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Numero do processo: 10580.911741/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2006 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 41 /2 00 9- 34 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911741/200934 Acórdão n.º 3802003.470 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900644/2009-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 44 /2 00 9- 35 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900644/200935 Acórdão n.º 3801004.221 S3TE01 Fl. 196 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900644/200935 Acórdão n.º 3801004.221 S3TE01 Fl. 197 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.004037/2003-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DUPLICIDADE DE DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS EM OUTROS PROCESSOS. PERDA DE OBJETO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Confirmada a extinção do crédito tributário por meio de sua compensação em outros processos administrativos, com o saldo remanescente incluído em parcelamento por meio de adesão ao Refis, deve-se encerrar o presente processo por perda de objeto.
Numero da decisão: 3803-006.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por carência de objeto.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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CRÉDITOS RECONHECIDOS EM OUTROS PROCESSOS. PERDA DE OBJETO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Confirmada a extinção do crédito tributário por meio de sua compensação em outros processos administrativos, com o saldo remanescente incluído em parcelamento por meio de adesão ao Refis, devese encerrar o presente processo por perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por carência de objeto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 40 37 /2 00 3- 66 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 21/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.004037/200366 Acórdão n.º 3803006.261 S3TE03 Fl. 980 2 Tratase de um segundo retorno dos autos da repartição de origem com o resultado da diligência demandada por meio da Resolução nº 3803000.360, de 22 de outubro de 2013, em que se determinou que o contribuinte fosse cientificado dos resultados da primeira diligência requerida por meio da Resolução nº 380300.049, de 23 de agosto de 2010, desta 3ª Turma Especial. O presente processo originarase da apresentação, em 24 de abril de 2003, de Declaração de Compensação relativa a alegado pagamento a maior da Cofins efetuado em 15/01/2002 e débito da mesma contribuição do período de apuração de outubro de 2002 (fl. 1 a 2). Em 30 de abril de 2003, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal em Recife/PE decidiu pelo indeferimento do pleito em razão da não apresentação de qualquer argumento ou documento que demonstrasse a existência do crédito alegado (fls. 29 a 30). Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 33 a 73) acompanhada de cópias de DCTFs e DARFs para comprovar o pagamento da Cofins efetuado a maior que o devido, tendo por base o conteúdo da Solução de Consulta SRRF/4ª RF/DISIT n° 5/2003. Submetidos os autos à apreciação da Fiscalização, esta procedeu à juntada de Relatório de Informação Fiscal elaborado no âmbito do processo administrativo n° 10480.001708/200256, que, no entender dos auditoresfiscais, conteria os elementos necessários e suficientes para a análise pretendida neste processo. Na ocasião, juntouse aos autos o Pedido de Ressarcimento ou Restituição acompanhado de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) relativo ao mesmo crédito originalmente declarado neste processo, em que o contribuinte pretendia extinguir, também, débitos da contribuição devidos em maio de 2003 (fls. 87 a 92). A par dessas informações, a Delegacia da Receita Federal em Recife/PE reconheceu o direito creditório do contribuinte relativo ao período de apuração de dezembro de 2001 e homologou parcialmente a compensação efetuada, remanescendo saldo de débito relativo ao mês de maio de 2003, no montante de R$ 703.359,17 (fls. 106 a 108). Irresignado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 137 a 216) e requereu a homologação da compensação pleiteada, alegando que teria havido erro no preenchimento do PER/DCOMP e que a correta vinculação do débito da Cofins de maio de 2003 seria com pagamentos a maior da competência de setembro de 2002 e com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, em razão do que procedera à entrega de DCTF retificadora. Ressaltou, na ocasião, que a retificação não implicaria alteração do valor devido, mas apenas correção da indicação da origem do crédito compensado, tratandose, portanto, de erro material devidamente comprovado. A DRJ Recife/PE indeferiu a solicitação (fls. 218 a 225), considerando que as declarações de compensação apresentadas pelo então Impugnante não poderiam ser retificadas após a decisão administrativa que as haviam apreciado, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 432/2004. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 21/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.004037/200366 Acórdão n.º 3803006.261 S3TE03 Fl. 981 3 Não se conformando com a decisão, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 230 a 260), requereu a declaração de improcedência da exigência fiscal e reafirmou o seu direito à retificação das declarações por erro de preenchimento, que, segundo ele, em nada prejudicaria o Tesouro Nacional, por se referir a crédito efetivamente existente. Salientou, na ocasião, que não poderia ser penalizado em face da exigência de débito devidamente extinto por prescrição, o que agrediria o preceito da moralidade pública, e que os princípios da verdade material e da legalidade deveriam prevalecer diante do fato constatado de efetiva existência do crédito objeto do presente processo. Em 8 de outubro de 2008, o Recorrente trouxe novos elementos aos autos (fls. 263 a 273) – Relatório de Informação Fiscal datado de 26/09/2007 e Despacho Decisório exarado em 16/06/2008 –, que, no seu entender, deveriam ser recepcionados por terem sido elaborados em datas posteriores à interposição do Recurso Voluntário, e requereu a análise das informações que, segundo ele, demonstravam a inexistência do saldo a recolher então exigido. Considerando as novas informações trazidas aos autos pelo Recorrente, em 23 de agosto de 2010, esta 3ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 380300.049, decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se esclarecessem os seguintes pontos: a) confirmasse se o Relatório de Informação Fiscal presente às fls. 267 a 271 era cópia fiel do original e, em caso positivo, se as conclusões fiscais quanto à compensação de que trata foram reconhecidas e, consequentemente, homologadas pela autoridade administrativa competente; b) confirmasse se o Despacho Decisório constante de fls. 272 a 273 era cópia fiel do original e, em caso positivo, informasse o saldo do débito remanescente discutido neste processo que tivesse restado não compensado; c) elaborasse planilha demonstrando de forma conclusiva as compensações efetivamente reconhecidas e/ou homologadas e as parcelas remanescentes que deveriam ser objeto de cobrança administrativa; d) apresentasse outras informações que porventura pudessem colaborar com o deslinde da controvérsia. Por meio do Termo de Informação Fiscal presente às fls. 294 a 295, a autoridade administrativa informou o seguinte: a) em consulta ao sistema SIEF da Receita Federal, constatouse que, nos autos do processo nº 19647.006043/200625, havia sido homologada integralmente a compensação de um débito da Cofins, relativo ao período de apuração de maio de 2003, no valor original de R$ 253.420,86, declarado por meio do PER/DCOMP n° 39044.62533.091204.1.7.026010, apresentado em 09/12/2004 (fls. 284); b) também fora homologada integralmente a compensação de um débito da Cofins, relativo ao período de apuração de junho de 2003, no valor original de R$ 1.140.910,50, declarado por meio do PER/DCOMP n° 11062.58698.151204.1.7.023635, apresentado em 15/12/2004 , (fls. 285); Fl. 981DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 21/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.004037/200366 Acórdão n.º 3803006.261 S3TE03 Fl. 982 4 c) foi homologada parcialmente a compensação de um débito da Cofins, relativo ao período de apuração de novembro de 2004, no valor original de R$ 1.428.139,48, declarado no PER/DCOMP n° 28061.09245.150205.1.7.020714, apresentado em 15/02/2005, remanescendo um saldo devedor de R$ 601.235,26 (fls. 286 e 287); d) a compensação de um débito da Cofins, relativa ao período de apuração de maio de 2003, no valor original de R$ 449.938,29, declarada no PER/DCOMP n° 04455.89705.091204.1.3.041632, apresentado em 09/12/2004, foi homologada parcialmente, remanescendo um saldo devedor no valor original de R$ 74.555,45; e) o contribuinte não poderia ter apresentado os PER/DCOMPs retificadores para compensar o débito que já havia sido objeto de compensação não homologada, nos termos do inciso V, do § 3° do art. 74 da Lei no 9.430/96. Uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida, os débitos da Cofins do período de apuração de maio de 2003 declarados nos novos PER/DCOMPs, nos valores de R$ 253.420,86 e R$ 449.938,29, foram tratados como débitos novos, o que justificara a sua apreciação. Em cumprimento à diligência demandada por meio da Resolução nº 3803 000.360, de 22 de outubro de 2013, o contribuinte foi cientificado dos resultados da primeira diligência e requereu a extinção do presente processo, trazendo aos autos cópia de pedido de desistência parcial do seu Recurso Voluntário, pelo fato de ter aderido parcialmente ao Refis (Lei nº 12.865, de 2013), no que tange ao saldo devedor de maio de 2003 que restou não compensado após a homologação parcial da compensação declarada (R$ 74.555,45). Trouxe, também, aos autos, cópia do acórdão nº 1131.045, de 16 de setembro de 2010, em que a 2ª Turma da DRJ Recife/PE, ao analisar as compensações efetuadas pelo Recorrente no âmbito do processo administrativo nº 10480.903630/200800, destacou que, diante da duplicidade de cobrança do valor da contribuição devida no mês de maio de 2003, o débito de R$ 74.555,45 que restou não compensado devia ser excluído daquele processo, de nº 10480.903630/200800, para permanecer controvertido apenas neste processo, de nº 10480.004037/200366. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, a autoridade administrativa apresentou as respostas a todos os questionamentos formulados por esta Turma na Resolução 380300.049, de 23 de agosto de 2010, do que se concluiu, em síntese, que os novos PER/DCOMPs, apesar de terem sido apreciados pela repartição de origem, não poderiam ter sido apresentados para se compensar débito que já havia sido objeto de compensação não homologada. Justificouse a autoridade administrativa com o argumento de que, por constituir a declaração de compensação confissão de dívida, os débitos da Cofins do período de apuração de maio de 2003, informados nos novos PER/DCOMPs, nos valores de R$ 253.420,86 e R$ 449.938,29, foram então considerados débitos novos, o que acarretou a sua apreciação. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 21/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10480.004037/200366 Acórdão n.º 3803006.261 S3TE03 Fl. 983 5 Constatase, também, dos resultados da diligência, que o débito da Cofins de maio de 2003, que havia subsistido até a segunda instância deste processo, veio a ser extinto por compensação apenas parcialmente, remanescendo saldo devedor no valor original de R$ 74.555,45. Essas conclusões da repartição de origem coincidem com aquelas exaradas pela DRJ Recife/PE, no âmbito do processo nº 10480.903630/200800, que, conforme acima relatado, concluíra pela subsistência, neste processo, apenas da parcela de R$ 74.555,45 do débito devido em maio de 2003, considerando que o restante do débito do período já havia sido extinto por homologação naquele processo. Considerando esse valor de R$ 74.555,45 que remanesceu controvertido nestes autos, conforme informação prestada pela autoridade administrativa de origem, e o pedido do Recorrente de desistência parcial do recurso, em razão de sua adesão ao Refis (Lei nº 12.865, de 2013), relativamente ao mesmo valor, temse que nenhuma compensação remanesce em aberto neste processo. Destaquese que, no Recurso Voluntário, o contribuinte já havia informado que declarara incorretamente no PER/DCOMP a origem do crédito que se pretendia utilizar na extinção do débito da Cofins devida em maio de 2003, crédito esse constituído de indébito de setembro de 2003 e saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, cujos valores foram analisados pela autoridade administrativa em outros processos, remanescendo não compensado o referido débito de R$ 74.555,45. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perda do seu objeto, dada a análise do direito creditório no bojo de outros processos administrativos, com o saldo remanescente submetido a parcelamento (Refis). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 983DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 21/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720628/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles de Aguiar (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles de Aguiar (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles de Aguiar (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Gustavo Lian Haddad. RELATÓRIO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$177.130,29, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 62 8/ 20 09 -4 1 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720628/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.132 S2C2T1 Fl. 242 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20 de 08 de setembro de 2003. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Fl. 244DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720628/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.132 S2C2T1 Fl. 243 3 Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte ” Cientificada da decisão de primeira instância em 18/04/2011 (“AR” fls. 132), a contribuinte interpôs, em 02/05/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 133/200, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720628/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.132 S2C2T1 Fl. 244 4 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720628/200941 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.132 S2C2T1 Fl. 245 5 Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 247DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.004346/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4°, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que há a antecipação do tributo devido, o prazo decadencial é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN. Precedentes.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando existente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 1 art. 150, § 4°, do CTN. Precedentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO. NULIDADE. Em caso de conta conjunta, é obrigatória a intimação de todos os correntistas ainda em fase de fiscalização para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade da autuação. Súmula 29 CARF.
Numero da decisão: 2202-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILOBANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência no ano calendário 2002, para o item 01 do Auto de Infração, omissão de ganho de capital. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$197.607,82, R$59.500,00 e R$ 123.134,66, relativos aos anos calendários 2003, 2004 e 2005, respectivamente
(Assinado Digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e redator designado.
(Assinado Digitalmente)
RELATOR FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 05/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4˚, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que há a antecipação do tributo devido, o prazo decadencial é regido pelo art. 150, § 4˚, do CTN. Precedentes. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando existente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 1 art. 150, § 4˚, do CTN. Precedentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO. NULIDADE. Em caso de conta conjunta, é obrigatória a intimação de todos os correntistas ainda em fase de fiscalização para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade da autuação. Súmula 29 CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 43 46 /2 00 8- 57 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILOBANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT (Relator), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência no ano calendário 2002, para o item 01 do Auto de Infração, omissão de ganho de capital. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$197.607,82, R$59.500,00 e R$ 123.134,66, relativos aos anos calendários 2003, 2004 e 2005, respectivamente (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente e redator designado. (Assinado Digitalmente) RELATOR FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 05/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins, Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite e Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de auto de infração (fl. 100/106), no qual foi averiguado o Imposto de renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2003 e 2004, constituído em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos nos anoscalendário de 2003 e 2004, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 590.915,48, já incluídos juros de mora e multa. Na ocasião foi relatado em Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte apresentou regularmente as Declarações de Ajuste Anual DAA do Imposto de Renda relativas ao período verificado, nas quais o principal rendimento consignado é o decorrente da atividade de servidor público estadual e, ainda, das inúmeras operações imobiliárias e transações bancárias, em que se verificou ganho de capital. Da apreciação das informações prestadas e da documentação apresentada pelo recorrente, entendeu a administração pública (fls. 92/94), literalmente: “Análise: Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 29 3 Operações imobiliárias: Consta no ano de 2002 o registro da seguinte transação imobiliária: Lote 02, quadra 34 do loteamento Parque Residencial Aquarius, em S. José dos CamposSP. Conforme escritura apresentada pelo fiscalizado, o imóvel acima, adquirido em 03/03/99por 44.314,25, foi vendido em 19/12/02 a Selym Leime Filho — CPF 351.367.826/68 por R$280.000,00. Foi alegado um gasto em benfeitorias feitas no imóvel no total de R$ 220.685,75, valor este que, acrescido ao valor de aquisição de R$ 44.314,25, resultou em um valor de custo de R$ 265.000,00 para fins de apuração do lucro imobiliário, sendo calculado um ganho de capital de R$ 15.000,00. Entretanto, não foi feita comprovação dos gastos alegados e, conforme se verificado no supracitado documento, não há benfeitorias averbadas por ocasião da venda. Assim sendo, tal valor foi desconsiderado por falta de comprovação, com a conseqüente reconstituição do ganho de capital e o lançamento da diferença de imposto de renda das pessoas físicas incidente na transação. Na reconstituição, foi considerado o pagamento de R$ 1.275,97 – código de receita 4600, constante dos arquivos magnéticos deste Órgão. As datas de recebimento e os valores recebidos foram os constantes do documento de compra e venda, a saber: Em 19/12/02: valor recebido = R$ 159.000,00 Em 28/02/03: valor recebido = R$ 121.000,00 Os dados refeitos constam dos demonstrativos de Apuração dos Ganhos de Capital nºs1 e 2, integrantes deste Termo. Depósitos bancários Foi analisada a movimentação bancária do fiscalizado no período de 2003 2005, com base nos extratos de contas fornecidos por ele e pelos bancos em atendimento as Requisições de Movimentação Financeira – RMF enviadas. Foi feita a conciliação de débitos e créditos entre contas e excluídos os créditos/depósitos identificados como decorrentes de rendimentos do trabalho, resgate de aplicações financeiras, estorno de lançamentos, cheques devolvidos, empréstimos e transferência entre contas. Os valores creditados remanescentes após a conciliação foram apresentadas ao fiscalizado, com intimação para comprovação da origem mediante documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430 de, de 27/12/1996. Da análise da documentação encaminhada em resposta conclui se pela não comprovação da origem/motivação dos créditos especificados no Demonstrativo nº 3. Caracterização dos rendimentos omitidos, especificados no Demonstrativo nº 3: BANCO DO BRASIL conta 27.4410 Todos os depósitos: alegação não comprovada de rendimentos da atividade de produtor rural. BANCO DO BRASIL— conta 6.31815 Todos os depósitos: alegação não comprovada de rendimentos da atividade de produtor rural. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 BANCO DO BRASIL— conta 15.4199 Depósito de R$ 36.000,00 em 13.02.03: alegação não comprovada de empréstimo tomado da empresa Fanex Comércio de Vestuário Ltda. Demais depósitos desta conta: alegação não comprovada de rendimentos da atividade de produtor rural. BANESPA conta 010505582 Depósito de R$ 20.000,00 em 03.11.05: alegação não comprovada de empréstimo tomado da empresa Avanti Carpet Indústria Têxtil Ltda. Demais depósitos desta conta: alegação não comprovada de rendimentos da atividade de produtor rural. Conclusão: Demonstrada assim a omissão de rendimentos representados pelos valores relacionados, bem como justificada a glosa do valor referente a benfeitorias no imóvel vendido em 19/12/02, cabe neste ato o lançamento de ofício do imposto de renda das pessoas físicas que deixou de ser lançado, calculado conforme os Demonstrativos anexos integrantes do presente Termo. A inclusão de valores a título de benfeitorias feitas no imóvel objeto de venda sem a comprovação de sua efetiva realização revela a intenção de reduzir indevidamente o montante do imposto de renda incidente na transação e evidencia, em tese, a ocorrência de crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, inciso I, e no art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, pelo que será formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Portaria SRF nº 665, de 24/03/08, observado o disposto em seu art. 3º e § único. Em razão dos valores envolvidos, caberá ainda a formalização de processo de Arrolamento de Bens, nos termos da Lei nº 9.532, de 10/12/97 e IN/SRF nº 264, de 20/12/02. Obs: O contribuinte encaminhou em 16/10/08 pedido de concessão de prazo para apresentação de documentação adicional, o qual foi desconsiderado, tendo em vista o tempo transcorrido da data de início da presente ação fiscal, os prazos já concedidos e por se tratar de solicitação intempestiva.” O Termo de Verificação Fiscal veio acompanhado da seguinte documentação: a) demonstrativo de apuração do IRPF (fl. 95/98); e b) demonstrativo de multa e juros de mora (fl. 99). AC 2.003 AC 2.004 AC 2.005 Janeiro 40.500,00 Janeiro 35.000,00 Março 25.3000,00 Fevereiro 52.289,93 Março 84.000,00 Abril 45.000,00 Março 2.000,00 Julho 10.000,00 Maio 28.864,01 Maio 24.350,00 Junho 77.255,33 Junho 30.000,00 Julho 20.000,00 Julho 70.000,00 Agosto 4.000,00 Agosto 70.865,64 Setembro 12.000,00 Setembro 1110.5000,00 Outubro 3.350,00 Novembro 20.000,00 Dezembro 10.5000,00 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 30 5 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado, em 27/09/2007, para apresentar os seguintes documentos exigidos pela SRF: “a) Cópia autenticada do documento de identidade. b) Comprovantes relativos às Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF): elementos comprobatórios das alterações patrimoniais registradas na DIRPF do exercício de 2003, a saber: Planilha de cálculo da apuração dos ganhos de capital, demonstrando os valores de alienação e os componentes do custo de aquisição dos bens móveis e imóveis alienados no anocalendário de 2002; Documentação comprobatória dos valores supramencionados, tais como recibos e notasfiscais de compra de materiais e de prestação de serviços. c) Extratos bancários demonstrativos da movimentação financeira do contribuinte nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005.” O recorrente requereu a prorrogação do prazo, a qual foi deferida. A seguir respondeu à intimação fiscal apresentando: a) quadro de demonstrativo do ganho de capital, auferido nas alienações de imóveis realizadas em 2002 (fl. 11); b) histórico de origens de recursos datada de 31/12/02 (fls. 12/13); c) Escritura de Compra e Venda (fl. 14), d) matrícula do imóvel nº 123.500 (fl. 18/19; 22/23); e) guia de recolhimento do ITBI (fl.20); f) certidão do registro de imóveis (fl. 21). Em novo Termo de Intimação Fiscal (fl. 22), ficou o contribuinte intimado em 07/04/2008, para comprovar, com documentação hábil, idônea e coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias relacionadas na planilha anexa às fls. 30/31. Em resposta, em 02/06/2008, o recorrente apresentou informações detalhando a origem dos valores (fls. 33/34) acostando documentação1 (fls. 35/46). Não satisfeita, a Fazenda (fl. 47) intimou o contribuinte para que prestasse esclarecimentos adicionais, ipsis litteris: “Ref: Depósitos efetuados no Banco do Brasil a) conta 27.4410; período: 22.03.05 a 07.12.05: Comprovar documentalmente a natureza das importâncias de R$ 10.000,00 e R$45.000,00, alegadas como provenientes da empresa Bahiana Agropecuária Ltda. b) conta 6.31815; período: 21.02.03 a 22.07.04: Comprovar documentalmente a natureza das importâncias de R$ 5.289,93 e R$ 10.000,00, alegadas como provenientes da empresa Bahiana Agropecuária Ltda. c) conta 15.4199; período: 08.01.03 a 18.09.03: Comprovar documentalmente a operação de empréstimo de R$ 36.000,00, declarado como obtido da empresa Fanex Comércio de Vestuário Ltda; Comprovar documentalmente o recebimento de R$ 100.000,00 relativo à transação imobiliária mencionada (venda da Fazenda Renata); Comprovar documentalmente o recebimento de R$ 84.072,15 relativo à transação imobiliária mencionada (venda do imóvel de São José dos Campos); Comprovar documentalmente o resultado da atividade de produtor rural mencionada como a origem de diversos valores depositados; 1 informe de compensação de cheque; comprovante de depósito em conta corrente em cheque; transferências bancárias; extrato do banco Banespa (dez/2005) Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Ref: Depósitos efetuados no Banespa d) conta 010505582; período: 13.02.03 a 14.12.05: Comprovar documentalmente os recebimentos de R$ 280.000,00 e R$ 300.000,00relativos à transação imobiliária mencionada (venda do imóvel de Santana de Parnaíba); Comprovar documentalmente a operação de empréstimo de R$ 20.000,000 em 3.11.05; Comprovar documentalmente o recebimento de R$ 215.000,00 relativo à transação imobiliária mencionada (venda do imóvel de São Paulo).” Cumprindo com o exigido, o recorrente peticionou (fls. 52/53), trazendo documentação2 (fls.54/81). Disse literalmente: “ITEM a BANCO DO BRASIL conta 27.4410 Os depósitos indicados no item acima, efetuados no período de 22.03.05 a 07.12.05, no montante geral de R$ 55.000,00 (cinqüenta e cinco mil reais), são provenientes da empresa BAHIANA AGROPECUÁRIA LTDA., CNPJ (MF) 05.458.470/000117, a saber: 1 O depósito de R$ 10.000,00 (dez mil reais) foi realizado via TED, conforme cópia do Banco do Brasil (doc. 1, anexo transferência da conta da BAHIANA para a conta do requerente) 2 O depósito de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), na realidade é a somatória de vários depósitos menores, sendo (a) 12 deles de R$ 2.500,00; (b) 2 de R$ 2.000,00; (c) 2 de R$ 3.000,00 e (d) 1 de R$ 5.000,00; foram em moeda corrente nacional. ITEM b BANCO DO BRASIL conta 6.31815 Os depósitos indicados no item acima, efetuados no dia 21.02.03, no valor de R$ 5.289,93 (cinco mil e duzentos e oitenta e nove reais e noventa e três centavos), e no dia 22.07.04, no montante geral de R$ 10.000,00 (dez mil reais), também são provenientes da empresa BAHIANA AGROPECUÁRIA LTDA., CNPJ (MF) 05.458.470/000117, em moeda corrente nacional. ITEM c BANCO DO BRASIL conta 15.4199 13.02.03 — R$ 36.000,00 — Empréstimo da Fanex Comércio de Vestuário Ltda., empresa do cônjuge do declarante, conforme cópia da TED do Banco do Brasil, encaminhado no atendimento da intimação anterior; 30.04.03 — R$ 100.000,00 — Parcela recebida de Lauro Dieringf referente venda feita a ele da Fazenda Renata, transação também informada em sua declaração. O comprador depositou na conta do declarante n. 34266, na agência do Banco do Brasil em Dourados, MS, que por sua vez transferiu dito valor para a conta deste item. O esclarecimento a este item e o documento probatório foi encaminhado atendimento da intimação anterior (doc. Anexo); 10.06.03 — R$ 84.072,15 — Recebido de Selym Leimef Filho parcela do imóvel de São José dos Campos que lhe foi feita, transação essa também informada é em sua declaração. O comprador efetuou o depósito na conta do declarante n. 34266, na agência do Banco do Brasil em Dourados, MS, que por sua vez transferiu dito valor para a conta deste item. Este esclarecimento também foi feito no atendimento à intimação anterior e bem assim juntando o documento correspondente (doc. Anexo). Ref: Depósitos efetuados no Banespa ITEM d BANESPA conta 010505582 05.06.05 — R$ 280.000,00 — Valor referente à venda do imóvel sito em Santana de Parnaíba, SP, feita a Nicolau Antonio Marmo, transação esta informada em sua declaração do I. de Renda, conforme TED do Banespa (doc. anexo); 01.07.05 — R$ 300.000,00— Valor referente à venda do imóvel sito em Santana de Parnaíba, SP, feita a Nicolau Antonio Marmo, transação esta informada em sua declaração do I. de Renda, conforme TED do Banespa (doc. anexo); 03.11.05 — R$ 20.000,00 — Empréstimo tomado junto ao Sr. Luiz Carlos de Carvalho Braga, feito ao declarante via empresa do mutuante, conforme TED do Banespa (doc. anexo); 14.12.05 — R$ 215.000,00— Parcela recebida de Joaquim Antonio dos Santos, referente venda do imóvel de São Paulo, SP, transação esta informada em sua declaração do I Renda, conforme TED do Banespa (doc. anexo).”. 2 Transferência bancária; escritura de venda e compra do imóvel Parque residencial Aquarius; comprovantes de depósitos em conta corrente em dinheiro; DAA’s (2003/2006) Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 31 7 Às fls. 82/83, em Termo de Constatação e Notificação, o Auditor Fiscal da RFB, em análise a documentação acostada, conclui que as transações bancárias: a) Banco do Brasil conta 27.4410 Depósitos de R$ 10.000,00 e R$ 45.000,00, alegados como provenientes da empresa Bahiana Agropecuária Ltda; b) Banco do Brasil conta 6.31815; período: 21.02.03 a 22.07.04: Depósitos de R$ 5.289,93 e R$ 10.000,00, alegados como provenientes da empresa Bahiana Agropecuária Ltda; c) Banco do Brasil – conta 15.4199: Depósito de R$ 36.000,00, declarado como empréstimo obtido de empresa Fanex Comércio de Vestuário Ltda; d) Banespa – conta 010505582: Depósito de R$20.000,00, declarado como empréstimo obtido da empresa Avanti Carpet Indústria Têxtil Ltda;e) Resultado da atividade de produtor rural mencionada como a origem de diversos valores depositados; f) valores das benfeitorias alegadas como realizadas no imóvel situado no lote 02, quadra 34 do loteamento Parque Residencial Aquarius, em S. José dos Campos – SP, vendido em 19/02/2002, não tiveram sua origem e/ou motivação suficientemente esclarecidas. Diante disso, não tendo o recorrente comprovado documentalmente as suas alegações, lavrouse auto de infração, justificando seus motivos em Termo de Verificação Fiscal (fls. 92/94). Impugnação Notificado do lançamento fiscal em 07/11/2008 (fl. 114), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 117/249), juntando vasta documentação. Aduziu em síntese: a) a nulidade do auto de infração, pois o autuante não teria observado que o crédito tributário em discussão (rendimentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada), deve ser apurado mensalmente nos termos do art. 42 e parágrafos da Lei n. 9.430, de 27/12/96; b) a decadência do crédito tributário constituído em razão da omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários apurado nos meses de Janeiro à Setembro, já que a ciência do auto de infração lavrado em 04/11/ 2008 se deu em 07/11/2008, conforme o expresso no § 1º do art. 42, da Lei 9.430/96; c) a decadência do crédito tributário sobre o ganho de capital apurado em 19 de dezembro de 2002 e 28 de fevereiro de 2003, em obediência ao art. 21, §§ 1º e 2º (Seção IV do Capítulo II) da Lei nº 8.981/95, d) a ilegalidade da quebra de sigilo bancário por parte do fisco, em vista a afronta do seu direito fundamental ao sigilo; e) a ilegalidade do lançamento com base exclusiva em depósitos bancários; f) que o auto de infração não deixa dúvida que o arbitramento não fez o comparativo de cálculos entre a renda comprovadamente consumida (investigação comprobatória de sinais exteriores de riqueza através de gastos comprovados levados a efeito pelo sujeito passivo) e o arbitramento com base nos valores de depósitos bancários tomados para o lançamento, devendo ser declarada a improcedência do auto de infração no que cerca a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, referente aos AnosCalendário de 2003, 2004 e 2005, visto não restarem comprovadas as supostas omissões de receita, e, inclusive, por ter ficado Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 evidenciado que os ditos depósitos não tiveram qualquer reflexo na composição de seu patrimônio pessoal; g) que no curso da auditoria fiscal foram cabalmente demonstradas e comprovadas às origens dos recursos movimentados em suas contas bancárias, devendo ser afastada a exigência fiscal que constituiu o crédito tributário por omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; h) que a omissão de rendimentos decorre de depósitos bancários das contas conjuntas que mantém com a sua cônjuge, Sra. Edinoeme dos Santos Sater, sendo que em nenhum momento sua esposa foi chamada a esclarecer os supostos valores omitidos, tendo sido desrespeitado o dispositivo do art. 42, § 6º da Lei 9.430/96. A respeito do ponto colacionou decisões das DRJ’s, bem como do extinto Conselho dos Contribuintes; i) que conforme comprovado na fase instrutória do procedimento administrativo fiscal, afora os rendimentos provenientes da sua atividade funcional junto a SEFAZ/SP, obteve proventos oriundos da atividade rural, segundo suas declarações de ajuste anual. Por esse motivo, os valores no montante de R$ 473.4593,48 e 495.332,84, referentes aos anos calendários 2002 e 2003, respectivamente, integram a sua movimentação bancária; j) que a fiscalização imputou ao impugnante multa agravada de 150% sem qualquer justificativa plausível e fundamentada, podendo verificar as alegações no TVF; k) a respeito dos juros moratórios, da suspensão de sua incidência e exigibilidade no curso do contencioso administrativo fiscal, sustenta serem inconcebíveis os juros cobrados com bases na SELIC, posto que o artigo 161 do CTN estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Portanto, a SELIC assume caráter manifestamente confiscatório. Decisão da DRJ A 7ª Turma da DRJSPO II, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência do lançamento de ganho de capital; por unanimidade de votos, rejeitou as demais preliminares suscitadas e, no mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento, tão somente, para dividir o valor da autuação referente à omissão decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada, em vista da titularidade conjunta das contas correntes do autuado com a sua cônjuge. (fls. 325/363). O referido vem bem elucidado na ementa que segue: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se presentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 32 9 IRPF. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1989, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser exigido, mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo auferidos. O imposto assim apurado, contudo, desde a edição da Lei n° 8.134, de 1990, não é definitivo, sendo mera antecipação, tendo em vista a obrigatoriedade de ser procedido ao ajuste anual, pelo qual será determinado o imposto efetivamente devido pelo contribuinte no anocalendário, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. DECADÊNCIA. Como regra geral, o direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extinguese em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. PROVAS ILÍCITAS. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Comprovado que a conta bancária é de titularidade conjunta, fato não considerado quando do lançamento, os valores cuja origem não foi justificada devem ser divididos pelo número de titulares. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, são apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária, e tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. LEGALIDADE / CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, de qualquer instância, é impedido o exame da ilegalidade e da inconstitucionalidade da legislação tributária, haja vista ser a matéria de análise reservada, exclusivamente, ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.” Recurso Voluntário O recorrente foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 14/05/2009, tendo interposto recurso voluntário em 10/06/2009 (fls. 372/436), repisando os argumentos anteriormente esgrimados, requerendo, in verbis: a) se acolha a preliminar de nulidade do Auto de Infração por não ter sido observado pela autoridade fiscal autuante, que a apuração do imposto de renda devido em decorrência de suposta omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário de origem não comprovada, deve ser mensal e não anual conforme consta na autuação ora recorrida; b) se acolha a preliminar de decadência tornando insubsistente a exigência do crédito tributário constituído com base nos fatos gerador e socorridos nos meses de Dezembro de 2002 e Fevereiro de 2003, no que se refere ao suposto ganho de capital e Janeiro, Fevereiro, Março, Maio, Junho, Julho, Agosto e Setembro de 2003, no que pertine à suposta omissão de rendimentos decorrente de depósito bancário de origem não comprovada itens 001 e 002 do Auto de Infração; c) seja afastada a multa qualificada imposta sobre crédito tributário constituído com base em suposto ganho de capital nos meses de Dezembro de 2002 e Fevereiro de 2003, se acolha, no mérito, todas as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial recursal e se declare a improcedência dos valores mantidos pela autoridade julgadora de 1ª Instância, por estar fundado em bases inconsistentes e insustentáveis, conforme provado; d) se afaste a imputação dos juros moratórios incidentes calculados com base na Taxa SELIC, ou se mantido, e) não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização da impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa Sobrestamento Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 33 11 O processo em análise foi sobrestado em decorrência da regra do § 1º do art. 62A do RICARF, que permitia o sobrestamento dos julgamentos dos recursos que versam sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida no STF, sendo que a questão pertinente à obtenção de informações financeiras junto às instituições, caso dos autos, é objeto de Recurso Extraordinário nº 601.314 nessa condição. Na Resolução em que se determinou o sobrestamento do feito, referiuse que a administração tributária se valeu de RMF, como ela própria admite (fl. 93): “Foi analisada a movimentação bancária do fiscalizado no período de 20032005, com base nos extratos de contas fornecidos por ele e pelos bancos em atendimento as Requisições de Movimentação Financeira – RMF enviadas.”. Todavia, em 18 de novembro de 2013, foi revogada a regra do § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, pela Portaria MF nº 545/2013, extinguindo a possibilidade de sobrestamento dos julgamentos nas condições antes referidas. Diante disso, e, tendo em vista o retorno dos autos à minha relatoria, é que passo à análise dos pontos levantados no recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Obtenção de Provas RMF O recorrente insurgiuse quanto à quebra de sigilo bancário pela fiscalização, requerendo a nulidade do auto de infração. Diante disso, passase à analise do ponto. O sigilo bancário tem sido tratado pelo STF e pelo STJ como assunto sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos3. Corroborando, vejase o julgado do STF (RE 219.780), em que o sigilo bancário foi considerado garantia constitucionalmente estabelecida. Do referido precedente, leiase: “O sigilo bancário protege interesses privados. É ele espécie de direito à privacidade inerente à personalidade das pessoas e que a Constituição consagra (CF, art. 5º, X)”. Mais especificamente, o assento constitucional da garantia de sigilo bancário se encontra nos incisos X e XII da CF, segundo os quais “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” e “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”. De fato, sua interpretação conjunta 3 Mendes, Gilmar. Curso de Direito constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 323 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 conduz à conclusão de que o sigilo dos dados bancários está sujeito à proteção da vida privada dos indivíduos4. Em sendo assim, temos que o sigilo bancário, a par de possuir assento constitucional, é entendido como um direito e garantia fundamental, o que impõe a adoção de exegética que lhe outorgue a maior eficácia possível, conforme bem ensina Canotilho5 quando, ao tratar sobre a correlação entre o princípio da máxima efetividade e os direitos fundamentais, assevera: “Este princípio, também designado por princípio da eficiência ou princípio da interpretação efectiva, pode ser formulado da seguinte maneira: a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe dê. É um princípio operativo em relação a todas e quaisquer normas constitucionais, e embora a sua origem esteja ligada à tese da atualidade das normas programáticas (Thoma), é hoje sobretudo invocado no âmbito dos direitos fundamentais (no caso de dúvidas deve preferirse a interpretação que reconheça maior eficácia aos direitos fundamentais)”. A hermenêutica da LC nº105, art. 6º, portanto, deve se dar à luz destas normas que lhe são hierarquicamente superiores, para o efeito de se verificar sua compatibilidade ou incompatibilidade com a Carta. No ponto, a tradição doutrinária e jurisprudencial da hermenêutica constitucional determina que a declaração de inconstitucionalidade seja reservada às situações extremas, em que seja impossível compatibilizarse o texto legislativo com as garantias postas na Carta. As leis, ordinariamente, presumemse constitucionais e devem ser aplicadas e respeitadas por todos. A inconstitucionalidade é exceção, já que induz à insegurança e à instabilidade do sistema, além da própria perda de credibilidade dos atos do Poder Legislativo. É o entendimento que se percebe ao ler a jurisprudência do Tribunal Constitucional Alemão. Vejase: Uma lei não deve ser declarada nula se for possível interpretála de forma compatível com a constituição, pois devese pressupor não somente que uma lei seja compatível com a constituição mas também que essa presunção expressa o princípio segundo o qual, em caso de dúvida, deve ser feita uma interpretação conforme a constituição.6 Justamente por esta circunstância é que se desenvolveu o princípio da interpretação conforme, que objetiva “salvar” da inconstitucionalidade todo e qualquer texto legal, sempre que se possa vislumbrar no mesmo um sentido possível, compatível com a Constituição. Canotilho bem demonstra que “diante das normas plurissignificativas ou polissêmicas, devese preferir a interpretação que mais se aproxime das diretrizes constitucionais, e, portanto não seja contrária ao texto constitucional, de onde surgem várias dimensões a serem consideradas, seja pela doutrina ou jurisprudência”. Em tais circunstâncias, o autor7 aponta as dimensões a serem consideradas no âmbito da interpretação conforme: a) prevalência da constituição: devese preferir a interpretação não contrária à Constituição; 4 Mendes, Gilmar. Curso de Direito Constitucional, 2011, ed. 6ª, pg. 3234. 5 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional. 5. ed. Coimbra: Almedina, 1991. p. 162 6 Bverfge 2, 266 (282) – Tradução livre 7 J. J. G. Canotilho. Direito Constitucional e teoria da Constituição., 6., ed. p. 229230, apud Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado., 16., ed. p. 158159. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 34 13 b) conservação de normas: percebendo o intérprete que uma lei pode ser interpretada em conformidade com a constituição, ele deve assim aplicala para evitar a sua não continuidade; c) exclusão da interpretação contra legem: o intérprete não pode contrariar o texto literal e sentido da norma para obter a sua concordância com a Constituição; d) espaço de interpretação: só se admite a interpretação conforme a Constituição se existir um espaço de decisão e, dentre as várias que se chegar, deverá ser aplicada aquela em conformidade com a Constituição; e) rejeição ou não aplicação de normas inconstitucionais: uma vez realizada a intepretação da norma, pelos vários métodos, se o juiz chegar a um resultado contrário à constituição, em realidade, deverá declarar a inconstitucionalidade da norma, proibindo a sua correção contra a Constituição; f) o intérprete não pode atuar como legislador positivo: não se aceita a interpretação conforme a Constituição quando, pelo processo hermenêutico, se obtiver uma regra nova e distinta daquela objetivada pelo legislador e com ela contraditória, seja em seu sentido literal ou objetivo. Devese, portanto afastar qualquer interpretação em contradição com os objetivos pretendidos pelo legislador. Adentrando à análise do art. 6º da LC nº105, temos que o mesmo dispõe: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ao interpretar o texto do art. 6º da LC nº105, assim como a lei nº 9.311/96 e o D. nº3724/01, o Min. Marco Aurélio entendeu por conferirlhes interpretação conforme, com o intento de outorgar aos dispositivos o ÚNICO sentido que os compatibilizasse com a Constituição. Nesse sentido, deixou claro que nenhum dos textos citados dispensa a obtenção de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário: “Assentado que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que potencialize o objetivo, harmônico com a Carta da República, provejo o recurso extraordinário interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para agastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários da recorrente. Com isso confiro à legislação de regência – Lei nº 9.311/96, Lei Complementar nº 105/01 e Decreto nº 3.724/01 – interpretação conforme à Carta Federal, Fl. 765DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 tendo como conflitante com essa a que implique afastamento do sigilo bancário do cidadão, da pessoa natural ou jurídica, sem ordem emanada do Judiciário”. De fato, a suspensão de direitos constitucionais, mormente de direitos e garantias individuais não pode ser suposta ou subentendida. No silêncio, sua observância se impõe. Leiase a lição do Ministro Celso de Mello, citado e endossado pelo Ministro Marco Aurélio: “a quebra de sigilo, para legitimarse em face do sistema jurídicoconstitucional brasileiro, necessita apoiarse em decisão revestida de fundamentação adequada, que encontre apoio concreto em suporte fático idôneo, sob pena de inviabilidade do ato estatal que a decreta. A ruptura da esfera de intimidade de qualquer pessoa – quando ausente a hipótese configuradora de causa provável – revelase incompatível com o modelo consagrado na constituição da república, pois a quebra de sigilo não pode ser manipulada, de modo arbitrário, pelo Poder Público ou por seus agentes”. No mesmo sentido é o entendimento do Ministro Carlos Velloso, ao analisar a quebra de sigilo bancário, no RE 389.808, referindo a necessidade de apreciação do tema pelo Judiciário quando da verificação das restrições às liberdade individuais. Vejase: “A mais recente doutrina norteamericana fez do “due processo of law” uma forma de controle constitucional que examina a necessidade de razoabilidade e justificação das restrições à liberdade individual, não admitindo que a lei ordinária desrespeite a constituição, considerando que as restrições ou exceções estabelecidas pelo legislador ordinário devem ter uma fundamentação razoável e conforme o Poder Judiciário (...)A exigência de preservação do sigilo bancário enquanto meio expressivo de proteção ao valor constitucional da intimidade – impõe ao Estado o dever de respeitar a esfera jurídica de cada pessoa. A ruptura desse círculo de imunidade só se justificará desde que ordenada por órgão estatal investido, nos termos de nossos estatuto constitucional, de competência jurídica para suspender, excepcional e motivadamente, a eficácia do princípio da reserva de informações bancárias” Partilhamos do mesmo entendimento. Não vemos motivo – e nem poderíamos, no contexto do processo administrativo – para declarar a inconstitucionalidade do referido art. 6º. Preferimos lêlo à luz das diretrizes constitucionais que garantem a reserva de foro ao Poder Judiciário de todas as pretensões que possam implicar o comprometimento de direitos e garantias individuais. É o que brilhantemente conclui o Min. Celso de Mello ao julgar MS nº 23.452, ao dizer que “o postulado da reserva constitucional de jurisdição importa em submeter à esfera única de decisão dos magistrados a prática de determinados atos cuja realização, por efeito de explícita determinação constante do próprio texto da Carta Política, somente pode emanar do juiz, e não de terceiros, inclusive daqueles a quem se haja eventualmente atribuído o exercício de ‘poderes de investigação próprios das autoridades judiciais’. A cláusula constitucional da reserva de jurisdição – que incide sobre determinadas matérias, como a busca domiciliar (CF, art. 5º, XI), a interceptação telefônica (CF, art. 5º, XII) e a decretação da prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (CF, art. 5º, LXI) traduz a noção de que, nesses temas específicos, assiste ao Poder Judiciário, não apenas o direito de proferir a última palavra, mas, sobretudo, a prerrogativa de dizer, desde logo, a primeira palavra, excluindose, desse modo, por força e autoridade do que dispõe a própria Constituição, a possibilidade do exercício de iguais atribuições, por parte de quaisquer outros órgãos ou autoridades do Fl. 766DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 35 15 Estado.”: No que toca ao conceito de reserva de jurisdição, Canotilho diz que: “A idéia de reserva de jurisdição implica a reserva de juiz relativamente a determinados assuntos. Em sentido rigoroso, reserva de juiz significa que em determinadas matérias cabe ao juiz não apenas a última palavra, mas também a primeira palavra”. O STJ possui julgado exatamente neste sentido, assim ementado: “O sigilo bancário do contribuinte não pode ser quebrado com base em procedimento administrativofiscal por implicar indevida intromissão na privacidade do cidadão, garantia esta expressamente amparada pela Constituição Federal (art. 5º, inciso X)”.Por isso, cumpre às instituições financeiras manter sigilo acerca de qualquer informação ou documentação pertinente a movimentação ativa e passiva do correntista/contribuinte, bem como dos serviços bancários a ele prestados. Observadas tais vedações, cabe lhes atender às demais solicitações de informações encaminhadas pelo Fisco, desde que decorrentes de procedimento fiscal regularmente instaurado e subscritas por autoridade administrativa competente. Apenas o Poder Judiciário, por um de seus órgãos, pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às matérias arroladas em lei. Interpretação integrada e sistemática dos artigos 3º, par. 5º, da Lei nº 4.595/64 e 197, inciso II e par. 1º do CTN. Recurso improvido, sem discrepância.” (Resp 37.566 5/RS93) Dentro do Sistema Constitucional Tributário, o próprio art. 145, §1º, além de assegurar a observância à capacidade contributiva, ainda evidencia ser “facultado à Administração, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, RESPEITADOS OS DIREITOS INDIVIDUAIS e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. No caso da quebra de sigilo bancário, a reserva de foro judicial é condição para validar o ato administrativo, assegurando o respeito aos direitos individuais de privacidade e inviolabilidade, albergados na CF. Na hipótese dos autos, só foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Isto é, se a fiscalização não tivesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e, consequentemente, não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Destarte, já que a prova carreada no processo administrativo foi obtida por meio de RMF sem prévia autorização judicial, entendo pelo cancelamento do auto de infração lavrado, outorgando interpretação conforme ao art. 6º da LC nº105/01 para o fim de entender válida a quebra de sigilo bancário em procedimento fiscal sempre que acompanhado da imprescindível autorização judicial para tanto. No entanto, caso seja considerada lícita a prova decorrente da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial, é que se analisa os argumentos remanescentes postos no recurso voluntário. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Decadência – Omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários e Ganho de Capital Em sua defesa, o recorrente suscita a ocorrência de decadência: (i) em relação aos meses de janeiro a setembro de 2003, quanto ao crédito tributário referente à omissão de rendimentos, sustentando que o IRPF tem apuração mensal; (ii) em relação aos meses de dezembro/2002 e fevereiro/2003 quanto ao crédito tributário referente ao ganho de capital. Iniciandose pelo ponto “i” acerca da decadência em relação ao IRPF quanto à omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários com origem não comprovada, entendo que não assiste direito ao contribuinte ao afirmar que o aspecto temporal do imposto de renda tem base mensal e não anual. Explico. Em que pese a determinação do artigo 2˚ da Lei 7.713/88 quanto à apuração do IR no sistema de bases correntes (apuração mensal do imposto devido), não podemos deixar de dar a devida atenção à Lei 8.134/90, que, também no seu art. 2˚, deixa clara a necessidade de ajuste anual, situação na qual o saldo de imposto a pagar ou a restituir será verificado. Sendo assim, a regra é de que o imposto é apurado anualmente, mesmo que haja a antecipação mensal, porquanto as antecipações realizadas durante o ano (mês a mês) não são definitivas, a não ser nos casos expressamente previstos em lei que não se sujeitam ao ajuste anual, como, por exemplo, o ganho de capital na alienação de bens e direitos. Ainda, para que não pairem dúvidas, ao analisar o RIR/99, referente às pessoas físicas, conferese que o artigo 88, que cuida do imposto a pagar, situase no Capítulo I, intitulado “Apuração Anual do Imposto”. Portanto é inquestionável que o aspecto temporal do Imposto de Renda das Pessoas Físicas se verifica em 31 de dezembro do anocalendário, devendo ser ajustado até 30 de abril do ano subsequente, verificando o imposto e os proventos efetivamente devidos, compensandose o montante já adiantado (carnêleão ou retenções), apurandose, então o saldo a restituir ou a pagar. A propósito leiase: ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA CONSUMADO EM 31/12 DO ANOCALENDÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 42, §4°, DA LEI 9430/96. Sendo certo que o aspecto temporal do IRPF é anual, afigurase equivocada a interpretação conferida pelo Recorrente ao art. 42, §4°, da Lei n.° 9.430/96. O disposto pelo artigo citado, ao contrário, apenas corrobora o sistema de apuração do IRPF existente desde a edição da Lei n.° 7.713/88, de bases correntes, impondo o dever de anteciparse o recolhimento do imposto em conformidade com a percepção dos rendimentos ao longo do anocalendário. Nesse sentido, é preciso lembrar que os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apurase o imposto devido, a partir do confronto entre os fatos acréscimos e os fatosdecréscimos. O fato, portanto, de a legislação determinar a sujeição dos depósitos à tabela progressiva, portanto, poderia no máximo ensejar uma eventual autuação do contribuinte para cobrança de multa isolada, nas hipóteses em que inexistissem tributos devidos ao final do anocalendário. (CARF 19515.001109/200777, ACO 210100.416) Fl. 768DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 36 17 Ultrapassada a questão pertinente ao aspecto temporal do Imposto de Renda e sua forma de apuração, como se sabe, o IRPF é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme dispõe o artigo 1508 do CTN, gozando a autoridade fiscal, nos termos do § 4º9 do referido artigo, de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, de 12/08/2009, recurso este representativo da controvérsia (art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ), que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre” (grifo nosso): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico 8 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 9 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como visto, entendeu o STJ que, para as hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não houve qualquer antecipação de pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. A contrário sensu, nos casos em que houver qualquer antecipação de pagamento, a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, que, em relação ao IRPF, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Diante do advento da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido à inclusão do art. 62A10. Sendo assim, a partir do julgamento do RESP nº 973.733/SC, a orientação por ele dada passou a ser de observância obrigatória também por esse Conselho e apenas confirmou o entendimento que já vinha sendo adotado pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica no julgado abaixo: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerasse ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/0400.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo, Sessão de 19/06/2007, CSRF). No mesmo sentido, aplicando a orientação agora pacificada pelo STJ, já vinha assim se manifestando a 1ª Turma da 2ª Câmara: Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada 10 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 37 19 nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação do lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Acórdão 2201001.859. (Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe, Sessão de 16/10/2012, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária). No caso dos autos, conforme se constata na Declaração de Ajuste Anual – DAA relativa ao exercício de 2004 (anocalendário 2003), houve antecipação de imposto devido (fl. 58). Assim a regra aplicável no caso é a do art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez que a notificação do contribuinte foi em 07/12/2008, não há, portanto a ocorrência da decadência, pois que o prazo para lançamento do anocalendário de 2003 iniciaria em 31/12/2003 finalizando em 31/12/2008. Nesse sentido, afasto a preliminar de decadência arguida, pertinente à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada referente ao ano calendário de 2003. Passase à análise da decadência em relação ao ganho de capital que, como bem se sabe, é sujeito à tributação exclusiva (até o último dia do mês seguinte à data do recebimento do ganho de capital), em regime separado dos demais rendimentos oferecidos ao ajuste anual. O pagamento do Ganho de Capital decorrente da venda do bem imóvel foi relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 92/93), ao referir: “Foi alegado um gasto em benfeitorias feitas no imóvel no total de R$ 220.685,75, valor este que, acrescido ao valor de aquisição de R$ 44.314,25, resultou em um valor de custo de R$ 265.000,00 para fins de apuração do lucro imobiliário, sendo calculado um ganho de capital de R$ 15.000,00. Entretanto, não foi feita comprovação dos gastos alegados e, conforme se verifica, no supracitado documento, não há benfeitorias averbadas por ocasião da venda. Assim sendo, tal valor foi desconsiderado por falta de comprovação, com a conseqüente reconstituição do ganho de capital e o lançamento da diferença de imposto de renda das pessoas físicas incidente na transação. Na reconstituição, foi considerado o pagamento de R$ 1.275,97 — código de receita 4600, constante dos arquivos magnéticos deste Órgão.” O pagamento do referido ganho de capital no valor R$ 1.275,97 foi utilizado na reconstituição do cálculo do imposto que embasou a autuação, conforme atesta o Demonstrativo de Apuração na fl. 95. Disso, concluise que houve pagamento parcial do tributo devido a titulo de ganho de capital da venda do bem imóvel, o que por si só determina a aplicação da regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Esse é o entendimento deste Conselho, conforme se percebe da decisão abaixo transcrita: DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (CARF. 1ª Turma Especial. Segunda Seção de Julgamento. Acórdão 280102.958. Rel. Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Julg. 13/03/13) Todavia, a DRJ entendeu pela aplicação da regra prevista no art. 173, I, do CTN, em vista da suposta conduta dolosa do contribuinte, conforme trecho que segue (fl. 347): “No caso concreto , em face da absoluta falta de comprovação dos gastos com as benfeitorias lançadas nas DIRPF, anoscalendário 1996, 1997, 1999 e 2002, tornase obrigatória à conclusão de que o aumento artificial do custo do imóvel, revelando intenção de reduzir indevidamente o montante do imposto de renda incidente na transação, evidencia inquestionável ação dolosa, de modo a reduzir o montante do imposto devido em 31/12/2002 e 28/02/2003, relativamente ao Ganho de Capital. (...) Ou seja, a intenção dolosa de reduzir artificialmente a base de cálculo de ganho de capital, deslocou o termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado (após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual, ou, após o prazo à ela destinado) — regra geral, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. Considerando que o autuado tomou ciência do lançamento em 07/11/2008, não há de se falar em ter decaído o direito de lançar, uma vez que se trata de anos calendário 2002 e 2003.” Da análise dos autos, verificase que o auditor fiscal limitouse a alegar a conduta dolosa do recorrente, em vista da falta de comprovação por parte do contribuinte das benfeitorias realizadas no imóvel (que causou na redução de ganho de capital), ensejando o deslocamento da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entendo, no entanto, que não merece prosperar o entendimento da DRJ quanto à aplicação do art. 173, I, do CTN para contagem do prazo decadencial, isso porque, como se sabe, quanto à qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1˚, da Lei 9.430/96, a falta de apresentação de comprovação dos fatos alegados pelo recorrente, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não comprova sua conduta dolosa. É nesse sentido o entendimento deste Conselho a respeito da necessidade da comprovação cabal da ocorrência da conduta dolosa para fins de qualificação da multa, que Fl. 772DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 38 21 justificaria a mudança de critério para a contagem do prazo prescricional, como se percebe da inteligência dos enunciados das Súmulas CARF11 n˚ 14 e 25. Portanto, já que não comprovada cabalmente a conduta dolosa do recorrente, pela autoridade fiscal, impõese a aplicação da regra prevista no art. 150,§ 4º, do CTN para fins de verificação da decadência. Ultrapassadas estas questões “preliminares”, insta referir que o pagamento do ganho de capital foi feito a prazo, o que em nada muda para fins de verificação da decadência, já que o fato gerador é apurado como se a venda fosse efetuada à vista, consoante determina o art. 31 da IN n˚ 84/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, ate ́ o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: 1 o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. (grifei) Este também é o entendimento deste Órgão Administrativo, conforme ementa que segue: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Segunda Seção MATÉRIA: IRPF ACÓRDÃO: 2201002.130 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Ademais, é forçoso destacar que não é diferente o entendimento da própria RFB, conforme a Solução de Consulta emitida pela SRRF da 10ª Região Fiscal, em que se analisou o caso das alienações de imóveis por financiamento, constatando que o fato gerador ocorre na data da venda, in verbis: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 209 de 14 de Novembro de 2003 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF 11 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 EMENTA: ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. IMÓVEL FINANCIADO. Para a Legislação Tributária ocorre alienação e aquisição de imóveis em qualquer operação que importe a transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qual quer título, ou a cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuadas por meio de instrumento particular não inscrito em registro público. No caso de imóvel financiado, considerase consumada a sua alienação, para efeitos tributários, na data da assinatura do documento particular de cessão dos direitos sobre ele. Diante disso, como o ganho de capital, in casu foi apurado em 19/12/2002 (data da alienação), o lançamento poderia ter sido realizado até 19/12/2007. Haja vista que a notificação do lançamento se deu em 07/12/2008, o crédito tributário no que tange ao ganho de capital encontrase decaído. Isso posto, entendo pela decadência, tão somente, do ganho de capital do bem imóvel, pelas razões já expostas. Da Nulidade da Autuação por Ausência de Intimação dos Titulares das Contas Correntes Dada a decorrência da decadência do ganho de capital do anocalendário de 2002, só sobra para análise a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários não identificados. É cediço que o art. 42, da Lei no 9.430/96 permitiu à Fazenda Nacional lançar Imposto sobre a Renda com base em depósitos bancários, quando, após intimação do contribuinte, não seja comprovada a origem destes rendimentos. Tal disposição criou presunção de renda omitida quando a verdadeira origem dos rendimentos não é elucidada. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para as hipóteses de conta conjunta, no que tange à presunção de omissão de receita em relação aos depósitos não justificados, preceitua o § 6º do mesmo art. 42 que, quando a “declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares” Ocorre que, interpretandose sistematicamente a legislação, a regra da “divisão entre o total dos rendimentos e receitas pela quantidade de titulares”, somente será aplicada na hipótese de todos os titulares terem sido “regularmente intimados” previamente à lavratura da autuação, nos termos do caput do dispositivo em questão. Da análise dos autos, verificase, como muito bem retratado pela DRJ, que as contas correntes em análise são de titularidade do autuado e de sua cônjuge Sra. Edinome dos Santos Sater, sendo que essa não foi intimada para prestar esclarecimentos, conforme trecho que segue (fls. 357/359): “Ocorre que, a Sra.: EDINOEME DOS SANTOS SATER, CPF 818.417.59868, no período de 2002 a 2008, apresentou DIRPF em separado, estando com sua situação fiscal plenamente regular, não apresentou nenhuma pendência junto a Secretaria da receita federal do Brasil, conforme atesta a certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e á Fl. 774DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 39 23 dívida ativa da união e demais documentos constantes do Anexo IX. Registra o impugnante, ainda, que, nos autos não consta que a contribuinte EDINOEME DOS SANTOS SATER tenha sido intimada a esclarecer a origem dos depósitos de que trata o Termo de Intimação Fiscal, de 13/03/2008 e nem as informações adicionais requeridas posteriormente. Também não foi intimada a esclarecer a origem dos depósitos bancários de origem não comprovada relacionados no Termo de Constatação e Notificação lavrado em 29/09/2008. Por decorrência, os valores depositados/sacados nas contas retromencionadas são de interesse comum de todos os titulares e, portanto, não poderiam ser atribuídos unicamente ao impugnante, do disposto § 6º do art. 42, da Lei 9.430/1996; os valores dos depósitos ali relacionados devem ser rateados entre os diversos titulares, na forma demonstrada em fls. 213. Estando confirmado que as contas apontadas eram solidárias, neste item dáse provimento à impugnação, devendose atribuir ao contribuinte 50% do rendimentos considerados omitidos. No demonstrativo anexo ao Auto de Infração, os valores dos depósitos foram considerados em sua totalidade. (...)De acordo com o dispositivo acima, a tributação, no caso em que os titulares de contas conjuntas apresentem declaração de rendimentos em separado, deve incidir somente sobre 50% (no caso de dois titulares) dos depósitos cuja origem não houver sido comprovada. Na declaração do impugnante (fls. 52 a 71) não consta a assinalação de que é em conjunto com o cônjuge. Consulta ao sistema IRPF, da RFB, confirma as declarações apresentadas pelo cônjuge do contribuinte, para os anoscalendário objeto de autuação, concluindose que as declarações do autuado foram apresentadas em separado. Assim, os valores considerados rendimentos omitidos que remanescem, para as três contas comprovadamente mantidas em conjunto pelo impugnante e sua cônjuge, devem ser divididos proporcionalmente, ou seja, considerar apenas 50% do montante. (...).” Uma vez que, conforme já referido pela própria DRJ, a cotitular (cônjuge do contribuinte) das contas correntes, em momento algum foi chamada aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhe cabia em cada uma das contas bancárias, o procedimento fiscal resta maculado quanto à omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não identificados, conforme já pacificado no âmbito deste Conselho, através do Enunciado da Súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em caso como o dos autos, recentes julgados dessa C. Câmara vem assim aplicando a orientação da Súmula 29: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendose excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTA FALTA DE INTIMAÇÃO NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão Fl. 775DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Súmula CARF nº 29) (Acórdão nº 2202002.316; processo nº 10980.723574/201005; data de publicação: 04/09/2013; Relator(a): PEDRO ANAN JUNIOR) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. Os depósitos cuja origem for demonstrada devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE UM DOS TITULARES. NULIDADE. SÚMULA Nº 29 DO CARF. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA Nº 61 DO CARF. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Acórdão nº 2202002.32; processo nº 11516.002777/200961; data da publicação: 13/08/2013; Relator: RAFAEL PANDOLFO) Sendo assim, conforme referido pela Decisão da DRJ (fls. 359), as seguintes contas da Recorrente eram mantidas em conjunto com sua cônjuge: BB 27.4410 , BB 15.4199 e BANESPA 010505582. Por sua vez, a conta BB 6.31815, era de titularidade única do recorrente. Logo, entendo que em relação aos valores elencados nas contas correntes mantidos com sua cônjuge, não tem como subsistir o lançamento, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 (o qual deve ser interpretado em harmonia com caput do mesmo dispositivo) e o enunciado da Súmula n˚ 29, do CARF, supratranscrito, eis que as contas correntes cujos depósitos foram tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, hipótese em que a cotitular deveria ter sido intimada ainda em fase de fiscalização para se manifestar, não bastando, apenas, dividir o montante tributável pelo número dos titulares e excluir a parte da cotitular não intimada, na esteira do enunciado da Súmula n˚ 29 do CARF e jurisprudência desse Conselho, devendo, por isso, ser desconstituído o auto de infração no ponto. Reconstituindo a base de cálculo devem ser excluídas da base de cálculo os seguintes valores, referente aos 50%: 2003 2004 2005 19.607,82 59.500,00 95.634,66 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 40 25 (CC 010505582) (CC 010505582) (CC 010505582) 178.000,00 (CC154199) 27.500,00 (CC 27.4410) TOTAL 197.607,82 59.500,00 123.134,66 Cumpre ressaltar que a exclusão só se deu no remanescente, isto é, nos 50% que ficaram atribuídos ao recorrente, haja vista o parcial provimento da impugnação pela DRJ que excluiu 50% dos valores das contas correntes referidas, por haver cotitularidade com a sua esposa. Quanto à omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários da conta corrente do Banco do Brasil 631815 de titularidade individual do recorrente, mantenho o lançamento por falta de comprovação. Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração em decorrência da ilicitude das provas que o embasaram. Subsidiariamente, voto pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário, para declarar a decadência do crédito tributário constituído em razão do ganho de capital apurado no anocalendário de 2002 e, pela nulidade da autuação por ausência de intimação da cotitular das contas correntes Banco do Brasil n˚s 27.4410 e 15.4199 e Banespa n˚ 010505582, nos termos do enunciado da Súmula n˚ 29 do CARF, excluindo da base de cálculo o total de depósitos na monta de R$ 380.197,49, conforme detalhamento que segue: Banespa conta corrente n˚ 010505582, anocalendário 2003: R$ 19.607,82 Banco do Brasil, conta corrente n˚ 154199, anocalendário 2003: R$ 178.000,00 Banespa conta corrente n˚ 010505582, anocalendário 2004: R$ 59.500,00 Banespa conta corrente n˚ 010505582, anocalendário 2005: R$ 95.634,67 Banco do Brasil, conta corrente 27.4410, ano calendário 2005: R$ 27.500,00 Especificase, ainda, que a exclusão só se deu no remanescente, isto é, nos 50% que ficaram atribuídos ao recorrente, haja vista o parcial provimento da impugnação pela DRJ que excluiu 50% dos valores das contas correntes referidas, por haver cotitularidade com a sua esposa. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 Quanto à omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários da conta corrente do Banco do Brasil 631815 de titularidade individual do recorrente, mantenho o lançamento por falta de comprovação nos seguintes valores: Banco do Brasil, conta corrente n˚ 631815, anocalendário 2003: R$ 5.289,93 Banco do Brasil, conta corrente n˚ 631815, anocalendário 2004: R$ 10.000,00 (Assinado digitalmente) Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13896.004346/200857 Acórdão n.º 2202002.701 S2C2T2 Fl. 41 27 observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Redator Designado Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10920.721097/2013-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO E ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. PREVISÃO DO § 2º DO ARTIGO 229 DO DECRETO Nº 3.048, DE 1999.
Apesar do inconformismo do sujeito passivo, não se vislumbra, in casu, qualquer possibilidade de alterar a decisão recorrida, porquanto embasada em sólidos fundamentos, conforme se pode observar das considerações exaradas pelo julgador de primeira instância administrativa.
No que concerne à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar há que se destacar a regra descrita no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999.
A desconsideração do vínculo pactuado e o enquadramento como segurado empregado, portanto, são situação previstas na legislação, não podendo o Auditor Fiscal ignorá-las, sob pena de responsabilidade funcional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.575
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO E ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. PREVISÃO DO § 2º DO ARTIGO 229 DO DECRETO Nº 3.048, DE 1999. 1. Apesar do inconformismo do sujeito passivo, não se vislumbra, in casu, qualquer possibilidade de alterar a decisão recorrida, porquanto embasada em sólidos fundamentos, conforme se pode observar das considerações exaradas pelo julgador de primeira instância administrativa. 2. No que concerne à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar há que se destacar a regra descrita no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. 3. A desconsideração do vínculo pactuado e o enquadramento como segurado empregado, portanto, são situação previstas na legislação, não podendo o Auditor Fiscal ignorálas, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 97 /2 01 3- 92 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a terceiros vinculados à Previdência Social (Salário Educação, Incra, Sesi, Senai e Sebrae) incidentes sobre o pagamento de remunerações a segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. FATO GERADOR. A remuneração paga a segurado empregado a serviço da empresa constitui fato gerador das contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. SOLIDARIEDADE. INAPLICABILIDADE. As contribuições devidas a outras entidades e fundos não estão inseridas na responsabilidade solidária prevista na Lei nº 8.212, art. 30, inc. IX. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. JUROS. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação de juros de mora sobre a multa, os quais incidem somente sobre o valor originário da contribuição. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A presente autuação visa constituir créditos decorrentes do arbitramento da base de cálculo de contribuição destinada à Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da recorrente, e que não foram registradas na contabilidade nem na folha de pagamento, nem foram por el tempestivamente recolhidos ou declarados à Previdência Social por intermédio da GFIP. Referida autuação foi lavrada, por entender ter havido a ocorrência dos pressupostos da relação de emprego entre os segurados empregados e sócios formalmente registrados na GMC e a ora recorrente. Após apresentada defesa, a 8ª Turma da DRJ/BH, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário. A decisão recorrida reconheceu a total procedência do AI lavrado em face da recorrente, entendendo que houve sonegação de tributos por parte das empresas autuadas, mediante simulação, e constatando, por fim, que ambas formam uma única empresa. A decisão recorrida entendeu que não há qualquer impedimento no fato da fiscalização considerar a empresa GMJ inexistente de fato para fins de cobrança de contribuições previdenciárias sobre a sua folha de salários e, ao mesmo tempo, considerála juridicamente existente para fins de formação de grupo econômico com a empresa LIVE. A presente autuação fiscal consiste no fato do Sr. Auditor Fiscal considerar a empresa GMJ inexistente de fato, uma vez que ambas as empresas estão sob o controle dos mesmos donos, exercem a mesma atividade, utilizam a mesma instalação física, entre outros fundamentos. Desta forma, entendeu serem devidas, pela Recorrente, contribuições previdenciárias sobre a folha salarial da GMJ, por se tratar, na realidade, de empresa única. Ao mesmo tempo que a presente autuação reputou a empresa GMJ como inexistente de fato para embasar o lançamento fiscal, houve o reconhecimento de grupo econômico de fato entre as empresas Live (autuada) e GNJ (responsável solidária). A decisão recorrida entendeu que a recorrente pratica simulação, objetivando redução de encargos previdenciários, contudo, não existe qualquer ilegalidade nos procedimentos adotados pela recorrente. A razão do desvio e do indevido lançamento contra a recorrente é latente, por não possuir competência para o pretenso desenquadramento e lançamento fiscal contra a empresa terceirizada que está no SIMPLES. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 6 5 Conforme exposto na decisão recorrida, destacouse que a GMJ foi criada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do Simples Nacional e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos, se utilizando de argumentos como controle societário familiar, estabelecimento em imóvel único, exclusividade na prestação dos serviços, inexistência de geração de receita própria, comodato, entre outros. O lançamento é improcedente em face da inconstitucionalidade da competência de auditor fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Por cautela, caso seja decidido pela manutenção do lançamento fiscal (o que não se espera), importante ressaltar que a empresa desconstituída pelo auditor fiscal (GMJ) recolheu parte da contribuição previdenciária ora exigida através do regime do Simples Nacional. Contudo, a decisão recorrida entendeu que não é possível a dedução de tais valores, por força da IN/RFB nº 1300/2012, que veda a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente pelo Simples Nacional. Não há como coadunar com o disposto na decisão recorrida, no sentido de manter a aplicação da multa majorada, de 75% para 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (multas qualificadas), por entender que restou configurado “em tese” sonegação, fraude e conluio. Tal procedimento não merece prosperar. A taxa SELIC deve ser afastada sobre a multa de ofício. Não há que se falar em RFFP. Ante o exposto, requer seja recebido o presente recurso para ao final, dar lhe procedência, por todas as razões na presente peça, que demonstram a legalidade dos argumentos expostos pela recorrente, por se tratar de medida de Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com as informações levantadas pela auditoria fiscal, as empresas LIVE e GMJ, embora formalmente constituídas, formam um único empreendimento, que foi propositadamente fracionado, com o intuito de reduzir a carga tributária do sujeito passivo. Isto porque a GMJ, que detém formalmente toda a mãodeobra utilizada no processo produtivo do contribuinte, encontrase inserida no SIMPLES NACIONAL e, desta forma, não recolhe as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, na forma recolhida pelas empresas em geral. A Recorrente, conforme se pode observar de sua defesa administrativa (fls. 295), sustenta tratarse de elisão fiscal lícita, in verbis: [...] evidencia sua intenção de fugir de um ônus maior no pagamento de tributos e contribuições. Dando prosseguimento ao seu discurso sobre a legalidade da operação engendrada pelas duas empresas, em seu recurso o contribuinte afirma que: A decisão recorrida entendeu que a recorrente pratica simulação, objetivando redução de encargos previdenciários, contudo, não existe qualquer ilegalidade nos procedimentos adotados pela recorrente. A razão do desvio e do indevido lançamento contra a recorrente é latente, por não possuir competência para o pretenso desenquadramento e lançamento fiscal contra a empresa terceirizada que está no SIMPLES. Conforme exposto na decisão recorrida, destacouse que a GMJ foi criada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do Simples Nacional e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos, se utilizando de argumentos como controle societário familiar, estabelecimento em imóvel único, exclusividade na prestação dos serviços, inexistência de geração de receita própria, comodato, entre outros. O lançamento é improcedente em face da inconstitucionalidade da competência de auditor fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 8 7 Apesar do inconformismo do sujeito passivo, não se vislumbra, in casu, qualquer possibilidade de alterar a decisão recorrida, porquanto embasada em sólidos fundamentos, conforme se pode observar das considerações exaradas pelo julgador de primeira instância administrativa, in verbis: No caso dos autos, há que se analisar a legalidade fiscal da estrutura formal e de funcionamento da empresa GMJ Confecções Ltda em relação ao sujeito passivo Live Roupas Esportivas Ltda. Cabe verificar se a Live e a GMJ seriam duas empresas distintas e independentes ou se apenas teriam esta aparência no intuito de permitir a sonegação tributária. Da análise dos elementos dos autos, a seguir mencionados, concluise que as duas pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação na condução de seus negócios. Constatase que ambas formam uma única empresa que, mediante o fracionamento de suas atividades, objetivou reduzir sua carga tributária, na medida em que foi possível a uma delas (GMJ) inserirse no Simples Nacional. Tal conclusão advém dos seguintes elementos fáticos extraídos dos autos, que não foram afastados por ocasião da defesa: Mesmo grupo familiar; Endereço único; Contrato de aluguel – inexistência; Maquinário – cessão gratuita; Administrador único; GMJ – somente despesas com mão de obra; LIVE – inexistência de empregados; GMJ – exclusividade na prestação de serviços para a Live; GMJ – incompatibilidade na estrutura patrimonial e de custos. Vêse, portanto, que das informações constantes dos autos, não há como negar o bom trabalho levado a efeito pela fiscalização. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa incumbida do lançamento observou rigorosamente as determinações contidas no art. 142 do CTN, situação Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 9 8 que implica na correção do procedimento e que não significa que seu trabalho contém eivas de inconstitucionalidade, como afirma o sujeito passivo. No ponto, aliás, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). No que concerne à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar há que se destacar a regra descrita no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, in verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. A desconsideração do vínculo pactuado e o enquadramento como segurado empregado, portanto, são situação previstas na legislação, não podendo o Auditor Fiscal ignorálas, sob pena de responsabilidade funcional. De outra parte, correta a aplicação da multa majorada, porquanto evidente seu enquadramento à disposição do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Com relação ao pedido de afastamento da taxa SELIC, sem razão o sujeito passivo. In casu, os membros do CARF são obrigados a aplicar a Súmula CARF nº 4: “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. No que diz respeito à RFFP, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28). Considerando a correção do procedimento levado a efeito pela autoridade administrativa, não vislumbro nenhum espaço para alterar o trabalho que constituiu o crédito tributário em debate, bem como o acórdão recorrido. Mantenho, pois, o lançamento pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10920.721097/201392 Acórdão n.º 2803003.575 S2TE03 Fl. 10 9 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10530.901188/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. CSLL A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO.
Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinando-se à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DILIGÊNCIA FISCAL. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. APURAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. CSLL A RESTITUIR. SALDO NEGATIVO. Em diligência fiscal carreados aos autos elementos de prova suficientes para aferição da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o respectivo crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo e respectiva atualização nos termos da legislação de regência, determinandose à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 11 88 /2 00 9- 17 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 367 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 368 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.309/317 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 302/304) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 25/05/2005 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 25844. 69556 . 250505.1.3.04 8873 (efls.36/40), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA abril/2005, data de vencimento 31/05/2005, assim especificado: principal: R$ 2.657,12; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 2.657,12. Obs: débito da CSLL do PA abril/2005 confessado na DCTF semestral, recepção 28/09/2005 (efls. 109 e 140). b) crédito utilizado: aproveitamento de direito creditório de R$ 2.324,49 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/05/2004, DARF valor de R$ 15.380,95 (valor original), data do recolhimento 30/06/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 31/05/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 15.380,95, com base na receita bruta e acréscimos (efl. 198). Da mesma forma, na DCTF (trimestral – 2º trimestre) do referido PA consta débito confessado da CSLL = R$ 15.380,95, data de recepção 13/08/2004 (efls. 58 e 64). Por isso, o despacho decisório da DRF/Feira de Santana, de 25/03/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico, de 25/03/2009, da DRF/Feira de Santana (efl. 34), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 15.380,95. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 369 4 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 30/04/2009, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 03/19 em 13/05/2009, conforme protocolo (efls. 268/269) e despacho de efl. 301. Em suas razões, a Contribuinte, em síntese, frisou: que apurou prejuízo fiscal no anocalendário 2004 (Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL); da “impossibilidade de se evitar a compensação integral dos prejuízos, sob pena de criar tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda e o lucro”; insurgese, por conseguinte, contra a trava de 30% (Lei nº 8.981/95, arts. 42 e 58; e Lei 9.065/96, art. 15); Obs: aqui, convém esclarecer, que a Contribuinte, data venia, fez confusão entre compensação de prejuízos e compensação de débitos com créditos; Em anexo à Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte juntou: I cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 (efls. 186/259), onde consta informado que: a) apurou prejuízo contábil no anocalendário 2004 (R$ 675.524,73) – Ficha Ficha 6A – Demonstração do Resultado (efls. 190); b) apurou Lucro Real negativo ( R$ 675.524,73) – Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (efl. 191) e Base de Cálculo Negativa da CSLL (R$ 675.524,73) – Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (efl. 201); c) apurou IRPJ e CSLL, estimativas mensais, com base na receita bruta e acréscimos, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (efls. 192/195) e Ficha Ficha 16 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (efls. 197/200); d) preencheu parcialmente a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – efl. 196 (informou apenas Lucro Real negativo) e a Ficha 17 – Cálculo da CSLL – efl. 201 (informou base de cálculo negativa da CSLL). Ou seja, deixou de apurar, informar eventual saldo negativo dessas exações fiscais; II juntou comprovante de pagamento da CSLL estimativa mensal do PA 31/05/2004, no valor de R$ 15.380,95 – cópia do DARF de 30/06/2004. de R$ 15.380,95 ; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 370 5 III – juntou cópia de Balanço Patrimonial dos anoscalendário 2004 e 2005; Demonstração dos Custos dos Serviços; Demonstração do Custo das Mercadorias e Demonstração do Resultado dos anoscalendário 2004 e 2005 (efls. 260/277). Posteriormente, por meio do requerimento (efl. 281) datado de 14/07/2009 e com o intuito de comprovar a existência do crédito utilizado na compensação em análise, a Contribuinte fez a juntada das DCTF retificadoras relativas aos quatro trimestres do ano calendário de 2004, retirando, "zerando", todos os débitos informados, confessados nas DCTF primitivas, quanto às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL desse anocalendário (efls. 286/299). Por sua vez, a DRJ/Salvador, enfrentando a lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (efls. 302/304), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Obs: a decisão recorrida rejeitou o direito creditório como se fosse decorrente de IRPJ estimativa mensal, mas na verdade o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP referese à CSLL estimativa mensal do PA maio/2004, recolhimento 30/06/2004. Ciente desse decisum em 06/03/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 (efls. 309/317) , conforme Despacho de Encaminhamento (efl. 327). Nas razões do Recurso Voluntário consta, in verbis: (...). O credito foi originário do DARF – (...) de maio/2004 para pagamento de debito (CSLL) referente a abril de 2005. A compensação, transmitida pelo sistema eletrônico, denominado PER/DCOMP, foi julgada não homologada, por Fl. 370DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 371 6 entender inexistir o crédito (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) a autorizála. Apresentada manifestação de inconformidade fora a mesma julgada improcedente não sendo reconhecido o crédito e consequentemente negando a compensação efetuada no sentido de que: ...os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurar pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. Examinando a Ficha 9A – Demonstração do Lucro Real da DIPJ/2005 (fl. 188), vêse que a pessoa jurídica apurou base prejuízo fiscal, referente ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 675.524,73. Entretanto, todos os campos de preenchimento de valores da Ficha (...), encontramse zerados. ... o contribuinte não apresentou prova documental de que o valor do recolhimento da estimativa (...), relativa ao mês de maio de 2004, não foi apurado em consonância com as determinações legais... Dessa forma, o recolhimento da estimativa (...) do mês de maio de 2004, efetuado pela Contribuinte, no valor constante do DARF utilizado para a compensação em analise, não constitui pagamento indevido ou a maior, (...). Considerando que as estimativas devidas na forma da Lei n. 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto, a luz da legislação fiscal supra mencionada, seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo (...) e, posteriormente, proceder a compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Contudo tal decisão não merece prosperar pelos motivos que passaremos a expor. (...) I IMPOSSIBILIDADE DE SE EVITAR A COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS POR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. = DESARRAZOABILIDADE E DESPROPORCIONALIDADE. Entendeu o Nobre Julgador por desconsiderar o crédito objeto da compensação pleiteada tendo em vista o erro no preenchimento da DIPJ/2005 e DCTF. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 372 7 (...), tal erro se deu devido ao fato de estar zerado na DIPJ/2005 a FICHA (...) e, a medida a ser adotada seria a retificação da DIPJ/2005, a fim de proceder ao cálculo do saldo negativo (...). Contudo, tal retificação não pode ser feita neste momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto a apresentação. Diante disto não pode ser prejudicada a ora recorrente pelo mero erro formal apontado. O crédito existe! Tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial (em anexo), o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$675.524,73. (...) Obs: Como mencionado no relatório, na DCOMP objeto dos autos a Contribuinte utilizou direito creditório atinente à CSLL estimativa mensal do PA maio 2004, e não do IRPJ estimativa mensal. Por fim, Recorrente pediu provimento ao recurso, para reconhecimento do crédito pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação. Em face das alegações da Recorrente e tendo em vista o entendimento da Súmula CARF nº 84, na Sessão de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802000.228 (efls. 329/336), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 334/336): (...) Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado ano calendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 373 8 exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual contribuição já superada pelos recolhimentos efetuados ou apuração de prejuízo, esse fato não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário ou apuração de CSLL cujas estimativas pagas já superaram a exação fiscal apurada no ajuste anual, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele extrapola, ou seja, não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), já no próprio ano calendário, sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA maio/2004: a) embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 e que a Ficha 17 da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou, seja, de forma incompleta, sem indicação da CSLL paga por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil se a CSLL estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência; b) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de preenchimento da citada Ficha 17, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípío da verdade mterial; c) entretanto, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 374 9 base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DRF/Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento que extropolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada foi superada pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (...) Realizada a instrução complementar do processo, conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 360/362), retornaram os autos para julgamento da lide. Antes disso, foi dada ciência do resultado da diligência à Recorrente para se manisfetar, em querendo, porém deixou transcorrer o lapso temporal in albis. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 375 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório pleiteado e extinção dos débitos mediante homologação da compensação objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. A Recorrente demanda o reconhecimento do crédito de R$ 2.324,49 (valor original), referente pagamento da CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/05/2004, valor de R$ 15.380,95 (valor original), data do recolhimento 30/06/2004, sob alegação de que: a) esse pagamento fora efetuado a maior ou indevidamente, pois no ano calendário 2004 apurou prejuízo contábil, inclusive Lucro Real negativo e Base de Cálculo Negativa da CSLL; b) que cometeu errou ou equívoco formal ao deixar de preencher parte da Ficha 17 – Cálculo da CSLL (na 1ª parte, apurou base de cálculo negativa da CSLL de R$ 675.524,73, porém deixou de preencher a 2ª parte, ou seja, os campos atinentes à apuração da CSLL, dedução das estimativas pagas, e saldo a pagar ou a restituir= saldo negativo); c) que o crédito existe e esse erro ou equívoco não pode, por si só, impedir a restituição do valor pleiteado. O despacho decisório, como já narrado no relatório, negou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido fora totalmente alocado, consumido, pelo débito estimativa mensal da CSLL do referido PA confessado na DCTF. Por sua vez, a decisão recorrida, ao denegar o crédito, acrescentou mais um fundamento, considerando que as estimativas devidas na forma da Lei nº2 º9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ e/ou da CSLL, o procedimento correto à luz da legislação tributária de regência, e que, então, seria necessário, antes de pleitear a restituição em processo de compensação, proceder a retificação da DIPJ/2005, a fim apurar eventual saldo negativo da CSLL na Ficha 17 e, posteriormente, sim proceder à compensação de débitos próprios, a partir de janeiro de 2005. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 376 11 Como visto, a lide envolve matéria de fato. Para resolução da contenda, tornase necessário verificar nos autos se há elementos de convicção, ou seja: a) se há provas da existência do prejuízo fiscal, base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 2004 à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte, que possam justificar o crédito pleiteado e relevar o citado erro formal de preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) se há elementos de provas de que houve pagamento indevido de estimattiva mensal da CSLL (pagamento totalmente desvinculado da receita bruta mensal e acréscimos) ou se trata de mero recolhimento estimativa mensal da CSLL nos termos da legislação de regência, mas que deve ser restituído como saldo negativo, em face da apuração de prejuízo fiscal, ou base de cálculo negativa da CSLL, no encerramento do anocalendário. O fato da Recorrente ter deixado de preencher os campos da Ficha 17 atinentes à apuração do saldo negativo, por si só, não configura óbice à resitituição do crédito, conforme Súmula CARF 84. Nesse contexto, na sessão de julgamento de 11/06/2013 está Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência Resolução nº 1802 000.228 (efls. 316/323), baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, para realização de instrução processual complementar, conforme fundamentação do voto condutor (efls. 329/336), já transcrita no relatório. Realizada a instrução complementar do processo pela fiscalização da RFB (DRFFeira de Santana), conforme Relatório de Diligência Fiscal (efls. 360/362), temse que a irresignação da Recorrente merece prosperar, pois restou comprovado o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, anocalendário 2004, e que o crédito pleiteado deve ser restituído como saldo negativo, pois o recolhimento da estimativa deuse com base na receita bruta e acréscimos, nos termos da legislação de regência. A propósito, transcrevo os fundamentos e a conclusão do Relatório de Diligência (efls. 360/362), in verbis: (...) 01.A presente diligência foi motivada com o objetivo de prestar esclarecimentos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de dar seguimento à apreciação de Recurso Voluntário contra decisão da 2a Turma da DRJ/Salvador que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 18/01/2012 (fls. 302/304). 02.Ciente desse decisum em 06/03/2012, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/03/2012 alegando impossibilidade de se evitar a compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ 2005) e, também, da DCTF, acrescentando que tal fato não seria razoável e, além disso, desproporcional. Tal erro se deu devido ao fato de estar zerada na DÍPJ 2005 a Ficha 17 e a medida a ser adotada seria a Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 377 12 retificação da DIPJ 2005, a fim de se proceder ao cálculo do Saldo Negativo de CSLL na própria Ficha 17. 03.Contudo, tal retificação não poderia ser feita naquele momento face o tempo já decorrido desde a sua obrigatoriedade quanto à apresentação e, diante disto, não poderia ser prejudicada pelo mero erro formal apontado. Alegou, ainda, que o crédito existe e que tal prova encontrase nos autos através da juntada do balanço patrimonial, o qual comprova que houve o prejuízo declarado no valor de R$ 675,524,73. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. 04.Conforme Voto do nobre relator, Conselheiro Nelso Kichel, há falhas na instrução do processo. Embora a recorrente alegue a apuração de prejuízos no encerramento do anocalendário 2004 e que a Ficha 17 da DIPJ 2005 teria sido preenchida incorretamente, ou seja, de forma incompleta, sem indicação da CSLL paga por antecipação nesse anocalendárío e sem apuração do saldo negativo, não consta nos autos a escrituração contábil, ou seja, há necessidade de análise da escrituração contábil e se a CSLL estimativa mensal e o prejuízo foram apurados nos termos da legislação de regência. Do mesmo modo, não há cópia da escrituração contábil (Livros Razão, Diário e Lalur) para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados corretamente com base na receita bruta e acréscimos e se os alegados prejuízos estão calcados, rigorosamente, na escrituração contábil. 05.Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à DRF Feira de Santana para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004; b) à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento que extrapolou, ou seja, sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido feito exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo ou a CSLL apurada foi superada pelos recolhimentos por antecipação; c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado; Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 378 13 d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarazões. 06. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência soliciitada, o interessado foi intimado, mediante Intimação DRF/FSA/SEORT n° 617/2013, à fl. 338, da qual tomou ciência em 22/11/2013, conforme Aviso de Recebimento AR, à fl. 339, a apresentar os Livros Razão e Diário do AnoCalendário 2004, mais o Livro Lalur. 7. Dentro do prazo concedido, o interessado apresentou os documentos solicitados. 8. Iniciouse a análise da documentação solicitada buscandose confirmar as informações contidas na DIPJ 2005 (ano calendário 2004) e DCTF. 9. Observandose a conta "Contribuição Social a Recuperar" (conta 12.6901), verificouse que o lançamento relativo ao mês de maio/2004 (31/05), no valor de R$ 15.380,95, vide fl. 340, corresponde ao valor declarado na DIPJ 2005, na Ficha 16, vide fl. 348, e, também, na DCTF Original vide fi. 354. 10. Em seguida, observouse outra conta, "'Contribuição Social a Recolher"' (conta 23.0715), e nessa conta também foi escriturado o mesmo valor, RS 15.380,95, relativo ao mês de maio/2004, pago em 30/06/2004, vide fl. 341. 11Analisandose a Receita Bruta da Empresa (Base de Cálculo da CSLL), vendas à vista + vendas a prazo, observouse que o lotal da Receita Bruta correspondeu a R$ 1.424.161,59, R$ 882.945,67 {vendas à vista) + R$ 541.215,92 (vendas a prazo), vide fls. 355 a 358. Aplicandose o percentual de 12.0 % sobre a receita bruta da empresa chegase à base de cálculo da CSLL, R$ 170.899,39, e, finalmente, aplicandose o percentual de 9,0 % sobre a base de cálculo da CSLL, encontrase o valor devido para a CSLL, RS 15.380,95, que está coerente com o valor declarado em DIPJ e DCTF pelo interessado. 12. Portanto, resta demonstrado, a partir das verificações realizadas, bem como da documentação juntada aos autos, qual seja, páginas do Livro Razão, DIPJ 2005 e DCTF, que, no mês dc maio de 2004, a CSLL devida foi realmente de RS 15.380,95, e foi calculada nos termos da Legislação de Regência, ou seja, com base na Receita Bruta e Acréscimos. 13. Confirmouse no sistema interno da Receita Federal do Brasil, Sinal 05, o pagamentode CSLL (código: 2484), no valor de RS 15.380,95, realizado em dia 30/06/2004, vide fl. 359. 14. Verificouse, por meio da Ficha 06A, Demonstração do Resultado, vide fls. 342 e 343, que o interessado apurou Lucro Líquido Negativo no anocalendário 2004, R$ 675.524,73, e, conseqüentemente, apurou Lucro Real Negativo (Prejuízo), no valor de R$ 675.524,73, vide fi. 345. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 379 14 15. No presente caso, a apuração do lucro líquido foi demonstrada pelo contribuinte na Ficha 06A, vide fls. 342 e 343, da DIPJ 2005. Conferimos as Fichas 04A e 05A e confrontamos os valores de custo dos produtos de fabricação própria vendidos bem como o custo das mercadorias revendidas e despesas operacionais ali apurados com os valores lançados na Demonstração do Resultado. 16.Ao preencher a Ficha 17 da DIPJ 2005, vide fls. 352 e 353, o interessado deveria ter lançado na linha 43 a totalidade da CSLL Mensal Paga por Estimativa ao longo de todo o ano calendário 2004, e que está discriminada, mensalmente, na Ficha 16, vide fls. 346 a 351. Somandose toda a CSLL efetivamente paga, de janeiro a dezembro, chegase ao valor de R$ 154.597,86, conforme tabela abaixo: Mês Valor Pago Mês Valor Pago Mês Valor Pago Janeiro RS 7.239,06 Março RS 13.758,60 Maio RS 15.380,95 Fevereiro RS 9.327,26 Abril R$ 11.114,69 Junho R$ 17.994,30 Julho R$ 12.199,89 Setembro RS 12.275,33 Novembro R$ 14.236,06 Agosto RS 13.878,86 Outubro RS 12.004,64 Dezembro RS 15.188,22 TOTAL= R$154.597,86 17.Com o lançamento da "CSLL Mensal Paga Por Estimativa", na Ficha 17 (linha 43), seria apurado um Saldo Negativo de CSLL, na Linha 51, de R$ 154.597,86. No presente caso, a hipótese é de restituição de Saldo Negativo e não de Pagamento Indevido de estimativa mensal de CSLL, pois a antecipação da estimativa mensal foi apurada exatamente nos termos da Legislação de Regência e no encerramento do anocalendário houve apuração de Prejuízo. Concluise, portanto, que houve realmente equívoco no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004, e que existe o direito creditório, mas na forma de Saldo Negativo e não de pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL, pois o pagamento, por antecipação, referente ao mês de maio de 2004 foi feito exatamente nos termos da legislação de regência. (...) Conforme resultado do Relatório de Diligência Fiscal (transcrito acima), restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório utilizado (valor original) para fins de compensação tributária, há de se reconhecer, por conseguinte, o crédito utilizado na DCOMP (valor original) como saldo negativo, atualizado na forma da legislação de regência. Fica sem efeito a DCTF retificadara relativa ao PA objeto do crédito pleiteado, permanecendo válida a DCTF primitiva, restando considerada a Ficha 17 da DIPJ 2005, anocalendário 2004, como a seguir: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.901188/200917 Acórdão n.º 1802002.235 S1TE02 Fl. 380 15 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição sobre o Lucro Líquido a) apuração da CSLL = 0,00; b) estimativas pagas = R$ 154.597,86; e c) CSLL a pagar “saldo negativo” = R$ 154.597,86. Portanto, reconheço o crédito pleiteado, objeto dos autos, de R$ 2.324,49 (valor original), referente pagamento da CSLL estimativa mensal do PA maio/2004, na condição de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2004, a ser corrigido na forma da legislação de regência e determinar à unidade de origem da RFB que proceda a correspondente homologação da compensação tributária. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720436/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 43 6/ 20 12 -0 2 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.720436/201202 Resolução nº 2402000.399 S2C4T2 Fl. 585 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por BIO KITS COMERCIAL LTDA, em face do acórdão de fls, por meio do qual foi mantida integralmente a multa lançada no Auto de Infração n. 51.000.0886, por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita. Consta do relatório fiscal que a recorrente apresentou GFIP´s com a indicação do Código 02, como empresa optante do SIMPLES. Todavia, fora apurado que no período em questão a recorrente, em verdade, não era optante pelo simples, situação que gerou o não oferecimento à tributação de suas contribuições previdenciárias cota patronal. O lançamento compreende as competências de 01/2008 a 11/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 11/05/2012 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida que o relatório fiscal não possui prova suficiente da acusação fiscal. 2. que o Auto de Infração foi lavrado com base em presunções; 3. que houve bis in idem quanto a aplicação da multa objeto do auto de infração; 4. a impossibilidade da aplicação da multa de ofício do art. 44 da Lei 9.430/96; 5. que a multa aplicada é confiscatória; 6. inaplicabilidade da SELIC; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.720436/201202 Resolução nº 2402000.399 S2C4T2 Fl. 586 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase da imposição de multa pela apresentação da GFIP nas quais foram omitidos fatos geradores de contribuições previdenciárias que foram objeto de lançamento em algum dos demais Autos de Infração lavrados pela fiscalização. De todos os Autos de Infração e NFLD´s indicadas no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde das NFLD´s nas quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com as NFLD´s correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13770.000023/00-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, consumo este equivalente ao desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação, assim entendida, o contato físico direto com tal produto e desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, devendo ser observada nos julgamentos deste Conselho, de acordo com o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009.
Numero da decisão: 3302-002.643
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabíola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, consumo este equivalente ao desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação, assim entendida, o contato físico direto com tal produto e desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, devendo ser observada nos julgamentos deste Conselho, de acordo com o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabíola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
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CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. As matériasprimas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, consumo este equivalente ao desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação, assim entendida, o contato físico direto com tal produto e desde que não estejam compreendidos entre bens do ativo permanente. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, devendo ser observada nos julgamentos deste Conselho, de acordo com o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabíola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 00 23 /0 0- 64 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 375 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, com base no artigo 11 da Lei no 9.779/99 no valor de R$ 63.546,26. Por meio do Despacho Decisório de fls. 167 (efls. 182) deferiuse o valor de R$ 54.321,90. Foram glosados os seguintes créditos, nos termos do Parecer Fiscal (fls 162/166; efls. 177/182), a saber: “O direito à utilização dos créditos do imposto exige o atendimento integral aos requisitos de sua escrituração e também, conforme preceituam os artigos 171, caput, e 178, § 2° do RIPI/98, além de outros deveres instrumentais, que não observados, prejudicam o seu pleno gozo, de tal forma que por força desta fizemos as seguintes glosas, dentre os insumos apresentados pelo contribuinte na listagem de folhas 03 e 04 deste processo, conforme descritos abaixo : Superfloc da Coremal Comercio (tratamento de água) Polieletrolito 8181 da Kurita do Brasil Ltda (tratamento de água) Dowex da DOW Prod. Quimicos (desmineralização tratamento de água) Triact 1820 da NALCO (tratamento de água) Estes produtos acima purificam a água retendo a impureza, de forma que não acompanham a água tratada, que é encaminhada para a produção do licor, ou fazem o tratamento da Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 376 3 desmineralização, no caso da água que é enviada para as caldeiras, que do mesmo modo não acompanham a água tratada. No entanto os produtos químicos aplicados no licor, tais como, antiespumante, branqueadores, etc., que são adicionados e permanecem no licor, o qual após a retirada de 90% da água, transformamse nas placas de celulose, esses produtos atendem ao disposto no artigo 171 e foram mantidos para fins do ressarcimento do IPI. Produtos da PALLMANN DO BRASIL (para o Picador de Cascas) Os produtos acima referidos não dão direito ao Crédito, pois as cascas das Toras de Eucalipto, não constituem matéria prima para fabricação das placas de celulose, e sim material energético para queima nas caldeiras. Anel de Borracha, Produto da MECFIL INDUSTRIA (sem local de aplicação definido) Este produto não consta no LAUDO apresentado pelo contribuinte, com as especificações dos diversos insumos utilizados na indústria, de maneira que não podemos determinar precisamente em que setor da indústria ele é aplicado e conseqüentemente determinar se atende as condições do artigo 171 do RIPI/98.” Conforme esclarecido nos termos do relatório da decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte restou indignado com a glosa parcial de seu crédito e apresentou manifestação de inconformidade nos seguintes termos: “Insurgiuse a interessada contra as glosas efetuadas, podendo o arrazoado de inconformismo (fls. 200/212) ser assim resumido: a contribuinte faz jus ao beneficio originado da aquisição de insumos — matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem — utilizados na industrialização de produtos isentos, inumes ou tributados à alíquota zero, nos termos do artigo 11, da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 033/99; a autoridade administrativa alegou a utilização indevida de produtos não alcançados pelo conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; a legislação do IPI inclui entre as matériasprimas e os produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao novo. produto, forem consumidos no processo de industrialização; deve ser considerado insumo 'toda ' e .qualquer matériaprima , cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final; para os "bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto" (fls. 205/209), é correto afirmar que 'as matériasprimas utilizadas para "produzir" madeira, madeira picada e seu extrato são matériasprimas utilizadas na produção da celulose; a travessa de peneiras, que apóia a peneira de cascas que tem contato com a árvore e a porca sextavada que fixa a faca do picador que interage com a madeira, entre outros, são insumos da celulose e, como tal, geram direito ao creditamento em questão; os produtos Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 377 4 relacionados são utilizados no corte, na picagem e no transporte da madeira e sofrem desgaste decorrente do contato direto com a própria madeira; sobre os "produtos utilizados no cozimento da celulose" (fl. 209/212, cabe afirmar que o processo produtivo da celulose envolve o cozimento da madeira picada pelo uso de caldeiras; para o funcionamento das caldeiras fazse necessário o uso dos produtos ora glosados; o Conselho de Contribuintes já se manifestou que mesmo os elementos que não integram o produto são passíveis de creditamento. Por todo o exposto, requer seja reformado o despacho decisório para que não sejam excluídos do creditamento do IPI os valores ora discutidos. Junta ainda os elementos às fls.213/241.” Após Analisar as razões do contribuinte, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, proferiu o acórdão no 09.863, de 15 de abril de 2005, por meio do qual manteve o entendimento proferido por meio do Despacho Decisório. Em resumo, a decisão recorrida negou provimento ao pleito do contribuinte por entender que (i) os parafusos Pallmann e a travessa de peneira – são partes e peças de máquinas e (ii) os produtos utilizados para tratamento da água da caldeira não têm contato direto com o produto. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade, discutindo sobre a possibilidade do crédito em razão de os insumos terem contato direito com o produto final e serem imprescindíveis para a produção de celulose. Ainda, à fls 279 e segs (efls. 330 e segs) consta petição da Recorrente solicitando a juntada aos autos de prova emprestada, diligência realizada nos autos do Recurso 129.385 (Resolução 20300.725). É o relatório. Voto Vencido CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de IPI pleiteado com base no artigo 11 da Lei no 9.779/99, ou seja, em razão de insumos utilizados como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. De acordo com o Parecer Fiscal, as glosas decorreram do entendimento de que os insumos seriam (i) partes e peças ou (ii) não tiveram contato direito com o produto final. Em relação aos insumos que foram considerados como partes e peças e, por a isso, não conferem crédito, com razão a fiscalização. De acordo com a própria Recorrente os insumos têm as seguintes funções: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 378 5 “Parafusos Pallmann – fixa as facas do picador de cascas, permitindo à facas o suporte necessário para executar sua função, qual seja, a de corta a madeira para o cozimento para posterior transformação nas placas de celulose. Travessa de peneiras – apóia a peneira de cascas que tem contato com a árvore, são essenciais para padronizar o tamanho das cascas consumidas.” A meu sentir, os parafusos e a travessa são peças e partes de máquinas que são utilizadas para a produção da celulose. Desta forma e como as máquinas são ativadas, não há meios de concederse crédito por impedimento legal. Em relação aos produtos utilizados no cozimento da celulose, não resta dúvida – para o contribuinte e a fiscalização – que são consumidos no processo de industrialização. São estes produtos: “Superfloc da Coremal Comercio (tratamento de água) Polieletrolito 8181 da Kurita do Brasil Ltda (tratamento de água) Dowex da DOW Prod. Quimicos (desmineralização tratamento de água) Triact 1820 da NALCO (tratamento de água)” A questão aqui está no contato direto com o produto final. A fiscalização analisou o RIPI com base no Parecer Normativo CST n° 651, de 31 de outubro de 1979, o qual 1 PARECER CITADO NO ACÓRDÃO RECORRIDO: "4. Notese que o dispositivo está subdividido em duas produtos intermediários e ao material de embalagem; a partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1. Observese, ainda, que 'enquanto na primeira parte da norma "matériasprimas" e'Produtos intermediários" são empregados stricto sensu, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não 'se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2. Assim, somente geram o direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5. No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários stricto sensu, ou seja, bens dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificativamente, a madeira com relação a um móvel,ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6. Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude de contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações. (...) 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 379 6 analisa o dispositivo legal de forma restritiva para conceder crédito somente aos insumos utilizados na produção que tiverem contato direto com o produto final. É conhecido meu posicionamento no sentido de que a legislação não trouxe a restrição imposto pelos agentes administrativos. Como mencionado pelo v. acórdão, a legislação traz os seguintes conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem: RIPI/98 "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma , ação diretamente exercida sobre o 4 produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde.que, decorrentes, de. ação direta do,in.sumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 11. Em resumo, geram O direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens ,que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação', ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso Ido art. 66 do RIPI/79.” Em primeiro lugar devem ser observados os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem à luz da legislação do IPI. O artigo 147, inciso I, do RIPI/98 assim dispõe: "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo] a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem Consumidos no processo de industrialização, salvo se Compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei n°4.502/64, art. 25) (grifei);” Dessa forma, segundo o RIPI/98 e sua interpretação oficial, consubstanciada nos pareceres normativos exarados pela Secretaria da Receita Federal, é firmado o entendimento de que tal dispositivo pode ser dividido em duas partes: a primeira estabelece um conceito estrito ao prever que tais materiais devem integrar o produto final; a segunda admite que se houver um consumo no processo de industrialização (mesmo não integrando o produto final), ainda assim fará jus ao crédito. Vejase o Parecer Normativo CST n° 65, de 31 de outubro de 1979, que analisou o artigo 66 do RIPI/79 (correlacionado ao artigo 82 do RIPI/82), e que assim dispõe: "Em estudo o inciso I do art. 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°83.263, de 09 demarço de 1979 (RIPI/79). "Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei n°4.502/64, arts. 25 a 30 e Decretolei n°3.466, art. 2°, alt. 89: I — do imposto relativo , a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 380 7 I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (Lei n°4.502/64, art. 25)” Já o artigo o artigo 66 do RIPI/79 (correlacionado ao artigo 82 do RIPI/82), da seguinte forma dispõe: "Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei n°4.502/64, arts. 25 a 30 e Decretolei n°3.466, art. 2°, alt. 89): I — do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." destaquei A questão aqui colocada referese, exatamente, à interpretação da expressão “produtos consumidos no processo de industrialização”. Não vejo, na legislação, a restrição imposto pela fiscalização, a necessidade de existir o contato direto com o produto. Vale ainda esclarecer que, diferentemente do alegado pelo Conselheiro Paulo Deroulede, não interpreto o Recurso Repetitivo – Resp 1.075.508/SC – no sentido de que é preciso haver contato direto dos insumos no processo produtivo. A meu ver, o Ministro Luiz Fux, em sede de repetitivo, entendeu pela necessidade de o insumo ser “consumido”, o que efetivamente ocorreu in casu. Diz o repetitivo: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, Dje 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 381 8 julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Desta sorte, e uma vez que não resta dúvidas que os produtos utilizados no cozimento da celulose para tratamento de água foram integralmente consumidos no processo de industrialização, entendo que devem gerar créditos de IPI. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO, apenas para conceder crédito sobre os produtos utilizados no cozimento da celulose para o tratamento da água. É como voto. (assinado digitamente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Voto Vencedor Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de IPI, como matéria prima ou produto intermediário, relativamente às aquisições de: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 382 9 * Superfloc da Coremal Comercio (tratamento de água); * Polieletrolito 8181 da Kurita do Brasil Ltda (tratamento de água); * Dowex da DOW Prod. Quimicos (desmineralização tratamento de água); * Triact 1820 da NALCO (tratamento de água). A fiscalização entendeu que não há contato direto com o produto fabricado, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. A conselheira entende que a restrição de haver contato direto não existe na lei e decretos que regem a matéria, citando o RIPI/98. Como já mencionado, a Administração Tributária emitiu o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, interpretando o inciso I do artigo 662 do Decreto nº 82.263, de 1979 (RIPI/79), assim dispôs: Parecer Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST nº 65 de 05.11.1979 D.O.U.: 06.11.1979 (Imposto sobre Produtos Industrializados 4.18.01.00 Crédito do Imposto MatériasPrimas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem) A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74. Imposto sobre Produtos Industrializados 4.18.01.00 Crédito do Imposto MatériasPrimas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem Em estudo o inciso I do art. 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979 (RIPI/79). [...] 2 Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditarse (Lei n°4.502/64, arts. 25 a 30 e Decretolei n°34/66, art. 2°, alt. 8a): I — do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 383 10 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. [...] 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações.(grifos não originais) 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. [...] 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários `stricto sensu', semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (...).”.(grifos não originais) A redação do artigo 66, inciso I do RIPI/79 foi reproduzida no artigo 147, inciso I do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/98): Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 384 11 Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Assim, as matériasprimas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, consumo este equivalente ao desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas decorrentes da ação direta exercida sobre o produto em fabricação, assim entendida, o contato físico direto com tal produto e ainda, se não compreendidos entre os bens do ativo permanente. A matéria foi objeto de recurso especial interposto junto ao STJ e está pacificada, em julgamento na sistemática de recurso repetitivo – art. 543C do CPC, no Resp 1.075.508/SC, cuja ementa transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, Dje 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 385 12 creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. (grifos não originais) 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No voto condutor ficou consignado que: “O ponto nodal da atual controvérsia cingese à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da quisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta física ou química , sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final. ... A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: "... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. (grifos não originais) ... Deveras, ao proferir votovista no Recurso Especial 608.181/SC, destaquei que: … Nas razões do especial, sustenta a recorrente que o acórdão hostilizado contrariou o disposto no art. 49, do CTN, uma vez que 'a vedação expressa em se creditar do IPI pago na Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 386 13 aquisição de materiais de uso e consumo, contida no Parecer 65, acabou por malferir o preceito tributário da não cumulatividade...' . Alega ainda que a referida proibição de creditamento viola o disposto no art. 97, do CTN, posto que não houve lei majorando o tributo. (grifos não originais) ... Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos bens de uso e consumo que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo, tais como fitas, roldanas, correias, óleos lubrificantes, etc. (grifos não originais) ... Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (grifos não originais) … In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. (grifos não originais)” Da análise do voto conduzido pelo Ministro Luiz Fux, depreendese que o desgaste direto ou imediato ou integral é condição para geração de créditos, em contraposição ao desgaste indireto. Ao transcrever a sentença prolatada no recurso especial, o Ministro deixa evidente sua concordância com os seguintes termos: A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: "... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 387 14 produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização.” Mais adiante, citando voto vista proferido no RESp 608.181/SC, a recorrente argumentou que a vedação contida no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, malferia o preceito tributário da nãocumulatividade, não tendo sido acolhidas suas alegações. Neste mesmo voto vista menciona alguns produtos que entendeu não gerarem crédito de IPI: “Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos bens de uso e consumo que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo, tais como fitas, roldanas, correias, óleos lubrificantes, etc” Concluise que a decisão no Resp 1.075.508/SC prestigiou o contato direto em contraposição ao desgaste indireto, acolhendo a tese do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Aliado a isto, mencionase a Súmula CARF nº 19, que embora refirase a crédito presumido, incluiu em seu enunciado o contato direto como fundamento, prestigiando o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, resta verificar se houve o contato direto. Pela descrição contida no Informação Fiscal, fls. 163 a 164, constatase que estes produtos não acompanham a água que vai para a produção do licor, assim não entrando em contato direto com a celulose: “Estes produtos acima purificam a água retendo a impureza, de forma que não acompanham a água tratada, que é encaminhada para a produção do licor, ou fazem o tratamento da desmineralização, no caso da água que é enviada para as caldeiras, que do mesmo modo não acompanham a água tratada. No entanto os produtos químicos aplicados no licor, tais como, antiespumante, branqueadores, etc., que são adicionados e permanecem no licor, o qual após a retirada de 90% da água, transformamse nas placas de celulose, esses produtos atendem ao disposto no artigo 171 e foram mantidos para fins do ressarcimento do IPI.” A recorrente, por sua vez, afirma em seu recurso voluntário: “Este cozimento se dá através de caldeiras e, justamente para o funcionamento das referidas caldeiras é que se faz necessário o uso do dos produtos ora glosados [...] Ora, é mesmo óbvio que o processo produtivo da celulose não se dá sem o funcionamento das caldeiras, sendo que, para realizar Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13770.000023/0064 Acórdão n.º 3302002.643 S3C3T2 Fl. 388 15 o cozimento, fase essencial da produção da celulose, é essencial a utilização da água tratada quimicamente.” Concluise, portanto, que os produtos utilizados são para tratar a água das caldeiras, e não a água que vai para a produção de licor, portanto não entrando em contato direto com a celulose e, consequentemente, não gerando direito ao creditamento do IPI. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720979/2013-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTOENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR.
É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer momento. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.
A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença.
A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal.
Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTOENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR. É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer momento. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Provido
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTOENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR. 1. É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer momento. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 2. Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. 3. A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. 4. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. 5. Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 09 79 /2 01 3- 28 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à diferença de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 20 de março de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ALÍQUOTA DEFINIDA POR ESTABELECIMENTO. PARECER PGFN/CRJ 2120/2011. A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2120/2011. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). DEVER FUNCIONAL. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 5 4 Tratase de recurso administrativo tirado em face do r. Acórdão proferido nos autos do processo epigrafado, em que a empresa recorrente se vê fustigada por auto de infração que teria cometido quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias SAT/RAT relacionadas no anexo próprio, no período compreendido entre 01/2010 e 12/2012, apuradas nas diligências fiscalizatórias com termo inicial em 05/04/2013 e execução em 19/04/2013, respaldada pelos MPF n. 1010400.2013.00088 e 1010400.2013.0017, respectivamente, relativos a diligência e fiscalização, donde se extraiu também imputação de cometimento de suposto ilícito penal a ser comunicado de ofício após assentamento definitivo do ato infracional ora sob exame. Todo o procedimento fiscalizatório e respectivo relatório foram minudentemente relatados perante a impugnação defesa, onde restou aduzido no que “durante a ação fiscal verificamos que o contribuinte informou em GFIP, alíquota de 3% de RAT – Riscos Ambientais do Trabalho – para os estabelecimentos /000108, 0002/800, /000823;/0006 04,/01090,E/001503, e 2% de RAT para os estabelecimentos /000442; /00957; /001252; /001333; e /001414, no período de 01/2010 a 12/2012, conforme planilha demonstrativa do RAT anexa”. Referido relatório aduz ainda que “para o estabelecimento /00042, nas competências 01/2010 a 04/2010 e 06/2010, a empresa informou FAP 1,71 E 1,70, incidente sobre o RAT de 2%, sendo que para as demais competências, o FAP informado foi de 1,00 e o RAT ajustado em 2,0%, para, destarte, fundamentar sua decisão de aplicar a penalidade de multa na autuada. Em sua defesa impugnatória a empresa pugnou pela regularidade dos recolhimentos efetuados em valores e percentis de ordem legal relativamente a sua sede e todas as filiais, sendo que em especial, no caso das filiais de São Paulo, o percentil diferenciado de recolhimento conta com proteção de liminar concedida pela Justiça em MS impetrado pela organização sindical a que filiada – SINCOVAGA, que a representa como substituto processual – Processo 2009.61.00.0049546 em trâmite perante o Egrégio Tribunal Federal da 3ª Região, e que ainda não teve seu mérito apreciado, em que referido Pretório Regional Federal determina que “a autoridade coatora se abstenha de exigir o pagamento da contribuição previdenciária nos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, até o final da lide, restaurando por corolário, aplicabilidade do artigo 22, II, da Lei 8.212/92” que, de sua sorte, NÃO PREVE aplicação do FAP, conforme acórdão (transcreveu a íntegra). A despeito de todo este articulado e elementos de convicção fáticos, doutrinários e legais carreados, houve por bem a N. 11ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil, sede Rio de Janeiro (RJ), ACOLHER PARCIALMENTE a impugnação, fazendoo apenas “no tocante à matéria em que não houve renúncia ao contencioso administrativo e não conhecer da impugnação, quanto à matéria que se encontra sub judice, em face da renúncia ao contencioso administrativo, MANTENDOSE EM PARTE o crédito tributário exigido no valor de R$384.079,84, que será acrescido de juros e multa a serem calculados na data da liquidação, nos termos do relatório e voto” que integram o julgado. Escudandose na vertente “renúncia ao contencioso administrativo” para deixar de apreciar e se manifestar sobre substancial parcela da impugnação ofertada, secundando o voto do I. Relator, respeitosamente, o julgado não se houve com o costumeiro acerto, além de incidir em NEGAÇÃO da entrega da manifestação buscada com visto de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 6 5 demonstrar regulares as contribuições efetivadas e cancelar o crédito tributário lançado e, sobremaneira, as penalidades propostas em exuberante olvido às razões e fundamentos fáticos enunciados e provados da impugnação. Ressalta a Recorrente, vênia concessa, EQUIVOCADA a fundamentação do voto relator na imaginada renúncia à tramitação administrativa da insurreição pronunciada. Na impugnação se debate a ora recorrente por ver reconhecida a legalidade e correção dos recolhimentos da contribuição previdenciária em evidência, bem assim, por ver declarada a excessiva e incabível a apenação pecuniária imposta e consubstanciada em juros de mora e multa por eventual inobservância dos percentis corretos de recolhimento. O conteúdo e a interpretação do art. 202 do RPS, vedam de forma expressa a imposição generalizante noticiada pelos agentes fiscais no item 27 do r. Acórdão n. 12 64.138 para fundamentar a imposição dos consectários penalizantes de que se recorre porque é defeso à Administração Pública afastarse dos ditames imperativos das normas e regulamentos que disciplina sua atividade para justificar, à margem da lei, então, a sanha arrecadadora insaciável hodierna com que fustiga a sociedade e fere de morte a evolução da atividade econômica pátria. Ocorreram afrontas legais que inviabilizam o lançamento, nulificandoo por completo de modo a tornalo insuscetível de exigência, motivo pelo qual reitera a recorrente, se dignem V.Sas., da provimento ao presente recurso para alterar o decisum inserto no r. acórdão guerreado, com conhecimento e manifestação da impugnação nas questões relativas as penalidades oriundas da não aplicação do FAP, tema, portanto, diverso daquele sobre o qual se busca manifestação jurisdicional nos autos do MS; cancelamento do lançamento, mesmo na porção retificada, do crédito para cobro das alegadas diferenças na aplicação das alíquotas de maior expressão legal cumulada com aplicação do FAP, uma vez restabelecido o critério de exame do CNAE e CNPJ de cada unidade que compõe o grupo empresarial, terminando por determinar o cancelamento das penalidades pecuniárias decorrentes das imputações de que se defende a recorrente, ocasião em que, assim decidindo, restabelecerão a justiça e precisão com que sempre se houveram os DD agentes e representantes do Fisco Nacional. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A discussão em questão diz respeito a diferenças de contribuição para o SAT/RAT, das filiais 00442, 000957, 001252, 001333 e 001414, as quatro últimas instaladas no Estado de São Paulo. Também se discute nestes autos a não aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP sobre as alíquotas SAT/RAT, nas filiais de São Paulo e de a empresa ter aplicado o percentual de forma incorreta para a filial 000442. No que se refere ao FAP, tendo em vista a propositura de Mandado de Segurança pelo SINCOVAGA (sindicato patronal), Processo 2009.61.00.0049546 (em trâmite perante o TRF da 3ª Região), restou caracterizada a concomitância de instância, conforme dispõe o art. 126 da Lei nº 8.213, de 1991. Ora, reconhecida a concomitância de instância em razão do MS descrito no parágrafo anterior, entendo ser totalmente despropositado o argumento contido no item 28 do acórdão recorrido. A ação judicial movida pelo sindicato representativo da categoria econômica, por certo, abrange a totalidade das empresas filiadas, incluindo nesse rol os estabelecimentos daquelas que os têm. Portanto, no que se refere ao FAP, ocorreu a concomitância de instância para a empresa autuada em sua totalidade, incluindo os seus estabelecimentos. Desse modo, apreciarseá somente a matéria distinta da constante do processo judicial, ou seja, o reenquadramento de alíquota SAT/RAT. O fundamento legal utilizado para respaldar o lançamento destoa da lei de regência, ou seja, da Lei nº 8.212/91. O inciso II do art. 5º da Constituição da República estabelece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Fiel ao comando constitucional, o artigo 22, II, da Lei nº 8.212/91 estabelece que: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II – para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 8 7 do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Na regulamentação do artigo acima descrito, ao dispor a respeito da atividade preponderante, o art. 202 do Decreto nº 3.048/99 previu o seguinte: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (...) § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007). Como se pode observar da redação do § 3º do art. 202 do RPS, considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 9 8 Segundo informa o § 5º do já referido art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revêlo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Vêse, portanto, que a regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no Anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. Aliás, em se tratando de um município que congrega uma gama de atividade bem diversificada, como é o caso da recorrente, sendo uma delas, a área de educação (com 64 funcionários), a autoridade administrativa não pode escolher uma CNAE em um universo também variado para dizer que a mais gravosa é a que deve preponderar. Tal situação, se mantida, não coadunará com a melhor regra de hermenêutica jurídica, porquanto incompatível com a legislação de regência. O que é devido deve ser regiamente cobrado, mas não se pode permitir a cobrança de algo que não é correto, como é o caso vertente, notadamente porque a autoridade administrativa não provou tratarse de verba devida. De mais a mais, não se pode perder de vista que o ônus da prova é do Fisco, como já havia se pronunciado a 7ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: O ônus da prova da ocorrência de fatos que levam à ocorrência do fato gerador sempre é da autoridade lançadora. Não é correto, com base em alguns indícios extrairse a conclusão de determinado fato, imputandose ao contribuinte o dever de provar que não compensou prejuízo fiscal indevidamente. Ao contrário, a autoridade é que tem de provar que o prejuízo foi utilizado de forma irregular. Na ausência dos elementos citados, fica bastante vaga a autuação. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 7ª. Câmara, Sessão de 19/08/1998, Acórdão 10705.223). Como se pode verificar, a matéria tem uma série de peculiaridades que não foram efetivamente observadas pelas autoridades administrativas incumbidas do lançamento e também pelos julgadores de primeira instância. Assim sendo, é de fundamental importância observar o magistério da professora Cláudia Salles Vilela Vianna (in Previdência Social – Custeio e Benefícios. – São Paulo: LTr. 2005. páginas 218 / 220), a partir da competência julho/1997, a atividade preponderante da empresa, para fins de enquadramento na alíquota de grau de risco destinada a arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 10 9 Para a realização do auto enquadramento, deverá o empregador, portanto, obedecer às seguintes disposições, notadamente em relação à empresa com diversas atividades econômicas, como é o caso da Recorrente: I. Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada uma das atividades econômicas existentes, prevalecendo como preponderante aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. II. Em seguida, comparará os enquadramentos dos estabelecimentos para definir o enquadramento da empresa, cuja atividade preponderante será, então, aquela que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, apurada dentre todos os seus estabelecimentos. A título de exemplo, imaginemos uma empresa com mais de um estabelecimento, como matriz e filiais, que têm o mesmo CNPJ raiz. Chamaremos de Estabelecimentos 01, 02, e 03. O Estabelecimento 01 tem a atividade “A” com 10 (dez) empregados, a atividade “B” com 15 (quinze) empregados e a atividade “C” com 20 (vinte) empregados. A atividade preponderante do Estabelecimento 01 é a “C”, com 20 (vinte) empregados. Continuando o mesmo exemplo imaginemos que o Estabelecimento 02 tem a atividade “D” com 25 (vinte e cinco) empregados, a atividade “E” com 05 (cinco) empregados e a atividade “F” com 15 (quinze) empregados. Assim, a atividade preponderante no Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e cinco) empregados. Finalmente, o Estabelecimento 03 tem a atividade “G” com 10 (dez) empregados, a atividade “H” com 20 (vinte) empregados e a atividade “I” com 15 (quinze) empregados. A atividade preponderante no Estabelecimento 03 é a “H”, com 20 (vinte) empregados. A conclusão a que se chega do exemplo acima é que a ATIVIDADE PREPONDERANTE NA EMPRESA É A “D”, COM 25 EMPREGADOS. Assim sendo, percebese que a fórmula acima é que deve ser utilizada para se determinar a atividade preponderante relativamente ao correto enquadramento no grau de risco, metodologia que foi totalmente ignorada pela fiscalização. Ao realizar o enquadramento de ofício somente porque, em tese, preponderaria a atividade referente à CNAE sob o código nº 84116/00 – Administração pública em geral, efetivamente não é a maneira mais correta de aferição para sustentar o lançamento. O Fisco para realizar o enquadramento de ofício deveria ter verificado, in loco, no caso a Prefeitura como um todo, incluindo aí a área educacional hospital, bem como as diversas atividades existentes nos estabelecimentos da recorrente, e não arbitrar utilizando a CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister. No que diz respeito à Classificação Nacional de Atividades Econômica CNAE, segundo a apresentação constante do site da RFB Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 11 10 (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcnae.htm), a CNAEFiscal é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país. Tratase de um detalhamento da CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, aplicada a todos os agentes econômicos que estão engajados na produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou públicas, estabelecimentos agrícolas, organismos públicos e privados, instituições sem fins lucrativos e agentes autônomos (pessoa física). A CNAE Fiscal resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo, elaborada sob a coordenação da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE Fiscal, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. A tabela de códigos e denominações da CNAE Fiscal foi oficializada mediante publicação no DOU Resolução IBGE/CONCLA 01 de 25/06/98 e atualizações posteriores. Sua estrutura hierárquica mantém a mesma estrutura da CNAE (5 dígitos), adicionando um nível hierárquico a partir de detalhamento de classes da CNAE, com 07 dígitos, específico para atender necessidades da organização dos Cadastros de Pessoas Jurídicas no âmbito da Administração Tributária. Na Receita Federal do Brasil, a CNAE Fiscal é o código a ser informado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ) que alimentará o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica/CNPJ. A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE está a cargo do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação CONCLA. Das definições e responsabilidades acima mencionadas, restou evidenciado que as possibilidades aventadas pela fiscalização são totalmente incompatíveis com a realidade fática das empresas de um modo geral. No que concerne à responsabilidade mensal pelo enquadramento no grau de risco, observada a atividade econômica preponderante, a legislação previdenciária determinou que tal função esteja a cargo do próprio sujeito passivo, cabendo ao fisco rever o auto enquadramento em qualquer tempo. Ora, querer atribuir ao sujeito passivo o ônus tributário pretendido somente porque ele tem a responsabilidade de realizar o enquadramento mensal no grau de risco e utilizar a CNAE Fiscal como balizador de tal obrigação é, sem dúvida, querer ignorar completamente o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a empresa faz seu cadastramento no CNPJ do Ministério da Fazenda. Depois disto, haverá modificações somente na hipótese de alteração da sua natureza jurídica. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 12 11 Destarte, não resta nenhuma dúvida em relação à impossibilidade de a empresa, mensalmente, alterar suas informações cadastrais na CNAE, como é de sua responsabilidade, ao contrário, a realização de seu enquadramento no grau de risco, observandose, como já mencionado, a sua atividade econômica preponderante. Para deixar bem clara a impossibilidade de respaldar a pretensão do fisco, tomamos como exemplo uma empresa da indústria da construção civil, cujo grau de risco é o máximo (3%). Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em algum momento de sua existência estar sem qualquer obra em curso. No entanto, os empregados da área administrativa e diretiva são mantidos e estão aguardando a contratação de novos empreendimentos. De acordo com o entendimento do fisco, no exemplo acima, tendo em vista a CNAE da empresa de construção civil, o enquadramento teria que ser aquele de grau máximo, ou seja, de 3% (três por cento). Todavia, seguindo as determinações da legislação previdenciária, caso a empresa tenha realizado o enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não há que se falar em revisão do auto enquadramento embasado apenas na CNAE. Bem se percebe que a fiscalização, nestes autos, não observou adequadamente as regras dispostas no art. 142 do CTN. Além do mais, os membros deste colegiado devem se ater às disposições do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20 de dezembro de 2011, in verbis: Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20.12.2011 A ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2.120/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15.12.2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro." Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.720979/201328 Acórdão n.º 2803003.624 S2TE03 Fl. 13 12 JURISPRUDÊNCIA: Súmula nº 351 do STJ, DJe 19.06.2008; AgRg no Ag 1178683/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no Ag 1008620/BA, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23.03.2010, DJe 12.04.2010; AgRg no AgRg no AgRg no REsp 1114033/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05.11.2009, DJe 17.11.2009; AgRg no Ag 1134164/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25.08.2009, DJe 24.09.2009; REsp 947920/SC, Rel. Min. ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.08.2009, DJe 21.08.2009; e REsp 842838/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16.12.2008, DJe 19.02.2009. Como se pode perceber, embasada na jurisprudência predominante do Superior Tribunal de Justiça, à PGFN não restou alternativa a não ser a de concordar com o posicionamento do STJ, revendo, inclusive, o entendimento idêntico ao que fundamentou o lançamento discutido nestes autos. Por outro lado, ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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