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Numero do processo: 13603.000772/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/01/2003, 20/06/2003, 15/01/2004
AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. PRODUTOS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. MATERIAL DE USO E CONSUMO. ITENS DE MANUTENÇÃO. NÃO HÁ DIREITO DE CREDITAMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Assim como não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente, também não cabe registro de crédito de IPI pela aquisição de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo, a exemplo de eletrodos, óleos lubrificantes, peças de reposição ou ferramentas que não se consomem por desgaste direto com o produto final industrializado, cujas utilizações no processo produtivo, adequadamente descritas nos autos, não autorizam seus enquadramentos como matériasprimas ou produtos intermediários lato sensu.
CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais. Não se confunde a natureza do crédito de IPI decorrente de eventual aquisição de MP, PI ou ME, utilizados na fabricação do produto final, com a de um mero indébito, posto que aquele obedece a regime jurídico diferente.
Numero da decisão: 3401-004.388
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
MARA C. SIFUENTES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PRODUTOS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. MATERIAL DE USO E CONSUMO. ITENS DE MANUTENÇÃO. NÃO HÁ DIREITO DE CREDITAMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Assim como não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente, também não cabe registro de crédito de IPI pela aquisição de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo, a exemplo de eletrodos, óleos lubrificantes, peças de reposição ou ferramentas que não se consomem por desgaste direto com o produto final industrializado, cujas utilizações no processo produtivo, adequadamente descritas nos autos, não autorizam seus enquadramentos como matériasprimas ou produtos intermediários lato sensu. CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais. Não se confunde a natureza do crédito de IPI decorrente de eventual aquisição de MP, PI ou ME, utilizados na fabricação do produto final, com a de um mero indébito, posto que aquele obedece a regime jurídico diferente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 07 72 /2 00 7- 89 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 482 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. MARA C. SIFUENTES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo. Relatório Contra a empresa foram lavrados os autos de infração de fls.06/13 e de fls.17/24, para constituição dos respectivos créditos tributários, no valor de R$142.127,76 correspondendo ao período de apuração 31/01/2003 e 20/06/2003, e R$53.879,40 para o período de apuração 15/01/2004, ambos abrangendo exigência de IPI, Multa de Ofício de 75% e juros de mora (calculados até 30/03/2007). Conforme registrado pela fiscalização, às fls.49, até dez/2003 o período de apuração do IPI era por decêndio, e a partir de jan/2004 passou a ser quinzenal, entretanto os sistemas de lançamento de ofício da Receita Federal não estavam ainda adaptados para efetuar a reconstituição da escrita fiscal para períodos de apuração do IPI decenais e quinzenais simultaneamente, razão pela qual se procedeu à lavratura de dois autos de infração. A interessada procedeu ao registro indevido de créditos básicos de IPI, e por consequência deixou de recolher, ou recolheu a menor, aos cofres federais os respectivos valores do IPI. As glosas de créditos insubsistentes do IPI foram assim motivadas (fls.41): PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR GLOSADO (R$) 3º decêndio de janeiro/2003 478,40 2º decêndio de janeiro/2003 60.598,01 1ª quinzena de janeiro/2004 24.217,64 A glosa na 1ª linha do quadro acima referese ao indevido aproveitamento de crédito relativo à Nota Fiscal de aquisição nº 014398, emitida em 16/12/2002, pela empresa Mecânica Wutzl Ltda. Nessa operação a empresa adquiriu uma máquina que foi incorporada ao seu ativo imobilizado, hipótese em que o Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/02), art. 164, I, veda expressamente o aproveitamento de crédito na aquisição. As glosas fiscais nos outros dois períodos dizem respeito aos valores das correções monetárias indevidas de créditos extemporâneos de IPI aproveitados pela empresa. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 483 3 A fiscalização efetuou diligência no estabelecimento da empresa para verificar o aproveitamento de determinados créditos, quando constatou que os vinte e quatro insumos relacionados não se enquadram nos conceitos legais de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) ou material de embalagem (ME). A maioria tratase de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, além de material de manutenção para máquinas e equipamentos. Cientificada dos referidos lançamentos, em 17/04/2007 (fls.06 e fls.17), a interessada protocolou, tempestivamente, em 06/05/2007 e em 08/05/2007, duas impugnações relativas respectivamente aos dois autos de infração lavrados. A DRJ Recife julgou o feito exarando o acórdão nº1139.590, de 07/02/2013, onde por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2003, 20/06/2003, 15/01/2004 AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. PRODUTOS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. MATERIAL DE USO E CONSUMO. ITENS DE MANUTENÇÃO. NÃO HÁ DIREITO DE CREDITAMENTO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Assim como não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente, também não cabe registro de crédito de IPI pela aquisição de itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou de materiais para uso e consumo, a exemplo de eletrodos, óleos lubrificantes, peças de reposição ou ferramentas que não se consomem por desgaste direto com o produto final industrializado, cujas utilizações no processo produtivo, adequadamente descritas nos autos, não autorizam seus enquadramentos como matérias primas ou produtos intermediários lato sensu. CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais. Não se confunde a natureza do crédito de IPI decorrente de eventual aquisição de MP, PI ou ME, utilizados na fabricação do produto final, com a de um mero indébito, posto que aquele obedece a regime jurídico diferente. A empresa apresenta Recurso Voluntário, em 09/04/2013, tempestivamente, onde em síntese alega que devem ser considerados os insumos consumidos no processo produtivo, pelo princípio da não cumulatividade do IPI; e que é cabível a correção monetária sobre o creditamento extemporâneo. É o relatório. Voto Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 484 4 Conselheira Mara C. Sifuentes, relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Quanto ao mérito a questão principal referese a glosa de créditos de IPI para determinadas mercadorias que a fiscalização entendeu não se enquadrarem no conceito estabelecido pelo art. 164, I, do RIPI/2002. Em síntese, conforme já explicado no relatório, a interessada procedeu ao registro indevido de créditos básicos de IPI, e por consequência deixou de recolher, ou recolheu a menor, aos cofres federais os respectivos valores do IPI. As glosas de créditos insubsistentes do IPI foram assim motivadas (fls.41): PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR GLOSADO (R$) 3º decêndio de janeiro/2003 478,40 2º decêndio de janeiro/2003 60.598,01 1ª quinzena de janeiro/2004 24.217,64 A glosa na 1ª linha do quadro acima referese ao indevido aproveitamento de crédito relativo à Nota Fiscal de aquisição nº 014398, emitida em 16/12/2002, pela empresa Mecânica Wutzl Ltda. Nessa operação a empresa adquiriu uma máquina que foi incorporada ao seu ativo imobilizado, hipótese em que o Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/02), art. 164, I, veda expressamente o aproveitamento de crédito na aquisição. As glosas fiscais nos outros dois períodos dizem respeito aos valores das correções monetárias indevidas de créditos extemporâneos de IPI aproveitados pela empresa. A fiscalização efetuou diligência no estabelecimento da empresa para verificar o aproveitamento de determinados créditos, quando constatou que os vinte e quatro insumos relacionados não se enquadram nos conceitos legais de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) ou material de embalagem (ME). A maioria tratase de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, além de material de manutenção para máquinas e equipamentos. A DRJ Recife bem discorreu sobre o tema e conforme art. 57 do RICARF, reproduzo a decisão a quo por a recorrente não ter trazido fatos novos em sede de recurso voluntário, e por concordar com o acórdão exarado pela DRJ: Quanto a este ponto, observese que o inciso I do art.164 supramencionado prevê o alargamento do conceito de Matéria Prima (MP) ou Produto Intermediário (PI) stricto sensu, para admitir o que se convencionou chamar de insumo industrial lato sensu, nos termos explicitados pelo PN COSIT nº 65/1979, publicado no DOU de 06/11/1979; identificado como aquele que embora não se integrando ao novo produto industrializado, seja consumido mediante o desgaste, desbaste, dano ou perda de Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 485 5 propriedades físicas ou químicas, por ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou viceversa, no curso do processo de industrialização, salvo se compreendidos no conceito de bem do ativo permanente. Concluiu a fiscalização que, segundo os termos da legislação regente, é indevido o creditamento de IPI pela aquisição de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, hipótese de mercadorias que não irão integrar o produto final, bem como é indevido o creditamento do IPI quando se tratem de mercadorias adquiridas para serem consumidas pelo estabelecimento industrial (material de consumo), que não se desgastam por decorrência de contato direto com um certo produto final industrializado, estando fora do conceito de insumo industrial cuja aquisição é passível de creditamento nos termos especificamente definidos pela legislação do IPI. No presente processo, tratamse das glosas de supostos créditos de IPI por decorrência da aquisição de supostos insumos utilizados no processo de industrialização dos produtos finais produzidos pela ora impugnante. Pretende a r. impugnante que os produtos adquiridos, listados nos quadros transcritos às fls.366/371 e fls. 371/373, foram glosados equivocadamente, pela fiscalização, sob o argumento de serem, respectivamente, partes/peças/acessórios de máquinas e equipamentos e, no segundo quadro, materiais de manutenção de máquinas e equipamentos Em ambos os quadros, constantes de suas impugnações, a r. impugnante utilizou o mesmo critério de relacionar os produtos na ordem apresentada no TVF, pela fiscalização, com a descrição deles realizada pelo agente fiscal autuante, seguida, item por item, das observações críticas da interessada ora impugnante. (Por economia processual, é útil neste ponto acompanhar os quadros, constantes às folhas supra mencionadas, sem necessidade de nova transcrição). Para o primeiro conjunto de produtos listados no quadro de fls.366/371, identificados como “Aço ABNT DESC.RED.23.50mm, Aço Inox, Calço p/fixação, ... ... Corrente Promac, ... pastilha, ... e rodízio de apoio”, considerandose a descrição da própria fiscalização como produtos utilizados, ora como proteção interna da máquina, ora como matéria prima para produzir peças de reposição de máquinas que sofrerão desgaste, ou ainda, como peças que se acoplam a uma máquina, e que sofrem desgaste pela freqüência de utilização, embora não sejam adquiridas para serem incorporadas ao produto final ou consumidos no processo produtivo, a reclamação é essencialmente que, segundo pretende a impugnante, todas elas sofrem desgaste relativamente rápido, e por isso, não devem ser consideradas como bem do ativo imobilizado, devendose, a seu ver, reconhecer que sejam insumos industriais, observandose especialmente que sofrem desgaste pela frequência de utilização como peça de máquina/equipamento utilizado no processo produtivo industrial, mormente quando o desgaste da peça de Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 486 6 máquina advenha de contato direto com o produto final industrializado. Para o segundo grupo de produtos listados no quadro de fls.371/373 (“eletrodo, ..., Tutela Hidrobak/Baku, ..., Tutela Mecafluid”), também aqui consideradas as descrições feitas para cada item pela própria fiscalização, a contestação é essencialmente que: (a) no caso do eletrodo, embora descreva o agente autuante, que o eletrodo exerce a função de fixar o revestimento das paredes interiores da máquina de jateamento, não sendo consumido nem desgastado na fabricação do produto final, mas utilizado na manutenção da máquina, segundo ressalta a impugnante, se é utilizado como revestimento da parede interior da máquina que realiza o jateamento do produto final, fica evidente que é sim consumido no processo produtivo. O eletrodo é utilizado em soldagem, sendo a seu ver inconcebível atribuirlhe a função de item de manutenção de máquina. (b) Pretende, ainda, a r, impugnante, que se o que foi identificado como material de consumo é item que se consome em pouco tempo e é imprescindível para a operação de máquina que opera a produção industrial, mormente quando se desgaste rapidamente, devese reconhecer o direito ao crédito na aquisição desses materiais como amparado no referido art.164 do RIPI/2002. Conforme relatado, em face da vigente legislação do IPI, e conforme os conceitos de industrialização e de insumo industrial nela definidos, para os fins específicos de administração da arrecadação e fiscalização do IPI, houve glosa de créditos que a impugnante apurara indevidamente na aquisição de mercadorias identificadas pela fiscalização como sendo item de manutenção de máquina/equipamento ou material de consumo. Aliás, a empresa interessada em seu arrazoado não destoou dessa caracterização dos materiais de consumo, mas ainda assim pretendeu sustentar o alegado direito de crédito de IPI por ocasião das suas aquisições. No que tange a esse aspecto do mérito, anoto primeiramente que na(s) sua(s) impugnações a interessada busca sustentar que o conceito de produtos intermediários deve merecer interpretação ampla, para abarcar todos os insumos consumidos no processo de industrialização. A impugnante, neste ponto, aborda a matéria de forma genérica e englobada, levantando interpretação do direito que não tem sido acolhida pela Administração Tributária, nem pela jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), nem tampouco pelos Tribunais Superiores do Judiciário. Na expressão do entendimento oficial manifestado pela Administração Tributária Federal, os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, conforme autorização legal contida no art. 164, inciso I, do RIPI/2002, podem creditar se do imposto relativo às matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) adquiridos para emprego na industrialização de produtos, podendose Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 487 7 incluir entre as matérias primas e produtos intermediários, insumos que, embora não se integrando na composição final do novo produto industrializado, sejam consumidos no processo de fabricação por desgaste no contato direto com o produto final produzido, caracterizando o que normativamente a Receita Federal veio a conceituar como MP ou PI lato sensu. Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos da forma descrita no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; sempre excluídos, também, do conceito de insumos industriais, segundo a legislação do IPI, os bens adquiridos compreendidos no ativo permanente da empresa. Conforme acima noticiado, o alcance dos termos empregados pelo art.164, I, do RIPI/2002, já foi examinado pela Secretaria da Receita Federal, quando exarou o Parecer Normativo CST nº 65/79, do qual extraem se os seguintes trechos: [...] O Parecer deixa claro que, do ponto de vista legal, não se sustenta a pretensão, semelhante à da ora impugnante, de que qualquer produto consumido no processo fabril possa ser considerado produto intermediário, muito menos seja apto a gerar crédito do IPI pago na sua aquisição. O que se explicita no referido ato normativo da Receita Federal é exatamente no sentido oposto, que nem tudo o que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como produto intermediário, nos termos objetivados pela legislação do IPI. Esta mesma conclusão, outrossim, pode ser extraída do item 13 do Parecer Normativo CST nº 181/74, verbis: [..] Nos termos destes dois pareceres referenciados, e em consonância com o disposto no inciso I do art. 164 do RIPI/2002, não se pode admitir o creditamento do IPI pago na aquisição de produtos identificados, e relacionados nestes autos, como sendo materiais destinados ao ativo permanente, itens de manutenção de máquinas/equipamentos ou mercadorias adquiridas para uso e consumo. Constam nos autos, e foi detalhado no relatório precedente, planilhas demonstrativas dos créditos glosados, bem como planilhas indicando a reconstituição da escrita fiscal do IPI, pela fiscalização, explicitandose as alterações decorrentes do cômputo indevido de crédito de IPI pela aquisição dos materiais identificados. Em seguida enumeramos outros Pareceres e também alguns acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes em apoio à posição oficial, reunidos no trabalho produzido pelo eminente AFRFB Cláudio Losse, denominado “Ressarcimento de IPI Orientações Complementares”, utilizado como material de Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 488 8 treinamentos para auditores fiscais, patrocinados pela administração tributária: [...] Sendo assim, é assente que veículos, máquinas e equipamentos, bem como suas partes e peças que não se desgastam em contato direto com o produto, itens de manutenção e materiais de consumo não dão direito a crédito, seja ele básico ou incentivado, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumo dado pela legislação do IPI ... ”. (Grifos nossos). Em conclusão, não se pode acatar o argumento da ora manifestante buscando sustentar o suposto direito de crédito de IPI, pela aquisição de mercadorias destinadas ao ativo permanente (máquinas, equipamentos, suas partes e peças de reposição), ou na aquisição de itens de consumo ou de manutenção (por exemplo, os eletrodos descritos nos autos e os óleos lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos), baseada no simples fato de que também se consomem, genericamente, no curso do processo industrial. Conforme o entendimento oficial esse consumo deve estar associado a um desgaste pelo contato direto com o produto final industrializado, de forma a enquadrarse nos termos dispostos no Parecer COSIT 65/79, e não é o caso dos referidos materiais, descritos e caracterizados nestes autos. Para finalizar os comentários quanto a este ponto, parece útil esclarecer à r. impugnante, que sob o enfoque econômico, o conceito de insumo (input) é de fato bem mais amplo do que o conceito admitido pela legislação do IPI para fins de creditamento. O conceito mais amplo de insumo financeiro costuma abranger fatores produtivos, isto é, além das MP, PI, ME, abrange também outros fatores tais como, energia, trabalho, amortização de capital, máquinas/equipamentos, materiais de consumo, enfim todos e quaisquer fatores que sejam empregados genericamente pelo empresário para produzir o “output”. No entanto, por outro lado, o conceito legal definido restritivamente na legislação do IPI não admite, para fins de direito a creditamento do IPI, que fatores como a mão de obra, a energia elétrica, matérias de consumo, itens de manutenção ou aquisições destinadas ao ativo permanente, possam se incluir no conceito de insumo industrial nos termos definidos legalmente no RIPI, para o fim específico de auferir direito de crédito do IPI. O ordenamento jurídico brasileiro optou pelo conceito de insumo físico, na linha expressa pelo PN CST 65/79, conforme explicitado mais acima. Reclama, por fim, a correção monetária dos alegados créditos extemporâneos de IPI. Digase, primeiro, que o fato de serem extemporâneos não impede o aproveitamento dos créditos escriturais, desde que existam, estejam comprovados e sejam aproveitados dentro do prazo legal. Contudo, se o contribuinte não os aproveitou, sponte sua, desde o primeiro momento previsto legalmente, nada na legislação regente ampara ou autoriza que haja atualização de tais créditos escriturais do IPI. Seja esclarecida a posição oficial da Receita Federal do Brasil sobre a correção monetária de Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13603.000772/200789 Acórdão n.º 3401004.388 S3‐C4T1 Fl. 489 9 créditos escriturais. Não há, nem nunca houve, previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais, sejam eles incentivados ou não. Costumase confundir a natureza do crédito decorrente de aquisição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), utilizados na fabricação do produto final. Há freqüente confusão entre a figura jurídica do indébito, passível de repetição, e a figura do ressarcimento de crédito escritural de IPI, que obedecem rigorosamente a regimes jurídicos diferentes. São eloqüentes nesse sentido as seguintes ementas referentes a arestos exarados pelo E.STJ: ... No caso concreto, os fundamentos utilizados pela fiscalização para efetuar os lançamentos objeto do presente processo estão rigorosamente conforme o entendimento oficial. Pelo exposto, dada a procedência dos fundamentos utilizados e das conclusões advindas da autuação fiscal, voto no sentido de indeferir o solicitado pela impugnante, para concluir pela confirmação da exigência estampada nos lançamentos sob exame. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mara C. Sifuentes Relatora Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722773/2016-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. UNIÃO ESTÁVEL.
Para fins de dedução de IRPF, a escritura pública de união estável somente comprova a união estável para períodos posteriores a sua lavratura.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS.
1. Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano-calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98.
2. Comprovante de depósito de envelope não comprova pagamento.
Numero da decisão: 2002-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. UNIÃO ESTÁVEL. Para fins de dedução de IRPF, a escritura pública de união estável somente comprova a união estável para períodos posteriores a sua lavratura. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS. 1. Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano-calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98. 2. Comprovante de depósito de envelope não comprova pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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DEPENDENTE. UNIÃO ESTÁVEL. Para fins de dedução de IRPF, a escritura pública de união estável somente comprova a união estável para períodos posteriores a sua lavratura. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS. 1. Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98. 2. Comprovante de depósito de envelope não comprova pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 27 73 /2 01 6- 88 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.722773/201688 Acórdão n.º 2002000.020 S2C0T2 Fl. 106 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física. De acordo com o relato da fiscalização, o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual dedução de valores a título de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, contudo, tais valores foram glosados, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal. Além disso, também foram glosados valores correspondentes à dedução indevida com dependente, por falta de comprovação da relação de dependência (fl. 53 e ss). De acordo com a descrição dos fatos no lançamento (fl. 54 e ss): ... não houve apresentação da Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia paga a LORACI SILVEIRA DOS SANTOS, nem os comprovantes de pagamentos. O contribuinte apresentou documento da 3ª Vara Cível especializada em Família, infância e juventude de Viamão/RS informando que pagará a DALVA MARIA SILVA DE LIMA, um(1) saláriomínimo mensal por tempo indeterminado, porém não apresentada comprovação desse pagamento. (...) Dedução indevida com a dependente HILDA VINCKLER, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2015/806069167706580. A glosa do valor de R$ 23.015,00 (pensões) e de R$ 2.156,52 (dependentes), no total de R$ 25.171,52, implicou em uma redução do imposto a restituir de R$ 4.412,15 para R$ 68,03 (fl. 56). Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 21/09/2016 (fl. 67) e protocolou sua peça no dia 18/10/2016 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: a glosa da dedução de R$ 2.156,52 com dependentes é indevida, pois o dependente é companheiro com quem vive há mais de 5 anos; o valor de R$ 23.015,00 referese a pagamento de pensão alimentícia; 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11065.722773/201688 Acórdão n.º 2002000.020 S2C0T2 Fl. 107 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 4); cópia da notificação de lançamento (fl. 6 e ss); petição de ação de homologação/acordo de alimentos (fl. 12 e ss); procuração ação de alimentos (fl. 14); petição de ação judicial de divórcio direto consensual (fl. 15 e ss); mandado de intimação ação de divórcio (fl. 18); termo de audiência de divórcio (fl. 20 e ss); comunicação de inscrição (fl. 22); comprovantes de entrega de envelope (fl. 23 e ss); fatura de água e/ou esgoto (fl. 29); conta de energia elétrica (fl. 30); informe de rendimento Banco do Brasil (fl. 31 e ss); guia da previdência social (fl. 48 e ss). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) a julgou a impugnação procedente em parte, para reconhecer o direito creditório em favor do contribuinte e autorizar a restituição do imposto no valor de R$ 2.005,81 (fl. 74 e ss). Quanto à comprovação de relação de dependência de Hilda Vinckler com o contribuinte, a DRJ observou que os documentos apresentados pela parte reportamse ao ano calendário 2010 e em sendo assim, por tais elementos não se poderia comprovar os mais de cinco anos exigidos pela norma, a menos que a união já existisse desde algum período do ano calendário 2009, haja vista que o lançamento reportase ao anocalendário 2014. Em razão disso, foi mantida a respectiva glosa. Quanto à pensão, de acordo com a DRJ, a petição apresentada não comprova a necessária homologação judicial. Dessa forma, mesmo que houvesse prova de depósito realizado à suposta alimentanda, esses não poderiam ser acolhidos pois estariam desvinculados de obrigação judicial. No mais, os documentos pretensamente representativos de depósitos (fl. 26 e ss), além de ilegíveis, aparentemente apresentam rasuras. Em razão disso, foi mantida também esta glosa. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11065.722773/201688 Acórdão n.º 2002000.020 S2C0T2 Fl. 108 4 Quanto a alimentanda Dalva Maria Heibes da Silva, na análise da DRJ, o contribuinte forneceu prova fecunda de que houve divórcio consensual, sendo firmada a pensão de um salário mínimo mensal (fl. 21), cujos comprovantes de fls. 23/25 abrigam pagamentos compatíveis com a dedução pleiteada. Assim, a DRJ reestabeleceu a dedução pleiteada neste ponto para redimensionar o IRPF do contribuinte. Segue a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÕES. DEPENDENTE. UNIÃO ESTÁVEL. A documentação reunida pelo contribuinte não demonstrou que a dependente declarada era sua companheira há mais de cinco anos. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O interessado declarou duas alimentandas: em relação a uma deixou de trazer a necessária homologação judicial do acordo firmado, sem se olvidar que os comprovantes de pagamento se apresentaram ilegíveis; para a outra, a documentação reunida comprovou o valor da dedução pretendida. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 13/04/2017 (fl. 83) e protocolou sua peça no dia 12/05/2017 (fl. 84), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 84 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: em relação à dependente Hilda Vinkler, apresenta Escritura Declaratória de Convivência (fl. 89); em relação à pensão alimentícia de Loraci Silveira dos Santos, alega que procurou a vara de família buscando o documento comprobatório da homologação do acordo de alimentos. Apresentou declaração da advogada contratada informando que o prazo para desarquivamento do processo de acordo de alimentos pode chegar a 90 dias (fl. 90) e petição da advogada pedindo o desarquivamento do processo, protocolada em 25/04/2017 (fl. 91) além disso, apresentou novamente os comprovantes de depósito em favor de Loraci (fl. 97 e ss); 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11065.722773/201688 Acórdão n.º 2002000.020 S2C0T2 Fl. 109 5 Por fim, requer que seja acolhido o recurso para que seja decidido pela restituição dos valores referidos, já que não existiram infrações referentes as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual 2015. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 88); escritura declaratória de convivência (fl. 89); declaração advogada prazo desarquivamento (fl. 90); pedido desarquivamento processo (fl. 91); OAB advogada (fl. 92 e 93); petição de ação de homologação/acordo de alimentos (fl. 94 e ss); procuração ação de alimentos (fl. 96); comprovantes de entrega de envelope (fl. 97 e ss); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 85) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito Dependente Segundo o art. 77, § 1º, II do RIR/99: Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1005, art. 35) (...) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.722773/201688 Acórdão n.º 2002000.020 S2C0T2 Fl. 110 6 II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; Quanto à questão da comprovação da dependente, verificase que a escritura apresentada pelo recorrente foi lavrada em 18/04/2017, ou seja, no mês anterior ao do protocolo do presente recurso. Nela o tabelião atesta que Dulcemar e Hilda declararam que "mantêm uma relação pública contínua e duradoura, sob a forma de união estável, desde Janeiro de 2009". (fl. 89) Contudo, o documento em questão, não se presta à comprovação da união estável a mais de cinco anos, haja vista que foi lavrado em 2017, consistindo apenas em declaração das partes registrada no tabelionato. Para fins de dedução tributária, tal documento não tem efeitos retroativos. A escritura pública de união estável seria documento hábil se declarasse a união estável e tivesse sido lavrado 5 anos antes do fato gerador que deu origem ao lançamento. Pensão alimentícia A súmula CARF 98 dispõe que: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Quanto à questão da pensão de Loraci Santos, o recorrente alegou que o seu pedido de desarquivamento de acordo de alimentos poderia demorar até 90 dias para ser atendido. No entanto, já se passaram bem mais de 90 dias e até a presente data não constam dos autos a documentação comprobatória relativa ao referido processo. Quanto aos comprovantes de depósito apresentados para fins de comprovação dos pagamentos da pensão à Loraci, verificase que alguns deles continuam ilegíveis. Além disso, naqueles que estão legíveis, é possível observar que tratamse de comprovantes provisório de depósito em dinheiro via envelope, os quais não tem validade para fins de comprovação do efetivo pagamento, haja vista que a confirmação do depósito só se dá a posteriori, após a verificação dos envelopes por parte do banco. Conclusão Ante o exposto, considerando que a documentação apresentada não é hábil para comprovar o efetivo pagamento, nem que a obrigação decorre de decisão judicial, nem a relação de dependência, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a decisão de 1ª instância. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.014190/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS.
Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo. conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o patrono Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP 109.361-B, escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo. conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o patrono Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP 109.361-B, escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014190/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.372 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria IPI Recorrente MOTOROLA MOBILITY COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática, os produtos cujas alterações no processo fábril não implicam em alteração do modelo. conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Fez sustentação oral o patrono Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP 109.361B, escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 41 90 /2 01 0- 11 Fl. 1220DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração decorrente da falta de lançamento do IPI na saída do estabelecimento de produtos tributados, por ter o contribuinte utilizado indevidamente do beneficio do instituto da isenção, instituído pela Lei n° 8.248/91 e Decreto n° 792/93 (lei da informática) e concedido para os produtos relacionados na Portaria MCT/MDIC/MF n° 838/2001. Segundo a descrição dos fatos, a utilização indevida do benefício decorreu da saída de produtos, como se isentos fossem, cujas descrições não correspondem àquelas contidas na portaria supracitada e no processo de habilitação MCT n° 01200.003903/200148, conforme demonstrado nas planilhas de fls.56/151. Assim, feita a reconstituição da escrita fiscal, foi constituído o crédito tributário montante em R$ 291.394.122,29, sendo R$ 92.122.528,84 de imposto e R$ 172.145.973,46 relativo à multa (de ofício e sobre o IPI não lançado por cobertura de crédito). Regularmente cientificado, o sujeito passivo apresentou a impugnação alegando, em preliminar, nulidade da autuação por patente falha na busca da verdade material. No mérito fez, em resumo, as seguintes considerações: 1. Todos os produtos fabricados e comercializados pela impugnante e seus respectivos modelos estão listados na Portaria n° 838/01. Fechou os olhos o agente autuante para as versões de alguns modelos criadas pela impugnante em situações de mera atualização de software ou de redução de custos dos produtos por ela produzidos, sem procurar entender a origem e natureza dos sufixos escolhidos para controlar tais versões. 2. Os produtos contidos nas notas fiscais que embasaram a autuação fiscal são os telefones celulares, os terminais de sistema troncalizado e as placas de circuito impresso desses dois produtos e o artigo 1º da Portaria n° 838/01 faz expressamente referência a esses quatro produtos. A irresignação da fiscalização, portanto, diz respeito apenas aos seguintes modelos: C151, ROKR E2, V3 e V9 e aos terminais de sistema iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730. Contudo, ao se examinar as listas de modelos para cada um desses produtos constantes da já referida portaria concluise, sem qualquer esforço, que todos os oito modelos acima mencionados estão expressamente nela mencionados; 3. Salta aos olhos a falta de interesse do Fisco em descobrir se os modelos destacados nas notas fiscais seriam os mesmos elencados na Portaria ou se realmente se tratavam de produtos diversos; 4. Para se comprovar o que se afirma foi feito um minucioso levantamento por via do qual se buscou vincular claramente os pedidos de compra efetuados pelos clientes da impugnante com as notas fiscais de venda por esta, emitidas em atendimento a tais pedidos (doc. 03). Por este levantamento fica evidenciado Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10830.014190/201011 Acórdão n.º 3201003.372 S3C2T1 Fl. 3 3 que, nos pedidos, os clientes usaram a nomenclatura geral (V3 e C151), seguindose a emissão de notas fiscais em que se indicavam as nomenclaturas internas da empresa (V3_05 e C151t), criadas para fins exclusivos de controle dos mesmos modelos ou, ainda, por simples divergência de descrição. 5. Ademais, se tivesse o d. agente fiscal real interesse em desvendar a diferença de descrições encontradas nas notas fiscais em face da citada portaria, poderia ter acessado o sítio da impugnante e/ou, ainda, buscado informações no mercado e sobre as tecnologias envolvidas, onde poderia observar facilmente que os modelos iDEN i205, iDEN i530 e iDEN ¡730 há muito são descritos internamente e no mercado em sua forma abreviada, isto é i205, ¡530 e i730. O modelo Cl51 também existiu em versão única, sendo que o sufixo ''f" foi adicionado à sua descrição apenas e tão somente para evidenciar que se tratava de um aparelho celular que operava na tecnologia TDMA. Os aparelhos ROKR El e E2 funcionam com a tecnologia móvel GSM e são descritos internamente como Motorola E1 e Motorola E2; 6. Quanto aos outros modelos não mencionados, devese fazer as mesmas colocações, pois os sufixos inseridos nas notas fiscais com relação aos modelos iDEN ¡205, V9 e V3 não tiveram outra função a não ser a de determinar, exclusivamente internos, as novas versões destes mesmos modelos, decorrentes de atualizações de software, reduções de custos e demais mudanças não significativas nos projeto inicial destes terminais portáteis e suas placas de circuito impresso; 7. A impugnante não buscou alcançar benefício fiscal que não lhe seria próprio, tampouco procurou ludibriar o fisco Federal para reduzir, indevidamente a carga tributária dos produtos que fabrica e comercializa. A escolha pela não inclusão dos produtos foi consciente e embasada em critérios técnicos, incapazes de desqualificála ao gozo dos benefícios fiscais a que legalmente faz jus; 8. A multa aplicada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito representa mais do que 35% do valor total da autuação e mais do que 111% do débito tributário efetivamente apurado pela fiscalização, o que, por si, é suficiente para evidenciar sua absoluta falta de razoabilidade e proporcionalidade, o que a torna ilegal; 9. O Fisco Federal vem cobrando juros sobre as multas decorrentes da falta de pagamento de um determinado tributo sem base legal fundamentada apenas e tãosomente no Parecer MF n° 28/1998, o que é ilegal. Encerrou requerendo o cancelamento das exigências fiscais consubstanciada no auto de infração, protestando pela produção de provas adicionais, eventualmente julgadas necessárias para reforçar os fatos e argumentos apresentados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento às alegações da recorrente. A decisão foi assim ementada: Fl. 1222DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ISENÇÃO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA. Mantémse o lançamento do imposto quando os produtos indicados nas notas fiscais que deram lastro ao auto de infração diferem dos que constam da Portaria que concede o benefício fiscal de redução da alíquota do IPI. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão. A autuada interpôs recurso voluntários repisando as alegações apresentadas na impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazzões defendendo a manutenção integral do lançamento. Ao apreciar o recurso voluntário, a extinta segunda turma ordinária desta Segunda Câmara, resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse providenciado Laudo Técnico de instituição de renomada reputação para responder os seguintes quesitos: 1) Identificar tipo, modelo, código dos produtos, características técnicas, nome técnico e comercial, fabricante e país de origem dos modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída objeto da autuação fiscal; 2) Elaborar um quadro comparativo entre os modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída (vide folhas 173 a 176) e aqueles modelos/produtos habilitados à fruição dos benefícios fiscais da Lei de Informática e descritos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838 (vide folhas 169 e 177 a 181). Descrever, detalhadamente, as semelhanças e/ou divergências técnicas existentes entre esses grupos de modelos/produtos; 3) Acrescentar outras informações que entender necessárias e úteis para a perfeita identificação dos modelos/produtos sob análise. Atendendo as determinações da Resolução do CARF, foi elaborado o Parecer Técnico nº 000.956/2013 pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações MCTIC. A autoridade fiscal apresentou manifestações acerca do Parecer, afirmando que o Laudo Técnico não atendeu corretamente a resolução do CARF e que as informações apresentadas comprovam que existiu alterações técnicas nos telefones celulares, que Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10830.014190/201011 Acórdão n.º 3201003.372 S3C2T1 Fl. 4 5 desqualificariam estes modelos dentre aqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A Recorrente veio aos autos afirmando que as conclusões do parecer não deixam dúvida, que os produtos fabricados pela Recorrente, discutidos no presente processo, estão dentro dos modelos autorizados pela Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. Ao apreciar o recurso, a Turma resolveu converter o julgamento em nova diligência para que fosse feita dado a ciência da decisão da DRJ à responsável solidária Motorola Solutions Indústria de Produtos de Banda Móvel LTDA. Cientificada a Motorola Solutions apresentou Recurso Voluntário, reafirmando, quanto ao mérito, as alegações da Motorola Mobility, que a aplicação da isenção prevista na Lei de Informática abarca todos os produtos em discussão nos autos. No que concerne a responsabilidade solidária, afirma que a solidariedade não pode prosperar em razão da irregular utilização do art. 124 do CTN e por utilizar bases legais referentes ao IRPF quando o auto tratase de IPI. Ainda em sede preliminar pede a nulidade do lançamento por falta patente da busca da verdade material pela Auditoria Fiscal. Ao final do recurso afirmase a impossibilidade da cobrança dos juros de mora sobre as multas aplicadas. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou novas contrarrazões defendendo a regularidade da responsabilidade solidária da Motorola Solutiions. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. O Relator original do Processo se julgou suspeito, sendo realizado novo sorteio, coube a mim a relatoria para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas. A teor do relatado tratase de processo que discute o benefício da isenção prevista na lei de informática a telefones celulares fabricados pela Recorrente. A Fiscalização da Receita Federal entendeu que os produtos apresentavam alterações nos seus modelos que desqualificavam a habilitação inicial, promovida pela Motorola junto aos órgãos públicos e formalizada na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. Fl. 1224DF CARF MF 6 O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. As conclusões do Parecer Técnico foram resumidas nos itens 43 a 46 do Relatório Técnico, transcritos abaixo. 43 . Conforme o quadro, acima, e as explanações realizadas neste Parecer Técnico é possível concluir que os telefones troncalizados, i205, i530 c i730 tinham os seus respectivos modelos cravados na parte frontal dos telefones celulares que utilizavam a tecnologia iDEN e eram os mesmos modelos de aparelhos telefones celulares descritos pelo Processo Produtivo Básico (PPB) como: iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730. A simples divergência de grafia encontrada nos documentos fiscais em nada alterou a essência dos modelos, cuja vinculação com a Portaria n" 838 foi corretamente realizada pelo contribuinte. Também, Conforme o quadro, acima, e as explanações realizadas neste Parecer Técnico é possível concluir que o telefone celular, modelo C1 15i, teve, durante um curto período, erro de lançamento no documento fiscal como C151 GSM, que, posteriormente, foi emitido corretamente com a indicação do modelo C1 15i. O modelo C1 15i, por sua vez, por utilizar a tecnologia GSM, era lançado no documento fiscal como C1 15i GSM, porém, nada que alterasse a essência do modelo, cuja vinculação com a Portaria n° 838 foi corretamente realizada pelo contribuinte. Conforme o quadro, acima, c as explanações realizadas neste Parecer Técnico é possível concluir que o telefone celular, modelo C151 por utilizar a tecnologia TDMA era lançado no documento fiscal como C115t, porém, nada que alterasse a essência do modelo, cuja vinculação com a Portaria n° 838 foi corretamente realizada pelo contribuinte. 44. Conforme o quadro, acima, e as explanações realizadas neste Parecer Técnico é possível concluir que os telefones celulares, modelos ROKR El e ROKR E2, tinham os seus respectivos modelos identificados com etiqueta na parte traseira dos telefones celulares que utilizavam a tecnologia GSM e acompanhavam os modelos do PPB, porém, na emissão do documento fiscal da venda de seus telefones celulares ou da venda das respectivas Placas de Circuito Impresso (PCI), para celulares em garantia, eram descritos como El ou El GSM, PCI do E1 ou PCI do El GSM; E2, E2 GSM, E2 PRETO, E2 PRETO e LARANJA e PCI do E2 ou PCI do E2 GSM, o que em nada alterou a essência dos modelos, cuja vinculação com a Portaria nº 838 foi corretamente realizada pelo contribuinte. 45. Conforme o quadro, acima, e as explanações realizadas neste Parecer Técnico é possível concluir que o telefone celular i730 tinha o seu respectivo modelo cravado na parte frontal do aparelho e utilizava a tecnologia iDEN e eram os mesmos modelos de aparelho telefone celular descritos pelo Processo Produtivo Básico (PPB) como iDEN i730, sendo que seus respectivos circuitos, semicondutores, etc, sofreram alterações e Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10830.014190/201011 Acórdão n.º 3201003.372 S3C2T1 Fl. 5 7 aperfeiçoamento devido a melhorias, aplicações de tecnologias mais avançadas e até para troca de fornecedores que podiam até produzir dispositivos semelhantes, porém, não igual. O aparelho telefone celular ao receber essas alterações ou melhorias, não teve descaracterizado seu modelo, ou alterado o seu PPB, pois, conservava as mesmas características técnicas do modelo original, porém, com uma nova versão, e aí resultando no modelo Í730R2 ou iDEN Í730R2, cujo sufixo acrescentado ao modelo inicial teve por intuito único indicar internamente tais alterações e melhorias, possibilitando que, internamente, durante a produção, os técnicos tivessem controle sobre a fabricação de cada nova versão de um mesmo modelo de aparelho telefone celular sendo por isso lançado no documento fiscal para controle. 46. Cabe ressaltar que o pronunciamento do INT tem seu conteúdo determinado, única e exclusivamente por considerações de natureza técnica, delimitadas pelos conhecimentos auferidos durante as sucessivas etapas de trabalho realizadas por sua equipe de engenheiros peritos que abaixo subscrevem este parecer técnico, consolidados (i) pela disponibilidade e fidelidade das informações apresentadas pela Consulente; (ii) pelos critérios determinados de acordo com as "Boas Práticas de Engenharia"; (iii) pelos preceitos exarados na Norma Técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT NBR 146531:2001 Avaliação de Bens; e (iv) pela legislação ordinária específica que ampara esta consulta.(grifo nosso) O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1226DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.729368/2011-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF.
Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento.
Numero da decisão: 1002-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento.
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Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Recorrente HOSPITAL SANTA LUIZA DE MARILLAC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento do recurso está condicionado à satisfação do requisito de admissibilidade da tempestividade, estando ausente este, por interposição extemporânea, não se conhece o mérito recursal. Dicção dos arts. 5.º e 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão recorrida efetivada por via postal. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Dicção da Súmula n.º 9 do CARF. Demonstrado nos autos que o recurso foi interposto após vencido o prazo, sem que tenha sido apresentado qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo, não é admissível o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 93 68 /2 01 1- 41 Fl. 73DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 61/66) protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 50/53), datada de 27/09/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0827.066, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º e 2.º Semestres do AnoCalendário 2008 e do 1.º e 2.º Semestre do AnoCalendário 2009 (efls. 12/19), deixando de acolher a impugnação (efls. 2/7) apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 DCTF. MULTA. PESSOA JURÍDICA SEM FINS LUCRATIVOS. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, ainda que sem finalidade lucrativa, deverão apresentar, de forma centralizada pela matriz, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As notificações de lançamento em questão foram lavradas por Auditor Fiscal da Receita Federal em 17/08/2011 da DRF – Fortaleza, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Enquadramento legal: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: 1.º Semestre/2008, Multa R$6.113,25 2.º Semestre/2008, Multa R$6.684,17 1.º Semestre/2009, Multa R$6.307,08 2.º Semestre/2009, Multa R$6.694,60 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10380.729368/201141 Acórdão n.º 1002000.142 S1C0T2 Fl. 74 3 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tratando de esclarecer que é entidade hospitalar filantrópica e estaria desobrigada de apresentação mensal das DCTF, disse que os valores lançados não estariam em conformidade com a IN RFB n.º 903, de 2008, na forma do caput do art. 9.º, pois não apresentada a DCTF será a pessoa intimada a apresentar a declaração original e só no caso de não apresentação haverá a aplicação da sanção, destacou, ainda, que a autuação não respeitou o princípio da tipicidade e teria havido impropriedade no arbitramento dos valores exigidos, no entanto seus argumentos não foram acolhidos pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterando os termos da impugnação. Em sequência procedimental houve despacho exarado nos autos acerca da intempestividade do recurso voluntário (fl. 72), embora atestando a aplicação do art. 35 do Decreto n.º 70.235, de 1972, no sentido de que o recurso, mesmo perempto, deve ser encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário não atende ao pressuposto de admissibilidade extrínseco relativo a tempestividade, uma vez que foi interposto após o trintídio legal estabelecido no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Deveras, observo a confirmação da entrega da intimação postal, dando ciência da decisão de primeira instância, em 28/10/2013, conforme aviso de recebimento colacionado nos autos (efls. 57/58), no entanto o recurso voluntário só foi apresentado em 07/02/2014 (efl. 61), quando já vencido o prazo. Portanto, não é possível conhecêlo. Registrese, por oportuno, que este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais possui súmula confirmando a validade da intimação por via postal entregue na sede da empresa, a teor da Súmula n.º 9, vejase: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10246574, de 01/12/2004, Acórdão n.º 10420408, de 26/01/2005, Acórdão n.º 106 14266, de 21/10/2003, Acórdão n.º 10707076, de 20/03/2003, Acórdão n.º 10807562, de 16/10/2003, Acórdão n.º 20168026, de 20/05/1992, Acórdão n.º 20208457, de Fl. 75DF CARF MF 4 21/05/2003, Acórdão n.º 20209572, de 14/10/1997, Acórdão n.º 20171773, de 02/06/1998, Acórdão n.º 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput) e que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5.º, parágrafo único), mas, ainda assim, mantém o recurso intempestivo e, por outro lado, o recorrente não apresentou qualquer prova de ocorrência de eventual fato impeditivo ao manejo do seu recurso a tempo e modo esperado. Por conseguinte, não há que se admitir recurso extemporâneo, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum do Decreto n.º 70.235, de 1972, vedada no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015) e pela súmula a seguir deste Egrégio Conselho: "Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Destaco, por oportuno, que esta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos já analisou caso tratando de recurso intempestivo e deu igual tratamento a teor do Acórdão n.º 1002000.076. Por conseguinte, não tendo sido demonstrada a tempestividade do recurso voluntário, dele não conheço. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em não conhecer do Recurso Voluntário, por ausência do requisito de admissibilidade extrínseco da tempestividade, consequentemente mantendo íntegra a decisão singular e o crédito tributário lançado. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.721417/2011-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa.
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA.
Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola - insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa.
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- CARF. INDEPENDÊNCIA.
Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF.
Numero da decisão: 9303-006.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COFINS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 14 17 /2 01 1- 19 Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 3 2 A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Nessa linha de entendimento não é possível o aproveitamento de créditos em relação 1)insumos utilizados na fase agrícola insumos de insumos; e 2) despesas incorridas na manutenção de frota própria do contribuinte, ressaltando que os veículos são utilizados em todas as atividades da empresa, não tendo aplicação específica direta no processo industrial do ferro gusa. EFEITOS DA CONSULTA FISCAL EM JULGAMENTOS REALIZADOS PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. INDEPENDÊNCIA. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento parcial, para restaurar as glosas referentes (i) aos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e (ii) aos serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3401003.097, proferido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que diante do conceito de insumos adotado pelo colegiado, e explicitado no voto, aplicado à análise do caso em questão, no qual havia sucessivas etapas, inclusive com produto final de uma etapa servindo de insumo à etapa seguinte, o que não encontra obstáculo nos comandos das leis de regência das contribuições, e diante da alteração de fundamento pela instância de piso no que se refere às aquisições de carvão vegetal, há que se a afastar a parte da autuação que ainda era mantida pela DRJ. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 07/06/2011 (fls. 2 a 10, e 70 a 79)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (crédito total original de R$ 129.036,33) e de COFINS (crédito total original de R$ 770.722,46), ambas referentes ao período de junho de 2006 a dezembro de 2007, por falta de recolhimento, detalhada em Termos de Verificação Fiscal (TVF). Nos TVF (fls. 11 a 69, e 80 a 138) a fiscalização narra basicamente que: (a) verificou, em várias operações de aquisição de carvão vegetal de pessoas jurídicas (relacionadas no Anexo II fls. 26 a 39, e 95 a 108), que a nota de entrada emitida apresenta valor superior ao da correspondente nota de saída do produtor, tendo sido contabilizado como valor da operação o constante da nota de entrada (de emissão própria), sem que tivesse havido nota fiscal de complementação pelo produtor, tendo sido as diferenças apuradas objeto de glosa pela fiscalização, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125); (b) foram glosados da base de cálculo dos créditos das contribuições os custos lançados nas contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” – PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”), por não estarem diretamente ligados à produção dos bens destinados à venda (de ferrogusa), não se enquadrando no conceito de insumos (IN SRF no 247/2002 e no 404/2004); (c) apesar de a contribuinte sustentar que os insumos abrangem todo e qualquer custo ou despesa da empresa, a Solução de Consulta no 169, de Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 5 4 01/10/2008, em resposta à própria empresa, esclareceu que “gastos efetuados pela pessoa jurídica só geram direito a créditos da COFINS quando, além de atenderem aos demais requisitos da legislação de regência, estiverem diretamente vinculados à fabricação dos produtos destinados à venda”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP; (d) no que se refere a custos ligados às fazendas e/ou à produção própria de carvão vegetal, a Solução de Consulta no 144, de 09/10/2009, também demandada pela própria empresa, esclareceu que “a pessoa jurídica cujo processo produtivo consiste em, sucessivamente, formar florestas, utilizálas na produção de carvão vegetal e empregálo na fabricação de ferrogusa não faz jus a créditos da COFINS referentes aos custos de formação das florestas ou de produção do carvão vegetal”, com idêntica resposta para a Contribuição para o PIS/PASEP; (e) foram glosados, em relação ao ativo imobilizado: gastos com reflorestamento atribuídos ao período de jan/2006 a dez/2007; equipamentos aplicados nas fazendas e fornos de carvão, por não estarem diretamente ligados à produção; e benfeitorias e edificações em imóveis; (f) após a reconstituição das bases de cálculo das contribuições e dos créditos correspondentes, a fiscalização chegou aos valores constantes do Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125), que mantém, para facilitar o cotejo, a mesma estrutura da apuração feita pelo contribuinte (Anexo I fls. 18 a 25, e 87 a 94); e a fiscalização indicou, no Anexo V, parte “B”, o estorno de valores relativos aos pedidos de ressarcimento (PER/DCOMP eletrônicos) indicados às fls. 17 e 86, sendo que as presentes autuações se referem a lançamento do tributo devido em cada período de apuração, não pago e não declarado em DCTF, conforme Anexo VII (fls. 69 e 138), acrescidos de juros e multa proporcional (75%). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DOS INSUMOS... POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITOS. Em um processo produtivo de uma mesma empresa com várias etapas, cada qual gerando um produto que será insumo na etapa seguinte ("insumos dos Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 6 5 insumos...") v. g., sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui, por sua vez, insumo para a produção do ferrogusa temse que o único elemento que se acrescenta ao conceito de insumo é o silogismo (se "a" é necessário a "b", e "b" é necessário a "c", então "a" é necessário a "c"), não obstando a tomada de créditos, tendo em vista que a exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DOS INSUMOS... POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITOS. Em um processo produtivo de uma mesma empresa com várias etapas, cada qual gerando um produto que será insumo na etapa seguinte ("insumos dos insumos...") v. g., sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui, por sua vez, insumo para a produção do ferrogusa temse que o único elemento que se acrescenta ao conceito de insumo é o silogismo (se "a" é necessário a "b", e "b" é necessário a "c", então "a" é necessário a "c"), não obstando a tomada de créditos, tendo em vista que a exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO PELO CARF. CONSULTA. EFEITOS. INDEPENDÊNCIA. Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 7 6 A decisão proferida por colegiado do CARF/MF em relação a um caso concreto para o qual exista Solução de Consulta da RFB em sentido diverso (o que jamais poderia ocorrer nos órgãos de julgamento que são parte da própria RFB) não produz qualquer efeito em relação à Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua aplicável e vinculante em relação a todos os demais períodos e casos, o que endossa a independência entre os processos administrativos de determinação e exigência de crédito tributário e os processos administrativos de consulta. JULGAMENTO DE PISO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO. NOVO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração de fundamento pela DRJ equivale à declaração de improcedência da autuação, acompanhada de um novo lançamento, procedimento incompatível com a atividade do julgador". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto ás seguintes matérias: i) Conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, ii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e à produção do carvão vegetal, iii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre despesas com serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, IV) Observância de solução de consulta, e V) Alteração da fundamentação do lançamento. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os acórdãos n°s 3801002.037, 3801001.885, 380200.467, 3402001.749 e 20312.659. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, em relação às seguintes matérias: i) Conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, ii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e à produção do carvão vegetal, iii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre despesas com serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, IV) Observância de solução de consulta, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 2125/2135. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 2155/2170, requer: preliminarmente, que não seja conhecido o Recurso interposto, pelas razões expostas nos subtópicos 3.1 e 3.2, caso superados os vícios de admissibilidade, seja negado provimento ao Recurso, mantendose a decisão do Acórdão recorrido, e na remota hipótese, caso a Turma decida por reformar o entendimento externado no acórdão recorrido quanto aos créditos apurados em razão da exaustão das florestas, sejam os presentes autos remetidos à Turma Ordinária para o julgamento que foram externadas no tópico 3.3 do Recurso Voluntário (tópico 5). É o relatório. Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencido Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matérias divergentes colocadas em julgamento por esta E.Câmara Superior, dizem respeito as seguintes matérias: i) Conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, ii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e à produção do carvão vegetal, iii) Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre despesas com serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, IV) Observância de solução de consulta. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 07/06/2011 (fls. 2 a 10, e 70 a 79)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS, ambas referentes ao período de junho de 2006 a dezembro de 2007, por falta de recolhimento, detalhada em Termos de Verificação Fiscal (TVF). Nos TVF (fls. 11 a 69, e 80 a 138) a fiscalização narra basicamente que: (a) verificou, em várias operações de aquisição de carvão vegetal de pessoas jurídicas (relacionadas no Anexo II fls. 26 a 39, e 95 a 108), que a nota de entrada emitida apresenta valor superior ao da correspondente nota de saída do produtor, tendo sido contabilizado como valor da operação o constante da nota de entrada (de emissão própria), sem que tivesse havido nota fiscal de complementação pelo produtor, tendo sido as diferenças apuradas objeto de glosa pela fiscalização, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 49 a 56, e 118 a 125); (b) foram glosados da base de cálculo dos créditos das contribuições os custos lançados nas contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 9 8 matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” – PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”), por não estarem diretamente ligados à produção dos bens destinados à venda (de ferrogusa), não se enquadrando no conceito de insumos (IN SRF no 247/2002 e no 404/2004). Por sua vez, a decisão recorrida decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que diante do conceito de insumos adotado pelo colegiado, e explicitado no voto, aplicado à análise do caso em questão, no qual havia sucessivas etapas, inclusive com produto final de uma etapa servindo de insumo à etapa seguinte, o que não encontra obstáculo nos comandos das leis de regência das contribuições, e diante da alteração de fundamento pela instância de piso no que se refere às aquisições de carvão vegetal, há que se a afastar a parte da autuação que ainda era mantida pela DRJ. 1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 10 9 totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites da correta interpretação arguentativa. in verbis: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 11 10 2. Do Processo Produtivo da Contribuinte In caso, compulsando aos autos, verifico que o processo produtivo da Contribuinte se dividi em três etapas: a primeira, em que é produzida a lenha, que, por sua vez, será utilizada na segunda etapa, que é a da produção de carvão, que, a seu turno, será consumido na terceira etapa, qual seja, na produção do ferro gusa. Para melhor elucidar, transcrevo as etapas do processo de produção da Contribuinte: Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 12 11 Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 13 12 Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 14 13 3. Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e à produção do carvão vegetal Sem embargo, a divergência instaurada diz respeito ao processo produtivo relacionado a formação de florestas de eucalipto e produção de carvão vegetal, insumo essencial para produção de ferrogusa, produto vendido pela Contribuinte. Como visto, o processo produtivo para formação de florestas de eucalipto e produção do carvão vegetal mineral, incorre nas seguintes despesas: aquisição de mudas, fertilizantes, calcário, fosfato natural, produtos químicos utilizados na preparação do solo das mudas, aluguel de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas, como trator, confidor, caminhões, contratação de serviços de pessoas jurídicas, serviço ao combate às formigas, de Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 15 14 capina, limpeza da área de plantio de colheita, manutenção de máquinas e equipamentos, máquinas e bens incorporados no ativo imobilizado, adquiridos para utilização da produção de lenha, frete, relacionado as aquisições de insumos e bens do ativo imobilizado, bem como partes e peças, a serem utilizados na produção da lenha e do carvão vegetal. Deste modo, os custos incorridos para formação de florestas, assim como, combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de insumos entre os estabelecimentos, para aquisição de máquinas e equipamentos utilizados em fornos de carvão, e no reflorestamento, são extremamente essenciais atividade da Contribuinte para produção do ferrogusa, portanto passíveis de direito à credito de PIS e da COFINS. Entendo que a terminologia "insumo" utilizada pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresentam um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 16 15 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, o que se coaduna com o presente caso. Quanto a discussão "insumos dos insumos", considero a essencialidade dos insumos no processo de produção, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, por outro lado, o Conselheiro Relator da decisão recorrida, Dr. Rosalvo Trevisan, bem abordou a questão. Vejamos: "as reticências se devem à explicação da recorrente sobre o processo produtivo do ferrogusa, no qual existem basicamente três etapas, cada uma gerando um produto que será insumo na etapa seguinte. Assim, temse, em verdade, os “insumos dos insumos dos insumos” (sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui insumo para a produção do ferrogusa). Não se tem dúvidas de que se estivéssemos a analisar a semente, por exemplo, adquirida de pessoa jurídica como insumo para uma empresa que comercializa toras de madeira, pouco restaria de contencioso. Igualmente se estivéssemos a analisar aquisições de madeira como insumo para uma empresa que vende carvão vegetal. De forma idêntica, seria incontroverso (inclusive para o autuante, se estivessem compatíveis as quantificações nas notas fiscais, ou se tivessem havido complementações) que as aquisições de carvão vegetal Considerando o exposto, e o conceito de insumo aqui adotado (bens necessários ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final), temse que o único elemento que se acrescenta no caso concreto é o silogismo: se a semente é necessária à obtenção da madeira, necessária à obtenção do carvão vegetal, por sua vez necessário à obtenção do ferrogusa, logo a semente é necessária à obtenção do ferrogusa. Não faz sentido culpar/penalizar a empresa por ter fabricação/produção própria dos insumos necessários a etapas subsequentes de seu processo produtivo. Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 17 16 Não assiste razão ao fisco, assim, para efetuar as glosas. A exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3º das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”, como deseja o fisco. Irretocável a decisão recorrida, o Colegiado entendeu que havia sucessivas etapas, inclusive com produto final de uma etapa servindo de insumo à etapa seguinte, o que não encontra obstáculo nos comandos das leis de regência das contribuições, e diante da alteração de fundamento pela instância de piso no que se refere às aquisições de carvão vegetal, há que se a afastar a parte da autuação que ainda era mantida pela DRJ. Com efeito, no julgamento do Acórdão nº 9303003.069, sessão de 13/08/2014, a CSRF reafirmou o entendimento mencionado sobre "insumos dos insumos". Vejamos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 18 17 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado Portanto, quanto a divergência referente a tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas relacionadas à formação de florestas de eucalipto e à produção do carvão vegetal, não assiste razão a Fazenda Nacional. Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 19 18 4. Tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre despesas com serviços de transporte em frota própria na atividade industrial Com efeito, temse que os gastos incorridos sobre despesas com serviços de transporte em frota própria, bem como, aquisição de combustíveis e lubrificantes, utilizados no transporte entre estabelecimentos das lenhas de eucalipto e do próprio carvão vegetal produzido, são essenciais aos processo de produção, portanto, passíveis de creditamento do PIS e da COFINS. Sem embargo, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...)" ( grifei) Deste modo, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. Nesse mesmo diapasão, esta E. Câmara Superior, no julgamento do acórdão nº 9303004.175, sessão de 5 de julho de 2016, de relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, decidiu que as industrias podem constituir créditos de PIS e da COFINS pela sistemática não cumulativa sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte dos insumos, da mãodeobra do parque industrial e do produto final até o local de entrega da mercadoria. Vejamos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DA MATÉRIA PRIMA DO LOCAL DE EXTRAÇÃO AO PARQUE FABRIL. TRANSPORTE DA MÃODEOBRA DO PARQUE FABRIL. TRANSPORTE DO PRODUTO ACABADO ATÉ O PORTO PARA EMBARQUE AO EXTERIOR. DIREITO AO CRÉDITO. As indústrias podem constituir créditos de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 20 19 utilizados no transporte dos insumos, da mãodeobra do parque industrial e do produto final até o local de entrega para embarque ao exterior. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA DE MADEIRAS. SERVIÇOS DE TERCEIROS. PLANTIO DE MUDAS. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar os serviços de plantio de mudas, prestados por pessoa jurídica domiciliada no País a indústria de madeiras para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO, ESTOQUE DE ABERTURA. O aproveitamento de crédito presumido corresponde ao estoque de abertura para os quais foi reconhecido o crédito dos combustíveis, lubrificantes e de materiais de embalagem para transporte". Portanto, a tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre despesas com serviços de transporte em frota própria na atividade industrial, assim como combustíveis e lubrificantes, são insumos essenciais a fabricação do produto final, sendo passível o direito ao creditamento. 5. Observância das Soluções de Consulta Quanto a observância de Soluções de Consulta, entendo que servem apenas para orientar o posicionamento do julgador, não vinculam o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão externo, que atua com independência técnica. Neste mesmo sentido, a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN, editou o Parecer CJU/COJPN Nº 787/2014, que dispõe o seguinte: "O CARF caracterizase como órgão colegiado que sucedeu o Conselho de Contribuintes, paritário, de segunda instância administrativa, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda. À exceção de seu Presidente, os Conselheiros que o compõem não ocupam um cargo público, mas apenas uma função pública. Como os representantes da Fazenda no CARF não estão jungidos às diretrizes emanadas da RFB, mas sim à legalidade, atuam com independência técnica. Por outro lado, dentro dos limites do exercício de sua função pública, eles se subordinam administrativamente ao CARF". Este relator, integrante da CSRF, órgão independente e externo da Receita Federal, vinculado apenas a legalidade, não esta subordinado a observância de Soluções de Consulta da Receita Federal. Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 21 20 Por derradeiro, por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgar apenas conflitos jurisprudências, utilizo subsidiariamente em meus minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, nego provimento ao Recurso interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 22 21 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não são aplicadas diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, o relator e o acórdão recorrido aplicaram o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as despesas incorridas com: 1) o conceito de insumos; 2) créditos relativos a insumos aplicados na parte agrícola que é prévia à atividade industrial propriamente dita. Discutese aqui a possibilidade de créditos dos chamados insumos dos insumos; e 3) créditos nas despesas incorridas no transporte com frota própria. 1) Conceito de insumos Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Apesar de entender que nos critérios de aplicação da não cumulatividade estabelecida ao PIS e a Cofins não seja aplicável o critério da legislação do IPI, como entendem tanto o relator como o acórdão recorrido, não é razoável com a simples leitura da legislação destas contribuições entender que ele é tão amplo a possibilitar abarcar bens e serviços que, apesar de serem essenciais às atividades da empresa como um todo, não têm sua utilização direta na produção do bem ou serviço destinado a venda. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 23 22 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 24 23 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos não é possível tal creditamento. 2) Insumos dos insumos. Fase agrícola. Com o conceito de insumos acima estabelecido, temse que não é possível a apropriação de créditos relativos aos insumos utilizados na fase agrícola. O acórdão recorrido e o nobre relator entenderam ser possível o aproveitamento de créditos dos seguintes bens/serviços: aquisição de mudas, fertilizantes, calcário, fosfato natural, produtos químicos utilizados na preparação do solo das mudas, aluguel de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas, como trator, confidor, caminhões, contratação de serviços de pessoas jurídicas, serviço ao combate às formigas, de capina, limpeza da área de plantio de colheita, manutenção de máquinas e equipamentos, máquinas e bens incorporados no ativo imobilizado, adquiridos para utilização da produção de lenha, frete, relacionado as aquisições de insumos e bens do ativo imobilizado, bem como partes e peças, a serem utilizados na produção da lenha e do carvão vegetal. Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 25 24 É evidente que aqui estamos diante de uma empresa que tem a sua atividade produtiva delineada de forma vertical. No lugar de aquirir de terceiros seus insumos a serem utilizados no processo industrial, providencia por si mesma a produção destes, os quais serão utilizados em sua linha final de industrialização do produto destinado a venda. Essa sistemática verticalizada foi criticada na exposição de motivos da MP 135/2003 (convertida na Lei 10.833/2003), abaixo transcrita, no sentido de que a sistemática da não cumulatividade em implantação serviria de estímulo à mudança desses modelos. 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins não cumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Mas, por óbvio, esse texto só traduz a intenção do legislador que no art. 3º, inc. II, das referidas leis, estabeleceu que os créditos seriam apropriáveis sobre "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Se a empresa produz e vende somente o ferro gusa não é possível que ela se aproprie de créditos de adubos, defensivos, etc utilizados para a produção de eucalipto. Evidente que adubos, defensivos agrícolas e outros bens e serviços atinentes à fase agrícola não são insumos utilizados diretamente no processo produtivo do ferro gusa. 3) Despesas com serviços de transporte de frota própria O acordão recorrido, bem como o relator, entenderam ser possível apropriação de créditos sobre os gastos incorridos sobre despesas com serviços de transporte em frota própria, bem como, aquisição de combustíveis e lubrificantes, utilizados no transporte entre estabelecimentos das lenhas de eucalipto e do próprio carvão vegetal produzido, são essenciais aos processo de produção, portanto, passíveis de creditamento do PIS e da COFINS. Pelo mesmo raciocínio utilizado para delinear o conceito de insumos, bem como no item precedente, tratamse de despesas que não são utilizadas diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Fosse a atividade do contribuinte uma empresa prestadora de serviços de transporte, de pessoas ou cargas, necessariamente as despesas incorridas na manutenção dos veículos, aí incluídos os combustíveis e lubrificantes, poderiam ser admitidos como insumos. Volto a repetir o disposto no inc. II do art. 3º das leis que prevê o crédito sobre "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Notese que ao incluir combustíveis e lubrificantes, fez no mesmo sentido dos demais insumos: utilizados diretamente na produção do bem ou serviço destinado a venda. Definitivamente não é o caso das despesas com a frota própria de que trata o presente processo. Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 10665.721417/201119 Acórdão n.º 9303006.344 CSRFT3 Fl. 26 25 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a estes três itens analisados. Esclarecendo por oportuno que acompanhei o relator quanto a matéria atinente à solução de consulta. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2200DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720281/2012-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIA CADASTRAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral, com atividade impeditiva, não poderá ingressar no Simples Nacional.
SIMPLES NACIONAL.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral devido à atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, Resolução CGSN nº 94/2011, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
Numero da decisão: 1001-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIA CADASTRAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral, com atividade impeditiva, não poderá ingressar no Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral devido à atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, Resolução CGSN nº 94/2011, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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PENDÊNCIA CADASTRAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral, com atividade impeditiva, não poderá ingressar no Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir pendência cadastral devido à atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, Resolução CGSN nº 94/2011, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 02 81 /2 01 2- 62 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10073.720281/201262 Acórdão n.º 1001000.283 S1C0T1 Fl. 71 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0953.017, de 17/07/2014 (efls. 45/48), objetivando a reforma do referido julgado. Em 13/01/2012, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção”, de 23/02/2012 (efl. 16), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na seguinte situação impeditiva: Atividades econômicas vedadas: 71120/00: Serviços de engenharia; e 7119 7/01: Serviços de cartografia, topografia e geodésia. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, com os seguintes argumentos, cujo excerto, que interessa ao presente, é transcrito do relatório do julgado (grifos não constam do original): sabendo que não seria enquadrada no SN por conta das atividades vedadas, "foi dada entrada no processo de alteração contratual e de cnpj na Junta Comercial na data de 30 de janeiro de 2012, e este mesmo processo foi deferido somente em 15 de fevereiro de 2012" (em alusão tácita ao protocolo da Jucerja de fls. 2324, como também à respectiva certificação à página 10 do documento de fls. 0312); "O deferimento do processo de alteração foi exatamente no mesmo dia do resultado final da solicitação, sendo que neste dia já estava alterado o cadastro do cnpj e o cumprimento da exigência foi feita dentro do prazo de 31 de janeiro de 2012 conforme protocolo da Junta Comercial." A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 13/01/2012 OPÇÃO. PENDÊNCIA CADASTRAL. NÃO REGULARIZAÇÃO. INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO. Não comprovada a regularização da pendência cadastral, há que se manter o indeferimento da solicitação da opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 11/09/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 50, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/10/2014 (efls. 52/67), conforme carimbo aposto à efl. 52. É o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10073.720281/201262 Acórdão n.º 1001000.283 S1C0T1 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de constar no objetivo social da empresa atividades econômicas vedadas. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso XI, da Lei Complementar 123/2006, vigente à época, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (grifos não constam do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10073.720281/201262 Acórdão n.º 1001000.283 S1C0T1 Fl. 73 4 não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que regularizou a pendência cadastral que a impedia de optar pelo SIMPLES NACIONAL com a retirada da atividade impeditiva bem como também a alteração do CNPJ. Como se observa na própria informação da recorrente (efl. 02), devidamente transcrita no relatório, e documentos apresentados na manifestação de inconformidade, a alteração contratual foi solicitada na Junta Comercial em 30/01/2012 (efls. 23/24), mas a efetiva alteração contratual foi deferida somente em 15/02/2012 (efls. 02/12). Portanto, fica claro que a irregularidade somente foi sanada após o prazo final estabelecido pela Resolução CGSN nº 94/2011 e não há o que reparar no julgado da Câmara a quo. Por todo o exposto, face à comprovada existência de pendências cadastrais na data limite para a opção (31/01/2012), voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.902414/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a patrona Dra Lorena Conte Azevedo de Freitas, OAB/DF 55.684, escritório Conte Azevedo e Souza Advocacia e Assessoria Jurídica.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a patrona Dra Lorena Conte Azevedo de Freitas, OAB/DF 55.684, escritório Conte Azevedo e Souza Advocacia e Assessoria Jurídica. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (fls. 2/99), no valor de R$ 41.886,75, relativo ao 1º trimestre/2003. Consta dos autos DCOMP com utilização do crédito (fls. 100/102). 2. Segundo Informação Fiscal disponível nas informações complementares da análise do crédito que consta no sítio da Receita RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 41 4/ 20 10 -2 1 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 3 2 Federal na internet (www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto "Restituição...Compensação", item PER/DCOMP, Despacho Decisório.), o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, sob os seguintes fundamentos: a) O Interessado, intimado, em 21.07.2010, a apresentar as informações abaixo, deixou de atender à Fiscalização. Intimado novamente, em 19.08.2010, em resposta (anexa) deixou de atender ao item, do Termo de Início de Ação Fiscal, 6.6 (“Descrição de todo o processo produtivo com relação dos itens que o compõem”), atendeu de forma incorreta, como abordaremos, o item 6.7 [“Relação do(s) produto(s) de fabricação do estabelecimento, indicando a(s) classificação(ões) fiscal(ais), com respectiva(s) alíquota(s) e, em caso de isenção ou imunidade, com a indigitação do(s) instrumento(s) legal(ais) que lhe(s) confere(m) a condição argüida] e também deixou de atender ao item 6.8 [“Relação de todas as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), especificando se adquiridos no mercado interno ou no mercado externo, indicando as classificações fiscais, com respectivas alíquotas, associados a cada produto fabricado, discriminando as quantidades utilizadas ou consumidas no processo produtivo, inclusive os percentuais de perda”]. b) Intimado novamente em 25.08.2010 e em 31.08.2010, mantevese irredutível quanto a apresentar a informação exigida pela Fiscalização, os referidos itens 6.6 e 6.8, limitandose a apresentar resposta parcial (em anexo), quanto ao segundo, relação de insumos que afirma serem utilizados na fabricação de produtos, mas que nem ao menos guardam coerência com as informações oferecidas, pelo próprio, em resposta ao item 6.7, como, p. ex.: o Interessado informa que os insumos Clorocresol OF, Éster Fosfato Ácido Tiamínico Fosfórico e Metionina DL seriam utilizados na produção de Verional, que não aparece na relação de produtos apresentada pelo mesmo, o mesmo ocorrendo com uns tais Avotan, Solution, Berona, Floxivet, Ivotan, Borgal, que também não compõem a dita relação de produtos; sobre as incorreções na informação apresentada em resposta ao item 6.7, além desta agora, abordando a referida acima, nas saídas, em resposta ao item 6.3, do Termo de Início de Ação Fiscal, apresentadas, o Interessado destaca produtos, como p. ex Pencivet diluente envasado ampola 15ml, Anemofortil Amp. 10ml, Penicilina G Potássica não estéril, Monovalente Aftovacin Oleosa (sem NCM), Avotna, Ivotan, Preloban, Mixtovacin, Mastijet, Orastina, Preloban, que não foram apresentados à Fiscalização como produtos do estabelecimento industrial. c) A complexidade dos produtos que o Interessado afirma fabricar, numa ou noutras relações, ainda que divergentes, e das operações que parece realizar, haja vista os CFOP que utiliza, segundo apresentado em resposta ao item 6.3 [o Interessado revende insumos, como p. ex. Polietilenogligol 6000 (PEG), transfere produtos para empresas outras, como p. ex Fab. Cruzeiro, CNPJ 60.561.719/006326 (CFOP 6.21), Akzo Nobel Ltda, CNPJ 60.561.719/003815 e CNPJ Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 4 3 60.561.719/006326 (CFOP 5.151), transfere mercadoria adquirida de terceiros, para a mesma Akzo (CFOP 5.152), dá saída a itens relacionados como produtos de sua fabricação no CFOP 6.999 – Devolução de bem do ativo imobilizado de terceiros, etc.], afora as exigências legais, tornam, de fato mesmo, mais que imperiosa a exigência fiscal quanto às informações, e suas exatidões, solicitadas nos já referidos itens 6.6 a 6.8 do Termo de Início de Ação Fiscal. d) Cumpre ressaltar, ainda, que o Interessado creditase indevidamente, em 100%, do IPI referente a produtos adquiridos de Comércio – comprovado ser Atacadista, o comércio, teria direito a 50%, de acordo com o artigo 148 do RIPI/98, com o artigo 165 do RIPI/2002. e) Desta forma, haja vista o Interessado, por não ter atendido à Fiscalização, pelas insuficiências, inconsistências e irregularidades verificadas nas informações apresentadas, não haver comprovado o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação, propomos o INDEFERIMENTO TOTAL dos pedidos. 3.Cientificada, em 09/11/2010 (AR à fl. 106), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 107/130) na qual traz os seguintes argumentos: a) Que, o despacho decisório em questão apresenta vícios insanáveis, que devem necessariamente ensejar a declaração de sua nulidade. b) Que, a autoridade fiscal trata de saldo credor inferior ao valor pleiteado sem, contudo, especificar de quanto seria esse montante inferior e por que o valor seria inferior. Não há a correspondente justificativa legal e documental para a afirmação de que o saldo credor legitimamente detido pela Manifestante seria inferior. c) Que, a autoridade fiscal alega a existência de créditos indevidos, sem especificar por que os créditos seriam indevidos ou, no mínimo, quais operações/documentos fiscais ensejaram a apropriação do suposto crédito indevido. d) Que, sem dúvida alguma estas meras alegações sem as devidas fundamentações, impedem a Manifestante de compreender, de forma inequívoca, as infrações que lhe estão sendo atribuídas, viciando de maneira insanável este despacho decisório, por falta do essencial requisito da motivação. Na qualidade de ato administrativo que é, estando eivado de vício de motivação, nada mais resta do que ser declarada a sua nulidade. e) Que, os créditos ora discutidos foram escriturados no segundo trimestre de 2003, quando não mais se encontrava vigente o RIPI/98 mencionado pela autoridade fiscal como fundamento para a suposta infração cometida pela Manifestante. f) Que, a autoridade fiscal não especificou em qual(is) documento(s) fiscal(is) identificou este suposto crédito indevido. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 5 4 g) Que, não obstante o equívoco na fundamentação legal utilizada e a falta de suporte documental para a alegação feita, a autoridade fiscal incorreu em evidente erro de direito ao julgar aplicável à situação da Manifestante o artigo 165 do R1PI/02 (Decreto n° 4.544/02). h) Que, aplicase à regra geral da nãocumulatividade, pois, no 2º trimestre de 2003, todos os fornecedores atacadistas, que venderam mercadorias à Manifestante sob o CFOP 6.1024 são regulares contribuintes do IPI – seja pelo fato de importarem as mercadorias revendidas à Manifestante (sendo tal revenda a primeira saída da mercadoria importada no território nacional), seja por terem optado pela equiparação a estabelecimento industrial, conforme autorizado pela legislação de regência do IPI. i) Que, resta plenamente evidenciado que todos os fornecedores da Manifestante — inclusive os comerciantes atacadistas se encontram na situação de contribuintes do IPI, tendo feito corretamente o destaque deste imposto nas notas fiscais emitidas contra a Manifestante. j) Que, no "Termo de Verificação Fiscal" a autoridade fiscal menciona que a Manifestante deixou de atender à fiscalização, não entregando algumas informações solicitadas. k) Que, a Manifestante entregou, sim, grande parte da documentação solicitada pela autoridade fiscal, logo que o pedido foi feito. Ocorre que a autoridade fiscal solicitou um volume considerável de informações, em especial uma pormenorizada descrição do processo produtivo, bem como dos produtos fabricados pela Manifestante informação esta resguardada por sigilo industrial. l) Que, a Manifestante tentou entregar à autoridade fiscal a documentação solicitada ressaltese que a tentativa de entrega se deu enquanto a ação fiscal ainda estava em curso. Contudo, a autoridade fiscal se recusou a receber a documentação, sem justificativa, negando se também a negandose também a assinar qualquer protocolo de que estava recusando o recebimento de documentação da Manifestante. m) Que, para que não restem dúvidas sobre o erro de fato incorrido pela autoridade fiscal e fique clara a retidão da conduta da Manifestante, encontramse anexos presente à Manifestação de Inconformidade (i) a relação completa dos produtos fabricados pela Manifestante, com respectivas classificações fiscais e alíquotas de IPI (doc.56), bem como (ii) a relação completa de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados pela Manifestante, com respectivas classificações fiscais e alíquotas de IPI, e vinculação ao produto final a que se destinam (doc.57). n) Que, a negativa de recebimento de documentação, a falta de identificação de quais operações/documentos fiscais ensejaram supostos créditos indevidos, bem como a ausência de comprovação de como se chegou ao suposto saldo credor inferior (e de quanto este seria) inviabiliza o exercício do direito constitucional à ampla defesa por parte da Manifestante. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 6 5 o) Que, ao não disponibilizar ao conhecimento da Manifestante elementos suficientes para a caracterização das supostas infrações, bem como ao negarse a receber relevante documentação disponibilizada pela Manifestante, o Fisco dá causa à mais absoluta e completa nulidade do trabalho fiscal. p) Que, todas as notas fiscais em referência estão devidamente anexadas à presente Manifestação de Inconformidade (docs. 07 a 52), evidenciando que todas as operações que geraram crédito no 2o trimestre de 2003 se referem a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. q) Que, constatase que para o caso em questão não há necessidade de aplicar qualquer técnica de interpretação legislativa, pela única e exclusiva conclusão de que a Impugnante atendeu a todas as normas estabelecidas pela Lei n° 9.779/99, conforme demonstrado. r) Que, tendo em vista que a implicação fiscal, ou parte dela, tem motivo na não existência da vinculação entre os insumos que dão direito aos créditos aproveitados, e os produtos finais a que se destinam, a Manifestante requer a conversão do julgamento em diligencia, nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235, de 1972, de modo que, com análise estritamente nos livros fiscais, formulando para tanto, os quesitos do Anexo." A decisão recorrida, proferida em sede de manifestação de inconformidade, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas, nos autos, que permitam presumir a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento da pretensão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 7 6 (i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, por não ter apreciado os argumentos de defesa; (ii) nulidade do Despacho Decisório em razão de sua adequada fundamentação; (iii) a fundamentação da decisão, essencialmente voltada para questionar o seu processo produtivo é carente de elementos que lhe permitam concluir pela invalidade do crédito, por total descompasso com a realidade dos fatos; (iv) os fornecedores atacadistas são contribuintes do IPI; (v) é sucessora da empresa Akzo Nobel Ltda, por aquisição de seus estabelecimentos, dentre eles o estabelecimento filial que deu origem aos créditos de IPI compensados; (vi) demonstra a linha sucessória empresarial; (vii) é carente a decisão que indeferiu o pedido de diligência; (viii) a decisão não se baseou em provas irrefutáveis de que o crédito inexiste por não ter sido empregado o insumo no seu processo produtivo, não existindo prova ou evidência de que tenha sido atribuída qualquer outra destinação ou desvio aos insumos adquiridos; (ix) que a decisão está baseada em meras suposições; (x) ao se decidir que o crédito inexiste por informações insuficientes, deveria ter sido efetivada a diligência em respeito ao princípio da verdade material, e (xi) que a autoridade fiscal tem o dever de ofício de rever o lançamento, com fulcro no art. 149, inc. IV do CTN; Ao final, a recorrente pugna pelo provimento do recurso interposto. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 3201 000.421 de 22 de agosto de 2013. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Compulsando os autos, verificase que , a despeito de juntado o termo de verificação fiscal da Delegacia da Receita Federal de Fortaleza (fls.159 e ss), nenhum outro documento mais consta sobre os fatos narrados, especialmente sobre as diversas intimações e fornecimento de informações insuficientes ou incongruentes pela Recorrente. Por outro lado, com a manifestação de inconformidade, vieram juntados: i. planilha com os valores dos supostos créditos (fl.126); ii. notas fiscais relativas ao trimestre em referência, com o devido destaque de IPI (fls. 161 a 198); iii.listagem com relação de produtos finais (fls.207); iv. Relação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (fls.209 a 217); vi.Livro Registro de Entrada (fls.218 a 252); Registro de Apuração do IPI Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 8 7 relativo ao período (fls.253 a 270). Com o recurso voluntário, foi juntada Ficha Cadastral Completa (fls.351 e ss) e o processo produtivo do produto “Anemofortil” (fls.497). Às fls. 252, consta, no instrumento de consolidação do contrato social da Recorrente, que a Akzo Nobel Ltda., conferiu o estabelecimento filial localizado na Rua Prof. Vicente Silveira, 234, em Fortaleza (NIRE 23.9.99006362), em aumento de participação de seu capital. Esse estabelecimento filial é o que consta nas notas fiscais acostadas aos autos. Do que se depreende, em princípio a Recorrente logra comprovar o direito creditório afirmado, trazendo diversos elementos indiciários para a comprovação de seu direito, sem que, por outro lado, tenha ficado assente que referidos documentos tenham sido examinados pela fiscalização. Nesse contexto, temse que, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, cumpre ao julgador administrativo buscar a base empírica sobre a qual lastreará o seu convencimento, devendo buscar, de ofício as provas que julgar necessárias para a comprovação do direito subjetivo. Assim sendo, proponho a conversão de julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise a documentação trazida pela Recorrente para a comprovação de seu crédito, solicitando outros que entende necessários, verificando a materialidade do direito creditório alegado. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada para que, desejando, manifestarse a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após os autos deverão retornar a esta turma julgadora, para que se prossiga no julgamento do litígio." A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, prestou a seguinte informação: "De forma a bem atender ao Carf, solicitamos esclarecimentos, considerado o que segue. 1) Tratase de Ressarcimento de Crédito Básico de IPI solicitado pelo estabelecimento industrial (filial) 07.054.091/000305, com sede em Fortaleza, de acordo com a legislação vigente, detentor do crédito alegado, até então não comprovado; 2) A Manifestação de Inconformidade foi protocolada pelo estabelecimento matriz, 07.954.091/000143, com sede em São Paulo, ‘Recorrente’ que consta no eProcesso, impugnada pela DRJ Belém; 3) O Recurso Voluntário ao Carf foi apresentado pelo estabelecimento industrial (filial) 07.054.091/0003 05; 4) O Carf solicita diligência fiscal na ‘Recorrente’, sem identificála, inclusive cientificandoa dos procedimentos da Fiscalização; Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 9 8 5) Há que se ter segurança, então, sobre a ‘Recorrente’, o ‘detentor do crédito alegado’, o ‘estabelecimento a ser diligenciado’, o ‘estabelecimento a ser cientificado’." Devidamente intimada, sobre a manifestação fazendária, a recorrente presta os seguintes esclarecimentos e informações: (i) que o CARF não determinou a realização de diligência in loco na recorrente, mas a análise dos documentos já juntados aos autos e a intimação da recorrente caso seja necessária a apresentação de documentos adicionais, para verificação da materialiadde do direito creditório; (ii) que o estabelecimento filial detentor do crédito foi encerrado em 29/04/2015, conforme comprova a Certidão de Baixa do CNPJ, razão pela qual requer que todas as intimações e notificações sejam feitas ao estabelecimento matriz. É o relatório. Voto Conforme relatado, o julgamento do processo foi convertido em diligência, sendo que, em nenhum momento o Colegiado através da Resolução nº 3201000.421 de 22 de agosto de 2013 requereu a realização de diligências "in loco", mas sim para que fossem analisados os documentos colacionados aos autos e outros, caso necessário. Para evitar o enfado, reportome às considerações da recorrente: "Ocorre que o CARF não determinou a realização de diligência in loco na Recorrente, mas sim a conversão em diligência para verificação dos documentos já juntados aos autos quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme expressamente mencionado na decisão de fls. 512/518, devendo a Recorrente ser intimada caso seja necessária a apresentação de documentos adicionais para verificação da materialidade do direito creditório alegado." A deliberação contida na Resolução já anteriormente citada, não foi atendida pela unidade responsável. Aqui, merece ser transcrito excerto de voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no recente julgamento do processo n° 19515.000338/200693: "O princípio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução dos litígios tributários. Verificando as informações registradas no relatório fiscal é possível concluir que a Diligência não foi realizada. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência, apesar, de citar no relatório a existência Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 10 9 de diversas intimações à Recorrente para apresentação dos documentos fiscais. Tais intimações referemse ao início do procedimento fiscal e não foram realizadas no escopo da diligência fiscal. Portanto, mostrase evidente que a autoridade não procedeu a diligência determinada por este Conselho. Assim, fazse necessário nova resolução nos mesmos termos da resolução anterior para que a Unidade de Origem realize a diligência, que ressaltese não foram realizadas nos termos decididos por este colegiado. E não será demais lembrar que os integrantes deste Conselho não estão obrigados a observar os atos normativos expedidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão ainda maior para que o entendimento firmado pela Turma seja, muitas vezes, divergente do entendimento que teve o AuditorFiscal e a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a lide, na medida em que ambos estejam obrigados a aplicar o disposto nas Instruções Normativas e demais atos normativos aos quais estão vinculados. Finalmente, convém lembrar como a relação da instância julgadora com a unidade de preparo é disciplinada pelo Decreto nº 7.574/11, que regulamenta, entre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, in verbis. "Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 2º Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas." (grifo nosso) Ainda é mister ressaltar que a diligência é o momento do Fisco também se cercar de todas as seguranças necessárias para conferir a veracidade dos documentos e cálculos apresentados pela Recorrente. Em concordando com a veracidade das informações ou na ausência de quaisquer ressalvas no relatório de diligência, este colegiado passa a considerar como verídicos os documentos e cálculos apresentados pela Recorrente no julgamento." Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10882.902414/201021 Resolução nº 3201001.143 S3C2T1 Fl. 11 10 Assim, diante do não cumprimento ao contido na Resolução nº 3201000.421 de 22 de agosto de 2013, o processo não está em condições de ser julgado, razão pela qual, deve novamente ser baixado em diligência para que a unidade responsável cumpra em todos os termos a diligência referida. Concluída a diligência, deverá ser concedido, o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, retornar o processo para prosseguimento do julgamento. Deve, ainda, ser observado que as intimações e notificações, sejam realizadas ao estabelecimento matriz, em razão do encerramento da filial da recorrente, conforme noticiado nos autos. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.903771/2009-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
MULTA. INCIDÊNCIA CONFORME A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA À ÉPOCA.
As multas e juros devem incidir conforme a previsão legal e regulamentar.
Numero da decisão: 3001-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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INCIDÊNCIA CONFORME A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA À ÉPOCA. As multas e juros devem incidir conforme a previsão legal e regulamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 850201829 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 37 71 /2 00 9- 98 Fl. 52DF CARF MF 2 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o limite do Crédito analisado corresponde ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP no total de R$ 3.671,44.9 Segundo o mencionado despacho, o crédito foi parcialmente reconhecido, tendo sido homologado o valor de R$ 3.587,94 Manifestação de Inconformidade Foi solicitado, mediante vários pedido de Credito referente a Ressarcimento de IPI iniciando em 21/03/2006 até 28/04/2006, totalizando esses pedidos um valor total de R$ 123.136,72. A partir de 12 de maio, iniciou procedimentos de compensação. Erro em PERDCOMP Neste ponto, foi informado nas compensações, créditos oriundos do PER/DCOMP 26657.96654.210306.1.1.013025. Entretanto, os créditos referiamse ao PER/DCOMP informado em planilha de fls. 01. Motivo pelo qual, requer o reconhecimento do crédito. DRJ/RPO. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1454.299 2ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECISÃO ADMINISTRATIVA. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO ADMINISTRATIVO. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO PERANTE AUTORIDADE JULGADORA. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13855.903771/200998 Acórdão n.º 3001000.167 S3C0T1 Fl. 53 3 Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: O interessado, basicamente, alega que os créditos que compensariam os indigitados débitos teriam sido pedidos nas DCOMPs que relaciona. Voto De plano, constato que se trata de pedido intempestivo de retificação da presente DCOMP, com base em créditos que nela não constam. Pois bem, em 18/10/2004, disciplinando a restituição/ressarcimento e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, o Secretário da Receita Federal emitiu a Instrução Normativa SRF nº 460/2004, cujos artigos 55 a 60 estabelecem critérios para Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação. Tal Instrução Normativa foi revogada pela de nº 600/2005, que por sua vez foi revogada pela de nº 900/2008, porém ambas disciplinam o procedimento de retificação de PER/Dcomp. A IN SRF 600/2005, em seus artigos 56 a 61, já a IN RFB nº 900/2008, em seus artigos 76 a 81, quais sejam: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário. Como se vê, a retificação da DCOMP apresentada em formulário ou eletronicamente somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não pode ser realizada indiscriminadamente, pois o procedimento retificador é efetuado formalmente, por meio da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e Fl. 54DF CARF MF 4 somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Nesse sentido, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF– Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) reconhece o descabimento da retificação da DCOMP após a decisão administrativa, conforme explicitam, a título ilustrativo, os seguintes arestos: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. Acórdão 10517130, Processo 13807.003132/200491, Rel. Waldir Veiga Rocha, sessão de 13/08/2008 IRPJ – COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS – RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – Incabível a retificação da Declaração de Compensação, Dcomp, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado.Acórdão 108 09604, Processo 10675.000103/200180, Rel. Karem Jureidini Dias, sessão de 17/04/2008 A par disso, há que se diferenciar que para fins de reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exigese a apuração da liquidez e certeza do crédito, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, considero que não há reparos a promover no despacho decisório, vez que o pleito da contribuinte, manifesto na defesa, não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que à evidência constitui inovação ao pedido inicial. Assim, como novo pedido, não há de ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque tal pedido não fora dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência precípua do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão. Se assim o fizesse, esta autoridade julgadora estaria avocando para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em autocompensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. Dessa forma, sem adentrar em juízo quanto ao crédito presumido informado, encontrase aflorado um novo pedido de reconhecimento de direito creditório e como tal, não há de ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque a autoridade Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13855.903771/200998 Acórdão n.º 3001000.167 S3C0T1 Fl. 54 5 fiscal fora alijada, seja porque falece competência a esta Turma para apreciação originária, a ver pelos artigos 220 e 229 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro de Estado da Fazenda de nº 587, de 21 de dezembro de 2010 e alterações posteriores: Recurso Voluntário A recorrente alega que o pedido de ressarcimento foi datado do ano de 2006, enquanto que os depósitos teriam ocorrido em abril de 2010. Alega ainda, que foram feitos vários pedidos de compensação. Relativamente aos períodos de 04/2006 e 01/2007, também foram realizadas compensações conforme documentação acostada na Manifestação de Inconformidade. Portanto, já de ciência do órgão. Em suas alegações, menciona que a resposta sobre os pedidos, ocorreu em 4 anos e 11 meses, acrescentado juros e multas e valor exorbitante. Solicita ao final, que os juros e multa aplicados sejam somente entre a data da compensação e o protocolo da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual a Recorrente iresignase em face da aplicação de multa e juros no transcurso de tempo de 4 anos e 11 meses; este lapso temporal, segundo a recorrente, teria gerado enormes e insuportáveis encargos. Em sua argumentação, discorre que os créditos solicitados em compensação deveriam mesmo ter sido glosado, mas, ainda no ano de 2009, pois, desta forma, juros e multas seriam, como se denota do mencionado recurso, suportáveis. Não assiste razão à recorrente. O pedido de seu Recurso Voluntário não encontra respaldo na legislação, sendo que as multas e juros devem incidir conforme aplicado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 56DF CARF MF 6 Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720142/2013-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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F. CALMON FLORICULTURA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2013 O parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional e para com a Previdência Social INSS é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional CTN, não se aplicando o disposto no inciso V, do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 01 42 /2 01 3- 07 Fl. 60DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0434.308 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 0915. Mas não trouxe certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. É o meu voto. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Alega a Recorrente, em Recurso Voluntário, que efetuou o parcelamento dos débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, e apresentou a documentação que comprova a sua adesão aos parcelamentos e que havia efetuado o recolhimento da primeira parcela, confirmando o referido parcelamento. Alega, basicamente, em preliminar de mérito que: não justifica o indeferimento do pedido inicial pela justificativa de não haver Certidão Negativa de Débito, se tal documento é emitido pelo órgão público julgador. Somente o próprio órgão que é emissor da certidão (sic) A recorrente, cuja receita bruta anual nunca ultrapassou os R$240.000,00, por imposição constitucional, deve merecer tratamento jurídicotributário diferenciado. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11543.720142/201307 Acórdão n.º 1001000.418 S1C0T1 Fl. 3 3 Portanto, ela faz juz (sic) á opção pelo SIMPLES, conforme assegurado pela legislação atinente. Preliminar rejeitada de imediato, posto que as razões expostas não são as únicas requeridas pela legislação para fazer a opção pelo Simples Nacional. Há que se levar em conta outras exigências, tais como prazo para opção e não haver débitos para com as Fazendas Federal, Estadual e Municipal e para com a Previdência Social, como veremos mais adiante. Alega, nas razões de mérito que: A DRJ, por sua vez, não questionou a existência de parcelamento, baseou a sua decisão, única e exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, com base nos artigos 205 e 206, do Código Tributário Nacional CTN, os quais reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão Fl. 62DF CARF MF 4 negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. Os débitos indicados no termo de indeferimento foram parcelados, consoante a documentação apresentada pelo Recorrente (extrato de parcelamento apresentado pela recorrente fls 09 a 15). O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se provou existir, tal como alegou a Recorrente. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar para, n mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.901866/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 18 66 /2 00 9- 17 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.922, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 28743.82982.160106.1.3.045418, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de julho de 2002, com débito(s) relativo(s) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) , período de apuração de 4º trimestre de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901866/200917 Acórdão n.º 1302002.604 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
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