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Numero do processo: 13656.000368/2005-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 56 .0 00 36 8/ 20 05 -2 8 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 3 2 Adoto e complemento o relatório a seguir exposto, lido na sessão de 21/08/2012, quando o julgamento foi revertido em diligência (Resolução 330200234). Tratase de pedido de restituição (PER n° 14737.62476.260607.1.1.093796) de valores relativos à Cofins não cumulativa devida no 3º trimestre de 2004. Conforme registrado no relatório de primeira instância o contribuinte “Posteriormente transmitiu as Dcomp’s relacionadas no verso de fls.153, visando compensar os débitos nelas declarados, com o crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo.” A Delegacia da Receita Federal (DRF) de Poços de Caldas/MG emitiu a Decisão SARAC/DRF/PCS n° 426/2009, na qual reconheceu parcialmente o crédito pleiteado, deferindo o valor de R$ 7.473,76, decorrente da exportação de mercadorias e homologando as compensações pleiteadas até esse limite (fls. 153/156). Em síntese, a decisão da DRF restou fundamentada nos seguintes pontos: Glosa do crédito decorrente dos produtos adquiridos de Izonel da Silva: a compra não foi reconhecida por que a empresa foi declarada inativa no ano calendário 2004 conforme fl. 110, estando ainda respondendo processo específico por inúmeras irregularidades1; Cofins não cumulativa – Insumo de Cooperativas: por aplicação do artigo 15 da Medida Provisória nº 2.15835/01, a fiscalização entendeu que as cooperativas não recolhem PIS e Cofins ao não incluir na base de cálculo o valor repassado aos cooperados e, por isso, não podem se creditar do insumo deles adquiridos2; Cofins não cumulativa – Crédito Presumido de Agroindústria: a análise foi dividida em 2 etapas em virtude das alterações legislativas. Lei Vigente: nº 10.833/03, artigo 3º, §5 – período de julho/2004 A autoridade administrativa interpretou que a legislação apenas permite o direito ao crédito para as empresas que realizassem processo produtivo, nesta atividade que processassem o café. In casu, ao analisar questões fáticas, concluiuse que o insumo não foi submetido a processo de produção, razão pela qual restou negado o direito a crédito3. 1 Fls. 154 (173 eletrônica) Trecho da Decisão da DRF "18. A aquisição junto ao fornecedor Izonel da Silva, 23/08/2004 (fl. 51) não foi reconhecida por se declarar inativa no ano calendário 2004 conforme fl. 110. Ademais, pesa contra este contribuinte a seguinte alegação de irregularidade conforme Termo de Constatação Fiscal — MPF 0611200 2007 000212 Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MG:" 2 Fls. 174 eletrônica Trecho da decisão da DRF: "17. Pelo disposto acima, não computando na base de cálculo da COFINS as vendas dos produtos entregues à cooperativa pelos seus associados, não haverá a apuração e pagamento da COFINS pela Cooperativa referente à mencionada receita. Como o principio da não cumulatividade de um tributo baseiase no direito do comprador poder se creditar do tributo efetivamente por ele pago, no presente caso, não há que se falar em crédito relativo às mencionadas aquisições." 3 Fls. 155 (eletrônica 175) Trecho da decisão da DRF: 21. Da verificação das notas fiscais disponíveis nos autos relativas às aquisições de café de pessoa física, julho/2004 de fls. 76 a 85 (entregues a esta SARAC em atendimento à intimação de fl. 67) depreendese que em Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 4 3 Lei Vigente: nº 10.925/04, artigo 8º período de agosto e setembro/2004. A fiscalização entendeu que a alteração legislativa retirou as pessoas jurídicas produtoras de mercadoria vegetal classificada no código 09.01. do rol dos beneficiados com o crédito presumido. 4 Produtos exportados: tendo restado comprovada a exportação de produtos, bem como a existência de saldo a restituir de PIS e Cofins decorrente desta exportação, deferese o pedido neste particular5. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 159/181), na qual alega, em síntese, que: "a nãocumulatividade da COFINS, diferentemente do que ocorre com o ICMS e o IPI, não pressupõe a incidência do tributo em fase anterior" – neste ponto discorre sobre o regime não cumulativo, sobre a inexistência de restrição ao crédito neste regime, os dispositivos legais aplicáveis, bem como decisões judiciais, administrativas e doutrina; quanto as aquisições efetuadas de Izonel da Silva "a manifestante não pode ser prejudicada pela situação supostamente irregular de um seu fornecedor estranho a ela"; quanto ao suposto fato de Recorrente não ser produtora – registra que a premissa adotada pela fiscalização é falsa e que é pessoa jurídica produtora. nos termos da Lei 10.925/04 e do Decreto 4.544/02, sendo que o fato de a produção supostamente ter sido encaminhada para estabelecimento de terceiro não descaracteriza a qualidade de produtora, vez que pode realizar a industrialização por encomenda, que é forma reconhecida de industrialização para a legislação do IPI, fato que não pode ser desconsiderado para o Pis e Cofins; em relação ao crédito presumido – registra que quando do requerimento do crédito, bem como do efetivo aproveitamento, o direito de creditarse era liquido e certo, nos termos das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo nada que o obstasse; no que se refere aos insumos adquiridos de Cooperativas – não se admite a glosa porque se trata de pessoas jurídicas de direito privado que não podem ser comparadas à todas as notas, as mercadorias continuam depositadas ou foram entregues no Internacional Arm. Gerais Ltda (CNIP.3 02.218.866/000107) não havendo indicação de que o café transitou pelo estabelecimento do contribuinte para se submeter ao processo de produção. Este fato já é suficiente para descaracterizar o contribuinte em epígrafe como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Embora declare à fl. 40 o seu processo produtivo, o contribuinte não tem o direito, portanto, a usufruir o crédito presumido relativo a bens adquiridos de pessoa física agroindústria. 22. Adicionalmente, foi efetuada uma pesquisa nos bancos de dados previdenciários de fls. 147 a 152, encontrandose ali, informações de que nos meses de julho a setembro/2004, a empresa empregou apenas escriturários, auxiliares de escritório, outros trabalhadores de serviço, trabalhadores em análises sensoriais e gerente, além de trabalhadores eventuais, indicando que não houve um grupo de trabalhadores que comprovem uma atividade de produção." 4 Fls. 176 eletrônica Decisão DRF: "23. Portanto, nos meses de agosto e setembro/2004, as empresas que se denominam produtoras de mercadoria de origem vegetal classificada no código 09.01, como declarada na fl. 40 não usufrui o direito ao crédito presumido." 5 Fls. Eletrônicas 176 Trecho da Decisão da DRF: "Em vista de todo o acima exposto, apresentase no Quadro 4 e 5 abaixo, as demonstrações do crédito reconhecido, suas compensações com COFINS apuradas e o crédito remanescente de COFINS exportação no valor de R$ 7.473,76:" Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 5 4 pessoas físicas, ademais, as cooperativas são contribuintes de PIS e Cofins no que se refere à atividade com nãocooperados. Após analisar as razões trazidas pela contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora DRJ/JFA – proferiu o acórdão nº 0928930 (fls. 196/200 eletrônicas 217/221), que seguiu assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano calendário: 2004 CRÉDITO COFINS E PIS/PASEP Se não apurado pela autoridade administrativa a falta de pagamento e/ou a entrega da mercadoria adquirida, o crédito relativo a ela deve ser reconhecido. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Em resumo, a decisão administrativa de primeira instância reformou a decisão da DRF apenas para o fim de conceder o crédito decorrente da compra de insumos de Izonel da Silva, por entender que não restou comprovada a inexistência da operação, verbis: Fls. 198 (eletrônica 218) – Trecho do acórdão recorrido: “No tocante a aquisição efetuada de Izonel da Silva, a autoridade administrativa se limitou a informar que tal empresa apresenta declaração de inatividade e apresenta irregularidades constatadas pela fiscalização, sem analisar se o pagamento foi efetuado ou se a mercadoria de fato foi entregue à adquirente. Portanto, não há como prosperar a glosa efetuada.” destaquei Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 204/216 – eletrônica 226/238), por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: Cofins não cumulativa – Insumo de Cooperativas: defende a possibilidade de credimento (i) porque as cooperativas são sim tributadas, ocorrendo apenas a possibilidade de dedução de base, mas não inexistência de base de cálculo; (ii) ainda que fosse o caso, em virtude da diferença entre o sistema não cumulativo do PIS/Cofins e ICMS, não seria o caso de impedimento de crédito e (iii) caso seja mantida a glosa, necessário se faz permitir o crédito de PIS em julho/2004, uma vez que a legislação citada (inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002) apenas vigeu após 01/08/2004, conforme determinação dos artigos 53 e 46 da Lei nº 10.865/2004. Cofins não cumulativa – Crédito Presumido de Agroindústria: neste tópico a Recorrente reitera as razões de impugnação, esclarecendo que o produto exportado passa por todas as etapas de industrialização exigidas por lei, ainda que em estabelecimentos de terceiros, por meio da industrialização por encomenda6, todavia esta particularidade não altera o fato de que o produto foi devidamente industrializado. 6 Fls. 213 – eletrônica 235 – Trecho do Recurso Voluntário Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 6 5 Os autos foram levados à julgamento na sessão de 21/08/2012, na qual o colegiado concluiu pela conversão do julgamento em diligência para que fosse sanada dúvida acerca da existência do processo produtivo, em vista dos indícios de industrialização existentes. A diligência se fez necessária porque parte da discussão está pautada exatamente na suposta existência de processo produtivo e de quem o realizou. A Recorrente defende que realizou o beneficiamento do café7, a fiscalização concluiu que a Recorrente não realizou qualquer processo produtivo8, e o contrato social da Recorrente não traz a possibilidade de industrialização, mas apenas de comércio e exportação de grãos de café9. Isto é, as informações eram conflitantes e não constavam, dos autos, documentos conclusivos. A Recorrente, em sua defesa, admitiu que pode não ter realizado todo o processo produtivo, mas que a terceirização da industrialização não lhe retiraria o direito ao crédito presumido, assim como não alteraria o fato de o café ter sido beneficiado. De qualquer forma não havia, com base nos autos, como se afirmar sequer se os requisitos exigidos pela lei – a título de beneficiamento para a concessão do crédito, foram atendidos, seja pela Recorrente sozinha ou pela Recorrente e seus parceiros. Em virtude deste fato, proferiuse a Resolução no 330200.234, por meio da qual foram requeridos os seguintes esclarecimentos: “Em resumo, podese afirmar que o importante é que o produto exportado passe por um processo de produção (que consiste no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos) e não quem faz essa produção." 7 Fls. 41 Declaração da Recorrente: “SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, devidamente qualificada no termo em epigrafe, por seu representante legal infraassinado, vem, respeitosamente, perante V. Sa., informar o processo produtivo da empresa, sendo que o mesmo se inicia pela compra de café verde "in natura", com NCM 09011100, passando pelo processo de torra e moagem que resultará em produtos com NCM 09012100 e NCM 09012200.” 8 Fls. 155 Trecho da decisão da DRF: "21. Da verificação das notas fiscais disponíveis nos autos relativas ás aquisições de café de pessoa física, julho/2004 de fls. 76 a 85 (entregues a esta SARAC em atendimento à intimação de fl. 67) depreendese que em todas as notas, as mercadorias continuam depositadas ou foram entregues no Internacional Arm. Gerais Ltda (CNIP.3 02.218.866/000107) não havendo indicação de que o café transitou pelo estabelecimento do contribuinte para se submeter ao processo de produção. Este fato já é suficiente para descaracterizar o contribuinte em epígrafe como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Embora declare à fl. 40 o seu processo produtivo, o contribuinte não tem o direito, portanto, a usufruir o crédito presumido relativo a bens adquiridos de pessoa física agroindústria. 22. Adicionalmente, foi efetuada uma pesquisa nos bancos de dados previdenciários de fls. 147 a 152, encontrandose ali, informações de que nos meses de julho a setembro/2004, a empresa empregou apenas escriturários, auxiliares de escritório, outros trabalhadores de serviço, trabalhadores em análises sensoriais e gerente, alem de trabalhadores eventuais, indicando que não houve um grupo de trabalhadores que comprovem uma atividade de produção." 9 Fls. 06 Trecho do Contrato Social Cláusulas: "QUINTA 0 prazo de duração da sociedade é por tempo indeterminado, sendo seu objetivo o comércio e exportação de café crú em grão torrado e moido e torrado em grão e a intermediação de negócios." Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 7 6 como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Requereuse ainda que, após serem recebidas as informações da Recorrente, a autoridade administrativa elaborasse parecer conclusivo sobre a atividade de industrialização/beneficiamento apresentada, no sentido deste ser um procedimento regular nos termos exigidos pelos requisitos do §6º, artigo 8º, da Lei nº 10.925/04, solicitandose que a autoridade administrativa considerase em sua análise ambas as fases: terceirizada e própria. A diligência foi realizada, a Recorrente prestou informações e a autoridade administrativa competente elaborou “Relatório de Diligência Fiscal” (fls. 295/299), por meio do qual concluiu que houve beneficiamento, mas que o crédito pleiteado não pode ser reconhecido porque todo o “processo produtivo” foi realizado por terceiros, não pela Recorrente, em seus estabelecimentos, in verbis: “Pelo exposto, a posição dessa DRF é de que houve a industrialização de acordo com o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004. Essa industrialização foi realizada por outra pessoa jurídica, a saber Internacional Armazéns Gerais Ltda, razão pela qual a Exportadora Poços de Caldas Ltda. não tem direito de apurar crédito presumido previsto no mencionado artigo.” – destacamos. Cientificada do Parecer Fiscal, a Recorrente apresentou manifestação (fls.302/305), por meio da qual reiterou suas razões de recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme relatado, a questão referese à utilização de insumo no sistema não cumulativo da COFINS. Em síntese, os créditos pleiteados foram glosados pela fiscalização pelas seguintes razões: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 8 7 (i) COOPERATIVAS – glosa com base no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 em virtude de o insumo não ter sido tributado, resultado do fato de o fornecedor ser cooperativa e estar sujeito a legislação específica, que gera a redução da base de cálculo do tributo10; (ii) CRÉDITO PRESUMIDO – (a) glosado com base no § 6º do artigo 8º, da Lei nº 10.925/04 – período de julho/2004 em vista de a Recorrente não ter realizado o processo produtivo previsto na legislação, necessário para concessão do crédito tributário no caso de aquisição de pessoas físicas. Lei Vigente: nº 10.833/03, artigo 3º, §5 – período de julho/200411; (b) glosado com base no artigo 8º da Lei nº 10.925/04 período de agosto e setembro/2004: a fiscalização entendeu que a alteração legislativa retirou as pessoas jurídicas produtoras de mercadoria vegetal classificada no código 09.01. do rol dos beneficiados com o crédito presumido. 12 Em sua defesa, a Recorrente alega: 1 COOPERATIVAS – é possível o creditamento (i) porque não se trata de hipótese de “não tributação”, as cooperativas são sim tributadas ocorrendo apenas a dedução de base; (ii) ainda que fosse o caso, em virtude da diferença entre o sistema não cumulativo do PIS/Cofins e ICMS, não seria o caso de impedimento de crédito e (iii) caso seja mantida a glosa, necessário se faz permitir o crédito de PIS em julho/2004, uma vez que a legislação citada (inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002) apenas vigeu após 01/08/2004, conforme determinação dos artigos 53 e 46 da Lei nº 10.865/2004; 2 CRÉDITO PRESUMIDO – é possível o creditamento porque o produto exportado passou por todas as etapas de industrialização exigidas pelo § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004, ainda que em estabelecimentos de terceiros, por meio da industrialização por encomenda, o que restou comprovado na diligência. 10 Importante registrar que, se a resposta for negativa ao item (i), o colegiado deverá analisar a questão específica do mês de julho/2004, anterior às alterações legislativas trazidas em agosto/2004. 11 Fls. 155 (eletrônica 175) Trecho da decisão da DRF: 21. Da verificação das notas fiscais disponíveis nos autos relativas às aquisições de café de pessoa física, julho/2004 de fls. 76 a 85 (entregues a esta SARAC em atendimento à intimação de fl. 67) depreendese que em todas as notas, as mercadorias continuam depositadas ou foram entregues no Internacional Arm. Gerais Ltda (CNIP.3 02.218.866/000107) não havendo indicação de que o café transitou pelo estabelecimento do contribuinte para se submeter ao processo de produção. Este fato já é suficiente para descaracterizar o contribuinte em epígrafe como pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Embora declare à fl. 40 o seu processo produtivo, o contribuinte não tem o direito, portanto, a usufruir o crédito presumido relativo a bens adquiridos de pessoa física agroindústria. 22. Adicionalmente, foi efetuada uma pesquisa nos bancos de dados previdenciários de fls. 147 a 152, encontrandose ali, informações de que nos meses de julho a setembro/2004, a empresa empregou apenas escriturários, auxiliares de escritório, outros trabalhadores de serviço, trabalhadores em análises sensoriais e gerente, além de trabalhadores eventuais, indicando que não houve um grupo de trabalhadores que comprovem uma atividade de produção." 12 Fls. 176 eletrônica Decisão DRF: "23. Portanto, nos meses de agosto e setembro/2004, as empresas que se denominam produtoras de mercadoria de origem vegetal classificada no código 09.01, como declarada na fl. 40 não usufrui o direito ao crédito presumido." Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 9 8 Nos termos da Resolução nº 330200.234, de 21/08/2012, o julgamento foi convertido em diligência para a DRF intimar a Recorrente a esclarecer e comprovar seu processo produtivo, elucidando: como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Recebidas as informações da Recorrente, a autoridade administrativa deverá elaborar parecer conclusivo sobre a atividade de industrialização apresentada, no sentido de ser um procedimento de industrialização regular que atende aos requisitos do § 6º, artigo 8º, da Lei nº 10.925/04, considerando para tanto ambas as fases: terceirizada e própria. Após, a Recorrente deverá ser intimada acerca do parecer emitido pela fiscalização para se manifestar, se quiser, no prazo de 30 dias. A diligência foi realizada e, no entender deste Conselheiro Redator, a questão central não foi comprovada, qual seja, a efetiva realização de industrialização por encomenda. Explicando. A Recorrente afirma nas respostas apresentadas no curso da diligência que a industrialização dos produtos que vende foi realizada, por encomenda, pela empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda, apresentando como prova a Nota Fiscal nº 000554. Na conclusão da diligência, a autoridade da DRF de Poços de Caldas – MG entende que a Recorrente não realiza, ela própria, a produção/industrialização e, por essa razão, não tem direito de apurar crédito presumido. Ocorre que esse entendimento da DRF não é unânime no CARF e essa questão deve ser objeto de deliberação neste Colegiado. No entanto, para que isso ocorra é necessário provar que a Recorrente realmente encomendou a industrialização dos produtos que vende e, portanto, se equipara a estabelecimento industrial (art. 9º, inciso IV, do RIPI/2002). A referida Nota Fiscal nº 000554 não é prova de que ocorreu industrialização por encomenda: só prova a remessa de café para uma empresa que presta serviço de armazenagem. Para isso, é necessário carrear aos autos prova da remessa dos insumos (café cru, material de embalagem de apresentação e de transporte, produtos intermediários) para o estabelecimento industrializador (Internacional Armazéns Gerais Ltda), prova do retorno do produto industrializado para o estabelecimento da Recorrente e prova do pagamento do serviço de industrialização (arts. 42, VI; 164, II; 415 e 417, todos do RIPI/2002). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 10 9 No caso dos autos, há provas de que o café cru adquirido pela Recorrente foi entregue diretamente no estabelecimento da empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda, conforme consta nas notas fiscais de entrada/aquisição. A que título o café foi remetido para a referida empresa (para industrialização ou para armazenagem) não há prova nos autos. Por outro lado, não há provas nos autos de que a Recorrente adquiriu e remeteu para o estabelecimento da “dita empresa industrializadora” o material de embalagem (de apresentação e de transporte) e produtos intermediários. Também não há provas do retorno dos produtos industrializados para o estabelecimento da Recorrente e nem do pagamento do serviço de industrialização por encomenda. Portanto, como preliminar da discussão sobre a possibilidade (ou não) de estabelecimento equiparado a industrial apurar crédito presumido (agroindústria) é necessário oferecer à Recorrente a oportunidade de provar que encomendou a industrialização do café que vendeu. Sem essa prova, sequer se pode adentrar nessa discussão. Isso porque, a toda evidência, a Recorrente adquiriu café para revenda, conforme consta nas notas fiscais de entrada, e o revendeu. Por esses razões é que voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a DRF de Poços de Caldas – MG adotar as seguintes providências: 1 Intimar a Recorrente a apresentar os seguintes elementos de prova de que realizou industrialização por encomenda do café vendido no 3º trimestre de 2004: 1.1 Notas Fiscais de aquisição de matériaprima, de aquisição de material de embalagem de apresentação, de aquisição de material de embalagem de transporte e, também, de aquisição de eventuais produtos intermediários usados no processo industrial; 1.2 Notas Fiscais de remessa de matériaprima, de material de embalagem e dos produtos intermediários (item 1) para o estabelecimento industrializador da empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda; 1.3 Notas Fiscais do retorno do produto industrializado para o estabelecimento da Recorrente, emitidas pelo estabelecimento industrializador; 1.4 Nota Fiscal (e comprovante de pagamento) relativa ao preço do serviço de industrialização por encomenda, emitida pelo estabelecimento industrializador da empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda; OBS: As notas fiscais que já se encontram acostadas aos autos não precisam ser juntadas novamente, basta identificar a página do processo. 2 Intimar o estabelecimento dito industrializador da empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda a: 2.1 informar se prestou à Recorrente serviço de industrialização por encomenda de café no ano de 2004. Caso positivo, apresentar nota fiscal relativa ao serviço de industrialização por encomenda dos meses de julho a setembro de 2004; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13656.000368/200528 Resolução nº 3302000.425 S3C3T2 Fl. 11 10 2.2 se recebeu material de embalagem (de apresentação e/ou de transporte) remetido pela empresa Recorrente no ano de 2004. Caso positivo, apresentar cópia das notas fiscais de entrada relativas aos meses de julho a setembro de 2004. 3 Atestar que a operação de industrialização por encomenda (acaso provada) foi contabilizada regularmente pela Recorrente; 4 Opinar sobre conformidade da industrialização por encomenda que a Recorrente alega ter realizado (acaso provada), com a legislação de regência então vigente (RIPI/2002). 4 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Redator Designado Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10880.949996/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente CIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO SABESP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 49 99 6/ 20 08 -1 2 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.949996/200812 Resolução nº 1102000.269 S1C1T2 Fl. 95 2 Tratase de recurso voluntário interposto por CIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO SABESP contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência da declaração de compensação (fls. 6 a 10) de débito de estimativa de CSLL de março de 2004 com crédito de R$ 1.520.861,94 decorrente do pagamento indevido a título de estimativa de CSLL de janeiro de 2004. A Derat/SP, mediante o Despacho Decisório de fls. 2, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pela verificação de que o referido pagamento teria sido utilizado para quitação do débito informado em DCTF. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 11 a 17) na qual alegou que, apesar de o balanço de suspensão referente ao mês de janeiro de 2004 ter apurado base de cálculo negativa para a CSLL, as áreas administrativas da empresa recolheram de forma indevida a estimativa desse período. Para comprovar o alegado, junta extratos do livro diário e da DIPJ, bem como o correspondente DARF (fls. 27 a 39). A 5ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 16 28.138, de 1 de dezembro de 2010 (fls. 42 a 44), por meio do qual também não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada. Em sua decisão, a instância a quo manteve as razões da unidade de origem e acrescentou que o débito confessado na DCTF possui presunção de liquidez e certeza, de modo que, para ser desconstituído, a contribuinte deveria ter apresentado provas contundentes do seu direito. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 27/02/2004 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF e que a contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 47 a 55) onde, essencialmente, repete os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Destaquese, entretanto, seu pedido para que seja observado o princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.949996/200812 Resolução nº 1102000.269 S1C1T2 Fl. 96 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Como se vê, a solução da controvérsia depende de se atestar ou não o direito creditório alegado pela recorrente. A unidade de origem negou a compensação porque entendeu que a totalidade do pagamento apresentado como direito creditório serviu para a quitação do débito de estimativa de CSLL, referente ao mês de janeiro de 2004, que havia sido informado em DCTF. Apesar da verossimilhança das alegações deduzidas na manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de primeira instância não se aprofundou na investigação da verdade material porque entendeu que a recorrente deveria ter apresentado provas mais contundentes dos fatos alegados. Nada obstante, os documentos juntados na manifestação de inconformidade parecem indicar com bastante probabilidade a existência do crédito pleiteado. Com efeito, o extrato do livro diário contém uma demonstração do resultado apurado em 31 de janeiro de 2004 (fls. 30) que indica um prejuízo contábil da ordem de R$ 18.079.000,00; o extrato da DIPJ/2005 (aparentemente tratando da versão originalmente apresentada) indica que a empresa apurou uma base de cálculo negativa da CSLL (fls. 34), referente a janeiro de 2004, no valor de R$ 17.750.050,55; e a cópia do DARF (fls. 39) indica que foi realizado um pagamento de R$ 1.520.861,94 a título de estimativa de CSLL (código de receita 2484) referente ao período de apuração de 31/01/2004. Não há, entretanto, no processo, outros elementos que permitam inferir com maior precisão a certeza e liquidez do aludido crédito. Não se sabe, por exemplo, se o valor recolhido foi deduzido como estimativa na apuração anual, se existe DIPJ retificadora daquela juntada na manifestação de inconformidade e se o DARF apresentado efetivamente foi computado nos sistemas de informação da Receita Federal. É certo que, em conformidade com a Súmula CARF nº 84, é possível caracterizar como indébito o pagamento indevido a título de estimativa, confirase: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Contudo, nos termos do artigo 170 do CTN, é necessário aferir a certeza e a liquidez do direito creditório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.949996/200812 Resolução nº 1102000.269 S1C1T2 Fl. 97 4 Quando existem dúvidas sobre a existência do direito investigado na lide, a diligência pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora. Nesse sentido, confirase o que diz o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) Assim, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem promova a efetiva verificação dos seguintes elementos: a) se o valor recolhido foi deduzido como estimativa na apuração anual; b) se existe DIPJ retificadora daquela juntada na manifestação de inconformidade; c) se o DARF apresentado efetivamente foi computado nos sistemas de informação da Receita Federal; d) e se o DARF foi aproveitado em outro processo de compensação. Concluídas essas verificações, devese produzir um relatório circunstanciado em que se determine o valor possível de ser restituído a título de estimativa paga indevidamente. Depois, promover a ciência à empresa dos elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 11080.919011/2012-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 11 /2 01 2- 81 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919011/201281 Acórdão n.º 3802002.458 S3TE02 Fl. 124 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 74 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/09/2013 (fls. 71), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919011/201281 Acórdão n.º 3802002.458 S3TE02 Fl. 125 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.919011/201281 Acórdão n.º 3802002.458 S3TE02 Fl. 126 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.003777/2004-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
EXIGENCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF CONCOMITANTE COM A MULTA PROPORCIONAL DE OFICIO. LEGALIDADE. É legal a aplicação concomitante da multa por atraso na entrega da DCTF e a multa de oficio proporcional, relativa ao inadimplemento do tributo devido, haja vista que suas hipóteses de incidência sãoe autônomas, não guardando qualquer relação entre si.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 EXIGENCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF CONCOMITANTE COM A MULTA PROPORCIONAL DE OFICIO. LEGALIDADE. É legal a aplicação concomitante da multa por atraso na entrega da DCTF e a multa de oficio proporcional, relativa ao inadimplemento do tributo devido, haja vista que suas hipóteses de incidência sãoe autônomas, não guardando qualquer relação entre si. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FONSECA E FILHOS CIA. LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 EXIGENCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF CONCOMITANTE COM A MULTA PROPORCIONAL DE OFICIO. LEGALIDADE. É legal a aplicação concomitante da multa por atraso na entrega da DCTF e a multa de oficio proporcional, relativa ao inadimplemento do tributo devido, haja vista que suas hipóteses de incidência sãoe autônomas, não guardando qualquer relação entre si. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 37 77 /2 00 4- 54 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10384.003777/200454 Acórdão n.º 9101001.966 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 10322.752, proferido na sessão de 6/2/2006 da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de interesse da empresa FONSECA E FILHOS CIA. LTDA., apresentou Recurso Especial à CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF com fulcro no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF no. 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007. No acórdão recorrido, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo ser descabível a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, cumulativamente com a multa de oficio. O acórdão ora guerreado foi ementado da seguinte forma (fl. 329): "DCTF ATRASO NA ENTREGA MULTA DESCABIMEIVTO A multa por atraso na entrega da DCTF não pode ser exigida cumulativamente com a multa de lançamento de oficio.” O Recurso Especial, fls. 329330, teve seguimento conforme Despacho 103 0.041/2009 (fl. 37677), assim redigido (verbis): “(...) Alega a recorrente que referido acórdão manifestou posição divergente dos seguintes acórdãos trazidos como paradigma: n° 302 37622 e 10194.858. Dispõe o inciso II do art 7°, que cabe recurso quando a decisão der interpretação da lei tributária divergente da que tenha dado outra Câmara de Conselhos ou a própria Câmara de Recursos Fiscais. Assim, como foram trazidos o inteiro teor de dois acórdãos de Câmaras distintas desta, passo ao exame de admissibilidade do recurso especial, quanto à divergência jurisprudencial. Neste sentido, verifico que, enquanto os acórdãos paradigmas estabelecem que é legal a aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF e a relativa ao inadimplemento do tributo devido concomitantemente, o acórdão do caso em tela prevê que a multa por atraso na entrega da DCTF não pode ser exigida cumulativamente com a multa de lançamento de oficio. Então, à vista desses fundamentos e no uso da competência pelo art.15, §6° do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial, por satisfazer os pressupostos regimentais de admissibilidade. (...)” Cientificado, via Edital, fl. 378, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. A seguir, os autos foram enviados a CSRF e o processo distribuído a este Relator. É o breve relatório. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10384.003777/200454 Acórdão n.º 9101001.966 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão no Colegiado ordinário que decidiu pela inaplicabilidade da multa por falta de apresentação de DCTF concomitantemente à multa de oficio por falta de recolhimento dos tributos devidos e que deveria ter sido declarados/confessados nessa mesma DCTF. Especificamente, a douta PFN defende o entendimento de que embora simultâneas tais penalidades visam punir duas infrações distintas, quais sejam omissão de rendimentos e entrega de declaração a destempo , inexistindo impedimento legal à cobrança da multa de oficio e da multa por atraso na entrega da declaração, sendo que esta última refere se à situação específica prevista em lei, não se confundindo com a multa de oficio de 75% disposta em outro dispositivo legal. Assevera a Recorrente que deve prevalecer seu entendimento, haja vista que o art. 7°, §2°, II, da Lei n° 10.426/2002 previu a possibilidade de tal coexistência, ao estabelecer a aplicação de multa por atraso, com redução de 25% quando o contribuinte apresenta a declaração após o início da ação fiscal, porém dentro do prazo de intimação. Por sua vez, o acórdão recorrido motivou a exoneração da penalidade ora questionada nos seguintes fundamentos: “Dos autos se colhe que a recorrente, que não havia entregue as DCTFs relativas ao período de abril de 2001 a dezembro de 2003, as entregou, após ter sido intimada a fazêlo, no curso do procedimento fiscal, ao cabo da qual teve contra si lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao mencionado período, com a aplicação de multa de lançamento de ofício de 75%. Houvessem as DCTFs sido entregues antes do inicio do procedimento fiscal, seria descabida a multa de lançamento de ofício a aplicáveis a multa de mora sobre.os tributos não pagos no vencimento e a multa Por atraso na sua entrega; havendo sido entregues no curso da ação fiscal, descabem as multas de mora e multa por atraso na entrega das DCTFs, sendo aplicável unicamente a multa de lançamento de ofício.” Pois bem, a legitimidade da coexistência de penalidades dependerá do exame acerca das infrações que motivaram a aplicação das mesmas. Da análise dos autos, percebese que não obstáculo legal para a coexistência da multa de oficio e da multa do art. 7 0, § 2°, II, da Lei n° 10.426/2002, já que decorreram de Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10384.003777/200454 Acórdão n.º 9101001.966 CSRFT1 Fl. 5 4 duas infrações distintas, cometidas em momentos dispares, quais sejam, omissão de rendimentos e descumprimento do prazo de entrega da DCTF. Uma vez que as normas legais também são distintas e estabelecem uma pena para cada um dos atos ilícitos praticados pelo Contribuinte não há que se falar em dispensa da punição, apenas porque ao Recorrido já havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito. O Código Tributário Nacional estabelece em seu art. 97 que (verbis): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Portanto, tal qual destacado pela Recorrente, descabe o deve prevalecer a decisão da Câmara a quo, pois ao excluir a multa por atraso na entrega da DCTF, terminou por criar hipótese de dispensa de penalidade não disciplinada em lei. Peço vênia também para transcrever e adotar em parte a fundamentação do Acórdão n° 30237622, trazido como paradigma, assim redigido: “(...) De acordo com os termos do §4o., art. 11 do Decretolei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Tratase, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". A alegação de que não poderiam ser lançadas duas multas contra o sujeito passivo, pelo atraso na entrega da DCTF e pela mora do pagamento do tributo em atraso também não merece guarida. A multa por atraso na entrega da DCTF e a relativa ao inadimplemento do tributo devido são autônomas e não guardam qualquer relação entre si, motivo pelo qual são plenamente aplicáveis concomitantemente, caso ocorram suas hipóteses de incidência. Com efeito, o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de ‘bis in idem’ na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. (...)” No presente caso, repitase, as penalidades decorrem de infrações totalmente distintas. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10384.003777/200454 Acórdão n.º 9101001.966 CSRFT1 Fl. 6 5 Conclusão. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000643/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições.
GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO A EMPREGADOS DE EMPRESAS CONTRATADAS PARA VENDAS DE PRODUTOS DA CONTRATANTE - GUELTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária os prêmios como incentivo a vendas, ainda quando o beneficiário seja empregado da empresa contratada para essa finalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.142
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO A EMPREGADOS DE EMPRESAS CONTRATADAS PARA VENDAS DE PRODUTOS DA CONTRATANTE - GUELTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária os prêmios como incentivo a vendas, ainda quando o beneficiário seja empregado da empresa contratada para essa finalidade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 317 1 316 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000643/200883 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.142 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria PREMIAÇÃO A EMPREGADOS DE TERCEIROS GUELTAS Recorrente ICATU CAPITALIZAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. GRATIFICAÇÃO DE INCENTIVO A EMPREGADOS DE EMPRESAS CONTRATADAS PARA VENDAS DE PRODUTOS DA CONTRATANTE GUELTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária os prêmios como incentivo a vendas, ainda quando o beneficiário seja empregado da empresa contratada para essa finalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 43 /2 00 8- 83 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000643/200883 Acórdão n.º 2402004.142 S2C4T2 Fl. 318 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 24/11/2008. É objeto do lançamento as contribuições dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre pagamentos por inventivo a vendas. Assim considerados os segurados empregados de empresas comerciais que efetuam vendas ao mercado em proveito da recorrente gueltas. Informa a fiscalização que esses valores foram informados em DIRF. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: Acórdão: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PREMIO VINCULADO A PRODUTIVIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Entendese por salário de contribuição do segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, Lei 8212/91 artigo 28, inciso III. Os prêmios pagos a título de incentivo às vendas são parcelas de natureza retributiva, compõem a remuneração dos segurados contribuintes individuais e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social. A partir de 1° de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo, conforme art. 4° da Lei n° 10.666/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, AI DEBCAD 37.179.4331, consolidado em 24/11/2008, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, referentes à parte dos contribuintes individuais, incidentes sobre as remunerações pagas a titulo de “Campanha de Vendas”, no valor consolidado de RS 62.829,54 (sessenta e dois mil oitocentos e vinte e nove reais e cinqüenta e quatro centavos) no período de 01/2004 a 12/2004. ... Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2.3. Conclui que tais segurados, embora segurados empregados de outras empresas são contribuintes individuais em relação ao sujeito passivo do presente AI. Ressalta tal entendimento ao apontar que tais angariadores foram informados na DIRF, código 0588 rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, não restando dúvidas que os pagamentos efetuados são retribuições ao trabalho dos angariadores; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: 3.2. Quanto aos fatos, informa que o presente AI trata de premiações pagas por serviços de angariação de clientes. Esclarece que seus colaboradores, eram empregados de empresas que comercializavam seguros oferecidos por diversas seguradoras e que a premiação tinha a finalidade de estímulo à venda através de campanhas de venda e não a remuneração pela prestação do serviço; 3.3. Da impossibilidade de integração do prêmio ao Salário de Contribuição dos Colaboradores: 3.3.1. Alega que tanto o disposto no art. 28, III e no art. 22, III da lei 8.212/91, ressalta a necessidade do pagamento ser caracterizado como remuneratório para ser incluído no seu salário de contribuição; 3.3.2. Exemplifica algumas campanhas para concluir que o prêmio está desvinculado dos serviços prestados, uma vez que eram fornecidos através de sorteios e poderiam ser dados através de utilidades ou pagamento em dinheiro, não ocorrendo qualquer relação de proporcionalidade; 3.3.3. Ressalta ainda que estes desembolsos não eram direcionados mensalmente aos mesmos segurados, pois as campanhas tinham curto prazo de duração e colaboradores diferentes. Desta forma entende que tais verbas tem caráter eventual podendo ser enquadrado nas hipóteses de exclusão do salário de contribuição prevista no art. 28, §9° da Lei 8.212/91; 3.3.4. Aponta decisões administrativas e judiciais para fundamentar suas razões. 3.4. Da impossibilidade de cobrança das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados a empregados de terceiros: 3.4.1. Entende que se considerada remuneração, a impugnante não poderá se responsabilizar pelo pagamento de contribuições previdenciárias sobre tais valores por não ser a empregadora dos colaboradores. Os empregadores são as empresas que comercializam os seguros da Impugnante; 3.4.2. Tais colaboradores jamais poderiam ser contribuintes individuais da Impugnante tendo em vista a habitualidade com que era efetuada a prestação de serviços de vendas de seguros da Impugnante e não eventual como definição legal de prestação de serviço por contribuinte individual art. 12, V, “g” da Lei n° 8.212/91; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000643/200883 Acórdão n.º 2402004.142 S2C4T2 Fl. 319 5 3.4.3. Informa que havia angariação de clientes e venda de seguros de forma contínua, o que afastaria a caracterização de contribuinte individual e portanto não há que se cogitar da exigência de qualquer contribuição por parte da Impugnante; 3.4.4. Ressalta que caso as gueltas sejam consideradas parcelas remuneratórias pela Justiça do Trabalho, as mesmas integrariam o salário do empregado, não podendo ser consideradas remunerações autônomas; 3.4.5. Entende que para ser segurado empregado e contribuinte individual ao mesmo tempo teria que ser atividade diversa e em períodos e turnos diferentes; E também que não havia habitualidade em relação ao mesmo beneficiário. A recorrente promovia inclusive sorteios, quando então haveria a possibilidade de mesmo realizando as vendas em seu favor não fosse a pessoa contemplada com algum prêmio. O presente processo foi distribuído a este relator por conexão através do despacho nº 2402005, de 06/07/2013. É o Relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000643/200883 Acórdão n.º 2402004.142 S2C4T2 Fl. 320 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito Pagamento de premiação a empregados de terceiros por vendas em seu benefício guelta Ressaltase inicialmente que as principais alegações da recorrente não se aplicam ao lançamento ora em exame. A fiscalização não considerou como parcela salarial a premiação em questão, mas tão somente remuneração paga a contribuintes individuais; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 portanto, não se tratou de caracterização como segurado empregado da recorrente os empregados da empresa comercial que patrocina vendas de produtos da recorrente. A recorrente admite que os valores são pagos como prêmio pela venda de seus produtos, gueltas: 10. Conforme acima esclarecido, com o objetivo de estimular a venda dos seus produtos pelas empresas que os comercializam, a Impugnante desenvolvia campanhas de vendas direcionadas aos funcionários destas empresas, denominados colaboradores. Na condição de contribuinte individual, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos em razão de uma serviço prestado em proveito de quem o remunera, como é o caso também das gueltas. Para o contribuinte individual a habitualidade não é essencial para a incidência ou não da contribuição previdenciária. É relevante que exista uma relação entre o pagamento da verba e um interesse econômico efetivamente satisfeito. No caso, o segurado recebeu pagamento diretamente da recorrente pela vantagem econômica que a proporcionou; portanto, independentemente do vínculo de emprego com outra pessoa jurídica ele também é contribuinte individual da recorrente quanto as gueltas recebidas: Lei nº 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°. Ressaltase, inclusive, que a recorrente declarou esses valores em DIRF. A jurisprudência do TST tem equiparado as gueltas às gorjetas recebidas pelos empregados para considerálas de natureza remuneratória. Esse entendimento reafirma que os valores são recebidos como uma decorrência do contrato de trabalho com a empresa parceira comercial; portanto, em razão da prestação de serviço. Para a legislação trabalhista, de fato, não haveria diferenças substanciais entre as gorjetas e as gueltas, pois ambas compõem as expectativas remuneratórias dos empregados junto ao empregador; no entanto, para fins tributários existe diferença em relação a atribuição da responsabilidade tributária. No caso das gorjetas a responsabilidade é do empregador e não dos clientes que gratificam o empregado, mas quanto as gueltas é quem realiza o pagamento que se responsabiliza pelo tributo. O beneficiário das vendas não é um simples consumidor final como acontece com as gorjetas. O interesse não é a apenas a qualidade no atendimento, mas o ganho econômico advindo com o incentivo às vendas do produto. E como no âmbito tributárioprevidenciário também existe a condição de contribuinte individual, quando há incidência da contribuição previdenciária independentemente da relação de emprego, seria forçoso não reconhecêla no presente caso: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000643/200883 Acórdão n.º 2402004.142 S2C4T2 Fl. 321 9 RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA. GUELTAS. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO. REFLEXOS. 1. A parcela denominada guelta, paga por terceiros fornecedores em decorrência da venda de seus produtos pelo empregado, durante a execução do seu contrato de trabalho com o empregador, tem natureza jurídica salarial, semelhante às gorjetas, e, como tal, deve integrar a remuneração para todos os efeitos legais, nos termos do artigo 457 da CLT, aplicandolhes, por analogia, o entendimento da Súmula 354, não servindo de base apenas para cálculo do aviso prévio, do adicional noturno, das horas extras e do repouso semanal remunerado. Precedentes." (RR 9230033.2006.5.03.0043, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos. Data de Julgamento: 13/5/2009, 2ª Turma. Data de Publicação: 15/5/2009) Assim, tendo as gueltas natureza jurídica salarial semelhante à das gorjetas, devem integrar a remuneração para todos os efeitos legais, nos termos do artigo 457 da CLT e da Súmula nº 354 do TST. Fica inviabilizada a análise da arguição de divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula nº 333 do TST, por estar a decisão recorrida em harmonia com a jurisprudência majoritária desta Corte. Diante do exposto, não conheço do recurso. Voto por negar provimento ao recurso voluntário É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10314.001260/2003-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 22/01/2000 a 23/01/2002
ENTREPOSTO ADUANEIRO. FATURAS SEM COBERTURA CAMBIAL. AUSÊNCIA DA INFRAÇÃO CAPITULADA. AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE.
Tendo a diligência realizada comprovado que as faturas decorrentes das operações analisadas foram emitidas sem cobertura cambial, restou descaracterizado o descumprimento do regime de entreposto aduaneiro, de modo que restou carente de motivação e fundamento o lançamento, sendo o mesmo improcedente.
Recurso de Ofício conhecido e não provido.
Numero da decisão: 3402-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ PAULO PUIATTI (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 22/01/2000 a 23/01/2002 ENTREPOSTO ADUANEIRO. FATURAS SEM COBERTURA CAMBIAL. AUSÊNCIA DA INFRAÇÃO CAPITULADA. AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE. Tendo a diligência realizada comprovado que as faturas decorrentes das operações analisadas foram emitidas sem cobertura cambial, restou descaracterizado o descumprimento do regime de entreposto aduaneiro, de modo que restou carente de motivação e fundamento o lançamento, sendo o mesmo improcedente. Recurso de Ofício conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 12 60 /2 00 3- 73 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ PAULO PUIATTI (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.001260/200373 Acórdão n.º 3402002.445 S3C4T2 Fl. 475 3 Relatório Versa o processo de auto de infração aduaneiro, no valor de R$ 2.800.838,42 (dois milhões, oitocentos mil, e oitocentos e trinta e oito reais e quarenta e dois centavos), relativo à Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados, acrescidos ainda de multa de ofício e juros de mora calculados pela SELIC, apurados em ato de revisão aduaneira das declarações de importação do contribuinte, tendo sido verificada, segundo a fiscalização, a ocorrência da seguinte infração: Declaração de Importação instruída com faturas comerciais de compra e venda com cobertura cambial, datadas anteriormente à concessão do Regime de Entreposto Aduaneiro; Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do AI às fls. 04 (numeração eletrônica), “visto trataremse de importações com cobertura cambial, condição impeditiva da concessão do Regime de Entreposto Aduaneiro, nos termos do artigo 360 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 4.543/2002 e artigo 17, inciso III da IN/SRF 241/2002, o regime especial fica descaracterizado, configurandose o regime de importação comum, desde as datas dos fatos geradores abaixo mencionados, quando deveriam ter sido pagos os impostos, aplicandose, portanto, o disposto no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96”. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA O contribuinte autuado apresentou Impugnação Administrativa, protocolizada em 15/04/2003, às fls. 50 (n.e.) cujos argumentos são de que “as importações de produtos submetidos ao regime de entreposto aduaneiro, ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização, foram realizadas sem cobertura cambial; o auto de infração ora impugnado exige o pagamento integral de tributos que já foram recolhidos, acrescidos de multa e juros; os juros lançados no auto de infração ora impugnados foram calculados de maneira abusiva e não correspondem à taxa de juros SELIC do período”. DA DILIGÊNCIA EM 1ª INSTÂNCIA Distribuído o processo à Delegacia de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPOII), a mesma resolveu convertêlo em diligência, através da Resolução nº 834 – 1ª Turma da DRJ/SPOII, datado de 14/08/2008, cuja ementa restou assim consignada: “Os membros da lª Turma desta DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO SAO PAULO II, à vista do disposto no art. 15, § 8°, da Portaria do Ministro da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006, e a fim de possibilitar a adequada Fl. 476DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 instrução do presente processo, propiciando as condições necessárias ao julgamento do contencioso administrativo, RESOLVEM, por unanimidade de votos, convertelo em diligência para os fins solicitados no relatório parte integrante desta.” A DRJ solicitou a realização da diligência para: “1º) Intimar o contribuinte para que apresente todos os contratos de fechamento câmbio, com as respectivas liquidações, relativos aos pagamento das operações de importações objeto da presente autuação (quando os produtos admitidos inicialmente em Entreposto Aduaneiro foram despachados para consumo); 2°) Recalcular os valores dos juros moratórios aplicados no Auto de Infração e, se for o caso, retificálos. 3º) Atestar se efetivamente já foram efetuados os recolhimentos dos tributos relativos aos produtos que foram admitidos através das Declarações de Admissão objeto da presente autuação fiscal, quando da nacionalização dos mesmos (registro da Declaração de Importação para Consumo).” DA MANIFESTAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL Tendo em vista a solicitação da DRJ através da resolução acima mencionada, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relacionados o que fez através da petição de fls. 305 a 426 (n.e.). Novamente, o contribuinte foi intimado para manifestarse sobre os documentos anexados, o qual o fez nas fls. 431 (n.e.), alegando, em resumo: “a) as admissões no regime de entreposto aduaneiro foram cursadas efetivamente sem cobertura cambial, tanto que nas faturas apresentadas no despacho de admissão consta a cláusula de inexistência de cobertura cambial, e não o contrário como pretende induzir o relatório do Auto de Infração, o que pode ser fartamente comprovado através da documentação constante dos autos; b) a data da emissão da fatura comercial apresentada tão somente no momento da nacionalização prova que na data da concessão do regime de admissão em entreposto aduaneiro a consignatária, ora Requerente, já havia firmado um compromisso de compra com o consignante, o que não constitui "cobertura cambial" para efeitos da concessão do regime de entreposto aduaneiro; c) tal constatação não constitui qualquer infração, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa da SRF n° 79/01 que dispõe expressamente que "a remessa antecipada de pagamento não se considera cobertura cambial"; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.001260/200373 Acórdão n.º 3402002.445 S3C4T2 Fl. 476 5 d) o fato da Requerente não ter recorrido do auto de infração semelhante não se constitui elemento de substância ao presente auto de infração, uma vez que naquela ocasião existiam mercadorias pendentes de desembaraço aduaneiro. Ademais, os custos processuais para o oferecimento da Impugnação, acrescidos das multas contratuais decorrentes do atraso da entrega da mercadoria seriam muito mais onerosos; e) a data da emissão da fatura não poderia ser usada como prova substancial do auto de infração, tendo em vista que a sua exigibilidade não está prevista em qualquer dispositivo legal e, muito menos, há qualquer infração ao regime que tenha sido explicitada por este fundamento, e por fim; f) mesmo que fossem procedentes os fundamentos do Sr. Auditor Fiscal quando da lavratura do auto de infração, jamais, sob qualquer pretexto, ele poderia exigir o pagamento dos tributos (II e IPI) que foram devidamente pagos, conforme comprovado por meio das Declaração de Importação de Nacionalização, bem como pela diligência realizada, por meio das telas do Sistema da Receita Federal de fls. 343 a 428.” DA DECISÃO DE 1ª INSTANCIA Em 30/03/2012, a 23ª Turma da DRJ/SP1, através do acórdão de nº 16 37.196, julgou procedente a impugnação, cancelando a exigência fiscal, proferindo decisão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 22/11/2000 a 23/01/2002 Entreposto aduaneiro da importação. Fatura comercial emitida anteriormente à data de registro da declaração de importação para admissão das mercadorias no regime. Existência de indicação de destinação a recinto alfandegado, com cláusula de operação sem cobertura cambial. Igual condição indicado no conhecimento de carga. Incabível a descaracterização do regime. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Ao final, a DRJ/SPI interpôs recurso de ofício no já referido acórdão, em face da Portaria Ministerial à época nº. 375/2001, tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada. DA DISTRIBUIÇÃO Fl. 478DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 465 (quatrocentos e sessenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.001260/200373 Acórdão n.º 3402002.445 S3C4T2 Fl. 477 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Inicialmente consigno cumpridos os requisitos para a admissibilidade do Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), tendo em vista que o crédito tributário por ela exonerado (R$2.800.838,42) supera o limite de alçada estabelecido pela Portaria Ministerial nº. 3/2008 (R$1.000.000,00), de modo que dele devo tomar conhecimento. Em seguida, para averiguar se considero ajustada a decisão proferida pela instância de Piso, entendo ser necessário inicialmente assinalar qual, segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, foi a infração apontada pela Autoridade Autuante no caso em tela, sendo que, de acordo com o que se pode observar da leitura do Auto de Infração às fls. 04 (numeração eletrônica), a infração apontada no documento restou assim discriminada: “RECOLHIMENTO DO IMPOSTO EM DATA POSTERIOR AO REGISTRO: em procedimento de revisão aduaneira, constatou se que o autuado registrou Declarações de Importação instruindoas com faturas comerciais de compra e venda com cobertura cambial, datadas anteriormente à concessão do Regime de Entreposto Aduaneiro, conforme cópias dos referidos documentos anexos ao presente.” (grifouse). Entendeu a Autoridade Fiscal, que o registro de Declarações de Importação instruídas com faturas comerciais de compra e venda com cobertura cambial ensejaria o desenquadramento da Recorrente do regime de Entreposto Aduaneiro nos termos do regulamentado no artigo 17, inciso III da IN SRF 241/2002, ensejando assim meras operações de importação comum, pagas, por sua vez, com atraso (em data posterior ao fato gerador do tributo), ensejando assim a multa prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96. Porém, por brevidade, relembro aqui que diante dos argumentos trazidos pelo contribuinte em sua Impugnação Administrativa, na qual sustentou que as operações comerciais ocorreram sem cobertura cambial, a instância a quo baixou o processo em diligência, sendo o contribuinte instado a anexar aos autos os contratos de câmbio e a Autoridade Preparadora orientada a proceder ao recálculo dos juros e juntar cópia das telas do sistema SINAL para a verificação dos pagamentos dos tributos. Realizado tal ato, o retorno dos autos à DRJ e a posterior análise dos documentos, demonstrou que as operações de importação realizadas pela Recorrida, de fato, ocorreram sem a cobertura cambial, consignada expressamente esta informação nos contratos por ela juntados aos autos, bem como nos conhecimentos de carga relativos a estas operações. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Neste sentido a descaracterização do regime de entreposto aduaneiro por desobediência ao disposto no mencionado artigo 17 da Instrução Normativa nº 241/2002 não ocorreu, tendo o contribuinte comprido com a regulamentação vigente à época para a importação de mercadorias sob citado regime, podendo efetuar o recolhimento dos tributos pertinentes em data posterior ao seu desembaraço, porque suspensos. Restou também verificado que a infração imputada ao contribuinte não procederia, pois que o sistema SINAL, através das telas de fls. 393/428 (numeração eletrônica) informa o recolhimento dos tributos, encontrandose os valores lançados integralmente quitados quando dos despachos para consumo das mercadorias. Assim, tenho que o auto de infração carece de fundamento fático, e, portanto, é improcedente, pois que ausente à infração nele capitulada, comprovada ainda por documentos hábeis e idôneos. Por fim, no que concerne à parte final da exoneração dos valores autuados, relativa à diferença de taxa SELIC apontada pelo contribuinte, da mesma forma que procedeu a DRJ, acatando o resultado da diligência, entendo que verificado o equívoco e procedido o recálculo deve o mesmo ser considerado nos autos, sem, no entanto, produzir efeitos, uma vez constatada a improcedência do lançamento, conforme restou verificado acima. Na esteira das considerações, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o cancelamento da exigência decretada pela DRJ, ante a improcedência do lançamento, em face da prova da inexistência da infração capitulada. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000825/2004-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impo-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho arruda Junior Relator
EDITADO EM: 08/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impose a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 25 /2 00 4- 94 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior – Relator EDITADO EM: 08/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Cuidase de recurso especial, tempestivo, com amparo nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, contra o Acórdão n° 10617.209 que abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem a origem comprovada ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Recurso voluntário provido. O referido Acórdão foi julgado na sessão plenária de 17/12/2008, e teve o seguinte resultado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento. O recurso está manejado quanto à seguinte matéria: Termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Segue abaixo o paradigma apresentado seguido de sua respectiva ementa: Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000825/200494 Acórdão n.º 9202003.296 CSRFT2 Fl. 7 3 Acórdão n° CSRF/9101 00.460: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A recorrente insurgese contra a parte do acórdão recorrido que acolheu preliminar de decadência, assentando o entendimento de que a contagem do prazo, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, regese pelo art. 150, § 4o do CTN. Aponta paradigmas que sustenta que, em situação semelhante, sustenta que, dada a falta de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial deve regerse pelo art. 173, I do CTN, isto é, o termo inicial deve ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção resolveu dar seguimento ao Recurso Especial interposto, por meio do Despacho n. 220200.059 [fls. 313 e ss]. Intimado a se manifestar, o Contribuinte apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos apresentados no decisum recorrido. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. Como dito acima, o recurso está manejado quanto à discussão da possibilidade de se caracterizar divergência jurisprudencial no que diz respeito a contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 19515.000825/200494 Acórdão n.º 9202003.296 CSRFT2 Fl. 8 5 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art.173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. No caso, não há informação de recolhimento a título de IRPF ou IRRF. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 08/04/2004 [fls. 153], com a devida ciência do contribuinte constante do AR encaminhado, a exigência fiscal não se encontra fulminada pela decadência, em razão dos fatos geradores referemse ao exercício de 1999, com o início do prazo decadencial em 01/01/2000, com encerramento em 31/12/2005, impondo a manutenção do feito, na forma pleiteada pela recorrente, devendo o processo ser remetido à Câmara de origem (recorrida) para análise das demais questões meritórias suscitadas no recurso voluntário da contribuinte, não contempladas por ocasião do julgado atacado em face do acolhimento da decadência do período em comento. DISPOSITIVO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, com retorno a Turma de Julgamento de origem para julgamento das questões relativas ao exercício de 1999. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001855/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/05/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO DEMONSTRADA. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada a contradição na decisão tomada.
Embargos Acolhidos
Acórdão retificado
Numero da decisão: 3102-002.265
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONTRADIÇÃO DEMONSTRADA. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada a contradição na decisão tomada. Embargos Acolhidos Acórdão retificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório A Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Santos retorna o Processo a este Conselho para que seja aclarado o teor do Acórdão 310200.648, de 29 de abril de 2010, que obteve a seguinte ementa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 18 55 /2 00 5- 51 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.001855/200551 Acórdão n.º 3102002.265 S3C1T2 Fl. 186 2 Data do fato gerador: 10/05/2005 LANÇAMENTO PROMOVIDO NO INTUITO DE PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A proposição de ação no intuito de discutir a incidência de tributo não é suficiente para evitar a incidência de multa sobre os tributos lançados no intuito de prevenir a decadência. É imprescindível que, cumulativamente, os tributos lançados se encontrem com a exigibilidade suspensa, por força de medida judicial, e que tal provimento ocorra e1n data anterior ao início de procedimento de oficio inerente à cobrança dos tributos litigiosos. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTO ALVO DE DEPÓSITO JUDICIAL DE SEU MONTANTE INTEGRAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Aplicação da súmula n° 5 do 1 CC. Recurso Voluntário Provido em Parte. O Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado tem o seguinte conteúdo. Trata o presente auto de infração de exigência das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, acompanhadas de multa de oficio e juros de mora, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 99.704,09. De acordo com a descrição dos fatos, o crédito tributário em causa foi lançado com o fim de prevenir a decadência, haja vista que a matéria está sendo discutida na esfera judicial, através do Mandado de Segurança nº. 2004.61.04.0060956. A matéria do litígio é a incidência das Contribuições sobre importação e a base de cálculo para o cálculo das mesmas. Petição inicial do mandado de Segurança e a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança autorizando o depósito judicial encontramse ás fls. 118/139. Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fls. 80/88, alegando, em síntese: 1 Que não está discutindo a matéria administrativamente visto a ação judicial impetrada para dizer da legalidade e constitucionalidade da exigência em questão. 2 Contesta a aplicação da multa de oficio tendo em vista que a impetração do Mandado de Segurança se deu antes da autuação, estando o fisco impedido de autuála por descumprimento de dever. 3 Contesta também a incidência dos juros de mora pois efetuou depósito do montante integral antes da constituição do crédito tributário. 4 Requer que seja julgado parcialmente procedente o auto de infração. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.001855/200551 Acórdão n.º 3102002.265 S3C1T2 Fl. 187 3 Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 0910612004 DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. MULTA DE OFÍCIO .JUROS DEMORA. O depósito judicial do montante do crédito tributário exigido suspende a exigibilidade do crédito tributário, sendo devida, porém, a multa de gfïcio se a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido após o início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. Os juros de mora são devidos sempre que não houver pagamento dos tributos na data do vencimento. Lançamento Procedente Em síntese, o fundamento para a manutenção da multa de oficio é a convicção, por parte dos julgadores recorridos, de que, na data do registro da declaração de importação dos bens objeto de litígio (09/06/2004) não haveria depósito judicial apto a suspender a exigibilidade, visto que os valores correspondentes só vieram as ser depositados judicialmente em 28/06/2004. De tal sorte, seria inaplicável à espécie o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, dispositivo responsável pelo afastamento da multa de oficio na hipótese de lançamento efetuado para prevenir a decadência. Regularmente cientificado da decisão a quo em 21/08/2008, mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais uma vez aos autos, em 19/09/2008, para, em sede de recurso voluntário pleitear sua reforma. Sinteticamente, as razões de recurso são: a) que a multa em questão só tem vez quando o lançamento ocorre em data anterior à insurgência contra a cobrança veiculada naquele ato de oficio; b) que, ajuizara mandado de segurança preventivo antes de qualquer procedimento de oficio para a cobrança dos tributos lançados; c) que o despacho de importação não se confundiria com a atividade administrativa voltada para lançamento do crédito. Juntou jurisprudência do TRF 3º Região; d) que, pelos mesmos motivos, não se justificaria a cobrança de juros moratórios. O Despacho da Alfândega, acolhido como se embargos de declaração fossem, apresentou as seguintes considerações acerca da decisão proferida no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Considerando a dúvida surgida às fls. 203 quanto à decisão no que se refere a incidência de juros de mora. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.001855/200551 Acórdão n.º 3102002.265 S3C1T2 Fl. 188 4 Considerando ainda que não há cobrança de juros de mora para pagamentos feitos dentro do próprio mês de vencimento, proponho o encaminhamento do presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que retificar ou ratificar o constante às fls. 197. A dúvida expressa à folha 203 do Processo, mencionada no despacho acima, foi expressa nos seguintes termos. Tendo em vista o teor do Acórdão proferido pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, nas fls 194/197, proponho o encaminhamento do presente ao GCOT, para elucidar a decisão que deu provimento parcial ao recurso voluntário exclusivamente para afastar a incidência de juros. Tal procedimento fazse necessário para que este GPAJ efetue com fidedignidade a suficiência do crédito tributário sub judice. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração interpostos. Do Despacho lavrado pelo Grupo de Acompanhamento de Processos Judiciais – GAPJ, à folha 203 do Processo, não se obtém nenhuma informação sobre qual seja dúvida a respeito da decisão tomada no âmbito deste Conselho. O Despacho à folha seguinte, de responsabilidade do Grupo de Controle e Cobrança dos Créditos Tributário – GCOT, justificase pela dúvida manifesta pelo GAPJ e, a seguir, refere a inocorrência de cobrança de juros de mora para pagamentos feitos dentro do próprio mês de vencimento. O dispositivo do Voto recebeu a seguinte redação. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para afastar a incidência de juros sobre o débito discutido em juízo a partir da data em que se efetivou o depósito de seu montante integral, mantendose, quanto aos demais aspectos, a exigência fiscal nos termos em que foi formulada. Pelo que posso depreender do todo, a dúvida recai sobre a expressão quantitativa dos juros que devam incidir sobre o crédito tributário. O provimento do Recurso foi para afastar a incidência de juros a partir de determinado momento, definido como sendo a data em que se efetivou o depósito de seu montante integral. Assim decidindo, o Acórdão definiu um período de incidência que transcorreu dentro do próprio mês, situação na qual, segundo informa a Unidade de Jurisdição do contribuinte, não há incidência de juros. De fato, na fundamentação da decisão afirmase taxativamente que durante determinado intervalo de tempo fluíram juros de mora (durante esse intervalo fluíram juros de mora). Confirase. Assim, sendo certo que, nos termos do art. 13, I da Lei n ° 10.865, de 30/04/2004, o vencimento das contribuições alvo de litígio é a data do registro da declaração de importação e este registro ocorreu em 09/06/2004, enquanto que o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.001855/200551 Acórdão n.º 3102002.265 S3C1T2 Fl. 189 5 depósito correspondente somente foi levado a efeito em 28/06/2004, durante esse intervalo fluíram juros de mora. Ocorre que, conforme se extrai do demonstrativo de fl. 01, o Fisco calculou tais juros até 31/03/2005, o que impõe, a meu ver, a correção do lançamento. A meu ver, está claramente configurada a contradição na decisão tomada no Acórdão e nos fundamentos que lhe dão suporte, ao dar parcial provimento ao Recurso para determinar a incidência de juros em um período no qual o quantum correspondente é igual a zero. Se no período no qual incidiriam juros o cálculo destes é igual a zero, então o correto seria dizer. Conforme se extrai do demonstrativo de fl. 01, o Fisco calculou juros de mora até 31/03/2005, o que impõe, a meu ver, a correção do lançamento, pois, nos termos do art. 13, I da Lei n ° 10.865, de 30/04/2004, o vencimento das contribuições alvo de litígio é a data do registro da declaração de importação e este registro ocorreu em 09/06/2004, enquanto que o depósito correspondente somente foi levado a efeito em 28/06/2004, não havendo, por conseguinte, juros a serem cobrados. O dispositivo, por seu turno, passa a ser o seguinte, Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para afastar a incidência de juros sobre o débito discutido em juízo, mantendose, quanto aos demais aspectos, a exigência fiscal nos termos em que foi formulada. VOTO por acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Alfândega do Porto de Santos, atribuindolhes efeitos infringentes, conforme acima exposto. Sala das Sessões, 21 de agosto de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13657.000188/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 57 .0 00 18 8/ 20 06 -1 7 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Resolução nº 3801000.779 S3TE01 Fl. 240 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: "Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI de fl. 01, segundo planilhas de fls. 02/07, relativo ao 3o Trimestre do anocalendário de 2002, formulado, em08/03/2006, no montante de R$10.514,63, com fulcro no artigo 11 da Lei n ° 9.779, de 19/01/1999. Instruída pelo Relatório de Verificação Fiscal de fls. 59/61, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Varginha, MG, exarou, às fls. 64/65, Despacho Decisório indeferindo o ressarcimento. No citado relatório, o auditor fiscal encarregado de proceder à análise da legitimidade do presente pleito , manifestouse contrariamente à pretensão do requerente de obter o reconhecimento de saldo credor de IPI, tendo em vista que manteve em sua escrita fiscal o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 e os créditos de IPI oriundos de aquisições a partir de 01/01/1999, com utilização concomitante desses valores. Regularmente notificado, o requerente apresenta, por meio de seu procurador (fl. 71) a manifestação de inconformidade de fls. 67/70, para aduzir que: "os créditos acumulados de IPI existentes em 31/12/1998 estão sendo abatidos débitos de IPI e os créditos acumulados posteriormente a esta data evidentemente que poderão ser ressarcidos ou compensados. No processo em lide o pedido foi referente ao 3o trimestre de 2002, não havendo impedimento para o ressarcimento ou a compensação. Diante do exposto requer a V. Exa. que seja conhecido e provido o presente recurso deferindo e havendo débitos que seja efetuada a compensação." A DRJ em Juiz de Fora/MG, indeferiu a solicitação do contribuinte com base na seguinte ementa: RESSARCIMENTO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O ressarcimento de saldo credor de IPI, conforme dispuseram o art. 11 da Lei n" 9.779, de 19/01/1999, e o art 5o da IN SRF n° 33, de 04/03/1999, demanda o esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998, seja pela sua utilização na dedução de débitos decorrentes da saída de produtos acabados em estoque naquela data ou de produtos elaborados a partir de 01/01/1999 com os insumos geradores de tal saldo credor ou, finalmente, pelo simples estorno do saldo credor conforme admitido no ADI SRF n° 15, de 2002. Não atendidas estas condições, impossível é deferir saldo credor em favor do contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário, no qual traz as seguintes alegações, em resumo: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Resolução nº 3801000.779 S3TE01 Fl. 241 3 •A DRJ, apesar de reconhecer a existência do direito ao ressarcimento, indeferiu o pedido da recorrente pela existência do saldo em 31/12/98; •A DRJ deveria julgar parcialmente procedente o pedido, estornando o saldo de 31/12/98, aplicando a súmula 8 do Segundo Conselho; •Os créditos acumulados posteriormente a 31/12/98 poderão ser ressarcidos ou compensados. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 3o trimestre/2002, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou Termo de Verificação Fiscal no qual conclui que “Do total de créditos referente ao 4° trimestre de 2001 no valor de R$ 19.749,00 subtraindose o total de débitos referente ao 4°trimestre de 2001 no valor de R$ 8.933,08 verificamos que o contribuinte em tela tem um crédito excedente a ressarcir referente ao 4o trimestre de 2001 no total de R$ 10.815,92.” (sic). A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via postal e se manifestou concordando com o resultado da diligência. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Resolução nº 3801000.779 S3TE01 Fl. 242 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O presente processo foi julgado em conjunto com o processo nº: 13657.000191/200631, da mesma empresa e que tratava da mesma matéria sendo igualmente convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correção do saldo credor de IPI calculado pelo contribuinte divergindo apenas em relação ao período de apuração. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 3o trimestre/2002, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999. No entanto, a documentação juntada aos autos pela DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução é referente ao 4° trimestre de 2001 e o Termo de Verificação Fiscal faz menção ao processo nº: 13657.000191/200631. Assim sendo, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem atenda ao solicitado na Resolução n° 380100.069, de 30 de setembro de 2010, desta 1a Turma Especial e, posteriormente, retorne o mesmo a este CARF para julgamento:. .É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.906262/2012-34
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/07/2005
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 62 /2 01 2- 34 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12.07.2005 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906262/201234 Acórdão n.º 1802003.229 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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