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Numero do processo: 10880.690169/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de pedido eletrônico de restituição, cumulado com compensação, de crédito oriundo de pagamento indevido da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas ao Exterior – CIDE realizado em 11/10/2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 16 9/ 20 09 -8 0 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.690169/200980 Resolução nº 3201002.283 S3C2T1 Fl. 244 2 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.690169/200980 Resolução nº 3201002.283 S3C2T1 Fl. 245 3 A 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 32.151, de 16/06/2011 (fls. 68 e ss.), assim ementado: Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário de fls. 217 e ss., por meio da qual alega, em síntese: Nulidade do acórdão recorrido O indeferimento do pedido de sustentação oral pela DRJ infringiu os princípios da ampla defesa e do contraditório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.690169/200980 Resolução nº 3201002.283 S3C2T1 Fl. 246 4 Mérito Houve uma inconsistência no preenchimento da DCTF, o que levou à conclusão da inexistência de crédito. Apenas esqueceuse de retificar a declaração. A partir de 1º de janeiro de 2006, em vista do disposto nos arts. 20 e 21 da Lei nº 11.452, de 2007, a remuneração por licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) não está sujeita à incidência da CIDE, exceto quando envolver a transferência de tecnologia (cita uma Solução de Consulta, sem identificação de origem, nº 86, de 08/06/2009), que prescindiria do registro do contrato no INPI. Não se observou o Princípio da Verdade Material. O erro de forma é passível de retificação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido eletrônico de restituição de pagamento indevido da CIDE realizada em 11/10/2006. Indeferido o pedido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida, a Recorreste contestou a decisão, mas a DRJ julgoua improcedente, ao fundamento de que a Recorrente não se desincumbira do dever de comprovar a existência do indébito (não houve intimação para apresentação de documentos antes de proferido o Despacho Decisório). Em sua defesa, a Recorrente argumenta que o indeferimento do pedido de sustentação oral pela DRJ infringiu os princípios da ampla defesa e do contraditório, tornando nula a decisão. Não lhe assiste razão. Não há, como se sabe, no julgamento pela primeira instância, previsão para a sua realização, mas apenas quando do julgamento dos recursos interpostos ao CARF, conforme prevê o seu Regimento Interno Portaria MF nº 343, de 2015), de sorte que o indeferimento do pedido, por falta de previsão legal, afasta a procedência do argumento. No mérito, contudo, entendemos que o pleito reclama melhor apreciação. É que, muito embora tenha a DRJ considerado não comprovado o pagamento indevido, os documentos acostados aos autos pela Recorrente parecem indicar – mas não, de fato, comprovar – que, sim, ele pode ter havido, uma vez que o código utilizado, quanto à natureza da operação, nos contratos de câmbio, referese aos contratos em que não há Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.690169/200980 Resolução nº 3201002.283 S3C2T1 Fl. 247 5 transferência de tecnologia, hipótese de não incidência da CIDE. Vejam os seguintes parágrafos do Recurso Voluntário: Ocorre que a mera declaração unilateral da natureza da operação ao Banco Central não comprova se havia ou não transferência de tecnologia, tampouco o fato de estar ou Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.690169/200980 Resolução nº 3201002.283 S3C2T1 Fl. 248 6 não o contrato registrado no INPI, mas apenas este título jurídico – contrato! – com fundamento no qual se deu a remessa do numerário. As informações, contudo, servem, a nosso juízo, como início de prova, a demonstrar a necessidade de diligência. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem reaprecie o pedido, após conceder à Recorrente o prazo previsto na legislação para promover a entrega dos documentos e informações que entender necessários a sua apreciação – especificamente os contratos com fundamento nos quais se deu a remessa do numerário. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrentea deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000935/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
DECISÃO NULA. RAZÃO INEXISTENTE.
Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que se fundamenta em razão inexistente e não consentânea com o conjunto probatório, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma.
Numero da decisão: 3302-006.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DECISÃO NULA. RAZÃO INEXISTENTE. Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que se fundamenta em razão inexistente e não consentânea com o conjunto probatório, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma.
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RAZÃO INEXISTENTE. Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que se fundamenta em razão inexistente e não consentânea com o conjunto probatório, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 09 35 /2 00 3- 81 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13893.000935/200381 Acórdão n.º 3302006.915 S3C3T2 Fl. 142 2 Relatório Adoto e transcrevo o relatório do despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento/Compensação de IPI do contribuinte: O interessado em epígrafe peticionou o direito de compensarse do montante de R$ 21.913,75 referente ao IPI das entradas desoneradas desse tributo (isenção, imunidade, ou alíquota zero) no 4° trimestre de 2001 alegando, em síntese, como base legal o art. 153 da CF. Em virtude do indeferimento do pleito supra mencionado, houve manifestação de inconformidade por parte do contribuinte, que foi julgado em 13/02/2008, pela 2ª Turma da DRJ/RPO, a qual indeferiu a solicitação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. Solicitação Indeferida Intimada da decisão, em 18/03/2008, consoante AR de fl. 120, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11/04/2008, consoante carimbo na folha de rosto do recurso, fl. 121, no qual aponta, preliminarmente, o erro de tratar a recorrente como optante do SIMPLES; e no mérito, reproduz as alegações esgrimidas no momento da Manifestação de inconformidade, para ao final requerer o reconhecimento do direito em escriturar seus créditos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13893.000935/200381 Acórdão n.º 3302006.915 S3C3T2 Fl. 143 3 oriundos da aquisição de insumos isentos de IPI já que seu produto final é tributado sob a alíquota de 5%, com a conseqüente compensação com os tributos devidamente elencados em sua declaração. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Em que pese a recorrente não requerer a nulidade da decisão recorrida, por uso de motivação inexistente no despacho decisório ao meu sentir merece ser declarada a nulidade, uma vez que, de fato, o despacho decisório recorrido em nenhum momento tratou da opção pelo SIMPLES, sendo essa motivação inovadora na decisão recorrida e totalmente desconexa com o conjunto probatório carreado aos autos. Notase que o erro estava presente desde o relatório da decisão ora recorrida: O contribuinte em epígrafe solicitou o ressarcimento do IPI pago na aquisição de insumos empregados na industrialização de seus produtos, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou e estão juntados no presente processo. A autoridade competente indeferiu o pleito em razão do sujeito passivo ser optante pelo SIMPLES. (sic!) Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, basicamente, que, tanto pelo princípio da nãocumulatividade, como pelos julgados que cita, seu direito ao crédito em questão estaria garantido. Encerrou solicitando o deferimento de seu requerimento. (Grifouse) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13893.000935/200381 Acórdão n.º 3302006.915 S3C3T2 Fl. 144 4 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para tornar nula a decisão de primeiro grau, por se fundamentar em razão inexistente e não consentânea com o conjunto probatório, sendo necessário o retorno do expediente à DRJ/RPO, para prolatação de nova decisão, em boa forma. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720212/2016-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 116.
RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.
São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. Apenas o fato das pessoas físicas relacionadas serem sócias e/ou gestoras não enseja, por si só, a imputação de responsabilidade tributária pessoal. Cabe à fiscalização demonstrar e provar a forma como cada uma dessas pessoas indicadas praticou diretamente ou tolerou ato ilegal ou contrário ao contrato social enquanto sócias com poder de gerência.
LINDB. APLICABILIDADE DO ARTIGO 24. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TRIBUTÁRIA.
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) em nada altera o manuseio do Direito no campo da Administração Pública Tributária, uma vez que as determinações lá contidas já estão materialmente incluídas no Código Tributário Nacional e são concretizadas pela Administração Pública Tributária por vários mecanismos de alinhamento de decisões, como as soluções de consulta, os pareceres normativos da RFB e as súmulas do CARF, muitas delas vinculantes para a RFB..
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO.
O artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a aplicação da multa isolada após o final do período de apuração dos tributos, uma vez que prevê a sua exigência ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal [...] no ano-calendário correspondente.
ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A antecipação do tributo é uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher na data do fato gerador. Assim, a antecipação não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo e, daí, não havendo impedimento para a exigência concomitante das duas exigências..
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 108.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
ÁGIO. NATUREZA JURÍDICA. AQUISIÇÃO.
O ágio de que trata o artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 é uma expectativa de direito condicionada, oponível apenas ao Fisco e que se exaure no momento em que são atendidas as condições legais para a sua existência. Portanto, é um bem indisponível, pela sua natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO.
O uso de empresa veículo não prejudica, por si só, o direito de deduzir a despesa de ágio quando da fusão, cisão ou incorporação. Todavia, a interposição de empresa veículo com a única finalidade de transferir o ágio para terceiros caracteriza a inexistência de propósito negocial na operação.
REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. SUDAM.
O direito à redução do imposto de renda das pessoas jurídicas para a implantação de empreendimento na área de atuação da SUDAM é calculado sobre o lucro da exploração, o qual não é afetado em razão de autuação fiscal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do §1o do art. 2o da Lei 7.689/88
Numero da decisão: 1201-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: a) por qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários, mantendo a glosa do ágio para efeito de cobrança do IRPJ e CSLL. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, Gisele Barra Bossa (Relatora) e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que davam provimento ao recurso voluntário; b) por qualidade, em não acatar a aplicação da LINDB para o afastamento das multas aplicadas nos autos. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, Gisele Barra Bossa (Relatora) e André Severo Chaves (Suplente Convocado); c) por qualidade, em manter a aplicação de multa isolada por ausência de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa; d) por unanimidade, manter a aplicação de Juros com base na taxa SELIC e negar provimento ao recurso de ofício; e) por maioria, afastar a qualificação da multa mantendo o patamar de 75% e afastar as responsabilidades solidárias. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson CavalcanteAlbuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele BarraBossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (SuplenteConvocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 116. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. Apenas o fato das pessoas físicas relacionadas serem sócias e/ou gestoras não enseja, por si só, a imputação de responsabilidade tributária pessoal. Cabe à fiscalização demonstrar e provar a forma como cada uma dessas pessoas indicadas praticou diretamente ou tolerou ato ilegal ou contrário ao contrato social enquanto sócias com poder de gerência. LINDB. APLICABILIDADE DO ARTIGO 24. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TRIBUTÁRIA. A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) em nada altera o manuseio do Direito no campo da Administração Pública Tributária, uma vez que as determinações lá contidas já estão materialmente incluídas no Código Tributário Nacional e são concretizadas pela Administração Pública Tributária por vários mecanismos de alinhamento de decisões, como as soluções de consulta, os pareceres normativos da RFB e as súmulas do CARF, muitas delas vinculantes para a RFB.. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO. O artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a aplicação da multa isolada após o final do período de apuração dos tributos, uma vez que prevê a sua exigência ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal [...] no ano-calendário correspondente. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A antecipação do tributo é uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher na data do fato gerador. Assim, a antecipação não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo e, daí, não havendo impedimento para a exigência concomitante das duas exigências.. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 108. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO. NATUREZA JURÍDICA. AQUISIÇÃO. O ágio de que trata o artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 é uma expectativa de direito condicionada, oponível apenas ao Fisco e que se exaure no momento em que são atendidas as condições legais para a sua existência. Portanto, é um bem indisponível, pela sua natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. O uso de empresa veículo não prejudica, por si só, o direito de deduzir a despesa de ágio quando da fusão, cisão ou incorporação. Todavia, a interposição de empresa veículo com a única finalidade de transferir o ágio para terceiros caracteriza a inexistência de propósito negocial na operação. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. SUDAM. O direito à redução do imposto de renda das pessoas jurídicas para a implantação de empreendimento na área de atuação da SUDAM é calculado sobre o lucro da exploração, o qual não é afetado em razão de autuação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do §1o do art. 2o da Lei 7.689/88
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ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. É legítima a análise de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Contudo, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve ter início quando verificada sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 116. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. Apenas o fato das pessoas físicas relacionadas serem sócias e/ou gestoras não enseja, por si só, a imputação de responsabilidade tributária pessoal. Cabe à fiscalização demonstrar e provar a forma como cada uma dessas pessoas indicadas praticou diretamente ou tolerou ato ilegal ou contrário ao contrato social enquanto sócias com poder de gerência. LINDB. APLICABILIDADE DO ARTIGO 24. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TRIBUTÁRIA. A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) em nada altera o manuseio do Direito no campo da Administração Pública Tributária, uma vez que as determinações lá contidas já estão materialmente incluídas no Código Tributário Nacional e são concretizadas pela Administração Pública Tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 12 /2 01 6- 70 Fl. 2213DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 por vários mecanismos de alinhamento de decisões, como as soluções de consulta, os pareceres normativos da RFB e as súmulas do CARF, muitas delas vinculantes para a RFB.. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO. O artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a aplicação da multa isolada após o final do período de apuração dos tributos, uma vez que prevê a sua exigência “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal [...] no ano-calendário correspondente”. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A antecipação do tributo é uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher na data do fato gerador. Assim, a antecipação não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo e, daí, não havendo impedimento para a exigência concomitante das duas exigências.. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 108. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO. NATUREZA JURÍDICA. AQUISIÇÃO. O ágio de que trata o artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 é uma expectativa de direito condicionada, oponível apenas ao Fisco e que se exaure no momento em que são atendidas as condições legais para a sua existência. Portanto, é um bem indisponível, pela sua natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. O uso de empresa veículo não prejudica, por si só, o direito de deduzir a despesa de ágio quando da fusão, cisão ou incorporação. Todavia, a interposição de empresa veículo com a única finalidade de transferir o ágio para terceiros caracteriza a inexistência de propósito negocial na operação. Fl. 2214DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. SUDAM. O direito à redução do imposto de renda das pessoas jurídicas para a implantação de empreendimento na área de atuação da SUDAM é calculado sobre o lucro da exploração, o qual não é afetado em razão de autuação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do §1o do art. 2o da Lei 7.689/88 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: a) por qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários, mantendo a glosa do ágio para efeito de cobrança do IRPJ e CSLL. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, Gisele Barra Bossa (Relatora) e André Severo Chaves (Suplente Convocado), que davam provimento ao recurso voluntário; b) por qualidade, em não acatar a aplicação da LINDB para o afastamento das multas aplicadas nos autos. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto, Gisele Barra Bossa (Relatora) e André Severo Chaves (Suplente Convocado); c) por qualidade, em manter a aplicação de multa isolada por ausência de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa; d) por unanimidade, manter a aplicação de Juros com base na taxa SELIC e negar provimento ao recurso de ofício; e) por maioria, afastar a qualificação da multa mantendo o patamar de 75% e afastar as responsabilidades solidárias. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Fl. 2215DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Relatório 1. Trata-se o presente processo de Autos de Infração referente à IRPJ e CSLL, perfazendo o montante de R$ 59.929.676,19, referente a despesas com amortização de ágio que, segundo concluíram as autoridades fiscais, foram indevidamente computadas nas bases de cálculo apuradas pelo contribuinte nos anos-calendário de 2011 a 2013. O crédito exigido é composto da seguinte forma: 1.1. IRPJ (fls. 2/23): R$45.389.925,86, incluindo o imposto, a multa de ofício de 150%, a multa isolada e os juros de mora calculados até fevereiro de 2016. 1.2. CSLL (fls. 24/39): R$ 14.539.750,33, incluindo a contribuição, multa de ofício e os juros de mora calculados até fevereiro de 2016. 2. A fiscalização imputou responsabilidade passiva solidária dos Srs. Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida no termos do artigo 135, inciso III, do CTN, com base no entendimento de que eles enquanto membros titulares do Conselho de Administração da empresa autuada teriam praticado ato fraudulento nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502/64. 3. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/61) a empresa autuada teria amortizado indevidamente ágio apurado na aquisição da Brasil Ferrovias S.A. e Novoeste Brasil S.A., com base no entendimento de que a empresa Multimodal Participações Ltda. seria mera empresa veículo e que sua criação não teria razão econômica ou negocial. A Fiscalização afirma que a Multimodal teria sido criada apenas para a transferência do ágio da All – América Latina Logística S.A. para as empresas All – América Latina Logística Malha Paulista, All – América Latina Logística Malha Oeste e a empresa autuada (All – América Latina Logística Malha Norte). 4. Por economia processual e por bem descrever a operação objeto deste processo, adoto como parte deste, trechos do Termo de Verificação Fiscal: “Origem do ágio 24. A estrutura societária antes da aquisição das participações societárias pelo Grupo ALL era assim composta (situação inicial): Fl. 2216DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 25. Em 16/06/2006, a AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ nº02.387.241/0001-60, adquire a Brasil Ferrovias S.A. e a Novoeste, em incorporação de ações na qual essas empresas passaram a ser suas subsidiárias integrais. 26. O ágio total registrado na operação foi de R$ 2.496.807,00 (dois bilhões, quatrocentos e noventa e seis milhões, oitocentos e sete mil reais), que, ajustado pelos eventos subsequentes, apresentava a seguinte composição em 31/12/2007 (Notas Explicativas da Administração às Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007 da Multimodal Ltda). 27. Não houve nenhuma inversão financeira (pagamento em espécie) pela incorporação das ações, ocorrendo, pois, mera substituições de ações, recebendo os acionistas das empresas convertidas em subsidiárias integrais, novas ações de emissão da AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. 28. A estrutura societária após aquisição das participações societárias pelo Grupo ALL era assim composta: Fl. 2217DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Transferência do ágio 29. Em 03/12/2007 a ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A. juntamente com a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA adquiriram a empresa J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e integralizaram o capital social (ainda apenas subscritos), em moeda corrente, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). 30. Na mesma data de aquisição, a ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S.A. e a ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA resolveram aumentar o capital social de R$ 500,00 (quinhentos reais) para R$ 2.512.083.580,00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil e quinhentos e oitenta reais). 31. A estrutura societária após aumento de capital da J.P.E.S.P.E passa a ser:” Fl. 2218DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 “32. Em 28/12/2007, após cisão parcial da BRASIL FERROVIAS, a FERRONORTE passou a ser controlada pela NOVA BRASIL FERROVIAS. 33. A estrutura societárias após aumento de capital da J.P.E.S.P.E passa a ser:” “34. Em 25/07/2008, a J.P.E.S.P.E incorporou, a valor patrimonial contábil, as empresas BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ nº 02.457.269/0001-27, NOVOESTE BRASIL S.A., CNPJ n 07.593.583/0001-50 e NOVA FERROBAN S.A, CNPJ n 04.004.203/001- 07. 35. Em 29/10/2008, as denominações sociais das companhias foram alteradas, passando de Ferrovias Bandeirantes S.A. (FERROBAN S.A) para ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S.A; de Ferrovia Novoeste S.A. (NOVOESTE S.A.) para ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA OESTE S.A.; e de Ferronorte S.A.- Ferrovias Norte |Brasil (FERRONORTE S.A.) para ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S.A. 36.. Em 05/11/2009, a MULTIMODAL (nova denominação social da J.P.E.S.P.E) incorporou a NOVA BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ nº 09.371.732/0001-62, com patrimônio líquido contábil de R$ 169.502.379,49 (cento e sessenta e nova milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta e nove centavos), igual ao investimento detido pela incorporadora, cujo capital social permaneceu inalterado. 37. Em 30/11/2009, encerrando a operação, foi aprovada a cisão total da empresa Multimodal, sendo vertidas as parcelas de seu patrimônio líquido cindido (valor contábil) para ALL Malha Oeste, ALL Malha Paulista e ALL Malha Norte. No caso Fl. 2219DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 específico da ALL Malha Norte, o acervo líquido incorporado no valor de R$ 395.405.821,85 (trezentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos), correspondeu exclusivamente à participação que a cindida detinha em seu capital social. 38. Assim, com a cisão total da Multimodal, o valor integral do ágio existente foi transferido para cada sociedade controlada, cabendo à ALL Malha Norte o montante de R$ 2.050.356.234,91 (dois bilhões, cinquenta milhões, trezentos e cinquenta e seis mil, duzentos e trinta e quatro e noventa e um centavos)”. 5. Após a cisão da Multimodal, portanto, o ágio foi vertido para o patrimônio das sociedades cidendas, na proporção do patrimônio recebido por cada uma delas, e o Grupo ALL passa a possuir a seguinte estrutura: 6. Conforme o relatório constante da decisão de primeira instância, as conclusões da autoridade fiscal foram as seguintes: “• com a cisão total da MULTIMODAL, os valores integrais dos respectivos ágios foram transferidos para cada sociedade controlada, cabendo à fiscalizada ALL MALHA NORTE o montante de R$ 2.050.356.234,91 (fls. 307), que passou a ser amortizado deduzido na apuração da sua base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos subsequentes; Fl. 2220DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 • no entanto, a fiscalização concluiu que a dedução da despesa de amortização do ágio não estava amparada pela legislação de regência (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97), que apenas faculta a referida dedução à empresa adquirente de investimento que absorva o patrimônio da empresa adquirida; • in casu, a adquirente foi a ALL LOGÍSTICA e as adquiridas foram a BRASIL FERROVIAS e a NOVOESTE BRASIL; a MULTIMODAL, que incorporou estas duas últimas, não foi a adquirente do investimento; o ágio foi transferido da ALL LOGÍSTICA para a MULTIMODAL em uma operação de aumento de capital e, portanto, é inadmissível a dedução fiscal da correspondente amortização; apenas a adquirente ALL LOGÍSTICA teria o direito de efetuar tal amortização, caso absorvesse o patrimônio das adquiridas; • como a amortização do ágio, sob o ponto de vista fiscal, não seria vantajosa à holding ALL LOGÍSTICA, haja vista que as receitas e despesas advêm, via de regra, de equivalência patrimonial, que são neutras tributariamente, foram então executados “estágios intermediários” para efetuar a transferência do ágio para as empresas operacionais; • o denominado "estágio intermediário" começara com a constituição da MULTIMODAL em 15/08/2007, quatro meses antes da sua própria "reativação", eis que estava praticamente inoperante, com a integralização de capital ocorrida em 03/12/2007, para a seguir ser incorporada em 30/11/2009; não há dúvida da utilização da MULTIMODAL como empresa veículo para aproveitamento do ágio; (...) • ao término destas operações societárias, a MULTIMODAL (empresa veículo) foi extinta, deixando de existir no mundo jurídico, fato que por si só reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função dessa empresa veículo foi a de viabilizar a transferência do ágio para a ALL MALHA NORTE, ALL MALHA OESTE e ALL MALHA PAULISTA; (...) • MULTIMODAL foi constituída em 15/07/2007, sob a denominação social anterior de J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda., com sede na Rua Pamplona n° 818, 9° andar, conjunto 92, bairro Jardim Paulista, CEP 01.405-001, São Paulo - SP, e tendo como sócias as Sras. Adriana Vechies Salvini, CPF n° 270.566.928- 00, e Linéia Mathias, CPF n° 253.989.218-35, ambas advogadas com inscrição na OAB/SP sob números 218549 e 212026; • quando da constituição da MULTIMODAL as sócias subscreveram apenas R$ 500,00, a serem integralizados no prazo de doze meses contados a partir da assinatura do instrumento; eis que, menos de quatro meses depois, as sócias pessoas físicas retiram-se da sociedade e ingressam como novas sócias as empresas ALL LOGÍSTICA e a ALL PARTICIPAÇÕES, aumentando o capital social da JPESPE para o elevado valor de R$ 2.512.083.580,00, o qual foi totalmente subscrito e integralizado pela ALL LOGÍSTICA, mediante a totalidade das ações ordinárias e preferenciais representativas do capital social da BRASIL FERROVIAS e da NOVOESTE BRASIL; (...) • desde a sua criação até a entrada das pessoas jurídicas em tela na sociedade, a MULTIMODAL permaneceu inativa, conforme pode atestar a DIPJ exercício 2008, ano-calendário 2007; não houve registro de qualquer despesa operacional relacionada às suas atividades; nos anos seguintes, 2008 e 2009, já com novo quadro societário, até a sua cisão total, não constam nas respectivas DIPJs registros de despesas comuns à qualquer empresa que de fato esteja operando no mercado, tais como: aluguel da sala comercial, remuneração de empregados, encargos sociais, propaganda e publicidade, etc.; verifica-se ainda que os diretores da MULTIMODAL são também diretores da ALL LOGÍSTICA; Fl. 2221DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 • reforça a tese de que a MULTIMODAL nunca de fato existiu, o fato de a referida empresa ter apresentado, desde a sua criação até a sua cisão total, uma única Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social — GFIP, na competência 09/2007, informando a ausência de fatos geradores de contribuições previdenciárias; • cabe ressaltar, ainda, que tendo em vista o disposto no inciso II, do artigo 3°, da Instrução Normativa RFB n° 787/2007, as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, a partir de 01/01/2009, passaram a ser obrigadas a apresentar escrituração contábil digital - ECD através do SPED; consultando a DIPJ, ano-calendário 2009, da fiscalizada, verificamos que esta é optante pela referida forma de tributação; no entanto, no SPED, a ECD não se encontra autenticada pelo competente órgão de registro, ou seja, a MULTIMODAL, no referido período, não possui escrita contábil regular; (...) • afirma a fiscalizada que “A Multimodal participações detinha a gestão de várias operações de logística ferroviária quer seja na área de transporte ferroviário de cargas, que seja nas áreas de desenvolvimento de tecnologia ferroviária e gestão de equipamentos ferroviários”; contudo, ao confrontarmos esta afirmação com o objeto social da MULTIMODAL verifica-se desacordo entre ambas; mesmo após as alterações contratuais efetuadas após a entrada do grupo ALL, o único objeto social da MULTIMODAL continuou sendo o controle de outras sociedades; (...) • não se verifica o propósito negocial da criação da empresa MULTIMODAL, e nem o amparo legal que autoriza a transferência do ágio, sendo que os elementos probatórios e a sequência de acontecimentos descritos deixam claros que referida empresa foi criada com o propósito de possibilitar economia indevida de tributos; • a fiscalizada, portanto, reduziu indevidamente o seu lucro real e a sua base de cálculo da CSLL mediante exclusões mensais efetuadas no LALUR, cujos totais anuais são os seguintes: (...) • resumidamente concluiu a fiscalização: a) a participação da Multimodal teve o único propósito de reduzir o pagamento de IRPJ e CSLL; b) como resultado da conduta dolosa, houve diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o consequente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi realizada de forma consciente e deliberada, objetivando modificar a característica essencial do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal especificamente à Lei 9.532, de 1997, arts. 7º e 8º; • por esses motivos, há de ser aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 44, §1º, I, da Lei nº 9.430/96; • a transferência de ágio em questão foi objeto de ação fiscal anterior, no tocante à sua repercussão sobre as bases de cálculo apuradas nos anos-calendário de 2009 e 2010, e deu origem ao processo administrativo nº 10183.723840/2013-20”. 7. Devidamente intimados (Aviso de Recebimento de 02/03/2016, fls. 984; e Avisos de Recebimento de 26/02/2016, fls. 985/986), a contribuinte e os responsáveis solidários, Pedro Roberto Oliveira Almeida e Alexandre de Jesus Santoro, apresentaram Fl. 2222DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Impugnações ao lançamento individualmente e tempestivamente (fls. 1213/1301; fls. 992/1026; e 1103/1137). 8. Em sessão de 27 de janeiro de 2017, a 8ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação da contribuinte e julgou improcedente as Impugnações dos responsáveis solidários, nos termos do voto relator, Acórdão nº 16-75.571 (fls. 1659/1717), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por observadas as devidas formalidades legais e tendo sido lavrado por autoridade competente para tanto, descabe falar-se em nulidade do lançamento fiscal. FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. SUDAM. O direito à redução do imposto de renda das pessoas jurídicas para a implantação de empreendimento na área de atuação da SUDAM é calculado sobre o lucro da exploração, o qual não é afetado em razão de autuação fiscal. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal mediante a concatenação de operações societárias eivadas de artificialidade com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido, é cabível a imposição da multa qualificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício Fl. 2223DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, ‘b’ da Lei nº 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. MULTA ISOLADA. APURAÇÃO INCORRETA. Comprovado o erro na apuração da multa isolada, é de se cancelar o valor exigido na parcela que exceder o efetivamente cabível. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. O decidido quanto ao IRPJ repercute igualmente no tocante à exigência de CSLL, no que for cabível. A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis, nos termos do art. 135, inc. III, do CTN, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelas obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. 9. Cientificado da decisão (AR de 20/02/2017, fl. 1155), a contribuinte All- América Latina Logística Malha Norte S/A, os responsáveis solidários Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida (Termo de ciência por abertura de mensagem em 09/02/2017, fl. 1751 e AR de 22/02/2017, fl. 1754), interpuseram os respectivos Recursos Voluntários (fls. 1758/1865, fls. 1941/1983 e fls. 2075/2116) em 08/03/2017 e 09/03/2017, reiterando em parte as razões já expostas em impugnações, e complementam sua defesa com os seguintes pontos: 9.1. Diferentemente do que foi afirmado na decisão da DRJ, o benefício fiscal SUDAM concedido à Recorrente é calculado sobre o valor do imposto apurado, não se tratando Fl. 2224DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 de uma redução do lucro líquido. O agente fiscal não determinou o montante correto da exigência, não cumprindo o requisito previsto no inciso V, do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, há de se concluir pela iliquidez dos autos 9.2. A decisão de piso inovou o critério jurídico da autuação ao trazer aos autos argumentos que até então não existiam, apresentando novos fundamentos para justificar a manutenção da responsabilidade solidária, o que é vedado por ausência de competência legal. A situação descrita enseja a nulidade da decisão recorrida. 9.3. No mérito, afirmam que as alterações societárias adotadas pela Recorrente e por seu grupo se deram de forma lícita e adequada para atingir seu objetivo. O planejamento tributário para fins de economia fiscal é legítimo quando se vale de meios não vedados expressamente em previsão legal. 9.4. A afirmação de artificialidade da JPESPE (Multimodal) não se sustenta, pois a referida sociedade exerceu a atividade de administração de sociedades, bem como procurou implementar o sistema de transporte multimodal antes de ser eliminada da estrutura societária do Grupo ALL. 9.5. O legislador não previu expressamente na Lei nº 9.532/97 restrição para a amortização do ágio às hipóteses em que há incorporação, fusão ou cisão envolvendo o adquirente original. 9.6. Os Recorrentes, os Srs. Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida, não possuíam os poderes de gestão e execução capazes de praticar os atos previstos no artigo 135, inciso III, do CTN, na qualidade de membros do Conselho de Administração. Diferentemente do que foi apontado pela fiscalização e decisão de piso, o referido Conselho tem função de orientação e aconselhamento e não de gestão e gerência. 9.7. Não é possível a coexistência, no mesmo processo administrativo, de lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica e de terceiros supostamente responsáveis, com fundamento no artigo 135, inciso III, do CTN. 10. Ao final, as Recorrentes requerem: (i) a declaração de nulidade dos autos de infração e termo de responsabilização solidária; (ii) a declaração de nulidade do acórdão da DRJ; (iii) a desconstituição dos créditos tributários exigidos; (iii) o cancelamento integral dos autos de infração originários; (iv) que se reconheça a inexistência de responsabilidade solidária com o consequente cancelamento do respectivo Termo. 11. Como o sujeito passivo foi exonerado parcialmente do crédito tributário (apuração incorreta da multa isolada) em valor superior ao limite de alçada, a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, nos termos do artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF 03/2008. Fl. 2225DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 12. Em 15/08/2018, esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1201- 000.533, fls. 2117/2138), com o objetivo de: "(...) intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável ao aproveitamento fiscal de ágio em casos semelhantes ao presente. Após, a unidade preparadora deverá intimar a Recorrente para que esclareça e demonstre se o cálculo do lucro da exploração foi de fato afetado pela amortização do ágio e eventual (se for o caso) baixa da provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido (inclusão de tais valores no cálculo do lucro da exploração), isso porque, via de regra, a presente autuação não deveria afetar a fruição do benefício fiscal em questão. 13. A douta PGFN apresenta a manifestação fls. 2146/2165 no sentido de ser "inviável a aplicação do artigo 24 da LINDB à atividade administrativa do lançamento e aos julgamentos proferidos pelo CARF pelo simples fato (mas não apenas) de que a previsão ali contida não se adequa ao peculiar procedimento de constituição do crédito tributário". 14. Por sua vez, a ora Recorrente (fls. 2205), informou que "após nova revisão da apuração do IRPJ e da CSLL, para atender o Termo de Diligência, constatou que o lucro de exploração não foi afetado pela amortização do ágio". É o relatório. Voto Vencido Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 15. O Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade. 16. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, deve-se ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 17. No caso em tela, o valor exonerado (fl. 1717) superou o limite estabelecido pela norma em referência de 2,5 milhões. Portanto, ambos os recursos, de ofício e voluntário, são cabíveis, deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 2226DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Questões Preliminares I. Da Inocorrência da Decadência 18. A contribuinte, ora Recorrente, alega que a autoridade fiscal não poderia ter questionado a legalidade da operação, visto que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que ensejou o registro do ágio e a lavratura dos autos de infração em 02/03/2016. 19. Entretanto, considero que o prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do Fisco. 20. No presente caso, a redução no valor dos tributos por conta aproveitamento de despesas de amortização de ágio ocorreu a partir de 2011, e não no momento em que foram realizadas as operações societárias que deram origem ao ágio em questão, em 2007. 21. Por essa razão, como marco inicial do prazo decadencial, não se pode tomar a data em que foram realizadas as operações societárias que deram origem ao ágio. Para esse fim, relevante é a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ao final de cada ano-calendário, a partir de 31/12/2011, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. 22. Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência desse E. CARF, verbis: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. (Processo nº 13502.721043/2014-27, Acórdão nº 1201-001.861, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 17 de agosto de 2017, Relator Luis Fabiano Alves Penteado). DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta-se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. (Processo nº 10845.722254/2011-65, Acórdão nº 1102-000.875, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 12 de junho de 2013, Relator João Otávio Oppermann Thomé) Fl. 2227DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 23. Não há como concordar com o racional da Recorrente no sentido de que o fisco não poderia mais desafiar a formação do ágio, pois, tal racional configura verdadeiro desrespeito ao disposto no artigo 37 da Lei 9.430/96, verbis: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. 24. Sob este aspecto, a jurisprudência pacífica do CARF converge no sentido de que “se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examiná-los. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN.” (Processo nº 10970.720271/2012-11, Acórdão nº 9101-002.387, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 13 de junho de 2016, Relator Luis Flávio Neto). 25. No mais, conforme bem consignado pelo Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, "pode a fiscalização verificar documentos e analisar fatos ocorridos há mais de cinco anos para deles extrair a repercussão tributária de exercícios futuros. A vedação contida no Código Tributário Nacional impossibilita apenas o lançamento de crédito tributário relativo a período já fulminado pela decadência". (Processo nº 16643.720041/2011-51, Acórdão nº 1201-001.872, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 19 de setembro de 2017). 26. In casu, relativamente a glosa do ano-calendário de 2011, o termo inicial é 31/12/2011 e, portanto, a autoridade teria até 31/12/2016 para lançar o crédito tributário respectivo. Como o auto de infração foi lavrado em 11/02/2016 e a contribuinte intimada em 02/03/2016 (fl. 984), não há que se falar em decadência do crédito tributário. 27. Dessa forma, rejeito a preliminar em questão. II. Da Ausência de Nulidades e da Correta Constituição do Crédito Tributário 28. Os Recorrentes afirmam que o acórdão da DRJ inovou por acrescentar novos argumentos para a manutenção da responsabilidade solidária que não haviam sido levantados na autuação fiscal. 29. Contudo, considero que as doutas autoridades julgadoras fundamentaram a r. decisão com base nos fatos e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal. E, por mais que haja discordância das razões que levaram a manutenção da responsabilidade solidária das pessoas físicas, entendo tratar-se de questão de mérito. Fl. 2228DF CARF MF https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/ Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 30. No mais, vale registrar que somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. 31. No curso do presente PAF, não foram criados impedimentos ou limitações ao contraditório efetivo e inexistem obscuridades nos fundamentos de fato e de direito que embasaram o lançamento ou a apuração do crédito tributário (no caso da multa isolada, inclusive, houve a retificação dos valores). 32. As questões atinentes à valoração da prova pertencem ao campo de análise de mérito e revisão do lançamento, e não implicam em nulidade, ao teor do artigo 60 1 , Decreto nº 70.235/72. 33. A contribuinte e os responsáveis solidários notoriamente compreenderam a imputação que lhes foi imposta e não tiveram seu direito de defesa cerceado. Considero que a constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade. Mérito I. Da Validade da Operação I.1. Do Propósito Negocial da Operação 34. A fiscalização entendeu que a transferência do ágio não seria possível, e mesmo que o fosse, este não poderia ser aceita, pois a Multimodal carece de propósito negocial, vez que teria sido criada com a finalidade de ser uma empresa veículo para que o ágio fosse transportado ao patrimônio das sociedades operacionais. E, assim sendo, conclui que a única intenção da operação foi reduzir, indevidamente, o pagamento do IRPJ e CSLL ao longo dos anos-calendário de 2011 a 2013. 35. De antemão, cumpre consignar que a teoria do propósito negocial não pode ser aplicada ao presente caso por duas razões centrais: (i) não há amparo legal na ordem jurídica posta; (ii) o fundamento da autuação limita-se a aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 (mais precisamente, o artigo 3° da Lei n° 9.249/95 e artigos 247 e 250 do RIR/99). 36. Tecnicamente, o ordenamento jurídico brasileiro não introduziu a suposta "norma antiabuso" ou "norma antielisão". O próprio parágrafo único do artigo 116, do CTN 2 , 1 " Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." 2 CTN, "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Fl. 2229DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 não é autoaplicável, mas depende de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. 37. No ano-calendário de 2002, houve tentativa de regulamentação do citado dispositivo por meio dos artigos 13 e 14, da Medida Provisória nº 66/2002. 38. A redação proposta para citados artigos era no sentido de que a desconsideração de ato ou negócio jurídico poderia ser feita se fosse verificada a "falta de propósito negocial ou abuso de forma". Entretanto, essa tentativa de regulamentação não logrou êxito, pois os respectivos artigos da MP 66/2002 foram excluídos quando da sua conversão na Lei nº 10.637/2002. 39. O objetivo do parágrafo único do artigo 116, do CTN é introduzir no sistema tributário nacional a possibilidade de as autoridades fiscais desconsiderarem determinadas condutas dentro de circunstâncias específicas a serem dispostas por meio de norma regulamentadora que, conforme consignado, não existe. 40. E, por mais que as autoridades fiscais tentem aplicar o citado parágrafo único do artigo 116, do CTN, a chamada "teoria da substância econômica", o entendimento uníssono na doutrina e jurisprudência atuais é o de que o referido dispositivo permanece sem efeitos e não pode ser aplicado a nenhum caso concreto até que sobrevenha a referida regulamentação por lei ordinária. Nesse sentido, já se manifestou a própria Receita Federal do Brasil: "Desconsideração de Atos e Negócios Jurídicos - O parágrafo único do art. 116 do CTN, com redação dada pela Lei Complementar nº 104/2001, possui eficácia limitada, sendo imprescindível para sua eficácia plena a entrada em vigor de lei integrativa". (Decisão nº 3.310; 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG; sessão de 27/03/2003). No mesmo sentido já se posicionou o antigo Conselho de Contribuintes: "IPI. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. O dispositivo previsto no parágrafo único do art. 116 do CTN, com a redação dada pela LC nº 104/2001, reveste-se de eficácia limitada, ou seja, dependia, à época da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento de ofício, da existência de norma integradora que lhe garantisse eficácia plena. Inexistente esta à época dos fatos, o lançamento padece da falta de suporte legal para sua validade e eficácia." (Acórdão nº 202-16.959, da antiga 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa; sessão de 28/03/2006). 41. O Poder Judiciário já se externou opinião acerca inaplicabilidade da interpretação visada pela d. fiscalização e autoridades julgadoras no presente caso. Devido à eficácia limitada do parágrafo único do artigo 116 do CTN, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região proferiu a seguinte decisão: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária." Fl. 2230DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 "TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. SIMULAÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...) 4. Malgrado toda a discussão doutrinária acerca da aplicação da teoria econômica à elisão fiscal, o art. 116 do CTN não se aplica ao caso dos autos. É que o auto de infração se baseou no artigo 149 do CTN, isto é, na existência de simulação. Independentemente de ser considerada e aplicada com uma norma antielisiva, o art. 116 do CTN somente teria uma posição subsidiária no contexto da lide. Explico. O art. 149 do CTN é específico e taxativo ao prever os casos de evasão (dolo, simulação ou fraude). E tudo o que não se subsumir no art. 149 do CTN deve ser considerado elisão, isto até que o art. 116 do CTN (que não é auto-aplicável) venha a ser regulamentado com outras vedações." (TRF 4ª Região, 2ª Turma, Apelação Cível nº 2006.72.04.004363-8, Rel. Des. Vânia Hack de Almeida; sessão de 19/08/2008). 42. Assim sendo, as normas gerais de controle de planejamentos tributários relacionadas às figuras do abuso de direito, abuso de forma, negócio jurídico indireto, inexistência de propósito negocial (razões extratributárias relevantes) não têm amparo no Direito Tributário Brasileiro e, portanto, não podem ser utilizadas como fundamento para o lançamento 3 . 43. Como se não bastasse todo esse arrazoado e mesmo reconhecendo, de início, a impossibilidade de aplicar tais teorias, considero que a ora Recorrente trouxe conjunto probatório hábil a comprovar a existência de substância econômica nas operações realizadas e do consequente propósito negocial. Foram apresentados nos autos documentos e argumentos suficientes para que se conclua que a empresa Multimodal não foi constituída apenas para a transferência do ágio para as empresas operacionais. 44. Segundo a Recorrente, todos os atos praticados tiveram a seguinte motivação: (i) aquisição de sociedades no segmento de transporte ferroviário (Brasil Ferrovias e Novoeste) e (ii) expansão das suas atividades operacionais. A finalidade da operação foi: criar uma estrutura operacional que permitisse contemplar os interesses societários do Grupo ALL e possibilitar a gestão dos negócios no sistema de transporte multimodal. 45. Verifica-se que todos os atos societários praticados inserem-se, congruentemente, neste contexto da aquisição de empresas e implementação da operação do transporte de carga multimodal. 46. De fato, a Recorrente faz parte do Grupo ALL, o qual realiza o transporte de cargas por todo o país. E, diante das dificuldades que o transporte ferroviário de cargas enfrenta, em razão, dentre outras coisas, da escassez de linhas férreas, frente às dimensões quase continentais de nosso país, foi desenvolvido plano de negócios que visava à minimização dos frequentes atrasos nas entregas. Tal planejamento estava baseado em um sistema de entrega porta a porta, com a integração entre o transporte ferroviário e rodoviário. 3 Para Ricardo Lobo Torres, o objetivo das normas gerais de controle de planejamentos tributários seria "combater o abuso do direito em suas diversas configurações: abuso de forma jurídica, fraude à lei, ausência de propósito mercantil e dissimulação da ocorrência do fato gerador". TORRES, Ricardo Lobo. A Chamada "Interpretação Econômica do Direito Tributário", a Lei Complementar nº 104 e os Limites Atuais do Planejamento Tributário. In Rocha, Valdir de Oliveira. O Planejamento Tributário e a Lei Complementar nº 104. São Paulo: Dialética, 2001, p. 240-241. Fl. 2231DF CARF MF http://www.jusbrasil.com/topicos/10575956/artigo-116-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/10572085/artigo-149-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/10575956/artigo-116-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/10572085/artigo-149-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/10572085/artigo-149-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/10575956/artigo-116-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/1028352/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 47. Assim, essas operações seriam concentradas no operador multimodalidade (no caso, a Multimodal, de que ora se trata), a quem caberia a função essencial de integrar os diversos tipos de transportes utilizados, até a chegada da mercadoria a seu destinatário final. Nessa medida, caberia a esse operador a contratação do transporte rodoviário (na origem, no destino ou em qualquer outro momento que se fizesse necessário), dos serviços de armazém geral, do transporte ferroviário e de outras atividades meio/fim necessárias para a consecução do transporte da maneira mais rápida, eficiente e competitiva. 48. A J.P.E.S.P.E. foi a empresa escolhida, dentro do planejamento elaborado pelo Grupo ALL, para ser a gestora do sistema multimodal de transporte de cargas, por meio de uma subsidiária. Foi necessário que a empresa J.P.E.S.P.E. (cuja razão social foi alterada, posteriormente, para Multimodal) integrasse a estrutura societária do Grupo ALL em decorrência da complexidade operacional e societária das companhias adquiridas, bem como para ser a gestora do sistema de entrega de cargas integrado, conhecido como “multimodalidade”. 49. Ademais, tendo em vista que a aquisição da Brasil Ferrovias e da Novoeste também era parte integrante de plano estratégico para a atuação do Grupo ALL no sistema de transporte de cargas multimodalidade, a Multimodal também exerceria o papel de gestora do sistema multimodalidade, sendo responsável, nos termos do que exige Lei nº 9.611/98, pela operação desse tipo de transporte. 50. Discordo das autoridades fiscais quando vinculam a ausência de propósito negocial ao fato da Multimodal não ser uma sociedade operacional. Por ser uma holding, a Multimodal tinha como um de seus propósitos negociais desenvolver o transporte multimodal, por meio de outras sociedades. Logo, não precisa ser uma sociedade operacional. 51. As sociedades holdings não se assemelham a qualquer outro tipo societário, visto que desempenham funções peculiares previstas no ordenamento jurídico, atendendo plenamente ao seu objeto social com a mera detenção de participação societária em outras companhias. Proporcionam maior facilidade para administração de controle e participações para investidores nacionais e estrangeiros. 52. Conforme descrito pela Recorrente, os planos de atuação no transporte multimodalidade pelo Grupo ALL foram frustrados, em razão do descompasso entre a legislação federal e estadual, de modo que a estrutura inicialmente imaginada foi desfeita com a cisão total da Multimodal e a versão de seu patrimônio entre as suas controladas ALL-Malha Oeste, ALL- Malha Paulista e ALL-Malha Norte (a ora Recorrente). Como não aconteceu o avanço que se esperava na documentação do transporte multimodal de cargas, a estrutura que se pensava para a operacionalização eficaz do transporte começou a não fazer sentido. 53. Assim, o Grupo ALL repensou seu formato operacional, mantendo as operações ferroviárias centralizadas em cada uma das concessionárias de transporte - inclusive, na sequência, a própria operação de transporte rodoviário deixou de ser uma opção para o complemento do transporte ferroviário - e a empresa acabou optando por integrar a sua operação Fl. 2232DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 rodoviária a outros grupos especializados no setor, mantendo o seu foco operacional apenas no transporte ferroviário de cargas. 54. Ademais, não se sustenta a alegação da autoridade fiscal relativa à ocorrência de fraude na operação. A autoridade autuante imputou responsabilidades ao Grupo ALL por questões ocorridas antes da sua entrada na sociedade - criação de suposto esquema de empresas de prateleira. Entretanto, não apresentou provas que corroborassem suas afirmações. 55. Registre-se que, a suposta ocorrência de atos fraudulentos e artificiais deve vir acompanhada de documentos comprobatórios hábeis e idôneos, pois o elemento doloso não se presume. 56. Além disso, tais insinuações não têm qualquer relevância para o deslinde do caso concreto. Isso porque, para o exame do propósito negocial, o que devem ser considerados são os fatos ocorridos após a aquisição da J.P.E.S.P.E. pelo Grupo ALL e não antes disso (como foi dito o Grupo ALL não integrava esta sociedade quando da sua origem). 57. Vale frisar que, todas as operações societárias que acarretaram no aproveitamento do ágio pela Recorrente foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes, conforme reconhecido na decisão recorrida: “é de se ressalvar que as autoridades fiscais não apontaram ilegalidade ou ilicitude nos atos societários praticados” (fls. 1697). 58. Logo, na medida em que as operações foram calcadas em atos lícitos e diante da inexistência de legislação apta a limitar a capacidade do contribuinte de se auto organizar e de gerir suas atividades, não há que se falar em fraude à lei, tampouco considerar a ocorrência de fraude fiscal hábil a ensejar a qualificação da multa de ofício. A existência de propósito negocial da empresa Multimodal é patente e não merece ser colocada em questão. I.2. Da Legitimidade da Aquisição do Investimento e Dedução Fiscal 59. Com a cisão total da Multimodal, a Recorrente passou a amortizar o ágio decorrente da parcela cindida, com fundamento no artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. A fiscalização afirma que teria ocorrido, no presente caso, a “transferência” indevida do ágio apurado na aquisição das companhias Brasil Ferrovias e Novoeste pela ALL - Logística para a Recorrente. Novamente, assiste razão a Recorrente. 60. Neste caso, em análise ao histórico de aquisição de participações societárias, verificam-se dois fatos jurídicos distintos e autônomos de aquisição das ações da Brasil Ferrovias e da Novoeste Brasil: (i) primeiro, a aquisição, pela ALL - Logística, das ações de Brasil Ferrovias e Novoeste, em operação de incorporação de ações, pelo valor de R$ 2.512.083.080,00; e (ii) a aquisição, pela Multimodal, das ações de Brasil Ferrovias e Novoeste, por meio da conferência em integralização de capital pela ALL –Logística no valor de R$ 2.512.083.080,00 (custo de aquisição na conferência de ações). Fl. 2233DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 61. Por conta desses dois fatos jurídicos autônomos de aquisição de participação societária, tem-se a seguinte consequência para as duas pessoas jurídicas em destaque: a ALL-América Logística deixou de possuir em seu ativo as ações de Brasil Ferrovias e Novoeste pelo custo de aquisição de R$ 2.512.083.079,53 e passou a possuir em seu ativo um investimento em outra sociedade controlada (Multimodal) no mesmo valor de R$ 2.512.083.079,53 - troca de ativos; e a Multimodal teve um aumento no seu ativo no valor de R$ 2.512.083.079,53, correspondente ao investimento em Brasil Ferrovias e Novoeste, como contrapartida do aumento de capital integralizado pela ALL-Logística. 62. Consequentemente, a Multimodal passou a ser a controladora de Brasil Ferrovias e Novoeste, e, conforme se verifica pela análise da legislação societária e tributária vigente, a Multimodal estava obrigada a registrar este investimento pelo valor de patrimônio líquido (método da equivalência patrimonial). 63. Conforme consignado pela própria autoridade fiscal, a Multimodal realizou um aumento de capital de R$ 500,00 para R$ 2.512.083.080,00, mediante a criação de 2.512.083.080 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada. Estas quotas foram totalmente subscritas e integralizadas pela ALL-Logística, mediante a conferência das ações que possuía de Brasil Ferrovias e na Novoeste. 64. De fato, quando da realização da conferência das ações de Brasil Ferrovias e Novoeste, o valor atribuído pelo subscritor na integralização foi de R$ 2.512.083.080,00 (o custo de aquisição pela ALL-Logística é o mesmo custo de aquisição pela Multimodal). Ressalte-se que, de acordo com os laudos de avaliação, a diferença entre o valor do patrimônio líquido e o valor de integralização decorre da expectativa de rentabilidade futura de Brasil Ferrovias e Novoeste. 65. A única restrição constante da legislação é que essa avaliação seja feita por 3 peritos ou por empresa especializada. No presente caso, apresentou-se o Laudo Avaliação de empresa especializada, no qual se justifica o valor do bem no fundamento econômico da expectativa de rentabilidade futura. Portanto, do ponto de vista da legislação societária, considero que o valor utilizado para a conferência das ações de Brasil Ferrovias e Novoeste na integralização do capital da Multimodal está regular. 66. Ademais, a fiscalização alega que no presente caso não estariam atendidos os requisitos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 para a dedução do ágio, haja vista que tais dispositivos somente seriam aplicáveis na hipótese de absorção patrimonial ocorrida entre Brasil Ferrovias e Novoeste e ALL - Logística, empresas envolvidas na operação que deu ensejo ao surgimento do ágio. 67. No entanto, tais assertivas carecem de fundamento, uma vez que a Lei nº 9.532/97 não traz, em seu bojo, as restrições apontadas. Pelo contrário: a lógica da permissão da dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, nada mais é do que o reconhecimento de que o ágio deverá, sempre, acompanhar o investimento que lhe é subjacente. Fl. 2234DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 68. Se a intenção do legislador fosse restringir a amortização fiscal do ágio às hipóteses em que há incorporação, fusão ou cisão envolvendo o adquirente original, teria especificado isto no texto da norma, para limitar a amortização às hipóteses em que a pessoa jurídica absorve o “patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária que foi por ela adquirida com ágio”. Na redação original, contudo, apenas se exige que haja a incorporação, fusão ou cisão de um investimento que foi adquirido, por qualquer contribuinte, com ágio. 69. O ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, como ocorreu nos presentes autos, está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização dar-se-á em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados. 70. Portanto, é coerente, também do ponto de vista econômico que o valor do ágio esteja contabilizado na mesma pessoa jurídica que é detentora do investimento, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram. 71. A legislação tributária, não traz qualquer restrição quanto à possibilidade de conferência de bens na integralização de capital, também não traz qualquer restrição quanto à possibilidade de avaliação desse bem pelo valor de patrimônio líquido somado ao valor de expectativa de rentabilidade futura, com base em laudo de avaliação de empresa especializada. 72. Verifica-se, portanto, que o aproveitamento fiscal do ágio, como ocorre no presente caso, representa a mera fruição de um tratamento fiscal previsto em lei (artigo 7º da Lei nº 9.532/97) e não planejamento tributário. Trata-se de uma operação societária, que possui todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. 73. Diante do acima exposto, concluo que não há qualquer vedação na legislação tributária para o registro e amortização do ágio nas operações em comento. E, portanto, o presente lançamento deve ser afastado. 74. Como o Recurso de Ofício está relacionado à retificação da multa isolada, uma vez exonerado in totum o crédito tributário, este recurso restará automaticamente negado. II. Das Demais Alegações 75. Caso esta relatoria reste vencida e, por conseguinte, a glosa da amortização do ágio seja mantida, passo a julgar as demais questões pertinentes ao presente processo administrativo fiscal. II. 1. Do Benefício Fiscal SUDAM Fl. 2235DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 76. Em que pese a Recorrente afirme que o crédito lançado é nulo em razão da desconsideração da fiscalização da existência do benefício fiscal SUDAM, consigno que tal tema deve ser tratado no mérito, se mantida a glosa do ágio. 77. A contribuinte afirma que o benefício é calculado sobre o valor do IRPJ apurado sobre o lucro de exploração e, por este motivo, após realizada a apuração do imposto devido pelo lucro real, sem qualquer redução de base em razão do benefício fiscal concedido, deduz-se o valor correspondente a 75% do IRPJ apurado sobre o lucro de exploração. 78. Contudo, não apresenta a composição de valores de forma a demonstrar que há tal impacto e, por essa razão, esta relatoria fez constar da diligência pedido de esclarecimentos a esse respeito. 79. Conforme relatado, a ora Recorrente (fls. 2205), informou que "após nova revisão da apuração do IRPJ e da CSLL, para atender o Termo de Diligência, constatou que o lucro de exploração não foi afetado pela amortização do ágio". 80. Diante da ausência de afetação, tal pleito merece ser desconsiderado. II. 2. Da Ausência de Vedação à Amortização do Ágio em relação à CSLL 81. Especificamente no que concerne à CSLL, considerando que as regras de dedutibilidade aplicáveis na apuração do lucro real não podem ser estendidas automaticamente, sem previsão legal, para a apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (artigo 2º da Lei nº 7.689/88), não se pode exigir da Recorrente a adição da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial na base de cálculo dessa contribuição. 82. Esse entendimento foi inclusive confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como evidencia a ementa abaixo transcrita: "CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 2236DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido." (CSRF, Acórdão n. 9101-002310, PA no. 12898.001543/2009-12, j. 03.05.2016). 83. Assim sendo, na remota hipótese da glosa da amortização do ágio ser mantida e, por conseguinte, esta relatoria restar vencida, com relação à CSLL a autuação deve ser cancelada em qualquer hipótese. II. 3. Do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL 84. A Recorrente requer o restabelecimento do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, que foram compensados de ofício pela autoridade fiscal. A decisão de piso, por entender que a glosa de ofício das amortizações de ágio é procedente, não acatou o pleito da contribuinte. 85. Diante do exposto neste voto e por considerar legítimo o direito a amortização do ágio em questão, os respectivos valores de IRPJ e CSLL devem ser cancelados e o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL restabelecida. II. 4. Da Atribuição de Responsabilidade Tributária Pessoal 86. Os responsáveis solidários Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida afirmam que a responsabilidade solidária carece de motivação, razão pela qual deve ser declarado nulo o Termo de Responsabilidade Solidária de fls. 972/974. Por trata-se de questão de mérito, será aqui apreciada. 87. No caso em questão, considero que a fiscalização motivou a imputação de responsabilidade das pessoas físicas apenas com base no fato dessas possuírem, supostamente, poderes de gerência na empresa autuada. Não cuida de estabelecer a necessária relação entre os dispositivos e os fatos que originaram o presente processo administrativo. Confira-se: “2. Com efeito, os senhores Pedro Roberto Oliveira Almeida e Alexandre de Jesus Santoro, membros titulares do Conselho de Administração da ALL — América Latina Logística Malha Norte S.A. (ALL Malha Norte), durante o período que abrange esta fiscalização, utilizaram uma empresa veículo, a Multimodal, para possibilitar o transporte de ágio, com o fim de a ALL Malha Norte pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculo de IRPJ e CSLL. 3. O transporte do ágio teve a única intenção de reduzir, indevidamente, o pagamento do IRPJ e CSLL ao longo dos anos-calendário de 2011 a 2013. 4. Observa-se que a empresa veículo, a Multimodal, não possui substância econômica, tendo a sua constituição a finalidade, exclusiva, de reduzir o montante dos tributos, Fl. 2237DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 como amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, anexado nos autos de infração e parte integrante dos mesmos. 5. A conduta dos referidos conselheiros subsume-se ao que dispõe o art. 72 da lei n° 4.502/64, verbis: (...) 6. Desta forma, considerando que os senhores Pedro Roberto Oliveira Almeida e Alexandre de Jesus Santoro, na época dos fatos, possuíam poderes de gerência na empresa ALL Malha Norte, e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizado a responsabilidade solidária prevista no art. 135,111, do CTN, transcrito no início deste termo, em decorrência de infração de lei.” 88. É certo que, a responsabilidade disciplinada no artigo 135, III, do CTN cuida de incluir pessoalmente no polo passivo da relação jurídico-tributária, o administrador responsável pela prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. 89. Para que se configurar a responsabilidade prevista no referido artigo, devem estar presentes duas condições: (i) os sócios devem praticar atos de gestão e (ii) a obrigação tributária deve decorrer de atos praticados com abuso de poder ou contrários à lei, contrato social ou estatutos. 90. Em razão da gravidade dessas práticas, o legislador apontou expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos nossos)” 91. A partir da análise do dispositivo, verifica-se que apenas as pessoas elencadas podem ser responsabilizadas pessoalmente. No mais, caso a pessoa seja sócia, mas não tenha poderes de gestão, deve ser afastada a responsabilidade pessoal. Da mesma forma, ainda que tenha poderes de gestão, deve ser comprovado o nexo de causalidade entre a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos e a exigência do crédito tributário em litígio. 92. Neste sentido, é o posicionamento já consolidado em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal. Confira-se: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem Fl. 2238DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão-somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplica-se o art. 543-B, § 3º, do CPC. (Recurso Extraordinário nº 562276/PR, Tribunal Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie, Julgado em 03/11/2010, Dje nº 27, Publicado em 10/02/2011). 93. O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais especificamente, dolo ou fraude para a configuração da responsabilidade, cabendo à fiscalização demonstrar e provar que as pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Por fim, deve comprovar que os diretores, gerentes (de fato ou de direito) ou representantes da pessoa jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do artigo 135, III, do CTN. Fl. 2239DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 94. Os Recorrentes figuravam como membros do Conselho de Administração e, portanto, não tinham sequer a possibilidade de praticar atos de gestão em concreto. 95. O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais especificamente, dolo ou fraude para a configuração da responsabilidade, cabendo à fiscalização demonstrar e provar que cada uma das pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Tais evidências não se verificam nos presentes autos. 96. Por fim, a autoridade autuante deve comprovar que os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do artigo 135, III, do CTN. 97. Mas não é só, a decisão de piso, na tentativa de justificar a imputação de responsabilidade, aponta como fundamento a própria imputação da multa qualificada diante de suposta presença de ato fraudulento. Entretanto, por considerar que não existem elementos capazes de justificar a qualificação da multa de ofício, tampouco atendimento dos requisitos constantes do artigo 135, III, do CTN, o Termo de Responsabilidade Solidária carece de motivação. 98. A exigência da multa qualificada não pode ser utilizada como fundamento para a manutenção da responsabilidade em face das pessoas físicas. Estamos tratando de institutos jurídicos distintos, com requisitos próprios. 99. No mais, em outros autos de infração de IRPJ e CSLL relativos a outros anos-calendário e originários do mesmo ágio debatido neste processo, as pessoas físicas sequer foram incluídas enquanto responsáveis solidários. 100. Em que pese não tenha ocorrido cerceamento de defesa, resta evidente a que as autoridades fiscal e julgadoras não cuidaram demonstrar o preenchimento dos requisitos constantes do artigo 135, III, do CTN, capazes de justificar a manutenção da imputação de responsabilidade tributária pessoal. 101. Diante do exposto, afasto a responsabilidade tributária pessoal imputada aos Srs. Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida. II. 5. Da Questão de Ordem Suscitada e seus Impactos na Exigência das Multas 102. A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do Decreto-Lei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Fl. 2240DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 103. Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. 104. A decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (dentre outras que depois foram proferidas), chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/2007-74, Acórdão nº 9202-006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). 105. Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearam-se na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. 106. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”,de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringir-se-ia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua Secretaria-Executiva”. 107. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaram-se na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques 4 “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld 5 4 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." Fl. 2241DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Trata-se de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendem-se como tal as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) 108. Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. 5 SUNDFELD, Carlos Ari. LINDB: Direito Tributário está sujeito à Lei de Introdução reformada. Jota, São Paulo, 10 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/3kub1r. Acesso em: 10 ago. 2018. Fl. 2242DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 109. Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. 110. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Dr. Humberto Ávila 6 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz-se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 111. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 112. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. 113. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 37 7 , da CF/88 e do artigo 2º 8 , da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/2015 9 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. 6 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 23-24. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 7 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" 8 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 9 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Fl. 2243DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada 114. É notório que tema ágio é altamente controvertido e respondeu em 2014, pelo montante de R$ 18,7 bilhões, nas 30 maiores empresas não-financeiras do País (em receita líquida) que acumulavam R$ 283,4 bilhões em contencioso tributário, conforme estudo empírico realizado por Ana Teresa Lopes 10 na Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. 115. Não podemos olvidar que tais montantes, a depender da classificação de risco da companhia, podem afetar seu resultado financeiro caso devida ou indevidamente provisionados. Portanto, em termos práticos, se determinada demanda tem classificação de perda remota, por exemplo, o valor em litígio não precisa ser provisionado e pode ser reinvestido na atividade produtiva e/ou na expansão as operações empresariais. 116. Do contrário, se a expectativa de perda for provável, o resultado da companhia será impactado. Essas são as próprias diretrizes do CPC 25 11 : "Provisão 14. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. Obrigação presente 15. Em casos raros não é claro se existe ou não uma obrigação presente. Nesses casos, presume-se que um evento passado dá origem a uma obrigação presente se, levando em consideração toda a evidência disponível, é mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço. 16. Em quase todos os casos será claro se um evento passado deu origem a uma obrigação presente. Em casos raros – como em um processo judicial, por exemplo –, pode-se discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obrigação presente. Nesse caso, a entidade deve determinar se a obrigação presente existe na data do balanço ao considerar toda a evidência disponível incluindo, por exemplo, a opinião de peritos. A evidência considerada inclui qualquer evidência adicional proporcionada por eventos após a data do balanço. Com base em tal evidência: (a) quando for mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade deve reconhecer a provisão (se os critérios de reconhecimento forem satisfeitos); e (b) quando for mais provável que não existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos (ver item 86)." (grifos nossos) 10 LOPES, Ana Teresa. O contencioso tributário sob a perspectiva corporativa: estudo das informações publicadas pelas maiores companhias abertas do país. Dissertação de mestrado apresentada no programa de direito da FGV DIREITO SP (p. 35 e p. 49), em 15/03/2017. Disponível em: https://goo.gl/2xp1fN. Acesso em: 24/07/2018. 11 "Na elaboração das demonstrações financeiras é comum que as empresas reconheçam como provisão os valores relativos às ações judiciais passivas cuja probabilidade de perda é provável. De acordo com o CPC 25, embora haja um nível de incerteza nestas provisões, o reconhecimento desses eventos como passivo indica que é mais provável que a saída de caixa aconteça do que não aconteça (itens 15 e 16)", por CANADO, Vanessa. Precedentes e Probabilidade de Perda em Ações Judiciais. Jota, São Paulo, 10 mai. 2018. Disponível em: https://goo.gl/eHKKPf. Acesso em: 13 ago. 2018. Fl. 2244DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 117. Esse singelo exemplo serve para demonstrar como a mudança repentina de entendimento do CARF pode impactar diretamente a tomada de decisão dos investidores. 118. Vejam que, em razão da alteração de posicionamento, as empresas acabam, inevitavelmente, por afetar seus resultados. Tal movimentação financeira é, por óbvio e diretamente, sentida pelos investidores 12 . O efeito desta dinâmica nefasta é simples: assistimos o desinvestimento nas operações nacionais, o agravamento do “Custo Brasil” 13 , a saída de grupos econômicos do país e o aumento da crise de confiança diante da insegurança jurídica provocada pelos Órgãos de Estado. 119. Sobre este aspecto, bem caminhou o artigo 20 da LINDB, ao dispor que: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” 120. A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. 121. Igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, o invocado artigo 24, da LINDB, proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: LINDB "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." (grifos nossos) 12 A simples divulgação dos balanços e notas explicativas afugentam os investimentos. 13 O custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas. Em outros termos, "é custo adicional de transacionar, de realizar negócios, no Brasil, em comparação ao custo em um país com instituições que funcionam adequadamente", em PINHEIRO, Armando Castelar. A Justiça e o Custo Brasil. In: Revista USP, nº 101, mar/abr/mai. São Paulo, p. 141-158. Disponível em: https://goo.gl/CSvJcn. Acesso em: 07/06/2019. Fl. 2245DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 122. De acordo com o próprio autor do Anteprojeto da LINDB, Floriano de Azevedo Marques 14 , tal dispositivo é plenamente aplicável ao CARF, verbis: "O art. 24 proíbe que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, de modo que nenhuma revisão de validade de ato singular da autoridade (o lançamento, por exemplo) pode ser feita por mudança da orientação geral a respeito. Aliás, como se sabe, a proibição da irretroatividade da nova interpretação vai além dos simples casos de invalidação de atos administrativos, pois está prevista em termos amplos na Lei Federal de Processo Administrativo (art. 2º, parágrafo único, XIII) e no Código Tributário (art. 100, II, III e parágrafo único, e art. 146)." 123. No presente caso, conforme relatado, a Recorrente teria amortizado, indevidamente, o ágio apurado na aquisição das companhias Brasil Ferrovias S/A e Novoeste Brasil S/A, uma vez que, supostamente, não haveria razões econômicas ou negociais para a criação da Multimodal Participações Ltda., suposta "empresa veículo" que teria sido utilizada apenas para transferência do ágio da ALL - América Latina Logística S/A para as companhias operacionais ALL- América Latina Logística Malha Paulista, ALL - América Latina Logística Malha Oeste e ALL - América Latina Logística Malha Norte (atual Rumo Malha Norte S/A, ora Recorrente). 124. Ocorre que, segundo o entendimento predominante do CARF, o aproveitamento fiscal do ágio em casos semelhantes ao presente era considerado legítimo e plenamente válido. 125. Nesse sentido, a ora Recorrente cuidou de relacionar casos semelhantes ao presente, são eles: "Acórdão nº 105-16.395 (Sessão de 25/04/2007); acórdão nº 105-16.774 (Sessão de 08/11/2007); acórdão nº 101-97.027 (Sessão de 13/11/2008); acórdão nº 1402-000.342 (Sessão de 15/12/2010); acórdão nº 1101-00.354 (Sessão 02/09/2010); acórdão nº1201- 00.548 (Sessão de 03/08/2011); acórdão nº1301-000.711 (Sessão de 19/10/2011); acórdão nº 1402-000.802 (Sessão de 21/10/2011); acórdão nº 1201-000.659 (Sessão de 15/03/2012); acórdão nº 1101-000.708 (Sessão de 11/04/2012); acórdão nº 1101- 000.709 (Sessão de 11/04/2012); acórdão nº 1201-000.689 (Sessão de 08/05/2012); acórdão nº 1402-001.077 (Sessão de 13/06/2012); acórdão nº 1301-000.999 (Sessão de 07/08/2012); acórdão nº 1202-000.884 (Sessão de 03/10/2012); acórdão nº 1101- 000.835 (Sessão de 04/12/2012); acórdão nº 1402-001.279 (Sessão de 04/12/2012); acórdão nº 1402-001.310 (Sessão de 05/12/2012); acórdão nº 1102-000.873 (Sessão de 11/06/2013); acórdão nº 1402-001.409 (Sessão 10/07/2013); acórdão nº 1102-000.982 (Sessão de 04/12/2013)". Ademais, à época das operações aqui analisadas, a jurisprudência administrativa majoritária admitia a validade de operações realizadas com o intuito de reduzir a carga tributária, desde que praticadas de acordo com as normas legais, tal como se verifica no caso em tela. Confira-se: acórdão nº 106-14.486 (Sessão de 16/03/2005); acórdão nº gisa102-47.181 (Sessão de 09/11/2005); e acórdão nº 102-47.521 (Sessão de 26/04/2006)." 14 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." Fl. 2246DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 126. Assim sendo e diante da ausência de enfrentamento da relação de julgados apresentada pela ora Recorrente, não há dúvidas de que, in casu, a contribuinte estava diante de prática reiterada da administração pública. Em outros termos, havia o entendimento de que tais operações seriam toleráveis para este E. CARF, de acordo com a própria legislação e das decisões favoráveis proferidas e, assim sendo, como podemos sequer cogitar a imputação de multa de ofício de 75% ou pior, multa qualificada de 150%? Definitivamente, tal posicionamento não encontra amparo nem na LINDB, nem no CTN ou na Constituição Federal e claramente atenta contra a própria moralidade administrativa. 127. Isto posto, se a pretensão dos litigantes no presente processo limita-se a discutir potenciais sutilezas técnicas que afastariam a aplicação do artigo 24, da LINDB ao CARF, vamos à elas: O Artigo 24, da LINDB visa trazer eficácia e reforçar a observância dos Preceitos contidos no CTN e na CF/88 128. Da simples leitura do caput do artigo 24, da LINDB é possível evidenciar sua clara convergência e perfeita conformação com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único e artigo 146, do CTN. Confira-se: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." 129. A expressão "prática reiterada" impõe que seja dado o mesmo tratamento jurídico-tributário para os contribuintes que estejam em situação equivalente, sob pena de afronta aos princípios da igualdade e da capacidade contribuinte. Aliás, deixar de observar esse regramento cria, além de injustiça fiscal, disfunções concorrenciais têm termos comerciais. Fl. 2247DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 130. É certo que, o objetivo dos novos artigos da LINDB, dentre eles o artigo 24, não foi alterar regras de caráter específico (e.g. CTN ou legislação relativa ao PAF), de modo que estas continuam em vigor, sem qualquer alteração, mas contribuir para dar maior eficácia e aumentar o grau de segurança jurídica na aplicação dessas disposições setoriais. Daí, inclusive, ser irrelevante o fato de a LINDB ter sido instituída por lei ordinária e não lei complementar. Os efeitos indicados por esta relatoria estão atrelados às próprias disposições do artigo 100, III e § único, do CTN, combinadas com o artigo 24, da LIND - dispositivo de caráter geral que tem, justamente, a finalidade de trazer diretrizes interpretativas. 131. Outro aspecto relevante que merece ser superado diz respeito à expressão “revisão” constante do caput do artigo 24 da LINDB, considero que o dispositivo também protege em concreto o auto lançamento – “situação plenamente constituída”. Isso porque, o contribuinte agiu segundo as “orientações gerais da época” - os julgados deste E. CARF são interpretações públicas e, por conseguinte, o contribuinte não se baseou nas suas próprias visões privadas sobre o critério jurídico que seria aplicável. Em outros termos, o Estado não pode, com base em nova interpretação, contestar auto lançamento que se limitou a acolher interpretação pública que vigorava. 132. Por fim, com relação à preferência pela aplicação do artigo 100, II, do CTN em detrimento do artigo 100, III, do mesmo dispositivo por potencial especialidade, considero o inciso II (II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa) é aplicável aos casos em que o reconhecimento do valor normativo às interpretações já contem estabilidade de grau máximo, leia-se Súmulas deste E. CARF, decisões proferidas sobre o regime de repetitivo e repercussão geral. Nessas hipóteses, o próprio lançamento deve ser afastado. 133. Já o inciso III (“III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”), é aplicável, em linha com as próprias diretrizes do artigo 24 da LINDB (§ único. “Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público”), quando à época do fato gerador, existam manifestações equivales que, por seu maior volume ou pelo grau superior do órgão de que emanadas, bastem para sinalizar ao contribuinte de boa fé que a interpretação da lei tributária feita por certo órgão administrativo ou judicial foi superada, ainda que incerta. Para ambos os diplomas normativos, basta a existência de costume administrativo tributário quanto ao critério jurídico de interpretação da lei, não se exige a definitividade dessa jurisprudência administrativa, tampouco sua formalização em grau máximo (edição de Súmula CARF). 134. Em síntese, considero que a LINDB: (i) é aplicável em matéria tributária; (ii) a norma geral constante do artigo 24 da LINDB, em linha com os citados dispositivos da legislação tributária proíbe, a retroação de nova orientação; (iii) sua função é contribuir de modo importante para eficácia das disposições particulares, especialmente o artigo 100, III, do CTN. Com efeito, não cabe no presente processo a aplicação de qualquer penalidade – multas em geral. Fl. 2248DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 II. 6. Da Ausência de elementos para a Aplicação de Multa Qualificada 135. Na remota hipótese dos efeitos da questão de ordem não serem admitidos por esse colegiado, passo a analisar a questão relativa à qualificação da multa de ofício. 136. A fiscalização concluiu que houve fraude na operação que gerou o ágio em questão, o que enseja a aplicação de multa qualificada, entretanto, como já mencionado, não verifico nos autos a presença de elementos que justifiquem a aplicação da multa qualificada de 150%. 137. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que os Recorrentes teriam praticado a conduta dolosa descritas no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. 138. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. 139. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier15, a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco 140. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 141. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. Esse é o entendimento deste E. C. CARF, verbis: "(...) MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, em especial nos casos de planejamento tributário acerca do qual haja divergência na doutrina e na jurisprudência. (...)" (Processo nº 16682.720182/2010-27, Acórdão nº 1301002.670, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 18 de outubro de 2017, Relator Roberto Silva Junior). (grifos nossos) 15 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 2249DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 142. Vejamos trecho deste acórdão sobre o assunto: "O pressuposto de multa qualificada, de acordo com o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, é a existência de sonegação, fraude ou conluio. É preciso que o sujeito passivo tenha agido de forma deliberada e consciente, buscando obter um ganho indevido, em detrimento da Fazenda. É necessária a prova da conduta dolosa. Os fatos comprovados nos autos devem gerar a convicção de que os autuados, tendo consciência da ilicitude, deliberam prosseguir na ação ilícita a fim de obter vantagem tributária a que não tinham direito.” (grifos nossos) 143. Os acórdãos citado deixam clara a necessidade observância dos três requisitos aqui consignados, conduta ilícita, intenção e nexo de causalidade entre a ação do sujeito passivo e o prejuízo ao erário, para fim de justificar a efetiva ocorrência das práticas infracionais em comento. 144. As autoridades fiscal e julgadora, no curso do processo administrativo, não cuidaram de trazer elementos probatórios sólidos hábeis a demonstrar o intuito doloso do contribuinte capazes de caracterizar a aplicação da multa qualificada. 145. Em síntese, consideram que a aludida multa deveria ser mantida porque a Recorrente teria ciência da impossibilidade de registro e amortização de ágio nas operações em comento, o que caracterizaria fraude. 146. A afirmação de que a Recorrente tinha conhecimento de que o registro e a amortização de ágio no presente caso era ilegítimo é superada pela própria jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 147. Vejam que, mesmo nos casos em que se concluiu pela ausência de propósito negocial a aplicação da multa qualificada foi afastada, pois não há que se falar em fraude quando todos os fatos são reais e declarados ao fisco. Nesse sentido, confira-se o seguinte trecho do voto proferido pelo conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Considerando o que se contém nos autos e os argumentos da recorrente e recorrida, não vislumbro razão para manter a qualificação da multa de ofício. Isto porque a acusação de fraude, constante da acusação fiscal, a qual deve se inserir, nas previsões normativas dos art.s 71 a 73 da Lei n. 4.502/1964 aos quais remete o art. 44 da Lei n. 9.430/1995, não ficou suficientemente demonstrada, pois a mera constatação de ausência de propósito negocial em uma fase da operação, em que os fatos são todos reais e declarados ao Fisco, não enseja, per se a qualificação, porque a fraude deve ser melhor demonstrada, pois se trata de dolo o se quer indicar.” (Acórdão n.º 9101-002.183, julgado em 20 de janeiro de 2016) 148. Conforme já observado quando da análise da questão de ordem, por considerar a verdade material, a segurança jurídica e a satisfatividade das decisões os valores máximos a serem perseguidos pelo julgador, concordar com a aplicação da multa qualificada nesta hipótese é admitir nítida afronta ao princípio da segurança jurídica e à própria verdade fática. Fl. 2250DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 149. O artigo 23, do Decreto-Lei nº 4.657/1942, incluído pela Lei nº 13.655/2018 (Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro), reforça esse entendimento: " Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais." 150. Não só havia precedentes favoráveis à operação aqui em análise, como considero clara a legitimidade de tal operação. Para além das doutas autoridades fiscais não lograrem êxito em comprovar a ocorrência da fraude (respectivo elemento doloso), considero que não caberia sequer cogitar a aplicação da multa qualificada. 151. E mais, como as operações foram estruturadas a partir de atos lícitos e diante da inexistência de legislação apta a limitar a capacidade do contribuinte de se auto- organizar, não há que se falar em fraude à lei, tampouco considerar a ocorrência de fraude fiscal hábil a ensejar a qualificação da multa de ofício e a consequente instauração da Representação Fiscal para Fins Penais. 152. Por fim, nos termos do artigo 112, do CTN, "a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." 153. Em vista de todas as razões fáticas e jurídicas aqui expostas, não cabe aplicar in casu penalidade no percentual de 150% como se estivéssemos diante de um caso de interposição fraudulenta de pessoas e/ou falsificação de documentos fiscais. Tal imputação, além de violar o artigo 112, do CTN, viola em potencial a inteligência das Súmulas CARF nºs 14, 25 e 34: "Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas." (grifos nossos)" 154. Não podemos olvidar que, diante da literalidade do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, a multa de 75% (e não 150%) é aplicável "sobre a totalidade ou diferença Fl. 2251DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 de imposto ou contribuição" justamente "nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" (grifos nossos). Dada a própria capitulação do auto de infração, sequer deveria se cogitar a imputação da multa qualificada. 155. Do exposto, caso reste vencida no mérito, consigno que deve ser afastada a qualificação da multa de ofício (de 150% para 75%). II. 7. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada 156. Por considerar legítimo o direito de amortização dos ágios em questão, os valores de IRPJ e CSLL devem ser cancelados junto com as respectivas multas. Entretanto, na hipótese da relatoria restar vencida, cabe julgar a aplicabilidade ou não das multas. 157. Na decisão de piso e nas contrarrazões da União o entendimento apresentado é que as multas de ofício e isoladas não decorrem da mesma infração e, portanto, não configuram bis in idem. Em face de dois ilícitos distintos, estaria correta a aplicação das multas conjuntamente. Entretanto, tal entendimento não deve prevalecer. 158. Em que pese ser aplicável a multa de ofício na hipótese da manutenção das glosas, não cabe aqui a aplicação de multa isolada de forma concomitante, conforme pretendem as autoridades fiscais, com fundamento no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996 (redação dada pela Lei nº 11.488/2007). Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.. 159. Por mais que a redação original do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 tenha sofrido alterações ao longo do tempo, estas não foram capazes de afastar a aplicação da Súmula CARF nº 105. Vejamos: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Redação Original do artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) (...) IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente;. Fl. 2252DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 160. As alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. 161. A própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351/07, limitou-se a esclarecer que a alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, efetuada pelo artigo 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. 162. E, caso se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, subsiste o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que importa o afastamento da penalidade menos gravosa. 163. Nessa linha foi o entendimento desse E. Conselho em casos semelhantes a este, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do ano-calendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê-leão. Encerrado o ano-calendário não há o que se falar em recolhimento de carnê-leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplica-se o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apura-se a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplica-se a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano-calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê-leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte”. (Processo nº 10920.004434/2010-31, Acórdão nº 1402-001.369, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 10 de abril de 2013, Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva). Fl. 2253DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 “MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal”. (Processo nº 16561.720157/2014-43, Acórdão nº 1401-002.076, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 19 de setembro de 2017, Relator Daniel Ribeiro Silva) 164. Portanto, na hipótese das glosas serem mantidas considero aplicável a multa de ofício, mas considero inaplicável a aplicação de multa isolada. II. 8. Do Recurso de Ofício e da Retificação dos Valores da Multa Isolada 165. Caso, ainda, esta relatoria reste vencida com relação a manutenção da incidência de multa isolada, cabe consignar que o recurso de ofício merece ser negado, vez que considero correta a retificação dos valores da multa isolada, em consonância com a r. decisão da DRJ. II. 9. Aplicação de Juros com base na taxa SELIC 166. Outro ponto questionado pela Recorrente é a aplicação de juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Segundo ela não há previsão legal que permita tal aplicação de juros, pois a lei estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre os tributos. 167. A taxa SELIC é aplicada aos juros dos créditos fiscais, conforme disposto no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 2254DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9430.htm#art5§3 Fl. 43 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 168. Os artigos 113, §1º e 139, do Código Tributário Nacional, determinam que o crédito tributário, de onde decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. (...)” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 169. Logo, a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, disposta no artigo 61 supra descrito, deve englobar a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de ofício proporcional punitiva. É assim que a jurisprudência do C. CARF entende: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” (CARF – Processo nº 15469.000384/2007. Acordão nº 2301- 005.162. Relator: Alexandre Evaristo Pinto. Sessão de 04/10/2017) 170. A partir de tais esclarecimentos, resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com os tributos devidos, se não paga no vencimento, sujeita-se aos juros de mora por força do disposto no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Portanto, na hipótese da glosa da amortização do ágio ser mantida, não acolho o pedido da Recorrente e determino a manutenção da aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Conclusão 171. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER dos presentes RECURSOS, e, no mérito, DAR PROVIMENTO aos Recursos da RUMO MALHA NORTE S/A, do Sr. Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Roberto Oliveira Almeida; e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2255DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Voto Vencedor Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Redator designado. O colegiado acompanhou o voto da Ilustre Relatora em expressiva parcela, no qual foram apreciadas de forma profunda as muitas questões apresentadas ao colegiado por meio dos recursos em análise. Todavia, o entendimento majoritário no colegiado foi diferente em relação à parte dos recursos voluntários que tratou da glosa da despesa com ágio no cálculo do IRPJ e da CSLL, que tratou da exoneração, com fundamento na LINDB, das multas aplicadas e que tratou da exoneração da multa isolada sobre as estimativas pagas a menor, cabendo a mim redigir o correspondente voto vencedor, que está dividido conforme as questões acima apontadas. 1 Ágio – glosa de despesas de amortização – IRPJ e CSLL A fiscalização glosou a dedução de despesas com a amortização de ágio registrado na empresa América Latina Logística S/A (ALL) quando esta incorporou as ações das empresas Brasil Ferrovias S.A (B.Ferrovias) e Novoeste Brasil S.A (Novoeste). A questão tem como cenário jurídico dispositivos do Decreto-Lei nº 1.598/1977, combinados com dispositivos da Lei nº 9.532/1977, a seguir transcritos, com a redação vigente na época dos fatos: DECRETO-LEI Nº 1.598/1977 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I - valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: [...] b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada. com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; [...] §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. [...] Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. [...] Fl. 2256DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Art 33 - O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I - valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II - ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. LEI Nº 9.532/1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b” do §2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anos-calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: [...] b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. A interpretação literal desses dispositivos autoriza afirmar que o ágio na aquisição de participação societária deve ser escriturado de forma segregada para que possa ser considerado na apuração de eventual ganho ou perda de capital por oportunidade da alienação ou liquidação do investimento. A exceção a essa regra ocorre quando a empresa investidora absorve o patrimônio da empresa da qual detém participação societária (e vice-versa), ocasião em que o ágio pode ser deduzido na apuração do lucro real. Na espécie, o ágio foi pago pela ALL quando esta adquiriu as empresas B.Ferrovias e Novoeste. É incontroverso o fato de que a ALL não absorveu o patrimônio das referidas empresas adquiridas, ou vice-versa. Assim, não há situação fática que sustente a aplicação dos referidos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, acima transcritos. Conforme foi relatado, em de absorver o patrimônio de suas investidas, a ALL constituiu a empresa J.P.E.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda (JPESPE) e integralizou 100% do seu capital social com os títulos da B.Ferrovias e da Novoeste. Após esse fato, a JPESPE passou a contabilizar o ágio pago pela ALL. O contribuinte defende a tese de que o direito à dedução do ágio surgido na aquisição das empresas B.Ferrovias e Novoeste teria sido transferido para a JPESPE. Todavia, não há previsão legal para essa alegada transferência. O contribuinte tenta dá uma interpretação deveras extensiva para o texto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, o que não é permitido dentro da técnica da hermenêutica jurídica, quando a regra em tela tem natureza de exceção. Embora a vedação à interpretação extensiva de regras de exceção seja elementar na ciência jurídica, vou buscá-la em uma fonte jurisdicional, para tê-la em redobrada legitimidade, no caso, Fl. 2257DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 a decisão do REsp 853086/RS, relatada pela Ministra Denise Arruda, de cuja ementa transcrevo o seguinte excerto: 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiões-dentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, saliente-se que, em se tratando de regra de exceção, torna-se inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente" (MAXIMILIANO, Carlos, ob. cit., pp. 225/227). [...] 12. Por fim, ressalte-se que a Administração Pública, direta ou indireta, somente pode atuar dentro dos limites da lei, de maneira que a ausência de previsão legal há de ser interpretada como ausência de liberação para o exercício de poder jurídico. Desse modo, "em atendimento ao princípio da legalidade estrita, o administrador público, na sua atuação, está limitado aos balizamentos contidos na lei, sendo descabido imprimir interpretação extensiva ou restritivamente à norma, quando esta assim não permitir" (AgRg no REsp 809.259/RJ, Rei. Min. Laurita Vaz, DJe de 13.10.2008). Além de não possuir previsão legal, a tese do recorrente esbarra em uma impossibilidade material, a ver. O Código Civil Brasileiro, no seu artigo 997 16 , III, permite que o capital da sociedade empresária seja compreendido por qualquer espécie de bens, desde que suscetíveis de avaliação pecuniária. Esse dispositivo legal não menciona, mas é certo que a expressão "qualquer espécie de bens" não é absoluta, pois o bem indicado para compor o capital social de uma sociedade deve ser disponibilizado pelo seu proprietário e sabe-se que há bens indisponíveis, em razão de lei ou em razão de sua própria natureza. Por exemplo, não se pode integralizar o capital de uma sociedade com o um automóvel se ele tiver sido declarado indisponível por meio de uma decisão judicial. Também, por exemplo, não se pode fazer uma integralização de capital com o conhecimento em Direito detido pelo pretendido sócio, por ser impossível destacá-lo da pessoa que o detém. Nesses casos, a eventual cláusula contratual correspondente não teria validade jurídica. Na espécie, não há dúvida de que as ações da B.Ferrovias e Novoeste são bens e podem ser alienados. Também não há dúvida de que o ágio é um bem, mas perquire-se se ele pode ser alienado. Para tanto, é necessário um aprofundamento quanto a sua natureza. Saliente-se que aquilo que temos chamado aqui de "ágio" não é o recurso financeiro dado a mais do valor patrimonial das ações da B.Ferrovias e Novoeste, isso é apenas a sua medida. Tampouco é o registro contábil desse valor. O que temos chamado de "ágio" é uma expectativa de direito, oponível contra o Fisco, de pagar menos tributo no momento da alienação ou liquidação das ações da B.Ferrovias e Novoeste (artigo 33 do Decreto-Lei nº 1.598/1977) ou 16 Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Fl. 2258DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 de pagar menos tributo se houver a absorção do patrimônio da B.Ferrovias e Novoeste (artigo 7º Lei nº 9.532/1997), ou o contrário (artigo 8º da mesma lei). O direito, na verdade, somente surge quando atendidas as condições legais. Em razão de ser criado por uma lei, em que são estipuladas condições para o seu exercício, o que temos chamado de "ágio" é um bem jurídico condicionado, ou seja, uma expectativa de direito que somente ganha concretude mediante o atendimento das condições estipuladas nas leis que a criou. Por ser oponível apenas contra o Fisco, o "ágio" é bem jurídico condicionado de natureza tributária. Saliente-se, ainda, que as condições legais para o surgimento do direito subjetivo somente pode ocorrer uma única vez, ou seja, a ALL pode alienar uma mesma ação da B.Ferrovias e Novoeste apenas uma única vez (artigo 33 do Decreto-Lei nº 1.598/1977) e somente pode haver a absorção de patrimônio entre ALL e B.Ferrovias/Novoeste apenas uma única vez. Assim, o "ágio" é um bem que se exaure no momento em que surge. Em resumo, o "ágio" é uma expectativa de direito condiciona que se exaure no momento de sua realização e, sendo assim, é um bem indisponível, pela sua própria natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito. Em razão dessa sua natureza, as normas contábeis brasileiras determinam que o registro do "ágio" com fundamento em expectativa de rentabilidade futura seja escriturado como um "ativo fiscal diferido", nos termos dos itens 5 e 32A do Pronunciamento Técnico CPC 32, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata dos Tributos sobre o Lucro, verbis: 5. Os seguintes termos são utilizados neste Pronunciamento com os significados especificados: [...] Ativo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro recuperável em período futuro relacionado a: (a) diferenças temporárias dedutíveis; (b) compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados; e (c) compensação futura de créditos fiscais não utilizados. [...] 32A. Se o valor contábil do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) que surgir de combinação de negócios for menor do que a sua base fiscal, a diferença dá margem a ativo fiscal diferido. O ativo fiscal diferido advindo do reconhecimento inicial do ágio será reconhecido como parte da contabilização de combinação de negócios na medida em que for provável que estará disponível lucro tributável contra o qual a diferença temporária dedutível poderá ser utilizada. Embora esta norma contábil não estivesse em vigor na época da aquisição da B.Ferrovias e Novoeste, ela ilustra bem a natureza do bem utilizado para integralizar as ações da JPESPE. É inquestionável o fato de que o titular original do "ágio" é a ALL. Também é inquestionável o fato de que nunca houve absorção patrimonial entre as entidades ALL e B.Ferrovias e Novoeste, o que implica dizer que a ALL nunca adquiriu o direito de reduzir o pagamento de tributos em razão do artigo 7º Lei nº 9.532/1997. Fl. 2259DF CARF MF Fl. 48 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Todavia, a ALL alienou as ações da B.Ferrovias e Novoeste para a JPESPE. Nesse momento, adimpliu a condição estipulada no artigo 33 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 e fez surgir o direito de pagar menos tributos diante de eventual ganho de capital nessa alienação. Portanto, o "ágio", a expectativa de direito condicionada de que falamos, se consumou e se exauriu nesse momento. Com isso, entendo que a JPESPE não adquiriu o "ágio" da ALL, pois esse se exauriu no momento em que as ações da B.Ferrovias e Novoeste foram alienadas para ela. Portanto, se a JPESPE contabilizou um ágio na aquisição das ações da B.Ferrovias e Novoeste, este não pode ser o mesmo que surgiu quando a ALL adquiriu as mesmas ações. Tratando-se de uma nova aquisição, o ágio que possa surgir na operação também é novo e deve atender aos requisitos legais: efetivo pagamento, partes não relacionadas e avaliação legítima. Nenhum desses requisitos foi satisfeito pela JPESPE, de forma que esta não adquiriu a expectativa de direito de que se tem tratado e a absorção patrimonial que se seguiu não fez surgir o direito reclamado pelo recorrente. Com isso, o entendimento preponderante no colegiado foi no sentido de afastar a dedutibilidade do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL. 2 Ágio – glosa de despesas de amortização – argumento adicional para a CSLL Além dos argumento tratados no item anterior, o recorrente combate a glosa da despesa com ágio na apuração da CSLL com o fundamento adicional de que as regras de dedutibilidade aplicáveis na apuração do lucro real não poderiam ser estendidas automaticamente, sem previsão legal, para a apuração dessa contribuição, considerando que o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial. A questão adicional trazida pelo recorrente já foi objeto de amplo debate nas turmas de julgamento desta Primeira Seção do CARF, mas entendo que já se pode notar uma convergência no sentido de afastar a tese defendida pelo recorrente, de que o ágio é dedutível na tributação da CSLL em razão da alegada ausência de dispositivo legal que a vede. Essa tendência pode ser notada nas recentes decisões no âmbito das câmaras baixas e também nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que vêm reformando, por maioria, as decisões das câmaras baixas que exoneraram o ágio da tributação da CSLL. Por exemplo, o Acórdão nº 1301-001.893 foi reformado por meio do Acórdão nº 9101-003.002, de 08/08/2017, quando foi adotada a seguinte ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INDEDUTIBILIDADE. E vedado, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. a dedução de quotas de amortização de ágio pago na aquisição de investimentos. Na mesma linha está o recente Acórdão nº 9101-003.839, de 03/10/2018, o qual adotou a seguinte ementa: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § Io do art. 2o da Lei 7.689/88. Fl. 2260DF CARF MF Fl. 49 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Nesse último julgamento, a CSRF reformou, por maioria de votos e superando o voto da relatora, a decisão oriunda da Terceira Câmara. Em razão de sua completude e clareza, adoto como razão de decidir aquela veiculada no respectivo voto vencedor, da lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, a seguir transcrita: A decisão recorrida defende, basicamente, reproduzindo considerações feitas pela contribuinte em seu recurso voluntário, que, ao contrário do que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (arts. 389, § 1°; e 391 do RIR/1999) veda a dedutibilidade do ágio. inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação semelhante para fins de apuração da CSLL. Assim, qualquer despesa de ágio amortizada contabilmente poderia ser aproveitada tributariamente na apuração da CSLL. A Conselheira Relatora do presente julgamento expressa concordância com o disposto no acórdão recorrido ao votar pela negativa de provimento ao recurso especial da PGFN quanto ao tema, motivo pelo qual novamente peço vênia para expor meu posicionamento divergente. Simplesmente não vejo como prosperar a alegação de que inexiste previsão legal que determine a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas de amortização de ágio que sejam indedutíveis para fins de apuração do lucro real. Os §§ do art. 2o da Lei n° 7.689/88, que constam como fundamento legal do lançamento, trazem um impedimento para essa dedução: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do período-base encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do período-base, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) 1 - adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) 4 - exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) O artigo ordena a adição do resultado negativo e a exclusão do resultado positivo decorrentes da avaliação de investimentos pelo MEP. O voto que orientou o Acórdão n° 1302-001.170, de 11/09/2013, da lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que acolho como razões de decidir, explicita bem o impedimento para a dedução da amortização de ágio no âmbito da CSLL: "Entendo que a despesa de amortização do ágio é despesa indedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito, os quais deixam claro a finalidade da norma de tornar o MEP neutro na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo MEP influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser- considerado. Além disso, se assim Fl. 2261DF CARF MF Fl. 50 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 não fosse, contrario sensu, a receita decorrente da amortização do deságio seria tributada, o que não me parece razoável, mas seria inevitável chegar a tal conclusão caso se entenda dedutível a despesa de amortização do ágio. Note-se que, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe 'lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõe expressamente o dispositivo legal acima (itens l e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/88)." Assim, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento; logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe "lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual, seja positivo ou negativo, não deve impactar a base da CSLL, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/1988. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN para reformar o acórdão recorrido na parte em que este defende a inexistência de previsão legal de adição à base de cálculo da CSLL das despesas de amortização de ágio consideradas indedutíveis na apuração do lucro real. Esse foi o entendimento preponderante no colegiado, no sentido de afastar a dedutibilidade do ágio na apuração da CSLL. 3 LINDB Na primeira oportunidade em que o colegiado se reunião para julgar o presente feito, foi resolvida a realização de uma diligência para que Procuradoria da Fazenda Nacional tivesse oportunidade de se manifestar sobre a possível aplicação, no presente processo, do artigo 24 da Lei nº 13.655/2018 (LINDB), conforme a Resolução nº 1201-000.533 (fls. 2117), o que foi atendido (fls. 2146). A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) dispõe sobre a segurança jurídica e a eficiência na criação e na aplicação do Direito Público. Assim, em princípio, alcança o manuseio do Direito no processo administrativo fiscal. Observo, todavia, que o apontado artigo 24 em nada acrescenta às normas tributárias, uma vez que as determinações lá contidas já estão materialmente incluídas no Código Tributário Nacional. Vejam-se as semelhanças textuais entre o dispositivo apontado e os seguintes dispositivos do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas: Fl. 2262DF CARF MF Fl. 51 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Saliente-se que tais preceitos existem na Administração Pública Tributária não apenas no seu aspecto formal, mas são concretizados por vários mecanismos de alinhamento de decisões, como as soluções de consulta, os pareceres normativos da RFB e as súmulas do CARF, algumas delas vinculantes para a RFB. Com isso, entendo que o artigo 24 da LINDB em nada altera o manuseio do Direito Brasileiro no campo da Administração Pública Tributária, pelo contrário, apenas estende às demais atividades públicas os preceitos aqui regentes desde 1966. Não se pode esperar que um único dispositivo legal transmute o Civil Law do Direito Brasileiro em um Common Law. Na espécie, não vejo violação a qualquer orientação geral, simplesmente porque não existem orientações gerais sobre a matéria do litígio. O tema vem sofrendo evoluções, na medida em que os litígios vão sendo solucionados, mas está longe de ser pacificado. A síntese de um momento dessa evolução jurisprudencial não pode ser considerado como orientação geral. Nesse viés, deve ser salientado o conceito de orientação geral trazido pelo §3º do artigo 5º do Decreto nº 9.830/2019, o qual regulamenta os artigos 20 a 30 da LINDB, verbis: Art. 5º A decisão que determinar a revisão quanto à validade de atos, contratos, ajustes, processos ou normas administrativos cuja produção de efeitos esteja em curso ou que tenha sido concluída levará em consideração as orientações gerais da época. [...] § 3º Para fins do disposto neste artigo, consideram-se orientações gerais as interpretações e as especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária e as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Ao interpretar esse dispositivo, trazendo-o para o presente processo, entendo que a “decisão que determinar a revisão” seria o lançamento tributário e a jurisprudência majoritária seria aquela objeto de súmula do CARF existente na época do lançamento. Até hoje, não existe súmula do CARF no sentido de admitir a transferência do ágio para terceiro. Na verdade, se houvesse necessidade de aplicação de norma protetiva da segurança jurídica, esta seria no sentido de manter o lançamento tributário, uma vez que o ágio em tela já foi objeto de julgamento pelo CARF, por oportunidade do lançamento relativo às glosas das deduções realizadas nos anos 2009 e 2010 do mesmo ágio, formalizadas no processo nº 10183.723840/2013-20, as quais foram mantidas, conforme o Acórdão nº 1301-002.019. A Ilustre Relatora propugnou pela aplicação do artigo 100, III, do CTN, acima transcrito, no sentido de afastar todas as multas exigidas ou exigíveis em razão da glosa em tela. Em síntese, entende que o fato de as decisões da CSRF deste CARF serem, em sua grande maioria, no sentido de admitir a dedução do ágio, em situação semelhante e na época do presente caso, configuraria as referidas “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas” apontadas naquele dispositivo legal. Todavia, as decisões da CSRF, cuja competência é julgar recursos especiais contra divergências na interpretação da legislação tributária, não se prestam a esta finalidade. Se há julgamentos de recursos especiais é porque há decisões prolatadas pelas câmaras baixas do CARF tanto no sentido de afastar a dedutibilidade do ágio quanto no sentido de admiti-la. Fl. 2263DF CARF MF Fl. 52 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Ademais, se há julgamentos nas câmaras baixas do CARF sobre o tema é porque há decisões de primeira instância no sentido de afastar a dedutibilidade do ágio. Por fim, se há decisões de primeira instância nesse sentido, é porque há lançamentos de ofício para glosar as deduções realizadas. Saliente-se que os Auditores-Fiscais da RFB são autoridades administrativas, as turmas julgadoras das DRJs são autoridades administrativas, as turmas julgadoras das câmaras baixas do CARF são autoridades administrativas, logo, é possível dizer que há práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas em sentido oposto ao pretendido pelo recorrente, ou seja, indicam que a Administração Tributária não estava admitindo a dedução de ágio transferido por meio de empresa veículo. Com isso, concluo que o advento do artigo 24 da LINDB em nada altera o manuseio do Direito na solução da presente lide e o artigo 100 do CTN não pode ser aplicado para afastar as multas exigidas. Esse foi o entendimento preponderante no colegiado, no sentido de manter os lançamentos tributários frente aos questionamentos aqui tratados. 4 Multa isolada – antecipações mensais O recorrente propugna pela impossibilidade da exigência da multa isolada pelo recolhimento a menor de antecipações mensais do IRPJ e da CSLL (estimativas) quando já encerrado o o período de apuração desses tributos. Subsidiariamente, ainda que possível tal exigência, propugna pela impossibilidade da sua concomitância com a multa de ofício sobre o pagamento a menor do IRPJ e da CSLL, considerando que possuem a mesma base de cálculo. Meu entendimento é no sentido de que não há óbice para a exigência da multa isolada em tela após o final do período de apuração dos correspondentes tributos, uma vez que o dispositivo legal que permite a exigência da multa isolada não faz essa restrição, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Muito pelo contrário, uma leitura mais atenta desse dispositivo legal permite concluir que ele autoriza a aplicação da multa isolada após o final do período de apuração dos tributos, uma vez que prevê a sua exigência “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal [...] no ano-calendário correspondente”. Quanto ao segundo argumento do recorrente, entendo que não há a aludida identidade de bases de cálculo, uma vez que não pode haver tal identidade se não há sequer identidade de obrigações tributárias. Sendo a antecipação do tributo uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher, apurado na data do fato gerador, ela não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo. Embora possa haver, eventualmente, uma coincidência numérica, não se confundem suas naturezas jurídicas tributárias. Uma prova disso é que a multa isolada incide sobre o valor não antecipado mês a mês, enquanto a multa de ofício incide sobre o valor não Fl. 2264DF CARF MF Fl. 53 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 recolhido relativo a todo o ano calendário. Assim, se o contribuinte deixa de antecipar três parcelas, deverá existir um lançamento de multa isolada para cada um dos meses, enquanto o reflexo sobre a apuração anual implicará um lançamento de multa de ofício pela soma dos três, pelo menos. Ademais se o contribuinte não antecipa a parcela de um mês, mas não a deduz da apuração anual, a base de cálculo da multa isolada será uma e a base de cálculo da multa de ofício será outra. Da mesma forma, se além das antecipações não realizadas, o contribuinte faz outras deduções indevidas, a base de cálculo da multa de ofício será maior que a soma das bases de cálculo das multas isoladas. Por último, são diferentes as matrizes legais de cada exação, inclusive com indicação de alíquotas divergentes. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais orienta o acolhimento da exigência simultânea das duas multas, embora as decisões venham sendo tomadas pelo voto de qualidade. Por exemplo, veja-se o recente Acórdão nº 9101-003.913, de 4 de dezembro de 2018, o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei n° 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência. Ainda nessa quadra, cumpre apreciar reclamação de erros no cálculo das multas isoladas. Todavia, esses erros já foram apreciados e reparados na decisão recorrida. Considerando que o recurso de ofício foi improvido, a reclamação do recorrente perdeu o objeto. Ressalve-se apenas o fato de que a referida decisão de primeira instância não ter aceito a reclamação de erro relativo ao efeito do benefício fiscal associado à Sudam. Todavia, o contribuinte foi recentemente intimado para demonstrar o alegado efeito e respondeu negando a existência de tal efeito (fls. 2206), pelo que a reclamação caiu no vazio. Esse foi o entendimento preponderante no colegiado, no sentido de manter a exigência das multas isoladas. 5 Voto de qualidade – dúvida – artigo 112 do CTN O recorrente propugna pela aplicação do artigo 112 do CTN para afastar a exigência das multas aplicadas, no caso de o julgamento de seu recurso voluntário ser decidido por voto de qualidade no presente colegiado. Esse dispositivo determina que a dúvida na interpretação de dispositivo normativo que impõe penalidade deve ser resolvida em benefício do acusado 17 . 17 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 2265DF CARF MF Fl. 54 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 O recorrente levanta a hipótese de a exigência dos tributos ser decidida pelo voto de qualidade, o que implicaria uma dúvida e a dúvida daria ensejo para a aplicação do referido dispositivo, no sentido de afastar a respectiva sanção. Verifico que o recorrente está pedindo algo diferente daquilo oferecido por esse dispositivo, pois ele aplica-se apenas à dúvida na interpretação da norma que impõe a sanção, enquanto o recorrente pede que ela seja aplicada na dúvida relativa à exigência do tributo. Ainda que fosse dada uma interpretação extensiva ao apontado artigo 112 do CTN, para ampliar o seu alcance, entendo que o pedido do recorrente também não poderia ser atendido, uma vez que parte de uma premissa falsa, a de que uma decisão obtida por voto de qualidade configura uma dúvida na interpretação da legislação. A dúvida é um estado possível no caminho racional para se chegar a uma decisão. No âmbito do colegiado, o momento de debates, aberto logo após a leitura do voto do relator, tem a finalidade de sanar eventuais dúvidas. Todavia, uma vez proferido o voto, ou seja, a decisão, não há que se falar em dúvida. Sendo o colegiado um órgão plural, sempre há a possibilidade de serem proferidos votos em sentidos opostos. Para o recorrente, a existência de votos em sentidos oposto caracterizaria uma dúvida, o que não é verdade. Para verificar que essa premissa é falsa, basta admitir que ela seja verdadeira, por hipótese, e prosseguir no raciocínio do recorrente, quando se chegaria facilmente à conclusão de que a imposição de uma sanção somente ocorreria quando não houvessem votos divergentes (quando não houvesse dúvida), ou seja, quando o colegiado decidisse por unanimidade, o que seria um absurdo. Embora o recorrente reclame de dúvida apenas quando há decisão por voto de qualidade, essa distinção não é válida. O voto de qualidade é um mecanismo de solução do impasse, ou seja, quando haja divergência sem maioria, por exemplo, 4 x 4. Todavia, a distinção entre essa situação de “dúvida” e outras do tipo 5 x 3, 6 x 2 e 7 x 1 seria apenas de grau, mas dentro da mesma natureza, a divergência de votos. Portanto, o que o recorrente chama de dúvida é a divergência em maior grau. Todavia, a lei invocada pelo recorrente não distingue o grau de dúvida a que pode ser aplicada. Portanto, não há que se falar em existência de dúvida em uma decisão do colegiado, ainda que obtida após a solução de um impasse, não havendo campo para a aplicação do artigo 112 do CTN à espécie. 6 Vedação ao confisco O recorrente afirma que a exigência de multa de ofício qualificada caracterizaria confisco, o que seria uma ofensa ao artigo 150, IV, da Constituição Federal. Todavia, verifico que a qualificação da multa de ofício foi exonerada no presente julgamento, de forma que está será exigida no seu patamar mínimo de 75%. Assim, essa reclamação do contribuinte perdeu o objeto. Ainda assim, verifico que a multa de ofício aplicada tem fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme apontado nos autos de infração. Deixar de aplicar a multa de ofício por considera-la confiscatória seria deixar de aplicar o referido dispositivo legal em razão de alegada inconstitucionalidade, o que é defeso às turmas julgadoras do CARF, as quais devem obediência à Súmula CARF nº 2, verbis: Fl. 2266DF CARF MF Fl. 55 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a presente reclamação deve ser afastada 7 Nulidade – liquidez do lançamento tributário O contribuinte propugna pela nulidade dos lançamentos tributários por considera-los ilíquidos, na medida em que não foram computados no montante exigido os efeitos do benefício fiscal que o contribuinte possui no âmbito da SUDAM. Todavia, o contribuinte foi recentemente intimado para demonstrar o alegado efeito e respondeu negando a existência de tal efeito (fls. 2206), de forma que restou esvaziada a reclamação de iliquidez. Com isso, afasta-se a alegada nulidade. 8 Prejuízos fiscais - reparação O recorrente propugna pelo restabelecimento do valor original dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSLL) que foram utilizados para compensar em parte os valores exigidos no presente processo, na medida em que as exigências forem exoneradas. Verifico que a exoneração das exigências no presente processo foi parcial e em valor tal que remanesce a necessidade de utilização dos referidos prejuízos acumulados. Assim, indefere-se o presente pedido. 9 Juros de mora sobre a multa de ofício O recorrente propugna pela ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício exigida. Essa questão já foi bastante debatida no âmbito do CARF, de forma que já há uma pacificação em torno do entendimento que devem ser exigidos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 108. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com isso, afasta-se a alegada ilegalidade. 10 Conclusão Diante do exposto, o colegiado negou provimento ao recurso de ofício, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, apenas para afastar a qualificação da multa de ofício, e deu parcial provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários, apenas para afastar as imputações de responsabilidade. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 2267DF CARF MF Fl. 56 do Acórdão n.º 1201-002.983 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.720212/2016-70 Fl. 2268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900581/2008-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1997
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/ decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo.
Numero da decisão: 1003-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e afastar a decadência do direito de pleitear a restituição, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/ decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo.
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DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/ decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e afastar a decadência do direito de pleitear a restituição, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 05 81 /2 00 8- 76 Fl. 51DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.798 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.900581/2008-76 Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-32.370, de 28 de julho de 2010, da 4ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Recorrente apresentou PER/DCOMP de nº 05752.35041.260804.1.7.03-8922 (e-fls. 03 a 07) pleiteando a compensação de débitos de PIS e COFINS, vencimento em dezembro de 2003, com crédito de saldo negativo de CSLL, exercício 1997, no valor de R$ 2.326,92. Aos 20/03/2008, foi emitido Despacho Decisório nº de rastreamento 754350321 (e-fls. 09) não homologando a compensação declarada em razão de estar o direito ao crédito extinto, em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP original e a data da apuração do saldo negativo, segue fundamentação abaixo: 3-FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que na data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP original e a data de apuração do saldo negativo. PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito: 34531 36277.130204.1.3.03-8672 Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1996. Data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo do crédito: 13/02/2004. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 2.326,92. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. PRINCIPAL MULTA JUROS 2.326,92 465,37 1.414,99 Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade destacando que o STJ, no julgamento dos Embargos de Divergência no RESP 435.835, decidiu que o prazo para o contribuinte haver a restituição do crédito fiscal só se inicia após decorridos 5 anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita do lançamento e que a inovação trazida pela Lei Complementar nº 118/2005 seria aplicada apenas aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação. Requerendo a declaração de homologação da compensação. A 4ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. Fl. 52DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.798 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.900581/2008-76 O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extingue- se após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, §1º, 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi intimada do acórdão proferido pela DRJ no dia 27/04/2012 (sexta-feira) e, irresignada com a decisão, apresentou Recurso voluntário aos 29/05/2012 (terça- feira), com os mesmos fundamentos e pedido contidos na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente aprestou PER/DCOMP aos 26/08/2004, pleiteado a declaração de compensação de débitos de PIS e COFINS com crédito de saldo negativo de CSLL, ano- calendário 1996. A declaração de compensação não foi homologada sob o argumento de decadência do direito creditório, por ter a Recorrente apresentado o PER/DCOMP após transcorrido cinco anos, contados a partir da data de extinção do crédito tributário. A Recorrente defende ter o STJ decidido que a Lei Complementar nº 118/2005, que afastou a contagem do prazo decadencial dos “cinco mais cinco”, só deveria ser aplicada para os fatos geradores ocorridos após a sua publicação e, por consequência, os pedidos de restituição anteriores à publicação da nova legislação deveriam seguir o mesmo entendimento vigente até então, o qual considerava o prazo decadencial de 10 (dez) anos. Assiste razão à Recorrente. Com a publicação da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, buscou-se fazer uma interpretação mais restrita ao art. 168 do CTN em relação ao início do prazo decadencial para pleitear a restituição do crédito tributário, do que aquela interpretação há muito consolidada pela jurisprudência da época (5+5), senão vejamos o que diz a norma: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 53DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.798 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.900581/2008-76 O STJ, ao analisar a alteração legislativa, concluiu que a norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava o entendimento consolidado em relação ao prazo decadencial em análise. Em razão da discussão sobre a matéria, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, definindo que os efeitos da nova lei deveriam ser aplicados para as ações ajuizadas a partir da vigência da norma, em 09 de junho de 2005, conforme ementa abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA –APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 54DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.798 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.900581/2008-76 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF proferiu a Súmula 91, nos seguintes moldes: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 9900-000.728, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.459, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.767, de 29/08/2012; Acórdão nº 1801-000.970, de 11/04/2012; Acórdão nº 9303-01.985, de 12/06/2012; Acórdão nº 1801-001.485, de 11/06/2013; Acórdão nº 9101-001.522, de 21/11/2012; Acórdão nº 9101-001.654, de 14/05/2013; Acórdão nº 3102-001.844, de 21/05/2013; Acórdão nº 2401-003.108, de 16/07/2013; Acórdão nº 1102-000.915, de 07/08/2013 O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado em 26/08/2004 a título de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 2.326,92 do ano- calendário de 1996, apurado em 31.12.1996, pode ser analisado, uma vez que “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” (Súmula Vinculante CARF nº 91 e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018). Assim, o Per/DComp pleiteado administrativamente até 09/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador da apuração do saldo negativo. Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e afastar a decadência do direito de pleitear a restituição, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000868/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1998
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS.
Restando cumprido pela autoridade lançadora o estatuído pelo artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 para cientificação do sujeito passivo dos atos e termos praticados neste processo administrativo fiscal, não há de se falar em nulidade do lançamento por este motivo.
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. SÚMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150, § 4º do CTN.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
IRRETROATIVIDADE DA LEI.
O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314/SP julgado em 24/02/2016.
Numero da decisão: 2402-007.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1998 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Restando cumprido pela autoridade lançadora o estatuído pelo artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 para cientificação do sujeito passivo dos atos e termos praticados neste processo administrativo fiscal, não há de se falar em nulidade do lançamento por este motivo. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. SÚMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150, § 4º do CTN. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. IRRETROATIVIDADE DA LEI. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314/SP julgado em 24/02/2016.
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Restando cumprido pela autoridade lançadora o estatuído pelo artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 para cientificação do sujeito passivo dos atos e termos praticados neste processo administrativo fiscal, não há de se falar em nulidade do lançamento por este motivo. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. SÚMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150, § 4º do CTN. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 68 /2 00 4- 70 Fl. 356DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 IRRETROATIVIDADE DA LEI. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314/SP julgado em 24/02/2016. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 8ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 17-26.531 (fl. 300) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: No curso de investigação criminal para apurar a eventual prática de delito contra o Sistema Financeiro imputado, em tese, aos representantes legais da empresa Broder Investimentos e Participações Ltda., foi determinada pelo Juiz Federal da 5ª Vara Criminal, em acatamento à cota ministerial de fls. 04/05, a expedição de oficio para a realização de fiscalização da empresa e dos representantes legais (fls. 06). Iniciado o procedimento fiscal do contribuinte em epígrafe (fls. 08), houve a intimação para apresentação de extratos bancários relativos ao período de janeiro a dezembro de 1998, das contas correntes e aplicações financeiras mantidas pelo contribuinte nas seguintes instituições: a) Banco Citibank S/A.; b) Unibanco - União de Bancos Brasileiros S/A.; c) Banco Bilbao Vizcaya Argentina Brasil Ltda.; d) Banco ltaú S/A; e) Banco BCN S/A. Fl. 357DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Solicitou-se ainda a apresentação das respectivas propostas de abertura de conta corrente/investimento, cartão de assinaturas e ficha cadastral, bem como a comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias (fls. 08). O contribuinte solicitou dilação de prazo, conforme petição de fls. 16/22, a qual foi indeferida, facultando, todavia, a apresentação de quaisquer documentos que porventura o contribuinte julgasse pertinente até a conclusão da fiscalização, nos termos do artigo 3°, 111, da Lei n° 9.784/1999 (fls. 23). Tendo em vista a inércia do contribuinte, a autoridade fiscal requisitou as informações sobre movimentação financeira através dos documentos de fls. (10/15). Por intermédio da petição de fls. 25, o contribuinte carreou aos autos os documentos de fls. 26/99, relativos às contas bancárias no BCN, no Unibanco e no Citybank. O Unibanco manifestou-se sobre a Requisição de Movimentação Financeira emitida pela Receita Federal do Brasil por meio do oficio de fls. 100/101, carreando aos autos documentos de determinado ativo financeiro em nome do contribuinte (fls. 102/140). O oficio de fls. 141, do Banco Bradesco, também em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira, coligiu aos autos os documentos de fls. 142/185, esclarecendo, ademais, que a aplicação financeira pertencia ao ex-Banco Bilbao Vizcaya Argentina Brasil S/A. O Itaú manifestou-se pelo ofício de fls. 186, solicitando prazo suplementar para conclusão dos trabalhos. E, com o oficio de fls. 209, cumpriu a aludida requisição, colacionando os documentos de fls. 210/214. Por meio do oficio de fls. 187, o Citibank atendeu à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, trazendo aos autos os documentos de fls. 188/208. A autoridade fiscal, nas planilhas de fls. 215/226, consolida os depósitos bancários em favor do contribuinte nas contas dos bancos referidos. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 227/228 relata os fatos ocorridos e esclarece as condutas adotadas no curso do procedimento fiscal, que culminou na lavratura do Auto de Infração de fls. 229/234. O Auto de Infração foi encaminhado ao endereço indicado pelo contribuinte em sua procuração de fls. I7. Todavia, o correio devolveu tendo em vista a informação do porteiro Aires Mendes (fls. 235 e 261). Em sequência, tendo em vista a informação supra, foi elaborado 0 edital de fls. 262, dando-se ciência do Auto de Infração e franqueando o prazo legal para apresentação de defesa. O edital foi afixado em 14/04/2004 e desafixado em 30/04/2004. Em 25/05/2004, requereu cópia de capa à capa dos autos (fls. 264/265), apresentado a impugnação de fls. 266/291 em 30/05/2004, alegando, em síntese: - Nulidade da citação e do processo, tendo em vista a inaplicabilidade do artigo 23, inciso III e § 1°, do Decreto n° 70.235/72. O novo endereço do contribuinte teria sido informado no formulário de sua declaração de ajuste anual de rendimentos (fls. 287/288), postado em 08/04/2004, ou seja, seis dias antes da afixação do edital (em verdade consta 12/04/2004, portanto, quatro dias antes, conforme carimbo de fls. 287). Assim, invoca a incidência do artigo 23, § 4°, do Decreto n° 70.235/72 c/c. artigos 214, 247 e 248 do Código de Processo Civil; - A procuração outorgada aos advogados concede poderes especiais para receber intimação e que esta poderia ter sido encaminhada para o endereço deles, conforme artigo 23, I, do Decreto n° 70.235/72 e artigo 215 do Código de Processo Civil; - A afixação de edital violaria o artigo 198 do Código Tributário Nacional; - Cerceamento de defesa, pois o contribuinte somente teria tomado ciência do Auto de Infração em 25/05/2008, dispondo de somente cinco dias para apresentar sua impugnação, pois o prazo findaria-se em 30/05/2008. Fl. 358DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 - Irretroatividade do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, em ofensa ao artigo 150, III, a, da Constituição Federal, bem como ao artigo 144 do Código Tributário Nacional. Aduz que não se trata de regra processual ou procedimental, mas, enquanto sigilo, seria direito individual garantido pela Constituição Federal (artigo 5°, XII). Ademais, o artigo 146 do Código Tributário Nacional impediria a retroatividade dos novos critérios jurídicos adotados pela Administração Fiscal; - Decadência do direito de lançar. Como o lançamento seria por homologação, o prazo de cinco anos ocorreria a contar da data da ocorrência do fato gerador (artigo 156, VII, c/c. artigo 150, ambos do Código Tributário Nacional); - Ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 17-26.531 (fl. 300), conforme ementa abaixo reproduzida: INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Restando cumprido pela autoridade lançadora o estatuído pelo artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 para cientificação do sujeito passivo dos atos e termos praticados neste processo administrativo fiscal, não há de se falar em nulidade do lançamento por este motivo. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Artigo 23, II, do Decreto n° 70.235/72. SIGILO BANCÁRIO. Nos termos do artigo I97, inciso II, do CTN e Lei Complementar n° l05/2001, havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação por parte das instituições financeiras de informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil e' legítima, não constituindo tal fato quebra de sigilo bancário do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de l° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documenta ã hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. ILICITUDE DE PROVAS. São lícitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente à época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O artigo 1° da Lei n° 10.174/2001, assim como a Lei Complementar n° l05/2001, disciplinam o procedimento de fiscalização e não os fatos econômicos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos (CTN, artigo 144, § 1º). DECADÊNCIA. FALTA DE APURAÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A existência de pagamento antecipado, decorrente de apuração do imposto, é requisito essencial para a caracterização do lançamento por homologação. Na sua ausência, o termo inicial do prazo decadencial desloca-se para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por se tratar de lançamento de oficio. An. 150 c/c art. l73, l, do CTN. Fl. 359DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fl. 331, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se infere do relatório supra, trata-se, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, sustenta, em síntese: * a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento fiscal; * nulidade da citação e do processo; * sigilo bancário – irretroatividade da Lei Complementar nº 105/2001; * ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador. Passemos, então, à análise de cada um dos pontos defensivos sustentados pelo Recorrente. Da Decadência O fato gerador do IRPF, como se sabe, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano- calendário. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano- calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402-005.594; 19/01/2017) xxx Fl. 360DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/2011-83,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial conta-se nos termos do §4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No caso em análise, a Declaração de Ajuste Anual Exercício 1999 (fls. 8 e 9) não evidencia a existência de qualquer pagamento antecipado no curso do ano-calendário 1998, conforme se infere da imagem abaixo: Fl. 361DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Neste espeque, inexistindo pagamento antecipado, aplica-se no caso concreto a regra do art. 173, I, do CTN, pelo que como o fato gerador se aperfeiçoa no momento em que se completa o período de apuração em 31 de dezembro de cada ano, a Fazenda Pública só poderia constituir eventual crédito tributário, decorrente de infração apurada na declaração de ajuste anual do ano-calendário de 1998, durante o ano de 1999. Dessa forma, pela regra do art. 173, 1, do CTN, o prazo decadencial somente começou a fluir a partir de 01/01/2000, extinguindo-se, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública realizar o lançamento em 31/12/2004, não tendo se operado a decadência em relação ao tributo apurado. Da Nulidade de Citação e do Processo Neste ponto, sustenta o Recorrente a nulidade da citação e do processo, tendo em vista a inaplicabilidade do artigo 23, inciso III e § 1°, do Decreto n° 70.235/72, vigentes à época da autuação. O novo endereço do contribuinte, segundo afirma, teria sido informado no formulário de sua declaração de ajuste anual de rendimentos (fls. 287/288), postado em 08/04/2004, ou seja, seis dias antes da afixação do edital (em verdade consta 12/04/2004, portanto, quatro dias antes, conforme carimbo de fls. 287). Assim, invoca a incidência do artigo 23, § 4°, do Decreto n° 70.235/72 c/c artigos 214, 247 e 248 do Código de Processo Civil. Neste ponto, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do teor de seu voto condutor neste particular: O contribuinte alega que a citação e o processo seriam nulos, pois seria inaplicável o artigo 23, III e § 1°, do Decreto n° 70.235/72, na medida em que o novo endereço do contribuinte teria sido informado no formulário de sua declaração de ajuste anual de rendimentos (fls. 287/288), postado em 08/04/2004, ou seja, seis dias antes da afixação do edital (em verdade consta 12/04/2004, portanto, dois dias antes, conforme carimbo de fls. 287). Assim, invoca a incidência do artigo 23, § 4°, do Decreto n° 70.235/72 c/c artigos 214, 247 e 248 do Código de Processo Civil. Todavia, não assiste razão ao contribuinte. Assim dispõe o Código Tributário Nacional acerca do domicilio tributário do contribuinte: Art. 127. Na falta de eleição pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; Fl. 362DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. §1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicilio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2° A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior. Por sua vez, o Decreto n° 70.235/72, assim disciplina o domicilio tributário para fins de intimação: Art. 23 (...) (...) §4º Para fins de intimação, considera-se domicilio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Verifica-se da conjugação dos dois dispositivos supra transcritos que o domicilio tributário é, deveras, aquele informado pelo contribuinte. Todavia, há ressalvas de que o domicilio relaciona-se à residência habitual e ao local da ocorrência do fato gerador. Não se está com isso dizendo que o domicilio tributário é conceito impreciso, que tanto faz ser considerado o endereço informado, o endereço habitual ou o local da ocorrência dos fatos geradores. Apenas ressaltamos que as disposições legais deixam claro que o contribuinte tem ônus de informar devidamente, ou seja, da forma e em tempo corretos, qualquer alteração que venha ocorrer. No caso em comento, o contribuinte entregou nos correios, em 12/04/2004, formulário de declaração de ajuste anual do imposto de renda, na qual consta o novo endereço. Portanto, dois dias antes da afixação do edital, que ocorreu em l4/04/2004, conforme carimbo de fls. 287. Note, ademais, que o documento de fls. 235 comprova que a tentativa de intimação no endereço originalmente fornecido ocorreu em 13/04/2004, ou seja, um dia após a entrega nos correios. Ora, a entrega do formulário nos correios não pode ser considerada como a consumação da intimação da Administração Tributária naquele momento. Esta só ocorre com a ciência efetiva, ou seja, do recebimento na repartição pública. Aí sim o Fisco obrigaria- se a proceder a intimação no novo endereço. E o mais importante, o contribuinte tinha ciência de que estava sob ação fiscal e lhe era evidente que a mudança de endereço deveria ser comunicada diretamente ao Órgão que presidia o procedimento fiscal. Será que o contribuinte não imaginou que a mudança não devidamente comunicada poderia dificultar futuras intimações? Com efeito, a mudança de endereço que não é comunicada no curso de ação fiscal vai contra a boa-fé que deve reger as relações jurídicas e permite ardis de defesa. Tal fato não pode ser imputado ao Fisco, ainda que considerada como falta de diligência. Note-se, apenas como fundamento subsidiário, o que dispõe o artigo 26 da Lei n° 9.784/99 Art. 26 (..) (...) Fl. 363DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Afirma ainda o contribuinte que a procuração outorgada aos advogados concede poderes especiais para receber intimação e que esta poderia ter sido encaminhada para o endereço deles, conforme artigo 23, l, do Decreto n° 70.235/72 e artigo 215 do Código de Processo Civil. Como o Código de Processo Civil tem aplicação apenas subsidiária e a matéria encontra-se disciplinada no artigo 23 do Decreto 70.235/72, transcrevemos apenas este: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9 .53,2 de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributária eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9. 532, de 1997) Verifica-se, portanto, que, a princípio, somente a intimação pessoal pode ser feita em nome do advogado (artigo 23, I), enquanto que a postal é direcionada somente ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (artigo 23, II). Assim, não incide a norma invocada (artigo 23, I), mas sim o artigo 23, II, que nada fala sobre postagem ao endereço de procurador. Quanto à violação do artigo 198 do Código Tributário Nacional por afixação do edital, não há qualquer viso de lógica ou juridicidade. Com efeito, houvesse tal pecha, o artigo 23, § 1°, do Decreto 70.235/72 não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1998. Todavia, não se tem conhecimento de que algum Tribunal pátrio, seja Administrativo, seja Judicial, jamais tenha agasalhado tal entendimento. E mais, perguntaria ao contribuinte, qual seria a solução se não houvesse edital? Paralisaríamos ad eternum o processo? Por derradeiro, consideramos que, materialmente, não há qualquer informação fiscal no edital de fls. 262. Não há menção a valor, causa da autuação, fonte das investigações fiscais, etc. Portanto, conclui-se que não há qualquer ofensa ao dispositivo citado. O contribuinte alega ainda cerceamento de defesa, pois o contribuinte somente teria tomado ciência do Auto de Infração em 25/05/2008, dispondo de somente cinco dias para apresentar sua impugnação, pois o prazo findaria-se em 30/05/2008. Ora, como já pormenorizadamente detalhado, o descuido do contribuinte não pode ser imputado ao Fisco. Da Ausência de Demonstração da Ocorrência do Fato Gerador Em análise da arguição posta, impõe se, desde já, bem caracterizar a existência de duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira como base para a caracterização da omissão de receitas. Estas duas realidades têm como delimitadores o artigo 6° da Lei n° 8.021/90 e o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõem: Lei n ° 8.021/90 Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) Fl. 364DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 § 5º - O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lei nº 9.430/96 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O que distingue uma realidade da outra, portanto, é que a partir de 01/01/1997 (data em que se tomou eficaz a Lei n° 9.430/96), a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tomou-se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuou-se a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Percebe-se, deste modo, que o que aproxima as duas realidades é a circunstância de que ambas conformam-se como presunções legais; o que as distingue, entretanto, é o fato de que as duas presunções legais atribuem diferenciados ônus, em termos de provas, à autoridade fiscal. Tem-se, de um lado, uma presunção mais sumária, a do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, uma presunção de evidenciação menos célere, a do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, que atribui ao fisco não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos - baseando-se, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade -, que ocorrida determinada situação fática, pode-se presumir, até prova em contrário - esta a cargo do contribuinte -, a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção são aquelas incorporadas ao artigo 281 do RIR/99 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto- Lei n.” 1.598, de 1977, art. 12, § 2.”, e Lei n."9.430, de 1996, art. 40): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A estas hipóteses vieram se juntar aquelas já acima indicadas incluídas no artigo 6º da Lei n° 8.021/90 e no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Fl. 365DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Feitas estas digressões, e evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento de presunções legais, cumpre que se diga que em relação ao ano-calendário fiscalizado (1998), as contestações do contribuinte mostram-se despropositadas pelo simples fato de que a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, neste ano- calendário, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. A jurisprudência juntada pelo contribuinte, em nada o ajuda. É que como lá se pode ver, os acórdãos, muito embora prolatados depois da edição da Lei n° 9.430/96, como estes datam de 1999 em sua grande maioria, acredita-se que os mesmos se referem justamente a fatos geradores ocorridos no período anterior, quando vigia a Lei n° 8.021/90. De tal sorte, tais acórdãos estão aqui descontextualizados, e nada trazem que possa macular o feito fiscal. Neste contexto, não há que se falar em falta de demonstração da ocorrência do fato gerador, estando o lançamento fiscal embasado, como acima demonstrado, em presunção legal. Do Sigilo Bancário – Irretroatividade da Lei Complementar nº 105/2001 O Recorrente argumenta que o Fisco não pode imprimir efeitos retroativos à Lei Complementar 105/2001, fazendo com que tal dispositivo alcance fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. Com efeito, a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, estabelece em seu art. 1º, § 3º, inciso III, que "não constitui violação do dever de sigilo o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996". E prossegue, em seu art. 6º e parágrafo único: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por seu turno, a Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o art. 11, § 30 da Lei nº 9.311/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF, passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 11 (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações posteriores. A matéria atinente a aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos do CTN, na forma abaixo transcrita: Art. 144.O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 366DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Consoante o ensinamento ministrado por ilustres tributaristas, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional" (Editora Forense), o caput do art. 144 põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. O § 1º do art. 144, regulando matéria diferente de seu caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o consagrado tributarista José Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" (2ª edição, Malheiros Editores Ltda.) ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: "Lançamento está, aí, no art.144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1° o art. 144 reporta-se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico - enquanto in fieri o procedimento de lançamento - legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário." Diversos julgados do Poder Judiciário têm respaldado, igualmente, o posicionamento adotado pela autoridade fazendária, nesse particular, como a sentença proferida pela MM. Juíza Federal Substituta da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo/SP, nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.028247-3, da qual transcrevemos o seguinte excerto: "Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2.001, em ofensa ao art. 144 do CTN, na medida em que a lei a ser aplicada continuará sendo aquela lei material vigente à época do fato gerador, no caso, a lei vigente para o IRPJ em 1998, o que não se confunde com a lei que conferiu mecanismos à apuração do crédito tributário remanescente, esta sim promulgada em 2001, visto que ainda não decorreu o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito previsto no art. 173,I, do Código Tributário Nacional, o que dá ensejo ao lançamento de oficio, garantido pelo art. 149, VIII, parágrafo único do CTN." Fl. 367DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-007.391 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000868/2004-70 Ora, na situação em tela, a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.174/2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente. É válido, portanto, o lançamento em questão realizado com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sob todos os aspectos examinados. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.720132/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72.
Petições apresentadas após o recurso voluntário, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE.
A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins.
VALORES CONFESSADOS EM DCTF A TÍTULO DE PIS FOLHA DE SALÁRIOS. DEPÓSITO JUDICIAL. REDUÇÃO EM LANÇAMENTO DO PIS FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Valores confessados em DCTF a título de PIS Folha de Salários, ainda que depositados judicialmente, não são deduzidos em lançamento do PIS Faturamento por se tratar de tributos com bases de cálculo e alíquotas distintas.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Petições apresentadas após o recurso voluntário, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 32 /2 01 5- 16 Fl. 5245DF CARF MF 2 VALORES CONFESSADOS EM DCTF A TÍTULO DE PIS FOLHA DE SALÁRIOS. DEPÓSITO JUDICIAL. REDUÇÃO EM LANÇAMENTO DO PIS FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Valores confessados em DCTF a título de PIS Folha de Salários, ainda que depositados judicialmente, não são deduzidos em lançamento do PIS Faturamento por se tratar de tributos com bases de cálculo e alíquotas distintas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. O processo retorna de uma segunda diligência determinada por esta 2ª Turma em 21 de setembro de 2016, conforme a Resolução de fls. 4525/4530, que determinou fossem os valores da autuação Fl. 5246DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 3 3 recalculados de modo a computar depósitos judiciais vinculados à Ação Ordinária nº 2005.34.00.0167260 (0016695 73.2005.4.01.3300). No resultado da primeira diligência, determinada por meio do Despacho de fls. 4188/4223, restou comprovada a existência dos referidos depósitos, referentes aos mesmos períodos da presente autuação. O processo teve origem com o Auto de Infração do PIS Faturamento no regime cumulativo, por insuficiência de recolhimento, cujos valores lançados foram acompanhados de multa qualificada no percentual de 150%, além de juros de mora. No polo passivo constam, além da contribuinte Monte Tabor Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária (ou simplesmente Hospital São RafaelHSR, ou ainda Monte Tabor Brasil), quatro responsáveis tributários: as pessoas jurídicas Fondazione Centro S. Raffaele del Monte Tabor e Oásis Administração Ltda e as pessoas físicas Laura Ziller e Liliana Ronzoni. O lançamento foi impugnado pela contribuinte pessoa jurídica e pelos quatro responsáveis tributários (duas outras pessoas jurídicas e mais duas pessoas físicas). Além da peça impugnatória firmada pela contribuinte, o processo contém mais três impugnações, firmadas pelas responsáveis tributárias: uma firmada conjuntamente pelas outras duas pessoas jurídicas autuadas e mais duas firmadas isoladamente por cada pessoa física. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 13/54, que integra o lançamento, informa o seguinte: A presente ação fiscal foi precedida ação de diligência N. 05.1.01.00.2013010560 e da ação de fiscalização N, 05.1.01.002014001034, que culminaram com a lavratura do Auto de Infração relativo à COFINS, PAF 10.580.726.134/201438, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal correspondente à aludida ação, Anexo 59 e de Representação para suspensão da Imunidade/Isenção, Anexo 58, contida no PAF 10580.726.137/201471, culminando no Despacho Decisório SEORT/DRFSalvador 0646/2014, Anexo 60, e no Ato Declaratório Executivo DRF/SDR N.67/2014 de 03/12/2014, cientificado ao contribuinte Monte Tabor em 05/12/2014, com a publicação do Diário Oficial da União N. 236 de 05/12/2014 e também em 10/12/2014 através de correspondência com aviso de recebimento, conforme consta no mencionado PAF. Os fatos, termos e respostas mencionados no presente Termo de Verificação Fiscal, TVF, salvo informação específica em contrário, foram obtidas no curso das ações fiscais, mencionadas acima, que precederam a presente ação. 1 CONTEXTO 1.1 Do contribuinte fiscalizado: (...) foi realizada ação de fiscalização junto ao contribuinte Monte Tabor Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária, Hospital São Rafael, qualificado acima, doravante denominado HSR, ou simplesmente, Contribuinte, ou ainda, Monte Tabor Brasil (...). Fl. 5247DF CARF MF 4 O HSR, contribuinte sob ação fiscal, cujos dados integrantes do cadastro da Receita Federal do Brasil, RFB, constam em cópia no ANEXO 2, contendo o registro de matriz e 12 filiais com situação cadastral ativa, representado perante a RFB por sua Presidente a Sra. Laura Ziller, CPF 124.251.41553, se intitula como uma associação civil de direito privado sem fins lucrativos de caráter beneficente e de assistência social e tem por finalidade, conforme o seu estatuto registrado em 08/01/2004, no Cartório de Registro Civil de pessoas Jurídicas de Salvador/Ba, sob o nº 15090, livro A11, alterado com registro em 17/04/2012, com registro no mesmo ´cartório, sob N. 34977, rolo 481, a criação e manutenção de estabelecimentos médicohospitalares e assistenciais; atendimento às camadas sociais menos favorecidas, de acordo com os princípios estabelecidos no Estatuto. Cópias do Estatuto e alteração, no ANEXO 3. O HSR foi fundado, conforme estabelecido em seu estatuto, Anexo 3, por: Fondazione Centro San Raffaele del Monte Tabor (anteriormente denominada Fondazione Centro San Romanello del Monte Tabor), doravante denominada Fondazione; Associazione Monte Tabor (anteriormente denominada Centro Assistenza Ospedaliera San Romanello); Demais subscritores da ata de constituição. Declaração de IRPJ, DIPJ/2011, relativa ao ano calendário, AC, 2010, período submetido à fiscalização, cópia em anexo, juntamente com as DIPJ 2012 e 2013, todas com indicação de ser entidade imune como forma de tributação do IRPJ. Cópias ANEXO 4. Regularmente intimado, através do Termo de Fiscalização 09, o HSR apresentou demonstrativo, Anexo 1, indicando o montante dos benefícios fiscais em decorrência da imunidade/Isenção tributária, que totaliza, apenas no ano de 2010, o montante de R$58.738.111,00 (cinquenta e oito milhões, setecentos e trinta e oito mil, cento e onze reais). (...) No curso da ação fiscal 1034, como descrito neste TVF, foram diligenciados os contribuintes especificados a seguir, os quais, como restará demonstrado, integrantes de um grupo econômico com o HSR, confundindose entre si. Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ 05.842.123/000193, doravante denominada Fondazione, estabelecimento no Brasil de Pessoa Jurídica domiciliada no exterior. Dados cadastrais dos sistemas da Receita Federal do Brasil, RFB, e estatutos, fornecidos pelo contribuinte, ANEXO 34. OÁSIS Administração LTDA, CNPJ 09.238.244/000181, Pessoa Jurídica de direito privado domiciliada no Brasil, doravante denominada OÁSIS. Dados cadastrais dos sistemas da Receita Federal do Brasil, RFB, e Contrato social, ANEXO 37. (...) No documento: “Relação Diretores Estatutários Monte Tabor – Mandato 24/03/2010 até 23/03/2012’ e “Relação Diretores não estatutário2010”, ANEXO 3, apresentados e firmados pela preposta do HSR, constam os dados de identificação dos diretores. Fl. 5248DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 4 5 Na resposta ao item 4 do Termo de Fiscalização 04, entregue em 25/04/2014, Constam os nomes dos Diretores Estatutários para o biênio janeiro de 2008 a janeiro de 2010, e a Diretoria, que praticamente se manteve, à exceção da substituição de um Diretor Conselheiro, para o biênio iniciado em março de 2010. Argüida, informa na mesma resposta que mantevese no período janeiro a março de 2010 a Diretoria anterior. Ressaltando a ausência de remuneração da Diretoria estatutária. Fato este que não corresponde à verdade, face à remuneração indireta comprovada no curso desta ação fiscal. Vale ressaltar que, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, apesar de indicada no mencionado documento como Diretora não estatutária, figura como Diretora estatutária, na qualidade de Diretora Conselheira, como indicado nas já mencionadas atas de eleição das diretorias para o período 2008 a 2012. Figurando portando como Diretora estatutária, integrante do conselho de Administração, como estabelecido no Estatuto, responsável pelas principais definições do HSR, juntamente com o Presidente, Luigi Maria Verzé, falecido em 31/12/2011, e os vicepresidentes Mario Cal, falecido em 18/07/2011, e Laura Ziller, VicePresidente executiva, atual presidente após o falecimento do Presidente e do Vice. A Sra. Liliana Ronzone, também exerceu a função de Vice Diretor Médico, posteriormente, em 01/01/1992, conforme resolução 03/1991 de 19/12/1991, Anexo 3, assumiu a função de Diretora Médico do HSR, função que exerce até a presente data. Figura ainda como responsável perante a Receita federal do Brasil, RFB, pelo contribuinte:“Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ – 05.842.123/000193”, Fondazione, contribuinte em relação ao qual foi imputada a condição de responsável solidário em relação às infrações apuradas, além de atuar como responsável, perante a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, em relação ao HSR, conforme Termo de responsabilidade, Anexo 3. (...) 1.3 – A INSTITUIÇÃO NA MÍDIA: (...) Intimado, através do Termo de Fiscalização 07, anexo 1, o HSR, confirma, através de resposta fornecida em 18/06/2014, as informações veiculadas nos artigos acima, no que diz respeito a estar a Fondazione san Raffaele, em concordata perante a justiça italiana. Informa no entanto que os bens situados no Brasil, em relação aos quais figura como locatário, não foram incluídos no procedimento de concordata perante o Tribunal de Milão na Itália. Afirma ainda que o imóvel encontrase hipotecado pela Fondazione ao BNB Banco do Nordeste do Brasil, em garantia do financiamento concedido ao Monte Tabor CIBPS para ampliação do Hospital São Rafael. Certamente, conforme citado na reportagem da Carta Capital, as intenções dos dirigentes do Monte Tabor não são tão nobres, como indicado no Estatuto da instituição, reforçando a convicção quanto a ser indevido o gozo da isenção, já que a natureza de entidade “sem fins lucrativos” com a finalidade de Fl. 5249DF CARF MF 6 prestação de serviços na área de saúde, como estabelecidas no Estatuto da entidade, parecem distantes daquilo constatado na prática, amplamente relatado neste Termo de Verificação Fiscal, evidenciando que se trata, na realidade de instituição que, aproveitandose do manto da isenção/imunidade tributária, terceiriza as suas atividades fins, transferindo as receitas decorrentes, transfere recursos desproporcionais a dirigentes e, através de um abusivo planejamento tributário, simula, através do pagamento de aluguel à própria instituição, tenta ocultar a enorme distribuição de lucros para os dirigentes estatutários, gerando enorme prejuízo ao Tesouro nacional pelo montante que deixa de arrecadar, além de tentar “blindar” o seu patrimônio, como restará provado ao longo deste Termo de Verificação Fiscal. 2.0 HISTÓRICO: (...) Os Termos e Respostas mencionados neste item, salvo indicação em contrário, referemse às ações 05.1.01.00 2013010560 e 05.1.01.002014001034 e constam em cópia no ANEXO 1. Ressaltando que as respostas vinculadas a elementos que fundamentam lançamentos ou suspensão de imunidade do HSR, poderão estar em anexos diversos, devidamente identificados neste Termo de Verificação Fiscal, quando do relato correspondente. Além das ações fiscais já mencionadas, o HSR foi submetido a procedimento de auditoria fiscal sob o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização – MPFF nº 05.1.01.00 2013002053, já encerrado, com a finalidade de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias, cujo resultado foi registrado no Processo administrativo Fiscal, PAF, N. 10580.731120/201355. Com o objetivo de coletar informações adicionais, foi realizada ação fiscal de diligência, MPF 05.1.01.00 2013010560, iniciada em 29/11/2013, através da ciência ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, através do qual o contribuinte, através do seu preposto, foi cientificado de que passaria a acessar as informações contábeis disponíveis, relativas ao HSR, contidas no Sistema Público de escrituração Digital, SPED, assim como aos documentos fornecidos no curso da mencionada ação fiscal 2013002053. A resposta ao Termo de Início foi entregue em 20/12/2013, firmada pela Presidente do HSR, Laura Ziller, através da qual designa Mariluce Alves Braga Leão, Gerente de Controladoria, como sendo a responsável pelo atendimento à fiscalização. (...) Com base em Mandados de procedimentos Fiscais de Diligência, foram cientificados conforme indicados a seguir: Secretaria de atenção à Saúde do Ministério da Saúde, CNPJ 00.394.544/012949, em 30/03/2014, através do Ofício N.20/2014/SEFIS/DRFSDR, encaminhado ao Sr. Secretário Helvécio Miranda Magalhães Júnior. Reiterada a solicitação através do Ofício 27/2014/SEFIS/DRFSDR, cientificado em 28/04/14 e nova reiteração através de Ofício N. 30/2014/SEFIS/DRFSDR, encaminhado ao Sr. Ministro da Saúde, Arthur Chioro, cientificado em 14/05/2014; Fl. 5250DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 5 7 Fondazione Centro S Raffaele del Monte Tabor, doravante denominada Fondazione, CNPJ 05.842.123/000193, em 18/03/2014, através do Termo de Diligência 01 e em 06/05/2014, através do Termo de diligência 02, Termo de Diligência 03 em 06/06/2014, Termo de Diligência 04 em 18/06/2014 e Termo de Diligência 05 em 11/08/2014. Termos e respostas no ANEXO 37; OÁSIS Administração LTDA, doravante denominada OÁSIS, CNPJ 09.238.244/000181, em 18/03/2014, através do Termo de Diligência 01, com ciência ao Termo de Diligência 02 em 06/05/2014, Termo de Diligência 03 em 06/06/2014 e Termo de Diligência 04 em 18/06/2014. Termos e respostas contidos no ANEXO 44; Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, em 18/07/2014, do Termo de Diligência 01; Laura Ziller, CPF 124.251.41553, em 18/07/2014, do Termo de Diligência 01. (...) Cópia de pedidos de prorrogação de prazo para atendimento às intimações à OÁSIS, FONDAZZIONE e HSR. Todos deferidos para atendimento até 06/06/2014. Vale Vale ressaltar que, ao longo da presente ação fiscal, foram deferidos todos os pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, tanto relativos ao HSR como em relação à OÁSIS e à Fondazzione. Em 18/06/2014, na qualidade de Diretora do Monte Tabor Brasil, Administradora da OÁSIS e Procuradora da Fondazione, prestou esclarecimentos a Sra. Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, declarações estas consignadas no Termo de Declaração firmado por mim, pela declarante e por testemunhas, cópia no Anexo 1. (...) 3 – DOS REQUISITOS PARA O GOZO DA ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – COFINS E CSLL: 3.1 – REQUISITOS CONSTITUCIONAIS: (...) No que toca ao art. 195, § 7º, trata o preceito constitucional de uma imunidade, apesar de utilizarse da expressão "são isentas", uma vez que o mesmo veda o nascimento da obrigação, já que atendidas às exigências legais não poderá o legislador infraconstitucional tributálas. Desse modo, vale dizer que, excetuando as entidades beneficentes de assistência social, que atendam aos requisitos da lei, sendo, portanto, imunes às contribuições para seguridade social, a incidência dessas contribuições alcançou todas as empresas e entidades, inclusive as fundações, de fins lucrativos ou não. Por sua vez, impende destacar que, não basta simplesmente que o sujeito passivo exerça atividade voltada para a área de saúde sem finalidade lucrativa, para que faça jus às ditas imunidades tributárias, porque, além de ter que atender a todos as requisitos estabelecidos nos preceitos constitucionais acima referidos, é necessário também que atenda aos requisitos da Lei. Ocorre que, muito embora as imunidades previstas tanto no art. 150, VI “c”, como do art. 195, § 7º, da Constituição, sejam subjetivas, não podendo o ente federado exercer sua Fl. 5251DF CARF MF 8 competência tributária em relação a determinadas entidades, como, por exemplo, as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, e as entidades beneficentes de assistência social, determinados requisitos objetivos, estabelecidos em leis, devem ser observados. Em primeiro lugar, cabe adentrar numa fundamentação considerada pela Fiscalização de extrema importância e não atendida pelo sujeito passivo, qual seja, a de que o HSR não logrou comprovar que presta serviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem a finalidade lucrativa, não logrou a Fiscalização, no exame dos seus livros contábeis, encontrar registros contábeis relevantes capazes de comprová lo. O que se comprovou do exame da escrituração contábil do sujeito passivo é que a fonte de suas receitas está restrita às entidades conveniadas e a particulares e, em seus custos e despesas não há qualquer registro contábil que se possa vincular à prestação de serviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem a finalidade lucrativa. Destaquese, portanto, que o sujeito passivo não realiza beneficência alguma, pois não há evidencias de que a prática de suas atividades esteja voltada à prestação de serviços relevantes, de cunho social, à parte carente de nossa sociedade. Porquanto, o alvo da beneficência tem de ser os carentes, os necessitados, pois carece totalmente de sentido oferecer imunidade de tributos e contribuições para que determinada instituição pratique beneficência a quem dela não necessita. Os atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde, SUS, como demonstrado no Parecer Técnico 279 2012 DCEBAS/Ministério da Saúde, Anexo 71, além de terem sido em percentual reduzido e insuficiente ao mínimo exigido, tenta atribuir a atendimentos realizados pelo Governo do Estado da Bahia, em Hospitais em relação aos quais tem a atribuição apenas de administrar, com base em contratos firmados para tal fim, Anexos 72 e 73, o cumprimento do requisito estabelecido em lei. Cujo descumprimento fica claro através da leitura do mencionado Parecer. Muito embora o artigo 196 da Constituição da República de 1988 reconheça que “Saúde é o direito de todos e dever do Estado, ...”, o artigo 197 estabelece que “São de relevância pública as ações e serviços de saúde (…) , devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também por pessoa física ou jurídica de direito privado”. Vale destacar que, embora a própria Constituição da República de 1988 prever a possibilidade de que as atividades de saúde possam ser executadas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, não significando que basta que o serviço de saúde seja executado sem a finalidade de lucro para que sobre ele caia o manto da imunidade/isenção. Tanto é que, o art. 173, II, redação dada pela EC nº 19, de 1998, quando dispõe acerca da necessidade de o Estado explorar diretamente qualquer atividade econômica, por meio de empresa pública ou sociedade de economia mista, sujeita essas entidades ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive Fl. 5252DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 6 9 quantos aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias. Ora, se aos próprios entes da federação foi vedado o gozo do benefício da imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição, quando praticarem atos relacionados à exploração de atividades econômicas normais (regidas por normas de direito privado), não faz sentido que uma entidade de direito privado seja beneficiada com imunidade tributária, explorando atividades econômicas normais, concorrendo com as demais empresas existentes no respectivo mercado. É cristalino que o mercado que envolve o sistema de saúde no Brasil, ainda que atrelado às bases ou princípios constitucionais que o regem, não deixa de ser uma atividade econômica normal, como outra qualquer, não se restringindo à atuação das entidades beneficentes, sem fins lucrativos. Mas, para além dessas, do universo de empresas existentes, no mercado, constituídas especificamente para este fim, sob as regras do direito privado e com intuito de lucro. 3.2 – REQUISITOS INFRACONSTITUCIONAIS; A Constituição Federal de 1988, em seu art. 195, § 7º, confere às Entidades Beneficentes de Assistência Social, EBAS, o direito à “isenção” das contribuições sociais, desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei, lei esta que foi alterada ao longo dos anos: a) Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 55 vigência até 09/11/2008; b) Medida Provisória nº 446, de 07 de novembro de 2008 vigência de 10/11/2008 a 11/02/2009 (rejeitada); c) Lei nº 8.212, de 1991, art. 55 vigência restabelecida de 12/02/2009 a 29/11/2009; d) Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 vigência a partir de 30/11/2009. No curso deste Termo de Verificação Fiscal, utilizarei a denominação isenção e não imunidade, como apregoado por abalizada doutrina, em função de ser esta a denominação conferida pela Constituição e pela legislação aplicável. (...) A isenção mencionada anteriormente compreende as contribuições sociais previstas nos artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 1991, quais sejam: contribuições previdenciárias patronais, COFINS e CSLL. A concessão e renovação do certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social EBAS, na vigência da Lei nº 8.212, de 1991, eram competências do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, nos termos da Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993 LOAS e do Decreto nº 2.536, de 06 de abril de 1998. Já na vigência da MP nº 446, de 2008 e da Lei nº 12.101, de 2009, passaram a ser responsabilidade dos Ministérios da Saúde, da Educação ou do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, conforme a área de atuação da entidade. O direito à isenção dependia de requerimento à RFB, conforme estabelecia o art. 55, §1º, da Lei nº 8.212, de 1991. Na vigência da MP nº 446, de 2008 e a partir da Lei nº 12.101, de 2009, Fl. 5253DF CARF MF 10 passou a não haver mais essa exigência, pois a EBAS fará jus à isenção a contar da sua certificação pelo Ministério da área de atuação correspondente, desde que atenda cumulativamente aos requisitos exigidos na legislação. Na vigência da Lei nº 8.212, de 1991, a constituição do crédito relativo às mencionadas contribuições dependia do prévio cancelamento de isenção. Com a entrada em vigor da MP nº 446, de 2008, o que persistiu a partir de 30/11/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 12.101, de 2009, se a fiscalização constatar que a entidade deixou de cumprir requisitos legais exigidos para o gozo da isenção, poderá efetuar o lançamento de ofício, considerandose automaticamente suspenso o direito à isenção no mesmo período (art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009), seguindo o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, em observância ao §1º do art. 144 do CTN (aplicação imediata das normas procedimentais, ainda que relativas a fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência). Na verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção deverá ser observada a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o caput do art. 144 do CTN. Diante do exposto, o período submetido a verificação no curso da presente ação, regerseá pela Lei 12.101/2009. Dispositivos transcritos parcialmente a seguir. (...) A Lei nº 12.101, de 2009, dispõe sobre os requisitos para o gozo da isenção no seu artigo 29, estabelecendo no art. 32 a vinculação quanto à necessidade de lavratura dos autos de infração correspondentes em virtude do não atendimento às condições legais. (...) 4.1 – DA AUSÊNCIA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL –CEBAS. A Lei 12.101/2009 dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. Conforme estabelecido no art. 1º. transcrito a seguir, a certificação e a consequente isenção deverão observar os requisitos estabelecidos na lei. (...) Conforme descrito a seguir, o contribuinte possui Título de Utilidade Pública, mas não dispõe, no período submetido a exame pela fiscalização, do Certificado de Entidade Beneficente e Assistência Social, CEBAS, o que faz com que não tenha, na forma da lei, direito à “isenção” tributária estabelecida pela Constituição Federal. (...) Com relação ao Certificado de entidade Beneficente de Assistência Social, CEBAS, o contribuinte obteve a sua renovação do período de validade de 30/06/2006 a 29/06/2009 referente ao processo nº 71010.001116/200699, através da Resolução nº 3, de 23 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 26.01.2009 (anexo 07). Obteve também a renovação do período de validade de 05/05/2000 a 04/05/2003, referente ao processo nº 44006.000953/200058. No entanto, através da Resolução nº 7, de 03 de fevereiro de 2009, publicada no DOU de 04.02.2009 Fl. 5254DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 7 11 (anexo 07), houve o indeferimento da renovação da certificação do período de 2009 a 2012. O indeferimento do pedido de renovação do CEBAS na área de saúde pelo Ministério da Saúde, se deu através da Portaria nº 872, de 22 de agosto de 2012, DOU nº 165, de 24.08.2012 (anexo 11). O contribuinte interpôs recurso contra esta decisão e obteve efeito suspensivo, conforme Portaria nº 1.256, de 08 de novembro de 2012, DOU nº 217, de 09.11.2012 (anexo 07). Encaminhado ofício à Secretaria de atenção à saúde através do Ofício N.20/2014/SEFIS/DRFSDR, cientificado em 30/03/2014, posteriormente reiterado através do Ofício 27/2014/SEFIS/DRF SDR, cópias no ANEXO 01, solicitando informação quanto à vigência da Portaria N. 1256/2012, que atribuiu o efeito suspensivo ao indeferimento da renovação do CEBAS e solicitada Cópia do Parecer Técnico de indeferimento do Certificado de entidade Beneficente de assistência Social, CEBAS, o qual demonstra, de forma inequívoca, a falta de atendimento aos requisitos legais para o gozo da isenção das contribuições, objeto de lançamento na ação fiscal aqui descrita. Os requisitos elencados na seção I da Lei 12.101/2009, art. 4º a 11, necessários à obtenção da certificação para as entidades que atuam na área de saúde, não foram observados, justificando o indeferimento do pedido do certificado CEBAS. O Parecer Técnico N.279/2012CGCER/DCEBAS/SAS/MS, (anexo 7.1), demonstra, de forma clara, o descumprimento aos requisitos legais para a obtenção do CEBAS. Análise esta que, de acordo com o art.21I da Lei 12.101/2009, compete ao Ministério da saúde: (...) Do Parecer Técnico que propõe o indeferimento do CEBAS, merece destaque o disposto no item III, Dos Serviços Prestados ao SUS”, quando se explicita que, ao tentar comprovar o preenchimento do requisito de prestação de um percentual mínimo de 60% (sessenta por cento) em relação a todos os serviços prestados, e comprovar, anualmente, o mesmo percentual em internações realizadas. Tal exigência não foi comprovada pelo HSR, que incluiu, conprestações de serviço realizadas pelos Hospitais: Hospital Regional Dantas Bião, CNPJ 13.937.131/001385 e Hospital Deputado Luiz Eduardo Magalhães, CNPJ 13.937.131/000141. Porém, como descrito no mencionado parecer, “esses hospitais pertencem á Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, estão sob gestão do Monte Tabor, portanto não são mantidas dessa entidade. Nesse sentido, a produção desses hospitais não entra na contabilização para comprovação da prestação dos serviços ao SUS, no percentual mínimo de 60% por falta de autorização legal”. Conclui, o item III do mesmo parecer indicando que: “Diante do exposto, após análise dos documentos juntados ao processo, a conclusão é de que a entidade não cumpriu aos requisitos legais exigidos para a renovação do CEBAS na área de saúde”. Vale destacar que o Parecer Técnico fundamentase no Decreto N. 2.536/1998, já que a entidade protocolou o requerimento de renovação antes da vigência da lei 12.101/2009. Fl. 5255DF CARF MF 12 (...) Apesar do efeito suspensivo dado à decisão de indeferimento através da Portaria nº 1.256, de 08 de novembro de 2012, DOU nº 217, de 09.11.2012 (anexo 07), tal decisão não impede o lançamento de ofício em decorrência da não concessão do CEBAS, como indicado de forma expressa no art. 26 da Lei 12.101/09, transcrito parcialmente a seguir. Não poderia ser de outra forma já que tratamento diverso poderia acarretar prejuízo irreversível à Fazenda Pública Nacional, uma vez que, esperar a decisão definitiva quanto ao recurso, poderia implicar.em decadência do direito de constituição do crédito tributário omitido. Ressaltando que, ainda que provido o recurso administrativo do contribuinte para a manutenção do CEBAS, persistirá o lançamento baseado nos demais fundamentos descritos neste Termo de Verificação Fiscal (transcreve o art. 26 da Lei nº 12.101, de 2009). (...) Após o encaminhamento de 03 (três) ofícios ao Ministério da Saúde, ANEXO 1, foi recebido em resposta o Ofício N.85/2014/CODATO/COGEJUR/CONJUR/MS, ANEXO 23, que encaminha Nota Técnica N. 2000/2012 CGCER/DCEBAS/SAS/MS, relativa ao Recurso administrativo do HSR, numeração Ministério da saúde N.25000.166998/2012 87, no âmbito do Processo Administrativo N. 71010.001893/200986 que trata da renovação do CEBAS. Na página 4 do relatório está expresso que, conforme item 45 do Parecer Técnico N.289/2012 CGCER/DCEBAS/SAS/MS, que concluiu: “Porém, a entidade não comprova a prestação de todos os seus serviços ao SUS no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento) em internações realizadas, medida por pacientedia”. Evidenciando portanto o descumprimento para atendimento a esta exigência legal para obtenção do CEBAS estabelecida na Lei 12.101/2009. O próprio contribuinte, em seu recurso admite descumprir esta exigência declarando que “nenhuma entidade filantrópica de elevada complexidade da área de saúde consegue atingir o percentual de 60% de serviços prestados de Sistema Único de Saúde, uma vez que as dificuldades orçamentárias e financeiras do Ministério limitam o repasse de recursos aos Estados e Municípios, que por sua vez, também limitam a compra de serviços das entidades conveniadas”. No entanto, como, de forma muito clara foi expresso na Nota Técnica 2000/2012 que: “ (...) na legislação vigente não existe qualquer obrigação imposta ao Gestor do SUS para que contrate os serviços de uma entidade privada sem fins lucrativos, no percentual de 60%, para fins de atendimento dos requisitos de certificação”. “Sendo assim, diante da impossibilidade do Gestor do SUS em contratar por não possuir recursos financeiros para arcar com todas as despesas, competia à recorrente adotar medidas de gestão administrativa para acompanhamento da produção mensal e lançar mão da realização do percentual de gratuidade necessário à complementação do requisito para autorizar sua renovação do CEBASSAÙDE, o que não ocorreu”. Fl. 5256DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 8 13 A aludida Nota Técnica, deixa clara a inconsistência do recurso do HSR, prevalecendo os motivos da decisão quanto à suspensão do CEBAS. (...) 4.2 DA DISTRIBUIÇÃO DOS RESULTADOS OU PARCELAS DO SEU PATRIMÔNIO O art. 29 da Lei 12.101/2006 estabelece que fará jus à isenção, entre outros critérios, a entidade que: (...) Com base nos fatos narrados nos itens 4.2.1, 4.2.2 e 4.2.3, abaixo, fica evidente que, além de não apresentar os requisitos para a obtenção do CEBAS, corretamente negado pelo Ministério da Saúde, também cumpre suspender a isenção da COFINS e da CSLL no período de 01/2010 a 12/2010, pelos motivos que serão indicados, pois houve flagrante desvio de finalidade na aplicação dos recursos do HSR com a distribuição disfarçada de uma parcela do seu patrimônio e renda do Contribuinte a empresas com fins de lucro, com base nos incisos II e V do artigo 29 da Lei nº 12.101, de 2009. Conforme disposto no caput e no parágrafo 1º do artigo 32 da Lei nº 12.101, de 2009, já transcrito acima, deverá ser lavrado auto de infração relativo ao período correspondente ao descumprimento dos requisitos do artigo 28 da mesma lei. 4.2.1 – DAS OPERAÇÕES COM O GRUPO DELFIN Em 29.03.2007 o contribuinte assinou o Contrato de Prestação de Serviços Médicos nº 1/004 (anexo 08) com uma sociedade (Delfin Médicos Associados Ltda, CNPJ 16.047.490/000111) que estava em fase de constituição, composta pelos sócios Clinica Delfin Gonzalez Miranda Ltda, Maria Olívia Dias Gonzalez e Delfin Gonzalez Miranda. Figuravam como sócios ainda: Edson Blanco Martinez, Eliane Maria Pinto Fiuza Ferreira, Heleno Cabral Tavares, Jorge Luiz Canelas Rubim, Jose Luiz Nunes Ferreira, Lazaro Jose Goes Cardoso Lenair Batista Neves, Marcos A. da C. Machado Junior, Paulo E. Matos de Souza, Veronica A. de O. Barbosa, Josilton Antonio Rocha e Sonia M. C. Ribeiro Dias, todos , à data de assinatura do contrato, eram empregados do HSR, conforme comprovado na Relação dos Trabalhadores do Arquivo SEFIP de janeiro de 2007, obtida no Sistema GFIP WEB (anexo 09) .(...) Ressaltese que até formalização do contrato o contribuinte desenvolvia as atividades objeto do mesmo, com seus empregados e equipamentos próprios. Cabe ressaltar algumas cláusulas do Protocolo de Avenças, como o item 3, I, a e b que tratam de comodato de áreas do imóvel em relação às quais o HSR era locatário e de equipamentos. (...) Da análise do anexo do Contrato Principal – Tabela de Preços e Serviços do referido contrato, foi identificada uma forma singular para a “remuneração dos serviços prestados”. O item 2. do referido anexo assim dispõe: (...) No mínimo, é uma forma de remuneração estranha. O prestador não é remunerado por unidade de serviço prestado e sim através Fl. 5257DF CARF MF 14 do recebimento de mais de 90% do valor da receita auferida, repassando ao contratante uma parcela do que recebe. O caput do item 2 menciona a expressão “ o prestador fará jus a partilhar com o Monte Tabor da receita operacional”. O significado da palavra “partilhar”, obtida no dicionário Aurélio, é dividir em partes, possuir com outros e ter em comum. Já no Dicionário Aulete significa – repartir, dividir, distribuir. Justamente é essa a conclusão – o contribuinte está distribuindo parcela de seu patrimônio e renda a uma pessoa jurídica de direito privado com fins de lucro, pois a realidade dos fatos, o que existe é uma sociedade, uma parceria, com disfarce de contrato de prestação de serviços entre a “Prestadora” e o Contribuinte. Cumpre ressaltar que o referido contrato esteve em vigor durante todo o período submetido a exame na presente ação fiscal conforme provado abaixo. (...) A relação do HSR com o Grupo Delfin, durante o período fiscalizado, não se restringiu aos expressivos valores transferidos, como demonstrado anteriormente. Apesar de ceder gratuitamente expressivas áreas do complexo hospitalar no qual exerce as suas atividades à Delfin Médicos Associados LTDA, conforme contrato ANEXO 8, o HSR estranhamente, paga aluguel, conforme evidenciado no contrato de locação e comprovantes de pagamentos correspondentes, Anexo 12, com empresa do Grupo Delfin, a Clínica Delfin Villas Diagnósticos por Imagem LTDA, CNPJ 42.049.064/000127, por um pequeno espaço de um dos andares de uma clínica mantida por aquela empresa no município de Lauro de Freitas/Ba. Contrato este firmado pelo sócio, tanto da Clínica Delfin Villas como da Delfin Médicos Associados Ltda, o Sr. Delfin Gonzales Miranda, CPF 035.049.064/000127. A diversidade de tratamento quanto à utilização recíproca dos respectivos imóveis é evidente, já que empresa do Grupo Delfin utiliza ampla área do imóvel do HSR, imóvel este registrado em nome de terceira pessoa, a Fondazione Monte Tabor, em relação ao qual o HSR registra o pagamento de aluguel mensal, sem que pague qualquer valor para exercer as suas atividades naquele local, tendo, como contrapartida o pagamento de aluguel, por parte do HSR, para utilizar uma pequena área de imóvel de empresa do Grupo Delfin. Ressaltando que, de acordo com informação do próprio HSR, através da resposta ao Termo de Fiscalização 01, Anexo 1, “O imóvel locado tem por finalidade o funcionamento de Posto de Coleta do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital São Rafael”. Vale ressaltar que a coleta para o laboratório de análise clínica, destinase, como restará demonstrado no item 4.2.2 abaixo, a outra empresa o “Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples LTDA”, à qual se destina o produto da coleta realizada no imóvel locado e que, a exemplo da Delfin Médicos Associados, também se beneficia de transferência de recursos fruto de atividade a que o HSR se atribui isenta/imune. (...) Em relação a este contrato de locação, merece destaque, além da falta de reciprocidade quanto ao pagamento de aluguel pela utilização da área, o fato de que o HSR, na qualificação do locador, Anexo 12, afirma ser portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS (Resolução Fl. 5258DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 9 15 N.060 de 30/04/1997), mesmo sabendo que o CEBAS já não estava vigente na data em que foi firmado o contrato, 01/11/2009. 4.2.2 – Das operações com Centro de Hematologia e Terapia Celular. Em 01.01.2007 o contribuinte celebrou um Contrato de Prestação de Serviços Médicos nº 1/003 (anexo 18) com a empresa Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda, CNPJ 04.015.592/000176, cujos representantes legais são Ricardo Omoto e Fernando Luiz Vieira de Araújo, sendo que este último foi empregado do Contribuinte de setembro de 2001 a abril de 2009, conforme espelho da tela do sistema AUDIG (anexo 19). O contrato firmado contém a seguinte composição: Protocolo de Acordo e Outras Avenças, Contrato Principal e seus anexos (anexo 18). O referido Protocolo dispõe em suas cláusulas, benefícios similares àqueles postos a disposição da empresa Delfin Médicos Associados Ltda, acima descritos, tais como: comodato de áreas de bem imóvel, comodato de equipamentos, cessão de empregados com isenção de encargos sociais, entre outros. (...) 4.2.3 DAS TRANSFERÊNCIAS DE RECURSOS AOS DIRETORES Regularmente intimado, o HSR, informou, através de planilha firmada pela Gerente de Controladoria, os valores correspondentes à remuneração dos seus Diretores no ano de 2010, Anexo 25. No entanto, como restará demonstrado a seguir, o HSR remunerou de maneira indireta os seus Diretores, em alguns casos com valores que excedem em muito os valores declarados, demonstrando transferências de recursos que indicam desvio das suas finalidades estatutárias. A partir de uma análise criteriosa da contabilidade do HSR foram identificadas empresas prestadoras de serviço de consultoria, cujos sócios eram os diretores não estatutários, conforme veremos a seguir. Os valores mencionados abaixo, relativos a 2009 foram obtidos através do acesso aos elementos apurados no curso da ação fiscal consolidada no PAF, N. 10580.731120/201355. (...) Em janeiro de 2004 o sr. Andrea, já exercendo a função de Diretor Geral, firma um contrato de prestação de serviços com o HSR. Em junho de 2004 é firmado um contrato de cessão de direitos (anexo 3A) do Sr. Andrea para a empresa Salva Consulting. No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. Fl. 5259DF CARF MF 16 Não foram identificadas remunerações pagas pelo HSR diretamente ao seu diretor geral. Porém foi constatado que o sr. Andrea é sócio majoritário (90% do capital social) da empresa Salva Consulting Gestão Empresarial Ltda, inscrita no CNPJ nº 06.244.574/000191, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da Junta Comercial do Estado da Bahia – JUCEB (anexo 25). Entre os anos de 2009 e 2010, esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 551.578,04, conforme relação abaixo extraída do mencionado processo de lançamento anterior. Notas Fiscais, extrato DIRF 2010 e contratos (anexo 26) : (...) Observase que a reunião da Diretoria do Monte Tabor conforme Ata nº 172/2009 (anexo 3A), tratou do afastamento do sr. Andrea, com revogação do instrumento de mandato, que transcrevo parcialmente: ”Abordando o segundo ponto da pauta, a VicePresidente deu conhecimento aos demais dos acertos finais intercursos com o diretor geral Andrea Garziera, o qual, a mais de um ano se encontra muito ausente, empenhado em outros empreendimentos pessoais e das Instituições italianas, FINRAF e outros, e, para tanto, deixará o mandato no próximo mês de outubro”. Causa estranheza o faturamento da empresa do sr. Andrea, junto ao Contribuinte, nos anos de 2009 e 2010, no valor de R$ 551.578,04, conforme tabela acima, pois, em pesquisa ao Sistema GFIP WEB, durante estes dois anos a empresa Salva não declarou qualquer empregado, declarando apenas pro labore. Desta forma, fica evidente que os valores pagos à Salva decorria da remuneração do seu Diretor. Conforme mencionado acima, os dirigentes do HSR afirmam, em 18/09/2009, que o sr. Andrea “a mais de um ano se encontra muito ausente”. Percebese, com isso, flagrante distribuição de parcela do patrimônio e renda do contribuinte a esse diretor, configurando ainda um pagamento sem qualquer vinculação com as atividades do contribuinte que se intitula como sendo sem fins lucrativos. Mesmo fato verificado com a empresa TCN, que a antecedeu na Gestão administrativa do HSR. Em 11/2008, assumiram a Diretoria Administrativa e Financeira e a Diretoria de Controle e Expansão, respectivamente, os senhores Eduardo Jorge Marinho de Queiroz Junior e Sigevaldo Santana de Jesus, sócios na empresa Today Consultoria de Negócios Ltda, inscrita no CNPJ nº 05.017.814/000152, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da JUCEB (anexo 28). Entre janeiro de 2009 de dezembro de 2010 esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 802.837,91, conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 29). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que os sócios da empresa desempenham como empregados do contribuinte. Ressaltese que em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO”, portanto sem qualquer empregado, em princípio, com suas atividades paralisadas. Também nas DIPJ 2009 e 2010, não há qualquer registro relativo a custos ou despesas com pessoa, assim como relativa a serviços prestados por terceiros. Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita Fl. 5260DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 10 17 no CNPJ nº 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 – R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO” desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado. Além destes valores recebidos pela empresa prestadora de serviços, os diretores receberam também suas remunerações mensais como diretores empregados, conforme a seguir (valores extraídos do Sistema GFIP WEB) : (...) O tratamento benevolente para com os seus Administradores e Diretores também pode ser constatado através do aluguel de imóveis residenciais, não registrados como remuneração aos respectivos beneficiários, conforme indicado na resposta ao Termo de Fiscalização 3, fornecida em 26/03/2014, Anexo 50, no qual se descarta a existência de vínculos com os locadores, afirmando que os imóveis residenciais locados, situados respectivamente em Porto Seguro/Ba e Alagoinhas/Ba, destinaramse, no ano de 2010, período submetido a fiscalização, à residência respectivamente dos Srs. Aurélio Justiniano Rocha Neto, Diretor Geral da Organização social Hospital Luiz Eduardo Magalhães em Porto Seguro/Ba, e Adalberto Bezerra, Diretor Geral da Organização Social Hospital Regional Dantas Bião em Alagoinhas/Ba. (...) Além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como restará demonstrado nos itens: “4.2.5. pagamento de Aluguel á Fondazione” e “5.0 – Da caracterização do grupo econômico entre HSR OÁSIS –Fondazione”, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OÁSIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OÁSIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR. (...) Evidenciada também a transferência de recursos aos Diretores através do custeio integral para a manutenção da Presidente do HSR, Laura Ziller, e da Diretora estatutária, Liliana Ronzoni, como evidenciado nos itens 5.0, que trata da caracterização do grupo econômico entre o HSR, a OÁSIS e a Fondazione; e o item 8, que trata da Sujeição Passiva Solidária. (...) 4.2.4 – Benfeitoria em Imóveis de “Terceiros”. Da análise das demonstrações contábeis foram identificadas despesas elevadas na conta do ativo permanente –imobilizado – “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros”. No ano de 2010, os Fl. 5261DF CARF MF 18 lançamentos a débito nesta conta totalizaram R$ 2.498.103,48, conforme pode ser observado em detalhes no demonstrativo (anexo 31) e demonstrativo apresentado pelo HSR (anexo 32). O HSR efetua seus lançamentos de despesas em obras em imóveis de terceiros em inúmeras contas de resultado e mensalmente transfere tais despesas para a conta de ativo permanente – imobilizado – “Imobilizado em Andamento”, conforme resumo apresentado nos demonstrativos abaixo. No final de cada exercício os valores contidos na conta “Imobilizado em Andamento”, referentes às obras encerradas, são transferidos para a conta “Benfeitorias em Imóveis de Terceiros”. Conforme demonstrado no anexo 31, no encerramento da referida conta em 2010 totalizava R$19.643.885,78. (...) No ano de 2003 o Contribuinte alienou formalmente o seu complexo hospitalar principal para a sua entidade fundadora Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, empresa sediada na Itália, cujos dados cadastrais e Estatutos encontram se no Anexo 34. Em seguida efetuou um contrato de locação do mesmo imóvel. No anexo 33, cópia das escrituras e das certidões dos imóveis alienados pelo HSR para a Fondazione, no Anexo 33E, cópia do contrato de locação dos imóveis da Fondazione para o HSR. No contrato de locação há cláusula prevendo a indenização das benfeitorias úteis e necessárias, mas não foram identificados na contabilidade lançamentos que comprovem tais indenizações/compensações, apesar da empresa informar a conta do ativo não circulante “1.2.04.03.0002 – Créditos a compensar”, até 31.12.2010 não havia qualquer lançamento nesta conta. O Contribuinte foi intimado, no curso da ação fiscal MPF 05.1.01.002013002053, a informar os beneficiários destas melhorias e apresentou demonstrativo (anexo 32), que comprova que a quase totalidade das benfeitorias foram realizadas no imóvel da Fondazione. Percebese que após a alienação o HSR realizou uma série de benfeitorias no imóvel que formalmente já não mais lhe pertencia, construindo inclusive novo prédio e inúmeras ampliações. De acordo com uma relação de bens fornecidas pelo Contribuinte o custo total da construção do novo prédio foi de R$ 21.896.258,70, quase o mesmo valor que este teria recebido no ano de 2003, do adquirente pela alienação de todo o complexo de terrenos e edificações. (...) 4.2.5 – Pagamento de Aluguel à Fondazione. Ao longo do ano de 2010, o HSR contabilizou como despesa o valor total de R$840.933,02 (oitocentos e quarenta mil, novecentos e trinta e três reais e dois centavos), conforme indicado no Anexo 33A, no qual estão reproduzidos os lançamentos contábeis correspondentes a supostos pagamento de aluguéis pagos à Fondazione, como já descrito no item 4.2.4, proprietária formal dos imóveis. Escrituras e contrato de locação nos Anexos 33 e 33E, correspondentes aos imóveis nos quais o HSR exerce as suas atividades. Conta: 2.1.07.03.0001. No entanto, como restará demonstrado neste Termo de Verificação, tratase em realidade de despesa fictícia. Já que Locador e Locatário se confundem, fazendo parte do mesmo Fl. 5262DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 11 19 grupo econômico, ou melhor, tratase da mesma pessoa, como evidenciado no item 5.0 abaixo. (...) 5.0 – DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO ENTRE: HSR – OÁSIS – FONDAZZIONE Tomando como base o histórico fornecido pelo próprio HSR, ANEXO 33, fazse necessário situar no tempo alguns fatos: 1) Em 30/09/2003 o Monte Tabor, neste Termo denominado HSR, vende à Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, CNPJ 05.842.123/000193, dados cadastrais RFB, ANEXO 34, terreno de 167.252 m2 com as suas edificações. Cópias das escrituras, ANEXO 33. A Fondazione, cadastrada como Fundação ou associação domiciliada no exterior, tem como domicílio a Itália e como responsável perante a RFB, a Diretora do HSR, já identificada no item 1.2 acima, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500; 2) Em 01/04/2004, foi firmado contrato de locação da estrutura ocupada pelo HSR, incluindo igreja e o CRH, tendo como locador a Fondazione e locatário o HSR, ANEXO 33; 3) Em 03/12/2007 foi constituída a empresa OÁSIS Administração LTDA, CNPJ 09.238.244/000181, dados cadastrais, anexo 35, pertencente, conforme contrato social, ANEXO 35, 90% à Fondazione e 10% a Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.80104, tendo como objeto social a atividade de prestação de serviços de administração de bens móveis, semoventes e ou imóveis; 4) Desmembramento do terreno, gerando várias novas matrículas, ANEXO 33. A representante da Fondazione, Sra Liliane Ronzoni, cujos dados existentes no cadastro da RFB encontramse no anexo 34, que também responde pela OÁSIS e é Diretora do HSR, regularmente intimada, através dos Temos de Diligência, 01, 02 e 03, Anexo 36, apresentou como resposta ao Termo de Diligência 01, evasivas, informando não dispor de nenhum dos elementos que foram objeto da intimação, apesar de tratarse de unidade no Brasil da Fondazione, alegando que, por tratarse de entidade no exterior, não estaria obrigada a apresentálos e que não dispõe de qualquer informação, deixou de responder a todos os itens objeto da intimação, exceto a indicação da responsável pelo atendimento à fiscalização, designando a Sra. Simone Conceição Freitas. Afirmou de maneira reiterada, conforme resposta ao Termo de Diligência 02, datada de 04/06/2014, em resposta aos diversos questionamentos, “Conforme já informado, não temos acesso aos documentos da empresa Fondazione para que seja possível atender a esta solicitação”. O único item atendido dos Termos de Diligência foi a apresentação de cópia do ato Constitutivo da Fondazione com tradução juramentada, anexo 34, e a Procuração, anexo 35, conferida pelo VicePresidente da Fondazione, que também exerceu a VicePresidência do HSR, o, já falecido Mario Cal, empresário italiano, anexo 3. Fl. 5263DF CARF MF 20 Neste estatuto original, está estabelecido no Art. 5 que: “(...) o Conselho de Administração da Fundação é constituído por sete membros nomeados pelo Conselho de Administração da associação Monte Tabor, que indica também o Presidente”. No entanto, apesar de representar a Fondazione, a Sra. Liliana Ronzoni afirma reiteradamente não possuir qualquer informação ou, quando intimada de maneira específica, através do Termo de Diligência 03, a apresentar a identificação das pessoas de contato da fondazione na Itália, assim como especificar a periodicidade e a forma destes contatos, deixa de fazer. Diante das reiteradas manifestações de desconhecimento ou da falta de interesse em atender às intimações no curso desta ação fiscal, a Sra. Liliana Ronzoni foi convocada, através de intimação, Termo de Diligência 03, anexo 36, a prestar esclarecimentos relativos ao vínculo entre a Fondazione e o Monte Tabor, HSR. A mencionada procuração, anexo 35, datada de 16/01/2008 e com validade do mandato até 31/12/2014,confere os mais amplos poderes à Diretora do HSR, Liliana Ronzoni, para praticar quaisquer atos de administração em relação à Fondazione, apesar de, estranhamente, conforme afirma na resposta apresentada em 18/06/2014, ao Termo de Diligência 03, anexo 36: “Conforme já informado a V.Sas., atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor”. Tal afirmação configura que a Fondazione, proprietária de enorme patrimônio em imóveis no Brasil, credora, ao menos contabilmente de vultoso crédito, em realidade não existe, ao menos para a sua procuradora. (...) Merece destaque o fato de que a Diretora Liliana Ronzoni exerce de fato a Administração do HSR, como pode ser verificado por exemplo no contrato de locação firmado com a Clínica Delfin, Anexo 12, assinado por ela representando o HSR. (...) Conforme informado através da resposta ao Termo de Diligência 02, item 3, “A empresa OÁSIS tem como único cliente a empresa Fondazione Centro S Raffaele Del Monte Tabor, sediada em Milão, e nunca realizou prestação de serviço para outro contribuinte”. Na planilha: “Imóveis pertencentes à Fondazione Centro San Rafaelle Del Monte Tabor”, apresentada em resposta ao item 1 do mesmo Termo, apresenta a relação de todos os imóveis registrados em nome da Fondazione no Brasil, como sendo aqueles administrados pela OÁSIS. Em atendimento a intimação, Termo de Diligência 02, item 4, a OÁSIS apresentou extratos das folhas de pagamento relativos aos anos de 2010, anexo 39, 2011, anexo 40, e 2012, anexo 41. Através das aludidas folhas de pagamento, verificase que apresentou, ao longo deste período entre 05 e 07 funcionários, todos com baixa remuneração entre 01 (um) e 02 (dois) salários mínimos, nas funções de lavradores, tratoristas, auxiliar de serviços gerais e apenas 01 (um), na maior parte do período, encarregado administrativo, com um total geral de proventos que passou de R$4.889,11 em janeiro de 2010 até R$6.348,77 em dezembro de 2012. Com tais elementos, demonstrase que, para administrar um patrimônio, que teria sido adquirido em 2003 pelo valor de R$25.318.388,00 (vinte e cinco milhões, trezentos e dezoito mil, trezentos e oitenta e oito reais), contou na maior Fl. 5264DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 12 21 parte do período, para administrar este patrimônio, com apenas um funcionário, na função de auxiliar administrativo, com remuneração bruta em 2010 de R$1.198,65. A encarregada administrativo Alene do Amaral Varella, CPF 572.799.42768, conforme anexo 39. Chama a atenção em relação ao cadastro da funcionária Alene, o fato de indicar como sendo seu endereço cadastral a cidade de Santos, no Estado de São Paulo. Cadastro no anexo 39. No ano de 2010, também havia um outro encarregado administrativo, Denilson Lima Nascimento, CPF 032.775.14790, também indicando, desde 1992, domicílio no Estado de São Paulo, na cidade de Rio Claro. Dados cadastrais no anexo 39. Apesar de figurarem como encarregados administrativos, de acordo com a declaração de Liliana Ronzone, no mencionado Termo de Declaração datado de 18/06/2014, informando, na qualidade de administradora da OÁSIS, função em relação à qual, segundo a depoente, é auxiliada por Laura Ziller, todos os funcionários da OÁSIS trabalham na Fazenda OÁSIS, limpeza das casas e cuidando da manutenção do patrimônio. A OÁSIS, Pessoa Jurídica de Direito Privado, com fins lucrativos, tem como sócios a Fondazione, detentora de 90% das cotas, e o Sr. Roberto Lino Cusin, cidadão italiano, CPF 743.349.80104, que detém 10% do capital social. A administração da sociedade, conforme previsto na cláusula 10, pela Sra. Liliana Ronzoni, que poderá exercer a administração de forma ampla, tendo como limite apenas a realização de negócios estranhos ao objeto da sociedade ou a alienação de bens do ativo permanente, atos para os quais dependerá da anuência dos demais sócios, no caso, da anuência de Roberto Cusin, já que é a representante da Fondazione no Brasil, com ampla procuração para representála. (...) Do já descrito, verificase que a Sra. Liliana Ronzoni, atua como administradora da OÁSIS, da Fondazione e também do Monte Tabor, HSR, do qual exerce a função de Diretora Médica. (...) A Presidente do HSR, Laura Ziller, CPF 124. 251.41553, reside, conforme extrato de pesquisa, Anexo 2, no imóvel denominado casa sede, imóvel pertencente à Fondazzione, alugado ao HSR e administrado pela OÁSIS. Local onde também reside a Sra. Liliana Ronzoni, conforme extrato de pesquisa do cadastro RFB, anexo 34, cujo endereço está também indicado no instrumento de procuração conferido pela Fondazione, anexo 35. (...) Uma parcela dos valores registrados como aluguel do HSR para a Fondazione, era transferida mensalmente do HSR diretamente para a OÁSIS, demonstrativos no Anexo 33A. Conforme documento apresentado no curso da ação fiscal, “Demonstrativo de Compensação Faturas OÁSIS X Fondazione”, juntamente com os demonstrativos dos repasses e das Notas Fiscais emitidas, anexo 38, demonstram que foi repassado á OÁSIS um valor (R$613.000,00) que excede ao montante das Notas Fiscais emitidas (R$456.693,92). Ressaltese que só há Notas Fiscais Fl. 5265DF CARF MF 22 correspondentes ao período janeiro de 2010 a junho de 2010, sendo todas elas emitidas a partir de 04/08/2010. As notas relativas ao período julho a dezembro de 2010 foram emitidas em 2011, conforme indicado na resposta ao Termo de Diligência 04, anexo 38, entregue em 27/06/2014. (...) A OÁSIS, que teria sido contratada pela Fondazione, “informalmente”, já que sem contrato vigente, para administrar os seus imóveis, recebe os valores correspondentes à locação dos imóveis “casa sede” e “fazenda OÁSIS”, utilizando estes recursos para a manutenção não só do patrimônio como também dos próprios Diretores do HSR, tais como alimentação, telefones, energia elétrica, mobiliário, etc, como evidenciado nas já mencionadas despesas com a manutenção e ampliação da Fazenda OÁSIS, como já descrito acima, anexo 42, reforçado pelos balanços patrimoniais da OÁSIS, anexo 43. Ainda que se admita a possibilidade de realização de gastos para manutenção do imóvel “locado”, eventuais despesas deveriam ser realizadas diretamente pelo locador. A transferência de recursos a este título para empresa que não possui qualquer instrumento contratual que a ligue ao HSR demonstra mais um exemplo de desvio de finalidade e transferência de recursos desta instituição que se autodenomina Imune/Isenta. Conforme já informado no item 4.2.3 que trata da transferência de recursos aos Diretores do HSR, além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OÁSIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OÁSIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR Na resposta da OÁSIS ao item 1 do Termo de Diligência 03, apresentada em 06/06/2014, afirma que: “Dessa forma, os valores cobrados à Fondazione são aqueles incorridos nos serviços de manutenção e de outros gastos com os imóveis de sua propriedade. Gastos estes, por natureza variáveis”. Afirma ainda, através do mesmo documento de resposta, quanto ao item 4, afirma ser a casa sede, domicílio de forma permanente, entre outros, da Presidente do HSR, Laura Ziller e da Sra. Liliana Ronzoni, entre outros membros associados da “Associazione Sigilli”. Afirma ainda que as despesas de manutenção, energia, água e vigilância são custeadas pela OÁSIS Administração. Atribuindo tal situação ao fato de esta ser a sede da Fondazione e também da OÁSIS. Apesar de, após reiteradas intimações, afirmar não haver sequer contato com prepostos da Fondazione. (...) No entanto, ainda que se considere possível a transferência de recursos do HSR correspondentes à locação dos imóveis em nome da Fondazione para a OÁSIS, o que se verifica, com base no exame do Livro Diário da OÁSIS correspondente ao ano de 2010, Anexo 43A, é a utilização dos recursos recebidos para pagamento de diversos itens que não possuem qualquer Fl. 5266DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 13 23 vinculação com a manutenção dos imóveis que seriam administrados, há registros de doações diversas, saques para suprimento de caixa, despesas com alimentação, telefone, consumo de água, energia elétrica e um percentual elevado dos recursos, utilizados com o pagamento de segurança patrimonial. Não fica claro o propósito negocial em se utilizar a OÁSIS, já que o HSR promove diretamente a segurança patrimonial e a administração de todo o complexo hospitalar, vizinho à casa sede. Vale ainda ressaltar que o contrato de locação firmado entre Fondazione e HSR, anexo 33 E, estabelece na cláusula terceira que: “A locadora autoriza o Locatário a executar nos imóveis locados e descritos na cláusula primeira, todas as obras, modificações ou benfeitorias necessárias ao exercício das suas atividades, bem como aquelas para o atendimento de exigências legais ou das autoridades constituídas, dando conhecimento das mesmas à Locadora”. Do disposto no instrumento contratual, depreendese que a transferência de recursos para a OÁSIS para arcar com despesas de manutenção, não atende o disposto no contrato de locação, representando uma liberalidade de tal ordem que reforça a convicção de que Fondazione e HSR são, em realidade integrantes do mesmo grupo empresarial. Causa espanto também o fato de que as transferências do HSR para a OÁSIS excedam o valor das Notas Fiscais, anexo 38, emitidas pela suposta administração de imóveis de terceiros, além do fato, já relatado de que os pagamentos não apresentem qualquer vinculação com estas Notas Fiscais. Merece destaque também a afirmação, neste mesmo instrumento de resposta, em resposta à intimação para apresentar, caso tenha havido, comprovação de qualquer transferência de valores para a Fondazione, correspondentes aos valores de locação dos imóveis administrados, que: “Não houve até o momento qualquer remessa para a Fondazione”. Diante do exposto, fica evidente que a venda dos imóveis do HSR para a Fondazione, com posterior pagamento de aluguéis mensais, valores estes nunca recebidos pelo locador, consistiu em realidade em um planejamento tributário abusivo, contando com a intermediação de empresa criada com este único objetivo, qual seja, o de receber os valores correspondentes a esta locação, aplicando estes valores na manutenção dos Diretores da denominada “Associazione Sigilli”, entre os quais encontramse Diretores Estatutários do HSR. Tal planejamento tributário abusivo, caracteriza uma fraude evidente com o intuito de burlar a legislação tributária que veda, para entidades imunes, a remuneração de seus Diretores. Já que, desta forma, as suas despesas passaram a ser custeadas através do HSR, utilizando as supostas transferências de recursos para a Fondazione, utilizando a OÁSIS como veículo desta operação. (...) Após o início da concordata da Fondazione, conforme resposta ao Termo de Fiscalização 07, fornecida em 18/06/2014, anexo 1, o HSR afirma que: “Nos anos de 2011 e 2013 o Monte Tabor CIBPS apresentou formalmente a intenção de adquirir os imóveis usando a prerrogativa da prelazia e com a proposta de Fl. 5267DF CARF MF 24 ser pago o valor de compra da Fondazione, reajustado pelos índices inflacionários brasileiros”. (...) Questão que merece destaque, é o fato de que o HSR, para o exercício das suas atividades, ter contraído empréstimo junto ao Banco do Nordeste do Brasil, BNB, cópia do contrato no Anexo 33 – F. No aludido instrumento contratual, denominado: “Cédula de Crédito Comercial N. 181.2010.131.1285”, na folha 8, item 4, ao tratar dos Bens Vinculados em Alienação Fiduciária, as Diretoras estatutárias Laura Ziller e Liliana Ronzoni, “assumem em conjunto e isoladamente as obrigações de FIÉIS DEPOSITÁRIOS dos bens alienados fiduciariamente, e nesta condição assinam, pessoalmente o presente instrumento de crédito, sujeitandose, assim, às sanções cíveis e penais previstas na legislação vigente”. Foram dados em garantia parte dos imóveis, formalmente pertencentes à Fondazione, em garantia a crédito no valor de R$40.619.308,57 (quarenta milhões, seiscentos e dezenove mil, trezentos e oito reais e cinquenta e sete centavos). As mencionadas Diretoras, assinam o instrumento contratual qualificadas como Diretores Gerais. Regularmente intimado, através do Termo de Fiscalização 10, também foram apresentados documento de anuência da Fondazione para gravar os imóveis de sua propriedade. Ata de reunião da Fondazione, realizada em 20/02/2009 na Itália, tanto no idioma italiano, como em Português, com tradução juramentada. Cópia no Anexo 33F. E, em mais uma demonstração de caracterização do grupo econômico com a Fondazione, os imóveis, formalmente pertencentes à Fundação italiana, foram dados em garantia. Conforme indicado nas certidões contidas no Anexo 33. Ou seja, a Fondazione, aluga os seus imóveis para o HSR, como demonstrado acima, não recebe qualquer valor correspondente ao imóvel locado ao longo de mais de 10 (dez) anos, e ainda concorda em dar em garantia os próprios imóveis para viabilizar empréstimos contraídos pelo locador. Desta forma, por mais nobres e verdadeiros que fossem as intenções, não se pode deixar de afirmar que, em realidade, o Monte Tabor Brasil, HSR, e a Fondazione, constituem em realidade, um mesmo grupo econômico. 5.1 – Da “alienação” dos Imóveis do Monte Tabor Brasil, HSR. Como demonstrado no item 5.0 acima, o HSR alienou todo o seu patrimônio a empresa domiciliada no exterior integrante do mesmo grupo econômico, que se confunde com o próprio HSR, conforme indicado nas cópias das escrituras contidas no anexo 33. (...) Da análise contida neste item, ainda que, se despreze a falta de comprovação dos ingressos dos valores correspondentes à alienação dos imóveis do HSR para a Fondazione, e se consiga demonstrar que os valores correspondentes saíram de contas da Fondazione na Itália e ingressaram regularmente no sistema financeiro nacional, como evidenciado no item 5.0 acima, a finalidade desta alienação seria, além de tentar resguardar o patrimônio do grupo econômico, possibilitar, através do pagamento de aluguéis mensais, a transferência de recursos Fl. 5268DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 14 25 para seus Diretores, utilizando a administradora de imóveis, criada com este fim, a OÁSIS. Vale ressaltar que, apesar de sucessivas intimações formuladas à Fondazione, não foram apresentados elementos que comprovassem a saída dos recursos ou ainda a manutenção de registro indicando a existência destes ativos nos seus registros contábeis. 5.2 – Do Contrato de Mútuo Monte Tabor Brasil X Fondazione. Da mesma forma que o realizado em relação aos valores registrados como tendo sido transferidos à Fondazione a título de alienação dos imóveis, também em relação aos expressivos valores registrados como sendo decorrentes de um contrato de mútuo firmado entre o HSR e a Fondazione, também foram objeto de sucessivas intimações, também respondidas de forma incompleta (...) (...) Vale ressaltar que, apesar de sucessivas intimações formuladas à Fondazione, não foram apresentados elementos que comprovassem a saída dos recursos ou ainda a manutenção de registro indicando a existência de direitos creditórios com o HSR. (...) 6.0 – DO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO CTN ESTABELECIDOS PARA O GOZO DA “IMUNIDADE” TRIBUTÁRIA Persiste discussão na doutrina nacional relativa aos requisitos necessários ao gozo do benefício tributário conferido pelo art. 195, § 7º da constituição Federal. Desta forma, considerando a avaliação daqueles que julgam necessário o atendimento ao disposto no art. 14 do Código Tributário nacional, apresentase a seguir uma exposição, com base na descrição dos fatos já relatados, quanto à inobservância também destes requisitos. Desta forma, qualquer que seja a tese adotada, fica evidente que o contribuinte fiscalizado também não atende aos mínimos requisitos impostos pela legislação, sendo imperativo o lançamento tributário consignado no Auto de Infração do qual este Termo de Verificação é parte integrante. A seguir extrato dos artigos 9º e 14 do CTN, Lei 5.172/1966 e suas alterações: Diante do exposto, como exaustivamente demonstrado ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, também com base nos artigos 9º e 14 do CTN, cabe suspender a imunidade tributária do contribuinte fiscalizado, Monte Tabor Brasil, HSR. A primeira premissa, com base no CTN, para o gozo da imunidade tributária, no caso do HSR, é ser considerada uma instituição de Assistência Social. Para tal, o que não poderia ser de outra forma, o que implicaria na extensão do benefício a todas as demais pessoas jurídicas que assim se auto denominassem, deve obedecer requisitos legais para tal. No caso da legislação nacional, devem ser observados os requisitos da Lei 12.101/2009, os quais, como já fartamente demonstrado acima, foram descumpridos. Merecendo destaque a falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Fl. 5269DF CARF MF 26 Social CEBAS, como descrito no item 4.1. Ou seja, não sendo reconhecida pelo ordenamento jurídico como sendo uma entidade de assistência Social, não há que se aplicar a imunidade conferida pela constituição a tais entidades. A obrigação imposta pelo art. 14 I foi descumprida pela distribuição dos resultados ou parcelas do seu patrimônio, como descritas no item 4.2, evidenciadas pelas fartas distribuições de resultados a empresa do grupo DELFIN, item 4.2.1, procedimento semelhante àquele verificado nas operações com o Centro de Hematologia e Terapia Celular, item 4.2.2, da farta distribuição de recursos aos seus Diretores, demonstradas no item 4.2.3, da realização de benfeitorias em imóveis de terceiros, item 4.2.4, ou ainda, da simulação quanto aos aluguéis pagos à Fondazione, demonstrado no item 4.2.5. Também a fraude demonstrada no item 5.0, que evidencia a constituição de um grupo empresarial entre o HSR, e as empresas OÁSIS e a Fondazione. Distribuição de resultados também presentes ao amortizar valores contabilizados como empréstimos cujas origens não foram comprovadas, como demonstrado no item 5.2. Além da farta distribuição de seus resultados, o planejamento tributário abusivo, através da venda do seu patrimônio, como demonstrado no item 5.1, demonstram o desvio de finalidade do HSR. (...) Diante do exposto, já que, não basta se autointitular Imune ao pagamento dos tributos devidos, no curso da presente ação fiscal, ficou evidenciado a ausência da presença dos mínimos requisitos para a fruição da autoimputada imunidade tributária. 7 – DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS Considerando os inúmeros fundamentos descritos neste Termo de Verificação Fiscal e na Representação para Suspensão da Imunidade, Anexo 58, que evidenciam o descumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei 12.101/2009, assim como, aqueles estabelecidos pelos artigos 9º e 14 do CTN, art. 32 da Lei 12.101/2009 e art. 12 da lei 9.532/97, combinados com o disposto no art. 144 do CTN, ambos transcritos parcialmente a seguir, foram lavrados autos de infração correspondente ao PIS, ao IRPJ e à CSLL do ano de 2010, objeto desta ação fiscal. (...) 7.1 – AUTO DE INFRAÇÃO PIS PAF – 10580. 720.132/201516 Com base nos valores apresentados como receitas mensais, identificados nos registros contábeis do contribuinte fiscalizado, consolidados e reconhecidos em planilha fornecida pelo contribuinte, foi lavrado Auto de Infração relativo ao PIS omitido tomando como Base de cálculo os valores correspondentes às Receitas apuradas, descontados os valores registrados como dedução de glosas e deduções de vendas de serviços. Receitas indicadas nas cópias dos balancetes mensais correspondentes às contas de receita, anexo 56, sendo utilizado como base de cálculo os valores correspondentes às vendas líquidas de serviços, indicados na planilha denominada “Composição Analítica do faturamento Mensal em 2010”, Anexo 57, fornecida pelo HSR em resposta ao Termo de Fiscalização 09, acrescida dos valores registrados na conta “Outras Receitas Fl. 5270DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 15 27 não operacionais”, código contábil 4301, cujos registros também encontramse no anexo 56. Os valores foram extraídos dos lançamentos contábeis em arquivo digital fornecidos pelo contribuinte, conferidos por amostragem com os registros do livro diário registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do 1o ofício em 13/06/2011, Livro A15 N. 32812, cujas cópias dos Termos de Abertura e Fechamento encontramse no anexo 56. Os valores apresentados pelo contribuinte foram conferidos e são correspondentes, conforme descrito a seguir, à composição das seguintes contas: Convênios: 3101010001 (Receita de Convênios) + 3101010004 (Receita Provisão faturamento do exercício) – 3101010005 (ajuste Faturamento Produção ano anterior); SUS: 3101010002 (Receita de Convênio SUS); Particulares: 3101010003 (Receita de Particulares); Prestação de Serviços a Terceiros: 3103 (Receitas de Prestação de Serviços a Terceiros); Deduções de Glosa + Deduções de Vendas de Serviços: 3102 (Deduções vendas de Serviços médicos hospitalares). Visando facilitar eventual defesa assim como, em havendo impugnação, também a análise por parte dos órgãos julgadores, os valores lançados foram separados em duas infrações distintas, uma tomando por base os valores correspondentes ao indicado como “vendas líquidas de serviços” no demonstrativo apresentado pelo contribuinte denominado “Composição Analítica do Faturamento Mensal em 2010”, anexo 57. E outra denominada “Outras receitas não operacionais”, utilizando como base os valores registrados na conta 4301, anexo 56. O HSR, como já foi fartamente demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, se autointitulou como entidade beneficente de assistência social e se beneficiou, também indevidamente, da isenção correspondente ao PIS. Os fatos apurados, conforme descrito no item 11 abaixo, também ensejaram a lavratura de Representação fiscal para suspensão da imunidade dos demais tributos. Apreciada e acatada a mencionada representação, resultando no Despacho Decisório, Anexo 60, e no Ato Declaratório, Anexo 61, no que diz respeito à apuração do PIS, as receitas constantes do art. 8º da Lei N.10.637/2002, e do art. 10 XIII da Lei N. 10.833, observado o disposto no art. 15 desta última Lei, entre as quais estão as receitas decorrentes de serviços hospitalares, estão excluídas do regime da nãocumulatividade, aplicandose uma alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo, o que significa também que os custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas não geram direito ao desconto de créditos. 7.3 – DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA As multas de ofício aplicadas nos créditos tributários constituídos nos Autos de Infração lavrados no curso desta ação fiscal, corresponderam ao percentual de 150%, aplicável sobre o valor do tributo apurado como devido. A multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/96, Art. 44, inciso I, cujo percentual de 75% foi duplicado em função do disposto no §1º do mesmo dispositivo legal, transcritos parcialmente a seguir, tendo em vista que o Fl. 5271DF CARF MF 28 sujeito passivo praticou atos enquadrados no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) O contribuinte fiscalizado, HSR, praticou atos, intencionalmente, visando sonegar tributos de sua responsabilidade, pela fraude demonstrada ao beneficiarse indevidamente de benefícios fiscais, mesmo não possuindo os requisitos legais exigidos para tal, como indicados no item 4, reforçado pela negativa do Ministério da Saúde, como descrito no item 4.1, quanto á renovação do certificado CEBAS. Tendo distribuído considerável parcela do seu patrimônio, como descrito no item 4.2, tanto a empresas privadas, criadas para tal fim, itens 4.2.1, 4.2.2, assim como através de uma enorme transferência de recursos, de forma irregular, para seus Diretores, item 4.2.3. A intenção dolosa remonta ao ano de 1995, quando foi firmado contrato de mútuo, cujos efeitos persistem até o período fiscalizado, ano de 2010, cujos valores informados como tendo sido emprestados pela Fondazione ao HSR, não tiveram a sua efetiva comprovação de ingresso no sistema financeiro nacional, como demonstrado no item 5.2. A relação com a Fondazione, integrante do mesmo grupo empresarial com o HSR e com a empresa OÁSIS, como descrito no item 5.0, também envolve uma alienação do seu patrimônio imobiliário, com posterior pagamento de aluguéis, cuja efetiva transferência da Fondazione para o HSR não foram adequadamente demonstrados, como descrito no item 5.1. Valores contabilizados como aluguéis que nunca foram transferidos ao titular nominal dos imóveis locados.Tendo os valores registrados contabilmente sendo transferidos mensalmente para amortização da dívida, cuja origem não pode ser comprovada, além de custear despesas de manutenção dos Diretores estatutários. 8 – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Considerando os fatos acima relatados, foram lavrados “Termo de Ciência de lançamento e encerramento parcial do procedimento fiscal”, cientificando os sujeitos passivos discriminados a seguir, que ficam sujeitos de maneira solidária com o contribuinte “Monte Tabor Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária”, HSR, em relação aos créditos tributários lançados na presente ação. Foram todos intimados, nos mesmos termos, a extinguir os créditos tributários constituídos pelos lançamentos de ofício, sendo cientificados de todos os elementos do processo, dos quais receberam cópias. Os fatos que ensejam esta convicção estão descritos no presente termo, em cada uma das infrações apuradas que ensejou a qualificação da multa, tratada no item 7.2, que evidencia a participação dos sujeitos passivos solidários, assim como a imputação que lhes é imposta. 1 Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, CNPJ 05.842.123/000193, dados cadastrais RFB, ANEXO 34, cadastrada como Fundação ou associação domiciliada no exterior, tem como domicílio a Itália e como responsável perante a RFB, a Diretora do HSR, já identificada no item 1.2 acima, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, empresa integrante do mesmo grupo econômico do HSR, como descrito no item 5.0, beneficiária diretamente das fraudes caracterizadas na presente ação fiscal, com participação ativa para sua concretização. Face Fl. 5272DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 16 29 à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 124 da Lei 5.172/66, já que evidenciado o interesse comum das situações que constituíram os fatos geradores das obrigações cujos créditos foram constituídos na presente ação; 2 OÁSIS Administração LTDA, CNPJ 09.238.244/000181, dados cadastrais, anexo 35, pertencente, conforme contrato social, ANEXO 35, 90% à Fondazione e 10% a Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.801 04, tendo como objeto social a atividade de prestação de serviços de administração de bens móveis, semoventes e ou imóveis, que tem como administradora, Liliana Ronzoni CPF 398.802.90500, Diretora do HSR, empresa integrante do mesmo grupo empresarial do HSR, juntamente com a Fondazione, como demonstrado no item 5.0, e com atuação direta para a implementação da fraude evidenciada no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 124 da Lei 5.172/66, já que evidenciado o interesse comum das situações que constituíram os fatos geradores das obrigações cujos créditos foram constituídos na presente ação; 3 Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, Diretora Conselheira e também Diretora Médica do HSR, Representante perante a RFB e administradora da Fondazione, e administradora da OÁSIS, à época dos fatos apurados na presente ação fiscal, persistindo até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OÁSIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966; 4 Laura Ziller, CPF 124.251.41553, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, dados cadastro CPF no anexo 2, VicePresidente executiva do HSR, até o falecimento do então Presidente Luigi Verge, falecido em 31/12/2011, após o que passou a exercer a função de Diretora presidente, representante perante a RFB e administradora do HSR, situação que persiste até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OÁSIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966. As Diretoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni, às quais se imputa a sujeição passiva solidária, atuam ativamente na administração do HSR e também da Fondazione e OÁSIS, tendo inclusive assumido pessoalmente o gravame de parte dos imóveis registrados em nome da Fondazione em garantia a empréstimo do HSR junto ao Banco do Nordeste do Brasil, como descrito no item 5.0 acima. Cópias dos elementos de prova no Anexo 33F. Fl. 5273DF CARF MF 30 Em relação às Diretoras do HSR, Laura Ziller e Liliana Ronzone, face às quais foram imputadas as infrações na qualidade de responsáveis solidárias, conforme evidenciado através das respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, DIRPF, correspondentes aos períodos de apuração de 2010 a 2013, cópias nos anexos 54 e 55, indicam que não recebem diretamente remuneração do HSR. No entanto, ambas declararam ter recebido rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, conforme planilha abaixo, valores estes que foram objeto de Termos de Diligências específicos, anexo 1, visando esclarecer a origem dos rendimentos declarados. Na resposta ao Termo de Diligência 01, Laura Ziller afirma que os rendimentos declarados “são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Liliana Ronzoni, afirma que: “Os rendimentos declarados nas DIRPF correspondentes aos períodos de apuração compreendidos entre o ano de 2010 e julho/2012, e informados no campo, rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, são oriundos de valores recebidos na Itália a título de salários recebidos da Fondazione Centro San Raffaele. Os rendimentos compreendidos entre o período de agosto de 2012 e o ano de 2013 são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Merece destaque, em relação à resposta da Diretora Liliana Ronzoni o fato de que afirma, que, no período submetido à presente ação fiscal, recebeu rendimentos da Fondazione, a qual, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, constitui, com o HSR, um mesmo grupo econômico. Tal remuneração, considerando que exerce a atribuição de Diretora do HSR, só pode decorrer do exercício desta atribuição. Na mesma resposta, a Diretora Liliana Ronzoni afirma que: “o valor recebido é depositado em conta bancária naquela localidade. Meus gastos pessoais aqui no Brasil são pagos com cartão de crédito internacional e debitados diretamente na referida conta, no exterior”. De tal afirmação, merece destaque, além do fato de afirmar possuir conta no exterior não declarada na DIRPF, o fato de atestar que a sua manutenção é custeada pela Fondazione. (...) 9 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS PAF – 10580720.338/201546 Em conformidade com a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, com as alterações da Portaria RFB nº 3.182, de 29 de julho de 2011, foi elaborada uma Representação Fiscal para Fins Penais, face às pessoas físicas qualificadas abaixo, já que, de acordo com o já descrito e demonstrado neste Termo de verificação, atuaram de forma combinada e coordenada visando fraudar a legislação tributária (...) (...) 10 – DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DOS DEMAIS TRIBUTOS PAF – N. 10580.726.137/201471 Tomando por base os fatos apurados no curso da ação de diligência N. 05.1.01.00.2013010560 e da ação de fiscalização N, 05.1.01.002014001034, que culminaram com a lavratura do Auto de Infração relativo à COFINS, PAF Fl. 5274DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 17 31 10.580.726.134/201438, descritas no presente Termo de Verificação fiscal, foi lavrada Representação Fiscal para suspensão da imunidade, cientificada ao contribuinte, o qual, no prazo legal, apresentou contestação, estando a representação e demais elementos probatórios anexados ao Processo Administrativo Fiscal 10580.726.137/201471. Sendo acatadas pela autoridade competente as razões apresentadas pela fiscalização, culminando com emissão do despacho decisório e Ato Declaratório Executivo, Anexos 60 e 61. A contribuinte, pessoa jurídica, e os quatro responsáveis tributários, duas jurídicas e duas pessoas físicas, foram cientificados regularmente da autuação e apresentaram Impugnações tempestivas, a saber (informações na fl. 4185): A contribuinte contesta o lançamento (fls. 3308/3390), produzindo alegações sobre o seguinte: ausência de grupo econômico com FONDAZIONE CENTRO SAN RAFFAELE DEL MONTE TABOR e a OÁSIS ADMINISTRAÇÃO LTDA, de responsabilidade solidária e de responsabilidade das administradoras autuadas; atividades da instituição autuada, que possui diversas unidades dedicadas à saúde e serviço social, atendendo também pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e com projetos na área de inclusão digital e de ensino e pesquisa, permitindo concluir, segundo afirma, que a Impugnante "é uma das maiores e mais aparelhadas entidades filantrópicas do Estado da Bahia, de fundamental importância para o atendimento integral, resolutivo e especializado as usuários do Sistema único de Saúde e aos carentes" (mais adiante defende ser imune); preliminar de nulidade do lançamento, por inépcia da autuação e ofensa ao direito à ampla defesa e contraditório (itens 2.1 e 2.2 da peça impugnatória); existência de depósito em juízo, no bojo da Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela nº 2005.34.00.0167260, ajuizada em Brasília (itens 2.3 a 2.6 da peça impugnatória); inobservância do limite do período autuado e "ocorrência de decadência", por ter a fiscalização discutido fatos ocorridos em 2003 e 2007, apesar da autuação se referir aos períodos de apuração do ano de 2010; imunidade tributária da entidade autuada (aos impostos e às contribuições para a seguridade social), nos termos dos arts. 150, VI, "c", e 195, § 7º, da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN, quando requer perícia, indicando assistente técnico e quesitos sobre sua contabilidade (fls. 3336/3337) e argúi que "todas as exigências restritivas contempladas no art. 55 da Lei 8.212/91, na MP 446/08 ou na lei 12.101/09 são flagrantemente inconstitucionais e por isso devem ser desconsideradas" (fl. 3342). Fl. 5275DF CARF MF 32 evolução dos conceitos relacionados às filantrópicas e o regime "cumpriu a letra e o espírito da lei, agiu com boafé e não se desviou dos propósitos que animam a instituição filantrópica"; atendimento aos requisitos da imunidade (ou isenção), inclusive os incisos II e V do art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009, ponto em que refuta a atuação defendendo que os contratos de prestação de serviços com a Delfin Médicos Associados e o Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples LTDA não acarretam distribuição dos resultados ou parcelas do seu patrimônio. Requer perícias, indicando assistente técnico e quesitos sobre esses dois contratos (fls. 3361 e 3365). permissão para remuneração dos diretores, estatutários ou não, mesmo quando exerçam contemporaneamente outra função, invocando a Lei nº 12.683, de 2013, que alterou a Lei nº 12.101, de 2009. Requer perícia, indicando perito e formulando quesitos sobre remunerações e trabalhos desenvolvidos pelas pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller (fl. 3377); realização das benfeitorias no imóvel em que funciona nos termos do contrato com a Fondazione Centro San Raffaele de Milano, com o valor respectivo compensado, em janeiro de 2013, com créditos que esse locador possuía junto à contribuinte, estes decorrentes de aluguéis e de valores a receber relativos a mútuo devidos pela contribuinte (locatária e mutuária). Requer uma última diligência, informando assistente técnico e formulado quesitos sobre tais benfeitorias (fl. 3380); direito ao CEBAS, já que a decisão que indeferiu a sua renovação encontrase sob recurso, não tendo havido, ainda, uma solução a respeito; desproporcionalidade da multa aplicada, que reputa ofensiva aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além de confiscatória; necessidade de acréscimo à Impugnação, com produção e juntadas e novas provas, documentais ou de qualquer outra natureza; manifestação para fins penais, que considera precipitada, haja vista o art. 83 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 43 da Lei nº 12.350, de 2010. Em relação aos depósitos judiciais e à Ação Ordinária nº 2005.34.00.0167260, a contribuinte afirma o seguinte (fls. 3328/3329): 2.3 Da precaução contida no depósito em juízo. Impossibilidade de cobrança administrativa. Malgrado não seja a Autuada contribuinte de PIS, face à imunidade que se lhe recobre, o fato é que, como eram tantas e tamanhas as cobranças, resolveu propor, nos idos de 2005, uma ação judicial que lhe resguardasse a paz e a tranquilidade, para que pudesse dirigir a sua energia para o atendimento de sua vocação e finalidade estatutárias. A tal ação, inclusive, ordinária com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, foi tombada sob o número 2005.34.00.016726 0, e ajuizada em Brasília. Nesta foi concedida a antecipação para permitir que, enquanto se discutisse, o Autuado recolhesse o que lhe era cobrado em juízo, fazendo incidir, portanto, a inexigibilidade da cobrança, que se processa mediante o depósito, em face do que estabelece o art. 151, II, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Fl. 5276DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 18 33 (...) Anexase, para provar o alegado, a petição inicial da ação com o carimbo da sua distribuição (doc. 39), a sentença nela proferida (doc. 40), as razões de recurso (doc. 41), mas, sobretudo, o comprovante dos depósitos em juízo dos valores relativos ao exercício de 2010, ora cobrado (doc. 42). Verificase, então, que a presente autuação, a seu modo, contraria expressa ordem judicial, promovendo cobrança indevida por motivos de direito substantivo, mas também adjetivo. Ora, se houve o depósito em juízo, podese até mesmo afirmar tenha havido uma forma especial de cumprimento de obrigação, representada pela consignação em pagamento, tal qual emoldurado no art. 334 do CC, que consigna considerarse pagamento, capaz de extinguir a obrigação, “o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e formas legais”. Somente não se pode falar propriamente de pagamento na hipótese, porque, no caso, não há a obrigação de pagar, mas é certo que o eventual credor ficou com seu direito resguardado e a exigibilidade do crédito restou suspensa, por expressa disposição de lei. Incabível, então, a cobrança administrativa. Esta se afigura, até, com o perdão do registro, inútil, à míngua de interesse processual, posto que, caso o Autuado malogre na ação judicial em questão, não terá o Fisco necessidade de fazer uso da presente autuação, bastando requerer o levantamento dos depósitos consignados. Deste modo, seja (i) por contrariar ordem judicial, (ii) por inobservar o prescritivo legal que impõe a suspensão da exigibilidade, (iii) por cobrar sem que haja risco de perecimento do Direito, cumpre extinguir a presente autuação no seu nascedouro, até mesmo porque o tema já vem sendo discutido em sede judicial. 2.4 Prejudicialidade Na hipótese, em que não se acredita, de não se reconhecer a ausência de interesse em autuar, para extinguir a autuação, que ao menos se reconheça haver uma prejudicialidade externa (existência de ação judicial onde se procedeu aos depósitos do quanto é cobrado, doc. 42) que impede o livre prosseguimento da autuação, que somente pode ser retomada após o julgamento meritório e final da ação judicial. 2.5. Existência de ação judicial com depósito impede a cobrança de multa e outras parcelas acessórias. Em qualquer circunstância, a presença da ação judicial em que, espontaneamente e de boafé, o Autuado deposita em juízo as parcelas do PIS, sem, contudo, reconhecer devidos, afasta peremptoriamente a ocorrência de dolo, fraude, sonegação, má fé ou outro argumento desta jaez utilizado para exigir uma multa exorbitante e qualificada. Em verdade, a rigor, nenhuma parcela acessória multa, juros, correção e quejandos pode ser devida, na justa medida em que o valor depositado já é atualizado pela instituição bancária, e, Fl. 5277DF CARF MF 34 considerando que é depositado desde 2005, jamais se pode cogitar de impontualidade. Assim, que se afaste a cobrança das parcelas acessórias, responsável, no caso, por quase 70% (setenta por cento) do quanto cobrado, malgrado, repitase, na hipótese nada seja devido, porque protegido o Autuado pelo manto da imunidade tributária, tal qual será adiante demonstrado. 2.6. Da natureza não explicativa dos cálculos apresentados. Nulidade do auto. De outra banda, cumpre notar que os cálculos apresentados pelo Fisco não explicam o motivo pelo qual fizeram incidir a alíquota do PIS sobre a receita da entidade, quando tenha esta optado, ao realizar os depósitos judiciais, mas sem reconhecer a obrigação de pagar, por cautela máxima e invocando a sua imunidade como fundamento da ação da qual emergem os depósitos, quando tenha esta optado, repitase, por recolher sobre a folha de pagamento, prerrogativa garantida pela legislação de regência. À míngua de explicações, o cálculo do quantum debeatur se apresenta, além de exorbitante e equívoco, não devidamente explicado, o que por igual importa na nulidade do auto de infração. Na conclusão a contribuinte afirma e requer o seguinte: Do exposto e tudo considerando, promove a integral impugnação do auto de infração para cobrança do PIS, genérica e especificamente, bem como de todos os argumentos contidos na presente fiscalização contrários aos interesses do Impugnante, ficando certo que o que aqui se promove, direta ou indiretamente, é uma impugnação total de todo o conjunto de auto de infração, processos e representação que integram a iniciativa administrativo fiscal e tudo quanto lhe fora com a presente Requer sejam admitidas as preliminares para encerrar a presente apuração extinguindo a pretensão arrecadatória ou, ao menos, suspendêla. De tudo quanto exposto no mérito da presente Impugnação não há como prosperar a pretensão arrecadatória, que deve ser indeferida, como também indeferido o auto de infração. D’outra sorte ainda que tudo seja desprezado, restará a natureza imune da Instituição, como lhe garante a Constituição Federal, que impede a cobrança ora realizada. Demais disso, cabe impugnar, ainda, as conclusões contábeis e pugnar pela realização de exauriente instrução, que não poderá dispensar as diligências periciais solicitadas, bem assim demais provas necessárias à apuração e alcance da verdade, o que desde já requer, como a oitiva de testemunhas, juntada de novos documentos como prova e contraprova, perícia contábil econômica e de qualquer outra natureza, inspeção, e tudo o mais que se revele útil ao alcance pleno da verdade. Em qualquer circunstância, se por máximo absurdo considerar se a entidade autuada como Devedora, ainda assim nada haveria a cobrar, posto que efetuou em juízo o depósito do quê cobrado. A FONDAZIONE CENTRO SAN RAFFAELE DEL MONTE TABOR e a OÁSIS ADMINISTRAÇÃO LTDA, autuadas na condição de responsáveis tributárias, apresentaram Impugnação conjunta (fls. 2996/3041), alegando basicamente o seguinte: Fl. 5278DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 19 35 nulidade do Auto de Infração, por ausência de descrição correta dos fatos, suspensão da exigibilidade em face dos depósitos judiciais e impossibilidade de retroação do § 1º do art. 26 da Lei nº 12.101, de 2009, incluído pela Lei nº 12.868, de 2013 (segundo o qual o recurso contra indeferimento do CEBAS não impede o lançamento de ofício do crédito tributário) para atribuição de responsabilidade a terceiro e atingir os fatos geradores de 2010; inexistência de grupo econômico com a contribuinte autuada e impossibilidade de solidariedade para fins tributários; ilegalidade da multa aplicada, por inexistência de dolo, já que a contribuinte detinha o CEBAS em 2010, e ainda por violar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e do não confisco; indevida manifestação para fins penais, por precipitação, haja vista o art. 83 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 43 da Lei nº 12.350, de 2010. Ao final as duas pessoas jurídicas responsabilizadas requerem "a nulidade do auto de infração, afastar a alegação de grupo econômico, inclusive para fins tributários, na forma da legislação, doutrina e jurisprudência, a fim de, ao final, julgar improcedente a atribuição de responsabilidade por solidariedade, apontada com base no art. 124,1 do CTN, excluindo do pólo passivo da autuação a FONDAZIONE e a OÁSIS." A responsável tributária LILIANA RONZONI, na sua Impugnação específica (fls. 2959/2989), afirma que "não pode ser considerada pessoalmente responsável com relação a eventual débito tributário do MONTE TABOR uma vez que não pratica atos de gestão administrativa ou financeira na referida entidade, exercendo na mesma apenas a função de Diretora Médica, atribuição com competência exclusivamente técnica na área de saúde", e alega: impossibilidade de retroação do § 1º do art. 26 da Lei nº 12.101, de 2009, incluído pela Lei nº 12.868, de 2013 (que passou a permitir o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente a período sob recurso por parte da entidade com concessão ou renovação do CEBAS indeferido) para atribuição de responsabilidade a terceiro e atingir os fatos geradores de 2010 (a presente alegação também foi levantadas pelas duas pessoas jurídicas responsabilizadas e pela pessoa física LAURA ZILLER); a Dra. Liliana Ronzoni é uma médica italiana que veio para o Brasil em agosto de 1984, como missionária leiga, munida do espírito que norteia os membros da Associação Sigilli. Possui 63 anos, é solteira e não tem filhos, dedicandose, em tempo integral, ao desenvolvimento de obra assistencial para a qual empenhou toda sua vida, sem qualquer finalidade econômica ou retribuição material. Como diretora médica do Hospital São Rafael é incumbida de "promover, dirigir, orientar, coordenar, supervisionar e avaliar as atividades pertinentes às ações da área da saúde", com as atribuições que enumera (ver fls. 2968/2970) e sem participar de decisões relativas à gestão administrativa financeira da atividade hospitalar; Fl. 5279DF CARF MF 36 que no ano de 2010 também participou do Conselho de Administração do MONTE TABOR, como Diretora Conselheira, possuindo "atribuições meramente consultivas" (menciona, neste ponto, os artigos 31, "e", e 33 do Estatuto da pessoa jurídica autuada como contribuinte; todas as atividades desenvolvidas, seja como diretora médica, seja como Conselheira, são prestadas em caráter voluntário, sem contraprestação financeira, ficando impugnadas as alegações formuladas no auto de infração no sentido de que a impugnante teria recebido qualquer vantagem pecuniária; observase pela "Declaração de Rendimentos que (...) não aufere remuneração do MONTE TABOR assim como não possui qualquer patrimônio em seu nome, dedicando sua vida a obras assistenciais no cumprimento de propósitos cristãos"; o fato de possuir procuração outorgada pela FONDAZIONE e ser designada como administradora da OÁSIS não pode servir como fundamento para inclusão como responsável tributária por eventual débito do MONTE TABOR; a FONDAZIONE, para atender requisito formal da legislação brasileira, elegeu seu representante perante o CNPJ por meio de instrumento de procuração, nomeandoa; não há nenhum exagero na afirmativa de que a mandatária figurava como mera “assinante de papéis” porque, em verdade, não possuía qualquer autonomia de gestão, mas limitavase a cumprir as instruções que lhe eram repassadas para uma atividade, como visto, singela, de mera manutenção de um imóvel residencial e uma fazenda; a partir da concordata da FONDAZIONE pelo Tribunal de Milão, deixou de manter contato ou ter ciência dos acontecimentos relacionados a essa entidade, daí ter respondido ao Auditor Fiscal, no curso da fiscalização, que não possuía as informações solicitadas com relação a FONDAZIONE, declarando que “atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor.”; por orientação expressa feito pelo comissário Brambilla que integra a comissão designada pelo Tribunal de Milão, quando em visita ao Brasil, continuou como mandatária da Fondazione, muito embora já sem qualquer relação pessoal com os seus administradores judiciais; impossibilidade da responsabilização, por não ter atuado com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto e por inexistir previsão legal para imputar aos membros do Conselho de Administração, sem poderes de mando e gestão de associações civis sem fins econômicos, a condição de responsáveis solidários por eventuais débitos devidos pela associação (alegação semelhante também foi levantada pela pessoa física LAURA ZILLER); ilegalidade da multa aplicada, por inexistência de dolo e fraude, já que a contribuinte detinha o CEBAS em 2010, e ainda por violar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e do nãoconfisco (esta alegação também é levantada pelas duas pessoas jurídicas autuadas como responsáveis tributárias); indevida manifestação para fins penais, por precipitação, haja vista o art. 83 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 43 da Lei nº 12.350, de 2010. Na conclusão requer seja afastada a "responsabilidade pessoal da Dra. LILIANA RONZONI na forma da legislação, doutrina e Fl. 5280DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 20 37 jurisprudência, a fim de, ao final, julgar improcedente a atribuição de responsabilidade apontada com base no art. 135 do CTN, excluindo do pólo passivo da autuação a requerente." Por fim, numa quarta peça impugnatória (fls. 3268/3279) a responsável tributária LAURA ZILLER, depois de mencionar aspectos de sua via pessoal, como cidade onde nasceu e atividades profissionais, afirmando que "deixou a convivência com os seus familiares e sua terra natal para habitar em bairro pobre de Salvador e que dedicou toda a sua vida, e continua dedicando, para prestar solidariedade ao próximo, que se vê, por hora, injustamente envolvida em obrigação inexistente e que, acaso existente, não seria de sua responsabilidade", alega em resumo o seguinte: preliminarmente, nulidade da autuação, por imprecisão da base legal e não ter deixado claro se a responsabilidade tributária foi atribuída com por infração ao art. 135 ou ao art. 124, I, ambos do CTN, por cerceamento do direito de defesa e por ausência de individualização dos atos irregularmente praticados; impossibilidade da responsabilização, por não ter atuado com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto (esta alegação é detalhada no penúltimo item da peça impugnatória, onde argúi inexistir previsão legal para imputar aos membros de uma associação civil a condição de responsáveis solidários por eventuais débitos devidos pela pessoa jurídica); impossibilidade de retroação do § 1º do art. 26 da Lei nº 12.101, de 2009, incluído pela Lei nº 12.868, de 2013 (que passou a permitir o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente a período sob recurso por parte da entidade com concessão ou renovação do CEBAS indeferido) para atribuição de responsabilidade a terceiro e atingir os fatos geradores de 2010 (a presente alegação também foi levantadas pelas duas pessoas jurídicas responsabilizadas, como relatado mais acima); indevida manifestação para fins penais, por precipitação, haja vista o art. 83 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 43 da Lei nº 12.350, de 2010. Na conclusão, a pessoa física LAURA ZILLER requer seja afastada sua responsabilidade pessoal, "a fim de, ao final, julgar improcedente a atribuição de responsabilidade apontada com base no art. 135 ou 124, I, ambos do CTN, excluindo a Peticionária do pólo passivo da autuação." A diligência inicial determinada por esta 2ª Turma resultou na Informação Fiscal nº 573/2015 (fls. 4303/4306), onde a fiscalização primeiro dá conta do seguinte: De início convém salientar já ter sido objeto de apreciação deste Grupo de Ação Judicial – SECAT, a ação ordinária em comento, satisfatoriamente escandida através de procedimento de auditoria interna, acarretando a criação do PAF nº 10580.722486/201171, cujo controle abarca créditos tributários confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF para o mesmo período de apuração sob exame, de 01/2010 a 12/2010, dentre outros [fls. 4.244/4.256]. Fl. 5281DF CARF MF 38 Por essa razão, é conveniente utilizarse de narrativa já descerrada. (...) '2. Tratase de Ação Ordinária proposta pelo contribuinte com o fito de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigue ao recolhimento do PIS e, como conseqüência a devolução dos valores recolhidos indevidamente, sob o argumento de que o art. 195, § 7° da CF/88 teria outorgado ‘imunidade’ de contribuição para a seguridade social ao grupo de entidades sem fins lucrativos com atividades assistenciais e filantrópicas, ao qual alega pertencer [fl. 10/13]. 3. Em primeiro grau de jurisdição foi deferida medida liminar, confirmada posteriormente em sentença de procedência parcial do pedido – publicada em 02/05/2007 (fl. 11) –, proferida no sentido de limitar o direito à restituição do PIS às contribuições recolhidas pelas autoras anteriormente à vigência da MP 1.212/95, observada a prescrição das parcelas recolhidas antes de junho de 1995. Irresignadas, ambas as partes interpuseram recurso de Apelação, os quais permanecem aguardando julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim como a Remessa Oficial (fls. 25/26). 4. Em virtude da existência de depósitos judiciais em montante integral dos débitos discutidos [conta nº 3911/635/00955668 – fls. 37], inaugurouse o presente processo administrativo, com a transferência dos débitos do SIEF/FISCEL para o SIEF/PROCESSO (extrato às fls. 27/30), com posterior suspensão dos créditos tributários no SIEF/COBRANÇA (fls. 38/41). 5. Salientese que foi encaminhado o Memorando GAJ n° 12/2011 à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ/SDR a fim de sugerir a exclusão dos fatos geradores de junho/2006, julho/2006, fevereiro/2007, abril/2007 e julho/2007 do Auto de Infração que originou o PAF n° 10580.720824/200916, que está com carga para aquele órgão administrativo. Isto porque os referidos períodos de apuração foram incluídos em procedimentos de fiscalização externa no Auto de Infração em questão, não obstante terem sido confessados em DCTF (ativa) pelo contribuinte, antes mesmo do início da ação fiscal. Para mais informações, vide cópia do citado Memorado às fls. 42/43.' (...) Após o advento da sentença de mérito [fls. 4.229/4.329], parcialmente favorável à Autora, e da oposição de embargos de declaração, que foram rejeitados [fl. 4.227], ambas as partes interpuseram recursos de apelação, pela lei recebidos nos feitos devolutivo e suspensivo, cujas apreciações ainda pendem de julgamento definitivo pelo tribunal Regional Federal da 1ª Região [fls. 4.226, 4.240]. Administrativamente, fezse constar às fls. 3.239/3.264 destes autos cópias dos DJE [Documentos para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente] referentes, supostamente, aos créditos tributários constituídos mediante o lançamento deste auto de infração. Dedicouse, a partir de então, a compulsar os autos do PAF nº 10580.722486/201171, donde se inferiu que tais depósitos judiciais, confirmados pelo SIEF [fls. 4.264/4.302], para além de Fl. 5282DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 21 39 ainda se encontrarem à disposição da justiça, estão vinculados aos débitos confessados em DCTF pela própria contribuinte, garantindolhes a condição suspensiva, posto que no montante integral. Em síntese, as vinculações foram conformadas segundo a tabela abaixo (relaciona na fl. 4305 os valores dos depósitos judiciais correspondentes aos períodos de apuração do Auto de Infração, ao lado dos vencimentos e das datas de arrecadação, estas anteriores àquelas). (...) Por fim, cabe corroborar a existência dos depósitos judiciais, conta nº 3911/635/00955668, associados à Ação Ordinária nº 2005.34.00.0167260 [001669573.2005.4.01.3300], distribuída em 08/06/2005 para a 21ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia, proposta pelo contribuinte com o fito de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigue ao recolhimento do PIS, sob o argumento de imunidade estabelecida pelo art. 195, § 7° da CF/88 a grupo de entidades sem fins lucrativos com atividades assistenciais e filantrópicas, consignando ainda estarem tais valores afetados ao controle do crédito tributário controlado mediante o PAF nº 10580.722486/201171. Ao final, o Serviço de Fiscalização da DRF em Salvador considera e conclui como segue (TERMO DE DILIGÊNCIA de fls. 4307/4308, repetido às fls. 4310/4311): A compensação pleiteada pelo contribuinte na impugnação ao Auto de Infração lavrado não deve prosperar uma vez que os depósitos judiciais não correspondem à quitação do crédito tributário lançado, necessitando para tal o reconhecimento por parte do Poder Judiciário. Diversas decisões judiciais firmam jurisprudência neste sentido. Na aludida ação judicial, discutese ser indevido o PIS sobre a folha de pagamento que seria devido na auto proclamada condição de entidade isenta. Já o lançamento tributário objeto de impugnação e que ensejou a presente diligência, decorre de lançamento tributário de PIS sobre o faturamento, com multa qualificada em decorrência das inúmeras fraudes apuradas que afastaram, de maneira inequívoca a condição de isenção a que se atribuía o contribuinte diligenciado. Na forma estabelecida no art. 89 da Lei 8.212/91, por falta de previsão legal, já que o alegado crédito, consubstanciado através dos valores depositados judicialmente, além de não corresponder ao débito que se propõe compensar, requer uma manifestação judicial, no âmbito do processo ordinário que autorizou o depósito, para que tais valores sejam apropriados à quitação de débitos diversos daquilo pleiteado juridicamente. Corrobora o entendimento de não ser cabível a compensação pleiteada o disposto no §10 do mesmo artigo que estabelece: 'Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito a multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1966, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente Fl. 5283DF CARF MF 40 compensado'. Acatar a compensação de valores depositados em juízo decorrente do pleito de sequer pagar o valor que seria devido, com base no PIS apurado sobre a folha de pagamento, se fosse válida a auto proclamada condição de entidade isenta, conforme pleiteado, significaria beneficiar o contribuinte que, de forma fraudulenta, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que consolidou o lançamento impugnado, além de não fazer jus à isenção, utilizouse de diversos artifícios para ocultar da administração tributária a sua real condição. Diante do exposto, conforme proposto pelos Auditores Fiscais proponentes da diligência, firmo entendimento e manifesto, de forma conclusiva quanto a não ser cabível, sem que haja determinação judicial neste sentido, destinação dos valores depositados em juízo no âmbito da ação ordinária n. 2005.34.00.0167260, para quitação de créditos tributários de origem diversa àquilo pleiteado na aludida ação judicial.a autoridade administrativa. Pronunciandose sobre o resultado dessa primeira diligência, a contribuinte apresenta o requerimento de fls. 4392/4394, onde argúi que o parecer da diligência (referência às fls. 4303/4306) "deixa claro que o objeto da autuação coincide com o objeto da ação ordinária" que redundou nos depósitos em juízo; que referidos depósitos não implicam em confissão de dívida, estando a questão pendente de solução judicial final; e que a identidade entre o objeto da ação judicial e o Auto de Infração "não pode ser mais discutida porque já fora objeto de reconhecimento às fls. 4244 a 4256" (referência ao processo nº 10580.722486/201171 e à REPRESENTAÇÃO Nº 83/2011, relativa ao controle dos valores depositados judicialmente e confessados em DCTF). Ao final, requer "que as conclusões da auditoria interna, na parte que beneficiam o Autuado, sejam chanceladas, para reconhecendo procedência à preliminar antes invocada, proceder à extinção prematura da autuação, ou o julgamento improcedente do auto ou procedente à sua impugnação, pede juntada e deferimento, na esperança de que se reconheça que o imposto que vem sendo cobrado já foi judicialmente depositado, promovendose a suspensão da exigência tributária e inviabilizando a autuação." Também se pronunciando sobre o resultado da diligência inicial, as pessoas jurídicas Fondazione Centro S. Raffaele del Monte Tabor e Oásis Administração LTDA alegam a improcedência do Auto de Infração e requerem "seja dado prosseguimento ao julgamento, acolhendose a preliminar para julgar improcedente a autuação" (ver fls. 4387/4388). A Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor Oásis Administração Ltda Fondazione e a Oásis Administração LTDA também solicitaram, na mesma data em que se manifestaram sobre o resulta da diligência (03/02/2016), a juntada de documentos com justificativa à RFB quanto à venda dos imóveis à Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, aos empréstimos, a benfeitorias, haveres e deveres e aos valores pagos à (fls. 4333/4384). Em 29/07/2016 a contribuinte Monte Tabor ingressou com as razões adicionais de 4425/4436, alegando que devem ser desconsiderados todos os fatos ocorridos há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração (menciona as relações com o Sr. Fl. 5284DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 22 41 Andrea Graziera, que se iniciaram em 2003 e findaram em 20/10/2009, e todos os atos relacionados às operações de imóveis, desde 1994 e até 01/04/2004, quando se fez o último pagamento pela compra) e rebatendo a autuação no tocante à prestações de serviços envolvendo o grupo Delfin e o Centro de Hematologia, à remuneração dos diretores e às operações com imóveis. Ao final das razões adicionais a contribuinte Monte Tabor reitera o pedido para que seja julgada procedente a Impugnação e requer diligência, afirmando que "A comprovação dos fatos aqui alegados que não se fez oportunamente porque a fiscalização sequer analisou os livros fiscais e contábeis do Impugnante, como era de rigor exige a baixa dos autos em diligência..." e juntando os documentos de fls. 4456/4507 (repetição das fls. 4333/4384, acima referidas) e de fls. 4508/4522, estas com cópia de recurso hierárquico ao Ministro da Saúde, datado de 03/03/2016 e relativo ao indeferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da contribuinte Monte Tabor para o triênio 2006/2008 (processo MS SIPAR nº 25000.023577/5201009, CNAS nº 71010.001893/200986). Na segunda diligência a fiscalização, seguindo a determinação desta 2ª Turma, computou os depósitos judiciais vinculados à Ação Ordinária nº 2005.34.00.0167260 (0016695 73.2005.4.01.3300) e apurou os valores demonstrados na fl. 4589. No item 1 do relatório de fls. 4533/4536 (o item 2 diz respeito a diligências determinadas pela 4ª Turma desta DRJ, para a qual foram sorteados os processos nºs 10580.726.134/201438, 10580.726.137/201471 e 10580.720128/201558, relativos, respectivamente, a Auto de Infração da Cofins, de suspensão de imunidade e isenção e Auto do IRPJ), a fiscalização informa o seguinte, sobre os procedimentos desta diligência: Providências demandadas através da resolução: a) Cálculo dos valores do PIS faturamento lançados no Auto de Infração seja refeito, com a redução correspondente aos valores dos depósitos judiciais vinculados à Ação Ordinária n. 2005.34.00.0167260. O HSR foi cientificado da resolução indicada acima juntamente com o termo de diligência 02. Sendo mais uma vez cientificado através de mídia não regravável encaminhada juntamente com o presente relatório. Os sujeitos passivos solidários também foram cientificados do presente Relatório acompanhados de mídia contendo cópia da supramencionada resolução. Em Anexo ao presente relatório de diligência, incluídos no PAF correspondente, cópias dos seguintes documentos, obtidos através de sistemas da RFB: Doc 1 – Extrato Auto de Infração PIS Faturamento – 2010; Doc 2 – Depósitos PIS Folha PA 2010; Doc 3 – Extrato DCTF – PIS Folha 2010; Doc 4 – Extrato PAF – 10580.722.486/201171. (...) Merece destaque o fato de que a sugestão contida no Memo GAJ/DRFSDR n. 12/2011, mencionado no relatório da Fl. 5285DF CARF MF 42 resolução 11001.997, quanto à exclusão dos fatos geradores contidos no Auto de Infração que originou o PAF n. 10580.720824/200916 decorre do fato de que o lançamento tributário em questão, correspondente ao período de apuração 09/2005 a 08/2007, foi realizado na sistemática de apuração do PIS sobre a folha, mesma natureza dos valores depositados que decorrem da ação ordinária n. 2005.34.00.0167260 (0016695 73.2005.4.01.3300). A discussão judicial trata de ser devido ou não o PIS apurado com base na folha de pagamentos, considerando a condição de imunidade tributária a que se auto atribuiu o contribuinte diligenciado. Condição afastada de maneira inequívoca para o ano de 2010 conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de infração lavrado. Os valores correspondentes ao PIS, ano calendário 2010, declarados em DCTF e depositados em juízo correspondentes ao PIS folha estão vinculados ao PAF 10580.722.486/201171 e, em função da ação ordinária mencionada acima, estão com exigibilidade suspensas. Considerando a possibilidade, aventada pela resolução objeto de diligência de exclusão dos valores apurados sob a sistemática do PIS folha depositados judicialmente para efeito de suspensão da exigibilidade, suspensão também assegurada pela apresentação da impugnação administrativa, propõese à 2ª turma da DRJ/REC, caso seja esta a decisão, que tal exclusão seja informada ao GAJ/DRFSDR para que possa promover a necessária informação ao juízo competente acerca da ação ordinária n. 2005.34.00.0167260 (001669573.2005.4.01.3300) para que sejam adotadas as medidas acautelatórias necessárias evitando eventuais prejuízos à Fazenda Pública Nacional na hipótese de haver sentença favorável ao contribuinte já que o mérito da lide trata de ser devido ou não o PIS sobre folha partindo do pressuposto, afastado pela ação fiscal objeto da presente diligência, de ser o contribuinte sujeito à imunidade relativa ao PIS. À fl. 4712 conta pronunciamento do contribuinte Monte Tabor – Hospital São Rafael, onde, referindose ao item 2 do relatório da segunda diligência (a parte referente às diligências determinadas pela 4ª Turma, como noticiado acima), trata do indeferimento do CEBAS, esclarecendo que nas ADIs nºs 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE nº 566.622/RS, o STF declarou que os requisitos para a concessão do Certificado só podem ser veiculados por lei complementar, “invalidando de forma específica aquele invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do pedido do Monte Tabor: mínimo de 60% de atendimento ao SUS (Lei nº 8.212/91, art. 55, § 5º), o que, como fato superveniente, já ensejou novo requerimento à autoridade certificadora (petição protocolizada em anexo), submetida nestes casos ao entendimento do STF (art. 102, parágrafo segundo, CF)”. A pessoa física LAURA ZILLER também se manifesta sobre o item 2 do relatório da segunda diligência, alegando a nulidade do procedimento e a invalidade da decisão que indeferiu o CEBAS (fls. 4735/4740). Por último, a Fondazione Centro S. Raffaele del Monte Tabor e a Oásis Administração Ltda, na manifestação conjunta de fls. 4751/4757, contestam o relatório da segunda diligência Fl. 5286DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 23 43 referindose à determinada por esta 2ª Turma. Alegam a nulidade do procedimento considerando que também deviam ter sido intimados da Resolução, tal como o relação o contribuinte Monte Tabor), e não apenas em relação ao resultado da diligência. Veem, na falta da intimação em questão, violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Também arguem que a diligência devia ter sido realizada por outro Auditor que não o autuante, mencionando neste ponto as normas do art. 36, §§ 1º e 3º, e art. 37, do Decreto nº 7.574, de 2011, em conjunto com o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No mais, alegam a invalidade do indeferimento do CEBAS, mencionando a ADI nº 2.028, e cuidando especificamente da responsabilidade tributária afirmam: Além disso, com relação às requerentes, na condição de terceiros a quem se imputa responsabilidade solidária, não se pode pretender a retroação da norma que criou a possibilidade de a própria Receita Federal afastar o enquadramento como entidade de assistência social, na forma da Lei n. 12.868/2013 cumulada com o art. 144, parágrafo 1º, parte final, do CTN, como minuciosamente declinado na impugnação do auto. Requerem, ao final, “seja reconhecida e declarada a nulidade processual que enseja a nulidade do auto de infração, ou ainda declarada a nulidade da diligência com relação às requerentes, pedindo ainda que, ao final, seja julgada improcedente a imputação de responsabilidade por solidariedade, apontada base no art. 124, I do CTN, excluindo do polo passivo da autuação a FONDAZIONE e a OÁSIS”. Mas recentemente o contribuinte Monte Tabor protocolou a petição de fls. 4762/4764, datada de 21/06/2017 e com os documentos de fls. 4765/4770. Tratando dos empréstimos que afirma ter feito junto à instituição italiana, afirma: No entanto, salientou que todos esses empréstimos encontravam se amplamente comprovados, como se constata dos documentos juntados aos memoriais de 29.07.2016 (doc. nº 02, fls. 3447). Em reforço à documentação já apresentada no curso deste processo, requer o Impugnante a juntada dos arquivos em anexo (doc. nº 01). Tais arquivos registram consulta realizada perante o Banco Central quanto a um dos empréstimos mencionados acima, no valor de R$ 5.375.992,57. Como se verá, nesta consulta, o BACEN informa que localizou em seu sistema a transferência realizada entre a FONDAZIONE e o Impugnante. Na ocasião, também reconhece a regularidade da transação realizada, afirmando a desnecessidade de Registro de Operação Financeira – ROF, corroborando, dessa forma, os argumentos trazidos por esta instituição quanto à veracidade e à idoneidade das operações em comento. 2. DO PEDIDO. Ante o exposto, reitera o Impugnante o pedido de procedência da sua impugnação, para extinguiremse integralmente os créditos autuados. Fl. 5287DF CARF MF 44 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 IMUNIDADE OU ISENÇÃO TRIBUTÁRIAS. ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Para gozo de imunidade ou isenção tributárias é insuficiente apenas o exercício de atividade voltada para a área de saúde sem finalidade lucrativa, há obrigatoriedade de observância de todos os requisitos especificados na legislação própria. DECADÊNCIA. EXAME DE PERÍODOS CADUCOS. A Autoridade Fiscal pode investigar fatos ocorridos em períodos já alcançados pela decadência para identificar possíveis consequências tributárias em períodos de apuração para os quais seja possível a constituição do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora previstos no art. 161 do CTN incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são calculados, a partir de 1º de abril de 1995, com base na taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ALEGAÇÕES. Questionamentos acerca de inconstitucionalidade de lei não são conhecidas no âmbito do julgamento administrativo por tratarem de matéria reservada ao exame do Poder Judiciário (Súmula Carf nº 2). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia para exame de elementos devidamente demonstrados nos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Em janeiro de 2019 a recorrente Monte Tabor apresentou petição informando sobre decisão da primeira seção do CARF que trata do pedido de suspensão da isenção e da determinação de diligência prolatada no processo referente a exigência do IRPF. Fl. 5288DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 24 45 Na petição a Recorrente apresenta laudo técnico e afirma a existência de erros nos cálculos do valor tributável utilizado para o lançamento. Solicita que o julgamento do presente processo seja sobrestado até o retorno da diligência do processo de exigência do IRPF ou que o julgamento seja convertido em diligência para apuração dos supostos erros nos cálculos utilizados no Auto de Infração. O detalhamento dos erros listados pela Recorrente, podem ser assim resumidos. Com o intuito de atender a referida intimação fiscal, a administração da MONTE TABOR produziu uma simples planilha sem efeitos fiscais com os valores resumidos de Receitas de Serviços e Outras Deduções, deixando de detalhar relevantes lançamentos contábeis , como, por exemplo, as “Outras Receitas não operacionais”. .. A referida planilha gerencial apresenta, em sua última linha, o suposto valor das “Vendas Líquidas de Serviços” na ordem de R$348.427.217,59 , mesma quantia que foi imputada como Base de Cálculo do PIS/COFINS pela autoridade fiscal, que repitase não se baseou nos registros contábeis da entidade Ocorre que a informação contida na referida planilha não reflete a Receita REAL auferida pelo MONTE TABOR para o ano de 2010, pois, além de deixar de incluir algumas contas contábeis, também apresenta ERRO DE SOMA não notado pela autoridade fiscal, vejamos: Tomando como o exemplo o mês de janeiro/2010, temos que Venda Líquida de Serviços informada foi de R$ 26.923.360,24, que é a diferença entre o Total de Vendas de Serviços e as Deduções de Glosas (R$ 27.346.837,10 R$ 423.476,86). Fazendo uma simples conferência da operação matemática, podemos atestar que não foram deduzidos os valores das “Deduções de Vendas de Serviços” , no valor de R$ 758.655,47" Expurgando o ERRO de cálculo, temos que o valor da Venda Líquida de Serviços para o mês de janeiro/2010 seria reduzido para R$ 26.269.733,18 . Ao final do ano a referida conta “Deduções de Vendas de Serviços” alcançou a importância total de R$ 5.626.220,54, valor que corresponde a uma indevida majoração da Base de Cálculo de PIS/COFINS. Segue resumo das diferenças apurados em cada mês do ano de 2010 ... Conforme imagem acima, a autoridade fiscal considera que o contribuinte, para o mês de maio/2010, auferiu uma receita total de R$ 512.657,78. Contudo houve um estorno lançado a débito na ordem de R$ 34.743,05, que não foi deduzido pelo fisco. ... O fato de a referida conta apresentar saldo devedor em determinado momento, caracteriza uma redução de receita, o Fl. 5289DF CARF MF 46 que significa a ocorrência de reversões, cancelamentos ou possíveis erros de escrituração dentro do mesmo período e/ou vinculadas a operações do passado . Assim, podemos concluir que a autoridade fiscal majorou o valor das “Outras Receitas não operacionais”, ao descartar todos os lançamentos a débito realizados pelo contribuinte para o ano de 2010, sem nenhuma justificativa. .. Deixouse, ainda, de abater o PIS DEPOSITADO JUDICIALMENTE, no montante de R$ 948.306,42 em 2010: É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidos. Preliminares Petição apresentada após o recurso voluntário com pedido de sobrestamento do julgamento ou conversão em diligência. A Recorrente Monte Tabor protocolou petição, posterior à apresentação do recurso voluntário, com solicitação para apuração de supostos erros na apuração do valor tributável utilizado para lavratura do Auto de Infração. Este Conselho tem sido flexível em aceitar a apresentação de documentos após a interposição do recurso voluntário, mas, via de regra, tais informações se justificam nas situações em que sua apresentação é impossibilitada por razões diversas. Argumentos jurídicos não podem ser consideradas matérias a serem trazidas após a apresentação dos recursos da primeira instância e posteriores a decisão da DRJ. No caso em tela, a Recorrente em petição anexada em janeiro de 2019, questiona os valores apurados no lançamento, alegando erros grosseiros na apuração dos valores. Em uma primeira análise foi permitido à Recorrente manifestarse nas duas instância de julgamento e se tais erros fossem tão grosseiros como afirma, não foram levantados em nenhum momento de todo o curso do processo administrativo. Analisando detidamente as afirmações da Recorrente, verificase que não se trata de meros erros formais de somatório, mas questões de direito, que envolvem a exclusão de contas contábeis, que segundo a Recorrente não teriam sido corretamente consideradas na apuração do valor tributável, mas, ressaltese que os valores apresentados foram feitos pela própria Recorrente, em atendimento a intimação durante os procedimentos de fiscalização. Fl. 5290DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 25 47 O que a Recorrente pede é que seja revisto os cálculos por ela apresentados e que não foram questionados tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. A segunda alegação, que valores registrados em conta de débito deveriam ser considerados para redução da base de cálculo do lançamento. Aqui também não se trata de mero erro de somatório, mas de questão de direito, que levaria a averiguar a origem e natureza das contas, para em sendo necessário, rever a apuração da base de cálculo das contribuições. Por obvio, que tratase de matéria de direito, que envolve questões de mérito a serem analisadas tanto pela autoridade fiscal, caso fosse determinada pela diligência, quanto ao colegiado que deveria se debruçar para identificar a correta apuração da base de cálculo. Estas matérias e alegações trazidas na petição tratase de matéria que deveria ter sido trazida na impugnação e no recurso voluntário e permitisse a manifestação da primeira instância de julgamento e em seguida por este Conselho. Entretanto, a petição apresentada, ao meu sentir, não supre a preclusão da discussão da matéria já configurada na impugnação julgada na primeira instância, pois, não se trata de mero erro formal ou erro de cálculo, mas envolve questões de direito, análise da contabilidade da Recorrente e novos diligências por parte da Autoridade Fiscal e envolveria suprimir instância de julgamento. Assim, considero que matérias referentes a apuração de valores e discussão sobre a apuração de débitos e créditos em contas contábeis seriam matérias de direito que estão preclusas, não podendo ser analisadas por este colegiado, conforme determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Quanto a análise se as matérias trazidas na petição seriam de ordem pública e portanto de análise obrigatória por este colegiado. Em recente decisão, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303008.206, prolatado na sessão do dia 21 de fevereiro de 2019, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, analisando a definição de ordem pública, decidiu, mesmo para estes casos, a necessidade de levantamento da matéria no recurso voluntário. Também na esfera judicial, a jurisprudência moderna vem decidindo que as matérias, ainda que de ordem pública, para serem apreciadas e analisadas, em Juízo, devem obrigatoriamente serem prequestionadas pelo autor, no respectivo recurso, conforme provam as ementas dos julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF): STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL: AgRg no AREsp 95241 PR 2011/02398298: Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO Fl. 5291DF CARF MF 48 ANULATÓRIA DE DÉBITOS FISCAIS (ISS) JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO CONTRA O ACÓRDÃO A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284 DO STF. PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 131 E 436 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO, NO CASO CONCRETO, AFIRMADA PELA CORTE DE ORIGEM LASTREADA NA PROVA DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (...). 2. Não é possível, em Recurso Especial, analisar questões não debatidas pelo Tribunal de origem, por caracterizar inovação de fundamentos; lembrando que mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis de ofício nas instâncias ordinárias, devem estar prequestionadas, a fim de viabilizar sua análise nesta Instância Especial. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EREsp. 1.253.389/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02.05.2013 e AgRg nos EAg 1.330.346/RJ, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJe 20.02.2013. 6. Agravo Regimental desprovido." Supremo Tribunal Federal STF AG. REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 601767 SC A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão nas razões recursais (art. 317, § 1º do RISTF), EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL. VÍCIOS PROCESSUAIS E FORMAIS QUE IMPEDEM A REGULAR FORMAÇÃO E TRAMITAÇÃO DO RECURSO. PREJUÍZO DO EXAME DAS QUESTÕES DE FUNDO. INVOCAÇÃO DO DEVER DE CONHECIMENTO POR OFÍCIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA E SOCIAL. NÃO CABIMENTO NO EXAME DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE ANULAR A COBRANÇA DE CONTA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INCONTÁVEIS ARGUMENTOS. ARGUMENTO PARCIAL RELATIVO AO ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RAZÕES DE AGRAVO QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO SUFICIENTE DA DECISÃO QUALIFICADA. INÉPCIA. (...). 2. A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão do argumento nas razões recursais (art. 317 , § 1º do RISTF ). 3. As razões de agravo regimental não atacam um dos fundamentos suficientes em si para manter a decisão qualificada, no sentido de que a relação mantida entre a cooperativa de eletrificação e o município resolviase no plano cível ou no plano administrativo, e não em termos tributários. Insistência na tese tributária da imunidade. Inépcia. Agravo regimental ao qual se nega provimento." Fl. 5292DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 26 49 Dessa forma, ainda que se considere que o lançamento da multa de oficio constitui matéria de ordem pública, seu julgamento na Câmara Baixa somente poderia ter sido realizado, se tivesse sido expressamente questionada no recurso voluntário. Como essa matéria não foi impugnada, ocorreu a preclusão temporal do direito do contribuinte. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Por fim, na petição é apresentado pedido de exclusão do lançamento de depósitos judiciais de valores de PIS. A matéria é claramente de direito e foi alegada na impugnação do processo referente ao lançamento de PIS, sendo objeto de deliberação da Delegacia de Julgamento, mais uma vez fica evidente que não tratase de erro formal na apuração dos valores, mas argumentos de defesa trazidos após a apresentação do recurso voluntário. Ofensa a princípios constitucionais, vícios no ato administrativo do lançamento e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais, que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade e a decisão da Delegacia de Julgamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 5293DF CARF MF 50 Imprecisão da base legal (discussão sobre o art. 135 do CTN e o 124, I) Em sede preliminar também é feita a alegação que os fundamentos do lançamento não indica se a imputação para solidariedade está sendo aplicada em razão do art. 135 ou 124 do CTN. Ao consultar o Auto de Infração é possível identificar a citação dos dois enquadramentos legais. Tanto o art. 135 é citado no texto especifico, quanto o art. 124 é trazido como fundamento legal. Os fatos que levaram a auditoria fiscal considerar a solidariedade das pessoas físicas e jurídicas estão claramente descritos no Termo de Verificação Fiscal e possibilitou à Recorrente combater os fundamentos para a solidariedade trazidos pela Fiscalização, não existindo nenhum prejuízo a sua defesa. Cerceamento do direito de defesa, ausência de individualização dos atos praticados A Recorrente Laura Ziller alega cerceamento de direito de defesa por não ter sido individualizado os atos praticados que levaram a conclusão da sua solidariedade. Não assiste razão ao recurso, o Termo de Verificação Fiscal descreve exaustivamente, em diversos momentos, as práticas imputadas à Recorrente para configurar a solidariedade. Como pode ser visto, nas fls. 36 e 37 do TVF, que descreve os fundamentos para aplicação da sujeição passiva. Decadência do direito de averiguar fatos ocorridos a mais de 5 anos (levantamento das informações imóveis, etc.) Consta de alegação em sede preliminar a decadência do direito de averiguar fatos ocorrido a mais de 5 anos. Mais uma vez não assiste razão ao recurso. O Instituto da decadência aplicase a exigência tributária, limitando o prazo para exigência dos tributos. No caso em tela, a exigência fiscal somente foi lavrada para fatos geradores do ano de 2010. Os fatos levantados pela Auditoria Fiscal, em períodos anteriores, reforçam o seu fundamento para afastar a isenção das contribuições, aplicação das multas qualificadas e da solidariedade. Entretanto, os fundamentos não se referem unicamente a estes períodos existindo fatos e situações que são mantidas no ano de 2010, que fundamentam as exigências fiscais. Assim, entendo, que não cabe neste caso, falar em aplicação da decadência, visto que, os fatos geradores objeto do lançamento referemse ao ano calendário de 2010 e a ciência do auto de infração do devedores principal e solidários foi realizado no ano de 2014. Ausência de isenção na diligência realizada pelo mesmo auditor que lavrou o auto de infração Alegam as Recorrentes a ausência de isenção na diligência, em razão de ser realizada pelo mesmo auditor responsável pelo auto de infração. Em que pese a irresignação dos autuados pela realização da diligência, não existe no ordenamento jurídico impedimento para a realização da diligência pelo mesmo auditor responsável pelo auto de infração. Caso as Fl. 5294DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 27 51 Recorrente discordem das conclusões do relatório fiscal, o caminho a ser utilizado é a manifestação sobre o resultado da diligência que lhe é franqueado ao final do trabalho da auditoria, que consta de forma expressa da resolução que determinou a realização de diligência e foi plenamente cumprido pela Unidade de Origem, que procedeu a ciência dos interessados, com prazo de 30 (trinta) dias. Portanto, não existe irregularidade na diligência realizada. Falta de intimação durante o trabalho de diligência, e não somente ao final do relatório. A decisão da DRJ, que determinou a realização de diligência com a ciência dos Recorrentes ao final do trabalho fiscal e não durante a auditoria. Entendo não existir nenhuma irregularidade no trabalho, pois, obedeceu a determinação da Delegacia de Julgamento da ciência do relatório de diligência a todos os Recorrentes ao final do trabalho fiscal, sendo franqueado a manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Inexistência de ato declaratório de suspensão da imunidade pelo Delegado. A Recorrente alega que o lançamento fiscal não poderia ocorrer por ausência de ato declaratório emitido pelo Delegado da Receita Federal, com a suspensão da imunidade. Não assiste razão à Recorrente, os artigos 26 e 32 da Lei 12.101/2009 traz a determinação para o lançamento a partir da decisão que indeferir o requerimento para a renovação do certificado. Art. 26. Da decisão que indeferir o requerimento para concessão ou renovação de certificação e da decisão que cancelar a certificação caberá recurso por parte da entidade interessada, assegurados o contraditório, a ampla defesa e a participação da sociedade civil, na forma definida em regulamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação da decisão. § 1o O disposto no caput não impede o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente § 2o Se o lançamento de ofício a que se refere o § 1o for impugnado no tocante aos requisitos de certificação, a autoridade julgadora da impugnação aguardará o julgamento da decisão que julgar o recurso de que trata o caput. § 3o O sobrestamento do julgamento de que trata o § 2o não impede o trâmite processual de eventual processo administrativo fiscal relativo ao mesmo ou outro lançamento de ofício, efetuado por descumprimento aos requisitos de que trata o art. 29. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 4o Se a decisão final for pela procedência do recurso, o lançamento fundado nos requisitos de certificação, efetuado nos termos do § 1o, será objeto de comunicação, pelo ministério certificador, à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o cancelará de ofício. Fl. 5295DF CARF MF 52 ... Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Com o indeferimento do pedido de renovação do certificado, cabe a Receita Federal realizar o lançamento referente aos tributos que estavam suspensos. Destarte, correto o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal. ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE n° 566.622/RS do STF Conforme consta do relatório, quando da manifestação do resultado da diligência, a Recorrente informou que o STF, nas ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE n° 566.622/RS declarou que os requisitos para a concessão do certificado só podem ser veiculados por lei complementar, invalidando de forma específica aquele invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do pedido do Monte Tabor: mínimo de 60% de atendimentos ao SUS (Lei n° 8.212/91, art. 55, §5°) Em que pese a decisão do STF, este colegiado não pode analisar questões constitucionais e mesmo existindo a discussão sobre a aplicação dos requisitos da Lei nº 8.212/91, o fato, até o momento, é que a Recorrente não possuía o CEBAS válido para o ano de 2010 e sob esta perspectiva será conduzido este voto. O impacto das decisões sobre constitucionalidade do indeferimento do CEBAS pelo Ministério da Saúde devem ser apreciadas no âmbito daquele ministério. Inaplicabilidade dos artigos utilizados para caracterização de solidariedade. As alegações referentes a inaplicabilidade de artigos do CTN para caracterizar a solidariedade é matéria que se confunde com o mérito e será analisada da perspectiva de verificar se os fatos consignados no TVF comprovam a responsabilidade solidária das Recorrentes. Fl. 5296DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 28 53 Isenção do PIS e da COFINS sobre entidades de assistência social A tributação sobre as entidades de assistência social sem fins lucrativos, apresenta tratamento próprio previsto na Legislação, existindo a previsão para imunidade e isenção, desde que sejam atendidos exigências prevista em Lei. No caso em tela, tratase de hospital que presta serviços médicos e não recolheu impostos e as contribuições para o PIS e a COFINS, utilizando os benefícios previstos para as entidades de assistência social. A imunidade para os impostos incidentes sobre as rendas, patrimônio e serviços relacionados aos fins institucionais das entidades de assistência social, estão previstos no art. 150 da Constituição Federal. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Quanto as Contribuições para o PIS e a COFINS, o art. 195 da Constituição Federal, traz o preceito constitucional da isenção para as entidades beneficentes de assistência social. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(griffo nosso) Os critérios para fruição da isenção prevista no art. 195 estão previstas na Lei 12.101/2009. Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas Fl. 5297DF CARF MF 54 áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Parágrafo único. (VETADO) Art. 2º As entidades de que trata o art. 1o deverão obedecer ao princípio da universalidade do atendimento, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional. ... Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1o A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 5298DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 29 55 § 2o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) A teor do fatos descritos no relatório, a Recorrente pleiteou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS para o ano de 2010, que foi indeferida pelo Ministério da Saúde, o TVF descreveu o histórico da solicitação de renovação e o indeferimento. Com relação ao Certificado de entidade Beneficente de Assistência Social, CEBAS, o contribuinte obteve a sua renovação do período de validade de 30/06/2006 a 29/06/2009 referente ao processo nº 71010.001116/200699, através da Resolução nº 3, de 23 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 26.01.2009 (anexo 07). Obteve também a renovação do período de validade de 05/05/2000 a 04/05/2003, referente ao processo nº 44006.000953/200058. No entanto, através da Resolução nº 7, de 03 de fevereiro de 2009, publicada no DOU de 04.02.2009 (anexo 07), houve o indeferimento da renovação da certificação do período de 2009 a 2012. O indeferimento do pedido de renovação do CEBAS na área de saúde pelo Ministério da Saúde, se deu através da Portaria nº 872, de 22 de agosto de 2012, DOU nº 165, de 24.08.2012 (anexo 11). O contribuinte interpôs recurso contra esta decisão e obteve efeito suspensivo, conforme Portaria nº 1.256, de 08 de novembro de 2012, DOU nº 217, de 09.11.2012 (anexo 07). Encaminhado ofício à Secretaria de atenção à saúde através do Ofício N.20/2014/SEFIS/DRFSDR, cientificado em 30/03/2014, posteriormente reiterado através do Ofício 27/2014/SEFIS/DRF SDR, cópias no ANEXO 01, solicitando informação quanto à vigência da Portaria N. 1256/2012, que atribuiu o efeito suspensivo ao indeferimento da renovação do CEBAS e solicitada Cópia do Parecer Técnico de indeferimento do Certificado de entidade Beneficente de assistência Social, Fl. 5299DF CARF MF 56 CEBAS, o qual demonstra, de forma inequívoca, a falta de atendimento aos requisitos legais para o gozo da isenção das contribuições, objeto de lançamento na ação fiscal aqui descrita. Os requisitos elencados na seção I da Lei 12.101/2009, art. 4o a 11, necessários à obtenção da certificação para as entidades que atuam na área de saúde, não foram observados, justificando o indeferimento do pedido do certificado CEBAS. O Parecer Técnico N.279/2012CGCER/DCEBAS/SAS/MS, (anexo 7.1), demonstra, de forma clara, o descumprimento aos requisitos legais para a obtenção do CEBAS. Análise esta que, de acordo com o art.21I da Lei 12.101/2009, compete ao Ministério da saúde: A Receita Federal em procedimento de auditoria fiscal, decidiu por suspender a imunidade da Recorrente, tendo em vista, o indeferimento do CEBAS e o descumprimento de requisitos legais para fruição da isenção. A decisão da receita consta do Processo Administrativo 10580.7261372014 71, que foi objeto de impugnação e recurso voluntário e foi apreciado neste Conselho no Acórdão 1301.003.754 pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, na sessão do dia 19/03/2019, sendo mantida a suspensão da imunidade da Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 ACÓRDÃO DA DRJ. EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. SUSPENSÃO. CABIMENTO. Tratandose de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período. ENTIDADE IMUNE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PERTENCENTE A DIRETOR. IDENTIDADE DE FUNÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARACTERIZAÇÃO. A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados. A decisão da Primeira Turma deixou claro os fundamentos para a manutenção da suspensão da imunidade. Fl. 5300DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 30 57 O CEBAS é requisito essencial para o gozo da imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Porém a concessão desse certificado não cabe à Receita Federal. No caso dos autos, a competência é do Ministério da Saúde. Portanto, não compete ao CARF fazer qualquer juízo de valor acerca da decisão que conceder ou denegar o CEBAS. Se a suspensão da imunidade estivesse na dependência exclusivamente do CEBAS, o julgamento haveria de ser sobrestado, até decisão definitiva do Ministério da Saúde. Entretanto, não é o que se verifica no caso em exame. Aqui foram várias as circunstâncias que serviram de fundamento autônomo à suspensão da imunidade em 2010. Assim, basta que se reconheça a presença de um, dentre os diversos fundamentos, para que se confirme a suspensão, negando provimento ao recurso. ... Remuneração de dirigentes No que tange à remuneração de dirigentes, há situações limítrofes, que se encontram na fronteira entre o que é ou não permitido a uma entidade imune. Não há dúvida de que é lícito pagar, pelas aulas dadas, ao professor, que é também o diretor da escola, instituição de educação sem fins lucrativos, que goza de imunidade tributária. Por outro lado, a pergunta que se impõe é saber se é lícito contratar serviços de consultoria ou assessoria de empresas pertencentes a diretores da entidade imune (pagando valores acima dos de mercado), por serviços que deveriam ser prestados pelo diretor pessoalmente. Antes de examinar o problema, é importante delimitar, no tempo, os fatos relevantes, que merecem atenção. O processo cuida de suspensão de imunidade no ano de 2010. Logo, são irrelevantes, em princípio, os fatos ocorridos antes desse período. Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) Fl. 5301DF CARF MF 58 A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$ 906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) A contratação da empresa de consultoria, claro está, se fez com o propósito de remunerar um dos diretores da recorrente. Consta ainda do recurso: No caso do Sr. SIGEVALDO SANTANA DE JESUS, tratase antigo funcionário do Recorrente que exercera cargos de controladoria e RH e que, em 05/2011, assumiu a Diretoria de Controle e Expansão. Ocorre que aludido Senhor foi sócio da empresa ACERVO AUDITORIA E CONSULTORIA, contratada desde 2005 (doc. n° 34 da impugnação, fls. 4.136/4.139) para prestação de serviços de consultoria contábil ao Recorrente, em época, portanto, muito anterior à sua chegada à diretoria. Isto é, o Sr. SIGEVALDO não se valeu da condição de diretor para determinar a contratação da empresa de que era sócio. Sem falar que os serviços da ACERVO (aperfeiçoamento e melhoria de processos contábeis, revisão de classificações e graus de insalubridade de colaboradores etc.) não equivaliam às atividades do Sr. SIGEVALDO como empregado (até 2011) ou como Diretor (após essa data). (fl. 4.612). Sobre os serviços prestados pela Acervo Consultoria e Auditoria, manifestouse a autoridade fiscal no TVF: Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ n° 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação "GFIP SEM MOVIMENTO" desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado. (fl. 2.856) Diante desse quadro, o mais relevante é o fato de que a empresa de consultoria não tinha empregados, porque isso revela que os serviços eram prestados pessoalmente, em caráter intuitu personae, por Sigevaldo Santana de Jesus, de tal modo que a contratação da empresa de consultoria era uma forma mascarada de remunerar dirigente e também uma forma de distribuição de renda da entidade imune. Em suma, tais fatos, por si, bastam para dar suporte ao ato de suspensão de imunidade, tanto a relativa a impostos, quanto a relativa às contribuições de seguridade social. Fl. 5302DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 31 59 Aqui não cabe a discussão quanto os motivos para o indeferimento da renovação do CEBAS, cuja competência é do Ministério da Saúde, cabendo aquele órgão o controle e análise dos pedidos. Sendo assim, independente dos argumentos apresentados pela Recorrente, é fato que não possuía o certificado no período de exigência do presente lançamento. Quanto a decisão da Primeira Turma que tratou unicamente da suspensão da imunidade. O posição majoritária da turma foi em afastar os fatos referentes as operações com imóveis e acusações de repasses a administradores por não estarem compreendidos no ano de 2010, período referente ao lançamento. Quanto as operações com as empresas Contratos com a DELFIN e o CENTRO DE HEMATOLOGIA, a turma também por decisão majoritária decidiu que as operações com estas empresas atendeu a critérios técnicos e não configuraria justificativa para a suspensão da imunidade. Diante destes fatos, e a partir da decisão do Acórdão 1301.003.754, entendo como acertado a exigência do PIS e da COFINS, referente as receitas obtidas pela Recorrente com as suas atividades. Ressaltese que apesar de posicionamento da turma em afastar as operações de imóveis e repasses a administradores que ocorreram em períodos distintos de 2010. O presente voto vai tratar destes assuntos, por entender que os fatos devem ser analisados dentro do conjunto probatório e em razão dos fatos repercutirem no ano de 2010, pois, os levantamentos quanto as operações de alienação de imóveis e o aluguel ao Monte Tabor permanecem para o ano de 2010 e a situação das Recorrentes Liliana Ronzoni e Laura Ziller residirem no imóvel revendido pela Monte Tabor, reforça a importância de analisar todo o histórico para entender a situação existente no ano de 2010 e a qualificação da multa e responsabilidade solidária. Multa qualificada A autoridade fiscal, além de exigir as contribuições, aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, por entender, que existiu a prática de dolo por parte dos administradores, que montaram um grupo econômico com a intenção de distribuir irregularmente lucros e beneficiar diretores e de forma ilegal manter a isenção dos tributos. No Termo de Verificação Fiscal são trazidos diversas fatos para corroborar a posição da autoridade lançadora. O primeiro que salta aos olhos são as operações realizadas entre a Centro Monte Tabor e a Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, com sede na Italia. O Centro Monte Tabor Hospital São Rafael foi fundado pela Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor e pela Associazione Monte Tabor. Em 2003 os imóveis pertencentes ao Centro Monte Tabor foram alienadas à Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor. que em seguida alugou estes imóveis para o Monte Tabor, o histórico destas operações foram detalhados no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 5303DF CARF MF 60 No ano de 2003 o Contribuinte alienou formalmente o seu complexo hospitalar principal para a sua entidade fundadora Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, empresa sediada na Itália, cujos dados cadastrais e Estatutos encontram se no Anexo 34. Em seguida efetuou um contrato de locação do mesmo imóvel. No anexo 33, cópia das escrituras e das certidões dos imóveis alienados pelo HSR para a Fondazione, no Anexo 33E, cópia do contrato de locação dos imóveis da Fondazione para o HSR. No contrato de locação há cláusula prevendo a indenização das benfeitorias úteis e necessárias, mas não foram identificados na contabilidade lançamentos que comprovem tais indenizações/compensações, apesar da empresa informar a conta do ativo não circulante “1.2.04.03.0002 – Créditos a compensar”, até 31.12.2010 não havia qualquer lançamento nesta conta. O Contribuinte foi intimado, no curso da ação fiscal MPF 05.1.01.002013002053, a informar os beneficiários destas melhorias e apresentou demonstrativo (anexo 32), que comprova que a quase totalidade das benfeitorias foram realizadas no imóvel da Fondazione. Percebese que após a alienação o HSR realizou uma série de benfeitorias no imóvel que formalmente já não mais lhe pertencia, construindo inclusive novo prédio e inúmeras ampliações. De acordo com uma relação de bens fornecidas pelo Contribuinte o custo total da construção do novo prédio foi de R$ 21.896.258,70, quase o mesmo valor que este teria recebido no ano de 2003, do adquirente pela alienação de todo o complexo de terrenos e edificações. Além destes vultosos valores aplicados em “imóveis de terceiros”, verificase, conforme demonstrativo consolidado, cópia anexo 42, firmado pela preposta do HSR, autorizada a atender a fiscalização, Sra. Mariluce Leão, expressivos valores aplicados em outro imóvel que também teria sido vendido pelo HSR para a Fondazione. O demonstrativo, denominado: “Reforma da Fazenda OASIS, demonstrase os valores aplicados pelo HSR no imóvel denominado “Fazenda OASIS”, entre os anos de 2004 e 2008 um valor de R$7.017.901,00 (sete milhões, dezessete mil, novecentos e um reais). No anexo 33C estão apresentados valores contabilizados como “Adiantamento p/ reforma propriedade terceiros”, conta 1.1.03.02.0005. No qual estão registrados parte do que foi gasto pelo HSR com a reforma do imóvel Fazenda OASIS. ... Diversos outros lançamentos, também em conta do ativo, encontramse registrados na conta: 1.1.03.02.0006, denominada “adiantamento p/ despesas c/ propriedade terceiros”, anexo 33 B. Despesas das mais diversas, desde rações para cães ao pagamento de débitos de IPTU. Valores amortizados parcialmente com a compensação do expressivo valor de R$2.735.024,63 (dois milhões setecentos e trinta e cinco mil, vinte e quatro reais e sessenta e três centavos) de empréstimos, descritos no item 5.2 abaixo, registrado como tomado pelo HSR junto à Fondazione. Em 2007, foi criado a empresa OASIS Administração LTDA, de propriedade da Fondazione e Roberto Lino Cusin, cidadão italiano. Os bens imóveis que encontravamse alugados a Centro Monte Tabor passaram a ser administrados pela OASIS, que possui como representante na Receita Federal a Sra Liliane Ronzoni, que também responde pela Fondazione Fl. 5304DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 32 61 Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, sendo também diretora do Centro Monte Tabor Hospital São Rafael. O TVF segue descrevendo o histórico das operações. Tomando como base o histórico fornecido pelo próprio HSR, ANEXO 33, fazse necessário situar no tempo alguns fatos: 1) Em 30/09/2003 o Monte Tabor, neste Termo denominado HSR, vende à Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, CNPJ 05.842.123/000193, dados cadastrais RFB, ANEXO 34, terreno de 167.252 m2 com as suas edificações. Cópias das escrituras, ANEXO 33. A Fondazione, cadastrada como Fundação ou associação domiciliada no exterior, tem como domicílio a Itália e como responsável perante a RFB, a Diretora do HSR, já identificada no item 1.2 acima, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500; 2) Em 01/04/2004, foi firmado contrato de locação da estrutura ocupada pelo HSR, incluindo igreja e o CRH, tendo como locador a Fondazione e locatário o HSR, ANEXO 33; 3) Em 03/12/2007 foi constituída a empresa OASIS Administração LTDA, CNPJ 09.238.244/000181, dados cadastrais, anexo 35, pertencente, conforme contrato social, ANEXO 35, 90% à Fondazione e 10% a Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.80104, tendo como objeto social a atividade de prestação de serviços de administração de bens móveis, semoventes e ou imóveis; 4) Desmembramento do terreno, gerando várias novas matrículas, ANEXO 33. A representante da Fondazione, Sra Liliane Ronzoni, cujos dados existentes no cadastro da RFB encontramse no anexo 34, que também responde pela OASIS e é Diretora do HSR, regularmente intimada, através dos Temos de Diligência, 01, 02 e 03, Anexo 36, apresentou como resposta ao Termo de Diligência 01, evasivas, informando não dispor de nenhum dos elementos que foram objeto da intimação, apesar de tratarse de unidade no Brasil da Fondazione, alegando que, por tratarse de entidade no exterior, não estaria obrigada a apresentálos e que não dispõe de qualquer informação, deixou de responder a todos os itens objeto da intimação, exceto a indicação da responsável pelo atendimento à fiscalização, designando a Sra. Simone Conceição Freitas. Afirmou de maneira reiterada, conforme resposta ao Termo de Diligência 02, datada de 04/06/2014, em resposta aos diversos questionamentos, “Conforme já informado, não temos acesso aos documentos da empresa Fondazione para que seja possível atender a esta solicitação”. Fl. 5305DF CARF MF 62 Conforme constado relatório fiscal, foram realizadas diversas intimações para apresentação dos documentos referentes ao contrato de aluguel e os pagamentos vinculados, que não foram respondidos pelas Recorrentes. Da mesma forma que o realizado em relação aos valores registrados como tendo sido transferidos à Fondazione a título de alienação dos imóveis, também em relação aos expressivos valores registrados como sendo decorrentes de um contrato de mútuo firmado entre o HSR e a Fondazione, também foram objeto de sucessivas intimações, também respondidas de forma incompleta, nas quais se exigiu: “Apresentar comprovação, com registro, conforme regulado pelo Banco Central do Brasil, do efetivo ingresso no sistema financeiro nacional, dos valores correspondentes aos valores registrados como empréstimos tomados junto à Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ05.842.123/000193, planilha indicando cada um dos ingressos de valores no âmbito dos aludidos contratos e cópiados contratos de mútuo firmados com vigência desde a constituição até 31/12/2010”, exigindose ainda a informação quanto à realização de eventuais amortizações e remessa de valores ao exterior, apresentando os elementos de prova correspondente. ... O HSR apresentou cópia de contrato de mútuo firmado com a fondazione em 29/05/1995, anexo 45, contrato este que seria vigente por 60 meses, findando portanto em maio de 2000. O demonstrativo apresentado, anexo 47, indica os valores que teriam sido captados, segmentados sob a denominação de “empréstimo I”, “empréstimo II”, “empréstimo III”, empréstimo IV” e “empréstimo V”, cujos demonstrativos apresentados encontramse nos anexos 48 A, B, C e D. Em relação ao denominado “empréstimo I”, anexo 48A, que totalizam US$5.000.000,00 (cinco milhões de dólares), não foram apresentados comprovantes bancários em relação ao valor emprestado. Já quanto às amortizações, realizadas até 2000, foi apresentado, através de correspondência recebida em 11/09/2014, uma parte das alegadas amortizações. Conta ainda indicação de compensação em 2013, conforme planilha anexo 47. Merece destaque o disposto no documento emitido pelo banco Central do Brasil, intitulado “Certificado de Registro”, apresentado como elemento de prova, através do qual, no item 10, correspondente à observação 4, que o certificado foi emitido com base em declarações apresentadas por credor e devedor, sujeito a ulterior verificação. Em relação ao denominado “empréstimo II”, o único registro que existe da origem deste empréstimo no valor de US$ 6.072.118,45 (seis milhões, setenta e dois mil, cento e dezoito reais e quarenta e cinco centavos), é um registro em idioma espanhol de uma transferência deste valor de uma unidade do Banco UNIBANCO nas Ilhas Cayman para o Uruguai, à época, Fl. 5306DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 33 63 as Ilhas Cayman, assim como o Uruguai eram considerados como “Paraíso Fiscal”, tanto pela reduzida tributação imposta como pela falta de transparência nas transações financeiras. Foram apresentados também alguns registros contábeis e extratos contendo parte das amortizações indicadas, sem especificar o destino. De qualquer maneira, há evidências de vultosas transferências bancárias realizadas até 2001, sem a comprovação do ingresso correspondente. Em 2008 e posteriormente em 2013, foram compensados saldos destes empréstimos como especificados na planilha anexo 47, com a construção do laboratório de Biotecnologia e Terapia Celular, autorizado com base em documento datado de 31/10/2008, anexo 48B. Em 2013, foram compensados gastos do HSR com Impostos e benfeitorias. Também em relação ao empréstimo III, (anexo 48C) e empréstimos IV e V (anexo 48 D), não foram apresentados extratos bancários ou a efetiva comprovação do efetivo ingresso dos recursos no sistema financeiro nacional. Comprovandose parte das saídas dos recursos a título de amortização, sem comprovar o destino destes valores. Há um registro de amortização em 2011, correspondente aos empréstimos IV e V, para a qual não foi apresentada comprovação. Também foram apresentados alguns registros contábeis, sem apresentação de registros em extratos bancários correspondentes. Assim, não restou nos autos nenhuma documentação que trate de aluguel destes imóveis, entretanto, foi apurado pela Fiscalização que a Monte Tabor despendeu na manutenção deste imóveis, que a priori, não lhe pertence, o montante de R$ 7.017.901,00 (sete milhões, dezessete mil, novecentos e um reais), no período de 2004 a 2008, conforme detalhado no TVF. Apesar de figurarem como encarregados administrativos, de acordo com a declaração de Liliana Ronzone, no mencionado Termo de Declaração datado de 18/06/2014, informando, na qualidade de administradora da OASIS, função em relação à qual, segundo a depoente, é auxiliada por Laura Ziller, todos os funcionários da OASIS trabalham na Fazenda OASIS, limpeza das casas e cuidando da manutenção do patrimônio. A OASIS, Pessoa Jurídica de Direito Privado, com fins lucrativos, tem como sócios a Fondazione, detentora de 90% das cotas, e o Sr. Roberto Lino Cusin, cidadão italiano, CPF 743.349.80104, que detem 10% do capital social. A administração da sociedade, conforme previsto na cláusula 10, pela Sra. Liliana Ronzoni, que poderá exercer a administração de forma ampla, tendo como limite apenas a realização de negócios estranhos ao objeto da sociedade ou a alienação de Fl. 5307DF CARF MF 64 bens do ativo permanente, atos para os quais dependerá da anuência dos demais sócios, no caso, da anuência de Roberto Cusin, já que é a representante da Fondazione no Brasil, com ampla procuração para representála. Em relação a Roberto Cusin, como já descrito no item 4.2.3 acima, sucedeu o exDiretor do HSR na empresa VDS Export, Andrea Garziera, demonstrando vínculo entre ambos. A OASIS, na resposta ao Termo de Diligência 02 destaca ainda que: “Não existe instrumento de procuração conferido a pessoa física bem como a pessoa jurídica. Conforme cláusula 10 do contrato social da empresa, a Administradora é Dra. Liliana Ronzoni”. Do já descrito, verificase que a Sra. Liliana Ronzoni, atua como administradora da OASIS, da Fondazione e também do Monte Tabor, HSR, do qual exerce a função de Diretora Médica. A OASIS, quando arguída quanto á destinação dos imóveis denominados: “casa sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis estes de propriedade da Fondazione, locados ao HSR e administrados pela OASIS, afirma, em relação à Fazenda OASIS que: “(...) é um imóvel que fica sob os cuidados de funcionários visando sua manutenção e conservação, além de cuidarem das plantações ali existentes”. Já em relação ao imóvel denominado “casa sede”, afirma ser “(...) utilizada para moradia e hospedagens de pessoas autorizadas pela Fondazione, atividades sócioculturais e realização de eventos na área de saúde”. Em relação a este imóvel, o HSR aplicou, como já descrito no item 4.2.4, “benfeitorias em Imóveis de Terceiros”, no imóvel denominado “Fazenda OASIS”, totalizando no período compreendido entre os anos de 2004 e 2008 um valor de R$7.017.901,00 (sete milhões, dezesete mil, novecentos e um reais), com itens como: mobiliário e luminária, enxoval de cama, mesa, banho e acessórios; eletrodomésticos e utensílios; materiais de jardinagem e mudanças e carretos, conforme demonstrativo, anexo 42, o que demonstra, considerando a falta de qualquer destinação do referido imóvel à atividade fim do HSR, que é seu “locador”, demonstrando mais um desvio de finalidade na aplicação dos seus recursos. Tais valores teriam sido compensados com os valores contabilizados como empréstimos tomados junto à Fondazione, conforme informado na resposta fornecida pelo HSR ao item 9 do Termo de Fiscalização 04, Anexo 1. Empréstimos estes, conforme descrito no item 5.2 abaixo, cujas transferências não foram adequadamente comprovadas. A Presidente do HSR, Laura Ziller, CPF 124. 251.41553, reside, conforme extrato de pesquisa, Anexo 2, no imóvel denominado casa sede, imóvel pertencente à Fondazzione, alugado ao HSR e administrado pela OASIS. Local onde também reside a Sra. Liliana Ronzoni, conforme extrato de pesquisa do cadastro RFB, anexo 34, cujo endereço está também indicado no instrumento de procuração conferido pela Fondazione, anexo 35. Fl. 5308DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 34 65 Conforme apresentado em resposta ao item 5 do Termo de Fiscalização 03, ANEXO 1, assina como representante da Fondazione, dando quitação ao demonstrativo de pagamento de Despesas de manutenção e ampliação de instalações da Fazenda OASIS e de Manutenção da casa sede da OASIS em Salvador/Ba, na qualidade de representante da Fondazione, o então Vice Presidente do HSR, Mário Cal, reforçando a demonstração de enorme confusão patrimonial entre as três instituições, Fondazione, OASIS e HSR. Cópia do passaporte de Mario Cal, ANEXO 3. Uma parcela dos valores registrados como aluguel do HSR para a Fondazione, era transferida mensalmente do HSR diretamente para a OASIS, demonstrativos no Anexo 33A. Conforme documento apresentado no curso da ação fiscal, “Demonstrativo de Compensação Faturas OASIS X Fondazione”, juntamente com os demonstrativos dos repasses e das Notas Fiscais emitidas, anexo 38,demonstram que foi repassado á OASIS um valor (R$613.000,00) que excede ao montante das Notas Fiscais emitidas (R$456.693,92). Ressaltese que só há Notas Fiscais correspondentes ao período janeiro de 2010 a junho de 2010, sendo todas elas emitidas a partir de 04/08/2010. As notas relativas ao período julho a dezembro de 2010 foram emitidas em 2011, conforme indicado na resposta ao Termo de Diligência 04, anexo 38, entregue em 27/06/2014. Ressaltando que, regularmente intimado, item 01 do Termo de Fiscalização 01, reintimado através do item 4 do Termo de Fiscalização 03, e item 10 do Termo de Fiscalização 04, Anexo 1, a apresentar: “Instrumento que autoriza o pagamento dos valores devidos à Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, à empresa OASIS administração LTDA, CNPJ 09.238.244/00181 no ano de 2010”, respondeu, através da resposta ao Termo de Fiscalização 04, fornecida em 25/04/2014, termos e respostas no anexo 1 que: “Não existe outro termo de autorização pois os procedimentos se mantiveram da forma inicial, sem haver nenhum desacordo ou manifestação em contrário da outra parte visto existir a necessidade da manutenção dos imóveis de propriedade da Fondazione. Sendo assim, o termo existente continuou prevalecendo. Lembrando que a autorização para compensação das benfeitorias e IPTU está no contrato de aluguel dos imóveis e não há exigência de autorização”. ... Diante do exposto, fica evidente que as transferências realizadas pelo HSR para a OASIS no ano de 2010 não possuem qualquer respaldo jurídico que as justifiquem, sendo realizadas por “acordo informal”, demonstrando o total descaso com os recursos do HSR, que beneficiase ao longo de anos de uma autoatribuída imunidade/isenção. A OASIS, que teria sido contratada pela Fondazione, “informalmente”, já que sem contrato vigente, para administrar Fl. 5309DF CARF MF 66 os seus imóveis, recebe os valores correspondentes à locação dos imóveis “casa sede” e “fazenda OASIS”, utilizando estes recursos para a manutenção não só do patrimônio como também dos próprios Diretores do HSR, tais como alimentação, telefones, energia elétrica, mobiliário, etc, como evidenciado nas já mencionadas despesas com a manutenção e ampliação da Fazenda OASIS, como já descrito acima, anexo 42, reforçado pelos balanços patrimoniais da OASIS, anexo 43. Ainda que se admita a possibilidade de realização de gastos para manutenção do imóvel “locado”, eventuais despesas deveriam ser realizadas diretamente pelo locador. A transferência de recursos a este título para empresa que não possui qualquer instrumento contratual que a ligue ao HSR demonstra mais um exemplo de desvio de finalidade e transferência de recursos desta instituição que se autodenomina Imune/Isenta. ... Conforme já informado no item 4.2.3 que trata da transferência de recursos aos Diretores do HSR, além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OASIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR. Na resposta da OASIS ao item 1 do Termo de Diligência 03, apresentada em 06/06/2014, afirma que: “Dessa forma, os valores cobrados à Fondazione são aqueles incorridos nos serviços de manutenção e de outros gastos com os imóveis de sua propriedade. Gastos estes, por natureza variáveis”. Afirma ainda, através do mesmo documento de resposta, quanto ao item 4, afirma ser a casa sede, domicílio de forma permanente, entre outros, da Presidente do HSR, Laura Ziller e da Sra. Liliana Ronzoni, entre outros membros associados da “Associazione Sigilli”. Afirma ainda que as despesas de manutenção, energia, água e vigilância são custeadas pela OASIS Administração. Atribuindo tal situação ao fato de esta ser a sede da Fondazione e também da OASIS. Apesar de, após reiteradas intimações, afirmar não haver sequer contato com prepostos da Fondazione. Causa espanto também o fato de que as transferências do HSR para a OASIS excedam o valor das Notas Fiscais, anexo 38, emitidas pela suposta administração de imóveis de terceiros, além do fato, já relatado de que os pagamentos não apresentem qualquer vinculação com estas Notas Fiscais. Merece destaque também a afirmação, neste mesmo instrumento de resposta, em resposta à intimação para apresentar, caso tenha havido, comprovação de qualquer transferência de valores para a Fondazione, correspondentes aos valores de locação dos Fl. 5310DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 35 67 imóveis administrados, que: “Não houve até o momento qualquer remessa para a Fondazione”. Diante do exposto, fica evidente que a venda dos imóveis do HSR para a Fondazione, com posterior pagamento de aluguéis mensais, valores estes nunca recebidos pelo locador, consistiu em realidade em um planejamento tributário abusivo, contando com a intermediação de empresa criada com este único objetivo, qual seja, o de receber os valores correspondentes a esta locação, aplicando estes valores na manutenção dos Diretores da denominada “Associazione Sigilli”, entre os quais encontramse Diretores Estatutários do HSR. Tal planejamento tributário abusivo, caracteriza uma fraude evidente com o intuito de burlar a legislação tributária que veda, para entidades imunes, a remuneração de seus Diretores. Já que, desta forma, as suas despesas passaram a ser custeadas através do HSR, utilizando as supostas transferências de recursos para a Fondazione, utilizando a OASIS como veículo desta operação. É de se estranhar os volumes despendidos pelo Monte Tabor com imóveis que não lhe pertencem e são administrados pela OASIS, que conforme consta dos autos possui participação da Fundazione e de um cidadão estrangeiro. E conforme relatado no TVF, a OASIS utiliza valores repassados pela Monte Tabor para manter um imóvel denominado Fazenda e Casa Sede, ambos alugados para o Monte Tabor e onde reside de forma permanente as Diretoras da Monte Tabor Laura Ziller e Liliana Ronzoni. Outro fato que demonstra a vinculação e a confusão patrimonial da Recorrente, Fundazione e OASIS é um empréstimo obtido pela Monte Tabor, junto ao Banco do Nordeste do Brasil, que teve como garantia parte dos imóveis que foram alienados a Fundazione. Questão que merece destaque, é o fato de que o HSR, para o exercício das suas atividades, ter contraído empréstimo junto ao Banco do Nordeste do Brasil, BNB, cópia do contrato no Anexo 33 – F. No aludido instrumento contratual, denominado: “Cédula de Crédito Comercial N. 181.2010.131.1285”, na folha 8, item 4, ao tratar dos Bens Vinculados em Alienação Fiduciária, as Diretoras estatutárias Laura Ziller e Liliana Ronzoni, “assumem em conjunto e isoladamente as obrigações de FIÉIS DEPOSITÁRIOS dos bens alienados fiduciariamente, e nesta condição assinam, pessoalmente o presente instrumento de crédito, sujeitandose, assim, às sanções cíveis e penais previstas na legislação vigente”. Foram dados em garantia parte dos imóveis, formalmente pertencentes à Fondazione, em garantia a crédito no valor de R$40.619.308,57 (quarenta milhões, seiscentos e dezenove mil, trezentos e oito reais e cinquenta e sete centavos). As mencionadas Diretoras, assinam o instrumento contratual qualificadas como Diretores Gerais. Fl. 5311DF CARF MF 68 Regularmente intimado, através do Termo de Fiscalização 10, também foram apresentados documento de anuência da Fondazione para gravar os imóveis de sua propriedade. Ata de reunião da Fondazione, realizada em 20/02/2009 na Itália, tanto no idioma italiano, como em Português, com tradução juramentada. Cópia no Anexo 33F. E, em mais uma demonstração de caracterização do grupo econômico com a Fondazione, os imóveis, formalmente pertencentes à Fundação italiana, foram dados em garantia. Conforme indicado nas certidões contidas no Anexo 33. Ou seja, a Fondazione, aluga os seus imóveis para o HSR, como demonstrado acima, não recebe qualquer valor correspondente ao imóvel locado ao longo de mais de 10 (dez) anos, e ainda concorda em dar em garantia os próprios imóveis para viabilizar empréstimos contraídos pelo locador. Desta forma, por mais nobres e verdadeiros que fossem as intenções, não se pode deixar de afirmar que, em realidade, o Monte Tabor Brasil, HSR, e a Fondazione, constituem em realidade, um mesmo grupo econômico. Em resumo, existe uma completa confusão patrimonial entre a Monte Tabor, Fundazione e empresa OASIS, onde não é possível identificar quem é realmente o proprietário do imóvel, pois, não existe contrato de aluguel, não existe controle de pagamento de alugueis e despesas de manutenção. Existem gastos realizados em imóvel, que não estão em nome da Monte Tabor e ao mesmo tempo imóveis em que residem diretores do Monte Tabor, cujas despesas são mantidas pela OASIS. Os fatos deixam claro a existência de um grupo de pessoas jurídicas e físicas se utilizando de recursos referentes ao Monte Tabor, o que ao meu sentir, deturpa totalmente o que se espera de uma entidade de assistência social e sem fins lucrativos, onde deveria ocorrer um controle rígido de gastos e transparência para justificar os aportes financeiros que recebe e os benefícios fiscais concedidos para que a integralidade de suas receitas sejam utilizadas nas suas atividades finalísticas. Além da situação do imóvel onde reside as diretoras do Monte Tabor, a fiscalização comprovou a distribuição de receitas a diretores por meio de criação de empresas de assessoria. A partir de uma análise criteriosa da contabilidade do HSR foram identificadas empresas prestadoras de serviço de consultoria, cujos sócios eram os diretores não estatutários, conforme veremos a seguir. Os valores mencionados abaixo, relativos a 2009 foram obtidos através do acesso aos elementos apurados no curso da ação fiscal consolidada no PAF, N. 10580.731120/201355. De 08/2003 a 10/2009 o sr. Andrea Garziera, com base em procuração, exerceu a função de verdadeiro Diretor Geral do Monte Tabor. O início do exercício desta função não era como empregado e sim a título de “Mandato” outorgado pelos representantes legais do Contribuinte, conferindo ao mesmo poderes de gestão definidas no instrumento de mandato (anexo 3A). O comunicado DIREX – CI 083/03 de 01/08/2003 (anexo Fl. 5312DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 36 69 3A) oficializa a gestão do sr. Andrea, designado como Diretor Executivo Adjunto, o qual, conforme estabelecido pela Diretora executiva Laura Ziller, “colaborado pela empresa TCN – Today Consultoria de Negócios, dirigida pelo sr. Eduardo J. Marinho de Queiroz Jr”. Como veremos a seguir o sr. Eduardo se tornará diretor do HSR. Através da Resolução 007/03 de 29/08/2003 (anexo 3A), o sr. Andrea é nomeado diretor geral do contribuinte. Em janeiro de 2004 o sr. Andrea, já exercendo a função de Diretor Geral, firma um contrato de prestação de serviços com o HSR. Em junho de 2004 é firmado um contrato de cessão de direitos (anexo 3A) do Sr. Andrea para a empresa Salva Consulting. No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. Não foram identificadas remunerações pagas pelo HSR diretamente ao seu diretor geral. Porém foi constatado que o sr. Andrea é sócio majoritário (90% do capital social) da empresa Salva Consulting Gestão Empresarial Ltda, inscrita no CNPJ nº 06.244.574/000191, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da Junta Comercial do Estado da Bahia – JUCEB (anexo 25). Entre os anos de 2009 e 2010, esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 551.578,04, conforme relação abaixo extraída do mencionado processo de lançamento anterior. Notas Fiscais, extrato DIRF 2010 e contratos (anexo 26) : ... Observase que a reunião da Diretoria do Monte Tabor conforme Ata nº 172/2009 (anexo 3A), tratou do afastamento do sr. Andrea, com revogação do instrumento de mandato, que transcrevo parcialmente: ”Abordando o segundo ponto da pauta, a VicePresidente deu conhecimento aos demais dos acertos finais intercursos com o diretor geral Andrea Garziera, o qual, a mais de um ano se encontra muito ausente, empenhado em outros empreendimentos pessoais e das Instituições italianas, FINRAF e outros, e, para tanto, deixará o mandato no próximo mês de outubro”. Causa estranheza o faturamento da empresa do sr. Andrea, junto ao Contribuinte, nos anos de 2009 e 2010, no valor de R$ 551.578,04, conforme tabela acima, pois, em pesquisa ao Sistema GFIP WEB, durante estes dois anos a empresa Salva não declarou qualquer empregado, declarando apenas pro labore. Desta forma, fica evidente que os valores pagos à Salva decorria da remuneração do seu Diretor. Conforme mencionado Fl. 5313DF CARF MF 70 acima, os dirigentes do HSR afirmam, em 18/09/2009, que o sr. Andrea “a mais de um ano se encontra muito ausente”. Percebese, com isso, flagrante distribuição de parcela do patrimônio e renda do contribuinte a esse diretor, configurando ainda um pagamento sem qualquer vinculação com as atividades do contribuinte que se intitula como sendo sem fins lucrativos. Mesmo fato verificado com a empresa TCN, que a antecedeu na Gestão administrativa do HSR. Em 11/2008, assumiram a Diretoria Administrativa e Financeira e a Diretoria de Controle e Expansão, respectivamente, os senhores Eduardo Jorge Marinho de Queiroz Junior e Sigevaldo Santana de Jesus, sócios na empresa Today Consultoria de Negócios Ltda, inscrita no CNPJ nº 05.017.814/000152, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da JUCEB (anexo 28). Entre janeiro de 2009 de dezembro de 2010 esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 802.837,91, conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 29). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que os sócios da empresa desempenham como empregados do contribuinte. Ressaltese que em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO”, portanto sem qualquer empregado, em princípio, com suas atividades paralisadas. Também nas DIPJ 2009 e 2010, não há qualquer registro relativo a custos ou despesas com pessoa, assim como relativa a serviços prestados por terceiros. Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ nº 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 – R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO” desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado Regularmente intimado através do Termo de fiscalização 05, o HSR apresentou planilha, ANEXO 25, contendo a remuneração dos seus diretores no ano de 2010, entre os quais encontramse os Srs. Eduardo Jorge e Sigevaldo Santana, que receberam as remunerações indicadas, as quais excedem aqueles valores declarados em GFIP para o mesmo período. Em resposta ao Termo de Fiscalização 05, ANEXO 1, item 3, o contribuinte declara que: “os serviços prestados pelas empresas TCN, Acervo e Salva Consulting, dentro das dependências do Monte Tabor, foram prestados pelas pessoas pertencentes a estas empresas, não existindo uma quarteirização que seja de nosso conhecimento”. Evidenciando que os serviços foram prestados pelos sócios e dirigentes destas empresas, dirigentes do HSR, já que as empresas não possuíam quadro de funcionários, assim como não informaram despesas nas respectivas DIPJ. Na mesma resposta, Fl. 5314DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 37 71 descreve as atividades destas empresas criadas para remunerar os seus diretores, indicando atividades eminentemente gerenciais, vinculadas à área de atuação destes Diretores. Tendo apresentado, quando intimado a comprovar a efetiva prestação dos serviços gerenciais terceirizados, atos de gestão dos seus Diretores, não comprovando a atuação destas empresas de consultoria que recebeu no período fiscalizado as altas somas conforme descrito. Os atos de gestão apresentados estão dispostos no anexo 24. Quando intimada, através do Termo de Fiscalização 02, item 5, Anexo 1, a apresentar eventuais resultados das aludidas prestações de serviços, que teriam sido prestados pelas empresas: TCN, Acervo e Salva, apresentou atas de reunião e relatórios firmados pelos seus Diretores. O que não poderia ser diferente, já que estas empresas de consultoria, sem funcionários, se prestaram apenas para remunerar , em evidente desvio de finalidade, os seus Diretores. O tratamento benevolente para com os seus Administradores e Diretores também pode ser constatado através do aluguel de imóveis residenciais, não registrados como remuneração aos respectivos beneficiários, conforme indicado na resposta ao Termo de Fiscalização 3, fornecida em 26/03/2014, Anexo 50, no qual se descarta a existência de vínculos com os locadores, afirmando que os imóveis residenciais locados, situados respectivamente em Porto Seguro/Ba e Alagoinhas/Ba, destinaramse, no ano de 2010, período submetido a fiscalização, à residência respectivamente dos Srs. Aurélio Justiniano Rocha Neto, Diretor Geral da Organização social Hospital Luiz Eduardo Magalhães em Porto Seguro/Ba, e Adalberto Bezerra, Diretor Geral da Organização Social Hospital Regional Dantas Bião em Alagoinhas/Ba. Em que pese a transferência de recursos para alguns dos administradores terem ocorrido em período anterior aos fatos geradores controlado nos presente processo, este fato deixa claro um modus operandi adotado pelos administradores da Monte Tabor de repassar recursos a diretores, tentando ocultar estes fatos por meio de utilização de empresas de assessoria. A par de todas os fatos apurados no trabalho fiscal, existiu a criação de um grupo de empresas e pessoas físicas, que utilizando de diversos artifícios, retirou recursos da Monte Tabor para benefício próprio, ocultando estes fatos, por meio de operações simuladas, contrato de aluguel, ausência de controle de gastos, trabalhos de assessoria não comprovados, demonstrando a característica dolosa para ocultar os tributos devidos, o que implica no agravamento da multa, conforme muito bem aplicado pela Autoridade Fiscal. Assim, entendo correta a qualificação da multa, nos termos previstos na lei nº 9.430/96, Art. 44, inciso I, §1º c/c o art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fl. 5315DF CARF MF 72 Solidariedade das pessoas jurídicas Fundazione, Oasis e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller O lançamento trouxe para o pólo passivo da obrigação como devedores solidários a Fundazione, OASIS e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller. O TVF detalhou os fundamentos para considerar a solidariedade dos responsáveis. Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, Diretora Conselheira e também Diretora Médica do HSR, Representante perante a RFB e administradora da Fondazione, e administradora da OASIS, à época dos fatos apurados na presente ação fiscal, persistindo até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OASIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei nº. 5.172/1966; Laura Ziller, CPF 124.251.41553, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, dados cadastro CPF no anexo 2, VicePresidente executiva do HSR, até o falecimento do então Presidente Luigi Verge, falecido em 31/12/2011, após o que passou a exercer a função de Diretora presidente, representante perante a RFB e administradora do HSR, situação que persiste até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OASIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966. As Diretoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni, às quais se imputa a sujeição passiva solidária, atuam ativamente na administração do HSR e também da Fondazione e OASIS, tendo inclusive assumido pessoalmente o gravame de parte dos imóveis registrados em nome da Fondazione em garantia a empréstimo do HSR junto ao Banco do Nordeste do Brasil, como descrito no item 5.0 acima. Cópias dos elementos de prova no Anexo 33F. Em relação às Diretoras do HSR, Laura Ziller e Liliana Ronzone, face às quais foram imputadas as infrações na qualidade de responsáveis solidárias, conforme evidenciado através das respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, DIRPF, correspondentes aos períodos de apuração de 2010 a 2013, cópias nos anexos 54 e 55, indicam que não recebem diretamente remuneração do HSR. No entanto, ambas declararam ter recebido rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, conforme planilha abaixo, valores estes que foram objeto de Termos de Diligências específicos, anexo 1, visando esclarecer a origem dos rendimentos declarados. Fl. 5316DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 38 73 Na resposta ao Termo de Diligência 01, Laura Ziller afirma que os rendimentos declarados “são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Liliana Ronzoni, afirma que: “Os rendimentos declarados nas DIRPF correspondentes aos períodos de apuração compreendidos entre o ano de 2010 e julho/2012, e informados no campo, rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, são oriundos de valores recebidos na Itália a título de salários recebidos da Fondazione Centro San Raffaele. Os rendimentos compreendidos entre o período de agosto de 2012 e o ano de 2013 são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Merece destaque, em relação à resposta da Diretora Liliana Ronzoni o fato de que afirma, que, no período submetido à presente ação fiscal, recebeu rendimentos da Fondazione, a qual, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, constitui, com o HSR, um mesmo grupo econômico. Tal remuneração, considerando que exerce a atribuição de Diretora do HSR, só pode decorrer do exercício desta atribuição. Na mesma resposta, a Diretora Liliana Ronzoni afirma que: “o valor recebido é depositado em conta bancária naquela localidade. Meus gastos pessoais aqui no Brasil são pagos com cartão de crédito internacional e debitados diretamente na referida conta, no exterior”. De tal afirmação, merece destaque, além do fato de afirmar possuir conta no exterior não declarada na DIRPF, o fato de atestar que a sua manutenção é custeada pela Fondazione. ... Vale ressaltar que, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, apesar de indicada no mencionado documento como Diretora não estatutária, figura como Diretora estatutária, na qualidade de Diretora Conselheira, como indicado nas já mencionadas atas de eleição das diretorias para o período 2008 a 2012. Figurando portando como Diretora estatutária, integrante do conselho de Administração, como estabelecido no Estatuto, responsável pelas principais definições do HSR, juntamente com o Presidente, Luigi Maria Verzé, falecido em 31/12/2011, e os vicepresidentes Mario Cal, falecido em 18/07/2011, e Laura Ziller, VicePresidente executiva, atual presidente após o falecimento do Presidente e do Vice. A Sra. Liliana Ronzone, também exerceu a função de Vice Diretor Médico, posteriormente, em 01/01/1992, conforme resolução 03/1991 de 19/12/1991, Anexo 3, assumiu a função de Diretora Médico do HSR, função que exerce até a presente data. Figura ainda como responsável perante a Receita federal do Brasil, RFB, pelo contribuinte: “Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ – 05.842.123/000193”, Fondazione, contribuinte em relação ao qual foi imputada a Fl. 5317DF CARF MF 74 condição de responsável solidário em relação às infrações apuradas, além de atuar como responsável, perante a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, em relação ao HSR, conforme Termo de responsabilidade, Anexo 3. .... Além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como restará demonstrado nos itens: “4.2.5. pagamento de Aluguel á Fondazione” e “5.0 – Da caracterização do grupo econômico entre HSR OASIS – Fondazione”, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OASIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR. Através de exame da contabilidade do HSR, foram identificadas algumas despesas identificadas nos históricos dos lançamentos contábeis correspondentes, como sendo relativas à diretora Liliana Ronzoni. A comprovação destas despesas foram objeto de intimação através do item 2 do Termo de Fiscalização06, tendo sido respondido em 06/06/2014, anexo 251, que parte destes registros corresponderam a viagens vinculadas ao exercício da atividade de Diretora Médica, deixando de apresentar comprovação das despesas especificadas como sendo “Despesas com visitantes estrangeiros para intercâmbio médico Reembolso”. Também através do Termo de Fiscalização 06, item 2.2, intimou se o HSR a justificar o pagamento de despesas correspondentes à empresa VDS Export LTDA, empresa pertencente até 19/10/2010 ao então diretor do HSR Andrea Garziera, e atualmente apresenta como sócio Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.80104, conforme extrato de pesquisa de cadastro, anexo 52. Roberto Lino é sócio, juntamente com a Fondazione, da empresa OASIS, integrante, como demonstrado, no item 5.0 abaixo, do mesmo grupo econômico do HSR. Na mencionada resposta ao Termo de Fiscalização 06, afirmase que o valor registrado contabilmente como sendo da VDS Export não seria uma despesa e sim um reembolso. O que de fato procede. No entanto, evidenciase a utilização das instalações do HSR por empresa privada vinculada a Diretor e a pessoa vinculada à OASIS, empresa criada com o fim específico de custear a manutenção dos Diretores estatutários do HSR. Evidenciada também a transferência de recursos aos Diretores através do custeio integral para a manutenção da Presidente do HSR, Laura Ziller, e da Diretora estatutária, Liliana Ronzoni, como evidenciado nos itens 5.0, que trata da caracterização do grupo econômico entre o HSR, a OASIS e a Fondazione; e o item 8, que trata da Sujeição Passiva ... Fl. 5318DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 39 75 A mencionada procuração, anexo 35, datada de 16/01/2008 e com validade do mandato até 31/12/2014,confere os mais amplos poderes à Diretora do HSR, Liliana Ronzoni, para praticar quaisquer atos de administração em relação à Fondazione, apesar de, estranhamente, conforme afirma na resposta apresentada em 18/06/2014, ao Termo de Diligência 03, anexo 36: “Conforme já informado a V.Sas., atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor”. Tal afirmação configura que a Fondazione, proprietária de enorme patrimônio em imóveis no Brasil, credora, ao menos contabilmente de vultoso crédito, em realidade não existe, ao menos para a sua procuradora. Apesar de afirmar em diversas respostas em nome da Fondazione, não ter contato com os Dirigentes da Fondazione, afirmou no Termo de Declaração firmado em 18/06/2014, que a Fondazione continua existindo na Itália. A fiscalização, conforme detalhado alhures, comprovou a criação de um grupo econômico das pessoas jurídicas Fundazione, OASIS e Monte Tabor, onde as operações realizadas com imóveis e transferência de recursos em benefícios de administradores do Monte Tabor buscaram ocultar operações de transferências de valores e evitar a suspensão da isenção e a consequente exigência dos tributos. Quanto as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller, as apurações da auditoria comprovam que se beneficiarem de recursos ao residirem em imóvel cujas despesas são integralmente custeadas pela Monte Tabor. Além deste fato, a auditoria fiscal, levantou diversos pontos que levam a responsabilidade de Liliana Ronzoni e Laura Ziller como diretoras que respondem pelas empresas envolvidas e portanto, também devem ser arroladas como solidárias nas obrigações tributária. O acórdão da decisão da primeira instância descreveu em detalhes as participações individuais de Liliana Ronzoni. A alegação da Sra. Liliana Ronzoni, de que não pratica atos de gestão administrativa ou financeira na referida entidade, e exerceria apenas a função de DiretoraMédica, atribuição com competência exclusivamente técnica na área de saúde, é no sentido contrário às provas levantadas pela fiscalização, das quais destaco as duas seguintes, relativamente ao ano da autuação: representando a contribuinte Monte Tabor, Liliana Ronzoni assinou em 30/03/2007 o contrato com da empresa Delfin Médicos Associados LTDA (fl. 1009). figura como Diretora estatutária, na qualidade de Diretora Conselheira, como indicado nas atas de eleição das diretorias para o período 2008 a 2012. No ano de 2010 participou do Conselho de Administração da Monte Tabor, como reconhecido Fl. 5319DF CARF MF 76 em sua Impugnação (fl. 2971), participando então das decisões da entidade; é mandatária dos interesses da FONDAZIONE no Brasil e representante dessa entidade perante a Receita federal do Brasil, fato também admitido na sua peça impugnatória, que não pode ser olvidado sob a afirmação singela de que figurava como mera “assinante de papéis” (fl. 2975). A Sra. Liliana Ronzoni ainda afirma que, a partir da concordata da FONDAZIONE pelo Tribunal de Milão, deixou de manter contato ou ter ciência dos acontecimentos relacionados a essa entidade e por isso respondeu, no curso da fiscalização, que não possuía as informações solicitadas com relação à FONDAZIONE, declarando que “atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor.” (fl. 2976). Tal justificativa parece desarrazoada, pois ela continuou como mandatária da FONDAZIONE, “muito embora já sem qualquer relação pessoal com os seus administradores judiciais”. Dessarte, as provas levantadas pela fiscalização e a responsabilidade tributária em debate não estão amparadas em meros indícios, mas em um conjunto de fatos e provas que se mantêm. Por isso, e em face da conduta dolosa da Impugnante na prática de atos de administração na Monte Tabor, ela responde pessoal e solidariamente, nos termos dos arts. 124, II, e 135, III, do CTN. Quanto a Laura Ziller, a decisão de piso descreveu os atos praticados que confirmam a responsabilidade solidária A responsabilidade da Sra. Laura Ziller também deve ser mantida, mais uma vez com base nos arts. 124, II, e 135, III, do CTN, por ser ela presidente da contribuinte Monte Tabor. No subitem 8.4 do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – AUTO DE INFRAÇÃO PIS o AuditorFiscal informa (fl. 49): 4 Laura Ziller, CPF 124.251.41553, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, dados cadastro CPF no anexo 2, VicePresidente executiva do HSR, até o falecimento do então Presidente Luigi Verge, falecido em 31/12/2011, após o que passou a exercer a função de Diretora presidente, representante perante a RFB e administradora do HSR, situação que persiste até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OÁSIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966. Fl. 5320DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 40 77 Sendo administradora, a pessoa física é diretamente responsável pelos atos dolosos, tal como assentado no Relatório Fiscal. Apenas se não assumisse a administração é que a autuação precisaria apontar, com precisão (como, aliás, se deu em relação à Sra. Liliana Ronzoni), quais atos teria praticado com dolo e ensejaria a responsabilidade pessoal. Nesse sentido a jurisprudência pacífica e antiga do STJ, representada, dentre outros, pelos Recursos Especiais nºs 624.842/SC, julgado em 26/10/2005, 717.717/SP, julgado 28/09/2005, e 749.034/SP, todos da Primeira Seção. No voto do REsp nº 624.842, o voto do Relator, o saudoso Min. Teori Zavascki, esclarece que a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por quotas de responsabilidade limitada só existe quando presentes as condições estabelecidas no art. 135, III do CTN, e que nesta hipótese "é indispensável a comprovação, pelo credor exeqüente, de que o nãorecolhimento da exação decorreu de ato praticado com violação à lei, ou de que o sócio deteve a qualidade de dirigente da sociedade devedora" (negrito acrescentado): Na mesma linha, as ementas dos REsp nºs 717717/SP e 749.034/SP, estes dois da relatoria do Min. José Delgado, informam: "O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador" (negrito acrescentado). Concordo plenamente com as justificativas apresentadas na decisão da primeira instância. Assim, entendo como corretas a aplicação da solidariedade as pessoas jurídicas Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, OASIS e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller. Possibilidade de compensação de depósitos judiciais referente a lançamento de PisFolha O Recorrente pede que seja compensado no lançamento fiscal os valores referentes à depósitos judiciais em processos que discutem a exigência do PISFolha. Não assiste razão às Recorrentes. No presente lançamento estão sendo realizadas exigências referentes a PISFaturamento, que não se confunde com a discussão da imunidade para o PIS Folha, tal fato foi esclarecido em diligência determinada pela autoridade de primeira instância, conforme consta do trecho abaixo, extraído do relatório fiscal de diligência emitido pela Unidade de Origem. A compensação pleiteada pelo contribuinte na impugnação ao Auto de Infração lavrado não deve prosperar uma vez que os depósitos judiciais não correspondem à quitação do crédito tributário lançado, necessitando para tal o reconhecimento por Fl. 5321DF CARF MF 78 parte do Poder Judiciário. Diversas decisões judiciais firmam jurisprudência neste sentido. Na aludida ação judicial, discutese ser indevido o PIS sobre a folha de pagamento que seria devido na auto proclamada condição de entidade isenta. Já o lançamento tributário objeto de impugnação e que ensejou a presente diligência, decorre de lançamento tributário de PIS sobre o faturamento, com multa qualificada em decorrência das inúmeras fraudes apuradas que afastaram, de maneira inequívoca a condição de isenção a que se atribuía o contribuinte diligenciado. Na forma estabelecida no art. 89 da Lei 8.212/91, por falta de previsão legal, já que o alegado crédito, consubstanciado através dos valores depositados judicialmente, além de não corresponder ao débito que se propõe compensar, requer uma manifestação judicial, no âmbito do processo ordinário que autorizou o depósito, para que tais valores sejam apropriados à quitação de débitos diversos daquilo pleiteado juridicamente. O art. 8º da Lei 9.715/98 de forma cristalina, determina a apuração diferenciada ao definir base de cálculo e alíquotas diversas para o PISFolha e o PIS Faturamento. Art. 8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: I zero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; II um por cento sobre a folha de salários; III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Portanto, as exigências de PISFolha e PISFaturamento podem ocorrer em conjunto e a não é possível, como pretende a Recorrente, excluir do lançamento os valores referentes aos depósitos em ação judicial que discute a imunidade do PISFolha. Juros de mora e utilização da taxa SELIC O contribuinte também se insurge contra a cobrança de juros de mora e utilização da taxa SELIC. Também nesta matéria não assiste razão a recorrente, os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 5322DF CARF MF Processo nº 10580.720132/201516 Acórdão n.º 3301006.382 S3C3T1 Fl. 41 79 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Depreendese da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do DecretoLei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do DecretoLei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Quanto ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC. O CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 5323DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903865/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.141
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 86 5/ 20 13 -2 6 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.903865/201326 Resolução nº 3402002.141 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11080.903865/201326 Resolução nº 3402002.141 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11080.903865/201326 Resolução nº 3402002.141 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11080.903865/201326 Resolução nº 3402002.141 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11080.903865/201326 Resolução nº 3402002.141 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900614/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 14 /2 01 4- 92 Fl. 91DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.330 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900614/2014-92 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 92DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.330 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900614/2014-92 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 93DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.330 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900614/2014-92 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 94DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.330 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900614/2014-92 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 95DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.330 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900614/2014-92 Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.000244/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO - VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO
O destino da compensação vincula-se ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restitui-se o crédito à escrita fiscal e homologa-se a compensação feita com arrimo naquele.
Numero da decisão: 3201-005.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Recorrente BRASAL REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 44 /2 00 7- 02 Fl. 932DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 933 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo da DCOMP n° 17608.15317 (fls. 02/218), que informa como lastro da compensação declarada saldo credor do IPI relativo ao 4° trimestre de 2004, apurado pelo estabelecimento matriz da requerente. Para verificação da legitimidade dos créditos alegados foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 259/264. Relata a autoridade que o trabalho fiscal foi realizado para atender o que determinava o Mandado de Procedimento Fiscal n° 01101002007000135, compreendendo inicialmente o período de 01/01/2003 a 3 1/12/2003 e visando confirmar indicio de omissão de receita do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ. No decorrer dos trabalhos foi constatado, no entanto, que a empresa havia se creditado do IPIImposto Sobre Produtos Industrializados referente a produtos originários da Zona Franca de Manaus, sem destaque daquele tributo, tendo em vista que as matérias primas adquiridas daquela unidade da federação seriam tributadas à aliquota zero. . Informa que, em decorrência dos fatos acima, foi emitido o MPFComplementar n°.01.1.01.002007000135, datado de 20/08/2007, estendendo a fiscalização para que fossem verificados os créditos de IPIImposto Sobre Produtos Industrializados, lançados pela empresa com a utilização de produtos vindos da Zona Franca de Manaus, referentes ao período de 01 de janeiro de 2002 até 31 de dezembro de 2006. Após as análises referentes ao IPI, a fiscalização concluiu pela glosa dos créditos relativos as aquisições de matériaprima oriunda da zona franca de Manaus. A fl. 261, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal menciona a motivação da realização dessas glosas. Vejamos: "Por meio do exame das notas fiscais de aquisição de matériaprima oriundas da zona franca de Manaus, ficou constatado que aquelas operações foram • tributadas a alíquota zero, conforme posição 2106.90.10 que acarretou a glosa dos créditos de IPI respectivos." Foi também mencionado no referido termo que o contribuinte informou fiscalização que o seu direito de creditarse do IPI incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta, procedente da Zona Franca de Manaus, estava garantido pela Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 934 3 decisão proferida pela Eg. Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Mandado de Segurança Preventivo Coletivo n° 96.02.060506, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola — que representa todos os fabricantes de CocaCota do Brasil. Informou ainda que tal decisão transitou em julgado em dezembro de 1999, em virtude no não conhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Em decorrência da glosa dos créditos mencionados, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal da contribuinte para excluir os créditos considerados indevidos, sendo os saldos devedores constituídos através do auto de infração formalizado no processo 10166.720116/200895. Este auto de infração foi julgado pela 3ª turma de julgamento desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, sendo julgado totalmente improcedente o lançamento, nos termos do acórdão juntado às fls. 760/768. Em virtude do valor do crédito tributário exonerado, o lançamento foi encaminhado, por força de recurso necessário, para julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Neste processo, a autoridade fiscal, mantendo o entendimento da fiscalização, confirmou as glosas realizadas, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando a compensação objeto deste processo administrativo. Cientificada do despacho decisório em 22/04/2010, a requerente apresentou em 13/05/2010 a manifestação de inconformidade de fls. 282/307, por intermédio da qual expressa suas razões de discordância no que se refere ao despacho decisório. Em resumo, a manifestante se ampara nos seguintes argumentos: a) o insumo que gerou o crédito de IPI em questão para a REQUERENTE não se sujeitava a alíquota zero, mas sim à alíquota de 27% e é isento do IPI; b) não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas, porque já havia sido proferida decisão favorável no AI MPF n° 0110100/00013/2007; c) superado o exposto no item acima, o que se admite apenas para argumentar, este processo administrativo deve ser sobrestado até o julgamento final do AI MPF n° 0110100/00013/2007; d) a REQUERENTE tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão: d. i.) porque há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) no 91.00477834 assegurando o direito da REQUERENTE aos créditos Fl. 934DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 935 4 relativos da aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), oriundos da Zona Franca de Manaus; d. ii) por força do principio da nãocumulatividade e por d iii) força expressa da disposição do art. 6° do Decreto Lei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975 e e) nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a REQUERENTE tem direito de utilizar créditos de IPI para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB. Ao final requer que "seja reformada a decisão recorrida e, consequentemente, deferido o pedido de ressarcimento e homologadas as compensações realizadas"." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) Em 31/05/2005, protocolou declarações de compensações (PERDCOMPs) para utilizar saldo credor de IPI, apurado no período de outubro a dezembro de 2004 para quitar, por compensação débitos de outros tributos; (ii) em 24/11/2008 a Fiscalização lavrou Auto de Infração (AI) MPF nº 0110100/00013/2007 (processo administrativo nº 10166.720116/200895) para cobrar IPI recolhido a menor nos períodos de 10/01/2003 a 31/12/2006, pelo fato de que teria utilizado crédito do imposto relativo a insumos adquiridos que supostamente se sujeitariam ao IPI à alíquota zero; (iii) em 30/06/2009, a 3ª Turma da DRJJF julgou o Auto de Infração MPF nº 0110100/00013/2007 improcedente, sob o fundamento de que os referidos insumos utilizados pela Recorrente em seus refrigerantes não eram sujeitos à alíquota zero de IPI e sim isentos e consequentemente davam direito ao crédito; Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 936 5 (iv) no caso não tem aplicabilidade o disposto no art. 19 da INSRFB nº 210/2002, pois não se está diante de mero pedido de ressarcimento, mas de pedidos de compensação com utilização dos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento; (v) o AI MPF n° 0110100/00013/2007 tem uma relação direta com o presente processo; (vi) a decisão a ser proferida neste processo deve estar em conformidade com a decisão a ser proferida no AI MPF n ° 0110100/00013/2007, porque se este auto for julgado improcedente haverá o reconhecimento do direito aos créditos e, por conseguinte, do direito ao saldo credor de IPI utilizado pela Recorrente para quitar, por compensação, o referido tributo; (vii) o AI MPF nº 0110100/00013/2007 ainda não foi julgado definitivamente, tendo sido proferida decisão de lª instancia julgando improcedente o referido auto; (viii) o presente processo deve ser sobrestado até o julgamento em definitivo do AI MPF nº 0110100/00013/2007; (ix) em caso semelhante ao presente o CARF concluiu pela possibilidade de sobrestamento do processo; (x) o sobrestamento não causa qualquer prejuízo à Fazenda Nacional; (xi) os insumos utilizados, que geraram o crédito de IPI em questão, estão classificadas no Ex 01 do item 2106.90.10 da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI) veiculada pelo Decreto n ° 4.542, de 26.12.2002, e que vigeu durante o período objeto do pedido de ressarcimento/compensação em questão e se sujeitam à aliquota de 27%; (xii) a 3ª Turma da DRJJF, no julgamento do referido AI MPF n ° 0110100/00013/2007, reconheceu que os que os insumos adquiridos não são sujeitos a alíquota zero; (xiii) o IPI incidente sobre a aquisição dos insumos realizada pela Recorrente só não foi recolhido, porque esses insumos são isentos; (xiv) possui direito ao crédito dos insumos, por força do art. 6º, § 1º do DL nº 1.435/1975, que assegura o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos elaborados com base em matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional adquiridas de produtor situado na Amazônia Ocidental e, no caso, os insumos adquiridos atendem esses requisitos, tendo sido concedido o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/1975 pela SUFRAMA, por intermédio da Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) nº 387/1993, fundada no Parecer Técnico 88/93SAPDEPRO, à fornecedora Recofarma; (xv) cita jurisprudência do CARF que, no seu entendimento, se aplica ao caso; (xvi) há coisa julgada coletiva formada no Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola Fl. 936DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 937 6 (AFBCC), oponível à União Federal, que assegurou aos associados da AFBCC o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita ao IPI; (xvii) possui o direito de manutenção dos créditos dos insumos adquiridos, pois são isentos do IPI, também porque oriundos da Zona Franca de Manaus; (xviii) é aplicável o entendimento jurisprudencial do STF consolidado no RE nº 212.484RS, que assegurou o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de refrigerantes cuja saída é sujeita ao IPI; (xix) a autoridade administrativa está vinculada à decisão proferida pelo plenário do E. STF que reconheceu o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (por norma de isenção subjetiva regional) e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI, porque o art. 26A, § 6°, I, do Decreto n° 70.235/72 assim determina; (xx) a jurisprudência administrativa já reconhecia o direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com beneficio da isenção subjetiva regional) utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento Plenário do STF (cita precedentes); (xxi) tendo o direito ao crédito de IPI em questão, esse crédito pode ser utilizado para quitar, por compensação, quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB; e (xxii) a multa não é devida, nos termos do art. 76, inc. II, "a", da Lei nº 4.502/1964. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Tem razão a Recorrente no que tange à aplicação ao presente processo do que fora decidido nos autos de nº 10166.720116/200895. No que concerne ao processo de nº 10166.720116/200895, o mesmo teve por escopo a cobrança de IPI relativamente ao período de apuração 01/01/2003 a 31/12/2006. Assim, os créditos objeto da compensação pleiteada no presente processo estão compreendidos no período objeto do lançamento de ofício. Compreendo que se o lançamento de ofício o qual glosou os créditos escriturados, refazendo a escrita e apurando valor de IPI a pagar, for julgado improcedente Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 938 7 neste colegiado, em decorrência desta decisão vinculase o destino das compensações, uma vez que os créditos glosados retornam a seu status quo ante na escrita fiscal. Assim, considerando o julgamento do Recurso de Ofício nos autos do processo 10166.720116/200895, julgado em sessão de 17 de maio de 2016, Acórdão nº 3402 003.067, a deliberação do objeto deste recurso deve ter o destino daquele, por suas próprias razões de decidir. A decisão apresenta a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. A desconformidade entre o fato real e o fato descrito na norma individual e concreta (ato de lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes. É ilegal a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, uma vez que sendo o lançamento tributário um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Recurso de ofício negado." (Processo nº 10166.720116/200895; Acórdão nº 3402003.067; Relatora Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; Redator designado para o voto vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim) Nestes termos, com fundamento na decisão do voto vencedor proferida no processo de nº 10166.720116/200895 (Acórdão nº 3402003.067), que adoto como razões de decidir e que reproduzo a seguir, é de se compreender como homologada a compensação objeto do presente processo. A decisão consignada no voto vencedor proferido pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim possui o seguinte texto: "Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim Conforme se pode verificar nos autos, a fiscalização glosou os créditos sob o fundamento de que insumos adquiridos com alíquota zero não dão direito ao crédito. Isso ficou bem claro em duas passagens existentes na descrição dos fatos e no termo de constatação (fls. 729 e 735): Fl. 938DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 939 8 Observem senhores conselheiros que nem de longe a fiscalização arranhou o assunto principal, que são as isenções dos Decretos Leis nº 1.435/76 e 288/67, pois até mesmo os julgados do STF invocados para dar lastro a autuação se referem à questão do crédito sobre insumos sujeitos à alíquota zero. E o fisco tinha pleno conhecimento de que a empresa havia adquirido concentrados fabricados em Manaus com aquelas isenções, pois o próprio exator anexou a título de exemplo a Nota Fiscal de fl. 721 que consigna expressamente o seguinte: Fl. 939DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 940 9 Apesar de conhecer todos esses elementos, a fiscalização insistiu em motivar o lançamento com o fato "o crédito é indevido porque os concentrados estão sujeitos à alíquota zero", quando a realidade fática era evidente: o contribuinte tomou o crédito sobre produtos isentos, por entender que estava amparado pelos arts. 69, I e II; 82, III e 341, II do RIPI/2002. A Turma de Julgamento da DRJ constatou imediatamente a desconformidade entre a situação real das aquisições isentas da ZFM e a situação descrita pela fiscalização no suporte físico do lançamento: Após fazer essa constatação, a DRJ dirigiu sua decisão no sentido de prover a impugnação do contribuinte, admitindo a aplicabilidade do mandado de segurança coletivo e considerando que a isenção foi regularmente concedida pela Suframa. Essa decisão é frontalmente contrária ao que este colegiado decidiu quanto a essas matérias nos recentes Acórdãos 3402002.921; 3402002.922; 3402002.927; 3402002.932; 3402002.933; 3402002.934 e 3402002.935. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 941 10 Entretanto, embora incorretos os fundamentos da decisão de primeiro grau, este colegiado não pode reformálos adotando os fundamentos dos votos vencedores declinados nos Acórdãos citados no parágrafo anterior, sob pena de manter o ato administrativo de lançamento sob fundamento diverso daquele originalmente invocado pelo fisco. Vejamos. Da obra de Hely Lopes Meirelles extraise o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). A desconformidade entre o fato real e o fato descrito na norma individual e concreta (ato de lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes. No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte: a autuação foi lastreada no fato de que "insumos tributados com alíquota zero não dão direito ao crédito de IPI"; quando a realidade fática evidenciada pela Nota Fiscal e pela TIPI trazidas ao processo pela própria fiscalização, revelam que se trata de crédito tomado sobre aquisições de produtos isentos originários da Zona Franca, com base nos arts. 69, I e II; 82, III e 341, II do RIPI/2002. Observem senhores conselheiros que a constatação acima de improcedência do lançamento foi reforçada pelo que restou solicitado nas duas diligências determinadas pela antiga Turma 3302. Na Resolução 330200.052, consta que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional constatou a carência probatória da fiscalização, conforme se vê no seguinte excerto: Fl. 941DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 942 11 Nas duas diligências solicitadas aquele colegiado mirou no objetivo de obter elementos probatórios que permitissem a aferição do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 82, III, do RIPI/2002, que permitiriam a contemplação dos concentrados com a isenção e com o direito de gerarem créditos fictos do imposto. Acontece que se esses elementos probatórios demonstrarem que os requisitos legais exigidos pelo art. 82, III, do RIPI/2002 não foram cumpridos, a reforma da decisão da DRJ acarretará a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, o que é totalmente ilegal, já que sendo o lançamento um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Em sede de julgamento administrativo não há como trocar o fundamento "o crédito é indevido porque os insumos estão sujeitos à alíquota zero", pelo fundamento "o crédito é indevido porque o fabricante dos concentrados não cumpriu os requisitos do art. 82, III, do RIPI/2002". Desse modo, são totalmente impertinentes as duas diligências solicitadas pela antiga Turma 3302, pois visaram a obtenção de provas com o objetivo claro de tentar manter a autuação por fundamento diverso do originalmente invocado. Sendo manifestamente improcedente o auto de infração, foi correto o seu cancelamento pela DRJ, mas pelos fundamentos acima declinados. E com tais fundamentos, acompanho a ilustre relatora Thais De Laurentiis Galkowicz pelas conclusões para negar provimento ao recurso de ofício." Consignese, ainda, que na decisão de 1ª instância proferida no processo nº 10166.720116/200895 houve o reconhecimento do crédito em seu mérito, conforme ementa adiante reproduzida: Fl. 942DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 943 12 É de se salientar que o mesmo entendimento ora perfilhado foi adotado em outros processos envolvendo a Recorrente e que foram relatados pelo Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, conforme ementa a seguir transcrita: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Recurso provido." (Processo nº 14033.000227/200767; Acórdão nº 3402003.120; Relator Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; sessão de 23/06/2016) O referido posicionamento foi o mesmo nos processos nº's 14033.000229/200756 (Acórdão 3402003.121) e 14033.000246/200793 (Acórdão nº 3402 003.122). Fl. 943DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 944 13 Dos votos proferidos pelo Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, destaco a observação que o julgado no processo de nº 10166.720116/200895 tornouse definitivo ante a não interposição de recurso por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional: "A decisão que cancelou o referido auto de infração (processo 10166.720116/200895) tornouse definitiva, uma vez que a PFN manifestouse naqueles autos (fl. 3707) que não interporia recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais." É uníssono o posicionamento do CARF de que o destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o do lançamento. Neste sentido: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE. VINCULAÇÃO. É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito reconhecido em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito crédito não reconhecido" (Processo nº 16682.900631/201281; Acórdão nº 3201002.758; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 25/04/2017) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO COM AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM OUTRO PROCESSO. Reconhecido o vínculo entre a apuração do IPI que foi objeto de auto de infração em outro processo administrativo, o resultado do julgamento daquele processo deve ser transposto para o processo em que se analisa o pedido de ressarcimento de IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte" (Processo nº 13976.000022/0031; Acórdão nº 3301002.934; Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal; sessão de 27/04/2016) Fl. 944DF CARF MF Processo nº 14033.000244/200702 Acórdão n.º 3201005.419 S3C2T1 Fl. 945 14 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 945DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000999/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164.
Numero da decisão: 3302-006.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 09 99 /2 00 9- 86 Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 3 2 Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato, o relatório do acórdão da DRJ/RPO nº 1453.100, da 12ª Turma, proferido na sessão de 27 de agosto de 2014: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do IPI, pleiteado pela contribuinte em epígrafe, efetuado por meio do PER/DCOMP nº 17083.49262.220306.1.1.010111, com direito creditório informado atinente ao 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 601.089,37. No Despacho Decisório de fls. 346/350, com base na Informação Fiscal de fls. 228/237, a autoridade competente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 60.266,52, com glosa no montante de R$ 540.822,85, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Nos termos do que consta do processo, o pedido foi parcialmente deferido devido à exclusão, da base de cálculo do cálculo do crédito presumido, de que tratam as Leis nºs 9.363/1996 e 10.637/2002, das aquisições efetuadas de: a) pessoas físicas, pois as mesmas não geram direito a crédito presumido do IPI haja vista que estas não são contribuintes do PIS e da CONFIS em relação ao seu faturamento; b) bens que não se enquadram no conceito de insumos, conforme art. 164, I do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), o qual esclarece que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente; c) energia elétrica e de prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda; d) outros bens que, tendo em vista o Código Fiscal de Operação (CFOP) contido nas respectivas notas fiscais de aquisição, não geram direito a crédito. Regularmente cientificada do despacho decisório, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 367/452, instruída dos documentos de fls. 453/481, alegando, em síntese, que é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo e serviços prestados por terceiros, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 4 3 demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Conclui sua manifestação com as considerações: “1) A Matéria Prima, laranja, adquirida de pessoas físicas, e sociedades cooperativas, não deve ser glosada no cálculo do crédito presumido em comento, já que onde a lei não restringe, não pode o intérprete fazêlo, mesmo por que, o espírito da lei é desonerar as exportações das contribuições ao PIS e a Cofins, que são cumulativas, e mesmo as pessoas físicas e sociedades cooperadas, adquirem insumos para produção de laranja, sobre os quais incidiu em etapas anteriores, as exações que se quer exonerar; 2) Os produtos intermediários devem ser analisados como todos àqueles que integram o processo produtivo, de maneira ampla, sob o ponto de vista econômicofinanceiro, e não aqueles que são direta e imediatamente consumidos ou que agregam o produto final, conceitos não aplicáveis ao IPI, e, muito menos, aos créditos presumidos de PIS e COFINS, já que incidem em todo o ciclo produtivo, desde a extração vegetal ou mineral, até a industrialização, em cascata, facultando, portanto, o direito sobre todos os produtos glosados neste tópico, em especial, os insumos combustíveis, energia elétrica e telecomunicações; 3) Onde a lei não estabeleceu, não pode o intérprete inovar, ou seja, levar em dedução estoques anteriores de insumos que componham ou não o processo produtivo, e que estejam no estoque, já que o crédito presumido é apenas calculado sobre as aquisições efetivadas no trimestre, e não levadas em conta pela Recorrente no seu pedido, ou seja, as deduções não tem qualquer amparo legal, devendo ser anuladas;” Por fim, requer seja acolhida a oposição apresentada, para deferir a totalidade do pedido de ressarcimento, ou seja, R$ R$ 601.089,37. É o relatório. A decisão da DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, garantido o direito ao crédito do IPI referente a aquisição de insumos de pessoas físicas, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 5 4 a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde esclarece visa tão somente garantir a aplicação da taxa selic, no que diz respeito à correção monetária dos valores de seus créditos. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. A matéria que se apresenta para julgamento já foi analisada e julgada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo que a ora recorrente figura como parte, oportunidade que restou garantido a correção monetária do crédito apurado com a incidência da taxa selic, contudo, somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da dada da Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 6 5 protocolização do pedido de ressarcimento, tendo em vista a oposição ilegítima do fisco ao crédito. Pois bem. Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303007.533, de relatoria do Nobre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: Taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 7 6 exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 8 7 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividem se em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 9 8 ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 10 9 administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 11 10 deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, reconheço a incidênca da correção em relação aos créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas que foi a única matéria em que o contribuinte reverteu nas instâncias de julgamento. Correção esta a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Portanto em relação à incidência da taxa Selic, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo que o seu termo inicial dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, somente sobre os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. Por todo o exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário, para admitir a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10850.000999/200986 Acórdão n.º 3302006.921 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 561DF CARF MF
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