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Numero do processo: 10907.001011/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/04/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO INTEMPESTIVAMENTE.
Nos termos do artigo 33 do Decreto n . 70.235/72, o recurso voluntário deverá ser apresentado no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3201-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO INTEMPESTIVAMENTE. Nos termos do artigo 33 do Decreto n . 70.235/72, o recurso voluntário deverá ser apresentado no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 10 11 /2 00 1- 46 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Tratase de lançamento de ofício para relativo ao imposto de importação e juros de mora, sob o fundamento de recolhimento com redução de 40% do tributo, por entender a Recorrente estar amparada pelo benefício fiscal veiculado pela Lei 10.182/2001, que ampara o Regime Automotivo. A Recorrente impetrou o mandado de segurança preventivo junto à Justiça Federal do Paraná, para pleitear a extensão do referido benefício fiscal a empresas de mercado de reposição, categoria na qual se enquadraria, especialmente sob a égide do princípio da isonomia. A decisão da Delegacia de Julgamento manteve a exigência, por se tratar de lançamento com o escopo de prevenção de decadência, entendendo cabível a exigência dos consectários legais, na hipótese de julgamento de improcedência do pedido judicial, em decisão assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 27/04/2001 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do presente lançamento, importa em renúncia as instâncias administrativas, cabendo i autoridade onde se encontra o processo não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência. Impugnação não conhecida MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA EXIGÊNCIA TRIBUTARIA Decisão judicial proferida em mandado de segurança impede o lançamento da multa de oficio, mas não impede a constituição do credito tributário relativo ao tributo, acrescido de juros de mora, com a finalidade de prevenir a decadência. Lançamento Procedente No recurso voluntário, a Recorrente argumentou sobre a impossibilidade de exigibilidade de juros de mora, bem como a pendência de recurso extraordinário, no Supremo Tribunal Federal, a impedir a cobrança do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10907.001011/200146 Acórdão n.º 3201001.387 S3C2T1 Fl. 94 3 O presente recurso voluntário não preenche as condições de admissibilidade, porquanto dele não tomo conhecimento. Com efeito, às fls. 173 temse o Aviso de Recebimento dos Correios, relativo à decisão de primeira instância administrativa, que se deu em 13/10/2009. O recurso voluntário foi apresentado em 13/11/2009 (fls.175), portanto, no 31o dia do início do prazo recursal, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Em face do exposto, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006276/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado
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DEDUÇÃO. GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 62 76 /2 00 9- 11 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.006276/200911 Acórdão n.º 2801003.248 S2TE01 Fl. 162 2 Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 19.458,96, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 5/6 deste processo digital, que foi constatada, na declaração de ajuste anual da contribuinte, os seguintes fatos: a) omissão de rendimentos de aluguéis e b) dedução indevida de despesas médicas. O “Relatório de Ação Fiscal”, acostado aos autos em fls. 8/13, aponta, em relação às despesas médicas, que: A mera exibição de recibos, isoladamente, não é suficiente para comprovar a efetividade dos gastos. O recibo, sendo instrumento de quitação de natureza particular, é admitido como meio de prova pelo Fisco, desde que confirmado por outros elementos adequados e suficientes, que garantam a conformidade dos fatos nele declarados. (...) Assim, os eventos de interesse tributário neles registrados (recibos, nota fiscais, declaração de renda e escrita contábil) carecem de efetiva comprovação perante o Fisco, cujos meios são aqueles normalmente aceitos pela legislação civil e comercial em cada caso. Para os recibos, a prova hábil são cheques nominais, ordens de pagamento, extratos bancários indicativos de saques que guardem correspondência exata com os valores e as datas dos recibos, etc. No que se refere à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, apurouse diferenças a tributar nos valores de R$ 4.752,72 e R$ 546,32, não submetidas à tributação nos respectivos anoscalendário (2004 e 2006), razão pela qual foram lançadas de ofício. A contribuinte apresentou a impugnação de fl. 134, informando que a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis), nos anoscalendário de 2004 e de 2006, foi regularizada com o recolhimento do imposto, e que parte da dedução de despesas médicas foi comprovada pelos recibos emitidos pela fisioterapeuta Dra. Tânia Marília Carlesso (despesas pagas em espécie). A impugnação apresentada foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 143/148 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM MÉDICOS, FISIOTERAPEUTAS E OUTROS. A dedução de despesas com fisioterapeuta na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.006276/200911 Acórdão n.º 2801003.248 S2TE01 Fl. 163 3 dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/07/2011 (fl. 155), a Interessada interpôs, em 26/07/2011, o recurso de fl. 151. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis), nos anos calendário de 2004 e de 2006, foi regularizada com o recolhimento do imposto. Parte da dedução das despesas médicas foi comprovada pelos recibos emitidos pela fisioterapeuta Dra. Tânia Marília Carlesso (despesas pagas em espécie). Tratandose de irregularidades nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física da fisioterapeuta Tânia Maria Carlesso, que as omitiu, é da competência e responsabilidade do Fisco fiscalizála. A prova documental da contra prestação de serviços são os recibos. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia a glosa de despesas com a profissional de saúde Tânia Marília Carlesso, uma vez que a parte do lançamento relativa à omissão de rendimentos de aluguéis foi transferida para o processo nº 11080.722763/200925 (Termo de Transferência de Crédito Tributário à fl. 141 deste processo digital). No processo administrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.006276/200911 Acórdão n.º 2801003.248 S2TE01 Fl. 164 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por importante, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, a Autoridade lançadora, por intermédio da Intimação Fiscal de fl. 20 deste processo digital, informou à Recorrente, antes da constituição do crédito tributário, que “O efetivo pagamento das deduções deverá ser comprovado através de cópia de cheque nominal, extratos bancários indicativos de saques, extratos de cartão de crédito e/ou transferências bancárias”. No entanto, a Interessada se manteve inerte, limitandose a alegar, na impugnação e no recurso, que as despesas realizadas com a profissional de saúde Tânia Marília Carlesso foram pagas em espécie, sem colacionar aos autos qualquer prova do efetivo pagamento das despesas deduzidas, a exemplo de saques bancários em datas aproximadas dos pagamentos. Nesse contexto, em que houve a prévia intimação da contribuinte, penso que a dedutibilidade de despesas médicas está condicionada à comprovação do efetivo dispêndio, uma vez que, nos termos do DecretoLei n° 5.844/1943, art. 11, § 3° c/c art. 73 do RIR/1999, as deduções de despesas médicas “estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Registro, por fim, o meu entendimento acerca da desnecessidade de realização de diligência na prestadora dos serviços, em face da faculdade legalmente atribuída à Fiscalização (DecretoLei n° 5.844/1943, art. 11, § 3°) de solicitar, ao próprio contribuinte que deduziu as despesas médicas, elementos adicionais de prova quando assim entender necessário. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 14041.000178/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/1997
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 78 /2 00 9- 25 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000178/200925 Acórdão n.º 2402003.796 S2C4T2 Fl. 328 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/04/1997 a 30/11/1997. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 24/32), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 39/69) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 73/84), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 87/98) argumentando que: (i) o prazo decadencial encerrase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 104/107), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 323/325), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vícioformal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000178/200925 Acórdão n.º 2402003.796 S2C4T2 Fl. 329 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informouque não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovouo marco inicial do prazo decadencial parao lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000178/200925 Acórdão n.º 2402003.796 S2C4T2 Fl. 330 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720110/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido o contribuinte intimado para comprovar as APP e ARL declaradas em DITR e não tendo sido apresentada documentação apta a confirmar os dados declarados, deve ser mantida a glosa efetuada pela Fiscalização. Precedentes.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes
Numero da decisão: 2202-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para atribuir ao Valor da Terra Nua o montante de R$ 54,35/ha. Vencido o Conselheiro Pedro Anan Junior que restabelecia o Valor da Terra Nua declarado.
(Assinado digitalmente)
ANTÔNIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: AntonioLopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio BrunGoldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido o contribuinte intimado para comprovar as APP e ARL declaradas em DITR e não tendo sido apresentada documentação apta a confirmar os dados declarados, deve ser mantida a glosa efetuada pela Fiscalização. Precedentes. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para atribuir ao Valor da Terra Nua o montante de R$ 54,35/ha. Vencido o Conselheiro Pedro Anan Junior que restabelecia o Valor da Terra Nua declarado. (Assinado digitalmente) ANTÔNIO LOPO MARTINEZ Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 10 /2 00 7- 12 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: AntonioLopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Fabio BrunGoldschmidt, Heitor de Souza Lima Junior Relatório Processo de Fiscalização O contribuinte foi intimado (fl. 19), em 17/07/2007, para apresentar os seguintes documentos referentes às Declarações do ITR dos exercícios de 2003 e 2004: a) Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao IBAMA b) Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9º do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. c) Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. d) Cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do património natural ou de servidão florestal. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário. e) Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. f) Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 15 3 Diante da intimação o recorrente solicitou a dilação do prazo por 20 dias em 01/08/2007, tendo renovado o pedido em 03/08/07 para atender o quanto requerido pela Delegacia da Receita Federal, e, posteriormente, em 17/09/2013 requereu o arquivamento do mandado de procedimento fiscal, por entender pela sua insubsistência e improcedência (fl. 57 – 67), tendo informado a alienação do imóvel em maio de 2005 para a empresa Guiraponga Agropecuária Ltda. Juntou documentos, entre eles:(i) documentos relativos à aquisação do imóvel por ele, em 1982, (fls. 83/107); (ii) “Anotação de Localização de Reserva Legal” (fl. 118), emanada do Governo da Bahia; (iii)“Conceção de Certificação Ambiental” (fl. 119), emanada da Prefeitura do Município de Jaborandi; (iv) Parecer Jurídico (fls. 126/152); (v) reportagens de periódicos (fls. 153/156) e (vi) precedentes jurisprudenciais (fls. 156/179). Da análise da documentação acostada e da DITR/2003, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas ambientais declaradas a título de preservação permanente (3.387, ha) e de utilização limitada (1.366,3 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de RS 220.864,00, arbitrandoo em R$ 744.791,247, conforme demonstrativo de cálculo (fls. 07/08). Notificação de Lançamento O recorrente foi notificado, para recolher o crédito tributário apurado de R$ 352.541,22, compreendendo o valor principal, multa de 75% e juros, correspondente ao lançamento do ITR, sobre o imóvel denominado Fazenda Vereda do Ribeirão (Nirf 3.160.085 9), com área de 5.003,3 ha, localizado no município de Jaborandi – BA. A descrição dos fatos e enquadramento legal é o que segue: Área de preservação permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da áreadeclarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento deInformação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramseno Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Lei n° 6.938, de 1981, art.17 0, 1°,"com redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, art.1º, RITR/2002, art.10, 3°, IN SRF nº 256, de 2002, art.9º, § 3º. Área de Utilização Limitada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou aisenção da área declarada a título de utilização limitada no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido; em folha anexa. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E ALS L 9393/96 Lei n° 4.771/65, art. 16, § 8°, com red. da MP nº. 2.16667/01, art. 1°; Lei n°6.938/81, art. 170, § 1º, com red. da Lei n° 10.165/00, art. 1°; RITR/02, arts. 10, § 3°, e 12, caput e § 1º IN SRF n°.256/02, arts. 9º, § 3°, e 11, § 1° Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informaçõesdo Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Lei n ° 9.393/96, artigos 8º ,§1º e 2º, 10,11 e.14. Portaria SRF n° 447/2002. Complemento da Descrição dos Fatos: Na DITR do exercício fiscalizado, o contribuinte declarou existir uma área de 3.387,00 ha de preservação permanente e 1.366,3 ha de área de utilização limitada, motivo pelo qual foi intimado a comprovar a existência dessas áreas e o cumprimento das obrigações acessórias necessárias as exclusão das mesmas daincidência do ITR. Declarou também, que o valor da terra nua doimóvel rural fiscalizado era de R$ 220.864,00 em 1º de janeiro de 2003. Considerando que a propriedade possui uma área total de 5.003,3 ha, obtémse umvalor declarado de R$ 44,15 por hectare de terra nua. Por este motivo, foi intimado a comprovar o VTN declarado com apresentação de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no Crea, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Foi também inlformado que a falta de apresentação do Laudo de Avaliação ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Em 13/07/2007 foi enviado para o endereço indicado na DITR o Termo de Intimação Fiscal N° 05103/00044/2007, o qual foi entregue pelos Correios, e assim efetivada a ciência do contribuinte, no dia 17/07/2007. Foi prorrogado para17/09/2007, o prazo para entrega dos documentos solicitados na intimação, por solicitação do contribuinte. Porém, até o momento,o contribuinte regularmente intimado NÃO APRESENTOU A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA na intimação PARA O EXERCÍCIOFISCALIZADO. Desta forma, foram desconsideradas as áreas declaradas de preservação permanente e de utilização limitada earbitrado oValor da Terra Nua com base nas informações constantes no SIPT da RFB,conforme descrito nesta Notificação de Lançamento. 1. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente:o Ato Declaratório Ambiental ADA ao Ibama e que as áreas assim declaradas atendam ao disposto na legislação pertinente. Não foi apresentado pelo contribuinte o comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 06 (seis) meses, contados do término do prazo para entrega da DITR. 2. AREA DE UTILIZAÇAO LIMITADA RESERVA LEGAL Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 16 5 Conforme a legislação, áreas de reserva legal são aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas àmargem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Para exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte apresente o Ato Declaratório Ambiental ADA ao Ibama, que as áreas estejam averbadas no registro de imóveis competente na data de ocorrência do fato gerador, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. Não foi apresentado pelo contribuinte o comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 06 (seis) meses, contados do término do prazo para entrega da DITR. 3. SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SIPT' O contribuinte não apresentou o Laudo de Avaliaçãó de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN. A intimação solicitava a apresentação do Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT,'com grau de fundamentação e precisão II e amparado por ART Anotação de Responsabilidade Técnicadevidamente registrada no CREA. A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art.14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando, informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser porela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda, que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Considerando essa determinação legal e devido ao contribuinte, regularmente intimado, não ter comprovado que o valor da terra nua declarado corresponde ao preço de mercado em 01/01/2003, considerouseos valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído atravésda Portaria SRF nº 447 de 28/03/02, para o município de Jaborandir conforme extrato anexo. Com base nesses dados, foi arbitrado o valor da terra nua VTN para o exercício 2003 em R$ 148,86/ha, perfazendo um totál de R$ 744.791,24, conforme demonstrado abaixo: Área Total declarada do Imóvel = 5.003,3 ha VTN/ha = R$ 148,86/ha VTN do imóvel = VTN/ha x área do imóvel = 148,86 x 5.003,3 ha = R$ 744.791,24 Impugnação Cientificado do lançamento em 17/12/2007, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 04/01/2008, impugnação (fls. 184185) com base nos seguintes argumentos: o processo deveria ser transferido para BrasíliaDF, para o seu conhecimento e julgamento no domicílio fiscal do contribuinte; e o débito fiscal reclamado deveria ser cancelado, por insubsistência e improcedência da ação fiscal, nos termos do ‘requerimento inicial’, no qual foi afirmada a desnecessidade, para os fins do ITR, da apresentação de ADA e a averbação da reserva legal, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 conforme o teor do § 7º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, bem como informou que o imóvel havia sido vendido para a Empresa Guiraponga Agropecuária em maio de 2005, conforme fez prova. Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/BSB julgou a impugnação (fls. 210/217) e acordou, por unanimidade, pela sua improcedência, pelos seguintes argumentos: que o julgamento foi realizado pela DRJ/Brasilia, bem como todas as intimações foram encaminhadas diretamente ao domicílio fiscal do contribuinte, de acordo com a DITR/2003 (fl.09), portanto em obediência à legislação, não fazendo mais sentido o pedido de transferência do processo para Brasília; que a glosa se justifica, pois mesmo após intimado, o contribuinte deixou de encaminhar à SRF, documentação que comprovasse os dados declarados em sua DITR, como ADA, averbação tempestiva da área de reserva legal, bem como laudo que confirmasse o VTN declarado; que a legislação exige para a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal a apresentação de ADA e para a última, especificamente, a averbação à margem da matrícula. Portanto, não tendo o contribuinte comprovado as obrigações acessórias para o gozo da isenção prevista na lei, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal; quanto ao VTN, tal foi arbitrado com base no SIPT no valor de R$ 148,86/ha, em vista da subavaliação, tendo o contribuinte deixado de apresentar laudo técnico que corroborasse os dados de VTN contidos na DITR/2003, se valendo, neste caso, a fiscalização do valor emitido com base no VTN médio apurado em DITRs de áreas próximas no mesmo período. Recurso Voluntário O recorrente foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 22/12/2009 (fl. 220), tendo interposto recurso voluntário em 21/01/2010 (fls. 225 231), repisando o pedido de desconsideração da autuação, inclusive no tocante ao VTN arbitrado. Nas fls. 360 a 361, o recorrente reiterou a informação de que, quando interposta a impugnação ao lançamento do tributo em análise, já não mais lhe pertencia o imóvel em questão, eis que alienado em maio de 2005 juntamente com terras lindeiras de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 17 7 outros proprietários, conforme a certidão de fls. 234236. Outrossim, requereu a juntada de laudo técnico nos moldes da NBR 14.6533 da ABNT, contendo avaliação específica da área em questão (fls. 362 400). É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Legitimidade Passiva do Recorrente Em que pese não tenha o recorrente alegado, expressamente, sua ilegitimidade passiva, desde já, analisase essa possibilidade, em vista da notícia de alienação do bem em comento. Como bem se sabe, o ITR é tributo cuja hipótese de incidência é a propriedade, tendo o crédito dele gerado natureza real, sendo a obrigação tributária propterrem. Conforme já julgado por esse Conselho em outras oportunidades, nos casos de alienação em que não constar no título de aquisição (ou em qualquer outro documento) a prova ou declaração do anterior proprietário acerca de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 1301 do CTN, temse transferência aos adquirentes da responsabilidade tributária sucessória do imposto. Todavia, no caso em questão, conforme se depreende da leitura da escritura de compra e venda à fl. 249, na alienação do imóvel pelo contribuinte à empresa Guiraponga Agropecuária, foi dada a quitação de todos os débitos fiscais, mantendose, dessa forma, a responsabilidade do alienante, ora recorrente, pelo pagamento do tributo. Em caso análogo, no qual, no título aquisitivo do imóvel igualmente constava a quitação do tributo, entendeu esse Colegiado que a legitimidade para responder por débito de ITR anterior à alienação era do vendedor (e não do adquirente do imóvel): Processo nº 10325.000006/200329 Acórdão nº 2102002.402 1 Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 18 9 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção Publicado em10/12/2012 Matéria:ITR Contribuinte:AGROPECUARIA VALE DO TAPUIO LTDA Relatora: NUBIA MATOS MOURA Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. ILEGITIMIDADE PASSIVA ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. SUB ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Recurso Voluntário Negado Em outra ocasião, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho expressamente se manifestou no sentido de que a responsabilidade pelo ITR devido será do adquirente do imóvel, “salvo se constar no título aquisitivo prova de sua quitação”: Processo nº 10670.001494/200612 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202002.719 – 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria ITR Recorrentes MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL MGI MINAS GERAIS PARTICIPAÇÕES S/A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. O ITR é um imposto que o fato gerador decorre da propriedade, do domínio ou da posse de bens imóveis. Por esta razão, deve o adquirente subrogarse na responsabilidade pela quitação dos mesmos, salvo se constar no título aquisitivo a prova de sua quitação. No caso em comento, todas as exigência fiscais deixaram para serem cumpridas por ocasião do registro do titulo aquisitivo, logo, não pode ser imputada a responsabilidade tributária ao vendedor do imóvel, fundamentos do artigo 130 do Código Tributário Nacional.Recurso especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado. No mesmo sentido já decidiu a Turma Ordinária da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA PARCIAL. Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório, de parte do imóvel objeto do lançamento, aliado ao fato de não constar do título de aquisição, a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art. 130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pela parcela respectiva do imposto ora sub analisis. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Comprovado o não atendimento da exigência legal de averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. UTILIZAÇÃO DAS ÁREAS DO IMÓVEL ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL. Não comprovada a plantação de produtos vegetais informada na correspondente DITR, deve ser mantida a glosa da referida área. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS. LEGALIDADE. (Acórdão nº 30238440 do Processo 10670001109200114 / Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Sessão: 27/02/2007) Portanto, tendo em vista que, no caso em questão, houve expressa declaração do contribuinte alienante acerca da inexistência de ônus fiscais relativamente ao imóvel (em tela) que estava vendendo, é sua a responsabilidade pelo pagamento do ITR que seja eventualmente devido em período anterior à alienação. Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 19 11 O art. 10, § 1, II, da Lei 9.393/962, exclui do conceito de área tributável para fins de ITR, entre outras, as áreas de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL). Quanto às APP e ARL, suas definições estão previstas no art. 1º, § 2º, II e III, da Lei nº 4.771/65, devendo o contribuinte apenas declarálas em DITR, informação esta que “não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis” (art. 10, § 7º, da lei 9.393/96). Como visto, por força da própria lei instituidora do ITR, a declaração do contribuinte se mostra suficiente para a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, não compondo a base de cálculo do imposto sobre a propriedade territorial rural, devendo a Administração, em caso de dúvidas, demonstrar que o contribuinte incorreu em falsidade. No caso em questão, justamente em decorrência de dúvidas por parte da fiscalização acerca da veracidade das informações prestadas a título de APP e ARL (DITR 2003), foi o contribuinte intimado a apresentar documentos que as corroborassem. Contudo o recorrente não trouxe aos autos documentação suficiente que permitisse a atestar a veracidade da declaração de ITR/2003. Como verificado nos autos, os documentos utilizados para embasar suas alegações: ou não trazem informações fáticas e técnicas acerca do imóvel e das informações declaradas (como é o caso dos seguintes documentos: (i) documentos referentes à aquisição da área pelo contribuinte, no ano de 1982, (fls. 83/107); (ii) Parecer Jurídico (fls. 126/152), tratando, basicamente, da dispensa de ADA e averbação para fins de comprovação de APP e ARL; (iii) reportagens de periódicos (fls. 153/156) e (iv) precedentes jurisprudenciais (fls. 156/179), igualmente entendendo não ser exigível ADA e averbação para comprovação de APP e ARL declaradas em DITR.); 2 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; redação vigente ao tempo do fato gerador b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 12 ou referemse à extensa área de terras, formada por diversas “fazendas” que foram adquiridas pela empresa Guiraponga Agropecuária, trazendo apenas dados e informações globais e totais da aludida área, não servindo de base para corroborar as informações declaradas em DITR, em vista da impossibilidade de mensurar individualmentese e o quanto corresponderia a ARL e APP existentes no imóvel, então, do recorrente (este é o caso dos seguintes documentos: (i) “Anotação de Localização de Reserva Legal” (fl. 118), emanada do Governo da Bahia; (ii)“Conceção de Certificação Ambiental” (fl. 119), emanada da Prefeitura do Município de Jaborandi; (iii) Projeto Agropecuário (fls. 299/346); (iv) Termo de Averbação de Reserva Legal (fls. 253/254); (vi) ADA referente ao ano de 2007, fl. 295). Em casos como o dos autos, em que o contribuinte não comprova, minimamente, a existência de área isenta do ITR, já se posicionou esse Conselho pela manutenção da glosa da área no cálculo do tributo, vejamos: Processo n° 10675.003027/200679 Recurso n° 342.836 Voluntário Acórdão n° 280100.864 — la Turma Especial Sessão de 18 de agosto de 2010 Matéria ITR Recorrente SEAP SOCIEDADE DE ESTÍMULOS AGROPECUÁRIOS LTDA. Recorrida DRJRECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. Sendo certo que a Recorrente não logrou êxito em apresentar documentaçãoapta a corroborar a corroborar seus argumentos, deve ser mantida a glosaefetuada pela Fiscalização. VTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido carreada ao processo prova apta a desconstituir o valor doVTN arbitrado pela fiscalização, com base em normas legais, não há comodesconsiderarse a autuação. Recurso voluntário negado. Por essa razão, após a análise dos autos, estou entendendo por concordar com a fiscalização e manter a glosa das APP e ARL para fins de cálculo do ITR em questão, eis que não restaram minimamente comprovadas sua existência e extensão pelo contrbuinte. Valor da Terra Nua Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 20 13 Por discordar do VTN declarado pelo contribuinte, a fiscalização apurou o ITR que entendeu devido utilizandose do VTN médio declarado por município extraído do SIPT (fl. 24, embora conste VTN por aptidão agrícola, verificase no documento que não exite VTN para o exercício e município informados), obtido com base nos valores informados em DITR, o qual não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria, conforme reiterado entendimento desse Colegiado. Inclusive, foi atestado pela DRJ na fl. 212, que o valor apurado no SIPT, refere ao universo das declarações do ITR/2003 dos imóveis rurais localizados no município. Com efeito, ainda que se reconheça a possibilidade da utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN nas hipóteses em que a lei assim determinada, entendo que tal, somente é legítima, quando os parâmetros adotados estejam baseados, por exemplo, na aptidão agrícola das terras do município e não apenas no VTN médio declarado por município, baseados em dados de DITRs apresentadas, pois esse, notoriamente, nãocontempla as características intrínsecas e extrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. Em casos como este, em que o arbitramento do Valor da Terra Nua está baseado em VTN médio do município, este Colegiado tem decidido no sentido da impossibilidade de sua aplicação, consoante se verifica do precedente abaixo, colacionado por amostragem: Número do Processo: 10183.720138/200685 Data de Publicação: 01/10/2012 Contribuinte: AGROPECUARIA NOVA FRONTEIRA LTDA Relator(a): MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 14 somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observandose os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindose que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (2º Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Dessa forma, sendo entendido pela impossibilidade de aplicação do VTN arbitrado pela fiscalização, há de ser decidido, então, qual o VTN a ser aplicado. Conforme se depreende dos autos, após a interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou Laudo, desta vez referente especificamente ao imóvel em questão, o qual, baseado em dados técnicos e fáticos do imóvel e da região, concluiu pelo “VTN de 54,35/ha” (fl. 400), ao invés dos R$ 44,15/ha informado na DITR. Assim, em nome da verdade real que pauta o processo administrativo, entendo que deva ser adotado no cálculo do ITR ora exigido o VTN indicado pelo laudo técnico, correspondente a R$ 54,35/há, pois devidamente comprovado. Com base no exposto, voto pelo parcial provimento do recurso voluntáriopara o fim de (i) manter a glosa das APP e ARL e (ii) determinar, para fins de cálculo do tributo, a utilização do VTN indicado pelo laudo de avaliação, correspondente a R$ 54,35/ha. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10540.720110/200712 Acórdão n.º 2202002.530 S2C2T2 Fl. 21 15 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 05/02/20 14 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 10945.902192/2012-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 92 /2 01 2- 26 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902192/201226 Acórdão n.º 3803005.010 S3TE03 Fl. 78 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902192/201226 Acórdão n.º 3803005.010 S3TE03 Fl. 79 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902192/201226 Acórdão n.º 3803005.010 S3TE03 Fl. 80 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902192/201226 Acórdão n.º 3803005.010 S3TE03 Fl. 81 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902192/201226 Acórdão n.º 3803005.010 S3TE03 Fl. 82 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10183.002878/2004-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Vendas para a Zona Franca de Manaus
No período anterior a 26/06/1999 e posterior a 20/12/2000, as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus não se sujeitaram à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a fração do lançamento relativa às vendas para a Zona Franca de Manaus realizadas nos períodos anteriores a 26/06/1999 e posteriores a 20/12/2000.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a fração do lançamento relativa às vendas para a Zona Franca de Manaus realizadas nos períodos anteriores a 26/06/1999 e posteriores a 20/12/2000. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 28 78 /2 00 4- 74 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 307 2 Anhambi Agroindustrial Norte Ltda. foi intimada a recolher ou impugnar foi autuada no total do crédito tributário de R$ 314.416,08, sendo R$ 168.992,20 relativo ao PIS, R$ 18.679,91 aos juros de mora calculados até 30/06/2004 e R$ 126.743,97 à multa proporcional, de ofício, de 75% (fls. 03/16), tendo em vista a constatação, durante o procedimento de verificações obrigatórias, de divergências entre os valores declarados/pagos e os apurados com base nos valores escriturados nos livros fiscais da contribuinte. Para os períodos de fevereiro/1999 a fevereiro/2003, as diferenças encontradas são decorrentes do não oferecimento à tributação das receitas financeiras. Já para os períodos de julho/2003 a dezembro/2003, as diferenças encontradas são decorrentes do não oferecimento à tributação dos valores correspondentes a receita de vendas para a Zona Franca de Manaus. Na mesma ação fiscal, a contribuinte foi autuada também no total do crédito tributário de Cofins de R$ 607.818,00, sendo R$ 323.071,40 relativo à contribuição, R$ 42.443,23 aos juros de mora calculados até 30/06/2004 e R$ 242.303,37 à multa proporcional, de ofício, de 75% (fls. 102/115), pelos mesmos motivos da autuação do PIS. O auto de infração da Cofins, formalizado no processo nº 10183.002879/200419, foi juntado ao presente, em cumprimento ao artigo 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02/12/2005. Intimada das autuações em 27/07/2004, conforme fls. 03 e 102, a contribuinte apresentou impugnações parciais em 24/08/2004 (fls. 36/50 e 136/150), alegando, resumidamente, que: a) concorda com a exigência incidente sobre as receitas financeiras e informa que efetuará o pagamento da parte incontroversa; b) a impugnação tem por objeto unicamente contestar a exigência da contribuição incidente sobre as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus; c) como foi a fiscalização que efetuou o levantamento das vendas diretamente feitas para a Zona Franca de Manaus, tornase desnecessário produzir qualquer prova que demonstre a existência das vendas e a destinação dos produtos vendidos, ficando a discussão limitada unicamente à matéria de direito; d) o Decretolei nº 288, de 28/02/1967, ao regular a Zona Franca de Manaus, equiparou à exportação para o estrangeiro as vendas de mercadorias nacionais efetuadas para consumo ou industrialização naquela área; e) a equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior adquiriu estatura constitucional com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988; f) o dispositivo excludente do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, não Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 308 3 tem validade, uma vez que contraria norma de equiparação inserta na Constituição, conforme declarou o Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489/DF; g) a própria União, como que reconhecendo a insustentabilidade da sua exigência, editou a Medida Provisória nº 202, de 23/07/2004, art. 2º. O mérito do presente caso se limita aos fatos geradores ocorridos entre os meses de julho a dezembro de 2003. Às fls. 06 e 103, o auditor autuante afirmou que, nos meses de julho a dezembro de 2003, as diferenças encontradas decorreram do não oferecimento à tributação dos valores correspondentes a receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, citando informações contidas em DACON. Outrossim, na planilha “Informações Prestadas à SRF” de fl. 124, não é possível concluir se a receita de vendas para a ZFM está contida no valor da linha 1 ou da linha 3. Em face dos fatos e da argumentação trazida aos autos pela impugnante, esta DRJ retornou o presente processo à DRF/CuiabáMT para que fossem efetuadas as diligências apropriadas para: a) juntar aos autos planilha referente às receitas dos meses de maio a agosto de 2003, bem como das DACON do período; b) confirmar o montante mensal das vendas efetuadas com destino à Zona Franca de Manaus, bem como se compuseram a base de cálculo da Cofins e PIS; c) ao final, elaborar relatório de suas conclusões, dandose ciência à contribuinte e aguardandose o prazo regulamentar de trinta dias. Em atendimento à diligência, a DRF de origem juntou os documentos de fls. 230/261. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores da CSLL demonstrados nas DCTF e os valores escriturados nos livros fiscais, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. VENDA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 309 4 O DecretoLei 288/1967 estabeleceu um benefício fiscal aplicável aos tributos e contribuições existentes à época de sua publicação, não alcançando a Cofins que foi criada em 1991.A partir de 18 de dezembro de 2000, foram excluídas da base de cálculo da Cofins as receitas provenientes de vendas para Zona Franca de Manaus nos termos do disposto nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória 2.15835, necessário, entretanto, que haja efetiva comprovação dessas vendas para que seja implementada a referida exclusão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores da CSLL demonstrados nas DCTF e os valores escriturados nos livros fiscais, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. VENDA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. O DecretoLei 288/1967 estabeleceu um benefício fiscal aplicável aos tributos e contribuições existentes à época de sua publicação, não alcançando a Cofins que foi criada em 1991.A partir de 18 de dezembro de 2000, foram excluídas da base de cálculo da Cofins as receitas provenientes de vendas para Zona Franca de Manaus nos termos do disposto nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória 2.15835, necessário, entretanto, que haja efetiva comprovação dessas vendas para que seja implementada a referida exclusão. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em face do encerramento do Conselheiro Relator, me autodesignei para redigir o Acórdão. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo a seguir os fundamentos foram discutidos em sessão e que orientaram a decisão do Colegiado. 1 Preliminarmente Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 310 5 Como é possível perceber, remanesce litigiosa exclusivamente a fração da exigência relativa à incidência das contribuições nas vendas para Zona Franca de Manaus e o fundamento da autuação é exclusivamente a ausência de recolhimento do PIS sobre tal parcela da receita. Confirase descrição dos fundamentos da exigência relativamente a esse aspecto1: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados para fins de cálculo do PIS e os valores constantes da escrituração da empresa , referente os meses de julho a dezembro de 2.003. As diferenças encontradas são decorrentes do não oferecimento à tributação dos valores; correspondentes a Receita de Vendas para a Zona Franca de Manaus. Informações constantes das DACONs apresentadas e da resposta ao Termo de Esclarecimentos n° 001, datada de 16 de julho de 2004 Tal demarcação é importante em razão de que consta da decisão de primeira instância a acusação de que a recorrente não teria feito prova de que as vendas teriam sido efetivamente realizadas para estabelecimento situado na Zona Franca de Manaus e tal acusação, com a devida vênia, não pode ser considerada. De fato, trazer esse novo fundamento ao processo por ocasião do julgamento representa uma inovação no lançamento e, como tal, uma violação ao § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 19722 Cabe a este Colegiado, portando, decidir se as receitas informadas no Dacon como decorrentes de vendas para a Zona Franca seriam isentas ou não. 2 Mérito Limitado a esse aspecto, ficou assentado que parcial razão assiste à recorrente. Para tanto, tomouse como referência as considerações da i. Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas assentadas no voto condutor do Acórdão 20179.406, de 29 de junho de 2006, adotadas pelo Colegiado como razão de decidir:. Entendo que a questão limitase à análise da aplicação ou não das legislações que prevêem a isenção da contribuição ao PIS e da Cofins para os casos em que ocorra a venda do produto à Zona Franca de Manaus ZFM. Inicialmente, cabe identificar a legislação de regência aplicável ao caso, tendo em vista as diversas alterações perpetradas no período de 1998 a 2003. 1 Vide trecho do campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" à fl. 06 2 § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 311 6 No que se refere à Cofins, em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento de isenção para as empresas estabelecidas nas localidades que menciona, assim dispondo: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; (...).” (Grifouse) Posteriormente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, modificou a normatização da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não fazendo qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de edição de novo dispositivo legal tratando das isenções das referidas contribuições. No sentido de solucionar tal falha foi incluído na Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, o art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, redefinindo as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogando expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 312 7 § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)”. (destaquei) Em virtude da patente afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. Ocorre que a esta decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Posteriormente à decisão do STF, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Por aplicação ao caso em questão dos dispositivos legais acima transcritos, inferese, de plano, que não é possível a este tribunal administrativo analisar a constitucionalidade dos dispositivos que, expressamente, impediam a aplicação, por analogia, do benefício fiscal da isenção tributária. Inclusive em razão de os eminentes Ministros do Supremo Tribunal Federal terem determinado, expressamente, a impossibilidade de aplicação retroativa erga omnes dos benefícios tributários à Zona Franca de Manaus. Neste particular, não importa a opinião pessoal desta julgadora, por impossibilidade de apreciação. Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação. Como é possível perceber, entre 28/11/1998, data em que entrou em vigor a Lei nº 9.718/98 e 26/06/1999, quando passou a ser aplicada a restrição imposta pela Medida Provisória nº 1.858/99, não havia norma que impusesse qualquer restrição ao tratamento outorgado pelo art. 4º do Decretolei nº 288, de 19673. Ou seja, até então, as referidas remessas eram isentas. 3 Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10183.002878/200474 Acórdão n.º 3102000.987 S3C1T2 Fl. 313 8 Por outro lado, a partir de 21/12/2000, quando foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, a restrição às operações com a Zona Franca de Manaus foi suprimida do texto normativo. Ou seja, o tratamento diferenciado outorgado às operações realizadas com a Zona Franca foi restabelecido. Com essas considerações, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer exclusivamente a isenção e, consequentemente, afastar a fração da exigência relativa a vendas para a Zona Franca de Manaus realizadas anteriormente a 26/06/1999 e posteriormente a 20/12/2000. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16707.000250/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar-se do princípio da informalidade do processo administrativo.
EQÜIDADE. INTEGRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CTN, Art. 108, IV. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A natureza própria da eqüidade consiste em corrigir a lei, na medida em que ela se mostra insuficiente, em razão de seu caráter geral. As regras da eqüidade são particulares, atendendo às singulares características de cada caso particular.
No caso, verifica-se que foi aplicada, automaticamente, multa por descumprimento de obrigação acessória por atraso na entrega da DIRPF, tendo o fato decorrido de erro da contribuinte, que não configurou omissão de rendimentos nem falta de pagamento de tributo devido.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que acolhiam a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 11 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. EQÜIDADE. INTEGRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CTN, Art. 108, IV. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A natureza própria da eqüidade consiste em corrigir a lei, na medida em que ela se mostra insuficiente, em razão de seu caráter geral. As regras da eqüidade são particulares, atendendo às singulares características de cada caso particular. No caso, verificase que foi aplicada, automaticamente, multa por descumprimento de obrigação acessória por atraso na entrega da DIRPF, tendo o fato decorrido de erro da contribuinte, que não configurou omissão de rendimentos nem falta de pagamento de tributo devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 02 50 /2 00 9- 79 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 144 2 Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que acolhiam a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 01/12/2008, a Notificação de Lançamento de fls.26, pela qual se exigia o pagamento de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DAAIRPF), do exercício de 2007, ano calendário de 2006, no montante de R$ 109.335,69. A Notificação contém demonstrativo de apuração, onde se verifica que o valor da exigência foi calculado a partir da aplicação do percentual de 20% sobre o “imposto devido” informado na Declaração, considerando a quantidade de meses/fração de atraso. O enquadramento legal traz o seguinte: arts. 790 e 964 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e nos arts. 9º caput, 11 e 23 caput, III e § 2º, III do Decreto nº 70.235/1972, com alterações dadas pelos arts. 1º da lei nº 8.748/1993, art. 67 da lei nº 9.532/1997 e art. 113 da lei nº 11.196/2005. O contribuinte foi então intimado a recolher a importância consignada, no prazo de 45 dias a contar do recebimento da Notificação, sendolhe facultado apresentar impugnação, no mesmo prazo, ao Delegado de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação à DRJ, em 1ª instância, conforme fl. 01, em 09/01/2009, através da pessoa da inventariante Maria Adede de Abreu Rodrigues, com as seguintes razões, em resumo e que sublinho, para maior clareza: Raimundo Rodrigues dos Reis era já falecido e seu espólio vinha representado por sua Inventariante Maria Adede de Abreu Rodrigues; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 145 3 em decorrência de “erro de fato” os rendimentos de royalties pagos pela Petrobrás, no ano de 2006, foram declarados na DIRPF/2007 da Inventariante e não na DIRPF do espólio; quando foi intimada em junho de 2008, pela Receita Federal, deuse conta do erro e então providenciou corrigilo com a entrega de nova declaração. Os valores constantes de ambas as DIRPF: espólio e inventariante, são idênticos aos informados pela fonte pagadora, na declaração de rendimentos pagos ou creditados; o art. 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece uma ordem exaurível para que se faça a intimação dos atos e termos processuais. Tendo o Fisco conhecimento do domicílio da contribuinte/inventariante, não poderia ter feito intimação via eletrônica, sem antes esgotar os outros meios disponíveis. Para a intimação eletrônica é necessária a anuência do contribuinte; houve cerceamento de defesa por enquadramento legal insuficiente, na Notificação de Lançamento. Os arts. 790 e 964 estão subdivididos em diversos incisos e parágrafos. Não se sabe se a multa aplicada foi a do art. 964 inciso I ou II e se, no caso do inciso I, aplicouse o § 1º ou o § 2º; não houve intimação para regularização, de que trata o § 3º, II, do art. 964 do RIR/1999; a responsabilidade pela penalidade pecuniária, no caso de espólio, deve ser endereçada a esse e não à pessoa física do falecido; pede a declaração de nulidade do lançamento fiscal. Conhecida e tratada a impugnação pela DRJ/RECIFE, em 1ª instância, aquela Turma julgadora assim se manifestou, em suma, resolvendo por “dar provimento parcial” à impugnação: é devida a multa por atraso na entrega da declaração, quando o contribuinte se enquadrar nas hipóteses legais de obrigatoriedade. Não houve qualquer irregularidade na ciência do lançamento da multa por atraso na entrega da declaração; não houve nulidade por cerceamento de defesa. Não houve qualquer irregularidade no lançamento, seja por omissão ou obscuridade, que pudesse cercear a defesa, visto que estão indicados os fatos e o direito aplicável; quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá do espólio o imposto respectivo. Conclui que a multa aplicada ao espólio deve ser de 10%, enquadrandoa na alínea ‘b’ do inciso II, do art. 964 do RIR/1999, reduzindo a ao valor de R$ 54.667,84. (fl. 60) a jurisprudência administrativa e judicial citada não possui efeitos normativos e aplicase só às partes nelas envolvidas. Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 28/03/2001 (fl. 63), apresentou recurso voluntário em 26/04/2011 (fl. 67). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 146 4 Em sede de recurso, o Recorrente aduz, em síntese, que: tratase do espólio de Raimundo Rodrigues dos Reis, representado por sua inventariante Maria Adede de Abreu Rodrigues; foi autuado em decorrência de “erro de fato”, pois declarou os rendimentos de royalties recebidos da Petrobrás, em 2006, na DIRPF da inventariante, ao invés de declará los na DIRPF do espólio e renova as mesmas considerações materiais expendidas na Impugnação; questiona o fato de ter sido intimada por meio eletrônico, sem que tivessem sido exauridas as demais vias previstas no art. 23 do Decreto 70.235/1972. Diz ainda que o método empregado afronta o § 5º do dispositivo legal; não deu autorização para que a Receita Federal a cientificasse por meio eletrônico (virtual); é nula a “citação administrativa em lide”, uma vez que deveria ter sido intimada em seu domicílio, informado à Administração Tributária, que tinha conhecimento do mesmo; ademais, teve seu direito de defesa cerceado, pois no enquadramento legal da infração foram citados os artigos mas omitidos suas subdivisões em incisos e parágrafos, “o que tornou impossível o pleno contraditório”. aponta erro na identificação do sujeito passivo. Quando da lavratura da Notificação, já havia sido aberta a sucessão e nomeada a Inventariante. Complementa que a RFB entende que as multas de ofício, fixas ou proporcionais, só podem ser lançadas antes da abertura da sucessão; entende que a responsabilidade por penalidade pecuniária, no caso de espólio, deve ser endereçada ao espólio, “antes da abertura da sucessão” e não à pessoa física do falecido, como fez a Notificação em caso; ainda, o ordenamento jurídico veda que a Autoridade Julgadora se invista na condição de Autoridade Lançadora, para fins de retificar, no mérito, notificação de lançamento, à exemplo do caso vertente. transcreve diversas decisões administrativas e judiciais para ilustrar suas alegações. Assim, requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 147 5 O contribuinte concentra as razões, e inclusive o pedido, em questões formais. Importante manifestar o entendimento da “instrumentalidade das formas”, pelo que transcrevo o seguinte: “Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) PRELIMINARES O artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972 traz a seguinte redação, com as alterações que lhe foram procedidas pelas Leis nº 9.532/1997, 11.196/2005 e, mais recentemente, nº 12.844/2013: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 148 6 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 149 7 Observo, primeiramente, que a necessidade de “exaurimento das vias anteriores” referese apenas à intimação por Edital. É o que se constata da leitura do § 1º. Assim, podese utilizar da intimação pessoal, postal ou por meio eletrônico, inseridas nos incisos I, II e III do caput, sem prejuízo de ordem . No caso da hipótese do inciso III, do caput, intimação por meio eletrônico, ela fica condicionada “à prova do recebimento”, nos termos das alíneas a) e b), que novamente destaco abaixo: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Vejamos então que a Inventariante conheceu da Notificação de Lançamento por meio eletrônico que lhe foi enviada, uma vez que a impugnou, demonstrando ter perfeito entendimento da mesma, e dentro do prazo estabelecido. Não bastante, tendo a Recorrente iniciado suas razões, tanto na impugnação quanto no recurso, aduzindo que foi ela quem “retificou” a declaração (DIRPF) do espólio, em 2008, observo que no recibo de tal declaração, que foi transmitida eletronicamente e gerou a multa, consta o “código da notificação de multa por atraso na entrega”, colocado corretamente: nº 58223120386618.(fl. 13). E, viceversa, na Notificação consta o número do recibo de entrega da declaração. Ambos possuem a mesma “data/hora”. É que para se conseguir transmitir a declaração fora do prazo, o sistema eletrônico exige o preenchimento desse “campo”, a fim de que se tenha certeza que o contribuinte que está transmitindo a declaração tenha recebido a Notificação da multa. Ao transmitir a declaração em atraso e imprimir o recibo, no caso a Inventariante afirma ter sido ela mesma, tomou ciência da Notificação de Lançamento da multa. Assim, é de se enquadrar a ciência eletrônica na alínea ‘b’ do inciso III, do artigo 23, do Decreto 70.235/1972. A utilização de vias eletrônicas tem sido amplamente ofertada aos contribuintes para transmissão de declarações, requerimentos, pedidos e obtenção de informações e, sem dúvida, constituise em avanço tecnológico de inquestionáveis benefícios sociais, no sentido da praticidade, rapidez, conforto e segurança. Entretanto, quando a comunicação se dá, pelo mesmo método, simultaneamente, para notificar infração e cominar penalidade, mesmo tendo respaldo legal, como acima demonstrado, invocase vetustos formalismos. Não há que se falar em publicação de Edital em sítio eletrônico ou endereço eletrônico fornecido ou autorizado pelo sujeito passivo. A intimação deuse “por meio eletrônico conforme registro em meio magnético utilizado pelo sujeito passivo”, no caso, comprovado pelo recibo de transmissão da Declaração (o meio magnético utilizado). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 150 8 O artigo 964 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a seu turno traz que: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); b) de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do § 1º do art. 23 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 49) II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); b) de cem por cento, sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, resultante da reunião de duas ou mais declarações, quando a pessoa física ou a pessoa jurídica não observar o disposto nos arts. 787, § 2º, e 822 (Lei nº 2.354, de 1954, art. 32, alínea "c"). § 1º As disposições da alínea "a" do inciso I deste artigo serão aplicadas sem prejuízo do disposto nos arts. 950, 953 a 955 e 957 (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 17, e DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 8º). § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. § 3º A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento da multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 2º). ... § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo do que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27).(grifei e sublinhei) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 151 9 Art. 23. São pessoalmente responsáveis (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 50, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): I o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. § 1º Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 49).(grifei e sublinhei) Da leitura dos dispositivos, combinados com o que contém o artigo 23 do mesmo Regulamento, observase que o caso do contribuinte é o enquadrado no inciso I, alínea “a”, do art. 964, não podendo ser outro. Isso porque o inciso I, ‘b’, que remete ao § 1º do artigo 23, referese a situações em que “o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão”. Pareceme claro não ser o caso, já que aqui tratamos de um rendimento pago em 2006, que deveria ter sido declarado em 2007, quando o falecimento deuse em 2004. Assim, não se fala em “declarações de exercícios anteriores” à abertura da sucessão. Já o inciso II, alínea “a” trata do caso de declaração “de que não resulte imposto devido” e o Recorrente sabe que sua declaração resultou em imposto devido, tanto que não lhe foi aplicada a multa mínima, mas aquela resultante da aplicação de 20% “sobre o imposto devido”, apurado conforme Notificação. Por sua vez, a alínea “b” fala da “reunião de duas ou mais declarações” e remete a dispositivos do Regulamento que falam em mais de uma fonte de renda. Também, claramente, não foi o caso, já que apresentouse uma única declaração com uma única fonte de rendimentos, qual seja a Petrobrás, o que não foi questionado pela Administração Fiscal. Observese a cópia da declaração, na fl. 14. Assim, não vejo que, considerando tudo o que consta da Notificação, que claramente define a infração como “multa por atraso na entrega da declaração”, apresenta a memória do cálculo do montante e indica o dispositivo, ainda que apenas o caput, infringido, possa justificar a nulidade por cerceamento do direito de defesa, notadamente pelo conhecimento do direito, dos princípios, das normas, de hermenêutica e da jurisprudência que a Recorrente demonstra ter em suas peças, tanto impugnatória quanto recursal. Entretanto, ao invés de usálo para deslindar a questão e frontalmente defenderse, o faz em sentido contrário. Quanto a citada “obrigatoriedade de intimação para regularização”, prevista no § 3º, entendo que aplicase ao caso em que o contribuinte, apesar de multado pela falta de apresentação da declaração, não a apresente. Assim, a multa será agravada em 100% sobre o valor anteriormente aplicado. Ou seja, prevêse que houve uma aplicação de penalidade anterior. No caso de apresentação em atraso, aplicarseia pela reincidência. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 152 10 Não por isso que a multa passou de 10% para 20%, como infere o Recorrente e como discorreremos no mérito, a seguir. A multa deveria mesmo ter sido aplicada em 20%, enquadrada no art. 964, I, “a”, como acima explicamos. Desta feita, não cabe a argumentação do Recorrente de que não tenha havido uma prévia intimação para regularização, no seu caso. Quanto a erro na identificação do sujeito passivo, de fato observase que na declaração transmitida e sobre a qual já tecemos aqui várias considerações, que enfim gerou a multa, cerne desta controvérsia, consta “campo” com a informação de que a “ocupação principal” do declarante é “espólio” e em outro local, o preenchimento dos “dados da inventariante”. Assim, obviamente que se tratava de uma declaração de espólio, cujas informações estavam sendo transmitidas à RFB. No “campo” ‘nome do declarante’, contudo, não se acresceu o termo “espólio”. Da mesma forma, na Notificação de Lançamento, no campo “nome do declarante” não aparece acrescido o termo “espólio”. Entretanto, por todas as razões já aqui discorridas, considerando o que consta dos autos e tendo em vista a instrumentalidade das formas, cabendo citar o art. 154 do CPC, não vejo que a falta do termo “espólio”, não acrescido ao nome do contribuinte na Notificação de Lançamento, tenha causado qualquer prejuízo à real identificação do sujeito passivo, que se faz regularmente representar pela Inventariante que dentro do prazo estabelecido manifestouse em defesa. Ou seja, a falta do termo “espólio” não causou, nas circunstâncias, nenhum prejuízo à ciência da intimação, nenhuma dúvida sobre a eventual responsabilidade pela infração ou sobre a representatividade para apresentar a defesa, que se fez regularmente. Por oportuno, cito a seguinte decisão: NOTIFICAÇÃO EM NOME DO "DE CUJUS". Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado após a abertura da sucessão em nome do de cujus, quando o cônjuge meeiro, em nome do espólio, apresenta impugnação e recurso, alcançando assim a sua finalidade com a garantia da ampla defesa ao acusado. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a. Seção 1a. Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.612. em 18.06.2010. Publicado em: 24.03.2011. MÉRITO. Aduz ainda o Recorrente que a Autoridade Julgadora de 1ª instância, “investindose na condição de Autoridade Lançadora” retificou, no mérito, o lançamento efetuado. De fato, observase, no Acórdão recorrido, que se entendeu pelo enquadramento equivocado da infração, aplicada no percentual de 20% do imposto devido, determinandose a aplicação da alínea ‘b’, inciso II, do artigo 964 do RIR/1999, que prevê, no caso de espólio, a aplicação do percentual de 10%. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 153 11 Verificando a impropriedade no Lançamento, a Autoridade julgadora de 1ª instância providenciou corrigila, efetuando nova apuração, que inclusive beneficiou em parte o Recorrente, já que a exigência fiscal original foi reduzida à metade. Portanto, constouse que a aplicação da lei teve reflexo no “cálculo do montante do tributo devido”, de competência privativa da autoridade administrativa que constitui o crédito tributário, pelo lançamento ( cf. art. 142, do CTN). “Mudança de critério jurídico” empregado no lançamento não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja bastante sutil. “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja correta”, é o que leciona HUGO DE BRITO MACHADO ( in Curso de Direito Tributário, 33ª ed, Malheiros, 2012, p.180). Já o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação dela seja notória e indiscutível. Creio que seja este o caso. Assim, verificandose o erro de direito, ocorrido na aplicação da lei ao caso concreto, é de ser citada a lição de RICARDO LOBO TORRES, referindose a artigos do Código Tributário Nacional CTN: “A norma do art. 146 ...complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Enquanto o art. 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o art. 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos” (in O Princípio da Proteção da Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03 citado em PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1049) Entretanto e infelizmente, neste caso, entendo que se equivocou o Julgador a quo. Como aqui já citado, a multa de 10% prevista na alínea ‘b’ do inciso II do art. 964 aplica se aos casos a que remete, previstos no § 1º do art. 23 do RIR: “§ 1º Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 49).(grifei e sublinhei)” Não foi este o caso, repito. Falecida em 2004 a pessoa física, o espólio recebeu, em 2006, rendimentos que deveriam ter sido declarados em 2007. Não há que se falar em “declaração que deveria ter sido apresentada até a abertura da sucessão”. Não seria admitido, contudo, que se reforme a situação para aumentar a exigência tributária que foi reduzida pelo julgamento anterior. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 154 12 Mas bem, como veremos a seguir, as irregularidades ou incorreções constatadas serão superadas, podendose decidir o mérito a favor do sujeito passivo. (art. 60 do Decreto nº 70.235/1972) A personalidade que o indivíduo adquire ao nascer com vida, termina com a morte (CC, art. 6º). No instante em que expira, cessa sua aptidão para ser titular de direitos e seus bens se transmitem, incontinenti, a seus herdeiros (CC, art. 1784), como ensina SILVIO RODRIGUES (in Direito Civil, parte geral, vol I, Ed. Saraiva: São Paulo, 2003, p. 36). Embora a Lei Civil disponha que “aberta a sucessão, a herança se transmite, desde logo, aos herdeiros”, é indispensável o processamento do inventário. Para a legislação tributária, a pessoa física do contribuinte não se extingue imediatamente após sua morte, prolongandose por meio do seu espólio (art. 11 do RIR/1999) Art. 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estão sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e, no que se refere à responsabilidade tributária, nos arts. 23 a 25 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 45, § 3º, e Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, art. 1º). § 1º A partir da abertura da sucessão, as obrigações estabelecidas neste Decreto ficam a cargo do inventariante (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 46). (...) Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao anocalendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). § 1º Serão também apresentadas em nome do espólio as declarações não entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado. O espólio é considerado uma universalidade de bens e direitos, responsável pelas obrigações tributárias da pessoa física falecida, sendo contribuinte distinto do meeiro, herdeiros e legatários. Para efeitos fiscais, somente com a decisão judicial ou por escritura pública de inventário e partilha extinguese a responsabilidade do espólio, dissolvendose então a universalidade de bens e direitos. Com relação à obrigatoriedade de apresentação de declarações de espólio, aplicamse as mesmas regras previstas para os contribuintes pessoas físicas. As “declarações intermediárias de espólio” referemse aos anos calendário seguintes ao falecimento, até o ano calendário anterior ao da decisão judicial da partilha ou adjudicação dos bens. Na fl. 65, verificase, na Certidão de Inventariante, que ao falecer em 13/01/2004, o contribuinte deixou bens a inventariar, sendo nomeada inventariante a Srª Maria Adede Abreu Rodrigues, em 15/12/2004. Quando a fonte pagadora Petrobrás pagou royalties em 2006, então, a Inventariante deveria ter apresentado declaração em nome do espólio, já que ainda não Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 155 13 encerrada a partilha. Mas declarou os R$ 2.020.884,24, com retenção de imposto na fonte de R$ 549.749,45, em seu próprio nome, como se verifica na fl. 20. Essa declaração foi entregue dentro do prazo legal, em 30/04/2007. A DIRF foi apresentada pela fonte pagadora em nome do de cujus, e assim efetuou a retenção do imposto na fonte, no valor de R$ 549.749,45. (fl. 32/33). Na declaração transmitida em nome do espólio, em 01/12/2008, conforme fl. 14, informase uma única fonte de renda, a Petrobrás, CNPJ 33.000.167/000101, com rendimentos no valor de R$ 2.020.884,24 e retenção de imposto na fonte de R$ 549.749,45. Como foi utilizado o modelo simplificado, com o desconto padrão, apurouse um saldo de imposto a restituir de R$ 3.071,00. É de se concluir, portanto, que a declaração transmitida após o prazo legal em nome do espólio, que contém ainda a listagem de bens que já havia sido declarada pela Inventariante, objetivava “retificar” a declaração anterior, transmitida em nome da Inventariante. Não houve intenção de omitir ou retardar o conhecimento do Fisco sobre a existência de bens ou rendas. A Notificação de Lançamento foi emitida eletronicamente, a partir de sistema informatizado que não previu essa situação. Não verificou os campos preenchidos com os dados da inventariante e a informação da ocupação “espólio”, para lançar a multa por atraso. Não houve um “batimento” para verificar que aqueles mesmos rendimentos, da mesma fonte pagadora, com a mesma informação de imposto retido, já haviam sido declarados na declaração da inventariante que inclusive, repito, traz o mesmo conjunto de bens. E é mesmo inteligível que não o tenha feito, dada a finalidade geral a que se propõe, ante a particularidade da situação descrita. Houvesse um procedimento interno de revisão de cadastros nas DIRPF (malha cadastro), chegarseia, provavelmente, à conclusão de que a segunda declaração não apresentava novidades, fora do prazo, mas tentava corrigir a anterior. Questionemos portanto qual a função da obrigação acessória fiscal, seu papel instrumental e o que se busca com a execução correta daquele procedimento por parte do sujeito passivo, de modo geral e em cada caso específico, se a singularidade da situação exigir. No caso, houve prejuízo ao Fisco? Há ilícito tributário ou não, no erro procedimental? É possível relevar a penalidade ou, ao contrário, a penalidade nem é cabível? “A natureza própria da eqüidade (art. 108, IV, do CTN) consiste em corrigir a lei, na medida em que esta se mostra insuficiente, em razão de seu caráter geral.” (ARISTÓTELES. Ética a Nicômano, apud Aliomar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro, 10ª edição, Forense, 1991, p. 439) “...Pela eqüidade nos aproximamos do conceito de justiça ideal. Enquanto que os preceitos de justiça são de natureza geral, constituindo commune praeceptum, as regras da equidade são particulares, atendendo ás singularidades características de cada caso particular. Diante destas, é que se irá aplicar com Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 16707.000250/200979 Acórdão n.º 2801003.201 S2TE01 Fl. 156 14 justiça a lei. O fim da eqüidade, portanto, é impedir qualquer possível dissonância entre a norma jurídica e a sua aplicação ao caso concreto, graças ao poder que se confere ao juiz de ampla e livre apreciação.” (MORAES, Bernardo Ribeiro de. Compêndio de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1984, p. 480/481, apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.902) Assim, considerando a situação particular, as finalidades da prestação de informações ao Fisco e de que se estabeleçam sanções pelo descumprimento das obrigações acessórias, entendo que, no caso, principalmente observando que não há qualquer dispensa a tributo devido, na medida em que o imposto decorrente dos rendimentos creditados foi retido e declarado pela fonte pagadora, é de se considerar indevida a multa aplicada. Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar a aplicação da multa. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10850.906015/2011-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 01 5/ 20 11 -9 7 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 310 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 311 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 24 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 312 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 1999 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 313 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 314 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 315 7 livro Diário e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete e na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906015/201197 Resolução nº 3803000.369 S3TE03 Fl. 316 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10783.724858/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2009
Ementa:
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO.
Constatado que o negócio jurídico efetivo foi celebrado com fornecedor pessoa física, deve-se glosar o crédito de PIS e COFINS apropriado na operação, em conformidade com o art. 3º, §3º, I da Lei nº 10.833/03.
INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA.
A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º).
AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/04, ART. 8º, §6º. INDÚSTRIA DE CAFÉ. REQUISITOS.
Nos termos do então vigente §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04, para fazer jus ao crédito presumido, o adquirente de café deve exercer sobre esse produto as atividades de (i) padronização, beneficiamento, preparo e mistura de tipos, cumulativamente, ou (ii) separação por densidade de grãos, com redução de tipos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2009 Ementa: PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. Constatado que o negócio jurídico efetivo foi celebrado com fornecedor pessoa física, devese glosar o crédito de PIS e COFINS apropriado na operação, em conformidade com o art. 3º, §3º, I da Lei nº 10.833/03. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º). AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/04, ART. 8º, §6º. INDÚSTRIA DE CAFÉ. REQUISITOS. Nos termos do então vigente §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04, para fazer jus ao crédito presumido, o adquirente de café deve exercer sobre esse produto as atividades de (i) padronização, beneficiamento, preparo e mistura de tipos, cumulativamente, ou (ii) separação por densidade de grãos, com redução de tipos. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 48 58 /2 01 1- 18 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A recorrente é empresa dedicada ao beneficiamento de café e, havendo adquirido este produto de diversas pessoas jurídicas nacionais atacadistas, apropriou, com fundamento no art. 3º, II e §3º, I da Lei nº 10.833/03, crédito para fins do regime de PIS e COFINS nãocumulativos a que se sujeita. Em extensa fiscalização conjunta realizada por Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal do Brasil, envolvendo não apenas a recorrente, mas muitas outras empresas do segmento cafeeiro, convenceuse o Fisco de que a recorrente adquiria café diretamente dos próprios produtores rurais pessoas físicas. As pessoas jurídicas que, a princípio, adquiriam o café dos produtores e então revendiamno à recorrente seriam empresas “de fachada”, interpostas simuladamente para – no jargão consagrado no meio – “guiar” o café aos adquirentes. O propósito deste expediente seria simular que o vendedor do café era uma pessoa jurídica, e não uma pessoa física, permitindo que a recorrente apropriasse créditos de PIS e COFINS nãocumulativos sobre o valores dessa aquisição. O Fisco, então, desconsiderou os efeitos do negócio jurídico que reputava simulado e aplicou a disciplina jurídicofiscal própria do negócio jurídico subjacente, qual seja, o negócio entre pessoa física e pessoa jurídica. Partindo dessa premissa, cogitou a hipótese de que pudesse, então, assistir à recorrente, ao menos, o crédito presumido deferido pelo art. 8º da Lei nº 10.925/04 aos produtores de bens destinados à alimentação humana, na aquisição de insumos junto a produtores rurais pessoas físicas. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10783.724858/201118 Acórdão n.º 3403002.635 S3C4T3 Fl. 11 3 Intimou, então, a recorrente e demonstrar que atendia aos requisitos do §6º daquele mesmo artigo de lei, específicos aos beneficiadores de café. Diante dos esclarecimentos e documentos trazidos pela recorrente, considerou desatendidos tais requisitos, concluindo, enfim, desassistirlhe qualquer crédito – nem os convencionais, nem os presumidos – nas operações de aquisição de café. Daí lavrou dois autos de infração, para lançamento, respectivamente, de COFINS (fls. 455/467) e de PIS (fls. 468/480) resultante da glosa dos créditos indevidamente apropriados nestas aquisições. O lançamento foi acrescido de multa qualificada do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, e acompanhado de representação fiscal para fins penais (P.A. nº 10783.724979/201160). A recorrente impugnou os lançamentos (fls. 491/503), alegando que: (a) tratouse de planejamento tributário elisivo e lícito, uma vez que o cadastro das empresas vendedoras no CNPJ encontravase “ativo”; (b) ainda que houvesse qualquer ilicitude envolvendo as empresas vendedoras, não haveria prova da participação da recorrente no “esquema”; quando muito, deverseia envolver unicamente a “Stange Corretagem Ltda.”, pessoa jurídica distinta da recorrente, embora com idêntico quadro societário; (c) atendia, sim, aos requisitos do art. 8º, §6º da Lei nº 10.925/04 para fazer jus, ao menos, ao crédito presumido. Requereu, ao final, o cancelamento da autuação e, subsidiariamente (i) a baixa dos autos em diligência para aferição do cumprimento do art. 8º, §6º da Lei nº 10.925/04 e (ii) a redução da multa qualificada. A DRJRio de Janeiro/RJ entendeu plenamente configurada a simulação e desnecessária a realização de quaisquer diligências, ante a contundência da prova documental já produzida. Manteve, assim, integralmente os lançamentos (fls. 554/577). Sobreveio tempestivo recurso voluntário (fls. 582/595), com os mesmos fundamentos da impugnação, acrescido do argumento de nulidade da decisão recorrida em razão de cerceamento de defesa, configurado este pelo indeferimento da diligência requerida. É o relato. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário é tempestivo e, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, merece seja conhecido. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 1. Simulação Relativa Quanto à Pessoa. Prevalência do Negócio Subjacente. Simulação é um vício invalidante do negócio jurídico, através do qual as partes contratantes exteriorizam uma vontade distinta daquela que efetivamente têm, com o propósito de produzir efeito jurídico diverso do que realmente buscam. Na definição precisa de Silvio Rodrigues, o negócio simulado “é aquele que oferece uma aparência diversa do efetivo querer das partes. Estas fingem um negócio que na realidade não desejam” (Direito civil. Vol. 1. São Paulo: Saraiva. 2007, p. 294). São requisitos da simulação, segundo o festejado civilista: “a) acordo entre os contratantes, que no mais das vezes se apresenta por meio de uma declaração bilateral da vontade; b) desconformidade consciente entre a vontade e a declaração, pois as partes não querem o negócio declarado, mas tão somente fazêlo parecer como querido; c) propósito de enganar terceiros” (op. cit., p. 297) Em síntese, para que haja simulação, é necessário identificar a presença simultânea de (i) engajamento das duas partes do negócio, isto é, o acordo de ambas na implementação da simulação, (ii) divergência entre a vontade real e a vontade externada pelas partes, e (iii) escopo de prejudicar terceiro. É célebre na doutrina, ainda, a distinção entre a simulação relativa e a absoluta; naquela, as partes pretendem encetar negócio jurídico distinto do negócio exteriorizado, enquanto nesta as partes não desejam, em verdade, celebrar negócio jurídico algum. A simulação relativa – valhamonos outra vez de Silvio Rodrigues – “pode recair a) sobre a natureza do negócio; b) sobre o conteúdo do negócio, ou seja, seu objeto; c) sobre a pessoa participante do negócio”; neste último caso, ocorre quando “o negócio efetivamente existente vincula outras pessoas que não as figurantes no ajuste aparente” (op.cit., p. 298). O Código Civil não define simulação – no que anda bem, afinal definir conceitos nem é mesmo sua tarefa, mas da doutrina e da jurisprudência –, mas apenas elenca hipóteses nas quais se configura, entra elas justamente a hipótese de interposição de pessoa: “Art. 167. §1º. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (...)” Pois bem. A prova dos autos convenceme de que os negócios jurídicos celebrados entre a recorrente e as 13 empresas mencionadas às fls. 444 configuram simulação relativa quanto à pessoa. Vejamos. A vendedora “JC Bins Cafeeira Colatina Ltda.” tem como sócio majoritário o Sr. Julio Cesar Bins. No depoimento que prestou à RFB – oportunidade em que esteve acompanhado do mesmo advogado da recorrente – , o Sr. Julio Cesar demonstrou absoluto Fl. 601DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10783.724858/201118 Acórdão n.º 3403002.635 S3C4T3 Fl. 12 5 desconhecimento do que se passava com a “sua” empresa, de como ou quando integralizara as respectivas quotas etc.; tampouco soube informar o nome de um único fornecedor ou cliente da empresa; apresentada a ele uma lista dos principais fornecedores da empresa, afirmou desconhecer todos eles (fls. 352). A gerência da JC Bins competia ao Sr. Carlos Eduardo Schwambach, mediante procuração de amplos poderes conferidas pelo Sr. Julio Cesar (fl. 351). Em seu depoimento, e novamente acompanhado do mesmo advogado da recorrente, afirmou ser funcionário da “Stange Corretagem Ltda.”, de cujo quadro societário participam os mesmos sócios da recorrente, os Srs. Euclides Stange e Valentin Stange Junior. Afirmou, ainda, que se tornou procurador da JC Bins a pedido de Euclides Stange, e que toda a administração da empresa competia aos irmãos Stange (fls. 353). O gerente da JC Bins na instituição financeira “SICCOB”, Sr. Nailson Dalla Bernardina, afirmou que a contacorrente da empresa foi aberta pelo Sr. Julio Cesar, acompanhado do Sr. Valentin Stange, o qual intermediava toda a relação com a instituição (solicitação de cheques, agendamento de saques etc.) (fl. 356). A ficha cadastral da JC Bins na instituição tinha o telefone da Stange Corretagem (fl. 357). O próprio Valentin afirmou que preenchia os cheques da empresa, já assinados em branco pelo Sr. Carlos (fl. 140). A vendedora “MC da Silva Brasil Blend” tem como sócio majoritário o ex ajudante de pedreiro Marciano Camilo da Silva. Em seu depoimento, Marciano revelou desconhecer completamente as operações da empresa. Um dos procuradores nomeados da MC da Silva, Sr. Antônio Eliton Alvarenga é que soube informar que os “assuntos relativos à MC da Silva eram tratados com Carliano Dário” (fl. 406). Exfuncionário da Stange Corretagens, Carliano Dario afirmou que a ideia de constituir a MC da Silva foi de Euclides Stange, sendo este “o verdadeiro administrador e responsável” pela empresa. Ficame escancarado que JC Bins e MC da Silva eram empresas “laranjas”, é dizer, a própria constituição dessas duas empresas é uma simulação. São empresas que não têm vontade distinta da vontade dos irmãos Stange, embora estes sequer integrem formalmente seu quadro societário. Isso significa que, quando a recorrente transacionava com essas empresas, transacionava com ela própria, ou quando menos, com seus sócios – os irmãos Stange , portanto com pessoas físicas. Todas as demais 11 empresas que venderam café à recorrente (Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Luiz Emilio F. Pretti, Ypiranga, Anthero B. Marino, Norte Produtos Alimentícios e Rodrigo Siqueira Firma Individual) têm uma situação um pouco distinta. Não resulta claramente dos autos que os irmãos Stange tenham tido ingerência na constituição dessas demais empresas; não se pode dizer, pois, que elas sejam “laranjas” dos irmãos. Ao contrário até, pareceme que as empresas têm, sim, “vida própria” e atendem não apenas às conveniências da recorrente, mas a todo o segmento cafeeiro capixaba. Prova disso é que tais empresas, e por conseguinte seus sócios, beneficiamse dos contratos celebrados com a recorrente, na medida em que recebiam entre R$0,50 e R$1,00 para cada saca de café “vendido” à recorrente (fl. 166). Fl. 602DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 A constituição dessas demais empresas, portanto, não parece ter sido simulada. A simulação, aqui, reside “apenas” nos próprios contratos de compra e venda celebrados com a recorrente. Os depoimentos de seus sóciosadministradores, bem como de inúmeros produtores rurais (fls. 164/170, 171/189, 197/203, 206/210, 213/216, 252/253, 260/261, 263/266, 268/269, 282/283, 290/297, 301/305), deixam inequívoco que a relação entre a recorrente e os produtores rurais era direta: o bem, o preço e o consenso – elementos de existência da compra e venda – eram definidos entre produtores rurais e recorrente. Os produtores não tinham nenhum conhecimento das empresas para as quais vendiam formalmente seu café; a nota fiscal de produtor era, no mais das vezes, preenchida pela própria recorrente, com o nome das empresas interpostas. Muitas vezes os produtores entregavam seu talonário de notas para os irmãos Stange (fls. 171/173). As empresas, enfim, prestavam à recorrente um “serviço” de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. Fica, ainda, claríssimo pelos depoimentos colhidos que a recorrente tinha pleno conhecimento da completa inexistência efetiva das empresas interpostas. Essas empresas não eram, definitivamente, terceiros alheios à recorrente, mas terceiros com ela mancomunados, engajados na empreitada simulatória. A recorrente sabia quem eram essas empresas, sabia que nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada. Boa parte das empresas, aliás, tinha sua sede em escritórios diminutos no mesmo prédio onde se instalava a Stange Corretagens, no edifício Silver Center, nº 1.500, na Cidade de Colatina, ES (fls. 339/340). A recorrente reclama que o Fisco diligenciou em todas as sedes das empresas interpostas, mas não na sua sede, onde “seria evidenciada a existência/capacidade dela produzir riqueza” (fl. 585). Ora, em nenhum momento se afirmou fosse a recorrente uma empresa de fachada; a simulação, como se viu, está nos atos de constituição das empresas interpostas ou nos contratos de compra e venda celebrados entre estas e a recorrente, mas não na constituição da própria recorrente. Afirmase, ainda, no voluntário, que eventual simulação estaria contracenada pela empresa “Stange Corretagens” e não pela recorrente. Depreendese dos autos que os irmãos Stange atuavam, ao menos desde 2004, como corretores de café, aproximando produtores rurais e empresas beneficiadoras de produtos. Esse serviço – perfeitamente lícito – era desempenhado através da Stange Corretagens, constituída em 2004 (fl. 327). Fizeramse conhecidos no segmento, inicialmente, com esta atuação. Em 2006, contudo, os irmãos parecem ter resolvido “verticalizar” sua atuação no segmento cafeeiro e, além do serviço de corretagem, passaram também a beneficiar café, e para tanto constituíram a recorrente. Por isso, muitos dos depoimentos de produtores rurais fazem referência à Stange Corretagens e não à recorrente. Pouco importa, contudo. O que importa é que a empresa partícipe dos negócios jurídicos de compra e venda era a recorrente; era a recorrente, e não Stange Corretagens, quem adquiria o café. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10783.724858/201118 Acórdão n.º 3403002.635 S3C4T3 Fl. 13 7 Sustenta, também, a recorrente que as empresas interpostas mantinham cadastro “ativo” no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp nº 1.148.444, segundo o qual “a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS” (fl. 589) Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Entendo, pois, preenchidos no caso os três requisitos da simulação inventariados pela doutrina: (i) a atuação consciente das duas partes envolvidas no negócio; (ii) a divergência entre a vontade declarada e a real; e (iii) o escopo de lesar terceiro, quem seja, o fisco. Os negócios jurídicos de compra e venda entre as empresas interpostas e a recorrente configuram, assim, simulação relativa. Na simulação relativa, o negócio aparente é nulo, e o negócio subjacente produz normalmente seus efeitos, desde que igualmente válido. É o comando do art. 167, caput do Código Civil: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”. O negócio jurídico subjacente ao negócio celebrado entre recorrente e pessoas jurídicas interpostas é o negócio de compra e venda entre recorrente e os produtores rurais pessoas físicas, perfeitamente válido e preservado. É este negócio jurídico que a autoridade fiscal deve considerar para aplicar a disciplina fiscal cabível. Correta, pois, a iniciativa da autoridade de investigar a possibilidade de conceder o crédito presumido, ao invés do crédito convencional. 2. Crédito Presumido. Desatendimento do §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04. Eis o dispositivo: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, Fl. 604DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) §6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”. (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). O caput defere o crédito aos produtores de mercadoria destinada ao consumo humano ou animal em geral. O §6º então vigente, a seu turno, define, para o segmento cafeeiro, quais atividades transformadoras, exercidas sobre o fruto do café, caracterizam industrialização ou produção para os fins do caput. Não é, pois, qualquer transformação do grão bruto que fará do agente um industrializador de café; a lei exige que essa atividade transformadora tenha, digamos, uma magnitude, uma relevância mínimas. A opção legislativa foi considerar industrialização de café as atividades de: (i) padronização, beneficiamento, preparo e mistura de tipos, cumulativamente, ou (ii) separação por densidade de grãos, com redução de tipos. Pois bem. No curso da fiscalização, a recorrente afirmou textualmente que não exerce preparação, beneficiamento e mistura de tipos (fls. 11, 12 e 13), mas apenas padronização (fl. 9). Considerando que as atividades do item (i) acima devem ser cumulativas, a simples atividade de padronização não basta a alçar o seu agente à condição de produtor. Na impugnação, e também no voluntário, a recorrente volta atrás. Diz que “contrariamente do que alega o Fisco, a Impugnante realiza, sim, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café”. Ora, o fisco não alegara nada a esse respeito, a recorrente é que houvera declarado à autoridade que não exercia preparação, beneficiamento e mistura e, agora, sem qualquer explicação para tamanho desencontro de informações, vem dizer o contrário. Entendo que o pedido de diligência formulado para apurar as atividades exercidas pela recorrente é, nesse especial contexto, meramente protelatório. Ademais, a recorrente não formulou quesitos precisos que pretendia ver elucidados com a diligência, que deve por isso ser considerada não requerida, a teor do art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/72. Restaria, ainda, a possibilidade de enquadrar a recorrente como industrializadora de café pela porta do item (ii) acima, qual seja, pela atividade de separação por densidade de grãos, com redução de tipos. A recorrente afirmou à RFB, durante a fase investigatória, que exercia tal atividade (fl. 10). Entretanto, nessa mesma declaração, esclareceu que o fazia “em estrutura de terceiros”. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10783.724858/201118 Acórdão n.º 3403002.635 S3C4T3 Fl. 14 9 Ora, se essa atividade não é feita em instalações próprias, de nada adiantará diligenciar no estabelecimento da recorrente. A prova apta a demonstrar o fato deixa de inspecional, e passa a ser documental. Bastaria trazer contratos e notas fiscais de industrialização por encomenda emitida pelos terceiros contratados pela recorrente. A recorrente, então, trouxe algumas poucas notas fiscais de serviço (fls. 93/103) emitidas pela empresa “Nicchio Café S.A.”, preenchidas aliás de forma pouco ou nada elucidativa, em valor total absolutamente irrisório. A prova documental é insuficiente, e a diligência requerida é desnecessária, devendo ser indeferida com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa. 3. Multa Qualificada. A qualificação da multa de ofício é consequência óbvia e inexorável do reconhecimento da simulação. Seria um contrassenso afirmar a simulação e não qualificar a multa, pois os respectivos pressupostos essenciais são os mesmos. A simulação de negócio jurídico mediante interposição de pessoas é expediente doloso praticado com o intuito de reduzir tributo, o que tipifica a fraude capitulada no art. 72 da Lei nº 4.502/64; praticada com participação e consentimento de terceiros, tipifica o conluio objeto do art. 73 da mesma lei. Desprovejo, pois, integralmente o recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 606DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10166.911325/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DCTF.
A análise do crédito tributário deve levar em conta a última DCTF apresentada antes do despacho decisório. As declarações retificadoras alteram as originais.
Numero da decisão: 1802-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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DCTF. A análise do crédito tributário deve levar em conta a última DCTF apresentada antes do despacho decisório. As declarações retificadoras alteram as originais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 13 25 /2 00 9- 27 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório de Inconformidade apresentada pela contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília através de Despacho Decisório referente Processo n° 10166911.325/200927 declara não homologada a compensação da ora Recorrente, para o período de apuração da 1ª quinzena de março de 2009, código de apuração 6190 no montante original de R$ 29.113,00 com crédito referente ao mesmo tributo por recolhimento de valor indevido ou a maior no período da 1ª quinzena de maio de 2005 conforme o PER/DCOMP n°. 08008.62356.310309.1.3.045880 considerando não haver crédito suficiente para compensar o débito indicado na referida declaração. Inconformada com a decisão a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, arguindo que o débito original no valor de R$ 29.113,00 referente aos Tributos Federais da Lei nº 10.833/03 Serviços Retenção em Pagto. Órgãos Públicos, correspondente ao período de apuração de 01/05 a 15/05/2005, foi recolhido a maior na receita 6190 em 27/05/2005 no DARF de valor R$ 13.448.088,02. De acordo com a Recorrente, o estorno do Tributo foi comandado pelas suas unidades, conforme demonstrativo contábil abaixo discriminado: RETA UNI D DATA DA RETENÇÃO ORIGINAL DATA FIM PERÍODO DATA DE VENCIMENT O DATA DO MOVIMENTO DE ESTORNO VIR DOS ESTORNO S TOTAL DE ESTORN OS DO PERÍOD O TX SELIC VIR ESTORNOS CORRIGIDO S DATA ARREC ORIGINAL DARF ARREC ORIGINAL 6190 238 02/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 16/06/2005 34,84 50,63% 52,48 6190 463 03/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 30/08/2007 50,63% _ 6190 428 06/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 27/05/2005 83,95 50,63% 126,45 6190 681 06/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 08/06/2005 1.984,50 50,63% 2.989,25 6190 238 06/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 11/08/2005 2.927,93 50,63% 4.410,34 6190 2 09/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 31/05/2005 9.912,66 50,63% 14.931,44 6190 2 09/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 01/06/2005 9.912,66 50,63% 14.931,44 6190 238 10/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 11/08/2005 86,85 50,63% 130,82 6190 681 13/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 30/05/2005 4.048,53 50,63% 6.098,30 6190 2 13/05/2005 15/05/2005 27/05/2005 07/06/2005 121,08 50,63% 182,38 29.113, 00 50,63% 43.852,91 27/05/2005 13.448.088,02 Nesse diapasão, de acordo com a Recorrente, identificada a inconsistência no recolhimento do dia 27/05/2005 foi providenciado o pedido de compensação ora em análise, lançandoo para o recolhimento da 1ª quinzena de março de 2009, com vencimento em 31/03/2009 no DARF cujo valor após a compensação totalizou o montante de R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 38 3 21.555.707,07 sem, contudo por equívoco, ter sido providenciada a redução do valor do débito na DCTF do período correspondente a 1ª quinzena de maio de 2005 antes da emissão do PER/DCOMP. Ainda de acordo com a Recorrente, uma vez constatada a não retificação da DCTF foi a mesma providenciada e transmitida em 10/07/2009 para o período da 1ª quinzena de maio de 2005 disponibilizando o valor do crédito na receita 6190 necessário para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Compensação Pagamento a Maior Impossibilidade Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Crédito Inexistente. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconstitucionalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 29/04/2011, sextafeira, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/05/2011 onde preliminarmente alega a nulidade do auto de infração e no mérito ratifica os argumentos trazidos anteriormente para que ao fim pugne pela sua homologação. Este é o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Recorrente alega a nulidade do auto de infração por considerar que o despacho decisório não contém o dispositivo legal infringido, conforme prescrito no Decreto nº 70.235/72, art. 11, III, mas o arcabouço legal que permite a compensação de créditos tributários. Senão vejamos o despacho decisório: "Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n°. 5.172, de 25 de Outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996" E os mencionados dispsositivos: A CTN Lei 5.172/66 “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4o do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação eado vencimento.” B Lei nº 9.340/96 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 40 5 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passivel de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637. de 2002) (Vide Decreto n° 7.212. de 2010)”. Como podese observar nos autos o despacho decisório contém todos os elementos suficintes ao entendimento dos motivos pelos quais a compensação não foi homologada, tendo sido possibilitado ao contribuinte que exercesse amplamente o seu direito de defesa, de modo que não cabe falar em nulidade. Isto posto, a esse respeito, não vislumbro qualquer cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, razão pela qual afasto a preliminar invocada. Quanto ao mérito, na ótica da DRJ de Brasília, a improcedência da manifestação de inconformidade que ora está sendo recorrida se deu pelos seguintes argumentos: a) que para o aperfeiçoamento do PER/DCOMP era necessário que a retificação da DCTF ocorresse em data anterior a qualquer procedimento de ofício em relação ao fato gerador da obrigação tributária; "Notase que o crédito da contribuinte decorre de apuração de valor devido a menor (posteriormente) do apurado à época da entrega da DCTF. Isto implica que, para ter validade, a DCTF original deveria ter sido retificada em tempo hábil, ou seja, anteriormente a qualquer procedimento de ofício em relação ao fato gerador da obrigação tributária". b) que não teria restado demonstrada na manifestação de inconformidade a escrituração contábilfiscal correspondente à existência do crédito decorrente do pagamento a maior do IRRF incidente sobre prêmios de loterias: "De qualquer forma, esclareçase que mesmo que a empresa tivesse entregue DCTF retificadora no prazo legal, para efeito de comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos do valor do débito correspondente a cada período de apuração" c) que na manifestação de inconformidade não ficou comprovada a transmissão da DCTF Retificadora ou que a mesma se deu antes do início do procedimento fiscal. (Despacho Decisórío em 07/10/2009). "Por outro lado, embora afirme que providenciou e transmitiu DCTF retificadora, o fato não se encontra comprovado nos autos que a entrega se deu antes do início do procedimento fiscal (ciência do despacho em 20outubro2009) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 41 6 d) que a alteração de valores na DCTF retificadora implicaria na apresentação de DIPJ retificadora: "Ademais, a pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; bem assim, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde" Cronologicamente vimos que as DCTFs retificadoras foram apresentadas nos dias 25 de Setembro de 2006 e 10 de Julho de 2009, ou seja, antes do inicio do procedimento fiscal, cuja ciência do despacho decisório apenas se deu em 20 de Outubro de 2009. Mesmo que a DCTF não tivesse sido retificada antes do procedimento fiscal, entendo que deve prevalecer o princípio da verdade material, muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.911325/200927 Acórdão n.º 1802001.975 S1TE02 Fl. 42 7 Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados na DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. No caso concreto a Delegacia de Julgamento limitouse a negar o direito creditório por entender que a planilha apresentada e a ficha do razão não são suficientes para demonstar a liquidez e certeza do crédito da Recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para afastar o óbice denunciado na decisão de 1ª instância e por conseguinte devolver os autos a DRF de origem para análise do direito creditório a luz das DCTF’s apresentadas até a data do despacho decisório e dos demais documentos apresentados. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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