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Numero do processo: 10630.902490/2011-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA.
Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS.
O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não-cumulativo.
CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS.
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA.
Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO.
As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da não-cumulatividade.
CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose).
CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO.
É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria.
CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA.
É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC.
É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que negou provimento também quanto à reversão das glosas relativas às despesas com veículos.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não-cumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA. É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal. Recurso voluntário provido em parte.
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AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não cumulativo. CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 24 90 /2 01 1- 89 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose ocorrem na fase de comercialização do produto acabado e caracterizam despesas operacionais, não gerando créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens do ativo permanente, ainda que os bens sejam empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FASE AGRÍCOLA. É legítima a tomada de créditos em relação ao custo de bens e serviços empregados na manutenção de veículos empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. É vedada a correção do ressarcimento por expressa determinação legal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que negou provimento também quanto à reversão das glosas relativas às despesas com veículos. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902490/201189 Acórdão n.º 3403002.815 S3C4T3 Fl. 6 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa decorrente e exportações, transmitido em 01/12/2008, relativo ao 3º Trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório notificado ao contribuinte em 22/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Segundo o relatório fiscal, o objeto social do contribuinte compreende atividades de produção e comercialização de celulose e seus derivados; papel, papelão e derivados; produção e comercialização de insumos químicos; serviços de florestamento e reflorestamento; preparo, beneficiamento e comercialização de toras de madeira apropriadas para a fabricação de celulose e para consumo energético. Em inspeção procedida no estabelecimento produtivo da recorrente, constatou a fiscalização que as atividades de florestamento e reflorestamento são desempenhadas com o fim exclusivo de produzir a própria matériaprima para a fabricação de celulose. Em relação aos bens utilizados como insumos, foi adotado o conceito de insumo estabelecido nas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04. Com base neste entendimento, foram glosados, os créditos relativos a insumos aplicados na atividade de florestamento e reflorestamento e também no tratamento de efluentes, pois não teriam sido aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. Em relação a serviços utilizados como insumos, a fiscalização glosou os itens "TRANSPORTE DE MADEIRA" ou "FRETE MADEIRA SMAD" por se tratarem de fretes relativos ao transporte de madeira de produção própria para a fábrica, não estando vinculados a compras de matériaprima. Foram glosados custos com serviços de inspeção, movimentação e embarque de celulose, por falta de previsão legal e por não terem sido aplicados diretamente na produção. Em relação aos créditos tomados sobre o custo de aquisição de bens do ativo imobilizado, a fiscalização constatou que uma parte dos bens eram empregados na produção própria da matériaprima. Com base no mesmo critério adotado anteriormente (matériaprima de produção própria não é bem destinado à venda e, portanto, não gera crédito) a fiscalização glosou o crédito tomado com base no custo dos bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da celulose destinada à venda. Irresignado com as glosas, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual, em síntese, descreveu as várias etapas do seu processo produtivo e insurgiuse contra o conceito de insumo adotado pela autoridade administrativa. Alegou que as instruções normativas que adotaram para as contribuições o mesmo conceito de insumo da legislação do IPI são ilegais, por violarem o art. 109 do CTN e não existir previsão legal para que a Receita Federal estabeleça o que é insumo. Tendo em vista que a base de incidência das contribuições é semelhante à base de incidência do imposto de renda, devem ser aplicados os arts. 290 e 299 do RIR/99, a fim de se considerar insumo todos os custos e despesas do Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 contribuinte. Com base em sua interpretação do art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, entende que todos os custos e despesas que contribuíram para gerar a receita de exportação são passíveis de gerarem o crédito. Tal interpretação seria respaldada pelo art. 27 da IN nº 900/08. Na sequência, lançou motivos específicos para justificar a reversão das glosas efetuadas e pleiteou a correção do ressarcimento pela taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Relativamente ao conceito de insumo, ficou decido que as Instruções Normativas da Receita Federal não são ilegais e que as hipóteses de crédito são aquelas taxativamente previstas na lei. Especificamente quanto aos valores classificados como "Frete produção celulose fábrica", "Produção celulose na fábrica" e "Manutenção equipamentos indústria", ressalvou a DRJ que a glosa foi motivada no fato desses valores se referirem a "transporte de madeira", "embarque de celulose" e "inspeção de embarque de celulose", que são despesas em relação às quais não existe previsão legal para o crédito. Relativamente à glosa de créditos tomados sobre o custo de aquisição do ativo imobilizado, a DRJ entendeu que a glosa foi pertinente porque os bens em relação aos quais o crédito foi glosado eram aplicados não só na produção de bens destinados a venda, mas também em outras atividades da empresa, como por exemplo, na produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e manutenção florestal. Quanto à interpretação dada pelo contribuinte ao art. 6º, § 3º da Lei nº 10.833/03, a DRJ entendeu que o que a lei determina é que será permitido crédito sobre custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, caso esses dispêndios observem o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, que é o regramento matriz para tais créditos, ou seja, somente na hipótese de tais encargos se enquadrarem como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à exportação é que os mesmos poderão compor a base de cálculo dos créditos de Cofins passíveis de ressarcimento. Assim, não procede o argumento de que todas as despesas necessárias ao auferimento da receita de exportação gerariam crédito. Quanto à correção monetária dos créditos pela taxa Selic, o pedido foi negado com base na vedação expressa contida no art. 13 da Lei nº 10.833/03 e nas instruções normativas subsequentes que a regulamentaram. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/05/2013, o contribuinte postou seu recurso voluntário nos Correios em 12/06/2013, no qual reprisou as alegações oferecidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como "produção" apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos "produção" e "fabricação". Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902490/201189 Acórdão n.º 3403002.815 S3C4T3 Fl. 7 5 Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária, "agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados. Outro ponto controvertido nos autos, foi o conceito de insumo adotado pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902490/201189 Acórdão n.º 3403002.815 S3C4T3 Fl. 8 7 Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08, pois esses dispositivos teriam encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida tanto no dispositivo legal, quanto no art. 27, caput, da Instrução Normativa, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. A desconsideração da secção da atividade da recorrente e a adoção do custo de produção como significado do vocábulo "insumo", conduzem a conclusões diametralmente opostas às da fiscalização e às do contribuinte. Embora as partes não tenham anexado nenhum documento ao processo que permita ao julgador aferir a veracidade das alegações, os fatos são incontroversos e o confronto do relatório fiscal com o recurso do contribuinte e também com as planilhas de glosa permitem a este colegiado proferir decisão certa quanto aos créditos glosados. Vejamos. Relativamente à fase agrícola do processo produtivo, consistente na criação de mudas, plantio, manejo e colheita dos eucaliptos, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa expurgue dos cálculos os custos incorridos com insumos na floresta, sob o argumento de que a madeira lá produzida não se destina à venda, mas sim a consumo próprio. Isto porque, conforme já ficou assentado antes, a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, em razão de que: (i) pela interpretação literal do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, que alude à insumos aplicados na "produção ou fabricação" de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a "produção" quanto a "fabricação"; e (ii) pela aplicação da definição legal de "agroindústria" prevista no art. 22A da Lei nº 8.212/91, a atividade econômica do contribuinte consiste na "industrialização de produção própria", ou seja, a lei considera que a produção da madeira e a extração da celulose é uma atividade única. No âmbito das contribuições nãocumulativas não existe um conceito de industrialização específico como ocorre no âmbito do IPI (art. 3º da Lei nº 4.502/64). Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos relativos aos custos incorridos com os bens e serviços discriminados nas planilhas de glosa sob as rubricas: a) manejo das plantações de eucalipto; b) frete na manutenção de equipamentos florestais; c) § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 818DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902490/201189 Acórdão n.º 3403002.815 S3C4T3 Fl. 9 9 manutenção de equipamentos florestais; d) fretes manutenção viveiro de mudas; e) manutenção do viveiro de mudas de eucalipto; e f) frete no manejo das plantações de eucalipto. Todos esses gastos caracterizamse como custo de produção (art. 290, I, do RIR/99), pois são incorridos no processo produtivo do contribuinte e sem eles restaria inviabilizada a extração da celulose, que o produto final exportado. Devem, portanto, gerar crédito das contribuições com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos valores glosados a título de frete sobre o transporte de madeira, é fato incontroverso nos autos que se tratam de custos incorridos pelo contribuinte no transporte da matériaprima (madeira) entre a floresta de eucaliptos e a fábrica. O entendimento deste colegiado quanto ao direito à tomada de crédito em relação a custos com fretes foi bem sintetizado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no voto condutor do Acórdão 3403001.556, que permitome transcrever: "(...) Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso II; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo art. 3º. (...)" Tratandose de fretes relativos ao transporte de matériaprima entre a floresta e a fábrica, esses fretes são identificados com a hipótese listada no item "c" do excerto acima transcrito. Em outras palavras: a glosa efetuada pela fiscalização deve ser revertida, pois esses gastos integram o custo de produção da celulose (art. 290, I, do RIR/99) e, assim, geram créditos da contribuição nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Observase que os fretes relativos ao transporte de madeira entre a floresta e a fábrica foram nomeados pela fiscalização como "TRANSPORTE DE MADEIRA" e "TRANSPORTE DE MADEIRA SMAD". Entretanto, nas planilhas de glosa encontramos a denominação "Transporte de madeira produzida" ora seguida da rubrica "Frete Produção Celulose Fábrica", ora da rubrica "Produção Celulose Fábrica" e ora da rubrica "Manutenção equipamentos indústria". Devem ser revertidas todas as glosas referentes a transporte de madeira entre a floresta e a fábrica classificadas nas planilhas de glosa sob quaisquer das rubricas acima identificadas. A fiscalização detectou que o contribuinte tomou créditos sobre despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose, as quais também foram contabilizadas sob a rubrica "Produção Celulose Fábrica". Esses créditos foram glosados sob o argumento de que a previsão legal alcança apenas os fretes na operação de venda, não sendo possível uma interpretação extensiva para se admitir créditos sobre aquelas despesas. O contribuinte, contestou esta glosa sob o argumento de que todos os custos e despesas incorridos pela fonte produtora da riqueza dão direito ao crédito. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Neste tópico há que se concordar com fiscalização, pois segundo as alegações do próprio contribuinte, essas despesas são incorridas sobre o produto acabado, na fase de comercialização. Se são despesas incorridas após a fase de produção elas não integram o custo de produção e, portanto, não geram créditos das contribuições. Nesta fase, onde o contribuinte incorre em despesas sobre o produto acabado, os arts. 3º, IX das Leis nº 10.637/02 e 10833/04 só garantem o crédito sobre fretes na operação de venda e com despesas de armazenagem (aluguéis de armazéns). Tratandose de despesas operacionais do contribuinte, deve ser mantida a glosa dos valores identificados sob a rubrica "Produção Celulose Fábrica", que não se refiram ao transporte de madeira entre a floresta e a fábrica. Relativamente aos "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e de "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes", a glosa foi fundamentada no fato de que esses custos não são aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. A defesa alegou, em síntese, que esses custos são incorridos para a manutenção das estações de tratamento de água e tratamento biológico, que são necessários para permitir o reaproveitamento da água utilizada em seu processo industrial. Segundo a descrição do processo industrial, a água adicionada de soda cáustica é utilizada em um equipamento denominado digestor, no qual ocorre o cozimento, sob pressão, dos cavacos de madeira. Posteriormente ao cozimento, ocorre a injeção de água no digestor para iniciar o processo de lavagem da celulose. Como se vê, a água tem participação significativa no processo de fabricação da celulose (produto destinado à venda) e os custos necessários à sua reciclagem, embora não sejam aplicados diretamente no produto em fabricação, constituem custos de produção da celulose (art. 290, I, RIR/99), estando aptos a gerarem créditos, nos termos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Com esses fundamentos, deve ser revertida a glosa efetuada sob rubrica "custos e despesas de manutenção no tratamento de efluentes" e "custos e despesas de frete na manutenção de tratamento de efluentes". Relativamente à glosa do crédito tomado sobre o custo de aquisição de bens do ativo permanente, o motivo invocado para a glosa foi que os bens em relação aos quais houve glosa "são utilizados não só na produção de bens destinados à venda, como também em outras atividades da empresa, como, por exemplo, a produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e a manutenção florestal." Tendo em vista que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não dão amparo para que a atividade do contribuinte seja seccionada e que a definição legal de "agroindústria", estabelecida no art. 22A da Lei nº 8.212/91, considera como atividade do contribuinte a "industrialização de produção própria", devem ser revertidas as glosas dos créditos tomados com base no custo de aquisição dos bens do ativo permanente. No que tange ao crédito tomado sobre bens e serviços aplicados na manutenção de veículos externos (caminhões e tratores), a fiscalização motivou a glosa no fato de que os veículos foram utilizados em atividades alheias à produção de bens destinados à venda. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10630.902490/201189 Acórdão n.º 3403002.815 S3C4T3 Fl. 10 11 Conforme citado pela fiscalização, a glosa recaiu sobre o custo de bens e serviços aplicados em caminhões e tratores utilizados no cultivo dos eucaliptos, que segundo a fiscalização não constitui processo produtivo de bem destinado à venda. Esta glosa deve ser revertida com base no mesmo argumento utilizado para reverter as glosas dos créditos tomados sobre custos e serviços aplicados na floresta de eucaliptos, ou seja, além da interpretação literal dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não autorizar a secção da atividade do contribuinte, a definição de "agroindústria", estabelecida no art. 22A da Lei nº 8.218/91, considera que a atividade do contribuinte é a "industrialização de matériaprima de produção própria", ou seja produção e industrialização constituem uma atividade única e indivisível. Por fim, no que toca ao pedido de correção do ressarcimento pela taxa Selic, deve prevalecer a vedação legal expressa nos arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/03. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, exceto quanto às glosas dos créditos tomados sobre as despesas com inspeção, movimentação e embarque de celulose, contabilizadas sob a rubrica "Produção Celulose Fábrica". Antonio Carlos Atulim Fl. 821DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10540.001493/2002-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ITR. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 1998, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 1998 ele se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 01/01/2003. Como a ciência do lançamento se deu apenas em 19/06/2009, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acatar a decadência. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que votaram por declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para que outra decisão fosse proferida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Redatora designada.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acatar a decadência. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que votaram por declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para que outra decisão fosse proferida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Redatora designada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto pago apurado na apurado da Declaração do ITR do exercício de 1998, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 1996, para o ano de 1998 ele se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 01/01/2003. Como a ciência do lançamento se deu apenas em 19/06/2009, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acatar a decadência. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 14 93 /2 00 2- 11 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 470 2 (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que votaram por declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para que outra decisão fosse proferida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício e Redatora designada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, relativo ao exercício de 1998, referente ao imóvel denominado ‘Fazenda São Gonçalo’, localizado no Município de Correntina/BA, cadastrado na RFB sob o nº 28811305, com a exigência fiscal de R$ 113.669,80 a título de imposto, acrescido de multa proporcional de 75% e juros de mora calculados pela taxa Selic. Assentou a autoridade fiscal que procedeu à revisão da DITR e ao lançamento que por não ter sido apresentada a documentação devida, procedeu a alteração dos valores relativos à Área de Preservação Permanente e Área de Utilização Limitada declaradas, o que produziu reflexos na área aproveitável do imóvel e no grau de utilização e, conseqüentemente, no cálculo do imposto devido (fls. 06 e 07): “(...)Termo de Intimação Fiscal foi encaminhado para o endereço indicado pelo contribuinte na DITR/98, , bem como para o endereço constante do banco de dados dos sistemas informatizados da SRF. Com efeito, tal como consignado no Aviso de Recebimento (AR) acostado ao presente Auto de Infração, e nos termos do parágrafo 2º , inciso II, do art. 23 do Decreto n 2 70.235/72, alterado pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 22/11/2002. Entretanto, até a presente data, o contribuinte não atendeu ao solicitado no Termo de Intimação Fiscal acima referido e tampouco contactou :com esta Fiscalização no sentido de pleitear prorrogação de prazos ou de obter qualquer esclarecimento acerca do teor do Termo de Intimação Fiscal em apreço. Em virtude disso, efetivamos as operações de acerto na declaração fundamentado no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 19/12/96...”. Cientificado pelo método postal, com aviso de recebimento (fl.26), em 27 de dezembro de 2002, somente em 25 de setembro de 2003 apresentou impugnação ao lançamento Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 471 3 onde, preliminarmente, discutiu a tempestividade de sua manifestação, alegando o não recebimento das intimações fiscais e do Auto de Infração, conforme ratificado pela informação prestada pela Unidade preparadora na fl. 148. A DRJ RECIFE/PE, ao analisar a peça impugnatória, assim concluiu: “A alegação de que as intimações não foram dirigidas para o endereço correto, pelo fato de o endereçamento das intimações não ter sido absolutamente fiel ao endereço declarado pelo peticionante, e que isto constituiria prova direta do não recebimento das correspondências, não tem como prosperar. (...) Em suma, verificase: a) que o Auto de Infração foi encaminhado para o domicílio indicado pelo próprio contribuinte no DIAC/DIAT; tendo sido o AR assinado e datado, tudo de conformidade com as regras estatuídas pelo Decreto n° 70.235/1972, bem assim pela Lei n° 9.393/1996, não sendo exigido que a assinatura aposta seja do próprio contribuinte; b) que não houve violação ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa; c) que não existe amparo legal no sentido de reabertura de prazo para apresentação da impugnação, mormente quando o próprio contribuinte admite expressamente ter tomado conhecimento do Auto de Infração, ainda que em data posterior. Ante o exposto, e considerando tudo o mais que do processo consta, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO, em virtude de não ter se instaurado o litígio, pois a impugnação foi apresentada a destempo”. Assim, proferiuse o Acórdão de 1ª instância para “... por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade e, quanto ao mérito, não conhecer da impugnação apresentada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente processo”.(grifei) Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde manifestou sua insatisfação com a decisão a quo, novamente alegando que não foram recebidas devidamente as intimações e o Auto de Infração, apontando deficiências nos Avisos de Recebimento, por falta de caracteres na indicação do endereço. Deuse então o Acórdão nº 30134.470 (fl. 196), datado de 20 de maio de 2008, proferido pela Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que entendeu ter razão o Recorrente no que diz respeito à ausência de intimação, nos termos que transcrevo, resumidamente: Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. NULIDADE Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 472 4 Não tendo sido o contribuinte regularmente intimado para apresentar impugnação ao auto de infração, não lhe tendo sido oportunizado instaurar a fase litigiosa do procedimento com a apresentação da impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72, deve ser o processo anulado até a primeira intimação para apresentação de impugnação ao auto de infração. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para anular o Processo a partir da intimação efetivada conforme documento de fls. n° 24, inclusive, nos termos do voto do relator. (...) VOTO Entendo, assim, que o contribuinte não foi regularmente intimado para apresentar impugnação ao auto de infração, e que tampouco, a sua petição de fls. 39 a 44 pode ser considerada uma peça impugnatória. Não há como se admitir, portanto, que tenha sido dada oportunidade ao contribuinte instaurar a fase litigiosa do procedimento com a apresentação da impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70.235/72. (...) Desta feita, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para anular o processo á partir da primeira intimação do auto de infração, constante às fls. 24, a fim de que seja restituído o prazo para apresentação de impugnação ao contribuinte, devendo este ser devidamente re intimado, em homenagem aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório”. Desse Acórdão do Conselho de Contribuintes, o contribuinte foi cientificado em 19 de junho de 2009 (fl. 208) e apresentou nova Impugnação, dirigida à Autoridade de 1ª instância de julgamento, em 14 de julho de 2009 (fl. 210), onde apresenta questões preliminares e de mérito e anexa vários documentos. Novamente, a DRJ RECIFE/PE proferiu Acórdão em 23 de dezembro de 2009, sem analisar o mérito da questão e sem relatar a Decisão proferida pelo antigo Conselho de Contribuintes, no sentido de: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. CIÊNCIA. Na intimação por via postal, é condição, para darse por cientificado o sujeito passivo, que a mesma seja encaminhada e recebida no domicílio fiscal eleito por ele, correspondente ao endereço constante dos cadastros da Receita Federal. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 473 5 Impugnação Não Conhecida (...) Ante o exposto, e considerando tudo o mais que do processo consta, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO, em virtude de não ter se instaurado o litígio, pois a impugnação foi apresentada a destempo”. Cientificado, mais uma vez o contribuinte apresenta recurso voluntário, manifestando sua inconformidade, nos termos que passamos a tratar no seguinte Voto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator, Relator. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 346, consta o Acórdão 1128.606 – 1ª Turma da DRJ/RECIFE, do qual o contribuinte foi cientificado em 14/04/2010, conforme AR na fl. 356. O recurso voluntário, em que se manifesta contra as razões de tal decisão de 1ª instância, consta protocolado em 11/05/2010, conforme fl. 358, sendo, portanto, tempestivo e, atendidas as demais condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O contribuinte, após considerações preliminares, no item 4 de sua peça recursal, aduz que “a Impugnação ofertada pelo Recorrente não foi conhecida, por ter entendido a turma julgadora que a mesma foi intempestiva, conquanto protocolada após o trintídio legal.” Acrescenta ainda que: “A decisão alvejada é nula, uma vez que a turma julgadora não examinou a impugnação que estava sendo alvo de julgamento, e sim a impugnação anteriormente protocolada, que fora substituída por impugnação posterior, em razão da devolução do prazo para defesa, por ordem do 3º Conselho de Contribuintes da Receita Federal” A leitura da Decisão da DRJ/RECIFE faz crer que assiste razão ao Recorrente. Vejamos. Considerando que a Primeira Câmara do Terceiro Conselho, julgando o recurso voluntário anteriormente interposto pelo Recorrente, lhe deu provimento para “... anular o processo a partir da primeira intimação do auto de infração, constante às fis. 24, a fim de que seja restituído o prazo para apresentação de impugnação ao contribuinte, devendo este ser devidamente reintimado, em homenagem aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório" e observando que após essa decisão, da qual o contribuinte foi cientificado em 19/06/2009, conforme fl. 208, apresentou nova impugnação em 14/07/2009 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 474 6 (fl. 210), não se afigura correta a decisão da DRJ Recife que não a conheceu, por “não ter se instaurado o litígio, pois a impugnação foi apresentada a destempo.”(grifei) No voto condutor do Acórdão da DRJ, de 23 de dezembro de 2009 (fl. 346), verificase nos itens 12, 13, 14 e 16, que a Relatora referese, para construir seu juízo, à primeira impugnação, apresentada em 25/09/2003 (fl. 43), sem fazer referência à decisão do Conselho de Contribuintes, aqui citada, tampouco à segunda impugnação apresentada, em 14/07/2009, não tendo analisado qualquer de suas razões ou exposto suas fundamentações para tal, preterindo assim o direito de eventual defesa em sede de recurso voluntário. Desta feita, entendo configurada a hipótese prevista no inciso II, segunda parte, do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Analisar as várias razões de mérito que traz o Recorrente, sem que tenha havido manifestação e decisão de 1ª instância sobre as mesmas, representaria supressão de instâncias e lesão aos direitos do contribuinte. Pelo exposto, voto no sentido de declarar nulo o Acórdão 1128.606 da 1ª Turma da DRJ/RECIFE, da Sessão de 23 de dezembro de 2009, para que outra decisão seja proferida, observandose o decidido no Acórdão da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes nº 30134.470 e a impugnação apresentada pelo contribuinte em 14/07/2009, todos constantes do presente processo. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 475 7 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, permitome divergir de seu voto no que tange à declaração de nulidade do Acórdão 11 28.606 da 1ª Turma da DRJ/RECIFE, para que outra decisão seja proferida, observandose o decidido no Acórdão da Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes nº 30134.470 e a impugnação apresentada pelo contribuinte em 14/07/2009, todos constantes do presente processo. Isto porque entendo que a nulidade da decisão recorrida não deve ser declarada, por força do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(grifos acrescidos) Como bem observou o ilustre Relator, o Acórdão da DRJ não fez referência à decisão do Conselho de Contribuintes, que julgando o recurso voluntário anteriormente interposto pelo Recorrente, lhe deu provimento para “... anular o processo a partir da primeira intimação do auto de infração, constante às fls. 24, a fim de que seja restituído o prazo para apresentação de impugnação ao contribuinte, devendo este ser devidamente reintimado, em homenagem aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório" .(grifos acrescidos) Ocorre que o contribuinte tomou ciência da decisão que anulou o processo a partir da intimação do auto de infração e reabriu o prazo para impugnação, em 19/06/2009 (AR, fl. 208). Com efeito, entendo, que a ciência do lançamento se deu apenas em 19/06/2009. De acordo com o entendimento firmado pelo o Superior Tribunal de Justiça – STJ, relativamente à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 476 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10540.001493/200211 Acórdão n.º 2801003.245 S2TE01 Fl. 477 9 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso, verificase que ocorreu pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2003 no valor de R$ 91,12 (fl. 16), quantia inclusive considerada pela autoridade lançadora, que a deduziu do imposto devido apurado na autuação (fl. 8). Assim, tendo ocorrido pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o exercício 1998, ele se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 01/01/2003. Como a ciência efetiva do lançamento se deu apenas em 19/06/2009 (fl. 208), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/11/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900963/2008-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo demonstrar a composição da base de cálculo a justificar a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional, devidamente acompanhado das provas hábeis para que seja aferida a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Dr. Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/DF nº 33.766 sustentou pela recorrente.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar a composição da base de cálculo a justificar a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional, devidamente acompanhado das provas hábeis para que seja aferida a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. Recurso Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar a composição da base de cálculo a justificar a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional, devidamente acompanhado das provas hábeis para que seja aferida a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Dr. Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/DF nº 33.766 sustentou pela recorrente. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 63 /2 00 8- 64 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida de Recurso Voluntário objetivando de modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento de compensação dos créditos de PIS com débitos para a COFINS declarada em PER/DCOMP nº n° 38603.96896.130204.1.3.0475509, em 13/02/2004 com crédito de PIS apurado em fevereiro de 2003 decorrentes de pagamento a maior do que o valor devido. Sustenta a Recorrente que recolheu valor superior ao devido em decorrência de erro quanto apuração do crédito da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS em razão de ter sido o primeiro mês em que realizava pela novel sistemática da nãocumulatividade, isso motivado pela enorme dúvida acerca da apuração dos créditos. Afirma que a legislação de regência ao instituir a modalidade nãocumulatividade o fez de forma diversa dos tributos nãocumulativos até então existente. Em suas razões recursais cuidou de trazer síntese do “DACON” onde aponta o crédito correto, bem como, cópias do documento apresentado. Assevera que deixou de retificar a DCTF que apontou o valor devido e recolhido por meio do DARF, cuja cópia encontra anexada aos autos. O pedido de compensação foi rechaçado pela decisão recorrida sob o argumento de ausência de prova. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o seu conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso subexamine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. Os relatos da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito de pleitear o indébito é oriundo de pagamento a maior. No caso tratado neste caderno processual o crédito, segundo consta do relato da Interessada, decorre de erro na apuração em razão da nova sistemática da não cumulatividade. Se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo. Neste caso o contribuinte deveria trazer aos autos prova capaz de convencer a Autoridade Administrativa da certeza do seu direito. A simples demonstração do faturamento acompanhada de cópias dos livros fiscais seria suficiente a possibilitar a aferição dos valores lançados em DCTF, DACON e certificar do que o valor do DARF é superior ao valor recolhido e capaz de gerar o indébito que se pretende ver ressarcido e utilizado em compensação de débitos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10783.900963/200864 Acórdão n.º 3403002.667 S3C4T3 Fl. 5 3 Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito, e, do outro lado a negativa da Administração que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende, impõe no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou restituição o ônus da prova. Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma à inexistência de demonstração da base de cálculo, qual poderia ter sido encaminhada pelo contribuinte a demonstrar que o valor recolhido foi superior ao devido. Portanto, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, cabia a recorrente cuidar de trazer à baila, além da simples demonstração da base de cálculo, os documentos capazes justificar o pleito, justificando desse modo o argumento aduzido, sem os quais, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negar provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911426/2012-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 26 /2 01 2- 12 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911426/201212 Acórdão n.º 3803005.675 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 12571.000373/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
SIGILO BANCÁRIO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
DOCUMENTOS EXTERNOS. PROVA EMPRESTADA
Se os documentos que serviram de base para o lançamento tributário, originários de fonte externa, tiveram a sua validade corroborada por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal, há que se manter as imputações infracionais deles decorrentes.
LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES.
A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1301-001.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento..
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. DOCUMENTOS EXTERNOS. PROVA EMPRESTADA Se os documentos que serviram de base para o lançamento tributário, originários de fonte externa, tiveram a sua validade corroborada por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal, há que se manter as imputações infracionais deles decorrentes. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 73 /2 01 0- 75 Fl. 7874DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 956 2 A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 7875DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 957 3 Relatório MAGNOJET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006, formalizadas em razão da imputação de insuficiência de recolhimento e omissão de receitas. Diante da constatação da utilização de interpostas pessoas, na constituição do crédito tributário correspondente a tal fato foi aplicada multa qualificada de 150%. Impugnação às fls. 751/752. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o trabalho fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1434.410, de 28 de junho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovandose a omissão de receita da atividade sem emissão de notas fiscais, bem assim mediante a utilização de notas fiscais paralelas, mantémse o lançamento. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria com a qual o impugnante expressamente concorde. Fl. 7876DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 958 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, quando o contraditório é ofertado no processo para o qual são transportadas. COAÇÃO. Inexistindo comprovação nos autos de que houve coação, não procede a preliminar suscitada nesse sentido. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de perícia deve ser denegado se tiver sido formulado em descordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos para a solução da lide. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste previsão legal para a oitiva de testemunhas no julgamento administrativo em primeira instância. Irresignados, a contribuinte e OSVALDO DE CARVALHO, apontado como responsável tributário, apresentaram o recurso de folhas 836/943, por meio do qual sustentam: abuso das autoridades administrativas ao requisitarem informações (financeiras) sigilosas sem autorização judicial; a vedação de tributo com efeito de confisco também se aplica à multa; os valores lançados representam confisco; a inclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho no pólo passivo da obrigação tributária é precipitada e ilegal; ausência de relação direta entre os valores apontados nas contas bancárias e os documentos considerados elaborados por meio de fraude; tributação em duplicidade dos valores indicados nas contas bancárias ; necessidade de perícia para dirimir divergência quanto ao enquadramento do produto industrializado e comercializado; nulidade dos lançamentos em virtude de prova ilícita (“quebra” de sigilo bancário sem autorização judicial); Fl. 7877DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 959 5 direito líquido e certo de excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS; direito de excluir a CSLL da base de cálculo do IRPJ; ausência de respaldo jurídicoconstitucional para a cobrança de COFINS e PIS. O presente processo teve o julgamento sobrestado, em obediência às disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno (Anexo II), conforme Resolução de fls. 944/953. Entretanto, em virtude da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou tais dispositivos, desapareceu o motivo que impedia a apreciação da controvérsia. É o Relatório. Fl. 7878DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 960 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, foram imputadas à contribuinte fiscalizada as seguintes infrações: 1) insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada a partir do confronto entre as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006 (DIPJ/2006 e DIPJ/2007) e a escrituração contábil; 2) insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS, apurada a partir do confronto entre os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) de 2005 e de 2006 e a escrituração contábil; 3) omissão de receitas financeiras apurada com base em informações prestadas pelas fontes pagadoras (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF); 4) omissão de receitas, caracterizada pela realização de vendas sem emissão da nota fiscal correspondente e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual (os valores correspondentes foram creditados em contas bancárias pertencentes ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO); 5) omissão de receitas, caracterizada pela utilização de notas fiscais paralelas1 e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual. Abaixo, quadro resumo das diferenças de faturamento apuradas pela Fiscalização. ANOCALENDÁRIO 2005 ANOCALENDÁRIO 2006 DECLARADO 1.923.572,64 1.611.281,21 APURADO 6.462.083,43 5.884.743,07 DIFERENÇA 4.538.510,79 4.273.461,86 Observando o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, a Fiscalização promoveu os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL com base no lucro presumido. 1 Artifício fraudulento que consiste na impressão em duplicidade da mesma nota fiscal, de modo que, para uma mesma numeração, têmse mais de uma nota fiscal impressa. Fl. 7879DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 961 7 Na constituição do crédito tributário relativo à omissão de receita derivada da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas foi aplicada multa qualificada de 150%. A Fiscalização imputou responsabilidade tributária solidária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, por considerálo proprietário de fato da empresa fiscalizada. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de Recurso Voluntário pela empresa fiscalizada e pelo Sr. OSVALDO DE CARVALHO. SIGILO BANCÁRIO Os Recorrentes requerem o reconhecimento de que a “quebra” do sigilo bancário sem autorização judicial não pode valer como prova. Afirmam que a Fiscalização “utilizouse de Prova emprestada da Receita Estadual do Paraná, a qual obteve todo o movimento financeiro do contribuinte e do sujeito passivo solidário de forma ilegal, sem autorização judicial e, portanto, viciada.” Não assiste razão aos Recorrentes. Com efeito, não há que se falar em ilicitude na apuração do tributo com base em extratos bancários fornecidos por instituição financeira em atendimento à requisição específica, que atendeu aos mandamentos legais pertinentes, pois se trata, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. Os atos praticados pela autoridade tributária no sentido de acessar a movimentação bancária dos contribuintes sujeitos a procedimento de fiscalização encontramse expressamente autorizados pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, sendo, portanto, equivocado o entendimento de que as autoridades fiscais somente poderiam ter acesso à movimentação bancária dos referidos contribuintes com base em autorização judicial. Esclareçase, por relevante, que o citado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que, estabelecendo requisitos a serem observados pela autoridade fiscal, resguarda o sigilo das informações recepcionadas. É certo, pois, que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. Penso que seja importante destacar que, no caso de utilização de informações colhidas junto às instituições financeiras, revelase impróprio falar em “quebra de sigilo”, visto que o que efetivamente ocorre é a transferência e a alteração da natureza do sigilo. Enquanto mantidas sob a guarda das instituições financeiras, as informações encontramse abrigadas pelo apropriadamente denominado sigilo bancário. Ao serem transferidas, com base na lei, para a Administração Tributária, referidas informações continuam protegidas por sigilo, só que, a parti daí, pelo chamado sigilo fiscal. A consideração acima é facilmente extraída da Lei Complementar nº 105, de 2001, senão vejamos: Fl. 7880DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 962 8 LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. [...] Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Vêse, assim, que revelase inadequado dizer que estamos diante de QUEBRA DE SIGILO nas situações em que Administração Tributária acessa a movimentação bancária do contribuinte. Tratase, na verdade, de mera transferência de sigilo (da instituição financeira para a Administração Tributária), que, do ponto de vista estritamente tributário, possibilita uma melhor visualização da capacidade contributiva do contribuinte, o que dá efetividade ao princípio constitucional insculpido no parágrafo 1º do art. 145 da Carta Constitucional e, sem sombra de dúvida, torna mais justa a tributação, eis que remove obstáculo incessantemente utilizado por aqueles que têm a intenção de “esconder” a sua verdadeira capacidade de contribuição. Não é demais anotar que, nos termos do disposto na norma regulamentadora da transferência de sigilo autorizada pela Lei Complementar nº 105 (Decreto nº 3.724, de 2001), o servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação sobre a movimentação financeira do contribuinte, com infração ao disposto no art. 198 do Código Tributário Nacional, ou no art. 116, inciso IX da Lei nº 8.112, de 1991, ficará sujeito à penalidade de demissão, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. No tocante à alegada prova emprestada, temos que, em conformidade com os documentos de fls.02/03, a Superintendência Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal solicitou à Receita estadual do Paraná cópia de todo e qualquer elemento associado a lançamento de ofício porventura efetuado contra a ora em Recorrente. Em atendimento, a Receita Estadual encaminhou cópia de inúmeros documentos (fls. 04/320), que foram juntados sob a forma de anexos, conforme registro constante do Termo de fls. 323/324. Também por meio de Termo, a Fiscalização promoveu a devolução ao Fisco estadual dos originais de notas fiscais, livros fiscais e comerciais e relatórios que haviam sido encaminhados (fls. 321). A partir dos elementos coletados, foi instaurado procedimento fiscal na contribuinte, momento em que foi lavrado, em 27 de novembro de 2009, o competente TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 325/331). Fl. 7881DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 963 9 No Termo de Início de Procedimento Fiscal, além de requisitar inúmeros documentos (contrato social e alterações; instrumentos de procuração, Livros Comerciais e Fiscais; Demonstrativos e Planilhas relacionadas ao IPI; arquivos digitais, entre outros), a Fiscalização intimou a contribuinte “a apresentar esclarecimentos ou manifestação acerca da documentação obtida junto à Receita Estadual do Paraná, conforme o art. 198 do Código Tributário Nacional (convênio), que aponta valores de receitas e remunerações não contabilizados e que, conseqüentemente, não foram incluídos pelo fiscalizado na apuração dos tributos e contribuições objeto da presente fiscalização”. Na ocasião, a contribuinte foi alertada de que os valores apurados serviriam de base para a exigência dos tributos federais, sendo que o faturamento do ano de 2006 poderia dar causa à exclusão do SIMPLES FEDERAL no período de janeiro a junho de 2007. Em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte apresentou o documento de fls. 333/344, por meio do qual noticia a entrega de documentos que haviam sido requisitados; declina a razão pela qual o atendimento foi parcial (ou não foi efetuado) em relação a determinados pedidos; e, relativamente aos fatos apurados pelo Fisco estadual, esclareceu: que os valores apontados nos demonstrativos elaborados estavam sendo objeto de questionamento administrativo, inexistindo decisão acerca deles; e que os dados teriam sido obtidos de forma ilícita, sendo que isso seria alegado em momento oportuno, em processo judicial. Em 20 de janeiro de 2010, por meio do documento de fls. 371/373, a contribuinte apresentou esclarecimentos complementares relacionados a operações de exportação. Em 25 de março de 2010, foram restituídos à contribuinte diversos documentos, conforme Termo de fls. 420. Em 08 de setembro de 2010, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, por meio do qual a contribuinte foi instada a apresentar esclarecimentos sobre notas fiscais paralelas relacionadas em anexo ao referido Termo, momento em que ela foi informada que os dados planilhados eram preliminares, vez que ainda estavam sendo revisados. A contribuinte foi informada também que os dados haviam sido repassados pela Receita estadual e que, à medida em que fossem analisados pela Fiscalização, seriam fornecidas cópias para ela (fls. 427/428). Em 28 de setembro de 2010, relativamente aos elementos encaminhados pelo Fisco estadual, que foram analisados e planilhados pela Receita Federal, a contribuinte simplesmente informou (fls. 430/432): [...] Em relação ao item 02 desta notificação, esclarecemos que os documentos que foram retidos pela Fiscalização Estadual, em primeiro lugar, ficaram nas mãos do Fisco Estadual por um grande espaço de tempo, parte foi enviada a Receita Federal ou a sua totalidade (não sabemos com certeza) e parte nos foi entregue. Como todos os procedimentos efetuados encontramse em discussão na Esfera Administrativa, inclusive todos sem nenhuma decisão definitiva, optamos neste momento por não apresentar nenhuma manifestação de forma antecipada, fato que faremos quando da conclusão desta Fiscalização Federal, por ocasião de eventuais autuações que por ventura (sic) possam resultar a mesma, da mesma forma que ocorreu com a Receita Estadual, de forma que, entendemos que Fl. 7882DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 964 10 manifestações serão oportunizadas em momentos posteriores onde todos os argumentos serão apresentados. (GRIFEI) Em 06 de outubro de 2010, a contribuinte foi novamente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos fatos apurados pelo Fisco, fatos que, como já dito, foram objeto de análise e planilhamento por parte da Fiscalização federal (fls. 437/439). Em 11 de outubro de 2010, esclarecendo que a intimação encaminhada em 06 de outubro deveria ser desconsiderada, novo Termo foi lavrado requisitando informações acerca das apurações efetuadas pelo Fisco estadual, entre outras solicitações (fls. 440/444). Em 04 de novembro de 2010, a contribuinte, alterando um pouco a sua linha argumentativa, argumentou, in verbis: [...] Em relação ao item 03 e 04 desta notificação, esclarecemos que os documentos encontramse em poder da Receita Federal, pois foram remetidos a vocês em oportunidades anteriores. Dessa Forma, e, em virtude de haver a necessidade de verificação junto aos Livros, somente seria possível responder a tais quesitos se Vossa Senhoria nos devolvesse os mesmos, ainda que temporariamente, pois somente assim é que teremos condições exatas de responder cada quesito e seus itens, que não são poucos, digase de passagem. Além disso, será necessário efetuarmos vários cálculos para apresentação do que foi requerido. Necessário se faz esclarecer que até tentamos fazer isso através dos dados que aqui tínhamos, mas nos esbarramos em alguns dados que teríamos que tirar do próprio Livro Diário e Razão. A informação trazida pela fiscalizada não encontra respaldo nos autos, vez que a documentação que foi fornecida por ela à Fiscalização Federal foi devidamente restituída, conforme Termo de fls. 4202. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, a autoridade autuante destacou que os valores apurados pela Receita estadual e que foram transmitidos à Fiscalização federal foram cotejadas e confirmadas em relação à escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Embora os Recorrentes não tenham contestado diretamente a utilização, por parte da autoridade fiscal federal, dos elementos fornecidos pelo Fisco estadual, eis que a insurgência se deu contra o uso das informações bancárias, não é demais ressaltar que, no caso, o responsável pela autuação que ora se aprecia cuidou de confirmar, em procedimento próprio, as conclusões apresentadas no trabalho realizado em âmbito estadual, sendo impertinente a alegação de que teria sido necessário levantamento físico ou verificação técnica para aferir a veracidade dos fatos trazidos por meio do procedimento efetuado na esfera estadual. Portanto, aqui, não identifico violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais, motivo pelo qual rejeito os argumentos expendidos pelos Recorrentes. 2 A documentação fornecida pelo Fisco estadual também foi devolvida ao órgão competente, conforme Termo de fls. 321. Fl. 7883DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 965 11 INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO Apresentando extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da vedação ao confisco, os Recorrentes argumentam que os valores lançados representam confisco. Aqui, cabe, apenas, verificar se as normas legais que serviram de suporte para a formalização das exigências gozam de vigência de plena. Nesse diapasão, não identifico mácula capaz de afastar as penalidades aplicadas, eis que os percentuais considerados pela autoridade autuante encontramse expressos nos atos legais declinados na peça acusatória e inexiste mandamento de qualquer ordem no sentido de impedir a sua aplicação. Como é cediço, nos termos da súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Cabe destacar que, nos termos do disposto no art. 72 do Regime Interno (ANEXO II), as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Alegam os Recorrentes que, no presente caso, a pessoa jurídica autuada possui todos os elementos legais exigidos para responder, judicial ou extrajudicialmente, por todos os atos praticados ou a ela imputados, sempre através de seus representantes legalmente constituídos. Procurando demonstrar a improcedência da imputação de responsabilidade tributária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, assinalam: [...] O Sr. Osvaldo de Carvalho, eleito indevidamente sujeito solidário no presente Auto de Infração, foi sócio da empresa MAGNO, em Santana do Parnaíba, São Paulo, juntamente com o Sr. Miguel Ronaldo Rizzo, falecido em 2001 por ato de violência em seqüestro. Por questões óbvias, sofrendo com o trauma e o “fantasma” do seqüestro e morte de seu sócio e melhor amigo, o Sr. Osvaldo não teve dúvidas em decidir pela mudança de cidade juntamente com toda a sua família e, como sua atividade profissional estava voltada exclusivamente à empresa, decidiu por mudála também. Imaginou que Ibaiti/PR pudesse proporcionar a si (sic) e a seus familiares a tranquilidade e a despreocupação quanto à violência de um grande centro. Decidindo pela mudança e, em se tratando de empresa tipicamente familiar, já que grande parte dos familiares ali exerciam atividade profissional, o Sr. Osvaldo de Carvalho também decidiu, efetiva e paulatinamente, transferir toda a administração da empresa para suas filhas e genros. Prova disso é que já há algum tempo vêm sendo realizadas reuniões familiares onde se debate a sucessão no comando da empresa, já que o Sr. Osvaldo tem demonstrado vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa Recorrente (foi o Sr. Osvaldo quem criou cada um dos produtos oferecidos pela MAGNOJET). Fl. 7884DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 966 12 No entanto, suas filhas e genros ainda são bastante inexperientes na função administrativa da empresa, motivo pelo qual, para grandes problemas e decisões, o Sr. Osvaldo sempre é requisitado. Ressaltese que se trata de empresa reconhecida mundialmente, por ter desenvolvido bicos pulverizadores especiais para cada tipo de atividade agrícola diferente, cujos produtos são comercializados com exclusividade para todo mundo. Aditam os Recorrentes que a imputação de responsabilidade em questão está embasada em presunção, inexistindo, ressalvada a declaração por ele prestada, documento capaz de comprovar que o Sr. Osvaldo de Carvalho era efetivamente o proprietário da empresa. Relativamente à declaração prestada pelo Sr. Osvaldo, assinalam que ela foi assinada coercitivamente e sob ameaça de que ele e seus familiares seriam presos. Com o devido respeito, as considerações trazidas pela peça recursal, ao invés de servir como fundamento para a exclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho do pólo passivo da obrigação tributária constituída, concorre para corroborar a medida adotada pela Fiscalização. Com efeito, o recurso voluntário foi interposto em 05 de setembro de 2011 e, ainda nessa ocasião, segundo o que foi nele consignado, reuniões familiares estavam sendo realizadas para debater uma possível sucessão no comando da empresa, haja vista o fato de o Sr. Osvaldo ter demonstrado “vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa”. Releva lembrar que o procedimento fiscal em debate diz respeito a fatos ocorridos nos anos de 2005 e de 2006. Assim, me parece fora de dúvida que, àquela época, o “comando da empresa” era efetivamente desempenhado pelo Sr. Osvaldo de Carvalho, eis que não é razoável considerar que o “algum tempo” referenciado na peça de defesa esteja representado por algo em torno de seis anos. Mas, não é só isso. Às fls. 06 dos autos, consta cópia de PROCURAÇÃO outorgada pela sócia gerente da fiscalizada ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, seu pai, para que ele pudesse desempenhar e responder por todos os atos perante a Receita estadual, haja vista a instauração do procedimento fiscalizatório por parte do órgão estadual competente. A pessoa jurídica fiscalizada iniciou atividades em fevereiro de 2004 e, até 24 de novembro de 2004, possuía como sócias as Sras. Luciana Moreira de Souza e Wanda Bernardino de Souza. A partir de 24 de novembro de 2004, as sócias passaram a ser a Sras. HELOISA DE CARVALHO e ELISA DE CARVALHO. De acordo com relato feito pela fiscalização estadual, a pessoa jurídica autuada (MAGNOJET) noticiou na INTERNET que é uma seqüência da empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, que tinha como sócio administrador o Sr. OSVALDO DE CARVALHO, pai de HELOISA DE CARVALHO e de ELISA DE CARVALHO, e como sóciogerente o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO. Em 24 de junho de 2004, a Sra. KARINE SOARES RIZZO, que havia sucedido o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO na MAGNO IND. E COM., deixa a sociedade, entrando em seu lugar o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, sobrinho do Sr. OSVALDO DE CARVALHO. Fl. 7885DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 967 13 As Sras. LUCIANA MOREIRA DE SOUZA e WANDA BERNARDINO DE SOUZA, que supostamente constituíram a MAGNOJET, são, respectivamente, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA. Para a Fiscalização estadual, a MAGNO IND. E COM. simulou, em 2004, a venda de seu ativo imobilizado para a MAGNOJET, visto que no relatório de vendas do mês correspondente as notas fiscais emitidas não apresentaram valores e continham a informação “mudança”, o que levou à conclusão de que não houve pagamento nas operações e que a emissão da documentação objetivou, apenas, acobertar a transferência/mudança dos equipamentos. Na diligência efetuada na MAGNOJET, a Fiscalização estadual foi recepcionada pelo Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, que solicitou que fosse aguardado contato com o Sr. OSVALDO, “proprietário da empresa”. Uma vez contatado, o Sr. OSVALDO compareceu à empresa. Relatam os fiscais estaduais que foram interpelados pelo Sr. OSVALDO acerca de uma possível denúncia contra a “sua empresa”. Questionado acerca da existência de notas fiscais paralelas, respondeu: “faço mesmo”. Transcrevo fragmento do Relatório elaborado pela Fiscalização estadual, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal, acerca de fatos ocorridos no escritório da MAGNOJET. [...] 2.4 – existia uma sala que estava fechada e os presentes (sobrinho, genro e namorado da filha) pediam para aguardar a “chegada” do funcionário, decorrido mais de uma hora, foi solicitado ao Sr. OSVALDO que abrisse a sala e o mesmo assim procedeu, fazendo uso das chaves do molho de chaves da empresa que estava em seu poder; 2.5 – nas dependências da fábrica, foi localizada uma sala fechada da qual nenhum funcionário tinha chave. Ao ser inquirido, o Sr. Osvaldo confirmou que lá estava parte dos documentos falsos e mandou que CARLOS FERNANDO abrisse a sala e acompanhasse os auditores; 2.6 – quando da formalização dos termos fiscais o Sr. Osvaldo providenciou uma procuração de sua filha Heloísa e assinouos, tendo, inclusive, feito uma declaração escrita (fls. 6) onde confessa – confissão é a rainha das provas – a prática de sonegação fiscal através do uso de notas fiscais paralelas e vendas sem documento fiscal; 3 – DA REPRESENTATIVIDADE 3.1 – em todos os procedimentos realizados antes da lavratura dos autos infra mencionados – notificação para defesa prévia, notificação para apresentação de documentos e termos de retenção de documentos – foi o Sr. Osvaldo quem assinou pela empresa MAGNOJET, fazendo uso daquela procuração, sendo certo que a Sra. Heloísa, mesmo estando na empresa, em nenhum momento conversou com os auditores a respeito dos fatos; 3.2 – no dia 09/05/08, foi procedida a ciência nas autuações fiscais em tela, tendo a Sra. Heloísa assinado como representante da MAGNOJET, em virtude de Fl. 7886DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 968 14 que seu pai não se encontrava na empresa, oportunidade em que o Sr. Carlos Fernando fez muitas perguntas a respeito dos prazos e reduções para pagamento, pois que teria que se reportar, posteriormente, ao Sr. Osvaldo; 4 – DOS FATOS FINANCEIROS 4.1 – no banco de dados da empresa MAGNOJET, extraídos de seus equipamentos, quando da diligência realizada no dia 26/02/2008, foi localizado um recibo (...), datado de 31/07/06, em papel timbrado da MAGNOJET, onde a Sra. KARINE SOARES RIZZO declara estar recebendo do Sr. OSVALDO DE CARVALHO, a importância de R$ 90.450,00 referente à parcela 18/24 de aquisição de suas quotas na empresa MAGNO IND. E COM. DE PROD. CERÂMICOS LTDA., cujo pagamento foi efetuado com os cheques nºs. 826578 – nominal e no valor de R$ 45.000,00 – e 826579 – no valor de R$ 45.450,00 e não nominal – do Banco HSBC, agência 0015, em nome da MAGNOJET – IND. E COM. DE PROD. AGRÍCOLAS LTDA., não indicando o nº da conta corrente, valendo lembrar que a MAGNOJET possui duas contas correntes neste estabelecimento bancário, uma de nº 0578938 e outra de nº 0586442; 4.2 – O Sr. Osvaldo, conforme se observa no item 4.1, adquiriu quotas de capital da empresa MAGNO, da Sra. KARINE SOARES RIZZO e, em 24/06/04, introduziu como novo sócio o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA – seu sobrinho – já preparando a mudança da empresa de Santana de Parnaíba/SP para Ibaiti/PR; 4.3 – em meados de 2004, como demonstrado acima, o Sr. Osvaldo adquiriu as quotas de capital da MAGNO de sua então sócia, nessa época – 30/01/2004 – já havia iniciado a abertura da empresa MAGNOJET em nome de interpostas pessoas – Sras. LUCIANA e WANDA, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO – na cidade de Ibati/PR e, certamente para se resguardar, no dia 24/11/2004, alterou o contrato social da MAGNOJET, transferindo as quotas de capital para as suas filhas HELOÍSA e ELISA, cujo início das atividades foi janeiro/05; 4.4 – para dirimir de vez qualquer dúvida que possa ser suscitada sobre a participação do Sr. Osvaldo na administração da empresa MAGNOJET, expomos o fato de que os valores referentes às vendas de mercadoria sem nota fiscal – anos de 2005, 2006 e 2007 – algo em torno de R$ 1.800.000,00 (...), eram recebidos através de depósitos bancários em suas contas correntes/pessoa física, inicialmente no Banco Bradesco, agência nº 8338, conta nº 156841 e, por fim, no Banco do Brasil, agência nº 06025, conta nº 26282X. (GRIFEI) Notase, pois, em convergência com o assinalado no Termo de Verificação Fiscal, que o Sr. Osvaldo de Carvalho efetivamente era o proprietário da fiscalizada à época da ocorrência dos fatos e responsável direto pelos atos infracionais apurados, eis que apresentou se como procurador da pessoa jurídica ao Fisco estadual; atendeu os auditores fiscais estaduais nas diligências efetuadas e forneceu os elementos solicitados; esclareceu, como se verá adiante, de forma clara e detalhada o modo como a autuada operava para subtrair receitas à tributação; e apropriouse de valores correspondentes a receitas que não foram declaradas ao Fisco. Às fls. 09 do processo consta DECLARAÇÃO do Sr. Oswaldo de Carvalho, identificado, como já dito, como procurador da fiscalizada, da qual releva destacar as seguintes informações: i) que efetivamente houve uso de notas fiscais “paralelas”; Fl. 7887DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 969 15 ii) que somente parte do faturamento efetivo da autuada foi declarado; iii) que as listagens denominadas RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS e COMISSÃO VENDAS retratam o faturamento real da empresa; iv) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de VALDINÉIA correspondem às vendas efetivamente declaradas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais regularmente emitidas; v) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de MARIVONE correspondem às vendas que foram ocultadas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais paralelas; vi) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome SP correspondem a vendas remanescentes efetuadas pela empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, estabelecida no estado de São Paulo e que funcionou até dezembro de 2004; vii) que foram localizados os relatórios denominados RELATÓRIOS DE PRODUTOS VENDIDOS (NF), referentes ao período de 01/01/2007 a 18/12/2007, nos quais aparecem grafados à caneta as indicações “B1” e “B2”, que correspondem às vendas acobertadas por nota fiscal idônea e por nota fiscal paralela, respectivamente; viii) que os RELATÓRIOS MENSAIS DE VENDAS referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, correspondem às vendas efetuadas pela empresa estabelecida no estado de São Paulo; ix) que os dados referentes ao faturamento eram manipulados na empresa e que o contador responsável não tinha conhecimento de tal fato; e x) que os documentos paralelos que não haviam sido localizados naquela ocasião já haviam sido destruídos. Embora a peça de defesa faça referência à coerção e ameaça na assinatura da declaração acima referenciada, não identifico qualquer elemento, ainda que testemunhal, capaz de comprovar a afirmação. Além do mais, na linha do sustentado no voto condutor da decisão de primeiro grau, os fatos ali apontados encontramse devidamente corroborados pelos documentos carreados ao processo pela autoridade fiscal. Diante de tal cenário, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização ao Sr. Osvaldo de Carvalho. RELAÇÃO ENTRE EXTRATOS BANCÁRIOS E DOCUMENTOS APREENDIDOS Alegam os Recorrentes que a Fiscalização falhou ao não conseguir estabelecer uma relação direta entre os valores apontados em contas bancárias e os documentos tidos como constituídos por meio fraudulento. Sustentam que os valores lançados nas contas bancárias foram tributados duplamente, visto que foram considerados como omissão de receitas e como aplicação financeira. Afirmam que não se consegue vislumbrar nos autos nenhum levantamento específico de valores, pois, simplesmente se somou os valores Fl. 7888DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 970 16 depositados nas citadas contas e se tributou. Argumentam que o que os agentes fiscais reuniram na tentativa de que fosse configurada fraude são indícios de prova e, como tal, não possuem valor probatório. Absolutamente equivocadas as considerações trazidas pelos Recorrentes. Com efeito, como bem ressaltado no ato decisório combatido, a autuação tratada no presente processo não foi efetuada com base em depósitos bancários. As omissões foram apuradas com base em elementos coletados no estabelecimento da própria fiscalizada e por meio de circularização de terceiros. Neste particular, por não ser digno de reparo, reproduzo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância acerca da questão em comento. [...] Devese esclarecer que, ao contrário do que afirma a contribuinte, não foi feito lançamento com base em depósitos bancários. Como se vê nos autos de infração o lançamento é relativo à omissão de receitas da atividade sem emissão de notas fiscais, bem assim com emissão de notas fiscais paralelas ou falsas, apuradas por meio de elementos coletados no estabelecimento da própria contribuinte e por circularização de terceiros. O levantamento específico de produtos em estoque, a que se refere a contribuinte, com base no art. 286 do RIR, de 1999, é um critério que a fiscalização pode adotar para apurar omissão de receita, não se constituindo um procedimento obrigatório a ser seguido, ainda mais no presente caso em que a contribuinte adotou a tributação pelo lucro presumido. Verificase que, em diligência na empresa, foram retidos documentos fiscais escriturados, documentos fiscais paralelos emitidos e em branco, pedidos de venda sem nota fiscal, relatórios mensais de vendas, relatórios de comissão de vendas, relatórios de vendas anuais, etc. Analisando tais documentos foi apurado pelo Fisco estadual e confirmado pelo autuante na escrituração do contribuinte, a realização de vendas sem emissão de nota fiscal e de vendas com notas fiscais falsas ou paralelas, cujos elementos encontramse nos anexos A e B desse processo. Ficou comprovado no processo, por meio dos pedidos dos clientes, em que se especificou as parcelas a serem pagas, que os valores das vendas sem notas fiscais foram creditados nas contas bancárias 156841, ag. 08338 do Bradesco, e 1209313, ambas de titularidade de Osvaldo de Carvalho, constando nos extratos bancários indicação dos depositantes dos citados valores coincidentes com os referidos pedidos dos clientes, conforme se pode ver, por exemplo, às fls. 112 a 213 e 214 a 228 do Anexo A e no Anexo B (fls. 12 a 34). Estabeleceuse, assim, ao contrário do que afirma a contribuinte, a conexão entre os valores apontados em contascorrentes bancárias de Osvaldo de Carvalho e os documentos apreendidos. Devese registrar que os extratos bancários foram utilizados apenas para corroborar a constatação de que foram realizadas vendas sem emissão de notas fiscais, não podendo se falar em tributação em duplicidade dos valores lançados nas contas correntes. (GRIFEI) Notese que, em sede de recurso, os Recorrentes limitaramse a repisar argumentos apresentados na peça impugnatória, motivo pelo qual sequer contraditaram o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau. Fl. 7889DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 971 17 Anotese, ainda, que a tributação das receitas financeiras derivou do confronto entre o que foi declarado pela fiscalizada à Receita Federal e o que foi informado pelas fontes pagadoras. Ausente, assim, qualquer relação com extratos bancários. Os Recorrentes trazem, ainda, considerações acerca das seguintes matérias: exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS; exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ; e majoração e alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. No que diz respeito à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e da majoração da alíquota da COFINS, reitero o pronunciamento no sentido de que os argumentos não podem ser recepcionados em âmbito administrativo, haja vista o disposto na SÚMULA CARF nº 2, antes referenciada. Relativamente ao alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS disciplinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, entretanto, penso que as considerações trazidas pelos Recorrentes devam ser recepcionadas. Observo que, no que tange à tributação do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, os lançamentos em questão só podem subsistir se considerarmos válido o conceito de FATURAMENTO estampado pelo citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, considerado o referido artigo em sua redação original, isto é, antes da alteração promovida pela Lei nº. 11.941, de 2009. Ocorre que a mesma Lei nº. 11.941 (Medida Provisória nº. 449, em 04 de dezembro de 2008) alterou o Decreto nº. 70.235, de 1972, de modo que restou estabelecido: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na mesma linha do acima disposto, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, esclarecendo, contudo, por meio do seu parágrafo único, que tal vedação não se aplica aos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tido aqui, nesse específico caso, como único fundamento capaz de dar respaldo aos lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, já foi objeto de decisão do plenário do STF nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, restando ali decretada a sua inconstitucionalidade. Fl. 7890DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 972 18 Corroborando o que aqui se afirma, releva reproduzir excerto do pronunciamento da Ministra Cármen Lúcia, ao apreciar Agravo de Instrumento impetrado pela União. DECISÃO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ARTS. 3º, § 1º, E 8º DA LEI N. 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA: CONSTITUCIONALIDADE. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ... 11. Em 5 de agosto de 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do art. 8º da mencionada lei, apreciada nos Recursos Extraordinários ns. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ 15.8.2006. 12. Mantevese o entendimento de que a noção de faturamento contida no art. 195, inc. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional n. 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, não sendo possível a convalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional n. 20/98). 13. Além disso, o Supremo Tribunal rejeitou a alegação de inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%) e descartou a argumentação de que haveria necessidade de lei complementar para esse fim. Também estabeleceu que a Lei n. 9.718/98 passou a produzir efeitos válidos a partir de 1º.2.1999, em atendimento à exigência do decurso do prazo nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da Constituição da República. 14. Ao julgar inconstitucional a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3% da Cofins, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98, o Tribunal a quo divergiu da orientação fixada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 15. Pelo exposto, dou provimento a este agravo, na forma do art. 544, §§ 3º e 4º, do Código de Processo Civil, e, desde logo, parcial provimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 557, § 1ºA, do mesmo diploma legal, para reformar o acórdão recorrido no ponto que julgou ilegítima a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98. Considerandose a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal, deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. Publiquese. Brasília, 19 de novembro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Amparado em tais argumentos, acolho o argumento da Recorrente acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no já citado parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 7891DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 973 19 Cumpre destacar que em relação à omissão de receita decorrente da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas, a tributação do PIS e da COFINS deve ser mantida, eis que, nesse caso, os valores apurados dizem respeito a FATURAMENTO. No tocante à pretensão de ver excluída a CSLL da base de cálculo do IRPJ, ainda que se despreze o fato de que argumentação expendida é direcionada no sentido de sustentar a inconstitucionalidade da Lei nº 9.316/96, o que não pode ser apreciado em seara administrativa, equivocamse os Recorrentes ao afirmar que “elabora suas demonstrações financeiras, adotando para tanto a sistemática ou forma de tributação pelo lucro real, consoante comprovam as declarações do imposto de renda que se anexa”, pois, como já visto, o regime de tributação adotado nos anos submetidos ao procedimento fiscal (2005 e 2006) foi o do LUCRO PRESUMIDO3, descabendo, assim, falar em apropriação de despesa na determinação da base de cálculo. O lançamento tributário relativo ao Imposto sobre Produto Industrializado foi objeto de um outro processo administrativo, motivo pelo qual descabe apreciar pedido de perícia relativo a questões associadas ao referido tributo. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação do PIS e da COFINS os valores incidentes sobre as receitas financeiras omitidas (PIS – infração 1, fls. 676; e COFINS – infração 1, fls. 690). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 3 Às fls. 457/474 dos autos, encontramse anexadas cópia das DIPJ/2006 e 2007, com opção pela tributação com base no LUCRO PRESUMIDO. Fl. 7892DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10830.008888/99-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
CLASSIFICACAO FISCAL - A mercadoria comercialmente denominada "centrifugadora de roupas", conforme identificada nos autos, classifica-se nos códigos 8421.19.9900 (exercício de 1996) e 8421.19.90 (nos exercícios de 1997 e 1998) que correspondem à identificação genérica 8421 - Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases, e às sub identificações específicas 19 e 90 - outros.
REP Negado e REC Provido
Numero da decisão: 9303-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do sujeito passivo em relação ao afastamento de laudo técnico e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 CLASSIFICACAO FISCAL - A mercadoria comercialmente denominada "centrifugadora de roupas", conforme identificada nos autos, classifica-se nos códigos 8421.19.9900 (exercício de 1996) e 8421.19.90 (nos exercícios de 1997 e 1998) que correspondem à identificação genérica 8421 - Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases, e às sub identificações específicas 19 e 90 - outros. REP Negado e REC Provido
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Presunção. A presunção que milita em favor dos laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres limitase aos aspectos de natureza técnica, afetos às suas respectivas áreas de competência. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 1996, 1997, 1998 CLASSIFICACAO FISCAL A mercadoria comercialmente denominada "centrifugadora de roupas", conforme identificada nos autos, classificase nos códigos 8421.19.9900 (exercício de 1996) e 8421.19.90 (nos exercícios de 1997 e 1998) que correspondem à identificação genérica “8421” “Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases”, e às sub identificações específicas “19” e “90” “outros”. REP Negado e REC Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do sujeito passivo em relação ao afastamento de laudo técnico e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 88 /9 9- 03 Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Maria Teresa Martínez López Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo Procurador e pelo Contribuinte em que se pugna pela reforma do Acórdão 30333.086, que foi parcialmente reformado pelo Acórdão 310200.431, de 9 de julho de 2009, assim ementados, respectivamente: Acórdão 30333.086: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTRATOR CENTRIFUGO. Utilizado para a extração do excesso de umidade das roupas e tecidos, utilizando a forma centrifuga para a extração de água de roupas e tecidos. Classificase no código 8421.12.9900 da TIPI/88 (até 1996) e no código 8421.12.90 da TIPI/96 (a partir de 01/01/1997), que se trata de “secador de roupa exceto de uso doméstico”. CARROS RACK (CARROS PARA AUTOCLAVE. Mercadorias denominadas “carros rack”, modelos BA02255, BA02365, BA02255/365, BA02525, BA02705, BA021390 e BA02 1500K, classificase nos códigos 8419.90.0000 (até 1996) e 8419.90.90 (1997 e 1998), quando vendidos conjuntamente com os aparelhos de autoclave. CARROS PARA LAVANDERIA. Mercadorias denominadas carros para lavanderia, modelos LT4PUT, LT4PU, LT5 PST, LT5PS e LT2A. Classificase nos códigos 8716.80.0199 (até 1996) e 8716.80.00 (1997 e 1998). MULTAS COM CARÁTER PESSOAL. As multas punitivas impostas à empresa sucessora, decorrente dos fatos geradores praticados pela sucedida, ao tempo de sua existência, não se incluem na responsabilidade da empresa sucessora, haja vista o disposto nos artigos 133 e 137 do Código Tributário Nacional, bem como o caráter sancionatório pessoal e subjetivo das referidas penalidades. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.207 3 IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO PELO ÓRGÃO JULGADOR. Tendo decidido pelo descabimento da multa agravada e, sendo desarrazoado qualquer lançamento por aquele que pratica imparcial atividade julgadora, ainda que no processo administrativo, falece ao Conselho de Contribuintes a competência para lançar multa de ofício com suporte normativo distinto do verificado no instrumento de constituição do crédito tributário. JUROS.SELIC. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. Acórdão 310200.431: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 1996, 1997, 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos de declaração não são o remédio processual adequado para rebater argumentos do voto condutor do acórdão. Entretanto, servem para integrar o acórdão em caso de existência de lacuna nos fundamentos ou de falta de pronunciamento sobre pedidos da contribuinte. PAF. Preclusão. Não se conhece de arguição de nulidade do lançamento não impugnada. PAF. Não é nula a decisão de primeiro grau pelo fato de ter abordado em conjunto classificações de produtos diversos mas semelhantes que, no seu entendimento, deveriam se dar no mesmo código. CLASSIFICAÇÃO. Carros rack, que possuem a finalidade exclusiva de se acoplarem às autoclaves, devem ser classificados no código 8419.90.90, relativo a partes de aquecedores de água da subposição 9419.19. Embargos parcialmente acolhidos e acórdão parcialmente retificado. A exigência debatida, como é possível extrair das ementas, decorre da reclassificação fiscal de produtos industrializados pela autuada, levada a efeito em razão dos seguintes motivos, narrados com relatório que dá suporte ao acórdão de primeira instância: A contribuinte equivocadamente enquadrou no código 8421.19.9900 da TIPI/88 e no código 8421.19.90 da TIPI/96, o produto denominado “extrator centrífugo”. Embora com alíquota de 20%, produtos classificados nestas posições tinham, à época, isenção do IPI dada pelas Medidas Provisórias nº 1.251, 1.289, 1.328, 1.370, 1.413, 1.461 e 1.508, e pela Lei nº 9.493. Pelas especificações do produto, a correta classificação fiscal seria no código 8421.12.9900 da TIPI/88 e no código 8421.12.90 da TIPI/96, com alíquota de 20%, e sem isenção do imposto. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O produto em questão foi objeto do processo de consulta protocolizado pela empresa com o nº 10830.004875/9073 (cópia do formulário às fls. 402/404). Em primeira instância, foi exarada a Orientação NBM/DIVTRI8ª RF nº 328, 08 de novembro de 1990, de fls. 405/407, com a conclusão favorável à interessada, ou seja, em confirmação da classificação fiscal adotada, 8421.19.9900. Então, em virtude de recurso de ofício, foi expedido o Parecer COSIT/DINOM nº 1350, de 23 de novembro de 1993, de fls. 410/412, alterando o posicionamento anterior, com a indicação da classificação correta a ser empregada pelo sujeito passivo: 8421.12.9900 (secadores de roupa). Como conseqüência, para esse produto, foi efetuado o lançamento do imposto, com a inflição da multa majorada em 50%, por estar caracterizada a circunstância agravante prevista na Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, parágrafo 1º, inciso II, com a redação do art. 2º, alteração 18ª, do DecretoLei nº 34, de 1966. A empresa também deu saída aos produtos “carros de transporte” e “carros rack” com erro de classificação fiscal. Os “carros de transporte” foram erroneamente classificados na posição 9402.90.90000 da TIPI/88 e na posição 9402.90.90 da TIPI/96, à alíquota de 4%. Os “carros rack” foram classificados nos códigos 8419.90.0000 da TIPI/88 e 8419.90.90 da TIPI/ 96, com alíquota de 8%. Todos esses produtos denominados carros, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e com pareceres da COSIT/DINOM, classificamse na posição 8716.80.0199 (TIPI/88) e 8716.80.90 (TIPI/96), com alíquota de 12%. Foram elaborados os relatórios “Notas Fiscais com Erros de Classificação Fiscal” (fls. 10/18) e “ Notas Fiscais com Erros de Classificação Fiscal – Resumo por Período” (fls. 19/22), demonstrando, por nota fiscal, por produto e por período, as diferenças de imposto apuradas. O auto de infração foi lavrado em nome de Baumer S/A, que é sucessora por incorporação, a partir de 24/09/1996, da empresa Baumer Hospitalar S/A. Igualmente fiel é a descrição da impugnação, que transcrevo: Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 424/455, em 09/12/1999, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Classificou os produtos que industrializa em estrita consonância com os códigos da Tabela de Incidência do IPI, bem como da Tabela da Tarifa Externa Comum, que mais se identificam com os mesmos, bem como com suas características essenciais, devendo ser cancelado o lançamento do imposto, multa e juros de mora; 2. Os produtos fabricados pela requerente, por se tratarem de produtos essenciais destinados a fins médicohospitalares, não podem ser tributados pelas elevadas alíquotas de IPI de 12% e 20%, pois o art. 153, parágrafo 3º, da Constituição Federal, Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.208 5 dispões que o IPI deve ser seletivo, em função da essencialidade do produto; 3. Os extratores centrífugos possuem a função precípua de extração de excesso de água de roupas e tecidos através da força centrifuga, e não de secagem. Pela sua função e processo de funcionamento, classificamse nos códigos 8421.19.9900 da TIPI/88 e 8421.19.90 da TIPI/96. Por não serem centrifugadores desnatadeiras, que se classificam na posição 8421.11, nem podem ser confundidos com secadores de roupa de uso doméstico, que se classificam na posição 8421.12, a única classificação possível é na posição 8421.19. Transcreve em sua defesa, o entendimento prestado em 1ª instância pela Receita Federal, na consulta formulada sobre o produto; 4. Apresentou ensaio técnico de fls. 456/457, para comprovar que a roupa sai úmida da centrifugadora por ela fabricada, e por isso o produto não pode ser considerado como um secador de roupa; 5. Os produtos denominados “carros rack” se constituem em verdadeiros instrumentos vinculados e diretamente relacionados com os produtos de esterilização de materiais clínico e odontológicohospitalares, não possuindo função específica isolada, e muito menos as características de veículo, na forma como classificados no item genérico “8716”. Pelo processo de interpretação por exclusão, concluise que estes produtos somente poderiam ser classificados nas posições 8419.90.0000 (TIPI/88) e 8419.90.90 (TIPI/96); 6. Os produtos denominados “carros de transporte” se constituem em partes do mobiliário hospitalar, e por isso se classificam nos códigos 9402.90.90000 (TIPI/88) e 9402.9090 (TIPI/96); 7. Os produtos “carros rack” e “carros de transporte” se constituem em peças móveis avulsas destinadas ao transporte de materiais estéreis ou de roupas úmidas ou secas, não se destinando ao transporte de pessoas ou mercadorias, que é a destinação dos carros classificados na posição 8716, da TIPI, defendida pelo autuante; 8. Os materiais estéreis e as roupas úmidas e secas transportadas, não podem ser consideradas mercadorias, no sentido jurídico terminológico, porque as mercadorias são aqueles objetos produzidos ou adquiridos para fins mercantis; 9. É indevido o cálculo dos juros moratórios com base na taxa SELIC, pois o índice ultrapassa a taxa de 12% ao ano constitucionalmente prevista (art. 192, parágrafo 3º da Constituição Federal), bem como, possui natureza remuneratória e não indenizatória. A utilização da taxa SELIC também afronta o art. 161, parágrafo 1º, do CTN; 10. Não há fundamento para a imposição de qualquer multa, pois a requerente cumpriu com suas obrigações legais. Mesmo Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 que este não seja o entendimento, não cabe de qualquer forma a aplicação da multa, porque a requerente é sucessora por incorporação da empresa Baumer Hospitalar Ltda, e as multas impostas à empresa sucedida não se incluem na responsabilidade da empresa sucessora, dado seu caráter sancionatório pessoal e subjetivo. Neste sentido o art. 133, do Código Tributário Nacional e diversos precedentes jurisprudenciais; 11. A aplicação da multa agravada em 50% é indevida porque quem formulou a consulta mencionada pelo autuante foi a empresa sucedida, e não a impugnante, e a consulta somente obriga a consulente; 12. Requer a produção de prova pericial, indicando o perito, e apresentando os quesitos para o produto extrator centrífugo. A exigência foi integralmente mantida pelo Colegiado de Primeira Instância, conforme se observa na ementa do julgado: Assunto: Classificação de Mercadorias Anocalendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: EXTRATOR CENTRÍFUGO. O produto “extrator centrífugo” tem a classificação fiscal 8421.12.9900 (TIPI/88) e 8421.12.90 (TIPI/96), com alíquota de 20%, por força de solução definitiva de consulta. CARROS DE TRANSPORTE. CARROS RACK. Os carros de transporte e carros rack, veículos manuais, não autopropulsores, autônomos, destinados ao transporte de roupas úmidas e secas e de materiais estéreis, em razão dos textos de posição e subposição, classificamse na posição 8716.80.0199 (TIPI/88) e 8716.80.90 (TIPI/96). PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobrase o imposto lançado a menor nas notas fiscais de saída, com a inflição de penalidade pecuniária, por conta de erro de classificação fiscal e de alíquota. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996, 1997, 1998 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.209 7 Ementa: SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A responsabilidade da sucessora por infração cometida pela empresa incorporada, inclui a multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. Lançamento Procedente Sobreveio recurso voluntário onde, sinteticamente, repetemse os fundamentos da impugnação e, em face de tais alegações, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes afastou parcialmente a exigência, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, acolheuse parcialmente a classificação do sujeito passivo relativamente ao carros rack para autoclave, na proporção de um carro por equipamento; e b) por maioria de votos, afastouse a integralidade da multa de oficio agravada, vencidos os Conselheiros Sérgio de Castro Neves e Anelise Daudt Prieto, que davam provimento parcial para desagravar. Regularmente cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou recurso especial às fls. 662 a 666, onde, sinteticamente, sustentou que não haveria fundamento para se afastar a integralidade da multa de ofício. Caso a decisão do colegiado fosse desagravar a penalidade, caberia mantêla no percentual aplicável às hipóteses em que não se verifica circunstância qualificadora. Argumenta que a tese vencedora não foi referendada pela unanimidade dos conselheiros e contraria jurisprudência da CSRF. Após, no seu sentir, demonstrar a necessária divergência jurisprudencial, defende que o fato da autuada ser sucessora da pessoa jurídica que realizara operações alegadamente maculadas de irregularidade não seria suficiente para afastar sua responsabilidade. Segundo argumenta, as pessoas que detinham o controle da sociedade incorporadora seriam os mesmos que responderiam pela sociedade incorporada. O recurso teve seguimento, conforme consignado no despacho às fls. 680 e 681. Às fls. 854 a 8571 é colacionado pedido de desistência parcial do recurso, por meio do qual a recorrente desiste de discutir a fração da exigência decorrente de erro de classificação dos carros de transporte em aço inoxidável e reitera sua vontade de continuar discutindo a classificação dos produtos que denominados “extratores centrífugos” e “carro rack”. Regulamente cientificada, a Contribuinte apresenta contrarrazões ao recurso da PGFN (petição às fls. 709 a 7252), além de embargos de declaração (petição às fls. 685 a 6953), que foram parcialmente acatados. 1 Fls. 879 e seguintes, se considerada a numeração digital. 2 Fls. 727 e seguintes, se considerada a numeração digital. 3 Fls. 701 e seguintes, se considerada a numeração digital. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Como é possível extrair da ementa já transcrita, a 2ª TO da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF acolheu parcialmente os embargos e concedeulhes parciais efeitos infringentes, afastando a fração da exigência relativa à totalidade dos carros rack para autoclave. Nos demais aspectos a decisão embargada mantevese incólume. Por meio de suas contrarrazões, a autuada busca demonstrar que não haveria fundamento para prosseguimento do recurso especial de divergência. Defende, inicialmente, que a multa teria sido afastada em razão de dois fundamentos: a) não seria possível impor penalidade diversa da de mora à sucessora, que atingiria a multa imposta sobre as operações com todas as mercadorias para as quais foi mantida a reclassificação; e b) o desagravamento da multa de ofício implicaria afastar a integralidade da penalidade, que repercutiria exclusivamente sobre as operações envolvendo mercadorias cuja classificação teria sido alvo de solução de consulta. Transcreve trechos dos votos do relator e do relator designado. Segundo aponta, a Procuradoria da Fazenda Nacional teria questionado exclusivamente o segundo fundamento, defendendo que seria possível manter a multa desagravada. Transcreve trecho do recurso e acrescenta que o acórdão apontado como paradigma não conteria qualquer consideração acerca da aplicação de multa à sucessora e que a PGFN não teria apresentado recurso com relação a tal fração. Acrescenta que, diferentemente do sustentado pela Fazenda, o acórdão afastou a integralidade das multas, sobre todos os fatos geradores litigiosos. Alegações acerca da data em que se operou a incorporação e quais seriam seus efeitos diriam respeito a erro material, não passíveis de saneamento por meio de recurso especial. Cientes do acórdão que julgou os embargos, tanto a PGFN quanto a contribuinte comparecem novamente aos autos. A primeira ratifica o recurso especial anteriormente apresentado e a segunda interpõe seu recurso especial, além de ratificar contrarrazões ao recurso especial da Fazenda. O recurso especial da contribuinte está concentrado em duas matérias: a) correção da classificação adotada quando dá saída aos produtos denominados extratores centrífugos; e b) impossibilidade de se desconsiderar as conclusões assentadas em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia. As contrarrazões, em síntese, reiteram a manifestação da Contribuinte acerca da ausência de fundamento para prosseguimento do recurso especial da PGFN. O recurso foi admitido com relação às duas matérias, nos termos do despacho às fls. 1.156 a 1.160 (numeração digital). No prazo oferecido para contraarrazoar, aduz a PGFN, preliminarmente, que foram juntados documentos após a impugnação e que tais documentos deveriam ser desentranhados, pois não se configurara, no presente litígio, nenhuma das hipóteses que admitiriam a juntada da prova após a impugnação. Não identifica a quais documentos estaria se referindo. No mérito, aduz que a tese defendida pela contribuinte não seria plausível, pois não haveria espaço para que, nos autos do julgamento do presente litígio, fosse alterado o entendimento pacificado em solução de consulta. É o Relatório. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.210 9 Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator 1 Preliminarmente 1.1 Demarcação do Litígio Antes de adentrar na análise da admissibilidade, é importante demarca as matérias que deverá ser discutida perante este Colegiado. A Fazenda Nacional, primeira a se manifestar no processo após a ciência do acórdão recorrido, busca restabelecer a cobrança de multa de ofício sobre as diferenças de tributos que o órgão recorrido entendeu devidas, independentemente da diferença em questão ter sido gerada antes ou depois da incorporação. Aliás, quanto a esse ponto, é preciso deixar claro que, diferentemente do alegado pela Contribuinte, se considerada isoladamente, a sucessão empresarial só serviu de fundamento para que fossem afastadas as multas relativamente aos fatos geradores ocorridos antes da incorporação. Confirase a conclusão do relator, vencedor com relação a essa matéria (original não destacado): Por esta razão, voto no sentido de afastar as multas aplicadas ao Recorrente, relativa aos fatos geradores praticados pela sucedida, na parte do crédito tributário que subsistiu ao presente julgamento. Coerente com tal conclusão parcial é a parte dispositiva do voto (original não destacado): Em face de todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente Recurso, mantendo tão somente a exigência fiscal em relação ao produtos denominados carros para lavanderia, as multas de ofício para os fatos geradores praticados pela Recorrente e atualização do débito tributário pela SELIC. Na mesma linha, mas sob novos argumentos, o Relator designado para redigir o voto relativo à classificação dos extratores centrífugos (destaquei): Registrase que o relator só foi vencido quanto à classificação do extrator centrífugo, que teve seu voto confirmado quanto aos demais itens. Mas, também no que tange à questão da aplicação da multa agravada, além dos argumentos apresentados pelo ilustre relator quanto à pessoalidade da punição, pretendo fazer algumas considerações adicionais, que são no mesmo sentido de afastar a aplicação da multa no caso concreto. (...) Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Surgiu, então, em meio às discussões neste plenário da Terceira Câmara, a idéia de apenas afastar o agravamento da multa de ofício (que foi pedido subsidiário do recorrente). Entretanto, além dos argumentos postos pelo relator quanto a não caber a imputação à sucessora de responsabilidade por infração da sucedida, ou seja, além de se assentar que as multas punitivas impostas à empresa sucedida não devem ser incluídas na responsabilidade da empresa sucessora, por outro lado, e antes mesmo que se enfrentasse qualquer consideração a respeito da responsabilidade da sucessora, havia que se ressaltar a impossibilidade de lançamento por parte da instância julgadora Se no auto de infração foram reunidos argumentos, pela autoridade lançadora, para cobrar a multa agravada de 112,5%, assentada em normas abstratas que prevêem hipótese específica, afastada tal hipótese, não há como o julgador administrativo considerar outra norma de embasamento para pretender dar continuidade à exigência da multa agora não mais agravada. A partir das transcrições é possível perceber que não há, com efeito, decisão que afirme que todas as multas deveriam ser afastadas em razão da sucessão empresarial. O órgão julgador afastou exclusivamente as multas: a) a de 75%, relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente à incorporação, em razão do entendimento de que não poderia ter sido lançada penalidade na sucessora; e b) de 112,5 %, sobre todos os fatos geradores, ainda que concretizados após a data da incorporação, em razão do entendimento de que desagravar a multa seria inovar na fundamentação. Cabe ressaltar que a Contribuinte manejou embargos de declaração pretendendo obter manifestação do Colegiado que ratificasse seu entendimento e tal pedido não foi acatado. Quanto a esse ponto, os embargos foram rejeitados. Confirase trecho que descreve o pedido: A empresa aduz, ainda, que do resultado do julgamento consta que, por maioria, foi dado provimento quanto à multa de ofício agravada, vencidos os Conselheiros Sérgio de Castro Neves e Anelise Daudt Prieto, que davam provimento parcial para desagravála. Teria havido omissão, tanto no voto do Conselheiro Zenaldo, quanto no dispositivo, em relação ao pedido de afastamento das demais penalidades. Alega que é sucessora por incorporação da empresa Baumer Hospitalar e que todas as multas punitivas, não só as agravadas, que sejam impostas à sucedida, não se incluem na responsabilidade da sucessora. Não foram apresentados novos embargos de declaração. A Contribuinte, a seu turno, após afirmar só desistir da discussão acerca dos “carros de transporte”, na prática, mantém exclusivamente a intenção de recorrer da acusação de erro quando da classificação dos “extratores centrífugos”. A fração do lançamento relativa a “carros rack para autoclave” foi integralmente afastada e, quando a esse ponto, a Fazenda Nacional não apresentou recurso. Tratase de discussão encerrada na via administrativa. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.211 11 Cabe a este Colegiado, portanto, decidir acerca de dois pontos: a classificação fiscal dos produtos denominados “extratores centrífugos” e, se mantida a diferença de tributos, a incidência de multa desagravada sobre tais diferenças. 1.2 Admissibilidade Demarcado o objeto, entendo relevante, ainda em sede de preliminar, promover nova avaliação acerca da admissibilidade do recurso especial. A meu ver, com a devida vênia, entendo que, nem a Fazenda Nacional nem o a Contribuinte alcançaram êxito na comprovação de divergência jurisprudencial acerca de todos as matérias recorridas. A Fazenda Nacional, com efeito, não demonstrou dissídio jurisprudencial acerca da impossibilidade de aplicação de multa na sucessora, em razão de irregularidade perpetrada pela sucedida, tornando incólume a decisão recorrida no que se refere aos fatos geradores anteriores à data da incorporação. De fato, como já visto, o órgão julgador fundamentou sua decisão em dois aspectos que, isoladamente, seriam suficientes para afastar a penalidade. Entretanto, como já antecipado, a sucessão empresarial não provocou o afastamento da exigência após a data da incorporação, o que leva à conclusão de que, nesse período posterior, o único fundamento para a afastar a integralidade da multa seria a impossibilidade do órgão julgador promover seu desagravamento. Assim sendo, restando claro que a Fazenda Nacional obteve êxito em demonstrar dissídio jurisprudencial acerca desse fundamento, cabe dar seguimento ao recurso especial acerca dessa matéria. Com relação ao recurso especial da Contribuinte, após reanalisar o despacho de admissibilidade, penso que uma das matérias, com a devida licença não pode ser admitida, pois não foi colacionada decisão que demonstrasse divergência de interpretação. De fato, busca a Contribuinte que este órgão julgador confirme a tese da inafastabilidade dos laudos produzidos pelas entidades enumeradas no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 19724. Para tanto, trouxe ao processo aresto em que a CSRF, julgando recurso especial por contrariedade à prova dos autos, considerou que não cabia rediscutir elementos comprovados em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), bem assim acórdão em que a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que assume as conclusões do mesmo instituto. Ocorre que o órgão recorrido não discordou das conclusões do INT acerca dos aspectos técnicos do produto, interpretou tais conclusões à luz do Sistema Harmonizado (SH). Confirase trecho do votocondutor: Destaco neste ponto que é preciso entender as regras da Nomenclatura de Classificação Fiscal como um sistema próprio, 4 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 que obedece a regras de construção lógica quanto à sua operação, com a função precípua de unificar a universal linguagem merceológica, mormente neste mundo comercial crescentemente globalizado, e que peremptoriamente dispensa definições científicas oriundas das ciências naturais. Ou seja, a partir das conclusões relativas à identificação do produto, o órgão julgador, definiu o enquadramento do produto, nos termos das regras do Sistema Harmonizado. Não custa relembrar que tal enquadramento, por força do § 1º do mesmo art. 30 do Decreto 70.235/725, não faz parte do universo dos aspectos técnicos, passíveis de manifestação por parte do INT ou de qualquer instituição congênere. Pois bem, analisando os paradigmas, verificase que nem o Acórdão CSRF 0304.147 nem o Acórdão 30131.230 assumem a conclusão de que o órgão julgador não poderia promover os enquadramentos afetos à sua competência. Em ambos, decidiuse que existiam aspectos relativos à identificação do produto (e não ao seu enquadramento), que não poderiam ser desconsideradas sem a demonstração da sua improcedência. Resta apenas destacar que a revisão da admissibilidade quanto à presente matéria não visa, em absoluto, descartar as premissas de ordem fática ou técnica colacionadas no laudo técnico, mas exclusivamente demarcar que tais premissas serão consideradas à luz do que dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 19726. Finalmente, não vejo como acatar, à esta altura, o pedido de desentranhamento de documentos formulado pela D. Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, não se verifica em tal manifestação sequer a identificação de quais seriam esses documentos. Em segundo, e a meu ver mais importante, após a impugnação, a Fazenda Nacional já se manifestou algumas vezes no processo e não teceu qualquer comentário a esse respeito, o que, consequentemente, torna tal matéria preclusa. 2 Mérito 2.1 Classificação de Produtos Denominados Extratores Centrífugos Com relação a esse ponto, não vejo qualquer reparo a fazer no acórdão recorrido. A acusação acerca de erro de classificação quando da saída de extratores recai sobre os produtos: a) Extrator Centrífugo LE15; b) Extrator Centrífugo LE30; e c) Extrator Centrífugo LE100, alegadamente classificados erroneamente nos item 8421.19.9900 da TIPI/88 ou 8421.19.90 da TIPI/96, que alcança todos os fatos geradores que são alvo do presente processo. Segundo o Fisco, os equipamentos deveriam ser classificados nos itens 8421.12.9900 ou 8421.12.90 das mesmas nomenclaturas. Fisco e Contribuinte, como é possível verificar, estão de acordo que o produto deveria ser classificado na subposição de 1º nível 8421.1, com os seguintes descrição e desdobramentos: 5 § 1.º. Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. 6 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.212 13 8421.1 Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos 8421.11 Desnatadeiras 8421.12 Secadores de roupa 8421.19 Outros O litígio, como é possível perceber situase na definição da subposição de 2º nível e tal enquadramento é fixado de acordo com a função desempenhada. Quanto a esse aspecto, há que se destacar que, intimada a prestar esclarecimentos acerca dos produtos de sua fabricação, a Contribuinte afirmou categoricamente que os três extratores centrífugos que são alvo de reclassificação destinamse à extrair o excesso de umidade das roupas e tecidos e que são utilizados em qualquer tipo de lavanderia, como as de hospitais, hotéis, comerciais, escolas, asilos e etc. 7 Não foge ao conhecimento deste relator a observação consignada no Relatório de Ensaio nº 047, de 2005, no qual o INT8 afirma que extratores centrífugos poderiam ser utilizados em atividade diversa da secagem de roupa, fato que teria sido comprovado a partir de diligência realizada em estabelecimento especializado na produção de alimentos. Entretanto, não vejo como extrair de tal afirmação o efeito defendido pela Contribuinte. Em primeiro lugar, o INT afirma que a empresa utiliza extratores na produção de alimentos, mas não afirma que, para tal atividade, são utilizados os modelos que são alvo de exigência fiscal. Tal informação é de suma importância para a solução do presente litígio. Com efeito, nos termos da resposta à intimação formulada pela autoridade fiscal, mais precisamente no trecho à fl. 102 (105, se considerada a numeração digital) a Contribuinte descreve que o produto denominado Extrator Centrífugo LEI19 destinase à extração de umidade de amidos, sais, açúcar, farinhas de carne, amendoim, soja, milho e verduras. Não é possível saber, portanto, se o produto utilizado para secagem de alimentos foi, de fato, o equipamento desenvolvido para tal finalidade (modelo LEI19) ou os que fazem parte do processo. Consta ainda dessa descrição o equipamento descrito como extrator LEI 32 FX, destinado à secagem de peças zincadas e cromadas, bem assim à recuperação de óleos e fluídos de corte para usinagem9. De qualquer forma, ainda que se caracterizasse que os extratores centrífugos que são alvo da presente exigência desempenhariam mais de uma função (retirar umidade de roupas e alimentos, v.g.), se considerada a descrição da Contribuinte, concluirseia que o 7 Documento às fls. 88 a 109 (91 a 112, se considerada a numeração digital) 8 Trecho às fls. 619/620 ( 633 e 634, se considerada a numeração digital) 9 Trecho à fl. 103 (106, se considerada a numeração digital). Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 emprego em função diversa da que foi informada em sua resposta darseia de modo subsidiário. Ora, como é cediço, de acordo com a Nota 3 da Seção XVI10, a classificação de máquina concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, é definida em razão da sua função principal. Cabe ainda reforçar que as ponderações do INT acerca dos requisitos para que uma máquina seja considerada uma secadora, extraídos de normas da ABNT, com a devida licença, são inaplicáveis ao presente litígio. Como é cediço, a classificação de um produto na TIPI, que se baseia no Sistema Harmonizado (SH) é levada a efeito segundo as regras de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Assim, é perfeitamente possível que, de acordo com determinado ramo do conhecimento, no caso, a engenharia mecânica, o produto não reúna as características necessárias para ser enquadrado como uma secadora e, para efeito da sua classificação fiscal, sim. Ou seja, em que pese a relevância do conhecimento científico, a classificação fiscal é realizada com base nos enunciados inerentes ao Sistema Harmonizado. Com efeito, diz a Regra Geral I (os grifos não constam do original): Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: Assim sendo, se o SH não faz qualquer consideração acerca do percentual de água que deveria ser extraído, devese considerar que qualquer máquina capaz de extrair água de roupas por meio de centrifugação, para efeito de classificação, é uma secadora centrífuga de roupas. Também não merecem ser consideradas, na presente análise, as considerações do INT acerca do melhor critério para classificação fiscal do produto. Tal matéria, como já antecipado, por força da ressalva expressa do 1º do art. 30 do Decreto 70.235, de 1973, já transcrito anteriormente, não faz parte do universo dos aspectos técnicos. Se não faz parte dos aspectos técnicos, inerentes aos conhecimentos detidos pelo corpo de servidores vinculados àquele instituto, a opinião do expert não goza da presunção instituída no caput do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto a esse aspecto, tomo emprestadas as ponderações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez, que esclarecem11: Destacase que o fato de a ressalva in fine, relativa ao alcance da vinculação, restringirse aos aspectos técnicos é oportuna 10 3.Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 11 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo. Dialética, 2010, 3ª ed., p. 429. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.213 15 porque ao perito é apenas destinada a função de confirmar ou negar fato com base em levantamentos feitos e conhecimentos. A prova pericial é inidônea para atestar fatos que independem de conhecimentos especializados do perito. (original não destacado) Os extratores centrífugos LE15, LE30, e LE100, portanto, para efeito da definição da classificação fiscal, são secadores de roupas. Fixada a subposição de 2º nível (8421.12), caberia verificar se o Fisco enquadrou os produtos no item correto. Não há dúvidas de que, de acordo com a descrição em todos os documentos acostados aos autos, os extratores possuem capacidade superior a 6 Kg e que não são equipamentos domésticos. Todos se destinam a serem utilizados em lavanderias de escala comercial, como hospitais, hotéis, etc. Por outro lado, o produto de menor capacidade (LE15), como o nome sugere, possui capacidade de 15 Kg. Esse entendimento não distoa do emanado pela DINOM (divisão de Nomenclatura da Antiga Coordenação de Tributação da Secretaria da Receita Federal, representante brasileira da OMA para classificação de mercadorias, que, examinando produto análogo ao aqui sob apreciação, decidiu que as secadoras centrifugas industriais, para extração da umidade excessiva de roupas, classificamse no código 8421.12.9900. Essa classificação foi decidida com base nos seguintes critérios: De acordo com os prospectos apresentados e as informações contidas no presente processo, o primeiro produto relacionado corresponde a um secador centrifugo industrial, em aço, para extração da umidade excessiva das roupas. A posição 8421 inclui os centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos, aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias menciona que "a maior parte destas máquinas são constituídas essencialmente de um elemento, geralmente perfurado ou com orifícios (tabuleiro, tambor, cesto, vasilha etc.) girando em alta velocidade dentro de um coletor fixo, habitualmente cilíndrico, contra as paredes do qual se projeta a matéria expulsa pela centrifugação." Tendo em vista as características apresentadas, embora não expressa, a finalidade é a de secar roupas, enquadrandose pois na subposição 12, vez que a extração da umidade é o sinônimo de secagem. Não sendo de uso doméstico o item e subitem é 9900 "Outros". Assim, dúvida não há de que os extratores devem, efetivamente, ser classificados no código 8421.12.9900 da TIPI/88 (até 1996) e no código 8421.12.90 da TIPI/96 (a partir de 01.01.1997) .2.2 Multa de Ofício Com relação a esse aspecto, penso que o acórdão merece reforma. Como fixado no acórdão paradigma, a conduta apenada é deixar de pagar tributo, agravada em razão da inobservância da orientação fixada em processo de consulta. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Sendo certo que o Colegiado fixou interpretação de que não havia fundamento para manter o agravamento, não desapareceu o segundo fundamento para a imposição de penalidade, qual seja, o recolhimento do tributo em percentual inferior ao devido. Confirase a redação do dispositivo que tipificava a conduta: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Nessa linha, cabe restabelecer parcialmente a exigência de multa sobre as diferenças de imposto decorrentes do erro de classificação dos produtos denominados extratores centrífugos, que será fixada em 75%. Finalmente, cabe destacar, em observância às alegações da Contribuinte, que, nos termos da jurisprudência pacificada no âmbito do CARF, a sucessão empresarial, nos termos do que se caracterizou no presente processo, não é fundamento para se afastar a multa de ofício. Confirase a dicção da Súmula CARF nº 47: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Como já destacado, as empresas proprietárias da Baumer Hospitalar Ltda eram a Baumer S/A e a Condustil Consultoria Industrial S/A. Na Ata de Reunião de Cotistas (fls. 396/397) verificase que os diretores das duas empresas são as mesmas pessoas, o Sr. Ruy Salvari Baumer e a Sra. Mônica Salvari Baumer. Assim, não houve mudança, com a incorporação, nas pessoas responsáveis pela empresa. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial da Contribuinte e dou provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer parcialmente a multa de ofício no percentual de 75%, que deverá incidir sobre os fatos geradores ocorreram em data posterior à incorporação. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.214 17 Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López – Redatora Designada Honroume a Presidência com a tarefa de redigir o acórdão prolatado pelo colegiado na parte em que discordamos, por maioria, do ilustrado voto do relator. Essa divergência diz respeito à classificação fiscal. A questão a ser tratada é relativa à correta classificação fiscal dos produtos fabricados pela Recorrente, especialmente os denominados extratores centrífugos. A Recorrente classificou os seus produtos na posição 8421.19.9900 (exercício de 1996) e 8421.19.90 (nos exercícios de 1997 e 1998) que correspondem à identificação genérica “8421” “Centrifugadores, incluídos os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases”, e (ii) às sub identificações específicas “19” e “90” “outros”. De outro lado, a fiscalização classificou os mesmos produtos nas posições 8421.12.90, que corresponde à mesma posição genérica, mas em sub identificação diversa, a saber: A tabela abaixo bem ilustra essa situação: 84.21 Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases. 8421.1 Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos: 8421.11 Desnatadeiras 8421.11.10 Com capacidade de processamento de leite superior ou igual a 30.000 l/h 8421.11.90 Outras 8421.12 Secadores de roupa 8421.12.10 Com capacidade, expressa em peso de roupa seca, inferior ou igual a 6 kg 8421.12.90 Outros Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 8421.19 Outros 8421.19.90 Outros Em síntese, repitase, a discussão objeto dos presentes autos limitase a avaliar se os extratores centrífugos fabricados pela Recorrente podem ser considerados como espécies de secadores, e, dessa forma, serem posicionados dentro da sub posição outros, nessa posição específica de secadores, ou se os aludidos produtos,enquanto centrifugadores, devem ser posicionados dentro da sub posição “outros” dentro da posição “outros centrifugadores”. Na tarefa de classificação fiscal não vejo como não se levar em consideração as características essenciais do produto objeto de estudo, a sua função principal e os empregos que esse produto admite. No presente caso, a análise do processo administrativo evidencia a existência de farta instrução probatória acerca desses elementos e que nos permitem produzir uma série de convicções para a resolução da lide posta em análise. Além disso, há nos autos, Laudo Técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT, que tratou, dentre outros produtos fabricados pela Recorrente, dos extratores centrífugos, e em resposta aos quesitos por ela formulados, com fundamento no resultado dos ensaios, consignou que os produtos denominados extratores centrífugos não podem ser considerados como secadores, posto que as suas características técnicas não permitem essa assertiva. Vejase o quesito formulado e a resposta ao quesito 3: 3) Os produtos objeto do laudo possuem características ou a função dos secadores ou dos centrifugadores? Quais as diferenças entre secadores e centrifugadoras? Resposta: Os produtos objeto desse laudo possuem as característica e as funções dos centrifugadores pela ação da extração de líquidos das matérias centrifugadas. Secadores Os secadores são destinados à secagem das roupas e tecidos devolvendoos, após a sua utilização, com umidade igual ou próxima do meio ambiente. Para tal necessitam possuir: um grupo de aquecimento; ventoinhas para formar um fluxo de ar quente; resistências elétricas para garantir o aquecimento deste ar; alimentação frontal com a arvore responsável pela rotação do cesto na posição horizontal; sistema de resfriamento após a secagem para possibilitar a descarga da máquina; fator de carga igual a 1:25 conforme determina a norma NBR 11757 – Secadores Industriais, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABTN, em seu item 3, subitem 3.1, divisão 3.1.1, alínea f; baixa rotação do cesto acondicionador de tecidos, na ordem de 40 rpm; dimensões externas sensivelmente superiores às dos centrifugadores e, enfim, diversas outras Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.215 19 características que tornariam a leitura desse documento demasiadamente enfadonha. Os secadores produzidos pelo interessado podem, opcionalmente, ter aquecimento elétrico, à vapor ou à gás. Centrifugadores Os centrifugadores não possuem qualquer tipo de aquecimento para sua plena operação. Devolvendo as roupas e tecidos, após a sua utilização, molhadas, entretanto, não encharcadas. Para tal necessitam possuir: fator de carta igual a 1:5,5 conforme determina a norma NBR 11758 – Centrífugas Industriais, da Associação Brasileiras de Normas Técnicas – ABNT, em seu item 3, subitem 3.1, divisão 3.1.1, alínea f, alimentação superior com árvore responsável pela rotação do cesto na posição vertical; alta rotação do cesto acondicionador de tecidos, na ordem de 1000 rpm; dimensões externas sensivelmente inferiores Às das secadoras, e, enfim diversas outras características que tornariam a leitura desse documento demasiadamente enfadonha. Os valores de umidade dos tecidos ensaiados, nos estados de amostra (ambiental), molhado, centrifugado (no extrator centrífugo) e secado (na secadora), estão registrados nos parágrafos 21 a 27 e 37 a 42 desse laudo pericial. A fotografia do parágrafo 11, item e, deste Relatório Técnico mostra a diferença visual entre o extrator centrífugo e o secador utilizado nos ensaios na unidade fabril do interessado. Especificamente quanto às diferenças em relação ao resultado do processo de secagem e de centrifugação, transcrevo trecho do Laudo Técnico em que restou afirmado que: “Verificase, então, que quando os tecidos foram encharcados com água o seu peso aumentou em 170% (cento e setenta por cento) e 180% (cento e oitenta por cento) e que após a extração centrífuga estes novos pesos diminuíram para a metade, ou melhor, foram reduzidos em 50% (cinquenta por cento) em relação ao peso encharcado. Finalmente com o auxílio da Secadora Industrial, programada para aquecer até uma temperatura de 170ºC (“set point”) para secar o tecido, o peso centrifugado foi reduzido para 70% (setenta por cento) resultando no Peso do Tecido Secado. (...) ...as variações de peso entre o tecido centrifugado e o tecido amostra se mantiveram muito acima do que o previsto nas normas referentes às secadoras [peso secado = (8 + 0,5)% em relação ao peso da amostra, ou seja, tais variações atingiram os patamares de 42,2% e 46,3%, comprovando, desta forma, que o equipamento não é um secador e, sim, apenas um extrator.” A resposta ao quesito formulado não deixa dúvidas. Enquanto a centrifugadora apenas elimina o excesso de água dos tecidos, deixandoos úmidos, porém não encharcados, a secadora leva os tecidos a umidade zero, ou seja, deixaos secos. Evidente que são produtos diversos. O tecido apenas centrifugado, em geral, não está pronto para uso, devendo passar por processo de secagem para que atinja a aptidão para o uso. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 Além disso, em relação à posição objeto de análise, a NESH aponta que tais posições agrupam “outras máquinas e aparelhos que nelas se classificam principalmente em razão de sua função”. Desse modo, a função precípua do produto é determinante para a sua classificação fiscal. Nessa medida, oportuna a demonstração, pela Recorrente, de que o produto por ela fabricado pode ser empregado em diversos seguimentos da indústria e serviços, desde que a função pretendida seja a eliminação do excesso de água, não se limitando a roupas. Sobre os fatos e a função do produto nunca houve divergência, mas tão somente no que concerne à classificação fiscal. Inclusive, tal fato também foi abordado no já mencionado Laudo Técnico, tendo havido ensaio com produtos diversos de tecidos, inclusive alimentos, para a avaliação da possibilidade de utilização do produto analisado em seguimentos diversos das lavanderias industriais. Nesse tocante, vejase a resposta ao quesito formulado: “1) É possível dizer que os produtos denominados extratores centrífugos se destinam tão somente à extração de excesso de água de roupas, utilizandose, para tanto, de processo de centrifugagem? Resposta: Não. Os produtos denominados extratores centrífugos se destinam à extração de água de roupas e tecidos e de outros materiais que necessitem deste processo e que se adequam aos extratores (...) Durante as diligências para elaboração deste Relatório foi visitada a empresa (...), que produz alho em forma de pasta e alho triturado, tendo sido verificado que faz parte de seu processo industrial a extração de água remanescente da lavagem desta matériaprima. A referida empresa utiliza o extrator centrífugo na fabricação destes produtos.” Por todas essas razões é que entendo que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, uma vez que demonstrado está que o produto por ele fabricado não pode ser classificado na subespécie secadora, mas sim na espécie descentrifugadora. Pertinente ainda a observação trazida por ocasião do julgamento. A tabela TIPI vigente possui um ex tarifário para a posição 8421.19.90, a saber: 8421.19.90 Outros 0 Ex 01 Centrifugadores para uso doméstico 24 Ora, se o legislador criou um ex tarifário para os centrifugadores de uso doméstico, dentro da subposição outros centrifugadores, é evidente que entende que os centrifugadores, não domésticos, como é o caso dos produtos fabricados pela Recorrente, devem ser posicionados na subposição outros, vinculada à posição genérica de centrifugadores. Destaco que esse posicionamento já foi adotado anteriormente por esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais em acórdão assim ementado: “CLASSIFICACAO FISCAL — A mercadoria comercialmente denominada "centrifugadora de roupas", conforme identificada nos autos, classificase no Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008888/9903 Acórdão n.º 9303002.777 CSRFT3 Fl. 1.216 21 código 8421.19 9900 da tarifa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Recurso provido.” (Relatora Designada: Márcia Regina Machado Melaré – Acórdão CSRF/03 03.274) CONCLUSÃO Assim, diante do acima exposto, VOTO no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da contribuinte, de forma a cancelar a exigência imposta, eis que correta a sua classificação fiscal. Maria Teresa Martínez López Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 27/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.722366/2011-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR. NULIDADE. COMPETÊNCIA DO AFRFB. MÉRITO NÃO CONTESTADO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Em preliminar, o contribuinte volta a insistir na nulidade do lançamento, afirmando que o AFRFB não tem competência funcional para desqualificar / requalificar vínculos de emprego, tendo em vista que a desqualificação /requalificação dos vínculos de emprego ocorreu sem a observância do devido processo legal, situação que o impediu do exercício do direito de defesa. No ponto, sem razão o contribuinte.
Em relação ao mérito, percebe-se que o contribuinte não o contestou.
Assim sendo, de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.252
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR. NULIDADE. COMPETÊNCIA DO AFRFB. MÉRITO NÃO CONTESTADO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. 1. Em preliminar, o contribuinte volta a insistir na nulidade do lançamento, afirmando que o AFRFB não tem competência funcional para desqualificar / requalificar vínculos de emprego, tendo em vista que a desqualificação /requalificação dos vínculos de emprego ocorreu sem a observância do devido processo legal, situação que o impediu do exercício do direito de defesa. No ponto, sem razão o contribuinte. 2. Em relação ao mérito, percebese que o contribuinte não o contestou. 3. Assim sendo, de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 23 66 /2 01 1- 63 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, constituído pelo DEBCAD nº 37.340.8820, de contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições relativas ao GILRAT, e também o de nº 37.340.8838, de contribuições da empresa devidas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de julho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo para que este exerça plenamente o seu direito à defesa. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/1964. ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.340.8820 AI Debcad nº 37.340.8838 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Irresignada com o veredicto de 1º grau, a recorrente pede a esse Colegiado o reexame dos lançamentos e do ato impugnatório, este complementado pelas razões recursais que compõem o item 5.2, com o reiterado objetivo do seu cancelamento. no presente recurso voluntário são, primeiramente, reiteradas as arguições preliminares e os argumentos de mérito aduzidos na impugnação, depois secundadas pelas razões recursais opostas contra a decisão de 1ª instância. Preliminarmente, a impugnante argui que os lançamentos em questão são duplamente nulos, por padecerem dos vícios em seguida detalhados. O AFRFB não tem competência funcional para desqualificar / requalificar vínculos de emprego. A desqualificação / requalificação dos vínculos de emprego ocorreu sem a observância do devido processo legal e impediu o exercício do direito de defesa. A demonstração de que os lançamentos em pauta carecem de base legal, apoiase nos argumentos jurídicos e ensinamentos doutrinários expostos nos itens seguintes. O art. 146 da Constituição prevê que a lei complementar só pode regrar sobre normas gerais de direito tributário, conflitos de competência e regulação das limitações constitucionais ao poder de tributar. Nesse diapasão, lei complementar não é lei federal, mas lei nacional de cumprimento obrigatório pela União, Estados e Municípios. É inaplicável ao caso o art. 229, § 2º, do Decreto 3.048/99. A impossibilidade do controle da `elusão` como um `sistema aberto` de ilegalidade não tipificadas em lei. A impugnante afirma que são insubsistentes os argumentos atinentes ao `planejamento tributário` constantes dos subitens 3.3.1 ao 3.3.26. São inconsistentes os argumentos atinentes aos fatos apontados. É inaplicável a multa qualificada de 150%. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 6 5 Diante do exposto, requer a esse Colegiado que após examinar o recurso, declare a nulidade e/ou improcedência dos lançamentos, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar, o contribuinte volta a insistir na nulidade do lançamento, afirmando que o AFRFB não tem competência funcional para desqualificar / requalificar vínculos de emprego, tendo em vista que a desqualificação /requalificação dos vínculos de emprego ocorreu sem a observância do devido processo legal, situação que o impediu do exercício do direito de defesa. Sobre a matéria, o julgador a quo, assim pontuou: Essas atividades são desenvolvidas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, os quais, nos termos do artigo 6º, inciso I, da lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.457/2007, “no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo”, possuem, dentre outras atribuições, as de executar procedimentos de fiscalização e de “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições”. Portanto, no exercício de suas atribuições legais, têm os AuditoresFiscais da RFB o poderdever de, apreciando os elementos que lhe são apresentados para exame e, do mesmo modo, aqueles outros por eles colhidos diretamente no trabalho fiscalizatório, interpretálos para, em obediência ao direito posto, formar sua convicção no tocante à situação de determinado contribuinte ou segurado previdenciário. No ponto, sem razão o contribuinte. Em relação ao mérito, percebese que o contribuinte não o contestou. Com efeito, em seu recurso o contribuinte cuidou apenas de fazer referências genéricas, como: “... a demonstração de que os lançamentos em pauta carecem de base legal, apoiase nos argumentos jurídicos e ensinamentos doutrinários expostos nos itens seguintes...”, “... a impossibilidade do controle da `elusão` como um sistema aberto de ilegalidade não tipificadas em lei ...” “... são inconsistentes os argumentos atinentes aos fatos apontados ...” “ ... é inaplicável a multa qualificada de 150% ...”. Assim sendo, de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 “considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11030.722366/201163 Acórdão n.º 2803003.252 S2TE03 Fl. 8 7 Tendo em vista que o lançamento se deu nos estritos termos do art. 142 do CTN, mantenhoo nos exatos termos em que foi realizado. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904731/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 31 /2 01 2- 81 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904731/201281 Acórdão n.º 3801002.450 S3TE01 Fl. 88 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904731/201281 Acórdão n.º 3801002.450 S3TE01 Fl. 89 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904731/201281 Acórdão n.º 3801002.450 S3TE01 Fl. 90 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904731/201281 Acórdão n.º 3801002.450 S3TE01 Fl. 91 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721585/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. CARACTERÍSTICAS.
Na Sociedade em Conta de Participação quem atua perante terceiros é única e exclusivamente o sócio ostensivo, em nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. O sócio oculto participa, apenas, dos resultados econômicos da atividade social, sendo vedada, expressamente, sua participação nas relações com terceiros.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. REMUNERAÇÃO.
Subsumem-se no conceito de Salário de Contribuição do segurado contribuinte individual os valores pagos aos Sócios Participantes da Sociedade em Conta de Participação a título de distribuição de lucros, quando restar comprovado que o montante distribuído decorre única e exclusivamente do trabalho realizado pelo sócio em favor do objeto social do Sócio Ostensivo, e não do capital investido pelo Sócio Oculto, configurando-se tal verba como Remuneração camuflada sob as vestes de distribuição de lucros.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.
Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pelo provimento do recurso, por entenderem que os valores pagos aos segurados contribuintes individuais se traduziam, efetivamente, em Distribuição de Lucro. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.312.166-0, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pelo provimento do recurso, por entenderem que os valores pagos aos segurados contribuintes individuais se traduziam, efetivamente, em Distribuição de Lucro. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.312.166-0, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. CARACTERÍSTICAS. Na Sociedade em Conta de Participação quem atua perante terceiros é única e exclusivamente o sócio ostensivo, em nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. O sócio oculto participa, apenas, dos resultados econômicos da atividade social, sendo vedada, expressamente, sua participação nas relações com terceiros. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. REMUNERAÇÃO. Subsumem-se no conceito de Salário de Contribuição do segurado contribuinte individual os valores pagos aos Sócios Participantes da Sociedade em Conta de Participação a título de distribuição de lucros, quando restar comprovado que o montante distribuído decorre única e exclusivamente do trabalho realizado pelo sócio em favor do objeto social do Sócio Ostensivo, e não do capital investido pelo Sócio Oculto, configurando-se tal verba como Remuneração camuflada sob as vestes de distribuição de lucros. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CARACTERÍSTICAS. Na Sociedade em Conta de Participação quem atua perante terceiros é única e exclusivamente o sócio ostensivo, em nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. O sócio oculto participa, apenas, dos resultados econômicos da atividade social, sendo vedada, expressamente, sua participação nas relações com terceiros. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. REMUNERAÇÃO. Subsumemse no conceito de Salário de Contribuição do segurado contribuinte individual os valores pagos aos Sócios Participantes da Sociedade em Conta de Participação a título de distribuição de lucros, quando restar comprovado que o montante distribuído decorre única e exclusivamente do trabalho realizado pelo sócio em favor do objeto social do Sócio Ostensivo, e não do capital investido pelo Sócio Oculto, configurando se tal verba como Remuneração camuflada sob as vestes de distribuição de lucros. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 15 85 /2 01 2- 71 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pelo provimento do recurso, por entenderem que os valores pagos aos segurados contribuintes individuais se traduziam, efetivamente, em Distribuição de Lucro. Por unanimidade de votos, Fl. 684DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 688 3 em dar provimento parcial ao recurso no que se refere ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.312.1660, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 07/12/2012. Data da Ciência do AIOP: 13/12/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belém/PA, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nos 51.312.1679 e 51.312.1695 consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados contribuintes individuais, bem como as contribuições previdenciárias a cargo dessa categoria de segurados obrigatórios do RGPS, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração a fls. 156/172, e anexos a fls. 173/248. Informa a Autoridade Lançadora que a Autuada tem como objeto social: atividades de atendimento médico/hospitalar em regime de internação, atividades de atendimento de urgência e emergências, atividades de atendimento ambulatorial, atividades de serviços complementares de diagnóstico e terapêutica, atividade de outros profissionais de saúde, outras atividades relacionadas com a atenção à saúde dentre outras não relacionadas à área de saúde. De acordo com o Termo de Verificação de Infração, em 01/07/2005, foi constituída a Sociedade em Conta de Participação – SCP, tendo como sócio ostensivo o Hospital Santa Júlia Ltda e como sócios participantes os “Médicos Associados”, que são pessoas jurídicas de direito privado e/ou físicas, identificadas e qualificadas conforme discriminado nos Termos de Adesões. Conforme contrato de constituição da Sociedade em Conta de Participação – SCP, o sócio ostensivo (Hospital Santa Júlia) fornece as instalações, estrutura de apoio administrativo e técnico, enquanto que os sócios participantes entram com os serviços profissionais nas diversas áreas da medicina a fim de atender os clientes (conveniados ou particulares), objetivando realizar o negócio do Hospital Santa Júlia. As bases de Cálculo do tributo lançado consubstanciamse nos valores pagos a título de Distribuição de Lucros, apurados na Contabilidade a crédito da conta nº 241401003 = Distribuição de lucros – SCP e a débito das contas 111102009 – Banco Bradesco S/A e 111102013 – HSBC Bank Brasil S/A, discriminadas na Planilha Demonstrativa dos Valores Pagos pela Prestação de Serviços a fls. 178/248. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.1660, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social. CFL 68 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 689 5 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. O contribuinte deixou de informar nas GFIP referentes às competências de 01/2008 a 12/2008, os fatos geradores decorrentes da remuneração dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços, sem vínculo empregatício, à Sócia Ostensiva, infringindo, assim, o disposto no artigo 32, IV da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada por competência em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no §4º do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 255/283. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0126.330 – 4º Turma da DRJ/BEL, a fls. 495/513, julgando procedente o lançamento tributário e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/07/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 515. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 516/560, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que a Recorrente é uma Sociedade em Conta de Participação – SCP, na qual a Autuada exerce a atividade constitutiva perante os pacientes, enquanto que os médicos, sócios participantes, contribuem com serviços para a SCP; · Que a Fiscalização presumiu que os valores distribuídos pela SCP aos médicos sócios participantes eram rendimentos do trabalho e não distribuição de lucros; · Que no caso em tela, não há relação de emprego, pois os médicos associados realizam suas atividades com completa liberdade profissional, havendo pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, mas não existindo subordinação; · Que a distribuição de resultados é perfeitamente possível, no caso, de acordo com a proporção d quota parte ideal do capital social constituído Fl. 687DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 no âmbito da SCP, sendo que a adoção de sistemática diversa, no caso, de acordo com a produtividade, a qual não pode ser confundida com remuneração, é lícita desde que previamente acordada entre os sócios; · Que o Auto de Infração encontrase eivado de nulidade, uma vez que o Auditor Fiscal não buscou apurar o quanto dos lucros efetivamente distribuídos estariam supostamente acima da correspondente fração ideal, a justificar a incidência de contribuições previdenciárias; · Que houve dupla tributação dos rendimentos da SCP; · Que deve ser revisada a multa de mora aplicada, de modo a reduzir o percentual da multa para 20%; · Que deve ser aplicado o art. 106, II. ‘a’ e ‘c’ do CTN para cancelar o Auto de Infração nº 37.312.1660 – AI 68; Ao fim, requer o cancelamento da exação. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 690 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 31/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO O Recorrente alega ser uma Sociedade em Conta de Participação – SCP, na qual a Autuada exerce a atividade constitutiva perante os pacientes, enquanto que os médicos, sócios participantes, contribuem com serviços para a SCP. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Sem razão. A Sociedade Em Conta de Participação – SCP é uma espécie de sociedade não personificada, despida de personalidade jurídica. Em regra, a SCP é constituída por meio de Contrato Social, o qual não é levado a registro perante a Junta Comercial, tão pouco junto ao Cartório de Registro de Títulos e Documentos, cuja atividade constitutiva do objeto social é exercida única e exclusivamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual, sob a sua exclusiva responsabilidade. O Contrato Social que regulamenta a relação do sócio ostensivo com os sócios participantes, firmado entre os ambos, gera efeitos tão somente entre os sócios, sendo que sua eventual inscrição na Junta Comercial ou no Cartório de Títulos e Documentos não confere personalidade jurídica à sociedade. Daí a natureza secreta do ato constitutivo. Nesse tipo de sociedade, reconhecese a existência de duas espécies de sócios: o ostensivo e o participante, também conhecido como sócio oculto ou sócio investidor. Os negócios são realizados apenas em nome do primeiro, que atua empresário individual ou sociedade empresária, e, sobre o qual recai a responsabilidade ilimitada pelas obrigações assumidas. O sócio oculto ou participante não aparece perante terceiros, respondendo, apenas, perante o sócio ostensivo, conforme previsto em contrato. a) SÓCIO OSTENSIVO – Também chamado de sócio empreendedor. É aquele que realiza todos os negócios ligados à atividade, em seu próprio nome, respondendo por tais obrigações de forma pessoal e ilimitadamente. O sócio ostensivo deve prestar contas perante os demais sócios participantes da aplicação e gestão desse patrimônio. Todos os negócios jurídicos da sociedade realizados com terceiros alheios à SCP são praticados como se realizados exclusivamente pelo sócio ostensivo, que deve registrar em seus livros fiscais tais operações como se fossem exclusivamente suas, porém identificandoas para fins de partilha dos respectivos resultados com os sócios investidores. b) SÓCIO PARTICIPANTE – Também é conhecido por sócio investidor. O sócio oculto ou participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, não aparece perante terceiros, podendo, apenas, fiscalizar os atos da administração. Sua participação na sociedade se limita a disponibilizar recursos materiais ao sócio ostensivo, que os aplicará em favor do objeto social da SCP. É, em regra, um investidor que acredita no projeto do sócio ostensivo e vislumbra obter resultados satisfatórios com sua implementação. O caráter oculto da sociedade em conta de participação manifestase na circunstância de ela não ter Personalidade Jurídica própria, não ter autonomia patrimonial e não aparecer juridicamente aos olhos do público. Assim, todas as operações, negócios e atos praticados ligados à atividade da SCP são realizados em nome do sócio ostensivo, em seu próprio nome, que responde por tais obrigações de maneira pessoal e ilimitadamente. Assentado que o contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica Fl. 690DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 691 9 à sociedade, avulta de maneira insofismável que tal pacto societário equiparase a um mero contrato de investimentos, no qual os sócios participantes, confiando nas qualidades, habilidades, instalações, ponto e demais atributos do sócio ostensivo, disponibilizam capital e/ou recursos materiais para que este, operando isoladamente, realize uma atividade lucrativa apta a gerar os lucros almejados pelos investidores. Como bem vislumbrou o Órgão Julgador de 1ª Instância, “... é possível inferir que a conta de participação, por suas características, constitui muito mais uma "parceria em investimento" do que propriamente uma sociedade. As pessoas participantes entregam recursos ao elemento ostensivo que, atuando isoladamente perante terceiros, deverá executar o investimento objeto da conta de participação. Após ter praticado a atividade objeto, o sócio ostensivo apura e recolhe os tributos incidentes sobre a atividade, quantifica os ganhos ou perdas e, por fim, presta contas aos sócios participantes. Visto isso, fica evidente que a sociedade em conta de participação é uma forma jurídica aplicável à exploração de negócios e atividades em que faz sentido, ou é economicamente conveniente, que apenas o sócio ostensivo apareça e obriguese perante terceiros. É a típica situação em que investidores, os denominados sócios participantes, confiando em atributos, habilidades, conhecimentos ou qualidades do sócio ostensivo, entregamlhe recursos para que este, operando isoladamente, realize atividade lucrativa, atendendo expectativas daqueles”. A Sociedade em Conta de Participação não possui representação judicial, ativa ou passiva, tampouco firma, razão social, denominação ou sinal que apareça exteriormente, para o público, não tendo, nem mesmo, sede ou domicílio especial, não existindo na prática com relação a terceiros Não procede a alegação de que o art. 881 do Código Civil autorizaria “aos sócios contribuir com o objeto social da empresa tanto com bens quanto com serviços”. Código Civil Brasileiro TÍTULO II Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Ora .... O Direito não se interpreta em tiras !!! As disposições inscritas no art. 981 do Código Civil encontramse alojadas topograficamente no capítulo reservado às Disposições Gerais aplicáveis a todas as sociedades tratadas no Código Civil Brasileiro. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Sabiamente, o Legislador Ordinário redigiu o texto legal com a conjunção alternativa “ou” (com bens ou serviços) que expressa a ideia de exclusão ou alternância de fatos ou escolha. Assim, ao celebrar contrato de sociedade os contratantes reciprocamente se obrigam a contribuir para o exercício de atividade econômica ou com bens ou com serviços ou com ambos conjuntamente, a depender da vontade dos sócios e, em alguns casos, como assim se revela o presente, do tipo societário previsto na lei. O ordenamento jurídico, todavia, pode limitar a participação dos integrantes da sociedade a participarem ou só com bens ou só com serviços. A participação do sócio investidor na SCP limitase, por força de lei, à contribuição de bens, os quais irão constituir um patrimônio especial próprio, destinado, exclusivamente, para a execução do objeto empresarial da sociedade, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais, o qual se liquida por meio da Ação Judicial de Prestação de Contas e não através de procedimento dissolutório. Ao contrário da tese levantada pelo Recorrente, o sócio investidor não pode integrar a SCP contribuindo apenas com serviços, mas, tão somente, com bens, os quais irão constituir o patrimônio especial da sociedade. Tal conclusão advém da inteligência do art. 994 do Código Civil Brasileiro, específico para a Sociedade em Conta de Participação. Código Civil Brasileiro CAPÍTULO II Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. §1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 692 11 §2o A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. §3o Falindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo processo. Tal conclusão é corroborada pelas disposições inscritas no Parágrafo Único do art. 993 do Código Civil, que proíbe que o sócio participante tome parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros. A violação a tal vedação legal implicará a responsabilidade solidária do sócio oculto com o sócio ostensivo pelas obrigações em que intervier, uma vez que o sócio investidor estará participando em nome próprio, e não em nome da sociedade. Isto porque, nos termos expressos, do art. 991 da Lei nº 10.406/2002, a Sociedade em Conta de Participação inexiste perante terceiros. Quem atua perante terceiros é única e exclusivamente o sócio ostensivo, em nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade. O sócio oculto participa, apenas, dos resultados econômicos da atividade social. Em reforço a tal assertiva, iluminese que o art. 991 do Código Civil dispõe que “a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes”. Ou seja, nos termos da lei, na SCP, quem realiza a atividade constitutiva do objeto social é o sócio ostensivo. Os demais, apenas participam dos resultados correspondentes. Daí serem conhecidos como “sócios investidores”, ou ainda “sócios ocultos”. Os sócios ocultos não aparecem perante o público. Aliás, a lei expressamente veda que o sócio oculto tome parte nas relações com terceiros. Nos termos da lei, a participação do sócio oculto nas operações da sociedade limitase ao direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais realizada pelo sócio ostensivo, nada mais. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o Hospital Santa Júlia Ltda, na condição de sócia ostensiva da SCP Santa Júlia & Médicos Associados, celebrava os contratos com clientes, planos de saúde, etc. emitia as faturas e assumia a parte negocial perante os terceiros. Já na realidade dos fatos, o atendimento aos clientes particulares do Hospital e pacientes de planos de saúde, era realizado, diretamente, pelos sócios participantes da SCP em foco, o que é vedado expressamente pela Lei nº 10.406/2002. Nesse sentido: REsp 168028 / SP Rel. Min. CESAR ASFOR ROCHA T4 QUARTA TURMA DJ 22/10/2001, pag. 326 COMERCIAL. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE PARA COM TERCEIROS. SÓCIO OSTENSIVO. Na sociedade em conta de participação o sócio ostensivo é quem se obriga para com terceiros pelos resultados das transações e das obrigações sociais, realizadas ou empreendidas em decorrência da sociedade, nunca o sócio participante ou oculto que nem é conhecido dos terceiros nem com estes nada trata. Hipótese de exploração de flat em condomínio. Recurso conhecido e provido. No caso presente, os assim denominados “médicos associados” nada mais são do que prestadores de serviços à SCP, auferindo sua remuneração não pelos frutos do capital investido na sociedade, mas, sim, em razão e na proporção direta dos serviços prestados, na condição de médicos, ao Hospital Santa Julia, para a realização do objeto social deste. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 693 13 2.2. DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS O Autuado pondera que a Fiscalização presumiu que os valores distribuídos pela SCP aos médicos sócios participantes eram rendimentos do trabalho e não distribuição de lucros; Presumiu, não. Está provado nos autos e até admitido pelo Recorrente. Hodiernamente, considerase “Empresa” o exercício organizado de atividade econômica, na forma de unidade econômicosocial, integrada por elementos humanos, materiais, técnicos e logísticos, visando à produção ou a circulação de bens ou de serviços mediante o emprego de fatores de produção no sistema capitalista, capital, mãodeobra, insumo e tecnologia , objetivando a geração de lucro. A função social primária da empresa é, pois, a geração de lucro para seus proprietários e acionistas, remunerando o capital que investiram na estruturação da pessoa jurídica e no desenvolvimento a contento de seu objeto social. Por outro lado, a função social secundária imediata da empresa consiste na geração de empregos e pagamento de salários, contribuindo assim para o desenvolvimento social dos seus empregados e dependentes, além de contribuir para o Estado Social através do pagamento de tributos e outros encargos sociais. O lucro é, portanto, o produto do capital investido na empresa por seus proprietários/investidores, enquanto que a remuneração é a contrapartida pelo trabalho realizado pelo elemento humano da empresa na realização do seu objeto social e na consecução do lucro do capital. Estruturar uma empresa implica, portanto, a articulação dos fatores de produção adequados (capital, mãodeobra, insumos e tecnologia) que viabilizem a oferta no mercado consumidor, a preços e qualidade competitivos, dos bens/serviços que se pretenda produzir. Nos casos das Sociedades em Conta de Participação, o fornecimento do fator de produção consistente no trabalho é competência e atribuição reservada com exclusividade, por força de lei, ao sócio ostensivo, que exerce em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade a atividade constitutiva do objeto social da SCP, sendo vedado, expressamente que o sócio oculto tome parte nas relações da sociedade com terceiros. De outro canto, observese que o lucro líquido da empresa em cada exercício somente é calculado após a dedução das despesas e dos custos da entidade, aqui incluídos os custos dos serviços/mercadorias vendidos, a remuneração dos empregados, a depreciação do ativo imobilizado, eventuais prejuízos acumulados, os tributos e demais encargos sociais, as participações estatutárias, etc. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Digase, ainda, que o lucro líquido do exercício pode ter uma diversidade de destinações, a serem definidas pela diretoria da empresa, dentre elas a reserva de lucros, o investimento na própria empresa, bem como a distribuição aos seus sócios/acionistas. Nessa perspectiva, a pessoa física pode auferir da empresa lucro distribuído, remuneração ou ambos simultaneamente. A diferenciação de tais rubricas encontrase umbilicalmente associada à natureza da fonte da receita recebida: Se for decorrente, exclusivamente, do capital investido na empresa, tratase de lucro distribuído. Por outro viés, se o capital auferido tiver como origem o trabalho realizado pela pessoa na realização do objeto social da empresa, tratarseá, então, de remuneração. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o sujeito dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda é devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará a remuneração do capital por ela investido. Em suma: Resultado econômico do trabalho realizado = Remuneração. Resultado econômico do Capital investido = Lucro distribuído. Em regra, o sócio participa dos lucros e das perdas na proporção das suas respectivas quotas sociais, salvo estipulação em contrário no contrato social, mas sempre em função da participação do sócio no lucro gerado pelo capital. Corrobora tal entendimento as disposições do art. 1007, segunda parte, do Código Civil que estatui que mesmo sócio cuja contribuição consista em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas da empresa. Economizando saliva: Na distribuição dos lucros da empresa, rectius, no aquinhoamento dos rendimentos do capital investido pelos sócios, haverá sempre uma relação biunívoca entre as cotas sociais e o percentual de cada sócio no montante dos lucros distribuídos, sendo que default legal prega pela estrita proporcionalidade. Código Civil Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Art. 1.009. A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo conhecerlhes a ilegitimidade. A desproporcionalidade permitida pela lei aplicase somente, e tão somente, sobre os rendimentos do Capital (lucro da pessoa jurídica), não se espraiando sobre os rendimentos do trabalho. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 694 15 Notese, ainda que o inciso VII do art. 997 do Código Civil determina, expressamente, que o contrato social contenha cláusula específica determinando a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas da sociedade, sendo ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. Código Civil Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizála; V as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. No caso em apreço, o parágrafo primeiro da cláusula oitava do contrato social prevê que o resultado líquido apurado ao final do período será distribuído entre as sócias na proporção das suas respectivas participações, salvo estipulação em contrário em documento próprio, firmado entre as partes, no momento de prestação de contas mensal com deliberação e distribuição antecipada. CLÁUSULA OITAVA – Os resultados auferidos pela SCP ora constituída serão apurados através de demonstrativos contábeis e/ou demonstrativos financeiros suplementares e rateados mensalmente, após deliberação do Comitê Gestor, caso o mesmo venha a ser objeto de constituição, e na sua ausência, pela própria sócia ostensiva, face à liberação de recursos dos seus clientes (Convênios ou Particulares). Parágrafo Primeiro: O resultado líquido apurado ao final do período, em consonância com o previsto na legislação do Imposto de Renda e demais normas da legislação tributária aplicáveis, quanto ao período mensal ou trimestral, será distribuído entre as sócias na proporção das suas respectivas participações, salvo estipulação em contrário em documento próprio, firmado entre as partes, no momento de prestação de contas mensal com deliberação e distribuição antecipada, ocasião em que, por consenso unanime e expressa anuência das partes, os resultados Fl. 697DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 auferidos pela SCP poderão ser distribuídos em proporção diversa das participações constantes na integralização e dos Termos de Adesão dos Sócios ´participantes no patrimônio especial, obedecendo ao critério de desempenho e a produtividade individual dos profissionais em suas respectivas áreas de atuação. Parágrafo Segundo: A SÓCIA PARTICIPANTE que, intimada pela SÓCIA OSTENSIVA, nos termos do parágrafo anterior, a efetuar a devolução dos valores recebidos indevidamente ou a maior que os devidos, e não o fizer no prazo de 1º (dez) dias, autoriza desde já a própria SÓCIA OSTENSIVA a emitir letras de cambio contra a sócia inadimplente, onde a mesma figurará como beneficiária e emitente do valor em excesso, tendo por vencimento 30 (trinta) dias depois de expirado o prazo de 10 (dez) dias da intimação, autorizando, ainda, a livre negociação deste título no mercado. Parágrafo terceiro: De comum acordo entre as partes, SÓCIA OSTENSIVA e SOCIAS PARTICIPANTES, a distribuição de lucros ou resultados, poderá ocorrer mensalmente após o encerramento das operações relativas ao respectivo período, com a competente apuração dos resultados, descontandose as despesas originárias, sejam elas de ordem administrativas ou tributárias, e de conformidade com o cômputo do desempenho de forma individualizada de cada participante, distribuindose as parcelas correspondentes, e a comprovação do pagamento acontecer por intermédio de crédito em conta corrente bancária indicada pelo beneficiário, fazendo às vezes de recibo. Ora ... Ora ... O art. 996 da Lei nº 10.406/2002, dispõe que se aplica à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples. Código Civil Brasileiro Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Nessa vertente, o art. 997 do Código Civil, localizado topograficamente no capítulo reservado à Sociedade Simples, estatui expressamente que o contrato de constituição da sociedade mencionará obrigatoriamente, a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas da sociedade, sendo ineficaz em relação a terceiros, aqui incluído o Fisco, qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. Código Civil Brasileiro SUBTÍTULO II Da Sociedade Personificada CAPÍTULO I Da Sociedade Simples Fl. 698DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 695 17 Seção I Do Contrato Social Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizála; V as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. No presente episódio, o contrato de constituição da SCP dispõe, num primeiro momento, “ o resultado líquido apurado ao final do período [...] será distribuído entre as sócias na proporção das suas respectivas participações”, para, em seguida ressalvar a possibilidade de “estipulação em contrário em documento próprio, firmado entre as partes, no momento de prestação de contas mensal com deliberação e distribuição antecipada”. Ora, tal pacto em apartado é ineficaz perante terceiros, por força do Parágrafo Único do art. 997 do Código Civil, aplicado subsidiariamente às Sociedades em Conta de Participação conforme previsão assentada no art. 996 desse mesmo Diploma Legal. Isso porque o art. 997 acima cita determina que o contrato de constituição deve mencionar, obrigatoriamente, a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas, sendo ineficaz perante terceiros, aqui inserido o Fisco, qualquer pacto em separado. Nessa perspectiva, para fins de tributação, a remissão da estipulação da participação nos lucros a “documento próprio, firmado entre as partes, no momento de prestação de contas mensal com deliberação e distribuição antecipada” fere o disposto no inciso VII do art. 997 c.c. art. 996 ambos do Código Civil. Da inteligência das disposições inscritas no art. 997 da Lei nº 10.406/2002 deflui que, de fato, a participação dos sócios nos lucros da empresa pode ser desproporcional às cotas de cada um dos sócios, desde que tal participação desproporcional venha explicitada no Contrato Social, como assim determina o seu inciso VII, sendo ineficaz perante terceiros qualquer pacto em separado. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Portanto, não estando presente no contrato social o mecanismo de participação nos lucros, vale para fins de tributação a regra geral: a distribuição será proporcional às cotas de cada sócio. No caso em exame, todavia, as provas dos autos são pródigas em demonstrar que os valores auferidos pelos sócios – segurados contribuintes individuais – a título de “distribuição de lucros” decorreram, única e exclusivamente, do trabalho por eles realizado na consecução do objeto social da empresa, inexistindo qualquer interrelação com o eventual valor investido no capital social da sociedade, a propósito, ínfimo. Consoante resenha assentada no informa o Relatório Fiscal, a empresa, de fato, remunera seus sócios pelos trabalhos médicos a ela prestados, partilhando os resultados entre eles na proporção da produção de cada um, de acordo com o seu desempenho pessoal. O próprio contrato social da SCP é prova irrefutável de tal desvio, ao estipular que “os resultados auferidos pela SCP poderão ser distribuídos em proporção diversa das participações constantes na integralização e dos Termos de Adesão dos Sócios Participantes no patrimônio especial, obedecendo ao critério de desempenho e a produtividade individual dos profissionais em suas respectivas áreas de atuação”. Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada sócio na consecução do objeto social da sociedade, a importância que ele iria receber a título de “distribuição de lucros” seria exatamente igual a ZERO, o que demonstra insofismavelmente tratarse de remuneração pela prestação de serviços médicos ao Hospital Santa Julia, e não de rendimentos do capital investido. Tratase, portanto, de rendimento do trabalho, e não do capital investido pelo sócio. Ou seja, tem natureza jurídica de REMUNERAÇÃO, e não de lucro da empresa, independentemente da denominação que o Autuado dê à rubrica ora em debate. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 696 19 Aqueles que operam com profissionalismo no ramo do Direito têm o perfeito conhecimento que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. Na hipótese ora em estudo, os sócios auferem seus rendimentos única e exclusivamente em função direta da magnitude da prestação de serviços médicos realizada na empresa – REMUNERAÇÃO , e não em razão do capital investido por cada um dos Sócios Ocultos na realização do empreendimento social – DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. Nessa prumada, assentado que as verbas auferidas pelos sócios têm natureza jurídica de remuneração, e que os sócios em destaque são qualificados como segurados contribuintes individuais, a contribuição da empresa será de 20% sobre o sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a essa categoria de segurados que lhe prestem serviços, a teor do inciso III da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo trabalhador durante o mês, a qualquer título, em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade profissional. Por força de lei, nas Sociedades em Conta de Participação a atividade constitutiva do objeto social da SCP é exercida única e exclusivamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, sendo expressamente vedado aos sócios participantes tomarem parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, in casu, os clientes do hospital e dos planos de saúde. Estes apenas participam dos resultados econômicos do empreendimento. Nessa prumada, a prestação de serviços médicos de sua especialização pelo assim denominado “médico associado” ao Hospital Santa Julia não se dá em razão de sua condição de sócio da SCP, pois tal é vedada, mas, sim, na condição de trabalhador alheio ao quadro societário, recebendo REMUNERAÇÃO pelos serviços efetivamente prestados, e não distribuição de lucros decorrente do capital investido, conforme demonstrado na Planilha Demonstrativa dos Valores Pagos pela Prestação de Serviços a fls. 178/248. Em reforça a tal assertiva, registrese que os ganhos auferidos por cada profissional médico são diretamente proporcionais ao trabalho por ele realizado no cumprimento do objeto social do Hospital Santa Júlia: TRABALHOU MUITO, GANHA MUITO; TRABALHOU POUCO, GANHA POUCO; NÃO TRABALHOU, NÃO GANHA. “guess that’s the name of the game” (Elton John/Bernie Taupin – Sweet painted lady) Fl. 701DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Não procede, portanto, a alegação de que “a distribuição de resultados é perfeitamente possível, no caso, de acordo com a proporção da quota parte ideal do capital social constituído no âmbito da SCP, sendo que a adoção de sistemática diversa, no caso, de acordo com a produtividade, a qual não pode ser confundida com remuneração, é lícita desde que previamente acordada entre os sócios”. A uma, porque não houve distribuição de resultados de acordo com a quota parte de cada um; A duas, porque os sócios investidores não podem tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros; A três, porque a adoção de sistemática diversa é lícita desde que descrita expressamente no contrato, sendo ineficaz perante terceiros qualquer pacto estipulado em separado. No caso, não há no contrato qualquer estipulação expressa diversa da regra geral; A quatro, porque os valores auferidos correspondem, diretamente, ao trabalho realizado por cada médico na execução da atividade fim do Hospital Santa Julia. Tais valores são, portanto, rendimentos exclusivos do trabalho e não rendimentos do capital investido. Tratase, portanto, de remuneração, não de distribuição de lucros. Das provas dos autos exsurge que os sócios participantes ingressaram na SCP não como investidores (capital social de R$ 20.000,00 divididos entre quase 235 sócios participantes, no período de apuração), mas, tão somente, para prestar serviços médicos de sua especialização ao Hospital Santa Julia e deste receber a remuneração correspondente aos serviços efetivamente prestados. Dessarte, demonstrado que as atividades e os negócios desenvolvidos pela SCP em questão ostentam aspectos fáticos diferentes e distintos daqueles que se encontram registrados nos seus documentos de constituição, restando amplamente comprovado que os sócios participantes da SCP prestavam efetivamente serviços médicos de sua especialidade aos clientes particulares e de planos de saúde do Sócio Ostensivo, e deste recebiam remuneração proporcional aos serviços prestados, camuflada sob o apodo de “distribuição de lucros”, tais valores, sob o prisma da primazia da realidade dos fatos sobre a formalidade dos atos, devem ser qualificados segundo sua efetiva natureza jurídica, como rendimentos exclusivos do trabalho executado por segurado contribuinte individual a empresa, e não como “lucros distribuídos”, eis que não guardam qualquer relação com o valor efetivamente investido por cada sócio participante na alavancagem do objeto social da SCP. O Recorrente alega que no caso em tela, não há relação de emprego, pois os médicos associados realizam suas atividades com completa liberdade profissional, havendo pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, mas não existindo subordinação. Mas em nenhum momento houvese por vislumbrada qualquer relação de emprego. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 697 21 Ao contrário: Conforme consignado no item III do Termo de Verificação de Infração, “O fato gerador, neste caso, é a prestação de serviços por pessoa física sem vínculo empregatício ...” Com efeito, os sócios participantes assim denominados “médicos associados” foram qualificados, para os fins exclusivos de tributação previdenciária, não como segurados empregados, mas, sim, como segurados contribuintes individuais, haja vista a inexistência da relação de emprego constatada pela Fiscalização. Não procede, igualmente, a alegação de que o Auto de Infração encontrase eivado de nulidade, uma vez que o Auditor Fiscal não buscou apurar o quanto dos lucros efetivamente distribuídos estariam supostamente acima da correspondente fração ideal, a justificar a incidência de contribuições previdenciárias. As provas dos autos são pródigas na demonstração e comprovação de que todos os valores auferidos pelos assim denominados “médicos associados” advinham, exclusivamente , do trabalho medico por eles realizados nas dependências do Hospital Santa Julia. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Fl. 703DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 698 23 PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, já havia rechaçado a pretensão do Autuado ao fundamento de que a efetiva natureza dos valores pagos pelo Sujeito Passivo Hospital Santa Julia ltda. aos segurados contribuintes individuais era de remuneração pelos serviços prestados. Nada obstante, mesmo ciente de que seu pedido houvera sido denegado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, retornando à carga, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos aduzidos pela DRJ/BEL, sem fazer acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar que, contido nos valores pagos aos segurados em questão havia parcela correspondente à distribuição de lucros. Mas assim não se sucedeu. Optou, a seu risco, por exortar asserções totalmente alheias aos fundamentos objetivos do presente lançamento, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se opera, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário, eis que não produziu os meios de prova hábeis a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela Fiscalização. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Não procede, portanto, a alegação de que “o Auditor Fiscal não buscou apurar o quanto dos lucros efetivamente distribuídos estariam supostamente acima da correspondente fração ideal, a justificar a incidência do Imposto de Renda ou mesmo das contribuições previdenciárias”. A obrigação de discriminar cada parcela é, pois, da própria empresa e não da Fiscalização, a teor das obrigações acessórias assentadas no art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; II – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Por derradeiro, o Recorrente alega ter havido dupla tributação dos rendimentos da SCP, os quais já serviram de composição da base de cálculo de contribuições ao PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Aduz que “os valores recolhidos aos cofres públicos pela SCP, através de sua sócia ostensiva, deveriam ser considerados todos indevidos ou a maior, pois não teriam natureza de rendimentos de serviços prestados pela SCP, mas rendimentos dos sócios participantes”. Sem razão. De acordo com o art. 991 do Código Civil, a atividade constitutiva do objeto social da SCP é exercida única e exclusivamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os sócios ocultos, somente, dos resultados correspondentes. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 699 25 Aditese que se obriga perante os terceiro, in casu, os clientes particulares do Hospital e dos planos de saúde, tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Diante de tais dispositivos, deflui por decorrência lógica que todos os serviços prestados aos clientes particulares do Hospital e dos planos de saúde são realizados exclusivamente pelo Hospital Santa Julia, o qual é, também, o titular de todos os rendimentos decorrentes dos serviços médicos por ela executados em favos dos terceiros, como assim prevê a Lei e como assim encontrase estipulado na cláusula sexta do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação, a fls. 341/353. Tal receita, de titularidade exclusiva do sócio ostensivo, é empregada para fazer frente aos custos e despesas do Hospital, dentre tais despesas, as remunerações dos profissionais médicos que efetivamente lhe prestam serviços, sem vínculo empregatício. Sobre tais remunerações, incidem portanto as contribuições previdenciárias a cargo da empresa e a cardo dos segurados, conforme estatuído nos artigos 21 e 22, III da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei , na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. (Incluído pela Lei Complementar nº 123, de 2006). §3o O segurado que tenha contribuído na forma do § 2o deste artigo e pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de contribuição a que se refere o art. 94 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante o recolhimento de mais 9% (nove por cento), acrescido dos juros moratórios de que trata o § 3o do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 4o A contribuição complementar a que se refere o § 3o deste artigo será exigida a qualquer tempo, sob pena de indeferimento do benefício. (Incluído pela Lei Complementar nº 128/2008) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados Fl. 707DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/1999). Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vale lembrar que a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência, sendo certo que o desconto de contribuição legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a Lei. Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. §1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir. §2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. §3o O disposto neste artigo não se aplica ao contribuinte individual, quando contratado por outro contribuinte individual equiparado a empresa ou por produtor rural pessoa física ou por missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeiras, e nem ao brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo. 2.3. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Recorrente argumenta que deve ser revisada a multa de mora aplicada, de modo a reduzir o percentual da multa para 20%. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 700 27 Não lhe confiro razão. Conforme já elucidado anteriormente, o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 709DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.312.1679 e 51.312.169 5, referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal acima indicados a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento Fl. 710DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 701 29 não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 712DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 702 31 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 703 33 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se cogitar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O Recorrente defende a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), quer se promover data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Fl. 715DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, como é o presente caso, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício Fl. 716DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 704 35 de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Não merece reparos, portanto, neste específico particular, a penalidade a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício cominada nos presentes autos. 2.4. DO AUTO DE INFRAÇÃO CFL 68. O Recorrente alega que deve ser aplicado o art. 106, II. ‘a’ e ‘c’ do CTN para cancelar o Auto de Infração nº 37.312.1660. Se nos antolha que as aulas de Direito Tributário eram ministradas no último tempo do turno da noite das sextasfeiras chuvosas, vésperas de feriado. Primeiramente, no que tange à obrigação acessória de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil mediante GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, a MP nº 449/2008 não deixou de definir a infração a tal dispositivo como infração. Apenas cominoulhe outra penalidade. De outro eito, o Recorrente precisa ser apresentado, com a máxima urgência e com requintes de intimidade, ao preceito inscrito no art. 144 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Fl. 718DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 705 37 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. Ao contrário da tese esposada pelo Recorrente, o preceito insculpido no art. XL do art. 5º da CF/88 tem sua aplicação restrita ao Direito Penal, conforme expressamente consignado no texto constitucional, não se aplicando ao Direito Tributário. Este possui regras próprias insculpidas no Código Tributário Nacional – CTN, que não se confundem com o direito penal. Constituição Federal de 1988 TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XL a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; TÍTULO VI Da Tributação e do Orçamento CAPÍTULO I DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Seção I DOS PRINCÍPIOS GERAIS Fl. 719DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (grifos nossos) a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (grifos nossos) c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) O princípio jurídico tempus regit actum, acima invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso presente, conforme já mencionado, a MP nº 449/2008 não deixou de definir como infração a violação à obrigação assentada no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 720DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 706 39 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 707 41 A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 723DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 724DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 708 43 §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um Fl. 725DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 2.5. DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10283.721585/201271 Acórdão n.º 2302003.091 S2C3T2 Fl. 709 45 §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com Fl. 727DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo, ressalvada a incidência da retroatividade benigna, exclusivamente, quanto ao cálculo da multa aviada no Auto de Infração nº 37.312.1660, CFL 68. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.312.1660, CFL 68, ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.720449/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
ATO CANCELATÓRIO. NATUREZA DECLATÓRIA. DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES.
O Ato de Cancelamento de Isenção é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc, retroagindo à data em que a entidade deixou de cumprir uma ou mais das exigências legais para o gozo da isenção/imunidade, previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27 de novembro e 2009, ainda que os lançamentos dele decorrentes devam obediência às regras decadenciais estabelecidas no CTN.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A isenção, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO INCISO II DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Recurso interposto contra o cancelamento de isenção, em virtude da ausência do CEBAS (inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91) estava expressamente afastado pela própria legislação que disciplinava a matéria (parágrafo 9º, art. 206, do Decreto 3.048/99).
LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro - Decreto-Lei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. No caso da Lei n° 12.101/2009, não há que se falar em aplicação da regra excepcional da retroatividade benigna insculpida no art. 106 do CTN, em especial quanto à desnecessidade de solicitação de ato declaratório para o gozo da isenção/imunidade.
RFFP. CABIMENTO.
A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula n.º 28 do CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD 37.167.745-9, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário dos Autos de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD 37.221.656-0 e DEBCAD 37.221.657-9, quanto à multa aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ATO CANCELATÓRIO. NATUREZA DECLATÓRIA. DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES. O Ato de Cancelamento de Isenção é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc, retroagindo à data em que a entidade deixou de cumprir uma ou mais das exigências legais para o gozo da isenção/imunidade, previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27 de novembro e 2009, ainda que os lançamentos dele decorrentes devam obediência às regras decadenciais estabelecidas no CTN. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 49 /2 01 2- 68 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO INCISO II DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Recurso interposto contra o cancelamento de isenção, em virtude da ausência do CEBAS (inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91) estava expressamente afastado pela própria legislação que disciplinava a matéria (parágrafo 9º, art. 206, do Decreto 3.048/99). LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. No caso da Lei n° 12.101/2009, não há que se falar em aplicação da regra excepcional da retroatividade benigna insculpida no art. 106 do CTN, em especial quanto à desnecessidade de solicitação de ato declaratório para o gozo da isenção/imunidade. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula n.º 28 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 895DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 894 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD 37.167.7459, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário dos Autos de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD 37.221.6560 e DEBCAD 37.221.6579, quanto à multa aplicada, vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 747 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. O presente processo administrativo é constituído por três autos de infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, no período de 01/01/2008 a 31/12/2008: • DEBCAD nº 37.221.6560 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais . O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 16.910.883,71 (dezesseis milhões, novecentos e dez mil, oitocentos e oitenta e três reais e setenta e um centavos) consolidado em 19/03/2012 • DEBCAD nº 37.221.6579 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA e SEBRAE)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 4.370.287,13 (quatro milhões, trezentos e setenta mil, duzentos e oitenta e sete reais e treze centavos), consolidado em 19/03/2012. • DEBCAD nº 37.167.7459 AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no Art. 32, Inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91 (omissão de contribuições nas GFIP). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 622.591,20 (seiscentos e vinte e dois mil, quinhentos e noventa e um reais e vinte centavos). 1.2. Conforme foi informado no Relatório Fiscal (fls. 113/119), a Notificada teve a isenção das contribuições previdenciárias cancelada, a partir de 25/01/2002, em virtude do descumprimento do requisito previsto no art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, ou seja, não possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, desde aquela data, cuja emissão cabia ao Conselho Nacional de Assistência Social. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 895 5 1.3. Os valores apurados foram considerados como não declarados em GFIP, tendo em vista que a autuada informou indevidamente, nas GFIP apresentadas, que se enquadrava no Código FPAS 639, utilizado para as entidades isentas, o que ocasionou a omissão de contribuições devidas (quota patronal), inclusive às devidas a terceiras entidades. DA IMPUGNAÇÃO 2. Dentro do prazo regulamentar, a Notificada contestou os referidos Autos de Infração, por meio dos instrumentos de fls. 571/593, 616/637 e 594/615, onde alega em síntese: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, os recursos de fls. 770 (AI 37.167.7459); 810 (AI 37.221.6560) e 850 (AI 37.221.6579) e seguintes, nos quais alega, em apertada síntese, que: * Os Autos de Infração encontramse lastreados em ato cancelatório afetado pelo instituto da decadência. Isto porque foi emitido em novembro de 2009 e referiase à falta de certificado durante o ano de 2003. O procedimento iniciado no ano de 2009 para a apuração dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 somente poderia ter por objeto anos a partir de 2004, período no qual a recorrente já seria portadora do CEAS/CEBAS (processo n° 71010.003212/200329). * A recorrente é portadora do CEAS/CEBAS desde 11 de março de 1993 e continua sendo, inexistindo qualquer cancelamento de seu certificado, sendo de competência do Conselho do CNAS, com exclusividade, a verificação do atendimento dos requisitos constantes do Decreto n° 2.536/1998, conforme Parecer/CJ n° 2.272/2000, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social. Teria havido apenas uma lacuna na renovação dos certificados da entidade (31/12/2006 a 26/12/2007). Ademais, o lançamento também merece ser afastado em razão da recorrente ser portadora de registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social, conforme se comprova dos documentos acostados e do próprio relatório da Informação Fiscal. Destarte, estaria cumprida a exigência, conforme redação original do inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 (aplicável por força da decisão proferida na Adin 2.0285); * Aduz que não houve trânsito em julgado do ato cancelatório de sua isenção, mesmo em se tratando de infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, tendo apresentado recurso que se encontra pendente de julgamento; * Requer a aplicação retroativa, por ser benigna, das disposições contidas na Lei n° 12.101/09; * Inexistência de crimes tributários. É o relatório. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Aduz a recorrente que os Autos de Infração encontramse lastreados em ato cancelatório afetado pelo instituto da decadência. Isto porque foi emitido em novembro de 2009 e referiase à falta de certificado durante o ano de 2003. O procedimento iniciado no ano de 2009 para a apuração dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 somente poderia ter por objeto anos a partir de 2004, período no qual a recorrente já seria portadora do CEAS/CEBAS (processo n° 71010.003212/200329). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que, como consignado no relatório fiscal (fls. 113/119), a autuada teve cancelada a isenção das contribuições previdenciárias por meio de Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude do descumprimento do requisito previsto no Art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, combinado com o Art. 206, Inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/99, ou seja, falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Assim, com a ausência do CEBAS, a partir de 25/01/2002, a entidade passou a não preencher as condições necessárias ao gozo da isenção, de acordo com a redação do inciso II, do Art. 55 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual a isenção foi cancelada a partir desta data. Assim, os lançamentos decorrem do cancelamento de isenção por descumprimento, por parte da autuada, do requisito previsto no art. 55, II, da Lei 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Todavia, o fato de o cancelamento da isenção, ocorrido em 2009, referirse a período que se inicia em 25/01/2002, não implica em violação da Súmula nº 08 do STF e, conseqüentemente, das regras decadenciais previstas no CTN, pois os lustro normativo relacionase à constituição do crédito, por meio do lançamento, e não ao procedimento de cancelamento de isenção. Em verdade, como afirmado pelo decisório a quo, o Ato de Cancelamento de Isenção é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc, retroagindo à data em que a entidade deixou de cumprir uma ou mais das exigências legais para o gozo da isenção, previstas no art. 55 da Lei 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27 de novembro e 2009, ainda que os lançamentos dele decorrentes devam obediência às regras decadenciais já referidas. Portanto, embora o cancelamento da isenção tenha retroagido a 25/01/2002, nada impede a fiscalização de efetuar em 2012 lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos em 2008. Entidade Beneficente de Assistência Social. Imunidade. Cumprimento dos requisitos legais. Alega a recorrente que é portadora do CEAS/CEBAS desde 11 de março de 1993 e continua sendo, inexistindo qualquer cancelamento de seu certificado, sendo de competência do Conselho do CNAS, com exclusividade, a verificação do atendimento dos requisitos constantes do Decreto n° 2.536/1998, conforme Parecer/CJ n° 2.272/2000, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social. Teria havido apenas uma lacuna na Fl. 899DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 896 7 renovação dos certificados da entidade (31/12/2006 a 26/12/2007). Ademais, o lançamento também merece ser afastado em razão da recorrente ser portadora de registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social, conforme se comprova dos documentos acostados e do próprio relatório da Informação Fiscal. Destarte, estaria cumprida a exigência, conforme redação original do inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 (aplicável por força da decisão proferida na Adin 2.0285). É preciso ressaltar que a decisão de primeira instância deixou consignado e não foi contestado pela recorrente que a recorrente possuía Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS (anteriormente CEAS), emitido pelo CNAS, somente nos períodos de 11/03/1993 a 10/03/1996 (Processo nr. 28010002896199235) e de 11/03/1996 a 10/03/1999 (Processo nº 440060042621999882), sendo que a renovação do CEAS para o período de 11/03/1999 a 10/03/2002 (Processo 44006.001048/9882), foi indeferida pelo Plenário do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, por meio da Resolução nº 181/2001 e pela Resolução nº 82/2005 (Pedido de Reconsideração), ainda que a recorrente sustente que, contra a decisão do indeferimento do CEAS, tenha apresentado Recurso Administrativo ao Ministro de Estado da Previdência, que até a publicação da MP 446/2008, ainda não havia sido julgado, razão pela qual o pedido teria sido deferido nos moldes do artigo 39 da MP 446/2008. Também é verdade que o art. 37 da Medida Provisória nº 446, de 07 de novembro de 2008, considerou deferidos os pedidos de renovação de certificados que ainda não haviam sido julgados no período de vigência da MP e que o art. 39 considerou deferidos os pedidos de renovação e certificados objetos de pedido de reconsideração ou recurso pendentes de julgamento até a data de publicação da referida MP. Assim, embora a MP 446 não tenha sido aprovada pelo Poder Legislativo, tendo em vista que o que dispõe o § 11, do art. 62, da Constituição Federal, durante o período de sua vigência, produziu todos os efeitos jurídicos, razão pela qual o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, por meio da Resolução nº 3/2009, deferiu os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social das entidades beneficiadas pelos mencionados dispositivos da MP 446/2008, dentre os quais as renovações do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, solicitadas pela recorrente por meio dos Processos nrs. 71010.003212/20039 e 71010.003135/20731, com validade para os períodos de 31/12/2003 a 30/12/2006 e 27/12/2007 a 26/12/2010, respectivamente, conforme consta nas cópias do DOU de 26/01/2009 juntadas aos autos (fls. 744/745). Portanto, embora a recorrente alegue que o pedido de renovação do CEBAS, referente ao período de 11/03/1999 a 10/03/2002, feito por meio do Processo nº 44006.004262/9882 (indeferido pelo CNAS), também tenha sido deferido por força da edição da Medida Provisória nº 446/2008, conforme se verifica nos autos, tal fato não ocorreu. Assim resume o decisório de primeira instância: 4.4.9. Desta forma, comprovase nos autos a existência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, para os seguintes períodos: a) 11/03/1993 a 10/03/1996 – Processo nº 28010.002896/92 35; b) 11/03/1996 a 10/03/1999 – Processo nº 44006.001048/96 94; Fl. 900DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 c) 31/12/2003 a 30/12/2006 – Processo nº 71010.003212/2003 29 (deferido com base na MP 446/2008); d) 27/12/2007 a 26/12/2010 – Processo nº 71010.003135/2007 31 (deferido com base na MP 446/2008). 4.4.10. Assim, constatase que a Impugnante não comprova ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS nos períodos de 11/03/1999 a 30/12/2003 e 31/12/2006 a 26/12/2007. Tendo em vista que a recorrente teve sua isenção cancelada por Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude de não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no período de 11/03/1999 a 10/03/2002, como retro demonstrado, concluise que somente voltaria a fazer jus ao benefício após o requerimento de novo gozo do benefício em questão, procedimento este obrigatório, conforme dispõem o art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99. Nessa hipótese, a isenção, se concedida, geraria efeitos a partir do protocolo do pedido, conforme dispõem o § 1º do art. 55. da Lei 8.212/91 e o art. 208 do Decreto 3.048/99 Lei 8.212/91. Tampouco assiste razão à recorrente quanto à tese de que o inciso II do art. 55, da Lei 8.212/91 deve ser aplicado na sua redação original, a qual estipulava que as entidades beneficentes deveriam ser portadora do Certificado ou do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo CNAS, tendo em vista a liminar concedida pelo STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.0285. Como sempre possuiu o Registro de Entidade Beneficentes de Assistência Social, não haveria a necessidade do Certificado de Entidade Beneficentes de Assistência Social. Conforme já decidido pela DRJ, a argumentação não tem cabimento, pois a liminar concedida pelo STF referese apenas ao inciso III e aos §§ 3º, 4º e 5º, do art. 55, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.732/98, bem como aos arts. 4º, 5º e 7º da própria Lei nº 9.732/98, de sorte que não houve qualquer manifestação do STF em relação ao inciso II, do art. 55 da Lei 8.212/91, que exige que a entidade seja portadora tanto do Certificado quanto do Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social. Sendo assim, mesmo a recorrente sendo detentora do certificado no período abrangido pelo lançamento (01/2008 a 12/2008), por não ter comprovado o cumprimento do requisito legal previsto no art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99, o lançamento mostrase lídimo. Ausência de Trânsito em julgado. Alega a recorrente que não houve trânsito em julgado do ato cancelatório de sua isenção, mesmo em se tratando de infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, tendo apresentado recurso que se encontra pendente de julgamento. Como já afirmado, a regulamentação do referido dispositivo legal foi feita por meio do Decreto nº 3.048/99, que no seu art. 206, § 8º, incisos I, II, III e IV previa o procedimento administrativo do cancelamento da isenção nas hipóteses de não cumprimento, pelas entidades beneficiadas, dos requisitos legais. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 897 9 Como já consignado na decisão de primeira instância, dispunha o § 9º do art. 206 que não cabia recurso da decisão que cancelava a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput do art. 206 do Decreto 3.048/99. Isso porque os requisitos previstos nos incisos mencionados (correspondentes aos incisos I e II, do art. 55, da Lei nº 8.212/91) tratam de certidões e certificados emitidos por órgãos não vinculados ao Conselho de Recursos da Previdência Social (posteriormente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). No caso em questão, a isenção foi cancelada em virtude da ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, cuja emissão e renovação cabiam ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, restando aos órgãos de fiscalização do INSS e, posteriormente, da Receita Federal do Brasil, a verificação objetiva, nesta hipótese (requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91), da existência ou não do CEBAS. Assim, ausente o certificado, o cancelamento da isenção impunhase, sem possibilidade de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme dispõe a legislação aplicável à matéria. Portanto, não houve falta de trânsito em julgado administrativo em relação ao processo de cancelamento de isenção, razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa. Retroatividade Benigna. Lei n° 12.101/09. Alega a recorrente que deve ser aplicada a exceção ao princípio da irretroatividade das leis prevista no art. 106 do CTN, que dispõe ser possível a aplicação retroativa da lei, desde que nos mesmos contornos da retroatividade do Direito Penal. Isso porque a norma superveniente a ser aplicada é a Lei nº 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, sendo certo que, no mínimo, desde o ano de 2003 é certificada e preenche os requisitos do citado art. 29. Ocorre que o pleito da recorrente não se enquadra em nenhuma das exceções previstas no art. 106 do CTN, razão pela qual concluise que a lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro – DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. Inexistência de crimes tributários. Alegou a recorrente a inexistência de crimes tributários. Ocorre que, quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal, em virtude de exercer atividade vinculada, sem poder discricionário, deve formalizar tal documento, na mesma data da lavratura do auto de infração, quando no curso da ação fiscal apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337 A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo Decretolei n.º 2.848, de 07/12/1940, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000. A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do Fl. 902DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Ademais, não cabe a este Colegiado apreciar a matéria em função da Súmula n.º 28, do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Sendo assim, não merece guarida o inconformismo da recorrente. Multa. Retroatividade Benigna. Cumpre analisar matéria de ordem pública, referente à retroatividade benigna da legislação relativa a infração em destaque. No lançamento em questão, foram apurados valores referentes às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e trabalhadores autônomos, no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, quais sejam: a contribuição devida ao FPAS (quota patronal) e a contribuição devida para o financiamento dos benefícios concedidos em decorrência de incapacidade laborativa (DEBCAD nº 37.167.6560). Também foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados (DEBCAD nº 37.167.6579). Ocorre que, como também houve a omissão nas GFIP das contribuições apuradas, foi aplicada ainda a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no art.32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91 (DEBCAD nº 37.167.7459). Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Fl. 903DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 898 11 Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.720449/201268 Acórdão n.º 2302003.052 S2C3T2 Fl. 899 13 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo no AI 37.167.7459 (CFL 68) ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 906DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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