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Numero do processo: 13819.001407/2003-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDAÇÃO DE ESTIMATIVAS.
O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da existência e da disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações/deduções efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período.
A retificação dos dados informados em Declaração de Rendimentos, quando existente erro de fato, deve estar lastreada na escrituração contábil e fiscal da interessada.
Os documentos apresentados pela interessada não comprovam a compensação das estimativas de IRPJ do ano-calendário de 2000 com eventual saldo negativo do período anterior (AC 1999).
Não apresentados meios de prova adequados a infirmar a apreciação efetuada pelo Despacho Decisório contestado, não há direito creditório adicional a ser reconhecido, nem se homologam as compensações requeridas.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO UTILIZADO.
A reclamação de direito creditório de natureza distinta daquela indicada em Declaração de Compensação analisada configura novo pedido/declaração, sujeito ao rito processual cabível.
Recurso voluntário não provido
Direito creditório não reconhecido
Numero da decisão: 1102-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Saldo Negativo Recorrente BRAZUL TRANSPORTE DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDAÇÃO DE ESTIMATIVAS. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da existência e da disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações/deduções efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. A retificação dos dados informados em Declaração de Rendimentos, quando existente erro de fato, deve estar lastreada na escrituração contábil e fiscal da interessada. Os documentos apresentados pela interessada não comprovam a compensação das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 com eventual saldo negativo do período anterior (AC 1999). Não apresentados meios de prova adequados a infirmar a apreciação efetuada pelo Despacho Decisório contestado, não há direito creditório adicional a ser reconhecido, nem se homologam as compensações requeridas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO UTILIZADO. A reclamação de direito creditório de natureza distinta daquela indicada em Declaração de Compensação analisada configura novo pedido/declaração, sujeito ao rito processual cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 07 /2 00 3- 32 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 3 2 Recurso voluntário não provido Direito creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, apresentadas eletronicamente por meio do programa PER/DCOMP, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ e de CSLL dos anoscalendários de 2000 a 2002, bem como de CSLL, ano calendário de 1999, para a compensação dos débitos declarados, relativos a períodos de apuração subsequentes. Antes de se iniciar o relato da questão, elaborouse sumário do processo para facilitar sua análise, conforme abaixo: Sumário ref. PAF nº 13819.001407/200332 Descrição Fls DCOMP original 2 DIPJ 2002 3471 DIPJ 2001 72109 DIPJ 2000 110149 DIPJ 1999 150217 Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 4 3 DIPJ 1998 218278 DIPJ 2000 281304 DIPJ 1999 305311 Intimação nº 522/2007 comprovantes de IRRF de 1999 312 Resposta à Intimação nº 522/2007 314 Lista de DCOMPs 474475 DCOMP 5773 476483 DCOMP 0067 484491 DCOMP 6185 492495 DCOMP 3027 496499 DCOMP 6374 500503 DCOMP 7910 504507 DCOMP 1006 508/511 DCOMP 4056 512/515 DCOMP 6062 516/519 DCOMP 2908 520/523 DCOMP 1636 524/527 Intimação nº 67/2008 comprovantes de IRRF de 2002 e 2003 528 Resposta à Intimação nº 67/2008 543/546/609 Balanço 610/613 DRE 614 Balancete Analítico 01 615/627 Balancete Analítico 02 628/641 DRE FICHA 06A 643 Demonstrativo SN 1999 645 Demonstrativo SN 2000 649 Demonstrativo SN 2001 652 Demonstrativo SN 2001 CSLL 654 Pedido de retificação da PER/DCOMP original 656 Intimação nº 254/2008 ref. Valepedágio 711 Resposta à Int. nº 254/2008 713 CTRC´s 716/921 Razão Analítico 927/965 Intimação nº 366/2008 967 Resposta à Intimação nº 366/2008 968 CD valores totais de prestadores de serviços/valores individuais do vale pedágios/CTRCs de 14/2/02 971/1245 DCOMP 5773 1247/1254 Planilhas de SN 1255/56 DIRFs 1257/1268/1286/1298 Despacho Decisório 1300/1321 Manifestação de Inconformidade 1410/1422 Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 5 4 Doc. 2 Declaração de compensação (formulário), apresentada em 12.05.2003 1438 Doc. 3 PER/DCOMP´s vinculadas1442 1441 Doc. 4 Pedido de retificação apresentado em 25.06.2007 1444 Doc. 5 DIPJ/2001 1446 Doc. 6 LALUR 1455 Doc. 7 Cópias autenticadas da Ficha 07A da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, no valor de R$ 5.200.349,16 (linha 21), que deu origem ao Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 1.999. 1471 Doc. 8 Cópia autenticada do livro Razão Analítico págs. 469/471, em que é apontado o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao anocalendário de 1.999. 1473 Doc. 9 Cópia autenticada do livro n.° 001 de Balancetes e Demonstração de Resultados, em que também é apontado o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao anocalendário de 1.999 (subconta 1.1.4.5.01), então incluído no valor total dos Impostos a Compensar (conta 1.1.4.5) 1501 Doc. 10 Cópias autenticadas do Balanço (extraído das págs. 418 e 419 do Livro Diário n.° 69) e da Ficha 25A da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Impostos a Compensar correspondentes ao anocalendário de 1999 (R$ 1.762.863, 82). 1516 Doc. 11 Mapas demonstrativos 1522 Acórdão de 1ª Instância 1626/1647 Recurso Voluntário 1654/1666 Analisando as compensações da recorrente, houve DEFERIMENTO PARCIAL do pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 1300/1321, que se transcreve: (...) 1.3 Em 25/06/2007, o interessado apresentou o pedido de retificação da declaração de compensação apresentada em formulário, por meio da qual requereu a retificação do valor de débito a compensar de IRPJ sobre o lucro real no ano calendário de 2002, reduzindo de R$2.194.957,71 para “zero”, pois segundo sua apuração havia saldo negativo no exercício e não saldo de imposto a pagar. Requereu, ainda, a alteração do Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 6 5 valor dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL informados no demonstrativo para os anoscalendário de 2001 e de 2002 (fls. 323). Assim, o direito creditório pleiteado passa a ser o indicado no quadro 02, na monta de R$ 2.440.848,30, e os débitos para compensação seriam aqueles indicados nas DCOMP’s do Quadro 01. 1.4 – Uma vez verificado que nos anoscalendário de 2001 e de 2002 o contribuinte informou compensações de débitos de estimativas mensais da CSLL vinculando créditos originados da Liminar em Mandado de Segurança sob o nº 200061140011640 (fls. 371/373), bem como a suspensão da exigibilidade de créditos tributários motivada pela mesma Liminar e também por outras de nº 1999611400640 (fls. 374/387), os autos foram encaminhados para a análise da Equipe de Ações Judiciais – EQAJU desta DRF. 1.5 – A EQAJU informa que ambos os números das ações judiciais referemse ao Mandado de Segurança 2000.61.14.0011640. Que o contribuinte não possuía provimento jurisdicional para a suspensão dos créditos tributários da CSLL. Que os débitos declarados como suspensos e compensados passaram a ser controlados no processo 13819.002956/200413 (fls. 427/428) e que foram inscritos em dívida ativa da união em 25/04/2005 sob o nº 8060505215192. Que a inscrição foi posteriormente desmembrada nas inscrições Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 7 6 nº 8060508152884 e nº 8060508152965. E, ainda, que houve pedido de parcelamento dos débitos da PFN (fls. 444/446). 1.6 Em 06/02/2008, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes de IRPF nos anoscalendário de 2001 e 2002, a verificar a consistência das informações prestadas em DIPJ e em DCTF nos períodos em analise e, sendo o caso retificar DCTFs, e, ainda, a apresentar planilha informando as compensações escriturais feitas sem processo, utilizando os créditos dos períodos analisados (fls. 503 e 517). Em resposta, anexou os documentos de fls. 518/613 e retificou DCTFs – 1° trimestre/2001, 2° trimestre/2001, 3° trimestre/2001, 4° trimestre 2001 e 1° trimestre/2003 (fls. 1.199). 1.7 Em 26/02/2008, houve nova intimação (fl. 621) solicitando o detalhamento e a comprovação do valor de R$ 6.727.330,07 informado na DIPJ/2003, na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, como “outras exclusões” (fls. 359 e 369). Em atendimento, o contribuinte trouxe a documentação de fls. 622/663, esclarecendo apenas, através do LALUR e de demonstrativo, tratarse de exclusão a título de “ValePedágio” de que trata o art. 2°, da Lei n° 10.209/2001. 1.8 Tratandose de exclusão, porém não restando comprovando que, em contrapartida, referido valor havia sido incluído na Receita Bruta de Prestação de Serviços, expediuse mais uma intimação para o complemento da documentação comprobatória (fls. 667/668). Em 14/03/2008, o contribuinte informou que a comprovação seria feita por meio dos conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, “CTRC’s”, que apontam os valores de frete, pedágio e seguro, totalizando o montante da prestação, confrontando como valores lançados no Razão Analitico, Balancetes e Diário. Em face do grande volume de documentos, cerca de 144.000 no ano calendário de 2002, segundo informações prestadas pelo interessado (fl. 670), solicitouse então inicialmente, para efeito de verificação por amostragem, os CRTC’s do dia 14/03/2002 emitidos pela Matriz e a comprovação dos respectivos lançamentos. O interessado juntou a documentação de fls. 672/875, incluindo 201 CTRC do dia 14/03/2002. Em seguida, a pedido, apresentou documentação adicional, incluindo arquivo digital relacionado às receitas de fretes do ano calendário de 2002 (fls. 879/920). 1.9 Devido ao fato de o contribuinte ter apresentado a escrituração resumida do Livro Diário, com totais do mês de março/02, foi mais uma vez intimado a apresentar o Livro Registro Auxiliar, onde constasse os lançamentos individualizados dos valores dos CTRCs do dia 14/03/2002, na forma do artigo 258, sç§ 1° ao 6° do RIR/99. E ainda planilha em meio digital, com os valores individuais do ValePedágio, por CTRC, com totais mensais no anocalendário de 2002 (lI. 922). 1.10 Em reposta o contribuinte juntou o arquivo magnético de fl. 926 e informou que não possui o Livro Registro Auxiliar (fls. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 8 7 923/924). Anexou também cópias dos CTRCs emitidos pelas filiais em 14/03/2002 (lls. 927/1173). 1.11 Em face dessa resposta, buscouse a verificação, por amostragem, da idoneidade da planilha digital apresentada, pois a mesma foi trazida após a anexação dos CTRCs solicitados. Com essa finalidade, o contribuinte foi novamente intimando a apresentar cópias de outros 22 CTRCs, aleatoriamente eleitos ao longo do anocalendário de 2002 (lls. 1175/1176). As cópias desses CTRCs foram anexadas às fls. 1177/1198. 1.12 Pelo extenso relatório, evidenciase que na busca da verdade material e na tentativa de se evitar fases protelatórias à solução do pleito, foram proporcionadas ao contribuinte suficientes oportunidades para a comprovação do direito creditório pretendido e para o saneamento das diversas pendências verificadas. Devido ao fato de o contribuinte ter apresentado a escrituração resumida do Livro Diário, com totais do mês de março/02 A partir disso, na fundamentação do Despacho Decisório, o Auditor Fiscal passa a analisar ano a ano as apurações feitas pelo contribuinte, verificando que não há saldo negativo em nenhum anocalendário em relação ao IRPJ e, em relação à CSLL, há apenas um saldo negativo do anocalendário de 1999 na monta de R$ 110.811,70. 2. FUNDAMENTAÇÃO (...) 2.4. Verificamse nas DIPJs apresentadas pelo interessado os saldos do imposto e da contribuição apresentados no Quadro 3 abaixo. 2.5 Passemos às apurações feitas pelo contribuinte. Saldos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ AnoCalendário de 2000, Exercício de 2001 — IRPJ 2.6. O imposto devido apurado pelo contribuinte na DIPJ/2001 foi de R$ 698.624,54, com adicional de R$ 441.749,70 67). Informa dedução de R$ 27.944,98 a titulo de PAT e imposto de renda retido na fonte de R$ 1.112.429,26, culminando em saldo de imposto a pagar igual a "zero". 2.7. Em planilha de fl. 606 o contribuinte desabona a informação prestada na DIPJ/2001 e informa que o imposto de renda retido na fonte foi de R$ 553.021,21 e que o valor de R$ 1.112.429,16 corresponde a imposto pago por estimativa, composto pela Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 9 8 parcela de R$ 1.068.392,61, referente à compensações de estimativas mensais com saldo negativo do anocalendário de 1999 (fl. 602) e pela parcela de R$ 44.036,65 referente a pagamento por meio de DARF. 2.8. Observando o cálculo do IRPJ por estimativa na DIPJ/2001 (fls.63/66), constatase que o contribuinte apurou imposto mensal a pagar com base na receita bruta e acréscimos no mês de Janeiro/00 no valor de R$ 47.675,48. Nos demais meses foram levantados balanços ou balancetes de suspensão ou redução e o imposto devido apurado foi sempre abatido por deduções informadas de imposto de renda retido na fonte, implicando em estimativas a pagar igual a "zero". Ou seja, com exceção do período de apuração Jan/00, pela apuração feita pelo contribuinte não havia débitos do imposto por estimativa nos demais meses do anocalendário de 2000, conforme quadro de fl. 1209. Em DCTF o contribuinte declara apenas o valor de R$ 44.036,65 de imposto por estimativa no mês de Janeiro/00, extinto por pagamento, conforme confirmado nos sistemas de informação da RFB (fl. 1211). As aludidas compensações de débitos de estimativas mensais cujos valores não foram apurados em DIPJ/2001 não foram declarados em DCTF. 2.9. Verificase, no caso, uma sequência de contradições do contribuinte no preenchimento das fichas da DIPJ/2001, das DCTFs do anocalendário de 2000 e nas informações ora prestadas. Não tendo apurado estimativas a pagar nos meses de Fev/00 a Dez/00, situação que se refletiu no preenchimento das DCTFs, onde não se confirmam as compensações agora informadas na planilha de fl. 606, o contribuinte não comprovou oportunamente em suas declarações apresentadas ao Fisco a validade das pretensas compensações. Diante deste fato, não há como convalidar supostas compensações só agora informadas por meio de planilha para efeito de considerálas estimativas efetivamente pagas e, assim, deduções na apuração do saldo do imposto. Além disso, em face da decadência não há mais como retificar a DIPJ/2001 para novas apurações das estimativas mensais do imposto que permitisse o aproveitamento do suposto saldo negativo apurado em 31/12/1999. 2.10. Importante frisar que a precisão das informações prestadas pelo contribuinte ao fisco, na forma e no tempo devidos, e a ausência de incoerências, são condição sine qua non para que se possa atribuir ao direito pretendido a certeza e a liquidez necessárias ao seu reconhecimento. Ausentes essas condições, excluemse os valores não confirmados. Podese apenas verificar a apuração do imposto, levandose em conta as deduções passíveis de validação. 2.11. Portanto, partindo do imposto devido, podese deduzir: I) o incentivo fiscal a título de PAT de R$ 27.944,98, aqui admitido como idôneo, sem prejuízo de futuras verificações por parte do Fisco; 2) o imposto de renda retido na fonte de R$ 553.021,21, conforme relação da Ficha 43 da DIPJ/2001 (fi. 90), cujos valores aproximamse daqueles constantes do sistema DIRF «is. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 10 9 1.212/1.214), decorrentes de 6 receitas de aplicações financeiras informadas equivocadamente na linha 06A21, mas que foram incluídas na base de cálculo do imposto devido; e 3) a estimativa paga por meio de DARF de R$ 44.036,65. Chegase ao saldo de imposto a pagar de R$ 515.371,40 e, portanto, não há saldo negativo no exercício de 2001 para utilização em compensações. AnoCalendário de 2001, Exercício de 2002 — IRPJ 2.12. O contribuinte apurou imposto devido de R$ 1.368.360,89, com adicional de R$ 888.240,59. A título de incentivos fiscais deduziu PAT no valor de R$ 54.734,44 e doações a fundos dos direitos da criança e do adolescente de R$ 12.000,00. Deduziu também imposto de renda retido na fonte de R$ 369.538,01 e imposto pago por estimativa de R$ 2.531.791,53, resultando em saldo negativo de R$ 711.462,50. 2.13. Partindo do imposto devido e do adicional constantes da Ficha 12A (fl. 336) e concentrando a análise nas deduções informadas de imposto de renda retido na fonte e de estimativas pagas, vejamos a apuração feita pelo contribuinte. 2.14. Os sistemas de informações da RFB confirmam recolhimentos de estimativas mensais nos meses de maio/01 a nov/01, conforme quadro de fl. 1209, que totalizam R$ 1.571.539,55 (fls. 1.215/1.218). 2.15. O contribuinte comprova o imposto de renda retido na fonte que totaliza R$ 369.538,01 (fis. 537/541), oriundo de receitas de aplicações financeiras que totalizam R$ 1.847.694,71, valor compatível com o montante informado na Linha 06A/24 (fi. 330),que integra a base de cálculo do imposto devido. 2.16. O contribuinte informa imposto pago por estimativa no valor de R$ 2.531.791,53 (fi. 336). Analisando a Ficha 11 da DIPJ/2002 (fis.332/335), constatase que referido valor é composto pelos valores pagos por meio de DARF analisados acima (R$ 1.571.539,55) e por deduções de imposto retido na fonte que totalizam R$ 960.251,98. Entretanto, o contribuinte não comprova a existência de tais retenções. Os sistemas de informações da RFB também não as registram. Diante disso, não há como considerálos como parcelas dedutíveis na apuração do imposto. Portanto, são dedutíveis, além dos incentivos fiscais na monta de R$ 66.734,44 (aqui admitidos como idôneos sem prejuízo de futuras investigações pelo Fisco), o imposto retido na fonte comprovado de R$ 369.538,01 e os valores pagos por meio de DARFs, que totalizam R$ 1.571.539,55, culminando em saldo de imposto a Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 11 10 pagar de R$ 248.789,48. Não há saldo negativo no exercício de 2002 para utilização em compensações. 2.17. Em relação à planilha apresentada pelo contribuinte à fl. 606, informando compensações de estimativas no ano calendário de 2001 com saldo negativo apurado nos anos calendário de 1999 e 2000, valem, mutatis mutandis, os comentários feitos acima, itens 2.9 e 2.10. AnoCalendário de 2002, Exercício de 2003 — IRPJ 2.18. Na apuração do Lucro Real verificouse que o contribuinte excluiu na Linha 09A/35 (Outras Exclusões) o valor de R$ 6.727.330,07 (/1. 359) e informa tratarse de ValePedágio ffl 622), anexando cópia do LALUR (fls. 637/643). O artigo 2°, da Lei n.° 10.209/01, assim dispõe, verbis: "Art. 2°. O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições ou previdenciárias." 2.19. Portanto, a exclusão de referido valor na apuração do Lucro Real somente seria possível se o contribuinte demonstrasse por meio de sua escrituração regular que incluiu na receita de fretes, ainda que inadvertidamente, o valor relativo ao valepedágio e, por outro lado, que não deduziu na apuração do resultado os respectivos custos. Intimado a comprovar por meio da escrituração, apresentou balancetes mensais (fls. 884/895), cujas receitas de fretes totalizam R$ 124.996.317,37 no anocalendário de 2002 (fl. 895), Razão Analítico — conta Fretes (fls. 896/907) e Diário Geral (fls. 908/920), com os lançamentos resumidos mensais de receitas de fretes (matriz e filiais). Não há discriminação de receitas de valepedágio. Intimado a apresentar livro de registro auxiliar, com lançamentos individualizados, conforme disposto no artigo 258, 351¢ 1° ao 6° do RIR/99, informou não possuílo (fl. 924). Para fins de comprovação, apresentou planilha eletrônica com demonstração de valores de fretes e valepedágio (fi. 926). 2.20. Preservando o direito do Fisco de proceder futuras averiguações acerca da escrituração realizada pelo contribuinte e apenas para efeito de aferição do saldo negativo apurado pelo interessado em sua DIPJ/2003, buscouse verificar a idoneidade da referida planilha eletrônica. 2.21. Inicialmente, afirmouse que as valores mensais totais da receita oriundas da prestação de serviços de fretes, apresentados na planilha, estão de acordo com os valores lançados nos balancetes. O Quadro 04 a seguir apresenta o comparativo dos valores de receitas de fretes lançados em balancetes e na planilha eletrônica. 2.22. Verificouse na amostragem do dia 14/03/2002 que os valores indicados no CTRC's como "pedágio" e "total da prestação" (fls. 675/875) estão de acordo com os dados da Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 12 11 planilha e ainda que o total da prestação inclui no valor do pedágio. 2.23. Igualmente por amostragem, foram verificados CTRC's eleitos aleatoriamente ao longo do anocalendário de 2002 (fls.1177/1198). Também há na amostragem coerência com os valores da planilha. 2.24. Portanto, podese concluir que foi incluído, contrariamente ao que dispõe o art. 2°, da Lei n.° 10.209/01, o valor do "vale pedágio" na receita de fretes, fazendo jus o contribuinte à dedução dos respectivos custos escriturados a este título na composição da base de cálculo do imposto devido. 2.25. Por outro lado, analisando os valores de receitas e de custos/despesas lançados em balancetes sintéticos (fls. 593/398) que compuseram o Lucro Líquido do Exercício, conforme demonstração do resultado de fl. 619, o qual coincide com o valor informado na DIPJ/2003 ffl. 358), verificase que o contribuinte já deduziu em sua contabilidade, na composição do item 3.1 (Custo dos Serviços Vendidos) os valores escriturados a título de valepedágio, composto pelos valores de R$ 2.776.042,83 (item 3.1.1.1.006, fl. 593), de R$ 779,10 (item 3.1.2.7.002m fl. 593) e de R$ 6.035,36 (item 3.1.3.5.001, fl. 594). 2.26. Diante desses fatos, considerando que na apuração do resultado foram incluídas nas receitas de fretes do ano calendário de 2002 os valores do pedágio constantes dos CTRC's mas, por outro lado, também foram computados como "custos dos serviços vendidos" os valores contabilizados pelo contribuinte a título de "valepedágio", não há mais exclusão a ser feita a esse título na apuração do Lucro Real, uma vez que já houve a dedução do "valepedágio" na composição da base de cálculo do imposto. 2.27. Glosandose, portanto, integralmente, o montante indevidamente excluído no cálculo do Lucro Real (fl. 359) e procedendo aos devidos ajustes, obtémse a apuração revisada do IRPJ no exercício de 2003, conforme Quadro 05 abaixo: 2.28. Partindo agora do imposto devido e adicional revisados, verifica se que o contribuinte deduziu a título de PAT o valor de R$ 46.520,59 e doações a fundos dos direitos da criança e do adolescente de R$ 13.674,92. Deduziu também imposto de renda retido na fonte de R$ 432.579,35 e imposto pago por estimativa de R$ 2.680.843,21 (/7. 364). 2.29. O contribuinte informa pagamentos e compensações de estimativas mensais conforme quadro de fls. 1209. 2.30. Os sistemas de informação da RFB confirmam os recolhimentos de estimativas mensais dos meses de mar/02 a set/02 e nov/02, que totalizam R$ 1.320.130,82 (fis. 1219/1222). Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 13 12 2.31. Os débitos de estimativas compensados nos meses de out/02 e nov/02, no processo n° 13819.005030/200218 e de nov/02, no processo 13819.001053/200326, conforme quadro de fl. 1209, totalizam R$ 731.641,35, são considerados efetivamente pagos por estimativa (lis. 1223/1230). 2.32. Uma vez que, conforme análise acima, não foi apurado saldo negativo de IR no anocalendário de 2001, as compensações feitas com referido crédito inexistente não podem ser consideradas como deduções na apuração do saldo do imposto. 2.33. Informes de rendimentos e demonstrativos juntados pelo contribuinte (fls. 542/567), confrontados com as informações disponíveis nos sistemas da RFB (fls. 1231/1235), atestam a idoneidade do valor das retenções na fonte informadas, de R$ 432.579,35. Às fl. 519 o contribuinte esclarece que tais retenções são oriundas de receitas de aplicações financeiras indicadas, por equívoco, na Linha 06A/20, quando o correto seria na Linha 06A/24, mas que integram a base de cálculo do imposto devido (fl. 358). Tal informação foi confirmada em balancete constante do Livro Diário, cuja cópia anexouse àfl. 598. 2.34. Não houve deduções do imposto retido na fonte na apuração das estimativas mensais, feitas com base na receita bruta e acréscimos (fls.360/363). 2.35. Portanto, além dos incentivos fiscais na monta de R$ 60.195,51, cuja dedução será admitida como idônea , sem prejuízo de futuras verificações por parte do Fisco, são também dedutíveis: o imposto retido na fonte comprovado de R$ 432.579,35, os valores pagos de R$ 411 1.320.130,82 e os débitos compensados por meio de processo, de R$ 731.641,35, esses dois últimos considerados estimativas efetivamente pagas no total de R$ 2.051.772,17. Deduzindose esses valores do imposto devido revisado, chegase ao saldo de imposto a pagar de R$ 1.392.438,70. Portanto, não há saldo negativo de imposto para utilização em compensações no exercício de 2003, ano calendário de 2002. Saldos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Anocalendário de 1999, Exercício de 2000 CSLL 2.36. A contribuição devida apurada foi de R$ 129.504,33 (fl. 287). 2.37. O manual da DIPJ/2000 permitia deduzir da CSLL apurada o valor equivalente a 1/3 da Cofins efetivamente paga relativa aos meses do anocalendário de 1999, com exceção de Janeiro/99, limitado ao valor da CSLL apurada. 2.38. O contribuinte informa uma dedução de R$ 129.504,33 287). 2.39. Consulta aos sistemas de informação da SRF indicam recolhimentos da COFINS, relativos aos meses de janeiro a dezembro do anocalendário de 1999 (fis. 1236/1237). Excluindose, portanto, o recolhimento relativo ao mês de Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 14 13 Janeiro/99, o total de recolhimento atinge a soma de R$ 1.109.222,79 (fl. 1238). Como o valor equivalente à 1/3 deste montante supera a CSLL apurada, resulta que, de acordo com a legislação, o valor dedutível limitase à CSLL apurada e corresponde, portanto, a R$ 129.504,33, conforme dedução feita pelo contribuinte. 2.40. Em relação aos pagamentos de estimativas ao longo do anocalendário de 1999, conforme quadro de fl. 1210, os sistemas de informação da RFB confirmam os recolhimentos no total de R$ 202.354,27 (fis. 1239/1240). 2.41. Considerando as deduções da contribuinte na DIPJ/2000, conforme a análise acima, chegase ao saldo negativo de CSLL no exercício de 2000 de R$ 202.354,27. 2.42. Ocorre que o contribuinte já utilizou parte deste crédito em compensações sem processo de estimativas da CSLL, no ano calendário de 2001, períodos de apuração fui/O], Ago/01, Set/01 e Out/01, conforme quadro de fl. 1210. 2.43. Cálculos efetuados no sistema SAPO demonstram que, do saldo negativo de R$ 202.354,27 apurado em 31/12/1999, já foram utilizados nas aludidas compensações escriturais feitas pelo contribuinte, sem processo, o montante de R$ 91.542,57, restando ainda o saldo credor de R$ 110.811,70, passível de utilização em compensações neste processo (fls. 1241/1243). [...] A questão se refere ao fato de que estimativas dos anos 2000, 2001 e 2002 levantou balancetes de suspenção ou de redução, e o imposto devido apurado foi sempre abatido por deduções informadas de imposto retido na fonte, implicando em estimativas a pagar igual a “zero”, conforme decisão abaixo: 3. DECISÃO 3.1.De todo o exposto, em obediência às normas legais em vigência, proponho: 3.1.1. O deferimento do pedido de retificação da Declaração de Compensação de fls. 01/02, conforme requerimento de fl. 323 e a admissão dos PER/DCOMPs retificadores listados no Quadro 01, do item 1, deste parecer; 3.1.2. O reconhecimento parcial do direito creditório informado pelo contribuinte, na monta de R$ 110.811,70, relativo ao saldo negativo da CSLL no anocalendário de 1999, exercício de 2000, conforme demonstrativo anexo. 3.2. O montante do direito creditório ora aferido destinase à homologação da compensação de débitos apresentados pelo contribuinte em Declarações de Compensação retificadoras, sendo que as parcelas dos débitos não cobertas pelo crédito aqui apurado restarão exigíveis, tendo em vista as disposições da Lei Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 15 14 n." 9.430/1996, artigo 74, ¢ 70, incluído pela Lei n.° 10.833/2003 e da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005." A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 1410/1422), com as alegações que se seguem: Mesmo diante da apresentação de todos os comprovantes do IRRF referentes ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 1.311.502,94, e planilha demonstrativa do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000 (R$ 553.021,21), cujas estimativas foram compensadas com o saldo do AC 1999, o Despacho Decisório adotou por premissa a não admissibilidade das compensações informadas. No entanto, o saldo negativo do AC 1999 consiste em direito da contribuinte, cujo valor ultrapassa consideravelmente o valor das compensações não homologadas, implicando em significativas mudanças nas conclusões do Despacho Decisório, justificando a revisão integral do trabalho fiscal. A revisão das Declarações de Rendimentos está prevista no art. 835 do RIR/99, o qual estabelece sua obrigatoriedade, quando apresentados os comprovantes pertinentes, não só quando se apura tributo a recolher mas também nas hipóteses em que a contribuinte tenha se equivocado na apuração dos seus créditos. Deixou de informar na Linha 13 da Ficha 13A da DIPJ a totalidade do IRPF retido pelas instituições financeiras, resultando no não apontamento do efetivo montante do saldo negativo do ano calendário de 1999 (R$ 1.255.105,39). Em consequência, não informou em DCTF a compensação das estimativas do ano calendário de 2000 com tal saldo negativo. Apurou estimativas a pagar em todos os meses do ano calendário de 2000, conforme informado nas páginas 7,8,9 e 10, sendo tais informações lançadas nas correspondentes demonstrações do LALUR. Embora tais estimativas não tenham sido declaradas em DCTF, não se pode concluir pela inexistência do direito ao crédito respectivo. As informações e documentos apresentados em resposta às Intimações 552/2007 e 67/2008 comprovam seu direito ao crédito relativo ao saldo negativo de 1999, merecendo destaque os informes e comprovantes do IRRF. Em suas palavras: “Em todo caso, além de todos comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao ano calendário de 1999, a contribuinte apresenta, ainda, os seguintes documentos: · Cópias autenticadas da Ficha 07A da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, no valor de R$ 5.200.349,16 (linha 21), que deu origem ao Imposto de Renda Retido na Fonte no ano calendário de 1999. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 16 15 · Cópia autenticada do Livro Razão Analítico págs. 469/471, em que é apontado o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao ano calendário de 1999. · Cópia autenticada do livro n° 001 de Balancetes e Demonstração de Resultados, em que também é apontado o valor do imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao ano calendário de 1999 (subconta 1.1.4.5.01) não incluído no valor total dos Impostos a Compensar) conta 1.1.4.5). · Cópias autenticadas do Balanço (extraído das págs. 418 e 419 do Livro Diário n° 69) e da Ficha 25ª da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Impostos a Compensar correspondentes ao ano calendário de 1999 (R$ 1.762.863,82). A equivocada apresentação das declarações de rendimentos referentes aos anos calendários de 1999 e 2000 não impede a compensação dos saldos negativos apurados, uma vez que as correspondentes operações se encontram registradas no Livro Diário/Razão Analítico e LALUR. [..,,] Requer finalmente a homologação das compensações efetuadas. Ao analisar as razões expostas na Manifestação de Inconformidade da contribuinte, a Delegacia de Julgamento entendeu que, diante dos argumentos e das provas trazidas pela interessada, não há como admitir que as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 tenham sido compensadas com eventual saldo negativo do ano calendário de 1999, porque não comprovado. Tal comprovação poderia ter sido feita mediante a apresentação da escrituração contábil e fiscal, devidamente lastreada em documentos revestidos de certeza e liquidez, fato que não foi verificado no presente caso, após a análise detalhada das planilhas e demonstrativos apresentados pela contribuinte. Visto isso, a DRJ/CPS emitiu o Acórdão nº 0525.573 (fls. 1626/1647), no sentido de não reconhecer o direito creditório adicional em litígio, e não homologar as compensações declaradas, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. LIQUIDAÇÃO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 17 16 O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da existência e da disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações/deduções efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. A retificação dos dados informados em Declaração de Rendimentos, quando existente erro de fato, deve estar lastreada na escrituração contábil e fiscal da interessada. Os documentos apresentados pela interessada não comprovam a compensação das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 com eventual saldo negativo do período anterior (AC 1999). Não apresentados meios de prova adequados a infirmar a apreciação efetuada pelo Despacho Decisório contestado, não há direito creditório adicional a ser reconhecido, nem se homologam as compensações requeridas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO UTILIZADO. A reclamação de direito creditório de natureza distinta daquela indicada em Declaração de Compensação analisada configura novo pedido/declaração, sujeito ao rito processual cabível. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Diante da negativa, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 1654/1666), o qual reiterou as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator Preenchidos os requisitos legais de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Como se percebe através do relato, a questão se subsume na validade ou não das compensações escriturais realizadas pela recorrente em sua contabilidade, através das quais se alega a existência de saldo negativo a partir de 1999, o qual fora indicativamente utilizado para pagamento de estimativas dos anoscalendário 2000 e 2001. Estas compensações implicaram na formação de saldos negativos nos anos calendário de 2000, 2001 e 2002 de IRPJ. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 18 17 Tal qual ventilado em 1ª instância, não houve oferecimento de defesa em relação aos créditos de saldos negativos de CSLL, de forma que a matéria não foi a julgamento. Para análise do caso, fazse necessário o confronto das alegações da recorrente com as do Fisco, ante o conjunto fáticoprobatório presente nos autos. A autoridade de 1ª Instância assevera que, embora possa ser reconhecido o saldo negativo de 1999, o que fora consignado no acórdão de 1ª instância, reconhecendo o valor de R$ 971.067,47, ao invés de R$ 1.231.833,98 pretendido pelo contribuinte, a recorrente não fez prova das compensações efetuada mediante sua contabilidade, conforme trecho a seguir às fls. 1644: No entanto, as cópias do LALUR, fls. 1455 e ss (ajustada numeração), embora possam comprovar a apuração das estimativas devidas durante o anocalendário de 2000, não fazem prova de que tais estimativas teriam sido compensadas com eventual saldo negativo do anocalendário de 1999. Na verdade, no próprio LALUR apresentado, consta que as estimativas apuradas foram liquidadas por meio da dedução do IRRF, e não com a compensação de saldos negativos de períodos anteriores. A recorrente, por sua vez, aduz que fez sim prova contábil das compensações efetuadas, conforme trecho a seguir de seu recurso voluntário às fls. 1663: Assim, ao contrário do que afirma a Autoridade Fiscal, não há nada que impeça a revisão das declarações de rendimentos anteriormente apresentadas pela Recorrente, uma vez que esta não só informou em planilhas as compensações almejadas, mas também registrou os correspondentes lançamentos em sua contabilidade e acostou aos autos toda a documentação que dá suporte a estas compensações. Analisando toda a documentação acostada aos autos, verificase que a única prova juntada para comprovação das compensações das estimativas de 2000 com o saldo negativo de IRPJ de 1999 foi somente uma planilha elaborada pela recorrente presente às fls. 645. De fato, conforme atestado pela recorrente e reconhecido pelo Fisco, no ano calendário 2000 foram apuradas estimativas a pagar as quais foram compensadas com “Imposto de Renda Retido na Fonte”, conforme DIPJ 2001 (1446 e ss.) e LALUR (fls. 1455 e ss.). Não fez prova, entretanto, das compensações realizadas. As provas produzidas se resumem, basicamente, à existência do saldo negativo de 1999, o qual fora comprovado parcialmente mediante: (i) Comprovantes de IRRF (fls. 314); (ii) Cópias autenticadas da Ficha 07A da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, no Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 19 18 valor de R$ 5.200.349,16 (linha 21), que deu origem ao Imposto de Renda Retido na Fonte no anocalendário de 1.999 (fls. 1471); (iii) Cópia autenticada do livro Razão Analítico págs. 469/471, em que é apontado o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao ano calendário de 1.999 (fls. 1473); (iv) Cópia autenticada do livro n.° 001 de Balancetes e Demonstração de Resultados, em que também é apontado o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao anocalendário de 1.999 (subconta 1.1.4.5.01), então incluído no valor total dos Impostos a Compensar (conta 1.1.4.5) (fls. 1501); (v) Cópias autenticadas do Balanço (extraído das págs. 418 e 419 do Livro Diário n.° 69) e da Ficha 25A da DIPJ/2000, em que é apontado o valor dos Impostos a Compensar correspondentes ao anocalendário de 1999 (R$ 1.762.863, 82) (fls. 1516) Embora sempre se busque a verdade material dos fatos tributários, é necessário que o contribuinte comprove ao menos indícios de seu direito creditório para justificar eventualmente uma diligência para apurar os fatos. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à peticionaria o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Tal comprovação pode ser feita mediante a apresentação da escrituração contábil e fiscal, devidamente lastreada em documentos aptos para tanto. A simples existência de saldo negativo no anocalendário de 1999 também não é suficiente para demonstrar a utilização dele para a compensação de estimativas de períodos de apuração subsequentes. Tendo em conta que interessada não apurou Saldos a Pagar relativos a tais estimativas em sua Declaração de Rendimentos e não indicou as compensações nas respectivas DCTF, caberia a ela comprovar de forma inequívoca de que providenciou as compensações que reclama, como por exemplo, pela apresentação de sua escrituração contábil e fiscal na qual tais compensações estivessem devidamente escrituradas, conforme previsto na legislação aplicável. No entanto, reiterase: a documentação contábil e fiscal apresentada restringese a comprovar a existência de Imposto de Renda Retido na Fonte durante o ano calendário de 1999, com as ressalvas já feitas, bem como a existência de estimativas apuradas durante o anocalendário de 2000, para as quais foi utilizado o IRRF como dedução, e não a compensação com saldo negativo do anocalendário de 1999. Sobre os demais anoscalendário, a recorrente silencia e não faz nenhuma provas das compensações havidas. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 20 19 Em consequência, diante dos argumentos e das provas trazidas pela interessada, não há como admitir que as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 tenham sido compensadas com eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, porque não comprovado, apurandose saldo de IRPJ a Pagar no anocalendário de 2000 e não saldo negativo passível de aproveitamento em compensações com débitos futuros. Neste sentido, precedente desta turma sobre a matéria: Processo nº 10166.904916/200867 Recurso Voluntário Acórdão nº 1102000.998 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ. COMPENSAÇÃO. Recorrente GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDIC A IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO. O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13819.001407/200332 Acórdão n.º 1102001.313 S1C1T2 Fl. 21 20 Por todo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do voluntário da contribuinte, no sentido de manter integralmente a decisão de 1º grau. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digital mente em 11/06/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 18/06/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 13839.005501/2007-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2004
PRAZO DECADENCIAL. TERMO DE INÍCIO.
A contagem do prazo para o FISCO constituir o crédito tributário do tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ter início com a ciência do auto de infração, ao invés da ciência do MPF.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2004 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso especial, para se comprovar o dissídio jurisprudencial, basta que se demonstre que a decisão recorrida tenha dado interpretação divergente à lei tributária da que lhe tenha dado outra câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria CSRF. A divergência estará configurada quando, do cotejo dos acórdãos recorrido e paradigma, verifiquese que ambos trataram da mesma matéria e que há clara diferença de entendimento entre os julgados. Recurso Especial Conhecido ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2004 PRAZO DECADENCIAL. TERMO DE INÍCIO. A contagem do prazo para o FISCO constituir o crédito tributário do tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ter início com a ciência do auto de infração, ao invés da ciência do MPF. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 55 01 /2 00 7- 56 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 265 2 Maria Teresa Martínez López (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de análise de recurso especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional. Em sessão plenária de 15 de fevereiro de 2012, os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso de ofício, conforme Acórdão n° 3101001.036, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2004 Ementa: DECADÊNCIA. COFINS. O prazo para o FISCO constituir o crédito tributário do tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contado do fato gerador do tributo, art. 150, § 4º do CTN. Recurso de Ofício Improvido Consta do acórdão recorrido: Desta forma, tendo em vista que a ciência do presente lançamento fiscal ocorreu em 11 de dezembro de 2007, a Fiscalização poderia efetuar a cobrança da COFINS dos períodos até 10 de dezembro de 2002. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 266 3 Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício para manter a improcedência do lançamento referente ao período caduco de 31/01/2002 a 31/11/2002. Consta do relatório da decisão recorrida: Tratase de lançamento fiscal de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS em decorrência da falta de pagamento da contribuição referente ao período de 31/01/2001 a 31/01/2004. A empresa não recolheu COFINS de 01/2002 a 01/2004 em razão da existência de litígio judicial sobre as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98, no que concerne à ampliação da base de cálculo e majoração alíquota de 2% para 3%. Como no momento da lavratura do presente Auto de Infração o processo judicial nº 1999.61.05.045840 ainda estava pendente de julgamento definitivo, o lançamento permaneceu com sua exigibilidade suspensa, conforme decisão de fls. 108/109. A Recorrida apresentou Defesa Administrativa alegando, em síntese, a decadência parcial dos valores lançados – período de 31/01/2002 a 31/11/2002, bem como a necessidade de manter suspensa a exigibilidade dos créditos lançados. Tendo em vista a impugnação parcial do Recorrido, foi determinado a formalização de outro processo administrativo para apartar o crédito tributário não impugnado (fls. 178), o que gerou a instauração do Processo Administrativo Fiscal nº 13839.001210/200870 para cobrança da COFINS referente ao período de 12/2002 a 01/2004 (fls. 182). Após as devidas providências, foram os autos do presente processo levados à julgamento para DRJ, que reconheceu a decadência e julgou improcedente o lançamento fiscal, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEPÓSITOS Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que ocorre pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não obstante, o cancelamento do Auto de Infração pelo reconhecimento da decadência não repercute sobre o crédito tributário alvo de depósitos judiciais efetuados, antes do período Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 267 4 decadencial, com a finalidade de promover a suspensão da exigibilidade. Lançamento Improcedente Assim, exonerado o crédito tributário pela decadência, a Autoridade Fiscal de primeira instância, mediante declaração na própria decisão, interpôs Recurso de Ofício em cumprimento ao art. 34, I do Decreto nº 70.235/72, para apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial. Pede para que seja contado o início, também pela regra do art. 150, § 4º do CTN, porém defende que esse início se dê com a ciência do MPF. Vejase excertos: (...) No paradigma, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ao analisar a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação, firmou o entendimento de que, segundo a literalidade do art. 150, parágrafo 4º, a fiscalização tem o prazo de 5 cinco para se pronunciar sobre o pagamento antecipado, a partir da ocorrência do fato gerador. Sob tal perspectiva, o aludido órgão julgador deixa clara sua posição de que o pronunciamento em questão ocorre quando a administração tributária inicia a fiscalização, ou seja, uma vez iniciado o procedimento fiscal em face do contribuinte antes do prazo legal de cinco anos, não se opera a decadência. (...) Da leitura da regra supra transcrita, percebese que o prazo decadencial é contado do fato gerador, operandose a homologação tácita pela ausência de pronunciamento da Fazenda Pública. Na acepção do termo, segundo a inteligência da norma em tela, qualquer manifestação da fiscalização, como o início da ação fiscal pela ciência do MPF ao sujeito passivo, é suficiente para se evitar a homologação tácita. Nessa ordem de idéias, a decadência somente alcança os fatos geradores anteriores ao qüinqüênio contado a partir da data em que o contribuinte é cientificado do MPF. No presente caso, como o sujeito passivo tomou ciência do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) em 28/11/2006, conforme consta às fls. 01, a COFINS apurada a partir de 30/11/2001, não foi alcançada pelo instituto da decadência, uma vez que em relação à eles não se operou a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN. Sendo assim, o acórdão recorrido merece ser reformado no sentido de aplicar o entendimento firmado no paradigma, que empreendeu melhor interpretação à regra consubstanciada no art. 150, § 4º do CTN, na contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 268 5 (...) Sob o entendimento de que o recurso apresentado atende aos requisitos legais, por meio de Despacho, deuse seguimento ao apelo. A interessada apresenta contrarrazões onde pede: I) pelo não conhecimento do recurso, em face de ausência de paradigma, e II) se conhecido, para que seja mantido a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, à época vigente, assim dispõe, verbis: "Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais." Em síntese: O Acórdão recorrido aplicou o prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN, 5 anos contados do fato gerador, levando em consideração a data da ciência do auto de infração: 11/12/2007. A Fazenda Nacional pede para que a contagem dos 5 anos estabelecido pelo art 150, § 4º do CTN, leve em conta a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – 28/11/2006. Assim, nesse entendimento, a COFINS apurada a partir de 30/11/2001 não estaria alcançada pelo instituto da decadência. Confrontando o pedido da recorrente com o citado paradigma, ouso discordar quanto a admissibilidade do recurso especial. A ementa da decisão paradigma, referente às contribuições previdenciárias, possui a seguinte redação: Acórdão nº 230101.568: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 269 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QUO DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso I do CTN. (grifos, não do original) (...) Vejase que o resultado do acórdão paradigma foi pelo art. 173, do CTN. Confirase: ACORDAM os membros da 3° Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros (...) que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento com fundamento no artigo 173, I do CTN; e, no mérito, (...). Consta do voto, do acórdão citado como paradigma aplicável às contribuições previdenciárias retidas dos empregados1 : “Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública " considerase homologado" é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido 1 Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ..., lavrada em 28/07/2006, por terem sido encontradas omissões nas GPIPs e falta de recolhimento de contribuições previdenciárias da parte retida do empregado. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 270 7 como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão "pronunciado". Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso 1. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.” (g.n.) Com o máximo respeito, o Acórdão citado não merece ser acolhido como paradigma. A um, porque no entender do citado julgado (aplicável às contribuições previdenciárias), iniciado a fiscalização, (SIC) “a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso 1”. No caso, a D. Procuradora (recorrente) pede para que seja aplicável também o art. 150, § 4º mas que seja considerado na contagem, o início do MPF ao invés de ser a ciência do auto de infração. Confirase (Fls.222): No caso, não se discute a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas a forma pela qual foi aplicada a norma, que dispõe, in verbis: (grifos, não do original) (...) Da leitura da regra supra transcrita, percebese que o prazo decadencial é contado do fato gerador, operandose a homologação tácita pela ausência de pronunciamento da Fazenda Pública. Na acepção do termo, segundo a inteligência da norma em tela, qualquer manifestação da fiscalização, como o início da ação fiscal pela ciência do MPF ao sujeito passivo, é suficiente para se evitar a homologação tácita. Nessa ordem de idéias, a decadência somente alcança os fatos geradores anteriores ao qüinqüênio contado a partir da data em que o contribuinte é cientificado do MPF. No presente caso, como o sujeito passivo tomou ciência do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) em 28/11/2006, conforme Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 271 8 consta às fls. 01, a COFINS apurada a partir de 30/11/2001, não foi alcançada pelo instituto da decadência, uma vez que em relação à eles não se operou a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN. Sendo assim, o acórdão recorrido merece ser reformado no sentido de aplicar o entendimento firmado no paradigma, que empreendeu melhor interpretação à regra consubstanciada no art. 150, § 4º do CTN, na contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. A dois, também é importante ressaltar que a jurisprudência majoritária desta casa, sempre levou em consideração a regra certa de que o prazo final da contagem decadencial deva levar em consideração a ciência do auto de infração. No presente caso, defende, portanto, a respeitável Procuradora, uma terceira corrente, que não a do acórdão recorrido (art. 150, § 4º do CTN) e nem a do citado como paradigma (art. 173, I, do CTN – contribuições previdenciárias) e, data máxima vênia, divergente da posição consolidada nesta E. Câmara Superior que sempre considerou a ciência do auto de infração – como a data que deve marcar como início da contagem retroativa do prazo decadencial. No caso do citado paradigma (contraditório no entender desta Conselheira, eis que mistura: fato gerador início da contagem data final do prazo), repitase, entende que uma vez iniciado a fiscalização, passa a ser aplicado a regra do art. 173, do CTN. Neste caso, aplicouse a regra do art. 150, § 4º da qual não diverge a recorrente. No mais, o paradigma trata de constatação de dolo, fraude ou simulação segundo o relator (voto de qualidade). 2 Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, não há como se conhecer do recurso especial. Caso esta Conselheira seja vencida, passo ao exame meritório. Mérito O Acórdão recorrido aplicou o prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN, 5 anos contados do fato gerador3, levando em consideração a data da ciência do auto de infração: 11/12/2007. A Fazenda Nacional pede para que a contagem dos 5 anos estabelecido pelo art 150, § 4º do CTN, leve em conta a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – 28/11/2006. Assim, nesse entendimento, a COFINS apurada a partir de 30/11/2001 não estaria alcançada pelo instituto da decadência. 2 Confirase excertos da ementa: Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art. 173, inciso Ido CTN. 3 Observando que especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 272 9 A jurisprudência majoritária desta casa, sempre levou em consideração a regra certa de que o prazo final da contagem decadencial deva levar em consideração a ciência do auto de infração. Isto porque doutrinariamente pode se dizer que o processo administrativo é composto de dois momentos: o primeiro caracterizase por procedimento em que são prolatados os atos inerentes ao poder fiscalizatório da autoridade administrativa cuja finalidade é verificar o correto cumprimento dos deveres tributários por parte do contribuinte, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Nesta fase, a atividade administrativa pode ser inquisitória e destinada a uma possível, mas não certa formalização da exigência fiscal. A segunda fase, iniciase com o inconformismo do contribuinte em face da exigência fiscal – marcada com a ciência do auto de infração. A partir daí está formalizado o conflito de interesses, momento em que se considera existente um verdadeiro processo, impondose a aplicação dos princípios inerentes ao devido processo legal, entre eles o da ampla defesa e o do contraditório. É da ciência do auto que deve marcar como início da contagem retroativa do prazo decadencial, motivo pela qual NEGO provimento ao recurso interposto ela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de: I) não conhecer do recurso especial, por ausência de paradigma. II) se vencida na preliminar de conhecimento, NEGAR provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional de forma a manter a decisão recorrida. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Fui designado redator do voto vencedor no tocante ao conhecimento do apelo Fazendário. Neste ponto, com o devido respeito à nobre relatora, ouso divergir de seu entendimento, pois, a meu sentir, do cotejo entre os acórdãos paradigmas e recorridos sobressai o dissídio jurisprudencial, muito bem caracterizado, como se pode ver do cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigma. Para identificar o entendimento adotado pelo Colegiado, transcrevese extrato do acórdão recorrido. Não resta dúvida que o prazo decadencial para constituição do crédito de COFINS é o previsto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, que, dispõe que, nos casos de lançamento por homologação– como é o caso da COFINS , “se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 273 10 salvo se comprovada a ocorrência de dolo,fraude ou simulação”. [...]Notase que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional é de 5 (cinco) anos e tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. Desta forma, tendo em vista que a ciência do presente lançamento fiscal ocorreu em 11 de dezembro de 2007, a Fiscalização poderia efetuar a cobrança da COFINS dos períodos até 10 de dezembro de 2002. (g.n.) De outro lado, a questão da decadência foi tratada no acórdão paradigma, nos termos seguintes: “Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública — "considerase homologado" é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão"pronunciado", Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso 1. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.” (g.n.) Cotejandose o acórdão paradigma como recorrido verificase que há clara diferença de entendimento, enquanto que neste (recorrido) entendeuse que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional é de 5 (cinco) anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, e que, portanto, para validade do lançamento, a ciência do auto de infração deveria ser dada antes de exaurido esse prazo; naquele (paradigma) o entendimento foi no sentido de que o prazo era quinquenal, contado da ocorrência do fato gerador, todavia a ciência do termo de início da fiscalização seria suficiente para configurar o “pronunciamento” de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, obstando a Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.005501/200756 Acórdão n.º 9303003.112 CSRFT3 Fl. 274 11 homologação tácita que implicaria na decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento por homologação. A divergência de entendimento se daria, não no prazo da homologação tácita, pois em ambos os acórdãos esse prazo é de 5 anos, mas no ato administrativo que interromperia sua contagem, no recorrido entendeuse que a interrupção se dá com a ciência do lançamento, já no paradigma, seria essa interrupção darseia com o termo de início de fiscalização. Com essas considerações entendo caracterizado o dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, atendido os requisitos de admissibilidade do especial fazendário já que este fora apresentado, tempestivamente, e por quem de direito. Com essas considerações, voto no sentido de conhecer do apelo Fazendário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10630.720231/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
Prazos. Intempestividade.
Não se toma conhecimento de recurso interposto após o prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-01.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, face à sua intempestividade.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Intempestividade. Não se toma conhecimento de recurso interposto após o prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, face à sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O interessado transmitiu Pedido Ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo – mercado externo, relativo ao 1º trimestre de 2005, no valor de R$ 2.142,81 (fls 09 e seguintes); AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 31 /2 00 6- 74 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Posteriormente transmitiu a DCOMP de fls. 51/54, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito acima citado. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece o direito creditório no valor de R$ 1.986,80 e homologa parcialmente a compensação pleiteada (fls. 251 e seguintes); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 286 e seguintes), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do cooperativismo, dos créditos e da nãocumulatividade da contribuição, para depois alegar que: a) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; b) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; c) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PROVA DOCUMENTAL A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720231/200674 Acórdão n.º 3102001.371 S3C1T2 Fl. 457 3 Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, relator do feito, bem assim de que, até o presente momento, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para essa tarefa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Ad Hoc Penso que o recurso não pode ser conhecido. De fato, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 379, a recorrente foi intimada da decisão recorrida em 20 de fevereiro de 2009, sextafeira. Como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33, que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim sendo, considerando que, após a ciência, em face do carnaval, o primeiro dia de funcionamento regular do órgão preparador foi a quintafeira 26/02, a data limite para apresentação do recurso voluntário seria o dia 27 de março de 2009. Ocorre que a recorrente só apresentou o presente recurso no dia 02 de abril de 2009, conforme protocolo à fl. 380. De se acrescentar, finalmente, que a perempção foi consignada no despacho à fl. 430, lavrado pela repartição de origem. Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecêlo. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000915/2005-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 9303-000.008
Decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS/PASEP. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T. da CSRF
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
Relatório
Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida:
Trata-se de recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ que manteve indeferimento de parte de pedido de ressarcimento de créditos do PIS Faturamento, incidência não-cumulativa.
O órgão de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, glosando os valores de transferências de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e Cofins não-cumulativos.
Na manifestação de inconformidade o contribuinte se insurge contra a glosa, defendendo o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo:
- A não-inclusão, na base de cálculo do PIS, de montante relativo à transferência, por cessão a terceiro, de saldo credor de ICMS acumulado na exportação de mercadorias é procedimento correto, conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou.
- No momento em que registra os créditos sobre as entradas, que posteriormente serão passíveis de transferência, a contribuinte o faz em uma conta contábil do seu ativo. Isso significa que tais créditos passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a compra dos componentes da mercadoria exportada.
- Assim sendo, é evidente que a fiscalização pretendeu lançar PIS sobre o patrimônio da contribuinte, e não sobre qualquer tipo de receita ou faturamento, pois os valores que se pretendeu tributar não decorreram de uma operação que represente uma venda de mercadorias ou uma prestação de serviços que ocasionasse a percepção, pela contribuinte, de valores que ingressarão em seus cofres.
- Ao transferir esse crédito de ICMS em conta-corrente fiscal para um terceiro, a contribuinte não está auferindo qualquer receita, mas, simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um passivo.
Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o pedido de ressarcimento.
Ao indeferir a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ interpretou que a cessão de créditos de ICMS a outras pessoas jurídicas deve integrar a base de cálculo da Contribuição, mormente porque a legislação de regência (menciona os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 e os arts. 10 e 22 do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta o PIS e Cofins) não prevê hipóteses de exclusão, isenção, não incidência ou qualquer outra forma de não integração à base de calculo, para tal cessão.
Também entendeu que o seguinte:
... a operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma espécie de alienação, ou melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e, a Unidade da Federação, o do cedido.
No recurso voluntário, tempestivo, o contribuinte insiste no ressarcimento do total pleiteado, refutando a decisão recorrida e repisando argumentos da Manifestação de Inconformidade, desta feita mencionando dois julgados dos Conselhos de Contribuintes a seu favor: acórdãos nºs 201-79.962 e 201-79.963, de 24/01/2007.
É o Relatório.
A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCLUSÃO.
Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural.
Recurso provido.
Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 246/261, no qual se insurge contra o acórdão que deu provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS os valores correspondentes aos créditos de ICMS cedidos a terceiros e para determinar o ressarcimento dessa contribuição sem a glosa efetuada pela fiscalização.
O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 314.
A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 317/326).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/PASEP. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T. da CSRF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Trata-se de recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ que manteve indeferimento de parte de pedido de ressarcimento de créditos do PIS Faturamento, incidência não-cumulativa. O órgão de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, glosando os valores de transferências de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e Cofins não-cumulativos. Na manifestação de inconformidade o contribuinte se insurge contra a glosa, defendendo o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo: - A não-inclusão, na base de cálculo do PIS, de montante relativo à transferência, por cessão a terceiro, de saldo credor de ICMS acumulado na exportação de mercadorias é procedimento correto, conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou. - No momento em que registra os créditos sobre as entradas, que posteriormente serão passíveis de transferência, a contribuinte o faz em uma conta contábil do seu ativo. Isso significa que tais créditos passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a compra dos componentes da mercadoria exportada. - Assim sendo, é evidente que a fiscalização pretendeu lançar PIS sobre o patrimônio da contribuinte, e não sobre qualquer tipo de receita ou faturamento, pois os valores que se pretendeu tributar não decorreram de uma operação que represente uma venda de mercadorias ou uma prestação de serviços que ocasionasse a percepção, pela contribuinte, de valores que ingressarão em seus cofres. - Ao transferir esse crédito de ICMS em conta-corrente fiscal para um terceiro, a contribuinte não está auferindo qualquer receita, mas, simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um passivo. Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o pedido de ressarcimento. Ao indeferir a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ interpretou que a cessão de créditos de ICMS a outras pessoas jurídicas deve integrar a base de cálculo da Contribuição, mormente porque a legislação de regência (menciona os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 e os arts. 10 e 22 do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta o PIS e Cofins) não prevê hipóteses de exclusão, isenção, não incidência ou qualquer outra forma de não integração à base de calculo, para tal cessão. Também entendeu que o seguinte: ... a operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma espécie de alienação, ou melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e, a Unidade da Federação, o do cedido. No recurso voluntário, tempestivo, o contribuinte insiste no ressarcimento do total pleiteado, refutando a decisão recorrida e repisando argumentos da Manifestação de Inconformidade, desta feita mencionando dois julgados dos Conselhos de Contribuintes a seu favor: acórdãos nºs 201-79.962 e 201-79.963, de 24/01/2007. É o Relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Recurso provido. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 246/261, no qual se insurge contra o acórdão que deu provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS os valores correspondentes aos créditos de ICMS cedidos a terceiros e para determinar o ressarcimento dessa contribuição sem a glosa efetuada pela fiscalização. O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 314. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 317/326).
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ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.SOBRESTAMENTO ATÉ DECISÃO DO STF. RICARF, art. 62 A, § 2º. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRASFUMO INDÚSTRIA DE FUMOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/PASEP. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto da 3ª T. da CSRF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .0 00 91 5/ 20 05 -3 0 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000915/200530 Resolução nº 9303000.008 CSRFT3 Fl. 354 2 Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Tratase de recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ que manteve indeferimento de parte de pedido de ressarcimento de créditos do PIS Faturamento, incidência nãocumulativa. O órgão de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, glosando os valores de transferências de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e Cofins nãocumulativos. Na manifestação de inconformidade o contribuinte se insurge contra a glosa, defendendo o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo: A nãoinclusão, na base de cálculo do PIS, de montante relativo à transferência, por cessão a terceiro, de saldo credor de ICMS acumulado na exportação de mercadorias é procedimento correto, conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou. No momento em que registra os créditos sobre as entradas, que posteriormente serão passíveis de transferência, a contribuinte o faz em uma conta contábil do seu ativo. Isso significa que tais créditos passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a compra dos componentes da mercadoria exportada. Assim sendo, é evidente que a fiscalização pretendeu lançar PIS sobre o patrimônio da contribuinte, e não sobre qualquer tipo de receita ou faturamento, pois os valores que se pretendeu tributar não decorreram de uma operação que represente uma venda de mercadorias ou uma prestação de serviços que ocasionasse a percepção, pela contribuinte, de valores que ingressarão em seus cofres. Ao transferir esse crédito de ICMS em contacorrente fiscal para um terceiro, a contribuinte não está auferindo qualquer receita, mas, simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um passivo. Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o pedido de ressarcimento. Ao indeferir a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ interpretou que a cessão de créditos de ICMS a outras pessoas jurídicas deve integrar a base de cálculo da Contribuição, mormente porque a legislação de regência (menciona os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 e os arts. 10 e 22 do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta o PIS e Cofins) não prevê hipóteses de exclusão, isenção, não incidência ou qualquer outra forma de não integração à base de calculo, para tal cessão. Também entendeu que o seguinte: Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000915/200530 Resolução nº 9303000.008 CSRFT3 Fl. 355 3 ... a operação de transferência dos créditos do ICMS configura uma espécie de alienação, ou melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e, a Unidade da Federação, o do cedido. No recurso voluntário, tempestivo, o contribuinte insiste no ressarcimento do total pleiteado, refutando a decisão recorrida e repisando argumentos da Manifestação de Inconformidade, desta feita mencionando dois julgados dos Conselhos de Contribuintes a seu favor: acórdãos nºs 20179.962 e 20179.963, de 24/01/2007. É o Relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Recurso provido. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 246/261, no qual se insurge contra o acórdão que deu provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS os valores correspondentes aos créditos de ICMS cedidos a terceiros e para determinar o ressarcimento dessa contribuição sem a glosa efetuada pela fiscalização. O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 314. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 317/326). Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à incidência da Cofins sobre receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS. De considerar que no RE 634.981/RS, julgado em: 07/05/2012, o Relator Min. Joaquim Barbosa decidiu que, tendo sido reconhecida a repercussão geral do tema no RE 606.107/RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), deve ser observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil, nos seguintes termos: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000915/200530 Resolução nº 9303000.008 CSRFT3 Fl. 356 4 DECISÃO : O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o RE 540.410QO, rel. min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008). Decidiuse, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007 cujo conteúdo verse sobre tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente feito, o recurso extraordinário versa sobre tema (Tema 283) em que a repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 606.107RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida.” Do exposto, nos termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela Emenda Regimental 21/2007), determino a devolução dos presentes autos ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil. Publiquese. Brasília, 7 de maio de 2012. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator.1 Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, e a Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão na base de cálculo da Cofins os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. 1 Informação disponível no sítio do STF: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=634981&classe=RE&origem =AP&recurso=0&tipoJulgamento=M) Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000915/200530 Resolução nº 9303000.008 CSRFT3 Fl. 357 5 Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 19515.000415/2002-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 42 da Lei n°9.430/1996, presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos em instituição financeira por titular pessoa física ou jurídica, que, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 2102-003.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LIVIA VILAS BOAS E SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 42 da Lei n°9.430/1996, presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos em instituição financeira por titular pessoa física ou jurídica, que, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 42 da Lei n°9.430/1996, presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos em instituição financeira por titular pessoa física ou jurídica, que, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso (Assinatura digital) João Bellini Junior - Presidente Substituto. (Assinatura digital) Lívia Vilas Boas e Silva - Relatora. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000415/2002-81 Acórdão n.º 2102-003.280 S2-C1T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 10/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Lívia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Em 01/08/2002, foi lavrado Auto de Infração (fls. 113 a 117), em face de Vanderlei Ramos, por meio do qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano calendário de 1998, tendo sido lançado o crédito tributário de IRPF no valor de R$690.405,59, acrescido dos juros moratórios e da multa de ofício de 75%. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 123 a 126) com as seguintes razões de defesa: em preliminar, requereu o cancelamento do Auto de Infração, sustentando que o prazo que lhe fora concedido para apresentar documentos ainda não havia sido expirado. Requereu também, a juntada posterior de documentos e de todas as demais provas necessárias ao convencimento do julgador; no mérito, considerou-se isento do recolhimento do imposto de renda, pois na época da ocorrência dos fatos, trabalhava como corretor de cereais e utilizava sua conta corrente para depositar importâncias destinadas à compra de mercadorias, porém, em seguida, os valores eram repassados aos fornecedores. Explicou que essa prática é muito utilizada no ramo de corretagem, pois possibilita ao corretor descontar o valor destinado à sua comissão e, posteriormente, fazer os repasses aos fornecedores; afirmou que sua conta bancária era utilizada como um instrumento de trabalho, devido à necessidade de descontar os cheques que lhe eram entregues para repassar aos fornecedores; juntou cópias de depósitos efetuados a terceiros, objetivando comprovar que as quantias depositadas em suas contas não lhe pertenciam, já que eram repassadas aos fornecedores como pagamento das despesas decorrentes da venda de cereais, descargas e fretes; insistiu que os valores depositados em sua conta bancária não lhe pertenciam, motivo pelo qual entendeu que a exigência da multa aplicada era um absurdo; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000415/2002-81 Acórdão n.º 2102-003.280 S2-C1T2 Fl. 3 3 ao final, concluiu que não foi demonstrado de forma explícita como se chegou ao valor final apurado e que os índices de atualização e de juros aplicados não foram apresentados. Os integrantes da 5ª Turma da DRJ/SP2 rejeitaram as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, julgaram por unanimidade de votos improcedente a impugnação, mantendo-se inalterado o crédito tributário apurado e exigido (fls. 174 a 183), conforme ementa transcrita abaixo: Assunto: IMPOSTO DE RENDA SOBRE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A juntada posterior de documentos não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. O §4° do mesmo artigo prevê que provas podem ser apresentadas em outro momento processual nos casos em que especifica. Caso que não se enquadra em quaisquer das hipóteses e impede o deferimento da juntada posterior de provas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de oficio, não podendo a autoridade lançadora furtar-se à sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000415/2002-81 Acórdão n.º 2102-003.280 S2-C1T2 Fl. 4 4 Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Cientificado da decisão, por via postal, em 16/08/2010 (AR fl. 119), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/09/2010 (fls. 189 a 192), no qual contesta a conclusão do acórdão recorrido, que manteve in totum o lançamento de ofício decorrente do Auto de Infração, repisando as alegações da peça impugnatória. É o Relatório. Voto Lívia Vilas Boas e Silva - Conselheira Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em preliminar, o Recorrente suscita o cancelamento do Auto de Infração, sustentando que o prazo para apresentar documentos que lhe fora concedido não havia se expirado. Para tanto, juntou aos autos o documento que formalizou a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, de que foi intimado, alegando tratar-se do seu prazo para apresentar os documentos (fl.101). Há de se esclarecer que o Mandado de Procedimento Fiscal tem um prazo a ser cumprido pela fiscalização. Poderá ser efetuada prorrogação pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas forem necessárias à conclusão do trabalho fiscal. A prorrogação far-se-á por intermédio de registro eletrônico, cuja informação estará disponível na internet, e também será fornecida uma cópia ao sujeito passivo. Observa-se que o prazo descrito pelo Recorrente se refere à atividade de fiscalização, que foi efetivamente observado, tendo em vista que o procedimento fiscal se encerrou em 16/08/2002, observando a prorrogação do MPF, cuja validade estava limitada a 23/08/2002. Portanto, evidente o equívoco cometido pelo Recorrente, que entendeu ser seu, o prazo que, em verdade, foi concedido ao Fisco. No mérito, o contribuinte assevera que os recursos depositados em sua conta bancária advêm de transações de compra e venda de cereais, servindo ele apenas como um intermediador de tais transações. Alega que os depósitos feitos em sua conta relativos ao valor Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000415/2002-81 Acórdão n.º 2102-003.280 S2-C1T2 Fl. 5 5 das vendas dos produtos eram repassados aos fornecedores, retendo para si, apenas o valor de sua comissão. De início, cumpre trazer a lume, a legislação que serviu de base para o lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que aduz, in verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, verifica-se que compete ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários, intimando o contribuinte a justificar a sua origem, que, uma vez não comprovada, conduz à presunção, até prova em contrário, da ocorrência de omissão de rendimentos (presunção legal do tipo juris tantum). Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei 9.430/96 cuida de presunção relativa, que admite a prova em contrário, cabendo, pois, exclusivamente ao contribuinte, a sua produção. Vê-se, pois, que o contribuinte foi devidamente intimado a prestar esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos (AR fl. 86). Contudo, ateve-se a apresentar extratos bancários e comprovantes de depósitos com saída de valores de sua conta para contas de terceiros, sem fazer juntada de qualquer prova da origem dos recursos depositados, ou mesmo da alegada intermediação de compra e venda de cereais. Não basta apenas alegar e demonstrar transferências para outras contas, a comprovação da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca. Neste sentido, o entendimento desta Corte Administrativa, consoante ementa destacada: IRRF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. (Acórdão nº 2802003.104, Sessão de 9 de setembro de 2014) Verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao Recorrente o ônus de provar a origem dos valores Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000415/2002-81 Acórdão n.º 2102-003.280 S2-C1T2 Fl. 6 6 depositados em conta bancária. As meras alegações de que teria exercido intermediação de venda de cereais, sem provas, não são suficientes para cancelar o lançamento. Assim, a conclusão que se extrai dos autos é que o uso de conta bancária em nome do Recorrente para realizar movimentação de valores tributáveis, o que torna lícito o lançamento do crédito tributário, até porque o contribuinte não comprovou que tais valores pertenciam a terceiros. Sobre esse ponto, o CARF já consolidou o entendimento na Súmula nº 32: Súmula nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Ante a todo o exposto, voto em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinatura digital) Lívia Vilas Boas e Silva - Relatora Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2015 por LIVIA VILAS BOAS E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Relatório Voto
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Numero do processo: 10814.011322/2007-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A ação de embaraçar pressupõe a resistência à ação fiscal. A conduta de um contribuinte que embarca mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, não configura embaraço à fiscalização.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ação de embaraçar pressupõe a resistência à ação fiscal. A conduta de um contribuinte que embarca mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, não configura embaraço à fiscalização. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso nesta matéria. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 13 22 /2 00 7- 48 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 12 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Conforme relatado no auto de infração, a fiscalização lavrou auto de infração, para exigência das multas capituladas nas alienas "c" e "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03, com os seguintes fundamentos: a) EMBARAÇO OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO, INCLUSIVE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados doSISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6 desrespeitou o preconizado no artigo 35 da IN SRF n° 28/1994. A transportadora embarcou mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, ocasião na qual as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, visando verificar a integridade de lacres, número de volumes, indícios de violação de carga, etc, impedindo a ação da fiscalização aduaneira. A prova do ocorrido está no fato da conclusão do transito ter sido em posterior ao embarque, conforme relatado às fls. 2. b) NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Devido a demandas geradas pelo Sistema Alerta de Trânsito Aduaneiros pendentes de conclusão, implantado pela COANA, constatouse que a Companhia Aérea LUFTHANSA CARGO SA, conforme extratos retirados do SISCOMEX, com histórico e dados de embarque referentes às DDE n° 2061094682/0 e 2070073090/7 e às DSE 2060166405/0, 2060143308/3 e 2060152998/6, desrespeitou o preconizado no artigo 37 da IN SRF n° 28/1994. Conforme consta nos autos, as datas de registro dos dados de embarque superaram a data do embarque em mais de dois dias, conforme segue: DSE Data do embarque Data do registro dos dados Fls. 2061094682/0 16/09/2006 22/11/2006 13 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 14 4 207007^90/7 24/01/2007 17/04/2007 14 2060166405/0 02/10/2006 23/11/2006 10 2060143308/3 19/09/2006 23/11/2006 11 2060152998/6 16/09/2006 20/042007 12 Regularmente cientificada da exigência em comento em 02/07/2007 fls. 19), a interessada apresentou a impugnação de fls. 22 e ss, aduzindo o seguinte: • Em relação ao suposto embaraço ou impedimento à fiscalização, esclarece que a forma de alocação das cargas destinadas à exportação faz com que, por vezes, equívocos sejam viabilizados, no embarque de mercadoria sujeita a conferência. • Para validação da imposição de penalidade é necessária a configuração da conduta intencional, por parte da empresa autuada, no que diz respeito ao direito de fiscalização pela autoridade aduaneira, como nó caso de não atendimento de intimação. • No caso da ausência de prestação de informação na forma legal, alega que esta penalidade foge aos princípios de razoabilidade e proporcionalidade, razão pela qual não pode ser aplicada. • Incompatibilidade da base legal na hipótese aplicada. Ao final requer a nulidade da ação fiscal. E o relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 PRINCÍPIOS JURÍDICOS. Não há desrespeito aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade quando o lançamento se pauta pelo princípio da legalidade. DEVIDO PROCESSO LEGAL: RITO FISCAL OBEDECIDO. O exame dos fundamentos apontados pela fiscalização pertence ao julgamento de mérito. Nulidade e cerceamento ao direito de defesa não configurados tendo em vista que o lançamento está revestido de todas as formalidades previstas na legislação de regência, não havendo o que se falar em prejuízo do direito de defesa e do contraditório, tampouco de ofensa ao devido processo legal. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO. MULTA. O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, ocasião em que as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito à penalidade correspondente. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 15 5 .NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Cabível a aplicação da multa quando caracterizado o descumprimento do prazo de dois dias para registro no SISCOMEX dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que para validade da imposição de penalidade por embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, há necessidade de configuração de conduta intencional, por parte da empresa autuada; que a aplicação de penalidade foge aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e ausencia de tipicidade na conduta. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista nas alíneas “c” e "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta nos arts. 35 e 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Da multa por embaraço ou impedimento à ação da fiscalização. A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 35, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 35. O embarque ou a transposição de fronteira de mercadoria destinada a exportação somente poderá ocorrer após o seu desembaraço e, quando for o caso, a conclusão de trânsito aduaneiro, devendo ser realizado sob controle aduaneiro, ressalvado o disposto no art. 36. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 1º Aplicase o disposto na alínea " a" do inciso II do art. 31 desta Instrução Normativa sempre que o depositário liberar para embarque mercadoria não desembaraçada pela fiscalização aduaneira, bem assim quando o transportador realizar operação de embarque, transbordo, baldeação ou transposição de fronteira de mercadoria não desembaraçada, sem a pertinente Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 17 7 conclusão de trânsito aduaneiro de exportação ou sem expressa autorização da fiscalização aduaneira. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) § 2º O disposto no § 1o não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) No caso em tela, verificouse que a recorrente embarcou mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão do trânsito aduaneiro. A entrada ou a saída de mercadorias do território nacional pressupõe controles rígidos necessários ao bom desempenho das atividades aduaneiras de fiscalização e de controle do comércio exterior, sem o quê se comprometem os interesses relativos à segurança e à economia nacionais. Assim, ao dificultar o controle aduaneiro das mercadorias ao embarcálas diretamente ao exterior sem o acompanhamento da fiscalização, indubitavelmente, consumou se a conduta infratora prevista determinada na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Da multa por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise dos extratos do Siscomex acostados aos autos temse que as informações sobre o embarque foram prestadas em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, devendo ser mantido o lançamento nesse aspecto. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 19 9 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 20 10 conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 21 11 penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 22 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 23 13 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 24 14 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 25 15 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 3801005.305 S3TE01 Fl. 26 16 Por fim, entendo que não se deve aplicar ao caso a imposição de penalidade por embaraço ou impedimento à ação da fiscalização. A ação de embaraçar pressupõe a resistência à ação fiscal. Mas a conduta de um contribuinte que embarca mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão de trânsito, evidentemente não configura embaraço à fiscalização. Não restou configurada qualquer conduta intencional, por parte da Recorrente, razão pela qual a aplicação de penalidade foge aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e ausencia de tipicidade na conduta. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10480.016134/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
SERVIÇOS HOSPITALARES CONCEITUAÇÃO.
Sem prejuízo de outros requisitos previstos na legislação de regência, para que os serviços prestados sejam conceituados como hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido (base de cálculo do imposto de renda), resta necessária a análise das notas fiscais emitidas aos clientes.
Os serviços médicos prestados e atendimentos médicos realizados na patologia oncologia de pediatria, conforme análise em diligência, foram atestados como serviços hospitalares, tendo como coeficiente 8% a ser aplicado base de cálculo do Lucro Presumido, salvo uma única nota fiscal referente à consulta médica, essa tributada sob o coeficiente de 32% como base de cálculo.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES CONCEITUAÇÃO. Sem prejuízo de outros requisitos previstos na legislação de regência, para que os serviços prestados sejam conceituados como hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido (base de cálculo do imposto de renda), resta necessária a análise das notas fiscais emitidas aos clientes. Os serviços médicos prestados e atendimentos médicos realizados na patologia oncologia de pediatria, conforme análise em diligência, foram atestados como serviços hospitalares, tendo como coeficiente 8% a ser aplicado base de cálculo do Lucro Presumido, salvo uma única nota fiscal referente à consulta médica, essa tributada sob o coeficiente de 32% como base de cálculo. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 61 34 /2 00 2- 11 Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Por questão de economia processual, adoto o relatório da r. decisão recorrida: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 05 a 07, para exigência de crédito tributário relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), com referência ao quarto trimestre de 1997, aos quatro trimestres de cada um dos anos calendário 1998 a 2001 e aos primeiro e segundo trimestres de 2002, como a seguir especificado: Valores (R$) Imposto 628.402,28 Juros de Mora 270.469,43 Multa de Oficio 471.301,65 Total do Crédito Tributário 1.370.173,36 Através do Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 06 a 07, a autoridade fiscal relata o seguinte fato: 001— IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — RECEITAS DA ATIVIDADE DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS). A contribuinte vinha determinando a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, mediante aplicação do coeficiente de presunção de oito por cento sobre a receita bruta da atividade, coeficiente este destinado a atividades hospitalares. De acordo com o instrumento particular de constituição da sociedade, protocolizado na JUCEPE em 23/02/1995, o objetivo da sociedade é a prestação de serviços médicos de pediatria e psicologia e atividades correlatas, podendo para tanto: celebrar contratos relativos a convênios de assistência médica e psicológica e acordos com entidades públicas e privadas em todo território nacional, obedecendo às disposições vigentes. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 3 3 Por meio do instrumento particular de segunda alteração contratual, protocolizado e registrado na JUCEPE em 26/04/1996, o objetivo da sociedade passou a ser tratamento clínico hospitalar em hematologia e oncologia pediátrica e atividades correlatas, podendo para tanto: celebrar contratos relativos a convênios assistenciais e acordos com entidades públicas e privadas em todo o território nacional. Diante dos fatos acima narrados, a autoridade fiscal entendeu que o coeficiente de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta das atividades da empresa é de trinta e dois por cento, consoante artigo 15, § 1º, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249/1995 e na IN/SRF n° 11/1996, art. 3º, § 4°, alínea "d". Dessa forma, a referida autoridade procedeu à determinação do lucro presumido mediante a aplicação do coeficiente de presunção de 32% sobre a receita bruta relativa a cada trimestre objeto de fiscalização, do que resultaram as diferenças trimestrais entre imposto apurado e imposto declarado, totalizando o TRPJ devido no valor de R$ 628.402,28. Enquadramento legal: artigo 889, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994 (RIR/94); artigo 15 da Lei n° 9.249/1995; artigo 25 da Lei n° 9.430/1996; artigos 224, 518, 519 e 841, inciso III, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99). Tempestivamente, a contribuinte apresentou peça impugnatória de fls. 99 a 101 (juntamente com documentação de fls. 102 a 250), por meio da qual formula as seguintes razões de defesa. Inicialmente, alega que, para a prestação de serviços médicos de pediatria, psicologia e atividades correlatas, em especial o tratamento de oncohematologia pediátrica, utiliza equipamentos altamente sofisticados, contadores de hematrócicos de infusão de leucócitos e hematócitos, bombas de infusão, oftalmostópico e outros equipamentos, constando de seus quadros psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, corpo de enfermagem e médicos especializados em oncohematologia pediátrica. Adita que trabalha em convênio com o Instituto Materno Infantil de Pernambuco — IMIP e que suas receitas são quase que integralmente provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seguida, afirma que desempenha função de tratamento ambulatorial, onde as crianças passam o dia em tratamento oncológico, além de que, em casos mais graves, algumas crianças pernoitam nas dependências da autuada, aí funcionando como hospital normal (serviço de hotelaria). Acresce que mantém médicos, inclusive anestesistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas em regime de 24 horas diárias. Por fim, cita Decisão em Processo de Consulta, prolatada pela Divisão de Tributação da 4ª RF, segundo a qual a empresa Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 consulente, pelo exercício de serviço hospitalar, como definido pelo Ministério da Saúde, está enquadrada no artigo 15, § 1º, inciso III, letra "a" da Lei n° 9.249/1995, sendo irrelevante o fato de prestar serviço em local alugado (fl. 112). Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua peça impugnatória, sejalhe concedido o direito de aplicar o coeficiente de presunção do lucro de oito por cento sobre as receitas de suas atividades e, em decorrência, seja declarada a improcedência do lançamento impugnado. Por meio da Solicitação de Diligência DRJ/3T/N° 013/2003, de 02/10/2003 (fls. 255/256), este julgador, na condição de Presidente da Terceira Turma desta Delegacia de Julgamento, tendo em vista as razões de defesa apresentadas pela impugnante, solicitou à DRF/Recife fosse realizada diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, no sentido de que fosse verificado: a) à vista das notas fiscais de serviços e de outros documentos e registros contábilfiscais, a possibilidade de segregação dos resultados oriundos de serviços de natureza hospitalar (internamento), isto é, que valores de receita se referiam a tais serviços e quais os decorrentes de outros serviços, durante os períodos objeto de fiscalização; b) se, nos mesmos períodos fiscalizados, a contribuinte dispunha, em seu ativo permanente, de equipamentos essenciais ao desempenho de funções de natureza hospitalar, entre os quais leitos manufaturados para o fim específico de internamento de pacientes. Efetuado o procedimento diligencial, do qual a contribuinte foi intimada mediante TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL E SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS (fls. 261/262), a autoridade diligenciadora apresentou conclusão nos seguintes termos (fl. 263): ... intimei a diligenciada acima identificada a apresentar as notas fiscais de serviços e, depois, solicitei cópias xerográficas por amostragens de uma nota fiscal para cada mês, a partir dos meses dos anos de 1997 a 2002 (fls. 265 /336), nas quais constam "Serviços Médicos Prestados" a diversos clientes. Perguntei a diretora administrativa se havia internamentos, ela respondeu que os tratamentos dos pacientes são realizados no ambulatório durante o dia, pois, não existe leitos hospitalares, como ficou constatado depois da visita que fiz as dependências do mesmo. Examinando as notas fiscais encontrei poucas aquisições de material [de] uso ambulatorial, como por exemplo, estetoscópios, outros equipamentos de uso hospitalar não foram encontrados (doc. fls. 264). A autoridade diligenciadora anexou, à fl. 264, Declaração prestada pela Sra. Arli Melo Pedrosa, identificada como Diretora Administrativa da empresa autuada, segundo a qual a empresa funciona no horário de 07:00 h às 17:00 h, em dias úteis. Constam de fls. 265 a 336 cópias de Notas Fiscais de Serviços executados pela empresa nos períodos compreendidos entre 01/01/1997 e 31/12/2002. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 4 5 Em 20/07/2007, nova solicitação foi efetuada por este julgador, desta feita como Presidente desta Quinta Turma (fls. 337 a 342), para que fosse realizada diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, tendente a verificar se as atividades exercidas pela empresa nos períodos fiscalizados o foram apenas por médicos integrantes de seu quadro social ou se foram contratados médicos não integrantes desse quadro para tal, devendo a autoridade diligenciadora anexar cópias do Contrato Social e alterações contratuais, assim como dos contratos de prestação de serviços porventura firmados com médicos não sócios da empresa. Esta nova solicitação se baseou em novo conceito de serviços hospitalares estabelecidos na IN/SRF n° 480, de 15/12/2004 e nas restrições à adoção desse conceito dadas pelo Ato Declaratório Interpretativo n°18, de 23/10/2003, expedido pela Secretaria da Receita Federal. Realizado procedimento diligencial inaugurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n° 04.1.01.002007009160, de 31/08/2007 (fl. 346), a autoridade diligenciadora acostou ao processo documentação de fls. 347 a 543 e 546 a 719, tendo elaborado, ao final, Relatório de Informação Fiscal (fls. 720 a 722), através do qual, após relacionar os sócios constantes do Contrato Social da empresa (fl. 721) e as empregadas médicas registradas conforme documentos de fls. 372 a 557 (fl. 722), conclui que a empresa diligenciada não apresentou qualquer contrato de prestação porventura firmado com médicos não integrantes do quadro de funcionários ou societário. Na oportunidade, a autoridade fiscal deu ciência das conclusões acima à Sra. Arli Diniz Oliveira de Melo Pedrosa, identificada como sócia da empresa, em 22/12/2007, concedendolhe prazo de trinta dias para possíveis manifestações por parte da empresa diligenciada. Em 27/12/2007, o presente processo foi devolvido a esta Delegacia de Julgamento. Em suma, segundo a acusação fiscal, a autuada, ao invés de aplicar o percentual de 32% relativo às prestações de serviço em geral, determinou seu lucro presumido por meio do percentual de 8% destinado às atividades hospitalares e, no curso da ação fiscal, não comprovou ter exercido atividades passíveis desta qualificação. A autuação, desse modo, resumiuse à constituição do crédito relativo à diferença de percentual. O v. acórdão da DRJ manteve a autuação da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES CONCEITUAÇÃO. Sem prejuízo de outros requisitos previstos na legislação de regência, para que os serviços prestados sejam conceituados Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 como hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido (base de cálculo do imposto de renda), o estabelecimento assistencial de saúde deve garantir atendimento por um período de 24 (vinte e quatro) horas diárias. Lançamento Procedente. O recurso voluntário interposto aduz que a Receita Federal verdadeiro caos ao editar sucessivas orientações conflitantes sobre o que se entende por serviços hospitalares e alerta para o fato de a autoridade julgadora a quo ter fundamentado sua decisão na definição constante do Ato Declaratório RFB n° 19, publicado no DOU de 10/12/2007, quando os fatos em exame ocorreram entre 1997 e 2002. Em sessão de julgamento realizada 11 de abril de 2012, pelo voto de qualidade, entendeu a Turma por baixar os autos em diligência para: Tendo em vista todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que: a) sejam segregadas, dentre a totalidade das receitas que compuseram a base de cálculo do IRPJ lançado, aquelas que se referem a simples consultas médicas; b) seja elaborado relatório de diligência onde conste, para cada período lançado, demonstrativo das receitas assim segregadas, bem como o seu somatório ao final do referido período; c) seja a contribuinte intimada a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório de diligência no prazo de vinte dias de sua ciência. A diligência atestou o seguinte: Considerando que na descrição dos serviços prestados, em todas as notas fiscais emitas aos clientes do CEHOPE, referentes aos períodos fiscalizados,constarem serviços médicos prestados e atendimentos médicos prestados na patologia oncologia de pediátrica (Assefaz), e que entre as notas fiscais emitidas, foi encontrada uma única nota fiscal referente a consulta médica, a seguir indicada, não foi possível segrega a receita bruta de todos os trimestres, conforme a natureza dos serviços prestados e aplicar os coeficientes de presumido do lucro presumido de 8% e 32% respectivamente,exceto no 1º trim/1998, no qual foi emitida a precitada nota fiscal referente à consulta médica. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Isso porque, como já apontado no voto do exConselheiro Régis Magalhães Soares De Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 5 7 Queiroz, não há nos autos a data do protocolo do Recurso, sendo que a dúvida favorece o contribuinte, pois há nítida negligência da Receita Federal. Como já me manifestei nesses autos, acompanhando integralmente o ex Conselheiro Reator quando do julgamento do processo na sessão de 11 de abril de 2012, mantendo a minha posição, usando das palavras do exconselheiro para instruir este voto. 2. Do fundamento. A questão central do presente lançamento está assentada na qualificação jurídica da atividade desempenhada pelo contribuinte, em face da dicção legal que estabelece uma exceção relativa ao percentual de aferição do lucro presumido para os serviços hospitales mais branda (8%) em relação àquele fixado para os serviços em geral (32%). Abaixo, reproduzimos a legislação vigente à época dos fatos: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; O conceito de serviços hospitalares foi questão recentemente pacificada pelo Col. STJ em sede de recurso repetitivo sujeito ao regime legal do art. 543 C do CPC, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399 / BA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 6 9 7. Recurso especial não provido. Superado, então, antigo entendimento que não estendia o benefício a “clínicas que não comportam assistência e internação de paciente” (REsp. 942.046/RS), no voto condutor do leading case “consignouse que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’" (cfr. página 7/10 do voto do relator). Assim, para o Tribunal da Cidadania qualificamse como hospitalares, para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95, os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital, vez que a lei, “ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)” (conforme ementa do REsp. nº 1.116.399/BA). Não se caracterizam, então, como serviços hospitalares, todavia, aqueles serviços consistentes em simples consultas médicas, mesmo quando realizadas no interior de estabelecimentos hospitalares. No mesmo precedente, o Tribunal estabeleceu que a tributação com a base de cálculo reduzida deve considerar a receita proveniente de cada atividade específica, na forma do § 2º do art. 15, da Lei n. 9.249/95, ao invés da receita bruta total da empresa. Como o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” e tendo o REsp. 1.116/399/BA seguido o rito de que trata o art. 543C do CPC, restanos avaliar quais são os serviços presta a recorrente, a fim de verificar se eles encontramse dentre "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde". Segundo relata a autoridade julgadora a quo em sua decisão, verbis: Por meio do instrumento particular de segunda alteração contratual, protocolizado e registrado na JUCEPE em Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 26/04/1996, o objetivo da sociedade passou a ser tratamento clínico hospitalar em hematologia e oncologia pediátrica e atividades correlatas, podendo para tanto: celebrar contratos relativos a convênios assistenciais e acordos com entidades públicas e privadas em todo o território nacional. A atividade da recorrente é o tratamento do câncer infantil e a diligência realizada pela autoridade originária, juntada a fls. 722, traz a seguinte informação sobre o objeto social da recorrente: No período objeto da fiscalização, tanto a atividade social como a composição societária segundo os instrumentos indicados no quadro abaixo, permaneceram os mesmos. Eis o que consta da Primeira alteração Contratual que vai de 26/04/1996 a 07/01/2004, cláusula Primeira — Do Objetivo Social (doc. Fls. 354): "A sociedade tem como objetivo: O tratamento clínico hospitalar em hematologia e oncologia pediátrica e atividades correlatas, podendo para tanto: celebrar contratos relativos a convênios assistenciais; acordo com entidades públicas e privadas em todo o território nacional, objetivando a consecução de suas finalidades". Sobre esta atividade extraímos do sítio do Instituto Nacional do Câncer informações sobre o seu tratamento: O tratamento do câncer pode ser feito através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou transplante de medula óssea. Em muitos casos, é necessário combinar mais de uma modalidade. Radioterapia perguntas e respostas (pdf) Tratamento no qual se utilizam radiações para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. Estas radiações não são vistas, e durante a aplicação o paciente não sente nada. A radioterapia pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos no tratamento dos tumores. (http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/cancer/site/tratament o) E o documento continua: O que é radioterapia? É um tratamento no qual se utilizam radiações para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. Estas radiações não são vistas e durante a aplicação o paciente não sente nada. A radioterapia pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tumores. (...) Como é feita a radioterapia? O número de aplicações necessárias pode variar de acordo com a extensão e a localização do tumor, dos resultados dos exames e do estado de saúde do paciente. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 7 11 Para programar o tratamento, é utilizado um aparelho chamado simulador. Através de radiografias, o médico delimita a área a ser tratada, marcando a pele com uma tinta vermelha. Para que a radiação atinja somente a região marcada, em alguns casos pode ser feito um molde de gesso ou de plástico, para que o paciente se mantenha na mesmo posição durante a aplicação. O paciente ficará deitado sob o aparelho, que estará direcionado para o traçado sobre a pele. É possível que sejam usados protetores de chumbo entre o aparelho e algumas partes do corpo, para proteger os tecidos e órgãos sadios. De acordo com a localização do tumor, a radioterapia é feita de duas formas: Os aparelhos ficam afastados do paciente. É chamada Teleterapia ou Radioterapia Externa. Os aparelhos ficam em contato com o organismo do paciente. É chamada Braquiterapia ou Radioterapia de Contato. Esse tipo trata tumores da cabeça, do pescoço, das mamas, do útero, da tiróide e da próstata. As aplicações podem ser feitas em ambulatório, mas no caso de tumores ginecológicos, há necessidade de hospitalização de pelo menos três dias. Pode ser necessário receber primeiro a Radioterapia Externa e depois a Braquiterapia. E a explicação avança: Quimioterapia (...) Tratamento que utiliza medicamentos para combater o câncer. Eles são aplicados, em sua maioria, na veia, podendo também ser dados por via oral, intramuscular, subcutânea, tópica e intratecal. Os medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que elas se espalhem pelo corpo. Noutra passagem, o sítio do Instituto explica: Quem tem direito ao tratamento pelo SUS? A atenção à saúde no Brasil é de acesso universal, isto é, todo cidadão tem direito a atendimento gratuito. Por isso, o Ministério da Saúde garante o atendimento integral a qualquer doente com câncer, por meio do Sistema Único de Saúde, o SUS. Atendimento integral significa proporcionar ao doente todos os cuidados de que necessita para a cura ou o controle da doença inclusive, as medidas de suporte para os tratamentos, cuidados paliativos, que visam a dar melhores condições de vida aos doentes que não puderem ser curados e reabilitação para a reintegração social daqueles que ficam com seqüelas da doença ou do tratamento. Integralidade é fundamental na oncologia também porque a grande maioria dos tipos de câncer só pode ser tratada, de modo resolutivo, com variadas modalidades de tratamento, sucessivas e complementares, que compõem Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 protocolos. Assim, por exemplo, para que a cirurgia planejada para determinado tipo de câncer tenha êxito em curar, pode ser necessário que seja precedida de tratamento com medicamentos quimioterápicos e sucedida com radioterapia e outros medicamentos antitumorais, isto tudo em períodos rigorosamente programados. (fonte: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=83) O Ministério da Saúde, a seu turno, foi instado pela RFB, por intermédio da COSIT, a se pronunciar sobre o que se deve entender por serviços hospitalares e médicohospitalares, ao que respondeu pela Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 20, de 18/02/2002 (cfr. documento expedido pela RFB a fls. 339): "Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência a saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação por período superiora 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. A execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais destas atribuições podem vir a constituir serviço hospitalar, devendose analisar cada situação de forma individualizada. A análise sobre o serviço prestado deve considerar, ainda, se o estabelecimento possui estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Eventualmente, havendo dúvidas quanto à natureza do serviço, sugere se que a Receita Federal encaminhe ao Ministério da Saúde consulta sobre o caso concreto. Essa orientação do Ministério da Saúde foi então espelhada na IN SRF nº 306/2003, a que melhor tratou deste assunto mas que acabou sendo revogada. As normas infralegais que a sucederam, entretanto, destoam do entendimento do Ministério da Saúde bem como da orientação do Col. STJ proferida em sede de recurso repetitivo. Dos elementos indicados como qualificadores de prestação de serviço médico hospitalar pelo Ministério da Saúde releva notar que dois enquadramse nas atividades praticadas pela recorrente: (i) o “atendimento eletivo de assistência a saúde em regime ambulatorial” e (ii) o “atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde”, ambos nitidamente “voltados diretamente à promoção da saúde”, consoante a definição do R.Esp. nº 1.116.399/BA e, desta forma, por si sós suficientes para reconhecerlhe a qualidade de prestadora de serviço Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10480.016134/200211 Acórdão n.º 1201001.183 S1C2T1 Fl. 8 13 médico hospitalar e habilitála ao tratamento mais benéfico previsto no artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95. Embora também esteja fixado no R.Esp. nº 1.116.399/BA que a tributação deva considerar a receita proveniente de cada atividade específica, na forma do § 2º do art. 15, da Lei n. 9.249/95, ao invés da receita bruta total da empresa, cabia à autoridade lançadora fazer a distinção quando da constituição do crédito tributário. Não obstante, consta notícia de que os autos baixaram em diligência para atender à Solicitação de Diligência DRJ/3T/N° 013/2003, de 02/10/2003 (fls. 255/256) para que apurasse o seguinte: “a) à vista das notas fiscais de serviços e de outros documentos e registros contábil fiscais, a possibilidade de segregação dos resultados oriundos de serviços de natureza hospitalar (internamento), isto é, que valores de receita se referiam a tais serviços e quais os decorrentes de outros serviços, durante os períodos objeto de fiscalização” (...). Os resultados não foram satisfatórios, como atesta o Termo De Diligência Fiscal E Solicitação De Documentos (fls. 261/262), no qual a autoridade diligenciadora apresentou conclusão nos seguintes termos (fl. 263): ... intimei a diligenciada acima identificada a apresentar as notas fiscais de serviços e, depois, solicitei cópias xerográficas por amostragens de uma nota fiscal para cada mês, a partir dos meses dos anos de 1997 a 2002 (fls. 265 /336), nas quais constam "Serviços Médicos Prestados" a diversos clientes. Perguntei a diretora administrativa se havia internamentos, ela respondeu que os tratamentos dos pacientes são realizados no ambulatório durante o dia, pois, não existe leitos hospitalares, como ficou constatado depois da visita que fiz as dependências do mesmo. Examinando as notas fiscais encontrei poucas aquisições de material uso ambulatorial, como por exemplo, estetoscópios, outros equipamentos de uso hospitalar não foram encontrados (doc. fls. 264). Logo, a fiscalização já procedeu à diligencia para segregar as receitas e ela não trouxe aos autos a segregação, razão pela qual entendo descaber mandar refazêla, in casu, ante a conclusão acima. Por fim, vale acrescentar que também descabe à autoridade julgadora aditar o auto de infração para que o lançamento incida de forma diferente da que constou em seu fundamento, pois isso equivaleria a corrigir o lançamento, o que nos é vedado. Desta forma, por não ter atendido ao correto critério de lançamento, o auto de constituição de crédito tributário deve ser integralmente cancelado. Ainda que se respeite a baixa dos autos em diligência considerando a Resolução editada em 11/04/2012, prática essa não aceita por essa Turma, visto que no entendimento da maioria não há a necessidade de respeitar o que fora produzido e deliberado Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 em Resolução, tratandose de um nonvo julgamento com ampla liberdade aos julgadores, o que na minha modesta opinião soa um tanto absurdo em razão do princípio da ampla defesa e da celeridade processual, pois nega reconhecimento ao que fora produzido nos autos para fins probatórios, mesmo assim a conclusão da diligência é favorável ao contribuinte, e com isso passo a acolhêla. Vejamos: Considerando que na descrição dos serviços prestados, em todas as notas fiscais emitas aos clientes do CEHOPE, referentes aos períodos fiscalizados,constarem serviços médicos prestados e atendimentos médicos prestados na patologia oncologia de pediátrica (Assefaz), e que entre as notas fiscais emitidas, foi encontrada uma única nota fiscal referente a consulta médica, a seguir indicada, não foi possível segrega a receita bruta de todos os trimestres, conforme a natureza dos serviços prestados e aplicar os coeficientes de presumido do lucro presumido de 8% e 32% respectivamente,exceto no 1º trim/1998, no qual foi emitida a precitada nota fiscal referente à consulta médica. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento, para cancelar o lançamento fiscal, salvo no caso do 1º trimestre/1998, devendo ser mantido o lançamento sobre a nota fiscal 262, datada de 17/02/1998, no valor de R$ 100,00, conforme apontado na diligência. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 11516.722531/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/10/2010
Ementa:
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. REGULARIDADE DA GLOSA.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118⁄05 (09.06.2005).
No presente caso, as contribuições foram recolhidas em período compreendido entre 07 a 11/2001 e compensadas em 01/2009 a 10/2010.
Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a 05 [cinco] entre a data do fato gerador (07 a 11/2001 e a compensação ocorreu em 01/2009 a 10/2010) e a data do pedido de repetição do indébito.
No caso, não há que se discutir em relação ao mérito da compensação, pois o pagamento indevido é tema superado e reconhecido pela própria Administração, conforme se observa do Acórdão recorrido [fls. 350]:
Em se tratando do reconhecimento do pagamento indevido, este tema já está superado, sendo, inclusive, objeto do Relatório Fiscal, onde o fiscal, no item 4.4 (fl. 160), admite não serem devidas as contribuições recolhidas sobre valores pagos a título de plano de demissão voluntária
Numero da decisão: 2301-004.296
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/10/2010 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. REGULARIDADE DA GLOSA. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118⁄05 (09.06.2005). No presente caso, as contribuições foram recolhidas em período compreendido entre 07 a 11/2001 e compensadas em 01/2009 a 10/2010. Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a 05 [cinco] entre a data do fato gerador (07 a 11/2001 e a compensação ocorreu em 01/2009 a 10/2010) e a data do pedido de repetição do indébito. No caso, não há que se discutir em relação ao mérito da compensação, pois o pagamento indevido é tema superado e reconhecido pela própria Administração, conforme se observa do Acórdão recorrido [fls. 350]: Em se tratando do reconhecimento do pagamento indevido, este tema já está superado, sendo, inclusive, objeto do Relatório Fiscal, onde o fiscal, no item 4.4 (fl. 160), admite não serem devidas as contribuições recolhidas sobre valores pagos a título de plano de demissão voluntária
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A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/10/2010 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. REGULARIDADE DA GLOSA. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118⁄05 (09.06.2005). No presente caso, as contribuições foram recolhidas em período compreendido entre 07 a 11/2001 e compensadas em 01/2009 a 10/2010. Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a 05 [cinco] entre a data do fato gerador (07 a 11/2001 e a compensação ocorreu em 01/2009 a 10/2010) e a data do pedido de repetição do indébito. No caso, não há que se discutir em relação ao mérito da compensação, pois o pagamento indevido é tema superado e reconhecido pela própria Administração, conforme se observa do Acórdão recorrido [fls. 350]: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Em se tratando do reconhecimento do pagamento indevido, este tema já está superado, sendo, inclusive, objeto do Relatório Fiscal, onde o fiscal, no item 4.4 (fl. 160), admite não serem devidas as contribuições recolhidas sobre valores pagos a título de plano de demissão voluntária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Relatório O processo trata da glosa de compensações realizadas pela recorrente, referentes ao período de janeiro de 2009 a outubro de 2010, com fundamento, segundo a fiscalização, em supostos créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de Pedido de Demissão Incentivada (PDI), totalizando o valor de R$ 6.653.974,24. Conforme consta do relatório fiscal, a recorrente efetivou junto ao INSS pedido de restituição de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de Pedido de Demissão Incentivada, durante os períodos dos anos de 1997 a 2001. Em julgamento administrativo, o pedido foi indeferido. Entretanto, ao examinar o recurso interposto na esfera administrativa, o Conselho de Recursos da Previdência manifestou-se pela anulação da decisão monocrática. Além da anulação, deixou estabelecido que a recorrente somente poderia postular as contribuições recolhidas indevidamente após o dia 27/07/1999, em virtude de se ter operado a decadência do direito de restituir ou compensar em relação ao pagamento efetuado em data anterior a esta. E no que se tratava quanto a contribuição da empresa, entendeu que não havia que se falar em prova e não transferência ao custo do bem ou ao custo do serviço oferecido à sociedade. Nesse sentido, o conselho determinou que os autos deveriam retornar à unidade centralizada da SRP, a fim de que fossem analisados todos os argumentos e valores Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722531/2012-13 Acórdão n.º 2301-004.296 S2-C3T1 Fl. 375 3 indicados pela recorrente, e examinasse o mérito do pedido, em razão do período não abrangido pelo prazo decadencial. A autoridade administrativa novamente indeferiu o pedido feito pela recorrente. Segundo o fiscal, apesar do indeferimento da autoridade administrativa, a recorrente passou a compensar os valores denegados na competência de setembro de 2006, antes mesmo da expedição da decisão a respeito da solicitação da restituição. Diante das compensações adotadas pela recorrente, a autoridade lançadora examinou as compensações efetuadas pela contribuinte. No exame dos valores compensados, a autoridade lançadora chegou à conclusão de que, com exceção do pagamento realizado em 02/11/2001, o qual foi integralmente compensado com as contribuições previdenciárias relativas a setembro e outubro de 2006, os demais pagamentos já não poderiam ser utilizados para compensação em virtude de ter se operado a decadência. Desta forma, infere o auditor, que todos os supostos créditos compensados pela empresa nas GFIPs atinentes às competências janeiro de 2009 e outubro de 2010, oriundos de contribuições sobre verbas de PDI, não estavam aptos a serem utilizados no encontro de contas realizado, uma vez decaído o direito à compensação, o que motivou a lavratura do auto de infração. Em sede de impugnação, protocolizada em 01/11/2012, a recorrente informou que a motivação da compensação foi o artigo 28, §9º, alínea “e”, da Lei nº 8.212/1991, que no seu entender, faz jus à repetição do pagamento manifestamente indevido. O recorrente argumenta, que não está vinculado ao pedido de restituição, pois pode a qualquer tempo optar pela compensação, nos termos do §2º do artigo 66 da Lei nº 8.383/1991. Assim, conclui que o objetivo da norma é possibilitar o encontro de contas tão logo o contribuinte apure crédito tributário compensável com o débito do fisco que detém. Afirma, que o prazo decadencial deve ser contado da decisão administrativa denegatória do pedido de restituição final, dia 06/11/2006, do qual foi intimada por “AR” em 13/11/2006. O recorrente salienta ainda em impugnação que o referido pedido foi protocolizado em 23 de julho de 2004, antes da entrada em vigência do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, de modo que esta resguardado ao recorrente o direito de compensar a contribuição previdenciária indevidamente paga a este título dos dez anos anteriores ao protocolo do pedido administrativo. Em 23 de maio de 2013, os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, acordaram por unanimidade dos votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segue ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 AI nº 51.022.5748, de 04/10/2012 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERER O prazo para pleitear a repetição do indébito é de cinco anos, contados da data do pagamento do crédito, uma vez que corresponde à data da extinção do crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013, conforme AR juntado, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em 12/07/2013, o recurso voluntário de fls. 349 a 354, por meio do qual reiterou as razões de inconformidade aduzidas na impugnação e pleiteou que o recurso seja conhecido e provido, e que determine a anulação do lançamento tributário com fundamento no artigo 145, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator Atendido o pressuposto de admissibilidade [tempestividade], conheço do Recurso Voluntário interposto e passo ao exame do mérito. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722531/2012-13 Acórdão n.º 2301-004.296 S2-C3T1 Fl. 376 5 deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118⁄05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543-C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543-C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11516.722531/2012-13 Acórdão n.º 2301-004.296 S2-C3T1 Fl. 377 7 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, as contribuições foram recolhidas em período compreendido entre 07 a 11/2001 e compensadas em 01/2009 a 10/2010. Entretanto, o presente pedido deu-se em período superior a 05 [cinco] entre a data do fato gerador (07 a 11/2001 e a compensação ocorreu em 01/2009 a 10/2010) e a data do pedido de repetição do indébito. No caso, não há que se discutir em relação ao mérito da compensação, pois o pagamento indevido é tema superado e reconhecido pela própria Administração, conforme se observa do Acórdão recorrido [fls. 350]: Em se tratando do reconhecimento do pagamento indevido, este tema já está superado, sendo, inclusive, objeto do Relatório Fiscal, onde o fiscal, no item 4.4 (fl. 160), admite não serem devidas as contribuições recolhidas sobre valores pagos a título de plano de demissão voluntária. Ante o exposto, voto por conhecer do RECURSO VOLUNTÁRIO, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908224/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 24 /2 01 1- 11 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 152 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 14382.67688.190106.1.2.040462, em 19.01.2006, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de abrilde 2001, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 12.103,18, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 153 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.225, de 22/08/2013, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 154 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 14382.67688.190106.1.2.040462,, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 31/03/2001, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 155 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 156 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 157 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 158 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 159 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 160 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 161 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908224/201111 Acórdão n.º 1803002.610 S1TE03 Fl. 162 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10875.001330/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CO-TITULARIDADE. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.:No caso de conta bancária conjunta, todos os co-titulares devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
Numero da decisão: 2101-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nova conversão do julgamento em diligência, vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para afastar a tributação dos valores depositados em conta corrente considerada como conjunta, sem a intimação dos cotitulares e deduzir do valor dos depósitos o montante já oferecido na DIRPF.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CO TITULARIDADE. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.:No caso de conta bancária conjunta, todos os cotitulares devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nova conversão do julgamento em diligência, vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para afastar a tributação dos valores depositados em conta corrente considerada como conjunta, sem a intimação dos cotitulares e deduzir do valor dos depósitos o montante já oferecido na DIRPF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 13 30 /2 00 5- 08 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 247 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 3.445.927,30, decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, para o anocalendário de 2000. A propósito dos referidos depósitos, verificase que, em sede de ação fiscal, o contribuinte foi inicialmente regularmente intimado, na forma de termo de início de efls. 10/11, a apresentar, dentre outros documentos, extratos bancários de contas mantidas junto ao BANCO CIDADE S/A, CNPJ 61.377.677/000138, BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A, CNPJ 07.450.604/000189 e BANCO ITAÚ S/A, CNPJ 60.701.190/000104. Referidos extratos encontramse arquivados às efls. 12 a 144. Através de termo de intimação arquivado às efls. 145 a 158, se solicitou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem de depósitos efetuados nas contas mencionadas, tendo o contribuinte, após solicitações de prorrogação de efls. 159, 161, 163 e reintimações de efls. 162 e 164, alegado que não conseguira reunir a documentação (que se trataria de cerca de mais de 500 recibos de vendas de veículos nas quais intermediou a operação como consignatário) e tão pouco conseguia cruzar o lançamento individualmente com a movimentação financeira de forma individualizada. Lavrouse, então, o auto de infração de efls. 168 a 173, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acompanhado do respectivo Termo de Verificação de efls. 166/167, com ciência ao contribuinte em 04/05/2005. Insurgese o contribuinte contra o lançamento através de impugnação de e fls. 182 a 201, onde, na forma muito bem sintetizada pela autoridade julgadora de 1a. instância (efls. 206/207) : a) O contribuinte é há mais de vinte anos "vendedor de veículos", o que é provado por suas declarações de rendimentos de pessoa física onde declarou no campo de rendimentos recebidos de pessoa física o efetivo valor do ganho auferido nestas operações onde intermediava a compra e venda de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 248 3 veículos entre particulares na cidade de Guarulhos e na Grande São Paulo; b) Quando recebia o veículo consignado, o valor correspondente à operação ingressava em sua conta corrente e logo após era destinado à conta do proprietário do veículo; c) É certo, ainda, que na grande maioria das vezes, além de intermediar a transação, (...), também se encarregava de realizar o financiamento do valor da venda junto às instituições financeiras em geral, de modo que irremediavelmente o valor do financiamento circulava pelas contas bancárias do contribuinte; d) Os cheques e promissórias do pagamento ficavam ao encargo de recebimento pelo contribuinte, isto com o objetivo de garantir a concretização plena do negócio firmado, situações em que o valor do negócio circulava pelas contas bancárias do contribuinte; e) Fica claro que a origem da movimentação financeira nas contas bancárias do contribuinte decorre da intermediação de compra e venda de veículos em que operava como consignatário de tais negócios; f) Os esclarecimentos ora trazidos a esta r. autoridade carregam o "anexo I' comprovando os depósitos, em periodicidade semanal, efetivados nos bancos "Cidade" e "BIC"; o "anexo II" que traz de forma individualizada todas as operações realizadas, destacando quem comprou e quem vendeu o veículo; e o "anexo III" que detalha as operações realizadas mensalmente ao longo do ano calendário 2000; g) Ainda que os documentos específicos do cruzamento de dados não foram juntados, um a um, decorrente da grande quantidade de lançamentos, ainda assim, não é o caso de se aplicar a imputação fiscal na forma que foi lavrada a autuação fiscal; h) Se considerar as operações como sendo decorrentes de veículos do próprio contribuinte para terceiros, estamos diante da figura do ganho de capital e a alíquota então aplicada é de 15% e não 27,5%; i) Se considerar que toda a movimentação financeira é receita, como entendeu o auditor da receita federal, efetivamente nada haveria de se tributar na pessoa física do contribuinte, pois, então, estaríamos diante da figura da pessoa física equiparada a jurídica, que ao caso não poderia efetivada diante do necessário reconhecimento de que o contribuinte é sócio da pessoa jurídica Studio Park Comércio de Veículos Ltda, a qual a tributação deve ser dirigida; j) Deve ser observado mais, que há transferências de valores entre as próprias contas do contribuinte, o que não foi relevado pela fiscalização que também não deduziu os lançamentos originários do imposto de renda pessoa física; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 249 4 1) A autuação fiscal peca pela absoluta falta de fundamentação fática ao enquadramento legal hipoteticamente previsto, ou seja, não há motivação suficiente que permita ao contribuinte exercitar o contraditório de forma ampla. Julgada a impugnação improcedente através de Acórdão de efls. 205 a 211, e cientificado o contribuinte em 16/10/08 (efl. 217), insurgese este contra o referido Acórdão através de Recurso Voluntário de efls. 221 a 226, onde, em síntese passa a alegar: a) Que uma das contas auditadas, mais especificamente a de no 004432, titularizada junto ao Banco Cidade, é conjunta, ou seja, o contribuinte não é o único titular da conta e, assim, o Fisco deveria intimar também o outro titular, sendo que a falta de intimação do mesmo acarreta nulidade do auto de infração; b) O contribuinte teria direito à dedução do valor constante de sua declaração de rendimentos e que gerou pagamento a título de imposto de renda pessoa física no ano calendário de 2000; c) Quanto aos depósitos, volta a alegar que a maioria dos valores depositados não pertence ao(s) titular(es) da(s) contacorrente(s) auditada(s), mas sim aos donos dos veículos comercializados em consignação, tendo elaborado planilhas que listam os veículos e valores envolvidos nas transações, compradores e vendedores, acompanhados de CPFs, informação que julgar ter o condão de esclarecer os depósitos em questão, alegando que o Fisco de posse destas informações pode conferilas; d) Insiste na alegação de existência de transferências entre contas que deveriam ser expurgadas da autuação, bem como que presume que o auditor interpretou que tais vendas fossem de veículos próprios do autuado e, neste caso, caberia a aplicação da alíquota de 15%. Requereu, assim a reforma da decisão de piso e a anulação do auto de infração combatido e o respectivo lançamento de oficio. Subsidiariamente, requereu a redução da exação lançada, da multa aplicada, assim como a adequação dos juros que incidiram sobre o débito. A partir da alegação do contribuinte de cotitularidade de uma das contas auditadas (Banco Cidade S/A), optou este colegiado por converter o julgamento em diligência, pela repartição de origem, com a finalidade de intimar o Banco Cidade S/A ou o seu sucessor para que informe quantos e quem são os efetivos titulares da contacorrente nº 004432.01 mantida naquela instituição no anocalendário 2000 (Resolução de efls. 230 a 232). O resultado da diligência se limitou ao envio de correspondência ao sucessor por incorporação do Banco Cidade S/A (a saber, Banco Alvorada S/A, com sede em Salvador/BA), sem que tivesse sido obtida resposta (efls. 242/243). Retornam assim os autos a este colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 250 5 Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR , Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Os itens do recurso do autuado serão tratados na ordem em que apresentados: a) Preliminarmente, quanto à intimação de cotitulares da contacorrente mantida junto ao Banco Cidade S/A: Com base no resultado da diligência de efls. 242/243, que se limitou ao envio de correspondência a contribuinte, sem a obtenção de resposta e que, assim, em nada serviu para esclarecer a situação fática de interesse, entendo que é de se aceitar como evidência os elementos de prova constantes dos autos, os quais, contendo nos extratos de efls. 12 a 125 o termo e/ou após a menção ao nome do contribuinte, levam à conclusão de existência de co titularidade na referida conta corrente mantida junto ao Banco Cidade S/A. Assim, diante, ainda, da inexistência, nos mesmos autos, de qualquer evidência de intimação ao outro cotitular da referida conta, entendo que é de se dar provimento ao recurso do contribuinte, para fins de excluir do montante tributável, dos créditos objeto de tributação, aqueles realizados nesta conta de número 004432.01, mantida junto ao Banco Cidade S/A, consoante Súmula CARF no. 29, verbis: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. b) Quanto à dedução dos valores de rendimento declarados: Alega o recorrente que deveria ser abatida a renda tributável declarada pelo fiscalizado em suas declarações de ajuste anual. Entendo, também nesta seara, assistir razão ao recorrente, em linha com posicionamento majoritário deste CARF acerca do tema. Reproduzo a propósito excerto do brilhante voto de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no âmbito do Acórdão no 10617.117, exarado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e que representa de forma fidedigna meu posicionamento acerca do tema, e que, assim, adoto como razões de decidir, verbis: “(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 251 6 Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) (...)” Assim, entendo que devam ser excluídos dos montantes tributados a título de omissão de receita o valor de R$ 64.494,69 para o anocalendário de 2000 (Declaração de efls. 07 a 09), uma vez que declarado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. c) Quanto aos depósitos objeto de tributação: A propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Diz o referido texto legal, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13/08/1997, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 252 7 II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia ao autuado, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Tudo através de documentação hábil e idônea que comprove o alegado pelo contribuinte intimado (tais como Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 253 8 notas fiscais), descartandose a possibilidade de meras planilhas suprirem o desejado pelo legislador. No caso em questão, em observância estrita às normas legais pertinentes, a autoridade fiscal, após analisar os elementos contidos nos extratos bancários, intimou o contribuinte, conforme atesta o Termo de Intimação de efls. 145 a 158, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias. Entretanto, o contribuinte não carreou aos autos nenhum documento hábil que demonstrasse a origem dos depósitos efetuados, que foram considerados como rendimentos omitidos, com fundamento no disposto no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996. A propósito, concluo, assim, com fulcro nas considerações acima, que o contribuinte tenta se insurgir contra a escorreita aplicação, pela autoridade fiscal, em plena observância ao princípio da legalidade e moralidade e ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, de dispositivo legal vigente (a saber, o art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996), dispositivo este que permite, de forma cabal, a aplicação da presunção de ocorrência de omissão de rendimentos, assim, com reflexo no cálculo da base imponível, prevista no art. 43 do CTN, sempre que não houver comprovação através de documentação hábil e idônea de valores creditados na contacorrente de contribuinte sob ação fiscal, o que, se verifica ser a hipótese para todos os depósitos objeto de tributação no âmbito do presente lançamento. Tudo em plena observância ao princípio da verdade material, a partir dos extratos carreados ao feito e do comando emanado pelo legislador tributário com plena observância ao devido rito de produção legislativa, tendo sido plenamente garantida ao contribuinte, no âmbito processual, a ampla defesa quanto à infração que lhe foi imputada, conforme já anteriormente mencionado no presente voto. Rejeito, aqui, assim, também, qualquer violação aos princípios da legalidade, da moralidade, da segurança jurídica e da verdade material. Finalmente, uma vez caracterizado que a lei dispõe de forma expressa que o ônus da prova acerca da origem dos depósitos mediante documentação hábil e idônea é do titular da conta de depósito (no caso, do contribuinte autuado), não há que se cogitar de realização de diligência junto a terceiros, a fim de tentar “reparar” o fato do autuado não ter se desincumbido do ônus que lhe é, repitase, legalmente imputado. Quanto à alegação de existência da transferência entre contas, vejo que o contribuinte sequer teve o trabalho de apontála, senão de forma genérica, assim, rejeitoa por insuficiência de provas. Ainda, notese que não se está a requalificar os rendimentos como venda de veículos próprios, não exigindo a utilização da presunção qualquer requalificação da natureza do rendimento que se presume como tributável. d) Quanto aos juros SELIC: Na forma do art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 39, §4o., da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e art. 61, § 3o. da Lei n° 9.430, de 1996, desde 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 254 9 Neste ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em plena observância ao princípio da legalidade, já se manifestou sobre a plena aplicabilidade da taxa SELIC no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.° 4, de obediência mandatória e que assim prevê: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, sobre o crédito tributário não pago na data do seu vencimento, são devidos os juros de mora, calculados segundo a taxa SELIC. e) Quanto à multa de ofício: A referida multa encontrase prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, cumprindo observar que quanto à qualquer alegação de natureza confiscatória e da violação a outros princípios constitucionais explícitos, quando de sua aplicação no patamar de 75%, não é este Colegiado competente para apreciação da matéria, na forma da Súmula CARF nº 02. Por fim, é de se ressaltar inexistir qualquer violação aos princípios da proporcionalidade ou razoabilidade ao se aplicar multa no patamar legalmente estabelecido, diante da inequívoca caracterização de sua hipótese de incidência (como no caso), não cabendo a este Conselho negar aplicação a dispositivo legal vigente e não sendo este o foro adequado para se tentar afastar do ordenamento dispositivos legais emitidos consoante o regular processo legislativo, sejam estes de caráter punitivo ou não. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para afastar a tributação dos valores depositados em conta corrente de número 004432.01 (extrato de efls. 12 a 125), titularizada junto ao Banco Cidade S/A e considerada como conjunta, sem que tenha havido a intimação dos cotitulares e, ainda, para deduzir do valor dos depósitos objeto de tributação o montante já oferecido na DIRPF. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10875.001330/200508 Acórdão n.º 2101002.734 S2C1T1 Fl. 255 10 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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