, inexistência de relação jurídica tributária, quando já verificada a lesão ao direito, através da sua cobrança e recolhimento, não tem o condão de interromper a prescrição, como previsto no art. 219 do Código de Processo Civil, haja vista que não há pretensão à efetivação do direito, mas apenas a sua certificação, motivo pelo qual a fluência do prazo extintivo do direito somente é obstada pelo pedido administrativo de repetição do indébito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Jean Cleuter e Bernardo Leite.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1986 a 31/10/1990 AÇÃO DECLARATÓRIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA DO DIREITO. A ação declaratória cujo desiderato é a simples manifestação judicial de não incidência de determinado tributo, ou, melhor dizendo, inexistência de relação jurídica tributária, quando já verificada a lesão ao direito, através da sua cobrança e recolhimento, não tem o condão de interromper a prescrição, como previsto no art. 219 do Código de Processo Civil, haja vista que não há pretensão à efetivação do direito, mas apenas a sua certificação, motivo pelo qual a fluência do prazo extintivo do direito somente é obstada pelo pedido administrativo de repetição do indébito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Cons. Jean Cleuter e Bernardo Leite. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 22 96 /2 00 1- 21Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de IPI, referente ao período de apuração julho/1986 a outubro/1990, protocolado em 10/07/2001. Informa o requerente que a repetição pleiteada teria por fundamento decisão judicial proferida na ação declaratória 93.00300130 (95.03.00442460), tramitada perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com trânsito em julgado em 04/10/2000, que declarou a não incidência do imposto (IPI) sobre os impressos gráficos personalizados, por ela confeccionados. A DERAT/SP apontou, em caráter preliminar, a decadência do direito à repetição do indébito, fixando o prazo para o exercício do direito em 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento, com fulcro no art. 168 do CTN e AD SRF nº 96/99, ressaltando que a suspensão do prazo prescricional, prevista na legislação processual, não alcançaria as ações declaratórias, mas apenas as condenatórias. A manifestação de inconformidade rebateu a ocorrência da decadência defendendo a incidência do prazo decenal (“5 + 5”), na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, bem assim, enfatizou a interrupção da decadência pelo ajuizamento da ação ordinária declaratória nº 93.00300130, nos termos dos arts. 172, I; 219, § 1º e 220 do Código de Processo Civil. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento nos seguintes moldes: “PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para solicitar a restituição de indébito é de decadência e de cinco anos contados a partir da realização do pagamento indevido. AÇÃO DECLARATÓRIA. TRÂNSITO EM JULGADO. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. CONSEQÜÊNCIA. A existência de ação declaratória impetrada pelo administrado, com trânsito em julgado, não tem o condão de obrigar a Administração Tributária a conceder a restituição, mas apenas impediria o lançamento de oficio, se fosse o caso, devendo, para o fim de restituição, ser ajuizada a ação condenatória apropriada para a hipótese de repetição de indébito.” Em recurso voluntário o contribuinte destacou os efeitos da ação ordinária declaratória, acentuando que não se limitou a uma mera declaração, mas também à desconstituição da relação jurídica, de modo que os efeitos dos arts. 172, I; 219, § 1º e 220 do CPC seriam plenamente aplicáveis à hipótese dos autos, o que acarretaria a definição do termo inicial da decadência como sendo a data do trânsito em julgado da ação respectiva. No mais, reprisou os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11610.002296/200121 Acórdão n.º 3401002.737 S3C4T1 Fl. 11 3 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão a ser debatida nesta assentada diz respeito à ocorrência ou não da decadência do direito à repetição do indébito, à luz da existência de provimento judicial que, em tese, ampararia o crédito vindicado, o que exige a transcrição de excertos das peças principais do processo judicial, a saber, o pedido formulado na inicial, como delimitador da tutela jurisdicional, e o dispositivo sentencial objeto de trânsito em julgado. Neste diapasão, revendo o inteiro teor da peça vestibular que originou o processo judicial 93.00300130, verifico que em momento algum foi discutida a desconstituição da relação jurídica tributária, como sustentou o recorrente, ou mesmo a pretensão de reaver o que indevidamente recolhera, restringindose seu pedido à declaração de inexistência desta mesma relação jurídica, verbis: “27 Diante de todo o exposto, requer a autora seja a presente julgada procedente para ver declarada a inincidência (sic) do IPI sobre as atividades da mesma. 28 Outrossim, requer a citação da União Federal para responder aos termos da presente ação e acompanhála em todos os atos e procedimentos, sob pena de confissão e afinal julgandose pela procedência, seja a mesma condenada nas cominações de estilo. 29 Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, dandose a causa o valor de CRS 150.000,00 (cento e cinquenta mil cruzeiros reais).” (destacado) A sentença prolatada, sem fazer qualquer menção à restituição de valores indevidamente recolhidos, reconheceu a seguinte situação jurídica: “ISTO POSTO, julgo procedente a ação para declarar a não incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados na saída de produtos fabricados por encomenda pela Autora, obtidos por composição ou impressão gráfica. A União ressarcirá custas e pagará honorários advocatícios de 10%. Remessa necessária conforme art.475III do CPC.” (destacado) O TRF3ª Região, por seu turno, confirmou a sentença exarada, negando provimento à apelação e remessa oficial. Reproduzidas as passagens essenciais, mormente o provimento judicial, resta determinar a sua natureza e alcance, o que exigirá o socorro aos processualistas pátrios, além de remissão às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73). Segundo o art. 4º do codex processual, o interesse do autor pode limitarse à declaração da existência ou da inexistência de relação jurídica, ainda que ocorrida a violação do direito. Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Marinoni e Arenhart1 ensinam que o “pedido consiste naquilo que, em virtude da causa de pedir, postulase ao órgão julgador”, entendendose, então, “que a sentença deve limitarse ao que foi pedido pelo autor, seja no que diz respeito ao pedido imediato, seja no que pertine ao pedido mediato.” Prosseguem aludidos autores: “O pedido declaratório é aquele através do qual o autor pede a declaração de existência ou inexistência de um direito, podendo excepcionalmente ser requerida a declaração de um fato.” No caso vertente, a meu ver, a lide posta perante o Judiciário, nos termos em que proposta, objetivou exclusivamente a declaração da não incidência do IPI às suas atividades. É certo que toda sentença contém uma carga declaratória, até porque, para condenar, constituir ou declarar um direito é necessário, antes, reconhecer sua existência, entretanto, como alerta Marinoni/Arenhart, as sentenças declaratórias e constitutivas bastam como sentenças, por si só, não exigindo qualquer outra providência, ao contrário das sentenças condenatórias (juntamente com as mandamentais), que exigem atos posteriores para que o direito material seja realizado2. Não sem razão, à época do pedido administrativo, consoante redação vigente do art. 584, I do Código de Processo Civil, apenas a sentença condenatória proferida no processo civil constituíase em título judicial com força executiva, não ostentando este status as demais espécies. Ainda sobre as espécies de tutela jurisdicional leciona Dinamarco3: “A declaração de existência ou inexistência do direito é um efeito substancial da sentença de mérito, porque se destina a projetarse para fora do processo e incidir sobre a vida comum dos litigantes, em suas relações. Ao afirmar em sentença que uma pretensão é boa, porque apoiada pelos fatos provados e conforme com o direito, ou que ela colide com os fatos ou com a ordem jurídica, o juiz está revelando uma norma que não opera em relação ao processo, mas ao mundo exterior. Há sentenças cujo único efeito substancial é a declaração da existência ou inexistência de relações jurídicas, direitos e obrigações (daí, serem meramente declaratórias); e há as que, além dessa declaração, contêm algum outro elemento que também se projeta para fora do processo e interferirá na vida dos litigantes. Tratase das sentenças constitutivas e das condenatórias de todas as espécies, cada uma delas portadora de uma eficácia substancial que a difere das outras e sendo todas elas estruturalmente diferentes da sentença meramente declaratória. (...) 1 Marinoni, Luiz Guilherme, e Arenhart, Sérgio Cruz. Manual do processo de conhecimento. 4ª edição revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2005. pág. 92. 2 Op. cit. págs. 413/414. 3 Dinamarco, Cândido Rangel. Instituições de direito processial Civil, Vol. III, 5ª edição, revista e atualizada de acordo com a emenda constitucional nº 45, de 8.12.2004 (DOU de 31/12/2004). São Paulo: Malheiros Editores, 2005.págs. 197, 217 e 218. Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11610.002296/200121 Acórdão n.º 3401002.737 S3C4T1 Fl. 12 5 A sentença meramente declaratória é a mais simples entre todas as sentenças de mérito em sua estrutura lógicosubstancial, porque se limita à mera declaração, sem nada lhe acrescentar. É de sua essência e natureza a afirmação ou negação da existência de uma relação jurídica, direito ou obrigação, ou a de seus elementos e quantificação do objeto. O resultado da sentença declaratória, seja positiva ou negativa, é invariavelmente a certeza – quanto à existência, inexistência ou valor de relações jurídicas, direitos e obrigações. Essa é a sua utilidade social institucionalizada, sabido que a incerteza é fonte de insegurança e desacertos no giro dos negócios e em todos os aspectos da vida em sociedade. Em nenhuma hipótese a sentença declaratória, mesmo quando positiva, constitui título para execução forçada. Ainda quando a obrigação declarada haja sido ou venha a ser descumprida, quando somente a declaração houver sido pedida ao juiz só a mera declaração ele dará: a oferta de título para execução forçada está exclusivamente nas sentenças condenatórias, pois só elas contêm esse momento lógico.” (negritado) Como registrado alhures, a sentença judicial sub examine é exemplo de provimento meramente declaratório, cujo desiderato, a seu tempo, foi a declaração de não incidência do IPI sobre as atividades do autor, ora recorrente, dada a incerteza reinante sobre o cabimento desse imposto sobre as atividades gráficas, quando realizadas mediante encomenda. Repito, em momento algum foi requerida e, nesta medida, deferida judicialmente a possibilidade de repetição de indébito advindo desta circunstância. Concernente às ações declaratórias em matéria tributária, valhome também do escólio de Cleide Previtalli Cais, ao esclarecer que ações desta natureza têm cabimento quando presente estado de incerteza por força de exigência fiscal, daí porque seu caráter é fundamentalmente preventivo. Anota ainda a autora, que, diante da natureza da ação declaratória é possível a cumulação com ação de repetição de indébito, visando com a primeira a declaração de que determinado tributo não é devido e, com a segunda, a restituição das quantias já pagas, uma vez que a ação declaratória não comporta execução, salvo quanto à condenação ao pagamento das verbas sucumbenciais4. Portanto, a sentença meramente declaratória, por não prever condenação alguma para o réu e dado o seu caráter preventivo, como assinalado pela decisão recorrida, não constituiria instrumento hábil a aparelhar pedido administrativo de restituição de tributo. Se desejava, também, recuperar o que indevidamente recolhido, competialhe manobrar, ainda que cumulativamente, a correspondente ação de repetição de indébito. Entretanto, cumpre reconhecer que a partir da reforma processual implementada em 2005, especialmente as modificações promovidas pela Lei nº 11.232/2005 no Código de Processo Civil, este quadro sofreu uma mudança quanto às premissas até aqui estampadas. Com efeito, diante da novel redação do art. 475N, I do CPC, consoante o qual a sentença proferida no processo civil que reconhecesse a existência de obrigação de 4 Cais, Cleide Previtalli. O processo tributário. 3ª edição revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2001. págs. 372 e ss. Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia, consubstancia título executivo judicial, com a supressão da exclusividade das sentenças condenatórias, a doutrina vem se inclinando a reduzir a distância entre as ações declaratórias e condenatórias, como fazem Flávio Cheim Jorge, Fredie Didier Jr. e Marcelo Abelha Rodrigues, em obra coletiva5: “De fato, se uma decisão judicial reconhece a existência de um direito a prestação já exercitável (definição completa da norma jurídica individualizada), em nada ela se distingue de uma sentença condenatória, em que isso também acontece. A sentença declaratória, proferida com base no art. 4º, parágrafo único, do CPC, tem força executiva, independentemente do ajuizamento de outro processo de conhecimento, de natureza ‘condenatória’.” Esta lógica foi encampada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça, antes mesmo de sua introdução na legislação, conforme REsp 588.202/PR, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10022004, DJ de 25/02/2004: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO DE CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. SUPERVENIENTE IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR. EFICÁCIA EXECUTIVA DA SENTENÇA DECLARATÓRIA, PARA HAVER A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR MEIO DE PRECATÓRIO. 1. No atual estágio do sistema do processo civil brasileiro não há como insistir no dogma de que as sentenças declaratórias jamais têm eficácia executiva. O art. 4º, parágrafo único, do CPC considera "admissível a ação declaratória ainda que tenha ocorrido a violação do direito", modificando, assim, o padrão clássico da tutela puramente declaratória, que a tinha como tipicamente preventiva. Atualmente, portanto, o Código dá ensejo a que a sentença declaratória possa fazer juízo completo a respeito da existência e do modo de ser da relação jurídica concreta. 2. Tem eficácia executiva a sentença declaratória que traz definição integral da norma jurídica individualizada. Não há razão alguma, lógica ou jurídica, para submetêla, antes da execução, a um segundo juízo de certificação, até porque a nova sentença não poderia chegar a resultado diferente do da anterior, sob pena de comprometimento da garantia da coisa julgada, assegurada constitucionalmente. E instaurar um processo de cognição sem oferecer às partes e ao juiz outra alternativa de resultado que não um, já prefixado, representaria atividade meramente burocrática e desnecessária, que poderia receber qualquer outro qualificativo, menos o de jurisdicional. 3. A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido. 4. Recurso Especial a que se nega provimento." 5 Jorge, Flávio Cheim; Didier Jr, Fredie; e, Rodrgues, Marcelo Abelha. A terceira etapa da reforma processual civil, comentários às Leis n. 11.187 e 11.232, de 2005; 11.276, 11.277 e 11.280, de 2006. São Paulo: Saraiva, 2006. pág. 77. Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11610.002296/200121 Acórdão n.º 3401002.737 S3C4T1 Fl. 13 7 Como se vê, a alteração de paradigma vem ao encontro dos anseios do recorrente. Porém, para o caso dos autos, remanesce a dúvida quanto à questão atinente à suspensão/interrupção da prescrição e a ocorrência ou não da decadência do direito. Para responder a esta indagação, mais uma vez recorro às colocações dos últimos autores citados6, que analisaram especificamente este ponto, ante a hodierna distinção entre as ações declaratórias e as condenatórias: “Uma dúvida final: há como distinguir uma ação de prestação (ação condenatória) de uma ação meramente declaratória ajuizada após a lesão, portanto, quando já seria possível o ajuizamento de uma ação de prestação (art. 4º, parágrafo único, do CPC)? Tratase de questão dificílima. Inicialmente, é razoável afirmar que essa ação meramente declaratória não interrompe a prescrição, pois não houve comportamento do credor (titular da pretensão) que revelasse a sua vontade na efetivação da prestação. E os fatos interruptivos da prescrição (art. 202 do CC2002) todos se justificam por um comportamento do credor direcionado ao cumprimento da prestação pelo sujeito passivo. Notese que na ação condenatória (ação de prestação), o demandante anuncia o desejo de efetivar o seu direito após a certificação judicial; isso não acontece na ação meramente declaratória ajuizada após a lesão. Em resumo: a) no caso de ação declaratória preventiva (anterior à lesão) não há que se falar em prescrição, haja vista que não houve violação do direito (art. 189 do CC2002); b) no caso de ação declaratória do art. 4º, parágrafo único, há prescrição, mas o despacho inicial não a interrompe, pois não há pretensão à efetivação, mas è mera certificação; c) no caso de ação condenatória, que pressupõe a violação, há prescrição e há interrupção. Por conta disso: a) as sentenças condenatórias e declaratórias (art. 4º, parágrafo único, do CPC) têm idêntico conteúdo (certificação do direito subjetivo e de sua exigibilidade) e efeitos (oportunizar o manejo de medidas executivas), mas o prazo prescricional para efetivação da sentença condenatória recomeçaria a correr a partir do trânsito em julgado, enquanto no caso da declaratória, por nunca se ter interrompido, contase desde a violação; b) o prazo para a efetivação da sentença meramente declaratória (art. 4º, páragraf único, do CPC), como não houve interrupção, contar seia mesmo desde a violação; assim, se, após o trânsito em julgado da decisão, ainda houver prazo, poderia ser efetivada (executada), caso contrário, não.” (negritado) A situação albergada por este processo revela o ajuizamento de ação meramente declaratória quando já havia lesão ao direito, porquanto a incidência do imposto (IPI) e sua cobrança já era uma realidade fáticojurídica, tanto assim que o contribuinte alterca justamente o direito à repetição do indébito, implicando o enquadramento da ação no art. 4º, parágrafo único, do Código de Processo Civil. 6 Op. cit. págs. 78/79. Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 Por conseqüência, na linha da doutrina citada, não houve a interrupção da prescrição, nos moldes do art. 219, caput e §1º do CPC, posto inexistir pretensão à efetivação do direito, mas simplesmente manifestação quanto à sua certificação, de maneira que o prazo prescricional seria contado desde a violação do direito, o que, a teor do Código Tributário Nacional, concretizarseia no recolhimento indevido do tributo. Transplantando tais colocações, temse que o período de apuração engloba julho/1986 a outubro/1990, a ação declaratória foi ajuizada em 1993, o trânsito em julgado ocorreu em 04/10/2000. Como não houve interrupção do prazo prescricional, por se tratar de ação declaratória, o prazo extintivo do suposto direito à restituição continuou a fluir até a formalização do pedido administrativo, ocorrida em 10/07/2001, sendo este o seu marco interruptivo, isto é, o seu termo final. Considerando o entendimento firmado no RE 566.621/RS (que a tese do prazo decenal [“5 + 5”] é aplicável aos processos protocolados até o decurso da vacatio legis de 120 [cento e vinte dias] prevista na Lei Complementar nº 118/05, finda em 08/06/2005), julgado sob a sistemática do art. 543B do Código Processo Civil regime de repercussão geral , de observância obrigatória por determinação do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, uma vez tomada a data de 10/07/2001, o dies a quo do período aquisitivo recairia em 10/07/1991. Tendo em conta que o último período de apuração requerido é anterior a esta data, retroagindo a outubro/1990, é indubitável que a integralidade do pedido de restituição foi colhido pela decadência, razão porque não há qualquer reparo a ser feito na conclusão da decisão recorrida. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13609.720527/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, ficando sujeitas à multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta do período, até o máximo de um por cento, quando deixar de cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos referidos arquivos e sistemas (arts. 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 1991, com a redação trazida pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001).
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade.
Numero da decisão: 1301-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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APRESENTAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, ficando sujeitas à multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta do período, até o máximo de um por cento, quando deixar de cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos referidos arquivos e sistemas (arts. 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 1991, com a redação trazida pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 27 /2 01 1- 18 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13609.720527/201118 Acórdão n.º 1301001.642 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a sociedade acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração (A.I.) de fls. 162 a 168, exigindolhe o pagamento de multa regulamentar equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa receita, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 233 a 240, a seguir transcrito: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, comparecemos em 16/11/2010 no estabelecimento do contribuinte acima identificado [...] tendo sido lavrado o competente Termo de Início de Fiscalização, solicitando a apresentação de diversos documentos contábeis e fiscais, dentre eles os arquivos digitais de sua contabilidade, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, assim como, os arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008. 2. DO CONTRIBUINTE A empresa ora autuada tem como atividade a fabricação de refrigerantes e sucos, e apura o IRPJ na modalidade de Lucro Real (Anual), estando inclusive sujeita ao acompanhamento econômico tributário diferenciado instituído pela Portaria SRF n 11.211, de 2007, que prevê o monitoramento da arrecadação dos sujeitos passivos, em função do respectivo potencial econômico tributário. De acordo com as DIPJs dos anos calendários de 2007 e 2008, os faturamentos declarados foram da ordem de 236 milhões de reais e de 200 milhões de reais respectivamente. Com relação ao ano calendário de 2009, e até a presente data, não há nos controles internos da Receita Federal qualquer menção de recebimento da DIPJ desta empresa. Apesar dos expressivos faturamentos declarados nos anos calendários de 2007 e 2008, não há recolhimentos de tributos condizentes às entradas de receitas e aos lucros decorrentes de suas operações mercantis. Os recolhimentos de Imposto de Renda, Contribuição Social, Pis e Cofins são inexpressivos ou inexistentes no período de janeiro de 2007 a janeiro de 2011. [...] Os Autores do feito acrescentam ter o contribuinte informado, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal (CNPJ), que sua matriz acharseia estabelecida na cidade de Vila Velha (ES), informação esta não confirmada por diligência realizada in loco em 2005. Em conseqüência, foi alterado de ofício o domicílio fiscal da matriz da contribuinte para a cidade de Ribeirão das Neves (MG), o que não a impediu de alterar mais uma vez seus dados cadastrais, reiterando que sua matriz encontrarseia em Vila Velha. Prossegue o Autor: No atual procedimento fiscal novamente procedemos à diligência fiscal no mesmo endereço antes informado como sede da matriz, para certificarmos do intuito questionável da empresa em apontar como sede de sua empresa a cidade de Vila Velha. Todo esse trabalho foi formalizado através do processo administrativo de Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Representação Fiscal 13609.001212/201097, onde pela segunda vez constatamos que no endereço da matriz mantido no CNPJ pela empresa, não há registro ou conhecimento de sua existência, e que na verdade funciona uma empresa de importação onde nunca ouviram falar da empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda.. Tudo foi devidamente comprovado no processo de Representação Fiscal e mais uma vez o endereço da matriz foi alterado de ofício por atos dos Delegados da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES e Sete Lagoas/MG. Registram ainda que o estabelecimento filial da autuada de CNPJ 02.091.715/000203, conquanto obrigado, desde 1º de janeiro de 2010, à ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL (EFD), não havia, até a data da lavratura do Auto de Infração em exame, remetido a mencionada escrituração ao SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL, instituído pelo Decreto nº 6.022 de 22 de janeiro de 2007. Em conseqüência, foi lavrado Auto de Infração, impondo à empresa a multa do artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com base no artigo 16 da Lei 9.779, de 1999. Diz mais: [...] O contribuinte foi por várias vezes intimado a apresentar os arquivos digitais de sua contabilidade, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, assim como, os arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008, mas esquivouse em respostas vazias ou pedidos de prorrogação de prazos nunca honrados. [...] O cronograma abaixo resume os Termos de Intimações que foram expedidos bem como o Auto de Embaraço à Fiscalização datado de 17/02/2011. • Em 16 de novembro de 2010 o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Fiscalização, a fazer entrega dos arquivos digitais de sua contabilidade, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, assim como, os arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008, juntamente com vasta documentação relativa a seus assentamentos contábeis e fiscais; • Em [...] 06 de dezembro de 2010, não apresentou os arquivos solicitados e requereu a prorrogação do prazo em mais sessenta dias [...]; ● Foram concedidos mais vinte dias para o atendimento, porém, passado o prazo prorrogado não houve entrega da documentação; ● Em 12/01/2011, portanto, após cinqüenta e sete dias da ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, foi entregue ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal 01/2011, com prazo de atendimento em cinco dias, tendo em vista que não houve qualquer entrega de documentos mesmo após todo o tempo decorrido entre o primeiro e o segundo Termo; ● Passado novamente o prazo, não houve apresentação de qualquer documentação consistente. O contribuinte limitouse a enviar pelos Correios apenas cópias de folhas de registro de produtos no Ministério da Agricultura e um novo e infundado pedido de prorrogação de prazo em mais sessenta dias; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13609.720527/201118 Acórdão n.º 1301001.642 S1C3T1 Fl. 13 5 ● Em 28/01/2011 emitimos o Termo de Intimação Fiscal 02/2011, com prazo para atendimento em dez dias. Neste Termo Fiscal manifestamos de forma contrária à prorrogação pretendida relativa ao Termo de Intimação 01/2011 e deixamos consignadas as exigências não atendidas dos Termos anteriores. Novamente não houve atendimento. ● Decorridos 92 (noventa e dois) dias a partir da data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, sem que o contribuinte atendesse à fiscalização com a entrega dos arquivos digitais, livros contábeis, fiscais e outras informações adicionais, foi emitido, no dia 17/02/2011, o Auto de Embaraço à Fiscalização, para evidenciar as ações do contribuinte tendentes a retardar ou dificultar o andamento desta auditoria fiscal. O próprio Auto de Embaraço proporcionou ao contribuinte mais cinco dias para o atendimento dos itens faltantes. Destarte a data final disponibilizada para o contribuinte apresentar os arquivos digitais foi 22/02/2011. •No dia 28/03/2011 o contribuinte apresentou os arquivos digitais da contabilidade, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, portanto, com 34 dias de atraso. ● Até a data de lavratura deste Termo de Verificação não houve o atendimento esperado, no que se refere aos arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008, ou seja, o contribuinte está omisso há 72 dias. Importante destacar que, apesar de também intimado desde o Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte ainda não apresentou, até a presente data, os Livros Diário e Inventário relativos ao período fiscalizado. [...] No item 5 (“Da Apuração das Multas”), fica demonstrado como se apurou o quantum debeatur a partir das receitas brutas declaradas nas DIPJ – Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica correspondentes aos anos calendário de 2007 e 2008, iguais a R$ 235.401.781,57 e R$ 198.654.924,91. Com relação ao anocalendário de 2009, esclarecese que [...] o contribuinte não apresentou DIPJ. Portanto, o valor da receita bruta, no ano de 2009, foi apurada utilizandose o seu livro Registro de Apuração de IPI n 10, entregue à fiscalização em 24/02/2011. Assim, a receita bruta em 2009, somou R$ 122.598.132,08 (planilha de apuração em anexo). Os Autores do Feito recordam que a interessada apresentou os arquivos digitais da contabilidade, relativos aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, com 34 dias de atraso e não entregou os arquivos digitais de fornecedores e clientes e de documentos fiscais, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, estando omisso há 72 dias. [...] A impugnação, em resumo, alega: Cuidase de exigência de multa regulamentar, no importe de R$ 5.174.234,37 por alegadas (i) entrega em atraso de 34 (trinta e quatro) dias de arquivos digitais da contabilidade da impugnante, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009; e, (ii) não entrega de arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008. [...] Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 As normas legais que estariam a embasar a imposição da sanção pecuniária à impugnante são veiculadas na Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991: [...] Pelo que se extrai do parágrafo único do art. 12, a multa por entrega em atraso de documentos fiscais serão calculada sobre a receita bruta anual, do ano calendário em que as operações relativas aos documentos tiverem sido realizadas, no percentual de dois centésimos por dia de atraso, até o mínimo de 1%. Considerando que, segundo afirma o Fisco, a impugnante teria incidido em atraso de 34 e 72 dias, os percentuais possíveis de aplicação da sanção seriam de 0,68% e 1% respectivamente. Aplicando os citados percentuais sobre as receitas brutas dos anos calendários a que se refere o termo de verificação fiscal, em tese, teríamos as seguintes multas de possível aplicação: Ano de 2007 (RB de R$ 122.598.132,08): 0,68% = R$ 833.667,30 e 1% = R$ 1.225.981,32; Ano de 2008 (RB de R$ 134.664.172,19): 0,68% = R$ 915.716,37 e 1% = R$ 1.346.641,72; Ano de 2009 (RB de R$ 185.909.745,39): 0,68% = R$ 1.264.186,27 e 15 = R$ 1.859.097,15. Acontece que o auto de infração e o correspondente Termo de Verificação Fiscal apresentam valores distintos desses de possível imputação, em tese, à impugnante, a saber: R$ 1.986.549,25 e R$ 2.354.017,82. Não há nem em um nem no outro, qualquer indicação de como o Fisco apurou tais valores. Não há sequer indicação a que ano calendário se refere cada um dos valores de multa apontados no auto de infração. A ausência de elementos essenciais que permitam à impugnante exercer minimamente seu direito de defesa impregna o auto de infração com o vício da nulidade. A par disso, entende a impugnante que a multa ora em exame seria “excessivamente onerosa, desproporcional e, portanto, flagrantemente ofensiva aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade Aduz que “a entrega a destempo dos arquivos eletrônicos não causou qualquer prejuízo à Fazenda Pública” e que tal penalidade teria caráter de confisco. A DRJ/BELO HORIZONTE (MG) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0243.643, de 28/03/2013 (fls. 254), julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercícios: 2008, 2009, 2010 MULTAS As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficam obrigadas a apresentar à RFB os respectivos arquivos digitais e sistemas, sob Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13609.720527/201118 Acórdão n.º 1301001.642 S1C3T1 Fl. 14 7 pena de multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa receita. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal ratifica as argumentações iniciais (impugnação) sintetizadas em dois tópicos: (i) um suposto erro de cálculo em flagrante cerceamento do direito de defesa e, (ii) valor da multa excessivo infringindo ao princípio da proporcionalidade, razoabilidade e de caráter confiscatório. Inicialmente convém reproduzir a legislação pertinente, artigos 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 1991, com a redação trazida pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, verbis: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. [...] Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo Único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas. Em verdade, não existe controvérsia nos presentes autos de que a Recorrente efetivamente não cumpriu o prazo estabelecido pela autoridade fiscal para a apresentação dos arquivos digitais, mesmo porque por diversas vezes houve prorrogação dos prazos concedidos pela referida autoridade, ocasião em que a fiscalizada foi alertada acerca das conseqüências que poderiam advir do não cumprimento da intimação (aplicação de multa). No caso, a ora recorrente contesta os cálculos ou os valores que serviram de base de cálculo das referidas multas. Constatase do TVF e voto recorrido, com relação ao suposto erro de cálculo (primeiro tópico do recurso), que a autoridade fiscal, no que tange aos anos calendário de 2007 e 2008, teve por base os valores obtidos nas fichas 06A das correspondentes Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ, apresentadas pela própria interessada Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13609.720527/201118 Acórdão n.º 1301001.642 S1C3T1 Fl. 15 9 e juntadas por cópia às fls. 89 e 120, (R$ 235.401.781,57 e R$ 198.654.924,91, respectivamente). Recordese também que, à época da fiscalização, a impugnante não havia apresentado a DIPJ correspondente ao anocalendário de 2009; assim, a Receita Bruta foi extraída do livro n° 10 de Registro de Apuração de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados (fls. 27 a 66 e resumo às fls. 240), obtendo o valor de R$ 122.598.132,08. No referido Termo, feito um histórico acerca do não cumprimento das requisições formalizadas por meio do: primeiro, Termo de Inicio de Fiscalização em 16/11/2010; segundo, Termo de Intimação lavrado em 12/01/2011; terceiro, Termo de Intimação Fiscal emitido em 28/01/2011; Auto de Embaraço à Fiscalização lavrado em 17/02/2011. Em 28/03/2011 o contribuinte apresentou os arquivos digitais da contabilidade, relativos aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, portanto, com 34 dias de atraso. No que se refere aos arquivos digitais de fornecedores/clientes e documentos fiscais (notas fiscais), referentes aos anos calendário de 2007 e 2008, não houve atendimento até a data da lavratura do Termo de Verificação Fiscal, ou seja, o contribuinte está omisso há 72 dias. Para um melhor esclarecimento da lide traço um resumo (Quadro abaixo) dos valores consignados no auto de infração e Termo de Verificação Fiscal que o integra, a saber,confrontados com os valores trazidos na defesa: ANO CALENDÁRIO DISCRIMINAÇÃO VALORES AI R$ REC.BRUTA DEFESA 2007 Receita de venda fabricação própria. Receita de revenda de mercadorias. () Vendas canceladas, devoluções e descontos Incondicionais. (=) BC da multa. 127.918.687,02 108.437.996,55 954.902,00 235.401.781,57 122.598.132,08 2008 Receita de venda fabricação própria. Receita de revenda de mercadorias. () Vendas canceladas, devoluções e descontos Incondicionais. (=) BC da multa 199.989.159,78 0,00 1.334.234,87 198.654.924,91 134.664.172,19 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 2009 Soma Livro Reg. Ap. IPI 122.598.132,08 185.909.745,39 Vêse que a recorrente apresenta valores totalmente diferentes daqueles constantes dos autos e demais peças processuais, portanto, de origem desconhecida e veracidade não comprovada. Tenho que, considerados os fatos retratados no presente processo, a aplicação da penalidade pela autoridade fiscal foi respaldada em situação concreta que, em tudo, se amolda ao tipo descrito na norma de sanção. Por fim ressaltese que muito embora esta discussão não fizesse parte do litígio, conforme originalmente instaurado no presente processo, a ressalva que a seguir exponho é indispensável, visto tratarse de alteração legislativa superveniente ao lançamento e que, caso aplicável ao caso concreto, poderia ter efeito retroativo, por tratar de penalidade. Tratase das disposições sobrevindas pelo art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e da Lei nº 12.766/2012, esta, in verbis: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012). gn I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo auto arbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mês calendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13609.720527/201118 Acórdão n.º 1301001.642 S1C3T1 Fl. 16 11 multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) Vejamos, então, de que cuida art. 16 da Lei nº 9.779/1999: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Como visto o artigo 16 acima transcrito não cuidava de penalidade, que por sua vez era tratada pelo art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Logo, há de se concluir, que a multa do presente processo, aplicada com base no art. 12 da Lei nº 8.218/1991, resultou do atraso na apresentação dos arquivos digitais e sistemas, obrigação estabelecida pelo art. 11 do mesmo diploma legal. Ou seja, a obrigação acessória criada pelo art. 11 da Lei nº 8.218/1991 não se confunde com aquela criada pela IN RFB nº 787/2007, com base na delegação de competência do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Em se tratando das mesmas informações, a apresentação da segunda pode suprir a primeira, mas não a substitui nem extingue. Enfim, as penalidades de que trata o art. 57 da MP nº 2.15835/2001 se aplicam exclusivamente ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999, o que não é o caso dos presentes autos. Portanto, não se tratando da superveniência de fixação de penalidade menos gravosa para a mesma infração, não se há de cogitar da aplicação da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inciso II, alínea “c”). Já com relação às supostas violações aos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e confisco por parte da norma que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, cabe observar que, nos termos da súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre tal matéria. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10746.904189/2012-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 9/ 20 12 -9 3 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.838, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904189/201293 Resolução nº 3803000.563 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13807.001204/2001-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1995 a 27/02/1996
PIS. DECADÊNCIA
A Súmula Vinculante no. 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no. 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contando-se da primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fisco poderia fazer o lançamento, caso não haja pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
MULTA DE OFÍCIO - LANÇAMENTO. Cabível o lançamento da multa de ofício no percentual de 75% sempre que, por ação ou omissão o sujeito passivo incorra no fato jurígeno previsto em lei para sua imposição.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência, culminando na desconstituição do crédito tributário autuado no período de setembro de 1995 a novembro de 1995, mantendo os lançamentos de PIS relativos ao período de apuração de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Declarou-se impedida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Jéssica Kelly de Araújo Oliva OAB/DF 24.746.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DECADÊNCIA A Súmula Vinculante no. 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no. 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contandose da primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fisco poderia fazer o lançamento, caso não haja pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). MULTA DE OFÍCIO LANÇAMENTO. Cabível o lançamento da multa de ofício no percentual de 75% sempre que, por ação ou omissão o sujeito passivo incorra no fato jurígeno previsto em lei para sua imposição. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência, culminando na desconstituição do crédito tributário autuado no período de setembro de 1995 a novembro de 1995, mantendo os lançamentos de PIS relativos ao período de apuração de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Declarouse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 12 04 /2 00 1- 13 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 571 2 impedida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Jéssica Kelly de Araújo Oliva OAB/DF 24.746. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 572 3 Relatório Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO proposto pela empresa POLENGHI INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LTDA, atual denominação da Empresa BG Indústrias Alimentícias LTDA, autuada à época, já qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, contra decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) – Acórdão n° 1610.995, de 06 de outubro de 2006 a de julgar procedente o lançamento efetuado pela autoridade administrativa fiscal no período indigitado mantendo, portanto, a exigência do crédito tributário, com os respectivos acréscimos legais, nos termos do ementário abaixo transcrito (fls. 87): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1995 a 27/02/1996 PIS – ALÍQUOTA DE 0,75% Apurada insuficiência de recolhimento por diferença de alíquota entre 0,65% e 0,75% da Contribuição é devida sua cobrança DECADÊNCIA – O prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário relativo a contribuições sociais é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991 EFEITOS “EX TUNC” DA RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 49/95 – A Resolução do Senado Federal 49/95 é dotada de efeitos “ex tunc”, de modo que aos fatos geradores ocorridos durante a vigência dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 deve ser aplicada a Lei Complementar 7/70 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA – Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem, a partir de 01/4/1995, juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, acumulada mensalmente NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO – Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 Lançamento procedente. Após fiscalização na Empresa autuada, no período de setembro de 1995 a fevereiro de 1996, através do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0813200.2000.00121.5, constatouse a insuficiência do crédito tributário declarado daquele efetivamente recolhido, referente a contribuição PIS, em desacordo com os DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, Medida Provisória nº 1.212/95 e Lei Complementar nº 07/70, do que foi lavrado auto de infração abrangendo o valor principal remanescente, juros de mora (calculados até 31/01/2001) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 573 4 e multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento), no valor de R$ 36.356,72 (trinta e seis mil, trezentos e cinquenta e seis reais e setenta e dois centavos). Irresignado, o Recorrente interpôs Impugnação ao auto de infração sustentando a ocorrência do prazo decadencial qüinqüenal do direito do Fisco em constituir o crédito tributário e, no mérito, o afastamento dos juros moratórios e da atualização monetária, em conformidade com o art. 100, do Código Tributário Nacional. Em decisão administrativa, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI rejeitou a preliminar argüida pelo recorrente, por entender que o prazo decadencial para o lançamento do PIS é decenal, portanto, contado a partir de 10 (dez) anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito deveria ter sido constituído, e, no mérito, ante a constatação de pagamento da contribuição a menor, manteve a aplicação da alíquota correta pela autoridade lançadora, com os acréscimos legais. Dessa decisão a Empresa propôs RECURSO VOLUNTÁRIO, repetindo os mesmos argumentos da Impugnação. Acolhida a preliminar de decadência, culminando na desconstituição do crédito tributário autuado no período de 01/09/1995 a 14/02/1996, a Turma julgadora determinou o retorno dos autos à instância de origem, para que fossem realizados novos cálculos, em estrita observância à semestralidade inerente à Contribuição para o PIS, de forma a verificar a existência (ou não) de crédito em favor da Recorrente. A DRF de origem em atendimento ao requerido na Resolução exarou o despacho de fls 563/564. Foram dadas vistas no processo ao contribuinte, que não se manifestou. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 574 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges A tempestividade e demais pressupostos recursais já foram analisados quando da votação da Resolução nº 380100.061 de 06/2010, da qual fui designado redator ad hoc para sua formalização, portanto passo a sua apreciação. A controvérsia a ser dirimida nos presentes autos cinge, precipuamente, à discussão sobre a decadência do direito do Fisco em constituir créditos tributários no período abrangido entre 01/09/1995 a 27/02/1996, sendo a notificação da autuação ocorrida em 14/02/2001, e mais, se o prazo decadencial do fisco efetuar o lançamento de crédito tributário das contribuições previdenciárias é qüinqüenal ou decenal.. A discussão pertinente à decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento do PIS, reportase diretamente à constitucionalidade da norma prevista no caput do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 24.07.1991, verbis: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. A matéria sob lide foi objeto de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias ocorridas em 11 e 12 de Junho de 2008, tendo sido negado provimento aos Recursos Extraordinários nº.s 560.626, 556.664, 559.882 e 559.943 interpostos pela Fazenda Nacional e declarada, em votação unânime, a inconstitucionalidade dos dispositivos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 e no parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº. 1.569/77, do que decorreu a edição da Súmula Vinculante nº. 8 da Corte Maior. Conforme exposto na Resolução, a matéria já foi examinada com toda suficiência, considerando a Súmula Vinculante nº. 8 do STF e as manifestações orientadoras da PGFN, no sentido de que o ordenamento vinculante atinge todos os débitos pendentes de pagamento, vez que não podem mais ser exigidos em função da ocorrência da decadência de a Fazenda nacional operar o lançamento. No caso em apreço, verificase que o fato gerador do PIS autuado remonta ao período de 01/09/1995 a 27/02/1996, enquanto a constituição do crédito tributário através da ciência ao contribuinte da lavratura do Auto de Infração se deu em 14/02/2001 (fls. 42). Assim, a Turma Julgadora entendeu que no caso de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário regiase pelo art. 150, § 4º, do CTN, considerandose que a lavratura do Auto de Fl. 574DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 575 6 Infração se deu em razão da insuficiência de crédito tributário declarados e recolhidos referente ao Programa de Integração Social, contandose o prazo para esse efeito de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Todavia, a Delegacia de origem constatou que na base de dados, SINAL 08 não se encontrava nenhum recolhimento realizado pelo contribuinte no período de 01/01/1995 a 01/04/1996 referente a PIS, tela às fls. 555. Assim, para fins de cômputo do prazo de decadência para lançamento de ofício, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em relação à aplicação do art. 173,1, do CTN, no caso de inexistência de antecipação de pagamento, a decisão dos Embargos de Declaração (EDcl) nos EDcl no Agravo Regimental (AgRg) no REsp 674.497/PR, da 2a Turma do STJ esclareceu a sistemática para contagem do prazo decadencial, ou seja, definindo o termo inicial da contagem do prazo decadencial como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1°.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial (grifouse) Nesse sentido, a 2a Turma da CSRF, em abril de 2011, assim decidiu (Acórdão n° 240200.118): "Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 12/2006 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas Fl. 575DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 576 7 competências 03/1998 a 06/2004. Logo, todas as competências até 11/2000 devem ser excluídas do presente lançamento. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2001, quando poderia ter sido efetuado o lançamento." Por se tratar de lançamento do PIS, tributo lançado por homologação e cuja apuração é mensal, a ocorrência do fato gerador se perfaz no último dia de cada mês. Conforme visto a ciência do lançamento se deu em 14 de fevereiro de 2001, portanto, encontravamse abrangidos pela decadência os lançamentos relativos ao PIS dos meses de setembro de 1995 a novembro de 1995, mantendose os lançamentos de PIS relativos ao período de apuração de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996, pois tomandose por base o art. 173,1, do CTN, o início do prazo decadencial nesses períodos ocorreria em 1º de janeiro de 1997 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e terminaria em 31 de dezembro de 2001. Na análise de mérito do período de apuração não atingido pela decadência, a Turma Julgadora determinou o retorno dos autos à instância de origem, para que fossem realizados novos cálculos, em estrita observância à semestralidade inerente à Contribuição para o PIS, de forma a verificar a existência (ou não) de crédito em favor da Recorrente. A DRF de origem em atendimento ao requerido na Resolução exarou o despacho de fls 563/564, no qual concluiu que utilizando a base de cálculo de sexto mês anterior, a diferença entre o devido e o declarado foi maior que o lavrado, exceto para outubro/1995. Assim, inferese que mesmo se aplicando o entendimento sumulado no enunciado nº. 15 do CARF: “A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6° da Lei Complementar nº. 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”, não se verificou a existência de eventuais valores recolhidos/declarados a maior, mantendose os valores lançados não atingidos pela decadência. Reclama ainda a recorrente acerca da imputação de juros e multa na autuação fiscal, o que não lhe cabe razão. O Código Tributário Nacional estabelece em seu artigo 97, V, que a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações e omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (…) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; O inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu que nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e de declaração inexata prestada pelo sujeito passivo Fl. 576DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 577 8 deverá ser aplicada multa de ofício no percentual de 75% sobre a totalidade ou a diferença do tributo devido, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tendo o sujeito passivo incorrido na situação que a lei previu como bastante para a imposição da penalidade prevista no citado inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 é de ser mantida a referida exação. No mesmo sentido, ocorrendo a insuficiência de pagamento, os respectivos juros de mora serão devidos, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 161: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta , sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. "(destaque acrescido) Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para acolher a preliminar de decadência, culminando na desconstituição do crédito tributário autuado no período de setembro de 1995 a novembro de 1995, mantendo os lançamentos de PIS relativos ao período de apuração de dezembro de 1995 a fevereiro de 1996, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 577DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13807.001204/200113 Acórdão n.º 3801004.420 S3TE01 Fl. 578 9 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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