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Numero do processo: 13748.000629/2002-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 131 1 130 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.000629/200238 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.195 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de março de 2014 Assunto COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Recorrente AFIFE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, do período de apuração de outubro a dezembro de 1997, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DRF/Nova Iguaçu. Na Descrição dos Fatos, consta que a presente exigência originouse de auditoria interna na DCTF, apresentadas pelo sujeito passivo, referentes ao quarto trimestre de 1997, tendo sido verificada a falta de recolhimento do valor nela informado, em razão de inexatidão, por não terem sido localizados os pagamentos vinculados aos débitos declarados. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 11 e 13. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 48 .0 00 62 9/ 20 02 -3 8 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13748.000629/200238 Resolução nº 3202000.195 S3C2T2 Fl. 132 2 A empresa autuada foi cientificada em 07/06/2002 (FL. 38/39) e apresentou a impugnação de fls. 1/2 , em 08/07/2002, alegando que: a) se devido fosse o débito, novo prazo deveria ser estabelecido para pagamento da obrigação; b) o débito foi quitado através de compensação. A contribuinte equivocouse no preenchimento da DCTF ao informar a quitação do débito por pagamento ao invés de compensação; c) a compensação resultou de crédito reconhecido tanto judicialmente (processo 91.01350277) quanto administrativamente (processo 13748.000555/9784), através do reconhecimento da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial; d) no que concerne ao processo administrativo, a recorrente já atendeu à intimação, tendose como encerrada a diligência, uma vez que nada mais foi questionado (processo 10735.002251/9956). O processo foi encaminhado à Delegacia de origem em 19/09/2007 para que esta informasse se os débitos haviam sido incluídos no pedido de compensação citado pelo contribuinte, uma vez que o referido processo ao se achava cadastrado no Profisc. Em 07/02/2012 o processo retornou com resposta da Delegacia de origem em fl.44.” A DRJRio de Janeiro I/RJ manteve o lançamento referente à exigência da COFINS, exonerando a contribuinte, entretanto, da multa de ofício lançada, nos termos da ementa adiante transcrita (efls. 47/52): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de Apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA O princípio da retroatividade benigna impõe o cancelamento de multa lançada de ofício com base em legislação posteriormente alterada no sentido de não mais tratar como infração a conduta apenada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 66/85), alegando, em síntese: que obteve o direito ao créditos por meio de ação judicial, nos autos do processo nº. 91.01350277; que renunciou ao seu direito à execução judicial e, administrativamente, requereu a compensação dos créditos, por meio do processo administrativo nº. 13748.000555/9784; que o referido pedido de compensação encontrase pendente de decisão até os dias atuais, mais de quinze anos após a sua protocolização; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13748.000629/200238 Resolução nº 3202000.195 S3C2T2 Fl. 133 3 que lançou na DCTF os valores devidos a título de Cofins, mas não informou que tais valores faziam parte de um pedido administrativo de compensação; que teria direito a ter seu pedido de compensação imediatamente deferido pela Receita Federal; que, quando da protocolização do seu pedido de compensação, em 07/11/1997, ainda não sabia quais os valores dos débitos a compensar, pois apresentou pedido de compensação do crédito reconhecido judicialmente com débitos vincendos a partir da competência de outubro de 1997; que a não localização, por parte da DRF, do processo em que foi formalizado o pedido de compensação não pode ser fundamento para o indeferimento do seu pedido, tampouco motivo para esta autuação; que a resposta da DRF à diligência da DRJ é suficiente para o entendimento da lide, pois afirmou que a contribuinte protocolizou o pedido de compensação e que este era correto e legal. Por outro lado, caso se entenda que a resposta não foi clara, ainda assim não poderia a contribuinte ser penalizada por questões internas da Receita Federal; que o erro no preenchimento da DCTF, onde informou encontrarse o débito extinto por pagamento ao invés de indicar a extinção por compensação, é mero erro formal, indiferente para o julgamento da lide; que o crédito tributário exigido no Auto de Infração encontrase extinto por compensação; e que caso não se entenda que o crédito tributário encontrase extinto por compensação, deve este ter sua exigibilidade suspensa até que seja decidido o pedido de compensação. Ao final, requereu a reforma da decisão administrativa de primeira instância, para que seja declarado extinto o crédito tributário exigido na autuação, em razão da compensação procedida nos autos do processo administrativo nº. 13748.000555/9784, e, subsidiariamente, seja declarada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário exigido na autuação, até a decisão do pedido de compensação. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A solução da lide passa, necessariamente, pelo pedido de compensação que foi formulado pela recorrente nos autos do processo nº. 13748.000555/9784. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13748.000629/200238 Resolução nº 3202000.195 S3C2T2 Fl. 134 4 A DRJRio de janeiro II/RJ baixou os autos em diligência, para que a DRF se pronunciasse sobre o referido pedido de compensação e informasse se os valores exigidos na autuação constavam do predito pedido de compensação formulado (elf. 43). A DRFNova Iguaçu/RJ, à efl. 44, confirmou a formalização do pedido de compensação pela contribuinte, mas nada informou sobre a decisão exarada no processo administrativo em que se teria formalizado tal pedido (de número 13748.000555/9784), tampouco respondeu à indagação formulada pela DRJ, limitandose a informar que a autuação se deveu ao fato de a contribuinte haver informado indevidamente, em DCTF, o pagamento como forma de extinção do crédito tributário. Tanto assim que a autoridade julgadora de piso assim se pronunciou: “Encaminhado o processo à Delegacia de origem para que esclarecesse se os débitos exigidos no lançamento eram objeto do pedido de compensação, conforme alegado pelo contribuinte, o processo retornou sem uma resposta conclusiva.”(negritei) Por tal razão, a decisão proferida em primeira instância fez a seguinte ressalva: “(...) salientese que o presente processo deve ser encaminhado ao SEORT/DRF/Nova Iguaçu para que seja verificado se os débitos aqui exigidos constam como débitos a compensar no processo nº. 13748.000555/9784 (juntado ao 10768.023685/9381) e, se assim for, referidos processos deverão ser apensados até que seja efetivada a compensação ou implementada a cobrança dos débitos remanescentes, evitandose, assim, a exigência indevida ou em duplicidade do crédito constituído”. Assim, entendo não ser possível decidir sobre o acerto do lançamento de ofício, visto dizer respeito à exigência de crédito tributário que não se sabe se encontrase extinto, ou não. Por tal razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem informe, de forma conclusiva: i. se o crédito tributário exigido na autuação, referente à Cofins do 4º trimestre de 1997, foi, de fato, objeto de pedido de compensação; ii. em caso afirmativo, se a compensação foi homologada (ainda que tacitamente, por decurso de prazo) e iii. se o crédito que ora se exige encontrase extinto pela compensação. Após, deve ser aberto prazo para a Fiscalização e a contribuinte, respectivamente, querendo, manifestaremse. Salientese que as manifestações devemse limitar à apreciação do resultado da diligência. Finalizada a instrução processual, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907303/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 73 03 /2 01 2- 29 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 6.643,65, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/08/2005. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907303/201229 Acórdão n.º 3803005.799 S3TE03 Fl. 65 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907303/201229 Acórdão n.º 3803005.799 S3TE03 Fl. 66 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907303/201229 Acórdão n.º 3803005.799 S3TE03 Fl. 67 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12963.000661/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2009
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA CONSTRUÍDA EM PERÍODO DECADENTE. CERTIDÃO EMITIDA POR ENTE PÚBLICO. INSTRUMENTO PROBATÓRIO HÁBIL.
A Instrução Normativa do MPS 03/2005 não possui o condão de elencar, de forma exaustiva, os documentos que podem ser utilizados como prova em processo administrativo fiscal.
Certidão emitida por ente público municipal com as devidas formalidades, que comprove a existência de área construída em período decadente é documento hábil a comprovar situação de fato, ainda que esta hipótese não conste no rol da norma supra mencionada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA CONSTRUÍDA EM PERÍODO DECADENTE. CERTIDÃO EMITIDA POR ENTE PÚBLICO. INSTRUMENTO PROBATÓRIO HÁBIL. A Instrução Normativa do MPS 03/2005 não possui o condão de elencar, de forma exaustiva, os documentos que podem ser utilizados como prova em processo administrativo fiscal. Certidão emitida por ente público municipal com as devidas formalidades, que comprove a existência de área construída em período decadente é documento hábil a comprovar situação de fato, ainda que esta hipótese não conste no rol da norma supra mencionada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 06 61 /2 00 9- 82 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 179 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 180 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte NARCISO LOPES em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal (fls. 11/17), o contribuinte empreendeu, em 22.03.2005, na modalidade "comercial/residencial", obra de construção civil com área de 1.553 m2, sendo o auto de infração referente ao lançamento de contribuições para terceiros ou outras entidades e fundos na competência 10/2009. 3. Por oportuno, transcrevo excertos do relatório fiscal (fls. 12/17), in verbis: “2 DO SUJEITO PASSIVO 2.1 Tratase de Contribuinte Pessoa Física — NARCISO LOPES — cadastrada na Receita Federal do Brasil com CPF nº. 152.731.48634, residente e domiciliado à Rua Barão do Rio Branco, 205 — Centro — Guaranésia/MG., Cep.: 37.810000, que como "dono/proprietário de obra de construção civil” é equiparado a empresa para fins de cumprimento de obrigações previdenciárias , conforme o disposto no inciso VI do § 4% do Art. 3°. da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº. 971, de 13 de novembro de 2009. 3 DA ORIGEM DO CRÉDITO E APURAÇÃO DA BASEDE CÁLCULO 3.1 — Dispõe o § 4 do Art. 33 da Lei No. 8.212/1991, com redação dada pela Medida Provisória — MP No. 449, de 03/12/2008: "§4º. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário." 3.2 Complementando, a legislação pertinente encontrase disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº. 971, de 13/11 /2009, especificamente através do "Capítulo IV Da Regularização de Obra por Aferição Indireta com base na Área Construída e no Padrão de Construção”, compreendendo, basicamente, os Arts. 338 a 344. 3.3 Reproduzimos, a seguir, o Artigo 338 da referida Instrução Normativa: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 181 4 “Art. 338. A aferição indireta da remuneração dos segurados dispendida em obra de construção civil sob a responsabilidade de pessoa jurídica ou pessoa física , com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos neste capítulo.” 3.4 Face ao exposto, diante da obra de construção empreendida, conforme mencionadas através dos itens : 1.10 e 1 .10.1 e não regularizada pelo referido Contribuinte, coube a esta Auditoria Fiscal efetuar a lavratura do AutodeInfração supracitado para a constituição do presente crédito previdenciário (referese a contribuição relativa a parte dos Segurados Empregados). 4 DA APURAÇÃO DA BASEDECÁLCULO (Saláriode Contribuição) 4.1 A BasedeCálculo foi apurada conforme dispõe os artigos 335 a 369 da Instrução Normativa RFB nº. 971, de 13/11/2009, mediante Capítulo III: "APURAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃODEOBRA POR AFERIÇÃO INDIRETA", conforme demonstrado no documento: ARO Aviso de Regularização de Obras( ANEXO DOC. NR . 19).” 4. Lavrado o auto de infração, o contribuinte foi dele cientificado em 24.11.2009, conforme comprovante de fls. 01, tendo apresentado Impugnação às fls. 42/46. 5. Ao analisar os argumentos apresentados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. AFERIÇÃO INDIRETA. DISO. ARO. CUB. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS OU OUTRAS ENTIDADES. DISPENSADO DE DECLARAR EM GFIP. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA E IMPROCEDENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO MANTIDO. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento, a fiscalização lavrará o auto de infração, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período a que se referem (art. 37 da lei 8212/1991). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 182 5 A decadência ocorre se comprovado o término da obra de construção civil antes do qüinqüênio previsto legalmente para o lançamento fiscal (art. 173 I, CTN). Não há previsão normativa para a ocorrência de prescrição na fase de constituição do lançamento fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 6. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 111/115), no qual, trocando os institutos jurídicos, aduz apenas a ocorrência de prescrição e da decadência. 7. Ao justificar sua pretensão, o contribuinte afirma que os imóveis que possui são objetos de cobrança de IPTU desde 1997 e que, nesta data, as obras já estavam concluídas, o que impede, por ocorrência de prescrição/decadência, quaisquer cobranças de tributos referentes às construções. 8. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 183 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DECADÊNCIA 2. Sustenta a recorrente que as obras realizadas por ela foram executadas em período decadente. Insta mencionar que a DRFB descreveu no art. 482, §§ 3º, 4º e 6º da Instrução Normativa do MPS 03/2005 que cabe ao recorrente a apresentação de documentos que comprovem o término da obra em período decadente, porém acredito que tal normativo não elenca rol exaustivo de documentos comprobatórios do alegado. 3. Assim, considero que a recorrente alcançou o seu objetivo ao demonstrar, por meio de “certidão emitida pela Prefeitura Municipal” a existência de área construída em período decadente em relação aos 513m2 e 180,60m2 (Rua Santa Barbara, n. 152 e 158), uma vez que tal certidão fora emitida pelo próprio ente público municipal. 4. Nesse sentido decidiu a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (Ac. nº 230102.346, data do julgamento: 29.10.2011. Rel. Mauro José Silva), conforme emenda de acórdão proferido em caso idêntico envolvendo o mesmo contribuinte: IMPOSSIBILIDADE DE LIMITAÇÃO DA AMPLA DEFESA POR NORMA INFRALEGAL. Norma infralegal que tenta limitar o direito à ampla defesa ao tornar exaustiva lista de documentos que podem ser utilizados como prova deve ser afastada por ofender o direito constitucional à ampla defesa. EQUÍVOCO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Na presença de provas que demonstram ter havido equívoco no aspecto temporal do fato gerador, deve o lançamento ser afastado com o provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido.” 5. Aceitos os instrumentos probatórios apresentados pela recorrente, restanos ponderar qual regra decadencial deve ser aplicada. 6. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 184 7 inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 7. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 8. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 185 8 revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 9. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 10. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 e reconhecidos os instrumentos probatórios apresentas, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. 11. O Código Tributário Nacional prevê que nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 12. Quanto se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, hipótese na qual o pagamento será antecipado, inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicarseá o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 186 9 Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei). 13. Compulsando os autos verificase que na presente autuação não houve qualquer recolhimento. Diante disso, acredito que a regra decadencial a ser aplicada in casu, seja aquela insculpida no art. 173, I, do CTN. 14. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 24/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/11/2009. Assim, a luz do art. 173, I, do CTN, todos os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2003, encontramse fulminados pela decadência quinquenal. A certidão emitida pela prefeitura, destaca a existência de obra em junho de 2003, data em que se realizou o levantamento para cobrança de IPTU, 15. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 24.11.2009, aplicandose a regra do art. 173 , I, do CTN – pelos motivos acima delineados – concluise que se encontram fulminadas pelo instituto da decadência todas as competências até 11/2003. 16. Assim, como a certidão emitida pela prefeitura atesta existência de obra em 06/2003 concluise que, de fato, a área lançada por meio de ARO, já se encontrava concluída no período decadencial, o que incumbe razão aos argumentos apresentados no recurso voluntário do contribuinte. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12963.000661/200982 Acórdão n.º 2803003.082 S2TE03 Fl. 187 10 CONCLUSÃO 17. Dessa forma, em razão do exposto conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000705/2007-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS.
As cessões de créditos de ICMS não têm natureza jurídica de receita, por isso não integram a base de cálculo da contribuição.
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS.
As receitas decorrentes de crédito presumido de ICMS compõem a base de cálculo da contribuição PIS no regime da não-cumulatividade, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DAS OPERAÇÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição não-cumulativa se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor.
REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO.
Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. COMISSÕES DE VENDA.
Não se pode vincular comissões pagas à terceiros ao custo de aquisição da matéria-prima. Assim, a definição de insumo não contempla essas despesas.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluem-se as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS, receitas financeiras e de recuperação de custos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial no sentido de reconhecer que as cessões de créditos de ICMS não integram a base de cálculo da contribuição;
II - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação ao direito de excluir da base de cálculo as receitas decorrentes de recuperação de despesas de ICMS (créditos presumidos de ICMS). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento neste item;
III - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes, à materiais de embalagem e comissões sobre compras. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens;
IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação à mudança do rateio proporcional. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. As cessões de créditos de ICMS não têm natureza jurídica de receita, por isso não integram a base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. As receitas decorrentes de crédito presumido de ICMS compõem a base de cálculo da contribuição PIS no regime da não-cumulatividade, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DAS OPERAÇÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição não-cumulativa se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. COMISSÕES DE VENDA. Não se pode vincular comissões pagas à terceiros ao custo de aquisição da matéria-prima. Assim, a definição de insumo não contempla essas despesas. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluem-se as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS, receitas financeiras e de recuperação de custos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial no sentido de reconhecer que as cessões de créditos de ICMS não integram a base de cálculo da contribuição; II - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação ao direito de excluir da base de cálculo as receitas decorrentes de recuperação de despesas de ICMS (créditos presumidos de ICMS). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento neste item; III - Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes, à materiais de embalagem e comissões sobre compras. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens; IV - Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação à mudança do rateio proporcional. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. As cessões de créditos de ICMS não têm natureza jurídica de receita, por isso não integram a base de cálculo da contribuição. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. As receitas decorrentes de crédito presumido de ICMS compõem a base de cálculo da contribuição PIS no regime da nãocumulatividade, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DAS OPERAÇÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição nãocumulativa se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 07 05 /2 00 7- 54 Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 11 2 Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. COMISSÕES DE VENDA. Não se pode vincular comissões pagas à terceiros ao custo de aquisição da matériaprima. Assim, a definição de insumo não contempla essas despesas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade das contribuições sociais, no valor da receita bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas, a exemplo das receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS, receitas financeiras e de recuperação de custos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial no sentido de reconhecer que as cessões de créditos de ICMS não integram a base de cálculo da contribuição; II Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação ao direito de excluir da base de cálculo as receitas decorrentes de recuperação de despesas de ICMS (créditos presumidos de ICMS). Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento neste item; III Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes, à materiais de embalagem e comissões sobre compras. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens; IV Pelo voto de qualidade, em negar provimento em relação à mudança do rateio proporcional. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento nestes itens. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS 22.484. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 12 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 13 4 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMPs transmitidos pela contribuinte, através do qual pretendeu o ressarcimento/compensação de valores credores de PIS nãocumulativo – mercado interno (3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2007). A Seção de Fiscalização efetuou a necessária auditoria e produziu Relatório de Verificações Fiscais, com anexos, onde, no que interessa a este julgamento, registrou (de forma sintética): (...) 6.4 Irregularidade na Determinação dos Bens Utilizados como Insumos – Comissões Sobre Compras – 3º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2004: Através das planilhas de controle do crédito apresentadas pelo contribuinte (...), efetuouse a glosa dos valores inseridos como “Comissões s/ compra de arroz c/ casca” nestes controles, para o ano de 2004. (...) o legislador define com clareza as condições para o aproveitamento dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep, de modo que as mesmas podem ser resumidas em dois grupos: o dos bens e o das despesas. (...) não é qualquer despesa que tenha relação com a atividade empresarial, mesmo que necessária, que se classifica como insumo, pois além desses insumos cuidou a legislação de estabelecer créditos relativos a uma série de despesas, em lista cuja característica é a de ser exaustiva, ou seja, apenas as despesas nela relacionadas, além obviamente dos insumos, é que dão direito ao crédito no cálculo das contribuições não cumulativas. (...) concluise que as “Comissões s/ compra de arroz c/ casca” não podem ser enquadradas neste conceito de insumo, pois tais serviços prestados não são aplicados ou consumidos na fabricação ou produção do produto. 6.5 Irregularidade na Determinação dos Bens Utilizados como Insumos – Material de Embalagem e Compra de Rolete 1º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2004: Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 14 5 Através da análise digital feita nos documentos fiscais de entrada apresentados pela empresa, usando pesquisa de termos que identificassem materiais de embalagem para o período em questão no campo “Descrição Complementar” das notas fiscais, efetuouse o ajuste nas planilhas de controle do crédito apresentadas pelo contribuinte (...) para os valores achados por esta fiscalização. 6.6 Irregularidade na Determinação dos Bens Utilizados como Insumos – Despesas Sobre Energia Elétrica – 1º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2007: Verificouse pelas planilhas de controle dos créditos apresentadas pelo contribuinte (...) o uso da soma algébrica da “conta do custo” e “conta despesa operacional” para a determinação das despesas com energia elétrica, visando a obtenção de crédito básico. 6.7 Irregularidade na Determinação dos Bens Utilizados como Insumos – Fretes Sobre Transferências – 1º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2007: O contribuinte corretamente apura créditos relativos a fretes feitos por Pessoas Jurídicas domiciliada no país, quando suportado pelo vendedor. Além destes, também apura, indevidamente, créditos de fretes quando da transferência destes produtos entre seus estabelecimentos. (...) não há base legal pra apropriar créditos relativos às despesas de fretes quando da transferência das mercadorias para revenda, entre estabelecimentos, pois tal despesa integra o custo de aquisição. (...) constituindose o crédito sobre vendas suportado pelo vendedor um benefício fiscal, dado não poder ser qualificado como insumo, e, previsto no rol taxativo de hipóteses do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, sua interpretação deve ser restritiva, por analogia (inciso I do art. 108 do Código Tributário Nacional – CTN) ao art. 111 do CTN. Logo, indevido qualquer tentativa de extrapolar o conceito de “frete sobre venda” para “frete sobre transferência”, dado este último ser entre estabelecimentos da mesma empresa (...). (...), tais valores relativos aos fretes sobre transferências foram glosados, permanecendo os fretes devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, nas operações de vendas e quando incorridos a partir de 01/02/2004. 6.8 Irregularidade na Determinação da Base de Cálculo da Contribuição – Receitas da Cessão de Créditos do Icms – 1º Trimestre de 2005 ao 4º Trimestre de 2005: (...), verificouse que as receitas decorrentes da cessão de créditos do Icms efetuada pela empresa no ano de 2005 não haviam sido inseridas na base de cálculo do PIS/Pasep. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 15 6 A inclusão das denominadas cessões de créditos do Icms à base de cálculo das contribuições devese ao fato de tal operação configurar espécie de alienação, ou seja, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e, a Unidade de Federação, o do cedido. 6.9 Irregularidade na Determinação da Base de Cálculo da Contribuição – Recuperação de Despesa de Icms – 1º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2007: Verificouse nos arquivos digitais representando os lançamentos contábeis da empresa, que no período em questão houve valores relativos a recuperação de despesas de Icms que não foram levadas à base de cálculo da contribuição. (...) a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep sujeita à incidência nãocumulativa é definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou de sua classificação contábil, sendo que no § 3º deste mesmo artigo está explícito as hipóteses de exclusão para esta contribuição. (...) em função de previsão legal, de conteúdo amplo, tudo aquilo que a pessoa jurídica aufere como receita encontrase no campo de incidência da contribuição, observadas as exclusões e deduções da receita bruta legalmente admitidas. (...) tais valores achados e relativos a “Recuperação de Despesa de ICMS” foram levados à planilha de ajustes dos cálculos da contribuição (...), aumentando o valor devido de PIS/Pasep para os anos de 2004 a 2007. 6.12 Irregularidade na Determinação dos Créditos – Percentagem de Créditos Básicos com Relação às Vendas com Alíquota Zero 1º Trimestre de 2004 ao 4º Trimestre de 2007: (...) o contribuinte não faz a correta proporção entre seus créditos que dão direito ao ressarcimento/compensação previstos no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Dado que os valores a ressarcir/compensar para a presente empresa são proporcionais unicamente às vendas com alíquota zero (no caso, vendas de arroz beneficiado), importante se faz tal distinção a fim de evitar o cálculo dos créditos usando, por exemplo, as receitas financeiras (possuem alíquota zero também) ou até mesmo outras vendas tributadas (vendas de quirela, farelo, sucata, etc). A falta de segregação do que é unicamente “vendas com alíquota zero” aliada a separação simplista de “créditos básicos” e “créditos presumidos” a fim de determinar o montante do crédito com direito da ressarcimento/compensação faz com que tal valor fique irreal. Desta maneira, com relação à receita total da empresa, para os anos de 2004 a 2007 foi levantada à percentagem da receita proporcional aos créditos presumidos, da receita proporcional Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 16 7 às vendas com alíquota zero – outras, da receita proporcional às vendas tributáveis e da receita proporcional às vendas com alíquota zero de arroz beneficiado, sendo o montante a ressarcir/compensar dos créditos previstos no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 calculados usando esta última proporção. Com base neste Relatório a autoridade administrativa emitiu Despacho Decisório, onde reconheceu parcialmente o direito creditório em favor do interessado, denegando, por conseqüência, parte do crédito pleiteado. Homologou as compensações declaradas até o limite do crédito disponível. A empresa foi cientificada em 27/01/2011 e, não conformada, apresentou em 24/02/2011, através de procuradores, longa manifestação de inconformidade, onde inicialmente retrata os fatos, referindo a seguir, em resumo: 1. A não inclusão, na formação da base de cálculo do PIS devido, da cessão de créditos de ICMS a terceiros: · a sistemática de contabilização do ICMS faz com que os saldos credores apurados fiquem consignados em conta do Ativo (ICMS a Recuperar), os quais podem ser utilizados para abatimento dos valores do mesmo tributo, apurados como devidos sobre operações próprias, ou transferidos a terceiros em operações de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Isso aconteceu no caso concreto; · a forma de contabilização faz com que o ICMS destacado nas notas fiscais de aquisição se constitua num redutor de custos, nos casos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação; · o montante de ICMS registrado no ativo da empresa, utilizado para pagamento a fornecedores, está longe de se constituir em receita, razão pela qual não pode ser mantida a Decisão administrativa que, nessa parte, glosou parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos de PIS. 2. O crédito presumido do ICMS não é “receita” e sim um “redutor de custos”: · o Crédito Presumido do ICMS foi instituído pelos Estados membros da Federação como um mecanismo de defesa dos interesses de determinados setores da economia, com o fim de evitar que estabelecimentos industriais se transferissem de um Estado para outro, porque este lhe oferece redução do aludido tributo, melhorando a sua condição de competitividade; · quando um estabelecimento passa a ter direito de consignar em seus registro contábeis e fiscais um Crédito Presumido do ICMS, os valores dele decorrentes são tratados como redutor de custo, pois esse é o objetivo a ser alcançado tanto pelo beneficiário quanto pelo estado concedente de tal incentivo; Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 17 8 · pela leitura dos arts. 1º, § 1º, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, é possível constatar a improcedência e inconsistência da pretensão fiscal, na medida em que o referido dispositivo faz expressa referência às receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tanto a doutrina pátria como a jurisprudência têm entendimento consolidado no sentido de que o crédito presumido do ICMS não pode ser considerado como receita, especialmente quando se pretende computar o dito valor como base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. 3. A alegada utilização indevida de créditos sobre valores pagos a título de frete nas operações de transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente: · o gasto com transporte de mercadorias entre seus estabelecimentos ou para distribuição aos clientes são, e sempre foram, considerados na formação do custo de cada produto ou mercadoria, para fins de definição da margem de lucro. Quanto maior o custo, maior será o preço de venda. Existindo direito de crédito sobre tributos a recuperar, tais créditos são registrados, contabilmente, como redutores de custo, fazendo com que o valor de venda de cada produto/mercadoria seja proporcionalmente menor; · no caso do PIS e da COFINS nãocumulativos, o critério eleito pelo legislador, para assegurar os créditos, é conhecido como sendo o de base sobre base, ou seja, não importa se ocorreu ou não a agregação física. O que deve ser verificado é se o item sobre o qual se fez crédito integrou o custo do produto, do serviço ou da mercadoria; · inexiste a distinção pretendida pelo Fisco, que restringe o conceito de insumo tão somente para os bens ou serviços que se aplicam diretamente aos produtos, excluindo todos os outros custos e despesas que comprovadamente estão ligados ao processo industrial, como, por exemplo, o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica; · os dispêndios efetuados com fretes na transferência de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa são computados, na sua totalidade, como custo de produção, interferindo, de forma inconteste, na formação do preço de venda. Dessa forma, geram direito de crédito de PIS e COFINS na modalidade nãocumulativa. 4. O direito de crédito do PIS nãocumulativo sobre compra de material de embalagem e de consumo de energia elétrica: · o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, define o direito ao crédito sobre a compra de insumos e consumo de energia elétrica, sendo que o art. 1º da IN SRF nº 358, de 2003, e o art. 8º, § 4º, I, da IN SRF nº 404, de 2004, definem o que seja insumo (neles consta o material de embalagem); · não há nada que justifique a glosa dos créditos de PIS sobre material de embalagem, porquanto tais dispêndios também Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 18 9 fazem parte do conceito de insumo e, portanto, integram o custo de industrialização; · a RFB já manifestou entendimento de que a energia elétrica é passível de gerar crédito na apuração do PIS/COFINS não cumulativos. Deve, portanto, ser acolhido o pedido da empresa, devendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS sobre os custos incorridos com energia elétrica consumida no estabelecimento. 5. A alegada utilização indevida de créditos sobre comissões: · as comissões de compras, pagas pela empresa, consiste na compra de arroz em casca, no mercado, intermediada por terceiros, visando a aquisição do produto com qualidade, menor preço, rapidez e redução do custo. Os valores dessas comissões são classificados, inclusive contabilmente, como custo do produto e, como tal, considerado no cálculo dos créditos do PIS; · para efeito do cálculo dos créditos do PIS nãocumulativo, devese considerar como custo da venda do arroz, pronto para consumo, as despesas tidas, inclusive aquelas decorrentes do pagamento de comissões pela compra do arroz em casca. Essas despesas integram a cadeia de aquisição do produto (matéria prima), o que, por conseqüência, outorga o direito ao credito do PIS sobre os respectivos custos. 6. Da necessidade de apropriação dos créditos com base no rateio proporcional de custos: · na determinação dos créditos do PIS/COFINS não cumulativos, a empresa deve segregar os créditos em três categorias distintas, a saber: (1) créditos vinculados à receita tributável no mercado interno; (2) créditos vinculados à receita não tributável no mercado interno; (3) créditos vinculados à receita de exportação; · a empresa não dispõe de contabilidade de custos. Os custos e despesas comuns, que geram créditos vinculados aos três tipos de receitas referidos anteriormente são rateados com base no faturamento; · para fins de apuração dos percentuais de rateio, a empresa não computa em suas receitas, as demais receitas, tributadas ou não (receitas financeiras, crédito presumido de ICMS e recuperação de despesas), ao entendimento de que custos e despesas comuns geradores de créditos devem ser rateados somente entre as receitas de vendas ou de prestação de serviços a que estão vinculados; · ao efetuar o cálculo do rateio dos créditos vinculados aos custos/despesas comuns, o Fisco computou na receita bruta o valor das demais receitas (receitas financeiras, crédito presumido de ICMS e recuperação de despesas), gerando uma distorção no rateio dos créditos, reduzindo, por conseqüência, o Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 19 10 valor dos créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno; · é flagrante o equívoco perpetrado pelo Fisco, já que o rateio dos custos/despesas comuns deve ser realizado somente com base na receita bruta gerada pela venda de mercadorias, de produtos e da prestação de serviços, não se justificando a inclusão das demais receitas. Requer que o processo seja baixado em diligência para que o Fisco proceda ao rateio dos custos tãosomente com base na receita bruta da venda de mercadorias, produtos e/ou prestação de serviços. Ao finalizar, requer: a) seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado; b) seja determinada a realização de diligência para que o fisco faça a averiguação das Notas Fiscais que deram origem aos créditos sobre a compra de material de embalagem e de consumo de energia elétrica, bem como para que proceda ao cálculo dos créditos passíveis de apropriação pelo critério de rateio dos custos e despesas comuns com base na receita bruta da venda de mercadorias, produtos e /ou prestação de serviços; c) provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça contestatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. DESRESPEITO ÀS REGRAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO NÃO FORMULADO. A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 20 11 desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. COMISSÕES. O sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com comissões na compra de matériaprima. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. FRETES. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS nãocumulativo sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. EMBALAGENS. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. TRIBUTAÇÃO. A receita auferida em decorrência da transferência de créditos de ICMS a terceiros pode ser excluída da base de cálculo da contribuição somente a partir de 1o/01/2009, por força da alteração promovida pela Lei 11.945, de 2009. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS, por falta de previsão legal. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 21 12 Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: A não inclusão, na formação da base de cálculo do PIS devido, da cessão de créditos de ICMS a terceiros Precedentes jurisprudenciais a Colenda Terceira Seção da Quarta Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, julgou o recurso vinculado ao processo administrativo nª 11065.100352/200719, através do qual se pleiteou o reconhecimento do direito de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI que foi glosado, por ter, o Fisco Federal, entendido que a empresa deveria ter computado como receita, para fins de incidência das contribuições do PIS e da Cofins, os valores de créditos de ICMS transferidos a seus fornecedores, em pagamento de matérias primas utilizadas na fabricação de produtos exportados. A decisão proferida foi no sentido de dar provimento ao recurso, por terem entendidos os seus integrantes, por maioria, que efetivamente não se trata de receita. A alegada utilização indevida de créditos sobre valores pagos a título de frete nas operações de transferência de mercadorias entre os estabelecimentos da recorrente como já referido por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, para realizar o transporte de produtos entre os seus estabelecimentos e, também, para distribuir as suas mercadorias junto aos clientes, a recorrente se utiliza de sua frota própria de veículos, e, também contrata o transporte com outras pessoas jurídicas, cujo valor do frete, por evidente, é acrescido ao preço de custo das mercadorias; de outra banda, as pessoas jurídicas que efetuam esse transporte e recebem o valor do frete, consignam tais receitas como integrantes da base de cálculo do PIS e da Cofins; deste modo, se, para a aplicação do princípio da não cumulatividade devem ser levados em consideração os créditos assegurados pela legislação de regência, para que estes sejam confrontados com os débitos decorrentes das operações de venda, é evidente que, com relação aos créditos, a análise do que é de direito para o contribuinte deve ser feita, considerando não apenas a letra da lei, mas também, e primordialmente, o bom senso e a essencialidade do dispêndio, vinculado à própria atividade da pessoa jurídica. a lei deve ser interpretada, sempre, com uma dose de bom senso e com certo grau de temperamento, de tal modo que a sua aplicação não resulte em distorção dos objetivos do legislador; Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 22 13 em se tratando de créditos do PIS e da Cofins, o intérprete e aplicador da lei não podem deixar de observar em cada caso, se o dispêndio é ESSENCIAL, ou não, para o exercício da atividade da pessoa jurídica, ou, dito de outra forma, se a pessoa jurídica tem condições de exercer na plenitude, a sua atividade, caso não ocorra o fato em comento, ou seja, o pagamento do frete para outras pessoas jurídicas realizarem a transferência de mercadorias entre os seus estabelecimentos; se a resposta a essa indagação for no sentido de considerar impossível a realização dos seus objetivos sociais, temse, então, que o dispêndio está enquadrado no conceito de ESSENCIALIDADE, com o que deve ser assegurado o crédito da contribuição em comento, desde que o pagamento do frete tenha sido efetuado à pessoas jurídicas; à recorrente não resta nenhuma dúvida de que é possível, sim, aplicar, em maior grau de extensão, o disposto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, pois, ao ser prevista a hipótese de crédito sobre os custos do “frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, isto não significa dizer que os custos vinculados aos demais fretes, relacionados às transferências de mercadorias, não possam ser objeto de creditamento, na medida em que, como já ficou assentado, estes são essenciais ao completo desenvolvimento da recorrente; ademais, não é preciso ser um profundo conhecedor das Ciências Contábeis, para constatar que integram o custo dos produtos fabricados todos os itens que, de forma direta, (matériaprima, por exemplo) e indireta (energia elétrica, depreciação, etc) estão a eles relacionados, devendo aí ser incluído o custo do frete para transferência dos mesmos entre os estabelecimentos da recorrente; é que o mesmo art. 3º, retro transcrito, apresenta uma outra hipótese em que fica assegurado o direito de crédito, e que está prevista na parte inicial do seu inciso II, quando este se refere a “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou prdoutos destinados a venda...”; em que pese não haver, em nenhum dispositivo legal que trata do tema em questão, qualquer definição ou conceito do que pode ou deve ser considerado como “insumos”, dúvida não pode haver que, com relação ao PIS e à Cofins, não pode ser considerados os conceitos existentes na legislação do IPI e do ICMS, tal como previsto na Instrução Normativa nº 404/2004 que, sem amparo legal, vinculou o direito de crédito do PIS não cumulativo à integração do insumo ao produto final, se apegando, com isso ao conceito de insumos estabelecido pela legislação do IPI. quanto a isto, aliás, multiplicamse as decisões administrativas do CARF e do Poder Judiciário, reconhecendo que aqueles conceitos não podem ser tomados por empréstimo para se Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 23 14 analisar o direito à apropriação de créditos e do PIS não cumulativos; O direito de crédito do PIS nãocumulativo sobre compra de material de embalagem o fato de se tratar bobina, fita adesiva, capas, fios e filme, não lhes retira a característica de “embalagem”, notadamente porque, esses materiais são utilizados para o acondicionamento (embalagem) de vários sacos de arroz, de uma só vez, formando os chamados fardos; Da necessidade de apropriação dos créditos com base no rateio proporcional dos custos é preciso, agora, deixar bastante claro que, ao contrário do que entendeu a Turma Julgadora, em nenhum momento a recorrente defendeu a adoção do critério de rateio pelo método de “apropriação direta” dos custos, até porque, não é demasiado repetir o que já foi dito por ocasião da manifestação de inconformidade, ela não possui contabilidade de custos integrada. A razão do inconformismo da recorrente, como logo em seguida se demonstrará, reside no cômputo (indevido) de valores que não configuram receita de venda de mercadoria e/ou prestação de serviços, no cálculo do rateio proporcional. Por último, requereu que fosse dado provimento ao seu recurso para o fim de: reconhecer o direito ao crédito pleiteado, sem a necessidade de incluir na formação da base de cálculo do PIS devido, o montante do crédito presumido de ICMS e do saldo credor que foi transferido a terceiros; reconhecer o direito ao crédito do PIS sobre os custos relativos ao frete pago nas operações de transferência de mercadorias entre os seus estabelecimentos, às comissões sobre compras e sobre a compra de material de embalagem; determinar que o processo seja baixado à Delegacia da Receita Federal em Santa Maria/RS para que o Agente Fiscal proceda ao cálculo dos créditos passíveis de apropriação, pelo critério de rateio dos custos e despesas comuns com base na receita bruta da venda de mercadorias, produtos e/ou prestação de serviços; por fim, que seja acolhido o pedido de julgamento unificado deste recurso, com o interposto nos autos do processo administrativo nº 11075.000407/200683, nos termos do previsto no art. 9º, § 1º, do Decreto n° 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005. É o relatório. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 24 15 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Inicialmente analisase o pedido de julgamento unificado deste recurso, com o interposto nos autos do processo administrativo nº 11075.000407/200683. Embora esse procedimento atendesse aos princípios da economia processual e ampla defesa, este relator não tem competência para alterar a distribuição efetuada. Regulamentando a distribuição dos processos administrativos, os art. 47 e 49, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, estabelece que os processos serão distribuídos mediante sorteio para as Seções e Câmaras, observadas sua competência, e, posteriormente, os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. Assim, por falta de previsão normativa, não se pode redistribuir este processo para outro relator por conexão, ou viceversa. Destacase inicialmente que as matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as matérias serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 Base de cálculo cessão de créditos de ICMS A principal controvérsia desse tópico (item 6.8 do Relatório de Verificações Fiscais) cingese a identificar se a cessão de créditos de ICMS para terceiros integra a base de cálculo da contribuição PIS nos termos da Lei no 10.637/2002 (incidência nãocumulativa). O art. 1º da Lei 10.637/2002 dispõe que: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 25 16 No caso em tela assiste razão à interessada. É certo que no presente caso o acúmulo de créditos de ICMS tem origem em incentivo fiscal estadual. A cessão de créditos de ICMS não tem natureza de receita, visto que há mera mutação patrimonial, porquanto não há lançamentos a serem feitos nas contas de resultado. Ao contrário da tese da autoridade fiscal que incluiu na base de cálculo da contribuição para o PIS as cessões de créditos de ICMS, essa operação não caracteriza uma alienação. Além disso, a cessão de créditos foi pelo valor nominal, portanto não existiu um ágio que poderia resultar em um acréscimo patrimonial. Nessas operações, em regra, ocorre um deságio, posto que sempre há dúvidas quanto ao fato do crédito cedido ser líquido e certo. De modo que a aludida operação não tem a essência de receita, logo não integra a base de cálculo da contribuição. A propósito da cessão de créditos de ICMS, transcrevese o entendimento de Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi em Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática: atualizado até 10012010, 35ª ed. – São Paulo: IR Publicações, 2010, p. 879 e 880: As empresas exportadoras de mercadorias acumulam vultosos créditos de ICMS que chegam a bilhões de reais em todo o País. Como não conseguem utilizar os créditos, estes são cedidos para outras empresas. O 2º C.C. decidiu que as cessões onerosas e outras operações semelhantes envolvendo créditos de ICMS, por apresentarem mera mutação patrimonial, não integram a base de cálculo de PIS e COFINS (ac nºs 20180.856/2007 a 201 80.866/2007 no DOU de 230408). As decisões são corretas porque na cessão de crédito de ICMS não há nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. A empresa só adquire o crédito de ICMS se a empresa cedente conceder deságio. Se o deságio for de 20%, a empresa debita Caixa em 80% e a despesa de deságio em 20% e credita a conta de Ativo (crédito de ICMS) em 100%. Não há nenhuma receita a ser contabilizada na conta de resultado. Este é o procedimento contábil correto. A contabilização é idêntica à do desconto de duplicatas em que não há receita a ser contabilizada no resultado. A culpa pode ter sido do contabilista que criou receita ilusória na conta de resultado.(grifouse) Em casos análogos, a não incidência de contribuição também foi acolhida, de forma unânime, em outros julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2003 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O regime de cálculo e recolhimento da Cofins por substituição tributária somente se aplica às hipóteses previstas em lei, o que exclui as Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 26 17 operações de venda de óleo combustível. Recurso provido em parte. (Segundo Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Acórdão nº 20180786, de 11/12/2007) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. (...) (Segundo Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Acórdão nº 20403448, de 05/09/2008) Outrossim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF teve igual entendimento em decisão unânime: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 202 137.936, Acórdão nº 02/03783, de 11/02/99). Destarte, a transferência do saldo credor de ICMS acumulado, classificado, em regra, no ativo como tributo recuperável, não modifica esse ativo, há somente uma alteração da classificação contábil, ou seja, esse saldo credor transferese para uma outra conta do ativo, portanto essa operação não configura receita. Além do mais, é importante consignar que Excelsa Corte (STF), por maioria, ao apreciar o recurso extraordinário nº 606.107 na sistemática de repercussão geral reconheceu que é inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, a teor do Informativo STF 707 de 2013: É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Com base nesse entendimento, o Plenário, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que discutido se os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrariam a base de cálculo de contribuição para PIS e Cofins não cumulativas. Inicialmente, aduziuse que a apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias teria suporte na técnica da não cumulatividade (CF, art. 155, § 2º, I), a fim de evitar que sua incidência em cascata onerasse demasiadamente a atividade econômica e gerasse distorções concorrenciais. Esclareceuse, na sequência, que a não incidência e a isenção nas operações de saída implicariam a anulação do crédito relativo às operações anteriores. (...) Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 27 18 Por essas razões, nessa matéria dáse provimento ao recurso da interessada. 2 Recuperação de Despesas de ICMS (Crédito Presumido de ICMS) Esta controvérsia tem por objeto as alterações na base de cálculo da contribuição com a inclusão de valores relativos a recuperação de despesas de ICMS (item 6.9 do Relatório de Verificações Fiscais). A interessada alega que os referidos créditos presumidos de ICMS devem ser tratados como “redutor de custo”. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, estabelece: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Não tem razão a interessada. Registrese de imediato que a autoridade fiscal adotou como fundamento legal a Lei nº 10.637/2002, que teve vigência após a Emenda Constitucional nº 20/98 que, por seu turno, ampliou a competência da União para instituição de contribuições sociais sobre a totalidade das receitas. Como visto, a Lei nº 10.637/2002 dispõe que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. De outro giro, as exclusões da base de cálculo estão discriminadas no § 3º do art. 1º da Lei nº 10637/2002: § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 28 19 b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (...) Desta maneira, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e as receitas decorrentes de crédito presumido do ICMS não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição PIS. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Diferentemente do alegado, esses recursos recebidos têm natureza de receita, visto que provoca alterações no patrimônio da interessada, com lançamentos a serem feitos nas contas de resultado. Por outro lado, rechaçase a tese de que estes créditos têm a natureza de “redutor de custo”. Por certo, toda receita tem o objetivo de recuperar custos, fato que por si só, não afasta a incidência da contribuição. Consignese, ainda, que as receitas em discussão não se caracterizam como subvenções para investimento. Não há nos autos elementos nesse sentido. Em remate, as receitas decorrentes do crédito presumido de ICMS compõem a base de cálculo, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. Em remate, as receitas decorrentes do crédito presumido de ICMS compõe a base de cálculo, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. 3. Glosa de créditos 3.1 Do direito descontar créditos em relação aos fretes nas operações de transferências de mercadorias entre os estabelecimentos da recorrente. Esta controvérsia tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição PIS de fretes sobre transferências de produtos entres os estabelecimentos da recorrente (item 6.7 do Relatório de Verificações Fiscais). É certo que os aludidos fretes não estão relacionados a uma operação de venda, portanto, in casu , não se aplica os descontos de créditos previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, combinado com o art. 15 do mesmo diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 29 20 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Não se admite uma interpretação extensiva nesta situação como pleiteia a recorrente. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Assim sendo, resta examinar o conceito de insumo para a solução deste tópico. Segundo o art. 3º, inciso II, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, disciplina, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 30 21 VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição em discussão. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03), regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 31 22 I – das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)(grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da contribuição para o PIS. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 32 23 despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da contribuição para o PIS especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direito ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 33 24 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 247/2002. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 34 25 Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. A autoridade fiscal relatou: Como se pode ver, não há base legal para apropriar créditos relativos às despesas de fretes quando da transferência das mercadorias para revenda, entre estabelecimentos, pois tal despesa integra o custo de aquisição. Além disto, constituindose o crédito sobre vendas suportado pelo vendedor um benefício fiscal, dado não poder ser qualificado como insumo, e previsto no rol taxativo de hipóteses do art. 3 o da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2 0 0 2 , sua interpretação deve ser restritiva, por analogia ( i n c i s o I do art. 108 d o C ó d i g o Tributário Nacional CTN) ao art. 111 do CTN. Logo. indevido qualquer tentativa de extrapolar o conceito de "frete sobre venda" para "frete sobre transferência", dado este ultimo ser entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo inclusive CFOP próprio CFOP 5 1 5 0 e CFOP 6 1 5 0 e diferentes dos CFOP's de vendas.(grifouse) Deste modo, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (fretes sobre transferências) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. Anotese que a RFB consolidou a tese que o frete pago para transportar produtos acabados não configura insumo, conforme Solução de Divergência COSIT nº 26/2008, DOU 09.06.2008: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada de forma não cumulativa. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 3º inciso II da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 15 inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 e 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(grifouse) Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 35 26 É bem verdade que esses fretes são importantes para o processo produtivo, todavia não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Os fretes ocorrem após o encerramento do processos produtivo, ou seja, tratamse de transferências de produtos acabados, portanto são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em remate, em relação a essa matéria, não merece reparo a decisão recorrida. 3.2 Do direito descontar créditos em relação à materiais de embalagem. Como relatado, nesta matéria a controvérsia é se determinadas aquisições enquadramse no conceito de insumo (item 6.5 do Relatório de Verificações Fiscais). Mais uma vez não assiste razão à interessada. Destarte, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Assim sendo, dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que as seguintes aquisições que foram objeto de glosa fiscal (bobinas, fitas adesivas, capas, fios e filmes) não podem ser consideradas insumos porque não foram aplicadas diretamente na atividade fabril. Destarte, após o confronto das posições da fiscalização e da interessada, é forçoso concluir que as embalagens que foram glosadas caracterizamse como acondicionamento para transporte e não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que estes produtos foram aplicados quando o processo produtivo já havia sido encerrado. Em suma, não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de bobinas, fitas adesivas, capas, fios e filmes. 3.3 Do direito descontar créditos em relação às comissões sobre compras Como visto, nesta matéria a discussão concentrase no direito de descontar créditos em relação as “comissões sobre compra de arroz com casca” (item 6.10 do Relatório de Verificações Fiscais). Novamente temse por objeto o conceito de insumo. Como visto, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações dispunha em seu art. art. 3o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 36 27 Com efeito, resta evidente que a norma limita o direito da pessoa jurídica de descontar créditos. O conceito de insumo adotado neste voto é restritivo, ou seja, corresponde somente a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem. Desta forma, as comissão pagas não se subsumem a este conceito, portanto não podem gerar crédito da contribuição. É fato que as comissões são pagas à terceiros, de sorte que não se pode vincular essas comissões ao custo de aquisição da matériaprima, in casu, o arroz. Insistase que a definição de insumo não contempla outras despesas. Em remate, somente geram créditos da contribuição PIS os custos enquadrados no conceito apresentado de insumos. 3.4 – Rateio Proporcional A interessada insurgiuse contra o critério de cálculo dos créditos da contribuição. Não se conforma no cálculo do rateio proporcional com o cômputo de valores que não configuram receita de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. É incontroverso que o critério adotado tanto pela fiscalização como pela recorrente é o de rateio proporcional, assim não há litígio neste aspecto. Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11075.000705/200754 Acórdão n.º 3801002.668 S3TE01 Fl. 37 28 O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. 4 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, na apuração do ressarcimento, a incidência da contribuição PIS sobre a cessão de créditos do ICMS. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10314.002999/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/07/1997 a 16/05/2002
ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. CONTRIBUINTE. FISCALIZAÇÃO. ÓRGÃO DE JULGAMENTO. DIVERGÊNCIA. TERCEIRA CLASSIFICAÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE RESTRITA.
A decisão que considera incorreta a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Federal, acarreta a improcedência total ou parcial da exigência fiscal controvertida, por falta de fundamentação para o tratamento tributário e administrativo atribuído pela Autoridade Lançadora ao caso concreto.
Mantem-se a exigência de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, estabelecida no inciso I do artigo 84 da MP 2.158-35/01. O simples fato de estar incorreta a classificação escolhida pelo administrado é razão suficiente para imposição da multa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Adréa Medrado Darzé e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que davam provimento integral.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator
EDITADO EM: 14/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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POLI (ISOCIANATO DE FENIL METILENO). NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO NESH. APLICAÇÃO. O Produto identificado pela Perícia Técnica como Poli (isocianato de fenil metileno), descrito na importação como Lupranat M20S, classificase na Posição 3909 e não na Posição 3824, conforme Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, Atualizações n.º 05 e 06, Instrução Normativa nº 509/05. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/07/1997 a 16/05/2002 ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. CONTRIBUINTE. FISCALIZAÇÃO. ÓRGÃO DE JULGAMENTO. DIVERGÊNCIA. TERCEIRA CLASSIFICAÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE RESTRITA. A decisão que considera incorreta a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Federal, acarreta a improcedência total ou parcial da exigência fiscal controvertida, por falta de fundamentação para o tratamento tributário e administrativo atribuído pela Autoridade Lançadora ao caso concreto. Mantemse a exigência de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, estabelecida no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. O simples fato de estar incorreta a classificação escolhida pelo administrado é razão suficiente para imposição da multa. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 29 99 /2 00 2- 11 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Adréa Medrado Darzé e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que davam provimento integral. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 14/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Os fatos foram bem descritos no Relatório que embasou a decisão de primeira instância e transcritos na Resolução que converteu o julgamento em diligência, com o seguinte teor. A empresa acima qualificada submeteu a despacho através das declarações de importação listadas nas fls. 3 a 8, o produto descrito como “LUPRANAT M 20S”, classificandoo no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS. Retirada amostra do produto para efeito de análise, laudo técnico do LABANA (fl. 158) concluiu tratarse de uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4´Diisocianato de Difenilmetano, na forma líquida, enfatizando não se tratar de composto de constituição química definida e nem de preparação. Em decorrência da análise laboratorial, a Fiscalização rejeitou o enquadramento tarifário pleiteado pela importadora, reclassificando a mercadoria no código NCM 3824.90.89, como um Produto das Indústrias Químicas não compreendido nem especificado em posição diferente da 3824, lavrando o Auto de Infração de fls. 01 a 33, pelo qual o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar a diferença de tributos (II e IPI) que deixou de ser pago em decorrência de alíquotas maiores para a classificação 3824.9089, juros de mora, multas do art. 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 91.030/85 c/c art. 61, parágrafo segundo da Lei 9430/96, do art. 44, I da lei 9430/96, do art. 80, inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 9.430/1996 c/c art. 106, inciso II, alínea c da do DecretoLei 5.172/1966, do art. 526, II do Decreto 91.030/85, e do art. 84 da Medida Provisória 2158/2001. Discordando da exigência fiscal, a autuada impugnou (fls. 168 a 180) o Auto de Infração, alegando, em síntese, que: solicitou parecer técnico ao IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a fim de que determinasse qual a posição tarifária correta para classificar o produto; de acordo com o parecer técnico nº 7071/97 (anexo) passou a utilizar o código 2929.10.90, para classificação da mercadoria, conforme determinou o referido parecer que diz não se tratar de mistura de reação, mas sim de mistura de isômeros; Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002999/200211 Acórdão n.º 3102002.198 S3C1T2 Fl. 3 3 o fato de o LABANA ter definido o produto como uma mistura não descaracteriza a posição adotada pelo impugnante, pois a Nota 1 “b” do Capítulo 29 assegura o enquadramento da mercadoria no referido Capítulo, por se tratar de uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas); a posição pretendia pelo Fisco é residual e subsidiária, não se aplicando ao presente caso, posto que a classificação mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica; à multa do imposto de importação aplicase o ADN COSIT 10/97; à multa do art. 526, II do Decreto 91030/95 aplicase o ADN COSIT 12/97, sendo que o LABANA não negou a presença de 4,4 – DIFENILMETIL DIISOCIANATO; não cabe a multa por classificação incorreta por haver classificado corretamente e por ela ter sido instituída por medida provisória; não cabe a multa do IPI em razão de não se encaixar a situação no estabelecido no art. 80 da lei 4502/64, com alterações da lei 9430/96; os juros não podem ser cobrados durante o procedimento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido; a taxa SELIC é inconstitucional; a medida provisória 38, utilizada pela fiscalização para fazer o levantamento das importações realizadas pela interessada do produto analisado pelo LABANA, não foi convertida em lei, não podendo ser utilizada no presente Auto de Infração; requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração. Em virtude do requerimento de perícia, o INT se manifestou (fls. 294 a 299) dizendo que a mercadoria não foi descrita de forma precisa, que não se trata de um composto de constituição química defina, apresentado isoladamente, mas de um MDI polimérico com grupo funcional reativo isocianato, que reage com compostos contendo hidrogênios ativos formando ligações características dos poliuretanos, sendo o produto uma mistura de espécies químicas diferentes, composto por 38% do monômero MDI, até 10% de isômeros MDI e até 55% de PMDI. Temse ainda a manifestação de fls. 311 a 318, onde a interessada alega, além de alterações nas NESH, já haver decisão da DRJ/SPOII desconsiderando a reclassificação da mercadoria pela fiscalização no código fiscal 3824.90.32. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, assim sintetizou a decisão proferida na ementa do Acórdão. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/07/1997 a 16/05/2002 LUPRANAT M 20 S O produto identificado por análise laboratorial como sendo uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4’ – Diisocianato de Difenilmetano se classifica no código 3824.90.89, pretendido pela fiscalização. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Em 22 de junho de 2010 a empresa protocolou manifestação, referindose à decisão favorável prolatada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11128.004010/200355, no qual discutese a classificação fiscal do mesmo Produto Lupranat MS 20. A autuada apresentou Recurso Voluntário no qual repisou argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Examinando o processo, o Relator propôs a conversão do julgamento em diligência, decisão tomada pela Turma. Em síntese, as razões para a conversão foram expostas nas seguintes palavras. Na medida em que existe apenas um único laudo técnico elaborado para as mercadorias importadas por meio de uma declaração da importação, tendo sido todas as demais desclassificadas com base neste laudo, não há outro meio de atestar que as condições definidas em Lei para utilização do laudo pericial realizado para outra mercadoria, qual seja, a de se “tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação” tenham sido observadas, se não pelo exame das informações contidas em cada uma das declarações de importação correspondentes. Ante o exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência, para que sejam carreadas aos autos as declarações de importação listadas no auto de infração. Atendendo a solicitação veiculada na Resolução, a Unidade Preparadora anexou ao Processo as Declarações de Importação arroladas no Auto de Infração combatido. Após, foi aberto prazo de dez dias para manifestação do contribuinte. Em resposta, a Recorrente manifestou sua discordância com a realização da diligência. Confirmou a classificação escolhida e apresentou três Acórdãos que, por mais do que uma razão, foramlhe favoráveis, afastando a classificação fiscal proposta pela Fiscalização Aduaneira para o Produto Lupranat MS 20. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Este Colegiado, em Processo de minha relatoria 11128.000246/200231, decidiu no mês de março p.p. sobre a classificação tarifária de Produto com as mesmas especificações técnicas do que está sendo examinado nos autos. Por uma questão de economia processual, reproduzo parte do voto que conduziu à decisão tomada naquele. Foi por essa razão que o Processo retornou à Unidade de Origem, com a determinação de que o Laudo Pericial fosse complementado, nos seguintes termos, conforme consta na Resolução nº 3102000.250. Pelo exposto,VOTO pela CONVERSÃO do Julgamento em diligência, para que o Laudo do Labana seja complementado com o esclarecimento acerca da possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002999/200211 Acórdão n.º 3102002.198 S3C1T2 Fl. 4 5 isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. Uma vez atendida a demanda, a Fiscalização Federal poderá fazer constar no processo as considerações que julgar pertinentes a respeito do resultado obtido. Após, dêse ciência a interessada e prazo de dez dias para manifestação. Retorne o processo para decisão final da lide. Em resposta à solicitação deste Conselho, foi encaminhado expediente ao Laboratório de Analises, que emitiu o Laudo de Análise nº 2411.01 Funcamp – Aditamento, no qual prestaramse os seguintes esclarecimentos (folhas 402 a 404). Poli (lsocianato de Fenil Metileno), também denominado MDI polimérico ou polímero de 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, de acordo com Reféncias Bibliográficas é um liquido castanho, com número de CAS 9016879, constituido de uma mistura de diisocianato de difenilmetano e homólogos de MDI. Esclarecemos que não se trata de mistura de isômeros. De acordo com Instrução Normativa n° 509 de 14 de fevereiro de 2005, temos: Página 443. Posição 29.29. Primeiro parágrafo. Item 1). Nova redação: "1)0s Isocianatos Este grupo de produtos químicos compreende os isocianatos mono e polifuncionais. Os isocianatos di ou polifuncionais, tais como o isocianato de difenilmetileno (MDI), o diisocianato de hexametileno (HD/), o diisocianato de tolueno (TD/), e o dímero de diisocian ato de tolueno, são bastante utilizados na fabricação de poliuretanos. Esta posição não compreende o poli (isocianato de fenil metileno), o MDI em bruto ou o MDI polimérico (posição 3909)." (grifo nosso). Ressaltamos, que segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), posição 3909, temos: O Poli (lsocianato de Fenil Metileno) (que é frequentemente denominado"MDI em bruto" ou "MDI polimérico") apresentase na forma liquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeido para constituir o poli (metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e formaldeido (uma resina aminica modificada quimicamente). O polímero dai resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré polímero utilizado na fabricação de poliuretanos." (grifo e destaque nosso). Segundo Resolução Camex N° 77, de 29 de outubro de 2012, a mercadoria de nome comercial Lupranat M20 tratase de MDI polimérico. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Amostras de mercadorias com a denominação comercial LUPRANAT M20 S, já analisadas em nossos laboratórios, tratamse de Poli (lsocianato de Fenil Metileno). Considerandose as informações encontradas em Referências Bibliográficas e em Literaturas Técnicas, concluímos que a mercadoria não se trata de Diisocianato de Difenilmetano (MDI), um composto orgânico de constituição química definida e isolado e nem da mistura de isômeros de Diisocianato de Difenilmetano. Diante dessa constatação e sem a definição da Instrução Normativa n° 509, de 14 de fevereiro de 2005, a conclusão do Laudo 2411.03 de 27/09/2001 foi que a mercadoria se tratava de "Mistura de Reação base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano", definindo como um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Hoje, é de conhecimento e aceitação geral que a mercadoria em epigrafe, tratase de Poli (lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma liquida, Outra Resina Aminica, em forma primaria. Respostas aos Quesitos: I Considerandose as informações acima citadas e os resultados das análises da mercadoria, concluímos que tratase de Poli (lsocianato de Fenil Metileno). II Não se trata de composto de constituição química definida e isolada. Ill Não se trata de preparação. IV Tratase de Poli(lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma liquida, Outra Resina Aminica, em forma primária. Intimada a manifestarse a respeito dos esclarecimentos prestados no Laudo de Análise Complementar, a Recorrente compareceu mais uma vez ao Processo, reafirmando seu entendimento de que a classificação tarifária informada na Declaração de Importação está correta e que a complementação do Laudo corrobora esses entendimento. A esse respeito, em que pesem os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário e reiterados na recente manifestação do contribuinte em resposta ao resultado da diligência, entendo que não há como prosperar a leitura sugerida pela empresa. O Laudo de Análise Complementar nº 2411.01 Funcamp, conforme se pode facilmente extrair de seu conteúdo, é mais do que taxativo a respeito da impossibilidade de que o Produto sob análise se classifique em qualquer desdobramento da Posição 2929. Primeiro porque, em resposta ao questionamento veiculado na Resolução, afirma de maneira categórica que o Produto não se trata de mistura de isômeros. No entendimento do Colegiado e, particularmente, desse Relator, essa era a única lacuna nos esclarecimentos técnicos prestados pela Perícia, cujo esclarecimento daria margem à possibilidade de inclusão do Produto no Capítulo 29. Para além disso, o Laudo Complementar, ainda que isso não tenha sido objeto de questionamento, foi bastante esclarecedor acerca do enquadramento da mercadoria nas especificações técnicas contidas nas NESH da Posição 3909. Com base nisso, descarto desde logo a possibilidade de classificação do Produto no Código indicado na Declaração de Importação. Resolvido isso, necessário que se ateste a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Aduaneira. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002999/200211 Acórdão n.º 3102002.198 S3C1T2 Fl. 5 7 Quanto a isso, embora seja de amplo conhecimento que a classificação tarifária não se constitui, para efeitos fiscais, esclarecimento de natureza técnica1, não há como evitar a observação de que a Posição indicada no Laudo Técnico não coincide com a escolhida pelo Fisco, respectivamente, 3909 e 3824. Mais uma vez, abstraindose a inserção de informações no Laudo que não tem natureza técnica, o fato é que, independentemente de as NESH constarem ou não da informação pericial, há nelas informação de conteúdo jurídico de fundamental importância para o deslinde da controvérsia de que aqui nos ocupamos. Refirome à Nota Explicativa do Sistema Harmonizado da Posição 3909, que esclarece sua abrangência, incluindo, dentre outros, os Poli (lsocianato de Fenil Metileno), especificação técnica informada no Laudo Pericial que deu azo à desclassificação da mercadoria. Transcrevo mais uma vez o texto da Posição e a Nota Explicativa correspondente. 39.09 Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primárias. 3909.10 Resinas uréicas; resinas de tiouréia 3909.20 Resinas melamínicas 3909.30 Outras resinas amínicas 3909.40 Resinas fenólicas 3909.50 Poliuretanos Esta posição abrange: 1) As resinas amínicas (...) O poli (isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado “MDI em bruto” ou “MDI polimérico”) apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli (metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos. A mercadoria objeto de exame laboratorial neste Processo está especificada às folhas 156 (158 eProc), no Pedido de Exame Laboratorial, como Lupranat M 20 S 4,4 – DifenilMetilDiisocianato (utilizado na indústria automotiva, construção civil etc), Exportador/Fabricante/País: Basf Corporation, Import Dept 2020 – EUA, o que está de acordo 1 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 com a descrição contida na Declaração de Importação nº 02/02813163, esta última indicada no Laudo de Análise. Nas Declarações de Importação carreadas aos autos, a especificação da mercadoria não é sempre idêntica. A teor do disposto no artigo 30 do Decreto 70.235/72, alteração introduzida pela Lei 9.532/97, atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais quando se tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação2. Às folhas 35 e seguintes do Processo 11128.000246/200231, cujas cópias transladei para o presente, resta incontroverso que o fabricante da mercadoria examinada naquele é o mesmo fabricante da mercadoria importada neste, Basf Corporation EUA. Também a especificação contida nos Laudos Técnicos de um e de outro Processo confirmam tratarse de mercadoria idêntica, se não vejamos, Folha 37 do Processo 11128.000246/200231, Laudo Técnico: Tratase de Mistura de Reação à base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida. Folha 158 deste, Laudo Técnico: Tratase de Mistura de Reação à base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida. Atendidas as condições prescritas na Norma Legal, há que atribuir eficácia às conclusões do Laudo de Análise Complementar contido no Processo nº 11128.000246/2002 31, do qual se depreende que a mercadoria sub examine deve ser classificada na Posição 3909. Uma vez que incorreta a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Federal, resta comprometida boa parte da exigência fiscal consignada no Auto de Infração controvertido. Se a indicação da premissa elementar na definição do tratamento tributário e/ou administrativo (classificação fiscal) não foi precisa, quase todas as conclusões que dela se extraem terminam sem fundamentação fática e jurídica, às quais a manutenção da exigência está condicionada, sendo inaceitável que esse elemento seja revisto no curso do processo administrativo fiscal. Contudo, esse efeito não alcança a multa decorrente da classificação incorreta da mercadoria na NCM. Essa, independentemente do acerto do Fisco na escolha da nova classificação, deve ser mantida, desde que a classificação escolhida pelo contribuinte esteja equivocada. De fato, ao contrário de que se observa nas demais infrações nascidas do erro de classificação, a que está tipificada, simplesmente, como classificar incorretamente a mercadoria na Nomenclatura revelase uma ocorrência que em nada se modifica quando é revisto, no curso julgamento, o enquadramento tarifário escolhido pelo Fisco. O erro de classificação persiste e as consequências dele decorrentes, quais sejam, a infração por errar a classificação e a multa de um por cento do valor aduaneiro das mercadorias, são indiferentes à 2 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.002999/200211 Acórdão n.º 3102002.198 S3C1T2 Fl. 6 9 revisão proferida no julgamento do processo administrativo fiscal. Neste caso específico, os fundamentos da exigência fiscal mantêmse incólumes. Não precisam ser confirmados em reanálise; prescindem de qualquer tipo de revisão. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas a exigência de multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.15835/01. Sala de Sessões, 23 de abril de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904029/2012-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 29 /2 01 2- 73 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904029/201273 Acórdão n.º 3803005.468 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13164.000291/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO.
Em se tratando de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), atinente a lançamento de ofício, aplicando-se-lhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 1803-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Em se tratando de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), atinente a lançamento de ofício, aplicando-se-lhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECADÊNCIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Em se tratando de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), atinente a lançamento de ofício, aplicandoselhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 4. 00 02 91 /2 00 9- 51 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13164.000291/200951 Acórdão n.º 1803001.942 S1TE03 Fl. 85 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13164.000291/200951 Acórdão n.º 1803001.942 S1TE03 Fl. 86 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 60): Foi lavrado auto de infração contra o contribuinte acima identificado, pelo atraso (sic) na entrega da declaração de pessoa jurídica do exercício de 2003, no valor de R$ 500,00, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos de fls. 52. O contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício, considerando que o lançamento relativo ao IRPJ é por homologação, e, consequentemente, o início da contagem seria 31.12.2002, decaindo o direito em 31.12.2007, enquanto que o lançamento somente se concluiu em 2008, citando a doutrina, decisões do conselho de contribuintes e decisões de DRJ’s, com o objetivo de trazer para o seu caso específico os entendimentos ali esposados. No mérito, apresenta a alegação de que, pelo fato de encontrarse inativa e seguindo os preceitos legais e expressos no artigo 195 do CTN, não conservou os documentos relativos ao ano de 2002, impossibilitandoo de apresentar qualquer declaração, em razão de que a decadência ocorrida ensejou a prescrição dos créditos tributários. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 59): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003 DIPJ/DSPJ MULTA POR ATRASO (sic) NA ENTREGA. A decadência da multa por atraso (sic) na entrega da DIPJ/DSPJ tem seu início a partir do 1º dia do exercício seguinte ao que a declaração deveria ter sido entregue. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 24/10/2011 (fls. 65 numeração digital ND), a tempo, em 22/11/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 66 a 76 (ND), instruído com os documentos de fls. 77 a 82 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13164.000291/200951 Acórdão n.º 1803001.942 S1TE03 Fl. 87 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Tratandose, no presente caso, de exigência de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, falta de entrega de declaração, aplicase lhe o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e não o contido no art. 150, § 4º, daquele mesmo texto legal, específico para tributos por descumprimento de obrigação principal. 5. É que, na hipótese, incide o disposto no art. 149, inciso VI, do CTN1, atinente a lançamento de ofício, não havendo que se falar em lançamento por homologação, o qual, conforme dicção do art. 150, “ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. 6. Não procede a preliminar arguida de decadência do lançamento. 7. Por fim, quanto à extensa jurisprudência colacionada pela Recorrente, é toda ela relativa à exigência de tributos por descumprimento de obrigação principal (“lançamento por homologação”), e não de penalidade por descumprimento de obrigação acessória (“lançamento de ofício”), como é o presente caso. 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...]; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13164.000291/200951 Acórdão n.º 1803001.942 S1TE03 Fl. 88 5 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15586.720841/2012-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA.
A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo.
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO
Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA 2-CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade.
Numero da decisão: 3403-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRORROGAÇÕES. ALTERAÇÕES. CIÊNCIA. A prorrogação ou alteração do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) poderá ser efetuada por meio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, divulgando a informação na internet, para ciência/acompanhamento do sujeito passivo. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA 2CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que institui penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 08 41 /2 01 2- 12 Fl. 6185DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração (fls. 5653 a 5660 e 5661 a 5668)1 lavrados em 04/02/2013, para exigência de COFINS (no valor de R$ 4.757.629,44 a título de principal) e Contribuição para o PIS/PASEP (no valor de R$ 1.037.388,80 a título de principal), em decorrência de falta/insuficiência de recolhimento (pela utilização indevida de créditos oriundos de pesudoempresas atacadistas, interpostas nas operações de compra de café em grãos de produtor rural). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 5302 a 5651, a fiscalização narra que: (a) o procedimento fiscal decorre das investigações originadas na operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA”, deflagrada pela DRF Vitória/ES em outubro de 2007, em face de supostas empresas atacadistas de café em grãos, e complementa procedimento fiscal em relação aos períodos de 2006 a 2008 (levado a cabo no processo administrativo no 15586.000449/201091); (b) a fraude detectada consiste na simulação da participação de “pseudoatacadistas” nas operações de compra de café em grãos do produtor rural e/ou maquinista, gerando, ilicitamente, créditos integrais das contribuições em análise para a empresa adquirente; (c) a autuada tem como objeto social o beneficiamento e comercialização de produtos agrícolas, notadamente café em grãos, e ficou comprovado ao final do procedimento fiscal que se utilizou do mencionado esquema fraudulento via “pseudoatacadistas”; (d) como provas, são apresentados: declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada e documentos apresentados pelas “pseudoempresas” COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L&L, documentos encaminhados pela Polícia Federal, entre outros (cf. detalhamento às fls. 5308 a 5311, 5451 a 5453, e 5454 a 5470); 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 6186DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.186 3 (e) das 40 empresas fornecedoras da autuada, 28 tiveram suas notas fiscais glosadas (relação de empresas às fls. 5312/5313), desconsiderandose os créditos referentes às contribuições (o valor das notas dos “pseudoatacadistas”, em 2009, chega a R$ 113.914.229,00, que corresponde a 95,29% do montante das notas fiscais de saídas contabilizadas a título de pessoas jurídicas; (f) os responsáveis pelas empresas “IMPÉRIO Comércio de Café LTDA” (autuada comercial de café), “CHAPADÃO Armazéns Gerais LTDA” (armazém geral) e “STEF Comércio e Transportes LTDA” (transportadora), eram 4 membros da família STEFENONI: ARILDO, irmão de AMARILDO, e pai de HENRY e FRANCO, que são referência na comercialização de café em grãos na região de Marilândia e Colatina, no Espírito Santo; (g) a “IMPÉRIO” (autuada) tem no quadro societário ARILDO (98%) e HENRY (2%); a “CHAPADÃO”, ARILDO e AMARILDO, e a “STEF”, HENRY e FRANCO; (h) a operação “TEMPO DE COLHEITA” foi motivada pelo descompasso entre as movimentações financeiras e as receitas declaradas ao fisco federal, apurandose que, com o advento da nãocumulatividade das contribuições, passou a ser comum a comercialização por pequenas empresas sem armazéns ou depósitos, e sem funcionários ou qualquer estrutura logística, mas estrategicamente situadas próximas às maiores empresas comerciais (como exemplo, vejamse as fotos da empresa atacadista “CAFEEIRA COLATINA, que movimentou R$ 160 milhões de 2005 a 2007 fl. 5320); (i) várias empresas (entre elas COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L&L) declararam ao fisco que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café, e sim, seus sócios e gestores sempre foram corretores pessoa física, transformados por imposição dos compradores em pessoa jurídica; (j) a partir da requisição de informações financeiras, nos termos do art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, regulamentado pelo Decreto no 3.724/2001, e de instrumentos de procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem contascorrentes, chegouse à conclusão de que em muitos casos as próprias pessoas jurídicas compradorasgrandes atacadistas é que, de Fl. 6187DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 fato, movimentavam as contascorrentes (v.g. HENRY e AMARILDO, que comprovadamente autorizaram seus funcionários a fazerem retiradas em contascorrentes de titularidade de uma “pseudoatacadista”, e geriram a conta da V. MUNALDI para pagar produtores rurais fls. 5355 a 5368); (k) o esquema fraudulento se comprova também pelas declarações de diversos corretores de café, maquinistas e/ou produtores rurais (fls. 5368 a 5426, e 5471 a 5510, com 8 exemplos de operações realmente efetivadas às fls. 5490 a 5500), inclusive produtores que negociaram com AMARILDO e HENRY (fls. 5426 a 5451), e por diligências realizadas em produtores e corretores de café (fls. 5510 a 5529) e corretores de café (fls. 5530 a 5620); (l) nos depoimentos dados por AMARILDO e ARILDO STEFENONI (fls. 5620/5621) descortinam o modus operandi de guiar café de produtor para a “IMPÉRIO”, usando “pseudoempresas”, e os depoimentos de HENRY STEFANONI (fls. 5622/5623) e FRANCO STEFANONI (fls. 5624/5625) confirmam que todos conheciam e utilizavam o esquema; (m) a empresa “IMPÉRIO” foi intimada a apresentar diversos documentos, para possibilitar a fiscalização, e, a partir dos documentos entregues, detectouse a apropriação indevida de créditos integrais das contribuições em análise, quando o correto seria apropriar créditos presumidos no percentual de 35% das respectivas alíquotas, porque as aquisições eram, de fato diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas); (n) foi, assim, glosado o crédito integral, e reconhecido o crédito presumido, resultando nas planilhas apontadas à fl. 5630, e nas glosas individualizadas constantes do item 17.3 do Relatório (fls. 5633/5634), bem como nas indicações de glosas por “pseudoatacadista” (fls. 5634 a 5637); (o) apurados os créditos a compensar após as glosas (integrais ajustados, e presumidos apurados pela fiscalização), e efetuado rateio (vendas para mercado interno x externo) com base na proporção da receita bruta auferida pela empresa, chegouse ao valor do lançamento de ofício (demonstrativo às fls. 5642 a 5646); e (p) a multa de ofício foi qualificada (utilizandose o percentual de 150% sobre os valores devidos) em virtude de configuração de sonegação (art. 71 da Lei no Fl. 6188DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.187 5 4.502/1964), tendo a “IMPÉRIO” contabilizado e utilizado créditos sabidamente indevidos em todos os períodos de apuração de 2009, inserindo elementos inexatos em documentos fiscais, e utilizando documentos que sabia ou devia saber que são falsos, buscando eximirse de tributação. Nas impugnações de fls. 5676 a 5707 e 5708 a 5741 (com protocolo de 18/03/2013), a empresa sustenta que: (a) o fisco utilizou procedimento fiscal anterior, que embasou o processo administrativo no 15586.000449/201091 (que traz o mesmo Relatório Final de Auditoria); (b) a prática adotada, de adquirir o café via pessoas jurídicas, é lícita, e representa elisão fiscal ou planejamento tributário; (c) a empresa não responde pela regularidade fiscal da pessoa jurídica da qual efetuou a aquisição; (d) não há comprovação de que a empresa induziu pessoas a constituírem “pseudoempresas”; (e) se houve algum ilícito, tal aconteceu na sonegação do atacadista, e não no creditamento; (f) não houve intimação da empresa para fornecimento das informações referentes à movimentação financeira, como estabelece o art. 4o, § 2o do Decreto no 3.724/2001; (g) o fisco disponibilizou no Relatório Fiscal informações de terceiros, sigilosas, maculando o procedimento; (h) não houve ciência do MPF respectivo; (i) não foram incluídos no lançamento pessoas físicas, sócios, outras empresas do grupo ou empresas consideradas “laranjas”; (j) não há prova de que a empresa comprava/pagava por nota fiscal de empresas “laranjas”; (k) a maioria das pessoas ouvidas pelo fisco tentou esquivarse de sua responsabilidade, transferindoa à autuada; e (l) o auto de infração foi lavrado sem buscar a verdade sobre os fatos, glosandose todas as notas fiscais das empresas que prematuramente foram julgadas falsas, e ainda qualificou a multa, como se a empresa já estivesse condenada antes mesmo de se defender. Em 16/05/2013, a DRJ acorda unanimemente pela improcedência da impugnação (fls. 5780 a 5813), identificando a ausência de nulidade e de cerceamento de defesa, e a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim de afastar o pagamento de contribuição devida, mantendo a qualificação da multa de ofício. Cientificada da decisão da DRJ em 17/06/2013 (AR à fl. 5820), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 12/07/2013 (fls. 5822 a 5852), alegando, preliminarmente (fls. 5820 a 5838), que: (a) a obtenção de dados bancários deve ser feita em respeito aos comandos constitucionais que tratam de direitos e garantias fundamentais, e à segurança jurídica, ao contraditório e à ampla defesa, devendo haver prévia intimação da empresa, como atesta o art. 4o, § 2o do Decreto no 3.724/2001; (b) foram divulgados pela RFB dados sigilosos de terceiros, maculando o procedimento; (c) “caberia ao fisco individualizar e mensurar a participação da empresa recorrente ou seus respectivos sócios”, mas não tecer conclusão generalizada, tratando a empresa da mesma forma que os outros apontados nos autos do processo; e (d) o MPFF foi cientificado à recorrente em 14/01/2012, com validade de 120 dias, não tendo jamais havido ciência por parte da recorrente a MPF complementar dentro de tal prazo. No mérito, sustenta a recorrente que: (a) não aponta o fisco prova da participação da recorrente no suposto esquema fraudulento que, se existiu, era alheio aos negócios da empresa; (b) “se a recorrente se creditou de valores a título de PIS e COFINS, o fez com base no sistema legal inerente à espécie”, já que acreditava na existência da empresa atacadista indicada por corretores ou produtores de café”, que haviam sido autorizadas a operar pelo próprio fisco e estavam regulares em seus cadastros; (c) “por questões lícitas de planejamento tributário, a recorrente deixou de comprar de pessoas físicas e o fez, principalmente a partir da concessão legal retro mencionada, diretamente de pessoas jurídicas regularmente constituídas que, além Fl. 6189DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 da aparência de legalidade, eram chanceladas pela própria RFB; (d) as presunções do fisco tentam imputar à recorrente, “uma das poucas empresas sérias do Município”, erros de terceiros; (e) o ônus probatório é do fisco, que não o exerceu a contento, “e não se pode admitir que a não impugnação do contribuinte ou a juntada de documentos em qualquer momento do iter procedimental tenha o efeito de dar certeza a uma dúvida, sob pena de se estar criando tributo sem lei, ofendendo assim a verdade matéria, em benefício da verdade formal”; (f) o contribuinte de boafé não pode ser penalizado por fraudes praticadas por terceiros, como se assegura no REsp no 1.148.444/MG; e (g) a multa qualificada é injusta, expropriatória e confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São alegados em sede preliminar os seguintes obstáculos à autuação: irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal, e violação de sigilo em relação a dados da recorrente e de outras empresas, e No mérito, são levantadas argumentações predominantemente em relação a questão probatória. Do Mandado de Procedimento Fiscal Sustenta a recorrente que o Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) foi cientificado à recorrente em 14/01/2012, com validade de 120 dias, não tendo jamais havido ciência por parte da recorrente a MPF complementar dentro de tal prazo, em ofensa ao Decreto no 70.235/1972 e ao art. 13, § 2o da Portaria RFB no 4.066/2006 (fls. 5834 a 5838). Incumbe destacar, de início, que o Decreto no 70.235/1972 não trata de MPF ou do prazo de 120 dias para conclusão de procedimento fiscal (o prazo de 120 dias está no art. 12, I da Portaria RFB no 4.066/2006, tratando o Decreto no 70.235/1972, em seu art. 7o, de prazos para ciência, que devem ser lidos em conjunto com as normas que regem o MPF, e que foram observados na fiscalização, conforme termos de fls. 4691, 5121 e 5124). Em relação ao art. 13, § 2o da Portaria RFB no 4.066/2006, reproduzse abaixo seu teor: “Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º , inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do Fl. 6190DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.188 7 primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI.” (grifo nosso) O Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 4691 a 4695 cita o amparo no MPF F no 07.2.01.002011.018240. E, à fl. 4695, dispõe expressamente o Termo que: “O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o programa Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverá ser informado o número do CNPJ e o código de acesso 16552209.” (grifo nosso) No Termo há ainda um telefone para esclarecimento de dúvidas, tendo sido a ciência comprovada pelo AR de fl. 4696, em 20/01/2012. Bastava, assim, que a empresa, de posse das informações prestadas pelo fisco, consultasse no sítio web da RFB com seu número de CNPJ (32.460.008/000127) e a senha fornecida (16552209), para que atestasse a validade do MPF. É preciso ainda informar que ao tempo da emissão do MPF, a Portaria citada pela recorrente (Portaria RFB no 4.066/2006) já se encontrava revogada pela Portaria RFB no 11.371/2007, por sua vez revogada pela Portaria RFB no 3.014/2011, que dispõe, em seus arts. 11, 12 e 18: “Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I 120 dias, nos casos de MPFF (...). Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. (...) Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o parágrafo único do art. 4 º inclusive após a conclusão do procedimento fiscal correspondente.” Para verificar se houve registro das prorrogações na Internet, em nome da verdade material, efetuamos consulta ao sítio web da Receita Federal (conforme a recomendação acima). A consulta, que poderia ter sido efetuada pela empresa a qualquer tempo, apontou como resposta que o MPF foi emitido com base na Portaria RFB no 3.014/2011, e prorrogado por três vezes (até 10/08/2012, até 07/12/2012, e até 05/04/2013). Não há nenhuma irregularidade, assim, em relação ao MPF, que observou à risca as normas vigentes ao tempo de sua emissão. Fl. 6191DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Em relação ao procedimento fiscal de fiscalização, cabe ainda esclarecer o equívoco da recorrente na interpretação das disposições do julgamento de piso, quando o julgador afirma que a etapa de fiscalização que precede a lavratura do auto de infração é inquisitória, dispensados o contraditório e o devido processo legal. A carga que a palavra “inquisitória” tem em nosso idioma por certo não representa a sequência de atos do procedimento fiscal, regida pela legalidade, e norteada por normas procedimentais em toda sua extensão, normas estas que foram, no presente processo, observadas, não tendo sido apontado e comprovado nenhum descumprimento. Do sigilo bancário e de informações A recorrente alega que a obtenção de dados bancários deve ser feita em respeito aos comandos constitucionais que tratam de direitos e garantias fundamentais, e à segurança jurídica, ao contraditório e à ampla defesa, devendo haver prévia intimação da empresa, como atesta o art. 4o, § 2o do Decreto no 3.724/2001 (fls. 5826 a 5834). Não se tem dúvidas de que, efetivamente, a obtenção de dados bancários deve ser feita em respeito aos comandos constitucionais que tratam de direitos e garantias fundamentais, e à segurança jurídica, ao contraditório e à ampla defesa. Isso é incontroverso nos autos, e não se ponta nenhuma mácula nesse sentido. A única violação explícita suscitada na peça de defesa, e, portanto, passível de análise por este colegiado, é a ausência da intimação a que se refere o art. 4o, § 2o do Decreto no 3.724/2001, que estabelece: “Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 2o A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF.” (grifo nosso) Como se descreve no Relatório Fiscal, o MPF aqui, inicia em 2012, e as movimentações financeiras analisadas se referem a procedimento fiscal anterior (item 6 do relatório fiscal, intitulado “Movimentação financeira das pseudoempresas atacadistas” fls. 5352 a 5368), e não tratam das contas da recorrente, mas de terceiros, como já havia constatado a DRJ (que informa também que os terceiros foram previamente intimados fls. 5791/5792). Assim, não há violação ao decreto que rege a matéria. Insurgese ainda a recorrente contra a divulgação pela RFB de dados sigilosos de terceiros, que maculariam o procedimento. No entanto, não indica individualmente quais seriam tais dados, a que folhas se encontram, ou por qual fundamento normativo específico maculariam o procedimento, limitandose a considerações principiológicas, sem apontar sua relação direta com a situação descrita os autos. É de se recordar que os dados constantes do relatório fiscal trazem diversas empresas investigadas em operação especial na qual se apurou que, de fato, tratavamse de “pseudoempresas”, artificialmente criadas, sem patrimônio e estrutura física, funcionários, que “guiavam” café a terceiros. E, no caso, o terceiro é justamente a recorrente, que comprava café de tais “pseudoempresas”. Clara, assim, a conexão com os dados de terceiros trasladados ao presente processo. Ausente, destarte, a mácula apontada. Fl. 6192DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.189 9 Das provas Afastadas as questões preliminares, passase à matéria fulcral no presente processo: a questão probatória. Esse tópico é aquele ao qual o fisco dedica a maior parte das cerca de 350 páginas do Relatório Fiscal, trazendo resultados de diligências, depoimentos de dezenas de corretores, maquinistas, produtores rurais, registros bancários, e manifestações das empresas envolvidas na situação descrita nos autos. Tais provas, na medida em que se apresentarem relevantes/consistentes, serão tratadas adiante. Por outro lado, a autuada dedica pouco espaço de seu recurso voluntário à matéria (fls. 5838 a 5852, mais da metade delas com simples reproduções de doutrina, e não refutação de provas apresentadas na autuação). A recorrente parte do pressuposto de que realiza atividade lícita, decorrente de “planejamento tributário”, como se depreende dos seguintes excertos do recurso voluntário (fls. 5841/5842): “Nesse(sic) esteira de raciocínio, concluise que se houve fraude, esta pertence a quem efetivamente cometeu, mas não a (sic) Recorrente, que agiu dentro da lei aproveitando crédito lícito de empresas que foram habilitadas à (sic) comercializar pela própria Receita Federal do Brasil. (...) Frisase, por questões lícitas de planejamento tributário, a Recorrente deixou de comprar de pessoas físicas e o fez, principalmente a partir da concessão legal retro mencionada , diretamente de pessoas jurídicas regularmente constituídas que, além da aparência de legalidade, eram chanceladas pela própria RFB.” (grifos no original). A uma, confunde a recorrente o cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ) da RFB com “habilitação para comercializar”, ou com atestado de regularidade ou confiabilidade da empresa. A consulta a cadastros de empresas (CNPJ ou SINTEGRA) não se presta à verificação de idoneidade ou confiabilidade. Por óbvio tais registros/cadastros atestam tão somente que a empresa está “registrada/cadastrada”, e nada mais. Tanto o é que o resultado das diligências fiscais aponta 28 “pseudoempresas” que vendiam café à recorrente, representando 95,29% do montante das notas fiscais contabilizadas a título de pessoas jurídicas (em um montante de R$ 113.914.229,00): ADAME Café Imp. e Exp. LTDA (fls. 5611 a 5618); ANTHERO B. Marino ME (fls. 5605 a 5611); Café da MONTANHA Com. Exp. (fls. 5611 a 5618); Cafeeira GUANDU Comercial (fls. 5599/5600); CELBA Com. Imp. e Exp. LTDA (fls. 5601/5602); COFFEE TRADE do Brasil LTDA (fls. 5605 a 5611); COFFER SUL Comercial LTDA (fls. 5611 a 5618); COLUMBIA Com. de Café LTDA; CONILON Norte Café LTDA (fls. 5605 a 5611); ENSEADA Com. de Café e Sacar. (fls. 5595/5598); J. UBALDO Bernardo (fls. 5611 a 5618); L & L Com. Exp. de Café LTDA; LUIZ EMILIO Fachetti Pretti (fls. 5605 a 5611); M. BATISTA Coffeee Blend (fls. 5618/5619); MAIS Comércio de Café LTDA (fls. 5611 a 5618); MARACÁ Com. e Exp. de Café (fls. 5611 a 5618); MUNDIAL Com. Exp. de Café (fls. 5611 a 5618); NORTE Prod. Fl. 6193DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Alimentícios LTD. (fls. 5603/5605); NOVA BRASÍLIA Com. de Café. (vide fotos da fachada às fls. 5582/5583); P.A. de CRISTO (fls. 5590/5592); PRINCESA do Norte Alim. LTDA (fls. 5605 a 5611); R. ARAÚJO Cafecol Mercantil; RADIAL Armazéns Gerais LTDA (fls. 5592/5594); RODRIGO Siqueira (fls. 5605 a 5611); ROMA Com. de Café e Sacaria (vide fotos da fachada à fl. 5543); W.G. de AZEVEDO; W. R. da SILVA; e YPIRANGA Comércio de Café (vide fotos da fachada às fls. 5504/5505). O administrador (e sócio, ao lado de seu filho) da COLÚMBIA (Antonio Gava) declarou ao fisco que “a COLUMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café”. A COLÚMBIA, de 2003 a 2009, apesar de movimentar centenas de milhões de reais em notas, nunca recolheu quaisquer valores em tributos federais (cf. extrato SINAL). O mesmo se passa com a empresa L & L (fl. 5331). Ambas as empresas, assim como diversas outras, não possuem imóveis, veículos, tampouco funcionários. E, quanto à origem dos recursos, afirmaram categoricamente que: “os recursos transitados pela conta da fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretoras de contratos futuros, especuladores de mercado, indústrias, torrefadores, cerealistas, atacadistas ou exportadores”. As empresas asseveram ainda que NÃO são e NUNCA foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café e sim, seus sócios e gestores sempre foram corretores pessoas física, transformados por imposição dos compradores em pessoa jurídica. O comprador exigia que o produtor “guiasse” o produto com nota de produtor para as empresas e elas, em contrapartida, emitiam uma nota fiscal de saída para o comprador. O esquema é notório na região e já foi objeto de diversas operações especiais. Alertaram ainda que estavam sendo constituídas novas empresas na região de Colatina, porque os compradores não mais queriam operar com as empresas “antigas”. Os “Gava” são ainda proprietários da empresa W. R. da SILVA, e justificam a criação da empresa da seguinte forma: “devido a problemas financeiro (sic) com alguns exportadores fomos forçados a transformar a empresa em uma firma de nota fiscal a fim de quitarmos nossa dívida com nota fiscal”. A W. R. SILVA foi comprada de fornecedor da “IMPÉRIO”, e os maquinistas, exportadores e torradores julgaram que a COLÚMBIA estava muito velha e tinha muito tempo de uso, havendo medo de fiscalização. Entre as contas correntes da W. R. da SILVA operadas por maquinistas, encontrase a de no 97160, operada por Américo José Mai, e usada para transações com a “IMPÉRIO”. Américo confirmou a utilização da conta para “guiar” café para os verdadeiros compradores, e revelou os locais onde eram efetuadas as trocas de notas fiscais do produtor (em Colatina mesmo ou no posto SHELL da João Neiva, com notas trazidas por motoboy). São ainda robustas as provas constantes nos numerosos depoimentos de corretores e produtores. Vejamse, por exemplo, os corretores Luiz Fernandes Alvarenga (que confirma que empresas eram guiadas para fornecer café à “IMPÉRIO”, e que o vendedor indicado nas notas fiscais é um artifício, citando as empresas (que constam de suas confirmações de pedido) COLÚMBIA, L&L, W. R. da SILVA, R. ARAÚJO, NOVA BRASÍLIA, YPIRANGA, e PA de CRISTO, entre outras. Um a um vão se seguindo os exemplos documentados de transações efetuadas com a “IMPÈRIO” onde se caracteriza a intermediação de “pseudoempresa” entre a compradora (“IMPÈRIO”) e o produtor pessoa física. E não se está aqui falando das dezenas de depoimentos testemunhais, tão rechaçados pela recorrente, mas de documentos neles juntados, ou discutidos, como os de fls. 5381 (pedido da “IMPÉRIO” para a Casa do Café Corretora, Fl. 6194DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.190 11 corretora de empresas como COLÚMBIA, W. R. da SILVA, R. ARAÚJO, e NOVA BRASÍLIA, entre outras, envolvendo diretamente os sócios da “IMPÈRIO” e seus funcionários/funcionários de outras empresas do grupo “CHAPADÃO Armazéns Gerais LTDA” /armazémgeral e “STEF Comércio e Transportes LTDA” / transportadora), que atuavam constituindo “pseudoempresas”). Citemse ainda os documentos/exemplos de fls. 5358, 5359, 5360, 5431, 5433, 5434, 5440, 5441, 5449, 5490 a 5500, 5536 a 5541, 5572 a 5575, e alguns fornecidos pela Polícia Federal (fls. 5455/5456 e 5458/5459), pelo MPES (fls. 5463, 5465, e 5467 a 5470). São fartas provas de conexão entre os sócios da empresa recorrente e as “pseudoempresas”, o que afasta em absoluto a tese alegada pela empresa em seu recurso voluntário de que “não há qualquer afirmação destes senhores de que a recorrente participava ou tinha efetivo conhecimento da apontada fraude” (fl. 5839), ou de que “em nenhum deles (‘depoimentos’) há indicação da recorrente ou seus sócios” (5840). E torna surreal a tese de que havia planejamento tributário. O “planejamento” era, em verdade, para iludir o fisco mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas. As numerosas respostas de produtores (dezenas deles, aliadas a outras informações prestadas por dezenas de maquinistas/ corretores) afirmando que sequer preenchiam as notas de venda, sequer sabiam quais eram as empresas intermediárias, e que negociavam com o Sr. Amarildo Stefenoni, sócio da “IMPÉRIO” não parecem ser de partícipes de teoria conspiratória para denegrir o nome da recorrente, que se autointitula “uma das poucas empresas sérias do Município” (fl. 5842). Não há assim presunções (ou generalizações, tendo sido trazidos elementos probatórios em relação a cada uma das empresas que tiveram suas notas fiscais glosadas), mas provas (havendo satisfatório exercício do direito probatório por parte do fisco) que não são individualmente afastadas pela recorrente, que se limita a genericamente afirmar que não há provas, ao invés de se dedicar a refutálas. Não se caracteriza, ainda, a boafé a que se refere o REsp no 1.148.444/MG, pois resta, no caso aqui em análise, ausente a comprovação da veracidade da compra e venda efetuada: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ Fl. 6195DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) Ademais, no caso concreto tratado nestes autos a compradora (recorrente) sabia (e concorreu para) o fato de que as notas fiscais não refletem verdadeira operação, mas a ocultação da aquisição de café de pessoas físicas, com a interposição de “pseudoempresas”. Cabível, assim, a exigência efetuada pelo fisco, sendo inaplicável ao caso, por absoluta falta de subsunção, o julgamento do STJ. Fl. 6196DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.720841/201212 Acórdão n.º 3403002.893 S3C4T3 Fl. 6.191 13 Da multa de ofício Alega o recorrente que a multa aplicada é injusta, expropriatória e confiscatória, não tecendo quaisquer outras considerações sobre a multa qualificada aplicada, prevista no art. 44, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 11.488/2007. Havendo previsão legal explícita para a multa, incabível o juízo de constitucionalidade (onde residiriam as discussões sobre injustiça, expropriação ou confisco) a seu respeito, por este tribunal administrativo, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 6197DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10280.722273/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Gomes Redator Designado
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – Redator Designado EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2002, relativo ao 1º trimestre de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 27 3/ 20 09 -1 8 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 499 2 A autoridade administrativa competente deferiu, em parte, o pedido da interessada porque efetuou glosas de créditos pelas razões consignadas no Relatório Fiscal, abaixo transcritas: 10) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 16A./16B./02): Através dos arquivos magnéticos recebidos (planilha excel) onde constam relações completas de todas notas fiscais de insumos adquiridos.bem como sua aplicação no processo produtivo, realizamos verificação de sua consistência pela analise física de algumas notas fiscais(solicitadas por amostragem) e constatamos irregularidades dos valores alocados na ficha 16A./16B., item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha (10, 10A 11) anexa "GLOSA DOS BENS UTILIZADAS COMO INSUMOS". A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes, efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Glosas Efetuadas nos Combustíveis/Carvão Energético utilizados como Energia Térmica no aquecimento das caldeiras, equipamentos e fomos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de Combustíveis/Carvão na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos por não agir diretamente no processo produtivo. Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo. Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado. Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo. Glosa dos fretes referentes aos bens glosados. [...]11) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 16A/03): Pela analise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas (8 e 9). [...]13) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 16A/16B/10): A empresa utilizou crédito decorrente da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: 1) Por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro) anos correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º , § 2º , o inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes as aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a Fl. 499DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 500 3 venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. 1.1) Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens não se enquadram como máquinas ou equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal para gozo do benefício. 1.2 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens caracterizamse como Edificações, não abrangidos pelos benefícios acima referidos embora sejam do ativo imobilizado. Em relação a construção da Expansão I I , o contribuinte informou que a mesma entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão I I I somente em 2008. Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de l°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda. 2 ) Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art. 31 e Decreto nº 5.988/2006). DAS GLOSAS: Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha n° 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as Planilhas 07E, 07F, 07G resumindo os valores glosados. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito. a) Foram glosados créditos gerados sobre bens e serviços utilizados como insumos, particularmente sobre Óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, Ácido Sulfúrico, considerado como material de limpeza, Anti Espumante, Inibidor de Corrosão, Aditivo Dispersante e outros materiais utilizados Fl. 500DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 501 4 como insumos. Glosarase, outrossim, créditos gerados por serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte de Rejeitos Industriais: Lama vermelha, areia e crosta, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Naturalmente que não poderia furtar se a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A fiscalização glosou toda a utilização do BPF, tanto nas caldeiras como para calcinação. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Quanto à glosa sobre bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de tais bens, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Transcre solução de consulta. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 502 5 d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos, concluindo que as despesas com remoção de resíduos industriais correspondem a serviços aplicados/consumidos no processo produtivo, os quais também geram créditos dedutíveis das bases de apuração da contribuição, haja vista que representam custos, gastos ou despesas vinculados ao produto ou serviço vendido. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º do art. 6º em questão não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 503 6 por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Mandado de Procedimento que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária, concluindo que as glosas são insustentáveis, traduzindo por todos os motivos já declinados a inviabilização da nãocumulatividade quer constitucional quer Fl. 503DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 504 7 infraconstitucional g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0124.698, de 10/04/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 505 8 As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Ciente desta decisão em 16/04/2012, a interessada ingressou, no dia 15/05/2012, com recurso voluntário, no qual renova as alegações da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES – Redator designado. Pedi vista do processo para melhor analisar todos os fatos e detalhes da discussão posta em análise. Da decisão recorrida transcrevo resumo da controvérsia instalada: No caso concreto, vêse que a unidade de origem, por intermédio de relatório fiscal e auto de infração, evidenciou de forma detalhada as razões de fato e de direito do seu convencimento, indicando que, para o cálculo do direito creditório a ser reconhecido em sede administrativa, procedeu às seguintes alterações: a) Glosou Combustíveis e Carvão Energético, utilizados como Energia Térmica e considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu tais créditos a partir de 15/06/2007; b) Glosou bens ou produtos não aplicados diretamente no processo produtivo, integrantes do ativo imobilizado ou que não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo, bem como seus respectivos fretes – conforme detalhado em planilha específica; c) Glosou Serviços que não foram considerados como utilizados na produção dos bens, conforme detalhado nas planilhas 8 e 9; d) Por intermédio dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatou a existência de bens que não se enquadram como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, efetuando a glosa de máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda e Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações (conforme planilhas 01 a 07B). A Recorrente alega, no tocante as glosas relativas a bens e equipamentos constantes do ativo imobilizado (item b e d acima), que: Em suma, ainda que o raciocínio engendrado pelo D. Fiscal fosse totalmente correto no sentido de que as máquinas e equipamentos, bem Fl. 505DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 506 9 como suas peças devessem ser enquadradas como integrantes do Ativo Imobilizado e Edificações da postulante, a legislação ampara o desconto dos créditos sobre o Ativo Imobilizado utilizado na produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços assim como das edificações aplicadas às atividades da empresa, logo, resta, data máxima vênia, incompreensível a manutenção das glosas sob tal fundamento (??!!) A menos, portanto, que a I. Fiscalização expusesse e demonstrasse (o que remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra finalidade que não fosse a produção de alumínia (o que é de todo inverossímel já que a Alunorte é uma “empresa totalmente voltada à produção de aluminia”, em qualquer outra utilização possível para seus equipamentos, edificações e afins), a recusa em reconhecerlhes a geração de créditos a serem descontados das bases apuratórias de COFINS e PIS/PASEP, resvala para o indefensável. As glosas não se sustentam em face da legislação vigente. Em relação aos bens do ativo imobilizado de fato repousa dúvida a este conselheiro em relação às glosas efetuadas. Ressalto que um dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal e replicado pela decisão recorrida é de que foram glosadas despesas que “não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo”, o que reforça ainda mais a necessidade de melhor análise do trabalho fiscal e do processo produtivo da Recorrente. Ainda, a existência de um grande quantidade de informações e planilhas dificulta, ao menos a este conselheiro, a visualização dos créditos que foram deferidos e os que foram efetivamente glosados. Restando duvido, por exemplo, quanto a apuração de créditos relacionados a depreciação normal dos bens do ativo imobilizado, nos casos em que se entendeu que a depreciação incentivada não era aplicável. Vejase, a título ilustrativo o seguinte trecho da decisão recorrida: Inicialmente, os resumos constantes das planilhas 03 (fl. 178, Quadro 03 –Créd Considerado pela Fiscalização por CFOP), 06 (fl. 207, coluna “Valor Aceito”), 07B (fls. 212/214 – Crédito em 48 parcelas após glosas do ativo imobilizado), 07E (fls. 256/258, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Interno) e 07F (fls. 259/261, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Externo) exibem claramente que tais glosas simplesmente não alcançaram a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado cada uma das glosas perpetradas para, na seqüência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas cada uma das modalidades de depreciação adotadas pelo sujeito passivo. Tendo em vista os pontos levantados pela Recorrente em seu recurso e as duvidas existentes em relação a alguns pontos enfrentados pela decisão recorrida, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722273/200918 Resolução nº 3302000.399 S3C3T2 Fl. 507 10 a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI1 da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. É como voto. (assinado digitalmento) Alexandre Gomes – Redator designado. 1 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços Fl. 507DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002844/97-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos calendários de 1988 a 1994. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 138/170 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep de períodos entre julho de 1988 a dezembro de 1994, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$398.718,93. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .0 02 84 4/ 97 -9 4 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10855.002844/9794 Resolução nº 3202000.198 S3C2T2 Fl. 469 2 O enquadramento legal encontrase As fls. 163, 164 e 168. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 173/182, na qual alegou, em síntese, inexistência de diferença a recolher, decadência dos períodos anteriores a dezembro de 1992, vedação à administração de rever o lançamento tributário recolhido nos moldes dos Decretosleis n's 2.455 e 2.449, de 1998, para a exigir o tributo com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, e autorização judicial para as compensações por ela efetuadas. Por haver processo de compensação onde constavam débitos exigidos no auto de infração, a análise do presente foi sustada, conforme despacho de fls. 369/370. Nos termos do despacho de fls. 380/381, o processo foi remetido para continuidade do julgamento, com as informações ali prestadas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1430.670, de 27/08/2010 (fls. 387/391), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1994 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal (vide fl. 461), recurso voluntário de fls. 403/418, por meio do qual alega, depois de relatar os fatos: O v. acórdão deve ser reformado na parte em que não reconhece a compensação de PIS realizada pela Recorrente no período compreendido entre setembro a dezembro/1994, por conseguinte a extinção do débito tributário, a teor do art. 156, II, do Código Tributário Nacional, sob pena de ofensa expressa a princípios e regras jurídicas prescritos no nosso Sistema Tributário Nacional. A Recorrente teve seu pleito reconhecido nos autos do processo administrativo de n.° 13878.000248/9934 (fls. 380/381), mormente em relação à restituição de quantias do PIS pagas indevidamente sob a vigência dos Decretos n.º 2.445 e 2.449/88, declarados inconstitucionais, no período compreendido entre 03/1989 a 10/1993. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10855.002844/9794 Resolução nº 3202000.198 S3C2T2 Fl. 470 3 Inconteste também é que, no período compreendido entre 29/08/1994 a 14/03/1995, a Recorrente detinha autorização judicial para realizar compensações em sua escrita fiscal, consoante decisão proferida pelo E. Tribunal Regional Federal da Terceira Região nos autos do Mandado de Segurança de n.° 94.03.0681155. Sustentam os membros da Colenda 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirao Preto SP que referida liminar vigeu até a prolação da sentença pelo MM. Juiz da 2ª Vara Federal da Justiça Federal Subseção de SorocabaSP em 14/03/1995 nos autos da Ação Ordinária de n.° 94.0902774, a qual, apesar de reconhecer o pleito da recorrente, teria, entretanto, condicionado seu exercício ao transito em julgado daquela, evento este que ocorrera em 23/04/1999. A 4ª Turma entendeu por bem manter o lançamento tributário correspondente ao período de setembro a dezembro/1994, o que para tanto se fundamentou que a recorrente teria realizado compensação fora do período de vigência da liminar retrocitada, uma vez que consideraram como termo das declarações de compensação a data de 20/01/2000 (fls. 335), não podendo, portanto, serem tais débitos contemplados na execução da decisão administrativa proferida nos autos do processo de restituição n.° 13878.000248/9934 e, por derradeiro, consideraram que, ainda que tais débitos tributários fossem contemplados, haveriam de ter sido incluídos respectivos juros de mora e multa de oficio em razão de sua constituição ter se dada por meio de auto de infração. Todavia, equivocamse os membros daquela Turma ao afirmarem que a recorrente exerceu seu direito à restituição pela via compensação, reconhecido tanto na vigência da liminar quanto na prolação da sentença, somente em janeiro de 2000. Isto porque o presente processo administrativo foi instaurado em virtude justamente em virtude da realização de lançamento de oficio em razão da não homologação pelo Fisco federal da compensação realizada na escrita fiscal da recorrente dos débitos pertinentes ao período de setembro a dezembro/1994, os quais foram ainda declarados através de DCTF's, consoante informações contidas do próprio Termo de Verificação e Constatação de n° 01, jungido as fls. 136/137, o que nos faz reconhecer que esta procedimento foi realizado sob a égide do art. 66 da Lei n.° 8.383/91, cujo regime jurídico para compensação tributaria era diferente do utilizado nos dias atuais. A compensação deferida pelo artigo 66 da Lei 8.383/91 não é uma forma de extinção do crédito tributário, é, sim, uma forma de compensação no âmbito do lançamento por homologação. Essa compensação independia de autorização da Fazenda Pública ou de decisão judicial que reconhecesse a liquidez do crédito, podendo o contribuinte fazêla, assumindo a responsabilidade pelos seus atos. Apesar disso, a recorrente no período em debate detinha decisão judicial em sede liminar autorizando a formalização da compensação tributária. Desse modo, por serem obrigações recíprocas e específicas entre o Fisco e a Recorrente, havia na época dos fatos (setembro a dezembro/1994) autorização legal (Lei n.º 8.383/91) e judicial (liminar vigente no período de 29/08/1994 a 14/03/1995 para que a recorrente formalizasse a compensação tributária em sua escrita) (fundamentase em ementas de decisões do então Conselho de Contribuintes). Portanto, forçosa é a conclusão de que a compensação formalizada pela recorrente se deu na via do autolançamento, formalizada pelas DCTFs entregues em 23/02/1995 (documentos 01/04), momento em que produzidos foram seus efeitos, e não por ocasião da declaração apresentada em 20/01/2000. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Fl. 470DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10855.002844/9794 Resolução nº 3202000.198 S3C2T2 Fl. 471 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do PIS em períodos de apuração compreendidos entre julho de 1988 a dezembro de 1994. Após a decisão recorrida, resta a exigência apenas quanto aos meses de setembro a dezembro de 1994. Segundo se afirma no Recurso Voluntário, os valores devidos nesses períodos de apuração foram objeto de compensação em DCTFs, entregues antes do lançamento, com fundamento na Lei n.º 8.383, de 1991, diploma legal que à época disciplinava a compensação. Com efeito, até o advento da Medida Provisória – MP n.º 66, de 2002, que instituiu a obrigatoriedade de entrega de declaração em toda e qualquer compensação (PER/DCOMP), assistia direito aos contribuintes à compensação, independentemente de requerimento (conforme preconizava o art. 14 da IN SRF n.º 21, de 1997), entre tributos da mesma espécie. Ocorre que não se pode afirmar, tão só com os documentos colacionados aos autos, se a Recorrente utilizouse desta faculdade. É que as cópias das DCTFs supostamente entregues pela Recorrente, além de não evidenciarem as compensações, trazem a seguinte informação: “SITUAÇÃO DA DECLARAÇÃO: NAO GERADA PARA RECEITA FEDERAL”. Resta a dúvida, portanto. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem certifiquese se houve, em DCTF, a compensação do PIS devido nos meses de setembro a dezembro de 1994 e, em caso afirmativo, especifique a data de sua entrega à RFB. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 2/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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