Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10280.720820/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento.
CSLL. Aplica-se à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1301-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. CSLL. Aplica-se à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.720820/2008-31
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5949810
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.505
nome_arquivo_s : Decisao_10280720820200831.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 10280720820200831_5949810.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7573144
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418873561088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1168; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 14.245 1 14.244 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720820/200831 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301003.505 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Recorrentes CADAM S. A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 20 /2 00 8- 31 Fl. 14252DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 14253DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.246 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução CARF 1301000.156, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 133138, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano(s)calendário 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 253.100.735,65, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Custos e despesas não comprovados. Também integra os Autos de Infração a Planilha de folhas 139148, onde são detalhas as contas de custos e despesas glosadas. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 18/12/2008 (fls. 156) e apresentou sua impugnação em 19/01/2009 (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Da glosa das despesas 1. A glosa de todos os valores contabilizados como custos e despesas é inconcebível, conforme jurisprudência administrativa (Recursos Voluntários n° 109.902 e 135.225); 2. Apresentou à fiscalização diversos documentos fiscais e informou a mesma que os demais documentos solicitados se encontravam na filial localizada em Monte Dourado, requerendo, dessa forma, que os apresentasse na Inspetoria da Receita Federal daquele Município, ou então que a Fiscalização se deslocasse para aquela localidade, o que não foi deferido; Das despesas com o PIS e a COFINS A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Em relação ao PIS, a Autoridade Autuante, equivocadamente, computou no mês de outubro, em relação à filial de Paranaguá, o valor de R$ 109.349,94, quando na realidade o valor recolhido foi R$ 19.349,94; Em referência ao mês de abr/04, a fiscalização não considerou os estornos contabilizados nas contas 4110100.101302 e 4110100.100402 (doc. n° 10), referentes à COFINS de Paranaguá e Munguba, respectivamente; 6. No período de maiago/04, bem como em nov/04, a Fiscalização não considerou, no cálculo das contribuições devidas pela filial de Munguba, os valores das devoluções constantes do balancete da Impugnante; Fl. 14254DF CARF MF 4 DaCFEM Efetuou o regular recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais CFEM durante o período apurado; A Fiscalização apurou, como valor devido a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; Do IRPJ e da CSLL 9. Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas com estes tributos é indevida; 10. É indevida também pelo fato destas despesas já serem adicionadas na base de cálculo do lucro real; Da apresentação extemporânea de provas 11. Protesta pela posterior juntada de documentos, a fim de que se comprovem os demais custos e despesas glosados pela Fiscalização, tendo em vista que tal documentação é vastíssima e o sistema utilizado pela Impugnante àquela época foi alterado, o que dificulta o levantamento das informações exigidas; Da perícia contábil 12. Requer que seja deferida a realização de perícia contábil, para que fiquem definitivamente comprovados as despesas e custos deduzidos do IRPJ, relativos ao ano calendário 2004. Pelo que apresenta à fl. 182 os requisitos exigidos pelo art. 16 do Decreto n° 70.235/72; Da redução do IRPJ 13. Faz jus ao benefício de redução do Imposto de Renda, conforme Declaração n° 10/2005, expedida pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia ADA. Razão porque pede que seja revisto a apuração deste imposto a fim de se considerar o benefício fiscal. Para comprovar o alegado a recorrente trouxe os documentos de folhas 187 879. Em 30/04/2009 e 11/05/2009, apresentou, extemporaneamente, através dos requerimentos de folhas 881884, os documentos que integram os anexos II a XII. Apresentou também, em 03/06/2009, por meio do requerimento de folhas 886887, os documentos que integram os Anexos XIII a XVI. Em 12/07/2009 e 15/09/2009, apresentou outros dois requerimentos (fls. 889, 896897), que tratam dos documentos integrantes dos anexos XVII a XLVII. O processo retornou em diligência à unidade de origem para que esta adotasse as seguintes providências (fls. 900903): Fl. 14255DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.247 5 [...] Juntar aos autos cópia de todas as contas de custos e despesas do Balancete; Certificar se a apuração do resultado declarado na DIPJ corresponde aos valores escriturados na contabilidade, mormente no que diz respeito aos custos e despesas; Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que correspondem, ou não, aos valores declarados pelo contribuinte, levando em consideração os valores dos estornos e das devoluções; Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que foram adicionados pelo contribuinte na apuração do lucro real; 5. Apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte, inclusive após a impugnação, para efeito de comprovação dos custos e despesas em litígio; 6. Dar ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação; [...] A unidade de origem diligenciou a recorrente a apresentar os originais dos documentos acostados nos Anexos, referente aos custos e despesas, conforme balancete separado por conta. Após a analise dos documentos apresentados, considerou manterse pertinente as seguintes glosas: R$ 6.004.678,12, relativa ao grupo de contas compras de insumos a prazo (Ficha 4A, item 03, DIPJ); R$ 2.810.504,26, relativa ao grupo de contas Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Ficha 4A, item 13, e Ficha 5A, item 04, DIPJ); R$ 3.093.319,60, relativa aos grupos de contas Outros Custos e Despesas Gerais (Ficha 04A, item 16, e Ficha 5A, item 30, DIPJ); R$ 3.155.057,57, relativa ao grupo de contas Custos/Despesas (Ficha 5A, DIPJ) R$ 4.614.354,61, relativa a subconta Manut. Sindus da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ); R$ 1.243.745,57, relativa a subconta Manut. Mecânica da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ). Tendo tomado ciência do resultado da diligência, a recorrente apresentou peça denominada "Impugnação" (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Da decadência A diligência representou um novo lançamento, pois reduziu significativamente a base tributável de R$ 253.100.735,65 para R$ 20.921.661,73. Dessa forma, o novo lançamento está atingido pela decadência, na forma do art. 150, §4°, CTN; Fl. 14256DF CARF MF 6 Se entendesse que não houve um novo lançamento, mas sim uma revisão de ofício do lançamento originariamente efetuado, com fundamento no disposto no art. 149 do CTN, ainda assim seria aplicável o prazo decadencial previsto no art. 150, §4°, do CTN; Nos termo do parágrafo único do art. 149 do CTN, o prazo decadencial que se tem para efetuar a revisão do lançamento é o mesmo que se teria para efetuar o lançamento originário; Não se aplica ao presente caso a disposição contida no art. 173, II, do CTN, que trata do reinício do prazo decadencial a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado; Da nova documentação apresentada Reuniu grande parte da documentação dos custos e despesas que comprovam a glosa mantida pela unidade de origem, documentação essa que se encontra anexada à presente impugnação; Protesta pela apresentação posterior da documentação ainda não localizada; Pela análise da tabela às folhas 10281029, relativa a Insumos, Manut. Sindus e Manut. Mecânica, constatase que, do total de R$ 11.862.780,30, cerca de R$ 7.380.929,35 já se encontram devidamente comprovados pela documentação ora acostada, qual seja, planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc. 02 fls. 10571224) Pela análise da tabela à fl. 1029, relativa a Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, constatase que, do total R$ 2.810.504,26, cerca de R$ 1.333.218,98 já se encontram devidamente comprovados pela planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc 03 fls. 12261552) Pela análise da tabela à fl. 1030, relativa a Outros Custos e Despesas Gerais, constatase que, do valor total de R$ 4.167.051,01, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 1.593.404,19, conforme planilha em anexo (Doc. 04 fls. 15531554). Que as notas fiscais referentes a esse último valor indicado serão oportunamente juntadas; Pela análise da tabela à folha 1031, relativa a Custos e Despesas, constatase que, do total R$ 6.923.344,47, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 4.580.063,59, conforme planilha em anexo (Doc 05 fls. 15551556). Que as notas fiscais referentes a esse último valor serão oportunamente juntadas; Dos erros cometidos pela fiscalização A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); A Fiscalização apurou, como valor devido, a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas é indevida. Que é Fl. 14257DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.248 7 indevida também pelo fato das despesas com o estes tributos não serem dedutíveis da apuração do lucro real; Que faz jus ao benefício de redução do IRPJ. Analisando esses argumentos e elementos até então contidos nos autos, pronunciouse a douta 1a Turma da DRJ/BEL pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, destacando, na ementa do acórdão proferido, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 Ementa: DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em decorrência da exoneração parcial do crédito tributário constituído, consta do acórdão a específica menção à interposição do respectivo RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72, conforme ali expressamente destacado. Após a prolação dessa decisão, mas ainda antes da intimação da contribuinte a respeito de seus termos, foi por ela então apresentado (no dia 31/08/2011) novas planilhas com documentos comprobatórios de custos e despesas por ela suportados, a serem, ainda, devidamente adicionados àqueles anteriormente apresentados, comprovando, assim, a efetiva existência das despesas registradas e, com isso, a invalidade da glosa procedida, o que, entretanto, pelo momento processual em que então se encontravam os autos, não puderam ser então devidamente analisados pela douta DRJ. Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão então proferida no dia 14/09/2011, foi por ela então interposto o seu competente RECURSO VOLUNTÁRIO, protocolado no dia 14/10/2011, arguindo, em apertada síntese, o seguinte: i) A existência de documentação comprobatória da regularidade dos custos e despesas faltantes, já juntadas aos autos mas não analisadas pelo julgador de primeira Fl. 14258DF CARF MF 8 instância; ii) A aplicação de alíquota reduzida do IRPJ em decorrência do gozo de benefício fiscal, tendo em vista estar ela devidamente enquadrada nas hipóteses do benefício SUDAM. Em sessão de 08 de agosto de 2013 entendeu por bem este colegiado converter o presente processo em diligencia, nos termos da Resolução 1301000.156, conforme abaixo: A matéria recebida por este CARF, pelo que se verifica, fundase então em relação ao recurso voluntário , aos montantes remanescentes das glosas efetivadas e que ainda não teriam tido a regular comprovação documental, o que, entretanto, aqui é apresentado simplesmente desconsiderando os documentos acostados pela contribuinte a partir de sua petição de fls. 11.643 e seguintes (protocolo efetivado em 31/08/2011), o que, conforme se destaca em seu recurso, seria suficiente para a comprovação da regularidade senão de todas, mas de grande parte das despesas indevidamente glosadas pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração em referência. Em face dessas considerações, e, ainda, tendo em vista a relevância da análise documental para a solução da presente demanda, cumpre ressaltar que a prolação de decisão sem a necessária apreciação dos documentos acostados pela contribuinte representaria, de fato, efetivo e inválido cerceamento ao direito de defesa, o que, definitivamente, deve ser efetivamente privilegiado no âmbito do presente processo administrativo fiscal, como forma de possibilitar, inclusive, a completa e regular apreciação do controle de legalidade do ato administrativo de lançamento efetivado. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de determinar a baixa dos autos à competente unidade preparadora, solicitando, então, a promoção da específica análise dos documentos apresentados pela contribuinte após a apontada petição do dia 31/08/2011 (fls. 11.643 e seguintes), verificandose, assim, a realização, ou não, da efetiva comprovação da regularidade das despesas apontadas nestes autos como glosadas, identificandoas e demonstrandoas em específicos demonstrativos, com vistas a possibilitar, então, a análise por esse CARF e, em caso de julgamento de procedência do recurso voluntário, possibilitando a identificação da específica matéria exonerada, nos termos, inclusive, já antes devidamente promovidos pela autoridade julgadora de primeira instância. Uma vez atendida a diligencia por parte da Fiscalização (fls. 14.198 e segs) e se pronunciado o contribuinte sobre a mesma (Petições de fls. 14.215 e segs e 14.239 e segs), retornaram os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. É o relatório. Fl. 14259DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.249 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Fatos Versa o presente processo sobre os Autos de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano calendário 2004. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: Custos e despesas não comprovados. Recurso de Ofício Tratase de Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 11.624) proferida pela 1ª Turma da DRJ/BEL, Acórdão 0122.747 de 25/08/2011, que julgou procedente em parte a Impugnação, por unanimidade de votos, exonerando a Contribuinte de parte do lançamento, conforme tabela abaixo: Em virtude de o valor exonerado ter sido superior R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme previsto na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, o Recurso de Ofício merece ser conhecido. Passamos a analise dos itens de defesa que foram julgados procedentes à Recorrente e levaram à exoneração do crédito acima mencionado (i) DOS GASTOS COM INSUMOS (ii) Da subconta Manut. Sindus (iii) Da subconta Man. Mecânica (iv) DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA. De acordo com o voto condutor da decisão recorrida foram considerados comprovados as despesas cuja recorrente logrou comprovar mediante apresentação de documentação idônea, vejamos: A unidade de origem, por meio de diligência, considerou restar não comprovados os gastos de compras com insumos a prazo, no valor de R$ 6.004.678,12. Analisando os autos, vêse que tais gastos de insumos (não comprovados) estão relacionados na Tabela de folhas 979980, na parte que vai do gasto com Expresso São Lourenço, no valor de R$ 889,64. até o final da tabela. Fl. 14260DF CARF MF 10 Em usa manifestação contra o resultado da diligência, a recorrente traz os comprovantes das compras relacionadas na Tabela 1, a seguir. Tais compras estão inseridas entre aquelas que a fiscalização considerou não comprovadas. Logo, aquelas despesas (relacionadas na Tabela 1) devem ser excluídas do lançamento. Tendo em vista que tratase de matéria de fato e que a Recorrente logrou comprovar as despesas glosadas não vejo motivação para reforma da decisão de primeira instancia no que se refere a este item. Neste sentido, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Da análise ainda que apenas sumária das circunstâncias apresentadas nos autos, verificase que a discussão aqui empreendida referese, especificamente, à (in)validade da glosa de despesas promovida pela fiscalização em decorrência da suposta não comprovação da sua efetiva realização, decorrente da suposta não apresentação dos respectivos documentos comprobatórios, quando da realização da fiscalização efetivada. A questão da apresentação documental nos presentes autos, de fato, é efetivamente relevante, sobretudo porque, conforme se verifica, com a documentação apresentada nos autos após a impugnação, foi determinada a conversão do julgamento em diligência pela DRJ, e, naquela oportunidade, verificada a validade dos registros contábeis da contribuinte e, com isso, a redução do crédito tributário constituído proporcionalmente aos documentos então apontados. A matéria recebida por este CARF, pelo que se verifica, fundase então – em relação ao recurso voluntário, aos montantes remanescentes das glosas efetivadas cuja analise da documentação relativa foi alvo de diligencia pela unidade de origem conforme relatório de fls. 14.198 e segs. Glosa de despesas Diligência Tendo em vista o minucioso relatório de diligencia em que foram analisados todos os documentos apresentados pela Recorrente, adoto suas conclusões para fins de fundamentação do presente voto no que se refere a este item, Em atenção ao solicitado na Resolução n° 1301000.156 3a Câmara / Ia Turma Ordinária, as fls. 14182 para analisar os documentos acostados as fls. 11643 e seguintes, passamos a informar o que segue: inicialmente nos inteiramos do Acórdão 0122.747 Ia Turma da DRJ/BEL, e detectamos, as fls. 11636, que do valor de RS 20.921.659,73 (vinte milhões, novecentos e vinte e um mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e setenta e três centavos), não comprovados na diligência, permaneceu mantido no julgamento o Fl. 14261DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.250 11 valor de R$ 14.314.139.81 (quatorze milhões, trezentos e quatorze mil, cento e trinta e nove reais c oitenta e um centavos), abaixo demonstrado: A vista dos valores mantidos pela DRJ, passamos a analisar os documentos e planilhas apresentadas, pelo recorrente, como segue: COMPRAS INSUMOS A PRAZO R$ 4.394.240,33 (AcórdSo/DRJ/PA6) conforme planilha fls. 12880 o contribuinte logrou comprovar somente o valor de RS 272.484,16 (duzentos e setenta c dois mil, quatrocentos c oitenta e quatro reais e dezesseis centavos), através da NF 1753, fls. 12882, não sendo consideradas as demais NF tendo em vista divergência de valores, e/ou por já ter sido apresentadas, remanescendo o valor de R$ 4.121.756,17 (quatro milhões, cento e vinte e um mil, setecentos c cinquenta e seis reais c dezessete centavos); SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA RS 1.432.881,74 (planilha fls. 12767 Acórdão/DRJ//PA5) consultoria o fiscalizado enxertou comprovantes de hospedagem em holel e viagens, documentos estes que não guardam nenhuma relação com esta conta, logrando comprovar o valor de R$ 7.700,00 (sete mil, setecentos reais), através das NF n°s. 159 e 234; locação de veículos comprovado o valor de R$ 17.658,00 (dezessete mil, seiscentos e cinquenta e oito reais); assistência técnica considerado o valor de R$ 3.523,50 (três mil, quinhentos e vinte e três reais e cinquenta centavos); limpeza industrial os documentos ora apresentados já foram considerados por ocasião da diligência; rec degradadas comprovado o valor de RS 65.533,92 (sessenta e cinco mil, quinhentos e trinta e três reais e noventa e dois centavos); man software comprovado o valor de RS 44.607,66 (quarenta e quatro mil, seiscentos e sete reais e sessenta e.seis centavos); limpeza administrativa nada foi comprovado, portanto mantido o valor anterior; manutenção de veículos comprovado o valor de R$ 10.357,00 (dez mil, trezentos e cinquenta c sete reais); Fl. 14262DF CARF MF 12 auditoria comprovado o valor de R$ 18.400,00 (dezoito mil e quatrocentos reais); assessoria comprovado o valor de RS 21.848,33 (vinte e um mil, oitocentos e quarenta e oito reais e trinta e três centavos); conservação de casas nada apresentou, informando que vai ser apresentado posteriormente. OUTROS CUSTOS E DESPESAS RS 3.093.319,60 (planilha fls. 12903 Acórdão/DRJ//PA6) viagem a serviço comprovado p valor de RS 201.133,29 (duzentos e um mil, cento e trinta e três reais e vinte e nove centavos); telecomunicação comprovado o valor de R$ 77.224,62 (setenta e sete mil, duzentos c vinte e quatro reais c sessenta e dois centavos); hospital comprovado o valor de R$ 7.285,72 (sete mil. duzentos e oitenta e cinco reais e setenta e dois centavos); eventos internos comprovado o valor de RS 384.588,88 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e oito centavos); representação comprovado o valor de R$ 5.533,50 (cinco mil, quinhentos e trinta e três reais e cinquenta centavos); telefone logrou comprovar o valor de R$ 164.651,25 (cento e sessenta e quatro mil, seiscentos c cinquenta e um reais e vinte c cinco centavos); taxi / refeição / serviços comprovado o valor de R$ 14.640,15 (quatorze mil, seiscentos e quarenta reais e quinze centavos), publicações comprovado R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais), demais documentos já haviam sido apresentados, e/ou já foram apresentados em outras contas; feiras o contribuinte para comprovar esta conta apresenta documentos referente a outras contas, com por exemplo eventos, viagem, hospedagem. Fl. 14263DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.251 13 CUSTOS E DESPESAS R$ 3.155.057,57 (planilha fls. 11677 Acórdão/DRJ//PAl) alimentação de acordo com planilha, as fls. 11678/11679 e 11747, foram considerados os valores, comprovados através das NF n°s.: 247, 252, 7178, 7440, 461, 7590, 50744, 565 e 566, no valor de RS 1.952,59 (mil novecentos e cinquenta e dois reais e cinquenta e nove centavos), remanescendo o valor de R$ 27.563,44 (vinte e sete mil, quinhentos e sessenta e três reais e quarenta e quatro centavos); aluguel arrendamento fls. 11753 e 11789, não obstante o fiscalizado informe em suas planilhas número de NF, detectamos que os documentos apresentados, releremse apenas a pagamentos bancários, não identificados, mantido o valor de RS 388,262,76 (trezentos e oitenta e oito mil, duzentos e sessenta e dois reais e setenta e seis centavos); assistência módica planilha as fls. 11792, permanece o valor de K$ 291.888,52 (duzentos e noventa e um mil. oitocentos e oitenta e oito reais e cinquenta e dois centavos), lendo em vista que os documentos, ora apresentados, já Toram considerados por ocasião da diligência; honorários médicos planilhas as Eis. 11804/11805 e 11887, observado que a maioria dos documentos já foram aceitos por ocasião da diligência, foram considerados as NF n°s.: 20, 6108, 8892, 864, 16, 14, 411, 25, 16, 4796, 2422, 417, 19752, 19858, 20013, 17, 4348, 941, 945, 6607, 6796, 6825, 6888, 960, 12, 10228, 10837, 11160, 11235, 11392, 11457, 9108, 9661, 541, 12, 26, 59, 69, 71, 83, 16025 e 16149, no valor de RS 70.177,00 (setenta mil, cento c setenta e sete reais), remanescendo o valor de RS 51.487,91 (cinquenta e um mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e noventa e um centavos); viagem tratamento médico planilha fls. 11927/11928, observado os documentos apresentados, foram considerados as NF n"s: 960, 6938, 1192, 7080, 6970, 7100 e 8849, no valor de R$ 1.087,87 (mil e oitenta c sete reais e oitenta e sete centavos), mantido e valor de R$ 36.79831 (Irinta e seis mil, setecentos e noventa e oito reais e trinta e um centavos), destacando que os demais documentos já haviam sido apresentados; medicamentos os documentos apresentados grafados na planilha as Os. 11°77, já foram apresentados, permanecendo o valor de R$ 4.301,61 (quatro mil, trezentos e um real e sessenta e um centavos); Fl. 14264DF CARF MF 14 propaganda e publicidade na planilha as fls. 11677, o contribuinte informa que vai informar este valor posteriormente, logo fica mantido a glosa de RS 44.199,47 (quarenta e quatro mil, cento e noventa e nove reais c quarenta e sete centavos); passagens / férias / depart. Adm foi comprovado o valor de RS 417.805,48 (quatrocentos e dezessete mil, oitocentos e cinco reais e quarenta e oito centavos), ficando mantido o valor de R$ 96.670,96 (noventa e seis mil, seiscentos e setenta reais e noventa e seis centavos); mobilização / desmobilização da relação apresentada foi considerado o valor de R$ 32.214,36 (trinta e dois mil, duzentos e quatorze reais e trinta e seis centavos), restando não comprovado o valor de RS 16.280,59 (dezesseis mil, duzentos e oitenta reais e cinquenta e nove centavos); recrutamento / seleção o fiscalizado nesta oportunidade apresentou documentos que já foram apresentados e considerados por ocasião da diligência / julgamento, portanto permanece não comprovado o valor de RS 77.913,08 (setenta e sete mil, novecentos e treze reais e oito centavos); treinamento não incentivado nesta fase recursal comprovou o valor de RS 93.522,68 (noventa e três mil, quinhentos c vinte e dois reais e sessenta e oito centavos), permanecendo o valor de RS 245.549,39 (duzentos e quarenta e cinco mil, quinhentos e quarenta e nove reais e trinta e nove centavos); mensalidade escolar e transporte os documentos apresentados já foram apreciados por ocasião da diligência / julgamento, permanecendo o valor de R$ 5.940,00 (cinco mil, novecentos e quarenta reais) c R$17.391,80 (dezessete mil, trezentos e noventa c um reais e oitenta centavos), respectivamente; dízimo e CPMF nada apresentou nesta fase recursal, permanecendo os valores de R$ 262.079,07 (duzentos e sessenta e dois mil, setenta e nove reais e sete centavos) e R$ 971.970,68 (novecentos e setenta e um mil, novecentos e setenta reais e sessenta e oito centavos), respectivamente. MANUT SINDUS/MANUT MECÂNICA RS 2.238.640,57 (Acórdâo/DRJ/PA6) Fl. 14265DF CARF MF Processo nº 10280.720820/200831 Acórdão n.º 1301003.505 S1C3T1 Fl. 14.252 15 manut sindus conforme planilha as fls. 12880 o contribuinte nada apresentou, informando que o valor a ser comprovado posteriormente é de R$ 348.450,43 (trezentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais e quarenta e três centavos), quanto a manutenção mecânica na planilha as lis. 12888, foram consideradas as NF n°s.: 2338, 690, 722, 2438, 162, 1852 e 1815, totalizando o valor de RS 193.772,01 (cento e noventa e três mil, setecentos e setenta e dois reais e um centavo). As demais NF não foram consideradas por divergência de valores, sendo mantido nesta ocasião o valor de R$ 2.044.868,56 (dois milhões, quarenta e quatro mil, oitocentos c sessenta e oito reais c cinquenta e seis centavos). Ressaltese que esta ação fiscal referese ao ano calendário 2004, foi encerrada em 2008 e que durante o procedimento, ou seja 1 (um) ano e sete (sete) meses, o fiscalizado não apresentou nenhum documento, só o fazendo por ocasião da impugnação. Passados 6 (seis) anos da fiscalização o recorrente continua a informar que "valores vão ser comprovados posteriormente", cabendo destacar a citação da D RJ em seu Acórdão n° 0122747, fls. 11631, a saber: quanto às provas faltantes, leemse que a perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer aos autos junto com a peça impugnatória" (grifei) Isto posto, à vista dos documentos apresentados, observouse que o contribuinte em quase todas as contas anexou xerocopias de viagens, hospedagem, junto à Itapeuta, Puma, Van Hotel, Riolravel, etc, não sendo nada objetivo, ou seja ao invés de apresentar somente os documentos que motivaram a glosa por ocasião da diligência e/ou os que foram mantidos no julgamento da DRJ, veio nesta oportunidade apresentar documentos que já haviam sido apreciados por ocasião da impugnação, emaranhando desta forma o processo, restando não comprovado o valor de R$ 12.184.637,84 (doze milhões, cento e oitenta e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais c oitenta e quatro centavos conforme tabela abaixo: Do total das glosas mantidas, nesta diligência, propomos a manutenção parcial dos créditos tributários abaixo apurados, sobre os quais devem incidir os acréscimos legais cabíveis. Fl. 14266DF CARF MF 16 Desta forma, voto para que seja alterada a apuração do IRPJ e CSLL na forma da tabela 06 acima. Redução de alíquota SUDAM Em que pesem os argumentos do recorrente, estes não são suficientes para alterar o lançamento fiscal. Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância em, relação a este item, peço vênia para transcrever o voto nela contido nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. A recorrente solicita a redução da alíquota de incidência do IRPJ sobre a base de cálculo do lançamento, vez que teria direito ao gozo do benefício fiscal concedido pela SUDAM, nos termos do art. 89 da IN SRF 267/02 A redução do IRPJ de empresas jurisdicionadas na área da SUDAM ou da Zona Franca de Manaus (ZFM) diz respeito à exploração de atividades incentivadas (arts. 8189, IN SRF 267/02). Tais incentivos são calculados a partir da apuração do lucro da exploração (art. 57, IN SRF 267/02). Ocorre que, nos termos do art. 66 da IN SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002, é vedada a recomposição do lucro da exploração, quando o ajuste da base tributária é decorrente de lançamento de ofício. Art. 66. No caso de lançamento de ofício, não será admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos de que trata este Capítulo. Razão por que se denega o pedido da recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 14267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905683/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3201-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.905683/2008-22
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953181
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.614
nome_arquivo_s : Decisao_11080905683200822.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11080905683200822_5953181.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7579316
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418922844160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 328 1 327 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.905683/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.614 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria PIS. RESTITUIÇÃO Recorrente CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 56 83 /2 00 8- 22 Fl. 328DF CARF MF 2 Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração de março de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) 39441.46706.111104.1.7.046506 (em destaque a data de transmissão – fls. 33 a 371). Na Dcomp, a empresa informa crédito, no valor de R$ 188.797,51, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS nãocumulativo referente ao período de apuração 03/2003, arrecadado no valor total de R$ 652.028,64. O despacho decisório (fl. 38) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. Em 27/08/2008, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 02 a 31). Alega que ocorreu erro nos valores informados em DCTF. Indica que a base de cálculo e o correto valor apurado encontramse na DIPJ, apresentando como comprovação a declaração retificadora entregue em 2006 (fls. 23 a 25). Na DIPJ, consta R$ 463.222,00 como devido de PIS não cumulativo para 03/2003, e não R$ 652.028,64 (valor da DCTF e Darf). Argumenta que a DIPJ, que retrata toda a mutação patrimonial havida no período de apuração, não pode ser ignorada. O erro é passível de revisão de ofício pelo Fisco. Considera comprovada a legitimidade do indébito, requerendo ser reformado o despacho para reconhecimento do crédito e homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina (DRF/LON, fl. 40) atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminha para apreciação de DRJ. Contudo, em face da divergência entre declarações prestadas e da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em Dcomp, a DRJ/POA decidiu encaminhar o processo em diligência à DRF jurisdicionante (fl. 43) para providenciar a análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS nãocumulativo referente ao período de apuração 03/2003, com a sua comprovação junto à empresa por meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da apuração realizada. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11080.905683/200822 Acórdão n.º 3201004.614 S3C2T1 Fl. 329 3 Na então unidade da jurisdição da empresa, DRF em Porto Alegre (DRF/POA), a empresa foi intimada por auditorfiscal da RFB para apresentar a documentação (fl. 44). Em resposta, a empresa apresentou a manifestação de fls. 46 a 102, indicando que os livros contábeis encontramse à disposição da fiscalização e que não localizou o balancete analítico requisitado, tendo em vista tratarse de documento muito antigo (mais de 10 anos), solicitado quando já não mais estava obrigada a conservar os documentos de comprovação fiscal, conforme art. 37 da Lei 9.430/96. Através da Informação Fiscal DRF/POA/SEORT/PJ (fls. 233 a 235), são prestadas as informações à DRJ, concluindose que não foi possível a comprovação do direito creditório, uma vez que o contribuinte não apresentou o solicitado. O processo retornou à DRJ. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1056.987, de 01/06/2016 (fls. 240 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. A empresa respondeu a intimação, afirmando não possuir mais o balancete, em face do transcurso do tempo, mas que localizou os Livros Diário e Razão. Fl. 330DF CARF MF 4 A DRJ orientou a unidade preparadora que reabrisse o prazo para apresentação de manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Em face do que se passa a expor, as demais razões de defesa não serão aqui relatadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o direito à restituição/compensação de PIS pago a maior. O pedido eletrônico foi indeferido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que cometeu um erro no preenchimento dos valores informados em DCTF. Diz que a base de cálculo e o valor correto da contribuição encontravamse na DIPJ, apresentando, como comprovação, a declaração retificadora entregue em 2006. Em consequência dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, para que se promovesse a análise da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a sua comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Daí emitido o Termo de Intimação de fl. 48, com o seguinte teor: Em relação ao crédito apresentado na DComp nº 03969.87086.111104.1.7.046043, alegase que houve erro quanto ao período de apuração desse crédito, devendo ser 02/2003 e não 03/2003 como constou na DComp. A Delegacia de Julgamento constatou que há "insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DComp" e que o contribuinte deve comprovar "por meio de documentos contábeis e/ou fiscais" a "demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003". Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de fevereiro/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso sejam requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA CUMULATIVA, no valor de R$ 87.094.917,27 (linha 29 da Ficha 21 da DIPJ), a partir do valor de R$ 93.627.876,76 (Receita da Revenda de Mercadorias, linha 03 da mesma Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11080.905683/200822 Acórdão n.º 3201004.614 S3C2T1 Fl. 330 5 Ficha).Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de março/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso venham a ser requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 463.222,00 a da base de cálculo do "CRÉDITO TOTAL APURADO NO MÊS" linha 23 da Ficha 20 da DIPJ ativa (ND 1332073), "Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", no valor de R$ 324.226,42. Após requerer prorrogação de prazo, a Recorrente nada apresentou. Segundo a Informação Fiscal de fls. 105/107, informou que "não conseguiu localizar o balancete analítico requerido, tendo em vista se tratar de documento muito antigo (mais de 10 anos) referente ao mês de março de 2003. A ausência de apresentação desse documento, entretanto, não infirma a existência do direito creditório que pleiteia, mormente, levandose em consideração que a intimação ocorreu após transcorridos mais de 5 (cinco) anos da constituição do mesmo, quando já não estava obrigada a conservar os documentos que comprovam suas informações fiscais, nos termos do artigo 37 da Lei nº 9.430/96", grifouse. Afirmou, por fim, que, "dessa maneira, cabe ao fisco comprovar a suposta inexistência do direito creditório...e não o contrário". Com efeito, depois do pedido inicial de prorrogação do prazo, essa foi, de fato, a resposta da Recorrente, mas, no mesmo documento, ela também informou à fiscalização que os Livros Diário e Razão estavam à disposição do Fisco (fl. 59). Embora seja esse o contexto, vimos que a DRJ orientou a unidade preparadora a reabrir o prazo para manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Não houve, porém, a intimação requerida, tampouco intimação anterior para solicitar os Livros antes referidos. Após prestadas as informações, os autos retornaram à DRJ, sem que a Recorrente pudesse, inclusive, promover a sua entrega, os quais, por orientação daquela, deveriam estar a sua disposição. A nosso juízo, a falta desta intimação – previamente determinada pela DRJ – e, mais importante, a não requisição dos Livros Diário e Razão – aos quais a própria unidade preparadora havia exigido que ficassem a sua disposição – comprometeu a higidez do procedimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 332DF CARF MF 6 Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721037/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007
01/12/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
O fato de existir ação judicial tramitando, com suspensão da exigibilidade do crédito, não impede e nem desobriga o fisco de realizar os atos necessários para constituição do crédito fiscal, com o intuito de impedir a decadência, em obediência ao art. 142 do CTN.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIAS IDÊNTICAS.
Conforme dispõe a Súmula CARF 01, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)".
DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. SIMULAÇÃO, CONLUIO OU FRAUDE.
Para a imputação dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.
O fisco ao realizar o procedimento adequado com todas as provas necessárias para a comprovação dos fatos ocorridos, repassa ao interessado a obrigação de comprovar as alegações do seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso voluntário provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007 01/12/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O fato de existir ação judicial tramitando, com suspensão da exigibilidade do crédito, não impede e nem desobriga o fisco de realizar os atos necessários para constituição do crédito fiscal, com o intuito de impedir a decadência, em obediência ao art. 142 do CTN. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIAS IDÊNTICAS. Conforme dispõe a Súmula CARF 01, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. SIMULAÇÃO, CONLUIO OU FRAUDE. Para a imputação dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O fisco ao realizar o procedimento adequado com todas as provas necessárias para a comprovação dos fatos ocorridos, repassa ao interessado a obrigação de comprovar as alegações do seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Recurso voluntário provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.721037/2011-64
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954428
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.773
nome_arquivo_s : Decisao_19515721037201164.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 19515721037201164_5954428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7583379
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418927038464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721037/201164 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.773 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CARGILL AGRÍCOLA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/07/2007 a 31/07/2007 01/12/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O fato de existir ação judicial tramitando, com suspensão da exigibilidade do crédito, não impede e nem desobriga o fisco de realizar os atos necessários para constituição do crédito fiscal, com o intuito de impedir a decadência, em obediência ao art. 142 do CTN. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. MATÉRIAS IDÊNTICAS. Conforme dispõe a Súmula CARF 01, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. FISCO E INTERESSADO. SIMULAÇÃO, CONLUIO OU FRAUDE. Para a imputação dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, o fisco deve apontar os elementos que podem caracterizar o ilícito tributário. A prova nesse caso deve ser atribuída a quem acusa o ilícito praticado, diante do que dispõe o artigo 9º do Decreto 70.235/72, onde a autuação deverá estar instruída com todos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O fisco ao realizar o procedimento adequado com todas as provas necessárias para a comprovação dos fatos ocorridos, repassa ao interessado a obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 37 /2 01 1- 64 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 3 2 de comprovar as alegações do seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Recurso voluntário provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial, e, na parte conhecida, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Sumário sucinto do processo transcrito em nota de rodapé1. Tratase de recurso voluntário interposto por CARGILL AGRÍCOLA S/A., contra o acórdão de julgamento n.º 1656.484, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (2 ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, referente às contribuições previdenciárias sociais, em razão de pagamento de remuneração variável por metas atingidas de seus colaboradores, utilizados pela empresa como " Programa de Bônus", que seriam Participação nos Resultados (PPR), mediante crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes (indivíduos remunerados pela empresa instituidora do plano, contribuinte em epígrafe) junto à empresa ITAÚ Vida e Previdência S.A., CNPJ n.º 92.661.388/000190 (na época dos fatos, em 2007, denominado UNIBANCO AIG Previdência). O Acórdão recorrido, descreve o seguinte: 1 I. AUTO DE INFRAÇÃO efls. 516 II. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL efls. 1756 III. IMPUGNAÇÃO efls. 702773 IV. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO fls. 962978 V. RECURSO VOLUNTÁRIO fls. 820939 Fl. 958DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 4 3 integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra o contribuinte retro identificado: • (1) AI DEBCAD n.º 37.270.0012, no montante de R$ 2.586.250,27 (dois milhões, quinhentos e oitenta e seis mil e duzentos e cinqüenta reais e vinte e sete centavos), consolidado em 10/07/2007, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 06/2007, 07/2007 e 12/2007; • (2) AI DEBCAD n.º 37.270.0055, no montante de R$ 318.081,66 (trezentos e dezoito mil e oitenta e um reais e sessenta e seis centavos), consolidado em 10/07/2007, referente a contribuições destinadas a terceiros – SalárioEducação, Incra e Sebrae – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 06/2007 e 07/2007. O Relatório Fiscal, de fls. 17 a 56, em suma, traz as seguintes informações: • que o crédito lançado se encontra amparado por depósito do montante integral decorrente de ação judicial; • que foram lançadas contribuições decorrentes de remunerações pagas através da previdência privada; • que houve o lançamento de contribuições sobre os pagamentos efetuados pela empresa através de crédito nas contas dos planos de previdência privada complementar dos participantes junto à seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S A, CNPJ 92.661.388/000190 (na época, UNIBANCO AIG PREVIDÊNCIA), no período de 01/01/2007 a 31/12/2007; • que não foram lançadas as contribuições ao SESI e SENAI, por ter a empresa convênio próprio direto com essas instituições; • que os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da contabilidade da empresa sem transitarem pela folha de pagamento nem terem sido declarados em GFIP (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, e os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil; Fl. 959DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 5 4 • que o contribuinte, em benefício próprio e de seus administradores e empregados contratados – que ocupam funções de gerência e direção – efetuou o pagamento de remuneração variável em razão de metas atingidas – ora intitulado pela empresa de Programa de Bônus, ora de Participação nos Resultados (PPR), mediante crédito em contas de previdência privada, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdencíárias e demais encargos trabalhistas, bem como o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação m razão do regime próprio dos planos de previdência privada complementar; • que o pagamento de verbas a título de PPR que estejam em desacordo com a lei específica n.° 10.101/2000 ou pagas a título de Bônus compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros; • que, no caso, houve uma contratação, firmada especificamente entre o empregado e a empresa, acordando o pagamento de uma remuneração variável, em razão dos resultados alcançados pela segunda, que se pressupõem vinculados à atuação do primeiro, se tratando de salário; • que o contribuinte prestou falsa declaração, ao deixar de acrescentar ditas parcelas à base de cálculo da remuneração, e se utilizou de simulação (meio ardiloso) para o pagamento destas verbas remuneratórias, no intuito de evitar a tributação, fazendo este pagamento via aporte em previdência privada e não informando tais parcelas em folha de pagamento; • que foram verificados dados da matriz e das filiais em atividade no período de 01 a 12/2007, tendo sido os levantamentos efetuados pelo estabelecimento da matriz; • que, durante o procedimento fiscal, realizado na empresa CARGILL, foi conduzida diligência na seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S.A., para coleta de dados sobre o plano de previdência privada utilizado para pagamento desta remuneração; • que a fiscalização iniciou seus trabalhos em 19/07/2010, com a ciência postal pelo contribuinte, com Aviso de Recebimento (AR), do Termo de Início de Procedimento Fiscal; • que o sujeito passivo efetuou o pagamento de remuneração variável/bônus através de depósitos em conta de previdência privada para seus empregados executivos (cargos de gestão) e alguns contribuintes individuais, com o fim de se furtar à tributação; Fl. 960DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 6 5 • que a empresa, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, apresentou listagem com nome, CPF e valor dos aportes feitos por ela, como instituidora do plano, em conta de previdência privada na seguradora ITAU VIDA E PREVIDÊNCIA S.A.; • que esses dados foram comparados com as informações de Folha de Pagamento apresentadas pela empresa em fiscalização, com as GFIP’s entregues via conectividade social pela empresa antes do início da ação fiscal, e com as informações prestadas pela seguradora; • que, dessa análise, verificouse que os valores de aporte em previdência privada não foram informados em Folha de Pagamento e em GFIP da empresa; • que foi constatado, ainda, que cinco beneficiários dos aportes em previdência privada efetuados pela empresa não constavam informados em sua Folha de Pagamento ou GFIP, sendo estes considerados como contribuintes individuais para o levantamento da contribuição previdenciária devida; • que foi elaborada, pela fiscalização, planilha em anexo denominada "Valores de aportes em previdência privada", com os dados provenientes da empresa dos aportes efetuados por ela aos segurados empregados e contribuintes individuais, no total anual de R$ 11.967.367,55 (sendo R$ 2.328.529,40 para contribuinte individual e R$ 9.638.838,15 para empregado); • que a empresa apresentou, ainda, os seguintes documentos referentes aos aportes em previdência privada: boletos bancários que comprovam os pagamentos feitos à seguradora; e, lançamentos contábeis dos valores aportados em 2007 nos planos de previdência privada; • que se pode verificar, através dos lançamentos contábeis, que os valores foram contabilizados pela própria empresa como Bônus (e não previdência privada) e como Adiantamento de Salário em conta transitória, comprovando a tese da fiscalização de que os valores pagos pela empresa através de aporte em previdência privada são parcelas remuneratórias, devendo sofrer incidência da contribuição previdenciária; • que, em atendimento a Termo de Intimação Fiscal, a empresa apresentou esclarecimentos sobre a Política de Remuneração Variável dos funcionários e administradores e o Programa de Bônus para gestores e diretores citados no relatório anual de 2007; • que, segundo informações da empresa e de lançamentos contábeis, o valor gasto pela empresa CARGILL com a política de remuneração variável é de 24 milhões; Fl. 961DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 7 6 • que esse valor é pago através de três modalidades, sendo uma delas (2ª modalidade) para empregados em cargos de gestão – PPR (Programa de Participação nos Resultados para executivos) – premiação anual variável proporcional ao nível do cargo, baseada no atingimento da meta da área de abrangência regional ou global e condicionada e dependente da performance individual acertada previamente com seu gestor; • que o pagamento não é vinculado a um acordo de PLR previamente estabelecido com a empresa, visto que o funcionário acerta sua performance diretamente com seu gestor; • que a empresa gastou R$ 11.967.367,55 nessa 2ª modalidade, que é o pagamento de remuneração variável, ora chamada por ela de PPR ora de Bônus, e a que se atém essa fiscalização, tendo sido esses valores pagos aos seus funcionários através de aportes em conta de previdência privada; • que, não só da leitura dos dispositivos do programa intitulado Política de Remuneração Variável, mas também e principalmente dos fatos constatados nesta fiscalização, é possível afirmar que se trata de bônus em razão dos resultados alcançados pelo sujeito passivo, resultados estes vinculados à atuação dos empregados; • que o rendimento pago na situação em análise não teve a natureza de participação nos resultados da empresa, mas sim de remuneração pelo trabalho; • que a empresa “segregou” alguns empregados e lhes ofereceu uma forma de remuneração sem a incidência do tributo devido e intitulou essa situação de “plano de participação nos lucros exclusivo aos executivos”, diferente do plano geral estabelecido para os demais funcionários; • que este plano fornecido aos executivos, não se trata da participação nos termos da Lei n.° 10.101/2000; • que, ao promover o pagamento em espécie, ainda que sob o título de participação nos resultados, a fonte pagadora fica obrigada à retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, e o beneficiário sujeitase à tributação da renda mediante aplicação da tabela progressiva, o que não ocorreu no caso em questão, evidenciando mais uma vez a tentativa da empresa de remunerar seus empregados e contribuintes individuais sem a devida tributação; • que o que interessa, para o exame do caso em apreço, é a identificação da natureza jurídica dos pagamentos efetuados cujo “meio” empregado foi a utilização de depósitos em conta de previdência privada complementar; • que a própria fiscalizada confessou, nos documentos anexos 15 e 16: Fl. 962DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 8 7 a) que "as contas e os respectivos lançamentos contábeis dos valores aportados em 2007 nos planos de previdência privada encontramse anexo, no arquivo digital. UNIBANCO: tratase de pagamento de Bônus"; b) que "as importâncias depositadas em juízo de contribuição previdenciária e FGTS referemse aos valores de bônus pagos aos funcionários com cargos de gestão (gestores e diretores), cujos valores foram pagos através de depósito em contas de Previdência Privada junto ao Unibanco Vida e Previdência"; c) que os ocupantes de gestão "receberam o pagamento de bônus através de depósito efetuado em contas de previdência privada junto à Seguradora Unibanco, durante o ano de 2007"; • que, ao fazer o pagamento de bônus mediante crédito em conta de previdência privada, constróise um cenário para que a empresa contratante pretenda: I) a não incidência das contribuições previdenciárias, invocando as disposições do art. 458, § 2º da CLT e do art. 28 § 9º, "p" da Lei 8.212/91, que não consideram salário a utilidade concedida pelo empregador a título de previdência privada; e, II) a exclusão do dever de retenção na fonte, por se tratar de rendimento isento, nos termos do art. 39, do RIR/99; • que a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PPR (ou bônus) em 2007 está sendo discutida em ação judicial movida pela empresa em julho de 2005 (5 anos antes do início desta ação fiscal) – Ação Declaratória 2005.61000166132 – e os valores foram depositados judicialmente; • que, na petição inicial, referente a propositura dessa ação judicial pela empresa, ela pede que seja declarado seu direito à não inclusão dos valores de PLR em BC do INSS, quer em relação aos benefícios decorrentes dos acordos coletivos, quer em relação aos planos complementares mantidos espontaneamente (ou seja sem prévio acordo), e afirma que mantém programas de PLR diferentes para os estagiários, empregados e empregados executivos; • que o assunto a que se atém a fiscalização é aquele sobre os valores pagos pela empresa a título de PPR (Programa de Participação nos Resultados) aos seus executivos, que são os mesmos valores pagos de acordo com a 2ª modalidade, no valor de R$ 11.967.367,55, durante o ano de 2007; • que, na petição inicial da referida ação judicial, a empresa afirma, ainda, que os empregados executivos receberiam PLR de acordo com planos de bônus próprios mantidos, reconhecendo ela própria que o pagamento de PLR seria, na verdade, pagamento de bônus, parcela esta integrante do salário de contribuição; • que a ação judicial é acompanhada de depósitos judiciais dos montantes devidos das contribuições previdenciárias pela empresa, e as devidas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros); Fl. 963DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 9 8 • que, em junho de 2007, foi depositado 23,8% de previdência sobre o valor aportado referente a: 20% da parte patronal, 3% de SAT, 0,2% de INCRA e 0,6% de SEBRAE; • que, em julho e dezembro de 2007, foi depositado 22,8% de previdência sobre o valor aportado referente a: 20% da parte patronal, 2% de SAT, 0,2% de INCRA e 0,6% de SEBRAE; • que, nos três meses, foi recolhido de Terceiros: 2,5% para FNDE, 1% para SENAI e 1,5% para SESI, além de um adicional de 0,2% de SENAI, obrigatório para empresas com mais de 500 funcionários; • que a empresa confirmou, em declaração, que as importâncias depositadas em juízo de contribuição previdenciária e FGTS se referiam aos valores de PPR (bônus) dos diretores depositados em contas de previdência privada junto ao Unibanco Vida e Previdência; • que os aportes feitos em previdência privada não são pagos de forma eventual, tendo sido pagos como contraprestação do trabalho de maneira regular e acertada; • que, como a Lei n.º 8.212/91 e o Decreto n. º 3.048/99 estabelecem exaustivamente as rubricas que não compõem o salário de contribuição, entendese que os abonos de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo; • que a intenção de omissão ao fisco é evidente para pagamentos quer seja a título de PPR quer seja de Bônus, pois este pagamento foi omitido da folha de pagamento e igualmente não houve retenção do imposto de renda devido na fonte, como é devida para o pagamento de ambas as rubricas; • que os valores levantados na fiscalização se referem aos valores aportados em Previdência Privada no FGB – Fundo Garantidor de Benefícios; • que não foi apresentado o contrato de plano de previdência privada FGB da empresa com a seguradora Itaú (na época Unibanco) para o ano de 2007; • que tão somente foi entregue à fiscalização o contrato assinado em 01/04/2009 com a cláusula de que os atos praticados em 2007 foram ratificados e convalidados através deste contrato; • que a inexistência de um contrato levase a crer pela Simulação de Negócio Jurídico conforme estabelece o inciso III do parágrafo 1º do artigo 167 do Código Civil (Lei 10.406/2002), sendo que o seu “caput” estabelece que “é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se simulou se válido for na substância e na forma”, Fl. 964DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 10 9 e, no caso, se entendeu que houve uma dissimulação do pagamento de bônus em aportes em contas de previdência privada; • que a empresa e a seguradora tentam dar veste jurídica e validade ao apresentar um contrato que prega retroatividade para justificar uma prática ilícita, ou seja, depósitos por dois anos em contas de previdência privada sem contrato firmado, sem regras definidas, caracterizando depósitos a esmos contabilizados como fraudes; • que houve o uso indevido da previdência privada para pagamento de bônus; • que, no caso em tela, há uma contratação firmada especificamente entre o empregado e a empresa, acordando o pagamento de uma remuneração variável / bônus, em razão de atingimentos de metas, que se pressupõem vinculados à atuação do primeiro, não se tratando de mera liberalidade, sendo o pagamento efetuado como contraprestação do serviço prestado, se tratando de salário; • que somente os executivos – cargos de gestão (conforme afirma a própria empresa em ação judicial impetrada por ela) recebiam remuneração variável / bônus através de depósito em conta de previdência privada; • que o contribuinte procurou ocultar, deliberadamente, do Fisco, o pagamento de verbas de natureza remuneratória; • que a empresa tem a discricionariedade de remunerar qualquer valor aos seus executivos, cabendo ao Fisco, porém, enquadrar essas verbas como incidentes ou não de acordo com sua real natureza; • que o conceito de salário de contribuição é estabelecido pelo artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, estando relacionadas, em seu parágrafo 9º, as parcelas não integrantes do mesmo; • que a previdência privada foi usada somente para que a empresa se esquivasse do pagamento dos tributos devidos, não tendo sido usada para os meios que foi criada; • que a maioria dos executivos da Cargill apresentam saques anuais constantes, como um mecanismo de receberem gratificação, fazendo da Previdência Privada uma conta corrente para obtenção desta gratificação não eventual; • que, no caso destes executivos, não há pretensão de renda futura com a Previdência Privada, mas de recebimento de grandes valores em datas determinadas pelo grupo empresarial que atuam; • que, conforme o artigo 214, § 9°, inciso XV do Decreto 3.048/99 e o art. 28, parágrafo 9°, alínea "p" da Lei 8.212/91, não integra o saláriodecontribuição o valor da contribuições efetivamente pago Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 11 10 pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho; • que o plano não deve favorecer alguns empregados (gerentes, diretores) em detrimento dos demais, devendo ser observado o tratamento equânime entre todos os empregados e dirigentes para que não integre o saláriodecontribuição; • que, no caso, a utilização de um plano de previdência complementar foi o instrumento utilizado pelo contribuinte para eximirse da incidência das contribuições sociais sobre pagamentos de salário indireto, efetuados aos funcionários ocupantes de cargos de direção; • que toda a operacionalização da Previdência Privada suplementar paga aos executivos da CARGILL descreve a desvirtuação de um instrumento financeiro legal para o pagamento de remuneração; • que, além de os depósitos efetuados nas contas de previdência privada não possuírem a natureza jurídica de contribuições regulares a planos de previdência privada, os beneficiários de tais depósitos efetuaram os resgates dos aportes vertidos pela empresa em prazos não permitidos pela legislação em vigor; • que os resgates efetuados demonstram que estes não obedeceram à carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente ao da contribuição, estabelecida pelo artigo 56, parágrafo 4º da Resolução CNSP n.° 139/2005; • que foi elaborada planilha como amostragem, com base nas informações fornecidas pela seguradora, informando o resgate efetuado por 37 pessoas (do total de 169 participantes) no ano de 2007 após os aportes efetuados pela empresa; • que esses planos, de maneira incoerente com a normalidade de um plano de previdência privada, começam o ano com saldo zero (saldo em 31/12/2006), os aportes ocorrem em 31/07/2007, e na maioria dos casos descritos, o valor total é resgatado no próprio dia 31/07/2007, encerrando o ano com saldo zero (saldo em 31/12/2007); • que previdência é planejamento para renda futura, que aqui há casos de resgates imediatos ao aporte, e que a única justificativa no desinteresse de geração de renda futura é que, na realidade, os depósitos em questão são simples pagamentos de remuneração variável; • que o resgate constante demonstra que a previdência privada está sendo usada como conta corrente bancária; Fl. 966DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 12 11 • que os planos de previdência privada só foram utilizados como meio de ocultar a real natureza jurídica dos depósitos nele efetuados e, desta forma, se furtar à tributação; • que, em 2007, do total de 169 executivos que tiveram aportes em previdência privada, 94 deles efetuaram resgates totais e 15 efetuaram resgates de parte do que foi aportado, conforme se verificou nos documentos apresentados pela seguradora Itaú; • que, no que diz respeito ao pagamento de verbas remuneratórias mediante depósito em conta de previdência privada, há uma divergência entre a vontade real e a aparente: a fiscalizada quer pagar salário, mas para se furtar à tributação o faz mediante depósitos em conta de previdência privada como se tratassem de contribuições normais a estes planos, havendo o enquadramento no inciso II, § 1º do art. 167 do Código Civil em vigor – simulação do negócio jurídico; • que, além dos depósitos efetuados em conta de previdência privada (que estavam a ocultar o pagamento de remuneração), foram identificados os resgates; • que o resgate não é condição essencial à caracterização das infrações que levaram a esta autuação, sendo tecidas considerações a seu respeito para reforçar a tese de que o contribuinte agiu de má fé, subvertendo este instituto (previdência privada); • que, quando o resgate ocorre de forma indiscriminada, pode indicar, e é este justamente o caso ocorrido com o fiscalizado, que o plano de previdência pode estar servindo a fins ilícitos; • que a fiscalização, após extensiva análise dos fatos apurados, verificou que os depósitos em conta de previdência privada correspondem à remuneração do segurado, e que o creditamento em conta de previdência privada somente se presta a evitar a incidência das contribuições previdenciárias, bem como a retenção do imposto de renda na fonte com base na tabela progressiva, e, ainda, cria condições para que o beneficiário se furte à tributação ou se sujeite a uma menor tributação de seu rendimento, quando do resgate do valor correspondente junto à Entidade de Previdência Privada, sendo estacados os seguintes pontos, para se chegar a tal conclusão: 1) não informação dos pagamentos de bônus (verbas remuneratórias) em folha de pagamento; 2) os lançamentos contábeis dos bônus pagos através de aportes em previdência privada foram feitos em conta de bônus e de adiantamento de salário; 3) o pagamento desse bônus foi feito através de Política de Remuneração Variável que nomeou essa verba de PPR, tendo havido uma tentativa da empresa em remunerar (pagar bônus) através de verba denominada PPR sem que esta obedecesse a lei específica e houvesse a retenção do IRRF; 4) ação judicial promovida pela empresa que afirma serem, os aportes em previdência privada, valores de Fl. 967DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 13 12 pagamento de bônus; 5) a rubrica bônus é parcela integrante do Salário de Contribuição, mesmo que paga sob a nomenclatura de PPR; 6) não retenção do Imposto de Renda devido na Fonte; 7) não existe contrato vigente para o ano de 2007 entre a empresa e a seguradora Itaú para os aportes efetuados no FGB; 8) houve o uso indevido da Previdência Privada como conta corrente; 9) descumprimento das regras de Previdência Privada ao permitir resgates constantes; 10) vantagens ao segurado para o não pagamento do imposto de renda devido; 11) simulação do negócio jurídico; • que a empresa contratante (a fiscalizada) responde, não só pelas contribuições previdenciárias, juros e multa, como também por multa isolada e juros de mora isolados em razão de não ter promovido a retenção e recolhimento do imposto sobre valores em espécie entregues ao beneficiário (auto de infração distinto), ocultados mediante depósitos em conta de previdência privada que não correspondem à contribuição do empregador a planos de previdência privada; • que se aplica, em matéria tributária, o princípio da primazia da realidade, que demonstra que a simples utilização de contas de Previdência Privada, para o pagamento de remuneração variável ajustada, não a transforma em verba não incidente – a real essência do fato gerador é a que deve prevalecer, o instituto utilizado para pagálo visou somente a ocultação da sua real natureza, e a conseqüente fuga das obrigações tributárias; • que a ocorrência da conduta de sonegação por parte do contribuinte fica caracterizada quando se verifica que a fiscalizada tinha total conhecimento da legislação, havendo a desvirtuação de um produto financeiro chamado Previdência Privada, para pagamento de Remuneração Variável; • que o dolo está visível, pois, para evitar que a autoridade fiscal tomasse ciência da obrigação principal em sua totalidade, já que ofereceu outras verbas salariais à tributação, quis disfarçála com o titulo de Previdência Privada, mas, sem as características legais e operacionais inerentes a esta verba; • que o descumprimento de obrigações acessórias ensejou a lavratura dos seguintes Autos de Infração: a) CFL 30 – AIOA 51.002.5803, por deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB – Processo n.° 19515721144/ 201192; b) CFL 34 – AIOA 51.002.5790, por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições – Processo n.° 19515721144/ 201192; Fl. 968DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 14 13 c) CFL 68 – AIOA 37.270.0128, por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Processo n.° 9515721.037/ 201164; • que será emitida a devida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP – PT 19515721038/ 201117), para comunicação à autoridade pública competente para as providências cabíveis; • que não houve lançamento da contribuição previdenciária devida pelo segurados, tendo a auditoria apurado que os segurados que ocupam os cargos de gestão estavam contribuindo sobre limite máximo do saláriodecontribuição à época da ocorrência dos fatos geradores. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos aos Autos de Infração: folhas de rosto dos Autos de Infração; DD – Discriminativo do Débito; RL – Relatório de Lançamentos; FLD – Fundamentos Legais do Débito; Mandado de Procedimento Fiscal; Termo de Início de Procedimento Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Termo de Constatação; e, TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. A DRJ de origem, após análise da defesa, lançou entendimento de que a matéria teria sido objeto de contestação judicial, e que, portanto, haveria renúncia à demanda administrativa, tendo em vista o ajuizamento pela contribuinte da ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132, que tramita perante a Justiça Federal da Terceira Região, em face do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e da União Federal. Em seu recurso, a contribuinte reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando que não pode haver a decretação de renúncia ao seu direito, uma vez que a ação judicial que busca validar o PLR, objeto de autuação, se deu anterior ao período fiscalizatório, e que, ao seu entender, não há renúncia daquilo que ainda não teria sido objeto de Lançamento fiscal. Nesse sentido, alega que: "nos autos daquela ação judicial – que versaria sobre os pagamentos feitos por ela a título de PLR sobre acordos coletivos e sobre os pagamentos feitos espontaneamente, os quais teriam dado ensejo ao presente lançamento – defenderia seu posicionamento de que a participação dos empregados nos lucros e resultados poderia ser implementada por três formas, não excludentes entre si: (i) mediante comissão escolhida pelo empregador e pelos empregados, integrada por um representante do Sindicato (inciso I do art. 2º da Lei n.° 10.101/2000); (ii) por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2º); e, (iii) por planos mantidos espontaneamente pela empresa (art. 3º, § 3º)". Aduz ainda que a existência de depósito judicial constitui em obstáculo ao fisco lançar o crédito fiscal. No mérito, além do que já reproduzido acima, alega a legalidade do plano de previdência privada e dos seus respectivos rasgastes, bem como afirma que não houve a intenção de simulação na relação jurídica realizada entre a instituição seguradora e a empresa autuada. Solicita, ainda, que os valores que ainda não tiver sido resgatados sejam excluídos do Lançamento fiscal, e pede a anulação da autuação. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 15 14 Por fim, relatase que da presente ação fiscal gerouse outras autuações, que consistem na exigência de obrigação acessória decorrente do fato gerador, bem como da exigência de imposto de renda sobre os aportes realizados (processos n.º 19515.721170/201111; e n.º 19515.721144/201192 e 19515.721294/201104), e que conforme se constatou da tramitação desses processos, este relator solicitou o apensamento desses para julgamento em conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Relator Wesley Rocha O Recurso Voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade. Portanto, dele o conheço. Assim, passo a analisar os pontos alegados pela recorrente. DO DEPÓSITO JUDICIAL E DA PRESENTE AUTUAÇÃO Alega a recorrente que a fiscalização estaria impossibilitada de exigir o crédito fiscal, em razão da existência de depósito judicial referente a valores da presente autuação. Nesse aspecto, sem razão a recorrente. A exigência do presente débito decorre do poderdever da administração em realizar a cobrança dos seus créditos, uma vez que o interesse público está revestido no ato administrativo. Nesse sentido, o processo administrativo fiscal é o meio que a Fazenda Pública se utiliza para cobrar legalmente seus créditos. A legislação obriga o agente fiscal a realizar o ato administrativo, em ato vinculado, verificando assim o fato gerador e o montante devido, determinar a exigência da obrigação tributária e sua matéria tributável, confeccionar a notificação de lançamento, lavrando se o auto de infração, e checar todas essas ocorrências necessárias para as fiscalizações de cobrança, quando da identificação da ocorrência do fato gerador, independente da ação judicial manejada, sendo legítima a lavratura do auto de infração em conformidade com o art. 142, do CTN e com o art. 10 do Decreto n.º70.235/72, conforme dispositivos in verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 970DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 16 15 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula". Ainda, inexiste decisão judicial que impeça o procedimento de lançamento do crédito fiscal. Portanto, correto o lançamento, ainda que pendente de julgamento de litígio judicial, sendo que este, encontrase com sua exigibilidade suspensa, em razão do depósito judicial realizado e das defesas manejadas, conforme dispõe a legislação em vigor. Ademais, o ajuizamento visa prevenir a decadência. DA MATÉRIA ADMINISTRATIVA SOB CONCOMITÂNCIA COM A DEMANDA JUDICIAL Nesse quesito, a decisão de primeira instância identificou que a demanda administrativa guarda relação com a ação judicial ajuizada pela recorrente, antes do início da fiscalização e autuação fiscal. Em análise do relatório fiscal em conjunto com a petição inicial, sentença e recurso de apelação (efls. 316, e seguintes), verificase que há clara concomitância em relação ao que se discute na ação judicial. Inclusive, nas páginas 30 e 31 do eprocesso, existe discriminação de tudo que foi solicitado na petição inicial com o que foi atuado na presente demanda administrativa. A ação declaratória n.º 2005.61.00.0166132, pretende declarar a inexistência de relação jurídicotributário para desobrigar a recorrente ao recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os planos de participações nos lucros e resultados estabelecidos por meio dos acordos coletivos e dos planos mantidos espontaneamente por ela, uma vez que tais planos, no seu entendimento, estariam em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Apesar da autuação ser específica quanto a exigência de contribuições previdenciárias em PPR de empregados em cargos de gerência e de diretores, e da ação judicial ser mais ampla, onde discute também o PPR de funcionários e estagiários (incluindo gerentes e diretores executivos) a matéria registra semelhança, pois os executivos recebiam a participação de acordo com os planos de bônus próprios mantidos espontaneamente pela empresa, e, portanto, caracteriza a concomitância, conforme descrição de parte do relatório fiscal abaixo: Fl. 971DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 17 16 Por outro lado, observase que a ação judicial teve julgado seu mérito quanto aos PPRs de executivos e estagiários. Porém, não foi julgada a matéria no que diz respeito à regularidade plano de participação de resultados de seus funcionários, tendo em vista que o juiz de primeiro grau entendeu que como não havia ainda autuação sobre a contribuinte, não haveria interesse de processual pela demandante, ora recorrente. Com isso, a contribuinte alega que corre o risco de não ter decisão de mérito quanto a possível matéria que não teria sido julgado pelo poder judiciário. Contudo, o ponto central da questão é que fica inviável ter uma decisão administrativa de conteúdo que está posto perante demanda judicial. A decisão da DRJ já se pronunciou sobre isso, afirmando que não caberia "naquele momento da decisão" afastar qualquer incidência das demais contribuições que não foram objetos de análise de mérito da sentença proferida, uma vez que o processo judicial encontravase em andamento, e ainda completou: "É de se notar, também, que o resgate, como informado pela fiscalização, não se trata de condição essencial para a lavratura dos Autos de Infração em tela, tendo sido tal dado trazido aos autos apenas como mais um elemento para reforçar a sua tese de que estaria havendo a subversão da utilização do instituto da previdência privada" (efl. 803). Entretanto, como visto, o recurso de apelação aguarda julgamento pela segunda instância, e nesse sentido, esse colegiado fica impossibilitado de decidir sobre matéria que ainda pende de análise do poder judiciário, diante das normas que regem o PAF e do regimento interno desse Tribunal Administrativo. Com isso, a recorrente alega, ainda, que teria ajuizado a ação judicial antes da fiscalização e que não há renúncia daquilo que ainda nem foi exigido ou debatido. Haveria, no entendimento da recorrente, equívoco quanto ao conceito de "renunciar" a direito que lhe assiste, tendo em vista que não tem como renunciar algo que ainda não ocorreu de fato, não havendo renuncia fáticojurídico que ainda não foi objeto de autuação. Entretanto, a Súmula CARF n.º 1, que foi reeditada em 2018 com aplicação vinculante, concluiu que há renúncia ao direito de discutir a matéria mesmo que ação judicial tenha sido ajuizada antes da ação administrativa, conforme transcrição in verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". Em que pese a ação judicial ter levantado os valores de forma a verificar verdadeiro lançamento por homologação, a fiscalização levantou e apurou de ofício a ocorrência do fato gerador. Portanto, a aplicação da referida Súmula deve ser de maneira obrigatória por este colegiado, não comportando interpretação diversa ao caso, concluindo pela concomitância das matérias postas em julgamento. DA ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO E CONLUIO Fl. 972DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 18 17 No que tange a acusação de simulação e conluio, verifico que essa matéria não foi objeto de irresignação judicial, uma vez que a fiscalização ocorreu posteriormente ao ajuizamento da respectiva demanda, não existindo debate na seara judicial sobre os referidos temas, havendo, portanto, o direito de recorrer pela contribuinte. Assim, passo a analisar o tema. Inicialmente, cumpre esclarecer que não houve nenhuma "penalização" referente à aplicação de multas no que diz respeito à simulação e possível conluio, em razão da recorrente ter realizado depósito judicial integral no valor exigido nessa autuação. Assim, o fiscal não aplicou a penalidade de multa nem exigiu os juros de mora2. Em processos administrativos fiscais, a sonegação, fraude ou conluio estão previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". A dita simulação teria ocorrido, segundo a finalização e do acórdão recorrido, pelo seguinte motivo: "No caso, de acordo com o exposto no Relatório Fiscal, temse que, de fato, houve o desvirtuamento da utilização do instituto da previdência privada, pela empresa, tendo a fiscalização não apenas revelado a prática da simulação, tendo constatado uma divergência entre a vontade real e a aparente da empresa, mas também demonstrado que tal procedimento, adotado por ela, se não impediu, retardou o conhecimento, por parte da Administração Tributária, da ocorrência dos fatos geradores em apreço, e visou modificar as suas características essenciais, 2 Nesse sentido, o auto de infração obedece ao disposto na Súmula CARF nº 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ainda, assim dispõe a Súmula CARF n° 17: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 973DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 19 18 ocultando a sua real natureza, e tal conduta se encontra perfeitamente tipificada na legislação de regência. É de se ressaltar, ainda, que, como relatado pela fiscalização: I) a própria empresa confessa, em documentos anexados aos autos, que houve o pagamento de bônus através de depósito efetuado em contas de previdência privada, durante o ano de 2007; II) não foi apresentado contrato de plano de previdência privada FGB da empresa com a seguradora para o ano de 2007, tendo sido realizados depósitos sem contrato firmado". Diante das acusações da fiscalização ao presente caso, vejamos as seguintes circunstâncias. No que diz respeito ao possível "desvirtuamento" da previdência privada entendo que essa acusação não procede, ou não seria a intenção da recorrente, uma vez que, ao meu ver, o depósito judicial dos valores referente aos fato geradores do presente caso se deu anterior à fiscalização, não tendo autuação quanto a isso. O princípio da boafé do contribuinte deve ter interpretação de aplicação ao caso concreto. Nesse sentido, um possível obstáculo criado pela recorrente para com a fiscalização não teria sentido de persistir, tendo em vista que essa, de forma espontânea, apurou a quantia devida, realizando o depósito em juízo e chamou a Fazenda para o litígio judicial, uma vez que entenderia que estaria isenta da tributação ora exigida, e com a demanda pretenderia debater a incidência ou não do tributo exigido. Direito legítimo que lhe assiste. Assim, compreendo que não houve obstáculos criados à fiscalização por parte da contribuinte, mas talvez uma interpretação distinta que a do fisco, uma vez que ao seu entender, mesmo que persista o auto de infração, a contribuinte também alega que a verba paga aos seus diretores seria isenta da contribuição previdenciária. A próprio relatório fiscal e decisão a quo, afirmam que pode não ter tido impedimento de conhecimento dos fatos geradores, mas talvez retardouse a ciência deles. Entendo que essa alegação não possui consistência, pois os fatos apurados e registrados pela contribuinte, afastam qualquer tipo de dilação do conhecimento dos "acontecimentos", tendo em vista que ela mesmo apresentou os valores apurados. Entendo que, não tem como haver obstáculo e nem omissão de fatos quando eles mesmos são apresentados pelo interessado, uma vez que a própria fiscalizada levou ao conhecimento da Fazenda os fatos geradores, e também depositou a quantia relativa às contribuições sociais devidas. Em relação à falta de contrato entre seguradora (banco) e contribuinte, compreendo que esse fato por si só não gera o possível "conluio" entre as partes com o intuito de lesar o fisco. Isso porque, apesar de ser o banco Itaú (Unibanco na época dos fatos) uma grande instituição financeira, e que, ao que se tem ciência, segue a regra de formalização de seus atos e negócios praticados, ele somente tem o condão de intermediar as transações e aportes financeiros, devendo haver mais que a simples "falta de contrato" entre as partes para caracterizar um possível "conluio", capaz a tornar eficaz a prática de simulação. Caberia, portanto, à fiscalização a caracterização de mais elementos que pudesse imputar o consilium fraudis, no que diz respeito ao animus fraudulento, ou também o animus simulandi por parte da contribuinte e terceiro envolvido no ato jurídico. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 20 19 Segundo Hugo de Brito Machado, "simulação é a ação de fingir a prática de um ato ou negócio jurídico com a finalidade de prejudicar terceiros, especialmente credores, inclusive o Fisco, fazendo com que pareça existir uma situação que na verdade não existe" (Machado, in Introdução ao Planejamento tributário. Malheiros editora, São PauloSP, 2014, pág. 66). Em conteúdo didático, produzido pelo jurista Fábio Piovezan Bozza, que já foi Conselheiro deste Tribunal, verificase que: "dolo, fraude ou simulação, referese a um conjunto de vícios produzidos intencionalmente pelo contribuinte que, de máfé, cria uma situação falsa ou de mera aparência e inebria o julgamento do Fisco sobre uma relação tributária já existente, de modo a eliminála, reduzila ou postergála" (in Planejamento Tributário e Autonomia Privada. Série doutrina tributária v. XV. São Paulo: Quartier Latin, 2015, página 199). Cumpre esclarecer que, quando há a acusação de uma simulação, existe a distribuição do ônus da prova. Nesse sentido, é o que diz o disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". Grifouse. Em que pese o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito ser do interessado/contribuinte, percebese que com o dispositivo acima citado o legislador quis que nos casos de caracterização de ilícitos houvesse uma espécie de "distribuição do ônus da prova", a fim de que a fiscalização tivesse também que suportar o encargo de provar com elementos indispensáveis à comprovação do ilícito ocorrido. Nesse sentido, esse Conselho já decidiu, em situação a demandar outro conteúdo, mas com a mesma finalidade: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.” Acórdão de julgamento n.º 1402002.484, em 12/04/2017. O jurista Leandro Paulsen abordando o tema, em seu livro que trata sobre a Constituição e o Código Tributário, explica de maneira mais didática, os elementos e premissas necessárias para imputar no auto de infração as características fraudulentas: "A aplicação de multa qualificada depende da inexistência de dúvida quanto ao caráter doloso da conduta. "... a comprovação da conduta dolosa deve estar cristalina na acusação fiscal. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 21 20 Tomandose emprestada expressão contida na ementa do Acórdão n. 2202002.106, de 21 de novembro de 2012, o que se quer dizer é que 'O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos'. Assim é que não basta que se presuma a conduta dolosa, sendo também imprescindível para a aplicação dessa penalidade a produção de prova dessa conduta dolosa por parte da fiscalização. Isso porque já existe uma penalidade (de ofício) para o simples fato de não pagamento de tributo, razão pela qual a aplicação da multa qualificada requer algo mais, por ser, nas palavras de Marco Aurélio Greco, 'a exceção da exceção'. Nesse sentido decidiram os Acórdãos ns. 140200752, 140200753 e 140200754, de 30 de setembro de 2012, bem como os Acórdãos ns. 920200.632, de 12 de abril de 2010, 920100.971, de 17 de agosto de 2010, 330100.557, de 26 de maio de 2010, e 1402001.180, de 10 de dezembro de 2012. Outrossim, tal necessidade de comprovação decorre também da previsão do art. 112 do CTN, que determina interpretação mais favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou comina penalidade, conforme anteriormente analisada, de sorte que nas situações que houver qualquer dúvida quanto à intenção ou a conduta do contribuinte, esse não pode sofrer a penalidade em sua modalidade qualificada." (COVIELLO FILHO, Paulo. A multa qualificada na jurisprudência administrativa. Análise crítica das recentes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RDDT 218/130, nov/2013). Grifouse. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 17 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; 2015. pág. 882/883)" Portanto, entendo ser caso de aplicação do art. 112 do CTN, onde utilizase de dispositivo mais favorável ao acusado quando restar dúvidas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade do fato a determinado caso concreto, conforme dispositivo transcrito abaixo: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação". Como mencionado, não é possível identificar que a recorrente agiu com máfé por meio de elemento de fraude, conluio por ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do tributo devido, uma vez que esse compreendia que teria o benefício da isenção nas operações realizadas. Tanto é que, para ter segurança jurídica na relação com o fisco, ajuizou ação declaratória de inexistência relação jurídico tributário. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 22 21 Assim, tendo em vista não ser possível concluir pela aplicabilidade dos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64, não existindo elementos suficientes para aplicar o dispositivo referente à prática de "simulação" ou conluio", afasto as acusações da presente demanda. Conclusão Em face do exposto, voto por dar parcial conhecimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a concorrência do instituto de concomitância, para na parte conhecida DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, afastando a acusação de simulação, conluio ou fraude, nos termos do presente voto. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.721037/201164 Acórdão n.º 2301005.773 S2C3T1 Fl. 23 22 Fl. 978DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007251/2008-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/01/2005
PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz.
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA.
Observa-se do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2005 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA. Observa-se do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.007251/2008-61
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954433
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.511
nome_arquivo_s : Decisao_11128007251200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 11128007251200861_5954433.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7583397
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418934378496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1900; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 131 1 130 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007251/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.511 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente RODRIMAR S/A TERMINAIS PORTUÁRIOS ARMAZÉNS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/01/2005 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, tornase parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade da decisão de primeira instância quando demonstrado nos autos que o Acórdão recorrido abordou todas as razões de defesa, ainda que de forma objetiva. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 72 51 /2 00 8- 61 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 132 2 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA. Observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 133 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 08034.937 da DRJ/FOR, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa por não atendimento de intimações, o que caracteriza embaraço à fiscalização, ficando sujeito à penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir deste ponto, adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, conforme Auto de Infração fls. 0209. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa Rodrimar S/A Terminais Portuários e Armazéns Gerais embaraçou a fiscalização uma vez que não atendeu ao Termo de Intimação nº 393/07, de 06/08/2007, pelo qual foi instada a prestar esclarecimentos a respeito dos fatos relatados pelo Inspetor da Guarda Portuária, constantes no Termo de Ocorrência da SEOPE/GVIB/ALF/SANTOS, de 14/01/2005. No referido termo consta que Celso Feitosa dos Santos, portador do RG nº 24.402.4960, funcionário da mencionada empresa, estava organizando e executando o controle do trânsito dos tripulantes do Navio “Libra New York”, que se encontrava atracado no armazém “Saboó” ponto 03, tarefa que não era de sua competência (fls. 0911). Reintimada a esclarecer o mesmo fato, através do Termo de Intimação n° 91/08, em 20/05/2008, a empresa não se manifestou (fl. 12). Cientificada do Auto de Infração em 20/10/2008, conforme fls. 1819, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2337, em 19/11/2008, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 1) a questão discutida nos autos já foi objeto de Acórdãos proferidos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, nos quais foi firmado o entendimento de que não há embasamento legal para exigência da penalidade em causa, por total ausência de tipicidade; 2) o ponto nuclear da discussão diz respeito a saída irregular de tripulantes do navio Libra New York, que se encontrava atracado no Armazém do Saboó no Porto de Santos, o que teria ocorrido em 14/11/2005, conforme Termo de Ocorrência lavrado pela SEOPALFÂNDEGA DO PORTO DE SANTOSGVIB; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 134 4 3) a aplicação da penalidade, a pretexto de a Impugnante ter causado embaraço à fiscalização, está relacionada com o fato de a mesma não ter atendido a pedidos de esclarecimentos formalizados por meio de intimações emitidas em 06/08/2007 e 06/05/2008, ou seja, há mais de 2 (dois) anos da lavratura do citado Termo de Ocorrência, o que se deu em 14/01/2005; 4) preliminarmente, deve ser declarada a nulidade do Auto de Infração, por ser encontrar eivado de vícios formais insanáveis; 5) é inadmissível e injustificável que os agentes fazendários venham a expedir as Intimações à Requerente, formalizando pedidos de esclarecimentos, quando já transcorridos aproximadamente 3 (três) anos da lavratura do referido Termo de Ocorrência; 6) o Termo de Ocorrência deve ser declarado nulo, na medida em que embasado apenas em meras alegações do Inspetor da Guarda Portuária, cabendo destacar que o próprio agente fiscal que lavrou o referido Termo confessa que, em face do acúmulo de serviço, não esteve presente no local, de modo que jamais poderia, o referido Termo de Ocorrência, ser utilizado como embasamento legal para lavratura do Auto de Infração ora impugnado; 7) ainda em sede de preliminares, entende a Impugnante que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração de que se cuida, visto que compete exclusivamente ao representante do Armador, obter previamente junto a "EQVIB/ALF/SANTOS", a respectiva autorização para embarque/desembarque de tripulantes de quaisquer embarcações estrangeiras atracadas no Porto de Santos; 8) o Comandante do citado navio que atracou em Santos, em 14/01/2005, é quem estava investido de poderes para promover a entrada de embarcação estrangeira em qualquer Porto brasileiro, bem como, autorizar o desembarque/embarque de tripulantes, conforme artigos 260 e seguintes do Regulamento para o Tráfego Marítimo, aprovado pelo Decreto nº 87.648/1982, com as posteriores alterações do Decreto nº 511/1992; 9) além disso, conforme consta do próprio Termo de Ocorrência, quem estava promovendo a saída irregular dos tripulantes eram os representantes da empresa de Segurança "SEGAME S"; 10) a Requerente não pode ser responsabilizada pelos fatos ocorridos, razão pela qual, a exigência da multa carece de respaldo legal; 11) quanto ao mérito, a penalidade afronta o principio da legalidade, tendo em vista que na redação do artigo 107, inciso IV, alínea "f", do Decretolei n° 37/1966, que foi dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, o legislador não definiu quais seriam as infrações que, em tese, causariam "embaraços fiscalização", resultando na aplicação da multa em questão; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 135 5 12) a Impugnante jamais impediu ação fiscalizadora, até porque jamais poderia fazêlo, em face da previsão legal contida em nosso ordenamento jurídico, de modo que não há qualquer relação entre os fatos ocorridos e o descrito no preceito legal acima citado; 13) no direito penal tributário, a sanção deve obedecer aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada e com reserva absoluta da lei formal, ou seja, somente poderá haver punição se a infração apontada corresponder ao descrito no preceito legal, não existindo crime sem lei anterior que o preveja, conforme insculpido no art. 5º, inciso XXXIX, da Constituição Federal, sendo inadmissíveis eventuais interpretações maleáveis em prejuízo do contribuinte ou responsável, conforme pacífica jurisprudência; 14) para a capitulação legal da penalidade, tornase necessária que a norma descritiva da infração contenha todos os elementos indispensáveis a sua exata caracterização e extensão, afastando se a possibilidade de interpretações que venham a ampliar seus limites; 15) a multa exigida afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; 16) requer a conversão do julgamento em diligência à repartição fiscal de origem, a fim de que sejam respondidos os quesitos formulados às fls. 3637, sob pena de nulidade processual, por cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal; 17) por fim, requer sejam acolhidas as preliminares suscitadas, declarandose a nulidade do Auto de Infração, vez que se encontra eivado de vícios formais insanáveis, destacandose, em especial, a ilegitimidade passiva, haja vista que a Impugnante não exerce o controle quanto a entrada/saída de tripulantes de quaisquer embarcações estrangeiras que atracam no Porto de Santos e, caso superadas as preliminares, requer seja o Auto de Infração julgado improcedente, cancelandose a penalidade aplicada. Conforme fls. 51 e 67, a impugnante foi intimada a apresentar cópia autenticada do Estatuto Social e Ata da Assembléia Geral realizada no dia 18/04/2008, com vista ao saneamento do processo, tendo anexado os documentos de fls. 5366 e 69 78. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador." Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 136 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. Tendo em vista que o procedimento fiscal se desenvolveu mediante o cumprimento das formalidades legais, estando consubstanciado em auto de infração contendo descrição dos fatos e fundamentos legais, assegurandose o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, resta infundada a argüição de nulidade. LEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Havendo sido regularmente cientificada das intimações expedidas pelas autoridade administrativa, no curso do procedimento fiscal, a interessada é parte legítima para compor o polo passivo da exação concernente a imputação de embaraço, por não haver oferecido resposta no prazo estipulado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia, quando esta providência revelarse prescindível para instrução e julgamento do processo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/01/2005 EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. PENALIDADE. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/01/2005 ARGÜIÇÃO DE CONFISCO E DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. MULTA. REDUÇÃO SEM PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade. A autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para substituir o juízo de proporcionalidade por ele exercido, com o fim de alterar o valor Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 137 7 da multa definido na lei, o que somente pode ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar multas ou reduzilas, quando estabelecidas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 102/126), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração, Ilegitimidade Passiva, nulidade do Acórdão recorrido e ocorrência da prescrição intercorrente e, no mérito, falta de definição legal do que causaria embaraço à fiscalização, não impedimento da fiscalização, multa afronta aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade e, por fim, pede a realização de diligência. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Inicialmente, repisese que a contribuinte argüiu expressamente quatro preliminares em seu Recurso Voluntário: nulidade do Auto de Infração, ilegitimidade passiva, nulidade do Acórdão recorrido e prescrição intercorrente. Contudo, embora se caracterize como uma questão prévia, a prescrição intercorrente, pela melhor doutrina, não se constitui em preliminar, mas em uma prejudicial de mérito, portanto, deixo de tratála na seção atual e retornarei a ela no início da análise sobre o mérito. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 138 8 Nulidade do Auto de Infração A ora recorrente alegou que o Auto de Infração seria nulo de pleno direito por estar eivado de vícios insanáveis, a saber: as intimações somente terem sido expedidas, aproximadamente, 3 anos após a lavratura do Termo de Ocorrência, o único embasamento do Auto de Infração é o Termo de Ocorrência, no qual constam meras alegações do Inspetor da Guarda Portuária e o Agente do Fisco jamais compareceu ao local da ocorrência. De pronto, afirmese que não merecem prosperar tais alegações da recorrente. Diferentemente do que a contribuinte tenta demonstrar, o Auto de Infração referido não tem como embasamento legal o Termo de Ocorrência lavrado a partir das denúncias realizadas pelo Inspetor da Guarda Portuária, mas fundamentase, em realidade, na falta de atendimento às intimações pelo sujeito passivo. Fato que não foi contestado pela recorrente em momento algum de nenhuma das peças recursais apresentadas. Além disso, por outro lado, também não corresponde aos fatos dos autos que as intimações tenham sido somente lavradas 3 anos após o Termo de Ocorrência. Diversamente, compulsandose o presente processo, verificase que a contribuinte tomou ciência da primeira intimação enviada pela fiscalização aduaneira em 21/08/2007, ou seja, cerca de 18 meses após a lavratura do referido Termo. Ademais, esclareçase que a Fazenda Pública possui 5 anos para a constituição de créditos tributários, sejam decorrentes do descumprimento da Obrigação Tributária Principal, sejam decorrentes do descumprimento de Obrigações acessórias, conforme teor do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifo nosso) Dessa forma, considerandose que o fato, em tese, acontecido ocorreu em 2005, o termo inicial da contagem do prazo decadencial se iniciou em 01/01/2006 e somente se encerraria em 31/12/2010. Logo, por decorrência, as intimações realizadas, as quais ensejaram, pelo seu não atendimento, a lavratura do Auto de Infração sob análise, foram feitas regularmente dentro do prazo previsto. Assim, o Auto de Infração foi lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, assim como não incorreu em nenhuma das Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 139 9 causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, logo, encontrase válido e eficaz. Ademais, a imposição da penalidade decorreu da inobservância da legislação de regência pelo sujeito passivo, fato este, como já discorrido, inconteste. Ilegitimidade Passiva A contribuinte alegou que não é parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração, pois compete exclusivamente ao representante do Armador obter, previamente, junto à Alfândega do Porto de Santos, a respectiva autorização para embarque ou desembarque de tripulantes em quaisquer embarcações estrangeiras atracadas no porto. Mais uma vez a recorrente tenta obnubilar a verdadeira causa da lavratura do Auto de Infração que lhe é imposto. Digase, novamente, que a exigência pecuniária devida decorreu da falta de atendimento às intimações pela recorrente, não tendo nenhum embasamento para o lançamento dos presentes autos, a possível saída e entrada irregulares de tripulantes no navio estrangeiro. Assim sendo, tendo a recorrente deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, tornase parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, c, do DecretoLei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Dessa forma, também não procede a preliminar em questão. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 140 10 Nulidade do Acórdão recorrido O sujeito passivo alegou que o Acórdão recorrido incorreu em nulidade absoluta por não ter deferido o pedido de diligência apresentado, o qual atendeu fielmente as disposições contidas nos arts. 16 a 19 do Decreto nº 70.235/1972, dessa forma, segundo ele, restando plenamente caracterizado o cerceamento ao Direito de Defesa da ora recorrente. Não há justeza nas afirmações da recorrente.. Diferentemente do alegado, da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado a quo se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pela recorrente na Manifestação de Inconformidade, inclusive, sobre o pedido de diligência formulado. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Com efeito, cumpre ressaltar que o art. 373 do Novo Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 141 11 Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Por conseqüência, a diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. . Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Assim, da leitura da peça recursal inicial, assim como do voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que o pedido de diligência foi indeferido, pois não versava sobre questões que, ao menos em tese, pudessem afastar a responsabilidade da contribuinte pelo não atendimento às intimações. Reproduzse excerto do voto condutor do Acórdão recorrido: "Na apreciação desse pedido, devese ter como pressuposto que, no processo, diligência somente é justificável quanto a matéria de fato, quando existirem dúvidas relevantes para julgamento da lide. É ainda requisito elementar e intrínseco à diligência que exista pertinência temática entre o que se busca esclarecer por meio dessa medida processual e a matéria objeto da lide, o que não se verifica no pedido da litigante. Assim, a determinação de diligências ou perícias está condicionada à necessidade dessa medida para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993. No caso, com a providência requerida, pretende a litigante demonstrar que não detinha competência legal para realizar as mencionadas tarefas e que de fato não as teria realizado, o que, segundo seu entendimento, seria a condição necessária e suficiente para descaracterizar a infração. Contudo, essas questões são estranhas ao objeto do presente processo que, insistase, diz respeito à acusação de falta de atendimento, pela autuada, a duas intimações expedidas pela fiscalização aduaneira". Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 142 12 (grifo nosso) Logo, não se vislumbra nenhum cerceamento ao Direito de Defesa da ora recorrente na decisão de primeira instância, logo, não padece de nulidade o Acórdão recorrido. Assim sendo, com base nas considerações desenvolvidas, rejeito todas as preliminares argüidas. Mérito Primeiramente, tratemos da prejudicial de mérito apresentada pela recorrente em sua peça recursal. Em suma, a contribuinte alegou que pelo tempo transcorrido operouse no presente processo a prescrição intercorrente, o que, em seu entender, deve culminar com o arquivamento dos autos e a conseqüente extinção da exigência tributária em questão. Sumariamente, deve ser rechaçada essa alegação recursal, pois não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Outra argumentação trazida pela recorrente em seu Recurso Voluntário referese a uma suposta falta de tipicidade em sua conduta, tanto porque o legislador não definiu quais seriam as infrações que caracterizariam o embaraço, como também pelo fato da recorrente, segundo ela, nunca ter realizado nenhuma ação que tivesse como objetivo obstaculizar a fiscalização aduaneira. Prontamente, se afirme que tais alegação melhor não socorrem à contribuinte. A responsabilidade por infrações estabelecida pelo Código Tributário Nacional, em verdade, é objetiva e, segundo o disposto, expressamente, em seu art. 136, reproduzido abaixo, é totalmente irrelevante a intenção do agente e a extensão dos efeitos na determinação dessa responsabilidade: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 143 13 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Ainda a esse respeito, vale lembrar o disposto no § 2º do art. 94, do Decreto Lei 37/1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Por outro lado, observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade em questão é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. Assim sendo, enquanto em outras condutas, a fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquelas ensejaram "embaraçar, dificultar ou impedir" ação da fiscalização, na não apresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de definila dessa maneira, portanto, não havendo margem para discussão. Logo, no caso ora analisado, restando demonstrado nos autos que a contribuinte deixou de apresentar resposta a intimações, a sua conduta é típica e, portanto, encontrase perfeitamente cabível a exigência da penalidade por embaraço, formalizada através do Auto de Infração em apreço. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 144 14 Seguindo em seu Voluntário, a contribuinte alegou que a imposição da penalidade pecuniária prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966 afrontou os Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade, assim, por conseqüência, não podendo prosperar tal exigência. Quanto a essas alegações de inconstitucionalidade do Auto e da multa, por ofensa aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Dessa maneira, a norma promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco, de desproporcionalidade, de irrazobilidade ou da não individualização da pena seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de inconstitucionalidade do Auto de Infração e da multa por ofensa aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Por fim, a recorrente reitera o pedido de conversão do julgamento em diligência, inclusive, formulando quesitos iniciais para os quais julga necessário esclarecimentos. Nesse ponto, adoto como razões de decidir as argumentações lógicojurídicas já manifestadas por mim no presente voto, quando tratouse da análise da preliminar de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.007251/200861 Acórdão n.º 3002000.511 S3C0T2 Fl. 145 15 nulidade do Acórdão recorrido por cerceamento do Direito de Defesa. E, portanto, como decorrência, indefiro o pedido de diligência formulado. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo na íntegra o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720385/2017-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a restituição e compensação autorizadas por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito. Nesses termos, e uma vez afastado o fundamento que não homologou o PER da contribuinte, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido, evitando, assim, a caracterização de cerceamento de defesa e supressão de instância.
Numero da decisão: 1201-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a restituição e compensação autorizadas por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito. Nesses termos, e uma vez afastado o fundamento que não homologou o PER da contribuinte, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido, evitando, assim, a caracterização de cerceamento de defesa e supressão de instância.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.720385/2017-96
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948875
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.691
nome_arquivo_s : Decisao_13896720385201796.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
nome_arquivo_pdf_s : 13896720385201796_5948875.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7572319
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418938572800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.720385/201796 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.691 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente MULTIPLUS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a restituição e compensação autorizadas por lei, cabendo ao contribuinte o ônus de prova do indébito. Nesses termos, e uma vez afastado o fundamento que não homologou o PER da contribuinte, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do crédito requerido, evitando, assim, a caracterização de cerceamento de defesa e supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 03 85 /2 01 7- 96 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório (fl. 45) que indeferiu o PER (Pedido de Restituição) apresentado pela empresa, sob o fundamento de que determinado crédito, relativo ao mesmo tributo e período, já teria sido analisado e deferido em outro pleito anterior transmitido pelo próprio contribuinte. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 5/10), alegando, em síntese, que: (i) houve um segundo PER apresentado, uma vez que constatou, somente em momento posterior à apreciação do PER originário, a existência de crédito de maior valor, o que a levou a retificar a sua DIPJ. (ii) ao tentar corrigir o primeiro PER, notou que o fisco já havia homologado o valor do crédito originariamente informado, motivo pelo qual não seria mais possível retificar aquele instrumento para adequálo às informações ajustadas na DIPJ Retificadora. Diante, então, da impossibilidade operacional de retificar o PER original, transmitiu novo PER, informando como crédito a diferença entre o "novo Saldo Negativo" informado na DIPJ Retificadora e aquele a menor que já havia sido informado. Ocorre que, ao apreciar o segundo pedido de restituição, ao contrário de verificar todo o conjunto fático e a sucessão de atos praticados, conforme narrado acima, a fiscalização simplesmente afirmou que, como o referido período já havia sido apreciado, não seria mais possível reapreciálo neste momento, levando ao indeferimento do "segundo PER". Devese, assim, cancelar o trabalho fiscal ora analisado, tendo em vista sua nulidade por falta de investigação dos fatos que suportam o direito creditório da requerente ou mesmo pela inobservância dos atos por ela praticados. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente com base nas seguintes alegações (fls. 140/149): (i) de que houve duas inconsistências insanáveis no preenchimento dos pedidos, quais sejam (i.i) a não indicação correta do crédito na PER originária; e (i.ii) não houve apresentação de demonstrativo do crédito pleiteado no segundo PER; e (ii) que a contribuinte não comprovou o erro da DIPJ originária com documentação hábil e idônea, o que violaria o artigo 16, III, do Decreto n. 70.235/19721 e o cumprimento do ônus de provar a liquidez e certeza para restituição de indébito. Cientificada da decisão de piso, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 156/179). Sustenta, em resumo, que o PER originário, assim como o "PER complementar", foram preenchidos sem vícios e, mais ainda, em conformidade com as DIPJ 1 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 3 3 Retificadas e Retificadora, respectivamente, não havendo nenhum erro capaz de justificar o indeferimento. Aduz também que é nítida a tentativa de violação ao artigo 142 do CTN e ao princípio da verdade material, bem como que eventuais erros formais não poderiam impedir a repetição do indébito. No mérito, sustenta que, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, buscou atacar exclusivamente o fundamento trazido no despacho decisório, afinal a DIPJ Retificadora, que foi entregue dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos, lhe faz prova favorável do Saldo Negativo que foi corrigido e que ensejou a apresentação do segundo PER. Não obstante, por ocasião do recurso voluntário, e como forma de contrapor o argumento invocado apenas pela DRJ quanto à comprovação do erro na DIPJ retificada, a contribuinte explica e busca comprovar que o aumento do Saldo Negativo é fruto da exclusão fiscal de valores lançados como "provisão de receita", denominados de breakage. Em suas palavras: Assim, além das receitas financeiras, a principal fonte de receita de recorrente advém do gerenciamento do passivo que a recorrente assume junto às empresas parceiras, receita essa reconhecida à medida que os beneficiários do programa utilizam seus pontos, representativos do direito de obter contrapartida em prêmios. O prazo para exercício do direito, pelo beneficiário, é de 24 meses a contar do momento em que lhe são atribuídos os pontos conversíveis em utilidades. Esse prazo é denominado prazo para expiração do ponto ou, na linguagem técnica, breakage. Ocorre que nem todos os beneficiários desses programas resgatam seus pontos, ou a totalidade deles, razão pela qual a recorrente reconhece, por força das práticas contábeis aplicáveis à atividade, desde o momento que assume o compromisso de premiar tais pessoas, uma "provisão para receita" Essa "provisão" é apurada a partir da experiência acumulada com prêmios não resgatados, em períodos anteriores, e consiste em uma redução do passivo referente a prêmios a serem entregues, em contrapartida da conta de receita. Assim, o passivo de provisão para breakage é calculado com base na média de 12 meses do percentual de pontos emitidos e não utilizados até o vencimento, aplicada sobre o "faturamento de pontos". 0 reconhecimento gradual da receita de provisão para breakage é realizado de acordo com a média de 12 meses do percentual de realização dos resgates, ou seja, pelo percentual de pontos acumulados e resgatados no período, aplicado sobre o passivo e limitado ao saldo registrado. Nesse contexto, relativamente ao ano de 2011, por um lapso, a| recorrente considerou essa provisão para breakage como Fl. 211DF CARF MF 4 receita tributável pelo IRPJ e pela CSL. no momento de seu reconhecimento § contábil, conquanto para fins tributários ela somente deva ser considerada como realizada quando o prazo para exercício do direito de resgate, pelo beneficiário, se findar. Assim, devido ao fato de se ter tributado essa "provisão de receita" por ocasião de seu reconhecimento, para fins contábeis, quando ela deveria ser tributada somente por ocasião do esgotamento do prazo de resgate dos pontos, ou seja, após os 24 meses de validade do ponto, a recorrente antecipou o recolhimento desses tributos ao fisco com base em uma estimativa contábil e não sobre o valor real de receita ganha com os pontos expirados, o que somente é conhecido ao final dos 24 meses. Tendo em vista esses fatos, ao reverter da conta de passivo o montante correspondente à provisão para breakage, a qual tem alta probabilidade de não se converter em pontos resgatados, a recorrente não está, de fato, registrando uma receita, uma vez que tal expectativa pode ou não realizarse. [...] E para que não pairem dúvidas a respeito do assunto, a recorrente comprova documentalmente suas considerações acima a partir do confronto de suas DIPJs já anexadas aos autos e as contas contábeis em que há o controle das referidas provisões. De fato, conforme se verifica no resumo constante no v. acórdão a respeito da demonstração do lucro real, assim como no quadro resumo exposto no início desse tópico, a retificação realizada em DIPJ pretendeu ajustar o montante declarado na linha 78 da Ficha 9A, retificando o valor inicialmente declarado de R$ 22.091.728,92 para R$ 340.834.108,72. A diferença de R$ 318.742.380,08 corresponde exatamente aos saldos das contas contábeis em que são controladas as provisões de breakage. Confirase o quadro abaixo e a integralidade das referidas contas contábeis referentes ao ano de 2011 (arquivo não paginável): Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 4 5 E apenas para que não remanesça qualquer dúvida a respeito da indevida inclusão das referidas provisões de breakage na base de cálculo do tributo, basta verificar que na linha 05 ["Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno") da Ficha 7 A (Demonstração do Resultado), tanto da DIPJ inicial como da DIPJ retificadora, o valor informado pela recorrente foi de R$ 1.354.940.115,27 (fls. 57 e 105). A abertura do referido montante pode ser obtida a partir dos quadros abaixo: Assim, resta comprovada a razão das exclusões realizadas na DIPJ retificadora, [...] Fl. 213DF CARF MF 6 Finalmente, a Recorrente afirma que esse mesmo procedimento, ou seja, a apresentação de novo PER em face da alteração da DIPJ em momento posterior teria sido implementado para o anocalendário anterior, sendo que para este período a RFB expressamente deferiu o crédito complementar. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Restou demonstrado que o fundamento constante do despacho decisório para o indeferimento do segundo PER foi o de que já teria havido deferimento de Saldo Negativo de IRPJ do mesmo período, o que impossibilitaria um novo pedido. Ocorre, porém, que o contribuinte comprovou que a retificação da DIPJ e a entrega do novo PER ocorreram em momento posterior ao da homologação do pleito originário, fato este que justifica o procedimento que adotou. A DRJ, entretanto, insiste na existência de erros formais e acrescenta um argumento de mérito , até então inédito nesse PAF, qual seja, o de que o contribuinte descumpriu seu ônus de comprovar a natureza e origem da exclusão fiscal que acarretou no aumento do Saldo Negativo, o que também enseja o indeferimento do segundo PER. Já o contribuinte reitera e demonstra que não houve erros e, mais ainda, que eventual inconsistência formal não teria o condão de indeferir o PER. No mérito, argumenta que a comprovação do equívoco da DIPJ original equívoco este corrigido por meo de DIPJ Retificadora que deu origem ao "novo Saldo Negativo" foi feita apenas no recurso voluntário porque o despacho decisório foi emitido sem esse fundamento. Nesse estado de coisas, entendo que a inviabilidade prática de retificação do primeiro PER afinal ele já havia sido homologado quando da retificação da DIPJ , bem como diante da correspondência do valor do Saldo Negativo constante da DIPJ Retificadora e do segundo PER, afastam eventuais erros ou equívocos quanto ao processamento e necessidade de análise de mérito do novo pedido. Não custa repetir, aqui, que o segundo pedido de restituição comporta apenas a diferença entre o valor que já havia sido requerido (e homologado) e aquele resultante da retificação da DIPJ, que ocorreu a posteriori. No que diz respeito à preclusão ou falta de comprovação do erro na DIPJ originária pelo contribuinte e, conseqüentemente, da pretensa ausência de liquidez e certeza do indébito, argumento este levantado exclusivamente pela DRJ, entendo que razão não lhe assiste. Isso porque o contribuinte, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, apenas rebateu o fundamento do despacho decisório, o qual partiu tão somente de premissa Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13896.720385/201796 Acórdão n.º 1201002.691 S1C2T1 Fl. 5 7 equivocada consistente na impossibilidade de transmissão de novo PER para período já objeto de análise. Vale dizer, a questão do ônus de provar o motivo da retificação da DIPJ e a origem da diferença credora não haviam sido até então argüidas como razões ou critperio jurídico para o indeferimento do PER, o que foi feito apenas pela decisão de piso DRJ. Deveria a autoridade julgadora, na verdade, antes de indeferir o pleito com argumento inovador, ter conferido oportunidade para o contribuinte fazer essa prova, sob pena de cercear o seu direito de defesa, o que de fato acabou ocorrendo. Dessa forma, uma vez afastado o fundamento que indeferiu o pleito da contribuinte, e até mesmo para não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do montante do crédito que foi requerido no segundo PER, devendo a empresa ser intimada para apresentar a documentação que suporta a retificação de DIPJ, bem como ser retomado o rito processual do PAF após a conclusão da autoridade de origem. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar o fundamento do indeferimento do PER, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009070/2003-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RETIFICADORA
O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.523
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RETIFICADORA O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10166.009070/2003-45
conteudo_id_s : 5953889
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.523
nome_arquivo_s : Decisao_10166009070200345.pdf
nome_relator_s : Mário Sérgio Fernandes Barroso
nome_arquivo_pdf_s : 10166009070200345_5953889.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 7583189
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418941718528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.009070/200345 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.523 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2011 Matéria Compensação Recorrente VIA INTERNET INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RETIFICADORA O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Marcelo Baeta Ippólito e Aloysio José Percínio da Silva. . Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Brasília que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Trata o processo de declaração de compensação (fl. 1), na qual a contribuinte acima identificada, compensa pretenso crédito de IRRF incidente sobre Remuneração Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Cód. 1708), no valor de R$ 654,16, como débito de Pis apurado em abril/2003, no mesmo valor. Para subsidiar o seu pedido à empresa juntou a este processo cópia do Razão Analítico das retenções efetuadas no anocalendário 2003 (fl. 2). A autoridade administrativa no despacho decisório (fls. 17/19), após examinar a questão, resolveu não homologar a declaração de compensação por considerar indevida a compensação direta do IRRF com tributos ou contribuições de espécies diferentes. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 10/04/2007 (fl. 22 v). Inconformada apresentou em 07/05/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 23 a 24), na qual, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: a decisão proferida no despacho decisório está equivocada, porque o pedido não trata de compensação de imposto de renda retido na fonte, mas sim de saldo negativo de imposto de renda retido por pessoas jurídicas nos anoscalendários 1999 a 2002, compensado neste processo e demonstrado no Per/Dcomp pelo que não há se falar em antecipação; o saldo negativo compensado está informado na pág. 20, 4º trimestre, linhas 12 e 18 da DIPJ/2002, e o total de impostos e contribuições a recuperar na página 50 linha 10, na qual consta às contribuições retidas por pessoas jurídicas, que compõe o saldo negativo, e houve falha no preenchimento da declaração de compensação ao não marcar o item de saldo negativo de IRPJ e CSLL e também no preenchimento da DIPJ/2002, mas tais falhas já foram corrigidas, conforme cópias anexadas da DIPJ retificada; do Balanço de 2002 e do Razão Analítico de 1999 a 2003 da conta IRRF a recuperar e anexo geral para todos os processos de cópias das Notas Fiscais onde ocorreram as retenções do IRRF, que visam provar o saldo na conta do ativo "Impostos e Contribuições a Recuperar", no valor de R$ 15.888,87 e sua evolução em 2003, e caso essa Secretaria entenda que os documentos apresentados não se mostram suficientes para provar o alegado, está ao inteiro dispor para apresentar o que for solicitado. Se ainda assim persistir dúvidas, requer diligência para verificar "in loco" os documentos fiscais que comprovam de forma inequívoca a verdade do que ora requer. Por derradeiro, requer a reconsideração do despacho decisório, para homologar a referida compensação, eis que a mesma foi regularmente efetuada, conforme se pode constatar na análise dos documentos, ora anexados. A DRJ decidiu: “A restituição de indébito fiscal, bem como a sua compensação somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa com crédito liquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública.” Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009070/200345 Acórdão n.º 110300.523 S1C1T3 Fl. 2 3 A contribuinte recorre: DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ O Livro Diário e o Razão demonstram claramente que os valores relativos ao Imposto de Renda Retido Na FonteIRRF, incidentes sobre as Notas Fiscais emitidas pela empresa, e identificadas uma a uma, tiveram seus saldos superiores ao imposto de renda devido, passando de um para outro exercício, o que caracteriza a existência de Saldo Negativo do IRPJ, senão vejamos: Da composição do saldo da conta contábil 128536 — IRRF A RECUPERAR: Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/1999 R$ 15.589,77; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2000 R$ 16.914,47; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2001 R$ 17.908,26; Saldo de IRRF A RECUPERAR em 31/12/2002 R$ 15.888,87 Na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de 2003 —página 20, Ficha 12A, 40 trimestre, linha 13 e linha 18, encontrase a informação do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.888,87; Ainda nessa mesma DIPJ — balanço patrimonial — página 50, Ficha 38A, linha 10, encontrase o valor dos impostos e contribuições a recuperar no total de R$ 18.244,21, onde está contido o valor de R$ 15.888,87 relativo ao saldo do IRPJ a recuperar. O prazo para o contribuinte efetuar a retificação das declarações é o mesmo prazo previsto no §4° do art. 150 do CTN, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, dentro deste prazo legal, constatado o erro material no preenchimento, perfeitamente válida é a retificação. O mero erro material não altera o direito do contribuinte, pois, como demonstramos anteriormente, não se pode admitir que um erro material na informação dada em uma obrigação acessória seja o suficiente para configurar a existência de um crédito tributário. É certo que somente após constatar os equívocos cometidos é que o recorrente teve a oportunidade de proceder a correção dos erros de preenchimento da DIPJ e do PERD/COMP. Anexa jurisprudência. Voto Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão fulcral para o deslinde da pendência é o reconhecimento ou não do pretenso crédito de IRRF, bem como a sua compensação com débito de Pis, apurado no mês de abril de 2003. A legislação tributária estabelece que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor pago ou retido na fonte na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período (IN SRF nº 600, de 2005, art. 10). A recorrente afirma que com a retificadora, os créditos seriam de saldo negativo. Do Acórdão da DRJ transcrevo: “A recorrente argumenta que o crédito pleiteado não se refere ao IRRF, mas sim saldo negativo de imposto. Para provar tal alegação junta ao processo cópia de DIPJ retificadora; Per/Dcomp retificadora, e cópias do Balança Patrimonial, Demonstração do resultado do Exercício e de folha do Razão Analítico; contudo, nesses documentos a manifestante não prova a existência do saldo negativo reclamado. Registrese, por oportuno, que esses documentos não servem de provas para comprovar o saldo negativo alegado: primeiro, porque as declarações retificadoras (DIPJ e Per/Dcomp) foram apresentadas, após a ciência do despacho decisório, e segundo, porque nos demonstrativos e balanço patrimonial consta apenas à existência de suposto crédito a recuperar, não fazendo qualquer referência a saldo negativo de imposto.” De fato, a legislação de regência Instrução Normativa n°. 376/2003, art. 6°determina: "Art. 6 O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.2 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7 2 e 82" Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.009070/200345 Acórdão n.º 110300.523 S1C1T3 Fl. 3 5 Assim, como vemos, a retificadora aqui apresentada foi a destempo, pois, foi 04/05/2007 enquanto o despacho decisório foi em 10/04/2007, portanto, as informações nela contidas não podem ser consideradas. Quanto à documentação acostada pela recorrente, só há provas da retenção, não há provas do saldo negativo. Ademais, a recorrente fazia sim compensação de fonte, não se tratando de erro de fato. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000382/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16366.000382/2009-17
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5957417
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.488
nome_arquivo_s : Decisao_16366000382200917.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16366000382200917_5957417.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7589540
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418962690048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.000382/200917 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.488 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 82 /2 00 9- 17 Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.044, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16366.000382/200917 Acórdão n.º 3201004.488 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722949/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.722949/2013-39
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5947128
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.449
nome_arquivo_s : Decisao_10680722949201339.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 10680722949201339_5947128.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7569880
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418967932928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 170 1 169 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.722949/201339 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.449 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2018 Matéria PER PIS/COFINS DDE Recorrente BHMÁQUINAS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 49 /2 01 3- 39 Fl. 170DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10680.722949/201339 Acórdão n.º 3401005.449 S3C4T1 Fl. 171 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 172DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 68.422,37; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 14.678,97, com pagamento, em DARF de R$ 114.428,88, dos quais se invoca R$ 68.422,37, o que é insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 609.353,33. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 114.428,88 (e parcialmente, no valor de R$ 68.422,37), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.722949/201339 Acórdão n.º 3401005.449 S3C4T1 Fl. 172 5 O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000248/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000253/2010-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13827.000248/2010-89
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950514
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.773
nome_arquivo_s : Decisao_13827000248201089.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 13827000248201089_5950514.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000253/2010-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7576043
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419001487360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000248/201089 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.773 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de novembro de 2018 Assunto Compensação Recorrente COSAN S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000253/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 24 8/ 20 10 -8 9 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementando o ao final no que necessário: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, no período de apuração 28/12/2006, no valor de R$ 683.992,37, apresentado em formulário impresso, protocolizado em 30/03/2010. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram feitos os Redarfs, alterando o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito nas CDAs nº 80.6.05.04289850 e 80.7.06.04619248. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para alegar que teria sido excluído do Paes indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 4 3 para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Defendeu a nulidade da decisão, pois a execução fiscal nº 2005.61.09.0031397 não abrangeria a CDA nº 80.7.06.04619248, de modo que não haveria decisão judicial que embasasse o Redarf. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art.49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pela princípio da hierarquia das leis, de modo que o Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 5 4 reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. A r. DRJ de Ribeirão Preto proferiu decisão que restou assim ementada: "ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da lide importa em renúncia à apreciação da matéria na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que embora haja uma relação de prejudicialidade entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança em que discute a legalidade da imputação dos créditos a diversas CDAs, não é possível vislumbrar uma relação de concomitância (e muito menos renúncia à esfera administrativa). Defende que embora o provimento do Mandado de Segurança culmine na liberação do crédito ora pleiteado, uma vez que cancelará a compensação de ofício realizada, a medida judicial não propiciará a restituição do montante à Recorrente. Além disso, caso remanesça o indeferimento neste processo administrativo, restará definitivamente obstado o direito da Recorrente reaver os valores do pagamento indevido, uma vez que já terá transcorrido o prazo prescricional para pleitear a devolução, restando a Recorrente impossibilitada de apresentar um novo pedido de restituição. Aponta jurisprudência do CARF em que se suspendeu o processo administrativo até o advento final do processo judicial. Requer, por fim, que os Conselheiros se posicionem quanto ao meio adequado à restituição do montante caso o MS culmine no cancelamento das compensações de ofício, uma vez que já terá transcorrido o prazo quinquenal para pleitear a restituição do crédito. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.771, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000253 /2010 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.771): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: Havendo contencioso judicial para discutir a validade ou não da compensação de ofício ordenada por juízo de Execução Fiscal, não cabe a esta e. Câmara se manifestar quanto a contenda. Embora evidente a relação de prejudicialidade entre os dois processos, resta evidenciar se há concomitância para fins de aplicação da Súmula 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O presente processo administrativo tem por objeto a verificação da existência de crédito decorrentes de pagamentos indevidos de parcelas do Parcelamento da Lei 10.684/03 (PAES), realizados após a exclusão indevida da Recorrente por meio de DARFs com o código 7122, cujo valor originário é de R$ 668.663,70. Enquanto o processo judicial in casu busca afastar imputação do referido crédito para pagamento dos débitos constantes das CDAs 80.6.05.04289770 e 80.2.07.00846342, cobradas na Execução Fiscal nº 2005.61.09.0031397, conforme decisão exarada naquele processo. Resta evidente que não há coincidência de objetos, mas uma clara relação de prejudicialidade entre os processos. Pois, caso liberado o crédito na decisão judicia, o presente processo administrativo deverá ser julgado procedente,. Temos julgado pelo sobrestamento em casos de prejudicialidade, como a ilustra a ementa da decisão proferida no Processo Administrativo nº 13603.902729/201217, acórdão nº 1402 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13827.000248/201089 Resolução nº 1402000.773 S1C4T2 Fl. 7 6 003.351, relatoria do Conselheiro LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO Existindo discussão em outros processos administrativos sobre a compensação de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ que se pretende compensar nos autos deste processo em epígrafe, resta caracterizada a prejudicialidade do pedido de compensação, devendo sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativo definitiva nos processos que tratam das compensações das estimativas. Isto posto, encaminho voto no sentido de sobrestarmos o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720291/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF).
Numero da decisão: 3403-003.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16095.720291/2011-45
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958548
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3403-003.463
nome_arquivo_s : Decisao_16095720291201145.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Rosaldo Trevisan
nome_arquivo_pdf_s : 16095720291201145_5958548.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinando-se da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 7594876
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419006730240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.005 1 1.004 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720291/201145 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.463 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria AI IPIOMISSÃO DE RECEITAS Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TINTAS FERRAZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ/CSLL. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do RICARF). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 91 /2 01 1- 45 Fl. 1005DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 22/11/2011 (fls. 908 a 926, com ciência à empresa em 30/11/2011 fl. 9171), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no período de janeiro a dezembro de 2008, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75%, perfazendo total de R$ 1.782.164,75. Narra a fiscalização que a autuação decorre de falta de lançamento do IPI na saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada por meio de receitas correspondentes a depósitos bancários cujas origens o contribuinte não obteve êxito em comprovar, conforme se narra em Termo de Verificação Fiscal. Afirma ainda o autuante (fl. 918) que se trata “de infração reflexa do lançamento relativo ao IRPJ”, o qual foi levado a efeito por meio de autuação diversa. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI) anexo à autuação (fls. 853 a 907), apura o fisco que: (a) a empresa, optante pela forma de tributação do lucro presumido, foi intimada a apresentar livros fiscais e extratos bancários, apresentandoos em parte (informando que vários livros se encontravam em poder do fisco estadual), só complementando a apresentação dos extratos bancários após três reintimações; (b) após apuração da receita bruta (base de cálculo do IRPJ no “lucro presumido”) de acordo com o art. 224 do RIR/1999, o fisco disponibilizou os resultados da apuração para que a empresa se manifestasse; (c) com a resposta da empresa, foi possível verificar que além das diferenças já detectadas, a empresa excluía (sem respaldo legal), de suas vendas os valores correspondentes a “PIS e COFINS” devidos, além do ICMS próprio; (d) analisando os extratos de conta corrente apresentados, percebeuse que estavam ao desamparo de origem R$ 31.587.563,86, sendo novamente a empresa intimada a justificar a irregularidade; (e) após a concessão de prorrogações de prazo, persistiu sem resposta a intimação; (f) comparandose mensalmente os valores de receita bruta declarados em DACON, foi constatada insuficiência de declaração das receitas tributáveis contabilizadas em janeiro (R$ 575.251,53) e fevereiro (R$ 200.111,83), que, diante da ausência de justificativa, mesmo após nova intimação, foram lançados em auto de infração distinto, referente a “IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”; (g) com relação ao IPI (tratado no presente processo), foi verificado que a empresa contabilizou em janeiro no Razão valor distinto do Livro de Saídas para as rubricas “30006” (vendas para o Estado) e “30007” (vendas para outro Estado”, novamente se intimando a empresa a justificar o ocorrido, sem resposta, em uma das intimações, e com alegação de que as diferenças se deviam a lançamento em duplicidade, em outra; (h) após as exclusões de devoluções, a quantia que remanesceu sem comprovação era de R$ 29.970.846,56, significativamente diferente da contabilização no Razão (que foi de R$ 13.348.977,75), o que perfaz uma receita presumidamente omitida (art. 42 da Lei no 9.430/1996) de R$ 16.621.868,61; (i) com relação ao IPI, as receitas auferidas cujas origens não sejam comprovadas consideramse provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto com base nas alíquotas mais elevadas, quando não for possível a identificação detalhada na escrita do estabelecimento (art. 448 do RIPI/2002); (j) foi assim efetuada a exigência de IPI à maior alíquota de produto comercializada pela empresa, o látex (NCM 3209.10.10 5%), com reconstituição da escrita fiscal, inclusive aproveitando saldos credores de períodos anteriores (infração reflexa ao lançamento relativo ao IRPJ); e (k) foi ainda lançada a diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas. Em sua impugnação (fls. 931 a 941), apresentada em 29/12/2011, alega a empresa que: (a) “o fisco, que a seu termo poderia requerer os documentos junto às instituições 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 3403003.463 S3C4T3 Fl. 1.006 3 financeiras, não o fez e, mais não considerou as antecipações de créditos lançados nos extratos, embora devidamente informado pelo impugnante” (sic); (b) desde o início da fiscalização a empresa vem tentando junto ao banco ITAÚ S.A. cópias dos contratos de antecipação de recebíveis futuros, não obtendo êxito; (c) embora os créditos bancários, em tese, possam identificar indícios de receitas omitidas, tais operações não caracterizam por si só receita ou faturamento, devendo o fisco identificar outros elementos seguros que possam comprovar omissão de receita; (d) a empresa logrou receber no exercício fiscalizado mais de R$ 640.000,00 de créditos em relação a vendas efetuadas em anos anteriores; (e) existe livro fiscal próprio para apuração do IPI, “devendo ser lançado as compras e apurado as saídas, por suas diversas alíquotas de IPI” (sic); (f) não se pode confundir mera movimentação financeira com acréscimo patrimonial ou receita bruta; (g) o art. 42 da Lei no 9.430/1996 não pode ser interpretado isoladamente, mas em harmoniza com o art. 43 do CTN, “sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis”; (h) a multa aplicada fere o “princípio da segurança das relações jurídicas, na medida em que o Estado, enquanto poder, agiu com manifesta atitude passiva”, e caracteriza confisco, não tendo a empresa agido de máfé; e (i) os juros aplicados são abusivos. Em 26/12/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 956 a 960), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da impugnação apresentada, sob os fundamentos de que: (a) “diante da peça impugnatória, que apesar de requerer a improcedência de todo o Auto de Infração contesta expressamente apenas a infração 1, relativa ao IPI exigido em decorrência de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, cabe manter inteiro o lançamento”; (b) “as argüições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, como a de suposto caráter confiscatório da multa de ofício, constituem matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste Processo Administrativo”; (c) “o Auto de Infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto no 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência em questão: IPI lançado por venda sem emissão de nota fiscal, presumida em decorrência de depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, sendo o Imposto calculado à alíquota de 5% (o percentual não é contestado pela Impugnante) e os saldos devedores levantados depois de reconstituída a escrita fiscal, com inclusão dos débitos decorrentes da omissão de receita e aproveitamento dos saldos credores escriturados anteriormente pela contribuinte”, inexistindo nulidade; (d) na falta de comprovação quanto à origem dos depósitos bancários a receita omitida é considerada proveniente de vendas não registradas e sobre elas é exigido o IPI; e (e) a presunção de que as receitas omitidas são oriundas de vendas não registradas é relativa, mas a recorrente não conseguiu elidila”, e “daí a manutenção do lançamento do IPI, apurado com aplicação da alíquota de 5%, que não é contestada”. Cientificada da decisão de piso em 08/01/2014 (AR à fl. 963), a empresa apresenta recurso voluntário em 06/02/2014 (fls. 965 a 971), no qual reitera que: (a) “os valores dos depósitos bancários não podem ser considerados como receita omitida para efeitos dos tributos ora exigidos”; (b) o prazo solicitado ao banco ITAÚ S.A. para apresentação de cópias dos contratos de antecipação de recebíveis futuros não foi suficiente, penalizandose a recorrente, pois a RFB poderia intimar o banco a fornecer tais contratos; e (c) tinha valores a receber de exercícios anteriores. Acrescenta ainda que questionou a alíquota de 5% em sua impugnação, informando que por força do Decreto no 5.697/2006 a alíquota de mais de 90% de seus produtos foi reduzida a “zero”. É o relatório. Fl. 1007DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Antes de ingressar na apreciação do recurso voluntário, revelase imprescindível o exame da competência desta turma para se manifestar sobre a matéria expressa nos autos. O recurso voluntário apresentado versa sobre autuação referente a IPI, mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Para a única matéria que não era decorrente do lançamento de IRPJ (diferença em relação às vendas contabilizadas no Livro Razão e não contabilizadas no Livro de Saídas) operouse a preclusão, diante da negativa de impugnação. Assim, resta a analisar no presente processo tão somente a matéria reconhecidamente reflexa da autuação de IRPJ, como atesta expressamente o próprio Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI), à fl. 859: Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF: “Art. 2o À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;” (grifo nosso) Assim, ainda que a autuação verse sobre tributo diverso (IPI), resta deslocada a competência para a Primeira Seção se a exigência for lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente ao IRPJ. Sendo inequívoco que a matéria em discussão nestes autos, em relação a IPI, está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, como se percebe cristalinamente do teor do excerto transcrito do TVCI, concluise pela incompetência desta turma de julgamento (em verdade, desta Seção de Julgamento) para análise do recurso voluntário. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16095.720291/201145 Acórdão n.º 3403003.463 S3C4T3 Fl. 1.007 5 Incumbese, então, declinar da competência para julgamento em favor da Primeira Seção deste CARF, na forma do art. 2o, IV do Anexo II do RICARF, na linha do que já decidiu unanimemente esta turma, também em processo referente a IPI: “AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF) (Acórdão n. 3403 002.580, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.out.2013) Diante do exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Rosaldo Trevisan Fl. 1009DF CARF MF
score : 1.0
