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Numero do processo: 11516.720154/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.922
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 54 /2 01 2- 70 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.091. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720154/201270 Acórdão n.º 3302003.922 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722300/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 30 0/ 20 10 -9 4 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.297.2500, consolidado em 07/10/2010, em face da ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., no valor de R$ 18.183,86 (dezoito mil, cento e oitenta e três reais e oitenta e seis centavos), referente à multa por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com incorreções, omissões, ou inexatidões no período de 01/99 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/11 os fatos que ensejaram tal atuação se baseiam em documentos já existentes no Auto de Infração original (DEBCAD N° 35.675.4189), anulado pro vício formal. Sendo assim, o Auto de Infração aqui tratado, se configura como um lançamento substitutivo. A Fiscalização alega que o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a conseqüente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. A Recorrente apresentou Impugnação e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AIOA DEBCAD n.º 37.297.2500 (CFL 69) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 161/165, alegando, em síntese: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente, a presente Autuação, por conexão administrativa, terá provimento intimamente ligado com aquele a ser deferido no processo de n° 10166016223/200815, em que se discute o AI DEBCAD n° 35.675.4219, na medida em que, se considerada insubsistente a obrigação principal, não há como subsistir a obrigação acessória; Que o presente processo deve ser apensado ao que trata da obrigação principal, para conjunta tramitação, sob pena de nulidade; Que a autuação fiscal se mostrou irregular, baseada em insinuações e desprovidas de razoabilidade; Que as conclusões fiscais são ilegítimas posto terem sido alcançadas pela análise de dados realizada de forma tendenciosa. Que os critérios de aferição para conceber os valores apurados como não informados em GFIP ou levados a registros contábeis se deu de forma temerária quando se valeu de presunção alicerçada em bancos de dados utilizados apenas como meio de controle interno para apuração do salário de contribuição tido como devido; Que tais questões devem ser debatidas no processo de n° 10166.016223/200815 (obrigação principal) posto que seu resultado refletirá no resultado deste. A 3ª Turma Especial do CARF, por intermédio da Resolução nº 2803000.127, às fls. 167/174, por maioria de votos, entendeu pela conexão e determinou que os presentes autos fossem encaminhados à 1º TO da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, ou Turma responsável, para julgamento conjunto com processo nº 10166.016223/200815, com base no artigo 9º , § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nesse diapasão, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 Seção, ao analisar os autos já com as devidas conexões promovidas, mais uma vez converte o feito em diligência, por intermédio da Resolução nº 2302000.357, às fls. 178/181, tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, naquele feito, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Assim o julgamento foi convertido em diligência para que se aguarde o deslinde do processo nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão a ser proferida nestes autos. Ocorre que, da manifestação fiscal, em retorno da diligência solicitada nos autos nº 10166.016223/200815, a Recorrente não foi intimada a se manifestar, conforme pude constatar após análise daqueles autos. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Resolução nº 2401000.580 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Inicialmente cumprese ressaltar que a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, por intermédio da Resolução nº 2302000.357, às fls. 178/181, converteu o presente feito em diligência tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência, naquele feito, estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Ocorre que, após o retorno da referida diligência de fls.11.251/11.253, nos autos do processo nº 10166.016223/200815, ao invés de se promover a intimação da Empresa Recorrente para se manifestar sobre o retorno da diligência, o processo foi encaminhado para nova distribuição/sorteio de Relator, em virtude do anterior não mais pertencer ao colegiado do CARF (fls.11.256). Em seguida, os autos foram designados a esta relatoria (fls.11.263). Assim, novamente aquele feito foi convertido em diligência para intimar a Recorrente a se manifestar sobre a Informação Fiscal proferida. Nessa esteira de acontecimentos, diante da falta de intimação para manifestação da Recorrente naquele feito, e em observância ao princípio da ampla defesa e do contraditório, reitero a conversão do presente feito em diligência, para que se aguarde o deslinde do processo principal nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão aqui a ser proferida.. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000577/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004
PROVA PERICIAL. CONCLUSÃO DA NÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO QUE GARANTAM A APOSENTADORIA ESPECIAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL AO GILRAT.
Comprovando-se mediante prova pericial que os trabalhadores não se encontravam expostos a condições de trabalho que lhes garantia o benefício da aposentadoria especial, considera-se inocorrido o fato gerador da contribuição adicional àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho - GILRAT.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2402-005.862
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões em relação ao mérito o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PROVA PERICIAL. CONCLUSÃO DA NÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO QUE GARANTAM A APOSENTADORIA ESPECIAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL AO GILRAT. Comprovando-se mediante prova pericial que os trabalhadores não se encontravam expostos a condições de trabalho que lhes garantia o benefício da aposentadoria especial, considera-se inocorrido o fato gerador da contribuição adicional àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho - GILRAT. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
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ADICIONAL DA CONTRIBUIÇÃO AO GILRAT PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. Recorrente CUMMINS BRASIL LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PROVA PERICIAL. CONCLUSÃO DA NÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A CONDIÇÕES DE TRABALHO QUE GARANTAM A APOSENTADORIA ESPECIAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL AO GILRAT. Comprovandose mediante prova pericial que os trabalhadores não se encontravam expostos a condições de trabalho que lhes garantia o benefício da aposentadoria especial, considerase inocorrido o fato gerador da contribuição adicional àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho GILRAT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2004 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 77 /2 00 7- 24 Fl. 8191DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões em relação ao mérito o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 8192DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por Turma do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, onde se decidiu devolver os autos à origem para realização de perícia técnica. O lançamento Conforme o relatório fiscal de fls. 485/503, a NFLD n. 35.684.5915 foi lavrada para exigência adicional para financiamento das aposentadorias especiais previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.° 8.213/91, o qual representa um acréscimo à contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (art. 22, inciso II, da Lei n.° 8.212/91). Afirmase que a lavratura se deu em razão da empresa haver deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de controlar os riscos ocupacionais existentes e por fim, de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Segundo o fisco, foi realizada auditoria nas demonstrações ambientais mediante análise de Perfis Profissiográficos Previdenciários PPP; Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho LTCAT; Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA; Programa de Controle Médico da Saúde Ocupacional PCMSO; Comunicações de Acidentes de Trabalho CAT e demais documentos relacionados à comprovação do gerenciamento do ambiente laboral. Registra que no campo "ocorrência" da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social foi lançado código incompatível com as efetivas condições de trabalho observadas pela documentação apresentada. Mencionase que este campo indica a exposição ou não do trabalhador a agente nocivo que implique na concessão de aposentadoria especial pelo INSS. Diante da situação narrada, o fisco lançou por arbitramento o crédito referente ao financiamento da aposentadoria especial, com fundamento no art. 57, § 6.° da Lei n.° 8.213/1991, introduzido pelo art. 1.° da Lei n.° 9.732/1998. Ressaltase que as contribuições incidiram, exclusivamente, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados sujeitos às condições especiais de trabalho, com atuação no estabelecimento fabril. A seguir a autoridade fiscal passa a narrar as inconformidades verificadas nos documentos examinados, as quais resumo a seguir. a) Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP Fl. 8193DF CARF MF 4 A empresa não fornecia ao empregado quando da rescisão do contrato de trabalho o PPP, documento que abrange as atividades desenvolvidas pelo trabalhador, de modo que este pudesse fazer prova junto ao INSS do nível de exposição a agentes nocivos a que estava submetido. O descumprimento deste dever legal deu ensejo à lavratura do Auto de Infração AI n. 35.684.2720. Apresenta relação dos trabalhadores desligados para os quais a empresa não conseguiu comprovar a entrega do documento, o que, segundo o fisco, representa descaso do empregador para com a questão, tendose em conta o alto grau de incidência de acidentes de trabalho e a exposição dos empregados a diversos agentes nocivos. b) Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho LTCAT Afirmase que a empresa também deixou de apresentar este documento para todo o período exigido, obrigação legal a que se sujeitava desde 28/04/1995, exceto para o agente ruído, para o qual sempre houve esse dever. Para a autoridade lançadora constatase que a empresa não mensurou, por exemplo, a efetiva exposição dos trabalhadores ao agente físico ruído em relação aos limites de tolerância, já que para isso, deveria considerar o tempo de exposição e a intensidade (nível de ruído). c) Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA Segundo o fisco, os PPRA apresentados indicam que a empresa reconhece a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho, tendo constado nos programas apresentados a necessidade de neutralizar ou atenuálos, mediante a utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva EPC e Equipamentos de Proteção Individual EPI. Todavia, relatase que a notificada não comprovou o controle eficaz sobre o uso de EPI, por não haver ficha individual por trabalhador até 2003, quando o próprio PPRA/2000 já apontava a necessidade de revisão no controle de fornecimento de protetor auricular. Indicase que a empresa já havia sido autuada pelo mesmo fato em ação fiscal pretérita. d) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO Registrase que na análise dos PCMO relativos ao período de 1999 a 2004 o mapeamento do risco ruído não abrange todas as áreas sujeitas ao agente nocivo, conforme detalhado no PPRA. Nesse sentido os setores não contemplados não possuem o gerenciamento relativo a este risco. O PCMSO de 2000 registra a incidência de Perdas Auditivas Induzidas pleo Ruído PAIR com origem no ambiente laboral. Esta afirmação é corroborada pelo Relatório Fiscal da Infração referente ao AI DEBCAD n°. 35.684.2711. Menciona que os dados extraídos do PCMSO não retroalimentaram o PPRA, que deveria ter sido alterado em função dos resultados dos exames clínicos realizados nos segurados expostos aos agentes nocivos. e) Comunicação de Acidente de Trabalho CAT A autoridade fiscal ressalta que empresa foi autuada por ter deixado de emitir a CAT para os casos de acidentes de trabalho sem afastamento e os agravamentos de doença Fl. 8194DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 4 5 ocupacional AI DEBCAD 35.684.2711, como referenciamos acima. Dentro do prazo regulamentar não apresentou defesa, tendo efetuado o recolhimento da multa. Tal fato, no entender do fisco, reflete o reconhecimento pela empresa da ineficácia dos seus programas de redução/neutralização dos agentes nocivos. d) Reclamatórias trabalhistas O elevado número de ações trabalhistas movidas contra a notificada, com objetivo do recebimento de insalubridade e periculosidade, dão conta da incapacidade da empresa de gerenciar os seu ambiente de trabalho quanto à redução dos agentes que prejudicam a saúde do trabalhador. Com base no artigo 233 do Decreto n.º 3048/99 e da IN INSS/DC n.º 100/03, foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos, de acordo com a documentação apresentada, ou seja, aqueles ligados aos setores da produção. Os valores apurados foram extraídos das folhas de pagamento fornecidas pela empresa, no período de 04/1999 a 11/2004, inclusive o décimo terceiro salário dos empregados horistas, conforme planilhas eletrônicas sob código de identificação 4100397009. A impugnação A empresa apresentou impugnação tempestiva de fls. 513/549, onde, em apertada síntese, alegou que: a) quando da apresentação da GFIP não declarou a existência de empregados sujeitos a condições de trabalho que lhe garantissem a aposentadoria especial, uma vez que estes não laboravam em ambientes que lhes desse direito ao mencionado benefício; b) o lançamento está incorreto, pois tomou como premissa presunções lastreadas apenas em documentos e laudos apresentados e na existência de reclamatórias trabalhistas; c) a empresa deixou de apresentar ao fisco os documentos PPP e LTCAT, razão pela qual foi autuada, no entanto, efetuou o recolhimento da multa; d) recolheu também a multa decorrente da conduta de apresentar o PPRA com irregularidades formais; e) No tocante a falta de encaminhamento da CAT no prazo legal, seguiu o mesmo proceder, com quitação da multa, todavia, em absoluto isso representa o reconhecimento da ineficácia de seus programas de proteção à saúde do trabalhador; f) os fatos narrados pelo fisco, no máximo, podem caracterizar indícios, mas não autorizam a automática presunção da existência de riscos, uma vez que não restou comprovado em momento algum a existência de segurados sujeitos a condições especiais de trabalho que gerassem a aposentadoria especial; g) inexiste relação lógica de antecedente e consequente entre a falta ou deficiência de um documento e a falta de gerenciamento do ambiente de trabalho; Fl. 8195DF CARF MF 6 h) a notificada já sofreu a punição pela falta de entrega de elementos ou pela sua apresentação deficiente mediante a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória; i) para prestigiar o princípio da verdade material, deveria o fisco, no decorrer da sua auditoria, verificar em que circunstâncias e quais empregados estariam permanentemente exposto a agentes nocivos; j) verificase que o crédito tributário foi lançado com base em simples presunção de que o ambiente ocupacional no qual se encontram seus empregados é de elevado grau de risco. Tal procedimento não é admitido pela doutrina, conforme texto citado; k) irregularidades formais no controle dos EPI não são suficientes para, por si só, descaracterizar o seu fornecimento pela notificada e a efetiva utilização pelos empregados; l) para a jurisprudência, não havendo ambiente insalubre ante o fornecimento dos EPI, é inadmissível o enquadramento do trabalho como especial, de modo que não há que se falar na existência de aposentadoria especial e muito menos na exigência do respectivo adicional; m) a existência de reclamatórias trabalhistas também não é suficiente para confirmar a presunção fiscal, posto que os laudos produzidos nestas ações ou concluem que as condições de trabalho são satisfatórias ou que os EPI eliminam o agente nocivo presente no ambiente fabril. Cita laudo em que o especialista menciona que o ruído se encontra dentro dos limites legais, além de que este agente é eliminado pelo uso de EPI; n) ainda que a contribuição fosse devida, não poderia ser incluída na base de cálculo a remuneração dos aprendizes matriculados no SENAI; o) há de se reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano de 1999; p) a taxa SELIC é inaplicável para fins tributários. A diligência O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência, de modo que o fisco se pronunciasse acerca da inclusão na base de cálculo dos valores pagos aos aprendizes encaminhados pelo SENAI. O fisco reconheceu como indevida a inclusão desses trabalhadores na apuração e propôs a retificação do lançamento. A empresa se manifestou no sentido de reafirmar o que já havia exposto e adicionar relatório técnico cuja conclusão é de que o uso de protetores auriculares atenuava a incidência do agente ruído a níveis aceitáveis. Ao final, requereu a declaração de improcedência da lavratura ou que seja deferido o seu pedido para realização de perícia técnica com a finalidade de comprovar suas alegações. Apresentou os quesitos e o seu assistente técnico. Fl. 8196DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 5 7 A decisão de primeira instância Na decisão de fls. 5.295/5.321, decidiuse pela procedência parcial do lançamento, acatando a sugestão de excluir da base de cálculo os valores correspondentes a pagamentos a aprendizes do SEBRAE. Acerca da utilização de EPI, o julgador da Secretaria da Receita Previdenciária ponderou que o uso do equipamento não garante a proteção ao trabalhador, sendo fundamental o monitoramento contínuo do ambiente laboral, em consonância com normas que regem a matéria. Afirmase que as autuações por descumprimento de obrigação acessória, embora não possam dar fundamento ao lançamento da obrigação principal, concorrem como elemento formador de convicção acerca do descumprimento de normas de proteção à saúde do trabalhador, como é o caso das CAT apresentadas fora do prazo. Alegouse ainda que o lançamento não foi apenas lastreado em aspectos formais, mas houve o aprofundamento da análise documental, onde se constatou que os relatórios de exames médicos, em especial no que tange ao controle de audiometria, revela de grande magnitude a incidência de Perda Auditiva Induzida por Ruído — PAIR. Acrescentouse que o fato da empresa de deixar de entregar Atestado de Saúde Ocupacional — ASO aos funcionários que tiveram exames alterados é mais uma evidência do acerto do fisco. Também tomouse como evidência do deficiente gerenciamento de riscos a existência de grande número de reclamatórias trabalhistas onde os demandantes exigiam adicional de insalubridade. Não foram acatados como provas da existência de controle dos agentes nocivos no local de trabalho os laudos produzidos em processos judiciais, por se tratarem de situações específicas e restrito às partes. Quanto ao relatório encaminhado juntamente com aditamento da defesa, o julgador alega que foi produzido quando a empresa já se encontrava em ação fiscal e o estudo se prolonga para competências não abrangidas pela NFLD. Afirmase ainda que o procedimento de auditoria fiscal, não teve o objetivo de atribuir ineficiência aos equipamentos de proteção individual e coletiva, a imposição do débito presente se deu em face do mau gerenciamento dos riscos ocupacionais como ficou demonstrado pela auditoria. Segundo o julgador monocrático, as normas internas de gerenciamento de risco mostramse ineficazes quando são colocadas de frente com a alta incidência de PAIR, com as ações trabalhistas e com o não cumprimento das normas cogentes aplicáveis à matéria. O pedido de perícia foi indeferido sob o argumento de que não teria utilidade para solução da lide uma vez que os quesitos formulados já são contemplados pela descrição do fisco, além que a verificação de fatos atuais não alteraria a irregularidade de condições de trabalho pretéritas. A decadência suscitada não foi reconhecida e, quanto à aplicação da taxa Selic, foi considerada em conformidade com ordenamento tributário pátrio. Fl. 8197DF CARF MF 8 Em razão da desoneração acatada na decisão monocrática, foi necessária a homologação pela Chefia do Serviço da Receita Previdenciária, autoridade superior, conforme consignado à fl. 5.321. O recurso voluntário Cientificado da decisão em 12/08/2005, fl. 5.327, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 17/10/2005, fls. 5.335/5.419. A empresa postula inicialmente o recebimento do recurso, uma vez que acompanhado da guia recursal, além de ser tempestivo. Acerca da tempestividade, alega inicialmente a suspensão do prazo para recorrer pela própria RFB e, depois, por força de liminar, concluindo que na data da protocolização ainda não havia precluído o seu direito de interpor o recurso. A seguir, relata os fatos processuais ocorridos até a decisão de primeira instância e suscita a nulidade da decisão de primeira instância, de modo que seja produzida a prova pericial e efetuada análise acurada do relatório técnico acostado na defesa aditiva. Argumenta que a recorrente não pode ser compelida ao recolhimento do adicional à contribuição social para a Seguridade Social, pois seus empregados não estavam expostos ao agente ruído em patamar superior ao previsto pela legislação previdenciária, como restou demonstrado no relatório técnico elaborado por peritos, o qual, foi sumariamente rejeitado pelo julgador a quo juntamente com o pedido de perícia, configurando ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa, além do cerceamento ao seu direito de defesa. Refuta a presunção levada a efeito pela fiscalização, sob a alegação de que o relatório técnico demonstrou empiricamente que nenhum funcionário da recorrente estaria exposto a níveis de ruídos acima dos previstos pela legislação previdenciária. Enfatiza que, partindose da premissa adotada na decisão recorrida no sentido de que a prova (relatório técnico) teria sido produzida somente após o inicio da fiscalização, o próprio lançamento padeceria de vicio, pois a autoridade lançadora também não teria como presumir a existência do agente ruído no período anterior ao inicio da ação fiscal. Assevera que o anexo V do relatório técnico comprova que havia a efetiva entrega dos EPI aos funcionários que atuavam no parque fabril e que estes poderiam requisitar os equipamentos quantas vezes necessitassem. Menciona ainda que realizava palestras regulares sobre a importância da sua utilização, além de aplicar sanções disciplinares aos empregados que descumprissem as regras de segurança. Advoga que a falta do monitoramento contínuo dos riscos, caso tivesse sido demonstrada pelo fisco não poderia dar margem à incidência do adicional em questão, uma vez que a suposta ausência de monitoramento não é fato gerador do tributo, o qual somente se concretiza diante da exposição de trabalhadores a condições de trabalho que dêem ensejo à aposentadoria especial. No que diz respeito aos descumprimentos de obrigações acessórias, alerta que não podem levar à exigência de tributo sem que tenha ocorrido o fato gerador previsto em lei, mormente quando há prova exatamente em sentido contrário. Argumenta que os exames de audiometria realizados pela recorrente foram elaborados levando em conta a Tabela Merluzzi, a qual por não considerar todas as causas de Fl. 8198DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 6 9 perda de audição não pode ser utilizada para uma análise segura. Nesse sentido, as demonstrações constantes nos Anexos III e IV da NFLD se mostram inadequadas. Sustenta que o número de ações trabalhistas contra a recorrente também não é um critério seguro para se concluir acerca da falta de gerenciamento dos riscos ambientais. O acesso ao Judiciário é garantido a todos e o exercício desse direito não pode ser tomado como evidência para dar suporte a acusação fiscal combatida. Demais disso, segue, em grande parte das referidas ações trabalhistas, a recorrente acostou provas periciais comprovando a salubridade do local de trabalho das reclamantes, que não foram sequer analisadas pelo fisco. Assegura que as razões de decidir expostas no aresto atacado não devem ser mantidas, uma vez que o julgador monocrático, não obstante tenha reconhecido a preocupação da empresa com a questão de segurança, afirma que o mundo ideal apresentado na defesa divergiria do mundo fático, dada a ineficácia do gerenciamento dos riscos, alta incidência de PAIR, ações trabalhistas e não cumprimento das obrigações acessórias atinentes à prevenção contra os agentes nocivos no ambiente laboral. Insiste em afirmar que a apreciação da questão pelo órgão a quo parte de premissas vagas e que não levaram a uma acurada análise técnica do relatório acostado, a qual seria imprescindível para o deslinde da contenda. Suscita a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano de 1999 e a inaplicabilidade da taxa Selic para fins tributários. Por fim, pede a declaração de improcedência do lançamento ou realização de perícia, para qual indica assistente técnico e se reporta aos quesitos formulados na defesa complementar. Contrarrazões Às fls. 5.429/5.439 foram juntadas contrarrazões apresentadas pela Delegaria da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Guarulhos/SP rebatendo as razões recursais, em especial alegando que: a) não houve o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, haja vista que o laudo pericial acostado foi apreciado, conforme se pode ver dos itens 43 a 49 decisão notificação; b) o pedido de perícia foi indeferido mediante fundamentada análise baseada nos elementos fornecidos pela autoridade lançadora, bem como nos demais documentos constantes dos autos, ficando claro que no contexto do trabalho de auditoria foram exauridos formulados no pedido de perícia técnica; c) o relatório pericial acostado partiu de amostragens de campo e certificados de calibração emitidos a partir de 11/2004, inexistindo elementos no referido documento que desfaçam as perdas auditivas já consolidadas no tempo; d) não há como acatar a desconsideração dos documentos que comprovam a ocorrência de moléstias do trabalho em razão da inadequação do método utilizado pela própria empresa (Tabela Merluzzi); Fl. 8199DF CARF MF 10 e) ainda que a empresa tenha tomado providências no sentido de aprimorar o gerenciamento ambiental, os fatos pretéritos permanecem inalterados, o que justifica o lançamento, o qual tomou como fundamento as práticas omissivas pelas quais a recorrente foi autuada anteriormente, a exemplo de não fornecer o ASO aos segurados com exames alterados, não efetuar comunicações de acidentes de trabalho e não entregar o PPP. A diligência determinada pelo CRPS A 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS entendeu cabível a conversão do julgamento em diligência, fls. 5.451/5.467. A determinação foi no sentido de que fosse realizada análise pericial do ambiente de trabalho no estabelecimento fabril da recorrente, respondendose aos quesitos formulados pela recorrente e se atestando ou não a existência de gerenciamento eficaz e adequado do seu ambiente laboral que impeça a exposição dos trabalhadores a agentes nocivos a sua integridade física. A diligência deveria ainda esclarecer se existiria anterior benefício de aposentadoria especial concedido a empregados da recorrente e se há correlação entre os benefícios acidentários ou previdenciários concedidos e a presença de agentes nocivos que dêem direito à aposentadoria especial. O resultado da diligência Em atendimento à diligência, o fisco manifestouse às fls. 5.477/5.479, onde relata que uma análise do ambiente laboral, mediante visita in loco, não teria serventia, haja vista que a situação atual poderia não refletir as condições existentes quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, o auditor sugeriu que os autos fossem encaminhados a médico perito do INSS para que se pronunciasse acerca do gerenciamento dos riscos no ambiente de trabalho com base nos exames médicos efetuados nos empregados da recorrente e outros elementos. O Médico do Trabalho e Perito do INSS emitiu o parecer técnico de fls. 5.531/5.667, onde, após longo arrazoado concluiu que: "Nos levantamentos por amostragem que procedemos nesta gerência, constatamos o enquadramento em alguns casos, para períodos até 05 de Março de 1997, no Anexo III, do Decreto 53.831/64831/64, sob o código 1.1.6, por exposição a níveis de pressão sonora superiores a 80 dB(A), de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente. Mister se faz ressaltar, no entanto que as análises que concluíram pela concessão não levaram em consideração o uso de Equipamentos de Proteção Individual, protetores auriculares, apesar de consignado nos laudos que ensejaram o enquadramento. Em outras análises o enquadramento foi negado em função de informações constantes do Perfil Profissiográfico Previdenciário de que os resultados dos níveis de pressão sonora foram obtidos por similaridade, contrariando os atos normativos vigentes à época da análise, especificamente a Instrução Normativa INSS 118, de 14 de Abril de 2005, DOU de 18.04.05, em • seu artigo 161, § 30, inciso III." Fl. 8200DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 7 11 O Médico do Trabalho indicado como assistente técnico da empresa emitiu seu lado de fls. 5.681 e segs., no qual o profissional se propôs a analisar os 34 processos judiciais ajuizados contra a empresa entre 2001 e 2006, onde se discute indenização por danos ou reintegração ao emprego. Foi objeto do laudo também o Programa de Proteção Auditiva PPA da empresa do ano de 2007. A manifestação do sujeito passivo A empresa se manifestou sobre o parecer do Perito do INSS às fls. 7.741/7.755, ali expõe que as respostas apresentadas no documento comprovam que a empresa gerenciava adequadamente os riscos do ambiente de trabalho e que os seus empregados não estavam expostos a agentes nocivos que lhe garantisse a concessão do benefício de aposentadoria especial, assim não seria devido o adicional lançado. Pede a juntada de manifestação do seu assistente técnico acerca do laudo elaborado pelo Perito do INSS. Os autos retornaram para julgamento pelo CARF. É o relatório. Fl. 8201DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Análise da admissibilidade já foi efetuada quando do julgamento no CRPS, tendo sido considerado tempestivo o recurso. Mantenho este entendimento. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 8202DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 8 13 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, a ciência do lançamento, que abrange o período de 04/1999 a 11/2004, ocorreu em 21/01/2005. Tendose em conta que o lançamento se refere apenas ao adicional do GILRAT é de se concluir que havia antecipação do pagamento para a contribuição principal, o que nos conduz a aplicação da regra do § 4.º do art. 150 do CTN para a contagem da decadência. Nesse sentido, devem ser afastadas pela decadência as competências de 04 a 12/1999. Mérito O tributo em questão é o adicional à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT, previsto para financiamento da aposentadoria especial, conforme previsão dos arts. 57 da Lei n.º 8.213/1991, verbis: Art.57.A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. O art. 58 da mesma Lei estabelece condições para que o segurado obtenha o benefício e ao mesmo tempo estabelece obrigações acessórias a serem cumpridas pelo empregador, no sentido de comprovar se há exposição aos agentes prejudiciais à saúde do trabalhador durante sua permanência na empresa e as providências adotadas para reduzir ou eliminar a intensidade dos agentes nocivos. Eis a sua dicção: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 8203DF CARF MF 14 § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) O fisco observou o descumprimento de diversos deveres da empresa relacionados ao gerenciamento dos riscos do ambiente laboral, como a falta de apresentação do LTCAT, PPP, ASO e apresentação de CAT fora do prazo legal, além de alto índice de reclamatórias trabalhistas fundamentadas na falta de pagamento do adicional de insalubridade. Diante da falta de apresentação de documentos essenciais ao gerenciamento dos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, a autoridade lançadora efetuou o lançamento da contribuição por arbitramento, conforme se observa desse excerto do relatório fiscal: "VI— ANÁLISE DOS FATOS E ARBITRAMENTO Por todo o exposto, concluímos que a empresa não pôde comprovar que gerencia adequadamente os riscos ocupacionais existentes em sua unidade fabril, de modo a assegurar que os trabalhadores não se expõem a agentes nocivos capazes de comprometer sua saúde ou integridade física, tendo em vista que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar um adequado gerenciamento dos riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho pelas inúmeras falhas e incoerências apontadas, mas evidenciam a existência de agentes nocivos prejudiciais à saúde ou à integridade física dos trabalhadores, portanto, não foi possível validar a informação prestada em GFIP de que os trabalhadores não sofrem exposição. Fl. 8204DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 9 15 Assim, nos termos do artigo 233 do Decreto 3048/99 e da IN INSS/DC 100/03, foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos, de acordo com a documentação apresentada, ou seja, aqueles ligados aos setores da produção . Os valores apurados foram extraídos das folhas de pagamento fornecidas pela empresa, no período de 04/99 a 11/04, inclusive o décimo terceiro ,salário, dos empregados horistas, conforme planilhas eletrônicas sob código de identificação 4100397009,. 1 Dos cálculos efetuados e os fatos geradores Os valores mensais que serviram de base para a presente NFLD, encontramse devidamente discriminados no Relatório de Lançamento, que compõe este processo. 2 — Das alíquotas aplicadas As alíquotas aplicadas na apuração dos créditos previdenciários estão discriminadas, por competência, no anexo "DAD — Discriminativo Analítico do Débito", que integra esta NFLD. 2 % para as competências de 04/99 a 08/99. 4 % para as competências de 09/99 a 02/00. 6 % para as competências de 03/00 em diante, inclusive, os décimos terceiros salários. 3 — Da Fundamentação Legal Além dos dispositivos legais citados no corpo deste relatório, fundamentase também o presente débito, na legislação constante do Anexo "Fundamentos Legais do Débito —FLD". " O sujeito passivo para afastar o arbitramento adotado pelo fisco, buscou fazer prova em contrário mediante a juntada de relatório técnico de fls. 1.663 e segs., o qual não foi acatado pelo órgão de primeira instância, em razão de se referir a período não coincidente com o fato gerador. Inconformada, a empresa requereu em recurso voluntário a possibilidade de realização de prova pericial, a qual foi concedida pela 4.ª Câmara de Julgamento do CRPS em decisão de fls. fls. 5.451/5.467. Da parte do fisco foi indicado para elaboração de laudo técnico Médico Perito do INSS, o qual se pronunciou em documento de fls. 5.531/5.667. Assim, verifiquemos as principais conclusões a que chegou o perito indicado pela Fazenda, posto que caso seu parecer seja favorável à empresa não haverá necessidade de maiores investigações, pois assim Fl. 8205DF CARF MF 16 haveria reconhecimento da existência de gerenciamento eficaz dos riscos presentes no ambiente laboral da fiscalizada. Inicialmente o perito menciona que, como o principal risco envolvido era o ruído, analisou resultados de audiometrias para o período de 1999 a 2004. Depois afirma que procedeu à análise sequencial de 419 audiometrias que evidenciaram a perda auditiva de 41 trabalhadores. Acerca da utilização de EPI, o laudo registra: "Durante a diligência, observandose as atividades executadas pelos paradigmas, verificouse o uso dos seguintes Equipamentos de Proteção Individual: protetores auriculares dos tipos concha e inserção luvas de PVC botas de segurança creme protetor para as mãos óculos de proteção Por ocasião dessa vistoria às dependências da Empresa recorrente, os informantes, em consenso, confirmaram o uso e a orientação sobre a obrigatoriedade da utilização destes EPIs, e que havia regularidade quanto às trocas dos mesmos. Confirmamos, outrossim, que todos os citados EPIs possuíam Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho, em conformidade com o disposto na Lei do Ministério do Trabalho de n. 6.514, de 22 de Dezembro de 1977, na Portaria n. 3.214, de 8 de Junho de 1978, em sua Norma Regulamentadora de n. 6, subitem 6.9.3. Tivemos acesso a recibos de entrega de EPIs, que evidenciam o uso e as trocas dos equipamentos acima elencados, bem como aos testes de performance desses protetores auditivos." Continuando o perito relata a compatibilidade entre as medições realizadas no ambiente de trabalho em 2007 e aquelas verificadas nos levantamentos ambientais constantes dos PPRA do período de 1999 a 2004 e os valores obtidos dos níveis de ruídos constantes nos laudos para fins de obtenção de beneficio por aposentadoria especial. Acerca das perdas auditivas constatadas pela análise dos exames médicos, o perito assim se pronunciou: " Em face do exposto foram encontrados 91,46% de exames dentro dos limites aceitáveis, 1,79% de exames com Perda Auditiva não Sugestiva de PAIRO e 6,75% dos trabalhadores com Perdas Sugestivas de PAIRO." Fl. 8206DF CARF MF Processo nº 16095.000577/200724 Acórdão n.º 2402005.862 S2C4T2 Fl. 10 17 Ao responder a quesito proposto pela autoridade lançadora acerca da existência de trabalhadores expostos a ruído acima do limite do tolerância, o perito pronunciou se: " 6. Informe o Sr. Fiscal e/ou Perito se os segurados indicados no item acima utilizarem EPIs permanecerão expostos a níveis de ruído superiores ao previsto na legislação previdenciária. Indique o Sr. Fiscal e/ou Sr. Perito quem seriam estes empregados. R. Depende dos níveis de pressão sonora e dos EPIs utilizados com os seus respectivos NRR (Níveis de Redução de Ruído), fornecidos pelos Certificados de Aprovação emitidos pelo Ministério do Trabalho. No caso em tela, e para o período de interesse no atual trabalho, os Certificados de Aprovação apresentados a este perito, bem como os colacionados aos laudos técnicos visando a obtenção de aposentadoria especial, constatamos que os EPIs fornecidos pela Defendente, protetores auriculares, eram efetivos em elidir os níveis de pressão sonora encontrados acima dos Limites de Tolerância estabelecidos pelos atos normativos vigentes à época da análise. Os obreiros expostos seriam aqueles que ativavamse nos setores fabris onde se evidencia ruído acima dos preconizados pelos Limites de Tolerância." O laudo indica ainda que os processos de concessão de aposentadoria especial não levaram em consideração o uso de EPI, embora os laudos que lhe fundamentaram mencionasse tal fato. Mencionase ainda que houve negativa do benefício quando informações constantes dos PPP indicaram que os resultados dos níveis de pressão sonora foram obtidos por similaridade, o que contrariava os atos normativos vigentes na época dos requerimentos. Das considerações feitas pelo perito indicado pelo fisco, é possível se inferir que não deve prevalecer o arbitramento levado a efeito no presente lançamento. As palavras do Médico do INSS não deixam dúvida de que a utilização de EPI pelos empregados, constatada em visita ao local de trabalho, atenuava a intensidade do agente ruído a níveis abaixo do limite legal de tolerância. Por outro lado, relata a existência de controle na entrega dos equipamentos de proteção, demonstrando que efetivamente havia medidas protetivas que atenuavam o agente nocivo, propiciando aos trabalhadores um ambiente laboral que não conduzia à concessão de aposentadoria especial. De outra banda, há de se ter como ponto relevante do laudo a conclusão de que as condições atuais do ambiente de trabalho são compatíveis com aquelas verificadas pela documentação referente ao período do lançamento. Assim, considerandose que o fato gerador do adicional de contribuição lançado é a exposição dos segurados a agentes nocivos a sua saúde que propiciem a concessão Fl. 8207DF CARF MF 18 do benefício da aposentadoria especial, entendo que o lançamento deva ser cancelado em razão da inocorrência da hipótese de incidência legalmente prevista. Conclusão Voto por conhecer do recurso, para declarar decadentes as competências de 04 a 12/1999 (inclusive o 13.º salário) e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 8208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722548/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO.
Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Decreto-Lei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º).
IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO.
Aplica-se a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro - Decreto n° 6.759/09.
ENCOMENDANTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Em sendo encomendante predeterminado, será responsável solidário nas operações de comércio exterior que encomendar, por disposição legal.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
EDITADO EM: 05/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09. ENCOMENDANTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em sendo encomendante predeterminado, será responsável solidário nas operações de comércio exterior que encomendar, por disposição legal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 48 /2 01 4- 20 Fl. 1139DF CARF MF 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator EDITADO EM: 05/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1671.783, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, no qual foi julgada improcedente a impugnação apresentada. O presente processo administrativo traz lançamento de multa equivalente ao valor aduaneiro. Esta foi aplicada por terem sido consumidas as mercadorias sob autuação, após incidir a penalidade de perdimento, pela presunção de interposição fraudulenta de terceiros, posta a não comprovação, pela PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior; e pela utilização de documento falso. Tudo conforme descrito pela fiscalização. As empresas HMG LTDA e a encomendante DAX RESINAS LTDA foram incluídas como responsáveis solidárias. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 1088 a 1107), em parte: Foram efetuadas intimações e diligências fiscais tanto na empresa PORTES BR como em sua associada HMG LTDA, CNPJ n° 05.007.004/000115. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 12466.722548/201420 Acórdão n.º 3301001.624 S3C3T1 Fl. 1.140 3 Com base nesse conjunto probatório, a fiscalização aplicou às autuadas a pena de perdimento pela presunção da interposição fraudulenta na importação prevista no art. 23, V, §2° do Decretolei nº 1.455/76, bem como pela utilização de documento falso nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 6.759/09. As empresas HMG LTDA e a encomendante JOHNSON HEALTH TECNOLOGIES BRAZIL EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS LTDA foram autuadas como responsáveis solidárias através dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA de fls. 82 e 514, respectivamente. [...] Considerando que as mercadorias já foram consumidas, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos termos do §3º do mesmo art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. F oi lavrada Representação Fiscal para Fins de Inaptidão do CNPJ da empresa PORTES BR através do processo administrativo n° 12466.722442/201473, apenso a este processo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais contra as empresas autuadas e seus sócios através do processo administrativo n° 12466.722563/201478, apenso a este processo. Intimadas do Auto de Infração, as empresas PORTES BR e HMG LTDA não apresentaram impugnação, sendo lavrados os respectivos Termos de Revelia nas fls. 470 e 471 deste processo. Intimada do Auto de Infração em 26/03/2015, (fl. 521), a autuada JOHNSON HEALTH TECNOLOGIES BRAZIL EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS LTDA apresentou impugnação e documentos em 23/04/2015, juntados às fls. 529 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que contratou a empresa PORTES BR para realização de importações por conta e ordem de terceiros. Alega que a PORTES BR deu tratamento tributário diverso, registrando uma importação por encomenda. Alega que PORTES BR registrou outras 12 declarações de importação pela modalidade de conta e ordem de terceiros, sendo a impugnante a adquirente. Alega que ocorreu equívoco no registro. Alega que a fiscalização não apresentou provas da participação da impugnante no ilícito. Cita jurisprudência sobre o tema. Cita o § único do art. 116 do CTN sobre desconsideração de negócios jurídicos. Afirma que a documentação indica que a operação foi por conta e ordem. Alega que os pagamentos foram feitos pela impugnante diretamente ao exportador estrangeiro. Cita as demais importações realizadas pela PORTES BR para a impugnante. Alega que o mero erro formal não poderia ensejar a responsabilização tributária da impugnante. Cita jurisprudência sobre erro no preenchimento da DIPJ. 2. Alega violação aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade pois a autuada deveria pagar valor excessivamente alto em relação à inexistência de benefício econômico na operação. Alega ainda inexistência de prejuízo aos Cofres Públicos. Cita jurisprudência sobre o tema. Alega ausência de dolo da impugnante. Cita a Teoria da Imputação Objetiva. 3. Mesmo não reconhecendo a imputação, a impugnante pleiteia a redução da multa visto ter agido de boafé. Fl. 1141DF CARF MF 4 4. Alega que em nenhum momento foi convocada a participar da fiscalização ficando em situação de desigualdade em relação às demais autuadas, gerando a nulidade do Auto por violação aos Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa. 5. Alega a aplicação do art. 112, III do CTN por dúvida na autoria, imputabilidade e punibilidade. Cita doutrina sobre o tema. 6. Alega que a multa de 100% do valor aduaneiro tem caráter confiscatório e é inconstitucional. Cita jurisprudência judicial sobre o tema. Cita doutrina sobre o tema. 7. Peticiona pela realização de diligência para apurar eventual dolo da impugnante no suposto esquema ilícito imputado pela fiscalização. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, apenas a JOHNSON INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA interpôs recurso voluntário (fls. 1120 a 1134), basicamente repetindo parte dos argumentos arroladas em sede de impugnação. Alega, preliminarmente: a) a nulidade da decisão da DRJ, por ter deixado de observar requerimento da recorrente para que lhe fosse conferido o direito de acompanhar e sustentar oralmente em primeira instância. No plano meritório, alega: a) a ausência de dolo e regularidade de fato da operação de importação; b) ilegalidade e inconstitucionalidade das multas aplicadas, por ausência de prejuízo aos cofres públicos; c) precariedade do lançamento fiscal, pela ausência de demonstração de dolo na conduta da recorrente e o indeferimento do pedido de diligência, feito antes do julgamento de primeiro grau; e d) aplicação subsidiária do novo CPC ao processo administrativotributário, no que se refere à produção de provas. Ao final, pede que seja provido o recurso, de forma a julgar improcedente o lançamento em relação à recorrente ou, subsidiariamente, a anulação da decisão de primeiro Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 12466.722548/201420 Acórdão n.º 3301001.624 S3C3T1 Fl. 1.141 5 grau, para que possa a recorrente acompanhar a sessão de julgamento e que sejam os autos baixados em diligência. Requer também oportunidade de indicar e produzir provas, nos termos do art. 15 do novo CPC. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Quando pugna pela nulidade da decisão da Delegacia de Julgamento, por ter deixado de observar requerimento da Recorrente para que lhe fosse conferido o direito de acompanhar e sustentar oralmente em primeira instância, escorase no direito ao contraditório e à ampla defesa, constante do art. 5º, LV da Constituição Federal. Argumenta pela "necessária observância, mesmo em sede administrativa, dos princípios basilares de todo e qualquer processo/procedimento" e que " a ampla defesa implica na necessária efetivação da produção de provas e acompanhamento do processo, em todos seus aspectos e procedimentos", justificandose por prestigiar o princípio da publicidade. Reconheço serem esses, princípios basilares do Estado de Direito a que estamos submetidos, mas eis que o legislador decidiu por um rito próprio para o processo administrativofiscal, lastreado no Decreto n.º 70.235/1972. Nesse rito, não previu a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de primeiro grau, como ocorre no caso do julgamento dos recursos levados ao Carf, sem que haja prejuízo ao contraditório e à ampla defesa ou mesmo à publicidade, de forma que não há que se falar em nulidade da decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo. Delimita bem a recorrente o núcleo da discussão: "Toda a controvérsia da presente autuação gira no sentido de, um lado, sustentar a Fiscalização pela responsabilização solidária da Recorrente e de outro, a demonstração de que inexistiu dolo ou máfé da Recorrente". Registrese que a JOHNSON, em seu recurso, não argumenta pela inocorrência das infrações, restando esta parte incontroversa; apenas discute sua responsabilidade solidária. Descreve o auto de infração em pauta alcançar “, somente, as Declarações de Importação na modalidade “por encomenda”, do encomendante JOHNSON HEALTH TECHNOLOGIES BRAZIL EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS LTDA", arrolandoo como responsável solidário nas operações de importação autuadas, por força do artigo 124, II, do Código Tributário Nacional e do artigo 32, parágrafo único, “d”, do DecretoLei nº 37/66: Do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: [...] I as pessoas expressamente designadas por lei. Do DecretoLei nº 37/66: Fl. 1143DF CARF MF 6 Art . 32. [...] Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] III [...] d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) (grifos do relator). Foi o legislador ordinário que estabeleceu a disposição legal: em sendo encomendante predeterminado (de fato ou de direito), será responsável solidário nas operações de comércio exterior que encomendar. Se é determinação legal, não há outra medida cabível a não ser a manutenção da solidariedade na autuação em pauta. Alinhase a disposição legal, introduzida no ordenamento pátrio em 2006, com o caráter objetivo da responsabilidade na esfera aduaneira tributária, independendo esta “da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” , nos termos do art. 136 do CTN. E ainda, como bem colocado na decisão de primeiro grau: “Foi a impugnante que selecionou a mercadoria a ser importada, efetuou cadastramento no SISCOMEX, elegeu a importadora para a realização da operação, forneceu documentos, recebeu a mercadoria e a comercializou.”; concorrendo assim para a prática das operações autuadas. Como de fato adquiriu as mercadorias e as recebeu, beneficiouse das operações autuadas, nelas tendo interesse, devendo responder pela infração em foco, como determina o art. 95, I do Decreto lei n° 37/66. A mesma disposição legal de que o encomendante predeterminado será responsável solidário nas operações de comércio exterior que encomendar, juntamente com as determinações de responsabilidade objetiva; afasta as alegações de não ter havido dolo ou de regularidade das operações de encomenda. Não se discute se houve dolo ou não ou se a encomenda foi regular ou não. Basta a JOHNSON ter participado das operações autuadas, como encomendante, para que a lei lhe atribuísse a responsabilidade solidária. Ressaltese também que a capitulação na interposição fraudulenta, na modalidade presumida, não implica em demonstração de fraude ou simulação, bastando a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações autuadas. Diante da disposição legal em foco, descabe discutir a questão da aplicação da desconsideração do negócio jurídico, trazida pela recorrente. Sobre a alegada ilegalidade e inconstitucionalidade das multas aplicadas, por ausência de prejuízo aos cofres públicos, cabe registrar que tal falta em nada afeta o entendimento do presente voto, tendo em vista tratarse a interposição fraudulenta presumida, dano ao Erário por disposição legal. Também, a Súmula CARF nº 2 determina não ser a Casa competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em seu recurso, a JOHNSON alega ter sido registrada a operação objeto do auto de infração em foco, como por encomenda, quando, de fato, fora por conta e ordem, por equívoco da PORTES. Relata que registrou outras 12 operações na modalidade conta e ordem, e que apenas essa fora por encomenda. O acórdão de primeiro grau, no entanto, traz vários elementos a demonstrarem o contrário: Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 12466.722548/201420 Acórdão n.º 3301001.624 S3C3T1 Fl. 1.142 7 [...] toda documentação instrutiva do despacho indica que de fato ocorreu uma importação por encomenda. As faturas comerciais indicam PORTES BR como adquirente e não a impugnante. O mesmo em relação aos packing list, os documentos relativos a licenciamento das mercadorias e as cobranças relativas aos gastos com a empresa de despacho aduaneiro. O citado DOC 6 que indicaria o pagamento do exportador pela impugnante não é legível e mesmo que existisse entraria em contradição com o fechamento de câmbio feito pela PORTES BR, indicando que a remessa de valores ocorreu de forma irregular. Também não apresentou a impugnante, em nenhum momento, desde o registro da DI em 2011 até a ciência do Auto de Infração em 2015 nenhum pedido de retificação da declaração de importação, tendo em vista sua alegação de erro. Ressaltese que a mesma tem acesso ao sistema SISCOMEX e aos documentos de importação desde o registro da importação. Apesar disso, apresenta a recorrente documentos a demonstrarem sua tese de que a operação seria de fato por conta e ordem, como um comunicado da RFB de que a JOHNSON estaria vinculada à PORTES para operações por conta e ordem de terceiros, bem como email de 2015 tratado do suposto equívoco na "informação nos complementares da DI". Nesse ponto, pelo elenco de fatos, fico com o entendimento do acórdão de primeiro grau, apesar de que tal discussão nada acrescenta às conclusões do presente voto pois que, como bem colocou o relator da decisão de primeiro grau, mesmo fosse comprovado o suposto erro na modalidade de importação, a solidariedade adviria do disposto no art. 95, I do Decretolei n° 37/66, além de haver também disposição legal expressa sobre a responsabilidade do adquirente na importação por conta e ordem de terceiros: a alínea "c" do inciso III do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37/66. Quando pede pela conversão do julgamento em diligência determina que seria para "apurarse com precisão em qual ponto se deu a conduta ilícita". Entendo por negar o pedido de diligência, pela sua prescindibilidade. Não enxergo motivo para tanto, posto que o solidariedade é imposição do disposto a alínea "d" do inciso III do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37/66. Como bem colocou o acórdão de primeiro grau, quando justificou a negativa de diligência: "Também inaplicável qualquer diligência para apuração de dolo da impugnante visto a imputação aplicada ser objetiva, como já visto acima". O única prova que poderia eximir a recorrente da solidadiedade, na esfera administrativa seria a de que não seria ela encomendante, nem adquirente numa operação por conta e ordem, o que em momento algum foi negado pela recorrente. A recorrente pede a aplicação subsidiária do novo CPC, para justificar "a realização de diligência fiscal ou, melhor ainda, perícia contábil, com a finalidade de constatar se a operação fiscalizada era por encomenda ou por conta e ordem. Pelo antes exposto, ainda que fosse verificado ser a operação autuada por conta e ordem, manteríase a conclusão do voto, em havendo disposição legal para solidarizar também o esta figura. Quanto à solicitação de que ao recorrente fosse oportunizado indicar e produzir provas, voto também por negarlhe provimento. O momento de trazêlas é a impugnação, sob pena de preclusão, nos termos do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Conclusão Fl. 1145DF CARF MF 8 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1146DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901078/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 78 /2 01 3- 45 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901078/201345 Acórdão n.º 1302002.232 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901078/201345 Acórdão n.º 1302002.232 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901078/201345 Acórdão n.º 1302002.232 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900740/2009-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
Numero da decisão: 9101-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
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INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 07 40 /2 00 9- 39 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13116.900740/200939 Acórdão n.º 9101002.926 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que os valores pagos indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL podem ser compensados com outros débitos mediante a apresentação de Dcomp. O acórdão recorrido, por seu turno, em sentido oposto, entende que os pagamentos indevidos ou a maior de estimativas mensais somente podem ser compensados após o encerramento do exercício, se apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL. A PGFN apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.923, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 13116.900737/200915, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.923): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A questão sobre a possibilidade, ou não, de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi definitivamente solucionada pelo CARF, inclusive com edição de súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. No caso sob análise, a negativa em relação à compensação foi fundamentada no entendimento, já superado, de que os recolhimentos por estimativa não são, em razão de sua própria natureza, passíveis de restituição/compensação. Por aplicação direta da súmula acima transcrita, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Por via de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13116.900740/200939 Acórdão n.º 9101002.926 CSRFT1 Fl. 4 3 consequência, os autos devem retornar à unidade de origem para novo exame da compensação em pauta. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso especial da contribuinte, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, devendo os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, doulhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967614/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP.
Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada.
DCTF RETIFICADORA. PRAZO.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTFs extingue-se após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTFs extingue-se após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não homologada a compensação declarada. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTFs extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 76 14 /2 01 2- 19 Fl. 99DF CARF MF 2 Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0653.172, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, o qual deu por improcedente manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido (fls. 80 a 84), em parte: Trata o presente processo da manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DERAT São Paulo (Rastreamento nº 040208746), emitido em 05/11/2012, que não homologou as compensações declaradas na Declaração de Compensação – Dcomp nº 33308.91079.111110.1.3.043102, por meio do qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios com o crédito no valor de R$ 291.139,44, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código de receita 2172), recolhido em 15/12/2005, no valor de R$ 2.752.124,10. Em referido ato administrativo, a autoridade a quo indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado na Dcomp acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins cumulativa do período de apuração de novembro de 2005, não restando saldo de crédito disponível para homologação da compensação declarada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório mencionado, em 13/11/2012, e apresentou, em 13/12/2012, manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada passa a defender a legitimidade do crédito apontado na Dcomp. Sustenta, em síntese, que pagou e declarou em DCTF, em valor a maior do que o devido, a contribuição do período de apuração de novembro de 2011: diz que o débito do período é de R$ 2.460.984,66 e não de R$ 2.752.124,50, de modo que existiria um indébito tributário no valor orignal de R$ 291.139,84, o qual devidamente corrigido pela taxa selic (em 55,33% ) resultaria em um crédito no valor de R$ 452.227,51. Explica que o erro deuse em virtude de ter sido tributado, de forma indevida, toda a receita auferida no período pelo regime cumulativo, quando, na verdade, existia uma parcela que deveria ter sido tributada no regime não cumulativo. Diz que o mesmo erro ocorreu para os períodos de apuração de janeiro de 2005 a dezembro de 2010, e que, além de refazer toda a apuração das contribuições (PIS e Cofins), efetuou o Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.967614/201219 Acórdão n.º 3301003.462 S3C3T1 Fl. 100 3 pagamento integral e em dinheiro das contribuições não cumulativas apuradas antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. Acrescenta que não procedeu a retificação da respectiva DCTF, de forma a retratar a situação fática relatada, em razão da expiração do prazo para tal procedimento. Na sequência a interessada pugna pelo direito à restituição, consoante inciso II, artigo 165 do Código Tributário Nacional, e pelo direito à compensação, conforme Acórdãos administrativos e judiciais que colaciona na peça de defesa. A seguir, a contribuinte, invocando a aplicação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, requer, com fundamento no inciso IV, art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, o deferimento de perícia para a apuração do crédito alegado. Formula para tanto 4 (quatro) quesitos e indica assistente técnico. Pede, diante do exposto, o acolhimento da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão contestada, bem como o deferimento da produção de prova pericial. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de perícia, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revela ser prescindível para o deslinde da questão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 89 a 96), reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Porém, desta feita, não mais solicita produção de prova pericial, nem invoca o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa; limitandose a pedir a procedência do recurso, para reformar a decisão de primeiro grau que não homologou a compensação declarada pela recorrente. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Fl. 101DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. A contribuinte alega que, no curso de mudanças legislativas no regime de apuração das contribuições de PIS/PASEP e COFINS, ocorridas em 2002 e 2003, e relativamente ao período de novembro de 2009, apurou pelo regime cumulativo, R$2.752.124,50; quando R$291.139,84 se refeririam a receitas sujeitas à apuração pelo regime da não cumulatividade. Diz que refez a apuração das contribuições e efetuou o pagamento integral e em dinheiro das contribuições não cumulativas, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Afirma não ter conseguido retificar a Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) de forma a reparar o erro, por intempestividade. Em sua impugnação trouxe: a) PER/ DCOMP, de 11/11/2010, esta objeto do presente processo, oferecendo como crédito estes R$291.139,84 (como valor original); b) DCTFs, na qual sobresai o valor apurado de R$2.752.124,50 referente a novembro de 2005 (além de valores referentes a outros meses). Registrou a recorrente que não conseguiu retificar a DCTF por haver expirado o prazo para fazêlo; c) Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), transmitida em 11/11/2010, mesma data do pedido de compensação, para o 4o trimestre de 2005, onde figuram discriminadas valores submetidos ao regime nãocumulativo e ao cumulativo das contribuições, no qual ao final se apura o valor de "Pagamento a Maior (Crédito)" de R$291.139,84, conforme recorte abaixo: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.967614/201219 Acórdão n.º 3301003.462 S3C3T1 Fl. 101 5 Salta aos olhos a nota 2, na qual a contribuinte confessa que não tem a memória de cálculo "que demostre que o débito de COFINS cumulativa é de R$2.471.023,97", esta que provaria o referido crédito, fato que já havia sido observado pelo relator do acórdão de primeiro grau: " notese que os documentos da interessada demonstram que nem interessada sabe ao certo qual a base de cálculo da contribuição em comento". A decisão de primeiro grau destaca, já de início, que a compensação tributária exige que o sujeito passivo tenha contra a Fazenda Pública um crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), esclarecendo que: A certeza diz respeito, in casu, ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto à possibilidade de a contribuinte compensarse de supostos indébitos. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do quantum compensável, a ser reconhecido pelo devedor. Aduz também, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação tributária deve ser realizada pela contribuinte através da entrega da Declaração de Compensação, gerada obrigatoriamente através do programa PER/DCOMP, com todas as informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados. Traz também o art. 333, inciso I, do revogado Código de Processo Civil (disposição vigente por força do art. 373, inciso I, do Novo Código), o qual determina que ao autor, no caso do presente processo administrativo, a contribuinte, incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. E que assim também o artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, determina o momento de apresentação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, qual seja, no caso, a manifestação de inconformidade. Fl. 103DF CARF MF 6 O art. 15 do mesmo decreto estabelece que " A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a in timação da exigência. Por fim, o parágrafo 4º do seu art. 16 determina que a § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999. Nas 66 folhas da impugnação, como também no recurso voluntário, não há documentos contábeis ou notas fiscais e/ ou contratos que demonstrem as receitas que supostamente se enquadrariam no regime não cumulativo, no caso, "revenda e locação de aparelho celular", no dizer da recorrente. O crédito apresentado na compensação passa longe de ser líquido e certo. Ao contrário, a contribuinte confessa não ter certeza sobre o valor exato da base de cálculo da COFINS cumulativa. Prova documental do base de cálculo retificada da COFINS cumulativa, deveria ter sido trazida pela contribuinte é seu o ônus – na manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, não ocorrendo quaisquer das hipóteses excludentes previstas no referido parágrafo 4º do seu art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Não basta a retificação da DACON para demonstrar o crédito em discussão. Tal declaração deveria estar, por certo, instruída com as devidas provas dos valores nos quais se fundamenta, por regra, advindas da regular escrituração contábil, comprovada por documentos hábeis. Na defesa de seu direito, a contribuinte traz o artigo 165, inciso II do Código Tributário Nacional, pelo qual teria direito, independentemente de prévio protesto, à restituição do tributo,em caso de erro na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento. Traz acordão da DRJ em Porto Alegre, na qual a Turma decide que Justifica se a revisão do despacho decisório quando evidenciado erro material no PER/DComp". Arrola também decisão judicial no sentido de que erro de preenchimento pode dar azo à retificação de PER/DCOMP. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.967614/201219 Acórdão n.º 3301003.462 S3C3T1 Fl. 102 7 O direito à retificação e à revisão parecem perfeitamente cabíveis, desde que, como bem decidiu a Turma de Porto Alegre, trazidas as evidências do erro material, o que não ocorreu no presente caso. Em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário a contribuinte diz ter havido erro na apuração e recolhimento das contribuições, justamente na apuração das receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo, o que resultou na retificação da DACON. Não conseguiu, no entanto comprovar materialmente o erro de fato alegado, pois não juntou ao processo cópia da documentação a demonstrar o valor retificado da base de cálculo da Cofins cumulativa, nos termos que exige o § 1º, do art. 147, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Por fim, notese que o fato de não ter conseguido retificar a DCTF, como afirma a recorrente, em nada altera a o raciocínio acima, que concluiu pela não demonstração do crédito em questão. Ao contrário, é mais um fato a amparar a manutenção do crédito tributário em discussão, como se deduz do que segue. O prazo estabelecido pela lei para a constituição do crédito tributário é o mesmo que o contribuinte dispõem para proceder à retificação das suas declarações ao Fisco. Essa é a inteligência do Parecer Cosit nº 48/1999: Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos. (grifouse) Este Conselho já se pronunciou nesse mesmo sentido: DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. Fl. 105DF CARF MF 8 (CC, 8º Câmara, Ac. 10808.913, de 23/06/2006, rel. Cons. Margil Mourão Gil Nunes). A recorrente relata em sua manifestação de inconformidade, apresentada em 13/12/2012, que não procedeu a retificação da respectiva DCTF em razão da expiração do prazo para tal procedimento, deduzindose ter decaído o direito de retificação da dita DCTF, nos termos dos entendimentos acima expostos. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.720921/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. PEREMPÇÃO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado fora do prazo de trinta dias contados da data em que o administrado tomou ciência da decisão de primeira instância. Recurso perempto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Ausente a Conselheira Lenisa Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10120.720152/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.781
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 52 /2 01 1- 81 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720152/201181 Acórdão n.º 3302003.781 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.296. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720152/201181 Acórdão n.º 3302003.781 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720152/201181 Acórdão n.º 3302003.781 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720152/201181 Acórdão n.º 3302003.781 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720152/201181 Acórdão n.º 3302003.781 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901157/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.684
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 57 /2 00 9- 46 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901157/200946 Acórdão n.º 3201002.684 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.470. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901157/200946 Acórdão n.º 3201002.684 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901157/200946 Acórdão n.º 3201002.684 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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