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Numero do processo: 11060.002220/2009-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 20 /2 00 9- 26 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901668/2006-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 278 e 279) interposto contra o Acórdão n° 0522.056, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (efls. 261 à 272), que, por unanimidade de votos, reconheceu em parte a homologação das compensações pleiteadas pelo Recorrente, até o limite de R$ 7.515,00. Decisão essa ementada nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 01 66 8/ 20 06 -5 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 294 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte O Conteúdo decisório do Acórdão de piso analisou detidamente as compensações apresentadas pelo Recorrente, bem como os termos do Despacho Decisório. Nesse deslinde, concluiuse pela homologação parcial dos valores pretendidos, verbis: 14. No anocalendário de 1999, os comprovantes apresentados montam a R$ 185.113,90, valor este superior em R$ 1.285,85 ao já admitido como comprovado pela autoridade fiscal. 15. Destaquese que os documentos de fls. 121/122 não comprovam a retenção da importância de R$ 6.045,27, relativo ao IRRF que teria incidido sobre aplicações financeiras de rendafixa (pessoa Jurídica), pois tal imposto foi recolhido pela própria empresa, indicando que é a contribuinte a fonte pagadora dos rendimentos, e não a beneficiária. 16. Acrescentese que não há maiores esclarecimentos sobre tal importância na manifestação de inconformidade apresentada. 17. No anocalendário de 2000, o total do IRRF reconhecido pela autoridade fiscal, de R$ 222.352,81, mostrase coincidente com o declarado pela contribuinte. 18. No anocalendário de 2001, o total dos comprovantes apresentados mostrase coincidente com o declarado pela contribuinte, de R$ 166.833,96, e superior ao apurado pela autoridade fiscal em R$ 5.615,19. 19. Por fim, no anocalendário de 2002, cabe ressaltar que o IRRF retido de R$ 427,64, documento de fl. 134, tratase de imposto incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, não passíveis de dedução. 20. A partir dos valores comprovados do IRRF, e do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1999, elaboramse as planilhas a seguir, onde se demonstram as compensações possíveis, a partir dos saldos negativos apurados em cada anocalendário, observandose, ainda o disposto no Ato Declaratório SRF n.° 003, de 07 de janeiro de 2000: (...) 23. Das consolidações acima, depreendese que: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 295 3 23.1. no anocalendário de 2000, o saldo negativo do 1999 mostrouse suficiente para compensação de estimativas no montante de R$ 192.885,08 e não de R$ 199.254,44, declarado pela empresa; 23.2. no anocalendário de 2001, o saldo negativo de 2000 mostrouse suficiente para a compensação de estimativas no montante de R$ 129.955,77 e não de R$ 136.614,49, declarado pela contribuinte; 23.3. no anocalendário de 2002, o saldo negativo de 2001 mostrouse suficiente para a compensação de estimativas no montante de R$ 341.262,75 e não de R$ 344.442,31, como pretende a empresa. 24. Concluindo, a partir do reconhecimento adicional das importâncias de IRRF explicitadas acima, desde o anocalendário de 1999, o saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2002 era de R$ 531.857,30. 25. Como a DRF de Origem já reconheceu um crédito de R$ 524.342,30, este Acórdão restringese à diferença de R$ 7.515,00, conforme abaixo: 26. As consultas que subsidiaram o presente acórdão constam às fls. 152/238 dos autos. 27. Em face do exposto, VOTO no sentido de RECONHECER EM PARTE o direito creditório, na importância de R$ 7.515,00, em valores originais do anocalendário de 2002, além do já deferido pela DRF de Origem em HOMOLOGAR EM PARTE as Compensações efetuadas até esse limite. (GN) Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte contesta apenas o valor de R$ 6.045,27, não reconhecido outrora em virtude da falta de provas acostadas aos autos. Pelo sintético teor recursal, transcrevoo: No item “l5” do Acórdão n° 0522.056 7 4°. Turma da DRJ/CPS restou consignado que os documentos de. fls, 121/122 não comprovam a retenção da importância de R$ 6.045,27 (...), pois tal imposto foi recolhido pela própria empresa, indicando que é a contribuinte a fonte pagadora dos rendimentos, e não a beneficiária. Todavia, na realidade, conforme se comprova do código da receita do DARF 3426 o valor recolhido se refere ao imposto que caberia a fonte pagadora reter, mas, no caso em questão, por ser ela pessoa física não o fez, cabendo a própria beneficiária fazêlo. Tanto foi assim, que para a devida comprovação, anexamos presente, fotocópia das folhas n°s.153 e 227 do Livro Diário 46, nas quais se encontram grafados no pertinente lançamento 12582/3, de 24.11.1999, a liquidação do contrato de mútuo, valor do principal de R$ 439.773,64, e, ainda, o lançamento n° 12584/5, referente aos juros recebidos do Mutuário pessoa física no valor de R$ 30.226,36, Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 296 4 ficando este valor sujeito à incidência de imposto de renda retido na fonte à alíquota de 20%, que corresponde a R$ 6.045,27, na conformidade do lançamento n° 12823, de 30.11.1999. Ademais, de se realçar que na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ano 2000, exercício de 1999, inexistia ficha' Demonstrativo Imposto de Renda Retido na Fonte, situação essa que se inovou no ano seguinte, em razão da ficha n° 43. Destarte, resta comprovado pelos lançamentos do Livro Diário, bem como do recolhimento do DARF, que a empresa efetuou a retenção no importe de R$ 6.045,27, relativo a IRRF incidente sobre os juros recebidos na operação de mútuo, conforme Contrato de Mútuo que anexamos ao presente, onde a empresa é a Mutuante, tendo como Mutuário o Sr. Tsu Hung Sieh inscrito no CPF(MF) sob n° 008.304.888O4, ou seja, imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração, indicando que a contribuinte é a beneficiária. Como reforço de argumentação, pedimos vênia para transcrevermos o entendimento encontrado no parágrafo 3° do artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 007, de 3 de fevereiro de 1999, a saber: A responsabilidade pela retenção do Imposto de Renda na Fonte é da pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos, e, no caso de o mutuário (o que paga os rendimentos) ser pessoa física, a pessoa jurídica mutuante (que recebe os rendimentos) fica responsável pela retenção. Dessa forma, resta claro que, ao contrário do lançado no R.Acórdão, a empresa é a beneficiária, devendo, portanto, assim ser considerada, para fins do presente Recurso. Sem mais, colocamonos à inteira disposição para outros eventuais esclarecimentos julgados oportunos. Nessa oportunidade Recursal, o Recorrente apresentou informações complementares, tais como cópia do livro diário e do contrato de mútuo, os quais entende por aptas a justificar o valor não reconhecido pela Autoridade de origem (efls. 281 à 290). É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, cumpre destacar o detido trabalho realizado na instância a quo, a qual procedeu de forma imparcial e diligente na análise das DCOMPs. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 297 5 Outrossim, cumpre asseverar que o único ponto controvertido sob análise deste Recurso é a quantia decorrente dos rendimentos do mútuo firmado entre o Recorrente e pessoa física, conforme atesta o contrato n° 001/99 (efl. 287). O ponto focal reside na contabilização da retenção do Imposto de Renda na fonte, que, conforme disposto no Acórdão da DRJ, não restou amparada documentalmente e, portanto, não foi possível depurar seus efeitos compensatórios. Contudo, o Recorrente, quando da apresentação de seu Recurso Voluntário, colacionou documentos aptos a suprir as omissões apontadas pela Autoridade de piso (itens 15 e 16 do Acórdão). Pois bem; como se sabe, o CARF já dispõe de vasta jurisprudência no sentido de admitir apresentação documental em sede de Recurso Voluntário, desde que isso não seja reflexo de inegável desídia do Contribuinte, inovação jurídica, ou que se trate de acervo essencial à instrução do PAF ab initio. Nenhum desses aspectos macula o presente caso, que ainda se acrescenta o aspecto do Recorrente ter juntado suas provas após a leitura dos itens 15 e 16 do Acórdão da DRJ, buscando justamente contrapôlos. Portanto, tais fatos corroboram a intelecção jurisprudencial adotada por este Colegiado Administrativo. Por fim, assevero que não é possível esta Turma Extraordinária proceder prontamente com a homologação da compensação dos valores pleiteados no Recurso Voluntário. Isso porque haveria inegável supressão de instância, razão pela qual se torna imperativo o retorno dos presentes autos à instância a quo, para que proceda nova análise compensatória, considerando, doravante, os consectários dos IRRF decorrentes do contrato de mútuo. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010647/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.137
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.010647/201026 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.137 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria MULTA ATRASO ENTREGA DACON Recorrente VEICULAR DISTRIBUIDORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 06 47 /2 01 0- 26 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02037.813. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 40DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.722171/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:06/11/2009
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 21 71 /2 01 1- 34 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.718, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.722171/201134 Acórdão n.º 3302006.235 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.004868/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1202-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o Relatório do Acórdão nº 10 45.012da DRJ/Porto Alegre, de fls. 58 a 62, que passo a transcrever: “Tratase de auto de infração decorrente de multa por entrega de arquivos magnéticos/digitais em formato diverso do exigido pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 84 .0 04 86 8/ 20 09 -1 1 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10384.004868/200911 Resolução nº 1202000.234 S1C2T2 Fl. 79 2 O valor da multa aplicada é R$ 1.224.686,20, correspondente a 0,5% sobre a receita bruta nos anos calendários 2007 e 20082. A impugnante alega, preliminarmente, ofensa a preceitos constitucionais que devem ser aplicados no exame das multas: princípio da legalidade (art. 150, inc. I), da vedação ao confisco (art. 150, inc. IV), da proporcionalidade e da razoabilidade. No mérito, confirma que entregou os arquivos referentes às folhas de pagamentos dos anoscalendário 2007 e 2008 em formato diverso do previsto na IN, e que os mesmos não foram validados pelo SVA; todavia, propugna que a simples desconformidade com os modelos exigidos pela SRF não é motivo justificado para a aplicação da multa regulamentar, salvo se o sujeito passivo, intimado a corrigir os defeitos objetivamente apontados, não o faça. Neste sentido, informa que não foi intimado a corrigir as incorreções. Sustenta que a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/91 só é cabível quando o sujeito passivo deixar de cumprir a obrigação de entregar os arquivos em meio magnético, o que não é o caso. Salienta que o descumprimento da obrigação acessória não repercutiu sobre a obrigação principal, pois os tributos foram recolhidos no prazo legal. Pede que seja julgado improcedente o auto de infração que aplicou a multa.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1045.012da DRJ/Porto Alegre, de fls. 58 a 62, julgando improcedente a impugnação, com o seguinte ementário: INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. JULGADOR ADMINISTRATIVO. Questionamentos sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de normas regularmente instituídas no ordenamento jurídico não se inserem na competência do julgador administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O pagamento do tributo devido não afasta a multa pelo descumprimento da obrigação tributária acessória. ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA PELO DESATENDIMENTO DA FORMA. A pessoa jurídica que utiliza sistemas informatizados para registrar seus negócios e escriturar sua contabilidade deve manter os respectivos sistemas e arquivos digitais à disposição do fisco, ficando sujeitas a multa quando, a ser intimada a apresentálos, tais registros e arquivos digitais não atenderem à forma prevista na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão, foi impetrado recurso voluntário, de fls. 66 a 74, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10384.004868/200911 Resolução nº 1202000.234 S1C2T2 Fl. 80 3 Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Como já relatado, o contribuinte sofreu a aplicação da multa pela entrega de arquivos digitais em “formato diverso” do exigido pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006, relativo aos anos de 2007 e 2008. A base legal da autuação foram os “Arts. 11 e 12, inciso I, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n ° 2.15834/2001 e reedições”, fls. 7. Na descrição dos fatos da autuação, o agente fiscal assim relata os motivos da autuação, fls. 05/06: “0 Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, aprovado pela instrução normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, determina no item 1.4 que os arquivos digitais contendo as informações referentes a lançamentos contábeis, segurados empregados e contribuintes individuais e avulsos devem ser gerados de acordo com as normas nele estabelecidas. [...] DA MULTA PELO NÃO ATENDIMENTO DO FORMATO PREVISTO NO MANAD A apresentação dos arquivos digitais em formato diverso do que está estabelecido no Manual de Arquivos Digitais sujeita a empresa A multa, conforme dispõe o inciso I caput do art. 12 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991.” Da leitura acima, percebese que o contribuinte teria entregue os arquivos digitais contendo informações relativas a “lançamentos contábeis, segurados empregados e contribuintes individuais e avulsos” em “formato diverso” do previsto na IN MPS/SRP nº 12, de 2006. O que se depreende da leitura da descrição dos fatos é que Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD era aplicado à fiscalização da antiga Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, que detinha competência para o exame das “contribuições previdenciárias” no âmbito federal. Com efeito, a análise das penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias das “contribuições previdenciárias”, objeto de recurso voluntário, é de competência da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, nos termos do art. 3º, V, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – [...] IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10384.004868/200911 Resolução nº 1202000.234 S1C2T2 Fl. 81 4 V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (destaques meus) Em vista do exposto, entendese que esta turma de julgamento da Primeira Seção do CARF deve declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção deste CARF, devendo o processo para lá ser encaminhado para fins de nova distribuição e prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000658/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO.
A omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias e GFIP suscita a lavratura do auto de infração previsto no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2202-004.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de recalcular a multa considerando o resultado do julgamento nesta sessão dos processos de nº 15586.000656/2009-11 e nº 15586.000657/2009-57, referentes às obrigações principais, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sáteles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência do tributo sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração relacionado a omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. A omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias e GFIP suscita a lavratura do auto de infração previsto no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de recalcular a multa considerando o resultado do julgamento nesta sessão dos processos de nº 15586.000656/200911 e nº 15586.000657/200957, referentes às obrigações principais, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 58 /2 00 9- 00 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 182 2 Marcelo de Sousa Sáteles Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sáteles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15586.000658/200900, em face do acórdão nº 1227.288, julgado pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), em sessão realizada em 25 de novembro de 2009, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n" 37.158.3730) com fulcro no art. 32, IV, § 3 e § 5" da Lei 8212/91 c/c art. 225, IV, e § 4" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, no montante de R$ 558.255,60. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 33/34), o crédito lançado tem origem no pagamento das seguintes prestações em beneficio dos seus segurados, sem o recolhimento das contribuições previdenciárias: Pagamento de Previdência Privada Complementar a apenas parte dos segurados da empresa; e Assistência Médica/Odontológica em desacordo com a legislação, por ser estendido aos dependentes e oferecer planos diferenciados aos diretores e gerentes. Contribuição incidente sobre os valores pagos a serviços prestados por cooperativas de trabalho (especificamente, cooperativas de transporte de cargas). 3. Além disto, foram declarados incorretamente os valores relativos a comercialização / aquisição da produção rural de pessoa física da filial de Rondonópolis (CNPJ 02.003.402/0024 61). 4. No Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 35) e tabelas anexas, de fls. 36/37, a autoridade autuante demonstra o valor que deixou de ser declarado, por competência, bem como detalha o cálculo da multa que teve por base legal o art. 32, IV e § 5º da Lei 8212/91 c/c art. 284, inciso II do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS/MF n" 48, de 12/0422009. 5. Informa ainda a autoridade fiscal que o lançamento foi realizado já na vigência da Medida Provisória 449 de 03/12/2008, a qual modificou a forma de cálculo da multa para a infração objeto deste lançamento. Assim, em obediência ao artigo 106, II, "c" os CTN, foi feito o comparativo entre os valores de multa apurados de acordo com a sistemática anterior Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 183 3 e aqueles apurados pelo critério do artigo 35A da Lei 8.212/91 (após a alteração pela MP 449/2008), verificandose qual a mais benéfica ao contribuinte. Verificou a fiscalização, pela tabela de fls. 37, que a multa vigente à época do fato gerador é mais benéfica ao contribuinte em todas as competências, sendo por isto lavrado este Auto de Infração com base nesta legislação. 6. Notificada pessoalmente do Auto de Infração em 28/07/2009, a interessada apresentou impugnação em 27/08/2009, de fls.68/92, juntando os documentos de fls.93/104 e aduzindo as seguintes alegações: 6.1. Afirma que as rubricas relativas a previdência complementar, plano de saúde e odontológico não são verbas remuneratórias, por isto não foram declaradas em GFIP. Deste modo não é devida a autuação em tela, eis que a matéria encontrase em discussão, podendo assim a Impugnante proceder a entrega de GFIP's a ela correspondentes. 6.2. Atinha que o plano de previdência privada visaria complementar a aposentadoria oficial, e, portanto, aqueles trabalhadores que recebem abaixo do teto da previdência social não tem necessidade de aderir a este programa. Apenas não modificou o valor de R$ 1.200,00, que era o teto ria época de firmado o acordo de benefícios, em função do artigo 468 da CLT, pois a alteração periódica deste teto poderia prejudicar os empregados. 6.3. Alega que é impossível a flexibilização do plano de previdência privada a todos os empregados, independente do salário, pois não há complementação a ser feita no caso do empregado ter salário já inferior ao limite máximo do salário de contribuição. Isto equivaleria a tratar de modo diferente o empregado que ganha salário superior, pois o de menor valor teria um beneficio que o outro nunca auferiria. 6.4. Defende que os valores depositados pela empresa em planos de previdência privada não integram o patrimônio do empregado, pois só podem ser sacados ou usufruídos vitaliciamente após cumpridas algumas exigências de tempo de contribuição e idade mínima. Assim, se não integra o patrimônio do empregado, não pode ser considerado remuneração. 6.5. A Impugnante cumpre fielmente os requisitos da Lei Complementar 109/2001, pois disponibiliza o acesso ao plano a todos os seus empregados, mas pela lógica do sistema, a complementação só é viável àqueles que tem remuneração superior ao valor do maior salário de beneficio. 6.6. A hipótese jurídica que ensejaria o nascimento da obrigação tributária não ocorreu, logo não há que se falar em contribuições devidas. A CLT excluiu expressamente a parcela paga a título de previdência privada, sem estabelecer qualquer requisito, devendo esta lei ser utilizada como fonte de interpretação da Lei 8.212/91. Acosta julgados do Conselho de Recursos Fiscais da Previdência Social. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 184 4 6.7. Os planos de saúde custeados pela empresa não podem ser considerados como salário de contribuição, por força do artigo 28, da Lei 8212/91. Não pode haver conceitos diferentes de salário para o direito previdenciário e para o direito trabalhista, pois ambos se fundam no artigo 7 0. da Constituição Federal. O conceito do artigo 458 da CLT não pode ser alterado por nenhuma outra lei. O artigo 458 da CLT exclui o pagamento de plano de saúde do conceito de salário. 6.8. A dúvida acerca da incidência de contribuição sobre o valor do seguro saúde deuse a partir da modificação da Lei 8.212/91 pela Lei 9.528/97, que modificou a redação do artigo 28 da Lei 8212/91, sem modificar a redação do artigo 458 da CLT. Assim, houve revogação tácita do artigo 28, §9°, "q" da Lei 8.212/91, pela Lei 10.243/2001 6.9. A lei em nenhum momento fala de prestar a mesma assistência a todos os empregados, mas sim que a cobertura abranja a totalidade dos mesmos. O fato de haver plano diferenciado para gerentes e diretores não está previsto em lei como fator de inclusão dos valores pagos a título de assistência médica e odontológica ao conceito de salário de contribuição. Também combate o tato de se ter considerado a extensão do beneficio aos dependentes diretos dos empregados. 6.10. O artigo 444 da CLT autoriza a flexibilidade nas negociações laborais, podendo as partes negociar livremente os benefícios e suas obrigações. 6.11. Requer a improcedência do lançamento. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pela contribuinte. Foi recalculada a multa, conforme Lei nº 11.941/09, ficando ela em R$ 45.280,00, conforme abaixo: Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 133/157, no qual reitera as alegações trazidas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 185 5 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pagamentos efetuados a título de Previdência privada. As regras para que os valores pagos pela empresa para contratação de planos de previdência complementar para seus empregados, sem que estes valores sejam considerados salário de contribuição, estão explicitadas no artigo 28, § 9°, alínea "p" da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) [...] p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CL T; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9.528. de 10/12/97) Da análise do Relatório Fiscal do Auto de Infração, item 3.1. e subitens, verificase que a autoridade lançadora compreendeu que a contribuinte não respeitou todos os requisitos necessários arrolados no dispositivo acima. Isto porque, analisando o Plano de Beneficios da ADM (acostados aos autos do processo 15586.000656/200911, DEBCAD 37.158.3756, fls. 810/814), verificouse que este dispõe claramente que para os empregados com salário abaixo de R$ 1.200,00 as regas são bem distintas. Além destes empregados terem direito apenas ao recebimento de um pagamento no valor de três saláriosbase quando •de sua aposentadoria, e isto caso implementem determinadas condições (mais de 10 anos de empresa e mais de 60 anos), verificase que este plano de beneficio determina que a opção destes empregados pelo custeio de um plano de previdência privada VGBL não terá contrapartida da empresa. Pois bem. Entendo por afastar o lançamento fiscal por dois fundamentos. Vejamos. O primeiro fundamento se dá em razão de que, conforme relatado, a Fiscalização apontou como ilegalidade o fato do plano de previdência do Recorrente não ser disponível a todos os empregados, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas [...] Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. É importante observar que o mencionado artigo aplicase às entidades fechadas de previdência complementar. Dessa forma, a discussão jurídica trazida aos autos consiste em saber se é possível, nos planos abertos de previdência privada, instituir contribuições diferenciadas para seus participantes. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 186 6 A Lei Complementar nº 109/2001, ao regulamentar de previdência complementar, fez clara separação entre as normas aplicáveis aos regimes de previdência aberto e fechados. Isso porque, em seu Capítulo II, ao tratar dos Planos de Benefícios, reserva a Seção I para as Disposições Comuns, previstas nos artigos 6 a 11. A Seção II, que compreende os artigos 12 a 25, trata dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas e, por fim, a Seção III (artigos 26 ao 30), cuida dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas. Dessa forma, cumpre verificar se, ao tratar dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas, a mencionada lei, utilizada como fundamento do trabalho fiscal, contempla a possibilidade de benefícios diferenciados para determinada categoria de empregados. A resposta dada pelo artigo 26, § 3º, abaixo transcrito, é afirmativa: Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. § 6o É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos. Pela leitura na norma acima transcrita, fica clara a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na modalidade aberta que não abranja todos os empregados e diretores da Pessoa Jurídica, uma vez que pode ser contratado para "grupos de pessoas" que poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 187 7 Além disso, o artigo 16 da LC nº 109/2001, que estabelece a obrigatoriedade de oferecimento do plano a todos os empregados, trata dos Planos de Benefícios de Entidade Fechadas de Previdência Social. Nesse mesmo sentido, manifestouse a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela decisão proferida no Acórdão nº 9202003.193, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. (grifouse) Em face do exposto, entendo que, a isenção da tributação dos planos de previdência complementar deve obedecer aos critérios estabelecidos na Lei Complementar n 109/01, dentre os quais, como visto, não está prevista a exigência dos planos serem igualmente aplicável a todos os empregados e diretores. Em que pese o acima exposto, importa referir ainda, o segundo fundamento para afastar o presente lançamento. No que tange a questão apontada pela autoridade lançadora de que o plano de previdência privada da recorrente não estaria disponível a totalidade dos empregados, eis que houve a exclusão dos trabalhadores que recebem abaixo do teto do RGPS, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando do julgamento do acórdão 9202 02.265, na sessão de 08 de agosto de 2012, teve posicionamento diverso ao da autoridade lançadora, consoante verificase pela ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal. A interpretação restritiva, aplicada nas hipóteses de imunidade tributária, não reduz o campo da norma, mas determinalhe as fronteiras exatas. Não conclui demais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídico sociais que influíram em sua elaboração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 188 8 O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. A finalidade precípua da previdência complementar é a de complementar os benefícios de aposentadoria daqueles que auferem remuneração superior ao limite imposto para o RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Recurso especial negado. Ocorre que a questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal, in verbis: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) A imunidade tributária pode ser interpretada extensivamente, não devendo, no caso de imunidade, ser realizada a interpretação restritiva da norma, da mesma forma que realizada com as isenções. A particularidade do caso deve ser considerada, podendo, portanto, ocorrer a interpretação extensiva da imunidade, de modo que se mantenha a não incidência de contribuição previdenciária. Assim, transcrevo ementa de acórdão do TRF da 1ª. Região, em caso similar, onde também o plano de previdência complementar também não era oferecido a todos os empregados, sendo considerado no caso as particularidades do caso concreto, sendo afastada a contribuição previdenciária no referido julgamento, confirmandose a sentença de primeira instância: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 189 9 TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. LEI 8.212/91, ART. 28, I e II. REDAÇÃO ORIGINAL E REDAÇÃO PELA LEI 9.528/97 ART. 28, § 9º, letra p (MP 1.596, DE 10/11/1997). ARRENDAMENTO. OBRIGAÇÃO DE CONTINUAR PAGANDO OS VALORES DO PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PARA OS EMPREGADOS DA ARRENDADA. PARTICULARIDADE. MÉRITO: O período em questão é de julho de 1995 a fevereiro de 2001 em relação ao SAT e à contribuição ao INCRA. 1 Consta da petição inicial que em 28/06/1995, firmou a impetante contrato de arrendamento das instalações da Siderúrgica Mendes Júnior S/A, razão pela qual passou a constar nas Carteiras de Trabalho dos empregados oriundos desta última empresa que, "durante a vigência do contrato de arrendamento firmado em 28/06/1995, entre a BelgoMineira Participação e Comércio e a Mendes Junior Siderúrgica, o presente contrato ficará sob a responsabilidade da Belgo Mineira Participação Indústria e Comércio Ltda". / "Em conseqüência, tornouse a Impetrante sucessora de todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias relacionadas com os funcionários cedidos pela empresa arrendadora, dentre elas aquelas relativas ao plano de complementação de aposentadoria, a saber, a obrigação de contribuir para a entidade de previdência privada"MENDSPREV". /"Considerando que tais pagamentos (relativos ao plano de complementação de aposentadoria) são feitos pela Impetrante exclusivamente aos empregados oriundos da Siderúrgica Mendes Júnior S/A, que trabalham nas instalações arrendadas e já se beneficiavam do plano de previdência complementar patrocinado pela arrendadora, não tendo sido estendido aos seus demais empregados, entendeu a primeira autoridade impetrada 'que não poderia ela deduzir os valores desembolsados a tal título da base de cálculo da contribuição previdenciária, devendo tais valores integrar o saláriode contribuição, por não estar o plano de previdência 'disponível à totalidade dos empregados e dirigentes, como exige o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no seu artigo 214, parágrafo 9º, inciso XV". 2 A partir da modificação introduzida pela Lei 9.528, de 10/12/97, há exclusão, de forma expressa, no art. 28, § 9º, letra p, da Lei 8.212/91, do expurgo da base de cálculo do que for pago a título de programa de previdência complementar. No caso, não é devida a consideração feita pela Apelada, com o fim de incidir a contribuição, pois o pagamento a título de previdência complementar é feito somente aos empregados que eram da Mendes Junior, por força do arrendamento levado a efeito, de forma que, não fosse assim, aqueles empregados teriam redução em seu benefício. 3 Como bem anotado na decisão que deferiu a medida liminar, "o que se vê, no caso, é que não houve redução de vantagem, ao contrário, ela continuou a ser concedida aos empregados que já Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 190 10 a vinha obtendo. Só não houve extensão aos empregados da empresa arrendatária, ora impetrante, pois a tal não a obrigava o contrato de arrendamento, pelo qual se tornou sucessora das obrigações e dos direitos da arrendadora, incluído, entre os últimos, o direito de excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes à previdência privada". 4 Correta a sentença, no fundamento de que, "para o caso concreto, a idéia de discriminação entre os empregados simplesmente não pode ser aceita, uma vez que a complementação de aposentadoria que é paga o é por força da celebração de um contrato de arrendamento. Logo, existem empregados em duas situações juridicamente distintas: os empregados da impetrante, propriamente ditos, e os empregados por sucessão trabalhista (em razão do contrato de arrendamento celebrado)". 5 Não assumisse a referida obrigação, seria nulo o contrato de arrendamento, nos termos do art. 468 do CLT, pois acarretaria prejuízo ao empregados da sucedida. 6 Não procede a tese de que a redação original do art. 28, I e II, da Lei 8.212/91, legitimava que a incidência de contribuição sobre os valores pagos ao programa de previdência complementar, dado que a referida verba não detém natureza salarial. Ademais, ela foi concedida a uma generalidade de empregados, aqueles da sucedida, até mesmo, como dito, por força do art. 468 da CLT, de maneira, cabe aplicar ao presente caso o entendimento exposto pelo STJ analisando situação que versava sobre seguros. 7 "14. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que o seguro de vida em grupo não se sujeita à incidência da contribuição social previdenciária, tanto antes quanto após sua expressa exclusão pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, a qual acrescentou a alínea p ao § 9º do art. 28 da Lei n. 8.212/91 nesse mesmo sentido. A razão é que o seguro de vida não representa" salárioutilidade ", na medida em que financiado para todos os empregados do sujeito passivo (STJ, REsp n. 441096, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 03.08.04; REsp n. 677751, Rel. Min. Luiz Fux, j. 03.11.05)." (MS 00036727820104036100 Relator (a) DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ NEKATSCHALOW TRF3 QUINTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:01/10/2012). 8 Apelação e remessa oficial improvidas. (TRF1. AMS 2001.38.01.0021042MG. 5ª Turma. Relator Juiz Federal Grigório CarlosdDos Santos. Publicado no eDJF p; 332 de 23/10/2013, grifouse) Por tais razões, não é razoável que os empregados e dirigentes que recebam valor menor que a do teto da contribuição à previdência oficial possam aderir a plano de previdência complementar. Pelas razões expostas, afasto o lançamento fiscal ora analisado. Valores pagos a título de assistência médica e odontológica. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 191 11 Conforme Relatório Fiscal, este fato gerador referese à contribuição previdenciária devida sobre os valores relativos aos serviços de assistência médica e odontológica prestada aos empregados mediante convênio, porém estaria, no entender da autoridade lançadora, em desacordo com o artigo 28, inciso I, parágrafo 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91. O dispositivo legal referido acima dispõe que: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Assim, a legislação considera a assistência médica / odontológica como parcela não incidente de contribuição previdenciária, mas impõe uma condição, a de que a cobertura dos planos assistenciais abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Segundo a autoridade lançadora, a abrangência da cobertura dos planos a todos os empregados não foi constatada, mediante análise dos contratos e do programa de benefícios discriminados (incluídos na Relação de Anexos). Deste modo, concluiu que em tais documentos se verifica um tratamento diferenciado para empregados com funções gerenciais e a inclusão de dependentes dos empregados em todos os planos. Portanto, para os empregados com cargos gerenciais foi fornecida uma cobertura assistencial superior a dos demais empregados. Assim, muito embora a lei exija apenas “que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”, a autoridade da lançadora interpretou a legislação no sentido de que deve haver também a cobertura por um plano idêntico a todos os empregados e diretores. Ora, não há como concordar com tal interpretação, que vai além do disposto na legislação. Logo, impossível de exigir dos contribuintes uma exigência que a própria lei não prevê como requisito para a isenção. Portanto, sendo fato incontroverso de que a abrangência era para todos os empregados e dirigentes da empresa, deve ser provido o recurso neste tocante, para afastar os valores pagos a título de assistência médica e odontológica, pois demonstrado que realizado tais pagamentos em conformidade com o artigo 28, inciso I, parágrafo 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91. Multa aplicada CFL 68. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. No entanto, prevalecendo o entendimento de que não integra o saláriode contribuição os valores pagos a título de previdência complementar e os valores pagos a título de assistência médica e odontológica, temos que não houve infração à legislação previdenciária Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 192 12 a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Diante disso, não subsiste, in casu, a possibilidade de aplicação da multa. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Redator Designado Tratamento da Obrigação Acessória Decorrente de Obrigação Principal Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Os Dispositivos legais que fundamentaram a autuação, na redação vigente à época da lavratura do auto de Infração eram o § 5º e o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212/1991: Art. 32 A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio do documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 5º Á apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator a pena administrativa corresponde à multa de cem por cento do valor devido relativos à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Neste caso, é imperativo que, no caso específico de autuação por não inclusão de fatos geradores em GFIP, seja conhecida a decisões relativas às obrigações principais, pois isso se refletirá diretamente no auto de obrigação acessória, ou seja, caso a decisão de mérito dos PAF relacionados ao tributo seja por reconhecer a inocorrência total ou parcial dos fatos geradores lançados, não subsistirá a autuação por se ter deixado o contribuinte de incluir na declaração tais fatos geradores. Por outro lado, a jurisprudência do CARF é no sentido de ser justificável, no julgamento da obrigação acessória, apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da autuação que analisou a obrigação principal, tendo em vista em vista a conexão existente entre os fatos que deram azo a ambos os lançamentos. Senão vejamos trecho da ementa do Acórdão nº 2401003.165, de 14/09/2013, sobre o assunto: ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATOS Fl. 192DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 193 13 A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Assim todas as questões trazidas ao presente PAF relacionadas diretamente com as obrigações principais não serão apreciadas no presente voto, eis que já o foram por ocasião da análise dos Auto de Infrações Principais que versam sobre os lançamentos dos tributos. O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória decorre de lançamento de créditos relativo aos Auto de Infrações Principais sob os Debcad nº 37.158.3756 (Processo nº 15586.000656/200911) e 37.158.3748 (Processo nº 15586.000657/200957) e, assim sendo, o resultado advindo do julgamento dos referidos Autos de Infrações Principais devem ser aplicados à exação que aqui se discute. Nesse sentido, entendo necessário reproduzir no presente voto a ementa dos julgados acerca dos citados Autos de Infrações Principais, ressaltese que ambos tiveram a mesma ementa, vejamos: 15586.000656/200911 (Acórdão nº 2202004.822) e 15586.000657/200957 (Acórdão nº 2202004.823), ambos de 06/11/2018, julgado também nesta mesma sessão: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REGIME ABERTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei nº 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. Estando os benefícios concedidos aos empregados e dirigentes em conformidade com o estatuído com o art. 28, §9°, "q", da lei 8.212/91, deve ser afastado o lançamento do crédito tributário por estas não constituírem parcelas integrantes do salário de contribuição. PLANO DE SAÚDE. INCLUSÃO DE DEPENDENTES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores despendidos pela empresa com planos de saúde relativos a dependentes de seus empregados e dirigentes integram o salário de contribuição. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 15586.000658/200900 Acórdão n.º 2202004.824 S2C2T2 Fl. 194 14 Os dois Autos de Infrações Principais foram julgados por dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores associados aos pagamentos efetuados a título de previdência privada, e aos planos médicos e odontológicos vinculados aos empregados e dirigentes, não extensivo aos despendidos com seus dependentes. Conclusão Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para fins de recalcular a multa considerando o resultado do julgamento nesta sessão dos processos de nº 15586.000656/200911 e nº 15586.000657/200957, referentes às obrigações principais. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Redator Designado Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10516.720018/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados.
Corrige-se o lapso manifesto para que os enunciados da ementa e a parte dispositiva reflitam adequadamente decisão do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e retificar a decisão exarada no Acórdão nº 3201-002.831, para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar parcela do PIS-Importação e da Cofins-Importação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados. Corrigese o lapso manifesto para que os enunciados da ementa e a parte dispositiva reflitam adequadamente decisão do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e retificar a decisão exarada no Acórdão nº 3201002.831, para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar parcela do PISImportação e da CofinsImportação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 18 /2 01 2- 17 Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201004.698 S3C2T1 Fl. 1.990 2 Trata o presente processo de embargos inominados opostos pela ALF em Porto Alegre/RS em face do Acórdão 3201002.831, de relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo prolatado por esta Turma na sessão de 22/05/2017, cuja ementa e dispositivo da decisão foram assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012 SUBFATURAMENTO. PROVAS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Como se depreende do detalhado relatório fiscal, para cada uma das operações de importação abrangidas, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte. De acordo com o novo Código de Processo Civil, art. 373, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, conforme determina o seu art.15, o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. In casu, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade. MULTA POR SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. De acordo com o Decreto n. 8.010/2013, em casos de aplicação de perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como de subfaturamento, afastase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de 100% referente ao subfaturamento e parcialmente o Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201004.698 S3C2T1 Fl. 1.991 3 PISImportação e CofinsImportação, nos termos do voto da Relatora. Ciente da decisão, a Unidade de Origem interpôs embargos inominados, sustentando lapso manifesto no Acórdão, pois sua decisão indicou o provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a multa de 100% referente ao subfaturamento, nos termos do voto da Relatora, sem observar que tal multa não foi objeto de lançamento no auto de infração. No despacho de admissibilidade (fls. 1.984/1.987), constatouse o fato de que no Relatório Fiscal, na tabela enumerativa do crédito e no demonstrativo consolidado do crédito lançado (fls. 675/726) a referida multa não foi exigida e, portanto, não consta do lançamento constituído no auto de infração, configurando erro manifesto na apreciação da matéria pelo Colegiado no voto, na ementa e na decisão prolatada. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. No art. 66 do RICARF há disposição quanto à possibilidade da correção das inexatidões materiais devido a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Erro material é o engano ou inexatidão da decisão na manifestação da expressa ou transmissão de palavras, que se percebe pela simples leitura do texto em que se insere. Caracterizase pela contradição entre o real conteúdo dos autos e o que resultou da transmissão do ato decisório. Verificase contradição quando as proposições ou porções da decisão se tornam inconciliáveis, ainda que em parte. Caracterizase por uma evidente colisão entre enunciados de mesma parte ou não do julgamento (relatório, fundamentos e dispositivo). Em verdade, o lapso manifesto decorreu de uma contradição entre o relatório e o voto/ementa/decisão, pois que no primeiro consta inexistência no lançamento fiscal da Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201004.698 S3C2T1 Fl. 1.992 4 multa sobre o faturamento, ao passo que no voto, na ementa e no enunciado da decisão, erroneamente, consignou o enfrentamento da matéria, conquanto, a decisão foi pela exclusão da incidência da multa no caso dos autos. Assim, é de se corrigir o lapso manifesto, retificandose a ementa e a decisão prolatada no Acórdão nº 3201002.831 para excluir de seus textos qualquer menção à multa de 100%, mantendose a decisão de afastar parcialmente a exigência de PIS e Cofins vinculados à importação, que passam a ter a seguinte redação: Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012 SUBFATURAMENTO. PROVAS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Como se depreende do detalhado relatório fiscal, para cada uma das operações de importação abrangidas, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte. De acordo com o novo Código de Processo Civil, art. 373, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, conforme determina o seu art.15, o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. In casu, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade. COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira." Decisão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar parcialmente o PISImportação e CofinsImportação, nos termos do voto da Relatora." Conclusão Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201004.698 S3C2T1 Fl. 1.993 5 Diante do exposto, voto por acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e retificar a decisão exarada no Acórdão nº 3201 002.831, para dar parcial provimento ao recurso apenas para afastar parcela do PISImportação e da CofinsImportação. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1993DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.906144/2015-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2012
RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL.
A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2012 RESTAURANTES E ASSEMELHADOS. MASSAS ALIMENTÍCIAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins sobre as massas alimentícias da posição 19.02, prevista no inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes e assemelhados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad votaram pelas conclusões entendendo pela falta de provas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 44 /2 01 5- 50 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.043, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e a certeza do crédito pleiteado e considerando que a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação não supria a referida comprovação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeita à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.509, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906125/201523, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.509): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Destarte, afasto a preliminar arguida. No mérito, a recorrente pleiteou a redução a zero sobre as receitas de massas alimentícias de que trata o inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) [...] XVIII massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da Tipi. (Incluído pela Lei nº 12.655, de 2012) A posição 19.02 possui o seguinte texto na TIPI: 19.02 Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 5 4 substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado. 1902.1 Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo: 1902.11.00 Que contenham ovos 0 1902.19.00 Outras 0 1902.20.00 Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo) 0 1902.30.00 Outras massas alimentícias 0 1902.40.00 Cuscuz 0 As NESH para a referida posição assim identificam estes produtos: As massas alimentícias da presente posição são produtos não fermentados, fabricados com sêmolas ou farinhas de trigo, milho, arroz, batata, etc. Estas sêmolas ou farinhas (ou mistura de ambas) são, em primeiro lugar, misturadas com água e depois amassadas de forma a obterse uma pasta, na qual se podem incorporar outros ingredientes (por exemplo: produtos hortícolas finamente picados, sucos ou purês de produtos hortícolas, ovos, leite, glúten, diástases, vitaminas, corantes e aromatizantes). A massa, em seguida, é trabalhada (por exemplo, por passagem à fieira e corte; laminagem e recorte; compressão; moldagem ou aglomeração em tambores rotativos) no intuito de se obterem formas específicas e predeterminadas (por exemplo, tubos, fitas, filamentos, conchas, pérolas, grânulos, estrelas, cotovelos e letras). No decurso desse trabalho, pode adicionarse uma pequena quantidade de óleo. Em geral, a essas formas corresponde o nome do produto acabado (por exemplo, macarrão, talharim, espaguete, aletria). Para facilidade de transporte, de armazenagem e de conservação, em geral, estes produtos são dessecados antes da comercialização. Quando secos, tornamse quebradiços. Esta posição compreende também os produtos frescos (isto é úmidos ou por secar) e os produtos congelados, por exemplo, os nhoques frescos e os ravioles congelados. As massas alimentícias desta posição podem ser cozidas, recheadas de carne, peixe, queijo ou de outras substâncias em qualquer proporção, ou preparadas de outra forma (apresentadas como pratos preparados, contendo outros ingredientes, tais como produtos hortícolas, molho, carne). O cozimento tem por objetivo amolecer as massas, conservandolhes a forma original. As massas recheadas podem ser inteiramente fechadas (por exemplo, ravioles), abertas nas extremidades (por exemplo, canelones) ou, ainda, apresentarse em camadas sobrepostas, tal como a lasanha. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 6 5 Esta posição abrange também o “couscous”, que é uma sêmola tratada termicamente. O “couscous” desta posição pode ser cozido ou preparado de outra forma (com carne, produtos hortícolas e outros ingredientes, tal como o prato completo que leva o mesmo nome). Percebese que a redução a zero é referente a produtos industrializados e não a refeições preparadas em restaurantes. Destacase que o preparo de alimentos em restaurante ou similares não caracteriza produto industrializado, a teor do artigo 5º do Decreto nº 7.212/2010, abaixo transcrito: Art.5o Não se considera industrialização: Io preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem de apresentação: a)na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sorveterias, confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a venda direta a consumidor; ou b)em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a pessoas jurídicas e a outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou dirigentes; IIo preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor (DecretoLei no 1.686, de 26 de junho de 1979, art. 5o, § 2o); A recorrente, por sua vez, é rede varejista das franquias conhecidas BOB´s e SPOLETO. Assim, as massas comercializadas nestes locais são refeições ali preparadas e não consistem em produtos industrializados e estão fora do campo de incidência do IPI. A redução a zero, ao mencionar as massas alimentícias da posição 19.02 objetivou a redução dos produtos da indústria alimentícia e não das refeições elaboradas em restaurantes, bares e similares. A Solução de Consulta nº 4/2018 apreciou o tema, concluindo com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RESTAURANTES. CARNES, PEIXES E MASSAS ALIMENTÍCIAS.ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICÁVEL. A redução a zero da alíquota da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas auferidas com a venda de refeições por restaurantes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º. Os fundamentos da solução esclarecem o tema, razão pela qual os adoto de forma complementar e os transcrevo abaixo: 10. Conforme se constata, o caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004, transcrito, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno daqueles produtos citados em seus incisos. Então, para que um contribuinte Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 7 6 faça jus à referida redução de alíquotas, no caso de venda no mercado interno, é necessário que o mesmo aufira renda a partir da venda dos produtos mencionados em algum dos incisos do caput do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 11. Porém, pelo conteúdo da presente consulta podese inferir que a consulente não atende a esta condição, ou seja, ela não efetua a venda de massas alimentícias, carnes bovina, suína, ovina, caprina e de aves, ou tampouco de peixes in natura. 12. A interessada afirma exercer a atividade de Hotelaria, não fazendo menção a nenhuma outra atividade, secundária. No Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, está cadastrada apenas a atividade econômica de Hotéis, não sendo informado igualmente nenhuma outra atividade secundária. 13. Ademais, a consulente diz que: “quando comercializa esses produtos nas dependências dos seus restaurantes aos seus hóspedes (consumidores finais), tem o direito de aplicar a alíquota 0% (zero por cento) incidente sobre essas receitas nos termos do art. 1º, incisos XVIII, XIX, e XX da Lei nº10.925/2004” (sem o destaque no original). 14. Dessa forma, depreendese que a interessada não realiza a venda dos produtos citados nos incisos XVIII, XIX e XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, mas na verdade, realiza o preparo desses alimentos em seus restaurantes, para oferecer refeições a seus hóspedes. E essas refeições é que são vendidas pela interessada, não aqueles alimentos. 15. Ora, os restaurantes não se dedicam à compra e revenda de carnes, peixes, massa alimentícias, ou quaisquer outros produtos de origem animal ou vegetal utilizados no preparo das refeições. Adquiremnos para usálos como ingredientes na preparação de novos bens, que são as refeições fornecidas a seus clientes. Essas refeições não guardam identidade ou sequer semelhança com os produtos adquiridos, que são apenas ingredientes empregados no preparo das refeições. 16. Portanto, os restaurantes são consumidores finais das massas alimentícias, das carnes bovina, suína, ovina, caprina, de aves, e de peixes empregados na preparação de refeições vendidas a seus clientes e, por isso, não fazem jus à redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 17. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, em um açougue ou em um supermercado, não é razoável presumir que o cliente de um restaurante, especialmente um restaurante localizado dentro de um hotel, irá procurar esse estabelecimento a fim de adquirir os produtos listados pela consulente. 18. Corrobora o entendimento aqui expendido, o texto da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 609, de 08 de março de 2013, convertida na Lei nº 12.839, de 09 de julho de 2013, que incluiu os incisos XIX e XX, dentre outros, ao texto do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004 (sem os destaques no original): Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência projeto de Medida Provisória que reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de produtos que compõem a cesta básica. 2. São notórias a representatividade e importância social para toda a população brasileira dos produtos que compõem a cesta básica, notadamente para a parcela mais vulnerável economicamente. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10783.906144/201550 Acórdão n.º 3302006.522 S3C3T2 Fl. 8 7 3. Daí a constante preocupação do Governo Federal com a produção nacional, com os sistemas de distribuição da produção, e, evidentemente, com o nível e com a variação de preços dos referidos produtos. (...) 5. Todavia, nos últimos meses, uma complexa conjugação de adversidades econômicas nacionais e internacionais tem ocasionado elevação do preço dos produtos em voga, fragilizando a população mais pobre e pressionando os índices inflacionários. 6. Em razão disso, mostrase necessário, entre outras medidas, reduzir ainda mais a carga tributária incidente na comercialização de produtos que compõem a cesta básica, o que se propõe seja operacionalizado pela redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita decorrente da venda no mercado interno de tais produtos. (...) 19. Fica evidente que a intenção do legislador foi a de reduzir a carga tributária incidente sobre os produtos de gêneros alimentícios, de higiene pessoal e de limpeza doméstica que compõem a cesta básica, e não a de reduzir a tributação incidente sobre as refeições comercializadas por restaurantes. 20. Dessa forma, a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, prevista no art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não alcança as receitas de venda de refeições auferidas pela consulente em seus restaurantes. As receitas obtidas nestas operações devem integrar a base de cálculo das referidas contribuições nos termos da legislação que rege a matéria, principalmente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro 1998, para receitas sujeitas à cumulatividade das aludidas contribuições, e as Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para as receitas sujeitas à não cumulatividade. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.008711/2007-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
Faz jus a isenção o portador de moléstia grave de enfermidade neurológica grave, comprometedora da saúde mental (alienação mental).
Numero da decisão: 2002-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Faz jus a isenção o portador de moléstia grave de enfermidade neurológica grave, comprometedora da saúde mental (alienação mental). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 87 11 /2 00 7- 16 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10730.008711/200716 Acórdão n.º 2002000.737 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51/55) contra decisão de primeira instância (fls. 44/47), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.04 a 6, lavrada pela DRF/Niteroi, relativa ao ano calendário 2003, exercício 2004 mediante o qual foi apurado saldo de imposto a restituir ajustado de R$3640,94. De acordo com a descrição dos fatos foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora Secretaria do Estado de Planejamento e Gestão. Inconformada, a curadora da interessada alega que os rendimentos são isentos uma vez que a Sra. Theobeli Lopes dos Santos é portadora de moléstia F 002, conforme laudo médico pericial emitido pelo IASERJ. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6° da Lei 7.713/1988 e alterações. Inconformada, a inventariante apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação; requerendo o cancelamento do débito fiscal; a restituição do valor de R$ 17.831,64 (IRRF) devidamente corrigido e; juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 22/05/2009 (fl. 50); Recurso Voluntário protocolado em 18/06/2009 (fl. 51), assinado pela curadora e inventariante legalmente constituída (fls. 65 e 67/68). Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10730.008711/200716 Acórdão n.º 2002000.737 S2C0T2 Fl. 4 3 Cuida o referido auto, de Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Relata o Sr. AFR, que os rendimentos recebidos pelo titular e/ou dependentes, foram indevidamente declarados como isentos, o contribuinte não comprovou ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. A r. decisão revisanda diz que a Doença de Alzheimer não está prevista na legislação. Irresignada, a representante legal da recorrente maneja recurso próprio atacando o mérito. Conforme dito na r. decisão revisanda, existem dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e outro, se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Pois bem, a matéria já está pacificada na Súmula nº 63 deste Colendo CARF: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Vejamos agora a documentação apresentada: · Folha 24 dos autos: Diário Oficial do Rio de Janeiro – Aposenta a recorrente em 25/02/1983. · Folha 21 dos autos: Laudo Médico Pericial emitido pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, em 28 de maio de 2007, dando conta que a recorrente é portadora de quadro clínico compatível com doença de Alzheimer – CID10 – F002. Diz ainda, que a recorrente está totalmente incapacitada física e mentalmente para funções da vida diária. A recorrente é portadora do Mal de Alzheimer, diagnosticado por órgão oficial de Saúde, comprometedora da plenitude da saúde mental (alienação mental) achase beneficiada pela isenção do imposto de renda, nos termos do art. 6º, XIV da Lei 7.713/88, conforme vasta jurisprudência do poder judiciário, apresentamos uma do Ministro Francisco Falcão: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PORTADORA DO MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL RECONHECIDA. DIREITO À ISENÇÃO. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10730.008711/200716 Acórdão n.º 2002000.737 S2C0T2 Fl. 5 4 I – O art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 dispõe que o alienado mental é isento do imposto de renda. II – Tendo o Tribunal de origem reconhecido a alienação mental da recorrida, que sofre do Mal de Alzheimer, impõese admitir seu direito à isenção do imposto de renda. III – Recurso especial improvido. (STJ, REsp 800.543, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ 10/04/2006). Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.005081/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida.
DECADÊNCIA
Inexistindo pagamento antecipado, aplica-se o art. 173, I, do CTN, segundo a qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Considera-se salário-de-contribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2402-006.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. DECADÊNCIA Inexistindo pagamento antecipado, aplica-se o art. 173, I, do CTN, segundo a qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO Considera-se salário-de-contribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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Recorrente SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA FAMILIAR DOS SERVIDORES FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. DECADÊNCIA Inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, I, do CTN, segundo a qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Considerase saláriodecontribuição para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 81 /2 00 8- 70 Fl. 335DF CARF MF 2 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento de modo a excluir do lançamento o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a José Antônio C. Marino e para que seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1523.650 (fls. 308/315), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad n° 37.155.7950, lavrado em 04/08/2008, para constituição do crédito tributário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, correspondente à contribuição dos terceiros (Salário Educação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae), relativas ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004, com consolidação em 04/08/2008, no montante de R$8.867,93 (oito mil oitocentos e sessenta e sete reais e noventa e três centavos). Foram utilizados para o levantamento do débito apurado neste AI os valores de Salário de Contribuição informado pela empresa em cada competência nos resumos de folhas de pagamento dos segurados empregados, nas folhas de pagamento de estagiários e nos documentos contábeis fornecidos pela empresa. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa nos anos de 2003 e 2004 não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, instituída pela Lei 6.321 de 14/04/76, conforme consulta ao MTE sobre inscrição no PAT. A auditoria concluiu que os valores pagos aos segurados referentes à alimentação se constituem em uma liberalidade da empresa, sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias. Para o cálculo do salário de contribuição, nas competências 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2004, 07/2004 e 12/2004 foram utilizados os recibos de pagamento a título de alimentação paga aos empregados da empresa, obtidos nos documentos de caixa. Foram abatidos os valores descontados dos segurados empregados cujo valor foi obtido no resumo mensal das folhas de pagamento da matriz e das filiais. Para as demais competências o valor foi obtido através das notas fiscais faturas referentes à compra de ticket pela empresa, tendo sido abatidos os valores descontados dos segurados bem como o valor referente à taxa de administração. Foi elaborada planilha demonstrativa (fls 45/47). O relatório informa ainda que na competência 11/2003 a empresa deixou de incluir na base de cálculo para o valor da contribuição previdenciária o valor de R$ 34,62 constante na folha de pagamento da matriz, referente ao pagamento de triênio a José Antonio C. Marino, bem como não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Também não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha constante na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. A fiscalização diz ter verificado que alguns dos estagiários que se encontravam prestando serviço na empresa foram contratados em desconformidade com a Lei n° 6.494 de 07/12/1977. Que não foram cumpridos os requisitos para a realização do estágio, inclusive não houve intermediação de instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio, inclusive não houve intermediação de Fl. 337DF CARF MF 4 instituição de ensino e a empresa informou que para eles não foi formalizado o Acordo de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio. Os estagiários em referência foram considerados segurados obrigatórios na qualidade de segurados empregados. A bolsa educacional por eles recebida foi considerada salário de contribuição, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O relatório informa que os estagiários contratados pela empresa em desconformidade com a Lei n° 66.494 de 07/12/1977 na matriz nos anos 2003 e 2004 foram Nilma Pereira dos Reis, Aldo Mercês Oliveira, Sidney R. C. P. Souza, Dulcinez L. Brito e Adriana dos Santos Bispo e na filial 00.628.869/000266, no ano de 2003, Adildes Farias de Souza e Lusimary Santana Santos. Anexa planilha demonstrativa (fls.44/45). No Relatório de Lançamento RI e no Discriminativo Analítico de Débito — DD, integrante do AI encontramse demonstrados por competência e por levantamento, os documentos e valores que serviram de base à apuração do débito, as bases de cálculo apuradas e as alíquotas utilizadas. Foram feitos levantamentos para fins de separação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias de acordo com a sua origem, possibilitando melhor visualização nos relatórios das bases de cálculo lançadas, e dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: ALI — VL Ref. Alimentação — Neste levantamento encontramse lançados os valores referentes a pagamento a alimentação apurados nos documentos contábeis da empresa e que não foram incluídos em GFIP. VFP — VL Ref. A Folha de Pagamento — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nos resumos mensais das folhas de pagamento consolidada da empresa e que não foram incluídos em GFIP. EST — Folha de Pagamento Estagiário — Neste levantamento encontramse lançados os fatos geradores obtidos nas folhas de pagamento de estagiários referentes à bolsa estágio, considerados como remuneração salarial e que não foram incluídos em GFIP. Foi esclarecido que na via do AI destinada ao contribuinte não contém os TIAF, TIAD, TEAF e o REC pois estes documentos já foram entregues ao contribuinte no início, ou no decorrer da ação fiscal. Não foi emitido Termo de Arrolamento de Bens — TAB. A ação fiscal teve início com o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) (fls. 34/36) com ciência em 15/05/2008. O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em e apresentou impugnação em 05/09/2008 (fl. 205). Fl. 338DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 4 5 O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, às fls. 205 a 207, alegando, em síntese: Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha. Pede a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$ 34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Diz que conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (anexa cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Diz que devese ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa a essa incidência, assim como os respectivos consectários. Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários, os fundamentos de não estarem consentâneos os termos do estágio aos ditames da Lei n°6.474/77. Que na verdade, no curso da fiscalização nem todos os documentos relativos aos contratos de estágio foram encontrados, de modo que restaram alguns que foram pela fiscalização descaracterizados e enquadrados como empregados segurados obrigatórios. Afirma que tal pretensão não pode persistir à vista dos documentos que ora anexa, comprobatórios da regularidade dos contratos de estágio descaracterizados pela fiscalização, de modo que também devem ser deduzidos da parte lançada os créditos relativos à tal suposta incidência. Alega ainda decadência quinquenal do direito de lançar os referidos créditos pretendidos, citando a Súmula Vinculante n° 008, de 20/06/2008. Aduz que a fiscalização ultimouse, com a lavratura do AI (instrumento que formaliza a pretensa constituição do crédito) em agosto de 2008. Que operouse a decadência do direito de constituição dos créditos relativos às competências anteriores, de modo que não podem ser exigidos os créditos lançados relativos ás competências 01 a 07/2003. Pede seja acolhida a impugnação, para fins de deduzir dos valores lançados as parcelas já quitadas, aquelas lançadas com base em fatos nesta peça infirmados e aquelas relativas aos créditos já extintos pela decadência. Fl. 339DF CARF MF 6 Pede que seja considerado procedente a impugnação e desconstituído o lançamento. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: * não há falar em homologação tácita. Apesar da empresa ter feito recolhimento nas competências 01/2003, 02/2003, 03/2003,05/2003, 06/2003 e 07/2003, não inseriu na GRPS as contribuições de outras entidades e Fundos (terceiros), assim, não pode ser aplicada a norma prevista no art. 150 § 4° do CTN. Entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a sua realização com ciência pessoal em 06/08/2008, não transcorreu 5 (cinco) anos. Aplicando a regra acima transcrita o crédito poderia ter sido lançado até 31/12/2008; * quanto à alegação da impugnante de que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo no valor de R$ 462,00/mês, assim como os comprovantes de recolhimentos respectivos, relativos à diferença de contribuição devida acrescida, tal fato demonstra que a empresa reparou o equívoco. A declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame; *quanto à alegação de que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga ao Sr. Pedro Cunha e de que em razão disso, cabe, a favor da autuada a redução da multa ex ofício aplicada naquela competência tal fato não irá interferir no julgamento deste processo. O auto ora em exame referese a descumprimento de obrigação principal. Tal fato somente iria interferir se o auto em exame se tratasse de descumprimento de obrigação acessória. Consultamos a GFIP 10/2004 e não encontramos tal valor na remuneração paga ao Sr. Pedro Cunha; *quanto à alegação de que o triênio pago a José Antônio C. Marino conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$34,62 compôs a remuneração daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária, consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame; *quanto à alegação de que não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários em desacordo com a Lei n°6.474/77 não procede tal alegação. A empresa não apresentou toda a documentação referente a qualquer dos estagiários caracterizados segurados empregados, apontados pela fiscalização. Não foi apresentado qualquer comprovante de que tais segurados estariam freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2° grau, ou escola de educação especial conforme dispõe o § 1° do art. 1° da Lei n° 6494, de 07 de dezembro de 1977, em vigor è época dos fatos geradores. Constatouse na documentação apresentada pela impugnante que na folha de pagamento referente novembro de 2003, bem como na folha de pagamento 13/2003 a empresa descontou do Sr. Aldo Mercês de Oliveira a parte do INSS referente a desconto de segurado, portanto já o tratava como empregado; Fl. 340DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 5 7 * o levantamento ALI — VL Ref. Alimentação não foi contestado e deverá ser desmembrado deste Auto de Infração. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresentou recurso voluntário (de fls 320/328), por meio do qual apresentou os seguintes argumentos defensivos, em síntese: (1) decadência: inexigibilidade das contribuições relativas a fatos geradores ocorridos entre as competências 01 a 07/2003; (2) competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA: conforme documentos acostados aos autos, foram pelo contribuinte apresentadas as GFIP's retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO no valor de R$ 462,00/mês; há, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03 paga ao Sr. PEDRO CUNHA, assim como os comprovantes dos recolhimentos respectivos, relativos à diferença da contribuição devida acrescida. Em razão disso, cabe, em favor da Autuada/Recorrente a exclusão da multa ex offício aplicada em relação àquelas competências. (3) competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO: não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por conseqüência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. (4) inexigibilidade da contribuição ao SESC; (5) ad argumentandum: sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte; excesso na imposição fiscal impugnada: de acordo com as previsões das leis aplicáveis (antes e depois da MPv 449/2008), podese sintetizar da seguinte forma: Fl. 341DF CARF MF 8 Ocorre que, para fins de determinação de qual regime aplicar, considerou o E. Auditor Fiscal o somatório de todas as penalidades passíveis de serem aplicadas para os fatos supostamente identificados, quando, na realidade, em se tratando de penalidades distintas, e distintamente instituídas e especificadas na legislação, o cotejo a ser realizado é o de comparação, uma a uma, na forma como instituídas no regime anterior e no regime atual. Deverá ser aplicada, em última hipótese, a multa de mora de 20%, excluindose qualquer imposição de multa de ofício — se admitida a sua cumulação com aquela — porque somente passível de ser cobrada em relação a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MPv n° 449/2008, antes da qual não havia qualquer previsão de imposição ele penalidade de tal natureza. (6) ad argumentandum: multa de mora e multa de ofício . cumulação. impossibilidade: analisando a autuação, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente em face da existência de teses defensivas apenas em grau recursal, conforme abaixo demonstrado. Das Matérias não Alegadas na Impugnação Por meio dos Itens 04 e 06 sua peça recursal, aduz o Recorrente, respectivamente: · que não se encontra submetida ou subordinada a Sindicatos, Federações ou Confederações vinculadas ao comércio, de modo a não se subsumir ao conceito legal de sujeito passivo da contribuição ao SESC, e · analisando a autuação em comento, percebese que houve, ainda que em relação a apenas algumas competências, a cumulação da multa de mora com a multa por infração (multa de oficio), o que representa, mesmo numa análise mais superficial, ilegalidade a macular a autuação em apreço. Ocorre que, cotejando o recurso voluntário com a impugnação apresentada, verificase que tais teses defensivas foram deduzidas apenas em grau recursal. De fato, conforme se extrai do relatório supra, na primeira defesa apresentada, os argumentos defensivos do contribuinte consistiram, em síntese: Ø Decadência do direito de o Fisco lançar os créditos relativos às competências 01 a 07/2003; Fl. 342DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 6 9 Ø Que foram apresentadas as GFIP retificadoras das competências 08, 09 e 10/2004, constando a remuneração de Adriana Santos Bispo. Que na competência 10/2004 se fez incluir, ainda, a remuneração no valor de R$ 9.368,03, paga a Sr. Pedro Cunha; Ø Que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa a competência 11/2003 o valor de R$ 34,62, correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino; Ø Que também não procedem as alegações da fiscalização relativas ao lançamento de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a estagiários. Como se vê, nada foi dito na impugnação em relação às matérias articuladas nos itens 04 e 06 da peça recursal, concluise pelo não conhecimento do recurso voluntário nestes pontos específicos. Da Decadência Pugna o recorrente pelo reconhecimento da perda do direito de o Fisco exigir o crédito tributário referente ao período compreendido entre janeiro e julho de 2003, em face da consumação da decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Sem razão o recorrente. De fato, conforme sinalizado na decisão de piso, apesar da empresa ter feito recolhimento nas competências 01/2003, 02/2003, 03/2003,05/2003, 06/2003 e 07/2003, não inseriu na GRPS as contribuições de outras entidades e Fundos (terceiros), assim, não pode ser aplicada a norma prevista no art. 150 § 4° do CTN. Aplicase, portanto, no caso concreto, a regra inserta no art. 173, I, do CTN, segundo a qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, tendo o Autuado tomado ciência da autuação no dia 06/08/2008 e que a competência mais antiga objeto do lançamento é 01/2003, com início do lustro decadencial em 01/01/2004, nos termos do susodito art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário relativo às competências de 01 a 07 de 2003, tal como pugnado pelo contribuinte. Fl. 343DF CARF MF 10 Das competências 08, 09 e 10/2004 remuneração de ADRIANA SANTOS BISPO e de PEDRO CUNHA Neste ponto, aduz a fiscalização que a Autuada não considerou o valor do salário de Adriana dos Santos Bispo constante nas folhas de pagamento também da matriz nas competências 08, 09 e 10/2004 (R$462,00). Além disso, a empresa não considerou o valor das parcelas remuneratórias referente à rescisão de contrato de Pedro Roberto Ferreira da Cunha, constantes na folha de pagamento da matriz, na competência 10/2004 (R$9.368,03) para o cálculo do valor do salário de contribuição para a previdência social. Em sua defesa, a Autuada informou que apresentou GFIPs retificadoras, pelo que, em razão disso, cabe, em favor da Autuada, a redução da multa ex ofício aplicada naquelas competências. A DRJ, neste particular, concluiu que a declaração em GFIP nestas remunerações não irá interferir no processo ora em exame. Ocorre que, tendo o contribuinte retificado as GFIPs referentes aos meses de agosto, setembro e outubro de 2004, e recolhido, com os devidos acréscimos legais, as diferenças das contribuições previdenciárias apuradas em razão dessas retificações, conforme se infere dos documentos acostados, impõese o reconhecimento da quitação dos referidos débitos, inexistindo nos autos, até o presente momento, um extrato analítico do débito lançado, evidenciando o recolhimento de tais importâncias. Da competência 11/2003 triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO Neste ponto, a fiscalização sinalizou que a empresa na competência 11/2003 deixou de incluir na base de cálculo para o cálculo do valor da contribuição previdenciária o valor de R$ 34,62 constante na folha de pagamento da matriz referente a pagamento de triênio a José Antônio C. Marino. Em contrapartida, sustentou o Recorrente que não procede a alegação da fiscalização de que não se fez incluir na GFIP relativa à competência 11/2003 o valor de R$ 34,62 correspondente ao triênio pago a José Antônio C. Marino. Conforme se extrai da análise da Folha de Pagamento e da GFIP relativas àquela mesma competência, aquele valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (vide cópia da GFIP com destaques) — R$ 577,00 salário + R$ 34,62 triênio. Deve, por isso, ser revisto o lançamento nesse aspecto, excluindose do lançamento a parcela relativa à essa incidência, assim como os respectivos consectários. A DRJ, neste particular, concluiu que consultada a GFIP referente a competência 11/2003 verificamos que tal valor não havia sido considerada na base de cálculo pela impugnante quando da entrega da GFIP antes da ação fiscal ora em exame. Entretanto, os documentos apresentados pelo contribuinte ainda no curso da fiscalização e reapresentados por ocasião da impugnação, conduzem a entendimento diverso daquele alcançado pelo órgão julgador de primeira instância. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 7 11 Vejamos os documentos apresentados: · Comprovante de Recolhimento / Declaração referente à GFIP de novembro/2003, no valor total a recolher de R$ 1.227,98, com chancela da instituição bancária atestando o pagamento na data de 04/12/2003: · Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 01), constando o Sr. José Antonio Carvalho Marino, com remuneração no valor de R$ 611,62, bem como totais ao final da página: Obs.: o valor de R$ 611,62 referente ao Sr. José Antônio corresponde ao somatório dos montantes de R$ 577,00 (salário) e de R$ 34,62 (triênio), conforme evidencia a Folha de Pagamento de novembro/2003: Fl. 345DF CARF MF 12 · Relação dos Trabalhadores Constantes do Arquivo SEFIP (página 02), constando Resumo do Fechamento, com total a recolher no valor de R$ 1.277,98, montante efetivamente recolhido pelo contribuinte: Neste contexto, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que, de fato, o valor de R$ 34,62 compôs a remuneração total daquele colaborador, e por consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária e o saláriodecontribuição declarados em GFIP, no valor total de R$ 611,62 (R$ 577,00 salário + R$ 34,62 – triênio), impondose a reforma da decisão da DRJ neste ponto. Sobre a forma de aferição do regime sancionatório a aplicar; identificação do regime mais favorável ao contribuinte Conforme evidenciado no relatório, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, pugnou pela aplicação da multa de mora no percentual de 20%, em face da alteração legislativa promovida pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Como já exposto linhas acima, no caso em análise, foi aplicada pela fiscalização multa de mora no percentual de 30%, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 8 13 c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que, com a edição da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, o susodito art. 35 passou a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 347DF CARF MF 14 O art. 61 da Lei nº 9.430/96, por seu turno, estabelece que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento (§ 2º). Pois bem! Como cediço, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Sobre o tema, a CSRF, por meio do Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma julgado na sistemática dos recursos repetitivos, manifestouse nos termos do voto abaixo transcrito, o qual passa a integrar o presente voto: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 9 15 Fl. 349DF CARF MF 16 Fl. 350DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 10 17 Fl. 351DF CARF MF 18 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 18050.005081/200870 Acórdão n.º 2402006.647 S2C4T2 Fl. 11 19 Assim, nos termos do voto da CSRF em destaque, voto no sentido de determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 353DF CARF MF 20 Conclusão Face ao exposto, voto por: (i) REJEITAR a preliminar de decadência; (i) NÃO CONHECER o recurso voluntário em relação às matérias “Inexigibilidade da contribuição ao SESC” e “Da Multa de Mora e Multa de Ofício. Cumulação”; (ii) na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir da autuação o valor de R$ 34,62, referente ao triênio pago a JOSÉANTÔNIO C. MARINO; e (iii) determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 354DF CARF MF
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