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Numero do processo: 12448.725128/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual.
Para pleitear dedução do imposto devido no ajuste anual, é requisito essencial que o contribuinte declare o valor cheio dos rendimentos tributáveis, incluindo o imposto retido.
Numero da decisão: 2402-007.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual. Para pleitear dedução do imposto devido no ajuste anual, é requisito essencial que o contribuinte declare o valor cheio dos rendimentos tributáveis, incluindo o imposto retido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 51 28 /2 01 2- 51 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 12448.725128/201251 Acórdão n.º 2402007.361 S2C4T2 Fl. 112 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 55/104) em face do Acórdão n. 08 29.676 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR (efls. 40/44), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/06), apresentada em 25/04/2012, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 03/04/2012 (efl. 34) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2011/409669557587253 no total de R$ 80.628,27 (efls. 08/11) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do teor do Acórdão n. 0829.676 (efls. 40/44) em 17/03/2015 (efl. 52), o impugnante, agora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário (efls. 55/104) na data de 30/03/2015, alegando a ocorrência de um mero erro quando da informação da fonte pagadora (CEDAE em vez de Banco do Brasil). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne deste litígio concentrase na glosa do IRRF no valor de R$ 92.045,70, em virtude do entendimento da autoridade lançadora de tratarse de compensação indevida. Muito bem. Ao apreciar a impugnação (efls. 02/06), a instância de piso concluiu que que não restam comprovados a retenção e o recolhimento do valor do imposto de renda na fonte glosado pela fiscalização de R$ 92.045,70, anocalendário 2010. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente reitera a improcedência do lançamento em lide por ter ocorrido mero erro de fato na inserção das informações na Declaração de Ajuste Anual e traz aos autos peças judiciais vinculadas à Reclamatória Trabalhista n. 01477200405801006 (efls. 97/104). Da análise dos documentos acostados às efls. 97/104, constatase que: i) o pagamento das verbas decorrentes da Reclamatória Trabalhista n. 01477200405801006 foi efetuado pelo Banco do Brasil que ficou, inclusive, com o encargo de recolher à Fazenda Nacional o IRRF no valor de R$ 92.714,72 (efl. 102); ii) que o Recorrente recebeu o valor líquido de R$ 246.952,73 (efl. 100), conforme ele próprio afirma: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 12448.725128/201251 Acórdão n.º 2402007.361 S2C4T2 Fl. 113 3 Reforça a tese de que o Recorrente recebeu o valor líquido de R$ 246.952,73, os Alvarás Judiciais n. 233/2010 (efl. 21) e n. 63/2015 (efl. 102), nos quais o juízo da 58ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro determina ao Banco do Brasil S.A efetuar pessoalmente ao Recorrente o pagamento da importância de R$ 246.952,73, bem assim proceder o recolhimento à Fazenda Nacional da importância de R$ 92.914,72, informando data referencial do depósito de 13/05/2009, para ambos os eventos. Nessa perspectiva, ainda que tenha havido efetivamente a retenção de imposto de renda e o respectivo recolhimento pelo Banco do Brasil S/A no valor de R$ 92.914,72, não há de se aproveitar ao Recorrente, conforme tipificado na Lei n. 7.713/88, na Lei n. 9.250/95, no Decreto n. 3.000/99 RIR/99 (na redação vigente à época dos fatos) e demais legislação correlata, vez que recebeu quantia líquida e assim fez constar em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2011 (efls. 27/32). Com efeito, para pleitear tal dedução do imposto devido, o Recorrente deveria ter declarado o valor bruto, incluindo a respectiva retenção de imposto de renda, que se compensaria do imposto devido no ajuste. Ressaltese ainda que a decisão recorrida identificou em DIRF do Banco do Brasil S/A no valor de R$ 11.560,96, que foi considerado no lançamento em tela. Desta forma, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001004/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2008
INCORREÇÃO OU OMISSÃO EM GFIP
A ocorrência de erro ou omissão de informações em GFIP caracteriza descumprimento de obrigação acessória tributária, sujeitando o infrator à multa.
Numero da decisão: 2402-007.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (presidente) Fernanda Melo Leal (suplemente convocada), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira (presidente) Fernanda Melo Leal (suplemente convocada), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 04 /2 00 9- 11 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11634.001004/200911 Acórdão n.º 2402007.407 S2C4T2 Fl. 282 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O lançamento referiuse à multa por descumprimento de obrigação acessória, a saber, apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições nas competências compreendidas entre 1/2/05 a 28/2/08, tendo em vista o apurado nos processos 11634.001005/200966 e 11634.001006/200919 O Relatório Fiscal encontrase às fls. 11/13. O lançamento foi impugnado às fls. 99/137. Como já dito, a DRJ julgoua improcedente às fls. 153/160, em acórdão assim ementado: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11634.001004/200911 Acórdão n.º 2402007.407 S2C4T2 Fl. 283 3 Contra o decisum acima, interpôs Recurso Voluntário às fls. 197/263 no qual aduziu, em síntese: Que a obrigação acessória inexiste, quando o tributo principal é declarado inconstitucional. Após ter iniciado o recurso noticiando o julgamento do RE 363.852, aduzindo que a DRJ deveria curvarse sobre a decisão, passou a sustentar a inconstitucionalidade e ilegalidade do FUNRURAL por ter sido instituído por lei ordinária e não por Lei Complementar LC e por possuir a mesma base de cálculo do PIS e da COFINS, tornandose tributação em cascata. Que a obrigação principal é do produtor rural, sendo que o recorrente apenas retém o FUNRURAL, caso o produtor não se oponha. Logo, o lançamento seria nulo por erro na indicação do sujeito passivo. Que todas as compras foram pagas sem retenção. Logo, a cobrança deve recair sobre o produtor. Que o STF julgou pela inconstitucionalidade do FUNRURAL. Que deve ser dado ao caso o mesmo tratamento previsto no Parecer Normativo SRF nº 1/2002. Que seria inconstitucional o artigo 30 da Lei 8.212/91. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O requerente tomou ciência do acórdão recorrido em 8/4/10, consoante se denota de fl. 163 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 23/4/10 (fl.197). Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Segundo a decisão vergastada, a infração foi fundamentada no artigo 32, IV e § 5º da Lei 8.212/91, c/c artigos 225, IV e § 4º do Decreto 3.048/99, com as alterações legislativas próprias. Referida penalidade valeuse do artigo 32, § 5º da Lei 8.22/91 c/c art 284, II e art 373, ambos do Decreto 3.048/99, da mesma forma, com as alterações legislativas próprias. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11634.001004/200911 Acórdão n.º 2402007.407 S2C4T2 Fl. 284 4 Registrou, ainda, que a multa aplicada levou em consideração aquela mais benéfica ao contribuinte, tendo em vista as alterações promovidas pela MP 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941/09 e o que consta do artigo 106 do CTN. Pois bem. É de se notar que o contribuinte não se insurgiu quanto a qualquer aspecto material do lançamento tais como base de cálculo utilizada, alíquota, período de apuração ou mesmo quanto aos fatos noticiados pelo autuante limitandose a contestar a procedência das contribuições lançadas naqueles processos de nº 11634.001005/200966 e nº 11634.001006/200919, o que, evidentemente, não se trata de matéria a ser aqui enfrentada. Nesse rumo, tendo em vista que referidos processos foram julgados nesta mesma sessão, ocasião em que foi negado provimento aos recursos do contribuinte, a manutenção do crédito tributário aqui em litígio é um imperativo, em função da relação de causa e efeito entre eles. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720038/2017-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2013
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. STOCK OPTIONS. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO.
Incidem contribuições previdenciárias sobre benefícios concedidos a colaboradores, no âmbito de Programas de stock options, quando verificada que a operação tem nítido viés remuneratório, não apresentando natureza mercantil, não evidenciando qualquer risco para o beneficiário e estando claramente relacionada à contraprestação por serviços.
O fato gerador da obrigação tem lugar no momento do exercício das opções de compra e a base de cálculo se verifica pela diferença entre o valor eventualmente pago pelos ativos e os valores praticados pelo mercado.
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA. SUMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2013 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. STOCK OPTIONS. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. Incidem contribuições previdenciárias sobre benefícios concedidos a colaboradores, no âmbito de Programas de stock options, quando verificada que a operação tem nítido viés remuneratório, não apresentando natureza mercantil, não evidenciando qualquer risco para o beneficiário e estando claramente relacionada à contraprestação por serviços. O fato gerador da obrigação tem lugar no momento do exercício das opções de compra e a base de cálculo se verifica pela diferença entre o valor eventualmente pago pelos ativos e os valores praticados pelo mercado. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA. SUMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 00 38 /2 01 7- 18 Fl. 1013DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, valho-me do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: 1. Da autuação Trata-se de Auto de Infração de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, nas competências 03, 04 e 09 a 11/2013, no valor consolidado de R$ 13.422.700,16. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 13/47, foi considerada como remuneração de contribuintes individuais as vantagens oferecidas pela empresa em Planos de Opção de Compra de Ações (ou Stock Options Plan - SOP). Segundo a empresa, não houve recolhimento de contribuições previdenciárias nem retenção de Imposto sobre a Renda na Fonte (IRRF), porque se trata de operação mercantil, fora do campo de incidência dessas exações. Para a auditoria, o SOP da empresa é uma vantagem adicional de remuneração, oferecida como prêmio aos colaboradores que cumprem determinadas metas e permanecem na empresa no mínimo durante o período de carência estabelecido em contrato. O referido SOP foi aprovado em Assembléia Geral de 03/03/2011, e tem por finalidade: 1. Promover o crescimento, desenvolvimento e êxito financeiro da Sociedade e de suas subsidiárias, proporcionando incentivos adicionais a empregados, consultores, diretores e conselheiros da Sociedade e de suas subsidiárias responsáveis no presente ou no futuro pela gestão ou administração dos negócios da Sociedade ajudando-se a se tornar detentores de Ações Ordinárias, beneficiando-se, assim, diretamente do crescimento, desenvolvimento e êxito financeiro da Sociedade e de suas Subsidiárias. 2. Capacitar a Sociedade e suas Subsidiárias para obtenção e manutenção dos serviços do tipo de empregados, consultores, diretores e conselheiros profissionais, técnicos e administrativos considerados essenciais ao êxito duradouro da Sociedade e de suas Subsidiárias por meio de fornecimento e oferta a eles de oportunidade de se tornar detentores de Ações Ordinárias de acordo com o exercício de opções. Neste plano, para fazer jus ao direito de opção, o beneficiário deve ficar à disposição da sociedade no mínimo entre a data da assinatura do contrato de opções até completar o primeiro aniversário de um ano, quando passa a ter direito de exercer a opção de compra de 25% das ações propostas no contrato, o qual tem duração de cinco anos contados da data de sua aceitação. A auditoria verificou que o Administrador é dotado de muitos poderes em relação ao SOP, como: determinar o valor justo de mercado; escolher os prestadores de serviços aos quais poderão ser realizadas outorgas periódicas; determinar todas as Fl. 1014DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 matérias e questões de rescisão de contrato de trabalho no tocante às outorgas concedidas ao prestador de serviços; determinar o número de outorgas que serão realizadas e o número de ações ao qual uma outorga se relacionará, entre outros. Todas as decisões, determinações e interpretações do Administrador são finais e vinculativas em relação a todos os prestadores de serviços. De acordo com o Relatório Fiscal, há duas correntes doutrinárias acerca dos aspectos tributários das outorgas de opção de compra de ações: uma, adotada pela empresa, para quem a outorga de opção de compra de ações é uma operação mercantil; outra, adotada pela auditoria, para quem é uma forma de remuneração dos colaboradores da empresa. Conforme explicitado pela auditoria, nos contratos de SOP, o risco do negócio, característico das operações mercantis, está ausente, pelos seguintes motivos: • O detentor da opção de compra não paga o prêmio; • O preço de exercício é fixado em valores bem inferiores ao preço de mercado da ação objeto, logo estimula o detentor do direito a exercer a opção; • O risco do detentor da opção de compra é o de ser excluído do plano caso não cumpra a carência definida em contrato. Mas o risco aqui não é de perda e sim de deixar de ganhar. Se desligar do plano nenhum desembolso é exigido do participante pela outorgante. • Ao exercer a opção de compra há um desembolso do participante a favor da outorgante, mensurado pela quantidade de ações transferida multiplicada pelo preço de exercício. Mas neste momento o participante já pode mensurar o valor do seu ganho pois já sabe o valor de mercado da ação objeto. • Após a opção, já sendo titular absoluto das ações, pode tirar muitos benefícios, como vendê-las imediatamente e realizar o ganho. Ficar de posse delas ou receber dividendos. Obter vantagens patrimoniais, como ganho decorrente de sua valorização. É apresentado então um comparativo entre uma operação normal de mercado e a remuneração obtida através das stock options, em termos tributários: • Na operação de mercado há risco de ganho ou de perda. Se houver ganho será tributado como renda variável. Se houver perda nada será tributado; • Na operação de mercado não há contrapartida de prestação de serviços, apenas risco de aplicação de recursos financeiros. • No SOP não há risco, mas apenas a necessidade de cumprir a carência (em inglês Vesting); • Há contraprestação de serviços em troca da vantagem oferecida pela empresa outorgante. Logo a figura do emprego de recursos financeiros é substituída pela prestação de serviço durante o tempo de carência. No caso, a concessão de opção de compra de ações foi realizada de modo que o seu exercício se deu a preços muito inferiores aos preços de mercado, conforme explicitado no Relatório Fiscal. Fl. 1015DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 O enquadramento legal da remuneração concedida através de SOP é o art. 195, I, a, da Constituição de 1988, e o art. 22, I e III da Lei nº 8.212, de 1991. A auditoria destaca que o SOP caracteriza uma forma de remuneração, destinada a retribuir o trabalho de colaboradores da empresa, conforme explicitado nos objetivos do Plano: "promover o crescimento, desenvolvimento e êxito financeiro da sociedade, proporcionando incentivos adicionais a empregados, diretores, consultores e conselheiros da sociedade e suas subsidiárias". Destaca ainda a irrelevância do título atribuído, tendo em vista que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração recebida a qualquer título, em decorrência da prestação de serviços. O Relatório Fiscal discorre então acerca da remuneração sob a forma de utilidade, entendida como os bens e ou direitos que tenham valor econômico, como veículo, imóvel, viagem, títulos de renda fixa ou ações, porque implicam acréscimo patrimonial ao trabalhador. Discorre então acerca da remuneração via SOP: Nos casos dos planos de opção de compra (stock-options) são oferecidos aos beneficiários a opção de comprar a ação da empresa por valor abaixo do valor de mercado. Ou seja: a empresa oferece a seus prestadores de serviço, segurados, beneficiários do plano, condições vantajosas para a aquisição de suas ações. Condições diferentes das condições de mercado. Obviamente, essa diferença entre o valor de mercado e o valor de aquisição se torna uma vantagem econômica transferida ao patrimônio do prestador de serviço em detrimento do patrimônio da empresa. Tal vantagem econômica é a base de cálculo da contribuição previdenciária à razão de 20%. Conforme será visto adiante, no presente caso, temos a concessão de opção de compra de ações a preços muito inferiores aos preços de mercado. Os beneficiários listados pela auditoria foram classificados como contribuintes individuais, tendo em vista a inexistência de vínculo empregatício direto com a empresa fiscalizada e, ao mesmo tempo, a existência de vínculos com as empresas controladas e ou as subsidiárias integrais, como empregados ou prestadores de serviços. A auditoria esclarece que a empresa fiscalizada é uma holding, que controla as seguintes empresas, sendo as duas últimas suas subsidiárias integrais: • CONVERGENTE CONSULTORIA E CORRETORA DE SEGURO (01.923.247/0001-42); • MEDLINK CONECTIVIDADE EM SAUDE LTDA (02.538.933/0001-62); • QUALICORP ADMINISTRACAO E SERVICOS LTDA (03.609.855/0001-02); • QUALICORP CONSULTORIA EM SAUDE LTDA. (07.755.201/0001- 48); • QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFICIOS S.A. (07.658.098/0001- 18); • QUALICORP CORRETORA DE SEGUROS S.A. (07.755.207/0001- 15); Fl. 1016DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 De acordo com o Relatório Fiscal, no regulamento do SOP está dito que a opção de compra de ações se aplica a diretores, conselheiros, prestadores de serviços da Qualicorp S/A e de suas subsidiárias. Assim, sendo a empresa fiscalizada a gestora do Plano e a responsável pela emissão das ações, deve recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a vantagem atribuída aos seus prestadores de serviços, "pela entrega de ações a um preço inferior ao seu valor de mercado." 2. Da ciência e da impugnação A autuação foi recebida pelo contribuinte em 03/02/2017 (AR, fls. 403/404). Em 07/03/2017 foi solicitada a juntada da impugnação de fls. 409/729, abaixo relatada, em síntese. O impugnante argui que tanto a finalidade do Plano quanto suas características não se confundem com "remuneração", sendo a autuação uma simples defesa de tese fiscal, adotada pela auditoria antes mesmo da análise do caso concreto, sem certeza e liquidez, pelo que não pode prosperar. Diz que a autoridade fiscal constatou que "os opcionistas não são nem empregados, nem diretores estatutários, nem prestadores de serviços" da empresa, de forma que não houve constatação da prestação de serviços à impugnante, pressuposto da contrapartida da remuneração. Diz ainda que a autoridade fiscal constatou apenas a existência dos contratos com os opcionistas e a manifestação de sua vontade para exercer as opções, assim como o pagamento do valor de exercício das opções na aquisição das ações, o que caracteriza tão somente a onerosidade dos contratos e não a sua gratuidade, a qual justificaria o argumento fiscal de que as ações remunerariam serviços. Argui não ter a auditoria apontado o momento do fato gerador e que a base de cálculo eleita não confirma a existência de remuneração, visto ser variável, conforme as oscilações do mercado. Conclui assim pela falta de demonstração da ocorrência da hipótese de incidência tributária, o que leva à improcedência da autuação. 2.1. Das considerações prévias Sob o título "INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - CONTRAPRESTAÇÃO POR SERVIÇO PRESTADO", discorre acerca de inconsistências da autuação. Diz que a doutrina, a jurisprudência trabalhista e a do CARF não coadunam com o entendimento de que os planos de opção de compra de ações possuem, como regra, natureza remuneratória. Alega não existir a premissa adotada pela auditoria, no sentido de que todo plano de outorga de opção de compra de ações tem natureza remuneratória, mas a contrária: de que os planos têm natureza mercantil, salvo prova em contrário. Afirma que no caso, a prova é a da presença dos elementos do contrato mercantil - voluntariedade, onerosidade e risco - e considera ilegal a alegação de haver remuneração da impugnante aos opcionistas. Fl. 1017DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Argui não haver, na legislação pátria, autorização para tributar como remuneração, sujeita à incidência das contribuições previdenciárias, tudo quanto o empregado ou o administrador recebem, por exercerem seu trabalho na empresa, conforme se observa na jurisprudência dos tribunais superiores, que concluíram não haver incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e as horas extras, por exemplo. Aduz que autuação é imprecisa, porque a auditoria não esclarece o momento da ocorrência do fato gerador nem por que foi considerada, como base de cálculo, a diferença entre o valor de mercado da ação e o valor gasto para adquiri-la, sendo que tal valor independe da impugnante e, portanto, não pode ser caracterizado como remuneração. Aduz ainda que a auditoria ignorou o fato de que nem todos os opcionistas exerceram a opção de compra, de forma que a outorga em si não pode ser considerado o momento da ocorrência do fato gerador. Citando o art. 195, I, a, da Constituição de 1988, e o art. 22, I e III da Lei nº 8.212, de 1991, afirma ser necessário, para a caracterização da hipótese de incidência, que o rendimento auferido pelo empregado seja destinado a retribuir o trabalho, de forma que "há rendimentos do trabalho que se caracterizam como remuneração (por corresponderem ao pagamento pelo serviço prestado) e há rendimentos do trabalho que não possuem tal característica", como o terço constitucional de férias, já apreciado pelos tribunais superiores. Insiste na inexistência de relação contraprestacional pelo trabalho prestado, em razão de as opções de compra de ações decorrerem, no caso, de mera relação mercantil e, além disso, em razão da inexistência de vinculo de trabalho entre os beneficiários do plano e a impugnante, conforme apontado no próprio Relatório Fiscal. Afirma que não estariam presentes as características do contrato mercantil caso se tratasse de um plano de outorga de ações, mas, no caso, a aquisição das ações pelos colaboradores se deu de forma onerosa, não caracterizando, portanto, retribuição pelos serviços prestados. Diz que o CARF já decidiu, conforme acórdão que cita, que a alienação de bens pela pessoa jurídica em condições vantajosas aos seus empregados só pode ser considerada remuneração se comprovada a retributividade. Critica o enquadramento realizado pela auditoria com base no Pronunciamento CPC 10, afirmando que tal se destina à divulgação no Mercado de Capitais e não pode ser de plano transportado para o campo tributário. Diz que o CARF e o TST afastam o caráter remuneratório do plano de opção de compra de ações, conforme decisões que cita. Reitera que, no caso, não foi feita a correta demonstração da materialidade da hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Argui então a presença dos elementos caracterizadores do contrato mercantil e a ausência dos elementos caracterizadores de remuneração, no caso concreto, apresentando as principais características do seu Plano. Nesse sentido, explicita os objetivos do Plano, afirmando que a outorga da opção de compra de ações foi realizada "como uma oportunidade de ajudar Fl. 1018DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 determinados trabalhadores da Sociedade ou de suas Subsidiárias a se beneficiar do crescimento da empresa, aproximando-os da realidade de acionistas." Acerca da existência do risco do negocio mercantil, diz que o Plano prevê a possibilidade de ser antecipada a data em que a opção poderá ser exercida, a critério do Administrador, o qual tem poder ainda para transigir ou alterar o negócio jurídico, de forma unilateral. Sobre a existência de onerosidade, destaca que a própria auditoria reconhece o dispêndio de valores vultosos, realizado pelos beneficiários para exercerem as opções, fato que não é compatível com a idéia de remuneração. Aponta que a voluntariedade resta evidente, na medida em que, após o prazo de carência, o valor de mercado das ações pode oscilar a ponto de se tornar desinteressante ou inexeqüível o exercício das opções pelo beneficiário, a quem cabe a decisão de aderir ao plano e de exercer as opções. Destaca que o próprio Plano prevê a inexistência de remuneração em sua Cláusula 7.10: "as opções de ações e seu respectivo exercício pelo participante não têm nenhuma relação e não são atrelados à remuneração do participante, fixa ou variável, ou participação nos lucros." Conclui que o Plano tem as características de negócio mercantil, nos termos dos contratos firmados, e pontua que: - nas outorgas, o preço de exercício das opções é paritário aos de mercado de ações; - as opções outorgadas decorrem de celebração de contrato mercantil entre a impugnante e o titular, não sendo passíveis de negociação, pelo que não se cobra prêmio por elas; - as opções outorgadas representam promessa de compra e venda, não sendo apreciáveis economicamente, não podendo ser confundidas com ativo financeiro; - no mercado financeiro, as opções de compra caracterizam especulação, cuja lógica é oposta àquela dos contratados de outorga de opção de compra de ações das companhias, que visam seu crescimento e valorização; - nos contratos de outorga de opção de compra das companhias não se cobra prêmio, pois não se trata de especulação financeira, sendo que a relação se estabelece entre os trabalhadores e os acionistas, e não entre os trabalhadores e a companhia; - a remuneração não se confunde com a opção de compra de ações, visto ser objeto de relacionamento entre o colaborador e a companhia, mas não com os acionistas; - a adoção do Plano é decisão da administração da companhia, que nada tem a ver com seus colaboradores. 2.2. Do erro na identificação do sujeito passivo Neste ponto, o impugnante argui a nulidade da autuação fiscal por erro na identificação do sujeito passivo e inexistência de prestação de serviços à empresa pelos opcionistas. Fl. 1019DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Diz que a autoridade fiscal não fez prova da prestação de serviços à impugnante e que, além disso, reconhece, no relatório fiscal, a inexistência de vínculo empregatício direto com a autuada, a qual possui empresas subsidiárias, onde foram encontrados os referidos vínculos. Para comprovar os vínculos dos opcionistas com as referidas empresas, apresenta documentos. Argui que o fato de a impugnante ter outorgado as opções de compra de ações a torna apenas intermediária entre o prestador do serviço e a tomadora, nas não o sujeito passivo tributário. Nesse sentido, afirma que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é no sentido de que o pagamento realizado via terceiros não afasta a obrigação tributária do tomador dos serviços. Argui assim a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e vício de fundamentação e motivação, citando doutrina, além do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Argui ainda o vício de fundamentação legal da autuação, a qual é portanto ilegal e inválida, uma vez que não há demonstração fundamentada dos motivos que levaram a impugnante a ser considerada responsável pelas contribuições apuradas, na medida em que inexiste prestação de serviços a ela pelos beneficiários do Plano. 2.3. Do erro na eleição do fato gerador A impugnante alega que a fiscalização incorreu em erro ao escolher, por um lado, como momento do fato gerador, o mês do exercício das opções ou o término do período de carência, e, por outro lado, como base de cálculo, a diferença positiva entre o preço de mercado das ações e o preço pago no exercício das opções. Diz que a autoridade fiscal confunde, em diversos momentos, as opções outorgadas com as ações, tendo baseado a autuação no caráter remuneratório das opções de compra de ações outorgadas (item 31 e fls. 18/19 do Relatório Fiscal): Afirma que, por confundir a outorga das opções com as ações em si, a autoridade fiscal elegeu momento do fato gerador e base de cálculo que não guardam relação com a outorga da opção, mas com momento posterior, qual seja, o exercício da opção. 2.4. Do equívoco do momento do fato gerador Alega que, de acordo com a auditoria, a observância de período de carência para o exercício das opções confirma o caráter retributivo das opções outorgadas, denotando contraprestação por serviços prestados, sendo portanto uma condição resolutiva, a qual, nos termos do art. 116, II, e 117, ambos do CTN, se reputa perfeita e acabada desde a celebração do contrato, isto é, desde a outorga da opção. Assim, seria o momento da outorga e não o momento do exercício, o aspecto temporal do fato gerador, ao contrário do entendimento fiscal, visto que, no mês do exercício há a celebração de um outro negocio jurídico, correspondente à compra das ações mediante pagamento do preço do exercício. Nesse sentido, argui que, em que pese tenha sido adquirido o direito de optar (pelo exercício da compra das ações) no momento da assinatura do contrato de Fl. 1020DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 outorga de opção, o exercício fica sujeito a uma condição resolutiva: o cumprimento do período de carência. Conclui ser flagrante a contradição fiscal, uma vez que o fato gerador eleito estaria dissociado do negócio jurídico celebrado para supostamente remunerar os trabalhadores pelos inexistentes serviços prestados à impugnante (a outorga da opção de compra de ações). 2.5. Do equívoco da base de cálculo do fato gerador O impugnante alega que a base de cálculo eleita para o lançamento é a diferença entre o valor de mercado e o valor de aquisição das ações, "que se torna uma vantagem econômica transferida ao patrimônio do prestador de serviço em detrimento do patrimônio da empresa", conforme explicitado no Relatório Fiscal. Argui que, assim, se a outorga das opções caracteriza remuneração e a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, a base de cálculo deve ser necessariamente a expressão monetária do bem outorgado (a opção de compra) e não uma "vantagem econômica" na aquisição de outros bens (ações). 2.6. Da presença dos elementos do contrato mercantil O impugnante aduz que o risco do contrato mercantil reside na oscilação do valor de mercado das ações, que pode inviabilizar o exercício das opções, e que não se sujeita ao controle do empregado nem do empregador. Diz que este é inclusive o entendimento do CARF, nos processos que cita, no sentido de que a concessão da opção configura contrato mercantil, envolvendo o risco de perceber ganho ou não, a depender do mercado, e que também as Delegacias de Julgamento da RFB já decidiram, conforme acórdão que cita, que o recebimento de opções de compra de ações, as quais não podem ser negociadas, não representa ganho para os beneficiários. Reitera que o risco se caracteriza pela incerteza no mercado financeiro, que é representada pela oscilação do ativo que se pretende investir. Argui que, se a remuneração é contraprestação ao trabalho prestado, um empregado cujas opções não tenham alcançado um preço de exercício economicamente viável para ser exercido, "teria trabalhado de graça para a companhia, pois sua remuneração nunca se concretizaria", do que se verifica que a autoridade fiscal vincula a remuneração do empregado não ao seu labor, mas ao risco de variação do mercado acionário e da voluntariedade do titular. Destaca que o risco se verifica desde o momento da outorga das opções, passando pelo momento do exercício e finda no caso de eventual alienação do ativo. No caso, o titular sacrifica tempo e esforço para manter as condições que lhe garantam o exercício das opções, o qual pode decidir não exercer, dado o risco de mercado. Destaca ainda a existência dos outros elementos do contrato mercantil: a voluntariedade, visto que o titular deve, por livre e espontânea vontade, assinar o contrato de outorga de opções e depois exercê-las, e a onerosidade, visto que o titular deve sacrificar seu próprio patrimônio para exercer as opções. 2.7. Do preço do exercício Fl. 1021DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Sobre este aspecto, o impugnante alega que as operações que pressupõem o pré- estabelecimento de preço a ser praticado em momento futuro podem ser qualificadas como operação mercantil. Argui que a existência de uma diferença positiva entre o preço de mercado na data do exercício e o preço de exercício atende à expectativa de ambas as partes que firmaram o contrato de outorga da opção, sendo elemento inerente à modalidade de investimento. E afirma que caberá ao beneficiário decidir se quer ou não realizar o investimento, independentemente de sua prestação de serviços e respectiva remuneração. Afirma que, com isso, os acionistas da Companhia buscam alinhar os interesses dos participantes aos interesses de acionistas, em complementação às responsabilidades funcionais dos beneficiários, pelas quais são remunerados de forma independente. 2.8. Do risco no exercício da opção de compra O impugnante reitera a existência de risco para o beneficiário ao exercer a opção de compra de ações que lhe foi outorgada, por estar sujeito às oscilações do mercado durante o aperfeiçoamento do exercício, já que o exercício é um ato complexo, pelo que pode ser necessário pagar um valor maior que o de mercado quando da transferência das ações. 2.9. Ausência de retributividade e habitualidade O impugnante argui ser evidente a ausência de caráter contraprestacional na outorga de opção de compra de ações, visto que, diferentemente do salário, se não for cumprido o período de carência, nenhuma opção será devida ao colaborador. O salário, por sua vez, é devido proporcionalmente ao tempo trabalhado. Argui que a exigência de contribuições previdenciárias sobre fatos geradores que não denotam o exercício de atividade remunerada viola o art. 51 da IN RFB nº 971, de 2009. Em relação à habitualidade, alega que o pagamento somente pode ser considerado habitual quando o colaborador tem a certeza de poder contar com ele como parte de sua remuneração. Diz que o TST, em decisão que cita, já definiu que os valores relativos à opção de compra de ações não integram o salário de contribuição, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, porque não se trata de pagamento habitual. Registra, nesse sentido, que as outorgas ocorrem sem periodicidade específica para os beneficiários e que, não havendo habitualidade na outorga das opções ou no seu exercício, não há subsunção do caso concreto à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias. Reafirma que a jurisprudência no CARF é no sentido de que os contratos decorrentes de Planos de stock options têm natureza mercantil, conforme julgados que cita. 2.10. O valor considerado remuneração Fl. 1022DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 O impugnante aduz que o valor supostamente "pago" pela empresa em razão do exercício das opções de compra não está sob seu controle, mas do mercado de ações, pelo que esta diferença entre o valor do exercício e o valor de mercado não pode ser considerada como remuneração. Argui que definir a referida diferença como remuneração, pelos supostos serviços prestados no curso do período de carência, cria situações alheias à legislação e à jurisprudência, visto que empregados com idênticos direitos de opção e carência obtenham remuneração diferente em razão do seu exercício, indo de encontro ao requisito de retributividade da relação laboral. 2.11. Da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa O impugnante alega que os juros calculados com base na taxa Selic não podem ser exigidos sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal, conforme já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em julgado que cita. Pede então o cancelamento dos juros de mora sobre as multas de oficio lançadas. 3. Dos pedidos Ao fim, pede a extinção do credito tributário lançado e protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, fl. 737/756, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos sintetizados na ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 30/12/2013 STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. A remuneração indireta recebida como contraprestação pelos serviços prestados, por meio de plano de "stock options", integra o salário de contribuição e se caracteriza como fato gerador das contribuições previdenciárias. O fato gerador ocorre no momento do exercício das opções de compra de ações, outorgadas aos beneficiários, e a base de cálculo é a diferença positiva entre o preço de exercício e o valor das ações no mercado financeiro, para o investidor comum. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário constituído, que inclui a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do Acórdão da DRJ em 02 de fevereiro de 2018, conforme Aviso de Recebimento de fl. 761, ainda inconformado, o contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. Fl. 1023DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 894 a 977, em 02 de março de 2018, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação. Ciente do teor do recurso voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fl. 982 a 1112, com as quais objetivou demonstrar que a insatisfação da autuada não deve prosperar. No curso do voto a seguir, serão explicitadas, por tópicos, as razões da recorrente e as da Fazenda Nacional. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Por ser tempestivo e por atender os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve síntese do litígio administrativo, a recorrente apresenta as considerações que entende lastrear a necessidade de reforma da decisão recorrida e a desconstituição do lançamento fiscal, as quais, como regra, serão analisadas na sequência apresentada no recurso, com indicação expressa dos momentos em que tal sequência tenha sido alterada no curso do voto. PRELIMINAR A) DA INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - CONTRAPRESTAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS. A autuada sustenta que, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a Fiscalização adota, como regra, de forma equivocada, a premissa de que tem natureza remuneratória os planos de opção adotados por empresas e que, sem qualquer análise prévia do Plano, a Autoridade lançadora adota tese doutrinária que considera o caráter remuneratório de ajustes dessa natureza. Sustenta que a doutrina e os precedentes judiciais e administrativos caminham em sentido diverso, privilegiando a natureza mercantil dos contratos de outorga de opções de compra de ações para empregados e administradores, reconhecendo apenas o caráter remuneratório quando não presentes as características do contrato mercantil, a saber, voluntariedade, onerosidade e risco. Afirma que não há na legislação pátria uma autorização para tributar como remuneração sujeita à incidência das contribuições previdenciárias tudo o quanto o empregado ou o administrador percebem em decorrência do exercício do seu trabalho, citando como exemplo decisões judiciais que afastam a tributação sobre valores específicos, como terço de férias, horas extras e salário maternidade. Fl. 1024DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Aduz que somente seria possível afirmar que as outorgas de opções são usadas para remunerar executivos e funcionários caso as ações fossem entregues sem nenhum custo e que não restou esclarecida a razão de se considerar como base de cálculo a diferença entre o valor de mercado da ação e o montante pago para adquiri-las, ressalvando que a Fiscalização sequer apontou qual seria o momento da ocorrência do fato gerador. Ressalta que nem todas as opções outorgadas foram exercidas e que, assim, a considerar a conclusão da Autoridade recorrida de que o fato gerador seria o momento do exercício da opção, não houve retribuição por serviços prestados, o que evidencia que empregados trabalharam de graça, afastando o caráter retributivo do Plano e evidenciando que a hipótese material de incidência adotada não seria compatível com os termos do art. 195 da Constituição Federal e do art. 22 da Lei 8.212/91. Repisa que, no caso em tela, o Plano nunca se destinou a retribuir o trabalho, pelo simples fato de inexistir qualquer vínculo de trabalho, emprego e prestação de serviços entre os beneficiários e a recorrente e que a aquisição das ações se deu de forma onerosa e, em nenhum momento, visou retribuir supostos serviços prestados, em particular porque os tais supostos prestadores de serviço não se encontravam vinculados à recorrente, mas sim às suas subsidiárias e controladas. Afirma que é equivocada a conclusão da Autoridade lançadora de que a Comissão de Valores Mobiliários define os Planos de Compra de Ações como uma forma de remuneração. A representação da União, por sua vez, manifesta seu entendimento de que as questões trazidas pela recorrente não são propriamente preliminares de mérito, ainda assim, rebate os argumentos apresentados, iniciando pela conclusão de que é equivocada a suposta premissa de caráter mercantil dos planos dessa natureza, já que a análise dos mais recentes julgados deste Carf, conforme precedente que cita, evidencia o caráter remuneratório dos Planos de Stock Options oferecidos a empregados e executivos da empresa, que não se confundem com os planos de opções de compra de ações disponíveis pelo mercado a generalidade de pessoas. Quanto à alegação recursal sobre a nulidade da autuação decorrer da falta de indicação do momento da ocorrência do fato gerador, afirma a Fazenda que a leitura do Relatório Fiscal em seu conjunto, e não apenas de partes isoladas como feito pela recorrente em seu recurso voluntário, permite a perfeita compreensão a respeito de todos os aspectos da regra matriz de incidência, notadamente os seus aspectos temporal e quantitativo, tendo sido, portanto, atendidos os ditames do art. 142 do CTN. Aponta excerto do Relatório Fiscal sobre o tema e indica que, pelas considerações expressas na própria peça recursal, o fato gerador e o momento de sua ocorrências foram devidamente compreendidos pelo contribuinte autuado. Acerca de outro argumento recursal, de que Autoridade fiscal teria se baseado em um suposto caráter remuneratório das opções de compra, mas teria eleito como fato gerador e base de cálculo o exercício de tais opções, que não guardam relação com citada outorga, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que a defesa busca, escolhendo trechos isolados do relatório fiscal, demonstrar contradições que não existem. Fl. 1025DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Resumidas as razões e contrarrazões, relevante ressaltar que o Relatório Fiscal, fl. 13 e ss, apresenta detalhadas considerações fáticas, legais e conceituais sobre as infrações à legislação tributária identificadas no curso do procedimento fiscal do qual resultou a autuação em discussão. Inicialmente, de forma bastante didática, a Autoridade lançadora colaciona a posição da Comissão de Valores Mobiliários sobre as conhecidas Stock Options, relacionando as características de tais ajustes segundo a definição da citada Comissão, para quem a concessão de ações aos empregados é considerada uma forma flexível de remuneração. A seguir a Fiscalização trata especificamente das características observadas no Plano de Opções do fiscalizado, indicando que há duas correntes doutrinárias sobre o tema: ▪ a) Uma que entende que outorga de opções de compra de ações é uma operação mercantil; ▪ b) Outra que entende que outorga de opções de compra de ações é uma forma de remuneração para os empregados, diretores, e prestadores de serviços sem vínculo empregatício. ▪ A empresa enquadrou-se na primeira corrente, ao responder ao Termo de Início de Fiscalização afirmando que a outorga de opções trata-se de uma operação mercantil, portanto fora do campo de incidência de contribuições previdenciárias e do IRRF. ▪ O autor desta ação fiscal fica com a corrente do item “b” por motivos que serão delineados nos itens a seguir. A partir daí, o Agente Fiscal apresenta uma comparação entre as características de uma operação normal de mercado e aquelas destinadas a remunerar colaboradores, concluindo que o Stock Options não é uma operação mercantil, devendo ser tratado com uma vantagem adicional à remuneração do beneficiário.. Segue a fiscalização tratando de particularidades relacionadas à fundamentação legal para a exigência de contribuição previdenciária sobre os benefícios recebidos em tais operações, destacando, em fl. 31, com a apresentação de planilhas explicativas, que a diferença entre o valor de mercado e o valor de aquisição se torna uma vantagem econômica transferida ao patrimônio do prestador de serviço em detrimento do patrimônio da empresa. Tal vantagem econômica é a base de cálculo da contribuição previdenciária à razão de 20%. Conforme será visto adiante, no presente caso, temos a concessão de opção de compra de ações a preços muito inferiores aos preços de mercado. Ora, ainda que pertinentes as considerações da Fazenda sobre o atual entendimento majoritário no âmbito deste Conselho, acerca do caráter remuneratório de tais ajustes, não há de se falar em premissa equivocada que tenha amparado a conclusão da Fiscalização se o lançamento dela não se valeu. É irrelevante se, em regra, consideram-se tais Planos com caráter mercantil ou remuneratório, o que se tem é que o Agente Fiscal esmiuçou com riqueza de detalhes as características do Plano de Opção instituído pela recorrente apontando sua convicção de que este apresentaria caráter remuneratório. Fl. 1026DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Por outro lado, de forma transparente, a Fiscalização colacionou as correntes doutrinárias sobre a matéria, indicando que o contribuinte adotou uma das correntes e que autor do procedimento se alinha a corrente diversa. Neste sentido, considerando que a lavratura do Relatório Fiscal tem lugar ao final do procedimento de fiscalização, é infundada a alegação recursal de que o agente adotou tese doutrinária previamente à análise do Plano Ao contrário do que afirma a defesa quando defende que não há na legislação pátria autorização para incidência de contribuições previdenciárias sobre tudo quanto o empregado ou o administrador percebem em decorrência do exercício de seu trabalho, a base legal para tal exigência, em particular os art. 195 da CF 1 e o art. 28 da lei 8.212/91 2 , cuja análise perfunctória indica que a regra é a tributação, sendo as exclusões da base de cálculo exceções que devem ser provadas por quem dela se aproveita. O fato de opções outorgadas não terem sido exercidas, no todo ou em parte, não altera a natureza remuneratória dos benefícios decorrentes das opções efetivamente exercidas, não cabendo ao Fisco avaliar a situação de eventuais colaboradores que possam ter envidado esforços para a consecução dos objetivos do Plano sem, ao fim, gozar das benesses por ele estabelecidas. No caso de insatisfação por parte destes potenciais beneficiários, eventual direito considerado lesionado poderá ser tratado na seara adequada, o Judiciário. Quanto à alegação de que o Plano instituído nunca se destinou a retribuir o trabalho, em razão da inexistência de vínculo de trabalho e que a aquisição das ações se deu de forma onerosa, vale destacar que o escopo do Programa em tela está claramente evidenciado nas características nele descritas, a saber: O plano de Opções de Compras de Ações – SOP – ou Stock Options Plan – foi aprovado em AGE – Assembleia Geral Extraordinária de 3 de março de 2011, conforme documento ANEXO-01B-25, e tem as seguintes características: 1. Promover o crescimento, desenvolvimento e êxito financeiro da Sociedade e de suas subsidiárias, proporcionando incentivos adicionais a empregados, consultores, diretores 1 (...) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) 2 Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 1027DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 e conselheiros da Sociedade e de suas subsidiárias responsáveis no presente ou no futuro pela gestão ou administração dos negócios da Sociedade ajudando-se a se tornar detentores de Ações Ordinárias, beneficiando-se, assim, diretamente do crescimento , desenvolvimento e êxito financeiro da Sociedade e de suas Subsidiárias. 2. Capacitar a Sociedade e suas Subsidiárias para obtenção e manutenção dos serviços do tipo de empregados, consultores, diretores e conselheiros profissionais, técnicos e administrativos considerados essenciais ao êxito duradouro da Sociedade e de suas Subsidiárias por meio de fornecimento e oferta a eles de oportunidade de se tornar detentores de Ações Ordinárias de acordo com o exercício de opções Portanto, as características acima apontam que a instituição do Plano de Opções de Compra de Ações está diretamente relacionada à obtenção e manutenção de serviços prestados e alcança não apenas os seus colaboradores diretos, mas também a outros vinculados às suas subsidiárias. Assim, é irrelevante o vínculo empregatício direto com a autuada, já que este foi o formato por ela escolhido para incentivar a continuidade da prestação de serviço considerados essenciais ao êxito do grupo. As alegações recursais sobre as considerações da autoridade lançadora acerca das conclusões da CVM, que define os Planos de Compra de Ações como uma forma de remuneração, não militam a seu favor, já que é exatamente assim. A concessão de ativos mobiliários a empregados por meio de planos de Compra de Ações são, de fato, uma forma flexível de remuneração, mas para tal, assim como foi feito no curso do lançamento, foram avaliadas as peculiaridades do Plano instituído e a sua essência remuneratória. Assim, neste tema, nada a prover. B) NULIDADE DA AÇÃO FISCAL - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DOS OPCIONISTAS À RECORRENTE Afirma a defesa que a Fiscalização lastreou a autuação em uma suposta remuneração paga aos opcionistas do Plano de Opção de compra de Ações, contudo, tais beneficiários são prestadores de serviços ou empregados que não têm qualquer vinculo com a autuada. Afirma que tal fato era de conhecimento da Autoridade lançadora e que representaria contradição desta à medida que afirmou que não foram encontrados vínculos dos prestadores com a recorrente, mas que, mesmo assim, entendeu que esta seria tomadora de seus serviços. Questiona o lastro normativo utilizado pelo Agente fiscal para considerar os citados opcionistas, de forma genérica, como contribuintes individuais (art. 9º do Decreto 3.048/99) e sustenta equívoco na desconsideração, sem qualquer acusação de simulação, fraude ou conluio, da personalidade jurídica de suas controladas e subsidiárias. Afirmando, ainda, que não houve qualquer comprovação de que estes supostos contribuintes individuais tenham prestado serviço à autuada. Alega que não foi verificado o vínculo efetivo existente entre os empregados e seus empregadores, não se observando, por exemplo que, dentre os beneficiários, havia quem Fl. 1028DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 tivesse vínculo celetista, o que levou à desconsideração da condição de empregado de diversos opcionistas, violando todo o amparo jurídico existente para essa categoria de trabalhadores. Insurge-se, ainda, contra a conclusão da Decisão recorrida que concluiu haver remuneração indireta paga aos beneficiários do Plano, já que vinculados às suas subsidiárias e controladas. A defesa reafirma a inexistência de vínculo com os beneficiários do Plano, o que entende confirmar sua convicção de que não se constata, no caso concreto, sujeição passiva a ensejar o lançamento tributário, não podendo arcar com pagamento de tributo que o Fisco entende incidente sobre a suposta remuneração. Cita preceito legal contido no inciso III ,do art. 22, da Lei 8.212/91 que seria claro ao estabelecer que o tributo previdenciário incide sobre remuneração paga ou creditada a qualquer título aos contribuinte individuais que prestaram serviço à empresa, não sendo possível de se exigir o referido tributo de terceiros. Alega que o máximo que se poderia conceber seria estarmos diante de pagamento efetuado por conta e ordem de terceiros, que este sim seria o sujeito passivo da obrigação tributária, jamais aquele que efetuou a entrega, tudo conforme entendimentos já manifestados por este Conselho e pelo Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual, o pagamento realizado via terceiro não afasta a obrigação tributária do tomador de serviços. Analisando a legislação societária e regramento contábil sobre o tema, a recorrente afirma que a Lei 6.404/76, no § 3º do seu art. 168, estabelece que é possível a outorga de opções de compra de ações a seus administradores e empregados ou a pessoas naturais que prestem serviços à Companhia ou a sociedades sob o seu controle. Afirma que normas contábeis determinam que cabe à controlada a mensuração e o reconhecimento da despesa relativa aos serviços recebidos de seus empregados em conformidade com as exigências aplicáveis a transações com pagamento baseado em ações, registrando, em contrapartida, aumento no patrimônio líquido como contribuição da controladora. Aduz que o regramento contábil exige que a referida despesa seja reconhecida nas demonstrações contábeis de cada controlada, independentemente de a controladora ser a responsável pela liquidação do acordo. Cita precedente administrativo que milita em favor de sua tese, bem assim trata de preceitos legais e entendimento doutrinários relacionados à constituição do ato administrativo de lançamento, tudo objetivando reafirmar seu entendimento da ocorrência de erro na eleição do sujeito passivo, do que resultaria na nulidade do lançamento. Por fim, sustenta que não houve demonstração fundamentada dos motivos e do regramento legal que levariam a recorrente a ser considerada a responsável pela suposta infração à legislação tributária, uma vez que não existe qualquer prestação de serviço entre os beneficiários da opções exercidas e a recorrente, o que enseja a necessidade de se reconhecer o ato como inválido e ilegal. Sobre este tema, não se manifestou a representação da União. Fl. 1029DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Resumida a extensa argumentação do recurso no presente tema, vale rememorar que este Conselheiro já se manifestou no item anterior sobre seu entendimento acerca do vinculo direto. Disse, na oportunidade, que as características observadas indicavam que a instituição do Plano de Opções de Compra de Ações está diretamente relacionada à obtenção e manutenção de serviços prestados e alcança não apenas os seus colaboradores diretos, mas também a outros vinculados às suas subsidiárias. Neste sentido, lá, entendi que seria irrelevante o vínculo empregatício direto com a autuada, já que este foi o formato por ela escolhido para incentivar a continuidade da prestação de serviço considerados essenciais ao êxito do grupo. O lastro normativo utilizado pelo Agente fiscal para considerar os citados opcionistas como contribuintes individuais (art. 9º do Decreto 3.048/99) é tão claro que não identifico qualquer mácula ao lançamento apenas por não ter a Autoridade lançadora apontado uma alínea específica dentre aquelas expressamente reproduzidas no Relatório Fiscal, sendo inequívoco que, no caso sob análise, a alínea aplicada é a "l" 3 , contida em fl. 42. Quanto à comprovação de que os beneficiários prestaram serviços à autuada, neste caso, de forma indireta, trouxeram benefícios considerados essenciais ao êxito do Grupo, ela decorre da própria natureza do ajuste, já que o Plano tinha escopo e beneficiários especificados, não sendo crível que se pudesse alegar que pessoas que não fossem elegíveis receberam as benesses instituídas de forma desalinhada às regras do Programa. Em relação à não observação do vínculo mantido com os empregadores diretos do beneficiário, do que teria resultado prejuízos trabalhistas, como dito alhures, no caso de insatisfação por parte destes beneficiários, eventual direito considerado lesionado poderá ser tratado na seara adequada, o Judiciário. Já no que tange à alegação de nulidade da Decisão recorrida por esta concluir pela existência de remuneração indireta, pelo que já foi por mim acima exposto, alinho-me à compreensão do Julgador de Instância, já que a autuada, na condição de Holding, optou por centralizar nela as obrigações decorrentes do incentivo aos colaboradores do seu grupo empresarial, sendo certo que, não estando os beneficiários diretamente a ela vinculados e o resultado dos incentivos concedidos trazendo reflexos ao grupo e não diretamente à empresa instituidora do Programa, que se beneficia de forma direta e/ou indireta pelo crescimento, desenvolvimento, êxito financeiro e manutenção dos serviços considerados essenciais para todo o Grupo, não há qualquer nulidade da decisão exclusivamente por entender que houve, no caso pagamento de remuneração de forma indireta. O preceito legal contido no inciso III ,do art. 22, da Lei 8.212/91 4 , de fato, estabelece que o tributo previdenciário incide sobre remuneração paga ou creditada a qualquer título aos contribuinte individuais que prestaram serviço à empresa. Contudo, como já repisado, 3 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V - como contribuinte individual: (...) l) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; 4 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Fl. 1030DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 a autuada se beneficiou dos serviços sendo, portanto, plenamente aplicável a alíquota de 20% sobre a remuneração paga. Não há de se falar em pagamentos efetuados por conta e ordem de terceiros, já que não foram juntados nos autos elementos que conduzissem a tal entendimento. Da mesma forma, não restou comprovado que as empresas controladas tenham mensurado e reconhecido as despesas e, ainda, ajustado seus respectivos Patrimônios Líquidos com a contribuição da controladora. O caráter remuneratório do Plano de "stock options" está evidente nas mesmas normas contábeis citadas pela defesa, é o que se depreende da manifestação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, por meio do Pronunciamento Técnico CPC 10 (R1): Pagamento Baseado em Ações 12. Via de regra, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são outorgados aos empregados como parte do pacote de remuneração destes, adicionalmente aos salários e outros benefícios. Normalmente, não é possível mensurar, de forma direta, os serviços recebidos por componentes específicos do pacote de remuneração dos empregados. Pode não ser possível também mensurar o valor justo do pacote de remuneração como um todo de modo independente, sem se mensurar diretamente o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Ademais, ações e opções de ações são, por vezes, outorgadas como parte de acordo de pagamento de bônus, em vez de serem outorgadas como parte da remuneração básica dos empregados. Objetivamente, trata-se de incentivo para que os empregados permaneçam nos quadros da entidade ou de prêmio por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar os empregados com a outorga de ações ou opções de ações, adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios marginais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurá-los de forma indireta, ou seja, deve tomar como base o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Por fim, há de se ressaltar que a vinculação da autuada ao crédito tributário sob discussão não está relacionada a uma suposta condição de responsável, mas sim de contribuinte, já que efetuou pagamento de vantagem a qualquer título por retribuição ao serviço que lhe foi prestado, estando perfeitamente qualificada a integrar o pólo passivo da obrigação tributária. Quanto à motivação e a fundamentação legal para o lançamento, esta aparece suficientemente descrita no Auto de Infração de fl. 02 a 06, bem assim no minucioso Relatório Fiscal de fl. 13 a 46, razão pela qual, neste tópico, rejeito a preliminar de nulidade. C) INCOERÊNCIA DAS PREMISSAS DO LANÇAMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA ELEIÇÃO DO SUPOSTO FATO GERADOR. Afirma o recorrente que houve flagrante contradição no lançamento por ter considerado como fato gerador o mês do exercício das opções e como base de cálculo a diferença positiva entre o preço de mercado das ações e o preço pago pelo seu exercício. Questiona o posicionamento da Decisão recorrida que, nas palavras da defesa, tentou consertar o lançamento ao considerar o fato gerador com o momento da outorga da opção, aperfeiçoado pelo efetivo exercício. Fl. 1031DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 C-1) Contradição entre a Suposta Remuneração em Ações ou em Opções Afirma que Autoridade fiscal, em diversos momentos, confunde opções outorgadas com ações e que teria baseado a autuação em um suposto caráter remuneratório das opções de compra de ações outorgadas pela recorrente. Ao mesmo tempo defende o caráter de salário-utilidade das opções outorgadas comparando com ações com pagamento com veículos. Neste sentido, acabou por confundir a outorga da opção com ações, elegendo fato gerador e base de cálculo que não guardam relação com a outorga das opções, mas com momento posterior, qual seja, o momento do exercício da opção. C-2) Primeira Consequência da Contradição: Momento do Fato Gerador - Equívoco na eleição do Fato Gerador. Afirma o recorrente que não foi só em relação à opção ou a ação que a Autoridade Fiscal se confundiu, já que errou ao determinar o momento do fato gerador. Argumenta que a fiscalização concluiu que o período de carência seria uma condição para o exercício das opções, mas não definiu se estaríamos diante de uma condição resolutiva ou suspensiva. A defesa manifesta seu entendimento de que se trata de uma condição resolutiva, o que deslocaria o fato gerador para o momento da outorga da opção e não no momento de seu efetivo exercício.. Após algumas considerações, a defesa afirma que o instrumento particular de outorga da opção seria um contrato autônomo, do qual se projeta um outro contrato futuro, o de compra e venda das ações, e que no momento da outorga o beneficiário adquire o direito de optar. Nesta linha, haveria confusão e contradição no lançamento, uma vez que o fato gerador eleito pela Autoridade Fiscal estaria dissociado do negócio jurídico, além da ilegal tentativa do Julgador de 1ª Instância de consertar a autuação. C-3) Segunda Consequência: Base de Cálculo Afirma a autuada que a Autoridade fiscal sustentou que a outorga de opções encerraria em si uma remuneração devida em razão dos serviços a serem prestados no curso de carência, haja vista a existência de condição resolutória na outorga. Assim, restaria outro equívoco ao se confundir remuneração de tal período com vantagem econômica na aquisição das ações. A União apresentou considerações sobre a alegação de nulidade da Decisão da DRJ, afirmando que esta, por seu turno, ao analisar a impugnação ofertada pelo contribuinte, não se afasta dessas constatações fiscais, também concluindo pelo caráter remuneratório do plano de opção de compra de ações ofertado pela recorrente. Afirma, ainda que é inegável que os fundamentos considerados pelo Auto de Infração para embasar o lançamento e pela DRJ para mantê-lo são rigorosamente os mesmos, pois, tanto para o AI, como para a DRJ, com a aquisição das ações pelos beneficiários do plano de Stock Options realiza-se a hipótese de incidência. Ao contrário do que entende a defesa e praticamente prejudicando boa parte dos argumentos expressos no presente tópico, que, em muito, se baseou na conclusão de que Fl. 1032DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 estaríamos diante de uma condição resolutória, considero que, no caso em tela, o cumprimento de um período de carência constitua uma condição suspensiva. Tem-se como condição resolutória aquela que, enquanto não realizada, ficam mantidos os efeitos do negócio jurídico e presente a possibilidade do exercício do direito estabelecido. Caso a condição se implemente, fica extinto o direito que a ela se opõe. Por outro lado, a condição suspensiva é aquela que, enquanto não for verificada, não há qualquer direito adquirido, que só surge com a sua efetiva implementação. No caso em tela, o contrato de outorga de opções, isoladamente, não confere ao colaborador nenhuma espécie de benefício efetivo, a não ser a expectativa de, em momento futuro, satisfeitas as condições estabelecidas, como prazo de carência e manutenção do qualidade de prestador de serviço, poder adquirir ações da instituidora do Programa. Assim, entendo que a outorga da opção, em si, enquanto não implementadas as condições suspensivas, não seria elemento capaz de atrair a regra de incidência tributária, seja por não ser quantificável monetariamente, seja por não se constituir, ainda, em direito passível de exercício tal como ocorre nos negócios jurídicos sob condição resolutória, seja por não corresponder a qualquer tipo de benefício financeiro ou econômico para o opcionista. Desta forma, caminhou bem a Autoridade lançadora, razão pela qual entendo acertada, também, a conclusão da Decisão recorrida, que não extrapolou suas competências legais e em nada inovou o lançamento, trazendo apenas considerações que objetivaram esclarecer as ações adotadas pela Fiscalização sobre o aperfeiçoamento do fato gerador, ao manifestar entendimento de que este foi considerado ocorrido no momento do exercício das opções de compra das ações. De fato, apenas neste momento seríamos capazes de verificar a efetiva obtenção do benefício representado pela diferença positiva entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago por elas. No mesmo sentido tem ocorrido reiteradas manifestações deste Conselho, conforme se verifica no Acórdão 2401-004467, de 16/08/2016: STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. EXERCÍCIO DO DIREITO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. BASE DE CÁLCULO Apura-se a base de cálculo na data do exercício do direito de compra das ações, quando aperfeiçoa-se o fato gerador pela vantagem econômica, consistente na remuneração sob a forma de utilidade, oriunda da aquisição das ações. A base de cálculo das contribuições corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas, na data do exercício, e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Em relação a uma suposta contradição do lançamento ao confundir institutos diversos, como o da outorga da opção com o seu exercício, não importa em mácula capaz de anular a autuação, afinal. não representou qualquer prejuízo à defesa, que de tudo tomou ciência e entendeu adequadamente a imputação fiscal, não resultando em cerceamento do direito de defesa a que alude o art. 59 do Decreto 70.235/72 5 . Assim, nada a prover. 5 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1033DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 D) DA NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ A defesa inicia este tópico tratando da suposta nulidade do Acórdão da DRJ que foi tratado no item anterior. Assim, entendo superado tal argumento. Ainda neste tema, a recorrente alega omissão da DRJ ao deixar de aplicar a mesma conclusão de precedentes do Carf, por concluir que tais decisões não vinculam o julgador de 1ª Instância. Assim, entende a defesa que a decisão não foi devidamente fundamentada. Ora, as decisões exaradas no âmbito do Carf, de fato, como regra, não vinculam o julgador de 1ª Instância, a menos que se refiram a tema objeto de súmula com efeitos vinculantes atribuídos por Portaria do Ministro da Fazenda, obrigando toda a administração tributária. Naturalmente, o Julgador tem livre convicção para decidir o caso concreto a partir dos elementos identificados nos autos, e as razões e fundamentos legais de tal decisão constituem a distinção de uma e outra situação fática, que pode até não ser exatamente relacionada ao caso concreto em si, mas decorrente da interpretação dada aos normativos em que se lastreia. Assim, a falta de indicação expressa da diferença entre casos julgados em precedentes não vinculantes não importa nulidade da decisão recorrida Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO Após extensa tratativa de questões preliminares, a recorrente apresenta alguns esclarecimentos prévios objetivando, a seguir, adentrar nas questões de mérito do lançamento. DO DIREITO A-1) Presença de elementos correspondentes ao Contrato Mercantil no caso concreto Afirma que não merecem prosperar as conclusões da Autoridade Lançadora e Julgadora acerca do caráter remuneratório do Plano de Opções de Compra de Ações, pelas seguintes razões: Invariavelmente, os Contratos de Opções apresentam risco agregado, risco este que está atrelado a uma margem de vantagem econômica e se verifica com a mera obrigatoriedade de aguardar o período de carência, inclusive com a perda de oportunidade de outros negócios ou outras propostas de trabalho. Cita precedente administrativos sobre o tema e alega que, mesmo inexistentes os pagamentos de prêmios nas outorgas das opções, o risco continua presente, por se tratar de uma escolha de um investimento para o qual o participante se prepara. Afirmando que não ganhar é um dano para o investidor se forem consideradas o custo de oportunidade da manutenção das condições do negócio e que eventuais elementos que mitigam o risco não são suficientes para afastar a natureza mercantil no presente caso. Fl. 1034DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Questiona conclusão da DRJ que aponta para a situação em que o opcionista que não exerce suas Opções deixaria de ser remunerado pelo serviço prestado. Nesta ponto, abre-se um parênteses para deixar claro que não foi isso que a decisão recorrida disse, mas tão só que não sendo exercida a opção ou não sendo cumprida a carência pelo beneficiário, não há que se falar em fato gerador da contribuição previdenciária. Ao contrário, sendo exercida a opção, há uma retribuição pelos serviços prestados, o que caracteriza o referido fato gerador. A leitura dos objetivos do Plano em comento evidencia que ele busca proporcionar incentivos adicionais a empregados e são estes incentivos adicionais que não serão recebidos, nada mais que isso. Não há de se falar em trabalho gratuito, mas poderíamos imaginar que essa retribuição se assemelhasse a uma comissão, em que sendo alcançado objetivo previamente estabelecido, receber-se-ia um valor adicional qualquer, mas não o alcançando, o colaborador recebe sua remuneração sem tal adicional. Voltando aos argumentos da defesa, esta afirma que resta evidente a incompatibilidade do conceito de remuneração com a voluntariedade e o risco inerente ao contrato mercantil de Outorga de Opções de Compra de Ações. Apresenta quadro em que sintetiza as características essenciais de um contrato mercantil, a saber: voluntariedade, onerosidade e risco. Concluindo que todos estariam presentes no caso concreto. A-2) Preço de Exercício Abaixo do Valor de Mercado na Data do Exercício Afirma que é inerente à modalidade de derivativo "opções" a diferença positiva ou negativa com relação ao valor de mercado e que a conclusão da Fiscalização e da DRJ caminham no sentido de que uma Opção perderia sua condição de contrato mercantil quando ser verificasse diferença positiva entre o preço pré-fixado e o valor de mercado na data do exercício. Sustenta que o modelo de investimento "plano de opção" tem por objetivo que o preço de exercício da opção seja inferior ao preço de mercado, já que todas as empresas têm expectativas de sua ação se valorize. A-3) Demonstração de Risco pelo Procedimento para o Exercício da Opção de Compra Aduz a recorrente a existência de um lapso temporal entre o momento em que o opcionista se compromete a exercer a opção de compra que lhe foi outorgada e a efetiva transferência da titularidade do ativo para que possa alienar as ações no mercado. Ilustra seus argumentos com um exemplo em que a opção foi exercida pelo preço da ação em R$ 19.14, passados 30 dias para aprovação do Conselho de Administração e transferência das ações, o valor de marcado era de R$ 15,25. A-4) Ausência de Retributividade Sustenta que para determinada verba ser considerada de natureza remuneratória, deve refletir uma contraprestação proporcional ao trabalho executado e à função desempenhada Fl. 1035DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 pelo trabalhador, do que resta sem fundamento as afirmações das Autoridades lançadora e julgadora de que, no presente caso, estaríamos diante de uma contraprestação pelo trabalho. Alega que diferentemente do salário, que é pago proporcionalmente ao tempo trabalhado, no caso de Contrato de Opção de Compra de Ações de caráter mercantil, o empregado ou prestador de serviço pode vir a trabalhar até 90% do período de carência que nenhuma opção lhe será devida pelo empregador. Reafirma que o fato gerador da obrigação previdenciária é o exercício de atividade remunerada (IN RFB 971/09) e que não se tratando de benefício com características de retributividade, não há de se cogitar a incidência da citada contribuição. Cita precedentes judiciais que acolhem a tese de falta de retributividade e de natureza mercantil em operações de stock options naqueles autos judiciais discutidos. Por fim, afirma que não cabe a alegação de inexistência de norma expressa eximindo contribuinte da incidência das contribuições previdenciárias sobre planos dessa natureza, já que não se pode exigir norma isentiva para situações que não se amoldam à hipótese de incidência de determinado tributo. Cita precedentes deste Conselho sobre a não incidência de contribuição previdenciária em contratos decorrente de Planos de Stock Optios. A-5) Impossibilidade de Considerar a Diferença entre o Valor de Mercado e o Valor de Exercício como Remuneração Afirma que a diferença entre o valor de exercício das ações e o valor de mercado na data do exercício, ao contrário do que concluiu as Autoridades lançadora e julgadora, não se caracteriza como remuneração, já que decorre de ganho atribuído pelo mercado, que não está sob o controle da instituidora do Plano. Alega que definir remuneração pelos supostos serviços prestados, no curso do período de carência, como a diferença entre o valor de mercado e o de exercício das ações criaria situações em que determinado beneficiário do plano seria remunerado em valor expressivo e outro com valores irrisórios ou não seria remunerado, ainda que tais beneficiários ocupassem funções idênticas ou equiparáveis, indo de encontro à legislação e à jurisprudência trabalhista acerca da remuneração devida a trabalhados. Aduz que a volatilidade não pode ser elemento marcante da remuneração devida por suposta prestação de serviço e que, ainda que se entendesse que o Plano de Opções caracterizaria remuneração pelo trabalho, a diferença positiva entre o valor de aquisição das ações e seu valor de mercado, na data do exercício, não se mostra como base de cálculo adequada para apuração de eventuais contribuições previdenciárias devidas. A representação da fazenda traz à balha algumas considerações sobre o caráter remuneratório das Stock Options concedidas aos empregados. Afirma que o cerne da questão é saber se o Plano configura remuneração aos seus beneficiários, o que o afasta das características dos Planos de natureza mercantil. Fl. 1036DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Aponta que o objetivo do Plano instituído pela recorrente seria o de obter e manter serviços de determinados colaboradores e, para tanto, oferta a estes opões de compra de ações em condições favorecidas, evidenciando o caráter retributivo e demonstrando que o acréscimo patrimonial experimentado decorre do trabalho. Alega que o Plano instituído atribui ao Conselho de Administração ou Comitês de Administração a prerrogativa de escolher os colaboradores beneficiados, determinar o número e preço de ações de cada outorga, dentre outras. Sustenta que as Opções eram outorgadas em caráter gracioso, sem qualquer pagamento de prêmio, e em caráter pessoal, impenhorável e intransferível. Aduz que os prazos de carência se estendendo por até quatro anos, em que se poderia exercer parcialmente as opções a cada aniversário caracteriza habitualidade. Pontua que no momento do exercício da opção o benefício ingressa no patrimônio do seu beneficiário, pouco importando o preço de venda em momento diverso. Afirma que as stock options são um componente variável da remuneração e seu não recebimento não significa um trabalho gratuito, já que complementam a remuneração fixa. Em relação ao risco na operação, a União argumenta que até o momento do exercício não há volatilidade do investimento porque sequer há investimento. Como já repetido diversas vezes, não houve pagamento de prêmio, o executivo/empregado não despendeu recursos financeiros para adquirir a opção de compra. O “custo de oportunidade” pela escolha de ficar trabalhando na companhia não é investimento, revelando-se meramente como uma escolha pessoal e profissional de cada trabalhador. Já a volatilidade depois do exercício é irrelevante. Nas ações sem submissão a cláusulas de lock up, como no caso dos autos, o “risco” oriundo da volatilidade é questão de escolha pessoal do trabalhador, que decidirá, segundo seu julgamento de conveniência e oportunidade, continuar ou não com as ações. Ao tratar de fato gerador e da base de cálculo, a União pontua que seria possível reconhecer a ocorrência de remuneração tanto na opção quanto no seu exercício, sendo necessário, portanto, aferir se ambos os instrumentos constituem utilidade. No caso das ações, entende que a utilidade é evidente, já que possuem, no momento do exercício, valor monetário e confere direitos inerentes à qualidade de sócio. Já com a outorga das opções, não há nenhuma vantagem ao beneficiário, já que inegociáveis e não conversíveis em dinheiro. Assim, afirma que o instrumento patrimonial a servir de referência da remuneração é a ação, sendo a base de cálculo a ser utilizada o montante da vantagem econômica oriunda da operação. Resumidas as considerações da defesa e da União, importante rememorar a base legal da incidência tributária em questão, previstas na Constituição Federal e na Lei 8.212/91: CF/88 Fl. 1037DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 (...) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(...) Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Quando se discute a incidência de contribuições previdenciárias sobre benefícios recebidos a título de Stock Optins, como bem pontuou a representação da Fazenda, é fundamental analisar as peculiaridade do Plano em particular para identificar se as vantagens econômicas recebidas estão vinculadas a uma contraprestação pelo serviço prestado. Sobre a questão, já foram apresentadas, mais de uma vez, considerações deste Relator que concluíram pela natureza remuneratória dos ajustes, já que as características observadas indicavam que a instituição do Plano de Opções de Compra de Ações está diretamente relacionada à obtenção e manutenção de serviços prestados e alcança não apenas os seus colaboradores diretos, mas também a outros vinculados às suas subsidiárias. Neste sentido, lá, entendi que seria irrelevante o vínculo empregatício direto com a autuada, já que este foi o formado por ela escolhido para incentivar a continuidade da prestação de serviço considerados essenciais ao êxito do grupo. Em relação aos preços de exercício inferiores ao valor de mercado, o problema não é exatamente estar abaixo ou acima, já que, de fato, essa diferença pode ser positiva ou negativa. A questão é que, nos ajustes com caráter remuneratório, nunca ocorrerá um exercício de uma opção quando o valor de mercado for inferior ao preço de exercício, já que nem mesmo o valor pago pelo prêmio, nesta caso inexistente, influenciaria a decisão do opcionista. Por exemplo, em um cenário mercantil, um cidadão que paga R$ 10.00 pelo direito de, em determinada data, comprar uma ação qualquer por R$ 150.00, considerará não adquiri-la mesmo que seu preço de mercado seja R$ 156,00, que, embora seja superior ao preço de exercício, ainda evidenciaria um prejuízo em relação ao valor efetivamente pago pelo ativo (valor de opção + Fl. 1038DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 preço de exercício). Naturalmente, poderia considerar, ainda, questões relacionadas a compensação de prejuízos em operações posteriores. Em se tratando das características dos contratos de Opções de Compra de Ações de natureza de mercantil, é natural que estes evidenciem alguma medida de risco para as partes contratantes, sendo este o elemento que se apresenta, neste caso, como fundamental para a diferenciação da natureza mercantil ou remuneratória do ajuste. No caso dos autos, o contribuinte autuado tenta, por meio de boa argumentação, demonstrar que os beneficiários de seus programas assumem riscos em tais operações à medida deixam de se empenhar em outros investimentos ou mesmo podem ver frustradas suas pretensões caso haja uma queda acentuada dos valores dos ativos no período de carência. Assim, quando se fala em risco, o que se busca é a evidencia deste entre a outorga e o exercício da opção, tal qual se verifica nas operações mercantis, em que o interessado em adquirir as ações no futuro, por determinado preço previamente estipulado, paga por este direito (prêmio). Assim, no momento do exercício de tal opção, poderá adquirir um ativo por um preço inferior ao praticado naquela data ou poderá perder todo o valor pago de prêmio, se não for vantajoso exercer a opção, em um cenário em que o preço estipulado previamente se mostre superior ao de mercado. Portanto, no caso dos autos, não há pagamento de qualquer prêmio no momento da outorga da opção, o que indica que não há investimento algum capaz de impedir que os futuros beneficiários possam se empenhar em outras empreitadas. Quanto à expectativa do potencial beneficiário de, no futuro, vir a receber as ações em condições favorecidas, é questão que escapa ao conceito de risco do investimento. Como regra, os instituidores de planos de natureza mercantil apostam no lucro pela desvalorização das ações contratadas, situação em que, naturalmente, a opção não será exercida, constituindo-se o valor do prêmio como o lucro do instituidor. Por outro lado, os optantes entram em tal ajuste objetivando ganhar com a valorização do ativo, lucrando com a aquisição de um ativo em valor inferior ao de mercado. No caso concreto sob análise, é evidente que a operação foi levada a termo objetivando a valorização da companhia instituidora, o que afasta ainda mais a operação entabulada à sua congênere mercantil, em que a instituidora objetiva ganhar com a queda das ações. As alegações do contribuinte sobre ausência de retributividade não merecem prosperar, já que a contraprestação proporcional ao trabalho executado e à função desempenhada pelo trabalhador está evidente nos autos, à medida que a quantidade das outorgas de opções concedidas não são uniformes, variando de colaborador para colaborador, tudo sob a batuta do Conselho ou Comitês de Administração, que, conforme bem destacado pela representação da Fazenda, têm a prerrogativa de escolher os colaboradores beneficiados, determinar o número e preço de ações de cada outorga, naturalmente, para tal, deverá se valer dos critérios que julgar pertinentes para atribuir benefício compatível com a colaboração de cada opcionista. Fl. 1039DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 Por fim, são igualmente improcedentes as alegações do recurso sobre se considerar o ganho atribuído a cada beneficiário como a diferença entre o valor de exercício das ações e o valor de mercado na data do exercício. Ora, como visto acima, o Plano de Opções instituído pela recorrente têm nítido cunho remuneratório, já que objetiva a obtenção e manutenção dos serviços prestados pelos potenciais beneficiários. No caso em tela, o contrato de outorga de opções, isoladamente, não confere ao colaborador nenhuma espécie de benefício efetivo, a não ser a expectativa de, em momento futuro, satisfeitas as condições estabelecidas, como prazo de carência e manutenção do qualidade de prestador de serviço, poder adquirir ações da instituidora do Programa. Assim, entendo que a outorga da opção, em si, enquanto não implementadas as condições suspensivas, não seria elemento capaz atrair a regra de incidência tributária, seja por não ser quantificável monetariamente, seja por não se constituir, ainda, em direito passível de exercício, seja por não corresponder a qualquer benefício financeiro ou econômico para o opcionista. Portanto, é no momento do exercício da opção que ocorre a incorporação ao patrimônio do beneficiário dos reflexos decorrentes da aquisição de ações sob condições favorecidas, sendo certo que, antes desta data, existia apenas uma expectativa de um direito, impossível de se mensurar em números a justificar a ocorrência do fato gerador do tributo. Definido o momento da ocorrência do fato gerador, a data do exercício da opção, inconteste que a vantagem percebida pelo beneficiário está diretamente relacionada à diferença entre o valor de mercado, nesta data, da participação adquirida, e o que se pagou por ela. É nesse sentido a decisão do CARF expressa no :Acórdão 2202-003.367, de 16/06/2016: PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. Desnecessidade de que efetivamente realize a venda posterior, para que se verifique o fato gerador da contribuição em caso, se o direito lhe foi conferido e a vantagem foi incorporada a sua esfera patrimonial. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. A variação ocorrida nos ativos no curso do período de carência pode aumentar ou diminuir o benefício efetivo experimentado por cada colaborador no momento do exercício da Fl. 1040DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 2201-005.153 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720038/2017-18 opção, sendo certo que, mesmo com informações privilegiadas disponíveis, embora pudesse estimar, a recorrente não teria como saber exatamente o comportamento do mercado no período. B) Ilegalidade da incidência de juros sobre o valor da multa Sobre o assunto, deixo de tecer maiores considerações, pois é tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, nada a prover. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, voto por rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 1041DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.720469/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/03/2007
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO.
Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO.
Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final.
EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS.
Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
Numero da decisão: 3302-007.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre água bruta, água clarificada, água desmineralizada, sulfato de alumínio, cloro líquido, cal hidratada e cal virgem, resinas catiônicas, iônicas e permutadora de íons, antiespumantes e tego antifoam, ar instrumento, gás nitrogênio e nitrogênio líquido, propano, solvente dmf, inibidores de corrosão, sequestradores de oxigênio e biocidas, esfera de cerâmicas, ar de serviço, gás freon, hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril sulfato de sódio e sulfito de sódio, tambor e material de embalagem (sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags, bulk liner injetor, sacas para big bags, paletes, container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas adesivas para afixação nas embalagens, marcadores e tinta específica para impressoras, braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão), junta de vedação, peça e partes de reposição (anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas, barra redonda, barra roscada, conduletes, parafusos, chapas, dijuntores, plugues, pastilhas, pinos, relés, rotores, eixos, eletrodos, eletrodutos, flanges, mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor, terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk, gelatina microbiologia, dianodic e spectrus, vapores, serviços utilizados no processo produtivo (pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de calderaria, de mecânica e de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físico-químicas de efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e paradas), despesas com tarifa de transmissão de energia elétrica, fretes transporte interno produtos acabados, fretes sobre transporte interno de insumos e fretes sobre vendas para empresas ligadas à recorrente, vencidos os Conselheiros Walker Araújo quanto ao gerenciamento de paradas e aos fretes de transporte interno de produtos acabados, os Conselheiros Jorge Lima Abud e Corintho Oliveira Machado quanto às despesas com tarifa de transmissão de energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 04 69 /2 01 2- 00 Fl. 8971DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 3 2 FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU ATÉ DE TERCEIROS NA OPERAÇÃO DE VENDA. DIREITO AO CRÉDITO. Conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também aplicável à Contribuição para o PIS, conforme art. 15, II, da mesma lei, é permitido o desconto de créditos em relação ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, estando aí contempladas todas as operações com produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, ou até de terceiros, e não somente a última etapa, da entrega ao consumidor final. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicamse ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre água bruta, água clarificada, água desmineralizada, sulfato de alumínio, cloro líquido, cal hidratada e cal virgem, resinas catiônicas, iônicas e permutadora de íons, antiespumantes e tego antifoam, ar instrumento, gás nitrogênio e nitrogênio líquido, propano, solvente dmf, inibidores de corrosão, sequestradores de oxigênio e biocidas, esfera de cerâmicas, ar de serviço, gás freon, hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril sulfato de sódio e sulfito de sódio, tambor e material de embalagem (sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags, bulk liner injetor, sacas para big bags, paletes, container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas adesivas para afixação nas embalagens, marcadores e tinta específica para impressoras, braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão), junta de vedação, peça e partes de reposição (anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas, barra redonda, barra roscada, conduletes, parafusos, chapas, dijuntores, plugues, pastilhas, pinos, relés, rotores, eixos, eletrodos, eletrodutos, flanges, mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor, terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk, gelatina microbiologia, dianodic e spectrus, vapores, serviços utilizados no processo produtivo (pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de calderaria, de mecânica e de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físicoquímicas de efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e paradas), despesas com tarifa de transmissão de energia elétrica, fretes transporte interno produtos acabados, fretes sobre transporte interno de insumos e fretes sobre vendas para empresas ligadas à recorrente, vencidos os Conselheiros Walker Araújo quanto ao gerenciamento de paradas e aos fretes de transporte interno de produtos acabados, os Conselheiros Jorge Lima Abud e Corintho Oliveira Machado quanto às despesas com tarifa de transmissão de energia elétrica. (assinado digitalmente) Fl. 8972DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 4 3 Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Tratamse de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins nãocumulativa e PIS/Pasep nãocumulativa, relativo ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2007. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Contra o interessado foi lavrado auto de infração de Cofins no valor total de R$ 59.657.687,17 (fls. 957/964) e de PIS no valor total de R$ 12.951.997,84 (fls. 923/930), referentes aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2007, em função das irregularidades que se encontram descritas nos Termos de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 931/956 (Cofins) e 897/922 (PIS/Pasep); A empresa apresenta impugnações às fls. 968/1074 (Cofins) e 2463/2568 (PIS), nas quais alega, em síntese: a) DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ATÉ O DESFECHO DO PAF 13502.720849/2011 55; b) DA GLOSA DECORRENTE DA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COMPROBATÓRIAS DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS; c) DA GLOSA INDEVIDA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS; d) DA INCORRETA INTERPRETAÇÃO DADA AS NORMAS DE REGÊNCIAS DA COFINS E DO PIS; e) DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO e.1) Água Bruta, Cloro Líquido, Antiespumantes, Água Desmineralizada, Água clarificada, Ar de Instrumento, Gás Nitrogênio e Nitrogênio Líquido, Vapor, Propano, Solvente DMF, Inibidores De Corrosão, Sulfato de Alumínio Soda Cáustica e Cal Hidratada e Cal Virgem, Carbonato de Sódio, Esferas de Cerâmica, Ar de Serviço, Tego Antifoam, Gás Freon, Hipoclorito de Sódio Kuriroyal e Kurizet, Monoetilenoglicol, Fl. 8973DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 5 4 Lauril Sulfato de Sódio e Sulfito Sódio, Tambor, Junta de Vedação, Partes e peças de Reposição utilizadas na manutenção rotineira, Material de embalagem, Vaselina, Vaselina BYK, Gelatina Microbiologia, Dianodic e Spectrus; f) DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO: f.1) Pintura Industrial, Inspeção de Equipamentos e Manutenção Civil, Isolamento Térmico Refratário Antiácido, Limpeza Industrial, Manutenção De Equipamentos De Laboratório, Serviços de transporte, Serviços de Caldeiraria, de Mecânica e Elétrica, Serviços de tratamento de eflluentes e análises físico químicas de efluentes, Serviços relativos aos materiais de embalagem, Gerenciamento de Empreendimentos e Paradas; g) DA INTERPRETAÇÃO DAS INs SRF N° 247 e 404 CONFORME AS LEIS N° 10.637/2002 e10.833/2003; k) DA GLOSA INDEVIDA DAS DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA; l) DA GLOSA INDEVIDAS DAS DESPESAS COM FRETES; n) REQUER AINDA QUE SEJA REALIZADA DILIGÊNCIA FISCAL EM VISTA DA CONTROVÉRSIA EXISTENTE; Foi requerido diligência fiscal por meio do Despacho nº 25, de 24 de maio de 2013; A empresa apresentou “razões complementares à impugnação” (fls. 5.488/5.507 e 6.224/6.244), nas quais reafirma alegações referentes ao conceito de insumo e alega improcedência da autuação fiscal em face de erros cometidos pela fiscalização; Efetuada a diligência requerida a autoridade fiscal emitiu o Relatório de Diligência de fls. 4.801/4.812; A empresa apresentou “manifestação aos termos do Relatório de Diligência” (fls. 5.390/5.442); Foi requerido nova diligência fiscal por meio do Despacho nº 48, de 12 de maio de 2015; Na sessão de julgamento de 29/09/2017 foi prolatado o Acórdão 0964.666 2ª Turma DRJ/JFA; Posteriormente este relator constatou existir erro de cálculo no citado Acórdão; É o breve relatório. Às fls. 5.372/5.373 e 5.374/5.375, a recorrente apresentou documentos de Desistência Parcial da manifestação de inconformidade em relação a valores do item NOTAS FISCAIS COMPROBATÓRIAS, tendo em vista a opção de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, por ocasião da reabertura do prazo de adesão promovida pela Lei nº 12.996/2014. Fl. 8974DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 6 5 Em sessão de 29 de setembro de 2017, a 2ª Turma da DRF de Juiz de Fora MG, proferiu o acórdão 0965707, julgando parcialmente procedentes as impugnações da recorrente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PIS/PASEP COFINS. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM USO DE REDE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Nos termos da Solução de Consulta nº 274 – SRRF08/Disit, de 19/11/2012, as despesas com uso de rede de transmissão de energia elétrica não fazem jus ao crédito das contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, onde ataca o r. acórdão por supostamente ser nulo, uma vez ter sido tolhido se direito de defesa com a não aceitação da complementação da impugnação, alegando erros materiais cometidos pela fiscalização, da glosa efetuada pela falta de apresentação de notas fiscais, discorre de forma extensa sobre o conceito de insumo nas aquisições atingidas pelas contribuições ao PIS e COFINS, passando a descrever a utilidade dos produtos dos quais a fiscalização glosou por entender não se tratarem de insumos, descrevendo os serviços utilizados como insumos e glosas das despesas com frete. Juntado o recurso voluntário da recorrente o processo foi distribuído à relatoria desse Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. Fl. 8975DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 7 6 Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. I Do Recurso de Ofício Nos termos do art. 34 do DecretoLei 70.235/72, tendo e vista a exoneração de parte do crédito tributário apontado pela fiscalização como devido, a decisão deve ser submetida a revisão necessária. Como podemos observar da decisão de piso a exoneração se deu em grande parte por divergência apontadas entre os valores apurados pela fiscalização e demonstrados pela recorrente no processo, relacionadas a notas fiscais lançadas em arquivos digitais e DACON. A divergência foi objeto de diligência determinada pela autoridade preparadora quando da análise das impugnações protocoladas pela recorrente. No relatório da diligência restou consignado que: “51.Conforme alegado na impugnação, e com respaldo nos documentos apresentados, cabe a glosa pela não apresentação de documentação comprobatória apenas dos valores constantes na coluna ‘Diferença aceita na impugnação’ da tabela acima”. Como podemos observar, a autoridade fiscal responsável pela diligência atestou a diferença entre os valores glosados pela fiscalização e aqueles apresentados pela recorrente em impugnação, devidamente comprovados, devendo persistir a glosa sobre os valores em que não houve a comprovação. No mesmo sentido, deve permanecer a exoneração relacionada ao produto considerado como insumo pela fiscalização, por ser utilizado no processo de produção da recorrente, qual seja, a borracha sebs. A mesma solução deve ser aplicada à reversão da glosa sobre os créditos de PISimportação e COFINSimportação vinculados a receita de exportação. Conforme restou consignado no relatório da diligência requerida pela DRJ, todos os créditos de importação vinculados à exportação, feita a análise dos documentos entregues pela recorrente, foi apontada a comprovação dos valores lançados em DACON, vejamos: No pedido de diligência foi solicitado que "a autoridade fiscal informe se os créditos vinculados à importação foram usados na dedução das contribuições lançadas naqueles processos. Em caso positivo, informar o valor utilizado". No Relatório de Diligência a fiscalização informa que “10.Nas recomposições dos DACON e nos TVF lavrados no supra citado processo, a autoridade fiscal autuante segue a intenção do contribuinte de não usar o crédito de importação vinculado à receita de exportação para dedução das contribuições devida. Por outro lado, também não considerou tal crédito como crédito passível de ressarcimento. A não utilização de tal crédito para dedução e nem a sua caracterização como passível de Fl. 8976DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 8 7 ressarcimento estão claras nas planilhas comparativas do PIS e da COFINS e na planilha de perdcomp restituído, todas anexadas ao processo.”, ou seja, o crédito em questão não foi deduzido da contribuição devida no período. A empresa não efetuou essa dedução quando da apuração feita por ela, pois ao deduzir outros créditos que julgava ter direito, a contribuição devida foi zerada. Com a glosa parcial de créditos quando do procedimento fiscal e a conseqüente apuração de contribuição a pagar, esses créditos, se comprovados, devem ser deduzidos da contribuição apurada. A fiscalização informa também que "11.Todos os créditos de PIS/COFINS importação vinculados à receita de exportação declarados nas Fichas 06B e 16B do DACON (vide tabela abaixo) foram informados na linha 02 Bens Utilizados como Insumos, sendo imprescindível a confirmação contábil/fiscal dos valores ali declarados, além da caracterização de tais bens importados como insumos geradores de crédito". Após intimar a empresa, a autoridade fiscal afirma que "14.Tendo sido feita análise dos documentos fiscais apresentados, ficaram comprovados os valores lançados nos DACON. tanto por estarem respaldados por operações de importação confirmadas pelos documentos fiscais, como por terem sido os produtos importados caracterizados como insumos geradores de crédito". Assim, considerando as conclusões do Relatório de Diligência, temos que, quanto a este item, devem ser revertidas glosas nos valores de R$ 2.817.870,51 em abril de 2007, R$ 4.770.656,39 em maio de 2007, R$ 11.941.717,90 em agosto de 2007, R$ 1.737.588,64 em setembro de 2007, R$ 1.485,90 em novembro de 2007 e R$ 95.787,25 em dezembro de 2007, que serão acrescidos às bases de cálculo dos créditos das contribuições conforme discriminação a seguir: CFOPs 1101 e 1201abr/2007: R$ 2.817.870,51 (R$ 2.006.297,30 + R$ 3.017.482,08 – R$ 2.205.908,87); CFOPs 1101 e 1201maio/2007: R$ 4.770.656,39 (R$ 6.022.506,03 – R$ 3.821.956,96 + R$ 2.570.107,32); CFOPs 1101 e 1201ago/2007: R$ 11.941.717,90 (R$ 2.049.934,21 + R$ 16.087.128,57 – R$ 6.195.344,88); CFOPs 1101 e 1201set/2007: R$ 1.737.588,64 (R$ 428.773,18 + R$ 1.308.815,46). CFOP 1101nov/2008: R$ 1.485,90; CFOPs 1101 e 1201dez/2007: R$ 95.787,25 (R$ 3.147,31 + R$ 92.639,94). (destaques do original) Considerando o acima expostos, podemos observar que as exonerações dos créditos tributários foram precedidas de minuciosa análise realizada em diligência, e Fl. 8977DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 9 8 devidamente escorada por documentação idônea, motivo pelo qual voto por conhecer do recurso de ofício, contudo negarlhe provimento. II Do Recurso Voluntário Tratamse de Autos de Infração para constituição de crédito tributário de Cofins nãocumulativa e PIS/Pasep nãocumulativa, relativo ao 2º, 3º e 4º trimestre de 2007. A demanda gravita em torno do conceito de insumo que, em sua aquisição, dariam à recorrente o direito de creditar de parcela dos valores pagos a título das contribuições ao PIS e à COFINS. II.1 Preliminar Nulidade da decisão recorrida Preterição direito de defesa Para a recorrente, a não aceitação de razões complementares, apresentadas em momento anterior à prolação da decisão recorrida, sob o argumento de que haveria de ser considerada a preclusão da matéria e documentos ali trazidos, pois, em tese, deveriam ter sido apresentados quando do protocolo da impugnação, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, feriu seu direito à ampla defesa e acesso ao devido processo. Entendo que a alegação da recorrente não merece guarida. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que no presente caso houve uma nova impugnação e não só a juntada de novos documentos mencionados na impugnação ou que demonstrassem a existência de fato novo que pudesse alterar ou extinguir o lançamento. A juntada de novos documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa é matéria já discutida perante este E. Conselho, devendo ser analisada no caso concreto (CRSF Acórdão nº 9101002.791), no entanto, a apresentação de "complementação de impugnação", mesmo que acompanhada de outros documentos não pode ser permitida, devendo ser decretada a preclusão, conforme ocorrido no caso em apreço. Dessa forma, a "complementação de impugnação" e os documentos apresentados com a mesma não devem ser admitidos e apreciados. Não obstante, em que pese ter havido a decretação de preclusão pelo r. acórdão recorrido da razões complementares à impugnação, entendo que o resultado da diligência determinada pela DRJ, promoveu a revisão de ofício dos créditos tributários, afastando eventuais equívocos apontados nos lançamentos, o que levou a considerável redução dos valores lançados. Vale lembrar que a recorrente foi intimada da diligência, participou ativamente de sua produção, respondendo aos questionamentos da autoridade fiscal, juntando provas e demais documentos que comprovariam seu direito, não havendo desta forma mácula ao seu direito de defesa, muito menos falta de acesso ao devido processo legal. Fl. 8978DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 10 9 Ressaltase que em nenhum momento foram apontadas as causas que poderiam levar à nulidade da r. decisão, trazidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e, por tais razões, entendo não haver nulidade da decisão recorrida. II.1.2 – Revisão de Lançamento – Alteração Critério jurídico Para a recorrente o presente processo estaria eivado de nulidade, tendo em vista ter havido supostamente a alteração do critério jurídico do lançamento, alegando que, “se a exigência de parcela do crédito tributário lançado tem como fundamento a glosa pela não apresentação de documentação comprobatória da origem do crédito informado no DACON, é certo que a peça acusatória não pode se prestar à cobrança desse mesmo crédito com base em fundamento jurídico diverso daquele originalmente apontado pela fiscalização, sob pena de afronta ao princípio da nãocumulatividade do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo; que em última instância, realiza o primado da segurança jurídica que norteia as relações na seara tributária. Segundo seu entendimento houve violação aos ditames dos art. 145, 146 e 149 do CTN, o que levaria a decretação de nulidade da peça acusatória. Entretanto, entendo não assistir razão à recorrente. As verificações feitas anteriores ao despacho decisório com relação a existência ou não dos créditos pleiteados, são feitas com base em informações localizadas no sistema da RFB, e são realizadas de forma eletrônica, vale dizer, não há interferência humana nessa fase. Indeferido o pleito, abrese a possibilidade do contribuinte, por meio da manifestação de inconformidade, demonstrar por documentos válidos (fiscais e contábeis) a existência do crédito solicitado. A partir desse momento é que os documentos são analisados pelo julgador de primeira instância, que verificará a existência do direito ou a manutenção da do despacho decisório. Foi exatamente esse procedimento que foi observado na presente demanda. Os documentos apresentados pela recorrente em impugnação e em diligência, foram analisados pela autoridade julgadora e, em parte considerados insuficientes para a demonstração de existência do crédito, não havendo qualquer alteração de critério jurídico para a prolação de decisão recorrida. II.2 Do Mérito III.2.1 Da glosa decorrente da falta de apresentação de notas fiscais comprobatórias O assunto em destaque foi objeto de apreciação quando da análise do recurso necessário, realizada tópicos acima. Conforme descrito, as inconsistências verificadas entre os valores apontados pela fiscalização e aqueles trazidos e comprovados pela recorrente, foram devidamente corrigidos e exonerados em sua grande parte. Fl. 8979DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 11 10 No que se refere ao saldo apontado que persistiria a título de lançamento, devido sua não comprovação, foram objeto de adesão à parcelamento trazido pela Lei nº 11.941/09, conforme expressamente informado pela recorrente, que fez juntar ao processo cópias dos pedidos de adesão. Assim, não há o que ser analisado ao presente tópico, consequentemente, não conheço da matéria por não haver litígio. II.2.2 Conceito de Insumo No mérito, inicialmente, exponho o entendimento deste relator acerca da definição do termo "insumos" para a legislação da nãocumulatividade das contribuições. A respeito da definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, que defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Para dirimir todas as peculiaridades que envolve a questão do crédito de PIS/COFINS, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018. "Pacificando" o litígio, o STJ julgou a matéria, na sistemática de recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL Fl. 8980DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 12 11 DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Fl. 8981DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 13 12 Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...] 64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: Fl. 8982DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 14 13 “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. V Fl. 8983DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 15 14 Encaminhamentos 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares Fl. 8984DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 16 15 em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem caráter definitivo e que podem ser revistas em julgamento administrativo) não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de servilos (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. As conclusões acima descritas em grande parte já faziam parte de meu entendimento quanto ao conceito de insumos e, eram utilizados nos em votos anteriores, Fl. 8985DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 17 16 contudo, levando em consideração ao que é ditado pelo art. 62, do anexo II, do RICARF, a decisão prolatada pelo STJ deve ser observada em sua totalidade. Com essas considerações, passase à análise do caso concreto. II.2.3 Das glosas de Insumo Antes de tratar especificamente de cada um dos item glosados, pois segundo o entendimento da fiscalização, não se subsumiriam ao conceito de insumo, temos que ressaltar que a questão esta diretamente ligada à possibilidade de se enquadrar os produtos adquiridos pela recorrente e aplicados em sua atividade como tal, vale dizer, não foi suscitada pela fiscalização ou no acórdão recorrido, falta de prova da aquisição e comprovação de utilização dos mesmos no processo produtivo. Pelo contrário, a farta quantidade de documentos trazidos pela recorrente no decorrer do processo administrativo, destacando de forma especial o laudo do IPT, demonstrou o processo produtivo da recorrente e a utilização dos insumos na industrialização de produtos finais, bem como a contratação de prestação de serviços especializados indispensáveis para a manutenção de suas atividades. II.2.3.1 Água bruta, água clarificada Conforme demonstrado pela recorrente a água bruta adquirida e outros produtos químicos, são utilizados como insumo na produção do produto final água clarificada e água potável, sendo certo que parte de sua produção é destinada à venda para terceiros e parte utilizada como insumo na produção de diversos outros produtos, a exemplo do PVC, além de ser componente indispensável para o resfriamento de diversas plantas industriais da recorrente. Vale destacar que, em que pese haver a transformação da água bruta em água clarificada pela própria recorrente, há ainda a necessidade de se promover a aquisição de referido insumo junto a terceiros (Copesul Cia Petroquimica do Sul, p. ex). Ressaltase ainda que a água potável, outro subproduto resultante da industrialização da água bruta, também é vendida a terceiros e utilizada na atividade fabril da recorrente. Desta forma, considerando o que fora tratado acima com relação ao conceito de insumo, entendo que a água bruta e a água clarificada são essenciais para a produção dos produtos industrializados pela recorrente, havendo assim a necessidade de serem revertidas as glosas dos créditos das contribuições ao PIS e à COFINS, verificados quando da sua aquisição. II.2.3.2 Água desmineralizada A exemplo do item anterior, restou demonstrado pelos documentos juntados aos autos que a água desmineralizada adquirida pela recorrente é utilizada como insumo em seu processo produtivo, gerando vapor, que tem fração comercializada a terceiros e outra fração utilizada em seu parque fabril, na produção de outros produtos, como o polietileno. Na descrição da produção do polietileno, feita no laudo do IPT, resta claro a essencialidade da água desmineralizada na formação dos pellets, forma final em que é Fl. 8986DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 18 17 comercializado o polietileno. O mesmo se aplica à produção do PVC, que segundo as informações é realizado pelo sistema de suspensão, extraindo o calor gerado na operação. Subsumindose, assim, ao conceito de insumo aqui esposado, as glosas referentes aos créditos na aquisição de água desmineralizada devem ser revertidas. II.2.3.3 Sulfato de alumínio, Cloro líquido, Cal hidratada e Cal virgem, resinas catiônicas, iônicas e permutadora de íons Todos os produtos químicos trazidos no presente item, são utilizados pela recorrente no tratamento e na produção das águas clarificada, desmineralizada e potável, apresentandose como itens indispensáveis para que se alcance o produto final. Destarte, subsumemse ao conceito de insumo trazidos pelo STJ e aclarados pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, motivo pelo qual a glosa estabelecida pela fiscalização dos créditos das contribuições em comento, devem ser revertidas. II.2.3.4 Antiespumantes e Tego antifoam Conforme demonstrado pela recorrente e pelo Laudo do IPT, são insumos utilizados no controle de formação de espuma na etapa de recuperação de Acetonitrila. Tendo em vista que a utilização dos antiespumantes restou demonstrada essencial para a consecução do processo produtivo da recorrente, a exemplo do item anterior, as glosas que recaíram sobre suas aquisições, também devem ser revertidas. II.2.3.5 Ar Instrumento Pelo que restou demonstrado dos documentos juntados ao caderno processual, o ar instrumento adquirido pela recorrente é utilizado para o acionamento de equipamentos pneumáticos dispostos nos parques fabris de todas as suas unidades. Referidos equipamentos são indispensáveis para a industrialização de seus produtos e, via de consequência, sem sua movimentação que é feita pelo ar instrumento, não há produção. Apurouse ainda que diversos dispositivos de segurança, como válvulas de controle, são acionados pelo ar instrumento, fato esse que demonstra ser essencial para a consecução da atividade da recorrente. Mais uma vez, demonstrada a essencialidade do produto adquirido, qual seja, ar instrumento, necessária ser faz a reversão da glosa perpetrada pela fiscalização e mantida pela decisão da DRJ. II.2.3.6 Gás Nitrogênio e Nitrogênio Líquido Referidos produtos são utilizados para formar uma espécie de manta protetora, impedindo a contaminação das matériasprimas (gases pressurizados a altas temperaturas) por oxigênio, além de serem utilizados nas etapas de secagem, na remoção de solventes do produto final e na recuperação do nhexano dos efluentes líquidos e subprodutos gerados no decorrer do processo de produção. Fl. 8987DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 19 18 A posição da fiscalização e da DRJ quanto ao conceito de insumo, demonstrada no auto de infração e na decisão recorrida, tem por fundamento o artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI. Referida posição não tem mais espaço, havendo a necessidade de serem seguidos os caminhos estabelecidos no REsp 1.221.170/PR, devidamente aclarados pelo Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, editado pela RFB. Nesse diapasão, a desqualificação do produto como insumo por não entrar em contado direto com as demais matérias primas no processo produtivo, não deve prosperar frente a essencialidade e relevância no desenvolvimento da atividade, mesmo que não tenha o malfadado contato direito. Destarte, demonstrado que o gás nitrogênio e o nitrogênio líquido são essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa, seja no resfriamento de equipamentos e suas partes, seja como veículo condutor de outros insumos, a glosa determinada pela fiscalização se mostra equivocada, havendo a necessidade de ser revertida. II.2.3.7 Propano O propano tem duas funções no processo produtivo do polietileno de alta ou baixa densidade, a primeira é funcionar como agente diluente e a segunda diz respeito a sua propriedade de remoção do calor dispersado durante o processo de produção. Desta feita, os créditos glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão recorrida, devem ser restabelecidos em favor da recorrente. II.2.3.8 Solvente DMF Na mesma toada do item anterior, o solvente DMF, conforme demonstrado nos autos do presente processo (especialmente no laudo do IPT), é insumo utilizado no processo produtivo do Buatadieno 1,3 de alta pureza, promovendo a separação de vários componentes, para se chegar ao produto final. Assim, necessária a reversão da glosa dos créditos das aquisições de referido insumo. II.2.3.9 Inibidores de corrosão, sequestradores de oxigênio e biocídas Ao longo do tempo, o processo de produção dos produtos da recorrente, conforme demonstrado no laudo do IPT, que utilizase de vários componentes químicos diferentes, promove o desgaste do maquinário que compõe seu parque fabril. Visando evitar a deterioração precoce dessas máquinas e equipamentos, adquire e utiliza inibidores de corrosão, que tem por objetivo proteger as partes e peças destes contra o desgaste, bem como diminuir o risco de impurezas geradas pelo desgaste, venham a tornar o produto final imprestável. A mesma função é exercida pelo carbonato de sódio, utilizado para neutralizar o ácido clorídrico, substancia corrosiva. Fl. 8988DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 20 19 Inibidores de corrosão como, Inibidor de corrosão de água aquec., inibidor corrosão Inhibitor OP 8441, Nalco, Trasar, Cortrol, Corrishilde, Flogard, Opstisperse, Inibidor AZ, Steamate OAS 4000, DA 2299, DA 2207, DA 2215, DA 2237, DA 2255, EC 3315, DORF UNICOR, PSO 3DT, são utilizados para evitar ataques corrosivos no maquinário utilizado pela recorrente para a industrialização de seus produtos. Como podemos observar, em que pese não ser adicionado ao produto final ou consumido durante o processo de produção, referidos inibidores, mostramse indispensáveis para o desempenho das atividades da recorrente, devendo assim serem conceituados como insumos que adquiridos garantem o direito ao crédito de PIS e COFINS, havendo a necessidade de reversão da glosa lançada pela fiscalização. II.2.3.10 Esfera de cerâmicas As esferas de cerâmica utilizadas pela recorrente em seus processos produtivos, ao contrário do alegado pela fiscalização, mesmo contra seu conceito de insumo, é aplicada diretamente no processo produtivo. São utilizadas em diversas fases do processo produtivo, promovendo a sustentação de catalisadores e peneiras moleculares. Vale ressaltar que, seguindo o conceito de insumo defendido até aqui, mesmo que o produto não entrasse em contato direto no processo produtivo, mas se demonstrasse essencial para o desenvolvimento do mesmo, no presente caso, deve ser considerado como insumo e, por tal razão, a glosa que recaiu sobre os valores lançados como créditos devem ser revertidas. II.2.3.11 Ar de serviço A exemplo do ar instrumento, o ar de serviço é utilizado pela recorrente em seus processos produtivos como força motriz de equipamentos, válvulas de segurança, etc., que compõem o parque industrial da contribuinte. Não bastasse essa função de referido produto, ele também é utilizado na limpeza e inspeção de compartimentos com alto grau de perigo para a saúde de seus funcionários e também ao meio ambiente. Para que a inspeção de referidos compartimentos seja feita com segurança, são submetidos à injeção do ar de serviço que serve para garantir que se possa fazer a inspeção dos equipamentos, que são totalmente vedados, vale dizer sem a utilização do ar de serviço a inspeção não seria possível, o que de fato poderia prejudicar, ou até mesmo inviabilizar as atividades da recorrente. Assim, a exemplo do ar de instrumento o ar de serviço deve ser considerado como insumo, revertendose a glosa relacionadas aos créditos de sua aquisição. II.2.3.12 Gás Freon O gás freon (suva R134 e R22) é um fluído refrigerante utilizado no resfriamento de torres de condensação e geladeiras de armazenagem dos componentes químicos necessários à produção dos produtos finais. Fl. 8989DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 21 20 Na hipótese de não haver o resfriamento garantido pelo gás freon, os componentes utilizados pela recorrente como matéria prima, submetidos à temperatura ambiente decompõemse, podendo até mesmo causar a explosão do recipiente em que se encontra armazenado. Desta forma, mostrase como componente indispensável para a consecução do mesmo, portanto insumo e, consequentemente, as glosas efetivadas dos créditos apurados pela recorrente devem ser revertidas. II.2.3.14 Hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril sulfato de sódio e sulfito de sódio Os componentes químicos listados no presente tópico mostramse essenciais para a produção industrial da recorrente, seja utilizandoos como insumos diretos para se chegar ao produto final, seja como insumos utilizados para garantir o perfeito funcionamento de componentes mecânicos, hidráulicos ou pneumáticos do parque industrial. O hipoclorito de sódio e de cálcio são utilizados, por exemplo, no tratamento das águas industriais; o monoetilenoglicol é um fluído selante utilizado na bombas de injeção dos sistema de Acetonitrila; o lauril sulfato de sódio e o sulfito de sódio são emulsificantes empregado na produção do PVC. Assim, todos se subsumem ao conceito de insumo, garantindo a reversão da glosa dos créditos realizada pela fiscalização. II.2.3.15 Tambor e material de embalagem O tambor tratado nesse tópico, nada mais é do que um recipiente utilizado para a armazenagem de subprodutos e resíduos do processo produtivo, que em virtude dos serviços de manutenção e limpeza efetuados no parque fabril, devem ser acondicionados para seu transporte. O recipiente, como dito serve tanto para a remoção quanto para a armazenagem de produto final, possibilitando seu acondicionamento adequado e transporte seguro. A recorrente utilizase ainda de sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags, bulk liner, injetor, sacas para big bags, paletes, container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas adesivas para afixação nas embalagens, marcadores e tinta específica para impressoras, braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão. Como podemos observar, levando em consideração a análise dos documentos juntados aos autos e laudo do IPT, referidos materiais são utilizados como embalagens para transporte e manutenção da qualidade do produto final a ser comercializado pela recorrente. Destarte, considerando que os materiais aqui relacionados subsumemse ao atual conceito de insumo, devido sua relevância ao processo de produção da recorrente, necessária se faz a reversão da glosa dos crédito realizada pela fiscalização. II.2.3.16 Junta de vedação, peça e partes de reposição Fl. 8990DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 22 21 No tange às juntas de vedação restou demonstrado que sua utilização se dá durante o processo produtivo da recorrente, mais precisamente no processo chamado elitróse, mostrandose necessária para o desenvolvimento desse. Foram glosados pela fiscalização os créditos tomados pela recorrente relacionados a aquisição de partes e peças de reposição, como anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas, barra redonda, barra roscada, conduletes, parafusos, chapas, dijuntores, plugues, pastilhas, pinos, relés, rotores, eixos, eletrodos, eletrodutos, flanges, mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor, terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores. Da leitura do caderno processual, podemos verificar, das planilhas apresentadas pela recorrente e, em especialmente do laudo apresentado pela recorrente feito pelo IPT que os itens acima descritos enquadramse no conceito de insumos, havendo a necessidade de reversão de suas glosas. II.2.3.17 Vaselina, Vaselina BYK, gelatina microbiologia, dianodic e spectrus Os produtos listados no item em apreço subsumemse ao conceito de insumo, uma vez que demonstramse essenciais para a produção dos produtos finais comercializados pela recorrente. A vaselina é adicionada ao polipropileno, para regular sua dosagem, agindo como catalisador na polimerização; a vaselina BYK é utilizada na planta Spherilene no preparo de pasta catalítica; a gelatina microbiologia atua como agente dispersante na produção do PVC; e o diadonic e spectrus são adicionados à água de resfriamento para inibir a corrosão do sistema, evitando a proliferação de microorganismos, incrustração de sais e no controle do pH. O Laudo técnico do IPT, que teve por base a verificação de documentos e visita in loco, para a análise do processo produtivo, atesta tal essencialidade, devendo a glosa dos créditos relacionadas a estes produtos serem revertidas. II.2.3.18 Vapores As mesmas soluções acima propostas até o momento, no sentir desse Conselheiro devem ser aplicadas às glosas dos créditos feitas pela fiscalização, no que diz respeito à aquisição de vapores. Pois bem. Restou demonstrado que os vapores são elementos indispensáveis para as atividades da recorrente, seja como na forma de energia térmica, que move grande parte da planta fabril, seja na aplicação direta na produção dos produtos fabricados, ou ainda, na limpeza e conservação dos equipamentos da recorrente. Assim, necessária se faz a reversão das glosas dos créditos realizada pela fiscalização. II.2.3.19 Serviços utilizados no processo produtivo Fl. 8991DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 23 22 Neste tópico temos a análise relacionada às glosas feitas dos créditos de contratação de prestação de serviços, tendo em vista o entendimento da fiscalização de que não estariam diretamente relacionados ao processo produtivo da recorrente. Foram glosados os créditos sobe os serviços de pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de transporte, serviços de calderaria, de mecânica e de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físicoquímicas de efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e paradas. Pois bem. De acordo com a decisão do STJ e Parecer Normativo Cosit 05/2018, são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Pelo que foi apurado do processo, os serviços acima elencados, exceto aqueles apontados como serviços de transporte que na minha visão referemse a custos de frete, subsumemse ao conceito de insumo, fazendose necessária a reversão de suas glosas. II.2.3.20 – Despesa com transmissão de energia elétrica Segundo depreendemos da análise do processo em discussão a autoridade fiscal entende não haver direito ao crédito das contribuições relativo às despesas com o uso e transmissão de rede de energia elétrica, despesas incluídas nos gastos com energia elétrica. Ao contrário da fiscalização, interpreto que também em relação aos valores de transmissão e distribuição da energia elétrica devem ser reconhecidos os créditos. Atento à redação do inc. III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, segundo o qual os créditos em questão são calculados em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, e levando em conta não se tratar de benefício fiscal, considero que todos os gastos com energia elétrica, seja a adquirida de concessionárias ou a produzida por conta própria e depois transmitida e distribuída para consumo nos estabelecimentos da pessoa jurídica, dão direito a crédito. Não há, no inc. III em comento, a limitação vista pela fiscalização. Penso que se o legislador quisesse limitar o crédito apenas à energia elétrica adquirida de concessionária (sem abranger a gerada em unidade própria) devia deixar expressa tal limitação. Ou então diria que na hipótese de produção própria de energia elétrica os créditos não seriam admitidos, em vez de adotar a redação mais abrangente do inc. III (“energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”). Mas o certo é que não há, na legislação que rege a nãocumulatividade do PIS e Cofins, qualquer vedação a que, em vez da aquisição direta da energia elétrica, o contribuinte prefira contratar a transmissão e distribuição, que certamente serão mais baratas. De acordo com a Nota Técnica da Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL nº 554, de 05.12.2006, o Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Transmissão, assim como o Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Distribuição, são encargos pagos pelos Fl. 8992DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 24 23 usuários do sistema de transmissão e distribuição, com base na Tarifa de Uso dos Sistemas de Transmissão – TUST e na Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição – TUSD, respectivamente, em função da obrigatória formalização do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão/Distribuição – CUST/CUSD, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.648, de 27.05.1998. Nesse sentido, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica – Sistemas de Transmissão e/ou Encargo de Uso de Rede Elétrica – Sistemas de Distribuição não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa. Portanto, independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pelo contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins nãocumulativa apurada. II.2.3.21 – Despesa com frete na aquisição de insumos Conforme alega a recorrente, para atingir seu propósito empresarial, necessita contratar serviços de transporte, na aquisição de insumos empregados em seus processos produtivos. A fiscalização entendendo não se tratarem de insumos, alguns dos bens transportados, efetuou a glosa dos créditos lançados na aquisição de mencionados produtos. Não obstante o entendimento da fiscalização, levando em consideração as linhas tecidas sobre o conceito de insumo em tópico acima, onde foram expostos os entendimentos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018, emitido com base no Resp 1.221.170/PR, entendo que à luz dos critérios da essencialidade e relevância, a glosa do créditos de fretes na aquisição de insumos deve ser revertida. II.2.3.22 Glosas despesa com frete Quanto aos fretes a decisão recorrida determinou a glosa sobre as despesas, justificandoa da seguintes forma: Quanto às despesas de fretes, salientamos que o direito a crédito em relação a frete contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no país é previsto nos inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins) e inciso II do art. 15 do mesmo diploma legal (PIS/Pasep). As hipóteses de creditamento devem seguir, estritamente, a disciplina estabelecida pelo legislador ordinário. Assim, somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. Portanto, por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos Fl. 8993DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 25 24 ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para simples transferências, a qualquer título, de mercadorias acabadas ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins devida apuradas de forma nãocumulativa. As glosas recaíram sobre as despesas de fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente, além daqueles havidos nas vendas para empresa ligadas. Quanto ao presente tópico, que tem como pano de fundo a possibilidade de creditamento sobre fretes nas operações de venda, fazse necessário esclarecer que outrora defendia posição contrária ao creditamento, entretanto não sentiame confortável frente às conclusões do STJ quanto ao conceito de insumo, trazidas em parágrafos anteriores, bem como os recentes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relacionadas ao assunto, fato que me levou a alterar meu entendimento. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento, seja do titular ou de distribuidores, para depois, então, ser entregue ao cliente. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões não unânimes, ressaltase, vem posicionandose no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Destacase parte do voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, no acórdão nº 9303008.099: É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. Fl. 8994DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 26 25 A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. Frisese a ementa do acórdão 9303008.260, da 3º Turma da CSRF, prolatado na sessão do último dia 20 de março de 2019: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Recurso especial do contribuinte provido. Com base no acima exposto, entendo ser necessária a reversão da glosa dos créditos de fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. A mesma solução serve a glosa dos fretes para vendas para empresas ligadas à recorrente. Conforme demonstrado nas impugnações e documentos trazidos com as mesmas, tratamse de empresas que, embora mantenham vínculo societário, são independentes juridicamente. Os documentos (notas fiscais e conhecimento de transporte) demonstram a realização de operações de venda e não transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Desta feita, tratandose de frete de venda a terceiros, entendo que a glosa deve ser revertida e garantido à recorrente o direito ao crédito. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre água bruta, água clarificada, água desmineralizada, sulfato de alumínio, cloro líquido, cal hidratada e cal virgem, antiespumantes e tego antifoam, ar instrumento, gás Fl. 8995DF CARF MF Processo nº 13502.720469/201200 Acórdão n.º 3302007.161 S3C3T2 Fl. 27 26 nitrogênio e nitrogênio líquido, propano, solvente dmf, inibidores de corrosão e corrshield e carbonato de sódio, esfera de cerâmicas, ar de serviço, gás freon, hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril sulfato de sódio e sulfito de sódio, tambor e material de embalagem (sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags, bulk liner injetor, sacas para big bags, paletes, container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas adesivas para afixação nas embalagens, marcadores e tinta específica para impressoras, braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão), junta de vedação, peça e partes de reposição (anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas, barra redonda, barra roscada, conduletes, parafusos, chapas, dijuntores, plugues, pastilhas, pinos, relés, rotores, eixos, eletrodos, eletrodutos, flanges, mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor, terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk, gelatina microbiologia, dianodic e spectrus, vapores, serviços utilizados no processo produtivo (pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de calderaria, de mecânica e de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físicoquímicas de efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e paradas), fretes sobre aquisições de insumos, sobre transporte interno de insumos e produtos inacabados, fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente e sobre vendas para empresas ligadas à recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 8996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13009.000771/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA. VALOR EM PECÚNIA. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL.
A gratificação de locomoção recebida em pecúnia por servidor público não federal em percentual fixo não é rendimento tributável no ajuste anual de acordo com Ato Declaratório nº 4 da PGFN. Aplicação do art. 62, § 1º, II, "a" do RICARF.
Numero da decisão: 2201-005.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA. VALOR EM PECÚNIA. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. A gratificação de locomoção recebida em pecúnia por servidor público não federal em percentual fixo não é rendimento tributável no ajuste anual de acordo com Ato Declaratório nº 4 da PGFN. Aplicação do art. 62, § 1º, II, "a" do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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OFICIAL DE JUSTIÇA. VALOR EM PECÚNIA. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. A gratificação de locomoção recebida em pecúnia por servidor público não federal em percentual fixo não é rendimento tributável no ajuste anual de acordo com Ato Declaratório nº 4 da PGFN. Aplicação do art. 62, § 1º, II, "a" do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 60/66) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 07 71 /2 00 5- 81 Fl. 114DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.261 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000771/2005-81 DA AUTUAÇÃO Trata O presente processo de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao ano-calendário de 2000, exercício de 2001, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 07 a 12. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$ 882,94, multa de ofício de 75%, no valor de R$ 662,20, e acréscimos moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e O enquadramento legal encontram-se detalhados no demonstrativo à fl. 09, versando sobre as seguintes infrações: - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (TJ/RJ), DECORRENTES DE TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RESTABELECIDO VALOR DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. - DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. RESTABELECIDO VALOR DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. - DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RESTABELECIDO VALOR DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. DA IMPUGNAÇÃO 4 Cientificado do Auto de Infração em 10/10/2005 (fl. 50), o contribuinte protocolizou impugnação em 08/11/2005 (fl. 01 a 05), em que apresenta as seguintes razões. 5 Inicialmente, apresenta os motivos pela apresentação da retificação de sua declaração de ajuste anual, esclarecendo que assim agiu para corrigir erro de informação dada pela fonte pagadora, que não condizia com a realidade dos valores recebidos durante período de apuração em tela. A maioria das categorias de servidores do Estado do Rio de Janeiro receberia seus salários no dia 15 de cada mês posterior ao trabalhado. No seu caso, o contribuinte receberia no dia 10 de cada mês. Pela nova declaração, teria ainda a receber uma diferença sobre o que já havia recebido na retificada. 6 Em seguida, esclarece que o valor recebido em seu contracheque intitulado Gratificação de Locomoção foi criado pela Lei Estadual nº 793,, de 05/11/1984, em seu art. 12, § 3g , tratando-se de uma gratificação mensal correspondente a 50% do valor das custas recolhidas relativamente aos atos de que tenha participado. 7 Registra que a Lei nº 2.524, de 22/01/1996, em seu art.3, item II, define como receita do Fundo Especial do Tribunal de Justiça, - FETJ, “Custas e Emolumentos Judiciais” e que o Ato Executivo nº 298, publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro, de 02/02/2001, veda o pagamento, em seu art. lg, item IV, “da gratificação de locomoção instituída pela Lei Estadual n g 793/84 (art. 7º, §3º) ao oficial de Justiça Avaliador que não se encontre em efetivo exercício das suas funções do cargo. 8 Alega que o art. 8º da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em seu § lº determina que o disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos, sendo que nos manuais de imposto de renda, distribuídos pela Receita Federal, consta em rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, com a obrigação de carnê-leão, emolumentos e custas dos serventuários da justiça, exceto quando pagos pelos cofres públicos, e em rendimentos isentos e não tributáveis, outros (linha 10), outros rendimentos isentos ou não tributáveis previstos em lei e não relacionados. 9 Feitas estas considerações, sustenta que não há obrigação tributária, sem fato gerador que assim a defina e requer que sejam levados em conta os preceitos da CF/88 insculpidos no art. 5º, de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer Fl. 115DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.261 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000771/2005-81 natureza, e no art. 150, de que é vedada a instituição de tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função, por eles exercidas, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. 10 Nesse aspecto, esclarece que, no cargo de Oficial de Justiça Avaliador, inicia as atividades pagando com recursos próprios as despesas para fiel cumprimento dos mandados judiciais, além das despesas de passagens para o local de lotação, onde pega os referidos mandados de diligências a serem realizadas. Assim sendo, defende que o que recebe a título de gratificação de locomoção, nada mais é do que o ressarcimento do que foi gasto para efetivar os mandados, tratando-se, portanto, de verba indenizatória e caráter não remuneratório. 11 Ao final, diante do que expõe, requer que sejam levadas em consideração as informações prestadas em sua declaração retificadora, com fulcro no art. 19, IV da lei 3000/99 e ainda do art. 5º da CF/88. Caso não sejam considerados os seus argumentos, que seja levada em conta o termo dos arts. 107 e 108 do CTN (julgamento por analogia). 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Ano-calendário: 2000 IRRF E CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. VALORES INFORMADOS EM COMPROVANTE DE RENDIMENTOS E DE RETENÇÃO NA FONTE E CONFIRMADOS EM DIRF. Não havendo nada nos processos que desabone a informação do comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte e DIRF, cabe manter a glosa efetuada com base nas informações constantes desses documentos. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. VALOR EM PECÚNIA. SERVIDOR PUBLICO NÃO FEDERAL. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. A gratificação de locomoção recebida em pecúnia por servidor público não federal em percentual fixo é rendimento tributável no ajuste anual. 03 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às fls. 72/76, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. Fl. 116DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.261 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000771/2005-81 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 - No presente caso, de acordo com a decisão de piso o ponto fulcral do presente caso é saber a natureza jurídica da gratificação de locomoção recebida por oficial de justiça: DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS 15 A questão trata de se determinar se é ou não isenta do imposto de renda a Gratificação de Locomoção recebida no período autuado. 06 - A recorrente questiona apenas em seu recurso voluntário a natureza jurídica de tal rendimento alegando que te caráter indenizatório, juntando diversos posicionamentos de ambas as turmas do E. Superior Tribunal de Justiça nesse sentido. 07 - Outrossim, junta aos autos às fls.110/111 os Atos Declaratórios da PGFN que em seu AD nº 04, de 1º/12/2008 publicado no DOU de 11/12/2008 Seção I – pág. 61 aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho publicado no DOU de 08/12/2008 Seção I – pág. 11, assim diz: ATO DECLARATÓRIO Nº 04/2008 O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2604 /2008, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter declaração de que não incide imposto de renda sobre verba recebida por oficiais e justiça a título de ‘auxílio-condução’, quando pago para recompor as perdas experimentadas em razão da utilização de veículo próprio para o exercício da função pública.” JURISPRUDÊNCIA: RESP 645.308/RS (DJ 10.05.2007), RESP 861.045/RS (DJ 19.10.2006, RESP 866.967/PR (DJ 09.02.2007), RESP 830019/RS (DJ 02.06.2006), RESP 851.677/RS (DJ25.09.2006 p. 241). https://www.pgfn.gov.br/assuntos/legislacao- e-normas/atos-declaratorios-arquivos/atos-declaratorios-da-pgfn 08 - De acordo com o art. 62, § 1º, II, "a" do RICARF: Fl. 117DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.261 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13009.000771/2005-81 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II - que fundamente crédito tributário objeto de: c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; 09 - Portanto, diante do exposto sendo que parte do objeto do lançamento é crédito tributário relacionado a ato declaratório da PGFN, e de acordo com os termos do RICARF, é de se dar provimento ao recurso do contribuinte para excluir do auto de infração a omissão de rendimentos sobre a gratificação de locomoção. Conclusão 10 - Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, cancelando a autuação em relação a omissão de rendimentos sobre a gratificação de locomoção. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726356/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014
PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa.
RECEITAS DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. ARTIFÍCIO PARA REGULARIZAR, FRAUDULENTAMENTE, RECURSOS DE ORIGEM ILÍCITA AUFERIDOS POR PESSOA FÍSICA.
A inércia do impugnante em comprovar, de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a efetiva prestação de serviços por pessoa jurídica, importa em concluir que se trata de artifício desenvolvido para regularizar, fraudulentamente, recursos de origem ilícita auferidos por pessoa física.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. CABIMENTO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO.
É cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
A vedação constitucional de confisco se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. A cobrança de multa decorre de previsão legal, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória.
Numero da decisão: 2301-006.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, denegar o pedido de diligência, e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto, que deram parcial provimento para que sejam excluídos da base de cálculo os valores relativos ao montante devolvido no âmbito do acordo de colaboração premiada.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. RECEITAS DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. ARTIFÍCIO PARA REGULARIZAR, FRAUDULENTAMENTE, RECURSOS DE ORIGEM ILÍCITA AUFERIDOS POR PESSOA FÍSICA. A inércia do impugnante em comprovar, de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a efetiva prestação de serviços por pessoa jurídica, importa em concluir que se trata de artifício desenvolvido para regularizar, fraudulentamente, recursos de origem ilícita auferidos por pessoa física. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. CABIMENTO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. É cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A vedação constitucional de confisco se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. A cobrança de multa decorre de previsão legal, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, denegar o pedido de diligência, e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto, que deram parcial provimento para que sejam excluídos da base de cálculo os valores relativos ao montante devolvido no âmbito do acordo de colaboração premiada. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
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NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. RECEITAS DE SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. ARTIFÍCIO PARA REGULARIZAR, FRAUDULENTAMENTE, RECURSOS DE ORIGEM ILÍCITA AUFERIDOS POR PESSOA FÍSICA. A inércia do impugnante em comprovar, de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a efetiva prestação de serviços por pessoa jurídica, importa em concluir que se trata de artifício desenvolvido para regularizar, fraudulentamente, recursos de origem ilícita auferidos por pessoa física. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. CABIMENTO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. É cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A vedação constitucional de confisco se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. A cobrança de multa decorre de previsão legal, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, denegar o pedido de diligência, e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Wilderson Botto, que deram parcial provimento para que sejam excluídos da base de cálculo os valores relativos ao montante devolvido no âmbito do acordo de colaboração premiada. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 63 56 /2 01 6- 71 Fl. 8281DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 7964/8020) interposto em face do Acórdão nº 02-073.382 (e-fls 7927/7958) prolatado pela DRJ Belo Horizonte em sessão de julgamento realizada em 31 de maio de 2017. 2. Para a compreensão do contexto fático da exigência fiscal e do litígio devolvido a este Colegiado, faz-se a transcrição do relatório contido na decisão recorrida Início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 02-073.382 Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte acima identificado, acostado às fls. 7.387/7.565, relativo aos anos-calendário 2010 a 2014, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado: Imposto Suplementar (2904).....................................R$ 21.606.554,21 Juros de Mora (calculados até 11/2016)......................R$ 8.945.709,31 Multa Proporcional....................................................R$ 32.394.554,24 Total.........................................................................R$62.946.817,76 O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: I - Omissão de Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício Recebidos das Pessoas Jurídicas Brasilinvest Empreendimentos e Participações S/A e Garnero Investimentos, Participações e Consultoria Ltda: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2012 140.760,00 150,00 II – Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – Vantagens Indevidas: a) Recebidas do Grupo Odebrecht: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Fl. 8282DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Ano 2010 4.617.253,16 150,00 Ano 2011 19.884.293,57 150,00 Ano 2012 591.261,30 150,00 b) Recebidos da Gandra Brokerage Intermediação de Negócios – EPP: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2011 404.000,00 150,00 Ano 2012 399.594,40 150,00 Ano 2013 225.000,00 150,00 c) - Recebidos da GB Maritime Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2011 390.639,47 150,00 Ano 2012 455.464,32 150,00 Ano 2013 411.780,30 150,00 d) Recebidos por meio do operador Henry Hoyer: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2011 150.000,00 150,00 Ano 2012 150.000,00 150,00 e) Recebidos da Fidens Engenharia S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2011 200.000,00 150,00 f) Recebidos por meio do operador Fernando Antônio Falcão Soares e utilizados na compra do imóvel na cidade de Campos dos Goytacazes – RJ: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2012 1.400.000,01 150,00 g) Recebidos da Estre Ambiental S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2012 1.400.000,00 150,00 h) Recebidos por meio do operador Alberto Youssef e de outros operadores: Fl. 8283DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2012 5.586.626,92 150,00 Ano 2013 4.387.530,00 150,00 Ano 2014 270.000,00 i) Recebidos da Construção e Comércio Camargo Corrêa S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2012 18.000,00 150,00 Ano 2013 3.054.000,00 150,00 j) Recebidos da Alusa Engenharia S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 2.104.642,44 150,00 k) Recebidos de pessoa jurídica, repassados por Alberto Youssef e utilizados na aquisição do Land Rover Evoque: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 280.000,00 150,00 l) Recebidos da Construtora Queiroz Galvão S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 600.000,00 150,00 m) Recebidos das pessoas jurídicas Venbrás Marítima S/A, Distribuidora Equador de Produtos de Petróleo S/A e Equador Log S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 1.490.000,00 150,00 Ano 2014 400.000,00 150,00 n) Recebidos das pessoas jurídicas Sargent Marine, Trafigura e Trading Glencore: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 1.586.601,40 150,00 o) Recebidos da Iesa Óleo & Gás S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 300.000,00 150,00 Fl. 8284DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 p) Recebidos da Engevix Engenharia S/A: Fato Gerador Total Apurado (R$) Multa (%) Ano 2013 300.000,00 150,00 Ano 2014 385.000,00 150,00 III – Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada - Valores creditados em contas de depósito, em relação aos quais o contribuinte não comprovou a origem por meio de documentação hábil e idônea: a) Contas mantidas em instituições financeiras no exterior: Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 30/09/2010 546.408,42 150,00 30/11/2010 198.489,97 150,00 31/01/2011 66.736,00 150,00 28/02/2011 334.060,00 150,00 30/04/2011 1.373.424,95 150,00 31/05/2011 1.032.637,64 150,00 30/06/2011 1.003.901,68 150,00 31/10/2011 306.808,38 150,00 31/12/2011 167.456,00 150,00 31/01/2012 2.397.670,00 150,00 28/02/2012 2.509.424,96 150,00 30/04/2012 1.156.607,30 150,00 31/05/2012 618.671,14 150,00 30/06/2012 1.707.881,34 150,00 31/07/2012 435.915,58 150,00 31/08/2012 1.778.326,24 150,00 31/10/2012 278.140,50 150,00 30/11/2012 1.414.813,34 150,00 31/12/2012 2.157.253,01 150,00 28/02/2013 1.821.338,38 150,00 31/03/2013 267.842,09 150,00 30/09/2013 43.304,53 150,00 31/10/2013 5.016.536,00 150,00 28/02/2014 352.250,24 150,00 31/03/2014 226.882,61 150,00 b) Contas mantidas em instituições financeiras no Brasil: Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 29/11/2011 52.326,15 75,00 08/05/2013 21.744,35 75,00 Fl. 8285DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Do Termo de Constatação Fiscal (fls. 7434/7565 – volume 5). 1 1) Do envolvimento do fiscalizado na Operação Lava Jato De acordo com os fatos apurados no âmbito da “Operação Lava Jato”, o contribuinte, no período de maio/2004 a abril/2012, foi Diretor de Abastecimento da Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás, e teria, em tese, com a participação do cônjuge, filhas e genros, cometido crimes contra a ordem econômica, corrupção e lavagem de dinheiro. Como Diretor, comprometeu-se a desviar recursos financeiros da estatal, atendendo aos interesses do Partido Progressista (PP), Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em contrapartida a isso, recebeu vantagens indevidas advindas do rateio que era feito envolvendo tais partidos políticos. Na descrição fiscal, as formas em que se dava o recebimento de tais vantagens compreendiam quatro modalidades: 1) celebração de contratos simulados, com a indicação de falsos objetos, com empresas de fachada, controladas por ALBERTO YOUSSEF; 2) celebração de contratos simulados diretos com empresas de consultoria de PAULO ROBERTO COSTA, para o pagamento de “atrasados” após a sua saída da empresa; 3) entrega de numerário em espécie no escritório de ALBERTO YOUSSEF ou em outro lugar combinado por ele ou PAULO ROBERTO COSTA; 4) depósito de valores em contas mantidas por ambos no país e no exterior. O contribuinte foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Confira-se: 574. Condeno Paulo Roberto Costa pelo crime de corrupção passiva, pelo recebimento de vantagem indevida paga por executivos da Camargo Correa, em razão de seu cargo como Diretor na Petrobrás (art. 317 do CP). [...] 578. Condeno Paulo Roberto Costa por seis crimes de lavagem de dinheiro do art. 1º, caput, inciso V, da Lei nº 9.613/1998, consistentes nos repasses, com ocultação e dissimulação, de recursos criminosos provenientes dos contratos discriminados da Camargo Correa na RNEST e na REPAR, através de operações simuladas com a Costa Global Consultoria.[...] Ainda de acordo com sentenças judiciais exaradas, além das vantagens indevidas recebidas das operações simuladas com a Costa Global Consultoria e Participações Ltda, outras quantias em dinheiro foram repassadas ao contribuinte por Alberto Youssef, como consta do controle feito em planilhas apreendidas pela Polícia Federal e transcrito no TVF à fl. 7.441. 2) Da Auditoria Fiscal O procedimento de fiscalização foi instaurado por intermédio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.09.00-2014-00418-9, com vistas a verificar a existência de ilícitos tributários relacionados aos anos de 2010 a 2014. O contribuinte foi cientificado do início do procedimento fiscal em 15/09/2014 e intimado a apresentar documentos referentes às suas Declarações de Ajuste Anual e aos extratos de cartão de crédito, contas bancárias mantidas no Brasil e no exterior e operações no mercado de renda variável. 1 E-fls. 7932 no corpo do Relatório do Acórdão nº 02-73.382. Fl. 8286DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Em atendimento à intimação, parte dos documentos solicitados foi entregue à autoridade fiscal. Os extratos bancários do período de 01/01/2010 a 31/12/2013 não foram disponibilizados e, intimado novamente para tanto, o contribuinte manteve-se silente, não apresentando qualquer justificativa ou documento. O juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, em decisão proferida em 16/04/2015, compartilhou com a Receita Federal os documentos bancários que se encontravam em poder do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, tendo o contribuinte recebido uma cópia da documentação compartilhada. De posse dos citados documentos e com amparo na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autoridade fiscal elaborou os Anexos I, II, III e IV, acostados às fls. 481/485, e solicitou ao contribuinte que comprovasse, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores neles individualizados, que lhe foram creditados ou depositados durante os anos de 2010 a 2013. Paralelamente à intimação do contribuinte, a autoridade fiscal diligenciou junto às pessoas jurídicas Brasilinvest Empreendimentos e Participações S/A e Garnero Investimentos, Participações e Consultoria Ltda, acerca de determinados créditos ocorridos nas contas do contribuinte, com o objetivo de esclarecer a causa das transferências financeiras individualizadas. O contribuinte, em sua resposta, disse que os valores que ingressaram nas contas correntes eram provenientes de pagamentos de remuneração que lhe foram feitos pela empresa Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás e pela Braskem S/A e, ainda, rendimentos decorrentes de serviços de consultoria prestados. Admitiu, no tocante aos valores depositados por Humberto Sampaio de Mesquita e Marcelo Barboza Daniel, que eram vantagens indevidas pagas pela Alusa Engenharia S/A. As empresas diligenciadas informaram que os valores transferidos ao contribuinte referiam-se a pagamentos por serviços de consultoria prestados. A autoridade fiscal considerou justificada a origem de parte dos créditos questionados e, quanto aos créditos que permaneciam sem justificativa, novos anexos foram elaborados e o contribuinte reintimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Sua resposta foi apresentada em 01/08/2016, sem que a origem dos respectivos valores fosse comprovada. Dos valores de origem não comprovada, que transitaram em contas bancárias no Brasil, não foram lançados aqueles inferiores a R$12.000,00, cuja soma, tanto em 2012 como em 2013, não atingiu R$80.000,00. Também, em relação ao ano calendário 2010, somente foi lançado o equivalente a 50% do depósito de R$104.652,29, efetuado na conta nº 10004452, mantida no Banco Santander, em razão da referida conta ser de titularidade conjunta com o cônjuge do contribuinte. Com referência aos depósitos em contas mantidas no exterior, a fiscalização informou que o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba em decisão proferida em 23/07/2015, esclareceu que o caso trata de quebras efetuadas pelas próprias autoridades suíças, em investigações próprias, tendo elas encaminhado os documentos bancários à Justiça brasileira sem qualquer restrição para utilização nos processos do Estado requerido. Fl. 8287DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Vale dizer, a Secretaria da Receita Federal do Brasil teve acesso, com autorização judicial, aos extratos bancários para fins de abertura e execução de procedimento fiscal. Assim, foi solicitado ao contribuinte que comprovasse, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, em relação aos anos-calendário 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014, a origem dos valores creditados/depositados nas contas mantidas no exterior listadas na fl. 7456 dos autos, cujos valores foram individualizados nos anexos. Na resposta oferecida em 16/08/2016, o contribuinte afirmou, de forma genérica, que todas as transferências financeiras foram feitas por empresas do Grupo Odebrecht, a título de vantagem indevida. Observou ainda que não possui os documentos referentes às contas listadas, o que impossibilitou a comprovação da origem de parte dos créditos/depósitos individualizados. Salienta a fiscalização que, apesar das contas listadas acima estarem em nome de "offshores", o contribuinte reconheceu ser o real e único beneficiário econômico, como se pode observar na resposta ao Termo de Intimação Fiscal expedido em 01/09/2016, em face de Arianna Azevedo Costa Bachmann, que, conforme informação das instituições financeiras, também tinha poderes para movimentar as contas correntes relacionadas no termo de verificação. E diz que a despeito das solicitações, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem de parte dos créditos/depósitos bancários listados nos anexos do Termo de Intimação Fiscal expedido em 27/07/2016. Assim, concluiu a fiscalização que o fato concreto se subsume à hipótese da norma do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ou seja, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No item 5 do TVF, a fiscalização detalha as vantagens indevidas recebidas em dinheiro de Alberto Youssef e outros operadores, conforme "planilhas de valores (entradas/saídas)". Informa que a Polícia Federal apreendeu na residência do contribuinte documentos diversos onde constam as empresas que contrataram os serviços da Costa Global Consultoria e Participações Ltda – ME, pessoa jurídica constituída pelo sujeito passivo logo depois de sua saída de estatal. São listados os contratos simulados firmados entre as empresas corruptoras e a Costa Global Consultoria e Participações Ltda – ME, que visavam conferir aparência de legitimidade a recebimentos ilícitos de propinas pelo fiscalizado. Os documentos constam dos autos e do processo judicial 5049557-14.2013.404.7000/PR. A fiscalização descreve que, em um documento aprendido, existe o registro de entradas e saídas de recursos financeiros, verificados entre agosto/2012 e novembro/2012, no qual o fiscalizado registra entradas de 3.794.000,00 reais, 160.000,00 dólares e 270.000,00 euros, como está na fl. 7469. A fiscalização relaciona em planilha todos os valores recebidos pelo contribuinte, em dinheiro, com a conversão em reais dos valores recebidos em dólar e em euros. Tudo isso também consta da denúncia formulada pelo MPF no curso da ação 502212-82.2014.4.04.7000. A fiscalização destaca também o depoimento do Agente da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho à Polícia Federal, responsável pela entrega de recursos financeiros distribuídos por Alberto Youssef, que admitiu ter entregado dinheiro ao Fl. 8288DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 contribuinte, dando mais suporte às informações das "Planilhas de Valores (Entradas/Saídas)" e o depoimento de Fernando Antônio Falcão Soares ao Ministério Público Federal, registrado no Termo de Declarações n° 05, que admitiu, ao ser confrontado com o referido documento, ter entregado dinheiro em espécie ao fiscalizado em razão de vantagens indevidas pagas. E o próprio fiscalizado também admitiu ter recebido vantagens indevidas em dinheiro entregue por Alberto Youssef em depoimento prestado ao Juízo da 13º Vara Federal de Curitiba, o qual consta dos autos n° 5083258-29.2014.404.7000. São relatados ainda vários outros depoimentos e documentos que deram a base para a caracterização da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de vantagens indevidas, em função do cargo de Diretor de Abastecimento. Destaca a autoridade fiscal que o acréscimo patrimonial verificado é decorrente de atos praticados pelo contribuinte diretamente, e não pela empresa Costa Global Consultoria e Participações Ltda - ME. Como corolário, a tributação dos rendimentos recebidos deve ser feita de acordo com as regras do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. No item 6 do TVF, a fiscalização reitera o fato de que o contribuinte se utilizava do operador Fernando Antônio Falcao Soares para receber parte dos recursos financeiros decorrentes das vantagens indevidas oriundas do esquema desvendado pela Operação Lava Jato. São descritos ali trechos do Termo de Declarações com a confirmação dos repasses. Por meio de diligências fiscais efetuadas, descritas no termo, foi possível comprovar que o contribuinte utilizou parte das vantagens indevidas acima quantificadas para adquirir o imóvel denominado São Vicente, localizado na cidade de Campos dos Goytacazes/RJ. Foram colacionados pela fiscalização os trechos da colaboração premiada, os valores que o contribuinte reconheceu que recebeu das empresas, as diligências efetuadas e as confrontações de dados para se obter os montantes constantes das planilhas. Durante as diligencias, as empresas apresentaram contratos e notas fiscais mas deixaram de apresentar os relatórios e ou outros documentos do suposto serviço de consultoria realizado pela empresa Costa Global Consultoria Ltda, elementos indispensáveis para fins de comprovação da efetiva prestação dos serviços que constam dos contratos e notas fiscais emitidas. As referidas empresas são: Gandra Brokerage Intermediação de Negócios – EPP, Fidens Engenharia S/A, Alusa Engenharia S/A, Bas Consultoria Empresarial Ltda, Estre Ambiental S/A, Construção e Comércio Camargo Correa S/A, Engevix Engenharia S/A, IESA Óleo e Gás S/A, Venbrás Marítima S/A, Distribuidora Equador de Produtos de Petróleo S/A e Equador Log S/A, Construtora Queiroz Galvão S/A, Sargent Marine, Trafigura e Trading Glencore e Grupo Odebrecht. A fiscalização, detalha ainda a forma de apuração para verificar os valores repassados por Marcelo Barboza Daniel, pelo operador Henry Hoyer e por Alberto Youssef (esses utilizados na compra de um veículo Land Rover Evoque) ao contribuinte e junta os trechos da colaboração, as diligências efetuadas e as conclusões obtidas, consolidando os dados em planilhas. No item 23, são detalhadas as legislações utilizadas no levantamento do débito. Fl. 8289DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Foi aplicada a multa de ofício de 75%, de acordo com o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, à infração identificada, referente à omissão de receita apurada com base em depósitos bancários sem origem comprovada referente a contas correntes mantidas no Brasil. A fiscalização informa que o contribuinte, por meio do Termo de Colaboração Premiada, reconheceu ser o beneficiário econômico de diversas contas no exterior, entre elas, as seguintes contas mantidas em bancos suíços: (i) Royal Bank Of Canada, (ii) Banque Cramer & Cia S/A; (iii) Banque Pictet & Cia S/A.; (iv) PKB Privatbank S.A. (offshore Sygnus Assets), (v) HSBC (offshore Quinus Services); (vi) Julius Bear (offshore Sagar Holding); e (vii) Deutsche Bank. Foi aplicada a multa qualificada, penalidade prevista no art. 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430 de 1996, tendo em vista o reconhecimento, por parte do contribuinte, da existência das contas mantidas secretamente no exterior, as quais foram utilizadas, principalmente, para receber vantagens indevidas decorrentes da atuação em benefício do Grupo Odebrecht, enquanto Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Assim o sujeito passivo, ao efetuar movimentação bancária por meio de interpostas pessoas (offshores Sygnus Assets, Quinus Services, Sagar Holding), teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, mais precisamente em decorrência do recebimento de vantagens indevidas milionárias. A base legal para a qualificação da multa são os casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Todos os demais procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões, incluindo planilhas contendo os valores apurados, encontram-se detalhadamente relatadas no Termo de Descrição dos Fatos mencionado. Da Impugnação ao Lançamento 2 Cientificado do lançamento em 16/11/2016 (fl. 7569), o contribuinte apresentou, em 16/12/2017, a impugnação de fls. 7585/7633, acompanhada dos documentos de fls. 7634/7919. Das Preliminares Depois de se identificar, fazer referência à tempestividade da impugnação e tecer um breve relato sobre a delação premiada e os fatos apurados, o contribuinte, por intermédio de procurador constituído, protesta preliminarmente pela nulidade da autuação, tendo em vista premissas equivocadas da fiscalização e a decadência de parte do suposto crédito tributário, a seguir pontuadas: As alegações que não espelham a realidade dos fatos O impugnante diz que a fiscalização afirma que ao aceitar o cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobrás ele "comprometeu-se a desviar recursos da empresa" em função de diversos partidos políticos. No entanto, afirma que não houve provas de qualquer compromisso firmado por ocasião do aceite do cargo, tendo sido procurado posteriormente apenas pelo Partido Progressista (PP). 2 E-fls 7936 no corpo do Relatório contido no Acórdão nº 02-73.382. Fl. 8290DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Alega que, como consta do Termo de Colaboração n° 01, utilizado pela fiscalização para instruir o presente auto de infração, o "comando e gerência" dos recursos desviados ficavam a cargo de José Janene e Alberto Youssef, pelo que não se pode imputar ao impugnante um poder de gerência e organização do esquema que nunca o pertenceu. Diz que na página 7 do TVF constou a informação de que teria auferido aproximadamente 14% do valor da propina decorrente dos contratos vinculados à Diretoria de Abastecimento, mas conforme também consignado em seu Termo de Colaboração, na prática, o percentual acima não era aplicado e não se pode apenas presumir o valor atribuído a ele para além dos montantes voluntariamente confessados. O depoimento de Alberto Youssef Com relação a esse depoimento, alega que não há qualquer transação financeira para comprovar os supostos pagamentos realizados em dinheiro de Alberto Youssef e descritos às fls. 09 do auto de infração. Essa afirmação baseia-se exclusivamente no depoimento do Sr. Youssef, não havendo qualquer comprovação do alegado, sendo certo que, de fato, não ocorreu. Diz que o depoimento não condiz com a realidade, já que em uma única vez, segundo Alberto, foi feito um pagamento ao impugnante em dinheiro no valor de R$2.670.000,00, quantia que nunca seria paga em apenas uma parcela, até mesmo porque na prática seria impossível receber dado montante em espécie. Reafirma que os valores não chegavam sequer próximo dos apresentados no auto de infração e foram diretamente destinados à compra da lancha e de um imóvel. Os depósitos apontados pela fiscalização como sendo sem origem Aduz que com relação ao ano de 2011, o TVF informa que apenas um depósito, no valor de R$ 104.652,29 restou sem a devida justificativa sobre a origem. Diz que ainda por ocasião do procedimento de fiscalização informou que o referido valor se referia à serviços prestados à Petrobrás, tendo a comprovação da origem realizada por meio de cópia do cheque disponibilizada à fiscalização e que não possui outro meio de prova, razão pela qual solicitou fosse intimada diretamente a Petrobrás, a fim de que apresentasse informações sobre a efetiva realização do depósito através do cheque já disponibilizado. Salienta que na página 23 do TVF a fiscalização consignou que não foram apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar a origem de parte dos créditos/depósitos bancários relacionados às empresas "offshores", no entanto, o Impugnante nunca teve acesso às referidas informações, inclusive as informações foram obtidas exclusivamente pelo Ministério Público Federal. As planilhas elaboradas por Alberto Youssef Diz que desconhece as informações apresentadas por Alberto Youssef e, por serem meras ilustrações feitas por outro investigado, não podem servir como prova a esta autuação. Alega que a fiscalização não pode autuar apenas com base em indício de veracidade, sobretudo quando se referem à pessoas estranhas ao impugnante. A jurisprudência administrativa e mesmo a judicial, por ele transcrita na defesa, não aceitam presunção como forma de autuação. Fl. 8291DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Ressalta que, Fernando Antônio Falcão Soares, cujo depoimento serviu como "indício de veracidade" das planilhas, mais de uma vez faltou com a verdade em seus depoimentos, como se verifica dos próprios trechos destacados no TVF, às fls. 47 e 49. Em tais trechos, ora ele fala na quantia de três milhões de reais para um pagamento específico e ora, para o mesmo pagamento, o valor declarado já é de dois milhões de reais. Questiona também a presunção estabelecida pela fiscalização, sem qualquer prova, em relação aos valores sacados da conta da sociedade Gandra Brokerage Intermediação de Negócios, de que 50% de todos os valores depositados teriam sido transferidos a ele. Diz que essa não é suficiente para a cobrança e alega que em seu depoimento, o Sr. Wanderley Gandra declara que não pagou nada a ele, os valores apresentados no auto de infração não foram recebidos e que não há transação bancária de tais valores. Os valores recebidos no exterior e integralmente devolvidos Afirma, ao contrário do entendimento da fiscalização, que todos os valores recebidos da empresa "GB Marítimo" depositados na conta em Luxemburgo (de titularidade de Humberto Sampaio de Mesquita), no montante total de R$ 1.257.884,07, correspondentes à depósitos realizados entre janeiro de 2011 a dezembro de 2013, foram integralmente devolvidos pelo impugnante à União, conforme se comprova da cláusula 6 a do Termo de Delação Premiada assinado pelo Impugnante, no qual "o colaborador renuncia, em favor da União, a qualquer direito sobre valores mantidos em contas bancárias e investimentos no exterior, em qualquer país (...)'. Ademais, diz que assinou procuração dando totais poderes ao Ministério Público para movimentar todos os valores depositados em contas estrangeiras. A cobrança deve ser cancelada seja porque a argumentação é descabida, seja porque tais valores foram integralmente devolvidos, o que fica descaracterizado qualquer acréscimo patrimonial. Omissão de valores recebidos de pessoas jurídicas Na mesma linha, questiona a tributação da suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de vantagens indevidas: i) repassadas pelo operador Henry Hoyer, no montante de R$300.000,00, os quais foram recebidos em dinheiro e devolvidos, ii) recebido da Fidens Engenharia S/A, no montante de R$200.000,00. Diz que este valor foi relatado na sua delação premiada e pago em dinheiro, o qual, portanto, foi devolvido. Destaca que os referidos valores foram todos apreendidos pela Polícia Federal. Quanto aos supostos fatos geradores referentes aos depósitos feitos pelo Grupo Odebrecht, conforme tabela de fl. 7599 que totalizam o montante de R$ 25.092.798,03, a própria fiscalização reconhece e confirma que os mesmos foram feitos nas contas bancárias localizadas na Suíça, nos respectivos bancos: i) PKB Private Banck S/A, ii) HSBC Bank, iii) Julius Bear e iv) Deutsch Bank. Afirma que tais depósitos, apesar de não tributados na pessoa jurídica, não devem ser tributados de forma alguma, tendo-se em vista que foram devolvidos à União Federal. O imóvel de Campos dos Goytacazes Fl. 8292DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Alega que há contradição com o depoimento do filho do vendedor do imóvel, Felipe de Azevedo Wagner. O segundo depoente informa o que realmente ocorreu - foi realizado o pagamento de determinada quantia por meio de transferência bancária, e o restante em três parcelas em espécie, totalizando a compra no valor de R$1.700.000,00. Ao passo que o primeiro depoente, Sr. Fernando Soares, mentiu ou se equivocou em seu testemunho ao informar erroneamente que o valor da compra do imóvel totalizou R$ 2.000.000,00. Além disso, a fiscalização equivocadamente pretende tributar duas vezes os mesmos valores (mesmo suposto fato gerador) referentes à compra do imóvel em Campos, pois, às fls. 09 do Auto de Infração, tais valores foram considerados como fato gerador da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Estre Ambiental S/A. Da decadência de parte dos supostos créditos tributários. Destaca que o Auto de Infração inclui rendimentos recebidos em 2010, sem se atentar para o prazo legal para a efetivação do lançamento. Diz que a intimação efetivada em 16/11/2016 já teria ultrapassado o prazo de cinco anos contados a partir dos fatos geradores. Junta planilha com os valores que entende que estão alcançados pela decadência. Tece considerações acerca do lançamento por homologação e, ao final, ressalta que no presente caso deveria ser aplicada a previsão contida no § 4º do artigo 150 do CTN, uma vez que houve a entrega efetiva de declarações pelo contribuinte, com o respectivo pagamento de imposto, não cabendo ser considerada, para fins de contagem do prazo, a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Do Mérito Da suposta variação patrimonial a descoberto Da inexistência de fato gerador Argumenta que se todos os valores relacionados à variação patrimonial a descoberto foram devolvidos ao Ministério Público Federal, não há que se falar em acréscimo patrimonial e, como conseqüência, em fato gerador do imposto. Diz que a própria fiscalização esclarece que existe uma presunção legal relativa à variação patrimonial a descoberto, que não tem caráter absoluto de verdade, o que, por si só, já tira qualquer validade da presente autuação, que para ser eficaz deve ser baseada em verdade material. Adverte que a jurisprudência administrativa do CARF já consolidou que há necessidade de demonstrar a evolução patrimonial por meio de uma tabulação mês a mês ao longo do ano calendário, o que não fora observado na fundamentação do lançamento, como também não foi considerado o saldo existente no ano anterior para o ano seguinte. Transcreve trechos dos ensinamentos do jurista Hugo de Brito Machado, no sentido de que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição econômica ou jurídica de renda ou de proventos, para salientar que não há renda, nem provento, sem que haja Fl. 8293DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 acréscimo patrimonial e, nessa esteira, alegar que é evidente a ausência de acréscimo patrimonial, visto que houve a devolução de todos os valores recebidos. Reproduz excertos doutrinários para defender que valores recebidos e devolvidos são ingressos que não acrescem ao patrimônio como elemento novo e positivo, não espelham a capacidade contributiva da contribuinte e não são receitas. Salienta que o presente caso se assemelha ao instituto da denúncia espontânea, uma vez que todas as declarações de imposto de renda foram regularmente entregues e que a Receita somente teve conhecimento do recebimento de valores e bens relacionados às “vantagens indevidas” em razão de ter o impugnante espontaneamente informado os recebimentos e se prontificado em devolver todo o valor oriundo de tais vantagens. Defende que ainda que os valores tivessem gerado rendimentos, a autuação deveria se limitar às regras estabelecidas pelo instituto da denúncia espontânea, sem a incidência de multa moratória ou punitiva. Afirma que resta claro que não houve qualquer ingresso efetivo de receita, sendo forçoso reconhecer a ausência de fato gerador de IRPF. Aduz que a fiscalização afrontou o princípio da razoabilidade ao lavrar auto de infração e aplicar multa com base em indícios de infração, tendo sido apresentadas as informações requisitadas e a verdade dos fatos apontarem por conclusão diametralmente oposta. Da inexistência de condições para a multa qualificada e seu evidente caráter confiscatório. Sustenta que a multa aplicada de 150% (cento e cinqüenta por cento) é evidentemente abusiva e totalmente descabida, não havendo condições para sua aplicação, uma vez que é necessária a vontade (dolo) de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Diz que não pretende alegar que não cometeu os crimes em que foi condenado na ação penal, mas é preciso se verificar que a prática de atos ilícitos não está direta e necessariamente relacionada ao cometimento de fraude fiscal. Não é razoável se tratar as duas questões de forma equiparada. Afirma que se trata aqui de situação diretamente oposta, uma vez que o próprio Impugnante levou ao conhecimento da fiscalização as receitas auferidas e, ainda, de forma voluntária, devolveu integralmente os valores. Assevera que não houve qualquer tipo de fraude ou falsificação de documentos para fins de inibir a tributação, uma vez que os valores apenas não foram declarados ou o foram na declaração da pessoa jurídica. Pondera que do montante de R$62.946.871,76, a quantia de R$32.394.554,24 se refere à multa, o que denota seu caráter confiscatório e, não, meramente punitivo em decorrência de uma suposta infração. Adverte que a multa deve ser reduzida a um patamar razoável, caso não se entenda pela anulação do auto de infração e afirma que o STF já firmou que percentuais entre 20% e 30% são considerados adequados à luz do princípio do não confisco. Fl. 8294DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Da impossibilidade de tributação como sanção. De acordo com o artigo 3º do CTN a sanção por ato ilícito não poderá ser enquadrada como tributo, sob pena de assumir a roupagem de multa. Apenas multa é exigida em decorrência de ato ilícito. Ressalta que, à luz do princípio da legalidade tributária, não pode a norma tributária fixar como geradora do tributo uma atividade ilícita. A hipótese de incidência não pode ser um ato ilícito. Diz que como todos os valores recebidos foram integralmente devolvidos e, assim, a possibilidade de cobrança de exação tributária sobre as conseqüências ou efeitos de atividade ilícita não ocorreu. Assevera que, se se permitir a tributação sobre as quantias devolvidas no âmbito da Operação Lava Jato, estaremos diante de uma situação de tributo-sanção, porque o fundamento desse tributo deixa de ser a capacidade contributiva do indivíduo. Entende que o procedimento cabível e indicado em nosso ordenamento é de que os proveitos oriundos de crimes devem ser confiscados, o que, de fato, o foram. Ressalta que, além do confisco de todo o produto das infrações cometidas, houve ainda a multa aplicada pelo Ministério Público Federal, conforme comprovado no trecho da Delação Premiada apresentada. Da cobrança em duplicidade – Valores tributados na pessoa jurídica e na pessoa física. Alega que todos os valores que estão sendo tributados na pessoa da contribuinte já foram tributados na pessoa jurídica Costa Global Consultoria Ltda. Além dos tributos recolhidos pela Costa Global, ocorreram retenções nas notas fiscais, referentes às supostas vantagens indevidas que foram objeto da Delação Premiada e consideradas pela fiscalização como receitas do impugnante. Junta tabela com os valores autuados e os valores reconhecidos pela pessoa jurídica. Quanto às operações realizadas pela pessoa jurídica do impugnante e a empresa Brasilinvest Empreendimentos e Participações S/A, a defesa esclarece que, mesmo que o contrato social da empresa seja de 21/06/2012, a aquisição do certificado digital da pessoa jurídica para emissão de nota fiscal eletrônica foi em 25/09/2012. Desta forma, os valores pagos em 05/07/2012 e 08/08/2012 foram feitos na conta bancária da pessoa física do impugnante. Esclarece ainda que, em 11/10/2012, foi emitida uma nota fiscal da Costa Global para a Brasilinvest, mas ela foi cancelada a pedido da Brasilinvest e o seu respectivo pagamento foi realizado em 19/10/2012 diretamente na conta bancária do impugnante, devendo ter sido feita pela Brasilinvest a retenção na fonte. De toda forma, ainda que tenha havido o cancelamento da Nota fiscal, fica demonstrado que a tributação é devida exclusivamente na pessoa jurídica. Assim, por todos os argumentos expostos, resta demonstrado inequivocadamente que o auto de infração deve ser anulado, considerando todos os vícios que possui e que foram demonstrados nesta impugnação. Do Pedido Fl. 8295DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Por todo o exposto, o contribuinte espera que seja acolhida a impugnação e seja determinado: (i) o imediato cancelamento do auto de infração uma vez que restou configurado que: a) há nulidade em razão da consideração de premissas equivocadas; b) não ocorreu enriquecimento ilícito e conseqüentemente, omissão de receitas, uma vez que não houve acréscimo patrimonial; c) operou-se a decadência de parte do suposto crédito tributário; d) a tributação não pode ser utilizada como instrumento de sanção; e) pretende a fiscalização cobrar em duplicidade valores que foram tributados por meio da pessoa jurídica; e (ii) ainda que se entenda, apenas a título de argumentação, pela manutenção da cobrança, não seja aplicada a multa agravada por ausência de condições à aplicação da mesma. Final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 02-073.382 3. Interposto o recurso voluntário (e-fls 7964/8020), após tecer breve síntese dos fatos relacionados à autuação, deduz alegações conforme se apresenta a seguir: II - AS PRELIMINARES e-fls 7974/ II. A - A NULIDADE EM RAZÃO DA CONSIDERAÇÃO DE PREMISSAS EQUIVOCADAS e-fls 7974 As alegações que não espelham a realidade dos fatos e-fls 7974 O depoimento de Alberto Youssef e-fls 7975 As planilhas elaboradas por Alberto Youssef e-fls 7976 Os depósitos apontados pela fiscalização como sendo sem origem e-fls 7978 Os valores recebidos no exterior e integralmente devolvidos e-fls 7979 Omissão de valores recebidos de pessoas jurídicas e-fls 7980 O imóvel de Campos dos Goytacazes e-fls 7981 II. B - A DECADENCIA DE PARTE DOS SUPOSTOS CRÉDITOS TRIBUTARIOS e-fls 7984/7992 III - DO MÉRITO e-fls 7992 III.A. DA SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. e-fls 7992 III.D. DA MULTA APLICADA - INEXISTÊNCIA DE DOLO PARA MULTA AGRAVADA E SEU EVIDENTE CARÁTER CONFISCATÓRIO e-fls 8000 III. E. A IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO COMO SANÇÃO e-fls 8009 III. F. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE - VALORES TRIBUTADOS NA PESSOA JURÍDICA E QUE SE PRETENDE TRIBUTAR TAMBÉM NA PESSOA FÍSICA e-fls 8013 3.1. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 8019/8020): Fl. 8296DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 (i) o imediato cancelamento do auto de infração, uma vez que restou configurado que: a) há nulidade em razão da consideração de premissas equivocadas; b) não ocorreu enriquecimento ilícito e, consequente omissão de receitas, uma vez que não houve acréscimo patrimonial; c) operou-se a decadência de parte dos supostos créditos tributários; d) a tributação não pode ser utilizada como instrumento de sanção; e e) pretende a fiscalização cobrar em duplicidade valores que foram tributador por meio da pessoa jurídica. (ii) sucessivamente, caso não se entenda pela hipótese acima, o Recorrente requer, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, que sejam realizadas diligências: a) perante as instituições financeiras que o Recorrente possuía contas à época dos fatos geradores, de modo a ser verificado que os valores relacionados aos recebimentos indevidos foram integralmente devolvidos, conforme estipulado na delação premiada; e b) perante as instituições financeiras de todos os demais investigados que a Receita Federal considerou para fins de lavratura do presente auto de infração, de modo a se verificar se os valores atribuídos ao Recorrente efetivamente foram transferidos às suas contas ou às contas correntes de pessoas relacionadas ao mesmo. (iii) ainda que se entenda, apenas a título de argumentação, pela manutenção da cobrança, não seja aplicada a multa agravada por ausência de condições à aplicação da mesma. 4. Verifica-se no curso do contencioso fiscal a prática de atos subsequentes à interposição do recurso voluntário. Passo a destacar: 4.1. Em 22/10/2018, anexada a petição de e-fls 8035/8047, de modo a formular pedido relacionado à extensão da decisão judicial (e-fls 8050/8053) ao presente processo administrativo fiscal. 4.2. Em 04/02/2019, foi exarado o Despacho de Saneamento (e-fls 8202) para fins de assegurar o cumprimento do artigo 48 do Regimento Interno do CARF. 4.3. Oferecidas as contrarrazões pela PGFN (e-fls 8204/8266), em que a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao recurso voluntário. 4.4. Em 15/03/2019, o Recorrente junta petição de resposta às contrarrazões (e-fls 8271/8280). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 5. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. DDAASS QQUUEESSTTÕÕEESS PPRREELLIIMMIINNAARREESS Fl. 8297DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 PEDIDO DE NULIDADE FORMULADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO. 6. Em petição anexada às e-fls 8035/8047, o Recorrente formula pedido de nulidade do lançamento e mesmo de suspensão do processo administrativo fiscal, com base nos termos de decisão judicial (e-fls 8050/8053) que pleiteia extensível ao presente feito. 6.1. Não conheço de tal alegação, tampouco do pedido formulados a destempo (22/10/2018), com o processo já sorteado e distribuído para análise do Relator. 6.2. E mesmo que fosse tempestivo tal requerimento, o exame dos termos da decisão judicial datada de 2018 trazida pelo Recorrente, não tem o condão de macular os elementos de prova anexados aos presentes autos. Veja-se que a autorização de compartilhamento de informações remonta ao ano de 2015 (e-fls 7445 do Termo de Verificação Fiscal): Em decisão proferida em 16/04/2015, o Excelentíssimo Sr. Juiz Federal SÉRGIO FERNANDO MORO, responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba (Seção Judiciária do Paraná), compartilhou os documentos bancários que se achavam em poder do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, referentes à “OPERAÇÃO LAVA JATO”, com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive para fins de abertura e execução de procedimento fiscal, senão vejamos: Ante o exposto, reitero as decisões anteriores de compartilhamento, defiro o requerido e autorizo o compartilhamento dos documentos bancários que se encontram com o Ministério Público Federal e com a Polícia Federal na assim denominada Operação Lavajato com a Receita Federal, inclusive para os fins solicitados no Ofício 97/2015RFB/Gabin e contribuintes ali relacionados. 6.3. A garantia do sigilo fiscal, um dos bens jurídicos tutelados na decisão de 2018, tem sido assegurada pela RFB desde a instauração do procedimento fiscal, assim como no curso do contencioso administrativo fiscal. DAS ALEGAÇÕES FORMULADAS NO ITEM "II.A - A NULIDADE EM RAZÃO DA CONSIDERAÇÃO DE PREMISSAS EQUIVOCADAS" 7. É deduzido pedido de nulidade fundamentado em supostas insubsistências na autuação, consoante a argumentação contida no tópico II.A da peça recursal (e-fls 7974/7984). 7.1. Ao examinar a mesma argumentação formulada ao tempo da impugnação, a decisão de primeira instância, sustenta a rejeição da preliminar com base no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Vejamos: Da Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, cumpre observar que o contribuinte pleiteia a nulidade do lançamento, porém, sem especificar os reais motivos para tal pleito, uma vez que todas as alegações apresentadas para esse fim se tratam de questões de mérito, que serão analisadas em tópico específico mais adiante. No entanto, a título de esclarecimento, deve-se observar que, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade, a não ser que os atos e os termos do processo tenham sido lavrados por pessoa incompetente, em que tenha Fl. 8298DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 havido preterição do direito de defesa (artigo 59 do Decreto nº 70.235/72) ou que se vislumbre ilegitimidade passiva, hipóteses que não ocorreram no presente caso. 7.2. Pelos mesmos fundamentos, rejeito a preliminar suscitada. DDAASS DDEEMMAAIISS QQUUEESSTTÕÕEESS RREECCUURRSSAAIISS 8. Como visto, pode-se divisar a coincidência entre as alegações deduzidas em sede recursal e as oferecidas ao tempo da impugnação. 8.1. Na peça recursal o Recorrente procurou reforçar os argumentos relacionados à tributação dos valores devolvidos, assunto que, em nossa visão foi abordado com muita clareza e precisão pela decisão de primeira instância (destacadamente no trecho do voto contido às e-fls 7948/7950) ao asseverar que "a decretação de pena de perdimento de bem, por ser oriundo de suposta atividade ilícita, em decorrência de processo penal, não modifica o fato gerador do imposto de renda" (e-fls 7948). 8.2. Concernente à prejudicial de mérito (decadência), o entendimento deste relator também se mostra convergente à conclusão a que chegou a decisão de primeira instância ao entender demonstrados o dolo, a fraude e o conluio do Recorrente no conjunto de práticas criminosas, circunstância que tem o condão de atrair a regra decadencial prevista no artigo 173, I, do CTN. 8.3. Desta maneira, por concordar integralmente com a fundamentação contida no voto da decisão de primeira instância, a solução do presente recurso se opera por meio da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 02-73.382 Da Prejudicial do Mérito - Decadência Insurge-se o contribuinte contra o lançamento relativo aos valores recebidos no ano de 2010, sob o argumento de já foi ultrapassado o prazo de cinco anos. Defende a aplicação da regra prevista no § 4º do artigo 150 do CTN. Necessário, inicialmente, tecer considerações a respeito de como se opera a contagem do prazo decadencial. Com o advento da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos (art. 2º). Porém, a Lei nº 8.134, de 12/04/1990, fixou deduções que seriam utilizadas apenas na declaração de ajuste anual e manteve o IRPF devido mensalmente, mas a título de antecipação. Conforme se infere dos artigos 9º e 10 da Lei nº 8.134, de 1990, todos os rendimentos recebidos ao longo do ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte e os de tributação definitiva, independentemente de serem tributados mensalmente, estão sujeitos ao ajuste anual. Fl. 8299DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Por conseguinte, todos os rendimentos recebidos no ano calendário, observada à exceção mencionada no parágrafo anterior, estão sujeitos à tabela progressiva anual e devem ser somados a fim de se apurar o imposto a ser exigido no ajuste anual. Cumpre destacar, além disso, que o fato gerador do IRPF apurado no ajuste anual é complexivo, isto é, ele se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. O termo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei, é 31 de dezembro de cada ano. Em relação aos rendimentos recebidos em determinado ano calendário, somente depois de expirado o prazo de apresentação da declaração de ajuste anual pelo contribuinte é que o Fisco terá condições de apurar a regularidade da situação fiscal do declarante. Assim sendo, o fato jurídico tributário considera-se consumado em 31 de dezembro de cada ano calendário e o imposto é devido à medida que os rendimentos forem percebidos, todavia somente com a declaração de rendimentos é que se têm condições de aferir a regularidade fiscal do contribuinte e, se for o caso, efetuar o lançamento de ofício do tributo. Cumpre observar que, uma vez configurada a omissão de rendimentos, o § 3º do art. 849 do Decreto 3.000, de 26/03/1999, estabelece: Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 4º). Contudo, tal dispositivo não pode ser interpretado isoladamente, mas considerando o momento de incidência do imposto que está definido no § 2º do art. 2º do RIR. Dispõe o referido parágrafo: O imposto será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). O ajuste estabelecido no art. 85 do RIR diz respeito à apuração anual do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Art.85. Sem prejuízo do disposto no §2º do art. 2º, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Esclarecido este aspecto, é de se analisar a alegada ocorrência da decadência. Cabe destacar que o lançamento tributário é ato administrativo que resulta da atividade prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, exercida pela autoridade administrativa competente, cuja finalidade é constituir o crédito tributário, possibilitando sua exigibilidade. Os artigos 147 a 150 do Código Tributário Nacional - CTN oferecem três modalidades de lançamento: a) lançamento por declaração, efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de Fl. 8300DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 fato, indispensáveis à sua efetivação (art. 147); b) Lançamento de ofício, efetuado pela Administração Pública nas hipóteses descritas no art. 145 c/c art 149, a iniciativa é sempre da autoridade da administração tributária, seja porque a lei não estabelece esse dever de iniciativa para o sujeito passivo, seja porque o dever estabelecido por lei para o sujeito passivo não foi cumprido; c) Lançamento por homologação, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150). O Código Tributário Nacional também disciplina, relativamente à contagem do prazo decadencial, que, verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, a decadência do lançamento é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do seu artigo 173. Nessa circunstância, para o caso ora analisado, de plano, é de se afastar a contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, pleiteada pela defesa, em face da ressalva nele contida. Confira-se: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa”. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Assim, a conclusão que se impõe no exame dessa questão é a de que, uma vez verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, deve ser aplicada a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, pela qual o prazo decadencial se inicia a partir do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). No caso concreto, conforme será apreciado no tópico dedicado ao exame da aplicação da multa qualificada, segundo os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 7434/7565, entende-se que está presente o intuito deliberado de omitir do Fisco a existência de fato gerador de Imposto de Renda, incorrendo nas condutas dispostas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme se verá mais adiante ao tratarmos da multa qualificada. Aplicando-se, pois, o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010, verifica-se que o lançamento, em tese, poderia ser efetuado em 2011, a partir do dia seguinte à data limite prevista para a entrega tempestiva da declaração e, a contagem do prazo decadencial iniciou-se em 01/01/2012. Fl. 8301DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Definido, portanto, que no presente caso a decadência de lançamento de ofício deve ser determinada exclusivamente à luz do que dispõe o inciso I do artigo 173 do CTN, constata-se que, para o caso ora examinado, o prazo para se constituir o lançamento, relativamente ao ano calendário de 2010, esgotar-se-ia em 31/12/2016. Assim, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 16/11/2016 (fl. 7569), não há que se falar em decadência. Do Mérito Da variação patrimonial a descoberto Em que pese as alegações apresentadas pela defesa relativas a infração de variação patrimonial a descoberto, essas não serão analisadas, visto que conforme se depreende da Descrição das Infrações, fls. 7388 a 7493 dos autos, resumida no relatório desse voto, não houve neste auto de infração a apuração dessa infração. As infrações aqui apontadas são as de omissão de rendimentos e depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Sobre as alegações que, segundo a defesa, não espelham a realidade dos fatos tem-se a fazer as seguintes considerações. O fato da fiscalização ter consignado em seu relatório que o contribuinte, ao aceitar o cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobrás, "comprometeu-se a desviar recursos da empresa" em função de diversos partidos políticos é irrelevante no levantamento do presente débito. A afirmação foi ali colocada para contextualizar o histórico dos acontecimentos ocorridos e da investigação efetuada pelos órgãos públicos com os resultados obtidos nessa investigação. Sobre o questionamento dos valores recebidos de Alberto Youssef, o próprio fiscalizado admitiu ter recebido vantagens indevidas em dinheiro entregue por esse operador em depoimento prestado ao Juízo da 13ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Curitiba, o qual consta dos autos n° 5083258-29.2014.404.7000. Em sua defesa, o impugnante diz que os valores recebidos não chegam perto dos apresentados no auto de infração e diz que esses montantes foram destinados a compra de uma lancha e um imóvel. Mas não aponta os valores que entende serem corretos por ele recebidos e nem demonstra a forma de recebimento dos valores por meio de documentação hábil e idônea. Nota-se que são apresentadas alegações vagas e desacompanhadas de provas. Importante frisar que o processo administrativo fiscal move-se em grande medida pela apresentação de documentação firme, inequívoca, hábil e idônea capaz de afastar as infrações imputadas pela fiscalização. Da mesma forma que o Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece a obrigatoriedade do agente do fisco em provar a ocorrência do ilícito fiscal, caput do art. 9º, também impõe ao sujeito passivo o ônus de provar o que alega, redação contida no inciso III do art. 16, sob pena de, não o fazendo, se sujeitar à infração apurada no lançamento. Art. 9 o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com Fl. 8302DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Simples alegações de que não recebeu vantagens indevidas não produzem efeitos ante toda evidencia e elementos juntados aos processos. Quanto as alegações apresentadas em relação ao imóvel de Campos dos Goytacazes, verifica-se que essas não se justificam. O impugnante tenta apontar divergência entre o depoimento em juízo do Sr. Fernando Soares que teria se equivocado e informado que o valor da compra do imóvel totalizou R$2.000.000,00. Disse que esse depoimento não condiz com o valor informado pelo filho do vendedor, Felipe de Azevedo Wagner. Conforme consta do TVF, fls. 7479 dos autos, foi tomado o depoimento de José Augusto Parente Wagner e de Maria Regina de Azevedo Wagner, alienantes do imóvel, que confirmaram o valor real da operação bem como o pagamento parcial de R$1.400.000,00 efetuado em dinheiro. Há também o depoimento do filho do vendedor, Felipe de Azevedo. Em consulta aos autos, encontram-se todos esses depoimentos e da sua leitura, o que se depreende é que a fiscalização não se baseou apenas no depoimento de Fernando Soares para apurar o valor de alienação do referido imóvel. A partir desse depoimento, as autoridades fiscais intimaram os vendedores do imóvel, fls. 7480 a 7482, questionando-os sobre o valor real da transação imobiliária e tomaram também a declaração do filho do vendedor que confirmou a informação e o valor recebido. Destaca-se ainda que os depoimentos dos vendedores do imóvel e o de seu filho prestados à fiscalização e no âmbito do processo criminal confirmam os recebimentos aqui considerados. Foi considerado no lançamento o valor de R$1.400.000,00 recebidos em três parcelas (uma em março e duas em maio de 2012), conforme as declarações efetuadas e documentos juntados. Não procede também a alegação de que teria havido bi-tributação desse valor e do que foi lançado como recebido da empresa Estre Ambiental, pois como indica a própria fiscalização são outros valores recebidos em datas posteriores (junho a dezembro de 2012), que não se confundem com os valores acima apontados. Como constou do Termo de Colaboração nº 40, o contribuinte reconheceu que percebeu vantagens indevidas da empreiteira Estre Ambiental S/A, no montante aproximado de R$1.400.000,00, no decorrer dos anos de 2011 e 2012. Transcreve-se a seguir trecho do TVF que explica a situação. Fl. 8303DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Com suporte na própria confissão do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimento recebido da Estre Ambiental S/A, sendo que consideramos recebido nos últimos sete meses do ano-calendário 2012, já que lhe é mais favorável em razão da redução dos juros de mora. Verifica-se que tais valores disponibilizados por Fernando Antonio Falcão Soares não se relacionam aos que constam das planilhas citadas no item 3 do Termo, pois são anteriores aos registros de recebimento em dinheiro alusivos ao operador, todos posteriores a janeiro/2013. Ademais, não foram trazidas com a defesa provas da alegação de que os valores recebidos da empresa Estre Ambiental S/A foram de fato utilizados na compra do referido imóvel, para se contrapor ao lançamento fiscal. Da impossibilidade de tributação como sanção. Da inexistência de fato gerador Dos valores recebidos no exterior e integralmente devolvidos. A defesa alega a impossibilidade de tributação sobre o produto obtido ilicitamente pois foram reconhecidos como de não propriedade do impugnante, o que não caracteriza a necessária manifestação de capacidade contributiva própria, e ainda ausência de fato gerador, tendo em vista a devolução dos recursos obtidos ilicitamente aos cofres da União. Ocorre que a decretação de pena de perdimento de bem, por ser oriundo de suposta atividade ilícita, em decorrência de processo penal, não modifica o fato gerador do imposto de renda. A Lei Federal n. 12.850, de 2013, que trata da colaboração premiada e de suas consequências jurídicas, é um instituto do direito penal e não prevê em seus dispositivos o afastamento da responsabilização civil e tributária. No caso, o contribuinte omitiu do Fisco recurso derivado de vantagem indevida, proveniente do esquema de corrupção apurado na denominada "Operação Lava-Jato", configurando-se, assim, uma situação concreta, do mundo dos fatos, que autoriza a aplicação da hipótese legal do artigo 43, do Código Tributário Nacional, a seguir reproduzida: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1 o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2 o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 8304DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 O Direito Tributário, ao contrário do que sustenta o impugnante, preocupa-se em saber tão somente sobre a relação econômica relativa a um determinado negócio jurídico. Ainda que a origem seja fruto de uma atividade ilícita, o tributo é devido, visto que é indiferente para a relação jurídica tributária a licitude ou não do recurso obtido. Ocorrido o fato gerador, suas consequências tributárias se mantêm no tempo e no espaço. Com efeito, impera na tributação a regra do Pecunia Non Olet, consubstanciado pelo art. 118, I, do CTN, que ao preceituar sobre a hermenêutica, dispõe que a interpretação a ser dada à definição legal do fato gerador independe da validade jurídica dos atos praticados, inclusive de terceiros. Confira-se: “Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; (...)”(grifou-se) No mesmo sentido, também disciplinam o artigo 3º da Lei n. 7.713, de 1988, o artigo 26 da Lei n. 4.506, de 1964, e o artigo 55 do Regulamento do Imposto de Renda, respectivamente: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...); § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. ........................................................... Art. 26 – Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. ...................................................... Art.55. São também tributáveis (...); X- os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; (...). É possível perceber que a intenção do legislador ao instaurar a norma do artigo 118 do CTN foi a de evitar que a atividade ilícita se configurasse mais vantajosa do que a prática de atividades ou atos lícitos. A regra pecunia non olet está enraizada no princípio da isonomia tributária, consagrado no artigo 150, inciso II, da Constituição da República, de 1988. Fl. 8305DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Nota-se que sobre essa matéria assim se pronunciou o jurista Ricardo Lobo Torres “se o cidadão pratica atividades ilícitas com consistência econômica, deve pagar o tributo sobre o lucro obtido, para não ser agraciado com tratamento desigual frente às pessoas que sofrem a incidência tributária sobre os ganhos provenientes do trabalho honesto ou da propriedade legítima" (Tratado de direito constitucional, financeiro e tributário - v. 2, Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 372). Em julgado sobre a tributação de atividade ilícita (situação fática em que se contém a ilicitude como elemento não-essencial), o STF vaticinou, no HC 94240 (BRASIL, 2011), que: “2. A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível a tributação de renda obtida em razão de atividade ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Princípio do non olet. (Vide o HC nº 77.530/RS, Primeira Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 18/9/98.)” Por outro lado, não se pode conceber que o tributo seja uma maneira de sancionar o ato ilícito ainda que por via indireta. É certo que a exação não atua no sentido de punir, tampouco no sentido de legitimar tais atividades antijurídicas. Isso porque o CTN, em seu artigo 3º, prescreve que a prestação tributária não constitui sanção (no sentido de legalização ou validação) de ato ilícito. Apenas a receita eventualmente oriunda desses atos é que há de ser tributada. Não existe, em fonte social do Direito, autorização para que haja o afastamento da responsabilidade tributária parcial ou total de quem aufere renda fruto de propina e corrupção e soa como indiferente tributário o fato de, no direito positivo brasileiro, prever-se a decretação de ofício, pelo juiz, da apreensão, sequestro e perdimento dos bens que foram objeto dos crimes. Eventual e posterior perda da titularidade do produto do crime não elide a constatação de que, à data em que recebeu dinheiro fruto de propina e corrupção, tinha titularidade econômica e jurídica sobre aqueles valores. Como anteriormente explicitado, seria absolutamente inexplicável subverter a antiga máxima do Direito Tributário (pecunia non olet), não se tributando os rendimentos auferidos por propina e corrupção e deixando no campo da oneração apenas contribuintes que pratiquem atos lícitos. Ante tais considerações, quanto ao valor tributado nenhum reparo cabe fazer ao lançamento. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação aos depósitos bancários, o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, matriz legal do art. 849 do RIR/1999, que dispõe: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 8306DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” (Grifou-se) Conjugando-se o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com o art. 43 do CTN, tem-se que o fato gerador do imposto de renda não é o crédito em conta bancária ou de investimento, mas a aquisição de disponibilidade por esse materializada, que, no caso, a lei autorizou considerar rendimento omitido na hipótese de restar não comprovada, por documentação hábil e idônea, sua origem. Há que se considerar que a comprovação da origem aludida pela norma legal não é satisfeita pela simples alegação de que os créditos decorreram de retiradas realizadas junto à pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio ou de produto da venda de um bem móvel pessoal, sem a documentação hábil e idônea que lhes dê suporte. Quando a lei fala em “documentação hábil e idônea” refere-se a documentos que estabeleçam uma relação objetiva, direta, cabal e inequívoca, em termos de datas e valores, entre eles e os créditos bancários cuja origem pretende-se ver comprovada, esclarecendo, também, a que título esses créditos bancários ingressaram na conta bancária da contribuinte (fato econômico ou jurídico). A função do fisco é demonstrar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar os seus titulares a apresentarem os documentos, informações e esclarecimentos relativos à sua origem, como devidamente o foi no caso concreto, Fl. 8307DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 com a finalidade de verificar a ocorrência de omissão de rendimentos prevista pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Em contrapartida, não descaracterizada de forma inequívoca a hipótese de incidência do imposto de renda, por meio de documentos hábeis a comprovar a origem dos recursos, não podem as autoridades autuante e julgadora desconsiderar a presunção legal de omissão de rendimentos com base em simples alegação. Portanto, permanecendo não comprovada a origem dos depósitos bancários havidos nos valores descritos no TVF e transcritos no relatório desse voto, questionados pela fiscalização, deve ser mantida a omissão de rendimentos de que trata o lançamento. Quanto ao valor de R$52.326,15, correspondente a 50% (cinqüenta por cento) da importância questionada de R$104.652,29, a justificativa apresentada pela defesa foi de que se trata de salário recebido da Petrobrás, e para comprovar essa alegação, a defesa apresentou a cópia do cheque administrativo, emitido pelo Banco do Brasil. Com o exame desse documento não é possível conhecer o fato econômico ou jurídico que tenha dado respaldo à emissão do cheque. Se decorrente de pagamento de salário pago pela Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás, conforme alegado, o extrato contendo o crédito desse valor em conta mantida no Banco do Brasil e o seu respectivo histórico, deveria ter sido oferecido para apreciação. Cabe ressaltar que quando a lei fala em “documentação hábil e idônea”, refere- se a documentos que estabeleçam uma relação objetiva, direta, cabal e inequívoca, em termos de datas e valores, entre eles e o crédito bancário cuja origem pretende-se ver comprovada. Imprescindível também que se esclareça a que título esse crédito bancário ingressou na conta bancária do contribuinte (fato econômico ou jurídico). Saliente-se, a resolução da lide instaurada tem que ser lastreada em elementos de prova que devem ser carreados aos autos e que, de forma inequívoca, demonstrem a ocorrência do que se alega. Sobre os depósitos mantidos em contas no exterior, nenhum documento foi apresentado com a defesa para demonstrar suas origens. Do lucro distribuído pela Costa Global Consultoria e Participações Ltda. Da cobrança em duplicidade – Valores tributados na pessoa jurídica e na pessoa física. Verificou a fiscalização que a empresa Costa Global passou a ser utilizada para recebimento de vantagens indevidas pendentes e ainda seria utilizada para ocultação de patrimônio familiar e sonegação fiscal. É dever do Fisco buscar a realidade material dos fatos economicamente valorados pela norma fiscal, que deverá prevalecer sobre a forma estabelecida entre as partes. Nesse sentido, o artigo 118 do Código Tributário Nacional, já transcrito acima, dispõe que a definição do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104/2001, veio elucidar eventuais dúvidas sobre a questão: Fl. 8308DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. A exposição de motivos que acompanhou o Projeto que resultou na Lei Complementar nº 104/2001 assim justifica a criação desta norma antielisiva: A inclusão do parágrafo único do art. 116 faz-se necessária para estabelecer, no âmbito da legislação brasileira, norma que permita à autoridade tributária desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de elisão, constituindo-se dessa forma, em instrumento eficaz para o combate aos procedimentos de planejamento tributário praticados com abuso de forma ou de direito. A simulação, pela sua própria definição, sempre decorre de conduta fraudulenta, já que sempre é resultado de vontade deliberada do contribuinte que, conhecendo a formalidade correta, opta pela via transversa com o único intuito de não recolher o tributo que seria devido. Sobre esse tema, manifesta-se Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999), verbis: A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova direta. Melhor se deduz, se poder arguir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negócio, das circunstancias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indireta, de indícios, conjectural (per conjecturas, signa et urgentes suspeciones), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, isoladamente nada atestam, mas, agrupados, tem o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como consequência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Portanto, a prova indireta, resultante da soma de indícios convergentes, é meio idôneo para referendar exigências tributárias. Em outras palavras, se os fatos relatados pelo fisco forem convergentes, a prova estará feita. Desde que fundamentado em elementos de prova, a autoridade lançadora pode afastar as relações jurídicas meramente formais ou artificiais, dolosas ou não, objetivando identificar o sujeito passivo da obrigação, independente de consentimento judicial para tanto. É irrelevante se, no caso, houve emissão de notas fiscais, contabilização de valores, cumprimento de obrigações fiscais acessórias e a tributação na pessoa jurídica, quando tais atos ocorrem justamente com o objetivo de afastar a correta tributação dos rendimentos pela pessoa física. Fl. 8309DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 É certo que no plano teórico a empresa em epígrafe poderia ter atuado na prestação de serviços técnicos de consultorias e restaria válido todo o arcabouço formal apresentado, com a emissão de notas fiscais, distribuição de lucros etc. Ocorre que o contribuinte não logrou comprovar na impugnação, de forma inequívoca, nem durante o curso do procedimento fiscal, a efetividade dos alegados serviços prestados pela Costa Global Ltda. Não é razoável admitir que receitas da pessoa jurídica sejam oriundas da prestação de serviços sem o detalhamento expresso do que fora prestado, sendo imprescindível a comprovação da efetividade dos serviços. Para tanto, a título de exemplo, necessária a apresentação de contratos, dos papéis de trabalhos utilizados, pesquisas e levantamentos efetuados, propostas e estudos técnicos realizados, relatórios dos serviços executados, atas de reuniões e avaliação dos resultados alcançados, de forma a que não exista dúvida de que os serviços foram efetivamente prestados e estão de acordo com as condições estipuladas no contrato firmado entre as partes. Do mesmo modo que o contribuinte foi intimado, as empresas Garnero Investimentos, Participações e Consultoria Ltda, e Brasilinvest Empreendimentos e Participações S/A, também o foram (fls. 7463/7467) e não apresentaram a documentação que comprovasse a efetiva realização dos serviços de consultoria em gestão e assessoria empresarial mencionada na resposta à intimação acostada às citadas folhas dos autos. Simples alegações de que os serviços foram prestados não produzem efeitos ante toda evidência e elementos juntados aos processos. De acordo com o dicionário, o vocábulo consultoria significa a atividade profissional de diagnóstico e formulação de soluções acerca de um assunto ou especialidade. É ato de conferência para deliberação de qualquer assunto que requeira prudência. Constitui-se na reflexão em busca de uma resposta através do mais adequado conselho ou de forma mais complexa, porém menos objetiva, de um parecer. No presente caso, se de fato houve a realização de consultorias na concepção real da palavra, tanto o contribuinte quanto as empresas tomadoras teriam formas de demonstrar essa prestação de serviços. Chama a atenção também, todas as diligências efetuadas pela fiscalização, descritas no Termo de Verificação dos Fatos, junto aos tomadores de serviços. Como resultado da prática adotada e considerando que o contribuinte não declarou ao fisco na época própria o total da remuneração recebida destas vantagens indevidas pela sua pactuação com terceiros no recebimento de vantagens indevidas, os valores considerados omitidos são mantidos conforme lançados. Por fim, não há que se falar em tributação em duplicidade se os contribuintes são distintos. A defesa alega que a fiscalização ignorou os recolhimentos dos tributos na pessoa jurídica, assim como as retenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Quanto ao pedido dessa compensação de valores, o Código Tributário Nacional, em seu art. 170, é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam Fl. 8310DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 pagamentos que eventualmente possam se tornar indevidos, é preciso que exista a certeza do pagamento indevido, bem como o valor atualizado do seu montante. Assim, a pretensão formulada pelo impugnante não pode ser acolhida, pois tais créditos não eram líquidos e certos no momento da autuação nem o são no momento atual. Na hipótese suscitada, somente pode ocorrer a compensação após o julgamento definitivo deste processo na esfera administrativa e diante do respectivo encontro de contas, procedimento de averiguação fiscal que permitiria constatar se os valores lançados neste auto de infração como omitidos, de fato, também compuseram a base de cálculo na tributação efetuada nas pessoas jurídicas. Ressalte-se, ainda, que, na situação dos autos, o contribuinte não é o credor do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, com o qual pretende ver compensado o débito lançado em seu nome, sendo que tal crédito, uma vez confirmado, seria oriundo de terceiro, isto é, da pessoas jurídica Costa Global Ltda. De acordo com o princípio da entidade, o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com aquele dos seus sócios ou proprietários. Veja-se, ainda, o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012: “Art. 68. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros”. Destarte, o suposto crédito, não sendo líquido, certo e nem próprio, não é passível de compensação com débito do sujeito passivo. Da Multa Aplicada Da inexistência de condições para a multa qualificada e seu evidente caráter confiscatório. De acordo com o artigo 44, inc. II da Lei nº 9.430, de 1996 a multa qualificada de cento e cinquenta por cento é aplicada nos casos em que ficar configurada uma ou mais das condutas definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas cabíveis. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Vale citar a regra dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 8311DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 71, inciso I, definiu que sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1º, inciso I, explicitou melhor esse conceito ao dispor que constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. Mais tarde, sem utilizar a expressão "sonegação fiscal", mas definindo os mesmos fatos antes sob aquela alegação, a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu os crimes contra a ordem tributária. Nos termos do artigo 1º, inciso I, constitui tal crime suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante a omissão de informação ou declaração falsa às autoridades fazendárias. A materialidade da conduta do contribuinte explicitada no relatório deste julgado, no tópico “Do Envolvimento do Fiscalizado com a Operação Lava Jato”, ajusta-se perfeitamente à norma contida nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo que os elementos subjetivos – sonegação e conluio - são investigados no momento das práticas das infrações tributárias, não importando que, no futuro, o interessado confesse suas atitudes contrárias ao ordenamento jurídico e facilite o trabalho de apuração do imposto devido. Na esfera penal, a confissão espontânea, perante a autoridade, da autoria do crime, é circunstância atenuante a ser observada na dosimetria da pena (Art. 65, III, "d", do Código Penal). Na seara tributária, não há previsão legal para que a confissão, na esfera criminal, interfira ou se imponha ao lançamento fiscal. A fiscalização constatou que o contribuinte, por meio do Termo de Colaboração Premiada, reconheceu ser o beneficiário econômico de diversas contas no exterior, citadas no relatório desse voto utilizadas, principalmente, para receber vantagens indevidas decorrentes da atuação em benefício do Grupo Odebrecht, enquanto Diretor de Abastecimento da Petrobrás. Assim o sujeito passivo, ao efetuar movimentação bancária por meio de interpostas pessoas (offshores Sygnus Assets, Quinus Services, Sagar Holding), teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, mais precisamente em decorrência do recebimento de vantagens indevidas milionárias. Não se vislumbra no lançamento fiscal em discussão mera inadimplência de tributo, mas, sim, a prática de condutas desejadas com o intuito deliberado de violar a Fl. 8312DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 lei tributária e com pleno conhecimento de sua ilicitude – dolo - de forma a impedir o conhecimento pela administração tributária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda – sonegação - em conluio com outras pessoas físicas, sem, obviamente, informar os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, subsumindo-se às hipóteses descritas nos arts. 71 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Com referência à alegação de que a multa tem caráter confiscatório, importa registrar que a constituição do crédito tributário é ato privativo da autoridade administrativa, que deve se pautar pela legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. A aplicação da multa de ofício sobre o imposto suplementar apurado não comporta qualquer discricionariedade da autoridade lançadora ou julgadora, uma vez que decorre de exigência legal citada na notificação de lançamento: art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os dispositivos legais transcritos determinam que, ante a existência de norma emanada do órgão competente, cabe à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja retirada do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, as hipóteses aventadas não ocorreram, é vedado a este Colegiado afastar sua aplicação com base na alegação de suposta violação ao princípio do não confisco. Nesse contexto, a multa aplicada deve ser mantida no percentual de 150%. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 02-73.382 DDaa ddiilliiggêênncciiaa rreeqquueerriiddaa nnoo rreeccuurrssoo 9. Considerando que o conjunto probatório anexado aos autos se mostra suficiente para a formação da convicção a respeito da lide tributária, e por considerar desnecessário, rejeito o pedido de diligência formulado às e-fls 8019/8020. CONCLUSÃO 10. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares, denegar o pedido de diligência, e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 8313DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 2301-006.062 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.726356/2016-71 Fl. 8314DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720575/2008-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Para efeitos do imposto de renda, equiparamse às pessoas jurídicas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (art.41, §1°, "b", da Lei n° 4.506/64, e art.150, §1°, II, do RIR/99). LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A não apresentação à autoridade tributária da escrituração comercial e fiscal, após inúmeras intimações, autoriza o arbitramento do lucro. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME DE CONSIGNAÇÃO. REQUISITOS. A não comprovação do custo de aquisição dos veículos usados comercializados e dos valores das respectivas vendas, mediante notas fiscais de entrada e saída, impede sejam equiparadas a operações de consignação para efeitos tributários, não podendo a pessoa jurídica valerse do regime tratado no art. 5°, da Lei n° 9.716/98. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS . O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em face da relação de causa e efeito entre eles existente. MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 05 75 /2 00 8- 64 Fl. 1225DF CARF MF 2 Estando devidamente e caracterizado o evidente intuito de fraude, justificase a aplicação o da multa de oficio no percentual de 150%(cento e cinquenta por cento) (art44, II, da Lei n° 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). NORMAS VEICULADAS EM LEI OU DECRETO. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o acórdão 1128.526 3a Turma da DRJ/REC que deu provimento parcial à impugnação, apresentada pela ora recorrente. Peço a devida vênia para transcrever o relatório, constante do acórdão da DRJ: O processo versa sobre autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$14.121,63 (valor originário), com aplicação de multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme fundamentação constante do campo "Descrição dos Fatos e Enquadramentos) Legal(is)" (f1s.03111). A fiscalização afirmou, em síntese: de acordo com "relatório da movimentação financeira base CPMF', a pessoa física movimentou em suas contas correntes o montante de R$ 539.878,21 em 2003 e R$ 1.342.750,82 em 2004, tendo declarado apenas R$ 91.887,91 e R$ 98.707,17 (soma dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e dos sujeitos à tributação exclusiva na fonte) em tais anos respectivamente; a transferência dos dados bancários foi deferida pela Justiça Federal (processo n° 2005.84.00.0058683); após ter sido regularmente intimado a comprovar a origem dos valores creditados/ depositados nas contas correntes, o contribuinte informou, sem apresentar qualquer documentação, que: Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 3 3 "(..) exerce informalmente atividades ligadas ao comércio varejista de veículos usados, intermediando transações comerciais, comercializando veículos em nome próprio e em nome de terceiros; () os valores decorrentes das alienações dos automóveis de terceiros cujas vendas estavam a seu encargo eram creditados em suas contas bancárias, sendo posteriormente repassados aos proprietários dos automóveis, ficando (.) apenas com a comissão. (..) os pequenos valores depositados em suas contas corresponderiam a essa comissão; ( ) nesse tipo de comércio não existe comprovante de pagamento de comissões; (..) quando atuava em nome próprio, adquiria veículos de terceiros, efetuava os reparos necessários e, posteriormente, os revendia, auferindo, neste caso, pequenos lucros. () os reparos dos veículos usados eram realizados em oficinas não autorizadas as quais não forneciam documentação de garantia ou para fins fiscais; ( ) apesar de exercer habitualmente o comércio de veículos, manca foi registrada qualquer empresa em nome dele. (..) no comércio profissional de veículos vigora a informalidade. instado a apresentar demonstrativo com os valores correspondentes à receita auferida na revenda de carros e às atividades de intermediação, deixou o autuado de individualizar quais valores corresponderiam ao lucro ou às comissões, permanecendo sem entregar os respectivos documentos que os comprovariam; nova intimação foi efetivada, desta vez no intuito de buscar esclarecer os critérios empregados na determinação dos valores inicialmente indicados . Na resposta, novamente sem lastro probatório, informouse que "...os valores apresentados foram obtidos em razão da vendas efetuadas e da rentabilidade média do comércio de veículos usados no estado do Rio Grande do Norte e de comissões recebidas na intermediação de vendas, as quais variavam em função do tempo de agenciamento, porte e estado de conservação do veículo, forma de pagamento, dentre outras"; foram realizadas diligências perante os depositantes e beneficiários das transferências realizadas pelo contribuinte, com as quais se pode comprovar o desempenho de atividade comercial de compra e venda de veículos usados em nome próprio; mesmo após várias intimações , não foram fornecidos os documentos e livros necessários à apuração do lucro real, razão pela qual se procedeu ao arbitramento, conforme ar .530, III, do RIR 99; "...Nenhuma das pessoas questionadas às f1s.011371 do Anexo II afirmou ter pago qualquer comissão ao contribuinte Cleomines Pereira do Nascimento. Além disso, se o contribuinte tivesse recebido comissões, os valores depositados em suas contas referentes às vendas por ele realizadas teriam que ser repassados aos antigos proprietários dos veículos, ficando ele apenas com a comissão"; os valores lançados a débito nas contas correntes decorreram de compras de veículos e de gastos pessoais, tais como pagamentos de conta telefônica, de seguro e de despesas com ouso de cartões de crédito; "...com relação aos valores creditados em conta bancária, constatamos que tais valores decorreram da venda de veículos por ele realizadas e, mesmo no caso dos Fl. 1227DF CARF MF 4 depósitos de pequeno valor identificados nas conta dele, não ficou constatado que tais valores corresponderiam a comissões por ele recebidas. As pessoas que com ele negociaram utilizaram como forma de pagamento dinheiro, cheque e transferências bancárias, conforme consta nos recibos emitidos por Cleomines, juntados no Anexo IF, "...ao estabelecer a equiparação da venda de veículos usados às operações de consignação, a Lei 9.71611998 permitiu que as empresas que assim atuem considerem como receita bruta o valor da diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição do veículo, pois as empresas que vendem por consignação têm como receita bruta o valor da comissão ou da corretagem e não o valor total da venda. As empresas que realizam atividades de consignação atuam, portanto, nos mesmos moldes daquelas que realizam a intermédio de negócios, devendo assim ser empregada para essas atividades a mesma alíquota adotada para a determinação do lucro nas atividades de intermediação de negócios"; em razão de inexistir documentos contábeis necessários para se estabelecer com precisão a receita bruta auferida, utilizouse a mesma metodologia indicada pelo autuado, qual seja a rentabilidade média do comércio de veículos usados no Rio Grande do Norte; o índice de 9% (nove por cento), obtido da média dos limites de 8 (oito) e 10 (dez) por cento informados pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO), foi aplicado sobre os valores dos créditos; em razão da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, a autuação foi realizada em nome da firma individual já existente; "considerandose que o empresário (firma individual) Cleomines Pereira do Nascimento omitiu a informação da realização do negócio de compra e venda de veículos ocorrido nos anoscalendário de 2003 e de 2004, haja vista que não houve a emissão das notas fiscais de entrada ou saída dos veículos comercializados nem a movimentação bancária identificada foi registrada na escrituração contábil, aliás sequer existe qualquer livro fiscal ou comercial, e que dessa conduta resultou o não recolhimento dos tributos devidos (IRPJ, PIS, COFINS e CSLL), qualificamos a multa do lançamento de oficio nos termos do art.44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Destaco também que os veículos comercializados em sua grande maioria não foram registrados no DETRAN em nome dele, conforme informações apresentadas pelo órgão de trânsito às fls. 1451167, fato que em conjunto com a não emissão das notas fiscais de entrada e saída da mercadoria atesta que o empresário tinha por objetivo ocultar da Administração Tributária a ocorrência do fato gerador dos tributos IRPI, PIS, COFINS e CSLL". Devidamente cientificado dos lançamentos em 18103108 (fL181), o contribuinte tempestivamente apresentou impugnação em 15 /04/08 (fls.183/200), em que sustenta: preliminarmente, os lançamentos seriam nulos à vista da inexistência de mandado de procedimento fiscal e de termo de início em nome da pessoa jurídica, que em momento algum foi cientificada de que estava sob fiscalização. "...o lançamento de oficio (auto de infração) originado de um procedimento que não teve início é inválido, posto que não se instaurou a ação fiscal no contribuinte autuado"; o lucro arbitrado não teria sido determinado por quaisquer dos critérios estabelecidos no ar .535 do RIR/99; Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 4 5 a fiscalização, sem base legal, valerase do percentual de 9% (nove por cento) sobre o valor dos depósitos para estabelecer a receita bruta; ...a pessoa física, atendendo a determinações da fiscalização, informou a sua rentabilidade média na compra e venda de automóveis usados no Rio Grande do Norte. No entanto, apesar de apontar fatores como estado de conservação, porte do veículo, forma de pagamento etc., a fiscalização desconsiderou as informações prestadas e tomou como verdadeira informações repassadas por associações nacionais. 19. Além disso, também obteve a mesma informação do Sindicato dos Revendedores de Veículos do Rio Grande do Norte SINDIREV, órgão local que congrega os lojistas de veículos usados, que informou que a rentabilidade é da ordem de 4%. 20. Cabe salientar que as informações prestadas pela FENAUTO não apontam para uma rentabilidade entre 8% e 10%. Rentabilidade é o ganho depois de excluídas as despesas de compra e venda, isto é, o valor da venda menos o valor da compra. E nisso há convergência de valores entre a FENAUTO SINDIREV, sendo este de 4%. 21. O que não poderia era a fiscalização tomar o termo " médio entre 8% e 10% para estimar uma receita bruta, em total descompasso com as informações prestadas. Noutro ponto, toma uma estimativa baseada em um órgão de nível nacional em detrimento da realidade local. Ora, os dados que servem para as estimativas da FENAUTO são a nível Brasil, considerando a realidade econômica bastante superior a do Rio Grande do Norte, um dos estados mais pobres da federação"; teria informado a receita com a compra e venda de automóveis usados, que representaria 4,86% em 2003 e 4,62% em 2004; "...a nobre auditora serviuse de critérios não autorizados em lei, abandonando as informações obtidas junto ao próprio contribuinte, de tal sorte a majorar a receita do mesmo para fins de tributação. Abandonou as informações prestadas pelo impugnante porque este não apresentou documentos ou informou critérios para a obtenção dos valores. Por que não o fez o mesmo com as informações da FENAUTO? Porque não intimou novamente as associações nacionais para informar os critérios que utilizaram para afirmar que a rentabilidade se situava entre 8% e 10%?( .. )"; • a fiscalização "...poderia ter também diligenciado para revelar os valores pagos por este, obtendo assim tanto o valor das compras como o das vendas e, por conseguinte, a receita bruta das transações realizadas; seria correta a declaração de nulidade dos autos de infração ou, alternativamente, a adoção do parâmetro do comércio local, representado pelo SINDIREV/RN, que é 4%; a auditora teria desfigurado institutos jurídicos, quando, por exemplo, equiparou a consignação à intermediação de negócios para fins de aplicação da alíquota. Nas operações de consignação mercantil a consignatária pratica operações de compra e venda de mercadorias, não sendo a remuneração a comissão mercantil; própria do contrato de intermediação. Enquanto o contrato de consignação tem assento legal nos arts.534 a 537 do Código Civil de 2002, o de intermediação estaria previsto nos arts. 722 a 729 do mesmo codex; "... Assente que o intermediador de negócios não vende mercadorias e considerando que a autuante afirma categoricamente em diversas passagens da descrição dos fatos que o impugnante realizava apenas operações de compra e venda de automóveis usados, não como se equiparar as operações por ele realizadas como intermediação de negócios. Outra alternativa não resta senão enquadrálas como Fl. 1229DF CARF MF 6 compra e venda. (...) Nisso o nosso legislador andou bem. Dúvidas não restam de que a consignação traz como elemento central a compra e venda de coisa móvel, daí ter equiparado o comércio de veículos usados para fins tributários como consignação. Aliás, a consignação, como falado adrede, encerra duas operações de compra e venda. (.) Logo, estando a venda de bens moveis (automóveis) elencada na lei como sujeita ao percentual de 9,6% (8% com majoração de 20%) para a determinação do lucro arbitrado para fins de tributação pelo imposto de renda e contribuição social, esse deverá ser o percentual a se utilizar para a determinação da base de cálculo desses tributos. ( J Ao equipar à atividade do impugnante (compra e venda) a intermediação de negócios, a auditora federal desvirtua os fatos para enquadrálos numa atividade em que o percentual de determinação do lucro é mais oneroso'; caberia, na dúvida sobre o enquadramento legal do fato, a aplicação da interpretação benigna (art112 do CTN); de acordo com o art.519, §4°, do RIR/99, a base de cálculo do IRPJ, quando se aufere receita bruta anual a de até R$120.000,00, deve ser determinada mediante a aplicação do percentual de 16% (19,2% para o lucro arbitrado). "...É importante frisar que mesmo em se tratando de intermediação de negócios na venda de automóveis usados não se estaria diante de profissão regulamentada, diferentemente do que ocorre com a corretagem de imóveis o ar144, II, da Lei n° 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei no 11.488/07, vigente ao tempo do lançamento, estabeleceria o percentual de 50% e não de 150%; na autuação, também não fora demonstrada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. "...A falta de emissão de documentos fiscais, escrituração comercial ou mesmo o registro de veículos no DETRAN se caracterizam como obrigações acessórias, não podendo o seu descumprimento se constituir em conduta fraudulenta (...). A imposição da penalidade exarcebada somente é possível com o EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, devendo a sua prova estar lisamente demonstrada nos autos, sob pena de se equipar uma simples infração fiscal a infrações de natureza criminosa (...). Como se pode pretender que um sujeito esteja ocultando receitas do fisco, quando suas vendas são todas realizadas através de documentação bancária num período em que era do domínio público que a Receita Federal estava vasculhando as contas bancárias através da CPMF?"; a imposição da penalidade agravada seria ainda inconstitucional, visto violar o principio da capacidade contributiva, tendo caráter confiscatório. Cientificada em 23/02/2010 (fl 273), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 23/03/2010 (fl 273) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu a conheço. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 5 7 A recorrente, em seu recurso, alega, essencialmente, as mesmas razões apontadas em sua impugnação: o recorrente interpôs a pertinente impugnação ao lançamento fiscal, desfiando, em síntese, os seguintes argumentos: a) nulidade do lançamento ante a ausência de mandado de procedimento fiscal e termo de início de fiscalização em relação à pessoa jurídica autuada; b) ilegalidade do percentual utilizado pela fiscalização para fins de determinação da receita bruta, porquanto não previsto em lei, revelando assim sua inadequação à finalidade colimada; c) ilegalidade da equiparação da atividade comercial substanciada na compra e venda de veículos usados aos serviços de corretagem; d) impossibilidade do agravamento da multa aplicada (150%), em razão da inexistência de fraude, sonegação ou conluio. Em preliminar de nulidade, alega (novamente), em apertada síntese que: Da Nulidade do Lançamento . Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Início do procedimento na pessoa jurídica. 33. Dessa forma, os termos dados à pessoa física não servem para a pessoa jurídica, que para ser autuada haveria de ser instaurado o competente procedimento fiscal, inclusive com ciência do MPF emitido para esse fim. Não obedecidas essas condições, o lançamento é nulo. 34. Diante da preliminar levantada, desde já, requer que seja declarada a nulidade do auto de infração, cancelandose a exigência do crédito tributário ora contestado. Como veremos adiante os argumentos foram devidamente rebatidos pela DRJ. Continuando, rebate o percentual utilizado pela fiscalização Da utilização de percentual para determinação da receita bruta não previsto em lei. Inadequação do percentual eleito. 38. No presente caso, a pessoa física, atendendo a determinações da fiscalização, informou a sua rentabilidade média na compra e venda de automóveis usados no Rio Grande do Norte. No entanto, apesar de apontar fatores como estado de conservação, porte do veículo, forma de pagamento etc., a fiscalização desconsiderou as informações prestadas e tomou como verdadeira informações repassadas por associações nacionais. 39. Além disso, também obteve a mesma informação do Sindicado dos Revendedores de Veículos do Rio Grande do Norte SINDIREV, órgão local que congrega os lojistas de veículos usados, que informou que a rentabilidade é da ordem de 4%. 40. Cabe salientar que as informações prestadas pela FENAUTO não apontam para uma rentabilidade entre 8% e 10%. Rentabilidade é o ganho depois de excluídas as despesas de compra e venda, isto é, o valor da venda menos o valor da compra. E nisso há convergência de valores entre a FENAUTO E SINDIREV, sendo este de 4%. Fl. 1231DF CARF MF 8 41. O que não poderia era a fiscalização tomar o termo médio entre 8% e 10% para estimar uma receita bruta, em total descompasso com as informações prestadas. Noutro ponto, toma uma estimativa baseada em um órgão de nível nacional em detrimento da realidade local. Ora, os dados que servem para as estimativas da FENAUTO são a nível Brasil, considerando a realidade econômica de muitos estados do centrosulsudeste que possuem uma realidade econômica bastante superior a do Rio Grande do Norte, um dos estados mais pobres da federação. ... 50. Não podia era utilizar critério não previsto em lei, prejudicando o contribuinte com uma majoração de receita despropositada. Pela forma utilizada para determinação a receita bruta restaram nulos os lançamentos por falta de previsão legal para a quantificação das bases de cálculo dos tributos lançados. ... 53. Por todo o exposto, requer a declaração de nulidade.. dos autos de infração, com a desconsideração do percentual de 9% sobre os depósitos como fator de determinação da receita bruta, ou, alternativamente, a adoção do parâmetro do comércio local, representado pelo SlNDIREV/RN, que é 4%, como sendo o mais justo para a realidade do contribuinte. Das operações de compra e venda de veículos usados. Atividade comercial. Eleição da atividade de corretagem. Alteração indevida da natureza jurídica do fato gerador. Impossibilidade. 54. Pelas suas investigações, a auditora federal constatou inúmeras vezes que o contribuinte realizava compra e venda de veículos usados, até mesmo recebendo estes como parte de pagamento daqueles que vendia, caracterizandose a atividade como de natureza puramente comercial, ou seja, compra e venda de veículos usados. 55. Nisso a senhora auditora foi contumaz em suas descrições, não poupando, em qualquer momento, de qualificar o recorrente como comerciante de veículos, como se transcreve a seguir: " Conforme já esclarecemos, as diligências realizadas junto às pessoas físicas e jurídicas responsáveis pelos valores creditados na conta contribuinte e junto aos beneficiários das transferências por ele realizadas atestam que o Sr. Cleomines Pereira do Nascimento realizou nos anos de 2003 e de 2004 a atividade comercial de venda de veículos usados em nome próprio." 56. Em outra passagem, logo a seguir: " Destaco também que várias pessoas informaram terem entregue seus carros usados como parte no pagamento na aquisição do veículo por ele alienado. Nenhuma das pessoa questionadas às fls. 01/371 do Anexo II afamou ter pago qualquer comissão ao contribuinte Cleomines Pereira do Nascimento" destacamos. 57. Como é do conhecimento de todos e bem lembrado pela ilustre auditora, as operações mercantis com veículos usados se equiparam para fins tributários a operações de consignação, sendo a receita bruta a diferença entre o valor de venda e o valor de custo, e não o valor total da venda. Até aí, tudo bem. 58. Porém, mais uma vez sem autorização legal, a nobre auditora tenta desfigurar institutos jurídicos com o nítido objetivo de alavancar os valores do lançamento. Assim faz quando equipara a consignação à intermediação de negócios. Eis as suas palavras : "As empresas que realizam atividades de consignação atuam , portanto, nos mesmos moldes daquelas que realizam a intermediação de negócios, devendo assim ser empregada para essas atividades a mesma alíquota adotada para a determinação do lucro nas atividades de intermediação de negócios" destaques acrescidos. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 6 9 59. Pela conclusão acima, a auditora da Receita Federal do Brasil parece pessoa neófita em se tratando de institutos de direito privado (civil e comercial), confundindo conceitos bem definidos, tratando a consignação como sendo comissão mercantil. Notese que nas operações de consignação mercantil a empresa consignatária também pratica operação de compra e venda de mercadorias, não sendo sua remuneração a comissão mercantil; está própria remuneração do contrato de comissão (intermediação de negócios). 60. Para aclarar mais a situação vejamos os conceitos dos institutos jurídicos envolvidos. Principiemos pela consignação. 61. O contrato de consignação ou contrato estimatório tem assento legal nos arts. 534 a 537 do Código Civil de 2002. Por ele, o consignante entrega ao consignatário bens móveis que fica autorizado a vendêlos, pagando ao consignante o preço ajustado. Se preferir, no prazo estabelecido, pode restituirlhe a coisa consignada. 62. Nessa modalidade contratual o consignatário recebe bens do consignante, ficando autorizado a vendêlos, em nome próprio, a terceiros, obrigandose, então, a pagar o preço estipulado. Como se nota, o consignatário atua em seu próprio nome, realizando venda mercantil e em seguida pagando ao consignante pela sua compra. Se o consignatário vende a coisa em nome próprio é porque tem a sua propriedade e dela pode dispor. Aqui, nesse contrato real, é importante notar que a lei estabelece como elemento do contrato os bens móveis, cuja transmissão da propriedade se dá pela simples tradição da coisa. Logo, resta confirmado que ao realizar a venda da coisa em nome próprio o consignatário é proprietário do bem móvel que lhe foi entregue pelo consignante. Da Multa Agravada (150%). Inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio. 93. A falta de emissão de documentos fiscais, escrituração comercial ou mesmo o registro de veículos no DETRAN se caracterizam como obrigações acessórias, não podendo o seu descumprimento se constituir em conduta fraudulenta. Uma vez inobservadas as obrigações acessórias , estas se convertem em principal relativamente à penalidade pecuniária. 94. Nesse diapasão , a ausência de escrituração ou emissão de notas fiscais somente ensejaria a aplicação de multa regulamentar , nunca a exacerbação de penalidade, calculada sobre o valor do tributo, por intuito de fraude . Por sua vez, a aquisição de um veículo sem o competente registro perante o órgão de trânsito é infração administrativa , não estando tal conduta albergada entre aquelas da lei tributária. 95. A imposição da penalidade exacerbada somente é possível com o EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, devendo sua prova estar lisamente demonstrada nos autos, sob pena de se equiparar uma simples infração fiscal a infrações de natureza criminosa, como tenta fazer a fiscal autuante. Por fim, requer que o seu recurso seja julgado procedente, extinguindose o crédito tributário. Todos os argumentos apresentados pela recorrente foram devidamente analisados pela DRJ, assim, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo Fl. 1233DF CARF MF 10 57, do RICARF, peço a devida vênia, para reproduzir (parcialmente), o voto da DRJ, por com ele concordar integralmente: De acordo com o início do relato fiscal, restou evidente realmente que a fiscalização foi iniciada em nome da pessoa física Cleomines Pereira do Nascimento, "...em razão de ter apresentado nos anos de 2003 e de 2004 uma movimentação financeira incompatível com os rendimentos por ele declarados". No decorrer do procedimento fiscal, constatouse, mediante declarações prestadas pelo próprio titular das contas correntes e através de terceiros que com ele transacionaram, que os créditos decorreram da exploração de uma atividade econômica (compra e venda de veículos usados), em nome individual, com habitualidade e objetivando lucro, razão pela qual correta foi a equiparação da pessoa física (titular das contas correntes) à pessoa jurídica para fins tributários, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda RIR 99: ... Não havia necessidade de ser emitido um novo MPF ao final do procedimento, tampouco um novo termo de início de fiscalização em nome da firma individual já constituída pelo Sr. Cleomines Pereira do Nascimento, até porque não havia nada mais a ser averiguado. A fiscalização iniciouse corretamente e, apenas quanto ao seu encerramento, considerando aquela equiparação, culminou com a realização dos lançamentos tributários contra a pessoa jurídica, por imperativo legal. A pessoa física, por sua vez, esteve ciente de todo o desenrolar da ação fiscal, conforme apontam as inúmeras intimações a ela dirigidas. O termo de início de fiscalização, como a própria designação já indica, além de possibilitar o conhecimento do princípio de uma ação fiscal, traz normalmente em seu bojo uma ordem de intimação para a apresentação de livros e documentos necessários à auditoria. Abrese o canal de comunicação entre a Administração tributária e o contribuinte, evitandose, via de regra, o efeito surpresa. Além disso, retiralhe a espontaneidade (art.138, parágrafo único) e possibilitalhe concretizar, se for do seu interesse, a faculdade estabelecida no art.47 da Lei no 9.430/96: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei n"9.532, de 1997) Considerando, salvo prova em contrário, inexistirem pagamentos relacionados aos créditos tributários apurados pela fiscalização, que não foram objeto de declaração, inaplicáveis portanto os dispositivos legais mencionados no parágrafo anterior. Quanto à suposta impropriedade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MU, cabe ressaltar que não atinge os lançamentos. A questão resolvese essencialmente a partir da competência legal do auditorfiscal para realizálos. Aliás, sobre isso não há dúvidas, de tal sorte que deixo de mencionar as respectivas normas que a regem, até mesmo porque tal matéria não é controversa. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 7 11 O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, de modo a não se falar, por exemplo, em nulidade do lançamento em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou nas sucessivas prorrogações, tese esta contemplada por vários julgados do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A título exemplificativo: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPP). IRREGULARIDADES VALIDAR O LANÇAMENTO. O mandado de procedimento fiscal constitui controle administrativo das ações fiscais prescindível para a validade do ato de lançamento tributário realizado por servidor competente nos termos da lei. (Acórdão n° 10322704, Sessão de 08111106 (DOU de 08101107, Seção 1, j1.37), 1 ° CC, 3° Câmara). Cita outras decisões, exemplificativas, na fl 221. Continuando: Como bem cuidou o supracitado Acórdão W 10706820, o eventual descumprimento da norma infralegal pode desencadear a apuração de responsabilidades administrativas, não a invalidade do procedimento e a nulidade dos autos de infração regularmente lavrados. Por sua vez, o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, estabelece os requisitos de um auto 14,4 infração, todos contemplados no presente caso: ... Normas que regem o Mandado de Procedimento Fiscal não modificam, até mesmo por não se revestirem em instrumento hábil, a competência do auditorfiscal da Receita Federal do Brasil estatuída em lei. A esse respeito, vejamos esclarecedora decisão administrativa: MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 1265199 NULIDADE O desrespeito ao prazo previsto na Portaria SRF 1265199 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o art. 13 dessa Portaria não traz como consequeência a nulidade do ato (..). (1 ° CC, Oitava Câmara, Acórdão 108 07523 de 1010912003). Destaquese, ainda, recente julgado do Tribunal Regional Federal da 5a Região sobre a autonomia do lançamento, que entendeu não haver vinculação daquele ato administrativo a outro, a exemplo do combatido Mandado de Procedimento Fiscal: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL IMPOSSIBILIDADE TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Fl. 1235DF CARF MF 12 • 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2 O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração á legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. (destaquei) (3° Turma, AC 4343301SF, Rel. Élio Wanderley de Siqueira Filho, Julgamento em 15105108, DJ 31107/08) Considerando o exposto anteriormente e constatandose a presença de todos os requisitos ledo lançamento, afastase esta preliminar de nulidade. No campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", percebese que o lucro foi arbitrado com fundamento no art. 530, III, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art.47, e Lei n°9.430, de 1996, art. l 9: III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; No tocante à não apresentação dos livros e documentos comerciais e fiscais, não há dúvidas de que o contribuinte, mesmo tendo sido intimado várias vezes, deixou de fornecêlos ao fisco federal, fato que impossibilitou o cálculo do lucr real, não restando outra opção à autoridade fiscal senão proceder ao arbitramento que se caracteriza por ser uma forma de apuração do lucro ao lado das apuraçõe pelo lucro real e pelo lucro presumido reservada a hipóteses bem específicas. Quando conhecida a receita bruta, aplicamse os percentuais fixados no art. 519 e parágrafos, acrescidos de vinte por cento (art532 do RER/99). Enveredouse a fiscalização por este caminho. Por exemplo, aplicou para o IRPJ "...o percentual de 32% (trinta e dois por cento) previsto para as atividades de intermediação de negócios (art.518, §11, inciso III combinado com o art.519), acrescido do percentual de 20% (vinte por cento), em razão do arbitramento (art.532 do RIR199)". Não se pode afastar a premissa de que a receita bruta foi devidamente identificada pela fiscalização, tendo havido apenas um equívoco quanto à sua quantificação, conforme exposição adiante, razão pela qual não há se falar em aplicação do ar .535 do RIR/99, que define as alternativas de cálculo para a determinação do lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 8 13 Por sua vez, a receita bruta foi estabelecida com base no art.5° da Lei n° 9.716, de 26/11/98: Art. 5° As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (destaquei) Não obstante em hipóteses de equiparação de pessoa física à pessoa jurídica inexistirem por óbvio atos constitutivos, pareceme perfeitamente possível adotar uma interpretação de sorte a se permitir, em tese, a aplicação do regime fiscal atinente às operações de consignação , até mesmo porque não se trata de norma relativa à suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias, a justificar uma interpretação literal, como impõe o art.111 do Código Tributário Nacional. Entretanto, para que seja concretizada a tributação valendose daquele regime fiscal, é necessário sejam emitidas notas fiscais de entrada e de saída (parágrafo fanico do art5°). Não é outro o entendimento consolidado na Instrução Normativa SRF n° 152, de 16/12/98. Vejamos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. S° da Lei ns 9.716, de 26 de novembro de 1998, resolve: Art. 1° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da Unido, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de. renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de Fl. 1237DF CARF MF 14 venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anterior. Art. 4° As disposições desta Instrução Normativa aplicamse exclusivamente para efeitos tributários. Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 30 de outubro de 1998. Vêse, portanto, que na determinação da base de cálculo, representada pela diferença entre o valor pelo qual o veiculo usado houver sido alienado e o seu custo de aquisição, deve se levar em conta os preços ajustados, constantes das notas fiscais de entrada e saída , devendo ser mantidos em boa guarda e à disposição da Receita Federal os demonstrativos de apuração, providências estas não adotadas pelo autuado. Apesar da obtenção, perante terceiros, dos valores de venda de alguns veículos, a fiscalização não identificou os respectivos custos de aquisição, o que fez com que se valesse de informações obtidas perante a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO) e o Sindicato dos Revendedores de Veículos. Além do descumprimento da obrigação de emitir notas fiscais de compra e venda, o que já impediria o enquadramento no regime previsto no ar .5o da Lei n° 9.716, de 2611", não se poderia estabelecer a receita bruta com base em um índice médio de rentabilidade do ramo de compra e vendas de veículos usados, apenas porque o contribuinte afirmou que o adotava, conforme a seguinte passagem presente no termo de encerramento: "(..) Em razão da inexistência dos documentos contábeis necessários a precisa determinação da receita bruta (diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição dos veículos) da empresa Cleomines Pereira do Nascimento, CNPJ 09.305.1031000134 e, considerandose que ao apresentar a tabela de j1s.127 o contribuinte afirmou que os valores lá constantes foram obtidos a partir da rentabilidade média do comércio de veículos usados no Rio Grande do Norte, pois, anteriormente, já esclarecera que não dispunha de qualquer documento por atuar na informalidade, utilizamos este mesmo critério para determinar o valor da receita bruta auferida pela empresa". Ao não conseguir comprovar os custos individuais dos veículos considerados, deveria a fiscalização ter empregado na apuração do IRPJ e da CSLL a regra geral , havendo, portanto, erro na fixação da receita bruta. Em casos semelhantes, outras Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento já decidiram ser imprescindível , para . fins de submissão ao regime de tributação aplicável às operações de consignação, a comprovação dos valores de Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 9 15 alienação e respectivos custos a. Vejamos, in verbis, as respectivas ementas e trechos dos votos condutores (decisões nas fls 225 a 227) Prosseguindo, há decisão do antigo 1° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que se evidencia ser a sistemática prevista o art.5° da Lei 9.716/98 uma opção do contribuinte, consoante a seguinte ementa: IRPJ E CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO = (...) VENDA DE VEÍCULOS USADOS CONSIGNAÇÃO As empresas optantes pela sistemática prevista no artigo 5° da Lei 9.716198, devem utilizar a alíquota de 32% para calcular a base a ser utilizada para determinação do valor a ser recolhido. Recurso parcialmente provido. (1 ° CC, Y Câmara, Acórdão n° 10516775, Rel. José Clóvis Alves, Sessão de 08111107) Ao considerar uma "rentabilidade média, a autoridade fiscal constituiu, na verdade, créditos tributários em valores inferiores, vez que se valeu de uma receita bruta reduzida , não se podendo, agora, em sede de julgamento , majorála. Afastada a aplicação daquele regime fiscal , também não podem ser adotados os índices de rentabilidade desejados pelo contribuinte (4,86% em 2003; 4,62% em 2004), que contestou o emprego das informações da FENAUTO e do SINDIREV, aqui afastadas. A impossibilidade de adoção, para fins tributários, do regime fiscal previsto no art. 5° da Lei n° 9.716/98, regulamentado na IN SRF n° 152/98, impede que operações de venda possam ser consideradas como sendo de consignação, razão pela qual o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta não pode ser aquele afeto a, por exemplo, prestações de serviços ou mesmo intermediações de negócios. De acordo com relatos de alguns compradores, podese inferir que o Sr. Cleomines Pereira do Nascimento não realizava simplesmente uma intermediação, tampouco prestava serviços. Praticava a compra e venda de veículos usados, cuja origem não logrou identificar com precisão. Relativamente a alguns, certo é que os compradores os entregaram como parte do preço transacionado. Por exemplo, in verbis (relatos às fls 228 e 229). As transações de venda de veículos usados nunca deixaram de ter tal natureza. Apenas, para fins tributários, há a possibilidade de, cumpridas certas obrigações acessórias, serem equiparadas a operações de consignação. Considerando que o lucro foi arbitrado , deve ser aplicado o percentual de 9,6%, nos termos dos artigos 532 c/c art.519, caput, do RIR/99: Art 519 A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 74 do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei rr 9.249, de 1995, art. 15, e Lei 9.430, de 1996, arts. 1° e 25, e inciso I). Art 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § .12 Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei 9.249, de 1995, art. 15, § 1 49: Fl. 1239DF CARF MF 16 I um inteiro e seis décimos por cento, para atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no capuz; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza § 2° No caso de serviços hospitalares aplicase o percentual previsto no caput. § 3° No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei m 9.249, de 1995, art. 15, § 2°). § 4° A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei n4 9.250, de 1995, art. 40, e Lei n4 9.430, de 1996, art. 1'9. § 5° O disposto no parágrafo anterior não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei m 9.250, de 1995, art. 40, parágrafo único). § 6° A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o § 5°, para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. § 7° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a diferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subsequente ao trimestre em que ocorreu o excesso. Art 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante aplicação dos percentuais furados no art 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei W 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (destaquei). Devem ser afastadas, portanto, visto que claramente incompatíveis com a conclusão acima, as pretensões de defesa para a aplicação do art.519, §4 1, do RIR/99 (voltado às prestadoras de serviços em geral) e do art. 112 do Código Tributário Nacional (interpretação benigna). Por sua vez, os Demonstrativos de Apuração (fls.13/17), quanto ao IRPJ, restam assim alterados, com adaptações (quadro às fl 230 e 231). Dos Auto de Infração Reflexos Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, não é aplicável, pelas razões acima expendidas, o art96 da Instrução Normativa SRF no 300, de 30/01/04: Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 10 17 ... Empregase, portanto, a regra gera1 5, ou seja, a base de cálculo deve corresponder a 12% (doze por cento ) da receita bruta, nos termos dos artigos 88 a 90 daquela Instrução Normativa (...) Quadro demonstrativo à fl 233. No tocante ao PIS e à COFINS, igualmente não são aplicáveis as disposições do art.10, §§4° a 6% do Decreto n° 4.524/02: ... Na impossibilidade de, em sede de julgamento, ser agravada a exigência, não se pode agora considerar como receita bruta o total das vendas, devendo ser mantidos os créditos tributários na forma como constituídos. Da Multa de Ofício Quanto à aplicação da multa de oficio, não houve impropriedade nos "Demonstrativos de Multa e juros de Mora' (17, 32, 33, 58, 73 e 74) pelo fato de ali ter sido contemplado como fundamento o inciso II do art.44 da Lei n° 9.430/96. A época dos fatos geradores, esta era a previsão legal da penalidade, senão vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. As alegações de defesa no sentido de que a norma apontada como fundamento legal estabeleceria o percentual de 50% têm por base a atual redação daquele dispositivo, conferida pela Lei n° 11.488/07, razão pela qual não pode ser acolhida. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (sete e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 1241DF CARF MF 18 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1' 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Voltando ao fatos, restou evidenciado que em 2003 e 2004 o contribuinte praticou em nome próprio a venda de veículos usados, sem, entretanto, oferecer os respectivos rendimentos ao fisco federal. De acordo com Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física (Declarações de Ajuste), apenas foram declarados os rendimentos recebidos pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte (f1s.173/178). Até mesmo por ser servidor público das carreiras de auditoria fiscal e fiscalização, como informou nas DIRPF, não poderia o titular da firma individual desconhecer que o fato gerador, por exemplo, do imposto de renda, também se caracteriza com a aquisição da disponibilidade econômica decorrente do exercício daquela atividade (art 43 do CTN), que resultou na equiparação à pessoa jurídica e na consequente aplicação da legislação pertinente. Dispõe a Lei no 4.502/64: Art.71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Ari. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Entendo que aquela fraude reclamada pela redação anterior do art.44, , da Lei n° 9.430/96 consubstanciase no ardil, no embuste, também empregados como meios ara impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. O fato gerador ocorre e o contribuinte, mediante artifícios, Tenta impedir de alguma forma, ou mesmo retardar (para com isso se valer talvez de eventual extinção dos créditos tributários pela decadência), que a autoridade o detecte. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei n° 8.137, de 27112/90, que define crimes contra a ordem Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10469.720575/200864 Acórdão n.º 1001001.287 S1C0T1 Fl. 11 19 tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1 ° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, empregar outra fraude. para. eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo (..); (destaquei) Depreendese, então, que a fraude pode mesmo ser caracterizada com a omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal, ou mesmo omissão de declaração sobre rendas, bens ou fatos. Na espécie, ressaltase que "...não houve a emissão das notas fiscais de entrada ou saída dos veículos comercializados nem a movimentação bancária identificada foi registrada na escrituração contábil, aliás sequer existe qualquer livro fiscal ou comercial, e que dessa conduta resultou o não recolhimento dos tributos". É possível inferir das provas que alicerçaram a ação fiscal que o contribuinte livre e conscientemente direcionou seu agir para impedir ou retardar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias federais, da ocorrência do fato gerador. Como entender diferente se não emitiu as respectivas notas fiscais, se deixou de informar os respectivos rendimentos, mesmo na declaração de pessoa física, e se faltou com escrituração dos livros obrigatórios? A verdade é que se não fossem informações obtidas legalmente perante terceiros (instituições bancárias e adquirentes dos veículos), muito provavelmente teria o contribuinte obtido sucesso em seu objetivo. 1 Cabe ainda dizer que não compete às unidades de julgamento afastar a aplicação da multa sob o argumento de ser inconstitucional, vez ser esta uma prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário por expressa disposição constitucional. Aliás, após decisões reiteradas, o tema já foi objeto do Enunciado n° 2 da Súmula de Jurisprudência Dominante do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que recebeu a seguinte redação: Enunciado n° 2 do 1° CC: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ". Ademais, dispõe o Decreto n° 70.235/72: Art. 26 A. o âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei n ° 11.941, de 2009) No mesmo sentido estabelece o recente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Fl. 1243DF CARF MF 20 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Correta, portanto, foi a fixação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Pelo exposto, VOTO no sentido de indeferir a preliminar e, no mérito, ACOLHER PARCIALMENTE as alegações de defesa, para exonerar os valores principais de R$ 5.084,95 (cinco mil, oitenta e quatro reais e noventa e cinco reais), de IRPJ e R$ 1.774,24 (um mil, setecentos e setenta e quatro reais e vinte e quatro centavos), de CSLL, conforme demonstrativos acima. Como já dito anteriormente, entendo como correta a decisão da DRJ e a ela adiro integralmente. Quanto às arguições de inconstitucionalidades de normas, acrescento ao arrazoado da DRJ que este CARF não é competente para discutilas, consoante a súmula 2, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, rejeito a preliminar suscitada nos autos, para no mérito, negar provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920341/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 13/02/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.139
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 41 /2 01 2- 11 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920341/2012-11 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920341/2012-11 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 78DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.139 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920341/2012-11 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 79DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
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Numero do processo: 13981.000184/2004-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
ETIQUETAS. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO.
A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (entendimento expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014).
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis - vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO E REMOÇÃO DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO.
A remoção de resíduos de madeira no processo de fabricação de portas, feita por meio de ventiladores, filtros, e ciclones, armazenando-os em silos, faz parte do processo produtivo - ainda que indiretamente, e sem ela, inviável é a atividade, pelo que o industrial tem direito ao crédito sobre os encargos de depreciação destes bens do ativo permanente.
Numero da decisão: 9303-008.316
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (entendimento expressamente consignado no Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam portas de madeira, algumas inclusive partes de móveis vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção, os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição, direito a crédito. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO E REMOÇÃO DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. A remoção de resíduos de madeira no processo de fabricação de portas, feita por meio de ventiladores, filtros, e ciclones, armazenandoos em silos, faz parte do processo produtivo ainda que indiretamente, e sem ela, inviável é a atividade, pelo que o industrial tem direito ao crédito sobre os encargos de depreciação destes bens do ativo permanente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 84 /2 00 4- 95 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 3 2 conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3401001.577. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, a PGFN defende a aplicação, para fins de creditamento, do mesmo conceito de insumo da legislação do IPI, ou seja, “para considerar embalagens e depreciação de máquinas ou equipamentos do ativo imobilizado como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente na fabricação de produtos destinados à venda ... que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas”, concluídose que “1) a legislação não autoriza que os materiais utilizados no transporte sejam considerados insumos 2) somente considera os encargos de depreciação como insumos quando as máquinas são utilizadas diretamente no processo produtivo”. O contribuinte apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9303008.305, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13981.000156/200559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 9303008.305): "Considerando que a PGFN apresenta um Acórdão paradigma que versa tanto sobre embalagens de transporte de produtos acabados, como de depreciação de itens do ativo imobilizado, e, ainda, foram preenchidos os demais requisitos e Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 4 3 respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, como há tempo já o tem feito, de forma majoritária, o CARF, aqui não se adota o conceito do IPI, tampouco o do IRPJ, mas sim, um intermediário, hoje consagrado e melhor delineado – ainda que não seja possível, à vista da legislação posta, se chegar a um grau de determinação “cartesiano” – nas mais recentes decisões do STJ (mais especificamente, no REsp nº 1.221.170/PR), que levaram inclusive a que a PGFN e a RFB editassem normas interpretativas, para elas vinculantes, quais sejam, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, sendo que transcrevo a ementa deste: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. Em relação às etiquetas e às embalagens para transporte (estas, em casos específicos) há Acórdãos desta Turma relativamente recentes (antes mesmo dos posicionamentos Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 5 4 contundentes do STJ e da edição do citado Parecer Normativo), de minha relatoria, reconhecendo o direito ao creditamento. Tratemos primeiro das etiquetas (Acórdão nº 9303 006.090, de 12/12/2017): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário 2005 ETIQUETAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas, havendo, assim, na aquisição de etiquetas, direito ao crédito (Inteligência do Parecer Normativo Cosit nº 4/2014). Como trazido na Ementa, desde 2014 há Parecer Normativo da Cosit em que a RFB reconhece, sem deixar margem a dúvidas, o direito ao crédito: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. ETIQUETAS APLICADAS EM PRODUTOS TRIBUTADOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Ementa: O estabelecimento industrial poderá creditarse do imposto relativo a etiquetas compostas de qualquer matéria, adquiridas para serem aplicadas em produtos tributados. (...) 5. A etiqueta não tem a função de acondicionamento do material de embalagem e também não entra na composição do produto final em si, fugindo portanto ao conceito estrito de matériaprima, mas a ele se integra – seja diretamente, seja pela aposição na sua embalagem – podendo, assim, mais propriamente, ser tida como produto intermediário, para os efeitos em estudo. 6. E se mostra induvidoso que a operação de etiquetagem é uma das fases do processo de industrialização, tal como acontece com a rotulagem e a marcação por estampagem, que são análogas. Passando à análise se são enquadráveis ou não no conceito de insumo os materiais (chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço) utilizados na embalagem para transporte, neste caso, em que o industrial fabrica portas, com relevos decorativos ou “vazadas”, algumas delas partes de móveis, entendo que se aplica o mesmo entendimento consignado no Acórdão nº 9303005.934, de 28/11/2017, em um Processo de um fabricante de móveis: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo – como as que acondicionam partes de móveis –, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, “a.3”, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Novamente, tínhamos uma norma da RFB – neste caso não expressamente aplicável, mas que interpretei como tal – que trazia o entendimento sobre o conceito de insumo antes da edição do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, e, no dispositivo citado, convergia com ele, dizendo o seguinte: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou ... Minhas razões de decidir já estão aí embasadas, mas se mostram mais claras transcrevendo partes dos Votos Condutores dos Acórdãos citados (no caso do primeiro, tratase de uma “introdução”, já que, naquele caso, não foi reconhecido o direito ao crédito para as embalagens, pois se tratava de uma Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 7 6 indústria de cortes de frango congelados, já prontos, em sua embalagem de apresentação, para venda ao consumidor final): Acórdão nº 9303006.090: No que tange às embalagens para transporte, podemos dizer que há dois “tipos”: (1) aquelas que simplesmente servem para o transporte de produtos já prontos e acabados para venda a varejo nas embalagens para apresentação e (2) aquelas que são absolutamente essenciais para a garantia da integridade do produto transportado, tanto é que estes são vendidos a varejo nelas acondicionados. Como exemplos das primeiras, temos as caixas de papelão, sacos plásticos e semelhantes que acondicionam, por exemplo, a grande maioria dos produtos expostos nas prateleiras dos varejistas, e que são adquiridos da forma em que estão, em suas embalagens de apresentação. Já as segundas seriam, por exemplo, as caixas que acondicionam partes de móveis, os isopores, fitas metálicas e plásticos que protegem fogões e outros eletrodomésticos que, desta forma embalados, são entregues ao adquirente. A jurisprudência é tendente a admitir o crédito em relação às segundas, pois fazem parte do processo produtivo (o produto não está pronto e acabado sem elas). Quanto às primeiras, já ocorre o contrário, pois não se integram ao produto final, ou seja, não vertem sua utilidade diretamente sobre o bem em produção. Acórdão nº 9303005.934: “Não é de se imaginar, por exemplo, que um tampo de mesa – ou o que quer que seja da espécie – seja simplesmente colocado no caminhão sem uma embalagem que o proteja. Apenas na área de exposição das lojas é que se encontram os móveis montados e, obviamente, fora de qualquer embalagem. Não estamos aqui diante de um saquinho de batatas fritas, de maçãs, ou de uma lata de leite condensado. No caso concreto, qual é o produto destinado à venda a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 ?? Os móveis ou (em regra) suas partes, devidamente embalados – sem que necessariamente este acondicionamento “objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional” (conceito, a contrario sensu, da embalagem para apresentação, trazido Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 8 7 no art. 6º, § 1º, I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores). Assim, nesta vasta gama de produtos aqui citados – ou cujas características se amoldam à categoria a qual aqui se pretendeu caracterizar –, com a necessária redundância, o produto efetivamente só está acabado quando acondicionado nas embalagens em que vai ser transportado, pelo que elas fazem, sim, parte do processo produtivo, havendo portanto o direito ao creditamento na sua aquisição. Ressalvese, no entanto, que embalagens retornáveis, como pallets, as quais servem unicamente ao transporte de qualquer produto que seja, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumos, pois, sobre elas ou em seu interior, já estão perfeitamente acabados os produtos destinados à venda”. Por fim, no que concerne encargos de depreciação do sistema de ventilação e remoção de partículas, o que o contribuinte diz em suas Contrarrazões (fls. 590 e 591) é bastante esclarecedor: “ esse sistema é composto pelos seguintes equipamentos: 26 unidades de exaustão, compostos por ventiladores e filtros de mangas; 4 ventiladores de transporte; 4 filtros de manga; e 4 ciclones instalados sobre dois silos para armazenagem de partículas de madeira. As unidades de exaustão têm como finalidade sugar as partículas geradas nas operações de usinagem dos materiais usados na produção de componentes, para portas de madeira. Essas partículas são transportadas pelo fluxo de ar gerado pelos ventiladores através de tubos que ligam os equipamentos de usinagem até o filtro de mangas. Nos filtros, o ar é devidamente filtrado e liberado para o ambiente enquanto as partículas são descarregadas por uma válvula rotativa na tubulação de transporte. Frisase que todo o material aspirado e transportado corresponde a partículas de madeira e compostos de madeira como MDF, compensados e aglomerado. De pontuar, ainda, que a massa de partículas gerada na produção de portas de madeira, com utilização da capacidade de 70%, em 16 horas diárias de trabalho, é estimada em 85.455 kg. A densidade dessas partículas não comprimidas é de 70 kg/m3, portanto o volume diário de partículas gerado é de 1.220,80 m3. Portanto, esse sistema está estritamente vinculado ao processo produtivo da Contribuinte. Sem a aspiração desse considerável volume de partículas, a produção de portas tornase praticamente inviável, sendo, esse sistema, imprescindível para o processo produtivo da Recorrida”. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 9 8 O Acórdão Recorrido admite o creditamento dos encargos depreciação destes bens do ativo permanente pelo critério da “pertinência”, conforme já se depreende da Ementa e está claramente consignado no Voto Condutor (fls. 506 e 507): “É notório, os materiais pulverulentos (reduzidos a pó) que se produzem nas mais diversas atividades industriais, em função de suas características físico químicas, podem apresentar externalidades de ordem legal e ocupacional. Nesse aspecto, a pertinência requerida pelo conceito de insumo aqui defendido situase numa área gris. No entanto, não é necessário adentrála para que se conclua pela pertinência do equipamento com o processo produtivo. Basta que se perceba que as indústrias que processam produtos que em alguma de suas fases se apresentem na forma de pó são indústrias de alto potencial de risco quanto a incêndios e explosões, e devem tomar as precauções cabíveis para a proteção humana e patrimonial e também para a eficiente persecução de seus objetivos sociais. Nesse sentido, entendo que um sistema de aspiração e transporte de partículas, numa indústria de artefatos de madeira, é absolutamente pertinente”. “Essencial” ou relevante”? Bem o diz o relator do Acórdão Recorrido quando fala em “área gris”, ou seja, em uma “zona cinzenta”, já que esta remoção de resíduos faz parte do processo produtivo, mas não diretamente, e configurase essencial, pois sem ela efetivamente inviável é a atividade industrial, havendo, assim, uma combinação dos critérios hoje decisivos, pelo que, entendo, há que se reconhecer o direito ao crédito também neste caso. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13981.000184/200495 Acórdão n.º 9303008.316 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 519DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904827/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.136
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para discriminar as receitas contidas na conta "outras receitas", nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green..
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para discriminar as receitas contidas na conta "outras receitas", nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação de créditos de PIS/Pasep, transmitido por meio de PER/DCOMP. Após análise eletrônica, a DRF de origem emitiu Despacho Decisório no qual informa que foram localizados um ou mais pagamentos, porém estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que afirma que sempre agiu em conformidade com a lei e, por consequência, recolheu indevidamente as contribuições calculadas nos termos do § 1, art. 3, da Lei 9.718/98, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo STF. Acrescenta que em virtude desse entendimento procedeu à compensação administrativa, por meio de DCOMPs, dos recolhimentos indevidos da contribuição ao PIS sobre a parcela da base de cálculo excedente ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes da venda de bens e prestação de serviços. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 04 82 7/ 20 11 -1 7 Fl. 146DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904827/2011-17 Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Por seu turno, a DRJ entendeu que a recorrente deveria ter realizado a plena prova do seu direito, com a juntada da documentação comprobatória do crédito, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Concluiu pela improcedência da Manifestação, por não se admitir compensação cuja existência não seja comprovada. Irresignada, a recorrente insurgiu-se contra esta decisão por meio de Recurso Voluntário, no bojo do qual reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, ao qual anexou documentos fiscais e demonstração contábil. Alegou ainda que, em se tratando, de despacho eletrônico, foi apenas quando da interposição do Recurso que teve a oportunidade de apresentar tais provas. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.133, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13051.720137/2011-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.133). A discussão do processo diz respeito inicialmente, a (i) qual seria a documentação suficiente a comprovar tal crédito e o momento processual de sua apresentação e, (ii) eventual necessidade de retificação de DCTF e (iii) a análise das receitas que não se amoldam ao conceito de faturamento. Momento da produção da prova no Processo Administrativo Fiscal. Para a análise do direito creditório da Recorrente é necessário que ela se desincumba do seu ônus de provar o recolhimento a maior, o que deve ser realizado na primeira oportunidade processual, qual seja no pedido de compensação. Contudo, sabe-se que o sistema eletrônico não admite juntada de documentação quando do pedido de compensação, e que a primeira oportunidade que a recorrente teve para fazê-lo foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Nesta ocasião a Recorrente apresentou os documentos que entendeu suficientes para a demonstração do seu direito, tendo feito com aquilo que julgou que seria suficiente, ou seja declaração de compensação e demonstrativo de débito, que constitui uma prova indiciária, todavia por sua pouca robustez, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil entendeu que tais documentos eram insuficientes, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904827/2011-17 Desta forma, foi apenas no Recurso Voluntário que a Recorrente pode apresentar a documentação, razão pela qual se admite que tenham sido trazidas apenas neste momento processual. Desnecessidade de retificação de DCTF Neste momento processual também cabe analisar se existe ou não necessidade do contribuinte realizar a retificação da DCTF como requisito para o exercício do direito de compensação. Em relação a este ponto, este colegiado possui entendimento no sentido de que a retificação da DCTF não é um requisito intransponível para a realização do pedido de compensação, razão suficiente a que seja analisado o pedido que constitui o cerne do presente processo. Análise das receitas que a Recorrente apontou como não sendo faturamento. A Recorrente fez acompanhar a sua Manifestação de Inconformidade com uma tabela onde elenca valores que entende não se subsumirem ao conceito de faturamento. Dentre tais valores há alguns que, por uma análise superficial é possível perceber tratar- se de receitas que não se amoldam ao conceito de “faturamento” de uma empresa que fabrica máquinas, como rendimento de aplicações financeiras, juros de mora e variações cambiais sobre exportações, apenas para citar três exemplos relevantes. Todavia há alguns sobre os quais recai dúvida acerca da natureza, se faturamento ou receita bruta, taxativamente: (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias. Desta feita, a fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência de tributo sobre base de cálculo distinta do faturamento, ou de evitar que seja não seja exigido tributo sobre uma receita tributável, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de que os valores recebidos a título de (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias não se subsumem ao conceito de faturamento, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituir a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que deverão ser mencionadas também quaisquer outras informações pertinentes; d) dar ciência desse parecer ao autuado, abrindo-lhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; e) atendida a diligência, encaminhar o processo a este colegiado, onde terá prosseguimento. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 148DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.904827/2011-17 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar a presunção de duplicidade e converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) intimar o autuado a fazer prova cabal de que os valores recebidos a título de (i) descontos recebidos, (ii) rendas diversas, (iii) incentivos de exportação e (iv) deságio na devolução de mercadorias não se subsumem ao conceito de faturamento, alertando-se o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituir a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo-se os débitos porventura indevidamente lançados; c) repercuta a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que deverão ser mencionadas também quaisquer outras informações pertinentes; d) dar ciência desse parecer ao autuado, abrindo-lhe o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; e) atendida a diligência, encaminhar o processo a este colegiado, onde terá prosseguimento. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, deve ser acultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 149DF CARF MF
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