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Numero do processo: 10240.720196/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
Ementa:
SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS.
As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3302-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 96 /2 01 0- 63 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Trata o processo de PERELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI, fls. 01, e DCOMP fls 14 e 15, cujo PARECER SAORT/DRF/PVO N° 093/2010 (fls. 34/37), aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 38, não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas, sob a justificativa de que a interessada, usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras, deixou de apresentar, após sucessivos pedidos de prorrogação, os arquivos digitais dentro das especificações técnicas do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. Discordando do Despacho Decisório, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade em 23/07/2010 (fls. 42/55), acompanhada dos documentos (fls. 56/67), comprovado pelo carimbo de Recebimento do protocolo da ARF/CHAPECO/SC, fls. 42. Em 27/07/2010 apresenta requerimento dirigido ao delegado da DRJ/Belém solicitando que sejam recebidas e processadas as informações que seguem em CD anexo.que, segundo alega, referese aos dados das exportações e memória de cálculo do crédito presumido de IPI referente ao processo em epígrafe, eis que não foram incluídas no CD originalmente apresentado por erro de gravação, conforme documentos fls. 69/95. As alegações apresentadas, em síntese, conforme relatório do Acórdão recorrido: “a) Tece comentários sobre o crédito presumido, afirmando ser empresa industrial dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira; b) Informa haver cumprido todas as normas estabelecidas pelos atos que regulam o crédito presumido, tendo apresentado os arquivos fiscais e contábeis solicitados em conformidade com a capacidade de seu sistema operacional; c) Não dispõe de programas de processamento de dados com capacidade e tecnologia para gerar arquivos no leiaut exigidos pelos atos da Receita Federal; d) ‘É lamentável que o direito do contribuinte exportador, fixado em Lei Federal seja simplesmente negado por que o Fisco não se dispõe a verificar os dados fornecidos pela empresa ou o que é pior, não se dispõe a conceder prazos para que a recorrente efetue os ajustes necessários à geração de dados aos critérios e parâmetros dos programas utilizados pela Receita Federal’; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 147 3 e) A Receita Federal não considerou os sistemas e formatos utilizados pelas empresas, impondo de forma arbitrária a forma a ser utilizada; f) Requer que sejam acolhidos os arquivos anexados em CD, na forma fixada pelo ADE n° 15/2001; g) Contesta a não homologação da compensação, tendo em vista haver atendido as exigências relativas ao crédito; h) Solicita a suspensão da cobrança dos débitos envolvidos; i) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a reforma do Despacho, conforme fls. 54/55.” No relatório do Acórdão recorrido consta a seguinte informação acerca do conteúdo do CD apresentado depois da peça impugnatória: “5. Verificandose o conteúdo do referido CD, foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.294– 3ª Turma da DRJ/BEL (doc. fls 105/111), proferido na Sessão de 11 de janeiro de 2011, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se constata pela ementa e dispositivos postos a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cientificada do Acórdão nº 0120.294 – 3ª Turma da DRJ/BEL em 23/03/2011 (fl. 112), ainda irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 116/133), em 25/04/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, complementandoos, em face do acórdão proferido, elaborando a seguinte ressalva: “Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor. Assim, o que se requer de imediato é que seja reformado o Acórdão em debate e que seja analisado o pedido da Recorrente com base nos preceitos fixados pelas leis que regulam o crédito presumido de IPI e para tanto sejam verificadas as operações de exportações realizadas, o valor dos insumos, matériasprimas e embalagens aplicados nestes produtos e todas as demais informações pertinentes. Também se requer que seja verificado o DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI, bem como as informações constantes no Pedido Eletrônico Perdcomp protocolado para o trimestre. O pedido acima toma por base as Leis 9.363/96 e 10.276/2001, bem como as Instruções Normativas relativas ao crédito presumido de IPI e as demais informações necessárias a realização do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Assim, sendo esta a norma prescrita, por que estes documentos e informações não foram verificados??” Sobre a compensação requerida e não homologada, argúi: “A decisão ora guerreada por qualquer ângulo que se verifica é infundada, incorreta e fere duplamente os direitos da Recorrente, pois ao não reconhecer as compensações efetuadas o agente julgador tenta, por via indireta, ratificar a despacho decisório de indeferimento do crédito, fato este que não pode prosperar, já que as compensações só poderão ser julgadas após decisão em relação ao crédito.” Ao final, elabora o seu requerimento nos seguintes termos: “a. Seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário; b. Seja reformado o Despacho Decisório proferido no processo ora guerreado para o fim de reconhecer a atividade industrial exercida pela Recorrente e como tal reconhecer o direito da ora Recorrente ao Crédito Presumido do IPI relativo 3º trimestre de 2008, pelas razões de fato e de direito acima ofertados, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c. Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 148 5 necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; d. Reconhecido o direito crédito da Recorrente na forma dos itens b e c, acima, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; e. Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2008 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem. f. Se acolhido o pedido da Recorrente na forma do item e acima, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho novo decisório definitivo.” Na forma regimental, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. A empresa industrial, dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira, apresentou PerRessarcimento de IPI, conforme folha 01, cujo pleito consubstanciase no crédito presumido do IPI do período de apuração do 3º trim/08. Constatase que a lide resumese à questão comprobatória do crédito pleiteado, haja vista a contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado os arquivos digitais dentro das especificações técnicas previstas no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. É que a empresa é usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras e nesta condição encontravase obrigada a manter e apresentar, quando solicitada pelos agentes da RFB, os respectivo arquivos digitais e sistemas, em conformidade com a legislação específica, que foi bem demonstrada e analisada no Acórdão ora recorrido, cujo trecho se reproduz a seguir: “8. O art. 11 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, prescreve: ‘Art 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 atividades econômicas ou Financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, peio prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) ... §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória n° 2158 35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3a poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001)’ (grifouse) 9. Com base no dispositivo acima, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22.10.2001, conforme abaixo: ‘Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 As pessoas jurídicas especificadas no art. 1, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3° Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1° Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo Coordenador Geral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3° Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações.’ (grifouse) 10. Como consequência, foram baixadas as regras para apresentação dos arquivos através do ADE Cofis n° 15, de 2001, que segue transcrito: ‘Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 da Instrução Normativa SRF n286, de 2001, quando intimadas por AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 149 7 de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.’ 11. O que se extrai dos dispositivos acima transcritos é que a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei n° 8.212, de 1991, e legislação correlata. Os arquivos digitais são validados através do Sistema Integrado de Coleta — SINCO — Arquivos Contábeis, disponível para "download" no "site" www. receita. fazenda. gov. br. A exigência de tais especificações técnicas se dá pela necessidade de padronização de arquivos, pelo o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, buscando cumprir seus objetivos estratégicos, adotar sistemas eletrônicos para análise e manipulação dos dados fornecidos pelos contribuintes. A própria contribuinte demonstrou ter consciência dessa necessidade, quando assim manifestouse em sua impugnação e recurso: “Considerando as inúmeras empresas do país e os milhares de processos que precisam ser analisados é compreensível que se estabeleçam regras e critérios.” Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, publicada no DOU de 23.10.2001 , teve vigência a partir da data da sua publicação, produzindo Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002, consoante disposto no seu art.5º. Portanto, quando da apresentação, pela contribuinte, do PER Ressarcimento nº 06237.00209.201008.1.1.013603, em 20/10/2008, já havia decorrido mais de seis (6) anos da efetividade da referida regra, tempo suficiente para que a contribuinte tomasse as medidas cabíveis para a devida adaptação dos seus sistemas, principalmente, tendo em vista, o seu interesse em ser ressarcida de créditos presumidos de IPI. Não obstante tal fato, quando solicitou, sucessivamente, no decorrer da auditoria, a prorrogação de prazo para que pudesse atender às intimações, de acordo com as exigências legais, ao contrário do que alega, teve, sim, o deferimento dessas prorrogações, consoante se vê pelas anotações expressas constantes nos documentos de fls.28 e 29 e pelas prorrogações tácitas que se deram em seguida, tendo em vista que a última solicitação de prorrogação de prazo, dita final e definitiva pela requerente, se deu em 12/05/2010 (doc. fl. 32), e o Despacho Decisório de fl. 38 foi somente emitido em 10/06/2010, sem que a contribuinte tivesse apresentado os arquivos nas especificações exigidas na legislação atinente, para bem demonstrar o direito ao ressarcimento do crédito presumido alegado. Ressaltese, inclusive, que a auditoria só teve início em 24/11/2009 (doc. fl. 19). Portanto, mais de um (1) ano depois da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Assim, lá se vão quase oito anos da vigência da norma. O que demonstra total desinteresse da contribuinte. Da mesma forma, quando da impugnação, a contribuinte apresenta dois “CD”, que, também, não atendiam às especificações exigidas, consoante registra a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, no trecho a seguir transcrito: “12. No caso presente, a empresa apresenta dois CD's onde estariam os arquivos requeridos pela Fiscalização, juntamente com recibo emitido pelo sistema de validação de arquivos digitais (fl. 56) no qual estão relacionados nove arquivos de texto (extensão TXT), sem conteúdo informado. Além disso o referido recibo não identifica a empresa, o responsável, o responsável técnico, estando assinada, aparentemente (comparouse a assinatura com a da fl. 73), pelo procurador da empresa, Sr. Edson Monteiro, que também fez as vezes de técnico responsável pela geração dos arquivos. 13. No primeiro CD (fl. 57) não foi possível a verificação dos arquivos contidos. Considerando que estão sendo apreciados em conjunto vários processos da interessada, referentes a outros trimestres, procurouse nos demais processos um CD no qual pudesse ser verificado o conteúdo, localizandose o pertencente ao processo 10240.720193/201020. 14. Nele, observouse a presença de três pastas, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008 (períodos envolvidos nos processos apreciados), estando cada uma dessas pastas subdivididas em outras três pastas denominadas "Contábil", "Fiscal" e "Folha", sendo que somente os arquivos constantes da pasta "Fiscal" estão relacionados no recibo, do qual não consta a validação dos demais. 15. Dos nove arquivos constantes da pasta Fiscal/2008, dois estão zerados e os demais, apesar de serem arquivos de texto, contém caracteres desconexos. Apenas em dois deles podem ser Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 150 9 lidos nomes de pessoas jurídicas e materiais, sem a possibilidade de se extrair nenhuma informação dos mesmos. 16. No segundo CD foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido. 17. Acerca da apresentação dos arquivos, o Anexo do ADE n° 15, de 2001, prescreve: ‘2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na pásina da RFB na internet, o qual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá qerur um códiso de identificação utilizando o algoritmo MD5 – ‘MessageDigest algorithm 5’, ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códisos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. 3. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados no item 3.1 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME. TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 3.1 Descrição Detalhada do Arquivo Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exige se, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 3.2 Recibo de entrega Os arquivos digitais serão entregues acompanhados do Recibo de entrega que conterá a identificação dos arquivos e os códigos gerados pelo sistema mencionado no item 2± dentre outras informações. Esse documento deverá ser assinado pelo AFRFB requisitante, após a conferência do respectivo código de autenticação, pelo técnico/empresa responsável pela geração dos arquivos e pelo contribuinte/preposto. ....’ (grifouse) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 18. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito, tendo trazido ao processo arquivos sem autenticação e sem o cumprimento das regras exigidas pelo ADE. Ademais, os poucos arquivos autenticados possuem extensão de texto, o que leva à conclusão da inexistência do arquivo principal.” A contribuinte, em seu recurso voluntário, nada traz de novo, de modo a infirmar as conclusões do acórdão recorrido. Apenas reprisa seus argumentos e requer, principalmente: a) “Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; b) Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2008 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem.” Nenhuma das solicitações requeridas e acima mencionadas é possível de atendimento. A primeira delas, porque, consoante já demonstrado, tratase de exigência legal que vincula a administração e, a segunda, porque é na manifestação de inconformidade/impugnação que a contribuinte deve trazer todos os meios de prova que dispõe para comprovar seus argumentos. E, ademais, a contribuinte já teve tempo suficiente para adaptarse às regras e não o fez, inclusive, já manifestou sobre a dificuldade de fazêlo, segundo o trecho destacado: “Assim, apesar das mudanças que foram necessárias para atender a Intimação 579/2009 e de acordo com o informado nas solicitações de prorrogação de prazos, a Recorrente tentou adequar seu sistema operacional para gerar os arquivos e dados solicitados nos parâmetros fixados pelo ADE cofis 15/2001, alterado pelo ADE Cofis 55/2009. Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor.” Podese até entender que, não havendo a análise do mérito nos presentes autos, face a indisponibilidade dos arquivos, e não havendo nenhum impedimento legal, a contribuinte, conseguindo adequar os seus arquivos às especificações técnicas exigidas na Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720196/201063 Acórdão n.º 3302002.255 S3C3T2 Fl. 151 11 legislação de regência, possa efetuar novo pedido de ressarcimento, caso o faça dentro do prazo prescricional e na forma prevista em lei. DA COMPENSAÇÃO Tem razão a contribuinte quando afirma que o pedido de compensação fica vinculado ao reconhecimento do pedido de ressarcimento. Contudo, tendo sido ambos os pedidos submetidos à julgamento da Administração Tributária por meio do mesmo processo, nada obsta que a decisão sobre o reconhecimento, ou não, do direito de ressarcimento e a homologação, ou não, da compensação requeridos seja efetuada num mesmo ato administrativo. Não havendo, ao contrário do alegado, nenhuma irregularidade na decisão assim proferida e nenhum prejuízo à contribuinte. Pelo o contrário, tal procedimento atende aos princípios da celeridade do Processo Administrativo e ao da Economia Processual. SUSPENSÃO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS E, sobre a suspensão da cobrança dos débitos, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa já esclareceu que o Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já garantem a suspensão dos débitos compensados na hipótese de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não havendo, portanto, litígio neste sentido. CONCLUSÃO Por tudo o que acima foi exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a decisão proferida no Acórdão ora recorrido e, em conseqüência, não reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado e não homologar as compensações declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.000930/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 30 /2 00 9- 16 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente de embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803003.879, de 31 de janeiro de 2013, com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo o saneamento da obscuridade que aponta. A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a ementa, transcrita a seguir, não havendo como o Colegiado têla votado conforme ficou assentada. Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo não declinou o conceito de insumo, para fim de creditamento de contribuição social não cumulativa, nesses termos, de sorte que não há como o Colegiado ter votado a ementa nos termos em que constou na parte inicial do trecho acima transcrito.”. Os termos são os que destacam o signo “sic” ao final de cada oração. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. [...] Insumo dedutível para efeito de Pis não cumulativo, [sic] são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. É o relatório. Voto Admissibilidade Reza o art. 65 do RI/CARF[1] , regulamentando o art. 535, caput, I e II, do CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Visa este recurso à inteireza, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades e óbices à boa compreensão e eficaz execução do julgado, exercendo, assim, uma função corretiva e integradora. Devese ter presente que o pedido contido nos embargos submetese ao juízo de admissibilidade. Este, por sua vez, deve se ater aos pressupostos recursais, que são objetivos, em face dos quais são examinadas a existência e adequação do recurso, a 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) [...] III pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 3803004.504 S3TE03 Fl. 333 3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo ao poder de recorrer. O Conselheiro embargante recebeu o processo em 3 de abril de 2013 e na mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos. O pressuposto de existência vêse na alegação do vício de obscuridade que estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa. O pressuposto da adequação está presente por se ajustar o recurso apresentado à previsão legal para a espécie impugnada, a permitir a sua recepção e o seu desenvolvimento válido e regular. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos. Mérito Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FATMA. No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação do Relator [...]por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público:[...] Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue: Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...) Observese que o conceito de insumo como aquele que está marcado pela essencialidade à própria atividade, sem o qual esta a empresa não goza de licença para desenvolvêla está presente na exposição. Este entendimento assentado no acórdão teve o reforço de precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do qual dispêndios realizados com indumentárias, exigidas pelo Poder Público para o regular desenvolvimento do processo produtivo na indústria alimentícia, foram considerados insumos inerentes à produção. Está referenciado nos termos abaixo: Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Notese que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma pelo próprio Relator. Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos insumos que se tornam aptos a gerar creditamento, tendo apontado para a sua sorte de, em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo: Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 3803004.504 S3TE03 Fl. 334 5 razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional.[g.n.] Não obstante reconhecer o Relator a distinção da atividade econômica sob análise no acórdão paradigma, indicou a semelhança da causa de decidir naquele com a inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente realizados por imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou, inclusive, a inexigibilidade de conduta diversa por parte da Contribuinte e a essencialidade do serviços contratados, que os habilitam a serem definidos como insumo, que geram crédito. Restou implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta qualificação encontrase no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa: Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo.[inerência] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, (...) [apócrifo e g.n.] O vício da obscuridade categorizado pela melhor doutrina como falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão, por comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta de maneira confusa ou lacônica, ou ainda, porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação, não se compadece com o predicamento que lhe deu o Conselheiro embargante ao termo obscuridade, consistente na ausência do conceito de insumo. Aonde se pode enquadrar o apontamento do vício presente no acórdão embargado no conceito doutrinário – a falta de clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação. Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades, tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma. A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF, ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula de uma é a da outra. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as leis que instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003) preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive (...)” Reparese que ao estipular que bens e serviços creditáveis são os utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a norma legal não discriminou o grau de aderência do insumo na atividade exercida pela empresa. Ao interpretar o dispositivo legal, no Resp. nº 1.246.317/MG, em sede de recurso repetitivo que se tornou paradigmático para aplicação pelos conselheiros, nos julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma e dispôs que os insumos passíveis de creditamento são tanto os que se ligam ao processo produtivo ou à prestação de serviços como os que os viabilizam, vale dizer, insumos empregados seja direta ou indiretamente na atividade A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Terse como referência estas disposições (legal e judicial), levanos a perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF): afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o cumprimento das obrigações ambientais (ou da obrigação para uso da indumentária na indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da empresa devem ser consideradas insumos (ou é insumo inerente à produção da indústria avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse insumo na atividadefim da empresa. Noutra forma de dizêlo: se a lei não discrimina a forma de aderência do insumo na atividadefim; e se o STJ definiu que essa forma pode darse direta ou indiretamente, não é necessário definir o que é indireto como direto para que o insumo seja alvo de creditamento. Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas do Poder Público, que não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que apenas viabilizem a atividade produtiva sem dela intrinsecamente participarem, são insumos aplicados indiretamente no processo produtivo (seja a proteção ambiental, seja o uso de indumentárias na indústria alimentícia). Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 3803004.504 S3TE03 Fl. 335 7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada ao acórdão segundo a orientação da melhor doutrina representando o termo diretamente, consignado na ementa, não mais que uma imprecisão conceitual que o julgado (também na CSRF) fez advir dos predicados essencialidade e inerência (ao processo produtivo ou prestação do serviço), que são exigidos dos insumos para serem base de cálculo créditos, adequadamente evocados no voto condutor. Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000146/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010
AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia e Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010 AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia e Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 01 46 /2 01 0- 11 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000146/201011 Acórdão n.º 2803002.742 S2TE03 Fl. 275 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, com DEBCAD 37.232.1038, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo tomador de serviços em relação aos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 128 a 133. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 25/05/2010, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 138 a 140, recebida, em 21/06/2010, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 141 a 199; 201 a 221. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 222, 223, 225, 226 e 241. O crédito foi desmembrado, conforme Tetra – Termo de Transferência, de fls. 229, e DADD – Discriminativo Analítico de Débito Desmembrado, de fls. 230 a 237, uma vez que a impugnação foi parcial, segundo consta, as fls. 223, tendo o procedimento sido concluído, nos termos do despacho, de fls. 240. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1249.334 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 10/09/2012, as fls. 203 a 209, por intermédio da qual considerou a impugnação improcedente. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com as razões recursais, as fls. 263 a 266, sem informação sobre a data do recebimento, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. O despacho, de fls. 268, questiona a ausência de informação da data de protocolo do Recurso Voluntário e devolve os autos para regularização. O CAC da DRF de Araçatuba informa no despacho, de fls. 270, que o protocolo do Recurso Voluntário se deu, em 25/10/2012. O Recurso Voluntário foi considerado intempestivo pelo órgão preparador, fls. 271; 272. Por fim, os autos subiram ao CARF, fls. 272. É o Relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.000146/201011 Acórdão n.º 2803002.742 S2TE03 Fl. 276 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é intempestivo, e, ainda, que tenha ocorrido o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade a intempestividade não permite sua apreciação. Verificase dos autos, do AR, de fls. 260, que o contribuinte tomou conhecimento da decisão a quo, em 20/09/2012. Contudo, a recorrente só aviou o recurso voluntário, em 25/10/2012, conforme consta, as fls. 270; 271 e 272, sendo este considerado intempestivo pela autoridade local. Desta forma, impetrado o recurso voluntário, com o trintídio legal esgotado, quando da impetração recursal. Assim sendo, não ultrapassado o requisito de admissibilidade, não há razão para apreciação do recurso. Este é o motivo pelo qual, as razões recursais não foram sumariadas. Posto isto, não há razão para conhecer dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por não conhecer do recurso em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955444/2008-35
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 55 44 4/ 20 08 -3 5 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 29/09/2004 o PER/DCOMP eletrônico n° 24110.12093.290904.1.3.048775, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, onde consta: a) débito compensado IRPJ (código de receita 2362) Período de apuração: Ago / 2004; vencimento: 30/09/2004 principal: R$ 835.037,74; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 835.037,74. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 816.343,47; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 816.343,47; Crédito Atualizado: R$ 835.037,74; Total dos débitos desta DCOMP: R$ 835.037,74; Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 816.343,47; Saldo do Crédito Original: R$ 0,00. A DERAT/SP emitiu Despacho Decisório (fl. 01), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 816.343,47. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Inconformada, a contribuinte apresentou, em 22/12/2008, manifestação de inconformidade (fls. 11 e 12), alegando, em síntese, o seguinte: A Requerente efetuou o pagamento de R$ 816.343,47 em 30/07/2004 no código 2362 referente a IRPJ estimativa mensal. Ocorre que tal pagamento foi efetuado a maior, em função da incorporação que ocorreu em 01/07/2004 (doe. 03) , uma vez que nenhum valor era devido a título de estimativa para esse período, conforme demonstra a DIPJ 2005, o Lalur e a DCTF retificada em 10/12/2008 (doe. 04). (…) Diante do exposto, solicita a Requerente seja recebida e processada a presente Manifestação de Inconformidade, bem como sejam acatadas as razões apresentadas para reconhecer o crédito integral aqui demonstrado, de forma que lhe seja restituído o valor de R$ 816.343,47 e deferidas as compensações vinculadas ao processo em questão. Protesta pela junta de documentos adicionais que comprovem seu direito creditório. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/07/2004 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF e que a contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 5 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/02/2011, com os seguintes argumentos: a) foi requerida a compensação do IRPJ do período de apuração de agosto de 2004, no valor de R$ 835.037,74, com IRPJ relativo à competência junho/2004, pago a maior, decorrente de empresa sucedida (CNPJ 61.416.129/000170); b) o crédito tributário em questão referese ao reconhecimento da variação cambial na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime de caixa, nos termos da Medida Provisória ne 215835; c) esse saldo em junho de 2004 foi apurado após revisão interna pela Recorrente de seus registros contábeis e memórias de cálculos, concluindo pela retificação dos valores mensais que serviram de base para a apuração dos recolhimentos de imposto de renda daquele ano. d) Quando a Recorrente apresentou a DCTForiginal, apurou Imposto de renda a pagar no importe de R$ 816.343,47, e ao retificála, após a sua revisão interna, identificou que não havia qualquer valor a ser recolhido a título de imposto de renda. e) não persiste a alegação feita na manifestação de inconformidade que tal pagamento a maior se deu em razão da incorporação efetuada, não tendo tal evento qualquer influência sobre o crédito ora discutido. f) a Recorrente ao efetuar a primeira apuração do imposto de renda a pagar no mês de junho de 2004, a fez, através do regime de estimativa mensal, no entanto, quando executou a revisão da escrita fiscal, realizou a apuração com base no balanço de suspensão/redução, conforme lhe faculta o art. 35 da Lei n. 8981/1995. g) apesar do entendimento majoritário da jurisprudência administrativa de que o débito declarado em DCTF configura a “confissão de dívida” a que faz referência o parágrafo 1º do artigo 59 do DL nº 2.124/84, isso não elide a possibilidade de a Recorrente se defender e comprovar os erros eventualmente cometidos; h) o efeito da confissão referida no DL nº 2.124/84 não é absoluto, posto que a lei civil e processual civil que trata da confissão estabelece que esta não tem eficácia em relação a direitos indisponíveis, nos termos dos arts. 213, do CC e 351, do CPC. Registrese que o legislador tributário está vinculado a essa legislação por força do disposto no artigo 110, do CTN; i) quando falamos de obrigação tributária, permeada pelos princípios da legalidade e da tipicidade, é de conhecimento cediço que a verdade material sobrepõese a eventuais declarações incorretas feitas pelo contribuinte; j) o erro no preenchimento de uma declaração não possui o efeito de deflagrar o nascimento de obrigação tributária, cuja ocorrência depende da efetiva subsunção do fato jurídico tributário à hipótese de incidência descrita em lei; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 6 5 k) impossível afirmar a ocorrência de confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, quando a Recorrente apresenta provas cabais de que houve erro de fato na DCTF original apresentada, o que inclusive determinou a apresentação da DCTF retificadora; l) a DCTF retificadora tem a mesma natureza da original, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores dos débitos já declarados, ou modificar as vinculações dos débitos (pagamentos, saldo a pagar, compensação, parcelamento, exigibilidade suspensa); m) o § 3º do art. 11 da Instrução Normativa nº 786, de 19 de novembro de 2007 (vigente à época), estabelece que a retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela Receita Federal do Brasil nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; n) na reapuração de seus tributos, a Recorrente verificou o equívoco cometido e apresentou DCTF retificadora. A plena possibilidade de retificação da DCTF para compensação de prejuízos fiscais já foi reconhecida pelo antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 10196.580); o) e nem se alegue a impossibilidade de retificação de DCTF após o início do procedimento fiscal. Como afirmado alhures, a retificação de DCTF é plenamente possível quando existe erro de fato, nos termos do § 3º do art. 11 da IN RFB 786/2007, reproduzida até a atualidade através do mesmo § 3º agora do art. 9º da IN RFB 1110/2010; p) ainda, se assim não fosse, reafirmase que o processo administrativo fiscal deve ser regido pelo principio da verdade material, ou seja, no processo administrativo fiscal o julgador deve sempre buscar a verdade, mesmo que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados; q) não poderia ser argumento desta fiscalização que ambos demonstrativos foram elaborados pela própria empresa, mesmo porque todas as informações prestadas em relação ao imposto de renda são efetivamente preparadas pelo contribuinte uma vez que este tributo é lançado por homologação; r) a verificação da RFB foi realizada eletronicamente de forma objetiva e automática através de cruzamentos de dados sem observar uma gama de documentações e outras provas que atestam a verdade material dos fatos; s) diversamente do que ocorre na esfera judicial na qual impera o princípio da verdade formal, a administração deve sempre buscar a verdade material dos fatos, ainda que isso implique a desconsideração de alguns requisitos formais; t) a fim de cumprir tal desiderato, verificase que o Regimento Interno do CARF prevê a realização de diligências; u) assim, não sendo suficientes os documentos e esclarecimentos ora apresentados com o objetivo de comprovar a veracidade dos fatos, requer a Recorrente, desde já, a realização de diligência com intuito de demonstrar a existência de prejuízo fiscal no mês em referência; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 7 6 v) em síntese, não há qualquer débito confessado pelo Contribuinte, devendo ser observada a DCTF retificadora, diante da existência de erro material na DCTF original; w) em razão disso, deve ser reconhecida a existência do crédito a ser ressarcido à Recorrente e, conseqüentemente, a compensação do mesmo, nos termos efetuados. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° n° 24110.12093.290904.1.3.048775, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ por empresa sucedida, no valor original de R$ 816.343,47, com débito de mesma natureza, referente ao período de apuração de agosto de 2004. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 29/09/2004, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento indevido a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de junho/2004. O débito objeto da referida compensação corresponde à estimativa de IRPJ de agosto/2004, no valor de R$ 835.037,74. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o pagamento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. De acordo com suas alegações, pagamento foi efetuado a maior, em função da incorporação que ocorreu em 01/07/2004, uma vez que nenhum valor era devido a título de estimativa para esse período conforme demonstram a DIPJ, o LALUR e a DCTF retificada em 10/12/2008. Juntou cópia de todos os documentos elencados. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, fundamentando sua decisão na ausência de prova do que foi alegado: [...] O DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$ 816.343,47, corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF (fl. 55), não se tratando, portanto, de pagamento indevido de IRPJ. Destaquese que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF n° 126/98 constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Cumpre observar, ainda, que a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o inicio de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a DCTF retificadora foi entregue em 10/12/2008, fl. 51, após a ciência Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 9 8 do Despacho Decisório), não produz efeitos, nos termos do artigo 11, § 2o, inciso III, da IN RFB n° 786/2007, in verbis: "Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2o A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte limitase a apresentar cópia da DIPJ (relativa à CSLL, e não ao objeto da lide que é o IRPJ) e do LALUR, demonstrativos estes elaborados pela própria empresa, os quais, desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, não têm o condão de desconstituir a confissão do débito em DCTF. Destaquese que, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, desde que os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis, o que não é o caso. Observese, ainda, que, nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Por todo o exposto, voto no sentido de se considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte”. Na fase de recurso voluntário, a Contribuinte desenvolve uma extensa argumentação, alegando em síntese: que foi requerida a compensação do IRPJ do período de apuração de agosto de 2004, no valor de R$ 835.037,74, com IRPJ relativo à competência junho/2004, pago a maior, decorrente de empresa sucedida (CNPJ 61.416.129/000170); que o crédito tributário em questão referese ao reconhecimento da variação cambial na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime de caixa, nos termos da Medida Provisória ne 215835; que esse saldo em junho de 2004 foi apurado após revisão interna pela Recorrente de seus registros contábeis e memórias de cálculos, concluindo pela retificação dos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 10 9 valores mensais que serviram de base para a apuração dos recolhimentos de imposto de renda daquele ano. que ao apresentar a DCTForiginal, apurou Imposto de renda a pagar no importe de R$ 816.343,47, e ao retificála, após a sua revisão interna, identificou que não havia qualquer valor a ser recolhido a título de imposto de renda. que não persiste a alegação feita na manifestação de inconformidade que tal pagamento a maior se deu em razão da incorporação efetuada, não tendo tal evento qualquer influência sobre o crédito ora discutido. que ao efetuar a primeira apuração do imposto de renda a pagar no mês de junho de 2004, a fez, através do regime de estimativa mensal, no entanto, quando executou a revisão da escrita fiscal, realizou a apuração com base no balanço de suspensão/redução, conforme lhe faculta o art. 35 da Lei n. 8981/1995. que o efeito da declaração em DCTF não é absoluto; que o erro no preenchimento de uma declaração não possui o efeito de deflagrar o nascimento de obrigação tributária; que o LALUR, já apresentado anteriormente e corretamente escriturado, atesta estas informações; Com o recurso voluntário, a Contribuinte apresentou novamente cópia de parte da DIPJ e cópia do LALUR, trazendo ainda os demonstraivos da composição da base de cálculo da estimativa de IRPJ e um balancete contábil. Inicialmente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (29/09/2004), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 11 10 Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento da estimativa de IRPJ referente ao mês de junho/2004, conforme inclusive evidenciavam a DIPJ e o Lalur. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF nº 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 12 11 Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A DRJ claramente deixou de lado o Princípio da Verdade Material, bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.955444/200835 Resolução nº 1802000.306 S1TE02 Fl. 13 12 Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, afastando a decisão da DRJ de São Paulo e retorno a delegacia de origem para análise da Delegacia de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP): 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário 2004 da empresa sucedida, onde está demonstrado que o valor da estimativa foi recolhido indevidamente; 2) verifique e informe se as memórias de cálculo apresentadas pela Recorrente que justificam o não recolhimento da estimativa encontram suporte fático na DIPJ, escrituração contábil e fiscal, dos balancetes de suspensão/redução, e de outros elementos que entender necessários da empresa sucedida: 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior para a estimativa de IRPJ de maio/2004, e se o excedente ficou disponível, ou seja, se não foi aproveitado para a apuração de saldo negativo ou qualquer outra finalidade; 4) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento indevido para a estimativa de IRPJ de junho/2004, e se este indébito estava disponível para ser utilizado na quitação da estimativa de IRPJ de agosto/2004; 5) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo legal. Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DERAT/SP atenda a essas solicitações e, posteriormente, retorne os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15374.964184/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. RECEITAS PAGAS. Não prospera a pretensão de diferir resultados se provado que os valores devidos pela entidade equiparada foram pagos no período de apuração. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS OU SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das contribuições de contingências devidas por entidade equiparada para manutenção do equilíbrio de contrato de consórcio, observa o regime de competência.
RESCISÃO CONTRATUAL. EFEITOS RETROATIVOS. ALTERAÇÃO DE BASE TRIBUTÁVEL JÁ DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a alteração da base tributável em razão de fatos verificados após o encerramento do período de apuração.
Numero da decisão: 1101-000.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que dava provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. RECEITAS PAGAS. Não prospera a pretensão de diferir resultados se provado que os valores devidos pela entidade equiparada foram pagos no período de apuração. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS OU SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das contribuições de contingências devidas por entidade equiparada para manutenção do equilíbrio de contrato de consórcio, observa o regime de competência. RESCISÃO CONTRATUAL. EFEITOS RETROATIVOS. ALTERAÇÃO DE BASE TRIBUTÁVEL JÁ DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a alteração da base tributável em razão de fatos verificados após o encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que dava provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 84 /2 00 9- 11 Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório TERMOMACAÉ LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensações com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2005, no valor original de R$ 5.303.072,54. As compensações foram declaradas a partir de 28/07/2008. O despacho decisório de nãohomologação, encartado às fls. 1956/2001, foi cientificado à contribuinte em 29/11/2011 (fl. 2002/2003). Na mesma data, a contribuinte também teve ciência de: · Despacho decisório de não homologação das compensações vinculadas a saldo negativo de IRPJ apurado no mesmo ano calendário 2005, objeto do processo administrativo nº 10725.900463/201031; · Lançamentos formalizados em relação ao anocalendário 2005, para exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL decorrentes da omissão de receitas verificada naquele período, além da multa por compensação indevida inquinada de falsidade, tratados no processo administrativo nº 15532.720006/201127. Consta da decisão recorrida o seguinte resumo do despacho decisório de fls. 1956/2001: 4.1 A autoridade esclarece, inicialmente, que a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal, por meio da Portaria nº 1.063 (fl. 82), de 29/12/2010, publicada no DOU de 31/12/2010, com a redação alterada pela Portaria nº 122 (fl. 159), de 10/02/2011, publicada no DOU de 11/02/2011, autorizou esta Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) a decidir sobre o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ e em relação à homologação das compensações vinculadas ao referido direito creditório. Em decorrência da similaridade entre o IRPJ e a CSLL, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7ª Região Fiscal, por meio da Portaria nº 345 (fl. 45), de 26/04/2011, publicada no DOU de 28/04/2011, autorizou esta Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) a decidir sobre o reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL em apreço e em relação à homologação das compensações vinculadas a esse direito creditório. 4.2 Informa a autoridade que o interessado foi algumas vezes intimado a esclarecer pontos relativos ao crédito em questão e a crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, controlado no processo 10725.900463/201031, conforme intimações ali mencionadas. 4.3 Conforme DIPJ, o contribuinte, para o anocalendário 2005, apurou base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 125.472.331,32. Como conseqüência, não foi apurada CSLL devida para esse período, sendo que a receita auferida com a venda no mercado interno de produtos de fabricação própria correspondeu ao montante de R$ 115.145.130,88. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 5 4 4.4 A autoridade apresenta quadro com a evolução das receitas do interessado ao longo dos anos: Receitas de vendas auferidas e declaradas AnoCalendário Receita de Vendas (R$) 2002 569.834.017,11 2003 729.521.191,10 2004 681.873.535,73 2005 115.145.130,88 Fonte: DIPJ 2003, DIPJ 2004, DIPJ 2005 e DIPJ2006. 4.5 Segundo a autoridade, notase a discrepância entre as receitas de 2005 relativamente aos anos anteriores. 4.6 Notou a autoridade que nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) do 1º ao 4º trimestres do anocalendário de 2005, acostados às fls. 60/87, neste período a pessoa jurídica informou que auferiu receitas de vendas no mercado interno de produtos de fabricação própria no montante de R$ 661.402.878,35 (fl. 62 e ss). 4.7 Verificouse, então, a existência de divergência, correspondente à diferença no montante de R$ 546.257.747,47 relativamente à receita informada na DIPJ de R$ 115.145.130,88. 4.8 Em resposta a intimações para esclarecer o fato, destaca a autoridade que o interessado informou que “no mês de dezembro de 2005, foram contabilizadas reversões de provisões de receitas de vendas no mercado interno relativas a produtos de fabricação própria, que haviam sido provisionadas durante o exercício, totalizando o estorno de R$ 546.257.747,47, conforme tabela 1 e Razão em anexo” (fl. 114 e ss). Acrescentou que o referido estorno de receita teria sido efetuado com base no art. 409 do Decreto nº 3.000/99 (RIR) e no art. 7º da Lei nº 9.718/98 (fl. 110). 4.9 Ao compulsar o Livro Diário n° 10, na página 234, cuja cópia encontrase acostada à fl. 1856, verificou a autoridade da DRF que o contribuinte recebeu da pessoa jurídica Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrás, em 11/11/2005, a quantia de R$ 424.738.947,24 referente a pagamento relacionado a processo de arbitragem, cujos valores foram registrados na conta contábil 1.0.00.01.86 Bancos Conta Movimento – Itaú c/c 517552 PB arbitragem. 4.10 Ressaltou a autoridade da DRF que foi identificado na mesma página 234 do Livro Diário n° 10 lançamento contábil referente à transferência bancária dos valores mencionados no parágrafo anterior para conta bancária localizada em Nassau/Bahamas. Os referidos valores foram registrados na conta contábil 1.0.00.01.87 Bancos Conta Movimento. 4.11 Em comunicados (fls. 187/191) datados de 04/01/2005, 01/02/2005, 11/02/2005 e 08/07/2005 (www.petrobras.com.br), verificou a autoridade que Petrobrás informou aos investidores as medidas adotadas em face da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda), com o propósito de reduzir ou extinguir os pagamentos devidos a título de “contribuição de contingência”, previstos em contratos de consórcio e de participação celebrados para a exploração da usina termelétrica Macaé Merchant. 4.12 No comunicado datado de 08/07/2005 supracitado (fl. 191), a Petrobrás noticiou que, em 05/07/2005, “o Tribunal Arbitral proferiu uma decisão interlocutória, que foi comunicada à Petrobrás na data de hoje, no sentido de que a Petrobrás efetue os pagamentos à El Paso, desde que esta apresente, previamente, Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 6 5 uma garantia bancária emitida por banco de primeira linha e que seja aceita pela Petrobrás. A mencionada garantia deverá ser de tal forma que possa ser imediatamente executada, com os devidos encargos financeiros, caso a decisão sobre o mérito da questão seja favorável à Petrobrás” e que a referida decisão de mérito deveria ocorrer em novembro/2005. 4.13 O interessado informara que o supracitado estorno de receitas foi efetuado em razão de diferimento realizado com base no art. 409 do Decreto n° 3.000/99 e no art. 7° da Lei n° 9.718/98. 4.14 Intimado a esclarecer os períodos em que as receitas diferidas foram recebidas e submetidas à tributação, informa a autoridade a quo que, em contradição com a resposta apresentada anteriormente em que afirmava que as receitas teriam sido diferidas, o sujeito passivo informou que o supracitado estorno de receita decorreu do cancelamento de receitas de contribuição de contingência da Petrobrás questionadas em Tribunal Arbitral (fls. 240/243). 4.15 O interessado (fls. 800/803) afirmou que o estorno supracitado foi efetuado em razão da contabilização indevida de receitas não auferidas, e que o valor referese a depósito em garantia efetuado em razão do cumprimento de decisão provisória proferida por Tribunal Arbitral e com o propósito de garantir uma eventual condenação da El Paso Rio Claro Ltda. (atual Termomacaé Ltda) no procedimento de arbitragem que estava em curso. Esta informação foi reiterada em petição apresentada em 28/06/2011 (fls. 801/802). Foram apresentadas cópias autenticadas (fls. 804/816) das Cartas de Fiança de n° 0004051103300100 e de n° 00046010500300. Do processo cautelar (2005.001.0084524) 4.16 Segue a autoridade informando que, no que toca à ação cautelar proposta no Judiciário pátrio, temse que foi ali assentado que a solução de mérito relacionada à exigência das contribuições de contingência deveria ser resolvida em sede de juízo arbitral, haja vista que não caberia ao Poder Judiciário apreciar a questão. Diante do acima exposto, verificou a autoridade a quo que, ao contrário das afirmações do sujeito passivo, não há decisões judiciais que tenham reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou que tenham declarado que não houve o auferimento destas receitas por parte da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda). Do consórcio Macaé Merchant e do processo de arbitragem 4.17 A El Paso Rio Claro Ltda (“GENCO”), a El Paso Rio Grande Ltda (“MARKETCO”) e a Petrobrás, em 20/04/2001, celebraram acordos de formação e de participação do Consórcio do Projeto Macaé Merchant, que estabeleciam direitos e obrigações relativos à construção, operação e exploração de usina termelétrica localizada no Município de Macaé/RJ (fls. 959/960). 4.18 Destaca a autoridade da DRF que o Tribunal Arbitral relatou que o Acordo de Formação do Consórcio previa: “(i) a propriedade de construção e operação pela GENCO de uma planta de ciclo simples a gás. com capacidade de geração líquida padrão de 700MW, localizada em Macaé (“a Planta”), (ii) o fornecimento de gás para a Planta por conta da Reclamante, (iii) o marketing de receitas e distribuição pela MARKETCO da energia gerada pela Planta ao Mercado Atacadista de Energia Brasileiro (“MAE”), ao mercado spot de energia brasileiro e a terceiros participantes de Contratos Bilaterais de Curto Prazo, e (iv) a distribuição da receita entre as partes.” Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 7 6 4.19 As cláusulas 3.02(a) e 5.04(a) do Acordo de Participação Alterado e Consolidado dispõem sobre participação da Petrobrás no referido Consórcio mediante e o pagamento de “contribuições de contingência da Petrobrás” durante um período contratual denominado “Período de Suporte” (até agosto de 2007) (fls. 370/371, 386/387 e 962/965), nos meses em que o total de receitas não atendia os custos totais.” (fl. 682). 4.20 Essas contribuições de contingência “constituem pagamentos mensais com valor variável de acordo com o mês, dependendo das receitas e despesas de um dado período de referência (o ‘Período de Cálculo ’)” (fls. 967/968). 4.21 Relata a autoridade que em 23/02/2005, com o objetivo de reduzir ou suspender estas obrigações, a Petrobrás depositou uma Notificação de Arbitragem no Centro Internacional de Solução de Controvérsias (ICDR) em Nova York em face de El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda), El Paso Pio Grande Ltda e El Paso Energy Cayger II Company (fl. 932). 4.22 Informa a autoridade da DRF que em 05/07/2005, o Tribunal Arbitral proferiu o que se chamou de Sentença sobre Medidas Provisórias, (fls. 853/922), a qual estabeleceu que a Petrobrás efetuasse o pagamento dos valores devidos a título de contribuição de contingência diretamente ao contribuinte e às demais rés. Este pagamento estaria condicionado à apresentação de garantia bancária para a hipótese de uma eventual condenação do contribuinte em questão no procedimento de arbitragem. 4.23 Em razão da decisão interlocutória supracitada, ressalta a autoridade que o contribuinte recebeu da Petrobrás, em 11/11/2005, a quantia de R$ 424.738.947,24 (fls. 1148/1150) e, em 26/01/2006, a quantia de R$ 94.285.394,08 (fl. 1430), valores que totalizaram R$ 519.024.341,32. 4.24 Segundo aquela autoridade, esses valores seriam decorrentes do recebimento de créditos e caracterizariam a realização em moeda de receitas auferidas no ano calendário 2005, pois foram depositados em conta bancária de titularidade do contribuinte, em valores disponíveis, e passaram a integrar o seu ativo circulante. 4.25 Ademais, os lançamentos contábeis (fls. 1856, 1891, 1903/1905 e 1911), extratos bancários (fls. 1149/1150 e 1430) e contratos de câmbio (fls. 1144/1147 e 1453/1442) relativos às transferências bancárias efetuadas para conta de titularidade do contribuinte localizada em Nassau/Bahamas demonstrariam e comprovariam a disponibilidade e a propriedade das quantias supracitadas. 4.26 Além dos valores mencionados anteriormente, o sujeito passivo recebeu, em moeda, receitas no montante de R$ 100.759.033,97, conforme lançamentos contábeis (fls. 1892/1894 e 1912/1914) efetuados nas contas contábeis “1.2.02.00.03 Duplicatas a Receber Terceiros Consórcio Macaé Merchant” (R$ 73.843.000,44), “1.2.02.00.12 Duplicatas a Receber Terceiros Consórcio Macaé Merchant Variável” (R$ 1.227.105,02) e “1.2.02.00.13 Duplicatas a Receber Terceiros Consórcio Macaé Merchant Outros” (R$ 25.688.928,51). 4.27 Segue a autoridade da DRF informando que, em 21/11/2005, o Tribunal Arbitral proferiu Sentença Final Parcial, cuja cópia autenticada de tradução juramentada encontrase acostada às fls. 923/1082. A parte dispositiva desta decisão determina: “3. O Tribunal Arbitral decide que os contratos não são gratificações nos termos da lei brasileira e que não ocorreram questões de invalidade, infração da lei criminal e administrativa brasileira e não submissão à arbitragem; 4. O Tribunal Arbitral Decide que os contratos não contêm cláusulas leoninas. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 8 7 5. O Tribunal Arbitral decide que os contratos ainda cumprem sua função econômica / social e que a questão da invalidade ou rescisão a ela relacionada não cabem no caso presente; [... ] 8. O Tribunal Arbitral decide que os contratos devem ser interpretados como não dando à Reclamante o direito de invocar o Artigo 478 do BCC; 9. O Tribunal Arbitral decide que os contratos são de trato contínuo e enquadramse no âmbito do Artigo 478 do BCC; 10. O Tribunal Arbitral (por maioria) decide que os eventos que formam a base do pleito da Reclamante nos termos do Artigo 478 do BCC foram extraordinários e imprevistos; [... ] 12. O Tribunal Arbitral reserva todas as decisões sobre os requisitos de onerosidade excessiva e vantagem extrema e nomeará um perito legal em legislação brasileira, com termos de referência e nomeação a serem determinados; 13. O Tribunal Arbitral indefere todos os pleitos que têm como base os Artigos 884 e 885 do BCC;” (fls. 1079/1081) 4.28 Em 31/12/2005, foram efetuados lançamentos a débito, a título de estornos, nas contas contábeis “6.9.91.50.03 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA CAPACIDADE Consórcio Macaé Merchant Outras Receitas”, no valor de R$ 55.879.951,59 (fl. 1899), e “6.9.91.50.04 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA CAPACIDADE Distribuição de Capacidade”, no valor de R$ 543.030.498,09 (fl. 1900). 4.29 Segue a autoridade afirmando que o referidos estornos de receita (fls. 1899/1900), que totalizaram R$ 598.910.449,68, foram efetuados, apesar da decisão mencionada anteriormente ter reconhecido a validade e a vigência dos contratos celebrados, de não existir qualquer decisão judicial ou arbitral que tivessem reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou declarado que não houve receitas auferidas pelo contribuinte e do recebimento em moeda de valores significativos das receitas auferidas. 4.30 Segue relatando a autoridade que, em 01/02/2006, diante da possibilidade de uma sentença final com conseqüências imprevisíveis para as partes litigantes, as empresas assinaram o Memorando de Entendimento (cópia de fls. 214/233), que teve como objetivo formalizar a proposta de venda para Petrobrás da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda) e da El Paso Rio Grande Ltda, cujo valor de aquisição, somente em dinheiro, foi acordado em US$ 357.500.000,00 (trezentos e cinqüenta e sete milhões e quinhentos mil dólares), que, ao câmbio da referida data, correspondia ao valor de R$ 793.971.750,00 (setecentos e noventa e três milhões, novecentos e setenta e um mil e setecentos e cinqüenta reais). 4.31 Entre os termos e condições estabelecidos pelas partes supracitadas que deveriam ser incluídos nos contratos definitivos da operação de compra e venda mencionada, constou a entrega (fls. 218/219) de uma instrução irrevogável ao Banco Itaú S.A. para liberação em favor da Petrobrás dos valores pagos pela própria Petrobrás à El Paso Rio Claro Ltda em razão do cumprimento da sentença sobre Medidas Provisórias antes mencionada. 4.32 A conclusão do negócio jurídico acima mencionado estava sujeita a diversas condições, tais como: a) as obrigações entre as partes decorrentes de contratos relacionados ao Consórcio do Projeto Macaé Merchant deveriam ser extintas e as contratantes seriam liberadas de quaisquer obrigações em vigência a partir da data Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 9 8 de conclusão da operação de compra e venda (fls. 220/221); e b) encerramento, sem análise de mérito, dos litígios judicial e arbitral iniciados pela Petrobrás. 4.33 Ressalta a autoridade da DRF que, de acordo com o referido Memorando de Entendimento (fl. 222), os contratos relacionados ao Consórcio do Projeto Macaé Merchant teriam a sua vigência rescindida a partir da conclusão da operação de compra e venda. 4.34 Em 11/03/2006, as Vendedoras e a Petrobrás celebraram contrato definitivo relativo a operação de compra e venda da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda) e da El Paso Rio Grande Ltda, denominado Quota Purchase Agreement (fls. 1565/1676), cuja cópia autenticada de tradução juramentada foi acostada as fls. 544799. 4.35 Destaca a autoridade da DRF que, ao contrário do que foi inicialmente acordado no Memorando de Entendimento, o contrato definitivo de compra e venda estipulou (fl. 602) que os contratos relacionados ao Consórcio do Projeto Macaé Merchant teriam sua vigência rescindida, de forma retroativa, a partir de 1° de dezembro de 2004 por meio de contrato de composição que seria celebrado nos termos do modelo constante as fls. 678/713. 4.36 De acordo com a cláusula 4.2 do modelo do contrato de composição, as partes acordaram pela retirada e desistência do processo de arbitragem e elaboraram instruções que seriam encaminhadas ao Tribunal Arbitral com os termos que deveriam ser incluídos na sentença consensual a ser proferida (fls. 693/694). 4.37 No item “c.iii” (fl. 603) da cláusula 6.2 (“Ações quando da Conclusão”) do supracitado contrato de compra e venda, as partes estabeleceram, como condição para conclusão do negócio jurídico, que o sujeito passivo entregasse uma instrução conjunta irrevogável ao Banco Itaú S.A. para liberar para Petrobrás aqueles valores depositados por esta por força de decisão interlocutória antes mencionada. 4.38 Em relação a esses valores, pagos pela Petrobrás, cabe destacar que as partes definiram (fl. 686), conforme modelo do contrato de composição (Anexo 4 do Contrato de Compra e Venda), que seriam “devolvidos” a Petrobrás por meio da referida instrução conjunta. 4.39 Em 25/04/2006, data da conclusão da operação de compra e venda, foram assinados diversos documentos (Acordo de Liquidação, Instrução Conjunta, Alteração do Contrato Social, Acordo Fiscal etc) que finalizaram o negócio jurídico celebrado e transferiram para Petrobrás a propriedade da integralidade das quotas representativas do capital social do contribuinte em questão. 4.40 Segundo a autoridade da DRF, o Acordo de Liquidação (fls. 1281/1291 e 1293/1323) foi celebrado para os fins determinados pelos arts. 840 a 850 do Código Civil (Transação). A Instrução Conjunta, às fls. 1351/1355 e 1369/1380, foi assinada por El Paso Rio Claro Ltda, El Paso Rio Grande Ltda, El Paso Energy Cayger II Company, Petrobrás e Banco Itaú BBA S.A. Por meio dessa instrução conjunta, foram formalizados o cancelamento e a rescisão das Cartas de Fiança em favor da Petrobrás (fls. 1372) e foi acordado que a El Paso Rio Claro Ltda poderia dispor livremente dos depósitos a prazos fixos (fl. 1377). 4.41 A autoridade fiscal destaca que o Tribunal Arbitral extinguiu, sem julgamento de mérito, as pretensões apresentadas pelas partes. Das receitas auferidas e da CSLL apurada 4.42 Enfatizou a autoridade que há que se reconhecer as receitas quando auferidas, independentemente do seu recebimento em moeda, conforme definiu o próprio Ato de Participação Alterado e Consolidado (fls. 328, 343 e 373). Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 10 9 4.43 Vêse então que, com base nos lançamentos contábeis registrados no Livro Diário (fls. 1816/1821 e 1852/1859) e no Livro Razão (fls. 1899/1900) e nas informações constantes no Livro de Apuração da CSLL (fls. 1916/1942) e nos Balancetes Mensais (fls. 1677/1814), a autoridade fiscal elaborou quadro demonstrativo relativo às receitas contabilizadas e aos resultados contábeis apurados pelo sujeito passivo. Receitas auferidas e resultados contábeis apurados pelo contribuinte Conta Conta Conta Período 6.9.91.50.03 6.9.91.50.04 6.9.91.50.05 Total das Receitas Resultado Contábil nos Balancetes Resultado Contábil no LALUR Janeiro 7.430.088,82 49.518.266,92 569.488,54 57.517.844,28 22.490.563,65 (13.783.358,95) Fevereiro 7.367.567,14 49.262.847,62 215.094,99 56.845.509,75 44.722.628,36 (24.188.727,43) Março 7.476.136,22 50.292.638,32 199.629,95 57.968.404,49 49.097.911,11 (64.249.193,40) Abril 10.159.210,97 48.609.254,08 91,92 58.768.556,97 89.792.126,77 (51.365.727,71) Maio 7.250.844,14 47.386.368,74 318,32 54.637.531,20 128.874.893,87 (42.127.875,62) Junho 7.212.711,97 46.585.640,02 0 53.798.351,99 153.343.019,45 (48.101.878,73) Julho 7.469.210,37 46.840.248,26 0 54.309.458,63 161.268.107,25 (79.682.357,04) Agosto 7.516.950,19 46.789.478,96 242.354,90 54.548.784,05 180.938.941,38 (96.592.974,36) Setembro 7.276.082,02 44.809.510,93 0 52.085.592,95 216.794.841,46 (85.939.085,16) Outubro 7.395.695,58 45.879.936,44 0 53.275.632,02 226.727.989,40 (117.869.619,87) Novembro 7.357.839,91 45.483.944,79 126,25 52.841.910,95 247.431.113,97 (131.506.934,20) Dezembro 12.042.639,83 95.415.363,45 0 107.458.003,28 (126.524.593,31) Total das Receitas 95.954.977,16 616.873.498,53 1.227.104,87 714.055.580,56 4.44 Dessa forma, segundo a autoridade fiscal, o contribuinte auferiu receitas em razão de sua participação no Consórcio do Projeto Macaé Merchant no valor de R$ 714.055.580,56, os quais foram contabilizados nas seguintes contas (fls. 260/286 e 1116/1142): a) 6.9.91.50.03 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA CAPACIDADE – Consórcio MacaéMerchant Outras Receitas”, no valor de R$ 95.954.977,16; a) “6.9.91.50.04 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA –CAPACIDADE Distribuição de Capacidade”, no valor de R$ 616.873.498,53; e b)“6.9.91.50,05 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA – CAPACIDADE – Distribuição Variável O&M”, no valor de R$ 1.227.104,87. 4.45 Os demonstrativos e documentos de fls.1162/1252, 1399/1421, e 1463/1564, conforme afirma a autoridade fiscal, comprovam e demonstram as receitas auferidas que foram registradas nas contas contábeis supracitadas. 4.46 Ressaltou a autoridade a existência de discrepâncias significativas entre as receitas auferidas e reconhecidas em razão do regime de competência (R$ 714.055.580,56) e as receitas computadas na apuração do resultado do exercício (R$ 115.145.130,88). Essa diferença, no valor de R$ 598.910.449,68, referese a lançamentos efetuados a débito, a título de estornos, já mencionados. 4.47 Ao compulsar a escrituração contábil, conforme cópia do Livro Razão 05 (fls. 1897/1898), verificou a autoridade que de fato o contribuinte efetuou o diferimento do lucro, haja vista os registros efetuados a crédito da conta contábil “3.7.05.00.03 IMPOSTOS S/LUCROS DIFERIDO IR Diferido diferimento lucro”. Contudo, esclarece a autoridade que o art. 7° da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, estabelece hipóteses de possibilidade de diferimento do pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não se aplicando à CSLL. 4.48 Mais ainda, o art. 409 do Decreto n° 3.000/99 também não poderia ser aplicado uma vez que as receitas auferidas não eram decorrentes de atividades de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 11 10 serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, mas, sim, decorrentes da exploração de usina termelétrica em razão da participação no Consórcio do Projeto Macaé Merchant. Ademais, o contribuinte, em posição contrária à justificativa de diferimento de receitas, informou que os estornos de receita decorreram do cancelamento de receitas de contribuição de contingência da Petrobrás questionadas em Tribunal Arbitral, o qual, como já analisara a autoridade da DRF, nada decidiu no sentido de tornar invalidas as receitas de contribuições de contingência devidas pela Petrobrás. 4.49 Em razão do exposto, entendeu a autoridade que, de forma intencional, mediante estornos registrados em sua escrituração, o contribuinte excluiu indevidamente, da apuração do resultado do exercício e do resultado ajustado, receitas que foram auferidas, conduta caracterizadora de ato ilícito doloso. 4.50 Considerando que as receitas estornadas, no montante de R$ 598.910.449,68, devem ser computadas na apuração do resultado do exercício e do resultado ajustado, a autoridade a quo elaborou o seguinte quadro demonstrativo: Lucro Líquido, Resultado Ajustado e CSLL apurados Discriminação Valores Lucro Líquido antes da CSLL e do IRPJ apurado pelo contribuinte (fl. 1888) (148.121.755,35) Receitas estornadas indevidamente 598.910.449,68 Lucro Líquido antes da CSLL e do IRPJ apurado 450.788.694,33 Total das Adições (Ficha 17/Linha 20 da DIPJ 2006 fl. 1951) 2.089.528,53 () Total das Exclusões (Ficha 17/Linha 32 da DIPJ 2006 fl. 1951) (844.490,32) () Compensação de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores (Ficha 17/Linhas 37 e 38 da DIPJ 2006 fl. 1951) 0,00 Resultado Ajustado apurado 452.033.732,54 CSLL Devida Anual sobre Resultado Ajustado (alíquota 9%) 40.683.035,93 Deduções à CSLL devida () CSLL mensal paga – base de cáluclo estimada (fls. 1952/1955) (5.303.072,54) CSLL SOBRE O RESULTADO AJUSTADO A PAGAR 35.379.963,39 4.51 A diferença entre a CSLL anual e as deduções resultou em CSLL a pagar no valor de R$ 35.379.963,39 (trinta e cinco milhões, trezentos e setenta e nove mil, novecentos e sessenta e três reais e trinta e nove centavos). Esse valor deveria ter sido pago, em quota única, até o último dia útil do mês de março de 2006. Verifica se, portanto, que não existe o crédito de saldo negativo utilizado pelo contribuinte nas compensações em apreço. Do acordo de liquidação e dos pagamentos efetuados pela Petrobrás 4.52 No que toca ao Settlement Agreement (Acordo de Liquidação) (fls. 1281/1291 e 1293/1323), cujo objeto era encerrar litígios, entre a Petrobrás e as empresas que litigavam no Tribunal Arbitral (o interessado entre elas), relembra a autoridade que as partes ajustaram em extinguir obrigações decorrentes de contratos relacionados ao Consórcio do Projeto Macaé Merchant. Além disso, entre outras questões, ajustaram em: a) formalizar o distrato, retroativo a 1° de dezembro de 2004, desses contratos; b) reiterar o acordo de transferir para Petrobrás a quantia de R$ 519.024.341,20, estabelecido no Memorando de Entendimento (fls.218/219) e no item “c.iii” da cláusula 6.2 do Contrato de Compra e Venda (fl. 603); e c) desistir Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 12 11 das demandas judicial e arbitral instauradas, as quais deveriam ser extintas sem análise de mérito. 4.53 Tendo em vista que o Acordo de Liquidação foi realizado para os fins propostos nos arts. 840 a 850 do Código Civil (instituto da “transação”), entendeu a autoridade que o referido distrato retroativo teve como motivação a extinção de obrigações recíprocas vinculadas aos contratos rescindidos, as quais eram objeto de litígios instaurados entre as partes. Esses litígios deveriam ser extintos por meio dessas concessões mútuas. 4.54 Destacando que os arts. 843 e 844 do Código Civil determinam que a transação deve ser interpretada de forma restritiva e que “não aproveita, nem prejudica senão aos que nela intervierem”, entendeu a autoridade fiscal que o procedimento adotado (estorno de receitas) foi contrário aos referidos dispositivos legais. 4.55 Mais ainda, a seu ver, o sujeito passivo pretendeu, mediante acordos de vontade, e por meio de distrato retroativo, “regressar no tempo” e “desfazer” os efeitos de atos praticados e fatos ocorridos, os quais foram definidos em lei como fatos geradores de tributos, com o propósito de desconstituir relações jurídicas tributárias estabelecidas. No entender da autoridade fiscal, tratase de conduta ilícita dolosa. 4.56 No entender da autoridade fiscal, o total de R$ 519.024.341,32 que o interessado recebeu da Petrobrás foram decorrentes do recebimento de créditos, serviram para extinguir direitos e obrigações nos termos dos arts 304 e seguintes do Código Civil, bem como caracterizaram a realização em moeda de receitas auferidas no anocalendário 2005. As garantias bancárias foram apresentadas para a hipótese de uma eventual condenação dos afiançados no procedimento de arbitragem. 4.57 Em 05/07/2006, a Termomacaé Ltda. (nova denominação da razão social da El Paso Rio Claro Ltda.), devolveu o valor depositado para a controladora Petrobras, no valor total de R$ 569.212.015,87, conforme registrado na conta contábil 1.0.00.01.87 no razão de 01/01/2006 a 31/12/2006 anexo (fls. 241/242). 4.58 Entendeu o fiscal autuante que foram prestadas informações falsas, pois em completa desconformidade com a realidade dos fatos, uma vez que as referidas transferências de numerários da Petrobrás para o contribuinte foram efetuadas a título de pagamento e adimplemento de contribuições de contingência, cujas receitas foram objeto dos estornos em apreço, e as garantias bancárias apresentadas foram na modalidade fiança. 4.59 Ao ver da autoridade fiscal, as Cartas de Fiança, a Sentença Provisória do Tribunal Arbitral, os extratos bancários, os contratos de câmbio, as notificações e relatórios do Agente de Pagamento e demais elementos de prova já mencionados corroboram essas conclusões. 4.60 Segundo a autoridade, as transferências de numerário efetuadas pela Petrobrás ingressaram, de forma disponível, no patrimônio do contribuinte, o qual figurava como credor em face da Petrobrás, e destinavamse ao adimplemento de obrigações contratuais relativas a contribuições de contingência. A Petrobrás não realizou depósitos em garantia. Para autoridade fiscal, a Petrobrás efetuou pagamentos de obrigações contratuais em favor do contribuinte em razão do cumprimento de decisão provisória proferida pelo Tribunal Arbitral e da apresentação de Cartas de Fiança em seu favor. 4.61 Destaca aquela autoridade que as informações falsas de que os valores recebidos não estavam relacionados com as receitas que foram estornadas e que se referiam a depósitos em garantia efetuados pela Petrobrás foram prestadas com o Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 13 12 propósito final de justificar os estornos de receitas. Com esse procedimento, o contribuinte pretendeu descaracterizar: a) a natureza de pagamento das referidas transferências de numerários recebidas; e b) o auferimento de receitas e respectiva realização em moeda. 4.62 Ao efetuar os estornos de receitas mencionados, o contribuinte excluiu indevidamente receitas que deveriam ser computadas na apuração do lucro líquido e na determinação do resultado ajustado. Como conseqüência desse procedimento: a)verificase que o contribuinte apurou indevidamente, em 31/12/2005, base de cálculo negativa de CSLL e deixou de pagar, a título de principal, o valor de R$ 35.379.963,39 relativo ao valor de CSLL (Tabelas 02 e 05 e parágrafos 126 a 128); e b) é possível concluir que as Vendedoras e a Compradora otimizaram o resultado obtido no contrato de compra e venda, uma vez que a supressão do valor de CSLL citado possibilitou a permanência desses recursos como ativo da pessoa jurídica objeto do referido contrato, fator que influenciou na fixação da remuneração fixa de aquisição acordada no item “a.i” da cláusula 3.1 (fl. 574). 4.63 Por fim, segundo a autoridade da DRF, o saldo negativo de CSLL apurado pelo contribuinte foi utilizado pelas Vendedoras e Compradora como valor variável de aquisição no contrato de compra e venda, conforme definição prevista na cláusula 1.1 e item “a.ii” da cláusula 3.1 (fls. 570 e 574). De acordo com a cláusula 4 do Anexo 8 (Modelo de Acordo Tributário), as contratantes ajustaram que a Compradora deveria pagar remuneração variável para as Vendedoras, a título de adicional pela aquisição das quotas, quando o referido crédito fosse recebido ou utilizado pelo contribuinte em questão (fls. 740/742). 4.64 Por meio dos referidos estornos de receitas, inquinados de falsidade, segundo a autoridade fiscal, o contribuinte apurou base de cálculo negativa de CSLL para o anocalendário 2005 e criou (artificialmente) o crédito de saldo negativo de CSLL em apreço, o qual foi considerado, objetivamente, na formação do preço ajustado no Contrato de Compra e Venda, conforme descrito no parágrafo anterior. 4.65 Em razão dos fatos narrados e dos elementos de prova acostados aos autos, concluiu aquela autoridade que o contribuinte: a) registrou em sua escrituração, de forma ilícita e sem respaldo em documentos hábeis e idôneos, estornos de receita, os quais resultaram na supressão da CSLL devida para o anocalendário 2005; b) omitiu receitas de vendas na DIPJ 2006 (Ficha 06 A/Linha 06 – fl. 1946) com o propósito de suprimir os valores devidos a título de CSLL para o anocalendário 2005 e possibilitar, por outro lado, o reconhecimento de crédito inexistente de saldo negativo de CSLL (fl. 1951); c) inseriu no Balancete realizado para o período de 01/07/2005 a 31/12/2005 (fls. 1870/1876), transcrito nas páginas 349 a 355 do Livro Diário n° 10, e no Demonstrativo de Resultado do anocalendário (fls. 1885/1888), transcrito nas páginas 364 a 367 do Livro Diário n° 10, informações de receitas, no montante de R$ 115.145.130,88, que não correspondem à realidade dos fatos; d) adotou procedimentos para emissão de documento com conteúdo falso e utilizou esse documento para justificar os estornos de receitas, os quais resultaram na supressão da CSLL devida para o anocalendário 2005; e e) prestou informações falsas com o propósito de justificar os estornos de receitas e possibilitar, por outro lado, o reconhecimento e a utilização de crédito inexistente de saldo negativo de CSLL para se eximir, por meio da compensação, do pagamento dos débitos tributários declarados compensados. 4.66 Ao fim, a autoridade decidiu: a) não reconhecer o direito creditório utilizado pelo sujeito passivo nas declarações de compensação em apreço, no valor originário de R$ 5.303.072,54, relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005; Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 14 13 b) não homologar as compensações formalizadas por meio das declarações de compensação acostadas às fls. 03/44; c) determinar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, nos termos do art. 37 e do art. 38, caput, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008; d) determinar o lançamento de ofício de multa isolada prevista no caput e §§1° a 3° do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, e no art. 38, §1°, II, da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30/12/2008; e) determinar o lançamento de ofício para constituição e cobrança de crédito tributário relativo à CSLL a pagar apurado para o anocalendário 2005, no valor originário de R$ 35.379.963,39 (trinta e cinco milhões, trezentos e setenta e nove mil, novecentos e sessenta e três reais e trinta e nove centavos), que deverá ser efetuado e concluído até 31/12/2011; e f) que se elabore e representação fiscal para fins penais nos termos da Portaria RFB n° 2.439, de 2010. Manifestando inconformidade contra esta decisão, a contribuinte relatou que a Petrobrás suspendeu os pagamentos das contribuições de contingência a partir de janeiro/2005, ingressando com medida cautelar e caução em dinheiro, tendo indeferida a liminar pleiteada para suspensão integral do pagamento. Decisão interlocutória no processo arbitral, em 05/07/2005, visando garantir resultado útil da arbitragem, obrigou a Petrobrás a realizar depósito em conta bancária da El Paso, e impôs a esta o oferecimento de carta de fiança bancária, emitida pelo Banco ItaúBBA S/A, o mesmo no qual foi realizado o depósito em garantia. Em 21/11/2005, sentença parcial final teria sido favorável à Petrobrás, e em 25/04/2006 foi celebrado acordo encerrando a pendência relativa à contribuição de contingência. As partes reconheceram a rescisão do contrato de consórcio em 01/12/2004, e a Petrobrás adquiriu a totalidade das quotas da autuada, bem como da El Paso Rio Grande Ltda, integrantes do consórcio. Em razão deste acordo, foram encerradas todas as disputas judiciais e arbitrais entre elas, extinguindose as obrigações pendentes, dentre as quais aquela referente ao pagamento da contribuição de contingência no período de dezembro/2004 a novembro/2005. Como conseqüência, a El Paso devolveu à Petrobrás o montante de R$ 519.024.341.20 (quinhentos e dezenove milhões, vinte e quatro mil, trezentos e quarenta e um reais e vinte centavos), acrescido de juros. Durante o anocalendário de 2005, enquanto havia legítima expectativa de direito do recebimento das referidas contribuições, as receitas foram reconhecidas contabilmente e informadas nos DACON. Extinta a obrigação mencionada, procedeuse ao estorno dos valores reconhecidos como receitas. Alegou, assim, que como o pagamento da contribuição de contingência seria devido se estivesse em vigor o contrato de consórcio firmado com a Petrobrás para construção e exploração da Macaé Merchant, as receitas foram reconhecidas inicialmente, mas ao final de 2005, diante da suspensão do pagamento e inexistência de renda auferida, a interessada efetuou o diferimento da renda para o período seguinte, conforme autoriza o artigo 409 do RIR/99. Verificandose a rescisão do contrato a partir de dezembro/2004, deixou de existir a obrigação da Petrobrás ao pagamento, e por conseqüência a receita. Inexistia razão ou base jurídica ao reconhecimento das receitas, e tampouco para sua inclusão na base de cálculo do IRPJ (e por conseqüência da CSLL). O reconhecimento da receita foi feito de acordo com a Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 15 14 previsão contratual que obrigava a Petrobrás ao pagamento, independentemente de recebimento efetivo e no momento em que se tornaram exigíveis. Mas, ante a rescisão contratual com efeitos desde dezembro/2004, deixou de existir direito ao recebimento, e os valores da contribuição de contingência já não mais poderiam ser qualificados como receitas. Alegou que não houve prejuízo ao Fisco, pois de um lado não se reconheceu essa receita de contingência na escrita fiscal da interessada, mas também não se deduziu a correspondente despesa na apuração do lucro real da outra contratante, que é uma empresa lucrativa. Ademais, como não havia outra forma para readequação de seus registros contábeis, o estorno era o único meio possível para sua correção. Defendeu que o depósito realizado prestouse como garantia, e foi efetivado em cumprimento a decisão interlocutória que usou, indevidamente, a expressão “pagamento”. Ressalta que deve ser observada a intenção do árbitro e o tratamento conferido pela interessada ao numerário em questão, para concluir que nestes termos, os valores recebidos não se tratam de receitas em sua acepção jurídica, mormente tendo em conta que o valor foi efetivamente devolvido à Petrobrás. Enfatizou que os depósitos foram contabilizados a crédito da conta n. 3.1.05.99.26 '"Contas a Pagar Outras – Arbitragem Petrobrás”, e que não dispôs de forma livre da quantia, não praticou atos inerentes ao direito da propriedade, essencialmente, uso e gozo. Em 05/07/2006 estes valores foram baixados e transferidos à Petrobrás como parte do acordo entre elas firmado. Defendeu o direito das partes, em livre iniciativa, obrigaremse e desobrigaremse a qualquer tempo, sendo permitido a elas retroagirem os efeitos da extinção à data em que foi constatado o desequilíbrio econômico do contrato: dezembro de 2004. Concluiu, assim, que o fato gerador da CSLL não ocorreu, e que as partes não poderiam estar impossibilitadas de firmar acordos que impedissem a prática futura de fatos geradores, somente porque essas transações poderiam lesar o Fisco. Opôsse à aplicação dos arts. 843 e 844 do Código Civil, e discordou das contradições apontadas entre o acordo final e o memorando de entendimento firmado previamente. Argumentou que o fato de a transação somente produzir efeitos após a compra e venda não afasta a possibilidade de retroatividade dos efeitos da extinção do contrato de consórcio. Reportouse aos acordos firmados entre as partes, que ensejaram a renúncia aos valores relativos à contribuição de contingência em 2005, em discussão do procedimento arbitral. Referido acordo fora homologado em âmbito judicial e arbitral, pondo fim aos litígios. Transcreveu excerto da decisão proferida na medida cautelar, e invocou a aplicação do art. 269, inciso III do Código de Processo Civil, observando que a inserção da expressão "sem julgamento de mérito" foi um equívoco na tradução, na medida em que as partes ficaram impedidas de instaurar outro procedimento para solução de controvérsia relativa às contribuições de contingência. Destacou que o agente fiscal não apontou irregularidades quanto ao aspecto formal do diferimento das rendas decorrentes do contrato de consórcio firmado para exploração da Macaé Merchant, disse que remuneração eventualmente devida em 2005 corresponderia à contribuição de contingência, e que como estas deveriam ser pagas pela Petrobrás, seria aplicáveis as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 16 15 equiparadas. Assim, ainda que caracterizados como receitas, referidos valores não poderiam integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2005, porque diferidos. Observou que a alegação de fraude prestouse apenas a justificar a aplicação do art. 173, I do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial, e que na eventualidade de se entender que atos por ela praticados não teriam obedecido aos ditames legais, também não seria possível afirmar qualquer intuito de fraude, ao contrário, o procedimento por ela adotado deveria ser entendido como erro de direito. Ressaltou que o depósito tinha natureza de garantia, e inclusive decorreu de decisão interlocutória, de natureza precária. O provimento cautelar que determinou o depósito não afastara a responsabilidade da parte beneficiada com a proteção sobre o dano causado na esfera de direitos daquele que suportou a medida. Deste modo, os atos praticados pela interessada evidenciaram sua interpretação quanto à natureza jurídica do recebimento desses valores, sendo impróprio falar em falsidade das declarações e demonstrativos contábeis apresentados. O depósito permaneceu em conta de titularidade da interessada, e não houve uso e gozo livre do respectivo montante, tampouco foi ele objeto de repasse a terceiros ou de distribuição aos seus sócios. Ao final, em 05/07/2006, a quantia depositada foi devolvida à Petrobrás. Seus registros contábeis e suas declarações refletem a origem de cada um dos recebimentos, o destino conferido aos montantes, o diferimento da renda e o estorno de receitas. Ademais, estas informações foram prontamente prestadas ao Fisco quando exigidas. Logo, inexiste fraude. Por fim, a inserção de disposições sugeridas pelas partes na sentença consensual, também apontada como indício de ato fraudulento ou conluio da interessada e da Petrobrás para descaracterizar a ocorrência do fato gerador, está de acordo com o rito estabelecido pela Lei n° 9.307/96, especificamente em seu artigo 26. Pediu, assim, a reforma do despacho decisório, bem como o julgamento conjunto deste e do processo administrativo nº 10725.900463/201031. Apreciando os processos na mesma sessão de julgamento, a Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · As referências ao prazo decadencial seriam apreciadas no processo administrativo nº 15532.720006/201122; · Reportandose às cláusulas 3.02(a) e 5.04(a) do Acordo de Participação Alterado e Consolidado, observou que se as receitas oriundas da venda de gás no mercado pelo interessado não fossem suficientes para cobrir os custos que este tinha na produção e distribuição desse combustível, surgia o fato que gerava, por dever contratual, um direito de o interessado receber da Petrobrás (fornecedora do gás) uma quantia suficiente para que seus custos fossem cobertos. Referidos valores estavam classificados como receitas no Acordo de Participação Alterado e Consolidado e também na legislação tributária (art. 392, do RIR/99), de modo que somente com a invalidade jurídica do contrato, estabelecida com efeito ex tunc, é que se poderia pensar em não auferimento de receita tributária; Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 17 16 · Abordando os eventos que se sucederam ao longo de 2005 e 2006, concluiu que não há registro de decisão alguma invalidando o referido contrato e as relações jurídicas que dele decorreram, notadamente as de cunho tributário, pois: o Embora a Petrobrás, alegando onerosidade excessiva dessas obrigações de contingência, tenha buscado denunciar o contrato em janeiro/2005, em seguida depositando uma Notificação de Arbitragem no Centro Internacional de Solução de Controvérsias (ICDR) em Nova York em face de El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda), El Paso Pio Grande Ltda e El Paso Energy Cayger II Company,o Tribunal Arbitral proferiu, em 05/07/2005, o que se chamou de Sentença sobre Medidas Provisórias, a qual estabeleceu que a Petrobrás efetuasse o pagamento dos valores devidos a título de contribuição de contingência diretamente ao contribuinte e às demais rés, apenas condicionado à apresentação de garantia bancária para a hipótese de uma eventual condenação do contribuinte em questão no procedimento de arbitragem. o Referido despacho, de cunho interlocutório, apenas enfatizou a validade do contrato, na medida em que determinou que Petrobrás efetuasse o adimplemento de suas obrigações, o que foi feito, dado que o contribuinte recebeu da Petrobrás, em 11/11/2005, a quantia de R$ 424.738.947,24 e, em 26/01/2006, a quantia de R$ 94.285.394,08, valores que totalizaram R$ 519.024.341,32, tudo em cumprimento do ali decidido. o Em 21/11/2005 o Tribunal Arbitral, já anunciando um juízo prévio em relação à pendenga que ali foi instaurada, proferiu Sentença Final Parcial, determinando: que não ocorreram questões de invalidade, infração da lei criminal e administrativa brasileira e não submissão à arbitragem; que os contratos não continham cláusulas leoninas; que os eventos que formam a base do pleito da Petrobrás (onerosidade excessiva), nos termos do art. 478 do Cód. Civil foram extraordinários e imprevistos; que seria feita perícia para verificar a onerosidade excessiva alegada pela Petrobrás. o Inexistia, assim, decisão declarando a invalidade do consórcio entre o interessado e a Petrobrás, de modo que, até aquele momento (novembro de 2005), o interessado auferiu receitas oriundas de contribuições de contingências oriundas dessa sua relação com a Petrobrás. Injustificável, assim, o estorno de receitas observado em 31/12/2005, nas contas contábeis “6.9.91.50.03 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA CAPACIDADE Consórcio Macaé Merchant Outras Receitas”, no valor de R$ 55.879.951,59, e “6.9.91.50.04 VENDAS ENERGIA ELÉTRICA CAPACIDADE Distribuição de Capacidade”, no valor de R$ 543.030.498,09. Sequer havia perda de direito de crédito, neste caso. o Em 01/02/2006, as empresas assinaram o Memorando de Entendimento, que teve como objetivo formalizar a proposta de venda para Petrobrás da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda) e da El Paso Rio Grande Ltda, cujo valor de aquisição, somente em dinheiro, foi acordado em US$ 357.500.000,00, que, ao câmbio da Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 18 17 data, correspondia a R$ 793.971.750,00. Em conseqüência, o credor e o devedor passam praticamente a ser a mesma pessoa, anunciandose o fim das obrigações recíprocas desonerandose os sócios de obrigações pendentes ou não que decorressem do referido consórcio. o Em 25/04/2006, data da conclusão da operação de compra e venda, foram assinados diversos documentos, dentre os quais o Acordo de Liquidação, celebrado para os fins determinados pelos arts. 840 a 850 do Código Civil (Transação). A Instrução Conjunta foi assinada por El Paso Rio Claro Ltda, El Paso Rio Grande Ltda, El Paso Energy Cayger II Company, Petrobrás e Banco Itaú BBA SA, para fins de formalizar o cancelamento e a rescisão das Cartas de Fiança em favor da Petrobrás e acordar que a El Paso Rio Claro Ltda poderia dispor livremente dos depósitos a prazos fixos . o Depreendese, dali, que como a El Paso Rio Claro, hoje Termomacaé, passou a pertencer à Petrobrás, deixou de fazer sentido que essa continuasse a ser devedora das obrigações de contingência, pois não podia ser devedora de si mesma. Lendo as cláusulas tanto do acordo prévio, quanto do avença final que ultima a aquisição da impugnante pela Petrobrás, percebese que o sentido ali expresso é de formalizar, de maneira inequívoca, de modo a não permitir incursões jurídicas futuras, o fim das obrigações e deveres recíprocos, ou porque foram eles adimplidas, e se deu a quitação, ou porque credor e devedor passaram a ser representados pela mesma pessoa: Petrobrás. o Mesmo que o acordo de compra do interessado pela Petrobrás estipulasse de forma retroativa ao início de 2005, como o fez, que com a nova conformação social do interessado ocorreu a liberação recíproca de obrigações, tal cláusula, de cunho meramente privado, vinculava apenas os contratantes, não tendo o condão de desconstituir os efeitos plenamente aperfeiçoados de auferimento de receitas pelo interessado, notadamente no que toca aos efeitos das convenções particulares relativamente à Fazenda Pública. Esse acordo, como não poderia ser diferente, extingue obrigações passadas, mas não as torna inexistentes, inválidas ou nulas. o Em 12/06/2006, o Tribunal Arbitral proferiu decisão em que os árbitros proferem sentença consensual, em que, como não podia ser diferente, extingue, sem julgamento do mérito, todas as reclamações ali feitas pela Petrobrás. Isto porque, assim quiseram as partes, ante a aquisição do interessado pela Petrobrás. o Quanto ao fato de o Tribunal Arbitral também determinar que o montante depositado pela Petrobrás em 11 de novembro de 2005 e em 27 de janeiro de 2006, de acordo com a Sentença Provisória, totalizando R$ 519.024.341,20, fosse reembolsado a Petrobrás , tratase de cláusula ali inserta por vontade dos litigantes, não sendo, portanto, fruto de juízo arbitral, que tenha decidido em favor da tese de que houve a alegada onerosidade excessiva, vinculandose ao ajuste econômicofinanceiro entre a Petrobrás SA e o Grupo El Paso para ultimar a compra do interessado pela estatal. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 19 18 o Logo, o Tribunal Arbitral, em nenhum momento, declarou que eram inválidas, nulas ou viciadas as cláusulas do consórcio entre o interessado e a Petrobrás, bem como jamais declaram, de forma retroativa, que os fatos que geraram as contribuições de contingências ao longo de 2005 (custos maiores que a receita auferida) não ocorreram ou que não representavam eles receitas do interessado. · Relativamente ao processo cautelar nº 2005.001.0084524, o cenário é o mesmo, pois embora a decisão tenha feito referência ao art. 269, III, do CPC, seu conteúdo foi meramente homologatória de acordos de vontade entre partes litigantes, mediante transação, em que, como vimos, uma parte passou a ser proprietária da outra, distinguindose de decisão de mérito em que não são as partes que transigem, mas, sim, é o juízo quem põe fim ao litígio em favor de uma das teses em disputa. Logo, somente houve, ali, a extinção de obrigações recíprocas porque assim desejaram as partes. Nenhum juízo foi expresso relativamente ao alegado vício de onerosidade excessiva do contrato de consórcio entre o interessado e a Petrobrás. · Não é porque dois comerciantes acordam em cancelar dívidas, direito subjetivo de qualquer um, que podemos inferir que os fatos que geraram essas dívidas não existiram ou passaram a ser nulos. Se a dívida de um é receita de outro tributável por natureza , mesmo cancelada a dívida, por desejo das partes, terseá ocorrido o fato tributante; logo, há que se exigir os tributos que ali deixaram de incidir. A oficialização do distrato tem efeitos ex nunc, e deve respeitar conseqüências pretéritas, mormente tendo em conta o art. 123 do CTN. · Quanto ao diferimento das receitas, contrariamente ao que disse a interessada, a autoridade afastou a aplicação desta figura dizendo que os dispositivos legais não se referiam à CSLL, e que as receitas em questão não se subsumiriam à hipótese legal. E, mesmo tendo em conta o art. 3o da Lei nº 8.003/90, o fato é que o interessado não foi contratado pela Petrobrás para lhe fornecer serviços ou bens. Em verdade, as duas empresas eram parceiras na produção e distribuição de gás no mercado. Portanto, os rendimentos dali decorrentes não se subsumem à figura estampada no art. 409, do RIR, de 1999, no art. 3º da Lei nº 8.003, de 1990, ou mesmo no . 7° da Lei n° 9.718, de 998. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/04/2012 (fl. 2289/2290), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 30/04/2012 (fls. 2292/2438), no qual historia os fatos, as decisões e a defesa produzida nestes autos, para inicialmente afirmar que a decisão ora recorrida se baseou exclusivamente nos argumentos de acusação e, embora os argumentos de defesa tenham sido listados no relatório do v. acórdão, eles não foram debatidos e sequer considerados nas razões de decidir dos I. Julgadores. Por esta razão, novamente busca demonstrar que os atos praticados pela Recorrente no ano de 2005 se deram em mais absoluta observância dos preceitos legais e sem qualquer intuito de fraude. Primeiramente com respeito à inexistência de receita relativa à contribuição de contingência, diz que caso tivesse sido feito o necessário confronto das comprovações feitas na manifestação de inconformidade, não haveria outra alternativa senão reconhecer a legalidade do estorno de receitas realizado pela Recorrente, pois ao contrário do aventado na decisão recorrida: (i) a rescisão do contrato com efeitos retroativos tornou inexistente qualquer obrigação no ano de 2005; (ii) as normas cíveis permitem que um acordo de vontades seja Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 20 19 rescindido a qualquer tempo de acordo com a vontade de ambas as partes e o Fisco não pode impedir a incidência dessas normas apenas para justificar a cobrança tributária; (iii) o acordo firmado entre Recorrente e Petrobrás foi homologado em sede judicial e arbitral e a renúncia realizada pelas partes conferiu caráter de mérito às decisões homologatórias; e (iv) o estorno de receitas foi realizado somente em 10.02.2006 (com efeitos retroativos a 31.12.2005), quando o Memorando de Entendimentos firmando o acordo rescisório já havia sido assinado. Defende que o reconhecimento de receitas deve observar o regime de competência enquanto eram exigíveis, e que assim procedeu ao longo de 2005, inclusive informandoas nos DACON independentemente do efetivo recebimento em dinheiro. Em 31/12/2005, diante da suspensão do pagamento e inexistência de renda auferida, diferiu a renda para o período seguinte como autoriza o art. 409 do RIR/99, iniciando as tratativas para resolução do conflito, que culminou com a rescisão do contrato de consórcio com efeitos a partir de dezembro/2004. E, ao se tornar inexigível ou inexistente a obrigação da qual decorreria o auferimento de receita, não há que se falar em receita. Tampouco haveria que se falar em receita sujeita à tributação do imposto de renda. Reportandose ao art. 187, §1o da Lei nº 6.404/76, e ao art. 9o, §3o da Resolução CFC nº 750/93, diz que o reconhecimento de receita deve ser feito a medida em que esta se torna exigível, consoante procedeu a recorrente, que antes da suspensão do contrato inclusive computou os valores em debate na base de cálculo da Contribuição ao PIS e COFINS. Em conseqüência, com a rescisão do contrato retroativa a dezembro/2004, as receitas deixaram de ser exigíveis e os valores não poderiam integrar o patrimônio da Recorrente, pois já não havia mais direito ao recebimento. Transcreve doutrina para afirmar que as receitas podem – e são – escrituradas desde que o contribuinte tenha certeza jurídica quanto ao crédito e questiona como reputar digna, justa e justificável a tributação, no âmbito de tributos que incidam diretamente sobre geração de riqueza, como o IRPJ e CSL, nos casos em que a riqueza ainda não passou de forma definitiva da empresa para outra empresa contratante. Complementa que admitir tal incidência significaria tributar uma renda a que não faz mais jus por decisão final do processo arbitral. Reitera que não houve prejuízo ao Fisco, vez que não houve a dedução da correspondente despesa pela outra contratante, e anexa os documentos que comprovam que a Petrobrás manteve tais valores em suas demonstrações como “Valores em litígio” (Doc. 02). Invoca o disposto no art. 269, §2o do RIR/99 como fundamento para o estorno que se prestou à adequação dos seus registros contábeis à realidade fática, e discorda da acusação fiscal que afirmou violados os arts. 177 e 187, §1o da Lei nº 6.404/76, 247, 248, 251 e 274 do RIR/99 e 37 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Destaca que os registros contábeis jamais podem se sobrepor à realidade dos fatos e tampouco às normas de direito cogente, e conclui que era devido o estorno de receitas e a exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL do anocalendário 2005. Passa, então, a abordar as demais alegações do agente fiscal, corroboradas no acórdão recorrido, iniciando pelos valores depositados em contabancária da Recorrente pela Petrobrás. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 21 20 Reitera que referido depósito foi realizado pela Petrobrás em garantia para dar cumprimento à decisão interlocutória proferida nos autos do procedimento arbitral instaurado, inclusive permanecendo classificado como “Valores em Litígio” pela Petrobrás. A expressão “pagamento” adotada na decisão interlocutória não deve ser interpretada em seu sentido literal, mas sim tendo em conta a finalidade de garantia e a precariedade da decisão. Tratase de mera entrada que não representa um direito integrante da universalidade de direitos ao qual detém titularidade. E mero registro contábil não tem o condão de constituir uma “receita”, caso ela não represente efetivamente um direito de acréscimo patrimonial ainda que não realizado em moeda. Ademais, o valor foi efetivamente devolvido à Petrobrás. Embora o v. acórdão recorrido tenha afastado a importância desse fato e lhe atribuído um caráter de estratagema a suportar suposta fraude, não se pode negar que a imposição da devolução é uma conseqüência lógica do acordo firmado entre as partes e decorre exclusivamente do caráter negocial a ele relacionado (não criar histórico de reincidência para os demais casos nos quais a Petrobrás também questionava a exigibilidade da contribuição de contingência). Reportase a lições de Ricardo Mariz de Oliveira acerca do requisito de definitividade da receita, para opor como impedimentos, no presente caso, a inexistência de obrigação contratual vigente e de direito de acréscimo patrimonial constituído em favor da Recorrente e a precariedade do recebimento desse montante, reiterando que somente os direitos definitivamente adquiridos podem e devem ser contabilizados como receitas e oferecidos à tributação. Afirma a importância econômica de não se admitir a contabilização, como receita, de mera expectativa de direito, mas sob o ponto de vista tributário, observa que não há fato gerador de obrigação tributária na pendência de condição (e o depósito ocorrido prestouse apenas como garantia e foi devolvido à Petrobrás, sem que antes disso se verificasse a livre disposição característica do direito de propriedade), e que a inexistência de acréscimo definitivo de renda ao patrimônio da Recorrente revela a ausência de capacidade contributiva, a qual, segundo doutrina citada, deve revelarse como efetiva e irreversível. Tanto era reversível o montante depositado em garantia que ele foi de fato revertido em favor do depositante (Petrobrás). Destaca o reconhecimento fiscal de que o depósito ficou contabilizado na conta n. 3.1.05.99.26 “Contas a Pagar – Outros – Arbitragem Petrobrás”, afirma a suspensão do fato representativo de acréscimo patrimonial, e transcreve ementas de julgados deste Conselho nos quais o mero registro contábil do ingresso dos montantes depositados em contas bancárias da Recorrente os quais foram retornados ao depositante, não é suficiente para qualificálos como receita. Contraria diretamente as alegações fiscais acerca dos valores recebidos da Petrobrás (R$ 424.738.947,24 e R$ 94.285.394,08) dizendo que eles não são decorrentes do recebimento de créditos, não extinguiram direitos e obrigações nos termos do artigo 304 e seguintes do Código Civil e não caracterizaram a realização em moeda de receitas auferidas no anocalendário 2005, representando apenas depósito garantia. Acrescenta que a liberação conjunta referida pelo agente fiscal (fls. 1368/1398), esclarece que ela se refere aos fundos da Recorrente que haviam ficado bloqueados em razão das cartas de fiança emitidas pelo Grupo El Paso em favor da Petrobrás. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 22 21 Conclui que as alegações fiscais não passam de apontamentos esparsos destacando atos reputados por eles como duvidosos, e que o acordo firmado entre a Recorrente e a Petrobrás tinha clara e evidente motivação (econômica, negocial e estratégica), assim como os termos desse acordo e manutenção de duas sociedades jurídicas, mesmo depois da aquisição do controle societário. Aborda, então, o direito à rescisão contratual, opondose à ilicitude apontada pelo agente fiscal, e à equiparação ao perdão de dívida promovida pela autoridade julgadora. Diz que a retroação dos efeitos da rescisão apenas buscou evitar a perpetuação de qualquer ato da Petrobrás tendente ao reconhecimento de que as contribuições de contingência seriam devidas no ano de 2005, depois de identificado, alegado e discutido arbitrar e judicialmente o desequilíbrio econômico da relação contratual. Especialmente porque a Petrobrás permanecia em disputa com outros consorciados para revisão contratual nos mesmos termos daquela pretendida em face do grupo El Paso tal como reconhecido pela própria juíza responsável na análise da medida cautelar. Reitera os argumentos contidos no item 3.2 de sua defesa, acerca da inexistência de fraude, e passa a demonstrar o legítimo direito das partes de transacionar sobre a rescisão do contrato. Cita lições de Orlando Gomes e afirma que as partes, por livre iniciativa, podem se obrigar e se desobrigar a qualquer tempo, inexistindo nenhuma limitação à determinação do conteúdo do distrato. Logo, as partes estavam livres para convencionar os termos do fim do contrato, inclusive para estabelecer que os efeitos de sua convenção deveriam retroagir à data em que foi constatado o desequilíbrio econômico do contrato: dezembro de 2004. Diz que a motivação do fim da relação contratual foi a lesão causada pela imprevista necessidade de arcar com a contribuição de contingência de modo contínuo (como se vê do relatório das decisões proferidas no processo arbitral, a Petrobrás tinha realizado estudos que não previam a necessidade de pagamento da referida contribuição ininterruptamente). Daí o acordo com efeitos retroativos, mormente tendo em conta o efeito cascata que outra decisão poderia ter em relação as demais lides instaladas para revisão de contratos de consórcio semelhantes. Opõese ao impedimento alegado de desfazer os efeitos dos atos praticados e fatos ocorridos, porque estes não se verificaram, ante a suspensão em razão da pendência de solução definitiva da lide relativa à exigibilidade da contribuição de contingência. Assevera que houve subversão dos fatos e do direito aplicável a eles quando o agente fiscal afirmou que a recorrente e a Petrobrás não teriam acordado sobre direito patrimonial, mas sim sobre o reconhecimento de receitas. Afirma que as partes transacionaram sobre as obrigações do contrato de consórcio, com propósito econômico, negocial e estratégico claros e evidentes para ambas as partes. O reconhecimento de receitas é, sim, dever legal, mas que decorre de conduta praticada pelo suposto contribuinte. Permitir a descaracterização de tais atos para justificar a incidência de tributo é uma restrição aos direitos civis claramente garantidos. A incidência depende da ocorrência do fato descrito no antecedente da norma, sendo necessário que alguém pratique determinado ato descrito na norma como apto a instaurar a relação obrigacional. Contudo, o contrato de consórcio foi rescindindo e os depósitos garantia não representam receita. Neste sentido, inclusive, cita acórdão do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 23 22 Acrescenta que as restrições dos arts. 843 e 844 do Código Civil não se referem a “terceiros” externos ao vínculo obrigacional transacionado, mas sim àqueles que participam de alguma forma da relação jurídica que deu azo à obrigação transacionada, como fiador, credores e devedores solidários. Reputa absurdo utilizar tais dispositivos para inviabilizar acordos que impedissem a prática futura de fatos geradores, somente porque essas transações poderiam lesar o Fisco. Discorda, também, da interpretação de que a rescisão, nos termos do memorando de entendimento, somente produziria efeitos a partir da aquisição das empresas El Paso Rio Claro e El Paso Rio Grande pela Petrobrás. Diz que referido documento apenas firmou os termos gerais do acordo que iria ser definitivamente concluído posteriormente, que a operação de compra e venda era parte essencial e crucial do acordo, e que era natural postergar os efeitos do acordo para o momento da realização da operação. Em outras palavras, o fato de a transação somente produzir efeitos após a compra e venda não afasta a possibilidade de que os efeitos da extinção do contrato de consórcio retroajam em razão da transação. Na seqüência, trata da suposta ausência de decisão judicial autorizando o estorno de receitas, considerada indispensável pelas autoridades fiscal e julgadora, na medida em que reputaram ilícito o acordo antes abordado. Afirma ser indubitável que uma decisão final homologatória de acordo no qual as partes (i) reconhecem a inexigibilidade de determinados valores e (ii) renunciam ao direito de litigar para perseguir seus direitos em relação a esses valores, põe fim à questão com análise de mérito. Não restam dúvidas de que elas corroboraram os efeitos retroativos da rescisão contratual de forma definitiva. Transcreve excertos do acordo no qual foi prevista a rescisão do contratos de participação e consórcio a partir de 2004, e a renúncia a qualquer reivindicação ou indenização deles decorrentes, inclusive à contribuição de contingência do ano de 2005, cuja exigibilidade estava sendo discutida em medida cautelar e procedimento arbitral. Com fundamento no art. 840 do Código Civil, o acordo foi levado a juízo e ao conhecimento do árbitro, sendo homologado em âmbito judicial e arbitral. Reafirma que na medida cautelar a extinção se deu com julgamento do mérito, na forma do art. 269, inciso III do Código de Processo Civil, e que idênticos efeitos se verificaram na sentença consensual proferida no procedimento arbitral instaurado pela Petrobrás, a qual dispôs claramente que nenhuma quantia é devida em relação às obrigações relativas ao contrato de consórcio. Reportase ao texto original desta sentença em inglês, para novamente esclarecer que houve equívoco na tradução, que inseriu a expressão “sem julgamento de mérito”, quando na verdade, em tradução livre, a extinção se deu “com prejuízo”, que significa retirado da corte de tal forma que o autor está impedido de ajuizálo novamente nos mesmos termos e pedidos. Acrescenta que, ainda que não se admita o equívoco na tradução, os efeitos da sentença consensual são os mesmos de uma extinção com julgamento de mérito, já que ambas as partes já reconheceram em todos os atos praticados perante si e terceiros a renúncia expressa sobre qualquer direito relativo a essas supostas contribuições. E cita doutrina para demonstrar a força executória da sentença arbitral, e concluir que a contribuição de contingência do ano de 2005 não poderá mais ser exigida, sob pena de imposição das disposições da sentença arbitral consensual. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 24 23 Sendo inexigíveis, tais valores não podem ser qualificados como receitas, mostrandose regular o estorno promovido. E tal situação é totalmente distinta do perdão de dívida mencionado na decisão recorrida, pois o objetivo do acordo foi, justamente, reconhecer a inexistência da obrigação. Ainda que por absurdo, se queira equiparar este complexo contrato de consórcio firmado para geração e comercialização de energia com uma relação comercial, a base não seria um perdão de dívida, mas sim cancelamento de acordo, ou seja, uma venda cancelada, claramente tratada na legislação como não integrante da receita auferida pela pessoa jurídica, a afastar qualquer ilegalidade no estorno de receitas realizado pela Recorrente. Prosseguindo, defende a equiparação da situação presente àquela prevista no art. 409 do RIR/99, e preliminarmente observa que não houve questionamento quanto à forma do diferimento, apenas formulandose restrições no âmbito material, por não se vislumbrar ali as atividades previstas em lei. Transcreve suas contribuições descritas no contrato de consórcio e participação, asseverando que a remuneração pela realização das atividades decorreria da participação nas receitas do consórcio, ou alternativamente, das contribuições de contingência a serem arcadas pela Petrobrás. E, embora esta não fosse a única beneficiada pelos serviços prestados pela Recorrente ao consórcio, a Petrobrás seria a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência, daí porque seria correto aplicar as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou equiparadas. Observa que o diferimento decorre de eventual demora no recebimento dos valores devidos por entes públicos, dada sua submissão a longos processos para contratação e pagamento de valores contratados. E no presente caso, a demora no recebimento de valores até aquele momento exigíveis vinculavase, justamente, ao órgão de participação majoritária estatal – a Petrobrás. Assim, ainda que os valores em debate sejam classificados como receitas, eles não poderiam integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2005. Por fim, nega a existência de fraude, em razão de todos os argumentos até aqui expostos, reputando necessária a análise dos atos praticados pela Recorrente em vista de sua motivação negocial e comercial que jamais poderia ter sido confundida com intuito de reduzir a carga tributária. Acrescenta que o contrato de consórcio e participação foi firmado em 2001, e ensejou pagamento da contribuição de contingência por 38 (trinta e oito) meses, até se verificar a alteração do equilíbrio econômico do contrato em dezembro de 2004. Seguiram se, então, os fatos antes descritos, até o reconhecimento da inexigibilidade daquelas contribuições em 2005, com o conseqüente estorno das receitas em 10/02/2006, depois de firmado o Memorando de Entendimentos em 01.02.2006. Aduz que a regularidade dos registros da Recorrente e a efetiva ocorrência dos acontecimentos acima não foram refutadas pelo agente fiscal, tampouco foi afastada a autenticidade dos documentos contábeis, fiscais, contratos firmados entre a Petrobrás e o Grupo El Paso e cópias dos processos administrativos e judiciais relacionados à contribuição de contingência. Expondo a acusação fiscal, conclui que o cerne da questão relativa ao enquadramento da suposta fraude seria o tratamento conferido pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em contabancária de sua titularidade, bastando a análise da característica conferida pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em razão da Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 25 24 decisão interlocutória no processo arbitral para evidenciar que a conduta por ela adotada se revela coerente com a sua interpretação do direito, inexistindo qualquer intuito de fraude. Reprisa o histórico que conduziu à determinação de que a Petrobrás efetuasse o “pagamento” das referidas contribuições, novamente opondose à interpretação literal daquele termo, enfatizando o fato de esta determinação integrar uma decisão interlocutória, e de o desembolso prestarse a assegurar o resultado útil da decisão final, independentemente, de quem fosse eleita a parte vencedora. Traça comparativo com as tutelas de urgência previstas na legislação processual, transcrevendo doutrina, e justificando o entendimento por ela adotado de que o depósito constituía garantia ao resultado final do procedimento arbitral. Discorda da interpretação de que uma decisão interlocutória poderia ensejar a extinção de direitos nos termos do art. 304 e seguintes do Código Civil, pois tal apenas decorreria de satisfação de decisão final no processo arbitral, ou acordo entre as partes, e este somente foi iniciado em 01/02/2006, com a apresentação do memorando de entendimentos. Ressalta que a transferência do valor depositado para a conta do Banco Itaú em Nassau se fez em conta de titularidade da própria recorrente, sem repasse a terceiros ou distribuição a sócios. Observa, também, que o procedimento para realização do depósito em garantia segue curso distinto, em que, ao contrário da via judicial, não há obrigação de manter o depósito à disposição do Juízo. De toda sorte, ainda que outra interpretação venha a ser adotada quanto à natureza dos depósitos, o certo é que não há que se falar em fraude, mas erro de direito ou erro na interpretação da lei tributária, como exposto em doutrina que cita. Diz que o fato de ser grande empresa, que atua em ramo de alta sofisticação comercial e financeira, como dito pela autoridade julgadora, tratouse aqui de questão ímpar, única e de difícil compreensão, como inclusive reconhecido em outra passagem da decisão recorrida. Em suas palavras: A conclusão sobre a existência de suposta fraude a qual chegou o d. agente fiscal e que foi corroborada na íntegra pelo v. acórdão recorrido decorre tão somente da interpretação de atos em conjunto tomada exclusivamente sob a ótima arrecadatória e buscando a comprovação de intuito fraudulento tão necessária ao afastamento da decadência. Novamente reportase às indicações contidas em suas declarações e registros contábeis, acerca da origem e destino de cada recebimento, do diferimento da renda e do estorno das receitas, para afirmar que não houve ocultação ou omissão de receitas, tampouco uso ou emissão de documentos falsos. No máximo, houve divergência jurídica quanto ao tratamento dado ao depósito realizado pela Petrobrás. Ademais, atendeu prontamente às intimações para apresentação de documentos relacionados ao depósito garantia, não ”fabricou” documentos para apresentar aos agentes fiscais, e levou ao devido registro os contratos e documentos pertinentes. Enfatiza não ter sido falsa a informação de que a quantia de R$ 424.738.947,24 não estava relacionada às receitas objeto de estorno, pois em sua interpretação a origem daquele valor era o depósito em garantia efetuado nos autos do procedimento arbitral envolvendo a Petrobrás e o Grupo El Paso, inclusive sendo apresentados os documentos relacionados na resposta à intimação. Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 26 25 Portanto, a alegação de falsidade feita pelo agente fiscal não se relaciona à ocultação ou fabricação de evidências de uma situação de fato que não teria ocorrido, mas sim à divergência relativa ao tratamento jurídico conferido a um fato que foi ampla e irrestritamente registrado, divulgado e esmiuçado pela Recorrente. Observa que as acusações de que o termo “depósito em garantia” teria sido incluído na sentença arbitral a pedido das partes, e de que Petrobrás passaria a decidir sobre os ativos da Recorrente depois de firmado o acordo, tornando inútil a obrigação de devolver a quantia depositada, prestaramse a questionar a necessidade do acordo, sem ter em conta que a El Paso dele necessitava porque não poderia arriscar a continuação do negócio sem a parceria com a Petrobrás (dado o decréscimo de suas receitas e a incapacidade de arcar com os custos do negócio), e que a Petrobrás já estava assumindo o “risco do negócio” cuja administração cabia à El Paso, de modo que o acordo lhe assegurou esta gestão. Ainda, como já dito, a inexigibilidade das contribuições em 2005 era paradigma relevante para outros litígios contra a Petrobrás. Reproduz doutrina para defender a possibilidade de as partes sugerirem a inserção de disposições na sentença consensual, e enfatiza que a previsão de devolução era necessária como demonstração de que a El Paso havia concordado com a inexigibilidade desses montantes anteriormente entregues como garantia. Não houve escolha dos termos do acordo nem intenção de fraudar o Fisco. Ressalta o fato de as partes terem firmado que a transação celebrada não pode ser interpretada, direta ou indiretamente, como confissão de responsabilidade, bem como que a Petrobrás exigiu, além da devolução do depósito, os valores referentes a custas e honorários incorridos no procedimento arbitral a fim de que fossem arcados pelas partes de maneira eqüitativa, evidência de que o objetivo do acordo era deixar patente o desequilíbrio econômico do contrato e a impossibilidade de continuidade do negócio naqueles termos. Portanto, houve apenas divergência sobre o tratamento conferido ao depósito em garantia e sua natureza jurídica. Não houve ocultação ou subtração de informações sobre os fatos ocorridos. Destaca, inclusive, que compensações anteriores com o crédito de CSLL no anocalendário 2005 foram homologadas após análise de sua declaração pelo Fisco. E novamente afirma que a fraude somente lhe foi imputada para estender o prazo decadencial. Pede, assim, o julgamento conjunto com o processo administrativo nº 10725.900463/201031, que trata de crédito correlato de IRPJ, bem como que seja reformado o acórdão recorrido e suspensos os processos de cobrança vinculados à presente compensação. Ainda, requer o reconhecimento da inexistência de fraude nos atos praticados pela Recorrente, e protesta pela juntada de outros documentos e elementos necessários à comprovação de suas alegações ou elucidação dos fatos. Em novembro/2012, o processo administrativo nº 10725.900463/201031 foi sorteado para relatoria por esta Conselheira. Com fundamento no art. 49, §7o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, esta Relatora requereu, e lhe foi deferida, a distribuição, por conexão, do presente processo administrativo, que aguardava sorteio nesta 1a Seção de Julgamento. Também em razão da conexão, esta Relatora requereu, e lhe foi deferida, a redistribuição do processo administrativo nº 15532.720006/201127, sorteado também em novembro/2012 para relatoria do Conselheiro José Ricardo da Silva. Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 27 26 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O direito creditório aqui em debate tem origem no mesmo estorno contábil de receitas que afetou a determinação do saldo negativo de IRPJ tratado nos autos do processo administrativo nº 10725.900463/201031. Assim, as razões de decidir aqui são idênticas àqueles expostas por esta Conselheira no Acórdão nº 1101000.938, a seguir reproduzidas. Os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados pela contribuinte no anocalendário 2005 foram influenciados, de forma determinante, por estorno de receitas denominadas “contribuições de contingência”, decorrentes de contrato firmado pela interessada e sua ora controladora Petrobrás S/A. No Anexo I dos autos, digitalizado às fls. 1521/1982, consta cópia autenticada da tradução juramentada do Contrato de Consórcio e de Participação celebrados para a exploração da usina termelétrica Macaé Merchant em 25/11/2002 entre Petróleo Brasileiro S/A (Petrobrás), El Paso Rio Claro Ltda (antiga denominação social da interessada, ali indicada como GENCO) e El Paso Rio Grande Ltda (MARKETCO), além da interveniente El Paso Energy CAYGER II Company. À época, a autuada era controlada por esta interveniente. O objeto do consórcio era uma usina elétrica de ciclo simples movida a gás natural, com capacidade bruta nominal de 900 MW, localizada na cidade de Macaé. Segundo a Cláusula 2.01, à autuada incumbiria a construção e operação da Usina e a geração e entrega de Energia a partir dela. A Petrobrás deveria fornecer Gás Natural para permitir a GENCO a dar Partida, operar a Usina e gerar Energia e a MARKETCO comercializar Energia e cobrar e distribuir as receitas dela provenientes para as Partes, atuando como líder do consórcio (Cláusula 2.03). O acordo foi firmado, em princípio, pelo prazo de 10 (dez) anos (Cláusula 2.05) A contribuição de contingência foi prevista na Cláusula 3.02 (a), nos seguintes termos (reproduzidos de forma semelhante na Cláusula 5.04): Contribuição de Contingência da PETROBRÁS e Suporte Correlato. Durante o Período de Suporte [desde a data inicial de operação comercial, ou presumida, das quatro unidades programadas, até o quinto aniversário da data final de operação comercial, in casu, de 07/08/2002 a 07/08/2007, como reconhecido pelas partes perante o Tribunal Arbitral, fl. 115 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738], a PETROBRÁS terá certas obrigações contingentes de aportar capital adicional ao Consórcio conforme previsto na Cláusula 5.04 (a). O Agente de Pagamento [parte nomeada para executar os serviços administrativos, no caso a MARKETCO] terá o direito de requisitar da PETROBRÁS uma contribuição de contingência na medida em que, ao final de qualquer Período de Cálculo [mês calendário ou parcela deste], o valor dos recursos correspondentes às Receitas Brutas [receitas calculadas com base na geração elétrica líquida do projeto durante o período de cálculo, somada a outras receitas auferidas], depositados na Conta Bancária em fundos imediatamente disponíveis referentes ao Período de Cálculo em questão, somados a qualquer Contribuição de Contingência da PETROBRÁS em Função de Falta de Gás Natural requisitada para o Período de Cálculo, seja insuficiente para permitir o pagamento integral dos valores especificados na Cláusula 6.02 (a), devidos e pagáveis no Período de Cálculo em questão ou que tenham vencido e se tornem devidos e pagáveis em um Período de Cálculo subseqüente, mais o valor integral da Alocação de Capacidade da GENCO do Período de Cálculo em questão (a “Contribuição de Contingência da Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 28 27 PETROBRÁS). Mediante a referida requisição do Agente de Pagamento, a PETROBRÁS depositará, ou fará com que seja depositado na Conta Bancária valor igual à Contribuição de Contingência da PETROBRÁS. As ocorrências verificadas ao longo do anocalendário 2005, acerca destas “contribuições de contingência”, estão refletidas em comunicados de fatos relevantes divulgados aos investidores da Petrobrás, disponíveis no sítio da empresa na Internet (http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatos relevantes), a partir do ano de 2005, mas já juntados pela autoridade fiscal a estes autos (fls. 228/226): · Em 06/01/2005: Contribuição de Contingência: Macaé Merchant Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que na defesa de seus interesses, conforme orientação recebida do Conselho de Administração, notificou formalmente à El Paso Rio Claro Ltda. e à El Paso Rio Grande Ltda. (conjuntamente El Paso), operadora(s) da termelétrica Macaé Merchant, que deseja iniciar imediatamente entendimentos visando terminar ou reduzir a “contribuição de contingência” que vem pagando à citada termelétrica, e propondo a suspensão desse pagamento aguardando o desdobramento das negociações e a solução do assunto. A notificação e o processo negocial propostos seguem estritamente os termos contratuais em vigor. A Petrobras informou também sua proposta aos financiadores do referido projeto, International Finance Corporation (IFC), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Overseas Private Investment Corporation (OPIC). A Petrobras celebrou, no quadro do Programa de Prioridade Termelétrica (PPT), contrato de participação com a El Paso para a operação da usina termelétrica Macaé Merchant. Esse contrato prevê o pagamento de uma “contribuição de contingência” para cobrir eventual insuficiência financeira caso a usina não tenha a capacidade de atender certas metas de receita, pela não confirmação da expectativa de venda da energia disponível, e, conseqüentemente, cobrir a remuneração do capital, custos operacionais e impostos. Modificações imprevistas e extraordinárias nas circunstâncias econômicas e de mercado desde então vigentes, causaram um sério desequilíbrio na equação econômica e financeira do referido contrato. O equilíbrio contratual negociado se pauta no princípio de eventuais déficits de caixa na operação do projeto serem compensados por superávits, em função de variações no preço à vista apurado no mercado de energia elétrica. Na medida em que as premissas e parâmetros desse mercado utilizados pelas partes à época da celebração dos contratos invalidaramse, os pagamentos contingenciais perderam sua característica essencial de imprevisibilidade, tornandose permanentes em prejuízo exclusivo da Petrobras. A Petrobras entende, conforme seu próprio corpo jurídico e consultorias externas contratadas especificamente para o assunto, haver, diante dessa condição de desequilíbrio, amparo na legislação vigente para sua proposta de negociação e/ou solução feita de acordo com procedimento contratual expresso, e deseja uma rápida solução amigável para o caso. Caso isso não seja possível, após o prazo contratual de 30 dias, a Petrobras dará inicio às medidas processuais cabíveis, para resolver definitivamente a controvérsia. (negrejouse) · 01/02/2005: Contribuição de contingência da Termoelétrica Macaé Merchant Rio de Janeiro, 1 de fevereiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] A fim de garantir direitos e prevenir obrigações, tanto da Petrobras quanto da El Paso, foi também ajuizada medida cautelar, para determinar a suspensão da referida “Contribuição de Contingência”, mediante o depósito judicial do valor alegadamente devido. Uma vez que, num primeiro momento, a liminar solicitada foi indeferida, a Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 29 28 Petrobras está estudando as medidas cabíveis, valendose dos direitos que lhe são assegurados contratual e legalmente, pois entende não estar descumprindo suas obrigações ao buscar negocialmente (com base no disposto na lei e nas regras e prazos contratuais) e contenciosamente (valendose dos meios assegurados legalmente) resguardar seus legítimos interesses. (negrejouse) · 10/02/2005: Posicionamento da Petrobras em relação às Termoelétricas “Merchant” Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que em 2001, quando o Sistema de Suprimento de Energia no Brasil – quase todo ele então baseado na geração hidrelétrica – apresentava visíveis sinais de crise, diversas empresas – entre elas a Petrobras analisaram a possibilidade de participação em projetos de geração de energia a partir de gás natural e/ou combustíveis derivados do petróleo (Usinas Termelétricas), através da formação de consórcios. Neste contexto, foram constituídas as parcerias com ElPaso e MPX nos projetos “Merchant” (Macaé Merchant e Termoceará). Uma usina “Merchant” tem como principal característica a venda de energia no mercado spot, não pautando sua atuação em contratos de longa duração, mas sim aproveitando as demandas pontuais de energia elétrica. Uma das principais características dos contratos assinados é que eles possuem uma provisão, no sentido de que, caso, excepcionalmente, em determinados meses, as receitas auferidas com os contratos de compra e venda de energia não sejam suficientes para fazer frente a determinados custos, como abaixo listados, a PETROBRAS deverá realizar uma “Contribuição de Contingência” em montante suficiente para arcar com estes custos. Assim, o instrumento contratual da “Contribuição de Contingência” cumpre a finalidade de, em caso de eventual e esporádica insuficiência de receita, garantir, durante cinco anos, o fluxo de caixa necessário para fazer frente aos custos fixos e variáveis da planta, sendo certo que, com o cenário adotado na época, entendiam os parceiros que a necessidade de aporte de tal contribuição seria eventual. O cenário vislumbrado pelas partes que celebraram os contratos não se concretizou. As projeções efetuadas à época não se tornaram realidade por diversos fatores, sendo que o principal deles está relacionado com a transformação estrutural ocorrida no setor elétrico como decorrência das medidas adotadas pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), criada em 2001. A intervenção efetuada no mercado gerou uma abrupta queda de demanda e, mesmo após a finalização das restrições ao consumo, esta demanda não retornou aos patamares prevalecentes antes do racionamento, indicando uma efetiva mudança estrutural no padrão de consumo de energia no País. Tal quadro acarretou, para a PETROBRAS, como conseqüência principal, o fato de que os pagamentos das Contribuições de Contingência passaram a ser feitos de forma sistemática, todos os meses, visto que as receitas previstas relativas às vendas no mercado spot não se materializaram. Registrese que as parceiras da PETROBRAS nestes projetos não foram afetadas pela alteração no cenário, já que, como acima mencionado, as Contribuições de Contingência cobrem todos os custos, incluindo a amortização dos investimentos e a remuneração do capital investido pelas mesmas. Além das análises internas já efetuadas e de modo a obter uma análise independente crítica da situação acima exposta, foram contratadas empresas de consultoria financeira e escritórios de advocacia que realizaram detalhadas auditorias nos contratos firmados e nos documentos pertinentes, consolidando as informações sob a forma de pareceres que concluíram, em resumo, que os riscos dos empreendimentos estavam sendo totalmente assumidos pela PETROBRAS, preservando a remuneração dos investimentos e do capital dos demais parceiros. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 30 29 Em outras palavras, as transformações estruturais ocorridas no mercado de energia elétrica após o racionamento eliminaram as oportunidades de lucro para a PETROBRAS nestes empreendimentos e acarretaram prejuízos substanciais. Até Dezembro/2004, já foram pagos, em valores nominais, R$ 1,9 bilhão (Macaé Merchant) e R$ 370 milhões (Termoceará), sendo que os valores já pagos superam os preços de plantas novas de mesma capacidade. Com base nos estudos e demonstrações econômicofinanceiras elaborados pelas empresas de consultoria e escritórios de advocacia, ficou caracterizado o desequilíbrio da equação econômicofinanceira dos contratos analisados, porquanto houve quebra no programa contratual estabelecido entre as partes. Com isso, a PETROBRAS, tem sido, regularmente, chamada a pagar a Contribuição de Contingência, o que acarretou uma transmissão integral do risco do negócio de suas parceiras para ela. Por conseqüência, a PETROBRAS está sendo excessivamente onerada com a execução desses contratos e está perfeitamente identificado um processo de enriquecimento sem causa de suas parceiras nestes projetos. Estão presentes todos os requisitos para caracterizar essa onerosidade e permitir a renegociação ou rescisão desses contratos. Os Contratos celebrados estabelecem, de forma clara, o procedimento a ser seguido para a solução de controvérsias dessa natureza: a) Notificação formal à outra parte, para que esta tome conhecimento da controvérsia e, no prazo de 30 dias, participe de um processo negocial, objetivando a solução do conflito em potencial; b) Caso as partes não cheguem a um acordo, a PETROBRAS está, contratualmente, autorizada a entrar com um pedido de instauração de procedimento arbitral. Portanto, de acordo com os pareceres de renomados juristas e economistas, a PETROBRAS não está obrigada a arcar com os prejuízos decorrentes das modificações causadas pelos fatos imprevistos e imprevisíveis no momento da celebração dos contratos. O ordenamento jurídico brasileiro não a obriga a permanecer vinculada a negócios jurídicos cuja equação econômica foi totalmente desvirtuada por conta de fatos imprevistos e imprevisíveis. A mudança da natureza da Contribuição de Contingência, de contingente para permanente, não mais corresponde à vontade das partes, nem atinge o fim para o qual surgiu, que era o de responder a uma eventualidade. Durante cerca de 12 meses, desde janeiro/2004, a PETROBRAS tentou – e continua tentando – negociar com seus parceiros (ElPaso e MPX) nos contratos “Merchant”, objetivando reequilibrar os mesmos, porém tais negociações não têm logrado êxito. Dessa forma, de modo a preservar os interesses de seus acionistas e investidores, a PETROBRAS decidiu utilizar os mecanismos contratualmente previstos de solução de controvérsias, iniciandose com as notificações extrajudiciais e prosseguindo com a instauração dos procedimentos arbitrais e, se necessário, judiciais cabíveis inclusive de natureza cautelar , objetivando a cessação dos pagamentos das contribuições de contingência. Tratase, portanto, de se ressaltar que a PETROBRAS está atuando no estrito limite das previsões contratuais, sendo que todas as medidas tomadas encontram respaldo no âmbito dos contratos celebrados, em dispositivos legais e nos Princípios que regem o Direito Brasileiro. Finalmente, no que se refere às medidas judiciais cautelares que vêm sendo adotadas, a PETROBRAS reitera que permanecerá acatando todas as decisões interlocutórias que venham a ser tomadas pelo Poder Judiciário, respeitando o direito que outras empresas envolvidas possuem de utilizar os mecanismos processuais cabíveis para defender seus interesses e reservandose o direito de utilizar os mesmos mecanismos para preservar os interesses de seus acionistas e investidores. (negrejouse) · 08/07/2005: Processo Arbitral Petrobras x ElPaso, referente à Usina Macaé Merchant Rio de Janeiro, 8 de julho de 2005 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, [...] comunica que conforme já divulgado anteriormente em Fevereiro de 2005, iniciou um Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 31 30 procedimento arbitral em face da El Paso, objetivando dirimir as divergências decorrentes do desequilíbrio econômico financeiro que foi constatado no âmbito do acordo firmado entre as partes, referentes à construção e operação da Usina Termelétrica Macaé Merchant. Ao longo do período de negociações que antecedeu a instauração do painel arbitral e durante a realização do mesmo, a Petrobras vem buscando, de várias maneiras, a título de demonstração de boa fé e até que uma decisão definitiva sobre a matéria seja proferida pelos árbitros, efetuar, em Juízo ou através de outro(s) mecanismo(s), os pagamentos que se constituem no objeto da arbitragem, mediante uma garantia de que, em obtendo uma decisão favorável, as quantias pagas ou depositadas possam ser, imediatamente, resgatadas, acrescidas dos devidos encargos financeiros. Tais tentativas não foram, até o momento, aceitas pela El Paso, que pleiteia receber os pagamentos, independentemente da decisão final sobre o mérito e sem quaisquer précondições. Em 05.07.2005, o Tribunal Arbitral proferiu uma decisão interlocutória, que foi comunicada à Petrobras na data de hoje, no sentido de que a Petrobras efetue os pagamentos à El Paso, desde que esta apresente, previamente, uma garantia bancária emitida por banco de primeira linha e que seja aceita pela Petrobras. A mencionada garantia deverá ser de tal forma que possa ser imediatamente executada, com os devidos encargos financeiros, caso a decisão sobre o mérito da questão seja favorável à Petrobras. Os valores dos pagamentos e das respectivas garantias até o momento montam à quantia de R$ 227.337.467,07 (duzentos e vinte e sete milhões trezentos e trinta e sete mil quatrocentos e sessenta e sete reais e sete centavos) e devem ainda abranger, mês a mês, as quantias equivalentes às Contribuições de Contingência referentes aos vencimentos futuros, até que a decisão sobre o mérito seja proferida, o que deve ocorrer em Novembro/2005. A Petrobras permanece no aguardo da apresentação das garantias por parte da El Paso, para que as mesmas possam ser analisadas e as providências cabíveis possam ser adotadas. (negrejouse) Questionada acerca destes fatos (fls. 228/232), e intimada a apresentar diversos elementos de suporte aos lançamentos contábeis, a interessada, já sob o controle da Petrobrás S/A, defendeu a reversão das provisões de receita com fundamento no art. 409 do RIR/99 e no art. 7o da Lei nº 9.718/98. Todavia, este diferimento não foi admitido pela autoridade fiscal em razão da contabilização, em 11/11/2005, do recebimento de R$ 424.738.947,24, depositado em conta bancária da interessada no país e transferido para conta bancária localizada em Nassau/Bahamas. A própria Petrobrás S/A teria noticiado este pagamento no comunicado de 08/07/2005, antes descrito. Posteriormente, em razão de novos questionamentos, a interessada teria informado que houve, em verdade, estorno das receitas questionadas perante Tribunal Arbitral, com fundamento no art. 269, §2o do Decreto nº 3.000/99, na medida em que não houve o auferimento das referidas receitas consoante decisão judicial. Com referência ao recebimento de 11/11/2005, defendeu que ele corresponderia a depósito em garantia. A defesa da recorrente combina as duas argumentações, classificando a transferência bancária de 11/11/2005 como depósito em garantia; afirmando que, como não houve recebimento das receitas, seu diferimento seria possível na forma do art. 409 do RIR/99; e que ante a rescisão do contrato em 10/02/2006, mas com efeitos retroativos a 31/12/2005, pertinente se mostrou o estorno das receitas em 10/02/2006. Os comunicados aos investidores denotam que a autuada, ao longo do ano calendário 2005, enquanto controlada pelo grupo El Paso, manteve sua expectativa de recebimento das contribuições de contingência, rejeitando as propostas de Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 32 31 acordo extrajudicial apresentadas pela Petrobrás, de modo a ensejar não só o recurso desta à via arbitral, como também a propositura de medida cautelar para suspensão dos pagamentos devidos em razão do consórcio. Este é o contexto, portanto, que enseja, inicialmente, o reconhecimento de receitas segundo o regime de competência ao longo de 2005, inclusive com a sua informação nos DACON independentemente do efetivo recebimento em dinheiro. A recorrente se empenha em defender a validade do estorno das receitas com efeitos no próprio anocalendário 2005, mas o fato é que até 31/12/2005 nada permitia este procedimento. O contrato de consórcio obrigava a Petrobrás aos pagamentos das contribuições de contingência e este é o cenário que determina o resultado tributável em 31/12/2005. Isto porque, a teor dos próprios dispositivos citados pela recorrente (art. 187, §1o da Lei nº 6.404/76, e art. 9o, §3o da Resolução CFC nº 750/93), o reconhecimento das receitas correspondentes à contribuição de contingência deveria ser feito à medida em que esta se tornasse exigível. Inexistiu qualquer ordem judicial, decisão arbitral ou acordo entre as partes, ao longo do anocalendário 2005, que autorizasse outro procedimento contábil que não o reconhecimento daquelas receitas. Como bem relata a autoridade fiscal, a Petrobrás ajuizou a Medida Cautelar nº 2005.001.0084524, na qual requereu liminar para suspender a exigibilidade do pagamento das contribuições de contingência. A decisão interlocutória de 28/01/2005 indeferiu a liminar, mas em 02/03/2005 foi parcialmente reformada em sede de agravo de instrumento, determinando a continuidade do pagamento de metade do valor estabelecido, sendo o restante depositado judicialmente. Mas, em 28/04/2005, em razão do inadimplemento da Petrobrás, foi proferida sentença cassando a liminar e julgando extinto o processo sem julgamento do mérito, e condenando a autora nas verbas de sucumbência. Somente em sede de apelação, e já em 02/05/2006, o processo judicial foi extinto mediante homologação da transação celebrada entre as partes. De forma semelhante, a reclamação levada ao Tribunal Arbitral foi parcialmente analisada em 05/07/2005, mas apenas para apreciação de solicitação de medida provisória urgente por parte da autuada (à época El Paso Rio Claro), como se detalhará adiante. Ainda, em 21/11/2005 foi proferida sentença final parcial, abordando a validade dos contratos submetidos ao Tribunal, que afastou a ocorrência de questões de invalidade, infração da lei criminal e administração brasileira, e à exceção da análise das questões de onerosidade excessiva, indeferiu os pleitos da Petrobrás. O Tribunal Arbitral designou perito para apreciação técnica deste último aspecto, e postergou para o ano seguinte a conclusão da apreciação do litígio. Daí, ao menos até 31/12/2005, é indiscutível que inexistem decisões judiciais que tenham reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou que tenham declarado que não houve o auferimento destas receitas por parte da El Paso Rio Claro Ltda (atual Termomacaé Ltda). Em consequência, somente se poderia cogitar da não incidência do IRPJ e da CSLL sobre o resultado do período influenciado pelas contribuições de contingência até então devidas pela Petrobrás caso o art. 409 do RIR/99 autorizasse o diferimento alegado pela recorrente. A autoridade fiscal afirmou inaplicável este dispositivo uma vez que as receitas auferidas não eram decorrentes de atividades de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 33 32 subsidiárias. As receita auferidas eram decorrentes da exploração de usina termelétrica em razão da participação no Consórcio do Projeto Macaé Merchant. A recorrente, por sua vez, defende a equiparação da situação presente àquela prevista no referido dispositivo legal, dizendo que as objeções fiscais limitamse a aspectos materiais, por não se vislumbrar ali as atividades previstas em lei. Cumpre anotar, inicialmente, que a incidência do imposto de renda pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica desta renda, que no caso das pessoas jurídicas sujeitas à sistemática do lucro real é revelada pela apuração do lucro contábil, com observância do regime de competência, como expresso no art. 177 da Lei nº 6.404/76 (A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios), e no §1o do art. 187 da mesma Lei: § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. O lucro contábil pode se sujeitar a adições, exclusões e compensações previstas em lei, com vistas à determinação da base imponível, e por meio daqueles ajustes o legislador pode estabelecer diferimento da tributação, de modo que a incidência ocorra posteriormente à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. No ponto em debate, a matéria está assim tratada no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: SEçãO IX Contratos a Longo Prazo Produção em Longo Prazo Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte de preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. § 1º A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei nº 1.598, de1977, art. 10, § 1º): I com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Produção em Curto Prazo Art. 408. O disposto no artigo anterior não se aplica às construções ou fornecimentos contratados com base em preço unitário de quantidades de bens ou serviços produzidos Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 34 33 em prazo inferior a um ano, cujo resultado deverá ser reconhecido à medida da execução (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 2º). Contratos com Entidades Governamentais Art 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. § 1º Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, 4º). § 2º Considerase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. § 3º A pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especialmente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate dos títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 1º). A própria recorrente diz que sua situação equiparase à prevista em lei. De outro lado, a autoridade fiscal pondera que o contrato ao qual se pretende aplicar o diferimento não se enquadra na hipótese legal. E, de fato, esta afirmação é suficiente para afastar a aplicação do art. 409 do RIR/99. Nos termos do art. 111, inciso I, do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha, dentre outros, sobre a exclusão do crédito tributário, circunstância que se verifica na hipótese de diferimento da tributação, na medida em que esta permite o posterior recolhimento de tributo desacompanhado dos encargos moratórios que seriam devidos caso a incidência se verificasse no momento da ocorrência do fato gerador. A legislação antes transcrita, por sua vez, trata da tributação do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos (art. 407, caput, do RIR/99), quando contratado com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária (art. 409, caput, do RIR/99). De outro lado, a El Paso Rio Claro Ltda nada tinha a fornecer à Petrobrás S/A. Esta figurou, apenas, como sua parceira, e não só na construção, como também na exploração da usina termelétrica Macaé Merchant, fornecendolhe gás natural para geração de energia elétrica, na expectativa de ganhos com esta atividade, a serem distribuídos pela El Paso Rio Grande Ltda após comercialização da energia. Neste Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 35 34 contexto, as contribuições de contingência somente eram devidas porque se estabeleceu um período de suporte, durante o qual eventuais desequilíbrios operacionais seriam equacionados por um dos membros do consórcio, a Petrobrás. A recorrente transcreve suas contribuições descritas no contrato de consórcio e participação, asseverando que a remuneração pela realização das atividades decorreria da participação nas receitas do consórcio, ou alternativamente, das contribuições de contingência a serem arcadas pela Petrobrás. E, embora esta não fosse a única beneficiada pelos serviços prestados pela Recorrente ao consórcio, a Petrobrás seria a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência, daí porque, em seu entendimento, seria correto aplicar as mesmas regras relativas aos valores devidos pelas entidades públicas ou equiparadas. Não é possível, sequer, afirmar que a Petrobrás era uma das beneficiárias dos serviços prestados pela recorrente; não no sentido de tomador contratante de serviços, como requer a lei para diferimento do lucro. Em verdade, a única semelhança entre a situação presente nestes autos e a hipótese legal é o fato de a Petrobrás ser a empresa responsável pelo pagamento das referidas contribuições de contingência. Somente uma interpretação extensiva, como a elaborada pela recorrente, com fulcro no objetivo da norma (diferir o pagamento de tributos em razão de eventual demora no recebimento dos valores devidos por entes públicos, dada sua submissão a longos processos para contratação e pagamento de valores contratados), permitiria concluir pela possibilidade de diferimento por ela defendida. A lei não cogitou do diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens. Logo, não basta que o devedor seja um órgão público ou equiparado. É necessário que a dívida decorra de contratos como os especificados na lei. De toda sorte, ainda que a interpretação defendida fosse possível, o diferimento seria inadmissível porque, como bem demonstrado pela autoridade fiscal, as contribuições de contingência foram pagas pela Petrobrás ao longo do ano calendário 2005. Como antes mencionado, a Petrobrás não logrou êxito na Medida Cautelar nº 2005.001.0084524, quer para suspender a exigibilidade do pagamento das contribuições de contingência, quer para depositar judicialmente os valores devidos. A decisão acerca da qual a autoridade fiscal e a recorrente divergem quanto ao seu conteúdo foi proferida pelo Tribunal Arbitral em 05/07/2005, e está juntada por tradução juramentada às fls. 03/72 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738. Tratase de sentença parcial em face de Solicitação de Medidas Provisórias Urgentes apresentada pelas rés (dentre elas a El Paso Rio Claro Ltda), contra a qual a Petrobrás afirmou inexistir qualquer obrigação de efetuar os pagamentos requeridos na Solicitação e oferecendo, como gesto de boafé, o depósito dos valores controversos em consignação mediante o resultado da arbitragem. As rés, por sua vez, argumentaram que a inadimplência da Petrobrás impediria o pagamento do empréstimo do BNDES em 15 de novembro de 2005 e dos empréstimos do IFC e OPIC em 15 de fevereiro de 2006, além de futuramente prejudicar a manutenção necessária, salários e imposto de renda, este incidente sobre as Contribuições de Contingência devidas. Afirmaram, ainda, que a retenção dos pagamentos visava obter uma posição de negociação objetivando comprar a Instalação das Rés, e se opuseram ao oferecimento de garantia. Mas a Petrobrás declarou que qualquer ordem de pagamento deveria ser combinada com o oferecimento pelas Rés de título irrevogável e efetivo como condição prévia para qualquer pagamento, por conta do risco de cobrança se a Reclamante for vencedora no mérito. E é neste contexto que o Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 36 35 Tribunal Arbitral decide conceder os pedidos de pagamento apresentados, observado o oferecimento de garantia pelas Rés na hipótese de serem derrotadas no mérito, inclusive ressaltando que esta decisão não caracterizava préjulgamento, mas apenas preservava o status quo entre as partes sem afetar o mérito, inclusive protegendo a posição da Reclamante, se vencer no mérito, já que seu risco de cobrança relacionado aos valores pagos em virtude desta sentença ficará coberto pela garantia determinada. Interessante, notar, ainda, que o Tribunal Arbitral procurou dar uma interpretação equilibrada a uma das disposições contratuais que impedia as partes de discutirem obrigações antes de pagálas. Afirmou considerar que uma obrigação de “primeiro se paga, depois se discute” é uma indicação – e nada mais do que isso – de que um equilíbrio apropriado de interesses deve ser encontrado na execução da disposição contratual, observada a obrigação de oferecer garantia suficiente. E ressaltou que a urgência da medida estava demonstrada, porque havia inadimplemento e prova de empréstimos que poderiam restar inadimplidos. Ainda, observou que a sentença permaneceria em vigor enquanto pendente o processo pendente no Brasil, ou até a sentença final do processo arbitral, o que acontecesse primeiro. Ao determinar a apresentação de garantia à Petrobrás, mais uma vez o Tribunal a previu como um recurso para protegêla do risco de não cobrança dos valores pagos nos termos desta sentença se esta for vencedora no mérito. Estabeleceu que a garantia bancária será devida contra a cópia da sentença arbitral proferida por este Tribunal ordenando pagamentos das Rés à Reclamante até o valor da garantia bancária. Estas as considerações para ser proferida a seguinte sentença sobre medidas provisórias: [...] 2. O Tribunal Arbitral determina que a Reclamante pague R$ 227.337.467,07 às Rés; 3. O Tribunal Arbitral determina que a Reclamante pague tempestivamente todas as demais Contribuições de Contingência no vencimento durante a presente arbitragem; 4. O Tribunal Arbitral determina que qualquer pagamento efetuado pela Reclamante em virtude dos itens 2 e 3 deste dictum deverá ser feito contra a apresentação pelas Rés de garantia bancária para os valores devidos, acrescidos das taxas de juros interbancários do Brasil (CDI) per rata diem, emitida por banco de primeira linha; [...] Não há dúvida que o Tribunal entendeu que a solução mais equilibrada para o litígio, naquele momento, era determinar a efetivação dos pagamentos pela Petrobrás. E assim o fez com vistas a permitir que a El Paso Rio Claro Ltda deles dispusesse para liquidação de suas dívidas. Por sua vez, a garantia foi estabelecida para minimizar o risco de não cobrança dos valores pagos nos termos desta sentença se esta for vencedora no mérito. Significa dizer que a obrigação de devolver aqueles valores à Petrobrás somente surgiria em caso de decisão desfavorável à El Paso Rio Claro Ltda. Até aquele momento, a única obrigação reconhecida como existente foi a obrigação da Petrobrás em face da El Paso Rio Claro Ltda. Patente, assim, a impropriedade da alegação de que, mais à frente, o valor entregue à El Paso Rio Claro Ltda foi revertido em favor do depositante (Petrobrás). No máximo, a El Paso Rio Claro Ltda poderia ter pago à Petrobrás os valores que eventualmente tivesse adquirido o direito de lhe cobrar. Impossível dizer que uma ordem de pagamento fundamentada nos termos antes descritos resulta em mera entrada que não representa um direito integrante da universalidade de direitos ao qual detém titularidade. Não se trata de mero registro contábil, mas sim efetivo ingresso de recursos em adimplemento a uma obrigação Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 37 36 contratual que tem, para a interessada, a natureza de receita, ou seja, elemento integrante do acréscimo patrimonial revelado pelo lucro do período. Como bem destaca a autoridade fiscal a partir de excertos extraídos das Cartas de Fiança emitidas pelo Banco Itaú BBA S/A (fls. 286/291), o pagamento determinado na sentença parcial arbitral de 05/07/2005 seria efetuado por meio de depósito em valores imediatamente disponíveis, na conta nº 517552, de titularidade de EL PASO RIO CLARO LTDA., mantida junto à agência nº 2001 do Banco Itaú S.A. Dos referidos documentos ainda consta que: 6. Esta FIANÇA será considerada extinta se a Decisão Final der ganho de causa aos AFIANÇADOS isentandoos da obrigação de devolver a totalidade das quantias pagas pelo FAVORECIDO em cumprimento da Decisão Provisória. [...] (negrejouse) Irrelevante, portanto, se a interessada classificou os valores recebidos em seu passivo, ou se a Petrobrás os contabilizou como “Valores em Litígio”. Só há um significado para a expressão “pagamento” adotada na decisão interlocutória, e a precariedade desta não se sobrepõe à existência do contrato anterior e ao inadimplemento que, naquela sentença, reputouse digno de reparo para manter o equilíbrio das partes até a decisão final no processo arbitral. Frisese, ainda, que só se cogitou de fiança, naquela oportunidade, porque houve efetivo pagamento pela Petrobrás S/A, e conseqüente disponibilidade pela autuada, de modo a permitirlhe dar a destinação que bem lhe aprouvesse aos valores recebidos. Caso se tratasse, efetivamente, de um depósito em caução, ou de um depósito em garantia, a fiança seria absolutamente desnecessária.Registrese, ainda, que em 21/11/2005 o Tribunal Arbitral proferiu sentença final parcial (fls. 73/232 do Anexo III, digitalizado às fls. 2497/2738) na qual está relatado que a garantia bancária ainda gerou problemas entre as partes depois da decisão anterior, mas que: ... Após teleconferência com o Presidente, segundo a interpretação do Tribunal, as partes implementaram a garantia bancária ao final da semana de 07 de novembro e, na semana do dia 14 do mesmo mês, a Reclamante quitou as dívidas pendentes sob os termos da Contribuição de Contingência. [...] Neste ponto, aliás, merece transcrição a abordagem feita pela autoridade julgadora de 1a instância: A primeira conclusão que se chega é que até esse ponto, nada há que possa infirmar como juridicamente válidas as cláusulas obrigacionais vistas no consórcio entre o interessado e a Petrobrás, denominado Acordo de Participação Alterado e Consolidado. Quer dizer, continuava válida e vigendo a cláusula em que, ocorrido o excesso de custos sobre receitas próprias, ocorria o auferimento de receitas de contribuições de contingências e surgia a obrigação de a Petrobrás pagar os recursos a elas correspondentes ao interessado. Esse despacho, de cunho interlocutório, apenas enfatizou a validade do contrato, na medida em que determinou que Petrobrás efetuasse o adimplemento de suas obrigações, o que foi feito, dado que o contribuinte recebeu da Petrobrás, em 11/11/2005, a quantia de R$ 424.738.947,24 e, em 26/01/2006, a quantia de R$ 94.285.394,08, valores que totalizaram R$ 519.024.341,32, tudo em cumprimento do ali decidido. Notese que caso se admitisse o diferimento da tributação com base no art. 409 do RIR/99, em interpretação extensiva do que ali autorizado, somente se poderia cogitar de algum efeito sobre a parcela recebida em 26/01/2006, e desde que ela fosse pertinente à receita reconhecida, pelo regime de competência, no ano calendário 2005, aspecto objetivamente não demonstrado pela recorrente. Por oportuno acrescentese que a sentença final parcial proferida pelo Tribunal Arbitral em 21/11/2005, embora deixando de apreciar alegações da Petrobrás acerca de onerosidade excessiva e vantagem extrema, centrou sua análise principalmente na validade do contrato de consórcio e expressou: Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 38 37 3. ... que os contratos não são gratificações nos termos da lei brasileira e que não ocorreram questões de invalidade, infração da lei criminal e administrativa brasileira e não submissão à arbitragem; 4. ... que os contratos não contêm cláusulas leoninas; 5. ... que os contratos ainda cumprem sua função econômica/social e que a questão da invalidade ou rescisão a ela relacionada não cabem no caso presente; 6. ... que a questão da dificuldade, como regra geral, deve ser tratada à luz do que dispõe o novo Código Civil Brasileiro; 7. ... que os contratos não são aleatórios e que, por este motivo, não se enquadram fora do escopo do Artigo 478 do BCC; 8. ... que os contratos devem ser interpretados como não dando à Reclamante o direito de invocar o Artigo 478 do BCC; 9. ... que os contratos são de trato contínuo e enquadramse no âmbito do Artigo 478 do BCC; 10. ... (por maioria) ... que os eventos que formam a base do pleito da Reclamante nos termos do Artigo 478 do BCC foram extraordinários e imprevistos; 11. ... que não há benefícios colaterais a serem levados em conta na determinação de onerosidade excessiva; [noticiando a nomeação de perito legal para poder decidir a respeito desta matéria] Diz o art. 478 do Código Civil Brasileiro: Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Assim, embora em sentença parcial, o Tribunal Arbitral decidiu que os contratos não eram inválidos, cumpriam sua função econômica e social, e não poderiam ser rescindidos por esta razão. Admitiu sua submissão ao art. 478 do Código Civil Brasileiro, mas condicionou a decisão acerca da onerosidade excessiva ali cogitada à análise pericial da matéria. Ainda, ao final da sentença final parcial, indeferiu todos os pleitos que têm com base os Artigos 884 e 885 do BCC, quais sejam: Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. Diante de todas estas considerações, por qualquer ângulo de análise, somente estas conclusões são possíveis: em 31/12/2005 o acordo entre as partes era válido; a Petrobrás estava obrigada a pagar as contribuições de contingência; a El Paso Rio Claro Ltda tinha o direito de recebêlas; e o pagamento se efetivou por ordem do Tribunal Arbitral. Quanto à devolução posterior do valor recebido, tratase de aspecto irrelevante para a decisão do litígio presente nestes autos, no qual se discute, apenas, o direito à compensação do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2005. Vejase que para negar a definitividade da receita, a recorrente afirma a inexistência de obrigação contratual vigente e de direito de acréscimo patrimonial constituído em favor da Recorrente e a precariedade do recebimento desse montante, aspectos que não se verificaram enquanto vigentes as decisões arbitrais antes abordadas, as quais não desconstituíram o direito à percepção da contribuição de contingência contratualmente estabelecido em favor da El Paso Rio Claro Ltda. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 39 38 Impróprio, assim, falar em mera expectativa de direito ou pendência de condição. Houve acréscimo patrimonial e, o fato de este ser reversível por decisão ou acordo futuro apenas demanda providências do Direito e da Contabilidade com vistas ao reconhecimento deste efeito no período de apuração em que ele se verificar. Em 31/12/2005 não havia como prever qual solução seria dada ao litígio iniciado pela Petrobrás e a incidência do IRPJ e da CSLL se efetiva sobre a realidade presente naquele momento, alcançando as receitas decorrentes da contribuição de contingência devidas pela Petrobrás até aquele momento. O direito da El Paso Rio Claro Ltda à sua percepção revela a capacidade contributiva necessária para incidência dos tributos sobre o lucro. A recorrente reportase a julgados deste Conselho nos quais o mero registro contábil do ingresso dos montantes depositados em contas bancárias da Recorrente os quais foram retornados ao depositante, não é suficiente para qualificálos como receita. Contudo, tais depósitos somente não se caracterizariam como receita se ingressassem em conta bancária dissociados de um vínculo obrigacional entre o depositante e o beneficiário. Evidentemente créditos bancários correspondentes a adiantamentos ou mesmo a erros, corroborados pela posterior devolução ao depositante, não podem ser classificados como receitas. Mas esta, como visto, não é a situação presente nestes autos. Havia obrigação a ser adimplida pela Petrobrás, correspondente a um direito da recorrente que foi liquidado com os pagamentos realizados em razão da ordem arbitral. Inadmissíveis, assim, os lançamentos a débito, a título de estornos, nas contas contábeis “6.9.91.50.03 – VENDAS – ENERGIA ELÉTRICA – CAPACIDADE – Consórcio Macaé Merchant – Outras Receitas”, no valor de R$ 55.879.951,59 (fl. 1012), e “6.9.91.50.04 – VENDAS – ENERGIA ELÉTRICA – CAPACIDADE – Distribuição de Capacidade”, no valor de R$ 543.030.498,09 (fl. 1013), promovidos em 31/12/2005. A recorrente ainda aduz que não houve prejuízo ao Fisco, vez que se verificou a dedução da correspondente despesa pela outra contratante, e anexa os documentos que comprovam que a Petrobrás manteve tais valores em suas demonstrações como “Valores em litígio” (Doc. 02). Este aspecto, porém, em nada altera a incidência sobre o lucro auferido pela autuada. Apenas indica que a Petrobrás também errou ao deixar de reconhecer estas despesas, e eventualmente, além de favorecer seus investidores, promoveu recolhimento de tributos indevidamente. Invoca, também, o disposto no art. 269, §2o do RIR/99 como fundamento para o estorno que se prestou à adequação dos seus registros contábeis à realidade fática. Diz o referido artigo: Art. 269. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º). § 1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º,§ 1º). § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 2º, § 2º). (negrejouse) Como visto, não houve qualquer erro no reconhecimento das receitas segundo o regime de competência. A obrigação contratual da Petrobrás foi afirmada pelo Tribunal Arbitral e nenhum outro ato, judicial, arbitral ou extrajudicial, promoveu sua desconstituição até o encerramento do anocalendário 2005. Em verdade, os Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 40 39 registros contábeis que se sobrepõem à realidade dos fatos são os estornos escriturados em 31/12/2005. Aliás, não é demais observar que se o entendimento da recorrente acerca da aplicação do art. 409 do RIR/99 tivesse sido, efetivamente, cogitado no momento na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ele jamais ensejaria os estornos acima mencionados, e conseqüente redução do lucro contábil, mas apenas a exclusão dos supostos resultados diferidos para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do art. 407, §2o do RIR/99, antes transcrito. E, caso este seja um dos aspectos formais que a recorrente implicitamente diz não ter sido aventado pela autoridade fiscal ao questionar a aplicação daquele dispositivo, a abordagem até aqui apresentada revela a total desnecessidade desta acusação, na medida em que validamente afastada qualquer possibilidade de aplicação daquele dispositivo. De toda sorte, como a recorrente pretende justificar estes estornos em razão da retroação dos efeitos da rescisão contratual posteriormente verificada, embora em tese já se possa afirmar inadmissível esta interferência direta de fatos futuros na realidade presente no momento de ocorrência do fato gerador, cabe esclarecer em qual contexto estes fatos futuros se verificaram. A autoridade fiscal diz que em 01/02/2006, diante da possibilidade de uma sentença final com conseqüências imprevisíveis para as partes litigantes, elas firmaram um Memorando de Entendimento formalizando a proposta de venda para Petrobrás da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda (autuada) e da El Paso Rio Grande Ltda, no valor de US$ 357,5 milhões. Da tradução juramentada do referido documento, juntada às fls. 249/268, extraise: Este Memorando de Entendimento (este “ME”) estabelece nosso entendimento mútuo sobre a proposta de venda para a Petrobrás (a “Transação”), sujeita acordo final [...] de toda a participação societária da [...] (em conjunto, “El Paso”) na El Paso Rio Claro Ltda (“Rio Claro”) e na El Paso Rio Grande Ltda (“Rio Grande”); [...] [...] O preço de compra para a aquisição somente em dinheiro será de US$ 357.500.000,00 [...] [...] Na conclusão da Transação, as partes entregarão (e tomarão providências para que a Rio Claro entregue) uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú SA liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA, como se segue e os juros que foram nele acumulados (os “Depósitos”): (i) em 11 de novembro de 2005, uma quantia equivalente a R$ 424.738.947,24 [...], e (ii) em 27 de janeiro de 2006, uma quantia equivalente a R$ 94.285.394,08 [...]. Em relação a isto, a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, irá liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista. A El Paso deve obter junto ao Banco Itaú SA a aprovação da forma da instrução irrevogável conjunta acima mencionada antes da conclusão da Transação. A conclusão da transação estará sujeita a uma série de condições, incluindo o seguinte: [...] (iii) as obrigações das Partes e de suas afiliadas nos termos do (a) Contrato de Formação de Consórcio datado de 20 de abril de 2001 entre a Rio Claro, a Rio Grande, a Cayger II e a Petrobrás, conforme alterações, (b) o Contrato Original de Participação entre as Partes ou suas afiliadas, [...], e (c) quaisquer documentos celebrados no âmbito de ou em conexão com o Contrato de Formação de Consórcio, [...] (em conjunto, os “Documentos de Transação”), são extintas e as Partes são liberadas de quaisquer obrigações em vigência a partir da data de conclusão da Transação; Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 41 40 [...] (vi) na conclusão da Transação, todos os procedimentos pendentes de medida cautelar perante a justiça brasileira iniciados pela Petrobrás em 26 de janeiro de 2005 (“Procedimentos da Justiça Brasileira”) e todos os procedimentos de arbitragem pendentes da UNCITRAL/AAA entre a Petrobrás como demandante e a Rio Claro, Rio Grande e algumas de suas afiliadas como reclamados (“Procedimento de Arbitragem”) serão dispensados com prejuízo. Após a conclusão da Transação, cada uma das Partes, em seu próprio nome e de suas afiliadas, irá liberar a outra Parte e suas afiliadas de quaisquer reivindicações ou obrigações decorrentes do Projeto e nenhum dos Documentos da Transação (que terão a vigência rescindida a partir da conclusão da Transação) ou, de outro modo, originado por qualquer motivo, exceto em relação a violações de suas representações, garantias e acordos destes Contratos Definitivos que expressamente perdurarão após a conclusão. As partes reconhecem e concordam que os termos e condições acima não cobrem todos os assuntos que serão abordados nos Contratos Definitivos. [...] As Partes acordam, pelo presente e durante a vigência do presente Memorando de Entendimento, em suspender todos os Processos da Justiça Brasileira e todos os Processos de Arbitragem. As Partes concordam em submeter ao Tribunal Arbitral e ao Tribunal Brasileiro um pedido conjunto que nenhuma outra ação será tomada durante este período temporal em relação ao Procedimento de Arbitragem e aos Processos Judiciais Brasileiros respectivamente [...]. As Partes concordam que, com relação aos Procedimentos de Arbitragem e aos Procedimentos Judiciais Brasileiros, os prazos de prescrição aplicáveis e todas as defesas de qualquer natureza com base na oportunidade da ação devem ser suspensos, [...]. Não obstante qualquer disposição em contrário, as partes acordam que a concessão de medidas temporárias emitidas pelo Tribunal de Arbitragem em 05 de julho de 2005 e o desempenho das partes em conformidade com elas não serão suspensas. (negrejouse) Embora referido documento estabelecesse que as obrigações das partes seriam extintas a partir da data de conclusão da “Transação”, e expressamente negasse a suspensão da decisão arbitral de 05/07/2005 e do desempenho das partes em conformidade com ela, foi acordado que a autuada entregaria uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú S/A liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA, citando expressamente os depósitos decorrentes da decisão arbitral de 05/07/2005. Ainda, firmouse que a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, iria liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista. Ocorre que a redação deste trecho do acordo não permite compreender o que foi estabelecido. Por que a Petrobrás seria liberada “de” todos os fundos depositados “pela” Petrobrás? Os “mesmos” do qual a Petrobrás seria beneficiária seriam os depósitos? Em caso positivo, por que a Petrobrás seria beneficiária deles? A tradução juramentada da instrução conjunta dirigida ao Banco Itaú BBA S/A (fls. 670/681) auxilia na compreensão do texto antes reproduzido. Consta ali que, como não poderia deixar de ser, foi firmado um Contrato de Prestação de Fiança entre a instituição financeira e El Paso Rio Claro Ltda, bem como há registro de Cessão de Certificado de Depósito pela El Paso Rio Claro Ltda ao Banco Itaú BBA S/A. Atendendo à instrução das empresas El Paso e Petrobrás, o banco não só cancelou e rescindiu as cartas de fiança, como também: 1) rescindiu os acordos de garantia firmados com a El Paso Rio Claro Ltda; 2) rescindiu procurações concedidas pela El Paso ao Itaú BBA; e 3) rescindiu e cancelou as notas promissórias relacionadas ao acordo de garantia. De outro lado, as empresas El Paso rescindiram e cancelaram as Cessões de Certificado de Depósito, estabelecendo a instrução, ao final, que: Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 42 41 EPRC, Rio Grande, Cayger II, Petrobrás e Itaú BBA (com relação ao Itaú BBA, somente a respeito dos direitos do Itaú BBA e sujeito ao recebimento pelo Banco Itaú BBA – Agência Nassau de uma cópia assinada no Aviso, Liberação e Reconhecimento no modelo em anexo como Anexo A) concordam pelo presente que a EPRC está livre para dispor dos fundos em Depósitos a Prazos Fixos de nº. AGE 101893 e AGE 1 12533 (os “Depósitos a Prazo Fixo da EPRC”), sujeito aos custos de violação devidos à Itaú BBA, como desejar, inclusive o fato de que a EPRC poderá deixar tais recursos nos Depósitos a Prazo Fixo; sempre desde que nada nesta Liberação, Reconhecimento e Instrução conjunta liberará a EPRC de qualquer obrigação que possa ter perante a Petrobrás segundo o Acordo de Liquidação datado de [em branco] de 2006 celebrado entre a among EPRC, Rio Grande, Cayger III, El Paso Corporation e Petrobrás. O Itaú BBA reconhece pelo presente que os Depósitos a Prazo Fixo da EPRC não estão sujeitos a ônus ou limitação a favor do Itaú BBA que não as limitações aplicáveis em geral aos depósitos a prazo fixo no Itaú BBA ou instituições financeiras semelhantes. (negrejouse) Como se vê, a instrução foi no sentido de rescindir as garantias prestadas pelo Banco Itaú BBA S/A à Petrobrás, o que ensejou a rescisão ou cancelamento de outros contratos firmados entre o Itaú BBA e a El Paso Rio Claro Ltda para concessão daquela garantia. Observese que não houve instrução para liberação dos mencionados “depósitos a prazos fixos” junto à agência de Nassau, mas apenas o reconhecimento de que, em razão das demais rescisões e cancelamentos, eles estavam livres para disposição pela El Paso Rio Claro Ltda. Inferese, daí, que a El Paso Rio Claro Ltda, ao transferir os valores depositados pela Petrobrás para conta do Itaú BBA em Nassau – conforme consta do relatório – promoveu os mencionados “Depósitos a Prazo Fixo”, objeto das “Cessões de Certificado de Depósito” vinculadas ao Contrato de Prestação de Fiança firmado com o Banco Itaú BBA S/A, para que este emitisse as Cartas de Fiança antes mencionadas. Logo, a El Paso Rio Claro Ltda constituiu uma garantia em favor do Banco Itaú BBA S/A para que este emitisse as Cartas de Fiança, de modo que os efeitos da instrução enviada àquele banco não poderiam se limitar à rescisão das cartas de fiança, estabelecendo também a rescisão de todos os atos a ela vinculados e a liberação das correspondentes garantias. Aliás, esta sim pode ser a origem do registro contábil, pela El Paso Rio Claro Ltda, dos valores recebidos na conta n. 3.1.05.99.26 “Contas a Pagar – Outros – Arbitragem Petrobrás”, como mencionado pela recorrente. Diante deste contexto, e especialmente tendo em conta as demais disposições do Memorando de Entendimento antes citadas, seria possível afirmar que houve erro na sua redação ou tradução, pois ao invés de expressar que “as partes entregarão (e tomarão providências para que a Rio Claro entregue) uma instrução conjunta irrevogável para o Banco Itaú SA liberar a Petrobras de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA", o correto seria “liberar a Rio Claro de todos os fundos depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú SA”. Na seqüência, na parte em que constou que “Em relação a isto, a Petrobrás, como beneficiária dos mesmos, irá liberar para o Banco Itaú SA ou El Paso as cartas de garantia fornecidas pelo Banco Itaú SA, na condição de avalista”, deveria estar expresso “a Petrobrás, como beneficiária das mesmas”, quais sejam, as fianças, e não os depósitos. Notase, porém, que a referida instrução conjunta está datada de 25/04/2006, e assim integrou o conjunto de documentos assinados na data de conclusão da operação de compra e venda de quotas (Acordo de Liquidação, Instrução Conjunta, Alteração do Contrato Social, Acordo Fiscal, etc), como observou a autoridade fiscal. E antes disso, em 11/03/2006, as partes celebraram contrato definitivo Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 43 42 relativo à operação de compra e venda da totalidade das quotas representativas do capital social da El Paso Rio Claro Ltda e da El Paso Rio Grande Ltda. Da tradução juramentada que integra o Anexo II destes autos (digitalizado às fls. 1983/2496) destacamse os seguintes excertos: CONTRATO DE COMPRA DE QUOTAS com respeito às quotas na EL PASO RIO CLARO LTDA e na EL PASO RIO GRANDE LTDA. [...] 5. AÇÃO ATÉ A CONCLUSÃO 5.1 Obrigações positivas (a) Sujeito às restrições e limitações da Lei Aplicável, as Vendedoras certificarseão de que, a partir da data deste Contrato até a Conclusão ou a Data Limite de Finalização, o que ocorrer antes,: [...] (v) as Vendedoras solicitem ao Banco Itaú S.A. aprovação prévia do modelo de uma instrução conjunta irrevogável ao Banco Itaú S.A. para liberar o Depósito [de R$ 519.024.341,32 que foram depositados pela Compradora no Banco Itaú S.A. de acordo com a sentença provisória emitida com respeito aos Procedimentos de Arbitragem, juntamente com quaisquer juros acumulados sobre tal valor] para a Compradora (que será no formato acordado). [...] 6. CONCLUSÃO 6.1 Horário e local A Conclusão ocorrerá na(s) data(s) e da maneira disposta na cláusula 6.7 (Procedimentos da Conclusão) 6.2 Ações quando da Conclusão [...] (b) Quando da Conclusão, a Compradora entregará às Vendedoras: [...] (iii) após a liberação do Depósito, as Cartas de Garantia [Carta de Fiança nº 00406010500200 e a Carta de Fiança nº 00406010500300, ambas emitidas pelo Banco Itaú S.A.] , e pagará a Remuneração Fixa de acordo com a cláusula 6.7 (Procedimentos da Conclusão) [...] (c) As Partes, atuando em cooperação, certificarseão de que as seguintes coisas ocorram quando da Conclusão: (i) as obrigações das Partes ou de suas Afliadas sob (A) o Acordo de Formação de Consórcio datado de 20 de abril de 2001 entre a Empresa Alvo 1, a Empresa Alvo 2, a Cayger II e a Compradora, conforme alterado, (B) o APO [Acordo de Participação Original entre as Partes e algumas de suas Afiliadas datado de 20 de abril de 2002, conforme alterado, complementado e reformulado] e (C) quaisquer documentos firmados sob ou com respeito ao Acordo de Formação de Consórcio, conforme alterado e/ou o APO, conforme alterado, complementado e/ou reformulado (coletivamente, os “Documentos da Transação”) sejam extintos com vigência a partir de 1 de dezembro de 2004 e as Partes sejam liberadas de tais obrigações com vigência a partir de tal data, de acordo com o modelo apenso a este como Anexo 4 (Modelo de Contrato de Composição); (ii) a Compradora, as Empresas Alvo [El Paso Rio Claro Ltda (Alvo 1) e El Paso Rio Grande Ltda (Alvo 2)], a Cayger II e a El Paso Corporation (na medida em que forem parte dos processos pertinentes) fornecerão instruções conjuntas à justiça brasileira e ao tribunal arbitral de acordo com o contrato de composição, e cartas cujo formato Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 44 43 está apenso a este como Anexo 4 (Modelo de Contrato de Composição) ou conforme de outra maneira acordada entre as Partes; (iii) entregarão e farão com que a Empresa Alvo 1 entregue uma instrução conjunta irrevogável ao Banco Itaú S.A., no formato aprovado pelo Banco Itaú S.A. de acordo com a cláusula 5.1 (a) (v) (Obrigações Positivas) para liberar o Depósito para a Compradora, e (iv) firmarão um acordo estipulando os respectivos direitos e obrigações relativos a certas questões Tributárias no formato do Anexo 8 (Modelo de Acordo Tributário). [...] ANEXO 4 FORMULÁRIO DO CONTRATO DE COMPOSIÇÃO [...] 4.1. Rescisão dos Contratos, Liberação de Fundos e Liberação das Reivindicações e Ações de Reparação (a) Rescisão do APAR. As Partes concordam e reconhecem que a plena assinatura deste Contrato de Composição servirá para rescindir o APAR. Tal rescisão será considerada válida em 1 de dezembro de 2004, com o reconhecimento expresso de que nenhuma quantia é devida para qualquer período anterior ou posterior àquela data. As Partes acordam ainda que tal rescisão não provocará quaisquer direitos adicionais, obrigações ou recursos de acordo com os termos de qualquer dos Contratos. (b) Rescisão do CFA. [idem anterior] (c) Liberação dos Fundos. Os fundos pagos pela Petrobrás totalizando R$ 519.024.341,20, mais os juros acumulados, para as Empresas Alvo e Cayger em 11 de novembro de 2005 e 27 de janeiro de 2006, atualmente mantidos pelo Banco Itaú, serão devolvidos para a Petrobrás. Isto ocorrerá conforme os procedimentos estabelecidos no QPA, especificamente as Seções 5.1 (a) (v) e 6.2 (c) (iii) [...] (APÊNDICE A) Instruções para o Tribunal [...] Temos a satisfação de informar ao Tribunal que, de conformidade com os artigos 840 – 850 do Código Civil Brasileiro, as Partes chegaram agora a um acordo sobre a completa e definitiva composição da supra referenciada arbitragem, e assinaram contratos para dar efeito ao mesmo. Este contrato servirá para rescindir o APAR e o CFA com validade na data de 1o de dezembro de 2004. [...] (APÊNDICE B) [...] SENTENÇA DE ANUÊNCIA ACORDADA [...] O Tribunal foi informado de que as partes da arbitragem em epígrafe chegaram a uma composição mutuamente aceitável a qual, de conformidade com os artigos 840 – 850 do Código Civil Brasileiro, soluciona todas as reivindicações sob controvérsia na arbitragem e rescinde o Contrato de Participação Aditado e Reafirmado e o Contrato de Formação de Consórcio (conforme aditado) com validade na data de 1o de dezembro de 2004 com expresso reconhecimento de que não são devidas quaisquer verbas por quaisquer períodos anteriores ou posteriores àquela data. Portanto, o Tribunal profere a seguinte sentença: [...] Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 45 44 4. Os recursos financeiros que foram depositados em caução pela Petrobrás em 11 de novembro de 2005 e em 27 de janeiro de 2006, em cumprimento da Sentença Arbitral Provisória e totalizando R$ 519.024.341,20 (...) mais os juros acrescidos se ordena que sejam restituídos para a Petrobrás. [...] (APÊNDICE C) Instruções para o Tribunal Brasileiro [...] EL PASO RIO CLARO LTDA., EL PASO RIO GRANDE LTDA., e PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRÁS nos autos da apelação cível nº 39103/2005, na qual figuram, reciprocamente, como apelantes e apeladas, vêm, por seus advogados abaixo assinados, informar a V. Exa. que as partes celebraram transação para por fim ao processo, nos termos dos arts. 840 e segs. do Código Civil, conforme acordo anexo. [...] 3. As partes postulam, assim, a homologação da transação, com a conseqüente extinção do processo, com julgamento do mérito, nos termos do art. 269, III do Código de Processo Civil. [...] Nos termos deste acordo, a Petrobrás e a antiga controladora da autuada estipularam não só a aquisição das quotas da autuada pela Petrobrás, mas também a rescisão do Consórcio Macaé Merchant com efeitos retroativos a 01/12/2004. As partes, portanto, alteraram a deliberação inicial, constante do Memorando de Entendimentos, que embora com redação obscura quanto ao destino dos depósitos promovidos junto ao Banco Itaú S/A, expressamente firmou a extinção das obrigações das partes a partir da data de conclusão da “Transação”, e negou a suspensão da decisão arbitral de 05/07/2005 e o desempenho das partes em conformidade com ela. Conseqüência deste novo acordo seria a devolução, ou restituição, à adquirente dos fundos pagos pela Petrobrás totalizando R$ 519.024.341,20, mais os juros acumulados, para as Empresas Alvo e Cayger em 11 de novembro de 2005 e 27 de janeiro de 2006, atualmente mantidos pelo Banco Itaú, nos termos do item 4.1 (c) do Anexo 4 (Formulário do Contrato de Composição) ao referido contrato. Releva destacar a falta de uniformidade conceitual na abordagem dos depósitos bancários promovidos pela Petrobrás. Nos itens 5.1 (v) e 6.2 (b) (iii) do Contrato, ao fixar as obrigações positivas e ações das Vendedoras, o contrato fala em “liberação” dos depósitos em favor da Compradora, inclusive como condição para devolução das Cartas de Fiança pela Compradora às Vendedoras. Mais à frente, ao fixar o modelo de Sentença de Anuência Acordada a ser apresentada ao Tribunal Arbitral, os valores são tratados como “depósitos em caução”, ordenandose a sua “restituição” à Petrobrás. Por fim, no Formulário do Contrato de Composição, os valores são tratados como “pagamentos”, sujeitos à “devolução” à Petrobrás. De toda sorte, o fato é que frente à instrução conjunta dirigida ao Banco Itaú BBA S/A, aquela entidade rescindiu as Cartas de Fiança antes mencionadas, bem como liberou a El Paso Rio Claro Ltda das garantias oferecidas para sua emissão, passando ela a estar livre para dispor dos fundos depositados junto à agência do Banco, em Nassau. Nenhum ato de liberação dos depósitos foi promovidos em favor da Petrobrás simplesmente porque os valores não se caracterizavam como caução, e sim pagamentos à El Paso Rio Claro Ltda. Assim, a devolução acordada entre as partes somente poderia decorrer de ato de disponibilidade da El Paso Rio Claro Ltda em favor da Petrobrás. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 46 45 Estas evidências reforçam a conclusão, já exteriorizada neste voto, de que os valores depositados pela Petrobrás junto ao Banco Itaú BBA S/A representaram efetivos pagamentos, dos quais a El Paso Rio Claro Ltda dispôs para promover depósitos a prazo fixo junto à agência do referido Banco em Nassau, cedendoos como garantia dos Contratos de Prestação de Fiança firmados entre a autuada e o Itaú BBA. De outro lado, confirmam a alegação da recorrente de que o Consórcio Macaé Merchant foi rescindido a partir de dezembro de 2004. E, quanto a este aspecto, a autoridade fiscal inicialmente anotou que a decisão de homologação pelo Tribunal Arbitral extinguiu as reclamações da Petrobrás sem julgamento do mérito, de modo que não há decisão arbitral que tenha reconhecido a invalidade da exigência das contribuições de contingência devidas pela Petrobrás ou que tenha declarado que não houve o auferimento dessas receitas por parte do contribuinte. Destacou, ainda, que as partes acordaram que a transação celebrada não pode ser interpretada, direta ou indiretamente, como confissão de responsabilidade. Mais à frente, tratando especificamente do Acordo de Liquidação, a autoridade fiscal apresentou vários questionamentos aos procedimentos adotados pela contribuinte, dentre eles quais as motivações das contratantes em promover um distrato retroativo frente à sentença final parcial que reconheceu a validade dos contratos em debate. Abordando os temas questionados, discordou da eficácia retroativa do distrato, com base em doutrina, e disse que a interpretação extensiva adotada pela contribuinte resultou em prejuízo à União, em que pese os arts. 843 e 844 do Código Civil determinem a interpretação restritiva da transação. Acrescentou que o reconhecimento de receitas é um dever legal e que os contribuintes não podem sobre ele dispor, voltando no tempo para deixar de apurar e pagar tributos devidos, desconstituindo relações jurídicas relativas a obrigações tributárias principais surgidas por meio da materialização de fatos geradores previstos em lei. Classificou a conduta da contribuinte de ilícita danosa. Observou também que seriam falsas as informações prestadas pela contribuinte, no sentido de que os depósitos promovidos pela Petrobrás seriam em garantia e não estariam relacionados com as receitas em debate. E afirmou que a interessada assim se manifestou com o propósito final de justificar os estornos de receitas, inclusive influenciando o texto da Sentença Consensual Arbitral, que tratou os valores, também, como depósitos em garantia. Aduziu que era desnecessária determinação de reembolso, na medida em que a Petrobrás, como controladora da contribuinte, possuía poderes para decidir sobre a destinação desses valores. Recordese, porém, que a sentença final parcial proferida pelo Tribunal Arbitral em 21/11/2005 não apreciou as alegações da Petrobrás acerca de onerosidade excessiva e vantagem extrema, reconheceu que o contrato enquadravase no âmbito do art. 478 do Código Civil Brasileiro e que os eventos que formavam a base do pleito da Petrobrás foram extraordinários e excessivos. Por sua vez, cabe novamente transcrever o que diz referido dispositivo: Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Diante deste contexto, o Tribunal Arbitral apenas não decidiu acerca da resolução do contrato porque necessitava de perícia para definir se a prestação de uma das partes se tornara excessivamente onerosa. Chegou até a reconhecer a ocorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, mas postergou sua decisão, e possivelmente por esta razão também indeferiu os pleitos de restituição da Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 47 46 Petrobrás, com base em enriquecimento sem causa, fundado nos arts. 884 e 885 do RIR/99. Logo, existia a possibilidade de a sentença final arbitral dar razão à Petrobrás, e declarar a resolução do contrato desde a data da citação, a qual poderia ser definida como um momento próximo ao início de 2005, quando a Petrobrás começou a questionar judicialmente os valores pagos. Sob esta ótica, é possível vislumbrar uma motivação para que as contratantes entrassem em acordo para por fim ao litígio, ainda que com prejuízo ao Grupo El Paso, até então beneficiado com as decisões proferidas pelo Tribunal Arbitral. A recorrente também aponta como motivação o fato de que a Petrobrás permanecia em disputa com outros consorciados para revisão contratual nos mesmos termos daquela pretendida em face do grupo El Paso. Reportase aos efeitos que outra decisão poderia ter em relação as demais lides instaladas para revisão de contratos de consórcio semelhantes. Estes fatos, porém, não estão provados nos autos. Ao contrário, as notícias veiculadas no sítio da Petrobrás na Internet (http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatosrelevantes) informam que em 24/03/2005 e 12/05/2005 a Petrobrás já havia fechado acordos para aquisição das outras duas termelétricas nas quais teria parceria semelhante àquela aqui em debate, quais sejam, MPX (Termoceará) e SEF (Eletrobolt), respectivamente. De toda sorte, não é possível negar os efeitos retroativos do distrato frente ao texto do art. 478 do Código Civil, que autoriza efeitos retroativos à sentença que defere o pedido de resolução do contrato. Certamente a regra aplicável aos efeitos do distrato é aquela expressa nas lições de Caio Mario da Silva Pereira, citadas pela autoridade lançadora: “O distrato produz efeitos normalmente ex nunc, isto é, a partir do momento em que se ajusta, não retroagindo para alcançar as conseqüências pretéritas, que são respeitadas” (in Instituições de direito civil, v. 3, 12.ed., Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 152). Todavia, há uma anormalidade no caso presente, qual seja, o litígio estabelecido entre as partes desde o início de 2005, acerca da onerosidade excessiva das prestações. Não tem razão a recorrente quando defende o legítimo direito das partes de transacionar sobre a rescisão do contrato, obrigandose e desobrigandose a qualquer tempo, porque há relações decorrentes e interesses de terceiros que podem ser afetados, além da possibilidade de estas definições se prestarem como veículo de fraude. Mas, no presente caso, há evidências suficientes de que a retroatividade estabelecida pelas partes está relacionada com o momento no qual a Petrobrás iniciou os questionamentos acerca da validade do acordo antes firmado. E, em tais condições, embora as partes não possam voltar no tempo para desfazer os efeitos dos atos praticados, elas podem revertêlos por meio de restituição dos valores pagos e cancelamento das receitas reconhecidas em período de apuração anterior. Como dito, havia uma realidade ao final do período de apuração do IRPJ e da CSLL em 31/12/2005, determinante da incidência destes tributos. Mas posteriormente, com a prática de um ato jurídico ao qual a lei permite efeitos retroativos, a escrituração da contribuinte deve refletir esta ocorrência, mediante registro do cancelamento das receitas antes escrituradas, em contrapartida à insubsistência ativa resultante da devolução dos depósitos bancários à Petrobrás. A obrigação tributária decorrente do fato gerador ocorrido em 31/12/2005 não é afetada pela rescisão. Mas os efeitos retroativos desta serão reconhecidos na data do acordo, repercutindo no lucro tributável daquele período, qual seja, o ano calendário 2006. Descabe o estorno das receitas em 31/12/2005 porque não havia erro naquele momento. Mas há alterações posteriores das relações jurídicas Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 48 47 estabelecidas entre a Petrobrás e a autuada que devem ser reconhecidas contabilmente, na forma antes exposta. Registrese que é imprópria a alegação da recorrente de que não se verificaram os atos e fatos alegados para 2005, ante a suspensão em razão da pendência de solução definitiva da lide relativa à exigibilidade da contribuição de contingência. A abordagem antes exposta evidenciou que nenhum ato judicial ou arbitral suspendeu a eficácia do Consórcio Macaé Merchant. Ao contrário, as sentenças arbitrais reconheceram a validade do contrato e determinaram o pagamento dos valores em razão dele devidos. A recorrente opõese às objeções fiscais de que ela e a Petrobrás não teriam acordado sobre direito patrimonial, mas sim sobre o reconhecimento de receitas. E, neste ponto, tem razão a autuada, porque é inegável o propósito econômico, negocial e estratégico claros e evidentes para ambas as partes, àquela época independentes. O Fisco pode questionar o procedimento da contribuinte para reverter o reconhecimento das receitas vinculadas ao contrato rescindido, mas não oporse àquela deliberação com efeitos retroativos. Também não prospera a interpretação fiscal acerca dos arts. 843 e 844 do Código Civil, porque somente se poderia falar em prejuízo do Fisco se as partes não tivessem propósito negocial para promover a transação, como restou evidenciado. Não se trata, porém, de o Fisco ser um dos “terceiros” externos ao vínculo obrigacional como dito pela recorrente, mas sim de as partes terem promovido um negócio legítimo, com efeitos retroativos em razão do litígio que já vinha se desenrolando entre elas. Quanto à suposta ausência de decisão judicial autorizando o estorno de receitas, invocada pelas autoridades fiscal e julgadora para se oporem à pratica da recorrente, restou patente, pela abordagem inicial deste voto, que nada autorizava o estorno procedido pela recorrente em 31/12/2005. É certa, sim, a existência de uma decisão final homologatória de acordo no qual as partes (i) reconhecem a inexigibilidade de determinados valores e (ii) renunciam ao direito de litigar para perseguir seus direitos em relação a esses valores, a qual põe fim à questão com análise de mérito. Mas isto depois de encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL referente ao anocalendário 2005. Apesar de elas corroborarem os efeitos retroativos da rescisão contratual de forma definitiva, seu reconhecimento somente seria possível em 2006. Desnecessário, portanto, debater se as sentenças homologatórias ensejaram a extinção dos processos cautelar e arbitral com julgamento do mérito. O vício que subsiste é a invocação dos efeitos retroativos de um acordo entre as partes para justificar uma exclusão contábil e fiscal em momento no qual este acordo ainda não existia. Logo, tem razão a contribuinte quando diz que, sendo inexigíveis, os valores recebidos não podem ser qualificados como receitas. Mas como a inexigibilidade, ou melhor, o acordo que determinou sua devolução, somente se verificou em 2006, é neste momento que os efeitos contábeis devem ser revertidos. De fato, tal situação é totalmente distinta do perdão de dívida mencionado na decisão recorrida, mas não há dúvida que houve um cancelamento de acordo, ou seja, uma venda cancelada, por meio de acordo entre as partes em 2006, jamais podendo justificar o estorno em 31/12/2005. A recorrente, ao final, nega a existência de fraude, em razão de todos os argumentos até aqui expostos, reputando necessária a análise dos atos praticados pela Recorrente em vista de sua motivação negocial e comercial que jamais poderia ter sido confundida com intuito de reduzir a carga tributária. E, de fato, não há duvida quanto à motivação negocial e comercial dos atos praticados fora do âmbito tributário. Houve um contrato de consórcio que se tornou oneroso para a Petrobrás, Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 49 48 e as discussões acerca do pagamento das contribuições de contingência acabou ensejando um acordo com efeitos retroativos. Contudo, a recorrente alega que o estorno de receitas foi promovido em 10/02/2006, depois de firmado o Memorando de Entendimentos em 01.02.2006, ao passo que a autoridade fiscal provou os lançamentos promovidos com data de 31/12/2005. Como já extensamente exposto, a contribuinte reduziu o lucro líquido do ano calendário 2005, e ainda que assim tenha procedido depois do referido acordo, o fato é que afirmou contabilmente que as receitas deveriam ser estornadas em 31/12/2005, quando o acordo ainda não existia. Para justificar esta conduta, aduz que o reconhecimento destes valores havia sido diferido, e por esta razão afirma que cerne da questão relativa ao enquadramento da suposta fraude seria o tratamento conferido pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em contabancária de sua titularidade, bastando a análise da característica conferida pela Recorrente ao depósito realizado pela Petrobrás em razão da decisão interlocutória no processo arbitral para evidenciar que a conduta por ela adotada se revela coerente com a sua interpretação do direito, inexistindo qualquer intuito de fraude. Como restou consolidado neste voto, não houve depósito em caução, e a única garantia efetivamente formalizada ao longo do litígio formado em torno das contribuições de contingência foi aquela prestada pela autuada para passar a dispor dos recursos financeiros decorrentes dos pagamentos efetivados pela Petrobrás. Além disso, não havia justificativa legal para o alegado diferimento dos resultados desta contratação, e sua conseqüente exclusão do lucro tributável, e quanto menos para o estorno contábil das receitas em 31/12/2005. Aduz a recorrente que caso outra interpretação venha a ser adotada quanto à natureza dos depósitos, o certo é que não há que se falar em fraude, mas erro de direito ou erro na interpretação da lei tributária. Diz que o fato de ser grande empresa, que atua em ramo de alta sofisticação comercial e financeira, como dito pela autoridade julgadora, somente reforça a conclusão naquele sentido. E assevera estar se tratando aqui de questão ímpar, única e de difícil compreensão, como inclusive reconhecido em outra passagem da decisão recorrida. Todavia, frente a todo o exposto, é possível concluir que não houve mero erro de direito, mas sim a intenção deliberada de não recolher os tributos que se tornaram devidos com os pagamentos promovidos pela Petrobrás em 2005. A recorrente pleiteou como medida de urgência, junto ao Tribunal Arbitral, o pagamento dos valores que lhe eram devidos pela Petrobrás, para poder fazer frente às demais dívidas que tinha a pagar. Obteve esta disponibilidade, mas teve que arcar não só com o ônus de prestar uma garantia para o caso de eventual restituição daqueles valores, como também com os efeitos de uma significativa base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Além disso, ao acordar a rescisão do contrato com efeitos retroativos, restou evidente que aquela base tributável em 31/12/2005 era transitória, e ensejaria uma redução do lucro contábil de magnitude equivalente em 2006, com conseqüente prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de demorada recuperação. Daí a solução mais prática e interessante para as partes: estornar as receitas em 31/12/2005 e deixar de pagar os tributos devidos naquele momento. E, além disso, apurar prejuízos fiscais e bases negativas em 31/12/2005, transformando as antecipações até ali verificadas em indébito passível de utilização imediata, e inclusive já partilhado entre os litigantes do acordo de venda das quotas da autuada para a Petrobrás, como bem observado pela autoridade fiscal. Ressaltese que não houve diferimento da renda, e que a redução da base tributável foi promovida mediante estorno contábil das receitas datado de 31/12/2005, muito Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 50 49 embora o acordo com efeitos retroativos tenha sido assinado apenas em 2006. Impróprio, assim, limitar a questão à divergência jurídica quanto ao tratamento dado ao depósito realizado pela Petrobrás. E irrelevante o fato de a contribuinte ter atendido prontamente às intimações para apresentação de documentos relacionados ao depósito garantia, porque a fraude não depende da fabricação de documentos para apresentar aos agentes fiscais, bastando a intenção de deixar de recolher tributo para caracterizála. Ainda que nem todas as acusações fiscais prosperem, e seja inquestionável a eficácia retroativa do acordo firmado entre as partes então litigantes, a conduta de alterar a escrituração contábil em razão de evento futuro, de modo a evitar o pagamento de tributos sobre o resultado influenciado por receitas que se soube passíveis de reversão, é suficiente para sustentar a imputação de fraude. Por fim, anotese que a recorrente alega terem sido homologadas compensações com o saldo negativo de CSLL também apurado no anocalendário 2005, possivelmente em razão de o extrato de PER/DCOMP apresentadas pelo sujeito passivo, juntado à impugnação (fls. 3150/3151) assim indicar relativamente a algumas declarações apresentadas ao longo de 2008. A informação contida no rodapé do extrato indica que ele teria sido emitido em 01/09/2010, ao passo que o despacho decisório de não homologação das compensações com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2005, proferido nos autos do processo administrativo nº 15374.964184/200911, foi exarado em 19/10/2011 e cientificado à contribuinte em 29/11/2011. Assim, ainda que inicialmente os sistemas informatizados da Receita Federal não tenham identificado indícios de erros na apuração do saldo negativo de CSLL informado nas DCOMP, e apontado as compensações como regulares, o procedimento fiscal realizado posteriormente validamente desfez os efeitos extintivos da compensação antes do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Ressaltese, ainda, que a contribuinte não provou a existência de qualquer ato expresso de homologação daquelas compensações. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.964184/200911 Acórdão n.º 1101000.939 S1C1T1 Fl. 51 50 Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19311.000348/2009-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO.
A bolsa de estudo destina-se a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que por ventura forem expendidos a este título não integrarão o salário-de-contribuição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que por ventura forem expendidos a este título não integrarão o saláriodecontribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 48 /2 00 9- 68 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000348/200968 Acórdão n.º 2403002.233 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 05 27.875, na qual julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para reconhecer a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, reduzindo o auto de infração, consubstanciado no DEBCAD nº. 37.170.4235, do valor originário de R$ 37.605,39 para R$ 8.987,31 (oito mil novecentos e oitenta e sete reais e trinta e um centavos) corrigido monetariamente e acrescido de multa e juros. A autuação fiscal abrange o período de 01/2004 a 12/2004, e almeja o reconhecimento de diferenças de contribuições previdenciárias, correspondentes a parte dos segurados, tendo em vista que a fiscalização verificou que o contribuinte não considerou como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, bem como não informou em GFIP, os valores correspondentes às bolsas de estudo concedidas a dependentes de funcionários da empresa. O Relatório Fiscal, fls. 30/37, evidencia os seguintes fatos: 4. Das razões do levantamento dos créditos e da apuração dos fatos geradores: (...) 4.3. Verificouse que os valores correspondentes às bolsas de estudos concedidas não foram considerados como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, assim como não foram informados em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como comprovantes foram anexadas por amostragem: Resumos das Folhas de Pagamento das competências Fevereiro, Junho e Outubro, cópias em anexo ao Auto de Infração DEBCAD: 37.170.4227 ao qual este foi apensado. 4.4. Os valores destas bolsas de estudos concedidas são fatos geradores de contribuição previdenciária, uma vez que se constituem em remuneração indireta, ganhos habituais sob a forma de utilidades. A rubrica bolsa de estudos está excluída do rol que determina as hipóteses que não integram o salário de contribuição, ou seja, as rubricas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. (art. 28, §9º da Lei n. 8.212/91). Ademais, sabese que não há qualquer lei que confira isenção a bolsa de estudos) DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, o contribuinte contestou o presente Auto de Infração por meio da impugnação de fls. 39/49. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a DRJ em Campinas, prolatou Acórdão conjunto em relação aos DEBCAD’s nº. 37.170.4227, 37.170.4235 e 37.170.4243 de fls. 180/189 do processo principal nº. 19311.000347/200913, na qual julgou procedente em parte o lançamento deste e os demais a ele apensos (processos n.19311.000348/200968 e 19311.000349/200911), conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de ter havido recolhimento parcial e de não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, da data do fato gerador. NEGAÇA0 GERAL. Não se admite no processo administrativo a negação geral, isto 6, a simples discordância desprovida de fundamento. BOLSA DE ESTUDO. DEPENDENTES DE EMPREGADOS. A concessão de bolsas de estudo a dependentes de empregados é fato gerador da contribuição previdenciária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como se observa da ementa trasladada, a DRJ considerou que a conclusão do auditor fiscal não se fundamentou em nenhuma prova concreta, inferindo o dolo somente da prática da contribuinte de não incluir os valores relativos às bolsas de estudo na base de cálculo das contribuições. Como não houve nenhum a referência a eventual ausência de registro nos livros fiscais referente a estas bolsas de estudos ou qualquer outro elemento que comprovasse o dolo, considerouse como prazo prescricional aquele previsto no art. 150, §4º, do CTN. Desta feita, reconheceuse a decadência para as competências de janeiro/2004 a setembro de 2004, com a retificação dos autos de infração n. 37.170.4227 de R$ 71.191,73 para R$ 15.949,06, do auto de infração n. 37.170.4231 de R$ 37.605,39 para R$ 8..987,31 e do auto de infração n. 37.170.4243 de R$ 15.255,37 para R$ 3.417,66. DO RECURSO Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 192/197 do processo principal, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos: O recorrente não discorda da decisão prolatada em relação ao reconhecimento da decadência para as competências de janeiro a setembro de 2004, aplicando se o conceito de data a data para aplicação do dispositivo legal; O recorrente não discorda da inocorrência da materialização da hipótese de dolo, fraude ou simulação, uma vez que os fatos que foram narrados comprovam de forma justificada e perfeitamente que o recorrente nunca se pautou por esta linha de conduta; Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000348/200968 Acórdão n.º 2403002.233 S2C4T3 Fl. 4 5 Nunca houve contrapartida, para o fornecimento do chamado salário utilidade ou bolsas de estudos a filhos de funcionários. Não foram feitos nenhum pagamento em pecúnia ou de outro modo qualquer para funcionário. Não há nenhum valor a ser considerado como salárioutilidade. Foram concedidas bolsas de estudos à filhos de funcionários, por força de dissídio coletivo, somente, em função de que a atividade fim do recorrente é estabelecimento de ensino; Para ser salárioutilidade, terá que ter seu valor perfeitamente caracterizado, comprovado e quantificado, como disposto na súmula 258 do TST e, no caso em concreto, os filhos dos professores que estudam na instituição não provocaram qualquer aumento de receitas e/ou despesas auferidas monetariamente; Apresenta uma planilha de dados correspondente à relação de alunos bolsistas dependente de funcionários, correspondente ao ano letivo de 2004, com a inclusão da política de descontos do recorrente, em relação à irmãos, para refutar a o argumento da DRJ em Campinas de falta de provas. Na planilha, consoante o relato do contribuinte, verificase que os descontos seriam na média de 30% do valor da anuidade, utilizada como base de cálculo para o lançamento. Com isto pretendese comprovar que, mesmo que os alunos bolsistas, filhos de funcionários pagassem sua anuidade, não seria o valor utilizado como base de cálculo, mas, sim o valor considerado reduzido em 30% do seu valor normal; Anexa ao recurso nova planilha com alguns contratos de prestação de serviços educacionais, por amostragem, para comprovar a política de descontos efetuada pela instituição. Por meio dele é possível verificar que os contratantes receberam descontos por possuírem mais de um filho matriculados; Argumenta ser um absurdo discutir lançamento de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo concedida a filhos de funcionários, onde o valor atribuído às anuidades supera aquele que obteria no caixa, caso estes alunos, pagassem normalmente os serviços prestados . Ao final, requer a procedência do recurso voluntário, com o consequente arquivamento do presente processo, e a improcedência dos lançamentos tributários. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. CONSIDERAÇÕES INICIAIS De início, cabe esclarecer que a DRJ em Campinas/SP julgou tanto o processo principal, quanto os a ele apensos, quais sejam, o processo em epígrafe nº. 19311.000348/200968 e o nº. 19311.000349/200911, por se tratarem de matéria correlata e pelo contribuinte se reportar em suas defesas àquele processo. Ademais, no único recurso voluntário apresentado, nos autos do processo principal, o sujeito passivo se reporta a todas as 3 autuações, e por tal razão, aqui se adotará a mesma sistemática. Importante frisar que o ora recorrente se conformou com a decisão recorrida no tocante ao reconhecimento da decadência para as competências de janeiro a setembro de 2004 decorrente do não acolhimento da hipótese levantada pela autuação, a saber, a ocorrência de dolo, fraude, ou simulação. Desta feita, este voto terá como enfoque a possibilidade ou não de bolsas de estudo concedidas a filhos de funcionários de instituição de ensino comporem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. DO MÉRITO DAS BOLSAS DE ESTUDO PARA FILHOS DE FUNCIONÁRIOS E DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores correspondentes às bolsas de estudo concedidas à dependentes de funcionários da empresa, não considerálas como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, nem informálas em GFIP. Em defesa, o contribuinte alega que somente concede referidas bolsas de estudo porque se encontra obrigada por convenção coletiva de trabalho firmada entre os órgãos da classe e que tais concessões não integram o salário dos funcionários nem possuem caráter remuneratório. Por tal razão, não poderiam ser consideradas como componentes do salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, passamos a adentrar o mérito da questão. A base de cálculo tomada para mensurar o valor da cotização dos segurados é denominada salário de contribuição. O salário de contribuição é grandeza fiscal pecuniária útil para a aferição da contribuição do segurado e do salário de benefício 1e encontrase definido no inc. I, do art. 28, da Lei n. 8.212/91: 1 Martinez, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário 4 ed. São Paulo: LTr, 2011. p. 475. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000348/200968 Acórdão n.º 2403002.233 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Notese que o saláriodecontribuição tem como núcleo principal a remuneração percebida pelo empregado, englobando o salário, a gorjeta e as conquistas sociais, ou seja, benefícios obtidos sem terem correspondência com a prestação direta do serviço, normalmente oriundos de determinação legal, contrato individual ou coletivo de trabalho, como é o caso que ora se analisa. Já se encontra devidamente pacificado que, a partir da Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998, a qual trouxe alterações ao regime de previdência social, as contribuições previdenciárias podem incidir sobre o salário indireto por possuírem natureza salarial. Nesse sentido, cito os acórdãos n. 230200569, 240201216, 230101367, 280300163, 230101471, todos do CARF. O parágrafo 9º, da Lei n. 8.212/91, elenca uma série de hipóteses que não integram o saláriodecontribuição para fins da contribuição previdenciária. A situação que mais se encontra em evidência, no presente caso, é aquela prevista na alínea “t”, que trata sobre a educação básica do trabalhador. Este foi o dispositivo legal utilizado pela DRJ em Campinas para negar provimento ao pleito do sujeito passivo: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No sentir daqueles julgadores, o dispositivo trataria de isenção tributária e como tal, deveria ser interpretado de forma literal. Da leitura da expressão “que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo” poderseia concluir que a isenção não abrangeria os dependentes de empregados e dirigentes, uma vez que o objetivo da isenção estaria direcionado apenas aos funcionários da empresa. Apesar da redação dada à alínea “t” pela Lei n. 9.711, de 20 de novembro de 1998, este conselheiro, o Superior Tribunal de Justiça, e os Tribunais Regionais Federais entendem de forma diversa. O art. 458 das Consolidações das Leis do Trabalho – CLT, inserido no Capítulo II – Da Remuneração, preceitua que, de um modo geral, compreendese no salário, a Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Contudo, no parágrafo 2º, inciso II, do mesmo diploma legal, o legislador excetua do referido conceito as utilidades concedidas pelo empregador para fins de educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V seguros de vida e de acidentes pessoais; VI previdência privada; VII (VETADO) (grifamos) Em 26/10/2011, por intermédio da Lei n. 12.513/11, o legislador alterou a redação da alínea “t”, do parágrafo 9º, do art. 28, da Lei n. 8.212/91, de modo que o normativo se harmonizou com o preceituado na consolidação trabalhista quanto ao conceito de salário e as parcelas dele excluídas. Eis a nova e atual redação: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000348/200968 Acórdão n.º 2403002.233 S2C4T3 Fl. 6 9 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) O mesmo dispõe o parágrafo 6º, do art. 15, da Lei n. 8.036/90, para o FGTS: § 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tudo o que se expôs, percebese que o auxílioeducação ou “bolsas de estudo”, muitas vezes custeado pela empresa, destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos. No caso da Recorrente, por ser Instituição de Ensino, e em razão da função exercida pelos empregados, as bolsas não representaram nenhum dispêndio a este título, ao contrário, um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. No mesmo sentido a apelação n. 1665246 (APELREEX), 1685621 (AC), 1552052 (AC), 299875 (AMS), 297063 (AMS), todos do TRF da 3a Região; com destaque para o seguinte julgado do STJ,de relatoria do Min. Luiz Fux: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Sabendo então que as bolsas de estudo, seja ela destinada aos empregados ou aos dependentes deste, não possuem natureza salarial, não há que se falar em recolhimento de contribuição previdenciária neste caso. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 15956.000316/2010-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
BASE DE CÁLCULO. COFINS E PIS/PASEP. RECEITAS. EXCLUSÃO. COOPERATIVA.
As receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado não integra à base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS/PASEP por ser ato eminentemente cooperativo.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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COFINS E PIS/PASEP. RECEITAS. EXCLUSÃO. COOPERATIVA. As receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado não integra à base de cálculo das contribuições para a COFINS e o PIS/PASEP por ser ato eminentemente cooperativo. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 16 /2 01 0- 60 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de recurso de ofício interposto em razão da decisão de piso que acolheu os argumentos da Recorrente contra a lavratura do auto de infração e deu provimento e exonerou o crédito tributário constituído de ofício para o PIS no montante de R$ 2.370.975,66 e a COFINS no valor de R$ 10.920.397,88 relativo ao período de apuração 01/01/2005 a 31/12/2005, regime não cumulativo, Lei nº 10.637/2002. A fiscalização ajustou a base de cálculo das contribuições fazendo incluir os custos agregados e repassses aos associados relativos à unidade “abatedouro”, a comercialização dos produtos agropecuários (frango vivos) entregue pelos associados, cooperados para beneficiamento a Cooperativa, e, comercializados como produtos industrializados, no caso, carne e miúdos. Com as exclusões da base de cálculo, conforme planilhas de cálculos incluídas na decisão, e utilização dos créditos derivados da não cumulatividade, abatidos do débitos apurados, concluiu ter sido suficiente a extinguir o débito apurado relativo a todo o período lançado. Com o objetivo de trazer ao conhecimento desse Colegiado a situação dos autos, transcrevo o relatório da decisão recorrida por melhor refletir a situação: “Relatório A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para Programa de Integração Social (PIS) no período de janeiro a dezembro de 2005, exigindoselhe contribuição de R$ 1.024.703,71, multa de ofício de R$ 768.527,74 e juros de mora de R$ 577.744,21, perfazendo o total de R$ 2.370.975,66. Também foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no mesmo período, exigindoselhe contribuição de R$ 4.719.652,11, multa de ofício de R$ 3.539.739,05 e juros de mora de R$ 2.661.006,72, perfazendo o total de R$ 10.920.397,88. Os enquadramentos legais encontramse a fls. 371, 76 e 77. Segundo os relatórios de fls. 8 a 36 e 47 a 75, a autuada protocolizou pedidos de ressarcimento dos saldos credores das contribuições, apuradas no regime não cumulativo. Sendo assim, foram realizadas verificações fiscais para constatar a legitimidade dos pedidos. Aproveitamento indevido do crédito presumido da agroindústria relativo a valores dos insumos agropecuários aplicados na produção e venda de animais vivos (aves vivas). Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos de valores relativos à depreciação de máquinas e equipamentos não utilizados na produção de bens e serviços destinados à venda. Inclusão indevida no estoque de abertura de itens não considerados insumos pela legislação. Apuração indevida de créditos relativos a devolução de vendas para exportação, uma vez que não houve registro de devolução dessas vendas. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15956.000316/201060 Acórdão n.º 3403002.334 S3C4T3 Fl. 10 3 Em relação à base de cálculo das contribuições, foram apuradas as seguintes irregularidades: Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições de valores relativos a custos de aquisição, produção e comercialização integrados ao valor das vendas de bens a cooperados relativas às unidades “incubatório” e “fábrica de ração”. Tal exclusão foi considerada indevida pela fiscalização porquanto as receitas relativas a essas operações já haviam sido excluídas das bases de cálculo e, como dessas receitas constavam os respectivos custos, a exclusão novamente dos custos tratarseia de exclusão em duplicidade. Também não seria o caso de custos agregados ao produto agropecuário dos associados entregue à cooperativa para comercialização, previsto no art. 17 da Lei no 10.684, de 2003, mas sim operação de venda de mercadorias/produtos adquiridos ou produzidos pela cooperativa aos cooperados. Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições de valores relativos a custos agregados ao produto agropecuário dos associados, porquanto, no período lançado, segundo a fiscalização, a cooperativa não realizou nenhuma operação de venda de produtos agropecuários entregues pelos seus associados, mas sim operações de vendas a terceiros, relativas à unidade “abatedouro”, de produtos da agroindústria por ela fabricados. Ou seja, segundo o autuante, a cooperativa adquire insumos industriais dos cooperados (frango vivo) e de outros produtores (demais insumos) os industrializa e vende o produto industrializado (carne e miudezas comestíveis derivadas de aves). Assim, não haveria que se falar em venda de produtos agropecuários, mas sim de produtos agroindustriais. Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições a título de “valores repassados a associados”, quando na verdade tratavase de aquisição de insumos de cooperados utilizados na fabricação de produtos agroindustriais vendidos a terceiros. A fiscalização constatou também que, como a autuada apurou base de cálculo das contribuições igual a zero, e, portanto, não apurou contribuição a recolher, assim considerou como não sujeitas a contribuição a totalidade de suas receitas, incluindo aí as tributadas e as sujeitas à alíquota zero, contrariando as Leis nos 11.033, de 2004, art. 17, e 11.116, de 2005, art. 16, que dispõem que somente as vendas efetuadas sem o pagamento da contribuição (por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência) não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações e poderão ser objeto de compensação e ressarcimento. Após esses ajustes e apurar a proporção entre as receitas de vendas no mercado interno sujeitas e não sujeitas ao pagamento das contribuições e as vendas ao mercado externo, a fiscalização constatou que a impugnante em vez de saldo credor das contribuições possuía, no período lançado, saldo devedor das Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 obrigações não declarados nem recolhidos ou compensados, e que foram lançados de ofício por meio do presente. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, em síntese, que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em referência visava à análise de pedidos de ressarcimento no período de agosto de 2004 a dezembro de 2005 e que no auto de infração não há menção ao período de agosto a dezembro de 2004, tampouco é esclarecido se os pedidos foram indeferidos. Ainda em preliminar alega que o período de janeiro a maio de 2005 já foi atingido pela decadência a teor do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao mérito, argúi primeiramente que a glosa dos créditos referentes a aquisições de óleo diesel, óleo BFP e sobre GLP não podem prosperar porquanto, tal crédito está previsto no art. 3º das Leis no 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e tais bens estão sujeitos ao regime monofásico de incidência das contr haviam sido excluídas das bases de cálculo e, como dessas receitas constavam os respectivos custos, a exclusão novamente dos custos tratarseia de exclusão em duplicidade. Também não seria o caso de custos agregados ao produto agropecuário dos associados entregue à cooperativa para comercialização, previsto no art. 17 da Lei no 10.684, de 2003, mas sim operação de venda de mercadorias/produtos adquiridos ou produzidos pela cooperativa aos cooperados. Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições de valores relativos a custos agregados ao produto agropecuário dos associados, porquanto, no período lançado, segundo a fiscalização, a cooperativa não realizou nenhuma operação de venda de produtos agropecuários entregues pelos seus associados, mas sim operações de vendas a terceiros, relativas à unidade “abatedouro”, de produtos da agroindústria por ela fabricados. Ou seja, segundo o autuante, a cooperativa adquire insumos industriais dos cooperados (frango vivo) e de outros produtores (demais insumos) os industrializa e vende o produto industrializado (carne e miudezas comestíveis derivadas de aves). Assim, não haveria que se falar em venda de produtos agropecuários, mas sim de produtos agroindustriais. Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições a título de “valores repassados a associados”, quando na verdade tratavase de aquisição de insumos de cooperados utilizados na fabricação de produtos agroindustriais vendidos a terceiros.ibuições. A fiscalização constatou também que, como a autuada apurou base de cálculo das contribuições igual a zero, e, portanto, não apurou contribuição a recolher, assim considerou como não sujeitas a contribuição a totalidade de suas receitas, incluindo aí as tributadas e as sujeitas à alíquota zero, contrariando as Leis nos 11.033, de 2004, art. 17, e 11.116, de 2005, art. 16, que dispõem que somente as vendas efetuadas sem o pagamento da contribuição (por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência) não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15956.000316/201060 Acórdão n.º 3403002.334 S3C4T3 Fl. 11 5 créditos vinculados a essas operações e poderão ser objeto de compensação e ressarcimento. Após esses ajustes e apurar a proporção entre as receitas de vendas no mercado interno sujeitas e não sujeitas ao pagamento das contribuições e as vendas ao mercado externo, a fiscalização constatou que a impugnante em vez de saldo credor das contribuições possuía, no período lançado, saldo devedor das obrigações não declarados nem recolhidos ou compensados, e que foram lançados de ofício por meio do presente. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, em síntese, que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em referência visava à análise de pedidos de ressarcimento no período de agosto de 2004 a dezembro de 2005 e que no auto de infração não há menção ao período de agosto a dezembro de 2004, tampouco é esclarecido se os pedidos foram indeferidos. Ainda em preliminar alega que o período de janeiro a maio de 2005 já foi atingido pela decadência a teor do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Acrescenta que a legislação de regência autoriza a dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, bem assim os valores a eles repassados referentes a entrega das aves vivas. Além disso, pelo fato de se tratar de uma cooperativa, de acordo com o art. 79 da Lei no 5.764, de 1971, tratarseia de uma operação sem a incidência de tributos. Quanto à afirmação da fiscalização de que a impugnante teria considerado indevidamente como não sujeitos a tributação todas as receitas, quando somente as vendas efetuadas sem o pagamento da contribuição (por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência) não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações e poderão ser objeto de compensação e ressarcimento, alega que, como tratase de cooperativa, os atos cooperativos foram considerados como uma nãoincidência e, em virtude disso, todo o crédito estava vinculado à receita não tributada. Por fim, além da improcedência do lançamento, requer a homologação dos créditos do período de agosto de 2004 a dezembro de 2005, o reconhecimento do direito creditório e que sejam declaradas homologadas as compensações realizadas, e, em caso de não reconhecimento do crédito que seja realizada perícia no estabelecimento da impugnante. Esse é o resumo da impugnação. A fiscalização, de acordo com fls. 12 e 51, teria excluído da base de cálculo dos créditos o valor das receitas de vendas de Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 mercadorias cujas aquisições não se sujeitaram às contribuições, por vedação legal, e, em sua impugnação, a contribuinte alega que, nos demonstrativos apresentados à fiscalização, não teria sido computado na base de cálculo do crédito o valor das mercadorias adquiridas com alíquota zero e que não teria lógica excluir o valor da receita de vendas dessas mercadorias da base de cálculo do crédito, mas o valor das aquisições, se fosse o caso. De fato, conforme as planilhas apresentadas pela impugnante, a fls. 712 a 783, não há evidências de que a autuada tenha incluído na base de cálculo do crédito o valor de aquisição das mercadorias não sujeitas à tributação e, se tivesse incluído, a lógica seria a fiscalização glosar o valor das aquisições desse tipo de mercadoria e não o valor auferido com a sua venda. Sendo assim, o presente foi baixado em diligência à DRF/Ribeirão Preto para esclarecimentos e/ou retificação do lançamento. Após a diligência, conforme informação fiscal de fls. 1.246 e 1.247, o fiscal autuante esclareceu que a “fiscalização não excluiu da base de cálculo dos PIS e da COFIS os valores das aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota "zero", visto que a impugnante, agindo corretamente, não computou na base de cálculo das contribuições os valores das questionadas mercadorias (vide demonstrativos apresentados pela empresa às lis.690 a 761).” “Por outro lado, o Fisco, em obediência à legislação que dispõe sobre as contribuições em análise, excluiu da base de cálculo para fins de determinação do percentual aplicável na apuração do crédito vinculado às receitas de vendas não sujeitas ao pagamento da contribuição (no caso alíquota "zero"), os valores das receitas das mercadorias adquiridas e revendidas não sujeitas ao pagamento da contribuição (demonstrativos de fls. 484, 504, 526, 550 e 608/677), tendo em vista que tais valores foram, indevidamente, considerados pela contribuinte, conforme pode ser constatado nos demonstrativos dc lis. 690 a 761 apresentados pela cooperativa.” Como não foi dada ciência da diligência à impugnante, o processo retornou à DRF para que a impugnante fosse cientificada da informação fiscal. De acordo com despacho de fl. 1.253, notificada da informação fiscal, a autuada não apresentou nova manifestação de inconformidade. A impugnante, segundo aqueles relatórios, tratase de cooperativa de produção agropecuária que, a partir de agosto/2004, passou a sujeitarse à apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, e que realizou, no período, as seguinte operações: exportações de produtos de fabricação própria; vendas, no mercado interno, de produtos de fabricação própria; prestação de serviços a cooperados e terceiros; e vendas, no mercado Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15956.000316/201060 Acórdão n.º 3403002.334 S3C4T3 Fl. 12 7 interno, de produtos de fabricação própria e mercadorias não sujeitas a tributação a terceiros e cooperados. O trabalho fiscal constatou as seguintes irregularidades na apuração do valor dos créditos de ambas as contribuições: Aproveitamento indevido de créditos relativos a aquisições de insumos (combustíveis e gás GLP) e mercadorias para revenda não sujeitos ao pagamento das contribuições devido à redução das suas alíquotas a zero. Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos da receita de revendas de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições. Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos do valor dos fretes referentes a transferências de produtos acabados entre os estabelecimentos da cooperativa, quando somente podem ser descontados os créditos relativos a fretes sobre a venda de produtos. Aproveitamento indevido do crédito presumido da agroindústria por meio de rateio do valor entre mercado interno e mercado externo, uma vez que a partir de agosto de 2004 esses créditos somente podem ser utilizados para abater os débitos, e não mais para compensação com débitos diversos ou ser objeto de ressarcimento em virtude da revogação dos artigos incisos II e XII dos arts. 3ºs das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, pelo art.16 da Lei no 10.925, de 2004”. A alegação de decadência não foi acolhida”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso de ofício em razão do de atender os pressupostos de admissibilidade, tomase conhecimento. A decisão afastou da base de cálculo das contribuições as receitas provenientes da comercialização de produtos industrializados (cortes de frangos e miúdos) referentes aos produtos agropecuários (frango vivo) entregue pelos associados, cooperados, a cooperativa para o beneficiamento e comercialização. O entendimento de que as vendas de mercadorias oriundas de beneficiamentos de produtos agropecuário dos cooperados pela cooperativa não integra à base Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 de cálculo encontra no art. 11 e 12 do Manual de Perguntas e Respostas contidos no site da RFB:: Art. 11 O que são atos cooperativos? Denominamse atos cooperativos aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, podemos citar como exemplos de atos cooperativos, dentre outros, os seguintes: 1) a entrega de produtos dos associados à cooperativa, para comercialização, bem como os repasses efetuados pela cooperativa a eles, decorrentes dessa comercialização, nas cooperativas de produção agropecuárias; 2) o fornecimento de bens e mercadorias a associados, desde que vinculadas à atividade econômica do associado e que sejam objeto da cooperativa nas cooperativas de produção agropecuárias; 3) as operações de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado nas cooperativas de produção agropecuárias; 4) atos de cessão ou usos de casas, nas cooperativas de habitação; 5) prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendolhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro, no caso das sociedades cooperativas de crédito. Art. 12 O que são atos não cooperativos? Os atos não cooperativos são aqueles que importam em operação com terceiros não associados. São exemplos, dentre outros, os seguintes: 1) a comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; 2) de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; 2) de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; 3) de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares; 4) as aplicações financeiras; 5) a contratação de bens e serviços de terceiros não associados.. A autorização para exclusão da base de cálculo encontra IN SRF nº 635/2006, como se extraí da leitura do texto: “ art. 11, caput, c/c inciso IV, ao admitir que a base de cálculo “apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária” seja ajustada pela “exclusão das receitas Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15956.000316/201060 Acórdão n.º 3403002.334 S3C4T3 Fl. 13 9 decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado” Dessa forma, a resposta à primeira questão posta é positiva: As cooperativas que desenvolvam atividades de transformação (conforme definição do inciso I do art. 4º do RIPI/2010) podem gozar do tratamento dispensado pelo art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006 para as cooperativas de produção agropecuária. Em verdade essa matéria encontra norteada pela norma do inciso IV do artigo 15 da Medida Provisória nº 2.15835, que afasta da base de cálculo as receitas provenientes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção dos associados: “Art.15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado;” Assim, comungo com o Julgador de piso que os produtos agropecuários entregue a cooperativa e por essa beneficiado e industrializado, bem como, comercializado configuram ato cooperativo, portanto, certo que devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006301/2007-58
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 01/02/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO E CONTRADIÇÃO QUANTO À NATUREZA DA VERBA PAGA À TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO. CUIDA-SE DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA OU ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA POR MERA LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para elucidar a omissão/contradição que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.095, integrado este àquela decisão.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Interessado PLUSFARMA PRODUTOS FARMACEÚTICOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/02/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO QUANTO À NATUREZA DA VERBA PAGA À TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO. CUIDASE DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA OU ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA POR MERA LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. EXPLICAÇÕES. ACLARAMENTO. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para elucidar a omissão/contradição que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.095, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 63 01 /2 00 7- 58 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006301/200758 Acórdão n.º 2803002.513 S2TE03 Fl. 276 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006301/200758 Acórdão n.º 2803002.513 S2TE03 Fl. 277 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.095, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão e contradição na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que o acórdão considerou a verba paga in natura, mas os embargos sustentam, com base no REFISC, que a verba foi paga em pecúnia. · que decisões do CARF e do STJ, as quais cita deixam esta situação clara; · requer ao final – que a omissão e a contradição sejam sanadas para se declarar que a verba tem natureza remuneratória, devendo incidir a contribuição, atribuindo efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão, negando provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006301/200758 Acórdão n.º 2803002.513 S2TE03 Fl. 278 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão e contradição na decisão embargada. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão e a contradição, mas apenas e tão somente, no diz respeito aos esclarecimentos e fixação da tese que deu suporte a decisão original. A qual, embora, para mim suficientemente clara no acórdão sobre vergasta, será aqui retomada para maior elucidação da tese. Em que tese, ter a D. PGFN entendido com base em uma simples passagem do REFISC e REFISC Complementar, que o pagamento da alimentação se deu em pecúnia, esta não é a melhor interpretação dos elementos contidos nos autos. Transcrevo abaixo o trecho de suporte da opinião da PGFN, conforme transcrito pelo procurador em sua peça. "Contribuição incidente sobre as contas "REFEIÇÃO" (...) pagas aos funcionários por liberalidade da empresa (sem o PAT), valores apurados diretamente da contabilidade da empresa e encontramse discriminados no Relatório Fatos Geradores." Todavia, apesar da expressão acima utilizada “pagas aos funcionários por liberalidade da empresa...”, esta deve ser interpretada e contextualizada com os demais elementos dos autos, para que se possa chegar ao que de real ocorreu, senão vejase. Consta deste REFISC que os valores de alimentação foram obtidos nas contas contábeis “REFEIÇÃO 322200013, 342010010, 341010008, 341010021, 342020009, 341020005 e 342010016”. Além disso, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 72, consta o que a seguir se transcreve. Fiscalização seletiva referente ao período de 01/1996 a 12/1998, MPF 09284605, de 19/01/2006. Fiscalização total de 01/01/1996 a 01/01/2006, MPFC 0928460501 e MPFC 0928460502 de 01/02/2006 e 24/03/2006, respectivamente. Foram levantados débitos referentes a Alimentação, Prólabore Indireto (aluguel), Fl. 292DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006301/200758 Acórdão n.º 2803002.513 S2TE03 Fl. 279 5 Contribuinte Individual e Funcionários, todos os débitos localizados na Contabilidade (Livro Diário/Razão/Caixa). O contribuinte recolheu a parte referente a Contribuinte Individual. (os destaques são meus). Fica evidente com o que foi acima exposto que aos fatos geradores foram localizados na contabilidade. Observandose os documentos, de fls. 58 a 69, uma planilha denominada Recibos – ano XXXX, onde consta a expressão REFEIÇÃO, no campo observação ou descrição, com a respectiva contacontábil. Ainda, nestes autos anexados por amostragem se encontra o Livro Diário do ano 1999, fls. 70 a 71, onde consta conta contábil 32140003 –3 REFEIÇÕES E LANCHES, com movimentação de 05/01/1999 a 27/12/1999, com pagamento todos efetuados a pessoas jurídicas, conforme a descrição ou por ter sido paga uma nota fiscal. Não fosse isso suficiente a empresa notificada em sua impugnação alega que “A empresa pagou a Pessoas Jurídicas valores referentes ao fornecimento de refeições para seus funcionários,...”, tanto na primeira, quanto na segunda impugnação. Somase a isso o fato de que a própria DRJ no julgamento a quo considerou que a alimentação foi paga in natura observese a ementa do acórdão, transcrita abaixo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. SALÁRIO "IN NATURA". ALIMENTAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida pelos empregados, em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social. Lançamento Procedente (os grifos são meus). Cumpre por fim destacar que a DRJ em seu decisum encampou a tese da impugnante àquele momento, conforme abaixo transcrito. Por outro lado, a própria notificada reconhece o pagamento de remuneração sob a forma de "ALIMENTAÇÃO", quando alega que pagou a Pessoas Jurídicas valores referentes ao fornecimento de refeições para seus funcionários, considerando estar contribuindo para o bem estar de seu pessoal. (estes realces são meus). Assim sendo, nos termos do artigo 353 e 354, da Lei 5.869/73, não é lícito ao fisco aceitar as alegações do sujeito passivo na parte que lhe interesse e a rejeitar na parte que não lhe convém. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006301/200758 Acórdão n.º 2803002.513 S2TE03 Fl. 280 6 Estes foram os motivos pelo quais consideramos o pagamento da verba Alimentação como feito in natura, haja vista que os elementos dos autos levam a esta convicção. Esclarecidas a omissão e a contradição, a qual entendeu existente a D. PGFN mantenho a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente, exonerandoa do crédito tributário, pois alimentação in natura não é base de cálculo da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão/contradição que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.095, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 23034.031736/2002-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO.
Não devem ser conhecidas as alegações constantes do Recurso Voluntário que não foram suscitadas na Impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Jhonatas Ribeiro de Souza declarou-se impedido..
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. Não devem ser conhecidas as alegações constantes do Recurso Voluntário que não foram suscitadas na Impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Jhonatas Ribeiro de Souza declarouse impedido.. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 17 36 /2 00 2- 16 Fl. 654DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 519 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000705/2002 da Gerência de Arrecadação, Cobrança e do SME, órgão do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação FNDE, no montante de R$ 236.266,04. Anteriormente à Notificação para Recolhimento do Débito – NRD, o FNDE emitiu o Ofício Circular n º 000402/2002 – GEAR/FNDE, às fls. 03 a 05, com o assunto de regularização das informações dos alunos para o período 07/1996 a 12/2001, para que o contribuinte se manifestasse: Comunicamos a V. Sa. que segundo as avaliações realizadas nas informações constantes no Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental, foram constatadas divergências entre os valores deduzidos e o número de alunos indicados, efetivamente cadastrados, na indenização por essa empresa, conforme o "Demonstrativo de Divergência" em anexo. 2. Informamos que a diferença apurada no período do entre o 2o Semestre de 1996 ao 2o Semestre de 2001, deduções consideradas, em princípio, como indevidamente efetuadas, passíveis de tornar a empresa incursa em débito. 3. Todavia, é possível que as divergências verificadas prendam se a problemas de incorreções na transmissão de dados. 4. Para evitar quaisquer dúvidas informamos que o número de vagas aqui referenciado no "Demonstrativo de Divergências" significa a quantidade de alunos com benefício, por semestre. Por exemplo, se a empresa tiver 15 alunos indicados no semestre o que corresponde a .90 vagas só poderá efetuar deduções no valor máximo de R$ 1.890,00 (hum mil, oitocentos e noventa reais). 5. Portanto, a importância deduzida no semestre que seja superior ao produto representado pelo total de vagas do semestre, multiplicado por R$ 21,00, constituirá débito na última |competência do semestre, o qual deverá ser recolhido com os acréscimos legais dos juros correspondentes, bem como da multa que poderá]ser a menor prevista na legislação de cada período se o pagamento for efetuado sem que a empresa tenha sido notificada. Concedemos prazo até 19/07/2002 para a regularização do cadastro ou pagamento espontâneo; na ausência de manifestação da empresa, seremos obrigados a emitir Notificação para Recolhimento de Débito. Esclarecemos Fl. 656DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 que após a notificação o percentual de multa será majorado, e percentuais mais elevados incidirão de acordo com a demora da empresa em liquidar a pendência, na forma da legislação vigente, aplicandose, inclusive, se for o caso, as disposições da Lei ns 9.876, de 26/11/1999 (aplicação da multa no percentual em dobro, se a empresa não estiver apresentando a GFIP). 6. Finalmente, apresentamos abaixo a serem observados por essa empresa: alguns procedimentos I No caso da modalidade "Indenização de Dependentes" a) Comunicamos que o envio dos dados, pertinentes às informações relativas ao programa Relação de Alunos Indenizados RAI, deverá ser realizado, por meio da home page www.fnde.gov.br no link Captação de Dados para o Sistema RAI. b) Caso os arquivos semestrais já tenham sido encaminhados ^ (arquivos só podem ser gerados se tiverem informações de alunos) mas não haja lançamento ou exista diferença de alunos, | significa que houve rejeição dos arquivos ou de registros por alguma inconsistência. Este arquivo deverá ser encaminhado novamente ao FNDE. c) Seu código especial, que servirá para utilizar o processo RAI na Internet, está impresso ao final deste ofício, não havendo, portanto a necessidade de requerer novo código junto ao FNDE. d) A empresa que já possuir o programa RAI deverá utilizar somente a versão fornecida pelo FNDE a partir de janeiro/1998. e) Não adulterar ou introduzir informações no arquivo texto gerado pelo programa. f) Quando houver retificação das informações, deverá sempre ser informado, novamente, o novo quantitativo total de alunos do semestre, pois não há retificação parcial(verificar no link RAI MANUAL os procedimentos a serem adotados). g) Caso a empresa, em algum dos semestres com divergência, tenha alunos na modalidade Escola Própria, sugerimos buscar mais detalhes nos telefones informados ao final. 7. Por oportuno, solicitamos a última alteração relativa à Documentação Legal dessa empresa(Contrato Social, Ata de Assembléia, Estatuto, etc). 8. A falta de manifestação por parte dessa empresa acarretará emissão de Notificação para Recolhimento de Débito. Em função da não manifestação do sujeito passivo, houve a emissão de Notificação para Recolhimento do Débito, às fls. 50: Fica essa EMPRESA notificada a recolher, no prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do recebimento desta, a crédito Fl. 657DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 520 5 do FNDE) o valor de R$ 236.266,04 (Duzentos e trinta e seis mil, duzentos e sessenta e seis reais e quatro centavos), de acordo com o "Quadro de Atualização de Débito" anexo, sob pena de ser promovida a imediata cobrança judicial. Dentro do mesmo prazo, de acordo com o § I º do Art. 14, do Decreto n° 3.142/99, poderá ser apresentada defesa, por escrito, junto a esta Gerência, no endereço abaixo, anexando provas das alegações apresentadas, ou pedido de parcelamento, utilizando o Termo de Confissão de Divida Fiscal, cujo formulário está na Internet, no site www.fnde.gov.br, no link Salário Educação, à disposição dessa empresa. 0 débito em questão, apontado pela APURAÇÃO DE DEDUÇÕES de acordo com Relatórios e Demonstrativos apensados, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, consoante o disposto na legislação aplicável, conforme a fundamentação legal abaixo descrita e demais instruções pertinentes. Procedida a quitação, mediante Comprovante de Arrecadação Direta em anexo, deverá ser enviada cópia do mesmo ao FNDE, para as 'providências cabíveis. O sujeito passivo teve ciência da NRD em 15/10/2002, conforme Aviso de recebimento às fls. 51. Em função da não manifestação do sujeito passivo, o FNDE declarou a REVELIA DO CONTRIBUINTE, em 29.03.2006, conforme fls. 59 a 60: Com base no Ofício n° 42/2002, fls. 01/03, esta Coordenação emitiu a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n° 705/2002, de fl. 47, referente às competências 12/96, 06/97, 06/00, 06/01 e 12/01, no valor de R$ 236.266,04 (duzentos e trinta e seis mil, duzentos e sessenta e seis reais e quatro centavos) conforme Quadro de Atualização de Débito de fl. 45, inerente à dedução indevida. A cobrança foi devidamente recepcionada pela empresa, conforme Aviso de Recebimento AR, de fl. 48, abrindose, prazo de 15 (quinze) dias para pagamento, parcelamento ou apresentação de defesa. Considerando todo o exposto, e, que até a presente data, não houve recolhimento do débito, nem tampouco, manifestação por parte da empresa interessada, sugerimos que seja declarada a REVELIA DO CONTRIBUINTE, decidindose pela PROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO, informando que o débito com os devidos acréscimos [legais importa, atualmente, em R$ 336.438,11 (trezentos e trinta e seis mil, quatrocentos e trinta e oito reais e onze centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, fl. 55. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Declaro a REVELIA DO CONTRIBUINTE e decido pela PROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO, em consonância com as razões apresentadas pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção. Retornem os autos à DIADE/CGACI, para que seja providenciada a expedição de ofício à empresa em questão, dandolhe ciência do que foi decidido e informando quanto às alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo para parcelamento da dívida, bem como do seu direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência desta decisão, com as razões se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição de recurso deverá obedecer às disposições do § 2o , do artigo 15, do Decreto n.° 3.142, de 16/08/1999. Ressaltamos que de acordo com o § 2° do citado artigo, com redação dada pelo § I o do Decreto n.°. 4.943, de 30/12/2003, a interposição de recurso dependerá de depósito de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE 30% do valor Principal do débito e dos respectivos acessórios. Em 26.05.2006, às fls. 68, por meio do Ofício nº 326/2006 DIADE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC foi dado ciência ao contribuinte da Declaração de Revelia do Contribuinte e foi concedido um prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão, para INTERPOSIÇÃO DE RECURSO, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem: 1. Em razão da não apresentação de defesa administrativa contra a Notificação para Recolhimento de Débito n.° 705/2002, de 10/10/2002, encaminhamos o Processo sob o n.° 23034.031736/200216, ao Presidente do FNDE, que declarou a revelia do contribuinte, decidindo pela procedência da notificação, conforme cópia anexa da Informação n.° 176/2006. 2. Nesse contexto, o débito atualizado importa hoje em R$ 339.742,46 (trezentos e trinta e nove mil, setecentos e quarenta e dois reais e quarenta e seis centavos), de acordo com Quadro de Atualização de Débito anexo. 3. Informamos que segundo o § I o do artigo 15 do Decreto n.° 3.142, de 16/08/99, é concedido à empresa um prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão, para interposição de recurso, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem. Ressaltamos que de acordo com o § 2° do citado artigo, com redação dada pelo § I o do Decreto n.° 4.943, de 30/12/2003, a interposição de recurso dependerá de depósito de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE 30% do valor principal do débito e dos respectivos acessórios, conforme guia anexa. 4. Caso a empresa não deseje interpor recurso, deverá dentro do mesmo prazo de 30 (trinta) Fl. 659DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 521 7 a) efetuar recolhimento do valor total, mediante guia própria, anexa; ou b) preencher em 02 vias, reconhecer firma do signatário, e devolver! a esta Autarquia o "Termo de Confissão de Dívida", que se encontra disponibilizado na Internet no sítio www.fnde.gov.br, no link Salário Educação Formulários. 5. Informamos que as Guias anexas têm validade até o último dia útil do mês em curso. Após este prazo deverão ser emitidas novas guias com os devidos acréscimos legais, as quais poderão ser obtidas no mesmo endereço eletrônico, no link Salário Educação Sistema de Cobrança. 6. Outrossim, informamos, ainda, que a falta de manifestação da empresa no prazo citado acarretará cobrança judicial. O Recorrente apresentou RECURSO tempestivo, conforme fls. 79 a 82, na qual aduz que recolheu as verbas devidas a título de Salário Educação, conforme atestam os documentos anexos: BANCO ITAÚ S.A., sucessor do Banco BEG SA. (documentos anexos), estabelecido na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100 Torre Alfredo Egydio 1 o andar Parque Jabaquara São Paulo Cep: 04344 902, CNPJ/MF n.° 60.701.190/0001 04, por seus representantes legais, com fulcro i no §1°, artigo 15, do Decreto n.° 3.142, de 16.08.1999, vem apresentar seu RECURSO em face da decisão de procedência da notificação de débito em referência, recepcionada em 06.06.06, fazendoo embasado nos argumentos fáticos e jurídicos, consubstanciados nas razões a seguir expostas. Em tempo, anexa o recorrente o comprovante do depósito efetuado em garantia de instância, nos moldes do §1°, do artigo 15, do Decreto n.° 3.142/99, requerendo seja processado o presente recurso e encaminhado ao Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para análise. MÉRITO O débito, objeto da notificação ora questionada, está fundamentado no Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental, onde foram constatadas supostas divergências entre os valores deduzidos do recolhimento da cota de Salário Educação da Instituição Financeira e o número de alunos indicados e efetivamente cadastrados no referido Sistema, à época, pelo Banco Beg S.A.. O débito é improcedente, razão pela qual argumentase pela sua desconstituição. Ao contrário do alegado na notificação, o Banco Beg SA. recolheu as verbas devidas a título de Salário Educação, conforme atestam os documentos anexos. Vejase, por exemplo: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 1° semestre de 2000 competência iun/00 Valor alegado pelo FNDE como deduzido indevidamente = R$ 35.154,00. Valor pago aos empregados do Banco Beg S.A. a título de indenização de Salário Educação = R$ 35.154,00. Constatase que o valor indicado |na presente notificação foi exatamente o valor pago aos empregados da empresa, a título de indenização de Salário Educação no semestre indicado, conforme comprovam a relação de funcionários a receber Salário Educação, datado de 28.06.00 e os atestados de freqüência e pagamentos anexos relativos ao mesmo período. Da mesma forma: 2° semestre de 2001 competência dez/01 Valor alegado pelo FNDE como deduzido indevidamente = R$ 19.656,00. Valor pago aos empregados do Banco Beg S.A. a título de indenização de Salário Educação = R$ 19.656,00. Constatase que o valor indicado ria presente notificação foi exatamente o valor pago aos empregados da empresa', a título de indenização de Salário Educação no semestre indicado, conforme comprovam a relação de funcionários a receber Salário Educação, datado de 06.12 01 e os atestados de freqüência e pagamentos anexos relativos ao mesmo período. Assim, é evidente a nulidade da Notificação para Recolhimento de Débito, motivo pelo qual deve ser reformada a r. decisão administrativa. jurídicos expostos, aguarda o recorrente que esse Colendo Conselho Deliberativo se digne a acolher o presente RECURSO, a fim de absolvêlo de qualquer multa ou penalidade, declarando a insubsistência da presente NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO N° 00705/2002, com o seu conseqüente cancelamento, como imperativo da mais lídima JUSTIÇA. Posteriormente, os autos foram enviados ao CARF, para análise e decisão, conforme o previsto na Lei n° 11.457/2007 na qual cabe à RFB planejar, executar acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento da contribuição social do SalárioEducação, às fls. 556 e 611: Processo n° 23034.031736/200216 1. Trata o presente Processo da contribuição social do Salário Educação, tributo federal previsto no art. 212, § 5o da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis n°s 9.424, de 1996, 9.766, de 1998 e 10.832, de 2003. 2. Conforme previsto na Lei n° 11.457, de 2007, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB planejar, executar acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento da contribuição social do SalárioEducação. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 522 9 3. O presente Processo, contendo 556 folhas (inclusive esta), encontrase na fase PAGOU GARANTIA DE INSTÂNCIA e na situação NOTIFICADO COM RECURSO, e em condição de ser relacionado para remessa à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de ofício emitido pela autoridade competente. 1.A empresa acima identificada apresentou o RECURSO VOLUNTÁRIO , protocolado em 03/07/2006. 2.Em análise preliminar do instrumento do recurso, constatamos a existência de elementos essenciais. 3.Efetuado o cadastramento do débito no sistema Sief Processos de acordo com a Nota SIEF Processos 004/2010, de 17 de dezembro de 2010. 4.Sugerimos o encaminhamento do processo ao CONSELHO ADMINISTR RECURSOS FISCAIS MF– DF, em prosseguimento. É o Relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da preclusão. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000705/2002 da Gerência de Arrecadação, Cobrança e do SME, órgão do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação FNDE, no montante de R$ 236.266,04. Anteriormente à Notificação para Recolhimento do Débito – NRD, o FNDE emitiu o Ofício Circular n º 000402/2002 – GEAR/FNDE, às fls. 03 a 05, com o assunto de regularização das informações dos alunos para o período 07/1996 a 12/2001, para que o contribuinte se manifestasse. Em função da não manifestação do sujeito passivo, houve a emissão de Notificação para Recolhimento do Débito, às fls. 50. O sujeito passivo teve ciência da NRD em 15/10/2002, conforme Aviso de recebimento às fls. 51. Em função da não manifestação do sujeito passivo, o FNDE declarou a REVELIA DO CONTRIBUINTE, em 29.03.2006, conforme fls. 59 a 60: Com base no Ofício n° 42/2002, fls. 01/03, esta Coordenação emitiu a Notificação para Recolhimento de Débito NRD n° 705/2002, de fl. 47, referente às competências 12/96, 06/97, 06/00, 06/01 e 12/01, no valor de R$ 236.266,04 (duzentos e trinta e seis mil, duzentos e sessenta e seis reais e quatro centavos) conforme Quadro de Atualização de Débito de fl. 45, inerente à dedução indevida. A cobrança foi devidamente recepcionada pela empresa, conforme Aviso de Recebimento AR, de fl. 48, abrindose, prazo de 15 (quinze) dias para pagamento, parcelamento ou apresentação de defesa. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 523 11 Considerando todo o exposto, e, que até a presente data, não houve recolhimento do débito, nem tampouco, manifestação por parte da empresa interessada, sugerimos que seja declarada a REVELIA DO CONTRIBUINTE, decidindose pela PROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO, informando que o débito com os devidos acréscimos [legais importa, atualmente, em R$ 336.438,11 (trezentos e trinta e seis mil, quatrocentos e trinta e oito reais e onze centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, fl. 55. Declaro a REVELIA DO CONTRIBUINTE e decido pela PROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO, em consonância com as razões apresentadas pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção. Retornem os autos à DIADE/CGACI, para que seja providenciada a expedição de ofício à empresa em questão, dandolhe ciência do que foi decidido e informando quanto às alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo para parcelamento da dívida, bem como do seu direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência desta decisão, com as razões se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição de recurso deverá obedecer às disposições do § 2o , do artigo 15, do Decreto n.° 3.142, de 16/08/1999. Ressaltamos que de acordo com o § 2° do citado artigo, com redação dada pelo § I o do Decreto n.°. 4.943, de 30/12/2003, a interposição de recurso dependerá de depósito de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE 30% do valor Principal do débito e dos respectivos acessórios. Em 26.05.2006, às fls. 68, por meio do Ofício nº 326/2006 DIADE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC foi dado ciência ao contribuinte da Declaração de Revelia do Contribuinte e foi concedido um prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão, para INTERPOSIÇÃO DE RECURSO, com as razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem. O Recorrente apresentou RECURSO tempestivo, conforme fls. 79 a 82, na qual aduz que recolheu as verbas devidas a título de Salário Educação, conforme atestam os documentos anexos: BANCO ITAÚ S.A., sucessor do Banco BEG SA. (documentos anexos), estabelecido na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100 Torre Alfredo Egydio 1 o andar Parque Jabaquara São Paulo Cep: 04344 902, CNPJ/MF n.° 60.701.190/0001 04, por seus representantes legais, com fulcro i no §1°, artigo 15, do Decreto n.° 3.142, de 16.08.1999, vem apresentar seu RECURSO em face da decisão de procedência da notificação de débito em referência, recepcionada em 06.06.06, fazendoo embasado nos argumentos fáticos e jurídicos, consubstanciados nas razões a seguir expostas. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Em tempo, anexa o recorrente o comprovante do depósito efetuado em garantia de instância, nos moldes do §1°, do artigo 15, do Decreto n.° 3.142/99, requerendo seja processado o presente recurso e encaminhado ao Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para análise. MÉRITO O débito, objeto da notificação ora questionada, está fundamentado no Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental, onde foram constatadas supostas divergências entre os valores deduzidos do recolhimento da cota de Salário Educação da Instituição Financeira e o número de alunos indicados e efetivamente cadastrados no referido Sistema, à época, pelo Banco Beg S.A.. O débito é improcedente, razão pela qual argumentase pela sua desconstituição. Ao contrário do alegado na notificação, o Banco Beg SA. recolheu as verbas devidas a título de Salário Educação, conforme atestam os documentos anexos. Vejase, por exemplo: 1° semestre de 2000 competência iun/00 Valor alegado pelo FNDE como deduzido indevidamente = R$ 35.154,00. Valor pago aos empregados do Banco Beg S.A. a título de indenização de Salário Educação = R$ 35.154,00. Constatase que o valor indicado |na presente notificação foi exatamente o valor pago aos empregados da empresa, a título de indenização de Salário Educação no semestre indicado, conforme comprovam a relação de funcionários a receber Salário Educação, datado de 28.06.00 e os atestados de freqüência e pagamentos anexos relativos ao mesmo período. Da mesma forma: 2° semestre de 2001 competência dez/01 Valor alegado pelo FNDE como deduzido indevidamente = R$ 19.656,00. Valor pago aos empregados do Banco Beg S.A. a título de indenização de Salário Educação = R$ 19.656,00. Constatase que o valor indicado ria presente notificação foi exatamente o valor pago aos empregados da empresa', a título de indenização de Salário Educação no semestre indicado, conforme comprovam a relação de funcionários a receber Salário Educação, datado de 06.12 01 e os atestados de freqüência e pagamentos anexos relativos ao mesmo período. Assim, é evidente a nulidade da Notificação para Recolhimento de Débito, motivo pelo qual deve ser reformada a r. decisão administrativa. jurídicos expostos, aguarda o recorrente que esse Colendo Conselho Deliberativo se digne a acolher o presente RECURSO, a fim de absolvêlo de qualquer multa ou penalidade, declarando a insubsistência da presente NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO N° 00705/2002, com o seu Fl. 665DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 23034.031736/200216 Acórdão n.º 2403002.070 S2C4T3 Fl. 524 13 conseqüente cancelamento, como imperativo da mais lídima JUSTIÇA. Posteriormente, os autos foram enviados ao CARF, para análise e decisão, conforme o previsto na Lei n° 11.457/2007 na qual cabe à RFB planejar, executar acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento da contribuição social do SalárioEducação, às fls. 556 e 611 Em que pesem os argumentos contidos no recurso e a documentação recentemente anexada aos autos, estes não serão apreciados por este colegiado tendo em vista estarem atingidos pela preclusão, já que não ofertados em sede de impugnação. Este é o entendimento contido no artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso “V”, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ PORTARIA Nº 520 Art. 9º. A impugnação mencionará: [...] § 6º. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.” “PORTARIA MPS Nº 88 – Regimento Interno CRPS Art. 54. As decisões proferidas pelas Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos poderão ser: [...] § 5º. Constituem razões de não conhecimento do recurso: [...] V – a preclusão processual;” Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Esta também é a posição majoritária da jurisprudência administrativa, conforme o julgado com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) Fl. 666DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Nesse sentido, não se conhece a matéria discutida em sede de Recurso Voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de Impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a matéria não impugnada em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 667DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725841/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não
incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos
juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$29.839,04 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$29.839,04 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Melo Relator. EDITADO EM: 20/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725841/200940 Acórdão n.º 280201.168 S2TE02 Fl. 135 3 Relatório Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 77 a 82 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 110.118,60, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725841/200940 Acórdão n.º 280201.168 S2TE02 Fl. 136 5 Ato contínuo, em sessão de 07/04/2010, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.320, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a) as diferenças reconhecidas através da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; (i) a manifestação do Ministério da Fazenda não seguiu o rito do Artigo 48 da Lei n.º 9.430/1996, razão pela qual teve caráter meramente informativo e não vinculativo, o mesmo acontecendo com a Nota Técnica Cosit n.º 4/2009; (j) a Turma Julgadora não está vinculada ao teor da Nota Técnica AGU/AV12/2007, em virtude de sua abrangência restrita; (l) entendeu aplicável as tributações das diferenças realizadas a título de URV, pois nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à alíquota máxima do imposto de renda e que as parcelas a deduzir foram aproveitadas na tabela progressiva. Regularmente intimado, conforme Aviso de Recebimento (AR) às fls.122, o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 85/121), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Delegacia da Receita Federal, a fim de ser julgado nulo ou improcedente o Auto de Infração ou, na hipótese de manutenção da exigência, que seja excluída a multa de ofício e a incidência do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõem: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725841/200940 Acórdão n.º 280201.168 S2TE02 Fl. 137 7 “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS que, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$29.839,04 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725841/200940 Acórdão n.º 280201.168 S2TE02 Fl. 138 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 20 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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