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Numero do processo: 10680.926962/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/11/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 69 62 /2 01 6- 16 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926962/201616 Acórdão n.º 3401006.409 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926962/201616 Acórdão n.º 3401006.409 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13123.000087/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IMPOSTO DE RENDA. EMPRESA INDIVIDUAL. CONTADOR. VEDAÇÃO
É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual.
A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores.
COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO
No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a
dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-006.236
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros Miriam Denise Xavier (relatora), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IMPOSTO DE RENDA. EMPRESA INDIVIDUAL. CONTADOR. VEDAÇÃO É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual. A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física.
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EMPRESA INDIVIDUAL. CONTADOR. VEDAÇÃO É considerado empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual. A constituição de empresas individuais pode ser feita por pessoas físicas que explorem atividade econômica de natureza civil ou comercial, sendo vedada às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem, dentre outras atividades, a de contador mesmo com a ajuda de colaboradores. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros Miriam Denise Xavier (relatora), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Marialva de Castro Calabrich Schlucking, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 00 00 87 /2 00 7- 55 Fl. 98DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.236 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13123.000087/2007-55 (assinado digitalmente) Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 14/21, ano-calendário 2003, que apurou imposto suplementar de R$ 16.249,25, acrescido de juros de mora e multa de mora, em virtude de compensação indevida de imposto complementar (mensalão), referente à diferença entre o valor declarado R$ 19.898,60 e o valor efetivamente comprovado de R$ 3.649,35. Os DARFs apresentados não pertencem ao contribuinte e não podem ser aceitos. Foram aceitos os valores retidos na fonte pelas fontes pagadoras no valor de R$ 3.649,35. Levou-se em consideração os valores da DAA de fls. 55/58, sendo glosados valores informados no campo "Imposto Complementar" no valor de R$ 16.249,25. Em impugnação apresentada às fls. 2/13, o contribuinte contesta a não compensação dos tributos recolhidos no prazo regulamentes em nome da pessoa jurídica AB Amorim, CNPJ 25.060.963/0001-01, descaracterizada como tal e cujos rendimentos foram tributados na pessoa física. Diz que a fiscalização considerou apenas o IRRF pelas fontes pagadoras às quais a empresa individual AB de Amorim prestou serviços. A DRJ/BSB, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 03-43.872 de fls. 66/71, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A competência para apreciar pedidos de compensação de tributos administrados pela Receita Federal é da unidade que jurisdiciona o domicílio fiscal do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 1/11/11 (Ciência Pessoal - doc. de fl. 78), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 2/12/11, fls. 79/96, que contém, em síntese: Alega que se inscreveu como empresa individual AB de Amorim em 30/1/1989 para explorar a prestação de serviços de contabilidade, encontrando-se ativa desde 3/11/05. Entende que o fato de empregar auxiliares, para exploração individual da atividade econômica, não é motivo suficiente para descaracterizar uma empresa individual. Cita acórdão do antigo conselho de contribuintes nos sentido de que a contratação pelo contribuinte Fl. 99DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.236 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13123.000087/2007-55 de profissionais extrapola a exploração individual da atividade, porque passa de individual para social o exercício da atividade econômica, equiparando-se, assim, à pessoa jurídica para efeitos de imposto de renda. O fisco, ao descaracterizar a empresa individual, ofendeu o princípio da boa-fé. Argumenta que o fundamento do ato estaria no Decreto 3.000/99, art. 150, § 2º. Contudo, a exclusão prevista no decreto não está prevista em lei. Acrescenta que se fosse ilegal o exercício do contador como empresa individual, jamais a Receita Federal poderia aceitar sua inscrição no CNPJ. Disserta sobre a referida descaracterização, citando leis, doutrina e jurisprudência. Conclui que a empresa individual AB de Amorim não poderia ter sido descaracterizada pelo fisco. Alega que aceitando como legal a desconsideração da empresa individual, somente é possível concluir que houve erro no preenchimento do DARF, sanável com a entrega da REDARF. Assim, todos os tributos arrecadados pela pessoa jurídica descaracterizada, e não só o IRRF, devem ser compensados com o imposto exigido pela fiscalização, pois com aludida descaracterização da pessoa jurídica, quem recolheu os tributos foi a pessoa física. Com o deslocamento da receita da pessoa jurídica para a pessoa física, também devem ser deslocados os tributos pagos. Requer a reforma do auto de infração e seu arquivamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Não pode ser acolhido o argumento do recorrente de que a exclusão prevista no Decreto 3.000/99, art. 150, § 2º, não estaria prevista em lei. Ao agente administrativo é vedado afastar dispositivo de lei ou decreto, enquanto vigentes. Ao contrário, deve zelar pelo seu cumprimento. No caso, o Decreto 3.000/99, vigente à época dos fatos, dispõe que: Art.150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: I- as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "a"); II- as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); III- as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (Decreto-Lei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1ºe3º, inciso III, eDecreto-Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976,art. 10, inciso I). Fl. 100DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.236 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13123.000087/2007-55 §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I- médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", eLei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II- profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); III- agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); IV- serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V- corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI- exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"); VII- exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). O Código Civil define o empresário quem exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não o sendo aquele que exerce profissão intelectual: Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Conforme DAA, ano-calendário 2003, fls. 55/58, o próprio contribuinte informa o total dos rendimentos como tributáveis (recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas). Constata-se, portanto, a prestação de serviços de contador, atividade exercida em caráter pessoal, mesmo que contasse com o auxílio de terceiros. Embora a empresa estar formalmente cadastrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ e tenha seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial, tal fato é irrelevante, tendo em vista a constatação de que se trata de empresa individual organizada para a exploração de atividades enumeradas no § 2º do art. 150 do Decreto 3.000/99, cuja tributação sob o regime aplicado às pessoas jurídicas é vedada. Poderia a firma individual existir para explorar a atividade de venda de bens ou serviços. Contudo, os valores recebidos, por serviços prestados individualmente como contador, constituem renda da pessoa física. No presente caso, como já esclarecido, os valores recebidos foram informados na DAA como rendimentos tributáveis, contudo, o contribuinte também informou na DAA, campo "Imposto Complementar", os valores recolhidos em DARFs no CNPJ da pessoa jurídica, o que foi glosado pela fiscalização. Fl. 101DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.236 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13123.000087/2007-55 Sobre a compensação, o CTN dispõe que: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifo nosso) Portanto, apenas os créditos do próprio contribuinte pessoa física poderiam ser compensados e informados nos campos da DAA relativos a "imposto pago". O aproveitamento dos valores recolhidos no CNPJ da empresa individual na pessoa física dependeria de lei autorizadora para tal, o que não se verifica. No caso, verificando-se que a empresa individual recolheu valores a maior (relativo a receitas consideradas da pessoa física), a via correta para reaver referidos valores é o pedido de restituição. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Voto Vencedor Peço vênia à I. Relatora para discordar do seu ponto de vista com relação à compensação dos tributos arrecadados pela pessoa jurídica. Pois bem. No que tange à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi descaracterizada como tal e cujos rendimentos foram tributados na pessoa física. Assevere-se que o aproveitamento do Imposto de Renda comprovadamente recolhido no ajuste da pessoa jurídica ou retido pela fonte pagadora, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Com relação aos demais tributos pagos, distintos do Imposto de Renda, o aproveitamento entre pessoas distintas dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170 do CTN). Fl. 102DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.236 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13123.000087/2007-55 Dessa forma, não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, o pedido de restituição, sem prejuízo do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para que sejam deduzidos do lançamento o Imposto de Renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904443/2012-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (contratos de câmbio formalizados que amparariam as supostas remessas de valores e documentos gerenciais) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (contratos de câmbio formalizados que amparariam as supostas remessas de valores e documentos gerenciais) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 479 1 478 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904443/201271 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.229 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 16 de maio de 2019 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO FIBRA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (contratos de câmbio formalizados que amparariam as supostas remessas de valores e documentos gerenciais) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF – Operações de crédito/Pessoa Física. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 44 3/ 20 12 -7 1 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 480 2 Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: “Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 25.657,60 (DARF no total de R$ 1.336.917,01, recolhido em 25/10/2010), cifra que foi integralmente aproveitada na DCOMP. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 13/09/2013, em 02/10/2012 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter cometido erro no preenchimento da DCTF o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Não obstante, prossegue, o erro de fato foi sanado por meio da entrega da DCTF retificadora. Pleiteia, a suspensão da exigibilidade do crédito, assim como a reforma do despacho decisório com a conseqüente homologação do procedimento”. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta considerou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada”. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 481 3 Em 22/12/2018 o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 080 a 087)1, por meio do qual reitera as razões de sua Manifestação de Inconformidade alegando ainda, em síntese, que: a) na qualidade de instituição financeira, teria realizado operações de câmbio instrumentalizadas em Contratos de Câmbio e que, com relação ao IOF incidente sobre as remessas de valores, essas seriam, à época das remessas, tributadas com alíquota de 0%; b) por equívoco em seus sistemas de gerenciamento erro no sistema de apuração do IOF, teria realizado o recolhimento do tributo aplicando uma alíquota de 0,38%, de forma diversa do que previa a legislação vigente, alíquota esta que, se aplicada sobre os valores constantes dos contratos de câmbio que menciona, perfaria o montante do pagamento a maior realizado; c) sua boafé em produzir provas não pode ser cerceada por “extrema formalidade”, de sorte que “a possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, desde que garantida para a parte adversa a possibilidade de manifestação, respeitando o contraditório e a ampla defesa, não fere qualquer garantia ou defeito fundamental”; d) à luz do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, é de seu direito ver concluído seu pedido de compensação, visto que teria recolhido a maior a quantia de R$ 25.657,60 e teria cumprido todas as exigências legais relacionadas ao pedido, mas, por erro de fato contido em DCTF já devidamente retificada, não teve o seu pedido homologado. Depois de juntar aos autos, ao fim de sua peça recursal, cópia dos contratos de câmbio formalizados que amparariam as supostas remessas de valores (doc. fls. 109 a 116) e documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis que teria efetuado (doc. fls. 118 a 127), além de cópia do DARF recolhido e da DTCF Retificadora, o banco requer o conhecimento e o provimento do recurso visando à homologação integral das compensações, protestando pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23B do 1 Todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 482 4 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 20152. Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito A discussão nos autos se inicia com manifestação de inconformidade pelo indeferimento de solicitação de compensação formalizada na PER/DCOMP no 26891.16608.130612.1.3.040334, de 13/06/2012, por meio da qual o recorrente informou ter realizado pagamento a maior de Imposto sobre Operações Financeiras IOF decorrente de erro contido em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais DCTF, supostamente saneado por meio de DCTF Retificadora por ele registrada. O valor pago a maior teria sido de R$ 25.657,60, oriundo de DARF recolhido pelo Banco. A denegação da solicitação formulada ocorreu por meio de Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF/São Paulo SP), no qual, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, a unidade constatou que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando a decisão sob os argumentos de que: (i) a DCTF retificadora teria sido transmitida em 02/10/2012, após, portanto, à ciência do despacho decisório de não homologação, retirando do sujeito passivo o caráter da espontaneidade; e (ii) nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido de comprovar liquidez e certeza que devem amparar o direito de crédito. Sustenta no voto aquela autoridade julgadora que (fls. 071 – grifos nossos): “Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. (...) 2 Art. 23B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 483 5 No entanto nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido da comprovação da liquidez e certeza que devem configurar o direito de crédito. A contribuinte não indica, por exemplo, o motivo pelo qual teria reduzido o montante do débito indicado na DCTF original. Não apresentou, também, nenhum demonstrativo ou documento capaz de apontar o erro de apuração que provocou a retificação da DCTF. Notese que o valor indicado na DCTF original coincide com o que foi recolhido pela contribuinte por meio de DARF, do que se depreende que a situação não se restringe a simples erro de preenchimento do formulário da DCTF, mas sim de nova apuração do débito. Essa nova apuração deve estar suportada por documentação que possibilite a administração certificar o novo valor do débito, admitir a retificadora, reconhecer o pagamento a maior e homologar a compensação que dele se aproveitou”. Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, razão não lhe assiste. A razão está com a decisão recorrida. Como assevera o Acórdão da DRJ, o Despacho Decisório está materialmente correto, visto que, quando de sua emissão anteriormente à promoção da retificação da DCTF pelo recorrente, não havia saldo de crédito disponível para amparar o pedido de compensação. Também não merece reforma a decisão de piso. Tratandose de direito creditório pleiteado sem qualquer lastro documental, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. A manifestação de inconformidade que deu início ao contencioso foi instruída somente com cópias do Despacho Decisório e da DCTF Retificadora, desacompanhados dos documentos e elementos de prova necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito, como assevera a decisão recorrida. Ressaltese que todos os documentos e informações então juntados ao Recurso Voluntário pelo recorrente, os quais, segundo o Banco, comprovariam o equívoco, estavam disponíveis à data da Manifestação de Inconformidade e poderiam ter sido oferecidos aos julgadores a quo para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. Quanto à tese defendida na peça recursal acerca da possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, também não prosperam os argumentos utilizados pelo recorrente. Com efeito, é farta a jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido e ainda que a prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5o do DecretoLei no 2.124, de 19843) e que a compensação de débitos 3 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 484 6 tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN4); ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4o, do Decreto no 70.235, de 19725); iii) no art. 373 da Lei no 13.105/20156, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Tomo como exemplo o Acórdão da CSRF no 9303005.226, sessão de 20 de junho de 2017, de relatoria da i. Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa reproduzo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 4Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 485 7 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Peço licença para agregar aos meus argumentos os fundamentos utilizados pela i. Conselheira Relatora designada em seu voto condutor naquele Acórdão: “Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações”. De outra feita, é cediço que este E. Tribunal tem até flexibilizado texto seco da norma, permitindo que sobrevenham documentos complementares que comprovem a existência do crédito. Como dito linhas acima, verificando estar minimamente comprovado nos autos o Fl. 136DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 486 8 pleito do sujeito passivo, é papel do julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Com efeito, a DCTF retificadora enviada pelo contribuinte em 2012 e anexada aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade deve ser recebida como elemento indicativo do direito ao crédito, sendo irrelevante o fato de já ter sido proferido Despacho Decisório, pois se busca a verdade material. Mas a simples apresentação de DCTF retificadora não possibilitou ao julgador de piso concluir pela existência do direito creditório. Ou seja, não se dispensa a instrução da Manifestação de Inconformidade com documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados na DCTF original. O recorrente protesta pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito, mas não merece amparo o referido requerimento nesta fase processual. Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Expresso no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento externado pelo relator, Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, e cujo entendimento também foi acompanhado pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante. Na decisão de primeira instância o voto condutor apresenta os seguintes fundamentos para julgar improcedente a manifestação de inconformidade: Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações, bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), resultando no Despacho Decisório em discussão. Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 487 9 saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a nãohomologação. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega equívoco no preenchimento da DCTF o que levou ao comprometimento de todo o pagamento feito no documento de arrecadação indicado como origem do direito de crédito. Diz ainda que o equívoco foi corrigido pela entrega de DCTF retificadora. (...) Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. Percebese que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional está na ausência de demonstração, por meio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal e inicialmente informada em DCTF foi indevida. Diante desta decisão a recorrente apresenta os seguintes argumentos: (...) (...) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 488 10 O presente caso se enquadra às situações em que o sujeito passivo busca provar o direito que alega lhe assistir, agindo proativamente conforme estabelecido no princípio da cooperação, disposto no artigo 6º do Novo Código de Processo Civil – Lei no 13.105/2015, cuja redação assim estabelece: "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Assim sendo, lanço mão do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574/2001, cujas regras são também aplicáveis aos Colegiados de Segunda Instância. Portanto, considerando a relevância dos documentos apresentados pela recorrente com vistas a demonstrar os valores que deram origem ao direito creditório pleiteado, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da Imposto sobre Operações Financeiras – IOF reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos que julgar pertinentes. 2) Avaliar a procedência dos créditos referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF alegadas concernentes aos registros apresentados de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.904443/201271 Resolução nº 3001000.229 S3C0T1 Fl. 489 11 Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10707.000306/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JUDICIALIZAÇÃO DA MATÉRIA OBJETO DOS AUTOS. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO DA LIDE NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. EMBARGOS REJEITADOS, NÃO CONHECIDOS NO MÉRITO.
A judicialização pelo sujeito passivo do objeto da disputa administrativa configura concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto, o que implica renúncia ao direito de discussão da lide no âmbito administrativo.
Não se conhece, no mérito, dos embargos de declaração em face da ocorrência de concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto.
Numero da decisão: 1301-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração em face da propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do tratado nos presentes autos, importando renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF n° 1.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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JUDICIALIZAÇÃO DA MATÉRIA OBJETO DOS AUTOS. RENÚNCIA DA DISCUSSÃO DA LIDE NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. EMBARGOS REJEITADOS, NÃO CONHECIDOS NO MÉRITO. A judicialização pelo sujeito passivo do objeto da disputa administrativa configura concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto, o que implica renúncia ao direito de discussão da lide no âmbito administrativo. Não se conhece, no mérito, dos embargos de declaração em face da ocorrência de concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração em face da propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do tratado nos presentes autos, importando renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF n° 1. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 03 06 /2 00 7- 47 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.136 2 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.137 3 Relatório Embargos de Declaração apresentados pelo sujeito passivo (efls. 256/263) em face do Acórdão nº 110100.699 1ª Câmara /1ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 16/03/2012 (efls. 235/245) que negou provimento ao recurso voluntário. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 19/03/2007, a Fiscalização da Receita Federal, unidade DFIC/São Paulo, lavrou Auto de Infração Obrigação Acessória (efls. 04/07), ao imputar a seguinte infração, in verbis: (...) 001 MULTAS DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Multa regulamentar equivalente a 0,02% por dia de atraso, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. Data Valor Multa Regulamentar 14/03/2007 R$ 34.078.295,59 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições. (...) que integra o auto de infração o Relatório Fiscal dos qual se extrai quanto aos fatos o seguinte excerto (efls. 08/17), in verbis: (...) O Termo de Intimação Fiscal foi lavrado no dia 04 de agosto de 2006, na Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, situada na Av. Presidente Antônio Carlos, 375, 3º andar, sala 338, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.138 4 O Termo foi postado nos Correios, com o Aviso de Recebimento RZ 164778317 BR e foi recebido pelo contribuinte no dia 14 de agosto de 2006. Foi dado ao contribuinte prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Intimação Fiscal, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 86/2001. O contribuinte respondeu ao Termo de Intimação no dia 14 de setembro de 2006. Solicitou formalmente dilação do prazo por mais 15 (quinze) dias. O pedido foi deferido. Esgotada a prorrogação concedida, o contribuinte ainda não tinha conseguido cumprir o disposto no Termo de Intimação. Então, foi enviada ao contribuinte reintimação, por meio do Aviso de Recebimento RZ 164779051 BR, a fim de que apresentasse os referidos arquivos até o dia 13 de outubro de 2006. O prazo total concedido ao contribuinte foi de 60 (sessenta) dias. No dia 11 de outubro de 2006 o contribuinte apresentou apenas parte dos arquivos solicitados. As argumentações do contribuinte sobre a quantidade de dados a serem gerados e o esforço computacional necessário para atendimento do Termo de Intimação Fiscal foram levadas em consideração, tanto que o prazo administrativo foi estendido. O prazo total concedido foi de 60 (sessenta) dias, ou seja, 2 (dois) meses. Frisese que o art. 11 da Lei 8.218/1991, com redação do art. 72 da Medida Provisória 215835 dispõe que o contribuinte deve manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Portanto, o prazo administrativo concedido de 2 meses foi para o contribuinte apresentar arquivos que já deveriam estar prontos e à disposição do Fisco há muito tempo. Devese considerar que outros contribuintes de mesmo porte conseguiram observar o prazo concedido. A legislação sobre a matéria existe há vários anos (a Lei 8.218 é de 1991 e a IN 86 é de 2001). Portanto, houve tempo suficiente para todos se prepararem para uma exigência dessa natureza. Convém esclarecer que: (1) o formato dos arquivos é estabelecido pela Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 86, de 22/10/2001, regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 23/10/2001, devendo ser observado não apenas porque a atuação fiscal é vinculada, mas sobretudo por questão Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.139 5 de compatibilidade com os sistemas existentes no âmbito da Secretaria da Receita Federal; (2) o valor da multa é estabelecido em diploma próprio (arts. 11 e 12, III da Lei 8.218/1991, com redação dada pelo art. 72 da Mediada Provisória n° 2.15834/2001 e reedições) e eqüivale a, no máximo, apenas 1% (um por cento) da Receita Bruta do contribuinte; (3) é grande o prejuízo à Fazenda Nacional pelo atraso ou falta de entrega dos referidos arquivos, uma vez que o trabalho almejado é circularizar eletronicamente a contabilidade do interessado e também as contabilidades de seus fornecedores e clientes, confrontando os lançamentos de despesa e de receita de cada pessoa jurídica; (4) pelo motivo do item anterior, somente se pode considerar que a intimação foi atendida se todos os arquivos forem entregues, uma vez que não se pode fazer um trabalho dessa natureza sobre um banco de dados incompleto ou parcial; (5) frisese, novamente, diversos outros contribuintes de mesmo porte que a interessada conseguiram atender à intimação dentro do prazo administrativo; No dia 20 de março de 2007, o contribuinte compareceu ao SEMAC/SRRF07 e entregou mídias digitais nas quais afirmar ter gravado os arquivos a que foi intimado apresentar. Os arquivos serão submetidos a validação posteriormente no SEMAC/SRRF07. Portanto, o contribuinte entregou os arquivos magnéticos, mas não observou o prazo administrativo concedido. Este Relatório Fiscal, seu respectivo Auto de Infração e seu respectivo Demonstrativo de Cálculo referemse aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005. O auto de infração relativo ao anocalendário de 2001 está controlado pelo MPF 07.1.90.0020060049401, processo 10707.001672/2006 32. O valor do Auto de Infração é de R$ 34.078.295,59 (trinta e quatro milhões setenta e oito mil duzentos e noventa e cinco Reais e cinqüenta e nove Centavos). O Demonstrativo de Cálculo do Auto de Infração e suas planilhas em anexo informam a maneira como este valor foi apurado. (...) • Dispositivo Legal: arts. 11 e 12, III da Lei 8.218/1991, com redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.158 34/2001 e reedições. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.140 6 • Fato : Atraso/falta na entrega dos arquivos magnéticos solicitados por meio de Termo de Intimação Fiscal relativos aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. • Penalidade : Multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. • Prazo final dado ao contribuinte : 13 de Outubro de 2006. • Cálculo: —Da alíquota: Considerandose que a multa diária é de 0,02% sobre a receita bruta do contribuinte, submetida ao teto de 1% dessa, o número máximo de dias que podem ser considerados para fins de aplicação da penalidade é 50 (cinqüenta). Assim, temos: 0,02% X 50 = 1%. —Da base de cálculo: A Receita Bruta é aquela definida no art. 279 do Decreto 3.000/1999 (RIR Regulamento do Imposto de Renda), tomando se os dados declarados pelo próprio contribuinte em sua DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. A planilha em anexo demonstra como foi apurada a base de cálculo. —Do valor da multa: R$ 34.078.295,59. (...) AnoCalendário = 2002 (...) Base de Cálculo Para Multa por Falta/Atraso na entrega de Arquivos Magnéticos = 547.635.556,72 Alíquota =1,00% Multa = 5.476.355,57 (...) AnoCalendário = 2003 (...) Base de Cálculo Para Multa por Falta/Atraso na entrega de Arquivos Magnéticos = 798.064.466,62 Alíquota = 1,00% Multa = 7.980.644,67 Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.141 7 (...) AnoCalendário = 2004 (...) Base de Cálculo Para Multa por Falta/Atraso na entrega de Arquivos Magnéticos = 1.012.626.562,36 Alíquota = 1,00% Multa = 10.126.265,62 (...) AnoCalendário = 2005 (...) Base de Cálculo Para Multa por Falta/Atraso na entrega de Arquivos Magnéticos = 1.049.502.973,48 Alíquota =1,00% Multa =10.495.029,73 (...) Ciente desse lançamento fiscal em 20/03/2007 assinatura aposta no anverso das folhas do auto de infração (efls. 04/06), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/04/2007 (efls. 71/79), alegando, em síntese: nulidade do lançamento fiscal vício no MPF (extinção do MPF); descabimento da exigência fiscal que já suportou inúmeros procedimentos fiscais e que nunca foram solicitados os arquivos digitais mencionados. Destarte, entende que tal prática reiterada das autoridades administrativas afasta a possibilidade de ser imposta penalidade, em função do art. 100, inciso III, e § único, do Código Tributário Nacional; efeito confiscatório da multa aplicada que a multa aplicada tem efeito de confisco e viola o princípio da isonomia; pediu a redução da multa. Na sessão de 19/06/2007, a 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I manteve o lançamento fiscal (cumprimento intempestivo de obrigação acessória pelo sujeito passivo), conforme Acórdão (efls. 170/180), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/03/2007 Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.142 8 MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA COM ATRASO DE ARQUIVO DIGITAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ESTABELECIDA NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O fato gerador da multa aplicada é o descumprimento do prazo concedido para apresentação dos arquivos e sistemas solicitados. Procede o lançamento, portanto, quando o cumprimento da obrigação acessória se dá de forma extemporânea. Lançamento Procedente (...) ACORDAM os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (...) Ciente dessa decisão em 14/12/2009 por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 192), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/12/2009, longo arrazoado, reiterando, em suma, os argumentos que já haviam sido deduzidos na primeira instância (efls. 194/230). Na sessão de 16/03/2012, a 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1ª Seção de Julgamento do CARF manteve o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 110100.699 1ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 235/245), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTAS POR VIOLAÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. O prazo de decadência das multas aplicadas em razão da violação de dever instrumental é determinado pelo art. 173, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO. O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.143 9 afeta a relação da fiscalização com contribuinte. No que tange ao contribuinte, o MPF é um documento neutro. Os trabalhos da fiscalização não são afetados por qualquer elemento do MPF, que nesse aspecto apenas serve para garantir ao contribuinte que a pessoa que se apresenta como fiscal, de fato o é. INSTRUÇÃO NORMATIVA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A falta de menção à instrução normativa no corpo do auto de infração não torna nulo o lançamento, quando citada corretamente a base legal. O relatório fiscal, cientificado ao contribuinte na entrega do auto de infração, faz parte integrante deste e pode ser o veículo de informação da base legal do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é possível analisar a constitucionalidade de leis, ou adequação das leis ao CTN, em processo administrativo. As leis têm presunção de constitucionalidade e devem ser aplicadas pela Administração, salvo determinação em contrário da Justiça. ASSUNTO: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA ATRASO ENTREGA ARQUIVOS MAGNÉTICOS E SISTEMAS. (...) A multa é calculada por dia de atraso, tendo por limite 50 dias. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo Silva (...) Ciente desse decisum em 22/06/2012 (sextafeira) AR (efl. 251), a contribuinte apresentou Embargos de Declaração em 29/06/2012 (efls. 253/263) e foram rejeitados, de plano, por despacho monocrático do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF em 22/01/2014 Despacho nº 1100 00000.011 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 350/352 ou efls. 574/576), in verbis: (...) Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.144 10 A recorrente, cientificada da referida decisão em 22/06/2012, opôs, tempestivamente, embargos de declaração em 29/06/2012, nos quais aborda dois aspectos do acórdão embargado. Inicialmente aponta obscuridade quanto a inexistência de intimação vinculada ao presente processo. Em seu entendimento, seria obscuro o raciocínio jurídico adotado no voto condutor por fazer crer que a sua realização independe de processo e, uma vez concretizado, o aproveita para formalizar outros lançamentos tributários. Reportase às disposições da Lei nº 9.784/99 e outros diplomas legais para se opor à caracterização da intimação como ato vinculado ao processo. E, na medida em que única intimação formalizada para entrega dos arquivos magnéticos estaria vinculada a processo anterior, a apresentação destes arquivos em 20/03/2007 seria regular. Contudo, o Conselheiro Relator do acórdão embargado inicialmente consignou que os trabalhos da fiscalização não são afetados por qualquer elemento do MPF, de modo que para caracterizar o fato de que o contribuinte foi intimado e reintimado de algo, bastam as intimações, não sendo relevante ou necessário a menção a qualquer MPF. E arrematou dizendo que as intimações não ficam vinculadas a algum MPF específico, mas sim a um determinado trabalho de fiscalização, que pode implicar em lançamentos feitos em diversos momentos. Refutou, assim, as alegações da então recorrente, fixando a premissa de que as intimações se vinculam a um procedimento fiscal de auditoria e não a um processo ou MPF específicos. Nestes termos, e tendo em conta, também, o esclarecimento contido no voto condutor do acórdão embargado, no sentido de que o outro processo referido pela interessada veiculou autuação do ano de 2001 e o presente processo se refere aos anos de 2002 a 2005, não se verifica a obscuridade alegada, mas tão só a adoção de um entendimento diverso daquele pretendido pela então recorrente. Em verdade, a interessada valese dos embargos opostos para acrescentar referências legislativas não veiculadas em seu recurso voluntário, com vistas a rediscutir a matéria já decidida pelo Colegiado. Na seqüência, a embargante aponta obscuridade quanto ao reexame de período já fiscalizado. Diz que a abordagem contida no acórdão embargado revela uma interpretação claudicante sobre a possibilidade de se efetuar lançamento de período já fiscalizado, sem a necessidade de ordem por escrito da autoridade administrativa. Classifica de equivocado o entendimento exposto no acórdão embargado, no sentido de que a lei veda reexame de período fiscalizado, e não de período autuado = lançado, e reproduz excertos dos relatórios fiscais produzidos neste e no processo administrativo anterior (de nº 10707.001672/200632), para evidenciar que ambos tiveram por objeto a fiscalização dos anoscalendário de 2001 a 2005. Como já dito, o Conselheiro Relator conduziu seu voto no sentido de que as intimações se vinculam a um procedimento Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.145 11 fiscal, e deste podem resultar lançamentos diversos. Em tais condições, nenhuma anormalidade existe no fato de o relatório fiscal dos dois lançamentos mencionados especificarem que o procedimento fiscal abrangia os mesmos períodos fiscalizados. O Conselheiro Relator também registrou que não existiu nenhum reexame, já que a fiscalização sequer conseguiu os arquivos que o contribuinte estava obrigado a disponibilizar, formalizandose o primeiro lançamento relativo ao anocalendário 2001, e aplicandose a multa regulamentar pelos prejuízos causados à auditoria fiscal nos anoscalendário 2002 a 2005. A embargante, porém, insiste em distinguir os procedimentos fiscais em razão dos Mandados de Procedimento Fiscal emitidos, reapresentando argumentos que foram claramente enfrentados no acórdão embargado, fundamentado na existência de um único procedimento fiscal do qual resultaram, ao menos, os dois lançamentos abordados. Inexistem, portanto, as obscuridades argüidas pela embargante. Subsidiariamente, a interessada suscita questão de ordem, reportandose ao reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de repercussão geral acerca do caráter confiscatório de penalidade aplicada por descumprimento de obrigação acessória (Recurso Extradorinário nº 640.452). Invoca o efeito vinculante que decorrerá do que ali decidido e pede o sobrestamento do feito. Concluído o julgamento do recurso voluntário, não cabe mais falar em sobrestamento do feito. De toda sorte, importa registrar que a previsão de sobrestamento contida nos §§ 1o e 2o do art. 62A do Regimento Interno do CARF foi revogada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Por todo o exposto, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração aqui opostos pela contribuinte. (...) Ciente desse Despacho em Embargos em 19/02/2014 AR (efls. 355 ou 579), a contribuinte, novamente, opôs Embargos de Declaração (efls. 459/471) e ainda apresentou Recurso Especial em 24/02/2014 (efls. 357/391). A autoridade preparadora assim consignou nos autos, no despacho (efl. 476): (...) Sr. Chefe, Diante da intimação nº 082/2014 de fl. 578, o contribuinte interpôs em 24/02/2014 Recurso Especial fls 581 a 680, contra o Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.146 12 acórdão nº 110100.699 e Embargos de Declaração de fls. 683 a 695, contra o Despacho nº 110000000.011 proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais . Vale dizer que o recurso especial e embargos, em questão, são tempestivos, porquanto a ciência do Acórdão supracitado se procedeu em 19/02/2014 (fl. 579). Desta forma, proponho o retorno dos autos ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) para apreciação. (...) Os embargos, novamente, foram rejeitados monocraticamente pelo Presidente da 1ª Câmara, conforme Despacho nº 1100 000.243 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 11/06/2014 (efls. 478/479 ou fls. 703/704), in verbis: (...) A contribuinte em epígrafe opôs embargos em face do Acórdão nº 110100.699, os quais foram rejeitados por meio do despacho de fls. 574/576. Cientificada desta decisão em 19/02/2014, a interessada opôs novos embargos em 24/02/2014, bem como o recurso especial de fls. 581/680. Nos embargos, invoca os princípios da verdade material e da legalidade, bem como seu direito ao contraditório e à ampla defesa, em face de situação superveniente, que no seu entender deve ser conhecida até mesmo de ofício, consistente na retroatividade benigna decorrente da Lei nº 12.766/2012. Aponta que houve omissão e/ou negativa de vigência em relação à referida norma, em razão da qual deveria ser reduzida a penalidade aqui aplicada por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Invoca, ainda, a interpretação dada pelo Parecer Normativo nº 3/2013. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Cientificada do acórdão nº 110100.699, a contribuinte opôs tempestivamente os embargos assim previstos, e ao ser notificada de sua rejeição valeuse de novo prazo de 5 (cinco) dias para apontar outras omissões no julgado. Em tais circunstâncias, a apreciação de suas novas alegações representaria afronta ao prazo regimentalmente estabelecido para apresentação dos embargos, o que já justificaria sua rejeição de plano. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.147 13 Para além disso, vale notar que o Acórdão nº 110100.699 foi proferido na sessão plenária de 16/03/2012, ao passo que a lei referida pela embargante somente foi publicada em 28/12/2012. Evidente, portanto, que não houve qualquer omissão no julgado. A embargante também menciona que o julgado em referência foi omisso quanto à reaquisição de sua espontaneidade, em razão da ausência de ato escrito que indicasse o prosseguimento dos trabalhos entre 28/12/2006 (data de ciência do primeiro lançamento) e 20/03/2007 (data de apresentação dos arquivos magnéticos). Referida alegação, porém, não constou do recurso voluntário de fls. 180/215 ou dos embargos de fls. 480/487, e, como já dito, apreciála neste momento representaria desrespeito ao prazo regimental para oposição de embargos. Demais disso, a circunstância aventada demandaria prova da inoperância da autoridade fiscal no período alegado, e não poderia ser conhecida de ofício em observância aos princípios invocados pela embargante. Por todo o exposto, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração novamente opostos pela contribuinte, e alerto para a presença de recurso especial pendente de admissibilidade, às fls. 581/680. (...) Ciente em 04/08/2014 do Despacho nº 110000.243 (fls. 703/704), a contribuinte protocolou em 08/08/2014 petição, reproduzindo a peça do Recurso Especial protocolado em 24/02/2014, de fls. 581/680. Além disso, apresentou, na mesma data e por via postal, a petição de fls. 781/786 ratificando/reiterando o Recurso Especial de fls. 581/680. O Presidente da CSRF negou seguimento ao Recurso Especial, conforme Despacho de Reexame (efls. 795/800 e 81/802): (...) Ao examinar o recurso, constato que estão corretas as ponderações presentes no exame de admissibilidade ao confrontar as decisões paradigmas com o julgado combatido, no que se refere às matérias apresentadas ao litígio. Quanto às arguições de que teria havido reexame, por parte da Fiscalização, de período já fiscalizado, sem autorização da autoridade superior e de erro no enquadramento legal da infração, essas matérias restaram prejudicadas em razão no acórdão recorrido terse concluído que não houve reexame nem erro no enquadramento legal. No que se refere às alegações de nulidade do Auto de Infração e de dever a CSRF reconhecer matérias de ordem pública, não houve a comprovação da divergência. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.148 14 Por fim, quanto ao pedido de aplicação do princípio da retroatividade benigna para o art. 8º da nº 12.766/2012, a recorrente também não obteve sucesso no pedido, posto que a decisão recorrida foi anterior à edição da lei suscitada. Ante estas constatações, decido por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial de divergência. (...) Intimada a contribuinte desse despacho em 10/09/2015 AR (efls. 805/807), a contribuinte juntou aos autos em 17/12/2015 decisão liminar deferida, em sede de Mandado de Segurança nº 100898278.2015.4.01.3400, pelo Juízo da 7ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal/JFDF, de 10/12/2015, suspendendo os efeitos desses despachos monocráticos (efls. 825/829), cujo dispositivo da decisão transcrevo, in verbis: (...) (...) (...) (...) Obs: Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.149 15 (i) Ação de Mandado de Segurança nº 100898278.2015.4.01.3400 petição protocolada em 03/12/2015 (efls. 949/973); (ii) Decisão Liminar do Juízo da 7ª Vara/ JFDF, de 10/12/2015 (efls. 975/977). Agravo de Instrumento nº 100021617.2016.4.01.0000 TRF/1ª Região, em 04/12/2016 (efls. 979/980). Em 17/04/2018 sobreveio a Sentença do Juízo da 7ª Vara Federal/JFDF, que concedeu a Segurança anulando os despachos que haviam rejeitado a admissibilidade dos embargos e do recurso especial (efls. 1065/1069), cujo dispositivo transcrevo, in verbis: (...) Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA para anular as decisões de fls. 574/6, 703/4, 795/800 e 801/2, do Processo Administrativo Fiscal nº 10707.000306/200747, somente no que diz respeito ao reconhecimento da retroatividade de lei mais benigna, determinando que outra seja proferida, devendo ser observada e aplicada a Lei nº 12.766/2012, por força do artigo 106, II, “c” do CTN. (...) Em 29/06/2017, a contribuinte juntou cópia da petição ajuizada Ação Ordinária/Tributária Ação Anulatória de Lançamento Fiscal com Pedido de Tutela Provisória de Urgência Processo nº 013745712.2017.4.02.5101 (2017.51.01.134571) competência do Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro (efls. 994/1036) e cópia da decisão de antecipação de tutela deferida, em parte, de 28/06/2017, determinando a suspensão da exigibilidade do débito e determinado que a RFB recalcule a multa na forma do art. 8º da Lei 12.766, de 2012, aplicação do princípio da retroatividade benigna (efls. 985/992), cujo dispositivo transcrevo, in verbis: (...) (...) Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.150 16 Obs: Informação da Receita Federal (efls. 1044/1050): (...) Superintendência Regional – 7ª Região Fiscal – SRRF07 (...) Em 17/12/2015, o interessado apresentou petição de fls. 825/829. O processo foi encaminhado à EAC2. Após análises das ações judiciais nº 100898278.2015.4.01.3400, (7ª VF/DF) e 013745712.2017.4.02.5101 (26ª VF/RJ), foi elaborado o Despacho de fls. 1037/1040. Dessa forma, e em conformidade com o Despacho, informo que: • o valor exigível de R$ 72.000,00 foi desmembrado para o PAF nº 16682721216/2017 77 e encontrase, na presente data, sob cobrança; • o valor mantido no presente processo (R$ 34.006.295,59) foi suspenso por medida judicial (013745712.2017.4.02.5101 VF/RJ), bem como informada a data da análise de 04/07/2017. (...) Na sequência, no Processo nº 013745712.2017.4.02.5101 sobreveio a Sentença de 1º grau, que concedeu a Segurança em parte, do Juízo da 26ª Vara Federal, em 25/10/2017, conforme dispositivo (efls. 1070/1079), in verbis: (...) Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO AUTORAL para condenar a ré a aplicar ao autor a multa mais benéfica prevista no artigo 57, I, “b”, da MP 2.158 35/01, na redação dada pela Lei n. 12.766/12, em substituição àquela imposta com base no artigo 12, III, da Lei n. 8.218/91, nos autos do Processo Administrativo n.10707.000306/200747. (...) Sem duplo grau obrigatório ante o enquadramento da condenação ao preceito do artigo 496, § 3º, I, do Código de Processo Civil. (...) Obs: Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.151 17 (i) Processo nº 013745712.2017.4.02.5101 Embargos de Declaração da União rejeitados 26ª Vara/JFRJ em 18/12/2017 (efls. 1051/54). (ii) Processo nº 000974176.2017.4.02.0000 Número antigo: 2017.00.00.0097412 Agravo de Instrumento Turma Espec. II Tributário, decisão de 23/01/2017 (http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp): (...) DECISÃO Tratase de Agravo de Instrumento interposto pela UNIÃO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL contra decisão que, em parte, deferiu o pedido de tutela de urgência para determinar a suspensão da exigibilidade do débito objeto da ação principal, que deverá perdurar até que a parte ré, ora agravante, recalcule o valor da dívida, na forma do artigo 8º da Lei nº 12.766/2012. Nesta Corte foi proferida decisão monocrática negando provimento ao Agravo de Instrumento. A União Federal/Fazenda Nacional interpôs Agravo Interno. Às fls. 196 a agravada, SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA., peticiona informando que o Juízo a quo proferiu sentença de mérito, confirmatória do provimento antecipado o que enseja a perda de objeto deste recurso. Efetivamente a sentença juntada a este recurso mostra que a pedido da agravada foi julgado parcialmente procedente para condenar a ré, União Federal/Fazenda Nacional, aplicar ao autor, ora recorrido, a multa mais benéfica, prevista no artigo 57, I, da MP nº 2.15835/01, na redação da Lei nº 12.766/12, em substituição àquela imposta com base no artigo 12, III, da Lei nº 8.218/91, nos autos do Processo Administrativo nº 10707.000306/200747. O recurso interposto nesta Corte se mostra prejudicado pela perda de objeto. Por tais razões, nos termos do artigo 932, III, CPC/15, NÃO CONHEÇO do recurso da UNIÃO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL . (...) Como visto, a RFB recalculou a multa, conforme determinado pela decisão judicial de 1º grau. Valor da multa R$ 72.000,00. O valor de R$ 72.000,00 foi transferida para o PAF nº 16682.721216/2017 77 e foi objeto de cobrança pela Intimação9 nº 1026/2017. Em vez de pagar a parcela de R$ 72.000,00, insurgiuse o contribuinte com a apresentação de petição de fls. 818/822 do PAF nº 16682.721216/201777, em que apresenta guia de depósito judicial para fins de suspensão da exigibilidade desse débito. Quanto ao objeto das duas demandas judiciais: Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.152 18 MS nº 100898278.2015.4.01.3400 x AO nº 013745712.2017.4.02.5101 Contrastandose o objeto da ação mandamental impetrada em Brasília com o da ação ordinária ajuizada no Rio de Janeiro, verificase o fenômeno da continência processual à medida que o pedido da ordinária é mais amplo e engloba o da mandamental. Por fim, o Despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de 12/11/2018, determinou o retorno dos autos para julgamento dos Embargos de Declaração (efls.1100/1102), pois as decisões anteriores (despachos de não admissibilidade dos embargos de declaração e do recurso especial foram anulados pela Sentença de mérito do Juízo da 7ª Vara Federal do Distrito Federal). Transcrevo, no que pertinente, o despacho citado de devolução dos autos do processo para julgamento do embargos, in verbis: (...) O presente processo retorna a esta 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em razão de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 100898278.2015.4.01.3400, impetrado pelo sujeito passivo em epígrafe, com o objetivo de anular as decisões de fls. 574/576, 703/704, 795/800 e 801/802, editadas em face de embargos e de recurso especial de divergência por ele interpostos. A partir dos segundos embargos opostos (fls. 683/695), o sujeito passivo passou a invocar a retroatividade benigna da Lei nº 12.766/2012, em face da penalidade que lhe foi imputada nestes autos, por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Conforme o exposto às fls. 703/704, os embargos foram rejeitados não só em razão de o sujeito passivo já ter embargado o Acórdão nº 110100.699, como também porque esta decisão foi proferida antes da edição da Lei nº 12.766/2012. O sujeito passivo reiterou seu pedido em recurso especial, porém, no exame de admissibilidade que lhe negou seguimento, concluiuse que também não caberia a apreciação daquela argüição, na medida em que o acórdão recorrido não poderia ter aplicado uma lei que não constava do universo legislativo àquela época (fls. 795/800). Este entendimento foi reafirmado em reexame de admissibilidade do recurso especial (fls. 801/802). A sentença proferida no Mandado de Segurança nº 1008982 78.2015.4.01.3400 anulou as decisões de fls. 574/6, 703/4, 795/800 e 801/2, do Processo Administrativo Fiscal nº 10707.000306/200747, somente no que diz respeito ao reconhecimento da retroatividade de lei mais benigna, determinando que outra seja proferida, devendo ser observada Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.153 19 e aplicada a Lei nº 12.766/2012, por força do artigo 106, II, “c” do CTN. Embora tal decisão esteja sujeita a reexame necessário, é possível sua execução provisória enquanto o presidente do tribunal não suspendêla, na forma do art. 14, §3º c/c art. 15, ambos da Lei nº 12.016/2009, (...) A ordem judicial, nestes termos, desconstituiu a decisão que rejeitou os segundos embargos opostos relativamente à pretendida aplicação da retroatividade benigna da Lei nº 12.766/2012. Considerando que tal petição foi dirigida ao Presidente do Colegiado embargado, ao qual compete, apenas, exercer o exame de admissibilidade dos embargos, e não decidir a questão de fundo, deduzse que, para cumprir a ordem judicial, os embargos deveriam ser admitidos exclusivamente em relação àquela arguição, a fim de que o Colegiado embargado sobre ela se manifestasse. Registrese, por oportuno, que, consoante o relatado às fls. 1083/1088, o sujeito passivo também propôs a ação ordinária nº 013745712.2017.4.02.5101, na qual pleiteia a nulidade do lançamento formalizado nestes autos. Logo, a questão aventada nos segundos embargos também está sob a sindicância do Poder Judiciário. Contudo, como este aspecto não foi apreciado no Mandado de Segurança nº 100898278.2015.4.01.3400, os embargos devem ser ADMITIDOS exclusivamente em relação à matéria arguida, cumprindose, desse modo, a ordem judicial, para que o Colegiado embargado sobre ela se pronuncie, inclusive no que se refere à sua competência para decidila. (...) É o relatório. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.154 20 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Conforme relatado, em duas oportunidades, anteriormente, os presentes Embargos de Declaração foram rejeitados por decisão monocrática do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Veja. Ciência da decisão embargada em 22/06/2012, por via postal AR (efls. 475); apresentação tempestiva dos Embargos de Declaração em 29/06/2012 (efls. 480/487). Os Embargos foram rejeitados, monocraticamente, por Despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por inexistência de omissão, obscuridade ou contradição, em 22/01/2014 (efls. 574/576); Ciência desse despacho em 19/02/2014, por via postal AR (efl. 579); apresentação de Embargos de Declaração em 24/02/2014, contra a decisão embargada e contra o citado despacho que rejeitara os Embargos anteriores (efls. 683/695) e, nessa mesma data, ainda foi apresentado Recurso Especial (efls. 581/615). Os Embargos, novamente, foram rejeitados, monocraticamente, por Despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de 11/06/2014 (efls. 703/704), cuja fundamentação (excerto) transcrevo, in verbis: (...) Nos embargos, invoca os princípios da verdade material e da legalidade, bem como seu direito ao contraditório e à ampla defesa, em face de situação superveniente, que no seu entender deve ser conhecida até mesmo de ofício, consistente na retroatividade benigna decorrente da Lei nº 12.766/2012. Aponta que houve omissão e/ou negativa de vigência em relação à referida norma, em razão da qual deveria ser reduzida a penalidade aqui aplicada por falta/atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Invoca, ainda, a interpretação dada pelo Parecer Normativo nº 3/2013. (...) Cientificada do acórdão nº 110100.699, a contribuinte opôs tempestivamente os embargos assim previstos, e ao ser notificada de sua rejeição valeuse de novo prazo de 5 (cinco) dias para apontar outras omissões no julgado. Em tais circunstâncias, a apreciação de suas novas alegações representaria afronta ao prazo regimentalmente estabelecido Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.155 21 para apresentação dos embargos, o que já justificaria sua rejeição de plano. Para além disso, vale notar que o Acórdão nº 110100.699 foi proferido na sessão plenária de 16/03/2012, ao passo que a lei referida pela embargante somente foi publicada em 28/12/2012. Evidente, portanto, que não houve qualquer omissão no julgado. (...) Na sequência, a contribuinte aditou a petição do Recurso Especial, anteriormente apresentada, conforme já relatado, pugnando pela aplicação, de ofício, da legislação ulterior ao lançamento fiscal e antes do trânsito em julgado das decisões administrativas proferidas nos presentes autos, da lex mitior que estabeleceu penalidade mais branda (efls. 781/785), cujo excerto nessa parte transcrevo, in verbis: (...) (...) Em 30/07/2015, o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte foi rejeitado, inclusive, quanto ao pedido de aplicação, de ofício, da legislação ulterior que estabeleceu penalidade mais branda, conforme Despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF (efls. 795/800), in verbis: (...) 5) Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 8º da Lei nº 12.766/2012. Esse pedido foi apresentado em sede de embargos declaratórios e rejeitado uma vez que a Lei nº 12.766/2012 data de dezembro de 2012 e a decisão recorrida é de março do mesmo ano. Obviamente a decisão não poderia ter aplicado uma lei que não constava do universo legislativo àquela época. Não é o recurso especial o instrumento adequado para apreciar esse pedido. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.156 22 NEGO SEGUIMENTO ao recurso também quanto à essa matéria. IV Conclusão Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto e, por força do art. 71 do Anexo II do RICARF, submeto o presente despacho à apreciação do Presidente da CSRF. (...) Em 05/08/2015, em sede de Reexame, o Presidente do CARF decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara que negara seguimento ao recurso especial de divergência (efls. 801/802). A contribuinte foi intimada da decisão que negou seguimento ao Recurso Especial em 10/09/2015, através da Intimação nº 1662 (fls. 804/807), para pagamento da multa aplicada de que trata o auto de infração. Como não houve interposição de recurso do citado despacho que negara seguimento ao recurso especial, ainda não houve recolhimento do valor devido, conforme se observa nos extratos de fls. 810/812 (crédito tributário no montante de R$34.078.295,59 valor original), os autos do processo foram encaminhados pelo CARF à Receita Federal para inclusão na Cobrança Administrativa Especial, nos termos da Portaria RFB nº 1265/2015, conforme Despacho de Encaminhamento, de 26/10/2015 (efls. 816/817). JUDICIALIZAÇÃO DA LIDE ADMINISTRATIVA 1 Ação de Mandado de Segurança: Nulidade decretada dos despachos que negaram seguimento aos embargos de declaração e ao recurso especial, conforme Sentença de mérito do Juízo da 7ª Vara da Justiça do Distrito Federal /JFDF, determinado, ainda, a análise dos embargos de declaração, em face de lei mais benéfica ulterior ao acórdão da instância ordinária do CARF, pela aplicação do princípio da retroatividade benigna ao ato administrativo não definitivamente julgado na esfera administrativa. 2 Ação Ordinária/Tributária Ação Anulatória de Lançamento Fiscal com Pedido de Tutela Provisória de Urgência: Sobreveio a Sentença de 1º grau, que concedeu a Segurança em parte, do Juízo da 26ª Vara, em 25/10/2017, ao condenar a Fazenda Nacional (União) a aplicar ao autor a multa mais benéfica prevista no artigo 57, I, “b”, da MP 2.158 35/01, na redação dada pela Lei n. 12.766/12, em substituição àquela imposta com base no artigo 12, III, da Lei n. 8.218/91. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.157 23 Por força dessa decisão judicial, a RFB recalculou a multa que passou para R$ 72.000,00 e intimou a contribuinte a pagar. Esse débito, inclusive, foi segregado, transferido, passou a ser controlado pelo PAF nº 16682.721216/201777 e foi objeto de cobrança pela Intimação9 nº 1026/2017, pela inexistência de suspensão da exigibilidade, conforme expressamente mencionado na decisão de mérito do Juízo Federal de 1º grau. O restante do débito lançado pelo auto de infração está com exigibilidade suspensa judicialmente. Entretanto, a contribuinte se negou a quitar o citado valor (resultado do recálculo), preferiu depositálo em Juízo, mediante depósito do montante integral, suspendendo sua exigibilidade, pois na Ação Ordinária Anulatória do lançamento fiscal, em comento neste tópico, além do pedido alternativo de aplicação retroativa do art. 8º da Lei 12.766/12 (já deferido pelo Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro), a contribuinte discute o pedido principal, ou seja,, a nulidade do lançamento fiscal, o qual não foi deferido pelo Juízo de primeiro Grau. Por isso, o sujeito passivo apresentou Apelação no TRF/2ª Região, ainda pendente de julgamento. CONCOMITÂNCIA. EXISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 01. Feito o resumo no tópico anterior, passo a tratar neste tópico, com mais detalhes, essas duas demandas judiciais, em face da existência, caracterização da concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto. Veja. Em 17/12/2015, a contribuinte acosta aos autos petição de juntada de documentos, no caso cópia da decisão liminar do Juízo da 7ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal que deferiu, parcialmente, medida liminar nos autos de Mandado de Segurança nº 100898278.2015.4.01.3400, para suspender os efeitos das decisões, ou seja, dos despachos monocráticos que negaram seguimento ao Embargos de Declaração e ao Recurso Especial e que contam das efls. 574/576, 703/704, 795/800 e 801/802 do presente processo administrativo fiscal. Transcrevo então, no que pertinente, o teor da decisão do Juízo da 7ª Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal/JFDF (efls. 825/829), in verbis: (...) Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.158 24 (...) (...) (...) Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.159 25 (...) Consta dos autos que a PFN interpôs Agravo de Instrumento com pedido de efeito suspensivo (efls. 843/856). O CARF, também, prestou esclarecimentos ao citado Juízo (efls. 858/863). Em 04/02/2016, decisão monocrática do Desembargador Relator no TRF/1ª Região converteu o Agravo de Instrumento em Agravo Retido, conforme fundamentos (efls. 980/981). Na sequência, em 10/06/2017 o sujeito passivo ajuizou AÇÃO ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO FISCAL COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA atinente ao processo administrativo em tela, distribuída à 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro (efls. 994 /1036), pedindo, em suma: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.160 26 (...) 11 DOS PEDIDOS Diante das considerações acima expostas, requer o Autor a V.Exa.: a) a concessão da tutela de urgência, inaudita altera parte, para suspender a exigibilidade do débito em questão até o julgamento final da presente ação, na forma do artigo 151, inciso V do CTN, de modo a viabilizar a renovação da certidão de regularidade fiscal do Autor e evitar a inscrição de seu nome do CADIN. b) a citação da Ré, para, querendo, contestar a presente no prazo legal, sob pena dos efeitos da revelia; c) seja ao final julgada PROCEDENTE a presente demanda, confirmando os efeitos da tutela eventualmente deferida, para: c.1) declarar a nulidade do auto de infração n. 07.01.90.00.2007005304, assim como a inexigibilidade da cobrança apurada pela Ré e imputada ao Autor, no montante aproximado de R$ 76.771.584,29 (setenta e seis milhões setecentos e setenta e um mil quinhentos e oitenta e quatro reais e vinte e nove centavos), cancelandose a exigência fiscal decorrente do MPF nº 07.1.90.002007005304, no processo administrativo nº 10707.000306/200747; c.2) Subsidiariamente, na remota hipótese de V.Exa. entender que a imposição da penalidade embora equivocada deva ser mantida, o que se admite só para argumentar, requer seja aplicada retroativamente a multa mais benéfica prevista no art. 57, inciso I, alínea “b”, da MP 2.15835/01, em observância ao art. 106, II, “c”, do CTN. (...) Em 28/06/2017, o Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, para o qual a ação proposta foi distribuída Autos do Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101, DEFERIU EM PARTE o pedido de Tutela de Urgência (efls. 986/992), in verbis: (...) SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA., devidamente qualificado, ajuizou a presente ação cognitiva em face da UNIÃO FEDERAL, com pedido de tutela de urgência, objetivando seja a ré compelida a "suspender a exigibilidade do débito em questão até o julgamento final da presente ação, na forma do artigo 151, inciso V do CTN, de modo a viabilizar a Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.161 27 renovação da certidão de regularidade fiscal do Autor e evitar a inscrição de seu nome do CADIN". (...) Afirma que o lançamento fiscal "foi consolidado no Processo Administrativo n° 10707.000306/200747 (...) (...) Contudo, alega que a multa imposta pela ré é indevida, (...). DECIDO. (...) Np caso sub examen, a Lei n. 12.766/2012 entregou em vigor em 28/12/2012, quando ainda não havia transitado em julgado a decisão administrativa que manteve a multa imposta ao autor, ou seja, quando o ato ainda não havia sido definitivamente julgado pela autoridade fazendária. Frisese, inclusive, que em seu Recurso Especial apresentado perante a 1ª Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o autor mencionou em suas razões recursais que deveria ser aplicado ao seu caso o disposto no artigo 8° da Lei n. 12.766/2012 por se tratar de lei mais benéfica (fls. 209/216), mas seu pleito foi rejeitado por entender o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de ,Julgamento do CARF não ser o recurso especial instrumento adequado para apreciar esta questão (fls. 220/225) . Assim, tendo em vista que o artigo 8° da Lei n. 12.766/2012 comina penalidade menos severa ao ato praticado pelo autor, que sua vigência antecede o julgamento definitivo do ato e que tal argumento foi levantado pelo contribuinte em seu recurso administrativo, sendo, todavia, refutado pela autoridade administrativa julgadora, deve ser a norma em questão aplicada ao caso. Desta feita, deve ser a ré intimada a fim de que recalcule a multa aplicada ao autor, na forma do art. 8º da Lei n. 12.766/2012. Enquanto não apresentado o valor corrigido do débito pela ré, determino a suspensão de sua exigibilidade. Diante do exposto, DEFIRO EM PARTE o pedido de tutela de urgência para determinar a suspensão da exigibilidade do débito objeto da presente, que deverá perdurar até que a parte ré recalcule o valor da dívida, na forma do artigo 8º da Lei n. 12.766/2012. (...) Rio de ,Janeiro, 28 de junho de 2017. FRANA ELIZABETH MENDES Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.162 28 Juíza Federal (...) A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro –7ª RF, PAJ/PAF nº: 10707.000306/200747, Ação judicial nº: 0137457 12.2017.4.02.5101, efetuou o recálculo da multa, conforme determinado pela decisão judicial, nesse sentido consta dos autos a Informação de 12/07/2017 (efls. 1038/1040), in verbis: (...) Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro –7ª RF PAJ/PAF nº: 10707.000306/200747 Ação judicial nº: 0137457 12.2017.4.02.5101 Interessado: Supermercados Mundial Ltda. CNPJ nº: 33.304.981/000110 Assunto: Multa Regulamentar – Recálculo por decisão judicial – Suspensão parcial do CT sub judice – Cobrança imediata da multa recalculada (...) 6. Logo, multiplicandose os 48 meses, abarcados pelos anos calendário de 2002 a 2005, pelo valor de R$ 1.500,00 – penalidade estabelecida para cada mês de atraso – obtémse que a multa por atraso valeria R$ 72.000,00. 7. Por outro lado, observandose que a suspensão de exigibilidade determinada judicialmente em 28/06/2017, “deverá perdurar até que a parte ré recalcule o valor da dívida, na forma do art. 8º, da Lei 12.766/2012”, a contrario sensu, portanto, a dívida recalculada na forma do mencionado art. 8º (multa por atraso) é plenamente exigível. 8. Assim, considerandose o valor original de R$ 34.078.295,59 – lançado pelo auto de infração às fls. 208/209 – deverá permanecer suspensa a diferença entre esse valor e os R$ 72.000,00 aqui recalculados, isto é: a parcela do valor original no montante de R$ 34.006.295,59 deverá permanecer suspensa, tudo na forma da decisão judicial de 28/06/2017. MS nº 100898278.2015.4.01.3400 X AO nº 0137457 12.2017.4.02.5101 9. Contrastandose o objeto da ação mandamental impetrada em Brasília com o da ordinária ajuizada no Rio de Janeiro, verifica se o fenômeno da continência processual à medida que o pedido da ordinária por ser mais amplo engloba o da mandamental. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.163 29 10. Diante do exposto, proponho: i) encerrar o acompanhamento da ação mandamental nº 1008982 78.2015.4.01.3400; ii) continuar o acompanhamento da ação ordinária nº 0137457 12.2017.4.02.5101; e, iii) enviar o presente processo à Equipe de Cobrança (EAC/5) desta especializada para a cisão da cobrança, exigindose imediatamente o valor de R$ 72.000,00 (setenta e dois mil reais) e mantendose suspenso o valor original de R$ 34.006.295,59 (trinta e quatro milhões seis mil duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta e nove centavos), tudo na forma da decisão judicial de 28/06/2017. Rio de Janeiro, 12 de julho de 2017. (...) Ainda, consta do autos que o débito de R$ 72.000,00 foi desmembrado para O PAF nª 16682721216/2017 77 para cobrança imediata, conforme despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – Demac/RJ, de 14/07/2017 (efls. 1044/1045), in verbis: (...) Dessa forma, e em conformidade com o Despacho, informo que: • o valor exigível de R$ 72.000,00 foi desmembrado para o PAF nº 16682721216/2017 77 e encontrase, na presente data, sob cobrança; • o valor mantido no presente processo (R$ 34.006.295,59) foi suspenso por medida judicial (013745712.2017.4.02.5101 VF/RJ), bem como informada a data da análise de 04/07/2017. (...) Em 21/09/2017, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro–7ª RF informou nos autos do presente processo (efls. 1048/1050): (...) Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.164 30 9. Por outro lado, a parcela de R$ 72.000,00 foi transferida para o PAF nº 16682.721216/201777 e foi objeto de cobrança pela Intimação nº 1026/2017. 10. Em vez de pagar a parcela de R$ 72.000,00, insurgiuse o contribuinte com a apresentação de petição de fls. 818/822 do PAF nº 16682.721216/201777, em que apresenta guia de depósito judicial para fins de suspensão da exigibilidade do débito. 11. Por outro lado, o pedido de mérito – item (c) dos pedidos deduzidos na inicial – está assim formulado: c) seja ao final julgada PROCEDENTE a presente demanda, confirmando os efeitos da tutela eventualmente deferida, para: c.1) declarar a nulidade do auto de infração n. 07.01.90.00.2007 005304, assim como a inexigibilidade da cobrança apurada pela Ré e imputada ao Autor, no montante aproximado de R$ 76.771.584,29 (setenta e seis milhões setecentos e setenta e um mil quinhentos e oitenta e quatro reais e vinte e nove centavos), cancelandose a exigência fiscal decorrente do MPF nº 07.1.90.00 2007005304, no processo administrativo nº 10707.000306/200747; c.2) Subsidiariamente, na remota hipótese de V.Exa. entender que a imposição da penalidade embora equivocada deva ser mantida, o que se admite só para argumentar, requer seja aplicada retroativamente a multa mais benéfica prevista no art. 57, inciso I, alínea “b”, da MP 2.15835/01, em observância ao art. 106, II, “c”, do CTN. 12. Verificase, então, que – em razão do pedido principal, item (c.1) supratranscrito –buscase o cancelamento total do crédito tributário sub judice, pelo que seria faculdade da parte depositar a parcela que restara exigível. 13. Nesse contexto, suspendi em 21/09/2017, nos sistemas da RFB, a exigibilidade do crédito tributário aqui controlado em razão do provimento judicial em vigor, bem como a do PAF nº 16682.721216/201777 em razão do depósito do montante integral (CTN, art. 151,inciso II). 14. Diante do exposto, proponho: i) continuar o acompanhamento da ação ordinária nº 0137457 12.2017.4.02.5101; e, ii) enviar o Dossiê nº 10010.033722/091707, com cópia deste despacho, à PRFN2/DIAES, para ciência do procedimento aqui adotado. Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2017. (...) Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.165 31 Em 25/10/2017, sobreveio a Sentença, de mérito, do Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, para o qual a ação proposta foi distribuída Autos do Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101 (efls. 1070/1079), cujo dispositivo transcrevo, in verbis: 2 6 ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANE IRO AÇÃO COGNITIVA 013745712.2017.4.02.5101 (...) Por todo o exposto, tendo em vista que a autora agiu irregularmente ao apresentar escrituração digital extemporaneamente, não há ilegalidade na imposição de multa pela ré. Entretanto, a multa em questão deve ser fixada na forma do artigo 8º da Lei n. 12.766/2012, norma que comina penalidade menos severa. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO AUTORAL para condenar a ré a aplicar ao autor a multa mais benéfica prevista no artigo 57, I, “b”, da MP 2.158 35/01, na redação dada pela Lei n. 12.766/12, em substituição àquela imposta com base no artigo 12, III, da Lei n. 8.218/91, nos autos do Processo Administrativo n. 10707.000306/200747 (...) Em 18/12/2017, decisão do Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro REJEITOU OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO (Fazenda Nacional) (efls. 1051/1054). Em 17/04/2018, o Juízo da 7ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal SJDF proferiu Sentença no PROCESSO: 100898278.2015.4.01.3400, CLASSE: MANDADO DE SEGURANÇA (120), anulando as decisões do CARF que rejeitam seguimento aos Embargos de Declaração e decisões seguintes (efls. 1065/1069), cujo dispositivo transcrevo, in verbis: (...) Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA para anular as decisões de fls. 574/6, 703/4, 795/800 e 801/2, do Processo Administrativo Fiscal nº 10707.000306/200747, somente no que diz respeito ao reconhecimento da retroatividade de lei mais benigna, determinando que outra seja proferida, devendo ser observada e aplicada a Lei nº 12.766/2012, por força do artigo 106, II, “c” do CTN. Custas em ressarcimento. Sem honorários (art. 25 da Lei nº 12.016/2009). Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.166 32 Sentença sujeita a reexame necessário (art. 14, §1º, Lei 12.016/09). Decorrido o prazo legal, com ou sem recurso, remetamse os autos ao e. TRF 1ª Região (...) Brasília, 17 de abril de 2018. Juiz Eduardo Rocha Penteado Em auxílio na 7ª Vara/SJDF (...) Como demonstrado, a Receita Federal por força de ordem judicial recalculou a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória entrega de arquivos magnéticos em atraso, quanto à escrituração contábil dos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, conforme art. 8ª da Lei nº 12.766/2012, Nesse sentido, consta da informação da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro–7ª RF, de 12/06/2017 (efl. 1038/1040), (...) PAJ/PAF nº: 10707.000306/200747 Ação judicial nº: 0137457 12.2017.4.02.5101 Interessado: Supermercados Mundial Ltda. CNPJ nº: 33.304.981/000110 Assunto: Multa Regulamentar – Recálculo por decisão judicial – Suspensão parcial do CT sub judice – Cobrança imediata da multa recalculada: (...) 6. Logo, multiplicandose os 48 meses, abarcados pelos anos calendário de 2002 a 2005, pelo valor de R$ 1.500,00 – penalidade estabelecida para cada mês de atraso – obtémse que a multa por atraso valeria R$ 72.000,00. 7. Por outro lado, observandose que a suspensão de exigibilidade determinada judicialmente em 28/06/2017, “deverá perdurar até que a parte ré recalcule o valor da dívida, na forma do art. 8º, da Lei 12.766/2012”, a contrario sensu, portanto, a dívida recalculada na forma do mencionado art. 8º (multa por atraso) é plenamente exigível. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.167 33 8. Assim, considerandose o valor original de R$ 34.078.295,59 – lançado pelo auto de infração às fls. 208/209 – deverá permanecer suspensa a diferença entre esse valor e os R$ 72.000,00 aqui recalculados, isto é: a parcela do valor original no montante de R$ 34.006.295,59 deverá permanecer suspensa, tudo na forma da decisão judicial de 28/06/2017. (...) Entretanto, nos citados autos do processo judicial Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101 a contribuinte rebelouse, inclusive, contra a exigência da multa recalculada conforme art. 8º da Lei nº 12.766,de 2012, pois: a) busca, ainda, na citada ação judicial, pedido principal, a anulação do lançamento fiscal, por inteiro, pois a Sentença de mérito, de primeiro grau, já proferida, reconheceu ou concedeu apenas o pedido alternativo, o recálculo da multa; b) efetuou depósito do montante integral em juízo do valor da mula recalculada pela RFB. Ou seja, a contribuinte negouse a fazer o pagamento da multa recalculada pelo Fisco para R$ 72.000,00 pela aplicação do art. 8º da Lei 12.766, de 2012, conforme determinado judicialmente, quando da intimação de cobrança (exigência do valor), ao proceder o depósito em juízo do citado valor. Essa informação consta dos autos, conforme despacho, de 21/09/2017, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro–7ª RF (efls. 1048/1050), in verbis: (...) PAJ/PAF nº: 10707.000306/200747 Ação judicial nº: 0137457 12.2017.4.02.5101 Interessado: Supermercados Mundial Ltda. CNPJ nº: 33.304.981/000110 Assunto: Multa Regulamentar – Recálculo por decisão judicial – Suspensão parcial do CT sub judice – Cobrança imediata da multa recalculada (...) 6. Logo, multiplicandose os 48 meses, abarcados pelos anos calendário de 2002 a 2005, pelo valor7 de R$ 1.500,00 – penalidade estabelecida para cada mês de atraso – obtémse que a multa por atraso valeria R$ 72.000,00. 7. Por outro lado, observandose que a suspensão de exigibilidade determinada judicialmente em 28/06/2017, “deverá perdurar até que a parte ré recalcule o valor da dívida, na forma do art. 8º, da Lei 12.766/2012”, a contrario Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.168 34 sensu, portanto, a dívida recalculada na forma do mencionado art. 8º (multa por atraso) é plenamente exigível. 8. Assim, considerandose o valor original de R$ 34.078.295,59 – lançado pelo auto de infração às fls. 208/209 – permanece suspensa a diferença entre esse valor e os R$ 72.000,00 aqui recalculados, isto é: a parcela do valor original no montante de R$ 34.006.295,59 está aqui suspensa, tudo na forma da decisão judicial de 28/06/2017. 9. Por outro lado, a parcela de R$ 72.000,00 foi transferida para o PAF nº 16682.721216/201777 e foi objeto de cobrança pela Intimação9 nº 1026/2017. 10. Em vez de pagar a parcela de R$ 72.000,00, insurgiuse o contribuinte com a apresentação de petição de fls. 818/822 do PAF nº 16682.721216/201777, em que apresenta guia de depósito judicial para fins de suspensão da exigibilidade do débito. (...) 13. Nesse contexto, suspendi em 21/09/2017, nos sistemas da RFB, a exigibilidade do crédito tributário aqui controlado em razão do provimento judicial em vigor, bem como a do PAF nº 16682.721216/201777 em razão do depósito do montante integral (CTN, art. 151,inciso II). (...) Ora, está sub judice, na Ação Ordinária citada (Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101), inclusive o valor da multa recalculada para R$ 72.000,00, pois a contribuinte negouse a fazer o pagamento, voluntariamente, na esfera administrativa, quando intimado da cobrança, preferiu fazer o depósito judicial. Nesse processo judicial, a contribuinte busca ainda, em suma, provimento jurisdicional, em sede de Apelação, para o seu pedido principal da Ação Anulatória de Lançamento Fiscal, ou seja, a anulação do lançamento fiscal. Assim, face da caracterização da concomitância deste processo administrativo com o Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101 (ainda em curso, origem Juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro), pois o citado processo judicial abarca o objeto deste processo administrativo e ainda o objeto é mais amplo em relação à Sentença judicial no Processo Ação de Mandado de Segurança do Juízo da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal que anulou todas as decisões que rejeitaram os Embargos de Declaração e decisões subsequentes nestes autos e determinou o seguimento do processo administrativo, entendo então que está prejudicada a análise, de mérito, dos presentes Embargos de Declaração. Não há nexo, não há plausibilidade jurídica, em analisar os presentes Embargos de Declaração, pois a contribuinte judicializou a lide administrativa, de forma mais ampla, em relação à ação mandamental citada, ao propor a Ação Ordinária Anulatória do lançamento fiscal Processo Ação judicial nº: 013745712.2017.4.02.5101, configurando a Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.169 35 concomitância do processo administrativo e judicial, implicando renúncia à discussão da lide na órbita administrativa. Em consulta ao Site do TRF/2ª Região consta que pende de julgamento Apelação contra a Sentença do juízo da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro (http://procweb.jfrj.jus.br/portal/consulta/mostraarquivo.asp?MsgID=75D5775E747F4B86921 36A68B4F4C382&timeIni=64478,53&P1=77514261&P2=60&P3=&NPI=445&NPT=445&TI =1&NV=315997&MAR=S): (...) SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO 26ª VARA FEDERAL Processo ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA nº 0137457 12.2017.4.02.5101 (2017.51.01.1374571) Autor: SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA Réu: UNIAO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL DECISÃO 1) Intimese a parte apelada para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias, nos termos do §1º, do art. 1.010, do NCPC. 2) Vindas estas e havendo questão suscitada ou interposto recurso adesivo, intimese o recorrente para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, na forma do art. 1.009, parágrafos 1º e 2º do NCPC. 3) Decorrido o prazo sem a apresentação das contrarrazões ou não havendo questão suscitada, encaminhemse os autos ao Eg. TRF da 2ª Região, como previsto no art. 1.010, §3º, do NCPC, com as homenagens deste Juízo. Rio de Janeiro, 11 de março de 2018. (ASSINADO ELETRONICAMENTE) ANDREA DE ARAUJO PEIXOTO Juiz(a) Federal Substituto(a) (...) Última movimentação do Processo: Processo nº 013745712.2017.4.02.5101 (2017.51.01.137457 1) Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.170 36 Em decorrência os autos foram remetidos em 21/05/2018 para TRF 2ª Região por motivo de Processar e Julgar Recurso (...) PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro Processo nº 0137457 12.2017.4.02.5101 (2017.51.01.137457 1) Autor: SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA. Réu: UNIAO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL. C E R T I D Ã O D E C O N F E R Ê N C I A D O S AUTOS P A R A R E M E S S A AO T R F/2ª R E G I Ã O Certifico e dou fé que os presentes autos, contendo 481 folhas, numeradas de 01 a 481, foram devidamente conferidas, para fins de remessa ao Egrégio Tribunal Federal da 2ª Região, estando as informações a seguir, rigorosamente atualizadas e lançadas no sistema computadorizado da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro. 01 – Volumes: 1 02 – Apensos: 0 03 – Última folha: 481 04 – Processo (s) dependente (s): 05 – Duplo Grau () Sim Não (X) 06 – Agravo retido ( ) Sim Não ( X) 07 – Recurso adesivo ( ) Sim Não (X ) 08 – Justiça gratuita ( ) Sim Não ( X) 09 – Segredo de Justiça ( ) Sim Não (X) 10 – Recorrente (s) UNIÃO 11 – Recorrido (s) SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA Do que para constar lavrei a presente certidão. Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018. ( assinado eletronicamente ) TARCIO SALDANHA PEREIRA Mat.: 12378 ANALISTA JUDICIÁRIO(A) Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.171 37 (...) Processo nº 013745712.2017.4.02.5101 Peças do Processo: 21/05/2018 08:39 Certidão (.pdf) Fl. 481 a 481 31/03/2018 13:32 Certidão Publicação (.pdf) Fl. 446 a 446 12/03/2018 12:54 Conclusão Decisão (.pdf) Fl. 445 a 445 19/01/2018 12:22 Certidão Citação/Intimação (.pdf) Fl. 438 a 438 10/01/2018 16:05 Certidão Publicação (.pdf) Fl. 437 a 437 18/12/2017 17:10 Conclusão Sentença (.pdf) Fl. 433 a 436 17/11/2017 10:54 Certidão Citação/Intimação (.pdf) Fl. 419 a 419 31/10/2017 13:31 Certidão Publicação (.pdf) Fl. 418 a 418 25/10/2017 17:00 Conclusão Sentença (.pdf) Fl. 408 a 417 13/10/2017 12:48 Certidão Citação/Intimação (.pdf) Fl. 406 a 406 13/09/2017 17:42 Certidão Publicação (.pdf) Fl. 374 a 374 01/09/2017 13:36 Conclusão Despacho (.pdf) Fl. 373 a 373 03/07/2017 16:39 Certidão Citação/Intimação (.pdf) Fl. 263 a 263 03/07/2017 16:13 Certidão Publicação (.pdf) Fl. 262 a 262 2 8/06/2017 18:53 Certidão (.pdf) Fl. 252 a 252 28/06/2017 17:21 Conclusão Decisão (.pdf) Fl. 245 a 251 26/06/2017 16:35 Certidão Recebimento/Custas (.pdf) Fl. 244 a 244 26/06/2017 13:34 Conclusão Despacho (.pdf) Fl. 241 a 241 23/06/2017 17:16 Certidão Recebimento/Custas (.pdf) Fl. 240 a 240 22/06/2017 16:02 Conclusão Decisão (.pdf) Fl. 237 a 237 22/06/2017 15:23 Certidão Prevenção (.pdf) Fl. 236 a 236 (...) A judicialização pelo sujeito passivo do objeto da disputa administrativa configura concomitância de processos administrativo e judicial com mesmo objeto, o que implica renúncia ao direito de discussão da lide no âmbito administrativo. Assim, não se conhece, no mérito, dos embargos de declaração. Matéria sumulada, conforme Súmula CARF nº 01, cujo verbete transcrevo, in verbis: Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10707.000306/200747 Acórdão n.º 1301003.997 S1C3T1 Fl. 1.172 38 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar os embargos de declaração, pois não cabe conhecêlos, no mérito, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1172DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900484/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2011
AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei.
SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR.
Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar.
Numero da decisão: 1301-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.900482/2014-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 04 84 /2 01 4- 68 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 3 2 à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.900482/201479, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MINERAÇÃO CARAÍBA S.A. recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente. A Declaração de Compensação foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP transmitido, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, no período de apuração em questão, sujeitouse ao recolhimento dos tributos no regime de tributação pelo Lucro Presumido. Neste contexto, na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de IRPJ e efetuou recolhimentos em Darf em três cotas. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou DIPJ retificadora, identificandose a existência de indébito tributário. Ato contínuo, transmitiu PER/DCOMP objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de outros débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base na DIPJ retificadora, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 5 4 Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegouse a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que a DIPJ retificadora e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado na DIPJ original e na retificadora) decorrente de pagamento a maior que o devido (somatório dos Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma a quo julgoua improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, afirmou que a DRJ inovou ao exigir prova dos erros que deram ensejo à retificação da DIPJ e, a fim de contrapor os argumentos da DRJ de que somente a DIPJ retificadora não faria prova do recolhimento indevido, apresentou documentos que comprovariam que na DIPJ original, embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução. Os documentos também demonstrariam que não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.881, de 14/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10530.900482/2014 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.881): O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para manter na íntegra o despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas. Entendeuse que o contribuinte, além de não retificar a DCTF e o crédito pleiteado já estar totalmente alocado a outros débitos, não comprovou o suposto erro no cálculo do tributo devido, não sendo hábil para tanto somente a transmissão de DIPJ retificadora. Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito pleiteado referese a pagamento indevido de IRPJ decorrente de suposto preenchimento incorreto da DIPJ original, posteriormente retificada. O contribuinte, contudo, não retificou a DCTF em que constava o débito declarado, tendo a turma julgadora de primeira instância indicado ser esse o primeiro óbice ao reconhecimento de crédito requerido, uma vez que o crédito pleiteado estaria totalmente alocado ao débito declarado em DCTF. Contudo, a ausência de retificação da DCTF, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito pleiteado, podendo levar ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 7 6 administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito, justamente o segundo ponto levantado pela DRJ como razão para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. No caso concreto, a Recorrente novamente anexou aos autos as fichas das DIPJs original e retificadora, apontando, agora, claramente os supostos erros na determinação do IRPJ devido que teria cometido em razão de erro no preenchimento da DIPJ original e, consequentemente, no valor de IRPJ confessado na DCTF, quais sejam: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 8 7 embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução; não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”; documento que confirmaria a retenção de IRPJ na fonte referente a seus rendimentos constante nas DIRF em que aparece como beneficiária. Frisase, a bem da verdade, que o único documento novo apresentado, em realidade, é aquele que comprovaria a retenção de IRPJ. Desse modo, como o contribuinte entendia que a discriminação dessas informações constantes na DIPJ Retificadora, por si só, seria suficiente a demonstrar o crédito pleiteado, apresentou tal informação para contrapor a decisão de primeira instância, a teor do que dispõe a alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, tratase de informação disponível nos sistemas da RFB, o que, isoladamente, não justificaria sua inadmissão para fins de comprovação do direito alegado, competindo à administração instruir os autos de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/991. Nesse contexto, e considerando que a análise do mérito do pedido do contribuinte, no que diz respeito à comprovação do erro no preenchimento da DIPJ original, não foi alvo de análise pela unidade e pela DRJ, entendo que não seja o caso de conversão do julgamento em diligência, pois, se assim procedêssemos, implicaria supressão de instância, não permitindo ao contribuinte ter o direito de discutir provas em duas instâncias. Desse modo, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, voto no sentido de se afastar o óbice da ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e dar provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise de mérito do presente processo, reiniciandose o exame do pedido. É importante ressaltar que o presente voto é pelo provimento parcial do recurso voluntário, por meio de acórdão, e não a conversão do julgamento em diligência situação que implicaria que a decisão fosse exarada em forma de resolução2. Ou seja, uma vez superado o óbice preliminar que fundamentou o despacho decisório e a decisão de primeira instância quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a retomada do exame, desde a unidade origem com a prolação de um despacho decisório complementar , permite ao contribuinte, em tese, que em caso de eventual indeferimento do pleito do contribuinte em relação ao mérito de seu pedido, rediscuta a matéria em duas instâncias, ou seja, a apresentação de nova manifestação de inconformidade, e, se for o caso, novo recurso voluntário3. 1 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 2 Nos termos do § 4º do art. 63 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 63. [...] § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. 3 Ressaltase que o procedimento adotado (prover parcialmente ao recurso), além de permitir ao contribuinte manter seu direito a eventuais dois recursos sobre o mérito do pedido, contribui para a diminuição do fluxo Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10530.900484/201468 Acórdão n.º 1301003.883 S1C3T1 Fl. 9 8 Dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto desnecessário de processos entre as Delegacias da Receita Federal do Brasil e o CARF, uma vez que, em caso de reconhecimento integral do direito requerido nesse reexame realizado pela unidade de origem, os autos não terão que retornar ao CARF para aguardar novo julgamento (que, nesse caso, em realidade, implicaria mera homologação do resultado da diligência). Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722755/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientificados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NOTAS FISCAIS. RETENÇÃO. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO.
À autoridade lançadora cabe comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto; ao contribuinte, cabe o ônus de provar que a acusação não tem procedência, por meio de documentos idôneos e não por meio de meras planilhas, ainda que seja expedida por administração pública. Em havendo constatação de pagamento por meio de notas fiscais, também há de ser considerada a ocorrência do fato gerador do tributo devido, com a respectiva retenção determinada em lei.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para afastar a acusação dos fatos geradores, ou que realizou a retenção da verba previdenciária devida.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA EMPRESA DE RETENÇÃO.
De acordo com o art. 4º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. A legislação previdenciária, portanto, não deixa dúvidas quanto à responsabilidade tributária da empresa pelo recolhimento da contribuição previdenciária devida pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JETONS. MEMBROS DO CONSELHO DA JUNTA DE RECURSOS FISCAIS DO MUNICÍPIO. ALEGAÇÃO DE VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA.
A remuneração dos membros do Conselho da Junta de Recursos Fiscais pela execução de diversas atividades decorrentes da função de julgador descaracteriza o pagamento como indenizatório.
A não comprovação de que os membros do Conselho da Junta de Recursos Fiscais estavam vinculados ao regime próprio de Previdência Social, sujeitam tais segurados ao Regime Geral de Previdência Social.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO INFORMAÇÕES OU DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. MULTA AGRAVADA. PROCEDÊNCIA.
Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar informações, os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender à solicitação de autoridade fiscal, agravada, no caso de reincidência.
A circunstância agravante de reincidência, prevista no parágrafo único do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social, é de constatação objetiva, sendo suficiente sua descrição detalhada no auto de infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-006.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; quanto ao recurso voluntário, em DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do período de 01/01/2009 a 31/05/2009 e, por maioria de votos, negar provimento nas matérias de mérito, vencidos o relator e o conselheiro Wilderson Botto quando à incidência de contribuição previdenciária sobre os alegados pagamentos de jetons e o relator, em relação à multa agravada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator Desigado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feria.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientificados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NOTAS FISCAIS. RETENÇÃO. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 27 55 /2 01 4- 53 Fl. 1972DF CARF MF 2 À autoridade lançadora cabe comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto; ao contribuinte, cabe o ônus de provar que a acusação não tem procedência, por meio de documentos idôneos e não por meio de meras planilhas, ainda que seja expedida por administração pública. Em havendo constatação de pagamento por meio de notas fiscais, também há de ser considerada a ocorrência do fato gerador do tributo devido, com a respectiva retenção determinada em lei. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para afastar a acusação dos fatos geradores, ou que realizou a retenção da verba previdenciária devida. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA EMPRESA DE RETENÇÃO. De acordo com o art. 4º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. A legislação previdenciária, portanto, não deixa dúvidas quanto à responsabilidade tributária da empresa pelo recolhimento da contribuição previdenciária devida pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JETONS. MEMBROS DO CONSELHO DA JUNTA DE RECURSOS FISCAIS DO MUNICÍPIO. ALEGAÇÃO DE VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. A remuneração dos membros do Conselho da Junta de Recursos Fiscais pela execução de diversas atividades decorrentes da função de julgador descaracteriza o pagamento como indenizatório. A não comprovação de que os membros do Conselho da Junta de Recursos Fiscais estavam vinculados ao regime próprio de Previdência Social, sujeitam tais segurados ao Regime Geral de Previdência Social. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO INFORMAÇÕES OU DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. MULTA AGRAVADA. PROCEDÊNCIA. Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar informações, os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender à solicitação de autoridade fiscal, agravada, no caso de reincidência. A circunstância agravante de reincidência, prevista no parágrafo único do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social, é de constatação objetiva, sendo suficiente sua descrição detalhada no auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; quanto ao recurso voluntário, em DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do período de 01/01/2009 a 31/05/2009 e, por maioria de votos, negar provimento Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.223 3 nas matérias de mérito, vencidos o relator e o conselheiro Wilderson Botto quando à incidência de contribuição previdenciária sobre os alegados pagamentos de jetons e o relator, em relação à multa agravada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Redator Desigado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feria. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de julgamento n.º 1543.363, exarado pela 6ª Turma da DRJ/SDR em CampinasSP, que julgou procedente em parte o auto de infração. Segundo o relatório fiscal de efls. 186/205, durante o procedimento fiscal, em análise aos arquivos digitais das Notas Fiscais de serviço, emitidas por terceiros, prestadores de serviço, foram identificadas várias Notas Fiscais de empresas prestadoras de serviço, passíveis de retenção, bem como remunerações realizadas a prestadores de serviço pessoa física, sem que tivesse tido, no entanto, o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. O acórdão recorrida, descreve o seguinte: "De acordo com o relatório fiscal, as contribuições lançadas nos Autos de Infração nº 51.060.5710 e 51.060.5729 incidiram sobre valores pagos a prestadores de serviço pessoa física, enquadrados pela fiscalização como segurados contribuintes individuais. Os pagamentos foram identificados a partir da análise dos arquivos digitais de prestadores de serviços entregues à fiscalização, bem como através de liquidações constantes dos arquivos contábeis e documentos apresentados à fiscalização. Foram também incluídos valores declarados pelo contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Renda retido na Fonte – DIRF, sob o código 0588 – Rendimento de trabalho sem vínculo empregatício. Fl. 1974DF CARF MF 4 Nos Autos de Infração nº 51.060.5737 e 51.060.5745 foram apurados os valores retidos ou presumidos como retidos pelo sujeito passivo na qualidade de tomador de serviços elencados no § 2º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, realizados mediante cessão de mão de obra. As empresas prestadoras de serviço encontramse relacionadas no Relatório Fiscal, bem como no Anexo III. Embora o contribuinte não tenha apresentado todos os documentos requeridos, a fiscalização considerou uma base de cálculo inferior a 100% do valor bruto das Notas Fiscais para alguns prestadores de serviço, por entender tratarse de serviços realizados com a utilização de equipamentos. O Relatório Fiscal menciona os serviços prestados, as empresas e os respectivos percentuais do valor bruto da Nota Fiscal sobre o qual incidiu a retenção. O Anexo IV discrimina, para cada prestador de serviços, os documentos entregues à fiscalização e a atividade realizada, definida com base em contratos de prestação de serviços e Notas Fiscais/faturas, quando apresentados, ou com base na atividade da empresa, declarada no Cadastro Nacional da pessoa Jurídica – CNPJ, quando não apresentados os documentos solicitados. Os valores lançados no Auto de Infração nº 51.060.5737 foram retidos pelo sujeito passivo, enquanto os valores lançados no Auto de Infração nº 51.060.5745 foram presumidos como retidos. A multa aplicada no Auto de Infração nº 51.060.5753 decorreu da não inclusão da remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços no período de janeiro a dezembro de 2009 nas folhas de pagamento do período. A multa aplicada no Auto de Infração nº 51.060.5761 decorreu da apresentação parcial dos contratos de prestação de serviços, das Notas Fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviço e dos recibos emitidos por prestadores de serviço pessoas físicas e jurídicas. A relação dos prestadores de serviço, bem como observações acerca dos documentos entregues e não entregues pela empresa à fiscalização, encontramse na planilha contida no Anexo IV. O Município foi cientificado dos Autos de Infração por via postal em 10/06/2014 e apresentou impugnações em 01/07/2014, alegando, em síntese, o seguinte: 2. Impugnações. Autos de Infração nº 51.060.5710 e 51.060.5729. Argúi a nulidade dos Autos de Infração, sob a justificativa de que não houve a discriminação das rubricas necessárias à identificação dos fatos geradores, requisito essencial para se apurar se há ou não incidência de contribuição sobre os fatos descritos. A fiscalização tomou como base os pagamentos Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.224 5 efetuados em favor de pessoas físicas e jurídicas, de forma aleatória, razão pela qual foram inseridos na base de cálculo valores referentes a pagamentos de aluguel, remuneração de servidores estatutários, pagamentos de verbas indenizatórias, pagamentos de prêmios relativos a eventos, além de lançamentos inconsistentes, que não foram localizados no sistema contábil e financeiro do município. Em seguida, alega que os servidores públicos municipais encontramse vinculados a regime próprio de Previdência, sendo por isso inconcebível a exigência de contribuições para o regime geral. Há diversos servidores públicos municipais, vinculados ao regime próprio, entre os beneficiários dos pagamentos integrantes da base de cálculo do Auto de Infração (apresenta listagem dos referidos servidores). Afirma que foram incluídos na base de cálculo do lançamento valores pagos a pessoas físicas a título de aluguel (apresenta listagem). Do mesmo modo, afirma terem sido incluídos na base de cálculo valores pagos a servidores municipais como adiantamento para a realização de pequenas despesas em prol do município, dispensadas de processo licitatório. Apresenta listagem dos valores pagos a este título. Foram ainda incluídos na base de cálculo os valores dos “jetons” pagos aos participantes da Junta de Recursos Tributários – JRT, em razão da participação nas reuniões realizadas pelo órgão colegiado. Uma parte dos membros da JRT é constituída de servidores estatutários, de modo que não há que se falar em incidência de contribuição para o RGPS. Os valores recebidos pelos membros da JRT que representam órgãos e entidades de classe não podem ser considerados como salário, pois eles não são empregados nem funcionários municipais. O impugnante alega ainda que foram incluídos valores pagos a pessoas físicas em razão de precatórios ou de requisições de pequeno valor. Por se tratar de verbas indenizatórias, sobre elas não há incidência de contribuições. Apresenta relação dos funcionários beneficiados. Há ainda valores relativos ao pagamento de honorários, bem como valores referentes a condenações sofridas pelo município em ações de outra ordem, que não a trabalhista, como indenizações em favor de proprietários de lotes do parque Oziel, objeto de ação de desapropriação. Houve ainda o lançamento de contribuição sobre valores devidos a título de “prêmios do carnaval” e prêmios para o concurso “miss Campinas”. Sobre tais verbas, entretanto, não incidem contribuições previdenciárias. Afirma que houve a incidência de contribuições sobre os valores pagos aos “oficineiros” que prestaram serviços à Secretaria Municipal de Assistência Social. Ocorre que, as referidas contribuições já foram regularmente recolhidas. Fl. 1976DF CARF MF 6 Aduz que a fiscalização incluiu na base de cálculo do lançamento valores que não foram localizados no sistema contábil e financeiro do município, os quais podem ser considerados como inconsistentes, pois não há como se aferir a origem de tais fatos. Quanto aos prestadores de serviço, afirma que eles não possuem vínculo laboral com o município e, portanto, são os únicos responsáveis pelos recolhimentos previdenciários. Assim, estes profissionais nem constam nem deveriam constar na folha de pagamentos. Requer seja realizada diligência no estabelecimento prestador dos serviços, a fim de se verificar se houve o recolhimento das contribuições previdenciárias. Requer a possibilidade de juntar novos documentos, a fim de provar o alegado. Requer sejam as notificações e intimações remetidas à Procuradoria do Município. Requer o reconhecimento da nulidade dos Autos de Infração. Os Recursos Voluntários tiveram as mesmos alegações da impugnação apresentada, conforme relatado na decisão de primeira instância, quais sejam seguinte: preliminar de nulidade do auto de infração, em razão de não constar a "rubrica" do tributo exigido. decadência de período do auto de infração. não pode haver a incidência das contribuições previdenciárias sociais uma vez que os servidores estão enquadrados no regime jurídico próprio do Município. Não incidência de verbas exigidas sobre os pagamentos de aluguéis Não incidência sobre as verbas da "adiantamento" de despesas. não incidência dos pagamentos realizados aos integrantes da Junta de Recursos Tributários do Município. não incidência do tributo sobre verbas indenizatórias. não incidência da verba previdenciária sobre pagamento de prêmios como "concurso do miss Campinas" e carnaval". não exigência das contribuições sobre os pagamentos feitos aos "oficineiros" da Secretaria Municipal de Assistência Social. O valores cobrados seriam indevidos, uma vez que não foram localizados no sistema SIAFEM, uma vez que não consta nos registros da contabilidade do Município. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.225 7 Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator Dois são os recursos a serem analisados, o de Ofício e o Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele o conheço. O Recurso de Ofício será analisado ao final do voto. Assim, procedo à análise de seus conteúdos. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, alegando que não há indicação das descrições dos fatos e rubrica do tributo exigido, necessários para lavratura do referido auto, em desobediência ao que prescreve o art. 10º, inciso III, do Decreto lei ° 70.235/72. No processo administrativo fiscal as causas de nulidades se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Já o art. 60 da referida Lei, do Decreto 70.235/1972 menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Fl. 1978DF CARF MF 8 No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos que pudessem chegar às conclusões do lançamento. Nesses termos, estando o lançamento formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, onde foram corrigidas formalidades necessárias, revelase inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. A decisão se estende para todos os DEBCADs onde foram protocolados recursos voluntários específicos. DA PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA Autos de infração DEBCAD(s) 51.060.5737 e 51.060.5745. Recurso Voluntário de efl. 1.872 e seguintes. Segundo consta do relatório fiscal (efl. 190) , a autuação decorre de: 8 – RETENÇÕES PREVISTAS NA LEI 9711/98: O presente lançamento foi elaborado em conformidade com o disposto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, a saber: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.226 9 emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do Art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). (...) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei n.º 9.711, de 20.11.98)". No presente processo estão sendo exigidos o tributo devido das competências de 01.01.2009 a 31.01.2009. O Município foi cientificado dos Autos de Infração por via postal em 10/06/2014 e apresentou impugnações em 01/07/2014. Está narrado tanto no relatório fiscal quanto na decisão da DRJ diversos pagamentos realizados pelo Município, ainda que em rubricas diferentes, onde se comprova nas efls. 201 e seguintes. Assim, compreendo que, estão prescritos o período de 01.01.2009 a 31.05.2009, uma vez que estão presentes os requisitos necessários para atrair a aplicação da regra do art. 150, §4º, CTN. O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Portanto, os cincos seriam contados a partir dos fatos geradores, correspondentes a 01/2009 e competências seguintes, até 06.2009, já que com a regra interpretada pelo STJ teria se consumado o prazo decadencial no período mencionado, uma vez que a intimação ocorreu no período de 07.2014. Assim, transcorridos os 5 anos decadenciais. Por outro lado, de acordo com a Súmula CARF nº 99, "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Nessas circunstâncias, existindo recolhimento de contribuições, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica, deve ser acatada a decadência dos períodos de janeiro de 2009 a maio de 2009 (inclusive). Fl. 1980DF CARF MF 10 DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO DO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO Alega a recorrente que não deveria recolher os valores das contribuições do regime geral de previdência, uma vez que possui regime jurídico próprio. Entretanto, no presente processo foram verificadas prestações de serviços sem os devidos recolhimentos das contribuições previdenciárias, bem como de circunstâncias em que as referidas verbas deveriam ter sido devidamente pagas. Nesse caso, os pagamentos foram realizados para pessoas diversas que não somente para os servidores do próprio quadro de pessoal, que inclusive prestaram serviços ao Município sem a caracterização para com o regime próprio de previdência do Município. Conforme relata o acórdão recorrido (efl. 1841), são levantadas as seguintes argumentações: "argui que uma parte das pessoas físicas relacionadas nos anexos I e II é formada por servidores públicos ocupantes de cargos efetivos e, portanto, vinculados ao regime próprio de previdência do município de Campinas. Os anexos I e II discriminam o nome do trabalhador, o valor da remuneração, bem como indica a origem das informações. No caso do anexo I, os valores lançados foram identificados a partir da análise dos arquivos digitais de prestadores de serviço e nas liquidações constantes dos registros contábeis. Já os valores relacionados no Anexo II, foram informados pelo município na DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício". Em sede de primeira instância, a DRJ de origem compreendeu que não houve comprovação de que os trabalhadores que prestaram serviços eram de fato servidores dos Municípios, lançando o seguinte entendimento: "Para comprovar a sua alegação, o impugnante juntou planilha às fls. 437 a 472 dos autos (sistema eprocesso). De acordo com a referida planilha, alguns prestadores de serviço (José Carlos Augusto, Fernando Gomes Tojal Matoso, Marcos Alexio Passos de Almeida, Marislane Vieira Santos...) seriam aposentados por regime próprio de Previdência Social ou servidores de carreira, porém não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios desta afirmação. A mera elaboração de planilha contendo a informação de que determinadas pessoas vinculam se a regime próprio não pode ser aceita, isoladamente, como prova, pela razão óbvia de que seria possível ao município incluir o nome de qualquer pessoa nesta relação. Ainda que houvesse comprovação, o fato de o prestador de serviço já ser aposentado por regime próprio de Previdência Social não afasta a incidência de contribuições previdenciárias devidas ao RGPS sobre a sua remuneração. Primeiro, porque a alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, ao definir o contribuinte individual como a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, não excluiu a hipótese do prestador de serviço já ser vinculado a regime próprio. Logo, onde a lei não distinguiu, não cabe ao intérprete fazêlo. Além Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.227 11 disso, a legislação previdenciária admite a filiação a mais de um regime previdenciário, na hipótese em que o trabalhador exerce atividades que o vinculam a diferentes regimes. Já em seu recurso, a recorrente alega o seguinte: "Ocorre que o AIIM 51.060.5710 incluiu de forma equivocada vários servidores públicos municipais, vinculados ao regime estatutário, portanto, ao Regime Próprio de Previdência: Citemse os servidores: Adriana de Oliveira Juabre, Antonio Manoel Marques Pereira, Fernando José Santos de Oliveira, João Batista Borges, João Gonçalves, Luis Fernando Gomes Tojal Mattoso, Márcio Alves de Almeida, Marcos Aleixo Passos Aleixo, Marislane Vieira Santos, Noel Pedro Teixeira, Patrícia de Camargo Margarido, Regina Helena Costela, Gilson Carlos Casteluci, Sarha Campos Diniz dos Reis Almeida Soares, Affonso Jose Groninguer Neto, Guustavo Ozório Lima, Celia Alvarez Gamallo Piassi, listados nos "Anexos I e II" do AIIM, dos quais não se poderia exigir o recolhimento de contribuição previdenciária em favor do Regime Geral de Previdência, haja vista a vinculação de tais servidores ao Regime Próprio de Previdência, haja vista que já recolhem em favor do CAMPREV. Nesse sentido, para comprovar o alegado, o Município juntou aos autos a listagem fornecida pela Secretaria Municipal de Recursos Humanos, bem como a listagem fornecida pelo Departamento de Contabilidade e Orçamento da SMF. Anexo IC. onde estão listados todos os servidores vinculados ao Regime Próprio de Previdência (Servidores de Carreira), os guais contribuem regularmente em favor do CAMPREV. ou seia. as contribuições previdenciárias são descontadas dos vencimentos e revertidas ao órgão previdenciário municipal". Finaliza a recorrente alegando que apresentou documentos do departamento do recursos humanos do Município, e que caberia à fiscalização ter provado o fato gerador do tributo, em razão de ter elencado profissionais que seriam servidores, e, portanto, do regime próprio de previdência. Ocorre que, nesse contexto me filio ao entendimento da DRJ de origem, uma vez que não foi comprovado de fato que foram servidores do quadro próprio do Município que prestaram serviços, e mesmo que tivessem sido, o pagamento por meio de nota fiscal, onde deve ser retido o valor da contribuição social é obrigatório, não excluindo o Município de reter os valores, mesmo que haja o regime próprio de previdência. Isso porque a remuneração diz respeito à quantia paga sem ser a remuneração específica do servidor. Com isso, a autuação não se deu em razão dos "salários" dos possíveis servidores, e sim de constatação de pagamentos por meio de nota fiscal, incorrendo em fato gerador do tributo, e que com certeza nota fiscal não é meio de comprovante de pagamento da remuneração de servidor público. A Lei n° 8.212/91 que trata do custeio da Seguridade Social estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 1982DF CARF MF 12 I como empregado: (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (…) Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº9.876, de 1999). Assim, nos termos da Lei Federal, a exclusão do servidor público do RGPS, desde que existente um regime próprio, está limitada aos servidores ocupantes de cargo efetivo, e não daqueles que venham a prestar serviços para o Município, não restando margem à disposições em contrário por lei Municipal. Descabida, portanto, a argumentação. Assim, devido é a exigência do tributo. DOS PAGAMENTOS REFERENTES AOS SUPOSTOS ALUGUÉIS E DE PEQUENAS DESPESAS A recorrente alega que não são devidas as exigências, aduzindo os seguinte: "O Município de Campinas, na qualidade de pessoa jurídica de direito público necessita para a prestação de serviços públicos à população e para o funcionamento da máquina administrativa da locação de imóveis particulares para a instalações de repartições públicas. No entanto, os pagamentos efetivados em favor dos locadores destes imóveis não constitui como fato gerador da contribuição social. Com efeito, nos termos da Lei Federal n° 8.212/91, Art. 11, a contribuição social tem os seus fatos geradores discriminados em seus incisos, inexistindo interpretação extensiva quanto aos fatos geradores alcançados pela contribuição social, eis que o referido dispositivo legal esgota as hipóteses de incidência. Por outro lado, o aludido diploma legal, em seu Art. 12 enumera os segurados, os quais estão obrigados ao recolhimento da contribuição social, dentre os quais não estão incluídos os locadores de imóveis urbanos. Assim sendo, os lançamentos constantes do Auto de Infração e Multa referentes aos aluguéis pagos em favor de terceiros pessoas físicas ou jurídicas proprietários dos imóveis alugados pelo Município de Campinas são nulos de pleno direito, uma vez que não constituem como fato gerador da contribuição social. Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.228 13 Dessa forma, o Município juntou aos autos a listagem "Anexo l B" e "Anexo llB", onde constam todos os pagamentos realizados em favor dos locadores de imóveis despesas com locação de imóvel os quais, inclusive, não estão sujeitos à inclusão em GFIP, portanto, também indevida a multa aplicada pela não apresentação do referido documento. Grifos próprios. As referidas indicações de provas, podem ser encontradas nas efls. N.º 643 e seguintes. Contudo, conforme alegando pela DRJ de origem, não houve comprovação de que esses valores seriam de fato pagamentos realizados a título de alugueis. Não há contrato firmado, ou qualquer outro documento que prove, somente uma listagem que afirma isso, inexistindo, inclusive, documentos contábeis do Município que pudessem apontar a rubrica utilizada para esse tipo de custeio. Já no que diz respeito ao pagamento de pequenas despesas, igualmente, foi apresentado somente uma planilha informando sobre os custos de pequenas despesas. Assim, diferente do que alega a recorrente de que o ônus da prova seria da fiscalização, em direito tributário, o ônus de "desconstituir" o fato alegado pelo fisco é do contribuinte. Em processo administrativo fiscal, tal qual, como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99, em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse). Fl. 1984DF CARF MF 14 Assim, verifico que o recorrente que não obrou afastar as provas trazidas pela fiscalização quando da autuação, deixando de apresentar comprovações do direito por ele alegado. DOS PAGAMENTOS AOS MEMBROS DA JUNTA DE RECURSOS TRIBUTÁRIOS A fiscalização incluiu na relação dos pagamentos efetivados para efeito de tributação pela contribuição previdenciária os "Jetons", recebidos pelos participantes da Junta de Recursos Tributários, pela participação nas Reuniões do referido órgão colegiado. Em relação aos "Jetons" pagos para integrantes de órgão colegiado de julgamento entendo esses serem de exigibilidade indevida, uma vez que os recibos pelos quais foram bases de lançamento das contribuições constam a portaria de nomeação, e que por ser administração pública, que goza de boafé de atos administrativos, entendo que devem ser acatados, para ver excluída a cobrança. A exemplo da ordem de pagamento de efl. 363, existe a indicação da Portaria de convocação (n.º 69.556/2008), para fins de cumprimento das funções de julgar e decidir em segunda instância os processos administrativos tributários, para os efeitos da Lei n° 13.104 de 17 de outubro de 2007 (Lei local). Em pesquisas feitas pela rede mundial de computadores (internet), a Portaria diz respeito aos seguintes atos: CONVOCAÇÕES 1) CERIMÔNIA DE POSSE. O Presidente da JRT, conforme Portaria 69.556/2008, publicada no Diário Ofi cial do Município em 30 de dezembro de 2008, dentro das atribuições do artigo 7º, I, do Decreto 11.992/95 que aprovou o Regimento Interno em vigor, CONVOCA todos os demais nomeados para a Cerimônia de Posse a ser realizada em 27 de janeiro de 2009, às 9 horas, no Salão Azul do 4º andar do Paço Municipal, localizado na Av. Anchieta, nº 200. 2º) REUNIÃO PLENÁRIA. O Presidente da JRT, conforme Portaria 69.556/2008, publicada no Diário Ofi cial do Município em 30 de dezembro de 2008, dentro das atribuições do artigo 7º, II e III, do Decreto 11.992/95 que aprovou o Regimento Interno em vigor, CONVOCA em caráter ordinário, todos os demais nomeados para a primeira Reunião Plenária deste exercício, a ser realizada em 27 de janeiro de 2009, às 10 horas, ou seja, na sequência da Cerimônia de Posse, no Salão Azul do 4º andar do Paço Municipal, localizado na Av. Anchieta, nº 200, ocasião em que será eleito o Presidente da 3ª Câmara da JRT e dado início aos trabalhos do biênio. LUÍS FERNANDO GOMES TOJAL MATTOSO Presidente da Junta de Recursos Tributários". Como se verifica das informações prestadas pelo recorrente parte dos Conselheiros pertencem ao regime quadro próprio do Município. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.229 15 Ocorre que Jeton é gratificação pela presença e sessão de julgamento. Gratificase, por meio de uma indenização, a presença daquele que participou de reuniões de órgãos de deliberação. Importa salientar que o Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão tratando verba "Indenização pelo Comparecimento a Sessões Extraordinárias" como de caráter indenizatório. Segue abaixo a ementa do referido acórdão: "TRIBUTÁRIO. DEPUTADOS ESTADUAIS. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE VERBAS PRECEBIDAS A TÍTULO DE AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO PELO COMPARECIMENTO A SESSÕES LEGISLATIVAS EXTRAORDINÁRIAS. 1. As verbas "Ajuda de Custo" e "Indenização pelo Comparecimento a Sessões Extraordinárias", que visam, respectivamente, restituir custos de transporte e a recomposição do prejuízo sofrido por parlamentar em razão de labor em períodos considerados pela lei como de descanso, não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física. 2. O responsável tributário, quando não cumpre com sua obrigação de recolher na fonte o imposto devido, deve efetuar o pagamento do imposto. 3. Desservem a demonstrar divergência jurisprudencial acórdãos paradigmas e paragonado do mesmo tribunal. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 641.243/PE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2004, DJ 27/09/2004, p. 348)". Ainda, existe o entendimento de que os Jetons percebidos por agentes honoríficos são em caráter indenizatório, conforme se transcreve da decisão do TRF4, proferido pela Primeira Turma, Desembargador Relator Jorge Antonio Maurique, in verbis: "EMENTA: TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO FISCAL. INSS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. VOGAIS. AGENTES HONORÍFICOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA. JETONS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCORPORAÇÃO AOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. O INSS não tem legitimidade passiva para ações envolvendo o recolhimento de contribuições previdenciárias, pois de acordo com o art. 2º da Lei n.º 11.457/07, as contribuições previdenciárias serão geridas pela Secretaria da Receita Federal, e a representação judicial da União nos feitos que contestem tais tributos compete à Procuradoria da Fazenda Nacional (art. 16 da Lei n.º 11.457/07). 2. Os vogais de Junta Comercial são agentes honoríficos, de modo que os serviços por eles prestados não geram obrigações previdenciárias entre o tomador e prestador, não se caracterizando, portanto, como segurados obrigatórios do RGPS. Fl. 1986DF CARF MF 16 3. Os jetons percebidos pelos vogais têm natureza indenizatória, transitória e circunstancial, não apresentando caráter salarial. Ademais, não são incorporados aos proventos de aposentadoria. Assim, sobre tal verba não incidem contribuições previdenciárias. (TRF4 5003243 21.2015.404.7200, PRIMEIRA TURMA, Relator p/ Acórdão JORGE ANTONIO MAURIQUE, de 18/05/2016)". Assim, entendo que esses valores não devem ser incorporados na presente autuação, uma vez que o Município possui regime próprio de previdência, e o valor possui caráter indenizatório, devendo ser excluído para fins de exigência das contribuições devidas. DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS A recorrente alega o seguinte: "Conforme se extrai do AIIM impugnado, a fiscalização incluiu no referido auto os pagamentos realizados em favor de servidores, mediante precatórios ou requisitórios de pequeno valor, bem como a indenização devida aos proprietários dos lotes do Parque Oziel, os quais foram desapropriados pelo Poder Público. Quanto aos pagamentos realizados por meio de precatórios e/ou requisitórios de pequeno valor, temse que, por se tratar de verba indenizatória, o recolhimento de contribuição previdenciária se afigura totalmente indevida, já que a jurisprudência de nossos tribunais sedimentou o entendimento de que sobre verba indenizatória não incide contribuição previdenciária". Ocorre que conforme se constata da decisão a quo, foram excluídos do auto de infração os valores que foram devidamente comprovados decorrentes da justiça trabalhista e da justiça comum, e que foram desconsiderados na autuação, sendo mantidos somente o que não houve comprovação, conforme entendimento da DRJ de origem: "Neste ponto, as alegações encontramse desprovidas de provas, pois não foram juntados documentos que comprovem quais as parcelas indenizatórias que teriam sido pagas, bem como não se informa quem seriam os beneficiários e os valores mensais pagos"1. Portanto, existem apenas alegações do Município sem provas dos valores referentes às referidas verbas indenizatórias. DO LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DA RETENÇÃO O lançamento também foi realizado em razão pela falta de retenção das contribuições previdenciárias em serviços de cessão de mãodeobra. De acordo com o art. 29 da Lei nº 9.711/98 cuja norma alterou o teor normativo do art. 31 da Lei nº 8.212/91: 1 Segundo consta dos autos: "O documento juntado às fls. 691 está ilegível. O documento juntado às fls. 706 referese ao processo cuja reclamante é Cândida Ivete Daniel de Souza, a qual não consta como beneficiária dos rendimentos inseridos na base de cálculo das contribuições lançadas. Logo, tais documentos serão desconsiderados para fins de modificação dos valores lançados". Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.230 17 “Art. 29. O art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, produzirá efeitos a partir de 1o de fevereiro de 1999, ficando mantida, até aquela data, a responsabilidade solidária na forma da legislação anterior”. Por sua vez, a redação anterior do art. 31 da Lei nº 8.212/91, assim estabelecia: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).” Cabe ressaltar que a competência exigida nesse lançamento é posterior à Lei de 1998. Após esse, a Lei nº 9.711, de 1998, que alterou a redação do artigo 31 da Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, e instituiu a antecipação tributária compensável das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos prestadores de serviços mediante cessão de mãodeobra. Essa antecipação é realizada pela retenção de 11% do valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, ou empreitada, como dito. Ou seja, a nova norma institui a substituição tributária. Porém, ao caso concreto ainda não havia essa exigência, sendo certo que a responsabilidade de recolhimento desse tributo nesse caso seria a do tomador de servido, administração pública, que recolheu em partes os valores. Restando, valores remanescentes, e que foram considerados na decisão de primeira instância. Portanto, nesse ponto, voto pela manutenção da decisão de primeira instância, uma vez que a retenção ocorreu por parte do Município, mas que restaram valores remanescentes, ajustados pela decisão a quo, das quais eu mantenho, por ser ordem legal a ser exigida nessas operações. DOS PAGAMENTOS FEITOS PARA EVENTOS DE CARNAVAL E EVENTO DE MISS CAMPINAS A fiscalização fez incidir sobre os pagamentos realizados a título de "prêmios do Carnaval" e "prêmios para o concurso "Miss Campinas" como base de cálculo. Entretanto, a DRJ de origem excluiu esses valores da base de cálculo, não havendo mais valores a serem considerados sobre essa matéria. DOS PAGAMENTOS REALIZADOS AOS PRESTADORES DE SERVIÇO (OFICINEIROS) DA SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Aduz a recorrente que houve lançamento de contribuições sobre a remuneração paga aos “oficineiros”, contratados pela Secretaria Municipal de Assistência Social, mas as contribuições já haviam sido regularmente recolhidas. Fl. 1988DF CARF MF 18 Conforme se verifica dos autos, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem as suas alegações. Com isso, somente afirma ter pago, mas não apresentou os comprovantes de pagamento. Os anexos IID e IIE, mencionados neste ponto do recurso, consistem apenas em planilhas elaboradas pelo Município nas quais são listados valores de recolhimentos de contribuições previdenciárias. Segundo pesquisa feita pelo relator da decisão de primeira instância, inclusive, foi constatado o seguinte: "Em consulta ao sistema informatizado AGUIA, verifiquei que os valores relacionados nos anexos IID e IIE não se encontram registrados no conta corrente do Município. Logo, não há como abatêlos das contribuições lançadas". Por outro lado, a recorrente alega o seguinte: "O Município listou todos os recolhimentos efetivados em favor dos prestadores de serviços (oficineiros) nos Anexos I E e llE. bem como cópias das guias de recolhimentos realizados junto ao fisco federal, requerendo seja procedida a extinção dos referidos créditos, diante do pagamento efetivado, bem como a nulidade do Auto de Infração e imposição de Multa, ante a duplicidade na cobrança do tributo". Pelas mesmas razões da DRJ de origem, entendo que devem ser mantido o auto de infração, uma vez que não localizadas as guias de recolhimento da previdência, informados pelo Município. DOS VALORES NÃO LOCALIZADOS NO SIAFEM Nesse tema, reproduzo e compartilho do mesmo entendimento da DRJ de origem: "Argúi o Município que alguns valores inseridos na base de cálculo dos lançamentos não foram localizados na base de dados do sistema de administração financeira do município. Ora, como demonstrado no Relatório Fiscal e nas planilhas anexas ao Auto de Infração, as informações utilizadas para a realização do lançamento foram obtidas a partir dos registros contábeis (lançamentos constantes do Anexo I) e das DIRF (lançamentos constantes do Anexo II) elaboradas e entregues à fiscalização pelo próprio município. Ainda durante o curso da fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos de suporte dos lançamentos contábeis e das informações prestadas em DIRF. O objetivo, claro, era o esclarecimento da natureza jurídica do pagamento realizado. Não tendo o contribuinte cumprido o seu dever de apresentar os documentos e os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, impõese o lançamento". Nesse sentido, houve o fato gerador do tributo, sem o devido registro, o que incorre em erro o Município ao praticar esse tipo de falta de registro contábil. DECISÃO QUANTO AO AUTO DE INFRAÇÃO Nº 51.060.5761 DO DEVER DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Tratase de multa aplicada por não apresentação de documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91. Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.231 19 Constitui infração não apresentar livros contábeis (Diário e Razão), nem as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais. A Lei não permite mera liberalidade de não aplicar a pena para os casos dos autos, sendo, portanto, devida a aplicação da multa pelo descobrimento da obrigação acessória, constituindo infração ao disposto no § 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DA MULTA AGRAVADA Conforme se constata dos autos, a multa foi agravada: "A multa aplicada foi agravada por ter ocorrido a circunstância agravante reincidência, que é assim definida no parágrafo único do art. 290 do regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 290. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior". Isso porquê, conforme decisão de primeira instância, consoante relatório fiscal, assim constataram: "A infração em comento ocorreu no ano de 2014, quando, após ser intimado e reintimado, o município não apresentou uma parte dos documentos exigidos. O item 11.8 do relatório fiscal demonstra que havia cinco autuações anteriores decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, lavradas em dois procedimentos fiscais distintos: Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 37.205.802 7; 37.241.6250 e 37.2629792. Todos eles lavrados no curso da ação fiscal autorizada pelo MPF nº 0810400.2009.00048 e liquidados ao longo do ano de 2009. Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 37.205.982 2; 37.241.9849, ambos lavrados no curso da ação fiscal autorizada pelo MPF nº 0810400.2009.01664 e liquidados ao longo do ano de 2010 e 2011". Nesse sentido, entendo que o Município prestou informações, ainda que parcial. Com isso, não deixou o ente público de desatender quanto aos documentos solicitados. Por outro lado, sabese da dificuldade que o ente público municipal possui em manter em dia todas as documentações de sua administração, levando em consideração as inovações em mandatos eletivos, bem como da máquina pública possuir sérias dificuldades estruturais e organizacional, e que mesmo assim, demonstrou boafé em apresentar a documentação que estava em seu poder. Fl. 1990DF CARF MF 20 Somado a isso, a rotatividade de servidores na máquina pública municipal é elevada, sendo muitas vezes nomeados cargos de confianças para elaborar serviços que deveriam ser realizados por servidores do quadro efetivo de pessoal do ente federado, mas que pela escassez ou por poucos recursos a administração local normalmente enfrenta sérios problemas em manter quadro pessoal para exercer todas funções que lhe são impostas por ordem constitucional e infraconstitucional. Sabese também que, quando da aplicação da multa agravada existe o caráter objetivo, não se tratando de maneira subjetiva, por características do contribuinte (não se desconhece da norma). Porém, a punição agravada nesses casos, agrava também a já sobrecarregada administração pública, que acarreta em ônus social local, dificultando ainda mais a execução das políticas públicas regionais. Nesse sentido, parto da premissa de que não houve intenção do ente público local em não colaborar com a fiscalização, em não apresentar documentos que possivelmente não foram devidamente registrados, pois houve cumprimento parcial da solicitação imposta, importando também em veracidade das informações. Assim, voto por desagravar a multa aplicada, mantendo somente a multa por não apresenta integralmente os documentos solicitados. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme se verifica da decisão de primeira instância, in fine, foi excluído da base de calculo montante que acima do mínimo para recurso de ofício: "Destaquese que, como o valor do crédito tributário exonerado nesta decisão (considerando o principal e o valor da multa) é superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, c/c art. 366, § 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, este Acórdão deve ser submetido a Recurso de Ofício, de modo que a exoneração do crédito decorrente desta decisão somente se tornará definitiva após o exame da matéria pelo CARF'. Assim, conheço do Recurso de Ofício. Nesse sentido, os valores ajustados, foram devidamente comprovados pelo recorrente, quando do recolhimento do tributo devido, e excluídos pela decisão quo, nas quais mantenho de maneira integral, tendo em vista as provas e fatos alegados, que importa em cancelamento de parte da autuação, nos termos da decisão de primeira instância. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, não acolhendo das preliminares arguidas, e no mérito decretar a decadência do período de 01.01.2009 a 31.05.2009 (inclusive), bem como para excluir da base de cálculo as contribuições previdenciárias exigidas dos "Jetons" e desagravar a multa aplicada, mantendose as demais exigências fiscais, bem como voto por conhecer e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.232 21 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Permitome divergir do ilustre Conselheiro Relator. DOS PAGAMENTOS A TÍTULO DE "JETONS" A MEMBROS DA JUNTA DE RECURSOS TRIBUTÁRIOS Entendo não ter sido comprovado que os pagamentos efetuados a servidores efetivos do Município pela participação em sessões da Junta de Recursos Tributários – JRT, a título de “jetons”, estão fora do campo de incidência ou isentos da contribuição previdenciária. A lei Nº 9.292/96, que dispõe sobre a remuneração dos membros dos conselhos de administração e fiscal das entidades controladas direta ou indiretamente pela União, nos dá, em seu artigo 1º, o seguinte conceito: Art. 1º A remuneração mensal devida aos membros dos conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e das sociedades de economia mista federais, bem como das demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, não excederá, em nenhuma hipótese, a dez por cento da remuneração mensal média dos diretores das respectivas empresas. § 1º A remuneração só será devida ao membro suplente do conselho fiscal no mês em que comparecer a reuniões do conselho a que pertencer, conforme registro em ata, no livro próprio. § 2º A prestação anual de contas das entidades de que trata este artigo será acompanhada de demonstrativo da remuneração paga aos respectivos conselheiros, bem como das atas das reuniões realizadas durante o exercício. Especificamente, aplicandose ao presente caso, a lei municipal nº 8.129/94, do Município de Campinas/SP, estabelece a competência dos conselheiros em seu artigo 24 e a sua forma de remuneração em seu artigo 59: Art. 24 Aos Conselheiros compete: I relatar os processos que lhes forem distribuídos; II proferir voto nos julgamentos; III proferir diligências necessárias à instrução dos processos e protocolados; IV observar os prazos para restituição dos processos e protocolados em seu poder; V solicitar vista de processos e protocolados, com adiamento de julgamento para exame e apresentação de voto em separado; Fl. 1992DF CARF MF 22 VI sugerir medidas de interesse do Conselho; VII outras atribuições que lhes forem conferidas pelo Regimento Interno do Conselho. (...) Art. 59 Os membros da J.R.T. serão remunerados por presença em reunião, na integralidade desta, e por processo relatado, obedecendose o limite de 150 (cento e cinquenta) UFMCs mensais, da seguinte forma: (nova redação de acordo com a Lei nº 8.715 de 27/12/1995) I 25 (vinte e cinco) UFMCs por participação em reunião; II 30 (trinta) UFMCs por processo relatado colocado em votação, e não retirado de pauta. § 1º Em caso de extinção da Unidade Fiscal do Município de Campinas (UFMC) será o valor da mesma, à data de sua extinção, convertido em UFIR ou outro índice oficial que o substitua, sem que se promovam alterações no valor da remuneração estabelecido neste artigo. § 2º A Presidência da J.R.T. criará os mecanismos de controle oficial e de apuração de valores para efeito do pagamento da remuneração tratada neste artigo, sob aprovação do Secretário Municipal de Finanças. Pelos dispositivos acima citados, verificase que essa verba é uma forma de remuneração pelo comparecimento em reuniões deliberativas e pelos processos relatados. Sendo assim, há disposição legal expressa estabelecendo a natureza do pagamento pela execução de determinadas atividades. Os membros da Junta de Recursos Tributários não estão sendo remunerados apenas em razão da participação nas reuniões realizadas pelo Órgão, como dito no recurso, mas por uma série de atividades que decorrem dessa presença, tais como: relato dos processos para os quais foram designados responsáveis, e nos quais despenderam tempo elaborando o respectivo acórdão a ser apresentado nessas sessões; análise dos votos dos demais conselheiros, com pronunciamento sobre eles, inclusive elaborando votos vencedores para os quais foram designados redatores. Assim, os membros da Junta de Recursos Tributários, nos dias de sessão, estão, indubitavelmente, a serviço daquele órgão. Alegou ainda a recorrente que parte dos membros da JRT constituemse por servidores municipais estatutários, vinculados ao regime próprio do município, razão pela qual não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária ao RGPS. Transcreveu jurisprudência do Carf nesse sentido. Mas, como dito no acórdão recorrido, o município apresentou apenas uma planilha, na qual relaciona alguns lançamentos e indica que eles se referem ao pagamento de jetons. Não houve a comprovação de que o beneficiário do pagamento já se encontrava vinculado ao regime próprio de Previdência Social, nem a apresentação do ato que materializou a investidura como membro da JRT. Por isso, não foi comprovada a vinculação dos membros da JRT ao regime próprio. Foi transcrita também jurisprudência do TRF4, que considerou não possuir natureza salarial o pagamento de jetons, quando sua natureza jurídica for indenizatória, transitória e circunstancial, que no caso julgado, decorreu de participação em reuniões deliberativas. Esse, contudo, não é o caso dos presentes autos. Aqui, o conselheiro foi Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 10830.722755/201453 Acórdão n.º 2301006.016 S2C3T1 Fl. 1.233 23 remunerado não apenas pela participação nas reuniões, mas também pelo desempenho de atividades, conforme exposto nos parágrafos acima. Foi argumentado ainda que os jetons caracterizamse como forma anômala de remuneração, não se constituindo em fato gerador das contribuições previdenciárias, porquanto não foram descritos expressamente na lei 8.212/91 como tal. Enganase a recorrente, pois o título dado à verba remuneratória não altera sua natureza. O inciso III do artigo 22 da lei 8.212/91, abarca os jetons aqui analisados, na medida em que se aplica aos pagamentos efetuados a prestadores de serviço pessoa física, enquadrados como segurados contribuintes individuais, senão vejamos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Por todo exposto, entendo que incide contribuição previdenciária para o RGPS sobre os jetons pagos. DA MULTA AGRAVADA A documentação foi apresentada parcialmente, o que motivou a aplicação da multa. Por sua vez, tal multa foi agravada pela ocorrência da circunstância agravante de reincidência, prevista no parágrafo único do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A circunstância agravante de reincidência é de constatação objetiva e foi descrita detalhadamente no auto de infração e na decisão de recorrida. A infração ora analisada se deu menos de cinco anos após a extinção dos autos de infração anteriores, tidos como caracterizadores da reincidência. Assim, em que pese a apresentação parcial, a autoridade fiscal desempenha atividade vinculada, sendo obrigada a aplicar a legislação quando constatada a infração. Sendo a reincidência uma circunstância agravante objetiva e tendo esta sido claramente identificada, deve ser mantido o agravamento da multa. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e de ofício, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do período de 01/01/2009 a 31/05/2009 (inclusive). É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1994DF CARF MF 24 Reginaldo Paixão Emos Fl. 1995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003622/2007-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO.
Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais.
Numero da decisão: 9101-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE INFORME DE RENDIMENTO. EXISTÊNCIA DE OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. Na situação em que a fonte pagadora não fornece o comprovante anual de retenção, a respectiva prova pode ser feita por outros meios, como registros contábeis do beneficiário e respectivos documentos e declarações fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Nelso Kichel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 36 22 /2 00 7- 39 Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.384 2 (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 2.313.2.329) interposto pela Contribuinte contra o acórdão 1201000.966 1° Turma da 2°Câmara que restou assim ementado e decidido: JUNTADA DE DOCUMENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. Em observância aos princípios da ampla defesa e da verdade material, devem ser analisados os documentos juntados após a Impugnação, permitindo a melhor compreensão da matéria em julgamento, conforme julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não resta configurado o cerceamento do direito de defesa, notadamente quando é garantido à parte o direito ao exame de todos os documentos juntados aos autos no julgamento do Recurso Voluntário. Também não configura cerceamento do direito de defesa eventual omissão do Fisco sobre de quais os tomadores de serviço a Receita Federal não possuía as DIRFs, haja vista que o art. 943 do RIR/99 determina que o imposto retido na fonte somente poderá ser compensado, na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Dessa forma, é obrigação do Contribuinte a exigência e guarda de todos os comprovantes devidos, não havendo que imputar ao Fisco a obrigação decorrente de sua desídia. SALDO NEGATIVO. Para a Restituição ou Compensação do referido saldo negativo deve o Contribuinte se valer do PER/DCOMP, não cabendo ao AuditorFiscal ou aos órgãos julgadores proceder ou determinar sua realização. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não obstante os documentos juntados pelo Contribuinte em todas as oportunidades que lhe foram concedidas, não restaram comprovadas as retenções realizadas, conforme exigência legal, estando correto o procedimento adotado pelo Fisco. CONCOMITÂNCIA DE PENALIDADES. A aplicação concomitante das duas penalidades relativamente ao mesmo tributo configura uma dupla penalização do Contribuinte, isto é, bis in idem. Dessa maneira, há que ser Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.385 3 excluída a multa isolada aplicada, mantendose apenas a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o Imposto de Renda devido ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso, para excluir a multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas nº 1402001.696 e 1401.001.639 no tocante à possibilidade de aceitação, como meio de prova passível de ser utilizado para a comprovação de retenções do IRRF, de documentos emitidos pela própria beneficiária. Os acórdãos paradigmas foram ementados de forma idêntica: SALDO NEGATIVO. IRRF. DEDUÇÃO REFERENTE A RECEITAS OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DE RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO POR OUTROS MEIOS E FORMAS. DEDUÇÃO DO IRPJ. POSSIBILIDADE. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo se houver comprovação por outros meios de prova. Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial Em despacho de admissibilidade (fls. 2.431/2.434), fora dado seguimento ao recurso em relação a ambos os paradigmas apresentados. Contrarrazões da PGFN Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN em que alega, em síntese que temse clara a condição imposta pelo RIR/99 para que o contribuinte possa compensar o valor retido a título de IRRF na declaração de pessoa jurídica, qual seja: a posse de comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.386 4 Diz a PGFN: Desta forma, a não apresentação deste documento específico ou apresentação com valor menor que o pedido inviabiliza a compensação pretendida pelo contribuinte. Notese que o texto é claro ao exigir comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade para conhecer do Recurso Especial da PGFN. Mérito Em síntese, a controvérsia nos presentes autos decorre do inconformismo da Recorrente face à posição da turma ordinária de não aceitar outros meios de prova para fins de comprovação da retenção do IRRF na ausência do Informe de Rendimentos emitido pela fonte pagadora. Cabe aqui esclarecer que o presente julgador participou do julgamento na Turma Ordinária em que o acórdão ora Recorrido fora julgado por unanimidade e, neste sentido, reforça que o núcleo dos debates da turma ordinária giraram em torno da situação específica dos autos em que o contribuinte pretendeu juntar diversas provas após o início do contencioso administrativo, o que levou à turma à conclusão acima transcrita. Contudo, a matéria aqui posta em sede de Recurso Especial referese especificamente à possibilidade de comprovação do IRRF por outros meios que não o Informe de Rendimentos emitido pela fonte pagadora. Assim, no presente voto, deve ser respondida a seguinte pergunta: na ausência de Informe de Rendimentos que comprovem o IRRF, qual documentação pode ser considerada suficiente para aceitação do respectivo IRRF? Pois bem, inicialmente, cabe destacar o disposto no art. 55 da Lei n. 7.450/85: Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.387 5 “Art. 55 – O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos” Neste sentido, a Lei n. 7.450/85 é clara ao prever a existência do Informe de Rendimento como condição básica para aproveitamento do IRRF pela pessoa jurídica. Dispõe ainda o art. 4° da IN SRF n. 119/00: “Art. 4° O Comprovante Anual de Rendimentos Pago ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído.” Contudo, também é fato que existe um conjunto amplo de informações, documentos e declarações que envolvem a retenção do IRRF tanto do lado da fonte pagadora quanto do beneficiário, sendo certo que o beneficiário que sofreu o ônus desta tributação não pode depender exclusivamente do Informe de Rendimento que pode não estar disponível, inclusive, em decorrência de falha da fonte pagadora. A própria Receita Federal já se manifestou através da Solução de Consulta SRRF n. 19/2004 da 5° Região Fiscal: Assunto: Obrigações Acessórias Ementa: COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO FORNECIDO POR ÓRGÃO OU ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. AUSÊNCIA. Na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos. Dispositivos Legais: art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 5° e 28 da IN SRF n° 306, de 2003; art. 923 do Decreto n° 3.000, de 1999. Entendo como acertada a posição da Receita Federal externada na Solução de Consulta acima mencionada, isso porque, o beneficiário não consegue por si próprio obrigar que a fonte pagadora forneça o respectivo comprovante de rendimentos. Assim é que deve contar com outras formas de fazer tal comprovação que viabilize o direito de utilizarse da retenção sofrida. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Neste sentido, merece destaque o disposto no art. 923 do RIR/99 que a meu ver ratifica o racional adotado pela Solução de Consulta n. 19/2004: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º ). Alinhome integralmente ao racional até aqui exposto e ratificado pela própria Receita Federal no sentido de que na ausência do Informe de Rendimentos, a apresentação de outras informações e documentos, expecialmente a escrita fiscal e contábil da própria beneficiária, pode ser admitida como suficiente para a comprovação do IRRF a ser aproveitado. Este também é o entendimento externado por esta 1° Turma da CSRF no acórdão n. 9101003.437 do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Essa posição foi recentemente confirmada pela 1°Turma da CSRF no recentíssimo n.9101004.110 de relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por outros meios Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.389 7 previstos na legislação tributária. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.876 e 9101003.437. Por fim, assim como o fez o Conselheiro André Mendes de Moura no acórdão n. 9101004.110 cuja ementa está acima transcrita, utilizome de trecho do voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no também mencionado acórdão nº 9101003.437: E a razão para isso é bem simples. Não há como prejudicar um contribuinte por falha/infração cometida por outro. No caso, negar o direito de aproveitamento de retenção na fonte sofrida pelo beneficiário de um rendimento em razão de a fonte pagadora descumprir o dever instrumental de emitir e lhe fornecer o respectivo comprovante de rendimentos e de retenção na fonte. Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). A imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. O sentido que se dá ao texto da lei não pode conflitar de forma tão flagrante com o sistema jurídico. Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Desta forma, resta necessário retorno dos autos à Turma Ordinária para que analisem a documentação trazida pelo contribuinte aos autos para fins de comprovação do IRRF. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL para no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à turma ordinária para que analisem toda documentação trazida pelo contribuinte aos autos para fins de comprovação do IRRF. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 13971.003622/200739 Acórdão n.º 9101004.149 CSRFT1 Fl. 1.390 8 É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001553/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VENDA DE IMÓVEL. REAJUSTE DE PARCELAS.
Os valores recebidos a título de reajuste de parcelas relativas à venda de bem, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), conforme o caso, e informados na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao período de seu recebimento.
Numero da decisão: 2201-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VENDA DE IMÓVEL. REAJUSTE DE PARCELAS. Os valores recebidos a título de reajuste de parcelas relativas à venda de bem, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), conforme o caso, e informados na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao período de seu recebimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 53 /2 00 4- 31 Fl. 146DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 112/118, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ de fls. 100/109, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, de fls. 55/65, lavrado em 08/10/2004, relativo aos anos-calendário de 1999 a 2001, com ciência do RECORRENTE em 8/10/2004, conforme assinatura no termo de encerramento da fiscalização e no próprio auto de infração (fls. 56 e 66) O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas (juros recebidos sobre venda de bens imóveis), por acréscimo patrimonial a descoberto e por multa isolada por falta de recolhimento de IRRF devido à título de carnê-leão, no valor histórico de R$ 91.986,38, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e ambas as multas (a de ofício de 75% e a isolada no valor de R$ 8.090,86) De acordo com o termo de constatação (fls. 53/54), apesar de devidamente intimado, o contribuinte não logrou em comprovar a origem de todos os depósitos recebidos na conta poupança nº 35887943-2, do Banco Finassa, e considerou tais recursos como omissão de rendimentos com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (acréscimo patrimonial a descoberto). Quanto aos valores recebidos da empresa Dorex Administração e Participações (CNPJ nº 00.120.682/0001-76), após manifestação da empresa, a autoridade fiscal entendeu que diversos valores recebidos em decorrência da alienação de imóvel eram compostos por uma parcela relativa à amortização do principal e por uma parcela de juros remuneratórios (fls. 37/38). A fiscalização afirmou que o RECORRENTE apenas ofereceu à tributação os valores relativos ao principal, não tributando o acréscimo patrimonial decorrente dos juros recebidos no período de janeiro/1999 a dezembro/2001, que deveriam ser tributados mediante o recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), uma vez que estes acréscimos não compõem o valor da alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, conforme estabelece o art. 16, § 3°, da IN SRF n° 48/98. Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de e-fls. 68/79 em 03/11/2004. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificado do Auto de Infração em 08/10/2004, o Contribuinte apresentou, em 03/11/2004, a impugnação de fls. 64 a 75, instruída com documentos de fls. 76 a 92, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Preliminarmente, suscita a decadência do lançamento para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1999. Defende que as infrações constatadas estão sujeitas ao lançamento por homologação, previsto no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional, decaindo o Fl. 147DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 direito da Fazenda Nacional lançar após cinco anos da ocorrência do fato gerador. Cita jurisprudência administrativa e judicial nesse sentido. No mérito, sobre a suposta omissão de rendimentos decorrentes da venda de imóvel, sustenta que a Autoridade Fiscal se equivocou ao lançar os valores contabilizados pela empresa Dorex Administração e participações LTDA. Os valores lançados representam, segundo argumenta, “parcelas de amortização parcial de seu crédito decorrente da parte financiada correspondente à alienação dos imóveis objeto da Escritura de Compra e Venda lavrada em 10/08/1994. Nesse contexto, diz que celebrou com a referida empresa, em 31/12/1998, “Termo de Novação de Dívida”, através do qual as partes estabeleceram que o valor total do crédito naquela data ficaria consolidado, não mais vencendo juros e/ou correção monetária. Ou seja, o documento apresentado atesta que, a partir de 01/01/1999, não recebeu qualquer valor da empresa Dorex Administração e Participações Ltda a título de juros e correção monetária e, portanto, no seu entendimento, o lançamento não pode prosperar. Alega que ocorreram “simples pagamentos por conta do crédito do impugnante, mas sobre os quais não há qualquer incidência tributária sujeita aos efeitos do carnê-leão”. Quanto à cobrança da multa isolada, por falta de recolhimento de camê-leão, defende que só seria aplicável se os juros tivessem sido pagos por pessoa fisica. No caso de pagamentos efetuados por pessoa jurídica, a tributação deveria ter ocorrido na fonte, pela fonte pagadora. Sobre o assunto, reclama ainda da aplicação cumulativa das multas de oficio e isolada. Sobre os recursos depositados em sua conta bancária, explica que foram efetuados em dinheiro, com disponibilidades advindas do recebimento de pró-labore, aposentadoria e outros créditos. De qualquer fonna, argumenta que a Autoridade Fiscal não pode exigir a comprovação de depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, se o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapassar o valor de R$80.000,00. Cita o artigo 849, artigo 2° , inciso II do Decreto nf 3000, de 26 de março de 1999 (RIR - Regulamento do Imposto de Renda). Observa que todos os depósitos lançados estão abaixo do valor de R$12.000,00 e seu somatório é R$25 .439,42. Da Decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente em parte o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 100/109): Assumo: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física. IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS. No confronto entre documento particular e documento público devidamente registrado em Cartório, deve este último ser privilegiado. O documento público emitido pelo competente Cartório de Registro de Imóveis, é hábil para a comprovação. do efetivo valor decorrente de operação imobiliária, devendo se sobrepor às informações constantes em instrumento particular que somente produz efeitos entre as partes. OMISSÂO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCARIOS. Deve ser cancelado o lançamento como omissão de rendimentos dos depósitos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Fl. 148DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 MULTA ISOLADA. CARNÊ-LEÃO. Considerando que os rendimentos foram recebidos de pessoa jurídica, o Contribuinte não estava obrigado a efetuar o recolhimento de carnê-leão, sendo, portanto, inaplicável essa multa. Lançamento Procedente em Parte No mérito, a DRJ entendeu pelo cancelamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, sob o fundamento que todos os depósitos recebidos eram inferiores a R$ 12.000,00 e seu somatório não ultrapassam R$ 80.000,00. Entendeu, também, pelo cancelamento da multa isolada lançada por falta de recolhimento de carnê-leão, pois foi comprovado que os rendimentos omitidos foram pagos por pessoa jurídica, e não por pessoa física, razão pela qual inexistia obrigação do recolhimento através do carnê-leão, sendo, por conseguinte, inaplicável a multa isolada. Assim, apenas foi mantida a exigência relativa à omissão dos juros remuneratórios recebidos sobre a venda de bens imóveis. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ em 24/10/2008, conforme AR de fls. 111, apresentou o recurso voluntário de fls. 112/118 em 07/11/2008. O termo de fls. 145 atesta a tempestividade do Recurso Voluntário. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação aplicáveis à parte mantida do auto de infração. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Decadência Fl. 149DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 Defende o RECORRENTE a decadência dos créditos tributários constituídos anteriormente à 31/08/2019, com fulcro no art. 150, §4º do CTN, uma vez que somente foi intimado do auto de infração em 08/10/2004. Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano- calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). (acórdão nº 2402-005.594; 19/01/2017) No caso concreto, o lançamento de créditos sujeitos ao ajuste anual mantidos pela DRJ engloba o período de janeiro/1999 a dezembro/2001. Ou seja, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/1999. Assim, aplicando-se a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN (05 anos a partir do fato gerador), tem-se que o lançamento poderia ser realizado até 31/12/2004. Considerando que a data de intimação do RECORRENTE foi 08/10/2004, não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência dos fatos geradores e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração. Portanto, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário. MÉRITO Natureza remuneratória dos juros Em seu recurso voluntário, o contribuinte não contesta a incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos ao título de juros remuneratórios, conforme se observa das fls. 115/118, limitando-se a defender que não recebeu nenhuma parcela a título de juros remuneratórios, mas que todos os valores recebidos foram destinados para amortização da dívida principal. Para sustentar suas alegações, apresenta o termo de novação de dívida de fls. 132/133, a declaração da empresa Dorex Adeministração de fls. 134, e o contrato social da mesma empresa (fls. 144). Estes últimos documentos foram apresentados para comprovar que o Fl. 150DF CARF MF https://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 Sr. Luiz Gonzaga tinha poderes para representar a empresa no momento da assinatura da novação da dívida. Portanto, para solução da celeuma basta verificar se o RECORRENTE apresentou documentos suficientes para descaracterizar a natureza de juros remuneratórios de parte dos aportes recebidos. Destaco que foi a própria empresa Dorex Administração quem elaborou a planilha de fls. 38 discriminando que parte das prestações recebidas tinham natureza de variação dos pagamentos efetuados, permanecendo inalterado o valor principal de R$ 8.209,00 (pactuado desde a escritura pública). Em que pese a argumentação levantada pelo RECORRENTE, entendo que os documentos apresentados não estão aptos para comprovar suas alegações. Antes de adentrarmos no tema merece destaque que, como se observa do Contrato Social de fls. 135/143, o ora RECORRENTE é sócio da pessoa jurídica responsável pelo pagamento das prestações recebidas. Pois bem, para melhor compreender a questão vale a pena um breve retrospecto da fiscalização sofrida pelo RECORRENTE relacionada à parte mantida do auto de infração: - em 15/01/2004 o RECORRENTE foi intimado para esclarecer a forma de atualização monetária das parcelas recebidas da firma Dorex Administração e Participações, apresentando a competente memória de cálculo (fls. 33); - Como resposta, o contribuinte apresenta o termo de fls. 34/35, no qual esclarece que o indíce de correção monetária era calculado pela variação do IPC-R, e a partir do plano real, foi ajustado que os pagamentos seriam feitos nas épocas oportunas. Neste momento, alega que foi celebrado em dezembro de 2000 termo de novação de dívida. - Por sua vez, a empresa também foi intimada para comprovar estas informações. Em sua resposta (fls. 37/38) a empresa não alega a existência de nenhum termo de novação de dívida e junta a planilha que demonstra que parte das prestações mensais eram pagas à título de variação monetária. - Após a lavratura do auto de infração, o RECORRENTE junta o termo de novação de dívida de fls. 95, supostamente assinado em dezembro/1998 (autenticado em cartório em 04/01/1999), no qual afirma que o valor da dívida proveniente do contrato de compra e venda realizada no 6° Oficio de Notas desta cidade, em 10/08/1994, passará a ser o saldo contábil devido em 31/12/1998, e que será pago em prestações mensais sem a incidência de juros e correção monetária. Pois bem, mesmo que se acate os argumentos do contribuinte quanto à validade material do termo de novação de dívida assinado, entendo que tal instrumento não tem validade jurídica para afastar a tributação no presente caso. Isto porque, apesar do termo de novação de dívida expressamente falar que não incidem juros moratórios e atualização monetária ao longo da vigência do contrato, isto não afasta sua natureza de remunerar no tempo a venda ocorrida no ano de 1994. Perceba, os juros Fl. 151DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 que se pretende tributar não são os juros decorrentes do atraso no pagamento da prestação do contrato em si, mas os juros incidentes sobre a alienação do imóvel em 1994. O próprio RECORRENTE, no termo de fls. 34, afirma que estes contratos de novação de dívida são firmados anualmente com o intuito de atualizar o contrato de venda em razão da extinção do índice de preços ao consumidor real, a conferir: Ref.: MPF: 0719000.2002.04860-9 Prezado Senhor Em resposta ao Termo de Intimação, datado de 15/01/2004, serve a presente para prestar esclarecimentos sobre a atualização monetária das parcelas recebidas da Dorex Administração e Participações Ltda. Contratualmente foi estabelecido o índice de correção monetária, com periodicidade anual, calculado pela variação do IPC-R (índice de Preços ao Consumidor do Real) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que teve validade de Julho de 1994 (Plano Real) até Junho de 1995, sendo extinto a partir de Julho do mesmo ano, ou seja, antes de finalizara primeira anuidade, notando-se que o Governo Federal ainda emitiu diversas medidas provisórias proibindo a cobrança de correção monetária (MP- 731 de 26/11/94; MP-1053 de 30/06/95, etc.). Pelos motivos expostos foi ajustado que os pagamentos seriam feitos nas épocas oportunas para ambas as partes, o que vem acontecendo conforme planilha em anexo. Finalmente em Dezembro de 2000 foi celebrado Termo de Novação de Dívida consolidando o montante da mesma em R$ 1.154.488,65 (Hum milhão, cento e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), e estabelecendo o sistema de pagamento parcelado na modalidade de conta corrente, mantendo-se o prazo de resgate para Agosto de 2009. (grifos no original) Adiciona-se ao exposto, que o RECORRENTE, apesar de afirmar que os rendimentos recebidos eram integralmente a título de amortização do principal, não fez a retificação do ganho de capital incidente sobre a venda do imóvel. Em se tratando integralmente de pagamento recebido pela alienação, é imperioso reconhecer que tais rendimentos estão sujeitos ao ganho de capital, posto que não se enquadram na exceção prevista no §3º do art. 16 da IN SRF nº 48/1998 (vigente à época do fato gerador): Art. 16. Considera-se valor de alienação: I - o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; II - o valor de mercado, nas operações não expressas em dinheiro; III - no caso de bens ou direitos vinculados a qualquer espécie de financiamento ou a consórcios, em que o saldo devedor é transferido para o adquirente, o valor efetivamente recebido, desprezado o valor da dívida transferida; IV - no caso de bens em condomínio, a parcela do preço que couber a cada condômino ou co-proprietário; V - no caso de permuta com recebimento de torna, o valor da torna; VI - no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: Fl. 152DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1o Tratando-se de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considera-se valor de alienação da terra nua: a) quando houver sido entregue o DIAT correspondente ao ano da alienação, o valor declarado no referido DIAT; b) o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias será computada: a) como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) como valor da alienação, nos demais casos. § 3º Os juros não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), e na Declaração de Ajuste Anual. § 4o O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, será deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução far-se-á sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. Referida IN SRF nº 48/1998, foi revogada pela IN nº 84, de 11/10/2001, a qual esclareceu o seguinte em relação ao reajuste no caso de pagamentos parcelados: Art. 19. Considera-se valor de alienação: (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê-Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. O Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), também vigente à época dos fatos, estipulava o seguinte: Art. 123. Considera-se valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): (...) § 6º Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. Portanto, entendo que o acordo particular firmado entre o RECORRENTE e empresa que é sócio apenas são a modalidade pactuada de correção monetária, e o fato de prever que não incidirá juros dentro da vigência do contrato não é suficiente para afastar o caráter Fl. 153DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.254 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001553/2004-31 remuneratório das variações das prestações quando comparadas com o valor da alienação do imóvel em 1994. Desta forma, por se tratar de recebimento decorrente de reajuste de parcelas de venda de imóvel, deveriam ser tributados à medida de seu recebimento e informado na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano-calendário de seu recebimento. Desta forma, não merecem prosperar os argumentos do RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002893/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2005, 2006, 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no inciso XIV do art. 6º, da lei 7713/88.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR.
Não há isenção com relação à complementação de aposentadoria se os proventos oriundos de aposentadoria não estão contemplados com essa isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria devotos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos.
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no inciso XIV do art. 6º, da lei 7713/88. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Não há isenção com relação à complementação de aposentadoria se os proventos oriundos de aposentadoria não estão contemplados com essa isenção. Recurso Voluntário Negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no inciso XIV do art. 6º, da lei 7713/88. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Não há isenção com relação à complementação de aposentadoria se os proventos oriundos de aposentadoria não estão contemplados com essa isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria devotos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos o relator e o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 28 93 /2 00 8- 23 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 418 2 (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JOSÉ NACIF CHERAIM FILHO, contra o Acórdão de julgamento n.º 0926.101 (efls. 113 e seguintes), que julgou, por maioria de votos, a impugnação improcedente. O Acórdão recorrido, assim dispõe: "Contra José Nacif Cheraim Filho, CPF 008.900.06687, nascido em 26/11/1945, foi lavrado o Auto de Infração (fis. 01 a 21), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 2003, 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2002, 2004, 2005 e 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$48.100,99, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 29/08/2008. O lançamento se reporta aos dados informados nas declarações de ajuste anual do interessado (fls. 36 a 53), entre os quais foram alterados os valores dos rendimentos tributáveis, em decorrência da omissão de rendimentos. Inconformado o contribuinte, por intermédio de seu representante (Procuração à fl. 64), apresenta impugnação às fls. 57 a 63, instruída com os documentos de fls. 65 a 101, alegando em síntese, que por ser portador de moléstia profissional, seus rendimentos de aposentadoria são isentos. Discorda do Parecer n° 015607 (processo 13678.000218/2004 85), alegando existência de nexo causal entre o ambiente de trabalho e a perda auditiva do contribuinte; mesmo estando aposentado pelo INSS desde 05/09/1994, ainda continuou prestando serviços para a empresa sob os mesmos agentes agressivos até 31/12/1998; que a ata do exame médico emitida pelo INSS consta que houve perda auditiva bilateral; e que a aposentadoria por tempo de serviço, não descaracteriza a existência da doença profissional. Solicita que o presente processo "seja anulado ou suspenso ou reunido o AI ora impugnado com o Processo em trâmite perante o E. Conselho de Contribuintes, haja vista o mesmo versar sobre o mérito direto do presente no que concerne à exigência referente aos valores de IRPF e encargos moratórios, com o conseqüente arquivamento ou suspensão do Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 419 3 processo administrativo instaurado", citando o §1° do art. 9o , do Decreto n° 70.235/72. Anexa recurso voluntário que interpôs ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 31/10/2007, referente ao processo 13678.000218/200485 (fls. 67 a 81). Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte cita acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina que entende virem ao encontro de seus argumentos". O recorrente interpõe Recurso Voluntário, alegando, em suma, que preenche todos os requisitos exigidos em Lei para a isenção pretendida, uma vez que apresentou laudo médico oficial e informando que já teve a oportunidade de ver outro processo seu, em caso semelhante julgado pelo CARF em resultado de deferimento do seu pleito (processo n.º 13678000218/200485). Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. O artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao detalhar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 420 4 … XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose). O presente caso assemelha muito ao que foi decidido no processo n.º 13678000218/200485, em que o contribuinte teve deferido seu recurso e reconhecimento da isenção pleiteada, pelas mesmas circunstâncias. Nesse sentido, foi bem analisado a questão pela DRJ de origem: "Notese que o processo que se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, antigo Conselho de Contribuintes, n° 13678.000218/200485, tem como objeto o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre proventos de aposentadoria. Já a presente Notificação revisou o saldo do imposto de renda a restituir do exercício 2005 de R$7.608,92 para R$51,28. Portanto, são processos distintos e que não se enquadram na situação prevista no dispositivo enumerado do Decreto 70.235/72, a teor da interpretação conferida pela Portaria RFB n° 666/08. Os processos são distintos nos fatos geradores, mas a razão é a mesma: não reconhecimento da isenção por não ter o recorrente comprovado a moléstia grave, requisito para a concessão do benefício. O que levou a DRJ de origem a não reconhecer a moléstia grave foi o seguinte (efls. 116 e seguintes): "A Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais emitiu o Ofício n° 483 2006 em 18/09/2006, solicitando da Superintendência de Recursos Humanos de FURNAS, apresentação dos exames médicos demissionais e estudos audiométricos seriado e evolutivo de vários funcionários, sendo o contribuinte um deles. Também foi emitido o Ofício n° 5012006 em 25/09/2006, solicitando que o médico Edil Vilela apresentasse os relatórios de visitas aos locais de trabalho dos funcionários relacionados; exames médicos complementares que embasaram os laudos e dados médicos dos exames demissionais, uma vez que os funcionários foram aposentados por tempo de serviço, não tendo sido à época constatada incapacidade laboral. Deste modo, foi apresentada vasta documentação permitindo que a Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, composta por 3 (três) profissionais, emitisse o Parecer n° 015607, de 26 de março de 2007 (fl. 22), com o seguinte conteúdo: "Decisão: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 421 5 Após análise processual e dos documentos solicitados e apresentados pela Empresa Furnas, (tais como: evolução de estudo audiométricos, admissional e demissionai) e baseado nos critérios da legislação pertinente, tem a declarar que: 1 °) não é possível estabelecer o nexo causal; 2°) considerando o fato que o PAIR não progride quando o paciente é afastado da exposição; 3°) que a presença de PAIR por si só, não significa incapacidade para o trabalho; 4°) o interessado foi aposentado por tempo de serviço, e não por incapacidade laborativa. Diante do exposto, a Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais conclui pelo indeferimento do pedido, por não se enquadrar em Doença Profissional." Cabe esclarecer que a sigla PAIR citada no parecer acima significa "Perda Auditiva Induzida por Ruído". Deve ser destacado, que não foi acatada a ata do exame médico emitida pelo INSS (fls. 103 e 104) e o Parecer do INSS (fl. 102), tendo em vista que os mesmos já foram devidamente analisados pela Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, composta por 3 (três) profissionais, que emitiu o Parecer n° 015607 (fi. 14). Ressaltese que estes documentos foram extraídos do processo n° 13678.000520/200867". Assim sendo e tendo em vista que "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) ", conforme estabelece o art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabe manter o lançamento. No citado processo (13678.000218/200485), o colegiado que compôs o julgamento no CARF naquela oportunidade, concluiu pelo seguinte: "(...) À conclusão da decisão recorrida, contrapõese o interessado, não apenas negando validade ao laudo em que se norteou aquela decisão (por “estar irregularmente instruído” e “com fundamentação alicerçada em documentos não juntados, como por exemplo, o exame admissional e o demissional”), mas, antes e em especial, pelo fato de que não poderia a Receita Federal do Brasil simplesmente desconsiderar o Parecer do INSS favorável ao Recorrente, atribuindo a si a responsabilidade única quanto à decisão de ser ou não o recorrente portador de moléstia profissional. Penso ter razão o interessado. A mim não ficou claro por qual razão a Receita Federal negou validade ao documento emitido pelo INSS (fl. 4). Talvez a resposta esteja à fl. 85, onde o Relator do despacho que indeferiu a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 422 6 restituição afirma: “O contribuinte apresentou Laudo médico e parecer, emitidos pela Previdência Social (fls.06/07), onde consta que o mesmo é portador de perda auditiva neurosensorial por ruído de origem ocupacional desde 1971. Conforme comprovante de rendimentos de fl.16, o contribuinte é aposentado por tempo de serviço. Face ao exposto, o processo foi encaminhado ao Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais — NUSAP, solicitando emissão de parecer visando reconhecer ou não se o requerente se enquadra na legislação que regula a isenção de IRPF.” [grifei] Ora, o fato, por si só, de o contribuinte ser aposentado por tempo de serviço (e não por invalidez) não prejudica a fruição da isenção, de vez que a legislação assegura o benefício relativamente a proventos de aposentadoria ou reforma “percebidos pelos portadores de moléstia profissional”, sem vinculação ao tipo de aposentadoria. Inexistindo fato ou circunstância que desabone a documentação apresentada pelo interessado, entendo que seu direito à isenção deve ser reconhecido. Pois bem. Na efl. 32 verificase que o recorrente é aposentado por tempo de serviço. Na efl. 33 constatase que o interessado recebe os valores oriundos da previdência privada complementar. O documento oficial expedido pelo INSS que reconhece a isenção encontrase na efl. 110 e seguintes. Diante dos fatos apresentados e das provas carreada aos autos, tomo a mesma conclusão proferida no processo 13678.000218/200485, pela livre convicção e não por conexão de decisões, consoante a norma, uma vez que esse julgador, segundo as regras do processo administrativo tem total liberdade de julgar conforme suas convicções, dentro da legalidade sem afastar regras legais ou normas específicas. Também não ficou claro no presente processo o porque foi desconsiderado o documento oficial expedido pelo INSS em que deferia a isenção. Nesse sentido, a matéria, no que tange aos requisitos para o usufruto da isenção em tela, já se encontra sumulada no CARF, assim descrito: Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. Já no que diz respeito à classificação indevida dos rendimentos, descrevo o enquadramento legal de efl. 15: 001 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 423 7 RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE, ACIDENTE EM SERVIÇO OU MOLÉSTIA PROFISSIONAL O sujeito passivo classificou indevidamente, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos recebidos nos anoscalendários de 2005 e 2006 declarados como rendimentos isentos, provenientes de aposentadoria por moléstia profissional. Tais rendimentos são tributáveis, conforme Parecer Médico Pericial N° 0156/07 do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas da Gerência Regional em Minas Gerais. Anocalendário de 2004 Em 05/02/2007 foi emitida Notificação de Lançamento n° 2005/606445058812049 por omissão de rendimentos de acordo com os valores constantes da DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Cabe ressaltar que este lançamento é peça integrante do processo administrativo n° 13678.000520/200867, encinhado ao Serv Controle do JulgamentoDRJBHEMG em 11.06.2008. Posteriormente analisando os comprovantes de rendimentos emitidos, verificamos que o's rendimentos foram informados parte como tributáveis e outra como isentos e não tributáveis, consequentemente na DIRF constou apenas os rendimentos tributáveis, razão pela qual será lançada a diferença, conforme demonstrado abaixo: Real Grandeza Fund de Prev e Assist. Social R$ 37.456,00 (80.597,52 43.141,52); INSS R$ 6.601,16 (18.956,73 12.355,57); () Previdência Privada R$ (6.764,42). Diferença apurada R$ 37.292,74. Anocalendário de 2005; Real Grandeza Fund de Prev. e Assist. Social R$ 80.562,11; INSS R$ 27.028,71. () Previdência Privada R$ (6.648,13)". Nesse sentido, sobre a os valores oriundos da previdência privada cumulada com a moléstia grave, são também objeto de isenções, conforme consta do art. Art. 39. "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 424 8 base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Decreto 3.000/1999 (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Assim, a previdência paga por entidade complementar, possui o benefício da isenção, não se confundindo com os resgates, os quais não têm a natureza de benefício de previdência complementar. A matéria já foi decidida de forma pacífica nesse CARF, conforme decisão in verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 425 9 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária. (Processo 13900.000188/2011 55 , Acórdão 2401005.165 , julgado em 6 de dezembro de 2017). Cumpre destacar que não há descaracterização dos valores recebidos à t´titulo de previdência complementar, mas lançamento de forma a tributar a diferença omitida, que é justamente originária da previdência privada. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. . (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 426 10 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Permitome discordar do relator. O contribuinte é aposentado por tempo de serviço e é portador de deficiência auditiva. A deficiência auditiva não está contemplada no rol de doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, nos termos do art. 6º da lei 7.713/88, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) O INSS, por meio do parecer de 25/06/2003 (efls 110), havia dito: "concluímos que o segurado é portador de padecimento constante da Legislação Tributária que isenta de retenção na fonte o Imposto de Renda dos proventos de aposentadoria". No entanto, esse parecer foi analisado e restou refutado pelo Parecer 015607 do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais NUSAP. Por meio do Parecer 015607, de 26/03/2007 (efls 23), a junta médica do NUSAP concluiu que o caso não se enquadra como doença profissional. A concessão de isenção reclama interpretação literal por força do art. 111 do Código Tributário Nacional, o que veda qualquer extensão por parte do intérprete. Nesse sentido, se a deficiência auditiva não está contemplada no rol doenças que conferem isenção aos proventos de aposentadoria, previsto no art. 6º, inciso XIV da lei 7713/88, e se essa doença não foi reconhecida como moléstia profissional pela junta médica competente, não há, por conseguinte, direito à isenção de IRPF em relação aos proventos de aposentadoria. Quanto aos valores recebidos a título de previdência complementar, se não há isenção quanto aos proventos oriundos de aposentadoria, também não o há com relação à complementação de aposentadoria. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10665.002893/200823 Acórdão n.º 2301006.014 S2C3T1 Fl. 427 11 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.903211/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.221
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-02T15:33:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-02T15:33:46Z; Last-Modified: 2019-07-02T15:33:46Z; dcterms:modified: 2019-07-02T15:33:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-02T15:33:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-02T15:33:46Z; meta:save-date: 2019-07-02T15:33:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-02T15:33:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-02T15:33:46Z; created: 2019-07-02T15:33:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-02T15:33:46Z; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-02T15:33:46Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.903211/2012-56 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.221 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Recorrente GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 32 11 /2 01 2- 56 Fl. 233DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.221 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903211/2012-56 Relatório O presente processo trata de PER/Dcomp, transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS decorrente de recolhimento em Darf. Após processamento eletrônico, foi emitido Despacho Decisório no qual ficou consignado que o DARF descrito no referido PER/Dcomp fora integralmente utilizado para quitação total ou parcial de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando que a empresa realizou um trabalho de análise das despesas, custos e encargos contabilizados à luz da legislação fiscal vigente, com o objetivo de avaliar a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins. Como resultado, teriam sido identificadas as seguintes oportunidades: 1) partes e peças de reposição que, durante o processo de fabricação dos medicamentos e cosméticos, se desgastam ou deterioram e são substituídas. Tais peças não são destinadas ao ativo imobilizado, representando custo na produção de suas mercadorias; 2) produtos aplicados no controle de qualidade, como por exemplo reagentes, vasilhames, gases especiais etc, todos passíveis de enquadramento no conceito de insumo; 3) despesa com pagamentos de frete incorridos quando da aquisição de insumos. Acrescenta que todas as oportunidades mencionadas estão em conformidade com o entendimento da Receita Federal no tocante ao crédito de PIS e Cofins, observando que a empresa levantou os créditos relativos aos últimos cinco anos e passou a compensá-los via PER/Dcomp. Argumenta que por uma falha não retificou na época a DCTF e o Dacon relativos ao período de origem do crédito e, tendo em vista o fato de o crédito ainda não ter prescrito, apresenta juntamente com a Manifestação de Inconformidade a DCTF e o Dacon retificadores do período. Por seu turno, DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente, decidindo novamente pela não homologação da compensação pleiteada, em razão da ausência de comprovação da existência do crédito. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que o direito creditório é oriundo de dispêndios com insumos, tais como, partes e peças de reposição, produtos utilizados para atendimento da ANVISA e pagamentos de fretes incorridos na aquisição de insumos; (ii) que as retificações realizadas no DACON e na DCTF demonstram ter havido inclusão indevida no valor devido a título de contribuição; e (iii) que existindo dúvida em relação crédito, seja realizada diligência para sanear o processo. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.221 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903211/2012-56 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.212, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.903205/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.212): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº .20205.64878.180112.1.7.04-2022 para compensar seu débito com crédito de COFINS apurado no ano calendário de 2008, no valor de R$ 50.146,08. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que apurou créditos de PIS/COFINS oriundos dispêndios com insumos, tais como, partes e peças de reposição, produtos utilizados para atendimento da ANVISA e pagamentos de fretes incorridos na aquisição de insumos, sendo todos passíveis de creditamento. Disse, ainda, que por uma falha não retificou na época a DCTF, realizando tão somente a retificação quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Anexou em sua manifestação de inconformidade o seguintes documentos: (i) planilha demonstrando os créditos; recibo da DCTF retificada e recibo da DACON retificada. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que os documentos trazidos aos autos não se prestam à comprovar seu pretenso direito, cujas razões peço vênia para colacionar: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utiliza-se a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplica-se também à restituição. Fl. 235DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.221 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903211/2012-56 Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. O contribuinte apresenta justificativas para a existência do suposto crédito, entretanto não apresenta nenhuma documentação contábil ou fiscal que lhe dê suporte. Limita-se a apresentar uma planilha com a apuração da suposta diferença desamparada de qualquer formalidade e desacompanhada da escrituração contábil fiscal. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...) Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito de dispêndios com insumos, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões, a saber: - fls.122: comprovante de arrecadação do valor de R$ 2.554.309,45, datado de 20.02.2008; - fls. 125-145: notas fiscais de aquisição de partes e peça e produtos químicos supostamente utilizados em seu processo produtivo; - fls. 146: planilha contendo o valor global dos insumos utilizados para apuração do crédito; - fls. 148-164: DACON e DCTF retificadoras; - fls. 166-172: razão contábil; e - 174-234: listagem dos produtos utilizados em seu processo produtivo; Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar parcialmente seu pretenso direito, já que não foram carreados cópias de notas fiscais dos fretes, tratando os documentos de custos relacionados aos outros insumos utilizados em seu processo produtivo, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; Fl. 236DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.221 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903211/2012-56 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe em sua manifestação documentos plausíveis para comprovar seu direito, limitando-se a apresentar uma planilha com a apuração da suposta diferença desamparada de qualquer formalidade e desacompanhada da escrituração contábil fiscal. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 237DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.221 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903211/2012-56 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 238DF CARF MF
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