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Numero do processo: 10925.002307/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/2002 a 30/06/2002
PAGAMENTO EM ATRASO. IMPUTAÇÃO.
Comprovado nos autos que a empresa efetuou o recolhimento da contribuição em atraso, correta a imputação de pagamentos efetuada pela fiscalização.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CREDITAMENTO Recorrente COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 30/06/2002 PAGAMENTO EM ATRASO. IMPUTAÇÃO. Comprovado nos autos que a empresa efetuou o recolhimento da contribuição em atraso, correta a imputação de pagamentos efetuada pela fiscalização. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 23 07 /2 00 6- 71 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.002307/200671 Acórdão n.º 3202000.967 S3C2T2 Fl. 289 2 O presente lançamento de ofício, veiculado por meio de auto de infração lavrado em 22/11/2006, com ciência em 23/11/2006 (efls. 3/ss), para a cobrança da Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 265.176,92, em decorrência da fiscalização ter constatado divergências entre os valores declarados em DCTF e os valores escriturados nos meses de março a junho de 2002. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima foi apurada, segundo descrição dos fatos contida no auto de infração às fls. 05, diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de Cofins, para o período de março a junho de 2002, conforme demonstrativo de fls.09. Com base na fundamentação legal dada pelos art.149 do CTN, art.1.° da LC 70/91,art.2.° e 3.° da lei 9.718/98, alterada pelas MP 1.807/99 e 1.858/99, e reedições. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa e juros de mora calculados até 31/10/2006, perfaz o total de R$ 265.176,92. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 23/11/2006 (fls.04), a contribuinte apresentou em 19/12/2006 a impugnação de fls. 7477, documentos anexos às fls. 79103, na qual alega, em resumo, que: 2.1. A infração inexistiu na forma levantada, porquanto a contribuição já se encontra recolhida em conjunto com competência posterior. A diferença de R$ 23.403,80, relativa a 06/2002, foi recolhida em 15/12/2002, juntamente com parte do valor (R$ 29.104,27) referente a 04/2002, totalizando R$ 52.508,07, tendo sido informado no DARF o período de apuração de 11/2002. Na DCTF foi informado o valor de R$ 87.964,20 como sendo o montante referente ao período, sendo R$ 35.456,13 a contribuição apurada naquele mês, e a diferença, R$ 52.508,07, correspondente a 06/2002 e parte de 04/2002. 2.2. Em 15/01/2003, a impugnante recolheu a contribuição de 12/2002 no valor de R$ 36.895,26, e as diferenças relativas a 04/2002 (R$ 5.994,00), 03/2002 (R$ 11.153,41) e 05/2002 (R$ 36.136,29), totalizando um montante de R$ 53.283,70. Na DCTF foi informado o valor de R$ 90.178,96 como sendo o montante referente ao período, sendo R$ 36.895,26 a contribuição apurada no mês, e a diferença, R$ 53.283,70, correspondente ao pagamento da diferença dos mencionados períodos anteriores. 2.3. A soma dos valores recolhidos com as contribuições de novembro e dezembro de 2002 corresponde ao valor lançado no auto de infração, R$ 105.791,73, que foi devidamente recolhido conforme faz DARF anexados. 2.4. Posto isso, requer a extinção do lançamento, e caso subsistam dúvidas quanto aos pagamentos realizados, seja realizada diligência para constatar que no DARF estão recolhidas as contribuições lançadas, conforme autoriza o art.16, IV, do PAF. 2.5. Se a DRJ assim não entender, deverá ser feita revisão pela autoridade lançadora, a fim de que seja reduzido ao valor correspondente à mora (juros e multa de mora) verificada entre o vencimento e o recolhimento, aplicandose os juros sobre esse valor e a respectiva multa de ofício. 2.6. Pelo princípio da proporcionalidade, a multa de oficio somente pode incidir sobre os encargos não recolhidos na mesma ocasião da quitação da contribuição, e não sobre o total da contribuição, como consta do auto, segundo o art.44, II, da lei Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.002307/200671 Acórdão n.º 3202000.967 S3C2T2 Fl. 290 3 9.430/96. Assim, ainda que essa Delegacia entenda como exigíveis os encargos, há que ser feita revisão do lançamento com a redução da exigência pelo afastamento da cobrança do tributo já recolhido, e redução da multa de ofício, que somente incide sobre os encargos da mora. É o que se requer, inclusive com abertura de novo prazo para impugnação ou recolhimento dos valores revisados. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I proferiu o Acórdão No. 1623.446, julgando procedente o lançamento efetuado (efolhas 110/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2002 PAGAMENTO EM PERÍODO POSTERIOR. INOCORRÊNCIA. Não comprovado que o alegado pagamento se referia ao período de apuração do crédito lançado, conforme comprovante de recolhimento e declaração DCTF enviada pela empresa, deve ser mantida a exigência. MULTA DE OFÍCIO. Legalidade do percentual de multa aplicado e adequação ao seu caráter punitivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 21/12/2009 (efls. 118/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, alegando que: quando foi formalizado o lançamento, em novembro de 2006, já havia recolhido à Fazenda, embora de forma equivocada, o valor nominal das contribuições lançadas. Explica que o recolhimento deuse em 15/12/2002, relativamente às diferenças encontradas para o mês de junho/2002 e para parte das diferenças encontradas para o mês de abril do mesmo ano, prazo previsto para pagamento da contribuição relativa ao períodobase de novembro de 2002. Informou o valor das diferenças, recolhidas em atraso, juntamente com o valor correspondente àquele apurado no próprio mês de novembro de 2002, na competente DCTF do período, como se o valor recolhido se referisse, em sua totalidade, ao apurado no mês; em relação às diferenças encontradas para os meses de março, maio e para o restante do que ainda faltava pagar no mês de abril de 2002, o recolhimento se deu em 15/01/2003, prazo previsto para o pagamento da contribuição relativa ao períodobase de dezembro de 2002, tendo a Recorrente, também aqui, informado o valor de tais diferenças, juntamente com o valor correspondente àquele apurado no próprio mês de dezembro de 2002, na competente DCTF do período, como se o valor recolhido se referisse, em sua totalidade, ao apurado no respectivo mês; assim, apurou um valor a pagar, a título de Cofins, no mês de novembro de 2002 no importe de R$ 35.456,13, sendo que informou na respectiva DCTF um montante de R$ 87.964,20, ou seja, adicionou ao valor apurado no próprio mês de novembro aquela diferença não recolhida no mês de junho/2002 e parte das diferenças encontradas para o mês de abril do mesmo ano, cujo montante corresponde exatamente a R$ 52.508,07, que é objeto do Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.002307/200671 Acórdão n.º 3202000.967 S3C2T2 Fl. 291 4 lançamento consubstanciado neste processo, e que, inclusive, foi recolhido separadamente através de DARF específico; da mesma forma, apurou um valor a pagar, a título de Cofins, no mês de dezembro de 2002 de R$ 36.895,26, sendo que informou na respectiva DCTF um montante de R$ 90.178,96, ou seja, adicionou ao montante apurado no próprio mês de dezembro aquelas diferenças não recolhidas nos meses março e maio de 2002 e a parte restante do que ainda faltava pagar relativa ao mês de abril do mesmo ano, cujo montante corresponde exatamente a R$ 53.283,70, que também é objeto do lançamento consubstanciado neste processo, e que foi, igualmente, recolhido separadamente, por meio de DARF específico; juntou à sua impugnação cópia dos referidos DARF comprovando o recolhimento, embora tardiamente e de modo equivocado como reconhecido, daquela importância nominal lançada; entende, portanto, que é imprescindível a realização de diligência para demonstrar o alegado, o que foi negado pela DRJ São Paulo. Sem a diligência requerida seria praticamente impossível demonstrar esta realidade, a não ser pela existência de um DARF comprovando o recolhimento, embora a destempo, de importância rigorosamente igual àquela levantada pelos Srs. Fiscais; recolheu, em data de 30 de novembro de 2009, os juros moratórios incidentes sobre o débito exigido, calculados na conformidade e com os benefícios previstos na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Assim o fez porque, conquanto tenha efetuado o recolhimento dos valores lançados a título da contribuição para a Cofins, a que se refere o lançamento, é certo que referido pagamento foi efetuado a destempo, como já admitido, pelo que a exigência dos acréscimos decorrentes da mora se apresentava legítima. Desta forma, manifesta sua desistência da impugnação na parte relativa à exigência dos encargos incidentes sobre o valor nominal das contribuições exigidas, renunciando a quaisquer alegações de direito especificamente quanto a esta parte, ficando o recurso ora interposto restrito à exigência do valor nominal das contribuições lançadas; requer a realização de diligência postulada, a fim de que a Delegacia da Receita Federal verifique em relação aos meses de novembro e dezembro de 2002, os valores efetivamente devidos pela empresa e os valores por ela recolhidos. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro na forma regimental. Os autos foram baixados em diligência (Resolução nº 3201000.282, de 12/08/2011) para dirimir dúvida em relação aos citados pagamentos do crédito lançado, conforme informou em seu recurso a Recorrente (efolhas nº 4.358/4.359). A diligência solicitada foi efetuada pela autoridade administrativa da DRF – Joaçaba – SC (efolhas 159 a 215). Ao final foi elaborado o Relatório Fiscal de Diligência (e fls. 208/213). A empresa não se manifestou sobre o resultado da diligência (efolhas 214/215). É o relatório. Voto Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.002307/200671 Acórdão n.º 3202000.967 S3C2T2 Fl. 292 5 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A discussão que se faz neste processo referese exclusivamente ao suposto recolhimento da Cofins, relativa aos meses de março, abril, maio e junho e 2002, em datas posteriores à prevista na legislação, juntamente com as contribuições de períodos posteriores. Segundo a Recorrente, em 15/12/2002 recolheu as diferenças da Cofins relativas aos mês de junho/2002 e para parte das diferenças encontradas para o mês de abril/2002 (juntamente com o pagamento da contribuição relativa ao períodobase de novembro de 2002); as diferenças encontradas para os meses de março, maio e para o restante do que ainda faltava pagar no mês de abril de 2002, o recolhimento se deu em 15/01/2003 (juntamente com o pagamento da contribuição relativa ao períodobase de dezembro de 2002). A diligência efetuada pela DRF – Joaçaba confirmou as alegações da Recorrente quanto a existência de erro de fato, consubstanciada na alocação de recolhimentos da Cofins dos meses de março a junho de 2002 como sendo dos períodos de apuração de novembro de dezembro de 2002 (vide Relatório Fiscal de Diligência, efls. 208/213). Contudo, em relação à pretensão da Recorrente de utilizarse dos benefícios trazidos pela Lei nº 11.941/2009 (redução de 100% das multas de mora e de ofício e de 45% dos juros de mora), recolhendo em 30/11/2009 apenas os juros de mora (no valor de R$ 50.611,68), a fiscalização informou que isto não seria possível pelo fato de que a empresa não apresentou o “Requerimento de Desistência”, instituído pelo artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. Este artigo dispõe que é condição para concessão do benefício a apresentação da desistência de impugnação/recurso administrativo e de ação judicial. Destaquese, que a Recorrente foi devidamente intimada pela fiscalização para apresentar o citado “Requerimento de Desistência”, contendo a declaração de desistência de impugnação ou do recurso administrativo ou de ação judicial, entretanto nada apresentou (vide efolhas 161/162). A fiscalização refez os cálculos constantes do auto de infração, considerando os recolhimentos efetuados em 13/12/2002 (de R$ 52.508,07) e 15/01/2003 (de R$ 53.283,70) e alocandoos em relação aos meses de março, abril, maio e junho de 2002. Em síntese, após a imputação de pagamentos efetuada pela fiscalização, sem considerar os benefícios trazidos pela mencionada Lei nº 11.941/2009 e considerando ainda os juros de mora recolhidos em 30/11/2009 (R$ 50.611,68), restaram devidos pela Recorrente os seguintes valores apurados no Relatório Fiscal (efolha 212/213): Mês Cofins Multa de ofício Juros de mora Saldo final Março 866,10 649,58 1.180,80 2.696,48 Abril 2.630,96 1.973,22 3.549,82 8.153,99 Maio 2.716,11 2.037,08 3.628,59 8.381,79 Junho 1.702,80 1.277,10 2.248,63 5.228,53 Totais 7.915,97 5.936,98 10.607,84 24.460,79 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.002307/200671 Acórdão n.º 3202000.967 S3C2T2 Fl. 293 6 Entendo que está correto o procedimento efetuado pela fiscalização da DRF – Joaçaba. Deste modo, em face das informações trazidas aos autos pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, entendo que os valores lançados no auto de infração devem ser reduzidos para àqueles constantes da tabela acima elaborada. Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendose a cobrança para os seguintes valores: Cofins R$ 7.915,97, multa de ofício R$ 5.936,98 e juros de mora 10.607,84, perfazendo o total de R$ 24.460,79. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/11/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009149/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, e art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova da área de preservação permanente passível de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico emitido por profissional habilitado, que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental, não tendo o contribuinte, in casu, logrado êxito na comprovação .
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 02/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente) Eivanice Canario da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, e art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova da área de preservação permanente passível de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico emitido por profissional habilitado, que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental, não tendo o contribuinte, in casu, logrado êxito na comprovação . DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 91 49 /2 00 8- 87 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 02/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente) Eivanice Canario da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.156/157) interposto em 30/11/2010, contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), (fls.143/148), do qual o Recorrente teve ciência em 03 de novembro de 2010 (fls.153), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 81/90, lavrado em 26 de junho de 2008, em decorrência da não comprovação da totalidade da área de preservação permanente através de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, para redução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural – ITR nos exercícios de 2004 e 2005, relativo ao imóvel NIRF 7.254.0656, sendo constituído um crédito tributário de R$ 20.620,00, mais cominações legais. Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera os mesmos argumentos suscitados perante o Órgão julgador de primeiro grau, quais sejam: Que a área que originou a declaração do ITR está localizada dentro da área de proteção ambiental de Guaraqueçaba e é protegida pelo Bioma da Mata Atlântica; Que a área em questão deve ser excluída da base de cálculo do imposto, mesmo sem apresentação do Ato Declaratório do IBAMA – ADA. Por fim, faz apensar cópias de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, e requer a improcedência do lançamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 187, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.009149/200887 Acórdão n.º 2101002.308 S2C1T1 Fl. 188 3 A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA para se permitir a dedução de área de preservação permanente, para fins de exclusão da tributação do ITR nos exercícios de 2004 e 2005. Vejamse os seguintes dispositivos extraídos da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Grifo nosso. Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Assim, é de se entender que o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do referido documento, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Vejase a seguinte resposta à questão nº 40 constante no link “Respostas às Perguntas mais freqüentes sobre o ADA”, extraída no sítio do IBAMA – www.ibama.gov.br (Serviços Online), relativamente à comprovação das áreas de interesse ambiental: 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? ∙ Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; ∙ Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ∙ Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; ∙ Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.009149/200887 Acórdão n.º 2101002.308 S2C1T1 Fl. 189 5 ∙ Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ∙ Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; ∙ Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); ∙ Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo. Observase que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levando em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. Com o objetivo de comprovar a existência da área de preservação permanente, o contribuinte apresentou às fls. 117/127, Laudo de Avaliação e Laudo de Propriedade Rural, assinado por pessoa não habilitada. É sabido que as vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART para sua plena validade (arts. 7º e 13 da Lei nº5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto nas Resoluções 345, de 27 de junho de 1990, 218, de 29 de junho de 1973 e Resolução 72, de 16 de maio de 1949, todas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA. Consoante a Resolução CONFEA nº 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, o laudo “é a peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente” (art. 1º, alíneas “c” e “e”). No concernente à jurisprudência apensada aos autos, tenho que as mesmas alcançam tão somente as partes envolvidas, não estando essa instância vinculada a decisões judiciais ou administrativas, desprovidas de efeito erga omnes. Compulsandose os autos concluise que o contribuinte: a) Não apresentou ADA relativamente aos exercícios 2004 e 2005; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 b) Apresentou ADA posteriormente à ação fiscal vez que a data de ciência do Termo de Intimação Fiscal foi 03/09/2007 (fls.6) e a transmissão do ADA ocorreu em 03/12/2007 (fls.27); b) Apresentou Laudo por profissional não habilitado; c) Não carreou aos autos outros documentos comprobatórios capazes de comprovar a área de preservação permanente declarada. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10510.000364/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
ANDRÉ ALMEIDA BLANCO - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO CUBA NETTO (Presidente), ANDRÉ ALMEIDA BLANCO, RAFAEL CORREIA FUSO, LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT, ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA.
Nome do relator: ANDRE ALMEIDA BLANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCELO CUBA NETTO - Presidente. ANDRÉ ALMEIDA BLANCO - Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO CUBA NETTO (Presidente), ANDRÉ ALMEIDA BLANCO, RAFAEL CORREIA FUSO, LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT, ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.000364/200514 Recurso nº Resolução nº 1201000.119 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 7 de novembro de 2013 Assunto IRPJ Recorrente BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A Recorrida UNIÃO FEDERAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCELO CUBA NETTO Presidente. ANDRÉ ALMEIDA BLANCO Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO CUBA NETTO (Presidente), ANDRÉ ALMEIDA BLANCO, RAFAEL CORREIA FUSO, LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT, ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA. O presente Processo Administrativo é oriundo de Auto de Infração lavrado para a exigência de Multa Isolada no valor de R$2.787.202,77 (dois milhões setecentos e oitenta e sete mil duzentos e dois reais e setenta e sete centavos), pelo suposto recolhimento a menor das antecipações mensais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido pelo lucro real. A Recorrente, em sua Impugnação, argumentou que teria verificado flagrante divergência entre os valores consignados na tabela do demonstrativo elaborado pelo Auditor Fiscal e os valores verdadeiros e legítimos encontrados nas DIPJ dos anoscalendário de 1999, 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 00 36 4/ 20 05 -1 4 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 2000, 2001, 2002, 2003 e demonstrativo de apuração do ano de 2004 e na escrituração comercial. Além disso, alegou que a divergência seria conseqüência da metodologia de análise dos dados ofertados e disponíveis para a fiscalização, sendo certo que o procedimento contábil e fiscal adequado consideraria a apuração com base nos balancetes de suspensão, ou seja, a apuração das antecipações deveria levar em consideração o resultado acumulados mensalmente, e não isoladamente. Por fim, sustentou que não inexistiria qualquer irregularidade. Pelo contrário, a Recorrente possuiria, em determinados períodos, créditos de IRPJ, que foram objeto de restituição. Às fls. 499/502 foi determinado pela DRJ a realização de diligência fiscal e apresentação de documentos, sendo lavrado o Termo de Diligência Fiscal de fls. 556/557, no qual esclareceu o AuditorFiscal que: O contribuinte foi intimado, através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (fl. 494), a apresentar os Livros Diário onde constem os balancetes de suspensão/redução escriturados na forma da legislação de regência dos meses de dez/99, dez/00, out/01, dez/01, mai/02, jun/02, jul/02, ago/02, out/02 dez/02, jan/03, fev/03, out/03, dez/03, jul/04 e ago/04. Apesar do contribuinte relacionar no documento de entrega dos livros (fl. 496) o nome "Livro Diário", o que foi apresentado foi "Livro de Balancetes Diários e de Balanços" referentes aos meses solicitados, conforme as copias dos Termos de Abertura, Termos de Encerramento e páginas onde constam os valores lançados do IRPJ e CSLL, nas contas 5575 e 5578, respectivamente (fls. 503 a 544). Em relação aos pontos a esclarecer temos a informar o seguinte: 1. a contribuinte possuía balancetes de suspensão/redução escriturados na forma da legislação de regência? Resp: como explicitado acima o contribuinte foi intimado a apresentar os balancetes de suspensão/redução e apresentou os Livro de Balancetes Diários e de Balanços cujas cópias encontramse as fls. 503 a 544. 2. caso a resposta do item anterior seja afirmativa, quais os valores das estimativas de IRPJ escriturados nos aludidos balancetes? Os valores das estimativas de IRPJ apontados no Auto de Infração coincidem com aqueles apurados nos balanços e balancetes de suspensão/redução? Resp: em confronto dos valores apurados no Demonstrativo apresentado pela autoridade fiscal com os Livros de Balancetes constatase que os valores estão iguais e não teriam como ser diferentes, uma vez que o Demonstrativo se baseou no Livro Razão e se 2 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 este estivesse em desacordo com os Balancetes a escrituração seria imprestável. 3. Caso o contribuinte não possua balanços e balancetes de suspensão, na forma da legislação de regência, quais os valores das estimativas de IRPJ eram devidos com base na receita bruta e acréscimos? Os valores das estimativas de IRPJ apontados no Auto de Infração coincidem com aqueles apurados com base na receita bruta e acréscimos? Resp: a operação programada para essa fiscalização foi "Verificações Obrigatórias: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal" e conforme o Titulo 1, Capitulo 1, Seção 1, do Manual de Fiscalização (fls. 499 a 501), "não faz parte do escopo das verificações obrigatórias a conferência da correta apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições, devendo, se for o caso, ser programada em operação especifica, a critério da unidade responsável pelo procedimento de fiscalização", logo, não caberia, em diligência, apurar estimativa com base na receita bruta e acréscimos caso o contribuinte não tivesse apresentado os balanços. 4. o mencionado demonstrativo no Excel com os valores apurados em sua escrituração a titulo de IRPJ a pagar, solicitado na ação fiscal e que a contribuinte diz ter entregue à autoridade fiscal reflete as estimativas de IRPJ escrituradas nos balanços e balancetes de redução/suspensão? Ou traduzem os valores das estimativas devidas com base na receita bruta e acréscimos? Por que tais demonstrativos não foram utilizados e/ou anexados aos autos? Resp: o demonstrativo no Excel aqui comentado (fl. 502) não acrescenta nem esclarece nada além do que foi demonstrado pela autoridade fiscal em seu demonstrativo embasado na escrituração do contribuinte (Livro Razão), por esta razão não foi colocado nos autos quando da preparação do processo, como é de praxe, por economia processual, não se coloca documentos que não corroboram com a decisão dos julgados. Por fim, na operação proposta para a fiscalização, Verificações Obrigatórias, o que tinha que ser levantado e o foi é se os valores escriturados pelo contribuinte foram declarados em DCTF e, caso divergisse, lançada a multa isolada. Em julgamento realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador restou decidido que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1999 IRPJ. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. 3 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 No caso do imposto de renda das pessoas jurídicas, tributo sujeito ao lançamento por homologação, confirmada a existência de pagamento antecipado, decai o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. Cabível a multa isolada, uma vez que a impugnante não conseguiu infirmar as diferenças de estimativas mensais do imposto não recolhidas, apuradas com base na escrituração contábil. MULTA DE OFICIO ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. Ê de se reduzir o percentual da penalidade imposta para 50% (cinquenta por cento), em função de legislação superveniente e em obediência ao principio da retroatividade da lei mais benigna. Lançamento Procedente em Parte Contra referida decisão apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, sustentando, em síntese, que: 1 – Seria nula a autuação fiscal em razão da ausência de previsão legal exigência de multa isolada com base em valores apresentados na escrituração contábil da Recorrente, bem como por violação ao artigo 142 do CTN e ao Princípio da Verdade Material; e 2 – Seria improcedente o lançamento fiscal por inexistência das divergências apontadas pela fiscalização; demonstrando as razões relativas a cada período autuado. São elas: IV.1. — Da equivocada exigência relativa à competência de dezembro de 2000 Na competência de dezembro de 2000, a autoridade administrativa apura uma "suposta" diferença a menor no valor de R$ 1.397,83 (um mil, trezentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), entre o valor escriturado de R$ 125.917,18 (cento e vinte e cinco mil, novecentos e dezessete reais e dezoito centavos) e o montante recolhido de R$ 124.520,35 (cento e vinte e quatro mil, quinhentos e vinte reais e trinta e cinco centavos) a titulo de estimativa mensal de IRPJ. Contudo, "suposta" divergência não deve prevalecer, na medida em que o valor de R$ 1.397,83 se refere ao valor deduzido pela Recorrente a titulo de Imposto de Renda Retidos na Fonte na apuração da estimativa mensal do IRPJ, com base no artigo 9°, II c/c artigo 3°, §§ 8° e 9°, todos da Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997, abaixo transcritos: (...) Vale dizer, conforme demonstram o comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (Doc. 04), a conta contábil 55751 denominada "Provisões para Imposto de Renda" do Livro Razão (fls. 107 destes autos), a "suposta" divergência referese ao valor deduzido pela Recorrente a titulo de imposto retido na fonte na apuração da estimativa mensal 4 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 relativa a competência de 2000, o qual foi simplesmente ignorado pela autoridade administrativa quando da autuação da multa isolada. Assim, considerado os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte na competência de dezembro de 2000 e devidamente registrado na escrita contábil da Recorrente, restará inexistente a suposta divergência e por conseguinte improcedente a autuação impugnada." IV.2 — Da equivocada exigência relativa à competência de outubro de 2001 Na competência de outubro de 2001, a Fiscalização destaca que a Recorrente não teria recolhido o valor de R$ 382.409,77 (trezentos e oitenta e dois mil, quatrocentos e nove reais e setenta e sete centavos), lançado em seu registro contábil, consoante Livro Razão juntado á fl. 118 destes autos. Ocorre que, a suposta divergência está fundamentada exclusivamente no valor apresentado na escrita contábil da Recorrente, o qual não confere com o correto valor efetivamente devido a titulo de IRPJ em outubro de 2001, conforme apresentado pela Recorrente em sua DIPJ retificadora. Senão vejamos. A "suposta" divergência relativa à competência de outubro de 2001 demonstra a flagrante arbitrariedade cometida pela d. autoridade administrativa ao lavrar a presente autuação com base tão somente nos valores escriturados, ignorando dessa forma os valores constituídos pela Recorrente na DIPJ retificadora e recolhimentos realizados no período. Isto porque, em 18/12/2002, a Recorrente promoveu a retificação da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001 (fls.241/279), constituindo na ocasião como valor devido a titulo de IRPJ estimada do mês de competência de outubro o valor de R$ 272.293,32 (duzentos e setenta e dois mil, duzentos e noventa e três reais e trinta e dois centavos). Portanto, completamente insubsistente a aplicação da multa isolada obre um valor provisionado/contabilizado à época (R$ 382.409,77), o qual sequer corresponde ao valor devido a titulo de estimativa mensal no período (R$ 272.293,32), em cumprimento ao principio da estrita legalidade, com base no qual o tributo somente é devido nos estritos termos previstos em lei. Ademais, é fato inconteste que a Recorrente PAGOU INTEGRALMENTE o valor devido de R$ 272.293,32, por ocasião da retificação da DIPJ, através de pagamento de Darf no valor de R$ 183.781,80 (cento e oitenta e três mil, setecentos e oitenta e um reais e oitenta centavos) e compensação dos valores pagos a maior indevidamente nas competências de julho de 2001 e agosto de 2001 no valor de R$ 88.511,52 (oitenta e oito mil, quinhentos e onze reais e cinqüenta e dois centavos), conforme demonstra tabela abaixo: (...) De acordo se extrai do referido demonstrativo, em julho e agosto de 2001, a Recorrente pagou os valores de R$ 566.436,63 e R$ 475.830,05, enquanto que o valor devido declarado para aqueles mesmos períodos base era de R$ 365.066,91 e R$ 371.170,60, respectivamente, gerando, assim, um pagamento a maior no valor de R$ 306.029,17. Este pagamento a maior, por sua vez, foi compensado 5 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 em parte com o valor devido em setembro de 2001 (R$ 217.517,65) e outubro de 2001 (R$ 88.511,52), em total consentâneo com as Leis n's 8.383/1991 e Lei n° 9.430/1996 e Instrução Normativa SRF n°21, de 10 de março de 1997, "in verbis"(...) Verificase assim que em relação a competência de outubro de 2001 não há qualquer insuficiência de pagamento relativo ao valor efetivamente devido de R$ 272.293,32 que fundamente a aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 957, parágrafo único, inciso IV do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Inclusive, é fato inconteste que a autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração ora combatido, TINHA PLENO CONHECIMENTO DE QUE A RECORRENTE TINHA PAGO EM DETERMINADOS MESES VALORES SUPERIORES AO DEVIDO E, CONSEQÜENTEMENTE, REALIZADO AS COMPENSAÇÃO NOS MESES SUBSEQÜENTES, entretanto, ainda sim, numa atitude completamente questionável, a mesma houve por simplesmente desconsiderar o procedimento legitimo adotado pela Recorrente. Tal afirmação decorre do fato da Recorrente ter esclarecido, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 0520100/00213/2004, que "(...) as DIPJ's e DCTF's referentes aos anos de 1999 a 2002 foram retificadas, gerando por conseguinte, divergência entre valores provisionados/contabilizados à época e valores efetivamente recolhidos após ditas retificações. (...)"(fls. 18 — destaques nossos). Acrescentase ainda que durante o ano calendário de 2001, a Recorrente recolheu aos cofres públicos a importância de R$ 1.840.647,61 (um milhão, oitocentos e quarenta mil, seiscentos e quarenta e sete reais e sessenta e um centavos), consoante comprovam os DARF'S em anexo (Doc. 05), ao tempo que apurou para o ano calendário o valor de R$ 1.625.270,04 (um milhão, .seiscentos e vinte e cinco mil, duzentos e setenta reais e quatro centavos), o que gerou para a Recorrente um saldo de IRPJ pago a maior no valor de R$ 215.377,57 (duzentos e quinze mil, trezentos e trinta e sete reais e cinqüenta e sete centavos), o que demonstra, por outro ângulo, a completa ilegalidade da cobrança de multa isolada por "suposta" insuficiência de recolhimento durante o anocalendário de 2001, conquanto tudo que se recolheu antes da ação fiscalfoi suficiente para quitação da obrigação total. Nesse sentido, importa colacionar jurisprudência deste próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes: (...) Numa situação como a presente em que o valor efetivamente devido após o encerramento do períodobase de apuração já estava totalmente pago quando da autuação, abusiva é a exigência de uma suposta multa baseada no não recolhimento – o que é inverídico de um valor a titulo de antecipação, já efetuada. Conforme o entendimento do Conselho de Contribuintes a multa somente é admitida antes do término do anocalendário, se a ação fiscal se der no curso do anocalendário e as demonstrações financeiras do período investigado estiverem indisponíveis em toda a sua extensão e profundidade (1° CC 10320.662/01). 6 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Dessa forma, não reúne condições de prosperar o lançamento da multa isolada sobre o valor de R$ 382.409,77, tendo em vista que a Recorrente, nos termos da lei, incontestavelmente pagou integralmente o valor devido a titulo da estimativa de IRPJ de outubro de 2001 no valor correto de R$ 272.293,32. IV.3 — Da equivocada exigência relativa as competências de junho, julho e saci agosto/2002 Nas competências de junho, julho e agosto de 2002, a Fiscalização destaca que a Recorrente teria declarado e recolhido valores a titulo de estimativa inferiores ao montante registrado em sua escrita fiscal (Livro Razão As fls. 127/129 destes autos), nas seguintes proporções: (...) Ocorre, que durante o ano calendário de 2002, a Recorrente espontaneamente reviu as provisões inicialmente apresentadas, procedendo ao estorno de R$ 122.497,83 (cento e vinte e dois mil, quatrocentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), em setembro de 2002 e R$ 748.807,99 (setecentos e quarenta e oito mil, oitocentos e sete reais e noventa e nove centavos), em novembro de 2002, consoante livro razão As fls.131 e 133 destes autos, conforme abaixo demonstrado: (...) Verificase assim que os estornos realizados na escrituração contábil da Recorrente no anocalendário de 2002 anularam quase por completo, as divergências existentes entre os valores registrados e os valores corretamente declarados pela Recorrente na sua DIPJ (fls. 288/289), sendo que a diferença de apenas R$ 171,95 apurada entre o valor escriturado e o montante declarado, não deve prevalecer conquanto o valor correto e devido no período é aquele declarado e confessado pela Recorrente na DIPJ. Vêse, portanto, que considerando os estornos realizados pela Recorrente, as provisões para pagamento das estimativas nos meses de junho, julho e agosto de 2002 possuem quase completa identidade com os valores efetivamente declarados pela Recorrente na DIPJ transmitida, restando totalmente improcedente a autuação impugnada. IV.4 Da equivocada exigência relativa às competências de outubro e dezembro de 2002 No ano calendário de 2002, a Fiscalização destaca que a Recorrente teria declarado e recolhido valores a titulo de estimativa inferiores ao montante registrado em sua escrita contábil (Livro Razão As fls. 132 e 134 destes autos), nas seguintes proporções: (...) Ocorre, que a suposta divergência está fundamentada em informações equivocadas, posto que desconsideram os valores corretamente constituídos pela Recorrente através da retificação da DIPJ, em 15/07/2004, bem como os recolhimentos e pagamentos realizados à época. Logo, em relação As competências de outubro e dezembro de 2002 não deve prevalecer a aplicação de multa isolada, conquanto os valores devidos pela Recorrente foram corretamente declarados na DIPJ retificadora e pagos através do procedimento de compensação, conforme demonstram a planinha abaixo: (...) 7 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 De acordo com referido demonstrativo, evidenciase que em outubro e dezembro de 2002, a Recorrente apurou os valores de R$ 404.491,63 e (R$ 985.699,26), sendo que foi pago mediante o procedimento de compensação o valor exato de R$ 404.491,63, conforme DComp n° 35223.56189.060704.1.3.573797 juntada ás fls 424/434 destes autos, o que demonstra total ausência de insuficiência de pagamento nas competências ora analisadas. Além disso, cumpre observar que durante o ano calendário de 2001, a Recorrente recolheu aos cofres públicos a importância de R$ 3.588.692,65 (três milhões, quinhentos e oitenta e oito mil, seiscentos e noventa e dois reais e sessenta e cinco centavos), consoante comprovam os DARF's (Doc. 06) e Declarações de Compensação As fls. 394/434 e em anexo (Doc. 07), bem como Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (Doc. 08). Considerandose que na apuração do IRPJ anual foi apurado um valor de R$ 2.450.624,45 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta mil, seiscentos e vinte e quatro reais e quarenta e cinco centavos), R$ 1.625.270,04 (um milhão, seiscentos e vinte e cinco mil, duzentos e setenta reais e quatro centavos), tudo o que se recolheu antes da ação fiscal foi suficiente para quitação integral da obrigação apurada, não sendo cabível qualquer afirmação no sentido de que houve insuficiência de recolhimento no anocalendário de 2002. Dessa forma, não reúne condições de prosperar o lançamento da multa isolada sobre os valores de R$ 654.577,19 e R$ 608.332,13, tendo em vista que a Recorrente, nos termos da lei, incontestavelmente pagou integralmente os valores devidos a titulo da estimativa de IRPJ de outubro e dezembro de 2002. IV.5 — Da equivocada exigência relativa as competências de janeiro e fevereiro de 2003 Nas competências de janeiro e fevereiro de 2003, a Fiscalização destaca que a Recorrente teria declarado e recolhido valores a titulo de estimativa inferiores ao montante registrado em sua escrita fiscal (Livro Razão As fls. 135/136 destes autos), nas seguintes proporções (...)Ocorre, que a divergência apontada foi regularizada pela Recorrente desde maço de 2003, quando procedeu ao ajuste contábil das provisões registradas a maior para os meses de janeiro e fevereiro de 2003, consoante planilha abaixo detalhada: (...) Logo, a Recorrente, muito antes do lançamento aqui impugnado, já tinha identificado a divergência entre as provisões inicialmente apresentadas e os valores efetivamente apurados e, ESPONTANEAMENTE, procedido ao seu ajuste na escrita contábil, consoante lançamento no livro razão à fl. 137 destes autos, anulando as supostas divergências existentes entre os valores registrados e declaradas pela Recorrente. Por oportuno a Recorrente destaca que a o montante integral estimado a titulo de IRPJ na competência de março de 2003, ou seja, R$ 494.638,54 (quatrocentos e noventa e quatro mil, seiscentos e trinta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos) foi devidamente recolhido pela Recorrente, consoante Declarações de Compensação n°s 8 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 DCOMPs 28840.53230.23050.3103.04.4792 e 11309.96766.23050.31304.1290, em anexo (Doc. 09) Vêse, portanto, que considerando os ajustes realizados pela Recorrente, as provisões para pagamento das estimativas nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 possuem identidade com os valores efetivamente declarados pela Recorrente na DIPJ transmitida, restando totalmente improcedente a autuação impugnada, inclusive, neste aspecto. IV.6 — Da equivocada exigência relativa à competência de outubro de 2003 Alega a autoridade administrativa que a Recorrente, em relação a estimativa de IRPJ do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 217.444,29 (duzentos e dezessete mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e vinte e nove centavos), teria recolhido valor de imposto a menor no montante de R$ 162.906,20 (cento e sessenta e dois mil, novecentos e seis reais e vinte centavos), motivo pelo qual promoveu ao lançamento de multa isolada sobre a diferença de R$ 54.538,09 (cinqüenta e quatro mil, quinhentos e trinta e oito reais e nove centavos) razão de 75% (setenta e cinco por cento). Todavia, a autoridade administrativa não se atentou para o fato de que a Recorrente pagou até setembro de 2003, valor acumulado (R$ 3.527.784,34) superior ao devido (R$ 3.473.246,25) exatamente no montante de R$ 54.538,09, o qual não foi considerado na apuração do valor de outubro de 2003. Com efeito. De acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e artigo 2° da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede ao valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso e pelo artigo 7°, §3° da Lei n° 9.430/96 incluindose os saldos negativos de anos anteriores. Entretanto, a autoridade fiscal quando da determinação do valor supostamente devido a titulo de multa isolada, desconsiderou a escorreita sistemática de apuração da base de cálculo do IRPJ com base na estimativa, conquanto não considerou para fins de dedução do IRPJ devido, o valor acumulado relativo aos meses anteriores no montante de R$ 3.527.784,34, conforme planilhas abaixo: (...) Portanto, não existe a "suposta" diferença no valor R$ 54.538,09 entre o valor escriturado e o valor declarado pela Recorrente, conforme acima demonstrado e balancetes de redução e suspensão juntados às fls. 63 e 64 destes autos e devidamente transcritos em seu livro Diário de Balanços e Balancetes. Por fim, importa repetir nesta ocasião o que já foi amplamente discutido na preliminar de nulidade do auto de infração ora combatido: caso as autoridades administrativas tivessem realizado seu trabalho de fiscalização nos termos do que preceitua o Código Tributário Nacional (artigo 142), teriam verificado que não existem créditos tributários de IRPJ não recolhidos pela Recorrente e, via de 9 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 conseqüência, não teria sido lavrado o presente auto de infração que se mostra nulo e totalmente improcedente! Mas não, preferiram trilhar um caminho estranho ao disposto expressamente na lei, apurando créditos tributários inexistentes e invertendo o ônus da prova á Recorrente que está a se defender de acusação completamente improcedente, conforme está sendo exaustivamente demonstrado. IV.7. — Da equivocada exigência relativa à competência de dezembro de 2003 Na competência de dezembro de 2003, a Fiscalização destaca que a Recorrente, apesar de escriturar o montante de R$ 1.365.025,27 (um milhão, trezentos e sessenta e cinco mil e vinte e cinco reais e vinte e sete centavos) a titulo de estimativa de IRPJ, apenas recolheu o equivalente a R$ 1.248.492,82 (um milhão, duzentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e noventa e dois reais e oitenta e dois centavos), resultando numa suposta diferença de R$ 116.532,45 (cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e dois reais e quarenta e cinco centavos). Contudo, "suposta" divergência não deve prevalecer, na medida em que o valor de R$ 116.532,45 se refere ao valor deduzido pela Recorrente a titulo de Portanto, não existe a "suposta" diferença no valor R$ 54.538,09 entre o valor escriturado e o valor declarado pela Recorrente, conforme acima demonstrado e balancetes de redução e suspensão juntados às fls. 63 e 64 destes autos e devidamente transcritos em seu livro Diário de Balanços e Balancetes. Por fim, importa repetir nesta ocasião o que já foi amplamente discutido na preliminar de nulidade do auto de infração ora combatido: caso as autoridades administrativas tivessem realizado seu trabalho de fiscalização nos termos do que preceitua o Código Tributário Nacional (artigo 142), teriam verificado que não existem créditos tributários de IRPJ não recolhidos pela Recorrente e, via de conseqüência, não teria sido lavrado o presente auto de infração que se mostra nulo e totalmente improcedente! Mas não, preferiram trilhar um caminho estranho ao disposto expressamente na lei, apurando créditos tributários inexistentes e invertendo o ônus da prova á Recorrente que está a se defender de acusação completamente improcedente, conforme está sendo exaustivamente demonstrado. IV.7. — Da equivocada exigência relativa à competência de dezembro de 2003 Na competência de dezembro de 2003, a Fiscalização destaca que a Recorrente, apesar de escriturar o montante de R$ 1.365.025,27 (um milhão, trezentos e sessenta e cinco mil e vinte e cinco reais e vinte e sete centavos) a titulo de estimativa de IRPJ, apenas recolheu o equivalente a R$ 1.248.492,82 (um milhão, duzentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e noventa e dois reais e oitenta e dois centavos), resultando numa suposta diferença de R$ 116.532,45 (cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e dois reais e quarenta e cinco centavos). Contudo, "suposta" divergência não deve prevalecer, na medida em que o valor de R$ 116.532,45 se refere ao valor deduzido pela Recorrente a titulo de Imposto de Renda Retidos na Fonte na apuração da estimativa mensal do IRPJ, com base no artigo 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: (...) 10 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Vale dizer, conforme demonstram o comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (Doc. 10), a conta contábil 55751 denominada "Provisões para Imposto de Renda" do Livro Razão (fl. 148 destes autos), a "suposta" divergência referese ao valor deduzido pela Recorrente a titulo de imposto retido na fonte na apuração da estimativa mensal relativa a competência de dezembro de 2003, o qual foi simplesmente ignorado pela autoridade administrativa quando da autuação da multa isolada. Assim, considerado os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte na competência de dezembro de 2003 e devidamente registrado na escrita contábil da Recorrente, restará inexistente a suposta divergência e por conseguinte improcedente a autuação impugnada. IV.8 — Da equivocada exigência relativa às competências de julho e agosto de 2004 Finalmente, no ano calendário de 2004, a autoridade administrativa destaca que a Recorrente teria declarado e recolhido valores a titulo de estimativa inferiores ao montante registrado em sua escrita fiscal (Livro Razão ás fls. 132 e 134 destes autos), nas seguintes proporções: (...) Todavia, a autoridade administrativa não se atentou para o fato de que a Recorrente efetivamente pagou, em julho e agosto de 2004, créditos tributários a maior, nos valores de R$ 610.291,05 (seiscentos e dez mil, duzentos e noventa e um reais e cinco centavos) e R$ 36.598,66 (trinta e seis mil, quinhentos e noventa e oito reais e sessenta e seis centavos), fato este que demonstra que a multa isolada apurada no valor de R$ 323.444,85 (trezentos e vinte e três mil, quatrocentos e quarenta e quatro mil e oitenta e cinco centavos), não é devida pela Recorrente. Com efeito, a autoridade administrativa quando da apuração do valor devido a titulo multa isolada devida sobre supostos valores não recolhidos, nos termos previstos no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, considerou cada um dos meses em que supostamente houve falta de recolhimento, como sendo fatos isolados e independentes, sem qualquer relação entre si; deixando, por seu turno, de promover à dedução dos valores já efetivamente pagos a titulo de IRPJ em relação aos períodos anteriores. Conforme já mencionado em item anterior, a legislação de regência determina que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede ao valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso e pelo artigo 7°, §3° da Lei n° 9.430/96 incluindose os saldos negativos de anos anteriores. Todavia, a autoridade administrativa, quando da determinação do valor supostamente devido a titulo de multa isolada, não observou a escorreita sistemática de apuração . da base de cálculo do IRPJ com base na estimativa, e desconsiderou para fins de dedução do imposto a pagar, o valor relativo ao IRPJ efetivamente pago) em meses anteriores, conforme planilhas abaixo: (...) 11 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Portanto, não existe a "suposta" diferença no valor R$ 610.291,05 e 36.598,66 entre o valor escriturado e o valor declarado pela Recorrente nos meses de julho e agosto de 2004, conforme acima demonstrado e balancetes de redução suspensão juntados ás fls. 72 a 74 destes autos e devidamente transcritos em seu livro Diário de Balanços e Balancetes. Ao analisar o Recurso Voluntário em 28/06/2010, entendeu o ilustre Relator por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Como resumido nos itens 01 a 25 anteriormente relatados, sustenta a pessoa jurídica em seu recurso que não existem as insuficiências no recolhimento de estimativas apontadas pela fiscalização. Os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessário o confronto de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente, principalmente seus balancetes de suspensão/redução nos períodos autuados, com os controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil: DCTFs, Dcomps e DIPJ, para confirmar as alegações apresentadas pela recorrente. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo deva ser realizada diligência, com o retorno do processo à repartição de origem para que seja proferido parecer conclusivo a respeito das alegações da recorrente em relação à insuficiência no recolhimento das estimativas.(fls. 727) Em Manifestação Fiscal de fls. 734/743, esclareceu o Auditor Fiscal que: O IR Fonte no valor de R$ 1.397,83, pertencente à competência de dezembro/2000, escriturado em janeiro/2001, foi utilizado pelo contribuinte para reduzir o valor a pagar da estimativa do mês de janeiro/2001, como pode ser constatado a partir das informações do próprio contribuinte e das folhas nº 106 e 107 do presente processo; Uma vez que este valor foi escriturado somente em janeiro/2001, por opção do contribuinte, não cabe à Receita Federal contestar esta opção, sendo, o valor referente a dezembro/2000 o efetivamente escriturado na sua contabilidade e cobrada a multa sobre a diferença efetivamente existente e apurada. Com efeito, se o contribuinte utilizou o IR Fonte de competência de dezembro/2000 escriturado em janeiro/2001, para reduzir o valor a pagar da estimativa de janeiro/2001, não cabe se beneficiar do mesmo imposto retido na fonte para reduzir o valor a pagar em dezembro/2000. 2.2 A multa por estimativa decorre do descumprimento da obrigação do contribuinte de recolher pagamentos estimados ou determinados (balancetes) de imposto de renda durante o anocalendário, os quais podem ser compensados com o imposto de renda devido no 12 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 encerramento do período de apuração anual. É o equivalente ao carnêleão da pessoa física. 2.3 O que a fiscalização compara é o recolhimento ou a confissão do débito em DCTF com a escrituração, não consistindo a DIPJ elemento a ser considerado neste lançamento. 2.4 Cabe salientar que o imposto antecipado, conforme previsão legal, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o que não ocorreu, motivo pelo qual foi lançada a multa sobre a diferença entre o valor escriturado e a paga ou declarada em DCTF. 3.1 O contribuinte efetivamente escriturou e utilizou o valor de R$ 122.497,83 e R$ 748.807,99, só que como estorno nos meses de setembro e novembro de 2002, respectivamente, se beneficiando destes valores para reduzir o valor a pagar da estimativa desses meses, quando poderia ter escriturado a partir do mês de junho/2002 o valor de R$ 122.497,83 e, em relação ao valor de R$ 748.807,99, falta informação na contabilidade para se saber a que mês se refere o estorno deste último valor, como pode ser constatado a partir das informações do próprio contribuinte e das folhas nº 131 a 133 do presente processo; 3.2 Uma vez que estes valores foram escriturados somente em setembro e novembro/2002, por opção do contribuinte, não cabe à Receita Federal contestar esta opção, sendo, os valores referentes a junho, julho e agosto/2002, os efetivamente escriturados na sua contabilidade e cobrada a multa sobre as diferenças efetivamente existentes e apuradas; 3.3 Se o contribuinte já se beneficiou em setembro e novembro/2002, reduzindo o valor a pagar da estimativa, não cabe se beneficiar dos mesmos valores nos meses de junho, julho e agosto/2002; 4.1 O contribuinte, mais uma vez, vem alegar uma Retificação de Declaração feita em 15/07/2004 para justificar valores referentes a outubro e dezembro de 2002 e que essa declaração poderia novamente jogar por terra a sua escrituração contábil, como também uma Declaração de Compensação datada de 06/07/2004 para provar quitação de uma estimativa que deveria ter sido paga em novembro/2002 e janeiro/2003, pois se referem a outubro e dezembro/2002, respectivamente; 4.2 A alegação de que o contribuinte já havia pago, no ano de 2002, valor além do que era devido, por esta razão não devia IRPJ por estimativa em dezembro de 2002, não prospera, já que o valor da estimativa de dezembro de 2002 seria calculado com base na receita bruta ou com base em balanços/balancetes de suspensão/redução efetuados até 31/01/2003, data limite para o pagamento da estimativa de dezembro/2002, este último, sim, calcularia o correto imposto de renda devido no ano e poderia reduzir ou suspender o imposto do mês de dezembro/2002, porém o contribuinte não o fez, sendo o valor 13 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 escriturado, na contabilidade, o valor que foi utilizado pela autoridade fiscal no lançamento da multa isolada. 5.1 Verificandose o razão de março/2003 à fl. 137 não se encontra qualquer ajuste referente a janeiro e fevereiro/2003 como alegado pelo contribuinte e mesmo que isto fosse feito, cairia no mesmo caso já detalhado acima, onde o contribuinte, por opção, faz ajuste em mês posterior, utilizando o ajuste para abater o devido no mês, quando poderia utilizar anteriormente no próprio mês, mas não utilizou. 6.1 Primeiramente cabe esclarecer que o que consta nas fls. 63 e 64 do presente processo não se trata de balanço/balancete de suspensão/redução e apesar do contribuinte afirmar que tais balanços/balancetes estão transcritos em seu livro Diário, até o momento não nos foi apresentado apesar de diversas vezes solicitado como acima já exposto. 7.1 O contribuinte escriturou o valor de R$ 116.532,45, em fevereiro/2004, como “IRRF S/SERV REST SRF E INSS 2001/2002, se beneficiando deste valor para reduzir o valor a pagar da estimativa deste mês, porque haveria de ser considerado para abater também os valores devidos de dezembro? 8.1 Primeiramente, o que vemos às fls. 72 a 74 não são balancetes de redução/suspensão como alegado pelo contribuinte, assim, a estimativa no período se faz com base na receita bruta mensal, inexistindo, portanto, prova do pagamento a maior alegado. Às fls. 745/762 a Recorrente suscita inicialmente a nulidade da Diligência Fiscal realizada, nos seguintes termos: Consoante destacado acima, a presente diligência foi determinada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a análise das declarações e escritas fiscais do Requerente, para afastar supostas divergências existentes entre os valores do IRPJ escrituradas e aqueles declarados/pagos. A despeito disso, a d. Autoridade Administrativa, mais uma vez, desconsiderou as informações prestadas pelo Requerente através de sua DCTF e de sua DIPJ, sob o frágil fundamento de que não caberia, “através de mera Declaração Retificada em 18/12/2002, como alegado pelo contribuinte, jogar por terra todas as informações contábeis escrituradas no livro apresentado”. Ocorre que, ao contrário do quanto alegado pela administração fazendária, não pretende o Requerente “jogar por terra todas as informações contábeis escrituradas no livro apresentado”, na medida em que a eventual falta de retificação das provisões lançadas em sua escrita fiscal, no caso, não importou em recolhimento insuficiente do tributo, o que, por sua vez, somente poderia ter sido verificado pela administração se esta tivesse, efetivamente, analisado todos os demais documentos/elementos referentes à apuração e recolhimento do IRPJ da competência de outubro/99 a novembro/2004. 14 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Neste contexto, oportuno destacar que, no processo administrativo, deve imperar o Princípio da Verdade Material. Isto, pois, segundo o referido princípio basilar do nosso Direito Administrativo, para “determinar a matéria tributável”, “calcular o montante de tributo devido” e “calcular o crédito tributário” as autoridades administrativas devem sempre verificar os procedimentos de apuração adotados pelo contribuinte, examinando toda e qualquer documentação suporte fornecida e, se for o caso, promover o lançamento de ofício e eventuais diferenças ou da multa isolada. Com relação aos argumentos apresentados pelo Auditor Fiscal, refutou pontualmente cada um deles, retornaram os autos para julgamento. Tendo em vista o encerramento do mandato do ilustre Conselheiro Relator Nelson Lósso Filho, os processos foram redistribuídos, sendo sorteados para minha relatoria. Analisando os autos, notadamente os argumentos apresentados e os pedidos de diligência de fls. 499/502 (DRJ) e fls. 721/727 (CARF), verifico que os esclarecimentos e informações solicitados à Fiscalização não foram devidamente cumpridos. Assim sendo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência a fim de: 1 – Ser realizado o confronto entre as informações constantes da escrituração contábil e fiscal da Recorrente nos períodos autuados, com os controles eletrônicos da Receita Federal do Brasil: DCTFs, Dcomps e DIPJ, para confirmar as alegações de insuficiência de recolhimento de estimativas; 2 – Informar quais os valores das estimativas de IRPJ seriam devidos com base nos balancetes de verificação mensais da Recorrente. 3 – Apresentar o demonstrativo no Excel com os valores apurados em sua escrituração a titulo de IRPJ a pagar entregue à autoridade fiscal que refletiria as estimativas de IRPJ escrituradas nos balanços e balancetes de redução/suspensão. André Almeida Blanco Relator 15 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009389/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RECURSO DE OFICIO. IMPROCEDÊNCIA.
Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora singular aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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IMPROCEDÊNCIA. Negase provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora singular aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 20/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 93 89 /2 00 8- 10 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.009389/200810 Acórdão n.º 2102002.495 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 348 a 358 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — 1RPF, referente ao exercício 2006, anocalendário de 2005, por AFRF da DRF/Goiânia/GO. A ciência do lançamento ocorreu em 18/07/2008, conforme documento de fl. 270. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) O referido lançamento teve origem na constatação da seguiu e infração: Omissão de Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários — omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, caracterizada por valores creditados nas contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras HSBC Bank Brasil S/A, Banco Itaubank S/A (BankBoston), Banco baú S/A, Banco ABN Amro Real S/A e Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Valor total dos depósitos: R$ 6.430.336,04. Multa de Oficio de 112,5%. A base legal do lançamento encontrase descrita nas fls. 264/265. A fiscalização teve início com o recebimento pelo contribuinte, em 04/06/2008 (fl. 06), cio Termo de Início da Ação Fiscal datado de 03/03/2008 (fl. 04/05), relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal n°0120100/00252/2008, no qual lhe foi solicitada a apresentação dos extratos bancários de todas as contas correntes e de aplicações financeiras movimentadas em instituições financeiras no Brasil ou no exterior, durante o anocalendário de 2005. O contribuinte não atendeu à solicitação, o que levou a fiscalização a obter os referidos extratos diretamente com as instituições financeiras, mediante a emissão das Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira — RMF (fls. 10/11, 39/40, 111/112, 132/133 e 192/193, expedidas pelo Delegado da Receita Federal de Goiânia/GO. DA IMPUGNAÇÃO Posteriormente, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n°0155, de 30/06/2008 (fls. 230/243), o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos indicados no demonstrativo em anexo ao Termo. Mais urna vez, o contribuinte mantevese silente. Assim, em vista da falta de comprovação dos depósitos, foi lavrado o Auto de Infração Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.009389/200810 Acórdão n.º 2102002.495 S2C1T2 Fl. 12 3 Em 28/08/2008, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 272/279, acompanhada dos documentos de fls. 280/317, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: Inicialmente, defende que o crédito tributário não pode subsistir porque não reflete Os rendimentos auferidos pelo impugnante no período em referência, vez que os valores lançados não se incorporaram ao seu patrimônio, de forma a refletir acréscimo patrimonial. No caso em exame, informa que seu patrimônio era incompatível com a omissão apurada pela Receita, pois contava apenas com quatro veículos no ano de 2005, todos financiados Mais de 90% dos depósitos se referem a faturamento de agências de turismo com as quais o contribuinte mantinha ligação, como sócio, representante legal ou vendedor de passagens. Discute a nova sistemática de tributação prevista no art. 42 da Lei n" 9.430, de 1996, que operou significativa mudança no tratamento tributário da movimentação bancária dos contribuintes, ao inverter o ônus da prova para o titular da conta bancária, que se viu obrigado, a partir de então, a comprovar que os depósitos bancários não constituem receitas omitidas. No caso das pessoas físicas, sustenta que o dispositivo legal criou um complicador a mais, vez que não há obrigatoriedade legal para estas de manter escrituração contábil. Para que o depósito bancário constitua renda tributável seria necessária a comprovação cio nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos. Em outras palavras, não basta a existência da presunção legal, é imprescindível a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, a evidenciar sinais exteriores de riqueza. Conclui que o depósito bancário, mesmo após a Lei n" 9.430, de 1996, não constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Transcreve a Súmula na 182 do Tribunal Federal de Recursos, trecho de Acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina pátria que entende serem aplicáveis ao seu caso, além de citar jurisprudência do Tribunal Regional Federal da P Região. Em seguida, aduz que era sócio da empresa Business Internacional Service Ltda., representante legal da Brasília Air Representações Ltda. e, ainda, mantinha relações comerciais com outras duas empresas, a Cristal Tour Viagens e Turismo Ltda. e a The Best Travel. Afirma que praticamente toda a movimentação financeira dessas empresas era feita em suas contas bancárias, principalmente a da Business e da Brasília Air. Os valores das vendas de passagens ou pacotes de turismo eram depositados em suas contas para posterior transferência para as contas das empresas ou para pagamentos diretos aos parceiros. Os documentos em anexo demonstram essas operações. É claro que não dispõe de documentação para comprovar a origem e destino do total movimentado até porque estava desobrigado de manter contabilidade de sua movimentação financeira. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.009389/200810 Acórdão n.º 2102002.495 S2C1T2 Fl. 13 4 O impugnante tece comentários acerca de documentos capazes de demonstrar que Os valores depositados em suas contas bancárias não lhe pertenciam, mas às empresas mencionadas anteriormente, conforme a seguir: Docs. n 03/11: depósitos que fez para as empresas Brasília Air, The Best Travei e para Patrícia Martins Nunes (sócia da The Best Travei), além de cheques emitidos pela Cristal Tour em seu favor. Docs. n s. 12/24: demonstram pagamentos feitos pelo impugnante aos parceiros dessas empresas, como p. ex., Copa Airlines, Aerolineas Argentinas, Aerovias de México e Aeromexico. Aponta, ainda, que alguns valores foram lançados por equívoco, quais sejam: Docs. irs. 25 e 27: R$ 140.999,41 correspondente a dois depósitos feitos no 11SBC nos dias 10 e 14 de junho. Os depósitos foram feitos em cheque, que foram posteriormente devolvidos. Docs. 26 e 27: R$ 25.000,00 (13/07) e R$ 30.000,00 (18/07) depositados em cheque feitos, também, no HSBC e devolvidos. Entende que o lançamento deve ser julgado insubsistente por conter valores que não entraram nas contas do impugnante, vez que os depósitos acima foram feitos por meio de cheques não compensados. Por fim, solicita que o Auto de Infração seja desconstituído in totum, porquanto não restou evidenciado que a movimentação financeira do impugnante constitui fato gerador do Imposto de Renda. DA DILIGÊNCIA Após análise dos autos, ficou constatado que alguns depósitos haviam sido incluídos indevidamente no montante tributado, em virtude de corresponderem a cheques devolvidos após a apresentação. Assim, por meio do Despacho n 718 — 3ª Turma da DRJ/BSA, foi solicitada a Diligência de fls. 322/324, para que a Delegacia de Goiânia elaborasse novo demonstrativo no qual fosse excluído o montante correspondente aos cheques devolvidos. A DRF/Goiânia confeccionou os demonstrativos de fls. 336 e encontrou a nova base de cálculo do Imposto, correspondente ao valor total dos depósitos de origem não comprovada, isto é, R$ 5.098.327,69. Em conseqüência, o valor do Imposto devido foi reduzido para R$ 1.396.455,91. O contribuinte foi regularmente intimado acerca do resultado da diligência e teve oportunidade para se manifestar (fls 337/341), mas mantevese silente (fl. 347). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo os depósitos de R$ 1.862.637,79, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.009389/200810 Acórdão n.º 2102002.495 S2C1T2 Fl. 14 5 para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Decorrente, do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 3, de 2008, por força de recurso necessário o processo foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa neste Conselho. Observo que o contribuinte foi cientificado, via edital à fl. 368, contudo, não houve apresentação de recurso voluntário. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Trata o presente de recurso de oficio da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília que exonerou o contribuinte nomeada à epígrafe de crédito tributário superior ao limite de alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O valor exonerado conforme acórdão DRJ recorrido à fl. 357 foi de R$1.088.478,89, conforme segue: AI AC. DRJ Exonerado Imposto R$ 1.762.758,21 R$ 1.250.532,81 Multa R$ 1.983.102,90 R$ 1.406.849,41 Total R$ 3.745.861,11 R$ 2.657.382,22 R$ 1.088.478,89 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10120.009389/200810 Acórdão n.º 2102002.495 S2C1T2 Fl. 15 6 Assim, o Recurso preenche os requisitos legais, devendo ser conhecido e apreciado. Passo à análise de um dos trechos da decisão recorrida que acolheu parte das alegações do Interessado. A diligência solicitada às fls. 322/324 teve por finalidade analisar a tributação de valores que foram estornados das contas bancárias em virtude da devolução de cheques. A DRF/Goiânia, em cumprimento da diligência, juntou os documentos de fls. 325/340 e concluiu pela exclusão dos depósitos no valor de R$ 1.332.008,35 (fl. 335). Contudo, após comparar os demonstrativos de fls. 325/335 com os de fls. 245/260 e os extratos bancários, verificase que o Auditor Fiscal examinou somente uma das contas bancárias autuadas, qual seja, a conta corrente n 19700446100 mantida no HSBC, Bank Brasil S/A. As outras contas mantidas no Itaubank BankBoston), Banco baú, Banco ABN Amro Real e Unibanco não foram examinadas. Após acurado exame das contas autuadas nessas outras instituições, resumido no Demonstrativo de Cheques Devolvidos de fl. 358, chegouse ao valor de depósitos em cheques posteriormente devolvidos de R$ 530.629,44 que, somados ao valor encontrado pela fiscalização, equivale ao montante a ser excluído de tributação de R$ 1.862.637,79, conforme cálculos a seguir: Verifico pelas peças constantes dos autos que a autoridade julgadora singular decidiu o feito nos termos da legislação de regência e das provas apresentadas, especialmente aos fatos levantados pela própria autoridade preparadora, decorrente de diligência que resultou no Relatório Fiscal de fls. 337 a 340 e, desta forma, sua decisão não merece reparo. Por todo exposto, tomo conhecimento do recurso de ofício pelo fato do mesmo atender aos requisitos de sua admissibilidade, ao mesmo tempo que lhe NEGO PROVIMENTO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13161.720281/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka.
Relatório
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.66/75) interposto em 12 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (fls.49/53), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de abril de 2011, fls.59, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 28/32, lavrado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 20 28 1/ 20 08 -8 5 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720281/200885 Resolução nº 2101000.143 S2C1T1 Fl. 178 2 em 24 de novembro de 2008, em decorrência da não comprovação do valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), exercício 2003, relativo ao imóvel NIRF nº 1.077.1719, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 453.493,13, mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 SUJEITO PASSIVO DO ITR. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. O imóvel rural titulado a várias pessoas, enquanto for mantido indiviso, deve ser declarado por um dos titulares, na condição de condômino declarante. Havendo comprovação de que o interessado figurava junto ao Registro de Imóveis como um dos condôminos do imóvel e que vinha declarando em seu nome as partes pertencentes a ele e mais dois condôminos, resta a redução da área total a ser tributada em seu nome para o tamanho correspondente a soma das áreas de cada um desses, como extraído da matrícula do imóvel. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 13/04/2011 (fl.59), o contribuinte apresentou, em 12/05/2011, o recurso de fls. 66/759, onde em sede de preliminar argui que não foi regularmente intimado para apresentação de Laudo Técnico, constituindo vício capaz de invalidar o crédito tributário pretendido. No mérito alega que: a) quase totalidade da área objeto da notificação de lançamento tratase de várzea, imprestável para qualquer exploração comercial, dado a vegetação nativa existente no local e a proibição dos órgãos do Meio Ambiente em deixar explorar economicamente o imóveL; b) Não fora subtraído da base de cálculo do ITR a área de reserva legal, no total de 895,40 hectares; c) O acórdão apresentase confuso. Faz anexar cópia da Declaração do Imposto de Renda do exercício de 2004 bem como de comprovantes de ITR de proprietários lindeiros da propriedade em questão. Por fim, requer a improcedência da exigência fiscal, cancelandose o lançamento em sua totalidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 176. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720281/200885 Resolução nº 2101000.143 S2C1T1 Fl. 179 3 Apesar de a questão da decadência não ter sido suscitada pelo recorrente, em se tratando de matéria de ordem pública, pode ser levantada de ofício, como ocorre no presente caso. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733SC ( 2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720281/200885 Resolução nº 2101000.143 S2C1T1 Fl. 180 4 dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original). Como esta decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, § 4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Na hipótese sob análise, que trata de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do caput do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, não se cogita a existência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, existem indícios de que pode ter havido pagamento antecipado. É que foi declarado na DITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2003, imposto devido no valor de R$ 340,00, quantia inclusive considerada pela autoridade lançadora, que a deduziu do imposto devido apurado na autuação (fls.31). Todavia, não consta, nos autos, comprovação do pagamento antecipado correspondente. Tendo em conta que o “fato gerador” do ITR ocorre em 1.º de janeiro de cada ano, nos termos do artigo 1.º da Lei n.º 9.393, de 1996, tratandose do exercício de 2003, no caso de ter havido pagamento antecipado, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 1.º de janeiro de 2008, cinco anos, a contar da ocorrência do fato jurídico tributário, conforme previsto no artigo 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966). Já na hipótese de o pagamento antecipado não ficar comprovado, o início da contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, a teor do artigo 173, I, do CTN, o que implica autorizar o lançamento até 31 de dezembro de 2008. Constatase que o lançamento se aperfeiçoou em 24.11.2008, com a notificação à parte interessada, é necessário que se confirme a existência do pagamento declarado, para que Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13161.720281/200885 Resolução nº 2101000.143 S2C1T1 Fl. 181 5 torne possível a correta contagem do prazo, a fim de que se constate se, no caso, configurouse ou não a decadência do “direito” da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto deste processo. Sendo assim, não é possível emitir qualquer posicionamento sobre o lançamento constante dos autos, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, para a realização de diligência, com a finalidade de comprovar o efetivo recolhimento do valor de R$ 340,00 declarado, correspondente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício 2003. Finda a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, e de tudo deve se dar ciência ao contribuinte, para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias. Feito isso, os autos devem retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. (assinado digitalmente) _________________________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa – Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000063/2006-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido. Embargos conhecidos para sanar dúvida da embargante sem, contudo, atribuir qualquer efeito infringente.
Numero da decisão: 9101-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e dar provimento para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido. Embargos conhecidos para sanar dúvida da embargante sem, contudo, atribuir qualquer efeito infringente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e dar provimento para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 00 63 /2 00 6- 12 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13116.000063/200612 Acórdão n.º 9101001.754 CSRFT1 Fl. 6 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão de n° 910101.289 da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 25 de janeiro de 2012. Tratase de processo que versa sobre Auto de Infração para exigência de IRPJ, CSLL, e Contribuições ao PIS e COFINS relativos aos anoscalendários de 1996 a 1999, apurado com base no lucro arbitrado, em razão de omissão de receitas de revenda de mercadorias e exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. O processo em questão envolve lançamento suplementar à outro originalmente efetuado em processo administrativo diverso (PA.13116.000941/200187) em apenso a este. No processo apensado, tanto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento quanto a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entenderam ser nulo o lançamento, em razão de inexistência de descrição das irregularidades fiscais cometidas pelo contribuinte. Realizado o lançamento suplementar (PA.13116.000063/200612), a decisão da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10323.064) foi no sentido de que não se tratou de mero lançamento para corrigir vício formal. A decisão restou assim ementada: VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO COM ALTERAÇÃO DE CONTEÚDO MATERIAL. A norma do art. 173, II da Lei 5.172/66 (CTN – Código Tributário Nacional) contempla apenas as retificações de vícios de ordem formal, por disposição expressa, sem abranger a hipótese de alteração da materialidade do lançamento original. (grifos da relatora) A Fazenda Nacional recorreu da decisão da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, contudo, não obteve êxito. O voto condutor do acórdão (Acórdão 9101 01.289, da Primeira Turma da CSRF) considerou que não se tratava de lançamento visando corrigir vício formal, mas de “outra investigação fiscal dos fatos, resultando em novo lançamento também quanto à materialidade”, situação diversa do acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial. A decisão restou assim ementada: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO – Não deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência por ausência de similitude fática entre acórdão recorrido e acórdão paradigma. DECADÊNCIA – NOVO LANÇAMENTO – VÍCIO MATERIAL. Inaplicável o prazo decadencial do artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, quando o lançamento foi anulado por vício material. A Fazenda Nacional, em sede de Embargos, recorre da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n° 910101.289 aduzindo que esta seria omissa quanto à natureza do vício, tratando de matéria na qual já havia se operado os efeitos da preclusão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13116.000063/200612 Acórdão n.º 9101001.754 CSRFT1 Fl. 7 3 Nas palavras do embargante: “Com a devida vênia, o acórdão recorrido restou omisso quanto, na medida em que deixou de abordar ponto essencial, sobre o qual esta Câmara deveria se pronunciar, qual seja, a existência de decisão definitiva quanto à natureza do vício motivador da nulidade do lançamento original.” Dito de outra forma, argumenta a d. Procuradoria que a decisão da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes foi no sentido de considerar a natureza do vício como formal (Acórdão 10323.064) , ao passo que a Câmara Superior (Acórdão 910101.289) o teria considerado como de natureza material. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Aduz a embargante que a decisão ora recorrida teria sido omissa quanto à decisão definitiva sobre a matéria (que supostamente havia declarado a natureza formal do vício), tratandose de matéria na qual já havia se operado os efeitos da preclusão e, consequentemente, ignorandose a coisa julgada administrativa. Inicialmente, cumpre esclarecer que não há que se falar em preclusão. Conforme já salientado, o presente processo envolve lançamento suplementar àquele originalmente efetuado no processo administrativo n° 13116.000941/200187 (em apenso a este). No citado processo, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu ser nulo o lançamento, em razão da inexistência de descrição das irregularidades fiscais cometidas pelo contribuinte. Realizado o segundo lançamento, o Conselho de Contribuintes entendeu que não se tratava de mero lançamento para corrigir vício formal, mas “de outra investigação fiscal dos fatos, resultando em novo lançamento também quanto à materialidade”, pelo que foi acolhida a decadência pelo artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Assim, sendo certo que foi cancelado o primeiro lançamento, o contribuinte não havia do que recorrer, argumentando que o cancelamento se deu por vício material e não formal. Se não é possível recorrer, não há que se falar em preclusão. De mais a mais, qualquer discussão sobre a possibilidade de novo lançamento, com fulcro no artigo 173, II do Código Tributário Nacional, depende da verificação do que foi alterado quando do novo (segundo) lançamento. É a partir desse lançamento que se abre o prazo e a possibilidade de discussão sobre a alteração do lançamento, se de ordem formal ou material. Como o caso ora discutido versa sobre o segundo lançamento, o contribuinte pode recorrer em sua integralidade, não havendo que se falar em coisa julgada administrativa, porquanto se trata de novo lançamento. Neste passo, é improcedente o argumento da embargante no sentido de que “o Conselho não poderia reanalisar a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento original, pois já havia decisão administrativa definitiva sobre a matéria que entendeu pela ocorrência de vício formal no lançamento original.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13116.000063/200612 Acórdão n.º 9101001.754 CSRFT1 Fl. 8 4 Ademais, importa ressaltar que, ao contrário do que alega a embargante, a leitura da íntegra da decisão anteriormente proferida pelo então Conselho de Contribuintes demonstra que a mesma considerou se tratar de vício material, e não formal. Portanto, também improcedente o seu argumento de que “a 3ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, apesar de reconhecer que o lançamento anterior havia sido anulado por vício formal, deu provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência.” Com efeito, tanto a 3ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes quanto a Câmara Superior de Recursos Fiscais entenderam pela natureza material do vício, conforme ementas dos respectivos acórdãos: VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO COM ALTERAÇÃO DE CONTEÚDO MATERIAL. A norma do art. 173, II da Lei 5.172/66 (CTN – Código Tributário Nacional) contempla apenas as retificações de vícios de ordem formal, por disposição expressa, sem abranger a hipótese de alteração da materialidade do lançamento original” (AC. 10323.064) RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO – Não deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência por ausência de similitude fática entre acórdão recorrido e acórdão paradigma. DECADÊNCIA – NOVO LANÇAMENTO – VÍCIO MATERIAL. Inaplicável o prazo decadencial do artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, quando o lançamento foi anulado por vício material. (AC. 9101 01.289). Ante o exposto, conheço dos Embargos Declaratórios para sanar dúvida do embargante, mas negolhes qualquer efeito infringente. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10980.923588/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2001
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543-B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2001 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543-B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 88 /2 00 9- 85 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923588/200985 Acórdão n.º 3802002.073 S3TE02 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842573837), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 13480.29353.300506.1.3.041821, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 63,32, pois o pagamento informado de R$ 10.021,77, sob o código 8109, efetuado em 14/11/2001, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 10/2001. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação” A DRJ/CTA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 14/11/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade..” Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923588/200985 Acórdão n.º 3802002.073 S3TE02 Fl. 43 3 Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alegou que o STF proferiu decisão definitiva de mérito, na sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarando inconstitucional o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, decisão que deveria ser aplicada ao presente caso para afastar a exigência da contribuição ao PIS/Pasep sobre as receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A questão de direito diz respeito à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre receitas financeiras, ao amparo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Este parágrafo foi declarado inconstitucional pelo STF, no julgamento de alguns recursos extraordinário, por exemplo o RE 346.084/PR e o RE nº 585.235/MG, em que a decisão foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC. Em resumo, o STF afastou a ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, tal como previsto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, baseandose em sua jurisprudência consolidada de que as expressões “receita bruta” e “faturamento” deveriam ser tomadas como sinônimas, significando venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Ressalvo entendimento do Ministro César Peluso segundo o qual incluise na expressão “receita de mercadorias e serviços” “todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresarias típicas”, de modo que “se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receita financeiras, isto não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘renda bruta igual a faturamento’” 1 Aplicase ao caso o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos 1 Esclarecimento feito pelo Ministro César Peluso durante o julgamento do RE nº 346.084/PR. Extraído de consulta ao inteiro teor do acórdão deste julgamento no site do STF.. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923588/200985 Acórdão n.º 3802002.073 S3TE02 Fl. 44 4 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Portanto, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Tendo em vista que a DRJ/CTA, ao se pronunciar incompetente para afastar a legislação, não apreciou o mérito da existência do direito de crédito, em especial, não apreciou a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado, bem como, restou prejudicada a apreciação da prova, os autos devem retornar para delegacia da RFB, com vistas a decidir sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, sob pena de supressão de instância. Assim já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923588/200985 Acórdão n.º 3802002.073 S3TE02 Fl. 45 5 na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos a ̀instância a quo, para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10166.001336/00-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.187
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca.
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Recorrente ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e Manoel Mota Fonseca. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 01 33 6/ 00 -4 2 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001336/0042 Resolução nº 1102000.187 S1C1T2 Fl. 456 2 Tratase de recurso voluntário interposto por ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade contra despacho decisório que havia indeferido pedidos de compensação, não reconhecendo o valor creditório alegado. Os pedidos de compensação (fls. 03, 205 a 207, 218 e 203; todas referentes ao processo em papel), que totalizam R$ 437.117,49, são motivados pela existência de um suposto crédito oriundo de valores retidos no anocalendário de 1999, a título de imposto de renda na fonte, os quais totalizavam o montante de R$ 1.674.336,98 no início de uma sequência de pedidos de compensação iniciada no processo de nº 10166.001337/0013. Cumpre também mencionar que parte dos pedidos (o de fls. 03) referese à compensação com débitos de terceiros. Contudo, esse tipo de compensação somente foi vedado, pela IN/SRF nº 41/00, posteriormente à protocolização do seu pedido. Nesta ocasião, tal procedimento era autorizado pelo artigo 15 da IN/SRF nº 21/97. Apenso ao presente processo, consta o de nº 10166.0055141/0035, em que a terceira interessada na compensação solicita o cadastramento de seus débitos. Anexos aos pedidos, a requerente juntou demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 7 a 176 do processo em papel). O despacho decisório da delegacia de origem indeferiu os pedidos fundamentado no fato de que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. A requerente haveria que determinar o saldo negativo e, ainda, no caso dos débitos de terceiros, comprovar a impossibilidade de sua utilização com débitos próprios. Em sua manifestação de inconformidade, essencialmente, a interessada alegou que, apesar de os pedidos referiremse às antecipações do IRPJ, antes de apresentar o pleito de compensação já verificara saldo negativo do imposto de renda ao final de 1999, como demonstrava a DIPJ anexada, e que a mesma indicava a opção pelo lucro real anual. Por isso, no início de 2000, os créditos inseridos nos pedidos já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da sua apreciação, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. Invocou, nesse sentido, o efeito declaratório da DIPJ e o princípio da instrumentalidade das formas. Ademais, quanto aos débitos de terceiros, alegou que a legislação à época permitia esta compensação. A já mencionada 4ª Turma da DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0323.065, de 31 de outubro de 2007, por meio do qual decidiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão, quanto ao essencialmente alegado, amparado no fato de que não ficou provado nos autos, mediante registros contábeis e fiscais, acompanhados da documentação hábil, que: (i) as receitas auferidas, que sofreram retenções, foram oferecidas à tributação no cômputo do lucro real e (ii) que seria impossível a utilização de débitos próprios pela pessoa jurídica detentora do suposto crédito. Inconformada, a requerente apresentou recurso voluntário no qual oferece os seguintes argumentos: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001336/0042 Resolução nº 1102000.187 S1C1T2 Fl. 457 3 a) Apesar de os pedidos referiremse às antecipações do IRPJ, antes da decisão da 1ª instância, o saldo negativo já havia se consolidado através do decurso do tempo e da apresentação da DIPJ, a qual, por sua vez, já indicava a opção pelo lucro real anual. b) No momento do protocolo dos pedidos de compensação, os créditos inseridos já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da apreciação dos pedidos, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. c) Sobre o efeito declaratório da DIPJ, o 1º Conselho de Contribuintes já o havia reconhecido em várias oportunidades, tal como no Acórdão nº 101 94503, do qual transcreve alguns trechos. d) Considerar a existência do crédito compensável a partir da apresentação da DIPJ, em que pese a equivocada menção à antecipações nos pedidos, encontra respaldo no princípio da instrumentalidade das formas. O formalismo deve servir apenas e exclusivamente para alcançar seu fim e não para obstálo. Nesse sentido, cita doutrina de Eros Grau e alguns julgados do STJ. e) As teorias da invalidação e convalidação dos atos administrativos devem ser consideradas para suprir a invalidade com efeitos retroativos. Cita, nessa linha, os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo. Posteriormente, a título de razões complementares, em nova peça recursiva, acrescenta: f) A Receita Federal, através de despacho decisório prolatado nos autos do processo administrativo nº 10166.000417/200394, do qual anexa cópia, reconheceu o crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23. g) Quanto à alegada necessidade de comprovação da impossibilidade de se aproveitar dos próprios créditos, cabe salientar fato já comprovado à Receita Federal, de que a ITSA sofreu prejuízos fiscais no período de 1999 a 2006, conforme valores informados em tabela que anexa, os quais foram regularmente declarados nas DIPJs do período. A recorrente, como holding, quase não auferiu receitas no período e o recolhimento de impostos federais não foi suficiente para consumir todo o crédito. Ademais, a exigência de COFINS e PIS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 foi contestada perante o Judiciário. As ações transitaram em julgado em seu favor, sendo que, relativamente à COFINS, obteve sua homologação nos autos de pedido de compensação deferido em 17/11/06, conforme anexa, e relativamente ao PIS, ainda não teria solicitado a habilitação do crédito. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja deferido o pleito de compensação, reconhecendose como válido o valor creditório apresentado para tanto. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001336/0042 Resolução nº 1102000.187 S1C1T2 Fl. 458 4 Antes de o processo ser remetido para o CARF, a delegacia de origem entendeu que o direito creditório havia sido definido pelo mesmo despacho decisório citado pela recorrente, ou seja, aquele proferido nos autos do processo nº 10166.000417/200394. Com isso, visando uniformidade de procedimento com relação a todas as compensações com origem no mesmo direito creditório, as quais foram pleiteadas em diversos processos, procedeu à elaboração de um relatório denominado Demonstrativo Analítico de Compensação por meio do Sistema Operacional – SAPO, no qual detalha a situação de compensação de todos os pedidos por entender que o direito creditório é suficiente. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio Como se vê, pelo que foi relatado entre a prolação do acórdão recorrido e a chegada dos autos para julgamento no CARF, deuse conhecimento a fatos de fundamental importância para o deslinde da questão que se apresenta na presente demanda. Ao que parece, a delegacia de origem teria reconhecido um crédito de saldo negativo do IRPJ, referente ao anocalendário de 1999, no montante de R$ 3.058.784,23. Com efeito, o referido despacho decisório, nos itens 19 a 21, assim se manifestou: 19. Desta forma temse, dividido por código de arrecadação, o total de retenção no ano calendário de 1999 conforme consolidado na Tabela 2 (fl. 214). Portanto, o montante passível de utilização para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 a título de IRRF é de R$ 3.058.784,23. 20. Como a contribuinte não apurou imposto devido no anocalendário de 1999 e sofreu retenções no valor de R$ 3.058.784,23, o montante total passível de utilização com crédito de saldo negativo de IRPJ seria de R$ 3.058.784,23. Mas a contribuinte optou neste processo a solicitar com crédito apenas o valor de R$ 393.416,18 (fl. 02). 21. Portanto validase, como optou a contribuinte, o montante de R$ 393.416,18 como crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Não obstante a recorrente ter informado em sua DIPJ, referente ao ano calendário de 1999, que havia apurado um saldo negativo no valor de R$ 3.199.593,37, o despacho decisório só teria reconhecido o crédito referente à R$ 3.058.784,23. Essa constatação é inclusive confirmada pela própria recorrente no documento que juntou às fls. 385 do processo em papel. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001336/0042 Resolução nº 1102000.187 S1C1T2 Fl. 459 5 Diante disso, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT – da delegacia de origem elaborou o mencionado relatório do Sistema Operacional – SAPO (fls. 396 a 439 do processo em papel), no qual detalha a situação dos pedidos de compensação de 111 débitos, reunidos em diversos processos, inclusive o presente, e perfazendo um total de R$ 1.990.071,66, por entender que o direito creditório reconhecido seria suficiente. Contudo, não ficou claro se o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 efetivamente reconheceu os R$ 3.058.784,23 como crédito referente ao saldo negativo do IRPJ de 1999 ou se apenas reconheceu os R$ 393.416,18 utilizados na compensação do referido processo. A dúvida exsurge, principalmente, a partir do que está estatuído no item 21 do despacho decisório. Além disso, não ficou também claro se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório (conforme seu item 19), estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98, inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Ademais, há que se aferir também a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização dos pedidos em que solicita compensação com débitos de terceiros. De fato, o artigo 15 da IN/SRF nº 21/97, autorizado pelas disposições legais então vigentes, assim dispunha: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (grifo nosso) Portanto, tratase de verificar se a contribuinte possuía débitos de sua própria titularidade em aberto quando protocolou os pedidos. As alegações e documentos juntados pela recorrente em suas razões complementares, apesar de sugestivas dessa inexistência de débitos, não se prestam à comprovação efetiva da condição estabelecida na norma. Em face do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: 1. Confirmar se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98 inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Observar que junto aos pedidos a requerente havia anexado demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 7 a 176 do processo em papel). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10166.001336/0042 Resolução nº 1102000.187 S1C1T2 Fl. 460 6 2. Verificar a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização dos pedidos em que solicita compensação com débitos de terceiros (o de fls. 03 do processo em papel). Para os itens solicitados, deverá ser lavrado relatório de diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/09/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902955/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 29 55 /2 01 1- 58 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902955/201158 Acórdão n.º 3803005.029 S3TE03 Fl. 89 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902955/201158 Acórdão n.º 3803005.029 S3TE03 Fl. 90 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902955/201158 Acórdão n.º 3803005.029 S3TE03 Fl. 91 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902955/201158 Acórdão n.º 3803005.029 S3TE03 Fl. 92 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902955/201158 Acórdão n.º 3803005.029 S3TE03 Fl. 93 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12269.004183/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de que nos casos dos créditos lançados com base em fatos geradores não declarados em GFIP ocorridos anteriormente à 05.12.2008, a multa a ser aplicada seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.212-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de que nos casos dos créditos lançados com base em fatos geradores não declarados em GFIP ocorridos anteriormente à 05.12.2008, a multa a ser aplicada seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.212-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430-1996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de que nos casos dos créditos lançados com base em fatos geradores não declarados em GFIP ocorridos anteriormente à 05.12.2008, a multa a ser aplicada seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, quanto à multa. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 41 83 /2 00 9- 17 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004183/200917 Acórdão n.º 2803002.880 S2TE03 Fl. 191 2 (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004183/200917 Acórdão n.º 2803002.880 S2TE03 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra crédito tributário com base em contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e a outras entidades (Incra) constituídas em razão de exclusão da contribuinte do Simples Federal com efeitos retroativos . O período dos fatos geradores foi 01/01/2005 a 31/12/2005. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre quanto nulidade do lançamento em razão de ser a sua exclusão do Simples também indevida, e da multa aplicada por ser primário, requerendo a aplicação retroativa das alterações realizadas pela Medida Provisória n. 449/2008 e sua lei de conversão, a Lei n. 11.941/2009, limitandoas a 20%. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004183/200917 Acórdão n.º 2803002.880 S2TE03 Fl. 193 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido, pelo menos parcialmente. II – Preliminarmente, a razão da parcialidade de conhecimento está na incompetência da presente Turma Especial em anular o crédito tributário questionado com fundamento apenas na ilegalidade ou nulidade do ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES (Lei n° 9.317/96 SIMPLES e a partir de 01/07/2007, vigência da LC n° 123/06 Simples Nacional). O ato de exclusão e sua possível anulação fora apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Bem como, não foi trazido aos autos qualquer documento que comprove que a sua exclusão do Simples fora revertida pela autoridade julgadora competente, o que poderia criar causa prejudicial ao lançamento. Em tempo, devese atentar que por não ser o ato de exclusão do Simples efetivo lançamento tributário (constituição de crédito tributário – art. 142, do CTN), o mesmo não incluise nas causas de suspensão do crédito tributário (art. 151, III, do CTN), pois tal ato não constitui o crédito tributário. Assim, o recurso voluntário para reversão da decisão de exclusão, não suspende a exclusão crédito tributário. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. III – Ultrapassada a preliminar, observase que auto lavrado que ele constitui créditos não declarados em GFIP. Assim, quanto à análise da multa aplicada aos créditos lançados sobre fatos geradores não declarados e anteriores à 05.12.2008, início da vigência da MP n 449, publicada no Diário da União no dia 04.12.2008, que foi aplicada no patamar de 75%, devese atentar o que segue. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004183/200917 Acórdão n.º 2803002.880 S2TE03 Fl. 194 5 Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, publicada em 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, publicada em 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c/c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.004183/200917 Acórdão n.º 2803002.880 S2TE03 Fl. 195 6 Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. IV– Conclusão Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento no sentido de que nos casos dos créditos lançados com base em fatos geradores NÃO declarados em GFIP ocorridos anteriormente à 05.12.2008, a multa a ser aplicada seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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