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Numero do processo: 10665.723076/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/06/2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/06/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado.
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 76 /2 01 3- 70 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON correspondente ao mês de apuração de outubro/2012. O prazo final de entrega da declaração findou em 07/06/2013, sendo o DACON apresentado apenas em 05/09/2013, conforme indicado na notificação. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação da DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega da DACON. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 53) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723076/201370 Acórdão n.º 3402006.092 S3C4T2 Fl. 83 3 Intimada desta decisão em 29/05/2015 (efl. 60), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 29/06/2015 (efls. 61/79) alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de Fl. 84DF CARF MF 4 entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFDContribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723076/201370 Acórdão n.º 3402006.092 S3C4T2 Fl. 84 5 o envio duplicado de informações (EFDContribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/2011 55Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Fl. 86DF CARF MF 6 Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001739/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.113
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 39 /2 01 0- 92 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 11080.001739/201092 Acórdão n.º 3402006.113 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 09042.200. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11080.001739/201092 Acórdão n.º 3402006.113 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720859/2015-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE 75%.
É devida a multa de 75% de acordo com o art. 14 da Lei nº 11.488/07, quando não ocorreu a má-fé do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA DE 75%. É devida a multa de 75% de acordo com o art. 14 da Lei nº 11.488/07, quando não ocorreu a má-fé do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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MULTA DE 75%. É devida a multa de 75% de acordo com o art. 14 da Lei nº 11.488/07, quando não ocorreu a máfé do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 59 /2 01 5- 82 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10140.720859/201582 Acórdão n.º 2002000.756 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 76/84) contra decisão de primeira instância (fls. 63/65), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2012, onde foram incluídos rendimentos omitidos, pagos pela Agência de Previdência Social do Mato Grosso do Sul (R$ 68.732,53, IR Fonte R$ 2.946,76), resultando em imposto suplementar de R$ 6.876,30. Argumenta, em síntese, que desconhece porque a pessoa que apresentou a primeira declaração entregou depois uma declaração retificadora com todos os valores zerados. Pede que sejam considerados os pagamentos informados na declaração original, apesar de não ter como comproválos, pois perdeu os comprovantes. Em obediência ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1061/2010, o lançamento foi inicialmente submetido à revisão da autoridade lançadora, que o manteve integralmente por não ter sido comprovado fato que justificasse a sua alteração. Notificada desta revisão, a interessada afirma que desconhece a declaração retificadora. Reconhece apenas a declaração original. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 05/04/2018 (fl. 71); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2018 (fl. 76), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF, que “confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva”. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.720859/201582 Acórdão n.º 2002000.756 S2C0T2 Fl. 4 3 A r. decisão de origem, julgou que “quanto aos pagamentos declarados, comprova apenas o plano de saúde indicado no informe de rendimentos às fls. 10/11, no total de R$ 3.608,40”. Cabendo assim alterar o lançamento como foi feito. Por esta razão, deu provimento parcial a impugnação da contribuinte, mantendo a exigência do imposto suplementar, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. Irresignada a recorrente apresenta recurso próprio, combatendo o mérito. Pretende que seja reformada a r. decisão, com o intuito de excluir a multa arbitrada de ofício no patamar de 75% ou reduzila para 20% eis que não houve infração, além de ser confiscatória, bem como que seja realizada a apuração do imposto pela opção simplificada, qual seja, pelo desconto padrão. Faço minha a r. decisão revisanda, quanto ao mérito da controvérsia: “A impugnante afirma desconhecer porque a pessoa que apresentou a primeira declaração apresentou depois uma declaração retificadora com os valores zerados. Além de não comprovar o seu desconhecimento quanto aos motivos da retificação, tal afirmativa é ineficaz para afastar a multa de lançamento de ofício, considerando que a responsabilidade por infrações à legislação tributária se define objetivamente, abstraindose da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional”. Relativamente à multa aplicada no percentual de 75%, conforme foi feita nos autos, decorre da lei, senão vejamos; diz o art. 14 da Lei nº 11.488/07: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” É bem de ver que a aplicação da multa neste percentual, é porque não ocorreu a máfé da contribuinte, caso houvesse, o percentual seria de 150%, ou seja, a multa qualificada. Por se tratar de matéria prevista em lei, a multa não tem o caráter confiscatório. Assim nesta quadra, a r. decisão revisanda deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.912859/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
CIÊNCIA DA DECISÃO DE PISO MEDIANTE OBTENÇÃO DE CÓPIA DE PROCESSO QUE A CONTÉM. VALIDADE.
É válida a ciência da decisão de piso mediante a obtenção de cópia de processo na qual tal decisão esteja contida, para os efeitos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CIÊNCIA DA DECISÃO DE PISO MEDIANTE OBTENÇÃO DE CÓPIA DE PROCESSO QUE A CONTÉM. VALIDADE. É válida a ciência da decisão de piso mediante a obtenção de cópia de processo na qual tal decisão esteja contida, para os efeitos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CIÊNCIA DA DECISÃO DE PISO MEDIANTE OBTENÇÃO DE CÓPIA DE PROCESSO QUE A CONTÉM. VALIDADE. É válida a ciência da decisão de piso mediante a obtenção de cópia de processo na qual tal decisão esteja contida, para os efeitos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 28 59 /2 00 8- 58 Fl. 1504DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) Retificador de fls. 3 a 71, transmitido em 16/09/2006, invocando crédito de COFINS referente a pagamento considerado indevido, de maio de 2004, efetuado em 15/06/2004, no valor de R$ 795.562,41, utilizando R$ 266.784,51 em compensação. No Despacho Decisório Eletrônico de fl. 8, datado de 12/08/2008, o pedido é negado, sob a motivação e que “[a] partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. À fl. 9 consta Manifestação de Inconformidade, com protocolo de 19/09/2008, na qual a empresa informa que o PER/DCOMP foi preenchido incorretamente, sendo o período de apuração correto do débito jul./2004 (vencimento em 13/08/2004), e que não foi possível retificar o pedido, pois, segundo mensagem da Receita Federal já havia sido proferida decisão administrativa, pelo que solicita nova retificação. A decisão de primeira instância (fls. 41 a 44), proferida em 19/07/2012, foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não ter a empresa comprovado a origem do crédito alegado no PER/DCOMP, sequer havendo juntada de qualquer documento fiscal ou escrituração. Sobre a demanda por nova retificação, afirma o julgador de piso não ser possível após a prolação do despacho decisório. À fl. 48, consta solicitação de cópia do processo, por representante da empresa, com ateste de recebimento em 29/08/2013. À fl. 90, consta expediente, datado de 08/10/2013, a ser encaminhado para cientificar a recorrente da decisão de piso, sem assinatura e sem ateste de entrega. Em 08/11/2013 (fl. 93), solicitase a juntada do Recurso Voluntário interposto pela empresa (fls. 115 a 126), no qual se sustenta que: (a) a ciência da decisão de piso de deu em 10/10/2013 (o que se atestaria pelo documento de fl. 1502); (b) em nome da verdade material, tem o direito de corrigir o erro de fato em seu pedido, pelo que junta os documentos de fls. 167 a 1064: planilha de apuração da COFINS de maio de 2004, balanço, razão de cada conta de receita/faturamento e cópias do Livro Diário, para comprovar que, apesar de ter mais créditos que débitos em maio de 2004, efetuou o pagamento do citado DARF, no valor de R$ 795.562,41, e preencheu errado a DCTF (e o PER/DCOMP) no segundo trimestre de 2004 com o débito de R$ 270.226,03, que deveria ter constado na DCTF do terceiro trimestre daquele ano, com reflexos no PER/COMP correspondente. Em 11/11/2013 são ainda juntados outros documentos, como cópias de Livro Diário e de Declarações de Importação (fls. 1065 a 1500); e (c) alternativamente, demandase a conversão em diligência, “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito”. Em 05/02/2014 o recurso apresentado é reconhecido como tempestivo (tendo havido extravio do AR de encaminhamento) e enviado ao CARF (fl. 1503), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 15374.912859/200858 Acórdão n.º 3401005.734 S3C4T1 Fl. 1.505 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Em relação aos requisitos de admissibilidade da peça recursal, suscita dúvida somente o referente à tempestividade. Há que se recordar que, após a decisão de piso, proferida em 19/07/2012, a empresa solicitou cópia do processo, obtendoa em 29/08/2013, conforme se atesta à fl. 48: No entanto, à fl. 49, notase que o recibo de entrega dos arquivos digitais é datado de 06/09/2013, informandose que constam cópias das fls. 1 a 46 do processo (o que inclui a decisão de piso – fls. 41 a 44). Apesar de já estar em posse da empresa cópia integral do processo que incluía a decisão de piso, a RFB parece tomar providências para dar ciência específica de tal decisão em 08/10/2013, no documento de fl. 90, sem assinatura e sem ateste de envio pelos correios. Fl. 1506DF CARF MF 4 À fl. 1502, anexase documento de rastreamento, com o código JG 280 461 667 (não verificável no sítio web dos correios), e o seguinte teor: E, por fim, a unidade local da RFB, ao enviar o processo ao CARF, atesta a tempestividade do recurso, com a seguinte mensagem (fl. 1503): O Decreto no 70.235/1972, que rege a determinação e a exigência de crédito tributário (e as manifestações de inconformidade em processos de compensação, conforme art. 74 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003), dispõe, seu art. 33: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...)” (grifo nosso) Ainda no Decreto no 70.235/1972, art. 31, com a redação dada pela Lei no 8.748/1993, determinase: “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.” (grifo nosso) No caso, tal ordem de intimação estava expressa na decisão (fl. 41): Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 15374.912859/200858 Acórdão n.º 3401005.734 S3C4T1 Fl. 1.506 5 A intimação, por sua vez, merece disciplina no art. 23 do mesmo Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 9.532/1997: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (...)” (grifo nosso) No caso em análise, a ciência “pessoal” da decisão ocorreu, a nosso entender, em 06/09/2013, quando o “agente do órgão preparador”, “na repartição”, entregou cópia da decisão de piso (fls. 41 a 44) do processo digitalizado, tendo o recebimento sido provado com a “assinatura do mandatário” da empresa, Fábio Rodrigues Rocha, o que se atesta pela procuração de fls. 50/51. E, da ciência da decisão, abrese o prazo recursal de que trata o art. 33, aqui transcrito, independente de ulterior medida, digase, desnecessária, adotada pela unidade preparadora da RFB. Recordese que a decisão de piso é datada de 19/07/2012, e, que até 29/08/2013 (mais de um ano depois), na data em que a empresa solicitou cópia do processo, a unidade preparadora sequer havia iniciado os trabalhos destinados a cientificar o teor da decisão ao sujeito passivo. Não fosse a solicitação de cópia do processo, que foi atendida, tomandose, conservadoramente, a data de 06/09/2013, como aqui exposto, efetivamente tempestiva seria a peça recursal. Isso porque aí sim poderia ser aceita a tela do sistema dos correios (ainda que não verificada), diante do extravio do AR. No entanto, por não ter a mínima dúvida de que o sujeito passivo teve regular ciência da decisão de piso em 06/09/2013, considero intempestiva a peça recursal apresentada em 08/11/2013. Nesse mesmo sentido o art. 272 do novo Código de Processo Civil, quando estabelece, em seu § 6o, que “A retirada dos autos do cartório ou da secretaria em carga pelo advogado, por pessoa credenciada a pedido do advogado ou da sociedade de advogados, pela Advocacia Pública, pela Defensoria Pública ou pelo Ministério Público implicará intimação de qualquer decisão contida no processo retirado, ainda que pendente de publicação”. Fl. 1508DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1509DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000807/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-006.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendose assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 08 07 /2 00 9- 03 Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11516.000807/200903 Acórdão n.º 3302006.317 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento de parcelas da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins). Segundo a autoridade administrativa de origem, embora reiteradamente intimado, o interessado não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001, não permitindo, por conseguinte, a verificação dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais Dacon e tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou o seguinte: a) conforme despacho decisório, somente alguns arquivos digitais foram apresentados com as supostas inconsistências; b) em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins n° 15/2001 e seus anexos; c) os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; d) os arquivos digitais foram abertos de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; e) apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados, e respeitando os parâmetros do ADE n° 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontravam atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; f) o ADE n° 15/01 e a Instrução Normativa n° 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; g) a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito estava constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11516.000807/200903 Acórdão n.º 3302006.317 S3C3T2 Fl. 4 3 h) por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos; i) todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador, sendo que eventuais problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, reafirmando a conclusão do despacho decisório e considerando a ausência de efetiva comprovação do direito creditório pleiteado, cujo ônus fora atribuído ao contribuinte pela legislação de regência. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e apontando contradição na decisão recorrida, dada a efetiva apresentação de inúmeros arquivos digitais em resposta às intimações da fiscalização, com observância dos requisitos exigidos pela legislação (art. 65 da IN SRF 900/08), com pequenas inconsistências em alguns dos dados fornecidos. Segundo o Recorrente, mostrouse desproporcional e desarrazoado o indeferimento da totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitara dúvidas à fiscalização, situação essa a exigir a realização de diligências para a verificação da existência dos créditos, encontrandose a sua escrita fiscal, com todas as informações necessárias à comprovação do crédito garantido pelo ordenamento jurídico, à disposição da fiscalização. Em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.433, a 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, com as seguintes determinações à unidade de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. É o relatório. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11516.000807/200903 Acórdão n.º 3302006.317 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.300, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11516.000785/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.300): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de março de 2012, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram apresentados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: O Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 4° trimestre do ano calendário de 2005; O fato de tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida ignorar a vasta documentação apresentada e a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados. Passase à análise. Como relatado, em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 1.181 e 1.182, que reproduzimos: Verificação reiniciada em cumprimento da Sentença do Mandado de Segurança n° 500916742.2017.4.04.7200/SC, que concedeu a segurança para determinar ao impetrado Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o cumprimento do disposto nas Resoluções da 1a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11516.000807/200903 Acórdão n.º 3302006.317 S3C3T2 Fl. 6 5 Os pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP e COFINS relacionados na inicial do impetrante Cooperativa Agroindustrial Cooperja, foram inicialmente indeferidos, entretanto, o julgamento foi convertido em diligência para permitir a realização de novas verificações com base nos arquivos apresentados no recurso voluntário. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e atendendo a solicitação de redistribuição dos processos, conforme demonstrado na Informação Fiscal de fls. 1156 a 1179, foi apreciado o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Na tabela abaixo são demonstrados o PER, o valor de crédito solicitado, a data de transmissão, o respectivo processo administrativo, o tipo de crédito e o período de apuração. Da Requerente O contribuinte, com sede no município de Jacinto Machado SC, apresenta como atividade preponderante o beneficiamento de arroz. Do amparo legal do ressarcimento de créditos do PIS/PASEP. A nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) é regulamentada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. A Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 e n° 404, de 12 de março de 2004, que descrevem quais os créditos que a pessoa jurídica pode descontar na apuração das referidas contribuições e estabelecem, ainda para aplicação das normas em apreço, o conceito de insumo. A Lei n°10.925/2004, e redações posteriores, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre venda no mercado interno de diversos produtos, entre eles os classificados nos códigos 1006.20 e 1006.30 . Já a manutenção do crédito da Contribuição para o PIS e da COFINS nas vendas efetuadas com alíquota zero está prevista no artigo 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004. Do Direito Creditório Tendo em vista a quantidade de demandas judicias recebidas e o cumprimento do prazo exíguo assinalado pela Justiça Federal, realizamos verificação fiscal por amostragem, onde foram confrontados os valores constantes nos PER com as informações contidas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, nos arquivos entregues pelo contribuinte e nos demais dados disponíveis nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 11516.000807/200903 Acórdão n.º 3302006.317 S3C3T2 Fl. 7 6 Dos gastos apresentados, constam embalagens, energia elétrica, bens para revenda, combustíveis, fretes, máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e demais insumos aplicados na produção. As verificações da documentação apresentada corroboram a procedência do pleito do contribuinte. Conclusão O Pedido de Ressarcimento é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910, de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Os créditos da contribuição foram apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ante todo o exposto, concluímos pelo reconhecimento do direito ao ressarcimento no valor pedido de R$33.861,69. Desse modo, atendendo o pleito do Recorrente, procedeuse a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 727DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721759/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
NULIDADE DE LANÇAMENTO.
Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN).
OMISSÃO DE RECEITA. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES.
O recebimento de pagamentos pela prestação de serviços de transportes, sem a respectiva escrituração fiscal e contábil, caracteriza a omissão de receitas tributável.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
MULTA QUALIFICADA
A omissão de receita, isoladamente, não proporciona a imposição da multa de ofício qualificada, exigindo a demonstração do evidente intuito de dolo, fraude ou simulação.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 1201-002.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%, e, afastar por decadência o IRPJ e a CSLL, relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2009, bem como o PIS e a Cofins relativos aos fatos geradores dos meses de janeiro a outubro/2009. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso (não afastavam a qualificação da multa por consequência não acolhiam a decadência).
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Constatada a inexistência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN). OMISSÃO DE RECEITA. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES. O recebimento de pagamentos pela prestação de serviços de transportes, sem a respectiva escrituração fiscal e contábil, caracteriza a omissão de receitas tributável. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. MULTA QUALIFICADA A omissão de receita, isoladamente, não proporciona a imposição da multa de ofício qualificada, exigindo a demonstração do evidente intuito de dolo, fraude ou simulação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 17 59 /2 01 4- 27 Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.588 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%, e, afastar por decadência o IRPJ e a CSLL, relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2009, bem como o PIS e a Cofins relativos aos fatos geradores dos meses de janeiro a outubro/2009. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso (não afastavam a qualificação da multa por consequência não acolhiam a decadência). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão nº 1675.675, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO), julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. CONHECIMENTOS DE TRANSPORTES. Constatada a omissão de receitas de prestação de serviços de transportes, é devido o lançamento do IRPJ e tributos reflexos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.589 3 exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. PREVISÃO LEGAL. CTN. A imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, penalidades pecuniárias e juros de mora encontra amparo no artigo 163 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Constatado o evidente intuito de fraude, é devido o lançamento da multa de ofício qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls.1319 1359, em ação fiscal empreendida junto à contribuinte supramencionada, para verificação de sua regularidade tributária relativa aos anoscalendário 2009 e 2010, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: 1) Da ação fiscal A ação fiscal iniciouse em 12/12/2012 e, no decorrer dos trabalhos fiscais, a contribuinte foi intimada a apresentar esclarecimentos e a apresentar, entre outros itens, documentação comprobatória das receitas decorrentes dos serviços de transporte nacional e internacional de cargas, tais como CRT – Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário, Cartas Frete emitidas, MIC/DTA Manifesto Internacional de Carga/Declaração de Trânsito Aduaneiro, Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.590 4 CTRC Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, notas fiscais de prestação de serviço, e demais documentos que julgasse conveniente. Da análise dos documentos, verificouse grandes variações na valoração dos fretes, conforme exemplificado na planilha Anexo 2 – Exemplos de Variação na Valoração dos Fretes (fls.148 150). Por exemplo, o valor do frete para transportar milho de Ciudad del Este/Paraguai até Ipumirim/Santa CatarinaBR, num percurso de 480 km, varia de US$85,24/ton x 1000km a US$10,49/ton x 1000km (cerca de 12% do primeiro valor). Também foram encontrados CRT em duplicidade, mas com diferentes valores (fls.151158). Com base nas divergências encontradas, foi solicitado à contribuinte que apresentasse esclarecimentos a respeito do apurado, justificasse as diferenças de valores encontradas e indicasse qual CRT indica o valor contratado correto. Em correspondência de 25/06/2014 (fls.160/163), a contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais, e esclareceu, em resumo, que: os fretes nacionais e internacionais são contabilizados de modo distinto, e a variação dos fretes constante na planilha Anexo 2 estaria relacionada com as negociações comerciais de cada frete e o efetivo trecho percorrido pelas cargas. As variações ocorreriam também por modificações na abrangência dos serviços ocorridas após a sua contratação; a duplicidade de CRT referese a complemento de valores dos mesmos fretes, por acordos comerciais entre as partes, sendo válidos ambos os CRT emitidos. Considerando que a contribuinte não apresentou documentação comprobatória dessas alegações, a fiscalização optou por circularizar essas informações com alguns dos clientes da empresa (relação de clientes às fls.1324), intimandoos a apresentar CRT e notas fiscais da contribuinte fiscalizada. Prosseguindose a fiscalização, a contribuinte foi intimada a esclarecer e comprovar a contabilização dos CRT discriminados na planilha Anexo I da Intimação Sefis nº 287/14 – CRT encaminhados por Clientes (fls.360361), cujo valor total dos fretes é de US$349.088,95, bem como informar se foram contabilizados os registros no Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior constantes da planilha Anexo II da Intimação Sefis nº 287/14 – Extrações pelo sistema DW Aduaneiro (fls.362 372), cujo valor total do frete externo é de US$820.075,04. Na mesma intimação foi esclarecido à contribuinte que os valores de uma planilha não foram repetidos na outra, e que o valor do frete externo referese à parcela do frete relativa ao trecho no exterior. Na importação, é o valor é agregado ao custo das mercadorias internadas no País. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.591 5 Em resposta (fls.373375), a contribuinte encaminhou extrações de seu Diário, e informou, em suma, que: dos CRT da planilha do Anexo I, foram contabilizados os constantes do demonstrativos de fls.373, enquanto que os demais CRT dessa planilha não foram contabilizados por erros no setor de faturamento; não localizou os CRT relativos aos registros do Siscomex constantes da planilha do Anexo II. A contribuinte foi, então, reintimada a comprovar a contabilização dos registros no Siscomex que não foram esclarecidos, bem como a justificar eventual não contabilização dos CRT. A contribuinte, em resposta, encaminhou cópia do diário, dos CRT emitidos pela Transportadora Binacional S.R.L. e a “Planilha Referente Anexo II da Intimação Sefis 298/14” (fls.418422), por meio da qual indicou: relação de registros do Siscomex e respectivos CRT contabilizados pela empresa; registros do Siscomex cujos CRT não localizou; registros do Siscomex cujos CRT não pertencem à contribuinte, mas sim à Transportadora Binacional S.R.L., situada no Paraguai. Após análise da documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização elaborou a planilha “Análise da Fiscalização das Justificativas da Contribuinte” (fls.518522), na qual informou as justificativas da contribuinte que foram aceitas; os registros do Siscomex não relacionados à contribuinte; as justificativas que não foram aceitas por divergência de datas ou valores, e CRT não contabilizado pela contribuinte. 2) Análise da documentação A análise da documentação apresentada revelou que: a contribuinte contabilizou alguns CRT com valores menores que os contratados; verificouse em diversos casos que a contabilização ocorria com postergação dos efeitos tributários. Diante disso, a contribuinte foi intimada a: comprovar as receitas de serviços relativas aos anos calendário 2009 e 2010; esclarecer se foram segregados os valores dos fretes internacionais dos fretes nacionais; explicar as variações nos valores dos fretes semelhantes apontados pela fiscalização; Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.592 6 justificar diferenças de valores e/ou peso em CRT de mesma numeração. Em razão da não comprovação das alegações da contribuinte, foi realizada circularização de informações com clientes da empresa, obtendose documentos que comprovam omissão de receitas e receitas de valores diferentes daqueles contabilizados pela contribuinte. A contribuinte foi, então, intimada a informar como contabilizou os CRT enviados por seus clientes, justificando eventuais não contabilizações. Em resposta, a contribuinte informou que contabilizara somente alguns CRT no anocalendário 2011, deixando de contabilizar a maioria dos CRT. A contribuinte foi também intimada a informar como contabilizou os registros no Siscomex não localizados pela fiscalização, esclarecendo eventuais não contabilizações. Em resposta, a empresa provou que alguns registros não eram de sua responsabilidade, e vinculou alguns registros a CRT contabilizados, sendo algumas dessas vinculações aceitas pela fiscalização. Todavia, a empresa informou não ter localizado na contabilidade informações sobre alguns dos registros no Siscomex questionados pela fiscalização. 3) Irregularidades encontradas 3.a) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas – contabilização de valores a menor Serviços de Transporte Nacional de Cargas Alguns dos CTRC foram contabilizados a menor, conforme planilha “Valores de Prestação de Serviço Contabilizados a Menor” (fls.572573). Sendo assim, a receita omitida é a diferença entre o valor dos CTRC e o valor contábil. 3.b) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas receitas não contabilizadas CRT encaminhados pela contribuinte Intimada a esclarecer os CRT em duplicidade (fls.139142), a empresa informou que os CRT com mesma numeração são complemento um do outro. Assim, a receita relativa aos CRT em duplicidade é a soma dos valores dos dois CRT de mesma numeração. Como apenas um de cada CRT em duplicidade foi contabilizado, resta configurada a omissão de receitas dos CRT não contabilizados. 3.c) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.593 7 Omissão de receitas receitas contabilizadas a menor CRT encaminhados pela contribuinte Alguns dos CRT foram contabilizados a menor, conforme planilha “Valores de Venda de Serviços – Transporte Internacional – Contabilizados a Menor – CRT encaminhados pela Contribuinte” (fls.595). Por sua vez, a receita omitida é a diferença entre o Valor Total do CRT em Reais e o Valor Contábil, e consta na planilha como Valores Omitidos. 3.d) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas receitas não contabilizadas CRT encaminhados por clientes da contribuinte Em razão de a contribuinte não comprovar as variações de valores de fretes semelhantes apontadas pela fiscalização, tampouco justificar as diferenças de valor e/ou peso em CRT de mesma numeração, foi realizada circularização de informações nos clientes da contribuinte, obtendose documentos que comprovam omissão de receitas e também valores de receita diferentes dos contabilizados pela empresa. Os documentos apresentados pelos clientes da contribuinte continham valores corretos pois: 15 clientes apresentaram documentos comprovando o pagamento de valores acima dos informados pela contribuinte, tendo alguns deles apresentado ainda faturas emitidas pela contribuinte (fls.171, 320, 322 e 323); diversos CRT apresentados na circularização estão carimbados e assinados pela própria contribuinte, outros também assinados pelo despachante aduaneiro; os valores relativos à parcela do “valor do frete externo” e ao “peso transportado” foram confirmados com os registros do Siscomex, conforme planilha Confrontação dos valores dos CRT dos clientes com os valores registrados no Siscomex (fls.596 598). Dentre os CRT encaminhados pelos clientes da contribuinte, a fiscalização verificou que alguns não foram contabilizados pela empresa, conforme planilha Omissão de Receitas – CRT encaminhados por Clientes não Contabilizados (fls.599600). Nessa planilha, os Valores Omitidos representam os valores de receitas omitidas pela empresa nos anoscalendário 2009 e 2010, de acordo com a documentação apresentada pelos clientes da contribuinte. Ressaltese que a contribuinte foi intimada a esclarecer a contabilização dos CRT enviados por seus clientes à fiscalização, porém declarou que não contabilizou os CRT indicados na planilha em questão. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.594 8 3.e) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas – contabilização a menor Serviços de Transporte Internacional de Cargas CRT encaminhados por clientes da contribuinte A fiscalização confrontou o valor dos CRT disponibilizados pela contribuinte (fls.601653) com o valor dos CRT obtidos na circularização com os clientes, e verificou que, em alguns casos, os valores informados pela contribuinte foram a menor que o informado pelos clientes, conforme planilha “Valores de Venda de Serviços – Transporte Internacional – Contabilizados a Menor – CRT Encaminhados pela Contribuinte Diferentes dos CRT Obtidos Junto a seus Clientes” (fls.654655). Na referida planilha, o Total do CRT em Reais foi diminuído do Valor Contábil, apurandose o Valor Omitido, que é a omissão de receita decorrente da contabilização do valor a menor. 3.f) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas – receitas não contabilizadas Registros do Siscomex não Contabilizados O Siscomex – Sistema de Comércio Exterior, destinase ao registro, acompanhamento e controle do comércio exterior, e é alimentado pelo importador ou exportador. No caso das importações, é anotado o valor do frete relativo ao trecho de transporte no exterior, valor indicado no CRT, que é acrescido ao valor do produto transportado para o cálculo dos tributos ligados à importação. O valor do frete relativo ao trecho de transporte no exterior é anotado no CRT como “valor do frete externo”, e geralmente é apenas parte do valor total do transporte envolvido. A fiscalização verificou os valores dos CRT contabilizados pela empresa com os valores registrados no Siscomex, e apurou que vários registros do Siscomex não foram contabilizados pela contribuinte. Intimada a esse respeito, a empresa indicou ter registros não localizados, registros de responsabilidade de empresa paraguaia e registros vinculados a um CRT que alegou ter contabilizado (fls.416422). Os registros com indicação de “não localizado” – sem justificativa de sua não contabilização – são considerados como omissão de receita. As indicações de registros vinculados a um CRT alegado como contabilizado foram parcialmente aceitas, conforme planilha Análise da Fiscalização das Justificativas da Contribuinte (fls.518522). Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.595 9 Quanto aos registros de responsabilidade da empresa paraguaia, sua justificativa foi aceita pela fiscalização. As justificativas não aceitas pela fiscalização, e os registros que a contribuinte indicou como não localizado, constam na planilha Omissão de Receitas – Registros do Siscomex não Contabilizados (fls.667670). Por sua vez, a planilha Memória de Cálculo da Estimativa do Valor Total de Frete, Critérios Adotados, Valores Base para a Estimativa (fls.656666) calcula o valor de frete que deveria ter sido contabilizado pela contribuinte com base nos valores registrados no Siscomex e nos CRT contabilizados pela empresa ou obtidos junto aos seus clientes. 3.g) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas – contabilização a menor Serviços de transporte Internacional de Cargas Registros do Siscomex Contabilizados a Menor A fiscalização confrontou os valores de frete externo dos CRT enviados pela contribuinte (fls.671758) com os valores do frete externo constante dos registros do Siscomex, conforme planilha Valores de Venda de Serviços – Transporte Internacional – Contabilizados a Menor – CRT Encaminhados pela Contribuinte Diferentes dos Registros do Siscomex (fls.759762). Nessa planilha, a coluna Valor Omitido corresponde às omissões de receita reveladas pela verificação da contabilização a menor dos valores registrados no Siscomex, relativos aos CRT da contribuinte. 3.h) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de receitas – contabilização a menor Serviços de transporte Internacional de Cargas CRT Calculados Contabilizados a Menor Mediante análise de documentação fornecida pelos clientes da contribuinte, a fiscalização constatou valores de receita diferentes daqueles contabilizados pela empresa, e também omissões de receita por parte da empresa. Além disso, alguns dos valores dos CRT encaminhados pela contribuinte e registrados no Siscomex não foram contabilizados ou foram contabilizados a menor pela contribuinte, caracterizando omissão de receitas. Intimada a esclarecer as divergências apuradas nos valores dos fretes, a contribuinte, em suma, alegou que alterações posteriores aos acordos comerciais dos fretes justificariam as variações dos valores da receita contabilizada para CRT relativos a um mesmo trecho, porém não apresentou nenhum documento comprobatório. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.596 10 Ressaltese que o CRT é o documento que define a contratação da operação de transporte internacional e constitui prova da propriedade da mercadoria. Qualquer correção no CRT deve ser feita por carta de correção (e ressalva no próprio documento) dirigida à autoridade aduaneira do local de descarga (art.556 do Decreto nº 6.756/2009 – Regulamento Aduaneiro). Assim, quaisquer alterações no CRT após a sua emissão deveriam ser objeto de carta de correção a ser entregue à fiscalização em atenção às intimações dirigidas à contribuinte no curso da ação fiscal. A circularização junto aos clientes da empresa revelou que diversos CRT continham valores superiores ao considerado pela contribuinte. Os registros no Siscomex também revelaram CRT de valores acima daqueles considerados pela contribuinte (tabelas de fls.13501351). A planilha Valores de Venda de Serviços – Transporte Internacional – Contabilizados a Menor – CRT Encaminhados pela Contribuinte Diferentes do Calculado pela Fiscalização (fls.784) discrimina os valores de exportação contabilizados a menor constatados pela fiscalização. 3.i) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Postergação de receitas Serviços de Transporte Nacional de Cargas Em análise dos CTRC – Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (transporte nacional) enviados pela contribuinte, a fiscalização verificou que alguns (fls.786791) foram contabilizados em data posterior à ocorrência da receita de prestação de serviços, conforme planilha Valores de Prestação de Serviço Postergados (fls.792). Quando as receitas são contabilizadas posteriormente ao respectivo período de competência, deve ser imputado ao pagamento o valor da multa e juros de mora que deveriam ter sido pagos juntamente com o tributo, conforme Demonstrativo de Imputação de Pagamento dos autos de infração (fls.1360 1429). Por sua vez, o valor devido em decorrência da postergação de receitas é o resultado da diferença entre o valor total do imposto que deveria ser pago no prazo legal e o valor imputado ao pagamento postergado realizado pela contribuinte, conforme os Demonstrativos de Apuração dos autos de infração. 3.j) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Postergação de receitas Serviços de Transporte Internacional de Cargas Em análise dos CRT – Conhecimentos de Internacionais de Transporte Rodoviário enviados pela contribuinte, a fiscalização verificou que alguns (fls.7931185) foram contabilizados em data Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.597 11 posterior à ocorrência da receita de prestação de serviços, conforme planilha Valores de Vendas de Serviços no Mercado Externo – CRT Contabilizados com Postergação do Imposto (fls.11861201). Quando as receitas são contabilizadas posteriormente ao respectivo período de competência, deve ser imputado ao pagamento o valor da multa e juros de mora que deveriam ter sido pagos juntamente com o tributo, conforme Demonstrativo de Imputação de Pagamento dos autos de infração (fls.1360 1429). Por sua vez, o valor devido em decorrência da postergação de receitas é o resultado da diferença entre o valor total do imposto que deveria ser pago no prazo legal e o valor imputado ao pagamento postergado realizado pela contribuinte, conforme os Demonstrativos de Apuração dos autos de infração. 3.k) Anoscalendário 2009 e 2010 – Lucro Real Omissão de Receitas Decorrentes da Postergação de Receitas Serviços de Transporte Internacional de Cargas Os valores dos CRT são contratados em dólares norte americanos, e para serem contabilizados são convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio do Banco Central do Brasil – Bacen na data da emissão do CRT. Postergada essa contabilização, poderá haver variação no valor contabilizado, em decorrência de variação na taxa de câmbio. Se a taxa de câmbio decresce ao longo do período em que postergouse a contabilização, ocorre uma redução da receita contabilizada, isto é, uma omissão de receita decorrente da postergação de receitas. Analisandose os CRT encaminhados pela contribuinte, verificouse, dentre aqueles contabilizados posteriormente à ocorrência da receita de prestação de serviço (fls.7931185), a omissão de receitas descrita, conforme a planilha Valores de Vendas de Serviços no Mercado Externo – CRT Contabilizados com Postergação do Imposto (fls.1186 1201). 4) Considerações diversas As irregularidades acima acarretaram lançamentos de IRPJ e de CSLL, bem como reflexos no PIS e Cofins. Para esses últimos, em razão de a empresa possuir créditos nos períodos autuados, os saldos do Dacon 2009 e 2010, fls.1134 devem ser considerados diminuídos para efeitos de futuras compensações, conforme Demonstrativos de Aproveitamento de Crédito na Fiscalização (fls.14301457). Foram também utilizados os saldos de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL disponíveis ao término do 2º trimestre de 2012, retificandose para zero o saldo disponível no início do 3º trimestre de 2012, conforme demonstrativos de fls.14631470. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.598 12 5) Da multa de ofício qualificada A multa de ofício lançada em razão da falta de recolhimento (art.44 da Lei nº 9.430/96) foi aplicada na forma qualificada pois constatouse que a contribuinte, com a finalidade dolosa de iludir a fiscalização e reduzir o valor dos tributos que deveria pagar, omitiu receitas ao não contabilizar alguns CRT que emitiu e por contabilizar outros CRT com valor a menor. Além disso, postergou a contabilização de diversos CRT. A contribuinte também entregou suas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, dos anoscalendário 2009 e 2010 (fls.1211 1318) sem declarar a totalidade das receitas de sua atividade, omitindo assim informações às autoridades fazendárias. Ademais, ao entregar à fiscalização livros contábeis sem a escrituração de todas as receitas, e CRT reimpressos com valores compatíveis aos contabilizados, porém diferentes dos valores originalmente emitidos, a contribuinte distribuiu, forneceu e utilizou documento que sabia ou deveria saber ser inexato. Assim, a contribuinte cometeu crime tributário ao omitir declaração sobre fatos para eximirse total ou parcialmente do pagamento de tributos. Em suma, o evidente intuito de fraude revelase na manifesta intenção dolosa da contribuinte em ocultar da autoridade fiscal seu faturamento, inclusive deixando de contabilizar ou contabilizando a menor parte das receitas, postergando a contabilização de outras e efetuando o pagamento de tributos em atraso sem os acréscimos legais. Os autos de infração constam às fls. 13601457, e foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.599 13 Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.600 14 Da Impugnação Inconformada com a autuação, a empresa apresentou a impugnação de fls. 14781502, acompanhada dos documentos de fls. 15031506, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: I – A insubsistência do suposto crédito tributário A análise dos registros do Siscomex não é suficiente para ilustrar as operações de transporte e propiciar a correta tributação da atividade da impugnante. O auto de infração se ancorou em indícios que são insuficientes para se exigir qualquer tributo. A fiscalização não considerou que o início efetivo da prestação de um serviço de transporte internacional pode não coincidir com a data de emissão do respectivo CRT, seja por questões burocráticas do despacho aduaneiro, seja por particularidades ocorridas no ato de embarque da carga. Além disso, a impugnante possui atividade de armazenamento de mercadorias de terceiros. Deve ser considerado que certa quantidade de produto vindo do exterior (conforme um CRT) pode ter permanecido algum tempo na sede da impugnante após o desembaraço e, posteriormente, ter sido carregada para transporte em trecho nacional mediante respaldo de documento próprio (CTRC) sem que isso represente a contratação de um serviço individual/autônomo. Constatase também a tributação de receitas derivadas de transportes de produtos embarcados em Foz do Iguaçu sem que a região possua cultivo/fábricas/indústrias de tais mercadorias, como feijão preto e celulose (fls.525527, 562 e 570571). Essas questões não foram consideradas pela autoridade fiscal e influenciaram a base de incidência e a qualificação da multa. Conforme a jurisprudência e a doutrina, a contribuinte pode apresentar documentos em qualquer momento do processo administrativo fiscal, para que o julgador possa revisar corretamente o lançamento efetuado. A impugnante passa a rebater cada uma das supostas infrações autuadas: Infração A A fiscalização entendeu que alguns CTRC foram contabilizados a menor (fls.523571, planilha de fls.572573). Entretanto, o que ocorreu foi um equívoco pontual, no critério contábil adotado, sem reflexo tributário, pois o valor omitido se refere ao ICMS destacado em cada CTRC. Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.601 15 Considerando que o ICMS é dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a ausência de registro da receita correspondente ao ICMS é irrelevante para a apuração do imposto. Salientese que tal equívoco não revela prática dolosa da impugnante, pois no 1º trimestre de 2009 foram listados apenas os CTRC de fls. 523524 e em 2010 o fato se repetiu apenas em janeiro e dezembro. Também percebese omissões de valores irrelevantes em comparação com o faturamento da impugnante e seu lucro trimestral. Em suma, o que ocorreu foi, quando muito, um equívoco contábil, incapaz de gerar uma exigência tributária, e ainda, se algum valor fosse devido, não se poderia extrair qualquer justificativa para a imposição de multa qualificada. Por isso, deve ser afastada a autuação. Infração B A fiscalização constatou omissão de receitas em 4 CRT enviados pela impugnante, que teriam sido duplicados e não contabilizados (fls.1338). Ocorre que é impossível emitir dois CRT com o mesmo número de registro no Siscomex. O que aconteceu foi a remessa indevida do CRT de menor valor à RFB no curso da ação fiscal, sendo este CRT substituído/complementado pelo de maior valor. Por razões de ordem comercial, houve um complemento de valor, mas o CRT de menor valor nunca foi utilizado comercial ou formalmente. Foi preenchido, impresso e depois alterado em virtude de mudanças nas bases negociais originárias, sendo inutilizado. O registro no Siscomex ocorreu posteriormente e externou o negócio realizado e registrado contabilmente. Novamente, não é razoável admitir que, dentre um vasto conjunto de documentos representativos de um faturamento considerável, teria havido intenção de lesar o Fisco usando 4 CRT em duplicidade que gerariam uma base de incidência de pouco mais de R$35.000,00. É comum alterarse os dados de um CRT enquanto em trânsito as bases negociais, sem que isso represente emitir dois documentos com o mesmo número de registro no Siscomex para acobertar eventual omissão parcial das receitas de transporte. O Siscomex não confere anuência a dois CRT com o mesmo número de registro. O que ocorreu foi uma remessa indevida à fiscalização de 4 vias de CRT inutilizados, cujos dados foram alterados por alguma peculiaridade. Assim, o efetivo valor do negócio foi contabilizado e recolhidos os tributos devidos, devendo ser afastada a autuação. Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.602 16 Infração C Essa infração relacionase com os CRT de fls.574594, que estariam registrados contabilmente por valor inferior ao constante desses documentos. Porém, não houve conduta dolosa da impugnante pois a base de incidência dessa infração compõese de apenas 21 CRT, dentre os milhares de CRT analisados pela fiscalização no período de dois anos, um tempo considerável entre as ocorrências, e os valores supostamente omitidos são ínfimos (R$4.569,23, R$2.190,93; R$3.023,35). Tudo indica que não se tratava de prática conscientemente adotada pela impugnante a ensejar aplicação de multa qualificada. Assim, a divergência de números encontra justificativa nas peculiaridades inerentes à atividade de transporte, não consideradas pela autoridade fiscal. O valor registrado contabilmente foi o recebido pela impugnante pela prestação do serviço descrito nos CRT. Como exemplo, para o CRT nº AR254002675 (planilha de fls.595), a fiscalização entendeu que ocorreu uma omissão de R$52.019,24, eis que a conversão do valor total daquele documento resultaria em R$58.011,01, enquanto houve a contabilização de apenas R$5.991,77. No referido CRT consta a contratação da impugnante para um transporte de 238,5 toneladas de farinha de trigo, porém tal quantidade não é embarcada/carregada na mesma data e em apenas um caminhão. O transporte é efetuado mediante utilização de vários veículos, cada qual com um MIC/DTA – Manifesto Internacional de Carga/Declaração de Trânsito Aduaneiro. Logo, o mesmo CRT pode ensejar vários desses documentos auxiliares. As omissões apontadas pela fiscalização são hipóteses em que alguns caminhões efetuaram parte do transporte descrito no CRT, mas abortouse o serviço durante sua execução por questões que independem da vontade ou participação da impugnante, tais como desacordo comercial entre vendedor e comprador das mercadorias, ou quando os produtos dependem de análise e aprovação pelo destinatário, Anvisa ou Ministério da Agricultura. Ressaltese ainda que a legislação fixa prazos para os embarques das mercadorias e fechamento dos CRT, e em 2009 uma greve da RFB causou reflexos diretos sobre as hipóteses em que um CRT representava o transporte de grande quantidade de grãos a ser realizado por vários veículos. Assim, ainda que haja impropriedade na forma do registro contábil, há de se ficar claro que o valor contabilizado corresponde ao realmente recebido pela impugnante pelo serviço prestado, inexistindo omissão de receitas. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.603 17 Infrações D e E Com base em documentos de clientes da impugnante, a fiscalização confeccionou as planilhas de fls. 599 e 654/655, que ilustram CRT não contabilizados ou contabilizados a menor. Em relação à ausência de contabilização do valor dos CRT da planilha de fls.599 (infração D), a impugnante está realizando nova conferência em seus registros para localizar a origem das divergências, e destaca que os clientes não foram intimados a apresentar os comprovantes de pagamento do valor daqueles CRT. Considerando as peculiaridades já mencionadas da atividade, tudo indica que esses CRT ilustram ausência de pagamento e de registro contábil, pela inobservância não dolosa do regime de competência somada a algum desacordo comercial entre os envolvidos na operação. Salientese que não se pode extrair do caso uma intenção dolosa da impugnante de omitir parte das receitas: são apenas 21 casos em milhares de CRT analisados; há significativo intervalo de tempo, quase nove meses, entre as ocorrências de 2009 e 2010, e há omissões insignificantes, como as de R$169,42, R$625,73 e R$1.272,75. Dessa forma, mesmo que a impugnante não localize a documentação que justifique a origem das divergências, seria impossível entender pela intenção dolosa que originou a multa qualificada. A impugnante nunca adotou artifícios para deliberadamente sonegar, tratamse de equívocos contábeis surgidos por questões operacionais/comerciais, e não de modus operandi utilizado reiteradamente. Quanto aos CRT que compuseram a planilha de fls.654655 (infração E), em que houve suposta contabilização a menor, são cabíveis as mesmas razões expostas para a infração C, pois as especificidades do transporte rodoviário internacional justificam a diferença entre o valor contabilizado e a importância consignada nos CRT. Nesse ponto, a impugnante informa que está providenciando a localização de documentos que detalhem o ocorrido em cada transação. Infração F A fiscalização tributou alguns CRT registrados no Siscomex mas não contabilmente, discordando do valor de frete nesses CRT e definindo o valor da prestação do serviço da impugnante para cada uma daquelas hipóteses, conforme planilha de fls.667/670. A impugnante ressalta que o levantamento documental que está procedendo também englobará tais CRT, para verificar se de fato não foram registrados e por qual motivo. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.604 18 Entretanto, o critério adotado pela fiscalização é equivocado pois a tributação por omissão de receitas depende de provas de sua efetiva ocorrência pela autoridade fiscal, exceto nos casos de presunção legal. Estas, por sua vez, não abarcam o método comparativo utilizado pela fiscalização. Os únicos valores que constam da planilha de fls. 667671 são aqueles que a fiscalização acha que a impugnante deveria ter recebido, partindo de critérios por ela formulados, desconsiderando peculiaridades relativas ao serviço de transporte de cargas e sem qualquer elemento objetivo. Essa infração, portanto, é uma presunção não legal de omissão de receitas, pautada em uma ilegal padronização de elementos que compõem o serviço de transporte rodoviário. Recordese que o Carf consolidou entendimento de que a omissão de receitas deve ser comprovada efetivamente pela autoridade fiscal, conforme julgados de fls. 14931494. Assim, é insubsistente a infração F. Infração G Para essa infração também são cabíveis as justificativas expostas na infração E. Com efeito, da análise dos MIC/DTA que fracionam cada CRT se concluirá que o valor registrado coincide com o recebido pela impugnante, não havendo omissão de receitas tributável. Infração H Para os CRT que formam a planilha de fls. 784785 a fiscalização entendeu que a impugnante teria registrado apenas parte do valor do serviço prestado. Nessa infração foi usado o mesmo raciocínio equivocado que embasou a infração “f”, uma estimativa de recebimento de valores pautada em critério somente da fiscalização. Portanto, a impugnante espera o acolhimento de sua defesa, expurgandose da base de incidência tributária o valor de R$912.886,89. Somente se pode tributar uma omissão de receita efetivamente comprovada. Por isso, a fiscalização deveria ter efetuado diligências para esclarecer questões como aquelas atinentes ao pagamento, por exemplo. A formalização do lançamento mediante conjecturas não é cabível, e ofende a legalidade. Infração I, J e K Essa infrações relacionamse com a postergação do pagamento do tributo, pelo registro dos conhecimentos de transporte posteriormente à sua emissão. Entretanto, essa inobservância ao regime de competência não foi dolosa, devido às peculiaridades dos transportes (vide infração C). Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.605 19 Sem concordar com a aplicação da multa de ofício qualificada, a impugnante reconhece que houve registros de CRT a destempo. Todavia, isso não leva à concordância com a imputação de pagamento realizada pela fiscalização. A infração I consta na planilha de fls. 792 e os respectivos CTRC, no montante de R$5.324,23, foram emitidos em 08/2009 e registrados contabilmente em 09/2009. Porém, por se tratar de imposto trimestral, não houve irregularidade nem prejuízo. A infração J referese aos transportes internacionais e os CRT constam da planilha de fls.11861201, que também apontou a omissão de receitas pela variação cambial no período entre a emissão do documento e seu registro (infração K). No entanto, houve erro no critério de tributação, eis que a imputação é descabida, conforme julgados do Carf de fls. 1496 1497. Pode ser exigido apenas o valor dos encargos incidentes no período em atraso, ou seja, juros Selic e multa moratória. Diante disso, deve ser acolhida a impugnação. II – Inaplicabilidade da multa de ofício qualificada A multa aplicada não se sustenta pois os fatos descritos na autuação já foram esclarecidos nesta impugnação. As peculiaridades do transporte de cargas demonstram que houve, se muito, equívocos contábeis por detalhes operacionais e logísticos, nunca uma intenção deliberada de reduzir os tributos devidos. Também a ausência de contabilização ou com equívocos de valores ínfimos em infrações ocorridas com significativo intervalo de tempo entre cada uma evidencia que a impugnante não procurou se furtar de suas obrigações mediante artifícios ilícitos. Refutase ainda o entendimento da fiscalização de que os documentos entregues à fiscalização estariam inexatos (itens 139 e 140 do TVF), pois a empresa não tinha conhecimento prévio de qualquer inexatidão em tais documentos. A impugnante não admite qualquer inexatidão, tendo demonstrado equívocos da fiscalização e pretendendo apresentar documentos após a apuração em curso. Por outro lado, entregar documentos é dever dos contribuintes, sob pena de embaraço à fiscalização. Assim, a qualificação da multa pela apresentação de documentos inexatos equivale a punir a empresa por atender a fiscalização. A multa qualificada somente é cabível quando há comprovação do evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo, fraude ou conluio. Nesse sentido a jurisprudência do Carf de fls. 1500 1501. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.606 20 Ressaltese que a multa aplicada fundase apenas na própria autuação de infrações diferentes, sendo parte destas inexistentes, enquanto que outras não se sustentam diante do critério errôneo da fiscalização para apurálas. Não há especificação dos fatos que configurariam dolo, fraude ou conluio, e o evidente intuito de fraude, a justificar a aplicação da multa de ofício qualificada. Conforme entendimento do Carf (fls.1501), a omissão de receitas não justifica, por si só, a qualificação da multa. Diante disso, pedese a redução da multa para 75%. III Conclusão Protesta pela juntada, a qualquer tempo, de documentação apta a comprovar as alegações realizadas, conforme o art.16, §4º, “a”, do DecretoLei nº 70.235/72. Requer seja julgado improcedente o lançamento ou, ao menos, seja adequada a base de incidência nos termos da defesa. Pede ainda o reconhecimento à reconstituição dos créditos de PIS e de Cofins por força da extinção do crédito tributário, mesmo que parcial. Em caso de manutenção da exigência, pede a redução da multa conforme item precedente. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS A Recorrente requereu a produção de novas provas documentais. Todavia, a prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (i) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente e; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.607 21 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), sobretudo, quando existe a presunção juris tantum de omissão de receitas, invertendo o ônus probatório para Recorrente. Certamente, a extensão da dilação probatória necessitaria de prévia justificativa e pedido específico da contribuinte, demonstrando, nitidamente, a relevância para resolução do presente litígio. Frisese que a contribuinte não anexou qualquer documento na sua impugnação administrativa ou no seu recurso voluntário, hábil e idôneo, que elidiria a presunção normativa de omissão de receitas. II. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício: A propósito de a impugnante requerer seja reconhecida a insubsistência dos autos de infração, esclareçase que o art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis à sua constituição: a verificação Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.608 22 da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública. O parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. A vinculação consiste na cerrada observância dos ditames legais quando de sua efetivação; enquanto que a obrigatoriedade do lançamento impede que o agente, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, uma vez constatada a ocorrência de infração, deixe de lavrar o competente auto para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo. As hipóteses de nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal, restringemse às previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, o qual considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235 são estatuídos os requisitos para a lavratura do auto de infração, o qual deverá ser lavrado por agente competente e conter, obrigatoriamente, os elementos arrolados em seus incisos I a VI, como se pode verificar em seu texto, transcrito abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Da combinação dos dispositivos acima transcritos depreendese que só a inobservância dos pressupostos legais para a constituição do lançamento e para lavratura do auto de infração, ou a incompetência do autuante, são causas suficientes para invalidar a autuação e, consequentemente, o lançamento nela consignado. Como isso não ocorreu no presente caso, descabe a anulação ou cancelamento dos autos de infração em análise. Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.609 23 Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. III. DECADÊNCIA O acórdão recorrido não constatou a decadência, quando da constituição do crédito tributário através do lançamento de ofício, principalmente, em virtude da qualificação da multa de ofício pela conduta dolosa da contribuinte. Divergindo do acórdão recorrido, não identifiquei a conduta dolosa, dessa forma, havendo a antecipação do valor devido, iniciase o prazo decadencial a partir do fato imponível (artigo 150, parágrafo quarto, do Código Tributário Nacional). Havendo a ciência do lançamento de ofício em 28 de novembro de 2014, consumada a decadência quanto aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2009 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), assim como da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incluindo os períodos de janeiro a outubro/2009. IV. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo em parte a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, exceto sobre a decadência e a qualificação da multa de ofício, ressalvando que inexistiram novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Da autuação por omissão de receitas A impugnante alega que o Siscomex não seria suficiente para se efetuar a correta tributação das atividades da empresa, e que a autuação teria se apoiado em indícios insuficientes para exigir os tributos. Prossegue a impugnante arguindo que o início da prestação de um transporte internacional poderia não coincidir com a emissão do CRT. Alega que possui atividade de armazenamento de mercadoria de terceiros, e uma parte do produto pode ter permanecido algum tempo na empresa após o desembaraço e depois ter sido enviada ao destino mediante CTRC sem que isso represente a contratação de um serviço 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.610 24 autônomo. Sugere incoerência na tributação de receitas derivadas de transportes de produtos embarcados em Foz do Iguaçu sem que a região cultive/produza tais mercadorias, como feijão e celulose (fls.525 527, 562 e 570571). A respeito dessas alegações, é preciso esclarecer que, embora a contribuinte respondesse intimação fiscal alegando não ser possível identificar os registros do Siscomex em sua contabilidade (fls.374), fato é que a fiscalização localizou diversos desses registros do Siscomex nos lançamentos contábeis de 03/01/2011 encaminhados pela própria impugnante (fls.403). Em sua resposta à intimação fiscal, a impugnante, para sustentar a impossibilidade de identificação das operações registradas no Siscomex, deu como exemplo o dia 14/04/2009, no qual haveria quatro fretes internacionais contabilizados para a Bunge Alimentos S/A (fls.400401), e por isso não seria possível, na visão da empresa, identificar a qual deles se referiria o registro no Siscomex. Ocorre que, dos quatro lançamentos alegados como sendo de frete para a Bunge na data 14/04/2009, dois são apenas lançamentos a débito da conta Caixa, nos mesmos valores dos dois lançamentos a crédito de Receitas, um no valor de R$25.279,40, e outro de R$12.639,70. Ambos possuem ainda a identificação do respectivo CRT, a saber: AR254002769 e AR254002770. Assim, conhecidos os dois CRT, e sabendose tanto o peso líquido da mercadoria importada, como o valor do frete externo, ambas informações registradas no Siscomex e constantes da listagem anexa à intimação da qual foi cientificada a impugnante (fls.363), é perfeitamente possível a identificação do CRT a que se refere o dito registro, visto que o conhecimento de transporte também possui tais informações. Diante disso, a empresa foi mais uma vez intimada a informar se foram devidamente contabilizados os registros constantes do Siscomex, bem como a justificar eventual não contabilização desses registros (fls.403404). Em resposta (fls.409/415), a impugnante relacionou alguns dos CRT como pertencentes à Transportadora Binacional S.R.L, entretanto, não localizou diversos CRT, sob alegação de dificuldade de obtenção de dados junto ao contratante estrangeiro e impossibilidade de localização nos sistemas da impugnante. Em razão da não comprovação dos valores registrados no Siscomex, a empresa foi autuada por omissão de receitas. Com relação ao Siscomex, seu papel é muito maior do que quer fazer supor a impugnante. É um sistema que integra tanto o exportador/importador, como o(s) operadores portuários, depositários e transportador(es) das mercadorias, que nele têm a obrigação de prestar informações sobre os veículos e cargas transportadas, bem como sobre as operações que executem, Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.611 25 conforme o art.37 do DecretoLei nº 37/1966, a seguir, com a redação da Lei nº 10.833/2003: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. Confirmando a importância o dever de prestação das informações pelos intervenientes citados, o mesmo DecretoLei, com a redação da Lei nº 10.833/2003, estabelece em seu art. 107, transcrito a seguir, multas pela não prestação das informações a que se refere: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) b) por mêscalendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Sendo assim, não procede a alegação de que os registros no Siscomex não ilustrariam corretamente as operações de transporte das mercadorias. Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.612 26 É importante salientar que o embarque da mercadoria considerase ocorrido na data de emissão do conhecimento de carga, a teor do art.708 do Decreto nº 6.759/09 e art.5º da Lei nº 6.562/78, e qualquer correção nesse documento deve ser feita por meio de carta de correção, a qual, se aceita pela autoridade aduaneira do local de descarga, implicará a correção do manifesto de carga. Assim, não procede a alegação de que o início da prestação do serviço de transporte seria uma consideração da fiscalização, pois tal data é estabelecida pela legislação. Quanto à possibilidade de a impugnante ter permanecido com parte de uma carga e, posteriormente, têla despachado mediante documento próprio sem que isso representasse a contratação de outro serviço, é preciso ressaltar, sem afastar a necessidade de correção do conhecimento pelo meio legal já referido, que tal alegação não veio acompanhada de documentos comprobatórios desse eventual fato. Cabe dizer que a defendente deve instruir a impugnação com todos os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Sobre a apresentação de provas, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez (“Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, Ed. Dialética, SP, 2010, pág. 214) lecionam que: No processo administrativo fiscal federal temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Os contribuintes não têm o dever de produzir provas em sua defesa, tão só o ônus. Não o atendendo, não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. O sujeito passivo pode simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, recaindo sobre o agente fiscal o ônus da prova desses fatos, porque o julgador só terá esses elementos de comprovação para concluir pela procedência da exigência (art. 209 do CPC). Por outro lado, se a defesa alegar outro fato que evidencie a inexistência do fato constitutivo, recai sobre ela o ônus da prova. Da mesma forma, se apresentar uma exceção baseada em fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda, deverá também provar o alegado. Tal entendimento é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, conforme decisões a seguir: IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam comprovar as alegações de defesa. Não tem valor as alegações Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.613 27 desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Destarte, não tendo sido apresentados os documentos hábeis e idôneos (por ex. documentos contábeis) aptos a respaldar eventual alteração do débito confessado em DCTF, não há comprovação da existência do pagamento a maior que possibilite o deferimento do pedido de restituição. (Acórdão 1802002.347, de 24/09/14) ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentados pela autoridade fiscal e baseados em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. (Acórdão 2401003.057, de 18/06/2013) AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES EM RECURSO. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não são suficientes para ilidir o feito fiscal. (Acórdão 2802001.908, de 19/09/12) MERAS ALEGAÇÕES. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. HÁBIL E IDÔNEA. COMPROVAÇÃO DOS FATOS. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. (Acórdão 1101000.795, de 11/09/12) Além disso, a respeito da guarda de livros e documentos, o art. 264 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) dispõe que: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Como a impugnante não apresentou nenhuma comprovação de que teria ocorrido o fato alegado, limitandose a lançar hipótese sem provas, restam mantidos o lançamentos. Sobre o fato de produtos embarcados em Foz do Iguaçu sem que, na alegação da impugnante, essa região tenha cultivo ou fábrica de tais produtos, ressaltese que a tributação recaiu sobre Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.614 28 operações de transportes comprovadas por documentos hábeis e idôneos (conhecimentos de transporte). Ademais, a tributação é sobre receitas de transportes das mercadorias, de forma que o local de produção/cultivo das mercadorias em nada altera o lançamento. A seguir, analisamse as alegações da impugnante para cada infração listada no TVF. Infração A A impugnante alega que as divergências devemse a omissões de valores que julga irrelevantes e ao ICMS, o qual seria dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A respeito dessas alegações, em primeiro lugar, é preciso dizer que a receita bruta compreende o preço dos serviços prestados, a teor do art.279 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), enquanto que a receita líquida corresponde à receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos incondicionais e dos impostos sobre vendas, conforme o art.280 do mesmo Regulamento. Entretanto, alguns dos conhecimentos estão com o campo relativo ao ICMS ilegível, a saber, os de fls.524, 527, 539, 540, 549553, 557561, 563, 565 e 567570. Além disso, comparando se os valores do conhecimento de carga com os valores contabilizados, percebese que nem toda divergência é igual ao valor informado como sendo do ICMS, por exemplo, às fls.524, o valor omitido foi R$340,00, enquanto que o valor do ICMS informado no conhecimento foi de apenas de R$261,60. Por fim, a impugnante não juntou aos autos documentos comprobatórios de quitação desse imposto. Em relação às omissões de valores alegadas pela impugnante como irrelevantes, salientese que as deduções à base de cálculo dos tributos lançados somente podem ocorrer se estritamente previstas na legislação pertinente. Essa conclusão vale para os demais itens em que a impugnante alegue irrelevância de valores lançados. Pelo exposto, mantémse os lançamentos combatidos. Infração B A fiscalização constatou CRT emitidos em duplicidade, sendo contabilizado apenas um dos CRT de mesmo número, deixando de contabilizar os outros CRT. A impugnante, por sua vez, alega que os CRT de mesmo número tratarseiam de CRT substituídos ou complementares, que teriam sido alterados e inutilizados, e o valor efetivo do negócio teria sido contabilizado e os respectivos impostos recolhidos. Alega ainda que o valor (cerca de R$35.000,00), não configuraria intenção de lesar o Fisco em vista do considerável faturamento que possui. Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.615 29 Como esclarecido em tópico anterior desse voto, qualquer alteração no conhecimento deve ser realizada por meio de carta de correção, e à impugnante cabe instruir sua defesa com todos os documentos comprobatórios de suas alegações. Não sendo apresentada a referida carta, mantémse os lançamentos. Pelo mesmo motivo, não apresentação de carta de correção dos conhecimentos, afigurase desnecessária eventual intimação para os clientes da impugnante apresentarem comprovantes de pagamento. Infração C A fiscalização constatou CRT cujos valores, em parte, não foram contabilizados pela empresa. Diante disso, efetuou o lançamento da diferença entre os valores dos CRT e os valores contabilizados. A impugnante, a seu turno, alega primeiramente que não teria havido conduta dolosa, eis que foram apenas 21 CRT entre todos analisados pela fiscalização, e os valores seriam ínfimos. Segue alegando que as diferenças resultariam da peculiaridade da operação, em que, como exemplo, a quantidade de mercadoria constante no CRT não seria embarcada/carregada na mesma data e em apenas um caminhão. Explica que o transporte pode ser realizado por vários caminhões, cada qual com um documento auxiliar (MIC/DTA), e que um mesmo CRT pode conter vários desses documentos. Argumenta ainda que as omissões verificadas referemse a serviços abortados por questões comerciais ou relativas a órgãos governamentais, independentes da vontade da impugnante. Conclui afirmando que não teria havido omissão de receitas. A respeito das alegações, primeiro constatase que o valor omitido nesta infração é de R$960.599,39. Notese, porém, que o lançamento de tributos é atividade vinculada e independe do montante das receitas omitidas. Em relação à análise de eventual conduta dolosa, nesta e demais infrações, tal tópico será analisado adiante neste voto, na parte relativa à qualificação da multa. Quanto a eventual fracionamento das cargas, é preciso dizer que o regime de trânsito aduaneiro não interfere na obrigação da contribuinte contabilizar e tributar suas receitas de transporte de cargas. Em relação a eventual cancelamento de serviços, deve ser ressaltado que o conhecimento de transporte somente pode ser alterado mediante emissão de carta de correção, a qual não foi apresentada pela impugnante. Repitase que a contribuinte deve manter em boa guarda todos os documentos relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes. Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.616 30 Ademais, ressaltese que a impugnante não juntou aos autos nenhum documento hábil e apto a comprovar suas alegações, sequer individualizou, para cada CRT, qual o motivo da não contabilização do valor integral constante do conhecimento. Como a impugnante não apresentou nenhuma comprovação de que teriam ocorridos os fatos alegados, restam mantidos o lançamentos. Infrações D e E A fiscalização obteve CRT em diligência junto aos clientes da impugnante e constatou receitas não contabilizadas (infração D) e receitas contabilizadas a menor (infração E). Por sua vez, a impugnante alega que está realizando conferência em seus registros para localizar a origem das divergências (infração D), e que tais CRT indicariam ausência de pagamento e de registro contábil, por inobservância do regime de competência e algum desacordo comercial entre as partes. Expõe que não teria havido dolo no caso pois seriam apenas 21 CRT, com intervalos de tempo entre eles e alguns com valores insignificantes de R$169,42, R$625,73 e R$1.272,75. Para a infração E, alega que as mesmas justificativas da infração C (especificidades da operação de transporte), e informa que está providenciando a localização de documentos que detalhem cada operação. A respeito dessas alegações, de início ressaltese que os valores totais omitidos para essas duas infrações são de R$281.546,97 para a infração D e de R$1.093.914,92 para a infração E, conforme planilhas de fls.600 e 655. Notese, porém, que o lançamento de tributos é atividade vinculada e independe do montante das receitas omitidas. Quanto às demais alegações, é preciso dizer que a impugnante não juntou aos autos nenhum documento hábil e apto a comprovar suas alegações, sequer individualizando o motivo de cada divergência. Também não apresentou documentos contábeis que comprovem eventual cancelamento de valores a receber pelos serviços detalhados nos CRT. Em vista disso, restam mantidos o lançamentos. Infração F A fiscalização realizou análise dos registros do Siscomex e verificou que vários deles não foram contabilizados pela impugnante, lançando as diferenças apuradas conforme planilha de fls. 667670. A seu turno, a impugnante afirma que está procedendo a levantamento documental para apurar o ocorrido e alega que a tributação por omissão de receitas depende de provas de sua efetiva ocorrência, exceto em presunções legais, as quais não abarcam o critério utilizado pela fiscalização. Na visão da Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.617 31 impugnante, tal infração seria uma presunção ilegal de omissão de receitas feita pela fiscalização, que desconsiderou peculiaridades do serviço de transporte de cargas. Expõe jurisprudência do Carf a corroborar suas teses. A respeito dessas alegações, primeiramente cabe reafirmar que a impugnante deve instruir sua defesa com todos os documentos comprobatórios que fundamentam sua argumentação. No caso, a defesa não apresentou documentos aptos e hábeis a suportar suas alegações, por exemplo, não apresentou provas da efetiva contabilização dos CRT cujos registros constam do Siscomex. Uma vez que os valores registrados no Siscomex pelos importadores, transportadores, ou quaisquer outros intervenientes do comércio exterior, indicam a existência de prestação de serviços de transporte por parte da fiscalizada, caberia à impugnante apresentar provas que infirmassem as informações ali registradas. Todavia, a impugnante sequer afirmou que as informações constantes do Siscomex seriam inverídicas. Por outro lado, em relação à autuação, conforme fls.13421346 do TVF e planilha de fls.656666, o cálculo do frete não contabilizado pela impugnante foi feito de acordo com (a) CRT encaminhados à fiscalização pela própria impugnante e por seus clientes, (b) valores iguais aos constantes dos CRT encaminhados pela impugnante quando coincidentes o importador, o peso líquido da mercadoria importada e/ou o valor do frete externo, e (c) valores proporcionais aos constantes dos CRT encaminhados pela impugnante quando coincidente o importador e proporcionais o peso líquido da mercadoria importada e/ou o valor do frete externo. Portanto, todos os valores calculados pela fiscalização fundamentamse em documentos emitidos pela própria impugnante, a saber, os CRT por ela fornecidos à fiscalização ou os CRT coletados em diligência junto aos clientes da empresa. Afastase, dessa forma, a alegação de que a autuação teria se baseado em presunção, restando mantidos os lançamentos. Em relação à jurisprudência administrativa citada pela defesa, ressaltese não vinculam as decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Infração G A fiscalização realizou análise dos registros do Siscomex e verificou que vários deles foram contabilizados a menor pela impugnante, lançando as diferenças apuradas conforme planilha de fls. 759762. Por sua vez, a impugnante alega as mesmas justificativas expostas para a infração E, ou seja, que cada CRT teria sido fracionado e o valor registrado coincidiria com o recebido pela impugnante, não havendo omissão de receitas. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.618 32 Quanto a eventual fracionamento das cargas, é preciso dizer que o regime de trânsito aduaneiro não interfere na obrigação da contribuinte contabilizar e tributar suas receitas de transporte de cargas, as quais foram apuradas mediante valores contidos nos conhecimentos de transporte. Ademais, ressaltese que a impugnante não juntou aos autos nenhum documento hábil e apto a comprovar suas alegações, sequer individualizou, para cada CRT, qual o motivo da não contabilização do valor integral constante do conhecimento. Como a impugnante não apresentou nenhuma comprovação de que teriam ocorridos os fatos alegados, restam mantidos o lançamentos. Infração H A fiscalização constatou divergências significativas na valoração de alguns fretes da impugnante (fls.148150), a qual alegou que tais variações deviamse a alterações posteriores aos acordos dos fretes (fls.160163). Entretanto, não apresentou documento algum a comprovar sua alegação. Diante disso, a fiscalização concluiu que alguns CRT cujos valores questionou e a empresa confirmou, continham valores superiores aos considerados pela contribuinte, conforme registros do Siscomex e circularização junto aos clientes da empresa. Assim, apurouse que a contribuinte contabilizou a menor valores do frete de exportação, alguns contabilizados a 10%, 5% ou 1% do que deveriam ser, conforme planilha de fls. 784. A defesa, por sua vez, alega que (i) foi usado o mesmo raciocínio que embasou a infração F; (ii) que a fiscalização deveria ter efetuado diligências para comprovar o pagamento; e (iii) que o lançamento feito por conjecturas ofende a legalidade. A respeito dessas alegações, primeiramente cabe salientar que, no curso da ação fiscal, a autuada foi intimada a esclarecer as divergências apuradas e alegou que se tratariam de alterações nos acordos dos fretes, não apresentando, porém, qualquer documento que embasasse sua justificativa (fls.160163). Repitase que a impugnante deve instruir sua defesa com todos os documentos comprobatórios que fundamentam sua argumentação. Todavia, a defesa não apresentou documentos aptos e hábeis a suportar suas alegações, por exemplo, cartas de correção dos referidos conhecimentos de transporte que suportassem as eventuais alterações alegadas de forma genérica pela defendente. Uma vez que tanto os valores constantes dos CRT os valores registrados no Siscomex pelos importadores, transportadores, ou quaisquer outros intervenientes do comércio exterior, indicam a existência de prestação de serviços de transporte por parte da fiscalizada, caberia à impugnante apresentar provas que infirmassem as informações ali registradas. Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.619 33 Por outro lado, em relação à autuação, conforme fls.13511352 do TVF e planilha de fls.784, o cálculo da diferença de frete não contabilizado pela impugnante foi feito de acordo com os CRT encaminhados à fiscalização pela própria. Portanto, os valores calculados pela fiscalização fundamentam se em documentos emitidos pela própria impugnante, a saber, os CRT por ela fornecidos à fiscalização. Diante disso, nada há a ser alterado nos lançamentos. Em relação a eventual violação de princípio constitucional, cabe salientar que o foro administrativo não detém competência para tal análise, sendo esta competência exclusiva do Poder Judiciário. Infrações I, J e K Em relação às infrações I, J e K, relacionadas à postergação de receitas, a impugnante alega que tal inobservância não teria sido dolosa em razão das peculiaridades do setor de transportes, mesma alegação para a infração C. Reconhece o registro dos CRT a destempo, porém discorda da imputação de pagamentos realizada, expondo jurisprudência do Carf a respeito. Para a infração I, alega que os CTRC foram emitidos em 08/2009 e contabilizados em 09/2009. Sendo um imposto trimestral, alega que não teria havido prejuízo. Para a infração J, repete que haveria erro na adoção da imputação de pagamentos, e que apenas os juros Selic e a multa de mora poderiam ser exigidos. A respeito dessas alegações, salientese novamente que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme o parágrafo único do art.142 do CTN, e a própria impugnante reconhece a contabilização tardia dos CRT em questão. Ora, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros e multas, conforme art.161 do CTN. Sendo assim, independente de eventual dolo da impugnante, o que será analisado no tópico seguinte, ainda assim os valores teriam que ser lançados, sob pena de responsabilidade funcional do agente público. Em relação à infração I, nenhum prejuízo houve à contribuinte, eis que, conforme fls.1365 e 1402 dos autos de infração, os valores dos CTRC emitidos em 08/2009 não foram computados, somente sendo lançados os valores correspondentes ao CTRC datado de 05/2009 e contabilizado em 07/2009. Quanto a imputação proporcional, sua previsão consta no art. 163 do CTN e foi objeto de análise pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT/Nº74, de 17/01/2013: Imputação de pagamento. Art. 163 do CTN. Pagamento do crédito tributário após o seu vencimento, sem que o contribuinte inclua o valor da multa de mora. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.620 34 A imputação proporcional e a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007. (...) 108. De tudo, nossa conclusão é no sentido de que, diante do pagamento não integral de crédito tributário composto por mais de um elemento (principal, juros, penalidades pecuniárias), deve a autoridade administrativa efetuar a imputação proporcional entre cada um desses elementos. 109. A idêntica conclusão, mas por caminho hermenêutico diverso, chegou o Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005, que consubstancia o entendimento prevalecente até esta data no âmbito desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional sobre o assunto. Ali, com efeito, também se conclui que, na hipótese aqui tratada, a imputação deve ser proporcional entre os componentes da dívida. (...) 119. De toda forma, tanto pelo caminho trilhado no Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005 como pelo por nós aqui utilizado, a conclusão é uma só, no sentido da imputação proporcional. Que, digase por derradeiro, é bastante equilibrada, não se podendo afirmar que penda em favor dos interesses do Fisco nem em favor dos interesses do contribuinte. 120. Dito tudo isso, prossigamos na análise da consulta, lembrando que a situação de fato subjacente à controvérsia nela descrita é aquela em que o particular tem um débito tributário que não é pago no seu vencimento, mas em data posterior, ainda que o valor pago corresponda, exatamente, ao montante que era devido na data do vencimento. Exemplificando: o contribuinte devia 10.000 reais em MAI de 2009; pagou exatos 10.000 reais; mas fêlo, v.g., três (3) anos depois, em MAI de 2012. 121. Ora, sabendose que sobre o débito tributário não pago no vencimento incidem, pelo menos, encargos relativos à mora – juros de mora (sempre) e multa de mora (quando prevista) –, o que se tem é que o contribuinte, a rigor, deveria ter pago, além daquele valor (10.000 reais), também a quantia referente aos citados encargos moratórios, incidentes entre a data do vencimento e a data do pagamento. 122.BERNARDO RIBEIRO DE MORAES ensina: “[Na] hipótese de falta de pagamento do crédito tributário ou de pagamento não integral, o devedor fica sujeito ao pagamento do crédito tributário originário acrescido de diversos ônus. Em linhas gerais, o quantum a ser exigido será o seguinte: a) o valor do crédito tributário originário, constituído pelo valor da obrigação tributária principal e pelo valor das multas fiscais, se existirem; b) o valor da multa moratória, se houver, decorrente da impontualidade do devedor; c) o valor dos juros de mora, Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.621 35 com a taxa fixada em lei. [...]; d) o valor da correção monetária do crédito tributário [...].” 123. Anotese que os referidos encargos (juros de mora e multa de mora) incidem imediatamente após o vencimento do débito tributário, decorrentes, como são, diretamente da lei, não se fazendo necessária, para que isso ocorra, a prática de qualquer ato da autoridade administrativa. 124. Fácil concluir, portanto, que um pagamento como aquele acima descrito – que não inclui nem o valor dos juros de mora nem o valor da multa de mora (esta, quando prevista) – jamais se poderá caracterizar como um pagamento integral do débito tributário. 125 .Sendo, pois, parcial um pagamento assim e estando o débito tributário – desde o vencimento – composto por mais de um elemento (quais sejam: principal e, pelo menos, encargos da mora), a conseqüência inarredável é a de que será necessário efetuarse a imputação do valor pago por entre esses elementos. 126. Essa imputação, mais que necessária, é, como toda imputação de pagamento na seara tributária, um dever da autoridade administrativa, não podendo deixar de ser praticada – nos termos do artigo 163 do CTN –, e, isto, de forma proporcional entre aqueles componentes do crédito tributário, tudo, na forma do que mais acima exposto. 127. Com isso, rechaçase, de pronto, a postura que, segundo a consulta, algumas Delegacias Regionais de Julgamento, da SRFB, vêm adotando – na situação em que o contribuinte paga débito tributário federal em data posterior à do vencimento sem incluir o valor referente à multa de mora –, consistente em lançar simplesmente a citada multa. 128. Por meio de tal postura, como se vê, a autoridade administrativa não procede à imputação proporcional do pagamento, deixando de lançar o resíduo de principal, o resíduo de juros de mora e o resíduo de multa de mora que, necessariamente, dela (imputação proporcional) decorreriam, o que, a toda evidência, não pode ser aceito. (...) 130. Retomando o raciocínio, não se pode, com efeito, acatar a postura acima descrita, porque ela não é condizente com o dever imposto pelo artigo 163 do CTN à autoridade administrativa de efetuar a imputação de pagamento nos casos em que o contribuinte paga valor insuficiente para saldar todo o débito tributário e de fazêlo proporcionalmente entre os elementos de que ele seja composto, como tanto vimos enfatizando nesta manifestação. 131. É, com efeito, fora de dúvida que a situação em que se dá “o pagamento do débito tributário após o seu vencimento sem que o contribuinte inclua o valor da multa de mora” enquadra Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.622 36 se perfeitamente no conceito de “pagamento de débito tributário após o seu vencimento em valor insuficiente para saldálo integralmente”, que gera a necessidade de efetuarse a imputação proporcional de pagamento. 132. Digase, aliás, en passant, que nesse conceito também se enquadra a situação em que o contribuinte paga o débito tributário após o seu vencimento sem incluir o valor referente aos juros de mora, o que rende ensejo, por igual, ao dever da autoridade administrativa de efetuar a imputação proporcional de pagamento. É certo que sobre a multa de mora devem incidir juros de mora – tal como previsto no § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, supra transcrito –, mas estes não se confundem com os juros de mora incidentes sobre o principal não pago no vencimento. 133. De tudo, a solução correta, segundo nos parece, será então a de: 1) apurar o valor do débito tributário na data do pagamento, fazendo, para isso, o acréscimo dos encargos da mora (multa de mora e juros de mora) sobre o valor que era devido na data do vencimento, incidentes entre essa data e a do pagamento; 2) apurar quanto de principal, quanto de juros de mora e quanto de multa de mora, foram efetivamente pagos; noutras palavras: efetuar a imputação do pagamento proporcionalmente aos elementos de que passou a ser composto, a partir do vencimento, o débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora); 3) lançar o saldo devedor remanescente, isto é, o valor não pago, para, em seguida, iniciarse a respectiva cobrança. Concluise, portanto, correta a aplicação da imputação proporcional, sendo rejeitada a alegação da impugnante. (...) Mantidos os lançamentos rejeitase também o pedido para reconstituição dos créditos de PIS e Cofins. Conclusão Pelo exposto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido, divergindo somente acerca da imposição de multa qualificada. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é própria da contribuinte, nem evidenciar a inexistência de omissão de receitas. A improcedência sobre a presunção de omissão de receita ocorre mediante documentos hábeis e idôneos, como determinado no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, identicamente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.623 37 registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para o contribuinte. O atual Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Frisese que a Recorrente, conquanto questione a improcedência da exigência, irresignada sobre a ausência de verificação de eventuais documentos fiscais ou contábeis, nada acrescentou em termos de prova, hábil e idônea, elidindo a válida e motivada omissão de receitas. Adicionalmente, existiu a análise minuciosa de informações do Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX) e a circularização de contratantes do serviço de transporte, prestado pela Recorrente, durante o procedimento de auditoria, constatandose receitas omitidas da escrituração fiscal e contábil. Contudo, a qualificação da multa de ofício pressupõe a observância do artigo 10, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972 e do artigo 50, inciso II, da Lei nº 9.784/99: Decreto nº 70.235/1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Lei nº 9.784/99 Artigo. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; Este Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou sua jurisprudência com as súmulas nºs 14 e 25, considerando que a simples apuração da omissão de receita, isoladamente, não propicia o agravamento da multa, quando não evidente o intuito de fraude, necessitando da comprovação das hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.624 38 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O acórdão recorrido manteve a penalidade qualificada, com os seguintes fundamentos: Da multa qualificada A impugnante alega que a multa aplicada deve ser cancelada pelos motivos já alegados nos tópicos anteriores. Expõe que teria havido apenas ausência de contabilização ou com equívocos de valores ínfimos e não uma intenção deliberada de reduzir a tributação. Alega que a qualificação da multa pela apresentação de documentos inexatos equivaleria a punir a empresa por atender a fiscalização, e que não teriam sido especificados os fatos que configurariam dolo, fraude ou conluio. Expõe a jurisprudência do Carf e pede a redução da multa para 75%. Em relação às alegações apresentadas, já exposto nos tópicos anteriores que a fiscalização constatou diversas infrações feitas repetidamente ao longo dos anos pela impugnante, a saber: falta de contabilização/contabilização a menor de valores constantes em CRT registrados no Siscomex, CRT encaminhados por clientes da empresa e CRT enviados pela própria impugnante. Também foi apurada contabilização a menor de valores constantes em CRT emitidos pela empresa em confronto com CRT também emitidos pela impugnante relativos a transportes semelhantes. Além disso, foi constatado que a impugnante apurou tributos em valores menores que o devido, deixando de reconhecer receitas tributáveis nos prazos legais e assim reduzindo indevidamente o Lucro Real. Destaquese que durante todo o curso da ação fiscal a impugnante foi intimada a justificar as divergências encontradas (fls.6465, 8182, 139142, 356357 e 403 404), porém não apresentou nenhum documento comprobatório que infirmasse os valores lançados, e confirmou que não contabilizou alguns dos CRT apontados pela fiscalização (item 2 da resposta de fls.374). Notese que, apesar de alegar que as divergências apuradas deverseiam a alterações nos acordos de frete, não apresentou as respectivas cartas de correção dos conhecimentos de transporte. Também contribui para a apuração da conduta dolosa o fato de que diversos CRT cujos valores foram questionados pela fiscalização e confirmados pela autuada, apresentaram valores Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.625 39 superiores aos considerados pela empresa apurados em procedimento de circularização junto aos clientes da empresa e em registros do Siscomex, conforme tabelas a seguir: Como exemplo dessas divergências, o CRT nº AR254002846 de fls.269 indica um frete total de US$14.490,00, sendo de US$5.490,00 o trecho Chacabuco/Argentina para Foz do Iguaçu, enquanto que o mesmo CRT apresentado pela impugnante informa apenas um frete de US$1.629,00 (fls.601). Também ficou sem explicação as diferenças de valores de fretes semelhantes apuradas pela fiscalização, contabilizados em percentuais de 10%, 5% e 1% do valor do frete, conforme planilha de fls.784. Em vista de todo o exposto, rechaçase, portanto, a alegação de que os erros seriam equívocos pontuais e em valores ínfimos. Tratase de diversas e reiteradas infrações, cujo apuração demandou até diligências junto aos clientes da empresa fiscalizada. Sendo assim, aplicase ao caso a multa qualificada prevista no art.44, §1º, da Lei nº 9.430/96, com alterações do art.14 da Lei nº 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10945.721759/201427 Acórdão n.º 1201002.341 S1C2T1 Fl. 1.626 40 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Registrese que a aplicação da multa qualificada decorre da constatação dos casos previstos no mencionado §1º, não sendo atenuante o atendimento às requisições da fiscalização, cuja ausência é apenada com o agravamento de multa constante do inciso II do §1º do referido artigo 44, não aplicado nesta autuação. Assim, não produzem efeitos as alegações da impugnante de que teria sido punida por fornecer informações à fiscalização. Discordo sobre a multa qualificada, pois toda conduta narrada pelo Termo de Verificação Fiscal e, posteriormente, acórdão recorrido, não caracterizou a indispensável prova do dolo, da fraude ou da simulação. A Recorrente omitiu parte da sua receita, no entanto, respondeu vários Termos de Intimação Fiscal, assumindo a não escrituração fiscal de determinados pagamentos de Conhecimento Rodoviário de Transporte de Cargas (CRTC), inclusive subsidiando o procedimento fiscal com a prova, necessária para exigência tributária. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida, reconhecendo a decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres de 2009 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), assim como dos meses de janeiro a outubro/2009 da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO, reduzindo a multa qualificada de 150% para multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1626DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.006630/2003-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3003-000.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 66 30 /2 00 3- 19 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Em decorrência de auditoria interna realizada nas DCTF – Declarações de Contribuições e Tributos Federais, referentes aos 1º, 2º e 3º Trimestres de 1998, foi lavrado, em 26/06/2003, o auto de infração cuja cópia encontrase às fls. 04/06 (e às fls. 105/110), exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 102.471,33, sendo R$ 37.695,21, a título de Contribuição para o PIS; R$ 28.271,41 a título de Multa de Ofício (75% Passível de redução); e R$ 36.504,71 a título de juros de mora (calculados até 30/06/2003). 2. No Anexo I ao Auto de Infração (fl. 107) referente a Créditos Vinculados não confirmados “comp s/DARF – OutrosPAF”, foram apuradas inconsistência nas DCTFs identificadas com as seguintes ocorrências: “Processo c/ valor parcial” e “Proc Inexist no Profisc” e no Anexo Ia (fl. 109, referente a auditoria interna de pagamentos informados na DCTF, a situação do DARF informada é “Pgto não Localizado”. 2.1. No Anexo III, às fls. 110, encontrase o Demonstrativo do Crédito Tributário Lançado e às fls. 106, a fundamentação da autuação. 3. Cientificada do Lançamento, em 11/08/2003 (fl. 118), a contribuinte interessada apresentou, em 21/08/2003 (protocolo à fl. 3), a impugnação de fl. 02, em que informa que: 3.1. o débito de R$ 6.677,85, foi pago dentro do prazo porém constou erroneamente no DARF período de apuração “28.03.1998”, quando o correto é “28.02.1998”, tendo procedido à retificação por REDARF; As demais contribuições foram compensadas através dos Pedidos de Compensação n°s 10580.002797/9873, 10580.004043/9801, 10580.003440/9858 e 10580.004799/9870, protocolados em 25/05/1998, 28/07/1998, 30/06/1998 e 31/08/1998; as compensações ocorreram devido a pagamentos a maior, conforme fazem provas cópias dos DARFS que ora anexamos, bem como cópias dos recibos de entrega das declarações original e retificadora. Esclarecemos que os pagamentos nas condições citadas deramse em função do pleito de Isenção n° DAI/ITE0048/98, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, retroativo ao AnoBase 1996, conforme cópia da Portaria anexa. 3.2. Instruem a impugnação os documentos de fls. 04 a 78. 3.2.1. Os débitos objeto do auto de infração referente à contribuição para o PIS (código 8109) são os seguintes: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 4 3 4. Às fls. 114/117, constam relatórios de Revisão de Ofício do auto de infração, remanescendo em litígio o débito de PIS relativo ao P.A. 04/1998, no valor de R$ 2.437,28, e a multa vinculada (75% R$ 1.827,96). Vide também o extrato do processo à fl. 119. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo proferiu decisão, dando parcial provimento à impugnação, tendo excluído a multa de ofício e mantido o crédito principal, nos seguintes termos: 9.8. No presente caso, verificado que o sujeito passivo informou em DCTFs os valores objeto do presente lançamento de ofício e que o procedimento fiscal decorreu de auditoria interna dessas DCTFs (relativas ao 1º, 2º e 3º Trimestres de 1998), ocasião em que se constatou o não recolhimento/quitação dos valores indicados na autuação, e, ainda, não existindo nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 ensejadoras da aplicação de penalidade, devese, pois, ser exonerada a multa de ofício vinculada lançada, sujeitandose contudo o imposto lançado aos acréscimos legais moratórios. 9.9. Devese pois ser exonerada a multa de ofício vinculada lançada. 10. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO apresentada, devendo ser mantido em parte o lançamento remanescente da revisão de ofício (fls. 116/117), exonerandose tão somente a multa de ofício no valor total de R$ 1.827,96. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega que o débito de PIS em litígio, atinente ao período de apuração 04/98, no valor de R$ 5.460,36, já teria sido objeto de compensação com créditos de pagamento por estimativa no curso do processo administrativo nº. 10580.002387/9831, tendo juntado cópia de parecer para comprovar sua alegação. A recorrente sustenta ainda que estaria questionando a referida compensação no bojo do processo administrativo nº. 10580.003826/200602. Ademais, a recorrente aduz que o referido débito de PIS teria sido objeto de depósito judicial em ação judicial em que se discute a anulação dos débitos do processo administrativo nº. 10580.003826/200602 , tendo trazido, aos autos, cópia de comprovante de depósito. Postula, por fim, pelo cancelamento do débito fiscal litigioso. Juntei ao presente processo os documentos de fls. 216 a 234. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator No caso dos autos, a controvérsia cingese à questão acerca da procedência do débito de PIS, no valor de R$ 5.460,36, do período de apuração 04/98, tendo em vista sua suposta compensação em processos administrativos fiscais. Como relatado, a recorrente aduz, em síntese, que o referido débito teria sido objeto de compensação processo administrativo nº. 10580.002387/9831 e, ainda, de depósito integral no bojo do processo judicial nº. 002058519.2011.4.01.3300, tramitando na Justiça Federal da 1ª. Região. No tocante à suposta compensação, transcrevo parte do voto do acórdão recorrido, o qual traz razões acertadas para afastar a alegação da recorrente: 8. Os documentos de fl. 39 e 61 informam que os processos 10580.002387/98 31; 10580.00343/9814; 10580.003439/9879; 10580.003440/9858; 10580.001441/9811; 10580.004042/9831; 10580.004043/9801; 10580.004799/9870; 10580.004800/9857; 10580.006019/9890 cuidam de processos de Pedido de Compensação em que o Direito Creditório reclamado referese ao IRPJ (código 2430) e ao IRPJ (código 2362) dos anos calendário de 1996 e 1997 apurado em virtude de incentivo fiscal concedido com efeitos retroativos. 8.1. Entretanto, conforme consulta Profisc de fls. 131/140, não há nos citados processos outra parcela da contribuição para o PIS – P.A. 04/1998 sendo compensada naqueles processos, além daquela, no valor de R$ 3.023,08, declarada no P.A. 10580.002797/9873. 8.2. Portanto, não foi carreada aos autos a prova de que a parcela da contribuição para o PIS – P.A. 04/1998, no valor de R$ 5.460,30, teria sido compensada com crédito relativo ao IRPJ (código 2362). Frisese que o documento de fls. 12, está a indicar que o número do processo que controla o débito em comento seria o de número 10580.002797/9873, informação não confirmada pela consulta ao Sistema Profisc (fl. 132). Compulsando os autos, sobretudo os documentos às fls. 131 a 140,1 observase que nenhum dos processos administrativos, referidos pela decisão recorrida no item 8, inclui, como compensado, o débito de PIS, período de apuração 04/1998, no valor de R$ 5.460,30, para compensação com créditos de IRPJ incentivos fiscais retroativos. Como consignou o aresto recorrido, somente no processo administrativo nº. 10580.002797/9873 é que débito de PIS, do período de apuração 04/98, no valor de R$ 3.023,08, foi compensado, tendo este fato levado ao afastamento do referido débito pelo colegiado a quo. Embora a recorrente tenha juntado despacho decisório, às fls. 191 a 194, mediante o qual são homologadas compensações no processo administrativo nº. 10580.002387/9831, nele não está consignado que o débito litigioso de PIS tenha sido compensado. Também o extrato à fl. 137, com a relação de débitos compensados, não faz menção ao citado débito de PIS. 1 Neste voto, minhas referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 6 5 Lembrese que, em seu recurso, a própria recorrente admite que o débito de PIS estaria ainda sendo discutido no processo administrativo nº. 10580.003826/200602 e, por essa razão, teria ingressado com ação judicial a fim de afastálo. Pois bem. Analisando o processo nº. 10580.003826/200602 vinculado, digase de passagem, ao presente processo , especialmente os documentos às fls. 12/13 daquele processo juntados ao presente processo às fls. 220/221 , verificase que o débito litigioso de PIS, no valor de R$ 5.460,36, foi apreciado no processo administrativo nº. 10580.002797/9873, tendo sido exarada decisão de não homologação da compensação quanto a tal débito. Registrese que o processo nº. 10580.003826/200602 foi formalizado justamente para controlar os débitos do processo nº. 10580.002797/9873 que não foram homologados incluindose, nesse caso, o débito em litígio. Examinando a Informação Nº. 180/2006 SEORT PJ, às fls. 19/20 do processo nº. 10580.003826/200602 juntado ao presente processo às fls. 222/223 , constata se que restou saldo credor no processo administrativo nº. 10580.002387/9831, no montante de R$ 55.760,20. Tal crédito remanescente poderia ter sido utilizado pelo contribuinte para compensar débitos do processo nº. 10580.003826/200602, desde que observadas as formalidades e procedimentos previstos na legislação tributária. É o que se depreende da leitura da citada informação, colacionada a seguir para elucidar alguns aspectos da controvérsia ora analisada: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 7 6 Como se depreende da leitura dos excertos, para que a recorrente pudesse se valer dos créditos reconhecidos no processo administrativo nº. 10580.002387/9831, a fim de compensar o débito contestado nestes autos assim como os demais débitos do processo nº. 10580.003826/200602 , deveria ter apresentado Declaração de Compensação, nos moldes da legislação tributária então aplicável. Não tendo apresentado declaração de compensação, remanesceu em aberto o débito de PIS do período 04/1998, juntamente com os demais débitos também controlados no processo nº. 10580.003826/200602. No tocante à alegação de depósito judicial, o DESPACHO Nº 2.690/2011, às fls. 150/151 do processo nº. 10580.003826/200602 juntado ao presente processo às fls. 224/225 , traz os seguintes esclarecimentos: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 8 7 Conforme se observa, o despacho confirma o processo judicial nº. 0020585 19.2011.4.01.3300, da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, visando a extinção dos débitos controlados no processo nº. 10580.003826/200602, entre os quais o débito de PIS do período 04/1998, tendo havido regular depósito judicial para a suspensão da exigibilidade dos débitos ali discutidos. Examinando o teor da referida ação nº. 002058519.2011.4.01.3300, no sítio da Justiça Federal da Bahia https://processual.trf1.jus.br , observase que a autora pretende que seja declarada a inexistência de débitos tributários do processo nº. 10580.003826/200602, em face de homologação da compensação com créditos tributários relativos aos processos administrativos nºs. 10580.002797/9873 e 10580.002387/9831, conforme excerto de decisão, em 25/06/2012, transcrita na página de consulta processual. No mesmo sítio de consulta, notase que ainda não houve o trânsito em julgado do referido processo judicial vide extrato de andamento processual juntado ao presente processo às fls. 216 a 219. Além disso, constatase que, em 11/09/2017, foi exarada sentença de mérito juntada ao presente processo às fls. 226 a 233 , cujos excertos relevantes à presente análise são a seguir transcritos (grifei algumas partes): Do mérito Pela análise dos autos, verificase que a parte Autora pretende ver desconstituído o débito cobrado por meio do processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602. Em realidade, o referido débito foi constituído no bojo do processo administrativo nº 10580.002797/98 73, no qual apenas parte de pedido de compensação efetuado pela parte Autora fora homologado pelo Fisco, seguindose com a cobrança do valor remanescente (fl. 402). Com efeito, em 25/05/1998, a parte Autora apresentou dois pedidos de compensação, um no valor de R$ 99.425,47 (noventa e nove mil quatrocentos e vinte e cinco reais e quarenta e sete centavos e outro no valor de R$ 89.071,40 (oitenta e nove mil setenta e um reais e quarenta centavos) (fls. 330/331). Após o Fisco ter indeferido tais pedidos em agosto de 1998 (fls. 332/333), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento deu provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela parte Autora, reconhecendolhe crédito passível de compensação no valor de R$ 78.220,02 (setenta e oito mil duzentos e vinte reais e dois centavos), em março de 2002 (fls. 379/382). Conforme se depreende de todo o trâmite procedimental acima relatado, concluise não ter havido homologação tácita dos pedidos de compensação. Ao contrário, houve inicialmente o indeferimento total destes pedidos e, ao fim, a sua homologação parcial, tudo dentro dos cinco anos seguintes a sua apresentação. Por seu turno, ainda que se tenha reconhecido o direito à compensação no bojo daquela demanda, o crédito reconhecido pelo Fisco não foi suficiente para quitar os débitos apontados pelo contribuinte, razão pela qual se determinou a cobrança do saldo remanescente por meio da abertura do processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602, em abril de 2006 (fls. 36/37). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 9 8 Ocorre que, em face da edição da Portaria DAI/ITE – 0048/1998 da SUDENE (fl. 338), por meio da qual foi reconhecido o direito da parte Autora à isenção do imposto de renda, também houve o reconhecimento pelo Fisco de crédito em favor do contribuinte no valor de R$ 109.997,25 (cento e nove mil novecentos e noventa e sete reais e vinte e cinco centavos) (fls. 289/292), no bojo do processo administrativo nº 10580.002387/9831. Cumpre esclarecer que, embora a parte Autora não tenha apontado o processo administrativo nº 10580.002387/9831 nos pedidos de compensação formulados em 25/05/1998, fato é que no referido processo administrativo acabou por se reconhecer direito creditório em seu favor, pretensamente suficiente para, ao lado do crédito reconhecido processo administrativo nº 10580.002797/9873, promover o pagamento daquelas dívidas. Em razão disso, foi determinada a realização de perícia técnica contábil no curso da instrução processual, tendo o expert do juízo concluído, após análise dos processos administrativos, que o valor total dos créditos em favor da parte Autora decorrentes da declaração retificadora do DIRPJ/1997 era de R$ 250.952,11 (duzentos e cinquenta mil novecentos e cinquenta e dois reais e onze centavos), sendo R$ 148.994,85 (cento e quarenta e oito mil novecentos e noventa e quatro reais e oitenta e cinco centavos) referentes ao processo administrativo nº 10580.002387/9831 e R$ 101.957,26 (cento e um mil novecentos e cinquenta e sete reais e vinte e seis centavos) em relação ao processo administrativo nº 10580.002797/9873, atualizados até maio de 1998, data de abertura dos referidos processos (resposta ao quesito 2 do Juízo – fl. 576). Além disso, esclareceu a perita judicial que, embora os referidos créditos não fossem suficientes para compensação integral com o débito cobrado no processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602, o saldo devedor da parte Autora era de apenas R$ 5.635,58 (cinco mil seiscentos e trinta e cinco reais e cinquenta e oito centavos), em maio de 1998 (resposta ao quesito 3 do Juízo – fls. 576/577). De acordo com o laudo pericial o saldo devedor, atualizado até fevereiro de 2017, data de elaboração do laudo complementar, era de R$ 19.330,04 (dezenove mil trezentos e trinta reais e quatro centavos), divergindo substancialmente, portanto, do valor cobrado pelo Fisco no bojo do processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602 (resposta ao quesito 4 do Juízo fl. 577). Desse modo, ainda que os créditos apontados pela parte Autora não se afigurem suficientes para desconstituir integralmente a cobrança efetuada por meio do processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602, havia, segundo o expert, saldo suficiente para se compensar a maior parte da dívida. Tratandose o perito de auxiliar do juízo, portanto, imparcial, temse que devem prevalecer suas conclusões, desde que, como na espécie, estejam calcadas em critérios técnicos e estejam devidamente fundamentadas, como no caso dos autos. Sobre o tema, assim decidiu o TRF da 1ª Região: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 10 9 “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA PRAZO LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 APLICABILIDADE RECOLHIMENTOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA ALUDIDA LEI SISTEMÁTICA DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL CÁLCULOS ELABORADOS PELA CONTADORIA DO JUÍZO PREVALÊNCIA ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. a) Recurso Apelação Cível em Ação Ordinária.b) Remessa Oficial. c) Decisão de origem Extinto o processo em relação a um dos pedidos e procedentes os demais. (...) 3 Não há impedimento para verificação, judicialmente, de ocorrência de erro que enseje retificação do quantum cobrado e, se comprovado, determinação de adequação do lançamento. 4 Gozando os cálculos de perícia contábil determinada pelo juiz da presunção de legitimidade porque, além de equidistante das partes, e, portanto, em condições de apresentar um trabalho escorreito, o perito merece a confiança absoluta do juízo, lídima a sentença que os adota como elementos de convicção para decidir a causa. 5 Apelação e Remessa Oficial denegadas. 6 Sentença confirmada.” (TRF 1ª Região, AC 2003.33.00.0183783, Sétima Turma, Rel. Des. CATÃO ALVES, eDJF1 de 18/11/2011) Além disso, cumpre destacar que ambas as partes concordaram com as conclusões da perita judicial (fls. 580 e 586). III – DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado na inicial para reconhecer que o saldo devedor da parte Autora, cobrado por meio do processo administrativo fiscal nº 10580.003826/200602, é de R$ 19.330,04 (dezenove mil trezentos e trinta reais e quatro centavos), atualizado até fevereiro de 2017, extinguindo a demanda com resolução de mérito, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil. Considerando a sucumbência recíproca, condeno ambas as partes ao pagamento de honorários advocatícios que arbitro nos percentuais mínimos definidos nos incisos do §3º, do art. 85, do CPC, sobre a diferença entre o valor sustentado por cada parte e aquele reconhecido como devido neste julgado, tendo por data base o mês de maio de 1998. Nessa data, os seguintes valores foram sustentados pelas partes: sem saldo devedor segundo a parte Autora e R$ 73.385,71 (setenta e três mil trezentos e oitenta e cinco reais e setenta e um centavos) de acordo com o Fisco (fls. 46/47), ao passo que os cálculos da perícia, acolhidos no julgado, apontaram saldo devedor, à época, de R$ 5.635,58 (cinco mil seiscentos e trinta e cinco reais e cinquenta e oito centavos). Tais valores deverão ser corrigidos monetariamente até a data de prolação da sentença. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10580.006630/200319 Acórdão n.º 3003000.128 S3C0T3 Fl. 11 10 Além disso, condeno a União ao pagamento das custas e despesas processuais em restituição, uma vez que a diferença do valor por ela cobrado em relação aos valores reconhecidos na perícia supera em muito a da parte Autora. Em face da concordância da Fazenda Nacional com as conclusões da perícia, autorizo a parte Autora a levantar os valores que superem o montante reconhecido como devido neste julgado, observandose as devidas atualizações. Publiquese. Registrese. Intimemse. Salvador/BA, 11 de setembro de 2017. Da leitura dos excertos transcritos, constatase que o pedido formulado no processo judicial abarca aquele formulado no presente processo administrativo, qual seja, a extinção (cancelamento) do débito de PIS, período de apuração 04/1998, controlado no processo 10580.003826/200602, tendo em vista supostas compensações efetuadas nos processos administrativos nºs. 10580.002387/9831 e 10580.002797/9873. Diante de tal constatação, há que se lembrar que não cabe a este conselho proferir julgamento de mérito sobre matéria levada à discussão judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1, cujo enunciado dispõe: Súmula CARF nº. 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.". Assim, tendo em vista que a matéria subida a este conselho, qual seja, a extinção do débito de PIS, atinente ao período de apuração 04/98, no valor de R$ 5.460,36, controlado no processo administrativo nº. 10580.003826/200602, está compreendida na discussão judicial travada no processo judicial nº. 002058519.2011.4.01.3300, da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, o presente recurso voluntário não deve ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, cabendo à unidade administrativa de origem dar cumprimento às decisões judiciais vigentes, refletindoas nos processos administrativos a que estejam relacionadas. Vinícius Guimarães Relator Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900032/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.070
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900032/200846 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.070 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente FERRACO INDUSTRIA E COMERCIO DE FERRO E Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 32 /2 00 8- 46 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.070, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.064, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900002/200830, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.064): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 3 Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Diante dos argumentos trazidos à baila, resta evidente que o período compreendido entre a resolução nª 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei nº 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. Assim, no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que a decisão lá proferida referese ao PIS, enquanto a questão aqui travada diz respeito a COFINS supostamente paga a maior. Ademais, a exação em tela referese ao mês de dezembro de 2002 e não ao período que teria pretensamente sido reconhecido como inconstitucional pelo STF (outubro de 1995 a novembro de 1998). 8. Tais considerações também valem para os tópicos desenvolvidos pelo contribuinte e que dizem respeito a uma suposta injuridicidade da IN SRF n. 06/2000 que, segundo o contribuinte, teria restringido os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pretoriana reconhecida no nojo da já citada ADI n. 14170. Isso porque, como visto alhures, o teor da aludida decisão é inaplicável ao caso decidendo por absoluta falta de pertinência com os fatos apurados na presente autuação. 9. Logo, tais tópicos do presente recurso voluntário sequer merecem ser conhecidos. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 10. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 4 por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998 11. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 12. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 5 [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 6 Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 7 Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 8 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.900032/200846 Acórdão n.º 3402006.070 S3C4T2 Fl. 0 9 CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 13. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 14. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902141/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.594
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 14 1/ 20 13 -3 4 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10850.902141/201334 Resolução nº 3401001.594 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10850.902141/201334 Resolução nº 3401001.594 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.930914/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 14 /2 01 1- 31 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.930914/201131 Acórdão n.º 3302006.465 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b) tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.380, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.930914/201131 Acórdão n.º 3302006.465 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.930914/201131 Acórdão n.º 3302006.465 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 33. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
