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Numero do processo: 13433.001230/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 FATOS GERADORES DE JANEIRO A NOVEMBRO DE 2002 - DECADÊNCIA Não mais remanescem dúvidas de que o recolhimento do tributo, ainda que parcia
l, excluindo-se os casos de dolo, fraude ou simulação, enseja a aplicação da regra de decadência contida no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional - CTN. Transcorridos mais de cinco entre a data do fato gerador e a data do lançamento (12/12/2007), há de ser reconhecida a decadência FATO GERADOR DE DEZEMBRO DE 2002 - NÃO COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA AUTUADA O ônus de provar a ocorrência do fato gerador é da Fiscalização. A decisão recorrida, ao sustentar suas conclusões no argumento de que a Contribuinte deixou de comprovar que os registros sob o código 5.99 correspondiam a transferências ou saídas não tributáveis, inverteu o ônus da prova, sem autorização legal para tanto. O antigo código CFOP 5.99 (outras saídas), via de regra, era utilizado para o registro de operações que não refletiam vendas (devolução, remessa ou retorno de bens e mercadorias). Não havendo motivos para se concluir que as saídas sob o código 5.99 decorreram de operações de vendas, deve ser cancelada a exigência.
Numero da decisão: 1802-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Transcorridos mais de cinco entre a data do fato gerador e a data do lançamento (12/12/2007), há de ser reconhecida a decadência FATO GERADOR DE DEZEMBRO DE 2002 NÃO COMPROVAÇÃO DA DIFERENÇA AUTUADA O ônus de provar a ocorrência do fato gerador é da Fiscalização. A decisão recorrida, ao sustentar suas conclusões no argumento de que a Contribuinte deixou de comprovar que os registros sob o código 5.99 correspondiam a transferências ou saídas não tributáveis, inverteu o ônus da prova, sem autorização legal para tanto. O antigo código CFOP 5.99 (outras saídas), via de regra, era utilizado para o registro de operações que não refletiam vendas (devolução, remessa ou retorno de bens e mercadorias). Não havendo motivos para se concluir que as saídas sob o código 5.99 decorreram de operações de vendas, deve ser cancelada a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 84 a 121, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 5.175,58, R$ 5.175,58, R$ 12.713,57, R$ 27.054,68 e R$ 33.386,97, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1127.003, às fls. 149 a 154: Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, e no Relatório Fiscal (fls. 78/83) consta que a contribuinte informou na Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2002, valores de receita bruta inferiores aos constantes em sua escrita fiscal, consolidados no demonstrativo de fls. 80. Assim, a fiscalização procedeu à autuação apontando a seguinte irregularidade: 1) DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, dos meses de janeiro a dezembro de 2002, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), decorrente da diferença entre as bases de cálculo informadas na PJSI/2003 e as bases de cálculo apuradas através do Livros Fiscais, aplicandose a alíquota apropriada a cada período de apuração. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, a sua peça impugnatória, às fls. 126/141 na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. Que a fiscalização ao apurar a base tributável considerou indevidamente os valores relativos a remessas de produtos para depósito em armazém geral (CFOP 5.99). Assevera a impugnante que a fiscalização se enganou ao afirmar que as vendas contidas no código 5.99 se referiam a operações isentas do ICMS. Para fundamentar sua alegação transcreve às fls. 127/131 o Livro Registro de relativo ao mês de janeiro de 2002, afirmando que as vendas de mercadorias (CFOP 5.12) totalizou como valor contábil R$ 39.343,19 correspondente a soma da base de cálculo do ICMS (R$ 38.427,19) com as operações isentas de ICMS (R$ 919,00), sendo que o valor de R$30.889,18 se refere a Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 5 4 mercadorias enviadas para depósito as quais não constituem fato gerador da obrigação tributária. A impugnante transcreve em sua petição entendimentos doutrinários e ementas de decisão administrativa acerca da definição de fato gerador e utilização de prova emprestada, afirmando que a fiscalização equivocadamente se fundamentou nos Livros de Apuração do ICMS não percebendo a necessidade de carrear outros elementos que comprovassem efetivamente, se ocorreu a pretendida omissão de receita. A autuada requer o cancelamento do lançamento em lide afirmando não ter restado devidamente demonstrada a presença de omissão de receita. A impugnante se insurge contra a multa lançada afirmando ter caráter confiscatório transcrevendo entendimentos doutrinários e jurisprudência do STF. Também se insurge contra a utilização da taxa SELIC na cobrança dos juros moratórios alegando ilegalidade e inconstitucionalidade. Como mencionado, a DRJ Recife/PE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Não poderão ser excluídos da base de cálculo do SIMPLES os valores escriturados como demais saídas (código 5.99) quando não restarem comprovadas, através de documentação hábil e idônea, a sua efetiva natureza. JUROS DE MORA (TAXA SELIC) MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de ofício e dos juros de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 6 5 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 03/08/2009, a Contribuinte apresentou em 31/08/2009 o recurso voluntário de fls. 163 a 181, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Na seqüência, este colegiado, por meio da Resolução nº 1802000.033, proferida em 24/05/2011, no intuito de se averiguar a ocorrência de decadência, encaminhou o processo em diligência.para que a Delegacia de origem informasse se houve ou não recolhimentos do Simples relativamente aos períodos autuados. Concluída a diligência, o processo retornou ao CARF para julgamento. Este é o Relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2002. A ciência do lançamento ocorreu em 12/12/2007 (AR à fl. 124). Segunda a Fiscalização, há diferenças entre a receita bruta declarada pela Contribuinte durante o ano calendário 2002, e a que realmente deveria ter sido oferecida à tributação. Tais diferenças foram apuradas a partir do livro Registro de Saída de Mercadorias, onde foram registradas vendas (código CFOP 5.12) e também operações isentas para o ICMS (código CFOP 5.99), cujos montantes superaram as receitas declaradas. O Relatório Fiscal de fls. 78 a 82 traz ainda as seguintes informações: Cabe aqui lembrar que o código CFOP de três dígitos foi substituído, desde 1° de janeiro de 2003, pelo de quatro dígitos. O código CFOP 5.99 (genericamente descrito como "operações sem Débito do imposto, isentas, não tributadas ou outras") desdobrouse em diversos códigos CFOP de quatro dígitos (para a relação completa vide documento 11). Como demonstra tal lista, nem todas as operações relacionadas podem ser excluídas da apuração da receita bruta (como o 5.922, “lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura”, por exemplo). A fiscalização insistiu perante o contribuinte na apresentação das notas e cupons fiscais de saída categorizadas sob tal código, de modo a discernir com exatidão se alguma dessas saídas poderia ser excluída da base de cálculo da receita bruta. Entretanto, como indicado pelo contribuinte em sua resposta (documento 07), tal documentação não está disponível, não sendo assim possível aferir se há de fato entre tais saídas alguma que se enquadre em situação que permita sua exclusão da receita bruta. Em sua defesa, a Contribuinte, dentre outros argumentos, alega que as saídas registradas com o CFOP 5.99 correspondem a transferências de mercadorias para o seu depósito, que é inscrito no CNPJ sob o n° 08.130.288/000201. Portanto, seriam operações que não configuram fato gerador de obrigação tributária, nem para o ICMS, nem para os tributos federais. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 8 7 A Delegacia de Julgamento, por sua vez, entendeu que a Fiscalização procedeu corretamente ao considerar os valores escriturados no código 5.99 como saídas tributáveis, uma vez que a Contribuinte não comprovou que estes registros correspondiam a transferências ou saídas não tributáveis. PRELIMINARMENTE Iniciado o julgamento no CARF, na sessão de 24/05/2011, observouse que o lançamento ocorreu em 12/12/2007, abrangendo fatos geradores do anocalendário de 2002, com apuração mensal, já que se trata de tributação no regime simplificado SIMPLES. Naquela ocasião, foi registrado também que não mais remanescem dúvidas de que o recolhimento do tributo, ainda que parcial, excluindose os casos de dolo, fraude ou simulação, enseja a aplicação da regra de decadência contida no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. Este, inclusive, é o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, e que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto a essa matéria, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8. Oportuno destacar o item 40 do referido Parecer: “P A R E C E R PGFN/CAT Nº 1617/2008. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante nº 8. Alcance. Contribuições Previdenciárias. Forma de contagem de prazos. Fixação do termo a quo de prazos de decadência e de prescrição. Art. 150, § 4º, do CTN. Art. 173, I, do CTN. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e do parágrafo único do art. 5º do DecretoLei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977. ........... 40.Do que, então, emerge mais uma conclusão: o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial, isto é, do § 4º do art. 150 do CTN,; a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade, projetados nas contribuições previdenciárias. Isto é, no que se refere à contagem dos prazos de decadência. Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias.” (grifos acrescidos) No caso, não foi imputada à Contribuinte a prática de dolo, fraude ou simulação. Sendo assim, e como havia fortes evidências de ter havido recolhimento parcial, o processo foi baixado em diligência, para esclarecer o aspecto relacionado à decadência. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 9 8 Em atendimento ao demandado por este colegiado, a Delegacia de origem prestou a seguinte informação: 1. Trata o processo em questão de Auto de Infração do SIMPLES lavrado contra o contribuinte em epígrafe. 2. À vista da Resolução nº 1802000.033 – 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos é demandada a confirmação de recolhimentos do SIMPLES apurados no anocalendário 2002. 3. Consoante folhas 197 a 208, verificamos no sistema SINAL04 os DARF SIMPLES recolhidos pelo contribuinte para o período objeto da autuação. 4. Destarte, cumprida a diligência, proponho o encaminhamento do processo ao CARF, especificamente à Primeira Seção de Julgamento, para prosseguimento do julgamento. O sistema Sinal registra a ocorrência de pagamento no código 6106 (Simples) para todos os meses do anocalendário de 2002. Deste modo, em vista das considerações acima, há se ser reconhecida a decadência para os meses de janeiro a novembro de 2002, eis que transcorridos mais de cinco anos entre a data dos fatos geradores (31/01/2002, 28/02/2002, ..., 30/11/2002) e a data do lançamento (12/12/2007), conforme o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. MÉRITO Uma vez reconhecida a decadência para os meses de janeiro a novembro de 2002, o exame de mérito fica resumido à exigência relativa ao mês de dezembro de 2002. O Relatório Fiscal, às fls. 78 a 83, indica para esse período as seguintes rubricas e valores: Vendas no Estado (5.12) – R$ 56.137,08 Operações Isentas (5.99) – R$ 10.329,80 Receita Bruta Apurada – R$ 66.466,88 Receita Bruta Declarada na DIPJ Simples – R$ 56.137,08 Diferença de Receita Bruta a Autuar – R$ 10.329,80 Cabe registrar que durante a fase de auditoria, a Contribuinte foi intimada a apresentar as notas e cupons fiscais relativos às saídas registradas com o código 5.99. Em atendimento a essa intimação, ela informou que: (...) foi dado uma busca no meu estabelecimento, como também na Secretaria Estadual de Tributação onde a empresa foi anteriormente fiscalizada e não foram encontrados os referidos Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 10 9 documentos solicitados por V. Sa. através do termo de intimação fiscal acima citado. Como fundamento da autuação, a Fiscalização destacou que o código CFOP de três dígitos foi substituído, desde 1° de janeiro de 2003, pelo de quatro dígitos; que o código CFOP 5.99 (genericamente descrito como “operações sem Débito do imposto, isentas, não tributadas ou outras”) desdobrouse em diversos códigos CFOP de quatro dígitos (para a relação completa vide documento 11); que a lista com os novos códigos de quatro dígitos demonstra que nem todas as operações relacionadas podem ser excluídas da apuração da receita bruta (como o 5.922, “lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura”, por exemplo). Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento entendeu que a Fiscalização procedeu corretamente ao considerar os valores escriturados no código 5.99 como saídas tributáveis, uma vez que a Contribuinte, intimada para tanto, não comprovou que estes registros correspondiam a transferências ou saídas não tributáveis. A Contribuinte, em suas peças de defesa, vem alegando que a Fiscalização considerou indevidamente os valores relativos a remessas de produtos para depósito em armazém geral (CFOP 5.99) como saídas tributáveis; que a Fiscalização se enganou ao afirmar que as vendas contidas no código 5.99 se referiam a operações isentas do ICMS; que toda a saída escriturada nos livros fiscais sob o CFOP 5.99 referese a transferência de mercadoria para o depósito da Recorrente, que é inscrito no CNPJ sob o n° 08.130.2881000201; e que não foram carreados elementos que comprovassem efetivamente a omissão de receita. Inobstante a Contribuinte não ter apresentado as notas fiscais referentes às saídas com o código 5.99, penso que tal fato, por si só, não autoriza inferir que estas saídas corresponderiam a operações de vendas a serem tributadas pelo Simples. Este fato pode sim configurar um indício, mas não prova de omissão de receitas. Nesse sentido, vale registrar que o antigo código CFOP 5.99 (outras saídas) via de regra era utilizado para o registro de operações que não refletiam vendas. Vêse, pela própria “Lista de Correlação entre o Antigo Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 5.99 e seus Sucessores de Quatro Dígitos”, juntada pela Fiscalização às fls. 77, que a maioria das saídas na nova codificação corresponde a mera movimentação de bens ou mercadorias (devolução, remessa e retorno), as quais não caracterizariam auferimento de receita. Das 28 descrições constantes desta lista, apenas uma delas, sob o código 5.922 “Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura”, poderia caracterizar saída correspondente a venda. Mas nada evidencia nos autos que as saídas no código 5.99 poderiam ter ocorrido a esse título, especialmente porque a empresa tem por objeto social o “comércio varejista de produtos odontológicos e hospitalares”. O ônus de provar a ocorrência do fato gerador é da Fiscalização. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.001230/200722 Acórdão n.º 180201.364 S1TE02 Fl. 11 10 A meu ver, a decisão recorrida, ao sustentar suas conclusões no argumento de que a Contribuinte deixou de comprovar que os referidos registros correspondiam a transferências ou saídas não tributáveis, inverteu o ônus da prova, sem autorização legal para tanto. Não há motivos nos autos para se concluir que as saídas sob o código 5.99 correspondem a operações de vendas. Aliás, o normal é que não correspondam. Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência das exigências relativas aos meses de janeiro a novembro de 2002, e, no mérito, voto para cancelar a exigência em relação a dezembro de 2002. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.021819/99-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1197 a 31/03/1997
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO.
Havendo oposição do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic desde a data da decisão que impediu a utilização do crédito até a data da ciência da decisão que, definitivamente, afastou a oposição do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas, que reconheciam o direito aos juros Selic da data da apresentação do pedido de ressarcimento até a data da efetiva utilização do crédito.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO. Havendo oposição do Fisco para utilização do crédito presumido do IPI por uma das formas permitidas na legislação, incidem juros calculados pela taxa Selic desde a data da decisão que impediu a utilização do crédito até a data da ciência da decisão que, definitivamente, afastou a oposição do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas, que reconheciam o direito aos juros Selic da data da apresentação do pedido de ressarcimento até a data da efetiva utilização do crédito. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 02 18 19 /9 9- 01 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.021819/9901 Acórdão n.º 3302002.018 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), apresento em agosto de 1999, relativo ao 1º trimestre de 1997. O pedido foi indeferido, sem exame de mérito, porque os produtos exportados pela recorrente são NT. Inconformada, a empresa apresenta manifestação de inconformidade e recurso voluntário que restaram sendo indeferidos. Contra a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20308.669), a empresa interessada apresentou recurso especial perante a CSRF, que restou sendo provido para reconhecer o direito, em tese, ao ressarcimento e determinar o exame de mérito pela DRJ, nos seguintes termos: Frente a todo o exposto, ratifico os termos do despacho que analisou a admissibilidade do recurso para definitivamente estabelecer que o processo limitase a definir se o contribuinte tem o direito ou não ao crédito presumido do IPI em razão de produzir mercadoria amparada pela não tributação do IPI. Este é o exato limite da decisão a ser proferida. Frente a tal, passo a decidir. [...] Frente ao exposto, dou provimento ao recurso especial interposto para reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido do IPI relativo ao PIS e à COFINS, cabendo à autoridade fiscal verificar se os valores requeridos se afeiçoam à legislação de regência. (Acórdão CSRF/0201.870, de 11/04/05). A DRJ em Juiz de Fora MG examinou o mérito do pedido tendoo deferido em parte. Do valor pleiteado (R$ 665.209,88) foi reconhecido R$ 527.563,56 (quinhentos e vinte e sete mi, quinhentos e sessenta e três reais e cinqüenta e seis centavos). Ciente da decisão e tempestivamente, a interessada apresenta recurso voluntário para pleitear a atualização monetária com base na Taxa SELIC, no qual alega que apesar do V. Acórdão DRJ nº 0919.061 não ter se pronunciado sobre a matéria, a correção monetária foi objeto de prequestionamento no item “d” do Recurso Especial provido pela V. Acórdão CSRF/0201.870, que devolveu todas as demais matérias à Instância Inferior de Julgamento. Quanto ao mérito do recurso voluntário, alega que matéria consta da Súmula nº 411, do STJ, cuja aplicação é obrigatória por parte do CARF, por força do disposto no art. 62A do seu Regimento Interno. Na forma regimental, o processo foi sorteado para relatar. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.021819/9901 Acórdão n.º 3302002.018 S3C3T2 Fl. 4 3 É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, pelas razões a seguir aduzidas, entendo que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Sobre a admissibilidade do recurso voluntário, é fato que a matéria “correção monetária sobre o valor a ressarcir reconhecido” não foi objeto de questionamento na manifestação de inconformidade e nem no primeiro recurso voluntário. Também é fato que a matéria foi suscitada no recurso especial interposto pela recorrente contra o acórdão proferido pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20308.669, de 25/02/2003). Por último, não há como negar que entre a data da apresentação da manifestação de inconformidade (21/12/1999) e o julgamento do seu mérito pelo acórdão recorrido (13/03/2008), ocorreram mudanças significativas na legislação de regência, na interpretação da mesma pelo Poder Judiciário e no Regimento Interno deste tribunal administrativo tributário. Por tais razões é que voto no sentido de reconhecer do recurso voluntário. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando a incidência dos juros Selic no valor ressarcido, a título de correção monetária, a partir da edição do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139/96 e o § 1º, do art. 2º, da IN SRF nº 023/97, que impôs óbice ao Pedido de Ressarcimento. Sobre a correção monetária de créditos de IPI, o STJ decidiu nos dois RESPs abaixo citados (ambos os julgamentos submetidos ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008), cujos resultados são de adoção obrigatório por este Colegiado (Art. 62A do RICARF), que não incide correção monetária nos créditos do IPI aproveitados na forma prevista na legislação do imposto e somente quando há ato ilegítimo do Fisco se opondo ao aproveitamento do crédito é que incide a correção monetária. O primeiro caso é o RESP 1035847, cujo relator foi Min. Luiz Fux. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No segundo caso, falo do RESP 993164, cujo relator foi o Min. Luiz Fux, que resultou na Súmula 411, cujo julgado concluiu que: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.021819/9901 Acórdão n.º 3302002.018 S3C3T2 Fl. 5 4 A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. No presente caso, houve resistência do Fisco para que a recorrente aproveitasse seu crédito. Tal resistência se caracteriza pelo indeferimento do pedido de ressarcimento apresentado. O Despacho Decisório que indeferiu o pleito da recorrente foi prolatado no dia 26/10/1999. Nos termos da decisão proferida no RESP nº 1035847, não há previsão legal para correção monetária, e muito menos juros, dos créditos de IPI utilizados na forma prevista na legislação do imposto. No entanto, a decisão proferida pelo STJ no RESP nº 993164 impõe o pagamento de juros, calculados pela taxa Selic, quando houver resistência do Fisco para o legítimo aproveitamento de crédito do IPI. É, portanto, a resistência do Fisco que desnatura o crédito do IPI e isto somente ocorre com a decisão da DRF/IRF que não reconhece o crédito pleiteado, repercutindo seus efeitos da data de sua prolação até a data da ciência da decisão administrativa definitiva (da DRJ ou do CARF) que afastou a oposição até então existente, permitindo a utilização do crédito pelo contribuinte do IPI. Antes de o contribuinte apresentar seu pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, e da Autoridade Administrativa sobre ele se manifestar, não há como se falar em oposição do Fisco para a sua utilização. A decisão da empresa de utilizar o crédito do IPI, sob a forma de ressarcimento e/ou compensação, dáse com a apresentação do competente pedido à RFB, cujo exercício (para todos os contribuintes) começa com a decisão administrativa sobre a procedência do mesmo, respeitado a regra sobre a data em que se considera efetuada a compensação declarada que utiliza créditos objeto de pedido de ressarcimento. Portanto, nos termos que decidiu o STJ, entre a data da apresentação do pedido de ressarcimento e a data da decisão administrativa não há oposição do Fisco e, consequentemente, não existe previsão para incidir juros Selic sobre o valor do crédito reconhecido pelo Delegado/Inspetor de DRF/IRF da RFB. O termo inicial, portanto, para a incidência dos juros Selic sobre os créditos reconhecidos pelas DRJ e pelo CARF (e não reconhecido pela DRF/IRF), é a data da decisão administrativa do Delegado/Inspetor de DRF/IRF da RFB que se opôs à utilização do crédito. Também não há que se falar em oposição do Fisco a partir da data em que o contribuinte toma ciência de decisão definitiva da DRJ, proferida em manifestação de inconformidade, ou do CARF, proferida em recurso voluntário ou recurso especial, que reformou decisão anterior para permitir a utilização do crédito pelo contribuinte, por qualquer uma das modalidades previstas na legislação tributária federal. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.021819/9901 Acórdão n.º 3302002.018 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, a decisão administrativa que se opôs à utilização do crédito pleiteado e reconhecido pela decisão recorrida é de 26/10/1999, data a partir da qual incide os juros Selic, até a data da ciência da presente decisão, quando não mais existe oposição por parte do Fisco para o contribuinte utilizar o crédito. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à incidência de juros Selic de 26/10/1999 até a data da ciência da decisão definitiva deste CARF. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002708/2003-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1991
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (24/12/2003), aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1991) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (24/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1991) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Recurso especial provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 27 08 /2 00 3- 44 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2201 00.784, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 29/07/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a preliminar de decadência em relação ao pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. Segue abaixo sua ementa: “RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE PDV. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária – PDV extinguese no prazo de cinco anos, contados de 07/01/1998, primeiro dia após a publicação da IN SRF 165/1998 no DOU. Recurso Voluntário Provido.” A Fazenda Nacional afirma que o aresto recorrido diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002708/200344 Acórdão n.º 9202002.504 CSRFT2 Fl. 8 3 qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC 930300.080) “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF 0400.810) Explica que o acórdão atacado considerou como dies a quo para a contagem do prazo decadencial relativo ao pedido de restituição data diversa daquela em que se deu a extinção do crédito tributário (publicação da IN 165). Os paradigmas, por outro lado, entenderam que o dies a quo tem início com a extinção do crédito tributário e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial. Argumenta que, pelo exame dos arts. 165, I e 168, I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Entende que não há dispositivo legal que justifique ser considerada a data da publicação da IN SRF 165 o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do IRRF. Ressalta que sua tese merece amparo do art. 3º da LC 118/2005, norma a partir da qual, no seu entender, restou indefensável considerar como dies a quo outra circunstância que não o pagamento antecipado. Salienta que o r. dispositivo se aplica também a ato ou fato pretérito, em decorrência do disposto no art. 4º da mesma LC. Frisa que, ao não admitir a retroatividade da LC 118/2005, o CARF acaba por declarar sua inconstitucionalidade. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.466, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, no presente caso, existe uma situação conflituosa não exatamente prevista no art. 165 do CTN. Explica que o tributo foi pago na forma da lei e, posteriormente, foi reconhecido como indevido por ato da SRF, através da IN SRF 165/98. Diz que o art. 3º da LC 118/05, por ser inovador no plano das normas, somente pode ser aplicado a situações que venham a ocorrer a partir da vigência da vigência da r. LC, ou seja, 9 de junho de 2005. Destaca que o STJ recusou natureza interpretativa ao art. 3º da LC 118/05. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer que o pedido formulado pela PGFN não seja provido. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso especial constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente Fl. 333DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002708/200344 Acórdão n.º 9202002.504 CSRFT2 Fl. 9 5 às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO Fl. 334DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10805.002708/200344 Acórdão n.º 9202002.504 CSRFT2 Fl. 10 7 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (24/12/2003), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Entretanto, o presente pedido deuse em período superior a dez anos entre a data do fato gerador (31/12/1991) e a data do pedido de repetição do indébito. Portanto, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 336DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.012274/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ESCREVENTE E AUXILIARES DE CARTÓRIO. LEI Nº 8.935/94.
Os escreventes e os auxiliares de cartório, somente permanecem vinculados a Regime Próprio de Previdência Social - RPPS e, por conseguinte, excluídos do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, se cumulativamente houverem sido contratados até 20/11/1994, se forem titulares de cargo público de provimento efetivo e desde que não tenham feito a opção de que trata o artigo. 48 da Lei n° 8.935/94.
FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96
O Salário-Educação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea b do inciso II do §6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
RFFP. CABIMENTO.
A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo ser excluídos do lançamento os valores pagos a título de vale-transporte, em obediência à Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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LEI Nº 8.935/94. Os escreventes e os auxiliares de cartório, somente permanecem vinculados a Regime Próprio de Previdência Social RPPS e, por conseguinte, excluídos do Regime Geral de Previdência Social RGPS, se cumulativamente houverem sido contratados até 20/11/1994, se forem titulares de cargo público de provimento efetivo e desde que não tenham feito a opção de que trata o artigo. 48 da Lei n° 8.935/94. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI Nº 9.424/96 O SalárioEducação previsto no art. 212, §5º da Constituição Federal é devido pelas empresas e pelas entidades a elas equiparadas, com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 74 /2 00 9- 94 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, devendo ser excluídos do lançamento os valores pagos a título de valetransporte, em obediência à Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Data da lavratura do AIOP: 07/07/2009. Data da Ciência do AIOP: 10/07/2009 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, tendo por objeto as contribuições patronais previdenciárias destinadas a Outras Entidades e Fundos, in casu, o FNDE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas às seguradas empregadas Maria Eugênia Baptista de Oliveira Milton e Ângela Maria de Araújo Silva e sobre as verbas despendidas pelo cartório a título de vale transporte para segurados empregados, fornecidas em desacordo com a legislação vigente, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 46/66. Informa a Autoridade Lançadora que a presente ação fiscal houvese por instaurada visando à constituição dos créditos apurados em ação fiscal pregressa N° 06.1.01.002009005099, realizada no cartório BELO HORIZONTE CARTÓRIO Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 271 3 PARTIDOR E DISTRIBUIDOR, CNPJ 19.177.450/000182. Em consonância com a natureza da atividade de serviço notarial do Cartório em questão, o presente Auto de Infração é ora lavrado na pessoa do Tabelião titular durante o período fiscalizado, a saber, o Sr. FREDERICO DE ARAUJO MILTON, CEI nº 33.140.01072/08, conforme disposições do Art. 20 da Lei 8.935/94 c.c. Art. 15, parágrafo único da Lei nº 8.212/91. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 74/108. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 186/200, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/03/2011, conforme atesta documento a fl. 228. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 230/264, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: § Que a Receita Federal não possui competência legal para a caracterização de vínculo empregatício; § Que as senhoras Maria Eugênia e Ângela Maria não são empregadas do Recorrente; § Que o Recorrente mantém a Sra. Maria Eugênia, sua mãe, com os lucros do cartório, tendo sempre transferido determinada quantia mensal à sua progenitora, a qual, por um equívoco administrativo, era contabilizada como "quota parte". Aduz que o tratamento contábil dado à doação não foi a mais feliz, sobretudo face a nomenclatura utilizada; § Que certidão expedida pela Corregedoria de Justiça do Estado de Minas Gerais atesta que a Sra. Ângela Maria de Araújo Silva é escrevente do Cartório e nessa condição não poderia ser empregada do impugnante; § Que não há a configuração, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária tipificado no artigo 337A, inciso I, do Código Penal; § Que houve eleição errônea do sujeito passivo; § Que os juros devem incidir apenas sobre o valor de tributo e não sobre a multa; § Que os juros SELIC são indevidos, sendo aceitáveis, quando muito, juros de 1% ao mês; Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/03/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 26/04/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Pondera o Recorrente que a RFB não possui competência legal para a caracterização de vínculo empregatício. Nesse estreito particular, é perfeita a compreensão do Recorrente. De fato, não possui a RFB competência legal para estabelecer vínculo trabalhista formal entre empresa e trabalhadores. Ocorre, todavia, que o caso ora em estudo não trata, de forma alguma, da caracterização de vínculo trabalhista entre o Recorrente e as pessoas físicas arroladas pela fiscalização. Tratase, outrossim, a todo saber, da caracterização da condição de segurado empregado, esta sim, contida no portfolio de competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com efeito, muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 272 5 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . Registrese, por relevante, que o eventual lançamento das contribuições sociais ancoradas na caracterização de segurado empregado, tendo por fundamento a primazia da realidade sobre a forma, não possui o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa. Tampouco detém o auditor fiscal notificante Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 273 7 competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. A fiscalização tão somente constata a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procede ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e a empresa. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DOS CARTÓRIOS O Recorrente alega que as senhoras Maria Eugênia e Ângela Maria não são suas empregadas. Aduz que a Sra. Maria Eugênia, sua mãe, é mantida com os lucros do cartório, tendo sempre transferido determinada quantia mensal à sua progenitora, a qual, por um equívoco administrativo, era contabilizada como "quota parte". Aduz que o tratamento contábil dado à doação não foi a mais feliz, sobretudo face a nomenclatura utilizada. As alegações esposadas pelo Recorrente encontramse divorciadas das provas dos autos. 3.1.1. DO REGIME JURÍDICO Logo de plano, mostrase auspicioso destacar que o art. 236 da Constituição Federal dispõe que os serviços notariais e de registro serão exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. (grifos nossos) §1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 §2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. §3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. A delegação é um dos mais eficientes instrumentos da assim denominada administração privada associada de interesses públicos, pois permite que determinadas atividades de interesse público, que são privativas do Estado, sejam executadas pelo particular, em regime de direito privado. Temse, portanto, que o exercício das atividades notarial e registral implica verdadeiro munus público, uma vez que se trata de serviço delegado pelo Poder Público aos particulares. Os oficiais de registro e os notários, para desempenharem as suas funções, podem contratar escreventes e auxiliares, sendo todos empregados celetistas, a teor do art. 20 da Lei nº 8.935/94, que Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre os serviços notariais e de registro. Encontrase a Lei nº 8.935/94 em estreita conformidade com o art. 2º da CLT, o qual estatui que empregador é aquele que assume os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação dos serviços, muito embora exista, no âmbito das atividades notarial e registral, submissão às normas da Corregedoria de Justiça, conforme art. 23 da Lei Complementar nº 59/2001, as quais detém a função única fiscalizatória. Isto não descaracteriza a figura do empregador, pessoa física, tampouco, a relação de trabalho existente nas referidas atividades, cabendo, assim, ao tabelião titular assinar a CTPS, assalariar, etc. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 20. Os notários e os oficiais de registro poderão, para o desempenho de suas funções, contratar escreventes, dentre eles escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com remuneração livremente ajustada e sob o regime da legislação do trabalho. (grifos nossos) §1º Em cada serviço notarial ou de registro haverá tantos substitutos, escreventes e auxiliares quantos forem necessários, a critério de cada notário ou oficial de registro. §2º Os notários e os oficiais de registro encaminharão ao juízo competente os nomes dos substitutos. §3º Os escreventes poderão praticar somente os atos que o notário ou o oficial de registro autorizar. §4º Os substitutos poderão, simultaneamente com o notário ou o oficial de registro, praticar todos os atos que lhe sejam próprios exceto, nos tabelionatos de notas, lavrar testamentos. §5º Dentre os substitutos, um deles será designado pelo notário ou oficial de registro para responder pelo respectivo serviço nas ausências e nos impedimentos do titular. Mostrase indiscutível, portanto, que os notários e os registradores são os responsáveis pelas obrigações trabalhistas decorrentes da relação de trabalho no âmbito das atividades notarial e registral. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 274 9 Quanto à questão inerente ao regime previdenciário, cumpre trazer à balha, de molde a fornecer sustentação jurídica à opinio iuris que ora se erige, que o caput do art. 40 da CF/88, a contar da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/1998, reserva os Regimes Próprios de Previdência Social, exclusivamente, aos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) Ora, sendo a atividade notarial e de registro exercida em caráter privado, mediante delegação do Poder Público, e que os escreventes e auxiliares admitidos após a vigência da Lei nº 8.935/94 são contratados pelos notários e oficiais de registro na qualidade de empregados e sob o regime da legislação do trabalho, não demanda áurea mestria concluir que tais trabalhadores são, compulsoriamente, vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, ficando empregador e segurado sujeitos às obrigações estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O entendimento acima exarado encontra amparo nas disposições inscritas na alínea ‘o’ do inciso I do art. 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, conforme a seguinte transcrição: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Também a lei nº 8.935/94 não se descuidou de assinalar, com todos os pingos e letras, que os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são segurados obrigatórios do RGPS, sendolhes assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos, assim como os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da sua publicação. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. (grifos nossos) Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. (grifos nossos) No caso específico dos escreventes e os auxiliares de cartório contratados até 20/11/1994, data de início da vigência da Lei nº 8.935/94, somente continuaram vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social RPPS e, por conseguinte, excluídos do Regime Geral de Previdência Social RGPS, aqueles que, à época da promulgação da lei em tela, já eram titulares de cargo público de provimento efetivo e desde que não tenham feito a opção de que trata o art. 48 da Lei n° 8.935/1994. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. §1º Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. §2º Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Cabe ressaltar que, ao dispor sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal, a Lei nº 9.717/98, já parametrizada pelo novo regime jurídico imposto pela EC n° 20/98, estabeleceu como requisito essencial para a vinculação a Regime Próprio de Previdência Social que o segurado seja servidor público titular de cargo efetivo do ente estatal respectivo. Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998 Art.1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 275 11 (...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Anotese que até o advento da promulgação da EC n° 20/1998 os servidores de qualquer categoria poderiam ser vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, independentemente de serem contratados na condição de Servidor Efetivo, Comissionado, Celetista ou sob Regime Especial. Nada obstante, sob o regime da EC n° 20/98, a vinculação a RPPS quedouse restrita, com exclusividade, aos servidores públicos titulares de cargos efetivos e, sendo direcionados, compulsoriamente, para o Regime Geral de Previdência Social os demais servidores públicos e trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. Tal limitação houvese por observada pela Lei Complementar Estadual nº 64/2002, que estabeleceu como segurado vinculado ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais os notários, registradores, escreventes e auxiliares admitidos até 18 de novembro de 1994, desde que não optantes pela contratação segundo a legislação trabalhista, de que trata o art. 48 da Lei n° 8.935/94. Lei Complementar Estadual n° 64, de 25/03/2002 Art. 3º São vinculados compulsoriamente ao Regime Próprio de Previdência Social, na qualidade de segurados, sujeitos às disposições desta lei complementar: (...) V o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar admitido até 18 de novembro de 1994 e não optante pela contratação segundo a legislação trabalhista, nos termos do art. 48 da Lei Federal n° 8.935, de 18 de novembro de 1994; VI o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar aposentado pelo Estado. §1° O servidor que exercer, concomitantemente, mais de um cargo remunerado sujeito ao Regime Próprio de Previdência Social terá uma inscrição correspondente a cada um deles. §2 O servidor desvinculado do serviço público estadual perde a condição de segurado. Entendese por Servidor Titular de Cargo Efetivo aquele servidor investido em cargo público, mediante prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, submetido ao regime estatutário, nos termos do art. 37, inciso II da CF/88. Como visto, no Direito Administrativo, o termo efetivo costuma adjetivar não o servidor, mas, sim, o cargo público a ser ocupado em caráter de permanência pelo servidor. Nesse viés, a designação "servidor em provimento efetivo" faz menção à situação do servidor público, integrante de quadro permanente da Administração Pública. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) De outro canto, entendese como Servidor Estável o servidor público após três anos de efetivo exercício em cargo de provimento efetivo, na forma do art. 41, caput da CF/88, assim como o servidor público admitido de forma diversa das previstas no art. 37 da Constituição Federal que, na data de sua promulgação (05/10/1988), encontravase em exercício há pelo menos cinco anos continuados, na forma do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) §1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) I em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19/98) II mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19/98) III mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19/98) §2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) §3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) §4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19/98) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 276 13 Conforme antes aludido, o art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT estatui que os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, ou seja, admitidos antes de 05/10/1983, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. §1º O tempo de serviço dos servidores referidos neste artigo será contado como título quando se submeterem a concurso para fins de efetivação, na forma da lei. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, nem aos que a lei declare de livre exoneração, cujo tempo de serviço não será computado para os fins do "caput" deste artigo, exceto se se tratar de servidor. §3º O disposto neste artigo não se aplica aos professores de nível superior, nos termos da lei. Notese que a Constituição Federal estabelece um discrimen entre servidor efetivo e servidor estável. Servidor Titular de Cargo Efetivo é aquele investido em cargo público, mediante prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos e submetido ao regime estatutário, nos termos do art. 37, II da CF/88. Servidor estável pode ser ou o servidor público, após 03 anos de efetivo exercício em cargo de provimento efetivo, na forma do art. 41, caput da CF/88, ou o servidor admitido na forma do art. 19 do ADCT. Deflui da conjugação dos dispositivos constitucionais retro mencionados que servidor ocupante de cargo efetivo pode ainda não ser servidor estável, da mesma forma que o servidor estável pode ser servidor não efetivo. São duas situações completamente distintas e inconfundíveis. Cumpre registrar, igualmente, que somente podem ser vinculados a Regime Próprio de Previdência Social os servidores efetivos, estáveis ou não, não existindo espaço para os servidores estáveis, mas nãoefetivos. Nesse contexto, os escreventes e auxiliares nomeados antes da Lei nº 8.935/94 que, ao tempo da EC n° 20/98, eram e continuaram sendo servidores titulares de cargo público de provimento efetivo, em virtude da não opção pelo Regime Celetista prevista no art. 48 daquela lei federal, subsistem suas filiações ao Regime Próprio in pulpitum. Todavia, se à época da publicação da citada Emenda Constitucional, tais servidores não detinham titularidade de cargo público em provimento efetivo, mesmos que fossem estáveis nos termos do art. 19 do ADCT, ou por outro lado, se à época da promulgação da Lei nº 8.935/94, os servidores, mesmo sendo titulares de cargo efetivo, tenham optado pelo Fl. 282DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 regime celetista na forma assentada no art. 48 da Lei dos Cartórios, eles devem ser considerados, em qualquer caso, segurados obrigatórios do RGPS, na categoria de segurados empregados, e, nessa qualidade, sujeitos, empregador e empregado, às obrigações constantes na Lei nº 8.212/91. Aliado às normas constitucionais e legais retro transcritas, o art. 13 da Lei nº 8.212/91, sufragando a seletividade ora em foco, estabelece que os servidores civis ocupantes de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social, desde que estejam formalmente amparados por regime próprio de previdência social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Nos termos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, configurase Regime Próprio de Previdência Social, para os fins colimados na Lei de Custeio da Seguridade Social, aquele que assegura a seus beneficiários, pelo menos, aposentadoria e pensão por morte. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 10. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos, nesta condição, do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado neste Regulamento, desde que amparados por regime próprio de previdência social. §1º Caso os servidores referidos no caput venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a estas atividades. §2º Entendese por regime próprio de previdência social o que assegura pelo menos aposentadoria e pensão por morte. (grifos nossos) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 277 15 No que pertine à natureza Jurídica, Hely Lopes Meirelles, em memorável estudo doutrinário (in Direito Administrativo Brasileiro, 23ª ed., Malheiros Editores, SP, 1998), realçou as notas características da natureza jurídica do serviço notarial e de registro, assim apontando: “O Governo e a Administração, como criações abstratas da Constituição e das leis, atuam por intermédio de suas entidades (pessoas jurídicas), de seus órgãos (centros de decisão) e de seus agentes (pessoas físicas investidas em cargos e funções)”. As serventias notariais e de registro não são Pessoas Jurídicas. Tal afirmação tornase inequívoca pela análise da relação jurídica existente entre o titular da Serventia e o Estado ou mesmo porque a organização é regulada por lei e os serviços prestados ficam sujeitos ao controle e fiscalização do Poder Judiciário. O cartório não possui personalidade jurídica, a qual só se adquire com o registro dos atos constitutivos na Junta Comercial ou no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Com efeito, o art. 3° da Lei nº 8.935/94 definiu o notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, como profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. De outro beiral, a Lei nº 8.935/94 limitouse a dispor sobre a responsabilidade pessoal dos titulares de serviços notariais e de registro, não reconhecendo qualquer personalidade jurídica para os cartórios. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 3°. Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. Art. 22. Os notários e oficiais de registro responderão pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da serventia, assegurando aos primeiros direito de regresso no caso de dolo ou culpa dos prepostos. Dos termos da lei se extrai que tanto o cartório quanto a função de titular de cartório carecem de ilegitimidade passiva “ad processum”, não detendo capacidade de ser parte em juízo. Por outro viés, a legitimidade “ad causam” passiva pertence, exclusivamente, à pessoa física do titular da serventia e não ao cartório de notas ou registro. Assim, a responsabilidade dos titulares da serventia é pessoal, em função da delegação dos serviços que é feita em seu nome, mediante aprovação em concurso público. Tal característica houvese muito bem captada por Ivan Ricardo Garisio Sartori (in Responsabilidade civil e penal dos notários e registradores, Revista de Direito Imobiliário nº 53, Ano 25, juldez/2002. Pag. 108): "Ainda no tocante à parte civil, oportuno lembrar que o cartório não tem personalidade jurídica e, portanto, não pode ser parte em ação judicial, mas sim o próprio titular dos serviços”. De fato, nos termos da lei, os cartórios extrajudiciais configuramse como instituições administrativas, não possuindo personalidade jurídica e desprovidos de patrimônio próprio, não se caracterizando, assim, como empresa ou entidade, o que afasta sua legitimidade passiva ad causam para responder por eventuais débitos tributários. Por se tratar de serviço prestado por delegação do Estado, apenas a pessoa do titular do cartório possui legitimidade para responder por eventuais créditos previdenciários os quais devem ser lançados diretamente em nome da pessoas física que efetivamente ocupava o cargo à época dos fatos jurígenos tributários – Princípio tempus regit actum. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Nesse particular, ouvimos das plenárias da Corte Superior de Justiça que os cartórios não possuem personalidade jurídica, tampouco capacidade judiciária, não sendo sequer pessoa formal, circunstância que implica a lavratura do auto de infração diretamente no nome da pessoa física do Titular da Serventia, conforme se depreende da ementa do Recurso Especial nº 911.151/DF adiante transcrita, como de fato assim se sucedeu no caso que ora se cuida. REsp 911.151 / DF Rel. Min. Massami Uyeda Órgão Julgador: T3 Terceira Turma DJe 06/08/2010 RECURSO ESPECIAL CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL TABELIONATO INTERPRETAÇÃO DO ART. 22 DA LEI N. 8.935/94 LEI DOS CARTÓRIOS AÇÃO DE INDENIZAÇÃO RESPONSABILIDADE CIVIL DO TABELIONATO LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM AUSÊNCIA RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1. O art. 22 da Lei n. 8.935/94 não prevê que os tabelionatos, comumente denominados "Cartórios", responderão por eventuais danos que os titulares e seus prepostos causarem a terceiros. 2. O cartório extrajudicial não detém personalidade jurídica e, portanto, deverá ser representado em juízo pelo respectivo titular. 3. A possibilidade do próprio tabelionato ser demandado em juízo, implica admitir que, em caso de sucessão, o titular sucessor deveria responder pelos danos que o titular sucedido ou seus prepostos causarem a terceiros, nos termos do art. 22 do Lei dos Cartórios, o que contrasta com o entendimento de que apenas o titular do cartório à época do dano responde pela falha no serviço notarial. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido: REsp 545.613/MG Rel. Min. Cesar Asfor Rocha Órgão Julgador: T4 Quarta Turma DJ 29/06/2007 p. 630 PROCESSO CIVIL. CARTÓRIO DE NOTAS. PESSOA FORMAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO DE FIRMA FALSIFICADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O tabelionato não detém personalidade jurídica ou judiciária, sendo a responsabilidade pessoal do titular da serventia. No caso de dano decorrente de má prestação de serviços notariais, somente o tabelião à época dos fatos e o Estado possuem legitimidade passiva. Recurso conhecido e provido. 3.1.2. DAS SEGURADAS EMPREGADAS Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 278 17 No caso sobre o qual agora no debruçamos, ao examinar as folhas de pagamento, livrocaixa e demais documentos trabalhistas e previdenciários apresentados pelo Cartório, a fiscalização constatou pagamentos mensais efetuados a pessoas físicas (Maria Eugênia Baptista de Oliveira Milton e Ângela Maria de Araújo Silva), engalanados com todos os ornamentos característicos de remuneração, a saber, frequência mensal e de mesmo valor, reajustados na mesma época e com o mesmo índice, décimo terceiro salário pago no mês de dezembro, com este mesmo rótulo, desconto de IRRF nos índices próprios de pessoa física previstos no Regulamento do Imposto de Renda, valendo citar que tais pagamentos não se houveram por declarados nas GFIP correspondentes, tampouco as respectivas contribuições previdenciárias houveramse por recolhidas na forma e nos prazos legalmente estabelecidos. Questionado a respeito dos pagamentos em questão, o Sr. José Carlos Cerqueira Silva, OficialSubstituto do Cartório, argumentou que as beneficiárias em questão eram familiares do Tabelião e que não estariam sujeitas ao Regime Geral de Previdência Social, uma vez que já contribuíam para o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais IPSEMG. No caso, mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal — TIPF, a fls. 36/37, a fiscalização intimou o Cartório a apresentar as pastas funcionais de todos os escreventes, prepostos e demais auxiliares ou empregados que prestaram serviços remunerados no período de 01/2005 a 12/2005, incluindo documentação complete relativa à situação previdenciária para o caso daqueles admitidos antes de 21/11/1994 e que optaram por permanecer vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais, nos termos do Art. 48 da Lei 8.935 de 19/11/94. Apesar de formalmente intimado, mediante termo próprio, em relação à Sra. Maria Eugênia Baptista de Oliveira Milton, o Recorrente não logrou apresentar qualquer documento para o exame da fiscalização. De outro eito, em relação à Sra. Ângela Maria de Araújo Silva, foi apresentada cópia de ato originário da Corregedoria de Justiça o Estado de Minas Gerais, datado de 19/10/88, nomeandoa para "exercer as funções de escrevente juramentada" no Cartório Partidor e Distribuidor. No entanto, na documentação apresentada não consta o ato de nomeação provendo a segurada em cargo público de caráter inequivocamente efetivo, e, portanto, não pode ser considerada amparada por regime próprio de previdência social, condição sine qua non para a exclusão do Regime Geral de Previdência Social, conforme disposto no art. 13 da Lei nº 8.212/91. Conforme análise detalhada da legislação de regência aviada no item “3.1.1. DO REGIME JURÍDICO” supra, a Escrevente Ângela Maria de Araújo só poderia permanecer vinculada ao Regime Próprio de Previdência Social caso fosse, à época de publicação da EC n° 20/1998, titular de cargo público efetivo. Ocorre que a citada nomeação se deu em 19/10/1988, ou seja, já sob a égide da atual Constituição Federal, cujo art. 236 determina que os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Somase que a investidura em cargo de provimento efetivo depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, a teor do inciso II do art. 37 da CF/88, condição não comprovada pelo Recorrente. Em ádito, apurouse do exame dos Livros Caixa que a escrevente Ângela Maria de Araújo Silva foi remunerada a custa do titular do Cartório Partidor e Distribuidor e Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 não a custa do Estado de Minas Gerais, que seria o provedor no caso de a escrevente em foco ser servidora ocupante de cargo de provimento efetivo. Diante de tal quadro, sendo de 01/01/2005 a 31/12/2005 o período de apuração da vertente autuação, e figurando a Sra. Ângela Maria de Araújo Silva como escrevente do Cartório, como assim revela Certidão expedida pela Corregedoria de Justiça do Estado de Minas Gerais, concluiu a fiscalização que a aludida trabalhadora era segurada obrigatória do RGPS, na qualidade de segurada empregada, circunstância que sujeita o Recorrente e a segurada em tela às obrigações previdenciárias principais e acessórias previstas na Lei nº 8.212/91. Considerando que, em relação à Sra. Maria Eugênia Baptista de Oliveira Milton, o Cartório não apresentou qualquer documento para o exame da fiscalização e que os assentamentos registrados na contabilidade exalavam aromas típicos de remuneração, a fiscalização, com fundamento no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, lançou a importância reputada devida, transferindo para os ombros do Cartório o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Em defesa, o Cartório alegou que as senhoras Maria Eugênia e Ângela Maria não são suas empregadas. Aduziu que a Sra. Maria Eugênia, sua mãe, é mantida com os lucros do cartório, tendo sempre transferido determinada quantia mensal à sua progenitora, a qual, por um equívoco administrativo, era contabilizada como "quota parte". Ponderou que o tratamento contábil dado à doação não foi a mais feliz, sobretudo em razão da nomenclatura utilizada. Tal alegação, por si só, não se sustenta. Em relação à Sra. Ângela Maria de Araújo Silva, as provas dos autos, conjugadas com a legislação que rege a matéria, demonstram tratarse de escrevente, segurada obrigatória do RGPS na qualidade de segurada empregada, não havendo logrado o Cartório produzir qualquer prova em sentido diverso. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 279 19 No que pertine à Sra. Maria Eugênia Baptista de Oliveira Milton, a alegação de que os pagamentos apurados pela fiscalização tratamse de doações não poderia ser mais melancólica. A uma, porque não houve qualquer demonstração, muito menos a necessária comprovação, de que tais pagamentos tratavamse, em realidade, de doações, não podendo ser olvidado que, nos termos do §3º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, sucedeuse a inversão do ônus da prova. Inexiste nos autos qualquer comprovação de que os valores pagos às pessoas físicas em destaque não se houveram por excluídos da apuração dos lucros do Cartório. A duas, porque o art. 32, II da Lei nº 8.212/91 determina, de forma expressa, que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; No caso de que ora se cuida, o Cartório autuado efetuou mensalmente, pagamentos em dinheiro às pessoas físicas em apreço, em valores fixos mês a mês, reajustados na mesma época e pelo mesmo índice para ambas as seguradas, os quais foram lançados não como doações, mas, sim, como quota de participação. A três, porque sobre doações auferidas por pessoas físicas não há incidência de imposto de renda, nos termos do art. 6º, XVI da Lei nº 7.713/88, in verbis: Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Com efeito, se tais pagamentos fossem representativos de doações não haveria motivo para o Recorrente ter efetuado, em cada mês, retenção do Imposto de Renda na fonte, conforme registros nos assentamentos contábeis, circunstância que sufraga o entendimento da Fiscalização de que os pagamentos efetuados mensalmente referiamse a remunerações. A quatro, porque foram pagas às Pessoas físicas de Maria Eugenia Baptista de Oliveira Milton e Ângela Maria de Araújo Silva, no mês de dezembro de 2005, importâncias a título de “13° Salário” no mesmo valor dos demais pagamentos mensais, deste Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 sendo descontados os valores pagos antecipadamente sob o rótulo de “primeira parcela de 13º salário”, bem como “IRRF sobre 13º salário”. Ora, o décimo terceiro salário constituise num direito trabalhista instituído pelo art. 1º da Lei nº 4.090/62, e previsto expressamente no inciso VIII do art. 7º da CF/88, sendo devido pelo empregador, no mês de dezembro de cada ano, a todo empregado, independentemente da remuneração a que fizer jus naquele mês. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) VIII décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962. Art. 1º No mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será paga, pelo empregador, uma gratificação salarial, independentemente da remuneração a que fizer jus. §1º A gratificação corresponderá a 1/12 avos da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente. §2º A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral para os efeitos do parágrafo anterior. §3º A gratificação será proporcional: (Incluído pela Lei nº 9.011, de 1995) I na extinção dos contratos a prazo, entre estes incluídos os de safra, ainda que a relação de emprego haja findado antes de dezembro; e (Incluído pela Lei nº 9.011, de 1995) II na cessação da relação de emprego resultante da aposentadoria do trabalhador, ainda que verificada antes de dezembro. (Incluído pela Lei nº 9.011, de 1995) A todo saber, tal direito trabalhista não é devido a prestadores de serviços sem vínculo empregatício, muito menos a beneficiários de doações, sob esse rótulo, mas tão somente a empregados, donde se conclui que as seguradas em questão eram consideradas pelo Cartório autuado como suas empregadas. A cinco, porque a alínea ‘b’ do §1º do art. 27 da Lei nº 8.313/91 veda expressamente doações a parente do doador até o terceiro grau. Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991 Art. 27. A doação ou o patrocínio não poderá ser efetuada a pessoa ou instituição vinculada ao agente. §1o Consideramse vinculados ao doador ou patrocinador: a) a pessoa jurídica da qual o doador ou patrocinador seja titular, administrador, gerente, acionista ou sócio, na data da operação, ou nos doze meses anteriores; b) o cônjuge, os parentes até o terceiro grau, inclusive os afins, e os dependentes do doador ou patrocinador ou dos titulares, administradores, acionistas ou sócios de pessoa jurídica Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 280 21 vinculada ao doador ou patrocinador, nos termos da alínea anterior; c) outra pessoa jurídica da qual o doador ou patrocinador seja sócio. §2o Não se consideram vinculadas as instituições culturais sem fins lucrativos, criadas pelo doador ou patrocinador, desde que devidamente constituídas e em funcionamento, na forma da legislação em vigor. (Redação dada pela Lei nº 9.874/99) Por outro lado, não procede a alegação de que a Sra. Maria Eugenia Baptista de Oliveira Milton, por ter à época 87 anos e problemas de saúde, não tinha condições de trabalhar. Em primeiro lugar, inexiste na iniciativa privada qualquer impedimento ao labor em razão da idade avançada. Vejam que o Dr. Oscar Niemayer possui hoje quase 105 anos e ainda se encontra em plena atividade laboral. Em segundo lugar, além das meras alegações, inexiste nos autos qualquer indício de prova material de que a Sra. Maria Eugênia não reunia, à época dos fatos geradores, condições de saúde para trabalhar. Ademais, sendo o empregador o próprio filho da segurada em tela, nada impede que este pague regularmente o salário da empregada e releve as faltas da segurada em realce, por motivos de saúde. Também não merece ouvidos a alegação de que os pagamentos ora em debate consubstanciavamse em doações, as quais, por um equívoco administrativo, eram contabilizadas como "quota parte", e que o tratamento contábil dado às doações referidas não foi o mais feliz, sobretudo face a nomenclatura utilizada. Não mais feliz, todavia, foram as tentativas de justificação dos pagamentos em palco. Já tendo ultrapassado, há muito, a linha divisória dos 50 anos, este Relator já não mais acredita em Papai Noel, em coelhinho da páscoa ou em Saci Pererê. À agnosia declarada deste Conselheiro somase o fato de que as aludidas doações houveramse por realizadas pelo Cartório, enquanto instituição, como se este fosse um ser dotado de elevado altruísmo. Ora, se o filho Frederico de Araújo Lima desejasse de fato efetuar doações mensais à sua genitora, o fizesse à conta de seu patrimônio próprio, como despesa pessoal sua, na qualidade e condição de filho, e não à conta do Cartório, como despesa deste, lançada mensalmente como cota parte, com 13º salário, desconto de Imposto de Renda na fonte, etc. O órgão julgador de 1ª Instância já repeliu, por semelhantes razões, as alegações deduzidas pelo Recorrente, em sede de defesa administrativa. A qualificação da Sra. Ângela Maria como segurada empregada e a descaracterização de doação dos pagamentos efetuados à Sra. Maria Eugenia já foram devidamente exposta ao conhecimento do Recorrente através da Decisão de 1ª Instância ora Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 guerreada, assumindo o contribuinte a postura de incréu aos seus fundamentos. Aproveitando a oportunidade concedida para atacar a tese e espancar as razões sobre as quais se escorou o órgão a quo no juízo negativo de acolhimento da impugnação, retorna à carga o sujeito passivo a formular as mesmas alegações, tão bem apreciadas na decisão recorrida, mas, novamente, sem a indispensável comprovação apoiada em indícios de provas materiais. Nesse contexto, mesmo ciente de que seu pedido houvera sido negado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, nas oportunidades em que teve de intervir, formalmente, nos autos, o Recorrente quedouse inerte no sentido de produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica, optando e limitandose a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da negativa de provimento ora discutida, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. Não merece reparos, contudo, exclusivamente em relação à matéria ora discutida, a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. 3.2. DO SUJEITO PASSIVO Pondera o Recorrente que, se o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas por segurados, não poderia o suposto empregador ser intimado ao pagamento. A razão, todavia, não lhe sorri. O contribuinte das contribuições sociais destinadas ao FNDE é o empregador e não os segurados empregados, como assim demonstrou acreditar o Recorrente. Instituído em 1964 pela Lei nº 4.440, de 27/10/64, o salárioeducação é uma contribuição social destinada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para o financiamento da educação básica pública, podendo ser aplicada na educação especial, desde que vinculada àquela. A contribuição social do salárioeducação está prevista no artigo 212, §5º da Constituição Federal, regulamentada pelas leis nº 9.424/96 e 9.766/98 e pelo Decreto nº 6003/2006, sendo calculada mediante a incidência da alíquota de 2,5% sobre o montante total das remunerações pagas, creditadas ou juridicamente devidas pelas empresas, a qualquer título, aos segurados empregados. Sua arrecadação e fiscalização e cobrança judicial monta a cargo, nos dias atuais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda (RFB/MF). Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino. § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53/2006) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 281 23 Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, §5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifos nossos) São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e os contribuintes individuais a ela equiparadas, nos termos do Parágrafo Único do art. 15 da Lei nº 8.212/91, assim como as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tal qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, sociedade de economia mista, empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo poder público, nos termos do §2º, art. 173 da Constituição, ressalvadas as exceções expressamente assentadas na lei. Decreto nº 6.003, de 28 de dezembro de 2006. Art. 2º São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2º, da Constituição. Parágrafo único. São isentos do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 9º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual: (...) XXIII o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, não remunerados pelos cofres públicos; XXIV o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por RPPS, conforme o disposto no art. 51 da Lei nº 8.935, de 1994, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998; XXV o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados a partir de 21 de novembro de 1994, em decorrência da Lei nº 8.935, de 1994; Mostrase alvissareiro enaltecer que a Lei nº 11.457/2007 atribuiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições inscritas no Diploma Legal em comento. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 282 25 cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). §1o O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000. §2o Nos termos do art. 58 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, a Secretaria da Receita Federal do Brasil prestará contas anualmente ao Conselho Nacional de Previdência Social dos resultados da arrecadação das contribuições sociais destinadas ao financiamento do Regime Geral de Previdência Social e das compensações a elas referentes. §3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. §4o Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). §1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. §2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. §3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. §4o A remuneração de que trata o § 1o deste artigo será creditada ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975. §5o Durante a vigência da isenção pelo atendimento cumulativo aos requisitos constantes dos incisos I a V do caput do art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deferida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, pela Secretaria da Receita Previdenciária ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não são devidas pela entidade beneficente de assistência social Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 as contribuições sociais previstas em lei a outras entidades ou fundos. §6o Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. Diante de tal cenário, constatou o agente fiscal, alfim, que as contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores objeto do presente lançamento não foram recolhidas à seguridade social, circunstância que motivou a lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Principal, em atenção à norma tributária inscrita no art. 37 da Lei nº 8.212/91, e à atividade plenamente vinculada de seu dever de ofício, a teor do Parágrafo Único do art. 142 do CTN. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal, inexistindo qualquer equivoco relacionado à identificação e eleição do sujeito passivo. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 283 27 3.3. DO VALE TRANSPORTE Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas despendidas pelo sujeito passivo a título de vale transporte. Nos exatos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. No caso em tela, o empregador não efetuou o desconto de 6% do salário básico do empregado, e este beneficio não estava previsto no Acordo ou Convenção Coletiva. Tal parcela configurarseia, portanto, autêntico salário, sendo, nessa condição, base de cálculo da contribuição social da empresa sobre a folha de salários, como bem determinou a fiscalização. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Ocorre que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 284 29 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido. (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar a pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Nesse contexto, não deve persistir, portanto, o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregado, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Nesse contexto, portanto, não deve persistir o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores referentes à parcela relativa ao valetransporte não descontados dos segurados empregados. 3.4. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Pondera o Recorrente não ter ocorrido a configuração, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária tipificado no artigo 337A, inciso I, do Código Penal; O clamor acima postado não merece abrigo. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 285 31 I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 286 33 XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no § 2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF nº 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo), mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação acima referida, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não consubstanciase em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo da NFLD em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 3.5. DA TAXA DE JUROS Argumenta o Recorrente que os juros SELIC são indevidos, sendo aceitáveis, quando muito, juros de 1% ao mês, e que estes devem incidir apenas sobre o valor de tributo e não sobre a multa. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 287 35 Razão não lhe assiste. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.012274/200994 Acórdão n.º 2302002.355 S2C3T2 Fl. 288 37 Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. É de suma importância ser destacado que os juros moratórios lançados no vertente Auto de Infração incidiram, tão somente, sobre o valor consolidado do tributo devido, mas não sobre a multa moratória, como assim entende o Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser extirpadas do lançamento as contribuições sociais destinadas ao FNDE incidentes sobre os valores referentes à parcela relativa ao vale transporte não descontados dos segurados empregados. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11330.001404/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/2002
LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91.
DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE
MORA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA E OS JUROS DE MORA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CIMENTO TUPI S.A em face de Acórdão prolatado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJOI), que julgou o lançamento procedente. 2. De acordo com o relatório fiscal, o lançamento se deu por contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, relativo ao período de 01/05/1997 a 28/02/2002, a cargo da empresa, devidas e não recolhidas em época própria incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e depositadas pela notificada através de guias de depósitos judiciais. 3. A fiscalização destaca que o presente lançamento foi efetuado para prevenção de decadência, uma vez que os valores devidos se encontram, repiso, depositados judicialmente, (ff, 318/321). 4. A decisão de primeira instância corroborou com a atuação fiscal acrescentando que a decadência do direito de lançar às contribuições previdenciárias ficou estipulada em 10 anos, de acordo com o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91 (ff. 529/536). 5. A ementa do acórdão restou lavrada nos termos que abaixo se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECADÊNCIA. I O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme disposto no inciso II do artigo 151 do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.001404/200780 Acórdão n.º 2301 002.945 S2C3T1 Fl. 556 3 CTN, mas não impede a realização do lançamento e o prosseguimento do processo administrativo tributário. II A matéria questionada na esfera judicial não é apreciada em sede administrativa, vez que, em sendo apreciada, nenhum efeito produzirá, por vigorar no Brasil o principio da jurisdição una (artigo 5°, inciso XXXV da CF/1988) III 0 direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente” 4. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) que os valores objeto desta ação fiscal foram objeto de depósito em ação movida pela recorrente na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, objeto do processo nº 97.00702650, de modo que não haveria condições de se exigir tal pagamento da empresa; b) alega que a fiscalização não poderia ter deslanchado a autuação incabível sob todos os aspectos, sem fazer uma completa e pormenorizada descrição da suposta infração cometida, individualizando as obrigações legais que não teriam sido cumpridas pela empresa autuada; d) afirma que a cobrança da contribuição previdenciária é indevida sob todos os aspectos, que já estava fulminada pela decadência na época da lavratura da notificação, sendo impossível qualquer iniciativa desta espécie; e) por fim, que o Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão realizada no dia 12 de junho de 2008, decidiu considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91, que estabeleciam em dez anos os prazos decadencial e prescricional das contribuições sociais. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Considerando que o presente lançamento foi realizado para a prevenção de decadência relativo à contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE passo a apreciar as questões recursais atinentes ao débito. 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.001404/200780 Acórdão n.º 2301 002.945 S2C3T1 Fl. 557 5 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, verificase a comprovação dos pagamentos das contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, em sua totalidade e nas respectivas datas de vencimento (ff. 346/510) objeto do lançamento fiscal em apreço. Dessa forma, tenho como certo que deve ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 10. Assim, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 21/09/2007, referente às contribuições do período de 01/05/1997 a 28/02/2002, fica alcançado pela decadência quinquenal o lançamento em sua totalidade. 11. Contudo, caso não seja o entendimento dessa turma, passo a examinar o ponto sobre a incidência de multa e juros de mora. 12. Constatouse que foram realizados todos os depósitos judiciais referentes aos valores questionados, de maneira que não há mora por parte do recorrente, conforme informação trazida pelo fisco no Relatório Fiscal (f. 318), que transcrevo, item 1: “devidas e não recolhidas em época própria incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e depositadas pela notificada através de guias de depósitos judiciais”. 13. Como é cediço, uma vez realizado o depósito (art. 151, inc. II do CTN), no caso de o contribuinte sair vencedor da lide judicial, após o trânsito em julgado da ação, esse poderá levantar a quantia depositada. Contudo, caso a Fazenda vença a lide, o depósito realizado se converterá em renda, extinguindo o crédito tributário, nos termos do artigo 156, VI, do CTN. Nesse sentido é o Enunciado n. 18 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verbis: “O depósito judicial destinado a suspender a exigibilidade do crédito tributário somente poderá ser levantado, ou convertido em renda, após o trânsito em julgado da sentença” (Súmula 18 DJ (Seção II) de 021293, p.52558) 14. Nesta mesma linha de raciocínio, a exigência da multa de mora pelo fisco também é indevida, eis que a empresa em momento algum deixou de reservar cautelarmente o tributo nos cofres do judiciário. 15. Quanto à multa de ofício, vale ressaltar que, mesmo no caso da concessão de medida liminar, sem a efetivação de depósito relativo ao débito objeto da discussão judicial, a própria Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 63, assevera claramente que não caberá lançamento da multa de ofício. “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. [...] § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” 16. Nessa esteira, cito julgados do Superior Tribunal de Justiça confirmando o entendimento ora ventilado: “TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ARTIGOS 151 E 156, DO CTN. 1. As causas suspensivas de exigibilidade do crédito tributário, enumeradas no artigo 151, do Código Tributário Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.001404/200780 Acórdão n.º 2301 002.945 S2C3T1 Fl. 558 7 Nacional, advindas antes do decurso do prazo para pagamento do tributo (sujeito a lançamento por homologação ou a lançamento de ofício direto), têm o condão de impedir a aplicação de multa ou juros moratórios, por não restar configurada a demora no recolhimento da exação pelo contribuinte, pressuposto dos aludidos encargos (a multa moratória pune o descumprimento da obrigação principal no vencimento; e os juros de mora constituem compensação pela falta de disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso). [...] 4. É cediço na jurisprudência da Corte que somente o depósito integral e em dinheiro suspende a exigibilidade do crédito tributário e, a fortiori, extingueo com o levantamento pela Fazenda Pública. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 774.739/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/04/2008, DJe 14/05/2008)” “DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. TRIBUTO. JUROS. O depósito do montante integral com fins de suspender a exigibilidade do tributo (art. 151, II, do CTN) não possui natureza especulativa, logo há que se afastar a incidência de juros, especialmente de remuneratórios, sob pena de transformálo em investimento financeiro. A esse montante deve ser acrescida apenas a correção monetária (art. 3º do DL n. 1.737/1979, art. 32 da Lei n. 6.830/1980 e Súm. n. 257 do extinto TFR). Precedentes citados: REsp 422.833MG, DJ 23/8/2004; REsp 460.230SP, DJ 4/10/2004, e REsp 392.879 RS, DJ 2/12/2002.” (RMS 17.976SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/10/2004.) 17. Inclusive este Conselho Administrativo também firmou posição e sumulou a matéria: “Súmula CARF Nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” “Súmula CARF n° 17 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” 18. No presente caso, destarte, não deve haver a incidência da multa, eis que a exigência do débito está suspensa pelo depósito integral dos valores cobrados pelo Fisco. Entendese que uma vez feito o depósito judicial do montante integral do quantum debeatur ficam excluídos os juros e a multa de mora da exação. 19. Feitas essas considerações, voto pela exclusão do lançamento das multas e os juros de mora, que não devem incidir sobre a dívida tributária objeto de depósito. 20. Com relação as formalidades exigidas para a autuação fiscal, entendo que foram observadas as regras legais que corroboram a exigência do débito, de maneira que não há retificação a fazer na decisão recorrida. CONCLUSÃO 21. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe PROVIMENTO, ante a decadência total verificada no lançamento fiscal, conforme determinado no art. 150 § 4º do CTN. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11618.000784/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COFINS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS.
Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a
recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao Recurso Voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COFINS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado. Recurso Voluntário provido.
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RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Confirmada pela autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte a recomposição da base de cálculo da Contribuição Social, em decorrência de vendas canceladas, o débito cobrado deve ser cancelado. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Irene Souza da Trindade Torres – Presidente (assinado digitalmente) Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente processo trata de pedido eletrônico de restituição cumulado com compensação PER/DCOMP n° 39501.66844.150803.1.3.046924 (fls.02 a 06), sendo que o referido pedido foi retificado pela PER/DCOMP n° 10115.50489.180903.1.7.044187 (fls. 07 a 11). A interessada solicita restituição de supostos créditos de COFINS, período de apuração de 30/06/2001 e recolhimento em 13/07/2001, que alega serem oriundos de vendas canceladas, e pretende compensar com débitos da COFINS para o período de apuração de maio/2003, sendo o valor a ser compensado de R$ 34.122,89. Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação (fl. 01), PER/DCOMP no 39501.66844.150803.1.3.046924 (fls. 02/06), de 15/08/2003, visando Compensação de débito da Cofins, do período de apuração maio de 2003, utilizando crédito de Cofins, relativo ao mês de junho de 2001. O referido pedido foi retificado pela PER/DCOMP no 10115.50489.180903.1.7.044187 (fls. 07/11) de R$ 364.957,44 (fl. 04), para R$ 506.538,88 (fl. 09) e o valor original do débito compensado é R$ 34.122,89 (fl. 10). 2. O Despacho Decisório (fl. 18) do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/PB, com fulcro no Parecer No. 200/2006 (fls. 16/17), decidiu: 2.1. DEFERIR o pedido de retificação, constante da PER/DCOMP retificadora no 10115.50489.180903.1.7.044187, face à inexatidão material no preenchimento da declaração, nos termos do art. 58 da IN SRF n o 600/2005; 2.2. NÃO HOMOLOGAR o pedido de Compensação consignado na PER/DCOMP retificadora, nos termos do art. 26, § 2o da IN SRF no 600/2005, em virtude de não haver disponibilidade de crédito inicial no valor original de R$ 34.122,89 (trinta e quatro mil, cento e doze reais, oitenta e nove centavos); 2.3. DETERMINAR a cobrança do débito confessado na PER/DCOMP retificadora, relativo à Cofins do mês de maio/2003, no valor original de R$ 34.122,89, acrescido dos encargos legais na forma do art. 30 e seu parágrafo único da IN SRF no 600/2005. 3. Cientificada de tal decisão, em 20/10/2006, conforme "AR" (fl. 22), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 23/27), de 14/11/2006, por sua representante legal, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. pela cópia da PER/DCOMP retificadora no 10115.50489.180903.1.7.044187 que foi homologada pela Receita Federal, verificase que o débito de Cofins, do mês de Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11618.000784/200638 Acórdão n.º 3202000.568 S3C2T2 Fl. 2 3 05/2003, no valor de R$ 34.122,89 foi compensado com um crédito de Cofins no valor de R$ 506.538,88, originado de pagamento a maior do mesmo tributo efetuado em 13/07/2001, relativo ao fato gerador da Cofins, do mês de 06/2001; 3.2. entretanto, a compensação não foi homologada por entender a SRF que o pagamento considerado não apresenta saldo credor disponível, necessário e suficiente para compensar o débito informado; 3.3. conforme relatado em impugnação a auto de infração anteriormente lavrado contra a impugnante, para cobrar Cofins, do período de 04/2000 a 06/2002, que deu origem ao processo administrativo no 11618.003134/200211, cópias anexas, vendas realizadas pela impugnante nos meses de maio a julho de 2001 foram canceladas, tendo a devolução sido contabilizada, nos meses de agosto e setembro de 2001, por terem as correspondentes notas fiscais sido emitidas por valores superiores aos corretos. A impugnante junta planilha, demonstrando as bases de cálculo dos anos de 1999 a 2002 (fl.22); 3.4. em decorrência desse erro, a impugnante pagou, com relação aos meses de maio a julho/2001, quantias mais elevadas do que as de fato devidas, tendo em vista que vendas canceladas não integram a base de cálculo da Cofins, segundo art. 3º § 2º, inciso I da Lei no 9.718/98; 3.5. portanto, ao calcular a Cofins sobre vendas canceladas, a impugnante pagou além do que era devido, passando então a ter o direito de compensar com outros débitos, mormente da própria Cofins, o crédito contra o fisco resultante do montante indevidamente pago; 3.6. ao tomar conhecimento da autuação, a impugnante alterou a forma de demonstrar em DCTF as compensações efetuadas, formalizando as DCOMP e informando em DCTF que o pagamento da Cofins se dava através de compensação, informando a origem do crédito que, nesse caso foi o valor de Cofins pago a maior em 07/2001, tendo como fato gerador as receitas do mês 06/2001; 3.7. a impugnante junta planilha demonstrando a origem do crédito e as compensações efetuadas, pela qual se pode observar que havia crédito suficiente para a Compensação da Cofins do mês de 04/2003, demonstrada em DCTF do 2o trimestre de 2003 e na PER/DCOMP citada, objeto da não homologação ora contestada; 3.8. requer que seja homologada a compensação efetuada de acordo com o pedido de compensação consignado na aludida Declaração de Compensação e seja cancelada a cobrança do débito ora impugnado. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 Após analisar a manifestação de inconformidade da interessada, a DRJ – Recife proferiu o Acórdão n° 1123.920, em 29 de setembro de 2008 (fls. 56/ss), por meio do qual se manteve o indeferimento do pedido de restituição, no termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação com documentação hábil impede o acatamento da alegação de inclusões indevidas no montante tributável, determinado com base nas informações fornecidas pelo próprio sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Recife em 14/10/09/2008 (fl. 62 – frente e verso). Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 11/11/2008 (fls. 63/ss), reiterando as razões de sua manifestação de inconformidade e inovando na argumentação nos seguintes pontos: 1. Afirma que o valor das vendas canceladas já foi objeto de reconhecimento em outro processo administrativo, de n° 11618.004434/200560 em informação prestada pela fiscalização (fl. 65); 2. Que o cancelamento das vendas é fato incontroverso, em decorrência da informação constante do Parecer SAORT/DRF/JPA no. 054/2007, processo 10467.501133/200679, onde faz a seguinte transcrição do Parecer (fl. 67): "7. Por sua vez, os valores das vendas canceladas ocorridas nos meses de agosto (R$ 10.979.502,26) e setembro (R$ 23.127.065,58,)... ...10. Esclareçase ainda que nos presentes autos inexiste controvérsia acerca dos valores das vendas canceladas, os quais foram confirmados pela fiscalização desta Delegacia, conforme Informação Fiscal de fls. 174/179." Junta cópia de DARF e documentos da sua escrita fiscal (fls. 67/73). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11618.000784/200638 Acórdão n.º 3202000.568 S3C2T2 Fl. 3 5 Requer, por fim, a Recorrente seja provido o presente recurso homologando se todas as compensações por ela pleiteadas. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Com vistas a confirmar as alegações trazidas pela Recorrente, o processo foi baixado em diligência por meio da Resolução n° 320100.170, de 30 de setembro de 2010 (fls. 85/90), no intuito de verificar se efetivamente existe o direito ao alegado crédito da Cofins em decorrência das supostas vendas canceladas. Os autos retornaram à DRFJoão Pessoa para a realização da diligência solicitada. A autoridade fiscal dessa Delegacia da Receita Federal, então, lavrou o “Relatório Circunstanciado”, datado de 06/09/2011 (fls. 92/96), onde após explanação sobre os fatos ocorridos, concluiu que: 09 Em relação ao período de apuração 05/2003, objeto deste processo, o contribuinte informou em DCTF que o débito da COFINS de R$ 34.122,89 foi extinto por compensação. 10 No QUADRO I ficou demonstrado a apuração de saldo negativo de base de cálculo de COFINS no período de apuração 05/2003 e, por conseguinte, a inexistência de saldo a pagar no período em foco. 11 O crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS (código 2172) recolhido em 15/07/2001, no valor de 364.957,44, informado na ficha de crédito dos PER/DCOMP, 14655.52308.180903.1.7.046211 (processo 11618.000834/200687), 10115.50489.180903.1.7.045187 (processo 11618.000784/200638), 11294.25769.180903.1.7.04 1186 (processo 11618.000782/200649), e 40507.80343.150903.1.3.048801 (processo 11618.000785/200682), não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual as respectivas compensações foram NÃO HOMOLOGADAS. 12 No entanto, as devoluções de vendas registradas em agosto e setembro de 2001 mudaram a base de cálculo nos períodos de apuração 08/2001 a 07/2003 tornando os débitos dos processos 11618.000834/200687, 11618.000784/200638, 11618.000782/200649 e 11618.000785/200682 (todos em julgamento no CARF) insubsistentes. 13 Em face ao exposto, concluo que o débito da COFINS referente ao período de apuração 05/2003 no valor de R$ 34.122,89 cobrado no processo 11618.000784/200638 é insubsistente. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade fiscal da DRF – João Pessoa afirma que ficou demonstrada (Quadro I – fls. 94) a apuração de saldo negativo de base de cálculo no período de apuração maio/2003 e, por conseguinte, a inexistência de saldo a pagar nesse período. Portanto, o valor do débito que a Recorrente pretende compensar (R$ 34.122,89) seria indevido, segundo informação da autoridade fiscal da unidade de jurisdição da empresa. Aduz, ainda, a autoridade fiscal que as devoluções de vendas registradas em agosto e setembro de 2001 alteraram a base de cálculo nos períodos de apuração 08/2001 a 07/2003, tornando os débitos dos processos 11618.000834/200687, 11618.000784/200638, 11618.000782/200649 e 11618.000785/200682 insubsistentes. Conclui, portanto, que “o débito da COFINS referente ao período de apuração 05/2003 no valor de R$ 34.122,89 cobrado no processo 11618.000784/200638 é insubsistente”. Deste modo, em face das informações e declarações trazidas aos autos pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, entendo que o débito declarado na DCOMP, relativo ao mês de maio/2003, deve ser cancelado. Ante o exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário e declarar indevida a cobrança da Cofins, período de apuração de maio/2003, no valor de R$ 34.122,89. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/09/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10855.002524/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO RESULTADO DO JULGADO. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO.
Constatada obscuridade no resultado do julgado, quando confrontado com o voto vencido, cabe acolher os embargos de declaração para esclarecê-lo.
Numero da decisão: 3401-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, acolher parcialmente e sem efeitos infringentes os embargos de declaração no acórdão nº 203-12.178, nos terrmos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Júlio César Ramos e Adriana Oliveira de Ribeiro, que não os acolhiam.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RENÚNCIA A PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. FIM DO LITÍGIO. A desistência de parte do recurso voluntário, em face de parcelamento requerido, encerra o litígio em relação aos períodos de apuração respectivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO RESULTADO DO JULGADO. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. Constatada obscuridade no resultado do julgado, quando confrontado com o voto vencido, cabe acolher os embargos de declaração para esclarecêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, acolher parcialmente e sem efeitos infringentes os embargos de declaração no acórdão nº 20312.178, nos terrmos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Júlio César Ramos e Adriana Oliveira de Ribeiro, que não os acolhiam. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 25 24 /2 00 3- 99 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase dos Embargos de Declaração de fls. 381/386, interpostos tempestivamente pela contribuinte no Acórdão nº 20312.178. Alega a Embargante contradição e omissão no julgado. Vê contradição no que o voto, por um lado, afirma que a base de cálculo da Contribuição foi demonstrada e, por outro, considera que a contribuinte não demonstrou os valores das deduções previstas nos três incisos do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (transcreve trechos do voto segundo os quais os balancetes contábeis não demonstram a composição da base de cálculo nem apresentam as contas correspondentes às referidas deduções). Argúi que requereu perícia justamente para demonstrar a natureza das exclusões, de acordo como a Lei nº 9.718/98, ressalta que compete à autoridade administrativa determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Quanto à omissão, é apontada em relação ao item IIIb do resultado do acórdão, a consignar que Conselheiros vencidos “davam provimento parcial para deduzir todos os eventos ocorridos com os associados da própria cooperativa”. Para a Embargante esse tópico do resultado não corresponde efetivamente ao alcance da Declaração de Voto do Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, já que nela há menção expressa aos três incisos do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (os Conselheiros vencidos deram provimento para admitir as deduções estipuladas no dispositivo), enquanto no resultado há apenas referência (indireta) ao inc. III. Ao final requer sejam providos os Embargos, “para o fim de esclarecer as contradições e omissões apontadas.” Às fls. 395/397 consta requerimento do contribuinte protocolado em 29/12/2009, desistindo parcialmente do Recurso Voluntário, em face de parcelamento requerido. Os valores parcelados, que correspondem aos montantes lançados nos períodos de apuração de 01/03/1998 a 31/01/1999 e de 01/11/1999 a 31/01/2003 (ver discriminação no requerimento de desistência, às fls. 395/397), foram transferidos para o processo nº 16020.000243/201020, conforme demonstrado às fls. 404/408. A parte que continua em litígio, relativa aos períodos de apuração de 01/02/1999 a 31/10/1999, foi recalcula levandose em conta o Acórdão cujos Embargos ora são analisados (ver DESPACHO SE CAT/DRF SOROCABA Nº 0334/2009, de fls. 362/364, repetido às fls. 399/400). É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.002524/200399 Acórdão n.º 3401002.096 S3C4T1 Fl. 414 3 Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Em face da desistência parcial do Recurso Voluntário, por terem sido parcelados os períodos de apuração de março de 1998 a janeiro de 1999 e de novembro de 1999 a janeiro de 2003, remanesce o litígio apenas em relação ao restante, que corresponde aos períodos de fevereiro a outubro de 1999. Assim, o julgamento dos presentes Embargos afeta somente estes meses que continuam compondo a lide. Mais do que contradição ou omissão, o que vejo no acórdão embargado é obscuridade, por não constar no item 3b do seu resultado referência expressa a todas as deduções do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Cabe então esclarecer o resultado. Por isto os presentes Embargos de Declaração devem ser admitidos e providos parcialmente. Não vejo a contradição indicada por constatar que o Relator, ao afirmar no seu voto que a base de cálculo restou bem demonstrada, referese ao trabalho da fiscalização, mas não aos balancetes e demais documentos pela contribuinte. Por considerar que a fiscalização demonstrou da melhor forma a base de cálculo, rejeitou a perícia. Ao rejeitar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ e a perícia solicitada (ver fls. 326/327), o voto afirma o seguinte: “... os balancetes contábeis apresentados (fls. 144/219), além de não demonstrarem a composição da base de cálculo mês a mês, não apresentam contas correspondentes às deduções do mencionado.” Mais adiante, então – e sem qualquer contradição , ressalta (fl. 340): A cooperativa, durante a fiscalização e no decorrer deste processo, passando pela diligência determinada pela DRJ, não demonstrou o valor de qualquer uma das três parcelas acima. Os valores informados na planilha de fl. 148, com exclusões a começar no mês de janeiro de 2000, bem como os balancetes apresentados (fls. 167/244), não comprovam as deduções pretendidas. Rejeitada a arguição de contradição, passo à obscuridade detectada (para a Embargante seria omissão). Como já antecipado, há necessidade de esclarecimento no resultado do acórdão, mais especialmente no seu item 3b, já que a Declaração de Voto do Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva é clara no sentido de dar provimento (posição vencida, ressalto) para admitir todas as deduções de que tratam os três incisos do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A fim de não deixar dúvidas quanto ao voto vencido, é preferível que o resultado faça menção expressa ao citado parágrafo. Pelo exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração para alterar o em 3b do resultado do acórdão, cuja redação passa à seguinte: e III) no mérito (...) e b) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Dory Edson Marianelli, Luciano Pontes de Maya Gomes e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, que davam provimento parcial para admitir todas as deduções previstas nos três incisos do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905522/2009-80
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa Selic, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DComp. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.
Numero da decisão: 1803-001.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa Selic, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DComp. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10940.905522/200980 Acórdão n.º 180301.286 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Trata o presente processo da compensação, declarada por meio do PER/DCOMP, relativa à compensação dos débitos de IRPJ e CSLL devidos por estimativa no mês de novembro/2006, acrescidos de multa e juros de mora, totalizando 9.026,09, com utilização da parcela de R$ 8.928,77 do direito creditório de R$ 11.939,53 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de IRPJ do mês de agosto/2006, recolhimento este efetuado em 29/09/2006 (R$ 11.939,53). A DRF, por meio do Despacho Decisório proferido em 07/10/2009, não homologou a compensação declarada em 02/01/2007, em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme determina o art. 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Devidamente cientificada do despacho decisório que não homologou a compensação, a recorrente apresenta manifestação de inconformidade arguindo de forma sintética um breve relatório sobre o cooperativismo na legislação pátria, bem como a importância do mesmo para o direito. Refere que a vedação à compensação de créditos pagos a maior assume frontal conflito com o direito legal dos contribuintes e que os artigos 165 e 170 do CTN, bem como o artigo 74 da Lei 9.430/96 não fundamentam tal impossibilidade que somente se encontra prevista na IN SRF n° 600, de 2005, já revogada. Prossegue, a recorrente, afirmando que as instruções normativas não têm força de lei e não podem limitar direitos garantidos aos consumidores, sob pena de ferir princípios constitucionais fundamentais, como o da legalidade, especialmente. Ainda, que resta clara a impossibilidade de vedação à compensação solicitada e a verdade deste fato está no próprio reconhecimento da SRFB por meio da IN SRFB n° 900, de 2008, em cujo art. 11 foi suprimida tal vedação; que não são valores apurados de retenções, mas de simples pagamentos a maior. Nesse caminho, a recorrente, alternativamente, requer seja considerado que inexiste qualquer óbice à compensação após o período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL; que, como o crédito não é contestado pela SRFB, mas somente sua disponibilidade no período mensal solicitado, a compensação do débito pode ser efetuada, até de ofício. Do mesmo modo, aduz que não faz sentido a incidência de multa sobre o imposto devido em face de o crédito pelo pagamento a maior ser anterior ao débito declarado. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10940.905522/200980 Acórdão n.º 180301.286 S1TE03 Fl. 113 3 A empresa entende ser importante para o julgamento da matéria os princípios da proporcionalidade e da boafé e os subprincípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito. Isso porque há de se considerar não só o aspecto formal da declaração, mas o direito em si, visto que o Direito Tributário regese pelo princípio da legalidade. De outra ponta, a empresa recorrente ressalta que a correção do crédito deve ocorrer com base na taxa Selic, desde a data do pagamento a maior, conforme previsto no art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995. E por fim requer a produção de provas e a procedência da sua manifestação. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que a não homologação das compensações efetuadas pela empresa recorrente e indeferias pelo Despacho Decisório, reclamado, encontravase coerente e por essa razão manteve a decisão proferida no mesmo. Entende o julgador que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ I o e 2 o , da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ou seja, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. Prossegue a autoridade aduzindo que se pode verificar que a recorrente declarou na Ficha 11Cálculo do IR Mensal por Estimativa (com base em balanço/balancete de suspensão/redução) da DIPJ 2007 retificadora (ND 1440474), apresentada em 25/08/2007 (fls. 7984), que não apurou débito algum de estimativa de IRPJ a pagar para o mês de competência agosto/2006. Contudo, na DCTF original do mês de agosto/2006 (ND 1002.006.2006.1820084489), apresentada em 04/10/2006, confessou um débito de R$ 12.529,23 de estimativa de IRPJ para esse mês (fls. 8586), cujo valor foi zerado nas DCTF retificadoras apresentadas em 05/12/2006 (ND 1002.006.2006.1810155485, à fl. 86) e 25/07/2008 (ND 1002.006.2008.1850301442, às fls. 4657 e 88). Assim, tendo quitado a parcela de R$ 11.939,53 do débito de R$ 12.529,23 de estimativa de IRPJ mediante recolhimento efetuado em 29/09/2006 (fl. 58), indica esse pagamento como direito creditório na declaração de compensação em análise, como pagamento indevido ou a maior, em face de não haver computado seu valor no montante do imposto de renda mensal pago por estimativa deduzido do imposto devido no encerramento do ano calendário de 2006, conforme demonstrado na Ficha 12ACálculo do IR Sobre o Lucro Real (fls. 8384). Completa o julgador o raciocínio ao referir que não há como se reconhecer esse direito creditório, porquanto o recolhimento de R$ 11.939,53 efetuado em 29/09/2006 somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ devido em 31/12/2006 ou para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, conforme previsto no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ressalta que a IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu artigo 11, de fato revogou a IN SRF n° 600, de 2005, e disciplinou a matéria de forma diversa, excluindo a vedação para compensar pagamento indevido ou a maior a título de estimativas de IRPJ e CSLL. Contudo, atenta para o fato de que essa norma somente passou a viger a partir de 01/01/2009, conforme disposto no seu artigo 99. Ademais, não cabe aplicar o artigo 106 do CTN para fazêlo retroagir à data da transmissão da declaração de compensação em análise, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10940.905522/200980 Acórdão n.º 180301.286 S1TE03 Fl. 114 4 haja vista não se tratar de norma expressamente interpretativa e nem de norma que comine penalidade. As normas a serem aplicadas na compensação, que são de direito material, são aquelas vigentes à época do encontro de contas, ou seja, no momento em que o direito foi exercido pelo sujeito passivo, no caso, em 02/01/2007, quando estava vigente a IN SRF n° 600, de 2005. Conclui a autoridade que a indicação dessa estimativa de IRPJ como direito creditório configura descumprimento da regra constante do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN, segundo o qual o direito à compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública fica sujeito às condições e sob as garantias que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, disposto que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo 74. Quanto à multa, o julgador a quo refere que os débitos compensados já se encontravam vencidos por ocasião da transmissão da presente declaração de compensação, razão pela qual estão sujeitos à incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, conforme previsto no artigo 28 da I N SRF n° 600, de 2005. E quanto à produção de provas, a autoridade cita o artigo 16, III, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei n° 8.748/93, que determina o momento certo para a produção da prova como sendo o da Impugnação para a recorrente. Dispõe o § 4 o do mesmo dispositivo legal, acrescentado pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, condições não verificadas nos autos. Devidamente cientificada a empresa limitase a apresentar as mesmas razões já dispostas em seara de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A discussão no presente processo cingese ao fato da empresa recorrente ter efetuado compensações de débitos de IRPJ e CSLL, devidos por estimativas no mês de novembro de 2006, oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa do IRPJ do mês de agosto de 2006. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10940.905522/200980 Acórdão n.º 180301.286 S1TE03 Fl. 115 5 O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Porém, como bem salientou a empresa recorrente, há que se ater para a superveniência do entendimento da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Segundo esse entendimento, há a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). Nesse caminho temse que o sujeito passivo, quando do encerramento do anocalendário, deverá confrontar as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Desse modo, a homologação expressa exige que a recorrente comprove, junto à autoridade administrativa o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa, a sua adequação para a formação do indébito, bem como a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ e da CSLL devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Diante do exposto voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10940.905522/200980 Acórdão n.º 180301.286 S1TE03 Fl. 116 6 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13832.000210/99-14
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1990 a 30/04/1992
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9900-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1990 a 30/04/1992 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão
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DUARTE & CIA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1990 a 30/04/1992 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 02 10 /9 9- 14 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão Relatório Tratase de pedido de restituição de FINSOCIAL recolhido entre fevereiro de 1990 e abril de 1992, protocolado no dia 15 de dezembro de 1999. O recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional visa rejeitar a tese admitida pela Terceira Turma da Câmara Superior no sentido de que o prazo prescricional somente começaria a fluir a partir da edição da Medida Provisória 1.110/95. Assim fazendo, ratificou a instância especial o decidido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que dera provimento ao recurso ordinário. O extraordinário busca fazer prevalecer o entendimento de que o termo inicial é a data de cada recolhimento, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. É o sucinto relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13832.000210/9914 Acórdão n.º 9900000.322 CSRFPL Fl. 5 3 . Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. É como voto. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13906.000713/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF DECLARAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
O lançamento de ofício realizado com base em declaração do contribuinte pode ser passível de alteração caso haja prova material que se desconstitua a declaração realizada, por atendimento do princípio da verdade material que
norteia a incidência da norma tributária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 69/76) interposto em 17/12/2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (PR) (fls. 63/65), do qual o Recorrente teve ciência em 29/11/2010 (fl.68), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07 a 09, lavrado em 07 de julho de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. EFEITOS. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Apenas a prova robusta pode afastar a confissão de divida formalizada em Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls.69/76) argumentando, em síntese, que: a) Os documentos inclusos nos processos comprovam que o recorrente errou no preenchimento da declaração e servem como prova robusta como quer a DRJ; b) A decisão recorrida não analisou que os valores do Imposto de Renda lançado no campo Imposto Complementar, são os mesmos retidos pelas pessoas jurídicas; c) Não houve omissão dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, e sim, erro, o fato do recorrente embora tenha se declarado profissional liberal, não ter lançado a titulo de dedução nenhuma despesa no campo Livro Caixa, no quadro RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FiSICAS, mesmo ele tendo despesas dedutiveis da base de cálculo do imposto relativas ao exercício da atividade, tais como: aluguel da sala, condomínio, telefone, material odontológico, etc... d) Caso o crédito tributário seja mantido, haverá contrariedade ao principio do bis in idem, o qual não permite a incidência do mesmo imposto duas vezes sobre mesma base de cálculo quando o fato gerador ocorreu somente uma vez; e) Quando existe erro de fato, devidamente comprovado, este Conselho tem cancelado as exigências. Por fim, requer o conhecimento do recurso voluntário e o cancelamento do crédito tributário. É o Relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000713/200887 Acórdão n.º 2101001.644 S2C1T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O ponto fulcral desta lide reside em aceitar ou não as alegações da Recorrente de ter preenchida sua Declaração de Ajuste Anual com imperfeições e que, por conseqüência, motivaram a lavratura do Auto de Infração ora questionado. Com a permissa máxima data vênia e respeito, discordando da digna Autoridade Julgadora à quo, analisei o que consta dos autos e entendo assistir plena razão à Recorrente, pois, estou convicto ter havido erro de fato no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual da mesma em função de evidências que se me apresentam cristalinas. Em seu voto o julgador de 1ª Instância sustenta que “as meras alegações e os supostos indícios apontados pelo impugnante não têm o condão de infirmar a remuneração informada na DAA, eis que apenas a prova robusta pode afastar a confissão de divida nela formalizada.” Contudo, a documentação acostada aos autos permiteme concluir que efetivamente houve erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, conforme passo a destacar. Primeiro, seria extremamente incomum que o Recorrente durante o ano calendário de 2005 tivesse informado como imposto de renda pago a título de imposto complementar (Quadro 3 –fl.25 e Quadro Imposto Pago – fl.26) o mesmo valor de R$ 47,52 resultante da somatória dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Ano Calendário 2005 , fornecidos pelas fontes pagadoras pessoas jurídicas, abaixo listadas: FONTE PAGADORA Imposto Renda Retido NOME CNPJ Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana – Folha 23 78.956.513/000168 3,10 Uniodonto Planos Odontológicos – Folha 20 82.239.476/000144 44,42 TOTAL 47,52 Ora, é sabido que o imposto complementar é um recolhimento facultativo que pode ser efetuado pelo contribuinte para antecipar o pagamento do imposto de renda devido na Declaração de Ajuste Anual, no caso de recebimento de duas ou mais fontes pagadoras pessoa física e jurídica, ou mais de uma pessoa jurídica. Percebese, assim, que houve equívoco também na informação do imposto retido, o qual deveria ter sido informado na linha “Imposto Retido na Fonte – Titular” e não na linha “Imposto Complementar”. Para melhor análise, vejase ainda, o seguinte quadro: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS EXERCÍCIO DE 2005 COMPROVADOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 CNPJ DOC. VÍNCULO TOTAL RENDIMENTOS CONT. PREVID. IRRF 13º SAL. REND ISENTO N/T FLS ESPÉCIE FLS 75.771.303/000107 20 Empregatício 21 11.614,07 1.045,22 0,00 626,87 0,00 78.956.513/000168 23 Empregatício 23 15.029,13 1.362,06 3,10 1.147,18 0,00 82.239.476/000144 19 Cooperado 19 10.190,25 437,38 44,42 0,00 0,00 TOTAIS 36.833,45 2.844,66 47,52 1.774,05 0,00 (+) Rendimentos informados como recebidos de PF Fl.11 1.566,55 TOTAL DOS RENDIMENTOS DECLARADOS 38.400,00 Segundo, o valor total informado pelo contribuinte à título de contribuição à Previdência Social (R$ 2.926,67), erroneamente declarado no quadro 3 (fl.26), é compatível com o valor informado pelas pessoas jurídicas nos comprovantes de rendimentos respectivos. É assaz interessante que o valor dos rendimentos oriundos de pessoas físicas, na forma declarada no quadro 3, são os mesmos em todos os meses do exercício de 2005, como se os rendimentos recebidos mensalmente de pessoas físicas fossem de um ou conjunto específico de pacientes, com um preço imutável que, em se tratando de tratamento odontológico onde as variáveis de preços são uma constante, seria, porque não dizer, um espanto, um fato intrigante e inimaginável. Terceiro, o total dos rendimentos de pessoas jurídicas (R$ 36.833,45) é compatível com o total dos rendimentos declarados erroneamente como recebidos de pessoas físicas (R$ 38.400,00), devendose levar em conta, ainda, os rendimentos informados pelo contribuinte como percebidos efetivamente de pessoas físicas, ou seja, R$ 1.566,55 (fl.11). É de se ressaltar que há erro, também, na informação no comprovante de rendimentos da fonte pagadora Autarquia Municipal de Saúde de Apucara – CNPJ 78.956.513/000168, a qual não mencionou no referido documento o valor da contribuição à Previdência Oficial, valor esse informado na DIRF Retificadora (fl. 35), no montante de R$ 1.362,06. Quarto, penso que nas autuações de pessoas físicas, em regra sem formação jurídica ou contábil apropriada, há que se mitigar um pouco o rigor da prova exigida. Não bastassem as considerações acima, vale registrar que a matéria em exame já foi objeto de decisões proferidas pelo então Primeiro Conselho de Contribuinte bem como neste Conselho, sendo pacífico o entendimento acerca da aplicabilidade do princípio da verdade material. Em sessão plenária de 13/05/2003, a Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário nº 133.420, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 10613.309 (fls. 34 a 43), acatada por maioria de votos. O julgado foi assim ementado: IRPF DECLARAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL O lançamento de ofício realizado com base em Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13906.000713/200887 Acórdão n.º 2101001.644 S2C1T1 Fl. 3 5 declaração do contribuinte pode ser passível de alteração caso haja prova material que se desconstitua a declaração realizada, por atendimento do princípio da verdade material que norteia a incidência da norma tributária. Recurso provido." Vejase, ainda, a seguinte decisão: "RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO POSSIBILIDADE Ainda que o crédito exigido tenha sido constituído com base na declaração prestada pelo próprio sujeito passivo, a impugnação ao lançamento devolvelhe a possibilidade de discutir toda a matéria tributária. Recurso provido." (Acórdão nº 102.46.667, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte Relator: José Raimundo Tosta Santos; DOU 1 02.06.2005, pág. 43) Ante todo o exposto e o mais que dos autos consta, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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