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Numero do processo: 13869.000021/2001-56
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Henrique Pìnheiro Torres - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 21 /2 00 1- 56 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Henrique Pìnheiro Torres Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por BASCITRUS AGRO INDÚSTRIA S/A (fls. 213 a 232) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 361 a 376), que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário quanto à inclusão das aquisições de insumos de não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido e quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13869.000021/200156 Acórdão n.º 9303001.410 CSRFT3 Fl. 604 3 Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à industrialização por encomenda não compõem o cálculo do crédito presumido porque não se compreendem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consoante disposição da Lei nº 9.363/96. Precedentes da CSRF (Acórdão CSRF/02 02.814, de 15/10/2007). CONCEITO DE INSUMOS. Insumo é aquilo que se agrega ao produto ou se consome no processo produtivo, não se confundindo com materiais de uso e consumo, tampouco com bens do ativo fixo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃOCABIMENTO. Não incidem juros Selic no ressarcimento de créditos incentivados por falta de previsão legal. Recurso negado. (grifos nossos) O recurso especial do contribuinte foi admitido através do r. despacho de fls. 566 a 568 no que tange à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos de pessoas físicas, e no tocante à incidência da SELIC no ressarcimento do IPI. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 571 a 584. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, da mesma forma, o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas, também objeto do presente processo. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13869.000021/200156 Acórdão n.º 9303001.410 CSRFT3 Fl. 605 5 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar o meu entendimento quanto à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Fl. 627DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 628DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15374.916957/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 57 /2 00 9- 45 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 92): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2000. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2000. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ entendeu que, diante da ausência de retificação da Dctf, não haveria saldo disponível para quitação do débito compensado. Por outro lado, mesmo que tivesse retificado, as planilhas da empresa ALL Assessoria Técnica, Consultoria e Administração Ltda., apresentadas para subsidiar a demonstração do recolhimento a maior do IOF, não são prova da liquidez e da certeza do direito de crédito, notadamente porque não foram Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.916957/200945 Acórdão n.º 3802002.155 S3TE02 Fl. 129 3 apresentados os contratos de empréstimo (relacionados nas ditas planilhas) nem a escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Ademais, tratandose de operações de crédito, o contribuinte do IOF é a pessoa jurídica ou física tomadora do crédito, de sorte que a Recorrente, para pleitear a restituição, deveria demonstrar o atendimento do art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN). A Recorrente, nas razões de fls. 105 e ss., alega estar autorizada a pleitear a restituição do indébito de IOF, inclusive com registro dos créditos pleiteados no passivo contábil perante os participantes; que houve equívoco no preenchimento da Dctf; que o direito creditório pode ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade. Aduz que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerados receita do Estado. Ressalta que, se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, nos termos do art. 352 do Código de Processo Civil. Pleiteia sucessivamente a conversão do julgamento em diligência, o conhecimento e o integral provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/11/2011 (fls. 103), interpondo recurso tempestivo, mediante postagem nos Correios, em 11/11/2011 (fls. 113). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, notase que o PER/Dcomp, consoante destacado, foi transmitido sem a retificação da Dctf, o que, por sua vez, fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.916957/200945 Acórdão n.º 3802002.155 S3TE02 Fl. 130 5 A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar um parecer contábil de empresa de consultoria, acompanhado de uma planilha de cálculo e expedientes internos que noticiam o suposto pagamento a maior do imposto. Tal documentação, entretanto, não tem efeito probatório, quando desacompanhada da escrituração contábil, não podendo ser acolhida como prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar ainda a seguinte passagem do voto do eminente Conselheiro Francisco José Barroso Rios no Processo nº 15374.916979/200913: De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria provada acompanhado de uma planilha de cálculo, além de expedientes internos que noticiam o reclamado pagamento a maior do imposto. Tal documentação não pode substituir a escrituração Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.916957/200945 Acórdão n.º 3802002.155 S3TE02 Fl. 131 7 contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Portanto, na falta da prova da liquidez e da certeza do direito de crédito, nada justifica a reforma da decisão recorrida. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.017718/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF
Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
Numero da decisão: 1101-001.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do SIMPLES, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, porquanto, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, José Ricardo da Silva e Manoel Mota Fonseca, substituindo a conselheira Nara Cristina Takeda Taga, ausente justificadamente. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Relatório A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – que seria atividade que não poderia ser exercida pelos optantes do regime. A exclusão da empresa do SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 3º trimestre de 2003. Quanto ao processo em que se discutia a exclusão (processo n. 10980.003919/200454,), temos que a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ. Dessa decisão recorreu a interessada a este Conselho, e o processo que tratava da exclusão, foi distribuído a este relator. O Ato de Declaratório de Exclusão foi analisado por esta Turma em 13 de setembro de 2012, ocasião na qual, por maioria, foi dado provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte e revertido o acórdão da DRJ. Tendo restado vencido este relator, a conselheira Nara Cristina Takeda Taga foi designada para redigir o voto vencedor, em que aduziu que: A expressão “ou assemelhados” constante do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 constitui verdadeira cláusula geral, ou seja, uma janela aberta deixada pelo legislador para ser preenchida pelo aplicador do Direito caso a caso, e na situação em análise vêse que não se aplica a vedação do dispositivo supra mencionado. A Recorrente atua no ramo de decoração de interiores prestando serviços de decoração, por meio de projetos de balcões e estantes, bem como de arremates de gesso. Entendo que tais atividades não implicam em “alteração do espaço arquitetônico original”, “modificação nas instalações hidráulicas e elétricas ou ar condicionado”, “modificação na estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso”, ou ainda na “modificação da parte externa da edificação”, atividades estas arroladas como excludentes do conceito de decoração de interiores segundo a Deliberação Normativa nº 024/2000 da Câmara Especializada de Arquitetura do CREA/PR. (...) Ademais, as atividades exercidas pela Postulante não exigem “habilitação profissional legalmente exigida” como preceitua o fim do art. 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 ao arrolar os impedidos de optar pelo SIMPLES. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para afastar a exclusão do contribuinte do SIMPLES. Já este processo, que trata dos efeitos da exclusão, chegou a este Conselho, mas foi distribuído à conselheira Ana de Barros Fernandes da 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento. Por se tratar de processo decorrente do processo que fora a este relator sorteado, a 1ª Turma Especial decidiu, com força do art. 49 do RICARF, remeter o processo a esta turma, para que os processos fossem julgados concomitantemente. O presente processo foi julgado em 07 de agosto de 2012, ou seja, antes da apreciação do processo principal; porém sua Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.017718/200868 Acórdão n.º 1101001.019 S1C1T1 Fl. 3 Error! Unknown document property name. 3 distribuição por conexão ocorreu apenas em 2013, momento em que o processo principal já havia há muito sido julgado. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator O Recurso é tempestivo, dele conheço. A multa cominada ao sujeito passivo decorre do atraso na entrega de DCTF. Esse atraso exsurge dos efeitos da exclusão do SIMPLES, na medida em que da contribuinte só poderia ser exigida tal declaração se ao regime especial ela não fizesse jus. Sendo assim, uma vez revertida a exclusão do SIMPLES operada pelo ADE n. 439.172, a Contribuinte realmente não estava obrigada à entrega de DCTF no anocalendário de 2003, e, portanto, não podem subsistir as multas por atraso na entrega destas declarações. Este Conselho já se pronunciou a esse respeito no acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012, em que se analisou a exigência de multa derivada de ato de exclusão, que fora revertido. Da lavra do conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção, o acórdão restou assim ementado: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.” (acórdão n. 180201.291, de 04 de julho de 2012) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.916153/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COMPENSAÇÃO. IPI. MÉRITO APURADO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
É incabível neste processo administrativo eventuais discussões sobre o direito creditório, visto que o mérito do ressarcimento do IPI é objeto de outro regular processo administrativo.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
A compensação não pode ser homologada quando o direito creditório não é reconhecido em regular processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS 76.361.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. IPI. MÉRITO APURADO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. É incabível neste processo administrativo eventuais discussões sobre o direito creditório, visto que o mérito do ressarcimento do IPI é objeto de outro regular processo administrativo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. A compensação não pode ser homologada quando o direito creditório não é reconhecido em regular processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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IPI. MÉRITO APURADO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. É incabível neste processo administrativo eventuais discussões sobre o direito creditório, visto que o mérito do ressarcimento do IPI é objeto de outro regular processo administrativo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. A compensação não pode ser homologada quando o direito creditório não é reconhecido em regular processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS 76.361. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 61 53 /2 00 9- 89 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 110 2 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, conforme Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) relacionados na fl. 6, alusivos ao período que vai do quarto trimestre de 2004 ao terceiro trimestre de 2005, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de Auto de Infração no Processo no 11065.000040/201001, por falta de lançamento do IPI. No curso da verificação fiscal, foi constatado que o estabelecimento importou aparelhos receptores de radiodifusão (rádios), classificados no código 8527.19.90 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, em vigor na época, ao qual corresponde a alíquota de 20%, tendo promovido a saída desses produtos, sem lançamento do referido imposto. O lançamento deveria ter ocorrido, dada a equiparação do estabelecimento, nessas operações, a estabelecimento industrial, conforme art. 9o, I, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, também em vigor na época. Intimado a esclarecer o fato, o estabelecimento alegou que os rádios importados foram utilizados como acessórios que acompanhavam sandálias femininas infantis “Funny Music”, calçado classificado no código 6402.99.00 da TIPI, ao qual corresponde alíquota zero, dizendo que esses itens (calçado e rádio) formariam um “kit”, motivo pelo qual não seriam tributados. A fiscalização, por seu turno, considerou que as sandálias e os rádios, em conjunto, não caracterizam um único produto, por serem dois artigos completamente diferentes, suscetíveis de serem classificados em códigos distintos da TIPI, apresentandose simplesmente acondicionados para venda ao consumidor final. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 74.357,89, referente ao terceiro trimestre de 2005, conforme PER/DCOMP no 10337.87846. 111005.1.3.015996, tendo sido emitido o documento intitulado “Auto de Infração de IPI”, das fls. 30 a 34, concluindo pelo indeferimento integral do ressarcimento, por ter sido utilizado o referido valor na dedução prioritária de débitos do próprio IPI, na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, efetuada no mencionado Processo no 11065.000040/201001. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 112 4 Na sequência, foi proferido o Despacho Decisório DRF/NHO/2010 da fl. 37, que não reconheceu o direito creditório, e o Despacho Decisório DRF/NHO da fl. 43, que não homologou as compensações vinculadas. A ciência dos despachos decisórios mencionados no item precedente ocorreu em 19 de março de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 46. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, no devido prazo, em 16 de abril de 2010, conforme arrazoado das fls. 48 a 58, firmada por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 59 a 64, e instruída com os documentos das fls. 65 a 68, apresentando as alegações que seguem resumidas. Em primeiro lugar, o interessado solicita o julgamento conjunto da manifestação de inconformidade apresentada neste processo, com a impugnação apresentada no Processo no 11065.000040/201001, referente a Auto de Infração do IPI, porquanto as razões apresentadas naquele processo são as mesmas produzidas neste. Na sequência, o manifestante passa a repetir os argumentos apresentados no Processo no 11065.000040/201001, sustentando a correção do procedimento que adotou, nas saídas de rádios importados que acompanhavam sandálias femininas infantis “Funny Music”. Encerra pedindo a reforma dos despachos decisórios, para fins de reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em preliminar reitera a necessidade de sobrestamento do presente processo em razão da relação de prejudicialidade com o julgamento do processo nº 11065.000040/201001. No mérito, em síntese, após relatar os fatos, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: Do kit sandálias “funny music” Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 113 5 que todos os critérios exigidos pela legislação para classificar o kit “funny music” como uma unidade (calçado) no código NCM/SH 64029900, sujeito à alíquota zero de IPI, foram preenchidos pela recorrente; é evidente que o requisito X, b, da Regra 3b, prevista na Nota Explicativa do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias também foi preenchido pelo kit “funny music”, devendo tal produto ser classificado pelo artigo que confere ao todo a característica essencial; Por fim, requer a reunião do presente feito com o processo administrativo nº 11065.000040/201001 e provimento de seu recurso com o reconhecimento do crédito de IPI. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 114 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De imediato, reconhecemse as argumentações de prejudicialidade. Assim sendo, este processo está sendo julgado em conjunto com o processo de nº 11065.000040/201001, processo do auto de infração em que se discute a classificação fiscal. Como visto, a classificação fiscal de um conjunto composto de uma sandália e um rádio denominado “funny music” é objeto do processo de nº 11065.000040/201001. Neste processo este colegiado, por qualidade de votos, entendeu por manter o crédito tributário consubstanciado no processo em referência, ou seja, considerou correta a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal. Assim sendo, o julgador encontrase impossibilitado de discutir eventual direito creditório, visto que esta matéria foi objeto de outro processo administrativo da requerente, o de nº 13838.000150/200292, cujo recurso voluntário foi negado provimento. De tal sorte que eventuais questionamentos sobre a classificação do kit promocional (sandália e rádio) deveriam, e foram, discutidos naquele processo administrativo. Portanto, repitase, neste processo administrativo não há margens para discussões sobre o mérito do pedido de ressarcimento. Destarte, o despacho decisório é procedente, visto que a interessada não comprovou a extinção, por meio de compensação, dos valores exigidos. É importante consignar que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não foi reconhecido em regular processo administrativo, de sorte que não há que se falar em compensação ante a ausência de crédito líquido e certo. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 115 7 Declaração de Voto Sidney Eduardo Stahl, Apenas para constar aponto os argumentos da minha declaração de voto no processo n.º 11065.000040/201001. Em que pesem os excelentes argumentos apontados pelo Ilustre Relator, dele ouso discordar. Tenho que em caso de venda de um “kit” devemos atentar para a sua essencialidade, isto porque e acordo com as notas explicativas da RGI 3b, a classificação dos kit’s deve ser feita pela matéria que lhe confira a característica essencial. Seguindo o mesmo elemento analisado pelo relator, entretanto, chego a conclusão diversa. Vejamos o meu entendimento a respeito da Regra Geral de Interpretação nº 3 às notas explicativas da NESH, que volto a citar abaixo, entretanto destaco diferentemente: I) Esta Regra prevê três métodos de classificação das mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes, quer por aplicação da Regra 2 b), quer em qualquer outro caso. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra. Assim, a Regra 3 b) só se aplica quando a Regra 3 a) não solucionar o problema da classificação; quando as Regras 3 a) e 3 b) forem inoperantes, aplicase a Regra 3 c). A ordem na qual se torna necessário considerar sucessivamente os elementos da classificação é, então, a seguinte: a) posição mais específica, b) característica essencial, c) posição colocada em último lugar na ordem numérica. (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) os produtos misturados; 2) as obras compostas por matérias diferentes; 3) as obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 116 8 Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. VII) Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. (..). X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada, c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – Camarões (posição 16.05), patê de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas chamadas “de coquetel” (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados em sua respectiva lata; – uma garrafa de bebida espirituosa (alcoólica) da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. O raciocínio, é com base no mesmo elemento porém, é distinto porque a norma especifica que primeiramente (nas diversas hipóteses), a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Entendo que no caso a essencialidade deve respeitar o fato signo da riqueza, com supedâneo no princípio da capacidade contributiva. Como, por ex., não se pode classificar uma mercadoria por conta da sua embalagem, mesmo que essa fosse rica de detalhes e fosse um grande atrativo para a opção de compra do consumidor, mesmo considerando que a embalagem agrega valor não só ao produto Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.916153/200989 Acórdão n.º 3801002.184 S3TE01 Fl. 117 9 vendido como à percepção do público e, conseqüentemente, no preço final. Tenho que não se pode separar em um plano de marketing o objeto essencial e o “brinde” que o acompanha, in casu, a sandália e o rádio. É a sandália que está sendo vendida, o rádio é o atrativo mercadológico. A aplicação da regra interpretativa tenho que a sandália é a essência do “kit” em apreço, não somente porque se resume ao objeto da venda, mas também porque, considerando a celebridade da marca, não é a outra que não à sandália que se vincula. Nesse sentido, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.902083/2008-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/03/1999
IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 20 83 /2 00 8- 26 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902083/200826 Acórdão n.º 2801003.272 S2TE01 Fl. 101 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 32295.57295.190504.1.3,040661, transmitida eletronicamente em 19/05/2004, com base em créditos relativos ao Impost° de Renda Retido na Fonte. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Entretanto, o Darf que teria dado origem ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federa. Assim, em 18/07/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão homologou parcialmente a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. 0 valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 10.079,04. Cientificado, via postal, dessa decisão em 30/07/2008 (fl. 8), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 28/08/2008, manifestação de inconformidade às fls. 10 a 15, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria cometido equivoco quando preencheu o campo referente ao período de apuração do Darf informado como origem do crédito no PER/DCOMP. Esclarece que essas informações estariam corretamente na DCTF do período. Acrescenta que teria tomado conhecimento do erro cometido apenas quando teve necessidade de expedir uma Certidão Negativa de Débitos / Certidão Positiva com Efeito de Negativa em meados de 2004. Nessa ocasião, verificou que débitos que acreditava estarem quitados, encontravamse em processo de cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, para obter a referido certidão, teria quitado, em duplicidade, débitos que considerava extintos, o que teria dado origem ao crédito pleiteado no presente Per/DCOMP. Adicionalmente, afirma que também teria dectado equívocos no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos e da DCTF do período, ou seja, ao invés de informar os dados do Darf do segundo recolhimento efetuado por ela em 31/03/2004, teria informado erroneamente os dados daquele primeiro Darf, que teria originalmente quitado os débitos do período. Ao final, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade e declarada extinta a obrigação tributária que se pretendia ver compensada. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo descrita: . Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902083/200826 Acórdão n.º 2801003.272 S2TE01 Fl. 102 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/03/1999 INEXATIDÃO MATERIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que comprovassem a ocorrência de inexatidão material nas informações contidas na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A contribuinte não possui crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de 1a instância em 04.02.2011 (fl. 48), a contribuinte apresentou recurso em 03.03.2011 (fls. 49/64 ). Na peça recursal aduziu em síntese o seguinte: ● A contribuinte, supra qualificada, apresentou via eletronica Declaração de Compensação nº (° 32295.57295.190504.1.3,04 0661), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor de R$ 5.575,39, relativo a data de arrecadação em 10.03.1999. ● A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 30.07.2008(fl.9), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte do período do 1o.trimestre.1999, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. ● Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada. ● Irresignado, a contribuinte apresentou em 28.08.2011. Manifestação de Inconformidade de ( fls. 11/16 ), alegando, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCTF, sendo que havia apurado IRRF no montante de R$ 5.575,39, do período de 06.03.1999, ao invés de informar o darf no valor de R$ 185.588,16 com vencimento em 31.03.2004. b) No entanto a recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito no prazo legal, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902083/200826 Acórdão n.º 2801003.272 S2TE01 Fl. 103 4 ● Alega que o preenchimento do PER/COMP e da DCTF configuram erro de fato ou material, por desatenção da contabilidade da Recorrente: “o erro de fato resulta da inexatidão ou incorreção dos dados fáticos, situações, atos ou negócios que dão origem à obrigação” ● Anexou o livro razão para demonstrar o debito real de IRPJ. ● Transcreveu longos trechos da legislação e decisões do CARF; ● Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada e conseqüentemente o crédito tributário seja homologado o pedido de compensação total. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à existência de direito creditório suficiente para validar a compensação pretendida pela Recorrente. De início é importante mencionar que, a Recorrente pretendeu utilizarse do valor de R$ 5.575,39 de IRRF de pagamento indevido, com data de arrecadação em 10.03.1999 (fl.24), quando o correto seria o darf no valor de R$ 185.588,16 com pagamento em 31.03.2004, (fl.25). Tal erro teria levado à não localização do crédito pleiteado. Observase que, o crédito informado pela contribuinte na PER/DCOMP no valor de R$ 5.575,39, referente à IRRF com data de arrecadação em 19.05.2004 não foi localizado na base de dados da RFB, tendo em vista que o vencimento correto do darf era 10.03.1999, por esse motivo foi indeferido o pedido de compensação do IRRF com IRPJ no valor original de R$ 10.079,04. Como se vê, o principal fundamento da improcedência da Manifestação de Inconformidade tenha sido a inexatidão material no preenchimento da PEDCOMP e da DCTF do período. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperando, a contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Releva notar que, a contribuinte apurou e declarou ao Fisco débito de IRPJ confessando a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902083/200826 Acórdão n.º 2801003.272 S2TE01 Fl. 104 5 Portanto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Assim sendo, diante da inexistência de crédito a compensar, deve ser indeferido o pedido de compensação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900608/2008-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCAL OU DECISÃO ADMINISTRATIVA. NATUREZA JURÍDICA. ORIGINAL.
A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento fiscal ou decisão administrativa terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.
Numero da decisão: 3803-004.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCAL OU DECISÃO ADMINISTRATIVA. NATUREZA JURÍDICA. ORIGINAL. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento fiscal ou decisão administrativa terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCAL OU DECISÃO ADMINISTRATIVA. NATUREZA JURÍDICA. ORIGINAL. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento fiscal ou decisão administrativa terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 06 08 /2 00 8- 82 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 35567.45244.151203.1.3.040026, fls. 28/33, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de PIS Não Cumulativo, relativo ao mês de abril de 2003, no valor de R$ 5.697,55. Despacho Decisório eletrônico, de 20 de maio de 2008, da DRF/Campinas, fl. 24, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 01 a 16, a Contribuinte alegou que: a) o crédito utilizado na DComp foi originário de pagamento a maior do PIS de competência de abril de 2003, pago na sistemática Não Cumulativa. Ocorre que houve alteração na legislação, incluindo no art. 8° da Lei 10.637/2002 o inciso XI, com redação dada pelo art. 25 da Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, com efeito a partir de 1º de fevereiro de 2003. Dessas alterações decorre que as receitas de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens permanecem sujeitas às normas da Lei nº 9.718/98; b) ao se deparar com o erro na apuração procura corrigir as informações prestadas ao Fisco, de forma a propiciar transparência quanto aos valores declarados e recolhidos. Assim, retificou a DCTF do 2° trimestre de 2003 em 26 de março de 2008 (DCTF anexa), data anterior à emissão do despacho decisório, exercitando o direito acima noticiado; Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas referiu que embora a DCTF tenha sido retificada antes do despacho decisório, este fato não é suficiente para comprovar e identificar quais as receitas auferidas no período são decorrentes do direito que a Manifestante reivindica. Por falta da prova documental que dê respaldo às suas alegações e comprove a verdade material dos fatos, considerou que não há reparo a fazer no despacho decisório atacado. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DCTF e DCOMP CONFISSÃO DE DÍVIDA. DIRPJ. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.900608/200882 Acórdão n.º 3803004.729 S3TE03 Fl. 109 3 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a comprovação de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, no que respeita à alegação de que o direito creditório declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 25 da Lei nº 10.684, de 2003 o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 27 de abril de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou petição para inclusão do débito no parcelamento especial. E na hipótese de indeferimento que considerasse o recurso voluntário apresentado em 28 de maio de 2012, fls. 67/72, em que reitera o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Falta de prova foi o motivo do desprovimento da manifestação de inconformidade. Não é irrelevante, como considerou a decisão recorrida, o fato de a Contribuinte ter retificado a sua DCTF antes do despacho decisório de não homologação. O que importa neste julgamento é perquirir acerca da legalidade ou não da exigência. É consabido que a retificação de DCTF tem regras disciplinadas por ato do próprio Secretário da Receita Federal. Ao tempo do fato gerador, abril de 2003, tais regramentos eram veiculados pela IN SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, que prescrevia em seu art. 9º, verbis: Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 § 1 º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2 º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. A natureza da DCTF retificadora é de prestação original de informações pelo contribuinte, segundo estipula o parágrafo primeiro, substituindoa para todos os efeitos. Disciplina ainda este regulamento que a retificação não será aceita em duas hipóteses: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou (ii) em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. A retificação procedida por esta pessoa jurídica ocorreu em 26 de março de 2008, adequandoa ao que apurara no final do anocalendário 2003, para transmissão da DComp em 15 de dezembro de 2003, e adequando ao que declarara na DIPJ/2004, original, transmitida tempestivamente. Feita em tal momento, a DCTF não encontraria como não encontrou óbice de ser recepcionada, tornandose apta a cumprir todos os efeitos que regulamentarmente lhe são próprios. Por substituir integralmente a original, um dos efeitos haveria de ser o ser cotejada pelo sistema PeR/DComp no batimento eletrônico, com vistas à operacionalização automática da compensação. O que não ocorreu, pois a cesta da original que já não mais valia ao tempo do encontro de contas, pelo sistema PeR/DComp, por já estar substituída no sistema DCTF, é a que foi visitada, suscitando o não reconhecimento do direito creditório e consequente não homologação. Registrese que na versão seguinte da regulamentação desta matéria, a IN SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004 reiterando os termos da disciplina anterior, proibitiva de retificar quando os débitos tenham sido migrados para fins de inscrição na Dívida Ativa, na PGFN, ou quando o contribuinte já estiver sob procedimento fiscal , adicionou a norma permissiva de retificação, nos termos do parágrafo primeiro, quando os débitos já estiverem inscritos na Dívida Ativa da União, se houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.900608/200882 Acórdão n.º 3803004.729 S3TE03 Fl. 110 5 § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II cujos valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Lendose a norma por outro ângulo temse que a exigência de prova inequívoca do erro de fato cometido pelo contribuinte quando das informações prestadas em DCTF, tendo em vista a retificação dos valores informados na DCTF, pela SRF, se dá apenas na hipótese de débitos inscritos na Dívida Ativa. Tal norma foi reproduzida nas sucessivas instruções normativas que disciplinam a matéria1. A meu ver, há um equívoco na dinâmica como concebida a análise eletrônica do PeR/DComp, fazendose tabula rasa das própria disciplina estabelecida pela SRF/RFB, de 1 Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004 Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005 Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006 Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007 Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007 Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 exigir que a DCTF tenha que ser retificada antes da transmissão da DComp, sob pena de indeferimento do direito creditório/não homologação da compensação, como se a presunção da liquidez e certeza do crédito apurável perante a SRF/RFB pudesse se tornar ilegítima apenas por ocorrer a inversão de ordem dos procedimentos pelo contribuinte, transmitir a DCTF retificadora momentos após a transmissão da DComp. Esta é hipótese factível segundo a concepção que se infere do funcionamento do aplicativo PeR/DComp. Desse modo, (i) transmitida a DCTF retificadora antes do despacho decisório; portanto antes de qualquer procedimento fiscal, (ii) não se verificando na sua transmissão as hipóteses de vedação à retificação; sendo regularmente recepcionada; (iii) sendo a sua natureza a de original para todos os seus efeitos, segundo o ditame regulamentar, NÃO será o MERO FATO de se ter inaugurado litígio com a manifestação de inconformidade, em face da não homologação da compensação decisão esta ocorrida segundo o indevido contorno ora contestado , que autorizará o julgador administrativo a exigir prova da alegação de pagamento a maior, quando sequer haveria litígio se a disciplina que rege a DCTF tivesse sido considerada na concepção da mecânica do aplicativo PeR/DComp. Considerese, por fim, que somente na versão da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, é que foi introduzido o art. 9A, adicionando às regras anteriores a norma prevendo a possibilidade de retenção de DCTF retificadora, hipótese em que: a) o responsável pela retificação será intimado para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre possíveis inconsistências; b) o não atendimento ensejará a não homologação da retificação; c) estão suspensos os seus efeitos, enquanto pendente de análise: Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.900608/200882 Acórdão n.º 3803004.729 S3TE03 Fl. 111 7 § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) I enquanto pendentes de análise; e ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) II não homologadas. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 Tais regras têm efeito prospectivo; após, portanto, 24 de dezembro de 2010. A sua inteligência denota que a retificação de DCTF sempre produz efeitos a partir do momento da sua recepção, e após essa data tais efeitos poderão ser suspensos quando a DCTF for retida pela RFB para análise, até que a retificação seja homologada ou ineficaz, caso seja não homologada. Logo, na situação presente, não há amparo normativo para a exigência de comprovação da retificação efetuada pela Contribuinte, sendo despiciendo destacar e o servidor público somente poder fazer ou deixar de fazer em virtude de norma reguladora da conduta. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10670.721825/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 172 1 171 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.721825/201193 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.316 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CERAMICA SALINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 21 82 5/ 20 11 -9 3 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.721825/201193 Resolução nº 2401000.316 S2C4T1 Fl. 173 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal, por meio do qual estão sendo exigidos valores referentes aos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.330.9546 e 37.330.9554, cujos respectivos créditos tributários referemse ao período de 01/2007 a 13/2008, tendo o contribuinte obtido ciência dos mesmos em 08.12.2011. Extraise do respectivo relatório fiscal que todas as autuações consubstanciadas nos supracitados Autos de Infração se deram em virtude da exclusão do contribuinte do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, abarcando a exigência tanto de contribuição patronal quanto a devida a terceiros. Do Relatório Fiscal referente aos AI DEBCAD nºs 37.330.9546 e 37.330.955 4, fls. 42/51, constam as seguintes informações: I. AIOP DEBCAD 37.330.9546 – tratase de crédito tributário, período de 01/2007 a 13/2008, referente às contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive a destinada ao SAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a serviço da autuada, apurados através das informações de contabilidade e folhas de pagamento apresentadas pela empresa, bem como a diferença de acréscimos legais. II. AIOP DEBCAD 37.330.9554 tratase de crédito tributário, período de 01/2007 a 13/2008, referente às contribuições sociais previdenciárias devidas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a serviço da autuada, apurados através das informações de contabilidade e folhas de pagamento apresentadas pela empresa, bem como a diferença de acréscimos legais. Seguem trechos deste relatório: A empresa requerente (...) foi optante do SIMPLES desde 01/01/1997 até 30/06/2007 e do SIMPLES Nacional desde 01/07/2007. (...) Através do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 28/2008 da DRF/Montes Claros, em 08/01/2008 foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/12/2002. A exclusão ocorreu porque a empresa optou indevidamente pelo sistema simplificado nos anoscalendário 2003 a 2005, tendo em vista que a receita bruta foi superior a R$ 1.200.000,00 nos anoscalendário imediatamente anteriores, situação de vedação prevista no inciso II, do art. 9º da Lei 9.317/96, alterado pela Lei 9.779/99. Em relação ao SIMPLES Nacional, restou evidenciado que a empresa omitiu de sua folha de pagamento remunerações pagas a contribuintes individuais. Na conta contábil de despesa nº 510105010050053, denominada “Serviços prestados – PF”, encontramos diversos lançamentos com histórico de pagamento a médico do PCMSO. (...) Inobstante os pagamentos a contribuinte individual lançados na conta “Serviços Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.721825/201193 Resolução nº 2401000.316 S2C4T1 Fl. 174 3 Prestados – PF”, referidos fatos geradores foram omitidos tanto da folha de pagamento quanto da GFIP. A empresa não havia apresentado GFIP relativa à competência 13/2007. Referida declaração somente foi efetuada após intimação desta auditoria. No período fiscalizado não constatamos nenhum registro de movimentação bancária na conta nº 110102000010020 – Bancos c/ movimento. (...) Conforme relatado, constatamos que a empresa incorreu nas hipóteses de exclusão [art. 29 da LC 123/2006] elencadas nos incisos VIII e XII. Diante do exposto, resta demonstrado motivos de exclusão da empresa do Simples Nacional desde 01/07/2007 e por este motivo foi elaborada representação fiscal para exclusão de ofício da empresa dos referidos sistemas e expedido o respectivo termo de exclusão. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.721825/201193 Resolução nº 2401000.316 S2C4T1 Fl. 175 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Como se vê, todas as 2 (duas) autuações se deram unicamente pela exclusão do contribuinte do SIMPLES FEDERAL (com efeitos retroativos a partir de 12/2002) e do SIMPLES NACIONAL (efeitos a partir de 01/07/2007). Portanto, verificase que os resultados dos processos administrativos fiscais nos quais são discutidas as exclusões do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL constituem questões prejudiciais ao deslinde deste processo. A própria 6ª Turma DRJ/BHE, ao se manifestar sobre a defesa apresentada, por meio do acórdão 0238.999, fls. 114/117, afirma que há processos específicos em que se discute a exclusão destes regimes especiais de arrecadação, senão vejamos: Quanto à exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL foi feita por intermédio de atos específicos, constituídos em processos próprios. Naqueles processos foram apresentados os fatos e documentos que levaram a conclusão de exclusão da defendente dos sistemas simplificados, debatendose, inclusive, a data do início da exclusão, abrindose oportunidade da empresa contra argumentar e exibir provas para contestar as motivações expostas pelo fisco e é neles que cabe a discussão – excluir ou manter a empresa como optante pelo SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, a partir desta ou daquela data. A alegação, porém, não se confirma, pois, conforme comprova cópia anexa do Acórdão 130200.607, de 04/07/2011, exarado pela 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária do CARF, o ADE DRF MCR nº 002/2008, de 08/01/2008, processo 10670.000018/200838, que excluiu a empresa do SIMPLES, retroagiu os seus efeitos a 01/12/2002. Por meio de consulta, no site do próprio CARF, ao andamento do processo nº 10670.000018/200838, no qual se discute a exclusão do contribuinte do SIMPLES FEDERAL, verificase que, embora já haja decisão do CARF mantendo a exclusão, este processo ainda se encontra em andamento, não estando claro se ainda há possibilidade de recurso. Já no tocante ao processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL, não há quaisquer informações nos autos sobre o ADE que excluiu o contribuinte de tal regime, nem mesmo do número do processo administrativo referente a tal exclusão, em que pese a DRJ tenha mencionado em seu acórdão da existência dos mesmos. Ante o exposto, concluo pela necessidade de realização de diligência para: (i) verificar se há decisão definitiva proferida no processo administrativo nº 10670.000018/2008 38 (referente à exclusão do SIMPLES FEDERAL); (ii) averiguar a existência de Ato Declaratório Executivo – ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL e de decisão definitiva em eventual processo administrativo correlato, tendo em vista que tais fatos são cruciais ao julgamento a ser proferido neste processo. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.721825/201193 Resolução nº 2401000.316 S2C4T1 Fl. 176 5 Caso haja pendência de julgamento de algum dos processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, diante da prejudicialidade relatada, os autos deverão permanecer na instância de origem aguardando o julgamento final dos respectivos processos, já que as decisões destes afetarão diretamente o julgamento do presente caso, nos termos do art. 265, IV, ‘a’, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente aos processos administrativos fiscais. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004939/2006-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DESPESAS EFETUADAS COM O DECLARANTE E SEUS DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A JUÍZO DA AUTORIDADE LANÇADORA.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, restringindo-se, contudo, aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR/1999.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 5.215,68, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÃO. DESPESAS EFETUADAS COM O DECLARANTE E SEUS DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A JUÍZO DA AUTORIDADE LANÇADORA. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, restringindose, contudo, aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR/1999. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 5.215,68, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 49 39 /2 00 6- 79 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 136 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado, em 11/09/2006, Auto de Infração (fl. 128) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, do exercício de 2003, anocalendário de 2002. Observase no demonstrativo de crédito tributário que houve a exigência de imposto suplementar no montante de R$ 3.129,39, acrescido de multa de ofício no percentual de 75%, importando em R$ 2.347,04, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Verificase, na “descrição dos fatos e enquadramento legal”, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que constatou as seguintes irregularidades: 1) Omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Companhia Alegoas Industrial – CINAL. Valor R$ 2.340,00, decorrente de prólabore pagos aos sócios; 2) Dedução indevida a título de despesa com instrução, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos; 3) “Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude do contribuinte sob intimação não ter apresentado declaração do plano de saúde Triken S/A Assistência Médica (R$ 16.492,37), discriminando o valor pago por cada usuário dependente do titular do referido plano de saúde, conforme pedido de esclarecimentos”.(fl. 129) O citado “pedido de esclarecimentos” encontrase na folha 87, sob o título “Termo de Intimação Fiscal”, com postagem em 14/08/2006 e recebimento 16/08/2006, conforme dados da ECT na folha 88. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, que foi conhecida e tratada pela DRJ/RECIFE/PE nos seguintes e resumidos termos (fl. 103 e seguintes): “0 autuado apresentou DIRPF original para o exercício 2003 em 30/04/2003 e retificadoras em 06/11/2003, 30/01/2004, 23/03/2003, 23/06/2003 e 16/10/2006. 7. Ocorre que ao receber o Termo de Intimação Fiscal (fl. 85) em 16/08/2006 (fl.86), o contribuinte teve a sua espontaneidade perdida, conforme previsto no § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, adiante transcrito, o que lhe trouxe como conseq6uência a impossibilidade de retificar seus dados anteriormente declarados: (...) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 137 3 Da análise do caso, verificase que as DIRPF (original e retificadoras) tiveram os seus conteúdos sucessiva e integralmente substituídos, devendo ser considerada a DIRPF (fls. 5458) prestada em 23/06/2003, pois foi a última declaração entregue antes de iniciada o procedimento fiscal em 16/08/2006. A DIRPF entregue após 16/08/2006 é extemporânea. 11 Da análise da DIRPF prestada em 23/06/2003, observase que o contribuinte não ofereceu à tributação os rendimentos recebidos da Companhia Alagoas Industrial (CINAL), no montante de R$ 2.340,00 (fl. 83). Portanto, está correta a fiscalização em imputarlhe a infração de omissão de rendimentos. Com relação às despesas com instrução: “...com as alterações da Lei 0 10.451, de 10 de maio de 2002, a partir de 01/01/2002 o limite individual a ser deduzido foi alterado para R$ 1.998,00, não mais se admitindo a compensação de gastos efetuados individualmente que ultrapassarem esse limite entre dependentes e entre esses e o próprio declarante. (...) Dessa forma, será aceita a dedução do montante de R$ 5.994,00, correspondente à soma dos limites individuais de despesa com instrução dos três dependentes acima relacionados. Com relação às despesas médicas, assinalou o Julgador a quo que: “0 motivo de a autoridade autuante efetuar a glosa no dispêndio em referência foi a falta de individualização dos beneficiários do plano de saúde referenciado, para que fosse aferido se o montante pago se refere integralmente à cobertura de saúde do titular e de seus declarados dependentes no imposto de renda. Entretanto, a declaração juntada não atende solicitação da fiscalização, uma vez que não é possível identificar a quem se destina a cobertura médica do plano de saúde em referência, pois apenas fora anexada um demonstrativo denominado "Assist. Médica Agregado Bradesco Saúde", composto de parcelas pagas com os dizeres "A. Med. Fixo Agreg." e "A. Med.Agreg.", não constando os beneficiários do plano (titular e dependentes) e os respectivos valores pagos. 24. Não sendo possível identificar os beneficiários do plano de saúde, não há como acatar a dedução do valor de R$ 16.492,37. (...) VOTO pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do auto de infração de fl. 87, para alterar o valor do imposto de renda suplementar relativo ao anocalendário 2002, de R$ 3.129,39 para R$ 1.481,05 (um mil quatrocentos e oitenta e um reais e cinco Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 138 4 centavos) a ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora e multa de oficio). E assim deuse o resultado do Julgamento recorrido, para considerar procedente em parte o lançamento, nos termos do Voto do Relator. Cientificado dessa decisão em 04 de agosto de 2009 (AR na folha 112) e não satisfeito, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02 de setembro de 2009 (fl. 113), onde questiona expressamente apenas a glosa da despesa com o plano de saúde. Em resumo, o recurso entende que: as despesas médicas declaradas foram comprovadas e realizadas. através do plano de Assistência Médica da Trikem S.A. (CNPJ 13558.226/0001 54), conforme declaração, no montante total de R$ 16.492.37, sendo a parcela de R$ 5.215,68, comprovadamente dedutível por tratarse de despesa de dependente; os pagamentos efetuados restam demonstrados pela declaração de folhas 20, emitida pela Braskem S/A, sendo devidos à Assistência Médica Agregado Bradesco Saúde; Quanto à individualização pretendida, demonstra o Contribuinte que o valor correspondente a R$ 5.215,68 referese à beneficiária dependente, conforme lista de dependentes em sua Declaração de Imposto de Renda, já há diversos anos, conforme resta esclarecido pela declaração da Braskem S/A; dúvidas não há de que pagando o contribuinte algum valor a titulo de despesas médicas, de sua dependente, como no caso concreto, pode este deduzilo da base de cálculo do imposto de renda. Assim, requer “a revisão do Acórdão 1126816, para considerar válida a dedução das despesas médicas com a Assistência Médica Bradesco de sua dependente, para considerar improcedente o auto de infração, desconstituindoo, pelo fato de que as deduções realizadas serem devidas”. Em conclusão, pede que “seja conhecido e provido o presente RECURSO, reformando a decisão recorrida para reconhecer a improcedência da autuação fiscal.” Este processo já foi posto à análise desta Turma Especial anteriormente, ocasião em que foi proferida a Resolução nº 2801000.074, de 25 de outubro de 2011. Verificara a ilustre Relatora que não constava dos autos o essencial Auto de Infração, pelo que se determinou a baixa em diligência para que fosse anexado. Transcrevo da fl. 122: “No caso, compulsando os autos, não localizo a cópia do Auto de Infração em discussão, mas tão somente um extrato do referido documento, extraído do banco de dados administrado pela RFB (fls. 87, 96 e 97). Sendo assim, proponho o retorno dos autos à DRF de origem para que a autoridade preparadora junte a cópia do Auto de Infração a que se refere o extrato de fls. 87, 96 e 97.” Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 139 5 Suprida a falta, com a anexação do documento às folhas 128 a 133, o processo retornou a este CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 04/08/2009 e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 02/09/2009. O recurso é tempestivo e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, além da dedução com despesas médicas, houve o lançamento de omissão de rendimentos, mantida integralmente pela DRF, e a glosa de despesas com instrução, parcialmente restabelecidas pelo julgamento recorrido. Quanto a essas duas matérias destacadas acima, o contribuinte não se insurge expressamente em seu recurso, não apresenta contrarazões e considerarseá matéria não questionada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Também, reputo perfeitas as considerações do Julgador de 1ª instância no tocante à possibilidade de retificação da DIRPF, às declarações retificadoras e ao início do procedimento fiscal, nada se devendo modificar. Outrossim, registro a dificuldade em determinar se o recurso do contribuinte referese apenas à despesa médica efetuada com sua dependente Sra Clementina Santos Bastos (mãe) ou a toda a despesa médica glosada pela Autoridade Fiscal. Isso porque me parece claro que o Recorrente entendeu a exigência fiscal e os motivos apresentados pelo Julgador a quo para manter a glosa, mas apresenta documento (declaração Braskem, fl. 116) que apenas especifica essa dependente, sem mencionar outros. Por outro lado, o pedido apresentado pugna pela “improcedência da ação fiscal”, sem especificar se em parte ou no todo. A fim de evitar qualquer prejuízo à ampla defesa do contribuinte, tomo o recurso como total referente à matéria “despesas médicas” ainda em discussão e passo a tratá lo. DA DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Conforme art. 80 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 140 6 § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifei) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No caso, é de ser trazido também o artigo 73 do mesmo Regulamento (RIR/1999): Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). Assim, a Autoridade Lançadora, considerando o valor declarado como despesa com “Plano de Saúde”, expressamente intimou o contribuinte, conforme Termo de Intimação constante da folha 87 a: “TRIKEN ASSISTÊNCIA MEDICA: TRAZER DECLARAÇÃO DESTE PLANO DISCRIMINANDO 0 VALOR PAGO POR CADA USUÁRIO DEPENDENTE DO TITULAR DO PLANO DE SAÚDE” A declaração apresentada juntamente com a Impugnação, que consta da folha 8, dá conta do valor de R$ 16.492,37, sem discriminar quem sejam os beneficiários do Plano. O julgamento recorrido já ressaltara este fato, ao justificar a manutenção da glosa da despesa médica, conforme aqui transcrito. Destaco: “Entretanto, a declaração juntada não atende solicitação da fiscalização, uma vez que não é possível identificar a quem se destina a cobertura médica do plano de saúde em referência, pois apenas fora anexada um demonstrativo denominado "Assist. Médica Agregado Bradesco Saúde", composto de parcelas pagas com os dizeres "A. Med. Fixo Agreg." e "A. Med.Agreg.", Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10410.004939/200679 Acórdão n.º 2801003.347 S2TE01 Fl. 141 7 não constando os beneficiários do plano (titular e dependentes) e os respectivos valores pagos.” (grifei) Dentre as várias DIRPF retificadoras apresentadas, a última considerada, antes do início do primeiro ato de ofício preparatório do lançamento, que então excluiu a espontaneidade do contribuinte, foi a de 23/06/2006 (fl.57). Lá, verificase listada como dependente, dentre outros, a Sra. Clementina Santos Bastos. Juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte traz nova declaração, de folha 116, emitida pela Brakem S/A, dando conta que R$ 5.215,68 foram pagos ao Plano Empresarial Bradesco Saúde relativos à “agregada” Clementina Santos Bastos. Assim, entendo que em relação a essa parcela, especificamente, está atendida a exigência fiscal, pois é possível verificar quem é o beneficiário da cobertura assistencial. No restante, de um total de R$ 16.492,37, permanece a lacuna, pois não se identifica quem são os atendidos pela cobertura de saúde. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar, na apuração da base de cálculo do imposto devido, o valor de R$ 5.215,68 como dedução a título de despesas médicas. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10480.002601/2003-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997, 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
978-2).
Numero da decisão: 9101-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator) e Valmir Sandri que votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Redator designado
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo e Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997, 1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 26 01 /2 00 3- 14 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 2 (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Redator designado EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima e Valmir Sandri. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 180400.036, de 19/03/2009 (fls. 591/594), da 4ª Turma Especial da Primeira SEJUL do CARF que, por unanimidade de votos deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da contribuinte CLUBE DE MULTIFIDELIZAÇÃO LTDA., para acolher a preliminar de decadência da exigência (de CSLL) relativa ao ano calendário de 1997 e, no mérito, negarlhe provimento, cuja decisão restou assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1998, 1999 Ementa: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Com a edição da súmula vinculante n° 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 670 3 POSTERGAÇÃO. Não basta a simples alegação da ocorrência de postergação, sendo indispensável à comprovação de seus efeitos. Consta dos autos que contra a contribuinte, Clube de Multifidelização Ltda., foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – PE, Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) (fls. 02/07), a ela cientificado em 20/03/2003 (fls. 41), exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 11.901,56, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e de juros moratórios calculados sobre o valor do tributo referente aos exercícios de 1998 e 1999, correspondentes aos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente. A autoridade fiscal lançadora entendeu ter havido compensação indevida da Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodosbase anteriores ao fiscalizado, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido antes da CSLL, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação, o que ensejou a imputação de infração capitulada no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995 e art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995. Na 1ª Instância, a DRJ competente não acatou a Impugnação apresentada pela autuada, decidindo por manter o lançamento. Decisão esta reformada em parte pela 4ª Turma Especial da Primeira SEJUL (2ª Instância) que considerou estar decadente o lançamento em relação ao ano calendário de 1997. Manteve, contudo, o lançamento em relação ao ano calendário de 1998. Cientificada da decisão de 2ª Instância, em 31/01/2011 (fls. 595), a Fazenda Nacional interpôs, em 31/01/2011, o presente Recurso Especial (fls. 599/618), amparado nos arts. 64, II e 67, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446/2001, e 586/2010. Alega a ora recorrente, que o acórdão recorrido aplicou à espécie o art. 150, § 4º, do CTN, indistintamente, sem qualquer ressalva, sem aferir sobre a existência ou não de pagamento antecipado. Considerou apenas que, pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido tratarse de tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, deveria ser aplicado o dispositivo mencionado, afastando a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, mesmo diante da ausência de comprovação de recolhimento antecipado do tributo nos autos. Diz, também, a recorrente, que a respeito do prazo para a constituição de créditos tributários relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso é a divergência entre a decisão ora recorrida e outras decisões prolatadas no âmbito do CARF, as quais estão representadas nos acórdãos paradigmas cujas ementas estão abaixo transcritas. Aponta que, no caso em tela, não consta pagamento do tributo em discussão. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, § 4º, CTN, e sim, o art. 173, I do CTN, e, ainda, que é nesse sentido o entendimento exarado pelo STJ acerca da matéria (decadência), em sede de recurso repetitivo, sendo necessária a aplicação ao caso do disposto no art. 62A do RICARF. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados pela recorrente (fls. 619/628), dos quais transcrevo as respectivas ementas na parte que interessa: Fl. 671DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 4 Acórdão CSRF/0203.270: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso Especial Provido Em Parte. Acórdão CSRF/02.03.331: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CREDITO. E inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN., ART. 150, § Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. Após exame prévio de admissibilidade, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª SEJUL entendeu estarem presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso, dandolhe seguimento conforme Despacho nº 140000.341, de 04/04/2011 (fls. 632/633). A contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator, José Ricardo da Silva Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 31/01/2011 (fls. 595) e tendo protocolizado o presente apelo em 31/01/2011 (fls. 599/618), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, é de se reconhecer a sua tempestividade. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 671 5 E mais. Do mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas verificase caracterizada a divergência. Ou seja, questionase qual seria o dispositivo aplicável para aferição do prazo decadencial tratandose de tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação, na hipótese de ausência de pagamento. Os acórdãos paradigmas consideraram que se aplica o art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pela ausência, naqueles casos, de antecipação de pagamento. No acórdão recorrido, ao contrário, ponderouse que, por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, deveria ser aplicado o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (independentemente de ter havido ou não pagamento). Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Portanto, conheço do recurso. Passo ao exame da matéria em litígio. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente à determinação do termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos considerados lançamento por homologação, no caso a CSLL: se a partir do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, §4º, do CTN), ou, se a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Pois bem. Nos casos dos tributos em que o lançamento se da por homologação, não se apurando dolo, fraude ou simulação, meu entendimento sempre foi pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, no que diz respeito à decadência, independentemente de ter havido ou não pagamento antecipado. Contudo, a matéria em litígio tem seu julgamento, necessariamente, afetado pelas disposições do Regimento Interno do CARF, sobretudo as contidas em seu Anexo II, artigo 62A, introduzidas pela Portaria MF 586/2010, que diz: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vejase que, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaquei o sublinhado) Ante a decisão do e. Superior Tribunal de Justiça, cujo entendimento devo aplicar ao caso presente, por força do que dispõe o RICARF, passo a extrair da inteligência do referido julgado o que concerne à questão em concreto. Extraise do julgado do STJ, acima reproduzido, que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 672 7 disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em consequência, não há naquele julgado maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Notese que na própria ementa do julgado, especialmente no item “5.”, consta: “In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período (...)”, de maneira a ensejar “pagamento” como “adimplemento pelo contribuinte” de obrigação tributária estabelecida em lei. Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, como, por exemplo, aos que optarem pela apuração do Lucro Real Anual. Cumpre a estes escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o Lucro Real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a Base de Cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. Ainda a título de exemplo, no cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Em tais condições, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Também, no caso de pessoa física (IRPF), pode o contribuinte, no cumprimento de suas obrigações quando do ajuste anual na elaboração e apresentação de sua Declaração ao Fisco, verificar que os rendimentos auferidos encontramse dentro do limite de isenção, não havendo qualquer pagamento a ser efetuado. Há também os casos de pedido de compensação, ou outras situações, em que não houve pagamento, mas, que há evidências de que houve apuração do tributo pelo sujeito passivo e a pretensão de extinguilo comunicada à Administração Tributária mediante documento por ela concebido para tanto, em datas que possivelmente são as de vencimento dos débitos. Casos esses, todos exemplificativos, sem qualquer dúvida de “adimplemento pelo contribuinte” das obrigações tributárias estabelecidas em lei. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 8 Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. A inocorrência do pagamento foi justificada mediante a prática de outra conduta cientificada à Administração Tributária (a apresentação do pedido de compensação; a DCTF; Apuração e demonstrativos da isenção, Declaração e demonstração de prejuízo ou de base negativa; etc.), de maneira que há situações em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja efetuado se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. Casos esses, todos exemplificativos, mas reais, que ocorrem todos os dias como forma de adimplir com as obrigações perante o Fisco. Para estas situações, cujo “pagamento” em sentido estrito (em dinheiro) não ocorreu, mas que na realidade, sem sombra de dúvida, revelam o “adimplemento pelo contribuinte” das obrigações tributárias estabelecidas em lei, (para esses casos) não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. No caso dos presentes autos, o auto de infração de CSLL imputa à contribuinte a compensação irregular de bases negativas da própria contribuição. Isto é, a contribuinte compensara bases negativas de CSLL de anos anteriores, com a CSLL devida, acima do limite legal de 30% do Lucro líquido apurado no período fiscalizado. De maneira que a contribuinte extinguiu a CSLL apurada computando nesta apuração as bases negativas de períodos anteriores. Apenas o fez acima do limite permitido. O lançamento de ofício ajustou tal apuração aos limites legais exigindo da contribuinte a diferença apurada. Não há no lançamento qualquer acusação à contribuinte de ter cometido a irregularidade com dolo, fraude ou simulação È fato não ter havido recolhimento no período a título de CSLL, todavia, isso se deu por entendimento equivocado da contribuinte da legislação tributária a qual cumpriu com todas as obrigações perante a Administração Tributária: procedeu corretamente aos lançamentos contábeis e fiscais e informou todos os seus procedimentos ao fisco. È de se notar que o aproveitamento das bases negativas até o limite de 30% foi aceito na apuração do tributo. O que foi tributado via lançamento de ofício foi o que excedera a esse limite. Portanto, sem prejuízo do que dispõe o artigo 62A (Anexo II) do Regimento Interno do CARF ante a decisão exarada pelo STJ submetida à sistemática dos efeitos repetitivos, não vejo como negar, no presente caso, a aplicação do prazo decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, qual seja o de cinco anos contados a partir do fato gerador do tributo em tela. Assim, tendo sido a contribuinte cientificada do Auto de Infração de CSLL em 20/03/2003, o fato gerador do referido tributo ocorrido em 31/12/1997, sendo o prazo decadencial de cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, §4º, CTN), encontravase decaído o direito da Fazenda de efetuar o lançamento de ofício em relação ao ano calendário de 1997. Ante ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para negarlhe provimento. Relator José Ricardo da Silva (Assinado digitalmente) Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 673 9 Voto Vencedor Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator designado. A questão se situa em torno de lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997 e 1998, exercícios 1998 e 1999, tendo a ciência do auto de infração sido dada em 20/03/2003 (fls. 41) o qual, de acordo com a decisão recorrida, em relação ao anocalendário de 1997, teria sido alcançado pela decadência qüinqüenal prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Para tanto, considerou irrelevante o fato de ter havido ou não o pagamento antecipado do tributo, conforme se extrai do voto condutor da decisão recorrida, no seguinte trecho (fls. 554): (...). O que define se o lançamento é por declaração ou por homologação é a legislação do tributo e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. (...). Da leitura do trecho do voto acima transcrito vêse que naquela assentada não se cogitou de ter ou não havido pagamento antecipado da referida Contribuição, o qual considero indispensável para ao caso ser aplicado o prazo decadencial do aludido art. 150, § 4º, do CTN. Esse, pois, é o ponto divergente a ser solucionado, porquanto, para a recorrente (PFN), amparada nas decisões paradigmáticas trazidas à colação, em não havendo pagamento não há falarse em homologação tácita. Com efeito, compulsando os autos não consegui identificar a existência do sobredito pagamento antecipado, necessário para possibilitar a aplicação do prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, levantada de ofício pelo Colegiado a quo. Dessa forma, entendo que, na ausência de pagamento antecipado de tributo, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, tendo o fato gerador da obrigação em causa ocorrido no dia 31/12/1997, a contagem do prazo decadencial teve início, na conformidade do mencionado dispositivo do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte à sua ocorrência, ou seja, no primeiro dia do ano de 1999. Sendo assim, o lançamento poderia ser efetuado até o dia 31/12/2003, tendo o auto de infração sido cientificado ao contribuinte em 20/03/2003, portanto em data em que ainda não estava alcançado pela questionada caducidade. Para explicitar esse meu posicionamento, adoto e transcrevo os fundamentos do voto que proferi no Acórdão nº 910100.901, na sessão desta 1ª Turma da CSRF (processo administrativo nº 10805.000649/200451) realizada no dia 28/03/2011, conforme segue: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 10 “(...). Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 674 11 “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 12 égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 675 13 lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 14 seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10480.002601/200314 Acórdão n.º 9101001.506 CSRFT1 Fl. 676 15 TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto.” (destaques acrescidos) Conforme já asseverado, no presente caso o fato gerador da Contribuição ocorreu em 31/12/1997, iniciandose a contagem do prazo decadencial, na conformidade do art. 173, I, do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do referido fato gerador, Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 16 ou seja, no primeiro dia do ano de 1999, expirandose esse prazo em 31/12/2003. Tendo o lançamento de ofício sido cientificado ao contribuinte em 20/03/2003, temse por não consumada a decadência. Nessa ordem de juízos, dou provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. E como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assin ado digitalmente em 16/12/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 15504.007178/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Apenas a contradição verificada entre as proposições e conclusões do próprio julgado - contradição interna - enseja reparo pela via dos declaratórios.
Numero da decisão: 1302-001.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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CONTRADIÇÃO. Apenas a contradição verificada entre as proposições e conclusões do próprio julgado contradição interna enseja reparo pela via dos declaratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração opostos pelo Instituto Juvenil Alves em face do Acórdão nº 1302001.021, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. Não sendo o arbitramento uma sanção, mas mera modalidade de apuração do IRPJ e CSLL, aplicável quando impossível se apurar o lucro real e a base ajustada, o que se deve verificar é se os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 71 78 /2 01 0- 68 Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 documentos e livros que puderam de ser coligidos pela autoridade fiscal, com ou sem a ajuda da recorrente, a obrigava ou não ao arbitramento do lucro, para poder calcular o IRPJ e a CSLL. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. O § 1º do art. 674 do RIR/99 prevê a incidência do IRRF sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Deve ser excluída da base do IRRF os pagamentos que estiverem comprovados por documentos idôneos. MULTA QUALIFICADA. Revela o dolo de impedir o conhecimento pelo Fisco das verdadeiras condições pessoais da recorrente o fato de o Instituto se travestir de entidade filantrópica, para se dedicar a fins políticos, pois materialmente não se constituía em uma instituição “de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico”, nem muito menos estava prestando os serviços para os quais foi instituída. Em seus embargos de declaração, a embargante alega o seguinte: a) que os embargos são tempestivos, pois fora intimada da decisão embargada em 01/10/2013; b) que existe uma contradição entre o acórdão embargado e a determinação judicial de quebra de sigilo, pois se confunde ao sustentar que as provas colhidas só poderiam ser utilizaddas para verificação de obrigações tributárias dos réus do processo judicial e, contradição, cita trecho da determinação judicial de onde ressaise claro que a prova colhida somente poderia ser compartilhada com a Receita Federal para apuração da infração tributária e da sua autoria; c) assim, a prova colhida somente poderia servir para imputar autoria de um delito e somente poderia ser autor um dos réus do processo, jamais uma pessoa jurídica, logo, houve quebra de sigilo da pessoa jurídica pelo Fisco; d) que outra contradição existente na decisão embargada é quanto ao IRRF, pois está fundamentado no § 1º do art. 674 do RIR, que prevê que somente existe a incidência tributária se não for comprovada a operação ou sua causa, mas, se não tivesse sido comprovada a operação ou sua causa, não estaríamos diante de um auto de infração por omissão de receita. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Os embargos de declaração são tempestivos e foram subscritos por representante legal da embargante, conforme documentos a fls. 555 e segs., razão pela qual dele conheço. Os embargos de declaração são cabíveis quando efetivamente a decisão embargada incorre em obscuridade, contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.304 S1C3T2 Fl. 1.463 3 Para analisar a razão de interposição dos presentes embargos de declaração, vale lembrar algumas lições de processo civil, quais sejam, que a contradição deve ser interna ao julgado embargado, ou seja, não justifica a interposição de embargos de declaração a contradição entre o acórdão e outra decisão proferida eventualmente no mesmo processo ou ainda, a contradição entre o acórdão embargado e o que conste de alguma peça dos autos, pois, nesses casos, o que há é error in iudicando. Nesse sentido, trago à colação um dos muitos julgados que poderiam confirmar o acima sustentado, in verbis: EDcl nos EDcl no Ag (de instrumento) 872.957 SC Relator(a): Ministro CASTRO MEIRA Julgamento: 14/08/2007 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 27/08/2007 p. 210 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INTERNA DO JULGADO. AUSÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE. FAX. CERTIFICAÇÃO DE RECEBIMENTO PELA SECRETARIA DO TRIBUNAL. AUSÊNCIA. 1. Apenas a contradição verificada entre as proposições e conclusões do próprio julgado contradição interna enseja reparo pela via dos declaratórios. 2. "A tempestividade de recurso interposto no Superior Tribunal de Justiça é aferida pelo registro no protocolo da Secretaria, e não pela data da entrega na agência do correio" (Súmula 216/STJ). 3. Embargos de declaração rejeitados. Assim de plano, já voto por negar seguimento ao primeiro ponto embargado, no qual a embargante tenta demonstrar uma contradição entre a decisão deste Colegiado e a decisão judicial que determinou a análise de documentos pela Receita Federal, para fins de instauração de ações fiscais. Ora, ainda que houvesse contradição entre as duas decisões, não seria ela uma contradição interna ao julgado deste Colegiado. Ademais, o que a embargante tenta é repisar ponto que já foi devidamente enfrentado na decisão embargada, se não vejamos o seguinte excerto: “Noutro ponto, confundese a recorrente, quando sustenta que as provas só poderiam ser utilizadas para verificação de obrigações tributárias dos réus do referido processo judicial. Ora, a determinação judicial é clara ao asseverar “que toda prova colhida judicialmente que indique a presença de fatos geradores de obrigações tributárias deve ser compartilhada com a Receita Federal para que instaure a necessária ação fiscal e comprovando o não recolhimento ou a sonegação, que lavre o auto de infração”. Ademais, os tipos penais ali tratados só podiam ser imputados a pessoas físicas, ainda que elas tenham se valido da recorrente pessoa jurídica para praticar a conduta delitiva. Por sua vez, a eventual responsabilidade tributária decorrente das situações (que constituam fato gerador tributário) demonstradas pelo referido conjunto probatório recai na pessoa jurídica recorrente, embora, pudesse a autoridade fiscal ter imputado também a responsabilidade Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 tributária solidária das pessoas físicas que tivessem interesse comum em tais situações.”. No outro ponto, a embargante, além de não demonstrar qualquer contradição interna ao julgado, mais uma vez repisar ponto já enfrentado na decisão embargada, a qual teve o cuidado de analisar os documentos constantes, dos autos, que indicavam o beneficiário e a causa de pagamentos efetuados, para excluir tais valores das bases tributáveis, se não vejamos o seguinte excerto: “Logo, no caso em tela, sustento que são documentos idôneos: notas fiscais, nas quais constem a recorrente como destinatária dos bens e serviços, ou recibos emitidos por terceiros profissionais autônomos, em ambos os casos, desde que possível relacionar a operação neles indicadas com alguma daquelas constantes da lista de “Pagamentos sem causa” elaborada pela Fiscalização. Assim, ao se compulsar os volumes I e II dos autos, constatase a existência de alguns documentos que atendem a tais condições, de tal forma que devem ser excluídos da base tributável do IRRF os seguintes valores: 1. pagamento feito no valor de R$ 1.050,00 a Caetano Esporte (Caetano de Paula Ferreitra Silva), em 29/06/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 1.615,38, pois a Nota Fiscal nº 009046, a fls. 138 do vol. I, no valor de R$ 3.150,00, indica claramente um pagamento parcelado com prestações no valor de R$ 1.050,00; 2. pagamento feito no valor de R$ 540,00 a Fundação Expansão Cultural, em 07/07/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 830,77, pois há a Nota Fiscal nº 0010475, a fls. 159 do vol. I, no valor de R$ 540,00; e 3. pagamento feito no valor de R$ 270,00 a RDR Impressão Digital e Acabamentos Ltda., em 26/06/2006, o qual gerou a base tributável de R$ 415,38, pois há a Nota Fiscal nº 003894, a fls. 162 do vol. I, e o aviso de cobrança a fls. 164.”. Como se vê, estamos diante de mais um entre tantos casos de manejo flagrantemente abusivo de embargos de declaração, com o fito único de rediscutir os fundamentos da decisão embargada, conduta que muito tem contribuído para o desprestígio desse importante instrumento processual. Em face do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15504.007178/201068 Acórdão n.º 1302001.304 S1C3T2 Fl. 1.464 5 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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