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Numero do processo: 16004.000184/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
CONHECIMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a ofensa da norma aos a princípios constitucionais (Súmula Carf nº 2).
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL.
A fase contenciosa tem início com a impugnação tempestiva do lançamento. Não há cerceamento do direito de defesa por não se obter acesso ao procedimento fiscal ainda em curso.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E ATO PRATICADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DE TERCEIROS.
São nulidades no processo administrativo fiscal as resultantes de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despacho e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O acesso a informações bancárias de terceiros relacionados ao contribuinte, quando obtidas nos termos da lei e do regulamento, não caracteriza nulidade.
DECADÊNCIA.
Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Súmula Carf nº 123.)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
Numero da decisão: 2301-006.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do ano-calendário de 2003 (Súmula Carf nº 123) e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para desqualificar a multa de ofício.
João Maurício Vital - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a ofensa da norma aos a princípios constitucionais (Súmula Carf nº 2). NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. A fase contenciosa tem início com a impugnação tempestiva do lançamento. Não há cerceamento do direito de defesa por não se obter acesso ao procedimento fiscal ainda em curso. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E ATO PRATICADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DE TERCEIROS. São nulidades no processo administrativo fiscal as resultantes de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despacho e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O acesso a informações bancárias de terceiros relacionados ao contribuinte, quando obtidas nos termos da lei e do regulamento, não caracteriza nulidade. DECADÊNCIA. Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Súmula Carf nº 123.) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 84 /2 00 9- 54 Fl. 1186DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do ano-calendário de 2003 (Súmula Carf nº 123) e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para desqualificar a multa de ofício. João Maurício Vital - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos anos- calendário de 2003, 2004, 2005, 2006 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os depósitos na conta corrente mantida em conjunto com o espólio de Badih Nassif Aidar, do qual a recorrente é inventariante, foram tributados à razão de cinquenta por cento, nos termos da legislação. Impugnado o lançamento, a impugnação foi considerada improcedente. Foi interposto recurso voluntário em que se alegou: a) a decadência do lançamento relativo ao ano-calendário de 2003; b)a nulidade por cerceamento do direito de defesa ao negar acesso ao procedimento investigatório durante a ação fiscal e, ainda, por não especificar claramente a infração cometida; c)ser inconstitucional o acesso o Fisco às informações bancárias; d)que, a se admitir a omissão de receitas, estas deveriam ser tributadas como se fossem oriundas da atividade rural, única atividade exercida pelo recorrente; e)que não se considerou os pagamentos da inventariante, os salários da inventariante e do procurador e administrador geral dos imóveis, o retorno de retiradas feitas por Darcy Aidar, as parcelas de pagamento de mútuo de Durval Antônio Furlan Júnior, os alugueis das torres e demais saques. Registre-se que o volume 3 do processo original, em papel, que corresponde às folhas 401 a 600, foi digitalizado fora de ordem e corresponde às folhas eletrônicas 925 a 1132. É o relatório. Fl. 1187DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não conheço da alegação de inconstitucionalidade do acesso do Fisco às informações bancárias por força do que dispõe a Súmula Carf nº 2. Conheço das demais matérias. 1 Da preliminar de nulidade A recorrente alega a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, que teria sido violado ao ser-lhe negado acesso ao procedimento investigatório durante a ação fiscal e, ainda, por não especificar claramente a infração cometida. Não é o que percebo. Os procedimentos preliminares, correspondentes à investigação fiscal, e os atos de instrução preparatórios à acusação fiscal não ocorrem na fase contraditória e, portanto, o desconhecimento das atividades nessa etapa não gera qualquer nulidade por cerceamento do direito de defesa. A fase contraditória do processo administrativo fiscal tem início com o litígio instaurado com a impugnação, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recorrente apresentou impugnação tempestiva na qual contestou o lançamento, inclusive juntando documentos. Apesar do aspecto inquisitorial da fase anterior à impugnação, consta dos autos várias intimações ocorridas no curso da ação fiscal em que o fiscalizado foi plenamente informado das circunstâncias da investigação e, sobretudo, foi intimado a apresentar a justificativa para cada um dos depósitos havidos em suas contas bancárias, que são o supedâneo do lançamento. A recorrente foi, também, regularmente intimado do lançamento, recebendo cópia do auto de infração (e-fls. 1025 a 1030) e do termo de verificação fiscal (e-fls. 1007 a 1019). Nesses documentos, constam a completa descrição dos fatos, bem como os fundamentos legais. A infração cometida está claramente descrita no auto de infração e correspondeu à omissão de receita em face de depósitos bancários de origem não comprovada. A recorrente também alegou a nulidade do feito ante a quebra do sigilo bancário dos espólios, da recorrente e de pessoas a ela relacionadas. As informações bancárias foram obtidas diretamente das instituições, mediante Requisição de Movimentação Financeira. Ao contrário do que afirma a recorrente, o acesso às informações bancárias dos espólios guarda estreita relação dos os fatos dos autos, diante da alegação de que a recorrente era a inventariante e que parte da movimentação financeira havida em suas contas correspondiam, em verdade, a negócios dos espólios. Foi apenas por conta desse acesso que a Autoridade Lançadora pode, em benefício da recorrente, identificar e excluir lançamentos bancários que teriam relação com os espólios. Fl. 1188DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 As requisições de informações bancárias ocorreram nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, e do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Portanto, não há que se falar em nulidade pelo acesso do Fisco, nos termos da Lei, às informações bancárias. Ademais, as nulidades no processo administrativo fiscal são as que acarretam prejuízo à defesa e as decorrentes de atos praticados por autoridade incompetente, como bem estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, nenhuma das possibilidades se vislumbra. Os atos foram praticados por quem detinha competência legal e não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que o recorrente conheceu em detalhe os elementos da acusação fiscal e dela se defendeu. Não se vê presente, pois,. qualquer das hipóteses de nulidade previstas na norma regente. 2 Da decadência O recorrente alega haver decaído o direito de a Fazenda Pública lançar os tributos relativos ao ano-calendário de 2003, porquanto o lançamento se consumou em 08/05/2009 (e-fl. 1134). Na Declaração de Ajuste Anual de 2004 (e-fl. 57) consta que houve a retenção, na fonte, de imposto de renda sobre rendimentos tributáveis percebidos no decorrer do ano- calendário. É, pois, o caso de aplicação da Súmula Carf nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Segundo a regra aplicável, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos é a data do fato gerador, que aconteceu em 31/12/2003. O Fisco poderia, então, constituir o crédito tributário até 31/12/2008, mas o fez apenas em 08/05/2009. Portanto, deve ser reconhecida a decadência do lançamento relativo ao ano- calendário de 2003. 3 Do mérito 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA Destaque-se que a recorrente não apresentou, no recurso voluntário, justificativa, fundada em documentação hábil e idônea, para os depósitos bancários constitutivos do lançamento. Alegou que os salários recebidos pela recorrente, inventariante dos espólios de seus pais, e do procurador e administrador dos imóveis rurais não foram levados em conta. Isso não é verdade. Consta do Termo de Verificação Fiscal (e-fl. 1012) que foram excluídas do lançamento as operações que foram identificadas como oriundas da própria família, inclusive os espólios: Fl. 1189DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 5. Da resposta dada pela contribuinte, haja vista a dificuldade em se precisar sobre a regularidade ou não do mencionado empréstimo e outras possíveis irregularidades fiscais cometidas no período abrangido na sua fiscalização, considerando a grande movimentação financeira dos espólios, inclusive tendo verificado que em diversas operações financeiras efetuadas em suas contas-correntes/poupança referiram-se aos negócios e às fazendas da família, optamos, para sermos mais prudentes ao trabalho fiscal a ser desenvolvido, em direcionar as verificações pela sua movimentação financeira, especificamente quanto aos depósitos/créditos nas suas contas bancárias. Excluímos os valores referentes aos históricos dos lançamentos em que ficou evidenciado tratar-se de negócios da família, e também aqueles valores que foram transferidos de contas das pessoas de sua família. Sobre a venda da Fazenda São José, consta do Termo de Verificação Fiscal (e-fl. 1008) que foi apurado, na Operação Grandes Lagos, que Nivaldo Fortes Peres, tido por integrante de uma organização criminosa, lavava capitais mediante a compra subfaturada de imóveis rurais. Em parte, os depósitos tiveram por provável origem o recebimento, à margem da escritura pública, de parte dos valores decorrentes da Fazenda São José a Nivaldo Fortes Peres, como consta do Termo de Verificação Fiscal (e-fls.1007 a 1011): 2. A contribuinte, como inventariante dos Espólios de Badih Nassif Aidar - CPF no 015.203.778- 00 e de Julieta Said Aydar - CPF n° 218.414.028-77, na data de 15/09/2006, efetuou a venda de uma propriedade rural em nome e de propriedade dos Espólios. Tal propriedade, denominada Fazenda São José, localizada no município de Paranapuã-SP, com área de 1.503,70 hectares, conforme Escritura Pública de Venda e Compra, foi vendida ao Sr. NIVALDO FORTES PERES —CPF n° 785.735.998/04, pelo valor total de R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) — fls. 346 a 353. 0 adquirente, Nivaldo Fortes Peres, foi o principal líder de um dos grupos econômicos envolvidos na "Operação Grandes Lagos", cujo principal modus operandi foi o de "lavar" dinheiro obtido com sonegação fiscal através de aquisições de propriedades rurais, pagando "por fora" a diferença entre o valor real da operação e o valor passado em escritura pública. Cabe mencionar que tal prática propiciou também aos respectivos vendedores, a sonegação/não pagamento do Imposto de Renda de seus ganhos de capital, devido sobre a base-de-cálculo reduzida/omitida. ......................................................................................................... Para resumir o entendimento dos quadros demonstrativos onde se verificou o valor subfaturado na Escritura de Venda e Compra da propriedade rural no montante de R$2.238.716,10, explicamos, que, o pagamento dos R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais) foi efetuado por meio de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) como "sinal", em moeda corrente e R$4.000.000,00 (quatro milhões de reais) através de cheques administrativos (Quadro B). Ou seja, a fiscalização conseguiu identificar, como valor total da operação, o montante de R$-7.238.716,10 (sete milhões, duzentos e trinta e oito mil, setecentos e dezesseis reais e dez centavos). Cabe esclarecer que o valor real da operação pode ter ultrapassado o referido montante, mas a fiscalização só conseguiu chegar até este valor. A recorrente alega que os valores contidos nos quadros C, D e E (e-fls. 1009 a 1011) estariam incorretos e evidenciariam a ocorrência de bis in idem. Na verdade,. aqueles quadros apenas demonstram que o comprador pagou, pela Fazenda São José, muito mais do que constou da escritura pública e essa diferença foi, pelo menos, de R$ 2.238.716,10. Fl. 1190DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 Nem todo o valor da venda da fazenda transitou nas contas bancárias da recorrente, mas aqueles que a Fiscalização conseguiu identificar como provenientes de Nivaldo Fortes Peres não foram incluídos no lançamento. Cumpre destacar que a recorrente não admitiu a ocorrência de subfaturamento na venda da Fazenda São José, ou seja, sustentou que o imóvel foi vendido por R$ 5.000.000,00, conforme consta da escritura pública, ainda que a Fiscalização tenha identificado pagamentos a maior efetuados pelo comprador. Ao fim e ao cabo, a investigação acerca da venda do imóvel teve como propósito apenas demonstrar a confusão financeira entre os espólios de Badih Nassif Aidar e Julieta Said Aidar e a recorrente. Com isso, foi possível estender a investigação fiscal às contas dos espólios, o que apenas favoreceu a recorrente, pois as transações identificadas como oriundas dos espólios foram desconsideradas para efeito do lançamento de omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada. Além disso, também favoreceu a recorrente a identificação de depósitos efetuados pelo comprador, que foram admitidos como depósitos justificados. Registre-se que os valores de rendimentos declarados pela recorrente, inclusive salários, que foram identificados nas contas bancárias também não compuseram o lançamento, tendo sido excluídos do rol de depósitos de origem não comprovada. Quanto aos depósitos bancários que permaneceram como base do lançamento, embora regularmente intimada, a recorrente não logrou apresentar qualquer comprovação da respectivas origens, respaldada por documentação hábil e idônea, apenas alegou tratarem-se de retiradas e pagamentos em face dos negócios rurais dos espólios. A própria recorrente admite que, além dos salários pagos pelos espólios, outros valores foram depositados em suas contas bancárias para seus gastos particulares, o que apenas reforça a tese da omissão de rendimentos. Ao contrário do que afirma a recorrente, os impostos pagos da declarações de ajuste dos períodos foram considerados. É o que se constata no Demonstrativo de Apuração (e- fls. 1020 a 1023). Os valores dos rendimentos omitidos foram submetidos às tabelas progressivas e foram deduzidos os valores dos impostos já pagos. Quanto ao mútuo que teria sido contraído de Durval Antônio Furlan Júnior, não há qualquer informação a respeito nas declarações de ajuste anual da recorrente e tampouco foram apresentados documentos, comprovantes de transferência, contratos de mútuo a sustentar a alegação. Por fim, quanto à alegação subsidiária de que toda e qualquer omissão de receita (e-fl. 1158) deveria ser tributada como se fosse proveniente de atividade rural, também não assiste razão à recorrente. Nas declarações de ajuste anual apresentadas (e-fls. 56 a 72) não consta nenhum resultado de atividade rural e sequer foi apresentado o anexo de atividade rural. Os rendimentos declarados provieram essencialmente do espólio de Badih Nassif Faidar, que é declarante . Fl. 1191DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 3.2 QUALIFICAÇÃO DA MULTA Para qualificar a multa, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a Autoridade Lançadora fundou-se nos seguintes argumentos (e-fl. 1018): Verificamos nos trabalhos desenvolvidos por esta fiscalização, que abrangeu o período de 01/01/2003 a 31/12/2006, operações bancárias de depósitos/créditos nas contas em nome da contribuinte, que comprovaram a fraude fiscal em conjunto com o sr. Nivaldo Fortes Peres, de um lado dando suporte aos valores pagos "por fora" (favorecendo tal pessoa à prática de sonegação fiscal), e de outro, em beneficio próprio, que, apesar de ter representado como inventariante os Espólios de seus pais, já era a própria beneficiária direta, como única herdeira. Portanto, de acordo com a legislação aplicável, ficou caracterizado a prática/intuito de fraude, de dolo e de conluio. Outro fato que caracterizou dolo, foi a prática reiterada, durante todo período abrangido nesta fiscalização, de quatro anos consecutivos, em que não conseguiu comprovar as respectivas origens dos valores depositados e/ou creditados em suas contas bancárias. Tais fatos implicaram na duplicação da multa incidente (de 75% para 150%)(...). Pois bem. No meu entender, a alegada fraude na venda da Fazenda São José por valor maior do que a escritura, em conluio com o comprador, teve certamente o propósito de ocultar o fato gerador ou dificultar o seu conhecimento por parte da autoridade administrativa. Entretanto, o fato gerador ocultado foi, provavelmente, o do imposto incidente sobre o ganho de capital, que não faz parte do presente lançamento. Os valores dos pagamentos "por fora, identificados pela Fiscalização sequer fizeram parte do auto de infração e foram considerados, inclusive, justificativa de depósitos quando transitaram pela conta da recorrente. Não vejo nessa conduta a intenção de ocultar rendimentos recebidos, que é a matéria de que trata estes autos, e que nada tem a ver com a apuração do ganho de capital naquela alienação. Também não é possível qualificar a multa tão-somente pela existência de depósitos de origem não comprovada, como bem ensina a Súmula Carf nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Provejo o recurso nessa parte. 4 Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência do ano-calendário de 2003 (Súmula Carf nº 123) e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para desqualificar a multa de ofício. João Maurício Vital - Relator Fl. 1192DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.231 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000184/2009-54 Fl. 1193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.907022/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/03/2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE
Não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não carreia aos autos a documentação comprobatória.
Numero da decisão: 3301-006.322
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE Não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não carreia aos autos a documentação comprobatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 70 22 /2 00 9- 00 Fl. 359DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907022/2009-00 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que apresentou DCTF retificadora referente ao mesmo período informando débito menor que o originalmente declarado; - todavia, o pagamento efetuado conforme Darf identificado, corresponde ao valor originalmente declarado; - desta forma, resta comprovada a efetiva existência e disponibilidade do crédito apontado no PER/DComp, tornando-se necessária a reformulação do despacho decisório; - e não há que se questionar o fato de a retificação da DCTF ter sido verificada após a entrega do PER/DComp, pelas seguintes razões; (i) o despacho decisório foi proferido em momento posterior ao processamento daquela retificação, de modo que a existência do crédito já era de conhecimento da Fiscalização; (ii) observância ao princípio da verdade material, ao qual se encontra vinculada a Fiscalização; - destaca ainda acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf (extinto Conselho de Contribuintes); - citando as disposições contidas no art. 11 da Instrução Normativa RFB n º 903/2008, assevera que o presente caso não se enquadra em nenhuma das situações previstas no § 2o, devendo a Fiscalização considerar todos os dados constantes das DCTF atualmente válidas, conforme definido em julgado da DRJ de Campo Grande, cujo acórdão reproduziu; - requer seja dado provimento à sua Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a existência do crédito postulado, homologando-se integralmente a compensação declarada; requer, subsidiariamente, caso se considere necessária a obtenção de maiores esclarecimentos ou apresentação de outros documentos, que seja determinada a realização de diligência nesse sentido; - por fim, requer a apreciação conjunta desse com os processos acima referidos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, concluindo que, verificado que o suposto crédito apontado como pagamento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitação de débito apurado no Dacon competente e confessado na DCTF original, não há como reconhecer o direito creditório postulado. Concluiu que a retificação da DCTF, nesse caso, não é suficiente, por si só, para comprovar a existência do crédito pretendido. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta o seguinte: i) Que, antes da emissão do Despacho Decisório, retificou DCTF, para indicar a ocorrência de pagamento a maior de COFINS. Observada a diferença a menor do valor retificado, restou caracterizado o pagamento indevido, que foi utilizado para liquidação de outros débitos. ii) As vendas de mercadorias no período foram realizadas por valores maiores do que os previamente acordados com os clientes, por diferentes motivos, tais como, diferenças Fl. 360DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907022/2009-00 entre as quantidades solicitadas e as entregues ou entre o preço inicialmente acertado e o faturado. iii) Os clientes então emitiram "notas de débito" para ajustar os valores faturados a maior. As notas de débito foram analisadas e confirmada a ocorrência dos erros. Diante disto, retificou a apuração da COFINS do período, para deduzir os valores das notas de débito, o que redundou na apuração de pagamento a maior, compensável com débitos futuros. iv) Carreou aos autos os seguintes documentos comprobatórios: planilha com os totais dos valores faturados a maior no período de interesse, por cada uma das quatro áreas de negócio ("Controle Motor", "Centralina", "Eletrônica" e "Escapamentos"), incluindo o impacto total (aumento indevido do valor a pagar) no recolhimento da COFINS; para cada uma das quatro áreas de negócio, planilha com os valores originais faturados contra cada um dos clientes, o valor cobrado a maior e as diferenças produzidas nos tributos incidentes sobre o faturamento, inclusive COFINS; e notas de débito, extratos de "conta corrente fornecedor" e notas fiscais relativas às diferenças de faturamento ocorridas mês de apuração, relativos a uma das divisões de negócio. Cumpre destacar que, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, foram carreados a DCOMP, guia de pagamento (DARF) e DCTF Retificadora. É o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 315, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13603.906201/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 315): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP). A unidade de origem verificou que o DARF correspondente ao suposto pagamento a maior (COFINS de julho de 2008) fora integralmente utilizado para liquidação de um débito de IPI. Em primeira instância, juntou aos autos a DCTF Retificadora de julho de 2008, em que demonstra valor devido de COFINS de R$ 875.643,01, e pagamento de R$ 926.228,60. E salienta que a fiscalização não levou-a em conta, apesar de protocolizada antes da emissão do Despacho Decisório. A DRJ não acatou o crédito, porque alegou que a DCTF Retificadora não era suficiente para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, ainda mais no caso em tela, em que o DACON de julho de 2008, onde havia o demonstrativo da base de cálculo, Fl. 361DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907022/2009-00 não havia sido retificado e, portanto, continuava demonstrando o valor original da COFINS devida (R$ 926.228,60). À manifestação de inconformidade, foram juntados DCOMP; guia de pagamento do valor de R$ 926.228,60 e DCTF Retificadora (com os valores do débito da COFINS, alterado para R$ 875.643,01, e do pagamento de R$ 926.228,60). No recurso voluntário, a recorrente explicou por que pagou mais COFINS do que deveria: o faturamento das vendas foi emitido por valores maiores do que os corretos, em razão de diferenças nas quantidades ou nos preços pré-acordados. Os clientes emitiram notas de débito, cujos valores, após análise e confirmação de sua adequação, motivaram a retificação da base de cálculo da COFINS, com apuração de pagamento a maior. E trouxe planilhas, identificando as diferenças em cada faturamento, as quais apontam como total pago a maior o valor do crédito pleiteado, isto é, R$ 50.585,58. A recorrente não trouxe toda a documentação necessária à comprovação da higidez de seu direito creditório, cujo ônus lhe cabe, nos termos do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil. Deveria ter trazido, adicionalmente, as apurações original e retificada, devidamente conciliadas com os livros contábeis, DCTF original e retificadora e guia de pagamento e DCOMP. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000122/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2001
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe somente nos casos em que o limite de alçada supera o previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicando-se o limite vigente na data do julgamento do recurso, conforme enunciado de nº 103 da súmula da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2402-007.345
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2001 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe somente nos casos em que o limite de alçada supera o previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicando-se o limite vigente na data do julgamento do recurso, conforme enunciado de nº 103 da súmula da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2001 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe somente nos casos em que o limite de alçada supera o previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicandose o limite vigente na data do julgamento do recurso, conforme enunciado de nº 103 da súmula da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 22 /2 00 7- 90 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 14485.000122/200790 Acórdão n.º 2402007.345 S2C4T2 Fl. 298 2 Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI) que reconheceu a decadência parcial do crédito tributário constante da NFLD nº 37.100.5027, consolidada aos 14/06/2007. O valor total do crédito tributário constante da NFLD em tela perfaz o importe de R$ 4.786.409,12 (quatro milhões e setecentos e oitenta e seis mil e quatrocentos e nove reais e doze centavos), e se refere a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas a terceiros, abrangendo o período de 02/2000 a 11/2001. Segundo consta do Relatório Fiscal de fls. 50/54, a NFLD em questão foi lavrada em substituição à NFLD 35.787.3688, anulada por vício formal pela DN 21.404.4/0303/2006, conforme determinado pelo despacho de 15/08/2006 da Divisão de Auditoria FiscalDIVAP. Notificado o contrituinte e apresentada impugnação tempestivamente, a DRJ/SPOI julgou o lançamento procedente em parte, reconhecendo a decadência do direito do Fisco de constituir os créditos tributários relativos às competêcias 02/2000 a 12/2000 em face dos efeitos do enunciado de nº 08 da súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, de teor vinculante, e nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado de fls. 252/258, restando mantido, quanto ao mais, o lançamento, cujos valores totais (principal, multa e juros) estão sintetizados no quadro abaixo: Essa decisão foi, então, objeto de recurso de ofício, conforme disposição contida no art. 34, I do Decreto nº 70.235/72, em razão do valor exonerado em face do reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário ultrapassar o valor de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 03/08, vigente à época. Não houve interposição de recurso voluntário no que diz respeito à parcela do lançamento que foi mantida pela decisão recorrida, conforme se verifica do Termo de Perempção de fls. 294. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 14485.000122/200790 Acórdão n.º 2402007.345 S2C4T2 Fl. 299 3 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora Como relatado, tratase de Recurso de Ofício interposto pela DRJ/SPOI com amparo no art. 34, I do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...). (Destacamos) A autoridade julgadora de primeira instância observou a Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, vigente à época em que proferida a decisão recorrida, que estabelece, em seu art. 1°, o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Esse valor, todavia, foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017, atualmente em vigor, que estabelece em R$ 2.500.000,00 o valor de alçada para a interposição de recurso de ofício em hipóteses que tais, conforme abaixo: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). De outra parte, de acordo com o Enunciado nº 103 da súmula da jurisprudência deste Tribunal, para fins de conhecimento de recurso de ofício, devese observar o limite de alçada vigente na data de sua apreciação pela segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. No presente caso, a decisão de primeira instância reconheceu a decadência de parte do crédito tributário objeto da NFLD de nº 37.100.5027, relativamente às competências 02/2000 a 12/2000. Em consequência, da diferença entre o valor original do DEBCAD nº 37.100.5027, de fls. 03, e do apontado no DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO Fl. 299DF CARF MF Processo nº 14485.000122/200790 Acórdão n.º 2402007.345 S2C4T2 Fl. 300 4 DÉBITO RETIFICADO, a fls. 258, que traz o valor mantido do crédito tributário após o reconhecimento da decadência parcial pela decisão recorrida, ambos consolidados aos 14/06/2007, verificase que o valor do crédito tributário exonerado, correspondente à soma do principal e multa, perfaz o importe de R$ 1.304.656,15, inferior, portanto, ao estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, impondose, assim, o não conhecimento do recurso de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.720002/2018-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta anexe aos autos as DIMOB ativas que tem o contribuinte e seu cônjuge como beneficiários.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta anexe aos autos as DIMOB ativas que tem o contribuinte e seu cônjuge como beneficiários. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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score : 1.0
Numero do processo: 11075.720281/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 02 81 /2 00 9- 18 Fl. 89DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 23 a 29), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação em relação a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou da sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$4.786,65, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 22 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Discordando da notificação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e 03, alegando em síntese que os rendimentos são isentos por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave. Apresenta para comprovação: 1. Laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União; 2. Documento oficial que comprova a data de início da reforma (cópia do diário oficial, cópia do ato que concedeu a reforma); 3. Laudos complementares da patologia e atestados médicos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, em 24/03/2011, no acórdão 1030.353, às efls. 75 a 78, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 82 a 85 no qual alega, em síntese, que: · foi operado de câncer na próstata (CID 61) em 1996; · carreou aos autos laudo médico oficial emitido por médico da Prefeitura Municipal de Uruguaiana. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11075.720281/200918 Acórdão n.º 2002001.122 S2C0T2 Fl. 90 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/09/2011, efls. 81 e apresentou Recurso Voluntário em 04/10/2011 às efls. 82. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 23 a 29), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação em relação a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou da sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. A DRJ solicitou diligência, às efls. 55 e 56 nos seguintes termos: No caso presente, observase que existem dois laudos periciais emitidos por serviço médico oficial da União (INSS e Ministério da Defesa) conflitantes, o do INSS dizendo ser o contribuinte portador de neoplasia maligna e o do Ministério da Defesa afirmando não se tratar de neoplasia maligna. Outrossim, cabe à Junta médica determinar o CID da doença, sendo que quem determina a isenção é a autoridade tributária. Dessa forma, não é possível afirmar se os proventos recebidos pelo contribuinte do Ministério da Defesa são isentos do imposto de renda. Diante do exposto, proponho encaminhar o presente processo à Delegacia de origem para que o contribuinte apresente laudo pericial de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, emitido por órgão diferente dos apresentados nos autos (INSS e Exército Brasileiro). Apresentados os documentos pelo contribuinte, a DRJ entendeu que não restou comprovada a moléstia grave, mantendo a autuação, sob os seguintes fundamentos: Conforme conclusão da Perícia Médica do INSS (fl. 43 e 44), de julho de 2002, o contribuinte é portador de neoplasia maligna de próstata (CID 61), desde outubro de 1996, sendo portador de moléstia que isente do imposto de renda. O contribuinte intimado a apresentar laudo pericial de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios emitido por órgão diferente dos já constante dos autos, apresenta declaração em receituário médico particular de médico urologista (fl. 64). Tal documento, entretanto, não é laudo pericial de serviço médico oficial, não podendo ser aceito. Fl. 91DF CARF MF 4 Dessa forma, não restando esclarecida a divergência de laudos, não há como considerar como isentos os proventos de reforma recebidos pelo contribuinte do Comando do Exército. Logo, a fiscalização baseia o auto de infração apenas no laudo emitido, não questionando a origem dos proventos do contribuinte. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11075.720281/200918 Acórdão n.º 2002001.122 S2C0T2 Fl. 91 5 cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço Fl. 93DF CARF MF 6 médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Em sede recursal o contribuinte, às efls. 84, apresenta laudo oficial emitido pela Prefeitura de Uruguaiana, confirmando que é portador de neoplasia maligna desde 1996. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.903862/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/09/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.
Numero da decisão: 3302-007.204
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SUPERMERCADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF indicado, referente ao PIS/Cofins. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 38 62 /2 01 2- 47 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.204 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903862/2012-47 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que, quando da confecção do Per/Dcomp, por lapso, não foi retificada a DCTF. Procedeu a retificação, dentro do prazo legal, alterando o débito do período de apuração correspondente. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp, exceto quando comprovado erro no preenchimento da referida declaração. Regularmente cientificada de decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese apertada que: (i) a retificação da DTCF após o despacho decisório não pode ser impedimento ao reconhecimento do crédito apurado; e (ii) os documentos carreados aos autos se prestam à comprovar a origem do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, destaca-se que a DRJ manteve o despacho decisório por dois motivos, a saber: Assim sendo e, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida. Ao meu ver, o primeiro motivo para DRJ seria totalmente superado, caso o contribuinte tivesse demonstrado à origem do crédito, o que não ocorreu no presente processo, senão vejamos. É incontroverso que a Recorrente cometeu irregularidade no preenchimento do DACON e da DCTF e, que a retificação do último documento fora realizada somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto dos autos. Contudo, independentemente das declarações retificadoras terem sido apresentadas pela Recorrente após a transmissão do PER/DCOMP, o que não é causa impeditiva do reconhecimento do crédito, deveria o contribuinte ter comprovado documentalmente a origem dos créditos. Com efeito, a DCTF e o DACON contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.204 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10730.903862/2012-47 comprove os lançamentos contábeis. A simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar o origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, a Recorrente deveria ter apresentado argumentos mais robustos para comprovar seu direito. Nada foi explicitada em sede de manifestação e recurso. Com todo respeito, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repita-se, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910647/2016-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2011
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.623
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2011 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 47 /2 01 6- 91 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.910647/201691 Acórdão n.º 3402006.623 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000213/2003-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Recurso especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 13 /2 00 3- 57 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19740.000213/200357 Acórdão n.º 9303008.764 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 282/286), admitido pelo despacho de fls. 290/293, contra o Acórdão 3803002.458 (fls. 275/279), de 14/02/2012, que cancelou, à unanimidade, o auto de infração eletrônico de exigência de PIS, pelo motivo de que a compensação informada em DCTF tratavase de ação judicial de outro CNPJ, restando constatado que o mesmo era de empresa incorporada pela autuada. Alega a Fazenda que não foi constatado cerceamento de defesa à parte. Pede alfim, que o lançamento seja anulado por vício formal, podendo outro ser lavrado em sua substituição. Em contrarrazões (fls. 304/326), pede o contribuinte, em preliminar, o não conhecimento do recurso por falta de similitude fática, e no mérito pugna pelo improvimento do especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator O recurso não deve ser conhecido. O auto de infração foi lavrado contra a empresa na condição de sucessora por incorporação de Atlântica Prudential Participações para exigência de PIS relativo a fatos geradores ocorridos entre julho e setembro de 1998 tendo por motivação "proc jud de outro CNPJ". No curso do processo restou comprovado que a compensação foi levada a efeito por meio de compensação assegurada pelo mandado de segurança 98.00002065, sendo que o CNPJ constaNte da inicial do mandamus era daquela empresa, a qual veio a ser sucedida pela recorrida. Dessa forma, entendeu a r. decisão ser insubsistente o auto de infração porque a motivação fundouse em infração inexistente. Embora a Fazenda colacione uma série de ementas de diversos acórdãos, todos tratando de nulidade por vício formal, colacionou apenas um como paradigma, o acórdão 30131801, assim ementado: Acórdão 30131801: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VICIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, alem da falta da previa intimação estabelecida na legislação especifica, tudo cm Fl. 379DF CARF MF Processo nº 19740.000213/200357 Acórdão n.º 9303008.764 CSRFT3 Fl. 4 3 contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. RECURSO DE OFICIO NEGADO". Como se constata, o paradigma não trata de lançamento eletrônico e muito menos de caso de decretação de nulidade (ou insubsistência) por "proc jud de outro CNPJ", mas sim de lançamento efetuado sem enquadramento legal e sem prévia intimação do contribuinte como exigido pela legislação. A matéria fática no paradigma trata de inadequação dada pelo Fisco na conclusão do trânsito aduaneiro, já que se não comprovada a chegada da mercadoria no local de destino do trânsito deveria haver a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local. Igualmente versa o paradigma acerca da omissão da fundamentação legal relativa ao tributo como seus acréscimos. Ou seja, não há a menor similitude fática entre o paragonado e o recorrido, pelo que não pode ser conhecido o especial. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso especial do Procurador. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19740.000213/200357 Acórdão n.º 9303008.764 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.969942/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Curitiba, com acréscimos posteriores: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 848605042), emitido em 07/10/2009, pela DERAT Rio de Janeiro, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 27568.87328.181207.1.3.041457, uma vez que o crédito informado de R$ 13.149,68, correspondente a parte do pagamento de COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 69 94 2/ 20 09 -8 0 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15374.969942/200980 Resolução nº 3402002.087 S3C4T2 Fl. 92 2 (código 5856) de R$ 64.769,11, efetuado em 20/03/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, em 20/10/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009, argumentando que o crédito decorre de erro cometido quando do preenchimento da DCTF original, do mês de fevereiro/2007, onde indevidamente informou o débito de Cofins de R$ 64.769,11 e não R$ 51.619,43. Mas que já retificou e transmitiu nova DCTF corrigindo os valores. Por meio do acórdão nº 0651.262, de 11 de março de 2015 (fls. 41 a 44), a 3ªTurma da DRJ/Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/03/2007 RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.55 a 62), alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada, por se tratar de receita de exportação de serviços, com base nos documentos anexados. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, e compensação com débitos diversos. A unidade de origem não homologou a compensação pleiteada tendo em vista a utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. A recorrente alega que cometeu um erro no preenchimento da DCTF, retificandoa posteriormente ao despacho decisório com a informação correta da apuração das Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15374.969942/200980 Resolução nº 3402002.087 S3C4T2 Fl. 93 3 contribuições. Tratase de recolhimento indevido sobre receita decorrente de exportação de serviços. Apresenta, como prova de suas alegações, contratos de câmbio (fls. 63 a 68). Dessa forma, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique as alegações da recorrente, comprove a natureza das de receitas e a sujeição à incidência das contribuições, e apure saldo passível de restituição, considerando, exclusivamente, os documentos anexados aos autos. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário às fls. 55 a 62 e os documentos às fls. 63 a 68, analise a suficiência de tais documentos, intimando a recorrente, caso entenda necessário, a apresentar outros documentos, e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004674/2002-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial quando os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial quando os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 511-517) em face do acórdão nº 1803-000.143, proferido pela 3a Turma Especial da 1a Seção em de 25 de agosto de 2009, o qual decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, tendo recebido as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 1803-000.143, de 25 de agosto de 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 46 74 /2 00 2- 11 Fl. 550DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. SIMPLES (Lei 9.317/96). A opção pela inclusão retroativa ao sistema de recolhimento simplificado - SIMPLES, permitida por provimento judicial, autoriza o encontro de contas entre os valores recolhidos sob o regime ordinário, de um lado, e os passivos atinentes à sistemática simplificada, de outro. Sobre estes débitos não incide, contudo, multa de mora, porquanto não há que se falar, na retroação de efeitos, em qualquer retardo no recolhimento das cifras devidas. DCOMP. DÉBITOS DO SIMPLES. EXCLUSÃO DE VALORES. Não tem amparo legal a pretensão de exclusão de valores devidos ao INSS, nos débitos de SIMPLES para efeito de compensação tributária, sob pretexto de recolhimentos através de GPS. Os recolhimentos por GPS devem ser requeridos na forma das normas regulamentares vigentes, não sendo oponíveis em manifestação de inconformidade por insuficiência de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Walter Adolfo Maresch e José Sérgio Gomes que negaram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Cientificada em 25 de fevereiro de 2011 (intimação pessoal, fl. 506), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 23 de fevereiro de 2011 (fl. 511), alegando divergência jurisprudencial em relação ao conteúdo dos acórdãos n. 201-77.638, de 12 de maio de 2004, e n. 103-23.318, de 6 de dezembro de 2007, cujas ementas, quanto a essa matéria, são as seguintes: Acórdão paradigma 201-77.638 NORMAS PROCESSUAIS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto impõe renúncia às instâncias administrativas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SELIC. Compete ao Poder Judiciário apreciar as argüições de inconstitucionalidade das leis, sendo defeso a esfera administrativa apreciar tal matéria. PIS. SEGUNDO EXAME DE EXERCÍCIO FISCALIZADO ANTERIORMENTE. Uma vez outorgada autorização pela autoridade competente para realização de segundo exame de um mesmo período base, encontra-se habilitada a fiscalização a proceder ao lançamento sem outras restrições que não o prazo decadencial, consoante o que dispõe o art. 906 do RIR/99. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Somente o depósito judicial integral e no prazo correto suspende a Fl. 551DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 exigibilidade do crédito tributário, desautorizando o lançamento dos juros de mora e multa de ofício. Recurso negado. Acórdão paradigma 103-23.318 Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 2000 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1º CC nº 1). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 2000 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Se no momento da lavratura inexistia qualquer das hipóteses do art. 151 do CTN, o Auto de Infração deve ser formalizado com exigência da respectiva multa de ofício e, na ausência de depósito no montante integral do débito, também dos juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). O despacho de admissibilidade de fls. 532-535, de 28 de março de 2011, deu seguimento ao recurso especial, observando que, enquanto no acórdão recorrido "a maioria do colegiado entendeu pela não aplicação da multa de mora", "de acordo com os paradigmas, apenas o depósito do montante integral da exação permitiria a dispensa dos consectários legais". Intimada em 19 de abril de 2011 (fl. 538), a contribuinte apresentou contrarrazões em 3 de maio de 2011 (fls. 544-548), questionando a admissibilidade e o mérito do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal Fl. 552DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 O recurso especial é tempestivo. Passo a apreciar os demais requisitos para a sua admissibilidade. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratando-se da mesma legislação aplicada a uma mesma situação fática. Acrescente-se, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidencia-se que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, chegou-se a conclusões distintas à luz das mesmas normas jurídicas mas em situações fáticas substancialmente diferentes. O caso dos autos discute a incidência de multa de mora na seguinte e peculiar situação: originalmente, a contribuinte recolheu seus tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), relativos ao período de 1997 a 1999, no regime do lucro presumido. Em 1999 ela ajuizou ação declaratória objetivando seu enquadramento no SIMPLES, tendo efetivado, a partir daí, o depósito judicial dos seus tributos. Em 21 de maio de 2001, ocorreu o trânsito em julgado de provimento jurisdicional "declarando assim o direito da autora de gozar dos benefícios da Lei 9.317/96, enquanto essas vigorarem" (fl. 344). Diante disso, a contribuinte optou por se enquadrar retroativamente no SIMPLES, a partir de 1o de janeiro de 1997, tendo apresentado as respectivas declarações fiscais. Em seguida, apresentou pedidos de restituição, cumulados com declarações de compensação, visando a restituir as diferenças de tributos referentes aos períodos de apuração entre 01/1997 e 11/1999 -- isto é, diferença entre os valores efetivamente recolhidos, calculados com base lucro presumido, e valores devidos conforme apurados pelo SIMPLES. Ressalto que os valores de crédito que a contribuinte pretendeu ver compensados foram efetivamente recolhidos, em parte mediante recolhimento normal em parte mediante parcelamento. Assim, não se discute, nos presentes autos, os valores depositados judicialmente. Nos cálculos para apuração dos débitos a serem compensados, a contribuinte não considerou como devidos os encargos legais incidentes sobre os valores apurados segundo o Fl. 553DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 regime do SIMPLES. Observa, ademais, que, se comparados o montante dos pagamentos realizados no regime do lucro presumido (valor original incontroverso de R$ 77.476,51) e os valores devidos a título de Simples (estes em montantes originais e sem considerar a parcela devida ao INSS), haveria, de modo inequívoco, um saldo a favor da empresa. O acórdão recorrido concordou com o argumento da contribuinte. Por outro lado a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, defende que a multa de mora é devida, argumentando que esta somente seria elidida caso tivesse havido depósito do montante integral dos tributos. Os acórdãos paradigma trazem situações em que os débitos estavam sendo discutidos em sede judicial e os valores devidos não haviam sido nem recolhidos nem depositados judicialmente. O acórdão 201-77.638 versou sobre situação em que o lançamento foi realizado em função de a contribuinte ter efetuado depósitos judiciais em valores menores dos que foram apurados pelo fisco. O voto condutor considerou que, não tendo sido efetuados os depósitos no montante integral do crédito tributário, não há o que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito, tampouco no afastamento da multa de oficio e dos juros de mora. Já no caso do acórdão 103-23.318, a contribuinte em questão contestou a multa de oficio pois havia efetuado o recolhimento de tributos amparada por decisão judicial transitada em julgado, no entanto tal decisão foi desconstituída por ação rescisória, de maneira que a contribuinte foi cobrada com os acréscimos legais. O voto condutor do acórdão entendeu que, diante do acórdão rescisório, apenas na ocorrência de uma das hipóteses do art. 151 do CTN a cobrança seria sustada. Assim, como não havia nos autos indicativo de que tal fato tenha se concretizado (observando-se que em nenhum momento a decisão proferida na ação rescisória teve seus efeitos suspensos), a multa foi considerada devida. Como se percebe, os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 554DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.284 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10980.004674/2002-11 Fl. 555DF CARF MF
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