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Numero do processo: 10880.915943/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO.
A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o Decreto-Lei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza.
Numero da decisão: 3803-004.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que admitiam juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o Decreto-Lei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza.
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INOCORRÊNCIA. O ato administrativo que obedece as suas formalidades essenciais e que não contenha obscuridade que implique cerceamento do direito de defesa não pode ser inquinado de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o DecretoLei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 43 /2 00 8- 90 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 15133.40604.150304.1.3.046426, fls. 5/9, em que utilizou como crédito pagamentos a maior de Cofins Cumulativa relativa ao período de apuração fevereiro de 2001, no valor de R$ 8.012,90, do DARF pago de R$ 187.312,22. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 1, de 26 de agosto de 2008, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado crédito disponível do DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 13/17, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) as DComps tratam de créditos de mesmo tipo e prova, não fracionáveis, pelo que requereu a apensação de todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; b) arguiu a nulidade do despacho decisório pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; c) os documentos ora juntados (notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas da base de cálculo e demonstrativo contábil ) devem ser apreciados sob pena de cerceamento do direito de defesa; d) recolheu indevidamente PIS e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus ZFM, que não geram obrigação fiscal pois equiparadas a exportação por força do art. 4º do DL 288/67; e) o incentivo fiscal permaneceu em vigor mesmo após a promulgação da CF/88, por força do art. 40 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Ao final, requereu a emissão de novo Despacho em face da prova, e/ou homologação da presente compensação e das demais cujo apensamento pleiteiou. Em julgamento da lide, a DRJ/São Paulo I, fls. 44/51, manifestouse pela validade do despacho decisório, eis que proferido por autoridade competente e dele foi dada ciência regular à Contribuinte, rejeitando, assim, o argumento de nulidade. Aduziu que a falta de intimação para prestar esclarecimentos não perfaz o rol das nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 98 3 Quanto ao mérito, defendeu a correção do despacho decisório, referindo que é inteira a responsabilidade do sujeito passivo no tocante à constituição do crédito tributário por meio da confissão em DCTF, e a ele cabe desconstituílo por meio de documento retificador para que se habilite a eventual direito à restituição ou homologação de compensação, quando o DARF vinculado a determinado direito creditório já tiver sido utilizado na extinção dessa mesma dívida. Acerca das vendas para a Zona Franca de Manaus, destacou que a Manifestante não citara o dispositivo legal em que amparara o seu alegado direito ao não recolhimento sobre esta base, nem sob que instituto (imunidade, isenção ou alíquota zero) o enquadra. Não reconheceu o direito ao crédito, se, acaso, a hipótese considerada pela Contribuinte tivesse sido isenção ou alíquota zero, com fundamento na Solução de Divergência nº 7, de 29/11/2006. Se a hipótese aventada pela Manifestante fosse imunidade, assentou que, por se tratar de alegação de inconstitucionalidade, o foro para essa discussão haveria de ser o Judiciário, sendo incompetente para fazêlo a Delegacia de Julgamento. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/2001 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 27 de junho de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 57/68, em 25 de julho de 2011, em que, em síntese: a) inquina de nulidade o acórdão recorrido, por não ter sido claro e preciso na fundamentação de suas razões de decidir e foi construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto b) ratificou e reforçou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quanto à isenção das receitas de vendas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus, não podendo este CARF deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Nulidade Sobre o acórdão recorrido a Recorrente refere que: [...] não deixa claro se a premissa para negar provimento à Manifestação de Inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a Recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a Recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; ou (iii) se a Recorrente não tinha direito à isenção de PIS sobre as vendas realizadas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra”. Em outra passagem, por outro lado, o Acórdão mencionado afirma sem um aprofundamento devido, que a Recorrente não aponta em qual dispositivo legal fundamenta sua pretensão, por supostamente não haver apontado qual o instituto tributário aplicável ao caso, o que, como será visto adiante, não é verdade. A Manifestante estruturou a sua defesa em dois pilares, embora não a tenha repartido em tópicos expressos: (i) preliminar de nulidade do despacho decisório; e (ii) matéria de mérito, em que apresenta a origem do crédito que utilizara na compensação em foco. Após concluir a primeira parte, deixando claro que se tratava de preliminar, nos itens “5” e “6” transcritos abaixo, tece os seus argumentos em torno do mérito, verbis: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 99 5 [...] Isto à guisa de invocação preliminar. 5. No particular, conforme restará demonstrado, o crédito objeto de compensação teve origem em recolhimentos indevidos a título de PIS e COFINS, no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam, na espécie, de vendas para Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento dos tributos, em face das disposições do Decretolei 288/67 que equiparou referidas vendas a uma operação de exportação. E para comprovar o alegado, ora junta a MICROLITE, em ordem cronológica, cópias de todas as notas fiscais ensejadoras do crédito compensado, bem como demonstrativo da base da compensação, em sua totalidade. Ademais, a fim de facilitar a apreciação da prova ora produzida, junta, ainda, a MICROLITE, planilhas demonstrativas da composição mensal das bases de cálculo dos recolhimentos integrais de PIS e COFINS, no período declinado, e cópia do respectivo demonstrativo contábil. 6. Em face do exposto e acreditando que os documentos juntados demonstram a lisura do seu comportamento compensatório e o equívoco perpetrado pela Autoridade Julgadora em seu julgamento, nesta oportunidade requer a MICROLITE seja acolhida a sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para o efeito de (i) preliminarmente se determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal, para a prolação de despacho decisório fundamentado, em face da prova e (ii), por economia processual, se assim não for determinado, se homologar todas as compensações conectadas tanto a este procedimento, como também aos demais procedimentos cujo apensamento ora se pleiteia. Foi com foco na exposição acima que o voto condutor da decisão recorrida afirmou que a Manifestante não apresentara o fundamento legal do direito pleiteado, nem identificara o instituto jurídico sob o qual abarcara a sua pretensão de excluir as receitas oriundas das vendas para a Zona Franca de Manaus da tributação a que anteriormente submetera. Como se vê, no texto reproduzido acima, a Manifestante indicara o Decreto Lei nº 288/67, mencionando que este equiparara as vendas para a Zona Franca de Manaus a exportação. A decisão recorrida não passou ao largo dessa menção feita pela Manifestante, e foi mesmo em face dela que fez a sua consideração de ausência de fundamentação legal do direito. Para o deslinde dessa questão, importa reconhecer que o texto do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 é um enunciado prescritivo que erige a ficção de equiparar a exportação Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 as vendas de produtos nacionais para a Zona Franca de Manaus, porém, desprovido de completude que o torne, por si, uma norma de exoneração tributária. Isso, porque tal preceito faz remissão à legislação em vigor que esteja a reger o tratamento fiscal dado às exportações1, havendo de ser esse tratamento estendido às vendas para a ZFM. Logo, o fundamento jurídico do pedido não só está incompleto, naquela defesa, como, de fato, ausente de indicação está o tipo exonerativo que imunizaria de não incidência as indigitadas receitas. Conforme todos os termos da defesa da Manifestante expressos no mérito, acima expostos, é, de fato, impossível não se ver essa vaguidade na exposição da causa de pedir que sustenta a Manifestação de inconformidade. Não obstante isso, o Julgador a quo não se esquivou de julgar a questão e enfrentou as três hipóteses exonerativas possíveis de serem consideradas pela Parte: isenção, alíquota zero e imunidade. O que o Relator fez, sem mencionálo, foi vislumbrar o caminho processual de defesa mais amplo que era possível à Manifestante, como se ela tivesse se utilizado do princípio da eventualidade. E à luz dessa ampla análise, deitou por terra a pretensão da Manifestante. Então, indaga a Recorrente para conspurcar de nulidade a decisão combatida: qual(is) foi(ram) as premissas que de fato serviram para fundamentar o acórdão recorrido? E afirma: A verdade é que ou não houve premissa alguma; ou, a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, "soltas", caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na Manifestação de Inconformidade, sendo incapaz de apontar de maneira suficiente qual a fundamentação legal considerada para negar provimento à pretensão da Recorrente. Em ambas as hipóteses, o Acórdão é nulo, por cercear o direito de defesa da Recorrente. A pergunta é descabida para o fim específico que almeja a Recorrente. Isso, porque é a manifestação de inconformidade que estabelece o limite objetivo da lide. A Manifestante é que deveria fixar se estava fundamentando o seu recálculo na imunidade, ou na isenção ou na alíquota zero a que estariam submetidas as vendas para a ZFM. Ela afirma que o acórdão abordou institutos tributários não tratados na defesa. É verdade, não foram tratados na defesa. Mas nem por isso se poderá dizer que houve uma decisão extra petita, porquanto os três institutos exonerativos que haveriam de servir como causa de pedir da Manifestante é que foram abordados no acórdão. Tal verdade não mancha a decisão, mas, a contrario sensu, milita contra o interesse da Recorrente, pois a então Manifestante não discutiu nenhum dos três, e que agora afirma ter tratado de isenção. Uma inverdade de fácil verificação. Quanto à observação da Recorrente de que o acórdão foi esparso e lacônico ao afirmar que a documentação juntada pela Recorrente ‘não tem o teor comprobatório buscado no mérito’, ela é inócua, pois, ao tempo em que o faz, não desenvolve argumento na tentativa de demonstrar que os documentos que trouxera na manifestação de inconformidade tivessem, de fato, conteúdo probatório de sua alegação de direito ao crédito. 1 A meu ver, seja esta a vigente ao tempo da edição ou a que estiver vigendo durante o prazo de eficácia do art. 4º do DL 288/67, por força do art. 40 dos ADCTs da CF/88. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 100 7 Por fim, a Recorrente traz à colação ementas de julgados da Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (sic) em que há decretação de nulidade da decisão de primeira instância por falta de enfrentamento de matéria de mérito conduzida na defesa, fundamentandoo no cerceamento do direito de defesa. Conforme elucidado acima, não é o que se deu no presente caso, pelo que, considero incabíveis como paradigmas os julgados citados, por se fincarem em substrato fático distinto. Pelo exposto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito De início, importa rever a evolução, no tempo, dos dispositivos legais e regulamentares em relação à matéria de isenção/exclusão da base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou a receita bruta. Partindose do Regulamento do extinto Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a matéria foi tratada em seu art. 32, inciso V. Esta disciplina antecede à promulgação da Carta da República de 1988 e consequente recepção do art. 4º do DL 288/67, pelo art. 40 dos ADCTs: Art. 32. As empresas, cuja contribuição para o Finsocial seja calculada sobre a receita bruta, excluirão da base de cálculo os seguintes valores: (...) V. receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços, assim entendidas: (...) b) vendas de mercadorias e serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) d) vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores; e) vendas realizadas a empresas exclusivamente exportadoras registradas na Carteira de Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil S.A.; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata o item V deste artigo não alcança as vendas efetuadas por empresas comerciais ou industriais à Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental. [Grifei] Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que o conteúdo do parágrafo único vinculase ao inciso V, como a reconhecer a correspondência das vendas para a Zona Franca de Manaus com a operação de exportação. Malgrado isso, o parágrafo encarta o comando negativo de direito de excluir da base de cálculo do Finsocial as receitas para a ZFM. A contribuição para o PIS/Pasep, instituída pela Lei Complementar nº 7, de 1970, somente veio a tratar de exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição quando da edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, em seu artigo 5º, após a entrada em vigor da CF/88, como segue: Art. 5º. Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] Essa redação prevaleceu até a edição da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, posteriormente convertida na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deixou expressa a vedação de exclusão das receitas de vendas para as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e em Área de Livre Comércio da base de cálculo das contribuições. Vejase: Art. 1° O art. 5° da Lei n° 7.714, de 29 de dezembro de 1988, acrescido dos §§ 1° e 2°, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5° Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] § 1° Serão consideradas exportadas, para efeito no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2° A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (...). [Grifei] A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de dezembro de 1995, cuja reedição final foi convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispôs sobre o PIS/Pasep, e, ao ampliar o leque das receitas excluíveis da base de incidência, no caput do artigo 4º, determina a observância das disposições da Lei nº 9.004/95, mantendo, portanto, inalterada a vedação de exclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e a Área de Livre Comércio da base de cálculo da contribuição: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 101 9 Art. 4º. Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de cálculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: II aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros. [Grifei]. Relativamente à Cofins, com respeito às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, com redação dada pela Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, deixa claro que as vendas de mercadorias e serviços exportados são as destinadas para o exterior: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. [Grifei] O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, ainda que repetindo o pleonástico Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “para o exterior”, cuidou de afirmar que a exclusão da base de cálculo não alcançava as vendas para a ZFM: Art. 1º. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. [Grifei] Posteriormente, edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tratou inteiramente da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e não fez referência alguma à exclusão da receita bruta de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, em seu art. 14, caput, e §§ 1º e 2º, adiante transcrito, redefiniu as regras de desoneração, nas hipóteses especificadas, e revogou todos os dispositivos legais Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 102 11 relativos às isenções e às exclusões da receita bruta, para fins de determinação de base de cálculo, a partir de 30 de junho de 19992, que já não contemplavam isenção para a Zona Franca de Manaus. Em sua redação afastou da isenção as vendas para a ZFM, como o fizeram, antes, o Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, o Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993 e a Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. E dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [Grifei] Esta redação foi mantida até a edição da MP 2.03724, de 23 de novembro de 2000, ocasião em que foi impetrada a ADI nº 2.3489/AM, que resultou na concessão de medida liminar, em 18 de dezembro de 2000, suspendendo a expressão na Zona Franca de Manaus contida no inciso I, do § 2º, do artigo 14, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, com eficácia ex nunc. Em observância à liminar concedida pelo STF, entendo, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 22 de dezembro de 2000, foi suprimida a expressão na Zona Franca de Manaus do art. 14, § 2º, I. Contudo, esse ajuste não implica que após deixar de existir o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja é preciso que o ato legal a explicite, a teor do art. 111, II, do CTN, não sendo bastante o enunciado prescritivo do art. 4º do DecretoLei 288/67, como já o afirmei. Em razão da adequação da Medida Provisória nº 2.03724 à liminar já na reedição seguinte, a falta de aditamento à inicial, pelo impetrante, resultou na perda de objeto da ADI, ficando prejudicada a liminar, conforme decisão datada de 2 de fevereiro de 2005: DECISÃO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA. REEDIÇÕES. AUSÊNCIA DE ADITAMENTO À INICIAL. PRECEDENTE. PREJUÍZO (QUESTÃO DE ORDEM NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.952/DF). 1. Conforme ressaltado pelo ProcuradorGeral da República na peça de folha 545 a 547, a medida 2 Os incisos I e III do art. 6º da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; o art. 7º da Lei Complementar no 70, de 1991, e a Lei Complementar no 85, de 15 de fevereiro de 1996; o art. 5º da Lei no 7.714, de 29 de dezembro de 1988, e a Lei no 9.004, de 16 de março de 1995 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 provisória atacada mediante esta ação direta de inconstitucionalidade foi objeto de reedições sucessivas, não havendo ocorrido aditamento à inicial. 2. Nos termos do precedente revelado na apreciação da Questão de Ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.952/DF, relatada pelo ministro Moreira Alves, com decisão publicada no Diário da Justiça de 9 de agosto de 2002, declaro o prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. 3. Publiquese. Brasília, 2 de fevereiro de 2005. Ministro Marco Aurélio Relator. (fonte: www.stf.gov.br). A evolução desta matéria como descrita acima, permite concluir que os Poderes Legislativo e Executivo ao trataremna, na esfera de suas competências, não tiveram em consideração o art. 40 da ADCT na preservação da equivalência entre as vendas para a Zona Franca de Manaus e a exportação de mercadorias e serviços para o exterior. Não se pode dizer que é de todo desprezível o entendimento segundo o qual a retirada da expressão Zona Franca de Manaus do texto que a excluía da isenção dada às exportações passou a permitir a equiparação prevista no art. 4º do DL nº 288/67. É como se pudesse dizer: a exclusão do que estava excluído é inclusão. Vertendoo na linguagem da norma: venda para a Zona Franca de Manaus deve ser considerada como exportação, para os efeitos ficais; exportação é isenta, exclusive para a Zona Franca de Manaus; retirada a exclusão, Zona Franca de Manaus beneficiase da isenção. O silogismo é válido. Todavia, esse entendimento enfrenta o histórico legal de não equiparação das vendas para a ZFM a exportação pelo Poder Legislativo e pelo Poder Executivo. Mesmo na vigência da liminar na ADI 2.3489/AM, o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 202, 23 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 15 de dezembro de 20043, que reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora dela. Tal ato, assim como a sua conversão em lei, foram promulgados antes, até, da decisão que declarou prejudicado o pedido, esta, em 2 de fevereiro de 2005. Conquanto esta norma tenha efeito prospectivo, o texto do art. 2º contém uma norma implícita, da qual deflui uma conclusão inafastável, qual seja, uma redução de alíquota somente pode acontecer, por óbvio, no bojo da existência de relação jurídica tributária anteriormente estabelecida. Portanto, no caso, a norma está a informar que gravitava sobre as vendas para pessoas jurídicas localizadas na Zona Franca de Manaus a incidência tributária da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a submeter essas operações às alíquotas normais respectivas originalmente fixadas e que, então, passavam a ser reduzidas a zero. Uma vez mais, reforçando o histórico de incidência das aludidas contribuições sobre as operações em foco, a lei 10.996/2004, evidencia que na discussão e votação da Medida Provisória nº 202/2004 não levou em conta o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. 3 Art. 2º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915943/200890 Acórdão n.º 3803004.536 S3TE03 Fl. 103 13 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça tem, reiteradamente, decidido reconhecer a isenção das receitas de vendas de produtos e serviços para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, mesmo após a perda de objeto da liminar na ADI nº 2.3489/AM, alinhandose declaradamente ao entendimento do Supremo Tribunal Federal ali expresso. Anotese, porém, que as decisões não foram proferidas sob a sistemática de recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, do que não resulta a vinculação deste CARF àqueles julgados. Ademais, entendo que não se deve perder de vista que, sendo o papel desta Corte exercer o controle de legalidade dos atos administrativos, o conteúdo implícito da norma contida na Lei nº 10.996/2004 não pode ser desconsiderado, sob pena de se afastar a aplicação da norma de incidência tributária vigente (Lei nº 9.718/98, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003), uma vez que aquela lei não reconhece a existência da isenção das vendas para a ZFM, à base do art. 14 da MP nº 2.158/2001. Adotar esse entendimento não é mero resultado de deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67, como aduz a Recorrente; implica, sim, aplicar a norma de incidência das contribuições, autorizada e validada, concretamente, pela Lei nº 10.996/2004, esta, sim, deixou da considerar válida, para os efeitos fiscais de que aqui se trata, a equivalência das vendas para a ZFM a exportação ao fixar a alíquota zero para este destino. Por fim, aditese: ainda que se superasse todas as razões de direito acima expendidas, a Recorrente deixou de acostar aos autos as bases sobre que efetuara pagamento a maior e documentos idôneos que o comprovassem, circunstância já referida pela decisão recorrida. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12268.000333/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 33 /2 00 9- 23 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 354 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.818 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.221.7516, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 26.583,60. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Pois, não foram declaradas em GFIP as remunerações pagas a trabalhadores. 0 contribuinte foi intimado a apresentar as respectivas GFIPs no Termo de Intimação Fiscal n ° 02 — TIF 02 — em anexo. O Relatório Fiscal da Infração informa: 2. Quanto ao ANEXO I: — A planilha em ANEXO I, demonstra os valores dos lançamentos conforme Auto de Infração Debcad n. ° 37.196.9905. No campo "valor não declarado" os valores correspondem a: a) lançamento BC: o valor recebido pelos empregados; b) lançamento CCI: valores da contribuição dos contribuintes individuais que deveriam ter sido descontados destes; c) lançamento CS: valores da contribuição do empregado que deveria ter sido descontado deste; d) lançamento PCI: valores pagos aos • contribuintes individuais. Todos os valores desta planilha não foram declarados em GFIP. No ANEXO I, o campo " 100% do valor devido", no caso dos segurados empregados, no lançamento "BC", a cota patronal foi aferida em 21% sobre o "valor não declarado", sendo 20% da cota patronal somado a 1% correspondente ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT; a cota do empregado foi aferida em 11% sobre o salário de contribuição referente ao lançamento "CS"; e, no caso dos segurados contribuintes individuais, utilizouse para a cota patronal o percentual de 20% sobre a remuneração recebida, no lançamento "PCI", e de 11% para cota do segurado sobre o saláriodecontribuição de cada contribuinte individual, no lançamento "CCI". Também, no ANEXO I, o campo "lançamento" apresenta os mesmos códigos de levantamentos utilizados nos lançamentos presentes nos documentos de auto de infração e que estão explicitados no relatório dos conforme Auto de Infração Debcad n. ° 37.196.9905. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A Recorrente teve ciência do AIOA em 20.08.2009, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: a) sua condição de instituição diretamente atrelada c vinculada a outra, no caso, a Sociedade Brasileira de Patologia; 1)) a existência de vícios no procedimento fiscal c no Auto dc Infração, a saber: 1).1) o descumprimento do artigo 10, cap2a, do Decreto n° 70.235/72; b.2) o cerceamento do direito de defesa pela falia de entrega de documento habit quando da expedição do Auto de Infração; U.3) a nulidade formal do Auto de Infração por decorrer de lançamento • calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto; c) a impossibilidade de aplicação da multa ante a ausência de circunstancias materiais para a sua implementação, haja vista a utilização de aferição indireta; d) o vicio da pena aplicada, em decorrência da revogação do dispositivo que a fundamenta; e) a improcedência da autuação pois há norma mais ben6fica que a aplicada. Anexou à impugnação, por copia, Estatuto da Associação Paranaense de Patologia e ata de eleição de sua diretoria, Estatuto da Sociedade Brasileira de Patologia, Convênio 24/2005 SESA Secretaria do Estado da Sande, MPF, Termos de Inicio c Encerramento da ação fiscal, DIRF do exercício 2006, Planilha Anexo 1, elaborada pelo Auditor Fiscal como anexo ao Termo de Intimação Fiscal n" 01 c Recibos de Pagamento para contribuintes individuais. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, emitiu a Acórdão nº 0628.814 – 5ª Turma, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 355 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Al 37.221.7516 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não ha que se falar cm nulidade quando a exigência fiscal sustentase cm processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e de ampla defesa. GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFRAÇÃO. Apresentar GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições destinadas a Seguridade Social constitui infração legislação previdenciária. ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS. EMPRESA. PREVISÃO LEGAL. Para fins previdenciários, por expressa disposição legal, a associação representativa de médicos é considerada empresa, cabendolhe todas as obrigações para com a Seguridade Social aplicáveis as empresas em geral. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF O MPF não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno dc planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, não podendo ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal eventuais falhas na emissão, tramite, alteração ou prorrogação de tal documento. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. REMUNERAÇÕES PAGAS PARA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. 0 fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações para segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no mês cm que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro. MULTA MAIS BENIGNA. MOMENTO DA APURAÇÃO. Nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, o cálculo da multa mais benéfica, observada a regra do artigo 106, II, c, do CTN, deve ser procedido no momento do pagamento ou do parcelamento do débito ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal pela PGFN. Impugnação Improcedente Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Noticiase a existência de deposito extrajudicial relativo ao Auto de Infração em apreço, conforme folhas 262 e seguintes dos autos. Encaminhese a unidade de origem, para ciência do interessado c demais providências, ressalvando ao contribuinte o direito de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias da ciência, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n» 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 0 da Lei n." 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002 Sala de Sessões, cm 15 de outubro de 2010. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em 222 itens, resumidamente: (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Desta forma, a ora Recorrente é uma sociedade associativa com o fim de, entre outros tantos, incentivar e promover programas de qualidade da pratica da patologia, o que, em síntese, se traduz no incentivo e na promoção da realização de diversos programas na área da saúde, especificamente da patologia, visando não só o aprimoramento da atividade como a própria proteção da sociedade brasileira, já que o aprimoramento e a execução de programas de qualidade em patologia têm por objetivo a diminuição dos riscos e dos óbitos decorrentes da neoplasia câncer. A propósito, a ora Recorrente, Seccional da Sociedade Brasileira de Patologia, recebeu o encargo, por força de seu Estatuto Social e da condição de Seccional que é daquela outra instituição, assim como por força do Estatuto Social da Sociedade Brasileira de Patologia, de dar cumprimento com um Convênio pactuado entre a Sociedade Brasileira de Patologia e a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná SESA , inclusive para o ano de 2005, conforme se infere do Termo de Convênio e Extrato de Convênio n° 24/2005 anexos Impugnação Total ao Lançamento de fls. , pelo qual a ora Recorrente executa serviços na área de saúde, em prol inclusive do Estado do Paraná e das mulheres que nele residem, pelo qual exerce o controle das patologias e das neoplasias diagnosticadas nas pacientes atendidas pelo SUS Sistema Único de Saúde , o que o faz pelo denominado "Programa de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico Colo de Otero e Mama". Assim e para alcançar e atender a esta finalidade, inclusive em prol da sociedade paranaense, haja vista o Termo de Convênio e Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 356 7 Extrato de Convênio citados, a ora Recorrente, no ano de 2005, não só incorreu com a contratação e, por conseqüência, com o pagamento de empregados contratados sob o regime celetista (CLT), como também incorreu em despesas com o pagamento de profissionais autônomos, cujos custos foram indubitavelmente incorridos para, em essência, alcançar e atender as obrigações que lhe foram decorrentes do Termo de Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná. Desta feita, em razão da condição assumida, a ora Recorrente passou a se subsumir a diversas normas legais e infralegais imputadas a contribuintes e nãocontribuintes da Seguridade Social, atualmente aplicadas e exigidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; . Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. . Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. . Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originador do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 357 9 el ora Recorrente não foi entregue: (i) o Relatório Fiscal previsto na norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, em meio físico; e (ii) o Relatório Fiscal em meio magnético, pois que este foi entregue apenas com o preenchimento de seus cabeçalhos;(iii) o Anexo I, utilizado como suporte probatório de forma anexa ao AI n º 37.196.9905. (...) Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. . Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.221.7516, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 358 11 (...) A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. No Mérito. (v) Da Impossibilidade de Aplicação da Pena de Multa Prevista no Art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, ante a ausência de Circunstancias Materiais Necessárias para a sua implementação, com sua conseqüente Imputação mediante a utilização do Método de Aferição Indireta. (vi) Da Vicissitude da Pena de Multa Aplicada no Auto de Infração em Debate haja vista a Revogação do dispositivo Legal que a fundamenta pela Lei 11.941/2009. (vii) Principio da Retroatividade da Lei Tributária Mais Benéfica ao Contribuinte, Insculpido no Art. 106, Inciso II, Alínea 'C', do Código Tributário Nacional Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 359 13 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Apresenta as finalidades sociais da Recorrente. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é equiparada à empresa nos termos do art. 15, parágrafo único, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) descumprimento do art. 10, caput, e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 . Julgadores, do compilar dos autos em epígrafe, bem como do escorço histórico do embate, consignado no tópico I. acima, V. Sas. depreenderão que a ora Recorrente, ao impugnar a totalidade do Auto de Infração em debate, esteve a postular que o mesmo fosse reconhecido como nulo, em especial por deixar de observar as normas dos arts. 10, caput, e 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. Isso, destacase, pelo fato de que o Auto de Infração fora lavrado por Autoridade incompetente, já que o Auditor Fiscal que lavrara o Auto de Infração em debate não se encontrava autorizado para assim proceder, haja vista o conteúdo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de n° 0910100.2009.000481, acostado como documento 04, anexo à Impugnação Total ao Lançamento de fls. . Contudo, não obstante os fundamentos da Impugnação de fls. , os mesmos, ao serem julgados na instância a quo, foram rechaçados pelas Autoridades Fiscais julgadoras, em especial sob o fundamento de que o Mandado de Procedimento Fiscal não anula qualquer Auto de Infração lavrado, haja vista que se constitui em "mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal", conforme se infere da ementa de fl. 440 dos autos em epígrafe. Por conseguinte, no decisum ora recorrido, estiveram as Autoridades Julgadoras a consignar que "eventuais falhas na emissão, trâmite, alteração ou prorrogação" dos MPFs "não podem ser invocadas como causas de nulidade do procedimento fiscal" (fl. 440), motivo pelo qual o Auto de Infração em debate não poderia ser declarado nulo, pois que "(...) o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente para tal e sim por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas atribuições", conforme se infere do teor de voto de fl. 443. (...) Desta forma, inferese, de forma clara, que o v. Acórdão a quo, ao consignar decisão segundo a qual o MPF não se constitui em requisito de validade do lançamento, pois que é mero instrumento interno de planejamento econtrole das atividades e procedimentos de auditoria fiscal, carece ser reformada. (...) Isso, destacase, pelo fato de que observada a doutrina e a jurisprudência pátria, o Auto de Infração em debate apenas poderia ter sido lavrado pelos Auditores Fiscais que foram elencados no MPF que se encontra acostado como documento 04, anexo CI Impugnação Total ao Lançamento de fls., quem sejam, os Auditores Fiscais registrados como servidores públicos sob as matriculas de n°s 00877220/0953926 (SIPE/SIAPE) e 01217549. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 360 15 em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. . Ora, i. Julgadores, observada a situação fática acima descrita, que se denota do compilar dos autos em epígrafe, é indubitável que o Auto de Infração em debate foi lavrado em completa falta de sintonia com o MPF de n° 0910100.2009.000481, o que o vicia integralmente, com fulcro no art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72. . Desta feita, atrelandose os atos administrativos exarados enquanto perdurou a validade do MPF de n° 0910100.2009.000481, em especial com a lavratura do Auto de Infração em debate, exarada por Autoridade Fiscal não autorizada naquele instrumento administrativo que instaurou a execução dos procedimentos fiscalizatórios, resta evidente que o Auto de Infração ainda em discussão é nulo, por força da norma do art. 10, caput, combinado com o art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como combinado com o art. 7°, inciso V. da Portaria RFB n° 11.371/07, já que o mesmo foi exarado por autoridade incompetente, não autorizada para executar o procedimento ora debatido. Ademais, todo o conteúdo acima fundamentado encontrase em consonância com o teor do enunciado da Súmula CARE n° 21, in verbis, com interpretação conferida conforme a situação concreta exposta: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Analisemos. A questão e fundo é saber se o AuditorFiscal que lavrou o Auto de Infração AIOP nº 37.221.7516 está presente no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659, a fim de se aferir a hipótese de violação ao art. 10, caput e art. 59, inciso I, ambos do Decreto n° 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; De plano, observase que na capa do Auto de Infração, às fls. 01, consta o nome do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073, responsável pela lavratura do AIOP. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 No Relatório Fiscal, às fls. 09, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549. No Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF às fls. 013, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Intimação Fiscal – TIF às fls. 016, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. No Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls. 034, consta a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1.451.073. Em consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659 no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp, extraído em 18.06.2013, constatase que o Mandado de Procedimento Fiscal determina ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula nº 1217549, bem como à AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil ROSA MARIA BONTORIN DIPP matrícula 00877220 / 0953926, na qualidade de SUPERVISORA da Equipe Fiscal: Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 20 de Maio de 2009. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Curitiba, 20 de Janeiro de 2009. VERGILIO CONCETTA Matrícula: 00002549 DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DRF CURITIBA Assinado eletronicamente conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Vide a tela extraída do referido site abaixo: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 361 17 Por outro lado, a Recorrente centra asua argumentação na afirmação de que o AuditorFiscal que lavrou o AIOP não estava relacionado no Mandado de Procedimento Fiscal: 59. Entretanto, ao se observar o Auto de Infração em debate, denotase que a Autoridade Fiscal que o lavrou não é nenhuma dentre as que tiveram suas matriculas indicadas no MPF suscitado, já que a Autoridade que lavrou o Auto de Infração em debate encontrase registrada como servidor público sob a matricula de n° 1451073. Em que pese tal argumentação da Recorrente, comprovouse no exposto acima que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil EDUARDO TANAKA, matrícula SIAPE nº 1.451.073 e matrícula SIAPECAD nº 1217549, autoridade fiscal responsável pela lavratura do AIOP nº 37.221.7516 estava regularmente autorizado para fazêlo nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0910100.2009.00048 – código de acesso nº 59582659. Com isso não há a ocorrência de violação ao disposto no art. 10, caput, Decreto 70235/1972 e no art. 59, I, Decreto 70235/1972. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Da regularidade da lavratura do AIOA. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE PATOLOGIA contra Acórdão nº 0628.818 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.221.7516, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 26.583,60. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Pois, não foram declaradas em GFIP as remunerações pagas a trabalhadores. 0 contribuinte foi intimado a apresentar as respectivas GFIPs no Termo de Intimação Fiscal n ° 02 — TIF 02 — em anexo. O Relatório Fiscal da Infração informa: 2. Quanto ao ANEXO I: — A planilha em ANEXO I, demonstra os valores dos lançamentos conforme Auto de Infração Debcad n. ° 37.196.9905. No campo "valor não declarado" os valores correspondem a: a) lançamento BC: o valor recebido pelos empregados; b) lançamento CCI: valores da contribuição dos contribuintes individuais que deveriam ter sido descontados destes; c) lançamento CS: valores da contribuição do empregado que deveria ter sido descontado deste; d) lançamento PCI: valores pagos aos • contribuintes individuais. Todos os valores desta planilha não foram declarados em GFIP. No ANEXO I, o campo " 100% do valor devido", no caso dos segurados empregados, no lançamento "BC", a cota patronal foi aferida em 21% sobre o "valor não declarado", sendo 20% da cota patronal somado a 1% correspondente ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT; a cota do empregado foi aferida em 11% sobre o salário de contribuição referente ao lançamento "CS"; e, no caso dos segurados contribuintes individuais, utilizouse para a cota patronal o percentual de 20% sobre a remuneração recebida, no lançamento "PCI", e de 11% para cota do segurado sobre o saláriodecontribuição de cada contribuinte individual, no lançamento "CCI". Também, no ANEXO I, o campo "lançamento" apresenta os mesmos códigos Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 362 19 de levantamentos utilizados nos lançamentos presentes nos documentos de auto de infração e que estão explicitados no relatório dos conforme Auto de Infração Debcad n. ° 37.196.9905. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.221.7516 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 363 21 social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (iii) cerceamento do direito de defesa pela falta de entrega de documento hábil quando da expedição do Auto de Infração; Isso, destacase, pelo fato de que ao receber o Auto de Infração originador do Procedimento Administrativo Fiscal em epígrafe, el ora Recorrente não foi entregue: (i) o Relatório Fiscal previsto na norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, em meio físico; e (ii) o Relatório Fiscal em meio magnético, pois que este foi entregue apenas com o preenchimento de seus cabeçalhos;(iii) o Anexo I, utilizado como suporte probatório de forma anexa ao AI n º 37.196.9905.. (...) Aliás, não obstante a revogação dos referidos dispositivos, os mesmos são aplicáveis à hipótese do Auto de Infração em debate em razão de que à época em que ocorridos os supostos fatos Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 364 23 geradores originadores das exigibilidades lançadas no Auto de Infração em debate, as regras acima se encontravam vigentes, não podendo ser ignoradas nem mesmo após o advento das normas que lhe foram supervenientes. Ademais, o art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005, com redação determinada pela Instrução Normativa RFB n° 851/08, corrobora o entendimento acima consignado, calcado nas normas dos arts. 660 e 661 outrora vigentes, conforme se infere da reprodução normativa a seguir: "Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos." (Os grifos não constam do original.) (...) Ora, i. Julgadores, percebese que tendo o Auto de Infração em debate sido lavrado sem que ao mesmo fossem acostados documentos que são exigidos nos instrumentos normativos que dão sustentação e valia aos procedimentos administrativos, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar el ora Recorrente documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu DAD em meio físico, o qual se prestaria não só para indicar o montante do débito previdenciário exigido, como também para elucidar os cálculos e demonstrar todos os elementos que o compõem base de cálculo, alíquotas, montante devido, deduções legais admissíveis e diferenças constatadas. Ao assim incorrer a Autoridade Fiscal, especialmente com a não entrega e a não emissão do documento antes aludido, exigido pela legislação que regia e que rege o procedimento em epígrafe, por força dos arts. 660 e 661, à época dos fatos vigentes, e por força do art. 663, todos da IN MPS/SRP n° 03 2005 restou viciado o procedimento fiscal sue culminou com a lavratura d Auto de Infração em debate Assim, inferese claramente que o prejuízo ao direito de defesa da ora Recorrente decorre não apenas do fato de um dos documentos acima aludidos não lhe terem sido entregues em meio físico, mas sim e também em razão do fato de que sem os mesmos, a ora Recorrente desconhece os supostos elementos probatórios que o compõem e originaram o crédito tributário exigido. (...) Outrossim, ao se proceder com a análise dos documentos entregues em meio físico papel , depreendese que o Relatório Fiscal elencado na atual redação da norma do art. 663 da IN MPS/SRP n° 03/2005 também não foi entregue à ora Recorrente. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Desta feita, temse que ao ser lavrado o Auto de Infração em debate, resta evidente que deixou a Autoridade Autuante de emitir e entregar ora Recorrente outro documento indispensável para o preenchimento dos requisitos formais da autuação, qual seja, seu Relatório Fiscal, especialmente porque este é exigido pela legislação que atualmente rege o procedimento em epígrafe, por força do art. 663 da IN/MPS n° 03/2005, assim como era exigido nas normas vigentes à época em que ocorridos os fatos que originaram a autuação, conforme já exposto acima. . Ademais, a falta do referido Relatório Fiscal não pode ser dizimada em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD NR. 37.221.7516, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na violação do direito de defesa porque não foi entregue o Relatório Fiscal da autuação, ora em meio físico, ora em meio digital. No entanto, a Recorrente admite que recebeu em meio físico, papel, o Relatório Fiscal em razão da entrega do denominado "Relatório Fiscal do Auto de Infração DEBCAD nº 37.221.7516”, fornecido como anexo ao Auto de Infração em debate exclusivamente em meio físico papel. De plano, ao contrário do que aduz a Recorrente, os artigos 660 e 661 da IN MPS/SRP n° 03/2005 já tinham sido revogados há mais de um ano pela IN RFB 851, de 28/05/2008, por ocasião da lavratura do AIOP nº 37.221.7516, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 20.08.2009. Portanto, à época da lavratura do AIOP, o art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, indicava que os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos: Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Outrossim, verificase que a Recorrente teve pleno acesso aos documentos elencados na Folha de Rosto do AIOP ao dar ciência ao AIOP em 20.08.2009, às fls. 01: IPC Instruções para o Contribuinte; REPLEG Relatório de Representantes Legais; VINCULOS Relatório de Vínculo;s REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa Da mesma forma, a Recorrente teve ciência do documento "Recibo de arquivos entregues ao contribuinte em meio digital", emitido pelo Auditor Fiscal, às fls. 42, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 365 25 efetuando o recibo, em meio magnético, do Auto de Infração, bem como dos Relatórios IPC, , REPLEG, VÍNCULOS e REFISC. Outrossim, a Recorrente alega não ter recebido o ANEXO I do AI n º 37.196.9905. No entanto, tal ANEXO I se refere ao presente AIOA nº 37.221.7516 e não ao conexo processo principal AIOP n º 37.196.9905 posto este processo principal não tem ANEXO I. Desta forma, não procede a alegação de falta de recebimento do ANEXO I do conexo processo principal AIOP n º 37.196.9905. Ora, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, posto que a mesma foi cientificada em todos os atos do procedimento fiscal, recebeu todos os documentos integrantes do AIOP – incluindose o Relatório Fiscal , nos termos do art. 663 da MPS/SRP n° 03/2005, na redação dada pela IN RFB 851, de 28/05/2008, bem como interpôs tempestivamente a Impugnação e o Recurso Voluntário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) a nulidade formal do auto de infração por decorrer de lançamento calcado em procedimento especial de aferição indireta, inaplicável ao caso concreto. A inexigibilidade das contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos em competências do anocalendário de 2004; 0 Auto de Infração em debate, bem como o teor decisório do Acórdão de fls. 440 a 456 dos autos em epígrafe, consignam que parte dos débitos previdenciários lançados pela Autoridade Fiscal encontramse pautados em convicção da Autoridade Autuante que se originou das informações constantes da DIRF entregue, por meio eletrônico, pela ora Recorrente à então Secretaria da Receita Federal, e cujo conteúdo pode ser vislumbrado como anexo àquela pega de Impugnação documento 07. (...) Por conseguinte, é indubitável que a Autoridade Fiscal, ao lavrar o Auto de Infração em debate, sendo em seu todo, em uma boa parte, pautouse em informações contidas em outro documento fiscal outrora lhe entregue, o que, de fato, caracteriza procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias. (...) Assim sendo, percebese que de acordo com a lei e mesmo com a regulamentação especifica, o procedimento especial de aferição indireta das contribuições previdenciárias apenas pode ser utilizado quando "a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real [i] de remuneração dos segurados a seu serviço, [ii] do faturamento e Liii] do lucro", conforme se infere da norma do art. 33, § 6°, da Lei n°8.212/91. (...) A propósito, a regulamentação do dispositivo legal citado, reproduzida neste tópico, em especial em seu art. 597, § 2°, da Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 IN MPS/SRP n° 03/2005, dispõe aue a escrituração contábil em livro Diário e Razão é prova hábil e regular, motivo pelo qual afasta a sistemática de aferição indireta das contribuições ora aludidas e lançadas no Auto de Infração em debate. Tal tópico foi analisado pela decisão de primeira instância no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 452, a qual mostrou que para os Levantamentos não foram consideradas exclusivamente informações oriundas da DIRF de modo a se ter uma aferição indireta, mas sim o Relatório Fiscal demonstrou que tais informações constam do Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas": Equivocase a defendente em seu entendimento de que a fiscalização violou normas c que levou cm consideração exclusivamente as informações constantes em DIRF para os aludidos lançamentos, realizando aferição indireta e desconsiderando o Livro Razão c os recibos de pagamento para autônomos apresentados. Pelo contrário, embora o Auditor Fiscal informe que uma parte dos valores relativos aos levantamentos PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E Z 2 Transferido do Lev PCI (75%) tem origem em valores declarados em DIRF, esclarece também que tais informações constam no Livro Razão, conta contábil "11234.1.05.002 — Repasses para Pessoas Físicas" e que foram anexadas à autuação as cópias do Livro Razão com as contas contábeis que originaram os levantamentos procedidos, bem corno copias de recibos de contribuintes individuais referentes ao lançamento PCI, ou seja, não desconsiderou tais documentos, os quais demonstram corn precisão os valores das remunerações que ocasionaram as autuações lavradas na ação fiscal. Em relação ao fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, a decisão de primeira instância no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 452, mostra que considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, com fundamento na IN INSS/DC 100, de 18/12/2003, bem como na IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: No que tange as competências a serem consideradas para efeito dos lançamentos, esclarecese que, diferentemente do que ocorre com as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas para segurados empregados, o fato gerador das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais considerase ocorrido no momento do pagamento ou do crédito da remuneração, o que ocorrer primeiro, podendo tal momento não coincidir com o mês da prestação de serviços. IN INSS/DC 100/2005, de 18/12/2003, revogado pela IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 72. Salvo disposição c/c lei em contrario, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 366 27 b) contribuinte individual no mês em que lhe for paga ou creditada a remuneração. IN MPS/SRP 03/2005, de 14/07/2005: Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I em relação ao segurado: b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; Outrossim, em relação à revisão do lançamento com a compulsão dos elementos fáticos, a decisão de primeira instância ao proceder a análise dos elementos fáticos do lançamento, no correlato processo principal AIOP nº 37.196.9905, às fls. 447 a 448, retificou o débito com a exclusão de parcelas indevidas Para tal correção, necessário se faria excluir os valores acima relacionados da competência fevereiro de 2005, onde foram lançados, procedendose o concomitante lançamento nas competências corretas (janeiro e março/2005). Todavia, isto acresceria as contribuições devidas em janeiro e março de 2005, sendo que a competência atribuída as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em respeito ao principio da vedação à Reformatio in Pejus, não compreende a função de lançamento, com a conseqüente majoração da exigência fiscal, ainda que apenas em algumas competências. Por outro lado, a possibilidade de novo lançamento fiscal dos aludidos valores relativos a janeiro e março de 2005, competências nas quais a empresa apresenta recolhimento parcial, encontrase hoje decaída, consoante o previsto no Parecer PGFN/CAT 1617/2008 que, ao analisar os efeitos da edição da Súmula Vinculante 11`) 08, do Supremo Tribunal FederalSTF (...) Destarte, apenas devem ser excluídos do débito os valores lançados em competência indevida (fey/05), abaixo discriminados, mantendose sem alteração para maior os valores lançados nas competências janeiro/2005 e março/2005. (...) Além disto, e considerando que não se encontra anexada ao processo copia do recibo de pagamento de R$ 477,73 para Luiz Marcelo Agustinho, lançados na competência 09/2005, no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, nem tampouco comprovação dos respectivos lançamentos contábeis, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 realizamos consulta ao CNIS, onde foi verificado que tal segurado foi empregado da empresa até 31/08/2005. Na cópia da D1RF anexada aos autos juntamente com a impugnação o aludido pagamento figura com código 0561— IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado , enquanto que na Planilha "FP x GFIP x elaborada pelo Auditor Fiscal como anexo ao Termo de Intimação Fiscal 01, de janeiro de 2009, tal segurado consta com categoria 01, de empregado. Assim sendo, temse que o mencionado pagamento não se refere a contribuinte individual e sim a segurado empregado, estando, pois, incorreto o corre lato lançamento no levantamento PCIPGT A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, devendo, cm conseqüência, ser excluída da competência setembro de 2005 a contribuição de R$ 95,54 (20%) a ele correspondente. Diante do exposto, concluo que não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (v) Da Impossibilidade de Aplicação da Pena de Multa Prevista no Art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, ante a ausência de Circunstancias Materiais Necessárias para a sua implementação, com sua conseqüente Imputação mediante a utilização do Método de Aferição Indireta. (vi) Da Vicissitude da Pena de Multa Aplicada no Auto de Infração em Debate haja vista a Revogação do dispositivo Legal que a fundamenta pela Lei 11.941/2009. (vii) Principio da Retroatividade da Lei Tributária Mais Benéfica ao Contribuinte, Insculpido no Art. 106, Inciso II, Alínea 'C', do Código Tributário Nacional Analisemos conjuntamente os itens (v), (vi) e (vii). A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12268.000333/200923 Acórdão n.º 2403002.090 S2C4T3 Fl. 367 29 apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.309.1834, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, e, no mérito, se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.008178/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL.
Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INADMISSÍVEL. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 81 78 /2 00 8- 14 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10680.008178/200814 Acórdão n.º 2801003.063 S2TE01 Fl. 85 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 47), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Para Marcílio José Sabino Lana foi emitida, em 12/05/2008 a Notificação de Lançamento IRPF de fls. 45/46, que lhe exige a devolução da restituição recebida indevidamente, no valor de R$675,91, e dos juros de mora, calculados até 05/2008 no valor de R$79,62. Decorreu o citado lançamento do processamento da Declaração de Ajuste Anual Retificadora apresentada pelo contribuinte à Receita Federal, referente ao exercício financeiro de 2007, ano calendário de 2006, às fls. 35/38. Cientificado do lançamento, em 19/05/2008, conforme Consulta/Postagem, recebimento dos correios "AR"de fl. 40, o interessado apresentou, em 27/06/2008, impugnação de fls. 01/05, instruída com documentos de fls. 06/27, alegando, resumidamente, que: a Notificação de Lançamento datada de 12/05/08 foi entregue na sua residência, porém nesta data encontravase no exterior, em viagem que se iniciou no dia 16/05/2008, encerrouse no dia 14/06/08, conforme declaração do Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina IESALC, à fl. 09, tendo chegado a Belo Horizonte às 18:30 no vôo da TAM JJ 3326, de acordo com cópia das folhas de visto emitidas pelo Serviço de Imigração da República Bolivariana da Venezuela e bilhete emitido pela companhia aérea, às fls. 10/11; preencheu e transmitiu, equivocadamente, os dados da sua DIRPF/2008, ano calendário 2007, através do programa da DIRPF/2007, ano calendário 2006, o que gerou uma DlRPF/2006 retificadora, modificando o imposto que era de restituir no valor de R$675,91 na DIRPF original, para imposto a pagar no valor de R$1.152,60 na atual, após retificada; foram apensadas aos autos, para fins de sua instrução, além dos comprovantes, já citados, para corroboração da viagem do contribuinte, DARF de fls. 12/15, cópias dos comprovantes de rendimentos apresentados pela fonte pagadora do impugnante para os anos calendários de 2007 e 2006, às fls. 16 e 17, respectivamente; cópia de Recibo da DIRPF/2008, ano calendário 2007, à fl. 18; cópia da DIRPF Retificadora 2007, ano calendário 2006, com seu de Recibo (fl. 19/20); cópia da DIRPF/2007, ano calendário 2006, originalmente entregue pelo contribuinte, com o respectivo Recibo, (fls. 21/27); por fim requer o acolhimento de sua impugnação, para que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10680.008178/200814 Acórdão n.º 2801003.063 S2TE01 Fl. 86 3 Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por não conhecer da impugnação, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Cientificado em 23/03/2011 (Fls. 59), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/04/2011 (fls. 61 a 66), argumentos em síntese: Apelo para a revisão j deste parecer apoiado nas seguintes justificativas, a Saber: 1. Em primeiro lugar, apelo: ao senso de razoabilidade do Senhor Delegado, pois .comprovadamente eu estava no exterior, tendo retornado ao Brasil em 14 de junho de 2008, quatro'dias antes do vencimento do prazo para apresentação da.defesa (18/06/2008). Se considerarmos que o dia 14 de junho de 2008 foi um sábado, de fato, houve dois (2) dias úteis para procurar esta Delegacia, entender a natureza da notificação expedida.pela Receita Federal, elaborar defesa .e protocolála. Como a situação é verdade, causada^pela minha pessoa, mas não de forma intencional mostrouse , complexa, sobretudo para mim, um contribuinte comum e não detentor dê conhecimentos e experiência em assuntos,de natureza fiscal, foram necessários mínimos nove (9) dias corridos entre 18 e 27 de junho de 2008 para que eu pudesse entender o fato ocorrido em relação à declaração de ajuste anual, exercício 2007, ano base 2006 elaborar nova declaração de IRPF referente ao exercício de 2008, ano base 2007 (entregue em 22 de junho de 2008);. elaborar a defesa para solicitação de impugnação (referente à declaração exercício 2007, ano base 2006); elaborar defesa solicitando cancelamento da multa por atraso para a entrega da declaração exercício 2008, ano base 2007 (processo administrativo que obtive êxito, segundo cópia anexa de comunicado, tendo recebido o perdão da multa por meio de despacho desta Delegacia assinado pelo Senhor Eduardo Gazzinelli, Chefe Delegação de Competência, no dia 25 de maio de 2009). Merece ainda ser informado a este Delegado que no dia 16 de junho de 2008 eu me dirigi à Delegacia da. Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, à avenida Afonso Pena, centro de Belo Horizonte – fato que não tenho como atestar, a não ser pela minha palavra ou, caso haja, serviço de monitoramento interno por vídeo, para obter informações e fui orientado a priorizar a regularização da situação em relação de minha declaração exercício 2008, ano base 2007. Naquela ocasião,,fui prontamente atendido pela Senhora "Cida", que ocupava o guichê de número 33; (...) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10680.008178/200814 Acórdão n.º 2801003.063 S2TE01 Fl. 87 4 A simples verificação das cópias dos recibos que anexo a esta Solicitação de Revisão de Parecer não deixam a menor dúvida de que: 1) quando dei entrada no pedido de Solicitação de Impugnação Pessoa Física, Processo: 10680008.178/200814, protocolado por mim no dia 27 de junho de 2008, somente o fiz porque o protocolo do mesmo foi condicionado ao pagamento antecipado de DARF.no valor de R$ 770,40 (Valor do principal, R$ 675,91 + Valor da Multa, R$ 8,92 + Valor dos Juros ou Encargos DL 1.025/69, R$ 85,57), código da Receita 1054; 2) foram efetuados pagamentos de duas DARF, código da Receita 0211, no valor de R$ 192,10 cada, referentes à suposto débito da Declaração de Ajuste Anual Completa, exercício 2007, ano calendário 2006, apontada como "retificadora". Ou seja, são duas das seis parcelas do imposto , calculado na ocasião, que somadas atingem o valor^total de R$ 1,152,60. Fica evidente que a Receita Federal imputame débitos já quitados total (código da Receita 1054) ou parcialmente (código da Receita 0211). Esta imputações por parte da Receita Federal de débitos é muito embaraçosa e constrangedora à minha pessoa. (...) Por fim, cabeme uma última formulação: não parece justo, legítimo ou correto, no Estado de Direito ao qual todos nós coabitamos, que me seja negada a oportunidade de análise de minha defesa contida na Solicitação de Impugnação Pessoa Física, Processo: 10680008.178/200814, sob o argumento da intempestividade e, como conseqüência, imputados a mim débitos que eu já tenha quitado total ou parcialmente.(...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Inicialmente, passo a analisar as condições de admissibilidade do recurso interposto. Considerando que a ciência do auto de infração pelo recorrente deuse em 19/05/2008 e que a sua impugnação foi protocolada em 27/06/2008, é notório que a peça da defesa foi interposta intempestivamente. No entanto o recorrente apresentou recurso voluntário, onde reitera as alegações da impugnação, a qual sequer foi apreciada no julgamento de primeira instância, dada a sua reconhecida intempestividade. Com efeito, convém reproduzir a norma que aborda a matéria questionada pelo recorrente, o art. 14 e 15 do Decreto nº. 70.235, de 1972, in verbis: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10680.008178/200814 Acórdão n.º 2801003.063 S2TE01 Fl. 88 5 “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Vêse que os dispositivos citados deixam claro que somente a impugnação, interposta dentro do prazo recursal, é instrumento jurídico hábil a instaurar o processo administrativo, sendo a tempestividade dessa, pressuposto intransponível para a prática do ato processual. Insta mencionar ainda, que este Conselho já decidiu diversas vezes, que o fato da impugnação ser intempestiva, não instaura o processo administrativo fiscal e só cabe ao colegiado se pronunciar sobre matéria que venha a se insurgir contra a declaração de intempestividade propriamente dita, ou seja, caso o recorrente alegue que não houve intempestividade, o que não ocorre no caso em análise. Da mesma forma entendeu o Superior Tribunal de Justiça – STJ ao julgar, em 05 de abril de 2011, o Resp 1240018 – SC, de relatoria do Ministro Humberto Martins no tocante a questão de nuance idêntica. “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.A RTS. 14 E 15 DO DECRETO N. 70.235/72. APLICABILIDADE AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS PEREMPTOS E NÃO ÀS IMPUGNAÇÕES 1. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. 2. O tribunal de origem, soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, o que justifica o não cabimento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. 3. Depreendese da interpretação dos art. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72 que a falta da impugnação da exigência, no prazo preconizado de trinta dias, obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. 4. Aplicase o art. 35 do Decreto n. 70.235/72 aos casos em que o próprio caso próprio recurso voluntário é considerado perempto, e não quando a impugnação da exigência não é conhecida em face da intempestividade. Recurso Especial Improvido.” Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10680.008178/200814 Acórdão n.º 2801003.063 S2TE01 Fl. 89 6 Dessa forma, dada a jurisprudência pacífica, tanto no conselho quanto no STJ, entendo ter sido correta a decisão recorrida, que não conheceu a impugnação, posto que, de fato, o litígio administrativo só se instaura com a impugnação apresentada tempestivamente. Ante tudo acima exposto e o que mais contam nos autos, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 19515.004415/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.278
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que votou por anular a decisão de primeira instância. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Redatora
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (relator), que votou por anular a decisão de primeira instância. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. – Redatora Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 41 5/ 20 10 -6 1 Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 33.247 de lavra da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.171.3668. A lavratura foi efetuada para aplicação de multa pelo fato da empresa haver declarado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o relato do fisco, fl. 05, no exame das GFIP, verificouse que a empresa deixou de declarar, no período compreendido entre 01/2006 a 12/2007, todos os valores de Base de Cálculo (BC) de seus segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento apresentadas e respectivos lançamentos contábeis, ocorrendo omissão parcial de informação na GFIP. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. A autuada apresentou impugnação, fls. 506/531, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que as julgou improcedentes (ver fls. 539/556). A DRJ negou o pedido de realização de diligência/perícia em razão da requerente não haver especificado as questões que pretendia esclarecer com a produção dessas provas. Também não foi acatado o requerimento para reabertura do prazo de defesa, ante a ausência de previsão legal que desse guarida à pretensão. Afastouse, ainda, a suscitada nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. O órgão a quo não acolheu a alegada existência de parcelamento, justificando a decisão no fato de não constar do sistema da RFB a confissão de dívida, além da autuada não haver apresentado os documentos comprobatórios de suas alegações. Para o órgão recorrido ocorreu efetivamente a infração, não sendo cabível o cancelamento da lavratura, mesmo porque não se constatou qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. Conclui a DRJ que a multa imposta foi aplicada em consonância com a legislação, não havendo razão para o inconformismo da empresa quanto a esse ponto, mormente, quanto à inconstitucionalidade da legislação invocada para fundamentar o AI. Por fim, afirmouse na decisão atacada que, por determinação legal, as intimações deveriam ser efetuadas no domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 4 3 Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 565/608, no qual, após breve relato de suas atividades empresarias e das autuações combatidas, alegou, em síntese, que: a) o AI n.º 37.171.3625, conexo ao que ora se julga, deve ser cancelado, posto que a empresa efetuou a declaração dos fatos geradores neles incluídos antes da ação fiscal, por esse motivo, não deve a multa por descumprimento de obrigação acessória prevalecer; b) as GFIP apresentadas comprovam a inocorrência da infração; c) no julgamento dos AI conexos, o órgão julgador trouxe ao processo informações que a recorrente desconhecia, as quais alteraram inclusive a descrição da suposta infração, portanto, merece a recorrente a reabertura do prazo de defesa; d) a empresa somente veio a tomar conhecimento de supostas substituições das informações prestadas mediante a GFIP com a decisão sobre os AI conexos, devendo ser anulado a autuação, posto que o fisco não descreveu o fato gerador a contento, deixando de tratar de erros cometidos nas transmissões da guia informativa; e) a DRJ, ao detectar os alegados erros que teriam motivado a substituição dos valores declarados, deveria, pelo menos, ter retornado o processo à fiscalização para que fosse procedido a emenda do relatório, com reabertura de prazo para defesa; f) além de que a empresa possui os protocolos de envios da GFIP, comprovando suas afirmações, ao passo que o órgão recorrido não juntou aos autos nenhuma comprovação de que os dados teriam sido apagados; g) não houve por parte da autuada qualquer retransmissão de dados que pudesse acarretar na falha apontada pela DRJ; h) ao trazer ao processo fato novo e, com base nesse, decidir contra o sujeito passivo, o órgão recorrido violou a garantia constitucional ao contraditório e à ampla defesa; i) agiu conforme a legislação, não podendo ser prejudicada por erros em sistemas sobre os quais não tem gestão; j) o julgador de primeira instância deveria ter trazido ao processo as provas de que o sujeito passivo incorreu nos erros que motivaram as autuações, conforme determinam os artigos 36 e 37 da Lei n.º 9.784/1999; k) no mínimo, o erro apontado deveria ter sido demonstrado com informações prestadas pela instituição bancária responsável pelo recebimento e processamento dos dados declarados na GFIP; l) o AI foi lavrado de forma genérica, dificultando a produção da defesa e, somente após a decisão da DRJ, as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores foram demonstrados; m) a recorrente comprovou que bem antes do início do procedimento fiscal já havia declarado, até em montantes superiores, os valores supostamente omitidos, fato que impediria a imposição da multa; Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 5 4 n) a realização de diligência/perícia é imprescindível para solução da contenda, ainda mais quando a DRJ apresentou novos fatos, sem comproválos; o) para comprovar suas alegações, o sujeito passivo mais uma vez junta aos autos todas as GFIP entregues via sistema; p) o julgamento apresentase incoerente, posto que o próprio fisco reconheceu que as contribuições declarados na GFIP estavam provisionadas na contabilidade da recorrente; q) a multa aplicada é confiscatória, além de que foi aplicada em desconformidade com a legislação de regência; r) a multa de ofício não deve prevalecer, posto que o sujeito passivo declarou as contribuições na GFIP; Ao final pede: a) a improcedência da lavratura, posto que as contribuições já haviam sido confessadas; c) a exclusão da multas aplicada; d) que o processo seja baixado em diligência, de modo que lhe sejam apresentados os motivos que levaram à desconsideração das declarações efetuadas; e) que lhe seja dada oportunidade de se manifestar sobre esses fatos, antes da nova decisão de primeira instância; É o relatório. Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO VENCIDO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade da decisão recorrida A principal questão da presente lide reside na afirmação da recorrente de que teria declarado as contribuições lançadas na GFIP, tendo acostado documentos para comprovar o alegado. O fisco afirmou no seu relatório que efetuou a comparação entre os valores obtidos das folhas de pagamento e da contabilidade com os dados constantes no sistema informatizado da RFB, detectando as diferenças lançadas. Ao decidir sobre a questão no processo n.º 19515.004412/201027 (AI n.º 37.171.3625 exigência das contribuições previdenciárias supostamente não declaradas), portanto, conexo ao que ora se julga, o relator do processo na DRJ afirmou que a empresa havia entregue mais de uma GFIP por competência, CNPJ, FPAS e código de recolhimento, e que esse fato teria motivado a substituição dos dados das guias que foram apresentados na defesa, não sendo as mesmas hábeis a comprovar a declaração dos fatos geradores supostamente omitidos. Vale a pena transcrever essa passagem do voto condutor do acórdão guerreado: “Ocorre que, com o intuito de verificarmos as GFIP´s entregues pela Impugnante, para confrontarmos os valores por ela declarados e os apurados pela fiscalização, consultamos o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e constatamos que embora a empresa tenha juntado na defesa cópias de GFIP´s por ela declaradas, entregou na rede bancária novas GFIP´s, apagando do sistema as informações anteriormente prestadas. Tomandose como exemplo a competência 02/2007, verificase que a empresa entregou 4 GFIP’s para esta competência entre 07/03/2007 e 14/07/2008, sendo duas com o FPAS 612 e duas com o FPAS 515. Sendo assim, muito embora a empresa tenha declarado informações nas GFIP e na sua contabilidade; ter alegado e juntado na defesa documentos que abrangem o período do débito aqui discutido, tais informações não constam mais do sistema informatizado para possibilitar a referida comparação. Diante do acima exposto, as alegações da defesa e os documentos juntados aos autos em nada alteram o procedimento fiscal que apurou valores devidos aos cofres públicos, não declarados em GFIP, conforme demonstrado pela fiscalização. Vale esclarecer ainda que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 7 6 Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada.” No recurso, a empresa volta a apresentar as GFIP, desta feita juntando também a “Relação de Trabalhadores”. Suscitou a recorrente a nulidade da lavratura, posto que não teria sido mencionada no relatório do fisco a substituição dos dados declarados por novas guias enviadas. Alternativamente, pede reabertura do prazo de defesa, para que possa se manifestar sobre essa questão, após a realização de diligência em que a Autoridade Lançadora verifique as guias apresentadas na defesa/recurso e apresente detalhadamente as causas das divergências que teriam dado origem aos lançamentos. De fato, observamos que há remunerações constantes nas GFIP apresentadas que constam da planilha do fisco como “não declaradas”. Esse fato nos leva a suspeitar que a DRJ tem razão ao afirmar que os dados enviados nas guias acostadas haviam sido substituídos. Ocorre que essa circunstância não foi mencionada no relatório fiscal, embora a legislação preveja que nos casos de omissão de fatos geradores na GFIP, o fisco deve solicitar esclarecimentos sobre as divergências verificadas. É o que diz o “caput” do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Na situação sob testilha, verificase que não houve a intimação exigida. A empresa aduz ainda em suas considerações que não houve a entrega posterior de guias que pudessem levar à substituição das informações prestadas originalmente nas guias informativas. Diante desse impasse e verificando que, de fato, a decisão de primeira instância, quando decidiu sobre a lavratura que trata da exigência de obrigação principal, trouxe ao processo um fato que o fisco deveria ter apontado no seu relatório de trabalho, qual seja a possível ocorrência de exclusão de dados informados na GFIP em razão da transmissão de novas informações, entendemos que deva o processo retornar à fase de defesa, de modo que a empresa tenha restabelecido o seu direito de impugnar os lançamentos com amplitude. É inconteste que a omissão no relato do fisco de circunstância que altera o destino da contenda, acarreta em seria prejuízo aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que o fato de ter havido ou não a declaração dos fatos geradores interfere no cálculo da multa e até na própria razão de ser do lançamento questionado. Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 8 7 A regularização processual dessa lide, pede a anulação da decisão de primeira instância, de modo que o processo seja remetida à Autoridade Lançadora para solicitar do sujeito passivo esclarecimentos acerca das divergências entre as GFIP apresentadas e os dados constates do sistema. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. Portanto, não há dúvida de que a regularização da marcha processual não pode prescindir da anulação da decisão de primeira instância, haja vista que foi exarada com prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, merecendo a consequência prevista no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância, para que o sujeito passivo seja intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências verificadas entre as GFIP apresentadas e os dados constantes no sistema informatizado e, após às conclusões do fisco sobre esse fato, seja concedido o prazo legal para empresa se pronunciar. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 9 8 VOTO VENCEDOR Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Embora, tenha discordado da decisão do Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, quanto a determinar a nulidade da Decisão de Primeira Instância, entendo que os argumentos trazidos em seu voto encontramse acertados. Senão vejamos trecho do voto proferido: Ao decidir sobre a questão, o relator do processo na DRJ afirmou que a empresa havia entregue mais de uma GFIP por competência, CNPJ, FPAS e código de recolhimento, e que esse fato teria motivado a substituição dos dados das guias que foram apresentados na defesa, não sendo as mesmas hábeis a comprovar a declaração dos fatos geradores supostamente omitidos. Vale a pena transcrever essa passagem do voto condutor do acórdão guerreado: (...) No recurso, a empresa volta a apresentar as GFIP, desta feita juntando também a “Relação de Trabalhadores”. Suscitou a recorrente a nulidade da lavratura, posto que não teria sido mencionada no relatório do fisco a substituição dos dados declarados por novas guias enviadas. Alternativamente, pede reabertura do prazo de defesa, para que possa se manifestar sobre essa questão, após a realização de diligência em que a Autoridade Lançadora verifique as guias apresentadas na defesa/recurso e apresente detalhadamente as causas das divergências que teriam dado origem aos lançamentos. De fato, observamos que há remunerações constantes nas GFIP apresentadas que constam da planilha do fisco como “não declaradas”. Esse fato nos leva a suspeitar que a DRJ têm razão ao afirmar que os dados enviados nas guias acostadas haviam sido substituídos. Ocorre que essa circunstância não foi mencionada no relatório fiscal, embora a legislação preveja que nos casos de omissão de fatos geradores na GFIP, o fisco deve solicitar esclarecimentos sobre as divergências verificadas. É o que diz o “caput” do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Na situação sob testilha, verificase que não houve a intimação exigida, além de que há no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 373/374, a informação de que foram analisadas as GFIP, embora, contraditoriamente afirmese no relatório fiscal que o levantamento se baseou nos dados constantes no sistema informatizado. A empresa aduz ainda em suas considerações que não houve a entrega posterior de guias que pudessem levar à substituição das informações prestadas originalmente nas guias informativas. Diante desse impasse e verificando que, de fato, a decisão de primeira instância trouxe ao processo um fato que o fisco deveria ter apontado no seu relatório de trabalho, qual seja a possível ocorrência de exclusão de dados informados na GFIP em razão da transmissão de novas informações, entendemos que deva o processo retornar à Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 10 9 fase de defesa, de modo que a empresa tenha restabelecido o seu direito de impugnar os lançamentos com amplitude. É inconteste que a omissão no relato do fisco de circunstância que altera o destino da contenda, acarreta em seria prejuízo aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que o fato de ter havido ou não a declaração dos fatos geradores interfere no cálculo da multa e até na própria razão de ser dos lançamentos questionados. A regularização processual dessa lide, pede a anulação da decisão de primeira instância, de modo que o processo seja remetida à Autoridade Lançadora para solicitar do sujeito passivo esclarecimentos acerca das divergências entre as GFIP apresentadas e os dados constates do sistema. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. A retroação das fases processuais justificase pela impossibilidade de se suprimir do sujeito passivo o direito de discutir essa questão na instância a quo, sob pena de prejuízo ao devido processo legal. Portanto, não há dúvida de que a regularização da marcha processual não pode prescindir da anulação da decisão de primeira instância, haja vista que foi exarada com prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, merecendo a consequência prevista no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972. Ou seja, existe realmente um descompasso entre as informações trazidas pelo auditor fiscal em seu relatório e aquelas utilizadas pelo órgão julgador para manutenção do lançamento, contudo, não entendo que isso implica a nulidade da referida decisão ou mesmo do lançamento, necessitando apenas sejam prestados esclarecimentos, de forma a possibilitar ao contribuinte ter apreciadas suas alegações, e os documentos colacionados aos autos. Não identifico na referida decisão, nulidade, tendo o julgador esclarecido ao recorrente que a entrega posterior de novas GFIP na mesma chave, implica sobreposição das mesmas, apagandose dos sistemas da Receita Federal as informações anteriores. Todavia, o recorrente, alega não ter sido informado dessa sobreposição durante o procedimento fiscal, o que realmente não consta do relatório, fato que criou obstáculo aos seus argumentos, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. É nesse ponto, que entendo devam ser prestados esclarecimentos detalhados entre os documentos GFIP que o contribuinte diz ter entregue para declarar os fatos geradores e aqueles descritos pelo auditor fiscal como constantes do sistema e que servirão de base para a comparação entre os valores declarados, não declarados e recolhidos. É nesse ponto, que entendo ser desnecessária a declaração de nulidade, visto que tal fato poderá ser sanado por meio de uma diligência, na qual seja O RECORRENTE INTIMADO: a apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega; em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; Deve ser enfatizado ao recorrente, que o mesmo não deverá indicar na planilha apenas, as GFIPs que alega ter entregue, para rebater o lançamento, mas todas as GFIP, por ele transmitidas em cada competência. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.004415/201061 Resolução nº 2401000.278 S2C4T1 Fl. 11 10 De posse desses documentos (planilha contendo as informações), deverá auditor elaborar nova planilha, agora incluindo, os valores das bases de cálculo apuradas durante o lançamento nos documentos apresentados pela empresa e da GFIP constante nos sistemas da Receita. Entendo que dessa forma, poderemos esclarecer no lançamento em questão, o que foi apurado de base, as GFIP entregues, a GFIP entregue por último, e a GFIP constante do SISTEMA. Dito fato, embora trabalhoso, mostrase necessário, uma vez que descreveu a autoridade fiscal ter apreciado as GFIPs apresentadas pelo contribuinte durante o procedimento e não ter mencionado a sobreposição das mesmas em seu relatório, quando utilizou as informações dos sistemas da Receita para comparar com os fatos geradores apurados durante o procedimento. Ademais, apenas com esse comparativo será possível afastar ou acatar os argumentos do recorrente de que não houve entrega de novas GFIPs capazes de sobrepor as anteriores, e da impossibilidade de lançar no presente AIOP valores já declarados. Por fim, apenas no intuito de esclarecer, foi colacionado recentemente pelo recorrente uma planilha, com informações semelhantes, porém apenas, destacou as GFIP que o mesmo alega ter entregue, sem prestar informações sobre outras GFIP entregues para a mesma competência, razão pela qual imprescindível a diligência requerida. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por ELAINE CR ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000924/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de COFINS não-cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos.
Numero da decisão: 3803-003.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, por maioria de votos, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freias.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos da COFINS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de COFINS nãocumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, por maioria de votos, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 24 /2 00 9- 69 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freias. Relatório Cuidase de PER/DCOMP com a finalidade de ressarcimento da COFINS, correspondente ao quarto trimestre de 2007 com fundamento em créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados “supostamente”no processo produtivo. Inicialmente cumpre esclarecer que se trata de empresa que possui como objeto social bastante extenso, sendo que cabe destacar: produção, a pesquisa, a lavra, a extração, a industrialização, a comercialização, a importação e a exportação de quaisquer substâncias minerais e vegetais, tais como antracito para tratamento de água, construção de Estações de Tratamento de Água; prestação de serviços na área laboratorial de análises químicas e físicas em geral. Em que pese o amplo objeto social da empresa, o cerne da lide repousa exclusivamente em relação ao conceito de insumo vinculado a aquisição de produtos e serviços adquiridos pela empresa em especial no tocante as atividades de extração, beneficiamento e comercialização de carvão mineral. Às fls. 195 e seguintes consta Informação Fiscal, por meio do qual o agente fazendário cita a legislação afeta a contribuição, bem como as Instruções Normativas da SRF n.º 404/2004 e 247/2002, com a intenção de demonstrar que o Recorrente creditouse indevidamente e ao arrepio do conceito de insumo contido na legislação federal e ressalta que os produtos sobre os quais recaiu a glosa estão arrolados na planilha anexa às fls. 185/190, por não estarem relacionados ao processo produtivo. Às fls. 214/232 sobreveio a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que acolheu na íntegra as conclusões da repartição de origem e homologou apenas parcialmente o pedido do contribuinte, conforme se verifica às fls. 204/205. Já às fls. 258 e seguintes consta a Decisão 0725.796 – 4ª Turma da DRJ/FNS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 199 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas a sua obrigatoriedade ou a caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente ha produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Com efeito, conforme se pode observar a DRJ manifestouse no sentido de que o contribuinte não provou o seu direito e se limitou a apenas alegar que os gastos são indispensáveis e obrigatórios para manter a mina de extração de carvão em funcionamento e reclama pela correta interpretação da legislação e pelo afastamento da IN da SRF n.º 247/2002. A decisão “a quo” comenta que o Recorrente relacionou os gastos glosados que compreende gerar créditos, todavia, não demonstrou, a partir da planilha elaborada pelo agente fazendário, quais daquelas notas fiscais, a DRJ deveria considerar para que o Despacho Decisório fosse reformado em seu favor. Importante fazer contar no relatório, que a decisão de primeira instância menciona que no PAF n.º 13963.000565/200573 a Recorrente juntou diversos documentos que possuem correlação com notas fiscais para as quais se pretendem os créditos, quais sejam: a) Termos emitidos pela Fundação do Meio Ambiente — FATMA; b) Acordos Coletivos de Trabalho e aditivos; c) Termo de Convênio com a Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina — UNESC; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 d) Oficios do Departamento Nacional de Produção Mineral; e) Contratos de prestação de serviços de limpeza e conservação e vigilância; contratos de prestação de serviços relacionados à manutenção do equilíbrio e controle do impacto ambiental. A DRJ afirma ainda que os serviços de consertos e manutenção de motores; consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais, rodantes, etc., apresentaram também correlação com notas fiscais relacionadas pelo agente fazendário na planilha que fundamentou a glosa. Os julgadores comentam também que há gastos para os quais o contribuinte pleiteia créditos que não constam relacionados na planilha elaborada pelo auditor fiscal e o Recorrente não apresentou na Manifestação de Inconformidade cópia de notas fiscais. Assim, no entender da decisão de primeiro grau, o Recorrente deixou de instruir adequadamente os autos com documentos que demonstre o seu direito e inclusive deixou de provar se realmente ocorreu a glosa sobre os seguintes gastos, sobre os quais a DRJ não se manifestou: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) mudas de roupa; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos. Insiste a DRJ no sentido de que se equivocou o contribuinte quando utiliza o critério da “essencialidade” ou “obrigatoriedade” da despesa para definir o conceito de insumo. No seu entender, o conceito de insumo, deve ser aquele previsto na IN da SRF n.º 247/2002, ou seja, somente as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e serviços aplicados na produção de produtos postos a venda. Já em relação aos contratos firmados com a empresa GR Terraplanagem Ltda., a DRJ destaca que a Recorrente deixou de apresentar notas fiscais de prestação de serviços. No seu entender, estas notas seriam úteis para demonstrar os valores glosados e a vinculação com o processo produtivo. De qualquer forma, os julgadores consideram que essas notas fiscais são aquelas anexas às fls. 475/479 do PAF n.º 13963.000565/200573. No tocante as despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, retífica de motores, consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc., a DRJ pondera que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que estes serviços tenham sido utilizados em máquinas e equipamentos pertencentes da cadeia produtiva da empresa. No recurso voluntário, o contribuinte cita o Acórdão n.º 320200.226 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária julgado em 08 de dezembro de 2010, para fundamentar a tese de que deve ser considerado como insumo toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ e não da legislação aplicada ao IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diferente da materialidade da COFINS e PIS. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 200 5 Assim, em suas razoes recursais, a empresa insiste na tese de que o conceito de insumo trazido pela IN da SRF n.º 247/2002 não se aplica ao caso em exame, por restringir o direito subjetivo ao creditamento previsto no art. 195 do Texto Constitucional e na Lei. A empresa lembra que a exploração de uma mina de carvão, difere da atividade industrial habitual em que os maquinários ficam instalados num galpão industrial, pois a mina localizase no campo e ao redor de vegetação nativa e cursos de água e por esse motivo a rigidez da legislação ambiental. Protesta pelo reconhecimento de crédito em relação a todas as despesas indispensáveis e obrigatórias à exploração, ao beneficiamento e a produção do carvão mineral. Ressalta que o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Fundação do Meio Ambiente — FATMA, Departamento Nacional de Produção Mineral e o Ministério do Trabalho impõe exigências, que caso descumpridas, inviabilizam o funcionamento da mina. A empresa insiste em afirmar que a Fazenda Nacional não reconheceu créditos sobre as seguintes despesas: (i) turfas ambientais; (ii) terraplenagem; (iii) análise da água dos córregos arroios e rios; (iv) análise de solo; (v) recomposição da vegetação nativa; (vi) dragagem das bacias de decantação do carvão; (vii) tratamento de efluentes líquidos da mineração e respectivo beneficiamento e decantação do carvão; (viii) topografia; (ix) auditorias ambientais; (x) projetos de conservação e reparação de meioambiente; (xi) análises de lodo flotado; (xii) coleta de resíduos e serviços de elaboração de RIMA; Reclama ainda os crédito em relação as despesas com: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) uniforme; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos; (xvii) consertos de bombas hidráulicas, (xviii) empilhadeiras; (xix) reformas de materiais rodantes; (xx) consertos e manutenção de motores; (xxi) leite; (xxii) água; (xxiii) cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; (xxiv) recarga de extintores; (xxiv) pilares de sustentação; (xxv) auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISSO; (xxvi) serviços técnicos de geologia da mineração; (xxvii) pino e bucha do britador; (xxviii) soldas permanentes; (xxix) copos plásticos e serviços prestados pela empresa GR Terraplenagem Ltda. Ainda destaca que em relação aos bens que gerem créditos apurados sobre a depreciação ou amortização, fazse obrigatório o recalculo dos valores dos créditos devidos na proporção e equivalência destas depreciação/amortização. Por fim, requer a reforma do acórdão hostilizado e a homologação integral dos créditos pleiteados. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 O recurso voluntário é tempestivo e por isso merece ser conhecido. A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Controversa em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Número das fls. Descrição do contrato de prestação de serviços, notas fiscais e outras provas Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 201 7 140/149 Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Recorrente e a Procuradoria da República de Criciúma. Nesta ação judicial a interessada era Ré na Ação Civil Pública n.º 2000.72.040025.439 e tinha por objeto a Recuperação de Áreas Degradadas. 150/161 Termo de Ajusta de Conduta firmado entre a Recorrente e o MPF/MP SC/FÁTMA/DNPM, com a finalidade de obrigar aquele a recuperar o meio ambiente. 162/172 Termo de Ajuste de Conduta celebrado entre a FÁTMA e o contribuinte, com o fito de obrigar este a realizar auditorias ambientais. 177/188 Acordo Coletivo de Trabalho que obriga o contribuinte a realizar o transporte gratuito dos trabalhadores; realizar o controle e prevenção de pneumoconiose; fornecer equipamento de proteção individual aos trabalhadores, bem como roupas, água potável e custear exames médicos e laboratoriais. 189 Termo Aditivo ao Acordo de Coletivo de Trabalho, por meio do qual a interessada foi obrigada a fornecer leite aos empregados. 216/238 Contrato de transporte de trabalhadores. 239/467 Contrato de prestação de serviços de vigilância, limpeza e conservação. 468 Contrato de venda a Recorrente pela CSN rejeitos de carbono fino. Vale citar esse contrato porque na seqüência o contribuinte irá pleitear os créditos em relação ao transporte e destinação final desses rejeitos. 470/479 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental e manuseio de carvão mineral e rejeitos celebrado com a empresa GR Terraplanagem. Neste contrato há a previsão para a prestação dos serviços de escavação, carga, transporte, etc. 475 550/555 746 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental. 483/489 Contrato firmado com a GR Terraplanagem com o objetivo de que fossem prestados serviços de terraplanagem e drenagem para a área de reposição de rejeitos. 490 783/796 Nota fiscal emitida pela GR Terraplanagem para a prestação de serviços de recuperação ambiental. 494 Nota fiscal emitida pela empresa PROFAMI em razão da aquisição de pallets. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 497 Nota fiscal emitida em razão da prestação dos serviços de construção de muro de contenção, pintura de banheiro, emenda, manutenção de redutor de correias, manutenção elétrica e serviço de guincho. 498/499 Nota fiscal referente a conserto de motor. 501/503 Relação de empresas fornecedoras de produtos e serviços. 504/508 542/545 586/591 601/605 724/727 Contrato de prestação de serviços com a finalidade de que esta realize a coleta de resíduos sólidos. 509/522 826/829 Contrato de prestação de serviços planialtimétricos e anteprojeto de recuperação de área ambiental. Contrato de prestação de serviços planialtimétricos, projeto de drenagem etc. 523/525 Contrato de prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas. 526/531 Contrato de prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina. 532/539 Contrato de prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas. 592/595 Contrato de prestação de serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA). 596/598 Contrato de Ensaio técnico. 606/744 Contrato de concessão de certificação e direito de uso de logomarca. 703/809 Contrato de locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental. 709/712 738/743 760/763 802/805 Contrato de prestação de serviços para a realização de Estudos de Ambientais. 713/723 Contrato de prestação de serviços de Estudos Hidrológicos. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 202 9 764/766 Contrato de prestação de serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental. 771 Contrato de prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas. 772/825 Contrato de prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia. 780/782 Contrato de prestação de serviços de terraplanagem com a finalidade de promover a recuperação ambiental. 835/841 Contrato de prestação de serviços de auditoria ambiental. 848/853 Ofício expedido pelo DNPM em relação ao Plano de Fechamento das Minas. 780/782 Contrato de prestação de serviços de análise de risco ambiental da atividade mineradora Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Data da Emissão da NF Nome do Fornecedor CNPJ Descrição da aquisição do material ou serviço 05/10/2005 FUNDACAO EDUC. DE CRICIUMA FUCRI 83661074000104 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 04/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 10 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 35 MEIO AMBIENTE 18/11/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 5 MEIO AMBIENTE 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 02/12/2005 TISCOSKI & CIA. LTDA. . 82838434000634 SEMENTES 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 09/12/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 05/12/2005 AQUAFLOT INDUSTRIAL LTDA 04322694000134 MEIO AMBIENTE 08/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 203 11 16/12/2005 LOUBER LTDA ME 02254873000156 MEIO AMBIENTE 20/12/2005 METRO EXTRACAO DE ARGILA LTDA 06167524000158 MEIO AMBIENTE 21/12/2005 ENGEMIL IND.COM .MAQUINAS EQUIP.SERVICOS 06947454000150 MEIO AMBIENTE 15/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA. 80982945000195 MEIO AMBIENTE Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 12 recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais, em outras palavras, nem ao mar, mas também nem à terra. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000924/200969 Acórdão n.º 3803003.873 S3TE03 Fl. 204 13 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Apelação Improvida. A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 14 contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente, nos termos do voto e bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900942/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 09 42 /2 00 9- 13 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900942/200913 Acórdão n.º 1803001.757 S1TE03 Fl. 171 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900942/200913 Acórdão n.º 1803001.757 S1TE03 Fl. 172 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 83 e 84): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 12010.99967.101106.1.3.04 9897, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado, “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/19, acompanhada dos documentos de fls. 20/80, na qual alega, em síntese, que: a) a PER/Dcomp tem como objeto a compensação de valores recolhidos indevidamente na competência de maio de 2006; b) tal pedido foi requerido em razão do equívoco da contribuinte quando da emissão da guia para pagamento do tributo; c) o valor foi recolhido indevidamente, pois como a apuração do referido período foi realizada por balancete de suspensão/redução, não haveria saldo de tributo a recolher; d) como estipula a legislação vigente, a impugnante requereu a compensação de valores para suprir os débitos relativos ao IRPJ (código de receita: 5993), do mês de setembro de 2004; e) enviouse a Dcomp em questão à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo esta indeferido a alegada compensação; f) transcreve os artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, que foram citados no despacho decisório; g) reproduz também os artigos 10 da IN/SRF nº 600/2005, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96; h) ratifica que a compensação requerida foi amparada por legislação em vigor na época da compensação; i) cita e transcreve o artigo 2º da IN/SRF nº 360/2003; j) conclui que os créditos objeto de compensação referemse a pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL, e não de saldo negativo de IRPJ e CSLL, conforme se comprovam com as cópias do Livro Lalur e DIPJ apresentados. Ao final, requer o afastamento da referida decisão de indeferimento, por falta de amparo legal, julgando o PER/Dcomp aqui guerreado como legal, homologando as referidas compensações. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 82): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2006 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900942/200913 Acórdão n.º 1803001.757 S1TE03 Fl. 173 4 Os recolhimentos mensais da IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro, poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subsequente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2006 ILEGALIDADE DOS ATOS NORMATIVOS TRIBUTÁRIOS. A discussão sobre legalidade dos atos normativos tributários é matéria reservada ao Poder Judiciário. O julgador deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos tributários. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 18/02/2011 (fls. 97 numeração digital ND), a tempo, em 19/03/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 98 a 107 (ND), instruído com os documentos de fls. 108 a 168 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o pagamento não se refere a pagamento por estimativa (apuração do lucro real), e sim a um pagamento “solto” que, por um erro no sistema de informática, gerou a referida guia, que foi recolhida pelo contribuinte e, depois de verificado o erro e levantado o seu crédito, efetuou a referida compensação; e b) que o pedido administrativo de PER/DCOMP, apresentado para a compensação do imposto, tratase, simplesmente, de um DARF, recolhido indevidamente, sob um código de DARF que confundiu o julgamento da Delegacia da Receita Federal de Primeira Instância, levandoos a julgar como improcedente. Em mesa para julgamento. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900942/200913 Acórdão n.º 1803001.757 S1TE03 Fl. 174 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900942/200913 Acórdão n.º 1803001.757 S1TE03 Fl. 175 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721902/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 17/05/2007
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE.
O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de fraude e conluio, implica o agravamento da multa no lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
A entrega de mercadoria estrangeira importada de forma fraudulenta para consumo sujeita o importador à multa regulamentar correspondente a 100,0 % dos seus valores, nos termos da legislação tributária vigente.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO
Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador por ter agido com infração à legislação tributária, visando reduzir os tributos devidos na importação, mediante fraude e conluio.
Numero da decisão: 3301-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade levantada pela conselheira Maria Teresa Martínez López. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López. Quanto ao mérito, também pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao Recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial em maior extensão. Acompanhou o julgamento o advogado Marcelo Moreira, OAB-SC 11988-B. Fará declaração de voto a conselheira Maria Teresa Martínez López.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 17/05/2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de fraude e conluio, implica o agravamento da multa no lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte A entrega de mercadoria estrangeira importada de forma fraudulenta para consumo sujeita o importador à multa regulamentar correspondente a 100,0 % dos seus valores, nos termos da legislação tributária vigente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador por ter agido com infração à legislação tributária, visando reduzir os tributos devidos na importação, mediante fraude e conluio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade levantada pela conselheira Maria Teresa Martínez López. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López. Quanto ao mérito, também pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao Recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial em maior extensão. Acompanhou o julgamento o advogado Marcelo Moreira, OAB-SC 11988-B. Fará declaração de voto a conselheira Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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E FÁBIO SARTORI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. PIS/COFINS. IMPORTAÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 DECADÊNCIA. TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FRAUDE. No caso de fraude, nas operações de importação de mercadorias, o prazo qüinqüenal de que a Fazenda Nacional dispõe para constituir o crédito tributário é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído por meio de lançamento de ofício. MULTAS REGULAMENTARES. INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário decorrente de penalidade por infração tributária, na importação de mercadoria, se inicia na data da sua ocorrência. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUTAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 19 02 /2 01 1- 17 Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador por ter agido com infração à legislação tributária, visando reduzir os tributos devidos na importação, mediante fraude e conluio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS. Incide imposto sobre as diferenças apuradas entre os preços de importação das mercadorias subfaturadas e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA ADMINISTRATIVA. O subfaturamento de mercadorias importadas implica na aplicação de multa administrativa correspondente a 100,0 % das diferenças apuradas em relação aos preços efetivamente praticados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS. Incide imposto sobre as diferenças apuradas entre os preços de importação das mercadorias subfaturadas e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA REGULAMENTAR. A entrega de mercadoria estrangeira importada de forma fraudulenta para consumo sujeita o importador à multa regulamentar correspondente a 100,0 % dos seus valores, nos termos da legislação tributária vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. ICMS DIFERIDO. O ICMS, independentemente ser diferido ou não integra a base de cálculo da contribuição para o PISImportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 12/01/2006 a 17/05/2007 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. ICMS DIFERIDO. O ICMS, independentemente ser diferido ou não integra a base de cálculo da CofinsImportação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 17/05/2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio de fraude e conluio, implica o agravamento da multa no lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.832 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade levantada pela conselheira Maria Teresa Martínez López. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López. Quanto ao mérito, também pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial ao Recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial em maior extensão. Acompanhou o julgamento o advogado Marcelo Moreira, OABSC 11988B. Fará declaração de voto a conselheira Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Florianópolis que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos dos créditos tributários referentes aos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, às contribuições para o PISImportação e CofinsImportação, acrescidos das cominações legais, multa de oficio agravada e juros de mora, e, ainda, multas de controle administrativo e regulamentar, referentes aos fatos geradores ocorridos no período de competência de janeiro de 2006 a maio de 2007. Os lançamentos decorreram do subfaturamento dos bens importados, mediante a falsificação de documentos, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 1.230/1.345. Cientificados das exações, a recorrente e o responsável solidário Fábio Sartorti, seu sócio administrador, impugnaram os lançamentos (fls. 1.751/1.939), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “Que, não houve a qualificação do sujeito passivo solidário FABIO SARTORTI, acarretando em nulidade do auto de infração; Que, a responsabilidade atribuída ao sócio administrador é equivocada, muito embora qualquer pessoa arrolada no artigo 135 do Código Tributário Nacional possa ter praticado algum ato com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatuto, isto não significa que deve ser responsável por todos os créditos tributários do devedor originário; Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Que, a solidariedade ocorre entre pessoas físicas, não abarcando a pessoa jurídica. Ademais haveria que restar demonstrado que a NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. não possui patrimônio suficiente; Que, os agentes fiscais utilizaram informações de terceiros e não da contabilidade da impugnante NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., tratandose de presunção não inserida na legislação. Não houve demonstração dos critérios utilizados e quais foram os atos praticados pelo impugnante FABIO SARTORTI com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. Qual a conduta omissiva ou comissiva do responsável solidário. Auferir lucros não é crime; Que, jamais poderá haver entendimento que os supostos tributos sonegados, conforme afirmação fiscal, contribuíram para formação dos resultados financeiros da IMPUGNANTENS, uma vez que, em caso hipotético, se houvesse sonegação, jamais haveria lucro tributável e tão pouco distribuição de lucros; Que, ao invocar o Código Civil (artigo 422) a fiscalização adentra em atribuições do Judiciário previstas na Constituição. Não ficou claro quais as hipóteses dos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional teria sido enquadrado o impugnante FABIO SARTORTI. Há nulidade insanável, ocorre cerceamento ao direito de defesa dos impugnantes; Que, não basta ser diretor. É preciso que o débito tributário em questão resulte de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que precisa ser comprovado; Que, por ocasião do cumprimento do mandado judicial de busca e apreensão na sede da impugnante NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. as autoridades não encontraram qualquer documento “paralelo” que ateste a teoria da fiscalização; Que, não há qualquer prova que ateste ou comprove que o Sr. Rômulo é o vulgo RO mencionado constantemente pelas autoridades; Que, o compartilhamento autorizado pelo DD. Juíza da Vara Criminal Federal permitiu somente o compartilhamento dos objetos apreendidos com informações úteis e não o uso de Relatório de Análise Financeira elaborado pela Polícia Federal. Consequentemente, as "provas emprestadas", além de não provarem efetivamente nada contra a impugnante são ilícitas, não podendo servir de base para a autuação pretendida pela fiscalização. Tal fato cumulado pelo arquivamento e inexistência de ação criminal, tornam as suposições descritas no lançamento fiscal, objeto da defesa, nulas de pleno direito; Que, a fiscalização se contentou em aceitar presunções de outro procedimento, ao invés de fiscalizar efetivamente a impugnante e buscar a verdade dos fatos; Que, em nenhum momento, houve configuração de envio de remessas ou ordem de pagamento a qualquer conta bancária em nome dos impugnantes, o que implica em afirmar que a concretização da Hipótese de Incidência (fato gerador) dos tributos exigidos tipificado no Lançamento Fiscal em Impugnação é improcedente, pois não comprovado; Que, é inadmissível a constituição da relação jurídica tributária com base, unicamente, em dados passados por ente não tributante diverso, ainda mais sem respeitar as formalidades legais impostas. Não pode o Fisco Federal se valer de Informações sem evidência documental de ilicitude, e até mesmo de quem elaborou Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.833 5 o documento, a sua própria consistência de veracidade, o preenchimento dos requisitos básicos (como assinaturas, origem, protocolos, carimbos, vistos, etc), para imputar à impugnante pena de perdimento; Que, baseadas em juízo de probabilidade, as presunções não constituem prova segura e como tal não fornecem ao DD. Julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito pretendido; Que, dentre as diversas cópias de documentos trazidos aos autos administrativos, encontramse informações em língua estrangeira, sem tradução juramentada, sendo estes utilizados pela fiscalização, para pretensamente demonstrar que, segundo suas próprias afirmações, a impugnante realizava atos ilícitos. Há cerceamento da defesa; Que, as interceptações telefônicas se tratam de transcrições interpretativas, não há transcrição integral das supostas interceptações, além da ausência de outros elementos importantes; Que, a Fiscalização deixou de apresentar prova, seja documental ou de qualquer natureza, quanto à efetiva ocorrência de que a impugnante realmente movimentava as supostas contas FRANCISCO cumulado com a obtenção de renda que desse suporte a estas movimentações. O que tais documentos podem comprovar, são de que houve movimentação de crédito e débito em operações de transferência de valores, mas não depósitos, que enseja ser contas bancárias, restando evidente a existência da presunção; Que, se a impugnante supostamente tivesse autorizado este tipo de atividade, é óbvio que haveria prova quando da busca e apreensão o que deveria haver algum controle, por mínimo que seja, para que não houvesse prejuízo na operação. Não foi encontrado; Que, em relação à representação comercial da Empresa GrozBeckert e Kern Liebers e MemmingerIro, a fiscalização não requereu ou confrontou nos registros fiscais ou contábeis, o recebimento de comissão de vendas, também não solicitou o respectivo contrato para comprovar as alegações do relatório policial. Bastava a fiscalização requerer das Empresas sediadas no exterior a confirmação de recebimento dos valores descritos no relatório financeiro emitido pela polícia federal; Que, a DI registrada 47 dias da realização pela Policia Federal da Operação Ouro Verde, demonstra a evidente e clara licitude da impugnante em todas as suas relações comerciais; Que, a multa de 100% somente deve ser aplicada quando, pelas circunstâncias do caso, fique caracterizada a existência de máfé, ou seja, o intuito de fraude, o que não é o caso dos autos; Que, FABIO SARTORTI nunca foi ou é proprietário da empresa ROTNER FINANCE S/A. Reportavase a um grupo de empresários Europeus e Japoneses que mantinham ou mantém ações naquela sociedade por ações. As operações não trouxeram prejuízo ao Erário; Que, se as faturas fossem emitidas no País pela interessada, estas seriam facilmente detectadas, tanto pela Polícia Federal, quanto pelos fiscais que acompanharam a busca e apreensão; Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Que, é evidente que, FABIO SARTORTI não é o proprietário da empresa ROTNER, mesmo porque, se assim o fosse, seria totalmente desnecessário a outorga de poderes pela ROTNER FINANCE S/A à sua pessoa para que este a representasse junto ao ABN AMRO BANK. Mensagens inseridas no Relatório Fiscal tratam da real prestação de contas realizada por FABIO SARTORTI aos proprietários da ROTNER na Alemanha. Foi procurador da empresa ROTNER FINANCE S/A; Que, o perdão de dívida não afetou ou afetará qualquer dano ao Erário (empresa da Europa e Empresa Uruguaia). A busca e apreensão não logrou encontrar qualquer documento neste sentido; Que, o fato de estar emitindo uma ordem de remessa para GrozBeckert em nada contribui ou prova de que estava enviando remessas para depósito, quitação, pagamentos de ou das importações realizadas pela impugnante NS; Que, em relação ao fornecedor Sugiura, houve interpretação equivocada da fiscalização, a lista de preços citada não se tratava da lista de preços para venda à impugnante. A fatura S4213 não trata das mercadorias inseridas na DI n° 07/06404429; Que, a Fatura Proforma S4213/S4213R foram emitidas em nome da empresa SUPERIOR COMÉRCIO DE ACESSÓRIOS TÊXTEIS LTDA. e a DI em questão foi registrada em nome da impugnante – NS; Que, no email (item 07) citado pela fiscalização, há uma pergunta para Sra. Mirian, pela SUGIURA: indagandoa se a NS quer fatura subfaturadas como as da SECLATEX. – Isto é uma pergunta. Nos emails posteriores, veremos que a NS quer PREÇOS INFERIORES para atingir o mercado, e não agir como a SECLATEX e Mayer do Brasil. Isso não ocorreu; Que, a entrevista citada pela fiscalização foi dada à Revista Têxtil, entrevista intitulada “The Top”. FABIO SARTORTI realmente tem um estreito relacionamento com seus fornecedores. Contribuinte tem que buscar negócio, prospectar, vender, manter, receber, pagar, tributar e etc; Que, a GROZBECKERT adquiriu a empresa SMC na semana em que FABIO SARTORTI estava na Alemanha, no final do ano de 2006. Como Empreendedor e empresário e buscando sempre inovar e agregar volume de negócios, houve uma imediata prospecção de mercado. RUBENS BRANDO, Consultor Técnico, foi o responsável pela elaboração de um relatório baseado nas informações colhidas junto aos representantes da NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO, somadas aos dados coletados pelos próprios funcionários da NS, juntamente com FABIO SARTORTI. A impugnante constatou no mercado a forma de venda ilícita, e procurou alertar o fabricante que não tinha nenhum know How na comercialização destas peças, no caso cilindros para formação de malha. Somente em 2009 é que houve comercialização de cilindros; Que, em relação ao diálogo realizado entre RÔMULO e HELIO VIEIRA JUNIOR, e citado pela fiscalização, os funcionários da NS estão tratando de valor a pagar para a ROTNER; Que, não houve confrontação dos fatos atribuídos à impugnante com os seus números contábeis ou de seus fornecedores; Que, a aplicação isolada da MULTA DE OFICIO, não pode prosperar, porque, antes mesmo do início da fiscalização e antes de qualquer de qualquer procedimento de oficio, o impugnante recolheu todos os tributos e o acréscimo legal previsto no ARTIGO 138 DO CTN; E fere o referido artigo e ainda o ARTIGO 150 Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.834 7 INCISO II DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Os tributos foram recolhidos em anos anteriores; Que, não há nos autos prova material de que a IMPUGNANTENS tenha intentado dolosamente em inserir em suas declarações de importação preços menores ao praticado; Que, a capitulação apontada pela Autoridade Fiscal, conforme antes descrita, não tem nexo de causa com a descrição dos fatos. Primeiro porque ela foi REVOGADA, e segundo porque ela se aplica a fatos gerados a partir de junho/2007, e a fiscalização tem como último fato gerador maio/2007. No caso da suposta infração de subfaturamento, e, pelo disposto anterior ter sido REVOGADO pela Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007, deve ser obedecida, além da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, "a,c", do Código Tributário Nacional, não penalidade aos impugnantes. A lei deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa; Que, a autoridade administrativa ao realizar o lançamento fiscal não observou a homologação tácita dos tributos; Que, a interessada possui benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina. O ICMS é diferido na importação. A base de cálculo utilizada pela fiscalização não observou este benefício. Ocorre confisco; Que, há inconstitucionalidade das contribuições PIS e COFINS –importação, inclusive com mácula na sua base de cálculo; Que, há erro na taxa de câmbio utilizada no cálculo, é divergente daquela divulgada pelo Banco Central do Brasil.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0727.616, datado de 29/02/2012, às fls. 2.330/2.368, sob as seguintes ementas: “BASE DE CÁLCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre os tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício dos tributos. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS. Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A fraude constatada afasta a homologação tácita. MERCADORIA ESTRANGEIRA. OBJETO DE IMPORTAÇÃO IRREGULAR OU FRAUDULENTA. CONSUMO. MULTA REGULAMENTAR. Constatada a entrega a consumo de produto de procedência estrangeira cuja importação tenha sido irregular ou fraudulenta, é de se aplicar a multa prevista para a hipótese.” Inconformada com essa decisão, a recorrente e seu sócio administrador Fábio Sartorti, responsável solidário, interpuseram recurso voluntário (fls. 2.493/2.724), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancelem os lançamentos, alegando, em síntese: I) em preliminar, suas nulidades por: Ia) ausência do contraditório na “prova” emprestada e inexistência de ação criminal; Ib) ausência de prova material e da configuração de envio de depósitos ou ordem de pagamento sob qualquer título que impliquem fato gerador dos tributos lançados; Ic) ausência de conexão e prova material de que os recorrentes enviaram depósitos em conta clandestina; Id) ausência de provas documentais de que a conta “Francisco” seja de propriedade dos recorrentes; Ie) cerceamento da defesa pela falta de tradução dos documentos acostados aos autos; If) inaplicabilidade da multa agravada de 150,0 % ante a revogação do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que a fundamentou, cumulada com ausência de dolo; Ig) pela aplicação, quando muito, de multa, no percentual de 50,0 %, atendendo a retroatividade da Lei benigna; Ih) ocorrência da decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários; Ii) aplicação da decadência nos mesmos fundamentos apontados para o II e o IPI aos lançamentos reflexos do PIS e Cofins; e, Ij) erro material na apuração das bases de cálculo dos lançamentos fiscais pelo fato de ter sido incluído o ICMS à alíquota de 17,0 %, sendo que a recorrente NS Importação é beneficiada pelo diferimento deste imposto nas importações realizadas com posterior saídas à alíquota de 4,0 %; e, II) no mérito: IIa) não foi demonstrado que os recorrentes realizaram depósitos em conta bancária clandestina às margens da contabilidade; IIb) não foi demonstrado que a suposta conta bancária pertencia aos recorrentes; IIc) cerceamento de defesa, em decorrência da ausência de documentos acompanhados de tradução; e, IId) erro nos lançamentos fiscais em decorrência do diferimento do ICMS. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “Da Conclusão Antecipada; Da Decadência, Dolo. Fraude e Simulação; Da Multa de Ofício Agravada e da Retroatividade Benigna; Da Multa Administrativa e do Confisco das Multas 150%/100%; Da Suposta Degravação Telefônica; Da Presunção e Ausência de Capitulação; Da Ausência de Dano ao Erário e Confrontação de Preços; 1. Das Considerações Iniciais da Pessoa Física; Do Vício Formal – Nulidade e Ausência de Qualificação do Autuado Pessoa Física; Da Responsabilidade Solidária do Sócio Administrador – Pressupostos da Responsabilidade; Da Abrangência da Responsabilidade; Da Natureza da Responsabilidade; Da Ausência de Conduta Quanto ao Excesso de Poder, Infração à Lei, Contrato Social ou Estatuto; Da Atitude do Administrador; 2. Das Considerações Iniciais da Pessoa Jurídica – Da Prova Emprestada pela Policia Federal; Da Diligência Fiscal–NS (30.03.2007); Da Restituição dos CPU’S e Documentos; 3. Da Descaracterização das Faturas Instrutivas do Despacho Aduaneiro e das Provas de Subfaturamento; Do Grupo Roger; Da Impossibilidade da Ilicitude; 4. Dos Lançamentos a Crédito nas Contas 2852 e 2853 (do suprimento de saldo nas mesmas); Francisco USD – Euro – RS; Da Ausência de Efetiva Prova da Infração e Da Ausência de Fiscalização; Do Devido Processo Legal Administrativo; Do Dever de Rever o Ato Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.835 9 Administrativo; Dos Documentos em Língua Estrangeira; Da Ausência de Prova Documental com Tradução Juramentada; Da Ausência de Depósitos Bancários e Titularidade das Movimentações Crédito/Débito em Nome da Recorrente; Do Fato Gerador; Das Interceptações Telefônicas; Da Afirmação Policial, Da Representação Comercial – Exterior; 5. Dos Lançamentos a Débitos nas Contas 2852 e 2853; Da Ausência de Comprovação entre Preço Transacionado e Declarado no Desembaraço; Das Declarações e Faturas de Importação Realizada pela NS; 6. Dos Documentos de Prova Extraídos das Mídias Apreendidas através do Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação do DPF; Da Empresa Rotner Finance S/A; Da Empresa Sugiura; Da Revista Têxtil – The Top; 7. Do Levantamento da Base de Cálculo dos Tributos Lançados; 8. Da Qualificação da Multa de Ofício; Da Inaplicabilidade da Multa de Ofício Artigo 44, II da Lei 9430/96 – 150%; 9. Da Retroatividade Benigna da Lei 9.430/96, Artigo 44, II; – Da Revogação da Lei Aplicada e da Retroatividade Benigna; 10. Da Decadência do Crédito Tributário – II, IPI, PIS e Cofins; 11. Da Ausência de Prova de Subfaturamento; Da Ausência de Prova; Do Cerceamento de Defesa, 12. Do Erro de Cálculo na Suposta Base de Cálculo – ICMS, Benefício Fiscal, Santa Catarina, Confisco; Da Contribuição para o PIS e Cofins na Importação – Artigo 7, I, Lei 10.865/2004, Inconstitucionalidade Declarada; Do ICMS na Base de Cálculo – sem Observância do Benefício Fiscal da RecorrenteNS; Da Revisão dos Cálculos Realizada sob os Cálculos da Fiscalização; e, Conclusão. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminares A recorrente suscitou, em preliminar, a nulidade dos autos de infração e, conseqüentemente dos lançamentos, sob os argumentos citados e resumidos no relatório deste julgamento. Ao contrário do seu entendimento, as razões alegadas por ela não configuram nulidades e não têm amparo legal. Aqueles somente seriam nulos se tivessem sido lavrados por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, inciso I: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, os autos de infração, em discussão, foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para as suas lavraturas, com o objetivo de constituir os respectivos créditos tributários por meio de lançamentos de ofício. Também, do seu exame, verificamos que neles estão demonstradas as infrações imputadas aos recorrentes, subfaturamento de importações de mercadorias, mediante fraude, ou seja, falsificação dos documentos de desembaraço aduaneiro, conforme constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 1.230/1.345. A fundamentação legal de cada uma das exações e das respectivas cominações legais, inclusive das multas, está indicada nos autos de infração, mais especificamente naquela referida descrição. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não os tornam nulos nem anuláveis e sim defeituosos ou ineficazes até as suas retificações. O contraditório é apresentado na impugnação dos lançamentos e não durante o procedimento administrativo fiscal; os lançamentos não dependem de ato criminal; as provas constam do presente processo, dentre elas as cedidas pela Departamento da Polícia Federal (DPF), mediante decisão judicial; o fato gerador dos tributos lançados foram as diferenças de preços decorrentes da importação de mercadorias subfaturadas e não as remessas para o exterior; os documentos e as informações constantes dos autos permitiramlhe exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez, combatendo a infração e as penalidades que lhe foram imputadas; os documentos que instruem os autos comprovam a existência de contas em instituição financeira clandestina (IFC) e o envio de recursos para pessoas no exterior, assim como provam que as contas “Francisco” eram administradas pela recorrente; os documentos em língua estrangeira, acostados aos autos, não trouxeram quaisquer prejuízos à recorrente, tendo em vista que o subfaturamento, infração imputada a ela, foi lastreado, dentre outros documentos, nas faturas comercias (invoices), nos conhecimentos de embarques ou transportes (Bill of lading) e nas listas ou romaneios de embarques (paching list), rotineiramente utilizados nas operações de comércio exterior e que não necessitam de tradução, conforme disposto no inciso III do art. 497, do Decretolei nº 37, de 1966; a aplicação de multa agravada decorreu da fraude e inexiste dispositivo revogando sua aplicação; possível decadência e erro na base de cálculo também não implicam nulidade dos lançamentos, mas revisão, se comprovados. Assim, não há que se falar em nulidade dos lançamentos. II – Mérito As questões de mérito envolvem: a) decadência; b) subfaturamento; c) inconstitucionalidade do PIS e da Cofins nas importações; d) base de cálculo do PIS e Cofins; e) agravamento da multa de ofício; f) multas, administrativa e regulamentar; e, g) responsabilidade solidária. IIa) Decadência O prazo qüinqüenal decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário está regulado no CTN que assim dispõe: Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.836 11 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A regra geral é a do art. 173, I e a específica a do § 4º do art. 150, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que o contribuinte declara e efetua parte do pagamento. No caso de dolo, fraude ou simulação, afastase a regra do § 4º do art. 150 e aplicase a regra do art. 173, I. No presente caso, a importação de mercadorias subfaturadas, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 1.230/1.345, e no item seguinte “Subfaturamento”, configuro fraude e, conseqüentemente, a aplicação do art. 173, I, para a contagem do prazo decadencial. A título de esclarecimento, informamos que, no caso de fraude e simulação, este é também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreenda ementa do julgamento do REsp 260040/SP, transcrita a seguir: “TRIBUTÁRIO. ICM. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Recurso especial provido.” No presente caso, o fato gerador mais antigo dos tributos lançados e exigidos ocorreu em 12 de janeiro de 2006; assim, a contagem do prazo decadencial qüinqüenal se iniciou em 1º de janeiro de 2007, expirandose os cinco anos em 1º de janeiro de 2012, na prática em 31 dezembro de 2011. Como a recorrente foi notificada dos lançamentos em 21 de novembro de 2011, nenhuma competência foi atingida pela caducidade. No entanto, em relação às multas, administrativa e regulamentar, o Decreto lei nº 37 de 18 de novembro de 1966, fixou a contagem do prazo qüinqüenal decadencial, a partir das datas de cometimento das respectivas infrações, assim dispondo: “Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” No presente caso, as multas aplicadas decorreram de infrações cometidas entre as datas de 12/01/2006 e 17/05/2007. Já a notificação dos lançamentos se deu na data de 21/11/2006, conforme provam a assinatura e a data postas pelo sócio da recorrente nos respectivos autos de infração. Assim, contandose o prazo qüinqüenal, nos termos do art. 138, citado e transcrito acima, naquela data, o direito de a Fazenda constituir a parte dos créditos tributários referentes às multas, administrativa e regulamentar, por infrações cometidas até 20/11/2006, já havia decaído. IIb) Subfaturamento A apuração do subfaturamento dos valores das mercadorias importadas, objeto dos lançamentos em discussão, originou das análises dos documentos apreendidos no âmbito da operação conjunta realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e pelo Departamento de Polícia Federal (DPF), denominada “Ouro Verde”, em cumprimento a diversos Mandados de Busca e Apreensão, dentre eles, o que culminou com a apreensão de documentos, em meio papel e magnético, no local onde funcionava uma instituição financeira clandestina (IFC) dos irmãos Rogério Luiz Gonçalves e Clóvis Marcelino Gonçalves, que se dedicava, dentre outras operações ilícitas, à realização de operações de câmbio. Os documentos apreendidos pelo DPF foram remetidos para a RFB, dentre eles, cópias do Ofício 3919/200802 (fls. 04); do proc. Judicial 2006.72.00.0084794 (busca e apreensão e quebra de sigilos), (fls. 33/37); do Relatório de Análise Financeira – IPL Nº 127/2007DPF/JVE/SC (fls. 38/220), acompanhado de um conjunto de mídias compostas por uma unidade de disco óptico gravável (CDR), dois “pendrives”, um dispositivo de travamento para proteção de aplicativos (hardlock); laudo pericial do conjunto de Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.837 13 armazenamento de dados apreendidos; extratos das contas “Francisco” e de outras contas movimentadas na IFC (instituição financeira clandestina), bem como o Anexo 1 (fls. 221/241), contendo os extratos das Contas 2852 – Francisco – USD; 2853 – Francisco – EU; e 2878 – Francisco – R$; Anexo 2 (fls. 242/768), contendo os extratos das contas: 4 – Dólar Papel; 7 – Real Papel; 37 – Euro Papel ; 50 – Euro – Moedas Metal; 105 – CH DÓLAR – Travel; 211 – HSBC – Roger Cargo; 212 – BESC – BESC SK; 214 – Bradesco – SK Cobranças; 1222 – Desp. Câmbio – EU; 1312 – Receitas Dif Caixa – RS; 2003 – LGT – USD; 2402 – Diversos – CB US$; 2430 – Poituda – EU; 2431 – Lenzi – USD; 2432 – Pavão – EUR; 2495 – Duli– Euros; 2498 – Gene – USD; 2500 – Silva EU; 2728 – Pneus USD; 2732 – POA – CB EU; 2732 – Kako EU; 2733 – POA – CB USD; 2733 – Kako – USD; 2738 – Zenin – USD; 2760 – Curaçao; 2773 – Lenzi – EU; 2775 – Orgasul – EU; 2775 – Orga – EU; 2777 – Roma – EU – JOI; 2781 – Curaçao – Euros; 2782 – Rui EU; 2809 – Pablo – CB US; 2811 – Pablo – CB Euro; 2811 – CWB EUCB; 2813 – Lando – USD; 2815 – Orga – USD; 2819 – Silva – CH; 2821 – Praia – USD; 2822 – Clariden; 2858 – Osvaldo – USD; 2859 – LES – US; 2874 – LES – CB Euro; 2887 – Diversos em US$; 2892 – Anete – U; Anexo 3 (fls. 769/856), contendo “facsimiles interceptados” de transferências e remessas via bancos; e Anexo 4 (fls. 857/865), contendo Laudo Pericial do exame das mídias em armazenamento computacional. Da analise dessa documentação, relacionadas às DIs, que deram origem aos lançamentos em discussão, das faturas comercias (invoices), dos conhecimentos de embarques/transportes (Bill of lading) e das listas/romaneios de embarques (paching list), concluo que houve subfaturamento das mercadorias importadas, com redução do valor aduaneiro (CIF = Cost, Insurance e Frete = Custo Seguro e Frete) sobre o qual incidem os tributos ora exigidos. Conforme demonstrado na Descrição dos Fatos, às fls. 1.232/1.345, e prova a documentação remetida pela Policia Federal, a recorrente importava as mercadorias por valores inferiores aos efetivamente pagos aos exportadores no exterior. No Relatório de Análise Financeira, conjugado com a documentação apreendida, bem como com as escutas telefônicas e quebras de sigilos autorizadas pela Justiça Federal, ficou demonstrada a participação efetiva da recorrente nas fraudes detectadas na operação “Ouro Verde”, dentre elas, as remessas para o exterior de valores, em Dólares e Euros, para pagamento das diferenças das mercadorias importadas com preços subfaturados. Tomamos a liberdade de adotar excertos daquele Relatório para complementar a fundamentação de nossa decisão, em relação ao subfaturamento, a seguir transcritos: “IPL N.º 127/2007DPF/JVE/SC INVESTIGADO: NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA (CNPJ: 83.951.236/000130) BANCO: Instituição Financeira Clandestina – GRUPO ROGER CONTAS: 2852 – FRANCISCO USD; 2853 – FRANCISCO EU; 2878 – FRANCISCO R$ TITULAR: IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. (...) Tratase de relatório de análise financeira realizada a fim de instruir inquérito policial destinado a apurar a prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha. As atividades da investigada NS IMPORTAÇÃO E Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 COMÉRCIO LTDA, aparentemente foram levadas a efeito mediante a utilização do grupo organizado por ROGÉRIO LUIS GONÇALVES (CPF 505.007.08991) e CLOVIS MARCOLINO GONÇALVES (CPF 352.319.12972). (...) As investigações duraram mais de um ano e demonstraram que os IRMÃOS GONÇALVES – ROGÉRIO E CLÓVIS – mantinham uma organização destinada à prática de câmbio clandestino, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e, por conseqüência, sonegação fiscal. Demonstraram, ainda, que o referido grupo empresarial possui contas em paraísos fiscais (Antilhas, Uruguai, Curaçao) e utilizavase de contascorrentes em outros paises (Suíça e EUA) para movimentação financeira ligada ao dólarcabo. Também se demonstrou que o grupo possuía empresas ‘offshores’ sediadas no exterior (Uruguai, Ilhas Virgens Britânicas) além de um esquema em uma conta no Banco First Curaçao, com escritório em Miami, para promover a lavagem de dinheiro. Além disso, para realização do denominado ‘dólarcabo’ o grupo mantinha uma contacorrente interpessoal com uma agência de turismo em outro Estado da Federação (rio Grande do Sul), a TOUR EXPORT. Havia troca de clientes, remessas mútuas para o exterior e pagamentos a clientes comuns, além de reciprocidade para pagamentos e depósitos parta clientela individual dentro e fora do país. Rotineiramente as duas operadoras conferiam o fluxo de caixa entre si (contacorrente interpessoal), realizando os ajustes para equilibrar débitos e créditos – compensação. (...) Em razão de o GRUPO ROGER possuir uma estrutura bem montada destinada à lavagem de dinheiro, manutenção de IFC, evasão de divisas e sonegação fiscal, possuía seleta clientela que utilizava seus (do Grupo Roger) ‘serviços’ clandestinos. Dentre eles foram identificados vários empresários, importadores e exportadores e outros cambistas (pequenas instituições financeiras clandestinas criadas para a troca manual de moeda estrangeira). Parta cada grupo de clientes identificados foi instaurado um inquérito policial federal. (...) Ocorre que dentre tais ‘clientes’ foi identificado NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. (...) Com efeito, foi instaurado o IPL 127/2007 – DPF/JVE/SC para apurar a conduta dos sócios e demais envolvidos com a NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. (...) Com isso, em 30 de março de 2007, deflagrouse a denominada OPERAÇÃO OURO VERDE destinada a cumprir mais de 70 (setenta) mandados de busca e apreensão em três Estados da Federação (...). (...) Em razão do desmembramento antes referido e de sua relação com o GRUPO ROGER a NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA também foi objeto de busca e apreensão. (...) Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.838 15 Um dos principais objetos que se buscava era o banco de dados em que se encontrava o registro e armazenamento das operações financeiras realizadas pela IFC mantida pelos IRMÃOS GONÇALVES. Onde poderiam estar registradas também as operações financeiras realizadas pela NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA.” Também, conforme demonstrado e provado no Relatório de Análise Financeira, a recorrente mantinha contas correntes na IFC (instituição financeira clandestina dos irmãos Gonçalves) que lhe permitiam movimentar recursos financeiros internamente, inclusive, remessas para o exterior e recebimento de recursos do exterior, em dólar, euro, cheques, etc. à margem do Sistema Financeiro Nacional. Conforme demonstrado no referido Relatório, dentre outras contascorrentes mantidas na IFC (instituição financeira clandestina), a recorrente se utilizavase de três contas sob as rubricas “2852Francisco USD”, “2853Francisco Euro” e “2878Francisco R$”, para movimentar e pagar as diferenças dos valores das mercadorias importadas e subfaturadas, em Dólar, Euro e Real, respectivamente. Ainda, segundo aquele relatório: “Os extratos (das referidas contas) foram extraídos e impressos do banco de dados, conforme já mencionado. Como existem evidências claríssimas que os IRMÃOS GONÇALVES mantinham verdadeira Instituição Financeira Clandestina – IFC, os extratos em tela demonstram ser os registros da movimentação financeira ocorrida nesta instituição, como se legal fosse. (...); Desta feita, de posse dos extratos descritos na tabela acima (das três contas) foi possível verificar que a NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA manteve, na instituição Financeira Clandestina – IFC de ROGÉRIO LUIS GONÇALVES e de CLOVIS MARCOLINO GONÇALVES, três contascorrente, em Dólar, Euro e Real. Isto é, os valores nessas moedas circularam (débito e crédito) propiciando a NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA acesso rápido e fácil a valores movimentados à margem do sistema financeiro mundial e desprovidos de qualquer controle governamental – totalmente oculto. A NS é uma empresa sediada em Blumenau e especializada no atendimento têxtil, sobretudo no fornecimento de equipamentos e peças de reposição (fonte: http://www.nsimport.com.br/empresa/indexp.php). No sítio da NS (http://www.nsimport.com.br/produtos/textil.php) constam as empresas representadas pela mesma, destacandose a GROZBECKERT, que desenvolve agulhas para máquinas de malharia, costura, calçados e feltros, a MEMMINGER IRO, que fornece aparelhos técnicos para indústria de malharia, e a KERN LIEBERS, que apresenta soluções para empresas que trabalha com fios delicados, (...). (...). A NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., além da movimentação em Real junto à IFC – GRUPO ROGER, que representa o ‘caixa dois’ desta empresa, precisava constantemente enviar valores para seus fornecedores no exterior, à margem do sistema oficial, e para tanto se servia dos serviços fornecidos pela IFC – GRUPO ROGER. Contudo, os irmãos GONÇALVES, em razão do grande volume de moeda que precisavam enviar para o exterior a pedido da NS IMPORTAÇÃO E Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 COMÉRCIO LTDA, viram a possibilidade de utilizar as contas dessas empresas fornecedoras para fazer o cabo invertido.” Na descrição dos fatos, às fls. 1.242/1.328, o autuante demonstrou de forma detalhada o funcionamento de cada uma daquelas contas. Os lançamentos a créditos da conta “2852 – Francisco USD” proviam esta conta e tinham como contrapartida os lançamentos a débitos nas contas “7 – Real Papel” e “4 – Dólar Papel” na IFC. Também, a conta “2878 – Francisco R$” (docs 4 e 5) era utilizada para suprir saldo daquela conta, conforme prova o lançamento 69389, datado de 03/02/2006 (historio: “FECHOU 416275,95” – Doc 4), no valor de US$169,218,00, que teve origem no lançamento 69390 da conta “2878 – Francisco R$” datada de 03/02/2006 (histórico “FECHOU 416275,75 U4” – doc 4) também, no valor de US$169,218,00. No período analisado pela Polícia Federal, a soma dos valores lançados a créditos na conta “2852 – Francisco USD” com contrapartida a débito nas contas “7 – Real Papel” e “4 – Dólar Papel” foi de aproximadamente US$1,700,000.00. Os lançamentos na conta “7 – Real Papel” refletem a compra de US$ pela recorrente junto à IFC, mediante a entrega de cheques de clientes e; ou de Reais, em espécie. Já os lançamentos na conta “4 – Dólar Papel” refletem a entrega de dólares, em espécie, para a IFC. Esta contas eram movimentadas para os pagamentos das mercadorias subfaturados importadas pela recorrente. Os lançamentos selecionados pela Polícia Federal que transitaram pela conta “2852 – Francisco USD”, tendo como contrapartida as contas “7 – Real Papel e 4 – Dólar Papel”, cujos extratos encontramse no anexo 2 do Relatório de Análise Financeira (docs. 5 a 18) foram reproduzidos na Descrição dos Fatos às fls. 1.243/1.247, que ora adotamos. Também a conta “2853 – Francisco EU” era utilizada junto a IFC para pagar as importações subfaturadas. Os lançamentos a créditos tinham como função prover esta conta de recursos e como contrapartida, exceto um lançamento na conta “4 – Dólar Papel”, as contas “7 – Real Papel” e “37 – Irou Papel”. No período analisado pelo Polícia Federal, a soma dos valores lançados a créditos na conta “2852 – Francisco EU” com contrapartida a débito nas contas “7 – Real Papel” e “37 – Euro Papel” foi de aproximadamente 5,125,000.00€ (cinco milhões cento e vinte e cinco euros). Os lançamentos na conta “7 – Real Papel” refletem a compra de Euros pela recorrente junto à IFC, mediante a entrega de cheques de clientes e; ou de Reais, em espécie. Já os lançamentos na conta “37 – Euro Papel” refletem a entrega de euros, em espécie, para a IFC. Estas contas eram movimentadas para os pagamentos das mercadorias subfaturados importados pela recorrente. Os lançamentos selecionados pela Polícia Federal que transitaram pela conta “2853 – Francisco EU”, tendo como contrapartida as contas “7 – Real Papel”, cujos extratos encontramse no anexo 2 do Relatório de Análise Financeira (docs. 5 a 18) foram reproduzidos na Descrição dos Fatos às fls. 1.248/1.250, que ora adotamos. Segundo dados extraídos do Relatório da Policia Federal e dos extratos daquela conta, o valor representado pelo lançamento 77497 foi objeto de diálogo entre Keka e Rômulo, interceptado em 26/04/2006. A conversa revelou a negociação entre eles, visando à compra de Dólar e Euro, sendo ao final, a transação fechada em Euros, pela cotação de R$2,85, resultando um valor de 17.544,00€ (dezessete mil quinhentos e quarenta e quatro euros), lançados a crédito da conta “2853 – Francisco EU” sob o nº 77497. Também, foi interceptado um diálogo entre RÔ (Rômulo) e Clóvis em que aquele pergunta a este qual o preço que consegue fazer para o Euro. Clóvis responde que pode fazer a 85. RO acha alto. Clóvis diz que Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.839 17 vai subir ainda mais. RO diz que o chefe tem uns 500. Diz que mandou um cheque de 50, um de 70 e que hoje tem mais um de 123, mais está muito alto. Pergunta o que ele consegue fazer de melhor. Clovis diz que faz 2,83. RO passa o valor de 123.309,05, divide por 2,83, resultando 43.572,00€. Clovis diz que o rapaz está passando ai depois. RO pergunta se aquele de (ininteligível) está confirmado ou ele quer confirmar depois. Clovis diz que depois confirma, pois já foi feito mais coisa. Ora, conforme extraímos do Relatório de Análise Financeira (doc. 3), o valor representado pelo lançamento 77513 foi objeto do diálogo entre Clóvis e Rômulo, interceptado em 25/04/2006. Também do diálogo e dos documentos apreendidos pela Polícia Federal esta concluiu que no diálogo entre ambos, Rômulo, ao negociar taxa mais favorável, diz que seu chefe (estava referindo a Fábio Sartorti, sócio proprietário e administrador da recorrente), tinha “uns 500” (quinhentos mil reais) para negociar e que ao final a transação foi fechada em pela cotação de R$2,83, resultando um valor de 43.752,00€ que foram lançados na conta “2853 – Francisco EU” sob o nº 77513. As fls. 1.252/1.252 da Descrição, o autuante reproduziu os extratos das conta “7 – Real Papel”, na qual constam os lançamentos nº 78320; 787229; 78845; 78933; 79091; e 86972, para os quais a Polícia Federal interceptou ligações telefônicas entre Rômulo, empregado da recorrente e Clóvis e/ ou Keka, ambos da IFC. Todas as conversas visam à compra de Euros pela recorrente e os valores adquiridos lançados a crédito da “2853 – Francisco EU”, conforme extratos reproduzidos naquela descrição. Às 1.252/1.256, daquela descrição, o autuante reproduz diálogos e extratos de contas corrente que comprovam as negociações da recorrente com a IFC (instituição financeira clandestina) para a compra de Euros e seus lançamentos nas contas movimentadas naquela instituição clandestina, envolvendo representantes desta (sócio e/ ou empregados) e da recorrente (empregados), inclusive pagamentos para a empresa Groz Beckert, uma de suas fornecedoras de mercadorias importadas. Conforme se de depreende dos lançamentos a débito nas contas “2852 – Francisco USD e 2853 – Francisco EU”, e os extratos reproduzidos na Descrição dos Fatos às fls. 1.261/1.284 comprovam as remessas para os fornecedores estrangeiros. A titulo de exemplo, citamos os lançamentos a débito na conta “2852 – Francisco USD” tendo como contrapartida crédito na conta “2760 – Curaçao”. Esta conta Curaçao representa a conta de controle na IFC para registro das operações na conta dos Irmãos Gonçalves no First Curaçao International Bank, nas Antilhas Holandesas. Os lançamentos somaram US$597,000.00 (quinhentos e noventa e sete mil dólares). O lançamento 78169 foi objeto de diálogos entre Rômulo e Clóvis, interceptado em 27/04/2006 e 02/05/2006. Nas conversas telefônicas interceptadas o próprio Rômulo se identifica como empregado da recorrente (doc. 3). Também, em sua declaração de rendimentos de 2005 e 2007 consta como fonte pagadora a própria recorrente. Já o Sr. Clóvis é o sócio da IFC (instituição financeira clandestina). Keka é a senhora/senhorita Irlea Cecília Moser, CPF 537.013.99972, empregada da IFC, no período de 1995 a 21/03/2007, conforme depoimento prestado por ela à Fiscalização da DRF em Joinville (doc. 03). Os extratos das contas na IFC e os diálogos reproduzidos na referida descrição dos fatos às fls. 1.262/1.284 demonstram de forma detalhada o “modus operandi” das negociações entre a recorrente e a IFC, envolvendo todas as contas e agentes participantes das operações de movimentação e remessas de recursos para o exterior para pagamento dos Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 18 fornecedores, GrozBeckert, KernLiebers e MemmingerIro, das mercadorias importadas e subfaturadas com preços abaixo dos efetivamente negociados, bem como a descrição dos documentos de provas extraídas das mídias apreendidas pela Polícia Federal, inclusive o “modus operando”, citados e reproduzidos às fls. 1.284/1.324. Especificamente com relação às operações com a Sugiura, transcrevo e adoto os fundamentos da autoridade de primeira instância reproduzidos a seguir: “Também não procedem as alegações relacionadas ao fornecedor SUGIURA, de que referida operação não possua qualquer anormalidade. Os documentos acostados aos autos demonstram situação diversa. À folhas 969 a 975 foi anexado aos autos a cópia da lista de preços praticada pelo fornecedor/fabricante para exportações realizadas ao País (outras empresas). À folhas 977 a 979 (também à folhas 1.027 a 1.029), a fiscalização anexou aos autos cópia de "Proforma Invoice" n° S4213 (SUPERIOR BRASIL). Notese que em correspondência comercial eletrônica (fls. 1.013) a Sra. MIRIAM RITSCHEL KRUG (empregada da impugnante) informa que está avaliando a possibilidade de importar diretamente para a Superior, sem passar o pedido pela NS. Portanto, o fato de a declaração de importação ter sido registrada em nome da impugnante e tais faturas proforma estarem em nome da SUPERIOR, não afastam a responsabilidade da interessada. À folhas 1.002 a 1.003 foi anexado aos autos cópia de correspondência comercial eletrônica, encaminhada ao Sr. FABIO pela Sra. MIRIAM (empregada da impugnante), de onde se extrai: [...] Ref. email Jacques Marziali de 13.02.07: 1) ... Para os dois casos, são usadas faturas abaixo do valor. .... 3) Por outro lado, em caso de frete aéreo, o valor das agulhas corresponde a 1/3 dos preços FOB atuais. Quando o Sr. Sérgio coloca o pedido por via aérea sugerindo subfaturamento, nós fazemos uma faturaproforma com os preços subfaturados para Seclatex. Aí o Sr. Sérgio providencia o pagamento de acordo com a fatura proforma. Nós embarcamos as agulhas de acordo com o que recebemos, e a diferença entre a fatura proforma e a fatura comercial atual é deduzida do depósito. Favor ver os exemplos de faturas nr. 60448. Recebemos Yen 695,822 por transferência antecipada e a diferença Yen391,548, é deduzida do depósito. Podemos dizer que esta transação é semioficial. Seclatex faz a nacionalização em cima dos valores oficiais de 1/3. Existem clientes que necessitam de notas fiscais. Favor comparem os destinatários das duas mercadorias, os endereços são diferentes. 4) Seclatex sempre envia dinheiro de bancos estrangeiros ou brasileiros. Sempre quando nossa conta fica baixa, pedimos ao Sr. Sérgio fazer transferências. E aí, ele imediatamente providencia. Favor ver anexo folha de pagamentos bancários. 5) As transferências são feitas em US$ exceto as dos pagamentos antecipados via aérea onde nosso banco converte para Yen japonês. Normalmente, ele envia US$10.000,00 US$ 30.000,00 em cada transferência. Nós controlamos o volume dos depósitos em Yen, porque a moeda com Seclatex é em Yen. Com nosso embarque,deduzimos o valor atual do Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.840 19 depósito. Claro que, o saldo da conta é confirmado entre Sr. Sérgio e Sugiura periodicamente. 6) No caso de Rubens, existem 2 maneiras de envio, embarque especial (subfaturado enviado para São Paulo) e embarque oficial (preço justo faturado para Blumenau). Os preços de maneira subfaturada são de 1/3 do preço atual FOB. Os dois casos são embarcados via EMS (correio). 7) Podemos fazer faturas subfaturadas para NS também. Favor informem se a NS pode depositar o dinheiro em nossas contas como Seclatex. ... (Grifos acrescidos) À folhas 1.007 e 1.008 (1.010 e 1.011 também), foi anexado aos autos cópia dos 2 tipos de fatura, para uma mesma operação, emitidas pelo fornecedor/fabricante SUGIURA KNITTING NEEDLE MFG CO.,LTD. Uma com os valores efetivamente praticados e outra com os valores subfaturados para fins de nacionalização no País. A correspondência comercial eletrônica (fls. 1.040) da Sra. MIRIAM RITSCHEL KRUG (empregada da impugnante) indica: [...] Ref. Email Nakavama de 07.03.07: Muito obrigado por aceitar nossa proposta. Para o primeiro pedido lhe enviamos anexo a _fatura proforma S4213 de 07.03.. ... 3) Para o primeiro embarque, precisamos esperar pela conversa do Sr. Mager com a Mayer & Cie. Neste meio tempo, apreciaríamos se estudassem os seguintes pontos: Superior : Gostaríamos de saber o endereço completo, nro. do telefone, fax, etc. Fatura : Devemos anexar uma fatura subfaturada às mercadorias? Em caso positivo, favor nos informem que preços devemos descrever. ... (Grifos acrescidos) A resposta à pergunta acima foi dada pelo fornecedor/fabricante, como se depreende do conteúdo da correspondência comercial eletrônica à folhas 1.058, onde o mesmo indica enviar duas faturas, uma delas com o valor em 1/3. Finalmente, considerando os valores efetivamente declarados por ocasião do registro da declaração de importação n° 07/06404429 (fls. 981 a 989), se constata que de fato as mercadorias foram declaradas com valores reduzidos. Embora em algumas mensagens se vislumbre que os interessados tenham pleiteado desconto comercial para as operações de importação, os valores declarados estão muito abaixo daqueles descontos pretendidos junto ao fabricante/fornecedor (não se observou a confirmação do pleito nas correspondências). Neste sentido é prudente que se destaque o contido no inciso XI do artigo 497 do Decreto n° 4.543/02, que determina que as reduções concedidas devem estar consignadas na fatura: Art. 497. A fatura comercial deverá conter as seguintes indicações: Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 20 XI preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e a natureza das reduções e dos descontos concedidos ao importador; ... (Grifos acrescidos) Cumpre ainda esclarecer que as cópias dos documentos acima citados foram encontrados em equipamentos da interessada, isto é, não se tratam de informações relacionadas a terceiros, mas de provas coletadas junto aos pertences dos interessados. Assim, não se observa que no presente caso tenha ocorrido interpretação equivocada por parte da fiscalização, o conjunto probatório trazido aos autos demonstra de forma muito clara que a importação das mercadorias em apreço foram realizadas mediante a prática de subfaturamento, com a cristalina participação do fabricante/fornecedor.” Em nosso entendimento, as provas carreadas aos autos, Relatório de Análise Financeira, elaborado pelo DPF, extratos de todas as contas movimentadas na IFC, quebras de sigilo telefônico e fiscal, depoimentos de envolvidos, a descrição detalhada do “modus operandi”, as movimentações financeiras realizadas em instituição financeira clandestina (IFC), a análise das DI’s, das faturas comerciais (invoices), dos conhecimentos de embarques/transportes (bill of lading) e das listas/romaneios de embarque (packing list), comprovam o subfaturamento das mercadorias importadas e que deu origem aos lançamento em discussão. IIc) inconstitucionalidade A recorrente suscitou a inconstitucionalidade da exigência do PIS e da Cofins sobre importações de bens, nos termos da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, sob o argumento de ofensa ao art. 146, III, “a”, da Constituição Federal de 1988. A apreciação de constitucionalidade de lei tributária, compete exclusivamente ao Poder Judiciário. Tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativa de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da Súmula nº que assim dispõe: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, por força do disposto no art. 72, § 4º, em relação à suscitada inconstitucionalidade, adotase esta súmula. IId) base de cálculo do PIS e Cofins A alegação de erro na base de cálculo do PIS e da Cofins na importação de bens, sob o argumento de que o ICMS foi diferido e, portanto, deveria ter sido excluído daquela base e, ainda, se considerado deveria ser pela alíquota de 4,0 %, não procede e não tem amparo legal. A Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu essas contribuições sobre a importação de bens e serviços assim dispõe quanto a suas bases de cálculo: “Art. 7º A base de cálculo será: Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.841 21 I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou [...]. § 4º O ICMS incidente comporá a base de cálculo das contribuições, mesmo que tenha seu recolhimento diferido. [...].” Ora, segundo este dispositivo legal, o ICMS integra a base de cálculo do PIS e Cofins, nas importações, independentemente de seu recolhimento ser diferido. Quanto à alíquota, no percentual de 4,0 %, a recorrente não apresentou qualquer documento comprovando a redução de 17,0 %, que é a alíquota normal aplicada nas importações, para aquele percentual. O documento 7 – Regime Especial 131/20050 – Diat às fls. 2.283/2.295, visando comprovar a redução da alíquota, ao contrário, nele constam que as operações internas com mercadorias importadas estão sujeitas às alíquotas de 17,0 % e 25,0 % e diferimento parcial de 52,0 % e 29,411 %, respectivamente. Assim, correta a inclusão do ICMS nas bases de cálculo utilizadas pelo autuante. IIe) agravamento da multa de ofício O agravamento da multa de ofício, como no presente caso, em que ficou comprovado subfaturamento das mercadorias importadas, mediante fraude e conluio, está previsto na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...].” A lei nº 4.502, de 30/11/1964, assim define fraude : Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 22 “Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” No presente caso ficou caracterizada tanto a fraude como o conluio, A fraude se materializou no subfaturamento das mercadorias com o fim específico de reduzir os valores dos tributos e impostos incidentes nas operações de importação. Já o conluio se deu pelo acerto com fornecedores no exterior. A solicitação de redução e/ ou exclusão da multa, mediante a aplicação do princípio da retroatividade benigna, sob a alegação de que o dispositivo legal vigente à época dos fatos geradores foi revogado, é equivocada. Conforme demonstrado na decisão recorrida, tanto na redação original daquele dispositivo como na modificada pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007, há previsão para o agravamento da multa de ofício de 75,0 % para 150,0 %. Na redação original, o agravamento estava previsto no inciso II do art. 44; já na modificada no § 1º do mesmo artigo. II f) multas, administrativa e regulamentar Além da exigência dos impostos decorrentes das importações subfaturadas, foram também lançadas e exigidas multas, administrativa pelas importações fraudadas, no valor de 100,0 %, das diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, e regulamentar pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no País, no valor de 100,0% de seus custos. A multa administrativa teve como fundamento o Decretolei nº 37, de 18/06/1966, art. 169, II, e § 6º, regula Decreto nº 4.543, de 2002, art. 633, I, que assim dispõem: “Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) [...]; II subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 100% (cem por cento) da diferença. [...]. § 5º A aplicação das penas previstas neste artigo: (Incluído pela Lei nº 6.562, de 1978) I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; (Incluído pela Lei nº 6.562, de 1978) [...]. Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.842 23 § 6 Para efeito do disposto neste artigo, o valor da mercadoria será aquele obtido segundo a aplicação da legislação relativa à base de cálculo do Imposto sobre a Importação. (Incluído pela Lei nº 6.562, de 1978) [...]. Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. [...]. § 4º A aplicação das penas referidas neste artigo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, § 5º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2º): I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; e [...].” Já a multa regulamentar foi fundamentada na Lei nº 4.502, de 30/11/1964, art. 83, I, com a alteração determinada pelo DecretoLei nº 400, de 30/12/1968, art. 1º, alteração 2ª, I, e pelos Decretos nº 4.543, de 2002, art. 631, e nº 4.544, de 2002 (RIPI), art. 490, que assim dispõem: “Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide DecretoLei nº 326, de 1967) I os que entregarem ao consumo, ou consumirem, produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente, ou que tenham entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido, desacompanhados da nota de importação ou de nota fiscal, conforme o caso. [...]. Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 24 de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1º, alteração 2ª). [...]. Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e [...}. § 1º No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, § 1º). [...].” Assim, segundo estes dispositivos legais, correta a aplicação das multas, administrativa e regulamentar. IIg) responsabilidade solidária. O sócio Fábio Sartorti diretor e administrador da recorrente, autuado como sujeito passivo solidário, nos termos do arts. 121, II, 124, 128 e 135, do Código Tributário Nacional (CTN), pelo pagamento dos créditos tributários em discussão, contestou sua sujeição sob a alegação de que (i) não praticou ato com excesso de poderes ou infração à Lei, contrato social ou estatutos e (ii) que não está elencado nos incisos do art. 135, daquele Código. O CTN assim dispõe quanto à solidariedade tributária: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: [...]; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.843 25 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...]. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...]; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente na Descrição dos Fatos, no período objeto dos lançamentos em discussão, o recorrente era o administrador responsável pela gestão da NS Comércio e Importação e como tal participou das importações subfaturadas. Assim, correta sua responsabilização solidária pelo pagamentos dos tributos decorrentes das importações fraudadas. Em face do exposto, rejeito as preliminares de nulidades dos lançamentos e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para cancelar a parte dos créditos tributários referentes às multas, administrativa e regulamentar, correspondentes aos fatos geradores (infrações) ocorridas até 20 de novembro de 2006. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Declaração de Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 26 DECLARAÇÃO DE VOTO DA CONSELHEIRA MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Ouso divergir do i. Relator que apenas deu provimento parcial ao recurso voluntário. Para tanto, passo a expor as razões do meu entendimento: DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS: DA NÃO VINCULAÇÃO DAS DENOMINADAS CONTAS FRANCISCO COM AS OPERAÇÕES DA RECORRENTE A fiscalização trouxe aos autos, como elementos de fundamentação do trabalho fiscal, os seguintes documentos: a) Oficio do Departamento de Policia Federal para a Receita Federal; b) despacho da Juíza Federal determinando compartilhamento de mídia; c) relatório de Análise Financeira emitido pela Polícia Federal; d) transcritos de trechos do Relatório de Análise Financeira emitido pela Policia Federal, relativo à contas 2852 – FRANCISO USD; 2853 FRANCISCO EURO; 2878 FRANCISCO R$; e) trechos de supostas gravações telefônicas interpretativas RÔ, e números telefônicos desconhecidos. Compulsando os autos verificase que em nenhum desses elementos aparece o nome dos recorrentes e tão pouco a comprovação de que os números das linhas telefônicas pertençam aos mesmos. Também destaco, desde logo, que além dessas supostas provas e da única intimação feita ao recorrente, não houve mais qualquer aprofundamento da ação fiscal que se restringiu, portanto, a comparar as informações constantes nos documentos (a,b,c,d,e) cujos dados teriam sido extraídos do Relatório Financeiro Policial, nem mesmo há assinatura, um nome que vincule concretamente tais elementos aos recorrentes o que, todavia, não resta nem claro nem evidenciado. Ora, no caso concreto, penso inexistir um conjunto de presunções veementes; temse, tão somente, uma relação, obtida presumivelmente, a partir de um Relatório Financeiro Policial, posto que nem essa informação esta confirmada e comprovada nos autos, ou que, aponte o nome dos recorrentes como os verdadeiros responsáveis pelas movimentações recursos em instituição financeira clandestina. Assim, como a fiscalização considerou ter sido a recorrente NS, a titular das movimentações dos recursos financeiros de titularidade FRANCISCO, deveria ter trazido aos autos, a prova de que as remessas foram efetuadas efetivamente pelos recorrentes, e a partir daí verificar com os demais elementos, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, os elementos constantes nos autos, não provam que as operações financeiras indicadas tenham sido praticadas pelos recorrentes. Concluindose, desta forma, inexistir prova nos autos que indique serem os recorrentes, os sujeitos passivos que tenham efetuado as movimentações financeiras de Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.844 27 titularidade FRANCISCO, e as operações de remessas ao exterior, e que sejam o titulares das contas bancárias. Como não consta nos autos documento que faça a prova de que houve movimentações de recursos ou remessas efetuadas pelos recorrentes; e, ainda que houvesse prova direta, mas, se a investigação tivesse colhido fortes indícios, veementes, graves, precisos e convergentes, que, examinados em conjunto pudessem levar à constatação de que as movimentações dos recursos financeiros e remessas foram realizadas pelos recorrentes, verificase, em conclusão: a nulidade dos lançamentos. Nessas circunstâncias, não há outra conclusão a se chegar a não ser de que houve PRESUNÇÃO nas afirmações da fiscalização, apresentadas unilateralmente, sem qualquer verificação tanto nas operações da recorrente quanto em suas contas bancárias que demonstrasse que os recursos ingressados provieram das supostas contas bancária clandestina. O julgador fiscal, em vista do princípio da legalidade, aliado ao princípio da verdade real, deve manterse imparcial no julgamento, afigurandose inaceitável o princípio in dúbio pro fisco. A interpretação não é nem pro fisco, nem pro contribuinte, mas pro lege. A aplicação das presunções e indícios no direito tributário deve ser feita com especial cautela, já que afastandose da segurança e certeza, que respaldam os princípios da legalidade e da tipicidade, enveredamse no perigoso campo da imprecisão, dubiedade e incerteza. Paulo de Barros Carvalho, manifestandose ensina que “com a evolução da doutrina, nos dias de hoje, não se acredita mais na inversão da prova por força da presunção de legitimidade dos atos administrativos e tampouco se pensa que esse atributo exonera a administração de provar as ocorrências que se afirma terem existido. Na própria configuração oficial do lançamento, a lei institui a necessidade de que o ato jurídico administrativo seja devidamente fundamentado, o que significa dizer que o fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa. Seguindo adiante, vindo o sujeito passivo a contestar a fundamentação do ato aplicativo lavrado pelo Fisco, o ônus de exibir a improcedência dessa iniciativa impugnatória volta a ser, novamente, da Fazenda, a quem quadrará provar o descabimento jurídico da impugnação fazendo remanescer a exigência. Vêse, no fundo, que é função precípua do EstadoAdministração, empregar a linguagem jurídica competente na produção dos atos de gestão tributária. O pressuposto de fato da incidência há que ser relatado de maneira transparente e cristalina revestido com os meios de prova admissíveis nesse setor do direito, para que possa prevalecer, surtindo os efeitos de estilo, quais sejam os de constituir o vínculo obrigacional, atrelando o particular ao Fisco, em termos da satisfação do objeto prestacional”. CARVALHO, Paulo de Barros. A Prova no Procedimento Administrativo Tributário. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 34, São Paulo: Oliveira Rocha Comércio e Serviços Ltda, julho 1998, p. 107/108. Ou nas palavras de Roque Carrazza: “Os tipos tributários como que fecham a realidade tributária, não podendo ser alargados por meio de presunções, ficções ou meros indícios. É inadmissível que o agente fiscal abra aquilo que o legislador, atento aos ditames constitucionais, cuidadosamente fechou. (...) Logo, o lançamento e o auto de infração também estão sob a égide da segurança jurídica, com os seus consectários (estrita legalidade, tipicidade fechada, ampla defesa, etc.). Enquanto edita estes atos administrativos, o Fisco não pode, sob pena de nulidade, adotar critérios próprios (subjetivos), no lugar dos legais.” CARRAZZA, Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 28 Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 314315. E nesse sentido também encontramos jurisprudência. IRPJ. Prova Emprestada. Princípio da Tipicidade. Superficialidade da Investigação. Improcedência Acusatória. O princípio da tipicidade revela que o instituto da competência impositiva fiscal deve ser exaustiva, ou seja, todos os critérios necessários à descrição tanto do fato tributável como da relação jurídicotributária reclamam uma manifesta e esgotante previsão legal. O lançamento fiscal não pode se valer de sua própria dúvida. A certeza e segurança jurídicas envoltas no princípio da reserva legal (CTN, arts. 3º e 142) não comportam infidelidades nos lançamentos fiscais. Acórdão 10320.360. Rel. Conselheiro Neicyr de Almeida. DOU 27.09.2000. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL (erro na base de cálculo): Compulsando os autos verificase que a base apurada pela fiscalização fiscal não está de acordo com o preconizado pela legislação fiscal. A fiscalização adotou uma base de valores arbitrários e não arbitrado, ao utilizar valores depositados em uma conta, que o recorrente aduz não ser de sua titularidade, quando a valoração aduaneira deve recair na mercadoria importada e não em função de uma “ DI versus movimentação financeira”. Não se levou em conta o tipo de mercadoria importada e muito menos a tributação cabível para cada uma delas. Vejamos o que diz a norma (MP 2.15835/2001): Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. A legislação em epígrafe (conforme destaques em negrito) remete à aplicação do disposto no art. 7º do Acordo para implementação do Art. VII do GATT, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT). Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.845 29 Reproduzo o texto legal para melhor compreensão de meus pares: Artigo 7 1. Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do GATT 1994 e com base em dados disponíveis no país de importação. 2. O valor aduaneiro definido segundo as disposições deste Artigo não será baseado: (a) no preço de venda no país de importação de mercadorias produzidas neste; (b) num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do mais alto entre dois valores alternativos; (c) no preço das mercadorias no mercado interno do país de exportação; (d) no custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do Artigo 6; (e) no preço das mercadorias vendidas para exportação para um pais diferente do país de importação; (f) em valores aduaneiros mínimos; ou (g) em valores arbitrários ou fictícios. (negrito, não do original) 3. Caso o solicite, o importador será informado por escrito sobre o valor aduaneiro determinado segundo as disposições deste Artigo e sobre o método utilizado para determinar tal valor. Na aplicação dos métodos é obrigatória a observância da ordem seqüencial. Apesar do AVAGATT prever a prerrogativa do importador optar pela inversão da ordem de aplicação entre os quarto e quinto método de valoração aduaneira, o Brasil fez reserva em relação a esta inversão, que não pode ser feita sem prévia aquiescência da autoridade aduaneira. Vejase (pelo texto acima reproduzido) que pelo art. 7º do AVA, é determinado que, quando da impossibilidade da utilização de um dos métodos anteriores, e somente nesta impossibilidade a utilização de critérios associados ao bom senso, vedando a utilização de critérios arbitrários ou fictícios. Pois bem. Sendo a valoração aduaneira o ponto base para cálculo de todos os tributos, se indevida, todos os lançamentos incorrerão igualmente em nulidade. Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 30 O fato é que a utilização pura e simples da autuação policial não deve servir para fins de exigência de crédito tributário relativo ao II, IPI, PIS e COFINS, se não vem complementada por outros exames e averiguações próprias do tributo federal. Por outra vertente, não havia qualquer impedimento para a fiscalização efetuar o lançamento pelo segundo ou terceiro método de valoração aduaneira, visto que, conforme acima exposto, a aplicação do art. 7º do AVA, somente é possível quando esgotados os métodos antecedentes. São essas as razões que me levam pela NULIDADE dos lançamentos efetuados, diante do vício material apresentado. Superada a NULIDADE dos lançamentos, tenho que, no mérito, outras discordâncias com o r. Relator: DA EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO RECORRENTE FABIO SARTOTTI Considerandose que nas hipóteses dos dispositivos legais destacados pelos agentes fiscais, é NECESSÁRIA comprovação da prática de atos dolosos (princípio da culpa subjetiva) realizados em desfavor do recorrente Fábio Sartotti, tendo em vista o enunciado do caput, automaticamente se tem por afastada da relação jurídicotributária a pessoa definida na lei como sujeito passivo do encargo tributário quando não comprovada a intenção ilícita do ato. Assim, não se pode aceitar uma responsabilização solidária, o artigo 135 do CTN deixa claro que a responsabilidade pessoal do sócio administrador não é simplesmente objetiva. Vêse que, para tanto, exige ato doloso ou culposo para que lhes possa ser validamente imputado o dever de saldar, com bens particulares, dívida fiscal da sociedade. Também não basta ser diretor. É preciso que o débito tributário em questão resulte de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. E isto não foi apurado, em momento algum pela fiscalização. Imputar a responsabilidade ao recorrente Fábio Sartotti sem prévia comprovação de ato ilegal ou com excesso de poderes, independente de comprovada culpa subjetiva; é, inserilo quer nas relações de Direito Público, como na de direito Privado, virtualmente responsável por toda e qualquer dívida fiscal da empresa NS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Caberia a fiscalização comprovar que tais movimentações de Crédito/Débito, favoreceram a Recorrente, quer no consumo; quer por aumento patrimonial; quer para fazer frente aos desembolsos à fornecedores no exterior, o que não ocorreu. Desta feita, descabida é a imputação da responsabilidade fiscal ao recorrente Fábio Sartotti. QUANTO À MULTA IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA (100%): Ao subfaturar o valor aduaneiro das mercadorias, declarando nas DIs apenas parte do seu valor aduaneiro real, o importador deixou de recolher boa parte dos tributos incidentes na importação cometeu infração ao controle administrativo das importações, tipificado no art. 169, inciso III, do DL n° 37/66, alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, sendo Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.846 31 estipulada multa de 100% (cem por cento) da diferença entre o valor declarado e o da efetiva transação comercial. Cumpre destacar que estamos a tratar de outro bem jurídico. A multa de150% decorre da infração estipulada em virtude do não recolhimento de tributo, protege a ordem tributária. Já a multa pelo subfaturamento protege o controle administrativo das importações. Ao promover uma importação o contribuinte presta informações que delineiam o valor tributário a ser pago na importação. Mas não só isso. Das informações prestadas pelos importadores também se extraem dados que influem nas políticas econômicas a serem implementadas pelo governo. No caso especificamente do subfaturamento, não se pode duvidar que há um descompasso cambial infringido. Tanto não se confundem os aspectos tributários e de controle administrativo das importações que poderíamos ter uma situação em que se praticou subfaturamento na importação, mas a alíquota dos impostos era zero. Não obstante não haver lançamento para a cobrança de tributos, caberia a multa por infração ao controle administrativo das importações. O ordenamento jurídico é uno e cumpre aos aplicadores da lei interpretálo. Há que ficar claro que não se pode confundir o texto, que é objeto de interpretação, com a norma, que é o mandamento que se extrai do texto. Temos que fazer uma leitura de seus dispositivos à luz da Constituição e também utilizandonos dos vários métodos de interpretação tradicionalmente estabelecidos (gramatical, teleológica, sistemática e histórica) para buscar o sentido e o alcance da lei. Reproduzo, para melhor compreensão, o disposto no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, (que foi transposto para o art. 631 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02; atualmente vige o RA aprovado pelo Decreto n° 6.957/09): "Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso," Reproduzo também, o artigo 87, que trata da pena de perda da mercadoria: Art . 87. Incorre na pena de perda da mercadoria o proprietário de produtos de procedência estrangeira, encontrados fora da zona fiscal aduaneira, em qualquer situação ou lugar, nos seguintes casos: I quando o produto, tributado ou não, tiver sido introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente; Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 32 É de fácil constatação que o comando legal que dispõe sobre a aplicação da multa igual ao valor comercial da mercadoria (art. 83) é um "substituto" da previsão de aplicação da pena de perdimento (art. 87), evidentemente que para os casos em que a mercadoria já foi levada a consumo. Para os casos em que o contribuinte deixou de lançar o tributo e recolher o imposto por meio de artifício fraudulento o legislador estipulou a multa duplicada (150%), prevista no art. 80, §6°: Art. 80. Á falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei n°11.488, de 2007) I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência especifica; (Incluído pela Lei n° 11.488, de 2007) II duplicado, ocorrendo reincidência especifica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei n°11.488, de 2007). Vêse que o legislador previu a multa duplicada (150%) independentemente de "outras penalidades administrativas ou criminais". Logo, concomitantemente, poderseia aplicar "penalidades administrativas". Tais penalidades estão expressas na própria Lei 4.502/64: proibição de transacionar com repartições públicas ou autárquicas (art. 88); sujeição sistema especial de fiscalização (art. 89); cassação de regimes ou controles especiais (art. 90) . Como se não bastasse, da leitura do texto da norma, podese observar a menção à "entrada clandestina" das mercadorias, ou seja, sem o registro da DI. Não parece haver dúvidas quanto ao que seja importação clandestina: aquela que não cumpriu os ritos da importação, ou seja, não se submeteu ao procedimento da declaração de importação (DI ou DSI). Entretanto, o texto da lei faz menção também a importação "irregular" ou "fraudulenta". Decerto, há que se interpretálo com acuidade, pois tal texto abarca num mesmo contexto situações que se apresentam bastante dispares. Logo, se a interpretação literal fosse prevalecer poderseia chegar à estapafúrdia conclusão de que uma importação com mera classificação fiscal inapropriada, na medida em que é "irregular", estaria sujeita à aplicação da multa igual a 100% do valor comercial da mercadoria. Requer a hermenêutica sensibilidade e prudência, exigindo que o jurista e o aplicador condicionem e inspirem sua interpretação às balizas contidas no sistema jurídico. Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.847 33 Observese, inclusive, que até para a situação de importação clandestina o legislador "relativizou" a aplicação da pena de perdimento, conforme o disposto no parágrafo único do art. 690 do novo Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09): Art. 690. Aplicase ainda a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais especifica neste Decreto. É cediço que os tipos tributários dever ser rígidos, minuciosos, precisos, para que não sobre espaço para a discricionariedade nem para a analogia in malan partem. Há que ser cuidado, também, com o bis in idem. Como já mencionado, em razão da fraude foi aplicada a penalidade tributária (150% pelos tributos não pagos) e a penalidade ao controle administrativo das importações, na medida em que foram atingidos dois bens jurídicos distintos. Assim, com todas as vênias necessárias a quem pense de forma diversa, interpretando de forma teleológica, isto é, buscando sua finalidade, e de forma sistemática, ou seja, conjugando com os demais dispositivos legais aplicáveis ao contexto, entendo incabível para esse caso a conjugação da aplicação da cobrança de tributos e multas agravadas, bem como por subfaturamento, em concomitância com a multa igual ao valor comercial da mercadoria. Ora, para a fraude perpetrada no caso em questão, que objetivava, por meio do subfaturamento, o recolhimento a menor dos tributos incidentes na importação temos pena mais específica e por isso foram lançados os tributos com as multas agravadas, inclusive com a aplicação da multa ao controle administrativo das importações, no que tange ao controle feito pela SECEX, em virtude do subfaturamento. Aliás, não há qualquer disposição legal que "determine" a aplicação "conjunta" da multa agravada (150% do valor do imposto) com aquela que trata de multa de 100% do valor comercial da mercadoria. Apesar de me parecer cristalino que o caso em questão não comporta a aplicação da multa prevista no art. 83 da Lei n° 4.502/64, cabe ainda lembrar o disposto no art. 112 do CTN, que determina a interpretação mais favorável ao acusado: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 34 Portanto, também no que tange à aplicação da multa igual ao valor comercial das mercadorias importadas fraudulentamente por sua entrega a consumo, entendo inaplicável. ao caso concreto. EXCLUSÃO DO ICMS NO CÁLCULO DE PIS E COFINS – OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO O Plenário do STF, em março deste ano, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Sobre a Prestação de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições” constante da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004, que trata da base de cálculo do PIS/CofinsImportação na hipótese de importação de bens. Decidiu a Corte que a inclusão do imposto estadual ultrapassa os limites do conceito de valor aduaneiro, e portanto, não poderia ser incluído na base de cálculo das contribuições. Os ministros analisaram o Recurso Extraordinário 559.937 da União (Rel. Min. Ellen Grace) contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em 2007, já havia decidido pela ilegalidade da cobrança. Embora a decisão alcançada pela Corte Suprema mereça aplausos, não se pode perder de vista que a Fazenda Nacional requereu, após a conclusão do julgamento, a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, buscando evitar as restituições de tributo. Na esteira dos pronunciamentos clássicos da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, o Direito Constitucional Brasileiro (e assim também o STF) sempre conferiu à decisão declaratória de inconstitucionalidade, com reconhecida base no princípio na Supremacia da Constituição, efeitos ex tunc. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade seriam obrigatoriamente retroativos na medida em que a lei inconstitucional não criaria direitos nem obrigações e a decisão em ação direta de inconstitucionalidade não desconstituiria a lei declarada inconstitucional, mas apenas reconheceria/declararia a existência de um ato viciado oi nulo para produzir efeitos válidos. (Mendes, Gilmar Ferreira. Jurisdição constitucional. São Paulo. Saraiva. 1996, p. 276). Mas, ainda que o entendimento de que a modulação dos efeitos da decisão seja possível, em tese, esse expediente serviria apenas para os pedidos de restituição e não para a exigência de cobrança do passado após a decisão do SUPREMO. Não é razoável se pensar que o contribuinte deva pagar para depois entrar com pedido de restituição, quando é sabido que as decisões do Supremo Tribunal Federal, em caso de unanimidade de votos, possuem efeitos vinculante para a administração pública. É com base nessa decisão que o Projeto de Lei de Conversão nº 21, de 2013, resultante da Medida Provisória nº 615, foi aprovada de forma a excluir definitivamente o ICMS do cálculo das importações. Pelo exposto, voto também no sentido de se excluir da base de cálculo, o ICMS da base de cálculo das importações. CONCLUSÕES: Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.721902/201117 Acórdão n.º 3301002.060 S3C3T1 Fl. 2.848 35 I) Pela nulidade dos lançamentos: a) por ausência de vinculação dos fatos às operações comerciais da recorrente e: b) por vício material – erro na base de cálculo; E, em sendo vencida, na nulidade dos lançamentos; II) no mérito, também dar provimento para; a) exclusão do recorrente Fábio Sartori, dos lançamentos; b) exclusão da multa lançada igual ao valor comercial das mercadorias (100%) e; c) exclusão do ICMS do cálculo das importações, nos termos da jurisprudência do Pleno do STF. É como decido votar. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ – Relatora Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARIA TERESA MART INEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13609.900295/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NULIDADE.
Constatada a contradição no Acórdão embargado quando parte do voto cometeu-se erro de fato, baseando-se em dados de outro processo do mesmo contribuinte. Por se tratar de situação idênticas envolvendo o mesmo contribuinte e mesma situação fática jurídica, apenas retifica-se os detalhes transcritos errado do resultado de diligência e o valor efetivamente acatado na mesma.
Numero da decisão: 1401-001.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérigo Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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CONTRADIÇÃO. NULIDADE. Constatada a contradição no Acórdão embargado quando parte do voto cometeuse erro de fato, baseandose em dados de outro processo do mesmo contribuinte. Por se tratar de situação idênticas envolvendo o mesmo contribuinte e mesma situação fática jurídica, apenas retificase os detalhes transcritos errado do resultado de diligência e o valor efetivamente acatado na mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os embargos para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 02 95 /2 00 8- 84 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérigo Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401001.018 S1C4T1 Fl. 158 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato no Acórdão nº 1401000.737, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. O embargante assim aponta a contradição no Acórdão: Tendo observado divergências entre o texto da diligência reproduzida no acórdão de fls. 141/149 e o texto original de fls. 125/126, e ainda, considerando os valores tratados no processo n° 13609.900580/200803 (telas de fls. 154/155), nota se possível troca de documentos referentes a outro processo. . Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. É o relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Com razão a embargante. Há contradição no julgado a ser sanada. O embargante assim aponta a contradição no Acórdão: Tendo observado divergências entre o texto da diligência reproduzida no acórdão de fls. 141/149 e o texto original de fls. 125/126, e ainda, considerando os valores tratados no processo n° 13609.900580/200803 (telas de fls. 154/155), nota se possível troca de documentos referentes a outro processo. De fato quando do julgamento foram julgados vários processos semelhantes da mesma empresa e equivocadamente o resultado de diligência do processo n. 13609.900580/200803 foi utilizado no lugar resultado de diligência referente ao presente processo n 13609.900295/200884, e que consta às fls. 125/126. Em face de tal circunstância intransponível, entendo que devemos decidir no sentido de retificar o Acórdão embargado, passando a considerar o relato correto do resultado de diligência, conforme transcrito abaixo. Como a situações fáticas e jurídicas são idênticas, sendo as diferenças mínimas em relação a variáveis que não interferem na decisão, com referência a número da folha e valores envolvidos, em nome do princípio da economia processual, não há necessidade de se anular e prolatar outra decisão, mas tão somente retificar parte dos termos da decisão, especificamente as suas duas últimas folhas, conforme abaixo: Às fls. 125 e 126 do presente processo consta retorno de diligência favorável à Recorrente, nos seguintes termos: Trata o presente relatório de atendimento à pedido de diligência efetuado em voto de Conselheiro da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de modo a municiálo de informações para solução da lide. Assim, s.m.j., iremos atender em parte aos diversos quesitos uma vez que entendemos não ser possível pelo menos no presente momento, o atendimento em sua totalidade. Desta forma realizamos o nosso trabalho de modo a validar o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ por meio da análise das parcelas que compõem o crédito informado no PER/DCOMP e verificar a certeza e liquidez do crédito tributário. Por conseguinte, os débitos remanescentes por ventura existentes bem como a transmutação da situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de IRPJ será feita em momento próprio após a decisão administrativo exarada por esse CARF. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo em DIPJ deve ser feita pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP em confronto com a totalidade das deduções informadas à ficha 12A (folha 62) da DIPJ, que se constituem entre outras, das antecipações referentes ao IRPJ mensal pago por estimativa e retenções na fonte. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401001.018 S1C4T1 Fl. 159 5 No caso concreto, o contribuinte informou no PER/DCOMP n.° 12157.25778.150404.1.3.040015 apenas uma parcela de pagamento do IRPJ mensal por estimativa no valor de R$ 2.090.428,40 (folha 3) a título de pagamento indevido ou a maior correspondente ao mês de dezembro de 2003, ainda que na verdade seja formadora do saldo negativo do IRPJ. Em que pese tal procedimento, o contribuinte informou na DIPJ como dedução a ser feita do IRPJ devido, entre outras, o imposto de renda mensal pago por estimativa no valor total de R$ 19.987.004,73 (folha 62) obtendo com isto um IRPJ a pagar de saldo negativo no valor de R$ 1.979.094,93. Em nossa análise encontramos como imposto pago por estimativa um valor de R$ 17.937.991,22, valor total este que foi, inclusive, declarado em DCTF (folhas 63 a 67 e 99). A composição deste valor pode ser vista no quadro abaixo. No que se refere aos pagamentos, os mesmos foram confirmados nos sistemas da RFB conforme folhas 100/103 acostadas aos autos. Grupo Receita Período de Apuração Débitos Declarados 1RS* Pagamentos c/ DARF íRSS Compensação com Pagto.. Indevido ou a maior íRS) Outras compensações e deduções de débitos ÍRSI IRPJ 2362 Jaru'03 545.315.08 545 315,03 0.00 0.00 IRPJ "2362" FêW03 253.105 22 191.747,40 61.357.82 0,00 IRPJ " 2362 "' Mar/03 2^243 299.42 1.513.578,99 724.720.41 0,00 _IRPJ___ _2362_ Abr/03 3.800.377.37 3.68T425J6 / 0,00 113.551,61 4.865 J3 7 ÚM 0,00 IRPJ 2362 Dez/03 11.095.294.13 2.090.428.40 j ...... ofc q 0.00 9.000 000.00 Ûprj 0.00 Fl. 2 do Despacho Decisorio do Processo «13609.900295/200884 '■■ ^¡Tfcb Quanto ao total que compõe o mês de fevereiro/03, a parte declarada em DCTF (foÍnat63) como compensação por meio da DCOMP n.° 01797.72797.210803.1.3.040267 no valor de*R$ 61.357,82, encontrase aguardando procedimentos de compensação (folha 104/104 verso), não encontrando se o pagamento. Quanto aos meses de março e abril o contribuinte utiliza os pagamentos efetuados e que compõem o saldo negativo do anocalendário de 2002, para quitação dos débitos declarados na DCTF conforme quadro acima. Para compor o saldo negativo do anocalendário de 2002 no valor de R$ 932.774,51 o contribuinte utilizouse de dois pagamentos nos valores originais de R$ 705.118,15 e 140.492,62, que na sua totalidade perfazem o total de R$ 845.610,77, conforme ficha 12A da DIPJ apresentada (folha 122). Quanto ao recolhimento de R$ 705.118,15, o pagamento encontrase totalmente disponível (folha 123). Quanto ao recolhimento de R$ 140.492,62, o pagamento encontrase parcialmente disponível (folha 124). Parte do recolhimento foi utilizada em compensação declarada no PER/DCOMP n.° 16644.01250.050903.1.3.046554, sendo utilizado parte do pagamento para compensação ali declarada, restando ainda saldo do recolhimento. No que se refere ao mês de março/03, a parte declarada em DCTF (folha 64) como compensação por meio da DCOMP n.° 40595.306541.040603.1.3.046093 (folhas 109/111) e posteriormente retificada pela de n.° 18369.23226.200906.1.7.04 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 8029 (folhas 111 verso/113 verso) no valor de R$ 724.720,43, encontrase em discussão administrativa no processo n.° 13609.900874/201041 (folhas 107/107 verso), com o débito sendo controlado pelo processo n.° 13609.900932/201037 (folha 108). Em relação ao mês de abril/03, a parte declarada em DCTF (folha 65) como compensação por meio da DCOMP n.° 06723.33186.290803.1.3.020959 (folhas 114/116) no valor de R$ 113.551,61 encontrase em discussão administrativa no processo n.° 10620.900190/200617 (folhas 119/120), com o débito sendo controlado pelo processo n.° 10620.900322/200619 (folhas 120 verso/121). Considerando os débitos declarados de R$ 17.937.991,22 acrescido do valor total de R$ 2.049.013,51 de IRRF (ficha 11 da DIPJ) utilizados no cálculo do imposto de renda mensal a pagar por estimativa dos meses de janeiro a abril e dezembro/2003, encontramos o valor de R$ 19.987.004,73 informado na ficha 12A da DIPJ e que provocará um valor de R$ 1.979.094,93 de saldo negativo de IRPJ. Assim, podemos considerar como imposto de renda mensal pago por estimativa o valor total de R$ 19.987.004,73, ainda que, em tese, falte o efetivo recebimento dos débitos declarados, que se não foram ainda pagos serão cobrados ao final, caso haja débito, após a execução dos devidos procedimentos em cada um dos respectivos processos. Do acima exposto, consideramos como correto o valor do saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 1.979.094,93. Em atendimento ao constante no pedido de diligência, encaminhese cópia deste relatório ao contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta (30) dias da ciência, após o que, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Este é o meu parecer” Como se vê a diligência apenas evidenciou o patente erro de fato cometido pela recorrente ao indicar a situação de pagamento a maior quando na verdade desejava aproveitar o saldo negativo, no caso do IRPJ. A insurgência da Recorrente quanto ao procedimento da DRF não tem também razão de ser, pois em primeiro lugar o que ficou faltando é um procedimento apenas de execução por parte da DRF que será feita em momento oportuno após este julgamento e, por último, o presente voto já indicou desde o início a necessidade de se fazer essa “transmutação” e o subseqüente compensação dos débitos. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para considerar o resultado de diligência que deu como líquido e certo o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.979.094,93, bem assim homologar as compensações nos limites dos créditos concedidos. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401001.018 S1C4T1 Fl. 160 7 Por todo o exposto, proponho conhecer e acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 1401000.737, dandolhes efeitos infringentes nos termos acima. Darseá ciência deste Acórdão ao Procurador da Fazenda Nacional e incluir seá o recurso voluntário na pauta de julgamento subseqüente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10508.000385/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .0 00 38 5/ 20 11 -1 9 Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 11 2 Tratase de auto de infração lavrado para fim de exigir tributos decorrentes de suposto erro de classificação fiscal. Por refletir a realidade dos fatos adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Tratase de autos de infração emitidos em 15/6/2011 (fls. 2/204), no valor total de R$ 23.910.541,35, referentes a Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado, Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidentes na importação (COFINS Importação e PIS/PASEP Importação) e Multa Administrativa, decorrentes de erro na classificação fiscal do seguinte produto: DISPOSITIVO DE CRISTAL LÍQUIDO PARA A FABRICAÇÃO DE MONITORES, DENOMINADO “PAINEL DE LCD” OU “MÓDULO LCDTFT”. Da Autuação Conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 206/230, a empresa autuada teve suas declarações de importação registradas no período de 2008 a 2010 (relacionadas no ANEXO I – fls. 231/243) submetidas à revisão aduaneira, com objetivo específico de analisar a classificação fiscal utilizada nas importações do produto retrocitado. Os exames realizados resultaram na emissão dos autos de infração supra mencionados, em decorrência dos fatos apurados pela fiscalização a seguir resumidos. 1. A autuada realizou importações do produto em referência, sob o código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 9013.80.10, para utilizálo como parte na fabricação de monitores de vídeo LCD. Por meio de diligência fiscal realizada no estabelecimento industrial do importador, foi constatado ser esse o único equipamento ali fabricado. 2. Com base na análise das normas que regem a classificação fiscal de mercadorias no âmbito do comércio exterior, os produtos importados deveriam ter sido declarados no código da NCM 8529.90.20. Essa posição é aplicável aos produtos importados, em razão de sua função, do produto em si, e das Notas dos Capítulos. Sabendose que o Módulo LCDTFT importado é parte principal na fabricação de monitor de vídeo, a posição 8529 o descreve mais especificamente do que a posição 9013, ao contrário do que alega o fiscalizado. 3. Em relação à alegação do fiscalizado de que o código 9013.80.10 era utilizado pelos demais fabricantes do setor de informática, por orientação da própria Receita Federal em Soluções de Consulta, foi ressaltado que: ‘Uma orientação de Consulta da SRFB é válida somente para as partes envolvidas e para um fato em concreto específico e conhecido. [...]O dispositivo de LCD pode ser utilizado como insumo de vários equipamentos, tais como monitores de vídeo, notebooks, aparelhos receptores de televisão, telefones celulares, máquinas fotográficas, consoles de vídeo game portáteis, aparelhos de GPS, aparelhos e Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 12 3 instrumentos médicos, de automação industrial, como visto anteriormente, e pode apresentar características e funções próprias para cada equipamento que compõe. Por exemplo, um dispositivo de LCD de um telefone celular, que tem a função de auxiliar a navegação, enquanto o celular tem a função de comunicação wireless, é diferente de um dispositivo de LCDTFT, que é utilizado especialmente em monitores, e que tem a mesma função do monitor, exibir imagem. Não seria razoável classificar todos os dispositivos de LCD em uma única posição, sabendo que suas características, funções, e aplicações são bastante diferentes, e dependendo do tipo de equipamento que é utilizado, pode agregar ou não outros dispositivos e materiais, possuindo assim posição mais específica, como por exemplo no nosso caso.’ 4. Ademais, existe a Solução de Consulta nº 4/2010, da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro – COANA, de 24/11/2010, decorrente de consulta protocolada pela ELETROS– Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos, da qual a Positivo Informática S/A faz parte. Essa decisão fixou entre os envolvidos a correta classificação dos dispositivos de LCD, denominados Módulos LCDTFT, definindo sua classificação na NCM 8529.90.20: Solução de Consulta nº 4/10 Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro – COANA ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Mercadoria "Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retro iluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada "módulo LCDTFT" classificase no código 8529.90.20 da Tarifa Externa Comum vigente. Data: 24/11/2010. Publicado no DOU de 25/11/2010 5. A Resolução Camex nº 84/2010, de 8/12/2010, que incluiu o módulo LCDTFT na lista de exceções à TEC sob o código 8529.90.20, corrobora esse entendimento: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO II % 8529.90.20 Ex 001 – Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação ("backlight") e tampas frontal traseira ("módulo LCDTFT”) 0 BIT 8529.90.20 Ex 002 – Tela de visualização de cristal líquido (LCD), composta por um painel de cristal líquido do tipo TFT (Thin Film Transistor), contendo em suas partes superior e laterais um conjunto de circuitos eletrônicos denominados de drivers source e gate responsáveis pela 0 BIT Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 13 4 ativação das linhas e colunas de transistores do painel, utilizada como insumo na industrialização de módulos LCD ("Painel LCD open cell – célula aberta”) Definida a classificação fiscal dos produtos importados, a fiscalização informou que o erro no código da NCM utilizado pelo importador implicou recolhimento a menor de tributos. As alíquotas do II e do IPI relativas ao código correto são maiores do que as utilizadas, e o valor desses tributos repercute na determinação do PIS/PASEP e COFINS incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Além desse aspecto, o equívoco no enquadramento tarifário ensejou também a aplicação da multa cominada no artigo 84 da Medida Provisório nº 2.15835/ 01, de 24 de agosto de 2001 (que foi reproduzido no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro), in verbis: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...]§ 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (grifei) A fiscalização afirma ainda que, em relação ao IPI vinculado à importação: [...] verificouse o uso indevido do benefício de suspensão do IPI que trata a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002, alterada pela Lei nº 11.908, de 3 de março de 2009 e regulamentada pela IN RFB 948/2009, que estabelecia condições para direito ao benefício de suspensão do IPI, ou seja, condicionava o desembaraço com suspensão do IPI à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação apresentada na unidade da SRFB de sua jurisdição, sobre os produtos que elabora e as peças e partes que irá adquirir nos mercados interno e externo. Este fato somente ocorreu em 24/07/2009, quando a referida empresa realmente protocolou na unidade da SRFB de sua jurisdição a informação dos produtos elaborados e as partes e peças adquiridas no mercado interno, conforme documentos anexos, (fls.__ a __ ). Assim, confirmouse o uso indevido do benefício de suspensão do IPI Importação nas DI n°s 03676375 e 05957223, conforme quadro abaixo, ensejando o lançamento da diferença e da multa de ofício, prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, por não recolhimento de tributo devido. Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 14 5 Ficam demonstrados os montantes devidos referente ao Imposto de Importação –II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ANEXO II e PIS Importação e COFINS Importação ANEXO III, levandose em conta que foram utilizados os valores informados pelo importador, constantes nas declarações de importação. Como resultado da ação fiscal desenvolvida, a autoridade autuante informou que foram lavrados os autos de infração em debate, para cobrança das diferenças de tributos apuradas, acrescidas dos encargos legais e da multa pelo erro na classificação fiscal da mercadoria importada, nos termos da legislação aplicável. Em seguida, relacionou as DI’s objeto do lançamento, discriminando as adições, a classificação fiscal, o exportador, a descrição, a quantidade e o valor (CIF) referentes ao produto em foco (Anexo I do Termo de Verificação Fiscal).” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso de impugnação (fls. 1507/1548 – Vol. 7) alegando, em síntese, (i) a suspensão do IPI em razão de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo n° 2009.70.00.0084407; (ii) que a classificação fiscal do produto Módulo LCDTFT é o NCM 9013.80.10; (iii) que esta é a classificação fiscal adotada pelas empresas do setor até 2010, uma vez que apenas em 9/12/10, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) publicou a Resolução n° 84 (Anexo 06), que incluiu o código NCM 8529.90.20 na lista de exceções à Tarifa Externa Comum de Bens de Informática e Telecomunicações, integrando, a partir desse momento, os módulos LCDTFT como extarifário dessa classificação fiscal; (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN; (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte e (vii) equivoco da fiscalização ao desconsiderar a sistemática da nãocumulatividade de valores de PISImportação, CofinsImportação e IPIImportação. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 7 ª Turma da DRJ/FOR Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza proferiu o acórdão n° 0823.491, por meio do qual concluiu pela parcial procedência do auto de infração, a saber: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTO SUSPENSO. CONDIÇÕES PARA O LANÇAMENTO. Diante de prévia decisão judicial concedendo a suspensão de tributo, pode ser feito o lançamento para prevenir a decadência, mas com exigibilidade suspensa e sem a inclusão de multa de ofício, inclusive em relação aos reflexos da glosa do benefício fiscal discutido judicialmente nos demais débitos apurados. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 15 6 REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. A revisão aduaneira não configura mudança de critério jurídico, o qual só é definido no lançamento, cuja homologação deve ser expressa mediante manifestação inequívoca, ou tácita pelo decurso do prazo fixado na lei, não possuindo o desembaraço aduaneiro aptidão para esse fim. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CARACTERIZAÇÃO DO COSTUME ADMINISTRATIVO. REQUISITOS. Para que o desembaraço aduaneiro possa configurar prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, além da aceitação pacífica da interpretação veiculada, deve haver o decurso do prazo para revisão aduaneira, sem mudança de entendimento. PRÁTICA REITERADA. CONSULTA DESFAVORÁVEL. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO. PENALIDADES Não tem amparo em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas o contribuinte que, cientificado do erro no enquadramento tarifário de produto por ele importado, não promova a regularização de suas operações, inclusive o recolhimento dos tributos devidos, e tais irregularidades sejam apuradas em posterior procedimento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO NA IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. O tributo não cumulativo devido na aquisição de bens precisa ser pago, para que esse pagamento se converta em crédito e possa então ser compensado com os débitos desse tributo decorrentes da saída desses bens. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. COINCIDÊNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela discussão judicial acerca do cabimento ou não da suspensão de tributo pleiteada, implica renúncia à instância administrativa, tornando definitivo, nesta esfera, o lançamento referente a essa matéria, o qual ficará subordinado ao que for decidido pelo Judiciário. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. VINCULAÇÃO À LEI. Na esfera administrativa, tanto os auditores fiscais responsáveis pelo lançamento como os incumbidos do julgamento são vinculados à lei, que se constitui no limite para interpretação de qualquer norma. ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 16 7 instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na legislação regente, cuja aplicação independe de prévio protesto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Em resumo, a procedência parcial foi para reconhecer a existência de ação judicial com decisão favorável autorizando o procedimento de suspensão do IPI em relação a duas DI’s. A conseqüência do reconhecimento desta suspensão refletiu nas contribuições referentes ao PIS e Cofins Importação, bem como no cancelamento da multa, posto que nesta parte o auto de infração teve por finalidade evitar a decadência do IPI suspenso. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 2151/2233, por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso voluntário apresentado contra a decisão que entendeu pela parcial procedência do auto de infração, alegando, em resumo: (i) a suspensão do IPI em razão de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo n° 2009.70.00.0084407; (ii) que a classificação fiscal do produto Módulo LCDTFT é o NCM 9013.80.10; (iii) que esta é a classificação fiscal adotada pelas empresas do setor até 2010, uma vez que apenas em 9/12/10, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) publicou a Resolução n° 84 (Anexo 06), que incluiu o código NCM 8529.90.20 na lista de exceções à Tarifa Externa Comum de Bens de Informática e Telecomunicações, integrando, a partir desse momento, os módulos LCDTFT como EX Tarifário dessa classificação fiscal; (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN; (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte e (vii) equivoco da fiscalização ao desconsiderar a sistemática da nãocumulatividade de valores de PISImportação, Cofins Importação e IPIImportação. Ocorre que, em sede de memoriais (os quais anexei aos autos) o patrono do contribuinte trouxe à colação cópia da sentença do Processo no 5907567.2012.4,01.3400, uma Ação Ordinária/Tributária na qual o Recorrente aparentemente discute, exatamente, os itens (iv) impossibilidade de aplicação retroativa da mencionada Resolução CAMEX 84/10 por afronta aos artigos 105 e 106 do CTN; (v) impossibilidade de reclassificação fiscal da mercadoria após a realização de despacho aduaneiro, afronta ao artigo 149 do CTN e (vi) cancelamento da multa em virtude da incidência do artigo 100 do CTN pela reiterada prática da fiscalização na classificação fiscal dos termos adotados pelo contribuinte supramencionados. Tais itens são suficientes para a resolução da lide. Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10508.000385/201119 Resolução nº 3302000.356 S3C3T2 Fl. 17 8 Todavia, não consta dos autos qualquer documento referente a este citado processo, razão pela qual, voto por converter o julgamento em diligência para que a Recorrente seja intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, as principais peças dos autos, esclarecendo os pontos de convergência com este processo administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 8/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11080.725891/2010-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência.
TAXA SELIC.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF.
RECÁLCULO DA MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
ÔNUS DA PROVA.
Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência. TAXA SELIC. Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 91 /2 01 0- 64 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, interposto em razão do Acórdão proferido pela DRJ que manteve, em todos os seus termos, o crédito previdenciário sob análise, consubstanciado no DEBCAD n°. 37.294.6402, cuja notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02), por ter deixado de recolher as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Salário Educação, SENAI, SEBRAE, FNDE e INCRA), no montante de R$ 204.086,06 (duzentos e quatro mil oitenta e seis reais e seis centavos), em relação às competências compreendidas entre 01/2006 a 12/2008, incluindo o 13o salário de 2006 a 2008. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias neste auto tiveram como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, informadas nas folhas de pagamento, Contabilidade e DIRF e não declaradas em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia – GFIP’s. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 48/52, constituem levantamentos do Auto de Infração, in verbis: “AD1 e AD2 Valores declarados nos lançamentos contábeis conta 238219000001 do sócio Alexandre Diamante conforme Planilha e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP DAL Diferença de Acréscimos Legais, GPS paga com erro na atualização dos juros. D11 e D12 – Segurados empregados cat 1 declarados em DIRF código de retenção 0561, mas não incluídos em Folha de Pagamento, nem GFIP. Valores declarados mensalmente, inclusive com 13 º salário. F11 e F12 – Cruzamento entre FOPAG X GFIP. Valores pagos aos segurados empregados informados pela empresa nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. LA1 e LA2 Leandro Castro Alves – recibo. Valores lançados na contabilidade (cta 228159070) dos serviços prestados por Leandro Castro Alves. Em TIF (Termo de Intimação Fiscal) nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contábeis. LM1 e LM2 – Leandro Mello Valores lançados na contabilidade (ctas 121319000, 218119000, 4111111100, 462179000 e 468899000). Em TIF (Termo de Intimação Fiscal) Fl. 629DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contábeis. PF1 – Serviços Prestados PF Contabilidade – Valores lançados na contabilidade (ctas 4111111000021, 462199000 e 462111002 – Serviços Prestados a Pessoa Físicas). Contribuintes Individuais não declarados em GFIP e tampouco em Folha de Pagamento. R1 – Retenção NF Fernando Escouto Vieira – Serviços Prestados e lançados na cta 228159050. Anexa Planilha com os devidos lançamentos. S11 e S12 – Salários a Pagar, valores lançados na cta 228119001. Em TIF – Termo de Intimação Fiscal 05/2010, solicitado esclarecimentos a respeito dos lançamentos. Não foi atendido o pedido, tampouco cópia dos documentos foram colocados a disposição. Planilha anexa com todos os lançamentos contábeis desta conta. SF1 – Salário Família Divergências. Feito confronto entre os valores declarados em GFIP e os declarados em Folha de Pagamento da rubrica salário família.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração, por meio do instrumento de fls. 365/377. A DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, por meio da 7ª Turma da DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 1036.695 de fls. 596/605, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente por ocasião da impugnação. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS. Não comprovada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a concessão de prazo para a juntada de documentos após a impugnação. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 4 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. Não configurada a hipótese de aplicação de multa mais benéfica. JUROS. Os juros aplicados obedecem à previsão legal específica. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera denúncia espontânea da infração as medidas tomadas pelo contribuinte para sanar a irregularidade após o iniciado o procedimento fiscal OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, na existência de recolhimento na competência, quando transcorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição sem a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 611/623), requerendo a reforma do julgado de primeira instância, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. O indeferimento da dilação de prazo para apresentação de perícia contábil incorreu em afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa; 2. Decadência em relação aos créditos constituídos no exercício de 2006, eis que o lustro decadencial teria findado em 31.12.2010; 3. Retroatividade dos efeitos da MP 449/2008 para fins de aplicação da multa; 4. Ilegalidade da taxa Selic, bem como inexigibilidade da multa por incidência do art. 138 do CTN (denúncia espontânea); 5. Recálculo da multa de mora em razão da aplicação da legislação mais benéfica, em relação ao advento da MP 449/2008. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 6. Divergência entre os cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, dos valores apurados pela contabilidade, acostandose parecer técnico elaborado por perito contábil, na qual se aponta equívocos constantes nos lançamentos apontados. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fl. 624 o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA UNIFORMIDADE DO JULGAMENTO – DA SEGURANÇA JURÍDICA De acordo com o Relatório Fiscal (Fl. 51), a Fiscalização que culminou na lavratura da presente autuação, também foi responsável por lavrar os Autos de Infração de Obrigação Principal nº. 37.294.6402 e nº. 37.294.6410. Referentes ao mesmo período e suporte fático, o que as difere umas das outras são suas rubricas eis que se trata, respectivamente, de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais e as contribuições patronais, bem como as destinadas a terceiros, objeto do processo sob análise. Analisando os autos e razões recursais, percebo que os demais processos, acima mencionados, foram de minha relatoria e julgados em 18 de setembro de 2012. O presente processo não fora julgado em mesmo momento por ter sido proferido despacho pedindo a sua retirada de pauta, eis que não tinha sido localizado o Recurso Voluntário. Portanto, remetido à Secretaria desta Câmara, foi possível a localização da peça recursal, de modo que o trago à julgamento. Participaram do julgamento, além de mim, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ambos os Acórdãos restaram assim ementados: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2008 DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 TAXA SELIC. Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte Tratase de mesmo caso, cabendo a este a cobrança de contribuições previdenciárias devidas a terceiros. São as mesmas razões de autuação, e os mesmo argumentos elencados na peça recursal, de modo que entendo adequado o julgamento anterior, sem reforma, adotando as mesmas razões de decidir do acórdão adrede exposto, sob o pálio da segurança jurídica, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 6 9 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. A DRJ aplicou a decadência em relação aos períodos anteriores a 12/2005. Nesse diapasão, o lançamento permaneceu em relação ao período compreendido entre as competências 01/2006 a 12/2008. A notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02). Logo, não há como prosperar o pleito da Recorrente para afastar o período de 2006, vez que não abrangido pela decadência. DA DILAÇÃO DE PRAZO REQUERIDA Em sede de Impugnação, a Recorrente pleiteou a dilação de prazo de 45 dias para apresentação de relatórios contábeis da auditoria externa contratada. A Recorrente impugnou o lançamento em 10/01/2011 (fl. 365) e até o julgamento por parte da DRJ, que ocorreu em 20/01/2012 (fl. 596), não juntou os relatórios contábeis pretendidos. Mister destacar que, nem mesmo em sede de Recurso Voluntário a Recorrente juntou o citado relatório, apesar da afirmação em sentido contrário. Pelos princípios norteadores do Processo Administrativo Tributário, em especial o da busca pela verdade material e a informalidade, este Conselheiro aceitaria qualquer elemento de prova admitido em direito, mesmo que juntado após a apresentação da Impugnação. Logo, não havendo novo elemento de prova, em sede de Recurso Voluntário, tornase sem efeito o pedido de dilação de prazo, eis que, todos os documentos de prova Fl. 635DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 juntados pela Recorrente foram considerados, ou seja, não houve indeferimento de nenhum documento. DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Alegou o Recorrente o efeito retroativo para beneficiar o contribuinte ante os débitos que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Nesta senda, afirma que, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP (obrigação acessória), também deveria ser aplicada a retroatividade preceituada pelo art. 106 do CTN, para se aplicar o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Ocorre que, a autuação no caso concreto se deu em face da empresa ter deixado de recolher as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Salário Educação, SENAI, SEBRAE, FNDE e INCRA), ou seja, uma obrigação principal. Dessa forma, não se verifica relação entre o tópico abordado e o caso concreto, razão pela qual não haverá apreciação do argumento expendido. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento Fl. 636DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 7 11 indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 637DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 638DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725891/201064 Acórdão n.º 2403002.101 S2C4T3 Fl. 8 13 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Após o acórdão da DRJ, a Recorrente apenas ratifica que “anexou, por ocasião da impugnação ao lançamento, as planilhas comparativa (sic) dos cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, com divergência de 50% (cinquenta por cento) dos valores aplicados pela Receita Federal e aqueles apurados pela contabilidade.” Afirma, outrossim, que está anexando um Parecer Técnico elaborado por Perito Contábil. Ocorre que, analisando os autos, não se constata esse parecer. Logo, além dos argumentos genéricos de que as planilhas anexadas aos autos seriam suficientes para comprovar o alegado, a Recorrente não trouxe nenhum novo elemento de fato ou de direito para ensejar na anulação. Por esse motivo, não há como prosperar o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento, a fim de determinar o recálculo da multa de mora, até a competência de 11/2008, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 639DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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