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Numero do processo: 10680.721594/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
INTEMPESTIVIDADE
A apresentação de petição fora do prazo regulamentar, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento administrativo.
Numero da decisão: 1401-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE A apresentação de petição fora do prazo regulamentar, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento administrativo.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 94 /2 01 0- 18 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 101102): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de parte do pretenso "Saldo Negativo de IRPJ" apurado no AC de 2005 no valor de RS 1.437.679,49. [...] Despacho Decisório da DRF 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 2.807, anexado às fls. 64 a 68 do processo, exarado aos 23/11/2010, [...] Manifestação de Inconformidade 4 0 contribuinte foi cientificado do procedimento aos 14/12/2010, conforme documento à fl. 72. Irresignado, apresenta em 14/01/2011 a manifestação de inconformidade anexada à fls. 74 a 81, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 A seguir, defende as deduções glosadas pela DRF: [...] A 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 100): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE A apresentação eventual de petição fora do prazo — regulamentar, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10680.721594/201018 Acórdão n.º 1401000.964 S1C4T1 Fl. 3 3 Cientificada do referido Acórdão em 10/11/2011 (fls. 162), a contribuinte apresentou em 12/12/2011 o recurso voluntário de fls. 135145, defendendo a tempestividade da manifestação de inconformidade e tecendo extensas considerações com o intuito de demonstrar a existência do direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A decisão de piso demonstrou, com precisão e objetividade, que a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte foi intempestiva. Para maior clareza, transcrevo um pequeno e relevante trecho da decisão recorrida, fls. 126127: 6. Tendo sido suscitada, pelo interessado, questão preliminar relativa à tempestividade da manifestação de inconformidade, vejamos o Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, se mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532/1997,) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n°9.532/1997)" O documento anexado ao processo comprova o recebimento do Despacho Decisório aos 14/12/2010. Os §§ 7 a 9 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 determinam que o prazo legal para apresentação da manifestação de inconformidade é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento. A manifestação de inconfonnidade foi apresentada somente aos 14/01/2011, quando já expirado o prazo regulamentar. 7. Constatada a intempestividade da manifestação de inconformidade, o ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO N.° 15, de 12/07/1996: "Declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, ás Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10680.721594/201018 Acórdão n.º 1401000.964 S1C4T1 Fl. 4 5 instância, salvo se caracterizada ou suscitada a teinpestividade, como preliminar." 7.1 Em síntese, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. Contudo, uma vez suscitada pelo interessado a tempestividade da apresentação de seu documento, cabe ao órgão julgador, em respeito ao contraditório e a ampla defesa, manifestarse acerca deste questionamento (tempestividade). Constatada a intempestividade da petição, não há análise de mérito, de modo que, no caso vertente, não se conhece da manifestação de inconformidade apresentada. Em sede recursal, a contribuinte apreentou as seguintes alegações, visando demonstrar a tempestividade da sua manifestação de inconformidade, fls. 139140: Como pode se evidenciar, no doc. 1 em anexo, a recorrida recebeu de fato a notificação no dia 15 de dezembro de 2010, pelo profissional Felipe Augusto Ribeiro Neves, único responsável por recebimento de correspondências e distribuições das mesmas, portanto, esta é a data real e concreta da recepção da referida notificação e não 14 de dezembro do mesmo ano como informado no acórdão. Sobre o documento acostado à folha 120, a recorrida solicitou cópia para certificar se havia algum erro na contagem deste prazo e surpreendentemente deparou com um AR (documento utilizado pelos correios) com a assinatura no campo “recebedor” de um profissional que a recorrente desconhece completamente de seus quadros de funcionários, isso sem contar que neste mesmo documento não há preenchimento do nome legível do “recebedor”, apesar de constar este campo (ver doc. 2 em anexo). Vale lembrar que no local ao qual esta correspondência foi endereçada, não se trata de um endereço comercial controlado por um condomínio ou com portaria terceirizada, não podendo suscitar que a recepção poderia ter se dado por um estranho que se qualificou como competente para receber, Outro fato é que ao tentar identificar no documento o nome do profissional que recebeu este documento se depara com “Deltinho” ou “Deletinho”, ora, é no mínimo estranho em um documento oficial constar tal informalidade. Ainda sobre este recebimento por esta pessoa desconhecida, a recorrente tomou cuidado de verificar em seus registros de acesso as suas dependências se no dia 14 de dezembro de 2010 teve algum registro de visiatntes com o nome similar que, por ventura e sem aviso, poderia ter assinado o referido documento e não restou constatado tal possibilidade. Desta forma, não restam dúvidas que a recepção da notificação foi efetivamente no dia 15 de dezembro de 2010 e ao apresentar a manifestação no dia 14 de janeiro de 2011, a mesma se Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 encontrava temepstiva, preenchendo os requisitos determinantes do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972. Tais alegações não podem prosperar. É fato inconteste que o Despacho Decisório nº 2807, de 23/11/10, foi entregue no endereço da contribuinte no dia 14/01/2011, conforme claramente consignado no documento de fls. 95. As alegações da recorrente são totalmente insuficientes para descaracterizar este fato. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004175/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/05/2009
MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO.
Aplica-se multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/05/2009 MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. Aplica-se multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.004175/200930 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.327 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria AI MULTA ADUANEIRA Recorrente TAP MANUTENÇÃO E ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/05/2009 MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. Aplicase multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 41 75 /2 00 9- 30 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem relatar os fatos, assumo o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Trata o presente processo de auto de infração de fls. 01 a 06, lavrado para a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 1.696,63, referente à multa prevista no artigo 72,inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, regulamentada no artigo 724 do Decreto n° 6.759, de 2009 (RA/09), concernente ao descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para a aplicação do Regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo. A autoridade lançadora fundamenta a exigência no descumprimento do prazo concedido para o retorno dos bens exportados temporariamente para reparo, ao amparado da nota fiscal n° 088879, emitida em 11.01.2007, da declaração de exportação (DDE) n° 2070095199/7 e do registro de exportação (RE) n° 07/0053278001, uma vez que até 29.01.2009, data em que os bens estavam autorizados a permanecer no exterior, não se constatou seu retorno ou o cumprimento das formalidades legais para extinção do regime. Salienta a fiscalização que tempestivamente a beneficiária informou que mencionadas mercadorias não mais retornariam ao pais, apresentando, para tanto, o RE n° 09/0007005001, no entanto, pendente de efetivação pela Secex; razão pela qual foi lavrado, em 23.03.2009, o "Termo de Intimação GDEXP n°0717700/00050/09", para que a beneficiária apresentasse, no prazo de cinco dias, a documentação necessária para regularização o citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser uma das modalidades de extinção regular do regime. Nesse passo, em 06.04.2009, a beneficiária pleiteou a dilação do referido, a fim de atender a intimação, razão pela qual o prazo foi prorrogado até 13.05.2009. No entanto, a regularização não foi providenciada, o que ensejou a constituição da presente exigência fiscal. Cientificada do auto de infração em 14.07.2009 (fls. 10/11), a contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, em 12.08.2009, de fls. 13 a 21, acompanhada dos documentos de fls. 22 a 50, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do referido Decreto a impugnante alegou resumidamente que: dos autos do processo administrativo n° 10715.000187/200723 que e encontra juntado ao presente, por apensação, conforme Aviso 10034 (fls. 09 e 66), observa que a operação de exportação temporária em causa foi convertida em exportação definitiva antes de expirado o prazo de permanência dos bens no exterior (29.01.2009); Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 144 3 o inciso I do artigo 15 da IN/SRF n° 285/2003 aplicase perfeitamente na hipótese em tela, pois cumpriu com um dos requisitos para a extinção do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, que é a reexportação; deve ser declarado nulo o lançamento, por estar embasado em dados que não condizem com a realidade dos fatos, uma vez que efetuou a reexportação tempestivamente, conforme se depreende do extrato do RE n° 09/0007005001, por contrariar ao principio da verdade material que norteia o procedimento de constituição de débitos fiscais, e que estipula que deve ser perquirida a real ocorrência dos fatos. Por fim protesta, com amparo no principio da ampla defesa e do contraditório, pela produção de prova documental superveniente. Diante do exposto, pugna pelo cancelamento do auto de infração e conseqüente extinção do respectivo crédito tributário.” A 2ª Turma da DRJ/FNS , por meio do ACÓRDÃO 0727.101, proferido em 13 de janeiro de 2012, decide, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/05/2009 REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. Cabível o lançamento, mediante auto de infração, de multa por descumprimento de requisitos ao regime especial de exportação temporária quando se constata que a beneficiária não logrou extinguilo regularmente , no prazo de vigência, uma vez que o registro de exportação pendente de regularização não é documento apto a permitir a conclusão da operação de exportação definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 09/02/2012 (AR à fl. 91) e inconformada apresenta, em 08/03/2012, recurso voluntário no qual refuta os argumentos da decisão por meio dos seguintes itens de argumentação: 1 DA TEMPESTIVIDADE 2 DOS FATOS, DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 3 DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA 4 DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA 5 DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS 6 CONCLUSÃO Nos termos regimentais, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Passase, assim, ao voto, considerandose os itens de argumentação apresentados pela recorrente, que serão, porém, analisados na ordem a seguir disposta, levandose em conta tratarse de questões preliminar ou de mérito: DA PRELIMINAR DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA Neste item de recurso, a contribuinte discorda da decisão proferida que indeferiu a solicitação de diligência para produção de provas supervenientes por entendêla ser prescindível com base no disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, sob o argumento de que tal prescindibilidade não se aplica ao caso, posto que o não fornecimento da documentação exigida pela autoridade alfandegária se deu por culpa exclusiva da empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e a qual se nega a emitir a documentação, ficando a Recorrente impossibilitada de cumprir a exigência legal da Alfândega. Citando doutrina e jurisprudência acerca de instrução probatória ressalta o seu direito de provar os fatos alegados por todos os meios de prova admitidos em lei em face do princípio da ampla defesa e, assim, reitera seu protesto pela produção de prova documental superveniente, solicitando à autoridade julgadora para que baixe o julgamento em diligência com a finalidade de notificar a empresa estrangeira para que apresente a documentação exigida pela Alfândega. Sem razão a recorrente. Como é sabido, a autoridade julgadora, para formar sua convicção, pode entender prescindível a produção de novas provas, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 145 5 no presente caso, cuja autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre a mencionada solicitação, assim pronunciouse: “A diligência para produção de prova, por representar, um instrumento que tem por escopo aperfeiçoar o convencimento do julgador, poderá ser justificadamente negada por este, não representando, pois, um direito subjetivo da impugnante. No caso presente, conforme se verá no mérito, é prescindível a realização de qualquer providência tendente a esclarecer quaisquer fatos, posto que os elementos que constam dos autos possibilita conhecer integralmente a matéria litigada. Por esse motivo, não há razão para a produção de novas provas conforme aventa a impugnante.” Corroboro com as razões e os mesmos fundamentos da decisão recorrida, posto que os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção do julgador sobre o mérito do litígio. Ademais, é ônus da contribuinte a apresentação de documentos hábeis a efetivar o despacho aduaneiro que só se concretiza com a devida averbação no SISCOMEX, consoante ressaltou a autoridade julgadora de 1ª instância quando da análise do mérito, sendo, portanto, indevida a intenção desta de inverter o ônus da prova, quando requer a realização de diligência com a finalidade de a autoridade administrativa notificar a empresa estrangeira para que essa apresente a documentação exigida pela Alfândega. No caso, caberia à contribuinte efetuar gestão junto à empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e que, segundo suas alegações é a responsável pelo o seu descumprimento quanto à apresentação da documentação exigida, no sentido de adquirir desta a referida documentação necessária para cumprir a exigência legal da Alfândega. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS. Reprisando os argumentos apresentados na impugnação, insiste a contribuinte na alegação de ser imperiosa a busca pela verdade material em detrimento da verdade formal, e, portanto, necessário investigar com profundidade todos os aspectos que norteiam a obrigação tributária, inclusive o alcance das definições do fato gerador e de sua correspondente base de cálculo, sob pena de não o fazendo, tornar sem efeito a exigência fiscal.e que, sendo assim, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova pode, e deve, ser trazido ao conhecimento dos julgadores em qualquer fase processual, vez que a prioridade é a busca da verdade material que, logicamente, tem amparo nas garantias constitucionais ao contraditório e a ampla defesa. Cita doutrina e jurisprudência do CARF no sentido de que “a apresentação de prova documental, após o decurso do prazo de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, a fim de que a decisão não contrarie os princípios da legalidade e da verdade material.” Insiste na nulidade do lançamento sob a alegação de que não se pode admitir a segurança de um prognóstico efetuado sem qualquer critério sistemático e minucioso, tudo em atenção ao Princípio da Verdade Material. E aduz que, se a empresa estrangeira localizada no exterior se nega a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX, a recorrente, empresa nacional, não pode ser penalizada. Portanto, argúi que as suas alegações, quanto à comprovação da exportação definitiva devem ser consideradas como Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 verdadeiras em consideração ao princípio da verdade material e da boa fé objetiva, sob pena de penalizála, sem que houvesse incorrido em qualquer infração. Requer, assim, a reforma da decisão ora recorrida. Não obstante o título do item de argumentação acima transcrito fazer referência à nulidade da decisão recorrida, verificase dos seus argumentos de defesa, que a contribuinte, na verdade, tal qual se deu em sua impugnação, busca a decretação da nulidade do lançamento sob o argumento de que o mesmo foi realizado contrariamente aos princípios que regem o contencioso administrativo e em desacordo com o artigo 142 do CTN, desejando ver a decisão recorrida ser reformulada neste sentido. Constatase que a fiscalização, em procedimento de controle do cumprimento de prazos e demais obrigações acessórias do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, apurou que não houve registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, descrevendo os fatos ensejadores da penalidade lançada e fundamentando o lançamento nas regras legais específicas, cuja assunção dos fatos à legislação será analisada no mérito. Tal como devidamente decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, é de se concluir, portanto, que o lançamento não contém imprecisão que conduza à decretação de sua nulidade, quer no tocante ao levantamento da base de cálculo da penalidade aplicada, quer quanto à fundamentação legal adotada, quer quanto à alíquota aplicada, ou ao montante do crédito tributário apurado, posto que elaborado em conformidade com as regras legais processuais aplicáveis ao processo administrativo tributário. Sobre a alegação de seu direito de poder trazer aos autos, em qualquer fase processual, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova, para proporcionar aos julgadores o devido conhecimento da verdade material, afastando assim a questão da preclusão, fazse necessário efetuar breve comentários acerca de provas, ônus da prova e princípios informadores do Processo Administrativo Fiscal PAF. Vejamos: É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei nº 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/721: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 146 7 tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, por se tratar de lançamento de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, à contribuinte caberia carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei, tendo em conta que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, visando o atendimento da exigência legal. Tal ressalva se faz, em face da alegação da contribuinte de que não pode ser penalizada pelo o fato de a empresa estrangeira localizada no exterior se negar a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX. A juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado2. No caso em questão, a contribuinte não fez referência à qualquer uma dessas hipóteses, ressalvando, para o devido esclarecimento, que “força maior” é um acontecimento relacionado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. Esses fatos externos podem ser: ordem de autoridades (fato do príncipe), fenômenos naturais (raios, terremotos, inundações, etc.) e ocorrências políticas (guerras, revoluções, etc.). (consoante art.. 393 do Código Civil), não abrangendo, pois, a alegação específica da contribuinte. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Entretanto, tal limitação tem sido alvo de divergências no âmbito dos órgãos julgadores administrativos, haja vista a corrente de defesa de que tal limitação fere os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, além da responsabilidade de os agentes públicos zelarem pela legalidade dos atos administrativos. De fato, no processo Administrativo Fiscal não se pode se ater apenas à verdade formal. Mas, a busca da verdade material não deve, também, ultrapassar os limites do rito processual, sob pena de, igualmente, ferir outros princípios informadores do PAF, tais quais o da duração razoável do processo, o da necessidade de estabilização das relações jurídicas, etc., principalmente quando o ônus da prova cabe à contribuinte, como se dá no presente caso. Tendo em conta, porém, a questão do zelo pela legalidade do ato administrativo litigado, poderseia defender a análise de provas preclusas de alegações já efetuadas na impugnação. Entretanto, tal possibilidade, a meu ver, só deve ocorrer, no caso em que as provas sejam hábeis, por si só, a comprovar concludente e definitivamente as alegações, sem necessidade de desdobramentos processuais complementares para a sua análise, posto que assim, atrasaria de modo desmesurado o julgamento. Em caso contrário, para acatar as provas preclusas, necessitaria a demonstração, por parte da contribuinte, da ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos, a contribuinte não trouxe, contudo, em seu recurso voluntário, nenhuma nova prova que possibilite demonstrar a alteração dos fatos que ensejaram o lançamento ora sob litígio e cujo mérito será analisado adiante. A contribuinte efetua apenas alegações genéricas desprovidas de provas e genericamente defende a produção de novas provas. De fato, os elementos de prova constantes dos autos, desde o lançamento, e, portanto, já submetidos à análise das autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância administrativa são: 1. efl. 8 Nota Fiscal de Saída nº 88879, de 11/01/2007; CFOP 7949, que operacionalizou a exportação temporária de produtos ali mencionados para submetêlos à reparos; 2. eFls. 04 a 11 do processo nº 10715.000187/200723, a este apensado – Extrato do Siscomex atinente ao RE n° 07/0053278001, de 12/01/2007; 3. eFls. 21 do processo nº 10715.000187/200723, a este apensado – Ofício GIGZD nº 006/06, da contribuinte, emitido em 05/01/2007, por meio do engenheiro devidamente registrado no CREA, identificando a classificação e peça para aeronave enviada aos EUA no regime de exportação temporária para reparo em garantia; 4. eFl. 32 do processo nº 10715.000187/200723, a este apensado – Comunicação efetuada pela contribuinte, em 06 de janeiro de 2009, sobre a transformação do regime temporário de exportação em exportação definitiva pela R.E. 09/0007005001, ainda aguardando a efetivação junto ao SECEX; 5. Fls. 33 a 40 do processo nº 10715.000187/200723, a este apensado (numeração original no processo físico) – Extrato do Siscomex Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 147 9 atinente ao RE n° 09/0007005001, de 06/01/2009, pendente de efetivação; Assim, diante do que foi acima exposto, não há motivos para se declarar a nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida. DO MÉRITO DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA Como dito alhures, a autuação deuse pela ausência de cumprimento dos requisitos legais para a regularização do regime de exportação temporária, dentro do prazo de vigência, seja pelo retorno dos bens ao país, seja pela transformação do regime para a exportação definitiva. Conforme se constata dos autos e consoante consta do relatório, a fiscalização salientou que tempestivamente a contribuinte teria informado no processo nº 10715.000187/200723, formalizado para a concessão do regime de exportação temporária e a este apensado, que as mercadorias relacionadas no RE 07/0053278001, referente a tal regime de exportação temporária, não mais retornariam ao pais, apresentando, para tanto, requerimento tempestivo em 06/01/2009 (fl. 32 daquele processo) solicitando a transformação para o regime de exportação definitiva e novo RE nº 09/0007005001, este, no entanto, pendente de efetivação pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX); consoante se denota nos termos proferidos no item “26Mensagem de advertência”, proferidos pelo SECEX (fl. 39, também daquele processo), razão pela qual foi lavrado, em 23/03/2009, o ‘Termo de Intimação GDEXP n° 00050/09 (fl. 44 do Processo nº 10715.000187/200723), para que a contribuinte apresentasse, no prazo de cinco dias (este dilatado até 13.05.2009, em atendimento ao pleito da contribuinte) “o extrato do Registro de Exportação RE n° 09/0007005001 efetivado com a codificação especifica da transformação de Exportação Temporária em Definitiva do(s) bem(ns) que não retornou(aram), conforme dispõe o art. 454, inciso do Regulamento Aduaneiro, com base no Decreto n.° 6.759/2009, segundo os preceitos legais contidos na Instrução Normativa SRF n° 443/04 e §3° do art. 181 da Portaria SECEX n.° 25/2008, relativamente ao Regime de Exportação Temporária dos bens desembaraçados pela DDE n° 2070095199/7 (RE n.° 07/0053278001), processo n ° 10715.000187/200723, cujo prazo autorizado de permanência no exterior se encerrou em 29/01/2009”, documentação esta necessária para regularização do citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser, uma das modalidades de extinção regular do regime. No entanto, a pretendida regularização não foi providenciada, o que ensejou a constituição da presente exigência fiscal, nos termos previsto no art. 724 do Decreto nº 6.759/2009 REGULAMENTO ADUANEIRO, que assim dispõe: “Art.724. Aplicase a multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, inciso II). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 §1oO valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §1º). §2oA aplicação da multa a que se refere o caput não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §2º).” A controvérsia estabelecida nos termos da impugnação apresentada cingese à. alegada conversão tempestiva do regime de exportação temporária em regime de exportação definitiva, sob o argumento de que tal transformação teria ocorrido antes do término do prazo de permanência das respectivas mercadorias no exterior, encerrado em 29/01/2009, consoante o RE nº 09/0007005001 (fls. 33 a 40 do processo n° 10715.000187/200723). Em seu recurso voluntário, visando reformar a decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte alega que a decisão recorrida é absolutamente carente de fundamentação plausível, posto que, em suas palavras, apenas transcreve dispositivos legais que entende serem aplicáveis ao caso em tela, quais sejam, arts. 92 e 93 do DecretoLei n° 37, de 1966; arts. 449, 450, 454 a 457 do Decreto 6.759 de 2009; IN SRF 443/2004 alterada pela IN SRF 684/2006; IN SRF 28/94; Portaria SECEX 25/2008, sem explanar as razões desta aplicabilidade, refutandoa por entender que a mesma ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos e ratificando o seu entendimento esposado na sua peça de Impugnação. Não merece guarida tais alegações, que mais soam como meramente protelatórias, haja vista que a autoridade julgadora de primeira instância não só transcreveu todos os artigos da legislação pertinente ao caso sob litígio acima citados, como também motivou o seu entendimento, efetuado com base na legislação reproduzida, com o qual corroboro, no sentido de que a multa questionada é aplicável aos casos em que não são adotadas as providências legais para a extinção regular do regime concedido às mercadorias beneficiadas, inclusive quanto à sua exportação definitiva e que, para produzir os efeitos esperados, a exportação definitiva tem que ser realizada na forma da legislação de regência, cujas normas3 exigem, dentre outras providências, a averbação, como ato final do despacho de 3 A Instrução Normativa SRF nº 443, de 12 de agosto de 2004, que trata sobre o despacho de exportação de bens que saíram do Pais ao amparo do regime de exportação temporária, alterada pela IN SRF nº 684, de 16 de outubro de 2006, dispõe: Art 1º O despacho aduaneiro de exportação de bens que se encontrem no exterior em regime de exportação temporária, inclusive no caso de veículos de transporte comercial brasileiro, aéreo ou marítimo, que se encontrem no exterior ao amparo do inciso III do art 394 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, observará o disposto nesta Instrução Normativa. Art 2 2 0 despacho aduaneiro será processado com base em declaração de exportação registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), instruída com a fatura comercial respectiva ou qualquer outro documento que comprove a tradição de propriedade do bem no exterior, bem assim da primeira via da Nota Fiscal. Parágrafo único. (.) Art. 6º Relativamente à mercadoria objeto do despacho de exportação, o procedimento de que trata esta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) (...); Parágrafo único:O procedimento de que trata esta Instrução Normativa também será aplicado para fins de extinção do regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. (Incluído pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) Art. 7º Aplicase ao despacho aduaneiro dos bens de que trata esta Instrução Normativa, subsidiariamente, o disposto na Instrução Normativa SRFn° 28, de 27 de abril de 1994, e alterações posteriores, que disciplina o despacho aduaneiro de exportação. Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 148 11 exportação e requisito para ser considerada concluída a operação de exportação de saída definitiva do Pais dos bens submetidos anteriormente a despacho aduaneiro de exportação temporária, ainda que referida providência se dê de forma automaticamente no SISCOMEX. A autoridade julgadora de 1ª instância devidamente efetuou o esclarecimento abaixo transcrito, cujos fundamentos adoto e ratifico com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: “Para que mencionada averbação se efetive regularmente, é necessário o prévio desembaraço aduaneiro para exportação, que será realizado à vista da declaração de exportação (DDE) e dos demais documentos apresentados pelo exportador, dentre eles o registro de exportação (RE) isento de qualquer pendência, pois enquanto apresentar quaisquer divergências referido registro de exportação não estará juridicamente apto a instruir a respectiva declaração de exportação (DDE), não havendo, por conseguinte, o que se averbar, posto que nestas circunstâncias, sequer as normas autorizam a efetivação do desembaraço aduaneiro dos respectivos bens. Portanto, diferentemente do que pretende a impugnante, o RE n° 09/0007005001 (fls. 31 a 38 do processo n° 10715.000187/200723), não tem o atributo de permitir a conclusão da operação de exportação definitiva, posto que dependente de averbação no sistema, oportunidade em que será fornecido ao exportador, se solicitado, o documento comprobatório da exportação, emitido pelo SISCOMEX. Ademais, a legislação supra transcrita esclarece que ‘somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, dispõe: AVERBAÇÃO DE EMBARQUE E DE TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRA Art 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. COMPROVANTE DA EXPORTAÇÃO Art. 50. Concluída a operação de exportação, com a sua averbação, no Sistema,será fornecido ao exportador, quando solicitado, o documento comprobatório .da exportação, emitido pelo SISCOMEX , Parágrafo único. Nos casos em que a unidade da SRF de despacho for diferente da unidade de embarque, caberá a primeira emitir a documento de que trata este artigo. Art 51. Somente será considerada exportada para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. Parágrafo único: É irrelevante, para os feitos deste artigo: I a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e, II a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades; competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado , no Sistema. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 averbado, no SISCOMEX’, sendo ‘irrelevante ... a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema’ não bastando, por conseguinte, que a beneficiária tenha providenciado o registro de exportação (RE) especifico para exportação definitiva antes do prazo de extinção do regime exportação temporária, se esse documento é impróprio para o fim que se destina, posto que, conforme se depreende dos autos, ainda se encontra pendente de efetivação pelo órgão anuente (Secex), não obstante as oportunidades ofertadas pela fiscalização aduaneira no sentido de a interessada regularizar respectivas operações de exportação (fls, 41 e seguintes do processo n° 10715.000187/2007 23)” Desta forma, resta demonstrado ser descabida a acusação da recorrente de que a decisão recorrida ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos. Também, não tem fundamento o entendimento esposado pela contribuinte em sua peça de impugnação e ratificado no recurso ora sob análise, no sentido de que providenciou a extinção regular do regime aduaneiro de exportação temporária ao efetuar a reexportação dos bens conforme disposição contida no inciso I do artigo 15 da IN/SRF nº 285, de 2003, haja vista que, conforme já ressaltado pela autoridade julgadora de 1ª instância, referida instrução normativa “referese ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, aquele que permite a permanência de bens estrangeiros no Pais por prazo determinado com suspensão de tributos ou com pagamento proporcional ao tempo de permanência, ou seja, o oposto do que subsidia o regime sob apreço”, caracterizando, portanto, um equivoco da contribuinte ao pretender a equiparação da norma aventada ao caso sob exame. Portanto, confirmado nos autos que não houve o registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, fazse pertinente o lançamento referente à multa regulamentar, com incidência da alíquota de 5% (inciso II do artigo 72 da Lei n° 10.833, de 29 de Dezembro de 2003) sobre o preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, conforme consta do Auto de Infração. CONCLUSÃO Em face das fundamentações acima postas, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.004175/200930 Acórdão n.º 3302002.327 S3C3T2 Fl. 149 13 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35301.009002/2004-96
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998
NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS.
Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.
Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratando-se de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados.
O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratandose de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 90 02 /2 00 4- 96 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório RÁDIO GLOBO ELDORADO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.442.2057, em 03/04/2003 (AR fl. 37), exigindolhe crédito tributário referente a diferença de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos empregados caracterizados, em relação ao período de 01/1991 a 04/1998, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 34, e Aditivo de fls. 73/74, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ Centro, DN n° 17.401.4/641/2004, às fls. 174/179, que julgou procedente em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 332 3 parte o lançamento fiscal em referência, a egrégia 5a Câmara, em 04/09/2008, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20501.084, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 Ementa: DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃOEVENTUALIDADE RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. Relatório Fiscal incompleto, pela não demonstração da subordinação e demais elementos caracterizadores da relação de emprego Cerceamento de defesa caracterizado. Processo Anulado” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 220/229, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 11, 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72, bem como provas constantes dos autos, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte, como preleciona os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, o que não se vislumbra no caso vertente. Acrescenta que a jurisprudência administrativa estabelece que não há se declarar a nulidade do lançamento quando inexistir prejuízo à defesa do contribuinte, sobretudo quando este apresenta seu insurgimento de forma ampla e geral, contemplando toda matéria posta nos autos, notadamente quando sequer suscita a nulidade acolhida de ofício pelo decisório combatido. Opõese ao entendimento adotado pela Turma recorrida, alegando que a presente notificação, por se tratar de complemento, ou seja, exigência de diferença de contribuições, decorrentes das NFLD’s 35.441.6855 e 35.442.1867, não tem obrigação de se aprofundar na descrição dos fatos que permeiam o lançamento, especialmente na despersonalização de pessoa jurídica. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da então 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente os artigos 11, 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72, conforme Despacho nº 205044/2009, às fls. 231/233. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 240/244, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da então 5ª Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese crédito tributário referente a diferença de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração os empregados caracterizados. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência do feito, acolhendo a decadência de parte do crédito tributário, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, declarando, ainda, a nulidade do lançamento em face da ausência da descrição do fato gerador do tributo ora lançado, razão do insurgimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 11, 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72 e, bem assim, o conjunto probatório constante dos autos. A fazer prevalecer sua pretensão, assevera que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte, como preleciona os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, o que não se vislumbra no caso vertente. Acrescenta que a jurisprudência administrativa estabelece que não há se declarar a nulidade do lançamento quando inexistir prejuízo à defesa do contribuinte, sobretudo quando este apresenta sua defesa de forma ampla e geral, contemplando toda matéria posta nos autos, mormente quando sequer suscita nulidade acolhida de ofício pelo decisório combatido. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 333 5 Opõese ao entendimento adotado pela Turma recorrida, alegando que a presente notificação, por se tratar de complemento, ou seja, exigência de diferença de contribuições, decorrentes das NFLD’s 35.441.6855 e 35.442.1867, não tem obrigação de se aprofundar na descrição dos fatos que permeiam o lançamento, notadamente na despersonalização de pessoa jurídica. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar às demais questões de mérito propriamente ditas, é de bom alvitre trazer à baila a distinção das 03 (três) conclusões possíveis, a priori, de serem levadas a efeito em um julgamento em favor do contribuinte, quais sejam, vício formal, material ou (im) procedência do lançamento. O vício formal, em nosso entender, relacionase aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Em outras palavras, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Os artigos 10 e 11, do Decreto nº 70.235/72, são os exemplos mais nítidos que podemos encontrar a respeito do tema, in verbis: “Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Ao tratar da matéria, a Lei nº 4.717/65, que regulamenta a Ação Popular, em seu artigo 2º, parágrafo único, alínea “b”, estabelece que o vício formal é: “ [...] a omissão ou observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato.” Como se observa, o ato administrativo somente terá validade se observados os pressupostos formais, extrínsecos, insculpidos nos dispositivos legais supra, entre outros, sob pena de ser anulado por vício formal. Repitase, o requisito formal do lançamento representa a observância dos ditames estabelecidos por lei no momento de sua exteriorização. A jurisprudência administrativa, que se ocupou do tema, é mansa e pacífica nesse sentido, senão vejamos: “PROCESSUAL – LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL – NULIDADE – É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, do Decreto nº 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais.Recurso Especial improvido.” (3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 201108717 – Acórdão nº CSRF/0303.305, Sessão de 09/07/2002) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. [...]” (8ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 143.020 – Acórdão nº 10808.174, Sessão de 23/02/2005) (grifamos) O Acórdão nº 10706695, da lavra do Conselheiro representante da Fazenda, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, nos traz com muita propriedade a diferenciação entre vício formal e material, nos seguintes termos: “[...] RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 334 7 lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.”’ (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade, vejamos: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex Presidente do 1º Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra “O Vício Formal no Lançamento Tributário”, nos seguintes termos: “[...] O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizarse mero vício formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática.” (Tôrres, Heleno Taveira et al. – coordenação – “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados – São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) “LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.” (2ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005) Antes de seguir com o estudo, cabe aqui fazer um parêntese, relativamente ao efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material. No primeiro caso, o prazo decadencial é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento. É o que se extrai do artigo 173, inciso II, do CTN. Por outro lado, tratandose de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratando se dos artigos 173 do CTN. Ou melhor, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial acima estipulado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 335 9 Retornando à diferenciação das conclusões de julgamento, já o provimento ao recurso (improcedência da autuação), implica inferir que, diante dos elementos de provas e razões ofertados pela autoridade lançadora, chegouse à conclusão da inexistência do fato gerador do tributo exigido. Ou seja, adentrandose ao mérito da questão, o lançamento efetuado não deve prosperar, uma vez que não restou comprovada a ocorrência do fato gerador, o que impede o Fisco de promover novo lançamento a partir dos mesmos fatos. A rigor, a linha entre a nulidade por vício material e/ou a improcedência do feito é muito tênue, fazendo com que em inúmeras oportunidades haja uma certa dúvida em relação à qual resultado seria mais adequado. Entrementes, como o efeito prático é basicamente o mesmo, inexistem maiores celeumas quanto ao tema, ao contrário do que se vislumbra com a nulidade por vício formal, onde todo o procedimento a ser seguido pela autoridade fiscal passa a ser conduzido de maneira totalmente diferente. Diante de tais considerações, voltemos à hipótese dos autos, onde o fiscal autuante promoveu o lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços, com a respectiva caracterização dos funcionários como segurados empregados da notificada, sem conquanto demonstrar e comprovar os pressupostos básicos de aludido procedimento excepcional. Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal da Notificação de forma destrinçada a demonstração da efetiva existência dos requisitos necessários à caracterização dos trabalhadores das pessoas jurídicas desconsideradas como segurados empregados da notificada, corroborado com quadro contendo nome de todos os prestadores de serviços tidos como empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de incorrer em cerceamento do direito de defesa. No presente caso, ao promover o lançamento levando a efeito a caracterização dos funcionários das prestadoras de serviços (pessoas jurídicas) como segurados empregados, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, de fl. 33, e Aditivo, às fls. 73/74, simplesmente inferiu ter efetuado tal enquadramento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas, sem conquanto demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento, tão somente se reportando a outras duas notificações (NFLD’s 35.441.6855 e 35.442.1867), maculando o lançamento em comento. Tais fatos, aliás, já restaram circunstanciadamente esclarecidos no voto da insigne relatora subscritora do voto condutor do Acórdão recorrido, razão pela qual me abstenho de repetilos, eis que a questão nuclear posta nos autos se fixa em definir se aludido vício no lançamento tem o condão de causar sua nulidade. Com efeito, o insurgimento da Procuradoria encontra amparo na argumentação de que o Acórdão recorrido malferiu os preceitos dos artigos 11, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72 e, bem assim, o conjunto probatório constante dos autos, não havendo se falar, ainda, em nulidade do feito, eis que o caso dos autos não se enquadra em uma das hipóteses inscritas naqueles dispositivos legais. Mais a mais, arremata inferindo que a jurisprudência administrativa estabelece que não há se declarar a nulidade do lançamento quando inexistir prejuízo à defesa Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 do contribuinte, sobretudo quando este apresenta sua defesa de forma ampla e geral, contemplando toda matéria posta nos autos. Como afirmado acima, razão não assiste à recorrente em suas alegações, como passaremos a demonstrar. De início, ressaltase que a nulidade que fulminou o presente lançamento, na linha do decidido no Acórdão recorrido, se deu em razão de vício de natureza material, consoante explicitado alhures, maculando os preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Melhor elucidando, a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo lançado malfere os ditames do artigo 142 do CTN, acima transcrito, determinando a nulidade material do ato administrativo. A jurisprudência deste Colegiado é firme e mansa neste sentido, determinando que o defeito na descrição do fato gerador da exigência fiscal fulmina o lançamento por vício material, senão vejamos: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. [...]” (2ª Turma da CSRF – Processo n° 12045.000613/200794 – Acórdão n° 9202001.924, Sessão de 30/11/2011, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire) No Acórdão com sua ementa retro, esta Egrégia Turma se debruçou em tema idêntico ao presente, concluindo pela nulidade material do lançamento, reforçando a tese constante do decisum recorrido, não se cogitando, assim, em afronta aos artigos 11, 59 e 60, do Decreto n° 70.235/72, que se reportam precipuamente a casos de vícios de natureza formal, o que não se vislumbra nestes autos. De outra banda, igualmente, não merece guarida a alegação da recorrente no sentido de que a eventual ausência de prejuízo à defesa da contribuinte afastaria a nulidade apontada pelo Acórdão recorrido. Isto porque, além de discordar dessa tese, por atribuir ao contribuinte e/ou seu patrono obrigação que é da autoridade fazendária, ou seja, promover o lançamento devidamente fundamentado na legislação de regência, esta Colenda Turma já consagrou o entendimento que se tratando de vício material no lançamento, a eventual ausência de prejuízo à defesa não tem o condão de rechaçar a nulidade incorrida, mormente em face do estabelecido Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 336 11 no artigo 142 do CTN, consoante restou devidamente assentado nos Acórdãos com suas ementas abaixo, in verbis: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FATO GERADOR NÃO CLARAMENTE DEMONSTRADO. IRRELEVÂNCIA DA PREVISÃO DO ARTIGO 59 DO DECRETO N° 70.235/72. Os vícios materiais de que padecem o lançamento, sobretudo quando referente à ausência de demonstração clara dos elementos fáticos caracterizadores do fato gerador do tributo conduzem necessariamente à decretação de sua nulidade, com base no artigo 142 do CTN, independentemente do quanto disposto no artigo 59 do Decreto n° 70235/72.” (2a Turma da CSRF – Processo n° 13896.002263/200742 – Acórdão n° 9202 002.023 – Sessão de 20/03/2012) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. Não houve a preclusão apontada pela Fazenda Nacional, conforme se depreende da leitura do recurso voluntário que aponta a ausência de fundamentação do relatório fiscal. Para que não houvesse incidência de contribuições previdenciárias, a legislação vigente à época dos fatos geradores exigia que todos empregados e dirigentes tivessem acesso às bolsas de estudos. Entretanto, não me parece que a autoridade fiscal tenha logrado êxito em demonstrar e muito menos comprovar que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos. Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrado que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado.” (2a Turma da CSRF – Processo n° 36944.005076/200612 – Acórdão n° 9202002.375 – Sessão de 06/11/2012) Como se observa, a nulidade em razão de vício material, por se referir ao conteúdo do ato administrativo, sem o qual não oferece condições de validade, bem como de defesa ao contribuinte, não pode ser afastado com base na tese de ausência de prejuízo ao autuado. Ademais, o prejuízo à defesa do contribuinte é evidente, tendo em vista que o vício de natureza material, in casu, a ausência da descrição do fato gerador, mais precisamente dos pressupostos necessários à desconsideração da personalidade jurídica da empresa e caracterização de segurados empregados, limita sobremaneira a compreensão do contribuinte do que lhe está sendo atribuído, cerceando, por conseguinte, seu direito de defesa, como se constata no caso vertente, o que rechaça de pronto a argumentação da Fazenda Nacional. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35301.009002/200496 Acórdão n.º 9202002.966 CSRFT2 Fl. 337 13 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10480.903852/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 38 52 /2 01 1- 10 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 180 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 181 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 32543.66650.130607.1.3.040999), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 13/06/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS Código (informado) 8109, apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 28/02/2003 14/03/2003 14/03/2003 17.226,42 17.226,42 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 1.165,87, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a abril de 2007, no valor de R$ 1.920,65, com vencimento em 18/05/2007, mais acréscimos legais. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 04/05/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 930835428, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/05/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 13/06/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 182 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 183 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 184 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 185 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 186 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903852/201110 Acórdão n.º 3801002.252 S3TE01 Fl. 187 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000455/2008-48
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/08/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. DECADÊCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. MATÉRIA DE MÉRITO NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72.
O contribuinte alega que o lançamento ocorreu somente em 22/11/2007, abrangendo as competências de 2001 e 2002 e, por isso, a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN.
No ponto, há que se observar que o julgador a quo reconheceu a decadência para as competências de 02.2001 a 10.2002, em conformidade com os comandos do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, manteve hígido o lançamento para as competências 11.2002 e 08.2003.
Vê-se, portanto, que o julgador de primeira instância administrativa agiu acertadamente. Dessa forma, não há que se falar em decadência total relativamente ao lançamento ora em discussão.
No que diz respeito ao mérito, melhor sorte não assistirá ao contribuinte, tendo em vista que, a exemplo do contido na decisão recorrida (fls. 380), ele se tornou revel por deixar de contestar especificamente os fatos geradores constitutivos do lançamento, atraindo, desse modo, os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.952
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. MATÉRIA DE MÉRITO NÃO IMPUGNADA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72. 1. O contribuinte alega que o lançamento ocorreu somente em 22/11/2007, abrangendo as competências de 2001 e 2002 e, por isso, a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. 2. No ponto, há que se observar que o julgador a quo reconheceu a decadência para as competências de 02.2001 a 10.2002, em conformidade com os comandos do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, manteve hígido o lançamento para as competências 11.2002 e 08.2003. 3. Vêse, portanto, que o julgador de primeira instância administrativa agiu acertadamente. Dessa forma, não há que se falar em decadência total relativamente ao lançamento ora em discussão. 4. No que diz respeito ao mérito, melhor sorte não assistirá ao contribuinte, tendo em vista que, a exemplo do contido na decisão recorrida (fls. 380), ele se tornou revel por deixar de contestar especificamente os fatos geradores constitutivos do lançamento, atraindo, desse modo, os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 04 55 /2 00 8- 48 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000455/200848 Acórdão n.º 2803002.952 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000455/200848 Acórdão n.º 2803002.952 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias dos segurados empregados (art. 22, I e II, art. 94 da Lei nº 8.212/91 e art 3º da lei nº 11.457/07) e de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (art. 22, III, da Lei nº 8.212/91), no termos do Relatório Fiscal (fls. 174/178). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 08 de julho de 2009 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/08/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OUTRAS ENTIDADES. Incide contribuição para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (art. 22, I, II da lei 8.212/91) e aos segurados contribuintes individuais (art. 22, III da lei 8.212/91). Sobre as remunerações pagas aos segurados empregados incide a contribuição para Outras entidades (art. 94 da lei 8.212/91 e art. 3º da lei 11.457/07). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. Diante da Súmula vinculante no. 08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. Aplicase, portanto, o prazo decadencial quinquenal previsto no CTN. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Da preliminar de decadência. A obrigação reclamada neste Processo Administrativo referese ao exercício financeiro de 2001 e 2002. O fato gerador que deu causa a referida obrigação é uma contribuição previdenciária, que por suas características segue a modalidade de lançamento por homologação. Logo, deve obedecer ao prazo prescricional definido no artigo 150, § 4º do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000455/200848 Acórdão n.º 2803002.952 S2TE03 Fl. 5 4 Considerando que o lançamento ocorreu somente em 22/11/2007, é forçoso concluir que a pretensão do lançamento desta obrigação principal decorrente da aplicação da penalidade está fulminada pela decadência. Como a Administração Pública mantevese inerte dentro do lapso temporal indicado acima, houve o lançamento tácito do crédito tributário, com isso a extinção do mesmo. Diante todo o exposto, requer que seja julgado improcedente o lançamento da obrigação principal advinda da aplicação da penalidade pelo não cumprimento adequado da obrigação acessória decorrente de declaração contribuição previdenciária, visto que está fulminada pela decadência. Do mérito. Da suspensão do crédito tributário – artigo 151, VI, CTN. Ressaltase, ainda, que tal crédito está suspenso tendo em vista aplicação do referido dispositivo legal, uma vez que encontra sob análise judicial do parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/2009 (novo REFIS); execução fiscal de nº 2005.51.01.5216684 e 2005.51.01.5148046. Em função do dispositivo legal supra citado, como existe parcelamento do débito referente ao crédito tributário do mesmo período, encontrase suspenso. Deve o referido processo administrativo ser julgado improcedente, uma vez que o crédito já está sob julgamento do Poder Judiciário. Analisando os processos administrativos que correm em face desta Empresa notase que existem vários Autos de Infração que examinam o não cumprimento adequado da Obrigação Acessória no mesmo período que este Auto. Assim, em homenagem ao princípio do ne bis in idem, requer que sejam todos os processos julgados em conjunto devido a unicidade da matéria e identidade dos períodos, de forma a evitar decisões diversas o que acarretará possibilidade, inclusive, de lançamento em duplicidade. Diante do exposto e do consta nos autos requer seja acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para reformar a decisão atacada declarando IMPROCEDENTE o lançamento, ou consideralo nulo ab initio e determinar o seu arquivamento, pelos fatos e fundamentos acima expostos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000455/200848 Acórdão n.º 2803002.952 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte alega que o lançamento ocorreu somente em 22/11/2007, abrangendo as competências de 2001 e 2002 e, por isso, a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. No ponto, há que se observar que o julgador a quo reconheceu a decadência para as competências de 02.2001 a 10.2002, em conformidade com os comandos do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, manteve hígido o lançamento para as competências 11.2002 e 08.2003. Vêse, portanto, que o julgador de primeira instância administrativa agiu acertadamente. Dessa forma, não há que se falar em decadência total relativamente ao lançamento ora em discussão. No que diz respeito ao mérito, melhor sorte não assistirá ao contribuinte, tendo em vista que, a exemplo do contido na decisão recorrida (fls. 708), ele se tornou revel por deixar de contestar especificamente os fatos geradores constitutivos do lançamento, atraindo, desse modo, os efeitos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Tendo em vista que o lançamento está revestido de todas as formalidades legais, mantenhoo pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000455/200848 Acórdão n.º 2803002.952 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902962/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PAGAMENTO A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO. IMPROCEDÊNCIA.
O reconhecimento do direito de crédito do contribuinte pelo pagamento indevido de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal depende da apresentação de prova do indébito, por meio de documentos e demais efeitos contábeis e fiscais hábeis a comprová-lo.
Uma vez que o direito do contribuinte não tenha sido reconhecido por ocasião do Despacho Decisório exclusivamente porque o crédito não foi encontrado nos bancos de dados mantidos pela Secretaria, com base em conferência eletrônica das informações prestadas pelo próprio administrado, por força do disposto na alínea c, parágrafo 4º, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, admite-se a apresentação dos documentos de comprovação do direito por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, desde que ausência de provas tenha sido um dos fundamentos da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 30/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PAGAMENTO A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO. IMPROCEDÊNCIA. O reconhecimento do direito de crédito do contribuinte pelo pagamento indevido de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal depende da apresentação de prova do indébito, por meio de documentos e demais efeitos contábeis e fiscais hábeis a comprová-lo. Uma vez que o direito do contribuinte não tenha sido reconhecido por ocasião do Despacho Decisório exclusivamente porque o crédito não foi encontrado nos bancos de dados mantidos pela Secretaria, com base em conferência eletrônica das informações prestadas pelo próprio administrado, por força do disposto na alínea c, parágrafo 4º, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, admite-se a apresentação dos documentos de comprovação do direito por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, desde que ausência de provas tenha sido um dos fundamentos da decisão recorrida. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO. IMPROCEDÊNCIA. O reconhecimento do direito de crédito do contribuinte pelo pagamento indevido de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal depende da apresentação de prova do indébito, por meio de documentos e demais efeitos contábeis e fiscais hábeis a comproválo. Uma vez que o direito do contribuinte não tenha sido reconhecido por ocasião do Despacho Decisório exclusivamente porque o crédito não foi encontrado nos bancos de dados mantidos pela Secretaria, com base em conferência eletrônica das informações prestadas pelo próprio administrado, por força do disposto na alínea “c”, parágrafo 4º, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, admitese a apresentação dos documentos de comprovação do direito por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, desde que ausência de provas tenha sido um dos fundamentos da decisão recorrida. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 29 62 /2 00 8- 25 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Manifestação de Inconformidade, proposta em razão da expedição de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica (“PER/DCOMP”), cujos dados são os seguintes: Número 16041.12337.111104.1.3.040088 Fundamento Pagamento indevido ou a maior de COFINS Crédito declarado COFINS – Cód. 2172 Abril de 2003 Crédito original: 1.138,44 Crédito corrigido: 1.424,76 Tributo a ser compensado COFINS – Cód. 58561 Outubro de 2004 Valor: 1.424,76 O Despacho Decisório assim fundamentou a não homologação da compensação pretendida pelo Contribuinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Segue a tabela com os dados do(s) pagamento(s) localizado(s): PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/04/2003 2172 369.493,89 15/05/2003 Cientificado o Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando que seria detentor do crédito declarado, já que teria realizado recolhimento a maior e que teria, inclusive, retificado a respectiva DCTF, da qual apresenta cópia. Requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, porque estaria “... demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.902962/200825 Acórdão n.º 3102002.056 S3C1T2 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Comprovação da existência do crédito compensado Declaração de compensação, sem que o respectivo crédito esteja prévia e devidamente formalizado pelo Contribuinte, segundo os mecanismos institucionais e informatizados de controle da competente Autoridade Administrativa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é pressuposto indispensável à efetivação da compensação a comprovação da existência e da demonstração do respectivo crédito. A mera alegação da sua existência, desacompanhada de provas, não basta para sua comprovação, por desatender às disposições do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assevera que o crédito decorrente de pagamento a maior não foi reconhecido “única e exclusivamente em virtude da ausência da retificação da DCTF e da DACON da Recorrente referentes ao segundo trimestre de 2003 [...]”, providência que, informa, foi mais tarde adotada. Que tributou indevidamente as receitas decorrentes da venda de redutores de velocidade à alíquota de 3,0% quando a alíquota correta seria zero. Expõe, 18. Assim, não se pode admitir que, a par de todas as informações prestadas e documentos que sempre estiveram à disposição da Receita Federal do Brasil, seja atribuído maior valor à DCTF e à DACON originalmente apresentadas pela Recorrente que às informações constantes das declarações retificadoras. Acosta ao Processo planilhas e CDRom que ratificam a legitimidade de seus créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Recompondo os passos que trouxeram o Processo à situação atual, percebese que o direito ao crédito pretendido pela Recorrente foi recusado, inicialmente, porque o valor creditório não foi encontrado pelos Sistemas Eletrônicos utilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o controle dos pagamentos efetuados pelos contribuintes. Tratase de uma conferência sumária, que leva em conta apenas aquilo que, justamente, o contribuinte informou como sendo o valor devido e o valor pago.Uma vez que não tenha sido tomada a providência de retificar essas informações, que são as que constam das Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 declarações apresentadas – DCTF, DACON etc, o Sistema analisa a DCOMP e, automaticamente, recusa a compensação por indisponibilidade do crédito informado. Observese, nem se trata ainda de aceitar a retificação das Declarações antes ou depois de determinado momento. A negativa decorre, apenas e simplesmente, da inexistência do crédito do contribuinte, à luz das informações por ele próprio prestadas. Depois, vem a Manifestação de Inconformidade e a subseqüente decisão de primeira instância. A teor das considerações feita no Voto condutor da decisão recorrida, duas razões, basicamente, fundamentaram a manutenção ao óbice da compensação. Primeiro, uma vez que o contribuinte já tivesse procedido à retificação das Declarações que frustraram seu pleito, negouse o direito porque a iniciativa ocorrera depois de Despacho Decisório, conduta que, segundo entendimento da Secretaria, é vedado pela legislação tributária. Segundo, conforme excerto a seguir transcrito, o i. Julgador de piso não avistou no Processo as provas deque os pagamentos tivessem efetivamente sido feitos em valor excedente. Portanto, nestas circunstâncias, não é suficiente que o Contribuinte simplesmente venha declarar que teria havido "... pagamento a maior ..." ou que o montante do débito é este (menor, declarado depois da expedição do Despacho Decisório) e não aquele (maior, originalmente declarado), sem apresentar com a Manifestação de Inconformidade as devidas, necessárias e inequívocas provas que demonstrassem sua assertiva e respectivo crédito. Temse reiteradamente decidido no âmbito deste Colegiado que a retificação a destempo das Declarações do contribuinte não pode ser, em si própria, razão para negativa ao direito pleiteado se, uma vez que provocado, o requerente apresenta prova material de seu direito. No caso concreto, como se constata da reconstituição dos fatos constitutivos da lide, somente por ocasião da decisão de primeira instância é que a falta de comprovação do direito foi apresentada ao contribuinte como razão para não homologação das compensações. Anexo ao Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta documento intitulado Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, Recibo de Entrega de Arquivos Digitais. Na especificação do documento, nome do arquivo, consta Lançamentos Contábeis. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prejudicial de exame do mérito pela falta de retificação das Declarações antes do Despacho Decisório. O Processo deve retornar à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte para que sejam examinadas as provas carreadas aos autos e julgada a procedência do pedido veiculado pela Parte, resguardado o direito ao contraditório e julgamento da lide nas duas instâncias administrativas. Sala de Sessões, 26 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10875.902962/200825 Acórdão n.º 3102002.056 S3C1T2 Fl. 4 5 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001652/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. GLOSA SOBRE O SALÁRIO-FAMÍLIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE. NÃO OCORRÊNCIA.
No que se refere à preliminar de decadência de parte do lançamento, razão alguma assiste ao contribuinte. Tendo em vista que não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, considerando que a empresa não reconhecia a base de cálculo apurada, a regra a ser seguida é a do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a competência 2005 está corretamente abrangida no lançamento. No ponto, nada a prover.
O argumento do contribuinte de que a remuneração paga aos médicos não é da sua responsabilidade e, sim, do SUS não tem o menor fundamento. Ao observar o RL - Relatório de Lançamentos, percebe-se que o assunto diz respeito exclusivamente às glosas incidentes sobre o salário família, matéria totalmente diversa remuneração paga aos médicos (contribuintes individuais).
É totalmente desprovido o argumento de que o lançamento está viciado por incompetência do agente. No ponto, há que se observar que a autoridade lançadora é um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autorizado a exercer ser mister nos termos do art. 119 do CTN, bem como o art. 6º da Lei nº 11.457/07.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.877
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. GLOSA SOBRE O SALÁRIO-FAMÍLIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE. NÃO OCORRÊNCIA. No que se refere à preliminar de decadência de parte do lançamento, razão alguma assiste ao contribuinte. Tendo em vista que não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, considerando que a empresa não reconhecia a base de cálculo apurada, a regra a ser seguida é a do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a competência 2005 está corretamente abrangida no lançamento. No ponto, nada a prover. O argumento do contribuinte de que a remuneração paga aos médicos não é da sua responsabilidade e, sim, do SUS não tem o menor fundamento. Ao observar o RL - Relatório de Lançamentos, percebe-se que o assunto diz respeito exclusivamente às glosas incidentes sobre o salário família, matéria totalmente diversa remuneração paga aos médicos (contribuintes individuais). É totalmente desprovido o argumento de que o lançamento está viciado por incompetência do agente. No ponto, há que se observar que a autoridade lançadora é um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autorizado a exercer ser mister nos termos do art. 119 do CTN, bem como o art. 6º da Lei nº 11.457/07. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. GLOSA SOBRE O SALÁRIOFAMÍLIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE. NÃO OCORRÊNCIA. 1. No que se refere à preliminar de decadência de parte do lançamento, razão alguma assiste ao contribuinte. Tendo em vista que não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, considerando que a empresa não reconhecia a base de cálculo apurada, a regra a ser seguida é a do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a competência 2005 está corretamente abrangida no lançamento. No ponto, nada a prover. 2. O argumento do contribuinte de que a remuneração paga aos médicos não é da sua responsabilidade e, sim, do SUS não tem o menor fundamento. Ao observar o RL Relatório de Lançamentos, percebese que o assunto diz respeito exclusivamente às glosas incidentes sobre o salário família, matéria totalmente diversa remuneração paga aos médicos (contribuintes individuais). 3. É totalmente desprovido o argumento de que o lançamento está viciado por incompetência do agente. No ponto, há que se observar que a autoridade lançadora é um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autorizado a exercer ser mister nos termos do art. 119 do CTN, bem como o art. 6º da Lei nº 11.457/07. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 16 52 /2 01 0- 11 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10670.001652/201011 Acórdão n.º 2803002.877 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10670.001652/201011 Acórdão n.º 2803002.877 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre valores pagos e não declarados em GFIP, apurados com base nas folhas de pagamento, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 21/24). Além das referidas contribuições, o lançamento também foi realizado em relação à contribuição de segurados, incidentes sobre glosas de salário família. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de novembro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. DECADÊNCIA. Para verificação do prazo decadencial, aplicase o disposto no CTN, artigo 173, I, nos casos em que não houve antecipação do pagamento do tributo. PERÍCIA. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outro modo mais simples. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de cobrança relativa às contribuições previdenciárias apuradas no período de 2005 a 2007 (portanto prescritas) correspondentes à cota patronal devida e salário família glosado, incidentes sobre valores supostamente pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP, apurados com base nas folhas de pagamento, conforme Relatório Fiscal Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10670.001652/201011 Acórdão n.º 2803002.877 S2TE03 Fl. 5 4 de fls. 21/24, uma vez que o respeitável auditor fiscal entendeu (poder de julgamento) que a empresa autuada não era de caráter sócio e beneficente. Supostamente entendeu o Sr. Fiscal que houve remuneração aos médicos, estas por suposição e aferição das declarações de renda dos mesmos cuja fonte pagadora é diretamente o Sistema Único de Saúde, uma vez que a empresa vende serviço hospitalar, qual seja: alimentação, hotelaria, enfermaria, higienização, etc., além de entender que a empresa não se enquadra na condição de empresas do terceiro setor, havendo assim divergência sobre a base de cálculo assinalada. O contribuinte comprovou no decorrer da fiscalização que 100% do seu faturamento é destinados a pacientes do SUS. A cobrança sem fato gerador, por simples convicção dos Senhores Fiscais, deixa cair por terra qualquer fundamento que abalize a cobrança do crédito perquirido. A recorrente apresenta ainda documentação do Sistema Integrado de Protocolo e Arquivo – “SIPAR” no qual consta que o processo de concessão do certificado de entidade beneficente de assistência social está em andamento, como também documento emitido pelo Ministério da Saúde onde consta a entidade aguardando somente o trâmite administrativo para concessão do mesmo. Quanto ao salário família e salário maternidade, estes foram apresentados documentação pertinente, não restando dúvida sobre estes, uma vez que os valores referentes a estes, são repassados totalmente aos seus funcionários, não contribuindo em nada a Recorrente em favor próprio sobre estas quantias. Questões como estas de tributações infundadas, desencadeiam a um desestímulo inimaginável, que obtém como resultado imutável “fechar as portas” à população carente que necessita dos serviços da Impugnante. O lançamento está viciado por incompetência do agente. É falsa a alegação de falta de comprovação de entidade beneficente. Por fim, notadamente como o sol que dá luz ao dia, em pequenas narrativas, mas com a objetividade necessária, não existe base de cálculo para apuração da contribuição em apreço e seus acessórios, fundandose todo o AI em suposição, razão pela qual ratifica “in totum” a peça impugnatória, reiterando o pedido de cancelamento do AI como única forma de se fazer valer salutar Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10670.001652/201011 Acórdão n.º 2803002.877 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. No que se refere à preliminar de decadência de parte do lançamento, razão alguma assiste ao contribuinte. Tendo em vista que não houve antecipação do pagamento do tributo lançado, considerando que a empresa não reconhecia a base de cálculo apurada, a regra a ser seguida é a do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a competência 2005 está corretamente abrangida no lançamento. No ponto, nada a prover. O argumento do contribuinte de que a remuneração paga aos médicos não é da sua responsabilidade e, sim, do SUS não tem o menor fundamento. Ao observar o RL – Relatório de Lançamentos, percebese que o assunto diz respeito exclusivamente às glosas incidentes sobre o salário família, matéria totalmente diversa remuneração paga aos médicos (contribuintes individuais). Aliás, os itens “1 e 4” do Relatório Fiscal do Auto de Infração são expressos quanto à verba objeto do lançamento, in verbis: 1 – Este relatório é parte integrante do Auto de Infração – AI de contribuições devidas à Seguridade Social correspondente à contribuição de segurados, incidente sobre glosas de salário família. 4 – O contribuinte deixou de apresentar à fiscalização, apesar de instado em termo de intimação fiscal – TIF de nºs 03 e 04, os documentos exigidos pela legislação para que os pagamentos feitos a título de salários família e maternidade aos segurados empregados possam ser deduzidos das contribuições devidas. Não foram apresentados os seguintes documentos: Carteiras de vacinação para as crianças de até 06 anos, cujos pais receberam saláriofamília; Termos de responsabilidade e fichas de saláriofamília; Certidões de nascimento de filhos ou equiparados, e atestados de invalidez para os maiores de quatorze anos, cujos pais receberam saláriofamília; Comprovante semestral de frequência escolar para as crianças com mais de 07 anos, cujos pais receberam saláriofamília; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10670.001652/201011 Acórdão n.º 2803002.877 S2TE03 Fl. 7 6 Recibos e fichas de saláriomaternidade, bem como os atestados médicos. Pelo que se pode observar, a glosa consistiu na medida mais consentânea, tendo em vista que o contribuinte descumpriu as obrigações que lhes eram afetas, situação que implicou no descumprimento da legislação sobre o assunto, não restando à fiscalização alternativa que não o lançamento. A alegação de que 100% (cem por cento) do seu faturamento destinase a pacientes do SUS não tem a menor importância para o deslinde desta questão. O que se discute nestes autos é o descumprimento de regras impostas pela legislação, relativamente ao salário família pago a segurados empregados, obviamente, os que estão enquadrados no tipo. A origem do faturamento, portanto, não é motivo para o contribuinte descumprir obrigações previstas na legislação de regência, in casu, o art. 65 e seguintes da Lei nº 8.213/91, corretamente descrito no acórdão recorrido. De outra parte, também é totalmente desprovido o argumento de que o lançamento está viciado por incompetência do agente. No ponto, há que se observar que a autoridade lançadora é um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autorizado a exercer ser mister nos termos do art. 119 do CTN, bem como o art. 6º da Lei nº 11.457/07. Vêse, pois, que ao realizar o lançamento, a autoridade administrativa (Auditor Fiscal da RFB) cumpriu corretamente sua missão e observou com absoluto critério as regras para a constituição do crédito, conforme dispõem os artigos 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72. O lançamento está correto e deve ser mantido pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 3/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13896.001103/2003-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por
força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no
Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários
e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 11 03 /2 00 3- 52 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 3202001.017 S3C2T2 Fl. 888 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por QUATRO MARCOS LTDA contra Acórdão nº 1428.676, de 28 de abril de 2010 (de fls. 829 a 836), proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Em 03/03/2005, o estabelecimento acima identificado requereu ressarcimento do crédito presumido de IPI, apurado no período em destaque, com base na Lei nº 10.276/2001 (novo pedido), no montante de R$ 6.793.526,66, a ser utilizado nas compensações declaradas anexas ao presente. O pleito foi deferido parcialmente, no montante de R$ 838.173,21, sendo que a parcela do crédito negada deveuse à retificação do valor da receita operacional bruta e a exclusão das compras de mercadorias de pessoas físicas, aquisições para o imobilizado, notas fiscais repetidas, fretes não suportados pelos adquirentes e devoluções, no cálculo do crédito presumido. Em conseqüência, as compensações foram homologadas até o limite do crédito deferido. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou ser é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não restringiu, como é o caso das aquisições de carne de pessoas físicas, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte, considerando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 3202001.017 S3C2T2 Fl. 889 3 INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infrlegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, considerando que havia devidamente informado a autoridade competente a mudança de jurisdição, apresentando o recurso voluntário de fls. 855 a 862, além disso, conforme descrito na folha 840 pelo SEORT/DRF de Barueri, por equívoco da DRJ/POR/SECOJ, os autos foram enviados a DRF/BRE/SEORT, consoantes fl. 817 – o que propôs o recebimento do feito por esta DRF/BRE e, posteriormente, encaminhamento para a DRF/OSA/EQRCO para prosseguimento. O que foi afixado em 03.08.2010 o Edital SEORT nº 62/2010, dispondo que, nos termos do art. 23 item III do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 67 da Lei 9.532 de 10/12/98, por se encontrar em lugar incerto e ignorado, fica cientificado o contribuinte abaixo relacionados da intimação emitida nos respectivos processos, dentre o prazo de 30 (trinta) dias, contados do 16º (décimo sexto) dia da data de afixação deste, cujo processo se encontra nesta Repartição. Posteriormente direcionado para a juntada no processo em questão pela DRF/Oscasco após verificar que tal encontravase digitalizado na situação “excluído”. Sendo assim, ainda que não haja o AR comprovando a data da recepção pelo contribuinte do Acórdão expedido pela DRJ/RPO, considerando ter o contribuinte comunicado Fl. 888DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 3202001.017 S3C2T2 Fl. 890 4 devidamente a mudança de jurisdição, bem como a DRJ/Osasco ter recepcionado os documentos após identificar a situação “excluído” – o que impossibilitava a juntada digitalmente dos documentos no processo, conheço do r. recurso Do Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI – aquisição de pessoas físicas e atualização do ressarcimento pela selic Consta da peça de defesa da empresa, recepcionado em 11 de maio de 2012, que cuidase de caso típico de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI sobre a aquisição de produtos utilizados como insumos em sua atividade. Aduz a recorrente que o indeferimento da DRJ/RPOse deu sob o argumento de que a ausência de tributação das pessoas físicas pelas contribuições ao PIS e à COFINS seria fator impeditivo `a apropriação dos créditos. Traz a recorrente per si que a referida decisão merece reforma, tendo em vista que os arts. 1º e 2º da Lei 9.363/96, dispõem que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins, relativas às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, sendo a base de cálculo do r. crédito calculada sobre o valor total dessas aquisições. O que, por conseguinte, a DRJ considerou que inexiste tal possibilidade de ressarcimento quando envolver aquisição de insumos por pessoa física, haja vista as disposições contidas na IN 23/97 e IN 315/03 (e edições posteriores), que restringem o aproveitamento do crédito presumido de IPI tão somente para as aquisições de pessoas jurídicas sujeitas à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins. Vêse, portanto, que a matéria cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser observada, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. O que justamente, em que pese o STJ, em sede de recurso repetitivo (AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS) versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu: “O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 3202001.017 S3C2T2 Fl. 891 5 ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).” Importante mencionar que essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas. Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 890DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13896.001103/200352 Acórdão n.º 3202001.017 S3C2T2 Fl. 892 6 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10845.906769/2011-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 76 9/ 20 11 -1 6 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906769/201116 Resolução nº 3801000.597 S3TE01 Fl. 387 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/02/2012 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906769/201116 Resolução nº 3801000.597 S3TE01 Fl. 388 3 A retificação de PER/DCOMP só é possível por meio de documento retificador próprio e se pendente de decisão administrativa à data do pedido de retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906769/201116 Resolução nº 3801000.597 S3TE01 Fl. 389 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906769/201116 Resolução nº 3801000.597 S3TE01 Fl. 390 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906769/201116 Resolução nº 3801000.597 S3TE01 Fl. 391 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000065/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte.
EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS - DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO - POSSIBILIDADE DE CRÉDITO
As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Crédito deferido.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito nas despesas com disposição final de resíduos, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto na parte em que foi vencida.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator Ad Hoc
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, trata-se de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS - DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO - POSSIBILIDADE DE CRÉDITO As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Crédito deferido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 179 1 178 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13973.000065/200512 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.865 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria Declaração de Compensação PIS Recorrente SASSE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. EMPRESA DE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS DESPESAS COM RESÍDUOS DA PRODUÇÃO POSSIBILIDADE DE CRÉDITO As despesas com disposição final de resíduos da produção são UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Crédito deferido. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito nas despesas com disposição final de resíduos, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto na parte em que foi vencida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 65 /2 00 5- 12 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator Ad Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 148 a 153) apresentado em 14 de abril de 2009 contra o Acórdão no 0621.072, de 18 de fevereiro de 2009, da 3ª Turma da DRJ/CTA (fls. 139 a 146), cientificado em 16 de março de 2009 (fl. 169), que, relativamente a declaração de compensação de PIS do 4º trimestre de 2004, considerou a solicitação indeferida, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PERMITIDOS. Dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência não cumulativa, os insumos que, comprovadamente, forem aplicados diretamente no produto, consumidos c/ou alterados no processo produtivo da interessada. Solicitação Indeferida A declaração de compensação foi transmitida em 28 de fevereiro de 2005 e inicialmente deferida em parte pelo despacho de fls. 120 a 123, com base no termo de fls. 112 a 118. Consideraramse indevidos os créditos decorrentes de “despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação, transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança e despesas administrativas, as indiretas como projetos de produtos; assessoria empresarial, honorários advocatícios, disposição final de resíduos da produção, serviços de telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos [...]”. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata a presente lide do formulário declaração de compensação de fl. 01, protocolizado em 28/02/2005, no qual consta a indicação de um crédito de R$ 32.543,10, que adviria de PIS — Mercado Externo do 4' trimestre de 2004, conforme consta dos documentos de fls. 02/05, a ser utilizado para guitar debito fiscal Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 180 3 do código de tributo “1097”, relativo ao período de apuração 31/01/2005, no valor original de R$ 32.543,10. Às fls. 06/111, constam documentos de instrução do pleito. Consoante o exposto no Despacho Decisório de fls. 120/123, tendo por base o Termo de Verificação e Encerramento de Análise Fiscal de fls. 112/119, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, reconheceu parcialmente o direito creditório da interessada; transcrevese aqui a parte decisória do mesmo, in verbis: “Ante o plasmado no TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DE ANÁLISE FISCAL e de acordo com os resultados expostos na planilha página 8 deste documento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 6°, inciso I, alínea b, da Lei n.° 10.593, de 06 de dezembro de 2002, normatizadas administrativamente pelo art. 243, inciso II, do anexo a Portaria MF n.° 95, de 30 de abril de 2007 e pela Portaria DRF/Joinville n.° 48/2007, reconhecese parcialmente o direito creditório postulado, para considerar o valor RS 32.172,71 (trinta e dois mil, cento e setenta e dois reais e setenta e um centavos) C01710 o saldo dos créditos da contribuição para o P1S/Pasep, remanescente ao final do 4' trimestre de 2004, passível de ressarcimento sem a incidência de juros moratórios, nos termos do art. 52, § 5°, da IN SRF n.° 600/2005; homologamse as compensações de fls. 1 a 5 até o limite do crédito reconhecido; autorizase o pagamento do saldo porventura remanescente das compensações, observado o art. 34 da IN SRF n.° 600/2005; determinase encaminhamento deste processo pata ciência ao interessado do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal e do presente Despacho Decisório, informandoo da faculdade de interpor, no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra o reconhecimento parcial dos Pedidos de Ressarcimento, e dentais providências.” Conforme despachos Saort/DRF/JoinvilleSC de fls. 125/126, foram efetuados os trabalhos da compensação de débitos informados nas declarações de compensação de fls. Ak 01/05, utilizando o valor deferido de R$ 32.172,71 (fl. 124), tendo remanescido, como nãohomologada, a compensação de R$ 370,39, relativo ao código de tributo “1097”, do período de apuração 01/2005. Cientificada do despacho decisório e dos documentos de compensação, em 28/03/2008, conforme consta à fl. 131, a requerente, por meio de representante legal (procuração de fl. 137), apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 132/136, protocolizada em 29/04/2008, e a seguir sintetizada. Diz, resumindo os fatos havidos no processo, que seu pedido de ressarcimento de créditos do PIS, apurados no regime da não cumulatividade no 4° trimestre de 2004, seriam decorrentes de operações de exportação, sendo que o fisco entendeu que do valor requerido de R$ 32.543,10, somente R$ 32.172,71, seria legitimo, posto que as despesas indiretas com pessoal (entre Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 essas: alimentação, transporte para o local de trabalho, cestas básicas, despesas com viagens, remédios, uniformes e equipamentos de segurança) e despesas administrativas indiretas (como projetos de produtos, assessoria empresarial, honorários advocatícios, disposição final de resíduos da produção, serviços e telefonia fixa e móvel e vigilância de seus estabelecimentos) não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS não cumulativo. Sustenta, quanto às despesas consideradas indiretas pelo fisco, que consistem em “bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda”, de modo que seria legitimo o seu creditamento, dizendo que o conceito de insumo não pode ficar restrito àqueles produtos e serviços que irão, efetivamente, compor o produto final, e que se tratariam, no caso, de despesas relativas a uniformes e equipamentos de segurança, ao custo de desenvolvimento de produtos, assessoria empresarial, entre outras, as quais, sem dúvida alguma, consistiriam em custos necessários ao desenvolvimento de suas atividades. Argumenta que a base de cálculo que utilizou na apuração de seus créditos encontra total amparo nas Leis n.° 10.637/2002 c n.° 10.833/2003, não se podendo admitir a interpretação que lhes foi atribuída pelo fisco, que violaria a nãocumulatividade do PIS. Registra que o principio da legalidade garante aos administrados que a Administração Pública não constituirá ato sem previsão legal, transcrevendo, quanto a isso, excertos da doutrina, comentando, ainda, que (fl. 134): “qualquer.. _ato praticado pela Administração Pública, portanto, tem sua legitimidade condicionada aos termos previstos na lei, ou seja, tendo sido concedido pela lei crédito sobre o custo dos insumos empregados na atividade produtiva, inadmissível a restrição sob a alegação de que não estariam compondo diretamente o produto final. Ora, todas as despesas em questão estão diretamente relacionadas as atividades desenvolvidas pela Impugnante, consistindo em custo imprescindível ao seu normal desenvolvimento”. Faz, também, com base na doutrina, considerações sobre o principio da finalidade do ato administrativo, após o que, extrai a seguinte conclusão (fl. 136): “Desse modo, a finalidade do ato administrativo é, em última análise, o interesse público. : Por conseguinte, se o objetivo da concessão ao crédito da contribuição era o de dar efetividade ao principio da não cumulatividade, desonerando o custo da produção, não restam dúvidas de que a base de calculo empregada pela Impugnante não poderia ter sido desconsiderada, visto referirse a despesas integralmente relacionadas a sua atividadefim”. Por fim, requer seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, de modo que o crédito requerido seja integralmente deferido. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 181 5 A f1. 138, despacho da ARF/Jaraguil do SulSC, atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade." A DRJ concluiu o seguinte: Conforme cópia das notas fiscais de fls. 86/111, e o explicitado no item "4.3.1.3 Bens e serviços utilizados corno insumo dos produtos industrializados pela PJ", os valores glosados dizem respeito a aquisições que, conforme a legislação antes transcrita, não se enquadram no conceito de insumos utilizados na produção (na verdade, dizem respeito a aquisição de materiais de expediente, materiais de limpeza, louças, peças de vestuário de trabalhadores, tais como luvas e guardapó, etc.), não podendo servir para o creditamento do PIS. Destaquese, também, que a interessada não apresentou argumentos específicos contra essa glosa, fazendo alegações genéricas sobre o conceito de insumo. No recurso, a Interessada defendeu a tese de que “o conceito de insumo não poderia ser restringido àqueles produtos e serviços que irão, efetivamente, compor o produto final.” Citou opinião da doutrina, para concluir que, “se objetivo da concessão ao. crédito da contribuição era o de dar efetividade ao principio da nãocumulatividade, desonerando o custo da produção, não restam dúvidas de que a base de cálculo empregada pela Recorrente não poderia ter sido desconsiderada, visto referirse a despesas integralmente relacionadas a sua atividadefim.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva, Relator ad hoc Inicialmente registro que o voto a seguir reproduzido é de autoria do então Conselheiro Relator José Antonio Francisco, o qual transcrevo por ter sido designado Relator ad hoc. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição, expressamente ditada pelo texto legal, é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Em segundo lugar, os insumos precisam ser utilizados na produção, vale dizer, devem fazer parte do processo produtivo. Portanto, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito é de que se refira a insumo de produção ou de prestação de serviço e não a circunstância de se tratar de despesa necessária ou imprescindível para a obtenção do produto. Nesse contexto, todas as despesas glosadas não geram crédito, pois não se referem a insumos. À vista do exposto e adotando o fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Walber Jose da Silva Relator Ad Hoc Voto Vencedor Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 182 7 Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Fui designada para redigir o voto vencedor acerca da concessão de créditos na sistemática não cumulativa do PIS para as despesas com disposição final de resíduos da produção. Para melhor compreensão da razão da concessão, traço algumas linhas acerca do conceito de insumo para o crédito básico da sistemática não cumulativa do PIS e Cofins. A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a atividade da Recorrente. Determina a lei: “Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (Cofins) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 183 9 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. Em 2007 a redação da Lei nº 10.637/02 era a seguinte: “Lei 10.637/02 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III – vetado. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 184 11 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 4o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” – destaquei Ainda com relação ao PIS não cumulativos e à possibilidade de insumos, a Lei nº 10.833/03 em seu artigo 15 assim determina: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º1 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput2 e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º3 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º4desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 1 Lei nº 10.833/03 "Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; (...)" 2 Lei 10.833/03, artigo 3º: "(...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)" 3 Lei 10.833/03 artigo 3º: " Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. (...) § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 185 13 IV nos arts. 7º e 8º5 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 106 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) VI no art. 137 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004).” A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e para a COFINS, o emprego 4 Lei 10.833/03: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 3º O disposto nos §§ 1º e 2ºaplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8ºe 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1ºnão beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. 5 Lei nº 10.833 "Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, a pessoa jurídica optante pelo regime previsto no art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado na forma do art. 3º, na proporção das receitas efetivamente recebidas. Art. 8º A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, será calculada sobre a receita apurada de acordo com os critérios de reconhecimento adotados pela legislação do imposto de renda, previstos para a espécie de operação. Parágrafo único. O crédito a ser descontado na forma do art. 3ºsomente poderá ser utilizado na proporção das receitas reconhecidas nos termos do caput." 6 Lei nº 10.833/03: "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005). (...) VI as sociedades cooperativas; (...) IX as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens; (...) XXVII (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) Parágrafo único. Ficam convalidados os recolhimentos efetuados de acordo com a atual redação do inciso IX deste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º (antigo parágrafo único) Ficam convalidados os recolhimentos efetuados de acordo com a atual redação do inciso IX deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O disposto no inciso XXV do caput deste artigo não alcança a comercialização, licenciamento ou cessão de direito de uso de software importado. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" 7 Lei. 10.833/03: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2ºdo art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores." Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de “custo” e de “despesa” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou doIRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração não cumulativa dos tributos. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e do PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes8, o que causa reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e para a COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não tiveram contato direto com o produto, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da Carta Magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” 8 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 186 15 Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita9 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco 9 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 Aurélio Greco10: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS, que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos, em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito na sistemática aplicada ao PIS e à COFINS, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma através da qual se deu esta tributação ou o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pela sistemática do SIMPLES, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário11. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito a um crédito correspondente à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa para a apuração do crédito sobre o insumo, ao contrário do que ocorre na apuração de créditos nos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes, com outros inevitavelmente inovadores, pois formados de significação específica para a sistemática de não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges12: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de 10 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 11 Lei nº 10.833/03, art. 3º, 12 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 187 17 PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplicam, portanto, os critérios da não cumulatividade do IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado, para determinar se ele dá ou não direito ao correspondente crédito. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, estabelecidos pelos artigos 29013 e 29914 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. 13 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 14 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (por exemplo, despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc...) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, considerados como insumos geradores de crédito na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o conceito de custo de produção também é diferente do conceito de insumos utilizado pela legislação das contribuições, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a equiparação do valor gasto com a folha de salários com o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e para a COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...)”. A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 15 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativos para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS 15 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13973.000065/200512 Acórdão n.º 3302001.865 S3C3T2 Fl. 188 19 e da COFINS é aferir receita16, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita, naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, passo à análise do insumo pleiteado, qual seja: despesas com disposição final de resíduos da produção. Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS, a meu sentir, difere daquele utilizado para ICMS/IPI17, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. Nos termos do II do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições são entendidos como insumos: “bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes,...” In casu, a contribuinte é empresa do ramo de alimentação, produz alimentos e requereu o aproveitamento de crédito decorrente de despesa indireta com pessoal e despesas administrativas, sem, contudo, fazer prova de os itens requeridos terem sido utilizados na produção, razão pela qual o colegiado analisou o pedido pelo conceito dos itens requeridos. Com base nesta percepção e em vista da atividade da empresa, o colegiado, por maioria, entendeu que as despesas com disposição final de resíduos da produção foram UTILIZADAS direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); são INDISPENSÁVEIS para a produção de alimentos e estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Por esta razão que houve a concessão parcial do crédito pleiteado. 16 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” 17 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a existência de crédito no sistema nçao cumulativo de PIS para as despesas com disposição final de resíduos da produção. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Em razão de ter sido vencida em relação à concessão de crédito para as despesas incorridas com os projetos de produtos, faço a presente declaração de voto. Conforme esclarecido, entendo que o conceito de insumos, para a concessão de créditos na sistemática não cumulativa de PIS e COFINS deve ser analisado sob sua própria ótica e interpretado de acordo com todo o ordenamento jurídico. Com base nesta percepção e em vista da atividade da empresa, entendo que os projetos de produtos fazem parte do processo produtivo dos alimentos, que foram UTILIZADOS direta pelo contribuinte na sua atividade (produção de alimentos); que são INDISPENSÁVEIS para a produção dos alimentos e que, portanto, estão RELACIONADAS ao objeto social do contribuinte. Por esta razão que ouso divergir da posição do ilustre Relator para o fim de conceder o crédito também neste particular. É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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