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Numero do processo: 15504.005969/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Gomes de Carvalho Pinto. OAB: 71.905/MG.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Gomes de Carvalho Pinto. OAB: 71.905/MG. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005969/201053 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.267 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ASSOCIACAO MARIO PENNA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Tiago Gomes de Carvalho Pinto. OAB: 71.905/MG. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 05 96 9/ 20 10 -5 3 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.005969/201053 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.267 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e Voto: Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.246.1654, lavrada em 08/04/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições de terceiros, conforme informações encontradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), referentes ao período de 01/2006 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.563.087,24, fls. 01. O lançamento foi realizado em virtude de a recorrente ter tido sua isenção cancelada por meio de Ato Cancelatório de 26/01/2007, fls. 23. Ocorre que não temos informação nos autos de que a discussão a respeito de tal ato administrativo tenha atingido a definitividade na esfera administrativa. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente insistiu que o julgamento presente deve aguardar a decisão final do processo que discute o cancelamento da isenção. Tem razão a recorrente nesse aspecto. Tratandose de questão prejudicial para o presente litígio, não temos como prosseguir com o julgamento sem que sejam colhidas informações a respeito da decisão sobre a isenção. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o presente processo aguarde a solução definitiva do processo que trata do Ato Cancelatório de Isenção 11.401.1/006 12007. Após tal evento, devem ser juntadas aos autos cópias das decisões e despachos daquele processo que demonstrem o desfecho definitivo da discussão a respeito da isenção/imunidade da recorrente no período do lançamento atual. Em seguida, deve a interessada ser cientificada com prazo de dez dias (art. 44 da Lei 9.784/99) para aditar seu Recurso. Por fim, retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.004545/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 09/10/2009
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE REGISTRAR SEGURADO EMPREGADO - ARTIGO 17, DA LEI N.º 8.213/91 C/C ARTIGO 18, I § 1.º DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias.
A aplicação de Auto de Infração por deixar a empresa de inscrever o segurado como empregado constitui, no caso de entes públicos uma impossibilidade jurídica, posto que é vedado a estes órgãos, por afronta direta ao art. 37 da CF/88, a formalização de vínculo de emprego (no caso a inscrição de segurado como empregado) sem o tramite de concurso público.
Determinar a procedência do auto de infração em questão, importa ratificar o entendimento de que o ente público deveria ter procedido a formalização do vínculo com os trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular, no caso os estagiários.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (Relator), que negava. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 09/10/2009 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE REGISTRAR SEGURADO EMPREGADO - ARTIGO 17, DA LEI N.º 8.213/91 C/C ARTIGO 18, I § 1.º DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias. A aplicação de Auto de Infração por deixar a empresa de inscrever o segurado como empregado constitui, no caso de entes públicos uma impossibilidade jurídica, posto que é vedado a estes órgãos, por afronta direta ao art. 37 da CF/88, a formalização de vínculo de emprego (no caso a inscrição de segurado como empregado) sem o tramite de concurso público. Determinar a procedência do auto de infração em questão, importa ratificar o entendimento de que o ente público deveria ter procedido a formalização do vínculo com os trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular, no caso os estagiários. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (Relator), que negava. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire - Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo.
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A aplicação de Auto de Infração por deixar a empresa de inscrever o segurado como empregado constitui, no caso de entes públicos uma impossibilidade jurídica, posto que é vedado a estes órgãos, por afronta direta ao art. 37 da CF/88, a formalização de vínculo de emprego (no caso a inscrição de segurado como empregado) sem o tramite de concurso público. Determinar a procedência do auto de infração em questão, importa ratificar o entendimento de que o ente público deveria ter procedido a formalização do vínculo com os trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular, no caso os estagiários. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 45 /2 00 9- 28 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (Relator), que negava. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10384.004545/200928 Acórdão n.º 2401002.663 S2C4T1 Fl. 1.358 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, pelo descumprimento da obrigação acessória de que trata o ar. 17 da Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 07, o AI foi lavrado por ter sido constatado que o contribuinte acima contratou estagiários em desacordo com as regras previstas na Lei 6.494/77, e deixou de inscrevêlos junto à previdência social, sendo os respectivos estagiários enquadrados como segurados obrigatórios da previdência social na categoria "empregados". Inconformada com a decisão de fls. 85/90, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em apertada síntese: Que o Auto de infração é nulo por violar o art. 24 da Lei 11.457/2007. Afirma que mesmo não havendo instrumento formal que registre a relação de estágio, somente se poderia presumir pela existência de relação de emprego caso fossem comprovados os requisitos do art. 3º da CLT, o que não ocorreu. Sustenta que ante a ausência de elementos aptos a caracterizar a relação de emprego deve ser reconhecida a insubsistência fática e jurídica da autuação. Defende que o art. 11, § 1º, inciso VII do Decreto 3048/99 que regulamenta as leis 8212/91 e 8213/91 prevê expressamente o estagiário como segurado facultativo. Requer o provimento do recurso para declarar a nulidade da intempestiva decisão recorrida e no mérito pela insubsistência da autuação. Alternativamente pede a retirada da multa punitiva com fulcro no art. 11.457/2007. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O presente lançamento foi efetuado baseandose nos valores pagos aos trabalhadores considerados pela recorrente como estagiários, porém sem a observância da Lei 6494/77. Em sede preliminar a recorrente entende ser nula a decisão de primeira instância pois teria contrariado o art. 24 da Lei 11457/07 que determina o prazo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa, contados à partir da defesa. Em meu entendimento esta equivocada a recorrente pois, o prazo de um ano previsto no artigo 24 da lei nº 11.457 aplicase exclusivamente aos processos em trâmite na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e não aos processos administrativos fiscais, o que se justifica pelo aumento significativo de competências da PGFN com a criação da Super Receita. Já com relação ao mérito, a própria recorrente reconheceu não ter observado o que dispunha o art. 3º da Lei 6494/77, no que se refere à intervenção da instituição de ensino, senão vejamos: Lei 6494/77 Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino (grifei) No que se refere a alegação de falta de comprovação dos requisitos do art. 3º da CLT, entendo como intrínseco às atividades prestadas pelos denominados “estagiários”, uma vez que houve remuneração, inclusive com pagamento de 13º salário; notadamente estas pessoas deviam cumprir horários pré estabelecidos bem como estavam subordinadas aos promotores de justiça do Estado do Piauí. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10384.004545/200928 Acórdão n.º 2401002.663 S2C4T1 Fl. 1.359 5 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre conselheiro quanto a procedência da falta imputada ao ente público, em razão de ter deixado de inscrever segurado empregado. Na verdade, é fato que em sendo constatado pela autoridade fiscal que trabalhadores, no caso estagiários, prestavam serviços em desacordo com a lei, correto o procedimento que lançou para efeitos previdenciários ditos trabalhadores como segurados empregados. Da mesma forma, para as empresas em geral, isso enseja a lavratura do Auto de Infração que ora se aprecia. Contudo, vislumbro na hipótese em questão, uma impossibilidade jurídica, posto que é vedado ao ente público, por afronta direta ao art. 37 da CF/88, a formalização de vínculo de emprego (no caso a inscrição de segurado como empregado) sem o tramite de concurso público. Determinar a procedência do auto de infração em questão, importa ratificar o entendimento de que o ente público deveria ter procedido a formalização do vínculo com os trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular, no caso os estagiários. O auto de infração de obrigação acessória reflete o descumprimento de uma obrigação por parte do contribuinte. No presente caso, está se imputando responsabilidade por ter deixado a empresa de inscrever segurado. Mas, neste caso, cabe uma ponderação? Era possível ao ente público realizar dita obrigação antes do procedimento fiscal? A resposta com certeza é “não” sob pena de nulidade do ato praticado, por afronta direta a dispositivo constitucional. Ademais, estaria, ainda o agente público sujeito a punição administrativa ou mesmo responsabilidade funcional face a desobediência aos deveres descritos no estatuto dos servidores públicos ou mesmo ao texto constitucional. É certo que a contratação irregular, ou seja, sem concurso público após a CF/88, feri o disposto no art. 37 do texto constitucional, portanto incabível qualquer espécie de vinculação ao ente público. Neste mesmo sentido, dispõe a Súmula 363 do TST, senão vejamos: Súmula 363 TST CONTRATO NULO – EFEITOS A contratação de servidor público, após a CF/88, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos depósitos do FGTS. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Assim, entendo que a cobrança de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a título de remuneração, que nada mais é do que uma contraprestação pelos serviços prestados, é perfeitamente possível. Contudo, incabível a exigência da formalização do vínculo com o ente público. CONCLUSÃO Isto posto, entendo que deva ser DADO PROVIMENTO AO RECURSO, posto a impossibilidade de imputação de uma responsabilidade ao ente público, que o mesmo não poderia realizar. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA , Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 15889.000265/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 89 .0 00 26 5/ 20 08 -0 1 Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 314 2 Relatório Tratase de auto de infração de obrigação principal lavrado em face da empresa Recorrente, referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa e alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT, incidentes sobre remunerações pagas ou creditados a segurados registrados na folha de pagamento da empresa e contribuintes individuais, relativas aos estabelecimentos matriz, filiais e a obras de construção civil. A empresa Recorrente presta serviços na área de construção civil e, por isso, destaca em suas notas fiscais o percentual de 11% sobre a mão de obra aplicada, não só nas obras de terceiros como também nas obras próprias. Relatório Fiscal às fls. 310/311. Serviram de base para o levantamento fiscal as folhas de pagamento de salários de empregados e de contribuintes individuais, valores confrontados com as GFIP da empresa. Ante a autuação efetuada, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 377/396, na qual alegou, em síntese: Decadência dos créditos relativos ao período de 01/1999 a 05/2003; Que teria sido autuada por efetuar compensação utilizando créditos oriundos de retenções efetuadas em notas fiscais de obras completamente encerradas, contrariando o disposto na IN SRP n. 03/2005. Para comprovação do encerramento das obras, anexou certidões de acervo técnico emitidas por CREA de vários estados e DF, além de atestados de execução assinados por várias contratantes; Que para que possa ser realizada compensação nos termos por ela realizados não é necessária baixa formal da obra, sendo suficiente que a obra tenha simplesmente se encerrado; Que a compensação de créditos (saldo de retenção) é admitida ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra; Que houve lançamento indevido de débitos quitados através de GPS; Que há equívocos na apuração das bases de cálculo em várias competências, em razão de soma de valores em duplicidade e/ou sem incidência de contribuições a terceiros; Ao final, pleiteou pela total improcedência do auto de infração. Às fls. 1148/1149, a Recorrente foi intimada a apresentar os originais ou cópias autenticadas dos documentos acostados às fls. 399/1147 e esta, tempestivamente, esclareceu que os referidos documentos foram emitidos através de seu sistema informatizado, não havendo como processálos de outro modo. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 315 3 Ante a impugnação da Recorrente, a fiscalização se manifestou através de Informação Fiscal de fls. 1156/1165, abordando a decadência qüinqüenal trazida pela Súmula Vinculante n. 8 do STF e concluindo pela decadência do crédito tributário referente ao período de 01/1999 a 05/2003. Esclareceu também que a variação de centavos apontada pela Recorrente, em verdade, decorre do programa oficial da RFB, que considera os valores apurados, deles deduzindo os recolhimentos, apontando as diferenças, se existentes, bem como analisou os documentos apresentados na impugnação, detalhando as retificações a serem feitas e concluiu pela redução de valores em função dos documentos trazidos pela Recorrente. Ciente da Informação Fiscal, a Recorrente apresentou nova impugnação (Fls. 1171/1181) reiterando os termos da primeira impugnação, apenas acrescentando ser equivocada a informação da Autoridade Fiscal de que não foram juntadas folhas de pagamento e GFIP nas épocas próprias. Levado a julgamento, a 7a turma da DRJ/RPO decidiu, através da Resolução de fls. 1183/1186, pela realização de nova diligência, solicitando clara demonstração dos valores compensados que não foram acatados, com a devida justificativa, pelo fato de que a legislação vigente à época previa a possibilidade, para o caso de construção civil, de compensação de saldo de retenção em estabelecimento ao qual está a obra vinculada. Em atendimento, o auditor esclareceu que, por se tratar de ação fiscal restrita à verificação de folhas de pagamento e GFIP, não foram analisados os encerramentos de obras e, por conseqüência, não fora verificada a existência de saldos porventura não compensados. Em face da manifestação fiscal, a Recorrente novamente se manifestou, através de impugnação de fls. 1235/1250, reafirmando todos os argumentos das impugnações anteriores. Posteriormente, apresentou aos autos informação de adesão ao parcelamento previsto na Lei n. 11.941/09 (REFIS IV) ressaltando, entretanto, a não inclusão da totalidade dos débitos. Foram apurados quais débitos seriam objeto de parcelamento e quais seriam mantidos em impugnação. Os autos foram remetidos à DRJ para julgamento das impugnações. Às fls. 1361/1374 foi proferido acórdão que julgou procedente em parte a pretensão da Recorrente para: Excluir do lançamento as contribuições relativas às competências de 01/1999 a 05/2003; Retificar o valor do crédito tributário em questão em razão de duplicidades constatadas e parcelamento (REFIS IV) informado pela Recorrente às fls. 1339. Em relação à compensação com uso de créditos de obras encerradas, entendeu pela impossibilidade de apreciação dos documentos acostados pela Recorrente vez que a matéria fugia ao objeto da fiscalização discutida; Manter os créditos remanescentes descritos na planilha localizada às fls. 1370/1371, esclarecendo que a Recorrente em momento algum apresentou documentos que Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 316 4 pudessem corroborar com suas reiteradas afirmativas de terem sido quitados. Ressaltou, ainda que a produção de provas no processo administrativo deve ocorrer no momento da impugnação, nos termos do art. 5o da Portaria Ministerial 10.875/07. Diante do acórdão acima descrito, a Recorrente interpôs o recurso ora em análise (Fls. 1401/1410), reiterando os termos das impugnações, mais especificamente no que diz respeito à compensação de créditos decorrentes de obras já encerradas e inexistência de preclusão para juntada de documentos no processo administrativo. Certificada a tempestividade (Fls. 1432), o recurso foi remetido ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 317 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Preliminar Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Da análise do recurso voluntário em discussão, constatouse que, em suma, a controvérsia gira em torno de créditos previdenciários que, segundo a Recorrente, foram indevidamente lançados, os quais a mesma alega ter quitado mediante utilização de créditos de obras encerradas para sua compensação. O recurso, ainda, levanta discussão acerca da impossibilidade de lançamento de créditos tributários já extintos por pagamento, bem como de supostas divergências da base de cálculo e diferenças em centavos observadas em razão de utilização de sistema informatizado da Previdência Social. Por último, entende pela inexistência de preclusão para produção de provas em sede de processo administrativo. Das divergências na base de cálculo das contribuições previdenciárias Alegou a Recorrente ter havido divergências no cálculo das contribuições ora lançadas uma vez que, segundo a mesma, foram inclusos na base de cálculo valores sobre os quais não deveriam incidir contribuições de terceiros. Todavia, como se pode observar do Recurso, bem como de todas as impugnações apresentadas ao longo do processo administrativo, em momento algum a Recorrente apontou quais seriam estes valores ou, ao menos, quais os fundamentos que justificariam a não incidência das contribuições sobre tais verbas. Sendo assim, entendo pela regularidade no cálculo das contribuições devidas, devendo o crédito tributário em comento ser mantido nos termos do acórdão da DRJ, às fls. 1361/1374. No que tange as divergências decorrentes de cálculo em duplicidade, não há o que analisar, uma vez que os lançamentos já se submeteram a todas as revisões cabíveis, sendo inclusive reconhecida a necessidade de retificação do lançamento (Fls. 1368/1369). Da preclusão do direito de produção de provas no processo administrativo O Decreto n. 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 318 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em tela, não sendo vislumbradas quaisquer das hipóteses de exceção do artigo 16, parágrafo 4o, precluso o direito da Recorrente em produzir provas fora do prazo da impugnação. Da Compensação de Créditos Decorrentes de Obras Encerradas O art. 203, parágrafo 8o, da IN SRP n. 3/2005 – vigente à época da fiscalização e dos fatos geradores permitia a utilização, através de compensação, de saldo de retenção em notas fiscais relativas a construção civil com as contribuições referentes ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. Esta possibilidade, entretanto, é delimitada às obras já encerradas que, quando de seu término, possuam créditos decorrentes da retenção passíveis de utilização. Melhor explicitando, os créditos referentes a uma obra, decorrentes das retenções realizadas em notas fiscais, não podem ser utilizados para fins de compensação de contribuições previdenciárias de obra diversa ou da própria contratada: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 6º A compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento. (...) § 7º A empresa contratada para execução de obra de construção civil mediante empreitada total, compensará o valor eventualmente retido na forma do art. 191, em documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra para a qual foi efetuado o faturamento, vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outra obra. § 8º No caso de obra de construção civil, é admitida a compensação de saldo de retenção com as contribuições referentes ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. No entanto, quando finda a obra e verificado saldo de crédito decorrente das retenções realizadas, possível o aproveitamento destes créditos pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra, nos termos do parágrafo 8o supra transcrito. No caso em tela, verificase que quando da fiscalização, o auditor desconsiderou a necessidade de verificar eventuais créditos em favor da empresa decorrentes de obras já Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15889.000265/200801 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2402000.268 S2C4T2 Fl. 319 7 encerradas, pautandose apenas nos créditos relativos à matrícula fiscalizada, conforme esclareceu às fls. 310: ‘As retenções efetuadas nas obras com matrícula em nome da empresa, obras próprias, foram objetos de compensações somente na própria matrícula, não sendo utilizados eventuais saldos positivos em outra matrícula. Já as retenções ocorridas nas notas emitidas para obras de terceiros serviram para compensação na matriz e nos estabelecimentos filiais CNPJ 0002 e 0003’. Ocorre, entretanto, que a verificação dos créditos decorrentes de obras já encerradas influenciariam de forma direta e expressiva no valor a ser lançado no auto de infração ora em análise, uma vez que a constatação de existência de créditos desta natureza, geraria direito de compensação pela Recorrente e, por conseqüência, redução do valor devido. Desta forma, reconhecida a validade do Auto de Infração em relação à incidência das contribuições previdenciárias na forma descrita, bem como a necessidade de verificação da existência de créditos previdenciários decorrentes de retenções realizadas em obras já encerradas, deverá a autoridade fiscal, no ato da cobrança dos créditos lançados, atentarse à existência de créditos passíveis de utilização pela Recorrente. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e a ele DOU PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a necessidade de verificação da existência de créditos decorrentes de retenções efetuadas em obras encerradas, CONVERTENDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que, se assim o for, seja realizada a compensação destes créditos nos valores lançados neste auto de infração. É o voto. Thiago Taborda Simões Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 15956.000587/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA.
A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada.
Numero da decisão: 2403-001.631
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA. A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SITUAÇÃO FÁTICA. A Auditoria Fiscal, ao constatar que o trabalhador preenche os requisitos da legislação vigente, na efetiva prestação de serviços a uma empresa, deve efetuar o lançamento conforme a situação fática encontrada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 87 /2 01 0- 15 Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1434.467 da 7ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (obrigações principais — AlOP) debcad n.º 37.268.1140, que constitui o credito tributário de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados considerados empregados da autuada e a contribuintes individuais, no montante de R$ 626.144,23 (seiscentos e vinte e seis mil e cento e quarenta e quatro reais e vinte e três centavos), consolidado cm 08/11/2010 e referente ás competências 01/2006 a 06/2007. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 650/663), o presente lançamento é composto pelos seguintes levantamentos: FP — FOLHA DE PAGAMENTO, contendo as basesdecálculo e contribuições NA° declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servi ço e Informações à Previdência Social (GFIP), relativos a segurados empregados. PS — PRESTADORES SERVIÇO PF, contendo as basesde cálculo e contribuições NÃO declaradas em GFIP, relativos a contribuintes individuais. De acordo com informações contidas no Relatório Fiscal, a empresa "PLANUSI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA", ora fiscalizada, utilizouse de outra empresa, a saber, "DISAIL DISTRIBUIDORA SERTANEZINA DE ACE,SSORIOS INDUSTRIAIS LTDA. EPP", optante pelo sistema de tributação Simples (de 01/2000 ate 06/2007), como interposta pessoa, com a finalidade de contratar segurados empregados Com redução de encargos tributários previdenciários (a parte patronal). Entendeu a fiscalização, lastreada na situação fática encontrada e juntando vastos elementos de prova, que os empregados e contribuintes individuais vinculados à empresa prestadora de serviços fossem considerados como segurados da empresa ora fiscalizada. A empresa autuada e a optante pelo Simples (doravante denominadas "PLANUSI" e "DISAIL", para simplificar) Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 tiveram suas situações analisadas, constatandose os seguintes fatos, (vide anexos) que apontam para a integração econômica, financeira, patrimonial e administrativa entre as mesmas: (i) Identidade de preposto e contador (que é também empregado da DISAIL— Sr. Luiz Eduardo Kasputes) e de advogados para ambas empresas, em sede de reclamatórias trabalhistas; cujo conteúdo evidencia ser a fiscalizada a real destinatária dos serviços prestados pelos empregados da primeira. Mesmo em período que não houve prestação de serviços para a PLANUSI (11/2006 a 06/2007), destacouse depoimento de trabalhadores registrados na DISAIL contra a reclamada ora autuada, afirmando ser esta a empregadora direta dos funcionários registrados na DlSAIL. (ii) A empresa DISAIL não possui sede para execução de suas atividades e o endereço indicado no contrato social da empresa é residencial (pelo menos desde 1998) e tem como proprietário o Sr. Vagner Stefanoni, conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão da Prefeitura Municipal de Sertãozinho 117/123). (iii) A empresa DISAIL possui como sócias as Sras. Leda Bisson Steranoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho que são, respectivamente. esposa e filha do Sr. Vagner Stefanoni. Este último foi sócio gerente desta empresa no período de 05/09/1979 a 01/12/1998 e é um dos sócios da PLANUS1. (iv) 0 Sr. Vagner Stefanoni, mesmo deixando o quadro societário da DISAIL, ern 12/1998, continuou a administrála (administrador nãosocio), com plenos poderes para tanto, conforme alterações contratuais referidas. (v) As empresas DISAIL e PLANUSI outorgaram procurações públicas para que o Sr. Vagner Stefanoni e outros (sócios administradores desta última) administrassem ambas, conjuntamente ou sozinhos , incluindo o poder de registrar os funcionários da DISAIL (vi) Em janeiro de 2000 firmouse contrato de prestação de serviços entre a PLANUSI e a DISAIL, devendo esta prestar "serviços gerais de administração e de controle de produção fabril", tendo como local de trabalho as instalações da contratante (PLANUS1). (vii) No período fiscalizado, a PLANUSI não possuía nenhum empregado registrado em seu nome, mas obteve uma Receita Bruta Operacional em torno de 37 milhões de reais para o ano de 2006 e de 13 milhões no primeiro semestre de 2007; os trabalhadores cedidos exercem as funções — obtidas das folhas de pagamento — que atendem a todas as necessidades de mão deobra da PLANUSI. desde os setores operacionais ate o pessoal de escritório, contador e gerentes. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 4 5 (viii) As receitas da DISAIL pelos serviços prestados originamse de seus únicos clientes PLANUSI e LAPEFER, alem de rendimentos de aluguel e de financiamentos do Sr. Vagner Stefanoni (como contrato de mutuo). Os alugueis recebidos não são corroborados por entrada de numerário (nem em caixa. nem em conta bancária), apenas lançados contabilmente em contrapartida a conta analítica "Serviços". Por sua vez, o Sr. Vagner Stefanoni (administrador não sócio da DISAIL e sócio administrador da PLANUSI) constitui conta analítica do passivo da primeira, com a finalidade de financiamento , a qual recebe transferências mensais de depósitos bancários efetuados pela PLANUSI. evidenciando a dependência financeira daquela em relação a esta. Não foi apresentado à fiscalização referido contrato de mútuo. (ix) A quantidade de funcionários da DISAIL, com comparecimento registrado em controle eletrônico, de 11/2006 a 06/2007, não condiz com o fato de não ter havido faturamento para a PLANUSI nesse período: apenas para a LAPEFER, localizada em São Paulo — SP, na qual foram realizadas intermediações de vendas (comissões), realizadas no percentual de 95% para a PLANUSI. Destacase que não consta, nos registros da DISAIL, nenhum indicativo de despesas — equipamentos, contas de telefone e energia, material de expediente etc, coerentes com esse tipo de prestação de serviços. (x) Ambas as empresas possuíam sua escrituração contábil assinada pelo mesmo contador e administrador, contendo na DISAIL despesas quase na totalidade relativa à folha de pagamento; ausentes as despesas de custeio administrativo, com aluguel de máquinas, energia elétrica, água. telefone e manutenção, inerentes a qualquer atividade econômica. (xi) Por amostragem (anexos) foram constatados na PLANUSI pagamentos de bolsa de estudo, de cursos ou treinamentos e despesas de viagem para diversos funcionários da DISAIL. (xii) A partir de fevereiro de 2008, foi firmada declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirão .Preto, informando a transferência da totalidade dos empregados da empresa DISAIL para a empresa sucessora, PLANUSI. em relação a encargos trabalhistas, ratificando a situação de fato existente entre as duas empresas. Conclui a fiscalização que a situação fática encontrada denota ser a DISAIL, optante pelo SIMPLES desde janeiro de 2000, empresa interposta utilizada pela PLANUSI para contratar empregados com redução de encargos previdenciários. Assim, foram considerados os funcionários daquela, por prestarem serviços diretamente à autuada. como seus segurados empregados, perante a legislação Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 previdenciária, com base nas folhas de pagamento da empresa optante pelo Simples (prestadora). Ainda, apuraramse contribuições incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (borracheiro e veterinária), a partir de lançamentos contábeis da PLANUSI; sobre as retiradas de pro labore do administrador não sócio (Sr. Vagner Stefanoni). a partir da escrita contábil da DISAIL; e foram glosadas deduções indevidas (acima do limite salarial permitido) de saláriofamília, conforme demonstrativo anexo ao processo principal. Há a informação, no Relatório Fiscal, de que foram devidamente apropriadas como "crédito" as Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) relativas ao instituto da retenção de 11% (art. 31 da Lei n.° 8.212/91). As basesdecálculo e valores apurados das contribuições estão demonstrados, por estabelecimento, no relatório Discriminativo do Débito (DD). anexo ao Al. Os percentuais de juros e das multas aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. São juntadas pela fiscalização cópias de: planilhas de remunerações de trabalhadores da prestadora, contratos sociais e alterações referentes as duas empresas mencionadas, Termo de Constatação Fiscal. Certidão da Prefeitura Municipal. notas fiscais de prestação de serviços, extratos bancários, guias, documentos trabalhistas e fiscais, contrato de prestação de serviços . DIPJ, recibos, procurações públicas para administrar e gerir todas as atividades das empresas envolvidas, livros contábeis e respectivos lançamentos, controles de ponto, dentre outros. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Reclamatórias Trabalhistas: ambas empresas são de familiares, têm semelhanças na forma de gestão e atuação, do que resulta ser lógico contratação de mesmos prestadores de serviço (advogados, contadores, etc). · A sede da DIAIL não suportava todos funcionários porque os serviços são prestados nas dependências de terceiros (a empresa atua com sessão de mão de obra). · O contrato entre as empresas é lícito, os serviços foram prestados e os tributos pagos. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 5 7 · A DISAIL foi constituída há mais de 30 anos e nunca teve exclusividade em relação à recorrente. · Falta de fundamentação para as contribuições exigidas. · Não é possível a transferência de vínculo empregatício de uma empresa para outra. · Recolhimentos deveriam ser apropriados. · SELIC. É o relatório Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A discussão está centrada na relação entre a PLANUSI e a DISAIL. A fiscalização entendeu que “a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários... Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdenciária, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregatícios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL.” Relatório Fiscal 3.1.7 Diante de todo o exposto, e reiterando que a integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA é inconteste, e aquela é uma empresa anexa a esta, pois as provas e indícios apresentados são contundentes e incisivos, obtendo, assim minha convicção que a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários, ou seja, não recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (2%) e Outras Entidades — TERCEIROS (5,8%). Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdenciária, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregatícios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 6 9 que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL. Concordo com a conclusão da fiscalização com base no conjunto de razões abaixo apresentado. VERDADE MATERIAL A fiscalização existe para verificar o cumprimento das obrigações fiscais e, em caso de encontrar situações de descumprimento, tem o dever de constituir o crédito tributário correspondente. No desempenho desse mister, a busca pela verdade dos fatos é o norte a ser seguido. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Entendendo que ajudaria a melhor entender o caso, inicialmente busquei, fora do processo, algumas informações acerca das empresas envolvidas ou citadas no processo. PLANUSI constatei que a empresa passou por uma profunda transformação em 1999, quando passou de uma empresa de engenharia para uma empresa fabricante de equipamentos industriais. Institucional Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A PLANUSI com sede em Sertãozinho – SP, foi fundada em 1.994 e sua atuação inicial no mercado se deu como Empresa de Engenharia, desenvolvendo produtos na área de fabricação de açúcar, passando em 1.999 a condição de fabricante de equipamentos, produzindo os produtos por ela desenvolvida. Instalada em uma área construída de 11.000 m² com expansão para mais 50.000 m², com excelente localização, defronte a uma das principais linhas rodoviárias do interior paulista, a Planusi vem atuando em diversos segmentos. Tendo como principal tradição, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias, a empresa possui uma engenharia completa que estuda e viabiliza soluções, tornando rentáveis seus investimentos. A Planusi projeta, fabrica e monta equipamentos autoportantes, que dispensam qualquer tipo de estrutura metálica de sustentação, com eficiência aumentada em função de novas concepções de circulação dos fluidos e de transferência de calor e com soluções para disposição dos equipamentos que se destacam pela economia de área ocupada, pela facilidade de interligação e pela funcionalidade da divisão entre os diversos grupos de equipamentos. A integração da engenharia com a fabricação permite à PLANUSI conduzir todo o projeto, desde a engenharia básica até a postaemmarcha, de forma muito mais abrangente, dando assim mais segurança ao Cliente. Todos os nossos produtos encontramse em operação em muitas instalações espalhadas pelo país e exterior, tendo comprovado sua eficiência. Todos os nossos produtos estão devidamente cadastrados junto à Agência Especial de Financiamento Industrial FINAME, para permitir seu financiamento, e além disto oferecemos a possibilidade de parceria ou do acerto de cronogramas físicofinanceiros diretamente entre Planusi e Cliente para viabilização dos projetos. A Planusi fornece desde instalações completas chavenamão, abrangendo desde o tratamento do caldo até a embalagem e o armazenamento do açúcar, até equipamentos isolados. A execução de dezenas de plantas “turn key” para fabricação de açúcar no Brasil e no Exterior, atesta a capacidade da PLANUSI, onde técnicos especializados em desenvolvimento de produtos e processos de fabricação estão aptos a atender o mercado, fornecendo produtos com alta tecnologia. Fonte: http://www.planusi.com.br/home/empresa.php?id=3, acessado em 4/09/2012. DISAIL Verifiquei que a empresa não é nem nunca foi optante pelo SIMPLES Nacional. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 7 11 Consulta Optantes Identificação do Contribuinte CNPJ :46.950.028/000190Nome Empresarial :DISAIL DISTRIBUIDORA SERTANEZINA DE ACESSORIOS INDUSTRIAIS LTDA ME Situação Atual Situação no Simples Nacional :NÃO optante pelo Simples Nacional Situação no SIMEI:NÃO optante pelo SIMEI Períodos Anteriores Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores:Não Existem Opções pelo SIMEI em Períodos Anteriores:Não Existem Agendamentos (Simples Nacional) Agendamentos no Simples Nacional:Não Existem Eventos Futuros (Simples Nacional) Eventos Futuros no Simples Nacional:Não Existem Fonte: http://www8.receita.fazenda.gov.br/SIMPLESNACIONAL/a plicacoes.aspx?id=21, acessado em 05/09/2012. LAPEFER – Esta empresa aparece no processo com relações com a DISAIL. Sua atividade é “distribuidora de aço” e está localizada na cidade de São Paulo. A Lapefer Há mais de 40 anos no mercado, aLapefer Comércio e Indústria de Laminados Ltda.é uma das mais tradicionais distribuidoras de aço do Brasil. Localizada no bairro da Mooca, a empresa está situada num ponto estratégico da capital paulista, que permite atender seus clientes com rapidez e qualidade. Seu estoque está abastecido com um mix variado de produtos, vindos das maiores usinas siderúrgicas do país. Devido aos constantes investimentos, aLapeferestá pronta para suprir as necessidades dos mais diversos segmentos da indústria. Isso porque a empresa possui um parque otimizado, com área de 11 mil m², equipado com pontes rolantes de diferentes capacidades e balanças rodoviárias para a checagem das cargas, além de uma frota própria de caminhões que garante a Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 entrega dos materiais de forma rápida para toda grande São Paulo. Consulte um de nossos vendedores, solicite um catálogo, nossa equipe é altamente qualificada para atender as necessidades da sua empresa. Fonte: http://www.lapefer.com.br/empresa.asp, acessado em 05/09/2012. Voltando ao processo, registro a citação a uma ação fiscal anterior, onde foram levantados débitos com os mesmos fundamentos deste. Abaixo apresento conjunto de evidência: Gestão da empresa A empresa DISAIL possui como sócias as Sras. Leda Bisson Steranoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho que são, respectivamente. esposa e filha do Sr. Vagner Stefanoni. Este último foi sócio gerente desta empresa no período de 05/09/1979 a 01/12/1998 e é um dos sócios da PLANUS1. 0 Sr. Vagner Stefanoni, mesmo deixando o quadro societário da DISAIL, em 12/1998, continuou a administrála (administrador nãosocio), com plenos poderes para tanto, conforme alterações contratuais referidas. Além disso, as empresas DISAIL e PLANUSI outorgaram procurações públicas para que o Sr. Vagner Stefanoni e outros (sócios administradores desta última) administrassem ambas, conjuntamente ou sozinhos , incluindo o poder de registrar os funcionários da DISAIL. Ambas as empresas possuíam sua escrituração contábil assinada pelo mesmo contador e administrador PLANUSI sem empregados no período fiscalizado, a PLANUSI não possuía nenhum empregado registrado em seu nome, mas obteve uma Receita Bruta Operacional em torno de 37 milhões de reais para o ano de 2006 e de 13 milhões no primeiro semestre de 2007. Em janeiro de 2000 firmouse contrato de prestação de serviços entre a PLANUSI e a DISAIL, devendo esta prestar "serviços gerais de administração e de controle de produção fabril", tendo como local de trabalho as instalações da contratante (PLANUSI). DISAIL foi optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES de 01 de janeiro de 2000 a 30 de junho de 2007. Os trabalhadores cedidos exercem as funções — obtidas das folhas de pagamento — que atendem a todas as necessidades de mãodeobra da PLANUSI. desde os setores operacionais ate o pessoal de escritório, contador e gerentes. Todos empregados da DISAIL são transferidos para a PLANUSI A partir de fevereiro de 2008, quando a DISAIL não mantém mais a s vantagens de regime diferenciado e favorecido de tributação, foi firmada declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirão .Preto, informando a transferência da totalidade dos empregados da empresa DISAIL para a empresa sucessora, PLANUSI. em relação a encargos trabalhistas. Não houve nenhuma fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas. Ações trabalhistas movidas contra DISAIL e PLANUSI – existência de ações trabalhistas onde as duas empresas são reclamadas, onde o preposto e o advogados são os mesmos para as duas empresas. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 8 13 Empregados da DISAIL trabalhando de graça para a PLANUSI funcionários da DISAIL, com comparecimento registrado em controle eletrônico, de 11/2006 a 06/2007, não condiz com o fato de não ter havido faturamento para a PLANUSI nesse período. PLANUSI paga bolsa de estudos para empregados da DISAIL por amostragem (anexos) foram constatados na PLANUSI pagamentos de bolsa de estudo, de cursos ou treinamentos e despesas de viagem para di versos funcionários da DISAIL. DISAIL sem despesas com energia elétrica, água, telefone, etc – quase a totalidade das despesas da DISAIL referemse à folha de pagamento; ausentes as despesas de custeio administrativo, com aluguel de máquinas, energia elétrica, água. telefone e manutenção, inerentes a qualquer atividade econômica. Localização sede empresa DISAIL não possui sede para execução de suas atividades e o endereço indicado no contrato social da empresa é residencial (pelo menos desde 1998) e tem como proprietário o Sr. Vagner Stefanoni, conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão da Prefeitura Municipal de Sertãozinho 117/123). Receitas DISAIL as receitas da DISAIL pelos serviços prestados originam se de seus únicos clientes PLANUSI e LAPEFER, alem de rendimentos de aluguel e de financiamentos do Sr. Vagner Stefanoni (como contrato de mutuo). Os alugueis recebidos não são corroborados por entrada de numerário (nem em caixa. nem em conta bancária), apenas lançados contabilmente em contrapartida a conta analítica "Serviços". Por sua vez, o Sr. Vagner Stefanoni (administrador não sócio da DISAIL e sócio administrador da PLANUSI) constitui conta analítica do passivo da primeira, com a finalidade de financiamento , a qual recebe transferências mensais de depósitos bancários efetuados pela PLANUSI. evidenciando a dependência financeira daquela em relação a esta. Não foi apresentado à fiscalização referido contrato de mútuo. DISAIL intermedia vendas para LAPEFER realizadas intermediações de vendas (comissões), realizadas no percentual de 95% para a PLANUSI. Destacase que não consta, nos registros da DISAIL, nenhum indicativo de despesas — equipamentos, contas de telefone e energia, material de expediente etc, coerentes com esse tipo de prestação de serviços. Transcrevo abaixo trecho do Relatório Fiscal onde estão descritos os indícios e provas que fundamentaram o procedimento da fiscalização. Os documentos citados encontramse no processo. 3.1.4 Seguem abaixo discriminados estes indícios ou provas da integração econômica, financeira, patrimonial, estrutural, especialmente o poder de decisão, e de relações familiares dos dirigentes da DISAIL com a FISCALIZADA, bem como provas emprestadas da ação fiscal anterior, como já relatado, pois estas provas emprestadas foram realizadas durante o período de 13/11/2008 a 22/05/2009, ou seja, posterior ao período fiscalizado na presente ação fiscal: A) Na Reclamação Trabalhista número 1145/2007 da 24 Vara do Trabalho de Sertãozinho / SP, movida em face das empresas Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 DISAIL e FISCALIZADA, ambas elegeram como preposto o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, sendo este a época das nomeações de preposto (dia 03/10/2007) empregado registrado na DISAIL, na qual foi admitido em 01/06/2000. Os advogados nomeados para a defesa de ambas as empresas também são os mesmos, evidenciando que o interesse de ambas neste processo é uniforme, pois na reclamatória trabalhista o reclamante alega que foi contratado pela DISAIL, "que faz intermediações de mãodeobra", prestando serviços na FISCALIZADA, "sendo esta a real tomadora e beneficiária dos serviços". Portanto, constitui uma prova de integração entre ambas empresas, pois utilizam os mesmos advogados e o mesmo preposto nesta ação trabalhista em data que o preposto estava registrado como funcionário da DISAIL, e a indefinição para quem o reclamante estava subordinado (fls. 49 a 67; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alitlea constitui PROVA EMPRESTADA. B) Na Reclamação Trabalhista número 1449/2008 da 1 4 Vara do Trabalho de Serldozinho / SP, movida em face da FISCALIZADA, elegeram como preposto o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, da qual fora transferido da DISAIL para a FISCALIZADA sem ônus para esta a partir de 01/01/2008. 0 advogado Dr. João Paulo Bonini, um dos nomeados na reclamação da alínea "a" acima, na contestação, afirmou que o reclamante foi admitido pela FISCALIZADA, sucessora da DISAIL, em 10/03/2004. Foram retiradas cópias da reclamatória trabalhista e juntados neste Al: (i) copia da carteira de trabalho do reclamante com carimbo nas folhas de anotações gerais constando transferência da DISAIL para a FISCALIZADA a partir de 01/01/2008 sem perda dos direitos adquiridos; • (ii) registro eletrônico de ponto do período de 01 a 12/07 na DISAIL e de 01 e 02/08 na FISCALIZADA, com mesmo "layout" de impressão; e (iii) controle e recibo de entrega de equipamento de proteção individual EPI em nome da DISAIL no intervalo de 24/04/2004 a 08/09/2008. 1 Portanto, como poderia haver uma sucessão se não houve fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas. Isto nos induz a crer que há uma relação de integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, corroborado com o próprio documento de entrega de EPI que continuou sendo utilizado pela FISCALIZADA em uma alegada sucessão não formal contratualmente (fls. 68 a 99; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). C) Na Reclamação Trabalhista número 1201/2009 da 2 4 Vara do Trabalho de Sertãozinho / SP, movida em face da empresa DISAIL, foi constituído o mesmo advogado nomeado na reclamatória da alínea "b" acima, assinando como responsável legal o Sr. Vagner Stefanoni, identificado por semelhança com a assinatura constante da nomeação do preposto Ivan da Cruz Souza. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 9 15 1 Na Ata de Audiência, o reclamante disse que "foi dispensado sob a alegação de que pulava a catraca da Planusi (grifo nosso), o depoente Alessandro João Jardim disse que "trabalhava na reclamada desde março/2000 como gerente de produção; trabalha dentro da Planusi . não sabe qual a relação entre Disail e Planusi" (grifo nosso), e o depoente Ilson Jerônimo Ricobelo disse que "trabalhou na reclamada por mais de 01 ano e foi dispensado no mesmo dia que o reclamante". O advogado constituído pela DISAIL, na contestação, afirmou que o reclamante foi admitido em 07/05/2007 e dispensado em 14/11/2007, e, também, afirmou que "De fato, ocorreu que o autor, em conluio com porteiro de empresa terceirizada, o qual inclusive foi afastado de suas atividades na Planusi, ..." (grifo nosso). 2 Diante destas afirmações, verificase que o reclamante e os dois depoentes trabalharam nas instalações da FISCALIZADA durante o vinculo empregatício do reclamante. Como a DISAIL não prestou serviço para a FISCALIZADA no período de 11/2006 a 06/2007, constituise esta reclamatória em prova cabal de que a FISCALIZADA é a empregadora direta dos funcionários que estão registrados na DISAIL (fls. 100 a 116; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). D) Conforme alteração de contrato social de 12 de novembro de 2003, a DISAIL está situada na Rua Elpidio Gomes, 141 A, na cidade de Sertãozinho, mas, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal, este endereço foi sempre residencial pelo menos nos últimos 40 anos, não possuindo condições logísticas para abrigar os empregados registrados em seu nome. Para corroborar com esta informação, foi anexada a Certidão feita pela Secretaria Municipal da Fazenda de Sertãozinho / SP datado de 06/05/2009, em resposta ao Oficio n° 26/2009/DRF/RPO/Sefis/EFI 3. Tal Certidão informa que o imóvel da Rua Elpidio Gomes, 141 é de natureza residencial, e que no local consta como funcionando a empresa DISAIL, e que na Ficha Espelho do Imóvel seu proprietário é o Sr. Vagner Stefanoni. De acordo com a alteração do contrato social datado de 01/12/1998, a Sra. Leda Bisson Stefanoni (sóciagerente) e o Sr. Vagner Stefanoni residem neste endereço pelo menos desde dezembro de 1998. Estes fatos somados comprovam que houve simulação na informação do domicilio tributário da DISAIL, pois no mencionado endereço nunca houve, efetivamente, movimentação de empregados nem tampouco produção fabril (fls. 117 a 142; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. E) A DISAIL possui como únicas sócias, desde 01 de dezembro de 1998, as Sras. Leda Bisson Stefanoni e Bárbara Aparecida Stefanoni Carvalho, conforme alteração contratual registrado em 24/03/1999. Essas sócias são, respectivamente, mulher e filha do Sr. Vagner Stefanoni, que foi sóciogerente da DISAIL no Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 período de 05 de setembro de 1979 a 01 de dezembro de 1998, e é um dos sóciosadministradores da FISCALIZADA a partir de 23/06/1999 (antes no Novo Código Civil denominavase sócio gerente). 0 Sr. Vagner Stefanoni, ao deixar a sociedade da DISAIL em 01/12/1998, na mesma alteração contratual, continuou a administrála, com plenos poderes para gerila, conforme consta nesta e nas seguintes alterações contratuais. Para evidenciar ainda mais a interação entre estas empresas, a FISCALIZADA foi sócia da DISAIL no período de 29 de outubro de 2007 a 05 de dezembro de 2007. Exponho o artigo 9°, inciso IX da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que segue: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa Jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ;" 1 Tal ordenamento legal justifica a saída do Sr. Vagner Stefanoni do quadro societário e sua inclusão como administrador não sócio da DISAIL, para sua posterior entrada para o quadro societário da FISCALIZADA, seis meses após. A partir de 01 de janeiro de 2000 a DISAIL passou a ser optante do SIMPLES. Portanto, a relação familiar entre as sócias da DISAIL e o administrador não sócio da DISAIL / sócio administrador da FISCALIZADA o Sr. Vagner Stefanoni é inconteste, e a seqüência de atos como a saída da sociedade da DISAIL, mas continuando a gerila como administrador não sócio, e a inclusão do Sr. Vagner Stefanoni na sociedade da FISCALIZADA, e a inclusão da DISAIL no SIMPLES, são indícios fortes de característica de simulação para fins de diminuição de contribuição previdencidria (f Is. 124 a 185; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. F) A FISCALIZADA e a DISAIL possuem Certidões emitidas pelo 2° Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos da Comarca de Sertãozinho — SP datadas de 27/10/2004 e 12/07/2005, respectivamente, nomeando como procuradores os Srs. Cássio José Carvalho, Marcelo Henrique Galvdo e João Marcos Galvão Júnior. Os procuradores foram contratados e registrados pela DISAIL em 02 de abril de 2001, em 01 de fevereiro de 2000, e em 01 de junho de 2006, respectivamente. A Procuração outorgada pela DISAIL traz em seu texto, após nomear e constituir seus procuradores, o seguinte: "confere poderes amplos, gerais e ilimitados para o fim especial de agindo sempre em conjunto de dois procuradores, ou ainda, um procurador e uma sócia da empresa, da seguinte forma: a) Sr. Cássio José Carvalho e Sr. João Marcos Galvão;...c) Sr Cássio José Carvalho e Sr João Marcos Galvão Junior; d) Sr Vagner Ste fanoni e Sr. João Marcos Galvão; g) Sra. Leda Bisson Ste fanoni e Sr João Marcos Galvão; j) Sra. Bárbara Aparecida Ste fanoni Carvalho e Sr João Marcos gerir e administrar a firma outorgante..." (grifos nossos). Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 10 17 1 Os nomes sublinhados não são sócios da DISAIL. Os nomes sublinhados Sr. João Marcos Galvão e Sr. Vagner Stefanoni são sóciosadministradores da FISCALIZADA, mas mesmo assim ganharam poderes para gerir a DISAIL, juntamente com seus procuradores e sócias, mas na letra "d" figuram sozinhos, ou seja, os sócios da FISCALIZADA podem gerir, sozinhos, a DISAIL. Este é um fato que evidencia a "integração" existente entre as duas empresas, uma cedendo os empregados para que a outra produza e comercialize os produtos, gerando, com essa "simbiose", uma economia no recolhimento das contribuições previdenciárias. Outro fato que se deve considerar é que na procuração outorgada pela FISCALIZADA, consta que podem agir em conjunto os Srs. João Marcos Galvão Junior e o Sr. Cássio José Carvalho, idêntico a letra "c" da procuração outorgada pela DISAIL, concluindo que podem administrar as duas empresas também os Srs. João Marcos Galvdo Junior e Cássio José Carvalho, desde que conjuntamente. 2 Portanto, constitui em prova inconteste de integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, ou seja, a procuração da DISAIL outorga poderes gerais e ilimitados_ de gerência e administração para os sóciosadministradores da FISCALIZADA. Então, os ddis sácios da FISCALIZADA, com a procuração outorgada pela DISIAL, poderiam efetuar os registros de todos os funcionários na DISAIL, pois esta é optante do SIMPLES, não estaria obrigada ao lançamento por homologação e recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (3%) e de Outras Entidades (5,8%), e deixaria a FISCALIZADA sem nenhum funcionário registrado, pois esta não é optante do SIMPLES e não pagaria todas aquelas verbas previdenciárias. Mas isto é o que foi executado durante o período fiscalizado, constituindo, juntamente com as provas e indícios citados acima e abaixo desta alínea, uma integração entre as duas empresas com o fim especifico de redução dos encargos previdencidrios (fls. 186 a 191; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. G) Em 20 de janeiro de 2000 foi firmado contrato de prestação de serviços entre a FISCALIZADA, contratante, e a DISAIL, contratada, tendo como objeto o fornecimento por parte da contratada de "Serviços gerais de administração e de controle de produção fabril" à contratante, bem como o local de trabalho para a consecução dos serviços seria as instalações da FISCALIZADA. As assinaturas deste contrato foram do Sr. Vagner Stefanoni, representando a DISAIL, e o Sr. João Marcos Galvão, representando a FISCALIZADA. O contrato institui como forma de pagamento o fluxo de caixa da FISCALIZADA, e o preço a ser estabelecido de comum acordo entre as partes, bem como sem definição de prazo de validade. 1 A FISCALIZADA atende todos os pedidos feitos por seus clientes utilizandose apenas dos empregados registrados na Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 DISAIL, pois, no período desta ação fiscal (01/01/2006 a 30/06/2007), aquela, não possuía nenhum empregado , registrado em seu nome, e mesmo assim, obteve uma Receita Operacional Bruta no ano calendário 2006 de R$ 37.451.350,22, e no primeiro semestre do ano calendário 2007 de R$ 13.103.944,40. Esses empregados, que têm funções variadas descritas em folhas de pagamento como as de faxineiro, desenhista copista, eletricista, comprador, auxiliar administrativo, gerente administrativo, gerente financeiro, mecânico montador, auxiliar de escritório, expedidor de materiais, operador de máquinas fixas, porteiro, operador de ponte rolante, operador de radial 2, pedreiro, coordenador, ajudante geral, supervisor de montagem, prestavam serviços na sede da FISCALIZADA, suprindo suas necessidades de mãode obra em todos os setores, desde o chão de fábrica até o pessoal de escritório, contador e gerentes. 2 Como o Sr. Vagner Stefanoni era, no período fiscalizado, ao mesmo tempo administrador nãosócio com poder de mando na DISAIL e sócioadministrador da FISCALIZADA, concluise que os empregados registrados naquela e que trabalhavam para esta estavam sob o comando da mesma pessoa sem ter como identificar a qual empresa pertenciam, corroborando com esta constatação a outorga da procuração da DISAIL conferindo amplos poderes, gerais e ilimitados para gerir e administrar, conforme já relatado na alínea "f" acima. Podese afirmar, então, que este contrato foi firmado entre os dois sócios da FISCALIZADA. Este fato tem uma explicação: a FISCALIZADA, não podendo ser optante pelo SIMPLES devido ao seu faturamento, contrata a DISAIL, optante pelo SIMPLES e administrada pelo não sócio Sr. Vagner Stefanoni, que também é sócioadministrador da FISCALIZADA, a fim de reduzir o seu recolhimento de contribuições previdencidrias incidentes sobre a folha de pagamento de salários. 3 Portanto, outra prova indiscutível da integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA e a simulação "discarada" entre elas, pois a administração é única, nem dando o cuidado de assinar as próprias sócias representando a DISAIL. As cláusulas deste contrato não têm objetividade, não possui determinação de valores, não tem forma de pagamento e prazo de validade definidos, entendendo não ser qualificado como uma transação comercial, pois as cláusulas estão sempre favoráveis a FISCALIZADA (fls. 192 a 196; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). Esta alínea constitui PROVA EMPRESTADA. H) 0 Sr. Luiz Eduardo Kasputes foi contratado e registrado pela DISAIL em 01 de junho de 2000 como gerente administrativo. Ele é o contador da FISCALIZADA e da DISAIL, assinando, juntamente com o Sr. Vagner Stefanoni, os Livros Diários referente aos períodos de 01/01/2006 a 31/12/2006 e de 01/01/2007 a 30/06/2007 de ambas empresas. As ações fiscais desenvolvidas em ambas as empresas em questão foram atendidas pelo Sr. Luiz Eduardo Kasputes, que separou a documentação exigida e explicou a movimentação contábil e de pessoal ocorrida, respondendo todas as intimações. Portanto, o Sr. Vagner Stefanoni assinando todos os livros contábeis das Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 11 19 duas empresas, se responsabilizando por todas as transações, pagamentos, recebimentos, e outros, juntamente com o Sr Luiz Eduardo Kasputes, caracterizase em mais um indicio de integração entre as duas empresas para o fim de redução no recolhimento de contribuições previdencidrias (fls. 197 a 199 e 202 a 210; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). I) Ao analisar a contabilidade da DISAIL e da FISCALIZADA, separadamente ou conjuntamente, verificamos diversos indícios e fatos contundentes da qual sinalizam que a DISAIL está sendo utilizada simplesmente para registrar os funcionários da FISCALIZADA, ou seja, unicamente para não recolher A parte da Empresa (20%), RAT (3%) e Outras Entidade (5,8%) sobre o total das remunerações dos funcionários registrados na DISAIL, da qual expomos: 1 Na DISAIL possui: (I) lançamentos feitos na sua contabilidade de receitas auferidas somente de prestação de serviços, mesmo constando também no objeto social principal o comércio de máquinas, acessórios industriais e produtos químicos; (ii) as despesas registradas na contabilidade derivam quase que totalmente da folha de pagamento de salários e respectivos encargos trabalhistas, ou seja, não possuindo registros contábeis de despesas com material de escritório (lápis, caneta, papel, e outros), material de limpeza (alvejante, vassoura, rodo, e outros), fotocópias, cartorárias, postal, e etc.; (iii) não foram encontrados lançamentos referentes As despesas de energia elétrica, água, telefone, aluguel do local onde alega ser seu domicilio fiscal, das quais são inerentes a qualquer atividade comercial e/ou de serviço. Portanto, sem estas despesas essenciais A existência de qualquer empresa, bem como sem o lançamento contábil relativo ao pagamento do registro do livro diário do ano calendário 2006 com autenticação efetuada em 14/06/2007 no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais de Sertãozinho, como a DISAIL poderia ser considerada uma empresa independente; 2 A FISCALIZADA possui, por amostragem: (i) pagamento de bolsa de estudo para Marcos Antonio Piassa, funcionário registrado na DISAIL, nos meses de 01 e 05/2007; (ii) pagamento de cursos ou treinamentos para Leandro Osvaldo Giroto e André Candido Sanches, funcionários da DISAIL, e outros sem identificação do beneficiário, nos meses 01, 04 e 05/2007; (iii) pagamento de despesas de viagens para vários funcionários da DISAIL nos meses de 01, 03 a 08 e 11/2006 e 01 a 06/2007. Portanto, a FISCALIZADA mantém obrigações trabalhistas em que a DISAIL deveria suportar, conduzindo a mais uma prova de integração entre ambas (fls. 211 a 287; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); 3 Os recebimentos da DISAIL pelos serviços prestados aos seus únicos clientes FISCALIZADA e LAPEFER, conforme notas Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 fiscais apresentadas na ação fiscal efetuada na DISAIL, somente poderiam ser através de depósitos em conta corrente bancária, pois a fiscalizada não possui conta caixa em sua escrita contábil. Na escrita contábil da DISAIL, a conta contábil analítica 11202000711 — Serviços, do Ativo Realizável (conta contábil sintética Serviços e Comissões a receber) possui, em seus valores relevantes, conforme descrito na Planilha V e VI anexos a este Al das quais fazem parte integrante (fls. 288 a 294; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante): (i) lançamentos contábeis a créditos com contrapartidas a débito nas contas contábeis analíticas 11102000024— Bradesco S/A e 11102000036— Unibanco S/A, ambas do Ativo Circulante, constituindose depósitos em conta corrente bancária da DISAIL, descrito no histórico do lançamento como avisos de créditos, e a conta contábil analítica 21201003402 — Vagner Stefanoni, do Passivo Circulante (conta contábil sintética Financiamentos), descrito no histórico do lançamento como transferência; (ii) lançamentos contábeis a débitos com contrapartidas a crédito nas contas contábeis analíticas 21201003402 — Vagner Stefanoni, do Passivo Circulante (conta contábil sintética Financiamentos), 31101001510 — Prestação de Serviços, da Demonstração de Resultado, e os recebimentos do aluguel, representado pelas contas contábeis analíticas 33402003438 — Aluguel menos 33203000723 —Comissão de Administração, ambas da Demonstração de Resultado. a) Diante da análise destes lançamentos como um todo, destacamos que: (i) as disponibilidades financeiras da DISAIL advêm de supostos serviços prestados a FISCALIZADA e a LAPEFER, rendimentos de aluguel, e supostos financiamentos do Sr. Vagner Stefanoni, sendo que neste último, ocorre transferência ao crédito e a débito, como uma conta de mútuo; (ii) foram recebidos os alugueis pela DISAIL, conforme comprovantes juntados a este Al, mas não existe a entrada de numerário (nem em caixa, nem em conta corrente bancária), ou seja, os recebimentos simplesmente foram lançados contabilmente em contrapartida à conta analítica Serviços (fls. 295 a 297; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); (iii) o Sr. Vagner Stefanoni, além de ser o administrador não sócio da DISAIL, e ser sócioadministrador da FISCALIZADA, também possui uma conta contábil analítica do passivo (21201003402) com finalidade de financiamento na DISAIL, da qual recebe transferência mensal de depósitos bancários efetuados pela FISCALIZADA, utilizando a conta contábil serviços como transitória, ou seja, a seqüência seria lançamentos contábeis a débito na conta Banco e a crédito na conta Serviços, depois a débito na conta Serviços e a crédito na conta Vagner Stefanoni (vide também a planilha VII anexa a este Al da qual faz parte integrante). Entendemos, então, que a conta contábil do Sr. Vagner Stefanoni na DISAIL é uma injeção de Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 12 21 recursos financeiros efetuados pela FISCALIZADA para a manutenção financeira e contábil da DISAIL (fls. 298 e 299; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante); (iv) o saldo inicial da conta contábil analítica 11202000711 — Serviços, do Ativo Realizável (conta contábil sintética Serviços e Comissões a receber) da escrita contábil da DISAIL, nos meses 01 a 12/2006 e 01 a 06/2007, sempre estão zerados. Isso quer dizer que não possuem créditos a receber de clientes .de um mês para o outro, ou seja, são quitados/recebidos no mesmo mês do faturamento. b) Portanto, nesta alínea, comprovase a dependência financeira da DISAIL, e, também, constatase que a FISCALIZADA depositou R$ 1.187.400,00 nas contas correntes da DISAIL no período de 01 a 12/2006, mas faturou somente R$ 1.057.320,00, e no período de 01 a 06/2007 depositou R$ 498.000,00 e não ocorreu nenhum faturamento. 4 A quantidade de funcionários com funções variadas que a DISAIL possuiu em seu quadro durante o período fiscalizado (operador de radial, gerente de produção, ajudante geral, faxineiro, almoxarife, conferente de carga e descarga, guincheiro, operador de ponde rolante, etc.) com comparecimento registrado em registro eletrônico de ponto, nos meses de novembro de 2006 a junho de 2007, não condiz com seu faturamento para empregar esta quantidade de funcionários com funções variadas, nem tampouco local (na cidade de SertãozinhoSP), pois não houve faturamento para a FISCALIZADA, e, sendo a LAPEFER localizada na cidade de São Paulo e a única cliente nestes meses, na qual foram realizadas intermediações de vendas, não teria como utilizar todos estes funcionários. Portanto, estes funcionários trabalharam para a FISCALIZADA no período acima citado, corroborado com os relatos contidos na alínea "c" acima. (fls. 300 a 371; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). J) Ao analisar as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela DISAIL durante o período fiscalizado, do número 1287 ao 1317, verificouse os serviços prestados para a FISCALIZADA durante o período de 01 a 07, 09 e 10/2006, nas quais eram para suprir a necessidade de pessoal da FISCALIZADA. A DISAIL não juntou em resposta ao TIF n°002/2010 o Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a empresa LAPEFER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE LAMINADOS LTDA, CNPJ 60.869.203/000140, da qual prestou alegado serviço durante os períodos de 01 a 05, 07, 08, 10 a 12/2006, e 01 a 06/2007. 1 — A LAPEFER situase na cidade de São Paulo, na qual diligenciamos, emitindo o TIFF recebido através do Aviso de Recebimento n° RK990723415BR, de 02/08/2010, e, respondeu juntando cópias autenticadas dos depósitos ou transferências e das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela DISAIL, Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 bem como cópias simples dos relatórios internos da LAPEFER que indicam o tipo de serviço prestado pela DISA1L, ou seja, comissões sobre supostas intervenções em vendas de produtos da LAPEFER correspondente ao percentual de 2%. Conforme os próprios relatórios internos, mais de 95% das comissões recebidas pela DISAIL advêm de intervenções de vendas efetuadas para a FISCALIZADA, da qual aquela possui o mesmo quadro gerencial e uma integração total com esta. 2 Portanto, colocamos em xeque a independência financeira e econômica da DISAIL, perguntando como poderia intermediar supostas vendas se não possui equipamento, local e suporte, ou seja, não consta registro em sua escrita contábil de pagamento de telefone, aluguel do imóvel onde situa seu domicilio fiscal, energia elétrica, água, material de escritório, fotocópias, postal, cartorárias, etc. (fls. 372 a 399 e 402 a 423; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). K) No dia 01 de fevereiro de 2008 foi firmada uma declaração na Subdelegacia do Trabalho em Ribeirao Preto, documento este que informa a transferência de todos os empregados da DISAIL, a partir de 01 de janeiro de 2008, para a "sucessora" FISCALIZADA. Para efetivação desta transferência de empregados foi gerado o Pedido de Transferência de Contas Vinculadas do FGTS —PTC, o qual traz como "motivo" da transferência a "incorporação com assunção de • encargos trabalhistas". Quem assinou estes documentos foram os Srs. Vagner Stefanoni, qualificado como Diretor da DISAIL, e Luiz Eduardo Kasputes pela FISCALIZADA. Este último, como já foi dito anteriormente, é o contador das duas empresas e poderia ter assinado estes documentos por qualquer uma delas, bem como aquele, pois é sócioadministrador da FISCALIZADA e administrador não sócio da DISAIL. Essa transferência vem ratificar a situação de fato existente entre as duas empresas, e que já acontecia no período fiscalizado, ou seja, a empresa na qual estes empregados deveriam estar registrados é na FISCALIZADA. 1 A FISCALIZADA, se não mantivesse com a DISAIL uma relação que vai muito além da mera prestação de serviços, não assumiria tal encargo trabalhista, e só o fez porque os empregados são e sempre foram dela até a emissão deste PTC. termo "sucessora" não condiz com os atos contratuais da FISCALIZADA nem da DISAIL, pois não houve nenhuma fusão, incorporação ou cisão entre as duas empresas para que pudesse ocorrer esta transferência de funcionários. A FISCALIZADA não teria essa benevolência para com a DISAIL se as duas empresas não fossem uma. Para corroborar com esta transferência, juntamos dados cadastrais do Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS de alguns funcionários (fls. 424 a • 443; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante). 3.1.5 Em resposta ao TIF. n° 002/2010, da ação fiscal na DISAIL, da qual quem assinou a declaração foi o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, alegaram (fls. 570 a 599 e 602 a 649; documentos juntados neste Al da qual fazem parte integrante): Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 13 23 A) Que o serviço prestado a LAPEFER era de logística e prestado em seu estabelecimento, sem juntar documentos comprobatórios. Isto alegado, sem comprovação, mantémse os indícios e provas já citadas nos itens anteriores, como não possuir equipamentos (telefone, energia elétrica e água), local (sem aluguel do domicilio fiscal), material de escritório, despesas de fotocópias, postais, cartorárias, etc., para que uma empresa funcione normalmente; B) Que os valores dos alugueis foram depositados em conta corrente da sócia proprietária Leda Bisson Stefanoni, sem juntar qualquer comprovação. Isto alegado, e ainda, alegando que a DISAIL estava em dificuldades financeiras, não esclarece nem ameniza os lançamentos contábeis de recebimento de aluguel sem entrada de numerário na DISAIL, comprovando, ainda, a não observância do principio contábil da entidade; C) Que o Sr. Vagner Stefanoni fazia empréstimos por meio de contrato de mútuo, sem juntar qualquer contrato. Isto alegado, sem comprovação, não justifica os depósitos bancários da FISCALIZADA em conta corrente da DISAIL, sendo que estes depósitos eram transferidos para a conta contábil de nome Vagner Stefanoni, utilizando como conta transitória, a conta contábil Serviços. Estes lançamentos contábeis comprovam que os valores registrados na conta contábil de nome do Sr. Vagner Stefanoni vinham da FISCALIZADA, e não como alegado; D) Que a dificuldade financeira da DISAIL é a justificativa para os depósitos bancários em valores maiores que os faturados efetuados pela FISCALIZADA, sendo que as emissões das notas foram efetuadas posteriormente, e que tudo eram devidamente fechadas, inclusive a utilização dos funcionários da DISAI L. Isto alegado, sem comprovação, reforça nossa convicção da integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA, pois aquela depende totalmente desta, e se junta aos indícios e provas contundentes já citadas acima. 3.1.6 Em resposta ao TIF. n° 002/2010, da ação fiscal na FISCALIZADA, da qual quem assinou a declaração foi o Sr. Luiz Eduardo Kasputes, alegaram que as conciliações entre os lançamentos não estavam fechados porque necessitava pagar por adiantamento com posterior faturamento, sendo que os adiantamentos eram contabilizados como adiantamento para fornecedor, e que o pagamento de despesas com locomoção e estadia dos funcionários da DISAIL eram para manutenção e conserto das mercadorias e equipamentos vendidos. Isto alegado, sem comprovação, não ameniza nem contrapõe os indícios e provas contundentes citadas acima, pois não têm lançamento contábil na FISCALIZADA em conta Adiantamentos a Fornecedores no período fiscalizado, bem como no campo motivo dos comprovantes de pagamento de despesas de viagens consta, dentre outros, acompanhamento de obras ou processos, visitas, cursos, montagem de unidades, reuniões, inspeções, Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 feira, e entrega de documentos, não justificando o alegado (fls. 481 a 528; documentos juntados neste Al • da qual fazem parte integrante). 3.1.7 Diante de todo o exposto, e reiterando que a integração entre a DISAIL e a FISCALIZADA é inconteste, e aquela é uma empresa anexa a esta, pois as provas e indícios apresentados são contundentes e incisivos, obtendo, assim minha convicção que a DISAIL continuou a existir no ordenamento jurídico a partir da constituição da FISCALIZADA, após sua inclusão no SIMPLES, e especialmente, durante o período fiscalizado, para o fim especifico de servir como empresa interposta utilizada _pela FISCALIZADA para contratar empregados com redução de encargos previdenciários, ou seja, não recolhimento da contribuição patronal (20%), RAT (2%) e Outras Entidades — TERCEIROS (5,8%). Portanto, verificamos que o objetivo é gerar redução nos custos de produção da FISCALIZADA para diminuir sobremaneira seus encargos com a contribuição previdencidria, pois a DISAIL é optante pelo SIMPLES e mantém os empregados registrados em seu nome para os fornecer a FISCALIZADA, que não pode optar pelo SIMPLES e também não registrou nenhum funcionário. Com base nesta situação fática foram considerados, neste presente levantamento, os vínculos empregaticios dos funcionários da DISAIL como pertencentes diretamente á FISCALIZADA, ou seja, concluiuse que existe vinculo empregatício entre a FISCALIZADA e os trabalhadores da DISAIL. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000587/201015 Acórdão n.º 2403001.631 S2C4T3 Fl. 14 25 A recorrente requer a apropriação dos pagamentos efetuados pela DISAIL. Entendo que essa apropriação deva ser requerida a uma unidade da Receita Federal e não neste processo. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720048/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Substituta
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Substituta Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 48 /2 01 1- 58 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente Substituta Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720048/201158 Acórdão n.º 2401002.844 S2C4T1 Fl. 173 3 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0426.008 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.299.5462: exigência de contribuição previdenciária patronal; b) AI n.º 37.299.5470: contribuição dos segurados contribuintes individuais; c) AI n.º 37.299.5489: aplicação de multa pelo fato da empresa haver deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores que ensejaram os lançamentos acima. Informase que os fatos geradores contemplados foram os pagamentos de remuneração a contribuintes individuais a título de comissões. No seu recurso voluntário a empresa, em apertada síntese, alegou que é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. Afirma ainda que a multa, no patamar em que foi imposta representa confisco, o que é vedado pela Constituição Federal. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720048/201158 Acórdão n.º 2401002.844 S2C4T1 Fl. 174 5 porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10469.722073/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NÃO COTADAS EM BOLSA DE VALORES. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARCELA CORRESPONDENTE A RESERVA DE REAVALIAÇÃO INCORPORADA AO CAPITAL SOCIAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL.
Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, o custo de investimento referente aquisição desta quotas, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual ao valor correspondente a parcela da reserva de reavaliação incorporada ao capital social, uma vez que esta reserva será oferecido à tributação pela pessoa jurídica por ocasião da sua realização.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARCELA CORRESPONDENTE A RESERVA DE REAVALIAÇÃO INCORPORADA AO CAPITAL SOCIAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Na alienação, pelo sócio, de quotas ou ações recebidas por conta da incorporação ao capital social da reserva de reavaliação, o custo de investimento referente aquisição desta quotas, para efeitos da determinação do ganho de capital, será igual ao valor correspondente a parcela da reserva de reavaliação incorporada ao capital social, uma vez que esta reserva será oferecido à tributação pela pessoa jurídica por ocasião da sua realização. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino e Antonio Lopo Martinez, que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 20 73 /2 00 8- 78 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório ANA CAROLINA DE BARROS GUERRELHAS, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o nº 782.924.098 15, com domicílio fiscal na cidade de Canguaretama, Estado Rio Grande do Norte, à AV. Do Pontal, Barra de Cunhau – Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal RN, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls.368/392, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 402/418. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 25/09/2008, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 02/14), com ciência por AR, em 01/10/2008 (fl.222), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.432.435,44 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital obtidos na alienação das cotas da empresa Aquatec Industrial Ltda., CNPJ 12.700.266/0001 – 26. Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º e §§, 18 a 22, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.134, de 1990; arts. 7º, 21 e 22, da Lei nº 8.981, de 1995; arts. 10 § único, 17 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995; arts. 22 ao 24, da Lei nº 9.250, de 1995. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração (fls. 02/14), entre outros, os seguintes aspectos: que ao analisarmos a declaração do imposto de renda referente ao ano calendário de 2003 da contribuinte, mais especificamente o quadro “Declaração de Bens e Direitos” – campo “Discriminação”, fls. 17, constatamos a informação da alienação das cotas referentes a sua participação da empresa Aquatec Industrial Pecuária Ltda., CNPJ 12.700.266/0001 – 26 para a empresa Sygen Investimentos Ltda., CNPJ 74.069.071/0001 – 87 pelo valor de R$ 13.560.000,00 em 15.10.2003; que ao analisarmos o Demonstrativo de Apuração do ganho de Capital, fls. 21, constatamos que a contribuinte informa se tratar de alienação a prazo, atestando o valor de R$ 13.600.000,00 como valor da alienação das cotas, tendo recebido R$ 13.560.000,00 ao mês de outubro 2003, valor este, que serviu de base para apuração do imposto sobre ganho de capital e informa o valor de 6.471.550,00 como custo total de aquisição, apurando dessa forma o valor de R$ 1.066.019,40 a título de imposto sobre ganho de capital; que a contribuinte esclareceu que a diferença de R$ 40.000,00, deveuse a uma cláusula do contrato de compra e venda das ações societárias que previa uma RETENÇÃO DE GARANTIA no valor de R$ 100.000,00 por parte dos compradores, para Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 4 eventualidade de perdas da sociedade decorrentes de fatos anteriores à transferência da participação e que no caso da não utilização da mesma, seria devolvida aos sócios na proporção da participação societária; que em 08.08.2008, dando continuidade ao cumprimento da solicitação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a contribuinte apresentou declaração emitida pela empresa Pryor Consulting Serviçes Ltda., atestando o não pagamento por parte da Sygen Investimento Ltda. de qualquer valor à contribuinte além dos R$ 13.560.000,00 efetuado em Outubro de 2003, bem como, declaração da própria contribuinte atestando o não recebimento dos valores em questão, fls. 214 a 216. Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 28/10/2008, a sua peça impugnatória de fls. 224/247, instruído pelos documentos de fls. 248/366, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o regramento era no sentido de que, enquanto os valores fossem mantidos em conta de Reserva de Reavaliação no Patrimônio Líquido, não haveria tributação, mas, se a reserva fosse utilizada para aumentar o capital social ou quando houvesse a realização do bem por alienação, depreciação, amortização ou perecimento, os valores correspondentes seriam computados na determinação do lucro real; que em 1982, foi promulgado novo decretolei, desta feita, permitindo que a reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento do valor de bens imóveis e marcas e patentes integrantes do ativo permanente, fossem incorporadas ao capital social sem sofrer qualquer tributação, ou seja, a tributação continuou sendo no ato da realização do bem; que a motivação principal era estimular a capitalização das empresas já que a correção monetária de balanços não era suficiente para expressar o real valor de mercado do Patrimônio das pessoas jurídicas e conseqüentemente não lhes dava lastro para garantir empréstimos e financiamentos junto a instituições financeiras fomentadoras do desenvolvimento econômico; que a medida, apesar de sutil, representou expressivas mudanças na estrutura patrimonial das pessoas jurídicas, notadamente no setor produtivo, pois a atualização a preço de mercado de partes dos bens integrantes do Ativo Permanente sem ônus tributário permitiu uma melhor apresentação dos balanços, sem sangrar os cofres das empresas; que, porém, foi mantida a tributação quando da efetiva realização do bem reavaliado, pelos mesmos critérios de outrora; que em 27 de janeiro do ano 2000, com o advento da Lei no. 9.959, registra se nova mudança na regra, ampliando a utilização das reservas de reavaliação, já que as empresas foram autorizadas a incorporar a reservas de todos os seus bens ao capital social, com custo tributário zero, conforme dispõe o artigo 4º; que persistiu, todavia, o critério de tributação quando da alienação do bem, ou seja, registrase, mais uma vez, que o fato gerador da tributação do IR é realização do bem, seja pela alienação sobre qualquer forma, depreciação, amortização, exaustão ou baixa por perecimento; que vale salientar que, o vocábulo "somente” inserido no texto da lei, dá a exata noção de obrigatoriedade de não haver tributação antes da realização do bem; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 4 5 que com esta retrospectiva, firmase a convicção de que o fato gerador, tipificado na lei, para a tributação da reserva de reavaliação sempre foi e continua sendo o da realização do bem na pessoa jurídica; isto é assim porque a reserva é um ‘lucro em potencial”, que se concretiza por uma das formas de realização do bem, quando então se confirma a única hipótese de incidência do imposto de renda, qual seja, a apuração de acréscimos patrimoniais; que o encadeamento cronológico da legislação sobre reservas permite visualizar os seguintes aspectos: (a) a reserva de reavaliação e a reserva de lucro são espécies do gênero reservas; (b) enquanto espécies obtiveram tratamento fiscal diferenciado, quando a lei entendeu necessária fazer a distinção; (c) as normas de uma, não fazem referência à outra, mantendo cada uma seu regramento próprio sem qualquer possibilidade de confusão no ato de sua aplicação; que contabilmente, a incorporação de reservas, qualquer que seja a espécie, tem sempre o mesmo reflexo: aumento do Patrimônio Líquido. O lucro que se apresenta no Balanço Patrimonial é contábil, ou seja, apurado de acordo com as normas e princípios desta milenar ciência empresarial; que a renda, como se sabe, é conceito mais abrangente que lucro e, por esta razão a legislação fiscal necessita dar os precisos contornos deste instituto para que a fazenda pública possa identificar a base de cálculo de seus tributos; que daí a distinção entre Lucro Contábil e Lucro Fiscal, mas, não se pode admitir que, para situações contabilmente idênticas, haja discriminação fiscal a ponto de penalizar a sociedade que optar por um ou outro procedimento de incorporação de reservas; que de acordo com a situação fática apresentada no Auto de Infração, baseada nas informações prestadas pela DEFENDENTE e documentos apresentados, percebe se que a Auditora Fiscal tem absoluta clareza quanto à operação realizada: apuração de “ganho de capital referente à alienação das costas relativas a sua participação na empresa AQUATEC”, informando como custo de aquisição total o valor de R$ 9.776.450,00, valor este originário do saldo anterior totalmente integralizado, mais a incorporação ao capital social da empresa do lucro acumulado R$ 2.880.597,60 e das reservas de reavaliação R$ 5.985.449,40; que a controvérsia fiscal que ensejou o Auto de Infração ora rebatido, instalouse sobre a incorporação das reservas de reavaliação, evidenciando a Auditora Fiscal que não há por parte do fisco qualquer oposição à incorporação realizada com os lucros da empresa; que as instruções normativas integram a legislação tributária como atos emitidos pela autoridade administrativa e cumprem importante papel no ordenamento jurídico fiscal, pois esclarecem o contribuinte sobre o passo a passo necessário para que cumpra com suas obrigações tributárias, principais e acessórias; que evidentemente, tais atos normativos não podem extrapolar os limites da lei que os originou para criar novas obrigações ou restringir direitos. Seu escopo é exclusivamente o de aclarar a operacionalização do que foi estabelecido pela lei; que o ganho de capital da DEFENDENTE foi apurado em estrita observância à Instrução Normativa n° 84, de 2001 que consolidou as instruções relativas ao Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 6 tema que se encontra espalhado em 12 (sic) diplomas legais, o que, é claro, dificulta enormemente a vida do contribuinte; que o art. 2o da referida IN repete o conceito de ganho de capital já proclamado na lei, pelo qual a renda tributável será a diferença positiva entre o valor da alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição; que o valor inicial do custo da participação societária na empresa Aquatec em 01 janeiro de 2003 era de R$ 602.601,00. Com a incorporação ao capital social de lucros acumulados no valor de R$ 1.920.398,40 e reservas de reavaliação de R$ 3.948.550,60, foi corretamente informado na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física (declaração de bens) ano calendário de 2003, que o custo de aquisição das cotas, em valor corrente, passou a ser de R$ 9.776.450,00. que, sendo assim, eis um resumo do ganho de capital e imposto de renda apurado, devido e efetivamente pago: Valor de Venda das cotas/Recebida R$ 13.560.000,00 () Custo de Aquisição/p R$ 6.471.550,00 (=) GANHO DE CAPITAL APURADO – 1 R$ 7.128.450,00 Tributação Imposto Renda 15% R$ 1.066.019,40 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Sexta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Recife PE, concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a exigência fiscal, efetivamente, está alicerçada na acusação de que a pessoa física Ana Carolina de Barros Guerrelhas obteve ganho de capital quando da alienação de cotas de participação na pessoa jurídica Aquatec Industrial Pecuária Ltda., em montante superior ao oferecido à tributação; que, por razão de clareza, que o pólo passivo da obrigação tributária que ora se discute é a pessoa física Ana Carolina de Barros Guerrelhas, e não a pessoa jurídica Aquatec Industrial Pecuária Ltda., bem como o lato gerador da exigência fiscal é o ganho de capital obtido pela pessoa física, em razão da alienação de cotas de participação societária, e não a constituição e incorporação de reservas ao capital social, nem tampouco a apuração de lucro pela pessoa jurídica; que diante da clareza da imputação, bem assim da nítida separação entre os atos praticados pela sociedade e por seus sócios, entendo incabível trazer para o litígio elementos atinentes à tributação (ou não) da pessoa jurídica; que da mesma forma, esclareçase que não há uma só linha do auto de infração que repute ilegal a operação de venda de participações societárias tal como realizada pela Defendente no ano de 2003; que discutese, em verdade, se há respaldo jurídico para incorporação do valor relativo à reavaliação do capital ao custo de aquisição das cotas societárias de propriedade da Impugnante, nos termos em que foi executada, ou se, inexistindo respaldo para elevação do referido custo, o ganho de capital auferido é aquele indicado pelo Fisco; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 5 7 que o fundamento da autuação é a convicção, por parte da Autoridade Autuante, que se auferiu um ganho de capital que não foi alvo de tributação em razão de que o custo de aquisição declarado estaria equivocado e, finalmente, que não haveria base legal para reduzir esse ganho ou isentálo; que nada mais natural, a meu ver, que trazer à baila o universo de normas que disciplinam essa modalidade de tributação, nem que seja para demonstrar que a exceção na qual a Impugnante se julga enquadrada não encontraria respaldo em algum dos dispositivos que regem dita modalidade; que por outro lado, não vejo como caracterizar nulidade por cerceamento do direito de defesa na medida em que os dispositivos efetivamente guardam relação com a matéria litigiosa o que afasta alegada falha formal e, o que é mais relevante, a Impugnante demonstrou compreender perfeitamente a imputação formulada pela Autoridade Fiscal; que nesse contexto, ante a narrativa apresentada pela Defendente, importa registrar que, conforme preliminarmente destacado, não há dissenso relativamente à delimitação do objeto da autuação procedido pela Autoridade Lançadora, e a sua compreensão pela Defendente, qual seja, o auferimento de ganho de capital em razão da alienação de cotas de participação societária restando dúvidas, conforme descrição dos fatos, relativamente à base de cálculo de apuração do referido ganho de capital, no que tange à incorporação do montante correspondente à incorporação de reservas de reavaliação ao capital social; que cumpre ressalvar, entretanto, que se percebem contradições na descrição e análise, pela Defendente, da fundamentação da Autuação. Embora em alguns pontos oriente sua defesa como se o lançamento perpetrado estivesse fundamentado, exclusivamente, nas disposições do art. 10 (caput e parágrafo único) da Lei 9.249/95, em outros pontos, aborda e examina pormenorizadamente os comandos presentes nos demais dispositivos indicados pela Autoridade Lançadora (vide tabela apresentada como ANEXO I, às fls. 248 a 252); que não se pretendeu tributar, nem se poderia, o mero acréscimo registrado ao valor contábil da participação societária da Sra. Ana Guerrelhas na empresa Aquatec, e que este não se confunde com o efetivo ganho de capital obtido com a posterior venda dessas participações, não há razão para se adentrar na análise de dispositivos que tratariam dos reflexos daquelas operações contábeis; que nesse ponto, destaco que a perspectiva histórica traçada nos leva a concluir que a Lei 9.249, de 1995, inovou ao isentar do imposto de renda o lucro distribuído aos sócios, bem assim ao prever que, no caso específico de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista; que enquanto os acréscimos ao capital social procedidos por incorporação de reservas de reavaliação constituiriam operações nãoonerosas, do ponto de vista do sócio, posto que traduzem mera atualização contábil do valor de bem de que já dispunham (mantém se a mesma proporção de participação em sociedade detentora do mesmo patrimônio) e não implicam a retenção de valores que poderiam ser objeto de distribuição, tais acréscimos oriundos de reservas de lucro, representam transações onerosas aos sócios, pois, nesse caso, abrese mão da distribuição da correspondente parcela do lucro; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 8 que a Lei 9.249/95, em seu art. 10, parágrafo único atribua exclusivamente às quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Ou seja, nesse caso, a Lei entende que a aquisição das cotas decorrentes do acréscimo de capital foi de fato onerosa aos sócios, sendo o custo de aquisição corresponde à parcela de lucro que deixou de ser distribuída; que frisese que, como destaca a própria Defendente, as duas espécies de reserva obtiveram tratamento fiscal diferenciado, quando a lei entendeu necessário fazer tal distinção, sem que reste possibilidade de confusão, quando da aplicação de regramentos que sejam próprios de cada espécie; que descabida, portanto, com o máximo respeito, a alegação de que a exigência fiscal estaria calcada em ficção jurídica ou, ainda, que resultaria da aplicação de integração ou de analogia para ‘instituir’'um fato gerador não previsto em lei. O § 2o do art. 3o da Lei n° 7.713, de 1988 fixa com clareza o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda incidente sobre ganho de capital, e o art. 21 da Lei n° 8.981, de 1995, a alíquota e a periodicidade de seu recolhimento; que desse modo, com todo respeito, não vejo como acolher as conclusões do i. parecerista José Delgado, de que a Auditora, ao supostamente criar ficção jurídica, teria violando a um só tempo, os princípios da segurança jurídica, legalidade e do benefício da dúvida em prol do contribuinte, ao criar o que chama de ficção tributária. que não se esqueça, ademais, que os dispositivos acima transcritos são expressamente citados no auto de infração, tendo a Defendente pleno conhecimento do fato, tanto que apresenta, às fls. 48 a 52, tabela onde os analisa; que não percebo dúvida por parte da AutoridadeLançadora quanto à capitulação do fato que ensejasse a conclusão pelo i. parecerista José Delgado de que teria sido violado o art. 112, inc. II do CTN (em caso de dúvida aplicase interpretação favorável ao Contribuinte), até porque tal dispositivo seria aplicável, exclusivamente, à imputação de infrações e penalidades. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência. A citação extensiva dos dispositivos legais que direta ou indiretamente guardam relação com a matéria litigiosa não implicam vício formal do procedimento, nem cerceamento do direito de defesa, máxime quando demonstrado que o autuado demonstra compreender o conteúdo das acusações que lhe são imputadas e o conteúdo de tais dispositivos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 Contribuinte. Definição. Contribuinte, segundo o Código Tributário Nacional, é a pessoa física ou jurídica que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo falo gerador. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 6 9 Incabível, portanto, a pretensão de estender tratamento tributário benéfico dispensado à pessoa jurídica à fatos geradores que têm como contribuintes os sócios dessa mesma pessoa jurídica. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: Tributação do Ganho de Capital. Alienação de Cotas Societárias. O ganho de capital percebido por pessoa física, entendido como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição, por disposição legal, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Não há que se falar, consequentemente, em violação dos princípios da legalidade ou da segurança jurídica. Por outro lado, custo de aquisição, salvo exceção expressa, é o valor despendido no negócio jurídico por meio do qual o bem ou direito foi incorporado ao patrimônio do sujeito passivo. Ou seja, atribuir custo a um bem adquirido sem a correspondente contraprestação é uma ficção jurídica a ser empregada dentro de seus estreitos limites. Consequentemente, a atribuição de custo diferente de zero a cotas societárias distribuídas gratuitamente aos sócios em razão de aumento de capital decorrente de incorporação de reservas limitase à hipótese expressamente prevista em lei, qual seja, da incorporação de reserva de lucros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/06/2011, conforme Termo constante à fl. 397, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (11/07/2011), o recurso voluntário de fls. 402/418, instruído pelos documentos de fls. 419/422, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que na cópia dos autos fornecida à Recorrente, o acórdão está assinado exclusivamente por sua Relatora e não se faz qualquer referência aos demais membros da turma, seus votos e possíveis impedimentos ou ausências; que a ausência dessa formalidade induz à conclusão de que as razões da Recorrente foram decididas monocraticamente, não lhe sendo garantida a apreciação pelo colegiado, ofertada pela lei; que não foram efetivamente cumpridas as exigências procedimentais nos modos e tempos definidos, deve a decisão ser declarada nula; que para ser dada plenitude ao direito ao contraditório, não basta apenas intimar a parte para manifestarse, ouvila e permitir a produção e alegação de provas; é preciso deixar que a mesma influa no convencimento do julgador, fazendoa na defesa, exigindose, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 10 para tanto, procedimentos e penas predeterminadas, para que a parte saiba exatamente como e do que deve se defender; que a situação desse processo cingese, realmente, à violação ao direito de contraditar o fundamento jurídico do ato, que como comprovado, não ocorreu por absoluta ausência de menção ao art. 16 da Lei 7.713/88 no Auto de Infração, com irreparável prejuízo para a defesa da Recorrente; que, sem dúvida, diante de uma DECISÃO SURPRESA, em desacordo com os princípios fundamentais do cidadão, em colisão com a Constituição da República, irremediavelmente NULA, devendo assim ser declarada por esse Conselho; que, por conseguinte, se o valor das cotas expressos no contrato social poderiam ou não ser considerado valor corrente e, em caso, negativo, por quais razões, era assunto a ser aberta e claramente abordado na decisão de 1a instância, pois desse entendimento restaria a conclusão sobre o acerto do contribuinte ao fazer o enquadramento legal do ato por ele praticado, possibilitando sua defesa nessa fase recursal; que, nenhuma palavra foi dada nas razões de mérito trazidas no acórdão, se restringido a Relatora a reenquadrar a conduta da Recorrente na norma que, pela primeira vez, foi apontada em todo o procedimento (Lei 7.713/88, art. 16, § 4o); que divergir, simplesmente, é diferente de discorrer sobre os motivos da divergência, que no caso exigiria trazer argumentos que contraditassem o entendimento de que suas cotas possuíam valor corrente; faltou explicar por que não via como enquadrar a situação descrita como valor corrente; que assentado que a Recorrente agiu induzida pela confiança que as instruções normativas lhe inspiram e que não pode ser punida por isso, prosseguese à análise de sua conduta diante da norma legítima e válida que orientou seus passos no lançamento do ganho de capital, posto que só resta esse caminho para um julgamento justo; que na ponderação entre ambos, deverá prevalecer aquele que confere segurança jurídica ao contribuinte, de modo a reconhecerse que o custo zero artificialmente atribuído a cotas alienadas implica majoração de tributo que só pode ser admitida em lei que, taxativamente, a expresse; que não havendo lei nesse sentido, não há como prosperar autuação fiscal tendente a majorar a base de cálculo do imposto de renda de pessoa física devida no ganho de capital pela alienação de bens e direitos. É o Relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria em discussão tem origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de ganhos DCE capital obtidos na alienação das quotas da empresa Aquatec Industrial Pecuária Ltda., conforme relatado no próprio Auto de Infração. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância pelos seguintes motivos: (a) a cópia da decisão de primeira instância que lhe foi entregue está assinada apenas pela relatora, não havendo referência aos demais membros da turma, seus votos e possíveis impedimentos ou ausências, violando o disposto no art. 22 da Portaria do Ministério da Fazenda nº 58, de 2006; (b) cerceamento do direito de defesa, pois o relator a quo instância teria inovado ao reportase ao art. 16, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, não mencionado no Auto de Infração; e (c) violação ao princípio da ampla defesa porque a autoridade julgadora de primeiro grau não teria rebatido os seus argumentos no que diz respeito ao fato das cotas societárias possuírem valor corrente, pois estava enquadrada no art. 18, inciso III, da Instrução Normativa nº 84, de 2001 e, no mérito, argúi a invalidade do lançamento, cujos argumentos estão assim sintetizados: (a) o acórdão recorrido, para sustentar a incidência do art. 16, § 4º da Lei nº 7.713, de 1988, teria desqualificado a Instrução Normativa nº 84, de 2001; (b) a Instrução Normativa nº 84, de 2001, consolida a legislação sobre a apuração e tributação de ganho de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas física, sendo razoável que a consulta a esse instrumento substitua à consulta às normas originárias; (c) o contribuinte não agiu de forma desleal, ao contrário, prestou em sua declaração de ajuste anual todas as informações relativas à operação de venda de participações societárias; (d) o art. 16, § 2º, da Instrução Normativa nº 84, de 2001, não diferencia a reserva de lucro da reserva de reavaliação e demais reservas, atribuindo a todas o valor que couber ao sócio como custo de aquisição; (e) invoca a seu favor o art. 18 da Instrução Normativa nº 84, de 2001, que dispõe sobre o custo de aquisição, na ausência de valor pago; e (f) afirma, ao final, que a controvérsia baseiase nos elementos da base de cálculo, especialmente se as reservas de reavaliação podem ou não ser consideradas custo de aquisição, já que este componente é parâmetro essencial para chegarse a diferença positiva que será tributada. Deixo de analisar as questões preliminares em razão da decisão de mérito. Quanto ao mérito, a recorrente argumenta que na apuração do ganho de capital o valor da reserva de reavaliação foi considerado como custo de aquisição, pois em junho de 2003, a empresa procedeu a reavaliação de bens do ativo permanente, nos termos dos art. 8º, §1º, da Lei nº 6.404, de 1976 e art. 434, §§ 1º, 2º e 3º do RIR/99 e, em 17/09/2003, a Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 12 reserva de reavaliação foi incorporada ao capital social, constituindo aumento da participação dos sócios, tendo como base legal os arts. 436 e 437 do RIR/99. Observase, que a fiscalização, analisando a documentação apresentada, acatou os esclarecimentos do contribuinte em relação ao valor de alienação, mas considerou zero o custo das quotas relativas a integralização da reserva de reavaliação, por entender que o art. 10, parágrafo único da Lei nº 9.249, de 1995, e o art. 135 do RIR/99 é restrito a incorporação de capital por reserva de lucros não se aplicando à incorporação de reserva de reavaliação e aduz que os artigos relacionados pelo contribuinte (arts. 434, 436 e 437 do RIR/99), referemse a efeitos e procedimentos tributários a serem observados pela pessoa jurídica e que, no caso, o lançamento foi efetuado na pessoa física (aplicandose os arts. 41 e 135 do RIR/99, conforme indicado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal à fl. 239). Constatase da análise dos autos do processo, que na alteração do Contrato Social datado de 17 de setembro de 2003 a posição era a seguinte: (a) – que a participação societária da Sra. Ana Carolina de barros Guerrelhas na Aquatec é de 40%; (b) – que o capital social da empresa Aquatec totalmente integralizado no valor de R$ 1.513.004,00, foi elevado para R$ 16.248.000,00, representado por 16.248.000 cotas no valor de R$ 1,00 cada; (c) – que a parcela elevada no montante de R$ 14.734.996,00 foi integralizada com os seguintes recursos: R$ 4.800.996,00 – referente a lucros acumulados, e R$ 9.934.000,00 – referente à reserva de reavaliação; (d) – que em razão da incorporação desses valores ao capital social, houve distribuição entre os sócios, cabendo à contribuinte a quantidade de 5.868.949 quotas no valor de R$ 5.868.949,00, consequentemente elevando sua participação de 602.601 quotas no valor de R$ 602.601,00, para 6.471.550 cotas no valor total de R$ 6.471.550,00; (e) – que do valor de R$ 5.868.949,00 que coube à contribuinte referente à incorporação ao capital da Aquatec originários de lucros acumulados e reserva de reavaliação, R$ 1.920.398,40 se referem a lucros acumulados e de R$ 3.948.550,60 a reserva de reavaliação. Constatase, ainda, que em 30 de outubro de 2003, as quotas dos sócios foram alienadas à Sygen Investimentos Ltda., pelo valor de R$ 34.000.000,00, estabelecido em contrato e que o ganho de capital fora apurado a partir da diferença positiva entre o valor contábil das referidas quotas e o valor do negócio, aplicandose a alíquota de 15%. Como visto, tratase de lançamento de omissão de ganho de capital apurado na alienação de participação societária ocorrida no mês de outubro de 2003, em decorrência de a fiscalização ter considerado como sendo zero o custo das quotas oriundas da integralização da reserva de reavaliação. Após a análise das peças acusatória, impugnatória, decisória singular e recursal chegase a conclusão que toda a discussão reside em torno da questão do custo de aquisição das quotas de capital em razão da incorporação das reservas de reavaliação, já que a suplicante, se fixa fundamentalmente, na assertiva de que o custo é o valor das reservas de reavaliação incorporadas ao capital social. Conforme relatado pela fiscalização (fl.s 227 e 228), a empresa Aquatec Industrial Agropecuária Ltda., em junho de 2003, procedeu a reavaliação dos bens do ativo permanente contabilizando como reserva de reavaliação e, em 17/09/2003, esta reserva foi incorporada ao capital social da empresa. Em 30/10/2003, o contribuinte alienou sua participação societária na referida empresa, considerando como custo de aquisição o valor da reserva de reavaliação incorporada ao capital social. A legislação sobre o assunto encontrase consolidada nos arts. 434 a 438 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 8 13 Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea “h” , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Tributação na Realização Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art. 436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). § 1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 14 modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 2º). § 2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicamse as normas do art. 658 (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 3º). § 3º O disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art. 437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 1º): I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Reavaliação de Participações Societárias Avaliadas pelo Valor de Patrimônio Líquido Art. 438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 3º). Com o advento da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, foi alterada a sistemática da realização da reserva de reavaliação, com vigência a partir de janeiro de 2000 (art. 12 da referida lei), assim dispondo seu art. 4º: Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. As empresas, em geral, possuem bens, direitos e obrigações que precisam ser registrados pela Contabilidade. Os bens e direitos, tais como imóveis, veículos, maquinas, equipamentos, duplicatas a receber entre outros investimentos são contabilizados, no balanço patrimonial, em uma classe denominada de ativo, essa classe, de acordo com o prazo de sua realização e sua finalidade, pode estar subdividida em grupos circulante, realizável a longo prazo e permanente, esses ainda se subdividem em outros subgrupos e contas dependendo do plano de contas de cada empresa. Até dezembro de 1995, a legislação brasileira permitia que se fizesse correção monetária do balanço das empresas, esse procedimento consistia em se fazer uma Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 9 15 atualização dos valores monetários dos itens do balanço, por meio de índices de preços. Com o advento da Lei nº 9.249, de 1995 foi extinta a correção monetária. É fato, que as distorções nos balanços passaram a ser corrigidas, principalmente, pela reavaliação dos ativos, ressaltando que correção monetária e reavaliação não é a mesma coisa, já que a correção monetária é tãosomente a atualização monetária do custo de aquisição, em que continua o vínculo ao preço pago pelo. Na reavaliação, abandonase o custo (ou o custo corrigido) e utilizase o novo valor econômico do ativo em questão. De acordo com a Deliberação 183/95, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reavaliação significa adotar como critério para avaliação do ativo o seu preço de mercado, dessa forma o princípio contábil do custo original ou custo histórico é abandonado, fazendo com que os valores sejam apresentados mais próximos aos de reposição. Reavaliação consiste em atribuir um novo valor ao ativo, que passará a ser o registro contábil do bem reavaliado.Ou seja, reavaliar significa avaliar de novo, o que implica a deliberação de abandonar os valores antigos. Essa conta, que existia até a edição da Lei nº 11.638, de 2007, representava a contrapartida da reavaliação. Em outras palavras, refletia o aumento dos valores atribuídos aos ativos da empresa em função de novas avaliações realizadas por peritos ou empresas especializadas. Os recursos investidos em uma empresa podem ter duas fontes distintas: os capitais de terceiros, que representam as exigibilidades da empresa e os capitais próprios que representam o Patrimônio Líquido. Portanto o PL representa a parte pertencente aos acionistas . A reavaliação de bens, como máquinas, equipamentos, instalações industriais ou mesmo um conjunto desses elementos agregados a imóveis, terrenos, edificações e outras benfeitorias, constitui um processo delicado e extenso, haja vista os dados e fatores a serem levados em consideração para que o resultado represente um retrato tão fiel quanto possível da realidade encontrada. Inobstante os argumentos do voto da Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, proferido, em 08 de fevereiro de 2012, por ocasião do julgamento do recurso voluntário do processo nº 10469.722072/200823, relativo ao contribuinte Werner Jost, cujo acórdão foi o de nº 220201.646, ocasião em que acompanhei o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Pedro Anan Junior, cujo teor, com a devida vênia do redator, adoto como sendo meus fundamentos para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, já que a matéria discutida naquele processo é totalmente idêntica a do presente processo (sócios). Naquele ocasião o Conselheiro Pedro Anan Junior proferiu o voto abaixo transcrito, que adoto para justificar os meus fundamentos: O voto da nobre relatora conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que a levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dela em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou prevalecendo no julgamento pelo colegiado. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 16 O presente caso tratase de lançamento de omissão de ganho de capital apurada na alienação de participação societária ocorrida no mês de outubro de 2003, em decorrência de a autoridade lançadora ter considerado como zero o custo de aquisição das quotas oriundas da integralização da reserva de reavaliação. Conforme bem detalhado pela relatora em seu brilhante voto, a lógica adotada pelo legislador tributário foi o de considerar como custo de aquisição o valor do lucro ou da reserva incorporado ao capital social sempre que o valor da incorporação foi tributado pela pessoa jurídica e via de conseqüência a sua distribuição ao sócio é considerada isenta (se tratando de lucro gerado a partir do anocalendário de 1996, que é o caso dos autos). Neste contexto, devemos verificar se a incorporação de reserva de reavaliação pode ser considerada como custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital da pessoa física. Antes de adentrarmos nos efeitos tributários da realização da reserva de reavaliação na Pessoa Jurídica que registrou em seu patrimônio os bem, devemos verificar qual é o tratamento contábil da realização desse bem. A reserva de reavaliação foi criada para poder permitir a pessoa jurídica trazer a valor de mercado bens registrados no ativo permanente. Para fins societários e contábeis a Lei n° 6.404, de 1976, determina o parágrafo 3°, do artigo 182: "Art. 182 (...) § 3º Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do Art. 8º aprovado pela assembléia geral." Desta forma, nos termos da legislação societária a contrapartida do aumento do valor do bem, não deveria ser registrado como receita no resultado mas sim como uma reserva na conta de patrimônio líquido, sendo que essa receita tinha a sua tributação diferida quando da efetiva realização do bem conforme disciplina os arts. 434 a 438 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99: “Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 10 17 § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea “h” , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Art. 436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). § 1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 2º). § 2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicamse as normas do art. 658 (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 3º). § 3º O disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art. 437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 1º): Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 18 I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Art. 438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 3º).” A Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, alterou a sistemática da realização da reserva de reavaliação, com vigência a partir de janeiro de 2000 (art. 12 da referida lei), assim dispondo seu art. 4º : Art.4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. A partir do anocalendário 2000, a reserva de reavaliação somente será tributada pela Pessoa Jurídica quando da efetiva realização do bem reavaliado. Podemos concluir que a realização da reserva de reavaliação deverá ser oferecida a tributação pela pessoa jurídica, devendo portanto compor via adição o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Para fins societários e contábeis como a contrapartida da reserva de reavaliação do bem não foi registrado como receita, mas sim como reserva no patrimônio líquido da pessoa jurídica, quando o ativo for realizado a sua contrapartida será a realização da reserva contra a conta de lucro acumulados. Conforme determina o parágrafo 2° do artigo 187 da Lei n° 6.404, de 1976 "§ 2º O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações, registrado como reserva de reavaliação (Art. 182, § 3º), somente depois de realizado poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição ou participações Notese que para fins societários e contábeis a realização da reserva de reavaliação não transitou pelo resultado do exercício, mas entre contas patrimoniais (reserva de reavaliação x reserva de lucros), mas para fins fiscais a realização da reserva de reavaliação deverá devidamente oferecida a tributação pela pessoa jurídica via adição ao lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Como tal valor passou a compor a reserva de lucros, quando da realização do bem, ele será passível de distribuição aos sócios e acionistas da pessoa jurídica, e como esse valor foi ou será devidamente oferecido a tributação pela pessoa jurídica, não Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 11 19 podemos querer tributálo novamente pela pessoa física (sócia e acionista que recebeu tais valores), isso seria uma total afronta ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, que elegeu como fato gerador do imposto de renda o efetivo acréscimo patrimonial. Só podemos atribuir como custo zero, se ficar devidamente evidenciado que a pessoa jurídica que detém o bem reavaliado onde o contribuinte possui a participação societária, não ofereceu tal valor a tributação. No caso dos autos, a Aquatec efetuou em outubro de 2003 a capitalização da reserva de reavaliação, que gerou o aumento do custo de aquisição da participação societária do Recorrrente, nesse momento apesar a reserva de reavaliação não ter sido tributada pela Pessoa Jurídica, isso deverá ocorrer em um segundo momento. Caberia a autoridade fiscal, já que o auto de infração foi lavrado em 27 de junho de 2008, ter verificado se a reserva de reavaliação foi devidamente oferecida a tributação ou não pela pessoa jurídica no caso a Aquatec. Caso tivesse adotado esse procedimento e comprovado que a reserva de reavaliação não foi oferecida a tributação pela Pessoa Jurídica, o lançamento subsistiria, mas podemos verificar que tal ato não foi devidamente investigado pela autoridade fiscal, que se limitou a analisar somente a capitalização e o aumento de custo de aquisição ocorrida em 2003. Desta forma, entendo que não subsiste o lançamento, nesse sentido voto em dar provimento ao Recurso do Contribuinte. Ora, o valor reavaliado integra o custo dos bens, da mesma forma como o custo de aquisição e os acréscimos ao custo; sua perda de valor deve, portanto, ser imputada aos resultados através dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, segundo o mesmo regime aplicável ao custo de aquisição e posteriores acréscimos a esse custo. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, será computada na determinação do lucro real em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante alienação, sob qualquer forma, depreciação, amortização ou exaustão e baixa por perecimento, e somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. Não existe limite de prazo para tributação dessa reserva. O valor a ser atribuído a cada uma das quotas ou ações em virtude da capitalização da reserva de reavaliação é o seu valor corrente, na data da incorporação das reservas de reavaliação ao capital social da empresa. Assim, não há como fugir da interpretação dada pela redator do voto vencedor, eis que o custo de aquisição, para fins de determinação do ganho de capital, é o valor atribuído ao bem ou direito ou o valor pago na sua aquisição. Convém ressaltar, que a nãoincidência de tributos pode ser interpretada de duas formas, uma por força constitucional (imunidade) e outra por força de legislação tributária Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 20 (isenção). A verdadeira nãoincidência é a constitucional, que veda a incidência de tributos definitivamente. A isenção, embora não se aplique ao imposto por benefício legal, está sujeita a condições que a revoguem. Assim, a isenção é uma das espécies de exclusão do crédito tributário, em que o contribuinte tem excluída sua obrigação de pagar o imposto, por ato legal. A isenção não deve ser confundida com a imunidade, pois esta última é disciplinada na Constituição Federal e a isenção pela legislação tributária, não sendo definida, pois está vinculada a uma condição, podendo ser revogada a qualquer tempo. Na isenção, o imposto incide, mas não pode ser aplicado enquanto durar a condição e o contribuinte não se exime do cumprimento da obrigação acessória. No Direito Tributário, um aspecto da maior relevância que deve ser salientado neste passo é que, enquanto cabe ao poder legislativo, dentro da sua competência constitucional, escolher e descrever "as hipóteses de incidência" do imposto, também como um princípio fundamental da liberdade, cabe ao contribuinte a faculdade de realizar ou não o fato ou situação. Somente se a situação se realiza é que incide compulsoriamente a obrigação legal. Para o nascimento da obrigação tributária não basta só a descrição pela lei da "hipótese de incidência", mas é preciso que alguém pratique ou realize em concreto o fato ou situação que se encaixe perfeitamente na forma ou hipótese de incidência que previamente a lei modelou ou instituiu. Somente depois que alguém realize o fato ou situação enquadrável na hipótese é que pode nascer a obrigação. O fato para ser gerador jurídicotributário precisa ser um casamento ou adequação entre a hipótese de incidência descrita na lei, com a situação realizada concretamente pela pessoa e só então produz o efeito jurídico ou conseqüência. Ora, tanto o processo quanto a decisão administrativa, no particular, ambos devem primar pela objetividade factual, impedidos, liminarmente, que estão, de trilhar a irracionalidade. Assim, pretenderse, como pretendido pela autoridade fiscal lançadora é olvidar a realidade, já que não houve a comprovação de que a pessoa jurídica deixou de tributar a respectiva reavaliação. Finalmente, no presente caso, são oportunas algumas considerações a propósito da interpretação das leis, especialmente no campo do Direito Tributário: Ensina FRANCISCO FERRARA, in "Ensaio Sobre a Teoria de Interpretação das Leis" Studiu, Coimbra, 1978, 3° Ed. pág. 26: (...) interpretar, quando de leis se trata, significa algo diverso de interpretar em outros casos: interpretar, em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva." Ensina, ainda, que "Assim, não há dúvida que as palavras da lei podem comportar, e em regra comportam, diversos pensamentos. Mas nem todos têm, sob este ponto de vista, a mesma legitimidade. Um deles representará a significação natural, imediata, espontânea dos dizeres legais; outro uma significação artificiosa ou reservada. Um deles encontrará no teor verbal da lei uma expressão perfeitamente adequada; outro uma notação vaga, tosca, infeliz. Um deles sentese como que à sua vontade dentro do texto legal; outro só lá se agüenta com certo mal estar." Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10469.722073/200878 Acórdão n.º 2202002.008 S2C2T2 Fl. 12 21 CARLOS MIXIMILIANO, em sua obra 'HERMENÊUTICA APLICAÇÃO DO DIREITO", Forense, 1981, 9 a ed. Pags. 165/166, preleciona: Preferese o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, suave. É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável, sem efeito. Portanto, dentro da letra expressa, procurase a interpretação que conduza a melhor conseqüência para a coletividade. Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter conclusões inconsistentes ou impossíveis. Também se prefere a exegese de resulta eficiente à providência legal ou válido o ato, à que torne aquela sem efeito, inócua, ou este juridicamente nulo. Desde que a interpretação pelos processos tradicionais conduz a injustiça flagrante, incoerências do legislador, contradição consigo mesmo, impossibilidades ou absurdos, devese presumir que foram usadas expressões impróprias, inadequadas, e buscar um sentido eqüitativo, lógico e acorde com o sentido geral e o bem presente e futura da comunidade. Assim, interpretar não significa desobedecer ao mandamento legal, mas, cumprir o seu ordenamento, seu preceito, só de forma a tornálo consentâneo com a realidade que nos cerca. O que se busca, em última análise, é tornar o comando legal exeqüível, eficiente, eficaz, de alcance lógico, racional, principalmente, jurídico. Concordo com o redator do voto vencedor, que no caso em questão, para fins societários e contábeis a realização da reserva de reavaliação não transitou pelo resultado do exercício, mas entre contas patrimoniais (reserva de reavaliação x reserva de lucros), mas para fins fiscais a realização da reserva de reavaliação deverá devidamente oferecida a tributação pela pessoa jurídica via adição ao lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Como tal valor passou a compor a reserva de lucros, quando da realização do bem, ele será passível de distribuição aos sócios e acionistas da pessoa jurídica, e como esse valor foi ou será devidamente oferecido a tributação pela pessoa jurídica, não podemos querer tributálo novamente pela pessoa física (sócia e acionista que recebeu tais valores), isso seria uma total afronta ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, que elegeu como fato gerador do imposto de renda o efetivo acréscimo patrimonial. No caso dos autos, a Aquatec efetuou em outubro de 2003 a capitalização da reserva de reavaliação, que gerou o aumento do custo de aquisição da participação societária do Recorrrente, nesse momento apesar a reserva de reavaliação não ter sido tributada pela Pessoa Jurídica, isso deverá ocorrer em um segundo momento. Caberia a autoridade fiscal, já que o auto de infração foi lavrado em 27 de junho de 2008, ter verificado se a reserva de reavaliação foi devidamente oferecida a tributação ou não pela pessoa jurídica no caso a Aquatec. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 22 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721430/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/05/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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TERCEIROS. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 30 /2 01 0- 14 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICENTE DE CURITIBA (SEB) em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário a fim de prevenir a decadência, do período de 01/02/2005 a 31/05/2009. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como finalidade a constituição do crédito tributário relativo a contribuições destinadas às entidades e fundos denominados terceiros (salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), incidentes sobre valores pagos ou creditados a segurados empregados, em virtude de acordos homologados ou de sentenças transitadas em julgado em processos trabalhistas, por meio de aferição indireta.. 3. O relatório do auto de infração trata da motivação do lançamento da seguinte forma, f. 91: “3. Cabe inicialmente ressaltar que a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba – SEB, na condição de mantenedora e seus estabelecimentos acima relacionados, configurase atualmente em entidade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, beneficente, religioso e educacional, contribuindo para a seguridade social, no FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social nº 639, que abriga as Entidades Filantrópicas e Entidades Beneficentes de Assistência Social. 4. Entretanto, a entidade foi objeto do Ato Cancelatório n° 005/2005, fundamentado no que dispõe o artigo 55, parágrafos 4° e 6° da Lei nº 8.212/91, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. Inconformada, a Entidade ingressou com a Ação Ordinária n° 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório. Em 07/02/2007, o juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório. Após Agravo de Instrumento n° 2007.04.00.0064070/PR, protocolizado perante o Tribunal Regional da 4ª Região foi suspensa tal liminar por decisão singular, em 13/03/2007, restabelecendo o cancelamento da imunidade tributária até o julgamento da matéria. Em 19/08/2008 foi proferida sentença, julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto, sem tornar nulo o Ato Cancelatório nº 005/2005 e salientando que a imunidade reconhecida poderia ser reexaminada caso a entidade deixasse de preencher os requisitos legais. Em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional entrou com recurso de apelação n° 08/1504893, o qual foi recebido apenas no efeito devolutivo, ainda em tramitação. Concluise, portanto, que a sentença de primeira instância continua vigente, mas a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721430/201014 Acórdão n.º 2301003.131 S2C3T1 Fl. 300 3 Receita Federal do Brasil não está impedida de lançar a contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a quota patronal, nos termos do artigo 142 do CTN Código Tributário Nacional, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no artigo 173 do CTN. Todavia não há lançamento de multa sobre as contribuições patronais, de acordo com o previsto no artigo 63, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, publicado no Diário Oficial da União em 30/12/1996, na redação dada pela MP Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. A exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento.” 4. Do teor da liminar concedida em primeiro grau, ff. 688 “...deverá o réu se abster de qualquer ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade referida no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 5. Sobre este assunto, a 5ª Turma da DRJ/CTA entendeu que: “(...) ato tendente à cobrança das exações é toda e qualquer iniciativa que tenha por fim compelir o sujeito passivo ao pagamento das contribuições. Nessa categoria se encontra qualquer providência convocandoo para o pagamento, como por exemplo emissão de correspondências nesse sentido ou mesmo inscrição do débito em dívida ativa e ajuizamento da ação de cobrança. Para tais atos, efetivamente, existe um comando judicial impeditivo. Mas não para o simples lançamento do crédito, com o devido cuidado do sobrestamento dos autos administrativos até a sentença definitiva na via judicial, conforme já orientara o auditor fiscal. Porquanto, até aí, isto não configura ato tendente à cobrança das exações. 6. Cumpre salientar que foram feitos os seguintes levantamentos, ff. 93/98: “SR – OE TRAB AFERIÇÃO 515: referese a contribuições destinadas a outras entidades ou fundos denominados terceiros, lançadas no FPAS 515 (estabelecimentos da área da saúde), incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, decorrentes de acordos homologados ou de sentenças transitadas em julgado em reclamatórias trabalhistas, no período de 02/2005 a 05/2009 (...); TR – OE TRAB AFERIÇÃO 574:relativo às contribuições destinadas aoutras entidades ou fundos denominados terceiros, lançadas no FPAS 574 (estabelecimentos na área da educação), apuradas conforme esclarecido no subitem anterior. 7. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA EM DISCUSSÃO JUDICIAL. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. CRÉDITO LANÇADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Estando o crédito lançado exclusivamente para prevenir a decadência já com a exigibilidade suspensa, por efeitos da decisão judicial, não há razão para que se determine, em sede de julgamento administrativo, a sua suspensão, por ser redundante qualquer determinação nesse sentido. AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA A decisão proferida em liminar, que impede apenas a emissão de ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade, não impede o lançamento do crédito objeto de discussão judicial para efeitos de prevenir a sua decadência, desde que fique a cobrança respectiva sobrestada até decisão definitiva na ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 8. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento de débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) pugna pela suspensão do processo até o julgamento do recurso, dada a previsão do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72; b) inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens, considerando que, em virtude da ADI 1976, foi declarada inconstitucional tal exigência para recebimento do recurso administrativo; c) cancelamento do auto de infração, por não haver possibilidade de se proceder ao lançamento do crédito, diante da ordem judicial proferida nos autos n.º 2007.70.00.0023069, pois se trata de meio de cobrança do crédito tributário; d) o contribuinte é imune a contribuições sociais decorrentes da cota patronal, diante do contido no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 9. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco; os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721430/201014 Acórdão n.º 2301003.131 S2C3T1 Fl. 301 5 Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O contribuinte, em suas alegações, dispõe: “considerando que, em virtude da ADIN 1976, foi declarada inconstitucional a exigência de arrolamento de bens para recebimento do recurso administrativo, pedese o recebimento deste recurso sem a exigência deste antigo requisito”. 2. Entretanto, a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 3. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. 4. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 5. O contribuinte requer que seja atribuído efeito suspensivo ao recurso voluntário, em face do disposto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. 6. Contudo, como se depreende do relatório fiscal: “a exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento”. Assim, o lançamento originouse com a exigibilidade suspensa, sendo inócua tal arguição. DO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA 7. No mérito, a demanda conduzida nos autos diz respeito ao lançamento para prevenir a decadência, pois a questão discutida referese ao Ato Cancelatório de Isenção n.º 005/2005. Objeto da Ação ordinária n.º 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. O juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório, e, após o Agravo de Instrumento n.º 2007.04.00.006407 0/PR, foi suspensa a liminar por decisão singular. Em 19/08/2008 foi proferida sentença julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto sem tornar nulo o Ato Cancelatório. E em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido com efeito devolutivo, ainda em tramitação. 8. Diante desse contexto, o fisco entendeu pela possibilidade do lançamento da contribuição para a Seguridade Social, nos termos do art. 142 do CTN, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no art. 173 do mesmo diploma legal. Não houve lançamento de multa sobre tais contribuições, de acordo com o previsto no artigo 63, da lei 9.430/1996, bem como a exigibilidade do crédito restou suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 9. Em seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu que a realização do lançamento do crédito descumpriu a ordem judicial proferida nos autos da ação ordinária, e, assim, requer o seu cancelamento, pois a sentença proferida em primeira instância reconhece a inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, ou seja, não há substrato fáticojurídico que embase o lançamento, posto que a imunidade, conferida pelo artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, não autoriza o lançamento de tributos. 10. O art. 142 do CTN define que a autoridade administrativa é competente para constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade essa vinculada e obrigatória. Sendo assim, é mandatório o lançamento de ofício para prevenir a decadência de créditos tributários, cuja exigibilidade encontrase suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em questão. 11. O entendimento, segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo implica admitir a interrupção do prazo decadencial, o que, nesse caso, não se coaduna com a natureza do instituto, conforme se depreende dos artigos 142 do CTN e 63 da Lei n.º 9.430/93. 12. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou pela obrigatoriedade do lançamento para prevenção da decadência, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. [...] 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. [...]9. Pedido rescisório que se julga procedente.” (AR 2.159/ SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª TURMA, julgado em 22/08/2007, DJe: 10/09/2007) Confirase também o festejado Alberto Xavier: "A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. (...) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721430/201014 Acórdão n.º 2301003.131 S2C3T1 Fl. 302 7 Embora de constitucionalidade discutível, do ponto de vista formal (dado a matéria de lançamento ser reservada a lei complementar), a verdade é que, do ponto de vista material, o preceito citado é compatível com o Código Tributário Nacional, pois é corolário do caráter 'obrigatório' do exercício do poder de lançar, tal como estabelecido no artigo 142 daquele Código" (in Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª edição, p. 428). 13. Assim, o lançamento foi regularmente efetivado, restando sobrestadas as ações de cobrança até a decisão judicial final, quando lhe seja possibilitada a cobrança. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA 14. Com relação à incidência dos juros, como disposto no Discriminativo do Débito, entendo que o lançamento fiscal também deve ser mantido, aplicandose a Súmula n.º 5 do CARF: “São devidos juros de mora sobreo crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. 15. Com efeito, ao que consta dos autos, não houve depósito dos valores envolvidos no lançamento fiscal, por parte da empresa recorrente, de maneira que os juros são devidos. CONCLUSÃO 16. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720185/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE
Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa.
Embargos rejeitados
Numero da decisão: 2102-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pela PGFN.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva , Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pela PGFN. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva , Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE Devem ser rejeitados os embargos fundamentados em omissão, contradição ou obscuridade no acórdão quando estas figuras inexistem e o recurso integrativo é empregado com o intuito de reabrir o mérito da causa. Embargos rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos pela PGFN. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva , Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 85 /2 00 8- 91 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 2102002.399 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Em sessão plenária realizada em 20 janeiro de 2012, essa Turma de Julgamento, apreciou o recurso apresentado pelo contribuinte no Acórdão nº 210201.772, 147 a 154, ocasião em que se deu provimento aos recurso, por maioria de votos. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário, condição especial para proteção da área de reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel. Recurso Voluntário Provido Cientificado do referido Acórdão, a douta PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, apresentou Embargos de Declaração, fls. 156/157, onde afirma que o acórdão acima mencionado incorreu em omissão, ao não se pronunciar a respeito da exigência contida no art. 17 O, § 1°, da Lei n° 6.938, de 1981 e na Instrução Normativa SRF n° 43, de 1997. Acrescenta, ainda, a Procuradoria da Fazenda Nacional, que a contribuinte não tem direito ao beneficio, pois o ADA se mostra intempestivo, vez que não foi apresentado no prazo de seis meses, contados a partir da data final da entrega da DITR. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 2102002.399 S2C1T2 Fl. 12 3 Diante dos fatos apresentados o presente processo retornou para que o Colegiado da Turma se manifeste, conforme o previsto no art. 65 do RICARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Frisese que os embargos são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou for omisso quanto a ponto sobre o qual deveria se pronunciar, o que não foi o caso do acórdão embargado. No presente caso, o voto condutor da decisão recorrida trouxe em seu bojo, fl. 153, as razões que fundamentaram a decisão acerca dessa intempestividade do ADA, verbis: Da análise da descrição dos fatos da autuação, verificamos que as motivações das glosas das áreas isentas que culminaram no lançamento, foi a extemporaneidade na apresentação do ADA para as Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal. Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamos sua conclusão como fundamento para nossa decisão, nos seguintes termos: (...) Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passase a apreciar o caso concreto aqui em discussão. No presente caso, a tempestividade da apresentação do ADA não foi argüida pela autoridade fiscal, tampouco, pela Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarrazões ao recurso voluntário (art. 48, § 2º, do Anexo II, do RICARF). Logo, como a matéria não foi argüida, desnecessária a sua apreciação. Por oportuno, destaquese que a Turma que proferiu o acórdão em questão tem jurisprudência firmada no sentido de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR, dado que a Lei nº 6.938, de 1981, não fixou prazo para a apresentação do ADA. E mais, a contribuinte apresentou o ADA as fls. 10/11. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 2102002.399 S2C1T2 Fl. 13 4 Assim sendo, VOTO POR REJEITAR OS EMBARGOS de declaração, em razão da não ocorrência de omissão no Acórdão nº 210201.772. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720185/200891 Acórdão n.º 2102002.399 S2C1T2 Fl. 14 5 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15956.000177/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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Recorrentes ASSOCIACAO DAS URSULINAS DE RIBEIRAO PRETO FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 17 7/ 20 08 -5 0 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 444 2 Relatório: Conselheiro Mauro José Silva: Tratase de lançamento nº 37.131.9889, lavrado em 23/06/2008, por ter a empresa apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 06/2003 a 07/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 677.633,58, fls. 01. A autoridade fiscal relatou que: A instituição passou por diligência fiscal em 2004 para verificação de fatos que, em tese, pudessem configurar motivos impeditivos para concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS. Concluída a diligência, foi constatado que a instituição não atendeu aos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, conforme Representação Administrativa RA e Informação Fiscal de 30/06/2004 (documentação anexa) Desta forma, a instituição teve sua isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 cancelada. A instituição recorreu da decisão, porém lhe foi negado provimento, conforme despacho decisório do Acórdão n° 1674/2006 de 25/10/2006, Declaração de Cancelamento de Isenção de 09/08/2007 e Oficio n°668/2007/DRF/POR/GAB de 09/08/2007 encaminhado e recebido pela instituição por via postal com aviso de recebimento em 15/08/2007, fls. 369/379. (documentação anexa). Sendo assim, foi aberta a presente ação fiscal para verificação do cumprimento das obrigações principal e acessória do período de 01/1998 a 07/2007 em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/06/2008, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. , na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto, em despacho de fls. 374/375, solicitou fossem os documentos relacionados com o cancelamento da isenção juntados ao presente. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 445 3 A fiscalização juntou os documentos solicitados e informou, fls. 376/377, o seguinte: Foi elaborada Informação Fiscal para cancelamento da Isenção, em 05/04/2007, constante do Processo n° 17460.000192/200714 (n° este, recebido no Ministério da Fazenda DRJ RPO PROT SP, quando da fusão ocorrida na forma da Lei n° 11.457/2007), pelo não cumprimento pela Associação do contido no inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/91. Foi encaminhada via da Informação Fiscal à Empresa através do Ofício n° 229/2007/DRPRIB/SRP/MPS, de 05/04/2007, com AR Aviso de Recebimento n° 354926303, cientificada em 17/04/2007, com abertura de prazo para apresentação de defesa no prazo de 15 (quinze) dias. A Associação apresentou defesa tempestiva e a decisão culminou no Acórdão de n° 1416.133 9a Turma da DRJ/RPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP), de 22/06/2007, onde seus membros acordaram por unanimidade de votos, considerar procedente a Informação fiscal, com trânsito em julgado administrativamente e determinou a emissão do Ato Cancelatório. Assim, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 002/2007, de 09/08/2007, encaminhado à empresa através do Ofício n° 668/2007/DRF/RPO/GAB, de 09/08/2007(fls. 377 a 379) do presente Auto de Infração, recebido pela Empresa em 15/08/2007 AR n° 613319001. Da decisão que cancelou a isenção não coube interposição de recurso administrativo, de conformidade com o estabelecido no § 9o do art. 206 do Decreto n° 3.048/99. Cientificada da informação fiscal em 06/03/2009, a recorrente aditou sua impugnação em fls. 382/385, insistindo nos fatos narrados em sua peça inicial. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 388/395, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 21/10/2009, fls. 399. Especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, o Acórdão a quo entendeu que a recorrente somente a partir daquela data teria passado a atender o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Ficou consignada a conclusão de que o certificado anterior não teve seus efeitos estendidos, pois o CNAS não teria feito qualquer ressalva no novo CEBAS. Em seguida, a DRJ consignou que a discussão sobre a existência de isenção não poderia ser objeto de discussão no presente processo. Como a então impugnante não havia discutidos os aspectos fáticos dos fatos geradores, estes foram considerados matéria não impugnada. O recurso voluntário, apresentado em 17/11/2009, fls. 403/413, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia informando que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deferiu seu CEBAS conforme anexo 2 da defesa inicial, fls. 555. Em decisão publicada em 28/02/2008, a recorrente teve reconhecida a validade de seu Certificado nos períodos 01/2001 a 12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Diante disso, o Ato Cancelatório 002/2007 teria perdido a validade. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 446 4 O Ato Cancelatório referente ao Acórdão 1674/2006 também foi reformado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) conforme consta do Anexo 3 da defesa inicial. Insiste que preenche todos os requisitos para a imunidade/isenção Suscita a aplicação da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009 ao caso. É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 447 5 Voto: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento . A recorrente apresentou aspecto relevante relativo ao Ato Cancelatório 002/2007. Segundo a interessada, a inexistência de CEBAS apontada pela fiscalização e constatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não corresponde à realidade, uma vez que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) teria decidido, em data posterior ao término do julgamento na DRJ, pela validade do CEBAS. Assim, o fundamento para a conclusão da DRJ e para a conseqüente edição do Ato Cancelatório 002/2007 estaria afastado em parte do período. Em relação a tal período a recorrente deixou de apresentar desistência e insiste no deferimento de seu recurso. O Ato Cancelatório 002/2007, fls. 188, foi emitido em 13/07/2007, pelo Delegado Adjunto da DRF/Ribeirão Preto tendo como único fundamento o descumprimento do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, após a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) da mesma cidade ter emitido o Acórdão 16.133 em 22/06/2007. O referido dispositivo exigia, na redação da época dos fatos geradores, que a entidade fosse portadora do Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Ocorre que a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto que julgou o cancelamento da isenção no processo 17460.000192/200714 foi exarada em 22/06/2007, data anterior à decisão definitiva do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) a respeito da existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido em período posterior a 01/1998. Como não havia possibilidade de recurso, em virtude do §9º do art. 206 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS), a decisão da DRJ atingiou a definitividade e permitiu a emissão do Ato Cancelatório 002/2007. Diante disso, a recorrente apontou, em sua impugnação e em seu Recurso Voluntário no presente processo, que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) reconheceu, em decisão publicada em 28/02/2008, que a recorrente possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido em parte do período objeto do lançamento, ou seja, em parte do período atingido pelo Ato Cancelatório 002/2007. É nosso entendimento que remanesce produzindo efeitos o Ato Cancelatório 002/2007 até que seja retirado do mundo jurídico por autoridade competente para tanto. Entretanto, parecenos que o único fundamento do Ato Cancelatório 002/2007 restou afastado em relação aos períodos para os quais foi reconhecida a existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), ainda que em decisão declaratória posterior com efeitos ex tunc. Em adição, discordamos do Acórdão a quo que apontou que a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) de 28/02/2008 teria efeitos apenas ex nunc em relação à isenção. O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de fato, não decide Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 448 6 sobre isenção, mas decide sobre o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Quem decide se a recorrente possuía ou não CEBAS válido em determinado período não é a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) e sim o CNAS. Sendo o CEBAS requisito para a isenção, a decisão definitiva sobre esta deveria ter aguardado o pronunciamento final do CNAS sobre o certificado por se tratar de questão prejudicial, o que não foi feito. Ressaltamos que isso não impediria o respectivo lançamento fosse realizado para evitar a decadência dos fatos geradores relativos a períodos nos quais a isenção estava sendo questionada. Com a decisão definitiva posterior do CNAS com efeitos ex tunc, o Ato Cancelatório 002/2007 restou desprovido de fundamentos em relação ao período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Porém, como a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no processo 17460.000192/200714 alcançou a definitividade na esfera administrativa, cabenos diligenciar para apurarmos se a decisão do CNAS já alcançou a definitividade na esfera administrativa para, em momento posterior, avaliarmos os rumos de nosso convencimento em relação ao caso. Nossas dúvidas em relação aos processos noticiados justificamse dado ao conteúdo do documento fls. 417 que nos informa que processos que discutiram a existência do CEBAS ainda estavam em trâmite em 19/10/2009, data posterior a 28/02/2008. Caso os processos noticiados em fls. 347 estivessem em andamento quando da edição da MP 446/2008 teríamos que considerálos deferidos, seguindo o conteúdo da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009. Enfim, somente conhecendo o inteiro teor dos processos que tramitaram no CNAS é que poderemos formar nossa convicção sobre a legalidade do conteúdo do Ato Declaratório 002/2007, sobre a aplicação da MP 446/2008 e sobre as eventuais repercussões em nosso convencimento. Por oportuno, o envio dos autos ao titular da DRF Ribeirão Preto justificase devido ao nosso entendimento de que somente aquela autoridade poderá alterar o conteúdo do Ato Cancelatório 002/2007. Caso tal ato não seja revisado, nosso entendimento atual é de que cabernosá apenas acatar seus efeitos no presente caso. Pelo exposto, votamos por converter o julgamento em diligência para: 1 Que seja solicitado ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) cópia integral dos processos 71010.002063/200461, 71010.002064/200414, 44006.005179/200062 e 71010.000199/199/200518, citados no item 2 da Resolução 35 de fevereiro de 2008 daquele órgão; 2 Após a juntada dos documentos, que seja o presente processo enviado ao titular da DRF/Ribeirão Preto para que este se pronuncie sobre a legalidade integral do Ato Cancelatório 002/2007 e, caso conclua pela ilegalidade parcial, realize, se entender cabível, a revisão de ofício do referido Ato, juntando o eventual novo documento aos autos. Concluídos tais encaminhamentos, a recorrente deve ser intimada a, se desejar, aditar seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Ao final, retorne os autos para este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15956.000177/200850 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.270 S2C3T1 Fl. 449 7 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10380.913372/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 2/ 20 09 -7 1 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 64 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 29/05/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 05614.20799.290508.1.3.044389 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débito informado: CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 595202 Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003, período de apuração 1ª Quinzena de Maio/2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 961,42; b) crédito original utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 708,96; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 41). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 748.249,15. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 65 3 Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 41); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente à apuração realizada do período de apuração mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do anocalendário 2005 – declaração de ajuste anual DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito original; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do imposto de renda, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 66 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/38), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento do IRPJ – Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74, período de apuração julho 2005, apurou que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 42); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.43/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, com outros valores a pagar do ano 2008 e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou de parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB conforme despacho decisório já citado, sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a da DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 67 5 que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou comprovado nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 68 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Em relação à antecipação de pagamento de imposto estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido do imposto desse período. Nesse sentido, a contribuinte juntou as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ –Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, onde informou, para o período de apuração julho/2005, Imposto de Renda a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 11; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação do IRPJ Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74 (fl.42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório, nestes autos, parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 708,96 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, a importância de R$ 748.249,15 (valor original) – fl. 02. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 69 7 Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito do IRPJ estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 1.876.090,74. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual DIPJ (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento do IRPJ do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) consta cópia de parte da Ficha 11 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Ou seja, sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) não há cópia nos autos da Ficha 12 –Cálculo do IR sobre o Lucro Real. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas citadas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir nos sistemas internos de controle da RFB (sistemas informatizados) uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora juntada aos autos para o período de apuração relativo ao direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 70 8 devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913372/200971 Resolução nº 1802000.129 S1TE02 Fl. 71 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
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