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Numero do processo: 15504.730657/2012-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.519
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 06 57 /2 01 2- 43 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por infringência ao disposto no inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, IV e § 4º, do RPS, pelo fato de o contribuinte ter entregado GFIP do período de 01/2007 a 12/2008 sem informar as remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. Não pode ser acolhido o pedido de que o endereçamento dos avisos, intimações e notificações ao contribuinte seja feita aos seus procuradores em razão de a legislação determinar que tais comunicações sejam efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço postal, eletrônico, ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização lavrou contra a ora Recorrente o presente auto de Infração para o lançamento e consequentemente a cobrança de suposta multa por descumprimento da obrigação acessória por apresentar as GFIP`s com dados não correspondentes aos fatos Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 5 4 geradores de todas as contribuições previdenciárias, sob o Código e Fundamentação Legal – CFL 68. Conforme consta no Termo de Relatório Fiscal, a empresa ora Recorrente teria informado as GFIP`s de maneira incompleta, visto que, supostamente deixou de contemplar remunerações pagas a segurados Empregados e Contribuintes individuais a seu serviço. Na Impugnação ao AI, a ora Recorrente preliminarmente suscitou a nulidade do auto de infração por (i) vício insanável em função da ausência de correlação entre o Processo Administrativo Fiscal (comprot) constante no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário e o constante Relatório Fiscal do Auto de Infração (debcad) nº 37.334.6840 e (ii) prejudicial dos Autos de Infração nº 37.329.3917 e nº 37.334.6875, tendo em vista a inexistência de obrigação principal, nada há que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. No mérito, a Recorrente impugnou (i) a dupla punição pelo mesmo fato, haja vista as multas de mora e de ofício lançadas nos Autos de Infração nº 37.329.3917 e nº 37.334.6875 e (ii) a ilegalidade / inconstitucionalidade do patamar da multa aplicada. O acórdão recorrido, proferido pela 6ª Turma da DRJ/BHE, entendeu que a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação. Pontuou ainda que, não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. Contudo, o acórdão recorrido não enfrentou a preliminar de nulidade por vício formal, tendo em vista a ausência de correlação entre o PAF constante no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário e o PAF constante no Relatório Fiscal do presente Auto de Infração, o que implica no reconhecimento da nulidade do presente processo. Se inexistente a obrigação principal, nada há que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. Consubstancia vício insanável em razão da ausência de correlação entre o PAF constante no DCCT e o constante no Relatório Fiscal do AI nº 37.334.6840. Está ocorrendo dupla punição pelo mesmo fato. A multa aplicada ofende a ordem jurídica vigente e os princípios que regem a administração. Diante dos fundamentos postos acima, requer seja recebido e devidamente processado o presente Recurso Voluntário, posto que preenchidos os seus requisitos legais, atribuindose efeito suspensivo, devendo ao final serlhe dado provimento para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do AI discutido, com a consequente exoneração do crédito tributário exigido. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 6 5 Requer, também, seja a Recorrente devidamente intimada da data de julgamento do presente Recurso, protestandose, desde já, pela produção da oportuna sustentação oral, sob pena de nulidade. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente, indefiro o pedido de intimação requerido pelo contribuinte, com fulcro no parágrafo único do art. 55 do RICARF. No que diz respeito à preliminar de nulidade por vício formal, sem razão o contribuinte. Compulsando os autos, inclusive aqueles das obrigações principais, restou amplamente evidenciado que o contribuinte cometeu as falhas apontadas pela fiscalização. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no at. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Cuidam os presentes autos de discussão acerca de obrigações acessórias descumpridas, por infringência ao disposto no inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, IV e § 4º, do RPS, pelo fato de o contribuinte ter entregado GFIP do período de 01/2007 a 12/2008 sem informar as remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais. Apesar da clareza das informações contidas nos autos, o sujeito passivo, em seu recurso, utiliza os mesmos argumentos de suas defesas, notadamente no que se refere à suposta nulidade do lançamento, sob o argumento de que inexistente a obrigação principal, nada há que se falar em descumprimento de obrigações acessórias. Ao agir da forma em que agiu, não resta qualquer dúvida de que a matéria de mérito não foi contestada pelo contribuinte, situação que se amolda na regra disposta no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: In casu, não houve qualquer configuração de dupla punição pelo mesmo fato. Uma coisa é a punição pelo descumprimento de obrigação principal, a outra, o descumprimento de obrigações acessórias, conforme estabelece o art. 113 do CTN. No ponto, sem reparos as considerações contidas no acórdão recorrido. Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 8 7 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.730657/201243 Acórdão n.º 2803003.519 S2TE03 Fl. 9 8 Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900360/2006-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO - PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO
O crédito de CSLL postulado foi aproveitado para compensar o próprio débito de CSLL, cujo adimplemento a maior dá origem àquele crédito. A recorrente não alegou nem juntou aos autos comprovação de outro pagamento de estimativa de CSLL relativo ao mesmo mês, sob o mesmo código, no mesmo valor. Onus probandi do titular da pretensão, a recorrente. Incomprovação da certeza e liquidez do crédito pretendido.
Numero da decisão: 1103-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO - PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO O crédito de CSLL postulado foi aproveitado para compensar o próprio débito de CSLL, cujo adimplemento a maior dá origem àquele crédito. A recorrente não alegou nem juntou aos autos comprovação de outro pagamento de estimativa de CSLL relativo ao mesmo mês, sob o mesmo código, no mesmo valor. Onus probandi do titular da pretensão, a recorrente. Incomprovação da certeza e liquidez do crédito pretendido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO O crédito de CSLL postulado foi aproveitado para compensar o “próprio” débito de CSLL, cujo adimplemento “a maior” dá origem àquele crédito. A recorrente não alegou nem juntou aos autos comprovação de outro pagamento de estimativa de CSLL relativo ao mesmo mês, sob o mesmo código, no mesmo valor. Onus probandi do titular da pretensão, a recorrente. Incomprovação da certeza e liquidez do crédito pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 03 60 /2 00 6- 67 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10825.900360/200667 Acórdão n.º 1103001.033 S1C1T3 Fl. 48 2 Relatório DA DECISÃO DA DRF Em 24/4/2008, a DRF de Bauru não homologou a compensação realizada pelo contribuinte com suposto crédito de pagamento a maior de CSL por estimativa de janeiro de 2003, no valor de R$ 27.867,17, nos seguintes termos (fl. 7 do eprocesso): “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (...). Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 12 e 13 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que, no ano calendário de 2002, a recorrente apurou em seu balanço fiscal um saldo negativo de CSL no montante de R$ 85.067,03, valor que foi compensado, de acordo com a lei, através da apresentação de PER/Dcomp. Apontou que, apesar de a compensação ter sido efetuada de forma errada, a recorrente recolheu o que lhe era devido, pois realizou o desconto do que foi efetivamente recolhido no momento em que foi apurado o lucro real, uma vez que ela recolhe o IR e a CSL pelo regime de estimativa mensal. Aduziu que, no final de 2002, a recorrente tinha um saldo de imposto a compensar no valor de R$ 85.067,00, e, em 2003, o montante correspondente a R$ 116.903,95, a título de Crédito Presumido do IPI. Além disso, afirmou que ela recolheu por estimativa, no ano de 2003, a importância de R$ 269.076,38. Consignou que, através da soma dos valores retro mencionados, é possível concluir que a recorrente possui um crédito correspondente a R$ 471.047,56, e um débito na ordem de R$ 320.042,49, fazendo com que ela detenha um saldo remanescente no montante de R$ 151.004,87, saldo esse que foi compensado a partir do exercício de 2004. Nesse sentido, ressaltou que, como o saldo remanescente supracitado poderia ser utilizado para compensar débitos futuros, a compensação em questão não é indevida, pois a recorrente usou o saldo credor que detinha para compensar o imposto do ano de 2003. Quanto a isso, colacionou quadro que demonstra os valores retro mencionados: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10825.900360/200667 Acórdão n.º 1103001.033 S1C1T3 Fl. 49 3 Por fim, requereu o cancelamento do despacho decisório em questão. DA DECISÃO DA DRJ Em 31/1/2013, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, afirmou que, de acordo com a IN SRF 360/2003, a recorrente não formalizou, perante a autoridade competente da RFB, pedido de retificação do PER/DCOMP, no prazo e na forma previstos na legislação. Consignou que está expresso na defesa o pedido de desconsideração da informação prestada no campo “tipo de crédito” do PER/Dcomp, qual seja, “pagamento indevido ou a maior” e sua substituição por “saldo negativo de CSL”. Quanto a esse pedido, aduziu que, de acordo com os artigos 233 e 234, da Portaria MF 203/2012, ele não pode ser apreciado pela DRJ, pois configura inovação de pedido e é a DRF quem possui competência para se manifestar acerca do mérito da questão. Por fim, concluiu não ter sido comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 19/6/2013, recurso voluntário de fls. 40 a 42 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação e ainda o seguinte. Primeiramente, anotou que a compensação foi realizada sob a rubrica “pagamento indevido ou a maior”, ao invés de “base negativa de CSL”, equívoco ocorrido em razão de a legislação ser recente na época, o que faz com que não haja compensação indevida, mas sim denominação indevida. Nesse sentido, aduziu que, apesar desse equívoco, a recorrente recolheu o que era devido, pois realizou o recolhimento do IR e da CSL pelo regime de estimativa mensal. Apontou que o prazo para retificação do PER/Dcomp está prescrito, pois aplicase, a esse caso, o prazo de cinco anos. Por fim, requereu o cancelamento do despacho decisório, bem como do crédito tributário. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10825.900360/200667 Acórdão n.º 1103001.033 S1C1T3 Fl. 50 4 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 37 e 40). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Como se vê da Dcomp em dissídio, nas fls. 3 e 4 é indicado como origem do crédito o pagamento a maior em 28/2/03 de CSL de competência de janeiro de 2003, sob o código 2484. Mas o débito indicado para a compensação também é de CSL de janeiro de 2003, sob o mesmo código, no mesmo valor – fls. 5 e 6. Essa é razão de o despacho decisório eletrônico ter indicado como fundamento para o indeferimento a alocação (utilização) do crédito postulado para o pagamento da estimativa de CSL de janeiro de 2003. A recorrente não alegou nem juntou aos autos comprovação de outro pagamento da estimativa de CSL de janeiro de 2003. Isso evidenciaria, caso não utilizado na formação do saldo negativo de CSL de 2003, o direito creditório da recorrente. Nenhuma das alegações de matéria de fato por ela expostas em seu recurso têm conexão com o postulado crédito. Além disso, nenhuma documentação trouxe aos autos a recorrente. Quanto à arguição de que o prazo para retificação da Dcomp está prescrito, a ensejar o cancelamento do despacho decisório, observo o seguinte. A Dcomp foi transmitida em 14/8/03 fl. 2 e o despacho decisório foi aperfeiçoado em 5/5/08 (que é data de sua cientificação – fl. 11). Ficou próximo, mas não chegou a se consumar o prazo de 5 anos contados da data da transmissão da Dcomp para a consecução da homologação tácita da Dcomp, conforme o art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Derruída, portanto, a alegação sobre a homologação tácita. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10825.900360/200667 Acórdão n.º 1103001.033 S1C1T3 Fl. 51 5 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000131/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/05/2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
A empresa é obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos solicitados pela fiscalização.
CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM.
Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/05/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A empresa é obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM. Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/05/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A empresa é obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM. Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 31 /2 00 9- 14 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000131/200914 Acórdão n.º 2302003.314 S2C3T2 Fl. 222 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 183 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 193 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante o auto de infração n° 37.226.0446 e anexos de f. 0106, através do qual se exige multa no valor de R$ 26.583,32, por ter a empresa deixado de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira. A fundamentação legal da infração está descrita no item "Descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido", assim com a multa aplicada está fundamentada na forma do item "Dispositivo legal da multa aplicada" e graduada conforme o item "Dispositivos legais da gradação da multa aplicada", todos da folha inicial do auto de infração. O relatório fiscal da infração, f. 07 e seguintes, assim descreve a conduta da empresa: “4. A Lei 8.212/91, no seu artigo 33, §§ 1°, 2° e 3°, dispõe que o sujeito passivo é obrigado a exibir à Fiscalização todos os documentos, livros e informações relacionados com as contribuições (previdenciárias) nela previstas. 4.1 Ocorre que, no decorrer da auditoria fiscal, a autuada deixou de apresentar ou apresentou de forma deficiente documentos e informações exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias, conforme demonstrativo denominado Anexo I ao Relatório Fiscal da Infração.” Documentos solicitados através de Termo de Intimação que não foram atendidos ou foram atendidos de forma deficiente: “ Demonstrar a composição (memória de cálculo) do montante de R$ 13.197.346,65 (treze milhões, cento e noventa e sete mil, trezentos e quarenta e seis reais e sessenta cinco centavos), constante da DIPJ, ano calendário 2004, a título de despesas operacionais com "Prestação de Serviços por PF (Pessoa Física), sem Vínculo Empregatício. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 O demonstrativo acima também deverá conter informações sobre os serviços executados mensalmente, acompanhado da respectiva documentação comprobatória, por amostragem. Apresentar os documentos relacionados nos Anexos I, II e III. A documentação relacionada (documentos originais) deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: Av. Juliano Costa Marques, 99, esquina com a Av. Rubens de Mendonça, Bosque da Saúde, Prédio do Ministério da Fazenda — Fiscalização —2° andar, CuiabáMT. Apresentar, POR ESCRITO, esclarecimentos sobre os pagamentos do beneficio denominado "Ajuda de Custo" aos segurados empregados, conforme relação anexa (Anexo I ao Termo de Intimação Fiscal 003). A documentação relacionada (documentos originais) deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: Av. Juliano Costa Marques, 99, esquina com a Av. Rubens de Mendonça, Bosque da Saúde, Prédio do Ministério da Fazenda — Fiscalização — 2° andar, CuiabáMT. Apresentar o regulamento de concessão de benéficos aos trabalhadores. Apresentar os documentos relacionados nos Anexos I, II, III e IV. A documentação relacionada (documentos originais) deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: Av. Juliana Costa Marques, 99, esquina com a Av. Rubens de Mendonça, Bosque da Saúde, Prédio do Ministério da Fazenda —Fiscalização — 2° andar, CuiabáMT.” O relatório fiscal da aplicação da multa, f. 09 e seguintes, por sua vez, trata da fundamentação legal, circunstâncias atenuantes ou agravantes, gradação da multa e seu valor: “DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 1. A multa a ser aplicada é a prevista no art. 33, §§ 2° e 3° da referida Lei 8.212/91, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPSIMF n 48, publicada no D.O. U de 12/02/2009. DO VALOR DA MULTA 2. A multa aplicada pela infração é de R$ 26583,32 (vinte e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais e trinta e dois centavos), conforme disposto nos Art. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24.07.91; art. 283, II, alínea 'j" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DAS CIRCUNTÂNCIAS AGRAVANTES OU ATENUANTES 3. A Lei 8.212/91, através do seu artigo 33, §§ 1°, 2° e 3°, dispõe que é prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos seus AuditoresFiscais, o exame da Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000131/200914 Acórdão n.º 2302003.314 S2C3T2 Fl. 223 5 contabilidade das empresas, ficando o sujeito passivo obrigado a exibir à todos os documentos e livros relacionados com as contribuições nela previstas bem como a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados; 3.1 No decorrer da ação fiscal, conforme demonstrativo denominado ANEXO I ao Relatório Fiscal da Infração, a autuada foi reiteradamente intimada a apresentar documentos e informações relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias. 3.2 Ocorre que os documentos/informações solicitados não foram apresentados ou foram apresentados deforma deficiente, conforme demonstrativo denominado ANEXO I ao Relatório Fiscal da Infração, grupo 4 — TIF 001, recebido em 1210312009, item 1.2; grupo 5 — TIF 002 recebido em 1810312009, item 01; grupo 6 — TIF — 003, recebido em 1810312009, item 1.2; grupo 7 — TRIF — 001, recebido em 0110412009, item 1. 3.3 A não exibição, sem justificado motivo, de livros fiscais, documentos e dados, necessários à verificação dos fatos geradores comandados no MPF, quando regularmente solicitados em Termo de início/Termos de Intimação, caracterizam o embaraço à fiscalização com o intuito de obstaculizar o exercício legal da atividade de fiscalização, realizada por auditorfiscal no exercício regular da competência que lhe foi atribuída pela legislação tributária em vigor. 3.1.1.1 Dispõe o Art. 290, inciso IV do RPS (Decreto 3.048199) que constitui circunstância agravante da infração, da qual dependerá a gradação da multa, ter o infrator obstado a ação da fiscalização. DA GRADAÇÃO DA MULTA 4. De acordo com o Art. 292, inciso I, do RPS, na ausência de agravantes, as multas serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3° do art. 283 e nos artigos. 286 e 288, conforme o caso. 4.1 De acordo com o Art. 292, inciso III, do RPS, a ocorrência da circunstância agravante prevista no Art. 290, inciso IV (obstar a ação fiscal), eleva o valor da multa em duas vezes. 5. Assim, o valor da multa aplicada é de R$ 26.583,32 (vinte e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais e trinta e dois centavos), que corresponde ao valor mínimo de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, publicada no D.O. U de 12/02/2009, multiplicado por 2 (dois), conforme a seguir: 13.291, 66 x 2 = 26. 583, 32. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 6. Não foram observadas circunstâncias atenuantes previstas no Artigo 291 do Decreto 3.048199 — RPS — Regulamento da Previdência Social.” A empresa foi cientificada por aviso de recebimento postal em 01/06/2009, conforme consta da f. 14. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 155164, em 24/06/2009 através da qual a empresa, após qualificarse, assim resume os fatos: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 206 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: indevida imposição da multa duplicada (art. 292, III) em face da ausência de motivação dos incisos III e IV (desacato, no ato da ação fiscal; e óbice à fiscalização) do art. 290 do RPS, sendo que a dificuldade para levantamento da documentação decorre do fato da recorrente encontrarse em recuperação judicial, sendo que, inclusive, protocolou dois pedidos de prorrogação de prazo, o que demonstra a sua boafé. Ademais, a impugnante é merecedora da relevação da multa; ausência de termo de intimação para apresentação de documentos; equívoco na capitulação da multa, pois, em razão de estar em recuperação judicial, a base legal não seria o art. 32, III, da Lei n° 8.212/91, mas o art. 33, § 2°, da referida lei; É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000131/200914 Acórdão n.º 2302003.314 S2C3T2 Fl. 224 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Circunstâncias agravantes Aduz a recorrente que seria indevida imposição da multa duplicada (art. 292, III) em face da ausência de motivação dos incisos III e IV (desacato, no ato da ação fiscal; e óbice à fiscalização) do art. 290 do RPS, sendo que a dificuldade para levantamento da documentação decorre do fato da recorrente encontrarse em recuperação judicial, sendo que, inclusive, protocolou dois pedidos de prorrogação de prazo, o que demonstra a sua boafé. Ademais, a impugnante é merecedora da relevação da multa. Ao contrário do argumentado pela recorrente, a multa foi agravada com fundamento apenas no inciso IV do art. 290. Como bem esclarece o item 3.1.1.1 do relatório de aplicação da multa, o agravamento decorreu do fato de a empresa, sem justificado motivo, ter deixado de apresentar livros fiscais, documentos e dados necessários à verificação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que, se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. Sendo assim, não merece prosperar o agravamento da multa. TIAD. Assevera a recorrente que a autuação não merece prosperar, pois ausente o termo de intimação para apresentação de documentos. Não é verdade, constando o referido documento às fls. 22. Ademais, o relatório fiscal de fls. 08 demonstra como e quando foram solicitados os documentos: Através de TIAF — Termo de Início da Ação Fiscal, a autuada, acima identificada, tomou ciência do início do procedimento fiscal, nos termos do MPF— Mandado de Procedimento Fiscal n° 01.3.01.00.2008003600, expedido em 1910612008, enviado por via postal (AR n° 361869385 BR), recebido em 19/08/2008, bem como da intimação para apresentação de documentos e informações, em meio digital, exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações principal e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Cópia dos documentos mencionados encontrase a partir da fls. 15 dos presentes autos. Portanto, neste ponto não merece acolhimento o quanto argüido. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Capitulação da multa. Aduz a recorrente que houve equívoco na capitulação da multa, pois, em razão de estar em recuperação judicial, a base legal não seria o art. 32, III, da Lei n° 8.212/91, mas o art. 33, § 2°, da referida lei. A autuação combatida decorre do fato de a empresa deixado de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira. Tal fato é tipificado no 33, §§ 1°, 2° e 3° da Lei 8.212/91, o que, por si só revela o acerto da autoridade fiscal ao fundamentar neste dispositivo a autuação. O § 2°, art. 33 estatui a obrigação da empresa apresentar todos os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias, à autoridade fiscal, quando solicitado. No mesmo sentido, defendeu a recorrente que a tipificação da falta se encontraria no § 2°, art. 33, da mesma Lei. Portanto, não procede o inconformismo da recorrente. Relevação da multa. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n'6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) Em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000131/200914 Acórdão n.º 2302003.314 S2C3T2 Fl. 225 9 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004806/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.640
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Negado
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PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 06 /2 00 9- 41 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de verbas a título de PLR, considerados como salário de contribuição terceiros. O r. acórdão – fls 67 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Não merece prevalecer a r. decisão que julgou improcedente a impugnação ofertada pela Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, vez que desconsiderou que o Auto de Infração é nulo, por manifesta iliqüidez e incerteza, vez que não seguiu os requisitos de formação válida do ato administrativo de constituição do suposto crédito tributário nela mencionado. A acusação fiscal despida de clareza e descrição minuciosa dos fatos e demonstração da origem dos valores imputados e o seu embasamento legal como ocorreu no presente caso, tornase nula de pleno direito, não sendo possível atribuir ao ato administrativo a presunção de legitimidade. · A Recorrente está convicta de que a incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a título de Participação nos Lucros e Resultados é completamente indevida, posto que ilegal e inconstitucional. · A deficiente instrução fiscal comprometeu a garantia constitucional da ampla defesa e contraditório, na medida em que não tendo a Recorrente a exata compreensão da suposta infração cometida, não poderia impugnar adequadamente a acusação de forma satisfatória, especialmente quanto ao mérito. · Inexistência de hipótese de incidência da contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros e resultados. nulidade absoluta da autuação fiscal. cancelamento do auto de infração.E nem se alegue que a circunstância da Recorrente supostamente não ter observado todos os elementos definidos na Lei n° 10.101/00 quanto a forma pela qual seria realizado os pagamentos a título de participação nos lucros e resultados aos seus funcionários seria suficiente para descaracterizar a sua natureza passando a integrar o salário de contribuição para efeito de incidência das contribuições previdenciárias. · Nesse sentido, temos que restou incontroverso na autuação fiscal que os pagamentos realizados pela Recorrente efetivamente se deram a título de participação nos lucros e resultados, sendo certo que o fato de ter faltado a formalidade de documentar o acordo definido com Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 5 4 seus funcionários e cumprido em sua plenitude junto ao Sindicato, evidentemente, não descaracteriza a natureza de tais pagamentos a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. · De qualquer forma, repitase, houve o efetivo pagamento a título de participação nos lucros e resultados fruto da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação dos funcionários nos lucros da Recorrente.Deixou, portanto, a fiscalização de identificar e reconhecer a existência no caso concreto de todos os elementos suficientes a caracterizarem e comprovarem a legitimidade dos pagamentos realizados pela Recorrente aos seus funcionários a título de participação nos lucros e resultados, preferindo assumir a cômoda e injusta posição de exigir a comprovação do cumprimento de elementos meramente formais que em nada descaracterizaram a natureza dos pagamentos realizados dentro de todo o contexto fático e probatório. · Requer seja declarada a nulidade da decisão de 1a instância, nos moldes da preliminar arguida, ou ainda, se superada, seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, reformandose a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), especialmente para reconhecer a ausência de hipótese de incidência da contribuição previdenciária no caso em tela, por conseguinte, cancelandose a autuação fiscal. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A defesa da impugnante se deu nos seguintes termos: IDOS FATOS A impugnante desde 14/04/08, através de MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fiscalização n° 08.1.90 00 2008 02916 3 tem sido Fiscalizado a área TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES Contribuições Previdenciárias e para outras entidades, pela MDAUDITORA SRa. CAROL CURVELLO PORTO. E desde então, até a conclusão Fiscal, a MDAUDITORA emitiu 13 (treze) TIF (Termo de Intimação Fiscal), todas cumpridas com documentos solicitados e se fazendo a presença física junto a solicitante demonstrando toda lisura e cordialidade no atendimento. Não teve em nenhum momento deixado de apresentar qualquer documento solicitado, principalmente as folhas de pagamento dos meses de Fev./04 e Out./04 correspondente ao P L R de 2004. II DO MÉRITO No entendimento fiscal, apesar de nossos argumentos a MD AUDITORA NÃO acatou as explicações devidas, pois, no final de 2.003, pressionados pelo Sindicato e comissão de Negociação, formalizouse o referido Acordo para pagamento do P L R a partir do Ano seguinte o que foi feito através de FOLHAS AVULSAS nos meses de Fev./04 e Out./04. O que realmente faltou, foi documentar o acordo cumprido na integra, fato que até poderíamos solicitar ao Sindicato em caráter retroativo, pois, alem de parceiros somos justos as reivindicações sindicais.grifei Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 7 6 Na linha do art. 16,III c/c art. 17 do decreto 70235/72, temos que o ponto controverso limitase a decidir se a falta de documentação do acordo cumprido resulta em irregularidade no PLR em debate, único ponto impugnado. A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004806/200941 Acórdão n.º 2803003.640 S2TE03 Fl. 8 7 Resta claro que as regras devem ser consolidadas em documento hábil, reduzida a termo, inclusive a lei prevê o arquivamento deste na entidade sindical respectiva. O contribuinte afirma que o contrato celebrado não restou formalizado, afastando assim a possibilidade de a fiscalização aferir se as regras trazidas na lei foram obedecidas. A inobservância do que prevê a lei no tocante a distribuição de lucros ou resultados afasta tais verbas da regra excepcional prevista na lei 8.212/91, art. 28, §9º, "j", devendo ser consideradas como fato gerador de contribuição previdenciária. É o que se extrai do próprio texto legal. Dessa feita, não cumprido os requisitos trazidos na lei 10.101/00, as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeito assim à contribuição previdenciária, devendo o auto lavrado ser mantido em sua integralidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13362.720683/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO- DECADÊNCIA.
O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 09/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 09/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma),ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 83 /2 00 9- 02 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 0344.459 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 48/53), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a Impugnação apresentada, reconhecendo a nulidade do lançamento alcançado pela decadência. No caso, foi emitida a Notificação de Lançamento contra o Interessado, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratório e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 3.543.079,35, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Teresa, NIRF 6.389.5757, localizado no Município de Bom Jesus/PI. Consta nos autos que, após regulamente intimado o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, o valor da terra nua declarado. Assim, o VTN declarado foi modificado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, arbitrado em R$ 7.278.713,40. Os argumentos de Impugnação foram dispostos pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificada do lançamento em 05/01/2010, conforme cópia de AR de fls. 28, a interessada protocolou sua impugnação em 03/02/2010, fls. 11 a 15, juntamente com a documentação de fls. 16 a 26. Em síntese alegou que: o ITR/2004 que está sendo cobrado da contribuinte referese a imóvel constituído por duas fazendas (Fazenda Santa Teresa, com área de 48.220,0 ha e Fazenda Lagoa dos Patos III, com área de 15.200,0 ha); partes dessas fazendas foram vendidas e parcialmente readquiridas, de forma que, no exercício 2003, a área total do imóvel rural em nome da empresa era de 33.683,9 ha e não 63.420,0 ha; o crédito tributário exigido pela fazenda nos autos está “prescrito”, de acordo com o art. 173 do CTN; a partir do exercício 2003, a área do imóvel rural em nome da empresa passou a ser de 33.683,9 ha, de acordo com as escrituras de compra e venda apresentadas, razão pela qual o recolhimento dos valores lançados seria desproporcional; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720683/200902 Acórdão n.º 2101002.553 S2C1T1 Fl. 3 3 apesar de ter alegado a “prescrição” do crédito tributário, com base no princípio da eventualidade, afirma que deve recolher somente o imposto relativo à propriedade sobre o seu domínio (33.683,9 ha). Por fim, requereu: seja extinto o crédito tributário, por estar prescrito, e seja recalculado o imposto para o de demais exercícios com a área de 33.683,9 ha; que não seja cobrado o débito fiscal e seja retirada a multa.” (fls. 221/222). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), restou assim ementada: “LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA No caso de falta de pagamento ou pagamento em atraso da quota única ou da 1ª quota do ITR, após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do prazo decadencial. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Desta feita, o procedimento foi distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. A decisão de primeira instância, aplicando o inc. I do art. 173 do CTN, entendeu que o lançamento estava decadente e julgou procedente a impugnação. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 De fato, a Lei n° 9.393/96 em seus artigos 1° e 10, prevê o seguinte: "Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano." "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior." Avulta da norma transcrita que o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural tem seu marco temporal no dia 01 de janeiro de cada anocalendário, e passou a ser tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à avaliação da autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. Não obstante, quanto ao instituto da decadência incidente nos tributos lançados por homologação, importa destacar a conclusão proferida no Recurso Especial nº 973.733 SC, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC, e restou assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720683/200902 Acórdão n.º 2101002.553 S2C1T1 Fl. 4 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 18/09/2009). Em razão da decisão acima referida, este Colendo Conselho tem admitido que, nos casos onde não houve antecipação de pagamento e/ou imposto de renda retido na fonte, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Porém, nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inc. V do CTN. Vejamos as ementas de alguns didáticos precedentes deste Colendo Conselho, julgados neste sentido: “ITR. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 1998, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, § 4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 1998 ele se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 01/01/2003. Como a ciência do lançamento se deu apenas em 19/06/2009, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso Voluntário Provido” (Acórdão nº 2801003.245, Processo nº 10540.001493/200211, Relatora Designada Conselheira Tânia Mara Paschoalin, 1ª TE /2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 27/02/2014); “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão nº 2801002.817, Processo nº 10280.722051/200997, Relator Cons. SANDRO MACHADO DOS REIS, 1ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 24/01/2014); “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada em 22.12.2010), passou a fazer expressa Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720683/200902 Acórdão n.º 2101002.553 S2C1T1 Fl. 5 7 previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). ITR. DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do (i) primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (ii) fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso de Ofício Negado.” (Acórdão nº 2201002.047, Processo nº 10280.720385/200845, Relatora Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 1ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 06/09/2013). No caso, mesmo considerando o marco inicial para contagem do ITR do exercício de 2004 ocorrido em 01/01/2005, diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração apenas em 05/01/2010 (fls. 10 e 35), concluo que o lançamento está efetivamente fulminado pela decadência, não havendo reparos a fazer à decisão recorrida. Ante ao exposto, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13888.917211/2011-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 11 /2 01 1- 58 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 71 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 73 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917211/201158 Acórdão n.º 3801003.947 S3TE01 Fl. 74 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10875.907898/2012-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 98 /2 01 2- 55 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907898/201255 Acórdão n.º 3801003.805 S3TE01 Fl. 97 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 30/11/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907898/201255 Acórdão n.º 3801003.805 S3TE01 Fl. 98 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907898/201255 Acórdão n.º 3801003.805 S3TE01 Fl. 99 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907898/201255 Acórdão n.º 3801003.805 S3TE01 Fl. 100 5 para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907898/201255 Acórdão n.º 3801003.805 S3TE01 Fl. 101 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16306.000305/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. PRECLUSÃO.
Considera-se definitivamente apreciada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade, por precluso o direito de fazê-la em outro momento processual.
Numero da decisão: 1202-001.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em considerar definitivamente apreciada a matéria de mérito não expressamente contestada na manifestação de inconformidade e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito, Marcos Antonio Pires e Geraldo Valentim Neto que entendiam por apreciar a matéria de mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Baeta Ippolito, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. PRECLUSÃO. Considera-se definitivamente apreciada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade, por precluso o direito de fazê-la em outro momento processual.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 250 1 249 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16306.000305/200963 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.197 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente W TORRE RESIDENCIAL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. PRECLUSÃO. Considerase definitivamente apreciada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade, por precluso o direito de fazêla em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em considerar definitivamente apreciada a matéria de mérito não expressamente contestada na manifestação de inconformidade e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito, Marcos Antonio Pires e Geraldo Valentim Neto que entendiam por apreciar a matéria de mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Baeta Ippolito, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 03 05 /2 00 9- 63 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 251 2 Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever parte do Relatório do Acórdão nº 1626.640 da DRJ/SP1, de fls. 171 e seguintes, o qual também passo a adotar: “Trata o presente processo de Pedido de Restituição apresentado em 29.05.2009 por meio eletrônico (PER n°26521.80995.290509.1.2.022603) por meio do qual o contribuinte pretende ter restituída a quantia de R$ 1.016.852,00 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008. 0 Despacho Decisório de fls. 16 a 22 foi emitido em cumprimento à decisão liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0179399, que estabeleceu o prazo de 30 dias para exame e decisão do pleito do contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição em função da falta de entrega da DIPJ 2009 e pela impossibilidade de se efetuar diligência no exíguo prazo concedido pela autoridade judicial. Em 19.02.2010 foi proferida decisão pela Juíza da 23a Vara Federal em São Paulo anulando aquela decisão, determinando que o pedido de restituição fosse efetivamente apreciado e julgado. Foi então proferido novo Despacho Decisório (fls. 113 a 116), novamente indeferindo o pleito. A autoridade fiscal verificou que o saldo negativo de IRPJ declarado na DIPJ/2009 (anocalendário 2008) era decorrente exclusivamente de imposto de renda retido na fonte, tendo sido apurado prejuízo fiscal no período e, consequentemente, não havendo imposto de renda devido. O montante do IRRF utilizado pelo contribuinte na geração do saldo negativo é de R$ 1.016.852,00. 0 AuditorFiscal confirmou em consulta às DIRF do ano calendário 2008 que o impugnante constava como beneficiário de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa cujas retenções somavam exatamente o valor pleiteado na restituição. Foi constatado, no entanto, que o contribuinte não informou qualquer valor de receita financeira, seja da DIPJ do anocalendário 2007 (ano em que iniciou suas atividades), seja na DIPJ do anocalendário 2008. Entendeu a autoridade administrativa que não era possível a dedução do imposto de renda retido na fonte para a apuração do saldo negativo de IRPJ, já que os respectivos rendimentos não foram computados no cálculo do lucro real, contrariando o disposto na Lei n° 9.430196, artigo 2°, §4°, inciso III, bem como no artigo 837 do Decreto n° 3.000/99. Por esse motivo concluiu não haver saldo credor de IRPJ a favor do impugnante, e indeferiu o pedido de restituição. Intimado da decisão por via postal em 12.03.2010, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13.04.2010. Alega que a existência de falta ou erro em informações na DIPJ que a torne inconsistente com o Pedido de Restituição não é motivo para seu indeferimento, mas que a repartição fiscal deve obrigatoriamente efetuar intimação para que o contribuinte entregue os documentos faltantes ou corrija eventual inconsistência, de maneira a permitir o exame do pedido. Afirma que tal posicionamento consta no site da RFB na internet, sob o titulo "0 que é o Termo de Intimação PER/DCOMP?", em que estão listados diversos tipos de inconsistência para os quais deve ser emitida a intimação, entre elas a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 252 3 inconsistência "DIPJ X PER/DCOMP inexistência de tributação pelo lucro real", que acredita descrever a sua situação. Informa que está à disposição da repartição para levar a exame todos os livros e documentos que forem solicitados, para o que, ao seu ver, basta uma intimação, não sendo necessária diligência ao domicílio. Cita o artigo 29 da Lei n° 9.784/99, no sentido de que o órgão competente para a instrução deve fazer constar dos autos os dados necessários à instrução do processo para a tomada de decisão, e o artigo 39 da mesma lei, que trata da expedição de intimações ao interessado quando for necessária a prestação de informações ou apresentação de provas. Entende que o indeferimento sem exame e sem fundamentação de mérito não é razoável, e que o funcionário da Receita Federal não pode ignorar o que consta no site da própria Receita. Mesmo não tendo sido intimada para tanto, informa que entregou sua DIPJ, anexandoa por cópias à manifestação de inconformidade, e solicita ser intimada se faltar qualquer outro documento ou informação, conforme previsto nos procedimentos da RFB para o exame dos PER/DCOMP, segundo orientações oficiais transcritas do site do órgão. Afirma que o atraso na efetivação da restituição, sem motivo plausível, resulta em danos ao erário, já que o crédito a restituir está sujeito a correção pela taxa SELIC e mais um por cento no mês da disponibilização da quantia ao sujeito passivo. Face ao exposto requer que se "reconsidere o despacho decisório, que indeferiu de plano o pedido de restituição, sem qualquer intimação ao contribuinte para que apresentasse a DIPJ retificada, ora anexada a presente, como é indicado para o caso no próprio site da Receita Federal. Dessa forma, poderá ser dado prosseguimento ao exame do pleito. É o relatório.” Na seqüência foi emitido o Acórdão nº 1626.640 da DRJ/SP1, de fls. 171 e seguintes, julgando a manifestação de inconformidade improcedente, com o seguinte ementário: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. Na análise de pedido de restituição, o AuditorFiscal não é obrigado a intimar o contribuinte para esclarecer inconsistências na sua DIPJ, se entender suficientemente instruídos os autos para a sua tomada de decisão. Não há nulidade em decisão de mérito devidamente fundamentada e que aprecia as provas constantes do processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, de fls. 182 a 187, alegando que na fase préoperacional, nos anos de 2007 e 2008, contabilizou suas Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 253 4 receitas e despesas financeiras no seu “ativo diferido”, de modo que a declaração DIPJ originalmente entregue não registrou as despesas e receitas financeiras. Esse fato é que motivou o indeferimento do pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2008, ou seja, o não oferecimento à tributação das receitas financeiras. Após a emissão do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição, a recorrente apresentou a declaração DIPJ retificadora com a inclusão das receitas e despesas financeiras respectivas. Requer, ao final, a reforma do Despacho Decisório. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o contribuinte transmitiu, em 29/05/2009, pedido de restituição PER/DCOMP trazendo como crédito o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ ao final do anocalendário de 2008, no valor original de R$ 1.016.852,00, fls. 02. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório das fls. 123 a 126, com ciência em 12/03/2010, fls. 128, porque o contribuinte não teria oferecido à tributação os valores de receitas financeiras correspondente ao IRRF retido e deduzido na declaração DIPJ, este último no valor de R$ 1.016.852,00 (DIPJ fls. 47). Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alegou, em síntese, que erros no preenchimento da DIPJ não SERIA motivo para indeferimento do pedido, sendo obrigação da autoridade administrativa a intimação do contribuinte para esclarecimentos e entrega de documentos, o que não foi feito. O acórdão recorrido refutou as alegações da defesa, fundamentando sua decisão no fato de que se a autoridade fiscal possuir provas suficientes nos autos para formar sua convicção, não tem obrigação de efetuar qualquer intimação ao contribuinte. Além disso, menciona que o contribuinte não enfrentou a questão de mérito em sua manifestação de inconformidade, restando desacompanhada de qualquer explicação sobre eventual erro cometido na declaração DIPJ e deixando de fazer a apresentação de documentos comprobatórios. Já a recorrente, em seu recurso, enfrenta o mérito do litígio, informando que optou por registrar na sua contabilidade, e na declaração DIPJ original, as receitas financeiras e despesas financeiras préoperacionais em conta patrimonial do “ativo diferido” como lhe facultaria a Solução de Divergência COSIT nº 32, de 21 de julho de 2008 e como foi informado na DIPJ originária. Assim, reconhece que não informou nas linhas da sua declaração DIPJ as correspondentes receitas financeiras e que, após a ciência do Despacho Decisório acima referido, procedeu na retificação dessa declaração, que foi entregue em 09/04/2010, fls. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 254 5 135 e seguintes, incluindo então nas linhas próprias as receitas/despesas financeiras correspondentes (Ficha 06A, linhas 22 e 40fls.140 do eprocesso), fato que em nada alterou o prejuízo fiscal do período e nem o valor a ser restituído. Sem razão à defesa. Primeiramente, cumpre esclarecer ao recorrente que em relação ao imposto de renda retido na fonteIRRF, por ocasião do resgate das aplicações financeiras, temse que esse imposto é considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos daquelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, consoante art. 773 do RIR/99. Isso significa que os rendimentos auferidos nessas aplicações devem compor o lucro operacional na declaração de rendimentos, a título de receitas financeiras, a fim de que sejam tributados pelo imposto de renda da pessoa jurídica, nos termos do art. 373, do RIR/99. Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). Por seu turno, para fins de determinação do saldo do IRPJ a pagar ou a restituir, na declaração anual DIPJ, o art. 231 do RIR/99 exige que as receitas correspondentes ao IRRFonte que venha a ser deduzido, tenham sido computadas no cálculo da determinação do lucro real: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte. incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. (grifei). O oferecimento à tributação dessas receitas não é opcional, mas sim obrigatório, de acordo com o que determina o regulamento e a lei (art. 231 do RIR/99 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º) Resta incontroverso nos autos o não oferecimento à tributação das receitas financeiras na apuração do saldo negativo do IRPJ na declaração DIPJ original, entregue em 21/09/2009, fls. 45 e seguintes. O Despacho Decisório fundamentou sua decisão exatamente nesse fato, ou seja, não ter constatado na declaração DIPJ a tributação das receitas financeiras correspondentes ao IRRF deduzido nessa declaração. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 255 6 Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte não enfrentou essa questão de mérito e nem mesmo trouxe aos autos documentos que amparassem o quanto alega. Vejase o que menciona parte do voto condutor do acórdão da DRJ, fls. 178 do eprocesso: “4. Do pedido de reconsideração e prosseguimento do exame do pleito e da DIPJ retificadora. A manifestação de inconformidade do contribuinte em momento algum aborda o mérito do indeferimento de seu pedido de restituição, limitandose a atacar o procedimento adotado pelo AuditorFiscal, entendendo ainda que o mérito não foi analisado. Por isso, requer que se reconsidere o despacho decisório e que seja dado prosseguimento ao exame do pedido, inclusive com a análise da DIPJ retificadora entregue em 09.04.2010 (após a ciência do despacho decisório), solicitando que seja intimado no caso de falta de outro documento ou informação. 0 contribuinte poderia ter contestado as razões de mérito do indeferimento da restituição, porém não o fez. A mera apresentação de DIPJ retificadora, desacompanhada de qualquer explicação sobre o eventual erro anteriormente cometido e de como foi ele corrigido na nova declaração, não supre tal falta, não tendo influência alguma sobre o presente julgamento. Uma vez que a decisão denegatória da restituição já foi proferida com análise de mérito, como vimos, o que se pretende com a manifestação de inconformidade, na realidade, é unicamente anular o despacho decisório para determinar a. autoridade administrativa que novamente aprecie o pedido de restituição, desta vez levando em conta a DIPJ retificadora e seguindo Procedimento que o contribuinte entende como o devido. Não há razão alguma para isso, uma vez que considero correto o procedimento adotado, como já ficou explicitado anteriormente.” Somente agora, em seu recurso voluntário, vem a defesa trazer em suas razões de mérito a questão relativa a contabilização das receitas e despesas financeiras no seu “ativo diferido” em sua fase préoperacional mas, mesmo assim, desacompanhadas de documentos comprobatórios das alegações. Com efeito, matéria não contestada expressamente na fase impugnatória (manifestação de inconformidade) é considerada definitivamente apreciada na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Além disso, como já mencionado, o contribuinte também não trouxe documentos que lastreassem suas alegações no recurso voluntário (comprovantes de receitas e despesas financeiras e respectivos registros contábeis), os quais também deveriam ter sido apresentados na fase impugnatória, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a teor do § 4º, art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 256 7 [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (destaques meus) Assim forçoso concluir que a matéria de mérito não pode ser apreciada agora, na fase recursal, porque o julgador fica limitado aos ditames legais processuais, que o impede de apreciar o mérito uma vez ocorrida a preclusão, pois estarseia incorrendo em dupla violação: da lei processual e de supressão de instância. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa são asseguradas a todos aqueles que exercem o seu direito nos prazos fixados nas normas legais. Não há como superar os limites temporais estabelecidos pela lei, que devem ser aplicados, indistintamente, a todos os administrados. Em face do exposto, voto no sentido de que seja considerada definitivamente apreciada a matéria de mérito não expressamente contestada e que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16306.000305/200963 Acórdão n.º 1202001.197 S1C2T2 Fl. 257 8 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10980.720362/2008-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 21.706,14 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 21.706,14 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS DECLARADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 62 /2 00 8- 43 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 282 2 É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, o correspondente valor ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que acolhiam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 21.706,14 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 95 a 103, referente ao anocalendário de 2003, que exige R$ 49.974,58 de imposto, com multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos com base nos seguintes depósitos bancários: (...) O procurador do contribuinte, fl. 78, foi pessoalmente cientificado do lançamento, em 28/10/2008 – fl. 101, e apresentou, em 26/11/2008, a impugnação de fls. 105 a 116, acompanhada dos documentos de fls. 117 a 246. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 283 3 Alega que os depósitos utilizados como base da presunção legal de omissão de rendimentos não representaram ingresso de riqueza nova em seu patrimônio. Suscita decadência do lançamento com base nos depósitos bancários efetuados até outubro de 2003, afirmando que a partir do exercício de 1989, os rendimentos e ganhos de capital das pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil passaram a ser devidos mensalmente, conforme entende determinar os arts. 1º e 2º da Lei nº 7.713, de 1988, e o § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita os art. 150 e 156 do Código Tributário Nacional – CTN, além de doutrina e jurisprudência acerca da decadência. Afirma que a presunção legal de omissão de rendimentos deve ser interpretada com razoabilidade e proporcionalidade, evitando a exigência de provas impossíveis e considerando o lapso temporal de cinco anos existente entre o depósito bancário e a respectiva fiscalização. Ressalta que, como a norma legal somente exigiria a comprovação da origem do numerário depositado, sem determinar a coincidência exata de valores, o lançamento deveria ser considerado improcedente, em decorrência da demonstração de que o contribuinte possuía recursos disponíveis, no exercício, suficientes para suportar os depósitos bancários citados na autuação. Transcreve jurisprudência administrativa para corroborar sua alegação de que os rendimentos declarados e os já tributados de ofício serviriam para justificar valores posteriormente tributados em contas bancárias. Apura R$ 651.220,88 de recurso disponível, somando: os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas (R$ 12.234,00), os rendimentos isentos de caderneta de poupança (R$ 11.329,73 e R$ 12.093,43), os R$ 13.000,00 decorrentes da venda de automóvel Palio e os R$ 50.000,00 de mútuo tomado de Eliane Minasse e os R$ 552.563,72 de omissão de rendimentos apurados no processo administrativo formalizado sob o nº 19515.000558/200889. Salienta que o mútuo com a Sra. Elisiane Minasse, seu cônjuge à época da impugnação, estaria devidamente consignado nas declarações de ajuste de ambos. Conclui ser indevida a omissão de rendimentos, em razão de os recursos disponíveis serem muito superiores aos depósitos bancários questionados. Informa que os depósitos bancários suscitados no lançamento são decorrentes de devolução de mútuo concedido ao Sr. Sérgio Agostinho Desch, conforme entende comprovar declaração firmada pelo mutuário, acompanhada de planilha e cópia dos Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 284 4 cheques utilizados na concessão e na devolução do referido empréstimo. Conclui que, como os depósitos bancários não representaram ingresso de riqueza nova, o lançamento deveria ser cancelado. Finaliza solicitando a improcedência da medida fiscal em razão da preliminar de decadência e da comprovação da origem dos depósitos bancários questionados.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 249/258, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda, em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro e não mensalmente; dessa forma, quando da ciência do lançamento, em 28/10/2008, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS DE CANCELAMENTO. A presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários somente é ilidida com a apresentação de documentação hábil e idônea que justifique a origem dos créditos questionados. DEPÓSITO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A simples declaração dos envolvidos não é hábil à comprovação de empréstimo suscitado como justificativa de origem para depósito bancário; para serem oponíveis à Fazenda Pública, devem estar registrados no registro público e comprovados por outros subsídios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 285 5 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 06/09/2011 (AR fl. 262), o interessado, representado por seus advogados (fl. 78), interpôs o recurso de fls. 263/270. Em sua defesa, repete os seguintes argumentos da impugnação: Afirma que a presunção legal de omissão de rendimentos deve ser interpretada com razoabilidade e proporcionalidade, evitando a exigência de provas impossíveis e considerando o lapso temporal de cinco anos existente entre o depósito bancário e a respectiva fiscalização. Ressalta que, como a norma legal somente exigiria a comprovação da origem do numerário depositado, sem determinar a coincidência exata de valores, o lançamento deveria ser considerado improcedente, em decorrência da demonstração de que o contribuinte possuía recursos disponíveis, no exercício, suficientes para suportar os depósitos bancários citados na autuação. Transcreve jurisprudência administrativa para corroborar sua alegação de que os rendimentos declarados e os já tributados de ofício serviriam para justificar valores posteriormente tributados em contas bancárias. Apura R$ 651.220,88 de recurso disponível, somando: os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas (R$ 12.234,00), os rendimentos isentos de caderneta de poupança (R$ 11.329,73 e R$ 12.093,43), os R$ 13.000,00 decorrentes da venda de automóvel Palio e os R$ 50.000,00 de mútuo tomado de Eliane Minasse e os R$ 552.563,72 de omissão de rendimentos apurados no processo administrativo formalizado sob o nº 19515.000558/200889. Salienta que o mútuo com a Sra. Elisiane Minasse, seu cônjuge à época da impugnação, estaria devidamente consignado nas declarações de ajuste de ambos. Conclui ser indevida a omissão de rendimentos, em razão de os recursos disponíveis serem muito superiores aos depósitos bancários questionados. Informa que os depósitos bancários suscitados no lançamento são decorrentes de devolução de mútuo concedido ao Sr. Sérgio Agostinho Desch, conforme entende comprovar declaração firmada pelo mutuário, acompanhada de planilha e cópia dos cheques utilizados na concessão e na devolução do referido empréstimo. Conclui que, como os depósitos bancários não representaram ingresso de riqueza nova, o lançamento deveria ser cancelado. Conforme Resolução de fls. 277/280, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 286 6 Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Ratificando decisões reiteradas desta Turma Julgadora, rejeito a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que foi vencido quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. De acordo com o entendimento do STJ no julgamento de recurso especial Resp n° 1.134.665SP, tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 287 7 que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do Contribuinte o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. O Recorrente sustenta que os depósitos bancários em questão são decorrentes de devolução de mútuo concedido ao Sr. Sérgio Agostinho Desch, conforme comprova declaração firmada pelo mutuário, acompanhada de planilha e cópia dos cheques utilizados na concessão e na devolução do referido empréstimo. Ademais, aduz que possuía recursos disponíveis no exercício objeto de fiscalização, conforme relacionado abaixo, que servem para justificar os valores depositado: · rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas (R$ 12.234,00); · rendimentos isentos de caderneta de poupança (R$ 11.329,73 e R$ 12.093,43); · R$ 13.000,00 decorrentes da venda de automóvel Palio; · R$ 50.000,00 de mútuo tomado de Eliane Minasse; e · R$ 552.563,72 de omissão de rendimentos apurados no processo administrativo formalizado sob o nº 19515.000558/200889. Da analise dos autos, verificase que o contribuinte não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade. Conforme bem explicou a decisão recorrida os documentos apresentados não atestam qualquer empréstimo do autuado ao Sr. Sérgio Agostinho Desch. Também não há como fazer qualquer correlação entre os valores depositados com os documentos apresentados. Sequer restou identificado o Sr. Sérgio Agostinho Desch como o depositante de qualquer quantia. Além disso, por falta de comprovação, não merece acolhida a tese do Recorrente no sentido de que possuía recursos disponíveis (R$ 651.220,88) no exercício objeto de fiscalização para justificar os depósitos bancários, haja vista que o Interessado não logrou comprovar que ele foi o próprio depositante. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.720362/200843 Acórdão n.º 2801003.657 S2TE01 Fl. 288 8 Todavia, deve ser excluído os rendimentos declarados, relativamente ao ano calendário 2003, exercício 2004, da base de cálculo relativa à infração de depósitos bancários com origem não comprovada. Isto porque a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo Contribuinte transitaram, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, portanto, os rendimentos tributáveis (R$ 12.234,00) e os rendimentos não tributáveis (R$ 9.472,14) consignados na DIRPF/1994 devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que tais valores não foram objeto de alteração pela autoridade fiscal, ou seja, restaram confirmados. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 21.706,14 da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10320.003108/2005-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
TEMPESTIVIDADE. RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE SER PREJUDICADO SE NÃO CONCORREU PARA EVENTUAL DIFICULDADE NA VERIFICAÇÃO DOS PRAZOS RECURSAIS.
A eventual dificuldade em apuração da tempestividade do recurso interposto, não imputável ao contribuinte, não pode acarretar-lhe prejuízo no exercício de sua defesa.
NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO À GARANTIA DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES.
A total ausência de apreciação de pedido de perícia consubstancia-se em causa de anulação do julgamento por cerceamento de defesa e violação à garantia de fundamentação das decisões, fazendo-se necessária a remessa dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão
Acórdão de primeira instância anulado.
Numero da decisão: 2802-002.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade declarar a NULIDADE da decisão recorrida, para fins de determinar o retorno dos autos à instância de origem para a devida apreciação do pedido de perícia formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 TEMPESTIVIDADE. RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE SER PREJUDICADO SE NÃO CONCORREU PARA EVENTUAL DIFICULDADE NA VERIFICAÇÃO DOS PRAZOS RECURSAIS. A eventual dificuldade em apuração da tempestividade do recurso interposto, não imputável ao contribuinte, não pode acarretar-lhe prejuízo no exercício de sua defesa. NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO À GARANTIA DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES. A total ausência de apreciação de pedido de perícia consubstancia-se em causa de anulação do julgamento por cerceamento de defesa e violação à garantia de fundamentação das decisões, fazendo-se necessária a remessa dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão Acórdão de primeira instância anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade declarar a NULIDADE da decisão recorrida, para fins de determinar o retorno dos autos à instância de origem para a devida apreciação do pedido de perícia formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE SER PREJUDICADO SE NÃO CONCORREU PARA EVENTUAL DIFICULDADE NA VERIFICAÇÃO DOS PRAZOS RECURSAIS. A eventual dificuldade em apuração da tempestividade do recurso interposto, não imputável ao contribuinte, não pode acarretarlhe prejuízo no exercício de sua defesa. NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO À GARANTIA DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES. A total ausência de apreciação de pedido de perícia consubstanciase em causa de anulação do julgamento por cerceamento de defesa e violação à garantia de fundamentação das decisões, fazendose necessária a remessa dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão Acórdão de primeira instância anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade declarar a NULIDADE da decisão recorrida, para fins de determinar o retorno dos autos à instância de origem para a devida apreciação do pedido de perícia formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 31 08 /2 00 5- 16 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) – DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do anocalendário de 2000, exigindo crédito tributário no montante total de R$ 104.126,80 relativo ao imóvel rural denominado "Gleba Alegria", com área de 11.445,0 ha e cadastrado na então Secretaria da Receita Federal sob o nº 5.971.6347, localizado no Município de Mirador MA. Anotese, por oportuno, que as referências às folhas dos autos serão atinentes às folhas do processo digital, por haver sido juntado ao presente o processo nº 10380.002776/200856, gerando certa confusão na numeração originalmente levada a efeito. O lançamento deuse, conforme respectiva "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl.11), devido a não apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA), acarretando glosas nas áreas informadas como de preservação permanente e/ou utilização limitada na Declaração do Imposto Territorial Rural do exercício de 2001 DITR 2001. O interessado impugnou o lançamento e juntou os documentos que considerou aptos a demonstrar suas razões (fls. 51/241), alegando, em síntese (nos termos assim resumidos no acórdão contestado): I que arrematou o imóvel em 12 de junho de 2000; II que o imóvel encontrase encravado no Parque Estadual do Mirador, no Estado do Maranhão; III que a área efetiva do imóvel é bastante inferior à área registrada na matrícula; IV — que houve uma série de transações irregulares, cujo objetivo era tentar legalizar a aquisição de terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão; V que elaborou Noticia Crime endereçada à Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Maranhão; VI que as terras utilizadas para a composição do Parque Estadual são todas terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão e que, por esse fato, não poderiam vincularse a patrimônio de particular algum; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.003108/200516 Acórdão n.º 2802002.999 S2TE02 Fl. 688 3 VII transcreve histórico do imóvel, começando em 1918 e terminando em 13/06/2000 com Registro da Carta de Arrematação realizada pelo Banco do Nordeste; VIII — que mesmo após o Parque Estadual do Mirador ter sido criado, as terras continuaram a ser comercializadas; IX que o laudo elaborado pelo Sr. Agostinho Ferreira demonstra que a Fazenda Alegria encontrase localizada dentro da área de preservação ambiental do Parque Estadual do Mirador; X que os títulos de domínio apresentados não têm qualquer validade jurídica, sendo absolutamente nulos; XI que, como conseqüência, as supostas aquisições do imóvel foram nulas; a hipoteca é igualmente nula e nula também a arrematação. Nulas, também, as inscrições de imóvel efetuadas perante a Secretaria da Receita Federal; XII que não detém a propriedade da Fazenda Alegria, uma vez que referida Fazenda, na realidade, integra a área do Parque Estadual do Mirador, sendo de propriedade do Estado do Maranhão; XIII — que as terras situadas no Parque Mirador, e dita Fazenda Alegria encontrase encravada no Parque, são "intributáveis" por força da imunidade recíproca; XIV que ainda que detivesse, o impugnante, a propriedade da Fazenda Alegria, não haveria qualquer imposto devido porque a área da suposta Fazenda Alegria é de preservação ambiental; XV requer perícia e diligência. A instância de primeiro grau julgou, em 23/11/2007, a impugnação improcedente (fls. 244/256), por considerar que no processo não se discutia a existência efetiva das áreas de preservação limitada, mas sim a comprovação do cumprimento tempestivo das obrigações previstas na legislação, referentes às Áreas de Preservação Permanente (APP) e de utilização limitada, para fins de exclusão da tributação. Sumarizou o seu entendimento no acórdão do qual reproduzo o seguinte excerto da ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. Em 26/12/2008 (fls. 354/357), foi juntado aos presentes autos o processo administrativo nº 10380.002776/200856, no qual havia sido protocolizado, pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE) a qual jurisdiciona o domicílio tributário do autuado o recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário (fls. 358/615), após defender a sua tempestividade e a inadmissibilidade do arrolamento de bens como condição para a sua interposição, o contribuinte postulou a nulidade do feito por não estar consignado na capa da intimação do resultado do julgamento supra a alternativa para apresentação do recurso de inconformidade, por existir alusão na decisão a dispositivos que não serviram para lastrear a autuação, e por não constar manifestação acerca da perícia demandada na decisão da DRJ/REC. No mérito, reitera, em linhas gerais, os argumentos expendidos na impugnação, colacionando decisões administrativas e judiciais no sentido da prescindibilidade do ADA para o reconhecimento da existência de APP e áreas de utilização limitada. Requer seja reconhecida a tempestividade do recurso e a nulidade do acórdão a quo, bem como a procedência do pedido, demandando, ainda, o protesto para alegar por todos os meios de prova requeridos, juntada atual e posterior de documentos, perícias e tudo o mais que se fizer necessário. Por meio da Resolução nº 220200.135, de 24/10/2011, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF converteu o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclarecesse a data de ciência da decisão de primeira instância e a data da interposição recurso voluntário, baseada no entendimento de que não se encontra acostado aos autos o Aviso de Recebimento referente à ciência da decisão da DRJ/REC, e que as cópias do recurso interposto não possuem carimbo da unidade preparadora, gerando dúvidas quanto à tempestividade do recurso (fl. 1/6). Não cumprida tal diligência pela autoridade preparadora, tal solicitação foi renovada pelo referido Órgão julgador em 19/6/2012, mediante a Resolução nº 220200.242 (fl. 626). A autoridade preparadora informou em 27/4/2012, conforme despacho de fl. 635, que a data de ciência da decisão da primeira instância se encontra "no Histórico do Objeto expedido pelos Correios folha nº 279 [fl. 351] e a data da interposição do presente recurso foi protocolado em 27/02/2008, conforme mostra folha nº 235 [fl. 270]". Por sua vez, o contribuinte, após pedir, em 18/10/2013, dilação do prazo para apresentar os documentos em questão (fl. 639), apresenta os mesmos documentos já constantes no processo, anotando, ainda, que "quando o setor de protocolo da DRF Fortaleza autuou o referido recurso gerouse um novo número de processo (10380.002776/200556), como é de praxe". Em 11/4/2014, os autos foram reenviados ao CARF, com a seguinte informação (fl. 682): Encaminhamos o presente ao CARFBRASILIA1ª turma, onde o referido processo foi atualizado a ciencia do Acordão em Fl. 690DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.003108/200516 Acórdão n.º 2802002.999 S2TE02 Fl. 689 5 14.02.2008 , com recurso voluntário datado de 27,02.2008 folha nº 02.Bem como informo que o receptor não colocou o carimbo de recepção e dai foi considerado a data da assinatira 27022008. Em razão de o Conselheiro Relator original não mais integrar o CARF, foi o processo redistribuído, mediante sorteio realizado na sessão de maio de 2014 da 2ª Turma Especial da 2ª Seção, para relatoria deste Conselheiro, tarefa a qual passo a realizar. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Da tempestividade do recurso. Ainda que a Turma para a qual tinha sido inicialmente distribuído este processo tenha se empenhado em buscar verificar, do quadro traçado resta claro que não consta nos autos, tampouco logrou a autoridade preparadora encontrar, o Aviso de Recebimento (A.R.) ou documento de semelhante quilate no qual esteja consignada a data de ciência, pelo contribuinte, da decisão de primeira instância. O documento que se apresenta é tão somente o "Histórico do Objeto" SE855115146BR conforme rastreamento disponível no site dos Correios (fl. 351), no qual há o registro de entrega da correspondência, enviada em envelope do Serviço Público Federal, no domicílio fiscal do contribuinte em 14/2/2008 (fl. 352). Considerando que o contribuinte de alguma forma tomou ciência da decisão e interpôs recurso voluntário, o que provavelmente deve ter acontecido é a perda do A.R. relativo a essa correspondência, o qual poderia cabalmente comprovar a data de entrega, e, caso anotado o respectivo assunto no campo apropriado, permitiria associar o conteúdo do envelope à ciência da decisão. Deve ser relevado que o domicilio fiscal do contribuinte é em Fortaleza/CE, enquanto a jurisdição fiscal que estava a gerir a cobrança do crédito tributário constituído era a Agência da Receita Federal do Brasil em Presidente Dutra, no interior do Maranhão. Sendo assim, o cenário que se configura é que em algum momento do trâmite dos malotes nos quais se encontrava, o A.R. tenha se perdido. Noutro giro, nas cópias do recurso voluntário interposto (fls. 271, 358) não está aposto o devido carimbo de recepção por parte da repartição fazendária. O que se tem, aqui, é apenas o comprovante da autuação, em 27/2/2008, do processo nº 10380.002776/2008 56 pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE (fl. 270), cujo assunto é "Impugnação ITR", o qual foi posteriormente juntado ao presente processo. Nesse caso, vale dizer, a sucessão de erros é ainda mais clara: o recurso voluntário foi protocolizado diretamente perante a Gerência Regional de Administração do Ceará (ver fl. 270 e carimbo na fl. 358), mediante a constituição de novo processo, sem carimbo específico com a data de recepção do documento pela repartição, tampouco Fl. 691DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 carimbando a via do contribuinte, ao que se supõe. Isso, ao invés de ter sido juntado, ou remetido para juntada, ao processo correto naquela oportunidade, para imediato envio ao CARF. Podese perceber que, se alguma falha pode ser imputada ao recorrente, foi em não ter exigido o devido protocolo na via que lhe cabia quando da entrega do recurso voluntário. Não obstante, e salvo melhor juízo, dado que o processo 10380.002776/200856 foi aberto em 27/2/2008, tendo como primeiro documento justamente o referido recurso, e sabendose que não se abriria um processo sem que nele constasse um documento inicial, tem se como consequência lógica que o recurso voluntário foi, efetivamente, interposto naquela data. Quanto ao "sumiço" do A.R., não vejo por quais vias argumentativas pode ser o contribuinte responsabilizado, tratandose de falha, à toda vista, no controle do trâmite desse tipo de documento por parte das autoridades preparadoras. Cabe aceitar como válida a informação disponível no sítio dos Correios na internet como sendo data de entrega da correspondência a qual, ao que tudo conduz, trazia em seu bojo o acórdão recorrido, a saber, o dia 14/2/2008. Em conclusão, entendo que deve ser afastado o rigor na contagem dos prazos processuais quando constatado que a dificuldade na sua verificação decorre de responsabilidade atribuível, exclusiva ou predominantemente, às repartições fazendárias envolvidas. Por conseguinte, tempestivo é o recurso, e atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Nulidade. O contribuinte demanda a nulidade da decisão de primeira instância, inicialmente, por não constar, na respectiva intimação de ciência, a menção à alternativa para apresentação do recurso voluntário, "como estabelece o próprio acórdão". Também alega que o acórdão recorrido inovou na fundamentação, utilizando se da menção à dispositivos legais que não constavam do Auto de Infração "e que deveriam constar, já que está sendo exigido o ADA como requisito para a isenção das áreas de preservação permanente". Acrescenta, ainda, que a decisão aludiu a dispositivos normativos editados posteriormente ao período discutido, o ano de 2001. Sem razão o contribuinte nesses pontos. Inconsistente de todo se revela a tese de que é causa de nulidade da decisão a falta de menção, na capa da respectiva intimação, da possibilidade de impetração de recurso, quando o próprio contribuinte admite que tal informação consta expressamente no corpo da própria decisão veiculada; prejuízo algum se verifica, então, salvo se a decisão atacada não tivesse sido sequer lida, o que logicamente não ocorreu no presente caso. Por outro lado, inovação alguma ocorreu em sede recursal no que tange à fundamentação legal, pois a razão de decidir da decisão vergastada foi a mesma da lançamento, qual seja, a falta de apresentação do ADA. A eventual citação de outros dispositivos normativos, conquanto que relacionados a tal motivação, em nada macula a referida decisão. E, se lacuna houve, foi na capitulação legal do lançamento, o que conforme remanso entendimento administrativo, não enseja sua nulidade, quando a descrição dos fatos Fl. 692DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.003108/200516 Acórdão n.º 2802002.999 S2TE02 Fl. 690 7 nele contida é exata, possibilitando ao contribuinte defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. No entanto, tenho que deve prosperar o pedido de declaração de nulidade da decisão da primeira instância em razão da total ausência de manifestação desta quanto ao pedido de perícia formulado, face ao gizado pelo art. 28 do Decreto nº 70.235/72: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. A consulta aos autos permite constatar que o acórdão a quo simplesmente não se referiu ao pedido de perícia formulado, ainda que este tenha consumido mais de quatro páginas da impugnação (fls. 76/80). E, ao contrário do que sói acontecer em casos similares, o impugnante teve a diligência de discorrer sobre as provas que pretendia produzir e indicar os quesitos a serem respondidos pelo perito, apontando, inclusive, assistente técnico. Mister é salientar que não está sob ponderação a necessidade, cabimento ou descabimento do pedido de perícia tal como realizado, mas sim a inexistência nos autos de algo que se aproxime minimamente de uma decisão sobre esse requerimento, restando assim caracterizado o cerceamento de defesa devido ao error in procedendo (erro no procedimento). De fato, a decisão sobre a produção de provas envolve aspectos que influenciam potencialmente a apreciação do mérito da causa, razão pela qual deve ela existir, quando instado o julgador a prolatála, e de maneira devidamente fundamentada, em respeito à garantia geral da motivação das decisões, constante no art. 93, IX da Constituição Federal, aplicável também na seara do contencioso administrativo, por força do inciso V do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 19991. Vejase que, havendo sido apresentadas as razões do indeferimento ou eventual deferimento da perícia demandada, poderia o recorrente ter, considerando os motivos então aduzidos, conduzido sua defesa recursal em sentido talvez diverso do que acabou restando por fazer. Colho os seguintes precedentes administrativos, no sentido do entendimento ora compartilhado: PEDIDO DE PERÍCIA NÃO APRECIADO CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA CONFIGURADO. O fato de no julgamento de primeira instância não haver apreciação de pedido de perícia formulado na peça impugnatória, macula a decisão então proferida, com o vício insanável do cerceamento do direito de defesa. Devendo o 1 Lei 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) Fl. 693DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 julgador ad quem, e sede de preliminar,decretara nulidade do processo a partir do ato viciado. Processo Anulado. (AC. nº 930301.109, j. 29/6/2010) NORMAS PROCESSUAIS NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. APRECIAÇÃO E DECISÃO DE PEDIDO DE PERÍCIA. Apresentada a impugnação, na qual foi requerida perícia, atendidas as exigências do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, quais sejam: a) exposição dos motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e b) o nome, endereço e qualificação profissional do perito indicado, a autoridade monocrática, quando do julgamento de primeira instância, nos termos do artigo 18 do já citado decreto, deverá decidir — deferindo ou indeferindo , expressamente, sobre o pedido de perícia. Se não o faz, cerceia o direito de defesa do contribuinte (Acórdão nº 20173.593, j.23/2/2000) Ante o exposto, voto no sentido DECLARAR A NULIDADE da decisão recorrida, para fins de determinar o retorno dos autos à instância de origem para a devida apreciação do pedido de perícia formulado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 694DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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