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Numero do processo: 10980.001468/2008-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA NO VOLUNTÁRIO E NÃO EMBARGADA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
O acórdão recorrido, apesar de, no relatório, reconhecer que a decisão de primeira instância considerou que a isenção dos rendimentos de portador de moléstia grave só vale a partir da data em que a doença for contraída de acordo com o laudo pericial, não discutiu a matéria e deu provimento ao recurso sobre outros fundamentos.
Essa omissão de conteúdo, bem como a contradição com o relatório do voto, deveria ter sido sanada por meio de embargos de declaração.
Não é possível se analisar, em sede de recurso especial, matéria que não foi expressamente discutida no recurso voluntário.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA NO VOLUNTÁRIO E NÃO EMBARGADA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. O acórdão recorrido, apesar de, no relatório, reconhecer que a decisão de primeira instância considerou que a isenção dos rendimentos de portador de moléstia grave só vale a partir da data em que a doença for contraída de acordo com o laudo pericial, não discutiu a matéria e deu provimento ao recurso sobre outros fundamentos. Essa omissão de conteúdo, bem como a contradição com o relatório do voto, deveria ter sido sanada por meio de embargos de declaração. Não é possível se analisar, em sede de recurso especial, matéria que não foi expressamente discutida no recurso voluntário. Recurso especial não conhecido.
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MATÉRIA NÃO DISCUTIDA NO VOLUNTÁRIO E NÃO EMBARGADA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. O acórdão recorrido, apesar de, no relatório, reconhecer que a decisão de primeira instância considerou que a isenção dos rendimentos de portador de moléstia grave só vale a partir da data em que a doença for contraída de acordo com o laudo pericial, não discutiu a matéria e deu provimento ao recurso sobre outros fundamentos. Essa omissão de conteúdo, bem como a contradição com o relatório do voto, deveria ter sido sanada por meio de embargos de declaração. Não é possível se analisar, em sede de recurso especial, matéria que não foi expressamente discutida no recurso voluntário. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 68 /2 00 8- 44 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.001468/200844 Acórdão n.º 9202002.406 CSRFT2 Fl. 5 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 280200.141, da 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 138 a 140), julgado na sessão plenária de 22 de setembro de 2009, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para considerar o contribuinte isento por ser portador de moléstia grave. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. Os contribuintes portadores de moléstia elencadas em lei como grave fazem jus à isenção do imposto de renda sobre aqueles rendimentos comprovadamente percebidos à guisa de aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 08/12/2010 (fl. 141), a Fazenda Nacional manejou, no dia 21/12/2010, recurso especial de divergência (fls. 144 a 150), insurgindose contra a decisão que reconheceu que os rendimentos recebidos em 03/01/2005 eram isentos, quando o laudo oficial afirmava que o autuado era portador de moléstia grave desde 28/01/2005. Assim o acórdão recorrido teria contrariado frontalmente as conclusões de um laudo médico oficial, único documento exigido pela legislação para o reconhecimento da isenção em tela (Art. 30 da Lei no 9.250/95). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.001468/200844 Acórdão n.º 9202002.406 CSRFT2 Fl. 6 3 Para a admissão do recurso, apontou divergência de interpretação da lei tributária com o seguinte paradigma: Acórdão 10422.949 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE Estão isentos do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuintes portadores de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios. Se o laudo mencionar expressamente a data em que a doença foi contraída, o direito à isenção alcança os proventos recebidos a partir dessa data. Recurso provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 151 a 155. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 02/09/2011, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Entretanto, respeitosamente, discordo do despacho de admissibilidade que reconheceu a divergência jurisprudencial. Isso porque o acórdão recorrido não tratou expressamente da matéria versada neste recurso. De fato, o relatório afirma que a decisão de primeira instância considerou que a isenção dos rendimentos aplicase a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (fl. 138v). Entretanto, o voto não enfrenta essa questão, e diz que só são requisitos para a isenção o fato de serem proventos de pensão, reforma ou aposentadoria e a existência de moléstia profissional. Transcrevo (fl. 140): Da análise dos textos legais pertinentes ao caso em tela, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, através de laudo Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.001468/200844 Acórdão n.º 9202002.406 CSRFT2 Fl. 7 4 pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Portanto, a fruição do favor fiscal em tela requer a demonstração inconteste de duas condições concomitantes: que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão e que seja o contribuinte acometido por uma das doenças previstas no texto legal. No caso concreto, da análise dos documentos juntados pelo Recorrente, verificase que as verbas recebidas, em 03/01/2005, são oriundas de uma Ação Delcaratória, movida contra o Estado do Paraná, que foi condenado ao ressarcimento dos valores descontados, até a edição da Lei 9.937/92, da soma das seguintes vantagens: 40% do vencimento, prêmio de produtividade, gratificação de representação de gabinete. Não resta dúvida, portanto, que o Recorrente faz jus à isenção tendo em vista que à época do recebimento estava aposentado e que tais verbas são de natureza complementar ao vencimentos salariais e que era portador de moléstia grave conforme laudo médico oficial, juntado aos autos. Desta forma, dou provimento ao Recurso Voluntário. Assim, a decisão atacada não traça sequer uma linha sobre o motivo fundamental para o não reconhecimento da isenção: a data que a doença foi contraída, de acordo com o laudo médico. Essa omissão de conteúdo, bem como a contradição com o relatório do voto, deveria ter sido sanada por meio de embargos de declaração. Não é possível se analisar, em sede de recurso especial, matéria que não foi expressamente discutida no recurso voluntário. Diante do exposto, não tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904805/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 05 /2 00 9- 68 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 28627.54324.150206.1.3.047492, transmitida eletronicamente em 15/2/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/5/2004 5856 13.400,51 15/6/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1621627101 13.400,51 DB: cód 5856 – PA 31/5/2004 13.400,51 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.107,93. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 13 4 crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 14 5 Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 3801001.553 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720414/2008-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECOLHIMENTO DO VALOR DO IMPOSTO DEVIDO. PROVA.
A validade das alegações apresentadas na fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se pode ser aferida quando acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Por possuir natureza tributável, o valor do rendimento recebido a título de alimentos não anula o efeito produzido pela dedução indevida da pensão alimentícia, para fins de apuração do imposto de renda lançado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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PROVA. A validade das alegações apresentadas na fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se pode ser aferida quando acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Por possuir natureza tributável, o valor do rendimento recebido a título de alimentos não anula o efeito produzido pela dedução indevida da pensão alimentícia, para fins de apuração do imposto de renda lançado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 22/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 04 14 /2 00 8- 86 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2005 , anocalendário de 2004, em virtude da constatação de dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 28.000,00. Conforme discriminado na Notificação de Lançamento, fls. 06 a 07, a glosa foi motivada pelo fato de , em resposta à intimação, a contribuinte ter apresentado holerites pertencentes a Adilson Barreto dos Santos, não constituindo ônus da contribuinte, por falta de previsão legal. Constatouse também que a ação correspondente traduzse em mera liberalidade entre as partes, sem lastro nas normas do direito de família, uma vez que não houve dissolução da sociedade conjugal. A exigência foi impugnada ao argumento de que a pensão alimentícia decorreu de acordo judicial, devidamente homologado, não havendo como contestar a sua natureza alimentícia. Alega, por outro lado, que, reconhecendo a natureza dos rendimentos recebidos de Adilson Barreto dos Santos, levouos à tributação e recolherá em breve, com os acréscimos legais, “o valor devido, na forma como originalmente declarado”. Requer, pois, o reconhecimento dos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia, “anulandose, assim, a ‘glosa’ de tais despesas da Declaração de seu Imposto de Renda”. A DRJ decidiu pela procedência do lançamento, descrevendo em sua ementa, fls. 18 a 20: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 PENSÃO JUDICIAL. Os valores recebidos a título de pensão alimentícia judicial devem ser incluídos entre os rendimentos tributáveis do contribuinte, cabendo a glosa se tais valores foram incluídos no campo de deduções Ciente em 05/05/2011, fls. 23, o patrono da recorrente apresentou recurso voluntário em 01/06/2011, fls. 24 a 26, instrumento de procuração às fls. 06, alegando não haver qualquer razão fática ou jurídica nos fundamentos da decisão recorrida, haja vista que “reconhecendo a natureza alimentar dos rendimentos recebidos de ADILSON BARRETO DOS SANTOS, levouos a tributação, tendo recolhido integralmente as quantias devidas”. Requer que seja julgado totalmente improcedente a glosa da compensação efetuada. É o relatório. Voto Fl. 32DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720414/200886 Acórdão n.º 2802002.010 S2TE02 Fl. 32 3 Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratase de litígio acerca da dedução indevida de pensão alimentícia. Conforme relatado, na peça impugnatória o advogado patrono da contribuinte requereu “o reconhecimento dos rendimentos recebidos de ADILSON BARRETO DOS SANTOS como alimentares, anulandose, assim, a ‘glosa’ de tais despesas da Declaração de seu Imposto de Renda”. Tal requerimento teve por base a alegação da contribuinte no sentido de que, “reconhecendo a natureza dos rendimentos recebidos de ADILSON BARRETO DOS SANTOS, levouos à tributação, e recolherá dentro em breve, com as devidas correções monetárias e acréscimos de juros o valor devido, na forma como originalmente declarado” Examinandose as peças que instruíram a impugnação, constatase a inexistência de nenhuma prova documental acerca das alegações apresentadas pela interessada. Por sua vez, o acórdão de primeira instância refuta tal requerimento afirmando que “o impugnante tãosomente indevidamente se apropriou da dedução”(sic). Em seu recurso, o patrono da recorrente argumenta não haver qualquer razão fática ou jurídica nos fundamentos da decisão recorrida. Novamente reconhece a natureza alimentar dos rendimentos recebidos de ADILSON BARRETO DOS SANTOS, alegando, desta vez, que “levouos à tributação, tendo recolhido integralmente as quantias devidas”. Todavia, uma vez que tal alegação foi refutada expressamente pela decisão de primeira instância, caberia à recorrente a apresentação de comprovação documental que evidenciasse que o rendimento, que alega haver recebido a título de alimentos, integrou a base de calculo apurada pela declaração de rendimentos examinada pelo Fisco. Também deixou de juntar aos autos a comprovação que o imposto de renda correspondente se encontra efetivamente recolhido. Nesse aspecto, a regulamentação prevista no caput do art. 15, § 4º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê que a validade das alegações apresentadas na fase contenciosa do processo administrativo fiscal somente se pode ser aferida quando acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios. Portanto, não há como levar em consideração a alegação da recorrente no sentido de que “levou” à tributação os alegados rendimentos recebidos de Adilson Barreto dos Santos e que teria “recolhido integralmente as quantias devidas”. Por outro lado, observese, mesmo que a contribuinte tivesse comprovado que o valor que foi deduzido indevidamente também integrara a base de cálculo do imposto como rendimento de alimentos recebidos durante o anocalendário de 2004, a natureza tributável desse rendimento, conforme reconhecido pelo próprio patrono da recorrente, impede a anulação do efeito tributário produzido pela dedução indevida da pensão alimentícia, objeto do presente lançamento. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Jaci de Assis Junior Relator Fl. 34DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000149/99-05
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991, 01/12/1991 a 28/02/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 49 /9 9- 05 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 326 a 342, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0305.418 e 0202.088, da Terceira e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0305.418 apresenta a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — O • direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110, em 31/08/1995 — p.013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES. AC. CSRF10304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13832.000149/9905 Acórdão n.º 9900000.450 CSRFPL Fl. 388 3 (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons.Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) Conforme se pode verificar das ementas acima reproduzidas, há divergência no critério para a determinação do termo inicial da contagem do prazo para pleitear a repetição de indébito. Enquanto no acórdão recorrido “é a data da publicação da Medida provisória nº 1.110/95”, no acórdão paradigma “é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado”. O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 369/370. Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição/compensação do FINSOCIAL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte ofereceu, tempestivamente, as contrarazões de fls. 375 a 384, reiterando os argumentos contidos nas peças de defesa, e mais especificamente, asseverando que a tese da Fazenda Nacional não está de acordo com a jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13832.000149/9905 Acórdão n.º 9900000.450 CSRFPL Fl. 389 5 Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 22/09/1999, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 22/09/1989 são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores do FINSOCIAL que ocorreram após 22/09/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10680.912192/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 19/07/2004
INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora, em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento.
Numero da decisão: 2102-002.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 19/07/2004 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora, em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 19/07/2004 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora, em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 21 92 /2 00 9- 97 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.912192/200997 Acórdão n.º 2102002.182 S2C1T2 Fl. 89 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 3a Turma da DRJ/BHE, de 02 de fevereiro de 2011 (fls. 49/52), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente às fls. 01/06, que teve como origem a não homologação de pedido de compensação de tributos, pela inexistência de crédito a título de Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de pagamento em valor maior que o devido. O despacho denegatório consta da fl. 37. A pretexto de ter recolhido em 19/07/2004 o valor total de R$ 225.947,13 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo R$ 173.193,01 através do DARF de fl. 39, quando o correto seria R$ 146.802,36, destes, indevidamente, a importância de R$ 26.390,65, a Recorrente buscou compensálo com débitos de PIS/PASEP, COFINS, CIDE Royalties e Contribuição Social Retida na Fonte apurados em agosto de 2.005, na ordem de R$ 20.324,10, conforme Pedido de Ressarcimento ou Restituição de fl. 34. Na referida manifestação de inconformidade, a Recorrente narrou os fatos acima resumidos, segundo ela, o crédito não foi reconhecido em razão de escusável equívoco no preenchimento de sua DCTF relativa ao 3o trimestre de 2.004, quando informou como devido a título de IRRF o valor total de R$ 225.947,13, quando o correto seria R$ 199.556,48, o que foi sanado com declaração retificadora. Alegou ainda, que com os documentos apresentados e em obediência ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, a DRJ deveria analisálo e reformar a decisão denegatória de existência do crédito. Ao apreciar o expediente da Recorrente, como fundamento de seu voto, o Relator da decisão recorrida destacou que os valores recolhidos correspondem a débitos confessados em DCTF pelo contribuinte, e que eventual equívoco nos valores declarados e recolhidos deveriam estar evidenciados e não apenas serem objeto de DCTF retificadora, entregue em data posterior à decisão que deixou de reconhecer alegado crédito. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, às fls. 59/65, reiterou os termos da manifestação de inconformidade apresentada inicialmente, expondo os fatos, alegando equívoco na apresentação da DCTF e requerendo observância ao princípio da verdade material para que seja reconhecido o crédito e consequentemente, a homologação da compensação realizada. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.912192/200997 Acórdão n.º 2102002.182 S2C1T2 Fl. 90 3 O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. A decisão recorrida está devidamente fundamentada, não merecendo qualquer reparo. Através de DCTF a Recorrente confessou débitos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte e efetuou os pagamentos dos respectivos valores, que totalizaram R$ 225.947,13, dentre eles o valor de R$ 173.193,01, através do DARF de fl. 37, quitado no dia 19/07/2004. Se equivocadamente confessou e recolheu a maior do que o devido, na ordem de R$ 26.390,65, a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para reconhecer tal alegação, a ponto de legitimar compensação com outros tributos federais. Como mencionado, a decisão recorrida bem apreciou a questão, quando destacou à fl. 51: Quanto ao mérito, não se confirma a existência do crédito indicado no PER/DCOMP analisado. Diferente do alegado, a DCTF retifícadora invocada, apresentada em 19/05/2009, não comprova que o recolhimento identificado no PER/DCOMP foi efetuado a maior. Conforme fls. 41 a 43, na DCTF original, foi confessado débito de IRRF de código 0422, com fato gerador em 19/07/2004, no valor de R$ 225.947,13, ao qual foram vinculados dois pagamentos com DARF, nos valores de R$ 52.754,12 e R$ 173.193,01. A soma dos valores recolhidos é igual ao valor do débito confessado, não restando crédito passível de restituição ou compensação. As declarações presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art.131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiras. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, referidas declarações fazem prova contra o sujeito passivo e em favor do fisco, da existência do débito e de seu valor. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o impugnante comprovar o erro ou a falsidade de sua declaração. Não é o que ocorre no caso. Conforme fls. 45 e 46, na DCTF retifícadora apresentada em 19/05/2009, o valor do débito foi reduzido para R$ 199.556,48. Referida DCTF retifícadora não têm nenhuma força de convencimento, porque apresentadas após a ciência do despacho decisório, ocorrida em 30/04/2009 (fl. 47). De acordo com o inciso III do § 2 o do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando alterar débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Portanto, ela só pode Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.912192/200997 Acórdão n.º 2102002.182 S2C1T2 Fl. 91 4 ser aqui considerada como argumento de impugnação, uma vez que só foi apresentada em razão da não homologação da compensação pretendida. Com efeito, a pretexto de ter recolhido indevidamente valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, a Recorrente buscou compensação com outros débitos, porém, sem qualquer comprovação ou evidencia do equivoco cometido no recolhimento, antes ou depois da decisão que declarou inexiste alegado crédito, não merecendo assim, outra consideração senão o indeferimento, quer do pleito original, da manifestação de inconformidade e como não poderia ser diferente, do presente Recurso Voluntário. Os documentos relacionados à fl. 07 não demonstram a origem do alegado equívoco pela Recorrente, que legitimaria o suposto crédito, pois consistem, basicamente, na representatividade para este processo e cópias dos documentos referidos nas peças, como Declaração de Compensação, despacho denegatório e DCTFs, incapazes de comprometer as decisões até então proferidas, portanto, não restando a este colegiado, a não ser, ratificálas. Pelas razões acima expostas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso da Recorrente. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15586.000637/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
IRPF. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis.
IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
É cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº. 4.502, de 1964.
Numero da decisão: 2201-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. IRPF. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem estes se mostram como meras alegações processualmente inacatáveis. IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº. 4.502, de 1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 37 /2 00 8- 03 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 193/197, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 260.889,17, calculados até 30/05/2008. A fiscalização apurou Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de março, abril e julho de 2003 e Ganhos de Capital no valor de R$ 80.000,00, referente à alienação de uma casa situada em Brasília/DF. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Das questões preliminares 12 Registra, inicialmente, no que diz respeito à documentação exigida pelo Fisco, que apenas para algumas contas bancárias não conseguiu fazer a juntada, entretanto o ente fiscalizador as solicitou às respectivas instituições financeiras, tendo sido atendido. Quanto às escrituras, afirma que todas fora apresentadas, não cabendo a afirmação da Fiscalização de que estas não teriam sido apresentadas. 13 No que se refere ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, alega que a autoridade lançadora enumerou vários dispositivos legais infringidos pelo impugnante sem a indicação precisa de qual foi especificamente infringido, tornandose impossível contraargumentar os artigos, contrariando o estabelecido no art. 10, inc. IV, do Decreto no 70.235/72. 14 Reclama, ainda, da multa de 150%, questionando qual foi o dispositivo legal infringido. Nesse aspecto, não aceita a argumentação de que só porque o auto de infração e o termo de constatação e encerramento são indissociáveis, justifica ou significa dizer que a multa está implícita. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000637/200803 Acórdão n.º 2201001.881 S2C2T1 Fl. 3 3 15 Com relação ao ganho de capital, repete a alegação de que a autoridade lançadora enumerou vários dispositivos legais infringidos pelo impugnante sem a indicação precisa de qual foi especificamente infringido, tornandose impossível contraargumentar os artigos, contrariando o estabelecido no art. 10, inc. IV, do Decreto no 70.235/72. Do mérito 16 No que se refere ao acréscimo patrimonial a descoberto, alega que, apesar de a escritura ter sido lavrada em 18/06/2006, na realidade, em 15/03/2003 foi feito um contrato de promessa de compra e venda do referido imóvel entre o impugnante e o comprador, tendo o contribuinte recebido nesta mesma data o montante de R$220.000,00, o que inclusive constaria da própria escritura, e a diferença, ou seja, R$30.000,00 com quitação prevista para 01/06/2003, como também constaria à fl. 51. Tal valor seria suficiente para justificar os passivos dos meses de março e abril e manter o acréscimo de julho em apenas R$9.001,56. 17 Adicionalmente, assevera, tanto para o acréscimo patrimonial a descoberto como para a omissão de ganho de capital que a multa de 150% encontrase com redação nova, não existindo o dispositivo legal capitulado pelo Fisco, que foi revogado. A multa estaria, portanto, totalmente despida de validade e não haveria que se falar, ainda, em declaração falsa, configuração de ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte. 18 Sobre a aplicação da legislação no tempo, defende que deve ser aplicado o art. 106, inc. II, “c”, do CTN. Do pedido 19 Ao final, diante do que expõe, requer que sejam acolhidas as preliminares suscitadas no que diz respeito à não obediência ao que determina o art. 10, IV, do Decreto no 70.235/72, declarandose nulo o Auto de Infração, e, não sendo acolhidas as preliminares, que, no mérito, seja acolhido o cálculo do imposto demonstrado na impugnação e improcedência da multa em sua totalidade, cancelandose o débito fiscal sobre os valores não reconhecidos pelo contribuinte. A 3ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL O erro ou a deficiência no enquadramento legal da infração não dá causa à nulidade do Auto de Infração, mormente se a descrição dos fatos permitir a compreensão da acusação que é imposta ao contribuinte, proporcionandolhe o desenvolvimento de sua defesa. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o intuito de fraude. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 26/11/2010 (fl. 247), Joir Soares Viana apresenta Recurso Voluntário em 20/12/2010 (fls. 248 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto e omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens móveis, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, a preliminar argüida pela defesa. Alega o suplicante, em linhas gerais, que o auto de infração não contém os dispositivos legais infringidos e, tampouco, a adequada descrição da matéria tributada. De pronto, impende registrar que não identifiquei nos autos os vícios apontados. Com efeito, a autoridade fiscal descreve e identifica com clareza o lançamento, até porque a exigência constituída é de extrema simplicidade. Basta a leitura do Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 186/192, para constatar que a autuação se refere a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto e omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens móveis. Além do mais, os dispositivos que fundamentam a exigência encontramse identificados à fls. 194/197, que, cotejados com os fatos narrados, não necessitariam de descrição de teor para que fossem compreendidos pelo contribuinte autuado. Portanto, ao contrário do argüido, o recorrente demonstra haver compreendido perfeitamente todos os aspectos relacionados à exigência, tanto que discute detalhadamente cada questão, não se verificando qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Destarte, comprovada a regularidade e legalidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000637/200803 Acórdão n.º 2201001.881 S2C2T1 Fl. 4 5 os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar qualquer ofensa ao principio da ampla defesa. Quanto ao mérito, o presente lançamento decorre de acréscimo patrimonial a descoberto embasado na presunção legal prevista nos arts. 2o e 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (grifei) Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo Fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêem de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraílas à tributação devida. Passando às questões pontuais de mérito insurge o recorrente, inicialmente, contra o acréscimo patrimonial a descoberto alegando, essencialmente, que “Apesar da escritura ter sido lavrada em 18 de junho de 2006 (pág. 051 do processo administrativo), na realidade em 15 de março desse mesmo ano foi feito um contrato de promessa de compra e venda do referido imóvel entre o impugnante e o comprador do referido bem, tendo o impugnante recebido nesta mesma data o montante de R$ 220.000,00, o que inclusive consta na própria escritura e a diferença, ou seja, R$ 30.000,00 a ser quitada em 01/08/2003, como também consta da referida página 51 do processo administrativo objeto desta contestação”. Pois bem, conforme bem pontuou a autoridade recorrida, em que pese assegure o contribuinte a existência de contrato de promessa de compra e venda em 15/03/2003, “... não juntou tal documento nem apresentou nenhuma outra prova de que o recebimento do valor de R$220.000,00 tenha ocorrido na alegada data. Agiu, portanto, Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 corretamente a autuante ao lançar no fluxo patrimonial o valor de R$220.000,00 em junho de 2003 (fl. 183), no mesmo mês em que foi lavrada a escritura de compra e venda do imóvel alienado pelo impugnante”. In casu, bastaria a apresentação do comprovante de recebimento do valor de R$ 220.000,00, para que pudesse ser objeto de análise deste Colegiado. A bem da verdade, o recorrente se limita a repetir a alegação feita por ocasião da impugnação sem, contudo, carrear aos autos qualquer prova. Destarte, meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Em relação a imposição da multa de oficio no percentual de 150%, peço vênia, novamente, para reproduzir os fundamentos utilizados pela autoridade lançadora para qualificar a exigência (Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, fl. 190): O fiscalizado omitiu, em sua declaração de bens, imóvel comprado no anocalendário de 2003, em 24.03.2003 (fls. 71), pelo qual pagou o montante de R$153.000,00 no período em questão. Embora seja este, seu domicilio fiscal informado em sua Declaração de Ajuste Anual, entregue em 28.04.2004, o fiscalizado alegou "que por um lapso, foi declarado em 2004", conforme resposta às fls. 53. No anocalendário de 2004 o fiscalizado prestou declaração falsa, ao declarar o imóvel do item anterior, como tendo sido comprado financiado, da Morar Construtora Ltda e tendo pago neste ano, o montante de R$51.000,00 (fls. 171). O imóvel foi adquirido de Vitor Pitol, conforme consta da escritura às fls. 71/ 73 e pelo fixado nesta, relativo à entrada e prestações subseqüentes, o pago neste ano, foi de R$69.500,00. No anocalendário de 2005, tendo em vista a alienação de imóvel declarado pelo valor de R$320.000,00, o contribuinte declarou ter quitado junto à Morar Construtora Ltda, o financiamento fictício, que havia declarado no ano anterior, conforme fls. 175. No anocalendário de 2003, o fiscalizado omitiu o valor da venda do imóvel sito em Brasília (fls. 5), no montante de R$250.000,00 com intuito de não demonstrar ao Fisco o ganho de capital na referida alienação. O fiscalizado prestou informação falsa relativa ao valor do apartamento adquirido em Brasília, em 18.07.2003, declarando a aquisição pelo montante de R$260.000,00 (fls. 6), quando na realidade consta da escritura, o montante de R$360.000,00, conforme fls. 65/66. No anocalendário de 2004, o fiscalizado aumentou em R$60.000,00 o valor do imóvel descrito no item anterior, alegando reformas no anobase (fls. 170), com fortes indícios de tratarse de benfeitorias fictícias e sim, tentar chegar a cada ano, ao valor efetivamente pago, para não configurar ganho de capital, em venda futura. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15586.000637/200803 Acórdão n.º 2201001.881 S2C2T1 Fl. 5 7 Pelo exposto anteriormente, ficam configuradas omissão e ações dolosas, por parte do fiscalizado, nas informações prestadas ao Fisco. Fato é que as ações e omissões livres e conscientes revelaram o intuito fraudulento, com propósito de se eximir do imposto devido. Isso implicou a qualificação da multa em 150%, como previsto no art. 957, inciso II do RIR/99, Decreto 3.000/99, e no art. 44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, que dispõe sobre a Legislação Tributária Federal e estabelece. Da análise do excerto supra verificase que o autuado agiu de forma dolosa no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto. Neste caso, quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude a lei autoriza a qualificação da exigência, na forma do inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 19641, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) Portanto, no que tange a imposição da multa de 150%, penso que o órgão lançador agiu de forma correta, como também o fez a autoridade julgadora de primeira instância, no momento em que concordou com o lançamento, cujo entendimento não está a merecer qualquer reparo. 1 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando quaisquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008619/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
PRECLUSÃO DO DIREITO DE IMPUGNAR. PRAZO PRESCRICIONAL A CONTAR DA DATA DO RECEBIMENTO DA NOTIFICAÇÃO ENTREGUE NO DOMICILIO FISCAL DO AUTUADO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
O prazo para impugnar o lançamento fiscal decorre de lei e deve ser observado, sob pena de preclusão do direito. Não pode ser acolhido argumento de ausência do país, quando a notificação foi entregue no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, mesmo a empregado do edifício onde reside, seja ele zelador ou porteiro.
Numero da decisão: 2102-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acacia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 PRECLUSÃO DO DIREITO DE IMPUGNAR. PRAZO PRESCRICIONAL A CONTAR DA DATA DO RECEBIMENTO DA NOTIFICAÇÃO ENTREGUE NO DOMICILIO FISCAL DO AUTUADO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO O prazo para impugnar o lançamento fiscal decorre de lei e deve ser observado, sob pena de preclusão do direito. Não pode ser acolhido argumento de ausência do país, quando a notificação foi entregue no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, mesmo a empregado do edifício onde reside, seja ele zelador ou porteiro.
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PRAZO PRESCRICIONAL A CONTAR DA DATA DO RECEBIMENTO DA NOTIFICAÇÃO ENTREGUE NO DOMICILIO FISCAL DO AUTUADO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO O prazo para impugnar o lançamento fiscal decorre de lei e deve ser observado, sob pena de preclusão do direito. Não pode ser acolhido argumento de ausência do país, quando a notificação foi entregue no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, mesmo a empregado do edifício onde reside, seja ele zelador ou porteiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 86 19 /2 00 7- 99 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.008619/200799 Acórdão n.º 2102001.999 S2C1T2 Fl. 124 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acacia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório O presente processo administrativo fiscal decorre da Notificação de Lançamento de 07/03/2007, no valor total de R$ 14.526,91, sendo R$ 6.607,05 a título de imposto de renda suplementar, R$ 4.955,28 de multa de oficio e R$ 2.964,58 de juros de mora e decorrem das seguintes glosas de despesas, lançadas pelo Recorrente na DIRPF relativa ao ano calendário de 2.003, para redução da base de cálculo do imposto: a) dedução indevida a título de incentivo, no valor de R$ 330,00, assim considerada em função do não atendimento à intimação para a sua comprovação; b) dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 2.544,00, também pela falta de comprovação, embora notificado para esta finalidade, c) dedução de despesas médicas no valor de R$ 22.942,93, não comprovadas, embora notificado o contribuinte, d) dedução indevida de previdência privada, no valor de R$ 21.879,15, também pela falta de comprovação, e e) dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 3.996,00, assim considerada pelo autuante, por falta de comprovação e atendimento à notificação. Em 28/06/2007 o Recorrente apresentou impugnação alegando que esteve ausente do país durante o final de 2006 e início de 2007, e que não recebeu qualquer expediente referente a este processo, dele tomando conhecimento através de consulta ao site da Receita Federal. Informou ainda que no mesmo ano de 2006, em datas que precedem a este processo, compareceu à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, em 18/10/2006, e prestou as informações e documentos solicitados, e que não voltou a ela, para prestar novamente os esclarecimentos que originaram este processo, por não ter recebido a intimação, juntando documentos comprobatórios das despesas, que afastariam a pretensão fiscal. A decisão recorrida não conheceu da impugnação em função da intempestividade, com fundamento nos artigos 14 e 15 do decreto n.o 70.235/72, que respectivamente, estabelecem que a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento e deverá ser formalizada por escrito, instruída com documentos e apresentada no prazo de 30 dias da intimação. A remessa a este colegiado decorreu da previsão do Ato Declaratório Normativo n.o 15, de 12 de julho de 1.996, em função da tempestividade suscitada como preliminar. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.008619/200799 Acórdão n.º 2102001.999 S2C1T2 Fl. 125 3 Destacou a decisão recorrida, o recebimento da notificação de lançamento em 19/03/2007, conforme documento de fls. 70/71 e a impugnação foi apresentada em 28/06/2007, portanto, intempestiva. Em grau de Recurso Voluntário, ratifica os termos da impugnação, no tocante à tempestividade da impugnação, que estava fora do país e não recebeu a notificação do lançamento que foi entregue na portaria do prédio onde reside, o que até mesmo fere o princípio constitucional do sigilo fiscal, pelo conteúdo da mesma; não foi observado também o princípio constitucional que assegura o contraditório e a ampla defesa, e nem mesmo foi observado o art. 23 do decreto n.o 70.235/72 que trata da intimação no processo administrativo fiscal, razão pela qual, a final, requer provimento ao recurso, para que o mérito seja apreciado e com isto afastada a pretensão fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. A decisão recorrida está devidamente motivada e não merece qualquer reparo. Com efeito, a impugnação foi apresentada intempestivamente, uma vez que há comprovação nos autos, fls. 70/71, que a notificação do lançamento foi entregue no domicílio indicado pelo Recorrente, em 19/03/2007, e a impugnação apresentada em 28/06/2007. conforme fl. 01. A alegação de que o contribuinte estava fora do país, o que estaria provado através da juntada de cópia do passaporte, parece evidenciar que o autuado tinha visto para permanecer no Canadá no período de 08/11/2006 a 09/05/2007, não comprovando, necessariamente, que lá esteve neste período. Mas mesmo assim, este fato tornase irrelevante, pois a notificação foi endereçada para o seu domicílio, e lá comprovadamente entregue, não servindo de pretexto para o não atendimento das suas obrigações fiscais. Sobre a entrega das notificações dos lançamentos a zeladores ou pessoas outras no endereço indicado como domicílio fiscal pelo contribuinte, há súmula de n.o 9 deste colegiado, e podem ser destacados vários precedentes, dentre eles: Processo nº 10980.000420/200657 Recurso nº 512.932 Voluntário Acórdão nº 2801001.322 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CESAR GARAGNANI Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.008619/200799 Acórdão n.º 2102001.999 S2C1T2 Fl. 126 4 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva não instaura o litígio, não podendo ser conhecida pelo órgão julgador. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10510.903751/2009-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/06/2006
PRECLUSÃO DA DEFESA. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA.
Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA. Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 37 51 /2 00 9- 20 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903751/200920 Acórdão n.º 1802001.496 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A interessada transmitiu o PER/DCOMP eletrônico (folhas 1 a 4), visando utilizar um crédito no valor original de R$ 3.512,65, código 6106, decorrente de pagamento supostamente indevido do Simples do Período de Apuração (PA) de 31/03/2002. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico, onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação (fl. 9). Irresignada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde alegou que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifetação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 20/06/2006 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/05/2011 (terça feira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/06/2011, onde argumenta a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903751/200920 Acórdão n.º 1802001.496 S1TE02 Fl. 38 3 existência de erros contábeis que não foram levados em conta pelo fiscal e ao fim requer a anulação do auto de infração. Este é o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903751/200920 Acórdão n.º 1802001.496 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento. Conforme podemos observar no AR acostado às fls. 34, a contribuinte tomou ciência do acórdão nº 1526.696, da 4ª Turma da DRJ/SDR, no dia 17 de maio de 2011, terça feira. O Recurso Voluntário que chega a nossa apreciação foi protocolado no dia 22 de junho de 2011. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo iniciouse no dia 18 de maio de 2011, tendo seu término ocorrido em 16 de junho de 2011. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903751/200920 Acórdão n.º 1802001.496 S1TE02 Fl. 40 5 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001187/2001-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário.
RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL - O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Constitui-se rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 20/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 11 87 /2 00 1- 98 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente a tal atividade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 20/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial, tempestivo, com amparo inciso I do art. 70 da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, contra o Acórdão n° 10422495, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF RENDIMENTOS, DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativoà omissão de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita referente á tal atividade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constituise rendimento tributavel o valor correspondente ao acréscimo patrimonialnão justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributaveis, isentos, tributados , exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 9 3 DECADÊNCIA GANHO DE CAPITAL Sendo a tributação sobre o ganho de capital definitiva, não sujeita à ajuste na declaração á independente de prévio exame da autoridade administrativa, lançamento é por homologação (art. 150, sç 4 0, do CTN, devendo prazo decadencial ser contado do fato gerador, havendo ou não pagamento. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido parcialmente. O referido Acórdão foi julgado na sessão plenária de 13/6/2007, e teve oseguinte resultado: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao ganho de capital, argüida pela Conselheiro Relator, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto a 20%. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4°1 do RICARF, processados de acordo no rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). A recorrente indica que o acórdão recorrido teria contrariado, quanto a decadência da tributação do ganho de capital, o que prescreve o art. 149, V e 173, I do CTN, e no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto, entende ter havido afronta às provas dos autos, bem como ofensa aos artigos 1°, 2°. e 3°. da Lei n. 7.713/88. Com efeito, os argumentos esposados no Recurso Especial estão a indicar que o acórdão recorrido, em tese, poderia haver contrariado à lei e a evidência da prova constante dos autos, o que demanda o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em Despacho à fls. 132/ss, o então Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial, tendo vislumbrado a contrariedade suscitada. Em sede Contrarrazões,o contribuinte reitera os argumentos expostos no decisum recorrido. É o que tenho a relatar. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e demonstrada a contrariedade, passo ao exame das questões de mérito. 1DECADÊNCIA Já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso em relação à matéria, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 10 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 17/10/2006. Portanto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, em relação ao ganho de capital auferido pelo autuado na alienação, em 04/1996, não estava decaído, em atenção ao disposto no inciso I, do art. 173, do CTN. 2APD Quanto ao APD, segundo a PGFN em seu Especial, a exclusão da base de cálculo promovida pelo decisum recorrido representa ofensa aos arts. 1º, 2º e 3º da Lei n. 7.713/88, verbis: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10665.001187/200198 Acórdão n.º 9202002.448 CSRFT2 Fl. 11 7 § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. Assevera, ainda, que [fl. 130]: […]O ilustre redator designado àfirma haver vários elementos a comprovar que o caso em questão tratase, eim verdade, de omissão de receitas ca atividade rural Estamos, entretanto, com o ilustre Relator Originário, para quem: "Apesar das argumentações do interessado que os elementos estão presentes no autos. O mesmo não comprova efetivamente a operação com o veículo GM D20 tenha sido computada como despesa da atividade rural. Daanálise do livro caixa da atividade rural acostada aos autos não se detecta o registro da aquisição do referido veículo. No mesmo sentido o recorrente não logra d•emonstrar que os valores de renda líquida (R$ 30.869,12) ou os rendimentos sujeitos a tributação exclusiva (R$ 5.276,88), uma vez que o mesmos não figuravam em suas declarações, e não foi apresentada qualquer documentação comprobatória para os mesmos. Dado o exposto não há como acolher o recurso neste ponto." Não obstante os argumentos apresentados pela i. PGFN, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reforma quanto a este, pois, segundo o voto vencedor prolatado pelo i. Conselheiro Gustavo Lian Haddad, houve demonstração que atividade desenvolvida pelo contribuinte era rural [fl. 115]: No caso em exame, o acréscimo patrimonial apurado no demonstrativo de fls. 16 resulta essencialmente em omisso de receitas da atividade rural. Há vários elementos a comprovar isto. Primeiramente a atividade exercida pelo contribuinte e espelhada em sua declaração de ajuste relativa ao ano calendário da autuação (fls. 9/14) é essencialmente rural. Levam a esta conclusão o código de atividade, a aferição apenas de rendimentos desta natureza, a listagem de bens e direito e os dados constantes do anexo da atividade rural. Tanto assim que a própria fiscalização apurou o acréscimo patrimonial em bases anuais (fls. 16), contrariando p. regra geral veiculada pelo art. 2° da Lei n°. 7.713, de 1988, de que o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, embota tributado em bases anuais. Isto porque, em obediência ao disposto no art. 49 da mesma Lei n°. 7.713, não se aplicam seus Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 enunciados prescritivcmI aos rendimentos da atividade rural, que continuam, regidos por legislação especifica atualmente a Lei n°. 8.023, de 1990. Este o entendimentopacifico neste Colegiado (vide, por exemplo, recente Acórdão n°. 10422216, julgado em25/01/1997). O acréscimo patrimonial, nestas circunstâncias, nada mais caracteriza que omissão de receitas da atividade ruraI não declaradas. A apuração do resultado tributável, nesta hipótese, deve resultar da aplicação 'do regime tributário especifica, que presume em 20% ovalor da renda tributável, nos termos do art. 5° da Lei n°. 8.023, de 1990. Nestes termos, divirjo do I. Relator para reduzir a base de cálculo doacréscimo patrimonial a descoberto a 20%. 3DISPOSITIVO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, para afastar a decadência. Por consequência, devem os autos serem remetidos a instância a quo para apreciação da matéria “ganho de capital”. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 10183.005173/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo a área de preservação permanente equivalente a 169,00 ha..
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo a área de preservação permanente equivalente a 169,00 ha.. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 73 /2 00 8- 32 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 4 3 Relatório Em desfavor dos contribuintes, FERNANDO GORGEN E OUTROS foi lavrado o Auto de Infração e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 13, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004 e 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 11.632.600,88, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Nova Zelândia, com área total de 24.700,2 ha., NIRF 48662461, localizado no município de Querência/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09 a 11) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, inicialmente, foi intimado o contribuinte constante nas DITRs de 2003 a 2005, o qual apresentou documentos comprobatórios de que o contribuinte do ITR relativo ao imóvel para os Exercícios de 2004 e 2005 é o condomínio formado por Fernando Gorgen e outros; que o representante do condomínio foi intimado a apresentar comprovantes das informações declaradas nas DITRs desses Exercícios; que os documentos apresentados comprovam que o imóvel possui área total de 24.700,0 ha., como indicada em laudo; quanto à área de reserva legal, foi informada nas DITRs a área de 10.651,2 ha. e na matrícula do imóvel consta averbação de área de utilização limitada de 50% do total do imóvel; quanto à área de preservação permanente, foi informada nas DITRs a área de 12.738,2 ha., porém, o laudo apresentado em atendimento à intimação não comprova a real existência dessa área, sendo que, para o Exercício 2003, a alienante do imóvel apresentou laudo e mapa com informação sobre a existência de apenas 717,0 ha. de APP no imóvel; que, em razão de não apresentação do comprovante de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental — ADA junto ao Ibama, foram desconsiderados os dados declarados com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente; quanto ao Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte apresentou laudo de avaliação onde foi informado VTN/ha. de R$ 372,31 para o Exercício 2004 e de R$ 702,54 para o Exercício 2005, superiores ao declarado, sendo alterado o VTN do imóvel para, respectivamente, R$ 9.196.131,46 e R$ 17.352.878,50, como informado no laudo. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 14 a 289. Todos os condôminos foram cientificados do lançamento por via postal, conforme ARs de fls. 290 a 294, nas datas de 03/11/2008, 04/11/2008 e 12/11/2008. Na impugnação de fls 302 a 329, apresentada em 03/12/2008, os interessados argumentaram, em suma, o que segue: As áreas isentas do ITR estão previstas no art. 10, §1°, inciso II, "a", da Lei n.° 9.393/96; as isenções tributárias, que devem ser instituídas por lei, trazem em seu bojo a redução total ou parcial do tributo, excluindo bens, pessoas ou situações do ônus da tributação, e, em se tratando de isenções condicionarias, a indicação de requisitos a serem preenchidos pelo contribuinte para que possa aproveitar o benefício fiscal deve ser feita pela lei, de forma expressa, não deixando ao Poder Executivo margem para a criação de exigências burocráticas que dificultem a sua fruição; o art. 10, § 7°, da Lei 9.393/96, com redação acrescida pela Medida Provisória n.° 2.16667/2001, afasta a obrigatoriedade de apresentação do ADA; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 5 4 As áreas de reserva legal e preservação permanente, respectivamente, de 10.651,2 ha. e 12.738,20 ha., são isentas de tributação de ITR por estarem enquadradas nas disposições da Lei n.° 4.771/65, e foram devidamente declaradas nas DITRs de 2004 e 2005, sendo descabida sua desconsideração na forma posta no Auto de Infração. É ilegal a exigência de apresentação do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a legislação não generaliza tal exigência para essas áreas, mas, somente o faz para as relacionadas no art. 3° do Código Florestal, o que não ocorre no presente caso. Apresentaram toda a documentação requerida pela autoridade fiscal para comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, conforme Termo de Intimação Fiscal; a Receita Federal não poderia ter efetuado o lançamento do ITR sem antes proceder à verificação das áreas isentas declaradas, as quais podem ser constatadas in loco; e requer, desde já, se necessário, uma vistoria no imóvel para a constatação do que foi declarado; caso, em procedimento de fiscalização, vier a identificar divergência com o declarado pelo contribuinte, poderá nos termos da lei, responsabilizálo tributária e penalmente. O imóvel está localizado na área denominada Amazônia Legal, que estabelece no mínimo área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade, independentemente de averbação no Cartório de Registro de Imóveis competente; No presente caso, com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente, o efeito tributário é idêntico: isenção para cálculo do ITR, razão pela qual deve ser utilizada a alíquota estabelecida para o imóvel rural, com base em sua área total e no respectivo grau de utilização, excluindose as área de reserva legal e preservação permanente, e deve ser anulado o Auto de Infração e a respectiva multa aplicada. O interessado também transcreveu jurisprudência judicial e administrativa para amparar seu entendimento quanto ao ADA e à averbação da área de reserva legal junto ao Registro de Imóveis. Ao final, destacou a possibilidade de utilização de provas documentais, testemunhais, periciais, vistoria no imóvel e demais que a situação exigir. A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício : 2004, 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 6 5 Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas no imóvel rural e do cumprimento de exigências legais. Considerase de reserva legal apenas a área averbada como tal à margem da matrícula do imóvel, à época do respectivo fato gerador. Impõese afastar da tributação as áreas de preservação permanente e reserva legal devidamente comprovadas e declaradas em ADA apresentado ao Ibama antes da ocorrência do fato gerador. Lançamento Procedente em Parte No caso aqui tratado, ficou comprovado que já havia sido apresentado um ADA ao Ibama no ano 2001 para o mesmo imóvel, pelo proprietário anterior, com informação de existência de área de preservação permanente de 548,5 ha. e área de reserva legal de 12.189.7 há. (fls. 391). Assim em obediência ao princípio da verdade material, com base nesse documento e demais apresentados nos autos, cabe afastar da tributação as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha., essa averbada na matrícula do imóvel, por terem sido declaradas no ADA entregue tempestivamente ao Ibama. Tendo em vista, o montante exonerado, a DRJ recorre de ofício; O recorrente insatisfeito, reiterando argumento da impugnação, questiona os seguintes pontos do lançamento; De que a exigência do ADA é ilegal; Da área de reserva legal averbada deveria ser reconhecida. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da análise dos elementos afastados constatase que fundamentalmente que a motivação foi o aparecimento de um ADA relativo ao imóvel. Por outro lado, muitos já foram os casos submetidos a esta Turma de Julgamento, de lançamento do ITR decorrente da entrega intempestiva ou falta de entrega do ADA ao Ibama, nos quais, depois da impugnação, ficou comprovado que houve entrega anterior do ADA e que tal fato havia sido "esquecido" pelo contribuinte. Assim, quando a discussão se resume à falta de entrega do ADA, efetuamos consulta a um arquivo local obtido junto ao Ibama, visando a celeridade na solução do conflito e a aplicação do princípio da verdade material. No caso aqui tratado, ficou comprovado que já havia sido apresentado um ADA ao Ibama no ano 2001 para o mesmo imóvel, pelo proprietário anterior, com informação de existência de área de preservação permanente de 548,5 ha. e área de reserva legal de 12.189,7 há. (fls 391). Assim, em obediência ao princípio da verdade material, com base nesse documento e demais apresentados nos autos, cabe afastar da tributação as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha., essa averbada na matrícula do imóvel, por terem sido declaradas no ADA entregue tempestivamente ao Ibama. Não há reparos a ser feitos no arrazoado da autoridade recorrida. Deste modo, negase provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente reitera os seus argumentos contra a ilegalidade do ADA. Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 8 7 Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005173/200832 Acórdão n.º 2202002.014 S2C2T2 Fl. 9 8 É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela autoridade recorrida em relação às áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal. Por oportuno, registrese que as áreas de preservação permanente de 548,5 ha. e de reserva legal de 12.189,7 ha já foram consideradas na decisão da DRJ. Ante ao exposto, voto por negar provimento a recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntário, nego provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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