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Numero do processo: 10830.721817/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO.
Deve ser restabelecida a dedução de contribuição à previdência privada comprovada com documentação hábil e idônea.
IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase contenciosa.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução de contribuição à previdência privada comprovada com documentação hábil e idônea. IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase contenciosa. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 18 17 /2 01 1- 67 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente de glosa de R$19.665,29 de contribuição à previdência privada/FAPI, posto que o contribuinte, intimado a comprovar as deduções pleiteadas, não apresentou comprovante respectivo (fls. 32). Na impugnação, o contribuinte alegou erro quanto à natureza das despesas, uma vez que não seriam contribuições à previdência privada, afirmou que errara na informação do CNPJ e apresentou documentos alusivos a despesas médicas. A impugnação foi indeferida. Em síntese, a fundamentação da decisão recorrida foi a impossibilidade de retificação de declaração, a não comprovação da previdência privada, a falta de identificação dos beneficiários nos recibos de despesas médicas e o fato de não ter havido glosa de dedução de despesas médicas, as quais foram declaradas no montante de R$23.901,63, o que inclui parte dos pagamentos a prestadores cujos recibos apresentou na defesa pretendendo utilizálos como sendo de “outra natureza”. A ciência do acórdão ocorreu em 06/08/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 03/09/2012 assentado nas alegações abaixo resumidas: 1. a documentação apresentada com o recurso (fls. 85), comprova a contribuição à previdência privada de R$20.200,00 e o valor declarado a esse título (R$19.665,29 ) está dentro do limite dedutível; 2. os documentos apresentados com a impugnação devem ser acatados como despesas médicas, pois todos contêm identificação dos pacientes, os quais são o próprio recorrente ou sua esposa, que é sua dependente; os documentos devem ser conhecidos posto que o processo administrativo fiscal pautase pelos princípios da busca da verdade material, da legalidade, da oficialidade e da ampla defesa. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O lançamento decorre exclusivamente da falta de comprovação da contribuição à previdência privada/FAPI. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.721817/201167 Acórdão n.º 2802003.170 S2TE02 Fl. 94 3 Em decorrência dos princípios do formalismo moderado e da busca da verdade material, deve ser analisado o documento de fls. 85 que comprova a contribuição à previdência privada do Bradesco Vida e Previdência, tal como declarado (R$20.200,00). O limite dedutível foi calculado pelo Programa Gerador do IRPF2010 (fls. 45) como sendo R$19.665,29, o qual foi integralmente glosado. Devese, portanto, excluir essa glosa, o que torna insubsistente o lançamento. Não cabe, na fase contenciosa, analisar despesas médicas quando não constou do lançamento glosa dessas despesas, bem como não cabe analisar despesas não declaradas, posto que o direito a deduzir despesas deve ser exercido com a entrega da Declaração de Ajuste Anual e após o lançamento é vedado retificar a declaração. Nesse sentido são os acórdãos unânimes desta Turma Julgadora cujas ementas são transcritas abaixo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Não havendo, na fase impugnatória, questionamento acerca da glosa da dedução com despesa de instrução,na fase recursal, essa matéria encontrase preclusa. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, somente se restabelece a espontaneidade se, trascorridos mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que dê prosseguimento ao procedimento fiscal. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a apresentação de declarações retificadoras é um ato ineficaz. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea e incluídas na Declaração de Ajuste Anual apresentada à Administração Tributária e que serviu de base à autuação fiscal, sendo descabida a inclusão de deduções por meio de declarações retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal e quando cessado os efeitos da espontaneidade. Recurso negado.(Acórdão 280200.819, de 12/05/2011) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ADMISSÃO NA FASE RECURSAL. Tendo a glosa sido impugnada, a busca da verdade material e o princípio do formalismo moderado autorizam admitir a prova da dedução declarada no ajuste anual, ainda que na fase recursal, ausentes razões significativas para sua não aceitação. IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase recursal. IRPF. DEDUÇÕES. Em relação aos dependentes e demais deduções declaradas no Ajuste Anual, uma vez comprovada com documentação hábil e idônea os requisitos de sua dedutibilidade, cabe afastar a glosa. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 280201.425, de 12/03/2012)(grifos acrescidos) Rejeitamse, portanto, as alegações alusivas a despesas médicas. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906855/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 85 5/ 20 09 -1 1 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906855/200911 Resolução nº 9303000.064 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906855/200911 Resolução nº 9303000.064 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906855/200911 Resolução nº 9303000.064 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10665.003100/2008-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDIÑO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, nos termos do voto do relator. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 20/07/2012 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Fábio Miranda Coradini e Wilson Sampaio Sahade Filho. Ausente momentaneamente a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Ausentes justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D’Amorim e os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003100/200893 Resolução n.º 3201000.335 S3C2T1 Fl. 2 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: O contribuinte acima identificado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 32/44) contra o despacho decisório de fls.29/30, que indeferiu seus pedidos de restituição de fls. 01, 08 e 14 relativos à Cofins, não homologando a compensação vinculada, nos termos resumidos a seguir. Narrando os fatos considerados pela repartição na formalização do presente processo, propugna pela exclusão tanto do ISSQN (tributo municipal) quanto do ICMS da base de cálculo da contribuição, por juridicamente não poderem ser incluídos em nenhum dos conceitos correspondentes ao faturamento ou à receita, a exemplo do entendimento exarado pelo STF, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, uma vez que não guardam relação com o faturamento, tratandose de receita pertencente ao erário, com afronta ao art. 110 do CTN. Em relação ao pedido de fl. 14, defende o reconhecimento de seu direito restituição urna vez que as leis editadas feriram o preceito contido no art. 150, § 7º da Constituição Federal, e o disposto no art. 110 do CTN, porquanto a extinção do regime de substituição tributária pelas distribuidoras e refinarias de petróleo e a criação do regime monofásico com a manutenção da mesma carga tributária prejudicaram o contribuinte, porque no preço dos combustíveis adquiridos diretamente das distribuidoras encontrase embutido o mesmo encargo tributário, sem que haja a possibilidade de devolução ao contribuinte do dinheiro arrecadado mediante operação de venda inexistente. Requerendo a atualização do credito tributário pela Selic, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade. Eis o essencial. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 04/10/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 0228.851 (fls. 64/68): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2004 a 30/06/2008 Os valores correspondentes ao ICMS e ao ISSQN, por expressa falta de previsão legal, não podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003100/200893 Resolução n.º 3201000.335 S3C2T1 Fl. 3 3 A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão por intimação postal em 08/11/2010 (fl. 69v), tendo protocolado seu recurso voluntário em 30/11/2010 (fls. 72/84), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 09/06/2011. É o relatório. VOTO Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da discussão consiste em saber se devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS os valores relativos a ISS, ICMS e combustíveis de consumidor final na forma da Lei nº 9.990 de 2000. Além disso, há o pleito de atualização dos créditos restituíveis com base na Taxa Selic. Sobre a exclusão do ISS e do ICMS da base de cálculo da COFINS, ressalto que o tema é objeto de repercussão geral já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, tendo como casosparadigma os Recursos Extraordinários nº 592.616 (ISS) e nº 574.706 (ICMS). Confiramse as ementas: Ementa: Direito Tributário. ISS. Inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Conceito de faturamento. Existência de repercussão geral. (RE 592616 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, julgado em 09/10/2008, DJe202 DIVULG 23102008 PUBLIC 24102008 EMENT VOL0233811 PP02120 ) ......................................................................................................... Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Considerando que no andamento dos referidos processos há menção expressa ao sobrestamento dos recursos pendentes de julgamento, nos termos da Portaria CARF nº 01 de 2012, e ainda que o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF determina que os recursos sejam também sobrestados quando a matéria discutida administrativamente for objeto de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, DETERMINO O SOBRESTAMENTO deste processo até que se pronuncie definitivamente o STF quanto à constitucionalidade, ou não, da inclusão do ISS e do ICMS na base de cálculo da COFINS. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10665.003100/200893 Resolução n.º 3201000.335 S3C2T1 Fl. 4 4 Após, os autos deverão ser novamente distribuídos a este relator para que possa analisar esta e outras questões suscitadas no recurso voluntário. No tocante às demais matérias suscitadas pela Recorrente, reservome do direito de apreciálas quando for possível julgar o recurso voluntário em sua inteireza. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.911035/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2009
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO CONTESTADA JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Em consonância com as normas previstas nos artigos 170 e 170 A do Código Tributário Nacional, o crédito indicado para compensação deve gozar de liquidez e certeza no momento da efetivação do encontro de contas, circunstância não vislumbrada quando pendente de decisão judicial a conversão em renda de depósito ou a decretação da inexigibilidade do montante correspondente.
Numero da decisão: 1301-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado Otto Carvalho P. Mendonça, OAB/MG nº 93.835.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2009 Ementa: CONTRIBUIÇÃO CONTESTADA JUDICIALMENTE. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com as normas previstas nos artigos 170 e 170 A do Código Tributário Nacional, o crédito indicado para compensação deve gozar de liquidez e certeza no momento da efetivação do encontro de contas, circunstância não vislumbrada quando pendente de decisão judicial a conversão em renda de depósito ou a decretação da inexigibilidade do montante correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado Otto Carvalho P. Mendonça, OAB/MG nº 93.835. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. APROVEITAMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com as normas previstas nos artigos 170 e 170 A do Código Tributário Nacional, o crédito indicado para compensação deve gozar de liquidez e certeza no momento da efetivação do encontro de contas, circunstância não vislumbrada quando pendente de decisão judicial a conversão em renda de depósito ou a decretação da inexigibilidade do montante correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o advogado Otto Carvalho P. Mendonça, OAB/MG nº 93.835. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 10 35 /2 01 1- 89 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 619 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 620 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2008, visando extinguir débito de sua titularidade. Por meio de Despacho Decisório (fls. 253), a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude de a soma das parcelas de composição do referido crédito ser inferior à CSLL devida. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 02/12), por meio da qual argumentou: que o Despacho Decisório emitido confirmou a consistência do Saldo Negativo, tanto o informado na DCOMP como o na DIPJ, contudo, a compensação em referência não foi homologada em função de pequena inexatidão material contida na DCOMP transmitida, apesar de tal informação não estar suficientemente clara no Despacho Decisório; que não preencheu adequadamente uma das fichas referentes ao crédito, especificamente a ficha “pagamentos”; que o equívoco cometido não compromete o direito creditório de sua titularidade. Na ocasião, a contribuinte apresentou planilha demonstrativa de composição da apuração da CSLL, identificando as antecipações efetuadas no período (pagamentos e compensações, no valor total de R$ 124.791.682,75). Invocou, também, o princípio da verdade material e o art. 147 do CTN, requerendo, ao final, a realização de diligência para comprovação dos créditos apontados. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 0246.127, de 10 de julho de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 621 4 CSLL COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO A CSLL retida pelas fontes pagadoras somente pode ser deduzida da CSLL apurada no período se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a respectiva retenção e que as receitas correspondentes foram efetivamente oferecidas à tributação. Às fls. 559/565, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 16 de agosto de 2013, em que a contribuinte sustenta: que, com a realização do depósito judicial, é quase natural a conclusão de que, por ocasião da transmissão da DIPJ, ela passou a ter o direito de deduzir, na apuração da CSLL, as parcelas referentes aos tributos com exigibilidade suspensa e as doações e patrocínios a projetos culturais; que não há que se falar em aplicação do art. 170A do CTN, pois suas disposições são impertinentes para o desate da controvérsia, eis que: se vencedora na ação, confirmase o procedimento adotado, acarretando o levantamento do depósito judicial; e, se sucumbente na ação, os valores depositados judicialmente serão convertidos em renda da União, anulando os efeitos decorrentes das deduções; que o depósito judicial não representa o direito creditório pleiteado, mas única e exclusivamente os efeitos decorrentes das deduções; que, se soubesse que a autoridade julgadora de primeira instância ia realizar uma nova apuração da CSLL relativa ao primeiro semestre de 2008, teria apresentado os comprovantes de retenção, que ora anexa ao recurso. É o Relatório. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 622 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2008, visando extinguir débito de sua titularidade. Em conformidade com o Despacho Decisório (“eletrônico”) de fls. 253, o valor do saldo negativo informado, tanto na PER/DCOMP como na DIPJ, no montante de R$ 1.298.061,25, seria insuficiente para extinguir a CSLL devida (R$ 123.493.621,50). Na DIPJ correspondente ao período de 01.01.2008 a 01.07.2008 (fls. 434/557), na qual foi apurado o saldo negativo indicado para compensação, foram consignados os seguintes valores na FICHA 17 (CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO): TOTAL DA CSLL R$ 123.493.621,50 CSLL RETIDA POR PJ DE DIREITO PRIVADO R$ 98.247,27 CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 124.693.435,48 CSLL A PAGAR (R$ 1.298.061,25) Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Turma Julgadora de primeiro grau decidiu pela sua improcedência. Para tanto, serviuse dos seguintes fundamentos: i) ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas devem ser apresentadas na impugnação/manifestação de inconformidade; ii) tomando por base as informações registradas na DIPJ, constatouse que a importância de R$ 2.837.723,45 está com a exigibilidade suspensa em função do depósito do montante integral e está em discussão no Poder Judiciário; iii) o art. 170A do CTN veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do efetivo trânsito em julgado da ação; iv) a contribuinte não trouxe os comprovantes de retenção da CSLL deduzida na DIPJ, de modo que foram computadas como válidas somente as retenções confirmadas pelas fontes pagadoras em DIRF (R$ 265,52); v) diante das verificações acima, o resultado final relativo à CSLL seria o abaixo indicado. TOTAL DA CSLL R$ 123.493.621,50 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 623 6 CSLL RETIDA POR PJ DE DIREITO PRIVADO R$ 265,52 CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 121.855.712,03 CSLL A PAGAR R$ 1.637.643,95 Analiso, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. DEPÓSITO JUDICIAL DE R$ 2.837.723,45 Esclarece a Recorrente que o referido montante corresponde a quantia controversa de CSLL do período, relativa aos reflexos de dedução, na determinação da base de cálculo, dos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa e de doações e patrocínios a projetos culturais, matérias que encontramse sendo discutidas nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.38.00.0236013 (nova numeração: 23399 66.2005.4.01.3800). Informa que realizou o depósito judicial a maior, eis que optou por realizar um cálculo mais conservador. Diz que, com a realização do depósito judicial, é quase natural a conclusão de que passou a ter o direito de deduzir, na apuração da CSLL, as referidas parcelas. Argumenta que, no caso, não há se falar em aplicação do art. 170 A, vez que suas disposições são impertinentes para o desate da controvérsia. Alega que o que o citado artigo veda é a utilização do depósito judicial como crédito, mas jamais os valores decorrentes da apuração da contribuição na qual os efeitos do depósito em questão foram levados em consideração. Penso não assistir razão à Recorrente. O art. 170 A do Código Tributário Nacional tem a seguinte dicção: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. À evidência, em direção oposta à sustentada na peça recursal, referido dispositivo veda, de forma clara, o aproveitamento de tributo que esteja sendo contestado judicialmente pelo sujeito passivo. A vedação, obviamente, nos termos em que foi estabelecida, alcança exatamente a circunstância versada nos autos, não sendo apropriado falar que o seu objetivo seja impedir a utilização de eventuais depósitos judiciais como créditos. Não me parece restar dúvida que, ao pretender apurar a base de cálculo da contribuição de modo diverso ao estabelecido na legislação de regência com base em medida judicial, a contribuinte efetivamente a contesta, de modo que a utilização de eventual crédito decorrente do pronunciamento judicial só será possível após o trânsito em julgado da respectiva decisão. No caso, a meu ver, tratou a lei de estabelecer o elemento definidor da certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, não podendo a autoridade administrativa a que alude o caput do art. 170 do CTN deixar de observálo. O depósito do montante integral, uma vez devidamente comprovado como tal, tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito, haja vista o disposto no inciso II do Fl. 623DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 624 7 art. 151 do Código Tributário Nacional, mas, tratandose de compensação tributária, a sua efetivação não é capaz de remover o impedimento previsto no art. 170 A do mesmo diploma. Notese que, em consonância com as normas previstas no Código Tributário Nacional, o crédito indicado para compensação deve gozar de liquidez e certeza no momento do encontro de contas, circunstância não vislumbrada quando pendente de decisão judicial a conversão em renda de depósito ou a decretação da inexigibilidade do montante correspondente. Sou, pois, pelo não reconhecimento do direito creditório decorrente da parcela de contribuição que se encontra sendo discutida judicialmente. RETENÇÕES DA CSLL Alega a Recorrente que, se soubesse que a autoridade julgadora de primeira instância iria realizar uma nova apuração da CSLL relativa ao primeiro semestre de 2008, teria apresentado os comprovantes de retenção, que ora anexa ao recurso. Ainda que o eventual acolhimento da parcela de R$ 98.247,27, indicada pela Recorrente como decorrente de retenções efetuadas por pessoas jurídicas de direito privado, não seja suficiente à conversão do resultado apurado em primeira instância em saldo negativo, entendo que os elementos aportados ao processo pela contribuinte devam ser objeto de apreciação. Nessa linha, observo que foram juntados ao processo informes de rendimentos que comprovam a retenção, a título de CSLL, do montante de R$ 81.454,66, cabendo observar que: a) foram analisados os documentos de fls. 607/611; b) as retenções de CSLL foram definidas observandose o percentual de 1%, conforme disposto no art. 2º da IN SRF nº 459, de 2004; c) considerando que o período de apuração em que a contribuinte apurou o saldo negativo foi de 1º de janeiro a 1º de julho de 2008, foram consideradas as retenções efetuadas no período de janeiro a junho do referido ano; d) as informações contidas no documento de fls. 611/615 foram desconsideradas, eis que citado documento não representa informe de rendimentos, não permite identificar a sua fonte e não contém a data da retenção. Como já dito, embora a contribuinte comprove parte do valor das retenções efetuadas, diante da não aceitação da parcela da contribuição que se encontra sendo discutida judicialmente, não se identifica saldo negativo passível de reconhecimento, conforme demonstrativo abaixo. TOTAL DA CSLL R$ 123.493.621,50 CSLL RETIDA POR PJ DE DIREITO PRIVADO R$ 81.454,66 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.911035/201189 Acórdão n.º 1301001.533 S1C3T1 Fl. 625 8 CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 121.855.712,03 CSLL A PAGAR R$ 1.556.454,81 Ausente, pois, direito creditório passível de reconhecimento, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11080.005917/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS.
São isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, de pesquisa e de extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal referente a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalim - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ISENÇÃO. REQUISITOS. São isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, de pesquisa e de extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal referente a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalim Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 17 /2 00 9- 11 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 869 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a.Turma da DRJ/POA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte retro mencionado foi lavrado Auto de Infração (fls. 168/171 e 185/190) de imposto sobre a renda de pessoa física relativamente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008 no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 146.034,64, em decorrência de rendimentos classificados indevidamente na declaração de ajuste anual, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal e descritos no Relatório de Ação Fiscal (fls. 172/184). Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 196/223. Suas alegações estão, em resumo, a seguir descritas. As considerações que embasam o lançamento, na análise feita pela AFRF autuante, desconsidera, total e definitivamente, as razões que conduzem ao entendimento da fonte geradora Fundação Médica do Rio Grande do Sul que tais rendimentos são, realmente, BOLSAS DE EXTENSÃO ou PESQUISA, conclusão que deflui, inarredavelmente, do que estabelecem os artigos I o , combinado com o parágrafo 1° do artigo 4 o , da Lei 8.958. de 20/12/1994, assim como o artigo I o , c/c o art. 5oo , par. 2o , do Decreto n° 5.205, de 14/09/2004, que regulamenta a lei antes referida. Neste contexto, ademais, podese concluir, que a conclusão do fisco federal destoa, frontalmente, do objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais, as quais surgiram no mundo jurídico brasileiro exatamente para propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel de impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação profissional dos Médicos Residentes. A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS), prevê, conforme seu Estatuto (Anexo 03), conforme seu artigo 3 , inc. VII: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que é confirmado, como finalidade: Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I 2 da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 870 3 A Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais se insere o impugnante, cumpre importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, na forma do disposto no Capítulo IV "Dá Ciência e Tecnologia", do Título VIII DA ORDEM SOCIAL, especialmente, no artigo 218 e seus parágrafos, da Constituição da República Federativa do Brasil. Para a realização/consecução de Convênios e seus respectivos programas,portanto, inserese a atuação dos membros da Fundação Médica do R. G. do Sul, que são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez, como funcionários, públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, muitos deles com dedicação exclusiva, não podendo, portanto, manter outros vínculos trabalhistas. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei 8.958/94, especialmente em seu artigo 4o e parágrafos, que define a inexistência de vinculo empregatício de qualquer natureza "podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão". Como se vê, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerida pelo Auto de Infração ora impugnado, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Não é compreensível, do ponto de vista da repercussão social de uma atividade eminentemente socializante, voltada ao bem comum, como é a do HCPA, atuando em conjunto com a Fundação Médica, que o fisco federal envide esforços no sentido de obter, junto a esta entidade que não possui fins lucrativos, a arrecadação de importâncias de vulto, desfalcando a Fundação Médica daqueles mesmos recursos que advêm do Governo Federal. É o Poder Central dando com uma mão e tirando com a outra, como se discorre popularmente. precípua, no seu artigo quinto. E, conforme estabelece seu artigo 7o , inc. II, faz parte de sua estrutura o HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Neste aspecto, convém ressaltar que o dito "hospital universitário" se consubstancia no HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA), o qual, diversamente da totalidade ou maioria dos casos constatados pelo Brasil afora, não é uma entidade componente da própria universidade, mas uma EMPRESA PÚBLICA de direito privado, criada pela Lei n°. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 871 4 5.604, de 02/09/1970, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada à supervisão do Ministerio da Educação. (Grifos do original). Com a realização das metas dos programas de extensão universitária, voltados, precipuamente, para a preceptoria dos médicos residentes com as Bolsas de Extensão patrocinadas pela Fundação Médica a seus membros (médicos e professores da UFRGS), a Fundação Médica do RGS, atuando junto ao Hospital de Clínicas, faz irradiar para a população por este atendida, a qualificação técnica e cientifica permanente desses profissionais, pois que esta qualificação, decorrente dos programas de extensão, traduzse melhor assistência, maiores e indiscutíveis benefícios à saúde pública e ao tratamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde. Não há como se aceitar a informação, trazida pelo Auditor Fiscal, de que a atividade dos bolsistas se volta, diretamente, aos pacientes do Hospital de Clínicas. A atividade dos bolsistas alcança e beneficia, indiretamente, os pacientes do HCPA, através da Fundação Médica, irradiando, através do aperfeiçoamento dos profissionais e otimização dos serviços do Hospital, o bem estar da sociedade. Neste contexto, não há BENEFÍCIO PARA A FUNDAÇÃO MÉDICA, ou para o HCPA, como afirma o autuante, mas benefício para os pacientes do hospital de Clínicas e para todos os que, de algum modo, se beneficiam dos reflexos desta atividade eminentemente de cunho social. (Grifos do original). A Lei n° 8.958/94 e o Decreto n° 5.205/2004 que a regulamentou, (Anexo 16), deferem amplo amparo à participação do servidor das IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) na consecução de projetos de pesquisa, ensino e extensão gerenciados pelas fundações de apoio. Essa participação do servidor proporciona o recebimento de bolsas como incentivos a esses servidores, ou seja, aos funcionários da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, como professores participam, na qualidade de membros da Fundação Médica, dos projetos de pesquisa e de extensão. Destarte, para a execução desses contratos ou convênios, no qual denominamos projetos, lícita é a utilização de pessoal da UFRGS, onde se insere o impugnante, corroborado inclusive pelo art. 4°,§ I o , da lei n° 8.958/94, autorização esta repetida no decreto regulamentar. A legislação em foco é cristalina e terminantemente expressa, ao determinar que as bolsas concedidas peias fundações de apoio são ISENTAS da exação de Imposto de Renda, mostrando se, dessa forma, correto o procedimento do impugnante ao declarar a bolsa de extensão como rendimento não tributável. Ainda que, num conceito mais amplo, a atividade dos médicos membros da Fundação Médica, como o autuado, possa ser entendida como prestação de serviço, visto que a atividade pessoal de qualquer profissional, em qualquer contexto e em Fl. 871DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 872 5 qualquer circunstâncias assim possa ser entendida, seja pelo esforço mecânico, seja pelo intelectual, esta precípua prestação se insere num contexto estreito e especifico de realização de PROGRAMAS DE FORMAÇÃO EXTENSIVA, que pode ser vista como CURSOS DE PÓSGRADUAÇÃO, somente definidos, em sua essência, em função das normas e dos motivos que lhe dão forma e sustento. E mais, devese gizar e repisar, esta prestação mesmo que consigne a existência de um CONTRATO, como plasmado no nosso Código civil, arts. 538 e seguintes não representa benefício para o doador, de maneira alguma, muito embora a doação pressuponha o exercício de uma atividade do profissional beneficiado (contratante), e muito embora a Fundação Médica não tenha qualquer interesse próprio ou exclusivo nesta DOAÇÃO, ou na sua contrapartida, mesmo porque os recursos que viabilizam tais bolsas advém do Hospital de Clínicas e, de certo modo, representam verbas federais. Ora, o impugnante, na condição de bolsista, recebe os valores transferidos pela Fundação Médica a título de doação, como prescreve a lei civil, realizando a doação como forma de incentivar a pesquisa e extensão que serão empregadas em benefício da sociedade como um todo, pois a transferência de conhecimento e treinamento aos alunos (médicos residentes) feitos através do desenvolvimento do programa de extensão resultará em um melhor atendimento assistencial a pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ante todos os argumentos expostos, confiando no elevado senso de justiça dos julgadores no âmbito do processo administrativo fiscal da Receita Federal do Brasil, acreditandose que a presente impugnação será amplamente analisada, temos que é difícil concluirse de forma diversa à argumentação exposta, em face à clareza da norma que ampara o impugnante. Sendo assim, requer o impugnante seja recebida e conhecida a presente Impugnação, propugnando pela sua integral acolhida, tornando nulo ou insubsistente o Auto de Infração acima referido, isentando o impugnante ao pagamento do Imposto de Renda e seus acréscimos legais lançados, ante a prova cabal de' que se trata de rendimentos isentos ao imposto. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitido, especialmente, até mesmo a prova pericial, se assim entender necessário ou útil a essa Turma de Julgamento, para se confirmar e consagrar a inexigibilidade da inclusão da bolsa de extensão na apuração tributável do Imposto de Renda, daí decorrendo a desconstituição do crédito tributário objeto do Auto de Infração. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 873 6 A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.551/566numeração digital), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 12.05.2011(fl.570numeração digital), o contribuinte, representado por seu advogado(fl.607), apresentou recurso em 07.06.2011, às (fls.573/594numeração digital). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte: ● Segundo o Relatório de Ação Fiscal, às fls. 175/187, a infração decorreu da indevida classificação procedida pelo autuado em relação aos rendimentos recebidos da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, no âmbito dos projetos de extensão desenvolvidos pela entidade em apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA, hospitalescola vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS. ● De acordo com a fiscalização, os rendimentos declarados pelo contribuinte como isentos não observaram as condições legais para o reconhecimento da benesse, à medida que a análise fiscal concluiu que as bolsas pagas pela Fundação Médica do Rio Fl. 873DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 874 7 Grande do Sul não possuem natureza de doação para proceder a estudo e pesquisa, pois, conforme descreveu a autoridade autuante, os projetos propiciam ao professor da UFRGS, instituição a qual o HCPA é vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, caracterizando uma efetiva prestação de serviço, de modo que as bolsas pagas tem o efeito de remunerar os serviços prestados pelo professor, no âmbito dos projetos desenvolvidos pela Fundação em apoio ao HCPA. ● Por outro lado, outro requisito que, segundo a autoridade, não restou atendido decorre do fato de que as bolsas pagas aos professores reverterem economicamente para o doador, considerado pela fiscalização como sendo o HCPA ou, para a pessoa interposta, no caso, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, pois as atividades desenvolvidas pelo professor, no entender da fiscalização, contribuem para o atendimento médicohospitalar de pacientes do SUS e, consequentemente, advém daí a vantagem para o doador, tendo em vista que o atendimento aos pacientes do SUS é assegurado mediante repasse de verbas públicas do Governo Federal. ● O Recorrente, alega que a autoridade administrativa não observou as condições imposta da Lei n° 9.250/95 combinado com o art. 6°, do Decreto n° 5.205/2004, para a fruição do benefício da isenção, reconhecida somente nos casos onde os valores pagos aos professores bolsistas caracterizamse como doação; não importem em contraprestação de serviços; nem revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. ● O Recorrente juntou com impugnação acórdão do TCU que reforça a tese sustentada acerca da regularidade do pagamento das bolsas e da adequação ao regime jurídico específico instituído pela Lei n° 8.958/1994, que trata das relações entre as Instituições Federais de Ensino Superior – IFES e as fundações de apoio a estas instituições. ● Cita a Lei n. 8.958/94 e a Lei 9.250/95, como isenção do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importe contraprestação de serviços. ● Que a bolsa de extensão é um incentivo ao docente para que lidere o conjunto universitário no desenvolvimento prático da ciência, aproximando diretamente sua fonte – a Universidade – do destinatário por excelência de todo investimento público – o Povo. ● A decisão decorre de interpretação feita por representantes do Fisco Federal em consonância com a ideologia própria do órgão arrecadador/fiscalizador, visando à eficiência própria e proficiência na arrecadação. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 875 8 ● Transcreve o objetivo social da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, dentre outros que é; desenvolver de projetos de pesquisa, ensino e extensão, desenvolvimento institucional, cientifico e tecnológico. ● Transcreve também decisões judiciais.do STJ e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ● Por derradeiro requer a reforma da decisão recorrida, anulandose o Lançamento fiscal que deu origem a este processo administrativo fiscal, reconhecendo que as bolsas concedidas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul ao recorrente, nos projetos em que este atuou, tiveram o caráter jurídico de doação, de forma que sobre elas não há incidência do IRPF. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento constante do presente processo referese a omissão de rendimentos recebidos, pelo contribuinte, nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de bolsas de extensão. Segundo consta, a Fiscalização apurou que o sujeito passivo classificou indevidamente, como isentos/não tributáveis, na sua Declaração de Ajuste, os rendimentos recebidos daquela pessoa jurídica. Nos termos do Relatório de Ação Fiscal. A partir desses elementos, a Fiscalização promoveu o lançamento da diferença de imposto para os exercícios 2006, 2007 e 2008, reclassificando os rendimentos como decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. A autoridade Fiscal pontuou que, para que os valores recebidos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão sejam considerados isentos, os resultados dos estudos e das pesquisas devem preencher algumas condições cumulativas, entre as quais se sobressaem não importar contraprestação de serviços e não reverter economicamente para o doador ou interposta pessoa, o que não se comprovou. Da sistemática de concessão de bolsas de ensino, pesquisa e extensão por Fundações de Apoio No presente caso, a autuação está restrita aos valores percebidos pelo Recorrente, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a título de bolsa de extensão, cujas atividades estão relacionadas aos projetos desenvolvidos no âmbito do “Programa de Assistência à Saúde e de Docência em Residência Médica” e “Gestão da Informação e da Qualidade Assistencial no HCPA”, Fl. 875DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 876 9 conforme se demonstra pelos termos de compromissos para concessão de bolsa de extensão e projetos anexados ao procedimento fiscal (fls. 4/155numeração digital). Em relação às bolsas concedidas por Fundações de Apoio, para desenvolvimento de projetos de extensão, importante destacar que a Lei n° 8.958/94 estabelece um regime jurídico específico no tocante às contratações e aos pagamentos dos servidores participantes dos projetos. Assim, tendo em vista a necessidade de desburocratizar as contratações para impulsionar a evolução científica e tecnológica das IFES e ICT's, até então engessadas frente à velocidade dos progressos na área, instituiuse um regime jurídico próprio, tratando das relações entre as Instituições Federais de Ensino Superior e de Pesquisa Cientifica e Tecnológica e as fundações de apoio. Esse é o teor do art. 1° do mencionado diploma legal: Art. 1o. As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. Por conseguinte, a referida lei permitiu, ainda, que as instituições federais apoiadas autorizassem a participação de seus servidores nas atividades desenvolvidas pelas Fundações de Apoio, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. A participação do servidor, neste caso, é voluntária, tem prazo determinado (pode ser prorrogado) e não gera vínculo empregatício de qualquer natureza, conforme se depreende do art. 4º, §1º, na redação vigente à época do fato gerador, verbis: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Como se vê tratase de sistemática específica de trabalho que, através de um Convênio Operacional visa à cooperação das partes envolvidas (professores da UFRGS, Fundação Médica do RS, HCPA e Universidade Federal) todos com um único objetivo que é aperfeiçoar a saúde pública no país, através da capacitação dos médicos residentes do hospital. As bolsas de extensão doadas ao Recorrente, enquanto coordenador do programa de extensão em Residência Médica, tem como finalidade o desenvolvimento do projeto aprovado pelo MEC e pelo Ministério da Saúde. Não há como confundir tais atribuições, seja como coordenador e preceptor com uma contraprestação de serviços onerosa com vantagem direta ao Fl. 876DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 877 10 doador. Não se trata aqui de uma simulação de relação de emprego ou de prestação de serviço, mas sim de uma sistemática legal criada para apoiar o desenvolvimento tecnológico e científico da UFRGS e do seu hospitalescola. Nesse sentido, transcrevo trecho do acórdão n. 2801003.300 que examina exatamente a mesma questão: “Quanto ao raciocínio de haver uma contraprestação de serviço, dou razão ao Recorrente quando diz que em qualquer caso a pesquisa ou a extensão sempre trará em seu bojo a realização de algum “serviço”. Obviamente que o bolsista sempre terá que realizar uma tarefa, produzir alguma coisa, gerar algo, para que receba a bolsa. Caso não o faça, deverá ter a bolsa suspensa ou cancelada. Mas, no caso essa não é a razão principal da bolsa, que se trata de mera decorrência de sua participação no Projeto”. Ora, o conhecimento produzido no projeto de extensão voltado ao SUS tem como única decorrência o aprimoramento da saúde pública, através da capacitação dos médicos residentes. Notese que o benefício desse projeto atinge toda a sociedade, pois o conhecimento adquirido pelo médico residente permanece e segue com esse profissional onde quer que ele exerça a sua profissão. Por sinal, a realidade conhecida dos hospitais escola nos mostra que, na maioria das vezes o médico residente, ao concluir a Programa de Residência Médica, procura outros locais de trabalho, como clínicas e outros hospitais particulares. Nessa linha, não consigo enxergar vantagem para a Fundação Médica ou para o HCPA, que são meros veículos (meios) para o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos. O regime jurídico instituído para fins de contratação de fundações de apoio por parte de instituições de ensino visou proteger projetos públicos que, no presente caso, foram financiados por entes públicos, como os Ministérios da Educação e da Saúde, notadamente, em vista da finalidade pública atrelada ao resultado das atividades desenvolvidas pelos membros participantes de cada projeto. De notar, portanto, que como forma de incentivar a participação dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, o §1º do referido artigo permitiu que as fundações concedessem bolsas de ensino, pesquisa e extensão, aos participantes dos projetos, de modo a fomentar o desenvolvimento cientifico e tecnológico nas áreas de atuação das IFES e ICT’s. O benefício, nestes casos, não é revertido a uma pessoa em específico, mas sim a toda sociedade, que terá atendimento de melhor qualidade e com profissionais cada vez mais habilitados ao exercício da atividade profissional da área da saúde. Vale ressaltar que a legislação, prevendo possível transgressão da finalidade da norma, vedou a possibilidade de se utilizar das bolsas como forma de remunerar uma prestação de serviço, utilizada para disfarçar uma eventual relação de trabalho, estipulando a participação e a concessão de bolsas somente a servidores das instituições, sem que, para isso, crie qualquer vinculo empregatício de qualquer natureza, conforme prevê o § 1° do art. 4 da Lei n° 8.958/1994. Tais bolsas estão no cerne do embate que se visa solucionar no presente julgamento, haja vista que o art. 26 da Lei n° 9.250/1995 e o art. 6° do Decreto n° 5.205/2004, que regulamenta a lei que trata das relações entre as instituições federais e as fundações de Fl. 877DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 878 11 apoio, prevê a isenção do imposto de renda sobre as referidas bolsas, desde que, e são esses os requisitos que nortearam o reconhecimento ou não da isenção, seja caracterizada como doação, recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, in verbis: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 Regula as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio (Redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores) Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004, que regulamentou a Lei nº 8.958/1994 (Redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores) Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão celebrar com as fundações de apoio contratos ou convênios, mediante os quais essas últimas prestarão às primeiras apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, por prazo determinado. § 1º Para os fins deste Decreto, consideramse instituições federais de ensino superior as universidades federais, faculdades, faculdades integradas, escolas superiores e centros Fl. 878DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 879 12 federais de educação tecnológica, vinculados ao Ministério da Educação. § 2º Dentre as atividades de apoio a que se refere o caput, incluise o gerenciamento de projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico. § 3º Para os fins deste Decreto, entendese por desenvolvimento institucional os programas, ações, projetos e atividades, inclusive aqueles de natureza infraestrutural, que levem à melhoria das condições das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica para o cumprimento da sua missão institucional, devidamente consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. § 4º Os programas ou projetos de ensino, pesquisa e extensão, e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico deverão ser previamente aprovados pela instituição apoiada para que possam ser executados com a participação da fundação de apoio. (...) Art. 5º A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo está sujeita a autorização prévia da instituição apoiada, de acordo com as normas aprovadas por seu órgão de direção superior. § 2º A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º, § 1º, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. § 1º A bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos de formação e capacitação de recursos humanos. § 2º A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. § 3º A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os Fl. 879DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 880 13 diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. § 4º Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 No que toca o conceito de doação, cumprenos transcrever a definição legal elaborada pelo Código Civil de 2002, em seu art. 538, verbis: Lei n° 10.406/2002 (Código Civil) Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Percebese, portanto, que o Decreto n° 5.205/04, em seu art. 6º, criou uma presunção legal e absoluta de que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão configuram doação para a realização de estudos e pesquisas. Isso porque, as bolsas ora discutidas não estão albergadas pelo regime geral das bolsas de estudo e pesquisa, pois para as bolsas de ensino, pesquisa e extensão, são previsto um regime jurídico específico. Ademais, da leitura conjunta dos dispositivos acima transcritos, depreendese que, para que não haja a incidência do imposto, como pretendeu o Recorrente, declarando os rendimentos como isentos, fazse necessário que o pagamento da bolsa objetive estudos ou pesquisas, cujo resultado não represente vantagens ao doador, podendo, com isso, caracterizá las como doação, nos termos da lei civil. Com efeito, extensão, conforme definição dada pelo § 3° do Decreto n° 5.205/2004, “é execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, cientifico e tecnológico ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada”. No tocante ao cumprimento dos requisitos para fruição da isenção, cumpre frisar que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o próprio Hospital de Clínicas de Porto Alegre submeteram todos os procedimentos até então adotados para fins de consecução dos projetos de extensão à apreciação por parte do Tribunal de Contas da União que, examinando os convênios e pagamentos das referidas bolsas, ratificou expressamente que as atividades realizadas e as bolsas doadas não caracterizam contraprestação de serviços e não conferem vantagem ao doador ou pessoa interposta, conforme se extrai do acórdão n.5682/2010 anexado ao processo administrativo. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 881 14 Nesse contexto, o Auto de Infração tratou de analisar os projetos “Programa de Assistência à Saúde e de Docência em Residência Médica” e “Gestão da Informação e da Qualidade Assistencial no HCPA”, que teve a participação do Professor Universitário, servidor da UFRGS. Ambos os programas decorreram do interesse da União em disseminar projetos com reconhecido benefício sociais e, para isso, foram disponibilizados verbas públicas para consecução dos mencionados projetos. O projeto relacionado ao “Programa de Docência em Residência Médica e Assistência à Saúde” busca atender as diretrizes previstas na Resolução da comissão Nacional e Residência Médica do Ministério da Educação n° 05/2002 (fls. 34/48numeração digital. Já o projeto “Gestão da Informação e da Qualidade Assistencial no HCPA”, objetiva o aprimoramento e identificação de indicadores técnicocientíficos e assistências; análise de prontuários médicos, promoção e divulgação de avanços tecnológicos e científicos para comunidades internas e externas ao HCPA, dentre outras finalidade de igual cunho social (fls.49/133numeração digital). Analisando os documentos acostados ao processo, vêse que tais bolsas são concedidas através de termos de compromisso firmados junto ao Recorrente, que assume um encargo para seu recebimento: a participação nos projetos de pesquisa e extensão, que nada mais é do que o próprio escopo dos projetos desenvolvidos pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul e que estão intrinsecamente vinculados aos objetivos sociais dessa entidade. Em relação aos projetos de extensão, a FMRS recebe recursos do HCPA e os repassa para os seus membros pela participação dos mesmos no respectivo projeto (supervisão dos alunos em residência nas dependências do Hospital de Clínicas). Tais recursos são oriundos do Governo Federal (Ministério da Saúde ou Ministério da Educação) para destinação à saúde pública e à qualificação dos médicos residentes que, por sua vez, são orientados pelos professores da UFRGS durante os atendimentos médicos que prestam aos pacientes do SUS, participando, ainda, de discussões acerca de casos práticos que impulsionam uma análise mais técnica. A consecução dos objetivos institucionais da FMRS exige, ontologicamente, que suas atividades sejam realizadas junto ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolvendo projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, visando promover a interação de seus membros com as referidas instituições. Percebese que as atividades previstas para o recebimento da bolsa do Recorrente encaixamse nas definições de ensino e extensão reguladas pelo Decreto nº 5.205/04. Assim, verificase, desde logo, que as disposições da Lei nº 8.958/94 c/c art. 7° do Decreto n° 5.205/20041, apresentam didática aplicação no caso em tela, eis que as bolsas pagas possuem nítida natureza de doação civil, estando vinculadas a projetos públicos de pesquisa e extensão, cuja participação dos membros da FMRS é fundamental e restringese à coordenação e supervisão de atividades médicas, voltadas para o aperfeiçoamento acadêmico e profissional dos alunos do ensino federal dos cursos de medicina disponibilizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 882 15 Da mesma forma, as bolsas pagas aos profissionais da área da saúde não estão sujeitas ao imposto de renda (IRPF), vez que não importam em vantagem econômica ao doador e, igualmente, não se caracterizam como contraprestação de serviços. O primeiro, porque, no convênio, o objeto pretendido interessa a todos os envolvidos, motivo pelo qual entendo que a concessão de bolsas pela FMRS não objetiva vantagem econômica para o doador, já que o resultado terá o condão de beneficiar toda a sociedade, através da qualificação do Sistema Único de Saúde. Dos documentos acostados ao processo, não é possível afirmar que a Fundação Médica contrata bolsistas para que estes executem atividades em seu benefício, ou do Hospital. Pelo contrário, os serviços desenvolvidos no âmbito de cada projeto possuem caráter público, de capacitação e formação dos alunos do Ensino Público Superior Federal, ou seja, o interesse das entidades envolvidas é puramente social. Quanto ao segundo, não vejo como caracterizar os encargos com a participação nos projetos como prestação de serviços, à medida que em qualquer caso, a extensão sempre trará em seu bojo a realização de alguma tarefa. Claro é que o bolsista terá que realizar algum serviço, produzir algo, pois somente assim terá direito a receber a bolsa pela participação no projeto. Ademais, convém destacar que esta Egrégia Turma Especial já se manifestou em casos análogos ao presente, firmando entendimento no sentido de considerar preenchidos os requisitos para reconhecimento da isenção de que trata o art. 26 da Lei n° 9.250/95 c/c art. 6° do Decreto n° 5.205/2004, consoante ementa do acórdão n° 2801003.300, a seguir transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NULIDADE. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Da mesma forma, não é nulo o julgamento de 1ª instância, proferido por autoridade competente, que expresse as fundamentações e razões suficientes para concluir sobre a(s) questão(ões), não estando o julgador obrigado a manifestarse expressamente sobre todos os pontos levantados pelo defendente. BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. São isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, de pesquisa e de extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Caso Fl. 882DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11080.005917/200911 Acórdão n.º 2801003.779 S2TE01 Fl. 883 16 em que a situação atende aos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.250/95. Nesse contexto, entendo que os valores recebidos pelo Recorrente em decorrência dos Convênios Operacional firmados com a Fundação Médica do Rio Grande do Sul estão ao abrigo da norma isentiva prevista no art. 26, da Lei 9.250/95. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal referente a omissão de rendimentos. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 883DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10880.920511/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 11 /2 00 9- 81 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920511/200981 Acórdão n.º 3803006.311 S3TE03 Fl. 156 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 11/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920511/200981 Acórdão n.º 3803006.311 S3TE03 Fl. 157 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723133/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA.
Recurso voluntário que não se conhece em virtude de formalização de pedido de desistência por parte da interessada.
Numero da decisão: 1301-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em virtude de desistência.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DESISTÊNCIA. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA. Recurso voluntário que não se conhece em virtude de formalização de pedido de desistência por parte da interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em virtude de desistência. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 31 33 /2 01 2- 75 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10882.723133/201275 Acórdão n.º 1301001.686 S1C3T1 Fl. 188 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE incidente sobre JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO no ano calendário de 2008. Abaixo, fragmentos do relatório contido na decisão de primeira instância retratando os fatos apurados e as razões trazidas pela contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] Conforme Despacho Decisório SEORT/DRF/OSA nº 0282/2012, remanesceu não homologada apenas a compensação tratada na DCOMP nº 01096.39649.060109.1.3.062260, cujos débitos totalizam R$ 50.136.615,80. A autoridade fiscal confirmou em DIRF a retenção na fonte no total de R$ 67.427.168,90, cujas receitas correspondentes, de R$ 449.514.459,67, foram oferecidas à tributação, conforme Ficha 06A da DIPJ (fls. 39/40). Porém, destacou que a DCOMP nº 01096.39649.060109.1.3.062260 foi transmitida no ano seguinte ao da retenção do imposto, em afronta à compensação amparada no art. 40 da IN RFB nº 900/2008, impedindo a sua homologação. Quanto à suficiência do crédito, a autoridade fiscal observou que parcela do IRRF comprovado em DIRF foi utilizada na composição das estimativas (Ficha 11 da DIPJ), na quantia de R$ 12.565.366,40, e parcela foi utilizada no Ajuste Anual (Ficha 12A da DIPJ), na quantia de R$ 21.734.232,49, as quais, quando somadas ao crédito de IRRF pretendido na DCOMP em estudo (R$ 52.848.514,96), totaliza a quantia de R$ 87.148.113,85, frente a um total de IRRF informado na Ficha 54 da DIPJ de R$ 87.146.642,54, remanescendo a descoberto, portanto, o valor de R$ 1.471,31: TOTAL IRRF RET (FICHA 54) FICHA 11 + FICHA 12A DÉBITOS DCOMPS () SALDO 87.146.642,54 34.209.598,89 52.848.514,96 1.471,31 Cientificada por via postal, em 20/08/2012, a contribuinte interpôs, por intermédio de seu representante legal, em 19/09/2012, manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos. Após um breve resumo dos fatos, alega que a não homologação da DCOMP nº 01096.39649.060109.1.3.062260 foi justificada pela transmissão da declaração no ano seguinte ao da retenção, com amparo no art. 40 da IN nº 900/2008. Entende ter havido interpretação equivocada do normativo em questão. Diz que a compensação efetuada se deu em conformidade com o disposto no art. 9º da Lei nº 9.249/1995, ou seja, com a utilização de crédito de IRRF sobre JSCP do ano de 2008 com débitos de IRRF sobre pagamentos de JSCP ocorrido no Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10882.723133/201275 Acórdão n.º 1301001.686 S1C3T1 Fl. 189 3 mesmo ano, tendo apresentado a declaração na data do respectivo vencimento do tributo. Argumenta que ao se extrair da legislação citada a exigência do dever do repasse do valor retido também no mesmo anocalendário da retenção acaba por forçar a exegese legal. Voltase à redação do art. 9º da Lei nº 9.249/1995; do art. 668 do RIR/1999 e do art. 40 da IN RFB nº 900/2008, concluindo: “Portanto, a compensação que pode ser feita com o crédito de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio é aquela que se dá com o imposto de renda sobre Juros sobre o Capital Próprio retido no mesmo anocalendário, e não cujo prazo para repasse aos cofres públicos ocorra no mesmo anocalendário, condição não prevista em lei e tampouco na Instrução Normativa.”(destaques do original) Afirma que o débito compensado referese ao IRRF (JCP) retido em dezembro/2008, só tendo sido transmitida a declaração em 06/01/2009, porque correspondia ao vencimento do prazo para repasse do valor aos cofres públicos, sendo esta a data correta para a transmissão, conforme se denota da agenda tributária anexa (doc. 02). E acusa que a própria autoridade fiscal reconhece que a retenção se deu em 2008. Ressalta ser condição de validade da Instrução Normativa a sua consonância com o dispositivo legal que vise regulamentar. Nesse contexto, afirma que, ou se interpreta o art. 40 da IN RFB nº 900/2008 como se referindo à compensação de débitos (retenção na fonte) ocorridos no próprio ano, ou terseá que admitir que a IN em questão impôs condição não prevista na Lei nº 9.249/1995, fato inadmissível a teor da jurisprudência apontada. E continua: “No caso concreto, a Lei nº 9.249/95 autoriza a utilização de crédito de IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio na compensação dos débitos de IRRF da mesma natureza, como se viu, independente de qualquer outra condição. E tendo a Impugnante procedido nos termos da lei, a justificativa invocada pela d. Autoridade Administrativa para indeferir a declaração de compensação não pode prevalecer. Vale salientar ainda que eventual falta cometida pela Impugnante na apresentação da declaração de compensação seria perfeitamente justificável face à própria redação do artigo 40 da IN 900/2008, que NO MÍNIMO É DÚBIA, sendo certo que do procedimento adotado não decorreu prejuízo algum para a Secretaria da Receita Federal. De fato, se o crédito de IRF em tela não tivesse sido utilizado pela Impugnante para a compensação de débitos de IRF de mesma natureza, referido crédito teria apenas majorado o valor de R$ 35.420.102,85 apurado ao final do anocalendário de 2008 a título de saldo negativo, conforme consta da fl. 42 dos presentes autos, e, conseqüentemente, poderia ter sido utilizado da mesma forma para a compensação com o débito em questão.” Discorre sobre os princípios do informalismo, da verdade material, da razoabilidade e proporcionalidade, aos quais se sujeita o processo administrativo, dentre outros, concluindo “ainda que a Impugnante houvesse incorrido em erro quanto à forma como se deu a compensação do tributo em questão com um crédito Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10882.723133/201275 Acórdão n.º 1301001.686 S1C3T1 Fl. 190 4 efetivamente existente (se IRRF sobre JCP ou saldo negativo), como sustenta a d. Autoridade Administrativa, tal circunstância não pode fulminar o direito da Impugnante de ver homologada a compensação declarada”. Encerra protestando pela procedência da manifestação de inconformidade, com a reforma do despacho decisório para a homologação integral da compensação declarada. Em 09/05/2013 a interessada apresentou petição informando que retificou o Pedido de Restituição nº 14252.47851.210611.1.2.020659, relativo ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2008, mediante PER nº 38494.97165.101212.1.6.028836, requerendo seja apreciado apenas ao final da presente lide na esfera administrativa. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 05 40.845, de 25 de junho de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: PER/DCOMP. Crédito de IRRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio. Transmissão da Declaração fora do Período de Retenção. Não Cabimento. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. O crédito do IRRF não utilizado na compensação citada poderá ser deduzido do imposto devido pela pessoa jurídica ao final do período, compondo, se for o caso, saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada. Inexiste previsão legal da utilização do IRRF incidente sobre JCP recebidos ou creditados em períodos posteriores à retenção, sob pena de inobservância ao regime de competência. Declaração de Compensação. Retificação. Exame originário pela DRJ. Impossibilidade. A correção de eventual erro na DCOMP quanto ao crédito deve se dar mediante apresentação de declaração retificadora, a qual não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação. Não deve ser homologada a compensação quando vedada, por desatendimento das normas legais vigentes, a utilização do crédito informado na respectiva declaração. Diante do não acolhimento da pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 168/181, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10882.723133/201275 Acórdão n.º 1301001.686 S1C3T1 Fl. 191 5 É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10882.723133/201275 Acórdão n.º 1301001.686 S1C3T1 Fl. 192 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE incidente sobre JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO no ano calendário de 2008. Deixo, contudo, de conhecer a peça recursal apresentada, eis que a contribuinte protocolizou, em 29 de agosto de 2014, na Delegacia da Receita Federal em Osasco, São Paulo, desistência total do recurso voluntário interposto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11020.005181/2002-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. MATÉRIAPRIMA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRECEDENTES DO STJ.
Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento industrial ou comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para beneficiá-los, por encomenda, para posteriormente integração no processo produtivo de bens destinados à exportação. (REsp 752888/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 25/09/2009)
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-001.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. MATÉRIAPRIMA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRECEDENTES DO STJ. Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento industrial ou comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para beneficiá-los, por encomenda, para posteriormente integração no processo produtivo de bens destinados à exportação. (REsp 752888/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 25/09/2009) Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 120 1 119 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.005181/200219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.742 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria Crédito Presumido de IPI Recorrente HYVA DO BRASIL HIDRÁULICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. MATÉRIAPRIMA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRECEDENTES DO STJ. Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento industrial ou comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para beneficiálos, por encomenda, para posteriormente integração no processo produtivo de bens destinados à exportação. (REsp 752888/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 25/09/2009) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 51 81 /2 00 2- 19 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento a glosa de industrialização por encomenda de matérias primas – beneficiamento – pago a terceiro, por entender o Fisco que não estarem compreendidos no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, que são os componentes básicos para cálculo do Crédito Presumido. Os fundamentos da manutenção da glosa estão consubstanciados na ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O valor do serviço de beneficiamento de insumos, pago a terceiros, com remessa e retorno ao encomendante, com suspensão do imposto, não integra o valor dos mesmos, no cálculo do crédito presumido de IPI. Irresignada a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando em síntese que o beneficiamento aplicado nos insumos – matériasprimas, integram o processo produtivo dos produtos remetidos à exportação e são tributados pelo PIS e pela COFINS, sendo que a inclusão de tais aquisições atende à “finalidade desonerar as empresas exportadoras da incidência de PIS e COFINS incidente sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não importando se sobre estas houve incidência ou não de IPI, importando, para o caso verificar, se nestas etapas/aquisições houve a incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS.” A embasar seu argumento, cita e transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Submetido à apreciação, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, cujo voto condutor da Resolução n° 20400.477, de lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, determinou que: “Para que se decida a lide algumas questões necessitam de esclarecimentos. Assim sendo, proponho o encaminhamento do processo à unidade de origem para que a contribuinte seja intimada a informar: a) Quais os produtos que saem com suspensão do imposto para beneficiamento por terceiro e retornam ao estabelecimento encomendante; b) Qual o processo de beneficiamento efetuado pelos terceiros; c) Quando retornam ao estabelecimento encomendante, como e onde são usados os insumos beneficiados por terceiros nos produtos exportados; d) Se os produtos beneficiados por terceiros são vendidos na forma como retornam ao estabelecimento encomendante. Que seja elaborado parecer conclusivo por parte da fiscalização, diante das informações prestadas pela contribuinte, e, em seguida, retornem os autos a esta Câmara para prosseguir no julgamento.” Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.005181/200219 Acórdão n.º 3101001.742 S3C1T1 Fl. 121 3 Intimada a Recorrente prestou “esclarecimentos sobre os processos produtivos e componentes do produto acabado e em forma digital fotos ilustrativas do processo de industrialização do cilindro hidráulico telescópico referente solicitação verbal feita em 11/05/2010, ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 19/03/10.” Seguem os esclarecimentos: “Produto Acabado Cilindro Hidráulico Telescópico: E um conjunto de base, estágios, pistões ou capas e anéis que tem por função a elevação do semireboque basculante efetuando assim o descarregamento do material transportado. Principais Componentes do Cilindro Estagio: E um tubo de aço que passa pelo processo de serra, usinagem, retifica e cromo; Base: E um tubo cortado de aço com componente (Mancal Inferior) que passa pelo processo de usinagem e solda. Este item é a base dos estágios que irão formar o cilindro hidráulico telescópico; Pistão: E um tubo de aço cortado que passa pelo processo de usinagem, retifica e solda com componente Mancal Superior. Capa: E um tubo de aço cortado que passa pelo processo de usinagem, retifica e solda com componente Mancal Superior Especial. Principais Processos de Beneficiamentos de Terceiros Usinagem: Faz a limpeza do tubo, retirando o excesso de material e fazendo as aberturas de canais (desenhos na peça). Retifica: Deixa o estágio liso preparando a superfície para receber o cromo. Cromo: 0 estágio recebe banho de cromo protegendo os estágios contra a agressão do meio ambiente. Solda: Serve para fixar os componentes (mancais) e a entrada de óleo no cilindro hidráulico telescópico. O Relatório Fiscal elaborado pela autoridade fazendária de origem confirma o seguinte: Analisando os documentos e esclarecimentos apresentados, constatouse que os produtos que saíram e retornaram ao estabelecimento encomendante, para beneficiamento com suspensão do I PI, são os relacionados no anexo As fls. 108/115. Dentre os principais produtos beneficiados citamse: pistões, bases, estágios e flanges. Os processos de beneficiamento são os relacionados no mesmo anexo As fls. 108/115, destacandose a aplicação de cromo, retifica, usinagem e solda. Ao retornarem ao estabelecimento encomendante os produtos beneficiados integram o produto a ser exportado "Cilindro Hidráulico Telescópico". Os produtos beneficiados não são vendidos separadamente. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Os quesitos formulados pela Resolução 20400.477, confirma a necessidade do beneficiamento e utilização dos insumos beneficiados apenas no processo produtivo dos bens destinados à exportação. O tema não é novo neste Conselho tendo sido acolhida a pretensão em diversos julgados, de modo que adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão n° 20215057, de lavra da Ilustre Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, que por unanimidade, afastou a glosa dos produtos beneficiados por terceiros: “O objeto do presente processo é o pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no primeiro trimestre de 1999. O litígio versa sobre a exclusão da base de cálculo do beneficio fiscal pleiteado dos valores pagos para beneficiamento do couro semiacabado — wet blue — por terceiros. A exclusão deuse sob o fundamento de que tais operações, por se tratarem de serviços de beneficiamento prestados por terceiros, não se enquadrariam como matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que são objetos do favor fiscal. Concessa venia dos que defendem o respeitável entendimento, deles ouso divergir, o que faço invocando a forma em que se dá a operação de beneficiamento da matériaprima para utilização no processo produtivo desenvolvido pela recorrente. A empresa adquire o couro semiacabado e o envia para beneficiamento por terceiros, o que o torna compatível com o processo de produção dos calçados que fabrica. Controvérsias não há que se a empresa adquirisse o couro beneficiado, todo o valor por ele pago deveria fazer parte da base de cálculo do crédito presumido, como custo para aquisição de matériaprima. Nesse ponto, tomo de empréstimo os argumentos expendidos pelo então Conselheiro Marcas Vinicius Neder de Lima, no Acórdão n° 20212.301, quando, tratado de matéria idêntica a que aqui se discute, afirma que, se a empresa adquirisse o produto beneficiado, o valor que constaria na nota fiscal do fornecedor representaria o custo do insumo utilizado mais o custo dos serviços de beneficiamento, não haveria dúvida de que o valor total da aquisição comporia a base de cálculo do incentivo, posto que o insumo beneficiado foi transformado nos produtos finais que foram exportados. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.005181/200219 Acórdão n.º 3101001.742 S3C1T1 Fl. 122 5 Pois bem, in casu, se a empresa fornecedora emitisse duas notas fiscais, uma referente ao couro semiacabado e outra pelo beneficiamento, não haveria qualquer diferença ao tratamento a ser dado ao custo da matériaprima adquirida, que haveria de ser composto pelo somatório dos valores constantes das duas notas fiscais, sendo tal fato irrelevante para o cálculo do beneficio. Na espécie, a empresa fabricante dos calçados adquire o couro semiacabado de um fornecedor enquanto o realizador do beneficiamento é um terceiro estabelecimento. Isto significa que as duas notas antes cogitadas são emitidas por estabelecimentos diferentes, embora para o adquirente não se modifique o fato de que o custo da matériaprima será composto pelas duas parcelas: o preço pago pelo couro semiacabado e aquele equivalente ao beneficiamento do couro, vez que tal etapa é essencial para que o produto tenha condições de ser transformado em calçados a serem exportados Ressaltese que o objeto do beneficio não é o aperfeiçoamento do couro, pois não se exporta o couro, e sim calçados, que foram fabricados com o couro beneficiado. Assim, o couro, mesmo depois de beneficiado, é matériaprima para o processo de fabricação dos calçados. Destarte, por ser o beneficiamento operação necessária à utilização do couro na fabricação dos calçados, deve o seu custo ser considerado como custo da matéria prima, e não vislumbro como se fazer oposição à sua inclusão na base de cálculo do beneficio fiscal pleiteado. Tal pensamento se reforça se considerarmos que o valor recebido pelo terceiro que realiza o beneficiamento do couro deverá fazer parte da base de cálculo das contribuições que o favor fiscal visa ressarcir.” Trazendo as razões de decidir para o presente caso, o beneficiamento por usinagem de peças é parte do processo produtivo da industrialização do “Cilindro Hidráulico Telescópico”. Conforme confirmou o Relatório Fiscal, os produtos beneficiados integram o produto a ser exportado "Cilindro Hidráulico Telescópico". Os produtos beneficiados não são vendidos separadamente. Esse entendimento já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, sendo de se destacar o seguinte precedente, lastreado na jurisprudência consolidada de ambas as Turmas de Direito Público daquele Egrégio Tribunal: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.035.847/RS, DJE 03.08.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE SUA ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Em recurso especial, não se conhece de matéria não prequestionada. 2. Faz jus ao crédito presumido do IPI o estabelecimento comercial que adquire insumos e os repassa a terceiros para Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 beneficiálos, por encomenda, para posteriormente exportar os produtos. Precedentes. 3. É devida a correção monetária de créditos escriturais quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Precedentes. 4. A Primeira Seção, ao julgar o REsp 1.035.847/PR, Min. Luiz Fux, DJe 03/08/2009, sob o regime do art. 543C do CPC, reafirmou o entendimento, que já adotara em outros precedentes sobre o mesmo tema, no sentido de que ocorrendo oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o exercício do direito de crédito, exsurge legítima a necessidade de atualização monetária. 5. Não é cabível, em recurso especial, examinar a justiça do valor fixado a título de honorários, já que o exame das circunstâncias previstas nas alíneas do § 3º do art. 20 do CPC impõe, necessariamente, incursão à seara fáticoprobatória dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ e, por analogia, da Súmula 389/STF. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (REsp 752888/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 25/09/2009) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso, para que o beneficio seja calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento de usinagem dos insumos que integram os produtos destinados à exportação. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003447/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 04/01/2005 a 08/03/2006
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele.
MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO PRESUMIDAMENTE FRAUDULENTA. DESTINATÁRIO.
Nos casos de interposição fraudulenta presumida, o importador responde apenas com a declaração de inaptidão do seu CNPJ, não havendo previsão legal para responder cumulativamente com a pena de perdimento ou a multa resultante da sua conversão. Inteligência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 3201-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a Cristal Importação e Exportação Ltda. do polo passivo. Vencidos os Conselheiros Joel Miyazaki e Winderley Morais Pereira.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 04/01/2005 a 08/03/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO PRESUMIDAMENTE FRAUDULENTA. DESTINATÁRIO. Nos casos de interposição fraudulenta presumida, o importador responde apenas com a declaração de inaptidão do seu CNPJ, não havendo previsão legal para responder cumulativamente com a pena de perdimento ou a multa resultante da sua conversão. Inteligência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007.
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E INOX CUBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/11/2005 a 21/02/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO PRESUMIDAMENTE FRAUDULENTA. DESTINATÁRIO. Nos casos de interposição fraudulenta presumida, o importador responde apenas com a declaração de inaptidão do seu CNPJ, não havendo previsão legal para responder cumulativamente com a pena de perdimento ou a multa resultante da sua conversão. Inteligência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/01/2005 a 08/03/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 34 47 /2 00 8- 16 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a Cristal Importação e Exportação Ltda. do polo passivo. Vencidos os Conselheiros Joel Miyazaki e Winderley Morais Pereira. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa e das razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 196.720,19, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, que a interessada promoveu diversas importações de mercadorias, declarando as operações como se fossem por conta própria, ou seja, figurava como importadora e adquirente das mercadorias importadas. O procedimento de fiscalização, com amparo na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, concluiu que as operações eram, em verdade, Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12466.003447/200816 Acórdão n.º 3201001.546 S3C2T1 Fl. 672 3 realizadas por conta e ordem de terceiros, mediante a ocultação dos reais importadores, com o uso de recursos deles provenientes. Intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos que comprovassem a regularidade das operações, a interessada não logrou êxito, apresentando contabilidade deficiente, de forma que a origem, disponibilidade e transferência lícitas dos recursos não ficaram comprovadas. Ao contrário, os documentos analisados comprovaram que os recursos utilizados nas operações de importação tiveram como origem os reais adquirentes das mercadorias, ocultos, aos quais estas eram repassadas mediante simulação de venda. Ficaram caracterizados ainda a falta de capacidade financeira dos sócios da empresa, o subfaturamento de preços, a falsidade dos documentos instrutivos dos despachos de importação, e, principalmente, a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas, mediante interposição fraudulenta de terceiros. No caso em apreço, a real importadora, oculta nas operações de importação foi a empresa “Inox Cuba Indústria e Comércio Ltda” (“Inox Cuba”), autuada na condição de sujeito passivo solidário (termo de folhas 03). A Inox Cuba foi a real importadora nas operações amparadas pelas Declarações de Importação listadas às folhas 57/58. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias, como previsto no parágrafo 1º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, pela caracterização do disposto no inciso V do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias já haverem sido consumidas ou não localizadas, foi lavrado auto de infração para exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, como previsto no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Regularmente cientificadas por via postal (AR às fls. 452 e 453), a Cristal Importação e Exportação Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 454 a 496, com os documentos de folhas 497 a 419 anexados, e a Inox Cuba Indústria e Comércio Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 521 a 553, com os documentos de folhas 554 a 583 anexados. Da manifestação da Cristal Importação e Exportação Ltda: A impugnante alega que “o Auto de Infração guerreado se funda em indícios e presunções, baseadas em conjecturas mirabolantes, destituídas de lógica e sem trazer prova capaz de sustentar quaisquer afirmações no mesmo contidas”. Defende que “possui indiscutível capacidade financeira para realizar as operações de importação por conta própria, ao contrário do que quer fazer crer a fiscalização, inexistindo, no caso em tela, qualquer tentativa de fraude ou simulação mediante a interposição fraudulenta de terceiros”. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Observa que os contratos de câmbio foram por ela liquidados, com recursos próprios, e que é a única a figurar em todos os documentos relativos às operações de importação, como Declarações de Importação, Licenças de Importação, faturas in voice, packing lists, etc. Alega que as mercadorias importadas foram por ela adquiridas, ato perfeitamente regular que não caracteriza a importação por conta e ordem de terceiros, conforme artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 e Instrução Normativa SRF nº 634/2006. Traça considerações sobre importação “por conta própria” e “por conta e ordem de terceiros” para defender que as importações que realizou não se caracterizam como “por conta e ordem de terceiros”. Embasa sua defesa no Parecer PGFN/CAT nº 1.316, de 11/06/01 e no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 07, de 13/06/02, bem como nas Instruções Normativas SRF 225/02 e nº 247/2002. Defende que, por outro lado, é a única responsável pelas importações, porque: as importações foram feitas em seu nome para posterior venda; as faturas (invoice) foram emitidas exclusivamente em seu nome; os contratos de câmbio foram por ela firmados e liquidados; os pagamentos dos impostos foram realizados com seus recursos; as Declarações de Importação foram por ela registradas, sendo que adquiriria a propriedade das mercadorias nacionalizadas e assumiria todos os riscos fiscais, financeiros e comerciais das operações; depois de nacionalizadas as mercadorias passariam a fazer parte de seu estoque contábil e posteriormente seriam vendidas no mercado nacional com o pagamento dos tributos devidos. Alega que não se comprovou a ocultação do sujeito passivo/real adquirente das mercadorias e que “o recebimento de valores pela impugnante, após praticada a operação de importação por sua conta e risco, é decorrente do pagamento devido em razão de negócio jurídico mercantil de venda e compra das mercadorias, pactuado entre a Impugnante e seu cliente, operação esta devidamente acobertada por regular e idôneo documento fiscal.” Discorda da afirmação de que haveria “quebra da cadeia de incidência do IPI”, pois muitas das mercadorias importadas não sofrem tributação do IPI. Discorda de todas as alegações da fiscalização, em especial a de que houve fraude ou simulação e subfaturamento. Alega que os documentos apresentados, tais como, extratos bancários, limites de crédito junto a instituições financeiras, contratos de mútuo e empréstimos, credibilidade na rápida obtenção de seguros garantia, dentre outros, comprovam sua capacidade financeira. Defende que, se fosse o caso, e conforme julgados das DRJ, “eventual penalidade a ser aplicada ao importador ostensivo no caso de comprovação de cessão de nome – o que não se verifica no caso em tela! seria tãosomente a aplicação de multa no valor de 10% (dez por cento) do valor da operação.” Transcreve ementas de decisões administrativas. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12466.003447/200816 Acórdão n.º 3201001.546 S3C2T1 Fl. 673 5 Defende a exclusão de sua responsabilidade em razão de ter atuado em conformidade com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme prevê o inciso II do artigo 610 do Regulamento Aduaneiro, e o disposto no ADI nº 07/2002 e IN SRF nº 225/2002 e nº 247/2002, em relação à caracterização da importação por conta e ordem de terceiros. Requer seja julgado improcedente o auto de infração, cancelandose a penalidade proposta. Protesta pela concessão de prazo para a juntada ulterior de documentos. Da manifestação da Inox Cuba Indústria e Comércio Ltda: A impugnante alega ilegitimidade passiva por não possuir nenhum dos requisitos legais que a sujeitariam solidariamente pelas obrigações decorrentes das operações praticadas pela devedora principal. Alega que não houve simulação e que foi mera adquirente de bens importadas pela Cristal, devendo ser afastada a “multa aplicada nos termos do disposto nos artigos 73 de 81 da Lei nº 10.833/2003, por não configurar qualquer das hipóteses que ensejam a aplicação da pena de perdimento, uma vez que a referida operação não importou em qualquer prejuízo para o Fisco, tendo, a Impugnante, efetuado o recolhimento de todo e qualquer tributo incidente sobre a operação,...” Alega que contratou “a aquisição daquelas mercadorias objeto das Notas Fiscais nºs 3904, 3905, 3926, 3927, 4336 e 4370, que foram importadas pela citada empresa Cristal e posteriormente revendidas à ora Impugnante, vez ter sido informada à essa última que a mencionada empresa Cristal encontravase regularmente habilitada à época junto ao Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, para executar tais operações de comércio exterior...” Defende que seu procedimento foi correto ao somente verificar se a empresa contratada, Cristal, era habilitada a operar no comércio exterior. Alega ser irrazoável exigirse o conhecimento de todas as modalidades de contratação de operações de importação, pois, como dito, sequer era habilitada para realizar a operação, tendo se socorrido de outra empresa que possuía habilitação para tanto. Defende que, por falta de conhecimento técnico a ela não competia determinar o regime ou procedimento de importação a ser usado pela Cristal, apenas manifestou seu interesse em adquirir aquelas mercadorias, como efetivamente o fez por meio de operação típica de compra e venda interestadual. Alega que, como não auferir nenhum benefício com a operação de importação realizada pela Cristal, não deve e não pode ser responsabilizada solidariamente por qualquer obrigação tributária dessa última. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Defende que não se enquadra em nenhuma das situações previstas no artigo 124 do Código Tributário Nacional para ser considerada solidária com a Cristal. Da mesma forma em relação ao disposto no parágrafo único do artigo 32 do Decreto lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Alega que foi indevidamente autuada como sujeito passivo solidário porque a operação que realizou, de compra e venda interestadual de mercadorias, não é hipótese de pena de perdimento, não tendo configurada a ocultação do sujeito passivo, comprador e responsável pela operação, pois a importação se deu por inteira responsabilidade e risco da Cristal que, posteriormente revendeu as mercadorias à impugnante. Defende que não houve fraude ou simulação e que todos os impostos incidentes sobre a operação de compra e venda e, indiretamente, sobre a importação, por estarem embutidos no preço de venda, foram pagos. Contesta que tenha havido constatação de subfaturamento e que a importação tenha ocorrido com o intuito de fraudar ou simular, atos que não podem ser presumidos. Defende que não se poderia falar em interposição fraudulenta presumida porque o regular pagamento pela impugnante dos valores devidos à Cristal, pela aquisição das mercadorias por ela importadas e revendidas, e a origem lícita desses recursos foi comprovada. Alega que não houve nenhum dano ou prejuízo ao Erário, que ensejasse a aplicação da pena de perdimento, pois todos os tributos foram pagos. Requer seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva. Caso ultrapassada a preliminar, seja reconhecida a nulidade dos lançamentos. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedentes as impugnações, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0715.309, de 06/03/2009, in verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/11/2005 a 21/02/2006 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12466.003447/200816 Acórdão n.º 3201001.546 S3C2T1 Fl. 674 7 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/01/2005 a 08/03/2006 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. Lançamento Procedente. Inconformadas com o resultado do julgamento da instância a quo, as recorrentes interpuseram seus recursos voluntários, de forma tempestiva, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em suas impugnações. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 1 Considerações iniciais Os recursos voluntários atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. O litígio em análise gira em torno da requalificação empreendida pela fiscalização quanto às operações de importação declaradas pela Cristal, uma vez que os recursos utilizados para tanto foram adiantamentos realizados pela Inox Cuba. Em outras palavras, a fiscalização presumiu que a operação realizada pela Cristal não era importação por conta própria, e sim importação por conta e ordem, o que acabou por configurar a ocultação da Inox Cuba pela Cristal. Convém registrar, desde já, o brilhante trabalho realizado pela fiscalização na elaboração minuciosa do auto de infração, não restando dúvidas acerca da caracterização da infração cometida pelas recorrentes. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Registrese, ainda, que, ao consultar o comprovante de inscrição e situação cadastral da Cristal no CNPJ, verificase que a referida empresa encontrase INAPTA desde 17/02/2011, sendo tal circunstância justificada pelo fato de ser uma empresa INEXISTENTE DE FATO. Confirase: Apesar da contundência das provas colhidas pela fiscalização – que já deram frutos, conforme demonstrado acima –, as recorrentes insistem na tentativa de demonstrar a improcedência do lançamento, com o objetivo de afastar a multa resultante da conversão da pena de perdimento. Verseá que, a despeito da fragilidade dos argumentos das recorrentes frente aos fatos comprovados, há uma parcela de razão no pedido da Cristal. 2 Solidariedade do real adquirente nas importações por conta e ordem A Inox Cuba alega não haver respaldo legal para lhe imputar a multa resultante da conversão da pena de perdimento, uma vez que não foi provada fraude ou simulação na sua conduta. Contudo, a descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is) do auto de infração não deixa dúvidas de que a Inox Cuba era a real adquirente das mercadorias importadas pela Cristal da exportadora alemã G. Vogtmann & Co. Gmbh e da exportadora chinesa Jie Jin Material Science Technology Co., Ltd. Isso porque, além das mercadorias importadas pela Cristal dessas exportadoras serem revendidas 100% (cem por cento) para a Inox Cuba e outra empresa a ela vinculada, as respectivas importações eram financiadas com recursos adiantados pela Inox Cuba. Ora, de acordo com o art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, in verbis: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12466.003447/200816 Acórdão n.º 3201001.546 S3C2T1 Fl. 675 9 Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................................. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. (Grifouse) A leitura dos arts. 27 da Lei nº 10.637, de 2002, e 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deixa claro que, caracterizada a importação por conta e ordem, mesmo que por presunção, o adquirente da mercadoria responde (i) solidariamente pelos impostos aduaneiros devidos pelo importador (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32), e (ii) conjunta ou isoladamente com relação a infrações cometidas pelo importador (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95). Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 10 Com efeito, é improcedente a alegação da Inox Cuba de que não há base legal para incluíla no pólo passivo do presente contencioso. 3 Multa resultante da conversão da pena de perdimento A penalidade aplicada pela fiscalização está capitulada no art. 23, inc. V e §§ 1º ao 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores. Confirase: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) 1 No caso concreto, as autoridades preparadoras aplicaram a multa resultante da conversão da pena de perdimento, uma vez que as mercadorias importadas foram desembaraçadas e consumidas. Pelas mesmas razões expostas para manter a solidariedade da Inox Cuba, reputase correta a aplicação da multa resultante da conversão da pena de perdimento no caso concreto, exceto no que diz respeito à Cristal. 4 A Lei nº 11.488/07 como marco divisório de entendimentos Até a edição da Lei nº 11.488, de 2007, havia dúvidas acerca do destinatário da pena de perdimento ou da multa resultante da sua conversão. Seria o importador ou o real adquirente/encomendante, ou ambos? Isso porque o importador que não lograsse êxito em demonstrar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior era apenado com a declaração de inaptidão do seu CNPJ, mas não havia pena para o importador que lograsse êxito em fazer tal prova. 1 O § 3º foi atualizado pela Lei nº 12.350, de 2010, porém, a nova redação não contém nada que possa agregar ao litígio ora analisado. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12466.003447/200816 Acórdão n.º 3201001.546 S3C2T1 Fl. 676 11 Como o importador não poderia passar incólume a esse delito de ocultação, prevalecia o entendimento de que ele deveria responder solidariamente com o real adquirente/encomendante pela pena de perdimento ou pela multa resultante da sua conversão. Essa lógica da cumulação de penas prevaleceu inclusive para os casos em que o CNPJ do importador era declarado inapto. A partir do início da vigência da Lei nº 11.488, de 2007, ficou claro que o importador que consegue comprovar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior não deve sofrer a pena de perdimento, ou a multa resultante da sua conversão. Nesse caso, o delito de ocultação do real adquirente/encomendante passaria a ser apenado com multa de 10% (dez por cento) do valor das operações acobertadas. Confirase: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa multa de 10% (dez por cento) do valor das operações acobertadas, por óbvio, conflita com a multa de 100% (cem por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas mediante interposição fraudulenta de terceiros, não sendo razoável supor que as penalidades se somam. Quando o legislador quer prever a cumulação da pena de perdimento com outras penalidades, ele o faz expressamente. É o que se depreende do art. 104, parágrafo único, do DecretoLei nº 37, de 1966, in verbis: Art.104 Aplicase a pena de perda do veículo nos seguintes casos: [...] II quando o veículo transportador efetuar operação de descarga de mercadoria estrangeira ou a carga de mercadoria nacional ou nacionalizada fora do porto, aeroporto ou outro local para isso habilitado; [...] Parágrafo único. Aplicamse cumulativamente: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) I no caso do inciso II do caput, a pena de perdimento da mercadoria; [...] Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 12 Não há previsão legal para a cumulação da multa de 10% (dez por cento) com a pena de perdimento ou a multa resultante da sua conversão. Desse modo, resta claro o equívoco do entendimento que prevalecia até a edição da Lei nº 11.488, de 2007. Interessante notar, ainda, que o parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, estabelece que não se aplica a multa por cessão de nome quando o importador for apenado com a declaração de inaptidão do seu CNPJ, tal como previsto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, depreendese desse dispositivo legal o seguinte: ou bem o importador que oculta terceiros deverá sofrer a multa de 10% (dez por cento) das operações acobertadas, se comprovar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nessas operações, ou bem terá o seu CNPJ declarado inapto. Por essa razão, concluise que o importador que tem o seu CNPJ declarado inapto também não pode sofrer a aplicação cumulativa da pena de perdimento ou da multa resultante da sua conversão. No caso concreto, verificouse que a Cristal teve o seu CNPJ declarado inapto por força das operações de comércio exterior que acobertou. Logo, a multa exigida por meio do lançamento ora guerreado não pode lhe ser aplicada. Ressaltese, por oportuno, que essa conclusão não é contraditória com a imputação de solidariedade à Inox Cuba, eis que o art. 95, inc. V, do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, estabelece responsabilidade solidária quanto à infração, e não quanto à pena. Desse modo, é plenamente cabível que responsáveis solidários sejam penalizados de forma diferente. 5 Conclusão Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários, a fim de afastar a multa da Cristal Importação e Exportação Ltda., e mantêla para a Inox Cuba Indústria e Comércio Ltda.. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 16327.001383/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO.
Homologa-se a compensação até o limite do direito creditório reconhecido.
Recurso Voluntário Procedente em Parte
Numero da decisão: 1402-001.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de saldo negativo da CSLL no ano-calendário de 2002 no valor de R$ 4.779.272,69 nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Saldo Negativo de IRPJ e CSLL Recorrente CITICORP MERCANTIL PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS S/A Recorrida 8ª Turma da DRJ/SPO1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologase a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de saldo negativo da CSLL no ano calendário de 2002 no valor de R$ 4.779.272,69 nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 83 /2 00 6- 94 Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo oriundo da homologação parcial de pedidos de compensação que utilizam crédito de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, referente ao anocalendário 2002 (fls. 01/06, 20/163, 309/314, 1116/1205verso). Os créditos originários apresentados pela Recorrente são de R$ 32.299.022,19 a título de IRPJ e R$ 4.789.054,59 a título de CSLL. O despacho decisório de fls. 373/390, indeferiu integralmente o saldo negativo de CSLL, tendo homologado as compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ até o limite de R$ 5.676.064,37. O relatório da DRJ narra que: (i) o interessado teria apresentado Declarações de Compensação, informando, para o anocalendário de 2002, créditos de R$ 32.299.022,19 de Saldo Negativo de IRPJ, resultante este de antecipações de IRPJ e de IRRF deduzido do imposto devido, e de R$ 4.789.054,59 de Saldo Negativo de CSLL, originário de antecipações de CSLL; (ii) conforme o sistema DCTFGER (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Gerencial), as antecipações de IRPJ e CSLL teriam sido realizadas, a partir de 99, quando houve o último pagamento efetivo , mediante compensações sem processo, com créditos de anos anteriores; em razão disso, realizou o exame da consistência dessas compensações; Saldos Negativos de IRPJ (iii) em razão do exame das compensações de IRPJ, o Saldo Negativo de IRPJ declarado pelo interessado para o anocalendário de 99, de R$ 16.400.209,99, foi reduzido para R$ 3.042.258,61, pelo fato de os registros dos sistemas DCTFGER, SINAL 08 e SIEFDIRF indicarem que os valores de antecipações e de IRRF que poderiam ser deduzidos do IRPJ devido seriam inferiores aos declarados: do total das antecipações declaradas como pagas, em 99, de R$ 18.279.296,10, o sistema de controle de pagamentos da RFB tem registro de apenas R$ 10.269.906,94, e do IRRF retido declarado, de R$ 8.325.159,03, o interessado ofereceu receitas financeiras à tributação correspondentes apenas ao valor de R$ 2.976.596,81 de IRRF; (iv) por sua vez, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2000, de R$ 14.320.237,10, foi reduzido para R$ 8.080.129,40, em razão do redimensionamento para menos do Saldo Negativo de 99, saldo este que fora utilizado em compensações sem processo nas antecipações de IRPJ de 2000; (v) também, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2001, de R$ 24.136.889,60, foi reduzido para R$ 9.955.101,76, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 24.293.083,99, foram aceitas apenas R$ 10.111.296,15, porque: não constaria o alegado pagamento em DARF de R$ 684.132,36 (de 01/2 001); não teriam sido deferidos R$ 3.568.370,77 (dos R$ 5.208.783,82 pleiteados) no PAF 11610.001.857/200174, e haveria insuficiência de R$ 9.929.284,71 (=R$ 18.400.167,81 utilizados menos R$ 8.470.883,10 existentes) do Saldo Negativo de 2000 utilizado; Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 4 3 (vi) por sua vez, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2002, de R$ 32.299.022,19, foi reduzido para R$ 5.676.064,37, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 38.145.637,39, foram aceitas apenas R$ 10.782.452,65 (Saldo de 2001 atualizado), como compensações sem processo, e haveria um valor deduzido a menor de IRRF pelo interessado, de R$ 740.226,92 (= R$ 19.730.319,71 existentes menos R$ 18.990.092,79 deduzidos pelo interessado); a referida não aceitação (de R$ 26.622.957,82) de parte das antecipações se deu porque: não constaria nos sistemas da RFB o pagamento do IRPJEstimativa de 12/2002, de R$ 5.592.206,43, teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PAF 11610.001857/200174; teria utilizado o valor de R$ 5.832.691,15 (= R$ 6.572.918,07 menos R$ 740.226,92 acima mencionados) de IRRF do ano (para pagamento de IRPJ Estimativa de 09/2002), sem oferecer as correspondentes receitas financeiras à tributação; haveria insuficiência de R$ 13.754.546,71 (=R$ 24.536.999,36 utilizados menos R$ 10.782.452,85 existentes) do Saldo Negativo de 2001 utilizado em compensações sem processo; Saldos Negativos de CSLL (vii) em decorrência do exame das compensações realizadas no período de 99 em diante para a CSLL, constatou que o Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 99 declarada pelo interessado, de R$ 3.924.476,75, estaria correto; (viii) contudo, o Saldo Negativo da CSLL declarado de 2000, de R$ 2.382.156,20, foi reduzido para R$ 2.309.362,81, em razão da utilização a maior do Saldo Negativo de 99, em R$ 72.793,39 (=R$ 4.353.862,00 utilizados menos R$ 4.281.068,61 disponíveis, em valor atualizado), em compensação sem processo; (ix) também, o Saldo Negativo de CSLL declarado para o ano de 2001, de R$ 6.125.425,68, foi convertido em Saldo Positivo de R$ 879.256,52, por conta do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 8.751.990,24, foram aceitos apenas R$ 1.747.170,78, porque não teriam sido deferidos créditos de R$ 5.763.490,54 no PAF 11610.001.857/200174, e haveria insuficiência do Saldo Negativo de 2000, que corrigido somou R$ 2.309.362,81, enquanto o interessado utilizou em compensações sem processo o valor de R$ 2.988.499,70; (x) por sua vez, o Saldo Negativo de CSLL declarado para o ano de 2002, de R$ 4.789.054,58, foi convertido em Saldo Positivo de R$ 5.005.808,88, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 13.738.909,46, foram aceitas apenas R$ 3.944.046,00; essa não aceitação de antecipações se deu porque, à parte de terem sido considerados os pagamentos em DARF, de R$ 3.944.046,89, foram indeferidas compensações sem processo, no valor de R$ 6.734.816,06, com saldo, inexistente, de 2001, e compensações por processo, no PAF 11610.001.857/200174, de R$ 1.046.852,20; (xi) ao final, foi reconhecido apenas crédito de IRPJ do anocalendário de• 2002 decorrente de antecipações, no montante de R$ 5.676.664,37, não sendo reconhecido crédito de CSLL; (xii) em conseqüência, foram homologadas compensações até o limite do crédito de IRPJ. Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 5 4 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese, que: 1) a diferença não acolhida do saldo negativo de IRPJ 2002, de R$ 26.622.957,83 (=R$ 32.299.022,20 pleiteados menos R$ 5.676.064,37 reconhecidos), seria composta (i) por valores utilizados na compensação de IRPJ estimativa do ano, originários de IRRF (R$ 5.832.691,15), e de (ii) saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 2000 (R$ 1.443.513,54), de 2001 (R$ 13.754.546,71), e 2006 (R$ 5.592.206,43); 2) o crédito de R$ 5.592.206,43 originário do saldo negativo de IRPJ 2006 teria sido utilizado no PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450 (fls. 447, 449 e 455) para pagar o IRPJ estimativa de dezembro/2002; 3) a diferença não acolhida do saldo negativo de CSLL 2002, no valor de R$4.789.054,59 seria composta por valores utilizados na compensação de CSLL estimativa do ano, de saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 2000 (R$1.046.852,20), 2001 (R$ 6.734.480,02) e 2006 (R$ 2.013.194,31); 4) o saldos negativos de CSLL de R$ 2.013.194,31, originário do saldo negativo de 2006 foi utilizado para pagara a CSLL estimativa de dezembro/2002, conforme PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450. 5) os créditos referentes a saldo negativo de IRPJ e CSLL de 2000 estavam sendo controlados no PA 11610.001857/200174, que na época estava pendente de decisão no CARF, motivo pelo qual o presente processo deveria ficar suspenso. Os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, consideraram improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido (fls. 1220/1244). Em resumo, a decisão recorrida afirma que: Saldo Negativo de IRPJ 1999 Que a glosa do saldo negativo de IRPJ foi legítima, já que o valor glosado, de R$ 13.357.951,38, é composto integralmente por deduções de IRRF que não puderam ser comprovadas. Tais valores de IRRF teriam sido recolhidos sobre as seguintes receitas: R$ 14.764.177,42, de Rendimentos de Aplicações de Renda Fixa (Código 3426), R$ 67.468.990,09, de Renda Variável Operações de SWAP (Código 5273) e R$ 724.229,13, de Juros sobre o Capital Próprio (Código 5706). Entretanto, conforme DIPJ/1999 (fl. 974), somente o oferecimento à tributação dos Rendimentos de Aplicações de Renda Fixa e de parte dos valores supostamente pagos a título de JCP puderam ser confirmados, razão pela qual, somente os valores de IRRF sobre Aplicações de Renda Fixa (no valor de R$ 2.941.123,82) e sobre JCP (no valor de R$ 35.472,99) puderam ser acolhidos. Saldo Negativo de IRPJ 2000 Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 6 5 Que é legítima a redução do saldo negativo de IRPJ 2000, em R$ 6.240.107,70, em razão da redução ocorrida no saldo negativo de IRPJ 1999, conforme acima demonstrado. Afasta as alegações do interessado no sentido de que as compensações de IRPJ estimativa do anocalendário de 2000 (no total de R$ 9.536.793,29) teriam sido realizadas utilizando: (i) R$ 7.522.384,42 do saldo negativo de IRPJ 1999 (IRPJ estimativa de 06/2007), e (ii) R$ 2.014.408,87 do saldo negativo de IRPJ 1998 (IRPJ estimativa de 01/2000: R$ 304.392,20, 04/2000: R$ 515.101,24, 05/2000: R$ 67.094,76, 06/20000: R$ 1.127.820,67), uma vez que não haveriam provas do alegado. Ressaltou que os demonstrativos apresentados (fls. 1.067 e 1.082) deveriam estar acompanhados dos competentes lançamentos contábeis, evidenciando, com clareza e exatidão, como teriam sido realizadas tais compensações. Saldo Negativo de IRPJ – 2001 Que a redução do saldo negativo de IRPJ 2001 é legítima e decorrente da glosa de parte das antecipações declaradas, compostas, a saber, por: (i) R$ 684.132,36 relativos a DARF inexistente, (ii) R$ 5.208.783,82, indeferidos no PA 11610.001857/200174; e (iii) R$ 8.288.871,66, de insuficiência do saldo negativo de IRPJ 2000. Afastou por falta de provas a alegação do interessado de que o pagamento declarado como realizado via DARF no valor de R$ 684.132,36, teria sido indevidamente declarado (teria ocorrido seria compensação de saldo negativo de IRPJ 1999), tratandose, in casu, de erro de fato no preenchimento da DCTF. Também afastou as alegações de que as compensações sem processo teriam sido regularmente efetuadas com saldo negativo de IRPJ de 1999 e 2000, porque (i) tais saldos negativos, como visto acima, seriam insuficientes para as compensações realizadas em 2001 pelo interessado, e (ii) não foram apresentados os competentes lançamentos contábeis a embasar tal afirmação. Por fim, afastou o pedido de suspensão do presente processo até ulterior decisão nos autos do PA 11610.001857/200174. Saldo Negativo de IRPJ – 2002 Que a redução do saldo negativo de IRPJ 2002 (de R$ 26.622.957,82) é legítima e decorrente da não aceitação de parte das antecipações, pois (i) não teria sido possível confirmar o pagamento do IRPJ pago por estimativa em dezembro/2002, no valor de R$ 5.592.206,43, (ii) teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PA 11610.001.857/2001 74, (iii) R$ 5.832.691,15 de IRRF utilizado para pagamento do IRPJ estimativa de 09/2002, não poderia ser aceito, vez que o interessado não comprovou ter oferecido as receitas financeiras correspondentes à tributação, e (iv) teria havido insuficiência de R$ 13.754.546,71 do saldo negativo de IRPJ 2001 utilizado em compensações sem processo. Nesse passo, acrescentou que (i) o valor de R$ 5.592.206,43 supostamente compensado com o saldo negativo de IRPJ 2006, conforme DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450 (fls. 447, 449 e 455), só poderia ser confirmado após a apreciação formal do PER/DCOMP, o que não teria ocorrido; (ii) os relatórios contábeis apresentados (fls. 538 a 640 e 642 a 690) não seriam suficientes para identificar com exatidão o oferecimento dos valores discutidos à tributação, mantendose, portanto, a glosa de R$ Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 7 6 5.832.691,15; e (iii) que a insuficiência de R$ 13.754.546,71 restou confirmada pela autoridade fiscal. Saldo Negativo de CSLL – 1999 Foi integralmente reconhecido. Saldo Negativo de CSLL – 2000 Que a redução do saldo negativo de CSLL 2000 é legítima e decorrente da utilização a maior do saldo negativo de período anterior, no montante de R$ 72.793,39. Que muito embora o interessado afirme que a diferença seja referente à compensação com saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme DCTF (fls. 1069/1080) e planilhas de compensação (fls. 1109 e 1111), tais documentos não permitiriam chegar ao valor glosado. Saldo Negativo de CSLL – 2001 Que o saldo negativo de CSLL 2001, de R$ 6.125.425,68, teria sido corretamente convertido em saldo positivo de R$ 879.256,52, uma vez que apenas parte das antecipações declaradas foram aceitas (aceitas R$ 1.747.170,78 de R$ 8.751.990,24), já que (i) não teriam sido deferidos créditos de R$ 5.763.490,54 no PA 11610.001.857/200174, e (ii) haveria insuficiência do saldo negativo de CSLL 2000 (que, corrigido somou R$ 2.309.362,81, enquanto teriam sido utilizados em compensações sem processo o valor de R$ 2.988.499,70). Além disso, afastou as alegações do interessado de que a diferença em questão, de R$ 7.004.682,20 (soma do saldo negativo de R$ 6.125.425,68 e o saldo positivo de R$ 879.256,52), seria relativa a CSLL estimativa do ano regularmente compensadas com saldos negativos de CSLL de 1997, 1999 e 2000, uma vez que os demonstrativos apresentados (fl. 412) não foram acompanhados dos competentes lançamentos contábeis. Afastou novamente o pedido de suspensão do presente processo, por conta da pendência de julgamento do PA 11610.001857/200174. Saldo Negativo de CSLL – 2002 Que o saldo negativo de CSLL 2002, no valor de R$ 4.789.054,58, foi corretamente convertido em saldo positivo de R$ 5.005.808,88, em razão da glosa de parte das antecipações declaradas. Que tal glosa teria ocorrido pois só foram admitidos os pagamentos em DARF (R$ 3.944.046,89), tendo sido indeferidas as compensações sem processo (R$ 6.734.816,06), com créditos insuficientes de anos anteriores, e as por processo (PA 11610.001.857/200174, no valor de R$ 1.046.852,20). Afastou os argumentos do interessado no sentido de que a diferença seria decorrente da utilização regular de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2000 (R$ 1.046.852,20), 2001 (R$ 6.734.480,021), e 2006 (R$ 2.013.194,31), por entender que o exame dos saldos anteriores teria deixado clara a insuficiência de valores para as compensações realizadas em 2002. Afastou, ainda, o pedido de suspensão do presente processo, por conta da pendência de julgamento do PA 11610.001857/200174. Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 8 7 Com respeito a utilização de saldo negativo de 2006 para compensação da CSLL paga por estimativa referente ao mês de dezembro/2002, no valor de R$ 2.013.194,31, mediante PER/DCOMP (fls. 447 e 457), a decisão recorrida repisou sua posição de que a compensação só poderá ser aceita após sua apreciação formal pela autoridade fazendária, o que não aconteceu. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1246/1288), repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade, acompanhada de novos documentos supostamente comprobatórios do direito que alega possuir (fls. 1289/2156 – lista de documentos fls. 1289/1290). Além disso, em 13/03/2012, a Recorrente apresentou petição (fls. 2295/2311), acompanhada dos documentos de fls. (2312/2355) acrescentando, em breve síntese, que (i) os créditos originários do PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450, relativos às estimativas de IRPJ e CSLL de dezembro de 2002, já teriam sido homologados, conforme despacho decisório que anexa (fl. 2312/2316 nº. digital), e (ii) que o recurso voluntário interposto no PA 11610.001857/200174 já teria sido totalmente provido, com a homologação integral dos créditos pleiteados naqueles autos (fl. 2317/2355 nº. digital), suprimindo integralmente os fundamentos jurídicos utilizados na decisão recorrida. Inovando os argumentos, a Recorrente sustentou, ainda: (i) a homologação tácita do PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704 (fls. 309/314) que pleiteia a compensação do crédito de saldo negativo de CSLL 2002, uma vez que só foi intimado do despacho decisório em que não homologou a referida compensação em 14/07/2009; e (ii) a decadência do direito da fazenda pública revisar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e de CSLL do ano 2002, já que ultrapassado o prazo de 5 anos em 14/07/2009, quando o contribuinte foi intimado do despacho decisório. Em 14/08/2013, foi juntado por apensação a este processo, o PA nº 10880.726455/200991. Analisando os autos, esta E. Turma entendeu por bem converter o julgamento em diligência (Resolução 1402000.180 fls. 2417/2434). Para tanto, o processo foi encaminhado à DIORT/DEINF/SPO, vez que se trata de procedimento compensatório e que o interessado foi incorporado pelo Banco Citibank S/A. Em 20/12/2013, foi disponibilizado pela DIORT/DEINF, o Relatório de Diligência de fls. 2868/2876. Para realização deste, fezse necessária, inicialmente, a análise do IRPJ e da CSLL dos períodos anteriores ao anocalendário de 2002. Nesse sentido, constatou a DIORT/DEINF, relativamente ao IRPJ, o que segue: (i) referente ao anocalendário 98, foi apurado saldo negativo no montante de R$ 1.541.742,85, sendo este composto por valores mensais estimados, extintos por DARF e IRRF, não restando dúvidas quanto à sua certeza e liquidez (fls. 2802/2803); (ii) no que concerne ao anocalendário 99, o interessado apurou saldo negativo no montante de R$ 16.400.209,99, decorrente de estimativas mensais, liquidadas por pagamento, e de IRRF informado em DIRF (fls. 2526 e 2804/2805); (iii) no anocalendário 2000, foi apurado saldo negativo no valor de R$ 14.320.327,10; (iv) no que diz respeito ao anocalendário 2001, o saldo negativo foi comprovado no valor de R$ 24.137.270,87; e (v) no anocalendário 2002, foi comprovado o recolhimento de IRPJ estimativa de R$ 31.584.057,84, restando ser comprovada, para efeito de reconhecimento do saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 32.299.022,19, objeto deste Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 9 8 processo, somente a certeza e a liquidez do IRRF sobre aplicações financeiras que foi computado na formação deste crédito. Quanto aos rendimentos de operações de swap, constatou a DIORT/DEINF, pelas informações prestadas em DIRF, acrescidas da documentação trazida aos autos, que a totalidade auferida pelo interessado no anocalendário 2002, no montante de R$ 112.654.313,24, foi oferecida à tributação na DIPJ/2003. Nesse sentido, verificouse que, dos razões analíticos e balancetes dos períodos Set/02, Nov/02 e Dez/02 juntados pelo interessado ao Recurso Voluntário, tais rendimentos foram registrados, pelo regime de competência, à conta de resultado nº 7.15.80.40.1, enquanto que o IRRF dele decorrente foi computado, pelo regime de caixa, como antecipação do IRPJ devido no encerramento do anocalendário 2002 (fls. 1601/1709 e 2790/2797). Por outro lado, os prejuízos com as operações de swap, conforme registrados à conta nº 8.15.50.40.7, no montante de R$ 25.656.297,25, foram deduzidos, pelo interessado, diretamente da totalidade dos ganhos auferidos que foram oferecidos à tributação na DIPJ/2003, ao invés de serem registrados separadamente. Desse modo, afirmou que o IRRF concernente aos rendimentos de aplicações financeiras em operações de swap auferidos pelo interessado no anocalendário 2002, no montante de R$ 21.530.862,60, goza de certeza e liquidez, não havendo razão para a glosa do seu aproveitamento na formação do saldo negativo do IRPJ desse exercício. Porém, mediante análise dos elementos de prova constante dos autos e da DIRF entregue pela Recorrente para o anocalendário 2002, concluiu a DIORT/DEINF que os rendimentos auferidos pelo interessado a título de aplicações financeiras em renda fixa, no valor de R$ 15.160.985,06, foram, também, registrados pelo regime de competência às contas de resultados nº. 7.14.10.00.7 e nº. 7.15.10.00.7 e efetivamente tributados, bem como o IRRF correspondente, no valor de R$ 3.032.148,26, fora aproveitado pelo interessado, pelo regime de caixa, na DIPJ/2003. Assim sendo, afirma a DIORT/DEINF não haver dúvidas quanto a liquidez do aludido IRRF, sendo possível computálo na apuração do IRPJ devido no ajuste do ano calendário 2002. Já quanto aos créditos pleiteados neste processo, relativamente à CSLL, afirmou a DIORT/DEINF o que segue: (i) referente ao anocalendário 98, o saldo negativo apurado, no valor de R$ 372.224,70, foi formado exclusivamente pelos valores mensais estimados, extintos por DARF, sendo a sua certeza e liquidez evidentes (fls. 2500 e 2816); (ii) no anocalendário 99, o saldo negativo de R$ 3.924.479,75 foi composto pelas estimativas mensais liquidadas por pagamento e a maior do que o montante apurado como devido no encerramento do exercício, devendo este ser expressamente reconhecido pelo CARF (fls. 2533 e 2817); e (iii) quanto ao anocalendário 2000, para liquidar os débitos estimados da CSLL deste período, o interessado utilizou os saldos negativos dos anoscalendário 98 e 99, bem créditos da CSLL do anocalendário 97 (fl. 2818). No entanto, segundo a DIORT/DEINF, não foi comprovada a existência do crédito pleiteado referente ao anocalendário 97 e, além disso, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 98 era insuficiente para extinguir integralmente os débitos estimados da CSLL Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 10 9 do anocalendário 2000, o que resultou no saldo devedor de R$ 6.580,49 para Mai/00 (fls. 2442/2516 e 2856/2861). Nada obstante, com fulcro no art. 20 da IN SRF nº. 21/97, afirma a DIORT/DEINF, a possibilidade da autoridade administrativa de aproveitar, de ofício, o saldo negativo remanescente do IRPJ do anocalendário 2000 para liquidar este débito existente, convalidando o crédito de R$ 2.382.156,20, apurado pelo interessado na DIPJ/2001 (fls. 2841 e 2820). Por conseguinte, no anocalendário 2001, constatouse a suficiência de créditos resultantes do aproveitamento dos saldos negativos da CSLL dos anoscalendário 99 e 2000, bem como do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 para liquidar os débitos estimados. Todavia, devido a não comprovação da existência de crédito da CSLL do anocalendário 97, afirmou a DIORT/DEINF que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 também poderia ter sido compensado, de ofício e parcialmente, para quitar o débito estimado da CSLL de Jul/01 no montante de R$ 21.397,74, liquidandoo. Desse modo, porém, o saldo negativo verdadeiramente dotado de certeza e liquidez, seria no valor de R$ 6.116.909,00 (fls. 2848 e 2823), contrariamente àquele pleiteado de R$ 6.125.425,68. Sendo assim, tendo em vista os procedimentos compensatórios realizados e o Despacho Decisório proferido no PA nº 10880.962787/201111, concluiu a DIORT/DEINF que seria de direito do interessado o reconhecimento do saldo negativo da CSLL do ano calendário 2002 no valor de R$ 4.779.272,69 (fls. 2824/2826). Por fim, a DIORT/DEINF apresentou as seguintes conclusões: (i) relativamente ao saldo negativo do IRPJ, os rendimentos de aplicações em renda fixa e variável informados pelas fontes pagadoras, em nome do interessado, para o anocalendário 2002 foram oferecidos à tributação e, portanto, o IRRF então decorrente, no montante de R$ 25.563.010,86, poderia ser computado como antecipação do IRPJ devido no ajuste, restando convalidado o saldo negativo de IRPJ 2002 no valor de R$ 32.299.022,19; e (ii) quanto ao saldo negativo da CSLL, considerando a redução do saldo negativo do anocalendário 2001, com a consequente compensação parcial do débito estimado de Jul/02 no valor de R$ 2.725.479,32, constatase que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002 seria de R$ 4.779.272,69. Em 06/01/2014, a Recorrente tomou ciência do Relatório de Diligência e, em 16/01/2014, protocolou petição esclarecendo que as conclusões do Auditor Fiscal apenas corroboraram as alegações apresentadas em seu recurso voluntário, uma vez que foi confirmada a existência da integridade do saldo negativo do IRPJ pleiteado, no valor de R$ 32.299.022,19, e da maior parte do saldo negativo da CSLL requisitado (dos R$ 4.789.054,58 pleiteados, R$ 4.779.272,69 foram confirmados). Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 11 10 Saldo Negativo de IRPJ 1999 No exame feito das compensações de IRPJ, a autoridade fiscal concluiu que o saldo negativo de IRPJ 1999 seria de R$ 3.042.258,61, não de R$ 16.400.209,99, como consta da DIPJ 2000, pelo fato de os registros dos sistemas DCTFGER, SINAL 08 e SIEFDIRF indicarem que os valores de antecipações e de IRRF que poderiam ser deduzidos do IRPJ devido seriam inferiores aos declarados: do total das antecipações declaradas como pagas, de R$ 18.279.296,10, o sistema de controle de pagamentos da RFB teria registro de apenas R$ 10.269.906,94, e do IRRF retido declarado, de R$ 8.325.159,03, apenas para o valor de R$ 2.976.596,81 o interessado teria oferecido as respectivas receitas financeiras à tributação. Nesse passo, verificase, conforme diligência solicitada por este CARF nos autos do PA 11610.001857/200174 (fls. 2323/2325), que do total das antecipações declaradas como pagas, de R$ 18.279.296,10, apenas o montante já indicado, de R$ 10.269.906,94, foi comprovado. Entretanto, no que toca ao IRRF, declarado no valor de R$ 8.325.159,03, foram comprovados créditos para o anocalendário de 1999, no valor total de R$ 16.430.259,52. Assim, tendo em vista que, o imposto de renda de 15% e adicional devidos somavam R$ 10.204.245,14 e que, conforme apurado, o IRRF e o IR mensal pago por estimativa somavam R$ 26.700.166,46, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 16.495.921,32. Saldo Negativo de IRPJ 2000 No exame feito das compensações de IRPJ, a autoridade fiscal concluiu que o saldo negativo de IRPJ 2000, seria de R$ 14.320.237,10 (fl. 341verso), valor representado pela soma das antecipações do Imposto de Renda no valor de R$ 9.536.793,29, com IRRF de R$ 7.687.159,23, deduzida do imposto devido no montante de R$ 2.903.715,42. O saldo negativo de IRPJ 2000 não foi totalmente homologado, vez que as antecipações do Imposto de Renda, no valor de R$ 9.536.793,29, não puderam ser comprovadas. Isso porque, compensadas com saldo negativo de 1999 – que havia sido reajustado – tendo sido aceito apenas o valor de R$ 3.042.258,61. Nos autos do PA 11610.001857/200174 foram discutidas as compensações de IRPJ estimativa do anocalendário de 2000, no total de R$ 9.536.793,29. Nessa ocasião, conforme acórdão nº. 110200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento (fls. 2335/2339), as autoridades fiscais confirmaram o recolhimento das estimativas e o IRRF de 1998 e 1999, bem assim como o pagamento a maior de IRPJ referente a 1997, o que, por conseqüência, ensejou a homologação total do saldo negativo de IRPJ 2000. Por tudo isso, considerando que a formação do saldo negativo em discussão foi analisada minuciosamente nos autos do PA 11610.001857/200174, tendo sido realizada, inclusive, a baixa dos autos para diligência e apuração da documentação contábil apresentada pela contribuinte, devem ser acatadas as conclusões do referido processo administrativo. Saldo Negativo de IRPJ 2001 Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 12 11 O saldo negativo de IRPJ 2001 no valor de R$ 24.136.889,60, foi reduzido para o valor de R$ 14.181.787,84, tendo sido homologado apenas o valor de R$ 9.955.101,76. Tal redução corresponde à glosa de antecipações declaradas (no valor total de R$ 24.293.083,99), das quais apenas os montantes de R$ 10.111.296,15 (que corresponderia ao saldo negativo de IRPJ 2000 R$ 8.470.883,10 em valor atualizado) e de R$ 1.640.413,05 (deferido no PA 11610.001857/200174) foram admitidos. Noutras palavras, esses R$ 14.181.787,84 (= R$ 24.293.083,99 menos R$ 10.111.296,15) não reconhecidos, são referentes às antecipações de IRPJ estimativa de 2001, compostas por (i) R$ 684.132,36 relativos a DARF inexistente (IRPJ estimativa de Jan/01), (ii) por R$ 5.208.783,82 indeferidos no PA 11610.001857/200174, (iii) e R$ 8.288.871,66 de insuficiência do saldo negativo de anos anteriores. Consoante declarado em DCTF, para pagamento das antecipações no total de R$ 24.293.083,99, a Recorrente teria efetuado (i) pagamento em DARF, de R$ 684.132,36, (ii) compensações sem processo de R$ 18.400.167,81 e (iii) compensações no PA 11610.001857/200174, de R$ 6.849.196,87 (sendo R$ 1.640.413,05 deferidos, e R$ 5.208.783,82 indeferidos). A Recorrente esclarece que, de fato, não ocorreu o suposto pagamento declarado como realizado via DARF, no valor de R$ 684.132,36. Suscita a ocorrência de erro de preenchimento da DCTF, uma vez que tal pagamento teria sido realizado efetivamente via compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ 1999. Acrescenta que todas as demais compensações sem processo (R$ 18.400.167,81) teriam sido regularmente efetuadas com saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000. Revela que com saldo negativo de IRPJ 1999 foi compensado o IRPJ devido por estimativa em janeiro/01 a maio/01 e julho/01 (fl. 1267) e, com saldo negativo de IRPJ 2000, foi compensado o IRPJ devido por estimativa em julho/01 e setembro/01 (fl. 1271). Nesse diapasão, tenho como certo que devem ser acolhidas as alegações de equívocos cometidos no preenchimento da DCTF quando devidamente comprovados, em virtude do princípio da verdade material, orientador do processo administrativo fiscal. Assim, considerando tudo quanto foi demonstrado pela Recorrente e considerando, conforme pontuado até aqui, que os saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000 foram confirmados, mostrandose suficientes para suportar as compensações realizadas em 2001, devem ser acatadas as alegações da Recorrente sobre a hipótese de erro de fato no preenchimento da DCTF. Por fim, quanto aos demais valores não reconhecidos, relacionados a saldos negativos de períodos anteriores (i) R$ 5.208.783,82 supostamente indeferidos nos autos do PA 11610.001857/200174 (saldo negativo IRPJ 2000), e (ii) R$ 8.288.871,66 de suposta insuficiência do saldo negativo de IRPJ 1999, vale notar, conforme exposto nos tópicos acima, que foi reconhecida sua saciedade e legitimidade. Logo, também devem ser reconhecidas as compensações realizadas com tais créditos para pagamento das antecipações de IRPJ estimativa do anocalendário 2001. Destaquese, ainda, o quanto apurado pela DIORT/DEINF no relatório de diligencia (fl. 2872): Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 13 12 "24. No mesmo sentido, das planilhas elaboradas por esta DIORT/DEINF/SPO, que apontam a liquidação, por compensação, dos débitos estimados do IRPJ do anocalendário 2001, mais as informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF, que comprovam a integralidade do IRRF de R$ 14.809.387,34, salta evidente, como deduzido do demonstrativo "DIPJ AC 2000 RETIFICADA RESUMO DO IRPJ", a existência de Saldo Negativo do IRPJ nesse exercício, no montante de R$ 24.137.270,87 (folhas 2809 a 2811)." Com efeito, deve ser confirmado o saldo negativo de IRPJ 2001 no valor de R$ 24.137.270,87. Saldo Negativo de IRPJ 2002 A Recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ 2002 no montante de R$ 32.299.022,19, valor representado pela soma das antecipações do Imposto de Renda no valor de R$ 38.145.637,39, com IRRF de R$ 18.990.092,79, deduzida do imposto devido (R$ 24.836.707,99). A autoridade fiscal terminou por reduzir o saldo negativo de IRPJ 2002, de R$ 32.299.022,19 para R$ 5.676.064,37, uma vez que (i) do valor total das antecipações declaradas no ano (R$ 38.145.637,39), apenas o valor de R$ 10.782.452,65 (Saldo de 2001 atualizado como compensações sem processo) foi admitido, e (ii) haveria um valor deduzido a menor de IRRF pelo interessado, de R$ 740.226,92 (= R$ 19.730.319,71 existentes menos R$ 18.990.092,79 deduzidos pelo interessado). A não aceitação (de R$ 26.622.957,82) de parte das antecipações teria ocorrido porque (i) não constaria nos sistemas da RFB o pagamento do IRPJ estimativa de 12/2002, de R$ 5.592.206,43 (crédito referente a saldo negativo de IRPJ 2006), (ii) teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PA 11610.001857/200174 (crédito referente a saldo negativo IRPJ 2000), (iii) teria havido insuficiência de créditos no montante de R$ 13.754.546,71 (= R$ 24.536.999,36 utilizados menos R$ 10.782.452,85 reconhecidos), referentes a saldo negativo de IRPJ 2001, utilizado em compensações sem processo; e, (iv) o interessado teria utilizado o valor de R$ 5.832.691,15 (= R$ 6.572.918,07 menos R$ 740.226,92 acima mencionados) de IRRF do ano (para pagamento de IRPJ estimativa de 09/2002), sem oferecer as correspondentes receitas financeiras à tributação. Primeiramente, importa notar que o crédito de saldo negativo de IRPJ 2006 no valor de R$ 5.592.206,43 foi pleiteado na DCOMP (fls. 447, 449 e 455) que, no entanto, não foi integralmente homologada, conforme despacho decisório no processo administrativo de crédito nº. 10880.962787/201151 (fls. 2312/2316). Nesse passo, tenhase em mente que, do crédito total pleiteado no valor de R$ 29.071.325,92, foi homologado o montante de R$ 28.986.140,87. Portanto, o débito compensado (de R$ 5.592.206,43) poderá ser quitado até o limite do crédito homologado. Quanto aos demais valores não reconhecidos, referentes a crédito de saldo negativo de períodos anteriores, tais também devem ser homologados, já que foram confirmados – conforme tópicos acima os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2000 e 2001. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 14 13 Por fim, no que toca ao valor de R$ 5.832.691,15 de IRRF, é necessário tecer alguns esclarecimentos. Com relação ao IRRF, a Recorrente apurou o montante de R$ 25.563.010,86 (no sistema DIRF da RFB consta R$ 25.818.865,99) enquanto que a fiscalização considerou apenas o montante de R$ 19.730.319,71, pois, conforme entendimento da fiscalização, a empresa não teria tributado a totalidade das receitas financeiras que geraram o IRRF. A Recorrente sustenta que a totalidade das receitas financeiras foram contabilizadas e tributadas e evidencia tal fato, segregando seus argumentos entre IRRF sobre aplicações financeiras de renda variável e renda fixa. IRRF – Renda Variável A Recorrente afirma que o IRRF (R$ 22.530.862,60) é decorrente do rendimento de operações de swap no valor total de R$ 112.654.313,23. Esclarece que na DIPJ do AC 2002 – Ficha 6, Linha 21 – constou o valor de R$ 87.094.048,02, uma vez que esse seria o valor líquido apurado (receitas despesas), conforme balancetes que apresenta. Reforçando a argumentação, a Recorrente apresenta novos documentos e esclarecimentos, detalhando a forma como foram contabilizadas as receitas financeiras de renda variável que geraram as retenções de IR efetuadas em setembro e novembro de 2002. IRRF – Renda fixa A Recorrente esclarece que os rendimentos obtidos em operações de renda fixa foram contabilizados e tributados em sua integralidade, conforme regime de competência; ou seja, efetuandose a retenção do IR no momento do resgate do título. Assim, como parte da receita financeira demonstrada nos informes de rendimento foi contabilizada e tributada em exercícios anteriores ao da retenção do IR, a fiscalização não teria identificado a contabilização da totalidade da receita financeira na DIPJ do AC 2002. Nesse passo, a Recorrente apresentou diversos documentos que comprovariam a efetiva contabilização, conforme regime de competência, de todas as receitas financeiras obtidas em operações de renda fixa. Portanto, para confirmação da legitimidade do IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa e variável, e, conseqüentemente, do valor glosado de R$ 5.832.691,15, foram cuidadosamente analisados, na diligência realizada pela DIORT/DEINF, os relatórios contábeis, razões, balancetes e demais documentos apresentados pela Recorrente (fls. 538/640, 642/690 e docs. 8 a 13 do recurso voluntário, fls. 1478/1585). Com efeito, nesse ponto, a autoridade fiscal autuante analisou os documentos anexados ao recurso voluntário, a fim de verificar se a totalidade das receitas financeiras de renda fixa e variável obtidas no anocalendário 2002 foi devidamente submetida à tributação, permitindo que o IRRF decorrente de tais rendimentos fosse considerado na formação do saldo negativo de IRPJ 2002. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 15 14 Nesse sentido, o relatório de diligência concluiu que os documentos anexados ao recurso voluntário comprovaram que os rendimentos de aplicações em renda fixa e variável informados foram oferecidos à tributação, conforme exposto no fragmento abaixo: "42. Do acima exposto, concluise que os rendimentos de aplicações em renda fixa e variável informados pelas fontes pagadoras, em nome do interessado, para o anocalendário 2002 foram oferecidos à tributação e, portanto, o IRRF então decorrente, no montante de R$ 25.563.010,86, poderia ser computado como antecipação do IRPJ devido no ajuste, restando convalidado o Saldo Negativo do IRPJ, de R$ 32.299.022,19, conforme informado na DIPJ/2003." Portanto, resta confirmado o Saldo Negativo do IRPJ 2002 no valor de R$ 32.299.022,19. Saldo Negativo de CSLL 2002 Ainda que a maioria dos presentes não tenha reconhecido a homologação tácita das compensações de saldo negativo de CSLL 2002 declaradas no PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704, parte do crédito pleiteado deve ser reconhecido. Como visto, o saldo negativo de CSLL 2002 (R$ 4.789.054,58), foi convertido em saldo positivo de R$ 5.005.808,88, em razão da glosa de parte das antecipações declaradas. Isso porque, só foram admitidos os pagamentos de antecipações de CSLL realizados via DARF (R$ 3.944.046,89), tendo sido indeferidas as compensações realizadas com saldos negativos de períodos anteriores: (i) saldo negativo de IRPJ 2000 (1.046.852,20), (ii) saldo negativo de IRPJ 2006 (2.013.194,31); e (iii) saldo negativo de CSLL 2001 (6.734.480,02). Nesse contexto, uma vez confirmado o direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ 2000 e 2006 – conforme exposto nos tópicos acima , devem ser, para logo, reconhecidas as compensações realizadas até o limite do direito creditório. As demais compensações de antecipações efetuadas no anocalendário 2002, com crédito de saldo negativo de CSLL 2001, serão homologadas na medida em que tais créditos sejam confirmados, conforme análise a seguir. Saldo Negativo de CSLL 2000 e 2001 Do saldo negativo de CSLL 2000 (R$ 2.382.156,60), apenas R$ 2.309.362,81 foram homologados. A diferença é decorrente do não reconhecimento do pagamento de CSLL estimativa dos meses de janeiro, abril, maio e junho, quitadas com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998 e 1999, conforme documentos que anexa ao recurso voluntário (DCTF, planilhas de compensação, livros contábeis, etc). Assim, também nesse ponto, encaminhei meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal analisasse os documentos anexados ao recurso voluntário, a fim de que se verificasse a legitimidade das compensações efetuadas para Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 16 15 pagamento de CSLL estimativa no anocalendário 2000 e, conseqüentemente, do saldo negativo de CSLL 2000. De outro giro, também em razão da falta de comprovação dos créditos de saldo negativo de períodos anteriores (a saber: saldo negativo de IRPJ 2000 e saldos negativos de CSLL 1997, 1999 e 2000) diversas compensações realizadas para pagamento de CSLL estimativa foram glosadas, ensejando a redução do saldo negativo de CSLL 2001 (de R$ 6.125.425,68, apenas R$ 2.309.362,81 foi homologado). Uma vez que já está comprovada a legitimidade do saldo negativo de IRPJ 2000 – conforme exposto nos tópicos acima , devem ser, para logo, reconhecidas as antecipações compensadas com referido crédito. Já as demais antecipações compensadas com crédito de saldo negativo de CSLL 1997, 1999 e 2000 , tiveram seu reconhecimento condicionado à análise dos documentos apresentados pela Recorrente e ao resultado da diligência, a qual concluiu o que segue: "37. Consultando a DIPJ/98 entregue pelo interessado, referente ao anocalendário 97, assim como os documentos trazidos aos autos, não resta comprovada a existência do indigitado crédito. Ademais, das planilhas de compensação em anexo, evidenciase a insuficiência do Saldo Negativo da CSLL de 98 para extinguir integralmente os débitos estimados da CSLL do anocalendário 2000, restando, ao final, um saldo devedor, para Mai/00, de R$ 6.580,49 (folhas 2442 a 2516 e 2856 a 2861); 38. Porém, para fins de apuração do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2000, antes de efetuar qualquer glosa, poderia a autoridade administrativa, considerando a existência de Saldo Negativo remanescente do IRPJ do anocalendário 2000, aproveitálo de ofício, por força do disposto pelo art. 20 da IN SRF nº 21/97 então vigente, para liquidar o sobredito débito, restando, assim, convalidado o crédito de R$ 2.382.156,20, conforme apurado pelo interessado na DIPJ/2001 e refletido no demonstrativo “DIPJ AC 2000 RETIFICADA FINAL – RESUMO CSLL” (folhas 2841 e 2820); 39. Relativamente à CSLL do anocalendário 2001, tomandose em conta o aproveitamento dos Saldos Negativos da própria CSLL dos anoscalendário 99 e 2000 e do Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário 2000, verificase a suficiência desses créditos para liquidar os débitos estimados conforme apontado pelo interessado; 40. Contudo, em face da não comprovação da existência de crédito da CSLL do anocalendário 97, como já citado anteriormente, o débito estimado daCSLL de Jul/01, de R$ 21.397,74, com ele compensado, poderia, também de ofício, e parcialmente, ser liquidado com o Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário 2000. Dessa forma, porém, o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2001, dotado de certeza e liquidez, seria de R$ 6.116.909,00, como apurado no demonstrativo Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001383/200694 Acórdão n.º 1402001.785 S1C4T2 Fl. 17 16 “DIPJ AC 2001 RETIFICADORA FINAL – RESUMO CSLL”, contrariamente àquele pleiteado, de R$ 6.125.425,68 (folhas 2848 e 2823); 41. Por conseguinte, após realizado os procedimentos compensatórios e respeitado o Despacho Decisório proferido pela autoridade administrativa no PAF nº 10880.962787/2011 11, podese afirmar que o reconhecimento do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002 seria de R$ 4.779.272,69 (folhas 2824 a 2826);" Do acima exposto, concluise, nos termos do relatório de diligência, considerando a redução do saldo negativo do anocalendário 2001 e a consequente compensação parcial do débito estimado de Jul/02 (R$ 2.725.479,32), que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002 é de R$ 4.779.272,69. CONCLUSÃO Pelo exposto, provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2002 no valor de R$ 4.779.272,69 e para homologar as compensações realizadas até o limite dos créditos reconhecidos. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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