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Numero do processo: 10830.008080/2003-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º
Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Rejeitar as preliminares
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por maioria de votos, dar provimento parcial, para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que provia em maior extensão o recurso para afastar a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação exclusiva da multa isolada.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 80 80 /2 00 3- 83 Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Rejeitar as preliminares Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por maioria de votos, dar provimento parcial, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que provia em maior extensão o recurso para afastar a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação exclusiva da multa isolada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, EDUARDO JOSE DA SILVA, foi lavrado auto de infração de fls. 14/23, acompanhado do Termo de Constatação Fiscal de fls.04/13 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anocalendário 1998, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto 0 exame do cumprimento das obrigações tributarias relativas ao período de 01/1998 a 12/1998(fl.0 1). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$2.909.431 ,47 (dois milhões, novecentos e nove mil, quatrocentos e trinta e um reais e quarenta e sete centavos). O credito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidades assim descritas no referido auto: 01 "Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício, tudo conforme Termo de Constatação.lavrado nesta data e que faz parte integrante do presente ", 02 "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações tudo conforme Termo de Constatação lavrado nesta data e que faz parte integrante do presente ". 03 "Multa isolada. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carneleão, referente aos rendimentos recebidos de pessoa fisica, tudo conforme Termo de Constatação.lavrado nesta data e que faz parte integrante do presente. Os valores tributáveis e os respectivos enquadramentos legais encontram se discriminados as fls. 16/19. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), no caso das duas primeiras infrações, com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 e, no caso da terceira, com base no artigo 44, § 10, inciso III, do mesmo diploma legal. No Termo de Constatação o autor do feito da conta dos fatos que originaram a autuação e dos procedimentos adotados no curso da ação fiscal. Nele, verificase que a ação fiscal foi instaurada com o objetivo de verificar movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Atendendo a intimações expedidas para verificação da origem dos recursos utilizados nos depósitos/creditos em contas bancarias, alegou que na qualidade de engenheiro civil, prestava serviços de administração na construção de residências, por conta e ordem dos proprietários das obras. Esclareceu que nesse ramo de atividade, o profissional contratado realiza as compras dos materiais empregados nas obras, bebem como contrata os profissionais. Desta forma, os proprietários depositavam e/ou Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 transferiam recursos na conta corrente do Bradesco especialmente aberta para esse fim. Consta que, intimado e a apresentar os contratos de prestação de serviços e comprovar documentalmente que os depósitos efetuados em sua conta corrente eram provenientes de recursos dos proprietários das construções, o fiscalizado apresentou grande quantidade de cópias dos cheques emitidos, ou seja, dos valores debitados na conta do Bradesco. Em relação aos contratos de prestação de serviços, logrou apresentar apenas três declarações, nas quais os signatários confirmaram que disponibilizavam recursos para a fiscalizado para pro ceder a administração e acompanhamento de obras de sua propriedade,recebendo ele a remuneração de 4% dos valores despendidos. Da analise dos esclarecimentos prestados e dos documentos apresentados pelo contribuinte e pelos proprietários dos imóveis por ele administrados, bem como das informações bancarias, DIRPF e informações constantes nos sistemas informatizados da RFB extraíramse as conclusões que levaram a tributação dos fatos anteriormente descritos. A titulo de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas tributaramse as comissões de administração extraídas das declarações prestadas pelos proprietários das obras. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi apurada subtraindose do montante representado por estes os cheques devolvidos e, posteriormente, os valores dos depósitos assumidos pelos referidos proprietários. A multa isolada foi imputada sobre os valores declarados de rendimentos de pessoas físicas, recebidos como comissões pela administração das referidas obras, sobre os quais incidiu carnê leão, não recolhido pelo declarante. A ciência do auto de infração foi dada pessoalmente ao contribuinte, na data de 10/10/2003(fl.15). Em 11/11/2003 (fl.608), o interessado apresentou a impugnação de fls.608/653, instruída pelos documentos de fls.654/2442, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente na ordem em que foram apresentadas. Inicia esclarecendo que a impugnação não contesta o item do auto de infração relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, alcançando as demais infrações. DA VERDADE REAL IGNORADA 1. Da não apreciação das provas Defende o impugnante que apresentou provas no curso da ação fiscal que teriam fulminado a presunção de omissão de rendimentos estabelecida com base no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Referese a cópias de cheques compensados, apresentados em dois lotes ( o primeiro de 179 copias e 0 segundo, de 889), os quais, segundo afirma, demonstram claramente que foram destinados a pagamentos de Mao de obra da construção civil e materiais de construção. Questiona o procedimento fiscal que não acatou as provas apresentadas e não carreou aos autos a totalidade delas, Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 4 5 apresentandoas, portanto, novamente, na fase impugnatória, para formação de livre convicção dos julgadores. Destaca, ainda, que o auditor fiscal identificou cheques no montante de R$592.344,02 como pagamentos a prestadores de serviços e a pessoas jurídicas fornecedoras de materiais, mas não os considerou na apuração das comissões, no percentual de 4% . Esclarece, por fim, que os cheques emitidos em seu nome serviam para pagamento de varies fornecedores e prestadores de serviços com vencimento para 0 mesmo dia, exemplificando o fato. Paralelamente, discorre sobre as provas nas presunções juris tan tum para concluir que a apresentação das provas ilidiu a presunção estabelecida, invertendo 0 ônus desta. Contudo, o auditor fiscal não as apreciou e, ainda, tentou subtraílas do crivo dos julgadores. 2. Da inexistência de acréscimo patrimonial e de renda consumida Assevera que no decorrer do procedimento sempre destacou que não utilizou os creditos/depósitos da conta corrente no Banco Bradesco para uso pessoal, fato que se evidencia pela não existência de variação patrimonial positiva refletida na aquisição de quaisquer bens. Defende, ainda, que 0 auditor fiscal deveria valerse dos sistemas da RFB ( DOl, RENAVAM, etc.) para conferir tal fato. Acrescenta, ainda, que o auditor fiscal requisitou sua movimentação financeira e verificou que não houve pagamentos a administradoras de cartões de credito ou quaisquer outros em seu benefício, o que ficou demonstrado pela apresentação das copias reprográficas dos cheques compensados que não foram utilizados como renda consumida. Tal fato, afirma, alicerça o que já restou provado no curso da fiscalização de que era apenas comissionado para acompanhamento e administração das obras de propriedade de terceiros, cuja movimentação a estes pertencia. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO Respaldado em jurisprudência do então Conselho de Contribuintes, alega que não pode haver a dupla incidência de multa (de oficio e exigida isoladamente) sobre a mesma base de calculo, requerendo, portanto, a sua exclusão, DA APLICABILIDADE DA LEI 9.31111996 Reportandose ao Termo de Inicio de Fiscalização, que menciona a obtenção de valores da movimentação financeira com base nas informações prestadas pel as instituições financeiras, de acordo com 0 art. 11, §2° da Lei 9.311, de 24 de outubro de 1996, procede a uma analise sobre a vigência do diploma legal para conc1uir que ° procedimento fiscal não poderia se basear em dados da CPMF para constituição do credito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 por expressa vedação contida no parágrafo 3° da referida Lei. 10.174/01. DA IRRETROATIVIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Contesta, ainda, a utilização das informações prestadas a então Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, alegando a irretroatividade da Lei 10.174/01 seja em face das disposições constitucionais (art. 5°, incisos X, XII, XXXVI e LVI) , seja por forca do disposto na Lei de Introdução ao C6digo Civil (artigos 2° e 6°) e mais especificamente, em face do contido no CTN, art. 106. Defende que ate a publicação da Lei 10.174/2001, que alterou 0 §3° da lei 9.311/1996, a administração fazendária estava proibida de fazer usa das informações obtidas com base na arrecadação da CPMF para a constituição de credito tributário relativo a outra contribuições e impostos, seja por existência de vedação expressa para tanto, seja pela determinação do resguardo do sigilo das informações prestadas a esse titulo it Secretaria da Receita Federal. Contesta, assim, a aplicação da Lei Complementar 105/2001, que deu legalidade ao fato de as instituições financeiras fornecerem informações a Secretaria da Receita Federal, por atentar contra a privacidade do individuo. DAS CONSEQUÊNCIAS DESASTROSAS E ANTIJURÍDICAS DA APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001. Apoiado em entendimentos doutrinários e jurisprudência, repisa e aprofunda argumentos relativos ao principio da irretroatividade das leis, bem como do direito a privacidade, intimidade, honra e ao sigilo de dados (bancário). Para respaldar seu entendimento, discorre detidamente sobre os preceitos do artigo 144 do Código Tributário Nacional, bem como sobre 0 sigilo bancário, Discute, ainda, os efeitos do sacrifício de princípios constitucionais e analisa o fim social buscado pela Lei 10.174/2001 (provisão de recursos para a área de saúde). DA IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇAO DO DEPOSITO BANCÁRIO COMO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA Contrapõese ao lançamento com base em dep6sitos bancários afirmando que estes não podem caracterizar fato gerador de imposto de renda no conceito adotado pelo C6digo Tributário Nacional (artigo 43). Traz a colação doutrina e jurisprudência administrativa e judicial, registrando, ainda, o entendimento exteriorizado pela Sumula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos . Examina a questão da utilização das presunções pelo legislador para concluir pela inadequação da presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei 9.430/1996, em vista da inexistência de correlação lógica direta e segura entre os dep6sitos bancários e omissão de rendimentos. Acrescenta que depósitos bancários não podem sustentar uma presunção legal pois, alem da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providencia Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 5 7 implicaria a transferência integral do encargo probatório para 0 contribuinte. DA INOBSERVÂNCIA A HIERARQUIA DAS NORMAS EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA DEFINIÇÃO DE FATO GERADOR E BASE DE CALCULO EM MATÉRIA TRIBUTARIA EXEGESE DO ARTIGO 146 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. Reportandose as disposições do artigo 146 da Constituição Federal, afirma que 0 artigo 42 da Lei 9.43011996, que trouxe a hipótese de presunção do deposito bancário como omissão de rendimento, e inconstitucional, por não atender ao preceito de que as normas tributarias deverão ser instituídas por Lei Complementar. DA INAPLICABILIDADE DA LEI 9.430/96 PARA PESSOA FÍSICA Analisando a estrutura da Lei 9.430/96, conclui que esta não se aplica ao procedimento de fiscalização do Imposto de Renda da Pessoa Física e que 0 artigo 42 deve ser utilizado quando, durante a fiscalização da pessoa jurídica o fiscal tem acesso as contas bancarias de seus sócios, gerentes, etc. CONSIDERAÇÕES Finais Após dirigir solicitações pertinentes ao serviço de controle da arrecadação, transcreve na integra voto proferido em acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, que concluiu pela irretroatividade da Lei n010.174/2001. A DRJ julga a impugnação procedente em parte, mantendo o lançamento em sua integridade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS Físicas. MA TERIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Inconstitucionalidade A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, par transbordar os limites de sua competência 0 julgamento da matéria. SIGILO Bancário. Incorre quebra de sigilo bancário quando os agentes fiscais, com fins públicos, acessam os dados protegidos por esse instituto, ficando salvaguardada a inviolabilidade dessas informações, pela observância do sigilo fiscal. Lei. 10.174/2001. RETROAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA o artigo 10 da Lei n° 10.174/2001, assim como a Lei Complementar 105/2001, disciplinam 0 procedimento de fiscalização e não os fatos econ6micos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 (CTN, art; 144, § 10). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430/1996, consideramse rendimentos omitidos os depósitos/creditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais 0 contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas da origem da origem dos recursos e capaz de elidir a presunção de omissão de rendimentos regularmente estabelecida. A demonstração do destino dado aos valores depositados/creditados não constitui de per si comprovação da origem dos recursos neles utilizados. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. As tipificações das infrações que ensejam a imputação da multa isolada e da multa de oficio são distintas e, havendo previsão legal para aplicação das duas multas, não pode a autoridade lançadora negarlhes aplicação. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL A 50%. Em se tratando de ato não definitivamente julgado, a multa isolada aplicada peia falta de recolhimento de CarnêLeão deve ser reduzida de ofício pela autoridade julgadora, para 50%, em face de alteração promovida por lei posterior e em obediência ao inciso II, "c", art. 106 do CTN. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte A autoridade de primeira instância entendeu por bem reduzir a multa isolada aplicada ao percentual de 50%. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da verdade real ignorada; Da inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto; Da aplicabilidade da Lei No. 9311/96; Da irretroatividade e inconstitucionalidade da Lei 10.174/01; Do Sigilo Bancário; Da impossibilidade de caracterização de depósito bancário como renda; É o relatório. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 7 11 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001. O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1º do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF No. 35). É de se negar provimento a essa parte do recurso. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: Verificase, pois, que a prova de origem de recursos de valores depositados em contas bancarias requer a apresentação de documentos hábeis e idôneos que permitam a identificação individualizada da natureza dos depósitos, de modo a se verificar se estão ou não sujeitos a tributação por meio de lançamento de oficio. No caso, a comprovação apresentada aponta o destino dado aos valores ingressados na conta corrente e ainda assim, conforme analisou o autuante, não comprovaram suficientemente que sua integralidade ou mesmo a maior parte serviu para pagamentos de materiais e mão de obra. E de se dar razão a autoridade fiscal quando afirma que a prova exigida não foi feita. Com efeito, foram apresentadas apenas três confirmações de contratantes dos serviços prestados pelo Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 8 13 contribuinte, cujos pagamentos foram excluídos da tributação por depósitos bancários e incluídos na tributação de rendimentos recebidos de pessoas físicas (pelo percentual de 4%, que correspondem a remuneração dos serviços). o destino dado aos recursos, desacompanhado de outros elementos, não faz prova da origem dos recursos utilizados nos depósitos. Para tanto, seria imprescindível a apresentação de documentos adicionais que comprovassem cabalmente que os valores depositados nas contas do impugnante foram efetuados pelos contratantes dos serviços para fazer frente as despesas das obras civis e a remuneração dos serviços deste. Sem elementos adicionais, não ha como se considerar hábil a comprovação apresentada. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades de vinculadas a construção cível, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Isolada Cabe reconhecer, que no tocante ao lançamento da multa de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento engloba valores recebidos mensalmente, cujas importâncias foram lançadas de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.008080/200383 Acórdão n.º 2202002.721 S2C2T2 Fl. 9 15 I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que para o ano calendário de 1998, não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 12893.000047/2007-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
O contribuinte pleiteia restituição por dois fundamentos: (a) ter incluído indevidamente na base de cálculo de PIS/Cofins receitas que não configurariam faturamento, arguindo em seu favor a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, e (b) que o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo destas mesmas contribuições, argumentando para tanto a existência de julgamento em andamento no STF.
Este Conselho converteu o julgamento em diligência para que fossem identificadas, pela Unidade de origem, as receitas que o contribuinte alegava estarem excluídas do conceito de faturamento, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º , § 1º, da Lei nº 9.718/98.
Os autos retornaram a este Conselho com a diligência cumprida e o recurso foi, então, incluído em pauta para julgamento.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 10218.721009/2007-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
No caso, a matéria não foi questionada no recurso e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF.
ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2801-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, a matéria não foi questionada no recurso e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF. ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, a matéria não foi questionada no recurso e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF. ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 10 09 /2 00 7- 41 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 2 Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme folhas 01 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2005, no valor de R$ 86.510,00, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 64.882,50 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Agropecuária Vale dos Sonhos LTDA”, cadastrado na RFB sob o nº 3.550.1936, com área declarada de 8.712,0 há e localizado na margem direita do Rio Xingu, Município de São Félix do Xingu/PA. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 02, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da Terra Nua declarado. O valor foi então arbitrado, conforme demonstrativo da folha 03. A DITR/2005 objeto da revisão fiscal está copiada na folha 12, entregue em 24/09/2005, sem informações sobre a existência de Área de Preservação Permanente (APP) e com a informação de 50% (4.356,0 há) de área de Reserva Legal (ARL). Na folha 07 consta cópia do Termo de Intimação, intimando o contribuinte a apresentar Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, com especificidades, e a advertência que a Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 3 falta de comprovação do VTN ensejaria o arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras da RFB – SIPT. O comprovante de ciência está na folha 09. Na folha 38 consta a tela do referido sistema SIPT, com informações sobre o VTN por aptidão agrícola para o Município de localização do imóvel, referentes ao exercício de 2005. Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 19 e seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/BRASÍLIA, nos seguintes termos, em resumo (fl. 39). Disse o Julgador de 1ª instância que: Na impugnação, o contribuinte cita dispositivos da NBR 14.6533, argumentando que não é possível elaborar, em 2007, laudo de avaliação retroativamente ao exercício de 2005, pois não houve coleta de dados àquela época, sendo impossível sua confirmação. portanto, houve cerceamento do direito de defesa, pois não havia como cumprir com a exigência da autoridade fiscal. Por fim, requer a extinção do crédito tributário, por restar prejudicada a elaboração do laudo de avaliação exigido, além de poder provar por todos os meios de prova legais em direito admitidos. Não verificava qualquer nulidade no procedimento fiscal. Caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não comprovado por documento hábil, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR/2005, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei nº 9.393/1996, e artigo 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR). Não há qualquer impedimento para a realização, de forma retroativa, da avaliação do valor fundiário do imóvel (VTN), a preços de 1º/01/2005, podendo o autor do trabalho se valer de negociações efetivadas àquela época, conforme registrado no Cartório de Registro de Imóveis e de outras fontes de pesquisa de preços de terras na região, por exemplo: Corretores de Imóveis, Prefeitura Municipal, INCRA/EMATER/Agranual/FGV/INTERPA, que possuem informações sobre os valores históricos de preços de terras. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois é perfeitamente possível a elaboração de laudo técnico de avaliação, para fins de demonstrar, de forma retroativa, o valor fundiário do imóvel, a preços daquela época (1º/01/2005). Cabe ser mantida a tributação da “Agrop. Vale dos Sonhos Ltda” com base no VTN de R$ 871.200,00 ou R$ 100,00 por hectare, arbitrado pela fiscalização com base no menor valor, por aptidão agrícola, apontado no SIPT, exercício de 2005, para o município onde se localiza o imóvel. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido,.... Não encontrei nos autos o comprovante de ciência dessa Decisão, ao contribuinte. Na folha 47 consta despacho da DRFB à ARF/Redenção/PA para que “se proceda à intimação do contribuinte”, com data de 09/03/2012. No recurso, protocolizado em 13/04/2012, o contribuinte afirma ter tomado ciência pessoal, na Unidade de atendimento da Receita Federal, em 14/03/2012, reputando sua manifestação como tempestiva. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 4 Em sua peça recursal, alega, em resumo, o seguinte: 1 – Aponta haver uma “cobrança em duplicidade”, referente ao ITR/2004, eis que existem lançamentos referentes ao mesmo exercício nos processos 10218.720127/200731 e 10218.720972/200715; 2 – Identifica, equivocadamente, o exercício e a denominação do imóvel objeto desta exigência, constante destes autos; 3 – Diz que na Notificação de Lançamento guerreada, os juros de mora e a multa excederam o valor do crédito tributário, merecendo correção; 4 – Houve tributação sobre área de reserva legal e preservação permanente, equivocadamente. Foi ignorada a exigência legal de se manter como reserva legal, na Amazônia, o percentual de 80% da área do imóvel; 5 – É ilegítima a exigência de apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para comprovar as áreas de reserva legal e preservação permanente. Cita a IN SRF nº 73/2000; 5 – Sugere que sejam revistos o G.U e a alíquota aplicável, na apuração do imposto devido; 6 – Efetua novo cálculo, falando em “reserva averbada” de 80% Desta feita, REQUER que seja reformada a decisão de 1ª instância, para se considerar como reserva legal 80% da área do imóvel; ou que sejam consideradas 50% de área de reserva legal e 50% de área ocupada com pastagens; que os juros de mora incidam à taxa de 1% ao mês, que as notificações e intimações sejam encaminhadas aos Procuradores, com procuração anexa. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Não encontrando nos autos a data em que efetivamente o contribuinte tomou ciência da decisão recorrida, verificando compatibilidade entre as datas de trâmite do processo e o afirmado no recurso e considerando a ampla defesa e o disposto no art. 14, § 1º do CPC, conheço do recurso, reputandoo tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR DE DUPLICIDADE DE COBRANÇA. O contribuinte alega que este processo, de nº 10218.721009/200741, que referese Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2005, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Agropecuária Vale dos Sonhos LTDA”, cadastrado na RFB sob o nº 3.550.1936, com área declarada de 8.712,0 há e Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 5 localizado na margem direita do Rio Xingu, Município de São Félix do Xingu/PA, enseja cobrança em duplicidade com os processos 10218.720972/200715 e 10218.720127/200731. Observo que os dois processos citados referemse ao exercício de 2004, portanto diverso do aqui em comento. A alegação não faz sentido e não vejo nenhum impedimento a que se proceda a análise destes autos. A cobrança de créditos tributários regularmente constituídos, assim como sua constituição de ofício pelo lançamento, é atividade exclusiva da Receita Federal do Brasil, conforme seu Regimento Interno (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012): Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, ..., quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação .... e, especificamente: IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação;(destaquei) Assim, eventual cobrança em duplicidade deve ser alegada e resolvida perante o órgão com jurisdição competente. LIMITES DA LIDE. ALTERAÇÃO DO VTN. Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, também importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 6 tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269) O procedimento fiscal, que culminou com a Notificação de Lançamento onde está expressa “a pretensão do Fisco” e que promoveu alteração nas informações prestadas em DITR/2004 pelo próprio contribuinte limitouse á revisão do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Não apresentando o contribuinte o Laudo Técnico conforme exigido, arbitrou o valor com base em informação constante de sistema de preços de terra – SIPT, da RFB. Na impugnação, o contribuinte disse, em sede material, que a apresentação do Laudo, nos termos exigidos, não era possível, e alegou cerceamento de defesa. Bem debatido o tema pelo Julgador de 1ª instância, que fundamentou seu entendimento para manter a exigência fiscal, no Recurso, mudase totalmente a alegação, não mais se falando sobre o valor da terra nua, mas requerendo que se considere como área isenta de tributação a “reserva legal”. No recurso, o contribuinte deve recorrer daquilo que foi decidido pela instância a quo, dentro dos limites da lide. O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Não pode desenvolverse aleatoriamente, com alegações que se alteram em cada fase, sob pena de não atingir seus objetivos. Assim, não tendo expressamente questionado a matéria atinente à alteração do VTN, procedida pela Autoridade Fiscal e mantida pela DRJ, considerase a mesma não recorrida e fora do litígio, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Não obstante, por amor ao debate, já é ponto constante de diversas decisões neste CARF, a possibilidade de utilização do VTN por aptidão agrícola, calculado a partir das informações sobre preços de terras referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 1ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 7 SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) ALTERAÇÃO DE DADOS INFORMADOS NA DITR, QUE NÃO FORAM OBJETO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A existência da obrigação acessória de prestar declarações ao Fisco raramente diz respeito a um lançamento por declaração. Não é sua existência que define a modalidade de lançamento, mas quem efetua os cálculos e define o montante a pagar. Assim, o ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação e não por declaração. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações, com eficácia imediata. É de se citar LEANDRO PAULSEN: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 8 “... O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento...Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Poderá também ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos...” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1054) O STJ já reconheceu a possibilidade do contribuinte socorrerse da via judicial para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança de imposto. (STJ, 2ª T. Resp 1015623/GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, maio/2009). Assim, considerando o art. 145, III, e o art. 149, VIII, todos do CTN, em homenagem ao princípio da verdade material, seria possível conhecer de documentos eventualmente acostados aos autos, apresentados juntamente com a impugnação ou recurso, para analisálos. O contribuinte quer ter alterados dados que foram informados na DITR, como ARL (área de reserva legal) e área de pastagens, sem juntar os documentos necessários a que se comprove o erro de fato ao declarar e se possa proceder a alterações de ofício em sua DITR. Declarou 4.356,0 hectares de reserva legal, o que corresponde a 50% da área total do imóvel (incluída na área não tributável), e 360,0 hectares como área de pastagens (incluída na área utilizada pela Atividade Rural), ambas consideradas na apuração do lançamento, bastando observar o demonstrativo, na folha 03. Não há um Laudo ou qualquer outro comprovante da existência de pastagens em área superior ao declarado, como pretende o Recorrente, tampouco que ateste a existência de reserva legal de 80% da área total do imóvel. Não obstante esses critérios materiais, há ainda a ausência de formalidades para que se considere, por exemplo, as áreas isentas de reserva legal e preservação permanente. Vejamos. DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à isenção, ao contrário do que afirma o Recorrente, deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 9 ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Bem, penso que a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documenta e cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou em relação ao assunto: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação “da reserva legal” (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 10 topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos. Apesar de em sua proposta de cálculo o contribuinte falar em “reserva averbada” não apresentou a Certidão de Matrícula do imóvel onde esteja constando a averbação. Além disso, temos a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 11 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Destaquese que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Também não apresentou tal documento, nos autos. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim estabelece: “Art. 14 (...) § 1º (...) § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 12 Importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS JUROS DE MORA Destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” Ademais, o art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Neste sentido, decidiu a 2ª Turma da CSRF, conforme Acórdão nº 9202 01.806, julgado na sessão plenária de 16 de fevereiro de 2012, cuja ementa transcrevese a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado.” CONCLUSÃO. O contribuinte não apresentou recurso em relação ao VTN arbitrado. Mantémse o arbitramento. A alteração posterior da DITR é possível quando comprovado erro de fato com base em documentos hábeis e idôneos. A falta de comprovação inequívoca não autoriza que seja retificada declaração, no curso de processo administrativo de exigência fiscal, mormente quando tais dados não foram objeto de lançamento de ofício. Além disso, não se Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 13 demonstra o cumprimento de requisitos formais previstos em lei para o gozo de isenção pretendida. Mantida a exigência dos juros de mora e da multa de ofício, conforme lançamento. Assim, face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911748/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2003
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 48 /2 00 9- 56 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 163DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911748/200956 Acórdão n.º 3802003.477 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10235.001551/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRABALHISTAS RECEBIDOS DE FORMA PARCELADA EM MAIS DE UM ANO-CALENDÁRIO. NÃO RETENÇÃO DO PRIMEIRO ANO. RETENÇÃO EM ANOS POSTERIORES RELATIVAMENTE AO RENDIMENTO DO PRIMEIRO ANO. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NO MESMO ANO-CALENDÁRIO EM QUE OS RENDIMENTOS SÃO TRIBUTADOS.
O recebimento de rendimentos de forma parcelada em mais de um ano-calendário de forma que no primeiro ano não tenha havido a retenção, a qual se deu em ano posterior de forma discriminada em relação aos rendimentos do primeiro ano calendário, implica tributação dos rendimentos no ano-calendário do recebimento e, neste mesmo ano-calendário, a compensação do imposto retido na fonte, posto que comprovado ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de IRRF no valor de R$27.680,60 (vinte e sete mil, seiscentos e oitenta reais e sessenta centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRABALHISTAS RECEBIDOS DE FORMA PARCELADA EM MAIS DE UM ANO-CALENDÁRIO. NÃO RETENÇÃO DO PRIMEIRO ANO. RETENÇÃO EM ANOS POSTERIORES RELATIVAMENTE AO RENDIMENTO DO PRIMEIRO ANO. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NO MESMO ANO-CALENDÁRIO EM QUE OS RENDIMENTOS SÃO TRIBUTADOS. O recebimento de rendimentos de forma parcelada em mais de um ano-calendário de forma que no primeiro ano não tenha havido a retenção, a qual se deu em ano posterior de forma discriminada em relação aos rendimentos do primeiro ano calendário, implica tributação dos rendimentos no ano-calendário do recebimento e, neste mesmo ano-calendário, a compensação do imposto retido na fonte, posto que comprovado ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Recurso provido em parte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRABALHISTAS RECEBIDOS DE FORMA PARCELADA EM MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO. NÃO RETENÇÃO DO PRIMEIRO ANO. RETENÇÃO EM ANOS POSTERIORES RELATIVAMENTE AO RENDIMENTO DO PRIMEIRO ANO. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NO MESMO ANO CALENDÁRIO EM QUE OS RENDIMENTOS SÃO TRIBUTADOS. O recebimento de rendimentos de forma parcelada em mais de um ano calendário de forma que no primeiro ano não tenha havido a retenção, a qual se deu em ano posterior de forma discriminada em relação aos rendimentos do primeiro ano calendário, implica tributação dos rendimentos no ano calendário do recebimento e, neste mesmo anocalendário, a compensação do imposto retido na fonte, posto que comprovado ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de IRRF no valor de R$27.680,60 (vinte e sete mil, seiscentos e oitenta reais e sessenta centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 15 51 /2 00 9- 37 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário cujo julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 220200.269, de 11 de julho de 2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado e aproveitase o Relatório constante da citada Resolução, no que retrata os autos até a interposição do recurso voluntário. ROSIVAL GONÇALVES DE ALBUQUERQUE, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 113.532.36668, com domicílio fiscal na cidade de Macapá, Estado do Amapá, à Rua São José, n.º 1220 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Macapá AP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls.83/92, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 98/102. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 02/12/2009, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 22/29), com ciência através de AR, em 07/12/2009 (fls. 31), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 64.595,89 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondentes ao anocalendário de 2004.É o relatório. Da ação fiscal resultou a constatação de omissão de rendimentos oriundos de decisão da Justiça do Trabalho no processo n° 997/199020108004, conforme certidão emitida pela Ia Vara Federal do Trabalho de Macapá, cuja cópia segue anexa a este Auto de Infração, que atesta o recebimento, no anocalendário 2004, do valor bruto de R$ 112.019,18 e sobre o qual não houve, à época, retenção de Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Os valores devidos a todos os exeqüentes do processo 997/199020108004 foram pagos em várias parcelas ao longo dos anos de 2004, 2006 e 2007. Entretanto, os valores correspondentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Previdenciária referentes ao montante recebido em 2004 somente foram retidos sobre os valores pagos em 2006 e 2007. De acordo com os arts. 2o e 3o da Lei n° 8.134/90, o Imposto de Renda Pessoa Física é devido à medida que os rendimentos forem percebidos, inclusive no caso de rendimentos percebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial (art. 640 do Decreto n° 3.000/99). Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º, da Lei n° 8.134, de 1990 e arts. 1º ao 3º e §§, da Lei n° 7.713, de 1988. Irresignado com o lançamento o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 06/01/2010, a sua peça impugnatória de fls. 33/39, instruído pelos documentos de fls. 40/79, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.001551/200937 Acórdão n.º 2802003.028 S2TE02 Fl. 115 3 que os tributos calculados e recolhidos tendo como base de cálculo os rendimentos brutos beneficiaram o Erário Público, que recebeu além do que lhe era devido; que consoante a norma insculpida no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; que na dicção do Parágrafo único do art. 45 do CTN, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam; que, destarte, de acordo com o que preceitua o Código Tributário Nacional, a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo pagamento do imposto cuja retenção e recolhimento a que estava obrigada. Realcese que o contribuinte continua sendo aquele que aufere a renda, a fonte pagadora é apenas responsável, na inteligência do art. 121 do CTN; que corroborando o acima descrito, ainda que se admitisse o entendimento jurídico adotado pela RFB, o ente tributante não teria legitimidade para cobrar o Imposto de Renda tendo em vista a prescrição contida no citado art. 722 do Decreto nº 3.000/1999. Aqui, atribuise a fonte pagadora do rendimento o dever de recolher o imposto, mesmo que não o tenha retido; que a relação tributária se fixa desde a ocorrência do fato gerador entre a União e a Justiça do Trabalho, fonte pagadora, passando o contribuinte a ostentar apenas uma relação econômica com o fato gerador, eis que foi o mesmo que obteve o acréscimo patrimonial. Daí porque, não obstante seja a fonte pagadora a única responsável pelo recolhimento do Imposto de Renda, cabe à mesma descontar do valor pago, porquanto é o contribuinte o titular da renda, competindo ao mesmo (contribuinte) arcar com o ônus econômico do imposto, o que de fato ocorreu. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belém PA, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que não consta DIRF entregue pela Justiça do Trabalho e na declaração de rendimentos relativa ao exercício 2005, relativamente à ação trabalhista, o contribuinte não declarou o valor recebido naquele ano de R$ 112.019,18, conforme informado na Certidão emitida pela Justiça do Trabalho, às fls. 12, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração; que a certidão emitida pela 1ª Vara do Trabalho de Macapá, encaminhada por meio do Ofício nº 20135/ 2009, de 12/03/2009, às fls. 11/12, informa que os valores do imposto de renda recolhido em 2006, R$ 22.238,40 e 2007, R$ 14.822,60, foi calculado sobre o valor bruto de verbas pagas em 2004; que se verifica que os rendimentos recebidos em 2004 não foram declarados pelo contribuinte na DIRPF 2005, por entender que a responsabilidade seria exclusivamente da fonte pagadora; que os rendimentos auferidos por pessoa física, por regra, são tributáveis no momento em que o contribuinte já tem a disponibilidade efetiva da renda. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Vale dizer, a tributação da pessoa física se dá pelo regime de caixa, e não pelo de competência. O imposto só atinge o rendimento quando os valores já se encontram à disposição do contribuinte; que, no caso em tela, a ação fiscal foi iniciada após o prazo de entrega da DIRPF exercício de 2005, não havendo que exigir da fonte pagadora o imposto de renda que deveria ter sido retido, nem deverá ser considerado líquido o valor recebido pela pessoa física, beneficiária dos rendimentos, não havendo fundamentação legal que embasasse o reajustamento da base de cálculo do imposto de renda. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. REGIME DE CAIXA. Os rendimentos auferidos por pessoa física, por regra, são tributáveis no momento em que o contribuinte tem a disponibilidade efetiva da renda, observando o regime de caixa, nos termos dos arts. 37, 38 e 39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto nº 3.000, de 26/03/1999. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 02/05/2011, conforme Termo constante às fls. 93/95, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (01/06/2011), o recurso voluntário de fls. 98/102, instruído com o documento de fls. 103, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Em razão de o Relator não mais integrar o CARF, houve a redistribuição a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. É oRelatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10235.001551/200937 Acórdão n.º 2802003.028 S2TE02 Fl. 116 5 Já conhecido o recurso voluntário, passase a examinar as alegações recursais. Relativamente à alegação de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Eis o enunciado sumular: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Os autos evidenciam o recebimento dos rendimentos por força de um acordo no bojo de ação trabalhista, mas não há elementos que permitam concluir que o caso se amolde às situações regidas pela interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 tal como indicado pelo STJ no REsp 1118429/SP (tributação de rendimentos acumulados). É incontroverso o recebimento do rendimento em 2004, até aqui a autoridade fiscal agiu corretamente em reputar a omissão dos rendimentos em 2004. Entretanto, um fato relevante é juntada certidão da Vara do Trabalho de fls. 12. A análise contextualizada dos autos permite concluir que, nessa certidão, a expressão exercício deve ser lida como anocalendário. O realçado documento certifica que, no ano de 2006, foi recolhida a importância de R$16.608,36 e, no ano de 2007, R$11.072,24, ambos a título de IRRF relativo ao montante bruto de R$112.019,18 pago em 2004 e que as correspondentes cópias dos DARF seguiram anexas ao ofício que encaminhou a certidão à Receita Federal. Essa certidão é hábil e idônea para comprovar que houve uma retenção – ainda que extemporânea – de IRRF de R$27.680,60, referente ao rendimento recebido e tributado de ofício em 2004, o que evoca a aplicação do IV do art. 12 da lei 9.250, 1995. Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Desta feita, o lançamento da omissão de rendimentos de R$112.019,18 (fls. 24/25) somente se legitima com a compensação do correspondente IRRF de R$27.680,60, providência não adotada pela autoridade fiscal (fls. 27), o que implica refazer o demonstrativo de apuração do imposto, no qual constou como imposto (original) apurado quantia superior, qual seja: R$27.724,75. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Anotase que esta decisão limitase a aferir a legalidade do lançamento combatido, não tem o condão de reconhecer direito a restituição, posto que seria matéria estranha ao litígio e o recurso voluntário não configura pedido de restituição, que se sujeita a regras e prazos próprios. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de IRRF no valor de R$27.680,60 (vinte e sete mil, seiscentos e oitenta reais e sessenta centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13603.905782/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique a remessa dos royalties e a medida do crédito utilizado, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO. Versa o imbróglio sobre a não homologação de declaração de compensação transmitida pela contribuinte, em razão do mesmo não haver logrado comprovar de maneira inconteste a certeza, liquidez e a exigibilidade do direito creditorio, oriundo de Cofins Importação de Serviços, código de receita 5442, sob a alegação de se tratar de recolhimento indevido a título de Cofins, proveniente de pagamento de royalties a empresa sediada no exterior, o que lhe daria o direito à compensação de tais valores (DARF de R$ 29.786,89 valor original), com débito de mesma natureza relacionado ao período de apuração de março/2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 05 78 2/ 20 12 -7 0 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 15 2 A autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório constatou a inexistência de saldo credor o bastante para solver a compensação declarada, eis que o crédito informado na DComp transmitida foi integralmente utilizado para a liquidação de outros débitos própros. Com a ciência do despacho decisório adveio a manifestação de inconformidade, quando aduziu ser o valor original do DARF declarado em DCTF, utilizado para pagamento de licença de uso da marca (royaties), não gerando com isso uma contrapartida de serviços provenientes do exterior. Assim sendo sobre tais valores não incide a Cofinsimportação de serviços. Para consubstanciar a sua tese menciona fragmentos do processo de consulta nº 263/11, exarado pela SRRF/8ª RF, que versa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e firma conclusão de que o pagamento ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, por simples licença de uso de marca, a título de royalties, não caracteriza contrapartida de serviços provenientes do exterior, não cabendo, portanto, a hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasepimportação, bem assim para a Cofinsimportação. A contribuinte informou que à época dos fatos apesar de haver identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, cometeu a falha de não retificar a DCTF original que informava o valor indevido, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pelo sistema da RFB. Finalmente, nos termos do caput e do § 1º do art. 11 da IN SRF nº 903/08, apresentou à repartição fiscal a DCTF retificadora, com a mesma natureza da original, que a substituiu integralmente, eficaz para declarar novos/velhos débitos, entretanto a mesma não foi recepcionada pela RFB, eis que já havia decorrido mais de cinco anos de janeiro/07, contados consoante a regra esculpida no artigo 173, I, do CTN. A título de elemento probante de seu direito apresentou cópia de uma fatura de pagamento de royalties, com base em suposto contrato vigente em 2000/2001. Conclusos foram os autos para apreciação pela 2ª Turma da DRJ/BHE que, em sessão realizada em 09/07/13, por meio do Acórdão nº 0245.973, proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante a ementaadiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão constantes do voto condutor do acórdão em questão, resumidamente, entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 16 3 iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, o que não ocorreu no caso. Ademais disso o aresto firmou posição que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, conforme reza o Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação, e que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Uma vez ciente do teor da decisão de piso em 19/08/13 (vide AR), a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 18/09/13, para aduzir resumidamente: Em 13/12/00 celebrou um acordo de licenciamento para uso de marcas diversas de propriedade da Licenciante, empresa italiana denominada F. L. Itália S.p.A (doc. 06) e, desde então, remete ao exterior mensalmente pagamento a título de royalties pela exploração dessas máquinas (doc. 07). Deduziu que da leitura do aditivo contratual datado de 08/10/01 (doc. 06) e com efeitos retroativos à data da contratação inicial, não se tem dúvidas de que o objeto do contrato é EXCLUSIVAMENTE o licenciamento para uso de marcas, não envolvendo importação de quaisquer serviços conexos. Todavia, através de 52 despachos decisórios distintos a autoridade administrativa não homologou as compensações declaradas, pelo fato de que a recorrente não havia retificado as informações em sua DCTF, anteriormente ao protocolo dos pedidos de compensação. Alegou a contribuinte possuir direito creditório oriundo de Cofinsimportação, referentes à remessas de royalties para o exterior, apurados desde janeiro/2007 a maio/2011, atrelados ao mesmo contrato já referenciado. Por conseguinte, apresentou 52 pedidos de compensação, atinentes a recolhimentos indevidos, com idêntica fundamentação e resultados de decisões pela DRJ/BHEMG. Para consubstanciar o alegado menciona julgados no âmbito do CARF (10860.905038/200941, em 23/04/13), AC. CSRF/0304.382 (26/12/06), e a solução de divergência COSIT nº 11, de 28/04/2011. A fim de possibilitar o julgamento em conjunto dos 52 processos, por sua vinculação, a contribuinte requereu a reunião dos autos, ex vi do art. 47 do RICARF/09, com redação da Portaria MF nº 586/10. Arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência no seu interesse. Arguiu sobre a possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp. Sustentou que não há norma procedimental, seja ela de ordem legal ou regulamentar, que impeça a retificação da DCTF em período posterior ao despacho decisório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 17 4 Mesmo o art. 9º da atual IN/RFB 1.110/2010, veda a retificação que vise à redução ou alteração de (i) débitos que já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida ativa da União, ou (ii) que tenham sido objeto de procedimento de fiscalização. No presente caso, nenhuma das hipóteses de vedação está presente, uma vez que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. No mais a decisão administrativa versa sobre pedido de compensação, que pressupõe confissão de débito confessado pelo contribuinte, a ser compensado, não pode ser considerada como procedimento fiscal procedimento destinado a apurar débito do contribuinte. Enfatizou que o próprio CARF já admitiu que não há nenhum impedimento à retificação da DCTF após o despacho decisório, não estando tal direito, portanto, condicionado à prévia retificação da declaração, conforme decisões contidas nos Acórdãos 3802001.849 (25/06/2013), 380201.005 (22/05/12), 380201.125 (28/07/12), 330200.809 (03/02/11). A defendente arguiu acerca da necessidade de recebimento da DCTF de ofício pela autoridade administrativa, ante a impossibilidade de transmissão eletrônica, relativamente a declarações originais transmitidas há mais de cinco anos, por restrição formal à verdade material, contra senso que não pode ser admitido. Nesse passo mencionou que inobstante não haja prescrição do direito ao crédito, posto que a compensçaão foi realizada dentro do prazo prescricional quinquenal, a retificação da DCTF está sendo obstada pelo sistema, de forma a impedir a comprovação da verdade material. Justificou que é por conta dessa situação que a DCTF retificadora, relativa ao crédito postulado do ano base de 2007, está sendo ora apresentada em versão impressa, a fim de que V. Sas, determinem o seu processamento e, via de consequência, analisem o seu conteúdo para fins de deferimento do direito creditório. Menciona fragmento do Acórdão 3802001.642, de 28/02/13, para consubstanciar a sua tese. A comprovação documental do direito de crédito da recorrente fazse mediante a apresentação do contrato de licença para uso de marcas (sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties, e memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas). Aduziu que outro não foi o entendimento firmado pelo Acórdão 3801001.813, em análise de matéria e de situações fáticas idênticas, julgado em 23/04/13. Resumidamente, esclareceu que a comprovação do pagamento indevido de Cofinsimportação sobre royalties, fezse mediante a retificação da DCTF e, com isso, deuse o reconhecimento do direito creditório. Em suma a retificação foi realizada para fins de desvincular a existência de débitos atrelados aos pagamentos de Cofinsimportação que foram realizados (doc. 04), a fim de que a declaração espelhasse a existência do crédito compensável (pagamento sem respectivo débito vinculado = crédito compensável). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 18 5 Ou seja, para a recorrente tratase de mero erro formal incorrido, que não altera a situação fática, na qual ela efetuou o pagamento do débito de Cofinsimportação indevidamente, o que lhe garante o direito de restituir/compensar tal quantia correspondente. A título de requerimentos temse: A reunião dos 52 processos conexos para julgamento em conjunto, em razão de sua interdependência, a fim de evitar eventual julgamento despido de congruência. O reconhecimento da integralidade do direito creditório e, via de consequência, a homologação integral da compensação processada via Per/DComp referenciado nos autos (doc. 05). Caso se entenda pela baixa dos autos em diligência para que a 2ª turma da DRJ/BHE reaprecie a questão à luz das provas juntadas aos autos em sede recursal, requer o provimento do presente recurso nestes termos, a exemplo do que ocorrido em sessão de julgamento de 28/06/2012, nos autos do PAF nº 16443.000318/201045, (Resolução nº 3402 000.422, da 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara). Caso ainda se entenda que são necessárias outras provas documentais para evidenciar o direito creditório postulado, a fim de se confirmar ainda mais a verdade material, requerse seja determinada a baixa dos autos em diligência, com intimação da recorrente para que possa providenciar o suporte documental julgado indispensável e ainda não acostado aos autos, retornando em seguida ao CARF para conclusão do julgamento. A recorrente fez colação aos autos dentre outros documentos, de cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia do contrato de licença para uso de marca comercial e respectivo aditivo contratual (doc. 06); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Por fim relacionou os processos que pretende sejam julgados em conjunto, a saber: É relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 19 6 VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese à comprovação pela recorrente da existência de certeza e de liquidez do direito creditório alegado, da existência ou não de prescrição do direito à repetição do indébito, bem assim da suficiência de crédito para a extinção dos débitos declarados por meio de Per/DComp, no período de janeiro/2007 a maio/2011. A decisão a quo ao examinar a controvérsia entendeu que, sendo a transmissão da Declaração de Compensação de iniciativa do contribuinte, ao mesmo cabe demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório alegado, de acordo com o disposto no artigo 333, I e II, do CPC, para concluir que na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Ademais disso o aresto mencionou que o prazo estabelecido pela legislação para a constituição do crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada, mediante a aplicação ao caso vertente, por analogia do contido no Parecer COSIT nº 48, de 07/07/99, que trata da declaração de rendimentos, para concluir que diante disso, decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. Em oposição às razões de decisão do acórdão recorrido a contribuinte informou que a origem do direito creditório resulta do indébito de CofinsImportação, proveniente da remessa de royalties para o exterior pela exploração de máquinas, no período de apuração compreendido entre janeiro/2007 a maio/2011, respectivamente. A título de comprovação ao alegado colacionou aos autos, em sede de recurso, cópia xerográfica do contrato de licença para uso de marcas (doc. 06 sem qualquer serviço conexo), que embasa a apuração do indébito de Cofinsimportação sobre royalties; as memórias do faturamento total da recorrente pelo uso das marcas (royalties de 1%, remetidos ao exterior, conforme invoices juntadas); cópia do comprovante de pagamento indevido da Cofinsimportação (doc. 04); cópia da fatura comercial de pagamento de royalties e respectivo demonstrativo de cálculo (07); e cópias das DCTF's original e retificadora de declaração do direito creditório da Cofinsimportação (08). Uma vez apresentados tais documentos a título de elementos probantes da existência do direito credittório suscitado, a recorrente arguiu acerca da possibilidade de juntada de provas e documentos em sede recursal, mencionando doutrina e jurisprudência administrativa no seu interesse. Arguiu também acerca da possibildade de retificação da DCTF, para declaração do direito creditório existente, mesmo após o despacho decisório de não homologação da DComp, sustentando pela inexistência de norma legal ou regulamentar que impeça o feito, notadamente tendo em vista que os créditos não foram remetidos para inscrição em dívida ativa. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 20 7 Finalmente a recorrente, acerca da decisão administrativa, arguiu que pressupondo ser o pedido de compensão uma confissão de débito formulado pelo contribuinte, não pode ser considerado como procedimento fiscal, tendente à apuração de débito. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: a) Há nos autos cópia de comprovante de pagamento indevido da Cofins Importação, confirmado pelos sistemas de arrecadação da RFB (extrato de comprovante de arrecadação), que menciona o valor do pagamento efetuado, a data de vencimento da obrigação, o código da receita arrecadada e o código de controle eletrônico de realização da operação, ou seja houve o recolhimento do valor do indébito de R$ R$ 29.786,89 (informado no pedido de compensação não homologado doc. 05), valor esse constante do despacho decisório, como sendo o valor originário utilizado (doc. 03); b) Há nos autos cópia do Contrato de Licença para Uso de Marca Comercial e para Transferência de knowhow em marketing e propaganda, e o respectivo aditivo, celebrado com a proprietária da marca, que atestam a origem e justifica a remessa de royalties para o exterior, por conseguinte a origem do indébito (doc. 06); c) Há o Certificado de Averbação nº 010589/10 (Processo INPI/DIRTEC), fornecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em conformidade com o art. 211, Lei nº 9.279/96, que autoriza o licenciamento exclusivo dos produtos objeto do contrato em comento, inclusive estabelece o valor percentual do faturamento líquido mensal (1%), que é remetido para o exterior mensalmente, em cumprimento de cláusula contratual de nº 3, pois representa a remuneração para a licença de uso das marcas listadas no Anexo I, com informações atualizadas até 24/04/2012 (doc. 06); d) Constam dos autos cópia da fatura comercial de pagamento de royalties (Invoice nº 1107160012 e data 17/01/2007), cujo campo de descrição menciona os royalties relacionados ao contrato em comento, e respectivo demonstrativo de cálculo dos tributos recolhidos e incidentes sobre a cofins no valor de R$ 22.801,26, para a data de 17/01/2007, em conformidade à Lei nº 10.865/ (doc. 07); e, por fim, e) Constam dos autos cópia da DCTF original (vide fl. 12/22, débito apurado e créditos vinculados/pagamento) e retificadora (vide fls. 15/16), correspondente ao mês de janeiro/2007, em substituição àquela original de nº 19.15.32.19.5906, onde não mais registra valores de créditos vinculados/pagamento e sujeitos a compensação, em razão da realização de pagamento a maior ou indevido (doc. 08). No que atine à colação aos autos de documentos e de razões complementares à defesa contida na exordial, mesmo que extemporaneamente, a jurisprudência administrativa firmou escólio a respeito dessa possibilidade, em razão da natureza do informalismo ou do formalismo moderado que regem o processo administrativo, em conformidade ao disposto na Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 21 8 Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários por força de seu art. 69, que autoriza a autoridade administrativa a rever os seus próprios atos, conforme estabelece o art. 65 desse mandamus, bem assim por não prejudicar o desenvolvimento do processo em trâmite e, principalmente por dar a oportunidade para que se exerça o princípio da verdade material, inclusive no caso vertente, pois as provas acostadas foram úteis para auxiliar na formação da convicção deste julgador acerca da existência do direito creditório. Quanto ao direito creditório alegado, proveniente da não incidência de Cofins Importação, para os royalties remetidos ao exterior, em razão da concessão de direitos pelo uso de marcas, de transferência de conhecimento e de tecnologia, o mesmo encontra respaldo no contido na legislação tributária vigente. Neste sentido se transcreve excertos extraídos do Acórdão nº 3801001.813, cuja sessão de julgamento se realizou em 23/04/13 (fl. 208), cujo voto condutor ao apreciar caso semelhante, fundamentou suas razões de decidir de acordo com a legislação tributária vigente e aplicável ao caso em concreto, inclusive citando a solução de divergência nº 11, de 28 de abril de 2011, senão vejamos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Os “royalties”, no direito pátrio são remunerações decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, além do direito de explorar recursos vegetais, minerais e direitos autorais, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506/64,in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 22 9 c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. e) Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Da simples leitura efetuada da transcrição acima fazse possível inferir que estão contemplados os requisitos para a não incidência da CofinsImportação ao caso de que se cuida, eis a matéria sob exame e o contrato possui as características de contrato de knowhow, por cessão de direitos, concedente de autonomia administrativa e financeira ao licenciado, versam sobre o licenciamento de patentes (marcas), os produtos licenciados estão descritos no Anexo I, os valores devidos a esse título encontramse expressos, e não há serviços conexos. Assiste razão à recorrente quanto a existência de direito creditório sob tal argumentação. Passase ao exame da decadência/prescrição do direito ao exercício da compensação pelo sujeito passivo, de indébito oriundo de erro formal. Defende o Fisco que a constituição do crédito tributário em definitivo se dá com a entrega da DCTF, por constituir confissão de débito irrevogável e imprescritível, pela via do autolançamento, o que implica no afastamento do instituto da decadência, como no marco inicial para a promoção da execução fiscal, bem assim para a contagem do prazo quinquenal prescricional, o que se dá nesse caso, sob o auspício do contido nos incisos I, V, ou VII, do art. 156, ou mesmo de acordo com o disposto no art. 174, I, ambos do CTN, sendo que esta hipótese ocorre pela ausência do exercício do direito de ação do sujeito passivo. É o que se verifica do artigo 156, I , V e VII, do CTN (Lei 5.172/66), in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...); V a prescrição e a decadência; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. (Grifei). À hipótese descrita no inciso I do artigo 156 aplicase a regra de contagem do prazo previsto no art. 168, I, c/c o disposto no art. 165, I, ambos do CTN, cujo dies a quo é a data do pagamento. À hipótese descrita no inciso V corresponde à ausência da constituição do crédito tributário ou à ausência do exercício de cobrança, ou do direito de ação do sujeito passivo, contado de acordo com as regras estabelecidas no art. 150, §§ 1º e 4º, ou do art. 173, I, do CTN. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 23 10 À hipótese contemplada no inciso VII, específica para os casos de lançamento por homologação, para que ocorra a extinção se faz necessário a realização tanto do pagamento antecipado, quanto da ulterior homologação pela autoridade administrativa, é o que determinam os dispositivos contidos no caput e §§ 1º e 4º do CTN, verifiquese: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...); § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O fundamento legal suso transcrito encontra guarida no § 2º do mesmo mandamus, vejamos: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Como visto a condição para a extinção do crédito tributário no lançamento por homologação dáse, exclusivamente, com o pagamento antecipado e a ulterior homologação desse lançamento pela autoridade administrativa, eis que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo, visando à extinção desse crédito. Com o advento da LC nº 118/05, que veio com a finalidade dentre outras de interpretar o contido no inciso I do artigo 168 do CTN, as regras de contagem do prazo decadencial/prescricional sofreram alteração substancial, passando a contagem desse prazo, para os créditos constituídos anteriormente ao dia 09/05/2005, ter a duração de dez anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, nos casos de constituição do crédito após essa data, o prazo da contagem passou a ser de cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo devido. Assim sendo, com o fito de disciplinar a aplicação da regra adequada no âmbito do CARF, veio o RICARF/2009, por meio do seu art. 62A, a determinar que os conselheiros deste órgão judicante, passassem a utilizar essa regra nos julgamentos de processos administrativos fiscais. Cumpre registrar que a narrativa até então efetuada, tem a finalidade de circunstanciar as situações jurídicas, onde a cobrança ou o pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, relacionase à RESTITUIÇÃO parcial ou total, em face da Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 24 11 legislação tributária aplicável, ou das circunstâncias materiais do FATO GERADOR efetivamente ocorrido, ex vi do art. 165, I, do CTN. Ressaltase, por relevante, que no caso sob exame, como já visto não se trata de restituição de tributo pago indevidamente/maior que o devido, porém de declaração de compensação eletrônica transmitida em 18/11/2011, cuja hipótese de extinção do crédito tributário encontrase prevista no art. 156, II, do CTN, tratandose neste caso de direito potestativo do sujeito passivo. Acrescentese a isto o fato de que não há incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de royalties, em conformidade com o disposto no caput e § 1º do art. 1º e inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865/04. Vale dizer que no caso em apreço não há se falar em tributo recolhido, porém há a existência de um erro de fato, configurado em razão de recolhimento indevido realizado pelo sujeito passivo, de natureza financeira (não há incidência tributaria sobre royalties remetidos para o exterior nas condições do caso sob exame), portanto, que não tem o condão de fazer surgir à ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, pois não há subsunção desse recolhimento indevido à quaisquer das hipóteses previstas no art. 165, I, do CTN, que trata de restituição, em face da legislação aplicável e, desde que, ocorra as circunstâncias materiais efetivas do fato gerador. Descartada, então, a possibilidade de utilização do instituto da restituição neste caso. Logo, não havendo ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, por conseguinte não há a instalação da relação jurídica tributária ensejadora da subsunção do fato à norma legal primária, ou mesmo àquela sancionadora. Também não se verifica as possibilidades para se estabelecer os critérios da regra matriz de incidência tributária e aplicá los ao caso concreto, pois, in caso, não há exigidor, nem exigido. Ao tratar de tributo indevidamente pago, notadamente dos temas “prazo extintivo do direito de pleitear restituição e o direito de compensar”, o jurisconsultor e Prof. Hugo de Brito Machado, assim se referiu: A Constituição Federal assegura a todos o direito de pagar apenas os tributos que tenham sido estabelecidos em lei. Em outras palavras, assegura o direito de não pagar tributos legalmente indevidos. Em sendo assim, é induvidoso o direito do contribuinte que tenha pago um tributo indevido de obter a restituição respectiva, ou de fazer a compensação do valor respectivo com tributo que deva pagar O direito à restituição, todavia, não se confunde com o direito à compensação. Por isto mesmo o prazo extintivo, restrição legalmente prevista para o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente, não se aplica ao direito de compensar. Normas restritivas de direitos não podem ser objeto de interpretação ampliativa de alcance. Este é um princípio da hermenêutica jurídica universalmente consagrado. Dúvida, portanto, não pode haver. “Não se aplica o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 25 12 respeito tão somente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago, mas não à compensação de tributos1” Nem poderia ser de outra forma. “O direito de compensar é um direito potestativo, porque o seu exercício independe da vontade, e pode dar se mesmo contra a vontade da Fazenda Pública. Só em situações excepcionais os direitos potestativos são alvo de extinção, pela decadência, que a lei estabelece apenas para aqueles direitos potestativos cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social”2. (...). 6. Síntese conclusiva É possível, portanto, concluirse que: f) O prazo extintivo de que se cuida não se aplica ao direito de fazer a compensação de tributo pago indevidamente, que é direito potestativo e portanto imprescritível. (Grifei). É isto. O direito de compensação de indébito de natureza financeira, pago indevidamente, é direito potestativo, portanto imprescritível. Já a declaração retificadora decorre de uma necessidade imposta pelo Fisco, em face do “autolançamento”, para atender ao regime do lançamento por homologação e ao curto prazo estabelecido para a apuração do tributo devido, além do adimplemento da obrigação acessória, ante à complexidade da legislação fiscal vigente. Outrossim, a declaração retificadora não importa em novo reconhecimento de débito existente, nem tampouco em interrupção do prazo prescricional, uma vez que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada ao Fisco, substituindoa integralmente, inclusive servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores, sendo esta a modalidade do caso de que se cuida, tudo isto de acordo com o disposto na IN SRF nº 842/04. A DCTF retificadora não tem o condão de revisar o lançamento que não existiu, como no caso em comento (autolançamento = ausência de lançamento), por força do disposto no art. 142, ou mesmo porque a revisão de lançamento somente tem lugar quando ocorre uma ou mais das hipóteses descritas no art. 149, ambos do CTN, o que também só pode ser realizada pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilização funcional. E mais, entendo que é a DCTF original a ensejadora à ocorrência do fato gerador, pois declara a existência da obrigação e da constituição do crédito tributários, representa a confissão de dívida irretratável e irrevogável, o que dispensa qualquer outra providência nesse sentido, inobstante tal procedimento constitua um mero dever instrumental. 1 TRF da 4ª Região, Embargos de Declaração na AC nº 97.04.039174SC, DOU II, de 02/07/97, p. 50898, e RDDT Nº 26, P. 141 Trânsito em julgado em 04/07/2002, DOU de 16/07/2002. 2 Agnelo Amorim Filho, Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as ações imprescritíveis, em Revista Forense, nº 193, p. 39 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 26 13 É dessa maneira que tem se pronunciado o Poder Judiciário, cujo entendimento do julgado, a título de exemplo, transcrevese resumidamente na forma de ementa, adiante: Ementa:TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.DCTF.PRESCRIÇÃO.DECLARAÇÃORETIFICADORA.AR TIGO 174 , PARÁGRAFO ÚNICO , IV , DO CTN . INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO QUE NÃO SE APLICA À ESPÉCIE. 1. A exequente sustenta que o contribuinte entregou aDCTF em 13/6/2000, sendo objeto deretificaçãoem 1º/7/2003, momento em que defende que houve a interrupção do prazo prescricional, nos termos do artigo 174 , IV , do CTN . 2. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC ), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. 3. Na hipótese de entrega de declaração retificadora com constituição de créditos não declarados na original, não estaria a se falar de prescrição, mas do instituto da decadência, pois estaria a se discutir o prazo para o contribuinte constituir aquele saldo remanescente que não constou quando da entrega da declaração originária. Importa registrar que ainda na hipótese de lançamento suplementar pelo Fisco estaria a se discutir o momento da constituição do crédito e, portanto, de prazo decadencial. 4. Ocorre que não há reconhecimento de débito tributário pela simples entrega de declaração retificadora, pois o contribuinte já reconheceu os valores constantes na declaração original, quando constituiu o crédito tributário. A declaração retificadora, tão somente, corrigiu equívocos formais da declaração anterior, não havendo que se falar em aplicação do artigo 174 , parágrafo único , IV , do CTN . 5. Recurso não provido... (STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1167677 SC 2009/02242332 , Data de publicação: 29/06/2010). (Grifei). O entendimento ora esposado, como visto, encontra respaldo em matéria similar julgada e consolidada em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos da sistemática contida no art. 543C, do CPC, bem assim consoante dispõe o art. 62A do RICARF/2009, adiante transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.905782/201270 Resolução nº 3803000.493 S3TE03 Fl. 27 14 Os termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça vincula os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os quais devem ser reproduzidos nos julgamentos realizados por este Colegiado. Assim no que pertine a DCTF retificadora, não há se falar em prazo prescricional, por dar azo a enriquecimento sem causa ao Erário. Isto posto e, considerando a documentação acostada aos autos mesmo que a destempo, pois elucidativa quanto à existência e demonstração dos valores pagos a título de royalties (fl. 24, do RV), e demonstrada e reconhecida à existência do direito creditório pelo seu valor original nestes autos, cabe verificar o valor atualizado do mesmo e a sua contrapartida, ou seja, a existência e o valor do débito original e atualizado da contribuinte, na data da transmissão da declaração de compensação, bem assim verificar se o valor informado a título de direito creditório é o bastante para a extinção do débito declarado, na forma prevista no art. 156, II, do CTN, uma vez que os débitos mencionados no despacho decisório não se encontram discriminados, portanto não há a certeza de sua liquidez e exigibilidade. Proponho pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que a autoridade administrativa informe acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada. Uma vez atendido ao pleito ora formulado, que seja oportunizado a contribuinte se pronunciar nos autos, em prazo razoável, se assim lhe aprouver para, em seguida, serem remetidos os autos a este Colegiado para se retomar o julgamento do feito, ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11060.002297/99-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1998, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA- ART. 62-A DO RICARF.
O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS com base nos inconstitucionais Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, foi articulado anteriormente a edição da Lei Complementar nº 118/2005 sendo admissível na conformidade do entendimento predominante do Judiciário o prazo de dez anos a contar da data do protocolo do pedido. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição dos fatos geradores ocorridos até outubro/1989.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto);
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORIFICO SILVA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1998, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA ART. 62A DO RICARF. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior de PIS com base nos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, foi articulado anteriormente a edição da Lei Complementar nº 118/2005 sendo admissível na conformidade do entendimento predominante do Judiciário o prazo de dez anos a contar da data do protocolo do pedido. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para reconhecer a prescrição dos fatos geradores ocorridos até outubro/1989. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 97 /9 9- 54 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto); Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls.344/406 admitido pelo Despacho nº 330000.184 datado de 27.07.2011, insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 202 14.433 (fls.263/274) que, I) por unanimidade de votos: a) acolheu a preliminar para afastar a decadência; b) no mérito, deu provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade e II) pelo voto de qualidade, negou provimento, ao recurso quanto aos expurgos inflacionários. O Acórdão traz a seguinte ementa: PIS — RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 do CTN — o prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco) anos, distinguindose o inicio de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia 'erga omnes', pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida (Acórdão nº. 108 05.791, Sessão de 13/07/99). SEMESTRALIDADE Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no âmbito administrativo, impõese reconhecer que a base de calculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A atualização monetária, segundo iterada jurisprudênciapátria, deve ser realizada levandose em conta os índices expurgados pela inflação e solicitados pelo contribuinte, devendo incidir a Taxa SELIC a Partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/9. Recurso ao qual se dá parcial provimento Argumenta a recorrente que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, aduzindo que o prazo da contribuinte para pleitear restituição já havia decaído quando protocolizado o pedido. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.002297/9954 Acórdão n.º 9303003.040 CSRFT3 Fl. 431 3 Comenta também que a Lei Complementar nº 118/2005 esclarece o momento da extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, porquanto assim expressa no seu artigo 3º: “Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.", transcrito à fl. 128. Segue aduzindo a Fazenda Nacional de que o acórdão guerreado viola o artigo 165, inciso I, artigo 168, caput e inciso I e art. 150, § 1º, do Código Tributário Nacional quando fornece à decadência marco inicial diferente do estampado na legislação mencionada. Transcreve à fl. 356 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que é pela não influência de decisões de inconstitucionalidade do STF no transcurso de prazos decadenciais. Transcreve às fls. 361/395, Acórdão paradigma 930300.080, de 07 de julho de 2009, para evidenciar entendimento Câmara Superior de que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Por fim, requer que seja admitido o presente recurso, pugnando para que, no mérito, sejalhe dado provimento, reconhecendose a prescrição do direito à restituição do PIS, contada a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Contrarrazões fls. 411/427. Aduz a contribuinte que o acórdão utilizado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, como paradigma, não se amolda à hipótese dos autos, pois trata de situações regradas a partir da edição da Lei Complementar nº 118/2005, portanto, não reúne o requisito de admissibilidade. Transcreve, à fl. 414, trechos do acórdão ref. ao Recurso Especial nº 144.043, 21/03/2012, que definiu que para os recolhimentos de tributos realizados antes da LC 118/2005, efetuados há menos de dez anos contados da data de apresentação do pedido de restituição (mesma hipótese dos autos), deve ser afastada a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição ou a compensação do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Rebate o argumento da Fazenda Nacional quanto a aplicação do art. 3º da LC nº 118/2005 sustentando que ao tempo da publicação desse dispositivo já estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de dez anos contados do fato gerador com a aplicação dos arts. 150, § 4º, 156, VII e 168 I, do CTN. E aquela mesma Primeira Seção também decidiu que a lei complementar em comento não era meramente interpretativa uma vez que reduziu o prazo de repetição de dez para cinco anos. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Enfatiza não existirem dúvidas de que antes da edição da LC 118 o prazo é de dez anos tudo isto também lastreado no fato de haver sido conferido o status de repercussão geral ao tema pelo STF, devendo este processo ser considerado no âmbito do art. 62A do RICARF. Informa finalmente a existência de decisão judicial transitada em julgado estabelecendo o prazo de dez anos. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O pedido de restituição de que trata este Recurso foi protocolizado em 29.11.99 referente aos períodos de apuração outubro 1988 a março de 1996. Indiscutivelmente o pleito foi articulado anteriormente a edição da Lei Complementar nº 118/2005, assim sendo, o alcance dos períodos base deve atingir retroativamente o prazo de dez anos a contar da formalização do pleito fato inconteste que abrange o período em questão. Este entendimento se coaduna com os precedentes adotados pelo E. STJ e ainda dotada a matéria de repercussão geral pelo E. STF, o que me faz, com esteio no art. 62A do RICARF, dar parcial provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, afastando da restituição os períodos base de outubro de 1988 a outubro de 1989, períodos esses correspondentes a fatos geradores ocorridos há mais de dez anos do pedido de restituição. Sala das Sessões, 05 de junho de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 710DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907124/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/06/2003
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/06/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070728), indeferiu o Per/DComp transmitida em 13/06/2003, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.370, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/06/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907124/201191 Acórdão n.º 3803005.624 S3TE03 Fl. 7 3 cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907124/201191 Acórdão n.º 3803005.624 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720520/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. LUCRO REAL. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
A contrapartida credora em conta de resultado decorrente de reconhecimento contábil de ativo fiscal diferido, constituído com relação a diferenças temporárias dedutíveis e possibilidade de compensação futura de prejuízos fiscais, pode ser excluída da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica.
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Demonstrado o descabimento do imposto de renda mensal estimado com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, improcedente é a multa lançada isoladamente por falta de seu pagamento.
ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. RESULTADO AJUSTADO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Não é possível a exclusão da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação, enquanto passivo fiscais diferidos, ao fundamento de que não há comprovação efetiva da natureza desse passivo.
Numero da decisão: 1301-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado),Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. LUCRO REAL. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. A contrapartida credora em conta de resultado decorrente de reconhecimento contábil de ativo fiscal diferido, constituído com relação a diferenças temporárias dedutíveis e possibilidade de compensação futura de prejuízos fiscais, pode ser excluída da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Demonstrado o descabimento do imposto de renda mensal estimado com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, improcedente é a multa lançada isoladamente por falta de seu pagamento. ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. RESULTADO AJUSTADO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Não é possível a exclusão da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação, enquanto passivo fiscais diferidos, ao fundamento de que não há comprovação efetiva da natureza desse passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado),Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente COMPANHIA METALÚRGICA PRADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. LUCRO REAL. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. A contrapartida credora em conta de resultado decorrente de reconhecimento contábil de ativo fiscal diferido, constituído com relação a diferenças temporárias dedutíveis e possibilidade de compensação futura de prejuízos fiscais, pode ser excluída da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Demonstrado o descabimento do imposto de renda mensal estimado com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, improcedente é a multa lançada isoladamente por falta de seu pagamento. ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. RESULTADO AJUSTADO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Não é possível a exclusão da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação, enquanto passivo fiscais diferidos, ao fundamento de que não há comprovação efetiva da natureza desse passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 20 /2 01 2- 11 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado),Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recursos Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração (fls. 432 e 433), relativos ao IRPJ e CSLL, multa proporcional, multa isolada e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2007. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 410 a 427) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 403 a 407) a contribuinte, que apurou o IRPJ pelo Lucro Real anual no anocalendário 2007 DIPJ às fls. 316 a 402, escriturou receitas em seu Balancete de Verificação, mas não as declarou em sua DIPJ, o que implicou em apuração errônea do Lucro Líquido do Período de Apuração na DIPJ, assinalandose que a Fiscalizada, ao excluir receitas da apuração de suas bases de cálculo, tanto do IRPJ, quanto da CSLL por estimativa, reduziu indevidamente o valor a recolher dessas estimativas para o mês de março/2007, o que implicou na aplicação da multa isolada preconizada no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Devidamente cientificada das autuações, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 435 a 453) alegando em síntese que optou por efetuar o registro dos tributos IRPJ e CSLL diferidos em contrapartida ao resultado do exercício, provocando um acréscimo ao lucro líquido contábil, o qual não caracteriza hipótese de incidência dos tributos em referência. Aduziu ainda, que agindo de forma absolutamente lícita, efetuou a exclusão dos montantes relativos aos tributos diferidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o único objetivo de não alterar para mais ou para menos, em nenhum período, a base de cálculo dos tributos citados. Alegou que o próprio fiscal autuante confirma, em seu termo de constatação, que "o valor de R$ 62.338.038,23 corresponde ao somatório das contas de resultado 4.6.1", sendo que essa conta se refere justamente à contabilização dos tributos diferidos, conforme se pode depreender do Balancete de Verificação referente ao mês de 12/2007 (acostou documento às fls. 505 a 519). Defendeu ainda, que a composição dos valores de IRPJ e CSLL diferidos, assim como a correta apuração realizada pela Impugnante, podem ser facilmente constatadas Fl. 772DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 3 3 através de uma simples análise das anexas planilhas (juntou documentos às fls. 527 a 537) e consoante Deliberação CVM nº 273/1998 e Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 998/2004, o ativo fiscal diferido é constituído pelos prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de CSLL não utilizados, bem como de diferenças temporárias, passíveis de recuperação em períodos futuros, os quais devem ser contabilizados pela companhia com o objetivo de permitir o reconhecimento dos respectivos impactos fiscais no período em que tais diferenças surgirem ou em que atenderem às premissas de recuperação em períodos futuros. Seguiu arrazoando que as Demonstrações Financeiras referentes aos exercícios de 2006 e 2007 descrevem detalhadamente a origem e a composição dos tributos diferidos registrados em sua contabilidade e reconhecidos em seu resultado, após o atendimento de todos os requisitos exigidos pelas normas aplicáveis (colacionou documentos às fls. 538 e 539). Defendeu também, que a Deliberação CVM nº 273/1998 estabelece que o ativo fiscal diferido pode ser reconhecido conquanto seja provável que no futuro haverá lucro tributável suficiente para compensar os prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de CSLL nele consubstanciados e que a Instrução CVM nº 371/2002, que dispõe especificamente sobre o registro contábil do ativo fiscal diferido, acrescenta que para o reconhecimento deste ativo, além dos requisitos constantes da Deliberação nº 273/1998, a companhia deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: (i) apresentar histórico de rentabilidade; e (ii) apresentar expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, trazidos a valor presente, fundamentada em estudo técnico de viabilidade, que permitam a realização do ativo fiscal diferido em um prazo máximo de dez anos, sendo que no caso em tela, estariam preenchidas todas as condições necessárias para o reconhecimento do ativo fiscal diferido contabilizado pela Impugnante. Afirmou que no exercício de 2007, apresentou histórico de lucros tributáveis de 03 (três) anos, assim como realizou estudos técnicos de viabilidade (juntou documento à fl. 540), os quais fundamentaram a expectativa de geração de lucros tributáveis futuros aptos a autorizar o reconhecimento em tela, consoante expressamente consignado na Nota Explicativa nº 7 (Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos) das Demonstrações Financeiras atinentes ao referido período (fls. 539/539). Mencionou a impossibilidade de incidência de juros moratórios sobra a Multa de Ofício. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 456 a 575, julgou o lançamento parcialmente procedente, ficando o aresto assim ementado: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. LUCRO REAL. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 A contrapartida credora em conta de resultado decorrente de reconhecimento contábil de ativo fiscal diferido, constituído com relação a diferenças temporárias dedutíveis e possibilidade de compensação futura de prejuízos fiscais, pode ser excluída da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Demonstrado o descabimento do imposto de renda mensal estimado com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, improcedente é a multa lançada isoladamente por falta de seu pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO. CONTRAPARTIDA CREDORA. RESULTADO AJUSTADO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. A contrapartida credora em conta de resultado decorrente de reconhecimento contábil de ativo fiscal diferido, constituído com relação a diferenças temporárias dedutíveis e possibilidade de compensação futura de base de cálculo negativa da contribuição social, pode ser excluída do resultado ajustado da pessoa jurídica. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Demonstrado o descabimento da contribuição social mensal estimada com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, improcedente é a multa lançada isoladamente por falta de seu pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado [...] Em relação à parcela do crédito tributário exonerada foi interposto Recurso de Ofício na forma regimental, e da parcela remanescente do auto de infração a contribuinte interpôs Recurso Voluntário aduzindo que a decisão impugnada considerou adequada a exclusão do ativo fiscal diferido do cômputo do Lucro Real, julgando o auto de infração, em sua quase totalidade, improcedente, relatando, no entanto, que em nada obstante o entendimento mencionado, mantevese a impossibilidade exclusão da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação enquanto passivos diferidos, ao fundamento de que não teria havido a comprovação efetiva da natureza do dito passivo. Após rememorar o entendimento da decisão recorrido, passou a discorrer que tanto em um caso (ativo fiscal), quanto em outro (passivo fiscal), os fundamentos que autorizariam a escrituração contábil do lucro real, com os ajustes por ela promovidos, seriam os mesmos, reputando um contrassenso a decisão recorrida têlos tratado de maneira diversa. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 4 5 É o relatório. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, bem assim o Recurso de Ofício atente aos pressupostos legais e regimentais, admitoos para julgamento. Como bem descrito no relatório acima circunstanciado, o qual integra o presente voto para todos os fins, temse que a Fiscalização apurou que a contribuinte teria reconhecido em sua escrituração contábil receitas de R$ 53.428.815,75 (março/2007), R$ 582.680,66 (novembro/2007) e R$ 8.326.541,82 (dezembro/2007), num montante de R$ 62.338.038,23, correspondente ao somatório das contas de resultado “4.6.1”, que foram expurgadas da Demonstração de Resultado informada em sua DIPJ e, assim, excluídas, de forma alegadamente indevida, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ensejando as exigências tratadas neste processo. A recorrente tem sustentado, desde os primitivos arrazoados, que optou por registrar os mencionados tributos IRPJ e CSLL diferidos, em contrapartida ao resultado do exercício, provocando um acréscimo ao lucro líquido contábil, o qual não caracterizaria hipótese de incidência dos tributos em referência, defendendo que ao assim proceder, de forma absolutamente lícita, efetuou a exclusão dos montantes relativos aos tributos diferidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o único objetivo de não alterar para mais ou para menos, em nenhum período, a base de cálculo dos tributos citados. Como dito alhures, a decisão recorrida reconheceu, para o período em questão, a possibilidade de excluirse do lucro real os ativos fiscais diferidos, mantendo a exigência em relação às exigências do passivo fiscal diferido. Assim considerado, remanesce para discussão, a dita exoneração da exigência, em sede de Recurso de Ofício, e a parcela dos autos de infração julgada subsistente, em sede de Recurso Voluntário. I – RECURSO DE OFÍCIO Segundo depreendese das imputações fiscais contidas nos Autos de Infração (fls. 410 a 427) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 403 a 407) a contribuinte, que apurou o IRPJ pelo Lucro Real anual no anocalendário 2007 DIPJ às fls. 316 a 402, escriturou receitas em seu Balancete de Verificação, mas não as declarou em sua DIPJ, o que segundo a Fiscalização, implicou em apuração errônea do Lucro Líquido do Período de Apuração na DIPJ. Ou seja, apurou a Fiscalização que a contribuinte teria reconhecido em sua escrituração contábil receitas de R$ 53.428.815,75 (março/2007), R$ 582.680,66 (novembro/2007) e R$ 8.326.541,82 (dezembro/2007), num montante de R$ 62.338.038,23, correspondente ao somatório das contas de resultado “4.6.1”, que foram expurgadas da Demonstração de Resultado informada em sua DIPJ e, assim, excluídas de forma alegadamente indevida, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 5 7 Como já assinalei, a recorrente tem argumentado que optou por registrar os mencionados tributos IRPJ e CSLL diferidos, em contrapartida ao resultado do exercício, provocando um acréscimo ao lucro líquido contábil, o qual não caracterizaria hipótese de incidência dos tributos em referência, defendendo que ao assim proceder, de forma absolutamente lícita, efetuou a exclusão dos montantes relativos aos tributos diferidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o único objetivo de não alterar para mais ou para menos, em nenhum período, a base de cálculo dos tributos citados Considerando que a decisão recorrida, para o período em questão, reconheceu a possibilidade de excluirse do lucro real os ativos fiscais diferidos, sendo este o tema afeto ao Recurso de Ofício, convém verificar os fundamentos adotados pela decisão da 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Com efeito, o aresto impugnado consignou que muito embora a contribuinte fosse uma companhia fechada e a princípio não se sujeitaria à fiscalização da CVM, os atos normativos da dita autarquia federal serviriam de subsídio à interpretação da Lei das Sociedades por Ações e da técnica contábil, de sorte que todas as espécies societárias podem observálos, ainda que não sejam obrigadas a tanto. Foi neste contexto que a decisão recorrida se dispôs a investigar os procedimentos adotados pela contribuinte, para os fins de aferir se estavam (os procedimentos) em consonância com a legislação tributária, referindose que a Deliberação CVM nº 273/98, aprovou e tornou obrigatório para as companhias abertas o Pronunciamento emitido pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), com o objetivo de normatizar o tratamento contábil do imposto de renda e da contribuição social das entidades, com ênfase no reconhecimento das consequências fiscais atuais e futuras decorrentes de: (a) recuperação ou liquidação futura do valor contábil de ativos ou passivos reconhecidos no balanço patrimonial da entidade; (b) transações e outros eventos do período que são reconhecidos nas demonstrações contábeis da entidade, referindo a decisão recorrida de ofício, ainda no mesmo contexto, que as explicações sobre o objetivo e os aspectos da contabilização determinada pela CVM foram tratados nos itens 1 a 6, os quais transcreveu, e que novamente merecem reprodução: [...] 2. A contabilização de um ativo ou passivo enseja que a recuperação ou liquidação de seus valores possa produzir alterações nas futuras apurações de imposto de renda e contribuição social, através da sua dedutibilidade ou tributação. Nessa circunstância, este pronunciamento determina que a entidade reconheça, com certas exceções, esse impacto fiscal através da contabilização de um passivo ou ativo fiscal diferido, no período em que tais diferenças surgirem. 3. Este pronunciamento determina que a entidade registre contabilmente os efeitos fiscais de suas transações e outros eventos no mesmo período contábil que registrar essas transações e os outros eventos. Adicionalmente, quando as transações e outros eventos forem reconhecidos na demonstração do resultado, todos os efeitos fiscais Fl. 777DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 correspondentes também serão reconhecidos na demonstração do resultado. Quando contabilizados diretamente no patrimônio líquido, a contabilização dos efeitos fiscais também será no patrimônio líquido. Este pronunciamento trata também do reconhecimento de ativos fiscais diferidos decorrentes de prejuízos ou créditos fiscais não utilizados, da apresentação do imposto de renda e da contribuição social nas demonstrações contábeis e da divulgação de informações sobre tais impostos. 4. O ativo fiscal diferido decorrente de prejuízos fiscais de imposto de renda e bases negativas de contribuição social deve ser reconhecido, total ou parcialmente, desde que a entidade tenha histórico de rentabilidade, acompanhado da expectativa fundamentada dessa rentabilidade por prazo que considere o limite máximo de compensação permitido pela legislação. [...] Para referendar suas conclusões, a decisão recorrida ainda reproduziu os itens 7 em diante do aludido Pronunciamento, que em razão da pertinência óbvia e a esclarecedora colocação, torno a citar abaixo: [...] 7. Resultado Contábil antes do Imposto de Renda é o lucro líquido ou prejuízo de um período, antes da dedução ou acréscimo das despesas ou receitas de imposto de renda e da contribuição social. 8. Resultado Tributável é o lucro ou prejuízo de um período, calculado de acordo com as regras estabelecidas pelas autoridades fiscais, e sobre o qual são devidos ou recuperáveis o imposto de renda e a contribuição social. 9. Despesas ou Receitas de Imposto de Renda e da Contribuição Social é o valor total incluído na determinação do lucro líquido ou prejuízo do período, no tocante a tal imposto e contribuição, abrangendo os valores correntes e diferidos. 10. Imposto de Renda e Contribuição Social Correntes é o montante do imposto de renda e da contribuição social a pagar ou recuperar com relação ao resultado tributável do período. 12. Ativos Fiscais Diferidos são os valores do imposto de renda e da contribuição social a recuperar em períodos futuros, com relação a: a. diferenças temporárias dedutíveis; b. compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados. 13. Diferenças Temporárias são as diferenças que impactam ou podem impactar a apuração do imposto de renda e da contribuição social decorrentes de diferenças temporárias entre a base fiscal de um ativo ou passivo e seu valor contábil no balanço patrimonial. Elas podem ser: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 6 9 a. tributáveis, ou seja, que resultarão em valores a serem adicionados no cálculo do resultado tributável de períodos futuros, quando o valor contábil do ativo ou passivo for recuperado ou liquidado; b. dedutíveis, ou seja, que resultarão em valores a serem deduzidos no cálculo do resultado tributável de períodos futuros, quando o valor contábil do ativo ou passivo for recuperado ou liquidado. 14. Base Fiscal de um ativo ou passivo é o valor atribuído a um ativo ou passivo para fins tributários. [...] Cuidando do ativo fiscal diferido, item que propriamente nos interesse ao deslinde deste tópico do processo, a decisão recorrida colheu do item 19 do mesmo Pronunciamento aludido acima preciosa definição, e dos itens 30 em diante a forma do reconhecimento contábil dos ativos diferidos, confirase: [...] Ativo Fiscal Diferido 019 – Devese reconhecer o ativo fiscal diferido com relação a prejuízos fiscais à medida que for provável que no futuro haverá lucro tributável suficiente para compensar esses prejuízos. A avaliação dessa situação é de responsabilidade da administração da entidade e requer julgamento das evidências existentes. A ocorrência de prejuízos recorrentes constitui uma dúvida sobre a recuperabilidade do ativo diferido. Precisa ser claramente entendida a vinculação entre o reconhecimento de ativo fiscal diferido e a avaliação da continuidade operacional da entidade efetuada para a aplicação de princípios contábeis aplicáveis a entidades em liquidação. Certamente, a existência de dúvidas quanto à continuidade operacional demonstra que não é procedente o lançamento contábil dos ativos fiscais diferidos. Por outro lado, apesar de não existir dúvida sobre continuidade, poderão existir circunstâncias em que não seja procedente o registro do ativo fiscal diferido. [...] Reconhecimento de Impostos Corrente e Diferido 030 – A contabilização de efeitos fiscais correntes e diferidos de uma transação ou outro evento deve ser condizente e acompanhar a contabilização da própria transação ou evento, como detalhado a seguir. Demonstração do Resultado 031 – O montante dos impostos corrente e diferido, apurados na forma deste pronunciamento, deve ser reconhecido integralmente como despesa ou receita no resultado do período, observado o disposto no item 34. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 10 032 – A maioria dos passivos e ativos fiscais diferidos surge da inclusão de despesa ou receita no lucro contábil em um período diferente daquele em que é tributável ou dedutível. A contrapartida desse diferimento deve ser reconhecida na demonstração do resultado. 033 – O valor contábil dos passivos e ativos fiscais diferidos pode mudar, mesmo que não se altere o valor das diferenças temporárias correlatas. Isso pode ocorrer como resultado do seguinte: (a) mudanças nas alíquotas ou na legislação fiscal; (b) reconsideração da possibilidade de recuperação do ativo fiscal diferido; (c) mudança na maneira pela qual se espera recuperar um ativo. O imposto de renda resultante é reconhecido na demonstração do resultado, salvo quando se relacionar com itens anteriormente debitados ou creditados no patrimônio líquido. Lançamentos Diretos no Patrimônio Líquido 034 – Os impostos corrente e diferido devem ser registrados diretamente no patrimônio líquido, quando se relacionarem a itens também registrados, no mesmo período ou em período diferente, diretamente no patrimônio líquido, como, por exemplo: (a) mudança no valor contábil do imobilizado decorrente de reavaliação; (b) ajustes de exercícios anteriores. Apresentação Ativos e Passivos Fiscais 035 – No balanço patrimonial, o ativo e o passivo fiscais devem ser apresentados separadamente de outros ativos e passivos, e o ativo e o passivo fiscais diferidos devem distinguirse dos correntes. 036 – O passivo fiscal corrente deve ser classificado no passivo circulante. O ativo ou passivo fiscal diferido deve ser classificado destacadamente no realizável ou exigível a longo prazo e transferido para o circulante no momento apropriado, mas sempre evidenciando tratarse de item fiscal diferido. [...] Ainda no mister de verificar os fundamentos que supedanearam a conclusão da decisão recorrida, para dá verificar o seu acerto, relembrese que também foi aludido que acerca do tratamento do ativo diferido, no período em questão, se deu em complementação à Deliberação CVM nº 273, de 1998, a edição da Instrução nº 371, de 2002, disciplinando as condições para o registro contábil do ativo fiscal diferido, que seguindo a mesma linha orientativa, o Conselho Federal de Contabilidade se manifestou sobre o assunto, mediante a Resolução CFC nº 998, de 2004, que aprovou a NBC T 19.2 – Tributos sobre Lucros. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 7 11 Para fechar o quadro de investigação da decisão recorrida, vêse que a Turma Julgadora observou que com o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, foi revogado o inciso V do artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (LSA), que tratava da composição das contas classificadas como ativo diferido, contudo, bem assinalouse que no caso dos autos, tratase de ativo diferido do anocalendário 2007, período anterior à supressão desse grupo de contas. Ou seja, embora as sociedades não possam mais reconhecer o grupo ativo diferido, a Lei nº 11.941/2009 introduziu o art. 299A à LSA, que permitiu que elas mantivessem o saldo existente em 31 de dezembro de 2008 nas contas desse grupo que não pudesse ser alocado em outro grupo de contas, até sua completa amortização, sujeito à análise de recuperabilidade. Ora diante da digressão realizada pela decisão recorrida, quer me parecer que a prevalência do seu entendimento é medida que se impõe, sendo de rigor o desprovimento do Recurso de Ofício. Assistelhe razão ao concluir que os atos normativos e interpretativos citados fundamentam se no regime de competência contábil, que determina que às receitas realizadas e registradas devem ser contrapostas os correspondentes custos e despesas, reveladores de que a maioria dos passivos e ativos fiscais diferidos surge da inclusão de despesa ou receita no lucro contábil em um período diferente daquele em que é tributável ou dedutível e que a contrapartida desse diferimento deve ser reconhecida na demonstração do resultado. É irretorquível a conclusão da decisão recorrida ao dispor que os atos normativos vigentes à época, davam conta de que o ativo fiscal diferido se origina de valores do imposto de renda e da contribuição social a recuperar em períodos futuros, com relação a diferenças temporárias e por prejuízos fiscais não utilizados, mas passíveis de recuperação em períodos futuros, sendo que esses valores deviam ser reconhecidos contabilmente no período em que tais diferenças surgirem ou que sejam atendidas as condições para recuperação dos tributos em exercícios futuros, e que a formação do ativo fiscal diferido, decorrente de diferenças temporárias dedutíveis, pode surgir da seguinte situação: um contribuinte contabiliza uma despesa Y, mas por força da lei tributária, sua dedução fiscal somente ocorrerá em um período de apuração futuro; sob o ponto de vista do regime de competência contábil, o lucro líquido daquele exercício estará demasiadamente diminuído pela despesa de IR lançada no exercício, haja vista que a indedutibilidade da despesa Y inflou a base de cálculo tributária num primeiro momento; assim, apesar de a despesa Y ainda não ser dedutível no período (para fins fiscais), o contribuinte tem a opção de já reconhecer a correspondente redução contábil da despesa de IR no período, creditandoa, a débito de uma conta de ativo do valor correspondente ao benefício fiscal futuro de sua dedução, surgindo então o Imposto de Renda Diferido (ativo fiscal diferido). Também não merece reparos o entendimento de que o ativo fiscal diferido pode ser reconhecido com base no efeito fiscal futuro de redução de IRPJ ou CSLL mediante compensação futura de saldos de prejuízo fiscal ou de base negativa da CSLL apurados pelo contribuinte, sendo que no período em que for determinado que no futuro haverá lucro tributável suficiente para compensar os prejuízos ou bases negativas controlados no Lalur, estes valores, controlados à parte da escrituração comercial, passam a ser “realizáveis”, surgindo a expectativa de fruição futura do benefício fiscal, concretizado pelo reconhecimento de um direito (ativo fiscal), cuja contrapartida contábil pode ser uma conta de receita, Fl. 781DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 12 justificadora do aumento do ativo em, quando se der a compensação do prejuízo fiscal, considerarseá realizado o correspondente ativo fiscal, que será creditado em valor proporcional àquele, debitandose uma conta de despesa, para ser deduzida do resultado contábil. No que toca propriamente ao procedimento adotado pela contribuinte, acertadamente pontuou a decisão recorrida que após a intimação para esclarecimentos (fl. 168), a contribuinte apresentou resposta (fl. 174), juntando o “Demonstrativo do IRPJ e CSLL Diferido Ativo”, Anexo 1A de fls. 175, tendo como referência o mês de março/2007, em conformidade com os lançamentos questionados pela autoridade fiscal e relacionados na intimação, anotandose que foram lançamentos a débito nas contas de ativo circulante 1160801 (IRPJ diferido) e 1160802 (CSLL diferida) e ativo realizável a longo prazo 1260101 (IRPJ s/ diferido ativo) e 1260102 (CSLL s/ diferido ativo), tendo como contrapartidas créditos nas contas de resultado 4610103 (IRPJ diferido ativo) e 4610203 (CSLL diferida ativa), estas pertencentes ao grupo 4.6.1, cujo montante foi excluído da tributação, ou seja, o procedimento contábil adotado pela contribuinte é correspondente àquele estabelecido nos atos normativos já mencionados. A partir daí, torno a dizer que não há reparos a serem feitos no entendimento sufragado, consagrador de que a dita contrapartida credora referente à constituição desse ativo fiscal não poderia ser entendida como resultado, rendimento ou receita para fins de compor a base de cálculo de imposto de renda, uma vez que se tratava de mera representação contábil com objetivo de demonstrar aos acionistas e demais interessados a existência de um direito potencialmente realizável pela companhia em futuro próximo e, por conseguinte, uma situação contábil/patrimonial mais fidedigna com a realidade. Como fez ver a decisão recorrida, o fundamento que permite excluir da tributação as contrapartidas credoras dos ativos fiscais diferidos – quer tenham sido lançadas em conta de resultado, ou de patrimônio líquido – é a manutenção da neutralidade do regime de apuração dos tributos, pois o sujeito passivo deverá adotar mecanismos de ajustes no Lalur que garantam que as bases de cálculo tributárias de qualquer período sejam as mesmas que seriam apuradas se a escrituração de tais ativos não fosse efetuada, de sorte que identificando o valor correspondente ao ativo fiscal diferido e a sua contrapartida credora que poderia ser excluída da base de cálculo, objeto deste lançamento de ofício, anotou acertadamente a decisão recorrida que consoante Balanço Patrimonial de 31/12/2007 (fls. 538), a contribuinte reconheceu em seu ativo circulante e no realizável a longo prazo, a título de “Imposto de renda e contribuição social diferidos”, os valores de “2.530” e “57.067” (em milhares de reais), constando em cada uma das rubricas remissão à nota explicativa “7”. Bem reconheceu a decisão recorrida, que de conformidade com a nota explicativa, o montante de 59.597 (em milhares de reais) de imposto de renda e contribuição social ativos tem origem em diferenças temporárias e expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, determinada em estudo técnico aprovado pela Administração, ressaltando se que os critérios de oportunidade e determinação do montante do ativo não eram objeto de apreciação, pois ao fisco interessa apenas verificar se o contribuinte garantiu a neutralidade tributária dos efeitos da contabilização realizada de acordo com o pronunciamento, sendo que neste contexto, à fl. 534, a recorrente juntou “Demonstrativo de IRPJ e CSLL Diferido Ativo”, tendo como referência o mês de dezembro/2007, contendo os valores acumulados até dezembro/2007, apontando que o montante do ativo fiscal diferido é composto de quatro contas de ativo, que somam R$ 59.597.140,06, correspondente à soma das rubricas de “Imposto de renda e contribuição social diferidos” de “2.530” e “57.067” (em milhares de reais), informados em seu balanço patrimonial de 31/12/2007, ou seja, com base nos lançamentos contábeis de fls. 168, no demonstrativo apresentado junto à peça impugnatória, nas Fl. 782DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720520/201211 Acórdão n.º 1301001.471 S1C3T1 Fl. 8 13 informações constantes do balanço patrimonial e suas notas explicativas, restou comprovado que, do montante dos R$ 62.338.038,23 da conta de resultado do grupo “4.6.1”, R$ 59.597.140,06 são originários da contrapartida do reconhecimento daquele ativo, que deverão ser excluídos da base de cálculo tributária, tal como reconhecido pela decisão recorrida. Frente ao exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. II – RECURSO VOLUNTÁRIO No que toca ao Recurso Voluntário, assentou a decisão recorrida que não seria possível a exclusão da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação, enquanto passivo fiscais diferidos, ao fundamento de que não haveria comprovação efetiva da natureza desse passivo. A contribuinte insiste que os fundamentos utilizados para autorizar a exclusão do ativo fiscal diferido são os mesmos que respaldariam este tópico. Também neste item não vejo reparos a serem feitos na decisão recorrida. Com efeito, bem assinalouse que o reconhecimento da depreciação acelerada incentivada e da antiga reserva da reavaliação, extinta a partir de 1º/01/2008, geram as chamadas diferenças temporárias tributáveis, a ensejar o reconhecimento de um passivo fiscal diferido, porém, ao contrário do ativo fiscal diferido, pretende a Contabilidade reconhecer a despesa do imposto incidente sobre receitas ou lucros reconhecidos no período, embora ele seja exigível, total ou parcialmente, somente em períodos futuros, por expressa autorização da legislação tributária e o diferimento da tributação está fundada no fato de que, embora se reconheça um acréscimo patrimonial (reavaliação), ele ainda não estaria disponível financeiramente (não realizado); ou, no caso da depreciação acelerada incentivada, decorre de mero favor fiscal concedido pelo legislador, que permite a pessoa jurídica pagar um tributo menor nos primeiros anos de vida útil do bem depreciado, deixando a diferença postergada para os últimos períodos de vida útil. É precisa a conclusão da decisão recorrida, tais hipóteses de diferimento já se encontravam reguladas pela legislação tributária que estabelecia os mecanismos de ajustes extra contábeis (adição e exclusão de valores no Lalur), para fins de garantir a postergação do pagamento do tributo e no caso em apreço, a contribuinte apenas argumentou que as contas de resultado “4.6.1” teriam recebido, além das contrapartidas do ativo fiscal diferido, lançamentos a crédito decorrentes do benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada e da realização da reserva de reavaliação, porquanto não há comprovação dos valores de diferidos passivos de fls. 535, diferentemente do que sucedeu com os ativos fiscais diferidos, em que não restam dúvidas sobre a natureza das respectivas contrapartidas a crédito levadas ao resultado. Diante disso, impõese o desprovimento do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 14 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15956.000664/2010-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA
O conjunto dos fatos apurados (omissão reiterada de receitas, apresentação de declarações zeradas, utilização de interpostas pessoas e recusa no recebimento de intimação fiscal para prestar esclarecimentos) justifica perfeitamente a aplicação da multa fiscal qualificada e agravada.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA O conjunto dos fatos apurados (omissão reiterada de receitas, apresentação de declarações zeradas, utilização de interpostas pessoas e recusa no recebimento de intimação fiscal para prestar esclarecimentos) justifica perfeitamente a aplicação da multa fiscal qualificada e agravada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 06 64 /2 01 0- 37 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 01 a 65, nos valores de R$ 499.594,83, R$ 55.574,91, R$ 245.437,25 e R$ 256.502,36, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício qualificada e agravada (225%), e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os anoscalendário 2005, 2006 e 2007, e foi motivado por omissão de receitas a partir de depósito bancário com origem não comprovada. As receitas declaradas para 2005 foram deduzidas nos autos de infração. Em 2006 e 2007 não houve declaração de receitas. Elas foram totalmente omitidas nesses dois anos. Foram adotadas as regras do lucro presumido para o IRPJ e a CSLL, e o PIS e a COFINS foram apurados pelo regime cumulativo. A constatação de fraude, além de ter ensejado a majoração da multa, também implicou na imputação de responsabilidade tributária para os sóciosgerentes da empresa, Gerson Ferreira de Souza e Ednéa Martinelli de Souza. Os fundamentos do lançamento e os argumentos da impugnação apresentada por um dos sujeitos passivos autuados estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1435.271 (fls. 658 a 664): O autuante fez constar no Termo de Verificação Fiscal que, em diligência realizada no endereço da contribuinte constante nos cadastros da Receita Federal do Brasil (RFB), não foi encontrado qualquer estabelecimento e constatouse que a empresa jamais esteve estabelecida no local. Foi feita a intimação por edital, solicitando o contrato social e alterações, os livros contábeis e fiscais, talões de notas fiscais, notas fiscais de terceiros que deram entrada na empresa, extratos bancários e documentos aptos a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes. Informou o autuante que, segundo consta na Junta Comercial, a empresa foi constituída em 05/04/2000 com o nome de Martinelli Representações Jaboticabal Ltda., tendo como sócios Ednéa Martinelli e Antonio Martinelli. Relatou que, em 26/09/2001, foi alterada a denominação social para Isomax Isolamentos Térmicos Ltda., e, em 17/03/2004, Antonio Martinelli retirouse da sociedade, sendo admitido Gerson Ferreira de Souza. Acrescentou que, em 18/09/2006, retiraramse da sociedade Ednéa Martinelli de Souza e Gerson Ferreira de Souza, sendo Fl. 728DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 5 4 admitidos Frederico Constâncio de Lima e Sebastião Aparecido Miranda, ambos residentes na Av. Águia de Haia, 648, conjunto 06, Parque Paineira, São Paulo (SP). A respeito desses dois sócios a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo informou que o RG indicado como sendo de Sebastião Aparecido Miranda pertence a outra pessoa e que os números dos títulos eleitorais informados por esses sócios são inexistentes. Diante desses fatos, o autuante constatou que foram fraudulentas as mudanças nos quadros sociais da empresa e que os sócios atuais possivelmente são pessoas inexistentes. Foram obtidos por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) as fichas de assinaturas e os extratos bancários do Bradesco e do HSBC dos anoscalendário de 2005 a 2007. A contribuinte foi novamente intimada a comprovar a origem dos valores creditados em contas bancárias e foi exarado o entendimento de que as alterações contratuais são inidôneas, tendo sido solicitado que a contribuinte se manifestasse a esse respeito. Não foram apresentados quaisquer documentos ou esclarecimentos. Foi apurada omissão de receitas com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, expurgandose os valores relativos às transferências bancárias entre contas do mesmo titular e, no anocalendário de 2005, os valores da receita declarada. Lavrouse então os autos de infração exigindose os tributos sobre a receita omitida apurada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, exigindose a multa de 225%, uma vez que a contribuinte não informou ao fisco sua verdadeira localização, declarou receitas incongruentes com a sua movimentação financeira, fez constar em seu quadro social pessoas inexistentes, restando caracterizada sua intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador dos tributos federais, além de não ter atendido às intimações feitas pela fiscalização. Notificado do lançamento, Gerson Ferreira de Souza, contra quem foi lavrado Termo de Sujeição Passiva (fl.630), ingressou com a impugnação de fls.640 a 642, alegando: ● A fiscalização alega fraude por ter ocorrido a transferência de endereço e a alteração no quadro societário da empresa para terceiros, impondo uma multa passível de redução, além do pagamento dos impostos federais; ● A empresa tem um nome conceituado no mercado em que atua, foi cedida para os sócios sucessores com a promessa de pagamento parcelado do saldo devedor de 50%, já que o pagamento de 50% foi permutado pelos serviços prestados. Não tinha informação referente à legalidade da documentação pessoal de seus sucessores; Fl. 729DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 6 5 ● Quanto ao endereço, esclarece que nesse ramo de atividade o endereço serve apenas como ponto de referência, o qual deveria ser o endereço residencial de um dos sócios sucessores, razão pela qual os vizinhos afirmaram que nunca funcionou empresa no local; ● Como não houve pagamento pelos sucessores nas datas combinadas, retomou a empresa, mas não efetuou a retrovenda, pois os sucessores não foram encontrados; ● Quanto à movimentação bancária impugna diversos valores e será provado oportunamente que não se trata de faturamento da empresa, mas sim de movimentação normal de entrada e saída de dinheiro; ● Impugna a multa imposta de 225%; ● Solicita que não sejam caracterizadas como fraude as operações em tela, em virtude da impossibilidade de se fazer a retrovenda. Requer que os valores da multa sejam reduzidos pelo mínimo de 75%, uma vez que a multa de 225% é injusta; ● Pede que seja concedido prazo para apresentação da documentação para comprovar que os valores efetivos de faturamento bruto da empresa são menores do que aqueles apurados pela fiscalização. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP manteve o lançamento nos termos em que foi realizado, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. 225%. É cabível a aplicação da multa de 225%, quando se verificar a ocorrência de fraude e a falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 730DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 7 6 Inconformado com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/11/2011, Gerson Ferreira de Souza apresentou recurso voluntário em 02/12/2011, com os seguintes argumentos: PRELIMINAR não foi concedido ao contribuinte o prazo solicitado para apresentação da documentação que comprova todas as alegações de que não houve fraude e o faturamento bruto da empresa é menor do que as operações bancárias informadas para a Secretaria da Receita Federal pela instituição bancária; o contribuinte não tinha conhecimento de que a documentação pessoal dos sócios sucessores estava totalmente irregular; MÉRITO o contribuinte requer uma melhor análise de tudo aqui exposto, bem como seja cancelada ou reduzida a multa imposta por sonegação fiscal; CONCLUSÃO diante do exposto, requer o cancelamento do Auto de Infração e demais penalidades legais impostas pela fiscalização, em virtude dos fatos alegados e a abertura de prazo para apresentação da documentação onde comprovará que as operações bancárias não são oriundas do faturamento da empresa. Em 03/02/2012, Gerson Ferreira de Souza juntou aos autos um requerimento solicitando que a partir desta data as correspondências sejam enviadas para o endereço localizado na Rua Barão do Rio Branco, nº 323, Centro, Jaboticabal/SP, CEP nº 14.870330. Em 02/10/2012, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF o presente processo foi sobrestado. Todavia, houve a revogação do mencionado dispositivo normativo pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, não havendo mais determinação para o sobrestamento, passase ao julgamento do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, o presente processo tem por objeto lançamento para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), cujos fatos geradores ocorreram nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007. A autuação foi motivada por omissão de receitas a partir de depósito bancário com origem não comprovada. As receitas declaradas para 2005 foram deduzidas nos autos de infração. Em 2006 e 2007 não houve declaração de receitas. Elas foram totalmente omitidas nesses dois anos, conforme quadro abaixo: Ano Depósitos e Créditos Receita Diferença de origem não comprovada Declarada a tributar 2005 879.377,27 532.724,26 346.653,01 2006 1.159.018,78 1.159.018,78 2007 801.934,08 801.934,08 Obs. Os dados de 2005 abrangem o 2º, 3º e 4º trimestres. Para o IRPJ e a CSSL, foram adotadas as regras do lucro presumido, e o PIS e a COFINS foram apurados pelo regime cumulativo. A constatação de fraude, além de ter ensejado a majoração da multa, também implicou na imputação de responsabilidade tributária para os sóciosgerentes da empresa, Gerson Ferreira de Souza e Ednéa Martinelli de Souza. Tanto a impugnação quanto o recurso voluntário foram apresentados por Gerson Ferreira de Souza. O primeiro ponto a esclarecer é que o lançamento sob exame tem lastro na Lei Complementar nº 105/2001, que permite expressamente a obtenção e utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 9 8 A conclusão que se impõe é que é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. Na primeira instância administrativa, o impugnante já havia apresentado uma argumentação bastante frágil, que foi examinada pela Delegacia de Julgamento nos seguintes termos: Voto Admissibilidade. A contribuinte Isomax Isolamentos Térmicos Ltda, regularmente intimada do lançamento, não apresentou impugnação. Gerson Ferreira de Souza, sendo cientificado do Termo de Sujeição Passiva e do lançamento tributário, apresentou impugnação, que atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dela conheço. Mérito. Quanto ao mérito o impugnante apenas afirma que será provado oportunamente que os depósitos bancários não correspondem ao faturamento da empresa. Segundo o PAF, arts. 16, III, e 17, somente serão consideradas impugnadas as matérias expressamente contestadas. Assim, alegações genéricas não podem ser aceitas, sendo consideradas impugnadas apenas as matérias expressamente mencionadas e para as quais a empresa expressamente tenha indicado um motivo de contestação. Multa. A contribuinte apenas afirma que não houve fraude e que não foi possível fazer a retrovenda. Tenta justificar o fato de a contribuinte não ter sido encontrada no endereço constante nos cadastros da RFB e solicita que a multa seja reduzida para 75%, uma vez que a exigência no percentual de 225% é injusta. Cabe ressaltar, inicialmente, que o impugnante fica no campo das alegações e não apresenta qualquer comprovação das afirmações feitas. Não comprova, por exemplo, os alegados serviços prestados pelos adquirentes das quotas de capital da contribuinte e que corresponderiam ao pagamento de 50% da participação societária adquirida. O art. 16 do PAF determina que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e as razões e provas que possuir. Não tendo sido apresentados quaisquer documentos hábeis não se pode acatar as alegações feitas. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 10 9 Apesar da afirmação de que não houve fraude, o que se tem no processo são os seguintes fatos: 1) a contribuinte não foi encontrada no endereço constante nos cadastros da RFB e constatouse que ela jamais esteve estabelecida no local. Nem mesmo na impugnação informa onde ela está estabelecida; 2) não se conseguiu identificar os sucessores de Ednéa e Gerson, Frederico Constâncio de Lima e Sebastião Aparecido Miranda, sendo informado pela Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo que o RG informado como sendo de Sebastião Aparecido Miranda pertence a outra pessoa e que os números dos títulos eleitorais informados por esses sócios são inexistentes; 3) os sócios Ednéa Martinelli de Souza e Gerson Ferreira de Souza continuaram à frente da empresa, mesmo depois de ter sido feita a alteração contratual na Jucesp, conforme se vê nos cheques emitidos (cópias às fls.501, 504, 506, 508, 514 a 571 e 331 a 341). Ademais, nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, teve movimentação financeira incompatível com a receita declarada à RFB, e, quando intimada, não apresentou qualquer comprovação ou esclarecimento, o que configura a intenção de fraudar o fisco, impedindo ou retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador dos tributos federais. A Lei 9.430, de 1996, cuja redação foi alterada pela Lei 11.488, de 2007, e que foi o fundamento da exigência da multa, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (ressaltei) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 11 10 Verificandose, no presente caso, as hipóteses previstas na referida lei, correta a aplicação da multa de 225% e não há que se falar em sua redução para 75%. Quanto à alegação de que a multa aplicada é injusta, cabe esclarecer que é dever da autoridade fiscal aplicar a norma positivada sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, pois o lançamento é uma atividade vinculada. Juntada posterior de documentação. O pedido para juntada posterior de documentação não pode ser deferido porque a Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no PAF, art. 16, mediante a inclusão do § 4°, que diz: §4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tais ocorrências não ficaram provadas no presente processo, razão pela qual indeferese a solicitação feita. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Na presente fase recursal, o Recorrente alega que não foi concedido o prazo solicitado para apresentação da documentação que comprovaria todas as alegações de que não houve fraude e de que o faturamento bruto da empresa é menor do que as operações bancárias informadas pela instituição financeira. Alega também que não tinha conhecimento de que a documentação pessoal dos sócios sucessores estava totalmente irregular, e requer uma melhor análise do caso, bem como que seja cancelada ou reduzida a multa imposta por sonegação fiscal. A Contribuinte não apresenta nenhum elemento novo capaz de refutar os fundamentos da decisão de primeira instância administrativa, pelo que os adoto também como fundamento deste voto. É preciso registrar que ainda na fase da auditoria fiscal, foi encaminhado um Termo de Constatação e Intimação Fiscal para o endereço cadastral de Gerson Ferreira de Souza e Ednéia Martinelli de Souza (responsáveis tributários), solicitando esclarecimentos sobre as condições em que se deu a transferência da titularidade da empresa e os problemas relativos aos documentos dos novos sócios, entre outras informações (efls. 611 e 612). Fl. 735DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 12 11 Esse mesmo termo também solicitava a apresentação de documentos que comprovassem a origem dos créditos bancários. Contudo, a correspondência foi devolvida pelos Correios, com a observação de que houve recusa no seu recebimento (efls. 622). Vêse que o Recorrente teve desde a fase de auditoria fiscal a oportunidade para apresentar documentos que comprovassem suas genéricas alegações. Não procede, portanto, o argumento de que não foi concedido prazo para isso. O interessado também alega que não tinha conhecimento das irregularidades na documentação pessoal dos sócios sucessores. Na fase processual anterior, ele havia informado que reassumiu a empresa porque os novos sócios não realizaram o pagamento das cotas transferidas, e que não houve a retrovenda porque esses novos sócios não foram encontrados. Essa argumentação não afasta a constatação de que o Recorrente era quem realmente administrava a empresa autuada (emitindo cheques, etc.); de que houve reiterada omissão de receitas, inclusive com apresentação de declarações zeradas; de que houve recusa no recebimento de intimação fiscal para a prestação de esclarecimentos, etc. No conjunto dos fatos, a argumentação apresentada também não contribui para dar credibilidade às alterações promovidas pelo Recorrente no quadro societário da empresa, que, segundo ele mesmo afirma, “tem um nome conceituado no mercado em que atua”. Com efeito, continuar administrando normalmente uma empresa que já está em nome de terceiros, como se nada tivesse acontecido, não é a forma correta para resolver questões de inadimplência/falta de pagamento pela transferência de sua titularidade. No caso, está bastante evidente que houve utilização de interpostas pessoas. O lançamento fiscal encontra fundamento no art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A mera alegação de que o faturamento bruto da empresa é menor que suas operações bancárias, desacompanhada de qualquer elemento probatório, não é suficiente para afastar a referida presunção legal de omissão de receitas. Além disso, o conjunto dos fatos apurados (omissão reiterada de receitas, apresentação de declarações zeradas, utilização de interpostas pessoas, recusa no recebimento de intimação fiscal para prestar esclarecimentos) justifica perfeitamente a aplicação da multa fiscal qualificada e agravada, bem como o vínculo de responsabilidade tributária. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15956.000664/201037 Acórdão n.º 1802002.276 S1TE02 Fl. 13 12 A Multa aplicada se subsume perfeitamente ao comando legal já transcrito na decisão recorrida, e o interessado não apresentou nenhum elemento que pudesse ensejar a redução de seu percentual. Finalmente, registro que nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 PAF, a intimação dos atos administrativos deve ser feita ao sujeito passivo (contribuinte ou responsável) e, quando por via postal, deve ser dirigida ao seu domicílio atual, sendo inviável o pleito para que as intimações sejam dirigidas a outro endereço, diferente daquele. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 737DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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