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Numero do processo: 10880.690165/2009-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Fernando Giacon Ciscato, OAB/SP 198.179. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 16 5/ 20 09 -0 0 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.690165/200900 Resolução nº 3801000.495 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 01230.69103.191207.1.3.042005), na data de 19/12/2007 (página 1 – PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos declarados na página 4 do referido documento, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 14/06/2006, no valor de R$10.213,51 (código de receita: 8741). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 3, datado de 23/10/2009, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito, da compensação declarada. 3. Cientificada, em 5/11/2009, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls.5, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls.06 a 17, tempestivamente, conforme fls. 55, com a juntada de documentos de fls.18 a 54 (Instrumento de procuração "ad judicia et extra", documentos societários, cópia do DD, cópia de "palhilha de custo real", cópias de contratos de câmbio de venda, demonstrativo contábil detalhado da conta 0210.9112.05001, cópia da PER/DCOMP e tabela demonstrativa da conta contábil 1263011CIDE recolhida indevidamente), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. A Requerente incorreu em erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), o qual não invalida o direito de compensação e reconhecimento de ofício de crédito líquido e certo, nem da homologação da compensação pretendida. 3.2. Ademais, ratifica a existência de recolhimentos indevidos passíveis de serem compensados, o que pretende comprovar com os documentos que acosta, invocando, para tanto, a observância ao princípio da verdade material. 3.3. Adicionalmente, informa que a Recorrente efetuou indevidamente o recolhimento da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, nos termos do art. 2º, § 1ºA, da Lei nº 10.168/00. 3.4. Objetiva comprovar o alegado pelos documentos que junta, como contratos celebrados – invoice, decorrentes dos pagamentos efetuados a título de CIDE, referente a licença de uso ou de direito de Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.690165/200900 Resolução nº 3801000.495 S3TE01 Fl. 4 3 comercialização ou distribuição de programa de computador / software. 3.5. Em consequência, contesta a incidência de multa e juros. 3.6. Diante do exposto, requer seja julgada procedente a Manifestação em apreço, homologada a respectiva compensação, com a consequente extinção do crédito compensado, tendo por esteio os documentos que acosta e o princípio da verdade material. 3.7. Protesta, por fim, pela juntada de outros documentos, outras provas, bem como a regular intimação de seus patronos para produção de sustentação oral. A DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente previstas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação/Manifestação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores em razão de inexistência de previsão legal para intimação em endereço diverso do domicílio do sujeito passivo. SUSTENTAÇÃO ORAL EM SESSÃO DE JULGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO QUE REGE O PROCESSO ADMINISTRATIVO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, tendo em vista a falta de previsão na legislação pertinente, em especial o Decreto nº 70.235/72 e a Portaria MF nº 58/2006. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que a recorrente incorreu em erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância uma vez que o indeferimento do pedido de sustentação oral infringe o direito constitucional de ampla defesa e contraditório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.690165/200900 Resolução nº 3801000.495 S3TE01 Fl. 5 4 No mérito, alega que embora tenha havido uma inconsistência no preenchimento da DCTF (erros formais), é inegável seu direito creditório em razão da materialidade das informações constantes no presente processo. Relata que ao verificar o pagamento indevido ou a maior que o devido a recorrente transmitiu suas DCOMPs, porém esqueceuse de retificar a DCTF para que não houvesse a vinculação dos DARFs com os tributos nela declarados. Argumenta que não incide a CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direito de comercialização de programa de computador, nos termos da Lei nº 10.168/2008 com a redação dada pela Lei 11.452/2007. Neste sentido colaciona Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Esclarece que a transferência de tecnologia prescinde de registro do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI. Faz referência ao princípio da verdade material, colacionando doutrina e jurisprudência sobre este princípio. Relata que causou espanto a força que se dá à análise isolada da DCTF, com a inconsistência apontada, sem se recorrer à análise sistemática com as demais obrigações acessórias: DCOMP, DIPJ e Livro Razão, desconsideradas como elemento probatório. Faz referência ao princípio da verdade material, colacionando doutrina e jurisprudência e com base neste princípio o julgador deveria determinar a baixa do processo à fiscalização para apurar a comunicação do erro de fato e não rechaçar de plano as alegações do contribuinte. Cita jurisprudências do antigo Conselho de Contribuintes sobre a existência de erro de fato no preenchimento de sua declaração. Salienta que todo erro de forma, ou seja, aquele que não turbe o direito material é passível de retificação. Afirma que o erro é completamente escusável e deve ser mitigado o formalismo. Discorda da incidência de multa de 20% e da imputação de juros de mora pelo simples fato de que não há débito a ser liquidado. Ressalta que em medida judicial posterior ao encerramento do presente processo administrativo não se pode alegar que o contribuinte deu causa à suposta exigência fiscal. Por fim, requer que fosse dado provimento ao seu recurso voluntário e alternativamente seja determinada baixa dos autos à fiscalização de modo a apurar e confirmar as informações trazidas pela recorrente no bojo do presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.690165/200900 Resolução nº 3801000.495 S3TE01 Fl. 6 5 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente desde a manifestação de inconformidade insiste na tese de que o seu direito creditório tem fundamento na Lei nº 10.168/2008 com a redação dada pela Lei 11.452/2007, isto é, não incide a CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direito de comercialização de programa de computador,. Consignese que os arts. 20 e 21 da Lei nº 11.452/2007 estabelece: Art. 20. O art. 2° da Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei na 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1ºA: (...) .................. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1 2 de janeiro de 2006. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente. Neste sentido, os documentos colacionados (planilha de custo real, contrato de câmbio, Invoice, demonstrativo contábil) são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar eventuais pagamentos indevidos ou a maior decorrentes da não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador. A propósito da legitimidade do crédito, confirase a manifestação da autoridade julgadora de primeira instância: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.690165/200900 Resolução nº 3801000.495 S3TE01 Fl. 7 6 8.5. Contudo, não restou cabalmente comprovado nos autos que a transação em tela referirseia à remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador e, muito menos, que não teria havido a transferência da correspondente tecnologia, condições reclamadas pela mencionada legislação isentiva. 8.6. Os documentos juntados comprovam, tão somente, operação de remessa de divisas para o exterior efetivada por intermédio do HSBC Bank Brasil S. A. – Banco Múltiplo, da Manifestante para a empresa Voith Paper Holding GMBH & Co. KG, sediada na Alemanha. (grifousse) Não se pode perder de vista que os fundamentos do despacho decisório afastam se da realidade fática, ou seja, a administração fazendária desconsiderou as informações constantes da escrituração fiscal e contábil, o que fere o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure com base na escrituração fiscal e contábil a legitimidade do crédito, período de apuração em discussão, em especial verifique se a operação objeto deste processo tratase, de fato, de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador e se houve transferência de tecnologia na aludida operação; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/05/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.005994/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.302
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 81 a 121) apresentado em 20 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1033.904, de 25 de agosto de 2011, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 63 a 66), cientificado em 21 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI do 2º decêndio de maio de 2006, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005994/200890 Resolução nº 3302000.302 S3C3T2 Fl. 124 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 11/05/2006 a 20/05/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Correta a formalização de lançamento para exigir o imposto que deixou de ser pago em virtude de compensação não homologada, por falta de comprovação, na escrita fiscal, da existência de pagamento indevido. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 26 de maio de 2008, de acordo com o termo de fls. 5 e 9. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre para formalizar a exigência do montante de R$ 3.102.261,82, à data da autuação, que corresponde ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75% de que trata o art. 80, inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996 (fls. 02/06). Conforme informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 3) em diligência realizada no estabelecimento acima o autuante constatou pagamento a menor do IPI no 2º decêndio de maio de 2006, em decorrência da utilização do valor de R$ 1.570.845,02, mediante compensação com créditos decorrentes de alegado pagamento a maior do mesmo imposto. Referida compensação foi declarada através do PER/DCOMP 19641.17363.300506.1.3.041923. Todavia não foi localizada a escrituração desse crédito no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI, sendo este o motivo do lançamento da diferença de imposto e seus acréscimos. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 25 a 31, onde informa que recolheu R$ 3.850.054,07 a título de IPI relativo ao 1º decêndio de maio de 2006, e que, imediatamente após, refez os cálculos, constatando que o valor devido nesse mesmo período seria de R$ 2.279.209,05. A diferença indevidamente recolhida (R$ 1.570.845,02) foi compensada com parte do débito do 2º decêndio de 2006, fato informado no PERDCOMP, transmitido em 30 de maio de 2006. Essa compensação não foi homologada pela DRF em Santo André/SP, nos termos do Despacho Decisório que anexa, por cópia (fls. 51/52), e integra o processo administrativo nº 10805.720460/200721, atualmente localizado na DRJ em Ribeirão Preto, aguardando o julgamento da Manifestação de Inconformidade interposta. Segue esclarecendo que o não reconhecimento do crédito se deve ao fato de ter apresentado, por equívoco, a cópia dos registros anteriores à revisão do cálculo, que não contemplavam a escrituração do correto valor do IPI devido no 1º decêndio de maio de 2006. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005994/200890 Resolução nº 3302000.302 S3C3T2 Fl. 125 3 Alega que, a prosperar o auto de infração, haverá duplicidade de cobrança, pois o valor de R$ 1.570.845,02 já é objeto do citado processo administrativo, estando com a exigibilidade suspensa em virtude da manifestação de inconformidade apresentada. Finaliza solicitando o cancelamento da exigência. A DRJ considerou o seguinte, para afastar as alegações da Interessada: Todavia, não se aceita a alegação de equívoco na apresentação de documentos, e também não se pode acatar essa correção que teria ocorrido posteriormente, da forma como realizada. Em primeiro lugar, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro RAIPI, e a isso atendeu, tendo o autuante o cuidado de anexar cópia dos Termos de Abertura e Encerramento, como já referido. Ora, se o registro feito no RAIPI fosse o que consta no documento de fl. 54, a referida diferença teria sido constatada pelo autuante, pois estaria compondo o “Saldo Credor no Período Anterior” contabilizado no 2º decêndio de maio de 2006, o que não ocorreu, como antes relatado. Por outro lado, se o suposto equívoco quanto ao valor do débito foi detectado após o pagamento, como alegado, o decêndio de apuração já se encontrava encerrado e a eventual correção deveria ter sido feita posteriormente, com o lançamento extemporâneo dos créditos, à vista da documentação comprobatória, consoante as determinações do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002, então vigente, a seguir transcritas: “Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: ...............” “Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). ..............” “Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento.” “Art. 199. O período de apuração do imposto incidente nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial é decendial (Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, art. 1º).” Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005994/200890 Resolução nº 3302000.302 S3C3T2 Fl. 126 4 “Art. 312. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58).” “Art. 399. O livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, destinase a consignar, de acordo com os períodos de apuração fixados neste Regulamento, os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros próprios, atendido o CFOP. “Parágrafo único. No livro serão também registrados os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos.”(destaquei) Desse modo, está correto o procedimento da fiscalização ao efetuar o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido em decorrência da compensação não aceita, por não ter sido demonstrada a liquidez e certeza do crédito. No recurso, na Interessada alegou que iria requerer à DRF Santo André o encaminhamento do processo n. 10805.720460/200721 à DRF/ Porto Alegre para julgamento (segundo o Comprot Web, o processo está na DRJ / RPO). A seguir, repetiu as alegações da impugnação, reafirmando a apuração de indébito e a compensação. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005994/200890 Resolução nº 3302000.302 S3C3T2 Fl. 127 5 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O auto de infração em questão foi lavrado em 19 de maio de 2008 e apurou divergência nos seguintes termos: "Quando de diligência realizada no estabelecimento do contribuinte (folhas 07) a fim de verificar créditos fiscais do Impostos sobre Produtos Industrializados, constatamos que os valores declarados em DCTF (folhas 10) e os valores escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI n° 08 (folhas 11 a 13), relativos ao período do segundo decêndio de maio de 2006, divergem quanto ao recolhimento efetuado, tendo efetuado recolhimento a menor do imposto, no valor de R$ 1.570.845,02, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme descrição e valores abaixo. O contribuinte utilizou como crédito de IPI o valor de R$ 1.570.845,02, compensando parte do imposto devido, através da Per/Dcomp n° 19641.17363.300506.1.3.041923 (folhas 15 a 17), sem haver escrituração no Livro Registro de Apuração do IPI , de tal crédito." No processo 10805.720460/200721, a Interessada apresentou declaração de compensação em 30 de maio de 2006, compensando o valor acima mencionado. Por meio do despacho decisório de 26 de outubro de 2007, a DRF Santo André decidiu o seguinte: Em consulta ao Sistema SIEFPagamento (fls.17) foi verificado o pagamento do débito de IPI do 1° decêndio do mês de Maio de 2006, no valor de R$ 3.850.054,07. Consultando a Ficha 20 Apuração do Saldo do IPI (fls.08), da DIPJ 2007 e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de Maio de 2006 (fls.12), verificase que o débito de IPI do 1° decêndio do mês de Maio de 2006 foi declarado no valor de R$ 2.279.209,05. Em resposta à Intimação SEORT no 1618/2007 (fls.13), a interessada apresentou cópia autenticada da página do Livro Registro de Apuração do IPI (fls.15) onde foi contabilizado o referido débito, no valor de R$ 3.850.054,07. [...]Diante do exposto, proponho o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório e a NÃO HOMOLOGAÇÃO da PERDCOMP no 19641.17363.300506.1.3.041923. Contra o despacho decisório em questão, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade, que foi encaminhada à DRJ / RPO (Portaria n° 10.238, de 15/05/2007). Portanto, tratase de dois procedimentos precipuamente vinculados. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.005994/200890 Resolução nº 3302000.302 S3C3T2 Fl. 128 6 Diante dessa situação, seria prudente que o julgamento dos dois processos fosse efetuado conjuntamente, de forma a evitar eventuais decisões conflitantes. Com esse propósito, proponho que o julgamento do recurso seja convertido em diligência, para que o presente processo aguarde na DRF de origem o julgamento da manifestação de inconformidade do processo n. 10805.720460/200721 pela DRJ/Ribeirão Preto e o eventual recurso da Interessada. Dessa forma, se a decisão da DRJ for favorável à Interessada, deverá ser juntada aos presentes autos cópia da decisão e devolvidos os autos para julgamento. Se a decisão for desfavorável (total ou parcialmente) à Interessada, deverá ser aguardada a apresentação de recurso. Não sendo apresentado recurso no prazo, deverá ser juntada cópia da decisão da DRJ e devolvidos os autos para julgamento. Sendo apresentado recurso, ambos os processos deverão ser encaminhados conjuntamente ao Carf, destacandose no processo 10805.720460/200721 que tal processo deve ser distribuído por dependência ao presente e julgado conjuntamente com ele. Sugerese que, no despacho de encaminhamento constante do referido processo, seja informada a presente providência, com informação do número do presente processo. Antes de encaminhar os autos para o Carf, deverá ser dada ciência à Interessada da documentação juntada aos autos, para manifestação em trinta dias. É o voto. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10320.001605/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO. CORREÇÃO REPRESENTAÇÃO. MUNICIPIO. DECISÃO. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. O Município é parte legítima para figura no polo passivo da obrigação tributária, ainda que os fatos geradores tenham sido praticados pela Câmara Municipal. Constatada a nulidade por vício formal, ante ao equivoco na intimação das partes determinado pelo próprio fisco, é nula a decisão recorrida. Processo Anulado. Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 2301-002.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, a fim de intimar o Município a impugnar, ou não, o lançamento, deixando claro que este é o sujeito passivo da relação jurídica, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na Câmara Municipal, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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APLICAÇÃO. CORREÇÃO REPRESENTAÇÃO. MUNICIPIO. DECISÃO. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. O Município é parte legítima para figura no polo passivo da obrigação tributária, ainda que os fatos geradores tenham sido praticados pela Câmara Municipal. Constatada a nulidade por vício formal, ante ao equivoco na intimação das partes determinado pelo próprio fisco, é nula a decisão recorrida. Processo Anulado. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, a fim de intimar o Município a impugnar, ou não, o lançamento, deixando claro que este é o sujeito passivo da relação jurídica, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido na Câmara Municipal, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE BARRA DO CORDA/CÂMARA MUNICIPAL em face da decisão que não conheceu da impugnação apresentada. 2. Narra o relatório fiscal que o contribuinte foi notificado “peto fato de não ter recolhido as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados constantes em folhas de pagamento e aos segurados contribuintes individuais constantes em recibos de pagamento Contribuições arrecadadas por esta Câmara, mediante desconto incidente sobre a remuneração daqueles segurados, e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social, conforme descrito no ‘Discriminativo de Débito – DD’.” (f. 25) 3. Tanto a Prefeitura Municipal de Barra do Corda, quanto a Câmara Municipal de Barra do Corda foram cientificadas da atuação fiscal por intermédio dos ofícios OFÍCIO Nº 594/GAB/DRFB/SLS/MA (f. 31) e OFÍCIO Nº 595/GAB/DRFB/SLS/MA (f. 33) respectivamente. 4. A ementa da decisão recorrida restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas aos segurados empregados, consoante art. 20 da Lei 8.212/91, cuja responsabilidade de desconto e recolhimento aos cofres da Previdência Social é da empresa contratante, na forma do art. 30, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91. Social (GPS), consoante dispunham os art, 34 e 35 da Lei 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A legitimidade é requisito indispensável da impugnação, assim, não deve ser conhecida a impugnação apresentada por parte ilegítima, consequentemente, não é instaurado o contencioso, na forma do art. 14 do Decreto 70.235/72. Impugnação Não Conhecida. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001605/201039 Acórdão n.º 2301002.698 S2C3T1 Fl. 139 3 Crédito Tributário Mantido.” (f. 98) 5. Buscando reverter a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a) preliminarmente, que o recurso deve ser conhecido, pois o CNPJ n.º 07.642.283/000114 é o CNPJ da Câmara Municipal do Município do Barra do Corda e também do Município do Barra do Corda, assim um não pode ser dissociado do outro, pois “se a Câmara Municipal do Barra do Corda não teria legitimidade para a defesa administrativa do Auto de Infração, assim também não teria legitimidade para constar como parte fiscalizada e autuada; sendo, portanto, nulo o Auto de Infração por ter por fazer constar como parte autuada a Câmara Municipal do Município do Barra do Corda ao invés de Município do Barra do Corda”; b) a nulidade da Decisão recorrida, tendo em vista que o agente fiscal induziu o contribuinte a erro ao fazer o lançamento em nome do Município do Barra do Corda/Câmara Municipal – CNPJ n.º 07.642.283/000114; c) não houve clareza de fundamentação para explicar a constituição do crédito tributário, pois foram utilizadas as diversas alíquotas a título de multa, além disso o auto de infração em epígrafe, que não obstante apontar os dispositivos legais que regulamentam o caso em tese, o faz de forma genérica apontando toda a norma, cabendo ao contribuinte descobrir em qual dispositivo da norma indicada deu origem à infração, a penalidade e ao valor aplicado, devendo ser o procedimento administrativo; d) a forma de aferição de empregados e trabalhadores avulsos para fins de levantamento da atividade preponderante desenvolvida é através da contagem do número de empregados que exercem atividade laborativa em cada estabelecimento da empresa como já definido pacificamente na jurisprudência de nossos tribunais, assim, e como o fisco não respeitou a tal preceito, deve o lançamento ser anulado, por ofensa à Lei e ao princípio constitucional da estrita legalidade; e) por fim, a ilegalidade e a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para a correção de créditos tributários. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 1. Preliminarmente é importante que se faça a análise da legitimidade passiva do recorrente, tendo em vista que a decisão de primeira instância não conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte. Segundo o acórdão a impugnação “foi apresentada pela Câmara Municipal de Barra do Corda e em seu nome, e não pelo Município de Barra do Corda, portanto, pessoa diferente da autuada, sendo, pois, parte ilegítima para tal” (f. 100) 2. Ocorre que, compulsando os autos, verificase que tanto a Prefeitura Municipal de Barra do Corda (OFÍCIO Nº 594/GAB/DRFB/SLS/MA – ff. 31 e 32), que arcará com o débito e representa a Municipalidade para efeitos tributários é quem possui legitimidade para contestar o lançamento. 3. Mas o fato de a Câmara Municipal ter vindo aos autos, equivocadamente, originouse de procedimento adotado pelo fisco que gerou enorme confusão processual. Os Avisos de Recebimento (AR) juntados às ff. 32 e 34 demonstram que houve a separação das intimações para os órgãos em blocos, restando incertos os encaminhamentos dos documentos fiscais, o que ensejou sérias dúvidas quanto para o contribuinte acerca de qual entidade deveria responder à autuação. 4. Com isso, resta evidente o cerceamento do direito de defesa por parte do verdadeiro contribuinte, “Município do Barra do Corda/Câmara Municipal”. E conforme dispõe o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. 5. No mesmo sentido, o artigo 12, inciso II, do Decreto 7.574/2011, que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos, dispõe que: “Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 6. Por esse motivo, com observância ao princípio da ampla defesa, entendo que deve ser anulado por vício formal o acórdão recorrido e intimado o verdadeiro sujeito passivo da relação jurídica, qual seja o Município de Barra do Corda, na pessoa da Prefeitura, para, querendo, apresente impugnação ao lançamento fiscal de débito. CONCLUSÃO 7. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para ANULAR a decisão recorrida por vício formal, a fim de intimar o Município a impugnar, caso queira, o lançamento, deixando claro que este é o sujeito passivo da relação jurídica, ainda que os fatos geradores tenham sido praticados pela Câmara Municipal. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001605/201039 Acórdão n.º 2301002.698 S2C3T1 Fl. 140 5 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 16045.000186/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI
Período de apuração: 10/11/2000 a 10/10/2004
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. 112,5%. NÃO APLICAÇÃO. CONTRIBUINTE QUE RESPONDEU ÀS INTIMAÇÕES. IRRELEVÂNCIA DA PLENA SATISFAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL.
Não deve incidir a multa qualificada prevista no artigo 46 da Lei n° 9.430/96, se o contribuinte não se manteve inerte em face das intimações, sobretudo se, pelo contrário, efetivamente respondeu às intimações. Irrelevante se tal resposta satisfez plenamente a autoridade fiscal ou não.
Numero da decisão: 9303-001.936
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/11/2000 a 10/10/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA. 112,5%. NÃO APLICAÇÃO. CONTRIBUINTE QUE RESPONDEU ÀS INTIMAÇÕES. IRRELEVÂNCIA DA PLENA SATISFAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. Não deve incidir a multa qualificada prevista no artigo 46 da Lei n° 9.430/96, se o contribuinte não se manteve inerte em face das intimações, sobretudo se, pelo contrário, efetivamente respondeu às intimações. Irrelevante se tal resposta satisfez plenamente a autoridade fiscal ou não. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 541DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 2 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência do IPI. Nos termos do relatório da DRJ: Segundo a descrição dos fatos de fls. 178 e o relatório fiscal de fls. 188/199, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. Falta de lançamento de IPI nas saídas de produtos tributados, pela utilização indevida do instituto da isenção do imposto. A empresa teria dado saída, com isenção do imposto, a veículos destinados a taxistas, sem a prévia e indispensável autorização da Receita Federal, ou para destinatário distinto da autorização, ou ainda, para destinatário em que não ficou comprovado que seria taxista; 2. Falta de inclusão do ICMS na base de cálculo do imposto, nos casos em que as saídas foram com isenção do tributo estadual, considerandose que o ICMS compõe a base de cálculo do IPI; 3. Saída isenta dos acessórios incluídos na nota fiscal n° 64.859, de 06/12/2000, o que é vedado pela legislação que rege o beneficio; 4. Aplicação de multa majorada de 112,5%, em virtude de embaraços fiscalização do estabelecimento industrial. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 210/233 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 284/293) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Fl. 542DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 3 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/11/2000 a 10/10/2004 ISENÇÃO. TAXI. O estabelecimento fabricante fica obrigado ao recolhimento do imposto correspondente, quando der saída de veiculo com isenção do IPI, para taxista, em desacordo com as normas e requisitos aos quais estava condicionado o beneficio fiscal. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. É licita a imposição de multa de oficio, com agravamento sobre a multa simples (112,5%), tendo em vista a falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados. ISENÇÃO. TAXI. ACESSÓRIOS. A isenção fiscal dos veículos destinados a taxistas não alcança os acessórios opcionais que não integram o veículo originalmente oferecido. IPI. BASE DE CALCULO. A base de calculo do IPI é o valor da operação. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 303/326). A antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 392/399) deu parcial provimento ao recurso voluntário. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: ISENÇÃO. TAXI. A IN SRF n° 31/2000 estabelece condição para fruição do beneficio previsto na Lei n2 8.989/95. A falta de comprovação de que o adquirente do veiculo táxi tem direito a isenção faz com que a montadora/fabricante fique obrigada a recolher o montante do imposto. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZADO. A recusa em exibir livros e documentos fiscais obrigatórios à fiscalização, após formalizada a intimação e reintimações, deve estar devidamente caracterizada para configurar o embaraço a fiscalização. ISENÇÃO. TAXI. OPCIONAIS. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 4 4 Estendese a isenção aos opcionais adquiridos com o veiculo, tais como ar condicionado e kit quatro portas, porque elementos integrantes do mesmo. Recurso provido em parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em violação à legislação tributária (fls. 404/410). Segundo a recorrente: 11. 0 acórdão recorrido considerou que as intimações emitidas pela autoridade fiscal tinham o prazo exíguo e eram cumpridas, embora de forma incompleta. 12. No entanto, permissa vênia, considerar que dezessete intimações e reintimações, minuciosamente descritas no relatório fiscal de fls. 188/199, não foram suficientes para que o contribuinte apresentasse toda a documentação necessária a fiscalização não parece razoável. 13. Outrossim, é de salientar que responder de forma incompleta significa que não houve resposta de parte das intimações. Logo, configurada a hipótese prevista no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, in verbis (...) 29. Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do Caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. 14. Ademais, como asseverado pelo Relator da decisão de primeira instância (fls. 288), após apontar que a autuada prestou informações fora do prazo, de forma incompleta e dificultando o trabalho da fiscalização: "Não compete a contribuinte determinar quais os documentos necessários ao trabalho fiscal; muito menos definir os limites da fiscalização. É prerrogativa da autoridade fiscal estabelecer quais são os documentos e livros necessários para a realização da auditoria." 15. 0 fato é que o contribuinte foi intimado para apresentar esclarecimentos e documentos fiscais e não atendeu a esta intimação, mesmo porque os livros e documentos fiscais da empresa nem sequer ficavam no estabelecimento fiscalizado. 16. Observase, assim, que a conduta da empresa de não manter a sua documentação fiscal no estabelecimento confrontava o principio da autonomia dos estabelecimentos que vigora no IPI, por força do art. 51 do Código Tributário Nacional e dos arts. 291 e 487, IV do RIPI/98; dispositivos a seguir transcritos (...) 18. Assim, por ter havido intimações da autoridade fiscal que não foram atendidas no prazo e outras que nem sequer foram Fl. 544DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 5 5 atendidas, configurando claramente embaraço ao trabalho fiscal, é de ser mantida a multa de oficio majorada, no percentual de 112,5 %, na forma do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 445/456. O contribuinte interpôs recurso especial, ao qual se negou seguimento (despacho de fls. 487/489) Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o contribuinte especificou o dispositivo legal que reputa violado. A recorrente pugna, em suma, pela manutenção da multa majorada de 112.5%, prevista no artigo 46 da Lei n° 9.430/96, porque a conduta do contribuinte teria caracterizado embaraço à fiscalização. O artigo 46 da Lei n° 9.430/96 dispõe que: Artigo 46 As multas de que trata o art. 80 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Entendeuse, no acórdão recorrido, que: “Quanto à majoração da multa, vejamos: Ao analisar o relatório fiscal de fls. 188/199, verifico que a empresa respondeu as intimações realizadas, ainda que de forma incompleta. Não foi o caso de quedarse inerte, mas sim de informar de forma fracionada, o que, segundo a fiscalização, configurou embaraço. Ao analisar, entretanto, as informações de fls. 193/194, verifico que as intimações eram realizadas com exíguo prazo, sendo respondidas tempestivamente mas de forma incompleta.” Devese definir, pois, se a conduta do contribuinte configura, ou não, embaraço à fiscalização. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 6 6 Analisemos, em primeiro lugar, como se manifesta a jurisprudência administrativa fiscal a respeito do tema em tela. Para tanto, trago à baila uma série de julgados proferidos no âmbito do CARF. CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 3101 00.537 em 30/09/2010 MULTA EMBARAÇO FISCALIZAÇÃO ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EMENTA Data do fato gerador: 06/05/2004 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Configurada a existência de conduta dolosa, por parte do recorrente, que negouse a cooperar com o Fisco, bem como o acerto na capitulação legal da imputação, cumpre ser mantida a multa por embaraço à fiscalização Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Publicado no DOU em: 28.03.2011 Recorrente: RUBENS LUIZ VAZ Recorrida: FAZENDA NACIONAL CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2201 00438 em 29/10/2009 IRPF Ex(s): 2000 a 2002 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. EMENTA Exercício: 2000, 2001, 2002 PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização , quanta na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n° 70.235, de 1972. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto n° 70.235, de 1972. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA POSSIBILIDADE. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 7 7 Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar. As instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos de contribuinte sob fiscalização , sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001. Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001 ampliou os poderes de investigação do Fisco, caracterizando a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. O não atendimento às intimações da fiscalização, quando a omissão não representar embaraço a apuração da infração e à lavratura do auto de infração, não pode ensejar o agravamento da multa de oficio lançada Preliminares rejeitadas. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei 10.174, de 2001. Vencidos os conselheiros Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França e por unanimidade, REJEITAR as demais preliminares. Por unanimidade, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para REDUZIR A MULTA DE OFICIO PARA 75%. Publicado no DOU em: 20.05.2011 Recorrente: REINALDO CLEMENTE KHERLAKIAN Recorrida: 4º TURMA/DRJ SÃO PAULO/SP II CARF 3a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 3301 00.007 em 04/03/2009 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 8 8 IRPF Depósitos bancários RECORRENTE: IZABEL CRISTINA COSTA DE ANDRADE, 2ª TURMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. EMENTA Exercício: 2002, 2003 DECADÊNCIA PARCIAL. ALEGAÇÃO DE QUE, NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA SERIA MENSAL E NÃO ANUAL. DESCABIMENTO. A presunção de omissão de rendimentos, com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, muito embora deva ser apurada em base mensal, à luz do que estatui o §1º do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, sujeitasse à incidência do imposto apenas no ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador apenas em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes, desde que observados os limites da legislação infraconstitucional pátria. Havendo, in casu, procedimento fiscal em curso, no qual o contribuinte deixou de apresentar extratos bancários solicitados em intimação fiscal a este endereçada pela autoridade competente, de fundamental importância para a análise da correção da declaração de ajuste apresentada, cabe ao agente fiscal requisitar as informações diretamente à instituição financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí la. No presente caso, inexistindo a comprovação, por parte do contribuinte, de que os depósitos bancários efetuados em suas contascorrentes referiamse a valores de terceiros, fazse mister a manutenção do auto de infração. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO POR PARTE DO FISCO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. Havendo o contribuinte atendido às intimações endereçadas, inclusive apresentando boa parte dos extratos bancários solicitados pelo agente fiscal, devese reduzir a multa ao patamar de 75%, eis que não observados os parâmetros dispostos pelo §2° do art. 44 da Lei n.° 9.430/96, em sua redação vigente à época dos fatos. Recursos de oficio e voluntário negados. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 9 9 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de oficio e voluntário, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 19.07.2011 Processo n" 111.28,007280/200407 Recurso n" 143.940 Voluntário Acórdão n° 380200.228 Turma Especial Sessão de 01 de julho de 2010 Matéria Multa diversa Recorrente Unilever Brasil Ltda, Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/11/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, IMPEDIMENTO À AÇÃO FISCALIZADORA. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA, NÃO CARACTERIZAÇÃO. O embaraço à fiscalização somente se configura quando a Autoridade Fiscal responsável por uma ação fiscal venha a se defrontar com ações ou omissões, por parte do sujeito passivo, capazes de embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento da ação. Sendo possível à Autoridade Fiscal prosseguir com sua ação, sem dificuldades ou contratempos, adotando todos os procedimentos cabíveis ao caso em concreto, o não atendimento à intimação não configura embaraço ou impedimento à ação fiscalizatória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Conforme se depreende dos julgados citados, temse que, para a qualificação da multa, para 112,5%, revelase imprescindível que o contribuinte ofereça um efetivo obstáculo à fiscalização, agindo e omitindose intencionalmente neste sentido. Com efeito, analisandose os acórdãos acima mencionados, podese concluir, em síntese, que, para a incidência da multa qualificada, costumase exigir: (a) existência de conduta dolosa, por parte do contribuinte, no sentido de se negar a cooperar com o Fisco; (b) inércia do contribuinte em atender às intimações, que efetivamente implique obstáculo à fiscalização (a contrario sensu, se a inércia não importar efetivo obstáculo, não há a qualificação da multa). No presente caso, o contribuinte não agiu de tal forma. Com efeito, em geral, ele respondeu sim às intimações. Ainda que se admita que, em alguns casos, a resposta concedida tenha sido incompleta, o que aliás, discutese nos autos, é imputado aos prazos exíguos estabelecidos para o respectivo cumprimento. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 10 10 Não há que se falar que tenha havido realmente embaraço à fiscalização, ou que o contribuinte não tenha atendido a intimação para prestar esclarecimentos. Depreendese dos autos que as respostas efetivamente ocorreram, ainda que, em alguns casos, se possa considerálas incompletas. Não se pode deixar a cargo da autoridade fiscal, simplesmente, aferir se os esclarecimentos prestados pelo contribuinte lhe são suficientes ou não, possibilitandose a aplicação da multa de 112,5%, pelo simples fato de sentirse insatisfeitos com as informações fornecidas. O texto normativo é claro: a multa de 112,5% somente pode incidir em face da ausência (e não simples incompletude) de resposta do contribuinte às intimações feitas pelo Fisco. O recrudescimento da multa somente tem lugar no caso de o contribuinte efetivamente ficar inerte em face da intimação do contribuinte; pois que, assim agindo, realmente, impede a Fiscalização de desempenhar o seu papel. Ressaltese, ademais, que há entendimento jurisprudencial no sentido de que, mesmo numa hipótese que tal, podendo a Fiscalização perpetrar a fiscalização, não há que se falar na incidência da referida multa. Mas este não é o caso dos autos, em que o contribuinte não se negou a prestar informações, o que se denota pelos documentos presentes nos autos, e manifestações do contribuinte em face da autoridade fiscal. Inferese, isto, do relatório fiscal mesmo, presente às fls. 188/199 dos autos. A título de exemplo, tenhase por presente as seguintes passagens: => Termo de Constatação 7, de 22 de agosto de 2005, fls. 45, onde registramos o que, até então, havia sido apresentado pela Empresa e o que não havia sido apresentado; demais, mais alguns registros sobre o curso dos trabalhos; Intimação 11, mesma data acima, fls. 46, onde solicitamos que nos fosse informado sobre as lacunosas informações e documentos faltantes; atendimento em fls. 47/48, em 23 de agosto de 2005, com mais informações e pleitos; Tais passagens demonstram que o contribuinte não ficou inerte em face da Fiscalização, de sorte que a qualificação da multa não se justifica. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16045.000186/200533 Acórdão n.º 9303001.936 CSRFT3 Fl. 11 11 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.726519/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a multa qualificada de 150% quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de ocultar parte dos tributos devidos, deixando, com isto, de recolhê-los à Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 2201-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a multa qualificada de 150% quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de ocultar parte dos tributos devidos, deixando, com isto, de recolhêlos à Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 65 19 /2 01 1- 17 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 351.700,98, calculados até 24/02/2006. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: I. DOS FATOS (...) O entendimento do Impugnante sobre o Imposto de Renda cobrado é de que nada deve ao Tesouro Nacional, conforme prova adiante. (...) II. DO DIREITO Segundo já apontado na descrição dos fatos motivadores do Auto de Infração, a Ilustre Auditora Fiscal fundamentou a autuação em suposta ausência de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) incidente sobre a suposta omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 2007, em face de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados na Declaração de Ajuste Anual do Impugnante, no exercício 2008. Entende o Impugnante, contudo, que a constituição do crédito padece de máculas ensejadoras de reforma na totalidade do crédito constituído. Isso porque, de fato ocorreu a venda de terreno, cujos dados foram fartamente destacados no Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto, pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda., CNPJ nº 03.436.257/000189 (Movement) à empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda., CNPJ nº 01.069.406/000193 (Trapézio), pelo valor de R$ 7.702.930,00 pagos de forma parcelada à empresa Movement, diretamente em conta bancária dos dependentes de seu sócio, ora Impugnante, mediante cheque e em espécie, a título de distribuição de lucros. Ou seja, a distribuição de lucros ocorreu em razão dos Fl. 590DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 3 3 pagamentos da Trapézio pela aquisição do terreno da Movement. Por qual motivo os cheques/valores deveriam transitar fisicamente em contas bancárias da Movement, se o destino traçado era o depósito, a título de lucros distribuídos, em conta bancária dos dependentes do Impugnante, ou mesmo, em suas próprias contas bancárias? Quanto à questão interposta pela Ilustre Fiscal de que os valores distribuídos foram exatamente iguais àqueles depositados em conta bancária dos dependentes do Impugnante (R$ 7.702.930,00), elucidase, em face da existência de lucros acumulados no balanço patrimonial da Movement (R$ 507.461,96), suficientes para respaldar essa distribuição, segundo consta do balancete analítico de 31 de dezembro de 2007, registrado no Livro Diário, de conhecimento da fiscalização. Quanto à questão do Cartório haver informado que a Movement era a proprietária do terreno é porque a Trapézio não o registrou em seu nome, talvez por razões meramente comerciais, e não fiscais (folhas 20 e 21 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, anexo ao Auto), e, se não o contabilizou, foi mero erro em sua escrituração comercial, passível de correção, tendo por base o Contrato celebrado entre as partes, analisado e confirmado pela própria fiscalização. Logo, não foi porque o Impugnante administra a Trapézio, com os poderes vislumbrados pela própria fiscalização, que ele se utilizou dessa condição para repassar “elevados valores” em cheque de titularidade dessa empresa, para as contas bancárias de seus filhos, dependentes, afinal, o fisco também vislumbrou que sua esposa, mãe de seus filhos, era sócia da Trapézio. Portanto, a forma como foi realizado o pagamento da distribuição de lucros diretamente aos filhos do Impugnante, seja por meio de cheques de emissão da Trapézio, ou mediante depósito em espécie, pois esse pagamento tanto poderia ser feito por sua mãe, sócia da Trapézio, como pelo pai, ora Impugnante, pois seria o mesmo que a Trapézio pagar diretamente à Movement e esta, por sua vez, a seu sócio, o Impugnante, e, este, em seguida, depositar as quantias recebidas em contas bancárias de titularidade de seus filhos/dependentes, portanto, a forma de pagamento elegida pelo Impugnante, para fugir à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), não é motivo suficiente para se desqualificar a operação de distribuição de lucros, geradora de rendimentos isentos, na forma definida no art. 10 da Lei nº 9.245/95. Portanto, incabíveis as alegações da fiscalização que o contribuinte, ora Impugnante, embora não tivesse declarado os rendimentos isentos recebidos da Movement, na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2007, nem os saldos das contas bancárias de seus dependentes, sequer teve a intenção, contrariamente à acusação de “evidência” da Ilustre Fiscal, de esconder da autoridade tributária a movimentação de seus recursos financeiros, “...”, conforme exposto no TVF. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Também, em função dos argumentos já citados, incabíveis são as alegações de que os recursos depositados nas contas bancárias de seus filhos/dependentes não são provenientes de Distribuição de Lucros pagos pela Movement ao Impugnante, “...”. (vide TVF) Assim, a fiscalização atacou o Impugnante, sem qualquer fundamento sólido, baseandose em supostos rearranjos na escrituração contábil, com retificação da Declaração de Rendimentos (DIPJ) da Movement, bem como o Impugnante, “em conjunto com empresas ligadas das quais é administrador, se utilizou de artifícios de planejamento tributário, tentando de forma voluntária e consciente caracterizar como isentos seus rendimentos tributáveis, simulando suposta distribuição de lucros e suposta venda de terreno, no intuito de encobrir a exatidão específica de seus rendimentos tributáveis e, conseqüentemente, fugir da tributação de forma deliberada...” (vide TVF). Mera Presunção! Por fim, a acusação de simulação na operação de venda de terreno de propriedade da Movement para a Trapézio, tem resquícios de leviandade, pois existe Contrato comprobatório da operação assinado pelas partes, em poder da fiscalização, bem como registros contábeis dos fatos ocorridos. Aliás, frizese, esse Contrato, celebrado em 03 de fevereiro de 2007, atende a toda a solenidade requerida pelo regramento civil e aos demais requisitos legais previstos no ordenamento pátrio, em especial, com o disposto nos arts. 421, 422 e 427 do Código Civil. Em suma, houve a comprovação da origem dos depósitos bancários, razão da motivação do Auto de Infração, portanto, demonstrase, de forma inequívoca, que o caso sub examine não constituiu hipótese do disposto no art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), a base legal para a tributação dos depósitos bancários quando considerados casos de omissão de receita, verbis: (...) III. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Tendo por base as acusações infundadas supracitadas e, arrolandose inúmeras outras, como exemplo, a de que a venda do terreno foi um indício de simulação, pois os valores que a Movement alegou ter recebido da Trapézio não transitaram em suas contas bancárias e de que esta não informou na DIPJ a aquisição do terreno, tudo objetivando demonstrar a existência de sonegação, em conformidade com o descrito no art. 71, da Lei nº 4.502/64, motivaram a aplicação da multa qualificada pela fiscalização. Entretanto, nada comprova a existência de dolo. Assim, verificase que nenhum fato abordado pela fiscalização justifica a aplicação de multa qualificada. E, também, já se demonstrou a inexistência de omissão de receita, tendo o Impugnante apresentado, oportunamente, os documentos solicitados pela fiscalização, inclusive Contrato da operação geradora dos pagamentos realizados a título de distribuição de Fl. 592DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 4 5 lucros, operação isenta de tributação, segundo a legislação vigente. Quanto à questão da comprovação da origem dos depósitos bancários e do quanto foi requerido, a interpretação austera do Fisco foi no sentido de manter os lançamentos ora discutidos e não levar em consideração o fato de o Impugnante estar efetivamente em dia com suas obrigações fiscais. (...) Ademais, é necessário que o lançamento da multa qualificada de 150% seja minuciosamente justificado e comprovado nos autos, inclusive no caso das pessoas físicas, o que não o foi. Sem fazer prova contundente e cabal de suposta conduta fraudulenta, não pode o Fisco impor sanções qualificadas, ferindo o art. 112 do CTN (a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao contribuinte). Por outro lado, embora pagar tributos seja uma obrigação, é direito do contribuinte pagar tributos segundo os princípios constitucionais e, essencialmente, pagar com justiça. Dessa forma a represália ao eventual não pagamento de tributos não pode passar os limites dos direitos fundamentais. A legislação tributária prevê sanções ao descumprimento das obrigações fiscais, graduando as multas segundo a conduta do cidadão contribuinte. Assim, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar determinado tributo, mas também uma repressão a uma eventual conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada ao alvedrio do Fisco. (...) Por fim, ressaltese que a empresa Movement, atual Nova Locadora de Veículos e Serviços Ltda, EPP, por meio de DIPJ retificadora apresentada em 03 de fevereiro de 2010, assumiu o débito tributário pertinente à receita na venda do terreno (entre outras), optando pelo pagamento mediante o parcelamento Refis IV, previsto na Lei nº 11.941, de 2009. Vale salientar que a Movement não estava impedida dessa apresentação, pois não se encontrava sob fiscalização, contrariamente ao exposto pela fiscalização (pgs. 22 a 24 do TVF). IV DO PEDIDO De todo exposto, com base nos dispositivos legais que regem a matéria, na jurisprudência e nos argumentos expostos, o Impugnante requer, com o devido respeito, se digne V.Sª de julgar o AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE, descontinuando o crédito tributário pretendido pelo Fisco e, consequentemente, determinando o arquivamento do processo correspondente, ora em tramitação, nessa Delegacia. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Solicita, ainda, baixar o processo em diligência, para que outro Agente constate nos livros contábeis e assentamentos societários das empresas o quanto aqui se alega. Protesta pela apresentação posterior de documentação em Memorial, em até 15 (quinze) dias, necessária à comprovação, por se tratar de direito material. Em 21/09/2011, o contribuinte solicitou a juntada aos autos de páginas do Livro Diário de 2007, da pessoa jurídica Trapézio Locadora de Veículos e Serviços Ltda, com o intuito de demonstrar “os registros relativos aos pagamentos realizados por conta da aquisição do terreno situado na Av. Raul Barbosa, em São João de Tauape, FortalezaCE, matrícula 20043, bem como os registros dos saques que deram origem aos depósitos em dinheiro nas contas bancárias dos dependentes do Impugnante”. Salientou que o lançamento do terreno adquirido da pessoa jurídica Movement Locação & Serviços Ltda., encontrase “registrado no balancete analítico de 31 de dezembro de 2007, pelo valor de R$ 7.702.930,00, à folha nº 656 do Livro Diário da Trapézio” e que, em face da aquisição do referido terreno, a empresa Trapézio retificou sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2007. A 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Omissão de rendimentos. Lançamento com base em depósitos bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ônus da prova. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Omissão de Rendimentos. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Multa qualificada. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o evidente intuito de sonegação. Intimado da decisão de primeira instância em 13/12/2011 (fl. 577), José Adail Carneiro Silva apresenta Recurso Voluntário em 12/01/2012 (fls. 578 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos de 2007. A autoridade fiscal aplicou, sobre a integralidade do crédito tributário, a multa de ofício qualificada de 150%. Em sua peça recursal reafirma o suplicante que os valores movimentados nas diversas contas correntes são oriundos da venda de um terreno pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda à empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda, pelo valor de R$ 7.702.930,00, recebidos de forma parcelada e depositados, mediante cheque e em espécie, diretamente na conta bancária de seus filhos, a título de distribuição de lucros. Por fim, diz ser inaplicável a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal. A presente omissão de rendimentos está sendo exigida do contribuinte em vista da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelos contribuintes, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 595DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Passando as questões pontuais de mérito, alega o recorrente que os valores movimentados nas diversas contas correntes são oriundos da venda de um terreno pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda à empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda, pelo valor de R$ 7.702.930,00, recebidos de forma parcelada e depositados, mediante cheque e em espécie, diretamente na conta bancária de seus filhos, a título de distribuição de lucros. Pois bem, a autoridade fiscal lavrou a exigência, apoiada nos seguintes fatos (Termo de Verificação Fiscal fls. 63/65): a) Em 31 de janeiro de 2007, o Sr. José Adail Carneiro Silva, como representante legal de seus filhos menores, efetivou junto à agência nº 35157 do Banco do Brasil, a abertura de conta corrente, conta investimento e conta poupança em nome de Adail Carneiro Junior e Caio Cândido Carneiro, seus filhos menores e dependentes em sua DIRPF do exercício de 2008, ano calendário de 2007; b) No intuito de esconder do fisco elevadas quantias, o contribuinte fiscalizado se utilizou dessas contas bancárias em nome de seus filhos menores e no decorrer do ano de 2007 foram efetuados depósitos bancários nas contas correntes do Banco do Brasil, Agência 35157 no montante de R$ 3.851.465,00 na conta corrente nº 82.3058 de titularidade Adail Carneiro Junior e R$ 3.851.465,00 na conta corrente nº 81.3052 de titularidade de Caio Cândido Carneiro (dependentes/filhos menores do contribuinte fiscalizado); c) O contribuinte apresentou sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, ano calendário de 2007 com rendimentos tributáveis de apenas R$ 12.500,00 e omitiu do fisco em sua Declaração de Bens e Direitos a existência das contas bancárias de titularidade de seus dependentes/filhos menores e os expressivos saldos existentes em 31/12/2007 (R$ 7.702.930,00); d) A Receita Federal do Brasil após constatar a elevada Movimentação Financeira Incompatível com os Rendimentos Declarados pelo contribuinte/dependentes em sua DIRPF, exercício de 2008, ano calendário de 2007 e Ofício nº 1589/2009/PRCE/NC/GABMAT do Ministério Público Federal – Procuradoria da República, determinou a realização de fiscalização no contribuinte José Adail Carneiro Silva, que teve início através do Termo de Início de Procedimento Fiscal lavrado em 01/09/2009 mediante o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0310100/2009011184; e) Em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal o contribuinte fiscalizado apresentou os extratos bancários próprios e de titularidade de seus dependentes; f) Intimado a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de titularidade de seus filhos menores, o contribuinte alegou ser proveniente de suposta distribuição de lucros recebidos por ele em 2007 da empresa Movement Locação & Serviços Ltda e depositados nas contas bancárias de seus filhos; g) O Contrato Social da empresa Movement Locação & Serviços Ltda estabelece o seguinte sobre a distribuição de lucros: “O balanço geral será levantado com a observância das prescrições legais e os lucros líquidos verificados, após as amortizações, reservas e provisões necessárias e indispensáveis para garantir uma situação absolutamente segura e sólida à sociedade, serão divididos entre os sócios na proporção de quotas que possuírem”. O sócio José Adail II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 6 9 Carneiro Silva possuía em 2007, 10% das cotas do capital da empresa Movement Locação & Serviços Ltda, em 2007, não podendo então, receber 100% dos supostos lucros distribuídos, como informou; h) A origem dos recursos informada pelo contribuinte como – Lucros Distribuídos – tem o objetivo claro de transformar as vultosas quantias descobertas pelo fisco nas contas bancarias de seus filhos menores em rendimentos isentos com a finalidade de fugir da tributação; i) A Declaração de Imposto de Renda – DIPJ da empresa Movement Locação & Serviços Ltda, entregue antes do início da ação fiscal informa, que durante o ano de 2007 a empresa não teve qualquer atividade operacional, não operacional, financeira, ou patrimonial como também não distribuiu lucros ao sócio José Adail Carneiro Silva; j) após o início da ação fiscal, a empresa Movement Locação & Serviços Ltda retificou sua declaração de DIPJ do exercício de 2008, para incluir valores anteriormente não informados a título de lucros distribuídos ao sócio Adail Carneiro Silva, no valor de R$ 7.702.930,00; k) A insignificância da movimentação financeira da empresa Movemnt Locação & Serviços Ltda no ano de 2007 corrobora o indício de que a empresa não detinha recursos financeiros para o pagamento das vultosas somas ao contribuinte fiscalizado a título de lucros distribuídos no valor de R$ 7.702.930,00; l) Como a empresa Movement Locação & Serviços Ltda não detinha em 2007 qualquer atividade operacional ou recursos financeiros que justificasse o pagamento das vultosas quantias ao sócio administrador José Adail Carneiro Silva a título de Lucros distribuídos (rendimentos isentos), simulou então a venda de um terreno de sua propriedade para a empresa Trapézio Locadora de Veículos Ltda, também administrada de fato pelo contribuinte fiscalizado; m) O valor informado da suposta venda do terreno é de R$ 7.702.930,00, exatamente o montante dos valores depositados em 2007 nas contas bancárias de titularidade dos filhos menores e da suposta distribuição de lucros que o contribuinte fiscalizado alega ter recebido da empresa Movement Locação & Serviços Ltda e depositado nas contas bancárias de seus filhos; n) O registro do Livro Diário da empresa Movement Locação & Serviços Ltda, foi efetuado na Junta Comercial do Ceará em 17/09/2009, portanto após o início da presente ação fiscal, este fato corrobora o indício de que os registros contábeis foram efetuados no sentido de adequar a contabilidade ao planejamento tributário, escriturando as receitas com a suposta venda do terreno para a empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda no valor de R$ 7.702.930,00, como também os supostos lucros distribuídos para o sócio José Adail Carneiro Silva, no mesmo valor de R$ 7.702.930,00; o) Outro forte indício que a venda do terreno foi uma simulação é que não transitaram nas contas bancárias da empresa Movement Locação & Serviços Ltda os valores que a empresa alegou ter recebido da empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda como pagamento da suposta venda no valor de R$ 7.702.930,00; p) Mais uma prova que não houve a suposta aquisição do terreno pela empresa Trapézio Locadora de Veículos, está em sua Declaração de Imposto de Fl. 597DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Renda DIPJ/2008, apresentada à Receita Federal do Brasil, que informa o valor de ZERO no saldo da conta Terrenos no Imobilizado; q) O contribuinte fiscalizado informou que os depósitos em cheques efetuados nas contas bancárias de seus filhos menores em 2007 eram provenientes de lucros distribuídos pagos pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda. No entanto os cheques do Banco do Brasil (nº 850122, nº 850174, nº 850179 e nº 850182), eram de titularidade da empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda, estavam assinados por ele (José Adail Carneiro Silva) como administrador de fato da empresa Trapézio e foram depositados diretamente nas contas bancárias dos filhos menores do fiscalizado, não podendo portanto ser provenientes de lucros distribuídos pagos pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda, visto que os recursos não transitaram em suas contas bancárias, saíram direto da conta nº 80802, Agência 35157 do Banco do Brasil, de titularidade da empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda para as contas bancárias dos filhos menores do fiscalizado; r) Verificamos também que, segundo informação datada de 11/05/2010, do Cartório de Registro de Imóveis da 4ª zona, o terreno objeto da suposta venda, continua figurando como propriedade da empresa Movement Locação & Serviços Ltda; s) A empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda não atendeu aos Termos de Diligência Fiscal lavrados em 23/08/2010, 14/09/2010 e 17/02/2011, quando foi intimada e reintimada a apresentar os livros contábeis Diário e Razão do ano calendário de 2007; t) Todas essas manobras, simulando a suposta venda de um terreno entre a empresa Movement Locação & Serviços Ltda (suposta vendedora) e a empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda (suposta compradora), pelo valor de R$ 7.702.930,00, tem o objetivo claro de criar as condições financeiras (fictícias), para a empresa Movement Locação & Serviços Ltda simular a distribuição de lucros para o sócio José Adail Carneiro Silva, no mesmo valor de R$ 7.702.930,00, no intuito de fugir da tributação, transformando as vultosas quantias escondidas por ele e descobertas pelo fisco nas contas bancárias de seus filhos menores/dependentes, em rendimentos isentos, na tentativa de encobrir a exatidão específica de seus rendimentos tributáveis e conseqüentemente induzir o fisco ao erro. Pelo que se vê, muitas são as evidências que apontam para uma venda ficta do terreno, cujo real objetivo não é outro senão uma tentativa de justificar a movimentação bancária efetuada por ele na conta de seus filhos menores e, consequentemente, se eximir do pagamento de tributo. Com efeito, a partir da suposta venda do terreno foi possível viabilizar o ingresso de recursos e a consequente distribuição de lucros no valor de R$ 7.702.930,00. Assim, em que pese afirme o recorrente que a elevada movimentação financeira advém de distribuição de lucros da empresa Movement Locação e Serviços Ltda, compulsandose a declaração da Pessoa Jurídica, entregue em 31/03/2008, verificase que a mesma permaneceu inativa ao longo do período fiscalizado, ou seja, “a Pessoa Jurídica acima identificada, por seu representante legal, declara que permaneceu durante todo o período de 01/01/2007 a 31/12/2007 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial”. Na tentativa de dar suporte a operação supra, registra o contribuinte o Livro Diário de 2007 da empresa Movement Locação e Serviços Ltda, na Junta Comercial do Estado do Ceará, em 17/09/2009, isto é, em data posterior ao início da presente ação fiscal e, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 7 11 posteriormente, em 03/02/2010, retifica a Declaração de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, originalmente entregue em 31/03/2008, de forma a considerar o montante de R$ 7.702.930,00, como sendo “Receita com Venda de Imóvel” e, em seguida, efetua a distribuição de lucros (rendimentos isentos) de mesmo valor. Ressaltese que de acordo com o contrato social da empresa Movement Locação e Serviços Ltda, o recorrente possui apenas 10% de seu capital social e, por essa razão, não poderia distribuir 100% do lucro produzido. Apesar de toda engenharia contábil perpetrada pelo contribuinte, não se pode perder de vista as prescrições da Súmula CARF nº 33, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Prossegue o suplicante seu desiderato afirmando que todos os pagamentos relativos à compra do terreno encontramse registrados no livro diário da empresa Trapézio Locadora de Veículos Ltda, citando, inclusive, as folhas para conferência. No que tange a empresa Trapézio Locadora de Veículos Ltda, verificase que a DIPJ originalmente entregue, relativa ao exercício de 2007, não faz menção de aquisição de qualquer imóvel. Conforme citado neste voto, não foi apresentado pelo contribuinte Escritura Pública e tampouco Registro em Cartório de Imóvel. E, mais, diversos cheques do Banco do Brasil, de titularidade da empresa Trapézio Locadora de Veículos & Serviços Ltda, foram assinados pelo ora recorrente, na qualidade de administrador da referida empresa, e depositados diretamente nas contas bancárias de seus filhos menores e, como estes recursos não transitaram pelas contas bancárias da empresa Trapézio, nem do fiscalizado, não pode, por conseguinte, ser provenientes de lucros distribuídos pagos pela empresa Movement Locação & Serviços Ltda. Pelo que se vê, o recorrente busca apresentar ao Fisco documentos e comportamentos exigidos pelo sistema legal, para justificar a elevada movimentação financeira, mas que não combinam univocamente com a realidade de fundo. Assim, diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, entendo que a autoridade lançadora demonstrou com detalhes o artifício utilizado pelo recorrente para justificar a origem dos créditos bancários e, por outro lado, penso que é absolutamente estéril os argumentos e/ou documentos produzidos para comprovar o montante de R$ 7.702.930,00, depositados na contas de seus filhos menores. Destarte, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. No que tange a qualificação da penalidade, melhor sorte não socorre o autuado. Em verdade, a qualificadora tem como pressuposto a imputação da titularidade dos rendimentos ao contribuinte e ao fato de que este utilizara de contas de seus filhos menores para omitir a renda tributável. As infrações detectadas não denotam apenas declarações inexatas ou simples omissão de renda, mas, fundamentalmente, ações dolosas no sentido de esconder das autoridades fiscais expressivas quantias movimentadas. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 O recorrente, por meio de uma engenharia contábil inverossímil, participou de fatos econômicos múltiplos, na tentativa de dar um suporte lícito para os recursos movimentados nas contas de seus filhos menores. Com efeito, o contribuinte simulou a venda de um terreno para a empresa Trapézio Locadora de Veículos e Serviços Ltda, no valor de R$ 7.702.930,00, com o fito de produzir artificialmente lucros na empresa Movement Locação e Serviços Ltda (empresa inativa) e, consequentemente, distribuílos sem o pagamento do imposto correspondente. Ainda que apuradas infrações por meio indireto, com base em presunção legal centrada em depósitos e créditos bancários, correta a qualificadora imposta pela autoridade fiscal, pois há nos autos elementos materiais suficientes que demonstram a intenção do recorrente de praticar conduta contrária àquela prevista em lei. Portanto, a utilização de contas bancárias em nome dos filhos menores, para descaracterizar a ocorrência dos fatos econômicos dos quais a extensão do conhecimento à Administração Tributária Federal permitiria a construção da exigência de forma direta sobre o recorrente, mas também todas as demais provas indiciárias coletadas pela autoridade fiscal, evidenciadoras da presença e da participação deste contribuinte no esquema fraudador, permite concluir pela presença da intenção (dolo) no desenvolvimento das atitudes ilegais das quais resultaram as infrações apuradas pelo fisco. Assim, se o contribuinte, deliberadamente, impediu o conhecimento dos depósitos bancários por parte do Fisco, com o fim de não pagar os tributos devidos sobre a expressiva movimentação bancária, penso que restou caracterizada a figura do dolo e, consequentemente, impõese a aplicação da multa de ofício qualificada, previstas nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Ante a todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.726519/201117 Acórdão n.º 2201002.078 S2C2T1 Fl. 8 13 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10850.903730/2010-97
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INAPLICAÇÃO NO CASO CONCRETO.
Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88 (Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Por força do art. 5º do referido decreto-lei, presume-se que as alienação referem-se às ações adquiridas em último lugar. Cabe ao requerente de repetição de indébito comprovar que as ações alienadas pertenciam ao seu patrimônio há mais de 5 anos, completados até 31/12/1988. No caso concreto, o recorrente não conseguiu êxito na citada comprovação, o que impede reconhecer o direito à restituição, notadamente quando há evidências de que foram alienadas ações que não atenderiam à isenção pleiteada.
Numero da decisão: 2802-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INAPLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88 (Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Por força do art. 5º do referido decreto-lei, presume-se que as alienação referem-se às ações adquiridas em último lugar. Cabe ao requerente de repetição de indébito comprovar que as ações alienadas pertenciam ao seu patrimônio há mais de 5 anos, completados até 31/12/1988. No caso concreto, o recorrente não conseguiu êxito na citada comprovação, o que impede reconhecer o direito à restituição, notadamente quando há evidências de que foram alienadas ações que não atenderiam à isenção pleiteada.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INAPLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88 (Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Por força do art. 5º do referido decretolei, presumese que as alienação referemse às ações adquiridas em último lugar. Cabe ao requerente de repetição de indébito comprovar que as ações alienadas pertenciam ao seu patrimônio há mais de 5 anos, completados até 31/12/1988. No caso concreto, o recorrente não conseguiu êxito na citada comprovação, o que impede reconhecer o direito à restituição, notadamente quando há evidências de que foram alienadas ações que não atenderiam à isenção pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 37 30 /2 01 0- 97 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que indeferiu a manifestação de inconformidade impetrada contra despacho decisório que indeferiu Pedido de Restituição referente ao imposto de renda sobre ganho de capital obtido na venda de participação societária realizada em 29/01/2004, no montante de R$ 1.073.722,78, pago em 7 (sete) parcelas semestrais, entre julho/2004 e julho/2007. O pagamento objeto do pedido de restituição é relativo à parcela recebida em 16/07/2007, no valor de R$111.538,14. O contribuinte alegou: a) que o ganho de capital não estava sujeito à incidência do IRPF porque as participações societárias herdadas, ações da Usina São Domingos – Açúcar e Álcool S/A já eram detidas desde 1977 pelo Sr. Aurélio Zancaner, portanto por mais de 5 anos, enquadrando se nas condições do disposto na alínea “d”, do art. 4º, do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976. b) que as pessoas físicas que preencheram as condições impostas pelo DecretoLei nº 1.510 possuem direito adquirido à isenção tributária na posterior alienação, conforme vem decidindo, pacificamente, o Conselho de Recursos Fiscais – CARF e o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ainda que o benefício tenha sido revogado pela Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, por se tratar de isenção condicionada prevista no art. 178 do CTN (manter a participação por mais de cinco anos); c) que tal direito, por ser patrimonial e não pessoal, integra a herança do de cujus, sendo, portanto, transmitido às suas herdeiras. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade com a seguinte fundamentação: a) Inexiste direito adquirido à isenção, salvo se houver sido concedida a prazo certo e sob condição onerosa (CTN, art. 178). Para que possa haver a fruição do benefício, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Raciocínio que se aplica a hipóteses de nãoincidência; e b) a nãoincidência prevista no Decretolei nº 1.510/1976, art. 4º, alínea “d”, não gerou direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 2802002.287 S2TE02 Fl. 272 3 c) a alienação de participação societária efetuada a partir de 1º de janeiro de 1989, está sujeita ao imposto sobre o ganho de capital ainda que, nessa data, já houvesse decorrido o período de cinco anos da subscrição ou aquisição da participação. Ciência da decisão em 24/08/2012, uma sextafeira. A peça recursal protocolada em 24/09/2012 reitera os argumentos de primeira instância e cita vasta jurisprudência do STJ e do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A questão central é o reconhecimento ou não de isenção, com fulcro na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 21/12/1976, em relação ao ganho de capital nas alienações de ações ocorridas na vigência da Lei 7.713/1988, cujas ações já contavam com pelo menos 5 anos com o alienante quando a referida lei entrou em vigor. Não obstante o precedente do Superior Tribunal de Justiça – STJ indicado no acórdão recorrido, os mais recentes precedentes da CSRF, e de outros órgãos julgadores deste Conselho e da 1ª Seção do STJ têm reconhecido a isenção nesses casos, tal como os julgados abaixo indicados. CSRF 9202001.400, de 12/04/2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO. Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4° letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei n o. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76. Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4°, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de n°. 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. CSRF/0400.215, de 14/03/2006 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. No mesmo sentido, podem ser apontados outros precedentes: 220200.604, de 17/06/2001, Acórdão 2101000.966, de 10/02/2011 e Acórdão 10248824, de 08/11/2007. EDcl no REsp 1133032 / PR, de 14/09/2011 PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO FISCAL. HIPÓTESES DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. AUSÊNCIA. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBLIDADE. 1. Os embargos de declaração destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado. Também temse admitido os aclaratórios para a correção de meros erros materiais, passíveis de conhecimento de ofício pelo órgão julgador.Entretanto, subverte a finalidade do recurso a tentativa de rediscutir as questões já enfrentadas pelo julgado impugnado. 2. Não há contradição em se afirmar que, via de regra, as isenções fiscais por prazo indeterminado são revogáveis, nos termos do art.178 do CTN e concluirse, no caso das alienações das participações societárias regulamentadas pelo art. 4º, alínea 'd', do DecretoLei 1.510/76, que o contribuinte tem direito adquirido à benesse fiscal. 3. Não procede a suscitada usurpação de competência da Suprema Corte, pois o acolhimento da tese de que a isenção fiscal persiste, no caso, deuse com base na interpretação dos dispositivos infraconstitucionais aplicáveis à espécie, não se tendo feito, em nenhum momento, juízo de valor sobre as normas insculpidas no Texto Maior. 4. Não se confunde a revogação da isenção fiscal com a revogação da lei isentiva. O legislador, ao exercer a função legislativa inserida no âmbito da liberdade de conformação, pode revogar a lei isentiva. No entanto, a força normativa do novo diploma legal não atinge, na hipótese, quem já cumpriu com os requisitos para a fruição da isenção, em momento anterior ao da revogação da lei. Logo, não se declarou a inconstitucionalidade do art. 58 da Lei 7.713/88, o qual permanece válido, tanto é que, após a edição desse normativo, não é mais possível adquirirse novo direito à isenção. 5. Embargos de declaração rejeitados. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 2802002.287 S2TE02 Fl. 273 5 REsp 1133032 / PR, de 14/03/2011: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO ONEROSA POR PRAZO INDETERMINADO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. REVOGAÇÃO. ART. 178 DO CTN. 1. Os recorrentes impugnam acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual entendeu não persistir a isenção conferida pelo art. 4º, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/76 ao acréscimo patrimonial decorrente da alienação de participação societária realizada após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/88. 2. Não obstante as ponderáveis razões do voto apresentado pelo Sr. Ministro Relator, reconheço o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que essa alienação tenha ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, tendo em vista os reiterados pronunciamentos da Fazenda Nacional, pelo órgão máximo de sua instância administrativa, o Conselho Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. (grifos acrescidos) 3. Recurso especial provido. Tal como informa o recorrente, o entendimento exposto acima passou a ser adotado como sedimentado no âmbito da 1ª Seção do STJ, a exemplo dos AgRg no AgRg no Resp 1137701/RS, 23/08/2011 e AgRg no Resp 1243855/PR, de 07/06/2011. Quanto à tese adotada o recorrente está com razão, porém a decisão sobre o pedido de restituição exige que o caso concreto se amolde aos preceitos acima expostos. Assim, cabe aferir se as ações alienadas e que supostamente deram ensejo ao pagamento do IRPF sobre o ganho de capital foram mantidas na propriedade do contribuinte por cinco anos antes da vigência da Lei 7.713/1988. A alienação das ações ocorreu em 28/01/2004 fruto da retirada do quadro societário do espólio do Sr. Aurélio A. Zancaner (óbito ocorrido em 02/09/2000). Na tentativa de comprovar essa situação, o recorrente apresenta DIRPF dos exercício 2004 e 2005 e Atas das Reuniões da empresa. Na DIRPF 2004 constou a declaração de 2.022.839 ações adquiridas até 31/12/2002 (fls. 160), ao passo que na DIRPF2005 a essa quantidade de ações foram somadas 937.248 ações recebidas em 2004 em virtude de aumento de capital. A essas ações adquiridas em 2004 não se aplica a isenção em comento. Quanto às demais é necessária a comprovação de que pertenceram ao Sr. Aurélio Zancaner ou seu espólio pelo prazo de cinco anos antes de ter entrado em vigor a Lei 7.713/1988, sendo insuficiente a menção na DIRPF2004 como adquiridas até 31/12/2002 e também insuficiente mera alegação de que pertenciam ao contribuinte desde 1977. O total de ações alienadas pelo espólio foi de 2.960.087 (fls. 30). Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Na Copia do registro de presença de acionistas (fls. 74) consta que o Sr. Aurélio Zancaner possuía em 30/04/1986, um total de 863.300.052 ações. O aumento do capital com o conseqüente incremento do número de ações dos sócios era procedimento rotineiro da empresa, conforme anotado nas diversas Atas de Reuniões Ordinárias e Extraordinárias juntadas aos autos. Como afirmar que as ações alienadas em 28/01/2004 correspondem a ações que em 31/12/1988 estavam há mais de cinco anos? Onde estaria a prova dessa assertiva? Esta prova não foi apontada pela recorrente. Ao contrário, há evidências em sentido diverso. Tomemos a Ata de 30/04/1988 como exemplo (fls. 81). Houve emissão de 480.000.000 de ações partilhadas proporcionalmente para cada acionista, pelo número de ações que já possuíam na sociedade. A alienação dessas ações não estaria albergada pela isenção que se discute nos autos, pois não estariam há mais de 5 anos na propriedade do sócio quando entrou em vigor a Lei 7.713/1988. Se tomado como referência a proporção de cada sócio na total das ações da empresa, indicadas às fls. 30, cabia ao espólio de Aurélio Zancaner, em 29/01/2004, 6,74279% do capital social, o que permite estimar que, em 30/04/1988, ele adquiriu 32.365.392 ações (480.000.000 x 6,74279%). Outros exemplos permitem chegar à mesma conclusão, tais como os colhidos com as Atas de 15/04/1989 (fls. 85) e de 19/05/1990 (fls. 89). Ressaltese que o art. 5º do DecretoLei 1.510/76 estabelecia presunção de que as alienações se referiam às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente, de forma a ser possível estimar que a alienação ocorrida em 2004 referiuse a ações que não perfizeram o prazo de cinco anos em seu patrimônio quando entrou em vigor a Lei 7.713/1988. Outrossim, a recorrente não demonstrou a relação entre o valor do DARF (fls. 41) e o ganho de capital que supostamente seria isento. Não se pode admitir o reconhecimento do direito creditório sem a comprovação da certeza e liquidez do valor pleiteado. Outrossim, na manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que herdou metade das ações, mais não há prova nos autos. Frisese que a partilha ocorreu após as ações já terem sido alienadas. O formal de partilha transitou em julgado em 29/09/2005 (fls. 176), mas não consta dos autos a comprovação da distribuição entre as herdeiras, o que impossibilita identificar para quem foi transferida a propriedade do direito de crédito inerente ao recebimento das parcelas do pagamento da alienação das ações em questão. Incerteza que compromete outro dos atributos do pedido de restituição, qual seja a legitimidade ativa para receber o valor integral pleiteado. Destarte, a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar que seu caso concreto se subsume à hipótese que lhe asseguraria a isenção. Desta forma, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10850.903730/201097 Acórdão n.º 2802002.287 S2TE02 Fl. 274 7 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10715.002747/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto.
Numero da decisão: 3201-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PEREMPÇÃO. Recurso apresentado após decorrido o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância não se toma conhecimento, por perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.500,00, referente a Multa Regulamentar, em razão do descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do Regime Especial de Exportação Temporária, de acordo com Lei n° 10.833/2003, artigo 72, inciso II, e à multa por embaraço à fiscalização, decorrente do não atendimento de intimação fiscal, de acordo com a alínea “c”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03. Segundo consta dos autos, foi concedido à autuada regime de exportação temporária de bens submetidos a despacho com amparo na Declaração Simplificada de Exportação DSE nº 2050158405/6, com prazo para permanência no exterior com vencimento em 18/10/2006. Ainda segundo descrição dos autos, a interessada foi intimada através do Termo de Intimação GDEXP nº 00057/07 para comprovar o retorno de parte dos bens exportados temporariamente referente ao processo administrativo nº 10715.004159/200513. Tendo em vista que a interessada não apresentou resposta no prazo estipulado de 5 (cinco) dias, foi lavrado auto de infração com as penalidades por descumprimento do prazo concedido para aplicação do regime e embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação. Cientificada da lavratura do Auto de Infração, em impugnação tempestiva às fls. 17 a 19 a autuada alega: que cientificados dos referidos termo de intimação e auto de infração, iniciouse as pesquisas para identificar a razão da divergência de peso entre o tecido exportado e o seu retorno ao país, amparado pela DSI nº 06/00365920. que após diversos contatos com a American Airlines, esta companhia aérea confirmou via fax em 18/06/2007 que o AWB nº 87268661 sofreu uma correção de peso, pois aquele indicado na documentação de exportação não correspondeu ao peso real da carga embarcada. Observa na carta de correção nº CCA 254, emitida pela referida companhia aérea em 19/09/2005, o peso real embarcado correspondeu a 232 quilos (fls.21). Requer autorização para que seja retificado o peso da carga indicado na DSE nº 2050158405/6. É o relatório.” O acórdão foi dispensando de ementa resultante de julgamento de valor inferior a R$ 50.000,00. O julgamento foi no sentido de considerar descumprido o regime de exportação temporária. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002747/200784 Acórdão n.º 3201000.947 S3C2T1 Fl. 2 3 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, inconformado apresenta recurso voluntário O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim Os autos do processo dão conta de que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/06/2011, segunda, conforme AR (fl. 55). A contagem de prazo começou na terçafeira, dia 07/06/2011 e com término em 06/07/2011 (30 dias) numa quartafeira; no entanto o recurso voluntário foi recepcionado somente em 08/07/2011, de acordo com a fl. 60 e seguintes (61/93), ultrapassando, portanto, os 30 dias. Consta, nos autos, Termo de Perempção, à fl. 58, datado em 07/07/2011. O Decreto no 70.235/1972 dispõe em seu art. 33 que o recurso voluntário deverá ser apresentado no prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Os elementos do processo demonstram, de forma inequívoca, que a interessada não cumpriu o prazo previsto na legislação processual administrativa para interposição do recurso, ocasionando a perempção. Diante do exposto, e tendo em vista os prazos processuais são fatais, não comportando qualquer dilação por falta de previsão legal, voto por que não se tome conhecimento do recurso, por perempto. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10920.003422/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
RECURSO VOLUNTÁRIO. OBJETO. AUSÊNCIA.
Descabe conhecer o recurso voluntário na circunstância em que as exações contestadas foram, em virtude do improvimento do recurso necessário, canceladas.
Numero da decisão: 1301-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. RECURSO VOLUNTÁRIO. OBJETO. AUSÊNCIA. Descabe conhecer o recurso voluntário na circunstância em que as exações contestadas foram, em virtude do improvimento do recurso necessário, canceladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 34 22 /2 00 6- 11 Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.162 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.163 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 1999 a 2004, formalizadas a partir da suspensão da imunidade/isenção da entidade fiscalizada. Por bem sintetizar os fatos apurados no transcorrer da ação fiscal e os argumentos trazidos pela autuada por meio de peça impugnatória, reproduzo relato constante na decisão de primeira instância. [...] O lançamento foi efetuado em virtude da suspensão da imunidade e isenção tributária, formalizada no Ato Declaratório Executivo DRF/JOI, n° 7, de 15 de março de 2007, fls. 1432, com ciência em 22/03/2007. Seguindo o rito previsto no artigo 32 da Lei n° 9.430/96, foi emitida a Notificação Fiscal, fls. 1346/1382, com ciência em 19/12/2006, que constatou, de forma resumida, as seguintes irregularidades: 1) A ação fiscal foi desencadeada a partir de informação contida no Oficio n° 244/2004 PRM/JLLEGAB (fl. 7), da Procuradoria da República de Joinville, de que os associados da entidade efetuavam retiradas periódicas de valores do caixa, o que seria vedado em seu estatuto e pelo fato da mesma gozar de benefícios fiscais. 2) Da análise dos livros e documentos apresentados, verificouse que a autuada remunerava diretamente seus dirigentes por três motivos: (1) os pagamentos das supostas prestações de serviços eram muito acima dos padrões normais, se comparados aos demais profissionais da instituição; (2) não ficou comprovada a formação, qualificação e prestação de serviços dos dirigentes, (3) não foi comprovada a distinção formal entre a "mantedora" e as "mantidas", que supostamente efetuariam os pagamentos dos salários. 3) Verificouse, ainda, remuneração de forma indireta através de pagamento de passagens, hospedagens, locação de veículos, e outras despesas afetas aos dirigentes. 4) Os recursos não foram aplicados integralmente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, já que foram constatadas diversas despesas sem relação com os objetivos da instituição e outras não comprovadas. 5) A isenção das contribuições previdenciárias foi cassada através do Ato Cancelatório AC n° 001/2001, tendo como motivação a constatação de irregularidades ao artigo 55 da Lei n° 8.212/91, tais como remuneração de dirigentes, não aplicação integral de seus recursos nos objetivos da entidade e falta de manutenção completa da escrituração. A interessada, dentro do prazo previsto no artigo 32, § 2° da Lei n° 9.430/96, apresentou alegações e provas, fls. 1383/1394, contestando a Notificação Fiscal. A Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.164 4 Seção de Orientação e Análise Tributária — Saort, analisando as razões de defesa apresentadas, proferiu o Despacho Decisório, fls. 1419/1431, concluindo pela suspensão da isenção tributária, tendo em vista o não cumprimento dos requisitos para sua fruição, constantes da Lei n° 9.532/1997, em seus artigos 15, §3°, c/c artigo 12, §2°, alíneas "a" e "b". Com base nas razões do Despacho Decisório, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI, n° 7, de 15 de março de 2007, fls. 1432, o Delegado da Receita Federal de Joinville — SC, declarou suspensa a imunidade e a isenção tributárias da Associação Catarinense de Ensino, CNPJ 84.711.092/000108, nos anoscalendário de 1999 a 2004, por infração ao disposto nos incisos I e II do artigo 14 do CTN e nas alíneas a, b e d do parágrafo 2° do artigo 12 da Lei n° 9.532, de 1997. Inconformada com o Ato Declaratório, que tomou ciência em 22/03/2007, fls. 1431, a autuada apresentou impugnação em 18/04/2007, fls. 1436/1450, com as seguintes alegações: I Breves Considerações • Descreve a Associação Catarinense de Ensino e os títulos adquiridos durante seu funcionamento, afirmando que a família Guimbala dá continuidade a obra do patriarca e fundador. • Por ser uma associação educacional filantrópica e sem fins lucrativos, goza de IMUNIDADE TRIBUTARIA, e não mera isenção, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea c da CF/88. • Deve cumprimento unicamente ao disposto no artigo 14 do CTN. II Preliminarmente • Toda a fundamentação do Ato Declaratório Executivo n° 7 diz respeito unicamente à suspensão da isenção tributária, e não da imunidade como é o presente caso, invocando lei ordinária, quando deveria estar alicerçado em normas complementares. • Destarte, por gozar a ACE de imunidade, o Ato Declaratório que a cassou não tem motivação legal razão pela qual é nulo de pleno direito. • Traz Acórdão do Conselho de Contribuinte neste sentido. • III Mérito • A publicação dos seus balanços comprova que atende ao inciso III do artigo 14 do CTN. • Não cumprindo o item I estaria descumprido o item II do citado artigo. • A autoridade fiscal entende que a ACE distribui direta e indiretamente parte dos resultados por três motivos: (1) os dirigentes recebem remuneração direta; (2) os dirigentes recebem remuneração indireta através de passagens, hospedagem, manutenção e locação de veículos, e outros e (3) pequenas despesas que ao longo de dois anos somaram R$ 5.940,00. • Não há vedação legal para que seus fundadores sejam dirigentes da associação. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.165 5 • A Associação mantém diversos cursos (fundamental, médio e superior), que são meros centros de custos, não possuindo personalidade jurídica própria. • Por exigência da Lei de Diretrizes da Educação e do Ministério da Educação, cada curso deve teve ter seu dirigente, coordenador, professores, instalações, etc. • Destarte, se um ou mais membros da Associação, quer dirigente ou mero associado, exercer também o cargo de dirigente do curso, e perceber, pelo cargo que exerce, remuneração direta, não está infringindo a condição de entidade sem fins lucrativos. • Cita o artigo 13° da IN SRF n° 113/1998. • A autoridade fiscal levanta duas presunções que a autuada responde: (1) Que os dirigentes/coordenadores recebem mais que um professor alega que a autoridade fiscal deveria comparar com os salários dos dirigentes de outras faculdades, e não com os professores. (2) Que os membros da família Guimbala começaram a perceber remuneração quanto tinham 12 ou 14 anos se defende justificando que algumas das funções auxiliares poderiam ser supridas por um ou outro filho e neto em substituição à contratação de terceiros, visando já encaminhálos pelo interesse da família. IV Remuneração Indireta • Passagens, locações e manutenção de carros e hospedagens são gastos inerentes às atividades das escolas. • No período fiscalizado, os cursos superiores passaram por processo de reconhecimento, sendo necessárias viagens aos órgãos públicos federais e estaduais, além de seminários, congressos e estudos que a entidade participou ou promoveu. IV.1 Despesas Funerárias e Médicas. • Os gastos dizem unicamente respeito ao falecimento do Fundador da autuada e de sua esposa, de pequena monta, havendo exagero da autoridade fiscal, desprovido de qualquer razoabilidade entre a pena e o ilícito. • Os gastos são de pouca monta não podendo causar o desvio de finalidade. IV.2 Pagamento a Advogados. • Os litígios estavam ameaçando a credibilidade e a continuidade das atividades das próprias escolas junto às autoridades de ensino, mormente o Conselho Federal de Educação, atingindo os direitos e interesses de mais de 2.100 alunos, inclusive os seus diplomas e horas de curso validados pela autoridade educacional. • Logo, são despesas necessárias e compatíveis em relação à entidade, não podendo ser desconsideradas como tais. IV.3 Pequenas Despesas ao Longo de 26 meses. • A autoridade fiscal afirmou que despesas no montante de R$ 5.940,96, no período de 26 meses, se comparada ao capital de R$ 10.000,00, prejudicaria a isenção tributária. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.166 6 • Alega que as despesas são de R$ 228,50 por mês e o patrimônio é de R$ 9 milhões de reais, portanto irrisória e não proporcional ao fim pretendido pela autoridade fiscal. • Se as despesas efetivamente ocorreram como remuneração indireta, o foram às pessoas designadas no exercício de cargo de Diretor de Curso ou Coordenador. Efetivada a suspensão da imunidade, a fiscalização procedeu à lavratura dos autos de infração de IRPJ, de CSLL, de PIS e de Cofins. Com base no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1977/1995, a autuação teve como base as seguintes constatações: • Nos anoscalendário de 1999 a 2004, entregou as DIPJ nas quais informa ser isenta do IRPJ e estar desobrigada da CSLL. Não foi verificado qualquer pagamento referente a esses tributos. • A ação fiscal teve como resultado a suspensão da isenção para os anos de 1999 a 2004, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 7/2007, tendo sido a interessada intimada a refazer sua escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais, usando o Lucro Real como forma de tributação, bem como a apresentação dos livros Diário e Razão, e o LALUR. • Em resposta entregue em 18/04/2007, a interessada informou ser impossível apresentar os livros contábeis e fiscais solicitados. • Em relação ao PIS, a interessada declarou e recolheu com base na folha de pagamento, com exceção do período de janeiro a junho de 2003, quando o fez com base no faturamento. • Quanto à COFINS, os únicos débitos declarados em DCTF e pagos referem se ao período de janeiro a junho de 2003. • Como não foram apresentados os livros, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro, com base no artigo 530, inciso III do RIR/99. • A base de cálculo considerou as prestações de serviços, revendas de mercadorias e outras receitas (aluguéis eventuais) extraídas dos Livros Razão de 2002 a 2004, cujos resumos encontramse às fls. 1816/1818. • O artigo 55 da Lei n° 8.212/91 estabelece a isenção da CSLL e COFINS para as entidades beneficentes de assistência social. • No caso de a instituição de educação enquadrarse como isenta do IRPJ, ela automaticamente encontrase isenta da CSLL, tendo em vista o disposto no artigo 15, §1° da Lei n° 9.532/97. • Sendo assim, como foi suspensa a isenção do IRPJ e cancelada a isenção das contribuições sociais, coube lançar de ofício a CSLL para os anoscalendário de 1999 a 2004 • A base de cálculo da CSLL considerou os valores da receita bruta e outras receitas (aluguéis eventuais), extraídos dos Livros Razão de 1999 a 2004, cujos resumos encontramse às fls. 1813/1818. • Com a suspensão da isenção do IRPJ e cancelamento do CEBAS, foi lavrado auto de infração para cobrança do PIS com base no faturamento, o mesmo ocorrendo com a COFINS, concernentes aos anoscalendário de 1999 a 2004. Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.167 7 • Foi feito arrolamento dos bens no processo administrativo n° 10920.004138/200717. • Créditos Tributários Constituídos: Principal Juros Multa de Ofício Total IRPJ 2.289.987,10 1.327.121,07 1.717.490,28 5.334.598,45 PIS 71.230,79 67.911,16 53.422,85 192.564,80 CSLL 446.724,69 357.410,12 335.043,46 1.139.178,27 COFINS 1.113.151,66 902.035,83 834.863,49 2.850.050,98 Inconformado, a interessada apresentou, em 11/10/2007, impugnação (fls. 1998/2028) alegando, em síntese, que: • Descreve a Associação Catarinense de Ensino e os títulos adquiridos durante seu funcionamento, afirmando que a família Guimbala dá continuidade à obra do patriarca e fundador. • Alega a decadência do período de 1° de janeiro de 1999 a 14 de setembro de 2002, posto que os tributos envolvidos são lançados por homologação, e a ciência foi em 14 de setembro de 2007 (artigo 150, § 4° do CTN). • IMUNIDADE E NÃO ISENÇÃO Goza de imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c", cujos requisitos a cumprir estão dispostos no artigo 14 do CTN, e não de isenção, que é mera renúncia do legislador ordinário. Norma infraconstitucional não pode inutilizar o preceito constitucional. • A IMUNIDADE NÃO SE EXTINGUE EM RAZÃO DE FATOS ISOLADOS. A imunidade não se extingue porque uma ou outra ação ou omissão da entidade tenha se afastado dos requisitos legais. Afirma que não deixou de cumprir nenhum dos requisitos do artigo 14 do CTN. Se houve irregularidades, constatadas após o devido processo legal, caberia apenas o respectivo imposto, permanecendo íntegra a imunidade em relação às demais atividades da entidade. • DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DIREITO ADQUIRIDO Por força do direito adquirido, goza de imunidade de contribuições sociais, com base no artigo 55, §1° da Lei n° 8.212/91 e DecretoLei n° 1.572 de 1° de setembro de 1977. O STF já pacificou a questão da imunidade relativa às contribuições sociais para a entidade de fins assistenciais, filantrópicos e educacionais. Todos os argumentos e documentos comprobatórios estão contidos na ação ordinária declaratória n° 2007.72.01.0027325 junto à Justiça Federal da Comarca de Joinville. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.168 8 Destarte, o lançamento das contribuições sociais contido no presente auto de infração tem sua natureza definida como apenas para prevenir a decadência, tendo sua exigibilidade suspensa e excluída a multa de oficio, por não cabível. • INEFICÁCIA DO LANÇAMENTO O MPF estava vencido e sem prorrogação devidamente cientificada, invalidando o procedimento administrativo, pois se trata de formalidade essencial. O Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, previsto no artigo 13 da Portaria RFB n° 4.066 de 02/05/2007, não foi apresentado. Logo, é ineficaz o lançamento. • NÃO CABIMENTO DO PROCESSO DE ARBITRAMENTO O crédito tributário deve ser resultado de um prévio e regular processo administrativo de arbitramento, com amplo acesso ao contraditório, nos termos do artigo 148 do CTN, sob pena de absoluta nulidade. Esgotado o processo de arbitramento, respeitando o prévio e regular processo investigatório, com ampla defesa e o contraditório, inicia, então, o processo do lançamento. Foram apresentados os Livros Diário e Razão, bem como toda a documentação exigida, conforme Termo de Devolução de Documentos. O arbitramento é medida extrema, que cabe apenas quando demonstrado e comprovado que (de) outra forma não se poderia quantificar corretamente o valor da exação. Traz ementas de acórdãos do Conselho dos Contribuintes com este entendimento. • DO MÉRITO Demonstrará que atendeu aos requisitos do artigo 14 do CTN. Cumpriu o inciso III do artigo 14 conforme anexação das publicações dos seus balanços. O descumprimento do item I acarreta o descumprimento do item II. A ACE criou e mantém cursos (infantil, fundamental, médio e superior), que não possuem personalidade jurídica própria, sendo meros CENTROS DE CUSTOS. Todos os registros contábeis são da pessoa jurídica, destacados para cada centro de custo. Por exigência da Lei de Diretrizes da Educação e do Ministério da Educação, cada curso deve ter seu dirigente, coordenador, professores, instalações, etc. Não infringe a condição de entidade sem fins lucrativos o fato de um membro de a Associação exercer o cargo de dirigente do curso, e perceber por esta função. A autoridade fiscal levantou duas presunções, que serão respondidas. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.169 9 (1) Que os dirigentes/coordenadores recebem mais que um professor – alega que a autoridade fiscal deveria comparar com os salários dos dirigentes de outras faculdades, e não com os professores. (2) Que os membros da família Guimbala começaram a perceber remuneração quanto tinham 12 ou 14 anos se defende justificando que algumas das funções auxiliares poderiam ser supridas por um ou outro filho e neto em substituição à contratação de terceiros, visando já encaminhálos pelo interesse da família. • Remuneração Indireta Passagens, locações e manutenção de carros e hospedagens são gastos inerentes as atividades das escolas. No período fiscalizado, os cursos superiores passaram por processo de reconhecimento, sendo necessárias viagens aos órgãos públicos federais e estaduais, além de seminários, congressos e estudos que a entidade participou ou promoveu. • Despesas Funerárias e Médicas. Os gastos dizem unicamente respeito ao falecimento do Fundador da autuada e de sua esposa, de pequena monta, havendo exagero da autoridade fiscal, desprovido de qualquer razoabilidade entre a pena e o ilícito. Os gastos são de pouca monta não podendo causar o desvio de finalidade. • Pagamento a Advogados. Os litígios estavam ameaçando a credibilidade e a continuidade das atividades das próprias escolas junto às autoridades de ensino, mormente o Conselho Federal de Educação, atingindo os direitos e interesses de mais de 2.100 alunos, inclusive os seus diplomas e horas de curso validados pela autoridade educacional. Logo, são despesas necessárias e compatíveis em relação à entidade, não podendo ser desconsideradas como tais. • Pequenas Despesas ao Longo de 26 meses. A autoridade fiscal afirmou que despesas no montante de R$ 5.940,96, no período de 26 meses, se comparada ao capital de R$ 10.000,00, prejudicaria a isenção tributária. Alega que as despesas são de R$ 228,50 por mês e o patrimônio é de R$ 9 milhões de reais, portanto irrisória e não proporcional ao fim pretendido pela autoridade fiscal. Se as despesas efetivamente ocorreram como remuneração indireta, o foram às pessoas designadas no exercício de cargo de Diretor de Curso ou Coordenador. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela autuada, decidiu, por meio do acórdão nº 1222.082, de 03 de dezembro de 2008, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.170 10 REMUNERAÇÃO INDIRETA O pagamento de salários acima do padrão, atribuída a administradores ou dirigentes da instituição de educação, pela prestação de serviços ou execução de trabalho não comprovados, configura remuneração indireta, descumprindo os requisitos previstos no artigo 14 do CTN para ter direito à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS As despesas de interesse exclusivo dos dirigentes configura desvio dos recursos, descumprindo os requisitos previstos no artigo 14 do CTN para ter direito à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Descumprindo, a entidade, um dos requisitos do artigo 14 do CTN inexiste imunidade e, por conseguinte, deverá a autoridade fiscal emitir Ato Declaratório suspendendo o benefício, seguindo o rito previsto no artigo 32 da Lei n° 9.430/96. PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa ligada à autorização e ao controle da execução dos procedimentos de fiscalização. A eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa a nulidade do lançamento. IRPJ SUSPENSÃO DA IMUNIDADE É procedente o lançamento quando a suspensão da imunidade é mantida, considerando como base de cálculo as receitas de prestação de serviços, aluguéis e revenda de mercadorias. ARBITRAMENTO. Procede ao lançamento com base no Lucro Arbitrado, a partir do período em que se processarem os efeitos da suspensão da imunidade, quando a pessoa jurídica, intimada, deixar de apresentar os livros fiscais e contábeis, necessários para a apuração do lucro real. LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL. PIS. COFINS 1999 a 2001 DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, aplicase a regra prevista no 173, inciso I do CTN, quando não há pagamento, extinguindose em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito do fisco de proceder à constituição do crédito tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL. PIS. COFINS 1999 a 2004 Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula, devendo ser reconhecida a decadência. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada com a manutenção parcial das exigências, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2.102/2.137, por meio do qual renova os argumentos expendidos na defesa inicial. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.171 11 Às fls. 2.140, em correspondência dirigida ao Presidente deste Colegiado, a contribuinte assinala: ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE ENSINO ACE, já qualificada nos autos em referência, por seu representante legal infraassinado (documentos inclusos nos autos), vem mui respeitosamente comunicar que, valendose dos benefícios da Lei n° 11.941/2009, requereu parcelamento de parte do débito que é objeto deste processo. O montante que deverá ser incluído no parcelamento a ser consolidado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil corresponde aos lançamentos com fatos geradores a partir de 2.002, exclusivamente. Em relação ao lançamento com fatos geradores anteriores (de 01/01/1.999 a 30/11/2.001), em razão de já terem incorrido em decadência, como reconhecido na decisão de 1ª Instância, a recorrente mantém na sua integra o presente recurso. Por decorrência, nos termos do disposto no art. 13 da Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 06/2009, a requerente desiste parcialmente do recurso pendente neste Conselho, exclusivamente em relação ao débito parcelado, como exposto, renunciando em relação a este, e tão somente a este, expressamente e de forma irrevogável, a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta o referido recurso, mantendose, contudo, integra e regular este recurso, cujos termos se reiteram, para a parte do lançamento, em relação ao qual não houve o parcelamento, e, por conseguinte, também não a desistência. É o Relatório. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.172 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. LIMITES DA LIDE Em primeiro lugar, devese definir os limites da lide. Como visto, a entidade autuada, de forma expressa, desistiu de contestar parte do crédito tributário constituído, abdicando, assim, de forma irrevogável, “a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamenta” o recurso. Tal desistência, nos termos da comunicação de fls. 2.140, alcançou os fatos geradores ocorridos a partir de 2002. Entretanto, ao descrever no citado documento o período para o qual mantinha, na sua íntegra, o recurso voluntário impetrado, a fiscalizada indicou os fatos geradores ocorridos entre 1º de janeiro de 1999 a 30 de novembro de 2011. Em conformidade com os autos de infração de fls. 1.894/1.975, foram constituídos os seguintes créditos tributários: TRIBUTO/CONTRIBUIÇÃO PERÍODO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2002 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2003 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 1999 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2000 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2001 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2002 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2003 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 30 DE NOVEMBRO DE 2001 28 DE FEVEREIRO DE 2002 A 31 DE DEZEMBRO DE 2002 31 DE JULHO DE 2003 A 31 DE DEZEMBRO DE 2004 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 31 DE DEZEMBRO DE 2002 Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.173 13 30 DE JUNHO DE 2003 A 31 DE DEZEMBRO DE 2004 Tendo a fiscalizada feito menção, em seu requerimento de fls. 2.140, à manutenção do recurso apenas para o período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de novembro de 2011 , a Delegacia da Receita Federal em Joinville, embora tenha indicado que o procedimento alcançava os fatos geradores ocorridos a partir de 2002 (despacho de fls. 2.160), promoveu a transferência dos débitos relativos à CSLL e à COFINS cujos fatos geradores ocorreram em 31 de dezembro de 2001 para o processo nº 10920.002539/201055 (extratos às fls. 2.156/2.157). Assim, considerados os lançamentos efetuados e a desistência apresentada pela entidade autuada (na forma como foi recepcionada pela unidade administrativa de origem), os créditos tributários que integram a lide são os seguintes: TRIBUTO/CONTRIBUIÇÃO PERÍODO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 1999 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2000 1º, 2º e 3º TRIMESTRES DE 2001 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 30 DE NOVEMBRO DE 2001 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 30 DE NOVEMBRO DE 2001 Aprecio, agora, os recursos impetrados. RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeira instância, conforme demonstrativo de fls. 2.077, cancelou, em razão de decadência, os seguintes créditos tributários: TRIBUTO/CONTRIBUIÇÃO PERÍODO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 1999 1º, 2º, 3º e 4º TRIMESTRES DE 2000 1º, 2º e 3º TRIMESTRES DE 2001 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 30 DE NOVEMBRO DE 2001 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS 1º DE JANEIRO DE 1999 A 30 DE NOVEMBRO DE 2001 A Turma julgadora a quo, em virtude do referido cancelamento de exigências, recorreu de ofício. Tal providência, contudo, tomou por base as disposições da Portaria MF nº 375, de 2001. Como é cediço, o recurso de ofício, hoje, é disciplinado pelas disposições da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, estando revogada, portanto, a Portaria MF nº 375, de 2001. Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.174 14 Nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3 em referência, o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. No presente caso, o sujeito passivo foi exonerado, considerados os montantes relativos a contribuições e multa, do total de R$ 1.117.687,21. Atendido, pois, o requisito de admissibilidade para impetração do recurso necessário, ainda que observadas as disposições da Portaria MF nº 3, de 2008. A Turma Julgadora de primeiro grau cancelou parte da exigência em virtude da constatação da ocorrência de caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de novembro de 2001. Isto porque a entidade fiscalizada foi cientificada dos autos de infração em 14 de setembro de 2007, e, consideradas as disposições do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, os lançamentos, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 30 de novembro de 2001, período mais antigo alcançado pela decadência decretada na instância a quo, só poderiam ser efetivados até 31 de dezembro de 2006. Não merece reparo o decidido em primeira instância, eis que, no caso, ausente o pagamento, aplicase, no que tange à decadência, as disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional. De fato, as exações aqui tratadas submetemse ao denominado lançamento por homologação, motivo pelo qual lhes é aplicável, em princípio, o prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do estabelecido no art. 62 A do Regimento Interno deste Colegiado, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Colegiado. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733 – SC, realizado nos termos do art. 543 C do Código de Processo Civil, pronunciouse no sentido de que o art. 173, I, do Código Tributário Nacional se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento. No caso dos autos, inexiste pagamento feito por parte da entidade fiscalizada, visto que ela apresentou declarações na condição de IMUNE. Nego, pois, provimento ao RECURSO DE OFÍCIO impetrado. RECURSO VOLUNTÁRIO Canceladas, em virtude de decadência, as exigências cujos fatos geradores ocorreram até 30 de novembro de 2001, e, diante da circunstância de que a entidade, nos exatos termos do requerimento de fls. 2.140, só se insurgiu, em sede de recurso voluntário, em relação Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10920.003422/200611 Acórdão n.º 1301001.192 S1C3T1 Fl. 2.175 15 a tais exações, isto é, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/01/1999 a 30/11/1999, a citada peça de defesa perdeu o seu objeto. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário em virtude da ausência de objeto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 5/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/05/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902589/2009-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada.
Numero da decisão: 3803-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 1528.988, de 18 de novembro de 2011, da Salvador, fls. 25 a 27, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 25 89 /2 00 9- 98 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A Contribuinte transmitiu a DComp nº 31075.30432.020306.1.7.046270 em que utilizou crédito a título de pagamento a maior da PIS, período de apuração maio/2004. Despacho Decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo não homologou a compensação declarada, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para esta compensação. Em manifestação de inconformidade, fls. 9 a 11, a Interessada alegou, em síntese, que efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins Faturamento, referente ao mês de maio/2004, em virtude das disposições da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei. Após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. E retificou a DCTF do período. Em julgamento da lide a DRJ/Salvador verificou, por meio dos sistemas de controle da Receita Federal, que, de fato, a interessada apresentou diversas DCTFs referentes ao 2º trimestre de 2004, e, em 22/05/2009, transmitiu a última DCTF retificadora excluindo o débito de Cofins de maio/2004, no valor de R$ 76.562,42. Contudo – aduziu só foi apresentada após a transmissão da DComp nº 31075.30432.020306.1.7.046270, e da ciência do despacho decisório, inexistindo o alegado crédito quando da transmissão e análise da DComp em tela. Considerou a alegação carente de comprovação, referindo que deveria ter sido feita à luz dos registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, a permitir a análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria a contribuição devida e comparála ao pagamento efetuado. Apontou que, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 15 de março de 2012, irresignado, a Interessada apresentou recurso voluntário em 28 de março de 2012, em que tece os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia destes autos diz respeito à falta de comprovação da alegação da Defendente, mediante a apresentação da escrita contábil fiscal, de que procedera a nova apuração da Cofins de maio/2004, dessa feita com base na sua opção pelo regime não Fl. 45DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11030.902589/200998 Acórdão n.º 3803003.926 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 cumulativo. Este, o cerne da questão em que se fundou o Colegiado a quo como razão de decidir. No recurso voluntário a Recorrente sustenta o mesmo argumento de sua defesa anterior e aponta para a precipitação da decisão recorrida e equívoco quanto ao contexto probatório, e destaca que o colegiado “tinha plena ciência de que os demais dados para a solução do caso, afora os que foram trazidos aos autos administrativos, estariam registrados em documentos existentes na própria Administração”. Disso decorre a desnecessidade de colacionar outros documentos de comprovação. Não obstante o argumento, afirma que “traz aos autos a documentação referida na decisão recorrida.”. Não é razoável referir que os sistemas de controle da RFB possuem todos os dados relativos aos créditos da Contribuinte, a permitir uma aferição e um ateste automáticos do seu saldo credor da contribuição. Vejo que está corretamente fundamentada a decisão recorrida ao colocar que a Manifestante teria que demonstrar as bases sobre as quais efetuara a apuração da contribuição, no novo regime, sendo este ônus de prova, com efeito, da Contribuinte. Compulsando o anexo do recurso voluntário, constato que a Recorrente não se desincumbe de aderir à peça recursal os documentos que afirma estarem a ele acostados. De rigor, nenhum documento contábil/fiscal acompanhou a peça recursal. Desse modo, é irretocável a decisão de primeira instância, na cabendo a sua reforma. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 46DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.675122/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos temos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos temos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 12 2/ 20 09 -9 6 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 57 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.37/52 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 30/34) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 13026.38093.291206.1.3.047014 (fls.02/04), onde consta: a) débitos informados (confessados) no montante de R$ 9.905,95: a1) CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA setembro/2005, data de vencimento 30/10/2005, assim especificado: principal: R$ 652,82; multa moratória: R$ 130,56; juros de mora: R$ 110,91; Total : R$ 894,29. a2) CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/1/2005, assim especificado: principal: R$ 5.769,89; multa moratória: R$ 1.153,97; juros de mora: R$ 900,67; Total: R$ 7.824,53. a3) CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA novembro/2005, data de vencimento 29/12/2005, assim especificado: principal: R$ 885,00; multa moratória: R$ 177,00; juros de mora: R$ 125,13; Total: R$ 1.187,13 b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 7.168,87 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 30/06/2004 de R$ 7.168,92 (valor original), data do recolhimento/arrecadação 29/07/2004. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), consta quanto ao PA 30/06/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 5.661,87 (fl. 29). Por isso, o despacho decisório da DERAT /São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 58 3 creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 08), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.168,92. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência (fls.09/10), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 11/18), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA junho/2004 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2004 ou com base em balancete de suspensão/redução; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável; b) débitos informados na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2005 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débito a compensar relativo à CSLL estimativa mensal dos PA setembro/2005, outubro/2005 e novembro/2005; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, os débitos dos PA setembro/2005, outubro/2005 e novembro/2005 não teriam sido confessados em DCTF; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 59 4 que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débitos e exigilos; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento do débito informado e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 30/34), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 29/07/2004 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/12/2010 (fl. 36), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 37/52), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago indevido ou a maior de CSLL só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débito da CSLL informado seria indevido), pediu a restituição do direito creditório objeto dos autos. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 60 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 13026.38093.291206.1.3.047014 (fls.02/04), informando que compensara débitos da CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, dos PA setembro/2005, outubro/2005 e novembro/2005, tendo utilizado – como direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA junho/2004, data do recolhimento 29/07/2004. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 29/07/2004 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA junho/2004, declarado na DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA junho/2004, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual ou com base em balancete de suspensão/redução, nesse anocalendário; b) que, além disso, os débitos da CSLL estimativa mensal dos PA setembro/2005, outubro/2005 e novembro/2005, informados na DCOMP, seriam incabíveis, pois nesse anocalendário teria apurado prejuízo fiscal na declaração de ajuste anual; c) que, então, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2004 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 61 6 mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA junho/2004: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2005, anocalendário 2004, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto aos débitos confessados na DCOMP, PA setembro/2005, PA outubro/2005 e PA novembro/2005: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005, para apurar, verificar, cotejar, se o valor do débito foi declarado na DIPJ e se foi confessado da DCTF respectiva; b) não há nos autos cópia de balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8981/95; c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675122/200996 Resolução nº 1802000.194 S1TE02 Fl. 62 7 Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, do débito informado na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultados da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
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